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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: UMA COMPREENSÃO SOBRE O MATO
GRANDE

YURI DE LIMA PADILHA

NATAL, RN
2011

YURI DE LIMA PADILHA

DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: UMA COMPREENSÃO SOBRE O MATO
GRANDE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Coordenação do curso de graduação em
Administração da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, como requisito parcial para a
obtenção do título de Bacharel em Administração.
Orientadora: Joana Tereza Vaz de Moura, Drª

NATAL, RN
2011

YURI DE LIMA PADILHA

DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: UMA COMPREENSÃO SOBRE O MATO
GRANDE

Monografia apresentada e aprovada em ____ de dezembro de 2011, pela banca
examinadora composta pelos seguintes membros:

_________________________________________
Joana Tereza Vaz de Moura, Drª
Orientadora

_________________________________________
Washington José de Souza, Dr.
Examinador

_________________________________________
Juarez Azevedo de Paiva, M Sc.
Examinador

NATAL, RN
2011

pelos bolinhos de carne e de carinho.Para minha avó Terezinha (in memoriam). .

"De três coisas precisa o homem para ser feliz: benção divina. Aos amigos Alex. Expedito. Gustavo. Anderson Mol. Matilde Araújo. livros e amigos” Henri Lacordaire . partilhando sorrisos. por todo o suporte em amor durante meus vinte e poucos anos. Roberto e Rodrigo. Anatalia Saraiva. Marccelo.AGRADECIMENTOS A Deus. A todos os companheiros de OASIS. Paulo e Dilza. em nome do (Mestre) Juarez. por ser toda linda desde que nasceu. Felipe. Aos meus pais. Fernando. À Professora Joana Tereza pela enorme simpatia e apoio em suas orientações. Bruno. Aos professores do curso de Administração – em especial. Washington Souza –. pela poesia de uma vida. Mimi. por serem aqueles mais presentes durante os últimos cinco anos (e os próximos cinqüenta). que contribuíram em minha caminhada. palavras e inquietações. À minha irmã. À Bia. Marcos e Suy. Aos companheiros da jornada matinal iniciada em 2007. por partilharem comigo de toda a bela experiência da Economia Solidária e Gestão Social que me fez reencontrar sentido na formação profissional. por ser o lado ‘nêgo’ da minha força e pelo samba (um a um) tão bonito.

Nada nunca chega ao fim. Adrian.“Nada chega ao fim.” Alan Moore .

tais como o ambiente. caracterizados por critérios multidimensionais. difícil acesso a crédito e assistência técnica. utilizando-se de pesquisa documental para consecução dos dados. pouca diversificação de fontes de renda. a política e as instituições. às escassas condições de trabalho e renda. No que tange a gestão pública. como visto nas estratégias da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT). e uma população. qualidade de vida. no território há um baixo envolvimento da sociedade civil com questões políticas. O presente trabalho objetiva examinar a estratégia de promoção do desenvolvimento do Território do Mato Grande a partir da interação e sinergia entre qualidade de vida da população. geograficamente definido. A SDT define território como um espaço físico. há visível fragilidade nos espaços públicos de participação. e dificuldades para comercialização. eficiência econômica. há uma baixa cobertura de conselhos e o colegiado territorial tem uma fraca parceria entre setor público e sociedade civil. Como visto. A partir da análise dos relatórios da pesquisa realizada pela Célula de Acompanhamento e Informação. com grupos sociais relativamente distintos. cultural e territorial. Palavras-chave: Desenvolvimento territorial. conclui-se que no Território do Mato Grande o desenvolvimento encontra-se em estado crítico. que são frágeis. Como também. Para tal. com fim de combater a pobreza. compreendendo cidades e campos. em especial em regiões rurais. Assim como. rotatividade alta de membros e. a sociedade. que se relacionam interna e externamente por meio de processos específicos. a pesquisa assume abordagem qualitativa e caracteriza-se como exploratória e descritiva. o quadro torna-se mais preocupante devido ao baixo aparalhemento dos entes públicos municipais para suprir as demandas de qualidade de vida e eficiência econômica. assim como sua articulação com agentes externos ao território para que sua população pobre participe do processo e de seus benefícios. baixos níveis de escolaridade e sustentabilidade ameaçada. gestão pública eficiente . geralmente continuo. a economia. com baixa capacidade de produção. como saneamento básico e estruturas de saúde. no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A transformação produtiva busca articular de forma competitiva e sustentável a economia dos territórios. onde se pode distinguir um ou mais elementos que indicam identidade e coesão social.RESUMO O desenvolvimento territorial é um processo de transformação produtiva e institucional. principalmente dos pequenos produtores. eficiência econômica e gestão pública eficiente. Faz-se tal inferência devido à situação precária a que estão submetidos os serviços públicos. a cultura. A transformação institucional visa estimular e facilitar a interação e cooperação dos atores.

...................................................................................................... 2............................ OBJETIVOS DA PESQUISA ...... GESTÃO PÚBLICA EFICIENTE ..................................................................2........ QUALIDADE DE VIDA ... 59 ......... 37 7..................................... 12 3.................................................... ANÁLISES DOS DADOS................................ 35 6............................................ EFICIÊNCIA ECONÔMICA ....................................... 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................... 32 5............................................................ INTRODUÇÃO .............................................................. 6............................... 11 2... OBJETIVOS ESPECÍFICOS .....................3............................... 12 3.......................... 55 ANEXOS ........................................ CONTEXTUALIZAÇÃO: DO DESENVOLVIMENTO LOCAL AO PROGRAMA TERRITÓRIOS DA CIDADANIA ............................................................................................................................................... OBJETIVO GERAL ..............SUMÁRIO 1................1.................................1... 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ CARACTERIZAÇÃO DO MATO GRANDE ................... 11 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................... 37 6............................................................1.......................... METODOLOGIA ............ 8 2............................................................................................2..... 23 4...... A ABORDAGEM DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL ............................ 11 3.. 40 6...............................................2............................

A fim de atingir tal proposição. MACHADO. uma nova institucionalidade. INTRODUÇÃO No bojo do Plano Plurianual (PPA) 2004 . o Governo Federal Brasileiro assume uma estratégia de desenvolvimento que visa à estabilidade econômica e ao alcance do reequilíbrio social e territorial (ARAÚJO. 2003). grupo de municípios que compartilhem identidade comum. 2011). cria-se o Programa de Desenvolvimento Sustentável dos Territórios Rurais – sob competência da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT). o território. O território também possibilita a instituição do diálogo entre os atores e o fortalecimento das atividades conjuntas. políticas e culturais. 2007. o qual adota a abordagem territorial como referência conceitual e operacional para a promoção do desenvolvimento. Surge. sociais.2007. assim. o território envolve articulações ruraisurbanas e a ação coletiva do maior número de atores que garantam mais sustentabilidade ao desenvolvimento (DELGADO et alli. 2010 .8 1. Mapa 1: Territórios da Cidadania 60 Territórios de 2008 60 Territórios de 2009 Fonte: BRASIL. no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) –. Preferido ao município – anteriormente adotado como lócus do desenvolvimento – por estar além de uma construção político-administrativa e animar dinâmicas econômicas.

passando pela abordagem de desenvolvimento local até a evolução do Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Territórios Rurais para Programa de Territórios da Cidadania. geralmente continuo. pode-se afirmar que o desenvolvimento territorial sustentável decorre da interação e sinergia entre qualidade de vida da população – redução da pobreza. MDA. a política e as instituições. A partir do seguinte problema: “Como se caracteriza o desenvolvimento territorial do Mato Grande nas dimensões qualidade de vida. desde a descentralização administrativa e política do Brasil. Neste sentido. com grupos sociais relativamente distintos. a sociedade. seus conceitos e estratégias. eficiência econômica – agregação de valor na cadeia produtiva e inclusão produtiva da população – e gestão pública eficiente.9 A SDT entende território como um espaço físico. geração de riqueza e sustentabilidade ambiental –. e uma população. no Brasil. cultural e territorial (BRASIL. sustentabilidade ambiental. caracterizados por critérios multidimensionais. A abordagem territorial busca responder aos novos pressupostos que compõem o processo do desenvolvimento. aqui entendida não só como baixa renda. Esses fatores são estruturados a partir da organização da sociedade e formação de capital social através de espaços institucionais. a caracterização do Mato Grande – território em estudo –. mas também carência em serviços públicos e presença de problemas sociais (SACHS. 34). pela sua relevância na economia da maioria dos municípios brasileiros e por ser um meio estigmatizado pela pobreza. 2004. 2004. com base na interpretação do modelo de desenvolvimento local de Buarque (2008). SEN. que se relacionam interna e externamente por meio de processos específicos. geograficamente definido. a economia. Em seguida. quais sejam. onde se pode distinguir um ou mais elementos que indicam identidade e coesão social. análise dos dados e considerações finais. SCHNEIDER. p. assume-se a importância do meio rural. sucedem-se metodologia. distribuição de ativos sociais que possibilitem desdobramentos sociais na economia e reestruturação e modernização do setor público local que garanta a descentralização das decisões. este trabalho de conclusão de curso discute a abordagem territorial de desenvolvimento. autonomia e eficiência e eficácia na gestão pública . a cultura. 2004). 2005. Logo após. elevação da qualidade de vida e combate a pobreza. em especial da agricultura familiar. tais como o ambiente. e apresenta o modelo teórico de Buarque. O presente trabalho apresenta o contexto dos programas de desenvolvimento territorial. Além disso. eficiência econômica e gestão pública eficiente?”. compreendendo cidades e campos.

o aprimoramento das ações dos gestores públicos de cada município do Território e de seu Colegiado e. pois apresentará resultados que auxiliarão a compreensão do quadro de desenvolvimento do Território do Mato Grande. sendo.10 Localizado a Noroeste da capital Natal. O trabalho é oportuno.625. Quanto à viabilidade. assim. este trabalho contribuirá para a sistematização de medidas avaliativas do desenvolvimento em sua abordagem territorial. constituindo-se numa região com IDH mais baixo do Rio Grande do Norte. o Mato Grande é um dos territórios apoiados pela SDT/MDA. . a pesquisa é uma ampliação do trabalho realizado pelo autor na Célula de Acompanhamento e Informação do Território do Mato Grande. No âmbito acadêmico. possibilitará. além de aproximar o tema à área de administração. a reflexão acerca da assertividade das políticas públicas de desenvolvimento territorial no Brasil. um trabalho relevante para o esta região. em menor escala. E ainda. em maior escala. a qual tem contribuído de forma significante para o avanço da gestão pública. É composto por dezesseis municípios e apresenta um IDH de 0. o que facilita o acesso às informações.

2.  Examinar a qualidade de vida da população do Mato Grande tomando como base suas condições de vida e  Examinar a eficiência econômica do Mato Grande a partir das condições de trabalho e renda. . OBJETIVOS ESPECÍFICOS  Examinar a eficiência da gestão pública a partir de suas capacidades institucionais. OBJETIVOS DA PESQUISA 2.2.11 2.1. a partir da base teórica de Desenvolvimento Local definida por Buarque (2008). OBJETIVO GERAL Examinar a estratégia de promoção do desenvolvimento do Território do Mato Grande.

Com o intuito de atingir eficácia na gestão pública. o país adere ao Consenso de Washington e sua cartilha neoliberal. o que. de modernizar o sistema político e de combater as desigualdades sociais. atende aos anseios de equilibrar a questão fiscal. Segundo Abrucio e Loureiro (2008). no qual transfere-se ao mercado e. restringe-se o papel do Estado à manutenção do equilíbrio macroeconômico. 2007). governos estaduais e municipais. Assim.1. a reforma do Estado brasileiro durante o ajuste neoliberal. A fim de estabilizar sua economia. Simionatto (2008) observa que o jogo do livre mercado com sua autorregulação prometia uma distribuição de renda mais racional para toda a população. como também descentraliza aos entes subnacionais. não é função do mercado. a execução e o ônus de políticas públicas (ALVES. às empresas internacionais o papel de retomar o crescimento econômico (DELGADO et alli. utiliza-se da descentralização política e administrativa no processo reformista. que se aprofunda em meados da década de 1990. na realidade. A descentralização decorre da perspectiva vigente de Estado mínimo. Ademais. CONTEXTUALIZAÇÃO: DO DESENVOLVIMENTO LOCAL AO PROGRAMA TERRITÓRIOS DA CIDADANIA A crise estrutural do capitalismo internacional agregada ao desequilíbrio orçamentário brasileiro deflagrou a deterioração do Estado burocrático-desenvolvimentista no Brasil. o ajuste neoliberal com intuito equilibrar balanços de pagamento e controlar a inflação provocou elevação das taxas de juros. 2004). Nesse sentido. mantiveram-se elevados índices de pobreza e concentração de renda. afora não existir rede de proteção social e de qualidade de vida eficiente durante o referido período (ALVES. reduzindo investimentos no setor produtivo e.12 3. desintegração de indústrias nacionais e elevação do desemprego (VERÍSSIMO et alli. como o Fundo Monetário Internacional. além de isentar-se progressivamente do papel de garantidor de direitos sociais. Em primeiro lugar. trouxeram resultados que devem ser enfatizados. 2003). acarretou na quebra de empresas. especialmente. . de garantir a democratização do poder público. REFERENCIAL TEÓRICO 3. Tais medidas. 2000). condição fundamental para consecução de crédito junto a organismos internacionais. em países em desenvolvimento como o Brasil. 2003). assim. baseadas no modelo social-liberal que afirmava proteger os direitos sociais enquanto promoveria o desenvolvimento econômico. responsabilizando a sociedade civil por tais ações (DAGNINO.

instituídos por lei e algumas experiências de Orçamento Participativo. acentuaram as desigualdades e a pobreza no país. a fim de atingir o seu próprio equilíbrio financeiro.transferiu à sociedade civil maior poder de participação nas decisões governamentais. por meio de retenção. ainda que. de transferências constitucionais aos governos subnacionais. Nasce. assim. aqui entendido.13 Outro componente importante é o fato de a descentralização iniciar de forma desordenada e desarticulada no tocante aos ônus transferidos aos governos subnacionais. o Governo Federal. esperava-se dos espaços de participação da sociedade civil muito mais a assimilação . pela entrada cada vez mais importante dos Estados e Municípios na execução de políticas sociais em função da ausência/omissão do Governo Federal. Surgem organizações da sociedade civil. os Estados nacionais reconhecem a necessidade de estabelecer parcerias com governos e instituições locais. Nordeste e Centro-Oeste. somados ao quadro econômico enfraquecido. A sedimentação da descentralização a partir da Constituição Federal de 1988 – fruto da luta pela redemocratização do país . para que haja envolvimento nas discussões acerca de políticas públicas. Tais acontecimentos. compreendendo a sociedade civil como potencial interventora na área social. mais profundamente as regiões Norte. como Conselhos Gestores. Isso ocorre através do restabelecimento da democracia formal e da promoção de articulações entre público e privado sob novas formas. nesse período. descentralizar. impõe através de leis federais a responsabilidade de assumir gastos públicos aos estados e municípios. pois se percebeu aquele como ineficiente e ineficaz na prestação de serviços públicos. preponderantemente. valorizando a participação da sociedade civil na gestão de suas ações. uma nova institucionalidade na relação entre Estado e sociedade. p. além das tradicionais. Oliveira (1999) e Arretche (2009) expõem que com a melhoria nas arrecadações estaduais e municipais. 5). Deve-se compreender que a transferência de autoridade e poder decisório característica da descentralização “representa uma efetiva mudança da escala de poder”. Como exemplo dessa situação. Segundo Alves (2003. por parte da União. que cumprem funções públicas e criam-se espaços públicos. na qual se atribui à sociedade civil a competência de escolher e definir sobre políticas públicas e ações governamentais que a afetam através do vínculo muito próximo com as instâncias decisórias. Essas medidas impactaram todas as unidades federativas. Segundo Schneider (2004). sem nenhum poder de financiamento e acossado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para cumprimento de metas de redução do déficit público previamente pactuadas. além de expressivas perdas de receitas. sem planejamento conjunto.

A atuação expressiva de Organizações Não-Governamentais (ONGs). ainda que tenham a sociedade civil em suas diretrizes. uma preferência contra os 'riscos' da democracia. também afetado pela necessidade de assegurar sua própria sobrevivência. porém tais organizações não são percebidas como responsáveis nem eficazes representantes perante a sociedade civil ou setores sociais. 2008). p. como um modelo de gestão sob a égide da competência técnica. Dois projetos antagônicos. Não é o Estado a quem se combate. como a brasileira. E os Estados só as enxergam como interlocutores na medida de suas competências e áreas de atuação (DAGNINO. Contudo. Em sociedades autoritárias e excludentes. atores governamentais e atores da sociedade civil compreendem a participação de formas diferentes. A cega opção pelo mercado é. A democracia é o verdadeiro inimigo. por exemplo. os Estados veem nelas a parceria ideal para transferência de responsabilidades e prestação de serviços. é preciso observar com cuidado o significado da participação e a representação da sociedade civil nesse período. SIMIONATTO. Cabe ressaltar que a diversidade de espaços públicos de discussão. O conflito é um . nos quais a partilha de poder entre representantes de esferas sociais diversas nas decisões acerca da política pública é um de seus objetivos fundamentais” (DAGNINO. denota uma desvinculação orgânica com os movimentos sociais. pois. ao mesmo tempo. aquilo que está no fundo da crítica antiestatista do neoliberalismo. com frequência. consequência da diversa fragmentação das políticas apresenta-se como um desafio à sociedade civil e aos entes governamentais no sentido de consolidar uma intersetorialidade. faz-se necessário o enfrentamento dos conflitos com o propósito de estabelecer o consenso de forma democrática. no projeto neoliberal o Estado se furta dessa responsabilidade. do que a possibilidade de contribuir com as formulações (DAGNINO. os espaços públicos de participação “são lugares de conflitos. pois seu desempenho é vinculado aos diferentes projetos que as mobilizam e. Dagnino (2004) adverte para a existência de uma confluência perversa quando o Brasil se redemocratizava com expressa reinvindicação e conscientização da sociedade civil enquanto havia o ajuste ao modelo neoliberal. Esses a percebem como um processo de democratização sob a lógica da aprendizagem e controle social e. talvez por isso. Todavia. Enquanto. A redemocratização requeria um aprofundamento da democracia através da garantia de direitos e serviços públicos.14 de funções e responsabilidades de implementação e execução. 2004. aqueles. 2004). mas o Estado democrático. Contudo. muito menos explicado: mercado ou democracia.82) esclarece ao afirmar que na realidade o neoliberalismo culmina em um dilema muito mais grave e. Boron (2002.2004).

condições necessárias ao financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. esse conceito “pode ser aplicado a diferentes cortes territoriais e aglomerados humanos de pequena escala. econômicas.15 processo intrínseco a espaços participativos. . ganha destaque a ideia de desenvolvimento local. políticas e institucionais. desde a comunidade até o município ou mesmo microrregiões homogêneas de porte reduzido. Cria-se o Programa Comunidade Ativa. 99). a unidade de referência adotada pelo Governo Federal na década de 1990. por meio desses. Nessa conjuntura de descentralização. especialmente nos mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Outra ação para fomentar o desenvolvimento local foi a criação de Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural (CMDRs) e. Contudo. a qual pressupõe que o nível adequado de tratamento analítico e conceitual dos problemas concretos deva ser o espaço de ação em que transcorrem as relações sociais. a fim de compreender a transição dessa perspectiva de desenvolvimento a do Desenvolvimento Territorial. ignorá-lo significa bloquear novas dinâmicas territoriais e enfraquecer a participação. bacias ou ecossistemas”. O referido programa estimula a participação dos atores locais na esfera pública. privilegiando alguns grupos sociais em detrimento de outros (DELGADO et alli. especialmente as voltadas ao espaço rural tal qual o objeto de estudo deste trabalho. O “Pronaf Infraestrutura e Serviços Municipais” é uma linha de crédito do Pronaf que visa melhorar o ambiente econômico e ampliar as oportunidades dos agricultores por meio de um conjunto de investimentos e prestações de serviços que eliminem os gargalos que impedem o desenvolvimento. 2007). Segundo Buarque (2008). Cabe ressaltar algumas ações realizadas durante o Governo FHC que seguem as diretrizes do Desenvolvimento Local. p. em suas ações de Desenvolvimento Local foi o município. Tal estratégia de desenvolvimento é precursora da abordagem territorializada. a cooperação e a horizontalização nos processos participativos de decisão. bem como a tentativa de organizar suas atividades produtivas. 2004. fundamentado na ideia do combate a pobreza e promoção do desenvolvimento sobre a estratégia metodológica DLIS (Desenvolvimento Local Integrado e Sustentado) – programa de indução ao desenvolvimento local em parceria com os governos locais e o serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). a elaboração de Planos Municipais de Desenvolvimento Rural. Esse espaço é construído a partir da ação entre os indivíduos e o ambiente ou contexto objetivo em que estão inseridos (SCHNEIDER.

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financiando serviços de apoio prestados por entidades públicas ou privadas. Porquanto, é uma
importante iniciativa de construção de políticas públicas descentralizadas que fomenta a
organização dos municípios. Dessa forma, apresenta-se como eixo fundamental e estratégico
para a promoção do desenvolvimento local (GUANZIROLLI, 2006; MENDONÇA e
ORTEGA, 2005).
No entanto, o processo de desenvolvimento local encontrou diversas barreiras
estruturais e institucionais. O município apresenta-se como uma instância adequada de
controle, entretanto não de planejamento. Beduschi e Abramovay (2004) afirmam que
a menor instância governamental passível de executar políticas públicas – o
município – é, na maior parte das vezes, unidade eficiente para controlar gastos
tópicos, setoriais e localizados: mas – e isso é fundamental quando se trata do
interior do País – ela é insuficiente para permitir a revelação do potencial produtivo,
da capacidade e da utopia da população de determinada região.

A descentralização repassou responsabilidades aos municípios, mas não os meios
necessários para atendê-las, comprometendo-se, dessa forma, as receitas dos municípios.
Assim, a desequilibrada distribuição de responsabilidades e repasses, ocasionou centralização
das receitas por parte do poder federal, somada à desigual capacidade financeira municipal,
por conseguinte, cria-se uma forte dependência da redistribuição fiscal da União impedindo a
autonomia no planejamento local.
O processo de descentralização não alterou as relações de poder no município e a
forma autoritária e clientelista da política local. As instâncias de poder no município prefeituras e câmaras de vereadores -, em geral, representam oligarquias, o que significa um
entrave à autonomia dos espaços públicos de participação. Observou-se que a participação da
comunidade em reuniões de conselhos municipais não era significativa, por exemplo.
(BEDUSCHI e ABRAMOVAY, 2004; DELGADO et alli, 2007; GUANZIROLLI, 2006).
Acerca desses espaços, há uma significativa dispersão decorrente das políticas
setorializadas, o que compromete uma política municipal integrada, pois, não há interface
entre os CMDRs com outros conselhos que tratam de áreas do desenvolvimento, como
educação,

saneamento,

recursos

consequentemente, sua efetivação.

hídricos.

Isto

dificulta

uma

ação

conjunta

e,

Além disso, os projetos submetidos ao Pronaf são

resultado de reivindicações das carências em infraestrutura e serviços, mas não de uma
proposta de mudança da realidade local voltada para o desenvolvimento, haja vista que os
conselhos surgem apenas como contrapartida à exigência legal para obtenção do recurso
público. Dessa forma, as políticas do período não alcançaram êxito no tocante ao crescimento

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econômico, muito menos nos aspectos do desenvolvimento, como a superação da pobreza
(BEDUSCHI e ABRAMOVAY, 2004; DELGADO et alli, 2007; GUANZIROLLI, 2006).
O isolamento do local também é um impasse nessa abordagem do desenvolvimento.
Para Buarque (2008, p. 55),

o planejamento local e municipal pode levar a decisões e interesses locais, muitas
vezes fragmentados e conflitantes com os do contexto, incluindo municípios
vizinhos, criando tensões e troca de externalidades negativas. Na realidade, muitos
dos problemas e potencialidades locais estão em direta e forte dependência de
processos distantes, muitos dos quais o município não conhece nem tem como tratar
e administrar. essa interação e troca de externalidades - positivas e negativas - com o
contexto evidencia a necessidade de situar o município no âmbito mais amplo e
estabelecer mecanismos de negociação com os municípios vizinhos. Normalmente,
contudo, os atores locais e suas instituições trabalham com um nível e qualidade de
informação limitada ao seu espaço, não captando a complexidade e relevância dos
fatores externos (decisivos para seu futuro) no que se refere tanto às oportunidades
quanto às ameaças.

A partir da eleição do presidente Luis Inácio Lula da Silva, a proposta do novo
governo, vista no Plano Plurianual (PPA) 2004-2007, era trazer, novamente, o Estado ao
papel de ator do desenvolvimento, com investimentos públicos para transformar a realidade
social do país e manter a estabilidade econômica. Objetivando alcançar tal objetivo e superar
as limitações das ações de desenvolvimento local, o governo age sob a orientação de
desenvolvimento territorial, cria-se, neste sentido, a Secretaria de Desenvolvimento Territorial
no Ministério de Desenvolvimento Agrário (SDT/MDA).
Segundo Delgado et alli (2007, p. 6),

as políticas territoriais foram estruturadas com o propósito de oferecerem soluções
inovadoras, com respeito às políticas setoriais, frente aos novos ou antigos desafios
da sociedade e da economia nacional, tais como a pobreza, a desigualdade regional
ou, ainda, a emergência do desenvolvimento sustentável e a sua compatibilidade
com o desenvolvimento econômico e social.

Esse novo momento visa à superação das limitações do localismo e do isolamento
das políticas locais. Nesse sentido, a SDT busca a integração entre as políticas nos três
âmbitos do Estado, em parceria com a sociedade civil e em torno do desenvolvimento
territorial, que se fortalece com a criação do Programa Nacional de Desenvolvimento
Sustentável dos Territórios Rurais (PRONAT), no ano de 2003, e do Programa Territórios da
Cidadania (PTC), em 2008.
Surge uma nova institucionalidade: o território como grupo de municípios que
compartilhem identidade comum. O território foi preferido ao município por estar além de

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uma construção político-administrativa e animar dinâmicas econômicas, sociais, políticas e
culturais, as quais envolvam articulações rurais-urbanas e a ação coletiva do maior número de
atores que garantam mais sustentabilidade ao desenvolvimento. Assim como, possibilita a
instituição do diálogo entre os atores e, consequentemente, um melhor gerenciamento dos
conflitos entre eles. Então, aprimoram-se o aprendizado e o amadurecimento coletivos dos
atores, contribuindo para o fortalecimento das atividades conjuntas.
Para a SDT, território é um espaço físico, geograficamente definido e contínuo, que
compreende a cidade e o campo, caracterizado por critérios multidimensionais de
desenvolvimento, quais sejam, o ambiente, a economia, a sociedade e o político-institucional;
composto por grupos sociais diversos que se relacionam e formam, deste modo, identidade e
coesão social, cultural e territorial. Os critérios para definição são densidade demográfica
menor que 80 habitantes por km² e população média por município de até 50 mil habitantes;
concentração de agricultores familiares; concentração de famílias assentadas por programas
de reforma agrária; concentração de famílias de trabalhadores assentados. (BRASIL,
MDA/SDT, 2005)
O PRONAT visa à articulação entre municípios, mantida uma identidade coletiva em
torno de uma estratégia comum. Como já citado, busca superar as barreiras enfrentadas pelos
municípios em suas ações localizadas e driblar o controle oligárquico. Assim como planejar e
coordenar de forma conjunta as diferentes iniciativas públicas junto à realidade dos territórios
mediante o envolvimento dos atores sociais. É importante ressaltar que a partir dessa nova
abordagem de desenvolvimento, eleva-se a percepção de que a renda de boa parte da
população e a economia dos municípios dependiam de atividades rurais (agrícolas ou não). E
que as áreas rurais são agora – com os processos de globalização e articulação – com áreas
urbanas, formadas por múltiplas articulações intersetoriais.
Para que se criem novas condições de desenvolvimento, foram criadas a SDT/MDA ,
que assumem o papel de intervir junto aos atores territoriais, no sentido de melhorar a
capacidade de gestão a partir de um processo institucional por intermédio de quatro objetivos.
O primeiro busca fortalecer as organizações territoriais em suas capacidades de
gestão e participação, além de legitimar sua representatividade. Este objetivo busca habilitar
os interlocutores e torná-los responsáveis pela gestão do processo de desenvolvimento, além
de induzir processos de democratização das decisões e do controle social.
O segundo visa à formação dos atores através do desenvolvimento de capacidades
políticas e técnicas de gestão. Entende-se que a descentralização e a participação só são
efetivas se estabelecidas com o devido processo que elevem conhecimento e informação.

utilizando-se da implementação dos investimentos. a política territorial funcionou como um primeiro estímulo à articulação e mobilização dos atores sociais locais e para a implementação de ações conjuntas. os CMDRs estavam subordinados ao poder local e a capacidade dos representantes da sociedade civil era restrita. através de um processo contínuo que passa pela sensibilização. maior será a capacidade dessa política publica alcançar os objetivos a que se propõe de responder aos desafios e . Um panorama dessa situação é a aplicação dos recursos destinados ao território. Normalmente. A Política de Desenvolvimento Territorial estabelece-se quando. estabelecimento das potencialidades e entraves. implementação e monitoramente dessas políticas públicas. que passam a ser definidos em colegiado territorial. através do seu colegiado territorial. A última fase é a execução e concretização do plano. diferentemente do período anterior. em etapas que compreendam desde a elaboração. Ainda que representassem algum avanço para representação dos interesses da comunidade. cria um Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável. entendida como suporte ao desenvolvimento integral. Essa ruptura com a relação de poder provocou um distanciamento entre os colegiados territoriais e os conselhos municipais. possibilita discutir. 41) afirma que naqueles municípios onde não havia nenhuma iniciativa anterior registrada. a partir das potencialidades do território e a inserção de diferentes agentes econômicos na dinâmica do mercado. quando as ações territoriais são postas em prática. Essas redes são muito diversas e dependem diretamente do contexto social em que estão inserias e da trajetória histórica do território em questão. Delgado et alli (2007. comparar e selecionar projetos concretos e coletivos de desenvolvimento. estaduais e federais. O autor complementa: de uma forma geral. quanto mais articulada e efetivamente embebida nos objetivos compartilhados pelos atores sociais e instituições que dela fazem parte for essa rede. e identificação das tendências sócio-econômicas. percebe-se a conformação de uma rede de atores sociais e instituições (governamentais ou não) locais e ‘extralocais’.19 O terceiro compreende a articulação das políticas públicas através do estabelecimento de meios de interlocução do território com as instâncias municipais. são definidas as prioridades de intervenção através de diagnóstico participativo e elaboração de visão de futuro. quando os recursos do “Pronaf . p. Em seguida. ultrapassando os interesses eleitorais ou oportunistas de alguns poderes municipais. mobilização e capacitação dos atores sociais. cada território. o território. A nova instuticionalidade operacional. Enquanto o quarto abrange o processo de dinamização econômica.Infraestrutura e Serviços” eram geridos pelas prefeituras e Emater.

segurança alimentar e nutricional. que geram impactos sobre a pobreza. p. Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial. Ministério do Desenvolvimento Social. Segundo Machado (2011. Os principais elementos conceituais do programa são: superar as desigualdades e a pobreza no meio rural. Ministério do Trabalho e Emprego. provocam a dinamização de economias locais e estabelecem a garantia de direitos de cidadania Utiliza-se da mesma base conceitual do PRONAT. mais elevada à amplitude dos seus resultados (p. Ministério do Planejamento. portanto. Banco do Brasil. 41). Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. 2008. Pecuária e Abastecimento. Ministério da Agricultura. Ministério das Comunicações. por outro lado. e transferência de renda. dentre eles os mais vulneráveis com a expansão da rede de integração das ações de assistência social. Ministério da Educação. a partir do PPA 2008-2011. quais sejam. inclusive de . CAPCT. Ministério do Desenvolvimento Agrário/INCRA. Caixa Econômica Federal. SecretariaGeral da Presidência da República. DELGADO et alli. 3). Secretaria de Relações Institucionais. Ministério de Ciência e Tecnologia. Ministério da Cultura. maior será a sua capacidade e representatividade e. 59). Adicionalmente. 2011). Ministério da Saúde/FUNASA. Ministério de Minas e Energia. maior será a complexidade de operacionalização dessa política e. bem como acelerar processo locais e sub-regionais que ampliem as oportunidades de geração de renda de maneira desconcentrada e com a observância da sustentabilidade em todas as suas dimensões (BRASIL. a meta do Programa Territórios da Cidadania é beneficiar o conjunto dos Municípios.20 obstáculos que o processo de implementação poderá representar. A iniciativa de desenvolvimento territorial consolida-se com a criação do Programa Territórios da Cidadania. 2007. Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca. Ministério das Cidades. (BRASIL. Banco do Nordeste. MACHADO. que é parte do esforço conjunto do Governo Federal para priorizar ações em regiões e subregiões onde investimentos públicos e privados não tem sido suficientes para garantir o atendimento às necessidades básicas da população. Ministério da Integração Nacional. p. 2009. a extrema pobreza e a desigualdade. Ministério da Casa Civil. Ministério da Justiça/FUNAI. Abandona-se assim a ideia de atuação isolada do Ministério de Desenvolvimento Agrário com o objetivo de atender ao anseio de articular as políticas públicas de distintas origens ministeriais voltadas ao desenvolvimento em suas diversas dimensões e atuação conjunta de diversos órgãos e entidades. quanto mais extensa e diversificada se apresentar essa rede. Ministério do Meio Ambiente.

como também multiplicar e combinar as políticas sociais e as competências técnicas de diferentes ministérios” (BONNAL. O Estado assumia o papel apenas de apoiador. Educação e . No novo formato do programa. Atribui-se essa deficiência à diluição desse objetivo no contexto do objetivo central de desenvolvimento de territórios de identidade e também pelos reduzidos recursos financeiros e humanos. Entretanto. quais sejam. indo além de uma postura de somente redistribuir recursos. Ações Fundiárias. integração de políticas públicas. maior organização social e pelo menos um território por estado da federação. “mas de ampliar e concentrar o financiamento para situações geográficas e humanas de maior necessidade.21 gênero. prestar serviços e capacitar. o PRONAT foi pouco eficiente em sua estratégia de combate à pobreza rural. fundamentado na ideia de território de identidade. ao fortalecer a descentralização das políticas públicas numa visão de integrar as políticas e não apenas de distribuí-las (BONNAL. As ações que integram o Programa são organizadas nos eixos de Apoio a Atividades Produtivas. A condição necessária para a definição de Território da Cidadania foi que este adviesse de um dos territórios rurais apoiados originalmente pelo PRONAT. Em primeiro lugar. raça e etnia. Bases que já vinham sendo atendidas. A partir destes eixos têm-se os temas que direcionam as ações: Organização Sustentável da Produção. Os critérios de definição são de ruralidade e densidade demográfica. Atualmente. mas agora tomam uma nova dimensão pela diversidade de entidades agindo em colaboração no programa. 2008). auxiliava os atores sociais a definirem e implementarem ações coerentes com a identidade territorial. maior concentração de populações quilombolas e indígenas. e Infraestrutura. utilização da estratégia territorial e territórios de identidade. integrando-os às políticas públicas e planos e programas setoriais. de fato. Cidadania e Direitos. Com a ascensão dos Territórios da Cidadania. o papel de indutor do desenvolvimento. maior número de beneficiários do Programa Bolsa Família. consolidação das relações federativas. Ocorre um incremento de verbas e de pessoal. são 120 Territórios da Cidadania. ao alocar recursos. maior número de municípios com baixo dinamismo econômico. A partir dessas duas instituições elaboram-se os projetos de financiamento. Em segundo lugar. o combate a pobreza toma o centro das estratégias. o PRONAT. 2008). ampliação da participação social. o Estado assume. menor IDH. Os “Planos de Desenvolvimento Territorial” são reconhecidos como marco referencial para identificar e atender demandas e consolidar os Colegiados Territoriais como instâncias de planejamento. integração produtiva das populações pobres dos territórios. algumas diferenças entre o Programa Territórios da Cidadania e o PRONAT devem ser observadas. gestão e controle social.

governabilidade. Regularização Fundiária. Saneamento e Acesso à Água. Fonte: BRASIL. Assistência Técnica e Extensão Rural. Programa “Luz para Todos” Habitação Rural e nos centros urbanos dos municípios pertencentes aos Territórios da Cidadania (PAC Habitação). Políticas de Assistência Social. Seu . Articulação de Instrumentos de Planejamento Territorial (Mesorregiões.22 Cultura. Saneamento e Acesso à Água Apoio à Gestão Territorial                                 Infraestrutura  Financiamento da Produção e Seguro (Pronaf). Bibliotecas Rurais e Pontos de Cultura. Apoio à Gestão Territorial e Infraestrutura. Gestar (MMA). Atenção Básica em Saúde (Estratégia de Saúde da Família). Quadro 1: Ações do Programa Territórios da Cidadania Organização Sustentável da Produção Ações Fundiárias Educação e Cultura Direitos e Desenvolvimento Social Saúde. Planejamento e Organização Produtiva (Arranjos Produtivos Locais. Farmácia Popular e Brasil Sorridente. Enquanto a coesão territorial significa o equilíbrio e unidade nacional que favoreça ao território estabelecer seu próprio processo de desenvolvimento sustentável. inclusão econômica e bem-estar. Biodiesel) e Gestão e Educação Ambiental. Brasil Alfabetizado. Territórios Rurais (MDA). 2010 As ações e resultados esperados pelo Programa abrangem a coesão social. Construção de Cisternas. Reconhecimento e Regularização de Terras de Comunidades Quilombolas. Melhoria da Infra-estrutura em assentamentos de reforma agrária (vias de acesso). Elaboração e Qualificação dos Planos Territoriais de Desenvolvimento. Obtenção de Terras para assentamentos de trabalhadores rurais. coesão territorial. Construção de Escolas no Campo. Saneamento e Abastecimento de Água. Má instrução de famílias não-indígenas em Terras Indígenas e Programa Nacional de Crédito Fundiário. sustentabilidade. Estímulo ao Cooperativismo e à Economia Solidária. Apoio à Comercialização. Pró-Jovem Rural e Urbano. Infraestrutura hídrica. Benefícios de Prestação Continuada e Programas de Documentação Civil (mulheres trabalhadoras rurais). Consad´s. Capacitação. Saúde. Bolsa-Família. Direitos e Desenvolvimento Social. Construção e Equipamentos para Escolas de Populações Indígenas e Quilombolas. Capacitação de agentes e membros do Colegiado Territorial. A coesão social significa a equidade entre os grupos sociais que compõem o território e o desenvolvimento democrático.

então.2. As liberdades instrumentais são as oportunidades . Enquanto este é um processo quantitativo. pois orienta o uso responsável dos recursos naturais para que as gerações futuras também possam desfrutá-los e tenham capacidade de produzir. exploração das potencialidades locais. pois seus resultados. confunde-se desenvolvimento com crescimento econômico. não geram benefícios. Por desenvolvimento. porém não é suficiente para se alcançar uma vida melhor para todos (SACHS. discutir a natureza do desenvolvimento e entender que tal processo deve ser estruturado por valores além da dinâmica econômica (VEIGA. recursos e potencialidades próprias.23 alcance está em um processo endógeno. E ainda compreende-se a inclusão econômica como a inclusão produtiva. ou seja. por si só. Entende-se agente como alguém capaz de agir e ocasionar mudança a partir de seus próprios valores e objetivos. A multiplicação de riqueza material é uma condição necessária. o bemestar e a felicidade da população do território. Por fim. refletindo em rentabilidade social. a fim de alcançar as metas do desenvolvimento a partir da descentralização e desenvolvimento de capital social (cooperação e colaboração). ou seja. Entende-se a governabilidade como a capacidade de implementar processos a longo prazo. o desenvolvimento é um processo que está além do crescimento econômico. Os resultados esperados a partir da política de desenvolvimento territorial compreendem. capacitação. qualidade de vida e sustentabilidade ambiental. a sustentabilidade ambiental proporciona o desenvolvimento a longo prazo. Comumente. 2008). o desenvolvimento de forma integral e sustentável. dos mais excluídos. aquele é profundamente qualitativo. especialmente. 3. A ABORDAGEM DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL A partir do primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1990. através da garantia de participação. 2004). isto é. o crescimento da economia passa a ser entendido como parte de um processo maior. participação dos pequenos produtores e potencializando economias locais. Entretanto. na exploração das capacidades. cada vez mais. Neste sentido. aquele ou aquela capaz atingir a autorrealização e levar o tipo de vida que valoriza. Sen (2008) afirma ser a “eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de agente”. Necessita-se. a influência positiva do desenvolvimento na qualidade de vida.

outra preocupação integra a concepção atual de desenvolvimento. o objetivo maior se torna promover a igualdade e maximizar a vantagem daqueles que vivem nas piores condições. ampliá-las possibilita que as pessoas possam cuidar de si mesmas e influenciarem a coletividade. Essa preocupação se baseia no duplo imperativo ético de solidariedade sincrônica com a geração atual e de solidariedade diacrônica com as gerações futuras. com consequências de longo alcance para que o pensamento econômico sobre o desenvolvimento se diferencie do economicismo redutor. Além disso. contempla-se a preocupação ambiental no processo de desenvolvimento. de forma a reduzir a pobreza. disponibilidade de trabalho autônomo ou heterônomo. equidade e solidariedade são valores que também estão inseridos na compreensão de desenvolvimento. O desenvolvimento sustentável é “aquele que satisfaz as necessidades do presente. 1987). Sachs (2004) complementa ao afirmar que igualdade. Estas são os meios principais e fins primordiais do desenvolvimento. as liberdades relacionam-se e fortalecem-se. Em vez de maximizar o crescimento do PIB. sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades” (CMMAD. o que tem relação direta com a ausência das liberdades citadas anteriormente. pois liberdades políticas – liberdade de expressão e eleições livres – ajudam a promover a segurança econômica. oportunidades econômicas – oportunidades de participação no comércio e na produção – proporcionam a abundância individual. facilidades sociais – serviços de educação e saúde – possibilitam a participação econômica. acesso a habitação. Além da articulação entre a racionalidade econômica e a ética social.24 econômicas. Para alcançar esse objetivo é necessário que haja condições para produção de meios de existência estabelecidos por uma série de critérios. que é a sustentabilidade ambiental. sendo não apenas agentes. facilidades sociais. por exemplo. A abordagem territorial é capaz de contemplar esses elementos que constroem a nova compreensão acerca do processo de desenvolvimento – superar a pobreza. Ao evocar tal ‘ética da perpetuação da humanidade e da vida’. e direito ao ócio. 2008). liberdades políticas. além de recursos públicos para os serviços sociais (SEN. garantias de transparência e segurança protetora. Dessa forma. seja material ou capacitação. acesso a condições de produção. 2008). atuar sob a sustentabilidade ambiental e seu relacionamento com o crescimento econômico e o . quais sejam. "a expressão sustentabilidade passou a exprimir a necessidade de um uso mais responsável dos recursos ambientais” (VEIGA. acesso universal a serviços públicos. mas também beneficiários do desenvolvimento.

com os lugares e objetos. caracterizados por critérios multidimensionais. tais como o ambiente. pode-se encontrar um entendimento sobre território. que combina a proximidade social – facilitadora da solidariedade e cooperação – com a diversidade de atores sociais. intenso relacionamento institucional e aprendizagem coletiva (MAILLAT. Grupos locais com identidade social e territorial têm sucesso em mobilizar forças e estratégias de desenvolvimento. utilizando-se das definições de teóricos. a partir da união de diversos fatores. 1997). da sua apropriação e do seu uso sobre a base física e natural em que se encontra e transformações daí decorrentes (BECKER. 1986. geralmente contínuo. não apenas pelo poder do Estado. compreendendo cidades e campos. que se relacionam interna e externamente por meio de processos específicos. consequência da diversidade de atores que compõem a escala social (DI MÉO.25 desenvolvimento social. onde se pode distinguir um ou mais . proporcionando uma melhor articulação dos serviços públicos e o mercado interno. HAESBART. SOUZA. pois o território é o fundamento do trabalho. mobilidade de fatores. VASQUEZ BARQUERO. RAFFESTIN. E ainda. um processo de interação as relações cotidianas e na co-presença de pessoas entre elas. Em Schneider (2004. 2009) e Machado (2011). 1995. 1983. 2007. Também é uma construção social. geograficamente definido. 2002). potencial de inovação. O MDA. como a relação entre homem e espaço. e desenvolvimento endógeno. 1998. 2006). o território como meio e. a política e as instituições. define território como um espaço físico. processos econômicos estruturados. identidade e poder. estruturado por relações de poder ou domínio dos espaços. O foco das políticas públicas é o território. a economia. com grupos sociais relativamente distintos. o lugar da residência das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida (SANTOS. em seu documento intitulado de “Referências para o Desenvolvimento Territorial Sustentável”. 1995). o território é uma referência cultural constituído a partir de relações entre as dimensões imateriais. culturais e simbólicas que criam identidade (sentimento de pertencimento) e elos sociais entre os indivíduos. muito mais que um conjunto dos sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas ou um espaço físico ocupado. também. a sociedade. e uma população. a cultura. O território seria agente do próprio desenvolvimento e não apenas o receptáculo ou suporte de recursos em decorrência de possuir dinâmica social e econômica. porém por múltiplos poderes de origens diversas manifestados de formas variadas e heterogêneas. SAYAGO et alli. além do fortalecimento da identidade cultural que estrutura a coesão social e a coesão territorial. Compreende-se. produto das interações humanas com o espaço. ao mesmo tempo.

baixa densidade demográfica. A dimensão político-institucional envolve os aspectos de construção ou renovação de instituições que permitem chegar às estratégias negociadas. a cultura o território e o respeito pela diversidade frente à possibilidade de melhorar a qualidade de vida das populações. Perico (2009. além de fortalecer as cadeias produtivas e de integrar redes de produtores. eficiência econômica (garantias de trabalho e renda) e gestão pública eficiente (equipamentos e participação dos gestores). tendo. ainda que a agricultura ofereça a maioria das oportunidades de trabalho e renda em áreas rurais. A partir de interpretação do modelo de desenvolvimento local em Buarque (2008).57) esclarece o entendimento de cada dimensão. as quais contribuem para o desenvolvimento territorial numa perspectiva mais ampla de sustentabilidade. autonomia e autogestão dos atores sociais. supõe um contato imediato da população com o meio natural e um ambiente fortemente favorável à cooperação por ser não-densamente povoado. MDA. p. Segundo o autor. Reafirma-se o reconhecimento. também há envolvimento em atividades de economias múltiplas. A dimensão sociocultural diz respeito à equidade social obtida com a participação dos cidadãos nas estruturas de poder. Incluem-se espaços urbanizados que compreendem pequenas e médias cidades. . por referência. os valores. p. 2005) são: ambiente natural pouco modificado e/ou parcialmente convertido a atividades agro-silvo-pastoris. A ruralidade é um conceito territorial e multissetorial. obtendo a governabilidade democrática e a promoção do exercício cidadão. cultural e territorial (BRASIL. a história.26 elementos que indicam identidade e coesão social. MDA. pode-se afirmar que o desenvolvimento territorial sustentável decorre da interação e sinergia entre qualidade de vida da população (investimentos sociais e preservação ambiental). com ênfase na ideia de gestão sustentável dos recursos naturais. em suas estratégias de desenvolvimento territorial. 2005. hábitos culturais e tradições típicas do universo rural. base na economia primária e seus encadeamentos secundários e terciários. Os elementos rurais reconhecidos pelo MDA (BRASIL. a ruralidade e sua influência significativa para a economia dos territórios. 34). Esse modelo pode ser aplicado sem prejuízos ao estudo do desenvolvimento territorial. Já a dimensão ambiental se refere ao meio ambiente (ativo do desenvolvimento) e se apoia no princípio da sustentabilidade. haja vista que o entendimento de ambas as abordagens estão sedimentadas sobre a descentralização. por parte da SDT. diversificar. Essa visão admite que o meio rural tenha se urbanizado. de forma a garantir a disponibilidade desses recursos às gerações futuras. usar e articular recursos locais ou regionais para gerar oportunidades de trabalho e renda. vilas e povoados. a dimensão econômica abrange as capacidades de inovar.

elevando a intervenção de municípios isolados a grupos de municípios atuando de forma colaborativa. A sustentação desse processo tem sucesso a partir da garantia de governança. mais chances os pobres têm de superar a penúria. melhor educação e medidas preventivas. 2006. não negando. Complementa-se com a participação dos gestores públicos investindo em equipamentos sociais. elevam diretamente a qualidade de vida da população. Os quais. A pobreza não deve ser vista apenas como baixo nível de renda. a partir de investimentos no setor produtivo. de acesso à água limpa. porém não é condição suficiente. deve estar acompanhada de políticas públicas que sustentem. explorando potencialidades locais aliadas a conservação dos recursos naturais. Contribui. O autor ainda afirma que os serviços de saúde são parte do esforço de melhorar o bem-estar da população. 2004). . para a afirmação de trabalho decente. pois contribui para o despertar cultural e conscientização. seja para ingresso no mercado de trabalho ou para fomentar atividades próprias (SACHS. saúde. que a renda baixa pode ser razão primordial para privação. o que também contribui para que eleva-se o potencial de auferir renda. SEN. A diferença encontra-se na proposta de ação.27 sustentabilidade e combate a pobreza. a pobreza econômica e carência de serviços públicos e assistência social – educação. Quanto à qualidade de vida. desde muito tempo processos de exclusão social e de desqualificação dos serviços públicos (GUANZIROLLI. autoconfiança e a autoestima. além de elevar o sentido de autonomia. atuando de forma colaborativa e garantindo a autonomia dos espaços públicos. a criação de colegiados territoriais. quanto mais amplo for o alcance de tais serviços. aliados à provisão de moradia decente. de condições de moradia e de trabalho. reduzindo a dependência de transferências de renda. reafirma-se que o desenvolvimento requer a remoção das fontes de privação de liberdades. investindo em capital humano e qualidade de vida da população. o que depende de alimentação adequada (segurança alimentar). 2008). organização da sociedade e formação de capital social através de processo de institucionalização de espaços para participação dos atores – decorre desse entendimento. E ainda. garantindo a inclusão produtiva da população. dessa forma elevando o aumento de suas rendas e riquezas locais. Porém. A educação é elemento essencial para o desenvolvimento. quais sejam. visto que o processo de desenvolvimento endógeno só existe se o territorial e seus respectivos municípios apresentarem economias eficientes e competitivas. elucida-se que as regiões mais carentes de desenvolvimento são exatamente aquelas que apresentam os mais altos índices de analfabetismo e que sofrem. sensatamente. também. moradia. Desse modo.

SACHS. à tecnologia e ao crédito. 47) afirma que “a vitória sobre a pobreza depende. antes de tudo. acesso à terra. Investir em trabalho e renda assegura a sustentabilidade social e econômica. fome e subnutrição. visto que a população pobre está praticamente excluída de tal processo e as condições para produção de meios de existência suprem as necessidades materiais da vida. do aumento das capacidades produtivas e da inserção em mercados dinâmicos e competitivos das milhões de famílias cuja reprodução se origina em seu trabalho por conta própria”. devese enfatizar que o aumento da eficiência econômica. 2004. 2008). Entretanto. fazem uso de tecnologias tradicionais e têm baixa orientação para mercados – que são geralmente mercados locais – e com produtos de pouco valor agregado. só funcionam se observados tais requisitos. discute-se aqui a questão de eficiência econômica. deve ter. Pois o baixo nível de renda ocasiona anafalbetismo e más condições de saúde. os investimentos devem mobilizar e explorar as potencialidades do território. melhorar a educação e saúde ajudam a auferir rendas mais elevadas. 2008. Veiga (2008) alerta que se deve economizar no uso da natureza devido aos altos custos da sua recuperação. que deve ser pensada como sustentadora da qualidade de vida para as populações presente e futura. da produtividade e da competitividade para que influencie positivamente o bem-estar da população de modo geral. os quais só alguns excedentes da produção que são comercializados. p. Outro fator relevante é a sustentabilidade ambiental. contribuindo para o aumento de oportunidades sociais e tornar viável e competitiva a sua economia. Sachs (2004) complementa que as atividades voltadas para conservação destes recursos contribuem para o melhoramento das capacidades produtivas existentes e um maior crescimento de maneira sustentável. ações e medidas voltadas para os grupos sociais de baixa renda. Além disso. As estruturas produtivas familiares. Consolidar a agricultura familiar e a redução da pobreza perpassa pelo aprimoramento de sua capacidade produtiva através do fortalecimento da comercialização. por sua relação simbiótica nos espaços de produção em meios rurais. contudo. Sachs (2004) ilustra que experiências de reforma agrária. Esta colocação torna-se mais clara com a proposição de Echeverria (2000) acerca da utilização de tecnologias e sistemas que . as ações devem visar à sustentabilidade ambiental para que o processo se dê de maneira consistente. (ROCHA e BURSATYN. Entretanto. A inclusão produtiva torna-se requisito do desenvolvimento. Deve-se lembrar que o aperfeiçoamento organizacional é tão importante quanto o aperfeiçoamento técnico. Abramovay (2005. em seus projetos. por exemplo.28 No tocante à eficiência econômica. características da agricultura tradicional. o fim da produção é normalmente o autoconsumo e segurança alimentar. SEN.

ou seja. deve-se compreender que o desenvolvimento não é uma coleção de coisas. ou seja. assim. 2007). como conselhos. Além de um plano de baixo pra cima fomentar a democracia local e elevar a consciência da comunidade. contribui para superação de dilemas de ação coletiva na medida em que esses atores interagem e compartilham suas . mas um processo que produz coisas. organização dos serviços públicos e articulação com os atores sociais. evitando assimetria da informação. Segundo o autor. Nessa perspectiva. Esse processo de descentralização propicia o desenvolvimento na medida em que a abordagem territorial “tem como objetivo central a criação de institucionalidades e a articulação de atores e de políticas públicas que favoreçam o desencadeamento de dinâmicas endógenas capazes de sustentar processos de desenvolvimento territorial” (DELGADO et alli. fóruns e colegiados. ou capital social. o desenvolvimento não resulta apenas da posse de infraestrutura. estratégias de desenvolvimento que se utilizam de parcerias governo-sociedade local apresentam maior potencial de desenvolvimento por unirem preocupação com os aspectos sociais da localidade. A consecução de ambos pressupõe a gestão pública eficiente. estes recursos também oferecem a possibilidade de criar produtos orgânicos e novas tecnologias – que se entende não só como recursos tecnológicos. 1996). as políticas públicas por si só não são suficientes para atender as demandas sociais e suas problemáticas sem a cooperação social (CASTELLS e BORJA. Buarque (2008) corrobora declarando que o desenvolvimento local ou territorial satisfatório depende da capacidade de estruturação e mobilização de seus atores tendo em vista a sua conjuntura a fim explorar as prioridades e potencialidades específicas. Espera-se dos governos um conjunto de práticas públicas que envolvam o equipamento do espaço. qualidade de vida e eficiência econômica são fatores que se relacionam. Nesse sentido. que constitui tanto a atuação do governo quanto da sociedade civil organizada. um maior comprometimento da comunidade com o êxito desses esforços. conhecimento das necessidades reais das famílias e. mas também como manejo da produção. É a descentralização que proporciona a institucionalização. Pensar que as coisas por si só são suficientes para promover o desenvolvimento cria falsas expectativas e evita que medidas efetivas sejam tomadas. Como já visto até aqui. A capacidade em auto-organizar-se.29 respeitam a natureza. a qual representa condição elementar para a interação dos atores sociais por intermédio da constituição dos espaços públicos. Guanzirolli (2006) alerta que a participação dos indivíduos proporciona aos gestores públicos e aos próprios atores envolvidos o conhecimento da realidade vivida no território.

as organizações representativas da agricultura familiar são insuficientes em número. Coleman (1990. favorecendo a inovação no contexto individual e coletivo. sociocultural. p. Assim.30 vivências. 2008). SEN. Deve-se compreender que a participação. não é prerrogativa para o estímulo de práticas inovadoras que ampliam a geração de renda e inserção dos mais pobres. A participação pode ser central para sanar alguns problemas básicos do desenvolvimento que. ativos de capital que geram resultados. Essas questões limitam a ação de estratégias de desenvolvimento (NAVARRO. “o capital social facilita a cooperação espontânea”. É comum que os processos participativos legitimem poderes dominantes e inibam as formas inovadoras e inclusivas de recursos (ABRAMOVAY. Essa disfunção é facilmente sustentada por outro problema. que é o frágil preparo dos atores sociais. Nesse sentido. 2005). 2001). por si só. 2008. que o desenvolvimento territorial deve acontecer a partir das dimensões ambiental. Garantir autonomia e autogestão . Atuar sobre situações presentes mediante mecanismos articulados a um projeto de longo prazo. no modo economicista tão apregoada. as sobrepõem. os fatores econômicos tradicionais não são mais considerados como fatores explicativos suficientes para o desenvolvimento (MULS. porém. através dos quais os atores se mobilizam para formar demandas e articularem de que forma serão contemplados pelos projetos disponibilizados pelo Estado. A mobilização dos atores e a formação de redes entre organismos e instituições locais são formas de inserção produtiva e uma atenuação das desigualdades sociais. através de um modelo de desenvolvimento sustentável e combate à pobreza que não comprometa as metas de bem-estar e progresso das gerações atuais e futuras. econômica. a exemplo dos colegiados territoriais. surge uma noção interna de reciprocidade na cooperação. comumente ignorado durante o processo de descentralização e criação de institucionaliades. pois se estabelece relações de confiança e solidariedade nesses organismos de ação coletiva. então. No geral. mas uma variedade de diferentes entidades que possuem duas características em comum: consistem em algum aspecto de uma estrutura social e facilitam algumas ações dos indivíduos que estão no interior desta estrutura”. pode conduzir a eliminação de tradições e herança cultural. consequentemente. pouco representativas e têm baixa capacidade de mobilização social. De acordo com Putnam (2009). a abordagem incorpora elementos sociais e históricos. as estruturas sociais são recursos produtivos. Ao considerar o desenvolvimento como fruto das interações sociais. não substituem as ação do mercado e a ação estatal. Compreende-se. político-institucional. 302) afirma que o “capital social não é uma entidade singular.

a complementaridade.31 complementar ao processo de descentralização considerando as relações e o protagonismo entre os diversos atores. . E também priorizar a articulação de uma economia territorial. aos serviços ambientais e às externalidades econômicas do território rural. a importância de outros setores produtivos não vinculados à produção primária. no qual se reconhece a multiplicidade.

Poço Branco. Pureza. CARACTERIZAÇÃO DO MATO GRANDE Mapa 1: Territórios rurais do RN Fonte: INSTITUTO KAIRÓS. passando a receber a denominação de Territórios da . Parazinho. a Região do Mato Grande foi. Taipu e Jardim de Angicos. então. para fins de efetivação das políticas de desenvolvimento rural foram. No início do ano de 2008. Rio do Fogo. João Câmara. a denominação popular de Região do Mato Grande foi transformada para Território do Mato Grande. por força de gestão governamental das políticas públicas. que instituiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário. São Bento do Norte. a estratégia de Territórios Rurais foi objeto de integração das políticas públicas não só do MDA. Nesse contexto. Mais recentemente. Pedra Grande. Bento Fernandes.32 4. que adotou o conceito de Território na gestão governamental nos espaços rurais e reformulou sua estrutura administrativa com a criação da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT). Jandaíra. o Território do Mato Grande é composto por 16 municípios: Ceará-Mirim. denominada de Território Rural do Mato Grande. mas do conjunto dos Ministérios do Governo Federal. criados os Territórios Rurais nos vários estados do país. No Rio Grande do Norte. São Miguel do Gostoso. Isto aconteceu a partir de 2003 com o Governo Lula. 2011 Localizado a Noroeste da capital Natal. Touros. Maxaranguape. Caiçara do Norte. naturalmente.

pois a concentração fundiária da região é muito alta.000 habitantes. dos quais 109. a renda per capita da população é de R$ 76. nenhuma arrecadação própria e sobrevivem das receitas de transferência. o Mato Grande transforma-se em Território da Cidadania do Mato Grande.9% da população e 66.000 habitantes e apenas quatro apresentam população inferior a 5. Caracteriza-se por ser um território tipicamente rural.99 habitantes/km². O território apresenta tendência para a agropecuária. estadual e federal.758. a economia da região precisa ser dinamizada. Este território apresenta uma área geográfica total de 5. pois sobrevive basicamente das transferências públicas e do funcionalismo municipal. pois sem renda as pessoas não podem adquirir bens e serviços na região.8% das pessoas responsáveis por domicílios têm menos de quatro anos de estudo.420 residem na área rural. dentro de um modelo de produção com base na grande propriedade. de acordo com o Índice de Gini. Essa situação se reflete na falta de dinamismo da economia local.921 residem na zona urbana e 116. O território do Mato Grande insere-se na Região do Litoral Norte e abrange os cinco municípios da sub-região de Baixa Verde estando. Os municípios não têm. constituindo-se na região com IDH mais baixo do Rio Grande do Norte. a exceção é o município de Jandaíra que devido à exploração de petróleo realizada pela Petrobrás. praticamente.000 habitantes. bem inferior à média do Estado que é de 59. conforme a produção de óleo extraída do município.625. Segundo consta no Plano Territorial de Desenvolvimento Sustentável do Mato Grande (PTDRS).6 km². nove deles têm população menor que 10.9% da área do Estado. O comércio contribui de maneira significativa para a manutenção destas atividades e circulação de dinheiro no território. De maneira geral. As duas cidades polo do território são João Câmara e Touros que apresentam uma arrecadação significativa de ICMS.408 habitantes. representando 10. a maioria da população dos municípios do território apresenta renda de até um salário mínimo e um número considerável não apresenta rendimentos.07 habitantes/km². A população do Território do Mato Grande é de 226. Dos 16 municípios que compõem o território. A sua dinâmica econômica é atrelada à produção agropecuária e a negócios não-agrícolas que ocorrem em cidades com menos de 10.58. De acordo com o PTDRS. A taxa de analfabetos acima de 15 anos é de 35. tem uma arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços maior que os demais municípios do território e apresenta também participação nos royalties distribuídos. O seu IDH é de 0. é 0.15/mês e a concentração de renda. A partir de então. que representam as únicas fontes de renda destes municípios. com densidade demográfica de 36. portanto em uma região de grande .33 Cidadania.

praticamente.34 concentração fundiária. mandioca. A região está totalmente encravada no semi-árido. . esta é bastante diversificada. pois o potencial é bom e as alternativas de mercado estão em ampliação com a população. Quanto à produção agrícola. portanto a questão da água tem sido crucial para viabilizar a realidade das famílias assentadas. São poucas as alternativas que se têm e. que hoje se encontram desativadas. cada vez mais. toda a produção é escoada pelos atravessadores. Na maioria das comunidades não existem estruturas de beneficiamento da produção funcionando adequadamente. durante certo período até a sua consolidação. A comercialização da produção é um grave problema enfrentado pela maioria dos agricultores e agricultoras familiares do território. pois a região tem condições naturais excelentes para a sua produção. castanha de caju e o coco destacam-se dos demais. Os municípios do território concentram grande parte do rebanho bovino do Estado. que normalmente ficam com a maior parte do lucro. é preciso apoio técnico permanente e o financiamento do capital de giro necessário ao funcionamento do empreendimento. Ainda falta organização desta produção para buscar os melhores canais de escoamento para estes produtos. sem isto o insucesso está praticamente garantido. Essa realidade motivou os movimentos sociais a realizarem uma forte ação na região que culminou com a desapropriação de muitas áreas improdutivas. que convertidas em assentamentos de reforma agrária. consumindo essas mercadorias. cana-de-açúcar. O crédito para implantação física não é suficiente para fazer com que uma pequena agroindústria insira-se no mercado de maneira competitiva. apesar do Programa de Combate a Pobreza Rural (PCPR) ter financiado várias dessas pequenas agroindústrias familiares. sendo que alguns produtos como o abacaxi. A caprino–ovino cultura poderia ter um papel mais significativo nesta região.

produziu diversos índices que permitem visualizar a situação atual do Território do Mato Grande. é um conjunto de abordagens. o presente trabalho visa compreender o desenvolvimento territorial no Mato Grande. exige-se comprometimento por parte do pesquisador em sua escolha e adequação aos objetivos da pesquisa. técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento. Identidade Territorial e Índice de Condições de Vida (ICV). este autor faz parte – vinculada ao projeto Gestão de Políticas Públicas e Controle Social em Territórios da Cidadania: mapeamento. de um fenômeno ou a relação entre variáveis. por utilizar-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico. No tocante aos seus procedimentos técnicos. tem-se acesso aos manuais de pesquisa que continham o modo como se produzia os índices – cálculos e questões relacionadas –. Também. quanto aos seus objetivos. fato que permite o aprofundamento na análise. De posse desse entendimento. como pesquisa exploratória e descritiva. em seu ciclo inicial. Segundo Gil (1996). Esses . sistematização e avaliação de Programas de Desenvolvimento Sustentável no Mato Grande (RN). esta pesquisa caracterizase como documental. METODOLOGIA A metodologia é o conhecimento crítico dos caminhos do processo científico. a construção dos questionários e a tabulação dos dados foram realizadas pela SDT/MDA. motivo pelo qual os dados são aqui considerados secundários. o caráter exploratório propicia maior familiaridade com o problema e o torna mais explícito. assim como possibilita a construção de hipóteses. O mesmo autor refere-se ao caráter descritivo da pesquisa como aquele que proporciona descrição das características de uma população. Os questionários aplicados foram no total de quatro: Capacidades Institucionais. por isso. Necessita-se esclarecer que os dados analisados neste trabalho são resultados da pesquisa realizada pela Célula de Acompanhamento e Informação do Território do Mato Grande (CAI) – da qual. 1989). executado pela Uiversidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e financiando pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com MCT/SDT/MDA. caracterizando-se.35 5. é a disciplina instrumental a serviço da pesquisa. de uma maneira sistemática. porém. Sua utilização indevida influencia na consistência e confiabilidade da pesquisa e. indagando e questionando acerca de seus limites e possibilidades (DEMO. Gestão do Colegiado. Tal projeto. Entretanto. A aplicação dos questionários foi realizada pela Célula e o autor desta monografia foi um dos pesquisadores. ou seja.

Ambiental e Demográfico). 2009). 2008). Contudo. no tocante a abordagem de seu problema. evita distorções de análise e interpretação. Econômico. que fez uso dos dados da pesquisa acima. a pesquisa realizada pela Célula de Acompanhamento e Informação e a equipe da SDT/MDA utilizaram-se do método quantitativo. utilizou-se a escala de Likert. a qual verifica a posição de um objeto conforme a opinião dos respondentes (VERGARA. segundo Richardson (2008). . para este trabalho de conclusão de curso. possibilitando. Entende-se que a pesquisa moderna não deve considerar a dicotomia entre estudos “qualitativos” e “quantitativos”. Quanto à coleta e ao tratamento das informações. Social. questões de múltipla escolha com respostas múltiplas e escalonadas – no caso. Os instrumentos referidos são compostos por questões fechadas dicotômicas e tricotômicas. Os três primeiros questionários citados foram aplicados para os 56 representantes do colegiado territorial do Mato Grande e o ICV foi aplicado em 295 domicílios rurais pré-selecionado pelo IBGE e o MDA. uma margem de segurança quanto às inferências (RICHARDSON. realizou-se análise qualitativa das informações por ser uma forma adequada de compreender um fenômeno social.36 instrumentos produziram índices homônimos. mais especificamente. os quais são calculados a partir de dados de órgãos censitários oficiais. Pois possibilita a isenção e garante a precisão dos resultados. pois. consequentemente. Destaca-se o “Índice de Desenvolvimento Sustentável”. composto por seis subíndices (Político-Institucional. exceto o “Gestão do Colegiado” que é subíndice de Capacidades Institucionais. Cultural. o aspecto qualitativo de uma investigação pode estar presente em informações colhidas por estudos quantitativos. a escala de classificação.

Entretanto. sem analisar informações sobre trabalho ou diversificação de renda. onde 1 é o melhor nível. com aparente grau de privações de liberdade. abaixo do índice do estado que é de 0. As três instâncias são respondidas por completo apenas por produtores. Ao ser analisada a qualidade de vida. 6. Assim como. O ICV. O indicador vai de 0 a 1. também. aqueles que não produzem em sua moradia ou não tem propriedade de produção respondem apenas a terceira instância. A situação desse indicador no território é preocupante. . que varia de 0 a 1. ANÁLISES DOS DADOS Este capítulo destina-se à discussão dos dados do Território do Mato Grande. questões que influenciam a organização da sociedade para a gestão pública dependem de fatores da qualidade de vida e de condições de trabalho e renda. não é possível que eles sejam analisados de forma desassociada. O IDH do Território do Mato Grande fica na média de 0. cujo o valor é de 0. QUALIDADE DE VIDA A fim de discutir a Qualidade de Vida no Território do Mato Grande. O primeiro deles é o IDH. vários indicadores foram utilizados.1. nível escolar e renda per capita . Natal. que não considera condições de moradia e saúde e.estas dimensões têm a mesma importância para o cálculo do índice. em especial. Nessa mesma compreensão.787. quando estudam-se as condições de trabalho e renda para a eficiência econômica. considera apenas o valor per capita. onde 1 é o nível de desenvolvimento pleno. observa-se a participação dos gestores públicos para alcançar níveis ótimos. gestão pública eficiente e eficiência econômica deve respeitar a interação entre esses fatores. revela o nível de melhora na qualidade vida dos entrevistados segundo sua percepção. pois se infere um desenvolvimento frágil na região.625 que é um valor baixo quando comparado com o da capital do Rio Grande do Norte. por ser um índice limitado. O índice é composto por três instâncias – fatores que condicionam o desenvolvimento. Ressalta-se que o estudo do desenvolvimento a partir da qualidade de vida. a análise da qualidade de vida foi complementada com informações do Índice de Condições de Vida e dados que compõem o Índice de Desenvolvimento Sustentável. discute-se a sua importância para qualidade de vida. características do desenvolvimento e efeitos do desenvolvimento. quanto à renda.37 6. que mede o desenvolvimento utilizando-se da longevidade média da população. e.702.

01% dos respondentes). o que pode contribuir para a eficácia das políticas de desenvolvimento baseadas na descentralização.38 Dentre os “fatores que condicionam o desenvolvimento”. é a influência positiva da educação na conscientização e no empoderamento da população quanto ao território. para o qual 59. A escolaridade que produziu um índice de 0. Outro aspecto que torna preocupante para o Mato Grande os índices educacionais apresentados. em suas moradias.47% dos respondentes).8% da população avaliam entre “Regular” e “Ruim” a escolaridade geral da família – em uma escala que varia entre Ótimo.18% dos respondentes). considerado “médio”. Além disso. em situação de baixa renda.59% dos respondentes). Um paradoxo. Dessa forma. alguns são importantes para a avaliação da qualidade de vida. A moradia decente é certamente um fator fundamental condicionante do desenvolvimento includente. assim como. devido à função instrumental que exerce a educação quanto ao trabalho e a possibilidade de auferir mais renda.542. fogão a gás (94.20% tinham todos os membros da família. Ressalta-se a dificuldade em elevar os níveis educacionais pela exigência de outros investimentos agregados. água dentro ou próxima da casa (96.70% tinham todos os adultos com 1º grau completo e 58.56% dos respondentes) e computador (1. telefone (55. porém compreensível. Bom. Em análise do ICV. como transporte e a oferta de professores capacitados. maiores de 15 anos. Ruim e Péssimo. pela necessidade de sobrevivência e garantia do mínimo de bem-estar. geladeira (94. banheiros dentro de casa (91. dificultar a evolução do desenvolvimento. Regular.32% tinham todos os membros da família.71% dos respondentes). . os respondentes afirmaram que possuem energia elétrica (99. assim.677 (médio alto) com avaliação destacada para o “Bom” que. Dos 189 respondentes.3%. haja vista o avanço de programas de transferência de renda que exigem a assiduidade escolar e a quantidade pífia de adultos com o 1º grau completo. a população em idade ativa prefere o trabalho à formação educacional mesmo reconhecendo que o nível de escolaridade não é ideal. baixos níveis educacionais podem significar a abstenção dos atores sociais nas ações que os abrangem e. em idade escolar. Infere-se que a quantidade de alfabetizados é razoável devido ao número de membros em idade escolar que estão frequentando regularmente. 60. frequentando regularmente a escola. sozinho.30% dos respondentes). a visão da população acerca de alfabetização no tocante apenas a escrita do nome que os levavam a considerarem-se como alfabetizados – observação feita durante a aplicação dos questionários. alcança 59. o nível de condições de moradia no Mato Grande apresenta-se em 0. 12. alfabetizados. E.

03) e de coleta de lixo (0. porém índices calamitantes de disponibilidade de esgoto sanitário (0. Quando questionadas acerca de normas expedidas.6% dos 295 respondentes. a partir de dados do trabalho de Luiz e Ribeiro (2009). neste intuito a pesquisa do ICV abrangeu a percepção da população quanto à situação ambiental na região. proporciona aprimoramento das condições de higiene e de segurança alimentar que contribuem para a melhora da saúde. somente uma afirmou que obtinha mapa de áreas degradas e em risco de degradação. pois com baixas condições de saúde a população torna-se menos apta ao trabalho. a primeira delas alcançou um índice de 0.563. mas. uma média razoável de abastecimento de água (0. dentre as 16 prefeituras entrevistadas para avaliação das Capacidades Institucionais. condições de saúde. uma barreira ao desenvolvimento. Níveis razoáveis.39 A presença dos itens citados em residências traduz melhoria no bem-estar das famílias.5% na amplitude de “Ruim – Péssimo”. minimamente. Tais informações críticas são reforçadas pelo índice de leitos hospitalares. entre as pessoas. compensada pela presença marcante da agricultura para subsistência e a troca de bens. Reafirma-se a condição destacada da sustentabilidade na compreensão atual de desenvolvimento. Esta é. mas satisfatórios. Uma situação aparentemente razoável. fato preocupante.7%) e “Ruim” (22.097. Conclui-se que há baixo investimento em estruturas de saúde na região. porém. “Regular” (40.09). especialmente alimentares.2%. A segunda. com o propósito de garantir a conservação dos recursos naturais. baseados na metodologia do IDS.4%). Além da possibilidade do fortalecimento da interação e troca de informação através da posse de telefone e.510 com avaliação bem distribuída entre “Bom” (31. em 38. desde estratégias de atendimento básica até atendimentos de urgência. razão entre o total de leitos em unidades de saúde e o total de habitantes. índice que alcançou um nível médio de 0. de computador. Retomando a discussão acerca da alimentação e da saúde. pois.638 com classificações de “Bom”. Situação . pois é por intermédio destes espaços que são conduzidas as ações relativas à saúde. que alcança a marca irrisória de 0. aufere menos renda por concentrar o consumo em medicação e desmotiva-se ao convívio social e às atividades de lazer. quando observada com atenção. ainda que. nos últimos dois anos. com avaliação de 55. Em primeiro lugar. Encontrou-se ainda. também. questões da instância efeitos do desenvolvimento. três afirmaram não ter expedido sequer uma norma e apenas uma afirmou possuir Plano Diretor. em 49.63). e “Regular”.2%). visto que há uma fragilidade quanto à renda nessa região. abrange um índice de 0. revela a condição precária do Território no que tange aos fatores ambientais.

prejudicando. 6. Porém. em uma análise profunda. muito mais. que já vivenciaram situações mais precárias. EFICIÊNCIA ECONÔMICA A dimensão eficiência econômica do Território do Mato Grande foi avaliada a partir de questões sobre produção e comercialização presentes no ICV junto aos demais dados da CAI. ou seja. a preocupação na capacidade de produção para os próximos anos. A participação em atividades culturais alcançou marca de 0. nas condições em que se apresentam.350. fator primordial para a qualidade de vida. o bem-estar e o convívio social propiciado. apesar da percepção da população expor sempre níveis razoáveis. apresenta. Esse quadro de melhoria parece ser realidade no que tange à moradia.2. há um índice levantado nos dados da Célula de Acompanhamento e Informação que merecem atenção: o índice de área utilizada – áreas do município já ocupadas por processo produtivos – já atinge o nível de 0. serviços básicos como educação e saúde são precários. uma visão questionável a partir de dados oficiais. E. Na perspectiva de solidariedade com as gerações futuras.40 que traz prejuízos a saúde coletiva e. a aceitarem como confortável o que possuem hoje. até mesmo. empobrecendo o solo. o quadro de sustentabilidade que. um nível débil de qualidade de vida. pode trazer esgotamento da capacidade produtiva. entretanto. pois sem coleta. a escolha para o tratamento do lixo é a queima na propriedade. representada pelo índice de fortalecimento institucional da cultura em 0. . o que leva essas pessoas. compreensível. Esse índice indica a existência de instituições que preservam a prioridade do setor na gestão municipal. Justificável pela falta de investimento na área. devem comprometer a capacidade produtiva de gerações futuras. o qual tem um influente poder impositivo. O baixo investimento também é visto quando se avalia o índice de infraestrutura em recursos humanos para a gestão cultura que atinge apenas 0. assim.303. as condições de renda.974 que somado a ausência em medidas de conservação os recursos naturais por parte do poder público. assim. E. A importância dessa dimensão encontra-se no peso da renda para a consecução do combate a pobreza. pela importância da cultura com o sentimento de empoderamento e identificação com o território que produz maior envolvimento com o processo de desenvolvimento. devido à evolução do combate a pobreza nos últimos anos. O Mato Grande.295. Esses dados preocupam pela relação das atividades culturais com o lazer e. principalmente. a produtividade. consequentemente.

os níveis de renda cairão e a pobreza se elevará. ainda que o Território apresente um número diversificado de culturas. A partir da pesquisa do ICV. a concentração de renda atinge 0. pois se a atividade que gere esse ganho apresentar problemas. é importante conhecer o Índice Gini-Renda. A dependência de uma só fonte de renda revela risco para a estabilidade social da região. O valor varia de 0. Por outro lado. muitas vezes até da monocultura. que. dependência da sazonalidade da monocultura e estabelecendo vulnerabilidade a intempéries que possam assolar a produção.376). que é o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. alcançam um índice relativo ao atendimento das famílias de 0. Suas oportunidades de trabalho estão. Segundo o ICV. valor alto que revela desigualdade social. especialmente programas de transferência de renda. . foram respondidas apenas por produtores. quando não há desigualdade (a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor). o baixo custo de vida e reciprocidade comumente praticada favorecem a aceitação de baixos saldos como valores aceitáveis. o que representa fragilidade pela dependência de poucas culturas. corre-se o risco de investir somente nela e justamente reforçar o ciclo de dependência. quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). Será utilizado aqui. o avanço de ações de combate a pobreza. Essa situação reflete-se no restrito dinamismo da economia local.489 com avaliação destacada para a amplitude entre “Regular” e “Bom” que somados atingem 74. sem renda as pessoas não podem adquirir bens e serviços na região. como já discutido. se essa fonte de renda caminha bem.41 Inicialmente. atividade produtiva principal do Mato Grande. Conquanto.58. a diversificação das fontes de renda apareça em nível bastante inferior – 0. A maioria da população dos municípios do território apresenta renda de até um salário mínimo e um número considerável não apresenta rendimentos. No Mato Grande.553. como argumento para sustentar esta questão. As questões apresentadas pelo ICV quanto às condições de trabalho e renda inseremse nas instâncias de “fatores do desenvolvimento” e “características do desenvolvimento”. segundo dados do Índice de Desenvolvimento Sustentável (IDS). viu-se que a diversificação da produção agrícola é baixa (0. Além disso. Ilustra-se essa situação através da agricultura. Trazendo. direta ou indiretamente. desse modo.1% dos respondentes.276. relacionadas às atividades agrícolas. pois. a renda familiar apresenta um índice de 0. a 1. novamente.

Para eles. da mesma forma. deixar de estudar para dedicar-se ao trabalho ou fruto do cansaço de uma rotina desgastante.495) e segundo observações feitas durante a aplicação da pesquisa. em estabelecimento próprio ou fora destes. Esta questão destaca-se para a superação da pobreza. Um possível auxílio ao desenvolvimento das atividades dos pequenos produtores seria o acesso a crédito e. a riqueza devido à oferta de recursos naturais na região. a consecução de ferramentas.1%. Essa circunstância avaliada de forma agregada ao acesso a assistência técnica. os produtores reclamam condições de trabalho.272 e. em sua decorrência. é 0. revela a baixa efetividade das políticas de desenvolvimento. a avaliação "Ruim" apresenta um número expressivo de 20. como são trabalhadores de pequenas áreas de produção. entretanto necessita-se de recursos para superar a entressafra e elevar a produção para além da subsistência e torná-la produção comercial. pois a inclusão produtiva da população de maneira justa passa pela transformação da agricultura de subsistência para uma agricultura comercial. Quanto à produtividade.376. Entretanto. insumos e tecnologias para ampliação da sua produção.6% para "Regular". o índice de produtividade da terra é baixo (0.529. pois. o nível de acesso a crédito. mas que requer preocupação haja vista o baixo grau de escolaridade da população do Mato Grande já comentado nessas análises. o fato é que são limitados e não satisfeitos com o trabalho em si. Para este fim. Dinâmica esta peculiar ao campo que deve ser observada na elaboração de políticas educacionais e também de trabalho e renda. devido às escassas condições materiais de otimizar sua produção. o índice de satisfação com a situação da área para produção atinge a marca de 0. Apesar disso. o índice de satisfação das famílias encontra-se no patamar de 0. a abrangência de “Ruim – Péssimo” está a cerca de 70%. muitas vezes. Quase 50% dos entrevistados consideraram que a situação da área estava “Boa”. que alcança um nível de satisfação 0. .537 e a consecução desse indicador é reforçado pela avaliação de 34.42 A satisfação com a quantidade de pessoas na família trabalhando.458) de satisfação com a produtividade do trabalho (mão de obra x quantidade de produção). Quanto à característica da mão de obra familiar (escolaridade e idade para trabalhar. de acordo com a opinião dos produtores. por exemplo). considerando um nível médio. eles não sentem a necessidade de utilizar uma quantidade alta de mão de obra.9% para "Bom" e 38. A observação anterior também é válida para o baixo nível (0. Situação agravada pela necessidade de. A amplitude de “Ruim – Péssimo” soma quase 70% dos respondentes. a terra é boa. atinge um índice de 0. o principal reclame é de um projeto de irrigação.606. Entretanto.

consequentemente. comumente. Embora. principalmente. muitas vezes. Contudo. como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). pois. denota-se um frágil alcance da cobertura dessas instituições e. ribeirinhos. que é federal. como também ao acesso aos mercados.43 Sabe-se que o acesso ao crédito torna-se difícil por barreiras impostas por bancos que. quilombolas e agricultores familiares. o que torna mais difícil a possibilidade de comercialização produtos dos pequenos produtores e fortalece a ação dos atravessadores. ao menos. A comercialização é um dos principais gargalos das atividades produtivas do meio rural. figura comum no meio rural – uma alternativa para que os produtos dos agricultores cheguem aos mercados. . ainda. Em referência às condições de acesso aos mercados. a consolidação desse acesso deve estar previsto nos programas de desenvolvimento ou. A sua atuação é avaliada pelos respondentes como “Mais para ruim”. utilizar técnicas inovadoras que garantam a sustentabilidade. verificou-se que em quase todos os municípios há acordo entre prefeituras e produtores para comercialização. o preço pago pelo atravessador fica aquém do esperado pelos agricultores e incompatível com o esforço que o trabalho demanda. existem em média duas instituições de prestação de serviços tecnológicos para apoio e melhoria das atividades produtivas em cada município. público respondente do ICV. viabilizadas condições de trabalho. Por isso. Quanto à assistência técnica. Isto necessita ser repensado. da agricultura para subsistência. Em que tange ao fomento da comercialização por parte das prefeituras. apenas 57. se a visão dos produtores é que o acesso à assistência é baixo. Para os pequenos produtores que são pescadores. questionados sobre a venda de seus produtos. devido à otimização da produção. pouca informação.14% dos produtores entrevistados afirmaram que comercializavam e numa avaliação de “Mais para bom” ou “Mais para ruim”. sujeitando-os à sazonalidade da agricultura. sabe-se que são ações oriundas de outras esferas do poder.81% para aquela. quando há produção além daquela de subsistência. 38. Porém. o percentual desmembra-se em 33.33% para esta avaliação.10% avaliaram como "Mais para ruim" as condições para ir até o mercado. eles buscam comercializar. o que corrobora o entendimento de que o atravessador é uma figura atuante devido às dificuldades de comercialização dos produtores e ele ser visto como solução mais acessível. e em 23. O que mostra uma forte dependência. suas ações são pontuais e não continuadas. os pequenos produtores são incapazes de superar. com baixa escolaridade e. os produtores serão incapazes de aprimorar suas atividades. Primeiramente. ampliar o volume de produção e.

376.469. parecem não ter tanta confiança da população. pois mantém a população afastada das institucionalidades que intermediam as ações federais. O trabalho cooperativo favorece a obtenção de crédito. E. 6. é o enfraquecimento da comercialização. a participação em organizações comunitárias significa apenas a contribuição financeira ao sindicato. pois a avaliação delas atingiu um índice de apenas 0.458 e o nível de participação em organizações comunitárias 0. Tal compreensão cria barreiras ao processo de desenvolvimento. além de sustentar as situações precárias que se encontram os serviços. isto prejudica o pleno desenvolvimento das atividades relacionadas à agricultura e. especialmente do não-envolvimento em organizações comunitárias como associações e cooperativas. infraestrutura e até mesmo eleva a competitividade dos produtos no mercado.44 Compreende-se que o incremento das atividades produtivas no território perpassa pela assistência técnica continuada. com aumento na base informacional dos produtores. Essas instituições. dificulta a estratégia de descentralização prevista na abordagem territorial. ao IDS e às capacidades institucionais permitem que seja feita esta avaliação. como associações. Questões relativas ao ICV. No que tange à participação da população de um modo geral. No mesmo entendimento. cooperativas e sindicatos. eliminando até mesmo a figura do atravessador. Níveis muito baixos e agravados quando conhece-se a realidade do campo e revela-se que o entendimento da população no que toca a participação política se restringe ao voto. o nível de participação política atinge um patamar de 0. mantém a tradição clientelista e subjuga a população aos poderes oligárquicos locais. condições de trabalho para ampliar a produção e enfrentar a entressafra e possibilidade de comercialização. deste modo. pois.3. em razão dos baixos custos de consecução de insumos e a quantidade elevada de produtos à venda. GESTÃO PÚBLICA EFICIENTE A compreensão da eficiência na gestão pública abrange não só a atuação dos entes públicos e suas estruturas como também o envolvimento da sociedade. afeta negativamente a vida da população que depende de cultivo. Outro fator prejudicial dessa baixa participação política. avaliada pelo ICV. apenas metade delas tem quadro de técnicos permanente. porém. . O aparelho público avaliado indica que em todos os 16 municípios do Mato Grande há Secretaria de Desenvolvimento Rural ou similar. em especial.

as limitações da agricultura de subsistência e. por permitir voz e voto aos representantes da sociedade civil. reuniões comunitárias e parceiros de organizações da sociedade civil.45 Somente em nove prefeituras. Atuar em negligência à visão de longo prazo fragiliza o processo de desenvolvimento. de comunicação pessoal. o que detona um número incipiente de espaços públicos abertos à participação governamental e da sociedade civil em relação à população. por isso. Apresenta também um assessor técnico permanente e a seleção e eleição de participantes acontece a partir de convite direto a organizações. E. aquela que sofre com a carência de serviços públicos. há Secretaria de Planejamento. Esses espaços são importantes para a discussão acerca da realidade de cada município de maneira ampla. Sem o diagnóstico e o decorrente conhecimento da realidade que ele proporciona.231. A abordagem de desenvolvimento territorial adotada nas políticas públicas brasileiras elege o Colegiado Territorial como espaço de articulação entre as ações oriundas do poder federal para as instâncias territoriais e a proposição de demandas a partir da realidade de cada município. . É a partir desses espaços em instância municipal. na mesma dinâmica dos conselhos. Debilidade na cobertura dos conselhos representa a supressão da representação da sociedade civil. Conforme apresentado no gráfico a seguir. é um espaço de interação e fortalecimento da rede social decorrente da colaboração e o compartilhamento das vivências entre os atores. Infere-se uma negligência por parte do poder público em construir visões de longo prazo e atuar nesta perspectiva. as barreiras que impedem o pleno desenvolvimento não são superadas. pois não se busca diagnosticar o cenário e costuma-se resolver apenas problemas pontuais. é capaz de contribuir de modo mais assertivo às estratégias de implementação de programas e políticas de desenvolvimento. que surgem demandas para os colegiados territoriais. O Colegiado Territorial do Mato Grande. conhecido por Fórum de desenvolvimento territorial do Mato Grande (FOMAG) tem reunião periódica (mensal) que são divulgadas através de internet. O número médio de Conselhos Municipais ponderado pela população de cada município atinge a marca de 0. convite pessoal ou uma convocatória aberta para eleições. a identidade que aglutina os representantes em torno de uma estratégia comum é a agricultura familiar.

sindicatos ou movimentos sociais.747 Classificação Médio Alto Alto Médio Alto Médio Alto Médio Médio Alto Médio Alto Legenda 0.642 0. 2011f O índice de identidade resulta da percepção dos representantes no colegiado acerca da importância das categorias para a delimitação do território.636). objetivos e metas. para a definição de visão de futuro.893 0.46 Gráfico 1: Índice de Identidade do Mato Grande Categorias 1. organizados em cooperativas. em decorrência disto.40: Médio Baixo 0.60: Médio 0.20: Baixo 0. Ambiente 2.636 0.40 – 0. que tem índice significativo na identidade do território (0. há forte presença de representantes da agricultura.720 0. Político Valor 0. Consequentemente. a partir da inclusão produtiva.60 – 0. características marcantes. Agricultura Familiar 3. e história comum dos municípios. Etnia 6.561 0. . A situação indicada cria expectativas de avanço para a atividade que mais gera oportunidades de trabalho e renda para as famílias do território e.00: Alto Fonte: SGE.00 – 0. a superação da pobreza.80: Médio Alto 0. conflitos. Pobreza 5. A categoria “Agricultura Familiar” destaca-se das demais por consequência do próprio caráter rural do território e a importância dessa atividade produtiva para a economia da região.80 – 1. Economia 4.20 – 0. Colonização 7.755 0.

25). deve-se observar com cuidado que debates se construirão em torno desta identidade. Gráfico 2: Freqüência de temas tratados no Colegiado a) Desenvolvimento agropecuário.75). e) Segurança. ainda que o tema "Planejamento" esteja em valor próximo (3. pois mantém a dependência do território em ações do Governo Federal e não segue a lógica de repasse de demandas de baixo para cima. n) Cidadania e inclusão social. Esse cenário fragiliza o desenvolvimento. f) Educação. O debate acerca do Desenvolvimento Agropecuário (em média de 3. l) Projetos. o que pode representar caráter pontual das decisões do FOMAG. Avaliados numa escala de 1 a 5. m) Controle Social. h) Infraestrutura. b) Saúde. j) Lazer.50) traz a preocupação acerca da . raça e etnia. p) Reforma agrária Fonte: SGE.47 Contudo. d) Assuntos políticos. o) Gênero. k) Planejamento. i) Cultura. 2011e O tema mais debatido é "Projetos" (4. O gráfico abaixo apresenta os temas mais discutidos. g) Justiça. onde 1 representa “nunca é tratado” e 5 representa “sempre tratado”. c) Meio Ambiente.

As duas temáticas citadas apresentam índices razoáveis. não devem ser postos a parte. Os projetos oriundos de uma instância superior precisam atingir esses pontos e isso se torna conhecido através da geração de demandas na interação entre os atores do colegiado. Da mesma forma. área fundamental ao bem-estar. essa temática que deveria estar com média elevada. da presença e representação nas reuniões. A educação pode auxiliar nisso a partir da ampliação das informações e incentivo à inclusão dessas práticas nas atividades produtivas. principalmente. Educação e saúde contribuem para auferir renda e para a conscientização. haja vista o índice de homicídios no território atingir 0. apresenta-se assim: . a segurança. Serão discutidos.48 visão de longo prazo. A consistência da rede de cooperação entre os atores depende substancialmente da participação. o maior esforço na cooperação para a sua melhoria. A partir daí. A otimização da atividade produtiva e a melhoria da vida da população rural não dependem apenas de questões relativas ao trabalho. temas como educação. o que necessita de cuidados quanto à sustentabilidade. ainda. por isso. a questão da cultura devido ao seu baixo nível (2.75) e tendo em vista a situação precária de serviços de saúde. tem uma média de discussão muito baixa (2. Porém. A cultura permite a identificação com o território e. O Mato Grande tem uma forte identidade Ambiental (0.838 em uma razão entre o total de homicídios e o total de habitantes. Maximizar as atividades agropecuárias requer entender as intempéries vividas pelos trabalhadores. surge à interação.75). mesmo com a identidade predominante de Agricultura Familiar. É importante enfatizar que.00. a saúde. Fortalecer e incentivar atividades culturais pode refletir no desenvolvimento do território a partir do maior envolvimento e participação da sociedade. A capacidade de decisão no colegiado é fruto.720). afinal ela é um fator de elevação da identidade. Se isso não ocorrer. a oferta de recursos pode destoar da realidade do território e postergar o fortalecimento da sua principal atividade produtiva. No FOMAG. que produz relações de confiança. por exemplo. com nível de aproximadamente 2. além de instrumentalizar as atividades. saúde e cidadania. é uma temática que necessita de maior debate.

a diferença da sua média para os outros é capaz de revelar um monopólio do debate para esses representantes. Outro ponto importante é a baixa participação de representantes dos três níveis de governo. j) Representantes de entidades colegiadas. pois para que este seja pleno é necessário o envolvimento dos entes . b) Representantes do Governo Estadual.49 Gráfico 3: Capacidade de decisão dos membros do Colegiado a) Representantes do Governo Federal. o que denota uma parceria frágil entre governo e sociedade civil. g) Representantes de associações e sindicatos. e) Representantes de movimentos sociais. limitando as discussões a questões relativas a esta atividade produtiva como visto anteriormente. situação prejudicial ao processo de desenvolvimento. h) Representantes de organizações nãogovernamentais. i) Representantes de universidades. c) Representantes do Governo Municipal. Entretanto. d) Representantes dos agricultores familiares. Fonte: SGE. 2011e f) Representantes de comunidades tradicionais. A representação elevada dos agricultores familiares fortalece a identidade do território como “Agricultura Familiar”.

. Ou seja. são eles que entram com as contrapartidas ao processo. programas de capacitação. os representantes do colegiado creem que o FOMAG não é devidamente respeitado frente ao poder público.50 públicos. a baixa participação do poder público – fator que mais prejudica o desempenho do FOMAG: Gráfico 4: Problemas que prejudicam o desempenho do Colegiado a) Baixa participação dos produtores b) Baixa capacidade técnica para avaliação de projetos c) O colegiado não é escutado em outras instâncias d) O colegiado não representa os verdadeiros interesses do território e) Influência política f) Alta rotatividade dos membros g) Pouca participação dos gestores públicos Fonte: SGE. fato este compromete a estratégia de desenvolvimento territorial. mas também o fato de o colegiado não ser escutado em outras instâncias de poder. Afinal. pois esta estratégia trata justamente de descentralizar decisões na articulação de políticas públicas a essa arena de decisões. seja com repasses financeiros. investimento em infra-estrutura. 2011e Não apenas a carência de envolvimento é sentida pelos atores como fator prejudicial. dentre outros auxílios O gráfico a seguir que mostra os maiores obstáculos.

apresentam índices altos. e não comparando cada quesito. Ademais. o que enfraquece o debate.51 As baixas médias nessa questão de participação quando avaliadas em valores absolutos. o qual deve rever a condução do debate para que este não abranja apenas uma temática. De acordo com o exposto. destaca-se o reconhecimento do colegiado como instância de representação dos interesses do território. Essa mesma crítica cabe ao Colegiado. o que pode não agregar a heterogeneidade de atores e comprometer o processo de apoio ao desenvolvimento do Mato Grande. compreende-se a necessidade de fortalecer a parceria governo-sociedade civil. . as prefeituras do território precisam aparelhar-se e atuar em perspectiva de longo prazo. Contudo. Destaca-se a baixa participação dos produtores que podem ser beneficiados diretamente pelos incentivos oriundos dos projetos articulados e importantes atores na geração de demandas. Esse cenário agrava-se quando se vê que há uma significativa rotatividade dos membros.

de migração e de desqualificação dos serviços públicos. O fomento includente requer. O desenvolvimento institucional visa estimular e facilitar a interação e cooperação dos atores. cívicos e políticos. de forma competitiva e sustentável. O conjunto da população também deve ter iguais oportunidades de acesso a serviços públicos (educação. Como já discutido. Deve-se. principalmente dos pequenos produtores. A transformação produtiva busca articular. No Mato Grande. a economia dos territórios. com baixa capacidade de produção. Quanto mais inclusivo for o alcance da educação básica e dos serviços de saúde. pouca diversificação de fontes de renda. maior será a probabilidade de que mesmo os potencialmente pobres tenham uma chance maior de superar a penúria. são frágeis. processos de exclusão social. A consolidação dos pequenos produtores é produto das competências e capacidades administrativas e da melhora da sua competitividade sistêmica. detectou um estado crítico no território. difícil acesso a crédito e assistência técnica. melhorar a educação básica e os serviços de saúde elevam diretamente a qualidade de vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento territorial é um processo de transformação produtiva e institucional. desde muito tempo. No Mato Grande.52 7. A inclusão justa converte-se. então. A vitória sobre a pobreza depende. acima de tudo. as condições de trabalho e renda. livrar-se da pobreza. As regiões mais carentes de desenvolvimento são exatamente aquelas que apresentam os mais altos índices de analfabetismo e que sofrem. baixos níveis de escolaridade e sustentabilidade ameaçada. assim. em requisito central para o desenvolvimento. compreender que os precários atributos dos pobres são os mesmos que os afastam do processo de desenvolvimento. saúde e moradia). e dificuldades para comercialização. como visto nas estratégias do MDA. a garantia do exercício dos direitos civis. a visão desse processo. assim como sua articulação com agentes externos ao território para que sua população marginalizada participe do processo e de seus benefícios. Fazse tal inferência devido à situação precária a que estão submetidos os serviços públicos. eficiência econômica e gestão pública eficiente. em especial em regiões rurais. avaliada a partir da qualidade de vida. antes de tudo. como saneamento básico e estruturas de saúde. esses dois fatores também aumentam o potencial do indivíduo auferir renda e. do aumento das capacidades produtivas e da inserção em mercados dinâmicos e competitivos das milhares de famílias cuja reprodução origina-se em seu trabalho por conta própria. com o intuito de combater a pobreza. portanto. .

Como visto. a aumentar o potencial produtivo e auferirem renda mais elevada. pois o Colegiado é o ponto de articulação entre o território e a instância federal. Seria esperada. em geral. o inverso. Com mais capacidade para viver suas vidas as pessoas tenderiam. Os pequenos produtores são apegados a sua informalidade. não. É necessário dar oportunidade de melhoramento em capacitação aos pequenos produtores. Conquanto. a população deve envolver-se nos espaços de participação. Através dele é que virão projetos que possibilitarão o desenvolvimento. Para isso. por isso as políticas publica devem atuar nesse sentido – garantir o acesso de tais produtos à economia formal. . As parcerias governo-sociedade local apresentam maior potencial de desenvolvimento por unirem preocupação com os aspectos sociais da localidade. administrativas e políticas. o empoderamento das comunidades e a abertura de espaços para a democracia direta constituem a chave para as políticas de desenvolvimento. evitando assimetria da informação. Diante do exposto. o colegiado é uma instância de geração de demandas. em primeiro lugar. mais do que um espaço de controle. há uma baixa cobertura de conselhos e o colegiado territorial tem uma fraca parceria entre setor público e sociedade civil. no território há um baixo envolvimento da sociedade civil com questões políticas. tais como acesso preferencial a crédito. uma relação em que um aumento de capacidade conduzisse a um poder de auferir renda. A participação dos indivíduos proporciona aos gestores e aos próprios participantes o conhecimento da realidade. a participação é central. rotatividade alta de membros e. o quadro torna-se mais preocupante devido ao baixo aparalhamento dos entes públicos municipais para suprir as demandas de qualidade de vida e eficiência econômica. Às capacidades da sociedade civil devem ser acrescidas as capacidades e as atribuições dos governos locais em suas dimensões técnicas. Há visível fragilidade nos espaços públicos de participação. tanto técnico quanto organizacional. vê-se que o Território do Mato Grande apresenta debilidade nos três fatores do desenvolvimento expostos por Buarque (2008). tecnologias e mercados. pois. e. No que tange a gestão pública. A modernização da economia familiar melhora a qualidade de vida e libera tempo para atividades orientadas para o mercado e o lazer. sobretudo no FOMAG. enfatiza-se que somente com o fortalecimento da participação e representação da sociedade é que os investimentos de instâncias superiores alcançarão de forma assertiva a realidade do território. pois. então.53 mediante uma série de ações afirmativas. Não há duvida de que as iniciativas partidas de baixo para cima terão cada vez mais importância por fomentar democracia local e elevar a consciência da comunidade. Acredita-se que.

compromisso das prefeituras referentes ao envolvimento no FOMAG. Essa relação “sociedade civil . papel central do Estado em uma sociedade marcada pela desigualdade social.governos municipais” fortalece o controle e a execução das decisões voltadas à qualidade vida da população Esse processo de empoderamento é fundamental para o Mato Grande. No mesmo intuito.54 Espera-se. devido a carência de serviços públicos que produzam qualidade de vida. . há necessidade investimentos produtivos públicos que possibilitem o desenvolvimento dos pequenos produtores e o combate à pobreza. ainda. pois. são elas as executores dos projetos. A ausência foi vista como vetor de dificuldades ao desempenho do Colegiado. haja vista que a consecução de tais serviços depende da ação dos gestores públicos.

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59 ANEXOS .