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Apresentação

Patrocínio

Apoio

www.fest iva l ci n e mu s i ca . co m. b r

Realização

1

2

90 CINEMÚSICA
Festival de Cinema de Conservatória

Estado do Rio de Janeiro - Setembro de 2015

4

Índice
7

Apresentação

8

Nos embalos de Conservatória, por Rodrigo Fonseca

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Homenageados
Grande Homenageado: Jerry Adriani
Personalidade Sonora: Victor Raposeiro
De Olho Nele: Rodrigo Aragão

14

Filmes
Sessão de abertura
Troféu CineMúsica
Panorama Nacional de Longas
Prêmio Delart
Mostra Jovem Guarda
De Olho Nele: Rodrigo Aragão
Troféu Curta Light
Curtas
Olhar universitário
Júris

67

Cultura Integrada

70

Formacine

71

Sabor CineMúsica

72

Depoimentos dos Profissionais de Som do Cinema

87

III Encontro Nacional dos Profissionais de Som do Cinema
Apresentação, por Bernardo Marquez e Joice Scavone
Programação

95

Anais do II Encontro Nacional dos Profissionais de Som do Cinema

186

Grade de Programação

144

Equipe Cinemúsica

5

Em 2015, o CineMúsica se junta aos agitos da celebração dos 50 anos da Jovem Guarda.
Muito além de um movimento musical, a Jovem Guarda foi marcada por sua abrangência cultural,
penetrando também o cinema, a TV, o comportamento, a moda. É também essa pluralidade e
essa abrangência que, numa pequena escala, o CineMúsica vem buscando nos últimos anos,
unindo cinema, música, gastronomia e promovendo acesso à cultura em geral à população de
Conservatória e região.
Nosso Grande Homenageado deste ano é Jerry Adriani, que também completa 50 anos de

Troféu CineMúsica, contemplando diversas categorias de trabalho de som no cinema, e o Prêmio
ano a mostra Olhar Universitário, uma competição de curtas-metragens de escola, reforçando
nosso compromisso com os jovens talentos e o ensino de cinema.

CineMúsica como um evento único no circuito de festivais brasileiros. Seguindo esta linha,
foi escolhida como Personalidade Sonora de 2015 o veterano técnico e diretor de som Victor

Com tudo isso, esperamos que o 9º CineMúsica seja nada menos do que uma verdadeira
festa de arromba. Um bom festival a todos!
Ivo Raposo

Presidente

7

Nos embalos de Conservatória
Broto legal no cenário dos festivais brasileiros, o CineMúsica de Conservatória abraça o
pop como seu idioma e decide, em sua nona edição, incendiar uma brasa que um dia ardeu
nos corações e nos topetes de uma juventude ansiosa por ouvir rock’n’roll em português,
com sotaques brasileiros. A brasa chamada Jovem Guarda, mora? Completa-se em 2015 o
aniversário de 50 aninhos da criação do movimento que revelou o Rei Roberto Carlos e sua
corte, com o Tremendão Erasmo Carlos e a Ternurinha Wanderléa, fora os satélites que levaram

grande homenageado, num gesto de doce, doce amor à arte de cantar: Jerry Adriani.
décadas de resistência e irreverência. Premiar Jerry é levantar um brinde à perseverança e à
habilidade de reinvenção de um operário do rock.
à Jovem Guarda

Conservatória, indo das

Wanderley Cardoso, correndo atrás de seu
doce de coco em Pobre príncipe encantado (1969), de Daniel Filho. Do passado para o presente,
o documentário de Renato Terra e Ricardo Calil sobre Carlos Imperial abre nosso festival,
resgatando os bastidores da febre jovemguardista, que transparecem ainda em Tim Maia
(2014), de Mauro Lima
popular da JG
CineMúsica
estéticas mais recentes do nosso cinema, entre veteranos e novatos. Na seleta de longas,
Manuela Dias se lança na direção com Love Film Festival enquanto o mestre Luiz Rosemberg
Filho
Dois casamentos.
Conservatória este ano painéis afetivos (Mais do que eu possa
me reconhecer) e cabarés (Nervos de aço)
(Galáxias) alternam-se
(Brava gente italiana), enquanto nosso festival põe na ribalta uma

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comédia inédita: Mulheres no poder, de Gustavo Acioli, com Dira Paes
Rodrigo Aragão, que virou
um operário do gênero de reconhecimento internacional. As ondas de seu Mar negro hão de
agitar Conservatória
uma sobrevida. E, se o papo é honraria, Hernani Heffner, guardião da memória do cinema
nacional, preservador de clássicos e cults, também recebe nosso aplauso e nosso carinho por
seu trabalho.
Marão
e a montadora Karen Akerman,
uma mostra de curtas de escolas e universidades onde o Cinema é objeto de sala aula.
É ver pra crer e pra curtir.
Bem-vindo.
Rodrigo Fonseca

Crítico de cinema, roteirista e curador do Cine Música 2015

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HoMENAGEADoS

JERRY ADRIANI

GRANDE HOMENAGEADO

J
Italianíssimo (1964). Em 1965 lançou
Querida. A partir

seu disco mais famoso, Um grande amor

Ainda nos anos 1960, foi apresentador dos programas musicaisExcelsior a Go Go, da TV
A Grande Parada
Essa
gatinha é minha (1966), de Jece Valadão, eJerry, AGrande Parada (1967) e Jerry em busca do
tesouro
Entre osmaiores sucessosde Jerry estão canções como Cada um sabe de si, És meu amor,
Doce, doce amor, Coração de cristal e Olhos feiticeiros.Mais recentemente, gravou discos como Io
(1995) e Forza sempre
Em 2014, completou 50 anos de carreira.

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Victor Raposeiro

PERSONALIDADE SONORA

Quilombo? O amuleto de Ogum? Bye Bye
Brasil? Pois tem muito mais: Dona Flor e seus dois maridos, Amor bandido, Tudo bem, Xica da
Silva, O beijo no asfalto, Lição de amor,
, basta ou quer mais? Com os maiores di-

trabalhando nos estúdios de som. Somil, o maior deles. Hoje, um mestre e um grande amigo.
Maria Muricy, editora de som

Victor Raposeiro no set de Bye Bye Brasil (Carlos Diegues, 1980)

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Rodrigo Aragão
OLHO NELE

está recebendo (merecidos) louros por sua perseRodrigo Aragão. Herdeiro da tradição do horror verde e amarelo, aberta nos anos 1960 por José Mojica
Marins e regada a sangue de pescoço nos 1980 por
Guarapari e arredores construiu, em cerca de sete
Mangue

negro (2008) e A noite do Chupacabras

locais. O Baiacu-Sereia e o Caranguejo-Zumbi são criações da cabeça carequinha dele, que troudegustam cérebros ele encontrou um pavor universal que o deu uma parentela com mestres do
Yes
honra ao mérito que leva Aragão a ser premiado neste nosso CineMúsica 2015 como o Troféu
Olho Nele. A honraria a ele outorgada se deve mais ao vigor de sua artesania, pessoal e autoral,
com DNA
Aragão desenvolveu um cinema artesanal, calcado
no tato e no olfato, onde matérias-primas da maquiagem fomentam a urdidura de um universo
próprio de seres ensanguentados e purulentos. Suas criaturas têm relevo na pele escamada, nas

lhe oferece para usar. Aragão
sua coragem. Coragem de falar do Diabo com a maresia de seu estado, coragem de ser único e
coragem de ser nosso.
Rodrigo Fonseca

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PRoGRAMA DE FILMES

SESSÃO DE ABERTURA
PRAÇA DA MATRIZ - sexta, 04/09 - 20h30

EU SoU CARLoS IMPERIAL
Brasil, 2014. Documentário. Cor, 90 min, Estéreo, 1.85:1. 18 anos..
Direção: Renato Terra e Ricardo Calil. Roteiro: Renato Terra, Ricardo Calil e Denilson Monteiro. Produção:
Montagem: Jordana Berg.
Direção de arte:

Edição de som e mixagem: Gabriel Pinheiro. EmElenco: Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Toni Tornado e Paulo Silvino.

Cafajeste, machão, ladrão de direitos autorais. Gênio, descobridor de talentos, visionário. O que
não faltam a Carlos Imperial são adjetivos. Imperial criou programas de TV, foi um dos pioneiros do
rock’n’roll no Brasil, compôs grandes sucessos, lançou as carreiras de Roberto Carlos, Elis Regina,
Wilson Simonal, Ronnie Von, entre outros. Mas o que Carlos Imperial fez mesmo foi marcar uma
época, rompendo com os moldes da “caretice” da época com seu estilo assumidamente cafajeste.
Festivais: É Tudo Verdade 2015
Contato:

15

MANGUE
Montagem: Antonio. Equi. Som direto:
Pedro Cherques. Elenco:

Documentário sobre o movimento multicultural Manguebeat, surgido no inicio da década de 1990 em

Recife. A história é contada pelos principais integrantes e idealizadores dessa cena que revolucionou
o cenário musical brasileiro e até hoje é reconhecida com uma das mais importantes manifestações
artísticas realizadas no Brasil.
Contato:

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TROFÉU CINEMÚSICA
Melhor som: O Rio nos pertence
Equipe: Pedro Diógenes (Som direto)
diálogos),
(Mixagem)

(Edição de som), Tomás Alem (Edição de
(Gravação adicional).

Melhor captação de som: Superpai
Equipe:
Costa (Assistente de som).

(Técnico de som), Tiago Mendes (Microfonista) e Diego da

Melhor mixagem: Ventos de agosto
Equipe: Mauricio D’Orey (Desenho de som, mixagem e supervisor de edição de som)
(estúdio de mixagem).
Melhor edição de som: De menor
Equipe:
(Supervisão e desenho de som, mixagem),
e edição de efeitos sonoros) e Thiago Sachs (Edição de diálogos).

(Desenho de som

Melhor música: Amor, plástico e barulho
Equipe: DJ Dolores (Compositor)

(Compositor).

Melhores ruídos de sala: Apneia
Equipe:
de ruídos de sala).

(Artista de foley, edição de ruídos de sala) e Vitor Motter (Gravação e edição

Melhor dublagem: A balada do Provisório
Equipe:

(Diretor de dublagem).

Melhor canção: Depois da chuva — “Nunca pensei que tivesse levado porrada”.
Equipe: Mateus Dantas (Compositor) e Nancy Viégas (Compositora).
Melhor restauração: Antes, o amor
Equipe:
Moreira (Restaurador).

Idealizador e coordenador de restauração)

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AMoR, PLÁSTICo E BARULHo
Direção: Renata Pinheiro. Roteiro: Renata Pinheiro e Sergio Oliveira. Produção: Sergio Oliveira. Direção de
Montagem: Eva Randolph. Direção de arte: Dani Vilela. Figurino: Joana Gatis.
Som direto e edição de som: Manuel de Andrés. Música:
Palenque. Edição de ambientes e gravação e edição de foley:
te. Gravação e edição de foley:

Editor de diálogos: Nahuel
Artista de foley: Mariano Erran-

Mixagem: Roberto Mignone (Estúdios Soundreo). Dublagem:
Estúdio de som: Cinecolor Digital. Empresa

produtora:

Elenco:

Shelly e Jacqueline são companheiras numa mesma banda de música Brega, um gênero romântico e
sensual muito popular no nordeste brasileiro. Shelly é dançarina e sonha em virar cantora e Jaqueline
é uma cantora experiente cuja carreira está em declínio. Inseridas num
local em que
tudo é descartável, incluindo o amor e as relações humanas, elas parecem formar uma única trajetória
de vida, na qual Shelly é o possível passado de Jaqueline, que é o provável futuro de Shelly.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Domingo, 06/09 - 18h

18

APNEIA
Direção e produção: Mauricio Eça. Roteiro:
Marcelo
Corpanni. Montagem: Tony Tiger. Direção de Arte:
Figurino: Nicole Nativa. Som Direto: Rene
Brasil. Música
Desenho de som:
Edição de efeitos: Marcelo
Edição de diálogos: Mauricio Madureira. Artista de foley:
Gravação de foley: Vitor Motter. Edição de foley:
Mixagem:
Estúdios de mixagem: WeCanDoaudio post e Cinecolor. Empresa produtora: JUBA
Elenco:

Chris e suas amigas são jovens na faixa etária dos 24 anos, da classe AAA, extremamente ricas e
bancadas pelos pais, que enfrentam a problemática mais comum desta classe social: o tédio. As
meninas então decidem se aventurar por um mundo bem diferente da realidade que as cerca.
Contato:
CINE EM CENA - Sexta, 04/09 - 20h

A BALADA Do PRoVISÓRIo
Direção e roteiro:
Pamplona.

Produção executiva:
Daniel Neves. Montagem:

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Clarice Pamplona. Som direto:
de dublagem:

Música: Augusto Malbouisson e Gabriel Ares. Direção
Edição de som e mixagem:

Empresa produtora:

Elenco:

Dois dias na vida de André Provisório, que ganha uns trocados como detetive particular, aviãozinho e
sedutor cara-de-pau. Entre um biscate e outro, conhece Mariana – aspirante a atriz de teatro picareta
experimental.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Sexta, 04/09 - 18h

DE MENoR
Direção:

Roteiro:

Produção: Tata Amaral e Caru

Jacob Solitrenick. Montagem: Willem Dias. Direção de arte: Marinês
Mencio. Figurino:

Som direto: Rene Brasil. Desenho de som:

Pereira. Música: Tatá Aeroplano e Junior Boca. Edição de efeitos sonoros:
gos: Thiago Sachs. Supervisão de som e mixagem:

Edição de diálo-

Estúdio de mixagem:

Sonoras. Empresa produtora:

Elenco: Rita Batata, Giovanni Gallo, Caco

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Helena é uma advogada recém-formada que divide sua rotina como Defensora Pública de crianças e
adolescentes no Fórum de Santos e os cuidados com o irmão mais jovem Caio, com quem vive uma
relação de cumplicidade e harmonia. O relacionamento dos dois é colocado em xeque quando Caio
comete um delito.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Sábado, 05/09 - 20h

DEPoIS DA CHUVA

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Direção e produção:

Roteiro e montagem: Cláudio Marques. Direção de
Anita Dominoni. Som direto: Guile Martins. Desenho

de som e mixagem: Edson Secco. Música: Mateus Dantas, Nancy Viegas, Bandas Crac! e Dever de Classe.
Empresa produtora:

Elenco:

Salvador, Bahia, 1984. Após vinte anos de ditadura, a população vai às ruas exigir a volta das eleições
diretas para presidente da República. Esse será um ano de transformação para o jovem Caio.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Domingo, 06/09 - 16h

o RIo NoS PERTENCE
Direção e roteiro: Ricardo Pretti. Produção: Bruno Safadi, Ricardo Pretti e Rita Toledo.
Montagem:
Diógenes. Edição de som:

Direção de arte:

Som direto: Pedro

Edição de diálogos: Tomás Alem. Mixagem:

Empresas Produtoras:

Elenco:

Mariana Ximenes.

Após 10 anos longe do Rio de Janeiro, sua cidade natal, Marina recebe um cartão-postal que a faz
retornar sem saber claramente os motivos. Mas a cidade parece estar sob um misterioso feitiço e os
sonhos começam a se confundir com a realidade.

22

Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Sábado, 05/09 - 22h

SUPERPAI
Direção: Pedro Amorim. Roteiro:

Produção:
Gustavo Hadba. Montagem: Danilo

Direção de arte: Margherita Pennacchi. Figurino:
Marcos de Oliveira. Música original
de efeitos:

Edição de Diálogos: Débora Opolski. Artista de foley:

de foley
Torres Jr. Empresa produtora:

Som direto:

Edição de som: Tomás Alem. Edição
Gravação

Edição e pré-mix de foley: Martin Grignaschi. Mixagem: Armando
Elenco:

e Dani Calabresa.

Diogo era o garoto mais popular da escola, rei das festas e da bagunça. As meninas queriam estar
com ele e os meninos queriam se-lo. Agora, vinte anos mais tarde, é apenas um homem comum, pai,
marido, trabalhador. Uma reunião da turma de colégio é sua chance de sair da rotina e provar para
amigos e família que ainda é o cara.
Contato:
CINE EM CENA - Sábado, 05/09 - 16h

23

VENToS DE AGoSTo
Gabriel Mascaro. Roteiro: Gabriel Mascaro e Rachel Ellis. Montagem:
Eduardo Serrano e Ricardo Pretti. Direção de arte: Stefania Régis. Figurino: Stefania Régis e Gabriel
Mascaro. Som direto:

Desenho de som e mixagem: Mauricio D’Órey. Estúdio de mixagem:

Gravação e edição de dublagem: Carlos Montenegro. Estúdio de dublagem: Estúdio Carranca.
Empresa produtora:

Elenco: Geová Manoel dos Santos e Dandara de Morais.

Shirley deixou a cidade grande para morar numa pacata vila de pescadores e cuidar de sua avó. Ela
dirige trator numa fazenda de coco e tem um caso com Jeison, jovem que também trabalha na fazenda e com pesca de mergulho em alto mar. Em meio a fortes tempestades que assolam a região
no mês de agosto, aparece um pesquisador de ventos que registra o som dos alíseos na zona de
convergência intertropical.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Sexta, 04/09 - 22h

ANTES, o VERÃo

, 1.66:1.

Direção e produção: Gerson Tavares. Roteiro: Gerson Tavares e Carlos Heitor Cony.
José Rocha. Montagem: Roberto Pires. Música: Erlon Chaves. Empresa produtora:
Elenco:
Gilda Grilo e Paulo Gracindo.

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Um homem na faixa dos 40 anos constrói uma casa de veraneio em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
suas conquistas pessoais. Mas à medida que o vento, o sal e a areia começam invadir a casa, seu
casamento também começa a ruir. E, como um mau agouro, um misterioso assassinato ocorre nas
redondezas. Baseado no livro de Carlos Heitor Cony.
Restaurado pela Associação Cultural Tela Brasilis sob coordenação do professor e pesquisador Rafael
.
Acompanha a sessão:

REENCoNTRo CoM o CINEMA
Brasil, 2014. Documentário. Cor, 28 min, Estéreo, 16:9.

Antes, o Verão (1968) na Cinemateca do MAM-RJ, em 2005, o
trinta anos do fastado há mais de 30 anos do cinema, documentando o reencontro do diretor com o
passado
Contato:
CINE EM CENA- Domingo, 06/09 - 14h

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PANORAMA NACIONAL DE LONGAS
BRAVA GENTE ITALIANA
Direção, roteiro, montagem e edição de som: Sérgio Sbragia. Produção: Carlos Moletta.
Som direto: Marcos Manna. Música: Valmor Marasca. Mixagem: Rob Digital. Empresa
produtora

A história da imigração italiana para o Brasil no século XIX contada pelos descendentes dos primeiros imigrantes, em sua grande maioria originários da região do Vêneto, no norte da Itália, que vieram
se estabelecer no Paraná e no Rio Grande do Sul, fugindo da fome e da miséria.
Contato: Carlos Moletta
PRAÇA DA MATRIZ - Domingo, 06/09 - 18h

DoIS CASAMENToS
Direção e roteiro:

Produção: Cavi Borges.

Montagem: Joana Collier. Figurino: Márcia Pitanga e Daniela Cherman. Maquiagem:

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Som direto: Pedro Rodrigues. Música:
Empresa produtora:

Edição de som: Ricardo Mansur.

Elenco: Patricia Niedermeier e Ana Abbott.

Duas noivas, numa antessala da igreja, aguardam serem chamadas para se casarem. Enquanto isso,
refletem sobre suas vidas.
Festivais: 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Contato:
Sessão acompanhada pelo média-metragem Ana Terra
CINE CENTÍMETRo - Domingo, 06/09 - 20h

GALÁXIAS
Direção:

Roteiro:

Produção:

Reynaldo Zangrandi. Montagem: Jordana Berg. Trilha sonora:
de som e mixagem: Rodrigo Boecker. Estúdio de mixagem: Club Soda Produções. Som direto:
Nascimento. Empresa produtora:

27

Edição

O livro ainda pode mudar a vida de alguém? Para responder a esta pergunta o documentário Galáconta histórias de pessoas de diferentes lugares do Brasil – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas,
Pernambuco, Amazonas e DF — que, por iniciativa própria, criaram bibliotecas abertas ao público em
soas comuns, buscando descobrir o que faz uma pessoa amar um livro. Qual o poder da literatura?
Em que reside o prazer de ler? Que mudanças os avanços tecnológicos trarão para o livro?
Contato:
CINE CENTÍMETRo - Sábado, 05/09 - 14h

LoVE FILM FESTIVAL
Direção: Manuela Dias (direção geral), com capítulos dirigidos por
Cardona. Roteiro: Manuela Dias. Produção:
Pablo Baião. Montagem: Gustavo Giani e Manuela Dias. Direção de arte:
Penna. Desenho de som:

Música: BiD e Rodrigo

Edição de som: Antonio de Padua. Mixagem:

Gabriel Pinheiro. Estúdio de mixagem:

Som direto:
Empresa produtora:

Elenco:

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A história de Luzia e Adrián, uma roteirista brasileira e um ator colombiano que se apaixonam num
festival de cinema em 2009 e vivem um amor ao longo de seis anos, sempre em festivais de cinema
ao redor do mundo.
Festivais:

Contato:
CINE CENTÍMETRo - Domingo, 06/09 - 22h

MAIS Do QUE EU PoSSA ME RECoNHECER
Direção: Allan Ribeiro. Roteiro: Allan Ribeiro e Douglas Soares. Produção: Allan Ribeiro, Douglas Soares e

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Cavi Borges.

Montagem: Will Domingos e Allan Ribeiro.
Edição de

som: Allan Ribeiro. Elenco:
Uma solidão de oitocentos metros quadrados, em que o espelho já não lhe basta. Um artista plástico descobre
na vídeo-arte uma companheira inseparável. Darel não gosta de fazer cinema.
Festivais:
Contato:
CINE EM CENA - Sábado, 05/09 - 18h

MULHERES No PoDER
Direção e roteiro: Gustavo Acioli. Produção:
Pablo Baião e Pablo Hoffmann. Montagem:
Direção de arte: Elsa Romero e Júlia
Pina. Figurino:
Maquiagem: Evelyn Barbieri. Música:
Edição de som:
Som direto: Rodrigo Maia. Mixagem e desenho de som:
Empresa produtora:
Elenco:
Contrucci Jamel.

A senadora Maria Pilar e a ministra Ivone Feitosa montam um esquema para fraudar uma licitação.
Mas não imaginavam que suas respectivas assessoras também tivessem seus próprios planos.
Contato:
CINE EM CENA - Domingo, 06/09 – 22h

30

NERVoS DE AÇo
Direção e roteiro: Maurice Capovilla. Produção executiva e montagem: Marilia Alvim.
Direção de arte:

Arranjos e direção musical: Matias Capovilla, a partir de canções

Captação e mixagem de trilha musical: Clement Zular. Som direto:
Basso. Edição de som e mixagem:

Empresa produtora: SATURNA PRODUÇÕES. Elenco: Arrigo

Narrativa musical construída a partir de canções de Lupicínio Rodrigues. O diretor de um espetáculo
musical está apaixonado pela cantora de sua banda, que por sua vez se sente atraída pelo
violonista, num triângulo amoroso... que reflete sobre as semelhanças e diferenças emocionais de
comportamento através do tempo.
Festivais: 24º Cine Ceará, 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Contato:
PRAÇA DA MATRIZ - Sábado, 05/09 - 20h

31

TIM MAIA
Direção:

Roteiro:

Marinho Jr.

Produção:
Dudu Miranda e Junior Malta. Montagem:

Direção de Arte:

Figurino:

Produtor Musical: Berna Ceppas. Edição de som e foley:
Wolf. Empresa produtora:

Som direto: George Saldanha.
Supervisão de edição de som:

Elenco: Babu Santana, Robson Nunes, Alinne Moraes e Cauã

Reymond.

no Rio de Janeiro até a sua morte, aos 55 anos de idade, incluindo a passagem pelos EUA, onde o
cantor descobre novos estilos musicais e é preso por roubo e posse de drogas.
CINE CENTIMETRo - Sábado, 05/09 – 21h e Domingo, 06/09 – 20h

32

PRÊMIO DELART
O

é oferecido pelo CineMúsica e pela

a

de Melhor Som

ELA VoLTA NA QUINTA
Direção e roteiro: André Novais Oliveira. Produção: André Novais Oliveira, Gabriel Martins, Maurilio Martins
e Thiago Macêdo Correia.

Gabriel Martins.

Boaventura. Som Direto: Maurilio Martins. Edição de som e mixagem:

Tati
Empresa produtora:

Elenco: Maria José Novaes, Norberto Oliveira, Renato Novaes, André Novais Oliveira.

Festivais:
Contato:
CINE MILÍMETRo - Sexta, 04/09 - 18h

33

FARoESTE
Direção, roteiro e montagem: Abelardo de Carvalho. Produção: Cavi Borges e Gustavo Angel. Direção de
Vinicius Brum. Direção de arte:

Figurino: Márcia Pitanga. Maquiagem:

Adrianna Costa. Desenho de som e música original:
foley:

Mixagem:

Artista de

Direção de dublagem: Mauro Ramos. Empresa produtora: CAVÍDEO. Elenco: Wladmir
Vozes

e Silvia Salustti.

igreja, provocando a ira de todos ao seu redor. O preço pela ousadia: a própria vida.
Festivais: CineBH 2014.
Contato:
CINE MILÍMETRo - Domingo, 06/09 - 16h

YoRIMATÃ
Direção, roteiro e montagem: Rafael Saar. Produção: Daniela Santos, Eduardo Ades, Eduardo Cantarino e

34

Rafael Saar.
Silva. Músicas:

Direção de arte:

Som Direto: Eduardo

Desenho de Som: Thiago Sobral. Mixagem: Jesse Marmo. Empresa produtora:

Unidas desde o movimento hippie dos anos 70, Luhli e Lucina vivem em seu cotidiano criativo numa
comunidade alternativa. Com cerca de 800 composições, do violão aos tambores artesanais que
constroem e tocam, dizem não às gravadoras e mergulham na umbanda e na criação artística.
Enquanto isso, seu companheiro num relacionamento em trisal, o fotógrafo Luiz Fernando Borges
primitivas culturais brasileiras.
Festivais:
Contato:
CINE MILÍMETRo - Sábado 05/09, 20h

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MOSTRA JOVEM GUARDA
BEBEL, GARoTA PRoPAGANDA
Direção: Maurice Capovilla. Roteiro: Maurice Capovilla, Roberto Santos, Afonso Coaracy e Mario Chamie.
Produção executiva:
Montagem: Sylvio Renoldi. Direção de arte:
Som direto:
Música: Carlos
Empresa produtora:
Elenco: Rossana Ghessa,
John Herbert, Paulo José e Geraldo Del Rey.

Saída de um bairro pobre de São Paulo, a linda Bebel se torna a estrela de uma campanha publicitária
de sabonete, alcançando rapidamente o sucesso. No entanto, o mundo descartável da publicidade
faz com que sua carreira logo entre em declínio. Enquanto tenta manter-se na mídia, ela se envolve
com diversos tipos: um publicitário, um jornalista, um produtor de TV inescrupuloso e um estudante
politizado e atormentado.
CINE MILÍMETRo - Sábado 05/09, 16h

RoBERTo CARLoS E o DIAMANTE CoR-DE-RoSA
Direção e roteiro:

Produção:

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José Medeiros. Montagem: Rafael Valverde.
Direção de som: Alberto Vianna. Efeitos sonoros: Geraldo José.
Músicas:

Empresa produtora: PRODUÇÕES
Elenco:

estatueta misteriosa, que põe no encalço dos três uma terrível quadrilha internacional, pois a
estatueta contém um mapa cifrado. Mas para enfrentá-la os três contam com a ajuda de um gênio
samurai.
CINE EM CENA - SABADo, 05/09 - 16h

PoBRE PRÍNCIPE ENCANTADo
Direção:

Roteiro:

Produção: Jarbas Barbosa. Direção de

Antônio Gonçalves. Montagem: Raimundo Higino. Direção de arte: Hely Celano. Figurino: Arlindo
Rodrigues. Direção de som: Amedeo Riva. Efeitos especiais de som: Walter Goulart. Empresa produtora:
Elenco:

cer-se. Envergonhado, Wanderley não revela a sua verdadeira condição, embora Deborah o ame. Auxiliado por um amigo de infância, Wanderley consegue prolongar o amor com a jovem sem que esta
saiba quem ele realmente é. Quando um grupo de amigos dela chega para uma festa, percebem que

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Deborah gosta de Wanderley, o que provoca ciúmes em Bidu, um de seus pretendentes. Disposto a
vencer o rival, Bidú passa a persegui-lo.
CINE MILÍMETRo - Domingo 06/09, 14h

ABISMU

38

Direção, roteiro, produção, montagem e seleção musical:
Som direto: Dudi Guper. Empresa produtora:
Elenco:

No Rio de Janeiro, a ocorrência de um crime deixa um egiptólogo como testemunha. Ele passa a ser
seguido por Madame Zero, contratada pelos assassinos. O egiptólogo, neste ínterim, busca um emblema do Egito antigo. Enquanto é feito o elogio da boçalidade surge o Médium de Mu, que responde
por estranhas metáforas.
CINE CENTÍMETRo - SEXTA-FEIRA, 04/09 - 16h

RoBERTo CARLoS EM RITMo DE AVENTURA
Direção, produção e montagem:

Roteiro:

Direção

José Medeiros. Direção de arte: Arthur Jorge. Direção de som: José Tavares. Empresa produtora:

Elenco:

e Rose Passini.

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Roberto Carlos é perseguido por um bando que pretende utilizá-lo para a produção em massa de
canções, com a ajuda de um cérebro eletrônico. Roberto, é obrigado a fugir de helicóptero, avião,
automóvel, tanque e até foguete espacial.
CINE EM CENA BRASIL - Domingo, 06/09 - 12h

RoBERTo CARLoS A 300 KM PoR HoRA
Brasil, 1971. Cor, 99 min.
Direção e roteiro: Roberto Farias. Produção: Roberto Farias, Jori Natorf Schlomer, Ubirajara José da Gama
José Medeiros. Montagem: Rafael Valverde. Direção de arte:
Cláudio Tovar. Som direto: Alberto Viana. Mixagem: Somil. Empresa produtora:
Elenco:

cional. Rodolfo decide participar daCopa Brasil. Lalo, piloto apaixonado por corridas, e Pedro, conhecedor de diversastécnicas de pilotagem, utilizam carros declientes para treinar em Interlagos sem
oconhecimento de Rodolfo
CINE EM CENA BRASIL - Sexta, 04/09 - 16h

40

DE OLhO NELE: RODRIGO ARAGÃO
MAR NEGRo
Direção, roteiro e montagem: Rodrigo Aragão. Produção:
Marcelo Castanheira. Direção de arte: Giovanni Coio. Figurino: Mayra Alarcón. Som direto
Camargo. Trilha sonora:

Desenho de som:

Edição de som: Arthur

Música incidental:
e Ulisses Debian. Mixagem:

Empresa produtora:

Elenco:

Uma estranha contaminação atinge uma pequena vila de pescadores. Quando peixes e crustáceos
se transformam em horrendas criaturas transmissoras de morte e destruição, o solitário Albino luta
pelo grande amor da sua vida, arriscando a própria alma numa desesperada fuga pela sobrevivência,
Contato:
CINE CENTÍMETRo - Domingo, 06/09 - 14h

41

AS FÁBULAS NEGRAS
Direção:
Roteiro:
Rodrigo Aragão, PetterBaiestorf e Joel Caetano. Produção:

Direção de

Montagem: Rodrigo Aragão e Joel Caetano.
Equipe de arte:
Coio, Tomás Gavina. Figurino: Mayra Alarcón. Som direto:
Gangrena Gasossa. Desenho de som e mixagem:

Trilha sonora:
Edição de som:

e Arthur Navarro. Empresa produtora:

Elenco: Walderrama dos Santos, Mayra Alarcón,

Filme em episódios. Um grupo de crianças embarca numa aventura macabra povoada com
personagens do imaginário popular brasileiro – lobisomem, bruxa, fantasma, monstro e Saci.
Contato:
PRAÇA DA MATRIZ- Sábado, 05/09 – 23h

42

TROFÉU CURTA LIGhT

CINE CENTÍMETRo - Sábado, 05/09 - 19h

SEM CoRAÇÃo [Melhor Som]
Direção, roteiro e montagem: Nara Normande e Tião. Produção:
Direção de arte:

Figurino: Marie Carangi. Som direto:

Nicolas Hallet e Simone Dourado. Edição de som: Carlos Montenegro. Mixagem: Gera Vieira. Estúdio de
mixagem: Estúdio Carranca (PE). Empresa produtora:
Elenco:

Léo vai passar férias na casa de seu primo, em uma vila pesqueira. Lá, ele conhece uma menina apelidada de “Sem Coração”.
Festivais:
Contato:

43

o BoM CoMPoRTAMENTo [Melhor Captação de Som]
Direção: Eva Randolph. Roteiro: Eva Randolph e René Guerra. Produção executiva: Eduardo Ades e Daniela
Santos.
e

Pedro Urano. Montagem:

Direção de arte

Elsa Romero e Julia Pina. Som direto: Vampiro. Edição de som: Guile Martins. Mixagem: Ariel

Henrique. Estúdio de som: Cinecolor Digital. Empresa produtora:

Elenco: Clarisse Zarvos

e Eduardo Speroni.

Férias de verão na colônia. Com os celulares guardados, os adolescentes se divertem em atividades
ao ar livre. É também a primeira vez de Laura ali, e ela precisa se adaptar ao grupo. Uma velha história
de fantasma parece apontar um caminho.
Festivais:
Contato:
CINE CENTÍMETRo - Sábado, 05/09 - 19h

ESTÁTUA! [Melhor Mixagem]
Direção e roteiro: Gabriela Amaral Almeida. Produção:
tagem: Marco Dutra. Direção de arte:

André Brandão. MonSom direto: Raul Arthuso. Música: Rafael Cavalcanti.

Edição de som e mixagem:

Empresa produtora:

Elenco:

44

A babá Isabel está no sexto mês de gestação e mal pode esperar para ser mãe. Até conhecer Joana.
Festivais:
Contato:

NADA É [Melhor Desenho de Som]
Direção:
Produção executiva: Camila Battistetti. Produção:
Victor de Melo. Montagem e desenho sonoro:
Som direto: Danilo Carvalho. Mixagem: Érico
Paiva. Empresa produtora:

Aqui nada é, tudo foi ou será.
Festivais:
Contato:

45

CURTAS I
CINE CENTÍMETRo- Sexta 04/09 – 18h

ARARAT
Direção:

Argumento :
Montagem:

:

Captação e edição de Som: Juruna Mallon.

Mixagem: Rafael Travassos. Empresa produtora:

Elenco:

Três brasileiros se entrecruzam em Paris e cada cruzamento engendra uma metamorfose. Os viajantes erram em busca de vestígios de um centro perdido, restos que se confundem com as ruínas da
própria cidade em transformação.
Contato:

MARINA
Direção, roteiro e montagem:

Direção de arte:
Música: Tiago Rosas e Thiago Sobral. Edição de som e mixagem: Jesse

Marmo. Empresa produtora:

Elenco:

46

Contato:

OUTUBRO ACABOU
Direção e roteiro:

Produção:

Alessandra Castañeda e João Matos.
Edição de som:

Som direto:

Mixagem:

Empresa produtora:

Elenco:

Além do indômito desejo de realizar as enormidades que o tentavam, nada mais dentro dele era sagrado.
Contato:

47

VISITA Ao FILHo
Direção:

Produção executiva:

Victor de Melo.

Montagem: Aline Portugal. Direção de arte:
Danilo Carvalho. Música:

Figurino:

Som direto:

Edição de som e mixagem: Érico Paiva. Empresa produtora:
Elenco:

Contato:

CURTAS II
PRAÇA DA MATRIZ - Sábado, 05/09 – 18h30

ATÉ A CHINA
Direção, roteiro e animação: Marão. Produção executiva:
Montagem: Alessandro Monnerat.
Música:
Edição de som:
Foley: Guta Roim. Mixagem:
Empresa
produtora:
S. Vozes:
.

48

Fui pra China só com bagagem de mão. Na China os motociclistas usam casaco ao contrário e os
restaurantes servem cabeças de peixe, lagostins e enguias. A funcionária do evento estuda cinema e
Festivais:
Contato:

FABRIK FUNK
Direção e produção:
Roteiro:
Montagem:
Som direto: Noedy Hechavarria Duharte. Desenho de som, música e edição de som:
Darcio. Empresa produtora:

Elenco:

49

de telemarketing. Nas ruas de Cidade Tiradentes, o maior conjunto habitacional popular da América
Latina, a personagem corre atrás do sonho de ser uma MC, neste lugar que é conhecido como uma
Fábrica de funk.
Contato:

No DIA EM QUE LEMBREI DA VIAGEM A BICUDA
Direção, roteiro e produção: Vitor Medeiros.
Montagem:

Direção de arte: Silvia Rumen. Figurino: Bruna Trindade. Som direto: V

Edição de som e mixagem: Matheus Tiengo. Empresa produtora:
Caroline Pavão e Rodrigo Drade.

50

Elenco:

Eu sempre deixei essa lembrança enterrada no fundo da memória. Até que um dia ela voltou como
.
Contato:

SEM TÍTULo #1: DANCE oF LEITFoSSIL
Carlos Adriano. Música: Ana
Moura (intérprete) e Pedro da Silva Martins (compositor). Empresa produtora
Elenco:

O improvável duo de um fado para o saudoso convidado. Justaposição poética. Aproximação de
realidades distantes. Musas da memória: MnemoCyne. Espectros e remanescências da imagem

Tiradentes 2015.

UMA VIAGEM À CIDADE DAS CANÇÕES
Direção: Vanessa Marques. Roteiro e Montagem:
e Vanessa Marques.

Produção: Carol Condé

Sérgio de Carvalho. Som direto:

Som e Mixagem:

Empresa produtora:

51

Edição de

Era uma vez dois irmãos. Era uma vez uma cidade que cantava.
Contato:

CURTAS III
CINE CENTÍMETRo - Domingo, 06/09 – 15h

FILME SoM
Direção, roteiro e montagem:

Produção executiva: Cesar Gananian

Desenho de som:

Edição de som e

mixagem: Dino Vicente. Empresa produtora:

Elenco: Roberto Michelino.

Roberto Michelino é um inventor de instrumentos sonoros que atravessa a cidade envolvido por sons
que ele mesmo cria. A montagem plástico-sonora convida o espectador a uma imersão hipnótica e
sinestésica.
Festivais:
Contato:

52

o MELHoR SoM Do MUNDo
Direção e roteiro: Pedro Paulo de Andrade. Produção executiva
Montagem:

Direção de arte

Rafael Blas. Som direto: Tales Manfrinato. Música:
Empresa produtora:
Narração: Caio Paduan.

encontrar o melhor som do mundo?
Contato:

53

Edição de som e mixagem:
Elenco:

PATRÍCIA
Direção:

Roteiro:
Montagem:

Empresa produtora:
Elenco:

Documentário sobre a jovem cantora lírica Patrícia Vilches — pensando, falando e cantando músicas
que interpretou no Teatro Municipal.
Contato:

o PoETA AMERICANo
Direção:

Roteiro:

Produção: Chica Mendonça. Direção de

Pedro Sotero. Montagem: Camila Valença. Som direto: Phelipe Cabeça. Música: DJ Dolores.
Mixagem: Catarina Apolônio. Empresa produtora:

O menino corre atrás da bola. O operário constrói sonhos concretos entre prédios e peladas num
campo de várzea do Recife. O poeta recebe a palavra bola, dá um traço literal e faz um gol imaginário
campo ou do papel, transcende o tempo e o campo;refresca a memória para o fato de que o amor pelo
futebol não será volátil, nem efêmero,nem na derrota, nem na vitória.
Festivais: CinePE 2015.
Contato:

54

RUÍDoS MUDoS
Direção, roteiro e montagem:

Direção de

arte:
som:

Desenho e edição de
Mixagem:

Empresa produtora:

Elenco:

Durante todo aquele dia de outono, quando as nuvens baixas pairavam nos céus, ela caminhou
melancólica casa.
Festivais:
Contato:

55

SESSÕES INFANTIL E JUVENIL
INFANTIL

CoMo TREINAR o SEU DRAGÃo 2
Direção e roteiro: Dean DeBlois. Produção: Bonnie Arnold. Montagem:

Direção de arte: Michael

Necci e Zhaoping Wei. Música:

mundo que conhecem do perigoso Drago Bludvist, que deseja controlar todos os dragões existentes.
CINE EM CENA BRASIL - Sexta, 04/09 - 9h

RIo 2
Direção: Carlos Saldanha. Roteiro:

Produção: Bruce

Anderson e John C. Donkin.
Música:

Montagem: Harry Hitner e Randy Trager.

Empresa produtora:

56

a temer que as crianças não saibam viver como pássaros de verdade, então a família embarca em
uma aventura na Floresta Amazônica, onde eles encontram uma mistura variada de personagens
nascidos na Selva, entre eles um velho inimigo: Nigel
CINE EM CENA BRASIL - Sábado, 05/09 - 9h

JUVENIL

JACK, o CAÇADoR DE GIGANTES
EUA, 2013. Aventura. Cor, 114 min, 5.1, 2.35:1. 10 anos.
Direção: Bryan Singer. Roteiro

Produção: David Dobkin,

Montagem: Bob Ducsay e John Ottman. Música: John Ottman. Elenco: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson,
Jack é um fazendeiro que adquire grãos de feijão com a única recomendação de que não devem ser

molhados. Obviamente, isto acaba ocorrendo e criando um enorme pé de feijão que vai dar em um
mundo de gigantes. Em meio a tudo isso, a princesa Isabelle é sequestrada pelos gigantes e Jack se
unirá ao Rei numa cruzada para a salvar a jovem.
CINE EM CENA BRASIL - Sexta, 04/09 - 14h

57

CoNFISSÕES DE ADoLESCENTE
Brasil, 2013.
Direção:

Roteiro:

Produção:

Montagem: Diana Vasconcellos. Direção de arte:
do. Música:

Empresa produtora:

igurino: Bia Salga-

Elenco:

CINE EM CENA BRASIL - Sexta, 04/09 - 11h – SESSÃo CoM AUDIoDESCRIÇÃo
CINE EM CENA BRASIL - Domingo, 06/09 - 9h

58

OLhAR UNIVERSITÁRIO
.
CINE MILÍMETRo

ENSAIo SoBRE MINHA MÃE
Direção e roteiro: Jocimar Dias Jr. Produção e montagem: Vitor Medeiros.
Direção de arte:
Araújo. Som direto:

Figurino: Natália

Edição de Som e mixagem: Matheus Tiengo. Empresa produtora:

-

Minha mãe e seus muros sonoros. Prestes a desabar.
Festivais: Mostra de Cinema de Tiradentes 2015.
Escola:
Contato:

A HoRA AZUL
Direção e roteiro: Giovani Barros. Produção: Matheus Peçanha. D
Douglas Soares. Direção de arte:

Montagem:
Som direto: Thiago Yamachita.

59

Edição de som e mixagem:

Elenco:

Ela olha o horizonte. O dia já começa a nascer.
Festivais: Mostra de Cinema de Tiradentes 2015.
Escola:
Contato:

MALDoMAR
Direção: Pedro Cabral. Roteiro:
Pedro Campos. Montagem: Daniella Guedes. Direção de arte: Bruno Bastos, Manoela
Figurino: Daniella Guedes e Pedro Cabral. Som direto:
Direção
de dublagem e trilha sonora:
Canção original:
Edição de som e
foley:
Elenco:

Das areias da praia ao cais, da cachoeira às ruas de terra, os trajetos possíveis para Maldomar são
sempre os mesmos. O carnaval se aproxima e com ele o vilarejo ganha novos contornos. De um lado
o tédio, a tradição e a estabilidade, do outro a sedução, os prazeres sensoriais e o desconhecido.
Escola: Escola de Cinema Darcy Ribeiro
Contato: Pe

60

ToDAS AS MEMÓRIAS FALAM DE MIM
Direção e roteiro: Alice Name Bomtempo. Produção:

Montagem:

Direção

de som: Matheus Tiengo. Elenco:

Nós fomos amigos por um tempo, mas não amigos próximos, até porque eu a achava completamente
inatingível. E aí ela veio correndo, me abraçou e me beijou. E sei lá. Na verdade, acho que nem
aconteceu.
Escola:
Contato:

61

o ÚLTIMo ANDAR
Direção e roteiro: Mateus Chernicharo. Produção:

Pedro Henrique

Martins. Montagem: Marcelo Maia e Pedro Henrique Martins. Direção de arte: Mariana Rothier. Som: Marcelo Maia.Elenco:

Um assassino de aluguel descobre que fora chamado para matar seu próprio contratante.
Escola:
Contato:

VENTANIA
Direção e roteiro:
las. Montagem:

arte:

Som direto: Thiago

Yamachita. Trilha sonora: Pedro Drumond. Edição de som e Mixagem: Thiago Piccinini. Empresa produtora:

perpetuar-se na solidão que já não é mais possível depois desse encontro. Se o futuro parece rodeado
de ruínas e areia, a única promessa é o vento e canções interrompidas.
Festivais: Mostra de Cinema de Tiradentes 2015.
Escola
Contato:

62

JÚRI
PRÊMIo DELART
GUSTAVO ANDRIEWISKI
Se eu fosse você 2 (2009), De pernas pro ar (2010) e Olhos azuis
(2009).
GUSTAVO GELMINI
ricano Mataram Irmã Dorothy (2008), de Daniel Junge, ganhador do SXSW, pré-selecionado ao
Da Maré, de Ann Eastman, ganhador

Copa pra alemão, ver
tendo trabalhado com os mais renomados coreógrafos brasileiros. Atualmente dirige o media-metragem Suítes para dança
Vieira.
VIRGÍNIA FLORES
O Cinema: uma arte sonora (Ed. Annablume, 2013). Recebeu prêmios de
Pequeno dicionário amoroso (1997), de Sandra Werneck, e
Miramar
menção honrosa no Cinesul e melhor trilha sonora pelo média Na trilha do bonde (2009), que

63

oLHAR UNIVERSITÁRIo
DAMIÃO LOPES

Mr. Sganzerla,
MPB de câmara, 2012), Júlio Bressane (Educação sentimental, 2012),
Domingo, 2014), entre outros.
FERNANDO ARIANI
Doutor em Música

destacam-se Baile perfumado (1996), Menino Maluquinho 2 (1998), A hora marcada (2000) e O Céu
de Iracema
-

SUZANA RECK MIRANDA

CAMP. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Artes e Comunicação e do Pro-

.

64

65

Cultura Integrada
A Cultura no Foco do CineMúsica

temática proposta todos os anos, apresenta artistas de estilos diferentes e carreiras consolida-

The Electric Boys
A banda composta por músicos da região foi criada em 2005 com o intuito de dar uma nova

vanguarda aos hits da década de ouro.
Sexta-Feira, 04/09 - 22:30 h

Pocket Show com Jerry Adriani - 50 anos de carreira

66

Um dos principais nomes da Jovem Guarda, o cantor Jerry Adriani está em turnê pelo Brasil

que se tornaram clássicos de sua carreira e acabaram entrando no repertório de outros grandes

Sábado, 05/09 – 22h

“Chorinho na Praça”

Tradicional evento de Conservatória integrado a Programação do CineMúsica.
Domingo, 06/09 - 11 às 13h

LAFAYETTE & OS TREMENDÕES

Após o lançamento do primeiro disco As 15 Super Quentes, composto inteiramente por clássicos, a banda resolve agora renovar também o gênero. Eis A Nova Guarda de Lafayette & os
Tremendões, segundo disco do grupo com composições inéditas inspiradas pela velha e boa
Jovem Guarda.

67

este ano celebra 50 anos. O lançamento do primeiro disco autoral celebra também os 10 anos
de carreira da banda.
Domingo, 06/09 - 22h

Solarata
Segunda-Feira, 07/09 – 11h

68

FORMACINE
A EDUCAÇÃO NA PAUTA DO CINEMÚSICA
O projeto Formacine – A educação na pauta do CineMúsica
localidades do interior e áreas rurais em relação aos grandes centros urbanos. Um de seus
propósitos é dar acessibilidade aos alunos das escolas do distrito de Conservatória e entorno
Projeto “Ser Criança”

objetivo resgatar o desenvolvimento infantil através dos livros e das brincadeiras criativas.
Atividades: contação de histórias, roda de leituras, teatro de fantoches, doação de livros e gibis,
construção de brinquedos a partir de materiais recicláveis. PRAÇA DA MATRIZ (Tenda Formacine)
Sexta, 04/09 – 10h

Encantarte: Hoje é dia! os maiorais do Encantarte apresentam: “Jovem Guarda”
Sobrinho. A proposta deste ano apresentará o movimento da Jovem Guarda: seu histórico, prinsenvolvido a partir de pesquisa de imagens televisivas doPrograma Jovem Guarda, assim como
(Wanderlea) e pelo Rei (Roberto Carlos).
PRAÇA DA MATRIZ (Palco) Sexta, 04/09 – 16h

Oficina: origami
animais.
PRAÇA DA MATRIZ (Tenda Formacine) Sábado, 05/09 – 10h

Teatro : “o Pinto Sura” com as Palhaças Bastianas
História de um pintinho que, injustiçado pelos habitantes do galinheiro,procura o Rei em bus-

69

ca da solução de seus problemas. No caminho, encontra vários companheiros que o ajudam
descobre que o tempo e os amigos são a melhor solução para os
problemas.
PRAÇA DA MATRIZ (Tenda Formacine) Sábado, 05/09 – 15h

Oficina: Criando e reciclando através do mosaico

desenvolver a coordenação motora através do mosaico, bem como atentar para possibilidades
de reciclagem e de uma arte ecologicamente correta.O mosaico é um processo de decoração
uma ao lado da outra, formando desenhos. Teremos como matéria prima o jornal pintado, tão
presente no cotidiano, que será transformado em pequenas obras de arte.
PRAÇA DA MATRIZ (Tenda Formacine) Domingo, 06/09 – 10h

Oficina: Estampas Coreográficas dos anos 1960
movimentos do cotidiano infantil tendo como tema as músicas da Jovem Guarda.
PRAÇA DA MATRIZ (Tenda Formacine) Domingo, 06/09 – 15h

70

SABOR CINEMÚSICA
RESTAURANTE NA IGREJA MATRIZ
Sexta, 04/09

chef

19h Aula:

20h Menu degustação em homenagem à Jovem Guarda. Chef
Sábado, 05/09

Chef

19h Aula:
Domingo, 06/09
16h Aula:

Chef

Chef
20h Menu degustação em homenagem à Jovem Guarda. Chef
Monnier, do restaurante Brasserie Rosário
19h Aula:

Chef Damien Montecer

-

Chef Frédéric De Maeyer
Belga há 14 anos no Brasil, é responsável pelo restaurante Eça, da H. Stern, no centro do Rio
bremesa e chef revelação na Veja Rio.
Chef Fréderic Monnier

Chef Isaias Neries
Chef
restaurantes do Brasil.

71

DEPoIMENToS DE PRoFISSIoNAIS
Do SoM

AMoR, PLÁSTICo E BARULHo
(Dir. Renata Pinheiro)

Música original

Eu e Yuri adoramos acompanhar as novidades, especialmente os MCs, sempre muito dinegócio, nossa vida, e esse foco afasta qualquer possibilidade de preconceito.
Então foi uma ótima surpresa quando Renata me convidou para cuidar da trilha do
Amor, plástico e barulho
de dentro para fora.
O objetivo era tratar da música com seriedade e respeito, pois elas representam sentiram os primeiros temas.

transformados numa cena de desolação da paisagem urbana e até mini números musicais
que não foram aproveitados por completo.

Usamos nossa criatividade para driblar os obstáculos de produção e, mais que um mero trabrasileira.
DJ Dolores, músico

73

APNEIA
(Dir. Mauricio Eça)

Ruídos de sala
Apneia

Apneia, tivemos a

papel muito importante para ajudar a sustentar e dar veracidade a obra, dando vida e cor a

elementos dentro de um interesse em comum.
Vitor Motter, editor de foley

DE MENoR
(Dir. Caru Alves de Souza)

Desenho e edição de som
De Menor

Desenho de Som em De Menor é sutil e adequado ao tom contemplativo da narrativa.
A proposta da direção era a de um som mais realista e que não chamasse tanto

seguranças, que ela tinha ouvido em visita à instituição e ali já se dado conta de como

74

poderiam ser geradores de tensão.
diferentes entre si, como a praia, o fórum, casa de Helena e Caio, os locais onde Helena vai
procurar a mãe de um dos jovens. Cada um desses ambientes foi trabalhado de forma a compor,
além da atmosfera real do lugar, um espelho do momento psicológico dos personagens, uma
uma música o faria.
Trabalhamos bastante também com sons fora de tela, e uma de nossas cenas
procurar a mãe do garoto, criamos a tensão através de sons de arrulhar de pombos, batidas
de asas, uns guinchos de ratos, ou morcegos, que, apesar de serem ouvidos com bastante
vistos.

Pedro Noizyman e Kira Pereira, desenho de som

DoIS CASAMENToS
(Dir. Luiz Rosemberg Filho)

Trilha sonora
frequentes. Enviei um esqueleto da composição pra ele, com alguns instrumentos e efeitos,

Para a trilha de Dois casamentos criamos dois climas diferentes: um que acentua a sensa-

75

situação sufocante.
M

foi a liberdade que ele me deu para escolher os timbres e sonoridades para a musica deste
Rodrigo Marçal, compositor

ELA VoLTA NA QUINTA
(Dir. André Novais Oliveira)

Som direto
A captação de som em Ela volta na quinta

e nem sempre o resultado foi o que esperávamos, mas de modo geral imprimiu-se algo muito

76

A equipe de som era basicamente eu, com um equipamento portátil e mais leve, em todas

Maurilio Martins, técnico de som

Edição de som e mixagem
Ela volta na quinta
como potencial narrativo. Até aquele momento, eu vinha de trabalhos cujo papel do som era
se opor ou até sobrepor à imagem, o espectador percebia sua presença e entendia o papel

Além disso, a escolha de captação do som direto, que optou por não isolar as interferên-

Fábio Baldo, editor de som e mixador

77

ESTÁTUA!
(Dir. Gabriela Amaral Almeida)

Edição de som e mixagem

da narrativa? Até onde o espectador perceberá sem descrer? Como se manterá o impacto
nos mostra que os caminhos escolhidos estão encontrando eco.
Daniel Turini, editor de som e mixador

FARoESTE
(Dir. Abelardo de Carvalho)

Desenho de som e música

78

encontrar facilmente em bibliotecas de som comerciais que são em sua maioria americanas,
canadenses ou europeias.
Durante o processo de edição de som senti que poderia também contribuir com algumas
-

-

foley

-

Bernardo Uzeda, desenhista e editor de som e compositor

LoVE FILM FESTIVAL
(Dir. Manuela Dias)

Música original
ui chamado às pressas para compor a trilha original do Love Film Festival, faltavam apenas 10 dias para terminar, e por sorte deu certo, pois poderia não ter acontecido (risos). Asintensos, e muito inspirado.

ções usei apenas o bpm (beats per minute) e em alguns outros casos usei os tempos e alguma

Nas composições trabalhei com meu parceiro pianista Marcelo Maita, e nos arranjos também.

79

viraram temas da trilha original, casando perfeitamente com as cenas.
Uma historia de amor e sorte nessa trilha sonora.
Eduardo BiD, compositor

NERVoS DE AÇo
(Dir. Maurice Capovilla)

Captação de trilha e mixagem
Nervos de aço
-

valendo.

-

cal ocorresse verdadeiramente no set.

split dos sinais microfones para um equipamento de P.A. e retorno dos
músicos que operamos no set. Apenas a cantora e o baterista usaram in-ears para sua
monitoração.

80

evolução da banda. O mesmo acontece com a acústica do local. Para adequar as condições
estrategicamente para corrigir problemas pontuais. À medida que mais elementos de cenário

comunicação, tivemos que buscar no prédio adjacente uma elétrica limpa para o áudio, que

ao vivo.
Criamos uma trilha play back

gado de “levar“ os outros músicos no andamento correto mesmo sem a banda ouvir a trilha
para o P.A., para que o público pudesse escutá-la
Assistam e bom proveito a todos!
Clement Zular, mixador

o RIo NoS PERTENCE
(Dir. Ricardo Pretti)

Som direto
O Rio nos pertence

81

-

-

para processo de feitura do som direto, que se tornou um trabalho muito mais criativo do que

-

uma urbanidade que nos oprime e nos sufoca.

O Rio nos pertence fala de
Pedro Diógenes, técnico de som

82

Edição de som
Poder contribuir com o trabalho de som de O Rio nos pertence
riência que eu aguardava há muito tempo: trabalhar em um projeto que empresta para si
elementos do cinema de gênero. Grande parte do conceito sonoro (e principalmente do uso
de fonogramas atmosféricos que se confundem com o desenho de som) já veio desenhado
na montagem dentro da visão do diretor Ricardo Pretti, que sempre teve propostas bastante
A distorção de ambientes urbanos do Rio de Janeiro para algo opressor e denso (ao invés
do restante dos sons da narrativa aconteça em torno desse elemento (que junto com os fonomomentos).

tiva de construir uma “cena sonora” que acontece paralelamente à diegese desse momento
confusão pela qual a personagem vem passando.
Bernardo Uzeda, editor de som

Edição de diálogos
Se pudesse resumir um pouco a minha sensação sobre o trabalho em O Rio nos pertence,

edição de diálogos foi a decisão entre pontuar e permitir os espaços de sobreposição dos
personagens nestes momentos.
Tomás Alem , editor de diálogos

83

SUPERPAI
(Dir. Pedro Amorim)

Som direto
Super Pai
lhando a interpretação dos atores e a compreensão dos diálogos. Passamos horas esperando
os aviões.
Nosso diferencial: gravar sempre pensando na montagem do som e escutando “imaginan-

bonito e premiado.
Lício Marcos de Oliveira, técnico de som

YoRIMATÃ
(Dir. Rafael Saar)

Mixagem
Yorimatã

-

84

Jesse Marmo, mixador

Desenho sonoro
Yori-

matã

que recebi, um convite para imergir no sonho corajoso da dupla, do trio, dos sete membros

85

Homem-Ave,
assim, me parece bem natural. Eu adorava músicas como O Vira e Fala sem me dar conta das
compositoras. Assim como para a maioria das pessoas, o nome das duas estava oculto atrás
dessas composições. Ao abrir as portas desse universo me deparei com um mundo intenso
e profundo.
O trabalho de pesquisa feito pelo Rafa e sua equipe foi impressionante. Trabalhamos

me levavam direto ao ponto, sem falar na memória impressionante do Rafa que me servia de
atalho sempre que necessário. Trabalhamos com uma proposta bem livre em relação a esse

material para elaborar a aura de magia pretendida.
se vê na tela, ou preencher lacunas, os ambientes e efeitos criam novas camadas de entendi-

acaso. As entrevistas foram também subvertidas nesse sentido, sendo atravessadas por es-

aspecto mais solto, de múltiplas camadas e descolado da imagem, sugerindo, assim, novas
.

Thiago Sobral, desenhista de som

86

III ENCoNTRo NACIoNAL
DE PRoFISSIoNAIS DE SoM
Do CINEMA

O entusiasmo em fortalecer a identidade do universo sonoro do cinema brasileiro é a
semente da coordenação do
Encontro este

audiovisual, ao ensino, à preservação e à pesquisa do som do cinema.

avaliará o campo de trabalho, buscando criar novas estratégias de representação no mercado
através da mesa “Estratégias de Representação e Regulação do Mercado”, inspirada em debate
recente de técnicos de som direto do Rio de Janeiro. E, com a intenção de agregar outros pro-

entre a montagem e a pós-produção de som. A programação também contempla a homenagem
gem orientada a objetos e a implementação do sistema Atmos”. Haverá também a “Sessão de
Autógrafos” do livro
do professor e diretor de som argentino Carlos
Encontro Nacional de

cede este espaço, e a todos os envolvidos direta e indiretamente neste evento.
C

88

Local : Hotel Rochedo
(exceto quando indicado)

14h-16h: Personalidade Sonora: Victor Raposeiro
16h-18h:
objetos e a implementação do sistema Atmos”.

9h-12h:

)

13h:
14h-16h: Mesa 01 “Estratégias de representação e regulação do mercado”
16h-18h: Mesa 02 “Som e montagem: interação técnica e conceitual”

9h-12h:

Cine-Milímetro)

14h-16h: Homenagem a Hernani Heffner
17h: Plenária

OFICINA DE FOLEY
de sala.
Ministrantes:
Stefanoni.

89

PALESTRA: “Mixagem orientada a objetos e a implementação do sistema Atmos”.
Convidado internacional: Carlos Klachquin.

20 anos,trabalhou na habilitação de estúdios, cinemas elaboratórios de copiagem e de trans-

MESA 01 “Estratégias de representação e regulação do mercado”
nspirada em debate recente de técnicos de som do Rio de Janeiro, a mesa discutirá estranômeno relativamente recente, possibilitado, entre outros fatores, pela maior acessibilidade

-

Mediador: Rodrigo Maia Sacic.
Palestrantes:
Gerace “Chacra”.

-

90

Mesa 02 “Som e montagem: interação técnica e conceitual”
-

a mesa abordará temas em torno tanto de questões sobre o processo de criação quanto de
Mediador: Maria Byington.
Palestrantes:

91

Currículo dos debatedores do III Encontro Nacional
dos Pro
Bernardo Uzeda
Editor de som, compositor e professor do curso de Cinema da PUC-Rio. Alguns de seus créditos
recentes incluem os longas De pernas pro ar 2 (2012), de Roberto Santucci, Meu Passado me condena
Morro dos Prazeres (2013), de Maria Augusta Ramos, e O Rio nos
pertence (2013), de Ricardo Pretti.
Carlos Abbate

, sobre metodologias de
Colômbia e Porto Rico. Seus trabalhos mais conhecidos no Brasil são
(2001) e
Clube da lua (2004), ambos de Juan José Campanella, e
(2002), de Marcelo Piñeyro.
Jorge Saldanha
Grande conhecedor das técnicas de captação sonora e de tudo que envolve o som no cinema,
na edição de som de A idade da Terra (1980), de Glauber Rocha, e no som direto de Memórias do
cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos, e de Cabra marcado para morrer (1984), de Eduardo
Coutinho. Com o longa O Xangô de Baker Street
Karen Akerman
Recentemente montou O lobo atrás da porta
Morro dos Prazeres
(2013), de Maria Augusta Ramos. Atualmente monta Opinião publicada
Talvez deserto talvez universo

Luiz Antonio Gerace (Chacra)
Atua no mercado audiovisual brasileiro desde 1978, tendo participado de cerca de 90 produções

92

dos técnicos no Conselho Consultivos da Secretaria do Audiovisual no Ministério da Cultura e
lhos destacam-se A saga do manganês (2012), de Sergio Santos, e Filhas do vento (2005), de Joel
Zito Araújo, nos quais atuou como diretor de produção, e Nelson Gonçalves
Maria Byington
Pesquisadora e produtora audiovisual. Em 2000, fundou a Artesanato Digital Produções com o
sound designer e editor de som Aurélio Dias (in memoriam
som de obras audiovisuais para salas de cinema e outros formatos, entre os quais os longas
Cartola — Música para os olhos
Ônibus 174 (2002), de José Padilha, Memória para uso diário
ou rifar meu coração (2011), de Ana Rieper, A hora
e a vez de Augusto Matraga
e
o curta Rito de passagem.
Paulo Ricardo Nunes

Cidade de Deus
A festa
da menina morta (2008), de Matheus Nachtergaele, e Xingu, de CaoHamburger, e documentários
como Santo forte (1999), de Eduardo Coutinho, e A pessoa é para o que nasce (2002), de Roberto
Berliner. Trabalhou em séries de TV como Cidade dos homens (Rede Globo), Mandrake (HBO) e
Ó pai, ó (Rede Globo), além de possuir diversos trabalhos internacionais para emissoras como
BBC e Channel 4.
Ricardo Pretti

gas Estrada para Ythaca (2010), Os monstros (2011), O Rio nos pertence (2013), entre outros, além
de curtas como A amiga americana
trabalha como montador, tendo assinado a montagem dos longas O céu sobre os ombros (2011),
de Sérgio Borges, e Testemunha 4
Rodrigo Maia Sacic

93

trabalhos mais recentes como técnico de som direto são: Mulheres no poder (2015), de Gustavo
Accioli, Seca (2015), de Maria Augusta Ramos, e Homem livre
Em busca de um lugar
comum
Passarinho lá de Nova Iorque (2013), de Murilo Salles. Recentemente trabalhou como editor de efeitos sonoros nos longas Campo Grande
Mate-me por favor, de Anita da Rocha Silveira, e Desde Allá
Silvio Da-Rin
Quase dois irmãos (2004), de
Viva voz (2003), de Paulo Morelli,
(2001), de Roberto Santucci,
eMauá — O Imperador e o Rei
Fênix (1980) eO príncipe
do fogo (1984), e os longasHércules 56 (2006) e Paralelo 10
do livro Espelho partido: tradição e transformação do documentário
Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre 2007 e 2010.
Vanessa Marques

tragem, Uma viagem à cidade das canções (CineMúsica 2015), e coordena a pós-produção do
longa SOS mulheres ao mar 02
O Rio nos pertence (2013), de Ricardo Pretti, O uivo da gaita (2013), de Bruno Safadi,
(2013),
dos mesmos diretores, Amazônia eterna
Rio, eu te amo

Walter Goulart
O dragão da maldade contra
o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha, Pindorama (1971), de Arnaldo Jabor, São Bernardo
Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, entre muitos
outros.

94

ANAIS Do III ENCoNTRo NACIoNAL
DE PRoFISSIoNAIS DE SoM
Do CINEMA

Ensino e Mercado - Caminhos para se tornar um profissional de som

Participantes: David Pennington

,
Eduardo Santos Mendes,
Fernando Morais
O Som no cinema brasileiro

da Costa

Mediação: Marina Mapurunga

David Pennington

. Com o sucesso do longa-metragem
Iracema, uma Transa Amazônica (1976), nós achávamos que o 16mm iria ser uma solução para o cinema

meio “Nagra a tira colo e boom na mão”. O que aconteceu foi que eu acabei sendo escolhido por um programa
chamado Mão de Obra Especializada em Cinema
a estúdios, nos enganaram! Mas a turma ali era muito positiva, viramos a noite, escrevemos um roteiro e
no dia seguinte quando teve a reunião com os “boss’s”
Looking Around
Chegamos à conclusão então que a maneira como a gente trabalhava não era tão diferente da maneira

96

como os americanos trabalhavam. Os equipamentos que encontramos lá eram os mesmos que tinha na
Álamo

Cristovam Buarque, nós descobrimos em umas gavetas um convênio entre a UNB e a Rede Globo que era
Com o que sobrou nós compramos equipamento e montamos o CPCE (Centro de Produção Cultural e
Educativa) que tem o papel absolutamente fundamental no fomento do audiovisual no Centro-Oeste, foi
realmente o que alavancou essa produção. Essa foi aquela fase em que chegaram os equipamento Umatic

conseguimos algum equipamento, ainda temos muitas lacunas lá e estamos estimulando os alunos a

completamente estapafúrdio, que é mais barato e que não resolve. É uma luta constante para se conseguir
o equipamento, o acesso a ele é uma luta muito grave. Apesar dessa transição, nós tivemos um restinho

97

como tal, não temos. Continuamos tentando e insistindo, sem lamentações, mas é necessário... O segundo
ponto é o conhecimento técnico, familiaridade com as tecnologias, conhecimento básico de ótica, acústica
e eletrônica. Estou absolutamente convencido de que nessa era de inteligência agregada é muito
que seja, para que possam compreender como operar esses equipamentos. Porque realmente chega
sabemos ainda como encaminhar mas que tem que ser encaminhada. O terceiro ponto é o que se refere à

som. E a demanda de som durante a pós aumentou muito. Na época que eu comecei a trabalhar com
cinema, as áreas eram muito estanques. Eu lembro que... eu sempre fotografei, mas eu trabalhava com
Era aquela coisa de um

98

faço uma separação dos enviáveis e o que sobrou eu componho uma banca de professores e escolhemos
“não quero fazer
“é legal mas não é minha praia não...” Assim já começa a separar

desenvolvimento do audiovisual.
Marina Mapurunga
passo a palavra a Geraldo Ribeiro .

99

: Bom, eu fundamentalmente sou um técnico de som. Ou seja, eu tenho um pé e meio no

para o segundo, do segundo para o terceiro e dai para frente. Procedimentos, métodos, entendimentos vão

forte parte prática embasada em conhecimentos teóricos. Esses cursos eram dados em uma unidade do
SENAC-SP, fora da estrutura universitária do Centro Universitário SENAC. Alguns dos meus cursos tiveram
bastante sucesso, e a partir disto surgiu a possibilidade da criação uma escola de cinema, um bacharelado.
O Reitor na época que era uma pessoa bastante aberta, inteligente e visionário, resolveu bancar a
maluquice. Perguntou para mim: “o que você precisa para desenvolver o projeto didático-pedagógico de
um bacharelado em cinema?” Respondi de pronto: “algumas pessoas.” Uma delas que está aqui do meu
lado, o Prof. Eduardo Santos Mendes, e a outra é a Prof, Ana Giannasi, que tinha formatado o curso de

grande problema. Somos três pessoas muito parecidas e muito diferentes, então cada dia que um dormia
seis meses de trabalho, umas 3 mil horas. Acredito que se não houvesse a necessidade premente de
apresentar o projeto, ele estaria sendo mudado, aprimorado até hoje. Nossa primeira avaliação do MEC

100

“senaquianas” foi um curso muito bom.

estrutura bastante rigorosa na tentativa de revertermos o quadro que era “roteiro 1, roteiro 2 roteiro 3, roteiro
4, roteiro 5, roteiro 6, roteiro, 7 e roteiro 8”. Ou seja: os alunos tinham quatro anos de roteiro. Se você não é

que quer que seja. A primeira coisa que a achávamos fundamental era que o candidato a cineasta soubesse
escrever. E ao meu ver isto deu certo... Hoje, da primeira e da segunda turma formada, diversos estão fora

tivemos todo o equipamento que quisemos. Eu digo que é hoje a escola melhor aparelhada do Brasil, sem

“olha, esse gravador vai sair porque...”
Ok, o SENAC é grande, mas está longe de ser uma cidade universitária. Então eles queriam
sair, para que os alunos pudessem ter acesso aos mesmos, sem cerceamentos dos projetos. Eu tenho um
pequeno resumo de uma pesquisa. No meio do ano passado eu mandei para praticamente 250 pessoas
uma série de perguntas e obtivemos um bom retorno, 164 respostas, dessas eu eliminei 30 porque achei

pouquinho mais de rumo no que a gente estava querendo. Obtivemos 134 respostas válidas no fechamento
da pesquisa , foi 11 de junho de 2013. Nesta pesquisa nossa preocupação era saber qual a visão que o
seria, no ponto de vista do egresso a escola ideal. Minha defesa intransigente do modelo didáticopedagógico criado pelo Edu, pela Ana e por mim criaram diversas áreas de atrito que resultaram em minha
há quantos anos você trabalha ano mercado do
audiovisual?” Há mais de 10, menos de 5.... Pode ir para o slide seguinte. Aqui a gente tem já os percentuais.
antes do grande boom das escolas de audiovisual. “Há menos de um ano” tinham sete pessoas, “há menos

101

de dois anos”

Tem formação na área acadêmica?” Sim dá 70%, o que é
sua

formação”
faculdade de bacharelado em Cinema e Audiovisual”, mais da
metade tinha formação dentro do que a gente considera como o processo ideal de formação em
Audiovisual, algo mais amplo, mais abrangente... Vamos para o seguinte, “seu grau de satisfação com ela”.

insatisfação. Vamos para a seguinte. “As escolas de Cinema e Audiovisual conseguem acompanhar as
constantes evoluções tecnológicas e de linguagem que chegam ao mercado?” Praticamente 70% achavam
que não. Então é algo que nós, das escolas, temos que pensar: o que é necessário ser feito para estar par

também é um produto audiovisual e que já é um nicho de mercado mais importante para os nossos
egressos. “Não” 72%, “sim”
“Na sua visão, os cursos de
audiovisual tem visão teórica melhor estruturada do que prática?”, enquanto que o mercado demanda uma
“Ao seu
Assinale todas as que achar verdadeira”.
conhecimentos”. Ou seja, um cara realmente de mercado que venha para a escola transmitir o que ele pega
no mercado. 70% assinalaram essa opção. “Falta de disciplinas que unam questões técnicas à questões
teóricas” , 60%.
consagrados”,
“Grade de
disciplina que privilegia formação generalista em detrimento à especialização”, e eu acho que ela tem que ser

fundamentalmente generalistas. “Falta de equipamentos e laboratórios adequados”, bom vamos para o
seguinte. A falta de infraestrutura... Algumas escolas ainda mantêm um parque de equipamentos pobre,

102

“ao seu
ver quais são as áreas mais valorizadas?”,
direção de arte, captação de som e edição de som. Tem uma coisa bem interessante, ou seja, nós, os

hoje é por roteiro, a terceira demanda é por edição de som, a quarta demanda é captação de som. A
segunda é direção. O quinto é direção de arte e por ai vai, esse eu me lembro bem. Sendo essa demanda,
“Na sua opinião, os formandos nas faculdades de cinema reúnem aptidões e
competências para imediata absorção pelo mercado de trabalho?” . É um negócio gritante, e vemos que, pelo
menos da nossa moçada, 80% vieram de escolas, 50% vieram do audiovisual. Então essa informação é

“Ao seu ver, o que seria necessário para que essa entrada fosse mais
rápida?”. Então a coisa interessante é que eles mesmo respondendo que o estágio era a coisa menos
importante, aqui eles colocam o estágio como elemento importante para entrada no mercado. Eu conversei

“Ter professores com presença de mercado” , o cara dá aula mas é um editor de som, o cara dá aula mas é
um fotografo. Pessoas que tenham alguma distinção nas suas áreas dando aulas. “Formação teórica
sólida”, porque a gente vê que os fundamentos do audiovisual não são propriamente simples, eles querem
“Ao seu ver o que seria necessário?”, “incluir estágio na grade” 4.7 em 5.
reconhecidos, aprofundar técnicas e tecnologias, maior contato com equipamentos através de um maior número
de trabalhos práticos, formação sólida dos fundamentos do audiovisual, grade flexível propiciando especialização,
seminários e workshops”. Boa parte dos egressos dispôs de equipamento. Não questionei se o equipamento
era bom ou ruim, funcionava, não funcionava, se operava ou não operava, se a escola forneceu, se a escola
não forneceu.

Marina Mapurunga: Então vamos passar a palavra para o professor Eduardo Santos Mendes.
Eduardo Santos Mendes: Eu acho que a gente já melhorou bastante desde o tempo em que eu era aluno.

103

basicamente eu tive ondulatória, eletrônica, um pouquinho de acústica, nada muito aplicado também,

que já passamos dessa fase. Acho que tem muita coisa, temos uma discussão aqui que tem muitos

Universidades e escolas em que os seus alunos não podem botar a mão no equipamento, é algo

até 2012. Eu e João Godoy damos aula no Curso Superior de Audiovisual na ECA-USP, na graduação. Os

anos 1980, e foi muito bom. Mantemos aplicando isso. No primeiro semestre do curso todos os alunos

não queria saber daquilo, foi muito claro o meu semestre que eu fui fotógrafo, foi uma opção clara. Eu pelo

104

montador. Então mesmo que a gente tivesse quatro semestres de som, agora a gente tem três, houve uma

mais pratica em momento de aula. Porque a gente tinha uma carga horária desgraçada, nosso curso é
gerar produção durante o horário de curso, além da produção normal, o curso é 24h. O prédio da gente é
24h, todos os laboratórios são abertos 24h, funciona por dedão, você coloca seu dedão, entra e sai. Ou por
reserva, a gente tem pastinha do Google, planilhas Google, você entra lá e reserva seu estúdio, seu horário,
mantivemos até hoje. Hoje temos um semestre de obrigatória e dois de optativa. Tem duas discussões. A
primeira já é entrando nessa história: vou dar aula para quem? Porque uma coisa é dar aula para roteirista,
diretor, fotógrafo e pessoas que vão trabalhar com som e outra coisa é dar aulas para pessoas que vão
pessoas que vão se formar como diretores, fotógrafos, montadores, roteiristas e também como

aplicada. É claro que o cara, para poder operar um microfone e um gravador, vai ter que estudar ondulatória,
vai ter que estudar acústica. Mas essas aulas de teoria que a gente dá no primeiro semestre, seis ou sete

de som, ele jogando frequências com o cálculo de frequências na lousa. Então as pessoas iam passando
toda uma teoria a ser dada, mas tem que mostrar pros caras, porque a gente tem esse grande problema de

três ou quatro aulas de percepção que tinha desde aquelas coisas básicas de sentar na sala de aula e
comparar lista, ver quem está mais perto da janela, quem estava mais perto da porta, ver como esse
lanchonete. E quando voltava do intervalo, tinha que ir para lanchonete, não precisava consumir nada, mas

105

formação auditiva. Conversando com meus alunos de primeiro ano do ano passado... Não sei quem são,

pergunta para os caras “por que você está indo fazer um curso de cinema?”
35, e dois ou três não é brincadeira, e tem um monte de gente que fala “porque eu não quero fazer medicina”.
uma coisa muito rara. A única aluna que frequentava a sala de cinema regularmente era a aluna mais dura
da classe, então ela ia em todas as mostras da Cinemateca Brasileira, ia no CCBB. Na verdade ela via a
nata da programação que estava rolando na cidade. Três alunos, eu lembrei, porque foi só uma que
frequentava regularmente cinema, três alunos viam televisão e sabiam a grade horária, que de manhã é de
criancinha e dona de casa, que na hora do almoço é noticiário, tinham ideia de como funciona televisão.

onde se ouve muito mal. Então eu acho que a gente tem de cara duas necessidades vitais para poder

prédio do Curso do Audiovisual fechado. Agora nosso prédio está bonitinho, uma gracinha. Estamos com

que ser ouvido. Porque eu já tenho muitos colegas que não pensam o som como professores. Tem colegas

chegaram nesse discurso ainda, ainda estão no discurso imagético. Então eu preciso também treinar os
que se tem de não ouvir vem pelos outros lados. Pode não vir pelas nossas aulas mas vem pela foto, pelo

106

roteiro, e assim por diante. Eu vivo discutindo com professores de roteiro porque eu acho que a estrutura

é palavra, “personagem, texto, personagem, texto”. Se você quer articular um som e uma imagem de uma
esse tipo de estrutura de roteiro não serve. Então a discussão é muito ampla. O que a gente vai passar para
os nossos alunos, como a gente vai preparar a nossa própria escola, onde a gente vai dar aula de ouvir,

set, se não a vara não entra e assim por diante. Eu acho que não tem discussão que a gente tem que
discuto hoje, esse é meu grande problema hoje, é como eu chego no meu aluno. Porque eu não consigo
greve no último ano e meio, meus alunos entraram em greve na primeira metade do ano passado e agora

Gravidade
Gravidade me
encanta, ela é única e eu gosto de cinema para cinema, em TV eu vejo série de TV, que eu acho mais

com um auditório bacana, pequeninho, com pé direito horroroso, mas com uma boa projeção e um bom
isso mas eu não consigo chegar para um cara, primeiro porque tem um monte de coisa a discutir, que é a

E não dá para editar som ou editar qualquer coisa sem método. Porque você trabalha com milhares de
eles vêm do videogame. Videogame é uma coisa que chega na sua casa e não tem regra, não tem instrução.

joy stick e vai! E nossos alunos são assim, são pessoas que têm essa
formação, aprender no voo. Acho que tem um monte de coisa a ser pensada que vai além da técnica, que
vai além da percepção, da teoria e assim por diante.

107

Marina Mapurunga
Fernando Morais

aula no mesmo lugar em que eu fui aluno, então já me acostumei a pensar aquele lugar como aluno, como
mestrando, doutorando, aluno de pós e agora como professor. Primeiro, há certas invejas curriculares e de
infraestrutura da USP. Todo ano acontece alguma situação em que eu sinto isso, a deste ano é hoje.

professor de som também. O que conseguimos ter para desaguar são determinadas optativas de som que

forma. Porque pensar som em um semestre só durante 4 anos é pouco tempo. A disciplina obrigatória é

parte, eu estou vendo muitas das questões colocadas pelo questionário do Geraldo, é uma aula metade

eu elejo dentro do assunto som para a gente pensar e depois a gente vai para o estúdio e grava algumas
equipamentos que temos, que comento daqui a pouco também. Sempre que gravamos eu abro isso em
aula e ouvimos juntos, vamos discutindo como está dando certo, como não está, outra coisa que eu faço
questão. E nessa aula tem muito pouco, quase nada, de pós-produção. Meio que não cabe, a ementa da
disciplinas de edição em que eventualmente pode-se falar de edição de som. Mas edição de som, pensado
no curso, é optativo. Então é só para os alunos que se interessam e a gente oferece. O que já é meio doido
obrigatoriamente essa ideia de um som segmentado em que o técnico de som não chega na ilha, o cara
da ilha não chega no set. A parte do cara da ilha não chega no set. A gente tenta resolver de algumas

108

obrigatório. Eu adoro que eu tenha gostado de fotografar na vida embora eu tenha escolhido ser técnico
primeira coisa que eu vi como microfonista é que eu tinha que entender de lente o que muito me
tivesse cortado um pano na minha vida. Mas, como técnico de som, o fato de eu ter alguma relação com
aquilo mudou minha cabeça. Então eu acho fundamental que os alunos, que o sujeito que vai ser fotógrafo,
diretor, etc., durante um semestre toda terça-feira ela tenha feito cinco minutos de microfone que seja.
Primeiro porque eu acho que a cabeça dos meninos é assim hoje, eles demandam da gente uma formação
mais, mas tem ainda hoje... Eu tinha horror à ideia de que eu, por algum motivo, tinha que não chegar perto

som que têm preguiça de pensar em outras coisas, nem outras pessoas que têm preguiça de pensar o
som. É evidente que numa turma de quarenta estudantes que estudam cinema, se três tiverem interesse

rec

acho que em parte não tem jeito, em parte a gente trabalha para melhorar, mas em parte... O que você dá
mais se ele tem uma disciplina, se ele vai ter pouca coisa na área? Primeiro, para dar essas optativas que
eu estou comentando, inclusive edição de som como optativa, que é uma coisa que a gente discute a vida

109

é que, sendo eu professor da pós-graduação também, eu tenho mestrandos e doutorandos que são

então junta em torno do assunto som, bolsistas que vão dar aula no estágio-docência, vão dar eventualmente
essas optativas. Vão divulgar suas pesquisas na graduação mas também vão dar uma aula de edição de
som... Com essa penetração da pós-graduação na graduação a gente acaba conseguindo ter mais gente

diferentes entre si, eu tenho um monitor, o cara que é interessado em som vai ser meu monitor, também
vai pesquisar som comigo de alguma forma, então você vai agregando um grupo de pessoas. Então acaba
Universidade pública para colocar essas pessoas em determinadas posições. Eventualmente você vai

mesa, etc. e tal. Para que a gente consiga pensar como é que esses caras, dentro da situação precária de
uma disciplina e um certo parque tecnológico limitado, como esse cara chega no mercado um pouco mais
preparado, o que é uma das respostas ali do questionário do Geraldo também. E em parte, como que eu
diria, não quero parecer fatalista, e nem conformado com uma determinada situação... Mas o que me
que a gente dedique àqueles alunos mais interessados na área, com bolsas ou sei lá que outros fomentos
a gente consiga ter, me dá a impressão de que, mesmo dada a morosidade da Universidade pública, a
gente não pode falhar em dar um determinado “start” para esses estudantes. Não podemos falhar em
despertar esse interesse e dar algumas primeiras ferramentas. É ao mesmo tempo evidente de que quando

gente já deu, mas também é óbvio que... Também não é papel da Universidade ser uma super produtora
onde o estudante vai pôr a mão... É uma Universidade, não é um curso eminentemente técnico. A gente
precisa que ele seja técnico entre outras coisas da formação. E tem ajudado muito a procura que no nosso

assim sucessivamente. Uma coisa que foi colocada aqui que estava como um ponto meu, estou falando

110

professores de som todo mundo vai sacando como lidar com isso, é a coisa de equipar a Universidade. É

ele. Eu vou trabalhar com ele, mas hoje eu não iria pedir esse mesmo gravador. O que é um negócio de
louco. O gravador chegou pelado, chegou sem case, sem os cabos TA3, e o processo fechou e para arrumar

do Edu é engraçado porque o Edu foi um professor de som que lá no século XX, quando eu estava na

que o corpo de professores estava virando... De repente aquilo deu algum toque na minha cabeça que não
foi claro na época mas que alguma coisa na minha cabeça bateu tipo “é isso que eu quero ser quando eu

complicada entre dar uma aula que minimamente desperte o interesse de quarenta estudantes mesmo
que você saiba que, desses quarenta, quatro vão ter o interesse de fato. Eu não acho isso um problema
necessariamente, não sei se eu queria que fossem quarenta. Entendo que tem mil funções ali, as pessoas

tem mil motivos para isso. Acho que o som como objeto, esse pepino que a gente tem a vida inteira, ele

111

as pessoas olhando para minha cara meio que não acr
tranquilo que as ondas estejam
mp3 e
sabe quantos kbps
a coisa está menos abstrata do que era vinte anos atrás dentro desse nosso objeto concreto e abstrato ao
mesmo tempo. Eu acho que é uma coisa para a gente discutir, algo central mesmo. Como é que a
Universidade consegue dar esse “start” em determinados estudantes. E consegue. Se não conseguisse a

Geraldo colocou, todos nós sentimos elas aqui. A falta de relação com os funcionários que a gente tem no

Headphones
e cabos então é uma coisa igual sabonete, você usa e vai gastando e tem que comprar de novo. Só que
não tem. Pelo menos a Universidade pública federal não tem nenhuma relação com manutenção. É um
que é interessante, inclusive esse encontro aqui denota essa formação, porque as pessoas estão sendo
formadas agora nesses mesmos lugares.
Marina Mapurunga
muitas indagações. Vamos ter agora vinte minutos para debater, quem quiser colocar questões.
: Tem um elemento que eu achava bastante importante ter colocado e, pelo tempo, não
cabeça mudou ou o que, mas eu fui cobrado muito cedo por uma decisão na vida e eu acho que cobrar de

e, quando estão no processo, veem que aquilo é uma merda, que não é aquilo que querem. São dúvidas
minhas que eu estou jogando

112

Jesse Marmo
também pode ser. Já que a gente está conversando sobre ensino, falou-se muito sobre edição de som,
do curso de vocês? Como vocês trabalham isso? Só porque eu senti uma ... Eu vim da música, trabalhei

é uma questão importante, ainda mais hoje que você pega muito material de arquivo, para trabalhar em

Eduardo Santos Mendes

de espaço mesmo. Até pouco tempo atrás a gente não tinha um estúdio bacaninha totalmente formado

David Pennington

113

não temos realmente nem professor nem condições, nossa situação é delicada nesse sentido. O fato de eu

tem sido alvo de discussões e não sabemos como resolver. Eu adicionalmente criei uma disciplina de
tópicos especiais em que eu procuro os alunos mais interessados, pego um determinado tópico, tanto
me reúno na minha casa para editar junto com eles, mas são alunos realmente escolhidos a dedo. É uma

uma solicitação, mandou um trabalho e foi selecionado.
Fernando Morais

lá acompanhar somente, é um problema realmente. Nós ainda não demos uma solução para isso. Outras

tem um processo mais formal. Mas o sujeito que está editando o som do seu curta rapidinho nas nossas

114

disciplina obrigatória, o Hernani Heffner foi num primeiro momento um professor. Temos um professor de
preservação lá hoje. Mas mais do que o professor de preservação dando preservação obrigatoriamente, a

Brasileiro mas é uma pessoa importante para discussão de preservação no Brasil. E muito também pela

mercado, professores etc. E a mesa com os alunos foi muito interessante, porque foi muito divertida. Tinha

minha formação é toda torta, comecei com a prática e depois que fui para a Universidade. E eu acabei
pensando, durante essa mesa, que eu acho que tem um momento da nossa formação em que ela se dá
de fato na prática. Assim como quando a gente vai dar aula tem hora em que aprendemos dando aula,

residência, o engenheiro vai para um processo de treinamento numa empresa para depois assinar de fato

teve a presença do Pablo Rovito, que é reitor da ENERC, e eles conseguiram recentemente, como a escola

oriundos da escola. Então é um mecanismo para garantir que as pessoas de fato vão passar por um
processo de estágio de verdade. Acho que esse é um dado interessante. Outra questão me ocorreu quando

115

deparou com a prática. Como que resolve isso? Não sei. É uma questão, está colocada. E associada a essa

uma tendência dentro do curso dele, dentro do curso que ele participa, de estimular o conceito ou a ideia
lap top. É uma outra situação que a gente está vivendo hoje. Tem gente que

TV, Youtube

quase um ano e meio que a gente não dá aula de verdade, e recentemente pude dar duas aulas e foi muito

Barton Fink (1991). E que é genial, umas pessoas falam

Maria Muricy: O que o Eduardo disse me despertou muito. A curiosidade que é ensinar a ouvir. Eu não

está sendo dito, ouvir o fundo de onde ele está sendo dito. Então isso me ensinou, em primeiro lugar, a
ouvir diferente. A segunda coisa que foi muito interessante foi dirigir dublagem como editora de som e

116

“você assovia no banheiro? você canta? toca um instrumento?” e ele responde “toco” então ele sabe

que me surgiram na medida do que você falou. Você falou em formação, e nisso a gente está falando da
formação em cinema, no cinemão, de gostar dessa arte e entender como ela é feita. Eu gostaria muito de
citar aqui duas pessoas que no meu caso pessoal foram fundamentais na minha formação de cinema.

Gance, todo Chaplin, coisas inacreditáveis de assistir, Intolerância, O nascimento de uma Nação
Cosme foi, na Cinemateca do MAM-RJ, uma pessoa fundamental na formação de uma geração. Então
quando a gente fala em cinema e aprender cinema, estamos falando também em formação do cinema

: Bom, meu nome é Maria Byington, sou principalmente pesquisadora não acadêmica,
chamados de produtos, muita gente pode se chocar com isso mas é a realidade. E em cinema eu trabalhei
Então as questões que me ocorreram são as seguintes: nesse momento em que o digital é a realidade,
vocês já pensaram em incluir matérias sobre tecnologia da informação e gestão da informação nas suas

back up, voltado para imagem e som juntos mas que serve muito
como uma metodologia de gestão arquivos digitais, que acho que é disso que estamos falando hoje em
informação, 2) como é que vocês discutem com os alunos a questão dos back ups de som, 3) se vocês

isso ela é a melhor, porque ela vê todas as mostras que o Eduardo citou, e 4) uma sugestão de uma amiga

117

coisas legais, uma foi um dever de casa em que a resposta era uma coisa totalmente absurda, e ela botou

um spoiler

Marina Mapurunga: Só mais duas perguntas, por conta do tempo.
Débora Opolski

você escolhe. Mas você sabe sobre a teoria de todos os instrumentos de corda. Porque não há tempo hábil
para isso. Então eu pergunto, será que não seria mais interessante, do ponto de vista da formação que
a gente vai estar fornecendo para esse aluno, que fosse um ano sim generalista, que ele tivesse contato
com a linguagem audiovisual como um todo e, supondo que estivéssemos num curso de graduação de

mas como pessoas que possam participar de forma mais livre do ensino de cinema.
Plateia: Vocês não acham que boa parte de todo esse problema, além do não entendimento do que a
educação sonora desde criança? Porque quando a criança entra na escola ela é obrigada a aprender

Victor Pennington: Meu questionamento está muito dentro do que foi colocado. Nós só estamos aqui do

118

pelo resto da vida, e os meus amigos jogam. A gente não chega perto de jogo no curso de audiovisual. A

próprio David Pennington, que deu aula junto comigo, falou que nunca viu uma turma mais interessada.

audiovisual, no qual o som está incluso, para as camadas mais primárias da educação. Porque metade do
meu curso de audiovisual debandou porque não era aquilo que eles queriam, porque não tinham a menor
ideia do que era aquilo. Então os professores estão chegando com turmas de quarenta alunos em que
metade desiste porque não sabe o que é antes de estar no curso. É esse o meu posicionamento.
David Pennington
noites e um dia de pessoas que queriam se capacitar para trabalhar em produtoras. Era eram pessoas da

também ninguém faltou. Mas isso não foi o melhor, o melhor foram os e-mails que fui recebendo meses

pode fomentar esse potencial deles?
: A questão do ensino do audiovisual. Em algumas escolas de São Paulo ele começa

violentamente orientada para o visual, então isso implicaria em uma mudança muito grande de conceito,
querer que as pessoas desde cedo já venham com uma proposta de som ou uma disponibilidade mais
para ouvir do que para ver. Mas na realidade o que acontece é o seguinte: eles começam ouvindo, eles

que as crianças perdem, que a gente perde com o passar do tempo.
Eduardo Santos Mendes
informação. Back up

119

Contar spolier

Mas pelo menos na ECA não é a nossa ideia hoje. A nossa ideia é de uma formação realmente generalista.

up-to-date
do que técnica. É claro que técnica é importante, é claro que conhecimento é importante, o saber da
técnica é importante, esse conhecimento sólido é importante, mas se o cara aprende em uma plataforma
ou em outra ele aprende o conceito daquela plataforma e, não adianta, a escola vai estar sempre defasada
em relação ao mercado. Não adianta querer correr atrás disso porque não vai rolar. Então é muito mais

de estúdio conseguisse andar na boa.

Suzana Reck Miranda
20h, com esse objetivo mesmo, de poder agregar para dentro da curso pessoas que possam atuar no

Eduardo Santos Mendes: A USP permite que você contrate um professor um especialista durante um

120

precisa estar up-to-date. Games, a gente morre de vontade de ter games no curso mas não conseguimos
estrutura de professores, mesma história. É uma coisa mais burocrática do que o querer. E sobre a
obrigatoriedade do ensino de audiovisual, muitos colégios particulares em São Paulo têm audiovisual
para obrigatoriedade de disciplina de audiovisual em cursos de segundo grau. O que vai disparar uma
necessidade de criação de cursos de licenciatura dentro dos cursos de audiovisual para poder formar
professores que deem aula no segundo grau. Então é algo que não sai rápido porque você não vai criar
uma obrigatoriedade dessa sem ter umas licenciaturas por trás que te garantam que isso possa acontecer.
Mas está em discussão e é matéria de governo, já é.
Fernando Morais

quarenta para ser técnico de som por cinco minutos por semana, é porque eu acho importante. Mas é

os cursos — e eu falo pelo meu — estão, por demanda dos alunos, sendo obrigados a colocar essas coisas.

cara vê por horas séries ou todos os hits do Youtube ou em quaisquer outros canais menos cotados que

121

achava a primeira e a obrigatória. Eu não tenho problema nenhum com o fato de eles verem 70 horas de
todas as séries que passam na frente, acho bom também. Mas é uma questão também, e é uma questão

determinado negócio de som na história do cinema, porque eu acho que é canônico, mas se ninguém viu
dava aula. Eu fui confrontado com um menino quando eu passei O anjo azul (1930) para falar da passagem
do mudo para o sonoro, o menino que tinha interesse em som levantou a mão e perguntou porque que

Joice Scavone:

e os professores das universidades reclamam da falta de os alunos irem aos centros culturais ver os
bronca na USP, que não nos ajudou nesse sentido, mas o Edu compareceu representando.
David Pennington: Eu só queria lembrar de uma coisa: back up é mortal! Se você não tem back up você não
tem nada, é uma necessidade. Eu falo pros alunos, não adianta copiar o cartão para dentro do notebook

122

Masterização: a preparação do som para projeção

Participantes:

Ariel Henrique

Mediação: Carlos Klachquin, engenheiro de som e consultor Dolby.

uma redução automática vai soar bem na TV e que você vai conseguir os mesmos efeitos que você tinha
-

quando a gente está ajudando a tecnologia a se impor como um produto para pessoas que querem ganhar
dinheiro etc. É muito importante a gente entender as aplicações precisas das tecnologias, para a gente
tem que ter em mente quando aplica as tecnologias é que a tecnologia é desenvolvida para outra cultura.
Nós somos consumidores de tecnologias que são desenvolvidas essencialmente para as demandas dos
-

Janeiro, tinha todos os clichés do universo, era uma coisa impressionante. Algo entre tiroteios, bundas e
escolas de samba. Mas à parte desse detalhe… era muito interessante como os cortes de frequência e as
a tecnologia que é desenvolvida de acordo com as demandas e as produções de outra cultura, eu acho que
ainda é válida a proposta do Glauber Rocha e dos modernistas, que a gente precisa vir aqui — e não neces-

123

sariamente quando ele fala em estética da fome, ou quando a gente fala em antropofagia, o que é importante é entendermos o que serve para a gente, e não achar que temos de imitar a prática estrangeira. O
importante é conseguirmos perverter essa tecnologia para as necessidades da nossa cultura. E eu digo
perverter não só simplesmente no sentido de uma pretensão anarquista —“eu quero perverter e destruir a
cultura do inimigo imperialista ianque.” Não. É perverter no sentido de entender quais são as nossas deloudness, de medição de loudness
de forma a trabalhar em função das nossas demandas de mercado, estéticas etc. Bom, a tecnologia tem
que se colocar sempre de uma forma. O que determina se a tecnologia é válida ou não é sempre sua aplidentro do broadcasting etc., mas isso precisa estar dentro também das histórias que queremos contar.
-

-

tipos de medição. Classicamente, o primeiro tipo de medição mais óbvio é a medição da pressão sonora,
dindo a pressão sonora de um pinknoise. A outra medição, também clássica, é a medição elétrica, você
novidade, essa história do loudness parece novidade mas não é, desde os anos 30 tem gente tentando fa-

barulho? Essa é a ideia quando a gente está falando em medição de loudness
em medição de loudness

124

aqui é ruidoso ou isso aqui é silencioso?” E o que é interessante dos plugins e dos algoritmos que dão
esses valores, eles dão em valores equivalentes a decibéis. Então se eu tenho um loudness que está a -26
é intercalável. Mesmo as medidas de pressão sonora do ar e as medidas de voltagem elétricas, que são
entender que o loudness
totalmente. As pessoas saem aplicando loudness acreditando que é a oitava maravilha do mundo, mas ela
tem suas limitações, eu vou chegar lá, se alguém depois quiser conversar um pouco mais sobre isso eu
ela acontece. A aplicação principal da tecnologia de loudness é a transmissão. Por quê? Porque a ideia da
televisão soem no mesmo volume pro espectador. Então aqui a gente tem a nossa tabela. Essa aqui é uma
tabela de duas medições. Antigamente, nos anos 90, quando eu trabalhava com publicidade, era do jeito

A Grande Família, no qual todos os sons que você
tem estão no registro da fala. Então, aqui, só para vocês entenderem essa tabela, o amarelo é o headroom,
Essa linha vermelha é a linha do loudness
noisefloor. Esse primeiro
rock androll
um pop rock e esse aqui é uma transmissão de comercial. Tá vendo como no pico as coisas que tem meloudness é o quê? Você acha
valor de loudness

um plugin de medição de loudness
loudness, você mede sempre o
programa inteiro, o programa tem 20 minutos, você corre o programa inteiro, 20 minutos, deu -24, esse é o
valor de loudness
uma barra que dura um minuto mais ou menos e isso aqui é o loudness médio do programa. Então, nesses

125

loudness, eles inventaram um algoritmo para tentar medir os sons, e a partir dessa medição gerar esse valor que emula a

loudness. Mas que é
-

gate na medição, por-

loudness
loudness mais alto, porque os silêncios não estão sendo considerados. Eu vou mostrar uma tabela de medição de loudness agora. Essa primeira tabela é o seguinte: eles testaram com as pessoas para ver com que variação de loudness as pessoas corrigem o volume. Com um acréscimo de 3dB, 50% das pessoas corrigem o volume, com o acréscimo
de 3dB de loudnessunits. Com o acréscimo de 5dB de loudnessunits
range é muito pequeno, que a gente precisa trabalhar dentro de uma margem de até
2dB, que é mais ou menos a recomendação dos manuais.
Alguém da plateia: O que é “corrigindo o volume”?
pensando em pessoas que não são técnicos de som. Aqui do lado é uma tabela mais interessante que
mostra distintas medições de loudness
Matrix, se você
gate do
qual eu estava falando tá desligado. G8 é uma das possibilidades de gate
loudnessrange.
loudnessrange
Matrix
gate desligado, atingiu -21.
Com o gate
televisão com o gate desligado — e eu medi ele com o gate desligado, ele vai tocar 4dB mais alto do que
se eu tivesse medido com o gate
gate ou sem o gate. Hoje em
dia quase todo mundo usa com o gate

126

ler os papers sobre os assuntos. Aqui, o loudnessrange
No caso do Matrix ele tem 25 loudnessunits
Friends, ele atingiu -19 com o gate desligado e -18 com o gate
Alguém da plateia: Não tem silêncio.
loudness range dele é 6.6. Você quer?
Alguém da plateia: O uso do gate, pelo que eu me lembro de ter lido, não tem a ver justamente com essa
gate vem pra tentar
loudness maior, para poder… a história
que o gate

ou não o gate
gate. Então é disso que eu estou falando, não há
um consenso na comunidade acadêmica tecnológica de que o gate tem que ser usado. Eu pessoalmente
sou pró-gate, porque o problema de você não ter o gate, se você vai medir um programa que tem três blocos, você tem que desligar o medidor nos intervalos, porque se não os espaços de silêncio entre os blocos
gate. O ideal
é com o gate. Bom, está clara essa questão do funcionamento do loudness? Eu sei que esse assunto é um
continuar num outro assunto mais árduo, que é o dynamic range control. Porque essas são duas coisas que
se relacionam, que estão intimamente ligadas quando você pensa em televisão digital, é a nossa realidade,
é a coisa com que cada dia mais a gente tem que lidar. E é por isso que eles pedem para gente nos canais
as tais medidas de loudness. O dynamic range controlé aquilo que é vulgarmente conhecido como dialognormalization, que é aquele valor que a gente coloca no AC3 ou no AAC e que todo mundo reclama e que tenta
originalmente criado como metadados pra DVD, mas acabou sendo incorporado como recurso nas trans-

som vão também dados, chamados metadata, e esses dados indicam ao equipamento do consumidor

127

de um home theater
tem alguns problemas de funcionamento de que a gente vai falar lá na frente. Bom, vamos falar sobre o
dialognormalization. Dialognormalization
uma medição de loudness, e a partir dessa medição de loudness você gerou o valor de dialognormalization.
dialognormalization. Se, por

brickwall, que é esse cut range
vai funcionar como um expansor

expansor. Entre -36 e -50, ele

porque isso é importante? Você imagina que dentro de um cenário de cinema, eu estou dentro de uma sala
acusticamente isolada, fechada, escura, com projeção, totalmente concentrado naquilo. Na casa de al-

repente acontece um negócio que você fala “Meu Deus, o que está acontecendo aqui na casa”, vem a mu-

medido com menos -28dB de dialognormalization. Entre -28 e -21, entre -41 e -21 ele não faria nada, de -26
a -11 faria uma compressão 2 pra 1, e lá em cima, de -11 a 0 — na verdade aqui está uma tabela analógica
— ele faria um brickwall
tecnologia inescapável. A transmissão vai sair com isso, você precisa lidar com isso. Você não tem como
transmitir alguma coisa na televisão sem ter que passar por isso. Os problemas principais na aplicação do
diretor e tal, eu sei qual é o objetivo daquela cena. Então eu posso encontrar recursos diferentes do automente, não acredito muito assim… com todo respeito à Dolby, eu sou um grande admirador das tecnolo-

128

loudness
muito louco, tipo -16. O Faroeste

loudnessrange

se chama staticmetadata. Ele transmite a -24 o dialognormalization. Então, a minha resposta de DRC, vou
nossa, a compressão vai ser violenta, vai comprimir todos os diálogos e vai acontecer aquele efeito de

ele só funciona pra transmissão digital, aliás isso é uma coisa importante, né? Mas na transmissão digital
acontece o mesmo efeito com um mau setting do DRC. Esse é um dos problemas, a cadeia produtiva, então eu posso escrever ometadata mais lindo do mundo, se o cara chegar na transmissão e não aplicar o
chocado. Eu não sabia, mas a norma brasileira de transmissão de TV digital permite que você desligue o
vai decidir se ele desliga ou não. Geralmente, os canais de televisão, pelo pouco que pude ler, eu não tenho
essa informação de uma forma sólida, eles estão trabalhando com esse conceito de staticmetadata, que é
o quê? Você tem o mesmo metadata pra todos os programas e por isso que eles pedem para a gente sempre entregar em -24 ou -23, pra facilitar a cadeia produtiva deles, eles não têm nem que medir e eles sabem
que o metadata que eles estão enviando vai funcionar minimamente bem para o seu programa. Então,
esse é um dos problemas da aplicação do DRC. Outro problema que é interessante é o seguinte: quando
inventaram o DRC para DVD, a medição era feita de uma forma radicalmente diferente. Porque hoje em dia
a gente usa esse algoritmo que é o BS1770, e antigamente, quando se originou isso, se usava uma curva

dialognormalization
o que acontece? Esses valores são radicalmente diferentes dos valores que a gente obtém usando o 1770.
Além disso, para piorar a situação, se você usa o gateon ou o gate off
Matrix, que vato, essa tecnologia não está resolvida ainda. E nós precisamos, nós aqui, porque se não é a gente não é
gateon, com gate
off

129

stems, essa é a metodologia que eu falei, você
abre seus stems
ram múltiplos masters. Então isso vai causar confusão na pós-produção, porque o cara vai colocar o
capar, né? A questão de gerar múltiplos masters tem esse problema, né? Cada hora vai tocar um master,
você vai chegar lá e encontrar no DCP o master errado. Tem uma questão de custo, o produtor tem que

-

loudness, você ainda tem que trabalhar em termos de DRC e loudness. E, se eu fosse dividir
to? Acho que sou só eu que não vejo então… Bom, mas o que é importante concluir disso tudo é que a

querendo dar um gato no cara para ganhar dinheiro, tem gente que não percebe a diferença, acha que o
Senhor dos Anéis

essas tecnologias, para a gente trabalhar um pouco com isso.
CK: Antes de passar a palavra para Ariel queria acrescentar um elemento interessante. Acontece que na

130

-

diferentes que têm diferentes propriedades e você escuta isso em diferentes ambientes. O tema da telede televisão digital, o SBTVD — Sistema Brasileiro de Televisão Digital, que foi adotado por praticamente
agora, estamos falando de 600 milhões de pessoas que praticamente estão renovando seus receptores
tos que Paulinho estava comentando. Os chamados metadados, que são dados que viajam junto com o
mais simples. Porque, claro, como eu não trabalho na área de broadcasting, não tinha pensado que isso
apresentação, vocês já viram que a quantidade de algoritmos de medição, ou seja, padrões de medição da

acrescentar à tua posição, porque os problemas que nos atingem de forma completa... O mundo daqui

cidade tem seus canais clássicos, digamos. Esses canais vão ser ocupados pelos canais digitais e vão ser
que lidar com esse negócio de metadados, que já era complicado na época do DVD. O primeiro a começar
não necessariamente o material consegue se ver a -27. Mas por quê? Porque o pessoal não sabia o que
pessoal das estações de televisão para chegar a alguma pauta. Eu imagino que se vai acertar isso. E não
só acontece pelo ar. Vai pelo cabo também, é a mesma história. Então, vamos alugar o nosso amigo aqui,

131

Ariel Henrique: Bom, quando o Bernardo me falou o tema da mesa a primeira coisa que me ocorreu foi souma dúvida no ar, um mistério, o que acontece com o áudio no DCP. Porque a gente estava bem habituado
mando conta dequase 100% do mercado. Então, vou falar um pouquinho sobre o DCP, não só tecnicamente

loudness
no dia a dia. Bom, primeiro a questão técnica, em relação ao DCP, muita gente já me perguntou se era uma
pool
de empresas, das majors

Pro Tools, é um áudio uncompressed

-

supostamente, sempre que a gente vai entregar uma master pra DCP, a gente está entregando um áudio
uncompressed

-

tamento de imagem que vai ser a projeção digital. No 35mm a gente tinha uma etapa que funcionava, de

132

-

pobre com uma tecnologia mais nova, com uma tecnologia que supostamente está evoluindo. E a gente
alguma coisa no sentido de “será que a gente vai ter controle sobre isso, será que vai haver algum tipo de
questão que o Carlos até levantou quando a gente falou sobre a mesa, e que eu percebo no dia a dia, na mi-

que a gente está entregando, seja para cinema ou seja para televisão, para broadcasting, para internet e

produtor recentemente, lógico que eu não vou falar o nome dele mas…
Plateia:
AH:
tões orçamentárias etc., etc., como a gente conhece. E eu comentei assim, en passant, que eu estava

-

133

Plateia: Manda um convite pra no ano que vem ele vir aqui.
AH:
Então a gente tem que ir educando. Como ele, eu acredito que haja muitos assim, que desconhecem o

hora de estúdio, tá querendo ganhar um dinheiro”, e não é. Então, acho que cabe um pouco a nós essa

-

não vai investir naquilo, numa manutenção, num upgrade de equipamento, numa melhora de isolamento
imagino que o cinema, de certa forma, isso foi dito aqui um pouco, ontem, está perdendo espaço pras

diferenciada. Só que eu vejo eles investindo em pipoca, em poltrona de couro, em não sei o quê, lanchinho

foi de manhã, com aquela boa vontade, ver como é que estão as salas, tentar ver o que que podia ser feito

134

para melhorar a pré-estreia à noite. E foi curioso porque eu cheguei lá e tinha a gerente de produção, e eu

Plateia: Ela pode estar confundindo 5.0 de volume com 5.1
AH:
A mulher já me olhou com uma cara, parecia que eu estava cometendo um crime, assim. “Não, isso a gente

que não há o menor interesse da parte deles. Nesse dia, lógico que era um evento fechado e a produção

tá muito alto”, não, é porque vocês dimensionam mal os sistemas, vocês não investem em isolamento
acústico. Eu tenho a impressão de que eu não sei onde isso vai parar, daqui a pouco eles vão estar tocando
-

que são cruciais para o nosso dia a dia, não vou chover no molhado com relação a loudness, a estudos
target do loudness não

loudness
Paulo colocou muito bem, acho que na aplicabilidade disso o pessoal ainda… todos nós ainda estamos
-

135

estiver partindo de um longa para cinema em 5.1, até chegar na master estéreo para iPad tem muita coisa
a gente é levado ou como estelionatário, o cara acha que você tá querendo cobrar mais, ou como chato.

como o Paulo falou… Sem entrar muito em detalhes técnicos, mas eu faço também a partir dos stems.
Nem sempre a soma dos stems
range
trolada, pelas condições de transmissão e pelas condições de audição, né? Porque as pessoas vão estar
não vou entrar na coisa doloudness aqui, eu ia falar alguma coisa disso mas acho que o Paulo cobriu bem
quais são. E, se tiverem mais alguma dúvida também, eu estou à disposição sobre a questão.
a gente tem uma situação bastante clara que é o desenvolvimento do 22.2, 22.4, 22.n, que acabou aconteEUA. Ou seja, é a forma de tirar o cara do sofá, da comodidade dele, da geladeira, e levar ele pra sala escujá tem praticamente seis anos que foi apresentado o primeiro protótipo na NAB. E os caras estão botando
muita grana em cima, os caras estão botando grana numa série de desenvolvimentos de processos de

boa dá pra você assistir numa televisão, mas você já quer um 5.1, um 7.1, você já quer uma ambiência,
-

CK: Nós temos um panorama que está mudando com uma velocidade tremendamente alta. Nós vamos as-

136

muitos anos, diria quase 40 anos atrás. Chegou na minha mão — porque eu sou curioso, olhando coisas...
Nessa época havia uma revista argentina, Planeta, que também se editou aqui no Brasil, de um par de ma-

na cabeça. Eu vou ler algumas coisinhas dele. Em 1964 ele publicou um dos livros mais importantes dele,

em 70mm?”. Ele comentou que os meios é que carregam a própria mensagem, eles são a mensagem. Por

está fundamentalmente relacionada com a forma em que ela nos é apresentada. Então, isso entra depois
numa outra discussão, numa linha que é chamada determinismo tecnológico, que é um pensamento muito
polêmico. Mas ele fala outras maluquices do tipo…e estou falando em 1964... Vai chegar um momento,

“essa loucura está se tornando verdade”. Oque eu estou vendo é que por causa da própria tecnologia que
nos impactou, e não éramos muito cientes disso, a gente está um pouco como reativo, ao invés de ativo…
Meio que estamos tentando segurar esses chutes, essas bolas, pra ver como é que a gente as maneja. Eu

um home theater
afastando numa velocidade muito grande. O Geraldo comentou agora, nós temos o cinema, o cinema clásEssa é uma avenida: você entra no cinema, você é bombardeado com som, bombardeado com imagens,

137

cussão geral. Não suponho que eu esteja dando uma palestra, só vim para provocar. As perguntas que eu
barateia os custos veio para ajudar ou está transformando o nosso cinema num espetáculo pobre? A ter-

me interessa se tá em mono, estéreo, seja como for. Se está fora de foco, eu quero contar minha história.

relevantes porque esse é um universo para ser discutido. As questões técnicas são interessantes, mas são
Jesse Marmo: Primeiro, gostaria de agradecer os vários esclarecimentos porque, como disse o Paulo,
e, nesse sentido do loudness

-

loudness. E eu percebo que ele não tem ideia,
ele simplesmente passa um manual, e você tenta dialogar com o canal, também é complicado, você não
-

Agora, no loudness
loudness
loudness, se
-

AH:

138

no loudness passou a trabalhar com o truepeak

limiters antes, mesmo se
lidade passava um pouco desse -10. Geralmente alguns medidores de loudness, ou alguns plugins, eles
já têm integrado a eles um limiter, um truepeaklimiter
truepeak
truepeaklimiter

loudness
target tá… você tem um target de 2dB que você falou a mais… se você… são as
seu target
tem muito plugin, já que não são mais só um limiter, são os truepeaklimiter.
Jesse Marmo: O que eu achava que seria interessante também é ter esse encontro do pessoal das transdo, ele também… se a gente tá ainda tateando, imagina eles também.
AH:
loudness.

meters de
áudio. E o que ele me falou, eu tenho testemunha, Cláudio tá aqui, “Olha, tá vendo o seu?” e deu play. “Tá

Plateia: O que é o estalo? Onde que está o estalo?
AH:

139

Plateia: Mas em algum lugar tem que ter essa lista de…
AH: Pois é, pois é. E eu falava “qual escala você tá usando?”. “Não, não, é dB”. dB o quê? Você tá falando
Plateia:

range

AH: Não, e você, quando leva o assunto, “ok, vamos para as terminologias técnicas e para o manual”… O

num limiter e pronto. O cara elogiou, “tá ótimo”.
Ricardo Cutz:
mesmo tendo essa questão do loudness, que tenta nivelar, mesmo assim os critérios que eles usam para

tem mais o poder de imersão, você está perdendo, vira produto comercial empacotado do mesmo jeito…

Ariel Henrique: Respondendo ao Ricardo. Esse meu diálogo com esse qualitycontrol da emissora era um

Kira Pereira:
loudness. Você
falou em duas escalas ali, uma que era negativa, que acho que é o loudnessunit
loudnessrange, então… é isso. E alguma coisa em relação ao DRC,

-

140

de fato mandar a versão de cinema? Ou mandar outra versão? O que que vocês acreditam nesse sentido?
Bom, são vários assuntos, vou tentar ser bem rápido. Aquele valor negativo, ele é o target. Seria o valor do quão ruidoso é o programa, né? O projetor está ligado ainda? Posso mostrar aqui. Esse valor
negativo é o target
o silêncio absoluto. E é esse o valor. Geralmente os padrões giram em torno de -23, -24. O loudnessrange,

aqui na tela, nesse daqui o target

range

Plateia:

compressão é caso a caso é o seguinte. O DRC, ele na verdade não é uma compressão que… Ele acontece

-

range de 3dB pra cima sem distorção, sem eu precisar

-

141

e o surround em 82, e não tiver nehuma corneta queimada, meu Deus, eu já vou me dar por satisfeito. Eu

Eu acho que a gente tem uma oportunidade, a gente tem uma pessoa como o Carlos aqui, e tem a Simone
em São Paulo, que têm um conhecimento técnico grande, para pressionar de alguma forma os festivais a
contratar os serviços deles, para pelo menos nos festivais os alinhamentos estarem garantidos. São pouCK: Bom, atualmente sim, eu trabalhava em 3 ou 4 festivais, isso não acontece mais, e são 220 festivais,
Paulo.
nham… Eu acredito muito que as transformações vêm pelas transformação da cultura, e cultura como
coisas, entendeu? E nesse sentido eu acho que a gente precisa criar essa cultura, e o melhor lugar que a
-

sala pra você”. Pronto. Porque não pode ser um problema meu. Eu já tenho que lidar com som direto, com
a dublagem, com não sei o quê, eu não posso além de tudo ter que...Eu discordo um pouco de algumas

142

já está ocupada com muito shortcut de Pro Tools etc. Sabe? Eu preciso me dedicar a entender de cinema,

CK:

-

Cannes, entre outros. Há uma tradição, há muitos anos. Eles sempre contratam a Dolby para regular as
alinhamento geral das salas, e inclusive tem um outro serviço interessante. No mundo digital, as tragédias
por incompatibilidade de arquivos são permanentes. Recebe um DCP que não toca no servidor, você não

tival e não começa a briga de que o DCP não toca, ou toca e as caras estão verdes, porque o cara errou
o espaço de cor, alguma coisa assim. Essas coisas acontecem, são histórias verdadeiras. Os canais de

Rodrigo Meireles: Boa tarde, meu nome é Rodrigo Meireles, eu sou supervisor de som na pós-produção da
Mas essa questão do loudness
do ar por 30 dias se a gente passasse 2dB em relação ao comercial, programa comercial. Uma coisa que
loudness que a
já foi dito como resolvido na Europa, volume de comercial e programa, que é de onde a gente bebe, a lei do
Brasil, a portaria do Ministério das Comunicações é baseada na R128, ou seja, tem padrão e tem gate, usa-segate

143

vai limitar artisticamente o conteúdo.” O meu trabalho é na criação de conteúdo, é na pós-produção, então
de, o -23 dá mais ferramentas criativas, porque você pode variar mais do que um pico. Então, é importante
assunto, mas a questão do loudness veio, na verdade, para ajudar a gente. Minha pergunta no sentido do
loudness
target, que é o número

dynamicrangepara cinema já é maior.
Orlando Scarpa:
gunta que era originalmente para o Paulo, mas agora é realmente para quem tiver interesse em responder,
já que teve muita sobreposição entre as falas dos três. É uma pergunta que cai um pouco entre o aspecto

-

144

Raul Jooken: Só complementando a pergunta, eu sou Raul, eu também trabalho na equipe de áudio da
CineColor, assim como o Ariel. E, só ampliando a pergunta, eu gostaria de uma opinião de vocês sobre a
que ponto esse loudnesswar
reverb

loudnesswar

Platéia:
muito grande quando a gente começa, nesse fórum, a falar naturalmente sobre loudness

numa loudnesswar que a gente sabe que é um problema que a música viveu por tantos anos e que não

AH:
Kiko Ferraz:
stems estão -3, então eu posso subir 3 sem distorcer,
o loudness
nessrange, isso pra mim é chave. O loudnessrange

loud-

um rolo em cada… o mesmo rolo em três estúdios diferentes, um rolo que tenha distintas situações, pra ver
que variações sonoras eu posso estar encontrando e corrigir elas no meu master. E eu gostei muito da fala

145

factory default do plugin, entendeu? O

tinha também um requerimento de short-termloudness
entrega. E eu acho que você tocou na questão chave. O que limita a nossa estética é o range, não é o target.
O target
target do que você quiser. Você pode gravar uma pessoa
andando na rua e tirar um target disso e vai dar um valor de loudness, enquadrar ele no target
range, e na verdade isso se conecta um pouco
com o que eu falei de tecnologia em desenvolvimento, que o range, os valores de range sugeridos pelos

range já foi pra 12. No cinema, então, você fala assim “como eu controlo o range?”Pelo menos no meu método, eu abro os stems
-

derrubo só o stem de tiro e volto. Esse tipo de coisa. E quanto à transição, espero que eu tenha respondido
do range pra cinema, eu não me preocupo nada, porque eu estou numa sala fechada, é um privilégio poder
loudnesswar
acontecer no cinema porque no disco a briga de volume dos discos estava muito relacionada às transmisno cinema não, o cara entrou... Tudo bem, vai ter uns trailers no cacete no começo, fritando a orelha,mas

pra mim não é uma grande perda. E, nesse sentido assim, eu tento me prevenir para as distintas situações,
assim, porque não dá para ter muito padrão, mas na dúvida eu sempre mando o meu master um dedinho
mais quente. Espero ter respondido todas as perguntas.

146

AH:
quero acreditar e não quero contribuir para essa loudnesswar
-

LoudnessAlliance, com todo aquele movimento legal, eu acho

do que no cinema, pode ser um problema. E indo também pelo que o Raul falou, eu não acho que a gente
tem que mudar a nossa forma de trabalhar, e até um pouco a pergunta do Orlando… se a gente vai mudar

sei que isso na televisão vai disparar o compressor do cara”, eu acho que não, eu acho que se esse é um
stems

gente pensa no resto.

147

o som no cinema argentino contemporâneo

é técnico de som direto, editor e diretor de som, conhecido pelas colaborações com a
O pântano (2001), A menina santa (2004) e A mulher sem
cabeça
José Luiz Díaz é diretor e editor de som, além de professor. Entre seus principais trabalhos estão O Segredo
dos seus olhos (2009) e Relatos selvagens (2014).
Mediação:

.

conversando com vários colegas. O dinheiro que antes era investido em cinema está indo hoje para outros
formatos, particularmente para as séries de TV ou as minisséries. A sensação que eu tenho, e são poucas
coisas que me contaram, é de que as séries são bem maiores aqui do que na Argentina. Muito da produção
de minissérie da Argentina está ligado ao que é a TV pública. É um formato que não sei se vocês já ouviram

se supõe que é o mesmo, ou deveria ser o mesmo. Mas as diferenças estéticas da TV para o cinema, tem
muita coisa que deveria ser da mesma maneira... Então, algumas mudanças de formato, que eu creio que

148

Plateia

sonidista,1

edição de imagem, onde tem 4 takes e cada um tem 15 arranques de carros ou ônibus, com um ator que

bastante mais ordenado, por mais que tenhamos que bater a claquete na cara de um ator, inclusive para

para nada. Na verdade nós estamos buscando uma espontaneidade, uma frescura, uma casualidade. E é

149

argentina. Sim, nós argentinos somos assim, falamos, não somos alemães ou ingleses. Nunca seremos e
sonidista, eu,

falando. E isso necessita uma estrutura de produção para ter sucesso, e que é algo que se conseguirmos

2

próprio som direto do take. Em alguns casos, conseguimos que isso possa acontecer em locação, tendo
alimentação, tudo que tem implicado à produção. Nessas situações nós contamos com locais eleitos

si não têm nada a ver, não compartilham atores, locações e nossa lista de dublagem estava dando algo

espera um lugar gigantesco, gente demolindo a montanha... Uma imagem que nunca tivemos, foi algo
feito em pós-produção. E tem outra situação que era de uma manifestação, dentro da história do Panamá,
num dia muito particular, quando Panamá cortou relações com os EUA, algo absolutamente impensável,

150

A menina santa
3

se corta em 9 horas e sobra 1 hora no set, com toda equipe com disposição de

fácil acrescentar reverberação do que tirar. É algo a se resolver no momento. Como técnicos de som, nos

narrativa e é mais fácil de montar. Porque de todas as maneiras tem acavalamento de falas. Para ver isso
que vamos ver agora vou mostrar algumas fotos, um lugar... Basicamente isso ao fundo, o canal do
Panamá, ao fundo tem um morro, uma serra pelada que era o lugar de transmissão de rádio, de uma base
americana, esse lugar se chama radio-station. É algo que se passa em um dos curtas que falei, o de 1913.
Esse foi o lugar mais silencioso que encontramos no Panamá, e isto não está na Cidade do Panamá,
tivemos que passar dentro do canal, subir um morro, um lugar que não tem uma árvore. O Panamá é um

locação, digamos, em 1913, gravando nesse caso efeitos para que se possa usar na pós-produção. Sons
lugar menos ruidoso. E era um risco bastante grande porque para levar todas essas pessoas tem que levar

151

progressão. O que acontecia é que, diretamente durante a cena, de um momento ao outro... Já se chegava
ao topo, por parte dos “sonios”. Essa gente tinha uma relação muito racista com os panamenhos e não se

Um pouco do que falamos anteriormente que

gravamos em interior e por separado, todos. Eu entendo que foi muito complicado, e em termos econômicos

José Luíz Diaz

que vai acontecer até o momento em que eu começar a cobrar. É um dos problemas que tenho. Mas uma

vai ser melhor este ou aquele. Mas eu quero contar um pouco como é o panorama da indústria, como eu
opero. De minha parte, meu estúdio é pequeno. É um estúdio que está no fundo da minha casa, que tem
uns 60m2 e onde trabalhamos num total de quatro pessoas. Eu na sala maior, que agora vou descrever, e
três áreas mais onde trabalham outros três colaboradores, um dedicado à edição de diálogos, outro à

dublagens, um tema que queria desenvolver um pouco, porque estávamos falando antes, durante o

152

assistente e o operador e, logo que é feita a dublagem, o ator vira a cabeça para buscar aprovação e vê-se
que foi boa a tomada, pode-se seguir em frente. É um diálogo provável. Do lado do ator, dentro de sua

de dublagem), todos juntos em um mesmo momento, como no set. O resultado é que o ator perde essa
mania, essa enfermidade, e se sente satisfeito sente que todos estamos trabalhando para atingir um
melhor resultado. Com isso queria descrever o tamanho do meu estúdio, que é pequeno, o número de
que enfrentamos frequentemente, ou melhor, um desses produtores, que se chama Patagonic, que é um

ninguém conhecia, poderiam haver grandes riscos com ele. Tinha feito alguns curtas-metragens muito
bons, mas esse era um longa. A maioria dos atores não são de renome, são atores de uma trajetória pouco
conhecida em TV, o investimento é muito pequeno e a possibilidade de recuperar o dinheiro investido

isto em mente, havia com essas limitações econômicas muito sérias, um dos problemas que meu
pressuposto abarca, um dos problemas mais importantes sobre os meus gastos, que é o foley. O problema
é que a sala de foley não entra no meu estúdio, visto que ele é pequeno. Tenho que alugar ou entrar em um
ou a artista de foley, que também custa uma quantidade de dinheiro importante, especialmente neste
pressuposto tão magro, tão pequeno. Então tomei uma decisão que resultou boa, mas que nesse momento
E isso tem a ver com coisas que Guido disse na fala dele. O que eu quero mostrar primeiro é um mapa do

153

mostrar é o piso da casa. Este tipo de construção, em espanhol se chama “lacustre” [região de lagos,

para tal. Então recorri a duas estudantes de som avançado. As duas coincidentemente colombianas. Uma

presente o artista de foley de ontem, então por favor não tome como modelo o que a garota artista de foley

do microfone. O microfone que elegi é um Sennheiser, um 415. Não é a marca de microfone que eu gosto
pessoalmente, o microfone que amo é o Schoeps. Mas o Schoeps nessas condições era problema

passando neste momento. Essa passagem tinha uns graves profundos que eu sei que nos estúdios de

Outra coisa que pedi a elas é que não caminhassem no mesmo lugar, que os passos não simulem que se
se distanciem, façam o percurso literalmente real que se sucede na imagem. O resultado é que este som

154

e a busca que temos também, como o senhor Berenblum, é que o som se “cole” à imagem, que não seja

meu estúdio, que é pequeno e não havia nenhum problema para este tipo de som. Meu estúdio é controlado

ouvir uma lancha, se chamam “colectivas” essas lanchas grandes que funcionam como transporte público.
Elas têm um motor a diesel que se escuta desde 8 quilômetros antes até 8 quilômetros depois. Então é
virtualmente meia hora que se tem que esperar do momento em que se começa a escutar até quando
termina. Como resultado, o que aconteceu é que essas garotas virtualmente quase não podiam trabalhar
de dia e tampouco nas primeiras horas da noite. Também não podiam trabalhar quando havia grilos, que

uns 60, 70 quilos, em uma estrutura de ferro ressonante, com pés descalços... Tem uma série de qualidades

se chama Voley

Descrevi o papel da gente do meu estúdio. E eu, o que faço em tudo isso? Eu vou trabalhar um pouco mais
os diálogos terminou um ato ou alguns minutos úteis para mim. Eu os recebo e trabalho sobre eles, por um
lado revisando, vendo se está bem editado. É uma das coisas. A outra é o que mais tempo me toma, é

e me dedico, perco quase tanto tempo quanto ele ao editar, a limpar os diálogos, do ponto de vista de

155

Voley creio que é bastante falado... Gostaria de

“acting”, a altura musical do que antes... Vou passar novamente a tomada original. [José volta a tocar a

agora digo o nome, permitiu usar o som da tomada 8 na tomada eleita, creio que era a 3, corrigindo não só
o timing, que é o de menos, mas sim o “pitch”. Ou seja, com o mesmo acento “british” e com a mesma
musicalidade em questão. A ferramenta que usamos se chama, pareço eu um vendedor, Revoice Pro. E

que não é nada intuitivo, é diferente, tem seus próprios atalhos, tem suas debilidades, que por casualidade

para que as dublagens consigam se “agarrar” à imagem, como disse, não só pelo timing mas também pela

156

edita em Avid, no mercado em que eu atuo. Tenho somente dois clientes que trabalham com Avid, um se

revisão a toda velocidade da saúde do material, se é correto o timecode, se estão marcados os wildtracks
ou não, nunca vi desmarcados. Se trata do seguinte: os “jefes de sonido directo”4

os editores de imagem. Porque tem que eliminar também uma série de canais de som. O que eles sonham,

e não os microfones separados, que é com que nós trabalhamos. O método para nós, para que possamos

associados e que agora não estavam presentes. Mas a coisa foi se complicando. Por quê? Muitos dos
editores não estão muito educados com respeito ao rigor que deveriam ter sobre a homogeneidade dos
consequência de seus atos, buscam no Youtube alguma música, pegam mp3, pegam alguma outra coisa

157

Relatos Selvagens
parece que está bem. Mas para nós não, está fora de sinc, está muito mais rápido etc. O que o diretor gosta
é essa atuação que está ouvindo, não a que está vendo. Temos que usar o Revoice Pro para conseguir

expand tracks e
tracks tem
sequência 3, tem que dar na region list

em documentários, onde o material é único e com um OMF estamos muito bem. Uma coisa que pedimos
obviamente um quicktime

também é um material muito útil para o músico, porque há os diálogos sem a música que ele tem que

com crossfades ou encontrar o lugar do fade e pronto. Em 2 minutos resolvemos problemas que poderiam

158

som, temos que colocar “golpes”, podemos mudar de lugar, porque se não mudamos de lugar está mal! É
últimos a interferir, cortamos e adicionamos coisas no material de trabalho de terceiros, nesse caso dos

: Alguém tem perguntas?
: Vocês tinham conversado comigo ontem também sobre um esquema em que você usa no

sei lá, 70 pessoas, e o horário é muito controlado. Então eu não sei se como você chegou nesse esquema

O pântano e A menina santa
viam o som como personagem, se isso era tratado dessa forma e se foi por isso que desde o começo tinha
uma hora para gravação adicional ou se isso foi algo que você conquistou ao longo do processo.
: Minha pergunta é para o Guido. A tua prática usual, a tua preferência de trabalho está no
você prefere e como é que você trabalha se eventualmente tiver que conjugar os dois procedimentos?
Ricardo Reis Chuí
convolação, Convolution Reverb.
José Luíz Dias

159

dá opções de impressão, como PDF ou como CSV

até a última. E isso permite anotar muitas coisas como tomadas alternativas, wild tracks etc. Por último,
IR
: Sobre a pergunta de se é mais barato ou não, creio que não é uma regra geral.

que de alguma maneira que não depende em nada do sonidista, não depende do técnico de som. Depende,
basicamente, de uma comunhão... Basicamente depende do diretor, se ele quer resolver no set ou não.
material para editar, isso forma parte da edição de imagem inclusive, ter todo material para poder trabalhar.

Pode-se aplicá-la se a produção permite, e efetivamente não sei se é mais barato ou não sempre. Pode ser
O pântano e A menina santa... O pântano
eu acredito que tem o som como personagem. O começo de O pântano está totalmente escrito, não é uma

Está escrito, está quase “tal-qual”, isso é matéria de se poder escrever roteiro no som ou não. De todas as
os sons, todos os planos das montanhas, os pássaros que passam... Ter material para poder compor isso,
Martel muito mais elaborada do que realmente se elabora no momento, do que é o som. Tem toda uma

160

marcas, estou usando Oscar Sound, não sei se todos conhecem, custam U$100 e são como uma cópia

de dublagem”, “melhor foley”... Ou seja, todas coisas que são absolutamente desconhecidas. E que é um
trabalho de formiga, e que é um trabalho super importante e que são colaboradores em todas as etapas,

não sabe o que está premiando. Para dar uma ideia, se a música está boa, é provável que ganhe “melhor
som”. São coisas que podem acontecer! Ninguém sabe o que está escutando. A banda sonora é tudo que
a fronteira e a verdade é que eu comemoro isso e novamente muito obrigado por estar aqui! E na verdade
tem um festival que premia esses itens e que esta gente desconhecida começa, de alguma maneira,
minimamente que seja, a ter imprensa, a estar de alguma maneira reconhecido.
Notas:
1- Termo usado na Argentina para aquele que trabalha com captação de som direto, popularmente conhecido no Brasil como
Técnico de Som Direto.
mesma hora e logo após o take ser feito. Serve como uma alternativa para determinada sequência, em que se pode utilizá-lo, em
pós-produção, para substituir algum trecho com possíveis problemas de captação.
4 - Técnico de som direto, como é popularmente conhecido no Brasil, ou production sound mixer nos EUA.

161

PERSONALIDADE SONORA: Roberto

Leite

Roberto Leite
de mais de uma centena de curtas e longas-metragens brasileiros.
Mediação:

.

Começando de uma maneira bem simples, eu queria que você dissesse seu nome, onde
e quando você nasceu.
Roberto Leite:
ligada ao som, ao cinema.
HH: Seus pais trabalhavam com isso?
RL: Meu pai não trabalhava com som, mas ele foi dono de cinema, tinha um cinema, bem jovem, né?
HH: O cinema era lá em Aracaju? Como era o nome do cinema?
RL
carinho. Ele viajava muito, o mundo todo, porque era da Marinha, Comandante. Eu era garotinho, então ele
-

HH: Como é o nome do seu tio?
RL
HH
RL

162

transcrição, vendo dublagens e tal. Aquilo que eu já tinha no sangue, aquele negócio todo, que era o som
HH
RL

-

HH: O interesse?
RL: O interesse. E me aprimorando naquele negócio todo, então. Teve um dia até em que eu comecei a
negócio que revolucionou nos anos…
HH: 1970
RL: 1970. Era onde hoje em dia é a TV Bandeirantes. Aquilo era do Jarbas Barbosa e do Chacrinha e do
Nelson Ribeiro, que foi quem me botou nisso. Então, de repente, ele me olha lá dentro, no visor assim… eu
fui aprendendo, fui aprendendo e o resultado: ele me supervisionava no meu trabalho. Comecei gravando

não conhecem isso. Não tô vendo ninguém aqui que conheça isso. Só o Goulart que tá ali presente, e o
HH:
RL: São jovens aqui… a minha turma está pequena nessa hora aqui. Vocês são bem maiores, os jovens,
né? Então, foi assim que eu comecei. Então, fui indo, crescendo, assim… o interessante era o seguinte, que

163

HH: Canadenses…
RL:
foley

HH: Vamos voltar um pouquinho, como é que era assumir o estúdio da Somil? Porque sempre se fala que
a Somil foi uma revolução…
RL:
HH:
RL:
O nosso estúdio, que era a Somil, onde tinha 3 estúdios, um de dublagem, outro de foley, outro só de mi-

HH: Ele era o chefe técnico do estúdio?
RL:

-

por cinema, e era técnico mesmo. Essa foi uma grande revolução — evolução no cinema tecnológico do
Brasil. Não tinha outro estúdio. Depois apareceu o estúdio em São Paulo…
HH:
RL:
Alguém da plateia: Tinha o Evaton na Alice
HH: Sim
Alguém da plateia: O estúdio da Rua Alice.
RL:

164

Alguém da plateia: O Evaton
RL:
porque eu acho que de dinossauro só tem mesmo é esse aqui né.
HH:
RL: Cara, isso foi muito interessante porque na semana passada… Eu tinha registro de tudo né? Eu tô
Campo de jogo. O Eryk é igual ao pai dele, porque eu

nica, na captação do som...
HH:
RL:
Alguém na plateia:
RL:
Alguém na plateia: BiroBiro.
RL: BiroBiro, pô, grande garoto. Eu tenho uma saudade muito grande dele. Ele precisa me ligar.
HH:

RL:
HH: José Tavares.
RL:
me convidou e eu…

165

HH: Ah, você foi com o Nelson?
RL:
HH: Onde era a Nel-Som?
RL:
HH:
RL: Bem menor. Não, ali foi uma adaptação, né. Porque a Somil foi projetada, uma coisa na época… Vou
HH: Especialmente desenhado para aquilo.
RL:
HH:
RL:
HH: Nélio Paiva.
RL: Carvalhinho também, que trabalhava na Manchete… na Globo, Manchete… e outras pessoas também,
HH:
RL: Não. É uma boa pergunta. Não, eu não trabalhava só ali, eu trabalhava também na Transamérica, no
estúdio da Transamérica, trabalhei com música. Você sabe que o cara que trabalha com som, o cara que é
técnico, ele não trabalha num setor só. Não dá 6 horinhas ali. Ele dá 6 ali, 6, 4, 2 lá no outro e tal. Trabalhei
no estúdio da Transamérica por três anos. Gravei muito disco, Ney Matogrosso com Gilberto Gil….
HH:
RL:
tal, isso e aquilo. Trabalhei na Manchete também, era sonoplasta da Manchete.
HH: Da rádio ou da televisão?
RL:
também… E, meu Deus do céu, como é o nome dele, o amigo que me levou lá? Carvalho. E teve o Zé Carlos,

166

em cima.
HH: Ah é? Como é que foi isso?
RL:
dirigir, e tem um alto falante em cima, tem que falar umas coisas.” Eu levava aquele carrinho e dirigia
aquele negócio, e alto falante… é propaganda de sapataria, aquele negócio de sapato, relojoaria, óculos,
não sei o que lá, e eu dirigindo aquele negócio e o alto falante “Você compra na loja tal.” Eu trabalhei com
isso também. E eu levava um amigo meu que gostava… Eu tava meio chateado com aquele negócio, eu

musical naquela época, era ali na Avenida Rio Branco. Tá no sangue, entendeu?
HH:
RL:

, Victor di Mello…

HH:
RL:
HH:

Dona Flor e seus dois maridos?

RL: Não, no Dona Flor e seus dois maridos
A estrela sobe, do Bruno Barreto, Tati, a
garota
HH:
ali naquele momento?
RL:
embarcar. Estava ali no meio.
HH:

167

RL:
deu, eu estava ali dentro daquela coisa.

-

HH:
RL:
HH: Esse era um trabalho rápido naquela época?
RL: Rápido? Não.
HH: Durava o quê, uma semana?
RL: Não, nada naquela época… eram rápidas algumas coisas quando o cara não tinha dinheiro. Como até
não é o certo, né? O problema do cinema nacional é esse. Você gasta dinheiro em tudo, atores e tal, cená-

negócio todo. Então, é uma das coisas.... Você me perguntou o quê? O tempo?
HH: Se era rápido, se não era, se era complicado, se não era.
RL:
digo: “tranquilo, legal mesmo e tal. Umas 5 semanas, 10 semanas.” “Não, só tenho 5. Só tenho 3.” É isso.O
preço é o mesmo.
HH:
RL:
HH:
desse som. Por quê?
RL:

-

168

Dublagem, correu direto, acabou. Agora não. Você tem um som direto, quando é bom… Demora um pouco.
Mas naquela época era dublagem, esse negócio todo, era muito mais rápido. Hoje em dia… e a tecnologia
também, há condições de você aprimorar muita coisa, né? Digital, esse Pro Tools, esse negócio todo,
maquinista do lado ali, pra entender daquilo, e são bons os que nós temos aqui no Brasil.
HH:
o A idade da Terra, do Glauber. Ele desenvolveu uma estratégia não só de captar aqui os diálogos, mas de
tem o diálogo, ali no Amarelinho…
RL:
microfone… Pronto.
HH:
esses vários espaços pra trabalhar com esses sons como som direto, não como uma recriação de estúdio. Você lembra disso? Você lembra do processo de trabalho com o Glauber no estúdio?
RL: Olha, eu me lembro… O Glauber foi praticamente todo som original, né? Porque o Glauber não tem um
HH: Não muito. Como assim?
RL:
-

HH:
RL:

169

HH: O Jorge?
Plateia:
RL:

long play, aquele negócio…
HH: Uma pick-up
RL:
vai, manda, manda mais música, segura a música.” Segurava a música e tal, e eu com som direto e aquele

você não tem assim… o negócio do A idade da terra

muito engraçado.
HH:
RL: Eu discutia com ele? Não tinha conceito, cara. Era discutir o conceito do trabalho, ele chegava “Vamos
aqui”, e ele “ah, legal, tá bom.”
HH: Mas você dava umas sugestões?
RL: Claro, claro. Mas quando ele me perguntava duas, três questões “que você achou daquele...” eu já me
-

apagou. Não tem, entendeu?
HH: Era magnético?
RL: Era magnético.

170

Plateia:
RL:
tá falando aquele negócio de “guardou a memória”, não, minha memória é aqui na cabeça. A memória tá
HH:
RL: Na Somil, na época, era uma mesa MagnaTech antiga, primeiro de 4 canais, depois veio uma de 6. Depois eu passei pro CTAv, Centro Técnico Audiovisual. Nós montamos o Centro Técnico Audiovisual como
resultado do projeto do acordo Brasil e Canadá, nós fomos todos lá para o Canadá, todos esses técnicos,
engenheiros, fotógrafos, etc. e tal. E montamos o CTAv aqui. Ainda hoje é um dos melhores estúdios do
coisa. É um puta estúdio, entendeu? Montamos lá com Sonic Solutions na época, depois veio… aumentamos, digital, aquele negócio todo. Ainda continua trabalhando, em boa qualidade. E aqui no Brasil nós
-

“não tenho”, mas eu faço. “Não tenho”, mas eu vou lá e ajudo, faço o negócio todo. Tem esse estúdio que
Encantados,
HH:
RL:

Gaijin.
Gaijin
Gaijin

Encantados

HH: O Rocha que voa?
RL:
HH: A Paula?
RL: A Paula Gaitán, que é…
HH: O Exilados
RL: Exilados do vulcão

171

Plateia: O Exilados ganhou prêmio de som.
RL:
HH: Ganhou um prêmio aqui no CineMúsica.
RL: Eu antecipei alguma coisa?
HH: Não, os prêmios já estão divulgados, aqui não tem envelope secreto.
RL:
HH: Não, não, você é que vai me contar as coisas. Você trabalhou na Somil, na Nel-Som. Depois da Nel-Som você foi direto pro CTAv ou você trabalhou em outros estúdios?
RL:
Manchete. Trabalhei na Manchete também.
HH: Na TV Manchete?
RL: Na TV Manchete. Trabalhei lá. Era pulo de um, corre de um lado pro outro, ia pro outro, ia pro outro, peHH:
RL:
cinema… Aliás, eu fui um dos primeiros de sair do cinema para a televisão. “O cara é de cinema, o cara é

e eu digo “como, em 2 minutos?.” ”É, levanta tudo, vai embora.” É uma coisa absurda isso. Depois disso
o meu amigo aqui também, o Mulato. E começou a chegar o pessoal de cinema para a televisão. Porque
televisão… não posso falar isso agora, porque Afonso Beato é um grande fotógrafo que está lá… Aliás,
grande meu amigo, foi ele que me botou lá no CTAv e insistiu para eu continuar. São todos técnicos de
cinema, não são de televisão. Não estou discriminando o pessoal de televisão. Mas eles aprenderam com
HH:
Plateia:
RL: É.
HH:

172

RL:

HH:
RL:
que ”Roberto, é você.” “Bom, tá certo.” Cheguei na Manchete — eu trabalhava na Manchete e na Transaaprimoramento e tal, aperfeiçoar.” “Você vai e não volta?” e eu digo “Vou e volto.” “Então seu lugar tá aqui.”

agora, é preciso que alguém tome conta daquilo, tinha que dar um olhada naquilo. Dar uma olhada naquilo,
aquilo é uma coisa…
HH:
criado depois que você voltou do curso?
RL: Não, não tinha. Não tinha nada. Ali foi um projeto do acordo Brasil e Canadá, de tecnologia, da CAPES,
sei lá.
HH: O curso era “Novas tecnologias de som.”
RL:
HH: Ah, foram os canadenses que montaram?
RL: É, eles montaram. O projeto é do Melanson, um arquiteto acústico, com o Osvaldo Emery, que foi o
fomos pra lá, e eles vieram pra cá, os técnicos. A mesma quantidade, foram 10 pra lá, vieram 10 pra cá. E
montamos. Cara, você lembra disso né? Aquilo era uma coisa… Era Somil há 20 anos atrás. Depois apare-

173

HH:

-

RL:
HH:
RL:
ali tinha tudo lá dentro.
HH:
RL:

boom

HH:

RL:
-

HH: O Imagens do inconsciente?
RL:

HH:
computador lá nos anos 70. Você chegou a trabalhar com esse computador lá? Você viu isso lá? Você

174

lembra disso na Somil?
RL: Cara, eu dominava aquilo.
HH: Ah é? O que era esse computador?
RL: É porque eu era mais novo, os outros eram mais velhos, os caras eram mais antigos.
HH: Você já era ligado à informática?
RL:
gravava. Eu dominei aquilo.
HH: Mas ele
RL:
em 17 ½ , pá, gravou, leva pra moviola e corta. Depois veio o 35mm, não precisava disso, se tá certo ali eu
editava ali mesmo, na mesma hora editava, no 35mm. E você separava as músicas, as músicas eram gravadas de um lado, efeitos do outro, diálogo do outro. E você tinha 4 ou 5 opções de diálogo, gostou dessa,

HH: Um outro momento, digamos, de transformação, de mudança, é com a chegada do Dolby aqui no Brasil, lá em meados dos anos 80. Você conheceu Dolby aqui ou lá no Canadá?
RL: Não, conheci já aqui, aqui mesmo no Brasil. O sistema Dolby, nós trabalhávamos com SonicSolutions,
acho que aquele cara ali conhece também, ele é novo mas está na área antigo, já. O equipamento… eu
cado…
HH: Dolby A, Dolby SR…
RL: É aquele negócio todo. Estéreo…
HH: Pra vocês, ali naquele momento, o Dolby representou de fato uma mudança, uma transformação, ou
não?
RL:
HH: Por quê?

175

RL: Porra, antigamente você comprava uma mesa, uma Neve, aquilo custava 2 milhões de dólares, 1 milhão. Hoje em dia com menos do que isso você monta um estúdio. Toda a parte digital, Pro Tools, esses

gente “Para aqui! Tá fora de sinc”, leva pra moviola. Você lembra disso. Alguns devem lembrar, lembra? Pra

-

Plateia:
em gravação.

176

RL:

HH:
nico para se tornar gestor?
RL:
apareceu ninguém que eu gostaria que aparecesse, um técnico… Aliás, eu continuo achando que tem que

-

nha vida eu não me arrependo de nada… porque… tô em frente. Eu estou indo em frente, caranguejo é que

HH:
RL:

diretor disso e aquilo? Eu sento, e faço, pego um cara muito bom, um cara de Pro Tools, um assistente de

177

muito bom, que opera, ed

-

Ganhar dinheiro, já ganhei, e eu continuo ganhando como você tá me dando agora, essa homenagem.
HH:
RL:
Eu gosto de trabalhar nos faders e olhando a imagem. A receita, cada um tem a sua. Você tem a sua

de tal, esse bolo é de fulano de tal.”
HH: Você tem uma marca?
RL:
calado.
HH:
RL:
HH:
cai direto no trabalho.
RL: Não, eu não peço roteiro não, que deveria ser isso. Mas vem cá, se eu pedir o roteiro, eu estou ganhando.

178

o microfonista nem nada. Eu tô vendo aquilo tudo. Sabe em quantos dias? Em 5 semanas. 5 semanas não,
HH: Tá. Claro. Bom. Vamos abrir para a plateia, para conversar um pouco com o Roberto. Já que o Roberto
a hora também já avançou.
Vitor:
RL:
Vitor: Sim.
RL: É. É complicado. Eu vou te responder mais em cima. Posso estar sendo um pouco agressivo.
Vitor:
RL:
-

botam mais “s” pra entender no cinema. Então eu acho que você tem que acompanhar na edição… e ver a
porra, o som tá rodando. O som tá lá fora.
HH: Mas, para estudar, tem algum livro, tem algum autor que você ache que é fundamental?
RL: Eu não posso indicar nada não, assim, de livro, mas eu acho que eu sou um cara… como eu já falei,

179

eu sou um autodidata. Aprendi mesmo ouvindo. Entendeu? Ouvindo mesmo. Mas lógico que tem muitos
HH: Mais perguntas?

RL:
do som, de ouvir mesmo, né? Agora, aprender a ouvir, aprender como? Eu acho que você tem que ver o que
é bom e o que é ruim, pra ver a diferença de um para o outro.
É porque hoje nós temos uma formação de técnicos de som direto que é diferente da época em
que nós começamos. Eu sinto que eles ainda não aprenderam a ouvir. Porque você só pode gravar uma
coisa bem gravada quando você ouve, analisa o som. Se você não analisar você não tem meios de compor,
uma boa gravação. Então eu acredito no seguinte, se você aprende a ouvir, você vai aprender com facilidaacho que tudo isso, os técnicos, não é só para nós, os velhões, eu acho que os novos deveriam começar

trador. Eu acho que para ser um orquestrador tem que se aprender a ouvir.
RL:
trabalhando até em estúdio e tal… Eu acho que eu fui o primeiro — isso não é pra mim, não, essa besteirada

room tone, bafo, o ar
tando.” Eu trabalho isso. Mais ou menos em quase todo estúdio. Então é preciso aprender a ouvir. A ouvir

as pessoas assim, em movimento, eu fecho os olhos e eu separo quem tá de um lado e de outro, assim.
Você entendeu como é que é? Eu digo assim “esse som tá off. Não foi o que eu gravei.” Então as pessoas

180

funcionando melhor… ou pior. Tem mais alguém?
Alexandre:
-

mais dor de cabeça. A segunda pergunta é: escolha por necessidade de sobrevivência ou algum tipo de
-

encarar. Obrigado.
RL:
guém. Só isso. Esse último. Não tenho mais nada assim… não ganhei nenhum Oscar, já fui até com um
HH: Você já ganhou prêmios com Não quero falar sobre isso agora… Exilados…
RL:

Exilados

-

pra participar lá, eu quero formar você, se você acha que eu tenho condições, logicamente, né? Agora, as
HH:
RL:
coisa assim “Pô, Roberto, eu não pensava dessa maneira... “ eu digo “Pois é, eu achei que devia ser assim”,
tem assim tipo… não é abrir e “esquerda direita surround tal”, aquela bomba, aquele efeito, aquele negócio

-

181

produtor é isso… falei besteira?
HH:
RL: É, encomenda e tal. O meu não. Eu tiro, boto e tal, dou sugestão, uso ou não uso e tal. Mas a história

aquele negócio todo… você tem que estar embarcado. Eu não leio roteiro antes. Deveria ler. Eu não tenho

consertar? “ e eu digo “Eu consertar? Não conserto, quem conserta é… sapateiro, bota ali e não sei o quê.

RL:

-

RL:
HH: Mas você gosta de trabalhar com surround, você gosta de usar subwoofer?
RL:

Guerra nas estrelas

Mas eu queria que você falasse, na verdade, mais tecnicamente, em relação a endereçamento de
canais…
RL: Tá bom, tá bom, entendi. Bom, endereçamento é simples, né? Você tem os diálogos, você edita os diá-

182

nada música com o surround, esquerdo e direito. Algumas coisas graves você bota pro subwoofer também,
que o subwoofer

complicado, agora, que é o Campo de jogo

bola. Eu tentei, não sei o resultado ainda. Vai ser bom. Mas você… é como se você estivesse dentro realmente… você já entrou numa quadra de futebol de salão. Você senta na quadra de futebol de salão, como é
tem que botar o surround, esquerdo e direito, subwoofer

subwoofer

frente, isso e aquilo. Para o espectador que tá lá atrás ouvir tudo, o que tá no meio, também tá na quadra,
o que tá na frente você não vai ver, só aquilo que tá estampado lá na frente. Então, lembra disso, quando
endereçamento. Diálogo, músicas e tal. “Esse cara tá falando aqui, mas o cara tá falando do lado de cá”,
você bota ele na esquerda. “Ah, mas não tá na esquerda”, bota ele esquerda e direita, ou esquerda surround.

Eu queria que você falasse um pouco disso e também em relação a se você gosta do som dublado ou se
você prefere o som direto.
RL:
Os mercenários, esse negócio

Pretty Woman, uma
também. Nós éramos ao contrário. Só dublava. Voltamos pro som direto, bom som direto, e continuamos

183

Eduardo:

o CTAv foi criado, ele — não sei se eu tô errado ou não, mas essa é a memória que eu tenho — ele tinha um

RL: Não, está certo.
Eduardo: Por que esse projeto foi abandonado? Ou por que não se desenvolveu esse projeto?
RL: É, deveria dar continuidade, não é? Deveria dar continuidade àquele projeto… eu acho que, na verdade,
goa muito grande, sabe, porque eu sou pioneiro naquele negócio lá do CTAv, e o CTAv é uma instituição, é
nuidade? Eu ainda acho que vou lutar um pouco por isso. Eu tô saindo agora, não sou mais nada no CTAv,

Assim, vamos dar continuidade àquilo que era. Como, eu não sei. Eu não sou o carro-chefe não. Eu estou
HH:
RL:
HH: Não sei, esse é um lado que eu praticamente não conheço.

184

RL:
projetos muito grandes, pessoas inteligentes, pessoas integradas, aquele negócio do centro mesmo e tal.
Um saiu, outro foi pra edição, outro parou e tal… e parou. Não tem mais isso, não tem ninguém que leve
esse projeto que você está falando. Mas já teve isso.
HH:
RL: Da ANB.
HH: Da ABNT?
RL: ABNT. Normas técnicas e isso e aquilo, já teve e… adiantou alguma coisa e depois parou. Agora, eu não
sou um dirigente, sabe? Para… é uma pena isso que ele está falando, porque devia ter continuidade e tal.
coordenadora, nossos equipamentos, nossos técnicos lá… é preciso que o Secretário do Audiovisual, o
nosso Secretário do Audiovisual olhe aquilo com carinho… e projetos.

185

GRADE DE PRoGRAMAÇÃo

186

SExTA-FEIRA 4.09
Praça da Matriz
10h Oficina Formacine
16h ENCANTARTE “Apresenta Jovem Guarda”
19h Cozinha Show
Chef Isaias Nerie
Os segredos de uma boa horta na cozinha
20h Abertura oficial
Restaurante no Salão Paroquial da Igreja Matriz
C
Frédèric De Maeyer
Menu degustação em homenagem a Jovem Guarda abertura
20h30 Mangue
Pré-Estreia: Eu sou Carlos Imperial, 90’, de Renato Terra e Ricardo Calil
22h30 Show The Electric Boys

Cine em Cena Brasil - Praça Catarina Quaglia, s/n
9h Formacine
Como treinar o seu dragão 2, 125’, de Dean DeBlois, livre
11h Sessão Inclusiva para Deficientes Visuais
Confissões de adolescente,
14h Formacine
Jack, o caçador de gigantes, 114’, de Bryan Singer, 10 anos
16h Sessão Jovem Guarda
Roberto Carlos em ritmo de aventura
18h Sessão Premiados
A balada do Provisório
, 16 anos (Melhor Direção e Gravação de Dublagem)
20h Sessão Premiados
Apneia
(Melhores Ruídos de Sala)
22h Sessão Premiados
Ventos de agosto, 77’, de Gabriel Mascaro, 14 anos (Melhor Mixagem)
Cine Centímetro - Rua José Ferreira Borges, 205
16h Sessão Jovem Guarda
Abismu
18h
Marina

187

Outubro acabou
Ararat
Visita ao filho

e

Cine Milímetro - Rua José Ferreira Borges, 205 Fundos
18h Sessão Delart
Ela volta na quinta, 108’, de André Novais Oliveira, livre

SÁBADO 5.09
Praça da Matriz
10h Oficina Formacine
“Tantos caminhos, tantas possibilidades, muitas histórias para contar”,
11h Chorinho na praça
15h Tenda Formacine
Teatro: “O Pinto Sura” - Palhaças Bastianas
18h CURTAS II
Uma viagem à cidade das canções, 27’, de Vanessa Marques
Sem título # 1: dance of leitfossil, 9’, de Carlos Adriano
Fabrik Funk
Satiko Gitirana Hikiji e Sylvia Caiuby Novaes.
Até a China, 15’, de Marão
No dia em que lembrei da viagem a Bicuda, 24’, de Vitor Medeiros
19h Cozinha Show
ador do SENAC Frédèric De Maeyer, A cozinha e seus segredos.
20h PRÉ-ESTREIA
Nervos de aço, 90’, de Maurice Capovilla, 14 anos
22h Pocket Show com Jerry Adriani
23h Sessão Terror
Fábulas negras, 106’, de Rodrigo Aragão, 16 anos

Cine em Cena Brasil
9h Formacine
Rio 2, 101’, de Carlos Saldanha, livre
16h Sessão Jovem Guarda
Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa,
18h Sessão Premiados
Mais do que eu possa,, 72’, de Allan Ribeiro, livre

188

20h Sessão Premiados
De menor, 90’, de Caru Alves, 12 anos (Melhor Edição de Som)
22h Sessão Premiados
O Rio nos pertence, 75’, de Ricardo Pretti, 14 anos (Melhor Som)

Cine Centímetro
14h Nome
Galáxias
16h Sessão Premiada
Superpai, 123’, de Pedro Amorim, 14 anos (Melhor Captação de Som)
19h Sessão Troféu Curta Light
Sem coração, 23’, de Nara Normande e Tião (Melhor som)
Nada é
(Melhor Desenho de Som)
Estátua!, 24’, de Gabriela Amaral Almeida (Melhor Mixagem)
O bom comportamento, 19’, de Eva Randolph (Melhor Som Direto)
21h Tim Maia, 102’,

Cine Milímetro ,
9h Encontro Nacional dos Profissionais de Som do Cinema
16h Sessão Jovem Guarda
Bebel, garota propaganda, 108’, de Maurice Capovilla
18h OLhAR UNIVERSITÁRIO
A hora azul, 18’, de Giovani Barros
Ensaio sobre minha mãe, 20’, de Jocimar Dias Jr.
Maldomar, 19’, de Pedro Cabral
O último andar, 6’, de Mateus Chernicharo
Todas as memórias falam de mim, 14’, de Alice Name-Bomtempo
Ventania, 21’, d
20h Sessão Delart
Yorimatã, 116’, de Rafael Saar, livre

DOMINGO 6.09
Praça da Matriz
9h Oficina Formacine
“Criando e Reciclando através do Moisaco”
15h Oficina Formacine

189

16h Cozinha Show

Fredèric Monnier, Cozinha Francesa
19h30 Curtas da oficina Olhar Digital
18h Brava gente italiana, 80’, de Sérgio Sbragia, livre
19h Cozinha Show
Chef Damien Montecer,

20h Cerimônia de Premiação
Troféu “Grande Homenagem”
Jerry Adriani
Troféu “Personalidade Sonora”
Victor Raposeiro
Homenagem “Olho nele”
Rodrigo Aragão
Homenagem Especial
Hernani Heffner
Troféu CineMúsica – Premiados 2015 - Som de Cinema
Troféu Curta Light
Prêmio Delart
Prêmio Olhar Universitário
Restaurante no Salão Paroquial da Igreja Matriz
Fredèric Monnier do restaurante Brasserie Rosário,
Menu degustação em homenagem a Jovem Guarda
21h30 Dá licença de contar, 16’, de Pedro Serrano
22h Show: Lafayette & Os Tremendões

Cine em Cena Brasil
9h Formacine
Confissões de adolescente
12h Sessão Jovem Guarda
Roberto Carlos a 300 km por hora
14h Sessão Premiados
Reencontro com o cinema
Antes, o verão, 80’, de Gerson Tavares
16h Sessão Premiados
Depois da chuva
(Melhor Canção)
18h Sessão Premiados
Amor, plástico e barulho, 85’, de Renata Pinheiro, 14 anos (Melhor Música Original)

190

20h Tim Maia,
22h Mulheres no poder, 96’, de Gustavo Acioli, 12 anos

Cine Centímetro
14h SESSÃO TERROR
Mar negro, 106’, de Rodrigo Aragão, 16 anos
16h
O melhor som do mundo, 13’, de Pedro Paulo de Andrade
Ruídos mudos, 23’, de Haendel Mello
Patrícia
O poeta americano
Filme som
18h OLhAR UNIVERSITÁRIO (reprise)
A hora azul, 18’, de Giovani Barros
Ensaio sobre minha mãe, 20’, de Jocimar Dias Jr.
Maldomar, 19’, de Pedro Cabral
O último andar, 6’, de Mateus Chernicharo
Todas as memórias falam de mim, 14’, de Alice Name-Bomtempo
Ventania
20h SESSÃO ROSEMBERG
Ana Terra, 35’, + Dois casamentos,
22h PRÉ-ESTREIA
*Love Film Festival, 100’, de Manuela Dias, 14 anos

Cine Milímetro
9h Encontro Nacional dos Profissionais de Som do Cinema
14h Sessão Jovem Guarda
Pobre príncipe encantado
16h Sessão Delart
Faroeste, 120’, de Abelardo de Carvalho, 12 anos

SEGUNDA-FEIRA 7.09
Praça da Matriz
10h Encerramento Oficial do 9º Festival CINEMÚSICA

191

9º Festival CINEMÚSICA – Conservatória 2015

Um encontro do cinema e da música num grande cenário.
Realização
Associação Cultural CineMúsica
Presidente da ACCM
Cleide Salgado de Carvalho
Direção Financeira
Servio de Araujo Consentino

Comunicação e Assessoria de
Imprensa
- Coordenação
Célia Pires - Assessoria de Imprensa
Regional
Comunicação Visual
Mônica Grandchamp

Curador de Cinema

Cultura Integrada
Coordenação
Assistentes

Curta Light

Logística
Adriana Consentino - Coordenação
Assistente
Solange Pinheiro - Auxiliar

Assistentes:
Matheus Tiengo

Jefferson da Silva Oliveira
John Roger Nascimento
Natany Gomes de Brites
Rebeca Monteiro e Costa
Willian Carvalho
Administrativo Casa da Cultura
Márcio do Valle Telemos - Auxiliar
Administrativo
Nelma Asi - Auxiliar Administrativo
Contratos e Contabilidade
Antônio Ribeiro e Celeste Ribeiro
Apresentação do Cerimonial

Olhar Universitário

Nicodemos Coutinho - Coordenação
Jader Costa -

Cenotecnia e Produção de Vídeo
Grupo MAC Produções

Produção de Cópias

Programa Formacine e Articulação
com Universidades

Projecine

Assistentes: Mariana Consentino
Organização do Catálogo
Calac Nogueira

Sabor CINEMÚSICA
Sheila Santos Valle - Coordenação
Assistente

Joice Scavone e Matheus Tiengo

Receptivo
Carlos Eduardo de Oliveira Silva
Elisa Arruda Marques

192

Website
Praise Comunicações
Jean Ta
Registro e Edição ENPSC

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