República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Proc. No. 79/C.

Ord/TDD/2009 Acordam os juízes que constituem o Tribunal Colectivo do Tribunal Distrital de Dili:

1. RELATÓRIO O Digno Magistrado do Ministério Público deduziu acusação contra: 1- Amaro da Costa, mais conhecido por Susar, casado, exPNTL, natural de Same, onde nasceu no dia 2 de Maio de 1970, filho de Inocêncio da Costa e de Maria Madalena, residente antes de ser preso, em Beto Oeste-Dili; 2- Domingos do Amaral, mais conhecido por Ameu, solteiro, natural de Mauulo-Ainaro, onde nasceu no dia 4 de Novembro de 1972, ex-F-FDTL, filho de Rafael Amaral e de Margarida da Costa, residente, antes de preso, em Taibesi-Dili; 3- Gilson José António da Silva, conhecido por Gilson/Agio, casado, natural de Fatobess-Ermera, onde nasceu no dia 22 de Janeiro de 1981, ex-F-FDTL, filho de Olegário António da Silva e de Elda Galucho, residente, antes de preso, em Aimutin-Dili; 4- Paulo Neno Leos, conhecido por Paul - solteiro, nascido em Oe-Cusse no dia 30 de Maio de 1981, ex-F-FDTL – Policia Militar, filho de Elias Neno Leos e de Elisa Tafen, residente antes de preso em Fatuhada- Dili; 5- Gilberto Suni Mota, conhecido por Mota, solteiro, natural de Oe-Cusse, onde nasceu no dia 15 de Abril de 1981, ex- F-FDTL, filho de

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Francisco Suni e de Anastácia Lomen, residente, antes de ser preso, em Oecussi; 6- Marcelo Caetano, conhecido por Akai, casado, natural de Ermera, onde nasceu no dia 7 de Abril de 1976, filho de Jorge Bermal e de Margarida Olomau, residente, antes de preso, em Atara-Ermera; 7- Joanino Maria Guterres, conhecido por Nino/Joanino,

casado, natural de Ainaro Cassa, onde nasceu no dia 11 de Novembro de 1981, ex-F-FDTL, filho de Paulino Magalhães e de Paulina Ximenes, residente, antes de preso, em Cassa-Ainaro; 8- Ismael Sansão Moniz Soares, conhecido por Asanko, casado, natural de Dili, onde nasceu no dia 29 de Abril de 1982, ex-FFFDL,filho de António de Jesus Soares e de Santina Pereira Moniz, residente, antes de preso, em Aitarak Laran-Dili; 9- Egídio Lay Carvalho,conhecido por Lay, solteiro, natural de Dili, onde nasceu no dia 10 de Janeiro de 1982, ex-F-FDTL, filho de Plácido dos Santos Carvalho e de Maria Fátima Nunes Lay, residente, antes de preso, Bairro Pité; 10Caetano dos Santos Ximenes, conhecido por

Valente/Caetano, solteiro, natural de Dili, onde nasceu no dia 28 de Dezembro de 1984, ex-F-FDTL, filho de Angelino Borges e de Domingas Pereira Ximenes, residente, antes de preso, em Aldeia Mata Rua, Fatuhada, Dili; 11- Bernardo da Costa, mais conhecido por Cris, casado, natural de Laleia, onde nasceu no dia 24 de Junho de 1974, ex-F-FDTL,

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI filho de José da Costa e de Bernarda da Costa, residente, antes de preso, em Manututo; 12- Avelino da Costa, conhecido por Apai, casado, nascido em Same, em 28 de Agosto de 1976, ex-FDTL, filho de Abel da Costa e de Emília da Costa, residente, antes de preso, em Balibar-Dili; 13- Alexandre de Araújo, mais conhecido por Alex, casado, Natural de Ainaro, onde nasceu no dia 16 de Maio de 1977, ex-PNTL, filho de Manuel de Araújo e de Manuela de Araújo, residente, antes de preso, em Ainaro; 14- Raimundo Maia Barreto, mais conhecido por Mané Forte, casado, natural de Hobulo-Atsabe, onde nasceu no dia 21 de Junho de 1977, ex-F-FDTL, filho de Adão Maia e de Luisa Afonso Cardoso, residente, antes de preso, em Odomanu-Maliana; 15- Januário Babo, conhecido por Ajano, solteiro, natural de Lete-Foho-Ermera, onde nasceu no dia 5 de Março de 1980, ex-F-FDTL, filho Moisés Soares e de Amélia Babo, residente, antes de preso, em Lete-Foho-Ermera; 16- Júlio Soares Guterres, conhecido por Júlio Rambo, Casado, Natural de Dili, onde nasceu no dia 6 de Janeiro de 1974, ex-F-FDTL, filho de Alfredo Guterres e de Maria Soares, residente, antes de preso, em Suco Beira Mar-Fatu-Hada, Dili; 17- Gastão Salsinha, conhecido por Salsinha, casado, Natural de Ermera, onde nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1974, ex-F-FDTL, filho de João Soares e de Romana Salsinha Pinto, residente, antes de ser preso, em Gleno;

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18- Gaspar Lopes, conhecido por Halerik, casado, natural de Fahu-Berleu-Same, onde nasceu no dia 5 de Fevereiro de 1971, ex-FFDTL, filho de Paulo de Jesus e de Seobere, residente, antes de preso, em Alas-Same; 19- José Agapito Madeira, conhecido por José Espelho, casado, natural de Liquiçá, onde nasceu no dia 15 de Maio de 1981, ex-F-FDTL, filho de Gregório Madeira e de Lucinda da Silva, residente, antes de preso, em Liquiçá; 20- Julião António Soares, conhecido por Joni, solteiro, natural de Dili, onde nasceu no dia 26 de Dezembro de 1984, ex-F-FDTL, filho de Carlos Soares de Elisa da Conceição, residente, antes de preso, em Aimutin-Dili;

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21- Quintino Espírito Santo, conhecido por Quintino, solteiro, natural de Maliana, onde nasceu no dia 6 de Abril de 1983, ex-F-FDTL, filho de Inocêncio Espírito Santo e de Celeste de Jesus, residente, antes de preso, em Lahomea-Maliana; 22- Adolfo da Silva, conhecido por Adolfo/Dolfo/Jovem, solteiro, natural de Maubisse, onde nasceu no dia 15 de Maio de 1966, ex-FFDTL, filho de Carlos da Silva e de Joana da Silva, residente, antes de preso, em Usindo III, Dili; 23- José da Costa, conhecido por Ventura, casado, natural de Alas-Same, onde nasceu no dia 4 de Dezembro de 1969, ex- F-FDTL, filho de Calistro da Costa e de Cecília da Costa Fernandes, residente, antes de preso, em Aldeia Lurin, Suco Taitudok, Alas, Manufahi – Same; 24- João Amaral, conhecido por Abere, solteiro, natural de Camanassa-Cova Lima, onde nasceu no dia 21 de Março de 1984, exF-FDTL, filho de Manuel Amaral e de Felicidade de Araújo, residente em Beto Barat- Comoro – Dili; 25- Tito Tilman, conhecido por Tito, solteiro, natural de Camanassa-Cova Lima, onde nasceu no dia 7 de Setembro de 1983, ex-F-FDTL, filho de Fernando Tilman e de Silvina Gusmão, residente em Camanassa-Suai; 26- Francisco Ximenes Alves, conhecido por Chico, solteiro, natural de Lacló-Manatuto, onde nasceu no dia 14 de Outubro de 1976, ex-F-FDTL, filho de Naha Labek e de Namu Hadik, residente em Aldeia Au Hun, Becora, Dili;

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 27-Alfredo de Andrade, casado, natural de Kaimauk-Same, onde nasceu no dia 10 de Outubro de 1975, ex-F-FDTL, filho de Adriano Barbosa e de Jacinta Soares, residente em TurisCai; 28-Angelita Maria Francisca Pires, mais conhecida por Angelita/Angi, solteira, natural de Moro Lauten, onde nasceu no dia 1 de Outubro de 1965, filha de Laurentino António Pires e de Maria Francisca Pires, residente em Bebonuk-Dili;

Imputando aos arguidos factos que, em seu entender,integram seguintes crimes:

os

1 - Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José Silva, Paulo Neno Leos, Marcelo Caetano, Gilberto Sunimota, Joanino Maria Guterres, Egidio Lay Carvalho, Ismael Sansão Moniz Soares e Caetano dos Santos Ximenes, em co-autoria e autoria singular, na forma consumada, e em concurso real: Um crime de atentado contra a vida do Presidente da República, p. e p. pelo art.º 104º do Código Penal; Doze crimes de homicídio tentado p. e p. pelos art.º 53º e 338º do Código Penal; Um crime de dano p. e p. pelo art.º 406º do Código Penal; Um crime de roubo, p. e p. pelo art.º 365º/2, § 2º, do Código Penal; Um crime detenção e uso de armas de fogo para perturbação da ordem pública, p. e p. pelo art.º 4º nº 4.7 do Regulamento da UNTAET n. 5/2001; 2 –Gastão Salsinha, Avelino da Costa, Bernardo da Costa, Alexandre de Araújo, Januário Babo, Raimundo Maia Barreto, Júlio Soares Guterres, Gaspar Lopes, José Agapito Madeira, Juliano António Soares,

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Quintino Espirito Santo, Adolfo da Silva, José da Costa Ventura, Tito Tilman, João Amaral, Francisco Ximenes Alves e Alfredo de Andrade, em co-autoria e autoria singular, na forma consumada, e em concurso real: Sete crimes de homicídio tentado p. e p. pelos art.º 53 e 338 do Código Penal; Dois crimes de dano p. e p. pelo art.º 406 do Código Penal; Um crime detenção e uso de armas de fogo para perturbação da ordem pública, p. e p. pelo art.º 4º nº 4.7 do Regulamento da UNTAET n. 5/2001. 3 – O arguido Gastão Salsinha, em autoria singular, na forma consumada e em concurso real, um crime de conspiração p. e p pelos art.º 88º e 110º nº. 1 e 5 do Código Penal. 4 – A arguida Angelita Maria Francisca Pires, como autora mediata e, em concurso real, nos termos do art.º 55 n. 1, § 1 do Código Penal dos seguintes crimes: Um crime de atentado contra a vida do Presidente da República, p. e p. pelo art.º 104º do Código Penal. Doze crimes de homicídio tentado p. e p. pelos art.º 53º e 338º do Código Penal; Sete crimes de homicídio tentado, p. e p. pelos art.º 53 e 338 do Código Penal; Três crimes de dano p. e p. pelo art.º 406º do Código Penal. O arguido Julião António Soares contestou (fls. 4675 e seg.), alegando, em síntese, que agiu sob o comando do Major Alfredo Reinado, seu superior hierárquico, a quem devia obediência, não podendo por isso ser-lhe imputada a responsabilidade a título individual;

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI O arguido levou consigo uma arma quando saiu do quartel, sendo que podia fazê-lo, uma vez que não se encontrava suspenso das suas funções; O arguido seguiu para Balibar integrado no grupo do arguido Gastão Salsinha, desconhecendo o que se passou em Metiaut; Juntamente consigo, vieram os arguidos Gastão Salsinha, Januário Babo, José Agapito Madeira, Júlio Soares Guterres, Avelino da Costa, Quintino Espírito Santo e José da Costa (Ventura); Nenhum dos arguidos atirou contra as viaturas em que seguiam o Primeiro Ministro e os seus seguranças; O arguido encontrava-se a cerca de 200 metros do local quando ouviu barulho de tiros, mas não viu quem atirou; Ao ouvir os tiros, todos os arguidos que estavam consigo ficaram surpreendidos, e só mais tarde, novamente em Lauala, é que teve conhecimento do que se passou com o Presidente da República e com o Primeiro Ministro. O arguido arrolou testemunhas, das quais veio a prescindir. A arguida Angelita Maria Francisca Pires, em momentos distintos, veio arguir várias nulidades do inquérito, bem como requerer várias diligências de prova. Sobre tais requerimentos foram proferidos vários despachos, tendo as nulidades arguidas sido apreciadas no despacho que antecede o presente acordão, proferido ao abrigo do art. 278 do CPP.

Procedeu-se a Julgamento com observância do formalismo legal. Por despacho proferido em acta, na sessão de julgamento do dia 11 de Fevereiro de 2008, aditou o Tribunal à acusação novos

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI factos, ao abrigo di disposto no art. 273, n.1 do Código de Processo Penal. Dada a extensão dos factos aditados, dão-se os mesmos aqui por reproduzidos, remetendo-se a sua leitura para o despacho de fls. 6090 a 6092. Encerrada a fase instrutória, o Tribunal, após deliberação, proferiu despacho nos termos do disposto no art. 278 do CPP, efectuando o saneamento do processo, elaborou os quesitos, e respondeu aos mesmos, constando ainda do despacho a devida motivação.

2. DECISÃO SOBRE A MATÉRIA DE FACTO

FACTOS PROVADOS Discutida a causa, seguintes factos: 1. Na sequência das eleições presidenciais de Abril e Maio de 2007, e o Tribunal considerou provados os

legislativas de Junho do mesmo ano, o Dr. Ramos Horta foi investido no cargo de PR, e Xanana Gusmão no cargo de PM. 2. Em data não apurada, mas antes do dia 11 de Fevereiro de 2008, o

ex-major Alfredo Reinado e os arguidos concentraram-se em Lauala, ocupando casas próximas umas das outras, sendo certo que, uma era chefiada por ele e a outra, por Gastão Salsinha.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 3. Em Lauala, procediam à vigilância da área, por forma a só poder

entrar quem tivesse autorização do ex-major Alfredo Reinado, do arguido Gastão Salsinha ou, na companhia de pessoas da confiança dos arguidos. 4. Os arguidos contactavam-se entre si, nomeadamente através de

telefonemas, utilizando para o efeito, entre outros os números 7368917, 7335648, 7272269, 7299216, 7339581,7343056, 7348575, 7234041. 5. A arguida Angelita Pires deslocava-se muitas vezes a Lauala, para

onde levava, entre outros, géneros alimentares e bebidas para o grupo liderado pelo ex-major Alfredo. 6. No dia 16 Dezembro de 2007 estava agendada uma reunião no

Palácio das Cinzas, em que estariam presentes o Presidente da República, o Presidente do Parlamento Nacional, o Primeiro-ministro, o General Brigadeiro das F-FDTL, o arguido Gastão Salsinha e o ex-major Alfredo Reinado, com o objectivo de solucionar a questão da entrega do denominado grupo “Peticionários”. 7. Apesar de o Alfredo Reinado ter confirmado a sua presença, nem

ele, nem o Gastão Salsinha compareceram, pelo que, tal encontro não se realizou. 8. A arguida Angelita Pires mantinha contactos permanentes com o

ex-major Alfredo Reinado através, nomeadamente, dos números 7234041 e 7372773, e que deu a sua opinião, entendendo que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias para a deslocação do Alfredo Reinado a Dili. 9. A arguida Angelita Pires convenceu o Ex-major Alfredo Reinado que

o PR e o PM estavam a preparar um plano para matar o denominado

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI grupo “Peticionários”, no qual aquele se integrava, bem como aqueles que se juntaram a tal grupo. 10. A arguida Angelita Pires, deslocou-se à Austrália em finais de Janeiro

de 2008. 11. Esta arguida contactou desde a Austrália Alfredo Reinado e o

arguido Gastão Salsinha, através de telefones, designadamente, um com o número +61431232264. 12. A arguida regressou da Austrália no dia 6 de Fevereiro de 2008 e,

no dia seguinte dirigiu-se a Lauala, onde o ex-major e os arguidos estavam acantonados tendo levado coisas diversas. 13. No dia 9 de Fevereiro de 2008, de manhã, em Lauala, a arguida

Angelita Pires disse ao ex-major Alfredo Reinado que, se eles se deslocassem ao PR e ao PM, estes tinham que ser mortos. 14. Disse ainda ao arguido Avelino que, se o ex-major Alfredo Reinado

viesse a ser condenado pelo Mundo, este poderia justificar-se como se tendo tratado de um golpe de Estado. 15. A arguida Angelita Pires esteve em Lauala no dia 7 de Fevereiro,

que dormiu lá do dia 8 para o dia 9, e que regressou no dia 10, após o que voltou para Dili. 16. A arguida Angelita Pires, no dia 9 de Fevereiro de 2008, no

restaurante Beach Café, após um jantar com pessoa não identificada, disse que, “o ex-major Alfredo Reinado viria a Díli nos próximos dias, e que todos deveriam abraçá-lo para ser protegido porque, caso contrário, poderia morrer”.

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No dia 10 de Fevereiro de 2006, por volta das 21 horas, estando

todos os arguidos em Lauala, sob a direcção do Alfredo Reinado e do arguido Gastão Salsinha, foram chamados e ordenados para se fardarem e se armarem, porque iriam deslocar-se para Díli. 18. No mesmo dia, por volta das 13h, o Alfredo Reinado, através de um

dos números que utilizava, telefonou ao Leopoldino Exposto, que se encontrava em Díli, pedindo-lhe que fosse a Lauala, com mais um carro. 19. O Leopoldino Exposto providenciou por um veículo, no qual, na

companhia do arguido Sansão, rumaram a Lauala, onde chegaram por volta das 18 horas. 20. No dia 10 de Fevereiro, a hora não apurada mas, provavelmente

antes da meia-noite, em momentos distintos, os arguidos saíram de Lauala em direcção a Dili, fazendo-se transportar em pelo menos quatro viaturas. 21. Os veículos Nissan Safari, com a matrícula nº 02-083 G/18-397 TLS

e Mitsubishi Pajero, com a matrícula nº 16-891 TLS, foram conduzidos, respectivamente, pelo ex-major Alfredo Reinado e pelo Leopoldino Exposto. 22. Nesses dois veículos os arguidos transportaram fardas,

medicamentos, armas e caixas de munições. 23. Nos dois referidos veículos vinham, pelo menos, os arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José António da Silva, Paulo Neno Leos, Gilberto Suni Mota, Marcelo Caetano, Joanino Maria Guterres, Ismael

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Sansão Moniz Soares, Egídio Lay Carvalho e Caetano dos Santos Ximenes, fardados e armados. 24. Dirigiram-se para a residência do PR, sita em Metiaut, onde chegaram por volta das 6horas da manhã do dia 11 de Fevereiro de 2008. 25. A caminho, passaram por Balibar, local da residência do PM. 26. Outros dois veículos partiram de Lauala, um deles conduzido pelo arguido Gastão Salsinha, transportando os co-arguidos Bernardo da Costa, Avelino da Costa, Alexandre de Araújo, Januário Babo, Raimundo Maia Barreto, Júlio Soares Guterres, Gaspar Lopes, José Agapito Madeira, Julião António Soares, Quintino Espirito Santo, Adolfo da Silva, José da Costa Ventura, e Francisco Ximenes Alves, fardados e armados. 27. Dirigiram-se para a residência do PM, sita em Balibar, onde chegaram na madrugada do dia 11 de Fevereiro de 2008. 28. Chegados ao local, parte deles posicionou-se à beira da estrada, por onde ia passar a coluna de veículos em que seguiam o Primeiro-Ministro e os seus seguranças, e outra parte dos arguidos colocou-se na parte traseira da residência do PM. 29. Com o propósito de fazerem uma emboscada ao Primeiro Ministro.

30. Na manhã do dia 11 de Fevereiro de 2008, por volta das 6h, o PR saiu de sua residência para o seu habitual footing matinal em direcção ao Cristo Rei, na companhia dos seguranças, os militares da F-FDTL Isaac da Silva e Pedro Joaquim Soares.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 31. Chegados à residência do PR, os arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José António da Silva, Paulo Neno Leos, Gilberto Suni Mota, Marcelo Caetano, Joanino Maria Guterres, Ismael Sansão Moniz Soares, Egídio Lay Carvalho e Caetano dos Santos Ximenes, pararam em frente ao portão da entrada principal, onde se encontrava de serviço, fardado e armado, o segurança Domingos Simões Pereira, militar das FFDTL, acompanhado de José Luís da Costa Pereira. 32. Os arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José António da Silva, Paulo Neno Leos, Gilberto Suni Mota, Marcelo Caetano, Joanino Maria Guterres, Ismael Sansão Moniz Soares, Egídio Lay Carvalho e Caetano dos Santos Ximenes, fardados e na posse de armas e munições, desceram dos veículos e, de imediato, cercaram o Domingos Simões Pereira. 33. Apontaram-lhe as armas, disseram-lhe para não oferecer resistência e desarmaram-no. 34. O arguido Domingos Amaral ficou com a arma M16 que se encontrava na posse do segurança Domingos Simões Pereira, depois da mesma ter sido subtraída por um dos elementos do grupo não identificado. 35. Os arguidos permaneceram no exterior do compound, enquanto o Alfredo Reinado, Leopoldino Exposto e os arguidos Gilberto Suni Mota e Igídio Lay entraram para o compound. 36. Os quatro elementos, uma vez no interior do compound, dirigiram-se ao interior da casa onde se encontrava a cozinheira Amélia Paixão da Silva.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 37. O ex-major Alfredo questionou esta sobre a localização do quarto de dormir do PR e obrigou-a a deitar-se no chão. 38. Seguidamente, os quatro supra referidos, vieram para o exterior da casa, e dirigiram-se para as tendas onde se encontravam guardadas as armas dos seguranças, começando a apossar-se delas. 39. Enquanto se apossavam dessas armas o Alfredo Reinado dirigiu-se ao segurança João Soares e disse-lhe para não se mexer, caso contrário morreria. 40. O Francisco Lino Marçal, segurança de serviço em casa do PR encontrava-se abrigado no interior de uma casa de banho. 41. Ao ver o Alfredo Reinado e os colegas a apoderarem-se das armas e a ameaçar o João Soares, disparou sobre os mesmos. 42. Alfredo Reinado e Leopoldino Exposto faleceram na sequência de disparos de arma de fogo. 43. Quando ouviram tiros, os arguidos Lay e Mota saíram a correr do interior do compound, e já no exterior, e na companhia dos restantes arguidos, abriram fogo em simultâneo na direcção do compound onde se encontravam alguns dos militares, seguranças da casa do Presidente, entre os quais, Domingos Simões Pereira, José Pinto Freitas, Francisco Lino Marçal e Albino Assis. 44. Durante a troca de tiros, aproximou-se do local uma viatura militar conduzida pelo lesado Celestino Filipe Gama, a qual foi atingida por tiros.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 45. Provocando a sua queda numa vala o que veio a importar diversos estragos, nomeadamente, no motor, capot, quebra de faróis dianteiros, quebra do vidro frontal, destruição dos pneus dianteiros, e diversos orifícios de balas por toda a carroçaria, deixando mesmo de funcionar. 46. O lesado Celestino Filipe Gama foi atingido, na cabeça e em outras partes do corpo. 47. Como consequência necessária e directa desta conduta, resultaram as lesões: ferida no lobulo temporal-parietal esquerdo, com extenso edema e fragmentos metálicos, causadora de lesão cerebral e danos neurológicos (impossibilidade de visão à direita, monoparesis grave do membro superior direito, fraqueza ligeira dos membros inferiores, confusão); ferida no cotovelo direito com fragmentos metálicos, múltiplas lacerações no crâneo, ferida no joelho direito, com fragmentos metálicos, as quais necessitaram de duas intervenções cirúrgicas para tratamento, a permanência do lesado na Unidade de Cuidados Intensivos por um período de uma semana, e cuidados de fisioterapia. 48. Esteve internado no Hospital em Díli e, posteriormente foi evacuado para o Hospital de Darwin, onde foi submetido a várias intervenções cirúrgicas. 49. Na altura em que foi atingido, o lesado Celestino Filipe Gama passava ocasionalmente na estrada em frente à casa do PR, vindo de Metinaro, a caminho de Dili, conduzindo um Jeep das F-FDTL. 50. Do interior do compound, os seguranças responderam aos tiros e houve tiroteio por tempo não determinado até que os arguidos se esconderam algures, nas valas e ribeiras próximas e por trás de um acampamento de refugiados, nas imediações da residência do PR.

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51. Os seguranças Domingos Simões Pereira, José Pinto Freitas, Francisco Lino Marçal, Albino Assis só não foram atingidos por se terem abrigado. 52. Por volta das 06h45m, o PR, de regresso à sua residência, vindo do footing e na companhia dos militares Isaac da Silva e Pedro Joaquim Soares, já próximo do restaurante “Kas Bar”, ouviu barulho de tiros que vinham na direcção da sua residência. 53. Altura em que telefonou ao Brigadeiro General Taur Matan Ruak, informando-lhe do que se estava a passar. 54. Quando o PR por volta das 7 horas se encontrava a uma distância de cerca de 20 metros do portão de entrada do compound da sua residência, surgiu um dos arguidos, que se encontrava escondido atrás do tronco de uma árvore, empunhando uma arma HK 33 – ATM, com a qual disparou três tiros. 55. Dois dos tiros atingiram o Presidente da República, atingindo-o no ombro direito e na zona lombar direita, provocando-lhe três feridas na região direita do torax, uma com penetração na parte direita posterior causando fracturação de costelas, contusão do lobulo inferior do pulmão direito, fractura laminar da vertebra 8. 56. Acto contínuo, o Pedro Joaquim Soares, o outro segurança que acompanhava o PR no footing, tirou a pistola que trazia e disparou tiros contra aquele arguido. 57. Outros seguranças do PR, também dispararam contra este arguido.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 58. Porém, o mesmo fugiu em direcção à montanha e conseguiu escaparse. 59. Dois dos arguidos conseguiram retirar duas armas que estavam na posse dos seguranças, pertencentes às F-FDTL, e levaram-nas com eles. 60. O arguido Marcelo Caetano, no dia 29 de Março de 2008 o arguido Marcelo Caetano tinha na sua posse uma arma HK 33 – ATM – n. 019366. 61. No mesmo dia, o PR foi evacuado para o Hospital em Darwin, onde esteve em coma induzido por vários dias e foi sujeito a várias intervenções cirúrgicas. 62. O PR esteve internado durante cerca de dois meses. 63. O PR regressou a Díli cerca de três meses depois da data da ocorrência dos factos. 64. Por volta das 07h30, do dia 11 de Fevereiro de 2008, o PM Xanana Gusmão, que se encontrava na sua residência em Balibar, foi informado sobre o que tinha acontecido momentos antes com o PR. 65. Acto contínuo saiu da sua residência, escoltado por uma coluna composta por 4 veículos, com a sua segurança pessoal, elementos da PNTL e da Unpol em direcção a Dili. 66. O primeiro veículo da coluna, identificado nos autos como Sec. 1, era conduzido por Joni Barbosa, transportando o colega José Maria Barreto Soares.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 67. O segundo veículo da coluna, identificado nos autos como PM1, era conduzido por Adolfo Soares, transportando o colega Boby Agapito Gonçalves e o Primeiro Ministro Xanana Gusmão, que vinha sentado no banco de trás. 68. O terceiro veículo da coluna, identificado nos autos como UN 0617, era conduzido por Komsan Tookokgruado, acompanhado pelo colega Alongkorn Kalayanasoontor. 69. O quarto veículo da coluna, identificado nos autos como 01-55G, era conduzido por Abílio Santos. 70. No momento em que a coluna de veículos saiu da residência do PM, os arguidos Gastão Salsinha, Bernardo da Costa, Avelino da Costa, Alexandre de Araújo, Januário Babo, Raimundo Maia Barreto, Júlio Soares Guterres, Gaspar Lopes, José Agapito Madeira, Julião António Soares, Quintino Espirito Santo, Adolfo da Silva, José da Costa Ventura e Francisco Ximenes Alves, fardados e armados, mantinham as posições que haviam tomado nas traseiras da casa do PM e junto à estrada. 71. No momento em que a coluna de veículos passava pelos arguidos emboscados à beira da estrada, a cerca de 500 metros da casa do Primeiro Ministro, por determinação do arguido Gastão Salsinha, começaram a disparar intensivamente em direcção à viatura em que seguia o Primeiro Ministro, tentando atingir os seus ocupantes. 72. Os disparos foram efectuados em maior número na direcção da viatura em que seguia o Primeiro-ministro, tendo sido a única a ser atingida pelos projécteis.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 73. Em consequência, a viatura onde seguia o Primeiro Ministro sofreu danos no parachoques frontal, farol frontal direito e capot, quebra do vidro traseiro, diversos orifícios de balas nas portas e no assento dianteiro direito, bem como destruição do pneu traseiro esquerdo. 74. Perante a intensidade dos disparos, os condutores dos veículos Sec1 e PM1 aceleraram a marcha, indo o primeiro despistar-se numa ravina sofrendo os seguintes estragos: destruição de toda a parte dianteira do veículo, com redução da área do motor, destruição dos pneus dianteiros, danos em ambas as partes laterais da carroçaria, perda do parachoques traseiro, quebra dos faróis traseiros direitos. 75. Os seguranças do terceiro veículo da coluna, o UN 0617, pararam e, um deles respondeu aos tiros dos arguidos, que fugiram para o interior do arvoredo existente no local, indo juntarem-se aos demais arguidos, que estavam emboscados atrás da casa do Primeiro-ministro. 76. Os ocupantes da viatura em que seguia o Primeiro Ministro só não foram atingidos porque esta se encontrava em movimento. 77. Em consequência dos disparos o veículo onde circulava o PM, veio a imobilizar-se mais à frente. 78. Perante o sucedido, os seguranças que seguiam no veículo UN 0617 regressaram de imediato à residência do PM, onde se encontravam a mulher e os filhos deste, a ama das crianças e António Caldeira Duarte, segurança da esposa do Primeiro-Ministro. 79. Nas traseiras da residência do PM, estavam os arguidos,

designadamente, o Gastão Salsinha e Avelino da Costa.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 80. O arguido Gastão Salsinha dirigiu-se ao segurança Roque Exposto, que entretanto acabara de chegar à residência do PM, exigindo-lhe a entrega das armas pesadas. 81. Como essas armas não se encontravam na residência do PM, os arguidos fugiram. 82. Alguns dos arguidos que estiveram na residência do PR e os que estiveram na residência do PM, após a prática dos crimes reuniram-se em parte incerta do território nacional. 83. Outros arguidos, entre os quais, Egidio Lay de Carvalho, José Agapito Madeira e Ismael Sansão Muniz Soares, fugiram para a Indonésia. 84. Na sequência destes factos o PR ficou impedido do exercício das suas funções, foi substituído nos termos constitucionalmente definidos, e o Parlamento Nacional autorizou o Presidente interino a decretar o estado de sítio, sujeito a sucessivas prorrogações, por um período total de três meses e dez dias. 85. O que os arguidos sabiam poder ser uma das consequências da utilização das armas nos termos em que foram utilizadas, querendo eles que tal sucedesse. 86. O arguido Amaro da Costa “Susar”, após 3 Maio de 2006, abandonou as fileiras da PNTL, tendo levado consigo uma arma pertencente à PNTL. 87. Alguns dos arguidos procederam à entrega das armas e/ou uniformes às autoridades, nos seguintes termos: - Gastão Salsinha, 1 (uma) arma HK 33, com o número de série 020467, 2 (dois) carregadores, 78 (setenta e oito) munições e 1 (um) uniforme.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI - Marcelo Caetano, 1 (uma) arma HK 33, com o número de série 019366, 2 (dois) carregadores, 179 (cento e setenta e nove) munições e 1 (um) uniforme. - Gaspar Lopes “Halerik”, 1 (uma) arma HK 33, com o número de série 011221, 2 (dois) carregadores, 120 (cento e vinte) munições e 1 (um) uniforme. - Gilberto Suni Mota, 1 (uma) arma HK 33, com o número de série 017235, 2 (dois) carregadores, 76 (setenta e seis) munições e 1 (um) uniforme. - Joanino Maria Guterres, 1 (uma) arma HK 33, com o número de série 018672, 2 (dois) carregadores, 140 (cento e quarenta) munições e 1 (um) uniforme. - José Agapito Madeira “José Espelho” , 1 (uma)arma HK 33, com o número de série 005700, 76 (setenta e seis) munições e 1 (um) uniforme. - Domingos Amaral, 1 (uma) arma M 16, 1 carregador, 20 (vinte) munições e 1 (um) uniforme. - José da Costa Ventura, 1 (uma) arma HK 33, 1 (um) carregador, munições e 1 (um) uniforme. - Adolfo da Silva, 1 (uma) arma HK 33, 2 (dois) carregadores, munições e 1 (um) uniforme. - Julião António Soares, 1 (uma) arma HK 33, 2 (dois) carregadores, 65 (sessenta e cinco) munições e 1 (um) uniforme. - Paulo Neno Leos, 1 (uma) Metralhadora, 1 (um) carregador, 340 (trezentos e quarenta) munições e 1 (um) uniforme com botas. - Amaro da Costa “Susar”, 2 (duas) armas (1 FNC e 1 HK 33), 7 (sete) carregadores, 250 (duzentos e cinquenta) munições e 1 (um) uniforme. - Avelino da Costa, 1 (uma) arma HK 33, 2 (dois) carregadores, 80 (oitenta) munições e 1 (um) uniforme. - Quintino Espírito Santos, munições e 1 (um) uniforme. - Bernardo da Costa, 1 (uma) arma HK 33, 1 (um) carregador, 40 (quarenta) munições e 1 (um) uniforme.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI - Januário Babo, 1 (uma) arma HK 33, 3 (três) carregadores, 100 (cem) munições e 1 (um) uniforme. - Raimundo Maia Barreto, 1 (uma) arma HK 33, 2 (dois) carregadores, 65 (sessenta e cinco) munições e 1 (um) uniforme. 88. Os arguidos sabiam que não estavam ao serviço das F-FDTL nem da PNTL, e que, nessa condição, não podiam estar armados com armas dessas instituições. 89. Os arguidos sabiam também que não possuíam licença de uso e porte de armas e munições, nem dela estavam isentos, pelo que não podiam têlas na sua posse nem usá-las, fora das condições legais. 90. Fizeram uso de tais armas para, entre outros fins, criarem medo e receio na comunidade. 91. Sendo os arguidos militares e polícias, conheciam as características das armas e munições que detinham e sabiam que, devidamente municiadas e disparadas contra o Presidente da República, Primeiroministro, os seus respectivos seguranças e outras pessoas que estivessem no local, eram aptas a causar-lhes a morte ou lesões contra a sua integridade física. 92. E que por via disso o PR poderia deixar de exercer as suas funções. 93. Os arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José da Silva, Paulo Neno Leos, Marcelo Caetano, Gilberto Sunimota, Joanino Maria Guterres, Egídio Lay Carvalho, Ismael Sansão Moniz Soares e Caetano dos Santos Ximenes quiseram matar o Presidente da República.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 94. Para esse fim, consideraram necessária a morte das pessoas que efectuavam a segurança à casa e à pessoa do PR. 95. Resultados estes que os arguidos consideraram necessários para a prossecução do objectivo principal de matarem o Presidente da República. 96. Os arguidos agiram em comunhão de esforços e de forma previamente concertada, aceitando participar de forma conjunta na execução de um plano destinado a matar o Presidente da República. 97. Os arguidos Gastão Salsinha, Avelino da Costa, Bernardo da Costa, Alexandre de Araújo, Januário Babo, Raimundo Maria Barreto, Júlio Soares Guterres, Gaspar Lopes, José Agapito Madeira, Juliano António Soares, Quintino Espírito Santo, Adolfo da Silva, José da Costa Ventura e Francisco Ximenes Alves quiseram matar o Primeiro Ministro. 98. Para esse fim, consideraram necessária a morte das pessoas que viajavam no carro onde seguia o Primeiro Ministro. 99. Os arguidos consideraram também necessário causar estragos na viatura em que seguia o Primeiro Ministro. 100. Resultados estes que os arguidos admitiram como sendo necessários para a prossecução do objectivo principal de matarem o Primeiro-Ministro. 101. Os arguidos agiram em comunhão de esforços e de forma previamente concertada, aceitando participarem de forma conjunta na execução de um plano destinado a matar o Primeiro Ministro.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 102. A morte do Presidente da República, do Primeiro Ministro, de quatro dos seguranças da residência daquele, do segurança e condutor deste último, só não sobreveio por razões alheias à vontade dos arguidos. 103. O arguido Gastão Salsinha sabia que ao combinar e planear com outra ou outras pessoas, matar ou agredir fisicamente o Presidente da República cometidos. 104. Conheciam perfeitamente os arguidos, como timorenses e membros de instituições militares e policiais, o Presidente da República, Dr. Ramos Horta, e a sua residência. 105. Os arguidos sabiam que os disparos sobre o veículo em que seguia o Primeiro-ministro, eram aptos a provocar-lhe estragos. 106. Os arguidos, em todas as circunstâncias dadas como provadas, quiseram os respectivos resultados. 107. E agiram de forma livre, deliberada e consciente. 108. Bem sabendo que, tais condutas eram proibidas e punidas por lei. 109. Na sequência da denominada “Crise de 2006”, todos os arguidos, com excepção da arguida Angelita Maria Francisca Pires, abandonaram os respectivos quartéis e esquadras, e passaram a integrar ou a colaborar com movimentos de reivindicação compostos por militares e elementos da PNTL, entre os quais o denominado movimento “Peticionários”, liderados por Alfredo Reinado e Gastão Salsinha. podia efectivamente levar a que estes crimes fossem

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 110. Na sequência dessas actuações dos arguidos, os seus vencimentos nas respectivas instituições militares ou de segurança deixaram de lhes ser pagos. 111. O arguido Amaro da Costa é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 9 anos de idade, e o mais novo 5 anos de idade. 112. É agente da PNTL, tendo o vencimento mensal de 100,00 dólares, os quais não recebe. 113. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 114. Tem como habilitações literárias o SMP. 115. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 116. O arguido Domingos Amaral é solteiro, e vive com os pais. 117. É alferes das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 130,00 dólares, os quais não recebe. 118. Tem como habilitações literárias o SM. 119. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 120. O arguido Gilson José António da Silva é casado, vive com a mulher e um filho com 2 anos de idade. 121. É soldado da Unidade de Polícia Militar das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 122. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 123. Tem como habilitações literárias o ensino secundário. 124. Já foi condenado em Tribunal pela prática de um crime de ofensas corporais, tendo estado preso durante 1 mês, no ano de 2002. 125. O arguido Paulo Neno Leos é casado, vive com a mulher e dois filhos, tendo o mais velho 5 anos de idade. 126. É segundo sargento da Polícia Militar das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 115,00 dólares. 127. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 128. Tem como habilitações literárias o SLTA. 129. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 130. O arguido Gilberto Suni Mota é solteiro, e vive com os pais. 131. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares. 132. Tem como habilitações literárias o SMP. 133. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 134. O arguido Marcelo Caetano é casado, vive com a mulher e um filho com 3 anos de idade.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 135. É soldado da F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 136. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 137. Tem como habilitações literárias o pré-secundário. 138. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 139. O arguido Joanino Maria Guterres é casado, vive com a mulher e um filho com 2 anos de idade. 140. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 141. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 142. Tem como habilitações literárias o SMA. 143. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 144. O arguido Ismael Sansão Moniz Soares é casado, vive com a mulher e dois filhos, tendo o mais velho 6 anos de idade, e o mais novo 3 anos de idade. 145. É primeiro sargento das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 120,00 dólares, os quais não recebe. 146. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 147. Tem como habilitações literárias o SMA.

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148. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 149. O arguido Igídio Lay Carvalho é solteiro, e vive com a avó. 150. É soldado da Unidade Naval das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 151. Tem como habilitações literárias o SMA. 152. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais, embora tenha estado preso preventivamente à ordem do Proc. n. 233/07. 153. O arguido Caetano dos Santos Ximenes é solteiro, e vive com os pais. 154. É soldado da Unidade Naval das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 155. Tem como habilitações literárias o SMA. 156. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 157. O arguido Gastão Salsinha é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 11 anos de idade, e o mais novo 3 anos de idade. 158. É tenente das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 136,00 dólares, os quais não recebe. 159. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento.

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160. Tem como habilitações literárias o SMA. 161. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 162. O arguido João Amaral é solteiro, e vive com os pais. 163. É soldado da Unidade Naval das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 164. Tem como habilitações literárias o STM. 165. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 166. O arguido Bernardo da Costa é casado, vive com a mulher e três filhos, tendo o mais velho 9 anos de idade, e o mais novo 2 anos de idade. 167. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 168. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 169. Não frequentou qualquer grau de ensino, sendo analfabeto. 170. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 171. O arguido Avelino da Costa é casado, vive com a mulher e três filhos, tendo o mais velho 8 anos de idade, e o mais novo 1 ano de idade. 172. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe.

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173. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 174. Tem como habilitações literárias o SMP. 175. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 176. O arguido Alexandre de Araújo é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 9 anos de idade, e o mais novo 1 ano de idade. 177. É agente da PNTL, tendo o vencimento mensal de 100,00 dólares, os quais não recebe. 178. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 179. Tem como habilitações literárias o SMA. 180. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 181. O arguido Januário Babo Soares é solteiro, e vive com os pais. 182. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 183. Tem como habilitações literárias o SMA. 184. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 185. O arguido Raimundo Maia Barreto é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 9 anos de idade, e o mais novo 2 anos de idade.

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186. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 187. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 188. Tem como habilitações literárias o SMP. 189. Já esteve preso entre 2002 e 2006 pela prática de um crime de homicídio. 190. O arguido Julio Soares Guterres é casado, vive com a mulher e dois filhos, tendo o mais velho 4 anos de idade, e o mais novo 2 anos de idade. 191. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 192. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 193. Tem como habilitações literárias o SMP. 194. À data da prática dos factos não possuía antecedentes criminais, tendo sido posteriormente condenado no proc. n. 131/TDD/06 (por acórdão transitado a 6 de Abril de 2009) pela prática de um crime de dano e outro de ofensas corporais, na pena única de dois anos de prisão. 195. O arguido Gaspar Lopes é casado, vive com a mulher e seis filhos, tendo o mais velho 15 anos de idade, e o mais novo 1 ano de idade. 196. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe.

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197. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 198. Tem como habilitações literárias o SMP. 199. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 200. O arguido José Agapito Madeira é solteiro, e vive com os pais. 201. É furriel das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 110,00 dólares, os quais não recebe. 202. Tem como habilitações literárias o SMA. 203. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 204. O arguido Julião António Soares é solteiro, e vive com os pais. 205. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 206. Tem como habilitações literárias o ensino secundário. 207. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 208. O arguido Quintinho Espírito Santo é solteiro, e vive com a mãe. 209. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 210. Tem como habilitações literárias o SMA.

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211. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 212. O arguido Adolfo da Silva é solteiro, e vive com os pais. 213. É furriel das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 100,00 dólares, os quais não recebe. 214. Tem como habilitações literárias a primeira classe. 215. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 216. O arguido José da Costa Ventura é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 15 anos de idade, e o mais novo 1 ano de idade. 217. É primeiro sargento das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 105,00 dólares, os quais não recebe. 218. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 219. Tem como habilitações literárias o SD. 220. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 221. O arguido Tito Tilman é casado, vive com a mulher e um filho, com um ano de idade. 222. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 223. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 224. Tem como habilitações literárias o SMA. 225. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 226. O arguido Alfredo de Andrade é casado, vive com a mulher e quatro filhos, tendo o mais velho 7 anos de idade, e o mais novo 1 ano de idade. 227. É soldado das F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 228. A mulher é doméstica, não recebendo qualquer vencimento. 229. Tem como habilitações literárias o SMP. 230. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 231. O arguido Francisco Ximenes Alves é solteiro, e vive com os pais. 232. É soldado dos F-FDTL, tendo o vencimento mensal de 85,00 dólares, os quais não recebe. 233. Tem como habilitações literárias o SMP. 234. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais. 235. A arguida Angelita Maria Francisca Pires é solteira, e vive com colegas.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 236. É consultora técnica, tendo rendimentos mensais de cerca de 3.000,00 dólares. 237. Tem como habilitações literárias o segundo ano do curso de Direito. 238. Não lhe são conhecidos antecedentes criminais.

FACTOS NÃO PROVADOS Discutida a causa não resultou provado que: 1. Os arguidos utilizavam também o número de telefone 7370709 nos contactos entre eles efectuados. 2. A arguida Angelita Pires, nas visitas que fazia a Lauala, levava

consigo medicamentos para o grupo de Alfredo Reinado. 3. Na reunião agendada para o Palácio das Cinzas no dia 16 de

Dezembro de 2007 estiveram presentes todas as entidades convocadas (Presidente da República, o Presidente do Parlamento Nacional, o Primeiro-ministro, o General Brigadeiro das F-FDTL), exceptuando Alfredo Reinado e o Gastão Salsinha. 4. Pires. 5. A deslocação da arguida Angelita Pires à Austrália em finais de Os quais não compareceram por determinação da arguida Angelita

Janeiro de 2008 destinou-se à busca de apoios para o grupo liderado por Alfredo reinado, mormente a angariação de meios financeiros.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 6. A arguida, na sequência de uma conversa tida em 10 de Fevereiro

de 2008, disse ao ex-major que, se ele morresse, colocaria uma garrafa de vodka na sua campa. 7. No dia 10 de Fevereiro de 2008, por volta das 19h, a arguida

Angelita Pires, antes de deixar Lauala, disse ao ex-major: “vão lá matar os dois cães”, referindo-se ao PR e ao PM. 8. Os arguidos prepararam a saída de Lauala para Balibar e Dili com

alguns dias de antecedência. 9. No telefonema entre Alfredo Reinado e Leopoldino Exposto que teve

lugar no dia 10 de Fevereiro de 2008, Alfredo Reinado disse: “é hora de nós decidirmos o nosso destino”. 10. Os arguidos Tito Tilman, Alfredo de Andrade e João Amaral

seguissem num dos veículos do grupo do arguido Gastão Salsinha, com destino a Balibar. 11. A espingarda M16 do segurança Domingos Simões Pereira foi

subtraída pelo arguido Amaro da Costa. 12. Os quatro elementos (Alfredo Reinado, Leopoldino Exposto,

arguidos Gilberto Suni Mota e Egídio Lay) permaneceram no compound cerca de 15 a 20 minutos. 13. Os tiros disparados por Francisco Marçal atingiram o Alfredo

Reinado e o Leopoldino Exposto. 14. Alfredo Reinado e Leopoldino Exposto faleceram em consequência

dos disparos da arma de fogo utilizada por Francisco Marçal.

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15.

No momento em que os arguidos abriram fogo, os seguranças

Adelino da Silva, João Soares, José Luís da Costa Pereira, Agostinho Freitas e Filomeno Ximenes ainda se encontravam no interior do compound. 16. Os arguidos, ao verem a viatura das F-FDTL conduzida por Celestino

Gama, abriram fogo contra ela. 17. Os tiros que atingiram Celestino Gama foram disparados pelos

arguidos. 18. Os vários disparos efectuados pelos arguidos para o interior do

compound da residência do PR atingiram árvores, vedações e tendas. 19. 20. Foi o arguido Marcelo Caetano quem disparou sobre o PR. A arma encontrada na posse do arguido Marcelo Caetano aquando

da sua entrega às autoridades foi por ele utilizada para efectuar os disparos contra o PR. 21. As balas e invólucros disparados contra o PR pertenciam à arma

encontrada na posse do arguido Marcelo Caetano no momento em que foi detido. 22. À fuga do arguido que disparou sobre o Presidente da República

juntaram-se-lhe os restantes arguidos, que estavam escondidos nas imediações e todos dispararam em direcção aos seguranças do PR, Pedro Joaquim Soares e Isac da Silva. 23. Enquanto fugiam em direcção a montanha de Fatu-ahi – Camea os

arguidos não pararam de efectuar disparos.

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24.

Os arguidos João Amaral, Tito Tilman e Alfredo de Andrade estavam

em Balibar no dia 11 de Fevereiro de 2008 juntamente com o grupo composto pelos demais arguidos. 25. Os arguidos efectuaram disparos na direcção das outras viaturas

que seguiam à frente e atrás da viatura do Primeiro Ministro. 26. Os disparos efectuados sobre a viatura em que seguia o Primeiro

Ministro dirigiram-se para os pneus. 27. 28. A arguida Angelita Pires quis matar o Presidente da República. Os arguidos consideraram necessária a morte de qualquer outra

pessoa que surgisse no local, para além dos seguranças que se encontravam no compound e que acompanhavam o Presidente da República, e que pudesse colocar em perigo as suas intenções de matar o Presidente da República. 29. Os arguidos consideraram necessário causar estragos em viaturas

que surgissem no local por forma a evitar que as pessoas que nelas seguiam pudessem colocar em perigo as suas intenções de matar o Presidente da República. 30. Os arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José da

Silva, Paulo Neno Leos, Marcelo Caetano, Gilberto Sunimota, Joanino Maria Guterres, Egídio Lay Carvalho, Ismael Sansão Moniz Soares e Caetano dos Santos Ximenes sabiam que as armas que levaram da casa do Presidente da República com a intenção de fazê-las suas, não lhes pertenciam, e não podiam fazê-las suas, contra a vontade de quem as detinha.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI 31. Os arguidos Tito Tilman, João Amaral Alfredo de Andrade e Angelita

Maria Pires quiseram matar o Primeiro Ministro. 32. A arguida Angelita Pires sabia que, as conversas que tinha com o

Alfredo Reinado, pelo menos as que eram presenciadas por alguns dos arguidos, eram de molde a provocar nele e, consequentemente, nos demais elementos do seu grupo, ódio e raiva contra o Presidente da República e Primeiro-ministro. 33. A arguida Angelita Pires, com tais conversas, queria motivá-lo e

determiná-lo a planear e praticar atentados contra a vida quer do Presidente da República, quer do Primeiro-Ministro, pretendendo a arguida ver esse resultado concretizado. 34. A arguida Angelita Pires pretendeu a morte de quaisquer pessoas

que, pelo exercício das suas funções ou por motivos imponderáveis se encontrassem nos locais escolhidos para atentar contra a vida daqueles, e cuja morte se mostrasse necessária como forma de afastar o perigo de frustrarem aquela intenção. 35. A arguida considerou necessários os danos nas viaturas onde

seguiam o Primeiro-Ministro, os seus seguranças, ou noutras viaturas que, por motivos imponderáveis se encontrassem nos locais escolhidos para atentar contra a vida quer do Presidente da República, quer do Primeiro Ministro, e cuja danificação se mostrasse necessária como forma de afastar o perigo de frustração daquela intenção. 36. A arguida admitiu como sendo necessários tais mortes e danos para

a prossecução do objectivo pretendido de matar o Presidente da República e o Primeiro-Ministro.

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MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DE FACTO Dada a extensão da motivação da decisão sobre a matéria de facto, dá-se aqui por reproduzido a tal propósito o teor do despacho que antecede o presente acórdão, remetendo-se os intervenientes processuais para a sua leitura, conforme permite o art. 281, n. 2 do Código de Processo Penal.

3.

DECISÃO SOBRE A MATÉRIA DE FACTO

Do Crime de Conspiração Vem o arguido Gastão Salsinha acusado da prática, em autoria singular, na forma consumada e em concurso real, de um crime de conspiração, p. e p. nos termos conjugados dos art. 88 e 110, ns. 1 e 5 do Código Penal Indonésio. Dispõe o art. 110, n.1 do CPI que “A conspiração para a prática de um dos crimes previstos nos art. 104 a 108 deve ser punida com pena de prisão até 6 anos”, acrescentando o n.5 do mesmo artigo que “Se nos casos mencionados nos ns. 1 ou 2 deste artigo, o crime vier a ser praticado, a punição é elevada para o dobro”, ou seja, 12 anos de prisão. Conforme dispõe o art. 88 do CPI, “A conspiração verifica-se assim que duas ou mais pessoas acordam em praticar um crime”. Entre os crimes mencionados pelo art. 110 do CPI consta o de Atentado contra o Presidente da República, p. e p. pelo art. 104. Das citadas disposições legais resulta a punição da mera intenção e planificação concertada de atentar contra o Presidente da República. Basta que duas ou mais pessoas acordem entre si praticar o crime previsto pelo art. 104 do CPI, para que a punição possa ocorrer, ainda que,

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI na sequência desse acordo não venham a ser praticados quaisquer actos de execução para a concretização do crime. Por essa via pretendeu o legislador fazer recuar a tutela conferida aos crimes contra a segurança do Estado para uma fase muito liminar da violação dos bens jurídicos em causa. Na verdade, pelo mencionado crime não está em causa, sequer, a punibilidade da tentativa do atentado (a qual é punida nos termos gerais), mas sim os factos anteriores à própria tentativa, e que se reportam à própria decisão de praticar o crime, com ou sem actos de execução. Contudo, no presente caso, não haverá interesse em aprofundar muito mais a análise deste tipo legal, uma vez que, com a entrada em vigor do Código Penal de Timor Leste (aprovado pelo DL n. 19/2009, de 8 de Abril, com entrada em vigor a 7 de Junho do mesmo ano), a mera conspiração do crime de atentado deixou de ser punida. Na verdade, o actual Código Penal deixou de prever uma disposição equivalente ao art. 110 do CPI, pelo que apenas passou a ser punido o crime de atentado contra representante máximo de órgão de soberania (art. 203 do CPTL), ou o crime de homicídio, simples ou qualificado, p. e p. pelos art. 138 e 139 do CPTL. Não sendo tais crimes consumados, haverá lugar à punição da conduta na forma tentada, desde que se verifiquem os pressupostos da punibilidade da tentativa previstos pelos art. 23 e 24 do CPTL. Sendo que este novo Código dispõe agora expressamente que “Os actos preparatórios não são puníveis, salvo disposição legal em contrário” – art. 22 do CPTL. Ora, na falta de disposição expressa no sentido de punir o mero acordo concertado de vontades no sentido de atentar contra a vida do Presidente da República, deve entender-se que a mera conspiração constitui um mero acto preparatório (por oposição à nocão de actos de execução constante do art. 23, considerando-se como tal os actos objectivamente adequados a produzir o resultado). E como acto preparatório, não é punível, na falta de disposição legal expressa.

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Assim, e no seguimento das alegações finais apresentadas pelo Ministério Público, entende o Tribunal que a entrada em vigor do novo Código Penal operou uma descriminalização da conduta imputada ao arguido Gastão Salsinha. Nos termos do disposto no art. 31 da Constituição da República de Timor Leste, “Ninguém pode ser julgado e condenado por um acto que não esteja qualificado na lei como crime no momento da sua prática, (...)” – n.2 desse artigo - , acrescentando o n. 5 que “A lei penal não se aplica retroactivamente, a menos que a nova lei beneficie o arguido”. Das disposições legais citadas resultam os príncipios básicos da legalidade e da aplicação da lei penal no tempo, mais concretamente os da irretroactividade, e da retroactividade in mitius. Os corolários de tais princípios encontram-se desenvolvidos no Código Penal, dispondo o art. 3, n.1 que “Ninguém pode ser punido por facto definido como crime no momento da sua prática se lei posterior deixar de o considerar como crime”. De tais normas decorre que, quando o legislador opte por descriminalizar determinada conduta que anteriormente era prevista como crime, deixa de haver lugar à punição. O que deve considerar-se como uma causa de extinção da responsabilidade criminal (art. 118 do CPTL). Em conformidade, nos termos dos art. 3, n.1 e 118 do Código Penal de Timor Leste, decide o Tribunal declarar extinta a responsabilidade criminal do arguido Gastão Salsinha pelo crime de conspiração em atentado contra o Presidente da República, anteriormente p. e p. pelos art. 110, 88 e 104 do CPI, por descriminalização da conduta.

Do Crime de Atentado Contra o Presidente da República

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI Na acusação deduzida é imputada aos arguidos Amaro da Costa, Domingos do Amaral, Gilson José Silva, Paulo Neno Leos, Marcelo Caetano, Gilberto Sunimota, Joanino Maria Guterres, Egidio Lay Carvalho, Ismael Sansão Moniz Soares e Caetano dos Santos Ximenes, a co-autoria, na forma consumada, de um crime de atentado contra a vida do Presidente da República, p. e p. pelo art.º 104º do Código Penal Indonésio. À arguida Angelita Pires é imputada também a prática desse crime enquanto autora mediata do mesmo. Dispõe o art. 104 do CPI que “A tentativa levada a cabo com a intenção de privar o Presidente ou o Vice-Presidente da sua vida ou da sua liberdade, ou de torná-lo incapaz de governar, é punida com a pena capital, ou com prisão perpétua, ou com pena de prisão até 20 anos”. Num primeiro momento da análise dos elementos típicos deste crime, importa resolver uma questão suscitada pela defesa da arguida Angelita, em requerimento constante de fls. 4515 e seg. No entender da Defesa, face à ordem jurídico-constitucional instituída em Timor Leste, o crime de atentado contra o Presidente da República previsto pelo art. 104 do Código Penal Indonésio apenas deveria ser aplicado, mediante interpretação correctiva do artigo, nos casos de atentado contra o Primeiro-Ministro. Baseia tal entendimento na circunstância daquele artigo tutelar, como bem jurídico, a governabilidade do Estado, a qual, nos casos de morte do Presidente da República, apenas é posta em causa nos Estados de sistema presidencialista. Nos casos em que o Chefe de Estado não exerça funções governativas, conforme sucede nos sistemas parlamentaristas, a sua morte não perturba a governabilidade do Estado. E não sendo tal bem jurídico posto em causa, então, a morte do Presidente da República em tais sistemas não integra o crime previsto no art. 104 do CPI. Conforme decorre da posição exposta pela defesa da arguida, a governabilidade do Estado é equiparada ao exercício de poderes

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI executivos, pelo que só haveria crime quando o atentado fosse praticado contra quem exercesse os poderes executivos do Estado, o que só sucederia com os Presidentes da República em sistemas de governo presidencialista. Ora, conforme a defesa bem afirma, o crime específico em causa destina-se a tutelar a segurança do Estado (conforme se lê no Capítulo I do Livro II do CPI). Também se concorda com a defesa quando afirma que, de acordo com o legislador penal indonésio, esse bem jurídico é violado quando o acto praticado impeça a governabilidade do Estado. O que sucede, sem qualquer dúvida, nos sistemas presidencialistas. Mas sucede também noutros sistemas de governo, onde os vários poderes são repartidos por vários órgãos. A Constituição da República Democrática de Timor Leste optou por um sistema de governo onde o poder político é exercido por vários órgãos de soberania, os quais se relacionam entre si observando os princípios da separação e interdependência – art. 62, 67 e 69 da CRDTL. De acordo com as definições que a própria Constituição oferece, “O Presidente da República é o Chefe de Estado, símbolo e garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas”- art. 74, n.1 - ; por sua vez “O Parlamento Nacional é o órgão de soberania da República Democrática de Timor Leste representativo de todos os cidadãos timorenses, com poderes legislativos, de fiscalização e de decisão política”- art. 92 - ; por fim, “O Governo é o órgão de soberania responsável pela condução e execução da política geral do país e o órgão superior da Administração Pública” – art. 103. Uma vez analisadas as competencias próprias de cada um desses órgãos, constata-se que, entre eles, existem efectivos mecanismos de interdependência destinados a impedir que os poderes próprios de cada um possam ser exercidos o controlo dos outros órgãos. Não nos deteremos nessa análise por não ser este o lugar próprio, mas poderemos apenas afirmar que o Presidente da República, enquanto garante do

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República Democrática de Timor Leste TRIBUNAL DISTRITAL DE DILI regular funcionamento das instituições democráticas, possui mecanismos de controlo sobre o poder legislativo exercido pelo Parlamento Nacional, bem como sobre o poder executivo exercido pelo Governo. A ser assim, desde logo importa fazer um afastamento face à posição da defesa quando esta afirma que a governabilidade do Estado só é atingida quando sejam afectados os órgãos com poder executivo. Nos termos da CRDTL, deve entender-se por governabilidade não apenas o exercício do poder executivo, mas o normal exercício do poder político do Estado (que não se limita, conforme se viu já, ao poder de governar) pelos seus vários órgãos. Ora, o garante desse normal exercício do poder é precisamente o Presidente da República, através do conjunto de competências que lhe são atribuídas com a finalidade de controlar a actividade dos outros órgãos de soberania com poder político. E não se diga que tais poderes são meramente genéricos, como sejam os de dissolução do Parlamento e Demissão do Governo – art. 86, alíneas f) e g) da CRDTL. Ao contrário desses, cujo exercício é tendencialmente excepcional, possui o Presidente da República o poder de promulgação e veto, através do qual controla e limita as actividades fundamentais dos outros dois órgãos. Assim, ao contrário do que afirma a defesa, num sistema de governo como o de Timor Leste, a governabilidade do Estado é afectada quando cada

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