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O ENSINO DA DISCIPLINA “GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA” NA

PROVÍNCIA DE SERGIPE (1870-1873)

Christianne de M. Gally1
Universidade Tiradentes

No século XIX, tanto na Corte quanto em Sergipe, a disciplina Gramática da
Língua Portuguesa era considerada a responsável pela formação primeira dos que
freqüentariam o ensino secundário, uma vez que esta precedia o ensino de Retórica e
Poética, cadeira última do curso de Humanidades2. Por disciplina escolar entende-se tudo
aquilo que se ensina, ou ainda, tudo aquilo que favorece a disciplina do espírito, através de
métodos e regras que versem sobre, não só os diferentes domínios do pensamento, como
também do conhecimento e da arte. (cf. Chervel, 1999). Apesar de serem apontados três
grandes problemas que cerceiam a constituição e o funcionamento das disciplinas de
ensino – gênese, finalidade e funcionamento–, apenas preocupar-se-á com um deles: a
finalidade.
Entre 1873 e 1874, foram publicadas no Jornal do Aracaju3 as Apostilas de
gramática (aos meus discípulos), de Brício Cardoso, professor do ensino primário superior
em Estância e, mais tarde, catedrático do Atheneu Sergipense.4 Essas publicações
compuseram, mais tarde, a obra Tratado da Língua Vernácula na qual é possível entrever
as formulações de suas categorias teóricas acerca do ensino da Gramática da Língua
Portuguesa. Uma de suas grandes preocupações era demonstrar quão importante era o
ensino desta disciplina para o aprendizado das outras ciências.
Cônscio das teorias materialistas irrompidas ao longo do dezenove, Brício
reivindicou o status de ciência para a disciplina Gramática, uma vez que acreditava ser ela
não somente a primeira das ciências, mas também um saber passível de observação. Para
ele, “as leis e regras da gramática (...) colhem-se na prática; a indução, a observação e a
comparação são os grandes instrumentos que as tornam parentes à indefesa inteligência das
crianças”. (Cardoso, 1944). Nesse ínterim, vislumbram-se, através das reformas
curriculares pelas quais atravessava o Colégio Pedro II, as idéias relativas à cientificidade,
em que algumas disciplinas, como a física e química, ganhavam mais ênfase.
Tratar-se-se-á, portanto, neste trabalho, sobre a relação existente entre a função da
disciplina Gramática da Língua Portuguesa, esboçada por Brício Cardoso, e os novos
moldes impressos pelo colégio Pedro II, na Corte, ao currículo do curso de Humanidades.

. a partir das reformas e regulamentos. a mesma concepção de vida e os mesmos ideais de ‘homem culto’(. que estas denominações refletiam as finalidades da educação a qual estavam atreladas. em concepções filosóficas que atravessaram este período. bibliografias. não visava por essa época senão formar letrados e eruditos. por conseguinte. a clareza do pensamento e da expressão. do ponto de vista intelectual. a mesma religião. A cultura humanística. pode ser muito mais definida por sua finalidade própria do que por seu conteúdo lingüístico e literário. isto é. s. Gramática Filosófica6. informações. concentraram todo o seu esforço. Cada uma dessas nomenclaturas apontava para uma determinada concepção lingüística8. (Durkheim.). desprovida de todo objetivo imediatista”. aos ideais. dessa forma. ou seja. (Chervel. detinha o conhecimento necessário para a compreensão de todos os livros e . o rigor no encadeamento das idéias e das proposições. nos seus discípulos as atividades literárias e acadêmicas que correspondiam. É possível entrever. as Humanidades tinham como objetivo primordial a construção de uma elite. Vários títulos foram-lhe dados. (Azevedo. transmitir quase na sua integridade o patrimônio de uma cultura homogênea. de qualquer ciência. a adequação mais justa possível da língua à idéia”. No século XIX.10 As gerações que se formaram sob sua [dos jesuítas] direção espiritual. por sua vez. baseada.d. 516). p. a disciplina Gramática da Língua Vernácula constituía o curso de Humanidades que designava um ideal de educação voltado para a formação integral do homem. desinteressada. a gramática constituía-se na “chave necessária para abrir todas as fechaduras”. – a mesma língua. Gramática descritiva7 ou tão somente Português. o cuidado com a medida e o equilíbrio. sobrecarregado de assuntos. Ela representava uma “educação gratuita. como Gramática Nacional5. p. 1995.. ou seja. dominada pelo clero. souberam. 58). se encastelara o espírito da Idade Média e a educação. de resto. . pois.9 Com um programa extenso. Humanistas por excelência e os maiores de seu tempo. de homem culto em Portugal onde. Era do interesse da educação clássica “desenvolver um certo número de qualidades. 1992)..A Gramática no curso de Humanidades Uma das disciplinas que compunham o trivium. etc. como e toda a península ibérica. em desenvolver. em mais de dois séculos.

cargos e funções públicas. acreditavam que o ensino científico seria a única alternativa que animaria toda a atividade educativa. (Gasparello. Razzini. . Embora muitos reconhecessem a importância das ciências na instauração de uma nova ordem. físicas e . ainda eram os estudos literários os responsáveis supremos pela formação e condução dos alunos ao bacharelado. francesa. formando eruditos.. grega. função dos estudos de Humanidades formar a aristocracia e preparar as elites condutoras do país. assim como das línguas mortas. além de demonstrar maior preocupação com as ciências matemáticas. assim. 274). 2000).Era. reforçavam. Essa cultura. o método históricocomparativo.. instaurando uma nova conduta intelectual. a maior atenção fora dada ao ensino das ciências físicas e naturais. através do decreto 4. pelo Colégio Pedro II como a bandeira da “ilustração brasileira”. inglesa e alemã) deveria ser sempre comparada com a da língua portuguesa. como também a ele foi acrescido o estudo histórico da língua portuguesa. portanto. especulativa e desinteressada foi a marca de distinção de uma elite (. Os textos gregos e latinos. dentre outras medidas. que incluía a admiração ao seu passado clássico. não somente foi a leitura dos autores clássicos expressamente recomendada. o programa implantado no Colégio Pedro II apontava para uma nova concepção de educação secundária através das mudanças curriculares: ao invés de formar e fortalecer o espírito da mocidade. representante de uma nova perspectiva aos estudos da linguagem que dava novo rumo às práticas pedagógicas das línguas modernas. Além disso. portanto.. uma polêmica entre os defensores das letras e os propugnadores dos estudos científicos. além da ênfase no estudo da Antigüidade. 1972). a ligação espiritual do restrito círculo de pessoas que viajavam e conheciam a língua e a história das nações civilizadas. o caráter desse modelo serviu a uma elite que tinha como parâmetro de cultura o mundo ocidental europeu. e sendo a ele confiado a missão de formar integralmente o novo cidadão. Em 1870. contudo.) que permitia aos seus possuidores títulos oficiais. pelo ensino. (cf. Haidar. (cf. o programa ainda definiu que toda gramática estrangeira ensinada no Pedro II (latina. Com um novo currículo adotado. As disciplinas relativas às ciências naturais. O ensino científico foi inaugurado..468 de 1º de fevereiro de 1870. porém. 2002. a partir desta nova concepção curricular. As letras e a ciência Travou-se. p. Disseminava-se. Outros.

por exemplo. instaurou-se um novo programa no Colégio Pedro II. para estes. ao invés de hábitos mecânicos de decorar e repetir. em 1870. Gramática “é ciência” . Era necessário abandonar os métodos mnemônicos que só serviam para sobrecarregar a memória de definições. p. mas um meio de desenvolver uma atitude crítica que caracterizava a educação dos sentidos. também oferecia suas resistências quanto ao ensino da Gramática. A gramática. 1972). Haidar. que foi proposto pelo ministro e Secretário de Estado e de Negócios do Império Paulino José Soares de Sousa (cf. sua ascensão. p. começou-se a condenar o ensino excessivo da Gramática. nesse período. a ciência decai de parte sua dignidade. As dissensões entre os estudos científicos e as letras eram também visíveis nos discursos de Rui Barbosa que afirmava serem os dois elementos inseparáveis. de Júlio Ribeiro reflete o “desejo de se aplicar às línguas controvertidos princípios do evolucionismo biológico que domina o clima intelectual da época”. 1882. por meio do raciocínio. por exemplo. uma vez que “sem o gosto e a beleza do estudo literário. No final do século XIX. de definições e de vocábulos sem que houvesse compreensão de texto e o uso do raciocínio. 36-38). entretanto. (Bezerra. Daí. 1985.” (Barbosa. Os novos métodos que sobrepunham a reflexão na aprendizagem ao uso da memória também contribuíram para incrementar os estudos científicos. muitos intelectuais viam na ciência uma nova atitude que deveria impulsionar a educação. as correntes evolucionista e positivista já influenciavam a construção de gramáticas e a maneira pela qual suas finalidades eram articuladas. No campo dos estudos literários. de vocábulos e de regras e sutilizas gramaticais para exigir do aluno provas de haverem compreendido o texto e as explicações do professor. uma vez que.químicas tiveram. por considerá-la cheia de regras minuciosas. e perde um meio poderoso de influência sobre o espírito humano. atribuiu maior importância ao vernáculo e restringiu as exigências referentes aos estudos literários. 168-169). no qual se deu maior desenvolvimento ao ensino das ciências físicas e naturais –concentradas nas últimas quatro séries do secundário – distribuiu os estudos matemáticos de acordo com o desenvolvimento mental dos alunos. Imbuídos das teorias positivistas. a ciência não era somente a transmissão de conhecimentos úteis. O movimento em prol da vitalização do ensino. porém.

Em Sergipe. que serve unicamente para demonstrar que também ha materialistas em questões de instrução pública. Para isso. era a ciência inicial. sujeitos às leis físicas dos corpos sonoros e do movimento”. O fato de considerá-la “ciência” já reflete a preocupação em defini-la conforme as novas concepções positivistas. e os progressos sempre crescentes da democracia fazem diminuir cada dia o número daqueles que se podem exclusivamente ocupar com as cousas do espírito. Apesar de ser instalado em 1870. Em um século todo de tendências positivistas. Geografia e História. seria catedrático e membro da Congregação do Atheneu Sergipense. entre outras heresias que nesta matéria ouvimos proferir na Assembléia Provincial por um membro da comissão de instrução pública. o Atheneu Sergipense enfrentou algumas dificuldades em estabelecer definitivamente o curso de Humanidades. Ou seja. Em relação a este fato. Retórica e Poética. portanto. Para ele. “uma verdadeira ciência”. era que a Gramática não só representava a erudição. Daí a insistência de . diretor da Escola Normal e sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe – defendia a idéia de que o ensino da Gramática da Língua Portuguesa deveria acontecer antes de qualquer outra ciência. além da parte mecânica “que considera os vocábulos como novos sons articulados. Concomitantemente a estes embates. Inglês e Gramática Nacional. o articulista do jornal A Liberdade se pronunciou: É verdade que já temos visto quem condene o ensino clássico que se faz no Atheneu e. O importante. poderia ser aprendido sem o seu conhecimento. apresenta. Brício imputava à gramática um lugar de destaque dentro da classificação spenceriana de ciência. Nenhum outro ramo científico. é perigoso preparar e estimular a mocidade para correr em busca do ouro. (Cardoso. inicialmente. Aritmética. essas reformas provocaram algumas dissensões no palco do curso de Humanidades do Atheneu Sergipense que apresentava um caráter enciclopédico. a Gramática era a primeira das ciências. também possui uma parte lógica “que os considera como sinais artificiais das idéias. quando a vontade de enriquecer é uma verdadeira que abaixa deploravelmente o nível social. 1873). sujeitos às leis psicológicas que regem a alma do homem no exercício de suas operações e formação dos seus pensamentos”. ele se justifica afirmando que a gramática. Brício Cardoso – que. Não nos parece porem que as pessoas que estudam os problemas e sobre ele pensam refletidamente possam abraçar semelhante opinião. Francês. ademais. a ilustração. constituído pela reunião das disciplinas isoladas de Latim. mais tarde. sobressaía essa extravagante opinião do que a mocidade sergipana carece apenas dos esclarecimentos que lhe permitiam alcançar essa ou aquela indústria. no momento em que a reforma estava ainda sendo implantada. desprovido de todo objetivo imediatista e. a sabedoria nas letras. Álgebra e Geometria. filosofia Racional e Moral. como também era a arte da escrita.

1873).Brício em afirmar que não adiantariam a física.. é da maior vantagem que leve o conhecimento da gramática da língua vernácula. 1873). as leis da proposição.. Não somente o estudo da Gramática da Língua Vernácula serviria para aprender não só a todas as ciências e a todas as línguas modernas e vivas. dependendo o valor de suas idéias da lógica e sã construção da frase e do verdadeiro emprego dos vocábulos. compreender as outras disciplinas. a moral. o aprendizado da gramática ainda contribuía. ao menino brasileiro seria indispensável o ensino da ciência da linguagem. O homem pode . Como era a disciplina responsável por “estabelecer os princípios fundamentais e as leis gerais que presidem à construção lógica e a análise filológica da proposição”. aprender o latim ou aprender as outras línguas vivas. a astronomia. a fisiologia. era primordial o seu aprendizado pois que se constituía numa das etapas do aprender a ler e a bem escrever11 para. que era também arte e ciência. (. a crítica. “ler e escrever eram habilidades fundamentais para a inserção numa sociedade da escrita e constituíam oportunidades inequívocas de formação de caráter”. são de construções. necessariamente também sabia aprender a conhecer. não era lícito a quem quer que seja.. a sublime e escabrosa teoria gramatical que. como também o latim com maior facilidade12.. Quem sabia falar e escrever. portanto. porque as diferenças que se notam entre elas são acidentais. 1998. a bem pensar. se a criança. a física. porque a ciência gramatical é anterior a todas as línguas e.. só depois. apesar de estar em declínio nesse período13. a querer a bem sentir. pois que para o estudo daquelas. a estética. em sua bagagem cultural. deixar de conhecer a lei do discurso. a história. Assim sendo. ainda era considerada importante na formação clássica. a química. não levasse consigo os saberes da gramática da língua vernácula.) Isto é claro. abrem-se-lhe as portas das escolas das línguas sábias. é indispensável o conhecimento desta. a nenhum homem. etc.. mas nunca de princípios. (Cardoso. a literatura. em luta titânica. aplicada à própria língua (. a política. como o alemão. desconhecendo as línguas em que escreveram os grandes apóstolos dessas ciências. percebe-se e compreende-se muito mais facilmente do que aplicada às línguas desconhecidas.14 Aprender as outras ciências. a medicina. civilizado15. e psicologia. ainda vigente no século XIX. etc. Afinal. o valor e peso específico das palavras. a lógica. porque todas as línguas estão sujeitas às mesmas noções gerais e imutáveis. p.). a jurisprudência. etc. língua que. decisivamente na formação do homem educado. A todas as crianças. Se vai aprender as línguas mortas. 177). o francês. (Cardoso. finalmente. a poesia. (Souza. Eu não sei que se possa aprender a filosofia. sai-lhe. Se ao sair da escola primária. a química. as matemáticas. são de formas.

1949/1951. Dissertação de Mestrado. Revista do IHGS. ELIA. CASTRO. A língua nacional do Brasil. 2000. n. Silvio. Celso. Notas 1 Mestre em Educação/ UFS e professora do Curso de Letras da Universidade Tiradentes. 5 Esta dominação reflete a luta pela nacionalidade impressa pela corrente romântica. SOUZA. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 6 Também conhecida como Gramática Geral. Roberto Acízelo. In: BARROS. Maria Thetis. NUNES. São Cristóvão: UFS. 4 Fundado em 1870. CALASANS. Aracaju: Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Sergipe: Universidade Federal de Sergipe. douto. História da Educação em Sergipe. CHERVEL. 4ed. 1981. p.1. mas também disciplinar e robustecer o espírito. o agricultor. 1970. que dava suporte às mais recentes pesquisas científicas na lingüística. O mecânico. as Humanidades imprimiram um modelo de formação intelectual nos séculos em que vigorou. O velho Ateneu Sergipense hoje Colégio Estadual de Sergipe. n. CUNHA. Educação e Pesquisa. Os discursos do descobrimento. André & COMPÈRE. Marie-Madeleine. Sobre esse assunto. v. José. Formação e desenvolvimento da língua nacional brasileira. Retórica.º 20. p. ver GALLY. A língua nacional e outros estudos lingüísticos. Era. São Paulo: FENSP. finalidade do ensino da Gramática de Língua Vernácula formar. TORRES. desprezando a cultura da palavra. 7 Desde o século XVIII. Christianne. Vol. O ensino público em Aracaju: 1830/1871. mas também igualmente moral e cívica” (cf. São Paulo: EDUSP. Afrânio (direção)& COUTINHO. 1961. mas apenas descrever as línguas.não ser homem de ciência. alguns gramáticos queriam não estipular normas de conduta. todos devem saber tão bem a sua língua. A literatura no Brasil. FAPESP. físicas e químicas. São Paulo: Global. As humanidades no ensino. “antes. a Gramática filosófica foi a que talvez exercera maior influência no ensino de Gramática da língua portuguesa durante quase todo o século XIX Ela propunha ser a ciência das leis da linguagem às quais se submetiam todas as línguas e utilizava a comparação do vernáculo com o latim. Brício Cardoso no cenário das Humanidades do Atheneu Sergipense (1870-1874). Era ele composto dos cursos Normal e de Humanidades. Aracaju: Imprensa Oficial. Aracaju. 8ªed.). 1999). O império da eloqüência: Retórica e poética no Brasil oitocentista. o que a ninguém é livre. 1984. e principalmente. José Ariel. para ele. O problema da língua brasileira. Diana Luz Pessoa de(org. Eduardo de Faria (co-direção). Rio de Janeiro: EDUFF: EDUERJ. excedia-se em importância quando se tratava de construir o conhecimento necessário à formação do homem civilizado. O curso de Humanidades foi alvo de inúmeras definições. 3 O período das publicações estende-se de 22 de outubro de 1873 a 14 de abril de 1874. como o literato e o homem da ciência.. Sobre esse assunto ver RIBEIRO. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. o artista. Rio de Janeiro: INL: MEC. 96-120. jul. Petrópolis: Vozes. Será porventura bem educado aquele que. preparando as crianças para os estudos superiores. v. o estudo da mecânica da frase desce até quase confundir-se com o bruto? Certamente não. 2 . Língua de civilização e línguas de cultura. Brício revela ser um intelectual preocupado com a “febre” cientificista que norteava as reformas dos currículos do Colégio Pedro II. uma educação. o ensino da Gramática. 15. (Cf. o Atheneu Sergipense fora o responsável pelo ensino secundário na Província. 1979. se descurar-se de ser homem de educação. não só letrados ou cientistas. 1999).2. 1997. João. portanto. 25. Apesar da ascensão das ciências naturais. . Considerada como.149-170. educação estética. Por defendê-la como a primeira das ciências. Eduardo. GUIMARÃES. baseando-se no método histórico-comparativo./dez. 2004.In: COUTINHO. Araújo Acrísio. Língua portuguesa e realidade brasileira. mas cometerá um crime da lesa sociabilidade.

nas línguas do norte da Europa. cit.) Ainda sobre esse aspecto. 1999.. passaram a influenciar o ensino da disciplina Gramática. 1964.. Porto Alegre: Ed. V.). São Paulo. “Quando surgiu o ensino secundário?” Revista da Faculdade de São Paulo. ao nível de tecnologia. As doutrinas de Max Muller. op. 13 Em 1870. Barbosa. Bopp. BASTOS. A educação secundária: perspectiva histórica e teoria. 1994. constituiu.468 de 1º de fevereiro de 1870. ver NUNES. Se tem de aprender as línguas vivas./ago. 14. é o desespero dos estudantes”. através do decreto 4.. 2000. André. facilmente. da Universidade de São Paulo. e de conhecer e de distinguir caráter e a índole de umas e de outras. Gaston Paris. 15 O conceito de civilização sempre foi bastante discutido na esfera intelectual. O processo civilizador: uma história dos costumes. a gramática era considerada a porta dos outros estudos. Pequena História da Lingüística. “o programa implantado nesse estabelecimento dava sinais de declínio da formação tradicional. Brunot. V. mai. Sobre esse assunto. 1. a estuda nas línguas estranhas. O quadro de horário das aulas no Colégio Pedro II. inserida mais plenamente nos atributos de liberdade e propriedade. Jean. como também seus mecanismos de exposição dos assuntos inerentes a ela. com pouco trabalho. a idéia de “civilização/Kultur” expressa uma consciência nacional (para os franceses e ingleses) ou ainda uma auto-imagem do estrato intelectual da classe média (para os alemães). Ayer.SP: Unicamp. 1972. 4ªed. 1983. às vezes. 10 O curso de humanidades oferecido pela instrução secundária se destinava “a formar a elite ilustre e ilustrada. da qual depende a boa eleição dos mais.. Fréderich Diez. Geraldo Bastos. ELIAS. por tornar-se fácil de achar a razão de certas estruturas gramaticais. São Paulo.8 Era o método histórico-comparativo aplicado à aprendizagem considerado como o mais inovador no ensino da língua vernácula. Whitney. um padrão do que seria civilização numa sociedade. Leonor Lopes. O ‘velho’ e ‘bom’ ensino secundário: momentos decisivos. assinalando mais um degrau rumo ao declínio da formação clássica. Littré. quanto no nível mais amplo do Império”. Darmesteter. A escolarização dos saberes elementares na época moderna. op. (NUNES. 14 Ele ainda continua: “aquele que estudou a teoria gramatical na sua língua. Maria de Lourdes Mariotto. aponta a diminuição de 23% na carga horária de latim. NEF. cit. SILVA. 1990. ROBINS. FÁVERO. A cultura brasileira: introdução ao estudo da cultura no Brasil. Fernando de. ver LEROY. 1996. Maurice. 11 Sobre a escolarização dos saberes. Miguel Bréal. Foi a partir da consciência de superioridade ou da consciência de civilização do seu próprio comportamento e sua corporificação na ciência. São Paulo: Companhia Editora Nacional. queda que se tornaria irreversível e acentuada nos programas seguintes”. 12 Desde as reformas pombalinas. São Cristóvão: Editora da UFS. restando apenas o embaraço da prosódia. O ensino secundário no Império. de 1865. Maria Thétis. 1992. (RAZZINI. Sobre esse assunto. 1971. o conhecimento da língua vernácula faz delas desaparecer toda a dificuldade etimológica e sintática. nas artes e na tecnologia que a França. sem enfado. que. não só inovando seu método de ensino. H. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Cf. R. Brachet. Contribuição à História da gramática portuguesa: o século XVII. O ensino secundário e sociedade brasileira. São Paulo: Ed. para o ocidente. Norbert. São Paulo: Melhoramentos. As concepções lingüísticas no século XVII: a gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. n. ver HEBRARD. 1. São Paulo:Cultrix. Tese (Doutorado em Ciências Humanas: Língua Portuguesa) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. n. Campinas. Referências bibliográficas AZEVEDO.99-112. Mas este aprendizado não deveria partir do estudo da gramática latina como vinha sendo feito pelos jesuítas. p. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. 1987. A linguagem: uma abordagem filosófica. Revista Teoria & Educação. Relacionada. tanto no nível local. 1995. 9 CHERVEL. Adolpho Coelho e outros. Revista Brasileira de Educação. As grandes correntes da lingüística moderna. portadora de privilégios do pequeno círculo que participava do poder de Estado. ver BEZERRA. com nova queda do latim e da Retórica (. 1969. e HAIDAR. Pannonica. Clarice. às maneiras e aos costumes de cada sociedade. Neusa Maria O./jun.). Frederic. por exemplo. 18./jul. .

n. Aracaju. A evolução pedagógica. Revista do IHGS. 1978. O problema da língua brasileira. 18. _______________. Brício. CALASANS. 1. 1997. José Ariel. Aracaju. Os discursos do descobrimento: 500 e mais anos de discursos. Educação e sociedade. Discurso do professor Brício Cardoso no ato de abrir sua escola este ano. 1981 DURKHEIM. 1996. Diana Luz Pessoa de (org. Silvio. Leonor Lopes. André & COMPÈRE. São Paulo: EDUSP. São Paulo: FENSP. Norbert. Aracaju./dez. 1985. . 05 de fevereiro de 1874.149-170. Norma e linguagem: um estudo sobre a representação da norma em gramática da Língua Portuguesa. 1994. _______________. 96-120. As concepções lingüísticas no século XVII: a gramática portuguesa. Marie-Madeleine. 8ªed. 1949/1951 CARDOSO. n. “A produção gramatical brasileira no século XIX – da gramática filosófica à gramática científica”. In: BARROS. 15. (b) Aracaju. Jornal do Aracaju.. Émile. p. n. O ensino público em Aracaju: 1830/1871. 15 de janeiro de 1873. Tese (Doutorado em Filologia e língua portuguesa) – Universidade de São Paulo. 1995. São Paulo: Global. CASTRO. “Quando surgiu o ensino secundário?” Revista da Faculdade de São Paulo.1.º 20. jul.SP: Unicamp. ELIAS.BEZERRA. 1. 1961. Formação e desenvolvimento da língua nacional brasileira. O processo civilizador: uma história dos costumes. A literatura no Brasil. .). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Porto Alegre: Artes Médicas.2. 1999 CHERVEL. Eduardo de Faria (co-direção). Antonio Ponciano. FÁVERO. V. Campinas. “As humanidades no ensino”.In: COUTINHO. ________________. 1992 CUNHA. Celso. Rio de Janeiro: INL: MEC. Jornal de Aracaju.99-112. São Paulo. Vol. André. FAPESP. 2000. V. CHERVEL. V. p. Educação e Pesquisa. José. Apostila de gramática. Afrânio (direção)& COUTINHO. Língua portuguesa e realidade brasileira. ____________________. Discurso proferido no dia do encerramento das sessões da aula de ensino primário superior da cidade da Estância pelo respectivo professor. 25. no ano letivo de 1872. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. v. 4ed. Jornal do Aracaju. p. São Paulo. 01 de novembro de 1873. São Paulo: Melhoramentos. ELIA.

Anais. Pequena História da Lingüística. João. Maria de Lourdes Mariotto. Arlette Medeiros. Márcia de Paula Gregório. Os discursos do descobrimento. 1998. Maria Helena de Moura. FAPESP. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. RAZZINI. Rio Grande do Norte./ago. São Paulo:Cultrix. 2002.. Diana Luz Pessoa de(org. Revista Brasileira de Educação. In: BARROS. Aracaju: Imprensa Oficial. Templos de civilização: a implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo (1890-1910). “O Colégio Pedro II e as Humanidades: a invenção do secundário”. Frederic. LEROY. HEBRARD. A língua nacional e outros estudos lingüísticos. TORRES. Tese (Doutorado em Teoria Literária). Revista Teoria & Educação. 21 NUNES. Rio Grande do Norte. 2. “A escolarização dos saberes elementares na época moderna”. Eduardo. Araújo Acrísio. A linguagem: uma abordagem filosófica. 2000. RIBEIRO. R. Rio de Janeiro: EDUFF. As grandes correntes da lingüística moderna.GASPARELLI. São Paulo: EDUSP. 2000. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1970. da Universidade de São Paulo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. O velho Ateneu Sergipense hoje Colégio Estadual de Sergipe. 2002. 1971 NEF. Clarice. ensino. Instituto de Estudos da Linguagem. 2000. 1979. 1990. O espelho da nação: a antologia nacional e o ensino de português e de literatura (1838-1971). São Paulo: UNESP. São Paulo: Ed. EDUERJ. Pannonica. . São Paulo: Fundação Editora da UNESP. Porto Alegre: Ed. 1983. NEVES. 1984. O ensino secundário no Império./jun. p. Ensino secundário e sociedade brasileira. Rosa Fátima. ROBINS. Língua de civilização e línguas de cultura. Universidade Estadual de Campinas. H. 1999 SOUZA. Petrópolis: Vozes.. 274 . GUIMARÃES. O império da eloqüência: retórica e poética no Brasil oitocentista. UFRN. Campinas. Maria Thétis. “O ‘velho’ e ‘bom’ ensino secundário: momentos decisivos”. São Cristóvão: Editora da UFS. Roberto Acízelo. A gramática: história. SOUZA. História da Educação em Sergipe. In: Congresso Brasileiro de História da Educação. Maurice. 1995. 2002. 1999. NUNES. 14. __________________. 1972. mai. teoria e análise. HAIDAR.)./jul. Aracaju: Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Sergipe: Universidade Federal de Sergipe. p. A língua nacional do Brasil. Jean. n.