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_____Psicologia &m Foco

Vol. 4 (1). jul/dez 2014

LESBOFOBIA: A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO CONCEITO
Eduardo Rezende de Almeida Gomes1
Jamily Fehlberg2
Resumo
Trata-se de um trabalho teórico acerca do termo Lesbofobia e sua diferenciação em
relação ao termo Homofobia, o qual acaba por condensar outras tantas formas de
segregação sexual. Foi constatado a existência de muito poucos trabalhos acadêmicos
produzidos hoje sobre o tema, o que fomentou a busca por informações midiáticas
acerca do polêmico termo “lesbofobia”. Entretanto, pretende-se que o estudo trabalhe
com a perspectiva das atualidades sobre o primeiro termo dentro da mídia digital. Para
isso foram visitados sites em português que figuram no buscador GOOGLE como
referências para o termo. Foram encontradas grandes debates sobre o tema e menções
deste em muitos sites que vigoram como referências para o Movimento LGBT da
Bahia, grande articulador e empreendedor de ideias e discursos na área de Direitos
Humanos no país. Contudo, o termo possui sua existência já atestada por alguns
dicionários, principalmente europeus, e além disso é extremamente necessária sua
existência e popularização, pois marca as diversas segregações pelas quais as mulheres
lésbicas atravessam em seu cotidiano, tão somente de ser homossexual, mas também
por serem mulheres.
Palavras- Chave: Homofobia, Mídia Digital, Lesbofobia

Abstract
This is a theoretical work about lesbophobia term and this differentiation from the
Homophobia, which eventually condense many other forms of sexual segregation. It has
been found that there are few academic papers written today on the subject, which
encouraged the search for media information about the term "lesbophobia". However, it
is intended that the study work with the prospect of an update on the first term within
the digital media. For that were visited sites in portuguese listed in GOOGLE search.
Founded great debates on the subject and mentions in many sites, and in the LGBT
Movement of Bahia, great articulator and enterprising ideas and discourses in Human
Rights in the country. However, the term has its existence already attested by some
dictionaries, mainly European, and besides it is extremely necessary existence and
popularity, it marks the various segregations in which lesbian women experience in
their daily lives, as only to be homosexual, but also because they are women.
Key-words: Homophobia, Digital Media, Lesbophobia

1

Graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Sergipe.
Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Professora de Psicologia da
Faculdade Pio Décimo.
2

visto a grande quantidade de crimes registrados na mídia televisionada ou digital sob essa natureza. ‘quando aquele viado passa aqui na rua’. os termos citados acima eram usados como forma de 4 Nenhum dos Programas de Governo dos três principais candidatos à presidência da República se compromete a intensificar esforços no sentido de criminalizar a prática da homofobia no país. no entanto. nítido na produção bibliográfica brasileira sobre o tema. torna-se difícil identificar o que causa mais assombro: A negativa do Congresso Nacional em criminalizar essa prática. o que. jul/dez 2014 Introdução A existência da Homofobia em nossa sociedade é sem dúvidas um fato concreto. do problema. do PSB chegou a incluir o compromisso com o “casamento gay” e a criminalização da homofobia. . que exigem o direito de pregar e impor um estilo de vida “heteronormativo” no país. no qual encontrou vários fragmentos de violência e menosprezo pelas formas de homoafetividade em diversas situações. A entidade acusa os governos de implantar uma homofobia institucional. um homossexual foi morto no Brasil a cada 28 horas em 2013. Entretanto. pouco ainda registram-se discussões sobre o termo nos meios acadêmicos como pode-se verificar ao longo desse texto. uma vez que são muitos os ataques violentos e represálias aos indivíduos que praticam a homoafetividade. tem que ser homem’. ‘é verdade. ‘na rua eu vejo as pessoas xingando os homens de viado. que se é ponto pacífico a existência do comportamento discriminatório contra homossexuais no nosso país e no mundo. mulheres ou transgêneros._____Psicologia &m Foco Vol.” (p. sejam eles homens. Os dados apresentados registram um crescimento desse tipo de crime em 15% no país nos últimos 4 anos. A Candidata Marina Silva. 3Também segundo dados encontrados por Graupe e Grossi (2013) a homofobia nos países sulamericamos de uma forma geral “se expressa por meio de diversas formas intolerantes e violentas. Enfim. ‘xinga porque eles são viados. nossos candidatos se escusam de adotar uma postura clara e incisiva a respeito. A questão discutida por esse autor levanta o discurso de crianças e adolescentes de uma comunidade menos favorecida do interior da Bahia. o que fica ainda mais nítido no registro de aproximadamente 260 mortes no Brasil em 2011. senão o agravamento. Diante deste quadro. Importante acrescentar. ‘quando os meninos ficam passando a mão na minha bunda’. Congresso em Foco de relacionado à sexualidade4 (Ambrósio. por motivos homofóbicos. após protestos da bancada evangélica do Congresso Nacional. Segundo pesquisa divulgada pelo Grupo Gay da Bahia/GGB no início deste ano. obviamente. de acordo com o trabalho de Silva (2011) o preconceito é reproduzido em várias instituições presentes na formação das crianças atualmente. 2014) Geralmente receosos da perda do apoio das bancadas cristãs no Congresso. como Deus fez tem que ficar’. O parco interesse acadêmico. voltando atrás menos de 24 horas depois. Deus fez homem. ou o fato de nenhum dos principais candidatos brasileiros à presidência da república nas eleições de 2014 assumirem publicamente o empenho na regulamentação da lei que tornaria crimes as ações baseadas no preconceito 3 Fonte: Revista 14/02/2014. 4 (1). não parece ser pactuada por todos os brasileiros.02). chamando as mulheres de sapatona’. permite a continuidade.

desencadear rechaço. um caráter amplo. não raro. o termo “Homofobia” descreve um comportamento patológico variável de cultura para cultura. acrescenta que a homofobia seria “a atitude de hostilidade para com os homossexuais. cujas manifestações podem oscilar da simples má vontade em relacionar-se socialmente com membros desta minoria sexual. que demarca na construção de ‘pessoa’ destas crianças e adolescentes um olhar de repressão. Alguns autores propuseram diferenciar “gayfobia” de “lesbofobia”. “comumente. conforme apontado pela pesquisa divulgada pelo GGB. Têm-se afirmado que. negando-lhes direito à vivência de suas práticas homoafetivas e disseminado o ódio que._____Psicologia &m Foco Vol. 2011 p. como sentimentos de raiva ou atitudes agressivas contra os gays (MOTT.”. muitas vezes disfarçada. o fato de ser mulher e necessariamente sofrer preconceito por esse fato. até formas extremas de preconceito e discriminação. Embora seu primeiro elemento seja a rejeição irracional ou mesmo o ódio em relação a gays e lésbicas. Muitos questionamentos são feitos sobre as nomenclaturas e as políticas públicas a serem adotadas na identificação e no combate a atos violentos contra homossexuais. ou coloquialmente chamadas Lésbicas”. As representações de cada um dos sexos. a homofobia teria. (p. Complexa e. Não são poucas as vozes que se levantam para dizer que o termo homofobia não é amplo o suficiente para abarcar todos aqueles que sofrem esse tipo de discriminação.Tão ampla seria tal termo que mesmo seus pesquisadores preferem delimitá-lo em segmentos com características próprias como o termo “Lesbofobia”. vitimando muitos que não se enquadram na divisão clássica dos gêneros. (Silva. a homofobia não pode ser reduzida a isso. 1988) Já Borrillo (2009). No caso específico da homofobia. [. o termo faria clara referência apenas aos homossexuais do sexo masculino. pode. frente o que natural e antinatural abominável aos olhos do ‘Deus’ cristão. ódio e culminar em violência. assim como as funções que os acompanham. 08) Segundo Borrillo (2009) e Mott (1988) o termo homofobia foi cunhado em 1971 nos Estados Unidos. enquanto às outras orientações sexuais seriam reservadas ao desprezo e à condenação. frente o permitido e não permitido. 16). 4 (1). na qual a heterossexualidade seja considerada válida e desejada. construir e modelar atitudes e corpos sob o viés heteronormativo. assim. via de regra. um dos seus objetivos seria a manutenção de uma hierarquização sexual. jul/dez 2014 legitimar preconceitos. Segundo Mott (1988). .. que ainda segundo Borrillo (2009) possui em si ainda um agravante que acrescenta ao fato do indivíduo ser homossexual. entretanto somente na década de 90 aparece nos dicionários.].. ignorando as importantes e muito específicas condições pessoais de mulheres homossexuais. declinações possíveis da homofobia específica. Percebe em algumas falas que há fortes conotações de cunho religioso.

ou seja. Lesbofobia: a atualidade do termo nas mídias digitais. jul/dez 2014 merecem. 23) Levando-se em conta especificamente a homoafetividade feminina havia uma tendência de menosprezo ou desconsideração entre a sociedade anterior à emancipação feminina. mas colocaram a “ameaça lésbica” como uma das formas desprezíveis de manifestação sexual. Jessica Ipólito. pelo fato de ser mulher e pelo de ser homossexual. Era difícil aceitar do fato de . no seu entender. é usualmente atribuída aos homens. 4 (1). quando se recusam a ser esposas e mães” (p. como se sabia. de fato. e homens. as mulheres lésbicas seriam invisíveis para a nossa sociedade. Homofobia e Lesbofobia. O termo “Invisibilidade” surge com espantosa frequência nos textos que falam sobre a história da homossexualidade feminina. uma terminologia própria. mais do que uma questão de capricho ou de vernáculo. (IPÓLITO. (Borrillo. embora o termo “Homofobia” não “carregue gênero”. transfobia e homofobia nas escolas. Razão parece assistir à escritora. acrescentando que. 2013) A autora reafirma a necessidade da distinção. assim. Interessante notar que dentre os resultados poucas menções foram feitas ao termo Lesbofobia de forma distinta. realmente colabora na manutenção de um canal de comunicação útil e específico para as mulheres homossexuais que tanto sofrem com um cotidiano sexista. A editora do blog “Lugar de Mulher”. pensada como inofensiva – se transforma em violência quando as mulheres contestam o status atribuído a seu sexo. 2009 p. A lesbofobia consiste em uma especificidade no cerne de outra: a lésbica sofre uma violência particular advinda de um duplo menosprezo. utilizando termos genéricos como “homossexual”. em artigo publicado pela revista eletrônica Vírus Planetário (2013). “seriam palavras distintas que atingem sujeitos distintos”. “desdém dos homens pela sexualidade feminina – inclusive a sexualidade lésbica. defende o uso do termo “Lesbofobia” alegando que a violência sofrida pelos homens gays em nossa sociedade não seria exatamente da mesma ordem que a violência sofrida pelas mulheres na mesma situação. Para Brown (1986). buscou-se informações que pudessem esclarecer o tema da fobia gay feminina._____Psicologia &m Foco Vol. ela acumula discriminações contra o sexo e contra a sexualidade. pois a maior parte dos cartazes analisados mencionava referência à discriminação homoafetiva de uma forma geral. a fim de entender se a utilização do termo Lesbofobia. poderiam sentir atração por homens. Diferentemente do gay.30). ou “pessoa humana”. pois alijavam a mulher de sua “natureza” materna e angelical. Os movimentos feministas foram grande impulsores nos ganhos obtidos pelas mulheres de uma forma geral. Mulheres sentiam atração por homens. Para ela. No trabalho de Sala e Grossi (2012) foram analisados 253 cartazes que concorreram em quatro edições de um concurso nas escolas de ensino fundamental e médio da capital de Santa Catarina. O “falocentrismo” imperante na Europa medieval só conseguia enxergar a sexualidade atrelada a um pênis. Para a realização deste trabalho. cujo tema era lesbofobia. defendido por uma série de ativistas e escritores.

(MOTT. como a masturbação. em analogia às normas relativas aos desvios mais simples de sexualidade da época. uma visão condescendente. que somente nos últimos anos tem merecido a tenção de alguns poucos estudiosos. tentando ascender a um estrato superior de existência. atraídas por outras mulheres (e. as leis civis e eclesiásticas sempre tenderam a punir as relações homossexuais entre mulheres com muito mais brandura. a história do lesbianismo até pouco tempo era uma página totalmente em branco. ou ainda. Enquanto os homossexuais masculinos eram julgados e condenados aos milhares pelos tribunais civis e eclesiásticos entre a era medieval e o início da era moderna. Para ele. considerada assunto de menor importância e indigno de atenção do sexo forte. independente do . Após afirmar que só em 1965 foi publicada a primeira obra sobre mulheres gays nos Estados Unidos da América (Lesbianism in América. através da imitação do comportamento do homem. compreensivelmente. ou._____Psicologia &m Foco Vol. isso praticamente não acontecia. no entanto. exclusivamente. acrescenta haver quase nada sobre esse assunto em nossos registros históricos. que entendia que a mulher. geralmente têm sido os intelectuais do sexo masculino que iniciam tais estudos e pesquisas. ao longo da história. no que se refere ao grupo social. baseada. mais uma vez. muitas vezes. 1987). caberia indagar: isso não teria sido bom? Até que ponto essa vida “abaixo do radar” realmente existiu? Quais foram as suas consequências? Em que medida o preconceito contra as mulheres homossexuais realmente demanda um atendimento especial? O fato é que essa invisibilidade talvez não tenha sido tão efetiva. ter um comportamento fora do padrão sexual considerado legítimo e aceitável sempre foi um problema grave. jul/dez 2014 que mulheres pudessem se sentir realmente. graças ao preconceito e à moral cristã. Aos olhos da mente pública. que a sociedade medieval ignorava a realidade da homossexualidade feminina. reservando as punições mais duras e exemplares para os “crimes” nos quais houvesse comprovada a participação de indivíduo do sexo masculino. A brandura com que era tratada. indiferença e preconceito dos homens face à sexualidade feminina. denotaria. ainda para Brow (1986). a História da humanidade foi escrita por homens). em sua Obra “Lesbianismo no Brasil” (MOTT. praticamente não existem registros de condenações de mulheres sob a mesma acusação. como se sabe. Assim. E devido aos milênios de alienação e inferioridade da mulher em nosso mundo.08). tido como ser superior. numa perspectiva falocêntrica que não enxergaria como digno de atenção um contato sexual em que não houvesse um pênis.] (p. se os registros de casos de homossexualidade masculina no Brasil foram em grande parte destruídos. ao se relacionar com outra mulher. de Donald Cory). essa falta de documentação se deve mais à cegueira. da medicina e da lei. 4 (1). Para o autor. Mesmo que as leis civis ou canônicas tenham feito vista grossa para a questão. estaria. Que não se pense. Portanto. por outro lado. Dessa forma. a homossexualidade feminina não teria sido sequer documentada. Sabiase que existia. 1988) Luiz Mott. reafirma a questão da invisibilidade das mulheres homossexuais. com a prática de coito anal e ejaculação. porém. confirmando a alegação do virtual desconhecimento da sociedade a respeito da questão.

o que dificultaria o acompanhamento dos casos e os levantamentos de dados necessários à criação de políticas públicas de apoio e prevenção. baseados na crença de que o lesbianismo se originaria. difíceis de localizar. Ao se declararem ou se mostrarem gays. castigos. 2013) As consequências práticas dessa visão distorcida e segmentária da sociedade em relação às mulheres gays não são. (CZVZELKA. Enquanto os homens eram/são frequentemente espancados e/ou expulsos de casa. são apenas alguns dos “corretivos” aplicados especificamente contra as mulheres gays. às mulheres muitas vezes restavam os casamentos forçados. em 5 Fonte: http://paradalesbica.com. despreparadas para lidar com essa situação. infelizmente. a Lesbofobia seria o “casamento” da Homofobia com a misoginia e o sexismo. familiar ou não. tão logo a tendência gay se manifestasse. da falta de contato heterossexual experimentada pelas vítimas de violência. ainda no lastro da perspectiva machista e heterocêntrica que perpassa todos os aspectos da nossa sociedade. mais recentemente. algumas vezes bem-sucedido. As mulheres gays. garantindo. que já seriam discriminadas naturalmente pela sua condição de gênero 6. no entanto. as políticas públicas de proteção à mulher não contemplam as mulheres lésbicas. experimentavam e ainda experimentam tratamento diferente daquele reservado às mulheres. de maridos assassinos. Por outro lado. por outro lado. Para a ativista. Esses são apenas alguns exemplos que reforçariam um caráter cruel da violência contra as mulheres lésbicas. tratamentos médicos. por exemplo. internações e lobotomia são alguns dos exemplos de punições contra jovens gays ou lésbicas. não são absorvidos pelas Delegacias da Mulher que. Existiria uma “Falta de acessibilidade da mulher lésbica nos órgãos policiais e jurídicos”. humilhações. presidente do Grupo Matizes. Para ela. mas sempre foi punido com severidade. ainda muito comuns em todo mundo._____Psicologia &m Foco Vol. no entanto. pelas condições próprias do seu gênero e histórico de submissão forçada ao longo dos últimos milhares de anos. do Piauí. além da discriminação no local de trabalho e estupros corretivos. sofreriam preconceito triplicado por não corresponder à sua “determinação comportamental socialmente estabelecida” e ainda por tentar “disputar” o espaço historicamente reservado aos homens. em discurso no Fórum Piauiense de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Surras. seu direito à liberdade. jul/dez 2014 gênero. elencados por Mott (1987). precisamos admitir que as situações enfrentadas por elas teriam que ser de outra ordem. em sua obra clássica “O Segundo Sexo”.br/2011/01/estuprocorretivo/ matéria publicada no jornal inglês The Guardian. No caso específico das mulheres. naturalmente. tivemos a “legítima defesa da honra” como argumento de defesa. física ou psicológica. . Para Jane Czvzelka. os indivíduos do sexo masculino. “Manchar a honra da família” nunca foi um crime previsto em lei. “O mundo sempre pertenceu aos machos”. Os “estupros correcionais”. em julho de 2013. nas palavras de Marinalva Santa. os casos de violência. sobretudo em toda a África do Sul5. 4 (1). encaminham as vítimas para a Delegacia de Direitos Humanos. além de causar claro constrangimento à vítima. realizado em junho de 2013 na sede da OAB/PI. A situação é ainda mais complexa e assustadora quando se 6 Para Simone de Beauvoir.

pois o que esclarece para os usuários “a homofobia no Brasil não é crime. A Autora cita o caso de uma paciente que. A blogueira Núbia Carla que construiu um grande espaço digital no qual são debatidos muitos assuntos atuais sobre o tema e muitas denúncias. que sequer conhecem as especificidades do sexo entre mulheres. a heteronormatividade. Os movimentos sociais ligados à causa lésbica têm buscado construir uma agenda política com a sociedade e os meios de comunicação. o problema da segregação e da invisibilidade social das lésbicas no sistema de saúde contrasta com a visibilidade dos gays masculinos. muito mais expostos e._____Psicologia &m Foco Vol. a comunicação não divulga e a sociedade ignora. Os profissionais simplesmente supõem a heterossexualidade da paciente. Na visibilidade a luta e o enfrentamento são constantes e a orientação sexual é nítida. que deveriam ser regulares. por isso. mas são visíveis. (SILVA. os preconceitos dos profissionais da saúde muitas vezes levam as pacientes a abandonar tratamentos ou mesmo as consultas ginecológicas. (Silva. dominante nos currículos dos cursos da área de saúde e. por conseguinte. O sistema de saúde não enxerga. e pode ser denunciada e punida. 2013). Muitas lésbicas são mal orientadas pelos profissionais ou simplesmente deixam de frequentar os consultórios em virtude de constrangimentos sofridos durante as consultas. Segundo Silva (2014). Conclusão Contudo a conclusão do trabalho de SALA e GROSSI (2012) aponta para um redirecionamento dos discursos discriminatórios em segmentos da população nos quais são fomentadas ações inovadoras e que pretendem ser construtoras de novas formas de entender a homofobia de uma forma . 2015). mas o poder hegemônico da heterossexualidade como princípio normativo da orientação sexual das mulheres tem dado trabalho para a militância lésbica feminista. limita a atuação dos profissionais. as mulheres lésbicas são levadas a se acreditar não expostas às doenças sexualmente transmissíveis. jul/dez 2014 analisa a questão do acesso lésbico ao sistema de saúde pública. Não raro. Os gays masculinos são discriminados. 2014 S/P). não ocultada. não havendo campanhas de educação ou políticas de aconselhamento em sentido contrário. teve sua consulta realizada com as portas abertas. após informar à médica sua condição sexual. principalmente após o advento da AIDS. ambas autoras de dois estudos sobre este tema. construiu uma espécie de página denúncia do que ela mesma descreve como lesbofibia. mas a violência sim” (Carla. demonstrando muitas vezes seu desconforto diante de afirmações em sentido contrário. Nessa página estão contidos links que ligam os usuários até órgãos do judiciário responsáveis por crimes contra violência. Para Mérli Leal Silva e Larissa Alves de Freitas Marques. nos centros de tratamento. 4 (1). Para a autora. Para MARQUES (2012). não são poucas as mortes causadas pela ignorância dos profissionais da saúde em lidar com a questão da homossexualidade feminina. melhor reconhecidos pelo sistema de saúde pública. Por outro lado. após observar várias mulheres serem examinadas às portas fechadas.

não restam dúvidas de que as mulheres realmente carecem de uma atenção especial voltada às suas necessidades e condições específicas. Brasília: Letras Livres : EdUnB. entre outros. Disponível em: http://www.theguardian. Esse trabalho certamente levanta reflexões sobre a relevância do trabalho educativo e preventivo realizado em instituições que atendem crianças. assegurando-lhes voz e igualdade de direitos com os indivíduos heterossexuais. cujas frentes possuem como tema básico ações contra a homo-lesbo-transfobia. (2009). a fim de abarcar outros indivíduos igualmente vítimas do heterocentrismo violento que domina a nossa sociedade há milhares de anos. faz parte é o Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS). jul/dez 2014 geral. Homofobia e Educação: um desafio ao silêncio. 1986. o uso do termo LESBOFOBIA se configura como uma tentativa de jogar luz sobre essas questões específicas das mulheres homossexuais. In: The Guardian online. Consulta em 07 set 2014. Registra-se nos resultados obtidos por essas autoras novas formas de construção e desconstrução de conceitos entre crianças e adolescentes. de modo a entender essas demandas e fazê-las efetivas. Realmente. judiciário. (org) (2009).br/20 09/04/lesbofobia-atraves-dostempos. Lesbophobia is Homofobia With a Side-Order of Sexism. In: Movimento LGBT do Estado do Amazonas. Mais do que uma questão de vernáculo.html._____Psicologia &m Foco Vol. Disponível em: http://lgbtamazonas.(1986). precisa ser relativizado. 4 (1). In: Lionço. D. A lesbofobia através dos Tempos. Oxford University Press. Brown. as batalhas vividas pelos homossexuais masculinos junto à sociedade e aos órgãos públicos. Atitudes Para com o Lesbianismo. citado acima. REFERÊNCIAS Beauvoir. (2014). são exemplos a serem seguidos e em nossa sociedade. Há problemas vividos por elas. Novas políticas precisam ser desenvolvidas e implantadas junto aos sistemas político. São Paulo.com/commentis free/2013/jul/09/lesbophobia- . policial e de saúde. Diniz. T. na tentativa de reversão deste problema que vem atingindo cada vez maior segmento da população brasileira. (1970). os quais são estimulados a elaborarem outras formas de pensar as relações de gênero em sociedade. Borrillo. visando assim a reformulação dos discursos de ódio e violência existentes hoje entre os segmentos mais jovens de nossa população.blogspot. Segundo Graupe e Grossi (2013) o trabalho de pesquisa e extensão ao qual o concurso de cartazes.. A homofobia. Certamente que as iniciativas como o Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS). Difusão Europeia do Livro. S. pertencente a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). T. sem ignorar o seu merecimento.1970.com. A aceitação e o respeito ao diferente não pode ser uma questão política deste ou daquele administrador. J. situações que só dizem respeito a elas e esse fato precisa ser observado. Immodest Acts. Nas escolas participantes do estudo há um trabalho contínuo e uma larga preocupação do combate ao preconceito e à segregação de qualquer forma. Czyzselska. J. colocaram-nos numa condição de protagonismo que. Embora ambos os termos homofobia e lesbofobia tenham conexões profundas e se refiram ao medo e ataque ao desviante sexual. O Segundo Sexo. Tradução Maria Josefina S. mas um fato consumado e irreversível.

(org). Práticas e implicações da discriminação institucional nesta esfera.uol. Imagens em Comunicação e Saúde: Lésbicas e Bissexuais no Sistema Único de Saúde no Brasil . F.com.br/2014/noticias/ 2014/08/29/em-programa-marinapromete-superar-fundamentalismoreligioso-no-congresso. A. As Ações do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) e a Agenda Política de Combate à Homofobia.net/lesbofob ia-nao-e-igual-a-homofobia/. Florianópolis. Porto Alegre. n. Campinas. Seminário Internacional Fazendo Gênero X. Consulta em 03 set 2014. L. 2012. Disponível em: http://eleicoes. Com. Lesbofobia e Transfobia nunca mais”.ABEH. Acesso em 04 set 2014. 1987.virusplanetario. M. 1. Sala e Grossi (2012). Disponível em: http://www. Disponível em: http://cidadeverde. Análise dos Discursos Contra a Violência Heterossexista Produzidos por Adolescentes Brasileiras/os no Marco do Projeto Papo Sério._____Psicologia &m Foco Vol. Gays e Escravos nas Garras da Inquisição. Marina Promete Superar O Fundamentalismo Religioso No Congresso.clicrbs.br/alcar/encontrosnacionais-1/9o-encontro2013/artigos/gt-historia-da-midiaalternativa/imagens-em-comunicacao-esaude-lesbicas-e-bissexuais-no-sistemaunico-de-saude-no-brasil-olharesfreireanos. (2011). e o papel do Serviço Social na garantia de direitos das lésbicas. Salvador: UFBA. Ambrósio. Ipólito. Mercado Aberto.. Mott. ZH eleições 2014. E.htm. Papirus. 1. 4 (1). Parada Lésbica: site coletivo de mulheres que amam mulheres. V. Silva. E. Somos Iguais nas Diferenças Sexuais. Consulta em 06 set 2014. Eleições 2014. P. Lésbicas “Pagam” Para Serem Aceitas nas Famílias”. Sardinha. Um Homossexual Foi Assassinado A Cada 28 Horas No Brasil Em 2013.uol. Congresso Em Foco.com.ufrgs.Olhares Freireanos.(2013) Lesbofobia Não é Igual à Homofobia!Revista Vírus Planetário. Disponível em: http://paradalesbica. 1988. Disponível em http://congressoemfoco. Março de 2013. UFRGS Online. Marques.com/lesbicas-pagampara-serem-aceitas-na-familia-dizmatizes-134799. jul/dez 2014 homophobia-side-order-sexism. 2. Pressionada Por Pastor.com. M. L.br/noti cias/relatorio-aponta-312homossexuais-brasileiros-assassinadosem-2013/. M. N. Encontro Nacional de História e Mídias Alternativas.br/2011/01/est upro-corretivo/ . Luiz. Homofobia. Disponível em: http://zh. Grossi. Lesbofobia e Transfobia nas Escolas. Disponível em: http://www. ___________ O Sexo Proibido: Virgens. (2013). Estupro Corretivo. 221-233. Anais do Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero . Consulta em 07 set 2014. v.br/rs/noticias/eleic oes-2014/noticia/2014/08/pressionadapor-pastor-marina-silva-muda-plano-de- . Revista Emblemas. (2013). 10. M. (2012) A Lesbofobia no sistema de saúde brasileiro. Em Programa. UOL.com. Marina Silva Muda Plano De Governo. Consulta em 09 set 2014. Consulta em 05 set 2014. J. Cidade Verde. O Lesbianismo no Brasil. Graupe. (2013).

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