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Nome do Autor

Id. em Dest., Rio de Janeiro, n. 17, p. 80, jan./abr.2005
Id. em Dest., Rio de Janeiro, (x) : .....-....., jan./abr. 2005

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Edição
Divisão de Estudos e Pesquisa
Editor Responsável
Manuel Cambeses Júnior
Projeto Gráfico
Mauro Bomfim Espíndola
Wânia Branco Viana
Jailson Carlos Fernandes Alvim
Abdias Barreto da Silva Neto
Revisão de Textos
Dirce Silva Brízida

Ficha Catalográfica elaborada pela
Biblioteca do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

Idéias em Destaque / Instituto Histórico-Cultural da
Aeronáutica. – n.1, 1989 –
v. – Quadrimestral.

Editada pela Vice-Direção do INCAER até 2000.
Irregular: 1991–2004.
1. Aeronáutica – Periódico (Brasil). I. Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. II. INCAER.
CDU 354.73 (05) (81)

Apresentação

Apraz-se a direção do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica – INCAER – em apresentar o exemplar de número 17 do
periódico Idéias em Destaque.
Nesta edição, relativa ao primeiro quadrimestre do ano em curso, foram introduzidas significativas modificações, tanto no aspecto
visual, apresentando um novo e moderno layout, quanto no conteúdo dos instigantes textos elaborados por diversos autores nacionais, civis e militares, prestimosos colaboradores de nossa revista.
Faz-se mister ressaltar que, nesta edição, procurou-se contemplar uma miríade de assuntos e temas que julgamos relevantes e
importantes de enfatizar, dentro de uma linguagem escorreita, atraente e agradável.
Destarte, acreditamos, estaremos contribuindo, sobremaneira,
para a difusão da História da Aeronáutica brasileira, de cultura geral e do pensamento estratégico nacional.

Ten.-Brig.-do-Ar Ref. Octávio Júlio Moreira Lima
Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

.7 Lauro Ney Menezes 2. “Echelon” x Segurança Nacional. 65 Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery 9............-Brig... Uma visão da Atualidade Mundial.................. Chegada a Natal................................. Lysias Rodrigues: sua vida e sua obra.................................Idéias em Destaque Nº 17 jan...................73 Manuel Cambeses Júnior .............................. Pensamento Original e Sobrevivência..49 Carlos de Meira Mattos 7....17 Manuel Cambeses Júnior 4.................................... Maj........ Soberania e Defesa da Amazônia . 59 Milton Mauro Mallet Aleixo 8.39 Luiz Paulo Macedo Carvalho 6........11 Silvio Potengy 3....... As Forças Armadas e a Política de Defesa Nacional.....................................25 Solange Galante 5..................................................... Antropologia da Aviação....../abr................................ 2005 Sumário 1..................... Nação e Defesa......

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da necessidade de fixar uma concepção FABIANA e BRASILEIRA para os assuntos magnos de seu interesse. da estrutura organizacional etc. importadas e adaptadas soluções. o nosso primeiro Instituto de Ensino – a então “Escola de Aeronáutica” – pouco mais fez do que se transmutar de um Curso de Armas das Escolas Militar e Naval em Academia de Formação de Oficiais. partiu o Ministério da Aeronáutica para enfrentar a tarefa de instalar seus Institutos de Estudos intermediários e superiores: os cursos de Pós-Graduação para oficiais de nível Unidade Aérea e os de Estado-Maior e de Administração Superior. 2005 7 . Rio de Janeiro. desfigurando nosso esperado produto final. da Doutrina Básica. às vezes. a Escola de Aeronáutica não chegou a consolidar os ideais que estimularam sua criação. sentido) de insatisfação e da sensação do “objetivo não-atingido”. criando o desejo – constante – de uma reforma de princípios e posições. envergando uma filosofia de ensino mista de verde-oliva e azul-marinho. Ainda envolvido com esta primeira fase (não resolvida). A implantação dos Programas de Instrução e Padrões de Eficiência (PIPE).10. jan. fundamentalmente. Esposando teses ambíguas. Id. do batismo de fogo da Segunda Guerra Mundial. (17) : 7 . adicionamos. Da mesma maneira – porém em graus e degraus diferentes – repetiu o “approach”: foram misturadas soluções.Lauro Ney Menezes Pensamento Original e Sobrevivência Lauro Ney Menezes Criado com o Ministério da Aeronáutica. Em suma. da sistemática de treinamento e qualificação operacional. importamos e adaptamos soluções. distorcendo a meta idealística a atingir. em Dest. A essa “melée” de idéias e pensamentos. – como não podia deixar de ser – sofreu ponderável influência da experiência vivida nos Cursos e Estágios no estrangeiro e. Essa mistura gerou o sabor (até hoje../abr. tumultuada pelos compromissos da Segunda Guerra Mundial.

Mas. essa foi a conduta adotada. fazendo-as florescer. concluir e arrazoar sobre os resultados de um programa interno de concepção e elaboração de idéias. estávamos justificados pelo atropelo. estávamos justificados. o que justificava. estávamos pressionados pela necessidade de existir rapidamente no cenário militar da Nação. estávamos justificados. a situação já se configura de maneira diferente. jan. como a do Ministério da Aeronáutica. Se não havíamos preparado a formação de uma elite intelectual capaz de arguta e inteligentemente. adaptando.Lauro Ney Menezes De uma certa forma. sendo tudo isto uma verdade. agigantando-se até preencher os espaços. durante a vida como Força Singular Organizada. em certos momentos. nascida de uma “cirurgia interna” do Exército e da Marinha e. então tomados pelas fórmulas e soluções importadas. Transformamo-nos em grandes tradutores. fecundá-las. produzir idéias originais. várias vezes. imitando e copiando. e a nós mesmos: a criação e a consolidação de uma Organização. Se. cabe compreender e justificar nossos antepassados e fundadores. exigia uma manobra rápida: a “queima de etapas”. Hoje. implantar. de uma Nação classificada no elenco mundial como “pobre”. em todos os campos da atividade comunitária e organizacional. ainda. adaptadores. e geramos um grande escritório de “copydesk” da cultura militar e aeronáutica. em Dest.. Mas este “modus faciendi” ganhou foros de “solução única”. 8 Id. Rio de Janeiro. alienada da realidade brasileira (e FABiana). Mas a situação brasileira evoluiu rapidamente e. e passou a ser justificado (?) para todos os tipos de atividade. (17) : 7 . àquela época. portanto. essa foi a maneira de conduzir a manobra: importando. emergimos para uma faixa de riqueza que chega a dificultar. a obtenção de recursos financeiros desonerados e subsidiados.10. estabelecer. Fomos seguidores e fruto de uma corrente de “elaboração intelectual-profissional” gerada (na realidade) extrafronteiras./abr. a importação e a adaptação de soluções e fórmulas. Na realidade. Se não tínhamos tempo (nem massa disponível) para conceber. durante longo período. fruto de uma época mundial em ebulição. 2005 .

principalmente. Rio de Janeiro.. para tanto. jan. necessário se faz que essa atuação se processe. Reduzindo o presente raciocínio a um campo de ação de menor envergadura. Id. não mais pelo método simples da tradução e importação de palavras. e que deixe nosso timbre. no começo do século. poderíamos dizer que a Força Aérea será cada vez maior quanto “maior for sua capacidade de atuar em área além daquela que naturalmente lhe cabe”.. técnicas. por um processo de substituição de idéias. Mas. 2005 9 . Vale a pena recordar que. não só de produtos como. indelevelmente marcado. mais substancioso e menos vazio do que aquilo que é copiado ou adaptado... capazes de gerar modificação de comportamento e de conceituações. esteja uma concepção e um pensamento original. normas ou doutrinas. Ultrapassamos a faixa dos adaptadores e cultores do produto importado e passamos ao terceiro lugar do “marketing” internacional. de idéias. algo capaz de resistir à ação deteriorante da inconsistência e das interrogações sem resposta. Algo que dure e perdure. certamente. somos a oitava economia do mundo. sim. E. para termos “capacidade de exercer o poder coordenador em um campo de ação maior do que nosso território” há que sustentar nossas posições por meio de algo mais duradouro e menos efêmero.Lauro Ney Menezes Hoje. e criar novas saídas. “made in FAB”. uma potência moderna é aquela que tem capacidade de exercer um poder coordenador sobre área maior do que seu território. E. (17) : 7 .. das soluções novas para velhos problemas.10. frases. e ascendemos até ao palco dos “marchand des cannons”.. em Dest. uma ferramenta de trabalho ou instrumento sofisticado. o geopolítico RUDOLF KJELLEM considerava como atributos principais de uma grande potência: o espaço geográfico. a liberdade de movimento e a coesão interna. Em conceito mais recente. por trás. ao exportarmos uma plataforma aérea ou um instrumento de combate../abr. supõe o nosso “cliente” que. exportamos produtos acabados e manufaturados. e de sustentar novas teses ou posições. Porém. também “made in Brazil”. O Brasil preenche todas essas condições.

eterna ou passageira. pois! O autor é Major-Brigadeiro-do-Ar Reformado e Presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Caça. 10 Id. não nos deve faltar ânimo para renovar o brado de alerta. aos responsáveis pela grande empreitada dos desbravadores e descobridores... “Não justificarei Capitão que disser: Não cuidei!” Cuidemos.Lauro Ney Menezes Aqui nos referimos ao pensamento ou à idéia original renovadora.. do que conceber.. “na razão direta em que as idéias e pensamentos originais. aqui.” Repitam-se./abr.10. criar. através das idéias. poderíamos também dizer que a Força Aérea será eficiente ou incapaz. as palavras de Camões. gerado na busca. copiar. na criatividade do nosso homem fardado de “azul baratéia”. elaborar e gerar. imitar. Parafraseando um filósofo que concluiu que “a Pátria será altiva ou submissa. consciente ou amorfa. cada vez maior. no seu âmago gerados. 2005 . Em um mundo de produtores de idéias em que mais simples e cômodo é adaptar. traduzir. (17) : 7 . Fruto ou resultado de um processo de elaboração intelectual. em Dest. indispensável ou substituível. na pesquisa. respeitada ou ignorada. do Poder Aeroespacial e da Força Aérea.. Rio de Janeiro. jan. progressiva ou retrógrada em razão direta do que a educação fizer de seus cidadãos”. assegurarem uma perene e inquestionável sobrevivência. clamando pela sobrevivência e afirmação.

além da condução da política pública e análise de aspectos legais. é conceituada da seguinte forma: “A Segurança Nacional é a garantia relativa. estratégicos e comerciais. (17) : 11 . Mas. O fato novo que gerou toda essa discussão foi um projeto conhecido como Rede Echelon. Id. Um dos temas debatidos hoje. passaram a ser alvo da preocupação de estudiosos. 2005 11 . caso viessem a tomar conhecimento. o que vem a ser esse projeto? Qual será o motivo para tanta preocupação? Há pouco mais de meio século foi firmado o US 1948 Intelligence Cooperation Agreement (Acordo de Cooperação de Inteligência). Ninguém foi alertado para essa possibilidade e. Canadá. Nos anos 60. Em fevereiro do corrente ano. algumas poucas comunicações aliadas podem ter sido interceptadas acidentalmente.. Interesses políticos. não protestariam de forma veemente. esse projeto deu início a uma polêmica de múltiplas dimensões.Silvio Potengy “Echelon” x Segurança Nacional Silvio Potengy Segurança Nacional. em Dest. Austrália e Nova Zelândia. segundo a Escola Superior de Guerra. jan. envolvendo Estados Unidos. proporcionada pelo emprego do seu Poder Nacional”. da conquista e manutenção dos seus objetivos permanentes. Rio de Janeiro. as redes de vigilância eram encaradas com naturalidade sob o ponto de vista da segurança nacional das nações ocidentais. afinal. Entretanto./abr. em todo o mundo.15. de empresários e de homens públicos em todos os continentes. havia uma grande diferença: o Echelon ainda não existia. para a Nação. Ao mesmo tempo em que eram feitas as interceptações e escutas de telecomunicações soviéticas. Reino Unido. é até que ponto a Segurança Nacional dos Estados tem sido afetada sem que saibamos.

gravar e decodificar mensagens. com o objetivo de vencer uma colossal concorrência internacional de aeronaves. no qual apresentava. A NSA passou essa informação a uma empresa americana. 2005 . As prioridades foram reordenadas. entretanto. em Dest. com interesse maior para a área econômica. não explica como foi que Echelon veio a se tornar de conhecimento público e um objeto de intrigas. autor do livro The Puzzle Palace (1982). jan.15.Silvio Potengy Com o início da dissolução da União Soviética. Uma delas foi a interceptação de uma comunicação de uma empresa européia anunciando o pagamento de comissões para intermediários. incitan12 Id. em sua edição de 14 de fevereiro de 2000.com excepcional capacidade para interceptar. publicou um artigo em 28 de agosto de 1998. Rio de Janeiro. localizar. Já não havia a necessidade premente de manter-se uma vigilância tão forte como antes.US National Security Agency (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) . em 23 de fevereiro de 2000. Na metade da década de 90. quase um mito. do Reino Unido. Donald Campbell. creditando a sua queda de produção ao catastrófico espírito burocrático. Sua eficácia é lendária. Tudo isso. quase nulo”. que era da ordem de 10 bilhões de dólares. a Agência era capaz de reportar apenas 20% do processo de toda a informação obtida. esse volume de disseminação de informações caiu para 1%. submeteu um relatório ao Parlamento Europeu. (17) : 11 . Foi nesse momento que o Echelon começou a ser motivo de preocupação para todos.. as prioridades começaram a mudar. no final dos anos 80. Nessa seqüência de fatos. James Bamford. O US News and World Report./abr. um balanço detalhado das operações da NSA. demonstrando a queda do ritmo de produção da Agência com as seguintes palavras: “Ao final da Guerra Fria. que retificou seus preços e suas comissões e venceu a concorrência. pela primeira vez. ouvir. instalado e operado pela NSA . pintou um quadro apocalíptico da operação do NSA. detalhando certas atuações não usuais da NSA. O Echelon é um sistema de vigilância.

se palavras-chaves de cunho político ou econômico. ao serem pronunciadas ou digitadas. “Militia”. Esta ação levou ao conhecimento do público em geral a existência do Echelon. Rio de Janeiro. Palavras como “Clinton”. através da colocação na rede Internet. Isso dá uma clara noção do quanto a privacidade e a liberdade de opinião estão sendo colocadas em risco. cuja causa foi assumida por um representante do Partido Republicano. em meados de 1999. de documentações da NSA. aos poucos. “Davidian”. em fevereiro de 2000. Aqueles fatos foram algumas das peças de um “quebra-cabeça” que. oficial aposentado da CIA. Agora o Echelon está sob ataque: na Europa. interceptação de e-mail etc. Mas qual é o ponto crucial do problema? Por que os internautas americanos querem mover uma ação contra o Echelon? A resposta é simples: eles se tornaram o alvo desse sistema de vigilância (monitoramento da Internet. vai tomando forma. O Echelon foi realmente exposto através dos insistentes e persistentes esforços de um grupo de usuários da Internet. uma ação pode ser movida pela Comissão Européia. não têm a necessária salvaId.). “Vince Foster”. e. que foi elaborada pelo Professor Simpson da American University of New York. nos Estados Unidos. dando início a procedimentos legais contra a NSA.Silvio Potengy do a curiosidade mundial./abr. onde a House of Representatives marcou audiências sobre a atuação do Echelon. (17) : 11 . são imediatamente interceptadas e rastreadas pelos supercomputadores do Echelon.15. também. Bob Carr. Dinamarca e Japão). 2005 13 .. mostra a orientação política doméstica que a Agência tem recebido (a NSA não tem direito de operar em território americano). Se as telecomunicações estão sendo monitoradas até o ponto em que mesmo o seu computador pessoal não está livre de ser investigado. “Abolish the Federal Reserve” etc. em vários países (França. A lista de palavras-chaves usadas pela NSA (palavras usadas para a seleção de mensagens a serem interceptadas e analisadas). Itália. obtidas sob a proteção do Freedom of Information Act. jan. em Dest.

O que faz a diferença em nossos dias é o nível de sofisticação que os equipamentos terrestres. diminuindo a imensa defasagem hoje existente. Entretanto. É fundamental que todos tenhamos a exata noção de nossas vulnerabilidades./abr. (17) : 11 . com nossos próprios recursos humanos e materiais.15. Outros apelarão para a necessidade de serem observados princípios éticos na condução de negociações comerciais entre as partes. dispositivos que possam ser bloqueadores e codificadores de nossos meios de telecomunicações mais sensíveis. Esse é o primeiro passo que deve ser dado. isso é inegável. Outro passo a ser empreendido é desenvolver. O Echelon constitui um elevado fator de risco para a soberania de qualquer país.. Alguns poderão apelar para o “direito” que as Nações têm de não sofrerem ingerências externas nos assuntos internos. e se essas informações. o verdadeiro perigo 14 Id. caso contrário não surtirá o efeito desejado. Essa é uma tarefa que teremos de levar a cabo. então como ficará a segurança nacional? Até que ponto as informações que pensamos estar protegidas não são do conhecimento alheio? A atividade de coleta de informações é tão antiga quanto a existência da Humanidade. já teremos. O último passo será dotar nosso País de ferramentas eficazes de coleta de informações.Silvio Potengy guarda e são interceptadas. pelo menos. aéreos e aeroespaciais podem atingir. Rio de Janeiro. Uma vez conscientes disto. Em nenhuma hipótese devemos admitir a colaboração de pessoas que não sejam brasileiros natos. ao serem colhidas. Haverá até quem acuse o agente que coleta as informações de cometer ato ilícito de espionagem. condições de dificultar a coleta dos dados que sejam sensíveis. sendo mais cuidadosos. sozinhos. jan. essas atitudes não irão resolver o problema. ou a importação de tecnologia e equipamentos de segurança oriundos de outros países. 2005 . De qualquer modo. podem ser usadas para fins políticos ou comerciais. em Dest.

Silvio Potengy está em ficarmos imóveis.15. omissos. sem encarar o problema de frente e sem buscar soluções concretas para nossa proteção. 2005 15 . Id. jan../abr. (17) : 11 . Não será uma rede de vigilância que irá impossibilitar nosso País de conquistar e manter os objetivos nacionais! Nosso futuro depende e sempre dependerá apenas de nós! O autor é Coronel-Aviador da Reserva. Rio de Janeiro. em Dest.

LANÇAMENTO Pedidos ao .

em Dest. foi ele uma figura humana ímpar. como aviador militar. com extrema facilidade. historiador. em dezembro de 1918. e uma notáId. Como capitão. desbravador e engenheiro-geógrafo. piloto militar. (17) : 17 . na Escola Militar do Realengo. Francisco de Assis Corrêa de Mello e do Aspirante-a-Oficial da Reserva João Egon Prates da Cunha Pinto. cultura extraordinária. escritor.23. É praça de 25 de março de 1916. Sylvino Elvidio Bezerra Cavalcante. no meio acadêmico. Gervásio Duncan de Lima Rodrigues. Rio de Janeiro. Ajalmar Vieira Mascarenhas. dos Tenentes Eduardo Gomes. tendo sido declarado aspirante-a-oficial da Arma de Artilharia. conquistando o brevet de aviador. encontramos adjetivos laudatórios para definir a sua intensa vida intelectual e a brilhante trajetória percorrida durante décadas. Em 1921. engenheiro. como tenente. Lysias Rodrigues era uma personalidade tão multifacetada e rica em sua abrangência que. Amílcar Velloso Pederneiras. poliglota e profundo conhecedor de Geopolítica. Sua turma era composta pelos Tenentes Floriano Peixoto da Fontoura Neves. inteligência brilhante. 2005 17 . integrou a primeira turma de Observadores Aéreos ao lado do Capitão Newton Braga. geopolítico. escritor. em 23 de junho de 1896. Indubitavelmente. desbravador.Manuel Cambeses Júnior Major-Brigadeiro-do-Ar Lysias Augusto Rodrigues: sua Vida e sua Obra Manuel Cambeses Júnior O Major-Brigadeiro-do-Ar Lysias Augusto Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro. jan. Godofredo Vidal. em 1927./abr.. Seus inúmeros livros e artigos publicados no Brasil e no exterior conferem-lhe especial destaque. Ivo Borges. concluiu o curso de piloto realizado na Escola de Aviação Militar. Plínio Paes Barreto e Carlos Saldanha da Gama Chevalier. pesquisador.

o seu devotado amor à Aviação. tal qual o raro brilho de um cristal puro e radiante de luz. Foi desses homens notáveis que se sobressaíram pela cultura. Assim. Naquela época. havia grande interesse da Pan American Airways em reduzir o tempo gasto por seus aviões cumprindo a rota Miami-Buenos Aires. em busca do semelhante./abr. aliados a longa existência adquirida no contato com as asperezas da vida. em Dest. o inolvidável brigadeiro tinha como paradigma de vida a transparência e a sinceridade. a direção certa na incerteza aparente da existência. Com a criação do Correio Aéreo Militar. em prol do desenvolvimento da Pátria. e não dispondo de equipamento aéreo mais veloz. aliados a um coração terno e generoso. características que lhes enriquecem o espírito. o CAN – nome pelo qual ficou conhecido em todo o Brasil e é lembrado até hoje – os bravos bandeirantes do ar deram início à árdua tarefa de desbravar o interior do Brasil. coragem e. (17) : 17 . que se transbordam.23. jan. em níveis nacional e internacional. A par de suas inúmeras virtudes intelectuais. Destacava-se. foi levada a procurar uma rota aérea que encurtasse o caminho. coragem e determinação. o então Major Lysias para acompanhar e fiscalizar a 18 Id. cultura e educação.. Porte altivo. seu acendrado patriotismo e seus inquebrantáveis dotes morais. sob variadas formas. Rio de Janeiro. 2005 . por indicação tanto do Ministério da Guerra como pelo da Viação. Homens dotados de integridade de caráter e talento. que dez anos mais tarde passou a ser chamado de Correio Aéreo Nacional. autenticidade. em 12 de junho de 1931. outorgaram-lhe uma personalidade muito especial. implantando campos de pouso. ensinamentos. o Governo Federal resolveu designar.Manuel Cambeses Júnior vel repercussão como intelectual da mais alta envergadura. nos meandros da caminhada humana. pela grandeza de alma. Não seria difícil distinguir-se entre as várias nuances de sua ímpar e marcante personalidade – plasmada no amor e na dedicação ao trabalho – a de maior significação. sobretudo. integridade moral e honestidade. entretanto. Qualidades que os tornam figuras incomparáveis – faróis balizando. proporcionando-lhes.

em realidade. Rio de Janeiro. 2005 19 . a par de sua atividade precípua na expedição.23.Manuel Cambeses Júnior missão da companhia americana. então capital do País. pois havia a manifesta intenção de estender a Rota Rio-São Paulo até o estado de Goiás. em 9 de outubro daquele mesmo ano. em Dest. foi incluída no livro que batizou de “Roteiro do Tocantins”. devido à existência de aeroportos em várias cidades litorâneas. Goiás e Maranhão. Esta marcante epopéia ficou registrada em seu diário de viagem e. que percorreram os estados de São Paulo.. Daí a importância da missão que foi atribuída a Lysias Rodrigues e o ímpeto com que o notável desbravador abraçou o desafio. até chegar a Belém. penetrando em profundidade. Minas Gerais. e seu prestimoso auxiliar. na natureza virgem daquela região. dando a ele a incumbência de estudar. O objetivo dessa árdua jornada era reconhecer o território e implantar campos de pouso. (17) : 17 . as possibilidades de ampliar os vôos do CAM pelo interior. Varando por terra o sertão bruto. jan. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932. também. coId. combateu ao lado de São Paulo. logrou alcançar Belém do Pará. a serviço da congênere americana. no posto de major. de modo a viabilizar a navegação aérea e criar as condições imprescindíveis que facultassem a execução de vôos dos grandes centros do Brasil para a Amazônia e que permitissem. mais tarde. Àquela época. com galhardia e tenacidade. uma nova e econômica rota para os vôos realizados entre os Estados Unidos e o Cone Sul do Continente. as aeronaves percorriam o arco irregular de círculo que descreve o litoral brasileiro para se deslocarem de um extremo a outro do País. Em 19 de agosto de 1931. inteligente e destacado funcionário da Panair do Brasil. Há pessoas que se identificam com a História pelo desempenho extraordinário de sua missão. Por sobre a Amazônia e a região central. é dada a partida na expedição composta por Lysias Rodrigues. nas exigências de cada época. Lysias Rodrigues foi uma delas. um mundo desconhecido e cheio de mistérios sedutores para um homem nascido e criado no Rio de Janeiro. apenas mata fechada./abr. com destemor. um jovem chamado Arnold Lorenz. Felix Blotner.

O. Capitão Adherbal da Costa Oliveira. cooperando intensamente na integração nacional e com a pretendida unidade política da nação. na Revolução Constitucionalista de 1932. Por uma feliz coincidência. Palma. o destino resolve juntar em torno dos mesmos ideais do Correio Aéreo Militar. Tenentes Orsini de Araújo Coriolano e Arthur da Motta Lima foram reformados pelo Governo e exilaram-se em Portugal e na Argentina. percorrendo as cidades de Ipameri. sediado no Campo de Marte. deu continuidade ao trabalho iniciado com a exploração terrestre empreendida em 1931. 2005 .23. em uma aeronave Waco C. curiosidade e incredulidade. cobriu-se de glórias. Formosa. jan. Pedro Afonso. inaugurando todos os campos de pouso que havia implantado em seu famoso périplo. projetou as cintilações de sua genialidade nos inúmeros e formidáveis artigos publicados no Correio da Manhã – expressivo jornal do Rio de Janeiro à época – e.. Aqueles que esposavam idéias antagônicas. deu início ao levantamento aéreo da área anteriormente esquadrinhada. o Brigadeiro Eduardo Gomes e o então Tenente-Coronel Lysias. no Rio de Janeiro. foram anistiados e reintegrados ao Exército. passaram a lutar bravamente por um pensamento comum: desbravar pelos meios aéreos o interior do Brasil. Porto Nacional. através da publicação de dois livros 20 Id. Carolina e Marabá. vigoroso e ardente.. a despeito dos parcos recursos. (17) : 17 ./abr. Retornando do exílio. Como escritor de escol. ele e seus companheiros insurretos Major Ivo Borges. Após o armistício de três de outubro. em companhia do Sargento Soriano Bastos de Oliveira. Por onde passaram causaram estupefação.S. quatro anos antes. antes de atingir Belém. na companhia de dois destacados funcionários da Panair do Brasil. Rio de Janeiro.Manuel Cambeses Júnior mandando o 1º Grupo de Aviação Constitucionalista. em Dest. Tocantínia. Foi com o cognome de “Gaviões de Penacho” que este combativo Grupo. Em 14 de novembro de 1935. ainda. decolando do Campo dos Afonsos. trazendo alegria e esperança àquela gente simples do sertão. Em 1934.

(17) : 17 . em Dest. sendo o primeiro piloto a sobrevoar e pousar nos aeródromos que ele próprio implantou. Carlos de Meira Mattos. o governador do Estado do Tocantins. em 1944. Juntamente com o Brigadeiro Eduardo Gomes. ainda. na presença do Presidente da República. sua intensa e profícua atividade não se limitou à literatura./abr. como corolário. escreveu. “Formação da Nacionalidade Brasileira” e “Gaviões de Penacho”. que através do Projeto de Lei nº 233/2001. iniciou as primeiras Linhas do Correio Aéreo Nacional sobrejacentes às regiões Centro-Oeste e Norte. em homenagem à memória do heróico desbravador. pela construção da rodovia Trasbrasiliana. o despertar do Brasil para a importância estratégica de integrar o território nacional. Além de “Roteiro do Tocantins” e “Rio dos Tocantins”. exerceu notável influência para que fosse ativado um organismo que congregasse a evolução e o emprego do Id. inaugurou o aeroporto da capital. 2005 21 .. “História da Conquista do Ar”. lutou. consolidando uma complexa rede de aerovias. reconhecida internacionalmente. Entretanto.Manuel Cambeses Júnior intitulados “Roteiro do Tocantins” e “Rio dos Tocantins” – compêndios que ainda hoje constituem a mais completa radiografia da região – instigando. No dia 5 de outubro de 2001. “Estrutura Geopolítica da Amazônia”.23. hoje denominada Belém-Brasília. Como renomada autoridade em Geopolítica. ombreando-se a outros ilustres exegetas desta ciência. Palmas. enfaticamente. “Geopolítica do Brasil”. foi batizado com o nome de Brigadeiro Lysias Rodrigues. tendo elaborado uma minuciosa carta geográfica da região e apresentado. anteprojeto constitucional nesse sentido. Rio de Janeiro. propugnando pela criação do Território Federal do Tocantins. onde narra o emprego da Aviação Militar na Revolução Constitucionalista de 1932. Delgado de Carvalho e Therezinha de Castro. tais como Mário Travassos. de 6 de março de 2001. Golbery do Couto e Silva. interligando-as aos centros mais avançados do Brasil. De maneira análoga. jan.

durante toda a sua extraordinária carreira. (17) : 17 . Um nome querido e respeitado. em 20 de janeiro de 1941. 2005 . puderam manifestá-lo de forma tão viva como Lysias Rodrigues. tendo deixado como herança a sua devoção no cumprimento do dever e a confiança num notável engrandecimento do Ministério da Aeronáutica e de uma ativa e fecunda participação da Aviação no desenvolvimento do País. deu início a uma intensa campanha para a criação do Ministério da Aeronáutica. 22 Id. quando a perspectiva do tempo permitir uma avaliação mais exata de sua obra e um conhecimento perfeito de sua pureza de intenções. de modo contumaz. na Itália e na França. assim. Certamente a Pátria saberá guindá-lo aos píncaros da glória. Há em cada cidadão brasileiro o sentimento desenvolvido de nacionalidade e de apego ao torrão natal. culminando. publicando vários artigos sobre o tema na imprensa do Rio de Janeiro. jan. Movido por esse propósito. O Brasil deve a Lysias Rodrigues o reconhecimento pela dedicação. Rio de Janeiro. com energia inesgotável. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. hoje Comando da Aeronáutica. entretanto. então capital da República. defendendo a tese de que o Brasil necessitava de um Ministério próprio./abr. através de uma intensa participação em várias iniciativas férteis.23. evidenciou-se a importância do poder aéreo unificado para a segurança nacional.. vindo justamente a corroborar a benfazeja idéia por ele esposada. Estamos convictos de que o Brigadeiro Lysias morreu tranqüilo quanto ao julgamento de seus concidadãos. sem medir esforços para elevar e honrar a imagem de nosso País no cenário internacional. a exemplo do que já vinha ocorrendo nos Estados Unidos. Lysias Rodrigues foi um daqueles homens extraordinários que marcaram os momentos gloriosos e históricos da Aeronáutica brasileira.Manuel Cambeses Júnior avião. com a criação do Ministério da Aeronáutica. em 1939. Poucos. uma reserva moral. de modo a dispor de uma aviação apta a atender à sua imensidão geográfica. na Inglaterra. competência e patriotismo que demonstrou. em Dest. um patrimônio de inteireza e caráter e um exemplo edificante para os brasileiros de todas as épocas.

admiradores e amigos. Esteja onde estiver. jan. 2005 23 . Rio de Janeiro. nas asas do Correio Aéreo – realiza uma decolagem. vê chegado o momento da aterrissagem e o final de uma gloriosa jornada. última parte do desenrolar de uma vida em que o gênero humano – a exemplo dos inolvidáveis vôos empreendidos pelo ilustre brigadeiro. aos 61 anos. em Dest. a amargura desse momento inexorável da existência humana.Manuel Cambeses Júnior À época de seu desenlace. (17) : 17 ./abr. finalmente. Major-Brigadeiro-do-Ar Lysias Augusto Rodrigues – insigne pioneiro do Correio Aéreo Nacional – receba os nossos agradecimentos pela prestimosa atenção e carinho dispensados à Aeronáutica brasileira. O autor é Coronel-Aviador da Reserva e Chefe da Divisão de Estudos e Pesquisa do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. a Força Aérea compartilhou com seus entes queridos..23. à vida militar e ao País. deslancha um vôo de cruzeiro e. Id. Que seus edificantes atributos morais e a intensa dedicação à Aviação. ecoem por muito tempo em todos os rincões deste nosso amado Brasil. em 21 de maio de 1957.

Pedidos ao .

Singapore Airlines. Na área de tecnologia de transportes. do ponto de vista da interação social. em Dest. no fim do século passado. Austrian Airlines. Lufthansa. ilimitados. estamos apenas começando a entender como se processa essa dinâmica. Id. os transportes e as comunicações./abr.Solange Galante Antropologia da Aviação Solange Galante “Embora de um ponto de vista aerodinâmico e eletromecânico nós compreendamos a dinâmica do vôo. Verificou-se. (17) : 25 . A industrialização de ontem foi a raiz da globalização de hoje. e a própria Aviação está deixando de ser nacional ou internacional para ser multinacional e multicultural. que têm desenvolvimentos até certo ponto interligados. Não importa se o ser humano cruza oceanos em um supersônico ou se com um monomotor atinge a longínqua Amazônia. 2005 25 . British Midland. são substantivos relativos. atualmente. Redesenhando cada vez mais as fronteiras das civilizações. o nascimento de alianças de multitransportadoras. SAS.. o ser humano mudou radicalmente seu estilo de vida: deixou de morar em vilas e sobreviver da agricultura. jan. e o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e de transportes trouxe o mundo para perto de cada cidadão. o ápice é a Aviação.37. migrando para as cidades e trabalhando na indústria. United Airlines e Varig).” Fronteiras Ilimitadas Durante o século XX. afetam diretamente as populações em todo o planeta. Espaço e lugar. fronteiras são até onde conseguimos chegar e cada vez mais chegamos mais longe: os contatos interpovos são. Ansett Australia. Rio de Janeiro. hoje. culturas e povos estão se tornando cada vez mais próximos. ANA. Primeiro foi a Star Alliance (Air Canada. Air New Zealand. Seja qual for o caso. Tyrolean Airways. Mexicana Airlines. Lauda Air. Thai.

dentro de cada aliança. Lan Chile. é possível que um padrão nivele marcas e origens tão diferentes. – Intercâmbio de aeronaves: “permuta de cascos”.37. ou pelo menos já discutidas para o futuro. estão: – Code sharing: reservas de passageiros e vendas. a Aviação Comercial é uma das mais jovens. Alitalia. ou “One World”. Finnair. Dentre as funções já reunidas hoje. a United e a American Airlines são bons exemplos). A resposta poderá ser em um futuro bem próximo: “Star Alliance”. outras entraram e ainda entrarão novas. – Facilidades de manutenção: reparo de aeronaves em locais remotos. – Tripulações de vôo: intercâmbio entre as companhias aéreas. 26 Id. Czech Airlines. British Airways e Qantas). Afinal. 2005 . em Dest. Iberia. Uma surgida mais recentemente é a SkyTeam (Aeromexico. “– Qual a sua companhia aérea?” – poderá perguntar um passageiro a outro no aeroporto. Cathay Pacific. Air France. (17) : 25 . Air Lingus. – Financiamento e igualdade de interesses dos parceiros.. – Premiação aos passageiros: planos de milhagens. Rio de Janeiro. Sua evolução está ligada às comunicações (o correio aéreo). jan. tendo aproximadamente a mesma idade da indústria eletrônica de consumo e sendo apenas um pouco mais velha que a indústria de computadores pessoais e “softwares”. Outras alianças ainda virão por aí.Solange Galante Depois surgiu a One World (American Airlines. Delta. – Publicidade e promoção: imagem unificada da aliança. ou “SkyTeam”. Algumas companhias aéreas saíram. portanto as próprias fronteiras de cada uma dessas alianças se movem a todo o momento./abr. Korean Air). e algumas das empresas aéreas que assim começaram ainda existem hoje (nos EUA. A Antropologia e as Viagens Aéreas De todas as indústrias.

EUA). (17) : 25 . focava a Humanidade como um todo. mais do que isso. freqüentemente.. têm alterado a interconexão moral do mundo./abr. em seu início.Solange Galante A Aviação. cada vez mais. O Prof. tanto em sua evolução histórica. Cem anos atrás. basta ligar a TV e ver as mesmas massas. em Dest. mães podiam encorajar seus filhos a terminar suas refeições lembrando das massas famintas da China. na quase centenária Aviação. Allen W. ainda: “Antropologia não é aquela ciência que tenta entender os pigmeus da África ou os yanomanis da Amazônia”?. “as ‘tribos’ urbanas das grandes metrópoles”? Bem. quanto em sua diversidade contemporânea. ou. o modelo geográfico-social de empresa colonial. da Wayne State University (Detroit. a verdade é que. aqui. ao vivo. tem uma missão muito mais urgente que apenas a de cutucar os sótãos empoeirados da Humanidade. Michigan. O tempo e o espaço são controlados e censurados com maior dificuldade. a Antropologia mudou do estudo da Humanidade para a SocioId. Pela virtude da viagem quase instantânea que a Aviação fornece atualmente. porque correspondentes. O Prof. Rio de Janeiro. a fim de entrar ao vivo no último plantão noticioso. juntamente com (e talvez mais do que) as telecomunicações. hoje. esta se mantendo sempre informada sobre suas longínquas colônias. A miséria dos povos carentes está a apenas algumas horas de vôo dos povos mais ricos. Enquanto existiu e era forte. uma guerra distante é uma realidade no noticiário das oito horas. nos ajudando a entender por que.37. Batteau. a Antropologia também está se globalizando e. A Antropologia. na pior das hipóteses. por lugares “fora de estrada” para fazer seu trabalho de campo. elaborou. 2005 27 . diplomatas e organizações de ajuda já voaram para lá. um estudo denominado “Antropologia da Aviação e da Segurança de Vôo”. embora os antropólogos ainda suspirem. acrescentando. fatores aparentemente insignificantes ainda causam problemas sérios e até fatais. Essa alteração do alcance pessoal e social é talvez o desafio fundamental da Antropologia na Aviação e em outras tecnologias contemporâneas. em abril de 2000. “Antropologia”? – é provável que vocês perguntem. Allen Batteau comenta que a Antropologia. jan.

mesmo residindo em São Paulo. beber vinho português etc. nada está mais restrito a um povo ou a uma região geográfica. Assim. trocar tudo pelo artesanato e pela culinária senegaleses. Cultura e etnicidade são descompostas e “reembrulhadas” como veículos para vender estilos de vida. com a segurança de duzentos corpos abarrotados dentro de um cilindro de alumínio solto a 35 mil pés de altitude. guardados em bancos de dados e reconstituídos no World Wide Web. de povos tribais. anunciando a morte do colonialismo e um aumento da sensibilidade de numerosos povos. E. não deveria haver falhas que causassem catástrofes. antes de serem transformados em demografia. lembrando que esses corpos são oriundos dos mais diversos legados culturais e tecnológicos.Solange Galante logia comparada. alimentar-se seguindo a cozinha tradicional chinesa. os relacionamentos núcleo/periferia e as relações metrópole/interior. uma vez associadas com distâncias geográficas. a Economia comparada. O estudo do Prof. jan. Allen Batteau comenta que. 2005 . Brasil. Rio de Janeiro. se a tecnologia fosse uma máquina autônoma. Hoje. A característica única das civilizações é que elas definem e são definidas por seus legados tecnológicos. Mas os últimos cem anos têm visto uma maior evolução da cultura. mas não haveria destruição de vida humana em uma escala industrial. desejosos de estarem informados sobre tudo. usar roupas no melhor corte francês. justamente porque todas as culturas e todos os povos estão ao nosso alcance. Voltando à nossa Aviação: a Antropologia de hoje tem-se preocupado menos com os ritos de iniciação de tribos longínquas e mais. as viagens aéreas comerciais unem os elementos do mundo contemporâneo de maneira jamais vista antes. a Ciência Política comparada e o Humanismo comparado. (17) : 25 . Viagens de longa distância desafiam quaisquer suposições antropoló28 Id. em Dest. não haveria acidentes industriais. você pode decorar sua casa em estilo indiano. na prática.. Se a vida humana fosse puramente social. estão caindo junto com as fronteiras. Ela poderia parar. Haveria desentendimentos pessoais e haveria guerra. pois. mas nunca quebrar.37. por exemplo./abr. Particularmente. de repente.

culturas e sua evolução..37. mas. mais passageiros reclamando por conforto. porque pela primeira vez conseguiu-se obter o equilíbrio entre velocidade. O balanço entre economia.000 aviões DC-3/C-47 construídos pela Douglas Aircraft Corporation. Como entretê-los e acomodálos convenientemente e com toda segurança? Qual será o custo. Como indústria que é. atualmente. muitos provendo vôos “charters” em países do Terceiro Mundo. Que custo será repassado para os passageiros? Valerá a pena para a segurança. após a Segunda Guerra Mundial. a segurança requer portas blindadas na cabine de comando. também. na operação com passageiros. e continua sendo um grande sucesso.. centenas ainda permanecem em serviço. conforto. 2005 29 . para o bolso? E quais as condições para as próprias tripulações envolvidas? A civilização industrial contém muito mais interdependências que as anteriores (agrícola. próprios passageiros! Introduzido em 1935. Com mais de 13. é menos o antes perigoso céu. para obter mais lucro. segurança e utilização com lucro. muitos dos quais.. também. contradições e benefícios que são realmente básicos na Id.Solange Galante gicas relativas a sociedades. O DC-3 foi a primeira aeronave projetada especificamente para uma operação viável com passageiros. repleto de deuses ferozes e meteorologia indecifrável. No que isso influencia as operações e o gerenciamento de vôo? A grande ameaça para a segurança de vôo. o Douglas DC-3 revolucionou a indústria de transporte aéreo. jan. em Dest. por exemplo). Mas são. a Aviação Comercial concentra problemas. em uma civilização industrial há muito mais oportunidades das coisas darem errado. foram convertidos para o serviço civil. (17) : 25 . a partir dessa necessidade? Hoje. As empresas aéreas não precisavam mais sobreviver dos contratos de correio aéreo e da cartelização patrocinada pelo governo. Rio de Janeiro. para empresa e passageiros. e mais os./abr. conveniência aos passageiros e segurança é mais delicado do que se imagina. Assim como um automóvel tem mais peças para falhar do que um carro de boi. Isso engloba tudo que tenha participado da evolução das viagens aéreas: mais passageiros a bordo.

jan. lucro. Todas as indústrias têm quedas econômicas. incluindo aqueles que contribuem para o conforto do passageiro. que demanda a maximização do uso dos equipamentos mais caros e pessoais. interconectadas. Horários convenientes requerem numerosas freqüências.Solange Galante indústria. As indústrias aeronáuticas. mas poucas podem rivalizar com os prejuízos da Indústria Aeronáutica. Essas características estão. Uma delas é o intenso gerenciamento da segurança e da responsabilidade. ou desapropriação privada. Acidentes esperam para acontecer e chegam a ser considerados “normais” nessas indústrias. E o acidente ocasional é uma lembrança da realidade dessas fronteiras. Passageiros querem conforto. carga de trabalho e serviço é tudo na Aviação. A complexidade e a rígida interligação da tecnologia da Aviação Comercial são a origem dos seus riscos. Qualquer mácula em seu bem-estar e segurança pode ser simplesmente a falência da companhia! O equilíbrio entre segurança. químicas e de geração de energia nuclear têm muito em comum. entre as companhias aéreas dependentes de suportes do setor público. ambos a um custo elevado. Todos os meios de transporte experimentam desastres. e na Aviação Comercial esse balanço é excepcionalmente delicado. 2005 . Todas as indústrias começam suas carreiras com alguma medida de capitalização pública. O gerenciamento de todo esse sistema requer rendimento. Todas as indústrias devem equilibrar o balanço entre custo. sempre estiveram incluídas elites políticas e sociais com elevada reputação pública. que congestionam o espaço aéreo ao redor dos principais aeroportos e aumentam os riscos./abr. Rio de Janeiro. mas apenas o acidente aéreo e os grandes desastres de trens dão manchetes internacionais. em Dest. Exemplo: dentre os consumidores da Indústria da Aviação. A segurança é intensificada através de treinamento e manutenção meticulosos. isso foi essencial para a sobrevivência.. (17) : 25 . horários convenientes e segurança. 30 Id. segurança e serviço. A “normalidade” desses acidentes – e chega a ser considerado “normal” dentro de poucos anos haver um grande acidente aéreo por semana – é contrabalançada por várias medidas tomadas constantemente para assegurar “confiabilidade elevada”. particularmente nas nações menores. de fato.37.

Solange Galante Assim. aeroportos e freqüências de rádio – e alguns destes estão se aproximando da saturação. em Dest..37. em certos momentos do dia. New York La Guardia). 2005 31 . (17) : 25 . justamente como a Aviação tem transformado os contornos do mundo. estão se aproximando de sua carga máxima para o tráfego: as limitações são de espaço aéreo (e das separações requeridas entre vôos) e da largura da faixa de freqüências de rádio disponível para comunicações do ATC. Oficiais da indústria. A Aviação Comercial depende de recursos comuns – espaços aéreos. chamam a atenção de que a Aviação é mais segura do que outras formas mecânicas de transformação.4 cascos por milhão de partidas). chegando muito perto do “wide-body” incorretamente identificado) para testar os novos limites. o registro do caminho da Aviação é mais ou menos comparável àquele de outros meios de transporte. ou acidentes por partidas./abr. medidas em termos de fatalidades por passageiro/milha. jan. Atlanta Hartsfield. são os desastres de Aviação que demonstram o fundamento social dessa transformação. Mas isso vai requerer um acidente ou dois (a perda de uma mensagem por linha de dados. Alguns aeroportos (Chicaco O’Hare. Se o público aceitará ou não um grande acidente por seId. No futuro. Rio de Janeiro. freqüentemente. Embora isso não reflita um aumento de taxa (que nos últimos vinte anos na América do Norte têm sido de perdas de 1. Medido em termos de embarques de passageiros. em vez das dúzias de milhas que eram os típicos alcances pessoais antes da revolução industrial. um avião pequeno cujo piloto esteja com pressa de chegar em casa. Mas o antropólogo salienta que esta comparação faz vista grossa para o fato de que viajantes contemporâneos definem seus raios de alcance pessoais nas dezenas de milhares de milhas. estes serão espremidos por separações menores (mais próximas) e a substituição da voz com comunicação por rede de dados. A expectativa da maioria dos observadores da indústria é de que a freqüência de grandes acidentes se aproxime de um por semana. o entendimento público vai estar baseado menos em conceitos estatísticos de taxa de acidentes e mais em manchetes de (inevitáveis) acidentes dramáticos. no ano 2005.

a subserviência do homem à máquina. estilo de se vestir (a jaqueta de couro e o cachecol. o aviador à direita era mais um assistente do que uma parte integral da tripulação. de um lado. até mesmo.37. dominação etc./abr. com suas próprias habilidades físicas (como a habilidade ao lidar com motores). Com a ajuda de inventos de Engenharia. constantemente. O vôo humano é sedento de perfeição. mais precisamente. resta-nos esperar para ver. fascinação pela máquina. a cultura da Aviação engloba pompa. Rio de Janeiro. Os pilotos. formação (treinamento de vôo). é o que permite essa transcendência.. Quem nunca ouviu falar que a parte mais frágil de um avião é aquela entre o manche e a poltrona do piloto? A maior parte dos estudos em fatores humanos na Aviação e na cultura do vôo veio dos fisiologistas. em Dest. os aviadores transcendem as limitações humanas O casamento homem-máquina ou. dos ergonomistas e dos psicólogos. o voador solitário é parte da representação aceita de 32 Id. No desenvolvimento da organização aérea. (17) : 25 . jan. hoje passando ao quepe). equipamentos adicionais de segurança. Na maior parte da História da Aviação. com alguma contribuição dos lingüistas e dos cientistas organizacionais. Nesse espaço sagrado. os aviões eram operados por um único piloto. os “fatores humanos” são quase uma reflexão tardia. Mesmo quando na cabine de comando havia dois assentos e dois conjuntos de controles. uma afirmação herética fatal de que é o mecanismo que deve se adaptar aos seus usuários humanos. formaram um grupo único. restrições em bagagens de mão).Solange Galante mana. A Medicina Aeronáutica contribui descrevendo o desempenho e as limitações de resistência do organismo humano. que é perseguida. 2005 . Mesmo hoje. A Cultura do Vôo Nosso antropólogo observa que. a separação cultural entre aqueles que voam o avião e aqueles que gerenciam a organização tornou-se evidente. sem as necessárias intervenções regulatórias (aumento das separações em vôo. rito de iniciação (o vôo solo) e. que aumentarão os custos e diminuirão o conforto e conveniência de voar. ainda predominantemente masculina.

controlar a velocidade aerodinâmica. o “gerenciamento de recursos de tripulação” – o CRM. (17) : 25 . Ela é composta de grande variedade de pessoal operacional envolvido – pilotos. capturar e corrigir erros. em Dest. e que a barreira entre erro e acidente é a habilidade de reconhecer. estamos apenas começando a entender como se processa essa dinâmica. ou seja. tanto que o vôo solo.Solange Galante vôo. É. O compartilhamento de experiências entre si eleva o conhecimento de meteorologia. Isso conduziu a uma crescente preocupação com o treinamento e a pesquisa de como os pilotos se coordenavam na cabine. às claras. em outra. Rio de Janeiro. A “Cultura de Segurança” é definida.. geralmente (embora não universalmente). aceito que pilotos vão cometer erros. 2005 33 . O erro humano contribui em mais de 70 % de todos os acidentes na Aviação. aproar a aeronave. Distúrbios ou desequilíbrios. Podemos chamar isso de “a globalização do ´cockpit´”. nascendo. inevitavelmente. geralmente. também. como uma orquestra. “o que eu faria se fosse você”. como uma combinação de atitudes e uma comunicação aberta. FMCs e pilotos automáticos requerem o trabalho coordenado de uma tripulação de duas pessoas. de punição a pilotos por erros inadvertidos. Id. e supervisionar a cabine excedem. claramente. Sabemos. sincera. as tarefas como ajustar o trim. Embora de um ponto de vista aerodinâmico e eletromecânico nós compreendamos a dinâmica do vôo. podem ter severas conseqüências. Entretanto. atualmente./abr. Mas. manobras etc. as habilidades de um tripulante. verdadeiro rito de passagem. pessoal de rampa – que executa seu trabalho como parte de um sistema. jan. despachantes. Em determinadas fases do vôo (principalmente na aproximação e no pouso). mecânicos. práticas de algumas empresas ao longo da História da Aviação Mundial. Essa habilidade vem com a experiência direta. manter as comunicações. auxílios à navegação.37. assim. do ponto de vista da interação social. é a experiência compartilhada de todos pilotos brevetados. que a dinâmica do vôo começa bem antes do passageiro chegar ao “check in”. antes que eles se propaguem. em uma parte do sistema. a complexidade e interconectividade da tecnologia de controle de vôo e de motores.

433-461). Rio de Janeiro. porém é freqüentemente associado a sistemas de alto desempenho. comunicação e performance nas tarefas estão em rigoroso “equilíbrio homeostático” (de “homeostase”: capacidade do corpo de manter um equilíbrio estável. criando equipes coesivas com maior potencial adaptativo do que indivíduos únicos. assume-se que. A ciência dos sistemas identifica modos separados de equilíbrio neutro. estabilidade fisiológica). em Tenerife. A equipe de trabalho no “cockpit” é reconhecida como essencial à segurança. Human factors in aviation. a despeito das alterações exteriores. Ronald. às tripulações que ultrapassassem seu máximo de horas de serviço. ADMSKI. estável e instável: o último destes está.. NAGEL. C.. No caso do CRM. dentro das leis holandesas. a colisão em pista de dois Boeing 747.. os deixa mais propensos a errar novamente. Uma vez mais recorremos a um dos maiores exemplos de acidente aéreo: a colisão em pista dos dois Boeing 747. singularmente. haverá então pouca oportunidade para os pilotos aprenderem técnicas de gerenciamento de erros a partir de seus colegas pilotos: ninguém vai admitir que já cometeu um erro. p. Westrum (WESTRUM. In: WIENER. jan. foi atribuída em parte à vontade do comandante holandês de voltar logo para casa. principalmente as más. Anthony. San Diego: Academic Press. editors. o que. e ao fato de a KLM. em Tenerife (1977). Earl L. 1988.Solange Galante são barreiras nesse hábito salutar. para promover “imaginação requerida (necessária)”. 2005 . Se um gerente supuser que o erro do piloto é sempre intencional. e os tripulantes tornam-se menos dispostos a compartilhar suas experiências. quanto dentro da corporação. Considerando essa equipe de trabalho do ponto de vista da adaptação (para diversas condições de vôo). Há outros acidentes em que a degradação do CRM teve parte. segundo outro antropólogo. D. (17) : 25 . Entre eles inclui-se o vôo 052 da Avianca 34 Id. essa medida calibrada de diversidade no “cockpit” contribui para um vôo seguro. tanto no “cockpit”. sujeito a colapsos. em Dest. Cockpit automation. é projetada. O pior acidente de Aviação da História. no comando do convés de vôo.37./abr. A disciplina de CRM. tem sido associada ao colapso desse equilíbrio. sem dúvida. sua empresa. que matou 583 pessoas. habitualmente aplicar sanções.

por hipótese. e o vôo American 965 (Boeing 757). Id.” (“Pode você. em Nagoya em 1994 (confusão na hora de cancelar uma inadvertida seleção de TOGA). tripulantes técnicos venezuelanos e controladores norte-americanos (Avianca).”: no caso de inclusão desses termos para reforço) e.37. Observem a barreira cultural usando esses acidentes como exemplo: diálogo.. em 1990 (falha ao declarar uma emergência de combustível). E é preciso lembrar que a comunicação extrapola as palavras em si: entonação. são fronteiras culturais. pode incluir alguma forma de aperto de mãos verbal. Nem tudo pode ser substituído por sinais digitais. Tecnologias como o “glass cockpit”. As palavras. falada ritmicamente: “De-scend´ to flight´ lev´l two ´three oh´”. jan. que quando as fronteiras culturais são introduzidas na situação operacional. que pode ser atenuado por “Could you. pode. Esses truques são usados pelos controladores para focar a atenção e ter certeza de que os pilotos estão ouvindo. ou controladores colombianos e pilotos norte-americanos (Cali). qualquer um que tenha escutado os controladores de tráfego aéreo trabalhando irá reconhecer que sua pronúncia é. para prender a atenção dos pilotos.. 2005 35 . em La Guardiã. no caso da fala dos controladores. Rio de Janeiro. e aeronaves com fly-by-wire. assim. em Cali.. em uma elocução na ATC como “Desça para o nível de vôo 230” (em inglês “Descend to flight level 230”). em Dest. Além. de forma plausível. também. ele se torna um “sistema vulnerável”. do vôo 140 da China Air Lines (Airbus A300). ou ainda. citada como um exemplo de sistema altamente confiável.. têm igual poder comunicativo e servem. um estado de equilíbrio instável. ou entre pilotos de Taiwan e uma tecnologia de gerenciamento de vôo de origem européia. ser substituída por um sinal digital. Enquanto a Aviação Comercial é. alguém pode dizer. isto é. sotaques etc. entre controladores espanhóis e pilotos holandeses (Tenerife). em 1995 (proa indevida e falha de comunicação com o ATC). admite apenas uma interpretação possível e. (17) : 25 .. usualmente.Solange Galante (Boeing 707). em inglês. Entretanto. freqüentemente. freqüentemente. inclusive./abr.

/abr. primeiramente. quando um grupo está tão confiante. esse índice é bem menor que a média da região). é construída na América Latina (Brasil) e vendida em todo o mundo. a Antropologia também se preocupa com os estudos da Aviação do Terceiro Mundo. que experimenta uma tecnologia antes que o grupo tenha acumulado experiência suficiente para ter conhecimento tácito dos limites tecnológicos de desempenho seguro. ainda. enquanto. em Dest. quando um grupo está mal preparado para usar uma tecnologia projetada ou difundida por outros grupos ou. tecnologia do Primeiro Mundo. geralmente. pela União Européia. Ásia e América Latina é um problema reconhecido. mas não estudado. pela Irlanda do Norte (Indústria Shorts) e pela Alemanha (Dornier).. As chamadas “falhas catastróficas” ocorrem. mas o mercado para aeronaves comerciais de passageiros é dominado pelos Estados Unidos. por toda a Ásia. O Terceiro Mundo tem um índice de acidentes mais alto que o do mundo desenvolvido (lembrando que.37. com a aeronave totalmente automatizada (tecnologias “fly-by-wire” e “glass cockpit”) a confusão dos pilotos. Assim. até recentemente). as aeronaves da extinta União Soviética – os Ilyushin e os Tupolev – são consideradas tão pouco confiáveis que praticamente não são compradas fora da Rússia. Algumas delas são atribuídas às limitações da infra-estrutura de terra na África e América Latina em geral. a da Embraer.Solange Galante No Terceiro Mundo Portanto. Particularmente. 2005 . pela Holanda (Fokker. por razões que têm sido muito discutidas pelos cientistas. (17) : 25 . A transferência de tecnologia européia para a África. e algumas delas são atribuídas ao caráter emergente da indústria nesses países. no Brasil. pela Grã-Bretanha. Nações como a República da China e Israel constróem aeronaves militares. África e (em alguma extensão) a América Latina. então. jan. a Aviação de passageiros usar. Rio de Janeiro. Apenas um tipo de aeronave. em meio aos controles da cabina e modos automáticos. felizmente. tem sido citada em numerosos acidentes. na maior 36 Id. Outros aspectos da situação de vôo do Terceiro Mundo incluem o fato de. comparativamente.

respeitar e treinar.. jan. uma falha de sistema em escala que os usuários e gerentes falham para notar ou conter. Rio de Janeiro./abr. em Dest. o homem por trás da máquina.Solange Galante parte dos casos.aironline. entra em choque com a globalização das tecnologias da Indústria Aeronáutica. justamente porque a diversidade humana.br. convenientemente. culminam em um acidente aéreo. o que aparenta ser uma falha tecnológica é de fato uma falha social organizada ao redor de um nexo tecnológico. (17) : 25 . Id. que em muitos casos o ser humano não acompanhou esse progresso. Com isso. convenientemente. torna-se cada vez mais urgente conhecer. com autorização da mesma.com. Essa pode ser uma interpretação das peças de dominó que. caindo uma a uma. nascidas nos países economicamente dominantes.37. A autora é jornalista especializada em Aviação e este artigo foi transcrito do “site” www. Conclusão A conclusão é óbvia: a Aviação se desenvolveu tão rápido. muitas vezes. 2005 37 .

Pedidos ao .

47.. 2005 39 . preconizava Alexis de Tocqueville. Somente o domínio do já vivido nos leva ao autoconhecimento para assumirmos o que somos. também. prevalece a vontade de nada fazer e a Nação não deva preocupar-se com a sua defesa? Celebrar é repensar. Durante as comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil. (17) : 39 . a fim de saber o que podemos fazer e aonde vamos. está a se manifestar uma visão do presente especulando o porvir. por nos situarmos nos trópicos. jan. por antipatia ou simpatia. de se fazer um exame de consciência e. que lutou contra o invasor holandês e fez fortuna comerciando na Colônia. Sempre que se tem em mente a comemoração de um acontecimento passado. de mudança. As celebrações dos 500 anos de descobrimento do Brasil só terão tido real significado se envolverem reavaliações da trajetória histórica percorrida ao longo desse período. nova Corte... fomos induzidos a refletir sobre os versos do poeta-soldado luso. Rio de Janeiro. Não se pode escapar ao julgamento dos anos. de fato. porém mal seguro. Julguei que era o Brasil jardim sem muro. Deus ser considerado brasileiro e nosso povo dito cordial julgar-se abençoado pelo Criador ou. Tesouro rico. e não subjetivamente. “Os povos ressentem-se eternamente de sua origem”./abr. Id.” Brás Garcia de Mascarenhas. Parece que a hora é propícia a uma reavaliação do nosso passado. no apagar das luzes do século e milênio passados. em Dest. então foragido aqui. Será que por ter sido o País batizado com o nome de Terra de Santa Cruz. devidamente comprovados.Luiz Paulo Macedo Carvalho Nação e Defesa Luiz Paulo Macedo Carvalho “. Da nova Lusitânia. A História é feita de fatos concretos. Viriato Trágico. justiça e verdade. canto II.

e só serem expulsos com reforços trazidos por Estácio de Sá. afora os exemplos de heroísmo constantes das páginas da História pátria.Luiz Paulo Macedo Carvalho Vamos. a escassez de recursos do colonizador para enfrentar os silvícolas. Meio século se passara da chegada dos portugueses ao Brasil quando. pois. nesses quinhentos anos de existência. (17) : 39 . em Dest. 2005 . liderados por Villegaignon. dada a priorização das atividades marítimas em detrimento das econômicas e militares. Só a resistência dos luso-brasileiros ao invasor na Guerra Brasílica fez com que a metrópole esgotada reunisse meios e socorresse a Colônia. Tomé de Souza aportou na Bahia acompanhado apenas de seiscentos soldados. jan.. As batalhas de Salvador e dos Montes Guararapes. sem formação militar – só ficaram nas terras achadas cinco grumetes desertores e dois degredados. diante do fracasso das donatarias e da crescente ameaça dos franceses. Isso não impediu os franceses. arcando com o pesado ônus da ocupação e defesa da Colônia. tiveram o mérito de despertar a consciência da metrópole para a necessidade de defender as terras brasileiras. de se estabelecerem no Rio de Janeiro. desde nossos primórdios – posição geopolítica excêntrica em relação aos pólos do poder. com oitenta soldados guarnecendo o Presídio de Salvador e um efetivo um pouco menor em Pernambuco. Pagamos até hoje o pecado original. As invasões holandesas pegaram de surpresa a Colônia completamente indefesa. até as incursões de corsários ingleses e franceses. em 1567. a partir de 1555.47. 40 Id. Por três décadas após a viagem de Cabral os portugueses abandonaram a Terra de Santa Cruz. Rio de Janeiro. aos fatos num passeio através dos tempos. o início do ciclo do ouro só se verificar no século XVIII. A incapacidade portuguesa de manter a Colônia levou a que Vieira sugerisse a venda do território ocupado aos holandeses. Do efetivo total aproximado de setecentos soldados da esquadra de Cabral – recrutados à força./abr.

por não dispor ainda o País de força militar capaz de garantir a sua defesa. Id. As lutas para a consolidação da Independência exigiram a abertura de voluntariado e a contratação de mercenários estrangeiros.. O efetivo é reduzido. nessa ocasião. na Câmara. sustam-se as promoções e congelam-se os vencimentos dos militares. em Dest. arrimado no seu autêntico braço direito – o primeiro Ministro da Guerra do Brasil. A extinção do Estado do Maranhão e a elevação do Brasil a Vice-Reino ensejaram a reorganização militar pombalina. Erradicam-se os estrangeiros das fileiras do Exército e burla-se o serviço militar mediante o pagamento de taxa de 400 réis ou a apresentação de escravos em substituição. Em 1828. Gomes Freire de Andrade. a atuação do Conde de Bobadela. em conseqüência da trasladação da Corte de Portugal para o Rio de Janeiro e a elevação do Estado do Brasil à categoria de Reino-Unido a Portugal e Algarve. valeu-se das fortificações edificadas pelos portugueses no Brasil. em face dos sucessos alcançados no Prata. 2005 41 . Rodrigo de Souza Coutinho. Conde de Linhares.Luiz Paulo Macedo Carvalho Em 1750. um deputado já afirmava: “O Exército e a Armada são as bocas que devoram ilegalmente todos os anos os recursos da Nação”. D. desde o nascimento do Brasil independente. acabou o Império perdendo a Cisplatina. também. Extremós e Elvas. João. o Tratado de Madri. Bragança. no Rio Pardo. que trouxe ao Rio de Janeiro o Tenente-General Heinrich Böhm e os regimentos de Moura. (17) : 39 . Caracteriza-se o período das regências por indisfarçável redução das forças militares. À míngua de apoio político e de poder militar. como sempre. desde o Forte de Macapá até o Forte de Jesus Maria José. traduzida nas medidas adotadas pelo inglês de origem prussiana Conde de Lippe. sem dúvida o embrião do futuro Exército nacional. incorporada denodadamente por D. Como se vê./abr. para a defesa da cidade.47. a pretexto de economia. Os liberais e extremistas opunham-se à existência de uma força militar profissional nacional. Outro marco na evolução da defesa do Brasil é encontrado nas providências tomadas pelo Príncipe Regente e depois D. Vale ressaltar. Rio de Janeiro. é um fato cíclico. jan. João VI. criando a Casa do Trem (1763). para configurar o contorno do território brasileiro.

e orgulhosas de haver cumprido com a sua missão de assegurar a integridade e a soberania da Nação. A Guerra da Tríplice Aliança e as lutas intestinas evidenciaram a necessidade de ligações e comunicações para a integração nacional. que incorporou 152 mil quilômetros quadrados de terras ao Brasil.. Nesse quadro desolador. despreparada para a guerra. 42 Id. foi levada aos campos de batalha contra López sangrando ainda dos embates anteriores com os caudilhos dos Pampas./abr. é proclamada a República. a despeito de o Exército haver restabelecido a ordem pública no cumprimento de sua missão constitucional e de ordem das autoridades legais. 2005 . A Revolução Federalista e a Revolta da Armada colocaram em risco a República por falta de estrutura de defesa. Os desastres das expedições militares em Canudos e no Contestado. equipamento e preparo profissional. As intervenções no Prata e a Guerra da Tríplice Aliança provaram a necessidade de se dispor de poder dissuasório consubstanciado em forças compatíveis com a estatura da Nação em termos de valor. pelas crises políticas e pela insensibilidade do imperador. agravado pela abolição da escravatura. tendo de se valer dos corpos de voluntários. confecção de cartas. em Dest. demarcações das fronteiras. nos levantamentos geográficos. só no final contou com o apoio mínimo das armas brasileiras institucionalizadas. jan.Luiz Paulo Macedo Carvalho A Nação. Embora cobertas de louros após ingentes sacrifícios. A Questão Acreana. mas logo as questões de defesa caíram no esquecimento. Rio de Janeiro. bem como no desbravamento e na integração dos silvícolas. as armas nacionais saíram da Guerra da Tríplice Aliança fortalecidas. moral e numericamente. A esses trabalhos seguiram-se os de construção das primeiras ferrovias e rodovias nacionais. decorreram da estagnação da capacidade de defesa da Nação por negligência do Governo. A presença do Exército espalhado pelo interior do país facilitou a obra de Rondon na integração telegráfica. (17) : 39 .47.

Id. Uruguai e Venezuela. alicerçada em Forças Armadas profissionais e aptas para a guerra. O enfraquecimento do poder militar brasileiro é responsável pela participação modesta na Primeira Guerra Mundial. despontou.Luiz Paulo Macedo Carvalho Em meio a esse clima. A contratação da Missão Militar Francesa. no começo do século XX. em Dest. introduziu avanços político-sociais e fortaleceu o Exército. por um lado. a edificação do Palácio da Guerra e dos prédios da Escola de Comando e Estado-Maior e do Instituto Militar de Engenharia etc. paradoxalmente. a construção da Academia Militar das Agulhas Negras. o Exército ficou com imperecíveis cicatrizes e pagou caro o envolvimento na política. 2005 43 . aparecimento dos CPOR. na realidade preparou-nos para a guerra já travada e não a que se esboçava no horizonte. sobrevieram a Revolução Constitucionalista de 1932. reorganização do Serviço de Intendência. Em conseqüência. que deu impulso à reforma militar naval e terrestre no País.47. Em que pesem as realizações e os avanços levados a efeito no “Estado Novo” (aquisição de material de artilharia. criação da Arma de Aviação e do Correio Aéreo Nacional. Colômbia. o vulto do General Hermes da Fonseca./abr.). A “Era Vargas” acarretou. em boa hora. divisou a necessidade de afastamento do Exército da política e de uma política para o Exército. jan. (17) : 39 . Rio de Janeiro.. fomento da remonta. Muito concorreu para o êxito da ação de Hermes da Fonseca a política exterior desenvolvida pelo Barão do Rio Branco. Peru. permanecendo o Exército leal ao Governo e servindo de fiel da balança do poder. o surgimento da Escola Preparatória de Cadetes e da Escola Técnica do Exército. embora haja despertado o interesse pelo estudo dos problemas de defesa entre nós. reaparelhamento das fábricas militares e do Arsenal de Guerra. vantagens e desvantagens para o Exército e a Nação. por outro prejudicou a sua imagem com a implantação do Estado Novo e o acirramento das posições político-ideológicas no interior dos quartéis. Se. que respaldou a demarcação de nossas fronteiras com a Argentina. em conseqüência de nova lei do serviço militar. unificou o País. Bolívia. a Intentona Comunista de 1935 e o Putsch Integralista de 1938. Góes Monteiro.

embora a Nação continuasse despreocupada com os problemas de defesa. A defesa do litoral. 2005 . por meio de hábeis manobras. prevista inicialmente com efetivo de três divisões. A Infantaria.Luiz Paulo Macedo Carvalho A Segunda Guerra Mundial colheu o Exército sem condições para empreendê-la. que tanto contribuiu para a sua profissionalização e o aprimoramento cultural dos Quadros. A Cavalaria era totalmente hipomóvel. A Artilharia ignorava a técnica e os processos de tiro modernos empregados. apresentava-se por demais vulnerável. assinala o começo da fase de influência norte-americana em nossa força terrestre. Vale ressaltar. em Dest. Eram decorridas duas décadas que se seguia a orientação dada pela Missão Militar Francesa. Rio de Janeiro. ao desembarque de tropas norte-americanas nos pontos chaves de defesa do saliente nordestino. A generalização sobrepunha-se à especialização. ou se baseavam em métodos ultrapassados. impassíveis. Os efetivos eram limitados e não havia planos de mobilização. Não era motorizada. (17) : 39 . a deficiente mobilização desencadeada para a ocupação militar do Nordeste contrapunha-se às eventuais ameaças ao Sul e à organização da FEB. A organização da FEB. uma vez mais.47. nesse transe. superou o desafio imposto e cobriu-se de glórias nas montanhas dos 44 Id. com o treinamento de oficiais nos EUA. a ação decisiva do General Góes Monteiro. concentrando-se apenas na hipótese de conflito na fronteira sul. Não se possuía material bélico moderno. As comunicações e a logística praticamente inexistiam. e não concretizada por falta de recursos humanos e materiais. a criação da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos e a assinatura de acordo militar que introduziria o armamento e a doutrina norte-americana entre nós. particularmente do estratégico saliente do Nordeste. Apesar das medidas defensivas tomadas com a divisão do território nacional em cinco teatros de operações em 1942. o Exército./abr. que. desencadeou em curto prazo um plano de emergência para um arremedo de defesa do Nordeste.. À custa de pesados sacrifícios. jan. tinha o espírito voltado para a guerra defensiva de 1914-1918. Tal quadro desolador quase nos submeteu à humilhante situação de assistir. armada do Mauser 1908.

Ainda que a criminosa desmobilização prematura da FEB gerasse problemas insolúveis até o presente. dedicando-se ao aprimoramento profissional. em Dest. Chegouse a esboçar a libertação da dependência externa com o florescimento de uma indústria bélica nacional. inesperadamente. Rio de Janeiro. caindo no esquecimento da Nação. não contabilizou os lucros auferidos nos campos de batalha italianos. não restou alternativa ao Exército senão reprimir as ações de guerrilha urbana e rural. de natureza castrista e maoísta. por questões políticas. Procuramos ocupar e integrar a Amazônia.47. entretanto. que podia arrastar com ele o resto da América do Sul. restabelecida a ordem e alçada a economia nacional ao 8o lugar no mundo./abr..Luiz Paulo Macedo Carvalho Apeninos e na planície do Pó. Mediante notável esforço e grande improvisação. Por experiência própria. Vencida a guerra. voltou o Exército a se deixar envolver por inconfessáveis apetites políticos. agravada pela degenerescência do quadro político nacional. 2005 45 . Em decorrência da “Guerra Fria”. foram lançadas as bases que permitiram o desenvolvimento de uma doutrina militar brasileira. jan. Id. constituiu-se na grande barreira à comunização do País. o Exército tornou-se novamente fiador da democracia e recebeu como prêmio a ingratidão da sociedade. (17) : 39 . A incompatibilidade de cruzar o Atlântico para combater o totalitarismo e manter uma ditadura no País. Controlada a situação. conforme previa o Presidente Richard Nixon. sofrendo na carne as conseqüências do seu despreparo. o Exército passou por grande transformação para melhor. mas precisamos levar em conta previamente os apregoados dividendos da paz. Sucumbindo às tentações das conhecidas vivandeiras em 1955 e 1961. redimindo-se da falta cometida de sustentar a implantação do Estado Novo. Avançamos bem com o projeto nuclear e recuamos sem tirar algum proveito político. Vimos colaborando com a comunidade internacional participando de operações de paz pelo mundo afora desde o envio do primeiro contingente do Batalhão SUEZ em 1957. científico-tecnológico e democrático. compulsaram-no a restabelecer a democracia. dividiu-se e padeceu por tais experiências infortunadas.

Na verdade. esperamos que o Ministério da Defesa. Rio de Janeiro. à racionalidade e. Para o cumprimento dessa missão. conduza à modernidade. criado faz alguns anos. a 46 Id. sobretudo. respectivamente. tornou-se indispensável a divisão do território nacional em Zonas de Defesa e a criação de Núcleos de Comando de Defesa. Qualquer balanço sobre o passado não pode ser exclusivamente otimista ou pessimista. garanta unidade de comando. sem que as questões de defesa fossem tratadas com a devida seriedade. 2005 . contudo. dois anos mais tarde transformado no EMFA. O espírito de defesa emana do querer de governantes e governados e tem expressão no dever que. Numa sociedade livre. é exigido de todos os cidadãos indiscriminadamente. muito provavelmente a estratégia de defesa será deturpada. da vontade coletiva e individual de cada um e de todos os seus cidadãos quererem se defender. apesar de influenciado por diversas vertentes da realidade internacional em constante mutação. jan. O espírito de defesa. Afinal. além de colaborar no preparo da mobilização total da Nação para a guerra. traga economia. em 1953 e 1955. em Dest. à operacionalidade para otimizar o sistema de defesa da Nação. Passaram-se mais de cinqüenta anos.. do saber e do querer defesa.47. a Nação brasileira só se preocupou com os problemas de defesa nos momentos de crise e não se conscientizou. depois de em mais da metade de um século termos perdido boas oportunidades de elaborar uma efetiva e eficaz política de defesa. (17) : 39 . É função do dever. proporcione a ansiada integração das forças militares. as aspirações e os valores do seu povo. com a finalidade de planejar a organização e o emprego das Forças Armadas na defesa do País. até hoje. se os valores da nacionalidade forem confundidos. nem deixar de estar em sintonia com o verdadeiro sentir./abr. fundamenta-se no patrimônio histórico e cultural da Nação e representa valioso elemento de identidade. do poder. A defesa não pode desconsiderar as raízes da própria Nação. diretamente. de que a defesa resulta. por lei. Eis nossas realizações e malogros.Luiz Paulo Macedo Carvalho A Segunda Guerra Mundial ditou a criação do Estado-Maior Geral em 1946.

como dissemos ao iniciar. que leve mais a sério o problema da defesa. Rio de Janeiro. nem ridicularizar a figura histórica daqueles a quem muito se deve. em Dest. Seria recomendável. Desejamos uma Nação menos vulnerável. O Exército Brasileiro tem dado sobejas provas de que não somos militaristas nem alimentamos sonhos imperialistas. Há que se preservar o legado precioso transmitido pelos nossos antepassados. O momento. QEMA Reformado. O autor é Coronel Art. lembrar uma frase dita por Perón em 1973: “No final do milênio.. recorda Fernando Pessoa ao dizer que “pesa neles o passado e o futuro. identidade nacional e integridade territorial. estaremos unidos ou seremos dominados”.47. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.Luiz Paulo Macedo Carvalho menos que se tenha um saldo acentuadamente positivo ou negativo. dorme neles o presente”. (17) : 39 . 2005 47 ./abr. Id. Não devemos nos envergonhar de nossas origens. mantendo a nossa soberania. Presidente do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. induz a reflexões. pois. jan. A História do Exército confunde-se com a História do Brasil.

Pedidos ao .

General Collin Powell. mas estava inserido no rol das criminalidades. 2005 49 . é caracterizado pela capacidade de impor a sua vontade ao antagonista. terminou o período pós-Guerra Fria”. surpreendeu e abalou os mais sólidos conceitos de segurança política e militar até então vigorantes entre as potências. numa falsa interpretação de missão sagrada. disporem esses grupos radicais de recursos financeiros para montar operações de longa preparação e elevado custo. a existência de grupos fanatizados por idéias radicais de destruição. (17) : 49 . dispostos ao suicídio. O poder político (nele incluído o militar). gerando instrumentos capazes de realizar agressões demolidoras ou tragédias biológicas ou químicas a grandes distâncias. Rio de Janeiro. Os atentados perpetrados contra as torres do World Trade Center e o Pentágono. à época.. e. inocentes. jan. O próprio Secretário de Estado dos Estados Unidos. O terrorismo sempre existiu. em síntese. Qual o motivo de tamanha transformação da estrutura que parecia assegurar relativa normalidade ao cenário mundial? A nosso ver. A Id.Carlos de Meira Mattos Uma Visão da Atualidade Mundial. que causaram.57./abr. finalmente. Os sistemas de controle da política e da economia e os sistemas de defesa considerados invulneráveis mostraram-se frágeis e superados. A convergência destes três fatores permitiu a realização dos mencionados atentados e ameaçam os Estados Unidos e seus aliados de novas investidas terroristas. declarou: “iniciamos uma nova conjuntura mundial. Reflexos no Brasil e na sua Defesa Militar Carlos de Meira Mattos Após os atentados de 11 de setembro de 2001 às cidades de Nova York e Washington. os padrões da política mundial mudaram completamente. em Dest. foi a inacreditável associação de três fatores: o extraordinário avanço da tecnologia. por sua dimensão catastrófica e pelos milhares de vítimas humanas. e alçaram o terrorismo ao nível do poder político e militar.

quando o Cristianismo defendeu o princípio do “amai o próximo como a ti mesmo”. de destruição humana. E o fazem em nome de Alá. o Deus do Islã. condenando à morte seus infiéis. jan. Rio de Janeiro. dos transportes. A virtude política está em reconhecer os seus efeitos benéficos e os maléficos. conviveu no mundo com outros povos e outras crenças. produziu grandes sábios. geógrafos e descobridores. o econômico. considerava como poderes o político. 2005 . se espiritualizando. (17) : 49 -57. Não podemos negar e nem escapar da globalização. É covarde. com reflexos alarmantes na economia mundial. destacados cientistas. particularmente nos campos das comunicações instantâneas. que criaram e comandam a chamada Nova Ordem estabelecendo os padrões de comporta50 Id. primitivo. princípio aceito por todas as civilizações. O moderno terrorismo é um poder maligno alimentado pelo impulso animalesco. em Dest. astrônomos. o militar. que provou sua capacidade de impor sua vontade à mais poderosa potência mundial. porque não dá à vítima nenhuma possibilidade de defesa. das informações. O abalo na estrutura e na normalidade do universo provocado pelos últimos atentados neoterroristas e a sensação de insegurança gerada por seu caráter fugaz atingiram em proporção maior ou menor a todos os países. fruto dos avanços da tecnologia. Esse progresso do espírito humano consolidou-se há mais de mil anos. pouco a pouco./abr. se humanizando. A partir de agora terá que incluir nesse rol o neoterrorismo. numa versão de atraso. no seu apogeu. Talvez. Representa uma regressão da Humanidade em vários milênios.Carlos de Meira Mattos ciência política. e que os fanáticos fundamentalistas de hoje interpretam como desumana. até hoje.. associarmo-nos aos primeiros e evitarmos os segundos. se civilizando. Diz o ditado popular que “não há mal que sempre dure”. da eletrônica e da missilística. Esse ódio brutal e assassino revelado agora pelos talibãs representa uma volta ao primitivismo selvagem. É mais uma prova de que a globalização é um fenômeno inevitável. através dos quais o homem das cavernas veio. religião que. um efeito benéfico dessa hedionda tragédia praticada pelos terroristas seja obrigar os sete Grandes. o psicossocial e o técnico-científico.

surpreendidas e massacradas impiedosamente nos seus pacíficos locais de trabalho. Houve discussão de várias ações estratégicas. e indiretamente já afetou. a repensar seus critérios e imposições ao restante do universo. hoje liderados pelos Estados Unidos. apoiado integralmente pelo Primeiro-Ministro inglês. em Dest. 2005 51 . Id. O Governo da nação agredida. em nome de uma vingança contra injustiças sociais e políticas e de uma intolerância religiosa. o que vem suscitando crescente sensação de injustiça. a instalação em Cabul de um governo de união das principais tribos e etnias locais./abr. os antagonismos políticos e econômicos que poderiam ter com os norte-americanos diante da monstruosidade da agressão que a todos pode vir a afetar. Uma nova política mundial mais solidária e mais humanitária terá efeito benéfico para todos os povos. nada disso justifica a barbaridade da agressão sofrida por milhares de pessoas inocentes. Tony Blair. assassinando cerca de cinco mil inocentes.. aliados do principal responsável pela agressão. jan.57. caracterizando a extrema desigualdade.Carlos de Meira Mattos mento para a política e a economia mundiais. As ações terroristas levantaram uma enorme polêmica internacional sobre a estratégia para combater a terrível ameaça que continua presente. traçou a sua estratégia: expulsar do Afeganistão os talibãs e a organização terrorista Al Qaeda. exclusões ou injustiças sociais que tenham sido praticadas pelos países ricos e poderosos. desproporção e disparidade de armas e de meios e instrumentos de agressão utilizados pelos contendores. A Humanidade civilizada do século XXI não comporta tamanha atrocidade. duras ou não. Rio de Janeiro. Sejam quais forem as causas de rejeições. através da ONU. Os Estados Unidos tiveram a solidariedade de todos os países civilizados. monstruosos. Vários autores têm preferido denominar esta guerra neoterrorista de guerra assimétrica. desumanos. e negociar. Todos esqueceram as querelas. rejeição e exclusão entre os povos emergentes e os pobres. apanhados de surpresa. Os atentados terroristas de 11 de setembro representam atos hediondos. as rivalidades. (17) : 49 .

Carlos de Meira Mattos

Ocupados a capital e os centros mais importantes do país, segue-se a perseguição tenaz a Bin Laden e seus aliados, foragidos
nas elevadas e multidobradas montanhas da cadeia Indo Kouchi,
prolongamento oeste do sistema da Cordilheira do Himalaia. Aproveitou-se o governo de Washington da existência, no país, de uma
organização guerrilheira antitalibã, denominada Aliança Norte; fortaleceu essa força local, assessorou-a militarmente, coordenou os
bombardeiros aéreos em apoio aos avanços destes guerrilheiros
locais, que hoje, virtualmente, dominam quase todo o território, com
exceção das montanhas Indo Kouchi, e já instalaram no governo o
antigo Presidente Rabbani, deposto há cerca de cinco anos pelos
talibãs. Tenta a ONU negociar a constituição de um governo que
pacifique o país, uma vez que um governo exclusivo da Aliança
Norte é contestado por inúmeras tribos e etnias locais. A guerra no
Afeganistão dominado pelos talibãs dá sinais de que está no fim,
restando a derrota de alguns focos de guerrilheiros foragidos nas
cavernas das montanhas do Indo Kouchi.
Os governos norte-americano e inglês vêm evitando envolver
efetivos maiores em operações terrestres, atuando através de assessores e pequenos grupos de forças especiais em operações do
tipo “comando”.
Consideramos as operações no Afeganistão a primeira parte da
guerra contra o terrorismo. A segunda fase, que conta com o apoio
da maioria dos países (inclusive os dois antes considerados principais adversários dos Estados Unidos, a Rússia e a China) será a
eliminação dos diversos focos do terrorismo espalhados no planeta, por meio da pressão diplomática ou, se necessário, militar, sobre os governos que os abrigam.
Em síntese, o que se apresenta hoje no mundo é uma nova dimensão do terrorismo, elevado ao nível de Poder Político, capaz
de abalar a segurança e a estrutura do sistema de poder até então
existente. Movido por minorias enlouquecidas pelo fanatismo, com
insólita capacidade de agressão e de ameaças, despidas de qualquer respeito por princípios éticos e morais que consagram o
multimilenar processo civilizatório da Humanidade, o neoterrorismo
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representa um terrível malefício para a paz e para a harmonia da
sociedade mundial.
Vejamos, agora, os reflexos do neoterrorismo em nosso País.
Antes, faremos um rápido repasse na nossa realidade geopolítica.
Somos um país imenso (quarto, em extensão territorial do planeta) e habitado por uma população numerosa (quinto, em quantidade, no planeta). Nação jovem, população miscigenada dinâmica, vocacionada para o progresso, dispondo dos mais variados e
amplos recursos naturais, muitos ainda inexplorados, dispõe de todas as condições geopolíticas para vir a formar entre as mais ricas
e prósperas nações do planeta.
Só nos falta impulsionar o desenvolvimento econômico e social
para educar e enriquecer o nosso povo, explorar os nossos recursos naturais e fortalecer a nossa presença na economia mundial.
Temos prova de como uma ação bem planejada e dirigida por firme vontade política pode ser capaz de impulsionar a arrancada
para o desenvolvimento social e econômico em prazo médio. Vamos nos utilizar da palavra do renomado economista Mário
Simonsen. Revelou Simonsen na revista Exame, abril de 1997, os
seguintes dados: “Em 20 anos de esforço continuado do Plano de
Desenvolvimento, de 1964 a 1984, a economia brasileira deu um
salto extraordinário; apresentou os seguintes índices de crescimento: passamos da posição 48ª para a de 8ª economia do mundo;
passamos de uma exportação de 1,5 bilhões para 27 bilhões de
dólares; conseguimos um crescimento médio de 6,6% ao ano”. Hoje,
a promessa mais otimista é de um crescimento nacional de 3% ao ano.
Para chegarmos a grande potência, conforme já visualizaram
notáveis escritores, economistas e políticos internacionais, tais como
Stefan Zweig, Ray Cline e Henry Kissinger, teremos que retomar o
ritmo de nosso desenvolvimento econômico e social estancado em
1985. Para que isto se torne possível, daqui para diante, precisamos, além de possuir governos dotados de competência e férrea
vontade política, desfrutar de uma situação internacional de estabilidade financeira e de expansão comercial.
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O clima de ameaças implantado pelo terrorismo internacional é
gerador de inquietações políticas e de imprevisível instabilidade
econômica, de repercussão incontrolável, altamente prejudicial ao
processo de desenvolvimento econômico e social que devemos
retomar o quanto antes. Como tal, nossa política internacional deve
ser a de apoio às medidas e ações destinadas a combater e extirpar
o perigo das ameaças terroristas. Interessa-nos que essas medidas
e ações sejam tomadas sob égide da ONU.
Nossa diplomacia deverá manter-se extremamente alerta.
Não é de se esperar que sejamos vítimas diretas de agressões
terroristas de maior amplitude; entretanto, já estamos sendo prejudicados pelos efeitos indiretos provocados pelo abalo da economia mundial. As repercussões psicológicas e econômicas sobre a população, as empresas e a economia geral já estão nos
castigando.
O Governo brasileiro assumiu duas atitudes diplomáticas principais diante dos atentados terroristas: manifestou imediata solidariedade aos Estados Unidos, em face da bárbara agressão sofrida, e
apoio à política de luta global contra o terrorismo; propôs e viu
aprovada a convocação do Tratado Interamericano de Defesa
(TIAR), a fim de que as medidas e ações de combate ao terrorismo
sejam tomadas no âmbito coletivo das nações pan-americanas e,
não, em caráter particular.
Perderam suspeitas de que haja um núcleo terrorista de conspiração árabe-islamita na região fronteiriça de Foz do Iguaçu
conectado com as cidades vizinhas, Ciudad Del Este (Paraguai) e
Iguazu (Argentina). Essa suspeita está sob severa investigação, mas
nada ainda a confirmar.
Trataremos, agora, dos reflexos da guerra terrorista sobre os
fundamentos da Defesa Nacional.
Destacaremos, nessa nossa apreciação, apenas os aspectos militares de nossa Defesa. Vejamos, pois, em síntese, como está
estruturada a Defesa Militar brasileira.
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Nossa estrutura militar atual interpreta uma estratégia Defensiva.
Vivemos em paz com os dez países sul-americanos nossos vizinhos
fronteiriços. Não sofremos qualquer ameaça em nossa fronteira
marítima e em nosso espaço aéreo. Não existe qualquer ameaça
clara à nossa integridade territorial. Existe, velada, mas insistente e
crescente, uma ameaça sobre a nossa soberania amazônica. Inúmeras Organizações Não-governamentais (ONGs), sediadas em
países europeus e nos Estados Unidos, reivindicam, em nome de
um internacionalismo moderno, o direito de intromissão em nosso
espaço amazônico, defendendo o conceito de interesse da Humanidade. Há apoio não-oficializado de autoridades governamentais
de países poderosos e da imprensa internacional a essas teses
internacionalistas. Alegam que o Brasil não possui condições de
explorar o seu imenso espaço amazônico e que permite a sua deterioração em prejuízo do meio ambiente vital para o planeta.
Nossa atitude militar defensiva, em face da nossa expressão
geopolítica (território, população, recursos naturais, industrialização, economia), não pode ser de uma defensiva passiva. Deve possuir as características de constante vigilância, alerta e mobilidade
para atuar prontamente em possíveis áreas ameaçadas. Assim, além
de uma Marinha de Guerra e uma Força Aérea aptas a atender às
missões de defesa territorial e de transportes, o Exército ocupa o
território com um dispositivo que deve atender às seguintes missões: vigilância e cobertura das fronteiras terrestres, presença da
união em todos os estados e territórios federais e manutenção de
uma reserva móvel para atender às missões eventuais a longa distância, em particular nas fronteiras.
A ameaça presente à nossa soberania é a pressão internacional
de intromissão na Amazônia, sob o pretexto de preservação de
área do interesse da Humanidade. Essa pressão cresce de ano para
ano. Nossa defesa preventiva deve assentar-se em intensa e competente ação diplomática e na demonstração inequívoca e permanente de disposição militar de defender a soberania territorial na
Amazônia. Para isso, a Estratégia de Dissuasão deve ser adotada,
a fim de convencer previamente os possíveis inimigos, ONGs ou
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férrea vontade de lutar e a existência de meios militares capazes de combater tenazmente. nossa grande carência é o acompanhamento da moderna tecnologia militar. Os especialistas na Estratégia de Dissuasão insistem em que ela só será efetiva e convincente se demonstrar. Cabe-nos. que nessa hora crítica nos faltarão. instabilidade nos contratos de trabalho. em terreno de natureza hostil. limitações no comércio exterior. Urge pensarmos em criar uma logística nacional que atenda às necessidades essenciais de modernização das três Forças Armadas.Carlos de Meira Mattos Estados de que a violação de nossa soberania territorial na Amazônia representará o alto custo de uma guerra longa. devemos redobrar a vigilância em nosso território e nos mantermos em ligação com a rede de informações contra o terrorismo. Temos procurado montar na Amazônia um dispositivo dissuasivo. em Dest. no mínimo. não nos parece que tenhamos maiores necessidades de efetivos. No quadro de nossas missões militares atuais. Os economistas internacionais avaliam que os efeitos 56 Id. com elevado sacrifício em vidas e vultoso custo financeiro. para que nos assegure a indispensável autonomia estratégica para as possíveis operações de uma força de dissuasão. com urgência. (17) : 49 -57. entretanto. não poderá depender de suprimentos de indústrias estrangeiras. inquietação social) já estamos sendo vítimas. Dos efeitos indiretos do terrorismo (recessão econômica mundial. Repetimos: não nos parece que possamos estar ameaçados diretamente de uma agressão terrorista de maiores proporções. permanentemente. de sustentar a credibilidade em nossa estratégia de dissuasão. 2005 . e somente deles nos livraremos quando for extirpado o perigo. mas não podemos ignorar que uma força de dissuasão efetiva precisa contar com uma logística própria./abr. jan. entretanto. aumento do desemprego. Rio de Janeiro. Será uma missão de inteligência que exigirá muita competência e meios modernos de captação de informações. na modernização dos equipamentos e no incentivo a uma indústria bélica. nacional. capaz de satisfazer e. mobilizar a indústria nacional.. Um grande esforço precisa ser feito na pesquisa tecnológica.

veterano da Segunda Guerra Mundial.Carlos de Meira Mattos econômicos e psicológicos dos atentados de 11 de setembro foram tão graves que serão necessários. graças aos chefes da estirpe de Caxias. em Dest. O Exército nunca faltou ao Brasil e. não faltará./abr. Nosso interesse de desenvolvimento econômico e social. Osório. depois da eliminação da ameaça.57. jan. delas sempre saímos vitoriosos e com nosso território intocado. (17) : 49 . Mascarenhas de Moraes e Castello Branco. coloca-nos em posição de decidida cooperação na luta internacional de combate ao terrorismo.. no mínimo alguns anos para a economia mundial voltar ao normal. Rio de Janeiro. O autor é General-de-Divisão Reformado do Exército. indispensável ao fortalecimento de nosso poder militar. Id. Vivemos outras conjunturas de grandes incertezas. 2005 57 . certamente. Doutor em Ciência Política e Conselheiro da Escola Superior de Guerra.

Pedidos ao .

porque era um líquido quente. Compúnhamos um grupo de uns cinqüenta (não lembro o número exato). lá pelas 11h 30 da manhã. Não. de tantas glórias. Era fluido hidráulico mesmo. partíramos do Galeão a bordo de um C-130. quando senti um pingo vindo do alto. recém-formados pela lendária Escola de Aeronáutica dos Afonsos. mais ou menos como esperado. como eu já disse. Isso já era um mau presságio.Milton Mauro Mallet Aleixo Chegada a Natal Milton Mauro Mallet Aleixo Aconteceu em 1969. à época. um indicativo do que estaria para acontecer após a chegada em Natal. obviamente nada compatíveis com a pompa do uniforme que usávamos para a apresentação. É sabido que. que realizariam o Estágio de Instrução em bimotor no 5º GAv. que em toda a extensão de seu compartimento de carga (onde estávamos nós) possui diversas tubulações hidráulicas. em face da grande pressão (3. Nós éramos aspirantes-a-oficial aviador. e não era chuva. em 14 de abril de 1969. pousamos em Natal. Como de hábito. (17) : 59 . também não era isso que você pensou. o que aconteceu. apesar de não ser nem de longe o uniforme ideal para viajar no cargueiro Hércules. O prejuízo foi o menor possível. Mas. não era qualquer coisinha que iria tirar o nosso entusiasmo. na Base Aérea de Natal.64. Ainda bem que por causa do calor ambiente nós todos estávamos sem a túnica. O resto da viagem transcorreu normalmente e. Eu estava distraído fazendo gozação com alguém (naquele tempo nós ríamos até de desastre de trem). para ser preciso. em Dest./abr.. Rio de Janeiro. o uniforme para apresentação numa nova Unidade era o 5ºA: gravata. ocorrem eventualmente alguns vazamentos.000 lb) no interior dessas linhas. jan. Id. e felizmente eu notei logo no primeiro pingo. quando na chegada em Natal. Naquele 14 de abril. só a camisa manchada. 2005 59 . túnica e quepe. E foi.

Aliás. uma faixa de areia que nós nos arriscávamos a freqüentar na fase inicial. Estariam lá as nossas confortáveis instalações. que estava vindo de carreta do Rio. o ônibus faria um roteiro turístico no percurso até nosso destino. durante o tempo (um mês) em que esperei o meu carro. O ônibus talvez fosse uma dessas relíquias. Então não houve a apresentação e acabou a formatura. O chefe da delegação era um companheiro mais antigo. muito tempo depois. porque se não fizer uma formatura não tem graça. Frustração. é sinônimo de Hotel de Trânsito.. Após a apresentação. Aliás. na FAB. um major da USAF. em virtude do seu estado meio segunda guerra – não fora a nossa distração devido ao entusiasmo – já indicava o que estava por vir. e. O ônibus em si.. graças ao carinho e à dedicação com que os funcionários 60 Id. dirigimo-nos para o ônibus que nos levaria ao Cassino dos Oficiais. só o oficial de ligação. Esse Cassino. tenente-coronel. sim. fomos colocados em forma pelo mais antigo. em que não conhecíamos ninguém na cidade. por sinal. Voltando à nossa história. a lagoa tinha até uma pequena praia. quando era chefe (Team Chief) de uma equipe de competição em Transporte de Tropa.Milton Mauro Mallet Aleixo Após isso. isso me lembra uma viagem que fiz ao Estados Unidos. entramos em forma para a apresentação ao oficial que nos recebeu.. Nós pousamos no destino. jan. POPE Air Force Base. Cassino. aquelas onde passaríamos nossos próximos oito meses. cabe lembrar aos leigos que nesse lugar não tem roleta. um poderoso Aero-Willys 63. em Dest. mesmo para nós “cucarachas”. e “pegava mal” apresentar a tropa para um mais moderno. Rio de Janeiro. foi palco de memoráveis histórias. “milico” adora formatura. Estávamos em forma em Natal. apesar de ainda funcionar. bacará ou outro joguinho qualquer. no meu caso. Como boas-vindas. na Carolina do Norte. Muita coisa na Base Aérea de Natal ainda era herança do americano. para variar./abr. (17) : 59 -64. já major. 2005 . Naquela época. passando pela estrada que circunda a lagoa da Base. Só que lá não tinha ninguém para nos receber... Ou. quando ainda se chamava Trampolim da Vitória. obviamente.

antes de chegar à curva que leva à reta que conduz ao Cassino. Id.Milton Mauro Mallet Aleixo civis do Setor de Transportes tentavam manter as viaturas. e lá fomos nós. E assim fomos nós./abr. Enfim. até a porta do Cassino de Oficiais. “tô” ficando fulo da vida. “Cobrir”. Afinal. Afinal. Estávamos a uns bons 1. colocou o grupo em forma.64. escrevendo. Eram os oficiais da Base e do 5º GAv aguardando o almoço. Até hoje. pelo menos por um tempo. dar adeus àquelas intermináveis sessões de Ordem Unida que nos perseguiam desde Barbacena. havia uma multidão nos esperando. mas infelizmente não lembro. quepe e o “escambo” – seria uma rápida empurradinha. formalmente. Muitos deles também eram oriundos daqueles tempos românticos e heróicos. Rio de Janeiro. Acabava ali. de 5ºA. Mas não foi. Parece até o Grande Prêmio de Mônaco. nos dirigirmos ao Rancho para almoçar. Covardia. todos aqueles comandos detestáveis dos quais julgáramos estar livres para o resto de nossas vidas. Era um sujeito baixinho. já estava mais do que na hora. tempos de “For All”. Pois então. jan. O ônibus não pegou. O oficial que nos conduzia comandou “Alto”. 2005 61 . naturalmente. Para você que conhece o local. rapidamente. a fome apertava. os aspirantes. nós éramos quase cinqüenta para um pobre e combalido remanescente da Segunda Guerra. Fomos apresentados. onde pretendíamos ser logo dispensados a fim de. (17) : 59 .500 metros do Cassino. naquele já longínquo 1963. muito pior. marchando. Em frente ao Rancho. nós estávamos logo depois que acaba a curva da lagoa. Mas vinha coisa pior. agora mesmo. a um major-aviador que nenhum de nós jamais havia visto. era pedir o apoio daqueles bravos guerreiros. o ônibus enguiçou. Eis que o oficial que nos conduzia. para variar.. A primeira providência. em seguida. careca. Empurramos. em Montecarlo. entre outras coisas. Apesar de já estarmos devidamente paramentados com os nossos 5ºA – túnica. empurramos e nada. bufando. como já estava “escrito nas estrelas”. E. em Dest. o sonho de ter saído aspirante e de. pouco depois de passar pela lagoa. gostaria muito de lembrar quem era.

finalmente. como aspirante. a mala que estava lá era a de um colega de um outro 62 Id. na própria etiqueta havia o número do quarto. elas fossem encaminhadas diretamente para nossos quartos. não.Milton Mauro Mallet Aleixo vermelho feito uma pimenta. No Cassino. talvez eu tenha depois tido um apagão. realmente. Ele começou o seu discurso. Coisa de Primeiro Mundo. Afinal. isso seria possível. almoçar. havia duas alas de quartos. etiquetaram cuidadosamente nossas bagagens para que. através de um sociograma. Ao chegar no meu quarto. mas não sabia se. antes do embarque. nossas malas eram colocadas por alguns soldados num caminhão.” Assim mesmo! Depois disso eu não lembro de mais nada. depois de seis anos de Escola. jan. Ao chegarmos a Natal. Era tudo muito simples. Esse era nosso entendimento como aspirantes. Parte II Ainda no Rio. É./abr. Ele começou dizendo: –“Aqui vocês serão tratados de estagiários ou cães. Finalmente. Amarela e Verde. Rio de Janeiro. para que pudéssemos pegar nossas malas já colocadas nos respectivos quartos. Eu estava com o meu parceiro Aguieiras.. quis sair de forma e “chutar o pau da barraca”. Mais que isso. mas não era assim tão simples. no Amarelo 2. na chegada a Natal. nós já estávamos distribuídos nos quartos. Quando recuperei um pouco da consciência. Só sei que o tormento acabou quando deram fora de forma. Em seguida iríamos. Portanto. uma privação de sentidos. em Dest. (17) : 59 -64. não foi bem assim que aconteceu. coisa de Primeiro Mundo. cuja relação estava pendurada no Quadro de Avisos do Cassino. enquanto embarcávamos para a odisséia no ônibus (que você já conhece). era só desembarcar as malas do caminhão para os benditos quartos. Pensava em pedir desligamento. cada uma com vinte (se não me engano). Nada mais justo. Infelizmente. 2005 . Parecia que finalmente estávamos desfrutando das “mordomias” dos oficiais. do qual só me lembro o principal. em duplas.

Até hoje não sei se. Se bem que eu tinha períodos de privação de sentidos. jan. Não sei quanto tempo fiquei nessa regressão profunda. talvez arrependido de ter sido escalado para conviver com um doido durante todo o resto do ano.64. Quanto às malas./abr. com aquele jeitão de carioca de Vila Isabel: – “Comparsa. lá pelas tantas. Precisa acontecer. pelo menos isso. havia um longo caminho a percorrer e que estava apenas começando. Mas devem ter dado uma trégua. E fui para o Rancho. Eu não aceito isso. eu chorei baixinho. 2005 63 . eu sentei sobre minha cama. Rio de Janeiro. em seguida. Alguma coisa vai acontecer. De amanhã não passa.” Eu só sei que. na posição de Buda. e da mesma forma aconteceu com todo mundo. enquanto nós marchávamos e levávamos “mijada” do “Major” ALVERI. O Aguieiras me olhava assustado. Até gostaria de saber. de meditação. do contrário eu ainda lembraria. o gênio do mal. em Dest.. lá pelas onze da noite ainda tinha gente procurando. É como a gente faz quando não consegue sair do parafuso.. tivesse sido escalado para fazer a distribuição. Silvana. Só sei que quando “retornei” já era noite. Afinal. após o expediente. Eu só sei que.” Id. Vou fazer uma m. faminto e furioso. Tem algo estranho. Portanto. se não desistisse de procurar. (17) : 59 . engasgado. O Aguieiras então me falou.. o Rancho já estava praticamente vazio e pudemos almoçar em paz. qualquer.. soltei os comandos.. “por uma falha na distribuição”. vou pedir desligamento. Imagino o trabalho que não teve o “filho duma égua” que espalhou aquelas malas. Imagine que almoço! Quando chegamos. Era como se um Dr. alguém teve a sorte de receber em seu quarto a sua própria mala. talvez estivesse lá até hoje. e falei: – “Isso não vai ficar assim não.Milton Mauro Mallet Aleixo quarto bem distante. e entrei em Alfa. Não consigo lembrar o que aconteceu após o almoço. Amanhã eu vou aloprar. não fica assim não. Não pode ser assim. por ódio profundo. No fim da tarde.

em Dest. (17) : 59 -64. não lembro do que aconteceu depois. advinha o que aconteceu? Imagina uma coisa. Só lembro que ao chegar no Rancho. Esse foi o final feliz. muito mal. além de Ordem Unida. Logo de manhã. que a gente quer esquecer ao ser declarado aspirante. desde o enguiço do ônibus etc. ralando na manutenção das nossas aeronaves. Assim. o ALVERI revelou-se um companheirão. tendo sido a nossa turma a última de Estagiários no 5º GAv.. às 5h 30 da matina. dificilmente nós. disse que tudo não passara de um trote. Pena que nós não pudemos ir à forra no ano seguinte. iríamos conhecêlo. pois depois inventaram o CFPM./abr. portanto. com seu verdadeiro uniforme. devido à sua procedência. Rio de Janeiro. recém-chegado da Escola (EOEIG) de Curitiba.Milton Mauro Mallet Aleixo O dia seguinte. Mais um período de apagão. Imagine que o meu quarto. tudo armação. jan. o Aspirante Especialista em Aviação ALVERI João Raimundo. Ele pediu desculpas. o pesadelo acabou. Isso mesmo. como nas novelas da Globo. Era. 2005 . para tomar café. aspirantes aviadores. tocou a Alvorada bem ali na entrada entre os dois corredores (ala Amarela e Verde). o dia em que eu iria “rasgar a fantasia”. foi contemplado com a plenitude do som daquele objeto detestável. Estava vestido. já começou mal. com suas verdadeiras insígnias. como que surgido das profundezas do inferno. acho que essa é fácil de adivinhar. O autor é Coronel-Aviador da Reserva. e que ele fora escalado justamente porque. sendo logo o primeiro da ala Amarela. 64 Id. Ao longo do tempo. A CORNETA! A ALVORADA! Um corneteiro. está contado mais um capítulo da Saga dos Panteras (minha turma de aspirantes). assim como tinha sido a última a voar T-6 na Escola de Aeronáutica.

A conquista e a manutenção da integridade territorial da Amazônia brasileira tem sido uma epopéia escrita com sangue. que. o Conquistador da Amazônia. com a edificação de fortificações às margens dos rios. franceses. agora. holandeses e irlandeses. em incursões permanentes para exploração e comércio. veremos. (17) : 65 . Id. É uma tese cíclica. coragem e determinação. Rio de Janeiro. e. Em meados do século XIX. cujo sentimento de expansão muitas vezes se esconde sob o véu de missões messiânicas a serviço da Humanidade./abr. em Dest. onde a criatividade e o emprego das técnicas da guerra de guerrilhas sempre estiveram presentes. ecologia – após uma fase de esquecimento. o governo americano dirigiu movimento a favor da abertura do Rio Amazonas à navegação mundial. jan.71. No século XVII. Um nome destaca-se dos demais nestas lutas: Pedro Teixeira. 2005 65 . volta sob a forma de pressões políticas sobre o Governo do Brasil. Em um rápido retrospecto histórico.. que sob pretextos vários – direito exploratório da natureza. liberdade de navegação nos grandes rios. desde os primórdios da nossa colonização.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery Soberania e Defesa da Amazônia Brasileira Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery A tese da internacionalização da Amazônia nada tem a ver com as razões ecológicas que agora são levantadas. lutas violentas foram travadas pelas forças lusobrasileiras para expulsão de ingleses. que a tese da internacionalização da Amazônia foi motivo de pressão sobre os governantes brasileiros em várias ocasiões. A imensidão geográfica da Amazônia não poderia deixar de ser objeto de ambição das nações ricas e poderosas do mundo. procuravam também o domínio da terra. necessidade de espaço demográfico. instrumentadas com maior capital e tecnologia. E o sangue foi derramado em acirrados combates na selva.

2005 . ora a conquista da tecnologia. são sempre os mesmos atores. ao Brasil e ao tesouro natural da floresta amazônica. Já há algum tempo sabemos que campanhas ministradas por grupos ecológicos internacionais vêm defendendo a internacionalização da Amazônia. A tese é sempre a mesma. É claro que estava se referindo ao Peru. O Presidente americano George W. Embora ninguém mais duvide da realidade desse perigo. Nos anos 30. ao Equador. O Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) foi contra e impediu essa ameaça à soberania brasileira. ora a necessidade de matérias-primas para o progresso da civilização. por isso podem entregar parte de suas florestas tropicais como pagamento”./abr. declarou: “Existem países que não têm mais como pagar suas dívidas. à Colômbia. o Japão pretendia instalar 20 milhões de japoneses na Amazônia. (17) : 65 . em Dest. a Alemanha pressionou para que o Brasil não privasse o mundo das riquezas naturais da Amazônia. a maior reserva florestal mineral do planeta.71. ora a navegação internacional dos grandes rios. ao referir-se ao Terceiro Mundo e suas dívidas com o FMI. Bush.. ainda há quem não pressinta certa iminência. a UNESCO tentou criar o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica. por fim. jan. a ecologia. Não há dúvida de que uma grande ameaça ronda as fronteiras do Brasil. em debate pela TV americana quando ainda estava em campanha. “internacionalização da Amazônia”. em alguns mapas da América Latina. A presença de tropas americanas em bases localizadas ao longo da fronteira amazônica indica a possibilidade de se repetirem. uma “autarquia” internacional com jurisdição sobre um território que abrangia quase a metade do Brasil. desempenhando o mesmo papel. à Venezuela. Só trocam o cenário: ora é patrimônio científico da Humanidade. 66 Id. Em 1948.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery Em 1902. e. o Brasil sem o Estado do Amazonas. as antigas tentativas de as potências imperialistas nos subjugarem. Rio de Janeiro. em maior escala. trazendo. em curto prazo e.

é região de floresta tropical primária. nestes últimos anos o Governo brasileiro tem aberto a região à cobiça mundial. A Amazônia é hoje o maior tesouro da Humanidade e. entre outras fontes de energia eleva a Amazônia a um “status” energético sem precedentes em todo o mundo. os rios. o sol equatorial. A luta pelo domínio e pela posse de grandes áreas da Região Amazônica está mais acesa do que nunca. agora com nova roupagem. mas que podem servir de pretexto a uma eventual intervenção naquela região brasileira. conjugado com a capacidade da Petrobrás. Com o sucateamento e aviltamento das Forças Armadas do Brasil. entendemos que o processo já está armado para encenarem a farsa da Política de Globalização.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery Se atentarmos para as possibilidades energéticas da Amazônia. Ao contrário dos tempos em que o País tomava cuidados especiais com a preservação da Soberania Nacional sobre a Amazônia. sim./abr. quatro milhões de km2. Um de seus intelectuais. certamente seria o maior potentado energético do planeta. Note-se que. A subdivisão do Brasil já começa a ser defendida em academias americanas. não pode pertencer aos países terceiromundistas. a “governança progressista”. quanto mais globalizado se tornar Id. à segurança nacional. quer dizer. defende a tese de desmembramento dos países gigantes e fim da soberania nacional.71. É preciso lembrar que a Amazônia brasileira mede.2%. em Dest. jan. fazendas.000 km2 de cidades. como Harvard.. aproximadamente. dizendo que. verificamos que o uso da biomassa como fonte energética. acham-se incluídos 150. segundo a cobiça internacional. a vegetação primária foi retirada e substituída por outra natural.000 km2 alterados pelo homem. a energia das diversas fontes de óleos naturais. praticamente virgem. Este potencial. núcleos institucionais etc. permitindo ali o ingresso de interesses econômicos espúrios. Juan Henriquez. (17) : 65 . O problema diz respeito. apenas 8% da sua superfície foi exposta à ação antrópica. Rio de Janeiro. nos 300. esta por sinal só avança na razão de 0. 2005 67 .

Brasília. 2005 . da França. No Governo Menem. ao dividi-la. Para quem julgava paranóia essa história da internacionalização da região. quanto ser um obstáculo à ação do Brasil em represália ou de defesa da sua soberania. em missão de ataque. em Dest. Quer dizer. Bush é que não há saída. Rio de Janeiro. quando era primeira-ministra da Inglaterra. partindo dessa base. da Espanha. Felipe Gonzales. tanques. próximo à fronteira com o Brasil. A presença militar americana em bases situadas em países limítrofes com o Brasil é um fato. A primeira proposta de troca por dívidas deveu-se a Margaret Thatcher. a Argentina ofereceu aos EUA uma área de 10 mil hectares de seu território. o Brasil estará totalmente desmembrado. da qual não escaparam François Mitterrand. também da Inglaterra. com a participação decisiva. é possível atingir.. eis mais uma evidência de que estão não apenas de olho na floresta.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery o mundo. a qualquer momento. (17) : 65 . aquela que defende seus valores e seus interesses através da utilização de mísseis. É oportuno lembrar que. de Al Gore. De lá para cá. pois é presidente da maior potência mundial. exortando as nações do Terceiro Mundo a venderem suas riquezas. mas anunciando quando e como tomá-la. os centros do poder brasileiro – São Paulo. com pistas de pouso para aviões e campos de treinamento dentro de uma área de selva. também. tanto pode ser propícia a uma invasão armada. O grave no caso do Sr. e até de Bill Clinton. e até Mikail Gorbachev.71. O povo brasileiro precisa saber que essa nova forma de ocupação militar. foi uma sucessão de pirataria explícita. frotas e bombardeiros. sem esquecer John Major. 68 Id./abr. menos traumático para os nacionalistas será a separação de seus estados. Belo Horizonte e Rio de Janeiro – como resposta a qualquer tentativa do Brasil de defesa da sua integridade territorial. jan. a rapinagem supera as ideologias. Como a Amazônia brasileira constitui 50% do território nacional.

2005 69 . Não é preciso citar a campanha promovida por organizações não-governamentais de toda espécie. O que está em jogo é a soberania nacional.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery Não se trata de imaginar os boinas verdes americanos em Manaus ou os bombardeiros sobre a Amazônia. Por outro lado. e que nos mapas da América Latina distribuídos pelas escolas do Primeiro Mundo os jovens aprendem que a Amazônia e o Pantanal pertencem “à Humanidade”.. em Dest. que alguns tecnocratas acabaram de vendê-la em troca de uma parte de nossa dívida externa sempre multiplicada. Em risco. Seria preciso que o Brasil acordasse. tanto suor e tanto sangue./abr.71. órgão responsável pela formulação das políticas e concepções estratégicas do Exército. Que as Nações Unidas reconheceram “a nação independente dos ianomanis”. onde serão atingidos 50 milhões de hectares a serem explorados por madeireiras internacionais que já devastaram. mas. com a delimitação de áreas que. iniciada com a alienação de patrimônio estratégico e a abertura de nossas fronteiras ao capital especulativo predador. jan. Um belo dia acordaremos sabendo que a Amazônia não nos pertence mais. seguido de medidas concretas. entre outros países. por pura coincidência. A verdade é que estamos caminhando para uma situação da qual não haverá retorno. A criação de Nações Indígenas independentes vai de vento em popa. a integridade territorial conquistada com tanta luta. Rio de Janeiro. localizam-se nas fronteiras nacionais e contêm reservas de minerais nobres. já definiu Id. sim. O Estado-Maior do Exército. O processo de internacionalização da Amazônia avança a olhos vistos. as florestas da Indonésia. Esperar que ela se mobilize. a continuação do domínio por outros métodos tão eficazes como o controle da economia dos países pobres. (17) : 65 . o cumprimento do Programa Brasileiro de Florestas implica na criação do “Regime de Concessão de Floresta”. a cooptação de suas elites e a compra de seus governantes. O que esperar? Valeria um ato de indignação. subsidiadas diretamente por Washington ou pelas multinacionais. A solução é alertar a sociedade.

as nossas Forças Especiais estabelecerão as Áreas Operacionais da Guerra Irregular no contexto de um Movimento de Resistência. tentará quebrar a vontade nacional. em torno da defesa dos interesses vitais do Brasil na Amazônia. (17) : 65 . tendo. É uma responsabilidade 70 Id. E este é verdadeiramente o ponto focal a ser desenvolvido: estabelecer e consolidar a Vontade Nacional. trabalhando com as comunidades brasileiras.71. A adoção dessa estratégia no nível operacional pressupõe a adoção da guerra irregular como principal forma de conduta de uma guerra convencional. Seu grande objetivo será demonstrar ao invasor que o preço a pagar para manter o domínio sobre determinada região não compensa os benefícios decorrentes. em Dest. quer ofensiva. que ficará exposta ao poder do adversário que. Nesta forma de atuar é fundamental saber durar. dotada de um superior poder de combate..Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery em diretriz estratégica específica que. quer defensivamente. devido à inferioridade de recursos materiais e à grande disparidade na área científico-tecnológica. que serão impostos à Nação. 2005 . na qual fica evidente o desequilíbrio de poder de combate entre as nossas Forças e as dos possíveis oponentes. Rio de Janeiro. há que se adotar uma estratégia que preveja um conflito prolongado. na maioria das vezes. Implica na impossibilidade de fazer face ao invasor por meios convencionais de atuação em força. que envolve a possibilidade de ocorrência de um conflito contra uma força militar multinacional extracontinental invasora. desde já. certamente. a defesa dos interesses vitais do Brasil naquela área não é obra exclusiva dos soldados da Amazônia. Nesta concepção./abr. Mas. jan. Não se pode esquecer também que a adoção desta Estratégia pressupõe sacrifícios. para fazer face a ameaça dessa natureza. quando da ameaça ou da ocorrência de uma invasão do nosso território. de caráter total. normalmente à base da guerrilha. e que busca obter a decisão pelo desgaste moral e o cansaço material do inimigo. fraca intensidade.

em Dest.71. Id./abr. 2005 71 . quando for o caso. Rio de Janeiro. todos. O autor é General-de-Brigada da Reserva do Exército e Vice-Presidente da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra. (17) : 65 .. E. inclusive de outras regiões.Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery de todos os brasileiros militares e civis. jan. se necessário empregando a Guerra de Guerrilhas. irmanados. como o fizeram no passado e o estão fazendo no presente. irão defendê-la.

Pedidos ao .

(17) : 73 . a manutenção da paz. em Dest. econômicos. Costão Andino. Sem uma Defesa adequada. inimigos declarados. em face de sua estatura político-estratégica no concerto das nações. estratégicos. Toda ação por ele empreendida nas esferas diplomática e militar. Daí. a Segurança Nacional e a perenidade desses interesses estarão seriamente comprometidas e. não possui litígios em suas fronteiras e. Não abriga qualquer ambição territorial. bem como os espaços essenciais para a atividade econômica e para o livre comércio (Setentrião Oriental. busca. deve ser o de assegurar a defesa dos interesses vitais da Nação contra qualquer ameaça forânea. se ressaltar a imperiosa necessidade de contarmos com Forças Armadas preparadas. Não se pode precisar. Este é conformado por uma combinação de fatores históricos. Porém. O primeiro objetivo de nossa Política de Defesa.76. políticos. conseqüentemente. em níveis hemisférico e mundial. a fronteira entre os interesses vitais e os interesses estratégicos.. científicos. Rio de Janeiro. os interesses estratégicos residem na manutenção da paz no continente sul-americano e nas regiões que o conformam e o rodeiam. 2005 73 . Os dois devem ser defendidos com ênfase e determinação. no tocante à Segurança e Defesa. jan. Cone Sul e Atlântico Sul). e um papel a desempenhar. militares. Essencialmente. Fora deste âmbito. suficientemente poderosas e aptas ao emprego imediato. não poderão ser asseguradas. sistematicamente.Manuel Cambeses Júnior As Forças Armadas e a Política de Defesa Nacional Manuel Cambeses Júnior O Brasil é um país guiado por um sentimento de paz. portanto. tecnológicos e culturais. tem interesses a defender. capazes de desencorajar qualquer intenção de agressão militar ao Id. a priori. responsabilidades a assumir./abr. tampouco. o Brasil tem interesses que correspondem às responsabilidades assumidas nos Fóruns Internacionais e Organismos Multilaterais e ao seu status na ordem mundial.

sem dúvida. o culto aos heróis etc. pela capacidade de revide que representam. desde o tempo de paz. os aspectos qualitativos dos recursos humanos.. O estudo das campanhas militares. (17) : 73 . As tradições históricas e militares constituem. nesse contexto. que deve constituir. como corolário. E. com seus erros e acertos. por outro lado. o fortalecimento da Expressão Militar do Poder Nacional. o apoio em maior ou menor grau da opinião pública nacional e mesmo internacional. nelas se apóia e com elas se confunde. 2005 . conduz a conclusões e realça aspectos capazes de influir na Expressão Militar de seu Poder Nacional.76. Esta estratégia é enfatizada para evitar a guerra e exige. Rio de Janeiro. através da realização de treinamentos. é imperioso o esforço para conservar integrados o homem militar e o homem civil. ressalta a fundamental importância do Povo – expressão máxima das forças vivas da Nação – como verdadeiro esteio das Forças Armadas. trazem reflexos à formulação da doutrina. apresentar obstáculos intransponíveis à evolução. Nesse sentido. e a vontade nacional. às vezes opostas. sem discriminações de qualquer 74 Id. quando a elas se une. No equilíbrio entre essas idéias. papel de destaque. ao desenvolvimento e à tecnologia militares. no âmbito das FFAA. em Dest. também. através da opinião pública.Manuel Cambeses Júnior País. A população traduz sua indispensável solidariedade à Expressão Militar. está o acerto que revigora a Expressão Militar./abr. além de impor um excelente grau de aprestamento e prontificação das Forças Armadas. de exercícios operacionais dentro de cada Força Singular. Essas tradições – que cumpre cultuar e manter – não devem. preocupação constante quando se pretende manter em alto nível aquela Expressão do Poder Nacional. fatores de influência sobre a Expressão Militar. jan. o respeito às tradições. ainda. a coesão interna. particularmente da História Militar de uma nação. ao moral e à estrutura militares. O estudo da História. não sendo excluída a necessidade de Planejamento e do treinamento de Operações Conjuntas e Combinadas. Assumem.

os quais estejam mais em sintonia com os desafios dos novos tempos e consentâneos com a realidade nacional. todos com reconhecida competência na área de Defesa. tão-somente. a compreensão do Congresso Nacional. a confiança e o respaldo dos Comandantes de Forças. analistas políticos. por ilógico e temerário. num processo sinérgico. cujo resultado deverá ser tão satisfatório quanto maior for o desenvolvimento da sociedade. mas naturais destinações. Rio de Janeiro. 2005 75 . Trata-se.Manuel Cambeses Júnior natureza. o imprescindível apoio do Presidente da República. mas não se pode admitir. para a consecução dessa tarefa. nas próximas décadas. acadêmicos. poderão ou não ser incorporadas no planejamento estratégico. (17) : 73 .. jornalistas. Evidentemente. sem privilégios. jan. para a consecução desses objetivos. para que possa contar com recursos. O esboço de qualquer arranjo de Defesa. e a ativa participação de todas as forças vivas da Nação. que a Expressão Militar do Poder Nacional seja colocaId. é multifacetado e deve estar calcado em amplo debate. militares.76. e alguns críticos do atual sistema de Defesa Nacional. por setores competentes do Ministério da Defesa. de ouvi-los e de reunir novos conceitos e idéias. embora respeitadas suas diversas. Temos plena consciência de que não se pode justificar a hipertrofia das Forças Armadas em prejuízo do processo de desenvolvimento da Nação. Indubitavelmente. que permitam oxigenar antigos preceitos e identificar referenciais para a defesa do País. Entendemos que. deve estar respaldado por uma base de legitimidade. a efetiva colaboração do Ministério da Defesa e de outras áreas do Governo. que não se trata de deixar em mãos destes pensadores a formulação de políticas e estratégias militares. devem ser consultadas personalidades representativas de diferentes espectros de opinião: ministros de estado. mister se faz uma conjunção de esforços. se somam. economistas. diplomatas. em Dest. em um Estado democrático. Nesse sentido. O papel que caberá às Forças Armadas brasileiras./abr. depois de avaliadas. Tais contribuições.

76. de modo contumaz./abr. porque nenhuma delas seria capaz de desfazer-se de sua Expressão Militar para merecer. Não existem nações desarmadas. Rio de Janeiro. Torna-se imperativo conferir maior prestígio às Forças Armadas e racionalizar.. jan. devido à crônica insuficiência de recursos financeiros – na falsa concepção de que a prioridade absoluta deve ser dada ao Desenvolvimento. Não há fórmula miraculosa capaz de manter a paz sem ameaças de conflitos internos ou de guerra entre os povos.Manuel Cambeses Júnior da em plano inferior – vivenciando um processo gradual de sucateamento e de desmantelamento. modernizar e fortalecer o aparato defensivo brasileiro. enfatizava a imperiosa necessidade de possuirmos um bom sistema de armas para respaldar as nossas proposições no concerto das nações. em Dest. 2005 . Lembremo-nos das sábias palavras do insigne Barão do Rio Branco – o Chanceler da Paz – que. 76 Id. (17) : 73 . o respeito e a simpatia de todos os países. O autor é Coronel-Aviador da Reserva e Chefe da Divisão de Estudos e Pesquisa do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. por esse ato ingênuo.

Fausto Vasques Villanova – Força Aérea Brasileira 1941-1961 – Como eu a vi . 3 – Da Criação do Ministério da Aeronáutica ao Final da Segunda Guerra Mundial.J.Gustavo Wetsch 10 – História do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica . 2 – De 1921 às Vésperas da Criação do Ministério da Aeronáutica.João Vieira de Sousa 12 – P-47 B4 – O Avião do Dorneles . 1 – Dos Primórdios até 1920. E. Magalhães Motta 21 – A Pata-Choca .Lysias Rodrigues 20 – CESSNA AT-17 . Magalhães Motta 16 – Lockheed PV-1 “Ventura” .J. Magalhães Motta – A Última Guerra Romântica – Memórias de um Piloto de Patrulha . Juscelino Kubitschek como Presidente da República. VOL.J.J.Fernando Hippólyto da Costa – Com a 1ª ELO na Itália . E. Magalhães Motta 17 – O Esquadrão Pelicano em Cumbica – 2º/10º GAv .Rui Moreira Lima – Santos-Dumont – História e Iconografia . VOL.Flávio José Martins 11 – Ministros da Aeronáutica 1941-1985 . E.J.COLEÇÃO AERONÁUTICA DO INCAER SÉRIE HISTÓRIA GERAL DA AERONÁUTICA BRASILEIRA VOL.José de Carvalho . 4 – Janeiro de 1946 a Janeiro de 1956 – Após o Término da Segunda Guerra Mundial até a Posse do Dr.Aluízio Napoleão – Senta a Pua! .Aluízio Napoleão – Santos-Dumont and the Conquest of the Air . SÉRIE HISTÓRIA SETORIAL DA AERONÁUTICA BRASILEIRA 1 2 3 4 5 6 7 – Santos-Dumont e a Conquista do Ar . VOL. E.Adéele Migon 18 – Base Aérea do Recife – Primórdios e Envolvimento na 2ª Guerra Mundial Fernando Hippólyto da Costa 19 – Gaviões de Penacho .Marion de Oliveira Peixoto 14 – Alberto Santos-Dumont . Magalhães Motta 13 – Os Primeiros Anos do 1º/14 GAv .Ivo Gastaldoni (ESGOTADO) 8 – Asas ao Vento .Newton Braga 9 – Os Bombardeiros A-20 no Brasil . E.Oscar Fernández Brital (ESGOTADO) 15 – Translado de Aeronaves Militares .

br e-mail: incaer@maerj.Tel: (21) 2101-4966 / 2101-6125 Internet: www. Aché Assumpção 9 – Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira (1685-1941) .Ivan Zanoni Hausen SÉRIE CULTURA GERAL E TEMAS DO INTERESSE DA AERONÁUTICA 1 – A Linha.Coriolano Luiz Tenan 3 – Ases ou Loucos? .Marina Frazão 5 – Anesia ..A. Centro .Jean-Gérard Fleury 2 – Memórias de um Piloto de Linha .RJ Cep: 20021-200 . de Mermoz.Coriolano Luiz Tenan 7 – O Vermelhinho – O Pequeno Avião que Desbravou o Brasil -Ricardo Nicoll 8 – Eu vi.br .Lysias A.Carlos P.Geraldo Guimarães Guerra 4 – De Vôos e de Sonhos . vivi ou me contaram . Seversky O Domínio do Ar .J. Pinto e Geraldo Souza Pinto 13 – Vôos da Alma . Magalhães Motta Da Estratégia – O Patamar do Triunfo .Murillo Santos A Psicologia e um novo Conceito de Guerra . P.Giulio Douhet A Evolução do Poder Aéreo .Nelson de Abreu O’ de Almeida Emprego Estratégico do Poder Aéreo . Rodrigues 11 – Crônicas. no Topo . 15-A.Adyr da Silva (ESGOTADO) O Caminho da Profissionalização das Forças Armadas .L.gov.Augusto Lima Neto 6 – Aviação de Outrora .Fernando Hippólyto da Costa 10 – O Roteiro do Tocantins .Ivan Reis Guimarães 14 – Voando com o Destino .aer. Guillaumet.João Soares Nunes 12 – Piloto de Jato . E.Rio de Janeiro .incaer.mil. Saint-Exupéry e dos seus companheiros de Epopéia .Ronald Eduardo Jaeckel (no prelo) Pedidos ao: INSTITUTO HISTÓRICO-CULTURAL DA AERONÁUTICA Praça Marechal Âncora.Murillo Santos Aeroportos e Desenvolvimento .SÉRIE ARTE MILITAR E PODER AEROESPACIAL 1– 2– 3– 4– 5– 6– 7– 8– A Vitória pela Força Aérea .. S.

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