You are on page 1of 29

SUBSTITUIÇÃO

DA PRISÃO PREVENTIVA POR DOMICILIAR PARA MULHERES GESTANTES

ACIMA DO SÉTIMO MÊS OU EM RISCO, EM

HABEAS CORPUS

NO

TRIBUNAL

DE

JUSTIÇA

DE

SÃO PAULO1.
FERNANDA PERON GERALDINI
Graduada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (2012). Advogada autônoma.

Resumo: As dificuldades enfrentadas pelas mulheres encarceradas no Brasil não são poucas,
especialmente diante de uma gravidez. Por se tratar de uma fase que demanda cuidados, o
artigo 138, inciso IV, do Código de Processo Penal permite às mulheres presas
provisoriamente que cumpram esta custódia em casa, após o sétimo mês ou em caso de risco.
Porém, essa possibilidade de prisão domiciliar vem encontrando resistência por parte de
alguns julgadores. Nesse sentido, a pesquisa pretendeu verificar como o Tribunal de Justiça
paulista tem aplicado a norma, analisando dados e conteúdo de 40 acórdãos em Habeas
Corpus julgados desde o início da vigência do artigo, inserido pela Lei 12.430/11. A partir
dos resultados, constata a ainda insuficiente aplicação prática da legislação pertinente, mesmo
diante do grave risco de perecimento de direitos.
Palavras-chave: Mulher gestante. Prisão provisória. Prisão domiciliar. Habeas Corpus.
Abstract: The difficulties faced by incarcerated women in Brazil are not few, especially when
pregnant. In face of a moment that demands care, the Criminal Procedure Code (Article 138,
item IV) allows women on pre-trial detention to comply with this custody at home, after the
seventh month of pregnancy, or in case of risk. However, the house arrest has been facing
resistance from some judges. In this sense, the intention of the research was to verify how the
São Paulo Court of Justice has applied the norm, by analysing data and content of 40
sentences in Habeas Corpus judged since the beginning of the article's validity, inserted by
law 12.430/11. From the results, the still insufficient practical application of relevant
legislation is evidenced, even before the serious risk of extinction of rights.
Key-words: Pregnant women. Pretrial detention. House arrest. Habeas Corpus.

1

Artigo produzido como trabalho de conclusão do Grupo de Estudos Ciências Criminais e Direitos Humanos do
IBCCRIM (2014).

Sumário: Introdução – 1. Conteúdo e contexto do art. 318, IV do Código de Processo Penal –
2. Pesquisa de jurisprudência e metodologia – 3. Análise quantitativa e algumas interpretações
possíveis: 3.1. Tempo de gestação e risco; 3.2. Tipo penal; 3.3. Parecer da Procuradoria de
Justiça; 3.4. Liminar; 3.5. Mérito – 4. Análise qualitativa das decisões: 4.1. Casos sem
julgamento de mérito; 4.2. Denegações; 4.2.1. Falta de documentação; 4.2.2. Obrigação de o
Estado fornecer atendimento; 4.2.3. Mera faculdade do juiz; 4.2.4. Decisões após o parto; 4.3.
Concessões; 4.3.1. Saúde da gestante e do nascituro ou recém-nascido; 4.3.2. Dignidade da
pessoa humana; 4.3.3. Más condições do estabelecimento prisional; 4.3.4. Prisão domiciliar
como mera modalidade de prisão cautelar – 5. Casos emblemáticos: 5.1. Cíntia, a mãe
insensível; 5.2. Paula, dez gramas e uma perda irreparável – Conclusão – Referências
bibliográficas – Anexo I: Acórdãos utilizados na pesquisa.
Introdução
As primeiras discussões sobre a construção de presídios para mulheres no país foram travadas
na década de 1920. Naquele período, debatia-se a reforma do sistema penitenciário brasileiro,
pautada pelo recém-chegado conceito de ressocialização. Em geral, as mulheres permaneciam
nas piores celas localizadas nos presídios mistos, acarretando diversos problemas de convívio.
Com a reforma, passaram a ser construídos ou adaptados prédios exclusivos para o cárcere
feminino, geralmente geridos por instituições religiosas caritativas (ANGOTTI, 2012, p. 176).
Nos diversos diplomas normativos editados desde então, as questões do cárcere feminino
foram regulamentadas como peculiaridades e de maneira tímida, sem abranger todas as suas
necessidades (ESPINOZA, 2004, p. 106).
Durante a reforma penitenciária, a preocupação com a maternidade também permeou os
discursos. Alguns penitenciaristas entendiam ser obrigação estatal proteger a maternidade e a
infância, considerando o escopo de reinserção social e humanização da pena. Já outros
acreditavam tratar-se de cuidado excessivo com as presas, que não mereceriam tal tratamento
diferenciado, ao qual sequer as mulheres pobres tinham acesso.
Porém, a questão não era propriamente efetivar um direito da mulher, mas resguardar a
santidade de sua condição materna. Acreditava-se no potencial salvador da maternidade,
capaz de implantar na mulher marginalizada sentimentos puros e femininos (ANGOTTI, 2012,
p. 248).

2

al. essa garantia não é concretizada na prática.defensoria. Foram coletados todos os acórdãos relacionados ao tema. pelo Defensor Público e Coordenador do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo. Para isso. entre outras violações graves à saúde e integridade física e psicológica das detentas e seus bebês (CEJIL et. a partir do final da década de 1930. Ademais. Assim. PASTORAL CARCERÁRIA.aspx?idItem=47152&idPagina=3086.. parto e pós-parto adequados. 2 Percepção registrada. 2007. bem como algumas interpretações possíveis. em entrevista publicada no portal da Instituição.sp. a pesquisa empírica buscou verificar. diversos projetos de cárceres femininos passaram a prever estruturas destinadas a gestantes e mães. os direitos das mulheres grávidas presas vêm sendo sistematicamente desrespeitados. Dados do Ministério da Justiça (2008. 2012). Bruno Shimizu. 318. estão relatados no item 3. referente aos principais argumentos empregados para negar ou conceder as ordens de Habeas Corpus. em análise quantitativa e qualitativa. acima do sétimo mês ou em situação de risco. Os resultados quantitativos da pesquisa. ONU. falta de acompanhamento médico suficiente. pois estas raramente recebem condições adequadas no cárcere. entre outras previsões. conforme prevê o art.45% dos estabelecimentos exclusivamente femininos possuíam estrutura para gestantes.br/dpesp/Conteudos/Noticias/NoticiaMostra. a fim de assegurar essas conquistas. Diante desta realidade constatada pelos próprios órgãos estatais. dos quais foram extraídos dados processuais e argumentos utilizados pelos julgadores. Entretanto. 3 . como os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo tratam da questão em sede de Habeas corpus.gov. 14) apontam que apenas 27. enquanto o item 4 se refere à avaliação qualitativa. apesar de prevista em lei. p. vez que numerosos juízes se recusam a aplicar a norma aos casos concretos2. há diversos registros de instalações insalubres. a fim de colaborar na compreensão dessa realidade. a fim de facilitar seu acesso a uma gestação. disponível em http://www. Acesso em 15/01/2015. violência obstétrica. além do direito da mulher presa ao pré-natal. IV do Código de Processo Penal. o Código de Processo Penal foi alterado para possibilitar à mulher grávida presa provisoriamente que responda ao processo em prisão domiciliar. ao longo das décadas.Assim. entre outros. Porém. ao longo de todo este período. A legislação foi alterada. totalizando 40 casos. o presente artigo se dispôs a verificar como judiciário paulista tem aplicado a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar para mulheres gestantes presas. 2012.

ao determinar a prisão preventiva. Ou seja. mas apenas facilitar a compreensão dos termos e conceitos jurídicos usados pelos julgadores. Como o foco do artigo é a própria coleta realizada. Assim. 313. A princípio. Por fim. Conteúdo e contexto do art. A lei 12. 318. no Código de Processo Penal (CPP). o item 1 oferece breve exposição do conteúdo do art. entre outras disposições. Por possuírem alta rotatividade de pessoas. diversos tipos de medidas cautelares diversas da prisão. 2013). denominado Centro de Detenção Provisória (CDP). Se números podem esconder ou revelar a realidade.Para facilitar a compreensão dos conceitos discutidos na pesquisa empírica. essas explicações não buscam extenuar o tema. para facilitar a compreensão dos dados encontrados na pesquisa. mas que permanecem encarceradas durante o processo de conhecimento. alterou o regime de fiança. 312. muitas pessoas ainda permanecem sob custódia em cadeias públicas e delegacias gerenciadas pela Secretaria de Segurança Pública (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. corredores e pátios. reduzindo o uso da prisão provisória aos casos comprovadamente necessários. 1. a estrutura desses estabelecimentos é ainda mais precária do que a das penitenciárias. o item 5 apresenta dois casos destacados durante a leitura dos acórdãos. os CDP raramente contam com locais para trabalho e estudo. mas foram considerados importantes para discutir a temática numa perspectiva mais ampla. inciso IV. 4 . No Brasil. estudar casos permite refletir sobre as pessoas mais impactadas por ela. muitas vezes com acentuada insalubridade. introduziu. não serão aprofundados conceitos jurídicos e históricos relacionados à prisão provisória ou ao encarceramento feminino. Não representam a maioria das situações. IV do Código de Processo Penal A intenção deste item é apenas iniciar o estudo do inciso. Ainda assim. e costumam resumir-se às celas. cerca de 40% dos presos são provisórios (CIDH. em razão de ordem judicial. 318. Para isso. deve justificar expressamente a presença dos requisitos legais previstos no art. são pessoas presumidamente inocentes. o juiz. a prisão cautelar é cumprida em estabelecimento adequado.403/11 foi promulgada na tentativa de reforçar o caráter de ultima ratio da prisão. Geralmente. ambos do CPP. Para que isso ocorra. respeitadas as exigências do art. 2012).

Para a substituição. inciso III). II .Diante disso. Caso esta não seja possível – havendo razões para que permaneça custodiada cautelarmente – o julgador deve considerar a possibilidade de colocá-la num local de cumprimento mais adequado. III . A acusada não se encontra livre. só podendo dela ausentar-se com autorização judicial. A prisão domiciliar será concedida nos casos de vulnerabilidade social relatados nos incisos do artigo 318. A previsão é claramente humanitária e privilegia a dignidade da pessoa humana (Constituição Federal. devendo recolher-se no período noturno. o indiciado pode sair e trabalhar durante o dia. 1º.403/11 introduziu a possibilidade de cumprimento de prisão provisória no local de domicílio do acusado. o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. art. observa-se que a prisão domiciliar é uma modalidade de cumprimento da prisão cautelar. Ou seja: primeiro.extremamente debilitado por motivo de doença grave. que é a própria residência. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I . Neste. uma vez que só pode sair da residência em condições estipuladas pelo juiz. a lei 12. Parágrafo único.gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. Assim. apesar de sua maior possibilidade de trânsito – considerando a vigilância mínima – não é possível confundir tal situação com liberdade. Trata-se de um dos institutos criados justamente para evitar a prisão cautelar. 317. Importante destacar que a prisão domiciliar não se confunde com libertação da acusada. o juiz avalia a possibilidade de conceder liberdade provisória àquela acusada.maior de 80 (oitenta) anos. Assim. 318. 5 . IV .imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência. A figura também se diferencia da medida cautelar de recolhimento domiciliar previsto no art. Altera-se apenas o local de cumprimento da prisão processual. Dispõe o CPP: Art. As hipóteses de concessão são as seguintes: Art. V do CPP. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência. 319.

portanto. 3) e até por departamentos oficiais (DEPEN. são trazidas pelas Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros. 98)..” (ONU. 2011. 117. mas essas exigências eram comuns na jurisprudência. Apesar de se referir a presos condenados. força de lei. 3 Cite-se. em seu item 23. aconselhamento regular a respeito de sua saúde. possuindo. por exemplo: STJ. havia forte entendimento jurisprudencial aplicando este benefício aos provisórios. denota-se a intenção do legislador em proteger a maternidade. HC 115. a LEP não demanda o tempo mínimo de sete meses ou a presença de risco. 4 Após visita. o qual permite que pessoas vulneráveis – inclusive gestantes e parturientes – possam cumprir pena em regime aberto em prisão domiciliar. complementado pelas Regras para o Tratamento de Mulheres Prisioneiras ou Regras de Bangkok. Ademais. No que tange às gestantes.941/PE. 2014. como medida de isonomia e garantia de direitos fundamentais3. de um profissional de saúde qualificado. p. Além disso. Além disso. 58). o artigo 89 da mesma Lei assegura que as penitenciárias femininas serão dotadas de seção para gestante e parturiente. órgãos internacionais de Direitos Humanos já registraram a deficiência do atendimento a gestantes4. Não obstante. o direito ao acompanhamento médico “principalmente no pré-natal e no pós-parto.A maior proteção se justifica pela acentuada vulnerabilidade dos grupos sociais em questão. 49. extensivo ao recém-nascido”. §3º da LEP garante. al. especialmente no item 48. as previsões legais nem sempre são atendidas. Uma previsão semelhante já fora inserida na Lei de Execução Penal (LEP). Essa realidade é amplamente conhecida por diversas entidades que militam na área (PASTORAL CARCERÁRIA et. levando mulheres a permanecerem sem o necessário atendimento. ambos aprovados na ONU e ratificados pelo Brasil. 6 . No inciso IV. em seu art. 117. 318 são mais restritas do que as do art. 2012). 2012. colocando idade superior para o idoso e inferior para a criança cujo responsável é encarcerado. também às presas provisórias. julgado em 02/01/2009. O artigo 14. De fato. p. as exigências do art. Obrigações semelhantes. justificando a menor restrição (NUCCI. o Subcomitê de Prevenção à Tortura registrou em relatório: “48. O SPT recebeu alegações de prisioneiras gestantes e prisioneiras com crianças na prisão sobre a falta de cuidado obstetrício e o atraso na aplicação de vacinas em crianças. referindo-se aos cuidados necessários com a gestante ou parturiente. O SPT recomenda que mulheres grávidas recebam. a pessoa nessas condições ofereceria mínima periculosidade social. O SPT recomenda que se disponibilize às crianças que vivam com suas mães na prisão serviços de saúde contínuos e que seu desenvolvimento seja monitorado por especialistas. o que está em contradição com as leis brasileiras. a gestante e o próprio nascituro.

nada impede que o juiz conceda a ordem de ofício. provisoriamente. caberá a esta acessar a segunda instância. que poderão concordar ou discordar da decisão combatida. Não se exige. Porém. determinando que a gestante seja colocada em prisão domiciliar. 7 . A criança também recebe especial proteção.Nesse sentido. Por se tratar de liberdade. 227 da Constituição). além de acompanhamento psicológico e condições ao aleitamento materno. Assim. informando e comprovando o fato ao Juízo. inciso XLV da Constituição Federal). na decisão final do processo de HC. concede ou nega o pedido. Por se tratar de matéria de ordem pública. importante destacar que a única demanda do artigo 318 é a prova idônea do cumprimento de seus requisitos. caso estas não sejam suficientes. o desembargador relator recebe o caso e imediatamente decide se. antes mesmo de ser ouvida a autoridade coatora. 5º. razão pela qual permite um julgamento liminar. caso o juiz discorde da pretensão da defesa. que envolve liberdade e direitos fundamentais. o Tribunal emite um alvará de soltura. já que esta não deve permanecer encarcerada em razão do princípio da intranscendência da pena. dada a urgência da medida. Ou seja. que o juiz avalie as condições do presídio no qual a mulher se encontra para. destinado a corrigir uma situação em que alguém sofre ou é ameaçado de “sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. o julgamento deverá ser célere. Também. por ilegalidade ou abuso de poder” (Constituição Federal. autorizar a gestante a cumprir custódia domiciliar. Neste Tribunal. Caso opte por concordar com o pedido da defesa. seja na liminar ou no mérito. portanto. poderá impetrar uma ordem de Habeas Corpus (HC). cabe à defesa da acusada requerer rapidamente a concessão da prisão domiciliar. diante da prisão de uma mulher grávida. segundo o qual esta nunca passará da pessoa do condenado (artigo 5º. A previsão também se amolda à proteção da criança envolvida. e seus direitos devem ser considerados com primazia. Esta decisão vale até o julgamento do mérito. Esta ação de Habeas Corpus será julgada por um corpo de três desembargadores. com prioridade absoluta (art. art. que decidiu manter a prisão. LXVIII). quando o desembargador pode manter ou revogar a liminar. o artigo 8º do Estatuto da Criança e do Adolescente assegura à gestante atendimento pré e perinatal. mantendo-a ou revogando-a.

Por fim. na área de Consulta de Processos. chegou-se ao universo de 40 acórdãos. só podendo determinar a prisão caso haja nova motivação. do Código de Processo Penal. uma vez que se trata de assunto extremamente urgente. 2. desde o início da vigência desta modificação legal. inciso IV. listados no Anexo I. excluídos aqueles repetidos. entre 10h58min e 11h18min. Pesquisa de jurisprudência e metodologia A pesquisa empírica buscou verificar. 318. dada a iminência do parto. a fim de evitar perdas devido a sinônimos: “318 IV gestante Habeas Corpus” e “318 IV grávida Habeas Corpus”. cabe uma justificativa. como o Tribunal de Justiça de São Paulo tem aplicado o art. Porém. Em seguida. de coleta para a pesquisa) é a publicação dos acórdãos. consequentemente. A coleta foi realizada em 12/12/2014. tampouco nos tribunais superiores. enquanto a segunda originou mais 35.Assim. Informações sobre data de distribuição e data da liminar foram obtidas no próprio portal do Tribunal. e coletadas as principais justificativas para as decisões de mérito (ver item 4). sendo possível que pedidos distribuídos naquele intervalo estejam fora da coleta. A escolha pela pesquisa em acórdãos de Habeas Corpus deveu-se ao interesse em verificar a celeridade do julgamento desses pedidos. mediante pesquisa pelo número do Habeas Corpus. foram ignorados os que apenas mencionavam as chaves de pesquisa e selecionados aqueles cujos pedidos se fundamentavam no referido inciso. importante ressaltar que os acórdãos colhidos pouco informam sobre a aplicação daquele inciso em primeira instância. Foram utilizadas duas chaves de pesquisa. em sede de Habeas Corpus. 8 . foram extraídos e tabelados os dados considerados relevantes (ver item 3). o juiz de primeira instância deve obedecer à determinação superior. Os Habeas Corpus analisados foram distribuídos entre 26/04/2011 e 13/10/2014 e julgados entre 26/07/2011 e 04/12/2014. por ainda não terem acórdãos publicados. O critério de disponibilização dos casos no site do Tribunal (e. Assim. Em breve leitura. o levantamento serviu-se do mecanismo de busca de jurisprudência disponibilizado no portal oficial do referido Tribunal. demandando ainda mais presteza na decisão. A primeira chave gerou 47 resultados. Para tanto. em análise quantitativa e qualitativa. e que envolve direitos fundamentais.

optou-se por utilizar algumas informações específicas sobre os casos. ela permite conhecer a mesma informação da qual o julgador dispunha no momento de decidir. apenas para fins de uma possível interpretação dos dados. Gráfico 1: Tempo de gestação e risco Fonte: Acórdãos em Habeas Corpus no TJSP coletados na pesquisa. foi possível verificar o tempo da gestação no momento do pedido. além de ser a única possível dentro dos limites dessa pesquisa. como tempo de gestação e risco. por tratar-se de um requisito legal autônomo. esta não é a forma mais confiável de se obter tal dado. ignorando o tempo de gestação. 3.Ainda assim. Os casos de risco à gestante foram contabilizados separadamente. acima de sete meses. 3. Neste item. Mas. antecipando detalhes da análise qualitativa. A pesquisa demonstrou que a maior parte dos pedidos é feita com a gravidez avançada. Nesse sentido. buscou-se observar como alguns critérios fáticos podem influenciar. Além disso. Tempo de gestação e risco Com base na leitura dos relatórios dos casos inseridos nos acórdãos. apesar de se tratar da exposição dos dados numéricos extraídos na pesquisa. Análise quantitativa e algumas interpretações possíveis O objetivo desta classificação foi definir como os desembargadores se posicionaram nos casos. Obviamente. o qual fornece importantes linhas decisórias para os demais magistrados. as decisões refletem as posições da cúpula do judiciário bandeirante. 9 . tipo penal imputado ou parecer do Ministério Público. seja em decisão liminar ou de mérito. a pesquisa é relevante para indicar como vêm decidindo e argumentando os juízes na questão da gestante presa provisoriamente.1.

0000 10 . dois julgadores rejeitaram o pedido e ressaltaram a importância de documentos comprobatórios dessa situação5.26. O pedido mais comum é o que indica o tempo de sete meses ou mais de gestação.0000 e 2158740-37.2. 5 HC 0086766-42. a fim de negar que sua prisão preventiva seja cumprida na própria residência. parte dos acórdãos menciona a gravidade abstrata do delito como forma de argumentar pela negativa do pedido. Os outros quatro. nas situações de risco. foram indeferidos. Já dentre os casos de risco. a prova documental deste é elemento fundamental para a concessão. o que pode sinalizar a importância de fornecer essa informação com precisão.Os seis casos em que o tempo de gestação sequer foi citado (ao menos no relatório do acórdão).2012. além daqueles descritos no art.8. nem para a concessão ou denegação em sede de mérito. A pesquisa demonstrou que o avanço da gestação não é critério determinante para o deferimento da liminar. uma vez que há igualmente decisões contrárias e favoráveis em todas as etapas da gravidez. 3. estes desembargadores alegam de maneira superficial a suposta periculosidade da acusada.26.2014. Assim. talvez por reproduzir a letra da lei. destaque e comprovação documental. todavia. Ou seja. 318. Todavia. Gráfico 2: Tipos penais imputados Fonte: Acórdãos em Habeas Corpus no TJSP coletados na pesquisa. possível afirmar que. Tipo penal Como foi dito.8. obtiveram liminar e julgamento favoráveis. a legislação não apresenta qualquer outro requisito para a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.

2012. geralmente em situação de vulnerabilidade.26.26. observa-se que o tipo penal imputado não define o destino do Habeas Corpus.2012. 3.8. todos os 13 acórdãos de improcedência faziam referência à gravidade abstrata do delito imputado como obstáculo para a liberdade provisória e a prisão domiciliar. Parecer da Procuradoria de Justiça Cabe ao órgão da Procuradoria de Justiça emitir parecer sobre o pedido a ser analisado no Habeas Corpus. nota-se a grande incidência de mulheres grávidas acusadas por tráfico de drogas. ao final.0000.Logo de início.2011.26. da presunção de inocência somada à inexistência de prova robusta7 ou da diferença elementar entre liberdade provisória e prisão domiciliar8.26. devendo assegurar seu cumprimento. que chegam a 70% do total. HC 0133029-98.2013. conforme explicado no item anterior. Note-se que o crime de tráfico de drogas. 6 HC 0143101-18.8. 2011. o Ministério Público tem a função de fiscal da lei.2011. é cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa.4). Desta forma. conceder a prisão domiciliar).8.0000 (apesar de este último entender pela impossibilidade de liberdade provisória para crimes de drogas. HC 0020789-06. 68). no sentido de ser impossível a exigência dos requisitos para a liberdade provisória na decisão sobre a colocação do preso preventivo em sede domiciliar (ver item 4.3.0000 e HC 2119574-95.2014.8. Por outro lado. os 13 acórdãos procedentes superam esse argumento. Essa constatação permite acrescer a problemática das gestantes encarceradas à questão dos impactos sociais perniciosos da guerra às drogas. Além de ser o órgão acusatório. como já ressaltado).8.26. A tendência é compatível com a distribuição dos tipos penais entre as mulheres presas no sudeste do país (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Ainda assim. por serem institutos jurídicos distintos. p. em si. 8 HC 0188769-12.8.3. mesmo que isso signifique pedir a liberdade ou a absolvição de um acusado em processo penal. preterindo-o em favor da dignidade da gestante e do nascituro6.26. 7 11 .0000.0000 (a despeito de este apreciar os requisitos da liberdade provisória para. o crescimento exponencial das prisões de mulheres acusadas de tráfico de entorpecentes também se reflete no encarceramento de muitas mulheres grávidas. Assim. é preciso destacar a necessidade de disseminação do entendimento de NUCCI (2014).0000 e HC 0009802-08. Nos crimes de tráfico de entorpecentes. destacado em alguns acórdãos.

dado o rápido avanço gestacional.4. trata-se de momento importante no processo. da ordem de Habeas Corpus. Já os 10 casos em que a PGJ se posicionou favoravelmente tiveram a ordem concedida pelo Tribunal.Em 24 situações. que pode significar a garantia ou o perecimento do direito das mulheres. nenhuma liminar concedida foi cassada ao final. ou se são as características dos casos que determinam essa coincidência. uma vez que um posicionamento favorável deste órgão tem grande chance de indicar uma decisão final favorável. 3. em razão da dificuldade de apreciação célere de pedidos complexos. sendo que todos terminaram com a concessão. A pesquisa revelou que a liminar foi deferida em apenas 16 casos. se a opinião do Procurador influencia o voto. Todavia. é especialmente relevante o papel do Procurador na concessão das ordens. Ainda assim. Porém. 12 . sendo que apenas dois destes obtiveram a liminar rejeitada. Do exposto. Dentre essas. dos 40 processos analisados. a Procuradoria posicionou-se pela denegação do pedido. não é possível afirmar. Liminar A decisão liminar em sede de Habeas Corpus é restrita. nos limites dessa pesquisa. Gráfico 3: Decisões liminares Fonte: Acórdãos em Habeas Corpus no TJSP coletados na pesquisa. Ou seja. no mérito. o Tribunal concedeu apenas sete ordens. possível concluir que o Tribunal e a Procuradoria tendem a concordar sobre os casos que merecem ou não a concessão da ordem.

a decisão liminar chega a demorar de um a dois meses. nos limites dessa pesquisa.Dos 24 casos em que a liminar foi negada. Já na hipótese de concessão. por representarem situação peculiar. Mérito A pesquisa demonstrou que. porém. apenas esses três casos foram destacados. a prisão domiciliar foi concedida apenas em sede liminar. a liminar é apreciada em uma média de 3. Gráfico 4: Decisões de mérito Fonte: Acórdãos em Habeas Corpus no TJSP coletados na pesquisa. Nos casos de negativa. a média atinge 7. o que representa 60% do total. Quatro casos destacados foram excluídos do cálculo da média anterior. não ser possível compreender se há relação de condicionalidade entre essas informações. pode-se afirmar que o resultado da liminar tende a ser mantido na decisão de mérito. Neste grupo. 9 No gráfico 3. especialmente no caso de deferimento. mas só foi reapreciada e decidida após a chegada de novas informações. para conceder a prisão domiciliar. 3. Em três desses casos. uma vez que o outro foi contabilizado como liminar negada. a liminar foi analisada.4 dias. apenas quatro resultaram na posterior procedência do pedido. em metade dos casos. já que esta denegação não alterou a situação da Paciente.5. descaracterizando totalmente a celeridade esperada nesta modalidade decisória. 13 . Assim. apesar de. sendo deferida a liberdade provisória ao final. vindo a ser deferida em três dos casos9. Nestes. os Habeas Corpus foram julgados procedentes.9 dias.

segundo o relatório. no caso de gestantes presas provisoriamente. na qual a média de demora até a decisão de mérito chega a 113 dias. Mais informações sobre o teor desses documentos estão detalhadas no próximo item.1. por permitirem a extração dos argumentos utilizados pelos julgadores. As decisões de mérito foram o principal foco da pesquisa. Gráfico 5: Média de tempo até as decisões Fonte: Acórdãos em Habeas Corpus no TJSP coletados na pesquisa. Exceção é a 8ª Câmara Criminal. uma vez que. o relator alegou 14 . contando com apenas cinco casos) e 2012. 4. dizia respeito à mulher gestante acima de sete meses e portadora de HIV.75 dias. 10 dias a mais. a fim de compreender quais foram os argumentos principais no julgamento dos Habeas Corpus.A média de duração dos processos cujo pedido foi deferido é de 70. em média. a intenção era descobrir quais os principais entraves para a concessão da prisão domiciliar. Casos sem julgamento de mérito Foram três os casos em que não houve decisão de mérito. Análise qualitativa das decisões A segunda parte da pesquisa consistiu na leitura dos 40 acórdãos. Importante destacar que a média de demora até a decisão liminar e o julgamento de mérito vem diminuindo ao longo dos anos. Porém. como demonstra o gráfico a seguir. 4. O processo que não foi conhecido se destacou. Especialmente. enquanto o processamento dos casos denegados demora. após significativa piora entre 2011 (ano de promulgação da lei.

0000.2014. 11 15 .26.26.2. a fim de evitar tal situação. Porém.2. ressaltou que não houve. Denegações Conforme mencionado no item anterior. 4. muito acima da média. a paciente ainda permanecia sendo presa provisória no momento do julgamento do HC.3. 13 Outros dois casos semelhantes foram decididos de maneira oposta. um se reporta à revisão da decisão de primeira instância que concedeu a prisão domiciliar11. pedido subsidiário no caso de condenação. o relator argumentou que ela havia sido condenada sem direito de recorrer em liberdade. A falta de documentos comprobatórios do tempo de gravidez ou do risco foi alegada como a razão para o indeferimento em seis casos.2. Destaque-se que este processo demorou 153 dias para ser julgado. Falta de documentação O parágrafo único do artigo 318 determina que o juiz deve exigir prova idônea dos requisitos estabelecidos no artigo. sequer havia trânsito em julgado da sentença. ver item 4. no HC. em uma dessas situações12.0000. cabe destacar a utilidade de incluir este pedido na petição inicial do Habeas Corpus.2013. para sequer conhecer do HC10. Por fim.1. 12 HC 0174106-87. as denegações correspondem a dezesseis dentre os acórdãos coletados. Para detalhes.0000. da condição de saúde e. de cópia da decisão combatida. Mesmo reconhecendo ter havido apelação da defesa. 10 HC 2158740-37. até mesmo.8.8. HC 0037735-19.26. o que não justificaria a exigência do pedido subsidiário para o caso de condenação não definitiva13. Já dentre os casos julgados como prejudicados por perda de objeto. Os outros dois consideram o objeto do Habeas Corpus perdido quando existe notícia de sentença condenatória na primeira instância. De fato.2013.8. Porém. concedendo a ordem por entender que a condenação não definitiva em nada prejudicaria.falta de documentos comprobatórios da gravidez. 4.

Tribunal” (fl. ainda. 4). no 3º parágrafo do art. o Relator declarou que acessou o “Sistema de Inteligência de Informações desse E. pois negou a prisão domiciliar alegando falta de documentação. De fato. mas apenas para verificar que a Paciente havia sido atendida em uma Santa Casa e tinha recebido alta.26.26. tendo em vista a previsão legal.2. Foi exigido um documento claro e expresso no sentido de demonstrar claramente o avanço (se acima de sete meses) ou o risco da gestação.2013. 89 prevê a seção para gestante e parturiente. IV do Código de Processo Penal. tal postura não era a única possível. os julgadores expressamente alegaram a obrigação estatal de prestar atendimento à presa gestante como um dos motivos para rejeitar a substituição da prisão preventiva em prisão domiciliar. não se sustentaria a recusa desses julgadores em aplicar a legislação pertinente ao caso.0000 HC 0102448-37. 15 16 . Obrigação de o Estado fornecer atendimento Em oito acórdãos. cujo desrespeito pode acarretar perdas incomensuráveis – seria interessante que o julgador tivesse a possibilidade de consultar algum órgão oficial ou sistema integrado de informações16. Isso demonstra a importância de a gestação estar registrada em um sistema informativo integrado.8. com base na alegação da 14 HC 2131735-40. o acompanhamento médico da gestante e do recém-nascido. com um teste de gravidez14. o art. não teve a mesma diligência para comprovar o tempo de gravidez da Paciente.8. coube ao legislador reafirmar a proteção. Apesar de juridicamente aceitável. em 2009). A princípio.0000. 14. Porém.26.Nestas. 16 No HC 0170105-59. Porém. Trata-se de previsão específica para a prisão provisória e com alteração recente (após a introdução dos mencionados artigos na LEP. Diante de um caso extremo de demora. tal diligência não pode ser exigida em todos os casos. apesar de só tê-lo feito após o parto. os julgadores não se satisfizeram com a mera alegação ou. inserindo o disposto no art. Ademais. por se tratar de norma de ordem pública – direitos fundamentais da gestante e do nascituro.8. 318. diante do descumprimento reiterado dessa norma. pois a responsabilidade pela instrução da peça é ônus da defesa. como já mencionado no item 1.2014. a fim de confirmar a evolução da gravidez15. bem como creche.0000. deferindo a liminar 61 dias após a impetração do writ. Porém.2. Nesse sentido. 4. a Lei de Execução Penal determina. uma Relatora optou por telefonar à unidade prisional em questão.2012. nos estabelecimentos penais.

mas o alto risco de haver complicações ou o estágio avançado. optam por decidir de acordo com a realidade fática (ver item 4. cabe trazer excerto transcrito em um dos acórdãos18.26. Nos termos já aventados em nota anterior. Nesse sentido. já foi superada pelo próprio legislador no tocante às presas provisórias. Em dois casos17. é corrente a citação de Guilherme de Souza Nucci. a partir do sétimo mês. 17 HC 2066580-90.2.existência de uma previsão legislativa que. caso seja posta em liberdade. possível concluir pela utilidade de a defesa inserir.2014.26.0000. 18 HC 2120023-53. quanto ao maior de 80 anos. 2014. o pedido foi rejeitado por haver documentação nos autos indicando que ela estaria sendo atendida no presídio. se a acusada representar perigo extremo à sociedade. 17 . por sua vez. é importante que os julgadores se sensibilizem para a situação dessas mulheres que.3.8. mesmo assim. Afinal. segundo o qual “a prisão domiciliar constitui faculdade do juiz e não direito subjetivo do acusado”. Mera faculdade do juiz Diversos acórdãos denegatórios fundamentam sua posição no uso do termo “pode” pela letra da lei. de forma que a concessão não seria um dever do juiz. pouco recebem do Estado. ainda que se trate de mero recurso argumentativo ou excesso de justificativa na decisão.2). Assim.2014. Assim. apesar de presumidamente inocentes. não se deve conceder a prisão domiciliar” (Código de Processo Penal Comentado. Trata-se de concessão exclusiva à mulher presa e. há previsão para dar guarida à gestante no cárcere. inclusive para amamentação do filho. na instrução do pedido. informações sobre eventuais instalações precárias e a possível má qualidade do atendimento de saúde na unidade prisional em questão. se o juiz reputar conveniente. página 722). Para tanto. “não somente a gravidez espelha a necessidade de prisão domiciliar. Alguns desembargadores. Menciona condições de permanência do recém-nascido porque o julgamento deu-se após o parto.8.0000.3. a fim de evitar o perecimento da ação com base nessas alegações. de tão ineficaz. 4.

como já mencionado. conforme subitem anterior.2012.26. Dentre estes. trata-se de importante estratégia defensiva a fim de evitar o resultado negativo. Decisões após o parto Três dos casos20 mencionam o fato de o parto ter ocorrido antes da data da decisão como um dos argumentos para a negativa.26.8. de fato. no caso de demora. um dever. e o julgamento (favorável) apenas em agosto. sucederam o parto. a ser analisada em cada caso. como forma de incentivar a celeridade.4. na petição inicial. 4.0000 e HC 2068827-44. estando o parto previsto para abril. 22 HC 0102448-37. confirmando-se a medida liminar. Assim. HC 0098968-17. 4. Apesar de ser possível ao Relator conceder o HC de ofício.Este posicionamento também ilustra a noção de obrigação prestacional pelo Estado. apesar da demora de 35 dias para a liminar.3.2012. Destaques não originais. é caso. na verdade. HC 2066580-90.8. nota-se uma preocupação do julgador em fazê-lo antes do parto.0000 21 No HC 0026371-84. por exemplo. Outra precaução fundamental diz respeito ao pedido de concessão da ordem com base no art.8.8.2.26.0000 20 18 . Concessões Foram lidos 20 acórdãos referentes a concessões da ordem de Habeas Corpus.0000. todavia.26. após a prisão 19 HC 0130591-02.0000.2013.2013.2014. Não é a posição.0000. de um representante da Procuradoria-Geral de Justiça. o Relator menciona que a liminar foi deferida em março. a distribuição deu-se em fevereiro. não foi possível descobrir quantas decisões.2014.8.8. a possibilidade de concessão de prisão domiciliar às presas em final de gravidez configura. Infelizmente. 318. três resultaram no deferimento da liberdade provisória. ao menos na decisão liminar21. a meu juízo. Ainda que tenha sido posta na lei como mera faculdade do juiz. cujo trecho do parecer foi transcrito em um acórdão19: Pese embora a pouco recomendável conduta da paciente. possível concluir pela relevância de se dar destaque à data presumida do parto.26. III. sobretudo. nos limites dessa pesquisa. de conceder a ordem. No caso. em razão das precárias condições sanitárias das unidades do sistema penitenciário brasileiro. e de haver caso de concessão pelo inciso IV mesmo após o parto22. no caso de a decisão ultrapassar a data do parto. Porém.26.

Além disso. como um dos argumentos da defesa.0000 19 .2014. Ou seja. Quatro acórdãos de deferimento. um julgado se refere apenas ao direito da criança.26. três dos quais julgados pela 12ª Câmara Criminal. Os principais argumentos para as concessões estão expostos a seguir. será mantido injustificadamente em ambiente insalubre. Em outros casos. aparece apenas no relatório. Trata-se de um caso de tráfico de drogas. a manutenção da custódia acabará violando direitos de terceiros (o recém-nascido) e atentando contra o princípio da dignidade da pessoa humana23. no qual o Relator se posiciona no seguinte sentido: Conforme já me manifestei em outras oportunidades. o que fatalmente ocorrerá se ela permanecer encarcerada.3. Entretanto.3. 23 HC 2119574-95. especialmente vulneráveis nesse momento de suas vidas. a argumentação pode ser útil para sensibilizar aqueles julgadores que rejeitam a medida por considerar a Paciente não merecedora. pois ainda que permaneça em berçário. utilizada na decisão. Saúde da gestante e do nascituro ou recém-nascido O objetivo da norma é proteger a saúde da mulher gestante e da criança ao nascer. não é aconselhável a separação da parturiente do filho no período de amamentação.009/MG.8. Dignidade da pessoa humana O termo dignidade da pessoa humana aparece em 12 documentos. o conceito raramente é destacado na motivação das decisões.1. Apesar de não privilegiar o direito da mulher. julgado em 06/12/2011) em que se decide pela concessão da prisão domiciliar (pelo inciso III) por razões humanitárias e considerando a dignidade da pessoa humana. 11 acórdãos mencionam expressamente o direito à saúde ou à integridade física da mulher e do nascituro como motivo para o deferimento. não parece adequado que o encarceramento da Paciente seja estendido ao seu filho recém-nascido. Na grande maioria. surge dentro da citação de jurisprudência dos Tribunais Superiores.2. mencionam julgado do STJ (HC 217. Nesse sentido.domiciliar ser concedida em liminar. 4. 4. Ademais. deixando expresso que a prisão acarretará violação ao direito de terceiro.

8.0000. portanto.3.2011.26. ao menos no tocante às gestantes encarceradas e seus recém-nascidos. em contato com a mãe reclusa. 4. Más condições do estabelecimento prisional Diferentemente dos casos mencionados anteriormente (item 4.8.2.0000 e HC 0183216-13.2013.2).8. haverá disponibilidade de creche para acolhê-lo.8.26.26. ainda que ré em processo-crime. Diante da deficiência na prestação de serviços públicos 24 HC 0130591-02.3. prestes a dar a luz a seu filho. de que realizado o parto. como aquela do próprio nascituro.0000 Por exemplo.A dignidade da mulher somente foi destacada como motivo das decisões em três casos.8. não pode ser revogada. Ela se volta à proteção da própria maternidade recente e. 20 . Muito pelo contrário26.26. em que o Relator consignou a impossibilidade de o juiz reverter a prisão domiciliar sem justa fundamentação.26. pelo fundamento único. julgados pela 1ª Câmara24. HC 0183216-13.0000. 55/57. ainda. de acordo com as suas necessidades.2. IV do CPP não se esgota com o nascimento.8. Ofende a dignidade da pessoa da parturiente.2013. 25 26 HC 0183216-13. HC 019361657. 46 e na esteira do quanto fundamentado pelo Procurador de Justiça. devendo ser observado quanto a este a possibilidade de aplicação do artigo 89 da LEP.2013. diante da ausência de informações consistentes a respeito da estrutura do presídio (especialmente no tocante aos recém-nascidos).2013.8.0000 – destaques não originais. a pesquisa demonstrou que parte dos desembargadores parece compreender e se responsabilizar pelos problemas reais do sistema carcerário. não somente a sua.26.2013.0000. em unidade carcerária.2011. muitos julgadores25 aplicaram o princípio do in dubio pro reo para entender que. a ordem deve ser concedida.26. somente então. um dos quais é o relatado no item 5. em seu parecer de fls.8. a recolocação em imediato regime de prisão preventiva.26. nos seguintes casos: HC 2060996-76. decorrido o prazo de seis meses ali estabelecido. HC 0143101-18. HC 0095688-38. Por exemplo: A paciente é gestante.26. quando.0000 e HC 0193616-57.8. mesmo após a condenação: Saliente-se. os estabelecimentos penitenciários não têm tido estrutura suficiente para receber presas com bebês. Os outros são casos idênticos. conforme exame de fls. Portanto.0000. sem preocupação com o resguardo necessário à saúde. que a medida de cautela posta na norma do artigo 318.2011.2013.0000.

Prisão domiciliar como mera modalidade de prisão cautelar A decisão que defere a prisão domiciliar não determina a liberdade do acusado. advinda dos requisitos do art. mas concede a prisão domiciliar com base no argumento apontado. 21 . Pelo contrário.8.26.0000 e HC 0009802-08.3. Porém.0000.26. HC 2130671-92. 5.4. Destaque-se que este último entende pela impossibilidade de liberdade provisória para crimes de drogas.º 12. 4. 312 do CPP.” (NUCCI. de 4 de maio de 2011. Nesse sentido. pois retira o foco da discussão sobre a viabilidade ou não da libertação da Paciente.pelo Poder Executivo. alterandose apenas o lugar de cumprimento. 312 e 313 do Código de Processo Penal). é responsabilidade do julgador efetivar direitos fundamentais. o mesmo doutrinador citado como fundamento em várias denegações: “O que. o exercício da liberdade de locomoção da pessoa permanece restrito por ordem judicial. utilizando e transcrevendo o seguinte excerto da obra de Guilherme Nucci – curiosamente. muito além do que seria no caso de uma liberdade provisória. não é o caso de substituir uma pela outra. realmente. 2011. Obviamente. o que é a própria intenção da lei.26. Guilherme de Souza. mantém a prisão preventiva. o que implicaria em merecimento e aferição dos requisitos. São Paulo: RT. preventiva. logo. mudam também as condições de salubridade deste local.8. Logo. incabível a exigência dos requisitos para a custódia cautelar (art.2014.0000. Casos emblemáticos 27 HC 0188769-12. pousando-o sobre a mera modalidade de cumprimento da prisão cautelar.2011. que pode ser cumprida em domicílio. Prisão e liberdade: as reformas processuais penais introduzidas pela Lei n.) Destacar esse entendimento nos pedidos pode ser interessante à defesa. e não apenas reafirmar uma obrigação estatal já prevista em lei.403. visto que a restrição à liberdade permanece. mas de inserir o indiciado ou réu em local diverso do presídio fechado para cumprir prisão cautelar.2012.8. Três acórdãos27 apontaram essa questão. há é a prisão preventiva.

as consequências da rejeição da prisão domiciliar foram eventualmente minoradas pela libertação da Paciente. a paciente é portadora de maus antecedentes (fls. possivelmente numa lógica de causa e consequência. no trecho: O fato de estar grávida não a impediu de praticar o delito e não a impede de reiterar a conduta criminosa.0482. estando seu filho com três meses de vida e devidamente assistido por médico pediatra. Acredita-se que a breve menção dessas histórias colabore com a compreensão da complexidade inerente ao problema ora estudado. Cíntia. alguns casos se destacaram. Nota-se que a decisão relaciona gravidez e crime a partir do conceito de descaso. já se encontrava grávida. Excluído da coleta porque o pedido foi feito com base no inciso III. convertido em pena restritiva de direitos29. 72) e.8.0000. a paciente está recolhida na ala de amamentação do aludido estabelecimento prisional. enquanto os demais agentes levariam a televisão furtada. Ricardo Tucunduva.26. em que a Paciente (com gravidez avançada) teria sido vista carregando objetos miúdos em uma sacola. mas sem referência ao processo original. 1ª Vara Criminal da Comarca de Presidente Prudente.26. 29 22 . demonstrando insensibilidade e descaso com a criança que estava por vir.8. O HC. 30 Trecho citado no HC 2179523-50.8. ainda. teve a liminar rejeitada e foi finalmente denegado em setembro. Autos nº 0001130-83. ao lado da obrigação estatal de prover assistência. de autoria do Des. a mãe insensível Um dos casos. merece menção em razão de um comentário feito pelo julgador no acórdão. impetrado em julho. a Paciente foi condenada ao regime aberto. 5. Nesse sentido. Em outubro de 2013.2013.26.2014. Foi presa em abril de 2013. apesar de excluído da coleta28.Durante a leitura dos acórdãos.1. Também não justifica a 28 HC 0142348-90.0000. Diretora da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Trata-se de um caso de furto.2013. Outra decisão30 vai ao mesmo sentido. De outra banda. em contato telefônico com Adriana Alkmin Pereira Domingues. Informou o julgador: Realmente. quando da prática do furto triplamente qualificado objeto deste writ.

sogras. Trata-se de um conceito oriundo do positivismo criminológico.2012. Acesso em 14/01/2015. A profissional recomendou “controle fetal diário. Porém. tias e pais (HELPES. possivelmente. supostamente insensível e descuidada com sua prole.0000. vez que o Estado deverá providenciar todo o cuidado necessário durante a gestação e para o parto. A pesquisa foi incapaz de identificar. aproximadamente. optou-se pela alteração do nome a fim de evitar exposição desnecessária. Ao contrário do sustentado. 166). Nenhuma das decisões disponíveis no portal do TJSP (no processo em primeira instância32) sequer menciona tal condição. 5ª Vara do Foro Central Criminal Barra Funda. exerça alguma influência na motivação dos julgadores. dez gramas e uma perda irreparável Em 16/04/2012. se possível ao nível hospitalar”. 23 . a gravidez era de altíssimo risco. quando instados a beneficiar a mulher em razão da gravidez.0050. que descumpre seu papel social enquanto mãe e se arrisca ao cárcere. Tanto no momento do crime. p.8. quando entregam os filhos aos cuidados de avós. 5. os quais decorreriam das atividades ilícitas do corréu. 32 Autos nº 0034026-54. mãe de cinco filhos e.br/2012/10/dignidade-humana-prisaodomiciliar-por. aproximadamente. A Paciente foi atendida pela médica do centro hospitalar do estabelecimento prisional e diagnosticada com “suspeita de início de centralização fetal”. Paula era primária. 2012.2. Paula. quanto no período do cárcere. Vale destacar que este caso também foi mencionado pelo juiz de Direito Marcelo Semer. e ainda afirmou que só não internou Paula porque ali não existia ginecologista obstetra em plantão de 24 horas ou UTI neonatal. a questão da mulher grávida delinquente.blogspot. no momento da prisão. p. quatro meses de gestação. quando conduzia um veículo portando.26. a imensa maioria das mulheres encarceradas que são mães se preocupa com os filhos do lado de fora.com. em seu blog pessoal: http://blog-sem-juizo. Ainda que o processo seja público. mas.2012. dez gramas de cocaína e dois mil reais. seu companheiro. muitas vezes cometido na intenção de sustenta-los. 2014. o que comprovaria sua degeneração moral (LOMBROSO apud ANGOTTI. Esses dados constam do acórdão. Paula31 foi presa acusada de tráfico de drogas.8.26. segundo o qual a mulher delinquente padeceria de uma natural falta de afeição maternal. 154). 31 HC 0172609-72. estava com.html. em razão de sua sexualidade exacerbada.segregação na residência.

forçoso reconhecer a existência de situação peculiar. porém. Paula foi condenada a cinco anos de reclusão em regime fechado. O bebê nasceu naquele dia. Antes do julgamento. provavelmente em decorrência da complicação previamente relatada33. No entanto. Paula já havia entrado em trabalho de parto prematuro. face ao falecimento da criança. a meu ver. a Procuradoria posicionou-se pela prejudicialidade do pedido. autorizadora. segundo a médica que a atendeu. recentemente. não existia dentro do sistema penitenciário. Entrou em trabalho de parto prematuramente e a criança veio a falecer. Assim. em artigo 1º. a ordem é de ser concedida. convalidando a liminar anteriormente deferida. mas que não fizeram o pedido. por razões humanitárias e em homenagem ao princípio da dignidade da pessoa humana. consagrado na Constituição Federal. no dia anterior. em razão da ocorrência do parto. Ana Carla Peron Zuccoli (CRM 76691) pelos esclarecimentos técnicos médicos nesta e em outras questões ao longo deste estudo. não sendo teratológico presumir que este a atingiu física e psicologicamente. grave abalo. 24 . 33 Agradecimento à pediatra neonatal Dra. Determinar seu retorno ao cárcere ao argumento de que ela não mais está grávida e de que. optou por outro – louvável – caminho: Não se olvida que a situação da paciente não mais se amolda às hipóteses autorizadoras da prisão domiciliar. A prisão domiciliar foi efetivada somente no dia 16.O HC foi impetrado pelo Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo somente em 10/08/2012. O juiz determinou sua custódia na audiência. em 14/08/2012 – mesma data em que a liminar foi deferida para conceder-lhe a prisão domiciliar em razão do risco. O Relator Breno Guimarães. o qual. seria desumano e violaria o princípio da dignidade da pessoa humana. Porém. vindo a falecer cinco dias depois. não é necessário prestar cuidados a esta. A demora pode se dever ao fato de haver advogados particulares nomeados na causa. deve ser levado em consideração que a paciente suportou. inciso III. Assim. Necessitava de atendimento médico diferenciado. A paciente estava grávida enquanto presa provisoriamente. sendo-lhe negado o direito de recorrer em liberdade. Em 25/09/2012. da manutenção da benesse.

o julgamento do HC. A demora no processamento dos Habeas Corpus. em torno de 75 dias. Porém. Assim. O juiz da causa é o mais próximo da mulher presa. obviamente. ao menos. que confirmou a liminar e manteve a prisão domiciliar. negada a liminar. impetrado aos sete meses de gestação. Em janeiro de 2015. Assim. como são os de Habeas Corpus impetrados em razão da vulnerabilidade dos Pacientes. e boa parte delas se fundamenta em interpretações jurídicas que não privilegiam a dignidade da pessoa humana. a Paciente foi libertada por “motivo de concessão de HC”. 25 . Em primeiro lugar. e sua apelação estava em andamento. devendo ser sensibilizado a atender às suas necessidades urgentes. 34 Agradecimento à estagiária da Defensoria Pública Bárbara Marques pela informação localizada. permite alguns apontamentos. constava como liberta. sendo esta a última movimentação em seu prontuário34. seja julgado antes do parto. De fato. sofrendo as consequências de uma estrutura devastadora em sua lógica e prática. o mais importante é destacar que é virtualmente impossível que um HC. As denegações representam quase metade dos casos. o incentivo à concessão em primeira instância. veria reduzida a chance de uma decisão liminar favorável. caso o fizesse. em 11/10/2012 (desconhecida a razão da demora). Porém. oitenta pessoas tocadas pelo sistema penal de maneira direta. A primeira ideia parece ser. a pesquisa demonstra a necessidade urgente de uma solução alternativa à situação atual. já que. São. fazendo-o aos sete meses. ver o julgamento suceder o parto. demonstra a necessidade de buscar cada vez mais celeridade na apreciação dos pedidos mais urgentes. a defesa não poderia impetrá-lo antes. Conclusão A pesquisa debruçou-se sobre um momento delicado na vida de quarenta mulheres e quarenta bebês. corre o risco de. quando foi finalizado este artigo. deu-se no dia 26 seguinte.Porém. bem como às do nascituro. Os dados coletados permitem concluir que a prisão domiciliar para gestantes presas provisoriamente ainda não está disseminada no judiciário paulista.

inclusive. bem como aos filhos e filhas que carregam. Contudo. é dar visibilidade às mulheres grávidas presas provisoriamente. entre outros. futuramente. vigilância discreta e. em último caso. Bruna. é urgente que a informação da gravidez seja ressaltada desde o momento da prisão em flagrante.Em seguida. 318. Referências bibliográficas ANGOTTI. já que o parto é iminente. enquanto indivíduos presumidamente inocentes em situação de especial vulnerabilidade física e emocional. Para isso. na hipótese de se justificar a maior vigilância da Paciente. cabe à defesa apresentar a máxima documentação possível. 2012. no caso concreto. por órgãos públicos ou pelo próprio defensor. sugere-se a inserção da informação em destaque nos prontuários dos sistemas eletrônicos acessados por estes agentes. 1ª edição. evitando depender do fornecimento de novas informações. por meio de julgamento preferencial ou. parece viável concluir pela imprescindibilidade das decisões liminares. com o intuito exclusivo de evitar a manutenção da gestante em cárcere. do estado e de Deus: o surgimento dos presídios femininos no Brasil. O primeiro passo. promotores. Por isso. de forma que a informação não fique exposta em sistemas de acesso público. especialmente nesses casos. As providências indicadas decorrem das análises realizadas na pesquisa. que sejam disponibilizadas formas menos vexatórias de acompanhamento. seja pelo juiz da causa. A existência de gravidez altera significativamente a circunstância da custódia cautelar. acredita-se. art. Além disso. até mesmo. com o uso de tarja colorida nos autos do processo (Provimentos nº 50/1989 e 30/2013 da Corregedoria Geral de Justiça. Entre as leis da ciência. Ademais. 26 . Por fim. como visitas periódicas. tal providência deverá respeitar a privacidade da gestante e de seu filho. a tramitação deveria ser prioritária nos casos de vulnerabilidade previstos no art. mas não abrangem todas as possibilidades de solução do problema. o uso da tornozeleira eletrônica. juízes. inclusive de outros que não o inciso IV. razão pela qual precisa ser de conhecimento de todos os agentes envolvidos no processo – delegados. 192). É preciso destacar o risco de perecimento de direitos. São Paulo: IBCCRIM.

Informe sobre el uso de la prisión preventiva em las Americas. Acesso em 05. http://www. PASTORAL CARCERÁRIA. Sintia Soares.01. CONECTAS DIREITOS HUMANOS Penitenciárias são feitas por homens e para E homens. A mulher encarcerada em face do poder punitivo. Disponível em http://carceraria. São Paulo: IBCCRIM. Publicado em 30/12/2013. Publicado em 02/2007. Rio de Janeiro: Forense.2015. Projeto Mulheres/DEPEN.mpf. 2014.gov. Olga. Disponível Acesso em em 15/01/2015. Disponível Acesso em em 05. Guilherme de Souza.br/depen.com.asbrad. São Paulo: IBCCRIM. 2004. http://www. Comissão Interamericana de Direitos Humanos.CEJIL. ESPINOZA. Vidas em jogo: um estudo sobre mulheres envolvidas com o tráfico de drogas. INSTITUTO SOU 2012. 2014. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS.pdf. NUCCI. Acesso em 12/01/2015.01.org. Acesso em 12/01/2015. Disponível em www. Mulheres presas – dados gerais.pdf.pgr. Relatório sobre mulheres encarceradas no Brasil. MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Prisão e Liberdade. HELPES. Desumanos ou Degradantes.br/wp-content/uploads/2012/09/relatorio-mulheresepresas_versaofinal1. 4.mp. DA PAZ. CIDH. Publicado em 08/02/2012.2015.org/es/cidh/ppl/informes/pdfs/Informe-PP-2013-es. al. 27 .br/conte%C3%BAdo/relat%C3%B3rio_oea. ed.br/atuacao-e-conteudos-deapoio/publicacoes/tortura/relatorio_visita_ao_Brasil_subcomite_prevencao_tortura_jun2012 . Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional et.pdf. Relatório sobre a visita ao Brasil do Subcomitê de Prevenção da Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis.oas.mj. Disponível em http://pfdc.

0000 0174106-87.2013.26.0000 2130671-92.0000 0130591-02.26.8.0000 2068827-44.8.0000 0136873-90.26.26.0000 0133029-98.2013.2014.2012.2014.2013.0000 0095688-38.0000 2066580-90.2013.0000 2131735-40.2011.26.8.26.0000 2119574-95.8.26.0000 0086766-42.8.8.26.26.8.8.2014.26.26.2013.8.2012.26.0000 0243640-55.0000 0098968-17.8.2012.26.2013.26.2013.8.8.8.8.0000 0124628-13.0000 2131576-97.26.8.8.2014.0000 0142064-19.26.0000 0102448-37.0000 0053356-90.2014.0000 2067149-91.8.2014.26.0000 0116744-30.8.26.8.2011.26.26.8.2014.2012.26.2012.26.26.8.26.2013.26.2012.2014.2013.2012.2014.0000 2120023-53.0000 0143101-18.8.0000 0193616-57.26.8.0000 0027379-62.26.8.2011.8.8.26.2014.8.0000 2179523-50.26.26.2014.8.26.8.26.8.8.8.8.2011.0000 0123463-28.2012.26.2011.26.8.0000 0223090-73.0000 Câmara Criminal nº 4 12 1 16 4 16 12 1 4 8 12 7 12 3 15 14 13 10 11 8 2 1 8 4 14 3 12 8 16 13 14 11 3 2 16 12 9 4 8 13 Data de distribuição 26/04/2011 29/06/2011 09/08/2011 04/08/2011 02/09/2011 18/01/2012 02/02/2012 15/03/2012 27/04/2012 09/02/2012 18/05/2012 28/06/2012 10/08/2012 04/07/2012 07/11/2012 14/02/2013 28/02/2013 12/06/2013 17/05/2013 21/06/2013 21/05/2013 02/07/2013 05/07/2013 11/07/2013 25/06/2013 25/09/2013 04/12/2013 06/09/2013 30/08/2013 29/04/2014 30/04/2014 05/05/2014 12/08/2014 25/07/2014 11/08/2014 11/08/2014 12/08/2014 25/07/2014 16/09/2014 13/10/2014 28 .Anexo I: Acórdãos utilizados na pesquisa Habeas Corpus nº 0079697-90.8.26.8.8.8.0000 0009802-08.0000 0037735-19.2012.26.2013.0000 0170105-59.26.2012.2013.0000 2158740-37.2013.0000 0026371-84.2013.8.0000 0020789-06.0000 0183216-13.0000 2130510-82.0000 0188769-12.26.26.8.2013.26.0000 0172609-72.0000 0135328-48.0000 2060996-76.

0000 0183216-13.0000 0143101-18.8.8.0000 0020789-06.0000 0124628-13.2014.8.0000 2068827-44.8.2013.26.2013.26.2014.26.8.26.26.2013.2013.2013.8.26.26.0000 0133029-98.26.26.8.2014.2013.26.26.0000 2131576-97.2011.8.26.8.2014.8.0000 0116744-30.2014.8.8.8.8.2012.0000 2119574-95.0000 0188769-12.0000 0136873-90.2012.26.26.0000 0123463-28.26.8.2013.2012.2014.26.2013.2014.26.0000 0053356-90.8.26.2012.0000 0086766-42.8.8.2012.0000 0130591-02.0000 2131735-40.2014.2013.2013.2012.8.8.8.2012.26.2011.8.0000 0174106-87.8.0000 2120023-53.0000 0026371-84.2013.26.0000 2060996-76.8.Habeas Corpus nº 0079697-90.26.2012.0000 0102448-37.0000 0172609-72.26.0000 0193616-57.26.26.8.26.2014.26.26.26.26.8.2014.8.0000 2067149-91.0000 2130671-92.0000 0170105-59.2013.26.8.0000 2066580-90.0000 0135328-48.8.2012.26.2012.0000 Câmara Criminal nº 4 12 1 16 4 16 12 1 4 8 12 7 12 3 15 14 13 10 11 8 2 1 8 4 14 3 12 8 16 13 14 11 3 2 16 12 9 4 8 13 Data de distribuição 26/04/2011 29/06/2011 09/08/2011 04/08/2011 02/09/2011 18/01/2012 02/02/2012 15/03/2012 27/04/2012 09/02/2012 18/05/2012 28/06/2012 10/08/2012 04/07/2012 07/11/2012 14/02/2013 28/02/2013 12/06/2013 17/05/2013 21/06/2013 21/05/2013 02/07/2013 05/07/2013 11/07/2013 25/06/2013 25/09/2013 04/12/2013 06/09/2013 30/08/2013 29/04/2014 30/04/2014 05/05/2014 12/08/2014 25/07/2014 11/08/2014 11/08/2014 12/08/2014 25/07/2014 16/09/2014 13/10/2014 29 .8.26.8.8.0000 0223090-73.0000 0037735-19.26.0000 2179523-50.26.8.26.26.8.8.2011.26.2011.0000 2158740-37.26.8.0000 0142064-19.2013.0000 0243640-55.2011.2013.0000 0009802-08.8.8.0000 0098968-17.26.0000 0027379-62.26.8.0000 2130510-82.8.2014.0000 0095688-38.