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Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira

Graduado pela Faculdade de Direito de Recife (Pernambuco). Foi professor de Língua Portuguesa do Colégio
Oswaldo Cruz e diretor do setor de Educação e Cultura do SESI (Serviço Social da Indústria) de 1947-1954 e
superintendente do mesmo de 1954-1957. Ao lado de outros educadores e pessoas interessadas na educação
escolarizada, fundou o Instituto Capibaribe. Ele foi quase tudo o que deve ser como educador, de professor de
escola a criador de ideias e “métodos”.
Sua filosofia educacional expressou-se primeiramente em 1958 na sua tese de concurso para a universidade do
Recife, e, mais tarde, como professor de História e Filosofia da Educação daquela Universidade, bem como em
suas primeiras experiências de alfabetização como a de Angicos, Rio Grande do Norte, em 1963.
A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo
de conscientização, capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto
para a sua libertação fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados.
Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos
grupos engajados em novas experiências educacionais tanto em zonas rurais quanto urbanas. Durante os dez
anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em
Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo,
principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para “reaprender” seu país.
Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP).
Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo, maior cidade do Brasil. Durante seu
mandato, fez um grande esforço na implementação de movimentos de alfabetização, de revisão curricular e
empenhou-se na recuperação salarial dos professores. A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no
Brasil em campanhas de alfabetização e, por isso, ele foi acusado de subverter a ordem instituída, sendo preso
após o Golpe Militar de 1964. Depois de 72 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se primeiro
no Chile, onde, encontrando um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas teses.
Desenvolveu, durante 5 anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a
Reforma Agrária (ICIRA). Foi aí que escreveu a sua principal obra: Pedagogia do oprimido.
Em Paulo Freire, conviveram sempre presente senso de humor e a não menos constante indignação contra todo
tipo de injustiça. Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco
filhos. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, uma ex-aluna.
Paulo Freire é autor de muitas obras. Entre elas: Educação como prática da liberdade (1967), Pedagogia do
oprimido (1968), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992) e À sombra desta mangueira
(1995).
Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa através de numerosas homenagens. Além de ter seu
nome adotado por muitas instituições, é cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior (conheça a
comunidade freiriana).

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- CRONOLOGIA Cultura. lançou seu último livro. do Recife. 1943 Ingressa na Faculdade de Direito do Recife. Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986) e Prêmio Andres Belloda Organização dos Estados Americanos. Paulo Freire faleceu no dia 2 de maio de 1997 em São Paulo. 1947 Forma-se Bacharel em Direito. na época. 1954 Foi nomeado Diretor Superintendente do Departamento Regional de Pernambuco do SESIPE. 1964 . como Educador do Continentes (1992). 1921 Paulo Freire nasce em Recife. Cria as bases do Programa Nacional de Alfabetização. professor de língua portuguesa do mesmo. recebeu. da Universidade do Recife. em 1942. foi nomeado Professor Assistente de Ensino Superior. de Filosofia. da Universidade do Recife. do Governo João Goulart. do Sesi-Pernambuco. 1961 Foi-lhe conferido o título de Livre Docente da Faculdade de Belas Artes. Por seus trabalhos na área educacional. tornando-se. 1952 Nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Belas Artes. Ciências e Letras. 1937 a 1942 Cursa o Ensino Secundário no Colégio Osvaldo Cruz. entre outros. 1947 Assume a Diretoria da Divisão de Educação e 1960 Defende tese e obtém o título de Doutor em Filosofia e História da Educação. Tendo perdido o cargo de docente desta Escola. 1980). em Recife. vítima de um infarto agudo do miocárdio. 1962 Cria e foi o primeiro Diretor do Serviço de Extensão Cultural. os seguintes prêmios: Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica. 1927 Entra. 1934 Morte do pai quando Paulo tinha 13 anos. no dia 19 de setembro. já alfabetizado. na Faculdade de Filosofia.A Paulo Freire foi outorgado o título de doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades. uma das regiões mais pobres do país. 1963 Realiza a Experiência de Alfabetização de Angicos/RN. No dia 10 de abril de 1997. da Universidade do Recife. 1944 Casa-se com Elza Maia Costa de Oliveira. cargo que ocupou até outubro de 1956. Pernambuco. onde teve seu primeiro emprego. para a escolinha particular da professora Eunice Vasconcelos. 1931 Mudança para Jaboatão dos Guararapes/PE. intitulado Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921. onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares.

Prisão no Recife. para trabalhar no Conselho Mundial das Igrejas. em 19 de agosto. o “Diploma de Mérito Internacional”. 1989 Assume o cargo de Secretário de Educação da cidade de São Paulo. que escolhe e premia as melhores experiências de alfabetização do mundo. com Ana Maria Araújo Hasche e. Elza Maia Costa de Oliveira. . USA. tia não: cartas a quem ousa ensinar. 1967 a 1968 Escreve no Chile o livro Pedagogia do Oprimido. no Rio de Janeiro. Em novembro segue para o Chile. em julho de 1990. 1970 Transfere-se para Genebra. 1980 Retorna ao Brasil. 1965 Publica o livro Educação Como Prática da Liberdade. no dia 02 de maio. Professora sim. 1997 Faleceu no Hospital Albert Einstein. para lecionar na PUC/SP e na Unicamp. em São Paulo. Em setembro parte para a Bolívia. e inúmeros artigos e conferências. em Genebra. Rio de Janeiro e Recife. o Instituto de Ação Cultural (IDAC). Deixou 5 filhos e viúva. em São Paulo.Centro de Estudos em Educação. além de outros com diversos educadores. livro que mereceu. em cerimônia civil. 1986 Recebe o Prêmio UNESCO da Educação para a Paz. 1979 Obtém seu primeiro passaporte e visita São Paulo. Deste ano até 1992. Retorna a lecionar na PUC/SP. Cartas a Cristina: reflexões sobre a minha vida e minha práxis. casa-se em cerimônia religiosa. na Suécia. Demite-se da UNICAMP. narrava a sua vida e explicitava as suas reflexões. Suíça. vítima de um infarto agudo do miocárdio. 1988 No dia 27 de março. 1981 Participa da fundação do Vereda . estimulado por outros educadores. 1969 Muda-se para Cambridge. No dia 24 de outubro morre sua primeira esposa. livros nos quais. 1982 Publica A importância do ato de ler em três artigos que se completam. com outros exilados. 1988 a 1997 Volta depois de 10 anos a escrever livros autorais: Pedagogia da Esperança. 1987 Passa a integrar o júri internacional da UNESCO. escreve os “livros falados”. concedido pela “International Reading Assocition”. passa a “andarilhar” pelos cinco continentes. é.Golpe Militar extingue o Programa Nacional de Alfabetização. quando ela passa a assinar Freire. no Recife. dedica-se de modo especial ao trabalho de educação em alguns países africanos. Asilo na Embaixada da Bolívia. Política e educação. 1971 Funda. isto 1991 Afasta-se da SMEd-SP para escrever livros. Massachussetts. À sombra desta mangueira e Pedagogia da Autonomia.

Deu pareceres sobre os mais diversos assuntos. entre estas 39 títulos de Doutor Honoris Causa. Recebeu prêmios. da qual é diretora: Pedagogia da Indignação. organizou seus textos inéditos. dos quais 5 entregues à sua viúva. revistas e televisão. na qualidade de sucessora legal da obra de Paulo Freire. entre muitas outras atividades como militante e como intelectual. Envolveu-se nos movimentos sociais progressistas. Concedeu entrevistas para jornais. A partir de 2000. nomeou-os e publicou na “Série Paulo Freire”. Pedagogia dos Sonhos Possíveis e Pedagogia da Tolerância.Paulo Freire participou durante a sua vida de fóruns e debates. . Realizou milhares de palestras e conferências. a sua viúva Ana Maria Araújo Freire. títulos e homenagens em todo o mundo.

No Brasil. A partir da experiência de Angicos/RN. por toda a década de 1970. reformando escolas. seja na educação em geral. Atuou na Universidade Católica de Santiago. A realidade sofrida evidencia o abandono e comprova que muito ainda há para se fazer para erradicar a fome e a miséria. por países de todos os continentes. Mas sua influência está além do campo específico da educação. em grandes projetos educacionais. foi professor da Faculdade de Educação da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). com justiça social. à saúde. Ao assumir o cargo de Secretário de Educação da cidade de São Paulo. como conselheiro educacional de governos do “terceiro mundo”. como o Fórum Social Mundial e o Fórum Mundial de Educação. Foi o exílio pedagógico. Além de tantos outros campos de saber. Estados Unidos e Suíça foram países-casa. do aprendizado e da maturidade. os chamados oprimidos. Foi nesse ambiente que ele pôde experimentar seu método na prática e observou ser possível alfabetizar homens e mulheres a partir da sua concepção pedagógica transformadora. Na essência. é cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior. Freire foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa. da produção. Paulo Freire é referência da educação libertária e libertadora. Trabalhou no continente africano. foi consultor especial da Unesco. à época anterior ao golpe militar. No Brasil e no mundo.PAULO FREIRE NO BRASIL E NO MUNDO O nordeste de Paulo Freire é o Brasil dos muitos milhões de brasileiros empobrecidos. seja na educação popular. Freire está presente em muitos movimentos sociais de caráter progressista. . na Suíça. de muitas vivências. nos Estados Unidos indo para Genebra. reformulando o currículo escolar. inovando no método de alfabetizar. liberdade e democracia. Paulo Freire avança com sua pedagogia pelo Brasil até ser preso após o Golpe Militar. também educadores. em janeiro de 1989. O envolvimento de Paulo Freire nos movimentos populares do nordeste. Recebeu numerosas homenagens. “Andarilhou”. após o exílio. trabalhou na formação de adultos camponeses no Chile e depois na Universidade de Harvard. sem acesso à educação. vivos em uma realidade de sobreviventes. dialogando e transformando realidades de silêncio em vidas repletas de palavras e atos. Grande parte da contribuição teórica de Paulo Freire resultou de suas experiências no nordeste do Brasil e em outros países da América Latina. sem direito a uma vida digna. inclusive de outros Estados. territórios e povos que acolheram Paulo Freire e projetaram o educador para todo o mundo. Bolívia. reforçam sua opção pelas camadas menos privilegiadas da população. de reconhecimento e consolidação de sua concepção e prática pedagógicas. o foco principal de sua prática pedagógica. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições. Entretanto os diversos trabalhos que Paulo Freire exerceu nos países da África também contribuíram enormemente para enriquecer sua prática e sua teoria pedagógica. estruturando os colegiados. levando-o a repensar certos métodos e idéias de primeiro momento de um ponto de vista político-pedagógico. à moradia. expressam o desejo de Freire de viver em um país com menos desigualdades. investindo em formação de professores e do pessoal administrativo e técnico. onde atuou de maneira integral. onde integrou o Conselho Mundial das Igrejas. Chile. O exílio representou para ele a possibilidade de outras experimentações.

a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler” e a Campanha de Alfabetização de Angicos . Estudando as relações entre alunos. 1985. aos 13 anos. alfabetizadora. Maria Cristina. Paulo Freire descobriu uma forma diferente de pensar e de se expressar – era a linguagem popular. o mesmo Colégio Oswaldo Cruz que o acolheu como bolsista na adolescência. p. “Eu acho que uma das coisas melhores que eu tenho feito na minha vida.) Foi assim que Paulo Freire conseguiu concluir seus estudos secundários. Sua primeira experiência como professor universitário foi na Escola de Serviço Social. Ainda nessa época. Ali conheceu a dor. então. à qual ele sempre privilegiou usando-a mais tarde como educador. ele mantinha contato com a camada mais pobre da cidade. Finalmente ela encontrou o Colégio Osvaldo Cruz e o dono desse colégio. seu pai levou a família para a cidadezinha de Jaboatão dos Guararapes. convivendo com privações materiais e muitas dificuldades financeiras. “Eu consegui fazer. Aluízio Araújo. Paulo Freire ingressa na Faculdade de Direito do Recife. conheceu a professora primária Elza Maia Costa Oliveira. Fiz esse primeiro ano de ginásio num desses colégios privados. Joaquim e Lutgardes. Naquela época. foi uma verdadeira maratona para conseguir um colégio que me recebesse com uma bolsa de estudos. onde travou contato com a questão da educação de adultos/trabalhadores e percebeu a necessidade de executar um trabalho direcionado à alfabetização. Paulo Freire tinha 10 anos de idade.JUVENTUDE E UNIVERSIDADE A crise econômica de 1929 produziu reflexos muito acentuados no Nordeste. com a tese ”Educação e Atualidade Brasileira”. Com eles. Dedicou-se a estudar a linguagem do povo. melhor do que os livros que eu escrevi. cujos pais tinham dinheiro. o curso de direito era a única alternativa na área de ciências humanas. Convite à Leitura de Paulo Freire da Série Pensamento e Ação no Magistério. Ele ficou feliz por eu ser advogado.Serviço Social da Indústria. cinco anos mais velha do que ele. Deus sabe como. Paulo Freire: uma biobibliografia. a 18 km do Recife. jogando peladas com meninos camponeses e filhos de operários que moravam em morros e brincavam em córregos. já estavam entrando na faculdade. deixei-o ir em paz. com quem se casou em 1944. Aos 22 anos. Paulo Freire conheceu a realidade dos trabalhadores e as particularidades da sua linguagem. nº 14. 1996. sobretudo. Entendeu que educar era.) Nos campos de futebol de Jaboatão. Em busca de melhores condições de vida. o primeiro ano de ginásio com 16 anos. Maria de Fátima. Depois de conversar com o devedor. 5. a quem eu quero um imenso bem. Idade com que os meus colegas de geração. Doutorou-se em Filosofia e História da Educação em 1959.” (Moacir Gadotti. com a morte do pai. um jovem dentista tímido e amedrontado. e eu fiquei feliz por deixar de sê-lo. Mestres da Educação. entre eles o Movimento de Cultura Popular (MCP). e o sofrimento ao assistir a mãe ter que sustentar sozinha toda a família. Nesse período. que fora antes seminarista. No início dos anos 60 engajou-se nos movimentos de educação popular. em Recife. casado com uma senhora extraordinária. contratou-o como professor de língua portuguesa.” (Moacir Gadotti. em mim. Sua “carreira” de advogado resumiu-se a uma única causa: “Tratava-se de cobrar uma dívida. discutir as condições materiais de vida do trabalhador comum. lecionando Filosofia da Educação. foi não deixar morrer o menino que eu não pude ser e o menino que eu fui.) Em 1947. consolidando seus trabalhos em educação popular. mestres e pais de alunos do SESI. em Jaboatão só havia escola primária. Paulo Freire assume o cargo de Diretor do Setor de Educação do SESI do Recife .” (In: Revista Ensaio. Mas minha mãe não tinha condições de continuar pagando a mensalidade e. e teve 5 filhos – Maria Madalena. resolveu atender o pedido de minha mãe.

2002. Freire trabalha de forma mais sistemática o que viria a ser chamado de método de alfabetização. ao lado de outros intelectuais e do povo. por meio das comunidades. Freire realiza sua mais marcante experiência na época. “. . trabalhou para assegurar a inserção crítica e transformadora das classes oprimidas na sociedade brasileira.) Rapidamente seu trabalho começou a se tornar muito conhecido. quando 300 trabalhadores rurais são alfabetizados em 45 dias. em Recife. desde a época de peladas nos campos de futebol de Jaboatão dos Guararapes/PE. suas idéias influenciaram a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”. É nesse período que nasce e se consolida a essência de sua obra. onde. 59. desta vez na cidade de Angicos. um círculo de cultura do MCP que discutia os problemas cotidianos na comunidade de Poço da Panela. do Governo Goulart. as mulheres e também encorajando os trabalhadores a discutir seus problemas.” (Descrição a Nilcéa Lemos Pelandré. como Diretor do Departamento de Educação e Cultura. e coordenou o Programa Nacional de Alfabetização. ainda na época do Recife. passando pelo SESI e pelo engajamento nos movimentos populares. No Centro de Cultura Dona Alegarinha.Criado em janeiro de 1964. Surgia ali mais que um método. integrando-se efetivamente ao processo histórico. No SESI. era preciso que eu fosse ao contexto de quem ia aprender a ler. utilizando seu método. Convidado pelo então ministro da educação do Governo João Goulart. ambas no Rio Grande do Norte. Suas pedagogias nascem de suas práticas. a partir da cultura popular.. Dessa forma. uma filosofia e um sistema de educação capaz de alfabetizar os cerca de 40 milhões de iletrados do Brasil naquele final da década de 1950. Ainda no Rio Grande do Norte. Surgem do envolvimento com camponeses e trabalhadores. com as crianças..(alfabetização de 300 trabalhadores rurais em 45 dias). atuou junto às famílias. pretendia alfabetizar 5 milhões de adultos em mais de 20 mil círculos de cultura. desenvolvida pelo então prefeito de Nata-RNl. da totalidade de suas experiências de vida. ANTES DO EXÍLIO Paulo Freire vive intensamente seu tempo e o ambiente histórico-político entre a Revolução de 30 e o Golpe Militar de 64. Campanha de Alfabetização. Djalma Maranhão. o Plano foi extinto pela Ditadura Militar. Paulo Freire foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular do Recife (MCP). o qual. Paulo Freire deixa o Brasil rumo ao exílio. desenvolvida entre janeiro e março de 1963. logo depois do golpe. Em setembro de 1964.o educador Paulo Freire assumiu o cargo de coordenador do recémcriado Programa Nacional de Alfabetização. A Embaixada da Bolívia foi a única que o aceitou como refugiado político. Reformas de Base e as Ligas Camponesas integraram um cenário onde o nacionalismo influenciou a mobilização popular que antecedeu o golpe militar. a partir da metade da década de 1950. para pesquisar o discurso da cotidianidade e de lá retirar o vocabulário a ser utilizado no processo. Pelandré. Paulo de Tarso. p. Paulo Freire foi preso por duas vezes.

Nesse período genebrino. Paulo Freire partiu para a Bolívia levando na bagagem uma trajetória de experiências singulares na alfabetização de adultos. exilado.Consultor da Unesco junto ao Instituto de Capacitación e Investigación em reforma Agrária do Chile. Nesse período. “Foi exatamente ficando longe dele. fundou o Instituto de Ação Cultural (IDAC). o exílio foi profundamente pedagógico. Nicarágua. americano e da Oceania. ESTADOS UNIDOS (abril de 1969 a fevereiro de 1970) . por causa da altitude de La Paz e também pelo golpe de Estado que derrubou o governo de Paz Estensoro. Tanzânia e os países de colonização portuguesa supra-citados. em Genebra. . Como conselheiro educacional do Conselho. mas de modo especial na Austrália. que pude melhor compreender o que fiz e pude melhor me preparar para continuar fazendo algo fora do meu contexto e também me preparar para uma eventual volta ao Brasil. de grande alcance social. Em 1975. educadores e intelectuais de todo o mundo. . Ministro da Educação da GuinéBissau. onde deu forma definitiva ao livro Ação Cultural para a Liberdade. após sua transferência para Genebra. Aceitou os dois convites. asiático. entre 1970-1980. Freire ficou muito pouco tempo na Bolívia. extraída do livro Essa escola chamada vida (pp. Seguiu para Santiago. ao me perguntar sobre ele. Paulo Freire ganhou maior dimensão mundial. Massachussetts. Índia. 56-8) – in Paulo Freire: uma biobibliogfrafia).O EXÍLIO Em setembro de 1964. Cabo Verde e Angola. permanecendo inicialmente 10 meses em Harvard. onde chegou em novembro de 1964. “Para mim. exercendo atividades político-educativas em vários países dos 5 continentes. quando foi convidado para lecionar nos Estados Unidos e também para atuar no Conselho Mundial das Igrejas. Quando. ajudando os governos e seus povos a construírem suas nações recém-libertadas do jugo português. A África deu a Paulo Freire e a seus colaboradores o campo prático para experiências pelas quais eles tinham esperado tanto. libertação e justiça social. Freire e a equipe do IDAC receberam o convite de Mário Cabral. Viveu neste país até abril de 1969. Neste país escreve Pedagogia do Oprimido que é resultado dos seus cinco primeiros anos de exílio e expressa suas vivências com a educação popular." (Trecho de uma conversa com Frei Betto.” (Trecho de uma conversa com Frei Betto. tomei distância do Brasil. me perguntei sobre o que fizeram com outros brasileiros. em Cambridge. Foi tomando distância do que fiz. preocupado com ele. 56-8) – in Paulo Freire: uma biobibliogfrafia). com 43 anos. Ao lado de outros brasileiros exilados. no Chile. Ainda no exílio. escreve dois de seus livros mais conhecidos: Educação Como Prática da Liberdade e Pedagogia do Oprimido. que rapidamente conquistaram atenção e respeito por parte de governos.Assessor do Instituto de Desarollo Agropecuário e do Ministério da Educação do Chile. cujo objetivo era prestar serviços educativos. milhares de brasileiros da geração jovem e da minha geração. Entre 1975 e 1980. assumiu o cargo de consultor do Conselho Mundial das Igrejas. especialmente aos países do Terceiro Mundo que lutavam por sua independência. europeu. Freire trabalhou também em São Tomé e Príncipe.Professor convidado da Universidade de Harvard. Paulo Freire “andarilhou” muito por alguns países do continente africano. Itália. Suíça. comecei a compreender-me e a compreendê-lo melhor. onde dava aulas sobre suas próprias reflexões. ATIVIDADES NO EXÍLIO CHILE (novembro de 1964 a abril de 1969) . Ilhas Fiji. ao assumir o contexto provisório. extraída do livro Essa escola chamada vida (pp. através de um trabalho de educação popular. E. para colaborarem no desenvolvimento do programa nacional de alfabetização daquele país. que me perguntei sobre ele. de conscientização.

Mestres da Educação). ele casa-se com Ana Maria Araújo Freire. Paulo Freire finalmente obtém o documento. In Paulo Freire: uma biobibliogfrafia. . Viveu momentos de grande conhecimento e produtividade neste seu reaprendizado do Brasil. Nesse tempo. mas as restrições ainda vigentes o impediram. em países diferentes. (Debate com professores mineiros. Ele envolve-se. REAPRENDENDO O BRASIL “Dezesseis anos de ausência exigem uma aprendizagem e uma maior intimidade com o Brasil de hoje. cujo objetivo era desenvolver pesquisas. sob o comando dos militares.) O retorno de Paulo Freire ao Brasil foi um momento histórico para a educação no Brasil. dessa forma. preenche novamente sua existência e alegra seu viver. Paulo Freire atuou de maneira integral. Mas o reencontro com uma amiga de infância. agora como aluna-orientanda no curso de mestrado da PUC. Sua vontade era reassumir as funções na Universidade de Pernambuco. ainda no aeroporto. Vim para reaprender o Brasil. mas esta transformação necessita da educação”.  o grande poder de manipulação e domesticação da TV ao reproduzir sonhos alienadores e inacessíveis à classe dominada. Como Secretário de Educação.conselheiro educacional de governos do Terceiro Mundo. in Moacir Gadotti. regressando definitivamente ao país que havia deixado em 64. “A transformação da educação não pode antecipar-se à transformação da sociedade. tristeza irreparável. reformulando o currículo escolar. Elza Maia Costa Freire. abordou assuntos variados:  sua posição socialista. movimentos de educação popular e na luta da classe trabalhadora com educadores jovens. também em São Paulo. estruturando os colegiados.  o estímulo aos alunos a não aceitação do currículo imposto. Aceitou o convite para lecionar na Faculdade de Educação da Unicamp. No dia 27 de março de 1988. Neste período Paulo Freire “andarilhou” pelos continentes africano. que ajudou a fundar. aos 57 anos. graças a um mandado de segurança. Paulo Freire assume o cargo de Secretário de Educação da cidade de São Paulo. da Série Pensamento e Ação no Magistério. No dia 24 de outubro de 1986. Convite à Leitura de Paulo Freire. tomando nas mãos sua própria educação. quando do seu retorno ao Brasil. capacitando os professores e formando o pessoal . um enorme vazio invade sua vida. em janeiro de 1989. Paulo Freire perde sua primeira esposa.Presidente do Conselho Executivo do IDAC. nos movimentos de professores. Com a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores. com quem ficou casado durante 40 anos. sua religiosidade. reformando escolas.” (Paulo Freire. em Campinas e logo depois ingressou no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação (supervisão e currículo) da PUC/SP. na gestão da então prefeita Luiza Erundina.  a constatação de que a TV está intimamente ligada ao autoritarismo. Paulo Freire participa da fundação do Vereda – Centro de Estudos em Educação.Consultor do Conselho Mundial das Igrejas . Depois de várias tentativas de conseguir o seu passaporte nas representações consulares brasileiras. em 1981. desolação. Paulo Freire desembarca no aeroporto de Viracopos em Campinas. prestar assessoria e atuar na formação de professores dedicados à prática da educação popular. Em junho de 1980. asiático e europeu. Fixou residência em São Paulo. valorizando-os e desenvolvendo trabalhos de aprendizado em conjunto.GENEBRA (fevereiro de 1970 a março 1980) .

79-80. com reflexos em áreas como a filosofia.) “Dai a ênfase que dou (.” (Cartas à Guiné-Bissau. a matemática. a física. Paulo Freire criou o MOVA-SP (Movimento de Alfabetização da Cidade de São Paulo).” (A Educação na Cidade.) Em parceria com os movimentos populares. cessou de movimentar no dia 2 de maio de 1997. mas continua ativo como colaborador. Ele mesmo diz que “as mudanças estruturais mais importantes introduzidas na escola incidiram sobre a autonomia da escola”. 1977. ideológica. buscando a compreensão do meu ato de ‘ler’ o mundo particular em que me movia (. Mestres da Educação. “Toca violão bem baixinho e canta para eu dormir. carinho e paixão pela vida. libertadora e transformadora. o domínio sobre os signos lingüísticos escritos.. mas ao caráter político da educação. um expressivo homem de todos os tempos. a geografia. pressupõe uma experiência social que o precede – a da ‘leitura’ do mundo. voltou à docência na PUC/SP.” (Livro do Bebê in Ana Maria Araújo Freire no livro Paulo Freire: uma biobibliografia. Será para sempre um mestre. concebendo uma produção rica e essencial para a questão da educação popular. 1991. nas mais diferentes fases da sua vida. quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho. FRASES Paulo Freire foi um homem de idéias e de uma prática renovadora progressista e democrática. Era a fórmula para fortalecer os movimentos sociais populares e estabelecer novas alianças entre sociedade civil e Estado. entre outras. amor e paixão por todas as gentes e pelas causas do planeta solidário. (Moacir Gadotti.. destinado a jovens e adultos. têm a capacidade de expressar a sua concepção pedagógica. mesmo pela criança que se alfabetiza. Passou a se dedicar novamente a escrever artigos e livros. 1976) . Neste esforço a que me vou entregando. Convite à Leitura de Paulo Freire da Série Pensamento e Ação no Magistério.) “A retomada da infância distante. Freire se afasta do cargo de Secretário. progressista. O coração de imensa fraternidade. Freire escreveu com os principais educadores da década de 1980.administrativo e técnico. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social. como os chamava). no texto que escrevo. e revivo. com o restabelecimento dos conselhos de escolares e dos grêmios estudantis. a história. em “A voz da esposa”) “Na verdade. a literatura. pelo ser humano. alguns em colaboração com outros educadores (livros falados.) não propriamente à análise de métodos e técnicas em si mesmos. 1982.” (A importância do Ato de Ler. a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. recrio.” (Ação Cultural para a Liberdade.). No dia 22 de maio de 1991. pp.. Suas frases. tornou-se um dos membros do Júri Internacional da UNESCO.) “O avanço maior ao nível da autonomia da escola foi o de permitir no seio da escola a gestação de projetos pedagógicos próprios que com apoio da administração pudessem acelerar a mudança da escola. de que decorre a impossibilidade de sua neutralidade. mas não encerrou sua obra. A partir de 1987. a arte.) “Não basta saber ler que Eva viu a uva. Como disse a então prefeita Luiza Erundina. Um infarto silenciou Paulo Freire aos 75 anos de idade. além de revelar um pouco mais da sua sensibilidade.. Paulo Freire estava sendo “devolvido ao mundo”. 1991.” (Educação na Cidade. educacional. Ele deixou um legado de imensa contribuição para a educação. me é absolutamente significativa.

. a mulher. aprenderem a renascer como um intelectual ficando-novo. (Pedagogia da Autonomia.) “Desrespeitando os fracos.) “A pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel nela.) “Para a concepção crítica. os pássaros.” (À Sombra desta Mangueira..” (Pedagogia da Indignação. mas. No fundo. nem uma ‘erva daninha’ a ser erradicada (. penso sobretudo no sonho possível – mas nada fácil – da invenção democrática de nossa sociedade.) “É porque podemos transformar o mundo. 1976) “Daí que os intelectuais que aderem a esse sonho tenham de selá-lo na passagem que devem realizar ao universo do povo. 1968. 1979.” (Por uma Pedagogia da Pergunta. Não se trata de apropriar-se do outro. justos e amorosos da vida e dos outros.. pensando a própria adaptação. sem dúvida. discriminando o índio.) . mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta.) “Minha fala (. O universo da comunhão abrangia as árvores. com eles lutam. 1995. Não teríamos ultrapassado o nível de pura adaptação ao mundo se não tivéssemos alcançado a possibilidade de.. 1968. mobiliza-se. que estamos com ele e com outros.” (Educação e Mudança.. A vida em plenitude.). ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.) “O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. mas também a comunhão com as diferentes expressões de vida.” (Medo e Ousadia. Recusa acomodar-se.” (Cartas à Cristina. não estarei ajudando meus filhos a ser sérios. porém.” (Ação Cultural para a Liberdade.” (Pedagogia da Esperança.“Ninguém liberta ninguém. Cada um tem o outro como sujeito de seu amor.) “Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e. 1987. o analfabetismo nem é uma ‘chaga’. organiza-se para mudar o mundo. com humildade e não por tática. 1992.) estava acrescida de um significado que antes não tinha. os rios. Era. nos servir dela para programar a transformação. no momento (. ofendendo a vida. o negro.” (Pedagogia do Oprimido. Os problemas da escola estão profundamente enraizados nas condições globais da sociedade. a terra mesma..” (Pedagogia da Indignação. tem de viver com ele uma comunhão em que. 1989.” (Pedagogia do Oprimido. assim descobrindo-se. com eles sofrem. terão muito o que ensinar se. explorando os outros.) “Devemos compreender de modo dialético a relação entre a educação sistemática e a mudança social.) em que a comunhão não era apenas a de homens e de mulheres e de deuses e ancestrais. 2000. sobretudo. os mares. 1997. 2000.). 1994.) A consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca (..) “Quando penso em minha Terra. os bichos. a transformação política da sociedade. enganando os incautos.

O método de alfabetização de Paulo Freire é resultado de muitos anos de trabalho e reflexões de Freire no campo da educação. o alfabetizando ou a alfabetizanda é estimulado(a) a articular sílabas. Referia-se ao índio Galdino. . três aprenderam a ler e escrever em 30 horas. Suas idéias nasceram no contexto do Nordeste brasileiro a partir da década de 1950. através de tema/palavras gerador(as) da realidade dos alunos. com predomínio do colonialismo e todas as vivências impostas por uma realidade de opressão. “Estudar não é um ato de consumir idéias. tendo uma visão de totalidade da linguagem e do mundo. imposição. outros 2 abandonaram o “curso”. (1982) Ação cultural para a liberdade e outros escritos. pp. promovendo o despertar para a cidadania plena e transformação social. O MÉTODO PAULO FREIRE Não é possível se falar da compreensão de educação de Paulo Freire sem nos referirmos e nos determos numa parte intrínseca dela: o seu “Método de Alfabetização”. onde metade dos seus 30 milhões de habitantes eram analfabetos. Rio de Janeiro: Paz e Terra (6ª edição). formando palavras. Esse vai além da simples alfabetização. assassinado por um grupo de adolescentes. o seu método no “Centro de Cultura Dona Olegarinha”. No processo de aprendizado. Dos 5 alunos. Freire aplicou. em Brasília. É a leitura da palavra. os participantes da mesma experiência.. Nesse sentido. O método Paulo Freire estimula a alfabetização/educação dos adultos mediante a discussão de suas experiências de vida entre si. mas de criá-las e recriá-las. proporcionando a leitura do mundo. que é decodificada para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo. um Círculo de Cultura do Movimento de Cultura Popular do Recife (MCP) para discussão dos problemas cotidianos na comunidade de “Poço da Panela”. limitações e muitas necessidades. As experiências acontecem nos Círculos de Cultura.” FREIRE P. extraídas da sua realidade. pela primeira vez. vai além das normas metodológicas e lingüísticas. do seu cotidiano e das suas vivências. 09-12. publicamente. 1997. Propõe e estimula a inserção do adulto iletrado no seu contexto social e político.Últimas palavras escritas por Paulo Freire. sobretudo na de adultos em regiões proletárias e subproletárias. na medida em que propõe aos homens e mulheres alfabetizandos que se apropriem da escrita e da palavra para se politizarem. de Pernambuco. na sua realidade. urbanas e rurais.

b) das dificuldades fonéticas. 2) Etapa de Tematização: aqui eles codificam e decodificam esses temas. discutidas. É igualmente importante a anotação das palavras da linguagem dos componentes do grupo. política etc. a saber: 1ª fase: Levantamento do universo vocabular dos grupos com quem se trabalhará. é uma ampla e profunda compreensão da educação que tem como cerne de suas preocupações a natureza política. dos seus falares típicos. no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive. Esta escolha deverá ser feita sob os critérios: a) da sua riqueza fonética. 3) Etapa de Problematização: aluno e professor buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica do mundo. Em seu livro Educação como Prática da Liberdade. tomando assim consciência do mundo vivido. “É mais do que um método que alfabetiza.A Trajetória de Paulo Freire) . ou seja. aproximando educador e educando numa relação mais informal e portanto mais carregada de sentimentos e emoções. São fichas que deverão servir como subsídios. mas sem uma prescrição rígida a seguir. stripp-filmes (fotograma) ou cartazes. 4ª fase: Elaboração de fichas-roteiro que auxiliem os coordenadores de debate no seu trabalho. regionais e nacionais. São situações desafiadoras. c) do teor pragmático da palavra.O “MÉTODO PAULO FREIRE” ESTÁ ESTRUTURADO EM TRÊS ETAPAS: 1) Etapa de Investigação: aluno e professor buscam. buscando o seu significado social. Essa fase se constitui num importante momento de pesquisa e conhecimento do grupo. 3ª fase: Criação de situações existenciais típicas do grupo com quem se vai trabalhar. Esse material poderá ser confeccionado na forma de slides.” (A Voz da Esposa . as palavras e temas centrais de sua biografia. 2ª fase: Escolha das palavras selecionadas do universo vocabular pesquisado. São situações locais que. numa seqüência gradativa das menores para as maiores dificuldades. partindo para a transformação do contexto vivido. na pluralidade de engajamento da palavra numa dada realidade social. cultural. codificadas e carregadas dos elementos que serão decodificados pelo grupo com a mediação do educador. 5ª fase: Elaboração de fichas para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes aos vocábulos geradores. Freire propõe a execução prática do Método em cinco fases. abrem perspectivas para a análise de problemas locais.