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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL
DOUTORADO EM SERVIÇO SOCIAL

FABIANA AGUIAR DE OLIVEIRA

ENTRE REBELDIA E CONFORMISMO: A LUTA DO MOVIMENTO
NACIONAL DE LUTA PELA MORADIA (MNLM) PELO ACESSO À
MORADIA NO RIO GRANDE DO SUL

Porto Alegre, 2011

FABIANA AGUIAR DE OLIVEIRA

ENTRE REBELDIA E CONFORMISMO: A LUTA DO MOVIMENTO
NACIONAL DE LUTA PELA MORADIA (MNLM) PELO
ACESSO À MORADIA NO RIO GRANDE DO SUL

Tese de Doutorado apresentada como
requisito para obtenção do grau de Doutor
em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do
Sul.

Orientadora: Professora Doutora Berenice
Rojas Couto

Porto Alegre, 2011

FABIANA AGUIAR DE OLIVEIRA

ENTRE REBELDIA E CONFORMISMO: A LUTA DO MOVIMENTO NACIONAL
DE LUTA PELA MORADIA (MNLM) PELO ACESSO À MORADIA
NO RIO GRANDE DO SUL

Esta tese foi considerada aprovada para
obtenção do grau de Doutor em Serviço Social
na Faculdade de Serviço Social da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Porto Alegre, 02 de março de 2011.

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________
Professora Doutora Berenice Rojas Couto (Orientadora)
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

______________________________________________________
Professora Doutora Jane Cruz Prates
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

______________________________________________________
Professora Doutora Jussara Maria Rosa Mendes
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

_____________________________________________________
Professora Doutora Beatriz Augusto de Paiva
Universidade Federal de Santa Catarina

______________________________________________________
Professora Doutora Idilia Fernandes
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Dedico este trabalho
aos militantes do Movimento Nacional de Luta
Pela Moradia, que lutam por um outro mundo,
mais humano e justo; ao meu amor eterno,
Antonio Ricardo Terra Dalpicol, por fazer da
minha vida um sonho real; e à minha
orientadora Berenice Rojas Couto, que tornou
esta tese uma realidade

AGRADECIMENTOS

és também uma referência de ser humano. fruto.. à Dona Sandra e ao Seu Antonio. Divido esta conquista. Marcelo e Daniela. embora pareça uma produção solitária. mãe e sempre amiga fiel. tu. vocês me ensinaram que os sentimentos mais importantes da vida são o amor. Karina e Luquinhas.. somente consegui chegar até aqui. que também considero como pais. não só neste trabalho. Agradeço ao meu querido cunhado. que materializa nosso projeto ético-político no que diz e no que faz.Uma tese. ao meu pai-tio Ademar. Tu sabes o quanto és fundamental na minha vida.. sempre com uma palavra de entusiasmos e de apoio nos momentos em que precisei. me presenteou com pessoas muito especiais. agradeço pelo apoio.. Tenho muito orgulho de você como profissional. incentivando-me e dando amor. tuas muitas horas de trabalho. pelo carinho e pela compreensão. com uma grandiosidade de espírito raríssima. cor e muita música.. nesses quatro anos. Agradeço a Deus pelo privilégio de ter ao meu lado. às vezes. obrigada por me apoiarem nos meus estudos e na vida.. essas pessoas sempre estiveram ao meu lado. Obrigada. Família. minha vida. Agradeço a Deus. e compartilho contigo todo o meu amor. competente e qualificada. uma referência não só profissional.. Agradeço à minha orientadora e amiga Berê.. minha mãe-tia Elyta e. com as quais pude sempre contar nos momentos alegres e nos mais difíceis também. teu chazinho tem poder. Agradeço à Vera pela compreensão e pela sempre fraterna acolhida. um dos maiores presentes que a vida me deu. o respeito e a humildade diante dela. e agradeço à maninha Eleonora. meu Deus! Agradeço à minha FAMÍLIA. Teu apoio incondicional. Agradeço ao meu amor. Sendo assim. És uma guia para mim. vocês são o meu porto seguro. À minha irmã Patrícia. em memória. porque tu estiveste sempre ao meu lado. generosamente.. Ricardo. Ela foi construída graças ao conjunto de sujeitos que fizeram esta construção possível. Agradeço-te também pela família Terra Dalpicol. irmão. e. como filho. . Paulo Cezar. é um produto. os pais que Deus me deu. Você enche minha existência de luz. compartilha conosco tua sabedoria.. do trabalho coletivo e acumulado. a todos agradeço imensamente. e Maurício. um irmão para mim. minha alegria. em verdade. que só me traz alegrias. amigo e esposo. minha maninha. Agradeço aos primos Maria de Lourdes e Deniclei. Tu tornaste este trabalho possível. traz a mim segurança para que cresçamos juntos. não apenas disponibilizando tua biblioteca. que. em sua infinita bondade e generosidade.

Agradeço à queridona Edla. Roberto e Vitor. de vocês e da Vane. que. obrigada pela generosidade de compartilharem comigo tudo isso. mana querida. meu agradecimento pela oportunidade de realizar minha formação profissional dentro de um dos melhores programas de pós-graduação do Brasil. Agradeço ao amigo de todas as horas Tiago Martinelli. Vane e Bê. .. desde o Mestrado. mas não nossos corações. pelos inúmeros momentos de desabafo. pois sei que os tenho. Ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. carinho e apoio que sempre recebi de ti. ―mãezona‖ em todos os momentos. felizes e também para elaborar este estudo. obrigada pela força. Agradeço as queridas amigas Sheila e Vick. querida. através do fomento e do investimento na qualificação dos técnicos de nível superior. por meio da qual foi possível a concretização do Doutorado em Serviço Social. agradeço. de forma muito especial. Elis. me oportunizou uma bolsa de estudos. amiga-irmã. Agradeço ao Paulo e à Dolola. pelos cuidado. tenho alimentado uma amizade cheia de companheirismo e risos. fisicamente. pelo cuidado e pelo carinho que sempre têm comigo. um casal ímpar em todos os sentidos. Sávio. aos queridos Marco e Cris. Obrigada pela preocupação. Beras. que. amiga para toda a vida.. Mesmo longe. Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). me apoiaram em momentos delicados. Aos amigos Iver. tanto no conhecimento quanto no carinho. ao megacolorado Gabriel e à Helena. Agradeço aos amigos de São Borja. À querida amiga Luciana Kraemer. um imenso amor. me acolheram lá pras ―bandas‖ do Pampa. que os pampas me presentearam. Vocês Vane e Taty são exemplos para mim. Difícil não falar das duas juntas. obrigada pela convivência. Agradeço à querida amiga e colega de ―ap‖. Ronaldo Fábio e Vivi. a distância apenas afastou nossa convivência. por compartilhar teu conhecimento comigo e principalmente o que tu mais tem para compartilhar. que somente me trouxeram alegrias. quero apenas agradecer por existirem na minha vida.Aos meus amigos Tatynha. sinto-me sempre fortalecida. É um prazer trabalhar contigo. com quem.

que me apoiaram neste percurso de doutoramento. Karine. realizam seu ofício. Fábio. que vem investindo na formação dos seus servidores. que tão generosamente aceitou compartilhar do seu imenso conhecimento. reafirmando nosso Projeto Ético-político sobre os fundamentos do marxismo. que fazem daquele espaço realmente um mecanismo de construção coletiva de conhecimento. Obrigada por ter aceitado fazer parte deste momento de banca. com suas competência e dedicação ao estudo do tema deste trabalho. que. além de ter sido uma excelente aluna. em especial à Andréa. pelo apoio. respeito. compartilharam dos seus conhecimentos. com muita competência e dedicação. uma referência de competência. tão dedicadamente. se empenharam no aprendizado da pesquisa. agradeço à Professora Jussara. com muito carinho. Ao Núcleo de Estudos de Políticas e Economia Social (NEPES). agradeço aos colegas do Curso de Serviço Social. agradeço pela acolhida calorosa de seus integrantes e professores. dignidade e carinho. Vou sentir muito saudade da alegria e da luz que emanam de vocês nesses corredores. Bruna. Agradeço à Universidade Federal do Pampa (Unipampa). aos demais colegas professores e técnicos. Simone e Carol. desde a graduação. instituição da qual tenho orgulho de fazer parte em seu corpo docente. . deixando nossa vida mais fácil e alegre. Leonia. vem construindo comigo a trajetória de formação acadêmica desde a graduação. pela leitura criteriosa deste trabalho e pelas valiosíssimas contribuições para qualificação do mesmo. Em especial. Laura. que. Paty e Darling do Pós-Graduação e da Faculdade de Serviço Social. Agradeço à Professora Idilia. Obrigada pela disponibilidade de compartilhar comigo teu conhecimento. Em especial. Agradeço à Direção do Campus São Borja. vem transmitindo a paixão pela pesquisa e pela profissão. agradeço pela amizade que compartilhamos. que. que. neste momento de banca. sempre. com dedicação. Agradeço às queridas secretárias e amigas Juliana. Gleny e Patrícia.Agradeço aos Professores deste Programa de Pós-graduação Ana Lúcia. Jaina. enriqueceu este material. Jorge. Um especial agradecimento envio ao Mestre e amigo Carlos Nelson. dedicação e competência. fez parte de todas as minhas bancas desde o TCC até o doutorado. Agradeço às queridas acadêmicas Lauriane. e que. À Karine. hoje UFSM. Cristina. Eliana. que. Agradeço à Professora Beatriz Paiva. Um agradecimento muito especial à Professora e amiga Jane.

Aos queridos alunos da ULBRA Carazinho. essa luta é de todos nós. Agradeço à Valesca. a concretização deste trabalho só foi possível em virtude de vocês terem-se disponibilizado a trocar seus conhecimentos comigo. Cachoeira do Sul. pela dedicada e competente revisão deste trabalho. Um agradecimento muitíssimo especial dedico aos participantes deste estudo. Agradeço pelo aprendizado oportunizado e por fornecerem nossas utopias. da UNISC e da Unipampa pelo carinho e pela maravilha relação de ensino e aprendizagem que construímos. militantes aguerridos do Movimento Nacional de Luta pela Moradia. . vocês dão a esta produção.

tanto na conquista de reformas que melhorem as condições de vida dos trabalhadores das cidades quanto na formação de um bloco histórico contra-hegemônico composto pela diversidade de formas de resistência frente às crescentes desigualdades que se expandem ao sabor dos ventos da acumulação capitalista. dentre elas. foram utilizadas pesquisas bibliográfica e documental. de forma transversal. .RESUMO O presente estudo tem como tema os movimentos socais urbanos ligados à classe trabalhadora e como objeto o Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM) no Rio Grande do Sul. a cidade não é apenas espaço dessas manifestações. o MNLM entra em cena como sujeito coletivo que representa os interesses da classe trabalhadora. e orientado. mas também lócus de resistência e rebeldia. visando subsidiar processos que potencializem o fortalecimento dos mesmos enquanto integrantes do bloco histórico de contra-hegemonia. são fruto da estrutura social da sociedade capitalista. através do relatório sobre o déficit habitacional no Brasil elaborado pela Fundação João Pinheiro e de sites como o da FEE e o do Ministério das Cidades. desigualdades socioterritoriais. entretanto a hegemonia é da cidade. na qual se realizaram entrevistas com lideranças. No entanto. capitalismo. na qual ambos são subordinados às necessidades de valorização do capital. questão social. ligadas à espoliação urbana. Nesse palco de tensão e contradições. especificamente o MNLM. a negação de moradia digna e do acesso à cidade. pelo Método Dialético-Crítico. efetivam-se (ou não) enquanto polos de resistência e de rebeldia na sociedade capitalista e sua contribuição para o enfrentamento das desigualdades sociais. a partir de 1990. O urbano como espaço de fruição permite desvendar a complexa e dinâmica relação estabelecida entre cidade e campo. classe social. além da pesquisa de campo. Objetiva analisar de que maneira os movimentos sociais urbanos brasileiros. O estudo revela que as desigualdades socioterritoriais. assentados do MNLM e represente de organizações que apoiam o movimento. do tipo Estratégia Transformativa Concomitante. Palavras-chave: movimento social urbano. dentre outros. acampados. O estudo é fruto de uma pesquisa mista. Como técnicas e instrumentos de coleta.

the denial of adequate housing and the access to the city. are the result of the social structure of capitalist society. in order to support processes that leverage the strength of themselves as members of the historic bloc of counter-hegemony. but also the locus of resistance and rebellion. among others. social matter. mainly the MNLM. in which interviews with leaders are conducted. social inequalities. by the Dialectic-Critical Method. MNLM appears as a collective subject that represents the interests of the working class. and field research.ABSTRACT This study has as its subject the urban social movements linked to the working class and as object the National Movement of Struggle for Housing (MNLM) in Rio Grande do Sul. and oriented transversely. Key words: urban social movements. On this stage of tension and contradictions. among them. The urban as a space of leisure allows unravel the complex and dynamic relationship between town and country. manifest (or not) while poles of resistance and rebellion in the capitalist society and its contribution for facing social inequalities. camped. However. through the report about the housing deficit in Brazil prepared by João Pinheiro Foundation and sites such as Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul and the Ministry of Cities. social class. Has the objective of analyzing the ways the Brazilian urban social movements. captalism. As techniques and collection instruments. bibliographic and documentary researches were used. however. the city is not just space of these manifestations. since 1990. The study reveals that socioterritorial inequalities linked to urban exploitation. in which both are subordinated to the needs of capital appreciation. . settled of MNLM and spokesmen of organizations that support the movement. The study is the result of a mixed survey type Transformative Strategy Concomitantly. both in reform achieving that improve the living conditions of workers in cities and in the formation of a counter-hegemonic historical bloc composed by diversity of resistance forms in face of growing inequalities which expand with the winds of capitalist accumulation. however the hegemony is of the city.

......... por faixas de renda média familiar mensal............................................................. 181 Figura 5: Distribuição dos componentes do déficit habitacional................... no RS........................ 187 Figura 7: Representação das mediações entre as visões conservadora e progressista acerca do MNLM ........................ por regiões e seus respectivos números absolutos .....bloco domicílio e saneamento nos Coredes. 264 ............. 180 Figura 4: Mapa do Brasil com as porcentagens do déficit habitacional.......... 31 Figura 2: Representação gráfica do código identificador dos entrevistados .................................................LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Rede de conceitos das categorias teóricas do estudo .......... 37 Figura 3: Mapa da distribuição do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico ........... 186 Figura 6: Domicílios urbanos com carência de infraestrutura..... segundo regiões geográficas do Brasil – 2007 ..................................................................... segundo regiões geográficas e regiões metropolitanas no Brasil – 2007 ...............

................................ 184 Gráfico 7: Comparativo entre os domicílios vagos e o déficit habitacional no Brasil........... comparando 2007 e 2008 no meio urbano ............ comparando 2007 e 2008 no RS ..... no RS e em de Porto Alegre — 2008 ............................ 134 Gráfico 2:Evolução do déficit habitacional no Brasil — 2004 a 2008 ............... 179 Gráfico 3: Déficit habitacional total por regiões do Brasil comparando o ano de 2007 e 2008 .........................LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Evolução da população urbana no Brasil— do Império a 2010 ..................... 182 Gráfico 4: Detalhamento dos componentes do déficit habitacional no Brasil....................... comparando 2007 e 2008 no meio rural .............. 183 Gráfico 5: Detalhamento dos componentes do déficit habitacional no Brasil.............................................. 189 ............................................. 184 Gráfico 6: Detalhamento dos componentes do déficit habitacional no Brasil......................................

.................................................................................................. 41 Quadro 3: Diferenças entre as correntes teóricas explicativas dos movimentos sociais .................. 182 Quadro 8: Demonstrativo da escolaridade dos entrevistados .................................. 195 Quadro 10: Síntese dos principais aspectos que marcaram as trajetórias dos militantes ............................................................................................................................. 260 ....................................... 37 Quadro 2: Passos da análise de conteúdo ................... 243 Quadro 13: Visões conservadora e progressista da sociedade em relação ao MNLM...... 193 Quadro 9: Tempo de luta pela moradia e de militância no MNLM ............. 100 Quadro 7: Quadro comparativo..........................................................LISTA DE QUADROS Quadro 1: Demonstrativo dos códigos criados para identificar os segmentos que integram a amostra pesquisada ........................................................................................................................................................ do déficit habitacional de 2007 e 2008 .............................. 80 Quadro 6: Principais características do paradigma marxista nas diferentes abordagens ................................. por região do Brasil..................................................... Quadro 4: Síntese das dimensões internas e externas dos movimentos sociais 64 76 Quadro 5:Características dos movimentos sociais a partir da abordagem interpretativa de Gohn .................... 198 Quatro 11: Síntese dos principais instrumentos utilizados pelo MNLM para socializar as suas ideias ......................................................................................................................................... 230 Quadro 12: Formas e espaços de tomada de decisão do movimento .........

LISTA DE SIGLAS ALCA .International Business Machines Idese .Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social FNRU .Desvinculação das Receitas da União Eletrobrás .Caixa Econômica Federal CEPAL .Comunidades Eclesiais de Base CEF .Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Cohab .Consolidação das Leis do Trabalho CMS .Coordenação dos Movimentos Sociais CNBB .Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBM .Fórum Nacional de Reforma Urbana Funabem .Fundação Casa Popular FEE .Fundação Nacional de Bem –Estar do Menor IBGE .Comissão Econômica para a América Latina CLT .Fórum dos Cortiços FCP .Índice de Desenvolvimento Socioeconômico do Estado do Rio Grande do Sul .Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FHC – Fernando Henrique Cardoso FHIS .Diretório Central dos Estudantes DRU .Conselhos de Regionais de Desenvolvimento DCE .Banco Nacional de Habitação CAGED .Confederação Nacional das Associações de Moradores Coredes .Companhia de Habitação Popular CONAM .Fundação de Economia e Estatística FEE-RS .Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul FGTS .Federação da Associação de Favelas do Estado da Guanabara FC .Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social FMI .Área de Livre Comércio das Américas BM .Centrais Elétricas Brasileiras EOP .Banco Mundial BNH .Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CEB .Fundo Monetário Internacional FNHIS .Estrutura de Oportunidades Políticas FAFEG .

Organização Mundial do Comércio ONG .Programa de Aceleração do Crescimento PAIH .IDF .Movimento dos Sem-Terra MSTC .Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua MP .Ministério do Trabalho e Emprego NAFTA .Novos Movimentos Sociais OGU .Ministério das Cidades MCC .Orçamento Participativo OSCIPS .Juscelino Kubitschek LOAS .Imposto Predial e Territorial Urbano JK .Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social IPEA .Mobilização Política MR .Orçamento Geral da União OMC .Partido Comunista do Brasil PEA .Mobilização de Recursos MST .Movimento Nacional de Luta pela Moradia MNMMR .Movimento Contra a Carestia MCV .Movimentos de Direitos Humanos e Ecológicos MDS .Lei Orgânica da Assistência Social MARE .Organização Não-Governamental OP .Índice de Desenvolvimento Familiar INAMPS .Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público PAC .Movimento de Moradia no Centro MNLM .Área de Livre Comércio da América do Norte NMS .Ministério de Minas e Energia MNC .Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPTU .População Economicamente Ativa .Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate a Fome MME .Movimento Social Urbano MTE .Plano de Ação Imediata para Habitação PCdoB .Movimento dos Sem-Teto do Centro MSU .Movimento Custo de Vida MDF .Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado MC .Movimento de Defesa dos Moradores de Favelas MDH .

União Europeia UFPE .PHB .Universidade Federal de Pernambuco.Unificação das Lutas de Cortiços UMM .Programa de Erradicação de Submoradia PT .União dos Movimentos pela Moradia UNE .Partido Revolucionário Institucional Promorar . Alimentação.Regiões Metropolitanas RS .Partido dos Trabalhadores RMs .Política Habitacional Brasileira PHIS .União Nacional dos Estudantes URSS .Santa Catarina SEDU .Sistema Financeiro de Habitação SNHIS .Parceria Público/Privado PR .Programa Nacional de Desestatização PPP .Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo SC .Partido Liberal PNAD .United States of America .Teoria da Mobilização de Recursos TNMS .União das Repúblicas Socialistas Soviéticas USA .Teoria dos Novos Movimentos Sociais TPP .Teoria da Mobilização Política TMR .Teoria do Processo Político UE .Secretaria de Política Urbana SFH .Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PND . Transporte e Energia SBPE .Sociedades Amigos do Bairro Salte .Política Nacional de Habitação de Interesse Social PIB .Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social TMP .Produto Interno Bruto PL . ULC .Saúde.Rio Grande do Sul SAB .Paraná PRI .Secretaria do Desenvolvimento Urbano Sepurb .

.. 265 REFERÊNCIAS ............ O paradigma marxista ................................................ 18 2 FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICO E METODOLÓGICO DO ESTUDO ...................................3.............................. 43 3... 292 ....... 71 3..........................................................................................................2 Tipo de pesquisa e procedimentos de coleta e análise dos dados .................... 44 3............................... 34 3 TEORIAS DE ANÁLISE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS ......................3 O MNLM em ação: estratégias de mobilização e organização social................1 A cidade e a desigualdade socioterritorial ...............................................2 O urbano e a territorialidade: dos burgos às grandes metrópoles ........................................................................................................................1 O Método Dialético-Crítico .. 171 5.................................................................................... 87 4 A CIDADE E A URBANIZAÇÃO: PARA QUE E PARA QUEM? ..................... 161 5 A MATERIALIZAÇÃO DA LUTA: ENTRENDO EM CENA O MNLM NO RS ............ 286 APÊNDICE A — Esquema de delineamento metodológico da pesquisa .........................4 Os desafios dos movimentos sociais após 1990 .......1 A questão social: fundamento da análise das formas de desigualdade e de resistência ................................................................2 Em cena o Movimento Nacional de Luta Pela Moradia no RS ..............................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................3 A formação das cidades brasileiras..................................................................... 193 5..... 101 4................. 247 6 CONCLUSÃO ............... 171 5............. 24 2.................................................................................................4 A relação do Estado com a sociedade capitalista: entre a construção de uma nova hegemonia e a perpetuação do status quo ............................................... 290 APÊNDICE D — Roteiro de entrevista para acampados ............................................................................................... 117 4......2 Análise latino-americana dos movimentos sociais ...... 272 APÊNDICES ................ dimensões e unidades de análise ....................... 287 APÊNDICE B — Quadro demonstrativo da relação entre categorias explicativas da realidade............................ o movimento social pela moradia e o direito à cidade ....................................................................................... 124 4............................................................. 24 2............... 288 APÊNDICE C — Roteiro orientador da entrevista com lideranças ...............1 Dos clássicos norte-americanos e europeus aos contemporâneos ................................. 225 5.......................... 102 4....................................................

..........................APÊNDICE E — Roteiro de entrevista para assentados ................................................................................................... 298 ANEXOS ............................................................................................................... 294 APÊNDICE F — Roteiro de entrevista com as organizações que apoiam o movimento 296 APÊNDICE G — Termo de consentimento livre e esclarecido...................... 297 APÊNDICE H — Sistematização dos principais movimentos sociais urbanos no Brasil de 1970 a 2000 ........................... 306 ANEXO A — Documento de aprovação do protocolo de pesquisa registro CEP 10/04997 .......................................................................................... 307 ........................

estavam: mais creches. transporte. do tráfico. constatou-se. A pesquisa realizada no Mestrado objetivou analisar os fatores que condicionam o processo de participação nas redes sociais. no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.1 INTRODUÇÃO O presente trabalho consiste na Tese de Doutorado em Serviço Social da autora. que as principais pautas que mobilizavam a comunidade e suas entidades a participarem desse espaço e comporem coletivamente estratégias de organização social estavam ligadas às necessidades sociais relativas às precárias condições de habitação. 116). p. 2007. Mestrado este realizado durante o período de 2005 a 2007. uma realidade diferente da esquina das drogas. Ao mesmo tempo. infraestrutura e acesso à cidade. porém os mesmos sujeitos que participaram da pesquisa evidenciaram. que nasce a partir do movimento popular […]‖ (GUIMARÃES. que alagavam quando chovia.. também. o estudo revelou também alguns desafios enfrentados pelos sujeitos coletivos que participavam das reuniões dessa rede. Esses dados da realidade demonstram a pouca atenção dispensada às demandas históricas dentro dos territórios urbanos periféricos. apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. ampliação e fortalecimento enquanto estratégia de resistência às desigualdades sociais. e as casas que estão praticamente caindo dentro do arroio. no que se refere ao processo de mobilização e organização social. 2007. A partir desse estudo. mais entidades. Ela versa sobre o tema dos movimentos sociais urbanos populares. que estavam desmoronando. explicitam: ―[. 116). Alguns desses desafios estavam diretamente relacionados às mudanças da sociedade capitalista após a crise da década de 70 passada. ―[…] gente vivendo naquele esgoto. Dentre as demandas trazidas nas reuniões. precisava do posto de saúde […]‖ (GUIMARÃES. associação que luta. na experiência de uma rede localizada em um território da periferia de Porto Alegre. O interesse pelo respectivo tema nasceu como desdobramento da Dissertação de Mestrado em Serviço Social. Nesse sentido.. mais espaços de lazer. no intuito de contribuir com subsídios para sua manutenção.] construção de comunidade organizada e humanizada. com enfoque no movimento de luta pela moradia. Mudanças que trouxeram ―novos‖ papéis para o Estado e para a . os quais dificultavam as lutas sociais. no Núcleo de Estudos em Políticas e Economia Social. p. mais solidária. melhora da situação das moradias. a premência da luta para o enfrentamento desses problemas.

um Estado mínimo para o social e o repasse para a sociedade civil da responsabilidade de dar conta das mazelas sociais. ao aprofundar-se o interesse sobre o tema da rede social. Mais especificamente. pró-creche. tendo como uma das consequências a gestão híbrida no campo das políticas sociais (SILVA. num contexto de luta pela redemocratização do País. ligada a uma das associações de moradores. surgiu a partir dessas reflexões oportunizadas pelo mestrado. como também anticapitalista. 2007. no sentido da apreensão da questão social em suas expressões de desigualdades socioterritoriais.. a pesquisa volta-se para o Movimento Nacional de Luta pela Moradia. destaca que. p. A realidade do déficit habitacional e a negação do direito à cidade demonstram a atualidade e o vigor dessas lutas no tempo presente. e tentavam mostrar o precário cotidiano das famílias e das crianças na periferia‖ (NALIN. É essa postura que orienta esta investigação sobre movimentos sociais urbanos populares. tinham como bandeira: pró-moradia. numa perspectiva ―propositiva‖ (SCHERER-WARREN. 2004).. ao apontar o percurso histórico das lutas pela moradia e acesso à cidade. Nessa perspectiva. desde os anos 70 do século XX. Autores como Leher (2005) e Sader (2005).sociedade civil frente às expressões da questão social. que não apenas demandas tradicionais. a seguinte fala de uma liderança da comunidade. lutam pela reforma urbana. como o acesso a serviços.] movimentos organizados. Então. A realidade vivenciada pelos sujeitos que moravam nessa comunidade de Porto Alegre instigou a elaboração deste estudo de doutorado. em sua trajetória. firmando seu posicionamento ético-político em defesa da classe trabalhadora. dentre outros.] o primeiro — poder público — e o segundo — empresários — fazem muito pouco. pró-água. e o Terceiro Setor carrega toda a carga. 112). traz à tona a relação complexa entre os setores: [. 47). como se tivesse toda a responsabilidade de reivindicar. e com grande ascensão na década de 80. não fazem nada. Esses ―[. Dentre essas. p. sobretudo por mulheres. o Serviço Social vem. a proposta de compreender teoricamente os desafios dos movimentos sociais que lutam por uma moradia e uma vida digna nas cidades. Nalin (2007). 1993) para os movimentos sociais. manifestas no solo urbano. As reivindicações da classe trabalhadora pelos direitos de cidadania estão também atreladas à história da profissão.. 2007. neste sentido são mais cobrados e buscam alternativas (GUIMARÃES. mas focando-se nas manifestações de resistência e de rebeldia oriundas dessas desigualdades.. revelam que muitos desses novos movimentos sociais latino-americanos vêm apresentando uma postura não só reformista. da qual faz parte. que foi rompendo com a pseudoneutralidade ante a questão . mobilizar e também de executar. No bojo das transformações do sistema capitalista. os movimentos sociais foram incluindo novas demandas sociais na agenda pública. cobrar. ou seja.

o objetivo geral deste estudo foi assim elaborado: analisar de que maneira os movimentos sociais urbanos brasileiros.social e consolidando um pacto com as classes subalternas na direção de contribuir com a superação desse modo de produção. 1993). Baseado no problema de pesquisa.662/93). bem como na lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8. (c) reconhecer os projetos societários que orientam as lutas dos movimentos sociais urbanos (especificamente o MNLM) . (d) quais as estruturas e recursos de organização e mobilização utilizados pelo MNLM no RS. em específico o MNLM. Para responder essa grande questão. especificamente o MNLM. (g) como ocorre o processo decisório no âmbito do MNLM. especialmente o MNLM. efetivam-se (ou não) enquanto polos de resistência e de rebeldia na sociedade capitalista. (e) quais as organizações sociais que apoiam o MNLM e como ocorre esse apoio. Este estudo tem os seguintes objetivos específicos: (a) analisar as configurações do movimento social urbano no RS. com a sociedade em geral. de 1993 (CFESS. Frente a isso. após a década de 90. efetivam-se (ou não) enquanto polo de resistência e de rebeldia na sociedade capitalista e sua contribuição para o enfrentamento das desigualdades sociais. considera-se de suma relevância investigar de que maneira os movimentos sociais urbanos. visando subsidiar processos que potencializem o fortalecimento dos mesmos enquanto integrantes do bloco histórico de contra-hegemonia. visando subsidiar processos que potencializem o fortalecimento dos mesmos enquanto integrantes do bloco histórico de contra-hegemonia. este estudo visa contribuir para a construção de reflexões teóricas que potencializem a classe trabalhadora na correlação de forças permanente com o capital. especificamente o MNLM. o estudo tem as seguintes questões orientadoras: (a) quais as configurações dos movimentos sociais urbanos no Brasil. ainda. no Estado do Rio Grande do Sul. a partir da década de 90 do século XX. (c) quais os projetos de sociedade e os marcos referenciais que fundamentam o MNLM na luta ante as expressões de desigualdades oriundas da questão social. que tem como cerne a desigualdade social. no contexto do capitalismo. nas diretrizes curriculares para a formação do assistente social de 1996. especificamente o Movimento Nacional de Luta pela Moradia. (b) qual o percurso histórico do MNLM no Estado do Rio Grande do Sul. compromisso este expresso no Código de Ética da profissão. (h) como ocorre a relação entre o MNLM e o Estado e. aptos a contribuírem para o enfrentamento das desigualdades sociais. Dessa forma. no contexto do capitalismo a partir da década de 90 do século passado. (f) quais são as estratégias de mobilização e organização utilizadas pelo MNLM. (b) produzir conhecimentos acerca do processo dialético dos avanços e refluxos dos movimentos sociais urbanos.

Esse detalhamento tem também a intencionalidade de tornar este trabalho um instrumento de estudo acerca do processo de pesquisa. também. pois a formação em nível de doutorado tem como uma de suas finalidades capacitar pesquisadores na área. busca-se traçar. categorias e fundamentos teórico-epistemológicos das teorias analíticas dos movimentos sociais.). O estudo está orientado. elaborou-se uma sistematização gráfica que se encontra no Apêndice A. dentre outros. num total de sete entrevistados. No terceiro capítulo. (e) desvendar como ocorre a participação no (MNLM). transversalmente. Sader e Leher. os objetivos geral e os específicos (O. do tipo Estratégia Transformativa Concomitante (CRESWELL. especificamente o MNLM. abordando os pressupostos teóricos. ou seja.O. Tendo em vista apresentar um panorama geral da relação entre o tema de estudo. ainda. em especial do tipo quanti-qualitativo. pois se considera que a autora acumula uma obra de fôlego e de rigor teórico na sistematização do grande conjunto de teorias e autores que desenvolveram as correntes ora citadas. 2010). tem a intencionalidade de contribuir com conhecimentos objetivando a transformação social. (f) analisar os limites e as possibilidades dos movimentos sociais urbanos. das categorias e das leis que conformam o referencial Dialético-Crítico justifica-se. bem como os procedimentos de coleta e a análise dos resultados. apresentada pela autora. por este ser o paradigma que orienta a análise do objeto de estudo (movimento sociais urbanos populares. sua delimitação. em se efetivarem (ou não) enquanto polo de resistência na sociedade capitalista. Mas sobretudo a busca de um rigor teórico dos pressupostos. Articulada a esse referencial. representantes de organizações que apóiam o movimento. apresentado no segundo capítulo. a clássica norte-americana e as contemporâneas da Mobilização de Recursos e da Mobilização Política. tais como Boron. ainda. fundamentadas principalmente pela obra de Gohn (2006). a composição e o tipo da amostra. integrantes acampados e assentados e. optou-se pela pesquisa mista. sendo assim. que . onde se descreve e se fundamenta o tipo da pesquisa supracitada.e os seus fundamentos epistemológicos. o problema de pesquisa. O delineamento do estudo.). pelo Método Dialético Crítico.E. a proposta de análise para os movimentos sociais latino-americanos. bem como a europeia dos Novos Movimentos Sociais. mais especificamente. até o ―mapa‖ da pesquisa. as principais características. filosóficos e políticos. Explicita-se. recursos e as estratégias de mobilização e organização social do MNLM. compreende desde os seus fundamentos epistemológicos e metodológicos. bem como as questões orientadoras (Q. Os sujeitos participantes foram: lideranças do MNLM. mas faz-se também um diálogo com autores de vertente crítica. (d) identificar as estruturas. vinculados a classe trabalhadora).

posto que desvendar e diagnosticar a realidade é imprescindível para explicar as desigualdades que se manifestam tanto no meio urbano quanto no rural e onde se assentam as possibilidades de transformação. problematizando sobre a formação das cidades brasileiras. Finaliza-se o capítulo refletindo sobre alguns desafios para os movimentos sociais na cena contemporânea a partir do repasse para a sociedade civil das responsabilidades estatais no trato da questão social. tendo em vista seu acesso universal. analisando-se os achados da pesquisa. Contextualiza-se historicamente esse debate no cenário nacional. demonstrando o vigor das lutas anticapitalistas. sendo estes os principais objetivos do MNLM. O item 5. entre os anos de 2007 e 2008. últimos dados disponíveis. Há um destaque para o paradigma Marxista. Dentre os documentos. para reconhecer as novas e antigas expressões.2 apresenta algumas características acerca do . Os itens posteriores centram-se na análise dos dados coletados na pesquisa de campo. problematizam-se a constituição sócio-histórica do urbano e a categoria da territorialidade para a compreensão da cidade como espaço de desigualdades socioterritoriais. trazendo as principais características das correntes clássica e neomarxista para a abordagem dos movimentos sociais. buscando dar visibilidade à materialização da luta do MNLM no RS. Essa materialização pode ser melhor entendida se feita a partir do debate da categoria desigualdades socioterritoriais. possibilitou a valorização comercial do solo urbano e submeteu os trabalhadores a inúmeras formas de exposição urbana. principalmente aquelas materializadas no âmbito habitacional e do acesso à cidade. conduzida pelas elites e pelo Estado. esses sem as mínimas condições de habitabilidade. assim como sites da FEE. O quarto capítulo inicia abordando a questão social e sua gênese. A passagem do Brasil rural para o urbano. solicitados à Fundação João Pinheiro pelo Ministério das Cidades. mas também de resistência e rebeldia. em virtude de esse se constituir em o referencial para as análises dos dados empíricos. centrando-se na realidade do acesso à moradia e à cidade. coletados em fontes secundárias. Essas reflexões articulam bases teóricas e dados empíricos sobre o déficit habitacional no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul. a expansão dos aglomerados subnormais como uma das principais formas de moradia dos trabalhadores nas cidades.problematizam os desafios dos movimentos sociais no continente frente às mudanças e aos ditames do capitalismo de globalização neoliberal. É nesse contexto que emergem movimentos sociais ligados a questões urbanas e as reformas das cidades. Na sequência. do MDS e do Ministério das Cidades. o processo de industrialização e o de urbanização desiguais do País. O capítulo quinto abrange a análise dos dados. dentre elas. por meio de pesquisa documental. estão os relatórios sobre o déficit habitacional no Brasil.

Nessa direção. A classe parece como amálgama que une as diversas bandeiras de luta contra as desigualdades sociais. bem como isso é operacionalizado dentro do movimento. Por fim. . Por fim.perfil dos entrevistados. dentro dela. o projeto societário sonhado pelos entrevistados e como o movimento contribui com esse projeto. dentre outras. escolaridade. o MNLM demonstra que sua potência anticapitalista está fundamentada em uma leitura crítica da realidade. a Conclusão traz uma síntese sobre a maneira como o MNLM torna real e explícito o conflito de classe que sustenta suas formas de resistência e de rebeldia. e. a fim de identificar quem são os sujeitos que falam. o fenômeno dos movimentos. pois os movimentos sociais também são permeados pelas visões anteriormente citadas. Problematizam-se os objetivos do movimento. história de militância. para a melhora das condições de vida dos trabalhadores das cidades e para a construção de contra-hegemonia.3. fica clara a centralidade da categoria classe para a análise da realidade social. analisam-se as estratégias de organização e mobilização utilizadas pelo MLNM para o alcance de seus objetivos. busca-se compreender a contraditória relação do Estado e da sociedade com o movimento. E. no item 5. para os aqueles que defendem que a classe não tem mais sentido para os movimentos. mas ficam evidentes os impactos do movimento para a mudança dessa postura reacionária. como idade. de suas contradições e na consciência classista. Mas o enfrentamento das desigualdades sociais não é linear nem etapista. forjada por uma visão e uma postura ora conservadora ora progressista frente às lutas sociais travadas pelo MNLM. Em todo o percurso do estudo.

Considerando que a liberdade defendida pelo capital não acontece sob condições concretas. e. a pressão sobre o Estado e a sociedade. Sabe-se que a cidade moderna é erguida e organizada a partir da propriedade privada. ela expressa um conjunto de desigualdades ligadas tanto à esfera da produção quanto à da reprodução social. especialmente. a espoliação urbana. criam outras condições de produção que permitem à classe desenvolver e fortalecer sua consciência crítica em relação à sua potência revolucionária. repressoras. através dos processos democráticos. perdem também o pouco de proteção patronal que tinham. que o lugar de superexploração do capitalismo periférico. excludentes. ao Brasil. Compreender o processo sócio-histórico conduz ao desvendamento da funcionalidade das políticas voltadas para as áreas da moradia e do acesso à cidade. Apontar a dicotomia presente em muitos dos estudos que os colocam ao lado do Estado. Quando se trata da ocupação das cidades. a partir deste estudo com ênfase no MNLM. sob essa forma. o trabalhador ―não‖ tem um dono. ao mesmo tempo em que as classes subalternas superam sua condição servil. entre essas. as ―vias‖ estão abertas. exige que os movimentos coloquem. acima de tudo. é preciso também indagar: para aonde os caminhos da cidade levam? Se se pensar que a cidade moderna se consolida no tempo urbano. Nessa perspectiva. a cidade e a força de trabalho do assalariado tem um dono.6 CONCLUSÃO Indagar que lugar os movimentos sociais populares ocupam no estágio atual do capitalismo é como questionar sobre a possibilidade de a contra-hegemonia ganhar espaço na sociedade contemporânea. na última década. a lógica da acumulação capitalista. tem experimentado. e. como uma de suas principais finalidades. nesse sentido. na perspectiva de romper com a ordem capitalista. mas em uma igualdade formal e jurídica. manter a funcionalidade da cidade sobre essa lógica. quando a análise se dirige a países latino-americanos. assim como. então. que. no capitalismo. governos eleitos com compromissos populares. o Estado tem. políticas marcadas por ações higienistas. fragmentadas. E. promovendo reformas necessárias. no feudalismo. centrada na liberdade comercial. Por outro lado. é possível afirmar. Sob o fetichismo da liberdade abstrata. na arena de disputa. . que objetivaram sempre estimular a valorização comercial do solo urbano. o feudo tinha o seu senhor. mas. apostando em reformas ou na qualidade revolucionária que devem ter esses movimentos. pois o urbano é o tempo concreto da luta e do conflito de classes. ganha um novo desenho. dono da terra e de seu servo. e. o burguês. exige assumir o Estado.

a espoliação e a violência urbana. dentre outras. o MNLM luta para que a cidade pertença a todos. dessa forma em direção contrária à lógica do capital. Os territórios também são lugares onde as expressões da questão social. o pedaço e. a história das leis trabalhistas. suas lutas são sociais. pertencer a uma cidade. de cima para baixo. significa ser objeto dela. As conquistas dessas leis e políticas. Apenas para citar algumas dessas estratégias: inserir militantes em espaços de representação político-institucional. Sendo assim.No Brasil. ―a martelo e à foice‖. A reforma urbana pautada pelo movimento fundamenta-se num conteúdo socialista acerca da cidade. também são resultados de muita luta entre as classes e destas com o Estado. ampliar a esfera pública. pelo lugar. uma das principais bandeiras de luta do movimento. analisado sob uma perspectiva dialético-Crítica. revelando que o urbano é tempo de fluidez. a degradação da vida nos centros urbanos para a grande maioria da população. O MNLM vem construindo. inclusive em parceria com o Estado. Num contexto onde a cidade não é um bem universal. sonhada por esse sujeito coletivo. à migração da população rural para os centros das cidades e. Diante disso. embora limitadas em sua essência. ainda. as polêmicas acerca das bandeiras reformistas versus revolucionárias. no centro do debate. influenciar a opinião pública em favor de suas demandas. torna-se uma das importantes categorias para explicar os fenômenos sociais que emergem da e na sociedade urbana capitalista. novas estradas voltadas à democratização das cidades. por isso. para a construção de . esta fruto da violência estrutural e singular. tem como horizonte o fim da sociedade da propriedade privada. no âmbito das desigualdades socioterritoriais. a sociedade urbana. Essas reflexões estão diretamente ligadas à concepção do urbano enquanto o tempo de acirramento das tensões. mas uma mercadoria a serviços dos interesses de valorização do capital. na lógica capitalista. a favelização. tais como a segregação socioespacial. favoreceu a segregação socioespacial. o território. entre conformismo e resistência e das cidades como territórios vivos. Ao resistir a essa ideia. as diferentes estratégias de mobilização e organização utilizadas pelo MNLM colocam. compostos de totalidades forjadas pelo espaço. através de sucessivos saltos quanti-qualitativos. organizar cooperativas de geração de trabalho e renda. revela que essas foram utilizadas como instrumentos de estímulo à industrialização. das políticas de habitação e de reformas urbanas implantadas pelo Estado. dinâmicos. de trânsito de transformações de territórios e de territorialidades. ao mesmo tempo em que são palco de muita resistência e rebeldia. políticas e econômicas. se manifestam. e esse sentido de propriedade coletiva coloca os cidadãos como sujeitos das cidades e não como ―coisa‖. lutar por políticas sociais na área. e a cidade é o espaço onde isso se materializa. o não-lugar.

Trata-se de reconhecer que melhorar as condições concretas de vida pode mudar modos de se reconhecer no mundo. o MNLM resiste ao buscar mudar a opinião da sociedade. mas de um conjunto de conquistas sociais que podem potencializar transformações. dentre outras. coletivos ou não. entende-se que essas podem germinar mudanças que favoreçam transformações mais amplas. pois o MNLM vem-se efetivando como movimento de resistência na luta por melhores condições de vida para a classe trabalhadora. Faz parcerias com o Estado e organizações da sociedade civil e. Busca alianças com diferentes sujeitos sociais. . que está atrelado a uma visão de sociedade onde o ser humano é central. no sentido de construir uma contracultura. o ser mulher objeto e vitima do machismo. na trajetória brasileira. mas têm uma raiz comum. calcada numa formação de base a partir de uma pedagogia libertária. que expressa a incompatibilidade da socialização da riqueza no capitalismo. não como avanços etapistas ou lineares da história. Há uma relação entre as reformas oriundas e alicerçadas nos interesses da classe trabalhadora e revolução. ou uma nova cultura política. em especial. mas também vem fortalecendo movimentos de rebeldia. traduz-se por uma definição de revolução urbana. um trabalho. Diante disso. pois. Refletindo sobre o que ―separa‖ os novos dos ―clássicos‖ movimentos sociais. por exemplo. defesa do meio ambiente. ao partir da compreensão da questão social como fundamento das análises acerca das novas expressões de desigualdades. porém identifica que há apenas um movimento social popular. mas também são a própria experiência oportunizada na e pela luta.moradia. que fomenta uma consciência acerca dos antagonismos estruturais da sociedade. ao mesmo tempo. está à cidade. o da classe trabalhadora. entre essas riquezas. Embora aparentemente reformistas. a sociedade de classe. aqui não se trata de reformas pontuais. Condições concretas não são apenas ter um lugar para morar. pode-se desvendar também novas demandas para as resistências. pois reconhece que há outros movimentos sociais que representam os interesses das elites. tendo em vista alterar uma visão conservadora e preconceituosa em relação aos movimentos sociais. no sentido de compor redes de movimentos. dentre outras) expressam ―novos‖ objetos de disputa. e. Então. compreende os limites do Estado burguês. questiona-se a separação estanque entre os movimentos reformistas versus os movimentos revolucionários. As ―novas‖ demandas reivindicadas na sociedade (reconhecimento da identidade. pressiona o Estado para conquistar e legitimar direitos e questiona a sociedade de classe. as que moram nas cidades. O conceito de reforma trazido pelo MNLM. em especial. ao arregimentar forças coletivas que tenham como horizonte lutas anticapitalistas. mas como viabilizadoras de condições objetivas que qualifiquem a classe para fins revolucionários. ter lazer e alimentação.

a exemplo do MNLM. inclusive na Era Lula. buscando apenas mudanças de valores no âmbito da sociedade civil. esses movimentos sociais. e se centrarem na micropolítica. A análise do Estado. o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. entre eles o de acesso à habitação. reproduzido por uma autoimagem de generosidade . deliberadamente. justamente onde se concentram os maiores números do déficit habitacional. o Estatuto das Cidades. em sua origem. elemento capaz de unir as diferentes formas de luta. entre suas mudanças e continuidades. podendo favorecer ou limitar suas ações. da gênese do capital. do centro das lutas de hoje. Nesse sentido. tem. fica evidente que os projetos de governo impactam os movimentos. financeiro). a população de baixa renda. os movimentos sociais também são permeados por um caráter contraditório. no sentido de atender às demandas das classes subalternas e democratizar o Estado. acabam fragmentando a luta da classe. Sendo assim. há limites óbvios das supostas lutas transclassistas. Somente fundamentados em explicações estruturais. despontencializar estratégias mais ofensivas contra o sistema. Há avanços nas políticas sociais. sim. especialmente. dá subsídios para o MNLM articular-se para compor representantes na esfera estatal. este são dados pelos interesses do capital. dentre elas. é possível viabilizar uma leitura crítica das contradições que se apresentam nos projetos de governos. Essa forma de reformismo pode. Assim como a cidade e o Estado burguês. Os movimentos sociais. No entanto. há um maior diálogo com os movimentos. mas gerando uma ampliação da esfera pública. o ataque e o assalto ao Estado burguês. porém priorizando o acesso a quem antes nunca fora atendido pelos programas habitacionais. mas a política macroeconômica mantém-se afinada aos interesses do capital (produtivo e.ou o fato de a natureza ser objeto de exploração predatória. tanto o sistema quanto o Estado. tais como o Ministério das Cidades. Entretanto. colocar em pauta as demandas da população empobrecida e. dentre outras. No campo social. identificam importantes conquistas legais e institucionais neste Governo. assim como de sua permeabilidade ou não aos interesses da classe trabalhadora. como também pode ocultar o seu conteúdo classista. A análise desse processo aponta a entrada em cena de uma população que sempre esteve fora da cena pública. através de programas focalizados. ao retirarem. a forma como se estrutura a produção humana. priorizou o atendimento a essa população. o Estado responde às demandas do déficit habitacional com programas vinculados à lógica de crescimento econômico. O governo voltou-se para. na contramão dessas conquistas. acentuando a tensão entre cooptação e enfrentamento. tendo uma postura mais coercitiva e/ou mais consensual em relação aos mesmos.

está cada vez mais explorado. No acesso à terra. nada mais atual do que a chamada marxista para que os trabalhadores do mundo se unam. Busca-se superar visões psicologizantes e comportamentais das teorias clássicas norte-americanas. a . apresentam uma clara posição classista. explicam o aparente e não a essência das questões que mobilizam e organizam os sujeitos. pois ela se constituiu na essência daquilo que universaliza as pautas e que gera lutas mais ampliadas. em seu método. o processo é tão importante quanto o resultado de uma luta. Mais do que ―inovar‖. Esse percurso de estudo revela que a socialização da riqueza exige lutas contra-hegemônicas com o objetivo de superar a sociedade capitalista. a classe é o cerne da análise para os movimentos. Ao desvendar a história de superexploração do capitalismo na América Latina e das suas lutas. Esse processo deve desenvolver a autonomia. sem trabalho. da democratização das tomadas de decisão. mas politizar aquilo que converge às lutas. Não se trata de pasteurizar as lutas. sim. de analisar os fenômenos em sua totalidade. dentre outros. O paradigma marxista entendido em sua complexidade permite analisar as trajetórias. o capital não deixou de ser o que é. assim como concepções ―pós-modernas‖ que. estas substanciadas por um diagnóstico da realidade local e da sua relação com o contexto do capitalismo contemporâneo. que o real é a história do homem. ou da visão economicistas da Mobilização de Recursos e ou politicistas da Mobilização Política. com uma proposta de ecletismo metodológico. Por isso. ou aqueles que estão nas fábricas. não mudou sua essência.de alguns líderes. nos comércios. no entanto. MST e MNLM. Trata-se. que. de um ideal burguês nos espaços dos assentamentos. a integralidade e os antagonismos dos fenômenos sociais. dentre outros. do seu projeto de sociedade e das ações desenvolvidas pelos mesmos. Os fundamentos marxistas que alicerçam este estudo balizam a compreensão de que independentemente das pautas e das lutas particulares. observa-se que os ―novos‖ movimentos que aqui emergem. opondo-se à fragmentação pós-moderna. essa tese recoloca em pauta a classe como categoria-chave na análise dos fenômenos sociais. os movimentos sociais. e isso não significa apenas o operário e/ou trabalhador fabris. sem moradia. a autoestima e o protagonismo das bases. não importa se é índio. assim como o trabalho. pode-se afirmar que o capitalismo imperialista de ontem não é o mesmo de hoje. fica evidente a relevância das reuniões e das articulações de base. a fim de compor um bloco anticapitalista. na fase atual. ou negar as particularidades. sem-terra. A perspectiva revolucionária impõe pensar na união de todos aqueles que só têm a força de trabalho para oferecer. Se o próprio Marx destaca. a crítica e a autocrítica. tais como Zapatista. em especial. as experiências de gestão solidárias do trabalho. Nessa perspectiva.

Tem que ser ao contrário. a minimização do Estado e a difusão do pensamento único na era de globalização neoliberal. com a reestruturação produtiva. pronto. As universidades e os cursos de Serviço Social devem estar articulados com os movimentos sociais da classe trabalhadora. Chega-se. que vá gerar protagonismo naquelas comunidades. um movimento presente que impõe a necessária ordem jurídica. os movimentos sociais são essenciais. conseguir abrir o horizonte das possibilidades. onde profissionais. diz um dos entrevistados do MNLM. construir mecanismos que socializem e publicizem as vozes da resistência e da rebeldia. A aproximação dos profissionais. junto ao movimento é essencial nas reuniões de base. a propriedade privada. não é uma relação autoritária de ensinar o outro. conseguir elevar um nível de formação daquela comunidade. é impossível pensar em moradia digna para todos. pois. pois se tem o compromisso de contribuir com a produção de conhecimento que venha ao encontro de: ―Construir informação sobre a realidade social é fundamental para que nós do movimento tenhamos elementos para poder compreender. com a expectativa de que ela provoque novas teses. se o profissional de Serviço Social conseguir gerar protagonismo naquela comunidade. líderes e as bases são sujeitos do processo. nesse momento de síntese. propondo uma via livre de acesso que promova o fortalecimento desses sujeitos coletivos e qualifique a formação profissional. sim. mas dialogar com ele. que enquadra os movimentos sociais na ordem burguesa. pois atinge o núcleo duro do capitalismo. e essa aproximação é pra discutir justamente isso (L: 1-25). em destaque aqui para os Assistentes Sociais. há uma acentuada conversão de movimentos sociais em organizações. um agente engajado. Nesse sentido. melhorou a vida. de formar cidadão. . O caminho para tal não é ―dar‖ voz aos usuários. em um ―passe de mágica‖. fazer com que cresça a sua autoestima e que participem das coisas. Mas. mas. enquanto um intelectual orgânico. O assistente social. a partir dos anos 90 do século XX. tem um importante e indispensável compromisso com a produção de conhecimento que contribua com a contra-hegemonia. as políticas públicas interagindo com a comunidade. na contribuição junto aos espaços de capacitação.propriedade é produto social e central nessa luta. um dos principais desafios posto para os movimentos sociais na atualidade é a não juridificação. tanto pelo capital quanto pelo Estado. e não um serviço como um agente externo que vai lá e. para poder fazer a disputa clara‖ (L: 4-27). sendo assim. embora atravessados por movimentos de cooptação. Vai mudar a vida. Inclusive. A produção de conhecimento é uma via dupla. Diante desse contexto. sem os movimentos sociais e sem a luta organizada da classe.

é possível afirmar que a luta por uma sociedade livre de exploração exige a presença firme de movimentos sociais que. não é só possível. coloquem o Estado e a sociedade em disputa direta. é um requisito necessário para que o sujeito possa reconhecer-se coletivamente e com potencial revolucionário. na perspectiva de garantir acesso ao fundo público. que. As reformas no Estado brasileiro são absolutamente importantes. sem a perspectiva revolucionária. . como desejável. pela pressão. é impossível pensar-se em um novo mundo. mas. Ter moradia digna. A cidade de todos e para todos só será construída em uma sociedade onde os interesses coletivos da classe trabalhadora sejam pautas concretizadas. pelos dados da pesquisa.Assim. dentre outros direitos.

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