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Id.

em
Dest.,
p. 96, maio/ago.
2005
Id. em
Dest.,Rio
Riode
de Janeiro,
Janeiro, n.n.
19,18,
p. 01-104,
set./dez. 2005

Edição

Divisão de Estudos e Pesquisa

Editor Responsável

Manuel Cambeses Júnior

Projeto Gráfico

Mauro Bomfim Espíndola
Wânia Branco Viana
Jailson Carlos Fernandes Alvim
Abdias Barreto da Silva Neto

Revisão de Textos

Dirce Silva Brízida

Ficha Catalográfica elaborada pela
Biblioteca do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

Idéias em Destaque / Instituto Histórico-Cultural da
Aeronáutica. – n.1, 1989 –
v. – Quadrimestral.

Editada pela Vice-Direção do INCAER até 2000.
Irregular: 1991–2004.
1. Aeronáutica – Periódico (Brasil). I. Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. II. INCAER.
CDU 354.73 (05) (81)

Apresentação
É com muita satisfação que oferecemos aos nossos prezados
leitores a edição de número 19 da revista Idéias em Destaque, relativa ao terceiro quadrimestre de 2005.
Nesta edição, apresentamos nove instigantes artigos, versando
sobre variados temas que, pela alta qualidade e variedade dos assuntos abordados, enriquecem os nossos conhecimentos e tornam a revista bastante atraente ao leitor.
Desta maneira, acreditamos estar contribuindo, de forma ativa
e fecunda, para a difusão da História da Aeronáutica brasileira, de
temas estratégicos, de Geopolítica e, acima de tudo, de cultura geral.
Somos imensamente gratos aos prestimosos e contumazes colaboradores que nos enviaram achegas, concorrendo, desta forma,
para o aprimoramento e a consolidação desta publicação, no seio da
prestigiosa Família Aeronáutica.
Faz-se mister ressaltar que estamos receptivos àqueles que
desejarem colaborar com a nossa revista, enviando artigos de interesse de nosso público-alvo.
Aproveito o ensejo para desejar aos nossos leitores um Ano
Novo repleto de alegrias, saúde e continuadas realizações.

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ref. Octávio Júlio Moreira Lima
Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

Nº 19
set./dez. 2005
Sumário
1. A Tese da Internacionalização da Amazônia ............................7
Carlos de Meira Mattos

2. Globalização e Competência Empresarial ..................................14
Antonio Celente Videira

3. Ideais Republicanos ..............................................................25
Luiz Paulo Macedo Carvalho

4. Julio Cezar Ribeiro de Souza, o Brasileiro Inventor do Dirigível ..38
Luís Carlos Bassalo Crispino

5. O Papel das FFAA na Sociedade Brasileira ...............................64
Sérgio Xavier Ferolla

6. O Sonho de Voar ..................................................................73
Pasqual Antonio Mendonça

7. Pioneiros da Navegação Aérea ............................................76
Jorge M. Brochado de Miranda

8. Pode o Artista ser Antiético? ................................................88
Araken Hipólito da Costa

9. Variações em torno do Tema “Globalização” ............................90
Manuel Cambeses Júnior

Carlos de Meira Mattos

A Tese da
Internacionalização da Amazônia
Carlos de Meira Mattos

É antiga a idéia da internacionalização da Amazônia. De tempos em tempos, ela volta ao palco, trazida por novos ventos, revestida
em teses pseudocientíficas ou sócio-humanitaristas usadas para ocultar
o seu verdadeiro objetivo político ou econômico.
No começo, era apenas a curiosidade pelo ineditismo do cenário
gigantesco descrito pelos primeiros exploradores: o imenso “Mar Dulce” da carta do navegante espanhol Vicente Pinzon a El Rei: a “terra
da canela e o El Dorado”, ambos procurados pela expedição de
Orellana e Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru; a lenda
fantasiosa “das índias guerreiras amazônicas”, espalhadas na Europa
pelos escritos de Frei Carbajal, descrevendo-as como “alvas e brancas, usando cabelo comprido entrançado e enrolado na cabeça,
pernas e braços bastante desenvolvidos, andam nuas em pêlo dissimulando seu sexo, com seus arcos e flechas nas mãos, fazendo
tanta guerra como dez homens”. Estas notícias e lendas povoaram o
imaginário de aventureiros europeus durante o século XVI.
Em seguida, veio a curiosidade de famosos cientistas e naturalistas, europeus e norte-americanos, diante da magnitude do cenário
florestal e hidrográfico que deparavam na Amazônia.
Nos séculos XVII e XVIII, vieram conhecê-la e estudá-la,
renomados cientistas e naturalistas da Europa e dos Estados Unidos.
Ali estiveram La Condamine, Von Martius, D’Orbigny, Goeldi, Agassiz,
Humboldt (criador da denominação Hiléia); nos primeiros anos do
século XX, Theodor Roosevelt. Seus relatórios e seus estudos chamaram a atenção internacional para a Amazônia.
Passada a fase de admiração científica pela sua colossal imagem geográfica, vieram as ambições e a cobiça.
Vamos lembrar apenas algumas das muitas investidas mais remotas à nossa soberania amazônica.
Nos velhos tempos do Império de D. Pedro II, no ano de 1850,
sofremos as tentativas do Comandante Matthew Maury, Chefe do
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Carlos de Meira Mattos

Observatório Naval de Washington, defendendo a tese da livre navegação internacional do Rio Amazonas, considerando que pelo seu
volume de águas deveria ser incorporado ao mesmo status do Direito
Marítimo. O Governo norte-americano autorizou o envio de uma
canhoneira para explorar o rio a qual, desrespeitando os nossos direitos soberanos, penetrou na grande caudal e navegou até Iquitos, no
Peru. Esta violação de nosso território exigiu enorme esforço diplomático do então Embaixador em Washington, Sergio Teixeira de
Macedo, para neutralizar a difundida propaganda internacionalista
disseminada por Maury e conseguir uma satisfação do Governo norte-americano.
Em 1948, vimos aprovada pela UNESCO – organismo da ONU
– a criação do Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, segundo
o qual uma autoridade internacional passaria a administrar as pesquisas científicas e o desenvolvimento da região. Esta interferência nos
nossos direitos soberanos, já aprovada ingenuamente por nossos representantes na UNESCO, só foi evitada pela rejeição do referido
Instituto pelo nosso Parlamento, baseado num parecer do então Estado-Maior Geral e na campanha veemente de protesto do Senador
Arthur Bernardes.
A partir dos anos oitenta do século passado vem crescendo a
propaganda e as pressões de interferência na nossa Amazônia. As
hostes internacionalistas, hoje, concentram sua ação através das Organizações Não Governamentais (ONG).
As ONG são associações civis, internacionais ou nacionais, que
proclamam fins humanitários ou científicos, tais como direitos humanos, defesa ambiental, combate às desigualdades sociais, preservação
de comunidades indígenas, combate a atividades belicistas e outros.
O articulista Sorman, do jornal francês “Le Monde” (25 de abril
de 2001) calculava em 32.000 o número de ONG espalhadas pelo
mundo. Comenta o jornalista: “Ninguém fiscaliza suas fontes de
financiamento, ninguém verifica a autenticidade da boa causa a
que se propõem, ninguém controla suas despesas. Na sua quase
totalidade estão subordinadas a assembléias fantasmas (de personalidades honradas), mas administradas efetivamente por minorias vinculadas a outros interesses”.
A tese central das ONG internacionais que atuam no norte do
Brasil sintetiza-se na expressão “Amazônia patrimônio da Huma8

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Inúmeras ONG européias e norte-americanas. em Dest. também conhecida como “Casa de Windsor” (dada a sua estreita ligação com a coroa inglesa). Inúmeras ONG pressionam as instituições financeiras mundiais no sentido da implantação de uma autoridade supranacional na Amazônia e. Destacam-se entre as ONG atuantes na Amazônia: a inglesa “Survival International!”. indigenistas. na região.. 2005 9 . naturalistas. (19) : 7-13. cuja infiltração na região data dos anos 60. com autoridade decisória. A Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Id. igualmente mantêm e financiam várias agências que se apresentam. e a Associação Regional Indígena dos Rios Kinô. Alegam que se trata de uma imensa região de natureza tropical. e em particular na Amazônia. As ONG já envolveram a ONU. lutam para que se estabeleça para a nossa Amazônia o status de “território do interesse da Humanidade”. e. principalmente o Brasil. a poluição ambiental e a natureza primitiva do gentio. estas aprovam ou desaprovam pedidos de empréstimo. como tal. que um organismo supranacional. com este objetivo. de responsáveis pela destruição da natureza amazônica e de serem incapazes de conter o desmatamento da floresta. pacifistas. uma rede de dezenas de agências que buscam criar na população local e nos indígenas uma conscientização da necessidade de internacionalizar a região. Rio de Janeiro.Carlos de Meira Mattos nidade”. baseadas na alegação da incapacidade de o Brasil preservar a natureza amazônica. a “ European Working Group on Amazon (EWGA)”. cuja floresta deve ser preservada visando à sobrevivência da Humanidade. e o Conselho Indigenista Missionário(CIMI). a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). e justificam sua tese acusando os estados nacionais. como ambientalistas. antropológicas. passe a participar de sua administração. As acima citadas ONG internacionais e outras irradiam no Brasil. Cotongo e Monte Roraima (ARIKOM). set. Entre as ONG nacionais mais presentes na Amazônia destacam-se o Conselho Indigenista de Roraima (CIR). a Associação dos Povos Indígenas de Roraima (APIR). sediado na Suíça. de direitos humanos. o Conselho Mundial de Igrejas. a UNESCO e entidades financeiras internacionais na tese de apoio à criação de uma entidade supranacional para preservar a Floresta Amazônica./dez. reunindo Igrejas protestantes da Europa e dos Estados Unidos. controlado pela Comissão Pastoral da Terra.

Duas teses se confrontam em torno da questão indígena: Integração versus Confinamento. idealizada e realizada pelo nosso maior indigenista. o General Rondon. Tanto a constância de sua ação quanto o apoio de ONG internacionais nas pressões ao Governo brasileiro já lhes asseguraram duas vitórias: a demarcação das reservas indígenas de Ianomâmi. A soma da superfície destas duas reservas esteriliza para a ocupação e economia cerca de 50% do território do Estado de Roraima. 2005 . François Miterrand. visando preservar os hábitos e costumes primitivos. superfície de 96. e pela sua contigüidade com um espaço tri-fronteiriço (BrasilVenezuela-República da Guiana)./dez. pelo seu despovoamento. abriram a luta a favor da internacionalização da Hiléia e do confinamento das tribos de gentios.649 km2 (equivalente à do Estado de Santa Catarina) para uma população de cerca de 9. o território norte do Estado de Roraima. set. e a demarcação das reservas dos índios de Raposa Terra do SOL.430 km2 (metade do território do Estado do Rio de Janeiro) para uma população de 15. A partir dos anos 60. As ONG internacionalistas escolheram para tema de sua penetração a questão indígena e.000 índios. entre os quais citaremos o ex-Presidente da França. que declarou em 1991: “o Brasil precisa aceitar a soberania relativa sobre a Amazônia”. e brasileiros que delas dependem por seu emprego. particularmente entre as organizações que delas recebem financiamento. Vários líderes políticos europeus têm-se pronunciado. 10 Id. em caráter particular. A política tradicional brasileira é da integração à sociedade nacional. Organizações internacionais do Primeiro Mundo e entidades cristãs sediadas na Europa e nos Estados Unidos. para área principal de operações. mantenedoras de inúmeras Missões Religiosas na Amazônia. a favor da tese de internacionalização da Amazônia. Rio de Janeiro. contíguo às nossas fronteiras com a Venezuela e a República da Guiana..000 índios. em Dest. A propaganda das idéias de internacionalização. Eles escolheram uma região vulnerável pela distância dos grandes centros. lançada na Europa e nos Estados Unidos pelas ONG transnacionais vem conquistando um número crescente de adeptos no exterior e mesmo no nosso País.Carlos de Meira Mattos Norte do Estado de Roraima (SODIURR) defende a convivência pacífica e comunitária entre índios e não índios. superfície de 17. (19) : 7-13.

pressionada pelas ONG. em 1988.. A tese mais presente. em Dest. que vinha obtendo resultados favoráveis no combate ao desmatamento. única capaz de garantir a sobrevivência futura de vida no Planeta. Venezuela e Colômbia). outras vezes dúbia. operação conjunta de Ministérios civis e militares. tem perdido eficiência por falta de recursos financeiros. vem se arrastando por falta de verba e de interesse dos Ministérios civis. com decretos e portarias. o Executivo homologou. Somente os Comandos Militares vêm realizando sua parte. estabelecendo a Política de Desenvolvimento Sustentado. mas que. set. A propaganda e as pressões internacionais a favor desta absurda tese de internacionalização vêm revestidas das falácias Id. Suriname. o consolo de uma soberania partilhada. tendo por objetivo povoamento. hoje. instituído em 1985. colocou na Constituição vigente. com 180 línguas e dialetos (IBGE). Vários outros órgãos governamentais atuam na área amazônica. é a da “Amazônia patrimônio da Humanidade”. A Assembléia Constituinte de 1988. ultimamente. Oferecem. entre tribais e semitribais. O Projeto Calha Norte. devendo ser administrada por autoridade internacional. o Governo Sarney. entre os quais o Ministério do Meio Ambiente e a FUNAI. Ultimamente. para uso privilegiado de cerca de 700 mil índios. aos países donos do território amazônico. divididos em 215 etnias. República da Guiana. Rio de Janeiro./dez. atendimento social e incentivo econômico na larga faixa de nossa fronteira norte com cinco países (Guiana Francesa. (19) : 7-13. 2005 11 . conceitos de interpretação duvidosa sobre “terras tradicionais dos índios”.Carlos de Meira Mattos Qual tem sido a atitude do Governo brasileiro em face das investidas internacionalistas? Algumas vezes cega. em parte. Buscando responder às críticas internacionais acusatórias de ineficácia na preservação do meio ambiente e na contenção da destruição da floresta tropical. as reivindicações sobre reservas indígenas. cedente e. vacilante. lançou o Programa Nossa Natureza. o Governo tem procurado reanimar o andamento desse Projeto. que substituiu o antigo Serviço de Proteção ao Índio. totalizando 1/10 do território nacional. Baseado em critério interpretativo duvidoso. Visando executar o Programa Nossa Natureza foi criado o IBAMA.

Segundo a proposta do Sr. gestão compartilhada com a comunidade internacional”. Lamy revelam uma visão preconceituosa. (19) : 7-13. os seus recursos naturais. Não há duvida de que perigos rondam a nossa integridade territorial. 12 Id. por incapacidade de lutar. Tais declarações são incompatíveis com o cargo de Diretor-Geral da Organização Mundial do Trabalho (OMC) ao qual o Sr. dispondo de dinheiro farto e envolvendo a participação de brasileiros.ss Sobre este pronunciamento do Sr. presentes e atuantes na Amazônia brasileira. queimadas da floresta são as principais responsáveis pela emissão de dióxido de carbono e pelo conseqüente envenenamento da atmosfera (duas acusações já cientificamente destruídas). 2005 . perante diplomatas e funcionários de organizações internacionais. set. o nosso Ministro de Relações Exteriores. apresentou imediato e veemente protesto nos seguintes termos: “As declarações do Sr.. por portugueses e brasileiros. nossa Floresta Amazônica deve passar a ser administrada por uma autoridade internacional a ser criada. Celso Amorim. irá permitir a lesão de nossa soberania em parte do território nacional. Amazônia. Lamy. Rio de Janeiro. Não há de ser a nossa geração que. ex-Comissário de Comércio da União Européia e candidato de seu país a Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMG). Cabe ao Estado brasileiro demonstrar forte e inabalável decisão de não aceitar a violação de seus direitos soberanos. de forma soberana e sustentável. através de suas agências e de missões religiosas. na Região Amazônica. em conferência recente realizada em Genebra. ambientalistas e indigenistas). Lamy aspira”. Pascoal Lamy. Os principais propagandistas e ativistas dessa tese são organizações internacionais não governamentais (ONG) dos países ricos da Europa e dos Estados Unidos. devem ser submetidas à gestão coletiva. Lamy. ou seja. A última manifestação dos ativistas da soberania partilhada para a Amazônia nos veio do francês M. como um todo. conquistados duramente através de cinco séculos. em Dest. que subestima a capacidade dos países em desenvolvimento em gerenciar./dez. o Sr. Pascoal Lamy afirmou: “as florestas tropicais. Defendendo o conceito de Governança Global.Carlos de Meira Mattos pseudocientíficas: Amazônia. pulmão do mundo. último espaço de natureza e vida selvagem a ser preservada (preferida dos antropólogos. em fórum internacional.

Doutor em Ciência Política e Conselheiro da Escola Superior de Guerra. Id. econômica e social da região e de seus habitantes). Saberemos respondê-lo? Cai sobre nossos ombros preservar a integridade de nosso território ameaçado. a nosso ver. em qualquer país. ou entidade internacional.. missão que as gerações que nos antecederam souberam fazer. capaz de desencorajar aqueles que projetarem uma conquista fácil. qualquer insinuação ou projeto internacionalista envolvendo o Brasil. especializado em guerra na selva. surja onde surgir. Rio de Janeiro. represente uma força de dissuasão convincente. Incentivar os projetos de povoamento e de desenvolvimento sustentado da Amazônia Norte e Oeste. 2005 13 . deve-se basear nos seguintes itens principais: – Demonstrar vontade nacional inabalável de preservar intocável nossa soberania territorial (para isto mobilizar a consciência das elites e do povo). set. – Administrar eficazmente a proteção da floresta e a preservação do meio ambiente (sem prejuízo da valorização política. – Manter na região um dispositivo militar de defesa. Este o grande desafio diante dos brasileiros desta geração.Carlos de Meira Mattos Nossa política de defesa contra as pretensões internacionalistas na nossa Amazônia. capaz de refutar veementemente. armamento moderno. em Dest. que por seu efetivo. (19) : 7-13. de imediato. – Estreitar nossas relações com os países nossos vizinhos amazônicos./dez. equipamento e adestramento. com habilidade diplomática. quando necessário. veterano da Segunda Guerra Mundial. buscando integrá-los na missão de defesa contra a campanha de internacionalização da área. intrepidez e mesmo com sangue. O autor é General-de-Divisão Reformado do Exército. – Possuir uma Diplomacia superativa e vigilante.

em Dest. religioso. analistas econômicos e sociólogos de todo mundo. A Macedônia. horas e dias. 2005 . faziam suas previsões sobre a sucessão presidencial. com suas máquinas espetaculares. Outros “Bushes”. A globalização é um fenômeno que causa impacto nos vários segmentos da sociedade: político. passa a projetar contra-medidas saneadoras para possíveis crises. não esperada. em todos os segmentos. tentaram globalizar suas políticas na Antigüidade. A globalização é o processo que busca a abertura dos mercados. mas em minutos. César. Mas agora o cenário é outro. Na realidade./dez. set. França e Inglaterra também aplicaram medidas de domínio do comércio na Idade Moderna e na Idade Contemporânea. os desafios dos negócios internacionais. perplexos. Portugal. científico e tecnológico. Essa sociedade reticular. Pombal. (19) : 14-24. afirmando que tal reeleição. transportando maior contingente de pessoas. em menor espaço de tempo. o que está ocorrendo não é algo de novo. no momento em que a televisão mostrava a recondução de George W. como Alexandre. Não se medem mais as distâncias em quilômetros ou milhas. 14 Id. provocando aglomerados urbanos ou vazios interioranos. deixando vulnerável aquelas nações cujas corporações não têm como responder. agora preocupada com as incertezas que adviriam das reações em cadeia. poderia causar um impacto em seus ambientes regionais.Antonio Celente Videira Globalização e Competência Empresarial Antonio Celente Videira 1 – O Fenômeno da Globalização Estamos vivendo um momento ímpar da História humana. É a revolução dos transportes. a milhares de quilômetros. assim como Roma. Para que se tenha idéia. de um lugar para outro. Rio de Janeiro. líderes políticos. militar e outros mais. O mundo tornou-se pequeno. Bush à presidência dos Estados Unidos por mais quatro anos. econômico. Napoleão e Elizabete I surgiram no passado. com suas competências. Espanha. cultural.. no ano passado.

(19) : 14-24. impingindo gestores a perceberem prováveis disfunções produtivas. mas uma outra realidade que outrora inexistia. aprofundando assim os processos de desigualdade. Continua o saudoso geógrafo dizendo que as técnicas da informação são apropriadas por alguns estados e empresas. maldosamente. Quem não perceber poderá ficar para trás e sucumbir. Portanto.. em abril de 1988. em ambientes de aparências normais. na qual as empresas enfrentam-se em uma guerra sem trégua. segundo o Doutor em Geografia Milton Santos (2001). o obstáculo. em sua famosa carta a todos os franceses (citado em Mittelard./dez. Quem cai morre”. o óbice com que o mundo empresarial terá que conviver. 2005 15 . as Id. é empregada. Aquele que tem olhos para ver dispõe de todo potencial capaz de enfrentar. a fim de implementar o comércio entre regiões. em áreas com públicos alvos. set.Antonio Celente Videira Caravanas de mercadores que gastavam elevado tempo para percorrer pequenas distâncias. 1993): “consideremos a economia mundial autêntico campo de batalha. A informação tresloucada. agora se deslocam em tempo recorde e são substituídas por consultorias que se adaptam ao espaço empresarial. com o declínio das estruturas formais. por um punhado de atores em função de seus objetivos particulares. principalmente. Eis aí a nova ordem mundial econômica. deturpam os fatos reais. A manipulação da informação é de tal ordem que nunca tantos ficaram desinformados por tão poucos que. François Miterrand já frisava. Toda essa desordem é agente influenciador de um mercado desigual. os gerentes dependem mais da capacidade de criar e gerenciar processos. diante das novas forças que já estão regulando o empreendedorismo deste milênio que se inicia. 1997). não uma crise planetária. Se houver disposição em se manter sistemas de controles administrativos. como meio de conferir flexibilidade às operações cotidianas. simulam cenários de longas distâncias. enfim. tais como o componente organizacional dominante. prováveis consumidores daquilo que se produz em outro hemisfério. Rio de Janeiro. Batlett. utilizando-se dos mais diversos canais. em Dest. Não existem prisioneiros. com toda a certeza. rastreadores dos ruídos nocivos provocados por um novo certame denominado globalização. nos seus resultados finais de produção. (Ghoshal. Esse é o desafio.

para o mercado pequeno e estável. 2005 . Não vendiam o trabalho. conseqüentemente. Com uma diferença importante: os mestres já não eram independentes. Com o surgimento do Toyotismo e suas derivações. no seio das empresas. b) Sistema de corporações – produção realizada por mestres artesãos independentes.Antonio Celente Videira competências irão eclodir nas pessoas e. Essas fábricas terão seu apogeu com as idéias Tayloristas. Do século XIX até hoje. d) Sistema fabril – produção para um mercado cada vez maior e oscilante realizada fora de casa. Princípio da Idade Média. de um empreendedor. pelo mestre artesão com ajudante. para a matéria-prima. O capital tornou-se mais necessário do que nunca. que são: a) Sistema familiar – os membros de uma família produzem artigos para seu consumo e não para venda. tal como no sistema de corporações. com dois ou três empregados. 2 – O “Reordenamento” Empresarial Leo Huberman (1974). que surgira entre eles e o consumidor. Os trabalhadores eram donos tanto da matéria-prima que utilizavam. devido ao maior uso da máquina. em Dest. (19) : 14-24. em conseqüência da produção em massa. tinham ainda a propriedade dos instrumentos de trabalho. como ocorria no sistema de corporações. Passaram a ser simplesmente tarefeiros assalariados. Durante toda a Idade Média. mas dependiam. nem os instrumentos. como das ferramentas com que trabalhavam. A habilidade deixou de ser tão importante como antes. tal como no sistema doméstico./dez. mas o produto do trabalho. A GTE 16 Id. Rio de Janeiro. O trabalho não se fazia com o objetivo de atender ao mercado.. nos edifícios do empregador e sob rigorosa supervisão. A partir do sistema fabril vão surgir as primeiras fábricas. set. em sua História da Riqueza do Homem. Do século XVI ao XVIII. Não possuíam a matéria-prima. c) Sistema doméstico – produção realizada em casa para um mercado em crescimento. faz um sumário das fases sucessivas da organização industrial. Os trabalhadores perderam completamente a independência. Prahalad e Hamel apresentam a dança da competitividade entre duas corporações: a GTE e a NEC. as fábricas começam a sofrer processos de metamorfose na gestão de seus processos.

na busca do diferencial entre corporações. enquanto a NEC. a “core competence” e a “strategic architecture” sobre as pessoas. Mas Prahalad e Hamel (1990). voltada para o mercado de semicondutores e computadores. buscando sempre a competitividade. Estas foram importantes./dez. Análogas às corporações mencionadas. Esse argumento é o que será explorado a seguir. existem outras. até então adormecidas.Antonio Celente Videira era uma corporação bem posicionada no mercado de tecnologia da informação. 2005 17 . enfatizam o “Strategic Business Unit” (SBU). não apresentava o mesmo rendimento que a GTE. na medida em que suas administrações se estagnavam. oito anos após. o que a projetou como uma das maiores companhias em telecomunicações do mundo. apresentavam balanços favoráveis. bem como mudanças estruturais radicais levaram a Westinghouse e a Philips a retomarem suas posições no mercado internacional. O não acompanhamento da nova onda da competitividade global levara essas empresas ao retraimento. com lucros polpudos. na metade do século passado. naquele período. Já Goshal e Batlett (1997). que atualmente têm dimensões globais. Esse novo cenário foi em conseqüência de a NEC adotar novas estratégias que exploravam as habilidades das pessoas em empreendimentos com características específicas. em Dest. que começaram a soprar de forma diferente e com mais intensidade a partir dos anos oitenta. Rio de Janeiro. mas não se consolidariam como instrumento competitivo se as habilidades. mostram outro olhar sobre corporações como a Westinghouse e a Philips. cujos tentáculos são de alcance mundial. mas que foram definhando. Ambas. no início dos anos 80. Todavia. Esse reposicionamento deve-se mais à adoção de estratégias voltadas às pessoas do que propriamente às novas tecnologias. Todas tiveram que se reposicionar em conseqüência dos novos ventos da globalização. a NEC ultrapassava a GTE em seus indicadores de ganho. não fossem despertadas. Trocas e sucessões de administradores gerais. set. a fim de que estas focalizem o produto como resultado final de um objetivo decisivo para se manter posição no mercado global. (19) : 14-24.. cujas histórias são semelhantes. com corte de pessoal. Id. em seus estudos.

Isso nos leva a rebuscar o conceito de Capital Intelectual que. que são essenciais para o desenvolvimento de uma filosofia e cultura organizacional que facilite a relação da empresa com o exterior. desordem. localmente. mas muito mais do que isso: antever situações e adequar aquelas a estas. Aí está o que há de mais oportuno em dias de globalização.. Rio de Janeiro.Antonio Celente Videira 3 – O Agir Setorialmente e o Pensar Globalmente Como podemos fazer intervenções habilidosas. deixa estupefatos a todos os espectadores./dez. Essa conceituação encerra todo o axioma sobre os elementos que impregnam a criatura humana como agente promotor dos acontecimentos que irão incentivar a corporação a vencer desafios e a se manter. (19) : 14-24. em especial da tecnologia da informação. Para esses gestores. cidadãos planetários de um novo milênio que se inicia. o empenho. produzindo rendimentos em áreas integralizadas? É possível agir em ambiente restrito e obter ganhos em um espaço total? Será que uma gerência de atuação em pequeno espaço pode aumentar os lucros em ambientes amplos? Esse é o cerne do agir setorialmente e pensar globalmente. mais precisamente. é o conjunto de elementos que são imprescindíveis para que a empresa possa levar a cabo sua atividade em um entorno mutante. a aceitação dos riscos associados às competências e o saber-fazer são aspectos imperativos que devem estar imanentes na alma do gestor. com sucesso. set. enxerga esse momento com mais atenção que as demais. quando o diferencial competitivo realça a sobreposição de um sobre o outro. Mas as inovações tecnológicas seriam inócuas se não houvesse pessoas capacitadas para operá-las. A viabilidade desse aparente paradoxo só é factível diante das novas tecnologias. no jogo do empreendedorismo. 18 Id. em Dest. Mas a classe dos gestores das corporações empresariais. Ordem. assim como a realização de atividades inovadoras ou criativas no seio da mesma. Esse conhecimento tem sua principal origem nos recursos humanos da empresa. O comprometimento. inserida nesse contexto. 2005 . segundo Fernández e Ramirez. reorganização em uma nova ordem é a partitura da canção universal que encanta ou. A passividade e a indiferença não podem estar mais inseridas na atual ordem de ambiência empresarial. a palavra de ordem é o envolvimento diante dos desafios do rearranjo de cenários.

quando as primeiras vozes contra o impacto ambiental. Mas a participação do trabalhador do chão de fábrica. assegurando. voltada para a produção de sabões. (19) : 14-24. na obra A Organização Individualizada. set. mas que. após um período de decrepitude. de novo. o professor E. provocado por uma mentalidade em que o lucro imediato e a obsolescência industrial eram a palavra de ordem do empreendedorismo. fundada em 1890. só é possível mediante a cristalização da cultura da igualdade humana. portanto no final do século XIX. em sua obra Id. se ampliou para detergente e cosméticos. que trouxe consigo a abordagem gerencial. F. da administração da Kao Company. como a Unilever e a Procter&Gamble. no mercado global da produção de abrasivos e similares./dez. Maruta disseminou no seio da Kao o profundo respeito pelas pessoas. Esse envolvimento não pode ficar somente no nível da alta administração. Em conseqüência disso.Antonio Celente Videira Le Boterf (2003) alerta que o profissional tem que saber enfrentar a vulnerabilidade e a fragilidade. Neste particular. no enredo do comprometimento. depois dos anos 70 do século passado. se utiliza.. Yoshiro Maruta. soerguendo-se em seus negócios. abatendo seus concorrentes nacionais e internacionais. voz ativa aos empregados e ajudandoos a desenvolver todo o seu potencial. vamos nos ancorar em Goshal e Bartlett (1997) que. na busca da eficiência de seus produtos e na contínua renovação dos processos gerenciais. não é fenômeno atual. desta forma. como exemplo. em Dest. adotando como estratégia a cumplicidade de todo seu quadro de funcionários. Os funcionários da linha de frente são essenciais para que o sucesso se estabeleça e. É interessante mencionar que a 3M também adotou esse sistema de crenças fundamentais. até se nivelar. assim. a competência empresarial ecloda. Essa visão da fragmentação gerencial com vistas à ampliação da atitude mental para uma administração em nível de excelência. Isso só foi possível graças à contratação do Dr. A fiabilidade ou a qualidade depende fortemente das competências do profissional. Rio de Janeiro. que refletia o seu profundo envolvimento com a Filosofia Budista. de sua capacidade de operacionalizar objetivos e de sua faculdade de antecipação e de reação. Schumacher. na empresa. Nos anos sessenta. 2005 19 .

já que o “feedback”. 4 – A Inserção da Empresa Brasileira no Mercado Global As Professoras Dinorá Eliete Floriani e Luciana Barcelos. de uma nação-potência. essa postura vai desencadear o pensar em rede. passando pela recondução de um presidente com personalidade estereotipada. na linha da operacionalidade local à projeção de estratégias globais. e que hoje se consagra como um novo paradigma nas organizações./dez. procurando preservar esse potencial e capturando pessoas qualificadas. motivadas e inteligentes para se incorporarem ao time da empresa. É o talento especializado por excelência. de janeiro de 2004. pessoas que complementam a sua ampla perspectiva generalista com uma profunda “estaca”. ambas da Universidade do Vale do Itajaí. Essa é a postura da corporação que age setorialmente e pensa globalmente. para a condução das pessoas envolvidas na produtividade. que trazem as melhores oportunidades de negócio. Em última instância. uma vez que se consagra inoculada com o antivírus das mudanças repentinas. tornam-se insumos para a constante evolução do produto ou serviço final. o compartilhamento de todos. Essa nova postura da empresa só é possível mediante a formação de “consultores em forma de T”. buscando resultados globais em prol de todos. mas de olho na “holisticidade” das conexões. quando a horizontalidade das conexões propiciará a democratização da informação. Goshal e Batlett (1997). tornando assim a organização uma universidade na acepção da palavra. num setor específico ou numa competência funcional. nº 98. tão difundido na Filosofia Budista. cria uma interdependência integrada. tornou-se um arauto das idéias da economia de pequena escala. desde a alta administração até à linha de frente. Na verdade. Rio de Janeiro. Schumacher visava ao bem-comum. em artigo publicado na revista Tecnologística. Assim. (19) : 14-24. dizem que a competitividade no mercado globalizado é algo que. enfatizam o desenvolvimento das competências pessoais. com a realimentação das informações. diante de um atentado terrorista. 2005 . há pouco 20 Id.Antonio Celente Videira O Negócio é Ser Pequeno. cujos resultados serão sempre promissores. Por oportuno. em Dest. set.. e está apta a viver os tempos das transformações drásticas que podem ser provocadas desde o lançamento de um produto concorrente.

Classificado em 22ª lugar.Antonio Celente Videira tempo. aumentou a competição entre produtos nacionais e importados. em sua obra Endoquality (1997). o Chile foi o melhor. Rio de Janeiro.700 entrevistas. informa que em torno de 85% micro e pequenas empresas no Brasil não passam do seu primeiro ano. pouco se fala em recursos humanos ou falta de sensibilidade para com a gestão de pessoas. na medida em que foram sendo oferecidas facilidades e possibilidades de comércio internacional. foi publicado que o Brasil caiu da 54ª para a 57ª posição no “ranking” mundial de competitividade. 2005 21 . Alguns óbices são estampados nos meios de comunicação. porque não se prepararam para crescer ou deram um passo maior que a perna. Todavia. Elaborado a partir de dados estatísticos e de uma pesquisa qualitativa junto a líderes empresariais. Concluem afirmando que. Os últimos indicadores e diagnósticos têm mostrado que o Brasil vem crescendo. através de compra e venda de matérias-primas ou de alguns produtos manufaturados. A análise dessas duas profissionais de comércio exterior indica que a competência empresarial é algo que nossas empresas não devem desprezar se quiserem se estabelecer no cenário mundial com seus produtos. Ken O’Donnell alerta que 80% das empresas de porte médio no Brasil são empresas familiares com duração méId. confiabilidade das instituições públicas. As variáveis medidas pelo Fórum foram ambiente macroeconômico (influenciado por juros e inflação alta). set. Suécia e Taiwan. (19) : 14-24. sendo a competitividade ancorada nelas. infra-estrutura e corrupção. Aí está o âmago da nossa falta de competitividade. O “ranking” coloca a Finlândia como líder. o Fórum Econômico Mundial fez mais de 8. O mais enfatizado é a ausência de infra-estrutura adequada. dificuldade de acesso ao capital.. em seu caderno de economia. Em outra estatística. Em análise./dez. de 14 de outubro de 2004. o consultor australiano Ken O’Donnell. atingia apenas empresas multinacionais e aquelas que trabalhavam com o mercado externo. entre os países da América Latina. seguida pelos Estados Unidos. Essas variáveis são o resultado de uma boa ou má gestão de pessoas. Em reportagem de O Globo. burocracia. tecnologia. que chegavam a atingir um preço muito acima do praticado no mercado interno. em Dest.

indústria. e isso é o diferencial contra nós no mercado global. porém se reveste da primazia de levar essa mesma criatura humana a se coletivizar. no âmbito da sua organização. 1997). numa primeira instância. – os sistemas integrados de produção. da cooperação e da sinergia. nicho de onde saem pessoas com suas “expertises” e que poderão fazer o diferencial nas competências. junto à linha de frente. Como se vê. Nessa posição de país em desenvolvimento. não tanto de seus elementos constitutivos. levando-a às guerras. portanto. que proporcionem a criação de equipes que se auto-regulem para desenvolver uma eficácia coletiva. o mundo empresarial toma a direção da unidade. em Dest.. Esse estado de vulnerabilidade da empresa brasileira está muito relacionado ao nível de educação da população economicamente ativa. mas da qualidade da combinação ou da articulação entre esses elementos. 2005 . (19) : 14-24. quase 10 anos. Infelizmente.5 anos.Antonio Celente Videira dia de 30 anos. com reflexos no comportamento da criatura humana. o valor do Capital Intelectual depende. pequeno. nas empresas ou negócios. Nessa área. Nos Tigres Asiáticos. comércio etc. com vistas à elevação do nível de capacidade. O gestor de pessoas da empresa brasileira deve perceber que a cada dia que passa. a fim de adquirir 22 Id. mais do que nunca. apesar da conturbação existente no mundo político e social. As competências de uma empresa ou de uma de suas unidades não equivalem à soma das competências de seus membros. em qualquer que seja o ramo – agronegócio. unicamente. bem como melhorar a sua qualidade./dez. o número médio de anos de estudo da população economicamente ativa brasileira é de apenas 3. set. tanto micro. esse período médio de estudo. crescerem e morrerem com seus fundadores. Essa postura visa. o Brasil. precisa de gestores competentes para difundir. A competência coletiva é uma resultante que emerge a partir da cooperação e da sinergia existente entre as competências individuais (Le Boterf. nos Estados Unidos 12 (Pastore. às vezes fratricidas. o nível de conhecimento formal da nossa força de trabalho é baixíssimo. médio ou macro. Rio de Janeiro. à competência organizacional. 2003). É fundamental ampliar. devido ao fato de nascerem. no Japão 11. Mas o termo “unicamente” não tem o sentido pejorativo de “simplesmente”.

set. Segundo Peter Drucker. O homem-gestor dos tempos de globalização tem que se comportar como o piloto de uma aeronave. socialização. em Administrando em Tempos de Grandes Mudanças (1995). toda essa pró-atividade só terá resultados favoráveis mediante o envolvimento de pessoas talentosas e habilidosas. (19) : 14-24. que é o mesmo mundo político e social. Enfim. cooptação. Voltando a Peter Drucker. os resultados da empresa. e que já redefinia. transformam-se em algo ultrapassado. analisando os indicadores mostrados pelos ponteiros. e. Rio de Janeiro. num segundo patamar. Essa nova maneira de proceder tem que se irradiar./dez.Antonio Celente Videira a “competência organizacional”. nacionais e internacionais. publicado em 1946. A confiança na humanização do “homem-gestor”. vamos nos ater a seu livro Conceito de Corporação. Mesmo em vôo de cruzeiro. dota-la. devem fazer parte de seus diagnósticos e análises. 5 – Conclusão Nessas considerações finais. não podemos perder de vista que a inserção no processo global depende de posturas dinâmicas e contínuas. pois só assim se vai estabelecer um relacionamento profissional em que todos saem ganhando e. em Dest. do sentimento da importância do trabalho cooperativo e integrado para a conquista do sucesso no mundo empresarial. O sucesso de uma marca. ações mútuas e integradas vão preencher o quadro de funcionários da organização para se projetar na sociedade mundial. pois o novo pode. depois. da noite para o dia. quer numa linha de produção quer na elaboração de um projeto.. na virada da Id. 2005 23 . quer na definição de uma estratégia de lançamento de um produto é o que deve ser considerado pela comunidade de gerentes brasileiros que estão à frente de projetos. sem qualquer turbulência. a partir de uma mensagem que trilha por cooperação. de forma imanente. em relação às demais. deve estar fazendo o cheque cruzado dos instrumentos. com isso. principalmente àqueles comprometidos com exportações de produtos nacionais. tornar-se retrógrado. em pouco tempo. os insucessos devem ser vistos como indicações iniciais de mudanças no mercado ou do enfraquecimento das competências da empresa. ou a adoção de uma estratégia inédita que traz frutos para a empresa. ou mesmo. Da mesma forma.

membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra e mestrando em Administração – com foco em Logística Empresarial – da Universidade Estácio de Sá. em Dest. será sempre um vitorioso./dez. O autor é Coronel-Intendente R1 da Aeronáutica. 24 Id. Se o gestor do Terceiro Milênio ancorar-se nesse binômio. na era da globalização. Portanto.. propósito abordado neste artigo. set. que os funcionários de uma empresa devem ser considerados como um recurso ao invés de um custo. são: alerta sobre os rumores do mercado e procura de pessoas qualificadas.Antonio Celente Videira metade do século XX. (19) : 14-24. 2005 . pois a sua corporação marcará presença efetiva no certame da economia global. as posturas da empresa bem-sucedida. Rio de Janeiro.

as lideranças políticas e intelectuais. Tais episódios da História pátria atestam serem os ideais republicanos nutridos de há muito pelos brasileiros. assim. a Setembrada. a Cabanagem. mais tarde. a Confederação do Equador. 2005 25 . 15 de novembro de 1889. O episódio da Proclamação da República nada mais é do que o epílogo da peça que tinha como pano de fundo a Monarquia decadente. e cuja “ouverture” se realizara na velha Olinda. confessaria: “Pela evolução. a Sabinada. do meu querido Brasil”. o Brasil renascia adotando o regime republicano. seria a prova de desenvolvimento. nos idos da primeira década do século XVIII. Barão de Ladário. a Revolução Praieira. com a Guerra dos Mascates.1 A imprensa da época foi unânime em divulgar haver sido o Exército quem operou esta magna transformação e que o povo “bestializado”. igualdade e participação. notadamente do novo Partido Liberal. antes mesmo de nossa Independência. a República Juliana. assistira à mudança do regime sem derramamento de sangue (exceto o vertido pelo então Ministro da Marinha. sobretudo moral. a Revolução Liberal Pernambucana de 1817. no íntimo. sonho de numerosos idealistas desde os primórdios da formação da nacionalidade brasileira. set. a Conjuração Baiana. sempre a quis. e terem sido pagos com elevados tributos de sangue. Tanto no Parlamento como na Imprensa. a Balaiada.. a Revolução Farroupilha. a Novembrada./dez. no dizer de Aristides Lobo. (19) : 25-37. idéias que inspiraram. ferido ao reagir à prisão). a Convenção Republicana de Itu e a Abolição. Os demais atos de um processo histórico de quase três séculos sucederam-se com a Inconfidência Mineira. em Dest. O próprio Imperador Pedro II.Luiz Paulo Macedo Carvalho Ideais Republicanos Luiz Paulo Macedo Carvalho Há precisamente 115 anos. buscava um modelo político garantia de liberdade. Materializavam-se. A República. se empolgavam com os ideais da Revolução Francesa. na sexta-feira. com o exemplo dos Estados Unidos e com o sentimento antiescravagista que dominava quase toda Id. o Patriarca da Independência – José Bonifácio. em alusão ao advento da República. Rio de Janeiro.

particularmente entre os alunos da Escola Militar da Praia Vermelha. insulado num recanto da consciência nacional. o movimento ganhava mais expressão. movidos por um quase fanatismo pela doutrina positivista de Augusto Comte. com um raio de ação muito reduzido. Os filhos e os parentes ricos são destinados aos cursos jurídicos. no jornal O Militar (predecessor de O Soldado. ou parente remoto. 2005 . conforme revela Oliveira Vianna. no Rio de Janeiro. Quintino Bocaiúva lançava o Manifesto Republicano. set./dez. felizes diplomatas e administradores bem-sucedidos. sobrinho pobre. Da Convenção de Itu. na consciência das massas. à presidência da República. realizada em 1873. Rio de Janeiro. O ideal republicano não contribuiu de uma maneira assinalável para esta admirável trepidação característica do período que precedeu a República: carecia de prestígio necessário sobre as elites e as massas. o brasilianista John Schultz aponta fonte que contribui para a explicação desse fenômeno social – matéria publicada em 15 de abril de 1855. da Tribuna Militar e da Revista do Exército Brasileiro): Quem quer que empreenda o exame das filiações dos jovens que freqüentam a Escola Militar verificará que. que fornecem políticos poderosos. também. O centro de irradiação do movimento republicano localizava-se no meio estudantil. limitados eram os pregadores das idéias republicanas. estadistas profundos. em Dest. E quando encontra um desses nomes mágicos de família. 26 Id. fundando o Clube Republicano. que o sentimento republicano não estava de modo algum generalizado na consciência das elites e. que levaria Prudente de Morais e Campos Sales. firmado por mais de 57 signatários. muito menos. Apenas em 3 de novembro de 1870. Há que se salientar a razão de tais idéias medrarem no seio da mocidade militar. Era um ideal vago. Paradoxalmente. (19) : 25-37. pregada por Benjamim Constant. Já em São Paulo. eles procedem de famílias de poucos recursos e de pequena influência capaz de obter uma situação através da qual poderiam ser úteis a si próprios e a seus camaradas. Mas é certo. Em O Exército e a Republica – Origem da Intervenção Militar 1850-1894. sem grandes repercussões. surgiu o Partido Republicano.Luiz Paulo Macedo Carvalho a sociedade brasileira. mais tarde. com raras exceções.. antes de mais nada pode afirmar que o portador é bem bastardo.

É consenso histórico que a fundação do Clube Militar. 2005 27 . Diz a Professora Leila Capella2. o que forçou o Exército a assumir a liderança do processo republicano. a corrupção. A Proclamação da República. o desprestígio do soldado perante as classes conservadoras. Francisco Glycério. suas responsabilidades e sua inserção na sociedade. de acordo com o publicado no Diário de Notícias. com apoio dos líderes civis do movimento republicano – Quintino Bocaiúva. Aristides Lobo.Luiz Paulo Macedo Carvalho Constata-se. Rangel Pestana e outros. Na realidade./dez. pela Questão Religiosa. repensando o seu papel como instituição nacional permanente.. verificou-se mudança profunda das instituições. no dia seguinte à Proclamação da República. que. fundamentada em raízes históricas. Não se pode esquecer também que a Guerra da Tríplice Aliança fez o Exército adquirir autoconsciência. A compreensão do pensamento reinante no Exército explica as sucessivas questões enfrentadas pela Monarquia cambaleante e a Proclamação da República. Segundo Ruy Barbosa. defensoras da escravatura e do latifúndio e interessadas apenas em garantir privilégios. Embora desejassem a República por significar federalismo. Ruy Barbosa. A Monarquia representava a injustiça. “bestializado” deve ter ficado um outro grupo de republicanos. o que. a perseguição. que supria os quadros detentores do poder. Lopes Trovão. assim. a Proclamação da República caracteriza-se pela ação político-militar de um Id. Rio de Janeiro. em Dest. efetuada na sede da entidade à Rua do Ouvidor nº 155. Da Assembléia Geral de 9 de novembro de 1889. denunciados e combatidos pela juventude militar. ligado à cafeicultura de exportação. emergiu a República. em verdade. o atraso e a hipertrofia do poder central – exaurido pela Guerra da Tríplice Aliança. sociologicamente. o Império estava para a República como o Ancien Régime para a Revolução Francesa. viam com desconfiança os militares. pela Questão Militar e pela Campanha Abolicionista – contra o que avultava a oposição das camadas mais esclarecidas da população. (19) : 25-37. distingue revolução de quartelada. Silva Jardim. set. Assim. não merece jamais ser rotulada de quartelada. Os cursos bacharelescos facilitavam o acesso à magistratura. e a aclamação do Marechal Deodoro para seu primeiro presidente resultaram da Questão Militar. em 26 de junho de 1887.

Assistiu-se ao interesse corporativo de grupos poderosos contrapor-se aos interesses gerais da Nação. o que redundou em tornar o Estado dependente do sistema econômico-financeiro internacional. nas palavras de Ruy Barbosa. suprimido os títulos de nobreza e o tratamento de “Excelência” (depois novamente admitido)./dez. com a implantação do regime forte do Estado Novo. Seguiu-se o ciclo de 1930 a 1945. 28 Id. do “coronelismo” e das eleições a bico de pena. (19) : 25-37. promovido a descentralização administrativa e a grande naturalização. a nossa República viveu ciclos nem sempre gloriosos.. e por sedições. garantido a liberdade de credo religioso com a separação da Igreja do Estado. além de ter decretado o sufrágio universal. que retrata o desfecho do exaustivo processo. fora de dúvida. Ficou marcada pela dificuldade de consolidação e de implementação da ética republicana por traição das oligarquias. o presidencialismo e o bicameralismo. em Dest. Rio de Janeiro. set. em decorrência de a Monarquia moribunda viver seus últimos estertores. A Primeira República ou “República Velha”. Vale lembrar que a República eliminou o poder moderador. 2005 . indiretamente. traduzia a inconformidade com a situação reinante e opunha-se às oligarquias com o “tenentismo”. centralismo. Apenas o Exército. À exceção dos períodos de Rodrigues Alves e de Afonso Pena. em conseqüência da economia basear-se em mais de 60% da exportação do chamado produto de sobremesa. as estruturas mostravam-se arcaicas e esgotadas. instituiu o federalismo. nesses mais de cem anos de existência. do “café com leite”. Foi o Estado controlado pelas classes dominantes mediante pactos políticos firmados entre elites. como bem acentuou Max Fleiuss. Constituiu-se em autêntico império dos “barões do café”. representando a classe média. marcado pelo intervencionismo. abolido a pena de galés. extinguiu a vitaliciedade dos senadores. Ficaram imperecíveis cicatrizes da “política dos governadores”. regado a sangue por nossos mártires republicanos.Luiz Paulo Macedo Carvalho pugilo de idealistas civis e militares. as leis hipotecárias e sobre as sociedades anônimas. modernizou o País. entregue a um príncipe estrangeiro. promulgado o Código Penal. perdeu a imagem de “Pallas Atena” e assumiu a de “Vênus Barbata”. secularizado o casamento e os cemitérios. que vai de 1889 a 1930. a serviço dos latifundiários. afastou o risco da coroa vir a ser. A República. Infelizmente. as Leis de Organização da Justiça local e federal.

De 1945 a 1964. redimindo-se do pecado de haverem apoiado a implantação do Estado Novo. a irresponsabilidade e a impunidade diante da coisa pública – protegido pelo crescimento da burocracia e tecnocracia federais – medraram o descrédito no Governo e a busca de compromisso com o regime democrático. o aumento das pressões sociais em face das altas expectativas frustradas quanto à generalização dos benefícios anunciados no Governo Kubitscheck – a despeito do surto desenvolvimentista – o reflexo da Revolução Cubana. a aprovação da legislação previdenciária. ao final da década de 1950. revelaram-se agentes modernizadores que. particularmente o Exército. é forçoso admitir que a retomada da marcha para o Oeste. o estabelecimento de uma política financeira e social. que permitisse a participação eleitoral das massas urbanas e a manutenção do controle político nas mãos das oligarquias ligadas ao Estado. os desmandos populistas. O desmoronamento da economia. ao oportunismo e ao clientelismo. Nesse terreno fértil para a corrupção. e o início da substituição de importações operaram significativas mudanças no Brasil. em função da ignorância e da pobreza populares. Uma vez mais. encoberto pela estatização manipulada a portas fechadas. da Justiça do Trabalho e do salário mínimo. set. identificadas com os ideais republicanos. trabalhista e a criação do Ministério do Trabalho. além de ter propiciado as condições indispensáveis ao desenvolvimento industrial capitalista e da justiça com a instalação de indústrias de base. voto personalista em oposição ao partidário – levou à demagogia. Esse período – assinalado por lideranças políticas carismáticas. Indústria e Comércio. desembocou no populismo.Luiz Paulo Macedo Carvalho totalitarismo. (19) : 25-37. em Dest. fascismo. alianças partidárias inconcebíveis.. paternalismo e burocracia. o movimento trabalhista. puseram fim à tirania então vigente. no cenário democrático. sindical. 2005 29 . maneira engendrada para controlar as massas. com a transferência da capital para Brasília. Rio de Janeiro. a elevação do índice de crescimento demográfico com êxodo rural e incremento da urbanização. em um quadro Id. que redundaram na multiplicação dos tentáculos do Estado. o nepotismo. a despeito de haver ampliado a participação política com o voto secreto e feminino. irresponsáveis e sem peso específico. iniciado na era Vargas e alicerçado pela estrutura sindicalista corporativista. as Forças Armadas. partidos descaracterizados. particularmente do sopro inflacionário do período de JK. Apesar de tudo./dez.

Luiz Paulo Macedo Carvalho político confuso e instável. inesperadamente. Rio de Janeiro. exacerbada pelos políticos alijados do poder e explorada pela frente de esquerda sequiosa de revanchismo. além de não ter efetuado uma reforma de base na Educação e na Justiça. Nos campos econômico e social. em que as velhas raposas tentaram contornar os desafiantes problemas nacionais sem os enfrentar corajosamente. que capacitaram o País a transformar-se. Entretanto. Há que se lamentar. 2005 . manifestados pelo povo e pela mídia. efeito perverso dos choques do petróleo sofridos e da elevação desenfreada dos juros flutuantes da dívida externa. vinte anos depois de 1964 – em que pese a existência de velhos antagonismos herdados. set. ordem e paz da sociedade brasileira. de reformas demagógicas na “marra” e de mergulho no socialismo. na oitava economia mundial. principalmente nos grandes centros urbanos. a República que não deu certo. levando ao surgimento da “Nova República”. a concessão do direito de aposentadoria ao homem do campo. em curto prazo. não ter solucionado graves problemas estruturais socioeconômicos nem ter proporcionado melhor qualidade de vida à população de baixa renda. Gerada no bojo da insatisfação popular. causou ainda maiores decepções com o insucesso da política de conciliação e de “costurar”. com a introdução do planejamento administrativo-financeiro em bases científicas. Virou./dez. todavia. a crise político-social resultou no esgotamento dos instrumentos populistas e no vazio de governo que ensejaram a ascensão dos militares ao poder. as restrições de liberdade impostas pela conjuntura nacional e internacional – concentrou esforços no campo econômico. O fim do milagre econômico. apenas a realiza30 Id. Na esfera política. em nível de governo. Mas o grande mérito desse período está em ter evitado a transformação do País em uma grande Cuba e haver estabilizado a Nação. ocasionou tremenda frustração popular. foi um completo malogro. o ciclo dos governos militares. sem um projeto alternativo para atender aos anseios de liberdade. fizeram o País vulnerável às ameaças de baderna generalizada.. a criação do PIS-PASEP e o progresso alcançado no setor de comunicações. Assim. Persistiu o desencanto entre o institucional e o social. (19) : 25-37. bem como o aniquilamento das lideranças políticas e das Forças Armadas. que outra vez nada realizou. assim. em Dest. transportes e tecnologia. o crescimento do estatismo. promovendo inegavelmente a modernização da sociedade e a integração nacional.

que passou à História Republicana marcado por instabilidade político-econômica. o fisiologismo. das quais jamais lograria se libertar. as denúncias de corrupção. assinalando o retorno ao estado de direito. A safra agrícola. constituiu expressiva conquista./dez.Luiz Paulo Macedo Carvalho ção de eleições presidenciais diretas. a crescente insegurança pública. Prevaleceram a falta de autoridade. decorrente da globalização. o cartorialismo. set. não acrescentou aumento expressivo na área cultivada. Estaleiros fecharam as portas e perderam mercado. a violência incontida e o estímulo ao tirar vantagem. 2005 31 . depois de ocupar posição invejável no mercado internacional. a degeneração dos tradicionais valores republicanos evidenciou que a “Nova República”. por sucessivos escândalos. o descontrole econômico. que redundou em sensível desvalorização da moeda. e transformou a República em gerente de crises sucessivas. afastou-se dos rumos almejados e terminou em nova versão de populismo ou arremedo de “República Sindicalista”. A taxa de desemprego atingiu dramáticas cifras. A indústria aeronáutica sentiu-se compelida a se abrir ao capital estrangeiro. a ameaça de hiperinflação. o empreguismo. embora haja apresentado índices elevados. a insuflação à luta de classes. acenando com esperança de estabilização política e econômica e promessa de paz social. na verdade. ainda de resultados imprevisíveis.. A indústria bélica feneceu. a expansão de um sindicalismo espúrio. A partir de 1995. verificou-se a fase do neoliberalismo. (19) : 25-37. Enfim. a legislação em causa própria e contrária aos interesses públicos pelos ditos representantes do povo. o grevismo inconseqüente. Sobreveio à década perdida dos anos 80 o período nebuloso de 1990 a 1992. Rio de Janeiro. em Dest. corrupção. Não se podia imaginar era que viesse a ser pior do que se esperava. agravada por não dispor o País de proteção social para amparo aos desempregados. O produto da Id. O número de indigentes aumentou para 53 milhões. A indústria nacional viu-se sucatada em face da concorrência externa. e culminou com a renúncia do supremo mandatário da Nação. desistindo de projetos desenvolvidos e acumulando mais prejuízos. bem como ao desrespeito à lei com o alastramento da impunidade. o favorecimento de grupos em detrimento do bem-estar coletivo. Foram oito anos de câmbio artificialmente estável.

entrando em crise existencial sem solução até os dias de hoje. verificou-se um completo abandono da malha rodoviária. a falta de investimentos levou os serviços prestados à crise e à conseqüente privatização. ao mesmo tempo em que se multiplicaram por quatro os juros dos credores da dívida e a corrupção se avolumou. O patrimônio público amealhado em anos de sacrifícios transferiu-se para a propriedade de corporações estrangeiras a preço vil. A dívida externa cresceu sem parar e chegou a algumas centenas de bilhões de dólares. financiado pela reduzida poupança interna. sendo cobrados excessivos impostos e tributos do cidadão brasileiro e do empresariado nacional. set. Rio de Janeiro. (19) : 25-37.. atraídos por altas taxas de juros pagas a custa do empobrecimento da Nação. No setor de transportes. Continuou a economia à mercê dos investidores estrangeiros. grande parte dos assalariados. que só encontrou saída na privatização. com resultados aquém dos anunciados. 32 Id. A especulação proporcionou lucros bem mais compensadores do que qualquer atividade produtiva. eram concedidos privilégios e isenções aos especuladores externos. 2005 . insuficiente para saciar a fome de todos os brasileiros e resultado ridículo se comparado aos de outros países em condições similares. Na área de comunicações. As linhas aéreas reduziram os vôos e as aeronaves. O número limitado das ferrovias existentes não merece apreciação. Paralelamente. enquanto viram agigantarse a concentração de renda absurda nas mãos de minorias privilegiadas. O funcionalismo. em Dest.Luiz Paulo Macedo Carvalho terra não passou de 100 milhões de toneladas de grãos. A navegação de cabotagem e a de longo curso cessaram as suas atividades. A reforma tributária foi obstada continuadamente. O endividamento interno ultrapassou o externo. As finanças reviveram o “encilhamento” dos primórdios da República. no afã de captação de “capital-motel” – aquele que entra à noite e sai na manhã seguinte. Uma série de ataques especulativos contra o real reduziu a um quarto o valor de tudo o que a classe média possuía. aposentados e pensionistas e as camadas menos favorecidas da sociedade pagaram com duro arrocho salarial. além de cancelarem rotas./dez.

uma Constituição a cada decênio e uma emenda a cada nove meses. a Carta monárquica de 1824 era o segundo documento constitucional escrito mais antigo do mundo. set. A educação e a saúde públicas também entraram em colapso. tivemos somente uma Constituição com uma emenda. 2005 33 . isto é. refazer a História. (19) : 25-37. a memória nacional é apagada e o brasileiro perde a auto-estima. a toda força. a pirataria. As Forças Armadas foram desmanteladas e silenciadas. atingindo patamares nunca dantes vistos. onde se trava uma “guerra de posição”. Rio de Janeiro.. os valores cultuados são substituídos. de igualdade. multiplicaram-se as emendas constitucionais. A Revolução de 1930 assinala a ruptura da estabilidade constitucional. Id. que reflexões críticas se nos impõem os “115 anos de República”? Nos 41 anos de “República Velha”. Passamos a ser governados por medidas provisórias. O imaginário nacional é contestado. Em 1889. liberdade e participação. O revisionismo procura. do direito de desenvolvimento da política nuclear. em Dest. Nesses oito anos de neoliberalismo. As projeções e as análises econômicas não se concretizaram. A cultura ganha ares de campo de batalha. de graça.Luiz Paulo Macedo Carvalho No setor energético. ao admitir que decisões maiores de alçada interna. A identidade nacional vê-se ameaçada. a incúria impôs o racionamento de eletricidade e forçou o consumidor a financiar investimentos. de ordem econômica e política. gerando um clima de medo generalizado./dez. impliquem em perda de autodeterminação. superado apenas pela Constituição norte-americana. que se afigurava promissora. acalentados durante 115 anos. a invasão e a ocupação de propriedades e terras aterrorizam. vivemos sob a égide de quatro textos constitucionais acrescidos de setenta emendas. Abdicou a Nação. A resultante dessa melancólica experiência mal-sucedida do modelo neoliberal sinaliza que a República atravessa difícil época de transição. A falta de autoridade e de recursos permitiu o crime organizado e a violência se espraiarem. Assim. Especialmente nos grandes centros urbanos a incerteza e a insegurança imperam. O narcotráfico. diante da impunidade e omissão dos poderes da República. ao ser revogada. o contrabando. De 1930 a 1988. O conceito de soberania compartilhada é divisado no horizonte. bem como a cobrir a queda dos lucros das multinacionais. correndo perigo de comprometimento dos ideais.

mas não ao sentimento de nação. Rio de Janeiro. o povo se conscientizando e se politizando. tem sido hipocrisia. como resultado da precipitada elevação do País à categoria de reino. de força determinante. em muitos aspectos. Não prevaleceu o espírito público nem a liberdade individual. de predomínio do espírito público. A persistência de nossos males encontra-se na distonia entre as instituições políticas e a sociedade. lamentavelmente. é notório que a causa de tudo isso deriva do fato de. A idéia de República está ligada à de virtude cívica. Na “Primeira República”. Carece a República do princípio federativo que a inspirou./dez. inépcia e inadequação moral. para o povo e pelo povo. entender e satisfazer as aspirações populares. Presenciamos uma República amoral. tínhamos eleições a bico de pena e candidatos mais preparados para gerir os negócios públicos. Oliveira Vianna explica esse cenário dizendo que o nosso espírito nacional é rarefeito. Falta uma base política e uma doutrina consolidadora dos interesses nacionais. É o endeusamento dos direitos sem a contrapartida dos deveres da cidadania. em 1808. nem este o deixa livre. às pressas. Conforme. de conchavos e do “faz de conta”.. Em outras palavras. hoje. (19) : 25-37. a República pertence a todos e a todos incumbe resguardá-la. É do povo. Mas o que vimos. sobre os quais se possa erguer solidamente os pilares de instituições que reflitam as aspirações do povo. Agigantou-se o Estado sem se tornar público. Quanto mais cresceu o Estado. a justificou e lhe deu 34 Id. no decorrer de mais de um século. cinismo complacente e. Portanto. em decorrência da transferência da corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. em Dest. no Brasil. assistimos a eleições computadorizadas de candidatos despreparados para captar. ao ir sendo gradativamente incorporado à sociedade. carece de densidade. O cidadão não controla o Estado. incúria. mas ainda não delineou o tipo de contratualismo ideal a firmar entre o Estado e a Nação. de cima para baixo. Chegamos à idéia de nação. entrou em choque com o Estado patrimonial herdado.Luiz Paulo Macedo Carvalho O termo República vem do latim res publica. suas raízes etimológicas. supremacia do interesse do povo. pois. cujo significado literal é coisa pública ou comum. set. sentenciou Gilberto Amado. o Estado haver precedido à sociedade e sido imposto à Nação. mais asfixiou o cidadão. 2005 . Hoje.

Em pouco mais de um século. 2005 35 . Dele temos que dar conta. inserindo-se entre as principais nações do mundo e pugnando para ocupar o lugar que lhe está destinado. Rio de Janeiro. Ruy Barbosa já proclamava. A República não incorporou ainda a maioria do povo à sociedade. e não poupando os homens de sua época pela imoralidade: Os costumes pátrios elevavam ao governo os homens prestantes. considerando o populus como o fim da coisa pública.) Foi a penúria mesma de homens que nos levou a perder os bons costumes. de Cícero. (.. observados o consensus juris (o consenso do direito) e a communis utilitatis (a utilidade comum). cresceu. Está. modernizou-se e avançou aos solavancos. desenvolveu-se. a força viva da Nação. indica-nos a senda a trilhar o ilustre parlamentar Marco Maciel. Cícero foi quem especificou o conceito de República ao distinguir a res publica da privata. Precisamos somente exorcizar os demônios do pessimismo e constatar a nossa esplêndida potencialidade. e não por acidentes da fortuna.Luiz Paulo Macedo Carvalho forma. como de crime capital. e esses homens eminentes preservavam os costumes e as instituições maiores. o que lhe empresta um caráter inacabado. pois é mercê da nossa imoralidade.. Apesar dos acalentados ideais republicanos não se terem concretizado plenamente. no patrimônio humano. referindo-se ao tratado Da República. a granId. que a República está realmente morta. o gigante adormecido despertou. o ponto de partida e a meta síntese do projeto político de construção nacional. na congênita cordialidade. a chave para a solução de nosso maior problema.. que está o fundamento. set. confiante no futuro. nesse humanismo característico do brasileiro. pois. que não basta explicar. a República sobreviver quando não se confia nos homens públicos? Só os homens podem solucionar os problemas criados pelos homens./dez. Será possível. em Dest. Parece que o mal republicano acha-se na inexistência de instituições políticas firmes e estáveis e na ausência de perenidade das normas constitucionais. É na vocação de fraternidade social e de admirável concorrência étnica. então. fortaleceu-se. (19) : 25-37. É um desastre. a República pode orgulhar-se de haver enfrentado e superado todas as crises por que passou e ter dado permanência e continuidade ao regime democrático. O Brasil é viável. amadureceu. e dela nos não remanesce nada mais do que o nome.

mas tirar ensinamentos dos erros cometidos para efetuar as necessárias correções resultantes do presente do passado. segurança e respeito à Terra de Santa Cruz. não é esta a República com que sonhamos. entre os ideais republicanos e a realidade nacional. Decididamente. Rio de Janeiro. destinada a criar oportunidades e condições iguais de dignidade para todos os cidadãos. Portanto. com desenvolvimento harmônico.. A República não pode esquecer que muito deve às Forças Armadas. livre iniciativa. A moralidade pública é o sustentáculo da República. set. nas horas graves. a fim de legar uma Pátria melhor aos nossos descendentes. só nos resta enfrentar os desafios e as dúvidas. para ter sempre quem a defenda e a preserve. nem os submeter à condição de humilhados servos. liberdade. em especial ao Exército. com determinação e perseverança. Existe um espaço entre o dever ser e o ser. 36 Id. Urge não atribuir os nossos males ou a nossa salvação às estrelas ou a terceiros. cumpre promover o mais amplamente possível tais possibilidades de integração social e ensejar o exercício pleno da cidadania. Sendo a República por concepção o regime da coisa pública. como apregoava Ruy Barbosa: Soldados sim. Faz-se mister abater a muralha do mau hábito de deixar impune a malversação dos bens públicos. A nós incumbe a responsabilidade de estruturar a nossa destinação republicana. 2005 . sob permanente mediação controladora da opinião pública. É imperativo recordar e levar a cabo a proposta de Capistrano de Abreu – obrigar a todos os brasileiros a terem vergonha na cara – ao que acrescentava o grande escritor: Revogadas as disposições em contrário. em Dest. do presente do presente e divisar um presente do futuro mais alentador. (19) : 25-37. direito de propriedade. ordem. a República há que também não sujeitar os militares a revanchismos político-ideológicos. mas não lacaios! Aflige-nos mais a míngua de ideais do que as décadas perdidas e os indicadores socioeconômicos da atualidade.Luiz Paulo Macedo Carvalho de capacidade de realização do povo brasileiro e não desistir do Brasil. O mal do Brasil está nos brasileiros. Por isso./dez. Nosso problema é de construção da República. sempre alerta e prontos a combater quaisquer desvios dos rumos traçados pelos idealizadores da República. É preciso fomentar a educação cívica.

set.Luiz Paulo Macedo Carvalho Ao celebrarmos 115 anos de Proclamação da República. mais do que nunca se faz necessário superar o desafio que nos atormenta. São Paulo: Cia. Rio Arte. 126. Rio de Janeiro. já advertia o Padre Antônio Vieira no Sermão da Primeira Dominga do Advento do alto do púlpito da Capela Real em 1650. Jornal das Letras e Artes. p. 1924. Homens e coisas do Império. desde o berço da República até o presente./dez.. Visconde de. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História./dez. 1989.. O autor é Coronel QEMA Reformado. (19) : 25-37. 2 O EXÉRCITO. em Dest. (7): 6. 2005 37 . A omissão é um pecado que se faz não fazendo. Id. Melhoramentos. a República e a nação brasileira”. nov. Notas Bibliográficas 1 TAUNAY. ao raiar do terceiro milênio. e buscar a interação entre o Estado e a Nação – o objeto dos ideais republicanos de ontem e de hoje.

Belém e no Rio de Janeiro. e que foi denominado Santa Maria de Belém. Um mês depois.. em 9 de julho de 1884. em Dest. realizou uma tentativa de ascensão do grande balão em Belém. em Portugal e na Inglaterra. 2005 . No entanto. Rio de Janeiro. em 1881. a Inglaterra e os Estados Unidos. para a qual foi eleito membro. que possuía a estrutura fusiforme dissimétrica originalmente proposta por Ribeiro de Souza. (19) : 38-63. Recebeu auxílio para que fosse construído na França um balão de seu sistema e patenteou seu invento em onze países. pela primeira vez na História. tendo escrito um longo “Protesto” publicado na imprensa paraense. preconizando a estrutura fusiforme dissimétrica dos balões.4m de maior diâmetro. a França. os capitães franceses Charles Renard e Arthur Krebs realizaram. um percurso fechado a bordo de um balão. Ribeiro de Souza dedicou o restante de sua vida para provar o plágio de seu sistema pelos franceses. denominado La France.4m de maior diâmetro). Após isso recebeu auxílio adicional para construir um grande balão na França. e divulgado principalmente na França. que ficou pronto em junho de 1883.Luís Carlos Bassalo Crispino Julio Cezar Ribeiro de Souza. set. Cerca de um ano depois. com 52m de comprimento e 10. 38 Id. sua teoria sobre navegação aérea baseada no vôo dos pássaros planadores. incluindo o Brasil. problemas com a produção do gás hidrogênio para inflar o balão impediram a realização da experiência. o Brasileiro Inventor do Dirigível Luís Carlos Bassalo Crispino Resumo Julio Cezar Ribeiro de Souza (1843-1887) apresentou. ainda em 1884. embarca com o balão e seus acessórios para Belém. Seu balão de testes Victoria foi experimentado com sucesso em Paris. e aproximadamente as mesmas medidas do Santa Maria de Belém (50. O documento ao Instituto Politécnico Brasileiro era intitulado Memória sobre a Navegação Aérea e foi aprovado por unanimidade.4m de comprimento por 8. Sem condições financeiras para experimentá-lo na França./dez. quando conseguiu os recursos necessários. Expôs sua teoria diante da Sociedade Francesa de Navegação Aérea.

tendo retornado ao Brasil no final de 1869. uma das academias de Direito do Império12. História e Geografia. (19) : 38-63. Após essa negação. Uruguai e Paraguai. onde completou o curso preparatório da Escola Militar. No ano de 1872. Em 1866. Casou-se com Victoria Philomena Hippolita do Valle na Igreja da Trindade.Luís Carlos Bassalo Crispino Julio Cezar Ribeiro de Souza nasceu no interior da então província do Pará. Francês. Espanhol. impresso nas oficinas tipográficas do jornal paraense “Diário de Belém” e publicado em julho de 187017. Em 1868. quando ocupava o posto de segundo cadete do 3o Batalhão de Artilharia a Pé e de agente da enfermaria militar do Exército em Montevidéu. 2005 39 . em 13 de junho de 18432. Juntamente com Joaquim José de Assis e Américo Marques Santa Rosa cria o periódico de publicação semanal “O TiraDentes”20. Órfão de pai quando ainda era criança5. Àquela época anunciava-se como professor particular de Português. e trabalhou como funcionário público. Depois de seu retorno a Belém. tendo sido aluno do Seminário do Carmo6 7. em 1867..13 Com o término da guerra. em 5 de novembro de 187018. trabalhou em “O Liberal do Pará” e depois no “Diário de Belém”. à época capital do Império brasileiro. foi publicada sua “Gramática Portuguesa Id. cujo primeiro número circulou em 19 de fevereiro de 187121. em seu memorial submetido ao comando superior. ainda que como ouvinte. transferiu-se para o Rio de Janeiro. manifestava sua vontade de freqüentar. Praça voluntária em 28 de maio de 18618. que ocorreu o primeiro emprego militar de balões de observação na América do Sul9 10. sob licença de quatro meses para ir à província do Pará tratar de negócios de sua família. não foi necessária sua volta ao Paraguai. filho legítimo dos agricultores3 José Ribeiro de Souza e de Ana Raimunda da Silva4. seguiu para Montevidéu. No início de sua carreira de jornalista. set. teve seu pedido de baixa do serviço militar recusado11. onde se integrou às forças militares brasileiras na Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro. bem como algumas escritas naqueles primeiros meses após sua volta ao Pará. foi deslocado para Humaitá. Reuniu suas poesias escritas durante os anos que passou no Rio de Janeiro./dez. Ribeiro de Souza. mudou-se para a capital da província do Pará. em Dest. de cuja tipografia chegou a ser administrador15. na rua da Trindade19. onde aportou em 29 de janeiro de 187014. em um livro que denominou “Pyraustas”16. dedicou-se inicialmente ao jornalismo e ao magistério. na freguesia de São José do Acará1. Foi durante esta guerra.

à ausência de motores potentes o suficiente para que os primeiros modelos de avião alçassem vôo27. em Dest. consistia na forma aerodinâmica do invólucro do balão. na sua presença e na dos homens da ciência da província. 2005 .Luís Carlos Bassalo Crispino para Escolas Primárias”. assemelhando-se ao formato aerodinâmico do corpo dos pássaros planadores e dos peixes. mas sim a ausência de dirigibilidade dos aeróstatos28. que fora concebido originalmente por Ribeiro de Souza. objetivando encontrar as bases de uma teoria capaz de tornar exeqüível a Navegação Aérea24. Ainda nessa carta registrou que. assim como aos seus serviços prestados durante a Guerra do Paraguai. Apesar de seu talento como jornalista e poeta. A Aviação não lograva êxito devido. Em 29 de julho daquele ano dirigiu uma carta ao presidente da província do Pará declarando que havia encontrado o ponto de apoio dos corpos mais-leves-que-o-ar e solicitando uma audiência reservada para. devido aos seus conhecimentos literários. a ascensão não era o problema. Rio de Janeiro. uma vez que era impossível construir no Brasil um balão dirigível de grande porte. Ribeiro de Souza foi nomeado encarregado da Biblioteca Pública do Pará22. esperava que fossem solicitados ao Governo do Império os meios para que se pudesse mandar construir na Europa um balão segundo seu modelo./dez. Este viria a ser justamente o formato dos consagrados “zeppelins” que cruzaram o Atlân40 Id. Neste mesmo ano.. A principal característica do sistema de Navegação Aérea por meio de balões planadores. assim como no estudo de línguas foi. Segundo seus próprios relatos. Já no Balonismo. Ribeiro de Souza uniu os pontos positivos do Balonismo e da Aviação. e que lhe fossem garantidos os privilégios de sua invenção. expor sua teoria25. datam de 1874 seus primeiros estudos sistemáticos do vôo dos pássaros. Mas foi somente em 1880 que veio à imprensa publicar os resultados de suas pesquisas. set. à Navegação Aérea a maior das contribuições de Julio Cezar Ribeiro de Souza. Em 1880. principalmente. caso ficasse reconhecido o mérito de sua descoberta. ocupação na qual se manteve até abril de 187423. adotada e premiada pelo Conselho de Instrução Pública da província do Pará. (19) : 38-63. as tentativas do homem em conquistar o ar dividiamse em duas grandes correntes: a Aviação e o Balonismo26. baseado no vôo dos pássaros planadores. sem dúvida. criando um sistema de Navegação Aérea original. com maior diâmetro na parte dianteira (proa) e menor diâmetro na parte traseira (popa).

mesmo que conseguisse produzir o gás necessário. A Assembléia Provincial do Pará aprova a concessão de uma subvenção no valor de 20:000$000 (vinte contos de réis) para a construção de um balão de acordo com o seu sistema. não permitindo o êxito desejado. com passagem e auxílio mensal pagos pelo Imperador D. Ribeiro de Souza. Id. Outra peculiaridade de seu sistema consistia na aplicação de asas e leme horizontais articulados para auxiliar na dirigibilidade do aeróstato. No Rio de Janeiro. anunciando que deveria brevemente embarcar para a capital do Império33. que passa a ser discutido nas reuniões do Instituto.Luís Carlos Bassalo Crispino tico e deram a volta ao mundo na primeira metade do século XX. A audiência solicitada ocorreu em 9 de agosto de 1880. Após isso preparou um balão maior./dez. o qual deveria encher com hidrogênio a ser fabricado no gasômetro da cidade31. Pedro II39. A Comissão designada para analisar sua teoria emite-lhe parecer favorável. parte de Belém rumo à França. pedindo uma sessão pública para expor sua teoria. O inventor paraense logo se convenceu de que. feito de papel coberto de gelatina. no Palácio do Governo do Pará. Após estes fatos. juntamente com a concessão da patente brasileira de seu sistema de Navegação Aérea. 2005 41 . no Rio de Janeiro. esclarece à população a impossibilidade de realizar uma experiência definitiva de seu invento no Pará. documento que se encontra atualmente no Arquivo Nacional. Rio de Janeiro. A experiência não ocorreu no dia marcado porque não foi possível a produção do gás32. que já havia utilizado balões pequenos.. e as opiniões dos que a assistiram ficaram divididas29. dirige um ofício ao Instituto Politécnico Brasileiro. em Dest. o que ocorre em seguida37. (19) : 38-63. resolve fazer um balão de seis metros de comprimento e dois metros de diâmetro. no dia 30 de agosto de 188030. condicionada à aprovação deste parecer da Comissão36. set. aplicável à Navegação Submarina. Foi então que decidiu realizar ainda em Belém demonstrações públicas com protótipos de balões para tornar notória a aplicabilidade de sua teoria. para lá providenciar a construção de seu balão. o material de que dispunha para fabricar balões era inadequado. quando fez a leitura de sua Memória sobre a Navegação Aérea35. com até dois metros de comprimento. experimentando-o na presença de poucas pessoas. em 12 de setembro de 188138. Em nota publicada em jornal local. o que ocorre em 15 de março de 188134.

contrata os serviços da Casa Lachambre e procura patentear sua invenção em algumas das principais capitais européias. viajou para o Rio de Janeiro.Luís Carlos Bassalo Crispino Lá chegando. foi ele convidado pelo presidente daquela Sociedade. que ficaram impressionados em ver pela primeira vez um balão. A segunda destas experiências. em Paris. que poderia realizar vôos tripulados48. De volta ao Pará49. Gaston Tissandier. Rio de Janeiro. Após o sucesso de suas experiências na França. Ribeiro de Souza repetiu. Pelo fato de ser o Victoria um balão de testes. e pelo adido militar do governo russo. incluindo o encarregado dos negócios do Brasil na França. obtendo pleno êxito. conforme noticiado pela imprensa parisiense42. Visconde de Itajubá. sem estar provido de motor algum. sem capacidade para erguer o peso de um homem. e que ao assistir o balão avançar contra o vento afirmou: “Como eu lamento que o inventor não seja um francês!”46. deixando encomendada na Casa Lachambre a construção de um grande balão. que presidira a SFNA até junho de 1881. com dez metros de comprimento e dois metros de maior diâmetro. Marco Antônio de Araújo. No início de 1882. assim denominado em homenagem a sua esposa. Na sessão ocorrida dois dias após a concessão da patente francesa para seu invento. onde também realizou demonstração pública no dia 29 de março daquele ano. para expor sua teoria de Navegação Aérea40. Presenciando tais experiências em Paris esteve também o Capitão francês Charles Renard. as experiências realizadas na França. ele precisava ser conduzido do 42 Id. obtida em 25 de outubro daquele ano. 2005 . não importando o vento contrário existente45. Durante uma das sessões de outubro de 1881 na Sociedade Francesa de Navegação Aérea (SFNA). em presença do Imperador Dom Pedro II e de um grande número de pessoas51. Foi nomeado membro associado da SFNA em 10 de novembro de 188143. na manhã do dia de Natal de 1881. realiza experiências na capital francesa nos dias 8 e 12 de novembro. em Dest. durou cerca de três horas e foi assistida também por membros da Legação Imperial do Brasil na França. (19) : 38-63. para a qual Ribeiro de Souza convidou pessoalmente todos os membros da SFNA. dois dias após a realização da primeira de suas experiências práticas em Paris.. set. cujo êxito foi noticiado com entusiasmo pela imprensa paraense50. partiu de Paris rumo a Belém47. na qual Ribeiro de Souza estava presente. Pronto o balão Victoria. na Escola Militar./dez. o Barão de Friedericks44. avançar na direção de sua proa. fez a leitura de uma versão em francês de sua Memória sobre a Navegação Aérea41.

provavelmente por não entenderem que pouco além daquilo poderia ser feito com um balão com aquelas dimensões. ficaram bastante desapontadas com o fato de que a prova da dirigibilidade do aeróstato fora realizada com este sendo “conduzido” por meio de cordas. nos arredores de Paris. em 23 de junho de 188253. mesmo que oposta à corrente de ar.. em Dest. O objetivo de Ribeiro de Souza. segundo atestaram os principais conhecedores do assunto. Desta forma. pelo contrário. Tendo conseguido estes recursos. voltava Ribeiro de Souza para tratar definitivamente da construção de seu grande balão. sempre com o maior especialista da época. o que se estendeu por alguns meses até à aprovação por unanimidade no Instituto de uma moção em favor da exeqüibilidade teórica do Sistema Julio Cezar. Contratados os serviços em janeiro de 1883. Após a experiência na capital do Império. era necessária a realização de experiências com um protótipo de dimensões reduzidas. antes de se construir um balão de grandes dimensões. caminhava na direção de sua proa. 2005 43 ./dez. (19) : 38-63. Id. a Assembléia Provincial do Pará. aprovou um auxílio no valor de 36:000$000 (trinta e seis contos de réis)55 para a construção do seu grande balão56. Algumas pessoas que ali assistiram à experiência.Luís Carlos Bassalo Crispino chão. demandando uma quantidade enorme de recursos. que tornasse patente sua dirigibilidade. Muitas pessoas presentes durante aquela experiência no Rio de Janeiro não entendiam que. pouco mais de um ano após suas primeiras experiências na capital francesa. Henri Lachambre. a fim de que se percebesse que não era levado pelo vento como um balão comum. na lei que orçava a receita e fixava a despesa para o exercício de 1882-188354. deixa o porto de Belém rumo à Europa em 13 de dezembro de 188257 58. iniciou-se intenso debate sobre as idéias de Ribeiro de Souza. Por isso. exatamente da maneira que foi feito. e sim. ou por não terem sido devidamente alertadas para o tipo de experimento que seria realizado. não foi compreendido pelas pessoas que assistiram à demonstração na Escola Militar. tanto nas sessões do Instituto Politécnico como na imprensa do Rio de Janeiro52. previu-se que o balão só ficaria pronto ao final de abril. foi difícil conseguir os recursos necessários para o término da construção do balão que havia deixado encomendado em Paris. set. plenamente alcançado na França. por meio de manobras que consistiam em largar as extensas cordas que o prendiam. Com base nesta moção. em suas oficinas de Vaugirard. Rio de Janeiro.

já anunciava suas intenções de fazer uma exposição de seu balão em Paris. Tinha a intenção de realizar as experiências primeiramente na França e depois nas principais capitais européias. 2005 . mesmo sabendo que enfrentaria imensas dificuldades para realizar o experimento em terras onde não havia técnicos especializados. set. Ribeiro de Souza não vendeu sua invenção a país algum e tomou a decisão de retornar para Belém trazendo consigo o balão e seus acessórios63. tinha por objetivo arrecadar dinheiro para a realização das experiências. (19) : 38-63. o prefeito da Comuna de Paris. mesmo com a intervenção a favor desta causa por parte do encarregado dos negócios do Brasil na França. Chegou mesmo a cogitar entrar em contato com o Barão de Friedericks. Por não ter o desprendimento do navegador genovês Cristóvão Colombo. não podendo manter-se na França aguardando sua conclusão. em Dest. 44 Id.. Adido Militar do governo russo./dez. reduzindo ainda mais suas reservas financeiras. no Palácio da Indústria ou no Hipódromo. para o que não dispunha de recursos suficientes. Ribeiro de Souza partiu novamente em 19 daquele mês. Para agravar a situação. Não restava alternativa plausível senão voltar e tentar fazer no Brasil as experiências com o balão. Desde a realização de suas primeiras experiências em Paris. Esta exposição. O dinheiro empregado em mais esta viagem tornava ainda menores os recursos de que dispunha. à qual pertencia a região das oficinas de Lachambre. Rio de Janeiro. de Belém rumo a Paris61. manifestando seu interesse em comprar os direitos de sua invenção. o governo russo havia procurado Ribeiro de Souza por meio da representação brasileira na França.Luís Carlos Bassalo Crispino Ribeiro de Souza. Em nota dirigida à imprensa paraense quando ainda se encontrava em Belém. Após receber um telegrama do construtor Lachambre confirmando a previsão da conclusão do balão para 30 de abril de 188360. que seria organizada por Lachambre. que procurou no estrangeiro o apoio financeiro de que precisava para sua viagem de descobrimento. antes de realizar as experiências62. negou o pedido de autorização para a realização da exposição paga do balão. Ao chegar em Paris para receber o balão e seus acessórios. regressa a Belém do Pará59. verificou que estes últimos não estavam de acordo com o solicitado e tiveram que ser reconstruídos.

tentou obter auxílio na vizinha província do Amazonas. Apesar dos esforços de várias pessoas importantes. encabeçado pelo Presidente do Conselho de Ministros da França. que garantiu o subsídio de 16:000$000 (dezesseis conId. em Dest. mesmo porque a construção de uma nova máquina demandaria cerca de três meses e recursos dos quais definitivamente não dispunha. ou com um outro propulsor movido a mão65.Luís Carlos Bassalo Crispino Foi convidado por Gaston Tissandier. Rio de Janeiro. apesar desses esforços coletivos. lideradas pelo presidente da província. desta vez o governo da província do Pará não aprovou qualquer subsídio para a realização do experimento71.. Como não considerava o propulsor absolutamente necessário para seu sistema de Navegação Aérea. Presidente da SFNA. principalmente da imprensa local. solicitando os recursos necessários para encher com hidrogênio seu balão69./dez. recorrendo ao governo e à população da província do Pará. (19) : 38-63. em comemoração ao Centenário da primeira experiência dos irmãos Montgolfier64. tal era a escassez de recursos em que se encontrava. o Visconde de Maracaju. 2005 45 . ocorreu uma explosão em seu reservatório de vapor. o Barão de Igarapé-Mirim e o Barão de Muaná. tratou de conseguir os meios para a realização da experiência. Disso resultou uma petição organizada por várias pessoas. que precisou empenhar o próprio balão para conseguir pagar seu transporte de Paris para Belém66. Chegando ao Pará com o grande balão em meados de julho67. entre elas o Visconde de Nazaré. parcialmente cheio com ar. frustrou-se também esta tentativa73. Incansável. participar de um banquete com cem pessoas em Paris. De fato. Já no mês seguinte organizou uma exposição gratuita do balão. decidiu realizar sua experiência no Brasil sem um motor. inutilizando-a. pedindo à própria população do Pará que contribuísse com os recursos necessários72. assinada por um grande número de cidadãos e encaminhada à presidência da província70. de maio de 1884. para. que se reuniram no próprio palácio do governo. Viajou para Manaus e lá conseguiu a aprovação de uma lei. no interior da Catedral de Belém68. No entanto. e realizou conferência no Teatro da Paz. em junho de 1883. set. por só o ser em certas condições atmosféricas. durante os ensaios com a máquina a vapor que deveria mover a hélice do balão. Ribeiro de Souza repetiu a exposição do balão e realizou outra conferência em outubro. Ainda em Paris.

4m de maior diâmetro em sua parte anterior e 8. vendo-se Ribeiro de Souza obrigado a vender seus livros e mobília para poder realizá-los75. Aquele grande navio aéreo era feito de seda dupla impermeável e revestido de uma camisa também de seda. de comprimento igual ao do próprio balão. Para a produção do hidrogênio. que ficaria ainda presa ao balão por meio de diversos cabos e cujo fundo era feito de pinho de riga. era guarnecida de um tecido de arame e cabinho alcatroado de cerca de um metro de altura por três de comprimen46 Id. Chega finalmente o dia do experimento.Luís Carlos Bassalo Crispino tos de réis)74. em Dest. Se um único recipiente fosse utilizado para a produção de todo o gás. era necessário cerca de três milhões de litros de gás hidrogênio. denominados geradores. Para tanto.5m de menor diâmetro na parte posterior76. Rio de Janeiro. (19) : 38-63. em substituição à rede normalmente utilizada em outros balões. medindo 52m com 10. juntamente com quinhentas cordas que delas pendiam. dispunha o inventor de uma tonelada e meia de ácido e cerca de dois mil quilos de zinco e limalha de ferro sobressalente. e a ascensão estava marcada para a manhã seguinte.. as duas asas./dez. Foram agrupados em cinco conjuntos ou baterias. cada uma contando com um purificador e um secador. o leme e a âncora. diminuindo assim os efeitos da resistência do ar ao movimento do balão78. havia providenciado 70 barris de madeira. A barquinha. No dia da experiência de ascensão. à qual eram fixados: a barquinha de 12m de comprimento. em 12 de julho de 1884. Das extremidades inferiores da camisa desciam duas redes circundando o balão. Os trabalhos para o enchimento do grande balão foram iniciados à meia-noite. 2005 . set. seriam necessárias várias semanas. havia sido preciso mandar buscar na Europa cem garrafões de ácido sulfúrico. colocada com o propósito de evitar o atrito das cordas e também os seios formados entre as malhas da rede. O hidrogênio era produzido derramando-se o ácido sobre o metal colocado no interior dos barris e coletado através de mangueiras que o conduziam para a secagem e purificação. no Largo da Sé. com capacidade para 480 litros cada um77. Este valor revelou-se insuficiente para todos os preparativos. que. O Santa Maria de Belém era o balão a hidrogênio de maior comprimento já fabricado no mundo até então. e só então para o interior do balão. tinham por fim prender ao balão uma grande verga. Para completar toda a capacidade do balão. a menos que este tivesse dimensões gigantescas.

em Dest. que tinham formato triangular./dez.. para o caso de grandes dilatações do gás.5m de diâmetro. o balão contava com um propulsor constituído por uma hélice de duas pás. medindo 4. Devido a ter sido inutilizada. em Paris83. Rio de Janeiro. que seria acionada por um motor consistindo de uma máquina a vapor de quatro cavalos82. sem qualquer experiência prévia na fabricação de hidrogênio. O leme ou cauda era igualmente de seda dupla impermeável sobre armação de madeira e metal. vários outros geradores tiveram suas bases danificadas. por meio de um ventilador. As válvulas. até às nove horas da manhã ninguém mais teve para auxiliar e todos estavam exaustos. Centenas de pessoas encontravam-se no local. quando qualquer perda ou contração do gás assim o exigisse.Luís Carlos Bassalo Crispino to79. formando um triângulo de 6m de lado. Sabia que dificilmente conseguiria os meios necessários para uma nova oportunidade como Id. à exceção do próprio Ribeiro de Souza. O Santa Maria de Belém foi projetado por Ribeiro de Souza com duas válvulas automáticas inferiores e uma superior de manobra. Dispondo de poucos recursos. que deveria ser cheio de ar. foi então fazer o enchimento de seu balão contando com as promessas de muitas pessoas e com a boa vontade dos que ali fossem assistir aos trabalhos. eram feitas também de seda dupla impermeável sobre armações de madeira com junções de metal (bronze. ocasionaram a perda de grande parte do gás produzido. num total de quatro. ficando totalmente sem função85. set. Ademais. aguardando a ascensão do balão. Ribeiro de Souza não escondia a profunda decepção e o desgosto pelo fracasso daquela tentativa. disponibilizadas por amigos durante a noite. cada uma medindo 12m de comprimento e 8m de maior largura. todos. comunicam-se por meio de cabos com a barquinha. De acordo com seu projeto. de seis pessoas que pôde pagar e de outras vinte. feito do mesmo material do balão. 2005 47 . Além de cinco amigos dedicados. a propulsão do balão não seria realizada com a máquina a vapor. (19) : 38-63. com capacidade para trezentos metros cúbicos. A frustração foi geral. O aeróstato era munido de um balonete interno. fruto da total inexperiência dos auxiliares. Gotas de ácido caídas acidentalmente nas mangueiras coletoras de gás durante a noite. além de ter sido inutilizada uma bateria de geradores. Todos esses fatores levaram o inventor a suspender o experimento por volta das onze horas da manhã86. As asas. dentre eles seu genro84. ferro e aço)80. com maior lado disposto paralelamente à grande verga81.

2005 . referindo-se ao protesto de Ribeiro de Souza contra o plágio de seu sistema. Ao observar o desenho do balão francês nos periódicos vindos da Europa. na Província do Pará. a bordo do La France. (19) : 38-63. apresentando os jornais paraenses por ele remetidos94. Charles Renard e Arthur Constantin Krebs. Na sessão de 19 de dezembro lê-se uma representação de Ribeiro de Souza.4m de comprimento por 8. que media 50.. Mas a História ainda lhe reservava mais desilusões. ocorrida menos de um mês após a experiência frustrada no Pará. está registrado na ata da sessão de 8 de dezembro daquela Sociedade95. Em 9 de agosto de 1884. Endereçou a versão em francês de seu protesto para a SFNA.Luís Carlos Bassalo Crispino aquela e o sonho de comprovar na prática ele próprio sua teoria de Navegação Aérea dificilmente se tornaria realidade. set. e o Capitão-Tenente Francisco Calheiros da Graça. por ele próprio enviado. da qual era membro. Barão de Teffé93. Em carta escrita e endereçada. o mundo assistiria pela primeira vez à execução de um percurso fechado a bordo de um balão. Na sessão de 4 de novembro de 1884 do IPB. em Dest. o brasileiro se convenceu do plágio de que fora vítima. Antonio de Paula Freitas propunha que a Comissão de Ciências Físicas./dez. O recebimento do protesto de Ribeiro de Souza pela SFNA. A notícia demorou cerca de um mês para chegar ao conhecimento de Ribeiro de Souza. fosse incumbida de emitir parecer sobre o que havia de análogo entre o La France e o Santa Maria de Belém. que fez publicar na imprensa paraense em português90 e em francês91.4m de maior diâmetro87. executaram o primeiro circuito fechado em um balão. Rio de Janeiro. segundo o qual foram construídos tanto o Santa Maria de Belém quanto o La France. e para várias outras entidades científicas européias92. retornando ao ponto de partida após percorrer cerca de oito quilômetros em pouco mais de vinte minutos. Escreveu um extenso protesto que denominou A Direção dos Balões. composta pelo Conselheiro Epinafio Candido de Souza Pitanga. dois capitães franceses. em Chalais-Meudon. O La France entrou assim para a História como o primeiro balão dirigível do mundo. com uma velocidade média de 20km/h em relação ao solo88 89. naquele 48 Id. Exatos quatro anos após a primeira exposição oficial de sua teoria sobre a dirigibilidade dos balões. e dirigiu um requerimento ao Instituto Politécnico Brasileiro (IPB) solicitando prioridade do sistema de balões fusiformes dissimétricos.

o Barão de Teffé./dez. “é lamentável que não tenham feito ao engenhoso inventor paraense a devida justiça. e dispunha-se a publicar a defesa de Renard e Krebs97. devolve os documentos remetidos a ele pelo IPB. e pede escusa de dar parecer sobre a semelhança entre os dois aeróstatos. imediatamente posterior a estes fatos. Ainda em dezembro de 1884. em Dest. e não para o Rio de Janeiro. O periódico britânico registrou que Ribeiro de Souza havia exposto por meio de seu protesto robusta prova de ser ele o inventor do sistema comum aos dois balões. O comentarista da publicação portuguesa afirmou que embora não se pudesse deixar de reconhecer o mérito dos capitães franceses Renard e Krebs. dirigido às sociedades e publicações científicas de todo o mundo culto da época99 100. Os documentos são enviados a uma nova Comissão. A edição da Enciclopédia das Enciclopédias – Dicionário Universal Português. alegando o mau estado de sua saúde.Luís Carlos Bassalo Crispino mesmo mês. Sua argumentação era de que na capital do Pará as chances de êxito com a experiência seriam bem menores102. Ribeiro de Souza. certamente acreditou que lá também conseguiria os recursos necessários para a experiência definitiva com o Santa Maria de Belém. 2005 49 . com o objetivo de conseguir quatro contos de Id. incluindo o desenho tanto do balão de Ribeiro de Souza como daquele de Renard e Krebs. Em março de 1885. o periódico inglês Invention and Inventors’ Mart publicou um artigo com um resumo do protesto. a Ribeiro de Souza. Prosseguia o comentarista dizendo que o maior argumento para a condenação dos franceses era seu silêncio diante de tão veemente protesto realizado por Ribeiro de Souza. reproduziu na íntegra o protesto do brasileiro98. conservando-lhe perante o mundo científico a glória indiscutível da idéia por eles aproveitada”. Rio de Janeiro. o construtor Lachambre comunica a leitura dos jornais enviados pelo brasileiro em uma das sessões da SFNA. (19) : 38-63. set. o que teria produzido grande sensação na ocasião96. em terem realizado com êxito as experiências com o sistema de balões inventado pelo brasileiro.. liderada pelo Engenheiro Luiz Schreiner101. que tinha conseguido os principais auxílios financeiros para a realização de suas idéias na província do Pará. Teffé não tinha visto com bons olhos a decisão de levar o balão para Belém. Em abril e maio de 1885 foram realizadas conferências em Belém por Ribeiro de Souza. publicada em Lisboa.

set. algumas delas com a presença de Ribeiro de Souza. propõe a criação de uma Comissão para analisar o material que compõe o balão Santa Maria de Belém armazenado em caixões no Trapiche Cleto. Rio de Janeiro. cabendo-lhe a prioridade dessa idéia.Luís Carlos Bassalo Crispino réis para comparecer a uma exposição internacional de Aeronáutica em Londres.. foi concedida ao inventor paraense a oportunidade para que realizasse uma conferência sobre seu sistema de direção de balões. Intensas discussões se sucederam nas sessões do IPB durante os meses de setembro e outubro de 1885. Em 2 de setembro daquele ano. O Conde D’Eu. levando consigo o balão Santa Maria de Belém105. Para tal fim. (19) : 38-63./dez. mas não conseguiu os recursos necessários para fazê-lo. honrada com a presença do Imperador D. Pedro II 200$000. o próprio Imperador solicitou ao IPB que tomasse para si a responsabilidade de fornecer os meios para a realização das experiências com o Santa Maria de Belém106. o Conde D’Eu subscrevera a quantia de 100$000 (cem mil réis) e o Imperador D. com início marcado para o dia 1º de junho daquele ano104. 2005 . em Dest. que aguardava na ante-sala até que lhe fosse dada permissão para tomar parte da sessão. onde deveria ser recolhido em um telheiro das obras a cargo do Ministério do Império. organizada pela Sociedade Aeronáutica da GrãBretanha103. em Botafogo. é aprovado no IPB um parecer atestando que a forma adotada nos balões de Ribeiro de Souza. este último posteriormente substituído por Manoel Pereira Reis. Ribeiro de Souza seguiu para o Rio de Janeiro em julho de 1885. A Comissão che50 Id. Com a demora da manifestação do IPB. Além desses valores. José Agostinho dos Reis e Joaquim Galdino Pimentel. que foram empregados pelo Barão de Teffé no conserto dos caixões que continham o balão e seus acessórios. o Comendador José Ignacio da Rocha subscreveu outros 200$000. Presidente do IPB. composta pelo Barão de Teffé. não havia sido aplicada antes a nenhum outro aeróstato. com ou sem a aplicação de planos laterais. Objetivava nessa exposição provar a prioridade de seu sistema de Navegação Aérea. Terminada a explanação. O Conde D’Eu autorizou o Barão de Teffé a proceder ao transporte do material do balão para a Praia da Saudade. Pedro II. No dia seguinte. em sessão extraordinária do IPB. Foi então criada a Comissão do Balão Julio Cezar. e auxiliar o inventor na realização da experiência.

Id. Ao chegar a Paris propõe debates públicos com Renard e Krebs na Sorbonne e na Academia de Ciências da França. com capacidade para 30 metros cúbicos. Em Belém. mas que se limitasse a auxiliá-lo com o que fosse arrecadado com subscrições populares promovidas com este fim. mencionando que o protesto do brasileiro tinha merecido comentários favoráveis dos países que o receberam. que seguiu para Belém no final de outubro. conforme acertado previamente. e solicitou ao Barão de Teffé que realizasse uma conferência sobre o histórico do balão de Ribeiro de Souza./dez. Não podendo mais permanecer na França por estarem esgotados seus recursos financeiros. em Dest. Em seu editorial de 13 de maio de 1886. Rio de Janeiro. o jornal parisiense L’Opinion publica um histórico das realizações de Ribeiro de Souza. a fim de obter da Assembléia Provincial do Pará o auxílio necessário para a realização das experiências. (19) : 38-63. Após a construção de um novo protótipo de seu sistema.Luís Carlos Bassalo Crispino gou a propor que o Instituto não tomasse para si a responsabilidade das experiências. partiu para Paris em 3 de abril de 1886110. Esse artigo foi enviado pelo próprio Ribeiro de Souza a membros do Governo e às academias francesas. mas é ignorado pelos capitães franceses 111. e a toda a imprensa parisiense. em 11114 e 16 de junho de 1886115. Recebido o auxílio. realizou conferências107 e aguardou a votação da lei orçamentária para o ano de 1886108. o que ocorreu em 23 de outubro. sem ter recebido contestação pública alguma durante essa que foi a sua última estada na França113. O IPB autorizou a Comissão a iniciar as subscrições e proceder às experiências preliminares logo que o balão estivesse preparado. O balão foi então transportado para a Praia da Saudade ainda naquele mês e depositado no galpão das obras do Ministério do Império.. Foi aprovada uma subvenção no valor de 25:000$000 (vinte e cinco contos de réis) para a experiência do aeróstato de seu invento109. retornou ao Brasil. desde a aprovação de suas teorias no IPB no início de 1881 até àquela data. a Renard e Krebs. 2005 51 . nas oficinas de Lachambre. set. realizou experiências em Vaugirard. passando antes por Londres. e fazendo votos de que se fizesse justiça a quem de direito112. denominado Cruzeiro. O Conde D’Eu e o Imperador elevaram sua subscrição de 300$000 para 500$000. sendo os serviços relacionados com esse transporte feitos gratuitamente. e essa quantia foi entregue pelo Barão de Teffé a Ribeiro de Souza.

Além disso. Ribeiro de Souza dedicava-se à conclusão de um livro em francês. 2005 . chegavam os jornais franceses com as notícias das suas realizações em Paris. Enquanto isso. Na sessão de 23 de março de 1887 do Instituto. iniciou a publicação. set. e cujo pagamento não poderia ser feito de outra maneira por não ter obtido a Comissão uma só assinatura nas subscrições populares por ela organizadas118. Paula Freitas comunicou que fora vendido o Santa Maria de Belém e paga a dívida feita em nome de Ribeiro de Souza120. autorizando-o a vender o balão para pagar as despesas feitas em seu nome na Corte. na imprensa 52 Id. Não podendo publicar na França esse livro. segundo um novo sistema de navegação aérea que este dizia ter inventado. em Dest. embora nunca as tivesse consentido. no Rio de Janeiro. Como a Comissão do Balão Julio Cezar não havia sido previamente avisada sobre o novo balão Cruzeiro e suas experiências na França. Teffé recebeu a resposta de Ribeiro de Souza em novembro de 1886. Paula Freitas enfatizou que o IPB não teria intervenção alguma nestas novas experiências. e procurava provar o plágio que sofrera por parte dos capitães franceses Renard e Krebs124. Rio de Janeiro./dez. que denominou Fiat Lux123. Teffé ainda recomendou a Ribeiro de Souza que se dignasse a pagar as despesas apresentadas pelo hotel onde estavam hospedados dois ajudantes particulares encarregados de guardar e conservar o material do balão Santa Maria de Belém. O balão foi comprado pelo padre mineiro Joaquim Ignacio Ribeiro. por meio de uma associação de negociantes da Corte121. (19) : 38-63. e que julgava não ter relação com o do paraense122. no qual expunha com minúcia a sua teoria de Navegação Aérea e o seu sistema nela fundado.. como era seu desejo original. que seriam feitas pelo comprador do material do balão. Teffé é incumbido de comunicar ao inventor a retirada do apoio do IPB. o que foi anunciado durante sessão do IPB pelo Barão de Teffé117.Luís Carlos Bassalo Crispino aportando em Belém no final do mês de julho116. No mês seguinte foi comunicado durante sessão do Instituto que iriam se realizar novas experiências com o balão Santa Maria de Belém. Em Belém. declarando que o Instituto não teria mais qualquer responsabilidade pelas experiências que viesse a realizar. Com base nisso. o IPB autorizou Teffé a proceder à abertura dos caixões contendo o material do balão e a promover sua venda119.

Biografia de Julio Cezar Ribeiro de Souza. 1911. em 14 de outubro de 1887. Arquivo Histórico do Exército.. em Dest. Belém. p. (pasta n. 254-259. Julio Cezar Ribeiro de Souza. 2005 53 . p. 1896. Na ocasião de sua morte. relacionada à carência de vitamina B1. In: Julio Cezar – Poesias. Vogt e Cia. Paraenses ilustres. 112. 2 CUNHA. Lysias Augusto. 6 Cunha (1896). Ltda. deixando sua esposa e cinco filhos127 128. de 3 de abril de 1868. 9 RODRIGUES. p. Arcebispado de Belém do GramPará. 1937. 10 BRASIL. maço JJ-282).ª. v. p. 1988. Editores. de uma tradução para o português. 1918. set. seu enterro foi feito às expensas de seus amigos130. 57. Notas Bibliográficas Atual município do Acará. Instituto Histórico e Cultural da Aeronáutica. em 5 de novembro de 1870. Rio de Janeiro: Marques Araújo & Cia. 111. 3 OLIVEIRA. Raymundo Cyriaco Alves da. Rio de Janeiro: INCAER. em 28 de maio de 1867. Julio Cesar. 111. p 124-142. Jablonski. 6. Ribeiro de Souza ocupava o cargo de Chefe da 4ª Seção da Secretaria do Governo do Pará129. Paris. no estado do Pará. In: _______. História geral da aeronáutica brasileira: dos primórdios até 1920. o que foi interrompido quando adoeceu gravemente125. Registro do casamento de Julio Cezar Ribeiro de Souza e Victoria Philomena Hippolita do Valle. 4 Arquivo da Cúria Metropolitana de Belém. Memorial de Júlio Cezar Ribeiro de Souza. Paróquia da Trindade. conforme a legislação vigente. ed. 5 Oliveira (1911). Belo Horizonte: Itatiaia. p. Rio de Janeiro./dez. Por seus familiares não possuírem recursos suficientes. Pará: Editores Tavares Cardoso & C. mais de um ano 1 Id. Montevidéu. 11 Ribeiro de Souza havia cumprido o tempo de praça. (19) : 38-63. 1868. Cesar Coutinho. In: Antologia amazônica. p. 2.753.Luís Carlos Bassalo Crispino paraense. 7 AZEVEDO. José Eustachio de. aum. 8 BRASIL. Livraria Carioca Editora. História da conquista do ar. Livro de Casamentos nº 1 (1843-1871). seguindo-se sua morte por beribéri126.

Livro de casamentos nº 1 (1843-1871). em 5 de novembro de 1870. p. 7. p. 14 Jornal O Liberal do Pará. Ordens do dia da guerra do Paraguai: Conde D’Eu. (Do grego pyraustês. 1868. Rio de Janeiro. e vive no fogo. publicado no “Jornal do Pará” em sua edição de 8 de junho daquele ano. e morre logo que dele sai ? Alguns dizem ser uma espécie de borboleta. Domingos. 6. In: Vieira. Bartholomeu H. conforme ofício dirigido ao Conselheiro Tenente General João Frederico Caldwell. em 11 de agosto de 1868. Comando em Chefe de todas as Forças Brasileiras em Operações na Republica do Paraguai – Quartel General em Capivary. Im54 Id./dez. seu pedido foi negado. 13 BRASIL. Arcebispado de Belém do GramPará.753. Quartel do Comando Militar do Movimento do Pessoal e Material do Exército Brasileiro em Montevidéu.034. Portugal. 1. 124. s. p. In: BRASIL. p. 6. Ajudante General do Exército. 16 Pyrausta. Memorial de Júlio Cezar Ribeiro de Souza. maço JJ-282). Jornais Paraoaras: Catálogo. 17 Oliveira (1911).Luís Carlos Bassalo Crispino antes de seu pedido de baixa. 1. maço JJ-282). de. p. 111. de Belém. Porto. Arquivo Histórico do Exército. Pará. efetuado em 3 de abril de 1868. set. Ernesto e Moraes. eds. Arquivo Histórico do Exército. Registro do casamento de Julio Cezar Ribeiro de Souza e Victoria Philomena Hippolita do Valle. Ordem do Dia n. 30 de novembro de 1869. 20 Biblioteca Pública do Pará. 38. Quarto volume. m. 2005 . e anô) Mosca que se diz que nasce. de pyr.753. Licença concedida em 18 de novembro de 1869. que mesmo de dia é atraída por uma vista das chamas. 1873. 18 Arquivo da Cúria Metropolitana de Belém. 12 Arquivo Histórico do Exército. em Dest. 15 Expediente do governo da província do Pará de 11 de maio de 1872. edição de 30 de janeiro de 1870. Mesmo assim.. Desportos e Turismo. Ofício de 11 de agosto de 1868. (19) : 38-63. Paróquia da Trindade. Chardron. Montevidéu. 1871. Carlos Seidl & Cª. Secretaria de Estado de Cultura. e busca as luzes das velas. 19 Almanak Administrativo da Província do Pará. p. Grande Dicionário Português ou Tesouro da Língua Portuguesa. onde alegremente se queima. VIII. 1869. 2. de 3 de abril de 1868. (pasta n. (pasta n. p.

3) de Belém. 1966. Courtland. Jornal “Diário do Gram-Pará”. p. set. 1943. 3. “Les Ballons-Planeurs”. de Belém. Francisco Bonifácio de Abreu. 3. 21 Jornal “Diário do Gram-Pará”. o Barão da Vila da Barra. p. 26 Canby. 28 Gordon. de Belém. (19) : 38-63. 35 Souza. 1./dez. edição de 24 de outubro de 1880. 1. Julio Cezar Ribeiro de. em Dest.. edição de 5 de janeiro de 1882. A. Tradução portuguesa de Jorge Peixoto. 24 Souza. 1. edição de 1º de setembro de 1880. Porto Alegre. edição de 15 de abril de 1874.° ano. 1885. assinada pelo presidente da província do Pará. a seu pedido. p. Jornal “Le Brésil – Courrier de L’Amérique du Sud”. Rio de Janeiro. Arthur. 1965. Paul. 1. Editorial Labor. p. 22 Portaria de 29 de julho de 1872. p. 2. em 30 de julho de 1880. p. S. de Belém. Tip. 30 Jornal “A Província do Pará”. Livraria Morais Editora. 31 Jornal “A Constituição”. p. 23. Belém. Julio Cezar Ribeiro de. edição de 1 de outubro de 1880. p. 1-2. do cargo de bibliotecário da Biblioteca Pública da Província do Pará em 13 de abril de 1874. Por ter saído com algumas incorreções foi publicada novamente pelo mesmo jornal em 31 de julho de 1880. 32 Jornal “A Constituição”. Impressão e encadernação em Lausanne. 1. “História da Aeronáutica”. 1985. Leuzinger & Filhos. publicada no “Jornal do Pará”. p. 59. 1. 2) e “A Província do Pará” (p. 33 Jornais “A Constituição” (p. Historia de la Navegación Aérea. Tomo XVII. edição de 20 de agosto de 1872. de Belém. 29 Jornal “A Constituição”. p. de G. de Belém. Barcelona. edição de 24 de fevereiro de 1871. 2005 55 . Paris. de Belém. edição de 10 de agosto de 1880. “Memória sobre a Navegação Id. edição de 7 de outubro de 1880. p. Rio de Janeiro. 27 Karlson. Editora Globo. 34 Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 23 Ribeiro de Souza foi exonerado. A conquista dos Ares.Luís Carlos Bassalo Crispino prensa Oficial do Estado do Pará. de Belém. 25 Publicada originalmente no jornal “A Constituição”. de Belém. Suíça.

II. 161-200. 14° ano. n° 12. do Rio de Janeiro.Luís Carlos Bassalo Crispino Aérea”. Tomo XVII. em sua edição de 17 de março de 1882. p.064 sancionada pelo presidente da província do Pará. p. parte IV. p. 6-7. Luís Carlos Bassalo. edição de 11 de novembro de 1881. presidida por Gaston Tissandier (presidente da SFNA). Rio de Janeiro. p. 2. n° 12. Paulo de Tarso dos Santos. dezembro de 1881. set. de Belém. Julio Cezar Ribeiro de. José Maria Filardo. de Belém. 38 Jornal “Diário de Notícias”. 266-267. In: Coleção das Leis da Província do Gram-Pará. Julio Cezar Ribeiro de. Manoel Pinto de Souza Dantas Filho. 2. 42 Jornal parisiense “L’Evenément”. 1885. 14° ano. Clodoaldo Fernando Ribeiro. em Dest. 39 Souza. In: Souza. Julio Cezar Ribeiro de. In: L’Aéronaute. p. 2. 37 Sessão de 6 de julho de 1881. ALENCAR. Ano de 1881. 41 Ata da sessão de 27 de outubro de 1881 da Sociedade Francesa de Navegação Aérea (SFNA). p. p. 44 Souza. 23. 45 As experiências de Ribeiro de Souza na França foram co56 Id. Leuzinger & Filhos. 36 Lei n° 1. 2-3. e BECKMANN. Tip. 267-268. p. Série Memórias Especiais. presidida por Abel Hureau de Villeneuve (vice-presidente da SFNA). vol. Organizadores: BASSALO.° ano. jornal “Gazeta de Notícias”. Pará. p. 2005 . Pará. Editora da Universidade Federal do Pará. Tomo XLIII. 43 Ata da sessão de 10 de novembro de 1881 da Sociedade Francesa de Navegação Aérea (SFNA). Jornal parisiense “Le Telegraphe”. 2003. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. (19) : 38-63. do Rio de Janeiro. de G. In: L’Aéronaute. 40 Jornal “Diário de Notícias”. “Navegação aérea – Estado desta importante questão”. Parte 1ª. 127-128. In: “Julio Cezar Ribeiro de Souza – Memórias sobre a Navegação Aérea”. 2. Texto publicado no jornal “Gazeta de Notícias”./dez.. dezembro de 1881. Tip. em sua edição de 16 de março de 1882. edição de 11 de novembro de 1881. “A direção dos balões”. 1882. de Belém. CRISPINO. “Navegação aérea – Estado desta importante questão”. edição de 13 de setembro de 1881. Rio de Janeiro. p. em sua edição de 24 de outubro de 1884. Texto publicado no jornal “A Província do Pará”. edição de 5 de junho de 1887. do Diário de Notícias. em 25 de junho de 1881.

23º ano. Clodoaldo Fernando Ribeiro. janeiro de 1882. e BECKMANN. Id. 2003. denominado Brazil. 3. In: Souza.. p. 2005 57 . p. 49 Ribeiro de Souza aporta em Belém. II. 18-24). “O Liberal do Pará”. de Belém. José Maria Filardo. set. 53 Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. de G. e “Gazeta da Tarde”.Luís Carlos Bassalo Crispino mentadas na Sociedade Francesa de Navegação Aérea por Charles du Hauvel na sessão de 24 de novembro de 1881 (L’Aéronaute. 15° ano. contrataria os serviços dessa mesma Casa para a construção do seu primeiro balão. 1924. edição de 28 de dezembro de 1881. 51 “Jornal do Comércio”. ALENCAR. 52 Crispino. Texto publicado no jornal “Gazeta de Notícias”. 1. 15. Editora da Universidade Federal do Pará.1. Rio de Janeiro. 1. Ribeiro de Souza partiu da capital da França rumo ao Pará em 19 daquele mês (Jornal “Le Brésil – Courrier de L’Amérique du Sud”. CRISPINO. p. nos dias 12. Luís Carlos Bassalo. In “Julio Cezar Ribeiro de Souza – Memórias sobre a Navegação Aérea”. 1. Almirante Barão de. 47 Segundo o jornal “Le Brésil”. (19) : 38-63. Série Memórias Especiais. 46 Teffé. n° 1. edição de 20 de novembro de 1881. edição de 18 de abril de 1882. “Gazeta de Notícias”. Tip. p. In: Jornal “A Província do Pará”. Paris. em Dest. Jornal “A Boa Nova”. 54 Lei nº 1. p. p. p. 56-68. 1885. O Brasil – Berço da ciência aeronáutica./dez. 16-18) e por Jobert na sessão de 8 de dezembro de 1881 (L’Aéronaute. conforme noticiado no dia seguinte pelo jornal paraense “A Constituição”. 50 Jornais “A Província do Pará”. Vol. Organizadores: BASSALO. janeiro de 1882. edição de 30 de março de 1882. p. p. 3). p. “Diário de Notícias”. “Introdução à obra de Julio Cezar Ribeiro de Souza”. n° 1. Rio de Janeiro. publicado em francês por brasileiros em Paris. Julio Cezar Ribeiro de. 105-106. “A Constituição”. retornando de Paris. Leuzinger & Filhos. 16 e 17 de março de 1882. cerca de 16 anos mais tarde. de Belém. p.104 sancionada pelo presidente da província do Pará. 48 Alberto Santos-Dumont. p. em 11 de dezembro de 1881. do Rio de Janeiro. do Rio de Janeiro. “Navegação aérea – Estado desta importante questão”. Paulo de Tarso dos Santos. Tomo XVII. e “O Cruzeiro”. Imprensa Naval. 15° ano. 105. de Belém. Rio de Janeiro. 2. edição de 27 de dezembro de 1881. 13. Pará. Luís Carlos Bassalo.

Tomo XLVI. 63 Carta de Ribeiro de Souza ao redator de “O Liberal do Pará”. set. p. 58 Passaria o Natal e a virada do ano a bordo do navio. p. de Belém. p. referentes ao pagamento de quatro funcionários. Pará. de Belém. 3. incluindo os encarregados destes estabelecimentos. de Belém. 2-3. edição de 9 de março de 1883. Tip. foi publicada na edição daquele mesmo dia no jornal vespertino “A Constituição”. p. p. 59 Conforme matéria publicada no jornal “Diário de Belém”. 55 Para se ter uma idéia desta quantia. datada de 2 de abril de 1883. e das despesas de expediente.Luís Carlos Bassalo Crispino Justino Ferreira Carneiro. 60 Este telegrama de Lachambre. 65 Jornal “Diário de Notícias”. e de lá embarcou para Belém. foi publicado no jornal paraense “Diário de Notícias”. 58 Id. edição de 13 de dezembro de 1882. conforme noticiado no dia seguinte pelo jornal paraense “A Constituição”. de Belém. em sua edição do dia seguinte. duração de uma viagem como esta no final do século XIX. A mesma lei garantiu uma subvenção ao maestro Antonio Carlos Gomes no valor de 25:000$000 para a contratação de uma companhia lírica que viesse se apresentar no Teatro da Paz durante uma temporada. 117. publicada neste jornal em sua edição de 24 de junho de 1883. edição de 5 de junho de 1887. 1-2. em 9 de novembro de 1882.. (19) : 38-63. só chegando ao seu destino cerca de 25 dias depois. 2) e “Diário de Notícias” (p. 2. p. Aportou em Belém em 1 de março. 2). 2. 57 Jornal “Diário de Notícias”. edição de 19 de abril de 1883. 64 Jornal “Diário de Notícias”. também contribuíram recursos conseguidos através de subscrições populares organizadas no Rio de Janeiro e no Recife. 61 Jornais “O Liberal do Pará” (p. 2005 . do Jornal da Tarde. 2. Parte 1ª. 56 Além deste montante. In: Coleção das Leis da Província do Gram-Pará no Ano de 1882. 62 Esta nota de Ribeiro de Souza. em um total de 8:000$000. p. p. de Belém. em Dest. edição de 5 de julho de 1883. Rio de Janeiro. Ribeiro de Souza partiu de Paris para o Havre em 5 de fevereiro daquele ano./dez. 2. datado de 5 de abril de 1883. vale registrar que esta lei fixava a despesa anual para a Biblioteca Pública e Museu Paraense.

71 Jornal “Diário de Notícias”. e 13 de setembro de 1883. p. edições de 25 de setembro. 2. p. 67 Jornal “Diário de Notícias”. em 2 de maio de 1884. edição de 17 de julho de 1884. p. Revista do IPB. cuja tradução foi publicada no jornal “A Província do Pará” em 22 de março de 1883. 1889. 74 Lei n° 634 sancionada pelo presidente da província do Amazonas. de Belém.. de Manaus. de G. de Belém. de Belém.Luís Carlos Bassalo Crispino 66 Jornal paraense “Diário de Belém”. de Belém. edição de 22 de agosto de 1883. p. Tip. p. 79 Jornal “A Constituição”. (19) : 38-63. p. edição de 17 de julho de 1883. de Belém. edição de 2 de abril de 1883. p. Leuzinger & Filhos. 68 Jornal “Diário de Notícias”. de Belém. 76 Carta de Henri Lachambre a Ribeiro de Souza. 70 Jornal “Diário de Notícias”. 14 (p. p. 3. 2. 1. 49-51. de Belém. 77 Jornal “A Constituição”. Theodoreto Carlos de Faria Souto. de Belém. edição de 20 e 26 de outubro de 1883. edição de 28 de agosto de 1883. de Belém. Tomo XIX. 75 Ata da sessão de 3 de setembro de 1885 do Instituto Politécnico Brasileiro (IPB). 2. 78 Jornal “A Constituição”. edição de 21 de agosto de 1883. Rio de Janeiro. 69 Jornal “Diário de Notícias”. edição de 19 de outubro de 1883. edição de 17 de Id./dez. p. p. 2). 2. 1-2. 80 Jornal “A Província do Pará”. p. set. 73 Jornal “Diário de Notícias”. 2. p. In: Jornal “Amazonas”. p. 3. 3. 2) e 15 (p. p. 2. Jornal “Diário de Notícias”. p. e transcrita pelo jornal “Diário de Notícias” em sua edição de 25 de março de 1883. em Dest. p.° ano. 2. edições de 13 (p. de Belém. de Belém. e 26 de outubro de 1883. p. p. Jornal paraense “Diário de Belém”. Jornal “A Província do Pará”. 2. de Belém. 2. de Belém. Rio de Janeiro. edição de 9 de maio de 1884. edição de 29 de agosto de 1883. 72 Jornal “A Constituição”. 2) de novembro de 1883. edição de 25 de outubro de 1883. edição de 3 de abril de 1883. contendo detalhes do grande balão. de Belém. edições de 29 de agosto. 3. 2. 2. Jornal “Diário de Notícias”. edição de 28 de agosto de 1883. 26. edição de 24 de outubro de 1883. de Belém. 2005 59 . Jornal “O Liberal do Pará”. de Belém.

24 (p. 2-3. 96 Jornal “Diário de Notícias”.° ano. de Belém. Béranger Editeur. Les Dirigeables. de G. 211. Leuzinger & Filhos. 60 Id. 2-3) e 9 de novembro de 1884. 3. p. 2005 . 113-114. de Belém. 347-349. p. p. p. p. 49-51. M. Aérostation-Aviation. Tip. 85 Souza. de Belém. edições dos dias 23 (p. Rio de Janeiro. edição de 16 de janeiro de 1885. Tomo XIX. 87 Goldschmidt. 238. 2. 22-24 95 Jornal “Diário de Notícias”. Trecho de carta dirigida pelo genro e ajudante de Ribeiro de Souza ao Barão de Teffé. André. Rio de Janeiro. edição de 4 de junho de 1887. edição de 5 de julho de 1883. Editeurs. de Belém. O Brasil – Berço da ciência aeronáutica. Imprensa Naval. In: Ata da sessão de 3 de setembro de 1885 do Instituto Politécnico Brasileiro. “Esclarecimento ao Público”. de Belém. 83 Jornal “Diário de Notícias”. 81 Jornal “A Província do Pará”. 90 Jornal “A Província do Pará”. edição de 22 de agosto de 1883. Ch. H. Paris. edições dos dias 1 (pp. Leuzinger & Filhos. p. H. 1911. 1889. 2) de outubro de 1884. Paris. Tomo XIX. de Belém. p. 1. Pinat. p. Max de. Paris. Texto publicado no jornal “A Constituição”. 84 Teffé. 88 Nansouty. p. 93 Antônio Luiz Von Hoonholtz. M. 1902. 91 Jornal “A Província do Pará”. em sua edição de 17 de julho de 1884. Tip. p. p.. de G. Julio Cezar Ribeiro de.° ano. 26. p. Les Dirigeables. p. set. 92 Jornal “Diário de Notícias”. 1. 2) e 25 (p. Boivin & Cie. H. 1902. (19) : 38-63. 94 Revista do Instituto Politécnico Brasileiro.Luís Carlos Bassalo Crispino novembro de 1885. 2. 2. Paris. Revista do IPB. em Dest. de Belém. Ch. Béranger Editeur. edição de 5 de junho de 1887. 1889./dez. 86 Jornal vespertino “A Constituição”. 82 Descrição do balão Santa Maria de Belém e seus acessórios. Rio de Janeiro. p. de Belém. de Belém. edição de 12 de julho de 1884. 2). 250. Rio de Janeiro. 1924. 26. Dunod et E. Navigation Aérienne – Les Aéromobiles. 89 André. Almirante Barão de. Robert.

22 e 24 de novembro de 1885. de Belém. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. que lhe fora dada durante seis anos e por parcelas. 3.000$000 (cento e dois contos de réis). 26. Tomo XIX. 106 Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 108 Em uma destas conferências. Julio Cesar Ribeiro de Souza. Rio de Janeiro. 1889. p. Almirante Barão de. Rio de Janeiro. Ribeiro de Souza declarou que a importância de 102. 108-110 101 Sessão de 18 de março de 1885. Id. edição de 17 de novembro de 1885. Rio de Janeiro. de Belém. de Belém. p. e que ele havia sido tratado como um mendigo. de Belém. edição de 7 de abril de 1885 (p. 3) de maio de 1885. Tip. Rio de Janeiro. em sua edição de 16 de janeiro de 1885. Theories et découvertes de Mr. 2. 98 Jornal “A Província do Pará”. Julio Cesar – O verdadeiro arquiteto da aeronáutica. de Belém. Tip. edições de 11 (p.Luís Carlos Bassalo Crispino 97 Uma tradução deste artigo foi publicada no jornal “A Província do Pará”. 49-51. edições de 20. A França. edições de 21 de abril (p. de acordo com a Lei n° 65. né à Pará. 2. de Belém. de G. 2) e 16 (p. 3). 1989.. 107 Jornal “A Província do Pará”. 12 (p. em Dest. pp. Natural artes gráficas. 102 Teffé. de G. Tomo XIX. Leuzinger & Filhos.3) de 1885. 113. 2). 3) e 22 (p. Imprensa Naval. 100 Amaral. 1889. 13-17. edição de 11 de abril de 1885. Esta tradução foi transcrita no jornal paraense “Diário de Notícias”. em 30 de agosto de 1982. de Belém. Livreto impresso em francês e distribuído gratuitamente durante a Exposição Internacional de Chicago. não era nada relativamente ao que era preciso se gastar com um empreendimento desta natureza. Pará. edição de 17 de novembro de 1885./dez. Jornal “O Liberal do Pará”. sancionada pelo governador do estado do Pará. do Diário Oficial. 2005 61 . (19) : 38-63. p. 26. p. Tip. p. Lauro Nina Sodré. O Brasil – Berço da ciência aeronáutica. 3) de abril e 12 de maio (p.° ano. Leuzinger & Filhos. 99 Navigation Aérienne: La direction des ballons. 26-27. 2). 1893. Jornal “Diário de Notícias”. de Belém. p. 103 Jornal “A Província do Pará”. em sua edição de 15 de janeiro de 1885.° ano. 3. Fernando Medina do. Niterói. p. 21. set. 105 Jornal “A Província do Pará”. 1924. 14 (p. 104 Jornal “A Província do Pará”. pp.

de G. In: Jornal “A Província do Pará”. 15-16. edição de 29 de julho de 1886. p. Rio de Janeiro./dez. edição de 3 de abril de 1886. 112 Uma tradução deste editorial do “L’Opinion” foi publicada no jornal paraense “Diário de Notícias”. 26. Tip. 121 Jornal “Diário de Notícias”. de Belém.° ano. Rio de Janeiro. Tristão de Alencar Araripe. 1890. de G. p. de Belém. Paris.000$000. 1890. p. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 26. 2005 . p.Luís Carlos Bassalo Crispino só com a última experiência que fizeram Renard e Krebs. edição de 5 de maio de 1886. edição de 28 de maio de 1887. Tomo XIX. 3-7. In: Coleção das Leis da Província do Gram-Pará do Ano de 1885. Rio de Janeiro. edição de 4 de junho de 1887. de G. em sua edição de 17 de junho de 1886. p. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 28. Tip. 127-129. Parte 1ª. de Belém. Tip. de Belém. de G. da Gazeta da Tarde. 120 Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 1889. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 3. em 18 de junho de 1886. Tomo XLVII.. 114 Jornal “Le Brésil – Courrier de L’Amérique du Sud”. edição de 17 de novembro de 1885. de Belém. 111 Jornal “Le Brésil – Courrier de L’Amérique du Sud”. Rio de Janeiro. Leuzinger & Filhos. 1.232 sancionada pelo presidente da província do Pará. Pará. edição de 15 de junho de 1886. Revista do Instituto Politécnico Brasileiro. 1885. Tip. Leuzinger & Filhos.° ano. Rio de Janeiro. Tip. Tomo XIX. 157.° ano. p. 1889. 28° ano. e no “A Constituição”. Leuzinger & Filhos. 116 Jornal “Diário de Notícias”. p. havia gasto mais de 150. Paris. edições de 21 e 23 de julho de 1886. (19) : 38-63. set. 110 Jornal “Diário de Notícias”. 1889. 117 Sessão de 21 de julho de 1886. 118 Sessão de 18 de agosto de 1886. Tomo XIX. Tomo XIX. Tomo XIX. 26° ano. Tip. 82-84. 86-87. 62 Id. 115 Jornal “Diário de Notícias”. 113 Jornal “Diário de Notícias”. 1. 109 Lei nº 1. Leuzinger & Filhos. 122 Sessão de 8 de junho de 1887. Leuzinger & Filhos. p. de Belém. em Dest. p. 119 Sessão de 24 de novembro de 1886. Rio de Janeiro. de G. em 5 de dezembro de 1885.

127 Julieta Beatriz Victoria Ribeiro de Souza. de Belém. aos quatro anos de idade (Jornal “Diário do Gram-Pará”. (Jornal “A República”. de Belém. 3. 2005 63 . edição de 1 de fevereiro de 1887. Não foram localizadas algumas edições deste jornal nas quais se encontram reproduzidas partes destes textos. (19) : 38-63. edições de 1 e 2 de junho de 1887. Um grande plágio e uma grande mistificação. todas as outras continham. 128 O casal Julio Cezar e Victoria Ribeiro de Souza teve ainda um outro filho. edição de 18 de outubro de 1887. de Belém. edição de 1 de fevereiro de 1887. José Maria Luiz Gonzaga Julio Cezar. edição de 15 de outubro de 1887.. Após a publicação desta primeira parte. Jornal “Diário de Notícias”. o seguinte: “Navegação Aérea. 130 Jornal “Diário de Notícias”.) 129 Jornais “O Liberal do Pará” e “Diário de Notícias”. 125 O jornal paraense “Diário de Notícias”. 1887”. 124 O autor é escritor e professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Pará. set. edição de 15 de outubro de 1887. p. Rio de Janeiro. 126 Jornais “Diário de Notícias” e “Diário do Gram-Pará”. de Belém. tudo indica que esta seqüência tenha sido definitivamente interrompida após a publicação da última parte que conseguimos localizar. denunciados nos tribunais da História e da Ciência. sob o título “Fiat Lux”. p.Luís Carlos Bassalo Crispino 123 Faça-se a Luz. a “Introdução” e trechos da “Primeira Parte. de Belém./dez. encontrada no referido periódico paraense em sua edição de 10 de agosto de 1887. de Belém. Id. Tradução do francês pelo autor Julio Cezar.). 3. Jornais “Diário do Gram-Pará” e “Diário de Notícias”. Capítulo 1°”. edição de 16 de outubro de 1887. de Belém. Foram assim publicados o “Prefácio”. que faleceu em fins de janeiro de 1887. Raymundo Caio Catão Julio Cezar. abaixo de “Fiat Lux”. de nome Agostinho. em Dest. Maria de Lourdes Victoria Ribeiro e Julio Cezar Ribeiro de Souza Filho. Ademais. iniciou a publicação deste livro em sua edição de 3 de junho de 1887. sendo anemia perniciosa a causa de sua morte divulgada na imprensa. Pará.

culminando com a deflagração do movimento de 1964. Com a proclamação da República e a conseqüente evolução política do País. impulsionados pelos arroubos da juventude e pela consciência democrática.. de 30 e 40. na memorável epopéia dos Guararapes. ocupando cargos importantes na administração do País. com o surgimento do mundo bipolar. os jovens tenentes da década de 20. negros e índios. quando. que repudiava o predomínio das poderosas oligarquias. dentre os muitos acontecimentos enriquecedores da História pátria. a preocupação obcecada com o comunismo internacional e a influência doutrinária dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos conduziu ao surgimento de posições radicalizadas e sentimentos antagônicos. (19) : 64-72. em especial. brancos. e os historiadores civis e militares nos legaram páginas primorosas. 64 Id. em Dest. e marcou a indelével atuação da Marinha de Guerra com o heróico sinal de Barroso: “sustentar o fogo. na então conflagrada fronteira oeste do nosso País. ocorreu no dia11 de junho de 1865. não só liderando correntes políticas como. Outro feito marcante. que acabaram por provocar a grande cisão da família brasileira. com a Batalha Naval do Riachuelo. na então Capitania de Pernambuco./dez. O dia 19 de abril de 1648. set. unidos pelo ideal de libertação. que definiu a progressão vitoriosa das forças nacionais.Sérgio Xavier Ferolla O Papel das Forças Armadas na Sociedade Brasileira Sérgio Xavier Ferolla Uma rápida visão retrospectiva nos indica que as organizações militares tiveram presença marcante na consolidação territorial da nação brasileira. A Segunda Guerra Mundial maximizou a influência militar no direcionamento das questões nacionais e. travaram combate e alcançaram a vitória contra o dominador estrangeiro. descrevendo atos de heroísmo e abnegação. principalmente. Rio de Janeiro. 2005 . novos atores começaram a despontar no cenário nacional. que a vitória é nossa”. Os jovens dessa década marcante da História pátria – civis e militares irmanados em um mesmo sentimento renovador – tornaram-se personagens de realce nas décadas seguintes. em muitos casos. sedimentou as bases do Exército brasileiro.

como o Brasil. usando como instrumento as agências internacionais que manipulam.Sérgio Xavier Ferolla Valendo-se do cenário propiciado pela Guerra Fria. Rio de Janeiro. Boa parte desses líderes de ocasião. conduziu o País à deprimente dependência do capital internacional e à alienação espoliativa de grande parte do estratégico patrimônio arduamente edificado pelo povo brasileiro. de forma mais sutil. (19) : 64-72. e de cujos resultados certamente se valeram. 2005 65 .. cumprindo papel submisso e antinacional. veículos de comunicação. Para alcançar mais facilmente seus interesses de dominação. fazendo confundir os sentimentos nacionalistas em efervescência com os interesses do comunismo internacional e como símbolo de eras pré-históricas e do atraso. reduzir a capacidade de atuação das Forças Armadas. Associado aos malefícios dessa geopolítica regional. para tal. pois alicerçado na formação de quadros com origem em todos os estratos étnicos e culturais da multirracial população brasileira e sob o compromisso solene de defender a pátria. há anos sendo fragilizadas pela crescente escassez de recursos orçamentários. óbice ainda persistente. O resultado danoso dessa forma irracional de percepção e abordagem é a criação de uma atmosfera de desconfiança no papel constitucional atribuído às Forças Armadas. bem como cooptando destacados técnicos. sob o signo diabólico do neoliberalismo. apregoando para os Estados já enfraquecidos. bem como pela Id. em épocas muito recentes. Essa forma de atuação prossegue nos dias atuais. atingindo vitoriosos e perdedores. que iludem os menos avisados e os desinformados. buscam argumentos para eliminar o pouco que resta do conceito de soberania nos países periféricos. Para minar a confiança nacional nessa sólida e patriótica fortaleza. ardilosamente. interesses econômicos alienígenas. religioso e familiar. fomentando a desconfiança e rememorando fatos dolorosos que dilaceraram o tecido social. a perniciosa influência da geopolítica norte-americana prosseguiu com seus efeitos danosos. o fim das fronteiras geográficas. set./dez. com o sacrifício da própria vida. bem como. a ideologia do Estado mínimo e a submissão passiva aos interesses do mercado. burocratas e influentes lideranças políticas que ascenderam ao poder com o fim do regime militar. utilizam técnicas subliminares. usam artifícios para abalar o sentimento nacional. visando inviabilizar um sólido Estado industrializado ao sul do Equador e. em Dest.

interessados em reduzi-las a simples guarda nacional. Pela relevância da Expressão Psicossocial do Poder Nacional no contexto amplo de uma Política de Defesa e como missão complementar para as Forças Armadas em tempo de paz. mas de profundo significado psicossocial em busca do correto entendimento da questão nacional. respeitadas suas peculiaridades profissionais e operacionais. A participação de um Ministro de Estado – com vinculação político-partidária na direção superior dos Comandantes militares. A criação do Ministério da Defesa – em que pese ter surgido mais por imposição externa do que por uma decisão política amadurecida no âmbito da sociedade – poderá evoluir para uma real coordenação e otimização das ações de interesse comum das Forças Singulares. já que as potências militares que dominam o atual cenário mundial se colocam disponíveis para atuar em nosso território. no caso da eclosão de uma ameaça externa. dever-se-á restringir ao equacionamento das questões de interesse das Forças Singulares e um constante diálogo de esclarecimentos com o Congresso e a sociedade. pilares básicos do estamento militar. com debates públicos e artigos bem fundamentados em veículos de comunicação. valendo-se das novas oportunidades./dez. já que devem se situar aquém das alternâncias de poder. visando. (19) : 64-72. viabilizando uma nova forma de interpretação e análise da participação da expressão militar do Poder Nacional. set. para a vigilância policial das fronteiras e o combate ao crime organizado. para que os efetivos militares se mantenham afastados das disputas partidárias. consolidando a Política de Defesa Nacional e seu enfoque particular na gestão do governo para o qual foi designado. para que a hierarquia e a disciplina. 2005 .Sérgio Xavier Ferolla pressão doutrinária de conhecidos segmentos do poder hegemônico internacional. principalmente. Nesse renovador contexto. começam a se manifestar. não sejam abalados. parte do orçamen66 Id. Graças ao espírito patriótico e à crescente conscientização de uma Nação que preza sua soberania. assim como interagir com a sociedade e definir formas de atuação nos variados segmentos de interesse da nacionalidade. Rio de Janeiro.. Cautelas muito especiais devem ser guardadas. realizar palestras junto a organizações e entidades formadoras de opinião. reações ainda discretas. à elevação do sentimento de cidadania. em Dest. cabe aos líderes militares um impostergável e firme posicionamento e.

set. reforçar os laços da integração nacional e a assistência às regiões atingidas por diversas calamidades. especificamente definidos. concedendo-lhes uma oportunidade de ascensão social. tenham o que vestir e o que comer e não sejam facilmente envolvidos pela marginalidade. por exemplo. em Dest. Com recursos extra-orçamentários. Essa forma de aproximação com as comunidades carentes sempre foi executada. de real interesse das Forças. deve-se realçar os benefícios do Serviço Militar para os jovens oriundos das camadas mais pobres.Sérgio Xavier Ferolla to para a ação social do governo poderia ser reservada.. poderiam ser convocados. (19) : 64-72. Quando se lançam argumentos em defesa de efetivos militares profissionalizados. para que os Comandos militares realizassem uma efetiva atuação cívico-social e de defesa civil. mas geralmente abordados como simples forma de eliminar a incorporação obrigatória dos jovens recrutas. se originam nossos soldados. majoritariamente. mesmo sacrificando parte dos parcos recursos alocados para o prestamento operacional. em que famílias de baixa renda imploram pela disputa das poucas vagas existentes. bem como nas comunidades carentes. fazendo uso da infra-estrutura organizacional e material de que dispõem. poderiam as Organizações militares. compulsoriaId. que lhes vinha sendo omitida. 2005 67 . tornar-se-ão aptos para disputarem vagas em concursos que lhes assegurem formação profissional estável. com aprendizado técnico. Rio de Janeiro. estudando e desenvolvendo uma melhor capacitação intelectual. certamente não se atenta para as assimetrias sociais do nosso País. mas a redução continuada dos orçamentos tem comprometido essa forma cidadã de atendimento aos modestos anseios da população de baixa renda. de onde. alimentação adequada e tantos outros modestos itens que despertam no jovem cidadão a consciência de uma vida mais digna. em rubrica especial. buscando uma alternativa para que seus filhos recebam um pequeno salário. Nesse contexto. assistência médica. preenchendo inicialmente vagas por voluntariado. noções de higiene. Para as vagas ainda disponíveis e em função de necessidades conjunturais. Esses jovens. com a opção de possível reengajamento e conseqüente permanência por novos períodos na condição de soldados. onde o Estado não se faz regularmente presente./dez. Essas citadas assimetrias poderiam servir de estímulo para estudos visando ao aperfeiçoamento do processo de convocação como.

em especial no setor da energia. nas regiões onde tomam vulto as hipóteses de conflito e as conseqüentes ameaças à integridade territorial do País. passaram as Forças Armadas a dedicar especial atenção à Região Amazônica. Rio de Janeiro. na intensificação do comércio com o Chile e nos acordos com a Bolívia. para período de permanência na tropa mais reduzido. mas manifestadas de forma clara e ameaçadora com o final da Guerra Fria. Em que pese as limitações orçamentárias e a limitada percepção da sociedade em termos de uma Política de Defesa. precisa bradar com ênfase que o desenvolvimento de uma nação não se mede tão-somente pelas variáveis comuns das estatísticas econômicas. 1. limitado ao cumprimento dos exercícios e das obrigações para com o Serviço Militar. educação e segurança do seu povo. motivo de ambições alienígenas historicamente conhecidas. de um efetivo aproximado de 25 mil homens e tendo como missão principal guarnecer o arco amazônico de fronteiras. set. com 11. trabalho. Esses parâmetros também devem ser realçados em uma Política de Defesa. capazes de dissuadir aventureiros além-fronteiras./dez. mas principalmente pela existência de um clima de igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. pois não podem existir Forças Armadas. se internamente nos permitimos conviver com uma população majoritariamente fragilizada. no atual Comando Militar da Amazônia. O Exército brasileiro. alguns conscritos restantes. saúde. passa a dispor. quando os países do Cone Sul buscaram uma aproximação política e econômica. sediado em Manaus. as Forças Armadas prosseguem priorizando ações de dissuasão estratégica. sob os aspectos mínimos e essenciais para a vida em sociedade.Sérgio Xavier Ferolla mente. e com a consolidação dos limites territoriais. (19) : 64-72. Amenizadas as tensões surgidas ainda no Império. materializada na criação do Mercosul. 2005 . aproximadamente. A sociedade brasileira. em uníssono e em oposição à falida cantilena do modelo neoliberal. bem como pela capacidade de atendimento às necessidades de alimentação. que em 1949 contava com. em Dest.000 homens no então Comando de Elementos de Fronteira. com o gigantesco investimento no gasoduto binacional e na geração de termoeletricidade para a região Oeste do País.248 68 Id. O cenário regional modificou-se radicalmente a partir da segunda metade do século XX..

Rio de Janeiro. a foz do Amazonas e o litoral norte. Boa Vista e um Destacamento de Base. acrescidos de 1. Guajará Mirim. Porto Velho.. Manaus. Tiriós. em suas áreas específicas de atuação. Através de seus navios de Assistência Hospitalar. tais como Vilhena. realizando uma ação cívico-social que se estende da foz do Amazonas até a faixa de fronteira. conhecidos na Amazônia como “Navios da Esperança”. cabe ao Exército. Porto Velho. visando inibir aventuras além-fronteiras. onde atuam cerca de 70 mil embarcações. Ao Quarto Distrito Naval e ao Comando Naval da Amazônia Ocidental. sediados respectivamente em Belém e Manaus cabe. Cruzeiro do Sul. (19) : 64-72./dez. Santarém. instalações técnicas foram distribuídas em pontos estratégicos para o controle do espaço aéreo. sinteticamente. Id.670 quilômetros de litoral. São Gabriel da Cachoeira. Com a implantação do SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia). em futuro próximo. a Marinha e a Aeronáutica. Marabá. São Luiz. set. dos mais variados tipos e tamanhos. na Amazônia. Eirunepe. juntamente com a Força Terrestre. em São Gabriel da Cachoeira. Macapá. Manaus. Jacareacanga. orgulha-se a Marinha da continuidade do apoio médico e odontológico às populações ribeirinhas. cooperar no desenvolvimento de núcleos populacionais mais carentes na faixa de fronteira. Boa Vista. com uma rede de radares capaz de monitorar. Cachimbo. todas as aeronaves sobrevoando a região e. e subordinadas ao Comando Militar de Tabatinga temos escolas de Primeiro e Segundo Graus. Sinop. sem descuidar da assistência às comunidades civis e indígenas. ao mesmo tempo em que oferecem. Rio Branco. Assim é que. bem como fiscalizar as operações e prover a sinalização para uma segura utilização daquelas preciosas vias de transporte e integração regional. com as Bases Aéreas de Belém. São Félix do Xingu. sediados em Belém (Primeiro COMAR) e Manaus (Sétimo COMAR) e as Unidades Aéreas se desdobram pela Amazônia. as fronteiras nacionais. Os Comandos Regionais da Aeronáutica. completam a estrutura defensiva da região. Manicoré. patrulhar e defender a vasta malha hidroviária.Sérgio Xavier Ferolla quilômetros. Conceição do Araguaia e São Félix do Araguaia. Além das operações militares propriamente ditas. em Dest. 2005 69 . Tefé. um poder estratégico de dissuasão. em todos os pelotões de fronteira funcionam normalmente escolas de Primeiro Grau. Da mesma forma. em especial.

Rio de Janeiro. tecnológico e industrial. a reação dos setores operacionais é./dez. agravando a evasão de divisas e a perda de preciosos e qualificados postos de trabalho.Sérgio Xavier Ferolla Se a preocupação com os equipamentos e a qualificação profissional dos efetivos militares é condição essencial para o sucesso nas operações militares. uma vez que somente empresas de capital nacional poderão ser consideradas mobilizáveis para fins de defesa. necessitam contar com instalações logísticas adequadas e. Para tal. impõe-se também priorizar aqueles setores ainda sob controle nacional e buscar investir 70 Id. o Exército e a Aeronáutica. Não bastasse a carência de recursos materiais e humanos. Por essa razão. pugnando pela simples compra imediata no exterior. em especial. A Marinha. componentes e dispositivos especiais. com um parque industrial não sujeito aos mecanismos de controle e bloqueios do exterior. de impaciência e descrédito na engenharia doméstica. rotineiramente. além das necessidades rotineiras dos produtos de interesse da defesa.. impostos pelas potências hegemônicas. a dependência de armamentos e acessórios produzidos no exterior pode inviabilizar a ação continuada das Forças Armadas em conflitos de prolongada duração. as Forças Singulares há muito desenvolvem esforços em busca da capacitação nacional nos campos científico. Dentro de suas limitadas possibilidades. os Comandos militares sempre inseriram em seus planejamentos estratégicos a busca de uma autosuficiência nacional tanto para a manutenção do material e dos armamentos como para a fabricação de partes e peças de interesse das Forças. Como conseqüência. o difícil óbice da superação dos bloqueios tecnológicos. 2005 . set. com seus Centros de Pesquisas e Parques Logísticos têm gerado tecnologias e desenvolvido produtos que são transferidos às indústrias nacionais para a produção em série. os quais retardam e oneram os projetos de concepção local. obrigando o desdobramento dos desenvolvimentos ao nível de materiais. surge. O resultado dessa solução simplista é não só a criação de uma dependência de fornecedores pouco confiáveis. que deveriam constar como diretrizes do Governo para a política e os programas de defesa. Com uma visão de mais longo prazo. Essas são premissas importantes. mas principalmente o enfraquecimento do parque industrial doméstico. algumas vezes. (19) : 64-72. principalmente. em Dest. quando da possibilidade de ocorrência de conflitos militares.

a indústria eletrônica profissional. a média da participação estatal em pesquisa e desenvolvimento está em torno de 35%.7% do orçamento de P&D. estaremos capacitando nossas empresas para competirem no complexo e seletivo mercado que a nova realidade internacional tem proporcionado. 2005 71 . a EMBRAER. da não participação do Estado na economia e da livre iniciativa como a responsável pelos investimentos em tecnologia e na indústria. A hercúlea participação do estamento militar em todos os setores do nosso País continente. São exemplos dos benefícios auferidos: o Programa Espacial. maximizada com os resultados em tecnologia e indústria. diferentemente dos demais membros.8%. são conquistas que. além do domínio da tecnologia nuclear pela Marinha. constando para a área de defesa cerca de 53. em Dest. Os ainda modestos gastos do Brasil não podem ser colocados como termo de comparação com as potências industriais. mas os resultados já obtidos propiciaram especial significado em nosso parque industrial. atestam a validade do modelo e não é outro o caminho ainda seguido pelos países industrializados. (19) : 64-72. no Japão.. que de forma direta e ou indireta gerarão subsídios para a participação da tecnologia e da empresa brasileira em produtos mais elaborados. que já surtiram resultados concretos. Os programas de sucesso da Marinha. set. Como decorrência. granjeando a confiança e a simpatia da população. o desenvolvimento do motor a álcool./dez. produzindo radares e demais equipamentos de comunicações e proteção ao vôo. contra 18.2%. Na OCDE. e 5. os armamentos convencionais e mísseis com tecnologia 100% doméstica. variando de 25% a 65% e. Rio de Janeiro. do Exército e da Aeronáutica. a fabricação de navios e submarinos.Sérgio Xavier Ferolla em segmentos estratégicos. em plena era do propalado modelo neoliberal. se corretamente divulgadas e submetidas ao crivo imparcial da sociedade. assim como para a produção complementar dos itens mais sofisticados de interesse para aplicações militares. mostrariam a capacidade de realização da gente brasileira e que enchem de orgulho anôId. na União Européia. entre muitos outros. os Estados Unidos apresentam um gritante predomínio de gastos públicos ligados ao complexo industrial-militar. assegurando ao nosso País o domínio do ciclo de produção do urânio enriquecido para os reatores Angra I e II.

72 Id. com as armas da inteligência e da dedicação. a fim de assegurar. engenheiros e técnicos.. em Dest. 2005 . superam dificuldades materiais e bloqueios absurdos./dez. civis e militares. Rio de Janeiro. (19) : 64-72. mar e ar. O autor é Tenente-Brigadeiro-do-Ar Reformado e Ministro Aposentado do Superior Tribunal Militar. set.Sérgio Xavier Ferolla nimos cientistas. guerreiros que. somando esforços com os combatentes de terra. com a missão que lhes foi atribuída. o progresso e a soberania da nação brasileira. a liberdade.

deixa o solo alçando suave vôo. a partir daí o vôo era todo seu. Lentamente.Pasqual Antonio Mendonça O Sonho de Voar Pasqual Antonio Mendonça As potentes turbinas do Boeing começaram a acelerar. 2005 73 . – Verei o que posso fazer. as horas de vôo tão caras. Sereno. cada vez mais leve. Fizera. Valia a pena. A propósito./dez. com meias solas em gastos sapatos. Gentil e profissional. inúmeras vezes. acoplou o piloto automático. (19) : 73-75. se tiver alguma fruta. onde fazia perdas e parafusos. – Quanto conforto! – pensava Felinto. Na cabine de pilotagem. estava dominando a máquina: deixava a terra dos homens. já conseguia pousar “três pontos”. set. a comissária adentra a cabine. Seu inglês de então não permitia aventuras pelo interior dos Estados Unidos. a 40.. Regularmente fazia seu vôo semanal. pressões e temperaturas. com o avião podia deslocar-se em três dimensões. Um homem. os passageiros estão reclamando do ar-condicionado.. tem um grupo do Pará queixando-se do frio. em Dest. suados cruzeiros economizados. Rio de Janeiro. lá de Colatina. Helena.000 pés. filho do “Seu” Zequinha. agora os “flaps”. na chamada rota do “Tubarão Feliz”. contratava um piloto americano para voar de Wichita (Kansas) até Miami e. um avião monomotor e a imensidão do oceano. procedimentos semelhantes.. conferiu luzes. Lembrou-se dos primeiros tempos no Aeroclube. Vida difícil. Tão diferente dos tempos em que voara a mesma rota transladando pequenos aviões das fábricas para o Brasil. Os inúmeros furacões com nome de muId. Felinto. o Boeing abandona os tumultuados centros de controle dos Estados Unidos e passa a voar sobre o Caribe. – O Comandante vai jantar? – Obrigado. do CAP-4 “Paulistinha”. Pulando de ilha em ilha. Apenas água e café. A pista do Aeroporto Kennedy suporta as centenas de toneladas que vibram com o rugir dos motores. acabou de comandar o recolhimento do trem de pouso. – Ok! Vamos aumentar a temperatura. o gigante inicia sua corrida e.

Martinica. é o cinco dois dois avistando a pista. vê a noite chegar e não encontra um lugar para pousar. – Ok. observar homens e máquinas. Rio de Janeiro.Pasqual Antonio Mendonça lher. além de emoções. desviando-se de formações de nuvens pesadas. vento de cento e oitenta graus. vou providenciar. tudo isto entremeado por luminosos relâmpagos. é o cinco dois dois. 2005 . depois de Manaus vamos pegar turbulência. Certa vez. Guadalupe. voando em um avião sertanejo. – Aeronave. Informo que os primeiros trezentos metros estão interditados. estamos a vinte minutos de Piraí. até o nível cento e vinte. com quinze nós. – Torre Galeão. – Cinco dois dois no solo aos 44 minutos livre táxi. chamar o controle Rio sobre Piraí. Porto Rico. O radar colorido indica uma imensa nuvem “cumulus nimbus” na rota. – Autorizado procedimento para pista 15. Felinto analisa a situação e resolve fazer um desvio pela esquerda. a quanto estamos? – Uns trinta minutos. com destino ao Galeão. nível cento e vinte. Comandante. Felinto se demora um pouco mais para 74 Id. – Controle Rio./dez. – Cinco dois dois ciente. (19) : 73-75. Trinidad e Tobago. Descidos os passageiros. set. Passar para a Torre Galeão sobre Caxias ou avistando a pista. Os cúmulos impõem respeito. desde grandes alturas com enormes granizos e formação de gelo até ao chão com muito vento e chuva pesada. – Veja se pode apressar. Piraí. muito conhecido de quem tem pouco combustível. – E. autorizado baixar. as Caicos e as Turks. há que procurar um caminho entre as pesadas nuvens. Já foi servido o jantar? – Estamos terminando. – O Comandante chamou? – Sim. é o cinco dois dois. conviver com culturas diferentes e envolver-se em paixões intensas e fugazes. Felinto. Logo à frente um outro e mais outros. proporcionaram-lhe a oportunidade de conhecer Nassau. a intertropical está ativa.. – Centro Brasília. nessa mesma região. de Itaituba para o Garimpo do Meio. acabou perdendo-se e passou um bom “sufoco”. em Dest. – Livre pouso. Helena.

Id. – diz a comissária com olhos marejados. – . 2005 75 .. Rio de Janeiro. retirar a bagagem. completa. a idade limite para permanecer. por imposição da legislação. Helena.. assinar formulários. caprichosamente datou e assinou por extenso.000 horas de vôo. um diretor da companhia está na escada para apresentar-lhe as despedidas. O autor é Coronel-Aviador da Reserva da Aeronáutica e escritor. hoje. inicio minhas aulas de ultraleve. Dias depois. – Felinto./dez. (19) : 73-75. vamos jogar tênis amanhã à tarde? – À tarde não posso. – Obrigado.. o Comandante Felinto. – Comandante. não apenas rubricou como fizera tantas vezes. E.. O livro de bordo. Nunca se retardara tanto para recolher as cartas de vôo.Pasqual Antonio Mendonça sair.. após 25.. set.. em Dest.

Acabavam de percorrer uma distância total de 8. como ato de fé e de audácia. 2005 . (19) : 76-87. set. que haviam iniciado em 30 de março do mesmo ano. sendo a maior e mais arriscada e que melhor define o caráter científico-tecnológico do vôo. Rio de Janeiro. concluindo a viagem aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro. amarava na Baía de Guanabara o hidroavião monomotor “Fairey” 17 tripulado pelos aviadores da Armada Portuguesa. perdidos na imensidão do oceano e distantes de 1.861 km./dez. em Dest. Viagem aérea Lisboa .Jorge M. Contra-Almirante Carlos V.384 km em nove etapas. a outros anteriormente praticados por aviadores americanos e ingleses. Cabral.. Brochado de Miranda Em 17 de junho de 1922. Gago Coutinho e Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura F.Rio de Janeiro Este feito pode comparar-se. Mas é único e pioneiro em termos de Navegação Aérea. abrindo 76 Id. a que ligou Cabo Verde (Porto da Praia) aos penedos de São Pedro e São Paulo. Brochado de Miranda Pioneiros da Navegação Aérea Jorge M.

numa distância de 980 km. António J. Quando. 2005 77 . por ocasião do 75º aniversário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul. tendo chegado 1 SOARES. por vezes adormecidas./dez. de novo os portugueses se viriam a notabilizar. (19) : 76-87. os longos vôos a abrir os caminhos do ar. “Os portugueses. em 17 de junho de 1997. em 17 de junho de 1997. impondo-se mais uma vez pelo pioneirismo e sobretudo pela inovação científica. 2 SOARES. foram iniciadores e mestres da navegação astronómica e da cartografia moderna pós medieval”. Brochado de Miranda portas à futura projeção do poder aéreo através dos oceanos. despertando eventualmente para a realização de outros feitos de projeção mundial. Silva. Lutando com escassez de recursos.Jorge M.. Estas capacidades e competências mantiveram-se com o rodar dos séculos. Id. o mais-pesado-do-que-o-ar. sem apoios no mar.”2 Os rápidos aperfeiçoamentos da Aviação durante a Primeira Guerra Mundial tornaram possíveis. – A base científica da Navegação. Pretendiam ensaiar a aplicação prática dos estudos teóricos a que se vinham dedicando. em Dest. embora recheados de dificuldades. que foram percorridos em 7 horas e 40 minutos. já no século XX. Conferência proferida na Sociedade de Geografia de Lisboa. Silva.1 O sucesso da Epopéia dos Descobrimentos e da Expansão Marítima portuguesa dos séculos XV e XVI ficou a dever-se a três razões fundamentais: – O arrojo das concepções. imbuídos da sua natural vocação marítima. – O espírito de aventura e de sacrifício das suas gentes. e essa é a razão por que o trago a este congresso. António J. o piloto aviador Sacadura Cabral (e Ortins de Bettencourt) e o navegador Gago Coutinho haviam realizado em 1921 a travessia aérea Lisboa-Ilha da Madeira. Conferência proferida na Sociedade de Geografia de Lisboa. por ocasião do 75º aniversário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul. nomeadamente na resolução do problema da Navegação Aérea. set. se começou a desenvolver a Aviação. à velocidade de 130 km/h. sobre métodos e instrumentos de Navegação Aérea. Rio de Janeiro. “A tradição histórica da Ciência Náutica portuguesa viria a renascer num novo contexto.

Brochado de Miranda à conclusão de que. conjugando a Navegação estimada com a Navegação Astronômica e introduzindo métodos expeditos de cálculo. set. a travessia do Atlântico Sul. em Dest.Jorge M. não ultrapassável: o país encontrava-se em crise social. financeira e cambial. mas com uma verba fixa. Não dispondo Portugal de Indústria Aeronáutica desenvolvida. de preço compatível com a magra verba disponível. Primeira travessia aérea do Atlântico Sul Desde logo. 2005 . (19) : 76-87. o Brasil. a ligação aérea de Portugal com a grande nação irmã. Sacadura Cabral escolheu o hidroavião inglês FAIREY com um só motor Rolls Royce de 350 CV. avião de rodas ou hidroavião. a cujo modelo de série mandou introduzir algumas 78 Id. de flutuadores ou de casco. Depois de ter analisado as várias hipóteses que se lhe abriam. Na mente destes aviadores estava então um desígnio ambicioso. o Ministério da Marinha apoiava e financiava o projeto. se podia navegar no ar de forma absolutamente precisa e segura. Rio de Janeiro. havia que encontrar no mercado internacional um avião minimamente adequado para realizar o vôo. Mas levantavam-se alguns constrangimentos que Sacadura Cabral diligenciava superar../dez.

apesar das promessas e dos esforços do fabricante. o que se traduziu na limitação da bagagem ao mínimo indispensável e na retirada da aparelhagem de radiotelegrafia que. bem como à temperatura mais elevada das águas equatoriais e à menor densidade do ar. cujo rigor tinham vindo a comprovar nas etapas já percorridas. Por outro lado. 2005 79 . e. onde os aguardava um navio de guerra para os reabastecer. Ao verificar. amarar a seu lado.Jorge M. em mar aberto. Gago Coutinho. de duas toneladas de peso. uns penedos que mal afloravam do oceano. Brochado de Miranda alterações na tentativa de lhe aumentar a autonomia para as 16 horas de vôo necessárias para dar o salto de Cabo Verde para a Ilha de Fernando de Noronha. Mas. Ele havia de ir ao encontro daquelas pedras perdidas no mar. no dizer de Gago Coutinho. – Ou prosseguir para os Penedos confiando na competência do navegador. atingido o ponto de destino. Id. a etapa mais longa e mais difícil em termos de Navegação Aérea. o navegador. desaparecer na imensidão do oceano. devido ao consumo exagerado do motor verificado nas etapas anteriores e à entrada de água nos flutuadores que não conseguia esgotar totalmente. num hidroavião de flutuadores. que estava obrigado a praticar uma Navegação rigorosa. Sacadura Cabral tinha pela frente uma árdua tarefa a realizar. tinha de pilotar um avião com deficiências de compensação num vôo de longa duração. em Cabo Verde. Rio de Janeiro. e que não podia meter a quantidade de gasolina necessária para atingir a Ilha de Fernando Noronha. Instalado numa cadeira acanhada e inconfortável. em Dest.. que não podia errar. mas só à justa para os Penedos. sem meios de comunicação e fora das rotas dos navios que cruzam o Atlântico. lhes roubaria uma hora de vôo de gasolina. que não conseguia descolar com a mesma carga com que havia saído de Lisboa. sob pena de. reduzir o peso do avião tanto quanto possível. Mas o sucesso da empresa estava fundamentalmente nas mãos de Gago Coutinho. de fraca visibilidade./dez. e na validade do seu método de Navegação. a Sacadura só restava: – Ou desistir da continuação do “raid”. as modificações introduzidas não trouxeram ao avião as virtualidades esperadas. (19) : 76-87. numa carlinga que primava pela rusticidade. set.

ao amarar “in extremis” ao lado do navio e dos penedos. Rio de Janeiro. set. Só atrasou o prosseguimento do “raid” que teve de aguardar pela chegada de um novo hidroavião. demasiado frágeis. Gago Coutinho. em mar de “ondulação desencontrada e grossa”. 63. já com o motor a dar sinais de que a gasolina se esgotara. 1941 p. 2005 . 80 Id. pudessem não resistir se o mar estivesse agitado. Brochado de Miranda Traçado de Navegação O fato de. a crista de uma onda ter levado um dos flutuadores. 3 MOREL. Gago Coutinho e a sua Vida Aventurosa. em Dest. Rio de Janeiro.. Edmar. não deslustrou a proeza cometida. (19) : 76-87. dava-se por feliz se lá chegasse.Jorge M. admitindo à partida de Cabo Verde que os flutuadores./dez. Disse a um jornalista que então o entrevistou: “as pedras já são Brasil”3.

Jorge M. máquina voadora mais-pesada-do-que-o-ar tinha evoluído de forma a permitir que os países ribeirinhos do Atlântico começassem a pensar na sua travessia. A autonomia destes aparelhos era suficiente para permitir folgadamente o vôo Terra NovaAçores-Lisboa. O seu avião tinha quatro motores de 400 CV cada. usando um sextante inglês. Rio de Janeiro. e telefonia com um alcance de 40 km 4. um sextante marítimo e três bússolas. Brochado de Miranda Nas datas em que os portugueses efetuaram os “raids” referidos. já haviam sido realizados outros vôos de longa duração sobre o mar: – Os americanos saltaram da Terra Nova para os Açores e Lisboa. 4 5 “100 Significant Aircraft”. (19) : 76-87.. não sabiam exatamente onde se encontravam. a Marinha dos EUA havia construído. e até 1. restando-lhes ainda à aterragem um terço da gasolina metida à partida.000 km sobre postos em terra. em ligação com a empresa Curtiss. Id. de dois motores de 360 CV cada. A Navegação limitou-se a seguir a agulha no rumo predeterminado. o que lhe dava um grau de segurança confortável.040 km em 16 horas à velocidade de 200 km/ h. favorecidos pelo vento5. set. In: JANE’s 1909/1969. em 1921 e 1922. com resultados pouco precisos. hidroaviões de patrulha em alto mar./dez. 2005 81 . TSF com um alcance de 460 km. os NC (Navy-Curtiss). e a progredir ao encontro das grandes massas de terra que são a Irlanda e a Inglaterra. sem grandes preocupações. Nos últimos meses da guerra. set. Os ingleses Alcook e Brown atravessaram o Atlântico da Terra Nova para a Irlanda em junho de 1919 a bordo de um avião Vickers – “Vimy”. o avião. Quando aterraram. a balizar a rota. – Os ingleses voaram da Terra Nova para a Irlanda. Foi o Comandante Read quem comandou este primeiro vôo. em junho de 1919. tendo-se limitado a fazer quatro observações de astros. Na seqüência da Primeira Guerra Mundial. 1969. que podia voar com um só motor. em Dest. munido de um aparelho de TSF. e estava provido de equipamento de radiogoniometria que permitia levantamentos até 140 km sobre os 70 “destroyers” escalonados de 60 em 60 milhas. Cobriram os 3. (que durante a noite emitiam sinais luminosos). na Irlanda. em maio de 1919. com uma equipagem de cinco homens. prosseguindo para a Inglaterra.

exatamente. A Navegação. isto é. com quem se tinham encontrado e conversado à sua passagem por Lisboa. 2005 . em Dest. Não se passou o mesmo com Gago Coutinho e Sacadura Cabral. a posição em que se encontravam. não foi praticada com rigor. Gago Coutinho praticara intensamente a Navegação Marítima 82 Id. quer na Navegação Marítima quer em trabalhos de Geodésia dedicaram-se ao estudo da sua aplicação à Navegação Aérea. (19) : 76-87. Geodésia e Navegação Marítima.. Astronomia. qual o rumo e distância ao ponto de destino e que gasolina lhes restava para o alcançar. Rio de Janeiro. Sextante de Gago Coutinho Ambos tinham uma sólida preparação científica básica em Matemática. Ao longo do caminho traçado sempre souberam. e durante três anos. homens muito experientes na Navegação à vela e no uso do sextante. na seqüência do vôo do Comandante Read. set.Jorge M. e da direção e distância ao ponto de destino. tanto Sacadura como Coutinho. Brochado de Miranda Esta foi a primeira travessia em vôo direto do continente americano para o europeu./dez. o conhecimento exato da posição do avião em cada momento. Antes de se lançarem na empresa que estamos a descrever.

apercebeu-se de que seria possível criar um método específico de Navegação Aérea simples e preciso. Brochado de Miranda com base na Astronomia. – O vento ao nível de vôo. Mercê dos seus conhecimentos científicos. afetando a trajetória e a velocidade real do avião em relação ao terreno. em Dest. e estudara atentamente os regimes de ventos e de correntes no Atlântico Sul. Rio de Janeiro. e da experiência como Instrutor e Diretor da instrução na primeira escola de Aviação em Portugal e depois como Chefe da Aviação Naval../dez. Definiu e equacionou os problemas característicos da aplicação do sextante à Navegação Aérea.Jorge M. em 1916). – A rapidez de cálculo exigida pela velocidade própria do avião. 2005 83 . das qualificações como aviador (obteve o brevê em França. da experiência vivida no mar e em África. ao percorrer em navio à vela os caminhos dos navios das descobertas. set. O seu trabalho rigoroso e preciso mereceu o elogio dos ingleses. ainda na seqüência das exigências da Conferência de Berlim de 1885. Sacadura Cabral apreciou criticamente os meios e métodos de Navegação usados no “raid” do Comandante Read. a saber: – O plano de referência para medição das alturas angulares dos astros. Diagrama do sextante de Gago Coutinho Id. (19) : 76-87. Juntamente com Sacadura Cabral praticou Astronomia de posição e Topografia ao percorrer com meios de locomoção rudimentares as extensas e inóspitas superfícies africanas a delimitar as fronteiras de Angola e de Moçambique. a outra parte interessada nesse trabalho.

Jorge M. Brochado de Miranda

Entretanto, Gago Coutinho debruçava-se sobre a adaptação ao
sextante normal de marinha de um nível de bolha de ar que permitisse
obter um horizonte artificial necessário à Navegação Aérea quando
não fosse possível observar o horizonte de mar.
“Em trabalho conjunto, ambos estudaram a resolução do problema do vento, tendo criado um calculador gráfico que ficou conhecido por “Corrector de Rumos Cabral - Coutinho” e adoptaram um
sistema de medição de ângulos de deriva mediante a observação do
desvio angular de bóias de fumo lançadas ao mar. Gago Coutinho
ultimou a adaptação do horizonte artificial ao sextante, tendo concebido uma solução geométrica que tornou as observações mais fáceis
e mais rigorosas do que em outros sextantes americanos e ingleses já
então existentes. Finalmente, Gago Coutinho dedicou-se também à
tarefa de reformular e simplificar os cálculos astronómicos, de forma
a reduzir drasticamente o tempo de determinação das linhas de posição astronómicas, pondo em prática um método inédito de pré-cálculo de vários elementos a utilizar em voo”.
“No seu conjunto, todos estes trabalhos conduziram à criação do
que podemos definir como o primeiro “Sistema integrado de navegação aérea científica”, na Historia da Aviação Integral, porque envolvia
todas as tarefas necessárias, desde a resolução do triângulo de velocidades, incluindo a determinação do vento, utilizando instrumentos criados especialmente para o efeito, observações astronómicas com
sextante adaptado, determinação de linhas de posição astronómicas,
usando métodos de cálculo devidamente adaptados à duração do voo e
até o próprio critério da condução da navegação. Foi um trabalho plenamente inovador, que proporcionou um passo decisivo para tornar a
aviação definitivamente autónoma das referências terrestres” 6.
A primeira travessia aérea do Atlântico Sul decorreu de forma
precisa, pondo em prática o método integral de Navegação Científica
delineado pelo Navegador Gago Coutinho com a colaboração do Piloto Sacadura Cabral. Todavia, tendo sido realizada durante o dia,
não houve necessidade de utilizar o horizonte artificial, de bolha de ar,
introduzido por Gago Coutinho no sextante marítimo. Ele utilizou sempre o horizonte de mar, tendo observado 40 grupos de alturas do sol.
6

SOARES, António J. Silva. Conferência proferida na Sociedade de
Geografia de Lisboa, em 17 de junho de 1997, por ocasião do 75º
aniversário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul.
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Traçado de Navegação com a assinatura de Gago Coutinho

Cinco anos mais tarde, em 16/17 de março de 1927, outro punhado de homens decidido e audaz, da Aviação portuguesa (Sarmento
de Beires, Jorge de Castilho e Gouveia), realizou a primeira travessia
aérea noturna do Atlântico Sul, tripulando um hidroavião Dornier ”Wal”
(o ARGOS), com dois motores Lorraine de 450 CV cada, monocasco,
mais resistente ao mar do que o avião de flutuadores de Sacadura
Cabral. O grande salto da Guiné a Fernando Noronha, numa distância de 2.595 km, foi coberta em 18.12 horas de vôo, 13 das quais de
noite. Como o avião não dispunha de qualquer equipamento rádio,
nem o apoio de navios no mar, o navegador, Cap. Jorge de Castilho,
orientou-se somente pelas estrelas, afirmando ao mundo, com uma
noite inteira de Navegação Astronômica – feito inédito nos anais da
Navegação Aérea – o real valor do “sextante Gago Coutinho”.
Id. em Dest., Rio de Janeiro, (19) : 76-87, set./dez. 2005

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Entretanto, outra travessia aérea do Atlântico Sul havia sido realizada um ano antes, em jan./fev. de 1926, por um aviador espanhol, o
Comandante Ramon Franco, voando num hidroavião Dornier “Wal” (o
PLUS ULTRA), com dois motores Napier de 450 CV cada, monocasco7.
Com uma equipagem de quatro homens e bem equipado para a Navegação radioguiada, fez escala em Cabo Verde (porto da Praia) e Fernando
de Noronha, chegando a Buenos Aires em 10 de fevereiro. Embora este
aviador tenha apoiado a sua Navegação essencialmente na
radiogoniometria, e voado durante o dia, usou também o sextante Gago
Coutinho. São suas as seguintes palavras referindo-se ao Almirante:
“É a ele que todos devemos a maneira segura de voar sobre o
mar. Há seis meses que troco com o Mestre correspondência sobre
assuntos de navegação aérea. Aproveitarei de novo o seu sextante
na volta ao mundo” 8.
O “raid” de Sacadura Cabral/Gago Coutinho não ganhou a
consagração internacional. Não consta da generalidade dos códices
históricos estrangeiros, nem tem representação nos museus aeronáuticos para além de Portugal e do Brasil, apesar de representar um
trabalho científico inovador.
Talvez tenha contribuído para isso o fato de Gago Coutinho, figura
modesta e desprendida de interesses de ordem material, não ter registrado a patente do seu invento. Confiou à casa alemã Plath-Hamburgo a
execução do projeto e autorizou-a depois a comercializá-lo por todo o
mundo, tendo sido os seus primeiros e principais clientes a Alemanha, o
Japão, a França e a Espanha. O uso do velho sextante marítimo, modificado pelo sábio almirante português, na Navegação Aérea, foi-se vulgarizando até se diluírem no tempo as circunstâncias da sua origem.
Podemos recordar, porém, que instituições científicas idôneas e
de prestígio internacional prestaram, ao tempo, honrosas homenagens aos dois aviadores, como foi o caso da Sorbonne(9), e que obras
históricas de referência o mencionem com o merecido relevo(10).
7

“Grandes Vuelos de la Aviatión Española”. In: Seminário de Estudios
Históricos Aeronáuticos. CARRILLO, José Warleta. El vuelo del “Plus
Ultra”. Madrid, 1983.
8
CORREIA, José P. Pinheiro. Gago Coutinho, precursor da navegação
aérea. Edição do Centenário, 1969. p. 339.
9
L’AÉROPHILE, 1er/15 Juin 1923. p. 170.
10
DOLFUSS, Charles, BOUCHÉ, Henri. Histoire de l’aeronautique. Paris:
L’Ilustration: Paris, 1932. p. 375.
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Id. em Dest., Rio de Janeiro, (19) : 76-87, set./dez. 2005

. ela está presente nas fases cruciais das viagens espaciais. contribuiu preponderantemente para o desenvolvimento dos povos./dez. realizado em Buenos Aires. O autor é General da Força Aérea Portuguesa e apresentou a presente palestra por ocasião do IX Congresso da Federação Internacional de Entidades de Estudos Histórico-Aeronáuticos e Espaciais (FIDEHAE). num futuro próximo. através dela. Uma análise mais atenta e porventura nostálgica da Navegação Astronômica nos dá conta de que ela possui demasiado potencial para ser definitivamente ignorada. possamos assistir ao rejuvenescimento daquele sistema. set. apoiada no sextante de horizonte artificial concebido por Gago Coutinho.Jorge M. no período de 17 a 21 de outubro do corrente ano. assistido pela incontornável realidade tecnológica digital. assegurando a precisão. do GLONASS russo e. do tipo GPS americano. (19) : 76-87. Brochado de Miranda O sextante foi. DECCA e OMEGA). Id. em Dest. do GALILEO europeu. Todavia. ver-se-á perpetuada uma técnica ancestral que. Quiçá. num futuro mais ou menos longínquo. particularmente no que ao poder aeroespacial diz respeito. a globalidade e a invulnerabilidade essenciais à Navegação Aeroespacial do terceiro milênio! Simultaneamente. finito e vulnerável. tendo nascido da contemplação do firmamento e mercê do engenho e da inspiração de mentes brilhantes como Gago Coutinho. com o aparecimento do sistema de Navegação por Referência Inercial (INS) e foi praticamente substituído pela massificação de sistemas globais de Navegação apoiados em constelações artificiais. durante a época pré-espacial. hoje em dia. que são corrigidos os sistemas de Navegação Inercial e que são garantidos os ângulos de reentrada na atmosfera terrestre das naves do tipo “Space Shuttle”. Rio de Janeiro. porquanto é. a Navegação Astronômica. Neste. o instrumento de Navegação de maior relevo nos vôos intercontinentais transoceânicos. ditado pela inexorável saturação do espectro eletromagnético. e à criação de um novo paradigma de Navegação híbrida astroinercial. sobre o mar. desempenhou um papel decisivo no sucesso da Aviação Militar e Comercial. 2005 87 . a componente astronômica apresentar-se-á como determinante para a validação e correção da componente inercial. A sua importância esvaneceu-se há três décadas. Até ao advento dos sistemas de Navegação Hiperbólica de longo alcance (LORAN.

aliás. segundo nossa escolha. ou pela concordância com alguma posição antiética supostamente permissível ao artista. Portanto. deve-se ao Renascimento) a partir de uma arte comercial que visa simplesmente à recompensa financeira. o ato deve estar em vista de um fim. 2005 . cabe ao artista ordenar retamente o seu ofício para a percepção da beleza do Bem Supremo. Só este pode. o homem não escolheu ser racional. a qual não é escolhida pelo homem (essa natureza que nós recebemos não pode por nós. set. evitar atos que conduzam à banalização da arte. ou por mera falta de argumentação.. Transpondo esses fundamentos para o universo das artes plásticas. Por definição. ser modificada ou escolhida. do insuficiente aprofundamento técnico e da falta de conhecimento histórico da arte. Para compreendermos como funcionam os atos humanos. Este é assim definido por Santo Tomás de Aquino: “É impossível que a felicidade do homem. está determinado por esta natureza. por tratar-se de um artigo). radicada no imediatismo e exibicionismo oriundos da imaturidade. que é seu bem. em Dest. 88 Id. escolher os fins intermediários para a realização do fim último. com sua infinita bondade. tratar-se-ia de um ato meramente natural ou instintivo (os animais. esteja em algum bem criado. no entanto. Para responder tal indagação é necessário fundamentar a ética de maneira clara (e concisa. O fim de um ser está em função de sua natureza. senão o bem universal supremo. como a busca desenfreada pela fama (cujo início. podemos dizer que um ato verdadeiramente humano deve proceder da vontade livre do homem. Nada pode fazer repousar a vontade humana. a ética é a parte da filosofia prática que versa sobre a reta ordenação dos atos humanos a partir da razão. Todos os seres tendem naturalmente para o fim último.Araken Hipólito da Costa Pode o Artista ser Antiético? Araken Hipólito da Costa Tanto o público quanto os artistas em geral consideram nebuloso o presente tema. Podemos. ele é racional independentemente de sua vontade). por exemplo. satisfazer de modo perfeito a vontade do homem”. não conhecem o porquê de agirem). (19) : 88-89. como ser racional. Rio de Janeiro. que é Deus. Caso contrário./dez.

uma questão ética que causa transtorno no seu correto entendimento: a distinção entre liberdade e livre arbítrio. Id. apresenta-se. cada qual dispõe sobre si mesmo. por receber gratuitamente este dom. também. à esfera do transcendente. fruto da ação prática e de interferências sociais. Pelo livre arbítrio. o artista não deve se limitar a uma obra imanente. portanto reflete a moralidade do artista. a liberdade verdadeira é o uso da vontade livre. ainda. tão conhecido e utilizado nos dias de hoje. podemos concluir que o artista é uma pessoa inserida na sociedade. No entanto. que. Sua obra reflete um ato humano. deve. Constatamos que. em Deus. por amor ao ofício. enfim. como o mero uso da vontade. Cabe ressalvar. respondendo à indagação inicial. o que leva à escravidão e não à liberdade. direcioná-lo à Beleza que está contida no Bem e na Verdade.Araken Hipólito da Costa É preciso lembrar que a arte pertence. em Dest. e usada de maneira ideológica. para um ato ser totalmente íntegro. O autor é Coronel-Aviador da Reserva da Aeronáutica e Diretor do Departamento Cultural do Clube de Aeronáutica. Rio de Janeiro. sem medir as conseqüências inerentes ao ato. Caso contrário./dez. 2005 89 . seu objeto. fim e circunstâncias devem ser moralmente bons. não raras vezes. (19) : 88-89. Portanto.. set. dá-se a aplicação do pensamento de Maquiavel. analisado pela inteligência e ordenando o fim último da existência humana que é Deus. segundo o qual “os fins justificam os meios”. Por fim. Contudo.

ex-Primeiro Ministro francês. vivem em situação de pobreza ou precariedade social. em um verdadeiro pária dentro da sociedade a que pertence. por impossibilidade ou simples falta de desejo. Os números dessa contra-sociedade têm sido manejados com bastante freqüência. albergam o temor e a angústia de sentirem-se excluídas das filas dos seres produtivos. 2002). Bilan du Monde. aponta os seguintes dados: 30% da população ativa dos Estados Unidos. E mais ainda. em Dest. Presidente da França. (19) : 90-101. transformando-se. em todas as regiões do planeta.Manuel Cambeses Júnior Variações em Torno do Tema “Globalização” Manuel Cambeses Júnior O artigo enfoca a interpretação do autor sobre cinco aspectos contidos na Globalização Globalização Perversa O sociólogo francês Henri Mendras batizou o termo “contrasociedade” para referir-se a todos os integrantes de uma determinada sociedade que não podem ou não querem seguir o ritmo e as exigências que esta impõe.. Por sua parte. A mesma estaria composta por todos aqueles que não conseguiram assimilar o ritmo evolutivo da sociedade globalizada. não consegue adaptar-se à velocidade com que se move o seu entorno social. um “desadaptado”. Rio de Janeiro. Jacques Chirac. ao passo que 30% da população ativa nas três grandes regiões do mundo industrializado podem qualificarse como desocupada ou marginalizada (Le Monde./dez. ou seja. 2005 . ou seja. dia a dia aumenta o número de pessoas que. quarenta milhões de pessoas. set. bem poderíamos falar de uma contra-sociedade mundial. conseqüentemente. 90 Id. O número de “desadaptados” pode contabilizar-se em dezenas de milhões. um ser verdadeiramente excluído. Seu expoente natural seria aquele indivíduo que. Michel Rocard. Nos dias atuais. São pessoas comuns que vivem atormentadas e sob ameaça permanente da exclusão social. um deslocado.

os países apresentam a tendência de se transformarem em um autêntico bazar persa. sem poder Id. de um nivelamento por baixo. o número de desempregados e de subempregados. lamentavelmente. determinam a sobrevivência dos produtos no mercado. associado à ausência ou abandono generalizado das normas de proteção social. o clube dos Estados mais ricos do planeta.” Frente a essa dura realidade. contam hoje com trinta e cinco milhões de desempregados. em Dest. A tecnologia e a redução de custos laborais são os grandes dinamizadores do novo crescimento econômico. set. Capital Research & Managements controlam em torno de quinhentos bilhões de dólares. Existe a tendência. O resultado dessa postura é que se observa o abandono do sentido do coletivo e do imprescindível papel do Estado em matéria de arbitragem e de observância da regulamentação social. Sob o impacto de uma competição produtiva sem fronteiras e sem mesuras./dez. assustadoramente. em que a redução de custos transformou-se em dogma. competindo entre si para fazer maiores concessões ao grande capital. Como bem assinala a revista Fortune. em sua edição de abril de 1998: “Os avanços tecnológicos unidos aos implacáveis desempregos em massa dispararam a produtividade e elevaram. na qual a mão-de-obra mais barata. que os países que compõem a União Européia. O Brasil. estão fazendo aumentar. ou a substituição desta pela tecnologia. sustentado na automação. (19) : 90-101. por essa via. Impotente. Fidelity Investments. é um bom exemplo de país que tem aumentado substancialmente sua competitividade e inserção na economia global às custas de um notável incremento das filas de desempregados. Que outra coisa poderia fazer o Estado? Este se vê incapacitado para fazer frente ao volume e à dinâmica dos capitais privados. Os países integrantes da OCDE. Vanguard Group. consideravelmente. 2005 91 . E o que dizer dos países em vias de desenvolvimento? A conjunção entre um desenvolvimento técnico acelerado. Rio de Janeiro.. contam com dezoito milhões de desempregados e cinqüenta milhões de cidadãos sob a ameaça de exclusão social. não há espaços para considerações sociais. Os três maiores fundos de pensão estadunidenses. o Estado teve de adaptar-se às exigências do grande capital. como via para captar inversões e garantir o crescimento econômico. os ganhos da indústria.Manuel Cambeses Júnior assinalava em março de 2004. A lógica deste perverso processo é simples.

Rio de Janeiro. ele temse transformado em atuante protagonista deste perverso processo econômico que o atemoriza e o encurrala. que submeteria as leis regulatórias dos paísesmembros às objeções internacionais. ou seja. Dessa maneira. nesse caso. impondo leis à sua conveniência e promovendo uma acirrada e desumana competição entre países. o gerente médio.. as grandes corporações competem ferozmente entre si para captar as preferências dos acionistas. quem é esse acionista anônimo que sustenta a engrenagem e dita as regras da economia globalizada? Este não é outro. Através de sua cotização e na busca de máximo rendimento para as suas economias. 92 Id. obviamente. (19) : 90-101. A necessidade de dar resposta às exigências de curto prazo de um gigantesco número de acionistas anônimos tem-se transformado. Segundo um curioso processo circular imposto por esta globalização perversa em que vivemos na atualidade. erigindo-se feroz e desapiedadamente frente a si mesmo. cada vez mais. senão o homem comum: o operário. Porém./dez. no lobo do próprio homem. restringindo a capacidade dos Estados de ditar políticas econômicas de interesse nacional. Prova inconteste disso encontramos no acordo multilateral sobre inversões que está sendo negociado na Organização Mundial de Comércio. o grande capital privado transnacional. A pergunta a fazer. em Dest. livrando-se de tudo aquilo que possa significar um peso na busca por maiores rendimentos. investe em fundos de pensões mutuais ou. as filas da grande contra-sociedade dos dias atuais. set. Este governa a economia globalizada. com sua presença. o mesmo homem comum que vive atormentado pelo fantasma do desemprego e com medo de vir a engrossar. nas Bolsas de Valores. a serviço de seus interesses. efetivamente. Dentro desse contexto. A força emergente após o ocaso do Estado é. na razão de ser fundamental do processo econômico em curso. através de pequenas inversões de capitais. o homem comum tem-se transformado em seu próprio inimigo. passando por cima de fronteiras e atropelando governos. a dona-de-casa. paradoxalmente. é a seguinte: que lógica domina o grande capital transnacional? Esta se sintetiza em uma consideração fundamental: a rentabilidade imediata. o profissional liberal.Manuel Cambeses Júnior evitar que o homem se transforme. 2005 . o funcionário público.

/dez. (19) : 90-101. até agora. Não existe dúvida de que a tecnologia. É fora de dúvida que a globalização em si mesma é um progresso do qual ninguém poderá escapar e um processo irreversível. não se admite necessariamente que todas as suas conseqüências devem projetar-se em uma só direção. na economia. Na globalização existem ganhadores e perdedores. as negociações. O primeiro deles é o de prescindir do interesse nacional e do papel que os Estados e os governos nacionais têm que assumir para defender os interesses dos países que representam. as aberturas de mercado e todos os demais benefícios que produz o desenvolvimento tecnológico e comunicacional. Rio de Janeiro. A “globalização ingênua” pode conduzir-nos a erros fundamentais. e que não interpreta todos os fatores que entram no jogo. estão sendo geradas intensas contradições que poderão multiplicar os conflitos no alvorecer deste século e tornar mais difícil a vida para grande parte do gênero humano. Também é um fato que tal acontecimento tem efeitos em todas as áreas da vida social e. Tais fatos podem produzir desequilíbrios internacionais capazes de conduzir o mundo a dificuldades maiores do que as que se conheceram durante a Guerra Fria. a qual. Em muitos casos pode haver tendência a uma “globalização ingênua” e a um “internacionalismo irmão”. em Dest. que neste clube existem membros de primeira classe. sensivelmente. ao aceitarmos esta constatação. É uma tremenda ingenuidade pensar que o final da Guerra Fria abriu as perspectivas de um paraíso para a Humanidade. as comunicações e a economia conduzem a fazer do planeta uma unidade mais entrelaçada. em muitos sentidos excludente. Por esse motivo é necessário que os países em desenvolvimento tenham claras as noções de interesse nacional.Manuel Cambeses Júnior Globalização Ingênua A globalização é um novo fato no mundo.. Esta posição se alimenta na idéia de que existe uma espécie de progresso linear que automaticamente produzirá benefícios pelo simples fato de inscrever-se no “clube da globalização”. Pelo contrário. São muito bons o diálogo. parece beneficiar basicamente a alguns países e prejudicar a outros. desta maneira. Id. complexa e inter-relacionada. porque entre os países desenvolvidos se está criando uma mentalidade. muitos da terceira e inúmeros outros na lista de espera. vários de segunda. set. Esquece-se. Porém. 2005 93 .

2001). como ingenuamente alguns vinham pretendendo. a realidade humana é outra.. muitas vezes.Manuel Cambeses Júnior Porém. que têm direito de viver suas expectativas ante o mundo. não é assim que as coisas ocorrem. Os Estados estão formados por seres humanos que deveriam estar representados e encarnados por eles. e jogam com os números e os deslocamentos financeiros sem ter em conta que a base de toda essa circulação financeira internacional está apoiada em complexas comunidades nacionais. É um livro inteligente. Isto. os árbitros não podem ser os interesses internacionais e sim os povos que elegem os seus governantes. temos alguns interesses a defender. Porém. particularmente aquelas que influem nas instituições econômicas e financeiras internacionais. uma cultura e uma história que defender e preservar é uma lógica aspiração à dignidade e à reciprocidade. set. Um dos argumentos que agora se costuma alardear é de que os Estados são apenas referências cartográficas dentro da estrutura política do planeta. cujo título é: The End of the Nation State (New York. Existe uma tecnocracia apátrida que voa sobre as fronteiras e possui fórmulas sintéticas para todas as realidades nacionais. Com a crise asiática ficou bem evidenciado que os mecanismos financeiros não se auto-regulam. Grande parte da crise financeira de hoje se deve a que as tecnocracias. porém inconsistentes para assumir a tribuna dos menos aquinhoados. abstrações./dez. não possuem uma idéia histórica das realidades que manejam. Administram fórmulas. mas sabemos que. uma posição a assumir e uma atitude a vigiar constantemente. que neles intervêm fatores psicológicos e políticos e que ao final das contas. Entretanto é importante enfatizar essa dimensão histórica do Estado nacional: um elo entre as pessoas e a ordem política. 2005 . Está escrito por um homem sobejamente conhecido no cenário internacional. (19) : 90-101. em termos técnicos e comunicacionais pode ser considerado correto. em Dest. porém seus delineamentos e conclusões poderiam nos levar a admitir postulados que conduziriam ao prejuízo dos interesses dos povos e das nações menos desenvolvidas. Free Press. Rio de Janeiro. Kenichi Ohmae. Há alguns anos li um livro que me intrigou profundamente. Os argumentos são muito bons para defender a posição dos países poderosos. Outro efeito da globalização – ingenuamente aceito – da globalização é o que supõe que o fato de proclamar a “adesão ao 94 Id. dentro deste intricado jogo.

A “globalização ingênua” esquece a maior parte destes componentes. Porém. a instantaneidade nas comunicações e todo um sistema cultural que lhe apóie e proporcione sustentação aos efeitos da globalização. fundamentalmente. do que fazem os governos e um contrato social claramente definido para que aqueles que aspiram a falar em nome das unidades nacionais que entram no jogo global possam ser. a conquista do bem-estar.. que ocorrerá em 10 de dezembro do ano corrente. O primeiro de todos é que os governos têm que ser representativos da vontade da sociedade. Globalização. Para ser competitivo é preciso ser capaz e para atingir a capacidade é necessário preparar-se e assumir o objetivo fundamental da educação. entusiasmo e estímulo para que entenda que a riqueza se apóia. Para globalizar-se é necessário desenvolver certas capacidades nacionais. legítimos representantes dos povos. e para que haja bons governos tem que existir mecanismos de responsabilidade política ante o eleitorado e ante o povo que esses governos representam. Evidentemente. a formação de recursos humanos. Educação e Direitos Humanos Por estar próxima a celebração do qüinquagésimo sétimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos./dez. set. as infra-estruturas básicas. realmente. Isto supõe um controle efetivo por parte da opinião pública e do eleitor. automaticamente. em Dest. o mundo de hoje é muito diferente daquele Id. em bases totalmente distintas das que prevalecem na atualidade. Rio de Janeiro.Manuel Cambeses Júnior clube” pressupõe. A conclusão é que a globalização sem a democracia não funcionará com eficácia. É necessária a privatização de alguns segmentos parasitários do setor público. (19) : 90-101. na capacidade das pessoas. considero necessário reflexionarmos sobre a situação destes direitos nas circunstâncias atuais. beneficiem o interesse geral e não determinados setores excludentes. mas isto tem que estar orientado a que as iniciativas e os negócios que se empreendam em nome dos países e das nações. 2005 95 . Isto quer dizer que a liberdade e a amplitude dos mercados está somente garantida pela liberdade e dignidade democrática dos povos. também existem requisitos políticos para a globalização. Para criar competição e competência é imprescindível preparar as pessoas. administrar inteligentemente a formação do capital humano e dar-lhe mística.

A debilidade crescente do Estado ante os interesses econômicos transnacionais.. (19) : 90-101. Uma pessoa não educada é totalmente incapaz de cumprir cabalmente com seus deveres e de 96 Id. Sem uma educação suficiente e de qualidade. mas se fazem mais evidentes porque. sem distinção alguma entre os seres humanos. A liberdade. que não possuem pátria nem consideração com os sofrimentos que possam ocasionar. O que se persegue é o desenvolvimento integral da personalidade. 22). também têm produzido graves danos como a expansão e agudização da pobreza. O Artigo 26 estabelece o direito à educação básica. a qual deve ser gratuita e obrigatória. Rio de Janeiro. limita-se o direito ao trabalho em condições eqüitativas e satisfatórias (Art. o respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais. proclamados nos dois primeiros artigos da Declaração. continuam sendo vitais. quando apenas se iniciava a profunda revolução que conduziu a sociedade do conhecimento e da informação ao mundo globalizado. 19). sociais e culturais. A educação técnica e profissional deve generalizar-se e a educação superior deve assegurar a igualdade para todos em função dos respectivos méritos. deixa ao desamparo impotentes e densos setores da população. restringe-se acentuadamente o direito a receber informações e opiniões e difundi-las sem limitação de fronteiras e por qualquer meio de expressão (Art. Ante estas novas circunstâncias. 27) e. as empresas transnacionais e os novos sistemas financeiros) têm sido benéficos em muitos aspectos. bem como a compreensão. muito embora a globalização e seus suportes essenciais (as novas tecnologias. 2005 . a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos étnicos ou religiosos. a acentuação das diferenças entre ricos e pobres. em geral. os direitos humanos não somente perderam sua vigência. Torna-se impossível a adequada satisfação dos direitos econômicos./dez. mas talvez agora como nunca se encontram ameaçados. indispensáveis para a dignidade e o livre desenvolvimento da personalidade (Art. faz-se difícil ou impossível desfrutar dos direitos humanos e contribuir para que outros também o façam.Manuel Cambeses Júnior que existia há 57 anos. 23). set. corta-se o direito de participar na vida cultural. em Dest. o aumento do desemprego e a vulnerabilidade do Estado e das pessoas ante os interesses das empresas transnacionais e das entidades financeiras. a gozar das artes e a participar do progresso científico e dos benefícios que dele resultem (Art. a igualdade e a dignidade.

freqüentemente. Todos estes aspectos. na generalidade dos países constituem a maior parte da população. Não nos interessa somente ensinar e pensar logicamente. senão na profunda diferença na qualidade do ensino que as classes privilegiadas recebem social. os que não saibam fazer uso da informação e se adaptarem às profundas e velozes transformações que se produzem na ciência e na tecnologia. paradoxalmente.. Daí que o novo currículo de educação básica. A gratuidade da educação superior. Na maioria dos países o acesso à educação básica é quase universal. Faz-se necessário examinar detidamente o progressivo debilitamento do Estado ante os embates do neoliberalismo Id. quando. com mais força. em nosso país. é um mito para os pobres e uma regalia para os ricos. Em nossa sociedade do conhecimento e da informação – num mundo globalizado – na qual o que se busca é a excelência e a competitividade. ficarão marginalizados e irão incrementar a pobreza que constitui a endemia mais abjeta do final deste século.Manuel Cambeses Júnior desfrutar plenamente de seus direitos. Em todas as matérias. que se preconiza em muitos países. A igualdade dos estudos superiores para todos. tenha como um de seus pilares fundamentais os valores. O direito à educação tem se estendido significativamente. em função dos méritos respectivos. A generalização da educação técnica e profissional e o acesso à educação superior convertem-se em uma quimera para aqueles que não tiveram uma educação pré-escolar e básica de qualidade. (19) : 90-101. não está no acesso à educação básica. fundamentalmente./dez. nem tampouco pela população em geral. em Dest. conduz a impedir o desfrute de outros direitos por parte de outras pessoas ou de toda uma comunidade. bem como os indiscutíveis benefícios que nos trazem a globalização e as novas tecnologias. a atenção deve estar centrada. 2005 97 . como a saúde e a educação. o qual. foram proclamados os direitos humanos. que. Este é o caso da suspensão de serviços essenciais. cultural e economicamente. atualmente. em valores. em todas as atividades escolares. não devem ser desconhecidos ou subestimados por nossos dirigentes. O desafio é imenso. O problema. set. Rio de Janeiro. em comparação com a que recebem os setores menos favorecidos. os que não saibam pensar e se educarem permanentemente. se estenderam os regimes democráticos e. se distancia cada vez mais para as maiorias empobrecidas da população. Uma limitação muito importante é a de não saber como reclamar um direito. os que não estejam bem educados. mas também pensar e decidir eticamente.

Se bem que o Estado deve desprender-se de atividades que não lhe correspondem e que podem ser realizadas. em Dest. também é necessário que se fortaleça para assegurar o desfrute dos direitos fundamentais por toda a população. a saúde e a segurança devem ser garantidas a todos sem distinção de qualquer natureza. enquanto que os Estados Unidos. pioneiros deste processo. um freio no apetite desmesurado de interesses desprovidos de qualquer sentido humanitário. de melhor forma.Manuel Cambeses Júnior que aproveita a globalização para apresentar-se como um novo dogma de salvação. Com o objetivo de dinamizar o intercâmbio de mercadorias e o comércio de capitais.. Desde que a Europa se lançou à conquista das rotas de aprovisionamento da Ásia e da África. e que tornem realidade o desfrute dos direitos humanos pondo. pelo setor privado. De fato. Rio de Janeiro. em 1694. Da velha à nova Globalização O fenômeno da globalização econômica não é novo no mundo. ingleses e franceses. o Japão e a Rússia fazem sua aparição como potências econômicas emergentes. as quais levaram o grande navegador português Vasco da Gama a dobrar o Cabo da Boa Esperança e o genovês Cristóvão Colombo a descobrir acidentalmente a América. a circulação de capitais e mercadorias de um lado a outro do planeta alcança um desenvolvimento exponencial. desta forma. Na Europa. viram-se prontamente alcançados e ultrapassados pelos holandeses. criou-se. Os espanhóis e os portugueses. poder-se-ia dizer que este remonta há cinco séculos. A própria competição econômica foi uma das razões que acendeu o esto98 Id. se fabricará e se comerciará tendo em mente uma escala planetária. Com a chegada do Século XIX./dez. transformando essa cidade na capital das finanças mundiais. a França e a Alemanha disputam a hegemonia com a Grã-Bretanha. (19) : 90-101. faz-se necessário um novo pacto social que tenha como objetivo precípuo o ser humano e promova uma nova organização do Estado e dos organismos internacionais. 2005 . A educação. já existia uma vocação globalizadora. Ao amparo da revolução da produção. set. Ante o fracasso do comunismo e as injustiças do neoliberalismo. a Bolsa de Londres. As Companhias das Índias destes três últimos países transportavam as matérias-primas que vieram a dar sustento à maquinaria do capitalismo. dos transportes e das comunicações.

lã por vinho. Textos. em virtude da interpenetração da economia. apresentam-se dois fenômenos bastante freqüentes que os contemporâneos de Adam Smith jamais poderiam imaginar: a possibilidade de crises súbitas e devastadoras em algum país ou determinada região. por exemplo. em 1914. reencontrando uma velha vocação que entrou em crise a partir de 1914.” Esta tem sido./dez. Na economia globalizada dos dias atuais. os seus custos. com relativa freqüência. ainda. em nível mundial. em 1945. radicalmente. por exemplo. O resultado de tudo isso é uma economia mundial homogeneizada e unificada em seus mínimos detalhes. A partir desse momento tudo se modificou. componentes elaborados nas mais diversas latitudes. neste momento histórico que a humanidade atravessa. A denominada revolução Reagan-Tatcher inicia um processo de desregulamentações. a lógica da globalização. que irá complementar-se com o desaparecimento da Guerra Fria e a inusitada aceleração da tecnologia.. Nos dias atuais os países não praticam o escambo. e a amplificação destas em escala planetária.Manuel Cambeses Júnior pim da Primeira Guerra Mundial. em escala mundial. Hoje. da nacionalidade de um veículo. Atualmente. Id. Não obstante. 2005 99 . lamentavelmente. dentro das quais. é difícil falar. o mundo globalizado de hoje não é o mesmo que conheceu o renomado economista Adam Smith. mas se imbricam em redes produtoras planetárias. imagens e sons são transmitidos de forma instantânea. projetando os seus efeitos até o final da década de 1960. Estes cataclismos de epicentro localizado soem irradiar suas ondas expansivas. é porque existe algo dentro do sistema global que não funciona bem. Não é em vão que o megainvestidor George Soros pronunciou uma frase lapidar capaz de eriçar os pelos do mais frio analista: “Se pessoas como eu podem fazer cair governos. Verifica-se. O cenário econômico mundial evidenciou uma acentuada fragmentação que se prolongou até ao final da Segunda Guerra Mundial. (19) : 90-101. que os fretes e transportes diminuíram. um mesmo produto final leva incorporado. o mundo volta a integrar-se em escala planetária. aos quatro cantos do planeta. Desta maneira. trocando. por via de um inexorável “efeito dominó”. em Dest. a informação é transmitida à velocidade da luz. quando suas diversificadas peças são fabricadas em dezenas de países. set. Rio de Janeiro. Autopistas virtuais integram computadores miniaturizados.

do papel que os diplomatas e políticos desempenharão num desafio histórico e intelectual de imaginação e construção. a propriedade intelectual etc. porque. o comércio de serviços. devido às incríveis transformações tecnológicas e. estamos assistindo a uma etapa completamente diferente do processo evolutivo da Humanidade.. Este fenômeno é próprio da evolução do sistema capitalista pósindustrial. a melhoria dos meios de transporte marítimo e ferroviário permitiu expandir os espaços globais. organizações não governamentais. às mudanças na tecnologia de transferência de dados e da informação. social e cultural da humanidade. neste alvorecer de século e de milênio. empresas multinacionais. institucional e de direção que está ocorrendo. fundamentalmente. por último. (19) : 90-101. na realidade. em primeiro lugar. na qual se aprofundou e aperfeiçoou o sistema democrático como forma de governo nos países em que este regime já estava estabelecido. ecologia. Isto dependerá. nação. estão sofrendo crises de conceituação em seus alicerces. Estado. 2005 . A globalização não é somente um fenômeno que diz respeito à área econômica. o papel cada vez mais determinante do setor serviços no conjunto da economia mundial. Faz-se mister ressaltar que esse não é o primeiro sistema global. mas também política. em Dest. encontramo-nos diante de uma nova situação e a compreensão deste fenômeno implica. set. Ninguém nega a expansão da democracia após a queda do sistema político comunista. pois tem implicações diretas no segmento político das nações. Rio de Janeiro. 100 Id. naquela época. em segundo. entender as transformações científico-tecnológicas. As comunicações têm ocorrido de forma instantânea. com as inovações tecnológicas e institucionais. em nosso entender. Hoje. Este processo é tão complexo que conceitos como soberania. não somente na esfera econômica./dez. também. já que no século XIX.Manuel Cambeses Júnior Globalização: um Mundo em Transição A palavra globalização tem sido utilizada para designar um amplo processo de transformação tecnológica. A globalização poderá tender a criar um sistema mais estável e simétrico no relacionamento entre os países. do ponto de vista econômico. Surgem novos e atraentes temas na arena internacional: o ambiente. as mudanças ocorridas na forma de transação de bens num mundo altamente informatizado e.

em Dest. saber aproveitar as oportunidades e os riscos da globalização. deve ser nosso objetivo e implica num grande sentido do realismo. membro do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra. Isto necessitará lucidez intelectual em captar os novos tempos para poder edificar. (19) : 90-101.Manuel Cambeses Júnior Por isto. Id. finalmente. um mundo mais estável e com justiça social. Rio de Janeiro. O autor é Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea. em nosso País./dez. do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e pesquisador do INCAER. set.. 2005 101 . em torno deste processo globalizador.

E.J.Aluízio Napoleão – Senta a Pua! .Ivan Janvrot Miranda . 2 – De 1921 às Vésperas da Criação do Ministério da Aeronáutica.Os Primórdios da Atividade Espacial na Aeronáutica . Magalhães Motta – A Última Guerra Romântica – Memórias de um Piloto de Patrulha .Oscar Fernández Brital (ESGOTADO) 15 – Translado de Aeronaves Militares . E. SÉRIE HISTÓRIA SETORIAL DA AERONÁUTICA BRASILEIRA 1 2 3 4 5 6 7 – Santos-Dumont e a Conquista do Ar .J. VOL.Fausto Vasques Villanova – Força Aérea Brasileira 1941-1961 – Como eu a vi . VOL.Fernando Hippólyto da Costa – Com a 1ª ELO na Itália . Magalhães Motta 17 – O Esquadrão Pelicano em Cumbica – 2º/10º GAv . Juscelino Kubitschek como Presidente da República. Magalhães Motta 13 – Os Primeiros Anos do 1º/14 GAv .Lysias Rodrigues 20 – CESSNA AT-17 . 4 – Janeiro de 1946 a Janeiro de 1956 – Após o Término da Segunda Guerra Mundial até a Posse do Dr.Newton Braga 9 – Os Bombardeiros A-20 no Brasil . 1 – Dos Primórdios até 1920. VOL.COLEÇÃO AERONÁUTICA DO INCAER SÉRIE HISTÓRIA GERAL DA AERONÁUTICA BRASILEIRA VOL.Ivo Gastaldoni (ESGOTADO) 8 – Asas ao Vento . 3 – Da Criação do Ministério da Aeronáutica ao Final da Segunda Guerra Mundial.J.Gustavo Wetsch 10 – História do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica .Flávio José Martins 11 – Ministros da Aeronáutica 1941-1985 . E.Rui Moreira Lima – Santos-Dumont – História e Iconografia .Adéele Migon 18 – Base Aérea do Recife – Primórdios e Envolvimento na 2ª Guerra Mundial Fernando Hippólyto da Costa 19 – Gaviões de Penacho . E.J.João Vieira de Sousa 12 – P-47 B4 – O Avião do Dorneles . Magalhães Motta 21 – A Pata-Choca .Marion de Oliveira Peixoto 14 – Alberto Santos-Dumont . Magalhães Motta 16 – Lockheed PV-1 “Ventura” .Aluízio Napoleão – Santos-Dumont and the Conquest of the Air .J. E.José de Carvalho 22 .

br e-mail: incaer@maerj.Fernando Hippólyto da Costa 10 – O Roteiro do Tocantins ..Rio de Janeiro . Pinto e Geraldo Souza Pinto 13 – Vôos da Alma .Augusto Lima Neto 6 – Aviação de Outrora . E.Murillo Santos A Psicologia e um novo Conceito de Guerra .Giulio Douhet A Evolução do Poder Aéreo .Geraldo Guimarães Guerra 4 – De Vôos e de Sonhos . vivi ou me contaram .Carlos P.. 15-A.br . Centro .A. S.Nelson de Abreu O’ de Almeida Emprego Estratégico do Poder Aéreo .mil.L.Coriolano Luiz Tenan 3 – Ases ou Loucos? . de Mermoz.gov. Aché Assumpção 9 – Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira (1685-1941) .RJ Cep: 20021-200 .aer. P. Magalhães Motta Da Estratégia – O Patamar do Triunfo .Coriolano Luiz Tenan 7 – O Vermelhinho – O Pequeno Avião que Desbravou o Brasil -Ricardo Nicoll 8 – Eu vi.Jean-Gérard Fleury 2 – Memórias de um Piloto de Linha . Saint-Exupéry e dos seus companheiros de Epopéia .Ivan Zanoni Hausen SÉRIE CULTURA GERAL E TEMAS DO INTERESSE DA AERONÁUTICA 1 – A Linha.Lysias A.Adyr da Silva (ESGOTADO) O Caminho da Profissionalização das Forças Armadas . no Topo . Seversky O Domínio do Ar .Marina Frazão 5 – Anesia .Ivan Reis Guimarães 14 – Voando com o Destino .Ronald Eduardo Jaeckel (no prelo) Pedidos ao: INSTITUTO HISTÓRICO-CULTURAL DA AERONÁUTICA Praça Marechal Âncora.incaer.João Soares Nunes 12 – Piloto de Jato . Rodrigues 11 – Crônicas.J.Tel: (21) 2101-4966 / 2101-6125 Internet: www.Murillo Santos Aeroportos e Desenvolvimento . Guillaumet.SÉRIE ARTE MILITAR E PODER AEROESPACIAL 1– 2– 3– 4– 5– 6– 7– 8– A Vitória pela Força Aérea .