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O ESTADO DE S.

PAULO
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SEXTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2010

Economia B5

Lula vê ‘gracinha’ com leis do pré-sal
Presidente disse ter alertado que, em ano eleitoral, ‘todo mundo ia querer fazer gracinha’ com o novo marco regulatório do petróleo
Denise Chrispim Marin
ENVIADA ESPECIAL / AMÃ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o Congresso de fazer “gracinha” com os projetos de lei que estabelecem o marco regulatório para o pré-sal. E criticou os parlamentares por deixar para um ano eleitoral a votação de questões polêmicas, como a divisão de royalties. “Eu sabia que em ano de eleiçãotodomundoquer fazergracinha. Sabia e alertei todo mundo sobre isso”, disse o presidente ontem, durante visita à capital da Jordânia. Os quatro projetos foram encaminhados ao Congresso em setembro, depois de mais de dois anos de estudos. Apesardacomplexidadedaspropostas, o Planalto queria que a Câmara e o Senado aprovassem as medidas em quatro meses. A própria base aliada, entretanto, atropelou os planos quando iniciou as discussões sobre a divisão dos royalties do petróleo entre Estados e municípios. Na troca de farpas, os Estados produtoreseogovernoforamderro-

tados na Câmara e correm o risco de perder de novo no Senado. Apesar do clima de disputa, Lula disse que o Palácio do Planalto não vai intervir nas discussões dos parlamentares. “Eu já cumpri minha parte”, disse o presidente, referindo-se ao envio das propostas. “A bola agora está com o Congresso, ele que resolva o problema.”
Ameaça. As bancadas do Rio,

Espírito Santo e de São Paulo no Senado prometem dificultar a

Batata quente

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA

“Eu sabia que em ano de eleição todo mundo quer fazer gracinha. Sabia e alertei todo o mundo sobre isso” “Eu já cumpri minha parte” “A bola agora está com o Congresso, ele que resolva o problema”

votação dos projetos na Casa se não for fechado acordo para mudar a regra de divisão aprovada pela Câmara na semana passada. Os senadores querem estabelecer um novo mecanismo que preserveosprivilégios que osEstados produtores têm no recebimento dos recursos provenientes dos royalties. A medida aprovada na Câmara acabou com o diferencial do benefício e irá, caso mantida, fazer uma divisão igualitária entre todos os Estados e municípios brasileiros. Ao mesmo tempo em que defendeu a independência do Congresso para decidir sobre a questão, o presidente advertiu que vai se “sentar e debruçar” sobre otema,casoo textofinal doCongresso seja “muito diferente” do proposto pelo Planalto. Opresidente, porém, nãoconfirmou o veto à nova sistemática de divisão de royalties, caso seja mantidapeloSenado.Apossibilidade de veto foi mencionada várias vezes pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), durante as discussões da matéria – e admitida pelo próprio Lula a interlocutores.

WILSON PEDROSA/AE

Suspense. Lula não confirmou o veto à emenda que divide os royalties, se mantida no Senado