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História da Automação Industrial

Conteúdo
Índice
Prefácio.......................................................................................................... 3
Introdução...................................................................................................... 5
1. Ramos da Indústria.................................................................................... 7
Ramos das Industrias do setor primário:..........................................................7
Ramos Industriais do setor secundário:...........................................................8
2. Sensores e Atuadores............................................................................... 10
Sensores........................................................................................................ 10
Atuadores....................................................................................................... 10
3. O surgimento da automação industrial....................................................12
A.O Controlador Lógico Programável – CLP....................................................13
B. O CNC – Controlador Numérico Computadorizado....................................15
C. A Eletroerosão........................................................................................... 17
D. SDCD – Sistema Digital de Controle Distribuído.......................................21
Aplicação do SDCD..................................................................................... 22
A História do SDCD..................................................................................... 23
Década de 80: A era centralizada na rede..................................................23
Década de 90: A era centralizada na aplicação..........................................24
E. O Robô...................................................................................................... 27
4. A Automação Industrial e a Sociedade.....................................................30
A.Consequências Imediatas da Automação Industrial sobre os Trabalhadores
....................................................................................................................... 31
b) “Prolongamento da jornada de trabalho” AQUI!!....................................35
c) “Intensificação do trabalho”...................................................................37
5. Nossa Época e a Necessidade Histórica...................................................41

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História da Automação Industrial

Prefácio
As premissas deste documento são poucas, mas profundas.
Em primeiro lugar que a humanidade, cuja existência, segundo a arqueologia
existe entre 50 e 70 mil anos, conseguiu tudo aquilo que atualmente possuímos
nesse intervalo de tempo, que para uma espécie animal não é um longo período.
Mas de todas as posses humanas, a mais relevante é o conhecimento que
dominamos.
Ao analisarmos nossa história vamos observar que a espécie humana chegou ao
mundo encontrando-se na mais absoluta pobreza, tanto em meios de ação, me
refiro a ferramentas e conhecimentos, e em meio de uma natureza pródiga em
recursos, e essa nossa história tem sido procurar satisfazer todas as
necessidades que temos encontrado nesta caminhada.
Mas no instante da primeira grande decisão humana, enveredamos pelo caminho
de uma organização social onde os homens repartiram-se em duas classes. E
desde então estamos, ao nascermos, insertos ou numa classe ou na outra, sendo
uma a que domina e é proprietária de sociedade e a outra sua servente, é
dominada pela classe de proprietários.
Mas entre o surgimento do primeiro regime social claramente dividido, ou seja aqui
no ocidente a civilização grega antiga, onde as características classistas ficaram
patentes através do aparecimento do estado e de uma organização repressora
para defender os direitos da classe dominante, a polícia, vem desdobrando-se em
novas sociedades, através de revoluções sociais, acompanhando o desdobrar da
consciência humana e acompanhando o desenvolvimento do conhecimento
humano das três partes constituintes deste mundo, ou seja, da natureza
inanimada, da natureza viva (animal e vegetal) e a natureza consciente, ou seja a
espécie humana, a única consciente que temos notícias comprovadas. Ainda
mais, é essa espécie que não é determinada pela natureza, mas pela sua
consciência, tanto dos aspectos naturais do mundo como dos aspectos sociais.
Assim, já passamos de uma sociedade escravista, a primeira construção social
que tivemos até o V século depois de Cristo, uma sociedade feudal até a
Revolução francesa e até nossos dias vivemos no capitalismo inaugurado pela
Revolução francesa.
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História da Automação Industrial
Este trabalho destina-se a demonstrar que nossa sociedade está atravessando
uma crise que já não permite soluções dentro deste regime social, estamos em
vias de profundas mudanças sociais que modificarão desde as raízes o sistema
social vigente atualmente, o capitalismo.
Não creio que se possa avançar muitas características dessa nova sociedade,
mas, sem dúvida, não mais existirá uma sociedade de classes, pois, esse tipo de
sociedade, a sociedade de classes sempre promoveu a classe dominante que tem
vivido às custas do trabalho da classe dominada, sempre promovendo os valores
de troca do produto social, sempre escasso e difícil de produzir. Somente nos dias
atuais vemos esse valor em crise junto com os valores morais e éticos no seio do
capitalismo. Tendo em conta o dito só podemos avançar que será um sociedade
onde o valor de troca deixe de existir e a dualidade de valores de um mesmo
objeto também, pois a partir de então os objetos somente terão valor de uso, além
disso a apropriação dos bens sociais existentes e os produzidos daí para a frente
não poderá ser pelo critério nem hereditário nem da propriedade dos meios de
produção, como até agora tem sido no capitalismo, mas será pelo critério da
necessidade social, e não só a apropriação, mas também a produção será
programada pela necessidade social.
A tarefa atual é continuar buscando esta sociedade, busca que já faz mais de um
século começou e que não temos conhecimento até quando continuará. O único
que podemos avançar é que a passagem do escravismo ao feudalismo durou
mais de 7 séculos e do feudalismo ao capitalismo mais de seis séculos.

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História da Automação Industrial Página 5 . somente transmite o valor dessas máquinas à sua produção. a diferença das máquinas da “Revolução Industrial” que possuíam três órgãos. Introdução Sabemos que com o surgimento da microeletrônica e do computador. abriu-se a possibilidade da construção de dispositivos de controle automático para todas as máquinas da produção industrial. esse momento. Isto quer dizer que diminui muito o valor das mercadorias que produzam. essas novas máquinas possuem a capacidade de dispensar quase que completamente o trabalho vivo. Assim abriu a possibilidade dos industriais dispensarem imensas quantidades de trabalhadores. é necessário investigarmos em profundidade os fatos que conduziram a este desfecho a cena econômica de atuação do capital. isto é. e assim a produção da máquina automatizada não gera valor. sobre a humanidade marcando o fim dos “anos dourados” e o início da época em que o capital deixou de ser progressista e passa a destruir as forças produtivas que ele próprio ajudou a construir em grande medida. Além disso. pelo menos um computador ou microcomputador e atuadores. (2) transmissão e (3) máquina ferramenta. relativamente às produções sem máquinas automáticas. só o trabalho vivo gera valor de troca. as máquinas da “Senilidade do Capital” passam a ter um quarto órgão: (4) órgão de controle. transformando o autômata da época da “Revolução Industrial”. que como escreveu Karl Marx: um autômata de máquinas com órgãos vivos incluídos em sua configuração. Esses complexos dispositivos compostos por sensores. que seja um processo repetitivo. O autômata da “Senilidade do Capital” é composto de máquinas simplesmente. Assim. (1) motor. ano da primeira manifestação de massas contra a crise que se abatia. durante os anos 1960. Com estas novas técnicas é possível automatizar qualquer processo que não tenha uma operação criativa em seu seio. os processos dentro da indústria são sempre repetições de criações de inventores e inovadores. Mas como é claro para todos. gerando um desemprego em massa que chega a atingir mais de 25% dos trabalhadores em determinados países.História da Automação Industrial O crescimento exponencial da composição do capital e o fim do lucro Depois de estar claro que a partir de 1968. passaram a ser o órgão de controle das máquinas. Com isto.

como alegam os economistas mais avançados da sociedade. bastava reduzir as horas de trabalho mantendo o mesmo salário. em lugar da simples especulação econômica. e mais. ou pelo menos nos principais. um regime capitalista.História da Automação Industrial È claro que não teria que haver desemprego com a máquina automática. mas isto é impensável sob um regime social onde os capitalistas são a classe dominante. ou seja. que esse quarto órgão gerou a própria especulação desenfreada que hoje oprime até setores da pequena burguesia e caminhando cada vez mais alto na escala social. em cada um dos ramos industriais. Mas para poder afirmar que o dito órgão de controle gerou o desemprego e a crise que hoje abala o mundo. para podermos afirmar o acima dito devemos demonstrá-lo e a única forma é analisando a evolução histórica da indústria desde o surgimento da automação e seguir até nossos dias. como este sob o qual vivemos. História da Automação Industrial Página 6 .

ou difícil de transportar a longas distâncias. embalam. sendo que são três os setores: Setor Primário: é o conjunto de atividades econômicas que extraem e/ou produzem matéria-prima. purificam ou processam as matérias-primas dos produtores primários. normalmente se consideram parte deste setor. especialmente se a matéria-prima é inadequada para a venda. História da Automação Industrial Página 7 . em produtos de consumo. a pecuária e a mineração em geral. extraídas e ou produzidas pelo setor primário. Muitos produtos do setor primário são considerados como matérias-primas levadas para outras indústrias. o "setor primário" é composto de sete atividades econômicas. que agregam. a pesca. ou em máquinas industriais (produtos a serem utilizados por outros estabelecimentos do setor secundário). a fim de se transformarem em produtos industrializados. Ramos da Indústria Em primeiro lugar vamos adotar a divisão dos ramos industriais em setores. Segundo os economistas. Isto implica geralmente a transformação de recursos naturais em produtos primários. Ramos das Industrias do setor primário:  Agricultura  Pecuária  Extrativismo vegetal  Caça  Pesca  Mineração  Extração de recursos não-renováveis Setor Secundário: O setor secundário é o setor da economia que transforma matéria-prima. As atividades importantes neste setor incluem agricultura. As indústrias fabris em sentido diversificado. empacotam.História da Automação Industrial 1.

Indústria aeroespacial.Indústria química. É nesse setor. envolve a comercialização de produtos em geral.Indústria automobilística. a terceiros. Setor Terciário: O setor terciário também conhecido como serviços. . e o oferecimento de serviços comerciais.Indústria cervejeira. como petróleo. que podemos dizer que a matériaprima é transformada em um produto manufaturado. . .Indústria siderúrgica.Indústria de confecções.Indústria de telecomunicações. . . A indústria e a construção civil são. gás e electricidade. pessoais ou comunitários. gás e energia elétrica. . Também é importante neste sector o fornecimento de água. .Indústria eletrônica.Indústria de maquinaria.Indústria naval. . História da Automação Industrial Página 8 . atividades desse setor.História da Automação Industrial Geralmente apresenta porcentagens bastante relevantes nas sociedades desenvolvidas. . portanto. . .Indústria de energia. no contexto da economia. A indústria é a atividade mais importante do setor secundário. .Indústria alimentícia.Indústria de cigarros. Ramos Industriais do setor secundário: .

à essência da função do produto. bem como aos consumidores finais. desta ideia. Tal noção. Os serviços podem envolver o transporte. Ou seja. como a atenção pós-venda que é a forma mais usual de agregar valor a um produto. Os serviços são definidos na literatura econômica convencional como "bens intangíveis". como o entretenimento. os serviços são. História da Automação Industrial Página 9 . como acontece no restaurante ou em equipamentos na atividade de reparações. o produto na sua função mais básica. ou podem envolver a prestação de um serviço. distribuição e venda de mercadorias do produtor para um consumidor que pode acontecer no comércio atacadista ou varejista. em forma de serviço. utilizados como um meio de gerar valor ao produto. O setor terciário da economia envolve a prestação de serviços às empresas. ou seja. a assistência que é prestada ao cliente. pela garantia da assistência. é entendido como um serviço prestado. mais do que à transformação de bens físicos. Os produtos podem ser transformados no processo de prestação de um serviço. No entanto.História da Automação Industrial O Setor Terciário é definido pela exclusão dos dois outros setores. já que é um setor improdutivo. Para os objetivos deste documento o Setor Terciário não representa interesse. o foco é sobre as pessoas interagindo com as pessoas e servindo ao consumidor. Foi adicionado um anel. Em termos de Marketing. que valoriza o produto. está intimamente ligada à adição de anéis (acréscimo de valor). que o capital utiliza para agregar valor aos produtos do setor secundário. somente complementa o Setor Secundário. após a venda do produto. Um exemplo clássico. é o chamado serviço de pós-venda. ao que é chamado "caroço" do produto. Somente queremos comentar que todo o sector bancário e financeiro enquadra-se aqui. muitas vezes.

No caso.História da Automação Industrial 2. Sensores e Atuadores Para uma ideia mais clara sobre o controle automático em geral é imprescindível ter em claro algumas ideias sobre sensores e atuadores. Existem padrões para a conversão na saída dos sensores: o padrão mais antigo trabalha com correntes elétricas entre 4 mA e 20mA.625) essas operações devem ser efetuadas pelo receptor do sinal. História da Automação Industrial Página 10 . esse sensor é chamado transdutor. que são mais simples que os atuadores hidráulicos e os atuadores pneumáticos. mas há outros. seja de um computador ou outro processador de sinais. um transdutor é um sensor que converte uma dada energia em outra. porque transforma a temperatura num sinal elétrico. Então o computador ou equipamento eletrônico terá que realizar uma medição da resistência do sensor e em seguida realizar uma ou mais operações matemáticas para transformar a resistência no número que corresponde à dada temperatura. e recebo 10 mA. tomamos um semicondutor que mude sua resistência elétrica proporcionalmente à temperatura do ambiente ou corpo. significa que o valor é 0. Sensores Um sensor é um dispositivo que responde a um estímulo físico ou químico de maneira específica e mensurável. Portanto. pois sempre envia o sinal para uma entrada. Por exemplo. ou seja. 20 – 10 = 10. Os sensores utilizados para transmitir sinais para equipamentos eletrônicos medirem necessitam converter a energia do sinal. se queremos medir a temperatura de um ambiente ou um corpo.625 (pois 20 4= 16. Atuadores No caso do controle eletrônico os atuadores são atuadores elétricos. por exemplo um que usa o intervalo de 0V a 10 V. se estou medindo um sinal que vai de 0 a 1. Hoje o padrão mais usado varia de 0 Volt a 5V. Para o caso dos robôs são necessários também atuadores hidráulicos e pneumáticos. 10/16 = 0. Também é chamado de dispositivo de entrada. caso não seja um sinal elétrico em energia elétrica.

sem eles não existe controle automático. Como se vê os atuadores e sensores desempenham importante papel. acionando um mecanismo e pondo em execução alguma função ou toda uma máquina.História da Automação Industrial O exemplo simples de um atuador é um eletro ímã. na presença de um sinal elétrico ele passa a atrair alguma alavanca. História da Automação Industrial Página 11 .

esse fato provoca profundas modificações no seio da organização social que mais dias ou menos dias leva a um revolucionar de toda essa organização. sem contar que a caixa de descarga de água que possuímos em casa para a higiene de nossos banheiros é também um dispositivo automático e talvez mais antigo que o exemplo citado.História da Automação Industrial 3. devido a essas indústrias havia uma imensa concentração de operários e atividades industriais. e outros mecanismos. Ao lado deste pavilhão havia outro das mesmas dimensões. 1O Capital. 1968 marca o fim de uma época e o início de outra. que alojava o controle das esteiras transportadoras na linha de montagem. como por exemplo o regulador de velocidade de um motor a vapor. Pois cada vez que a humanidade tem mudado seu modo de produzir sua vida. no que tange à indústria e por isso mesmo está provocando mudanças muito profundas em toda a sociedade. o regulador de velocidade do motor a vapor. incluindo alguns eletrônicos primitivos. Como já dissemos no início deste trabalho. o instrumental de trabalho”1. a indústria automobilística dos Estados Unidos da América do Norte atravessava uma crise estrutural. Esse controle era realizado por equipamentos eletromecânico. na indústria moderna. onde se realizava a montagem dos veículos. Até meados dos anos 1960 cada indústria automobilística era composta de pelo menos de um comprido pavilhão. O surgimento da automação industrial Karl Marx escreve: “Na manufatura. incluindo atividades satélites da indústria automobilística. pg424 editora DIFEL História da Automação Industrial Página 12 . já existiam dispositivos que automatizavam determinadas operações das máquinas. o ponto de partida para revolucionar o modo de produção é a força de trabalho. ditando um novo modo de pensar e um novo modo de encarar o mundo e portanto nossos semelhantes. da qual não sairia se não reestruturasse suas fábricas. Karl Marx. magistralmente descrita por Karl Marx. Essa indústria se localizava sobretudo na região de Detroit. Desde antes da Revolução Industrial. Livro I. Mas somente com o surgimento da microeletrônica nos anos 1960 foi possível automatizar todas as operações de uma máquina e mesmo toda uma produção. Na verdade era um imenso emaranhado de reles. e são muito distintas uma da outra. aí. Nos anos 1960. Na era da “senilidade do capital” o ponto de partida é o autômata da era da grande indústria.

devido a frequentes alterações na linha de montagem. todos da era anterior ao surgimento da micro eletrônica.História da Automação Industrial temporizadores com mecanismos de relógio e outros dispositivos semelhantes. também era necessário fazer-se alterações no controle. para redução de custos. Facilidade de programação. A. isto impedia qualquer alteração e exigia refazer-se todo o controle. Envio de dados para processamento centralizado. já que os circuitos eletro mecânicos são difíceis de manipular e ocupam grandes espaços. Portanto para fazer alterações nesses circuitos somente pessoas com formação especializada e familiarizada profundamente no funcionamento da fábrica em particular. da Hydronic Division da General Motors. Em meados dos anos 1960 muitas indústrias já quase tinham perdido o controle de suas linhas de montagem devido à sua complexidade e alterações nem sempre documentadas. além de que qualquer alteração nos mesmos requer alterações físicas nas instalações. Dimensões menores que painéis de Relês. como sempre. em 1968.  3. sob a direção do engenheiro Richard Morley.  2. e além disso conhecedora Um CLP atual dos esquemas de montagem desses circuitos em particular. O Controlador Lógico Programável – CLP Dadas essas dificuldades nasceu o CLP (Controlador Lógico Programável. História da Automação Industrial Página 13 .  5. o que é caro e difícil. Alta confiabilidade.  4. Facilidade de manutenção com conceito plug-in. Nessa época. Os CLP`s foram criados com os seguintes objetivos:  1. seguindo uma especificação que refletia as necessidades de muitas indústrias manufatureiras. em inglês PLC – Programming Logic Controller). Isto era difícil e delicado.  6. Preço competitivo.

Expansão em módulos. Observem a construção modular com placas encaixadas em bastidores.História da Automação Industrial  7. surgiram os primeiros CNC (Comando Numérico Computadorizado). Com o avanço nos diferentes campos da eletrônica e computação. O CLP em seguida foi aplicado no controle de máquinas e equipamentos em todos os ramos industriais e até nossos dias representam o equipamento mais usado na automação. Atualmente o CLP encontra-se em sua 5ª geração relativamente à linguagem empregada em sua programação. não só para o ramo automobilístico. hoje (2013) estas máquinas. são menores e imensamente mais poderosas e fáceis de se usar que os originais dos anos 1960.  8. mas especialmente representa o início da automação do ramo metal-mecânico e é usado praticamente em máquinas de todos os ramos industriais. Este passo adiante na automação industrial representa um avanço importante. Mínimo de 4000 palavras na memória2. os CLP’s. 2Fonte Wikipedia História da Automação Industrial Página 14 . o primeiro Controlador Programável feito em série. Dick Morley com seu modelo 084. o CLP. Depois do surgimento desse primeiro dispositivo de automação.

Este equipamento permite o controle. e se emprega até mesmo em equipamentos medicinais. permitindo algum ajuste em algumas operações em pleno funcionamento. modelo Vektor SL20. químico. O CNC – Controlador Numérico Computadorizado. tendo como núcleo um microprocessador. farmacêutico. O CNC surge mais tarde que o Comando Numérico que lhe deu origem.História da Automação Industrial B. comando Siemens. etc. aeroespacial. confecções. eletrônico. tanto de reposição como para a montagem de equipamento de guerra. siderúrgico. trabalham com um sistema operacional de um microcomputador desktop e os sistemas atuais além de comandar a máquina permite o diálogo com o operador. História da Automação Industrial Página 15 . Painel antigo de O CNC surgiu a partir de um sistema de controle denominado Controle Numérico desenvolvido na década de 1940. elétrico. automobilístico. microeletrônico. além do envio de dados que seja de interesse do usuário para processamento independente. partindo do torno mecânico até máquinas de muitíssimos outros ramos industriais. alimentício. Torno a CNC comando Haas. máquina a CNC. durante os anos 1970. praticamente de qualquer máquina. em resposta ao esforço de guerra que devia produzir grandes quantidades de peças de alta precisão. que acabava de ser produzido. Os CNC’s modernos estão bastante avançados e permitem o controle de máquinas com vários eixos ao mesmo tempo. maquinaria. no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Assim os encontramos em qualquer máquina do ramo metalmecânico. e tendo em conta que uma grande parcela dos operários norte-americanos se encontravam engajados como soldados na Segunda Guerra Mundial.

com outra programação. Até os anos 60 os únicos automóveis que saiam de fábrica com tração dianteira eram os automóveis Citroen. um parafuso com cabeça sextavada e com o emblema do fabricante gravado no corpo de dito parafuso. Outro exemplo que podemos citar é o trabalho de um torno mecânico CNC. a cruzeta é um mecanismo bem mais delicado e se rompe muito mais facilmente que uma junta homocinética. que é mais segura que a tração traseira. pois nessa época produzir uma junta homocinética demorava talvez um dia de trabalho de um mecânico especializado como fresador exímio ou talvez mais. pois o controle que serve para as máquinas de um ramo quase sempre vão servir para as máquinas de muitos outros setores. infotec-plasma-cnc História da Automação Industrial Página 16 CNC_Shark . franceses. em segundos. pois. Essas juntas homocinéticas são as responsáveis pela tração dianteira dos automóveis atuais. Atualmente uma fresa CNC produz centenas dessas juntas em um dia e não necessita mais que uma pessoa que abasteça de material vária dessas fresas para seguirem trabalhando. Como vemos.História da Automação Industrial Um exemplo elucidativo da capacidade de um CNC é a produção das juntas homocinéticas dos veículos de quatro rodas modernos. não é possível separar muito bem o desenvolvimento da automação nos diferentes ramos industriais. É claro que nem pensar que um torneiro mecânico humano fosse capaz de tornear uma peça sextavada. teria que ser um super-homem para ter tanta velocidade. mas com um dispositivo chamado cruzeta e não com uma junta homocinética. que a partir de um tarugo de aço de diâmetro adequado produz.

o eletrodo e a peça não estão em contato devido ao meio dielétrico que os envolve. Aplicando-se uma diferença de potencial (em corrente contínua) entre duas placas condutoras de eletricidade. a temperatura até 12. ou usinagem por descargas elétricas. tornando-se eletrolítico e no meio gasoso a pressão poderá alcançar as marcas de até 200 atm. separadas por uma pequena distância (de 0. e especialmente de dimensões diminutas.História da Automação Industrial C. No instante da descarga elétrica. Na verdade. Ao iniciar o ciclo de erosão. na pequena região de descarga elétrica. A Eletroerosão. difíceis de serem usinados por processos tradicionais de usinagem.050mm) denominada GAP. chamadas de eletrodo e peça. Este período é denominado de Ton. especialmente aqueles de alta dureza. Cessada a descarga História da Automação Industrial Página 17 . ocorrem descargas elétricas entre elas. assim o fluido dielétrico evaporará. circula um fluido dielétrico que se torna eletrolítico na forma gasosa. é um processo indicado na usinagem de formas complexas em materiais condutores elétricos. Essa descarga elétrica durará alguns milionésimos de segundo (microssegundos). neste espaço entre a peça e o eletrodo. A Eletroerosão ELETROEROSÃO POR PENETRAÇÃO: Modelo S325 A eletroerosão baseia-se na erosão de partículas metálicas por meio de descargas elétricas. a potência despendida por unidade de área pode chegar até 1000 W/m2.000°C.012mm a 0. ou ainda EDM (Electrical Discharge Machining).

pois não há a necessidade de se fabricar ferramentas com geometrias não convencionais. A lavagem interna pode ser feita por sucção ou injeção. inicia-se. terá uma velocidade menor que a usinagem com eletrodo cilíndrico vazado. As vantagens de um ou outro sistema dependem de cada caso e deve ser levado em conta não só a geometria da peça. Atualmente. História da Automação Industrial Página 18 . com o advento de máquinas CNC. dando início ao processo de usinagem. período que ocorrerá a emersão dos gases eletrolíticos. por alguns milionésimos de segundo. O sistema de fixação da peça também influi na TRM. Todo o conjunto que compõem a máquina relaciona-se mutuamente. portanto a escolha de uma máquina adequada ao tipo de trabalho a ser executado deve levar em consideração todos os fatores envolvidos para que o processo tenha o melhor desempenho. é possível obter-se trajetórias definidas. assim.História da Automação Industrial elétrica. ocorrerá uma micro-explosão e a desagregação das partículas fundidas da peça. Outra função é a renovação constante do fluido dielétrico entre a ferramenta e a peça. Isto favorece o processo. terá que ser fundido apenas o material em volta do mesmo para obtenção da geometria desejada. No eletrodo vazado. Isso acontece porque com o eletrodo vazado. A geometria da ferramenta modifica a velocidade de usinagem e a TRM (Taxa de Remoção de Material). garantindo um avanço contínuo da ferramenta. Os espaços ocupados pelo gás serão preenchidos pelo fluido dielétrico em temperatura menor que a região em usinagem. mantendo as características físicas e químicas do mesmo. o que viabiliza a obtenção de superfícies complexas. as ferramentas se restringem a uma fina haste com extremidade esférica. tendo várias funções importantes. As partes podem ser definidas como o conjunto que engloba a geometria da ferramenta propriamente dita. mas também a precisão requerida. pois se relaciona com o sistema de lavagem permitindo a passagem do dielétrico em diferentes regiões. o período Toff. Um exemplo é um eletrodo cilíndrico maciço e um eletrodo cilíndrico vazado. Com métodos computacionais. onde todo o volume do furo. o volume de material a ser fundido é bem menor que no caso do eletrodo maciço. como se fosse uma fresadora CNC. deverá ser fundido. por exemplo. Uma delas é a de arrastar todo material erodido entre a ferramenta e peça. que com o decorrer da usinagem requer novas correções de forma. A usinagem por EDM com eletrodo cilíndrico maciço com parâmetros do processo constantes. com o choque térmico. Essa renovação garante também o resfriamento mais pronunciado através da ferramenta ou peça. o tarugo interno não será fundido. o sistema de fixação da peça e o sistema de lavagem. O sistema de lavagem é outro fator de significativa importância na máquina.

Santo André História da Automação Industrial Página 19 .História da Automação Industrial Gravadora Lobenwein Eletroerosão 60A .

Atualmente.História da Automação Industrial A eletroerosão começou a ser utilizada a cerca de sessenta anos atrás para a recuperação de peças com ferramentas quebradas em seu interior. Analisamos que a eletroerosão é um processo de precisão. com um mínimo de desperdício. pelo fato de a peça permanecer submersa em líquido. da era da eletroerosão. A dureza do material da peça não tem efeito negativo na velocidade de corte. Durante a Segunda Guerra Mundial dada a escassez de força de trabalho e a necessidade grandes volumes na produção industrial. dobragem ou repuxo). A diferença que nesse caso um fio de latão ionizado atravessa a peça submersa em água deionizada. mais utilizado atualmente em ferramentaria. que se não forem reduzidas ou mesmo eliminadas. O processo de eletroerosão a fio é largamente utilizado na indústria fabricante de ferramentas. entre outras realizações. ele introduz defeitos na superfície das peças. História da Automação Industrial Página 20 . Apesar das vantagens deste processo. principalmente por permitir usinagem após o processo de tempera o que em outros processos convencionais de usinagem. contribuirão para a sua falha prematura. Características: Ausência de forças de corte e tensões comuns dos processos convencionais de usinagem. O corte a fio é programado por computador e permite os cortes de perfis complexos com exatidão. impulsionaram a pesquisa de novas técnicas visando tornar possível o aumento da produção. como é o caso de uma peça de aço temperado de 10 ou 20 cm de espessura com uma forma complicada. em movimentos constantes. pois não há contato físico entre o fio e a peça. Esse esforço marcou o início. Rápida dissipação de calor. A eletroerosão a fio está destinada ao corte de peças de material de extrema dureza. pelas suas características. e para cortes em materiais de alta resistência. as quais cortam o material. Os princípios básicos da eletroerosão a fio são semelhantes aos da eletroerosão por penetração. provocando descargas elétricas entre o fio e a peça. não é comumente possível. a eletroerosão a fio é bastante usada na indústria para confecção de matrizes (ferramentas de metal duro para corte.

SDCD – Sistema Digital de Controle Distribuído O Sistema digital de controle distribuído ou SDCD é um equipamento da área de automação industrial que tem como função primordial o controle de processos de forma a permitir uma otimização da produtividade industrial. muitas vezes com microprocessadores. para o capital com vistas na diminuição de custos de produção. É baseado na resposta da modelagem matemática de uma malha do processo a ser controlada. Fonte Wikipedia História da Automação Industrial Página 21 .3 A eletroerosão por penetração é semelhante a esta a fio. Na prática os PID são encontrados no interior de controladores eletrônicos chamados "single-loop". para a humanidade melhoria na qualidade dos produtos.ebah.História da Automação Industrial Caracteriza-se pela complexidade das peças e das tolerâncias conseguidas.o sistema pode controlar e supervisionar o processo produtivo de toda uma unidade industrial. controladores PID4. segurança operacional. D. o sistema oferece uma interface homemmáquina (IHM) que permite o interfaceamento com controladores lógicos programáveis (CLP). zerado pela ação integral e obtido com uma velocidade antecipativa pela ação derivativa. O sistema é dotado de processadores (computadores ou mais usualmente microcomputadores dedicados) e redes redundantes e permite uma descentralização do processamento de dados e decisões. equipamentos de comunicação digital e sistemas em rede.com. Algumas peças de alta complexidade e resistência só são possíveis usiná-las com esse processo. e também através de software em Controladores programáveis e outros equipamentos de controle. Além disso. É através das Unidades de Processamento. Ele é composto basicamente por um conjunto integrado de dispositivos que se completam no cumprimento das suas diversas funções . controle PID ou simplesmente PID. Isto permite a gravação de complicadas figuras tridimensionais na superfície de uma placa de aço temperado com alta dureza. através do uso de unidades remotas na planta. com o objetivo de proporcionar uma manutenção no comportamento de um referido processo na planta da indústria. comparadas a outros processos de usinagem. libertação do homem do trabalho.br/content/ABA by cAI/eletroerosao-a-fio 4Controle proporcional integral derivativo. seja uma usina ou fábrica. distribuídas nas 3http://www. dentro de parâmetros já estabelecidos. precisão das operações. é uma técnica de controle de processos que une as ações derivativa. Utilizam-se técnicas de processamento digitais (discreto) em oposição ao analógico (contínuo). integral e proporcional. entre outros. fazendo assim com que o sinal de erro seja minimizado pela ação proporcional. mas produz desenhos em profundidade ao invés de cortar o material que está sendo processado.

Os processos não se restringem ao fluxo fluídico através de canos. como por exemplo. que os sinais dos equipamentos de campo são processados de acordo com a estratégia programada. refino de petróleo.  Sistemas de tratamento de água. Estes sinais. controlador e válvula de controle.  Sinais de radio. o controlador induz a válvula ou atuador a abrir ou fechar até que a pressão atinja o valor do ponto. Grandes refinarias de petróleo podem ter vários milhares de pontos de entrada (sensores) e saída (atuadores) e empregar muitos SDCD’s. indústria de alimentos e bebidas. SDCD são conectados a sensores e atuadores e usam controle por ponto para controlar o fluxo de material através da planta. quando o valor medido alcança certo ponto.  Semáforos. petroquímicas. centros de História da Automação Industrial Página 22 . mas pode se estender a maquinas de fabricação de papel. metalurgia e industria de papel. usados no controle de processos de manufatura de natureza tanto continua quando orientada por lotes. transformados em informação de processo.  Indústria farmacêutica.  Redes de sensores. produção de cimento.História da Automação Industrial áreas. A medida da pressão é enviada ao controlador. Um dos exemplos mais comuns de sistema de controle por ponto consiste em um sensor de pressão.  Refinarias de petróleo. farmacêuticas. O SDCD é utilizado principalmente em:  Usinas de geração elétrica e redes de abastecimento elétrico.  Navios de transporte de carga seca a granel e Petroleiros. são atualizados em tempo real nas telas de operação das Salas de Controle. Aplicação do SDCD SDCD são sistemas dedicados.  Usinas químicas. usinas elétricas.  Sistemas de controle de meio-ambiente.

na Refinaria Texaco Port Arthur. A Comunicação local é realizada através de uma rede de cabos de par trançado. Um servidor e/ou processador de aplicações pode ser incluso no sistema com o intuito de adicionar capacidade computacional extra assim como de coleta de dados e de gerar relatórios. Um SDCD típico consiste em controladores digitais distribuídos por função ou localização geográfica. entre muitos outros. processamento de minério. operações de mineração. a companhia Fisher & Porter (agora também parte da ABB) introduziu o DCI-400(DCI significa Distributed Control Instrumentation. através de uma rede. Os dispositivos de entrada e saída podem estar inclusos no controlador ou remotos. integral e derivativo(PID). era um computador que possuía hardware de entrada e saída para captar sinais de processo da planta. O IBM 1000. com os sistemas TDC 2000 e CENTUM.purdue História da Automação Industrial Página 23 . Texas. A Bristol dos Estados Unidos também lançou seu controlador universal UCS 3000 em 1975.História da Automação Industrial controle de motores. Também em 1980. A Honeywell e a firma de engenharia elétrica japonesa Yokogawa produziram independentemente e introduziram seus SDCD na mesma época. Em 1980. instrumentação de controle distribuído). respectivamente. Década de 80: A era centralizada na rede O SDCD trouxe o processamento distribuído à planta e estabeleceu a presença de computadores e microprocessadores no controle de processo. O SDCD for introduzido em 1975. A História do SDCD Minicomputadores primitivos foram usados no controle de processos industriais desde o começo dos anos 60. Isto foi incorporado no Modelo de referencia purdue (PRM. Em muitos casos o SDCD era meramente uma reposição digital das mesmas funcionalidades fornecidas por controladores analógicos e painéis de visores. Os controladores contemporâneos possuem alta capacidade computacional. fornos de clinquerização do cimento. coaxial ou de fibra óptica. a Bailey (agora parte da ABB) introduziu o sistema NETWORK 90. O SDCD pode empregar uma ou mais estações de trabalho (PC’s. O primeiro computador para controle industrial foi construído em 1959. geralmente podem realizar controle continuo e sequencial. com um RW-300 da companhia RamoWooldridge. mas ainda não forneceu o grau de abertura necessário para unificar os requisitos de recursos da planta. e além de controle proporcional. por exemplo) e podem ser configurados através delas ou de um PC. por exemplo. capazes de executar de 1 ate 256 funções de controle em uma caixa de controle.

A História da Automação Industrial Página 24 . com a crescente adoção de software comercial pronto (COTS – commercial off-the-shelf) e padrões de TI. Na década de 80 os usuários começaram a olhar para o SDCD como mais que um sistema de controle básico. A Década de 80 também testemunhou os primeiros CLPs integrados à infraestrutura do SDCD. seria possível realizar coisas ainda maiores. O Sistema instalado na Universidade de Melbourne usava uma rede de comunicação serial. com a maioria dos SDCD HMI suportando conectividade com a internet. Provavelmente a maior transição deste período foi a de sair do sistema operacional UNIX para a o Windows.000 objetos de controle ao mesmo tempo.real time operational system) para aplicações de controle continua dominado por variantes comerciais de tempo real do UNIX.História da Automação Industrial reference model) que foi desenvolvido para definir as relações de gerencia de operações de produção. em configuração de processamento paralelo. A tecnologia da Internet começou a fazer sua marca na automação e no mundo do SDCD. Isso resultou nos fornecedores também começarem a adotar redes baseadas em Ethernet com suas camadas de protocolo proprietário. mas o uso de Ethernet tornou possível implementar as primeiras instancias de gerencia de objeto e tecnologia de acesso global a dados. que introduziu o sistema I/A Series em 1987. o que era precisamente o problema que as indústrias de processo contínuo estavam tentando resolver. O UNIX e sua tecnologia de rede TCP-IP(o mesmo da Internet) foram desenvolvidos pelo departamento de defesa dos EUA visando ser aberto. enquanto a sala de controle rodava 11. PRM depois foi usado como base para o padrão de atividades ISA95. Cada unidade remota rodava 2 microprocessadores Z80. Década de 90: A era centralizada na aplicação A busca pela abertura do sistema da década de 80 ganhou momento na década de 90. O padrão TPC/IP completo não foi implementado. conectando os prédios do campus ate uma sala de controle. Acreditava-se que se uma maior abertura de dados fosse possível e um volume maior de dados pudesse ser compartilhado pela empresa. como o LINUX ou sistemas operacionais proprietários. que paginava memória comum para compartilhar tarefas e podia rodar ate 20. O primeiro fornecedor a adotar UNIX e tecnologias de rede Ethernet foi a Foxboro. Enquanto o reino de sistemas operacionais de tempo real (RTOS. A primeira tentativa de aumentar a abertura dos SDCD resultou na adoção do sistema operacional da época: UNIX. Um exemplo bastante antigo de SDCD de controle digital direto foi completado pela empresa australiana Midac em 1981-1982 usando hardware R-Tec criado na Austrália.

Componentes padronizados de fabricantes como Motorola e Intel. particularmente de entrada e saída e controladores. Durante anos. foi mais substancial na camada de hardware. transparência da comunicação e confiabilidade. estações de trabalho e hardware de rede. Conforme os fornecedores realizaram sua transição para os componentes software comercial pronto. porém. Emerson Process Management com o sistema de controle DeltaV. o que resultou numa tendência de combinar os conceitos tradicionais de SDCD e CLP em uma só solução. O software comercial pronto não apenas diminuía os custos de manufatura mas também diminuia os preços para o usuário final. do ponto de vista financeiro. Eles também descobriram que o mercado de hardware estava encolhendo rápido. Os fornecedores de SDCD tradicionais introduziram novos SDCD no mercado. Enquanto se espera que a razão custo/benefício se mantenha a mesma (onde mais poderoso for o sistema. aonde organizações rivais competiram para definir qual se tornaria o padrão do fieldbus da IEC (International Eletrotechnical Commission – Comissão Eletrotecnica Internacional) para comunicação digital com a instrumentação de campo. o negocio principal dos fornecedores de SDCD era fornecer grandes quantidades de hardware. com a consolidação do mercado em volta da Fieldbus Foundation e da Profibus PA. Siemens com o Simatic PCS7. e azbil da Yamatake com o sistema Harmonas-DEO. que estavam começando a reclamar sobre os altos preços de hardware. Alguns fornecedores que anteriormente estavam fortemente conectados ao Mercado de CLP. chamada “Sistema de automação de processo”. maturidade do sistema. os fornecedores de SDCD continuarem a fabricar seus próprios componentes. baseados nos mais recentes avanços em comunicação e nos padrões IEC. conseguiram alavancando sua expertise em manufatura de hardware de controle entrar no mercado de SDCD com boas ofertas de custo/beneficio. No fim dessa década a tecnologia começou a desenvolver um momento significativo. a maioria dele criado integralmente pela fornecedora do SDCD.História da Automação Industrial Década de 90 também ficou conhecida como a guerra do FieldBus. como a Rockwell Automation e Siemens. O Impacto do software comercial pronto. enquanto a estabilidade/escalabilidade/ confiabilidade e funcionalidade desses sistemas emergentes ainda estavam sendo melhoradas. tornaram inviáveis. Alguns fornecedores criaram novos sistemas do zero para maximizar sua funcionalidade com o fieldbus. como a Honeywell com o Experion & Plantscape SCADA systems. A primeira instalação de Fieldbus ocorreu nessa década. em vez das comunicações analógicas de 4-20 mA. porém. A proliferação inicial dos SDCD necessitou da instalação de quantidades enormes de hardware. mais História da Automação Industrial Página 25 . ABB com o sistema 800xA. funcionalidade da pré-engenharia. As lacunas nos diversos sistemas permanecem em áreas tais como: integridade do banco de dados.

O portfólio de aplicações oferecidas pelos fornecedores aumentou bastante nos últimos anos. Economias industriais desenvolvidas. O próximo passo evolucionário é chamado de ‘Sistema Colaborativo de Automação de Processos’. provendo um único centro para a responsabilidade de um projeto relacionado à automação. Por causa dos encolhimentos do mercado. PAM (plant asset management). um maior grau de envolvimento entre os MACs e o usuário final. controle baseado em modelo. e existe um montante considerável de sistemas no mercado que estão se aproximando do término de sua vida útil. Para obter o verdadeiro valor dessas aplicações. criando um mercado de substituições desafiador. ferramentas de gerenciamento de performance em tempo real. 5 Podemos observar que o SDCD é o mais completo e complexo. já possuem vários milhares de SDCD´s instalados. Muitos dos sistemas mais antigos que foram instalados nas décadas de 70 e 80 ainda estão em funcionamento. gerenciamento de alarme. os fornecedores começaram a fazer a desafiadora transição do negocio baseado em hardware para o negocio baseado em software e serviços de agregação de valor. a realidade do negocio da automação normalmente é operar estrategicamente caso a caso. otimização em tempo real. quando uma só empresa era responsável por todo o processo. Esta é uma transição que continua sendo feita hoje em dia. Fornecedores de SDCD como a Azbil. O ciclo de vida de componentes de hardware como sensores e atuadores (e/s) e cabeamento tipicamente vai de 15 a 20 anos. na América do Norte. também. e muitas outras. e com poucas (se alguma) nova industria sendo construída. trazendo. América Latina e Europa Oriental. porém é necessário um volume considerável de serviços. o mercado para novos hardwares esta transitando rapidamente para regiões menores e de rápido crescimento. 5 Origem: Wikipédia. conhecida como serviços Yamatake também expandiram seu escopo. como a china. Por ser um sistema que permite a inclusão de todos os outros tipos de equipamentos de automação em seu seio é o mais empregado na grande indústria. Europa e Japão. História da Automação Industrial Página 26 . Os fornecedores também estavam percebendo que o mercado de hardware estava se tornando saturado. ao ponto que vários fornecedores podem agir como MACs (Main Automation Contractors).História da Automação Industrial caro será). incluindo áreas como gerenciamento de produção. que os fornecedores também proveem. aumentando sua cooperação e consequentemente diminuindo as brechas operacionais que antes existiam.

o deus deformado da metalurgia (Vulcano ou Hefesto) criou serventes mecânicos. eletromecânicos ou biomecânicos capazes de realizar trabalhos de maneira autônoma.U. Ele criou um pássaro de madeira que batizou de “O Pombo”. Similarmente. as refinarias de petróleo e usinas hidroelétricas. o Deus do Trovão. data de 350 A. Os robôs também aparecem nas áreas do entretenimento e tarefas caseiras. busca e resgate. ou autômatos. outro respeitado escritor checo. no qual a estátua de Galatéia se torna viva. uma situação que está mudando recentemente com a popularização dos robôs comerciais limpadores de pisos e cortadores de gramas. História da Automação Industrial Página 27 . exploração subaquática e espacial. e localização de minas terrestres. ou na realização de tarefas sujas ou perigosas para os seres humanos. O escritor checo Karel Čapek introduziu a palavra "Robô" em sua peça "R.R" (Rossum's Universal Robots). onde já não existam estabelecimentos que não sejam comandados por um SDCD. encenada em 1921. O pássaro era propulsionado por vapor e jatos de ar comprimido tendo. cirurgias. o Younger Edda. que significa "trabalho". foi construído para auxiliar o troll Hrungnir em um duelo com Thor. a criada pelo matemático grego Arquitas de Tarento. Mökkurkálfi ou Mistcalf. que semeou os dentes de um dragão que se transformaram em soldados. amigo de Platão.. mineração. Os robôs são comumente utilizados na realização de tarefas em locais mal iluminados. O termo "robô" realmente não foi criado por Karel Čapek. ou através de controle humano.História da Automação Industrial Atualmente existem ramos industriais. O Robô Robô (ou robot) é um dispositivo. variando de serventes douradas inteligentes a mesas utilitárias de três pernas que poderiam se mover por força própria. O termo "Robô" vem da palavra checa "robota". uma estátua de argila animada através de mágica Cabalística. ou grupo de dispositivos. E. A ideia de pessoas artificiais data de épocas como a da lenda de Cadmus. Os robôs industriais utilizados nas linhas de produção são a forma mais comum de robôs. Outras aplicações são: tratamento de lixo tóxico. Na mitologia clássica. Dentre as ideias mais antigas que se conhecem sobre dispositivos automáticos.C. mas por seu irmão Josef. mais méritos de ter sido a primeira máquina a vapor do que a inventada por James Watt. préprogramada. As lendas Judias se referem ao Golem. como por exemplo. e do mito do Pigmalião. para muitos. da Mitologia escandinava conta que um gigante de argila.

que fez um androide que tocava flauta. o tema recebeu uma conotação econômica e filosófica. Tesla desejava desenvolver o "torpedo sem fio" para se tornar um sistema de armas para a marinha estadunidense. se tornou sinônimo deste tema. O projeto foi baseado em sua pesquisa anatômica documentada no Homem Vitruviano. as respostas literárias ao conceito dos autômatos (robôs) refletiu o medo dos seres humanos. Uma onda de histórias sobre autômatos humanoides culminou com a obra "Electric Man" (Homem Elétrico). Ele foi exibido no World's Fair (Feira Mundial) de 1939 e 1940. posteriormente propagada pelo filme clássico de Fritz Lang Metropolis (1927).História da Automação Industrial O primeiro projeto documentado de um autômato humanoide foi feito por Leonardo da Vinci por volta do ano de 1495. Nos anos 1930. Porém. o engenheiro químico Isaac Asimov começou a escrever diversas obras sobre robôs domésticos educados e fieis ao ser humano. de Mary Shelley. A história "The Sandman" de E. Robô (2004) de Proyas. onde grande parte do temor do domínio das máquinas (mecânicas) foi afastado parcialmente. com os robôs se tornando mais reais e a perspectiva do surgimento de robôs inteligentes. Frankenstein (1818). inventado por Nikola Tesla e demonstrado em uma exibição no ano de 1898 no Madison Square Garden.I. na década de 1940. de Edward S. a Westinghouse fez um robô humanoide conhecido como Elektro. segundo as definições modernas. como sendo o barco teleoperado.T. muitas vezes considerado o primeiro romance de ficção científica. (2001) de Spielberg e Eu.A. História da Automação Industrial Página 28 . Ellis (1865) expressa a fascinação americana com a industrialização. No século XXI. similar a um ROV moderno. continham desenhos detalhados de um cavaleiro mecânico que era aparentemente capaz de sentar-se. Quando a peça de Čapek RUR (1921) introduziu o conceito de uma linha de montagem que utilizava robôs para tentar construir mais robôs. Muitos consideram o primeiro robô. mexer seus braços. As notas de Da Vinci. Hoffmann traz uma mulher mecânica semelhante a uma boneca. mover sua cabeça e o maxilar. de serem substituídos por suas próprias criações. Uma vez que a tecnologia avançou a ponto das pessoas preverem o uso das criaturas mecânicas como força de trabalho. uma melhor compreensão das interações entre os robôs e os homens é abordada em filmes modernos como A. assim como um pato mecânico que comia e defecava. Baseado em sua patente 613 809 para o "teleautomation". e "Steam Man of the Prairies". redescobertas nos anos 1950. de Luis Senarens (1885). Mas. os populares Blade Runner (1982) e The Terminator (1984) são ícones deste temor. O primeiro autômato funcional foi criado em 1738 por Jacques de Vaucanson. Não é conhecido se ele tentou ou não construir o mecanismo.

Antes do uso de robôs no transporte e armazenagem dos pneus. e outras. na pintura de seus produtos e em tarefas perigosas e em ambientes inapropriados ao ser humano. havia uma perda próxima a 10% da produção por confusão com os locais de armazenagem.História da Automação Industrial O primeiro robô autônomo eletrônico foi criado por Grey Walter na Universidade de Bristol. História da Automação Industrial Página 29 . na Inglaterra. do contrário a banda de rodagem não adere suficientemente ao resto do pneu e em poucos minutos depois de começar a rodar posto no veículo se descolará. como se anotava manualmente as datas e os locais de armazenagem. como exemplo podemos citar a indústria naval. indústria química e construção naval. Atualmente a indústria utiliza diferentes tipos de robôs na produção. A exemplo da indústria automobilística e de pneus. atividade extremamente perigosa para a saúde dos trabalhadores que a exerciam anteriormente. que já não são parafusadas e sim soldadas e na pintura dos veículos. Atualmente muitos outros ramos estão utilizando robôs em suas linhas de produção. a aeroespacial. no ano de 1948. especialmente na mineração. A indústria de pneumáticos utiliza robôs no transporte e armazenagem de pneus ainda sem a banda de rodagem. A indústria automobilística utiliza diversos tipos de robôs na montagem dos veículos especialmente para a solda das diferentes partes da carcaça e lataria. pois entre a produção do corpo do pneu e a fundição da banda de rodagem sobre a mesma peça tem que aguardar um intervalo de vários dias. de armamentos militares. a indústria química. Atualmente. além de se empregar muitos trabalhadores nessas tarefas. muitos outros ramos empregam robôs no transporte de peças e equipamentos. além de terem despedido todos os trabalhadores que atendiam aos armazéns de espera dos pneus ainda se diminuiu as perdas a menos de 1%.

isto é a gastar menos em salários. a taxa de lucro diminui ou o que é igual o lucro diminui. porque essa atividade não é industrial e não é produtiva. Na verdade. c – capital constante e v – capital variável. História da Automação Industrial Página 30 . dito de outra forma. onde m é a mais valia e m’ a taxa de mais valia m’ = m/v. Assim se demonstra que ao aumentar a composição orgânica do capital. Não é segredo que a fórmula que Marx descobriu para o lucro demonstra que ao aumentar a composição orgânica do capital diminui o lucro: composição orgânica do capital: Coc= c/v. qualquer que ela seja. deixou imensos contingentes de trabalhadores cessantes. A Automação Industrial e a Sociedade Ao nos debruçarmos no surgimento da automação industrial e na breve revisão dos tipos de equipamentos utilizados em sua elaboração comentamos que com o surgimento e desenvolvimento do quarto órgão da máquina. em primeiro lugar o capital tem que dispensar importantes somas para aquisição de maquinaria automática e renovação de todo o processo de produção. com o crescimento exponencial da composição orgânica do capital. aumentando a composição do capital. Mas. na verdade é uma atividade parasitária da indústria. em aparência. além do salto qualitativo que representou na produção da vida humana. já que os produtos das máquinas automáticas são mais perfeitos e uniformes. principalmente nos países mais industrializados. A fórmula da taxa de lucro a que Marx chegou é: l’ = m/Coc = v/(c + v). o que não era o que o capital esperava quando iniciou a automação. ou seja. que de fato já teve uma demonstração com a crise de 2008. o lucro que é inversamente proporcional à composição orgânica do capital. Os lucros auferidos aí mais dias ou menos dias deixarão amargas lembranças na cabeça da burguesia.História da Automação Industrial 4. mas pelo contrário acreditavam que o valor do produto de uma máquina teria o mesmo valor ou mais que o elaborado pelo trabalho humano. Desde 1964 que vemos aumentar o número de desempregados e. o lucro tende a deixar de existir. ao se automatizar uma produção. Ao fazer tender ao infinito a composição orgânica de capital é evidente que a taxa de lucro tende a zero. Portanto: l’ = m’/(Coc + 1). cai exponencialmente também.composição orgânica do capital. onde Coc . É verdade que a partir de então passa a dispensar força de trabalho. ou o que é a mesma coisa. Portanto. sem trabalho. Na verdade o que está fazendo é aumentar a parte constante do capital em detrimento da parte variável. por outro lado. as maiores indústrias do mundo cada vez se encontram em situação mais difícil e seus acionistas se desfazem rapidamente de suas ações e passam a investir no setor financeiro que em aparência é o que mais produz mais valia e lucro. portanto a miséria no seio da sociedade.

principalmente os produtos para o consumo final passam a sair desses países. perpetram um golpe militar de estado. empresas de seguros e outras. Até os dias atuais a maior parte da produção de bens industrializados na terra sai da China. Assim. Porém rapidamente mudaram as condições do Japão.História da Automação Industrial Com isso se demonstrou a validade das conclusões de Marx na prática. a cúpula da burguesia transnacional passou a buscar aonde conduzir suas indústrias de formas a continuar a garantir seus lucros históricos. como é o caso de Salvador. Assim. como sempre dadas as condições infra-humanas dos trabalhadores dos referidos países. quer dizer. Sem contar que os trabalhadores que continuam empregados viram seus direitos laborais e cidadãos revogados. a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). Assim essa corrida a outros países pelo lucro virou-se especialmente para a China. Os fatos acima geraram um desemprego crônico nos EUA e em diversos países europeus. É por essa razão que a burguesia passou a investir nas empresas financeiras. coisa que os economistas burgueses não acreditavam que acontecesse. Coreia do Sul e outros. ou seja dinheiro de todo o povo. e a partir de alguma data da década de 1980 a produção no Japão e outros países deixou de ser interessante. No princípio. de alguns países ditos tigres asiáticos e mais recentemente a Índia também tem participado nessa produção a baixo custo. A. dinheiro de seus estados nacionais. como comandante em chefe das forças armadas chilenas. grande parte dos militares chilenos. Foi então que a História da Automação Industrial Página 31 . assassinando o Presidente. traindo a confiança do governo do Presidente Salvador Allende. onde dadas as condições sociais e históricas ainda era possível auferir lucros razoáveis. Taiwan. dirigidos pelo general Augusto Pinochet. bancos. aos banqueiros para não falirem e deixando a dívida para os proletários de todo o mundo pagarem. Ao mesmo tempo ainda voltou-se para alguns países da América Latina e alguns do extremo oriente. Consequências Imediatas da Automação Industrial sobre os Trabalhadores Em 11 de Setembro de 1973 o governo estado-unidense. Mas até o momento os banqueiros e outros especuladores seguem realizando as mesmas operações financeiras que mascaram de lucros suas falcatruas. Inglaterra e outros países centrais entregando dinheiro em bilhões de dólares. Isto levou à especulação desenfreada do fim do século XX e dos primeiros anos do século XXI até a onda de falências da crise de 2008 e a corrida dos governos das EUA. durante o final da década de 1960 até os anos 1980 correram para o Japão.

foram privatizadas por um valor estipulado pela própria burguesia. foi eleito “democraticamente” o primeiro governo neoliberal. ou seja. com justiça. até mesmo fica em contra a fixação de um salário mínimo. argumentava-se que determinadas atividades que interferiam na segurança pública deviam estar nas mãos do estado. Assim. como defendia Friedman. Aproveitando diversos indivíduos chilenos que haviam estudado na Universidade de Chicago. o neoliberalismo passa a privatizar todas as empresas que estavam em mãos dos estados e a maioria delas haviam sido instaladas com recursos públicos. uma fração de seu valor real. educação e previsão social que estavam em mãos do estado. Assim. Portanto prega em contra de qualquer medida que possa interferir no lucro do capital. o governo de Margaret Tatcher. Esta foi a primeira nação onde se estabeleceu o neoliberalismo a ferro e fogo. lançou-se uma nova norma de padronização industrial. Em seguida na Inglaterra. que produziria bens de qualidade absoluta e do “progresso” que isso representava. negando toda a experiência histórica de 2 ou 3 séculos de capitalismo.História da Automação Industrial inteligência de estado dos EUA usa o país para iniciar a experiência de estabelecimento do neoliberalismo no lugar do keynesianismo imperante em todo o mundo ocidental desde o fim da Segunda Guerra Mundial. os ditos Chicago Boys. é capaz de garantir o bem estar nacional. quanto mais qualquer intento do estado de regulamentar o mercado. saúde pública. Dessa forma a burguesia passa a auferir grandes lucros dessas empresas. que a burguesia lança mão no intuito de aminorar as consequências da queda dos lucros na produção industrial que então se automatizava. telefones. até então as empresas de abastecimento de água. Essa padronização. No fundo. passam a afirmar que o mercado por si só. era uma necessidade para que se pudesse implantar máquinas automáticas. sendo que muitas delas eram as únicas em sua atividade e portanto monopólios. o neoliberalismo e da automação industrial. Dessa forma. formaram um governo terrorista no país. com Milton Friedman o papa do neoliberalismo norte americano. Entre outras coisas. embora não fosse revelado ao público. redes de esgotos. em 1980. já que na época de sua criação. sem qualquer intervenção do estado. foram desencadeados grandes movimentos propagandísticos das benesses do novo regime. já que essas máquinas necessitam que os semi fabricados que entram em dada produção História da Automação Industrial Página 32 . onde as decisões econômicas estavam nas mãos dos discípulos de Milton Friedman. Ao mesmo tempo. energia elétrica. a ISO 9000. Daí para frente o neoliberalismo se estendeu praticamente para todos os países ocidentais. o neoliberalismo é um recurso desesperado. Ou seja.

É nessa transição que o imperialismo do capital desencadeia. e as administrativas se limitavam a despedir operários e a terceirizar inúmeras atividades. Isto veio a aumentar ainda mais os problemas vividos pelos trabalhadores. e seguiram avançando na Argentina. Além disso. onde os trabalhadores ganham a metade ou menos que os funcionários da empresa em questão. El Salvador e outros. Nicarágua. o islamismo. manutenções em determinados equipamentos. e outros. Foi assim que se iniciou aquilo que ficou conhecido como desregulamentação do trabalho. invadindo e destruindo diversos países árabes por seu petróleo e tentando implantar uma nova cultura nesses países. necessita guerras. além de que a classe dominante dos EUA necessita manter seu “complexo industrial militar” em funcionamento. como é o caso da invasão a Cuba em 1959 e à Guatemala em 1954. por exemplo. um trabalho que chamamos terceirizado. Atualmente na maioria dos países permitem que as empresas façam seus trabalhadores trabalharem 10 e 12 horas por dia.História da Automação Industrial tenham medidas bastante mais precisas que para as máquinas operadas por operários. para manter sua dominação econômica em toda América Latina. para adotar o estado neoliberal. a burguesia desencadeou a reestruturação de seus estados e empresas. Uruguai. Chile. pagando-lhes míseros salários de fome. ajudado pelo estado dos EUA. pois a cultura árabe. acabando com o “estado de bem estar social” de Keynes. uma série de golpes de estado para que os diferentes estados da América Latina pudessem enfrentar com segurança as massas de seus países. ou seja. Tanto técnicas como administrativas. em geral. a polícia. como é o caso do Chile. Isto inaugurou toda uma renovação nas indústrias. sem contar as guerras e golpes que tem apoiado ou desencadeado no resto do mundo pelos mesmos motivos. Essas empresas que prestam serviços terceirizados a outras empresas são em geral de pequenos burgueses que aceitam contratos das grandes empresas e exploram os desempregados. contratam outras empresas para diversos tipos de serviços. Na verdade estavam declarando a obsolescência do estado burguês e tratando passar para mãos privadas tudo que não fossem os órgãos de repressão social. não convém ao neoliberalismo. Atualmente a já uns bons 10 anos vem hostilizando. História da Automação Industrial Página 33 . Existem países onde as empresas podem despedir qualquer de seus trabalhadores somente alegando necessidade da empresa. Esses golpes iniciaram em 1964 no Brasil. as empresas. e portanto. que aceitam trabalhar assim pelo desespero em que se encontram. em lugar das 8 horas legalmente legisladas. como limpeza. Ao mesmo tempo. mas mesmo antes a CIA já buscava desestabilizar os governos latino-americanos.

Marx apresenta 3 subtítulos: a) “Apropriação pelo Capital das forças de trabalho das mulheres e das crianças”. b) “Prolongamento da jornada de trabalho”. Aqui é interessante notar a semelhança do que aconteceu durante a “Revolução Industrial” na Inglaterra e o que ocorre atualmente durante a “Revolução da Automação Industrial”. pelo menos uma capacidade de leitura e escritura e muitas vezes saber conhecer o desenho técnico e outras vezes algo mais que isso. com exceção do subtítulo ‘a’. já que a automação industrial nos principais postos de trabalho exigem certo grau de escolaridade. que determine o desenvolvimento das forças produtivas. História da Automação Industrial Página 34 . como direito a uma escolaridade de 8 anos e de qualidade. pondo todos os cidadãos em pé de igualdade. magistralmente descrita por Karl Marx em sua obra “O Capital”. estou repetindo o título 3 d’O Capital. atualmente. já que aumenta consideravelmente a produtividade do trabalho. representa uma ruína maior na vida dos trabalhadores. mas os subtítulos ‘b’ e ‘c’ descrevem muito aproximadamente os acontecimentos em relação aos trabalhadores na “Revolução da Automação Industrial”. Assim. Mas por outro lado deveríamos acrescentar um subtítulo ‘d’: “Revogação de Direitos Laborais Adquiridos Durante Dois Séculos de Lutas”. no título 3 “Consequências imediatas da produção mecanizada sobre o trabalhador”. mas direitos cidadãos. e especificamente no capítulo XIII. intitulado “A Maquinaria e a Indústria Moderna”. pois a automação industrial.História da Automação Industrial Somente tendo em conta essas agressões fica patente que o capital já deixou de ser um sistema social progressista. como a produção mecanizada na época de Marx. seja ele filho de um trabalhador ou de um milionário explorador. pois mais ganância desperta nos intelectos doentios dos capitalistas. que desde a “Revolução Industrial” continua existindo. É assim que os trabalhadores de todo o mundo estão sofrendo as consequências da baixa rentabilidade da automação industrial e a queda nos lucros da burguesia. E não são somente direitos laborais que foram revogados. e faz muitos anos que passou a ser o principal destrutor de forças produtivas na face da terra. referente ao trabalho das mulheres e das crianças. c) “Intensificação do trabalho”. A “Revolução Industrial” inglesa. Como podemos apreciar. a paz entre os homens. apesar de que atualmente somente em alguns postos de trabalho se pode empregar crianças. que deveria representar um alívio para o trabalhador de suas fainas.

459. sem descanso e ao esgotarem-se as forças dos motoristas sua atenção e reflexos diminuem. essa resistência diminui ante a aparente leveza do trabalho 6“O Capital” Karl Marx. como é o caso do atual governo da Espanha. pois os órgãos da saúde pública que ainda continuam existindo. ou seja. Além disso. 1984.História da Automação Industrial também está desaparecendo o direito à saúde. Como capital. e cria novos motivos para aguçar-lhe a cobiça pelo trabalho alheio”6. Num parágrafo seguinte afirma Marx: “O instrumental passa a ser animado por um movimento perpétuo e produziria ininterruptamente se não fosse tolhido por certas limitações naturais dos auxiliares humanos. em mãos do capital torna-se ela. mas que no fundo defendem os interesses de uma burguesia apodrecida e arcaica. de início nos ramos industriais de que diretamente se apodera. pois os donos desses veículos obrigam os motoristas a trabalharem 10 e mais horas no volante. contra a legislação. que estipula um trabalho de 8 horas diárias desde faz já quase um século. 12 ou mais horas. o meio mais potente para prolongar a jornada de trabalho além de todos os limites estabelecidos pela natureza humana. isto é. O texto encaixa-se muito bem ao que ocorre na atualidade. provocando desastres que regularmente custam a vida de muitas pessoas e destruição de muitos bens materiais que representam muitas horas de trabalho. quando o capital.) História da Automação Industrial Página 35 . pgs. que muitas vezes se dizem socialista e mesmo são membros da Internacional Socialista. o homem. pois não há organismo que aguente muitos anos de trabalho forçado. na pessoa do capitalista. em sua maioria abrumadora. elástica. para diminuir o tempo de trabalho necessário à produção de uma mercadoria. esse autômato possui.A. com mais de 8 horas diárias. DIFEL (Difusão Editorial S. estão deteriorados e sem financiamento por parte dos governos. obriga os trabalhadores que continuem empregados a trabalharem 10. Livro Primeiro. 460. Não é a toa que se vem observando pavorosos desastres com ônibus e caminhões nas autoestradas. depois de automatizar uma instalação e despedir a maioria dos trabalhadores. consciência e vontade e está dominado pela paixão de reduzir ao mínimo a resistência que lhe opõe essa barreira natural. volume 1. Marx diz: b) “Prolongamento da jornada de trabalho” AQUI!! “Se a maquinaria é o meio mais poderoso para aumentar a produtividade do trabalho. a debilidade física e os caprichos. Vejamos no subtítulo ‘b’ o que diz Marx e qual a realidade atual. A maquinaria gera novas condições que capacitam o capital a dar plena vazão a essa tendência constante que o caracteriza.

o outro provém da inanição. como as moedas que se gastam na circulação. o desgaste moral. quanto.História da Automação Industrial da máquina e com o afluxo de elementos mais dóceis e flexíveis. como a espada inativa que enferruja na bainha. Quanto maior o período em que funciona. volume 1. cobre o mesmo período de produção e acrescenta ao produto total o mesmo valor que a mesma máquina . Esta é a deterioração causada pelos elementos. em 15 anos. Mas. admitida essa correspondência. por mais nova e forte que seja a máquina. durante 15 anos. conforme vimos. pg. O desgaste da primeira espécie está na relação mais ou menos direta. e o segundo. além do material. e quanto maior a duração da jornada de trabalho. e o capitalista teria embolsado em 7¹ /² anos tanta mais valia. tanto mais curto aquele período. apenas 8 horas por dia. e tanto menor a porção de valor que acrescenta a cada mercadoria em particular. está na razão inversa do valor que ela transfere ao produto. aparecem sucessivamente. multiplicado pelo número de dias em que esse processo se repete. mas pelo tempo de trabalho necessário para reproduzir ela mesma ou uma melhor.) História da Automação Industrial Página 36 .” “A máquina experimenta duas espécies de desgaste. mas 7 “O Capital” Karl Marx. Quanto mais curto o período em que se reproduz seu valor global. em qualquer ramo industrial. tanto maior a quantidade de produtos em que se reparte o valor transferido pela máquina. Perde valor de troca na medida em que se podem reproduzir mais barato máquinas da mesma construção ou fazer melhores máquinas que com ela concorram. O período de vida ativa da máquina é evidentemente determinado pela duração do dia de trabalho ou do processo diário de trabalho. no segundo. No primeiro caso. 1984. na razão inversa do uso da máquina. pela primeira vez.” 7 Em seguida Marx analisa a produtividade da máquina e diz: “A produtividade da máquina. Em ambos os casos. DIFEL (Difusão Editorial S. Quando se introduz a maquinaria.A. se funcionasse. tanto menor o perigo de desgaste moral.” “Mas a máquina experimenta ainda. Livro Primeiro. Um decorre de seu uso. 460. as mulheres e as crianças. uma máquina que funciona durante 7¹/² anos. até certo ponto. novos métodos para reproduzi-la mais barato e aperfeiçoamentos que atingem não só partes e dispositivos determinados. Sofre. seu valor não é mais determinado pelo tempo de trabalho que nela realmente se materializou. o valor da máquina seria reproduzido com velocidade duas vezes maior do que no segundo. maior ou menor desvalorização. por isto. a 16 horas por dia.” “O desgaste da máquina de nenhum modo corresponde de maneira matemática e exata ao tempo de utilização dela.

a “Revolução da Automação Industrial” é o ocaso do capitalismo.História da Automação Industrial sua construção inteira.” 8 Podemos comparar o dito por Marx nesse item com aquilo que acontece atualmente com os trabalhadores e veremos que a semelhança é imensa. volume 1. DIFEL (Difusão Editorial S.” Ou seja. tanto no chão de fábrica como na administração de todo o processo. pois determina o fim do capitalismo como sistema de desenvolvimento das forças produtivas e o coloca na posição do destrutor de forças produtivas. permitindo que os usuários finais ganhem uma vantagem competitiva no mercado global. segurança cibernética e de tecnologias de comunicação móvel. c) “Intensificação do trabalho”. É assim como podemos ler no artigo: “3 Principais Tendências em Automação Industrial. Butcher de 12 de Junho de 2012: “As fábricas do futuro vão alavancar provavelmente "mega tendências". Nos dias atuais vemos o mesmo fenômeno. escrito pouco antes de morrer “O trabalho na 8“O Capital” Karl Marx.) História da Automação Industrial Página 37 . 1984. de David R. como computação em nuvem. a busca de maior produtividade apesar do crescimento dessa produtividade com a aplicação de equipamentos para a automatização da produção. apesar do aumento dessa produtividade somente com a aplicação da maquinaria.A. Um texto interessante sobre a intensificação do trabalho durante a produção automatizada é do filósofo francês. que esse motivo especial influi de maneira mais poderosa no sentido de prolongar a jornada de trabalho. 460 a 462. Livro Primeiro. assim como foi o maior modo de produção no desenvolvimento dessas forças produtivas. mas se a “Revolução Industrial” foi o fato histórico que trouxe o capitalismo à hegemonia como sistema social. Neste item Marx desvenda toda a luta da burguesia na intensificação do trabalho em busca de maior produtividade. embora se introduza novas técnicas e métodos. pg. É por isso que na primeira fase de sua existência. Motivados pela necessidade de uma maior produtividade e eficiência. a preocupação por aumentar a produtividade é bem clara por certo e constante na visão dos exploradores do trabalho alheio e seus sequazes. o maior de que a História da Humanidade tem notícias. as organizações adotarão essas tecnologias para proporcionar interação efetiva entre o chão de fábrica da empresa e todos os usuários finais.

a metade dos lucros das empresas americanas provém dos mercados financeiros. O custo do trabalho por unidade de produto não cessa de diminuir e o preço dos produtos tende a baixar. ou seja. Isso se explica principalmente pela mudança tecnocientífica que introduz uma ruptura no desenvolvimento e arruína. Quanto mais a quantidade de trabalho para uma determinada produção diminui. o capitalismo atingiu um limite tanto interno quanto externo. o investimento produtivo das empresas do CAC 40 não aumenta mesmo quando os lucros explodem. este aparente paradoxo que quanto mais aumenta a produtividade. valor e capital. A acumulação produtiva do capital produtivo não para de regredir. Eis um extrato de seu texto: “A questão da saída do capitalismo nunca foi tão atual. Ela se põe em termos e com uma urgência de radical novidade. sobre o endividamento e o “good will” (boa vontade). dado a conhecer dia 17 de Setembro de 2007. os efetivos empregados tendem a ser reduzidos.. por suas repercussões. Por causa do próprio desenvolvimento. mais o valor produzido por trabalhador – sua produtividade – deve aumentar para que a massa de lucro realizada não diminua. que ele é incapaz de ultrapassar e que faz com que seja um sistema que sobrevive por meio de subterfúgios à crise das suas categorias fundamentais: trabalho. quatro vezes mais do que o PIB mundial). Os índices atestam que este limite foi atingido. Tem-se. tanto mais é necessário que ela aumente para evitar que o volume do lucro não diminua. sobre as antecipações: a Bolsa capitaliza o crescimento futuro. O sistema evolui para um limite interno onde a produção e o investimento param de ser muito rentáveis. A corrida em busca da produtividade tende assim a acelerar. em grande parte. Nos EUA. A massa de capital que a indústria financeira drena e gera ultrapassa de longe a massa de capital que valoriza a economia real (o total dos ativos financeiros representa 160 trilhões de dólares. Na França.” E mais adiante: “1. as 500 empresas do índice Standard & Poor´s dispõem de 631 bilhões de reservas líquidas. a base do seu poder e sua capacidade de reproduzir-se. assim. o nível e a massa dos salários diminui. O “valor” deste capital é puramente fictício: ele repousa. A crise do sistema se manifesta no nível macroeconômico como também no nível microeconômico. isto é. os lucros futuros das História da Automação Industrial Página 38 .História da Automação Industrial saída do capitalismo”. a pressão sobre o pessoal endurece.A informação e a robotização permitiram introduzir quantidades crescentes de mercadorias com quantidades decrescentes de trabalho.

Querer redistribuir por meio da imposição as maisvalias fictícia das bolhas precipitaria o que a indústria financeira quer evitar: a desvalorização da massa gigantesca dos ativos financeiros e a quebra do sistema bancário. de modo civilizado ou bárbaro.unisinos. racionamentos. os paraísos fiscais. portanto. Sempre poderemos acusar a especulação. outra civilização. alimenta a economia com liquidez devido à reciclagem bancária da mais-valia fictícia. fundado sobre o endividamento interno e externo. o colapso só será evitado impondo restrições. a alta futura dos preços imobiliários. A questão é somente de que forma se dará esta saída e qual o ritmo com que vai se dar. ele se deve à incapacidade do capitalismo de se reproduzir. A economia real torna-se. um apêndice das bolhas especulativas mantidas pela indústria financeira. a acelerar desta maneira a alta da Bolsa. Até o inevitável momento em que as bolhas estouram. André Gorz http://www.História da Automação Industrial empresas. alocações autoritárias de recursos característicos de uma economia de guerra. assim. Ele só se perpetua e funciona sobre bases fictícias cada vez mais precárias. Portanto. As Bolsas se enchem de capitais e de seus rendimentos futuros e as famílias são incitadas pelos bancos a comprar (entre outros) as ações e os certificados de investimento imobiliário. a opacidade e a falta de controle da indústria financeira (particularmente os hedge funds). levando os bancos à bancarrota em cadeia. A saída do capitalismo. etc. mas a ameaça de depressão. é. outras relações sociais.ihu. A capitalização das antecipações do lucro e do crescimento mantém o endividamento crescente. pelas fusões. se dará de uma ou de outra maneira. os que estão empregados vivem sob uma pressão insuportável. até mesmo o derrocamento que pesa sobre a economia mundial não é devido à falta de controle. Mas ele supõe outra economia. concentrações. História da Automação Industrial Página 39 . o principal motor do crescimento mundial (inclusive do crescimento chinês). ameaçando com o colapso o sistema mundial de crédito e a economia real de uma depressão severa e prolongada (a depressão japonesa já dura quinze anos). que podemos afirmar que hoje não há país avançado com um desemprego menor que 10% da força de trabalho ativa.”9 É claro que este processo é todo descarregado sobre o proletariado. os ganhos que poderão ser gerados pelas reestruturações. Mas por outro lado. É assim. de longe. outro estilo de vida. a emprestar dos bancos quantias crescentes à medida que aumenta o capital fictício da Bolsa. Na sua ausência. existindo países como Portugal e Espanha com mais de 25% de desempregados.br/noticias/noticias-arquivadas/12011-o-trabalho-na-saida-docapitalismo. tanto pela quantidade de horas de trabalho 9 “O Trabalho na Saída do Capitalismo”. o decrescimento é um imperativo de sobrevivência. e permite aos EUA um ‘crescimento econômico’ que.

História da Automação Industrial diárias. História da Automação Industrial Página 40 . quanto pelo volume de trabalho por hora. pela intensidade do trabalho. ou seja.

Mas a crise sistêmica do capital é. tem que ir mais além de somente “expropriar os expropriadores”. apesar de que não seja o único responsável pelo fato. mais cedo ou mais tarde. também. para que um sistema pós-capitalista possa adquirir estabilidade e não se afetar com a crise sistêmica do capital. quando destroem instalações. ou seja. pela diminuição do capital variável. Pois a solução soviética surgiu como meio de superar em seu próprio ambiente uma grande crise capitalista pela instituição de um modo pós-capitalista de produção e mudou-o pela abolição da propriedade privada sobre os meios de produção. Quando o capital atingiu seus limites. assassinando em massa. destrói máquinas e instalações em pleno estado de utilização. Mas a solução soviética não foi capaz de erradicar o capital do sistema pós-capitalista de reprodução sociometabólica. Ou seja. István Mészáros. o capital. tanto na forma de força de trabalho. é incapaz de seguir desenvolvendo as forças produtivas. 18. na sua crise sistêmica pelo esgotamento das possibilidades das relações de produção acumular mais força de trabalho. Boitempo Editorial. Nossa Época e a Necessidade Histórica Como já examinamos desde o início deste trabalho. Item 3 A crise estrutura do capital e a implosão do sistema soviético.História da Automação Industrial 5. pg. Introdução à nova Edição – Outro mundo é possível e necessário. História da Automação Industrial Página 41 . portanto. Em seu livro “O Poder da Ideologia”. A implosão do sistema soviético só pode ser entendida como parte essencial dessa crise sistêmica [do capital]. sua mais-valia volatilizou-se pela automatização. máquinas e infraestruturas e toda ambientação produtiva de povos inteiros. István Mészáros escreve: “. passa a destruir forças produtivas. necessita erradicar completamente o capital de seu seio.. devido ao fato de que já não são rentáveis ao capital. Assim. seguiu operacional apenas até a necessidade de avançar para além do sistema do capital em si – e não apenas renegar uma forma específica de capitalismo atrasada – surgiu como desafio fundamental na ordem global do período. e também na forma de meios de produção. o fato é que sua capacidade de acumulação esgotou-se.” 10 Como vemos pelo raciocínio de Mészáros.. e talvez não seja nem o principal responsável. quando desenvolveu todas as forças produtivas que é capaz de 10 “O Poder da Ideologia”. Caso contrário. o capital se manifestará em suas determinações. e também em suas guerras. tratando de aniquilar a “população excedente”. ou seja. pela fome ou repressão. a responsável direta pela implosão do sistema soviético. É por isso que o fim do experimento pós-capitalista soviético foi inevitável. seja em guerras.

Mesmo que se tome esse direito de cada capitalista individualmente. o Estado só é capaz de impor. 19 História da Automação Industrial Página 42 . o Estado surge quando na sociedade de classes. “Expropriar aos expropriadores” – e. mas na verdade emana da vontade da classe dominante. arrastou a uma crise inevitável toda a sociedade que de uma forma ou outra carregava o capital. caso contrário são ejetados. Isto faz com que a sociedade de transição seja bastante diferente da soviética. alterar a posição anterior do capital nas relações de propriedade – está muito longe de ser suficiente.História da Automação Industrial conter. principalmente para a legitimação das relações de produção da sociedade em questão e jamais ocorrerá que semelhante estrutura pudesse defender uma democracia nas relações humanas e muito menos nas relações de produção. fundamentalmente. Para tal teria que subverter toda a hierarquia de mando social. e não um mero direito legal codificado. sempre emana Do Povo. pois essa erradicação do capital só 11 Idem pg. mesmo que este não estivesse em mãos particulares. a questão do modo real de existência do capital como força materialmente e não apenas juridicamente controladora do metabolismo social. nesse sentido. Como sabemos. Alterar o direito legal não resolve. Outra grande diferença é que o Estado sendo “essencialmente uma estrutura hierárquica de comando”. as questões substantivas do controle efetivo continuarão não resolvidas. O poder no Estado Soviético. se queremos estabelecer um regime que realmente tenha uma perspectiva de superar o modo de produção sob o qual vivemos. a classe dominante.”11 A conclusão clara é que hoje. não pode assumir diretamente qualquer função de controle direto da produção. aos que Marx chamou de “personificações do capital” (que têm o mandato estrito de executar os imperativos do capital. que dizem. sem cerimônias do processo de reprodução social como “capitalistas fracassados”). Isso porque o capital é essencialmente um modo de controle global da sociedade. sente necessidade de defender seus direitos de legitimá-los. ao se revelar a crise sistêmica do capital teria que ter erradicado progressivamente o capital do seio da sociedade. se quiser desenvolver um sistema que tenha estabilidade histórica. temos de pensar em partir com uma forma de erradicar totalmente a relação social denominada capital do seio da sociedade. Daí a alegada constitucionalidade do Estado. Determina que toda revolução que gere um sistema pós-capitalista tem que ser radical em relação à erradicação do capital de seu seio. “Este fato é extremamente importante e é um dos determinantes de nossa época.

12 “A solução intentada por Gorbachev e seus seguidores. não foram capazes de enfrentar o desafio proposto pela crise estrutural do capital ao seu próprio sistema. baseada em sua tendenciosamente limitada crítica política da experiência pós-capitalista soviética sob as condições da crise estrutural do capital. as autoridades que controlavam o Estado. Só há uma solução para o problema. da responsabilidade pelos fracassos reais e potenciais atribuído-os aos gerentes locais e às “disfunções inevitáveis” do “mecanismo de mercado. preferindo passar de sua instável sociedade pós-capitalista para a restauração completa do capitalismo”13 O texto entra no âmago da questão do fortalecimento e desenvolvimento da sociedade pós-capitalista. de outra classe social. a burguesia ou de qualquer uma que possa querer apoderar-se dos meios de produção.20 História da Automação Industrial Página 43 . Eles pareciam não se darem conta de que. 12 Idem pg. Por isso. Os proponentes da “perestroika” não foram capazes ou não quiseram admitir. acabando com a tutela do Estado através de burocratas privilegiados.19 13 Idem pg. Pretendia manter o controle central sobre a “revitalizada economia socialista de mercado” – um autêntico mundo de fantasia – e ao mesmo tempo eximir. tanto no local de trabalho quanto no processo impiedosamente ‘orientado para a eficiência’ de acumulação da sociedade em geral. era uma democratização substantiva de sua sociedade por meio da progressiva suspensão das hierarquias estruturais existentes de que eles eram os guardiães privilegiados. também contraditório. além de um sonho impossível. o único significado concreto que se pode atribuir ao ‘controle’ esperado do mecanismo de mercado é que este último fosse anulado no instante em que se tornasse totalmente eficiente. em sua concepção impossível. buscava o melhor dos dois mundos. deixando para trás o modo de produção capitalista. Para eles. nem por um instante. pois o que não conseguiam ver. no caso. A noção de ‘mercado controlado’ era. que em realidade está longe de ser um mecanismo. que a lógica interna do mercado totalizador tenderia para a restauração do capitalismo e para seu autoritarismo. era preferível pensar em termos contraditórios. simples ou complicado. é a democratização da produção.História da Automação Industrial seria possível com a transferência do “controle das funções reprodutivas da sociedade para as mãos dos produtores livremente associados”. Somente a democracia dos produtores livremente associados pode levar a bom termo a tarefa de desenvolver um sistema pós-capitalista.

Isto nos leva a repensar o problema. Até os anos 80 do século XX quando se pensava na revolução socialista e no governo que esta instituiria sempre nos vinha à mente um Estado dito proletário. O planeta em si está ameaçado de morte se seguir a exploração sem regras. administrar a produção. apesar dos avanços técnicos e científicos. tendo em conta simplesmente o lucro de um punhado de donos de empresas. cada dia. 03/04/2013 .História da Automação Industrial Estes fatos narrados acima nos impõem sérios problemas ao pensar a revolução. na situação que nos encontramos existe verdadeiramente urgência em por um fim nos descalabros capitalistas. História da Automação Industrial Página 44 . a qualidade de vida real está cada dia pior. Além disso. que teria como missão. Pois a revolução deve garantir desde o primeiro momento que não desenvolverá tais burocratas. Outro problema que adiciona urgência para o fim do regime atual é o perigo de uma catástrofe atômica numa das guerras desenvolvidas pelo imperialismo.revisão 2/09/2015 Sergio Bacchi. entre outras coisas. sem contar que. as tarefas dos revolucionários se fazem. mais urgentes. Assim. Agora temos clareza do perigo que se corre ao estabelecer um Estado semelhante – desenvolver uma burocracia que jamais abandonará seus privilégios.