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1. Direitos sociais na CR/88 e cláusulas pétreas: é possível uma relação?

Texto 06 de DT I: “Constituição da república, estado democrático de direito” (17/03/2015 22:22) Godinho.
As chamadas cláusulas pétreas são aquelas que tratam dos assuntos listados no § 4º do art. 60 da
CR/88. Entretanto, o inciso IV do referido dispositivo, traz algumas dúvidas acerca da sua extensão e
aplicabilidade. A sua redação é a seguinte:

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
[...]
IV - os direitos e garantias individuais.

Isso quer dizer que tais cláusulas constitucionais, por tratarem de questões fundamentais do Estado
Democrático de Direito não podem ser abolidas nem mesmo pela via de emenda constitucional.
Ocorre que o inciso IV deste artigo é abrangente e acaba por permitir algumas interpretações.
Não há dúvidas, porém, que os direitos abrangidos no Título II (Dos Direitos e Garantias
Fundamentais), Capítulo I (Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos) da CR – artigo 5º – são
fundamentais e estão incluídos no rol das cláusulas pétreas. Já os direitos sociais, que estão nos
artigos 6º, 7º e 8º geram dúvidas na doutrina e jurisprudência quanto a sua característica de cláusula
pétrea.
Nos últimos anos, especialmente por parte da doutrina trabalhista, tem havido uma unificação no
entendimento de que tais direitos, por também serem fundamentais, de natureza individual,
estariam protegidos nos termos do art. 60, § 4º da CR.
Assim, atualmente, há sim uma relação entre os direitos sociais e cláusulas pétreas, eis que o
entendimento moderno é no sentido de que os tais direitos são também imutáveis na forma do
artigo 60.

2. No séc. XIX, o francês Henri Dominique Lacordaire escrevia que “entre o forte e o fraco, entre
o rico e o pobre, é a liberdade que oprime, é a lei que liberta.”. Disserte sobre:
a. a atualidade do pensamento de Lacordaire, valendo-se, para tanto, das funções do
Direito do Trabalho.

b. o princípio que baliza a eficácia da lei trabalhista, inclusive de modo a permitir que
ela concretize esse ideal de libertação do trabalhador em face das opressões.

c. o direito trabalhista significa uma libertação plena do trabalhador em relação à
exploração capitalista? Justifique, também, com base nas funções do Direito do
Trabalho.

3. “No xadrez liberal, os peões não valem nada” (CUNHA, Paulo Ferreira da. História do direito:
do direito romano à constituição europeia)
“Primeiro veio o Direito do Trabalho. Muito tempo depois, o do Consumidor. Nem um, nem
outro, querem acabar com a dependência de contratar, pois ela é da essência do sistema ao

Estabeleça distinção suficiente entre não-eventualidade e continuidade. II da CLT: poder significativo. agindo como representante do empregador.” (VIANA. com atribuições de gestão e padrão salarial superior ao do cargo efetivo em pelo menos 40%. 62.ª Região. não fazendo jus. sobretudo considerando o atual contexto produtivo e as novas técnicas de gestão de mão-de-obra. Assim sendo.2012. trabalho doméstico e trabalho em domicílio.0009 RO. II. 62 da CLT. o poder de um empregado de admitir e dispensar é condição para que ele seja caracterizado detentor de cargo de gestão? E quem exerce estas atribuições. nem de adicional noturno. Órgão Julgador: Segunda Turma. responda: O princípio da exceptio non adimpleti contractus é compatível com o contrato individual de trabalho? E o Pacta sunt servanda? Rebus sic stantibus? E a boa-fé subjetiva? 4. podendo inclusive utilizar-se do poder fiscalizatório e disciplinar no desempenho de suas atividades. essa condição é suficiente para enquadrá-lo no disposto no artigo 62. compensando a falta de liberdade com um pouco de igualdade. ao pagamento de horas extras. b. a partir do assentado protetivo. portanto. Revisor: Anemar Pereira Amaral) . perfaz-se necessário que o direito do trabalho envide uma releitura do conceito de subordinação? 5. Diferenças elementares. Relator: Sebastiao Geraldo de Oliveira. II. Por quais motivos. Data de Publicação: 30/07/2014. Mas pelo menos tentam equilibrar o conteúdo dos contratos. elevados poderes de gestão e representação.HORAS EXTRAS . a ponto de credenciar o empregado que exerce o referido cargo como "alter ego" da empresa. a ordem jurídica confere um balizamento diferenciado ao contrato de trabalho. As relações de trabalho sem vínculo de emprego)” Tendo em vista a assimetria de poderes e de condições socioeconômicas entre as partes que compõem a relação empregatícia. II da CLT: EMENTA: CARGO DE CONFIANÇA . A jurisprudência e as doutrinas mais abalizadas têm interpretado o inciso II do artigo 62 da CLT de forma mais ampla. da CLT. (TRT da 3. não é condição para o cargo de gestão que o empregado possua o poder de admitir e dispensar. Sobre o contrato de trabalho. aos quais se equiparam os diretores e chefes de departamento ou filial. Subordinação clássica e subordinação estrutural: a. Como atua a subordinação no teletrabalho? 6. 62. Os gerentes. No seu ponto de vista. Basta que ele possua poderes de gestão. não exigindo. Na minha análise.qual pertencem. Exemplifique. DA CLT . com remuneração diferenciada e ausência de controle de jornada.ART. 62. É este o entendimento jurisprudencial mais moderno do art. inclusive as decorrentes do intervalo intrajornada. estão enquadrados na exceção prevista no art. Márcio Túlio. assim considerados os exercentes de cargos de gestão. para a caracterização do cargo de confiança previsto na referida norma consolidada. com poderes como os de admitir e dispensar empregados.5. com autonomia e liberdade de decisão ao menos no seu setor. evidenciado nos autos que o reclamante era dotado de poderes especiais de gestão e responsabilidades perante os demais empregados. automaticamente se coloca como excluído do regime de limitação de jornada? São dois os requisitos cumulativos para que o funcionário seja enquadrado na exceção do art.INTERVALO INTRAJORNADA ADICIONAL NOTURNO. Processo: 0002441-98.03.

não basta somente o nome do cargo de “gerente” ou “chefe de departamento”. Entretanto. na rescisão promovida pelo empregador o empregado terá direito a um dia por semana livre para busca de novo trabalho. no caso dos rurais. diferentemente da redução de 2 (duas) horas diárias ou dos últimos 7 (sete) dias corridos para o empregado urbano disposto no parágrafo único do art. Há. contudo. É claro que os poderes de punir. no que não for colidente. § 1º da CLT). A mais adotada diz que o controle de jornada descaracteriza o cargo de confiança. a Lei 12. 7º da Lei).889. sem. desde que enquadrado como rurícola. 15 da Lei 5. assim. sendo um forte indício. 73. são devidas as horas extras. §2º da CLT). 73 caput). que explore atividade agro-econômica. conforme o art. Já para os urbanos.889/73 e a CLT. no curso do aviso. 7º). É bom lembrar que os casos devem ser analisados concretamente e que cada situação poderá indicar ou não os poderes de gestão efetivos e suficientes para a configuração. 7º caput da CR estabelece igualdade entre os trabalhadores rurais e urbanos. motivo pelo qual não se aplica tal regra celetista aos empregados rurais. contratar e dispensar funcionários indica um amplo poder de gestão. porém. exercendo cargo de confiança com patamar mais elevado de remuneração. Outra diferença é sobre o trabalho noturno: para o rural. Para que seja enquadrado como rural. Como semelhança.Da mesma forma. Além disso. Além disso. não são considerados como tal a moradia e a alimentação fornecida. a base de cálculo é o salário mínimo do qual poderão ser descontados até 20% pela ocupação da moradia e até 25% pelo fornecimento de alimentação. algumas diferenças legais entre ambos empregados. o empregado rural ou urbano deve ser pessoa física. 3º e art. 7. enquanto que para o urbano é aquele exercido entre 22 horas de um dia e 5 horas do outro (art. o empregado deixa de ser enquadrado como detentor de cargo de confiança e passa a receber horas extras. diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados” e ainda aquele que mesmo em local não rural. estabelecendo o mínimo dos direitos que devem ser assegurados a todos os trabalhadores. porém na Lei 5. não sendo devidas horas extras. havendo. porém se o empregado não possuir remuneração diferenciada (no mínimo 40% superior ao cargo efetivo) ou não possuir poder de mando. exerce atividade agrária (§1º do art. podemos considerar que há duas teorias. há aqueles que entendem que o fato de haver controle de jornada apenas possibilita o recebimento das horas extras prestadas além da 8ª diária e 44ª semanal. o adicional noturno para o empregado urbano é de 20% sobre a hora normal (art.889 é “a pessoa física ou jurídica. que segundo o art. proprietário ou não. Isto porque a eles é aplicável a Lei 5. em caráter permanente ou temporário. Por outro lado. descaracterizar o cargo de gestão. automaticamente o funcionário está excluído do regime de limitação das horas. o empregador rural pode até ser pessoa física. 73. Quanto ao aviso prévio. o trabalho tem que ser prestado a empregador rural. Quais as diferenças legais entre empregado rural e urbano? Qual seria o enquadramento sindical de motorista que presta serviço em âmbito rural? A igualdade de direitos trabalhistas entre empregado rural e urbano é plena? O art. Quanto à jornada. . 4º). 3º da Lei 5. enquanto o adicional do rural é de 25% (parágrafo único do art. 488 da CLT.889 não foi prevista a redução ficta da hora noturna (art. Caso comprovado o controle de jornada. Quanto ao salário utilidade (in natura).506 também é aplicável ao empregado rural. é noturno o trabalho exercido entre as 21 horas de um dia e 5 horas do outro na lavoura e entre as 20 horas de um dia e as 4 horas do outro na pecuária (art. entretanto. a base de cálculo é o salário contratual e tais verbas são consideradas salário. Já os trabalhadores urbanos têm seus contratos regidos pela CLT. Havendo controle. 9º e seu § 5º da Lei supracitada. algumas especificidades para o rural. portanto. organização e liberdade na tomada de decisões não há que se falar em cargo de confiança. segundo art.

À luz das normas constitucionais que regulam a proibição do trabalho em determinadas faixas etárias. Pelo exposto. mas o empregado rural. por exemplo. 82. Na prática. 7º. somente pode ocorrer em casos excepcionais. E o Brasil. ou seja. teatros e produtoras de cinema contem com o trabalho artístico de crianças menores de quatorze anos. . Tal assunto já foi inclusive tema das OJs 315 e 419 da SDI-I do TST. o contrato de trabalho do motorista deve ser regido pela Lei 5. Assim. É comum que emissoras de televisão. 8. a princípio seria impossível a contratação da atriz de dez anos para atuar como apresentadora de programa. tem-se que apesar do disposto no art. O art. nas quais se incluem o caso dado na questão. Por fim. a Constituição também diz que caberá ao Congresso ratificar os Tratados Internacionais de que o Brasil seja parte. deve existir um ato de permissão expedido por autoridade competente. um alvará de um juiz. que trata da idade mínima para admissão ao emprego.889. como membro participante da OIT ratificou a Convenção n. Sobre o enquadramento sindical do empregado motorista que presta serviços em âmbito rural. até mesmo pela peculiaridade do trabalho que exerce merece proteção diferenciada em certos pontos. Primeiro há que se fixar que a contratação de menor de 14 anos para apresentações artísticas. o requerimento a qualquer um dos dois e o alvará assinado por qualquer um serve para esse fim. I do TST. rígidos critérios de validade da contratação. mediante aprovação nas duas Casas (art. Além disso. porém.718/2008 que acrescentou o art. Podemos dizer que o urbano possui proteção mais ampla. a. Entretanto. se o da Justiça do Trabalho ou do Juizado da Infância e da Juventude. como cada um se entende competente para tanto. devese ter me vista a atividade do empregador. situações individuais e específicas. por se tratar de relação de trabalho. porém nunca inferior a uma hora para jornadas mínimas de seis horas. além de que as condições do trabalho são muito diferentes. I e art. 14-A na Lei dos Rurais. inciso XXXIII da CR/88 proíbe trabalho de qualquer forma para o menor de 14 anos. 114 da CR que atribui competência à Justiça do Trabalho para julgar ações decorrentes de relação de trabalho – e não somente de emprego – entendo que a melhor interpretação é que o Juízo competente é o da Justiça do Trabalho. pois o enquadramento se dá intermédio da atividade econômica exercida pelo empregador. analise a licitude de uma emissora poder contratar uma atriz de dez anos de idade para atuar como apresentadora de programa infantil. o contrato de trabalho rural permite o contrato de safrista. 12 da Lei. especialmente se considerarmos que a tendência é que o grau de instrução do rural seja menor do que o urbano. Seu artigo 8 estabelece especificamente a possibilidade de contratação de menores de 14 anos para os finalidades de representação artística. Ressalta-se que. sendo que há diferenças na legislação aplicável. mas jamais por menos de uma hora nas jornadas de seis ou mais horas. VIII). 5º da Lei dos Rurais permite que ele seja estabelecido de acordo com usos e costumes da região. justamente por estar abrangido pela CLT em sua totalidade. tendo em vista o disposto no art. 49. conforme súmula 437. Se a atividade é rural. 7º da Constituição a igualdade entre trabalhadores rurais e urbanos não é plena.Sobre o intervalo também podemos dizer que o art. 138. Há uma controvérsia acerca de qual Juízo seria competente. O dispositivo apenas permite que o intervalo se estenda por mais de duas horas. que é uma forma de trabalho temporária específica dos rurais estabelecida no art. Permite também o contrato por pequeno prazo através da Lei 11. listando.

pois o trabalho do menor acaba por causar maior evasão escolar. ela somente deixou de ser incapaz na acepção civil do termo. Suponha que esta apresentadora seja contratada aos dez anos de idade. recebendo remuneração que lhe assegura economia própria. parágrafo único. Ainda se considerarmos que. fixação do(s) local(is) onde poderá ser realizado o labor. nestas condições. À luz das normas constitucionais e infraconstitucionais incidentes. pergunta-se: é aplicável a ela vedação constitucional relativa ao trabalho noturno. estabelecendo as condições e ouvindo o Ministério Público. insalubres ou em trabalho noturno sem sofrer as consequências físicas.A permissão deverá ainda estabelecer os horários de trabalho com limitação do número de horas. e não capacidade. a apresentadora ainda não atingiu a maturidade corporal e moral que a permita laborar em locais perigosos. fixação das condições especiais de labor. A emancipação civil causa efeitos civis. pois estes tratam de critérios de faixa etária. Os fundamentos são de ordem fisiológica e de segurança. o que acaba por causar uma subqualificação desses trabalhadores. mas não atinge os pontos mencionados na questão. perigoso ou insalubre. A razão de ser da proibição do trabalho do menor não é apenas uma limitação de faixa etária. podendo também determinar o depósito dos valores em caderneta de poupança para futuro uso do menor e ainda a necessidade de acompanhamento médico. perigoso ou insalubre? Justifique. inciso V do Código Civil). e que ao completar 16 anos passe a frequentar curso do ensino médio. Pelo exposto. são todos fundamentos para a proibição do menor em laborar em trabalho noturno. como desnecessidade de assistência ou representação para os atos da vida civil. destacados acima. requerimento a Juiz competente que poderá expedir alvará para o labor específico de apresentadora de programa infantil. b. 5º. pois o corpo do menor ainda não está completamente formado. compatibilidade com o horário escolar. Ressalta-se que o menor deve sempre estar acompanhado de um pai ou responsável. como. que podem perder sua capacidade laborativa antes mesmo de possuí-la legalmente. ou seja. Também se fundamenta em argumentos de ordem moral e cultural. sendo que os acidentes são muito mais maléficos a estes trabalhadores. devendo existir também manifestação do Ministério Público no processo acerca da aprovação ou não do trabalho. perigoso ou insalubre. Assim. a emissora de televisão somente poderia licitamente contratar a menor se fossem preenchidos os requisitos. não deve realizar trabalho noturno. Dentre outros. diminuindo a chance do pequeno trabalhador de ter uma inclusão qualitativa no mercado de trabalho. mesmo tendo completado 16 anos e possuir economia própria. . a menina tenha se emancipado nos termos da Lei Civil (art. no caso dado. Ela ainda é menor de 18 anos e nessa condição.