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A Certeza de Vencer

CONTEÚDO

PROFº: Bouth / Manoel Neto (Part: prof. Gilberto Rocha
(UFPa), Lílian Brito (UFPa) e Lea Gomes (UEPa)

GEOGRAFIA (TEORIA E PRÁTICA)
MA240308

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MATERIAL FORMULADO PELAS PROFESSORAS LÍLIAN BRITO (UFPA) E LÉA MARIA GOMES (UEPA) A Geografia, enquanto uma ciência social tem como objeto de estudo o espaço geográfico, que é o espaço produzido pelo Homem a partir de suas relações sociais e com a natureza. Portanto, a Geografia procura analisar como a sociedade produz esse espaço ao longo dos tempos, de acordo com seus interesses e necessidades por meio do trabalho. Segundo Milton Santos “o trabalho é um processo de troca recíproca e permanente entre o Homem e a Natureza” (1988, p. 87-8). Apoiada na concepção da ciência geográfica acima descrita, a Geografia escolar, nos últimos anos, tem revisto seus fundamentos teóricometodológicos. Tendo como pressuposto o estudo da produção do espaço geográfico pela sociedade, essa disciplina tem procurado superar a metodologia da memorização e repetição de elementos e fatos geográficos e tem buscado o desenvolvimento de uma aprendizagem voltada à análise e interpretação da realidade em que estamos inseridos. Neste sentido os processos de aprendizagem do ensino fundamental e médio têm se pautado no desenvolvimento de competências e habilidades que visam uma formação mais global do educando.
Competências são as modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer. As habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do “saber fazer”. Por meio das ações e operações, as habilidades aperfeiçoam-se e articulam-se, possibilitando nova reorganização das competências.

“Com dez municípios localizados numa área de 8,3 milhões de hectares de floresta tropical amazônica - o que equivale ao Estado de Santa Catarina -, que se estende entre os Rios Xingu e Tapajós e é cortada pelas Rodovias Transamazônica e BR-163 (Cuiabá-Santarém), a Terra do Meio é campeã em denúncias de trabalho escravo, invasão de terras indígenas, extração ilegal de madeira, pistolagem e grilagem de terras. Dos 12 assassinatos de trabalhadores rurais ocorridos este ano no Pará, seis aconteceram na região. Só na última semana foram quatro mortes, incluindo a da irmã Dorothy Stang”. - Com relação ao espaço amazônico e auxílio dos recursos, analise os itens: I. Construídas pelo regime militar, as duas rodovias nunca foram pavimentadas, mas mesmo assim se tornaram alavancas de uma ocupação desordenada que causou sérios danos ambientais. II. As origens de vários municípios da região estão relacionadas com a construção da Rodovia Transamazônica e com o Programa de Integração Nacional (PIN), instituído em 1970 e implantado a partir de 1971, pelo governo federal. III. O PIN conseguiu desenvolver uma reforma agrária satisfatória no Brasil, pois houve uma diminuição dos conflitos fundiários na Amazônia nas últimas décadas, devido à atuação de instituições governamentais como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), PROTERRA (Programa de Distribuição de Terras), etc. Está(ão) correto(s) o(s) iten(s): a) I e II. b) II e III. c) I e III d) I, II e III. e) Somente a II. QUESTÃO 2. (PROSEL-2004) VANTAGENS E DESVANTAGENS PARA LOCALIZAÇÃO DO PÓLO SIDERÚRGICO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE PARA O SEU SISTEMA NORTE Maranhão Pará Na logística de transporte, o Pará dispõe de dois importantes portos, o Na logística de transporte, o de Belém (com capacidade Maranhão conta com dois grandes operacional obsoleta) e o de Vila do portos – Itaqui e ponta da madeira – conde, em Barcarena. e mais a ferrovia de Carajás No Pará estão localizadas O abastecimento de energia de importantes matérias-primas que São Luiz é assegurado por três interessam à companhia Vale do Rio circuitos, sendo dois de 500 KV e um Doce, bem como è fornecedor da de 230 KV. energia consumida pela empresa Está localizada em São Luiz a através de seus investimentos na mais moderna usina de pelotização Amazônia. do mundo O porto de Vila do Conde não Certamente já planejado a futura dispõe das mesmas condições implantação do complexo operacionais dos de São Luís, siderúrgico, a campanha Vale do Rio podendo receber, no máximo, navios Doce iniciou, em agosto de 2001, a de até 100 mil toneladas. ampliação do Porto de Ponta da Sem as eclusas de Tucuruí e sem Madeira. a Hidrovia do Tocantins/Araguaia, a O governo maranhense acaba microrregião de Carajás não dispõe da de anunciar a abertura de licitação alternativa da navegação. para a ampliação do porto de Itaqui, O transporte de cargas pesadas só com a construção do berço 100, obra pode ser feito pela Ferrovia de orçada em R$ 40 milhões. Carajás que faz a ligação com a capital maranhense. Adapitado do Jornal “O Liberal”. Belém, 11/05/2003, Painel, p.3. Com base nos elementos acima destacados, o melhor argumento que fundamenta as vantagens apresentadas pela Empresa para a escolha do Maranhão é: a) Mais que a eficiência de fluxos apresentada pelos dois Estados, busca-se levar em conta o potencial natural (vias de circulação fluvial, minérios, energia elétrica etc) de cada Estado para fins de localização dos investimentos econômicos. b) O confronto em relação à localização do Pólo Siderúrgico traduz-se como uma "guerra de lugares", haja vista que não são levados em conta interesses regionais (Nordeste e Amazônia) e nem estaduais (Pará e Maranhão), mas tão

Os atuais processos seletivos das universidades, assim como os programas de avaliação da educação, criados pelo governo federal, tais como: o SAEB e o ENEM utilizam a matriz das competências e habilidades em seus sistemas avaliativos. Com base nesta concepção, os documentos oficiais do ENEM afirmam que todas as suas situações de avaliação estruturam-se de modo a verificar se o participante “é capaz de ler e interpretar textos de linguagem verbal, visual (fotos, mapas, pinturas, gráficos, entre outros) e enunciados, identificando e selecionando informações centrais e periféricas e inferindo informações, temas, assuntos, contextos”. Os PCNs definem como competências e habilidades do ensino da Geografia para o ensino médio, entre outras: Reconhecer os fenômenos espaciais a partir da seleção, comparação e interpretação, identificando as singularidades ou generalidades de cada lugar, paisagem ou território. Ler, analisar e interpretar os códigos específicos da Geografia (mapas, gráficos, tabelas etc.), considerando-os como elementos de representação de fatos e fenômenos espaciais e/ou espacializados. Em consonância com esses princípios selecionamos algumas questões para análise das competências e habilidades, nela exigidas. 01. (Áthila Kzam) Leia com atenção o texto e analise o mapa:
(O Estado de São Paulo. Fev. 2005).

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somente potenciais específicos que canalizam vantagens locais (municipais), bem como para a empresa envolvida. c) O enfrentamento entre os dois Estados reforça as diferenças e os interesses regionais, haja vista que, mesmo estando situados em uma mesma região geoeconômica (o complexo amazônico), na prática, existem poucas similaridades entre as dinâmicas sócio-espaciais apresentadas pelo Maranhão e pelo Pará. d) As vantagens apresentadas pelo Estado do Maranhão para a localização do Pólo Siderúrgico restringem-se, em verdade, ao sistema portuário, que, diferentemente do Pará, está mais próximo dos mercados consumidores, facilitando, portanto, o escoamento da produção. e) A competitividade entre diferentes espaços geográficos, a exemplo do Pará e do Maranhão, traduz uma tendência econômica atual, na qual muito mais que a localização de recursos econômicos, levasse em conta o potencial de organização do espaço e sua capacidade de fluidez para fins de produção econômica e de comercialização. QUESTÃO 3. (ENEM/2004) Em 2003, deu-se início às discussões do Plano Amazônia Sustentável, que rebatiza o Arco do Desmatamento, uma extensa faixa que vai de Rondônia ao Maranhão, como Arco do Povoamento Adensado, a fim de reconhecer as demandas da população que vive na região. A Amazônia Ocidental, em contraste, é considerada nesse plano como uma área ainda amplamente preservada, na qual se pretende encontrar alternativas para tirar mais renda da floresta em pé do que por meio do desmatamento. O quadro apresenta as três macrorregiões e três estratégias que constam do Plano. Estratégias: I. Pavimentação de rodovias para levar a soja até o rio Amazonas, por onde será escoada. II. Apoio à produção de fármacos, extratos e couros vegetais. Orientação para a expansão do plantio de soja, atraindo os produtores para áreas já desmatadas e atualmente abandonadas. Considerando as características geográficas da Amazônia, aplicam-se às macrorregiões Amazônia Ocidental, Amazônia Central e Arco do Povoamento Adensado, respectivamente, as estratégias: a) I, II e III. d) II, I e III. b) I, III e II. e) III, II e I. c) III, I e II.

QUESTÃO 5. (Faci/2005) Analise as seguintes afirmações referentes a urbanização amazônica: I. A rede urbana amazônica apresenta uma história bastante longa, tendo sido submetido desde a segundo metade do século XX a importantes processos sociais que lhe têm alterado a natureza e significado. II. A urbanização da Amazônia foi motivada por dois grandes fatores: a modernização do campo, sobretudo em regiões de agropecuária tradicional, como a zona bragantina e campos do Marajó e o processo de industrialização incentivado pelo governo federal, mediante sua política de distribuição de incentivos fiscais e creditícios. III. A urbanização da Amazônia se constituiu em importante estratégia de ocupação da fronteira amazônica pois sustentou a mobilidade, ao permitir atrair migrantes sem que tivessem acesso à propriedade da terra e iniciou a articulação dos antigos e novos núcleos urbanos entre si e com o mundo. IV. Foram criados na região importantes tecnopólos, sendo o mais importante o localizado em Manaus, que gerou, após a sua implantação, o rápido crescimento demográfico e econômico daquela cidade e a conseqüente decadência da antiga metrópole regional: Belém. V. A industrialização pela qual passou Manaus, criou condições, para que esta cidade passasse por um enorme crescimento demográfico e econômico, assumindo a condição de metrópole regional da Amazônia Oriental. Estão corretas as afirmativas: a) I, II, III, IV e V. b) I, III, e V. c) II, III e IV. d) I, II e IV. e) Nenhuma.
TABELA 1 CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO DE MANAUS EM RELAÇÃO AO ESTADO DO AMAZONAS

ANO 1950 1960 1970 1980 1991 2000

ESTADO (A) 514.099 708.459 955.235 1.430.528 2.103.243 2.813.085

POPULAÇÃO MANAUS (B) 139.620 173.706 311.622 633.392 1.011.500 1.403.796

% (B/A) 27.16 24.31 32.70 44.34 48.05 49.90

TABELA 2 CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM (RMB) EM RELAÇÃO AO ESTADO DO PARÁ

QUESTÃO 4 . (PROSEL-2004) "Às cidades dessa Amazônia chega-se pelo rio e delas é possível se contemplar uma paisagem cujo limite é o reencontro das paralelas no horizonte em que o céu e as águas parecem se abraçar, quer se olhe em direção ao Ocidente ou ao Oriente. A paisagem citadina avista-se ao longe, aparecendo aos poucos, preguiçosamente aos olhos de quem se aproxima, sem pressa de chegar. Quase sempre, o primeiro sinal é a torre da igreja, tão distante que até parece nunca será alcançada. Assim vista, a maioria destas pequenas cidades situadas às margens dos rios se constitui numa 'pausa repousante da monótona sucessão de matas que cobrem as margens do rio Amazonas' ". A respeito dessa Amazônia e dessas cidades de que trata o autor acima, constata-se que dizem respeito à Amazônia a) dos grande projetos, implantados para investimentos capitalistas estrangeiros e para a exploração dos recursos naturais da região; e às cidades planejadas, que respeitaram a vocação ribeirinha das tradicionais cidades amazônicas. b) ribeirinha, pouco afetada pelas políticas de integração e cuja dinâmica econômica ainda se encontra bastante vinculada ao rio e à floresta; e às cidades ribeirinhas, de padrão urbano tradicional e com uma dinâmica de estreita interação com o rio, do ponto de vista da produção, da circulação e das representações culturais. c) das rodovias, que não negaram o rio, mas que o inseriram como nódulos das novas vias terrestres de circulação; e das cidades espontâneas, surgidas a partir da nova dinâmica econômica implantada na região após a década de 60. d) da colonização oficial, povoada através de migrantes oriundos de outras regiões do País e que trouxeram novos hábitos e culturas; e às cidades do urbanismo rural, surgidas a partir do modelo de urbanismo do INCRA, que reúne um misto de modos de vida urbano e rural. e) industrializada, responsável por definir novas estruturas de produção e de circulação regional; e às grandes cidades, que, apesar de imprimirem um novo ritmo à região, guardam consigo características geográficas e culturais estreitamente relacionadas ao meio ambiente amazônico.
(OLIVEIRA, J. A. Urbanização da Amazônia: novas integrações e velhas exclusões. In: OLIVEIRA. J. A.; GUIDOTTI, H.(Orgs.) A igreja arma sua tenda na Amazônia. Manaus: EDUA, 2000. p. 155-177).

ANO 1950 1960 1970 1980 1991 2000

ESTADO (A) 1.123.273 1.538.193 2.161.316 3.403.391 5.181.570 6.188.685

POPULAÇÃO RMB (B) 254.949 410.635 649.043 971.720 1.302.950 1.794.981

% (B/A) 22.70 25.93 30.00 28.5 25.1 29.00

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- Partindo das tabelas sobre população acima e analisando a importância de Belém face ao Estado do Pará, comparativamente a Manaus em relação ao Estado do Amazonas, conclui-se que. a) a pouca diversificação econômica na Amazônia Oriental fez de Belém uma cidade importante nessa sub-região, com um grau de concentração populacional excessiva, semelhante a Manaus em relação ao Estado do Amazonas. b) O papel das duas cidades em relação aos seus respectivos Estados difere pelo fato de que, no Amazonas, a presença da Zona Franca de Manaus estimulou a imigração e a desconcentração econômica e populacional no território, enquanto que Belém não teve o mesmo estímulo industrial e de atração populacional. c) ambas as cidades vivenciam um processo de macrocefalia urbana no contexto de seus respectivos Estados, haja vista que é muito significativo e parecido o percentual de concentração populacional nas capitais estaduais. d) à semelhança de Manaus, há progressiva concentração populacional em Belém, justificada principalmente pelas políticas de investimentos e incentivos fiscais e creditícios presentes tanto na Zona Franca de Manaus, como nos distritos industrias da RMB. e) diferentemente de Manaus, o papel de Belém, no espaço paraense, é relativizado pela abertura de novas frentes de expansão econômica fora da órbita imediata de Belém, refletindo, em conseqüência, no grau de concentração populacional na capital.