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DESENVOLVIMENTO HUMANO: RESSIGNIFICANDO O LUGAR DO SER E A
PRÁTICA DA GESTÃO DE PESSOAS
1

Ivnes Lira Garrido
2
Maribel Oliveira Barreto

RESUMO
Evidencia-se, atualmente, um período de grandes mudanças políticas, econômicas, morais e sociais,
em todo o mundo, que tem modificado as estruturas da sociedade e a forma como o poder público, as
organizações e os indivíduos têm tratado a temática do desenvolvimento humano. Este artigo tem
como objetivo geral analisar as relações entre desenvolvimento humano, ressignificação do ser e a
prática da gestão de pessoas. Como objetivos específicos pretende-se apresentar alguns conceitos
sobre desenvolvimento humano e ressignificação do ser, na perspectiva de alguns autores que
corroboram com os avanços dessa temática liderados pelo PNUD - Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento e discutir esses conceitos na prática da gestão de pessoas. A opção
metodológica utilizada foi a pesquisa bibliográfica, com ênfase qualitativa, que possibilitou ampliar o
debate através do diálogo entre vários autores. Conclui-se que o conceito de desenvolvimento
humano continua aberto e capaz de ser enriquecido através de novas abordagens ou através de uma
re-leitura daquilo que já foi apresentado na academia e em tantos debates ao longo dos últimos anos
e que, na medida que o ser humano ocupa o lugar central nesses debates, se vislumbra a
possibilidade de um modelo de desenvolvimento sustentável.
Palavras-Chave: Desenvolvimento Humano. Gestão de Pessoas. Autodesenvolvimento.

ABSTRACT
Evidence is currently a period of great political, economic, moral, and social changes throughout the
world, which has modified the structures of society and how the government, organizations and
individuals have treated the theme of development human. This paper has as main objective to
analyze the relationships between human development, redefinition of self and practice of people
management. Specific objectives is intended to present some concepts of human development and
redefinition of being, in the view of some authors to corroborate the advances of this theme led by the
UNDP - United Nations Development Programme and discuss these concepts in the practice of
people management . The methodological option was to literature, with qualitative focus, which
allowed broaden the debate through dialogue between various authors. It is concluded that the
concept of human development remains open and can be enriched through new approaches or
through a re-reading of what has been presented in academia and many discussions over the past
years and that to the extent that the human being takes center stage in these debates, one sees the
possibility
of
a
sustainable
development
model.
Keywords: Human Development. People Management. Self-development.

1 INTRODUÇÃO

A questão sobre o conceito do significado da terminologia desenvolvimento
humano evidencia que sua conceituação está em evolução. A partir da segunda
1

Bacharel em Administração com habilitação em Recursos Humanos pela FVC; Especialista
em Gestão de Pessoas pela UFBA; Mestrado profissionalizante em Desenvolvimento Humano e
Responsabilidade Social pelo CEPPEV/FVC.
2
Graduada em Pedagogia pela UCSAL; Mestre em Educação pela UFBA; Doutora em
Educação pela UFBA.
Cairu em Revista. Jul/Ago 2014, Ano 03, n° 04, p. 5 6-73 , ISSN 22377719

Este indicador representa a mudança do paradigma anterior. filosófico. Jul/Ago 2014.57 década do século XX. ressignificação do ser e a prática da Cairu em Revista. o IDH mensura seus níveis e progressos. 1990). O primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano (1990) apresentou uma concepção da economia e do desenvolvimento centrada nas pessoas. 5 6-73 . sobretudo na compreensão do indivíduo acerca do sentido do seu trabalho e das relações que nascem nesse ambiente organizacional. 2007). Ano 03. psicológico e educacional. que não somente lhe capacita a fazer escolhas diante das oportunidades que surgem. ISSN 22377719 . sociológico. o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Este relatório reforçou o conceito que o desenvolvimento tem relação direta com a liberdade do ser humano. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi um componente estratégico dentro dessa nova concepção de DH apresentada pelo PNUD. Isto tem gerado uma ruptura com os modelos tradicionais de gestão que antes privilegiavam apenas a produtividade e aspectos econômicos. Com o conceito que as pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação (UNDP. ainda que não abarque totalmente a complexidade do desenvolvimento humano. o problema que norteou este trabalho foi: Quais as possíveis relações entre desenvolvimento humano. p. como também facilita sua participação em todos os processos decisórios da sociedade. A evolução do estudo do desenvolvimento humano em uma perspectiva mais integral tem atingido também o mundo dos negócios. Tal evolução também evidencia que o debate sobre o sentido e a função do desenvolvimento humano é muito significativo para compreender um mundo em constantes mudanças e também como fonte de soluções para melhorar o bem-estar e qualidade de vida do ser humano. apresentou uma nova abordagem sobre a temática do desenvolvimento humano (DH). à educação e ao rendimento. ignorando a busca de sentido e realização que exigem os profissionais inseridos nesse mercado. n° 04. sua abordagem vem sendo investigada sob diversas perspectivas e fundamentos epistemológico. Como avaliação que é composta de indicadores relacionados à saúde. entre outros (SOARES. biológico. publicado em 1990. Diante disso. utilizando um conceito de desenvolvimento muito mais abrangente do que o alcançado pelo rendimento financeiro ou econômico apenas.

Soares (2007). Barreto (2009). consequentemente. haja vista o grande potencial de exploração deste tema para o mercado de trabalho e. Sachs (2003).58 gestão de pessoas? E trazemos como objetivo geral: analisar as relações entre desenvolvimento humano.Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Tulku (2006). O crescimento econômico sempre foi equiparado à temática do desenvolvimento onde seus modelos de estudo limitam a debates e exemplos Cairu em Revista. na primeira seção “Desenvolvimento humano e ressignificação do ser” serão apresentados algumas reflexões sobre desenvolvimento humano e ressignificação do ser. Jul/Ago 2014. gerando discussões que enriqueçam a forma de se pensar e fazer a gestão de pessoas. Esperamos que este trabalho possa inspirar novos estudos e novos olhares da direção do desenvolvimento humano. Vasconcelos (2007). Kofman(2007). Na segunda seção “Desenvolvimento humano na prática das organizações” será discutido o processo de desenvolvimento humano na prática da gestão de pessoas. p. Os principais autores que fundamentam esse artigo são: Arruda (2006). E como objetivos específicos: (1) Apresentar uma reflexão sobre desenvolvimento humano e ressignificação do ser. (2) discutir o processo de desenvolvimento humano na prática da gestão de pessoas. com ênfase qualitativa. Ano 03. que serão desenvolvidos através de duas seções: Assim. Zohar e Marshal (2006). 5 6-73 . 2 DESENVOLVIMENTO HUMANO E RESSIGNIFICAÇÃO DO SER O objetivo desta seção é apresentar uma abordagem sobre desenvolvimento humano e ressignificação do ser. Casham (2011). Delors (1998). A pesquisa bibliográfica foi a opção metodológica fundamentada em Gil (2004). ressignificação do ser e a prática da gestão de pessoas. levando em consideração as discussões políticoeconômicas que envolvem um tema tão controverso como desenvolvimento humano e que assume significados diversos. ISSN 22377719 . Chiavenato (2004). a sociedade. Passos(2011). na perspectiva de alguns autores que corroboram com os avanços dessa temática liderados pelo PNUD . Papalia e Olds (2000). n° 04.

passou a ser compreendido como um processo direcionado para o cuidado com a vida de todo ser humano: Com a utilização da expressão desenvolvimento humano sustentável (DHS) o PNUD evidenciou que a performance econômica dos países e o PIB per capita não são os indicadores do DH. a concepção de DH. n° 04. inseridas e reforçadas através do PNUD (1990). quanto nos aspectos socioeducativos de sustentabilidade. político e jurídico. Assim. em particular. em contraste com essas correntes anteriores. Surge então o apelo a uma nova economia – uma economia de desenvolvimento humano. Jul/Ago 2014. vem editando anualmente os Relatórios sobre o Desenvolvimento Humano. tal abordagem inseriu a pessoa humana no centro do processo deste desenvolvimento tanto nos aspectos econômico. desde 1990. Ano 03. o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) vem sendo utilizado pelos países membros da ONU como uma medida global e comparativa que permite avaliar e medir o bem-estar de uma população. De acordo com Soares (2007). em que o propósito principal é aumentar o bem-estar humano e o crescimento sustentável e em que todas as outras políticas são validadas e avaliadas na medida em que contribuam com esse desenvolvimento à curto e à longo prazo. a sua relação com o desenvolvimento exigem uma transformação radical dos paradigmas já enraizados da sociedade contemporânea. A economia do crescimento e. ISSN 22377719 . Soares (2007) destaca que a partir desta nova abordagem. 5 6-73 .59 práticos sobre o interesse das pessoas pelo consumo e sobre o impacto que ações do governo e de outras instituições têm sobre o crescimento econômico. educação (acesso ao conhecimento. Ao declarar que o objetivo central do Desenvolvimento do Ser Humano (DSH) é melhorar a vida humana. p. As novas abordagens sobre o desenvolvimento humano. apontam que o bemestar tem uma relação mais ampla do que somente aspectos econômicos: se relaciona com as possibilidades que as pessoas possuem para cumprirem seus planos de vida e os motivos que têm para fazer escolhas e medir seus riscos. considerando a longevidade (possibilidade de maior perspectiva de vida saudável para as pessoas). o PNUD reconhece que o DHS refere-se à adoção de políticas públicas que Cairu em Revista. com uma educação de qualidade) e renda per capta (distribuição da renda). sendo que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). que antes deste período era entendido como sinônimo de crescimento ou desenvolvimento econômico.

ampliando o alcance do debate dessa temática. 65). isto é. Em princípio. os beneficiários e os impulsores do desenvolvimento humano. o desenvolvimento humano não deve envolver apenas aspectos como a saúde. desenvolvimento para as pessoas: assegurando que seus resultados sejam adequados equitativamente pela comunidade. onde as pessoas possam desfrutar de uma maior longevidade. Jul/Ago 2014. as pessoas são.60 consideram o cuidado com a existência das pessoas – e não o acúmulo de riquezas – como o princípio e o propósito do desenvolvimento humano. estas por sua vez chamadas de soluções triplamente ganhadoras. como propõe o PNUD em seus escritos sobre o tema. e desenvolvimento pelas pessoas: empoderando-as. em qualquer nível de Cairu em Revista. estas possibilidades podem ser infinitas e evoluir com o tempo. pobreza e doença. ambiental e econômico. ISSN 22377719 . 2007. 13-14) comenta: O desenvolvimento humano é um processo que visa ampliar as possibilidades oferecidas às pessoas. Equidade. aspectos importantes da sua liberdade. potencialidades e direito de escolha. Nesse sentido. oportunidades. da equidade e da sustentabilidade. p. Tal abordagem também propõe criar um ambiente social facilitador. n° 04. princípios fundamentais que garantem a efetividade de qualquer ação dentro dessa nova abordagem. Sachs (2003) alinhado com os postulados éticos. o desenvolvimento implica progressos simultâneos nos âmbitos social. tanto individualmente como em grupos. Ainda segundo o autor. o início e o fim último do DHS é o cuidado com a vida do ser humano em relação ecológica de cuidado com as diferentes formas de vida existentes no planeta (SOARES. p. Ano 03. Contudo. de uma boa educação e utilizar todo potencial criativo para viver uma existência digna sem miséria. a sustentabilidade e o respeito pelos direitos humanos passam a ser. a educação e o rendimento – deve abranger também o envolvimento direto das pessoas na definição dos caminhos do desenvolvimento. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) (2010). p. mais do que nunca. de uma boa saúde. Nesta dimensão significativa. ao mesmo tempo. Delors (1998. alargando a autonomia dos indivíduos e comunidades humanas durante sua participação ativa na definição do processo de desenvolvimento. 5 6-73 . O desenvolvimento humano precisa manter regularmente seus resultados no médio e longo prazo e garantir a luta contra os processos que empobrecem e alienam as pessoas. Nesta perspectiva. menciona três atributos básicos para o desenvolvimento: desenvolvimento das pessoas: ampliando suas capacidades.

fundamentado na vivência do autoconhecimento. Limitar ou negar a existência de todas essas dimensões é negar a possibilidade de construir um desenvolvimento humano que consiga levar a humanidade a um progresso integral e sustentável. são ter uma vida longa e com saúde. sociólogos. psíquica e moral. p. Novas abordagens. moral e espiritual da humanidade contemporânea. apontam que os problemas enfrentados no mundo atualmente. neurocientistas. 5 6-73 . p. ISSN 22377719 . as três principais. da vida e de valores espirituais. segundo a autora. políticos e tecnológicos. Segundo Grof (1994). pedagogos. implica compreender o ser humano em toda sua complexidade e totalidade e. sem prejuízo às gerações futuras.estrutural – econômico – político . a partir do século XX. eles são reflexos do estado emocional. que o ser humano conseguirá restabelecer suas relações consigo mesmo. Corroborando com esses estudos e fundamentada em uma perspectiva transdisciplinar a respeito do processo do desenvolvimento humano. eles foram aprofundados. físicos quânticos. com base na concepção do Ser Humano como uma totalidade. apenas econômicos. tratar os problemas do processo do desenvolvimento do ser humano em vários níveis e dimensões: físico – social . a partir daí. Este estudo. filósofos. n° 04. Barreto (2009) nos diz que os estudos sobre a consciência não são recentes. É a partir do desenvolvimento dessa consciência. Soares (2007. Na falta destas possibilidades fundamentais. Nessa perspectiva de totalidade. adquirir conhecimentos e ter acesso aos recursos necessários a um nível de vida decente. o ser humano é compreendido como um ser que apresenta uma estrutura física.emocional – psicológico . Ano 03. 65) afirma: O processo de desenvolvimento humano. do ponto de vista das pessoas. à luz de reflexões e abordagens teórico-práticas de psicólogos transpessoais. baseadas no estudo sobre a consciência. com os outros seres e com a realidade de uma forma harmoniosa e sustentável.moral e espiritual. nos remete a uma melhor compreensão da vida. da alienação da humanidade moderna de si mesma.61 desenvolvimento. ajuda o indivíduo a apropriar-se do direito de tomar o seu destino nas próprias mãos e contribuir para a pró-cura da saúde da Cairu em Revista. Ken Wilber (2001) e Soares (2007) consideram que posicionar as pessoas no centro do desenvolvimento humano é muito mais do que um exercício teóricointelectual. não são em última análise. Jul/Ago 2014. muitas outras oportunidades permanecerão inacessíveis.

p. Além disso. Eles entendem que um dos objetivos da educação no século XXI é levar o educando e o educador à descoberta. na consciência da responsabilidade individual e na consolidação da consciência da responsabilidade social. uma oportunidade para o ser humano no ambiente de suas atividades profissionais aprender mais sobre si mesmo e para desenvolver relacionamentos positivos e Cairu em Revista. p. p. Fundamentados neste entendimento. tanto na Educação Básica quanto na Educação Superior. ISSN 22377719 . possibilita a pessoa humana tomar consciência de sua responsabilidade de construir relacionamentos baseados na afeição. destacam a urgente necessidade da prática de uma educação direcionada para o processo do desenvolvimento humano e para a realização completa do ser humano. de forma especial. alicerçados na abordagem do significado do desenvolvimento humano apresentada pelo PNUD. ao reconhecimento e à compreensão do outro. Soares (2007. a partir de amorosas atitudes existenciais baseadas. o desenvolvimento humano dentro de uma vivência fundamentada no autoconhecimento. os autores do supracitado Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI re-afirmam a importância da vivência do autoconhecimento para a formação de uma humanidade mais harmônica e pacífica. p. na dialogia. 63) destaca que os autores deste documento. 2007. n° 04. 2007) Tulku (2006) considera que o trabalho pode ser uma fonte de crescimento. (SOARES. a vivência do autoconhecimento é um dos aspectos do DH. simultaneamente. ressaltam que a inserção de disciplinas no currículo escolar orientadas para a vivência do autoconhecimento é um procedimento pedagógico de ensino-aprendizagem indispensável à educação no século XXI a serviço do DSH. Ano 03. 63). 2007. 65) Segundo a autora. 5 6-73 .62 humanidade. Soares (2007) aprofunda a questão da relação entre a vivência do autoconhecimento e o processo do desenvolvimento humano e novamente coloca em destaque a perspectiva da UNESCO a respeito desta relação: Ressaltando. consideram que o autoconhecimento é um dos aspectos deste desenvolvimento: De acordo com os autores do referido Relatório da UNESCO. na solidariedade e no respeito às diferenças e à diversidade (SOARES. (SOARES. Na sua leitura a respeito do “Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI”. Jul/Ago 2014. a aprendizagem do aprender a ser. a partir da relação com o processo de autodescobrimento inerente à vivência do autoconhecimento.

o desenvolvimento humano está relacionado aos potenciais intrínsecos do indivíduo ou grupo social e já a evolução está relacionada a fatores ecossistêmicos em conjunto com os fatores de desenvolvimento mencionados. o ser humano não necessita dissociar vida e trabalho dentro de um projeto de busca de desenvolvimento integral e realização pessoal. os métodos da agricultura não tiveram avanços significativos. O trabalho é a expressão habilidosa da totalidade do nosso ser. ele fala que o progresso da civilização nestas regiões foi principalmente político.63 saudáveis. Arruda (2006) traz uma concepção positiva do desenvolvimento fazendo sua associação ao processo de desdobrar as capacidades de um organismo ou sociedade enquanto dimensão da natureza e ao indivíduo. 2006. Contradizendo algumas teorias antigas acerca da racionalidade do sistema da economia de mercado. p. 5 6-73 . Arruda (2006) põe em questão a afirmativa que todo desenvolvimento humano tem como impulsionador o desenvolvimento técnico ao mencionar que até o começo da Idade Moderna. Jul/Ago 2014. espécie e coletividade na dimensão do humano. ISSN 22377719 . n° 04. que poderá assim garantir ações concretas e efetivas de desenvolvimento humano diante das crises observadas em várias nações. famílias e no interior do próprio homem. Cairu em Revista. intelectual e espiritual. (TULKU. desinteressada e sustentável. 15) Soares (2007) considera que a vivência da proposta transdisciplinar do processo de desenvolvimento humano habilita o ser humano a pensar nos problemas da humanidade de uma forma global. A consciência da sua responsabilidade individual e social nesses relacionamentos. poderá levá-la a tomar decisões planejadas em que seus riscos e impactos foram calculados em vistas de um contexto mais amplo. O autor afirma: Trabalhar é a resposta humana natural ao fato de estarmos vivos. Corroborando com essa posição. nosso recurso para criar harmonia e equilíbrio em nós mesmos e no mundo. na maior parte da Europa Ocidental e Central. p. Ano 03. abrindo-nos para a variedade infinita de experiências. por sua vez. é o nosso modo de participar do universo O trabalho nos permite realizar o nosso potencial de forma plena. integral. Partindo dessa visão. Citando Polyani. Segundo o autor.

que se constrói de baixo para cima. apresenta a atividade econômica como o próprio sentido da existência humana e que por ela se obtém a felicidade e o bem estar. buscando maximizar os potenciais de complementaridade. 2006. em indicadores quantitativos de produção de bens e serviços e na acumulação de riqueza material. 5 6-73 . defendendo que a parte vale pelo todo. p. Ano 03. n° 04. nos permite acenar para uma globalização diferente. Arruda (2006) afirma que o capitalismo promoveu uma inversão entre meios e fins. que planeje uma distribuição justa dos recursos existentes sem perder de vista a sustentabilidade da vida humana e do planeta. Estas são as que levam à sua crescente integração e plenificação enquanto pessoas e coletividades. de sociabilidade e de irmandade entre as pessoas. Arruda (2006) aponta para uma alternativa de desenvolvimento que parte do princípio que a diversidade das pessoas e nações. o citado autor defende uma economia que observe continuamente as reais necessidades. Ele contra argumenta: Defendo que o desenvolvimento econômico não é mais que um meio para que o indivíduo. p. no conforto e na riqueza. O objetivo é libertar sempre mais o Homo do trabalho de responder a essas necessidades. a sociedade e a espécie humana provejam as condições favoráveis à satisfação sustentável das suas necessidades. 152) Ao descrever as características do desenvolvimento no sistema globalizado vigente: objetivo. as comunidades. Jul/Ago 2014. Este capitalismo cujo sistema é centrado no produtivismo e no consumismo. Arruda (2006) indica as bases para um desenvolvimento que coloca o ser humano como sujeito central desse caminho. seus recursos materiais e imateriais. as Cairu em Revista. cujos preços determinam a ordem de produção e distribuição dos bens. a fim de que possa dedicar mais tempo. e pensar que cada comunidade humana e nação nessa perspectiva. Continuando sua argumentação.64 Em posição antagônica ao sistema econômico vigente. e que se expande com base em outra lógica e noutro movimento: cresce a partir da concepção de orgânica de noodiversidade. tomando como objetivo a eficiência do sistema para prover o bem-viver e seu usufruto para todos. centrados no bem-estar material. saber e energia às atividades de desenvolvimento das suas dimensões superiores. atuais e potenciais podem convergir a uma globalidade nova que se materializa em um pensar e agir coletivos frutos de uma co-responsabilidade pelo outro e pelo planeta. fundamentado na técnica. especificamente humanas. as empresas. ISSN 22377719 . desejos e anseios dos indivíduos e seus grupos. (ARRUDA. ele descreve: Pensar que cada pessoa pode ser concebida como centro gerador de si mesma e das coletividades a que pertence.

autodesenvolvimento e. 204) Ao falar de autodesenvolvimento. por meio da educação. 5 6-73 . (ARRUDA. além de aspectos financeiros. 3 DESENVOLVIMENTO HUMANO NA PRÁTICA DAS ORGANIZAÇÕES Debater desenvolvimento humano implica uma série de aspectos. p.65 nações e os continentes. conforme abordaremos a seguir. que é o cenário da nossa pesquisa. conclui o autor. ressignificação do ser em prol de um desenvolvimento humano sustentável. desenvolvendo o seu potencial criativo a partir do autoconhecimento. O materialismo. crescer. Neste sentido. Arruda (2006) ainda afirma que nenhum ser humano pode ser desenvolvido por agentes externos. Estado. consequentemente. o consumo e o racionalismo – próprios dos modelos tradicionais das teorias da administração . Como podemos verificar. Jul/Ago 2014. Ano 03. se construa sempre mais como sujeito consciente e ativo do seu próprio desenvolvimento. por meio de várias ações sobre o mundo e os outros. dominação. organizações. n° 04. Quando isso não ocorre. professores. subordinação. ISSN 22377719 . exploração. dimensões e segmentos que devem dialogar entre si em busca de uma integração ou ação integrada. ajudar outras pessoas. da pesquisa e da reflexão sobre si próprio e suas relações. consequências como alienação. Cairu em Revista. Este tópico apresenta uma abordagem sobre o desenvolvimento humano na prática das organizações. 2006. como por exemplo: pais. Essas abordagens encaram o ser humano como ser que quer uma inspiração a mais para o trabalho. fatores.vão dando espaço a algumas abordagens mais humanizadas e baseadas em valores. não valorização da subjetividade são percebidas e instaladas na sociedade. p. querem ainda aprender. em redes de relação e intercâmbio a todos os níveis. cabe pesquisas que possam dialogar sobre uma educação para o desenvolvimento humano que faça sentido e estratégias que possam modificar o cenário atual das organizações. já que o protagonista principal desse caminho de emancipação é ele mesmo. dependência. O desafio do autodesenvolvimento consiste em que cada homem. as questões de desenvolvimento humano se deslocam para uma abordagem que possa oferecer condições favoráveis ao ser humano de se colocar no mundo.

ao contrário. que não deve ser negligenciado. Essas práticas partem do princípio de que a evolução pessoal precede a evolução empresarial. nem mesmo dentro da estrutura organizacional mais tecnicista e lucrativa possível. na medida em que se investe na pessoa humana. ISSN 22377719 . consequentemente. n° 04. Uma prática de desenvolvimento humano integral nas organizações se materializa através de uma real preocupação pela realização dos indivíduos enquanto seres livres e conscientes. Passos (2011) afirma que a sociedade moderna tem privilegiado uma razão instrumental. reflete um ambiente ideal para o estímulo à criatividade e. Esta lógica. assim. elas devem existir para eles e por eles. p.66 encontrarem prazer no que fazem. orientada por valores econômicos. valores e emoções de todos aqueles que estão por trás desses balanços. O que significa dizer que o ser humano precisa ser visto como fim. impedindo. Neste sentido. o foco das políticas de desenvolvimento nas empresas deve priorizar as pessoas e o seu potencial. em todas as instâncias. A partir desse entendimento nascem também as novas teorias de liderança. que coloca a ciência e a técnica em primeiro plano. p. coloca o ser humano apenas como máquina ou peça de engrenagem produtiva. afirma Zohar e Marshal (2006). a serviço da vida. Esta real preocupação. acesso as informações necessárias para o desenvolvimento das atividades diárias. Na medida em que o ser Cairu em Revista. conhecimento. pois. o ser humano é o maior bem que a organização possui. traduzida em ações concretas como oportunidades de crescimento para todos. Jul/Ago 2014. da integridade. como consequência deste investimento. As organizações não são constituídas por aquilo que está em seus balanços financeiros e sim pela motivação. Passos (2011. Ano 03. aumenta-se as condições para atender tanto os objetivos individuais quanto organizacionais. entre outras. respeito à diversidade. Cashman (2011) afirma que a evolução é o resultado da reinvenção emocional e espiritual e que ela é autogerada. 65) reforça que: A ciência e a tecnologia precisam ser colocadas. 5 6-73 . As empresas não podem ser colocadas acima dos indivíduos. do respeito. da harmonia. deixando de lado o aspecto humano e sua emancipação. o verdadeiro desenvolvimento das suas necessidades e capacidades. Ademais. à formação de equipes de alto desempenho.

vale ressaltar. se existem redes eficazes para estabelecer companheirismo e cooperação etc. 46) descrevem algumas características observadas em organizações que cultivam o capital social: [. Zohar e Marshal (2006. contudo.. envolver a sociedade que está ao seu redor. A ênfase é colocada nas relações interpessoais dentro da empresa. que um alto nível de capital social em uma determinada empresa traz benefícios somente para seus colaboradores. Aprofundando este novo termo. Zohar e Marshal (2006) descrevem o capital espiritual como a quantidade de conhecimento e habilidades espirituais disponíveis a um indivíduo ou cultura. n° 04.] o quanto as pessoas se comunicam. O capital social pode se transformar em um aspecto forte da cultura interna da organização e refletir diretamente numa maior riqueza material através de maiores lucros. como funcionam em equipe.. ISSN 22377719 . O ser humano precisa associar o que faz à utilidade e valor para as pessoas ou para o planeta. Ano 03. Ampliando as noções de capital social surge um novo conceito que é caracterizado por uma consciência de maior significado em que os valores humanos e propósitos globais norteiam suas ações – o capital espiritual. valores e propósitos fundamentais”. Ele é resultante da percepção de uma comunidade ou organização Cairu em Revista. o trabalho se transforma em mera obrigação e uma sequência de tarefas e obrigações diárias. 2006). p. 5 6-73 . (ZOHAR e MARSHAL. O significado é uma das recompensas não materiais mais importantes para um profissional e cabe ao líder ajudar sua equipe a entender o alcance amplo daquilo que produz. Jul/Ago 2014. As novas abordagens sobre o mundo dos negócios também se fundamentam na definição de riqueza/capital como algo muito mais amplo. o quanto confiam uma nas outras e em seus superiores. p. Dentro desse contexto surge um novo termo que vem sendo utilizado para especificar a riqueza gerada pela qualidade dos relacionamentos em uma organização – o capital social. Quando se trabalha sem associar à atividade um sentido e um propósito.67 humano permite a si e aos outros mudarem suas atitudes e comportamentos isso pode conduzir a uma renovação e evolução com impactos no mundo do trabalho. Todos anseiam por significado. sendo que o termo espiritual é usado para descrever “princípios. capaz de inspirar as pessoas a darem o seu melhor em vista de um bem coletivo. Mesmo assim. se o nível de inteligência emocional do grupo é alto. clientes e acionistas sem.

mas honesta consigo mesmo. MARSHAL. n° 04. Deste modo. são evolutivas. p. 18) propõe: Cairu em Revista. MARSHALL. Tulku (2006.. O capital espiritual é uma riqueza que colabora diretamente com a sustentabilidade do planeta. E sabemos que o ser humano precisa de um significado. o trabalho é transformado num processo dinâmico de aprendizado. Jul/Ago 2014. Este movimento leva o ser humano a se conhecer melhor e ser capaz de transformar situações negativas em oportunidades de crescimento. Tulku (2006) afirma que o verdadeiro crescimento surge da integração e da aplicação de habilidades práticas e de atitudes positivas. Ano 03. Tem vida e adquire um profundo sentimento de propósito e direção. O autor citado explica que as frustrações e confusões internas diminuem na medida em que se direciona mais atenção ao modo de trabalhar. Os autores citados explicam: As organizações ricas em capital espiritual não são apenas sustentáveis. nem a crenças. p. a querer fazer diferença no mundo (ZOHAR. a organização se transforma de dentro para fora.. 2006. Os autores usam a palavra espírito no que concerne o seu exato significado. (ZOHAR. seitas ou filosofias de vida. “aquilo que dá vida ou vitalidade”. a partir daí decidir-se resolutamente em mudar e como consequência compartilhar nosso aprendizado com os outros. Tulku (2006) propõe uma nova prática de trabalho baseado em três passos: tornar consciente nossos limites não de uma forma intelectual. a partir de princípios. de um propósito de vida. o que pretende fazer e pelo que assume responsabilidade. Essas características melhoram a vitalidade interna da organização e também sua capacidade de funcionar eficazmente e de contribuir para o crescimento mais amplo.68 sobre por que ela existe. valores e propósitos fundamentais. 5 6-73 . A palavra espiritual aqui utilizada não se refere a dogmas e não está ligada a nenhuma religião. p. ISSN 22377719 . 48) Corroborando com Zohar e Marshal. Neste intento. Quando se desenvolve essa integração. complementa os autores. ao passar pelo processo de aumentá-lo. é a nossa parte espiritual ou consciente que nos conduz a desempenhar nossas funções e a questioná-las. o capital espiritual é considerado como aquilo que traz vitalidade e vida a uma organização. no trabalho e na vida. porque. a procurar fazer as coisas de uma forma melhor a cada dia. Baseado em seus estudos e pesquisas. pois precisa se sentir vivo integralmente. bem como a autorrealização do ser humano. 2006). Ela se movimenta.

estéticos. o que atingir. Ele complementa que a liderança vem de uma realidade profunda dentro do indivíduo. baseada numa compreensão humana mais ampla. ao contrário. por exemplo: visão. experiência de vida e essência. Entendemos que é possível lucrar quando se tem dentro da organização pessoas com uma consciência desenvolvida. inovação. dos valores morais. A maioria das descrições de liderança enfoca manifestações externas de liderança. desenvolvimento e sistemas de educação reforçam esse conceito e focam o aprendizado sobre coisas – aprende-se o que pensar. uma expressão íntima de quem somos. Segundo Cashman (2011. em como pensamos. n° 04. p. muitas pessoas tendem a separar o ato de liderança da pessoa.69 Necessitamos de uma nova filosofia de trabalho. O treinamento. ISSN 22377719 . um Cairu em Revista. Tendemos a visualizar a liderança como um evento externo. e realizando as mudanças que irão beneficiar as nossas vidas. como fazemos e como atingimos. Nós apenas a vemos como algo que as pessoas fazem” Cashman (2011) fala que desenvolver-se como líder é visto como um processo exteriorizado: o sucesso é medido basicamente pelo grau de domínio do ambiente externo e por competências técnicas e cognitivas que garantam o alcance das metas e objetivos. 17). cooperação e responsabilidade. a valorização dos relacionamentos. Envolve uma dinâmica constante entre o interior e exterior. “Infelizmente. capaz de desenvolver o seu trabalho com satisfação e competência. ela é um processo. no respeito por nós mesmos e pelos outros. p. princípios. éticos. o que fazer. Jul/Ago 2014. o foco no ser humano. equipe ou empresa. Ainda a partir dessa nova relação entre o mundo dos negócios e o desenvolvimento humano surgem várias abordagens sobre o papel e a importância do líder em todo esse contexto de mudanças e transformações. Ano 03. resultados. enxergando nossas forças e fraquezas com honestidade. Os sistemas de reconhecimento tradicionais são construídos a partir do domínio de algumas habilidades externas que se manifestam em resultados sem uma real preocupação de como foram alcançados. O que se sugere é o resgate ao altruísmo. Isto significa estarmos dispostos a encarar o trabalho abertamente. porque é valorizada e respeitada na sua condição de ser humano profissional. dos seus valores. 5 6-73 . empenho. numa consciência das qualidades e habilidades que geram paz no mundo: comunicação. Cashman (2011) defende que a verdadeira liderança se baseia. ampliada.

uma vez que o ser humano é o ponto de partida. é inegável que precisamos urgentemente de modificações. de quebra de paradigmas. consumidores.70 relacionamento dinâmico conosco e com os colaboradores – o mercado. Ano 03. entre outros profissionais de diversas áreas e interesses. relacionamentos pessoais. Jul/Ago 2014. ao planeta. A temática do desenvolvimento humano não se esgota aqui. 5 6-73 . Economistas. Diante do cenário atual do mundo organizacional. indicam novos rumos para esses estudos e debates em todo o mundo. de melhorias e de um novo modo de conceber as relações que estabelecemos neste espaço. da transformação e da ampliação da consciência do ser humano. novos movimentos que buscam pontos de interseção entre estas e a criação de novos conceitos que surgem a partir da combinação destas. filósofos. todos tem buscado um novo olhar para os desafios em construir um modelo de Cairu em Revista. ISSN 22377719 . educadores. funcionários. sociólogos. O que podemos perceber na abordagem dos diversos autores é que todos estes caminhos sugeridos têm algo em comum: nos mostram a importância da valorização. 4 CONCLUSÃO Concluímos que o conceito de desenvolvimento humano é aberto e amplamente capaz de ser enriquecido através de novas abordagens ou através de uma releitura daquilo que já foi apresentado na academia e em tantos debates ao longo dos últimos anos. clientes. do autoconhecimento. à humanidade (CASHMAN. Para a vivência dessa liderança mais integral é necessário ao líder a busca contínua por um caminho de autoconhecimento e autodesenvolvimento que o permita enfrentar e reconciliar todas as dimensões do seu eu e assim direcionar todas as suas potencialidades ao trabalho e a contribuições autênticas com sua equipe. p. n° 04. administradores. é a chave de todo o processo de transformação. psicólogos. 2011). funcionários. colegas. Dentro desses novos paradigmas do mundo dos negócios surge a figura de um líder que esteja a serviço não apenas dos acionistas. mas também dispostos a servir à comunidade.

as pessoas são colocadas nos centros desses debates. No campo dos negócios. Aqui surge a importância do líder em ajudar sua equipe a entender o alcance amplo daquilo que desempenha bem como conduzi-los a uma compreensão de si mesmo e dos impactos que suas ações têm no ambiente em que está. Novas abordagens surgem. As pessoas podem desenvolver todas as suas aptidões e colocarem a serviço daqueles que estão ao seu redor e necessitam de mais ajuda e apoio. é necessário reconceituar a ciência. materiais e espirituais do ser humano. Jul/Ago 2014. a tecnologia e o progresso numa retomada de uma orientação ética que consiga ajudar na construção desse verdadeiro desenvolvimento centrado nas pessoas. Quando o desenvolvimento humano é bem sucedido. ao contrário. os resultados ficam acima da sinergia e das pessoas gerando desmotivação e falta de engajamento nos objetivos. Ano 03. novos são criados. emoções.71 desenvolvimento sustentável que consiga realmente atender as necessidades dos homens de todo o mundo. n° 04. Pensar em desenvolvimento humano de uma forma mais holística e integral é contemplar o desenvolvimento do potencial humano e a vivência de valores Cairu em Revista. o trabalho se transforma em mera obrigação e uma sequência de tarefas e obrigações diárias. mas como fim último e ao mesmo tempo responsável pela construção desse novo modelo de crescimento e desenvolvimento integral. das necessidades vitais. para isso. a maioria das empresas atuais ainda possui uma abordagem mecanicista em que focam a busca dos seus resultados a qualquer custo. p. enxergando as pessoas como seres dotados de inteligência. Paradigmas antigos são questionados. É urgente a satisfação. valores e fontes valiosas de criatividade e dinamismo. Nesse modelo. O ser humano precisa associar o que faz à utilidade e valor para as pessoas ou para o planeta. ISSN 22377719 . O significado é uma das recompensas não materiais mais importantes para um profissional. 5 6-73 . Nesses novos modelos de gestão mais humanizados e integrais é gerado o engajamento e o desejo de contribuição individual em vista do todo e profissionais mais realizados e felizes. com equidade. Quando se trabalha sem associar à atividade um sentido e um propósito. Todos anseiam por significado. as pessoas podem ser criativas e desfrutar das atividades que desempenham com liberdade e sentido de autorrealização. não mais como um recurso/elemento secundário.

Liderança autêntica de dentro de si para fora. Os Ditames da Consciência. 1994. desenvolvimento humano. n° 04. 2004. 2006. Além do cérebro – nascimento. Como liderar a partir de seus valores pessoais. Enfim.72 humanos. 5 6-73 . Antonio Carlos. Jul/Ago 2014. 2 ed. São Paulo: M. enxergando-o muito mais como colaborador do que como empregado. Stanislav. GROF. ressignificação das relações interpessoais a partir de uma nova concepção de gestão. 2011. Kevin. desenvolvimento e o futuro do trabalho.Rio de Janeiro: Elsevier. Books. 1998. Salvador: Sathyarte. CASHMAN. Petrópolis. economia solidária. Ano 03. Cairu em Revista. 2009. Educação um tesouro a descobrir: relatório para a Unesco da comissão internacional sobre educação para o século XXI. uma nova concepção de funcionário que contemple o desenvolvimento do potencial humano e a vivência de valores. DELORS. Idalberto. ressignificação do ser e a prática da gestão de pessoas estão imbricados. Gestão de Pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. CHIAVENATO. REFERÊNCIAS ARRUDA. uma forma mais humanizada de conceber as relações de trabalho vai propiciar benefícios para todos os envolvidos. Marcos. p. uma abordagem humanista que incentive a cooperação e competência ao invés da competitividade. Rio de Janeiro: Rocco. Maribel. GIL. Deste modo. Jacques (org). Rj: Vozes. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. representados em termos de algumas construções para resultados sustentáveis: procedimentos e políticas das organizações para dar sentido e significado ao fazer laboral do colaborador. ISSN 22377719 . São Paulo: Cortez. 2001. São Paulo: Atlas. Tornar o real possível: a formação do ser humano integral. BARRETO. morte e transcedência em psicoterapia. reconhecendo sempre a riqueza da diversidade e a importância da cooperação para o alcance de resultados positivos em busca de um mundo melhor.

New York.pnud. Educação Transdisciplinar e a arte de aprender: a pedagogia do autoconhecimento para o desenvolvimento humano. Disponível em: http://www. Danah. e LAKATOS. Porto Alegre: Artmed. SACHS.73 KOFMAN. 2007. Sally Wendkos. Diane E. Rio de Janeiro: Garamond. 2011. 2006. 2001 ZOHAR. análise e interpretação de dados.Salvador: EDUFBA. emocional e espiritual para realizar transformações pessoais e profissionais. O caminho da habilidade: desperte! A excelência da realização no trabalho. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). WILBER. Marina de A. Ano 03. Ken. Eva Maria. Cairu em Revista. 6. p. 2006 UNDP. Desenvolvimento Humano. amostragens e técnicas de pesquisa. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas. 2006. Tarthang. 2. Ed Atlas. Rio de Janeiro: Best Seller. Noemi Salgado. 2003. Human Development Report 1990: Concept and measurement of Human Development. 2000. SOARES. 5 6-73 . trabalho decente e o futuro dos empreendedores de pequeno porte no Brasil. Relatório do Desenvolvimento Humano 2002: Aprofundar a democracia num mundo fragmentado. São Paulo. PAPALIA. PASSOS. Ignacy.2007 TULKU. 1990. São Paulo: Atlas. Ian. n° 04. MARSHALL. Ética nas organizações. ed. Rio de Janeiro: Elsevier. elaboração. São Paulo. Rio de Janeiro: Record. Consciência nos Negócios: como construir valor através de valores. MARCONI.20 set 2013.org. Inclusão social pelo trabalho: desenvolvimento humano. ISSN 22377719 . Jul/Ago 2014.ed. Fred.br/rdh/ Acesso em: 30 ago. Uma breve história do universo. OLDS. Capital Espiritual: usando as inteligências racional. Elizete.