You are on page 1of 12

ESTUDOS

A relação educação,
ciência e interdisciplinaridade*
Gildemarks Costa Silva

Ilustração: Isabele Zangirdamo Fidelis

Palavras-chave: ciência;
educação; autonomia;
interdisciplinaridade;
epistemologia educacional.

* Parte da discussão presente
neste texto é fruto da nossa dissertação de mestrado, Consciência pedagógica e projeto
histórico: o problema da autonomia da educação no pensamento de Saviani.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 81, n. 199, p. 403-414, set./dez. 2000.

403

O educacional é. o termo educação. hoje. Introdução Em muitos autores. Est. desde há muito. Por isso. por exemplo. 1996. algo que acontece. 199. 10-11). 1992. via de regra.. Saviani. 1994. em cada momento. 1988). quer dizer. É. 403-414. Freitas. o que seria?" Esta busca de um núcleo pedagógico nos coloca diante da questão da cientificidade da educação. em seguida. ciência e interdisciplinaridade. p. Ora. ou aquilo que permite autonomia relativa ao educacional. atualmente. nos diversos momentos da história da humanidade. um vasto corpo de reflexões. Isto possibilita ao Estado permear com a ideologia do grupo no poder. estabelece uma teoria da Educação". a educação escolar 1 2 3 A esse respeito. Ao mesmo tempo. Mazzotti. Mesmo assim. temos. p. importante. Após problematizar as diferentes posições de alguns autores. set. não é à-toa que a questão educacional sempre esteve presente. É comum. sendo que. Configura-se. O termo pedagogia está sendo utilizado como aquilo que corresponde à área do conhecimento humano que tem no educacional o seu objeto de estudo e de pesquisa. por outro lado. como afirma Mouriño Mosquera (1994. será utilizada sempre que nos referirmos à área do conhecimento científico. autores 404 considerados clássicos1 evidenciarem suas inquietações acerca do educacional. seja direta ou indiretamente. Carvalho. porque está presente em uma confluência em que se apresentam diversos interesses humanos. Rousseau. Surge como aquilo que participa da própria constituição do homem. R. São exemplos desta posição: Grossi (1990) e Frigotto (1993). 3 As conseqüências sociais da ausência de definição teórica com um consenso mínimo acerca do educacional assumem nitidez em relação à escola. 1987. organiza os sistemas públicos de ensino. há um certo tempo. responsabilidade do Estado. ao longo da história da humanidade. Como. Brandão. como interroga Mouriño Mosquera (1994. 9): "A essência pedagógica. 2000. a escola apresenta-se como uma das mais importantes. bras. 1993.2 Nele estaria a autonomia possível do educacional. existe. uma das mais complexas e importantes (Libâneo. só para citar alguns: Sócrates. como área do conhecimento humano com pretensão de verdade. para. Educação. v. o conceito de EstadoGerente. assume o significado do termo pedagogia. um fazer. Contudo. O que seria o seu núcleo teórico. no que se relaciona à educação. Mostra a importância de configurar-se uma teoria pedagógica com poder de verdade diante de outras áreas do conhecimento humano. Isto nos permite perceber que. muitos vêm refletindo e sistematizando conhecimentos sobre o educacional. é muito comum./dez. na sociedade moderna. Platão. o que permitiria uma autonomia relativa do pedagógico. É. temos que perceber qual é o status da educação enquanto área do conhecimento humano. em termos educacionais. haver dúvidas sobre quais seriam os principais aspectos teóricos que fundamentam a educação. pedag. em grande parte. Brasília. quando no agora. contrata funcionários. É que. "O Estado-Gerente determina a prática na Educação e. posiciona-se por uma perspectiva interdisciplinar para a educação. p. são contrapostas as correntes que buscam se manter no poder. com minúscula. 1992. Ou seja. Ou. Kant. o tipo de formação que se efetiva em nossas escolas. complexa. em verdade. vem sendo abrigado pelo termo pedagogia. que fornece verbas para as instituições educativas. encontramos a afirmação de que a educação é. principalmente no meio acadêmico. 81. passar em revista alguns autores que se fazem presentes no debate epistemológico do campo pedagógico. o estudo científico da educação.com maiúscula. Dizendo de outra forma. n. na história da humanidade. uma Pedagogia em bases científicas. por um lado. muito da formação humana ocorre dentro de uma instituição educativa. no fundo. há quem negue a possibilidade de uma fundamentação científica da educação. corresponde a uma atividade humana. pois elas geralmente têm interesses diferentes. Por outro lado.D iscute a relação entre educação. . visto que ela contribui para a formação humana. relacionada com a educação enquanto atividade humana. Aristóteles. entre as atividades humanas. principalmente no que diz respeito aos sistemas públicos de ensino.

mítico. ao chegar ao poder. as orientações pedagógicas. n. 1994). é inconteste a importância da ciência para nossa cultura. vegetativa. interferências significativas na nossa sociedade. os educadores são sujeitos a serem agentes ideológicos do Estado. Como diz Brandão (1992. são fatos que compõem um corpo de doutrina)". Em síntese. v. Daí que nem sempre o grupo no poder tem um projeto pedagógico definido. de se captar dado objeto. Daí se justifica. os quais têm. a saber: delimita dado objeto do conhecimento. A ciência é uma forma. Com efeito. etc. emprestada. E que isto tem. ainda. os diversos campos da atividade humana. 1994. parece ser usada pelo EstadoGerente para manipular a população através de uma educação medíocre". em Álvaro Vieira Pinto (1969. E isto possibilita entender o motivo dos diversos estudos científicos. formulamos a seguinte indagação: Será que um aprofundamento da questão teórica poderia contribuir para evitar que a educação deixasse de servir de instrumento político-partidário para as diversas correntes ideológicas que buscam a conquista e manutenção do poder? De uma certa forma. pedag. que o conhecer científico seja superior ou inferior a estes outros modos de compreensão da realidade. comumente. problemas que a aplicação da ciência tem proporcionado ao homem. R. há abordagens científicas em diversos setores da atividade humana. A prática educacional fica flutuando ao sabor das diversas influências ideológicas devido à ausência. Japiassu. ciência e interdisciplinaridade. pois entendemos que a ciência tem se consolidado como uma característica nuclear na cultura ocidental. principalmente.. É por isso que o desejo de cientificidade liga-se aos diversos âmbitos da realidade. a resposta a esta questão passa pelo nosso entendimento acerca do processo científico e suas colaborações para o desenvolvimento humano na sua totalidade. Aborda a realidade sobre determinada especificidade. p. Neste caso. visando a resultados de validade universal. bras. "a Educação é mais prática do que teoria (não há teoria. Não se quer com isso negar a subsistência de outros tipos de saber. desejando. p. econômica e culturalmente das peias do atraso e da servidão. de uma teoria da educação que goze de consenso entre os educadores. principalmente aqueles advindos do uso político-ideológico ou meramente técnico dos conhecimentos científicos. cada vez mais. a apropriação da ciência. Mesmo que não estejamos satisfeitos. são aspectos que se relacionam à sua ideologia. na medida em que permeia a prática educacional com suas perspectivas ideológicas. de forma mais limitada. mesmo cientes de que a aplicação destes estudos nem sempre está a serviço da continuidade da espécie humana. imitativa. é condição vital para a superação da etapa da cultura reflexa. As diversas parcelas da realidade humana passam a ser objeto de processos científicos. "A incompetência das escolas e dos professores. no atual momento histórico.. este estudo sobre a relação educação. que essa maneira de adquirir conhecimentos tem possibilitado. a possibilidade de fazê-la não apenas por si mas para si. nas denominadas ciências naturais e ciências humanas. Assim. evidentemente. para o homem. 199.torna-se medíocre. Isto ocorre porque aquilo que cada grupo busca implementar. também. quando mantida. do saber sistematizado. ao menos nos últimos quatro séculos. 2000. conforme evidenciamos anteriormente. de fato. Ou. Considerando o caráter nefasto deste processo. 11) "no meio acadêmico. sem querer negar. tais como o conhecimento popular. set/dez. rapidamente. para que isto se adeqüe aos seus interesses de manutenção no poder. 4). O atual momento de crise teórica do educacional – a falta de autonomia relativa – é utilizado pela política partidária para o atendimento dos seus interesses de manutenção no poder.. 81. uma valorização da ciência naquilo em que ela pode nos oferecer: "para o país que precisa libertar-se política. por se modificarem. muitas vezes. que se mantenha um nível de incompetência generalizada. com características próprias. p. o qual sofrerá análise metodológica que lhe seja adequada. Neste sentido. é muito comum fazer relação entre a ciência e a necessidade de o homem interpretar a realidade de forma verdadeira. Est. têm evidenciado nítida evolução. e mesmo na vida social. Nem advogar. levado à evolução de conhecimentos. Brasília." As diferentes abordagens da realidade anteriormente apontadas dividem-se. 405 . da inserção desta no seio de uma sociedade global (ver Bombassaro. encontra-se. 403-414. E isto tanto do ponto de vista específico da área como de uma ótica mais ampliada. Não há como duvidar dos méritos. a validade do saber sistematizado é inconteste". Neste caso. quando consideram a contribuição da ciência. religioso. Ambas fornecem.

Orlandi. uma vez que estas últimas são consideradas ciências de "ponta". um questionamento epistemológico na Física é remetido para as próprias ciências naturais e ciências humanas. independentemente da importância que isso possa assumir para a área que o aceita. que possam ser aplicados de forma estanque. Por outro lado.. não se sustenta. 1988. elas coincidem com o fato de terem um significado limitado ao respectivo objeto. um percurso próprio (ver Japiassu. 1996. as quais. 1969. por exemplo. Freitas. Reconhecemos. basta observarmos as teorias que buscaram explicar o nosso sistema planetário. bem como ele próprio posteriormente reconhece. 81. podemos fazer uma observação. mostramse abaladas com certos posicionamentos da Física quântica. 1994. Estas áreas. anistóricas. que lhe cabe. de uma certa forma. E não apenas como um problema da Física. Na Física. de problemática humana. provisório. a Sociologia. um fenômeno social como outro qualquer. não se sustenta. atualmente. A análise de alguns destes autores deixa claro que perspectivas delineiam-se para o debate epistemológico do campo educacional. Perceberemos. quando necessitam. E sobre os limites da ciência no atual momento histórico. aquilo que se poderia denominar. 1994). às vezes. 403-414. mais recentemente. Pimenta. Podemos dizer que isto remete a estudos científicos que procuram abarcar. Saviani. uma construção. 1984. é remetido para todas as outras áreas do conhecimento humano. pois. de acordo com seus limites e especificidades. Assim é que. Contudo. Basta fazermos uma rápida análise deste aspecto./dez. Cada qual tem. pedag. portanto. facilmente. Basta vermos como as ciências naturais/ciências humanas/sociais. E mais: a afirmação. por exemplo. 1987. a Biologia. incapaz de definir parâmetros dogmáticos. de acordo com os seus respectivos objetos.aos seus respectivos objetos. . São exemplos de áreas do conhecimento humano. Na área filosófico-social. podemos lembrar que a lendária frase de Sartre. R. em áreas do conhecimento humano. Estrela. terá caráter limitado. que as ditas ciências humanas e naturais enfrentam. pois. em largos traços. com poder de verdade para toda a história da humanidade. o mais das vezes. Embora a educação não disponha. relacionam-se umas com as outras. Cada qual sabe o campo do conhecimento. 199. são motivos de riso. p. constatamos a existência de autores que procuraram colocar a Pedagogia em bases científicas (Mazzotti. bras. 1996. Esses estudos estão configurados. entre outras. 2000. Libâneo. até o presente. 1990). dos problemas epistemológicos relacionados mais diretamente às consideradas ciências humanas/ sociais. "o marxismo é a filosofia insuperável do nosso tempo". problemas de ordem epistemológica. v. contudo. evidencia-se que. estas ciências naturais não tomam conhecimento. n. Os problemas de ordem epistemológica colocados para as ditas ciências humanas/sociais e as ditas ciências naturais são abordados de forma diferenciada. 1992. Qualquer problema em uma das denominadas 406 ciências naturais. e que não se colocam dúvidas acerca de sua natureza e especificidade: a Matemática. ainda. sendo a ciência um processo histórico. Carvalho. como a Física. A constituição destas ciências se deu ao longo de períodos históricos. por assim dizer. Est. para as relações que estamos buscando evidenciar. a Psicologia. set. a Física. uma determinada inteligibilidade. por exemplo. de elementos teóricos consensuais que lhe permitam certa autonomia. que já houve afirmações consideradas verdades absolutas. Brasília. de que existam teorias universais. a Química.

tendo em vista perceber que relação eles estabelecem entre o que se denomina Pedagogia e o estado de indefinição teórica do educacional. p. R. pedag. qual seja. Daí que estudar esta consciência pedagógica é visualizar terreno pouco seguro. Isto fica claro na análise que Orlandi (1969) procede daquilo que denomina de consciência pedagógica. pois. preferencialmente. as pesquisas em educação foram classificadas por ele em eixos aglutinadores. o mais das vezes. n. "Tradicionalmente. "antes de 'rever' a 'didática'. Nesta referência a uma especificidade da Pedagogia. Na sua análise. Também para Freitas (1987. 113) entende que cabe à Pedagogia o estudo sistemático da educação. não despreza as possíveis colaborações dos psicólogos para a compreensão da problemática educacional. Seria. E. a educação. Este mesmo autor reconhece que a contribuição da Psicologia pode até ser útil. Destarte. neste sentido. Isto deveria. no entanto. "Há muito se debate o caráter ou natureza da Pedagogia procurando determinar qual seja seu lugar entre os saberes. realizadas no período 19231956. 124) enfatiza que este debate não é novo. p. p. sem ter em conta se elas são necessárias para o processo educativo. uma ciência que ainda está em processo de formação. coloca-a como que ligada a algo de maior dimensão: a crise da própria Pedagogia. que a "consciência pedagógica flutua conforme a força momentânea deste ou daquele núcleo influenciador". em um estudo clássico. o que evidencia o domínio psicológico influenciando decisivamente os problemas educacionais. que se atém às atividades pedagógicas. Freitas (1987. a partir de um levantamento sobre pesquisas educacionais. de fato. A este respeito. pelo menos. o posicionamento dos autores em análise. Assim. 31). p. Se formos a Saviani (1990. para Orlandi. 81. 403-414. Por isso. pressupondo-lhe algum estatuto científico. quando afirma que a Pedagogia "é uma ciência em vias de constituição de seu estatuto científico". entende que. p. p. Tem a Pedagogia de estudar a educação na sua historicidade e globalidade. Há algumas décadas. veremos que este compartilha da visão de que a Pedagogia deve se encarregar do estudo sistemático do fenômeno educativo. é essencial o conhecimento da área em que se deseja intervir.A Pedagogia e a indefinição teórica da educação Apresentamos. de psicologismo pedagógico. set/dez. ao analisar a crise da "didática". Mazzotti (1994. Est. a Pedagogia. a abordagem metódica e sistemática da educação tem sido referida à Pedagogia". bras. a consciência pedagógica não sedimentou suas bases em solo profundo. 4). em que situação esta se encontra em relação ao aspecto epistemológico. p. o perturba é "o como a consciência pedagógica assume teórica 407 . por um certo aspecto. Acontece que. acreditamos que uma análise desta consciência pedagógica expressa. 199. Brasília. os aspectos psicológicos aparecem como centrais em 48% do universo de pesquisas. A este respeito. Para a autora. particularmente no espaço da produção científica". o autor esclarece que uma vez em referência à educação. ao processo educacional organizado e dirigido que ocorre no âmbito de uma instituição educativa". é possível que a Pedagogia esteja marcada pelas vicissitudes que estão presentes no seu objeto. ou. isto não vem ocorrendo com a Pedagogia. em estudos científicos. v. 8) constata. ser considerado por todas as áreas do conhecimento humano. visto que a consciência pedagógica tem no educacional o seu objeto de estudo e pesquisa. porque a "Pedagogia ainda não possui um autêntico estatuto científico". É o que o autor denomina. Orlandi (1969. parece concordar com Estrela. 131). esclarece: "Ao fixarmos a educação como objeto de estudo da Pedagogia estamos nos referindo. vemos o que Orlandi denomina de consciência pedagógica. O que. neste momento.. portanto. Libâneo (1993. 2000. Estrela (1992. 9) afirma que. Em um espaço de 33 anos. a educação deveria se apresentar como objeto de estudo sistemático de uma dada ciência. As flutuações da consciência pedagógica Uma dessas primeiras vicissitudes presentes no objeto educacional parece ser a adesão pré-crítica a teorias. No entanto. é necessário revermos nossa própria compreensão da ciência pedagógica". Contudo. p.

aplica aí conceitos e métodos da Psicologia. 1992). sobressaindo sociologia e psicologia. em princípio. Em conclusão. R. a educação fica isolada de outras dimensões que lhe são constitutivas (ver Saviani. portanto. v. ao mesmo tempo. se faz apelo ao contributo de diferentes disciplinas. Educação é apresentada como um conjunto de peças recolhidas nos canteiros das ciências sociais. algumas áreas não dariam conta. como sabemos. A abordagem das denominadas ciências da educação Poderíamos. 199. etc. a educação é um fenômeno multifacetado e complexo. o fato de diversas áreas confluírem para um mesmo objeto na tentativa de abarcá-lo. Assim. 81. naquilo que lhe pode dar suporte teórico. então. e os resultados que obtém são de ordem Psicológica". 93). o caso da Psicologia da Educação. a consciência pedagógica intentará outras alternativas. porque é um fenômeno multifacetado e por demais complexo. Sem jamais conseguir referência consistente à complexidade do real pedagógico. Brasília. Colocaríamos. Estrela. o autor esclarece que "um psicólogo da educação. chega à Sociologia. n. por exemplo. constataremos que este afirma que pode a educação ter seu estudo feito sob diversos enfoques. pedag. uma nova área de conhecimento. mais uma flutuação da consciência pedagógica. surgindo.4 Ou seja. politicismo pedagógico. sob o predomínio de determinada área. elas se desligam das áreas que lhes deram origem. . A problemática educacional passa a ser vista exclusivamente a partir do prisma sociológico. percebemos que os "ismos" são prejudiciais para a educação. Sobre isto. Est. destarte. Freitas. A situação descrita indica que a consciência pedagógica descentra-se do seu objeto. parte-se de uma área determinada..e praticamente um tal socorro prestado pela psicologia" (Orlandi. É. o que se pode denominar de sociologismo pedagógico. a área educacional não vai obter respostas ao que deseja. progressivamente. 1987. agora. 1990. tratando-se. podemos evidenciar que este processo reduz a realidade educacional. entre os vários aspectos que fazem referência à educação. até que. esta idéia de ciências da educação para explicar/ compreender o educacional é semelhante ao conceito de "multidisciplinar". Só que. tenta-se captar a educação pelo prisma desta área. indagar: em vez de uma só área tentar explicar o todo do educacional. 1969. o sociológico. de uma colaboração fortemente localizada e limitada quanto ao seu alcance: os interesses próprios de cada uma das disciplinas implicadas não sofrem qualquer alteração. Em princípio. é possível dizer que há um vácuo. 1996. colocamos o conceito de multidisciplinar de Adalberto Dias de Carvalho (1998. o econômico. finalmente. mais uma vez. apenas um deles é privilegiado. bras. contudo. Não haveria possibilidade de uma Pedagogia autônoma. p. o pedagógico. Contudo. e volta-se ao ponto de origem. Neste caso. esta hegemonia de uma área do conhecimento humano em relação à outra não tem sustentabilidade. p. set. com o qual concordamos: "Diz que há multidisciplinaridade quando. visto que. Isto tem facilitado o argumento de que a Pedagogia. Aquilo que realmente transparece diz respeito à descentração de objeto. adquiriram autonomia em relação ao campo inicial do saber. Eis que se pode falar em economicismo pedagógico. saindo da Psicologia. Quem assume o trono é a Sociologia. conservando-se uma completa autonomia dos seus métodos bem como dos seus objetos particulares". E. quando investiga ou atua no campo educacional. Seria. O argumento central desse posicionamento é que algumas áreas. a educação sempre surge como mero ponto de passagem. No entanto. Contudo. Ocorre. entretanto. Flutua de um lado para outro. Em todos estes "ismos". esta deveria ser substituída pelo que comumente se denomina de Ciências da Educação. então. 403-414. aquela iria se desligando desta. não daria conta do educacional. 4 Na verdade. 408 Ou seja. a própria realidade não estaria susceptível de apreensão. O fato de a educação estar em relação com diversos âmbitos da realidade humana possibilita que outras áreas abordem também o fenômeno educativo. 9). 68). a Psicologia perde sua posição hegemônica. Atordoada. Vejamos. "De modo geral. se constituiria uma nova ciência. destarte./dez. e. 2000. A Sociologia. o histórico. ou seja. Se formos ver esta questão em Libâneo (1992. uma área autônoma do saber. como mostraremos a seguir. Em verdade. ao se voltarem para a educação. na trajetória da educação. de fato. uma vez que. 13). além do mais. p. para realizar uma pesquisa determinada. se configura em outro eixo determinante. enquanto suposta Ciência da Educação. p. o biológico. a sua base epistemológica dentro da Psicologia. a referida consciência intenta outros "vôos". A consciência pedagógica. seja o antropológico. o que lhe empresta certo vezo subsidiário" (Demo. o psicológico. Em outras palavras. O sentimento de que algo está faltando persistirá. querendo consistência e resposta às questões impostas pela educação. a formulação ciências da educação não se sustenta. não há possibilidade de compreender uma realidade multifacetada a partir de uma dimensão. do educacional? Pois. Pimenta. Entendemos que esta visão da relação da educação com as demais áreas do conhecimento humano não facilita a maturação epistemológica da Pedagogia. p. 1990.

caso se coloque a existência. começamos a entrar numa argumentação em que os elementos teóricos não são muito consistentes. set. visto que. mas de forma precária. concordando. Assim. Brasília. Então. p. entre outras./dez. Assim. a Psicologia. a utilidade de resultados de outros enfoques que não o pedagógico é de pouca utilidade para o "interventor pedagógico". de maneira muito limitada. a Psicologia. em princípio. No entanto. conseqüentemente. a grande controvérsia está no fato de que os conceitos e os resultados a que atingem. v. inclusive extrapolando em parte aquilo que vimos colocando até o momento. Est. conceitos psicanalíticos. por exemplo. não conseguindo explicá-lo na sua totalidade. 81. sobre a possibilidade de um estatuto teórico para a educação. se tivermos pensando a partir de interesses pedagógicos. É por demais conhecido este exemplo: a psicanálise. o enfoque de outras ciências no âmbito educacional é de interesse limitado para os que lidam nessa área a partir de um interesse mais pedagógico. Dito de outra forma. do R. ou seja. em regra. a Economia são as ciências em que. sem dúvida. parte de uma problemática própria. p. alguns elementos para a crítica das Ciências da Educação. acontece que esta área vai pretender aplicar os seus conceitos em outra área. a Sociologia. ao expor que os autores por ela analisados sempre fazem referência a um estatuto próprio para uma Ciência da Educação – que geralmente é denominada de Pedagogia – explica. a Psicologia da Educação parece ser mesmo uma aplicação de uma ciência mais ampla. 55). 2) lembra que. imprimimos-lhe. Carvalho (1988. Biologia. da atividade pedagógica. apontar as conclusões a que alcança Pimenta (1996). O que notamos é que a autora parece concluir. no tocante ao aspecto epistemológico. pedag. Para Estrela (1992). Voltando para Estrela (1992). p. porque eles não saíram. a Lingüística. em suas investigações. Concordando com aquilo que ele afirma. após passar em revista a contribuição de diferentes autores. Suas investigações são limitadas por explicarem apenas aspectos deste fenômeno. que a "construção desse estatuto parte da análise crítica do estágio atual de indefinição/imprecisão/insuficiência das ciências da educação em face do fenômeno educativo". 2000. entretanto. portanto. entre outras. Estrela adentra a esta questão asseverando que. que a abordagem de outras ciências sobre a educação – estas às vezes denominadas de Ciências da Educação – é por demais limitada. os autores analisados nos permitem afirmar que Psicologia. dentro desta problemática. É importante. uma idéia de autonomia e de especificidade que dificilmente se compadece com a subalternidade em relação a um tronco fundamental que transparece da óptica anterior". num primeiro olhar. Em conclusão. n. que tomam parte da educação para estudo. estas ciências têm um interesse limitado para o âmbito educativo. Pimenta (1996. então. 199. a Psicanálise. Uma vez que. o "interventor pedagógico" procura apoio em algumas áreas do conhecimento humano. ponto de vista específico da área que as originou. E. são áreas constituídas que têm mantido conturbada relação. Encontramos. O mesmo autor realça que os resultados a que chegam estas ciências são seguros. em busca de uma dada cientificidade. outrossim. mas todas juntas não conseguem abrangê-lo na sua totalidade. entendemos que existem ciências como a Sociologia. E as questões que colocam a si próprias são importantes. a educação recorre para obter elementos teóricos mais consistentes. os problemas que colocam e. p. Como nos lembra Libâneo (1993. as respostas obtidas têm validade dentro dos atuais limites do conhecimento. Sociologia. E mais: "ao designá-la como ciência da educação. Este poderá se utilizar destes resultados. "Cada uma dessas ciências aborda o fenômeno educativo sob a perspectiva de seus próprios conceitos e métodos de investigação". neste debate. com os autores por nós citados. No entanto. cada uma pode até explicar parte do objeto educacional.Em torno desta relação das demais ciências humanas com a educação. Psicanálise. 113). entendendo que esta tenha se desligado de uma ciência de maior dimensão – neste caso. 409 . Economia. A seu ver. para ele.. utilizando-se de métodos psicanalíticos e obtendo. de uma Psicologia da Educação. muitos desses estudos perdem sua validade quando têm a pretensão de explicar elementos da educação. bras. veremos que ele parece concordar com esta argumentação de Carvalho. da Psicologia –. na citação seguinte. ao voltar-se para determinado aspecto educacional. 403-414. na verdade. em Carvalho. tais ciências não consideram a educação como centro para as suas teorizações. com a Educação.

não desfruta dessa especificidade epistemológica. toda ciência é sempre uma ciência de um concreto e. a partir de sua especificidade epistemológica como modo de conhecimento científico e. Este é o caso em que aparecem argumentos em favor da Pedagogia como ciência aplicada. a falta de um estatuto científico para a Pedagogia. também em torno disto. parece que a autonomia possível da educação não se encontra na abordagem das Ciências da Educação. uma distinção entre ciências puras e ciências aplicadas. A Pedagogia como ciência prática Os elementos expostos no tópico anterior permitiram visualizar uma dada opção: nega-se a educação enquanto área específica do conhecimento humano. Na verdade. que também não é neste posicionamento que se encontra a autonomia do educacional. ou seja. evidencia-se neste momento uma questão muito presente. o autor parece concordar com Ribes (1982. na busca de um estatuto científico para a Pedagogia. 132) a negar. 12). mas somente se referenciada à área de conhecimento denominada Psicologia e. baseando-nos nos argumentos que apresentamos a seguir. o que determina a existência de dois tipos de ciências: ciências teóricas e ciências práticas. entre outras. Freitas (1987) aporta-se aos critérios a partir dos quais poderemos definir a especificidade de uma ciência. também concordando com outros autores por nós citados. nesta ótica. elaborados em áreas do conhecimento humano que não o educacional. Com isso. acreditamos. além de ser um artifício ideológico. é claro. intentar subsídios em outras áreas do conhecimento humano. o que muito lhe sobrará. juntos com Libâneo (1993). apenas secundariamente. por exemplo. para Freitas (1987./dez. uma vez que esta 410 se encontra ligada a uma ciência com especificidade epistemológica. Com o fito de tornar mais inequívoca essa ligação da ciência pedagógica com as ciências diversas. para quem "a identidade de uma disciplina configura-se. será transformar-se em mera técnica. E. tais como a Sociologia. a Biologia. como aquilo que busca perceber a educação de forma global. set. a Antropologia. a especificidade de formulação como a Psicologia da Educação. na perspectiva delineada acima das Ciências da Educação. através dele. Na busca desses critérios. que. uma ilusão de óptica: trata-se de um campo diferente apenas na aparência daquele em que a ciência exerce normalmente a sua atividade de inteligibilização do real" (Estrela. destarte. p. neste caso. se mostram diferentes. ela identifica-se enquanto teoria e prática". negando a possibilidade de uma distinção entre ciências puras e ciências aplicadas. quando for o caso. 1992. Brasília. fazendose. Embora para Estrela a questão seja sempre fruto de algo. reparamos que áreas como a Psicologia. por vezes. p. 81. pedag. para concluir. p. esta divisão entre ciências puras e ciências aplicadas. a Psicologia. Esse autor julga que. A Pedagogia. e que tal distinção não encontra fundamentos. esta tem que. caracteriza-se. que é o objeto específico do seu campo. 131). a cargo de uma dada instituição educativa. p. uma pseudociência. n.. bras. Entretanto. "A Psicologia Educacional não tem existência própria como ciência. 403-414. como uma subárea deste conhecimento". tendo os seus critérios de cientificidade assegurados pela sua "responsabilidade social". uma disciplina prática.E isto. A Pedagogia. representa uma arbitrariedade. ao colocar a Pedagogia como uma ciência prática. Estrela (1992. portanto. de tornar-se aplicadora de conceitos. Enfim. a Física. p. . a Antropologia. A autora relata ainda que a cada ciência só corresponde um objeto. que. v. têm critérios científicos garantidos a partir das respectivas especificidades epistemológicas. efetivamente. Se entendermos a Pedagogia. Este parece ser o posicionamento de Freitas (1987). a Sociologia. no melhor dos casos. aparecem noções. 2000. completa: "Uma ciência aplicada será. de R. Est. 199. num primeiro olhar. Terá. é uma ciência aplicada. em favor das denominadas ciências da educação. em primeiro lugar. em termos da demanda como trabalho com um valor de troca que uma sociedade concreta lhe impõe". ou seja. p. a Química. se vista a partir de correntes epistemológicas mais recentes. Este raciocínio leva Freitas (1987. não poderá oferecer respostas a problemas que exijam conceitos próprios da área que os originou. destarte. 12) assevera. ao colocar a Pedagogia como uma ciência prática. 132). a Psicologia. "O materialismo dialético já havia posto em evidência a abstração que representa o conceito de ciência aplicada. como tal.

semelhantemente. apontam para a possibilidade de uma Pedagogia que tome o educacional como seu objeto de estudo e pesquisa. E assim por diante. Só que o "verbalismo" é que. alguns elementos teóricos que dificultam ou possibilitam a existência de uma Ciência da Educação. 1994. ou seja. como diria Nietzsche. o homem sempre sentiu necessidade de repassar às novas gerações os conhecimentos adquiridos. a variedade de situações que sejam educacionais são vastas. Parece não haver dúvidas de que historicamente. 117). v. "Produzir e transmitir às novas gerações a totalidade das mediações e vivências significativas que constituem o mundo vivido foi. pedag. na verdade. e não a teoria./dez. 403-414. Para Saviani (1990). não dá para querer prender a realidade na sua íntegra dentro de um escopo teórico. 1995. o que. bras. 2000. a idéia. realizadas anteriormente. como os "ismos". Outros acreditam que educar é formar um homem tecnológico. o papel do educacional se resume a formar o cidadão. de fato. o "ativismo" que exclui a teoria. na educação. p. Essa educação se faz com diversos elementos não necessariamente apreendidos por uma lógica formal. etc. no trabalho. os autores. de forma breve. efetivamente exclui a prática. Conclusão O anteriormente escrito aponta para a necessidade de uma autonomia relativa do educacional. p. n. Mas estas iniciativas resultaram R. porque.. porque. há presença educativa na família. considerando que o homem – objeto da educação – surge como possibilidade. 199. e não a prática. queremos ressaltar. "Porque.grande relevância no âmbito educacional – estamos falando da relação que se deve estabelecer entre a teoria e a prática. É por isto que. tentativas frustradas de colocar o educacional em contato com orientações científicas.. Sendo assim. está em pauta. uma vez que algumas delas são excludentes. Entretanto. "o gosto da palavra oca". Brasília. na Igreja. ao homem. direta ou indiretamente. set. pela separação entre teoria e prática. um homem com conhecimentos suficientes para viver em um dado mundo. teoria e prática são dois componentes de um mesmo processo. porque há referência. alguns aplicam à prática o conceito que se adequa mais a "ativismo". sem dúvida. conforme deixamos claro anteriormente. a atividade humana. necessariamente. e. por vezes corrente. habilitado para exercer determinada atividade. Podemos concluir que a autonomia possível do educacional não passa. conforme ficou evidente nas análises dos autores. o mais das vezes. E é. muitos vêem a teoria como puro "verbalismo". Em termos educativos. Aqui o caráter enigmático da vida. qual seja. o homem é um ser simbólico que pode produzir aspirações e anseios inesperados" (Freitas. 81. mesmo em diferentes situações. porque. p. fracassadas. E isto se apresenta nesses moldes. estão presentes aspectos que extrapolam a possibilidade de explicações racionais lineares. de que teoria e prática opõem-se está calcada em conceitos aplicados inadequadamente aos respectivos termos. portanto pela afirmação de uma Ciência da Educação. no lazer. dotado de fantasia e de imaginação. de uma forma geral. ciência teórica e ciência prática. Por outro lado.. Diz ele que. para alguns. e outras restringem o educacional a uma mera prática etc. apenas. De fato. ainda não se evidenciou de forma satisfatória. há. a educação é um fenômeno concreto. 76). a ação mais importante para o estabelecimento daquilo que chamamos Educação" (Bombassaro. Mas não dá para reduzir o processo de formação 411 . inserido em determinado tempo e sociedade. por outro lado. e que os limites do seu agir não estão postos. Est.

os reagrupe e os sintetize. de grande importância para o fenômeno educativo. 403-414. 92). efetivamente. Discordamos da visão corporativista de alguns setores que buscam. Daí o fato de crermos que a autonomia da educação é fundamental para o trabalho interdisciplinar. a Pedagogia evolua rumo à maturidade epistemológica. que tem se demonstrado válido para a compreensão/resolução de determinados problemas sociais. Assim.. 412 Assim. atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes. p. a partir do momento em que cada área do conhecimento mantiver sua identidade. seus sonhos. anseios. Em vez do isolamento. pedag. E por atitude interdisciplinar. portanto. no educacional. o que indica. Existem outras. é fundamental aos que fazem determinada área o conhecimento do campo em que atuam. educação e interdisciplinaridade. Brasília. Emocional – a educação deve ter em vista a afetividade do ser humano. assumimos o posicionamento que enfatiza que os . resultados obtidos pelas ciências humanas em geral. etc. muito ficaria na penumbra. de compromisso de construir sempre e da melhor forma possível (Fazenda. Não queremos com isto um isolamento do campo educacional. atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas. atitude de reciprocidade que impele à troca. que a educação pode ser vista numa perspectiva própria. imaginação.. 199. 5 Estas são as dimensões consensuais no meio acadêmico. entendemos que os que lidam com o educacional necessitam de um trabalho interdisciplinar. correm o risco de não servirem cabalmente se não houver uma ciência que os selecione. Acreditamos que tal fato proporciona também a inconsistência teórica por nós evidenciada. 81. e é notório que muitas epistemologias não conseguem apreender satisfatoriamente este aspecto humano. para este trabalho. tais como: Racional – a educação envolve processos mentais. bem como de sua relação com o concreto. aos interesses de um entre os diversos momentos educativos possíveis. pretendemos evidenciar que nem tudo que compõe a educação é passível de apreensão lógicoracional. qualquer tentativa de teorização do acontecer educativo deve levar em conta as dimensões do homem. uma atitude diante de alternativas para conhecer mais e melhor. bras./dez. O que se deve levar em conta. R. p. 82). Est. atitude de humildade diante da limitação do próprio saber. entendemos . que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos. p. do ponto de vista epistemológico. é que. proteger e expandir as fronteiras da área que estuda e pesquisa contra a invasão de outros campos. tendo em vista a autonomia relativa do educacional. É uma perspectiva própria da Pedagogia estudar e pesquisar o seu objeto. Só há trabalho interdisciplinar quando as partes que o compõem têm clareza dos objetivos comuns. que seria a função da Pedagogia. Daí. 1995. aquilo que os sentidos podem captar são objetos educacionais. atitude de espera ante os anos consumados. Exemplos disso são os aspectos relacionados com a afetividade.. e Sensibilidade – as sensações externas. 1988. a todo instante. quer dizer. desejos. Pois o trabalho interdisciplinar só será possível. com pares anônimos ou consigo mesmo –. conhecimentos envolvidos. determinadas habilidades psicológicas. medos. pois acreditamos. que se envolve no referido processo. Isto vai ao encontro da necessidade de o fenômeno educativo ser visto numa ótica global. na educação há conteúdos.humana. atitude de desafio – desafio perante o novo –.. atitude. e que interessam à educação. Para tal. Só assim é que estaríamos autorizados a falar de uma verdadeira colaboração interdisciplinar (Carvalho. estruturas psicológicas cognitivas. considerando o atual momento histórico e os conceitos disponíveis. na sua globalidade. pois. bem como em que medida e de que forma podem contribuir para a consecução desses objetivos. esteja presente uma atitude interdisciplinar. n. set. v. a existência de uma relação necessária entre ciência.. qual seja. 2000. mesmo que possamos flexibilizar ao máximo a noção de racionalidade. a educação. que. . É a partir da clareza do seu objeto que dada área do conhecimento humano pode requerer a contribuição de outra área para a solução de problemas que se evidenciem. porque impõe uma tal fragmentação ao saber que impossibilita a compreensão de determinadas formulações teóricas.. 5 Com as notas acima. Assim. colocando a essas outras ciências questões próprias (para além das que tenta resolver no seu próprio seio) e fornecendo-lhes elementos que transcendam os interesses do seu âmbito naturalmente restrito. propomos que.

p. Goiânia. Campinas: Papirus. Educação: emergência de seu processamento epistemológico. José Carlos. Goiânia. Ivani. 1994. v. A interdisciplinaridade como necessidade e como problema nas ciências sociais./dez. Epistemologia: produção. pedag.). 1992. 17. Epistemologia das ciências da educação. 1994. 7. Impulso. Anais. v. Interdisciplinaridade: história. São Paulo. Zaia. GRINSPUN. A sociologia crítica e a educação: contribuições das ciências sociais para a educação. 18. ciência da educação? São Paulo: Cortez. Anais. A crise das ciências humanas. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO. Zaia et al. 48. 1996.. Porto Alegre. ESTRELA. 1990. Brasília. jan. p. 111-125. Luiz Carlos. Os novos paradigmas em educação: os caminhos viáveis para uma análise. Pillar. 9. MAZZOTTI. Goiânia: Cortez. ORLANDI. Os significados da educação. Pedagogia. 16. (Ciências da educação. 1994. LIBÂNEO.. ciência pedagógica e didática. DEMO. A teoria como hipótese. BRANDÃO. Adalberto Dias de.. 1990. v. FRIGOTTO. 7. Projeto histórico. Zippin. O ato pedagógico em questão: o que é preciso saber? InterAção. 7-13. 67-90. Goiânia. In: BRANDÃO. 1994. n. Universidade e educação. M. 413 . jan. v. v.Referências bibliográficas BOMBASSARO... 6-24. 45-50./jun. 199. Campinas: Papirus. Goiânia: Cortez. Que destino os educadores darão à Pedagogia? In: PMENTA. 1992. Albano.. 46. R. 1994. 124-130. Paradigmas tecnológicos na educação: a transgressão epistemológica. v. 27. 1993. Selma Garrido (Coord./dez. p. 27. A contribuição da Psicologia na educação. 59-78. Brasília. Juan José. p. Luiz Benedicto Lacerda. p. FAZENDA. 1994. 211-242. 8. Educação e Realidade. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília. p. ______. n. Goiânia. 2000.. 1). Porto: Afrontamento. G.. P. ______. transmissão e transformação do conhecimento. n. Em Aberto. Hilton. 1992. 1969. FREITAS. Tarso Bonilha./dez.). 21-25. Educação & Sociedade. 1996. p./abr. n. 2. n. Selma Garrido (Org. Piracicaba. Goiânia: Cortez. p. S. O problema da pesquisa em educação e algumas de suas implicações. Porto Alegre. Goiânia. Campinas. 179/ 180/181. p. p. PIMENTA. 63-72. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO. 1995. 1993./dez. ciência da educação? São Paulo: Cortez. p. JAPIASSU. Anais. modalidades de prática educativa e a organização do sistema educacional. Luiz Carlos de. 1994. 1987. Em Aberto. Educação Hoje. 403-414. Pedagogia. jul. out. n. jan. 9.. mar. 113-123. v. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO. n. CARVALHO. E. teoria e pesquisa. p. 1988./dez. 13-31. 81. Educação. 7. 1994. abr. GROSSI. bras.. 75. Brasília. n. 1995.. set. 117. MOURIÑO MOSQUERA./dez. ciência da educação? Porto: Porto Ed. 9. ______. Est. p. n. n. A Pedagogia como ciência da prática educativa. Inter-Ação. 122-140. set. p. Pedro. Pedagogia.

RIBES. Álvaro Vieira./dez. 2000. education.). set. n. 9./ago. E. ______. v. (Org. Recebido em 12 de janeiro de 2000. jan. 1990. . Brasília. so that it is possible to check some authors in the epistemological debate field. 403-414. 1996. SAVIANI. educational epistemology. 3. p. autonomy. Sobre a natureza e a especificidade da educação. interdisciplinarity. Keywords: science. Em Aberto.PINTO. é professor de Filosofia da Educação e orientador pedagógico no Colégio de Aplicação dessa universidade. 1969. 1982. It also shows the importance of configuring a Pedagogic Theory with real power in opposition to the other human knowledge Areas. mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). La Psicologia: una profesión? Iztacala: Universidad Autónoma de México. Em Aberto. Ciência e existência: problemas filosóficos da pesquisa científica. v. M. p. v. ______. A reinvenção do futuro. Gildemarks Costa Silva. 81. n. 199. Est. 1984. Brasília. Filosofia da Educação: crise da modernidade e o futuro da filosofia da práxis. C. 22. 414 R. São Paulo: Cortez. n.. Brasília. Science and Interdisciplinarity. Rio de Janeiro: Paz e Terra. p. 1-6. Mimeografado. jul. Abstract This text talks about the relation between Education./mar. Contribuições da filosofia para a educação. pedag. Dermeval. 3-9. After comparing the different positions of some authors we assume an interdisciplinary perspective for the Education that would allow a relative autonomy in the Pedagogic process. bras. 45. In: FREITAS.