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MADEIRAS E DERIVADOS

Aplicações na construção civil


- elemento resistente – vigas,asnas, lamelados colados, construção pré-fabricada, etc
- vãos exteriores e interiores – portas, janelas
- mobiliário – armários, roupeiros, etc
- revestimentos – piso, paredes e tectos
- cofragens e andaimes

Estrutura
- estrutura fibrosa, heterogénea e anisotrópica
- na madeira existe uma direcção paralela às fibras privilegiada para resistir a esforços
mecânicos
- a madeira é um material natural, havendo uma enorme variedade de géneros vegetais
produtores de madeira, com adequações distintas de aplicação

Constituição
· Corte transversal
- medula
- lenho – cerne(duro e compacto, constitui a madeira propriamente dita); borne (mais
claro do que o cerne e endurece com o tempo de dentro para fora)
- casca – liber; camada suberosa; epiderme

Classificação
- Resinosas – brandas; mais abundantes em climas frios; maior aptidão para a construção:
elementos de maiores dimensões, leves, fáceis de trabalhar, colar e ligar. Exemplo: pinho,
criptomória, etc
- Folhosas – duras; abundantes nas zonas equatoriais; mais pesadas; qualidades estéticas.
Exemplo: carvalho, choupo, eucalipto, etc

Heterogeneidade
- anéis de crescimento – diferenciação observada no lenho, traduzida por anéis concêntricos. A
cada ano de vida da árvore corresponde a formação de dois anéis, aproximadamente
concêntricos: anel de Primavera (mais claro); anel de Outono (mais escuro e 10x mais
resistente)
- o que dá resistência à árvore é o lenho de Outono, o de Primavera serve para a alimentação
- o engrossamento é maior na Primavera
- Quanto maior for o número de anéis por cm, medidos na diagonal, maior a resistência
mecânica da madeira ( mais do que 3 anéis/cm -> madeira resistente)

Anisotropia
A anisotropia da madeira manifesta-se segundo as 3 direcções: axial, tangencial e radial

Factores que influenciam a resistência da madeira


· Densidade
- a densidade é um dos factores mais significativos no que se refere à variabilidade da
resistência da madeira
- a densidade real da matéria lenhosa é constante para todas as madeiras (d=1,56)
- quanto maior for a densidade -> maior dureza e compacidade -> maior resistência; maior
rectratibilidade; maior dificuldade de laboração; menor permeabilidade; maior
durabilidade natural

· Humidade
- a humidade influencia também de forma significativa a resistência mecânica da madeira
- a “madeira verde” tem uma resistência mínima relativamente a todos os tipos de
solicitação com excepção do choque
- a água encontra-se na madeira em 2 formas fundamentais: água livre (preenchendo os
vazios entre as células e os espaços dentro delas próprias), água de impregnação
(embebendo as paredes das células)
- a água livre é retirada rápida e facilmente durante a secagem e não há lugar a
perturbações na peça
- a água de impregnação é retirada de forma mais lenta e difícil e a sua saída ocasiona
perturbações na peça devido ao fenómeno da retracção que se manifesta de forma
anisotrópica
- retractibilidade – propriedade da madeira de mudar de dimensões quando a sua
humidade varia abaixo do teor de saturação das fibras
- fendas e empenos – são devidos às tensões que aparecem na massa lenhosa em virtude
dos gradientes de humidade que provocam retracções diferenciais

· Ângulo formado pela direcção do esforço com a direcção do fio de madeira


A acentuado anisotropia da madeira determina fortes reduções da sua resistência
mecânica quando se faz variar o ângulo formado pela direcção do fio com a direcção do
esforço desde 0º a 90º

· Anomalias e defeitos da madeira


- anomalias ou defeitos relacionados com a estrutura do lenho ou com particularidades
da morfologia da árvore
- fio torcido – disposição das fibras em hélices
- inclusões minerais – depósitos minerais inclusos nas células
- nós – porções de ramos inclusos nas peças de madeira
- anomalias ou defeitos resultantes de práticas culturais, acidentes meteorológicos ou de
outras influências externas
- bolsa de resina ; fendas; queimadura; picada de ave
- anomalias ou defeitos devidos ao ataque de fungos ou de animais xilófagos
- azulado; podridão
- anomalias ou defeitos devido ao abate, secagem e laboração
- madeira verde; fendas de secagem; empenos; desvio de dimensões

· Tempo de actuação da carga


- a resistência mecânica da madeira vai diminuindo com o tempo de actuação da carga

Secagem
- natural – fácil, lento muitas vezes ineficaz ao ar livre, em pilhas para o ar circular
- artificial – rápido e eficaz – por ar condicionado; por correntes de alta frequência; por raios
infra-vermelhos; por vácuo

Degradação da madeira
Degradação biológica – agentes: fungos, insectos, organismos marinhos, bactérias
- fungos:
- desenvolvimento dependente de (água, ar e temperatura) adequada humidade
inferior a 20% (da madeira) impedem o seu desenvolvimento
- manchas -> azulado -> borne das resinosas; podridões – diminuição das propriedades
mecânicas
- azulado pode ser empregue em elementos estruturais ou a pintar
- insectos:
- carunchos – atacam no estado larvar; provocam a destruição gradual e rotura
mecânica
- térmitas – formigas brancas (destruição muito rápida); atacam madeiras húmidas
- organismos marinhos:
- provocam a rotura mecânica de madeiras submersas total ou parcialmente em água
do mar
- bactérias:
- madeiras submersas em águas paradas –> aumento da sua permeabilidade
Protecção da madeira contra os agentes biológicos
1- Prevenção
- disposições construtivas que se oponham à humidificação dos materiais, condicionando o
desenvolvimento de fungos e térmitas
- drenagem das águas das chuvas junto das paredes para que o massame não absorva
água
- execução cuidada da rede de água e esgotos de modo a evitar fugas de humidade
- camada de ar entre os guarnecimentos de portas, rodapés
-secagem correctamente conduzida de forma a evitar o aparecimento de fendas de
secagem – lugar propício para a postura de ovos pelos insectos adultos e para a
germinação dos esporos dos fungos
2- Protecção
- oleosos -> creosote – provem da destilação das hulhas:
- elevada toxicidade para insectos e fungos
- elevada durabilidade e cheiro muito intenso
- não permite aplicações ulteriores de pintura
- indicado para madeiras expostas ao ar livre e em contacto com o solo ou submersas
em água, desde que não sejam pintadas
- aquosos -> sais metálicos (cobre, crómio, zinco) dissolvidos em água
- nas madeiras secas não penetram nem se fixam; devem aplicar-se em material verde
ou incompletamente seco
- conferem uma cor esverdeada à madeira
- soluções em solventes orgânicos
- misturas de produtos químicos fungicidas e insecticida solúveis em destilados de
petróleo
-onerosos – madeiras abrigadas e não em contacto com o solo

Características exigenciais dos preservantes


- deve possuir elevada toxicidade
- deve ser estável (fraca volatilidade, pouco solúvel na água)
- preço baixo
- manter após aplicação as suas qualidades tóxicas
- de preferência não deve comunicar cheiro nem cor, e deverá permitir qualquer
acabamento exterior
- não prejudicial aos homens e animais
- de fácil introdução na madeira

Processos de preservação
- Não envolvendo a utilização de pressão – se se pretende apenas uma protecção
temporária ou onde existe pouco risco de ataque biológico
– pincelagem ou pulverização – mais barato, no entanto mais caro se tiver se ser feito de 2
em 2 anos
- imersão – mais eficaz que o anterior dado que produz uma maior profundidade de
impregnação
- Envolvendo a utilização da pressão
- o processo mais eficaz e mais rápido
- impregnação em autoclave sob vácuo e pressão (processo de célula vazia – creosote;
processo de célula cheia – preservante solúvel em água; processo de duplo vácuo –
preservante solúvel em solventes orgânicos)
Autoclave – cilindros que se conseguem fechar hermeticamente
Célula cheia – a madeira é sujeita a um vácuo inicial antes de se introduzir o preservante
na autoclave para que o ar saia do interior das células e assim a penetração seja facilitada

Comportamento face ao fogo


- em termos de incêndio, a madeira não é um material desfavorável em relação às alternativas
(ferro – elevadas dilatações e perda de resistência; betão – fracturas)
- a deformação da madeira é pouco significativa. A perda de resistência mecânica é lenta. Isto
deve-se à sua baixa condutibilidade térmica.
- dada a sua elevada estabilidade dimensional por acção do tempo, isto permite que a
intervenção dos bombeiros seja facilitada quer pelo factor tempo, quer pelo factor risco de
ruína
- aumento inicial da capacidade de carga por perda de humidade
- consegue-se prever a taxa de carbonização e assim dimensionar elementos com determinado
nível de estabilidade ao fogo
- as estruturas de madeira podem ser raspadas, lixadas e reacabadas no local do incêndio
- a madeira é combustível mas resiste melhor a um incêndio que muitos outros materiais
incombustíveis

DERIVADOS DA MADEIRA

Tipologia:
- aglomerado de fibras
- aglomerado de partículas
- contraplacados
- placa lameada

AGLOMERADOS DE FIBRA
- Têm comportamento isotrópico
- comportam-se mal com a água (exterior não)
- o claro usa-se quando se pretende pintar, uma vez que sobre um substracto escuro é mais
difícil
- o castanho e o claro têm menor densidade que o MDF
- o MDF permite o uso de ferramentas

- Platex (claro ou castanho)


- a cor castanha é devido ao tanino (aglomerante natural) da casca dos troncos e ramos
- a cor clara resulta de não utilizar a casca mas sim colas sintéticas
- o aglomerado de cor castanha é mais barato e resistente que o de cor clara
- são fabricados por via húmida

- TPO (tratado por óleo)


- à saída da prensa, o material é mergulhado em óleo natural, ficando mais denso e escuro
- torna-se repelente da água e pode ser utilizado em exteriores desde que pintado
- o aglomerado de cor castanha não pode ser utilizado no exterior porque em contacto com a
água amolece

- MDF (fibras de média densidade)


- aglutinação feita com cola
- pode ser trabalhado exactamente como a madeira
- vantagens: isotrópico (não empena), fácil de trabalhar, reacção às tintas e vernizes igual à
madeira
- desvantagens: vulnerável à agua (deve ser bem revestido para evitar), só comercializado em
painéis

Processos de fabrico
- Via húmida (Platex e TPO)
- toros e ramos -> máquina de destroçamento (formação de estilhas) -> aquecimento em
autoclave -> reservatórios com água -> moldes -> pré-prensagem 25 vezes -> prensagem
hidráulica
Via húmida porque as fibras são secas depois da formaçã das mantas
- Via seca (MDF)
- as estilhas são sujeitas a vapor sob pressão -> entram numa destroçadora -> fibras -> as fibras
húmidas são secas ao longo de um tubo de secagem -> stockagem das fibras num silo ->
aglutinação com cola -> colocação das fibras sobre um tapete móvel -> pré-prensagem da
manta -> prensagem hidráulica -> arrefecimento dos painéis
As fibras são secas antes da formação das mantas

AGLOMERADOS DE PARTÍCULAS
- de uma camada (“tabopan”)
Aparas (acção da plaina) -> secagem das aparas -> aglomeração das aparas com cola ->
deposição em moldes metálicos -> prensagem -> aglomerado
- de uma camada e hidrófugo (aglomerado fenólico)
Cola – resina fenólica, repelente da água
- de 3 camadas
Menos cola -> mais barato; a camada do meio corresponde à fibra neutra
- Okal-Jomar
Aparas perpendiculares às faces; revestido nas duas faces por contraplacado
- Madeira-cimento
As aparas são impregnadas de produtos minerais; são depositadas em moldes e polvilhadas de
cimento portland normal e com água; os moldes são prensados e aguarda-se a presa do
cimento. (divisórias e tectos falsos)

CONTRAPLACADOS
Caracterização e processo de fabrico:
- exigem árvores de grande porte
- são os aglomerados mais importantes
- os toros são amolecidos a vapor para a madeira ficar mais branda
- em tracção axial a folha é muito resistente, nas outras direcções é fraca
- contraplacado de cofragem – uma das faces é impregnada de resina; material impermeável,
pouco aderente, não empena (vantagem face aos metálicos devido ao calor de hidratação)
- pelo menos com 3 camadas
- são trabalháveis como a madeira maciça
- mais isotrópico que a madeira

PLACAS LAMELADAS
- matéria prima – zona central do toro que serviu para o fabrico de contraplacado
- lamelados que se colocam (ou colam) lado a lado sendo cobertas superior e inferiormente
por 2 folhas de cada lado
- resistência inferior à do contraplacado

Vantagens e desvantagens dos aglomerados


Vantagens:
- os resíduos da matéria prima são aproveitados
- permitem superfícies de aplicação de grandes áreas que a madeira não permite
- permitem a modulação
- bom isolamento térmico e acústico
- estão já preservados dos xilófagos mas não dos fungos
- económica a sua aplicação em obra
Desvantagens:
- em contacto com a água só resistem se as colas resistirem
- desenvolvem fungos com a humidade

Os painéis de fibras e de partículas têm tendência para substituir os contraplacados uma vez
que estes exigem árvores de maior porte o que torna a sua exploração industrial
economicamente inviável.

CORTIÇA – (casca do sobreiro)


- tecido vegetal constituído por microcélulas mortas, com espaços intercelulares preenchidos
por uma mistura gasosa

Processamento
- repouso (mais de 6 meses) – a cortiça perde a seiva e seca
- cozedura em água a ferver - matar os organismos vivos
- repouso (mais de 3 semanas) – estabilização dimensional
- triagem por espessura e qualidade: a qualidade revela-se pela porosidade e pelos defeitos
- objectivo: a cortiça, quando é retirada da árvore não tem elasticidade necessária para ser
trabalhada e, além disso, traz consigo fungos e insectos. Pretende-se assim transformar a
cortiça num material mais elástico, sem organismos e mais plano.

Aplicações
- betões leves –os grânulos de cortiça são vendidos envoltos em cimento porque a sua adesão
ao cimento é fraca
- aglomerados negros – servem para isolamento térmico e acústico

Propriedades da cortiça
- muito pouco densa (d~0,2)
- resiste à penetração da humidade
- compressível e elástica: quando se comprime a cortiça não se verifica dilatação lateral
- má condutora do calor
- resiste aos efeitos do desgaste
- bom isolante (térmico, acústico, vibratório)
- arde dificilmente, com combustão lenta e sem libertação de gases tóxicos
- imputrecível e não tóxica
Nota: os pavimentos de cortiça não resistem à água porque as colas não conseguem manter a
coesão do material

Aglomerados
- brancos: aglutinados com cola, mas não a cola natural da cortiça
- negros: a cola usada é a cola que existe naturalmente no material

Produção dos aglomerados negros:


- trituração
- autoclave – expansão do granulado e libertação das colas naturais que vão agregar o
granulado de cortiça
- aquecimento em água a ferver
- corte e embalagem