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História do Pensamento Jurídico

Planificação das Aulas até meados de Outubro – Moodle:
I.

Conceções jus-filosóficas medievais. O ideário de Santo Agostinho e
de S. Tomás de Aquino. Voluntarismo e Racionalismo.
Ideia de Justiça e resistência à injustiça.

II.

Bibliografia de apoio:
a) António Pedro Barbas Homem, O justo e o Injusto, AAFDL, Lisboa,
2001;
A lei da liberdade, 2001;
b) António M. Hespanha, Panorama histórico da cultura jurídica europeia,
Publicações Europa América, Mem-Martins, 1998;
c) Adelino Maltez, Princípios de Ciência Política, ISCSP, UTL, 1996;
d) Luís Cabral de Moncada, Estudos de Filosofia do Direito e do Estado,
INCM, Lisboa, 2004.
Transcrições
15.Set.2015
Considerações acerca da avaliação:
 Não faremos exame.
 Faremos um teste e um trabalho a apresentar em aula.
Liberdade de escolha do autor, bem como do tema – terá de ser sim
alguém cujo pensamento jurídico marcou o que nesta cadeira
estamos a analisar; os profs. indicarão bibliografia. Por exemplo,
relembrando HDP: Mello Freire / António Ribeiro dos Santos que
permitem debate pois tinham ideias opostas e cuja contraposição
permite conhecer aquilo que eram as ideias políticas no séc. XVIII.
Não deveremos recuar muito além dos sécs XIII, XIV.
Considerações acerca da matéria:

Estudaremos HPJ Português, daremos enfoque aos autores
portugueses, até porque não andamos sempre na cauda da europa,
não estivemos isolados durante os nossos cerca de 900 anos de
história. Tivemos individualidades que marcaram a HPJ e que não são
menores do que aquelas que nos habituamos a citar (Savigny, Locke,
Hobbes, …).
A intenção é não ir tanto aos autores medievais, mas ficarmos a
saber quem foram as personalidades mencionadas, por exemplo, nos
manuais de IED 1º Ano (Vaz Serra, Pires Lima, Manuel de Andrade,
Antunes Varela, …);
Iremos debruçar-nos sobretudo nos autores do séc. XVI para cá, cujo
português está muito mais próximo do nosso.

Transcrição de Aulas - História do Pensamento Jurídico - 1º Semestre 15/16

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Não precisamos ir muito longe.por isso também a importância da história. prefere designar por conceitos do direito utilizados pela política). Por vezes vemos que aquilo que o legislador tem em mente está desadequado na sociedade perante a qual ele se apresenta. apresentado pelo legislador e aquele que é efetivamente posto em prática pelo juiz. O que acontece quando essa boa lei é mal aplicada? O que acontece ao aplicador? O Tribunal Constitucional é uma realidade da 2ª metade do séc. há termos/palavras que são usadas desde há Transcrição de Aulas . XXI leva a que tomemos como criação não passa de um recuperar.    Nas 1as aulas far-se-á uma contextualização do porquê. mas já existiam instrumentos. não criamos tanto quanto julgamos . hoje é necessário que o magistrado fundamente a sua decisão/ sentença. há normas que ficam praticamente no limbo. claro que não nos moldes e com a facilidade que hoje conhecemos.Set. porque nasce a preocupação de estudar o PJ Português e em que é que ela contribui para o direito que temos em vigor.2015 Recapitulação da aula anterior para os alunos de Eramus O pensamento jurídico não são só as fontes. Existem preceitos que já existiam e que com a revolução francesa. O que está por detrás da legislação. ou seja. como púnhamos um entrave numa lei dita inconstitucional? Já era possível fazer algo. a quem servia essa boa lei? A quem governa.História do Pensamento Jurídico . nunca são aplicadas. ora não é uma realidade atual ou que urgiu com a Rev. nos dias de hoje preceitos de direito ambiental que nem sequer são conhecidos e alguns que nunca sequer foram aplicados. Temos de ter muito cuidado com aquilo que são as expressões utilizadas hoje em dia. nem história das ideias políticas. ou muito daquilo que a soberba de sermos homens/mulheres do séc. temos. embora em muitos momentos tenhamos de nos socorrer dos conceitos da política (que a prof. Mas e a quem é governado? Também interessa – Então vamos ver de que forma. ela já estava nas Sete Partidas. XX. o que é isso de ter uma boa e justa lei – é isso que iremos ver. 18. o que é. não designávamos era como inconstitucional. Não vamos fazer filosofia do direito. e mais tarde a pandectistica vemos serem retomados – não se cria nada de novo. mas essa fiscalização já era feita pelo menos desde o séc. os pensamentos de grandes teóricos. Por exemplo. ele é levado a cabo por aquilo que é o trabalho dos advogados. Francesa. mas também não podemos dissociá-lo da filosofia. XVI. magistrados e evidentemente daqueles que são os grandes pensadores do direito. Abordaremos duas grandes linhas: as fontes do direito e a aplicação dessas fontes por parte do aparelho judicial. E o que acontece antes. o direito que nós vemos ser concebido.1º Semestre 15/16 2 .

e não só. mas que hoje têm um significado/sentido distinto – Ex. os homens do séc. é estar a distorcer aquilo que era a realidade medieval. Para a prof. mas não é bem assim. não só do ideólogo. Transcrição de Aulas . esta trabalha três grandes linhas: a história das fontes. Já muitos séculos antes Cícero havia dito o mesmo. a partilha do poder é a realidade da idade média. isso só não basta. são apresentadas. O Pensamento jurídico costuma ser identificado como uma das áreas da história do direito. nos comentadores (não nos glosadores). Durante o período medieval.História do Pensamento Jurídico .1º Semestre 15/16 3 . No final do séc. mas não só.séculos. a sua conjugação e o controlo – Acabou com Júlio César e sua ambição em ser um ditador. nas cortes em que o rei necessita de ser auxiliado. em que havia separação de poderes. a verdadeira República. que podemos ver. aplicar a lei e no ato de controlar o aplicador da lei.uma cabeça que governa mas não esmaga os demais. esta tolerância. no período moderno são retomadas: S. fazemos algumas alterações mas mantemos algo. O tempo da história do pensamento jurídico não é o tempo da ciência exata. no período clássico. o séc. Tomás de Aquino volta a falar delas. aconselhado. que concebe e apresenta ideias como. Francesa). XIX a dizer que esta repartição. que não é para nós o que Ius Civile era para um romano no período do império ou da República. a história das instituições e a história da ciência jurídica – O pensamento jurídico encaixa-se na história da ciência jurídica. Não é metodologia jurídica. ter o poder sozinho – ora constatamos que ao longo da história temos ciclos. XVIII dizia-se que o juiz teria que aplicar a letra da lei – o magistrado só executa. XIX volta a falar nelas. vou olhar para ele no ato de criar. vale porque é o rei que legisla. a 2ª Escolástica. por exemplo. daí a análise do pensamento Jurídico. foi o da República Romana. Para um romano era o direito do cidadão. como pudemos observar nos Prudentes. por exemplo Montesquieu. o melhor período da história. – E como pudemos utilizar esta caminhada no direito? Através da evolução do pensamento jurídico. Temos então uma criação de um direito partilhado que leva. por exemplo. Ius Civile seria rapidamente traduzido por Direito Civil. A ciência do pensamento jurídico pode ser autonomizada e corresponde à formação e atitude mental do jurista. mas não é um despotismo. temos a adoção de uma corrente com o nome de Antropomorfismo. do Pactualismo. mas vai-se caminhando paulatinamente até um momento em que o poder está na mão de um só. não o absorve na totalidade. que nos permite olhar para aquilo que é a figura governativa . As ideias do Contratualismo. pois esta é uma área do pensamento jurídico. embora não com a mesma agressividade que Robespierre (Rev. por exemplo. Ao longo da idade média também houve esta partilha. é colocar aquela ideia em prática. Por conseguinte. quando hoje adotamos determinadas expressões as não pudemos descontextualizar. porque estão ao lado do Rei dizendo-lhe o quê e como deve fazer – tinham autoridade associada à filosofia – O que agrada ao príncipe tem força de lei. esta participação daquele que vai ser chamado à soberania popular já estava presente na Idade Média.

ainda hoje o Papa é escolhido por uma assembleia representativa. vamos em alguns momentos rebuscar alguns autores. batizou ou convidou batizando Aristóteles. No séc. celebramos no 1º de Dezembro aquilo que é recuperação de uma independência que tínhamos perdido para os Espanhóis. Kelsen separou o direito da moral. o tempo da política.Set. que não é um autor contemporâneo do pensamento português. e esta laicização do 1 Também chamada de atenção para a elaboração dos trabalhos. 23. cristianizou o pensamento Aristotélico. XIX nos dá a conhecer? Não. Contudo é pensamento destes homens que no período medieval vai ser adotado – Prieto (?). Nomeadamente Sto. Tomás de Aquino. de traição – escorraçamos aquele que era o representante do Rei. como Cícero – Isto porque o tempo do pensamento jurídico não é o tempo cronológico. pelo que ao longo da história do pensamento jurídico há um retomar constante de ideias. temos de ver que há evolução. costuma dizer que S. XIX] que elas não tinham na idade média. Ao longo das épocas verificamos que o pensamento jurídico foi-se laicizando. Transcrição de Aulas .Temos de ser cuidadosos quando adotamos um termo. um poder [à luz do séc.2015 Não faremos o estudo da HPJ para perspetiva anterior à nacionalidade. autor espanhol. o que é também a adoção de uma teoria jurídica que veio legitimar um acto que poderia ser um acto subversivo. Por ex. de todo. XIX. outras vezes vamos pedir ao jurídico que legitime um acto político – Por exemplo.História do Pensamento Jurídico . O que acontece também com outros autores. e muitas vezes vamos pedir ajuda apolítica para compreender o jurídico. Tomás de Aquino já falara da questão do Pactualismo e antes dele já Cícero o havia feito – há um retomar de ideias que depois se desenvolvem de acordo com o período em que se está a viver. bem como Cícero e Aristóteles. porque não conseguimos desenvolver o nosso pensamento jurídico se não tomarmos esses autores base. compreender as evoluções históricas*1. mas porque representa todo o povo. quer isto dizer que essa assembleia não tinha poder? Tinha. Agostinho.1º Semestre 15/16 4 . a soberania popular. Por exemplo:   séc. isto é. o peso da vontade do povo. tal como a igreja se reúne para tomar as suas decisões. o peso do Contratualismo – a 2ª escolástica já o havia feito. XIX quer-se imputar ao povo. essa assembleia reúne-se. antes dela S. às cortes. Pelas características laicas que o séc.

todas elas dedicadas a divindades.). Não época das trevas. Em Portugal. mas o homem continua a conduzir-se de acordo com a vontade de Deus. um pedido para que fosse declarado que uma determinada decisão judicial deveria ser anulada por ser contrária ao direito. Metaforicamente era apresentada como um muro. não poder ser transmitida pela via materna. Agostinho dizia que o poder só existia por força do cá (?). era possível apresentar. perante a legislação espanhola. então não é possível ultrapassá-los. muito se fez. mas ainda assim vai-lhe ser dado o cunho religioso – O Agostinianismo – Sto. XVII. a feitura da guerra. as paredes das casas são lugares sagrados. Na Idade Média era possível controlar a aplicação do direito. atendendo às obras daqueles que são os tratadistas. perante o desembargo do paço.História do Pensamento Jurídico . por isso é que em alguns momentos da história o pensamento jurídico nos apresenta a possibilidade e legitimidade do regicídio. impede o governante de ir além daquilo que lhe é permitido. ao fazê-lo está a cometer uma violação. etc. O problema é a apresentação do tirano. virtuosa. Cícero dizia que a lei era a maior garantia para o cidadão.1º Semestre 15/16 5 . Existe a possibilidade de alguém governar a comunidade porque é o representante escolhido por Deus –ainda que em alguns momentos haja uma linha completamente distinta. a possibilidade de terminarmos com aquele que é um usurpador. Se a sociedade for comandada de uma forma justa. da componente religiosa tem toda a importância na formação do pensamento jurídico – Em Roma no período da monarquia tudo depende da vontade dos sacerdotes (Rei. os descendentes de Filipe revelaram-se verdadeiros usurpadores. na época da restauração. O peso da teologia. porque o homem cumpre os desígnios de Deus. logo havia legitimidade para os afastar da coroa portuguesa – Verifica-se assim que o direito serve também para legitimar um acto revolucionário. então estaremos e estar-se-á a cumprir a vontade de Deus. inclusive a perpetuação/ retoma de todo um ideário clássico e que é agora também trabalhado – se hoje conhecemos as ideias. os Filipes revelaram-se verdadeiros usurpadores. existiam já reações nas Ordenações decisões contrárias ao direito. Começamos então o nosso percurso [de estudo da HPJ] na Idade Média. durante a alta idade média muito se trabalhou. porque a hipótese de tirania. o homem por si só não teria possibilidade de liderar/ comandar o seu semelhante. No direito romano os muros eram também lugares sagrados. a revelar-se contrário ao direito. estaria coberto de racionalidade. pelo que mesmo para além do facto da coroa.direito começa a decorrer desde meados do séc. Com a introdução do cristianismo passamos do politeísmo para uma vertente monoteísta. A sua máxima O que são os reinos? São quadrilhas de malfeitores. Transcrição de Aulas . embora não se torne totalmente laico.

aquela união geográfica ou geopolítica. o desconhecido é motivo de medos. ser reconhecido pelo Papa enquanto monarca. tornando-o vassalo – Situação que também se verifica com D. XVI. ou tipos de obras. Com a divisão do império em 395 começa a fragmentação. ideais de bem governar. Transcrição de Aulas . pequenos reinos.História do Pensamento Jurídico . João I. muitas vezes meros discursos que são tidos para com o monarca. era dada através daquilo que é conhecido em toda a europa como os Espelhos dos Reis. deitaria por terra a “rebeldia” de Napoleão – tínhamos sim. João I. termo que se deve à fragmentação criada pela queda do império romano. mas a dimensão no período medieval. tomemos como exemplo Camões e a sua descrição do cabo da boa esperança. O que os une é a religião. as exéquias do monarca – que tinha uma outra função. de que até tínhamos ideia relativamente ao período romano. homens que apresentam possíveis manuais de direito político.1º Semestre 15/16 6 .a filosofia. logo um Rei justo. uma acto de vassalagem. a de mostrar aquele que governava como o deveria fazer para ser um bom Rei. coroa que governam uma comunidade enquanto representante de Deus. as premissas que caracterizaram a Idade Clássica devemos a estes homens da chamada idade das trevas. o governante supremo da cristandade – Esta é a respublica christiana. cada comunidade fecha-se sobre si própria. durante o séc. localidades que se autogovernam – o que acaba por imperar não é já a vontade do imperador. D. pequenas ilhas. coisa que este não pretendia. em termos do ideário jurídico é uma dimensão também ela espiritual. Pedro no seu regresso d incursão pela Europa terá levantado essa questão junto de D. mas sim a vontade de cada reino. porque o Papa era um elo de ligação. o cristianismo – daí que muitas vezes se diga que aquilo que foi a grande ameaça do império romano acabou por permitir a sua perpetuação. Na idade média não temos estado. uma vez que tal acto estava associado à passagem do poder. que começa com Carlos Magno. com funcionários por ele nomeados – teríamos então uma paridade no império. discursos mais formais em cerimónias como as cortes. mas temos Rei. Mas a verdadeira lição de política não era dada através desses textos. a coroa é a transmissão do poder político – Napoleão Bonaparte retira a coroa das mãos do Papa e ele próprio a coloca. sim. até então tínhamos uma vasta extensão de território onde acaba por vingar a opinião do que governava. Conhecemos o direito da Idade Média através de três grandes blocos. obras de caráter pedagógico. Dentro dos tratadistas temos de olhar para tratadistas políticos. nomeadamente os tratadistas. dado por Deus e sua entrega ao que está a ser coroado. a lei que era apontada pelo que governava. O desconhecido é temido. que começa com a translatio imperii. os teólogos [acabou por não enumerar o 3º *]. um batizado/casamento de um príncipe. uma tentativa de repor aquele espírito.

nós vamos vendo desde logo a criação de textos legislativos.História do Pensamento Jurídico . deixo de ter a dependência face à Santa Sé. mas sobretudo porque é a vontade de Deus. passo a ter estado unitário. a punição divina. XX temos a contemplação daquilo que é já o Estado de Direito. a criação dos secretários de estado. acaba por ser dada a conhecer a força do costume. há um escalonamento verdadeiro naquilo que é a posição da lei. a excomunhão. raiz essa de onde brota uma árvore em que todos os ramos são todas as outras ciências – então a teologia justifica tudo. Transcrição de Aulas . Já no séc. Na idade moderna. as outras fontes deixam de poder ter um valor acrescido. realidade que é explicada de forma metafórica. o que é que o povo pode fazer – Tudo isto se resume à identificação da justiça como uma virtude. então tem de ser justo.Temos agora o grande peso da escola da 1ª Escolástica. se não o for o povo pode afastá-lo ou pode ser conivente. voltamos então: a teologia. Pedro de Menezes. e passo a ter uma centralização de poder permitida por este estado unitário (como em Roma com o Principado – todos dependem do Princeps). No período contemporâneo e moderno deixo de ter a coroa. Tudo começa em 1769. quanto maior for o poder do rei. mas só falamos de duas. A justiça está a ser aplicada em nome de Deus.1º Semestre 15/16 7 . o que lhe acontece. trabalhado por todos os autores da idade média – o que é ser justo. a teologia é como se fosse uma raiz. dizia D. de um rei injusto. temos também uma pluralidade de fontes do direito – ou seja. é a mãe de todas as ciências. o peso da lei e sua homogenia – As Ordenações. racional sim. Referimos há pouco que existiam *três grandes tipos de obras que trabalham a questão política. Passando para a época contemporânea. João é paradigma deste ponto. a maior das virtudes. ela está presente onde o homem e a pode ver: a espada. o rei governa porque é o representante de Deus. também mais coercitiva será a força da lei. O rei tem pouco poder. E sendo a justiça uma virtude. que é sem dúvida a fonte por excelência no período medieval. O rei vai ganhando poder. a ideia de que os seus actos serão apreciados no momento final – Devemos ter presente que na idade média estes eram os maiores medos. o juízo final – o temor pelas implicações/consequências a nível religioso. o peso da lei passa a ser diferente. tal como temos uma pluralidade política. consequências de um acto injusto. mas ainda assim espera-o o juízo final. o reinado de D. O tema da justiça é o tema de excelência. A 2ª Escolástica é uma retomada das ideias do Pactualismo.

Tomás. com ideias animadoras não será correto uma vez que eles são o produto das respetivas épocas. Agostinho associa a ideia de poder à ideia de pecado. desde o início. tomando este último como otimista. símbolo da justiça. e em que estão representados também os sacerdotes. por vezes um ceptro simbolizando o monarca enquanto o pastor do seu povo. escultura. Também S. através do grupo pelo qual está representada. as representações dos monarcas são feitas usando a coroa. Devemos também compreender que o pessimismo de Sto. Agostinho se deve à ao período em que se insere: assiste à queda do império romano. Tomás o poder também vem de Deus. defende que o Papa tem que Transcrição de Aulas .2015 A arte (pintura. existe racionalismo na vontade divina e na arquitetura. os seus princípios. não é afastada a possibilidade desse poder ter origem divina. Em S. Nessas obras existia também sempre uma particularidade. mesmo após o falecimento do pai. Tomás não defende o regicídio. mas quando um rei se revela injusto. S. não de forma arbitrária. Agostinho com S. presente em Sto. O bom exercício do poder corresponde à vontade divina. Agostinho não é um crente. que representa também a sua união com o reino [Isabel I nunca casou mas usava uma aliança com esse mesmo simbolismo] e empunhando a espada. na arte. dentro do patamar do catolicismo.1º Semestre 15/16 8 . ao terror que sua mãe sentia pela invasão de Inglaterra. à máxima paulina Omnis potestas a Deo est.Há então dois conceitos que vão povoar o nosso pensamento jurídico medieval: o conceito de voluntarismo e o conceito de racionalismo. nas cortes. pode ser usurpado. pode ser revelador da violação constante daquilo que são as leis de Deus. Sto. Agostinho. a dependência do monarca face à entidade divina. pois mantêm um papel relevante.Set.História do Pensamento Jurídico . À semelhança de Hobbes que durante toda a sua infância assiste ao pânico. porque Este lhe dera essa possibilidade. também é Deus que lhe dá a conhecer qual o seu verdadeiro eleito. por vezes. Tomás associa. Assim fazer a contraposição de Sto. mas Sto. as correntes de Sto. um período conturbado onde os valores estão todos eles tumultuados – proveniente de uma família endinheirada. estuda nos locais de maior renome na Europa. é comumente aceite que se procede de acordo com a vontade de Deus. o monarca só o era por vontade de Deus. por exemplo na criação e apresentação da Cidade de Deus. sua mãe embora endividando-se consegue que ele mantenha o seu estilo de vida. a ideia d poder a actos pouco virtuosos – O poder pode ser exercido de boa e de má fé. Mesmo na linha mais pessimista. à ideia de uma violação. o que lhe é passado e que de alguma forma explica a sua criação do monstro Leviatã. como a Agostianista. 25. ou pelo menos os princípios segundo os quais ela se devia reger. acrescenta duas palavrinhas: Omnis potestas a Deo est per populum – é a comunidade que elege o seu governante. se manifesta de forma tirânica. Agostinho. arquitetura) era uma forma de os monarcas mostrarem à população quais eram os seus conjuntos de valores.

de forma filosófica diz Sto. nomeia para os cargos e é aquele que aplica a justiça nos tribunais. o que se pode fazer? Essa lei humana ao ser injusta viola a lei divina. ele está por ela condicionado. por força de um Instituto Jurídico que já conhecemos: a legítima defesa. aplica a letra da lei porque nesse momento ela representa aquilo que é a vontade geral do povo. não pode ser um justiceiro implacável pois a virtude maior é saber conceder o perdão. nas assembleias constituintes. à lei por ele criada e que.intervir. na sequência do pedido feito pelo povo português. e quando a cumpre não o faz da mesma forma que os seus súbditos – vis coativa. não da lei divina embora as opiniões se dividam quanto à possibilidade do Papa poder criar exceções desde que com justa causa. que tem de se afastar os juízes. Quanto ao monarca. É a procura do bem comum. O rei tem iurisdictio em sentido lato. misericordioso. por violar os preceitos da lei divina pode ser excomungado. é um conceito político. E quem cria esta noção de justiça social é S. a lei natural e sobretudo a lei eterna de onde decorrem estas duas. piedoso. que foi afastado por força de uma intervenção Papal. Esta ideia de transmissão através do povo vai ser aproveitada de uma forma bastante acentuada pelos pactualistas e pelos contratualistas ao longo da história.História do Pensamento Jurídico . exerce o poder que lhe foi conferido em nome do seu povo – aquela ideia do casamento misto. XIX. No séc. cumpre-a por força da vis diretiva. quando alguém governa fá-lo em prol do bem comum. Por exemplo. Tomás de Aquino. atualmente ouvimos muito falar na justiça social. XIX em que representa la volonté génèrale representada de forma qualitativa. Mas e se o Rei tentar impor uma lei injusta. O que acontecia com frequência na idade média sobretudo por motivos exclusivamente de natureza política – o próprio reino também podia ser totalmente ostracizado. tem de ser exemplo. Vai ser aproveitada pela escola da 2ª Escolástica. tem de ser clemente. de exemplo. Transcrição de Aulas . retirando o poer concedido aquele monarca e concede-o a outro – o que em tempos mais recuados ocorreu com D. tem deveres acrescidos relativamente a cada um dos seus súbditos. o rei casa com o seu reino. é aquele que legisla. na medida em que a sua conduta era contrária aos ditames da Santa Sé. Agostinho que é vontade de Deus. O rei está acima da lei humana.1º Semestre 15/16 9 . mas o que tem em mente é a persecução do bem comum. pelos homens do séc. É o fim da polis. que não é um conceito social. Então o povo pode não acatá-la. E mesmo no que toca à lei humana. em frança dos primeiros clamores que se fazem ouvir nas cortes. Sancho II. Como se estivessem desprovidos de vontade. A justiça é sem dúvida aquilo que é importante para o homem da idade média. não a aplicar. E o que é a justiça? É o ideal do direito. O rei quando rege não o faz em nome próprio. pelos nossos restauradores. limitar o seu poder – Montesquieu: os juízes são a boca que profere a letra da lei e nada mais. ele é como um pai e tem de dar o exemplo.

Transcrição de Aulas .] Virtude vem do latim – Virtus – dividindo a palavra: Vir – de homem. porque não pode ser justo se não for misericordioso. de olhos vendados.História do Pensamento Jurídico . clemência. geométrica. de órbitas vazadas e os juízes sem mãos. o direito decorre da justiça. se não for clemente. O rei tem de ter então todas as virtudes. há uma dependência. não se deixa tomar por preferências. E como se pode manifestar a justiça? A imagem de um bom juiz: com a espada na mão. manietados. distributiva. a prudência. isto é. continuo e não feito pontualmente e orientado para a ação. comutativa. pela coragem e pela valentia. que em Roma caracteriza-se pela honra. se não for prudente. são os três princípios de Ulpiano. A imagem do rei sem olhos. [Descrição de diversas imagens – o destaque das figuras mais importantes no tribunal com a sua colocação em posições mais elevadas ou com estaturas maiores perante as demais. não têm como receber. a temperança são virtudes que todo o governante deve ter.A caridade. existem vários critérios: aritmética. E qual a relação que existe entre direito e da justiça – recordando HDP o direito está para a justiça como um filho está para a mãe.1º Semestre 15/16 10 . representado a paridade. e quem é que tem os predicados das virtudes? O homem. mas o direito pode por vezes revelar-se injusto. mostrando que nem corrompem nem podem ser corrompidos. A justiça tem de ser um hábito bom. mas sobretudo a justiça. a balança noutra. mas poderíamos resumir a uma só expressão: Dar a cada um o seu – é intemporal.