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08 de maio de 2009

ATOS
ADMINISTRATIVO
S
INTRODUÇÃO
Fatos são acontecimentos cotidianos que acontecem no mundo em que
vivemos. Exemplo: nascimento de uma pessoa. Mas, quando este acontecimento
atinge a órbita jurídica ele ganha o status de fato jurídico. Exemplo: do
nascimento surge uma nova personalidade, que terá filiação, possuirá direitos, se
submeterá a deveres.
Dentro da órbita do direito, se o acontecimento atingir mais especificamente
a seara do direito administrativo, se estará diante do fato administrativo.
Exemplo: falecimento de um servidor público é um fato administrativo. Extingue-se
a relação do servidor com o Estado, abre-se a vaga do cargo, e em conseqüência
um concurso público deverá ser realizado para o preenchimento dele.
Diferentemente do fato, o ato é essencialmente uma manifestação de
vontade. Exemplo: duas pessoas voluntariamente se casam. E, se esta exposição
da vontade atingir a órbita do direito, esta manifestação de vontade será chamada
de ato jurídico. Exemplo: pessoa quer adquirir uma casa e celebra um contrato
de compra e venda.
Mudando o exemplo, sendo o Estado o sujeito que manifesta a vontade de
adquirir uma casa, deverá produzir este ente o ato da desapropriação. Neste caso,
o ato de vontade atinge mais especialmente a seara do direito administrativo,
sendo caracterizado como um ato administrativo.

FATOS E ATOS DO ESTADO/DA ADMINISTRAÇÃO
Todo ato praticado pelo Estado é um ato administrativo? Nem todos os
atos produzidos pelo Estado são considerados como atos administrativos. Existe
categoria diversa de acontecimentos que não são caracterizados como atos
administrativos.

Atos ajurídicos, denominados por Diógenes Gasparini, são também
conhecidos como fatos administrativos que se caracterizam por serem
condutas materiais da administração pública, e por não conter qualquer
manifestação de vontade, mas sendo na verdade meros trabalhos dos
agentes públicos (exemplo: aulas ministradas por um professor em uma
escola pública; dirigir um veículo da administração, uma ambulância; um
ofício digitado pela secretária). Apesar destas condutas não gerarem efeitos
específicos, não significa que não possam gerar direitos. VERDADEIRO.
Professora Fernanda Marinela diz que o simples dirigir, o simples digitar, o
simples lecionar não manifesta vontade. Estas condutas são meros atos materiais,
são acontecimentos, fatos desprovidos de vontade, sem qualquer conteúdo
decisório. E estes atos materiais geram sim direitos, não específicos, não obstante
existirem outros direitos envolvidos.
Exemplos: no caso do servidor que conduz o veículo da administração,
ultrapassar um sinal vermelho e depois colidir em um carro particular; de sua
conduta (fato administrativo) advirá para o lesado um direito à indenização
decorrente do prejuízo; enquanto a secretária digita o ofício (fato jurídico), está
gerando o seu direito de ao final do mês auferir sua remuneração; etc.
Estas condutas ajurídicas ou fatos administrativos não possuem finalidade
própria (vontade).
Se quem pratica o ato é a administração, então este ato é chamado de ato
da administração. É ela quem manifesta a vontade na edição destes atos. Pode
ser um ato regido pelo direito público ou pelo direito privado.
Todos os atos administrativos são praticados pela administração?
NÃO, existem atos administrativos que são produzidos fora da administração
pública. Exemplo: ato de cortar a energia elétrica, por uma concessionária,
empresa de direito privado, é também considerado um ato administrativo regido
pelo direito público.

modificar ou extinguir direitos. . O ato administrativo está na base da pirâmide do ordenamento jurídico. geral.Atos administrativo Os atos da administração. por perseguir sempre o interesse público. CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO Ato administrativo é a manifestação de vontade do Estado ou de quem o represente (concessionárias e permissionárias) que tem o condão de criar. regidos pelo direito público são chamados de Atos administrativos FORA DA ATOS ADMINISTRATIVOS. os atos realizados dentro ou fora da administração que são regidos pelo direito público. entre outros. ou seja. contratos (bilaterais). Hely Lopes Meirelles faz a diferenciação do conceito de ato administrativo em sentido estrito. etc. sempre perseguindo o interesse público. dizendo o ato administrativo possuir duas características essenciais: concretude e unilateralidade. Esta manifestação de vontade. atos exercidos no poder regulamentar (abstratos). Para Hely Lopes Meirelles. Todo ato administrativo passará pelo controle de legalidade do poder judiciário. que consegue abarcar praticamente todos os atos administrativos. deverá ser regida pelo regime jurídico público. individual. ADMINISTRAÇÃO (seguem de direito Atos Atos da da administração administração regidos regidos regime pelo pelo DIREITO DIREITO público) PRIVADO PÚBLICO Atos da administração Serão abordadas neste estudo apenas as características dos atos administrativos. complementando a ordem legislativa. Pode ser o ato punitivo. Os atos da administração regidos pelo direito privado são tratados pelo direito civil. Este conceito acima dado é conceito amplo de ato administrativo. complementar. não são considerados como atos administrativos em sentido estrito. Só é ato administrativo em sentido estrito o ato que seja unilateral e concreto.

Há utilização dos requisitos da lei da ação popular (art. Parágrafo único. será exposta em certos tópicos (ver material de apoio com a comparação – ainda não colocaram no site o esquema comparativo).São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior. vício de forma. 2º. regulamento ou outro ato normativo. que enumera as condições de validade: forma. nos casos de: a) b) c) d) e) incompetência. 2º. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. inexistência dos motivos. ilegalidade do objeto. é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. . Art. lei 4717/1965). finalidade. na regra de competência. em que se fundamenta o ato.ELEMENTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Aqui serão expostos os elementos dos atos administrativos da doutrina majoritária. A doutrina majoritária chama de elementos ou requisitos de validade do ato administrativo. a exemplo de Celso Antonio Bandeira de Mello. a doutrina minoritária. e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto. d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito. Mas. explícita ou implicitamente. objeto e competência. c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei. motivo. b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. desvio de finalidade. lei 4717/1965 .

Para que o simples ato jurídico se transforme em ato administrativo. como a condição de existência para o ato jurídico. Exemplo: assunto da exteriorização da vontade tem de ser ligada ao direito administrativo. Exemplo: é preciso que haja o sujeito capaz que exteriorize a sua vontade para haver um ato jurídico existente. o agente tem de ser um agente público porque a exteriorização não vem de qualquer pessoa. Ademais. para Celso Antonio. devendo ser cumpridos os pressupostos de validade. Menciona o autor apenas o ato jurídico pura e simplesmente. serão necessários os preenchimentos dos pressupostos de existência do ato administrativo.COMPETÊNCIA DOUTRINA MAJORITÁRIA FORMA ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIV O MOTIVO OBJETO FINALIDADE Já o doutrinador Celso Antonio Bandeira de Mello diz que nem todos estes requisitos são verdadeiramente elementos do ato administrativo. outros requisitos deverão ser preenchidos depois de que o ato administrativo exista (preenchidos os pressupostos de existência). ELEMENTOS DO ATO JURÍDICO (realidades intrínsecas do ato) CONTEÚDO FORMA . Para ele. elemento é algo indispensável.

. a obrigação de exercício do ato administrativo pelo agente público. É ele o competente para esta função. o indivíduo deverá ser o agente público. Há obrigação para o Prefeito em agir deste modo. deverá exercer uma função pública. O administrador só poderá fazer o que a lei o autoriza ou determina.OBJETO Pressupostos de EXISTÊNCIA dos atos administrativos Pertinência do ato ao exercício da função administrativa Pressupost o subjetivo Pressupostos de VALIDADE dos atos administrativos Pressupost os Objetivos Sujeito/ Competência Motivo Requisitos procediment ais Pressupost o teleológico Finalidade Pressupost o lógico Causa Pressupost o formalístic o Formalização 1) SUJEITO COMPETENTE/ COMPETÊNCIA Para ser sujeito de ato administrativo. com ou sem remuneração. ou seja. Exemplo: compete ao Prefeito do Município cuidar dos bens municipais. tais como: 1. a fonte da competência para todo sujeito que editar um ato administrativo será a lei ou a Constituição. junto à competência. Obrigatoriedade: Há. O exercício da função pública poderá ser temporário ou permanente. Deste modo. O elemento da competência administrativa possui uma série de características.

III . jurídica ou territorial. 5. Improrrogável: não se admite a prorrogação da competência administrativa em virtude do princípio da legalidade. 11. 4. mas do mesmo modo que a delegação deverá ser realizada de modo excepcional e também sempre que justificada. Imodificável: a competência é imodificável pela vontade do administrador. 6. Imprescritível: não se pode pensar na configuração da prescrição em virtude do não exercício da competência para a edição do ato administrativo. Irrenunciabilidade: como há previsão de lei da regra de sua competência. econômica. deverá seguir as suas regras de competência. social. lei 9784/1999 . Se a autoridade não agir do determinado modo que a lei diz editando o ato administrativo. sendo ele um agente que visa sempre o interesse público. quando for conveniente.Não podem ser objeto de delegação : I . não poderá outra autoridade angariar esta competência não exercida. salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos (exceções). Art. mas ao interesse da sociedade (interesse público) não poderá o administrador transacionar sobre as regras de competência. lei 9784/1999 . Não pode ele modificar qualquer regra de competência e conseqüentemente o seu exercício.A competência é irrenunciável (regra) e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria. 13. e desde que seja justificada. 3. A avocação também é possível.as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. sem possibilidade de renunciar delas. Serão permitidas a delegação e a avocação da competência administrativa. 12. delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares. em razão de circunstâncias de índole técnica.2. se não houver impedimento legal. Art. A delegação da competência administrativa é feita apenas de modo excepcional.a edição de atos de caráter normativo . . ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados . Art. Não admite transação: como não é esta competência ligada ao seu próprio interesse. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes.Um órgão administrativo e seu titular poderão. Parágrafo único. II .a decisão de recursos administrativos . lei 9784/1999 .

Nada mais é que o cumprimento das formalidades específicas pelo ato administrativo. É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração (regra). da lei 8666/1993. em conseqüência deste elemento. as quais manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sistemático do seu extrato. 60. os atos administrativos são feitos por escrito. Há previsão da lei para os atos administrativos feitos de modo verbal. salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis. 2) FORMA O ato administrativo deverá obedecer a forma prevista em lei. Para os atos administrativos. c) Competência para a decisão e recurso dos atos administrativos. em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados . sendo o maior exemplo o do parágrafo único do art. a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível. Exemplo: gestos do guarda de trânsito são caracterizados em um ato administrativo.Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interessadas. deverá ser exteriorizado. 13. poderão ser verbais? Deverá haver previsão legal para tanto. assim entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite .Art. de tudo juntando-se cópia no processo que lhe deu origem. § 2 o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante. valerá o princípio da solenidade das formas. os limites da atuação do delegado. § 1 o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos.O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial. Parágrafo único. Art. § 3 o As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado. E contratos administrativos. 60. lei 8666/1993 . como manifestação de vontade.Será permitida. que se formalizam por instrumento lavrado em cartório de notas. lei 9784/1999 . podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada. lei 9784/1999). tais como: a) Competência exclusiva para a autoridade exercer alguma função. O ato. a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior . 15. É possível no Brasil ato administrativo verbal? Em regra. salvo o de pequenas compras de pronto pagamento (pronta entrega). seguindo o princípio da solenidade. Observação: não serão permitidas as delegações de certas competências administrativas (art. b) Competência para editar atos normativos. 14. A exteriorização da vontade de um ato administrativo tem de obedecer algumas formalidades específicas. lei 9784/1999 . Art.

o Juiz poderia verificá-los para de pronto resolver a questão administrativa. é obrigatória. Observação: alguns doutrinadores. não corresponde a uma resposta positiva ou negativa. . Exemplo: ato de demissão decorre de um processo administrativo disciplinar. VERDADEIRO. poderá determinar um prazo para que a administração dê a resposta sobre a questão para o particular. Mas o processo administrativo pode ter mitigado o contraditório e a ampla defesa se houver urgência. havendo a mera conferência de requisitos. impetrando-se um mandado de segurança. deste modo. o silêncio da administração. para a maioria da doutrina. feitas em regime de adiantamento. A motivação. se a lei disser que a falta de resposta corresponderá a determinado efeito. do mesmo modo que é a sentença em decorrência de um processo judicial. É o raciocínio lógico que decorre na tomada de decisão do administrador. no entanto. dizem que em se tratando de um ato vinculado. inciso II. Exemplo: emergência que culmina na dispensa de licitação deverá estar descrita no processo administrativo para legitimar/fundamentar a conduta do administrador. E não poderá ser um processo qualquer. O processo. É possível ir até ao judiciário pedir que se resolva a questão que ficou sem resposta dada pela administração? Sim.estabelecido no art. mas de forma resumida (STF). substituir a resposta do administrador. O processo deve ocorrer. Mas. Motivação é a correlação lógica entre os elementos do ato e a previsão legal. Serve ele também para legitimar a conduta do administrador. alínea "a" desta Lei. Motivação. E o Juiz poderá julgar sobre a questão administrativa? O Juiz não poderá. significa o quê? Significa um “nada jurídico”. nada mais é. a exemplo de Celso Antonio Bandeira de Mello. A doutrina majoritária também inclui como forma do ato administrativo o dever de motivação. é possível. deverá segundo o STF ser um processo constitucional. em regra. é segundo a lei que será aplicada a disposição do silêncio da administração. 23. nada mais é que a justificação. baseado o mandamus no direito líquido e certo de petição. A falta de resposta. O processo administrativo prévio é condição de forma para o ato administrativo. para a maioria da doutrina e também para o STF. O ato administrativo é resultado de um processo administrativo. que um mecanismo de documentação do ato administrativo. obedecido o contraditório e a ampla defesa. a fundamentação para a prática do ato.

suspensão ou convalidação de ato § 1 o A motivação deve ser explícita. Não estendeu esta regra a todos os atos administrativos.Os atos administrativos deverão ser motivados. sob pena de nulidade. ou somente a estes. Mas. decisões ou propostas. com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. VIII . 93. de 2004) (…) Art.dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório. Lei complementar. podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres. a maioria da doutrina diz que os atos administrativos praticados pelo Poder Judiciário devem ser motivados e a regra está explícita na Constituição. anulação.decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública. 93. IV . informações.decorram de reexame de ofício. neste caso. que.) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. em determinados atos.O dever de motivar os atos administrativos encontra-se consagrado de forma implícita ou explícita na Constituição Federal? E há previsão da motivação na lei infraconstitucional? José dos Santos Carvalho Filho diz que a motivação não é obrigatória para os atos administrativos. às próprias partes e a seus advogados. observados os seguintes princípios: (. laudos. Diz o doutrinador que. desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 2 o Na solução de vários assuntos da mesma natureza.. CF e também no art. VII . podendo a lei limitar a presença. o constituinte e o legislador quando quis. lei 9784/1999 . II . limitem ou afetem direitos ou interesses. 50. expressamente dispôs no art. clara e congruente. serão parte integrante do ato. § 3 o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. IX. encargos ou sanções.deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres. 50. III . disporá sobre o Estatuto da Magistratura. pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões. revogação.decidam recursos administrativos. VI .importem administrativo. em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.neguem. Art. e fundamentadas todas as decisões .imponham ou agravem deveres. de iniciativa do Supremo Tribunal Federal. quando: I . propostas e relatórios oficiais. V .. no . lei 9784/1999 quais atos em que a motivação se faria obrigatória. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45.

93. 5º. CF (. esta obrigatoriedade da motivação para os seus atos encontrase de forma implícita na Constituição. IX. V .art. Também no art.todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. junto ao rol de princípios do art. 50. Para os demais atos administrativos.) Na norma infraconstitucional há menção expressa sobre a regra de motivação. 5º. 93.os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. os fundamentos que levaram as autoridades a editar os atos administrativos de seu interesse.. mais ainda deverá haver preenchimento da motivação para os atos administrativos dos órgãos que tipicamente fazem a edição destes atos. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal.o pluralismo político. (. A doutrina majoritária diz que o próprio art.a dignidade da pessoa humana. A doutrina indica também dois incisos dentro do art. 1º A República Federativa do Brasil. Parágrafo único. 1º. 93. A doutrina diz que também está um argumento para a necessidade de fundamentação a garantia de cidadania para que cada pessoa do povo. lei 9784/1999. IV . 2º.. CF serve como argumento: se o próprio Poder Judiciário edita seus atos administrativos fundamentados por exceção. Há disposição no art. ou de interesse coletivo ou geral . que deverá saber dos fundamentos dos atos administrativos. Se quem edita os atos administrativos por exceção deve fundamentá-los.) XXXIII . CF há menção à cidadania que deverá ser garantia e exercitada por todos.a cidadania. CF. CF que carregam implicitamente este dever de motivação dado quanto aos atos administrativos editados pelo Poder Executivo e pelo Poder Legislativo: Art. nos termos desta Constituição. Art. IX. do Poder Executivo e do Poder Legislativo. mais ainda deverá acompanhar os motivos dos atos de quem os edita tipicamente..a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito (a apreciação feita pelo poder Judiciário deverá ser fundamentada por razão do art. II .. Para o rol dos atos administrativos trazidos pelo art.) XXXV . Todo o poder emana do povo . 1º. ou seja. (Regulamento) (. CF. O dono/titular de todo poder. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. É justo que o povo tome contato com as razões e os motivos. IX. III . p. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (garantia do dever de informação)... II. da lei 9784/1999. especialmente no Poder Executivo. segundo a Constituição Federal é o povo.a soberania. segundo a doutrina está . que serão prestadas no prazo da lei. único. CF). sob pena de responsabilidade. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I .

Já a motivação é a indicação do fundamento. Exemplo: usar a caneta preta ao invés da caneta azul (determinada pela adm. há possibilidade de sanação do vício. precisa o vício ser corrigido. Todo defeito de forma compromete a validade do ato. Exemplo 2: ordem de dissolução de passeata tumultuosa. 3) MOTIVO Motivo é um elemento objetivo.A Administração Pública obedecerá. onde se indica o fato e o fundamento jurídico do ato administrativo. contraditório. aos princípios da legalidade. razoabilidade. como já visto anteriormente. interesse público e eficiência.. . e é um elemento da forma do ato administrativo. Existem três espécies de vícios de forma dentro de um ato administrativo. proporcionalidade. (. Poluição é o motivo para que se feche a empresa. e não possui concerto. VÍCIO DE FORMA SANÁVEL • Ato é anulável. VÍCIO DE FORMA INSANÁVEL • Ato é nulo. Podem ser CONVALIDADOS.) A doutrina diz que a motivação deverá ser feita antes ou durante a prática do ato administrativo. E esta lista é tão abrangente que todos os atos administrativos estão inseridos na lista (artigo logo acima transcrito). Deve o ato ser descartado. motivação. dentre outros. É a regra dos defeitos dos atos administrativos. segurança jurídica. moralidade. FALSO.obrigatória a fundamentação/motivação. finalidade. 2 o .).. Exemplo 1: poder público pode fechar uma empresa poluente através de um ato administrativo. ampla defesa. Art. que possuem conseqüências diferenciadas: MERA IRREGULARIDA DE • Defeito de padronização/ uniformização não compromete o conteúdo do ato. lei 9784/1999 . Exemplo: contrato administrativo sem licitação prévia. O motivo é o tumulto que gera esta passeata. Não será possível que seja dada a motivação supervenientemente.

Será possível a mudança de motivo que enseja o ato desde que seja mantido o motivo de interesse público. Mesmo que o administrador dê motivo quando não precisaria (exoneração ad nutum do servidor em comissão). Mesmo que o ato necessariamente não precise de motivação (exemplo: demissão ad nutum). ele precisará obedecer à legalidade junto ao motivo exposto pelo administrador. Para aplicar a teoria dos motivos determinantes é preciso que este motivo seja legal. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES Esta teoria diz que uma vez declarado o motivo. É uma mudança de motivo legal e autorizada. o administrador deverá obedecê-lo até o final. Mas.Exemplo 3: ato de demissão é dado no motivo da prática de uma infração funcional grave pelo servidor público. o motivo deverá ser compatível com o que está previsto em lei. não é preciso que seja obedecida a teoria dos motivos determinantes. Forma de deslocamento baseado no motivo para a necessidade do serviço daquele servidor específico. Motivo compatível com o motivo previsto em lei Além de verdadeiro. b. 4) OBJETO . verdadeiro e compatível com o resultado do ato. deverá este motivo ser verdadeiro. nunca sendo dado um motivo falso. O motivo legal deve obedecer a três condições: a. Para que o motivo seja um motivo legal. Exemplo: não é possível que seja aplicada a demissão com motivo da prática da infração leve. Motivo verdadeiro. c. Motivo compatível com o resultado do ato O motivo declarado pelo administrador deverá ser compatível com o resultado disposto em lei. Poder público desapropria imóvel para construir um hospital. não comprometendo a teoria dos motivos determinantes. Vincula o administrador aos motivos declarados. depois resolve construir uma escola – é um instituto autorizado e chamado de TREDESTINAÇÃO. Se o motivo declarado for ilegal. Exemplo 4: ato de remoção do servidor. Deverá haver compatibilidade entre o motivo declarado e o motivo dado pela lei. deverá cumpri-lo até o final. se vier o administrador a declará-lo.

o objeto deverá ser lícito. isto é. como ocorre no direito civil. possível e determinado. O objeto lícito para o direito administrativo é analisado sob o vértice da subordinação à lei. por ser faticamente possível. Mas. mas deverá o objeto lícito estar previsto em lei. Exemplos: dissolução de passeata tumultuosa. Exemplo: passeata tumultuosa. são diferentes as razões de cada ato. Para que cumpra as exigências legais. Objeto determinado é o objeto claro e preciso. É o que o ato faz em si mesmo. Sempre se quer proteger com a edição de um ato administrativo uma razão de interesse público. Objeto é a concessão. deve-se indicar determinadamente a propriedade que sofrerá a desapropriação. Não basta não estar proibido para que possa ser efetuado o ato.Objeto é o resultado prático do ato administrativo. . Objeto é a dissolução. Exemplo: deve-se indicar o servidor público que será promovido. Concessão de aposentadoria. Todo ato administrativo possui uma finalidade de interesse público. Objeto possível é o objeto faticamente possível. 25 de maio de 2009 5) FINALIDADE Finalidade do ato administrativo corresponde ao ato de proteção. o vínculo se extingue e ele não será promovido. Exemplo: falecendo o administrador. ao ato que culminará na satisfação de interesse do poder público.

é vício subjetivo. Ele é vinculado a No ato discricionário existe a observância dos critérios da conveniência e da oportunidade. é defeito ligado à vontade do autor do ato administrativo. isto é.é o PRESENTE) Proteção da segurança pública: finalidade do ato administrativo (FUTURO do ato) Caso o ato administrativo seja praticado com outra finalidade. (CESPE) Desvio de finalidade é vício no motivo e na finalidade. VERDADEIRO. pela conduta do administrador em mentir. A finalidade é um elemento vinculado ou discricionário dentro dos atos administrativos? O quadro abaixo estabelece as diferenciações entre os elementos do ato administrativo: CRITÉRIOS ATO VINCULADO ATO DISCRICIONÁRIO Quando preenchidos os requisitos legais de certa situação. elemento do ato administrativo. O desvio é um defeito. O desvio de finalidade é vício ideológico. que não a voltada para o interesse público.Tumulto: motivo do ato administrativo (provoca o ato é o PASSADO) Passeata tumultuosa Dissolução da passeata: objeto do ato administrativo (ato em si mesmo . o administrador é obrigado a praticar o ato. encobrindo as reais razões da edição do ato administrativo. por estar o administrador mentindo dentro deste requisito para adequar sua fundamentação à finalidade que ele gostaria. um vício. mas também vício no motivo. É muito difícil comprovar na prática o desvio de finalidade por esta razão. junto à finalidade. o juízo de valor realizado . Na maioria das vezes. haverá configuração do vício do desvio de finalidade. o desvio de finalidade configura vício na finalidade.

requerido pelo particular para colocar mesas na calçada de seu bar. Mérito é a discricionariedade. Normalmente o legislador apresenta alternativas na letra da lei. . o administrador é obrigado a conceder a aposentadoria. seu juízo de valor. Onde está a discricionariedade do ato administrativo discricionário? Está no MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO. a sua liberdade. Toda a liberdade e o juízo de valor devem obedecer aos liames legais. vinculadamente. o mérito do ato administrativo se encontra dentro do motivo e do objeto. tanto o objeto quanto o motivo deverá ser vinculado. tanto o objeto quanto o motivo são elementos discricionários. com 60 anos de idade e 35 de contribuição (motivos/requisitos) e conseqüente determinação da aposentadoria (objeto do ato de concessão da aposentadoria). oportunidade.Conceito Competência Forma Motivo Objeto Finalidade praticar o ato. Neste caso. tanto o motivo quanto o objeto são vinculados. Vinculada Vinculada* Discricionário Discricionário Vinculado* Exemplo de ato vinculado: concessão de aposentadoria de servidor público. haverá uma margem de manobra por parte do administrador. Mas. mérito é a junção dos elementos motivo e objeto. Mérito do ato administrativo é o motivo e o objeto. isto é. No ato discricionário. No ato vinculado. O exercício discricionário tem de ser praticado nos limites da lei. Exemplo de ato discricionário: no pedido dirigido para a Prefeitura de uso de bem público. a conveniência e a oportunidade (conveniência do administrador em praticar o ato). juízo de valor ou qualquer margem de liberdade para o exercente da atividade pública. Vinculada Vinculada* Vinculado Vinculado Vinculado* por parte do administrador. seguindo este exemplo. FALSO. Mérito é a discricionariedade do administrador. Preenchidos os requisitos. O administrador deverá analisar se a rua é perigosa ou não (é discricionário o motivo) e o deferimento ou o indeferimento (objeto discricionário) também variará discricionariamente de acordo com a constatação do motivo. Não há verificação de conveniência. Mas os conceitos não são coincidentes.

Se desrespeitados estes limites legais. bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação. nota de empenho de despesa . Exemplo: art. FALSO. em sentido amplo (observância da lei e dos princípios administrativos). ou seja. e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis (na modalidade de licitação convite) . para o administrador realizar a contratação administrativa: Art. *Observação: A doutrina reconhece que a regra é de que os elementos “forma” e “finalidade” devam ser vinculados tanto para atos vinculados como para atos discricionários (vide quadro acima). 62.O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços. Por vias tortas. autorização de compra ou ordem de execução de serviço .MOTIV O OBJET O MÉRITO ESTÁ DENTRO DESTES ELEMENTOS MÉRIT O Não pode ser revisto pelo Poder Judiciário O poder judiciário pode rever o mérito do ato administrativo. quando for a modalidade de licitação convite. ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO . haverá discricionariedade. lei 8666/1993 possui a previsão de que. 62. lei 8666/1993 . acaba por atingir o mérito. Mas. O Poder Judiciário pode rever o motivo e o objeto do ato administrativo? Se o ato for vinculado poderá claramente fazer o controle de legalidade de seu motivo e de seu objeto. A discricionariedade deve obedecer aos limites da lei. tais como cartacontrato. do ato administrativo. quando a lei instituir a discricionariedade do elemento. acaba fazendo o controle de mérito. e no ato discricionário. excepcionalmente serão considerados elementos discricionários. tecnicamente este controle guiado pela observância dos princípios é na verdade um controle de legalidade em sentido amplo. o Poder Judiciário poderá fazer o controle de legalidade em sentido amplo. a liberdade do administrador. o motivo e o objeto poderão ser controlados se forem considerados como ilegais. Mas. Quando o Poder Judiciário faz o controle de proporcionalidade ou de razoabilidade dentro do ato administrativo. O Poder Judiciário poderá rever a legalidade.

não poderá executar o particular como bem entender. Por este modo. Qual a conseqüência prática da presunção de legitimidade dos atos administrativos? É a aplicação imediata do ato administrativo. Neste caso.1) PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A presunção de legitimidade para o ato administrativo corresponde ao preenchimento da legalidade e da veracidade. o ato obedece à moral. Se o poder público impõe uma multa ao particular (exige a multa). da presunção de legalidade do ato administrativo. A quem cabe o ônus da prova? Normalmente o ônus da prova é do administrado.coerção indireta b) Executoriedade: uma vez tomada a decisão. – coerção direta . O controle do Poder Judiciário poderá ocorrer. Todo ato executivo é auto-executável. Neste caso deverá buscar o auxílio do Judiciário. e este não paga. Desta forma. com a legalidade e com a verdade. o ato está compatível com a moralidade. São elementos da auto-executoriedade para a doutrina majoritária de direito administrativo: a) Exigibilidade: possibilidade de decidir sem a interferência do poder judiciário. Exemplo: poder público pode impor sua multa administrativa. Pela auto-executoriedade entende-se que o administrador pode executar seu ato administrativo sem que haja a autorização ou controle do Poder Judiciário. Até que se prove o contrário. o ônus da prova caberá a quem alega. podendo o ato ser questionado e a presunção de legitimidade conseqüentemente afastada. até que se prove contrariamente que o ato administrativo é desviado. ou também chamada de iuris tantum. a presunção é relativa. mas na seara do direito administrativo e de seus atos. FALSO. mas a regra é de que a execução do ato aconteça sem qualquer condicionamento deste órgão. não poderá a administração de pronto penhorar os bens do administrado para executar sua multa não paga. é provavelmente o ônus do administrado. A doutrina diz que todo ato administrativo tem o poder de exigibilidade. o poder público irá executar seu ato administrativo. Exemplo: não pode executar o particular que não paga a multa sem a interferência do judiciário. Em regra. 2) AUTO-EXECUTORIEDADE Este segundo atributo da auto-executoriedade é conseqüência do primeiro. à lei e à verdade. Exemplo: sanção pecuniária.

mas. certificam e atestam uma situação já existente). em que os atos administrativos serão passíveis de executoriedade sem que necessariamente exista a presença do Poder Judiciário. Cada ato administrativo corresponde a uma situação concreta. 2. nem todo ato administrativo possui executoriedade sem a presença do Poder Judiciário. a uma aplicação determinada. Exemplo: não é possível que se utilize do ato de revogação para terminar com um ato ilegal. Cada ato administrativo tem uma aplicação determinada. poderá o poder público requisitar o poder da polícia? Professora Fernanda Marinella diz que não há consenso na doutrina. Desta forma. mas que não poderá realizar a executoriedade de seu ato como bem entender. A auto-executoriedade libera da condição da presença do Poder Judiciário. O poder público está desconfiado que o ato administrativo não será cumprido pelo particular. Previsão em lei. mas a maioria entende que o poder administrativo poderá requisitar o poder de polícia. é a coercibilidade do ato administrativo. Alguns doutrinadores chegam a afirmar que o atributo da autoexecutoridade corresponderia à liberdade de forma. Exemplo: não se pode impor uma advertência para o servidor para o caso do cometimento de uma infração grave. . Urgência. não possuem esta força de imperatividade. todo ato possui exigibilidade (poder de decisão para a edição do ato administrativo).Observação: São exceções. Nem todo ato administrativo é dotado de imperatividade. mas não libera da observância das formalidades exigidas por lei. e nem o ato de anulação para um ato inconveniente. não possuem o atributo da imperatividade os atestados e as certidões (atos enunciativos. FALSO. 4) TIPICIDADE Atributo formulado por Maria Sylvia di Pietro e consagrado posteriormente pela doutrina. uma utilização específica. Mas não é uma afirmação verdadeira. sem carga decisória. Todo ato administrativo goza de imperatividade. quando houver: 1. Existem atos que não constituem obrigações. 3) IMPERATIVIDADE A imperatividade é a obrigatoriedade.

B) ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO AO ALCANCE 1. Exemplo: nomeação de um particular para assumir um cargo do serviço público. Atinge tanto o horário de trabalho dos servidores como o horário para o atendimento dos particulares. Exemplo: controle de velocidade por radar em uma avenida. 2. Ato Geral Ato geral é o ato erga omnes.1) Ato individual singular: atinge apenas uma pessoa determinada o ato administrativo. Exemplo: modificação do horário de funcionamento da repartição. Existem vários destinados determinados. dentro de um órgão. C) ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO AO GRAU DE LIBERDADE . 2. atinge a todos aqueles que estão na mesma situação. 2.2) Ato individual plúrimo: é o ato que atinge mais de um particular. Exemplo: tombamento de imóvel determinado. uma repartição. Exemplo: circular que veicula a determinação do uniforme que será utilizado pelos servidores da repartição. O destinatário é indeterminado. Ato Individual ou Específico O ato individual ou específico atinge uma determinada pessoa que será atingida pelo ato administrativo editado. Ato Interno Ato administrativo interno é aquele que produz efeitos somente dentro da administração. mas também dispõe que internamente será atingida a administração. atingindo determinadamente o dono do imóvel. Ato Externo É o ato administrativo que atinge indivíduos fora da administração. Exemplo: tombamento de todo um bairro. Aqui serão estudadas as classificações que mais aparecem em concurso: A) ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO AOS DESTINATÁRIOS 1.CLASSIFICAÇÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS Existem muitos critérios de classificação. especialmente para atos administrativos. atingindo vários donos das casas envolvidas. determinadamente. 2.

É exercício de qual dos poderes da administração? É o ato ordinatório o exercício do poder hierárquico. acabado e produzindo efeitos. 2. C) ATO ENUNCIATIVO . É exercício de qual dos poderes da administração? Corresponde ao exercício do poder normativo ou regulamentar.1. sendo ambas ocorridas dentro do mesmo órgão. MODALIDADES DE ATO ADMINISTRATIVO A) ATO NORMATIVO Ato normativo é aquele que vai regulamentar ou disciplinar. Exemplo: Presidente da República (órgão executivo) nomeia dirigente de agência reguladora. escalonar os quadros da administração. Ato Discricionário D) ATOS ADMINISTRATIVOS QUANTO À FORMAÇÃO 1. Estão as duas vontades em mesmo patamar de igualdade. embora ocorram em órgãos diferentes. mas também é possível que sejam editados atos normativos no exercício do poder de polícia. Em geral. Ato Simples É o ato que já está perfeito. realizados pelo subordinado. complementando a previsão legal. estruturar. os atos de ratificação. de visto. Duas manifestações. Ato Composto Depende de mais de uma manifestação de vontade. Exemplo: atos que dependem da confirmação do chefe. B) ATO ORDINATÓRIO Ato ordinatório é aquele que vai organizar. de confirmação. com mesma força. buscando a sua fiel execução. 3. Ato Vinculado 2. sendo a primeira vontade principal e a segunda vontade secundária. É o ato proveniente de uma única manifestação de vontade. mas terá este ato somente se completado com a prévia aprovação do Senado Federal (órgão legislativo). Ato Complexo Depende de mais de uma manifestação de vontade.

Se a lei conferir caráter obrigatório ao parecer e a decisão precisar se basear em regras técnicas para sua fundamentação . é o ato que não tem qualquer defeito. O Senado Federal se manifesta. Para a maioria da doutrina. É exercício de qual dos poderes da administração? Poder disciplinar edita atos punitivos. inclusive para a doutrina moderna. ATO PERFEITO O ato administrativo será perfeito quando já percorreu todo seu ciclo de formação. Não interessa se preencheu ou não requisitos. FORMAÇÃO. E) ATO PUNITIVO Ato punitivo é aquele que tem em seu conteúdo uma pena. D) ATO NEGOCIAL O ato negocial é aquele que apresenta uma coincidência de vontades entre a vontade do poder público e a vontade do particular. Exemplos de atos negociais: permissão. mas nunca possui conteúdo decisório. o Presidente da República se manifesta e o ato se torna perfeito. nem a decisão que será dada por ela. percorrido seu ciclo de formação. ao emitir a opinião. uma punição. emite opinião. Exemplo de atos enunciativos: certidão. Ex: nomeação de dirigente de agência reguladora. licença. não vincula a autoridade. Basta ter concluído. atestado e parecer. são atos unilaterais e não bilaterais e não são considerados como negócios jurídicos (que pressupõe ato bilateral).a autoridade que vai julgar fica vinculada ao parecer? Exemplo: na licitação. .O ato enunciativo não decide nada. Mas a comissão licitante não concorda com o parecer. Para Hely Lopes esse ato perfeito é diferente. ele apenas certifica. mas podem também ser editados no exercício do poder de polícia. VALIDADE E EFICÁCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Hoje. autorização. na elaboração do edital há previsão para que seja emitido um parecer. mesmo que seja sua apresentação obrigatória. O parecer é apenas uma orientação. Não significa necessariamente que com a conjugação de vontades firmouse um negócio jurídico. uma opinião. Via de regra o parecer não vincula. o ato perfeito é aquele que concluiu o seu ciclo de formação. Os pareceres são atos administrativos de administração consultiva (editados quando utilizada a via de consulta). atesta.

pratica atos em virtude deste ato. que é condição indispensável para sua eficácia . 26 desta Lei. um contrato administrativo pode ser perfeito (quando cumpriu a sua trajetória). não ser eficaz enquanto não for publicado. portanto. 3. recebe salário por eles. enquanto perfeito. a) Efeitos típicos . ATO INEFICAZ Há eficácia quando existe a condição para a produção de efeitos do ato administrativo. inválido e eficaz? SIM. perfeito e ineficaz: art. reconhecida a ilegalidade de seus atos e de sua nomeação. inválido e ineficaz? SIM. ressalvado o disposto no art. até que seja declarada a sua invalidade. válido e ineficaz? SIM. ATO VÁLIDO O ato é válido quando preencheu os requisitos requeridos pela lei. será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura.883.2. Significa que atendeu às condições de validade para a edição do ato administrativo. para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data. Art. único. 61. ainda que sem ônus. ser válido (quando cumpriu os seus requisitos) mas. Exemplo de ato válido. Exemplo: no caso de o Poder Público nomear particular para um cargo de Juiz sem que ele tenha prestado concurso público. inválido) e também não publicou o contrato para que fossem os efeitos surtidos (sendo ele também ineficaz). lei 8666/1993 Parágrafo único. qualquer que seja o seu valor. os atos produzem efeitos até a declaração de invalidade. É possível que seja o ato administrativo perfeito. de 1994) É possível que seja o ato administrativo perfeito. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial . Efeitos do ato administrativo Dentro de um mesmo ato administrativo é possível que sejam produzidos tanto efeitos típicos como efeitos atípicos. Particular assume o cargo. Desta forma. Até serem declarados como inválidos. da lei 8666/1993 – publicação é a condição de eficácia do contrato. mas produz efeitos. 61. p. O ato é eficaz quando está pronto para produzir efeitos. Exemplo: quando o administrador assina o contrato administrativo sem licitação (não percorreu o caminho e os requisitos – sendo. (Redação dada pela Lei nº 8. E também é possível que seja o ato administrativo perfeito. É um ato que não cumpre os requisitos legais de investidura de cargo.

São os efeitos esperados e desejados pela administração quando da edição do ato administrativo. Os efeitos atípicos poderão ser subdivididos em efeitos atípicos reflexos/secundários e efeitos atípicos preliminares/ prodrômicos. o efeito típico era da desapropriação do imóvel. É o efeito secundário. o objeto principal era atingir José. Acontece esta manifestação antes da perfeição do ato de nomeação do dirigente. na demissão do servidor. O Presidente da República terá de se manifestar sobre a escolha do Senado Federal? Surge para o Presidente a obrigação de manifestar-se sobre a aprovação ou não sobre a indicação feita pelo Senado Federal. b) Efeitos atípicos Mas. o efeito típico é a vacância do cargo. Manifestação do Presidente (efeito atípico) . E aí acontece o efeito atípico do ato administrativo. Exemplo: desapropriação pelo poder público do imóvel de José. E é um efeito atípico preliminar.O efeito principal é o efeito típico do ato administrativo. a desapropriação atinge também Maria. Quando o Estado desapropria o imóvel do José.2) Efeitos atípicos preliminares/prodrômicos Mas é possível que o efeito atípico seja preliminar.1) Efeitos atípicos reflexos/secundários O efeito atípico reflexo/secundário atinge terceiros sem que haja a vontade do Estado em proceder deste modo. Mas. Exemplo: nomeação de dirigente de agência reguladora – pré-aprovação do Senado Federal e nomeação do Presidente da República do indicado. b. que não é esperado e nem desejado pela administração. Mas. mesmo sem o Estado querer. José tinha locado o seu imóvel para Maria por muito tempo. Exemplo: na investidura de um servidor. b. indiretamente. o ato administrativo também produzirá juntamente com os efeitos típicos também seus efeitos atípicos. A perfeição ocorre depois da manifestação do Chefe do Executivo. o efeito típico é o preenchimento de cargo.

Mas ocorre de modo muito mais aparente no aperfeiçoamento de atos complexos. Nos atos administrativos podem-se identificar dois efeitos: típicos e os prodrômicos. Os efeitos prodrômicos do ato administrativo são espécies de efeitos típicos do ato. O efeito prodrômico não pode ser modificado e nem deve/pode ser suprido pelo agente emissor. . VERDADEIRO. Os efeitos não típicos que se produzem independentemente da vontade do agente emissor. Entende-se “contemporâneo” como “dentro da trajetória”/ dentro “do círculo de formação” da edição do ato administrativo.Indicação de dirigente pelo Senado Federal Aperfeiçoamen to da ato de nomeação Preenchimento do cargo (efeito típico) Manifestação do Presidente da República O ato estará perfeito com as duas manifestações de vontade dadas. Cumprimento do objeto ou cumprimento dos efeitos do ato O cumprimento do objeto ou dos efeitos do ato administrativo ensejará a extinção do ato administrativo. e os prodrômicos são aqueles contemporâneos à emanação do ato. como visto anteriormente. VERDADEIRO. não seriam suprimíveis. Tudo o que acontecer antes do aperfeiçoamento do ato administrativo é chamado de efeito atípico preliminar. O efeito atípico preliminar possui o sinônimo de EFEITO PRODRÔMICO (baseado na doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello). os típicos são aqueles específicos de determinados atos. Exemplo: término de construção da escola pela construtora contratada através de um contrato administrativo. Os efeitos prodrômicos são espécies de efeitos atípicos. Esta obrigação de manifestação ocorre no ato composto e no ato complexo. FALSO. EXTINÇÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS 1. segundo a doutrina. também denominados efeitos prodrômicos.

Exemplo: ato de nomeação e um segundo ato de demissão/exoneração que elimina os efeitos do primeiro. haverá impedimento para que a permissão de uso continue persistindo quando incompatível. o terreno ficou demarcado daquela forma. Exemplo: proibição de construção de Motel dentro do Município. para colocar cadeiras na calçada. Exemplo: Prefeitura concede um local. Caducidade Caducidade é a retirada do ato administrativo pela superveniência de uma norma jurídica que é com ele incompatível. Renúncia A extinção do ato administrativo poderá dar-se pela renúncia do direito que o embasava. através de uma permissão de uso de bem público. b. Independente do que ocorre com o mar ou com a maré. Cassação É a retirada de um ato administrativo pelo descumprimento das condições inicialmente nele acordadas.2. destinado à instalação de Parques e Circos. Exemplo: particular fecha seu bar e renuncia à sua permissão de uso de bem público. 4. . do ato administrativo. Mas. Enfiteuse de terrenos de marinha: os terrenos de marinha foram demarcados por volta de 1850. Morte do servidor público: servidor público morre e haverá extinção da relação. Se por acaso o mar avançar sobre o terreno onde tinha a casa de um enfiteuta. Se inicialmente o particular acordar com o Poder Público para construir um Hotel e posteriormente utilizar o prédio para que seja utilizado como Motel. com a superveniência de um novo plano diretor da cidade. 3. Desaparecimento do objeto/sujeito do ato administrativo Existem alguns exemplos clássicos de desaparecimento do objeto do ato administrativo: a. terá sua licença cassada. há extinção da enfiteuse por desaparecimento do objeto. b. pelo desaparecimento do sujeito. c. do ato administrativo com a administração. Extinção por ato do poder público a. Contraposição Na contraposição existem dois atos administrativos de competências diferentes e o segundo elimina os direitos do primeiro.

RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS. lei 9784/1999 . QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS. Anulação O motivo para retirar um ato administrativo pela anulação repousa em sua ilegalidade. salvo comprovada má-fé. . E RESSALVADA. STF . EM TODOS OS CASOS.Diferença da contraposição com a caducidade: Na caducidade há uma lei superveniente que se torna incompatível com a existência do ato administrativo.O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos. POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE. A lei fala em prazo decadencial quanto a estes 05 anos. Para o poder judiciário. em prazo não há tese. A jurisprudência confirma que é prazo decadencial. para sejam revistos os atos administrativos ilegais. Súmula 346. A administração poderá rever o seu ato ilegal. § 2 o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento.A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS. Consistente no princípio da autotutela (vide súmulas 346 e 473.A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PODE DECLARAR A NULIDADE DOS SEUS PRÓPRIOS ATOS. O prazo para que a administração reveja os seus próprios atos é de 05 anos (regramento da anulação e da revogação está nos artigos 53 e seguintes da lei 9784/1999). § 1 o No caso de efeitos patrimoniais contínuos. no entanto a doutrina discute se é realmente decadência. contados da data em que foram praticados . d. O poder judiciário poderá anular um ato administrativo? Sim. A APRECIAÇÃO JUDICIAL. PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS. Poderá o poder judiciário fazer um controle de legalidade em sentido amplo (analisado junto às leis e princípios) do ato administrativo. Súmula 473. STF). STF . Art. enquanto na contraposição existem dois atos administrativos incompatíveis entre si. OU REVOGÁ-LOS. 54.

devem-se ser cumpridas todas as condições do ato administrativo. Mas qual é a exceção.Ato administrativo ilegal (ato 1) Extinção do ato administrativo ilegal Ato administrativo de anulação (ato 2) Precisa este segundo ato ser editado em obediência às regras do processo administrativo? Sim. retirando o ato ilegal desde a sua origem. o efeito será ex tunc. por ser um vício/defeito de padronização. Vício insanável . 2. 3. Este ato administrativo de anulação produz efeitos ex nunc ou ex tunc? Geralmente os atos que anulam outros atos produzem efeitos ex tunc. Vício sanável O vício será sanável quando for o ato administrativo passível de anulação e de convalidação. A formalidade do processo. sendo ele de mera irregularidade. Isso quando o defeito for de forma ou de competência. Mera irregularidade Se um ato administrativo válido possui um vício. e se o ato é para retirar algum direito e prejudicar (efeitos restritivos). quanto ao contraditório e à ampla defesa também deverá ser observada. será considerado ainda válido. possuindo problema com forma. o efeito será ex nunc. Existem algumas administrativos: espécies de vícios possíveis dentro dos atos 1. para que seja editado este segundo ato administrativo. Com a correção do ato há validação do ato. quando o ato de anulação produzirá efeitos ex nunc? Se o ato é para conceder algum direito (efeitos ampliativos). ainda mais quando incidem efeitos quanto aos direitos dos interessados.

por exemplo: a. Hoje. Ato vinculado (com todos os elementos vinculados).Se o vício for insanável. de um ato de nomeação dos servidores públicos. Atos que já exauriram seus efeitos. Observação: se existem dois princípios na balança. O poder judiciário pode revogar ato administrativo em sede de controle judicial? NÃO. a revogação não é permitida para ele. possui a revogação limites materiais. c. FALSO. Mas. a serem ponderados. A anulação é um dever do administrador. poderá ele revogá-lo quando age nesta sua função atípica. os efeitos da revogação não retroagirão para a época de edição do ato administrativo em que havia a conveniência e a oportunidade preenchida. o ato será nulo. É melhor manter o ato ilegal em nome da segurança jurídica. muitas vezes a legalidade fica prejudicada em nome dos princípios da boa-fé e da segurança jurídica. Decidiu-se que o ato não poderia ser anulado. qualquer limite temporal para que seja feita a revogação dos atos administrativos. . Com a mudança da conveniência. Quanto tempo possui a administração para revogar seus atos administrativos? Não existe prazo. 20 anos depois. Jamais o poder judiciário poderá revogar ato administrativo. Somente a administração poderá analisar a conveniência de suas decisões e de seus atos. b. através da anulação do ato administrativo. Ato que já produziu direito adquirido. Revogação O ato administrativo será retirado via revogação quando houver inconveniência que ele permaneça. devendo ser retirado do ordenamento. Não se admite revogação. Melhor manter o ato administrativo. de conteúdo. porque a anulação seria mais arriscada: aplica-se a ESTABILIZAÇÃO DOS EFEITOS. STF não possui posicionamento firme sobre o assunto (ver material de apoio da professora). neste caso. como é o judiciário revendo os atos dos outros. e. deve-se averiguar o caso concreto. Se o poder judiciário editar um ato seu administrativo. STJ já declarou a ilegalidade. A revogação produz efeitos ex nunc.