PLANO DIRETOR DO CAMPUS DA CIDADE DE SÃO PAULO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – resumo das considerações

O campus da Universidade de São Paulo na cidade de São Paulo é, hoje, um dos seis campi da USP no Estado. É o maior campus, agregando uma população de 28.000 alunos de graduação e 14.000 de pós-graduação, além de 2.700 professores e 9.000 funcionários, números que representam em média 65% do total da Universidade. Considerando os inúmeros visitantes, sua população total pode atingir num mesmo horário, aproximadamente 40.000 pessoas. Seus 720.000 m² construídos estão dispostos em um terreno de 364 hectares. Sua implantação seguiu os clássicos padrões de planejamento de campus, baseados em algumas idéias estrangeiras. Apesar de seus primeiros professores terem sido recrutados nas escolas francesas, seu plano físico tem um desenho mais próximo das experiências americanas, uma vez que ele não estava inserido na malha urbana. Assim, foram setorizadas as diversas áreas do conhecimento junto a um Cuore/Praça Central e previstos alguns edifícios espalhados pelo seu vasto terreno, sempre de acordo com planos diretores que propunham um campus-jardim, à imagem das cidades- jardins desenvolvidas na época. Grandes eixos e grandes visuais ainda hoje podem ser observados, sem entretanto atender a escala do pedestre. A ocupação lenta e a estruturação acadêmica por escolas e faculdades referendaram esta ocupação dispersa, em edifícios que foram se implantando de acordo com a conveniência político-econômica da época e da necessidade de mudança para o campus de unidades dispersas, já existentes na cidade. Este processo, contínuo mas não acompanhado constantemente por um grupo de planejamento, resultou nas décadas de 60 e 70 num conjunto arquitetônico que agrupa edifícios isolados, embora contíguos a outros da mesma área de conhecimento, e com um sistema viário que, inicialmente pensado para resolver internamente a circulação de alunos e professores por automóveis, viu-se assediado pela trama urbana que envolveu o campus por todos os lados pressionando-o a funcionar como um parque e, mais que isso, um atalho para o conturbado trânsito da cidade. É nessa época que começa a ser discutida a necessidade de maior integração entre os diversos cursos universitários, a interdisciplinaridade torna-se fator preponderante entre as pesquisas e as diferentes atividades acadêmicas e culturais da universidade interagem com o dia a dia da cidade. Ressurge então a idéia do planejamento como um processo, que em um primeiro momento, cuidou da elaboração de edifícios mais flexíveis e expansíveis, dentro de um rigor de padronização e de standartização, procurando adapta-los às constantes mudanças de rumo das atividades universitárias.

CONSIDERAÇÕES Na atual etapa do processo, a equipe de planejamento estudou o cenário existente para propor alternativas que respondessem : · À necessidade de atender a um crescente aumento do número de alunos, uma vez que as reformas nas séries de base do ensino (fundamental e secundário) propiciaram o acesso de grande número de estudantes aos bancos escolares, alunos que até então não tinham oportunidade de lá chegar. Essa “onda” prevê que nos próximos 5 anos a demanda por vagas na universidade vai crescer 50 %, passando, no Estado de São Paulo, das atuais 740.000 matrículas (9% da população entre 18 e 21 anos) para 1.500.000 matrículas ( dados do Fórum São Paulo no Século 21). As limitações de ordem econômica farão que grande parte desse contingente se dirija a universidades públicas como a USP; · Aumentar a conectividade entre os diversos edifícios e setores da universidade, para propiciar um uso mais intenso e completo das diferentes instalações físicas acadêmicas atuais. Além disso, a melhoria desse sistema deverá tornar mais agradável a integração entre as diversas pessoas que freqüentam o campus. · Completar a área de Vivência Central existente no Campus e criar mais uma, para atender à parte sul, polarizando e organizando os sistemas de circulação, inclusive para os visitantes; · Aumentar a visibilidade externa da Universidade propiciando maior integração com a população da cidade sem diminuir os cuidados com a segurança e preservação ambiental, abrindo espaços para convívio com a comunidade dentro de um perfil de centro cultural e não de parque; · Preservar a qualidade ambiental, regulamentando as áreas edificáveis, minimizando novas ocupações de terreno, inclusive de estacionamentos a céu aberto e preservando a visualização dos marcos visuais do campus, construídos e naturais. A partir destas considerações, a equipe do plano diretor elaborou um conjunto de propostas, diretrizes e normas, recomendando também a criação de uma Coordenadoria de Gestão do Espaço Físico, para garantir o processo da implantação e adequação ao plano elaborado das novas necessidades que forem surgindo. AS PROPOSTAS Quanto ao aumento da área construída: * Cuidadoso adensamento procurando melhor ocupar as áreas edificadas com integração de atividades comuns;

* Modificação junto a Prefeitura Municipal dos índices de construção: de ocupação (projeção no terreno da área construída sobre área total) - de 0,15 para 0,2, e do coeficiente de aproveitamento ( área construída total sobre área do terreno) de 0,2 para 0,5; * Aumentar o gabarito, permitindo edifícios com até 27 metros acima do nível do solo e no máximo seis pavimentos ( hoje é sugerido um máximo de 3 pavimentos); * Construção de edifícios multiuso para cursos de pós-graduação, especialização e para a pesquisa, compartilhados por diversos departamentos, de forma a garantir melhor uso da infraestrutura didática e de equipamentos; Quanto à estruturação da conectividade do campus: * Aprimorar e aumentar as atividades culturais e de serviços oferecidas pelo Centro de Vivência existente e implementar a instalação do novo centro na área sul do campus, trazendo para eles atividades centrais e equipamentos culturais e de comércio como museus, agências bancárias, restaurantes, livrarias e lojas de conveniência, alem de aprimorar as conexões com o sistema de transporte público urbano; * Implantar um sistema de caminhos de pedestres, na forma de uma praça linear, sombreada, interligando os diversos edifícios do campus e seus Centros de Vivência. Este sistema de acessibilidade aos pedestres garantirá uma maior integração da população com o sistema de transportes públicos, permitindo uma alternativa à circulação de automóveis, que hoje representam a base de circulação do campus mas envolvem problemas crescentes de congestionamentos e falta de espaço para estacionamentos ; * Dotar esse sistema de caminhos de pedestres de equipamentos urbanos e conectalo aos sistemas de circulação do entorno, inclusive para a utilização dos serviços externos oferecidos; * Incentivar o uso de bicicletas, construindo ciclovias.

* Quanto ao uso das instalações do campus: * Permitir o acesso público da população em geral ao acervo cultural e de conhecimento da universidade pela criação de “áreas compartilhadas” situadas na periferia do campus, com possibilidade de acesso pelas vias externas urbanas ou pelas vias internas e do sistema de pedestres do campus. Aí estarão os parques da USP, os Museus, Anfiteatros de Convenções, Hotel, Hospitais e Áreas esportivas; * * Procurar conectar estas atividades aos Centros de Vivência centrais; Controlar a acessibilidade das áreas semipúblicas do campus (de uso acadêmico )

e das áreas de acesso restrito (para equipamentos específicos). O controle deverá ser feito não por barreiras físicas, mas por sinalização e funcionários treinados. O acesso interno aos edifícios deverá ter controle eletrônico; * Os caminhos de pedestres deverão estar também conectados á trilhas que possibilitem um contato direto com a natureza e o meio ambiente, através de roteiros específicos, inclusive atravessando áreas contendo obras artísticas e fragmentos das matas nativas da região. Estes roteiros deverão privilegiar as visuais de marcos notáveis e edifícios importantes do campus. ALGUMAS ILUSTRAÇÕES o Plano de caminho de pedestres a das áreas centrais de vivência o Plano da “área compartilhada” do Parque dos Museus. o Fotos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, representando dois momentos da arquitetura do campus (60’s e 80’s) o Foto da Escola Politécnica – administração e biblioteca o Foto da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (departamento de Ciências Sociais)- edifício modular / standarts o Foto edifício do Instituto de Matemática –edifício modular

Este trabalho tem base no “RELATÓRIO TÉCNICO DO PLANO DIRETOR FÍSICO DA CUASO – 2001”¹, sendo que alguns dados e observações foram dele extraídos. ¹ Vahan Agopyan, Antonio R. Martins, Cândido Malta Campos Fº, Itajacy V. Nanes Schimidt, Neyde Angela Joppert Cabral, Paulo Julio Valentino Bruna, Samir Tanios Hamzo, Sergio Luiz de Assumpção, Witold Smitrowicz