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História da matemática em

sala de aula:
proposta para integração aos
conteúdos matemáticos
Volume 10

Miguel Chaquiam História da matemática em sala de aula: proposta para integração aos conteúdos matemáticos Volume 10 .

104. 106 e 107 da Lei no 9. de 19 de fevereiro de 1998 Editora Livraria da Física www.com. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida sejam quais forem os meios empregados sem a permissão da Editora.br .Série História da Matemática para o Ensino VOLUME 10 Editor responsável: José Roberto Marinho Coordenadores da Série: Iran Abreu Mendes e Bernadete Morey Co-edição: Sociedade Brasileira de História da Matemática Capa. Projeto Gráfico e Diagramação: Waldelino Duarte Revisão: O autor Diretoria da SBHMAT Presidente: Sergio Nobre (UNESP) Vice-Presidente: Clóvis Pereira da Silva (UFPR) Secretário Geral: Iran Abreu Mendes (UFRN) Tesoureiro: Bernadete Morey (UFRN) 1° Secretário: Mariana Feiteiro Cavalari (UNIFEI) Membros Conselheiros: Romélia Alves Souto (UFSJ) Lígia Arantes Sad (UFES) Conselho fiscal: Fabio Maia Bertato (UNICAMP) Carlos Roberto Moraes (UNIARARAS) Ficha Catalográfica Todos os direitos reservados. Aos infratores aplicam-se as sanções previstas nos artigos 102.livrariadafisica.610.

UNESP/Bauru UFRN USP UNIARARAS/SP UFS UNICAMP UFRN PUC/SP UFRN UNICAMP UFPA UFRN UFES UFRN UEM/PR UNESP/Rio Claro UNIFESP/SP IFPA UNIFEI/MG UNB/DF UEPA/PA UFSJ/MG UNESP/RIO Claro UFRJ USP UNIFESP/SP .UFRN UNESP/Rio Claro.Comissão Científica do XI Seminário Nacional de História da Matemática .XI SNHM Iran Abreu Mendes Antonio Vicente Marafioti Garnica Bernadete Barbosa Morey Carlos Henrique Barbosa Gonçalves Carlos Roberto Moraes Eva Maria Siqueira Alves Fabio Maia Bertato Fernando Guedes Cury Fumikazu Saito Giselle Costa Sousa Ítala Maria Loffredo D’ottaviano João Cláudio Brandemberg Quaresma John Andrew Fossa Lígia Arantes Sad Liliane dos Santos Gutierre Lucieli Trivizoli Marcos Vieira Teixeira Maria Célia Leme da Silva Maria Lúcia Pessoa Chaves Rocha Mariana Feiteiro Cavalari Maria Terezinha de Jesus Gaspar Miguel Chaquiam Romélia Alves Souto Sergio Roberto Nobre Tatiana Roque Ubiratan D’Ambrosio Wagner Rodrigues Valente Presidente da Comissão .

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............ 50 Bibliografia Consultada.......3....................... 34 Um panorama histórico da Europa do século renascentista....................2..............................................................................1.......................................... 20 2................ 54 Apresentação de Gabriela Coêlho Rodrigues... 45 Comentários Finais...............................................1..... 31 O Cálculo Infinitesimal de Gottfried Leibniz..................................... 36 Traços biográficos de Gottfried Leibniz....................................................................... 17 2.................. 35 Algumas mentes do século XVII............ Diagrama modelo...................................................................................................................................................... 42 A diferenciação sob novos olhares: Críticas e Aprimoramentos......................................................... 52 3...................... 9 1........................................................................................................................................................ Introdução........................ Slides da apresentação a partir de um diagrama........................ 26 3............................................................................... A constituição do modelo................................ Elementos do diagrama......................... 23 2................................ 40 Leibniz e a Matemática................................11 2.............................................................. Texto produzido a partir de um diagrama: o cálculo infinitesimal de Gottfried Leibniz............................... Coleção trilhos da matemática..Sumário Abertura........................................................ 54 ...........

.............................. 63 5.................................................................................................................... 75 O Autor.... 81 ........................... 79 Volumes desta Série.................................4......................................................................................................................................................................... 71 Bibliografia Consultada.................................................................................. Considerações Finais.................. Variações do Diagrama.....

um rol mais diversificado de temas. Médio e Superior e aos estudantes de Licenciatura em Matemática de todo o Brasil. médio e superior). realizado em Natal/RN. em 2001. por parte de estudantes de licenciatura em matemática e por professores dos três níveis de ensino (fundamental. no VII SNHM. Nessa perspectiva orga- . tendo em vista o avanço dos estudos sobre História da Matemática nos diversos centros de estudos do país. de 2007 em Guarapuava/PR.Abertura A publicação de livros sobre história da matemática para uso didáticos pelos professores de Matemática teve sua origem no IV Seminário Nacional de História da Matemática (IV SNHM). Para o XI SNHM de 2015. em Belém/PA no VIII SNHM de 2009. de 2005 em Brasília/DF. de modo a contribuir para a divulgação e uso dessa produção nas aulas de matemática nos diversos níveis de ensino. fez com que a sociedade brasileira de história da matemática levasse em frente o projeto. A receptividade dos textos. consideramos importante apresentar aos professores de Ensino Fundamental. em Aracaju/SE no IX SNHM de 2011 e em Campinas/SP no X SNHM de 2013. Naquele ano foram publicados nove títulos referentes a temas variados. Com essa finalidade seguiram-se as coleções de 2003 no V SNHM em Rio Claro/SP. no VI SNHM.

Trata-se de um modelo resultante de uma experiência empreendida pelo autor durante vários anos de docência no curso superior. Este volume a exploração de um diagrama metodológico proposto pelo autor. que pode subsidiar a elaboração de textos envolvendo tópicos de História da Matemática e conteúdos matemáticos para uso em sala de aula consoante com as discussões em torno da utilização da História da Matemática como recurso didático.nizamos os 10 volumes na Série História da Matemática para o Ensino. Iran Abreu Mendes Bernadete Morey (Organizadores) 10 História da matemática em sala de aula: proposta para integração aos conteúdos matemáticos .

1 Introdução .

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emerge como uma possibilidade de buscar uma nova forma de ver e entender a Matemática. em grande parte. conhecer as preocupações dos vários povos em diferentes momentos e estabelecer comparações entre os conceitos e processos matemáticos do passado e do presente. numa ordem bem diferente daquela apresentada após todo o processo de formalização. tornando-a mais contextualizada. mais criativa. pode contribuir para a melhoria do ensino e da aprendizagem da Matemática. a História da Matemática vem se consolidando como área de conhecimento e investigação em Educação Matemática ao longo dos últimos Série História da Matemática para o Ensino 13 . combinada com outros recursos didáticos e metodológicos. que estão se constituindo um valioso elemento para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem da Matemática. a História da Matemática. De acordo com Lopes & Ferreira (2013).N as últimas cinco décadas observa-se um crescente desenvolvimento de pesquisas relacionadas à História das Ciências e. os estudos apontam que a história da matemática. mais integrada com as outras disciplinas. mais agradável. mais humanizada. em particular. nas diferentes áreas e nos diversos níveis. tendo em vista que o aluno pode reconhecer a Matemática como uma criação humana que surgiu a partir da busca de soluções para resolver problemas do cotidiano. o que permite compreender as origens das ideias que deram forma à nossa cultura e observar os diversos aspectos de seu desenvolvimento e perceber que as teorias que hoje aparecem acabadas e elegantes resultaram de desafios enfrentados com grandes esforços e. A inserção de fatos do passado pode ser uma dinâmica bastante interessante para introduzir um determinado conteúdo matemático em sala de aula. Neste sentido.

iv. é muito comum ouvir de alunos e professores que a História da Matemática pouco contribui para a compreensão da própria Matemática. (VIANNA. O caminho histórico é mais árduo para os estudantes que o caminho lógico e O tempo dispendido no estudo da História da Matemática deveria ser utilizado para aprender mais matemática. iii. O passado da matemática não é significativo para a compreensão da matemática atual. em 1978. apontam que a História da Matemática pode tornar as aulas mais dinâmicas e interessantes. Vianna (1998) apresenta a favor do uso didático da História da Matemática parte da conferência proferida por André Weil (1906 – 1998) no Congresso de Matemáticos de Helsinki. Em Vianna (1998) encontramos a lista de objeções levantadas por diversos autores contra a utilização da História da Matemática como recurso didático. que é possível mostrar o porquê de estudar determinados conteúdos e que o professor pode construir um olhar crítico sobre o assunto em questão. Não há literatura disponível para uso dos professores de Primeiro e Segundo Graus. As pesquisas desenvolvidas nessa área apontam um maior interesse por parte de professores e alunos mostram que o saber matemática está intimamente ligado à motivação e interesse dos alunos por essa ciência. p. ii. de um modo geral.trinta anos. Os poucos textos existentes destacam os resultados mas nada revelam sobre a forma como se chegou a esses resultados. Por outro lado. 1998. estas sintetizam de certa forma as demais: i. 3) Para contrapor as objeções acima. e Dirk Jan Struik 14 História da matemática em sala de aula: proposta para integração aos conteúdos matemáticos . é um desperdício de tempo e esforço. Lopes & Ferreira (2013). v.

citamos D’Ambrosio (1999): As ideias matemáticas comparecem em toda a evolução da humanidade. (D’AMBROSIO. Oferecer um pano de fundo para a compreensão das tendências da educação matemática no passado e no presente e Ilustrar e tornar mais interessantes o ensino da matemática. a religião. 8) Para corroborar a favor da História da Matemática e vincular a Matemática as atividades humanas. vi. 97) Série História da Matemática para o Ensino 15 . iii. e também com as artes.(1894 – 2000) que. Satisfazer nosso desejo de saber como os conceitos da matemática se originaram e desenvolveram. p. Entendermos nossa herança cultural através das relações da matemática com as outras ciências. em particular a física e a astronomia. o que vem a ser uma satisfação em si mesmo. iv. O encontro entre o especialista em Matemática e profissionais de outras áreas científicas. v. a filosofia e as técnicas artesanais. as ideias matemáticas estão presentes em todas as formas de fazer e de saber. 1998. p. em resumo. (VIANNA. 1999. O ensino e a pesquisa mediante o estudo dos autores clássicos. Em todos os momentos da história e em todas as civilizações. defende estudo da História da Matemática pode contribuir para: i. definindo estratégias de ação para lidar com o ambiente. ii. criando e desenhando instrumentos para esse fim. e buscando explicações sobre os fatos e fenômenos da natureza e para a própria existência.

de modo a desenvolver uma variedade de conhecimentos. de capacidades. 15) Para Miguel e Brito (1996) a história pode possibilitar que o futuro professor perceba que a matemática modifica-se através dos tempos devido interferência de outros setores do conhecimento humano.4) É nesse contexto que encontro razões para fazer uso da História da Matemática como um recurso didático no ensino de conteúdos matemáticos e propor o diagrama a seguir como base para elaboração de tópicos de História da Matemática para uso em sala de aula. 2000. a razões de ordem lógica. concordamos com Ponte (2000) quando afirma que a formação inicial deve ser pautada por uma sólida formação ética. p. p.] de trabalhar segundo metodologias de ensino e de aprendizagem diversificadas. da cultura e da técnica. 16 História da matemática em sala de aula: proposta para integração aos conteúdos matemáticos . A história poderia auxiliar os futuros professores a perceber que o movimento de abstração e generalização crescentes por que passam muitos conceitos e teorias em matemática não se deve. exclusivamente. além deste ter: [. 1996. de atitudes e de valores. como também.Sobre a formação do licenciado. cultural. (PONTE. (MIGUEL e BRITO... pessoal e social. mas à interferência de outros discursos na constituição e no desenvolvimento do discurso matemático. Esta exposição a diferentes métodos também funciona como um mecanismo de aprendizagem.

2 A constituição do modelo .

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Embora não tenha conseguido desenvolver a disciplina de forma satisfatória.E ntendo que até a metade do curso de licenciatura os alunos ainda não possuem cabedal de conhecimentos matemáticos. observei que a maioria dos alunos procurou destacar os conteúdos matemáticos. Os questionamentos iniciais quanto ao desenvolvimento da disciplina História da Matemática iniciaram em 2005 depois de uma tentativa de desenvolvê-la por meio de seminários que contemplassem tópicos da Matemática. propiciar reflexão sobre a importância do seu uso como recurso didático. mudei a estratégia e iniciei o curso com debates sobre como a História de Matemática pode contribuir para o Série História da Matemática para o Ensino 19 . Neste sentido. informações obtidas na internet. XVIII e XIX. considero os resultados finais satisfatórios para um primeiro curso de História da Matemática baseado na apresentação de seminários. portanto. principalmente. com ênfase aos séculos XVII. Além disso. De um modo geral as apresentações dos seminários foram basicamente leituras de textos obtidos em livros ou artigos e. e temas que pudessem promover discussões em torno de personagens ou a respeito do desenvolvimento da Matemática. além de viabilizar a retomada dos conteúdos matemáticos. defendo que a disciplina História da Matemática não pode ser ministrada antes dos dois primeiros anos do curso. principalmente às demonstrações. fato que pode contribuir ou prejudicar o bom desenvolvimento da mesma. a disciplina História da Matemática ministrada ao final do curso pode. Em 2006. de modo que surgissem debates em torno do surgimento e formalização dos conteúdos matemáticos.

Coleção trilhos da matemática A princípio. estabeleci que os trabalhos escritos deveriam conter: a) Nome completo do personagem/matemático e sua árvore genealógica. dando ênfase aos mais importantes e/ou soluções de importantes problemas. os seminários envolvendo um dos 210 personagens pré-selecionados que contribuíram para o desenvolvimento da Matemática ao longo do tempo. e) Relação com personagens/matemáticos da sua época.. trabalhos. se fosse o caso. principalmente em relação as seguintes questões: 20 História da matemática em sala de aula: proposta para integração aos conteúdos matemáticos . O texto produzido por D’Ambrosio (2000) subsidiou discussões a respeito das interfaces entre História e Matemática. g) Fotografias do matemático (pessoal. h) Curiosidades sobre o personagem/matemático ou que o envolvesse. i) Fatos históricos da humanidade referente ao período de vida do personagem/matemático e j) Referências. d) Trabalhos produzidos. etc. b) Pseudônimo. prosseguindo com a análise de livros didáticos do ensino fundamental e médio quanto ao uso da História da Matemática como estratégia facilitadora do processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos matemáticos. Na sequência. por fim. tendo em vista a construção de uma visão histórica e crítica da Matemática ao longo das várias fases de sua evolução. c) Traços biográficos e acadêmicos. f) Frases célebres vinculadas ao personagem/ matemático. livros.1. 2. houve um primeiro esboço do uso da História da Matemática como recurso didático por parte dos alunos durante a apresentação de aulas que envolvessem história e conteúdos matemáticos e. com outros personagens/matemáticos. quando fosse possível identificar. para balizar a elaboração dos textos sobre o personagem/matemático para os seminários.processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos matemáticos.