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UNIVERSIDADE de BRASÍLIA
138037 - Geografia Física 2: Meteorologia e Climatologia.

RESPONSÁVEL: PROF. DR. FÁBIO CUNHA CONDE, DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA.
Aula 2: Meteorologia e climatologia. Conceitos e fundamentos metodológicos.
Tempo e Clima.

NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL, PERÍODO 1961-1990.
Fundamentos das Normais Climatológicas
Em 1872, o Comitê Meteorológico Internacional decidiu compilar valores médios
climatológicos sobre um período uniforme, a fim de assegurar a compatibilidade entre
os dados coletados em várias estações, resultando daí a recomendação para o cálculo
das normais de 30 anos. A Regulamentação Técnica No. 49, Volume 1, Seção B,
determinou que cada membro estabeleceria e, periodicamente, revisaria as Normais para
as estações cujos dados climatológicos eram distribuídos pelo Sistema Global de
Telecomunicações, de acordo com o Manual de Códigos, enviando-as ao Secretariado.
O período inicial determinado foi 1901-1930, seguindo-se os períodos sucessivos que
deveriam ocorrer a intervalos de 30 anos, isto é: 1931-1960 1961-1990.
Em 1956, na Nota Técnica No. 84, a Organização Meteorológica Mundial (OMM)
recomendou a atualização das Normais de 30 anos, a cada 10 anos completos, o que
vem sendo feito por muitos países membros. Contudo, pouca orientação existia, à
época, no sentido de estabelecer métodos estatísticos para o cálculo das Normais, para
preencher lacunas de dados, para trabalhar dados errados e períodos incompletos ou
para definir o número de dados requeridos na distinção entre as Normais-Padrão e as
Provisórias, lacunas que só mais tarde seriam preenchidas pela própria OMM.
Em 1989, com o objetivo de estabelecer procedimentos gerais para o cálculo das
médias mensais e anuais, para o período de 1961 a 1990 e subsequentes, a OMM
publicou o Documento Técnico WMO-TD/No. 341 (OMM, 1989), que permite obter as
NORMAIS CLIMATOLÓGICAS PADRONIZADAS e as PROVISÓRIAS, sugerindo
ainda outras variáveis climáticas. Coerentemente, estabeleceu-se que tais procedimentos
devam ser seguidos por todos os países membros.
As Regulamentações Técnicas definem normais como “valores médios calculados
para um período relativamente longo e uniforme, compreendendo no mínimo três
décadas consecutivas” e padrões climatológicos normais como “médias de dados
climatológicos calculadas para períodos consecutivos de 30 anos, iniciando-se em 1º de
janeiro de 1901 até 31 de dezembro de 1930, 1º de janeiro de 1931 até 31 de dezembro
de 1960, etc.”. No caso de estações para as quais a mais recente Normal Climatológica
não esteja disponível, seja porque a estação não esteve em operação durante o período
de 30 anos, seja por outra razão qualquer, Normais Provisórias podem ser calculadas.
Normais Provisórias são médias de curto período, baseadas em observações que se
estendam sobre um período mínimo de 10 anos.

precipitação total. reunindo 209 estações meteorológicas e abrangendo o mesmo conjunto de variáveis das Normais 1931-1960. no capítulo Metodologia. ainda. tanto quanto possível. umidade relativa. precipitação máxima em 24 horas. temperatura média.2 Importância das Normais Climatológicas Segundo a própria OMM. Na ausência destas. e a frequência de dias consecutivos sem chuvas. que veio centralizar e organizar. particularmente no caso de variáveis ou regiões geográficas com baixa densidade de informações. de uma base de dados centralizada. como o número médio de dias chuvosos. em 1970. temperatura máxima absoluta. temperatura mínima absoluta. A publicação tem sido até hoje uma referência fundamental para os trabalhos relacionados aos estudos climáticos no Brasil. de suma importância o cálculo e a publicação das Normais Climatológicas “Padronizadas”. As recomendações da OMM foram observadas sempre que possível. acrescentar os respectivos mapas mensais e anuais. foi inaugurado. temperatura máxima. A metodologia adotada para tal fim é descrita. a partir de 1910. do setor produtivo à saúde pública. por escassez ou má qualidade de dados. à época. o INMET. então denominado Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. esta iniciativa demandou esforço considerável de uma grande equipe de colaboradores. um banco de dados relacional de envergadura. nebulosidade. as primeiras Normais Climatológicas foram publicadas pelo Escritório de Meteorologia do Ministério da Agricultura. o acervo de dados meteorológicos digitalizados. produtos de climatologia e as médias climatológicas oferecidas pelo SIM. o uso das Normais “Simples” ou “Provisórias” são alternativas aceitáveis. o número de estações e o conjunto de variáveis de particular interesse para a Agricultura. ao mesmo tempo. nesta publicação. Em 1992. Em face dos limitados recursos computacionais disponíveis e da não existência. antes distribuídos entre a Sede e os 10 Distritos Meteorológicos da Instituição. mas não ao ponto de se eliminar dados aparentemente de boa qualidade. assim. ao longo dos anos. Normais Climatológicas para o Brasil No Brasil. de forma sistemática. publicou as Normais Climatológicas 1961-1990. evaporação total e insolação total. . foram criadas as condições objetivas para uma revisão sistemática das Normais 1961-1990. Para cada variável. decidiu-se. ampliar. das atividades esportivas ao lazer. assim considerados aqueles obtidos segundo suas próprias recomendações técnicas. Tal publicação restringiu-se aos valores médios mensais e anuais das seguintes variáveis: pressão atmosférica. Torna-se. temperatura mínima. Não obstante. eficientemente. A partir de 2006. praticamente todas as atividades humanas dependem das informações climatológicas. decidiu-se combinar a publicação de 1992 com as Normais calculadas internamente e utilizadas para calibrar os modelo dinâmicos. além de tabelas de dados. localizados em 10 Estados distintos da Federação. como as observações meteorológicas só começaram a ser realizadas. os dados climáticos são frequentemente mais úteis quando comparados com valores normais padronizados. de forma a corrigir erros da publicação original e. Embora a Agroclimatologia seja a principal área técnica beneficiária das informações contidas nesta publicação. uma série de erros e de inconsistências foi sendo registrada no âmbito da própria Instituição. o Sistema de Informações Meteorológicas (SIM). em escalas mensal e decendial. no INMET. correspondentes ao período 1931-1960. Com a implantação do SIM. No final do ano 2000.

nestes casos. iniciando-se em 1° de janeiro de 1961 e terminando em 31 de dezembro de 1990. se se trata de dias com chuva no mês. meses sem nenhum dado faltante. O valor decendial é calculado pela soma dos valores diários para o decêndio em questão. se trata do número de dias com chuva maior ou igual a 1 mm no primeiro decêndio do mês. do ano j. Em se tratando de variáveis associadas a valores diários. exige-se que o período de observação esteja completo. A OMM recomenda que. isto é. para o primeiro. ou períodos com dias consecutivos sem chuva. Analogamente. como precipitação. computa-se 𝑋𝑖𝑗 como o valor acumulado no mês i. evaporação e insolação (Grupo II). Pela nomenclatura da OMM. para se determinar as normais de uma variável 𝑋 para determinada estação meteorológica. No caso de variáveis associadas a valores acumulados no período de interesse. Por exemplo. só se deve considerar o mês que possua dados de precipitação disponíveis em todos os dias. decêndios em que não se registrou nenhuma ausência de dado. o período de 1961 a 1990. do mês i. ou seja: 𝑋𝑖𝑗 = ∑ 𝑋𝑖𝑗𝑘 𝑘 Nestes casos. no mês ou em um dado decêndio do mês. umidade relativa do ar. do ano j. isto é. como temperatura. a soma de todos os valores diários disponíveis para aquele mês e aquele ano. considerar-se-ão apenas os meses para cujo decêndio se disponha de dados de precipitação para todos os dias. então 𝑋𝑖𝑗 corresponderá ao número total de dias com chuva satisfazendo àquela condição durante os 10 primeiros dias do mês de março de 1975. o valor Xij é computado como: ∑𝑘 𝑋𝑖𝑗𝑘 𝑋𝑖𝑗 = 𝑁 onde 𝑋𝑖𝑗𝑘 é o valor observado da variável X no dia k. Nesses casos 𝑋𝑖𝑗 corresponde ao total de observações registradas no mês i. se adote a “regra 3:5”. a OMM recomenda que se considerem apenas Meses Completos. a normal correspondente ao mês i será então computada como: 𝑋𝑖 = ∑ 𝑋𝑖𝑗 /𝑚𝑖 𝑗 onde 𝑚𝑖 é o número de anos para os quais se dispõe de valores 𝑋𝑖𝑗 . do ano j. do ano k. já discutida anteriormente. pressão atmosférica. segundo ou terceiro decêndio de cada mês. a diretriz da OMM é que se considerem apenas Decêndios Completos. Neste caso. Um caso particular é o cômputo da precipitação decendial. Exemplos são dias com chuva acima de determinado limiar. como o mês ou um determinado decêndio do mês. se mi for igual a 30. ou . e N é o número de dias no mês i. Nestes casos. Xi será uma Normal-Padrão. seguindo-se os procedimentos recomendados pela OMM. Para vaiáveis em quaisquer dos três grupos.3 Procedimentos de Cálculo Em geral. Um terceiro grupo (Grupo III) corresponde a variáveis que representem eventos observados em um período de interesse. isto é. nebulosidade e vento (Grupo I). descartando-se os meses com ausência de dados em três ou mais dias consecutivos. ou cinco ou mais dias alternados. e se i corresponde ao mês de março e j ao ano 1975. para os quais se dispõe de observações. Para a média decendial. computa-se inicialmente o valor 𝑋𝑖𝑗 correspondente a cada mês 𝑖 e cada ano 𝑗 pertencente ao período de interesse – no caso.

o INMET utiliza. com as limitações quantitativas e qualitativas discutidas na metodologia. é calculada pela fórmula: 𝑇𝑀𝐶. nebulosidade. o valor Xi será descartado. . Caso não se disponha de 𝑋𝑖 para algum dos doze meses do ano. conforme as regras resumidas a seguir.𝑖𝑗𝑘 + 𝑇12. 1 UTC é o acrônimo em inglês para Tempo Universal Coordenado. 18 e 24 UTC1. mas igual ou superior a 10. às 12.𝑖𝑗𝑘 = (𝑈𝑅12. contudo.𝑖𝑗𝑘 + 2𝑈𝑅24. o valor de média compensada.4 Padronizada.𝑖𝑗𝑘 = (𝑇𝑚𝑎𝑥. A normal anual da variável X na estação meteorológica em análise. a falta de uma das parcelas implica na ausência de valor diário. i= 1. o valor anual não será computado. na Rede de Observações de Superfície do INMET. utilizada nesta publicação. Caso mi seja inferior a 10.𝑖𝑗𝑘 )⁄4 Para as demais variáveis do Grupo I. As temperaturas mínima e máxima diárias são registradas em termômetros especiais (termômetro de mínima e termômetro de máxima) e lidas pelo observador. É o sucessor do Tempo Médio de Greenwich. a normal anual 𝑋̅ será computada como a soma dos 12 valores mensais. nos horários de 12 UTC e 24 UTC. Portanto.. decorrente da diferença de latitude entre as duas localidades. o fuso horário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas horárias do mundo. Xi será uma Normal Provisória. também. observando-se maior amplitude barométrica em Florianópolis. direção e intensidade do vento. Os valores diários 𝑋𝑖𝑗𝑘 utilizados nos cálculos acima descritos resultam dessas observações. diariamente.𝑖𝑗𝑘 + 𝑇 𝑚𝑖𝑛. Algumas estações. bem como no cômputo da temperatura média compensada e da umidade relativa do ar compensada. Tal situação. a saber.. em contraste com Belém. no caso das variáveis do Grupo I. é computada. normalmente. pressão atmosférica.𝑖𝑗𝑘 )⁄5 No cômputo do valor diário da umidade relativa do ar. 𝑋̅.12. Como usar as Normais Climatológicas Todos os estudos climáticos são baseados nas observações meteorológicas. o valor diário é calculado pela média aritmética simples dos valores registrados nos três horários de observação. No cômputo desses valores diários. abreviado por GMT.𝑖𝑗𝑘 + 𝑈𝑅18. usualmente. Para as variáveis nos Grupos II e III. dado por: 𝑈𝑅𝐶. respectivamente. têm observações em apenas dois horários. A temperatura média compensada. 18 e 24 UTC.. as variáveis ambientais apresentadas nesta publicação são baseadas nas observações realizadas.𝑖𝑗𝑘 + 2𝑇24. como a média dos 12 valores mensais 𝑋𝑖 . Se mi for inferior a 30. Cômputo do valor diário As coletas de dados nas estações meteorológicas convencionais do INMET são realizadas nos horários de 12. A Figura 1 mostra a variação média mensal da pressão atmosférica no nível do barômetro. 12 e 24 UTC. para as localidades de Belém-PA e Florianópolis-SC. . explica em parte as diferenças do tempo meteorológico e do clima entre as duas cidades.

. Belo Horizonte e Macapá. Figura 2. para Belém-PA e Florianópolis-SC. mantendo-se valores médios elevados ao longo do ano. Constata-se. Macapá-AP e Porto Alegre-PO. observa-se uma expressiva variação do verão para o inverno. no extremo norte do País.5 Figura 1. como se vê na Figura 2 para Porto Alegre. com verões e invernos mais suaves. situada em latitude intermediária. Comparação das normais climatológicas da pressão atmosférica no nível do barômetro. no sul do Brasil. pode-se analisar a temperatura média para localidades situadas em diferentes latitudes. a influência do fator latitude na marcha mensal da temperatura. as temperaturas médias mensais pouco oscilam. Enquanto em Macapá. Belo Horizonte. De forma análoga. também aqui. Comparação entre as normais climatológicas da temperatura média compensada para Belo Horizonte-MG. em Porto Alegre. com amplitudes decrescentes do sul para o norte do Brasil. apresenta-se entre os dois extremos.

em 1970.6 As figuras que seguem mostram outras combinações entre localidades distintas. A Figura 3 ilustra a diferença marcante entre os regimes pluviais de duas localidades situadas em latitudes próximas. . apresenta chuvas mais escassas. hipótese que exigirá estudos mais detalhados. com médias mensais de umidade em torno de 75%. e elevadas taxas de evaporação. Enquanto Salvador. com máximos no final da primavera e ao longo do verão. Por outro lado. mas distantes entre si quanto ao fator climático continentalidade. para a mesma localidade. sendo mais provável tratar-se de efeitos da urbanização. entre diferentes elementos climáticos. Enquanto o regime se manteve e o total das chuvas pouco alterou. com as Normais Climatológicas 1961-1990. então Escritório de Meteorologia do Ministério da Agricultura. próximo de 50%. O verão úmido. Cuiabá. localidade continental da região Centro-oeste. Figura 6. Figura 3. pode-se ter uma idéia da variabilidade climática entre os dois períodos. mostra chuva acumulada anual superior. mostra uma defasagem de quase 180 graus entre as curvas da umidade relativa do ar e da evaporação. situada no litoral. Figura 5. contrastando com o inverno seco. para Brasília. o que não deve ser interpretado de pronto como eventual mudança climática associada ao aquecimento global. a Figura 4. limita a evaporação a aproximadamente 100 mm mensais. que se aproximam de 300 mm mensais. aproximadamente. Comparando as Normais Climatológicas 1931-1960. para um mesmo elemento climático e. Comparação entre as normais climatológicas da precipitação acumulada mensal para Salvador-BA e Cuiabá-MT. com máximas precipitações no outono e início do inverno. as temperaturas sofreram um aumento de. publicadas pelo INMET. como se vê nas Figuras 5 e 6. 2°C ao longo do ano.

Comparação entre as normais climatológicas dos períodos 1961-1990 e 19311960 para a precipitação acumulada mensal de Manaus. Figura 5. . Comparação entre as normais climatológicas de evaporação e umidade relativa do ar para Brasília-DF.7 Figura 4.

As Figuras 7 e 8 ilustram a utilização deste conceito.8 Figura 6. A Figura 8 mostra. . Comparação entre as normais climatológicas dos períodos 1961-1990 e 19311960 para a temperatura média de Goiânia. diuturnamente empregado em meteorologia para significar a diferença entre o valor observado e a normal climatológica correspondente. Como as anomalias previstas eram todas positivas. que neste mês de julho as chuvas observadas situaram-se bem acima da Normal Climatológica (anomalias positivas) no Estado do Paraná. sudeste de São Paulo e nordeste de Santa Catarina. a título de exemplo. O conhecimento da média histórica ou Normal Climatológica é essencial para a aplicação do conceito de “desvio” ou “anomalia” de uma variável. em contraste com anomalias negativas em quase todo o Rio Grande do Sul. obviamente. para todo o Brasil. destacando-se. os acumulados totais esperados resultariam da soma dos valores normais e das anomalias previstas. para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. as anomalias de chuvas previstas para o mês de outubro de 2009 e as isoietas correspondentes à Normal Climatológica para o mesmo mês. com menores anomalias em Mato Grosso do Sul. A primeira mostra o mapa do desvio da precipitação acumulada para o mês de julho de 2009.

para o mês de outubro de 2009. em relação à Normal Climatológica 1961-1990 (isoietas).9 Figura 7. em relação à Normal Climatológica 1961-1990. para o mês de julho de 2009. Fonte: 8º DISME/INMET e CPPMet/ UFPel) . Desvio da chuva acumulada mensal. Figura 8. no Brasil. prevista. Desvio (anomalia) da precipitação acumulada mensal. observada. no Rio Grande do Sul.

e a curva representativa da disponibilidade hídrica no solo. quantitativamente. particularmente para a agricultura. na escolha de culturas e de práticas agrícolas mais adequadas para uma região. em especial. Figura 9. potencial e real.10 Segue-se um exemplo de informação climatológica indireta. O . obtida a partir das tabelas das Normais Climatológicas 1961-1990. podem-se estimar os termos do Balanço Hídrico Climatológico para o período 1961-1990. Balanço hídrico climatológico baseado nas normais 1961-1990. com excedentes hídricos ao longo da estação chuvosa. de abril a novembro. construindo-se. aplicável também a quaisquer outras atividades produtivas ou sociais. Completando o balanço. e valendose do Método de Thornthwaite e Matter (l948 e 1955). a seguir. todas as componentes do Balanço. para a localidade de Rio Verde-GO. Tais gráficos devem ser construídos a partir de uma tabela que expressa. antecedendo e sucedendo. Na Figura 9 são observadas as componentes do Balanço Hídrico Climatológico para a localidade de Rio Verde-GO. os gráficos apresentados nas Figuras 9 e 10. de resto. em seguida. parâmetros que permitem quantificar o nível de estresse hídrico a que se acha submetida uma cultura. período de deficiência hídrica. com consequências negativas para as culturas submetidas ao estresse hídrico. o Balanço Hídrico Decendial é uma ferramenta essencial no monitoramente agrícola. déficits hídricos. 100 mm. o período seco. Em especial. atingindo o máximo no início de setembro. a maior relevância recai sobre as aplicações agrícolas. de novembro a abril e. com destaque para o cálculo do déficit hídrico e da evapotranspiração. de grande interesse para finalidades socioeconômicas. naquela localidade. mês de transição da estação seca para a chuvosa. para a localidade de Rio Verde-GO A Figura 10 mostra o limite superior do conteúdo de água no solo. Na escala decendial. A comparação entre o tempo real monitorado e os valores decendiais médios permitirá identificar condições favoráveis ou anômalas para as práticas agrícolas. respectivamente. observam-se as retiradas e as reposições de água no solo. de maio a setembro. bem como estimar índices de aridez e quebras de produtividade. Extraindo-se os dados de temperaturas e chuvas médias mensais.

dentre tantas outras. em especial dos eventos extremos. por exemplo. mostra as chuvas acumuladas anuais normalmente esperadas para todo o Brasil. na melhor época de semeadura. quando os limites térmicos de tolerância da planta são superados naquela fase fenológica. os mapas apresentados após as respectivas tabelas conduzem à visualização espacial das informações climatológicas. permitindo análises panorâmicas. O mapa da Figura 11. onde tais montantes são normalmente atingidos. no manejo e nas práticas culturais. que podem ser identificados pela comparação das condições meteorológicas rotineiramente observadas e as médias anuais. bem como nas atividades de colheita e de processamento de safras. Considerando a representatividade regional de cada estação meteorológica. instrumentos úteis para a tomada de decisões por parte das autoridades e dos planejadores e executores das atividades agrosilvipastoris. .11 monitoramento da temperatura de per si é também de grande importância em todas as fases fenológicas da cultura. mensais e decendiais. por exemplo. a análise criteriosa dos valores mensais e decendiais normais é de grande valia na escolha de variedades mais adequadas para a região. É óbvio que outras exigências climáticas devem ser também analisadas. O financiamento de safras agrícolas e as atividades securitárias em geral são altamente dependentes do conhecimento das condições climáticas. para a localidade de Rio Verde-GO. na pecuária. sendo fator crítico em alguns processos como. A estatística do número de dias chuvosos e secos e dos intervalos consecutivos secos são informações úteis para muitas atividades. sem embargo para quaisquer outras aplicações técnico-científicas e socioeconômicas. desde a estimativa de dias trabalháveis com máquinas no campo até a quantificação de veranicos ou períodos de invernadas. na vida urbana e em tantas outras atividades humanas. Figura 10. Sob outro enfoque. no abortamento de flores da cultura do café. por exemplo. então um agricultor de Minas Gerais somente poderá cultivá-la em algumas áreas do Sul e do Triângulo Mineiro. informações relevantes na agricultura. Armazenamento de água no solo baseado nas normais 1961-1990. Se determinada cultura exige chuvas anuais acumuladas superiores a 1500 mm.

12 principalmente a temperatura. Normal climatológica da precipitação anual para o período 1961-1990. uma análise básica nos zoneamentos agrícolas. Figura 11. . aliás. Esta é.

que podem ser obtidos a partir da soma dos valores das Normais dos meses abrangidos. A Figura 12 apresenta a previsão elaborada pelo INMET. para esse período varia. o prognóstico estaria indicando que. na região em foco. Como tais prognósticos são. Média histórica da precipitação acumulada no período de janeiro a março (Referência: Normais 1961-1990) O prognóstico climático sazonal ilustra outra importante aplicação dos mapas climatológicos trimestrais.13 Figura 12. abaixo ou dentro da média climatológica. segundo as normais climatológicas 1961-1990. foram registradas anomalias . naquele trimestre. o mapa com a média histórica do período em análise complementa a informação do prognóstico. para o trimestre de janeiro a março de 2009. Consultando o mapa climatológico da Figura 13. o que de fato ocorreu conforme verificação posterior. em geral. a chuva nessas regiões iria situar-se acima deste patamar. Assim. em dezembro de 2008. Previsão probabilística sazonal da precipitação acumulada no trimestre de janeiro a março de 2009. expressos em termos de probabilidades de ocorrência de valores acima. com a respectiva probabilidade de ocorrência. As Figuras 12 e 13 ilustram esta observação para o período de janeiro a março de 2009. ou seja. uma maior probabilidade de ocorrência de chuva acima da média no sudeste de Minas Gerais. por exemplo. grande parte de São Paulo e norte do Paraná. de 450 a 650 milímetros. Figura 13. no primeiro trimestre de 2009. o valor do parâmetro previsto em qualquer região de interesse. permitindo avaliar. o usuário verifica que a chuva média. imediata e quantitativamente. provavelmente. Indica.

www. C. Concluindo. evidenciando a relevância da informação para atividades agrícolas e para a defesa civil. The water balance. Referências Bibliográficas ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL. W. 1). Não publicado. Geographical Review. Centerton: Drexel Institute of Technology/ Laboratory of Climatology. WCDP. 38. THORNTHWAITE.14 positivas na região. 2Informação disponível no sítio do INMET. n. n. R. dependendo apenas das necessidades da pesquisa e da imaginação dos pesquisadores. n. SUGAHARA. THORNTHWAITE. variando de 100 até 400 mm de chuva acumulada2. New York. MATHER. Artigo submetido ao Journal of Climate. 1948. (Publications in climatology. et al. 55-94. 1955. 2005. C. VIII. 1989. é possível afirmar que incontáveis análises podem ser realizadas a partir de tabelas e mapas das Normais Climatológicas. v. S.. Technical document. . W. Geneva. 104 p. dentre outros beneficiários. 341. An approach toward a rational classification of climate.br.gov. v. em Clima> Anomalias de Precipitação> Desvio de Chuva Trimestral. p. (WMO. Calculation of monthly and annual 30-year standard normals.10). An assessment of the quality of Brazilian meteorological observations. J.inmet.