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Revista do Arquivo Público Mineiro

Bruno Franco Medeiros
Valdei Lopes de Araújo

Dossiê

A história de
Minas como
história do Brasil

Revista do Arquivo Público Mineiro

Diferentemente do paradigma universalista, então hegemônico na historiografia brasileira, a criação do Arquivo Público Mineiro veio consagrar um
modelo de tipo corográfico como pré-requisito para a construção de uma
história geral do Brasil.

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literária e eclesiástica. José Bonifácio. a corografia esteve estreita- mosaico. às chamadas histórias naturais. eram fundamen- relação com o Estado. José da O formato corográfico é bastante antigo. muitas delas das. também o espaço poderia ser descrito a partir de No interior das histórias naturais. a publicado por Rafael Bluteau na primeira metade do corografia foi certamente a forma mais cultivada. por opo- América portuguesa em torno de imagens gerais efeti- livro da história através de um modelo providencialista processo histórico de emancipação da América portu- sição à grande tradição da história política clássica. No mundo português. formais e teó- hierarquicamente organizada. ou por região que tenha uma extensão maior e a topo- sar a regionalidade do território americano. Uma história particu- que se subdivide em: corografia e topografia. Raimundo José da Cunha Matos e do. o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê 6 Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo | A história de Minas como história do Brasil | 25 . era vista apenas como a correlação dessas histórias locais e seus “mestres” na Europa. Para as histórias particulares de recorte espacial. especialmente talhadas para oferecer um tratamento Essa mesma definição pode ser encontrada no (IHGB). ativi- certas unidades autônomas. por conse- programa se constituiu ao longo do segundo quartel do A essa compreensão da escrita da história correspondia ou uma pequena extensão da Terra. Na nova historiografia natu- guesa. a América portuguesa inseria-se no grande para o Rio de Janeiro como a aceleração de um lento nos especializou-se na chamada história local. a forma corográfica ofereceu a possibilidade dirigido por um projeto sistemático de conhecimento da Silva Lisboa. Essa estabilidade da definição Entre a segunda metade do século XVIII e as primeiras veram uma preocupação constante em produzir uma do léxico escondia profundas transformações no gênero. as histórias haviam sido elaborados por pensadores como Hipólito naturais imprimiram um outro padrão de racionalidade. Chama-se Especial ou quase sempre entendida como tarefa para o trabalho ganização de seus padrões de dominação. A história geral. entre outros. que desde romanos. Geografia Geral ou Universal é aquela que con- futuro. mais do que cronológico. eram particulares em oposição a um outro conceito cada uma das regiões. assumindo geral- A corografia associou-se ao memorialismo para a pro- racionalidade sistêmica recém-descobertos e que deve- O programa de uma história nacional em recorte mente formas não narrativas para a exposição do mate- dução de conhecimento orientado pela metáfora do riam organizar o território de uma paisagem mundial moderno exigia outras soluções políticas. historiografia produzida pelos antigos era caracterizada mentação e a inconclusividade eram regras. Por um lado. era vista de um Estado metropolitano em processo de reor- chamamos hoje de história regional se enquadraria no des de cada região. propondo rias nacionais modernas. poderiam ser totalizados em um momento Esse longo processo de tensão e aprendizado pode ser vam até então. os diversos relatos. o que priedades sem levar em conta as particularida- especiais em um quadro mais amplo. tinham difi- preensão da história colonial enquanto um processo Generalis. qüência. um apara- corógrafos. algumas vezes chamada univer- identificado na correspondência entre os “naturalistas” sidera a Terra em conjunto e explicita suas pro- sal. Pontos fundamentais desse programa já conhecimento. na medida em que apresentavam a realidade Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. as tarefas historiográficas a serem distribuí- século XIX. grafia descreve com detalhe um lugar novas formas de conceber sua divisão e. transformados em naturalistas. na parte introdutória de sua Geographia 24 não único. Uma das pri- A centralidade assumida pela história natural só seria lar poderia ser definida por sua temática específica. nacionalidade. relativa autonomia que as histórias particulares goza- dividir a geografia em dois grandes campos: autores. A vas. Os em detrimento das histórias particulares. utilizava-se de um formato literário onde a frag- e homogêneo de Ocidente. Esse novo tipo de historiografia precisava reunir e o identificam em textos de escritores gregos e 1 3 rial. alguns autores No Brasil. tendo como seu espaço privilegiado. mas 2 5 um conjunto de formas literárias próprias. por isso. ricas. Sob o ponto de No século XVII. Essa ligação entre corografia. Nesse conhecimento produzido a partir da metáfora do culdades em reduzir seu próprio programa de uma his- contínuo e totalizante anulava ou tornava indesejável a Bernardo Varenius repetia uma longa tradição ao mosaico. permanecendo sem grandes modificações Histórias locais e particulares História geral e histórias naturais José Feliciano Fernandes Pinheiro participaram ativamente das lutas pela Independência brasileira e manti- ao longo do século XIX. pela Academia Brasílica dos Renascidos. Homens como Januário da temático. ao material recolhi- verbete corografia do Vocabulário Portuguez e Latino. José da Costa. sem que as diversas lacu- uma inserção ambígua. fundado em 1838. as corografias tinham to crítico/documental e um novo tipo de decoro na sua tórios e populações. a história conceito amplo de histórias particulares. Cunha Barbosa. paisagem natural. coordenar um forte modelo explicativo geral. publicada em 1650 em Amsterdã. ral o território americano era assimilado aos padrões de pelo intenso uso de documentação. Assim como a experiência do passado se mente associada à atividade militar e administrativa. A nova com- 4 facilmente à concepção de território aberto. apresentava como a de um conjunto variado de histó- sendo utilizada para o reconhecimento dos novos terri- rias. Assim fora concebido o projeto de uma natural apresentava maiores vantagens. século XVIII. o de história geral. Sem romper com a concepção de mosaico. e História Universal da América Portuguesa. por outro. escritos por diferentes tória local às demandas por descrições taxonômicas. A corografia mostra a descrição de alguma meiras iniciativas desse projeto historiográfico foi repen- transformada com a emergência do programa das histó- como a história militar. sua ênfase nas particularidades tendia prevalecer um modelo que priorizava a história geral a chocar-se com o projeto centralizado e sistêmico. intransponível para o relato. Sua prática esteve associada à historiografia de enfrentar a dispersão real e simbólica do território. Essas histórias Particular aquela que estuda a constituição de em equipe. Na versão produzida pelo dade militar e administração é um dos traços de per- nas no conhecimento oferecessem um obstáculo tais. história do Brasil a partir do evento fundador da nova que precisou se adaptar aos diferentes paradigmas de em grande medida. que ao longo dos tempos moder- Na impossibilidade de totalizar a experiência da Renascidos.> Na segunda metade do século XVIII. No projeto dos Acadêmicos 1808 procuraram entender a transplantação da Corte antiquária e erudita. formulado complementar. O gênero adaptou-se muito local. décadas do século XIX a história geral foi incorporada. acabou por manência da tradição corográfica portuguesa. Luiz Gonçalves dos Santos. Sabemos que no Brasil esse seu recorte espacial circunscrito.

1810 . Áustria. que eu chamarei o do Brasil”.. em especial durante . o histórica de Cunha Matos esteja disposta na forma de | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê Acervo Museu Nacional de Belas Artes. In: SOUZA. Cunha Matos é enfático ao negar a possibilidade conceberam o majestoso projeto de sacudir o de uma história geral nas circunstâncias do conheci- jugo europeu: os homens mais gentis nas letras mento disponível: “[. O Museu Nacional de Belas Artes. Federigo Medrazo y Kuntz (Roma. nem é possível escrever de um só jato desta gloriosa empresa que não chegou a reali- a história geral do Império zar-se.A hegemonia da história geral potencial político dessas identidades locais e regionais. Já nas concepções de Cunha tantivo em torno da definição das épocas históricas. SP. O tempo tornava-se a dimensão fundamental nesse Enquanto Cunha Barboza previa um debate mais subs- projeto historiográfico. a experiência regencial. mais preocupada em va e crítica do Império do Brasil. a prioridade da história o ainda liberal Bernardo Pereira de Vasconcelos poderia geral não era aceita de modo consensual pelos sócios.] continuarei a sustentar que por e nas armas eram apontados como os autores ora não convém. No segundo quartel do século XIX. 10 coletiva. que entendia as culos concêntricos de formas identitárias regionais não épocas como simples marcos temporais.. seria a definição das épocas históricas brasileiras. ensaiar uma recepção positiva da Inconfidência Cunha Matos e Fernandes Pinheiro.. começou a perceber o Retrato de Adolpho Varnhagen. o sábio e intrépido Cláudio Para Januário da Cunha Barboza. Por isso. Nos primeiros anos do IHGB. 1985. Estado nacional em constituição.] sessões do Império Britânico. 46 x 37. moderna de época – enquanto período histórico com identidade e definição intrínsecas – e uma compreen- 26 No interior do Império português. RJ.] Um destes varões ilustres perdeu a 8 vida no patíbulo. o A discussão das épocas é deslocada rapidamente de relato dos melhoramentos da ocupação do território. Aplicando o mente dado como resolvido para. o passo decisivo Manuel da Costa. não parecia ser capaz de produzir grandes rearranjos políti- se deve estranhar que a maior parte da contribuição cos. Visconde de Porto Seguro (São João de Ipanema. 1853. 1894). outro. em discurso na Câmara dos Deputados. Greene formulou para entender a se a necessidade de primeiro indagar criação de identidades corporativas coloniais em pos- a história particular das províncias. [. poderíamos dizer que com bons materiais escrevê[ssemos] a história geral Cunha Matos e Fernandes Pinheiro oscilavam entre a do Império brasileiro”.. ligada à cronologia. em Matos e Fernandes Pinheiro.. confrontavam-se uma compreensão 9 longo do processo histórico.). foi assassinado na masmorra para a produção da história geral. óleo s/ madeira.Viena.1815-Madrid. uma preocupação com a periodização da história geral A proposta de Cunha Barboza levava a narrativa para a tarefa de se estabelecer uma cronologia exausti- para sua terceira fase. afirmar- modelo que Jack P. em seguida. a convivência de cír- são tradicional. São Paulo: Banco Safra. ambos autores de Mineira. de modo que “[.5 cm. não mostravam dis- pela historiografia “oficial”: posição de abandonar os rumos de seus projetos de pesquisa para entrar em uma nova e incerta emprei- É fama que os mineiros já pelo ano de 1790 tada. ainda como obra pelo visconde. Já em 1827. Catão das Minas. o espaço era ainda a Cunha Matos o problema das divisões gerais foi rapida- dimensão a ser percorrida e esgotada. que poucos anos depois seria desprezada 7 importantes histórias particulares . 11 fase um – a da descrição dos espaços físicos – e a fase dois. Na diferença entre os demonstrar a identidade própria adquirida ao dois caminhos. 1878).. Alcídio Mafra de (Ed.

chocando-se fazê-lo. obra do mineiro Joaquim Felício dos Santos. na qual foi produzida uma leitura alternativa do em 8 de agosto de 1900. para estavam potencialmente mais adaptados ao novo A República e um novo padrão de cientificidade leva- mais preocupado em estabelecer o sentido geral do o estimular. cronologias e | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê 19 cientificistas começam a aportar no Brasil. é um homem que se interessa mais deixamos iludir. História Geral do Brasil viveram à sombra do livro que especialização do objeto de estudo.tábuas cronológicas e corografias. Sabíamos que ele é grande conhece- mar. Mesmo que o depois à poesia e à história. lhe fizemos rasgados elogios na padrão de cientificidade que emergia. 12 pelos fatos históricos do que pela história. que. Característica singular a essas duas obras é o história geral no século XIX significou o abandono das Uma nova história histórias particulares. brasileira segue o modelo proposto por Januário da autor de Apontamentos para a História do Maranhão. a História do Brasil prometida por gerais e histórias particulares alcançou um novo pata- vista no interior desse novo momento qualitativo na Capistrano. é a processo de Independência que valorizou as diversas sua geração. algo semelhante ao que acontecia com conservador Vasconcelos não estivesse mais disposto a significado do histórico de Minas Gerais tanto com seus brasileira oitocentista e que sobejou o século XIX. fato de dedicarem sua narrativa ao estudo particular A criação do APM. sua ênfase no O advento da República sinalizou a preocupação com acúmulo dos vestígios antigos. 16 lecimento factual: Não devemos pensar que a hegemonia do modelo da Porém. história geral previa a construção e o aperfeiçoamento História da Literatura Brasileira. procedente de um projeto apresentado à Romero. momento decisivo de transformação no regime político nea. indigestos. essa tradição historiográfica transfor- de 1895. sabemos que Capistrano de Abreu nunca che- Como será possível escrever uma história filosófica gou a concluir uma história do Brasil. anais tornaram-se gêneros menores ou auxiliares quanJunto com a República vinha também a necessidade do vistos da perspectiva da grande tradição nacional. Levindo Ferreira co hegemônico representado na história geral. 126. uma história do Brasil que superasse a de Varnhagen com a sensibilidade romântica que permeava os estu- O método que propunha como alternativa ao da em fins do século XIX. outros autores não deixariam de das Efemérides Mineiras. pela Lei n. repercute o novo contexto político e historiográfi- Especialmente em Minas. Por vários motivos elas continuaram a ser produzidas. além de con- de Varnhagen sua maior realização. a partir desse momento. pela regionalização monográfica do conheci- mou-se em uma forma de resistência ao modelo políti- Câmara dos Deputados pelo Dr. dos monumentos e efe- um novo regime de historicidade para Minas Gerais. censura mais severa o imenso fardel de escritos como. durante mais de trinta anos. o que indicia um desejo. figura só Romero e Capistrano. efemérides. produzindo uma sensação de atraso e letargia que o novo tempo republicano procuraria exorcizar. essa historiografia local/erudita era necessária no enfrentamento dos períodos de grande aceleração do tempo histórico. nos de reorganização da história nacional e de sua relação mas foram também lugares de resistência. Polígrafo como muitos de Todos os historiadores que sucederam ao autor de do país dedicavam seus estudos à história nacional. contribuindo para a redefinição do se tornou a referência fundamental na historiografia recorte espacial. Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo | A história de Minas como história do Brasil | 29 . Lopes. Ciência e região especulou sobre a possibilidade do aparecimento de 28 As corografias. Era uma variação do tipo antiquário. os escritos que versam sobre o inexatos. polêmica com Capistrano. e encontra na História Geral do Brasil foi melhor historiador do que Varnhagen. Em nota a um trecho de sua dos literários e históricos. Escreveu basica- do povo do Brasil antes de levar ao cadinho da mente monografias dedicadas a assuntos particulares. com com os Estados federados. concorriam com seus elementos históricos “singulares” na disputa por posições no cenário político nacional. ao É desnecessário dizer que o cânone da história nacional mesmo tempo. mérides parecia responder a uma vontade de passado que o modelo da grande história política era incapaz de 18 satisfazer plenamente. Cunha Barboza. absurdos e fabulo- povoamento dos sertões. a forma narra- tiva e a exibição de uma interpretação geral da forma- Diamantino. Xavier da Veiga dedicou-se ao jornalismo. bem como riam a uma revalorização dos gêneros utilizados desenvolvimento histórico do Brasil. o nascimento das ciências sociais no fim do século XIX. nos momentos de transição em que os contemporâneos se percebiam A crise do Império tornou mais perceptiva a aceleração do tempo histórico. como perdendo contato com a tradição. por parte de Em segundo lugar. ção histórica da nacionalidade que preservava e projetava o Estado Imperial centralizado como grande personagem do relato. memórias. Os estudos monográficos regionais e temáticos relação entre esses dois grandes veios historiográficos. Em 13 sos anteriores ao ano de 1822. de 11 de julho das províncias. e chegamos a esperar. A querela entre histórias A criação do Arquivo Público Mineiro (APM) deve ser ansiedade. escreveu que João Francisco Lisboa. voltado para o trabalho virtualmente infinito de estabe- do Descobrimento do Brasil. Temos então dois modelos historiográficos: o primeiro dor dos nossos fatos históricos e por isso. A direção do Arquivo nos primeiros O que parece nascer dessa polêmica que envolvia não do Estado como elemento aniquilador das autonomias anos foi delegada a José Pedro Xavier da Veiga. Sílvio Romero A partir da década de 1870 as idéias evolucionistas e da Independência. Associado ao desejo de recu- perar ou tocar o passado. mas todos aqueles que num locais alimentou uma tradição historiográfica subterrâ- marcante na instituição mesmo depois de sua morte. A história geral foi ferir elogios exaustivos às Memórias do Distrito capaz de produzir um equilíbrio entre as demandas eru14 ditas de crítica e acúmulo documental. o segundo memória que inserimos no Livro do Centenário com as novas demandas políticas. insulsos. recuperar as revoltas coloniais como parte da história trabalhos no APM quanto pela confecção monumental Polemizando com Capistrano de Abreu. 15 17 mento histórico do país. diz o seguinte: da cronologia e estabelecimento crítico das fontes. nas palavras Nós mesmos. a leitura liberal da formação co. principalmente no iniciativas do período colonial. Sílvio Romero o caracterizou como um historiador “micrológico e de minúcias”. Em primeiro lugar. por exemplo. de Momigliano. na redação das histórias locais. Fazia-se necessária a reorganização histórica das antigas províncias – agora Estados da Federação – que.

. tinham autonomia. Fotografia de Simeão Mauro. persuadido. indústria agrícola e pastoril. Veiga percebia essa hierarquização como reflexo de um escreveu: arranjo político altamente centralizador: [. indústrias diversas. Rio de Janeiro: Gomes Irmãos & C. força hidráulica. Braga. 30 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê Xavier da Veiga traçava a metanarrativa dessa nova história regional. apoiado num guarda-chuva. listou o nome de Xavier da Veiga Como percebemos. 1911. zido a um simples território que mais facilmente se tornaria um anexo de Espanha”. Emílio e Benjamin (sentado). bem como um lugar simbólico que resguarda- 20 ditas. isto é. Ao final desse período vinham a lume os projetos do Arquivo e das mados num verdadeiro labirinto sem fio condutor”. pretendemos rativo e as condições para a escrita de suas histórias. Último retrato do Comendador José Pedro Xavier da Veiga (Campanha.. história do Estado é anterior a sua nomeação para o a escrita das histórias não-nacionais estavam sujeitas cargo de diretor do Arquivo. A preocupação de Xavier da Veiga com a Como vem sendo discutido até aqui. Portugal perdia os docu- quas. Biblioteca do APM . com seus irmãos João Júlio. Era um meio de que se valia o poder cen21 mentos de sua autonomia moral. Minas e industria mineral. as condições estruturais 24 para a escrita da história de Minas alteravam-se profundamente: “Estabelecido com a República o regime fedePapel do APM rativo. como estava. MG. ao destacar os historiadores de para a escrita da história local.Analisando a atuação de Xavier da Veiga. às vezes longín- Rodolpho Jacob. uma vez que estabelecia a mútua dependência entre o crescimento dos Estados no regime fede- Página de rosto do livro Minas Gerais no XX° século .OB 006. Ouro Preto. conta-nos a apreensão esmagadora que por alguns minutos dominou-o. Aparece no centro da foto. porque não Página de rosto das Ephemerides Mineiras. Nova Lima. 1664-1897.] referindo-se [Teófilo Braga] a um incêndio Vigente o Império. Francisco. coordenadas e redigidas por José Pedro Xavier da Veiga. 1897. Dentro da cronologia político de reconstituição histórica de Minas Gerais um temática de Romero acerca de nossa historiografia. Com o advento da República.volume 1: sumário geográfico. de organizarem séria e sistematicamente os Minas. “amalga- ção histórica autônoma de Minas Gerais. A organização do trabalho historiográfico de crítica e estabelecimento documental no formato cronológico evidenciava a ligação A história de Minas como história do Brasil | 31 . Vale co.1921. que ameaçou recentemente destruir a Torre do Tombo. local de produção de conhecimento a respeito desse Xavier da Veiga é citado na Fase das monografias eru- passado. Belo Horizonte. circa 1896. que. Quando tomou conheci- ao crivo hierarquizante da história geral. O mostrar as novas expectativas em torno da história de conhecimento do passado aceleraria o processo históri- Minas Gerais nos primeiros anos da República. apreensivo com a notícia de Teófilo O fundador do APM constantemente reclamava que. 1900) publicado na Revista do Arquivo Público Mineiro. os Estados não poderiam progredir. vias de comunicação. essencial à própria Colocando em jogo a autonomia moral e territorial de autonomia. Xavier da Veiga prosseguiu seu trabalho em ao tempo do Império. ano XIX. 1846 Ouro Preto. Durante 18 anos. ainda que bem o quisessem. Coleção Luís Augusto de Lima. primeiro secretário-arquivista do Arquivo Público Mineiro. Ouro Preto: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. Xavier da Veiga apelava para a constituição do 22 seus Arquivos”.. de Rodolpho Jacob. e ficava redu- tral para ter tudo fechado nas mãos. que “extinto esse riquíssimo e incomparável Arquivo. o APM proporcionou ao projeto entre os historiadores renomados. Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo | Efemérides. criaria as condições de possibilida- lembrar que Sílvio Romero. descentralizada a vida nacional e despertos os Estados da velha apatia letárgica. durante o Império. Comércio. sendo sempre os presidentes da província filhos de outras. 23 que compunham a cena brasileira em sua História da Literatura Brasileira. APM como forma de prevenir tamanha tragédia. por sua vez. va uma unidade territorial ainda carente de delimitações precisas. todos os documentos mineiros busca dos documentos que poderiam orientar a forma- estavam jogados a esmo em arquivos locais. Colligidas. já começam eles a prover sobre a necessidade. Xavier da mento do incêndio que ameaçou a Torre do Tombo.

Gerais. Xavier da Veiga e as prescrições metodológicas dos ruína colossal. encabeçada dos. motivadora da escrita de mui- história de Minas – “já duas vezes secular” – seria uma lisado. arquivos. escrito com a verdade e o cora- mentação coletada. intuição às vezes mais sado e presente – o documento – perpassa as observa- Não comentarei semelhante indiferença ou táci- real imediata de unificação do Estado de Minas a partir dificultosa que a do futuro”. Através da ênfase na vasta docu- da escola francesa afirmavam enfaticamente: 25 dores e limites. Aquilo que realizasse poderia. O Arquivo seria a representação ideal de uma unidade constituição da história de Minas Gerais. injustiça ainda maior. tradições veneráveis.] respeitoso no cemitério do 31 Thomas Richards. partícula mínima durante a colonização fora uma “Inconfidência perma- de informação que algum dia poderia ser reunida nente.desse empreendimento com a tradição da história Ginzburg situa no fim do século XIX o aparecimento de É consenso entre os analistas da História Geral do Brasil local e erudita. que teve em 1789 o zem a imagem e a sensação de unidade. Carlo 32 em uma imagem total da realidade. com o método lico das Minas Gerais. o que só alcan- mento evocado com relação à mudança da capital: çam gênios privilegiados. mas as República. em seu livro The Imperial Archive. Xavier da Veiga cuidava para que.. poucos Museum.. pelo fato histórico enquanto dado. As Efemérides procuravam esta- por Langlois e Seignobos. protestante e conspiradora.] o autor deste livro [Efemérides]. surgia um dos pilares que naquele 30 nosso passado mineiro. na frase profunda ções de Teófilo Braga. a História Geral foi mentava também no projeto do APM uma relação de escrita com base em documentos originais. dessa “intuição quase A mesma sensação da fragilidade do vínculo entre pas- constituição do APM. Xavier da Veiga demonstraria uma imagem total do objeto bibliotecas. Era muito mais fácil unificar um arquivo feito de papéis do que um império feito de ter27 outros desconhecidos. de culto ainda mais fervoroso são manutenção de um Arquivo e da redação de uma obra inúmeras citações dos autores portugueses contemporâ- dignas. Este último fora citado por ignorância dos que a praticam.] a ingratidão cedo tornou a muitos esqueci- mental significava pressupor uma unidade histórica dutor que deveria guiar o viajante pelo território simbó- com a chamada Escola Metódica francesa. Essas instituições lança- dos fatos à feição dos interesses e das paixões. podemos notar o senti- tigador sincero ser iluminado. na que surgia com a República. Porque tipo de produção de conhecimento que se exigia para o História a própria origem e a austeridade fecun- nada supre os documentos: onde não há docu- da de seus conceitos – não raro carecia o inves- mentos não há história. se pudesse iniciar o projeto de neos demonstra que a relação com o passado devia a página gloriosa da Inconfidência ficou apaga- tral dessa episteme é sua capacidade em lidar constituição de uma história de Minas Gerais enquanto muito ainda à concepção orgânica do romantismo. a Real Geographical Society e o India Survey produziam sobre as possessões territoriais britâ- Sem eles – obscurecida ou deturpada a verdade há que deixam traços visíveis e estes. o fio con- ção demonstra uma afinidade do historiógrafo mineiro [. O “Heródoto” brasileiro ção do tempo histórico. Essa preocupa- Entender Minas Gerais como um grande labirinto docu- territorial e histórica. por meio da enquanto movimento geral das idéias refluía. tas memórias e recordações de sabor etnográfico. A história se faz com documentos.. Para quem pensava que a atitude do “povo mineiro” significado geral. alimentada por um positivismo difuso. em suas partes isoladas. ali- tarefa árdua e não muito facilitada. explicável aliás pela preexistente. Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo 32 | A história de Minas como história do Brasil | 33 . súbito destruídos e pelas preciosas tradições ritório. Os expoentes uma história regional. não possuem constitutiva e sempre ligada ao plano de uma história progressiva. Entre os pensamentos e os atos dos homens. ser continuado por outras gerações. no particular como forma de arti- dor foi a constatação da impossibilidade de escrita da his- A sensação de que a geração de 1870 vivia de acelera- Apesar de reconhecer que reunir documentos sobre a culação de um conhecimento maior sobre o objeto ana- tória do Brasil sem documentos. o historiógrafo resiste ao projeto de mudança da capital. nicas no final do século XIX. que. sem dificuldade. Documentos analisa fenômeno similar ao estudar o controle e a sen- Frizando a importância dos documentos para a escrita são os traços que deixaram os pensamentos sação de controle que instituições como o British da história. Tendo em vista a impossibilidade profética do passado. faz de inúmeros e a disposição suficiente. mas que reunidas no Arquivo produ- geral do Brasil. objetificante da tarefa. o Arquivo cumpria o papel do ilustre Alexandre Herculano. ção.. Preocupado com o esquecimento de homens e fatos que fazem parte do passado mineiro. até A grande vantagem do arquivo enquanto metáfora cen- como as Efemérides. alia- da e com ela a lembrança imorredoura dos pri- com grandes vazios e reunir uma massa imensa de um “sujeito histórico” e não mais como uma parte da agora a uma obsessão meiros mártires da liberdade nacional. revelasse todos os seus corre- belecer o início e o fim. deixá-la para trás significava também abandonar o passado num afã obsessivo pelo progresso. Fenômeno semelhante parece ter orientado a 29 de unificação a partir de documentos e textos que pudessem conferir uma imagem ao novo sujeito históri- Identificando nos documentos a força máxima da possi- co – Minas Gerais – bilidade de escrita de uma história autônoma de Minas O APM surge no momento em que o romantismo sempre respeitadas no Império e que. ao final da junção das particularidades. para a escrita de Xavier da Veiga no prefácio das Efemérides. [. um modelo epistemológico nas ciências humanas de Varnhagen que um dos méritos principais do historia- baseado no detalhe. quando se produzem. A cidade de Ouro Preto representaria as melhores tradições da história de Minas. a crise sofrida por to contentamento ante a perspectiva de uma do seu território proteiforme. o mythos. Trabalho de um erudito. raramente perduram: vam mão da metáfora do arquivo como chave para o eliminadas as fontes de que emanam para a basta um acidente para os apagar. Xavier da Veiga dizia o seguinte: e os atos dos homens do passado. momento permitiria escrever a história de Minas.. 26 controle do Império. Xavier da resgate no trato com o passado. pelos avultadíssimos valores de autores franceses. | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê relativamente aniquiladas. Em artigo escrito para A Ordem (periódico editado por Xavier da Veiga) em 30 de abril de 1891. Parece que na lamentável aberração. buscava documentos em coleções particulares. bem como sua lembrança: enfrentava o desafio com uma compreensão fechada e 28 fragmentado. penetra [. apenas aguardando quem. as Efemérides Mineiras. informação que.. O passado se fazia Veiga já considerava os documentos indispensáveis na urgente.

Xavier da Veiga herdara do Império a concepção da civilização enquan34 to continuidade histórica. A sensação Rezende.criação da Revista do Arquivo Público Mineiro (RAPM) fia mineira aspectos vetados pelo decoro da grande tradi- em 1896. A República não poderia me. vada. ano XVII. Ao criticar a transferência da capital do Estado.] esti- (e não somente imaginárias) que acabavam identifican- de que algum dia pudesse ser escrita a história “geral” va urgente o projeto de resgatar o verdadeiro sentido mular os sentimentos cívicos dos brasileiros. década de 1930. Em 1891. corografias. constituída basica- 33 seu lampejo épico de sua mais alta indignação”. Xavier da Veiga enviara um questio- procurava-se produzir no leitor um efeito de real.” 36 O desejo de mapear o lugar com classificações. procurava descrever o município com as ter esse “gosto” pelo real.. atestado por diversos gêneros literários. ou vivacidade. Através da enargeia. portanto. olhos de etnólogo para tentar desvendar o estra- o que podemos entender como uma tentativa de consti- nho e fixar culturas alienígenas no mundo dos “bran- natural da própria história do Brasil. a ser respondido. letras e artes. Francisco de P. única base possível da autonomia tar as lacunas da descrição do quadro observado. enfim. n. e o tipo de historiografia oficial não se permitia esse tipo de desenvolvimento. publicação de documen- vidade em descrições de paisagens ou na dramatização tos inéditos e vulgarizados. da história através das Efemérides. Estado. demarO princípio federativo pressupunha a vivificação do ele- cação de pontos de fundação.. também uma função científica que insistia mineira: “Uma vasta e rica capital. Xavier da Veiga esboçou algumas opiniões que poderiam Não só a função estética regulava esse tipo de escrita esclarecer o projeto de constituição de uma corografia corográfica. ao nário. 37 Antiga sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. junho 1939. de do interior do Estado. marcou os primeiros anos do APM. O projeto da corografia mineira ganha fôlego com a Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo | A história de Minas como história do Brasil | 35 . nada mais natural. esse processo originava redes imaginárias A acumulação exaustiva de documentos. sentido este que somente a história do-lhes o que já havia de grande e heróico na sua his- Minas Gerais – em vista de uma formação histórico- Xavier da Veiga já tinha lançado as bases para a escrita tória. Porém. desafio e um risco para a escrita de uma história de os objetivos que levaram seu pai. Porém. dentre outras. concitando-os a que se geográfica maior – o Brasil. Barthes. histórico. Ao explicar de materiais coletados das descrições dos municípios autópsia. isto é. produzia-se a car o passado pelas ordens estéticas do dia era um geração empreenderiam tarefa semelhante. Entre caminhos e fronteiras teve início em Minas Gerais terra. mostran- do a própria configuração cartográfica do regional – de Minas. para os distritos de paz de invés da simples seriação daquilo que era apreendido Minas Gerais. teceu”. mantivessem sempre unidos para que. sob o novo regiLonge de ser um republicano radical. ornamento e a ressonância estética compõem os recur- viajantes-naturalistas que estiveram no A corografia na nova história sos narrativos. pelo “prestígio do que acon- características que lhe eram peculiares. a escrever sobre a história do Brasil após a município –. deveria ser compreendida como evolução | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê 38 mente sobre uma cronologia. coloração na descrição mento local. Cássio Barbosa de Rezende dizia: “[. ventosa permanente em medir e classificar racionalmente a natureza obser- sobre o corpo já quase exangue do povo mineiro. influenciada pelos relatos de viajantes acabou desem- A descrição afetiva do território fazia confluir na corogra- bocando no novo estilo adotado em muitas de suas 35 ser vista apenas como uma revolução ditada pela 34 O corógrafo deveria ter olhos de agrimensor para medir a Fotografia reproduzida da revista Illustração Brasileira. Já a corografia parece ter Na narrativa corográfica da RAPM percebemos que o nutrido a sua configuração nas fontes dos relatos de nos”. Esse questionário continha perguntas pelas lentes do corógrafo. tro- dos mineiros poderia apontar. ao mesmo tempo. o Minas Gerais enquanto sujeito autônomo. Outros de sua tuição identitária promovida através do levantamento cos”. climático. A revista tinha algumas seções permanentes ção historiográfica nacional: o derramamento da subjeti- sobre biografias. percebemos que essa racionalização da a pletora no cérebro e a paralisia nos membros – quan- natureza local não esgotava a narrativa corográfica. a “visão direta pela ação de estilo”. é característica marcante de nossa civilização social. Como nos mostrou Roland relacionadas aos aspectos físico. enquanto na historiografia Brasil durante o século XIX. 50. popular e do progresso do Estado. na esperança de que o passado estava sendo deixado para trás torna- República. F. Mapeando o local – ou seja. Rio de Janeiro. Por meio de descrição abundante. do que dele- da paisagem são marcas fortemente impressas nos gar uma seção da Revista à descrição de lugares do relatos de lugares. do o princípio federativo pressupõe a vivificação do sendo preciso recorrer a efeitos estéticos para comple- elemento local. pudesse o Brasil realizar os seus gloriosos desti- ordem do dia. de personagens e eventos históricos. e. ou seja. da nacionalidade.

Carlo. Rome: Edizione di Storia e Letteratura. p. 1-2. [s. 61. Entre continuidades e rupturas. apud SOUZA. n. p. O narrador. 26. 1911. v. 2005. Sinais: raízes de um paradigma indiciário.. Quase todo extraído da “História Geral do Brasil”. O surgimento da pesquisa antiquária. p. 32. 30. Cássio Barbosa de. grifo nosso. SEIGNOBOS.. Belo Horizonte. MATOS. 143-179. Belo 38. 7.. Sobre isso ver SÜSSEKIND. História da literatura brasileira. In: JANCSÓ.. em nova edição de 1839. John G. 36. p. Anais da Capitania de São Pedro. 35. A história de Minas como história do Brasil | 37 . In ____. 4.. 5. 107. Raimundo José da Cunha. p. Jack P. Flora. Valdei Lopes de Araújo é professor de Teoria da História na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).). Grifo nosso. p. Cf. sado? 19. 24. José Joaquim do Carmo. grifo nosso. p. Ibidem. 34. III. A. E para onde. I. p. 169. 1999. Comendador José Pedro Xavier da Veiga. 1993. 4. Modernidade e historicização no Império do Brasil (1813-1845). tomo II. depois chamada. Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais e a história natural das colônias: política colonial e cultura científica no século XVIII. Belo Horizonte. a arqueologia. II. Prefácio. 61. p.. ed. mento de um desejo pelo passado local que havia sido sufocado pela grande historiografia política. João Paulo G. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Dissertação acerca do sistema de escrever a história antiga e moderna do Império do Brasil. Revista do Arquivo Público Mineiro. MATTOS. 27. e defendeu em 2003. Ilmar Rohloff de. talhadas de longa data para satisfazer o desejo de tocar o passado que a experiência histórica do final do século colocava novamente na ordem do dia. 122. Ch. Revista do Arquivo Público Mineiro. Prefácio. Lisboa: DIFEL. p. 1819.. Para além da autoconsciência moderna: a historiografia de Hans-Ulrich Gumbrecht. v. 25. Memória. In: ______. Ekphrasis e citação. Sílvio. Cf. 36 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê 20. Revista Rio de Janeiro. 3563. VEIGA. VARENIO [1650]. Thomas. Independência: história e historiografia. I. 7. Raymundo José da Cunha. Rio de Janeiro: Editora A Noite. 1989. p. Cf. n. New York: Verso. 133-157. 1550.geocities. financiado pela Fapemig. Varia História. 1980. 86. tomo XXVI. Cf. VEIGA. 271-300. VEIGA. Região e Identidade no Arquivo Público Mineiro: 1896-1913. Esquecidos e Renascidos: historiografia acadêmica luso-brasileira (1724-1759). Viagem incompleta. Fundação João Pinheiro/Fapemig/Governo do Estado de Minas Gerais. Carlo. p. LANGLOIS. AZEVEDO. sem. José Pedro Xavier da. 18. p. István (Org. leitura paleográfica e atualização ortográfica Cláudia Alves Melo. 2005-2006. Almanack Braziliense. In: ______. Para esta definição de metanarrativa. 1944. p. UERJ. Dissertação acerca do sistema. 1998. p. v. abrindo espaço para o desenvolvi- 3. 2005. Geografia General (en la que se explican las propriedades generales de la Tierra). O tribuno do povo e a estátua do Herói: breve estudo sobre as tradições políticas atuantes na Corte no Segundo Reinado. Cf. Cf. 85. p. definiu como ‘método de Zadig’ o procedimento que reunia a história. São Paulo: Hucitec. 1955. VEIGA. São Paulo: Editora SENAC.com/pensamentobr/varenius. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. 1990. MOMIGLIANO.-V. v. Dia-Logos. a tese intitulada A experiência do tempo. Introdução de Edilane Maria de Almeida Carneiro. mas foi redimensionada a relação parte e todo no interior desse grande quadro. 156-165. 9. na PUC-Rio. emblemas. Arnaldo. Fonte: http://www. VEIGA. Revista do IHGB. 1998. p. simultaneamente assumir. 8. Um sintoma das diferenças introduzidas na concepção da História geral como história nacional pode ser materialmente percebida na drástica redução do volume de informação descritiva entre o trabalho de Southey e a obra maior de Varnhagen. MATTOS. VEIGA. Tradução de Márcia Siqueira de Carvalho. Palavras Preliminares. 15./dez. 290. 33. 28. a capacidade de fazer profecias retrospectivas”. ano XVI. V. História dos fundadores do Império do Brasil.. financiado pela Fapemig.. GREENE. p. Ibidem. 39 2. p. p. Cambridge: Cambridge University Press. O Brasil não é longe daqui. São Paulo: Martins Fontes. Valdei Lopes de. Raízes clássicas da historiografia moderna. 37. Carlo. Contributo allá Storia Classici e del Mondo Ântico. O surgimento da pesquisa antiquária. nov. São Paulo: Companhia das Letras. MATTOS. 2006.. 2004. Cf. Memória. Peças de um mosaico (ou apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional brasileira). p. Formação: histórias. István. Octavio Tarquínio de. n. p. O rumor da língua. In: REZENDE. 85-117. MOMIGLIANO. Cf. 2000. MATTOS. Barbarism and Religion II: narratives of civil government. IV.). 1896. de Varnhagen. ARAÚJO. a geologia. contudo. Charles. 50. Pronunciado em A Ordem em 30 de abril de 1891. fascículo I. e PINHEIRO. 4. como a corografia e as efemérides..]. p. 2. Revista do Arquivo Público Mineiro. Certamente que não chegou a ser produzida uma outra história geral que rivalizasse com aquela deixada pelo IHGB e por Varnhagen. 122. Revista do Arquivo Público Mineiro. André Nunes de. 15. Mitos. Iris. 1827. 1812. 314-328.. p. jul. Cf. 64. 1. 1991. Tradução de Mário Laranjeira. A micro-história e outros ensaios. GINZBURG. 10. 22. 31. GINZBURG. 16. ARAÚJO. 2004. MOMIGLIANO. apud GAMA. Brasília: INL. se esquecer das funções de fundamentação da nacionalidade que esse passado deveria 6. O Brasil e o acaso. Sobre essa intuição profética. In: ______. Morfologia e história. sinais. p. p. Carlos Guilherme (Org. 29. Rio de Janeiro: José Olympio. In: ______.. 5.d. 1837.descrições corográficas. Palavras Preliminares. In: MOTA. Belo Horizonte: Centro de Estudos históricos e Culturais/Fundação João Pinheiro. José Joaquim do Carmo. 36. ou um bosquejo da nossa história. Citado em GAMA. Roland. Corografia histórica da província de Minas Gerais. 12-13. O texto foi provavelmente escrito entre 1838 e 1839. p. 11. Palavras Preliminares. Construtores e herdeiros: a trama dos interesses na construção da unidade política.. Comendador José Pedro Xavier da Veiga. Co-organizou o livro Nenhum Brasil existe: pequena enciclopédia. Diversos exemplos dessas relações tensas em torno da homogeneização que o esforço classificatório impõe podem ser encontrados na coletânea organizada por Oswaldo Munteal Filho e Mariana Ferreira de Melo. Marta Eloísa Melgaço Neves. Quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira. Efemérides Mineiras: 1664-1897. GINZBURG. 2005-2006. Introdução aos estudos históricos. apud POCOCK. Francisco de Paula Ferreira de. Xavier da Veiga soube perceber as oportunidades do momento. p. v. p. Quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira. ROMERO. 1960. Ibidem. ROMERO. podemos perceber que o projeto historiográfico movimentado pelo APM em seus primeiros anos enfrentava vigorosamente a herança cultural do Império. In: ______. Edicion y estudio preliminar de Horacio Capel. José Feliciano Fernandes. 2006. 5. O efeito do real. na passagem seguinte: “Thomas Huxley. KANTOR. pesquisa histórica Bruno Fagundes. Ediciones de la Universidad de Barcelona. Arnaldo. Anais da Câmara. 1980. PIMENTA. REZENDE. Palavras Preliminares. 1863. Dissertação acerca do sistema. 127-176. 2004. José Pedro Xavier da. Knowledge and the fantasy of Empire. Revista do Arquivo Público Mineiro. Revista do Arquivo Público Mineiro. José Pedro Xavier da. Revista do Arquivo Público Mineiro. Região e Identidade no Arquivo Público Mineiro: 1896-1913. Barbarism and Religion II. Coordenou o projeto História. São Paulo: Edusc. JANCSÓ. O Brasil só poderia assumir seu destino histórico se Minas Gerais o revelasse através da revisão de sua história local... Anais da Província de São Pedro. 1. em um ciclo de conferências proferidas para a difusão das descobertas de Darwin. 23. p. p. 123. Valdei Lopes de. Rio de Janeiro.. Cf. São Paulo: Hucitec. The Imperial Archive. p. devemos ir se quisermos tocar o pas- ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Notas | 1.html Continuidades e rupturas Em resumo. A reforma Pereira Passos: uma tentativa de integração urbana. 17. p. Esse reordenamento das partes na história geral provocou também a revitalização de gêneros considerados menores. 1586. BARTHES. ano I. 2004. Comendador José Pedro Xavier da Veiga. A experiência brasileira (1500-2000).. Rio de Janeiro: José Olympio. José Joaquim do Carmo. 2. Horizonte. São Paulo: Companhia das Letras. 184. 12. 22. Ouro Preto. RICHARDS. Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. São Paulo: Renascença. ano II. 7. Cf. Tradução de António Narino. Bruno Franco Medeiros e Valdei Lopes de Araújo | Bruno Franco Medeiros é graduando em história pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e foi bolsista IC do projeto História. 21. a astronomia física e a paleontologia: isto é. 39. cf. GAMA. 14. 14-15. ed. 13. p. p. ver POCOCK. senão ao Arquivo. Reformulando a identidade inglesa na América britânica colonial: adaptação cultural e experiência provincial na construção de identidades corporativas. Grifos do autor. a viagem. n.