You are on page 1of 2

Convite a pensar o conhecimento

Rennan Souza Melo
Se você se pergunta “Pra que serve a filosofia?” a resposta pode ser facilmente
desoladora, podemos pensar que filosofia não faz a gente conseguir comprar o mais
novo Iphone, também não me deixa mais feliz, não me arruma uma namorada nova, não
vai me arrumar nem um emprego, então, pra que diabos a gente estuda isso na escola?
Pra responder essa pergunta é preciso primeiro pensarmos qual a função da escola. A
escola têm diversas funcionalidades dentre elas está a de contribuir para o
desenvolvimento cognitivo de seus alunos e é neste ponto que a filosofia se faz
necessária. A filosofia encontra no mundo, e principalmente na escola, o lugar de uma
ferramenta otimizada meramente para atividade intelectual, isto quer dizer que a
filosofia é utilizada para pensar. Mas pera ai, pensar, pensar, só pensar pode ser algo
chato e desnecessário para a vida como um todo, hoje de manhã, você provavelmente
não pensou pra que serve um uniforme de escola entes de vesti-lo para vir a aula, em
alguns casos, não pensamos nem no que vamos vestir, pegamos a primeira roupa menos
amarrotada que passa na nossa frente, tenho certeza que isso acontece corriqueiramente.
Então, se a filosofia é uma atividade de pensamento e ainda sim não precisamos pensar
(analisar) as coisas sempre, ainda fica confuso a serventia dessa coisa.
Pois bem, assim como, principalmente nos dias atuais, agimos no modo automático e
não precisamos indagar alguma explicação para as coisas, há também, alguns malucos
que seguem o caminho oposto à maioria das pessoas, há gente que se pergunta o porquê
das coisas, mas não meramente um ‘porquê’, pessoas que se preocupam com a causa
das coisas do mundo acabam fazendo filosofia.
Refinando a nossa caracterização de filosofia, podemos entende-la como uma
engenharia de conceitos, engenharia no sentido de tentar construir da melhor forma
possível as coisas que nós conhecemos. E é por isso que a filosofia se faz necessária na
instrução escolar, pois é a filosofia que vai nos ajudar a construir melhor os
pensamentos, não esperem da filosofia uma resposta qual tênis você deve calçar
amanhã, espere dela respostas a problemas que afligem de forma prolongada a vida
daqueles homens que se preocupam em fornecer respostas a perguntas que sua vó
provavelmente responderia com um “Diacho de pergunta menino!”.
Uma das questões que aqueles caras, muito deles chatos de galocha, tentam responder é
a respeito da nossa própria forma de conhecer. Uma vez uma pentelha irmã da minha
namorada a época me perguntou como que eu sabia o que era alma, eu respondi a ela
que meus pais tinham me dito que existia uma coisa na gente que se chamava alma, mas
a pentelha foi além, ela perguntou como que meus pais sabiam disso, eu, educado e
complacente com a pentelha, pois poderia ter dito “diacho de pergunta menina!”,
respondi que provavelmente meus avós tinham dito isso, dai veio o xeque-mate, e
pentelha indagou “E como a primeira pessoa soube que isso é alma”, na hora eu pensei
“Ah pentelha, pentelha”, o que respondi a ela foi que alguém muito antigamente
chamou alguma coisa que ela achava que tinha na gente de alma e encerrou-se o
assunto.

Obviamente àquela época eu nem entenderia esta pergunta. este pequeno texto escrito por Edmund Gettier (1927 . porém. a chamada epistemologia.Agora. ele provavelmente vai virar pro lado e falar que o time dele está com a marcação frouxa. eu fiquei me perguntando “O que esse sujeito fez pra conseguir calcular a massa de uma galáxia?”. pensar questões a respeito de coisas que podem parece banais a uma primeira vista. Portanto. muito mais provavelmente ela vai te dar uma resposta pouco estruturada. a epistemologia vai explicar quais os processos que permitem agente afirmar que sabe o que é alma. esta explicação é dada de uma forma muito mais simples que a explicação da massa de uma galáxia. procurar conceber resolução aos problemas levantados. ou seja. mas esta é uma pergunta fundamental no que quero aqui apresentar. essa estruturação por vezes envolve a construção de sistemas filosóficos complexos para justificar a resposta a uma questão simples. esta solução será alcançada quando se conseguir construir argumentos com rigor conceitual ao qual não se possa negar a validade. esta é a forma que os filósofos encontra para ‘pentelhar’ a vida dos outros. Uma primeira tentativa de sistematizar uma resposta a questão sobre os fundamentos do conhecimento foi dada por Platão (428/427 – 348/347 A. quanto em 1963 um filósofo norte americano escreveu um pequeno artigo intitulado “Uma crença verdadeira justificada é conhecimento?”. aqui tentei apresentar a parte da filosofia que se preocupa com o conhecimento. para ele conhecer alguma coisa significa. perguntando pra alguém “O que é a vida?”. causou um grande estrondo na filosofia do conhecimento. fiquem tranquilos. Platão define conhecimento como sendo crença verdadeira justificada.C. portanto. que sabe a massa de uma galáxia. tanto quanto. ela me perguntasse “como tu sabe que sabe o que é alma?”. . Esta definição de conhecimento durou durante muito tempo até o século XX. assim. por exemplo. Neste texto mostra-se o que ficou conhecido como os exemplos contrários de Gettier. vai tentar estruturar respostas a perguntas muito complicadas. para tal tarefa.). proporcionar um maior rigor conceitual bem como ajudar aos alunos conceberem opiniões bem fundamentadas. exemplos que mostram problemas na definição platônica de conhecimento. Outro dia eu assisti um vídeo sobre física. mas imagine chegar ‘pentelhando’ a vida dos outros num velório. a filosofia se vale das diversas áreas as quais estudam diversos problemas as vezes muito distantes uns dos outros. É isto que a filosofia deve fazer na escola. O que a filosofia vai fazer em relação ao nosso conhecimento é como se fosse aquele físico me chamar para assistir sua explicação de como ele conseguir dizer que a massa de uma galáxia vale ‘tanto’. ao qual o apresentador dizia que um físico havia calculado a massa de uma galáxia. A filosofia.). crer em algo. já pensou você numa situação dessa? E se ao invés da pentelha perguntar o que é alma e como eu soube o que era. a filosofia percorre esta estrada. logicamente que se você estiver em casa que no domingo passando futebol na televisão e fazer uma pergunta dessas pro seu pai. esta é a área da filosofia que se preocupa em sistematizar uma explicação do que é conhecimento e quais são os processos que nos levam a conhecer. provavelmente essa pessoa vai parar e refletir um pouco. estar justificado a respeito da crença e a crença é verdadeira. A pergunta como você sabe que sabe pode ser traduzida como “Quais os mecanismos que levaram você a conhecer isso?” ou ainda “Porquê você diz que sabe isso?”. Voltando a epistemologia.