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FAMA

FACULDADE ATENAS
MARANHENSE

“INSTITUIÇÃO DE
DIREITO”
PROF° WALBER LINS PONTES

São Luis - MA
2

WALBER LINS
PONTES
1 - IDENTIFICAÇÃO PESSOAL

Nome: Walber Lins Pontes
Data de Nascimento: 08 de março de 1979
Local: São Luis – MA.
Filiação: Pedro Valney Pontes e Zenir de Jesus Lins Pontes
Telefone: (98)8169-5681
e-mail/msn: wlpontes@yahoo.com.br

2 – FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA

Graduação:
Bacharel em Direito – Universidade de Fortaleza – UNIFOR, 2001.
Bacharel em Administração – Universidade Estadual do Ceará – UECE, 2002.
Bacharel em Administração Pública – Universidade Estadual do Ceará – UECE,
2003.
Pós-Graduação:
Especialização em Auditoria - Universidade Federal do Ceará – UFC, 2003
Mestrado em Administração – Universidade de Fortaleza – UNIFOR, 2005.
Doutorado em Educação – Universidade tecnológica intercontinental – UTIC, a
concluir.

3 – EXPERIÊNCIA DIDÁTICA E PROFISSIONAL

1 – Estagiário do DECON/CE. 2001-2002, Fortaleza, CE.
2 – Estagiário da Companhia Docas do Ceará. 2000-2000, Fortaleza, CE.
3 – Advocacia profissional. Desde 2002, Fortaleza, CE.
4 – Professor da Faculdade Metropolitana de Fortaleza, das disciplinas de
Introdução á Administração e Instituições de Direito Público e Privado. Desde 2003,
Fortaleza, CE.
5 – Professor da Unidade de Ensino superior Dom Bosco, das disciplinas de
Administração Financeira e Orçamento; Administração de Recursos Materiais e
Patrimônio; Introdução à Administração Pública; Finanças Corporativas;
Planejamento Financeiro e Orçamento; Gestão Financeira; Instituições Financeiras e
Mercado de Capitais. De 2004 à 2010, São Luis, MA.
6 – Professor da Faculdade Atenas Maranhense - FAMA,. Desde 2004 à 2010, São
Luis, MA.

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3

SUMÁRIO

1. NOÇÃO ELEMENTAR DO DIREITO.................................................................................9
1.1. Direito Enquanto Norma Ética.......................................................................................10
JURÍDICAS................................................................................................................10
1.2. A Experiência Jurídica...................................................................................................11
1.3. Direito Objetivo E Direito Subjetivo.............................................................................11
1.3.1. Direito Objetivo......................................................................................................11
1.3.2. Direito Subjetivo.....................................................................................................11
1.4. Divisão, Ramos E Fontes Do Direito.............................................................................11
1.4.1. Divisão....................................................................................................................11
1.4.2. Ramos......................................................................................................................12
1.4.3. As fontes do Direito................................................................................................12
1.5. Multiplicidade E Unidade Do Direito............................................................................12
1.5.1. Complementaridade Do Direito..............................................................................13
1.5.2. Linguagem Do Direito............................................................................................13
1.5.3. Ciência Do Direito E A Sua Relação Com Outras Matérias .................................13
2. CONCEITO DE DIREITO...................................................................................................14
2.1. A Instituição De Dante Alighieri...................................................................................14
2.3. Direito Positivo..............................................................................................................15
2.4. Direito Natural...............................................................................................................16
3. INSTITUTOS JURÍDICOS..................................................................................................17
4. TEORIA GERAL DO ESTADO..........................................................................................23
4.1. Origem Natural Do Estado.............................................................................................23
4.1.1. Contratualistas.........................................................................................................23
4.1.2. Evolução Dos Grupos Primitivos............................................................................23
4.1.3. Origem violenta do Estado......................................................................................24
4.1.4. Origem Histórica Dos Novos Estados....................................................................24
4.2. Elementos Essenciais Do Estado...................................................................................24
4.2.1. Elemento Humano...................................................................................................24
4.2.2. Território.................................................................................................................24
4.2.3. Soberania.................................................................................................................25
4.3. Formação Jurídica Do Estado – Constituição................................................................25
4.4. FINALIDADES DO ESTADO......................................................................................25
4.4.1. Fins Jurídicos..........................................................................................................25
4.4.2. Fins Sociais.............................................................................................................25
4.5. Formas De Estado..........................................................................................................25
4.5.1. Estado Simples........................................................................................................25
4.5.2. Estado Composto....................................................................................................26
4.6. Concepções Modernas Do Estado..................................................................................26
4.7. Formas De Governo.......................................................................................................26
RESUMO..............................................................................................................................26
4.8. O Estado Brasileiro – Análise A Partir Do Texto Constitucional (Constituição Da
República Federativa Do Brasil, De 1988)...........................................................................27
5. NORMAS JURÍDICAS........................................................................................................27
5.1. Conceito.........................................................................................................................27
5.2. Características................................................................................................................27
6. FONTES DO DIREITO........................................................................................................28
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6.1. Definição – Classificação...............................................................................................28
7. DIREITO CONSTITUCIONAL..........................................................................................29
7.1. Conceituação..................................................................................................................29
7.2. Classificação Das Constituições....................................................................................30
7.3. As Constituições Na História Do Brasil........................................................................30
7.4. A Constituição Federal E Os Princípios Fundamentais.................................................31
7.4.1. Regime Político-Jurídico.........................................................................................32
7.4.1.1. Estado Democrático.......................................................................................32
7.4.1.2. Estado De Direito...........................................................................................32
7.4.2. Forma De Governo..................................................................................................32
7.4.3. Forma De Estado.....................................................................................................32
7.4.4. Divisão Funcional Do Poder...................................................................................32
7.4.5. Objetivos Nacionais No Campo Interno.................................................................33
7.4.6. Princípios Das Relações Internacionais Do Brasil..................................................33
7.5. Os Direitos E Garantias Individuais...............................................................................33
7.6. O Direito Constitucional E A Mulher............................................................................34
8. PROCESSO LEGISLATIVO...............................................................................................34
8.1. Objeto – Art. 59, CF/88:................................................................................................34
8.1.1. Emendas Constitucionais – art. 60, CF/88:.............................................................35
8.1.2. Leis Complementares..............................................................................................35
8.1.3. Leis Ordinárias........................................................................................................35
Iniciativa - art.61, CF/88.......................................................................................................36
8.1.4. Leis Delegadas........................................................................................................36
8.1.5. Medidas Provisórias................................................................................................37
8.1.7. Resoluções Legislativas..........................................................................................40
8.2. Procedimentos Legislativos...........................................................................................40
8.2.1. Procedimento Legislativo Ordinário.......................................................................40
Visa a elaboração das Leis ordinárias e perpassa por cinco fases:...................................40
8.2.2. Procedimento Legislativo Sumário - Art. 64 § §, CF/88 - Urgência Para
Apreciação........................................................................................................................40
8.2.3. Procedimentos Legislativos Especiais....................................................................41
9. DIREITO CIVIL ..................................................................................................................46
9.1. A Importância Do Direito Civil.....................................................................................46
9.2. Estrutura Do Direito Civil..............................................................................................46
9.3. As Pessoas......................................................................................................................46
9.4. Capacidade Da Pessoa Física.........................................................................................47
9.4.1. Extinção da Pessoa Física ..........................................................................................47
9.5. Pessoa Jurídica...............................................................................................................47
9.5.1. Conceito..................................................................................................................47
9.5.2. Divisão (CC., Art. 40).............................................................................................47
9.5.2.1. Quanto À Sua Amplitude..............................................................................48
9.5.2.2. Quanto à nacionalidade..................................................................................48
9.5.2.3. Quanto à estrutura interna..............................................................................48
9.5.3. Distinção Entre Pessoa Jurídica E Seus Componentes...........................................48
9.5.4. Início Da Personalidade Da Pessoa Jurídica...........................................................49
9.5.6. Domicílio: CC. Art. 75...........................................................................................49
9.5.7. Término Da Existência Da Pessoa Jurídica (CC., Art. 1050-1051)........................49
9.5.8. Nacionalidade Da Pessoa Jurídica..........................................................................50
9.5.9. Responsabilidade Contratual...................................................................................50
9.5.10. Despersonalização Da Pessoa Jurídica (CC., Art. 28 – Lei 8078/90)...................50
9.5.11. Objeto Do Direito: Bens.......................................................................................50
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9.5.12. Relação Jurídica....................................................................................................50
9.6. Direito Das Obrigações..................................................................................................51
9.6.1. Conceito De Direito Das Obrigações......................................................................51
9.6.2. Tipos De Obrigações Previstos No Código Civil...................................................51
9.6.3. A Extinção Das Obrigações ...................................................................................51

...........................................................................................................................................51
9.6.4. Os Contratos Em Geral ..........................................................................................52
9.6.4.1. Espécies De Contrato.....................................................................................53
9.6.4.1.1. Compra E Venda.........................................................................................53
9.6.5. Títulos De Crédito ..................................................................................................56
9.6.5.1. Classificação Dos Títulos De Crédito............................................................56
9.6.5.1.1. Ordem De Pagamento........................................................................56
9.6.5.1.2. Promessa De Pagamento....................................................................57
9.6.5.2. Modo de Circulação.......................................................................................57
9.6.5.3. Principais Atos Cambiários............................................................................57
9.6.5.4. Os Principais Títulos De Crédito...................................................................58
9.6.5.4.1. A Letra De Câmbio............................................................................58
9.6.5.4.2. A Nota Promissória............................................................................58
9.6.5.4.3. Cheque................................................................................................59
9.6.5.4.3. A Duplicata.........................................................................................60
9.6.5.4.3. A Duplicata Simulada........................................................................60
9.7. Do Direito De Empresa..................................................................................................61
9.7.1. Do Empresário........................................................................................................61
9.7.3. Sociedades...............................................................................................................61
9.7.3.1. Sociedade Não Personificada.........................................................................62
9.7.3.1.1. Sociedade em Comum........................................................................62
9.7.3.1.2. Sociedade em Conta de Participação..................................................62
9.7.3.2. Sociedade Personificada................................................................................62
9.7.3.2.1. Sociedade Simples..............................................................................63
9.7.3.2.2. Sociedade Empresária........................................................................63
9.7.3.3. Tipos Jurídicos...............................................................................................63
9.7.3.3.1. Sociedade em Nome Coletivo............................................................63
9.7.3.3.2. Sociedade em Comandita Simples.....................................................63
9.7.3.3.3. Sociedade Limitada............................................................................64
9.7.3.3.4. Sociedade Anônima............................................................................64
9.7.3.3.5. Sociedade em Comandita por Ações..................................................64
9.7.4. Falência E Concordata............................................................................................64
9.7.4.1. A Concordata.................................................................................................65
9.7.4.1.1.Espécies...............................................................................................65
9.7.4.2. Classificação Dos Créditos............................................................................65
9.8. Direito Das Coisas.........................................................................................................66
9.8.1. Conceito De Direito Das Coisas.............................................................................66
9.8.2. Da Posse..................................................................................................................66
9.8.2.1. Classificação Da Posse ................................................................................67
9.8.2.2. Aquisição Da Posse........................................................................................67
9.8.2.3. Os Efeitos Da Posse.......................................................................................67
9.8.2.4. Perda Da Posse
.....................................................................................................................................68
9.8.3. Dos Direitos Reais..................................................................................................68
9.8.3.1. A Propriedade................................................................................................68
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9.8.3.1.1. Conceito E Função.............................................................................68
9.8.3.1.2. Função Social.....................................................................................68
9.8.3.1.3. Aquisição Da Propriedade..................................................................69
9.8.3.2. O Penhor........................................................................................................69
9.8.3.3. A Hipoteca....................................................................................................70
9.9. Direito De Familia.........................................................................................................71
9.9.1. Das Novidades Objetivas........................................................................................71
9.9.1.1. Para Empresários, Seus Familiares E Terceiros, Contratantes E
Nubentes/Pactuantes...................................................................................................71
Se casados na comunhão universal ou na separação legal de bens, os cônjuges não
podem contratar sociedades entre si ou com terceiros. (art. 977) ..............................71
A maioridade começa aos 18 anos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos
os atos da vida civil, mas aos 16 ela pode ocorrer pela emancipação. (art. 5º) .........71
O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o
regime de bens, alienar ou gravar os imóveis que integram o patrimônio da empresa.
(art. 978) .....................................................................................................................71
Além de no Cartório do Registro Civil, serão arquivados na Junta Comercial, os
pactos antenupciais do empresário, o título de doação, herança ou legado, de bens
clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. Também a sentença que
decretar ou homologar a sua separação judicial e o ato de reconciliação sob pena de
não poderem ser opostos a terceiros. (arts. 979 e 980) ..............................................71
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos e
costumes do lugar de sua celebração. A probidade e a boa-fé são princípios básicos
do novo código. (art. 113) ..........................................................................................71
São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos
bons costumes; entre as condições de defesa se incluem as que privarem de todo
efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. (art.
113) ............................................................................................................................71
9.9.1.2. Para Os Cônjuges...........................................................................................72
9.9.1.3. Para Os Companheiros...................................................................................72
9.9.1.4. Quanto Ao Regime De Bens..........................................................................72
9.9.1.5. Quanto Á Separação E Ao Divórcio..............................................................73
9.9.1.6. Quanto À Guarda De Filhos..........................................................................73
9.9.1.7. Quanto Ao Parentesco....................................................................................74
9.9.1.8. Quanto À Filiação..........................................................................................74
9.9.1.9. Quanto À Adoção..........................................................................................75
9.9.1.10. Quanto Ao Poder Familiar ..........................................................................75
9.9.1.11. Quanto Aos Alimentos ................................................................................75
9.10. Direito Das Sucessões.................................................................................................76
9.10.1. Sucessão Legítima.................................................................................................77
9.10.2. Sucessão Testamentária .......................................................................................77
9.10.2.1. Regras Do Código Civil Quanto À Sucessão Hereditária ..........................77
9.10.3. Inventário E Partilha.............................................................................................78
9.11. A Mulher E O Direito Civil.........................................................................................78
9.11.1. Ato Jurídico...........................................................................................................78
9.11.2. Registro Civil De Pessoa Natural..........................................................................79
9.11.3. Certidão De Nascimento.......................................................................................79
9.11.4. Nomes Ridículos ..................................................................................................79
9.11.5. Registro De Pessoa Maior De 18 Anos.................................................................79
9.11.6. Registro Gêmeos...................................................................................................80
9.11.6. Certidão De Óbito.................................................................................................80
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9.11.7. Sucessão................................................................................................................80
9.11.8. Testamento............................................................................................................80
9.11.9. Sucessão Hereditária ............................................................................................80
9.11.10. Inventário ...........................................................................................................81
9.11.11. Deserdação..........................................................................................................81
9.11.12. Doação................................................................................................................81
9.11.13. Alimentos – Pensão De Alimentos Ou Pensão Alimentícia ..............................81
9.11.13.1. Alimentos Entre Cônjuges E Companheiros.............................................82
9.11.13.2. Alimentos Para Os Filhos, Crianças E Adolescentes.................................83
9.11.13.3. Pagamento Da Pensão Alimentícia............................................................83
9.11.14. A Saúde Da Mulher.............................................................................................83
9.11.14.1. O Código De Ética Médica........................................................................84
10. DIREITO PENAL...............................................................................................................85
10.1.Código Penal.................................................................................................................85
10.1.1. Os 10 Títulos Do Código Penal............................................................................85
10.1.2. Causas Que Excluem A Criminalidade.................................................................86
10.3.1. Crime.....................................................................................................................87
10.3.3. Processo Penal.......................................................................................................87
10.3.4 Exame De Corpo De Delito...................................................................................87
10.3.5. Pena.......................................................................................................................87
10.3.6. Violência Sexual...................................................................................................88
10.3.6.1. Estupro.........................................................................................................88
10.3.6.2. Atentado Violento Ao Pudor.......................................................................88
11. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO DO TRABALHO.....................................89
11.1. Origem E Evolução Histórica Do Direito Do Trabalho No Brasil ...........................89
11.2. Direito Do Trabalho.....................................................................................................90
11.2.1. Contrato De Trabalho E Relação De Trabalho.....................................................91
11.2.2. Trabalho Em Domicílio........................................................................................93
11.2.2.1. Perspectiva Histórica...................................................................................93
11.2.2.2. A Tecnologia E O Trabalho Distante Das Unidades Produtivas.................93
11.2.2.3. A Farsa De Algumas Cooperativas De Trabalho.........................................94
11.2.2.4. Trabalho A Domicilio - (Prática -Validade Jurídica)..................................95
11.2.3. Prazo Dos Contratos..............................................................................................95
11.2.3.1. Flexibilização Do Direito Trabalhista - Contrato Por Prazo Determinado
(Lei 9601/98)..............................................................................................................96
11.2.3.1.1. Contrato De Experiência..................................................................96
11.2.4. Aviso Prévio..........................................................................................................97
11.2.5. Rescisão/Extinção Do Contrato De Trabalho......................................................98
11.2.5.1. Iniciativa Do Empregador ...........................................................................98
11.2.5.1.1. Demissão Por Culpa Do Empregado (Justa Causa - Dispensa Direta)98
11.2.5.1.2. Demissão Sem Justa Causa............................................................100
11.2.5.2. Iniciativa Do Empregado ..........................................................................100
11.2.5.2.1. “Demitindo” A Empresa Por Justa Causa (Dispensa Indireta)......100
11.2.5.1.2. Figuras De Justa Causa Na Dispensa Indireta: Art 483 CLt..........101
11.2.5.1.3. Demissão A Pedido Do Empregado...............................................102
11.2.6. Dia-A-Dia Na Empresa - Principais Direitos Trabalhistas.................................102
11.2.6.1. Trabalho Igual, Salário Desigual. .............................................................102
PODE?......................................................................................................................102
11.2.6.2. A Participação Nos Lucros........................................................................103
11.2.6.3. Quadro De Carreira....................................................................................104
11.2.6.4. Duração Normal Do Trabalho...................................................................104
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11.2.6.5. Horas Extras...............................................................................................105
11.2.6.6. Valor Das Horas Extras - Indenização Pecuniária.....................................105
11.2.6.7. Quem Usa Bipe..........................................................................................105
11.2.6.8. No Cartão De Ponto...................................................................................105
11.2.6.9. Quem Trabalha Na Hora Do Almoço Tem Direito A Hora Extra.............105
11.2.6.10. Digitadores...............................................................................................106
11.2.6.11. Trabalho Noturno.....................................................................................106
11.2.6.12. Adicional De Insalubridade.....................................................................106
11.2.6.13. Adicional De Periculosidade....................................................................106
11.2.6.14. Férias........................................................................................................107
11.2.6.15. Pessoas Da Mesma Família.....................................................................107
11.2.6.16. Serviço Militar.........................................................................................107
11.2.6.17. Quando Não Existe Direito Às Férias......................................................108
11.2.6.18. Férias Proporcionais.................................................................................108
11.2.6.19. Em Caso De Morte...................................................................................109
11.2.6.20. Férias Coletivas........................................................................................109
11.3. A Mulher Brasileira E Seus Direitos..........................................................................109
11.3.1. Proteção Ao Ambiente De Trabalho...................................................................109
11.3.2. Proteção À Maternidade......................................................................................109
11.3.2.1. Mudança De Função .................................................................................110
11.3.2.2. Licença Maternidade E Licença Paternidade.............................................110
11.3.2.3. Aborto........................................................................................................110
11.3.2.4. Creche........................................................................................................110
11.4. A Mulher E O Direito Do Trabalho...........................................................................111
11.4.1. Contrato de Trabalho..........................................................................................111
11.4.1. Demissão (Rescisão)...........................................................................................111
11.4.1.1. Formas De Demissão.................................................................................111
11.4.2. Mulher Política ...................................................................................................112
11.5. Recorrendo À Justiça Do Trabalho............................................................................112
11.5.1. Caminho Percorrido Pelo Processo Trabalhista/Procedimentos.........................112
11.5.2. Exemplo Prático..................................................................................................113
11.5.3 Quando Empregado E Empresa Não Comparecem À Audiência....................114
11.5.4. Quem Perde Pode Recorrer.................................................................................114
11.5.5. Prazo Para Reclamar Direitos Trabalhistas.........................................................115
11.6. As Convenções Coletivas De Trabalho.....................................................................116
11.6.1. Organização Sindical Brasileira..........................................................................117
11.6.1.1. Sindicato ...................................................................................................117
11.6.1.2. Federações .................................................................................................117
11.6.1.3. Confederação ...........................................................................................117
11.6.1.4. Centrais Sindicais ......................................................................................117
11.7. Previdência Social......................................................................................................117
11.7.1. Seguridade Social................................................................................................118
11.7.2. Seguro.................................................................................................................118
11.7.3. Seguro privado....................................................................................................118
11.7.4. Seguro Social......................................................................................................118
11.8. Fundo De Garantia Do Tempo De Serviço – FGTS..................................................118
BIBLIOGRAFIA BÁSICA.....................................................................................................119
ANEXOS................................................................................................................................120
ANEXOS................................................................................................................................121

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1. NOÇÃO ELEMENTAR DO DIREITO

Para que possamos estudar um assunto precisamos de uma noção
preliminar. Assim como um cientista, para realizar uma pesquisa, avança uma
hipótese, conjectura uma solução provável, sujeitando-a a posterior verificação.
Em se tratando de ciências humanas, talvez o caminho mais aconselhável
seja aceitar, provisoriamente, uma noção consagrada pelo uso. Aos olhos do
homem comum, o DIREITO É LEI E ORDEM, isto é, um conjunto de regras
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obrigatórias que garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites à
ação de cada um dos seus membros. Outro conceito de direito: “conjunto de
normas gerais e positivas, que regulam a vida social”.
Assim sendo, quem age de acordo com essas regras comporta-se direito,
quem não o faz, age torto. Direção, ligação e obrigatoriedade de um comportamento
parece ser a raiz intuitiva do conceito de direito, para que possa ser considerado
lícito.
A palavra Lei, segundo sua etimologia mais provável, refere-se a ligação,
liame, laço, relação, o que completa com o sentido nuclear de JUS, que invoca a
idéia de unir, ordenar, coordenar.
Podemos afirmar, sem maiores indagações, que o direito corresponde à
exigência essencial e indeclinável de uma convivência ordenada, pois nenhuma
sociedade poderia subsistir sem um mínimo de ordem, de direção de solidariedade.
A experiência jurídica só existe nas relações entre os homens. Daí a sempre
nova lição de um antigo brocardo “ubi societas, ibi jus” (onde está a sociedade, está
o direito, sendo a recíproca verdadeira: ubi jus, ibi societas”). Não se podendo
conceber qualquer atividade social desprovida de forma e garantia jurídica, nem
qualquer regra jurídica que não se refira à sociedade.
O DIREITO é, portanto, um fato ou um fenômeno social; não existe senão na
sociedade e não pode ser concebido fora dela. Admitindo que as formas mais
rudimentares de vida social já implicam um esboço de ordem jurídica, é necessário
desde logo observar que, durante milênios, o homem viveu ou cumpriu o DIREITO,
sem se conscientizar de seu verdadeiro significado lógico ou moral.
Só num estágio bem avançado da civilização é que as regras jurídicas
adquirem estrutura. São valores próprios, independentes das normas religiosas ou
costumeiras e, conseqüentemente, só então a humanidade passa a considerar o
Direito como algo merecedor de estudos autônomos.

1.1. Direito Enquanto Norma Ética

O Direito, assim como a moral e as normas do trato social, traduz-se como
um mecanismo regulador do comportamento dos indivíduos e dos grupos,
delimitando os interesses, freando os impulsos e conjugando as esferas de atividade
dos membros do grupo.
Norma ética - norma de natureza social, construída através da praxis humana,
destina-se a regular o comportamento humano em sociedade. Classificam-se em
normas jurídicas, normas morais, normas religiosas e normas do decoro social (usos
sociais).
Em função de critérios específicos as normas éticas possuem notas
diferenciadoras, conforme aponta o quadro abaixo:

NORMAS
JURÍDICAS MORAIS RELIGIOSAS USOS SOCIAS
Bilateralidade Unilateralidade Unilateralidade Unilateralidade
Exterioridade Interioridade Interioridade Exterioridade
Coercibilidade Incoercibilidade Incoercibilidade Incoercibilidade
Heteronomia Autonomia Autonomia Heteronomia

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1.2. A Experiência Jurídica

• Experiência jurídica é baseada em relações intersubjetivas.
• O Direito é um fenômeno de origem cultural (histórico-social).
• O Direito na sua acepção filosófica, sociológica e jurídica.
• Estrutura tridimensional é composta de: fato, valor e norma.
Direito é Lei e Ordem? Um conjunto de regras obrigatórias que garante a
convivência social? Ou Direito é um instrumento de repressão social?
“Direito é a realização ordenada e garantida do bem comum numa estrutura
tridimensional bilateral atributiva, ou, de uma forma analítica: Direito é a ordenação
heterônoma, coercível e bilateral atributiva das relações de convivência, segundo
uma integração normativa de fatos e valores”. Miguel Reale
Para João Baptista Herkenhoff, “A Lei que temos é sancionadora da violência.
Sancionadora da violência institucionalizada porque fornece os instrumentos
jurídicos para a perpetuação das injustiças sociais (…) Sancionadora da violência
privada, porque pune sobretudo os crimes dos pobres, ao mesmo tempo em que
gera esses crimes ao legitimar uma organização social na qual são lícitas as
condutas altamente sociais praticadas pelas classes opressoras.” - in Direito e
utopia.
“Expressando-se por dogmas, esse saber jurídico contempla o mundo real à
distância porque o seu olhar não vê além da superfície lisa da - igualdade, formal, da
livre concorrência, da autonomia da vontade, do Estado-Nação e seu interesse
geral” (Miguel Alves Lima, in Direito Alternativo e a dogmática jurídica).

1.3. Direito Objetivo E Direito Subjetivo

1.3.1. Direito Objetivo

O Direito positivo objetivo corresponde às regras e modelos jurídicos vigentes,
eficazes e suscetíveis de aplicação num determinado Estado e numa determinada
época.

1.3.2. Direito Subjetivo

Não pode ser compreendido sem uma correspondência com o direito objetivo.
O direito subjetivo forma com o direito objetivo uma díade inseparável. Há Direito
subjetivo quando existe uma situação subjetiva que implica a possibilidade de uma
pretensão, unida à exigibilidade de uma prestação ou de um ato de outrem. Sendo
certo que aquela pretensão se funda num modelo normativo.

1.4. Divisão, Ramos E Fontes Do Direito

1.4.1. Divisão

A grande divisão que marca o Direito é aquela que o divide em dois grandes
ramos: o Direito Público e o Direito Privado, conforme os critérios do interesse e do
tipo de relação jurídica travada, se de coordenação ou de subordinação.
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1.4.2. Ramos

A partir dessa divisão inicial, o Direito, para efeitos puramente didáticos, se
reparte em vários ramos conforme o objeto a ser disciplinado. Muitos são as
subdivisões do Direito Privado e, sucessivamente, do Direito Público.
a. Direito Privado: Direito Civil (Direito de Família, Direito das Coisas,
Direito das Sucessões); Direito Comercial.
b. Direito Público: Direito Constitucional; Direito Tributário; Direito
Financeiro; Direito Internacional; Direito Administrativo; Direito Processual; Direito
Econômico; Direito Processual; Direito Penal; Direito do Trabalho; Direito Ambiental.

1.4.3. As fontes do Direito

Classificação antiga - Fontes materiais e fontes formais.

Fontes materiais: subsídios sociológicos e filosóficos.

Fontes Primárias: Leis; Decretos, Regulamentos e
Fontes formais
Portarias.
Fontes Secundárias: Jurisprudência, costumes, usos e Doutrina

As fontes materiais correspondem aos estudos filosóficos e sociológicos dos
motivos éticos ou dos fatos que condicionam o aparecimento das regras de Direito.
Trata-se do fundamento ético e/ou do fundamento social das normas jurídicas.
As fontes formais, por sua vez, são os processos “em virtude dos quais as
regras jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, isto é, vigência e
eficácia”.
O Direito resulta de um complexo de fatores estudados pela Filosofia e pela
Sociologia, mas se manifesta, como ordenação vigente e eficaz, por meio de formas
específicas, quais sejam, o processo legislativo (as Leis, in lato senso), os usos, o
costume, a jurisprudência e o poder negocial.
Fonte formal do direito X estrutura de poder - segundo o Prof. Miguel Reale, a
gênese de qualquer regra de direito resulta da interferência de um centro de poder,
que em virtude dos FATOS e VALORES, opta por uma determinada postulação
normativa.

1.5. Multiplicidade E Unidade Do Direito

O Direito, como fato social e histórico, se apresenta sob múltiplas formas, em
função de múltiplos campos de interesse, o que se reflete em distintas e renovadas
estruturas normativas.
Antes de se fazer um estudo de determinado campo do Direito, impõe-se uma
visão de conjunto: ver o Direito como um todo, antes de examiná-lo através de suas
partes especiais.
Direito abrange um conjunto de disciplinas jurídicas; em primeiro lugar, divide-
se em duas grandes classes: o DIREITO PÚBLICO e o DIREITO PRIVADO. As
relações que se referem ao Estado e traduzem o predomínio do interesse coletivo
são chamadas relações públicas, ou de Direito Público. Mas o homem não vive
apenas em relação ao Estado e, principalmente, também, em ligação com seus

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semelhantes: a relação que existe entre pai e filho, ou entre quem compra e quem
vende determinado bem, não é uma relação que interessa de maneira direta ao
Estado, mas sim ao indivíduo, enquanto particular. Essas são relações de Direito
Privado.
Essas classes se subdividem em vários outros ramos, como por exemplo: O
Direito Constitucional, Direito Administrativo (no campo do Direito Público), o Direito
Civil, Direito Comercial (no campo do Direito Privado). O Direito abrange um tronco
com os vários ramos, cada um desses ramos tem o nome de disciplina.
Finalmente, as diversas disciplinas jurídicas se correlacionam, não existindo
cada uma delas independente da outra. Não existe um direito civil que nada tenha a
ver com o direito constitucional, ao contrário, as disciplinas jurídicas representam e
refletem um fenômeno jurídico unitário que precisa ser examinado em conjunto.

1.5.1. Complementaridade Do Direito

Não é suficiente ter apenas uma visão unitária do Direito, é necessário,
também, possuir o sentido da complementaridade inerente a essa união.
As diferentes partes do Direito não se colocam uma ao lado da outra. Como
coisas acabadas e estáticas, pois o Direito é ordenação que se renova dia a dia,
portanto, a finalidade de se estudar, teoricamente, o Direito é determinar a
complementaridade das disciplinas jurídicas, ou o sentido do sistemático da unidade
do fenômeno jurídico.

1.5.2. Linguagem Do Direito

Para a obtenção da complementaridade do Direito e conseguirmos alcançar
sua visão unitária, é necessário o auxílio de um vocabulário apropriado. Cada
ciência exprime-se numa linguagem. Dizer que há uma ciência química é dizer que
existe um vocabulário da química. Cada ciência tem sua linguagem correspondente,
isso também acontece no Direito.
Às vezes, as expressões correntes, de uso comum do povo, no mundo
jurídico, adquirem um sentido técnico especial.
Assim a palavra “competência” (adjetivo = Competente). Quando dizemos que
um juiz dos feitos da fazenda é competente para julgar as causa em que o estado é
autor ou réu, não estamos apreciando a capacidade intelectual do juiz, mas sim,
tecnicamente, que ele tem poder , jurisdição, para resolver esses assuntos.
É necessário, pois, que se dedique maior atenção a esses termos para que
se possa melhor estudar as ciências jurídicas.

1.5.3. Ciência Do Direito E A Sua Relação Com Outras Matérias

Primeiramente, ciência tem o significado de conhecimento, o termo vem do
latim “SCIRE” que significa saber, conhecer. Em sentido amplo “é o conhecimento
das coisas pelas causas”.
De um modo geral, pode-se assim definir a ciência do Direito: “estudo
metódico das normas jurídicas com o objetivo de descobrir o significado objetivo das
mesmas e de construir o sistema jurídico, bem como de estabelecer as suas raízes
sociais e históricas”.
A finalidade do Direito, no entanto, não é o simples conhecimento “teórico” da
realidade jurídica, embora esse conhecimento seja importante. A finalidade
precípua é dirigir a conduta humana na vida social, é ordenar a convivência de
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pessoas, é dar normas de agir para que cada um tenha o que é devido. Em nossa
época não é mais possível o estudo da ciência do Direito sem o conhecimento de
outras ciências que facilitam a aplicação e, principalmente, a criação do direito.
a. Sociologia - a sociologia estuda os fatos sociais, ou seja, os fenômenos
sociais. Ora o direito é um fato social, resultante do impacto de diversos fatores
sociais (religião, moral, econômico, demográfico etc). Há, portanto uma estreita
ligação entre o Direito e a Sociologia.
b. História - o conhecimento do passado humano é de grande importância
para o jurista, por ser o direito um fenômeno histórico, que tem largo passado, ou
seja, que tem história ligada a outros fatos e acontecimentos históricos.
c. Economia - ciência preocupada em alcançar e utilizar as condições
materiais para satisfazer as necessidades do bem estar do homem, é outra com a
qual o Direito tem estrita afinidade. Existe um largo campo do Direito em que os
fatos econômicos são levados em conta.
d. Moral - que versa sobre as normas de ação humana, é de importância
fundamental para o Direito que também rege tal conduta, como já tivemos
oportunidade de comentar. Muitas regras morais foram apropriadas pelo direito:
não matar, não causar dano injusto, respeitar a palavra dada. A origem do direito
antigo encontra-se na religião e na moral.
e. Ciência política - que estuda o poder e o governo do estado, tem laços
estreitos com o direito, por ser o direito estatal o direito por excelência do mundo
atual. A ciência política é de fundamental importância para o direito constitucional.
Além dessas que podem ser consideradas com estreita relação com o
direito, temos também as ciências auxiliares do direito:
a. Medicina Legal - facilita a interpretação da Lei penal quando esta se
refere as noções que só ela pode dar, como por exemplo temos o aborto, a
virgindade, a morte, a lesão corporal etc.
b. Psicologia jurídica - é a parte da psicologia a serviço do judiciário que,
servindo-se dos resultados dos estudos sobre processos psicológicos, concorre para
descobrir o falso testemunho e autoria de delitos.
c. Criminologia - estuda o homem criminoso, isto é o delinqüente e o
crime, não do ponto de vista legal, mas dos fatores que o determinam. Visa melhor
conhecer o criminoso para melhor recuperá-lo e prevenir melhor.

2. CONCEITO DE DIREITO

“O Direito é a ordenação bilateral atributiva das relações sociais, na medida
do bem comum” MIGUEL REALE. Todas as regras sociais ordenam a conduta,
tanto as morais como as jurídicas e as convencionais de trato social. O modo de
ordenação é que difere uma da outra.. O Direito ordena a conduta de maneira
bilateral e atributiva, ou seja, estabelecendo relações de exigibilidade segundo uma
proporção objetiva.
O Direito, porém, não visa a ordenar as relações dos indivíduos entre si para
satisfação apenas do indivíduo; ao contrário, para realizar uma convivência
ordenada, o que se traduz na expressão do bem-comum.
O bem-comum não é a soma dos bens individuais, mas, a rigor, é a
ordenação daquilo que cada homem pode realizar sem prejuízo do bem alheio, uma
composição harmônica do bem de cada um com o bem de todos.

2.1. A Instituição De Dante Alighieri

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O divino poeta, além de ter-nos legado a “Divina Comédia”, deixou obras de
política e filosofia e, numa delas, conceituou o direito de forma genial ... “O Direito é
uma proporção real e pessoal, de homem para homem, que, conservada, conserva
a sociedade, corrompida, corrompe-a”.
Analisando: Dante esclarece que a relação é uma proporção. A proporção é
sempre uma relação de medida. O Direito não é uma relação qualquer entre os
homens, mas sim, aquela relação que implica uma proporcionalidade, cuja medida é
o homem mesmo.
Por que pessoal? É que para Dante, o Direito tutela as coisas somente em
razão do homem: a relação jurídica conclui-se entre pessoas, não entre homens e
coisas, mas é real (rés) quando tem uma coisa como seu objeto.
Dante inspirou-se nas grandes lições dos jurisconsultos romanos,
especialmente nas lições de Cícero, que dizia que devemos conhecer perfeitamente
o homem, a natureza humana, para depois, conhecer o direito.

2.3. Direito Positivo

O homem vive na sociedade em sociedade e não se contentando em viver
numa só sociedade, para multiplicar suas possibilidades de ação, ele forma grupos
dentro da sociedade.
Esses grupos são numerosos como a família, escolas, associações culturais,
esportivas, profissionais, igrejas etc.
Cada grupo tem sua vida própria, seu governo. Suas necessidades impõem
que se organizem dentro de uma ordem, fazendo aparecer as regras impositivas e
coativas à obediência de seus membros.
Acontece que todos esses grupos, com finalidades específicas e
especializadas não são auto-suficientes e uns necessitam de outros e todos estão,
por necessidade, subordinados a uma sociedade maior e global, a qual
denominamos sociedade política (Estado).
A sociedade política tem, por sua vez, sua própria ordenação jurídica
(normas) que está acima e prepondera sobre todas as normas dos grupos menores
nela contidos, a fim de que haja a unidade no todo. Nenhuma ordenação deve
ordenar contra a ordenação da sociedade maior, da sociedade política (Estado).
Toda a norma do grupo social deve se harmonizar com a ordenação da
sociedade política para que seja jurídica.
Só é jurídica a norma harmonizada com a ordenação da sociedade política.
Assim, a ordenação da sociedade política é a fonte de juridicidade de todas as
normas.
O Estado é fator mais alto da unidade normativa de uma Nação e só é,
propriamente direito, a ordenação que se apoiar na ordenação do ESTADO.
A norma jurídica da sociedade política (Estado) chama-se DIREITO
POSITIVO; chama-se positivo por ser o direito posto pela sociedade política e
confere eficácia às demais normas.
DIREITO POSITIVO é o direito constituído pelo conjunto das Leis e normas
jurídicas da sociedade política e aplicado em uma época determinada e em
determinado território.
O Direito Positivo tem dimensão temporal, pois é o direito promulgado, tem
vigência a partir de determinado momento histórico, perdendo-a quando revogado
em determinada época. É o direito que tem ou teve vigência, tem também
dimensão territorial, pois vige e tem eficácia em determinado território ou espaço
geográfico, em que impera a autoridade que o estabelece, reconhece ou apóia,
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apesar de haver a possibilidade de ter eficácia extraterritorial. Tal espaço
geográfico, geralmente, coincide com o território do Estado que o garanta, porém,
pode ser mais amplo, por exemplo: no Direito Aeronáutico, a convenção de Roma,
que estabelece limites para a responsabilidade civil dos proprietários de aeronaves,
vige também no espaço geográfico em que têm autoridade os países que a ela
aderiram.
O Direito Positivo tem, ainda, caráter formal, pois é estabelecido por meio de
uma fonte formal (Lei, tratado, decreto-Lei, costumes, precedente judicial,
regulamentos etc.). Caracteriza-se por autocontrolar a sua própria criação,
modificação ou revogações, estabelecendo regras para a elaboração legislativa.
Finalmente, estabelece uma ordem na qual há hierarquia de suas normas,
sendo as superiores, como por exemplo, a CONSTITUCIONAL, mais densa em
conteúdo e quantitativamente menos numerosa, enquanto as subordinadas, `a
medida em que particularizam a matéria das normas hierarquicamente superiores,
tornam-se menos gerais, menos densas de matéria e mais casuísticas, sendo, por
isso, mais numerosas.

2.4. Direito Natural

Ao lado do Direito Positivo, representado pelo complexo das normas jurídicas
que regulam as relações dos indivíduos entre si como as relações dos indivíduos
com o Estado, concebeu-se, sempre, a existência de um Direito Natural, também
chamado racional, ideal filosófico que corre no tempo e que é constituído por
aqueles princípios universais e eternos de justiça que se deduzem através da razão
pura, das exigências imanentes da natureza humana.
Na Doutrina, o Direito Natural foi sempre concebido como um conjunto de
princípios de justiça anteriores e superiores ao direito positivo, o que exerceu,
inegavelmente, uma grande influência no progresso do direito, contribuindo para
limitar os poderes do Estado e abolir privilégios iníquos, apresentando as reformas
exigidas com reivindicações de direitos natos e invioláveis da pessoa humana.
INÍQUO - que ofende a eqüidade, a retidão, injusto, malvado.
Leis existem, realmente, que, apesar de não escritas, são indeléveis, jamais
se apagarão. São exemplos de Direito natural:
a. respeito à liberdade;
b. aos bens;
c. o direito a vida.
O Direito Natural, ao meu ver, simboliza a JUSTIÇA PERFEITA, o ideal do
Direito Positivo. Deve o Direito Natural constituir o modelo a inspirar o legislador, ao
editar normas. Observa-se que toda vez que o legislador se afasta do Direito
Natural, realiza obra má e injusta. A prerrogativa que dele decorre para o titular do
domínio (proprietário) de invocar a norma, na defesa de seu interesse, é o direito
subjetivo do proprietário.
A norma de Direito Objetivo determina que será o possuidor garantido em sua
posse.
Daí decorre, para o indivíduo que se viu turbado ou esbulhado na sua posse,
a prerrogativa de ser nela mantido ou reintegrado. De um lado, vemos o preceito de
direito objetivo (norma agendi) que a todos é interessado, de outro, encontramos a
prerrogativa individual, isto é, a faculdade conferida ao possuidor de invocar, a seu
favor e na defesa de seu interesse, o preceito geral (facultas agendi).
Para Ihering, jurista alemão, direito subjetivo é o interesse juridicamente
protegido.
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Para Groppali, jurista italiano, é o poder de agir garantido pela norma jurídica,
para a satisfação de um interesse.

3. INSTITUTOS JURÍDICOS

a. Estado
b. Família
c. Propriedade
d. Herança
e. Responsabilidade
f. Contrato
g. Sanção
h. Processo

a. ESTADO: A noção de Estado não tem conceituação uniforme entre os
doutrinadores. Alguns o definem como nação politicamente organizada; outros
como nação com governo institucionalizado. “O Estado é uma sociedade
organizada, acima de todas as demais, dotado de soberania dentro de seu território,
com força de impor sua ordem jurídica” - Paulo Dourado Gusmão.
Dentro desse conceito, consideramos elementos integrantes de sua
configuração: o território, a união dos homens formando a sociedade, o vínculo
político a um governo que tem força para se impor aos seus membros e a soberania.
O território é a base física do Estado. Pode-se conceber uma nação sem território,
como foi o caso dos judeus, é o caso dos ciganos. Mas não se concebe o Estado
sem território.
O território do estado é geralmente expresso por “PAÍS”, que também não
deve ser confundido com o Estado propriamente dito, pois tem um sentido
geográfico e não jurídico, indicando a porção de terra perfeitamente delimitada, onde
se assenta o Estado.
Ainda, incluem-se dentro da noção de território o mar territorial, bem como
outros locais como as embaixadas, naves aéreas e marítimas.
Define especificamente o Estado, o monopólio que ele possui, do uso da
força na sociedade política. Não só é o Estado o detentor da suprema força; porém
todo o uso da força depende, em última análise, de sua aprovação. A ordem
estatal distingue-se, desde logo, por este fato, nela não se admitem violências
individuais, ninguém faz justiça com as próprias mãos.
Assim, a nação “agrupamento humano fixado ao solo, ligado por um laço de
parentesco espiritual gerador de consciência de unidade do grupo” (Harriou) ou
“agrupamento humano tendo origem étnica, religião, língua, história e território
comuns” - está organizada em Estado, quando fica sujeita a normas, dentro de
cuja disciplina agem os indivíduos e a vida social, que é obedecida e dispõe de
meios para se fazer acatada.
No conceito de ESTADO insere-se a SOBERANIA que é o poder de governar
e disciplinar um povo, em um território, sem interferência de outro poder. É o poder
de impor a um povo em um território uma ordem jurídica e um governo.
Em última análise, o Estado é a instituição política mais importante, pois
dentro dele funcionam outros institutos: policial, judiciário, militar...
b. Família: é uma das formas de vida social mais antigas, a família
primitiva não era igual à contemporânea que, como sabemos, é o conjunto de
pessoas ligadas por vínculo de consangüinidade.

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Na família primitiva era formada por um conjunto de pessoas que tinham a
mesma origem, a mesma fonte de poder, isto é, pessoas ligadas por um parentesco
místico (ESPIRITUAL). Pose-se dizer que a família primitiva era muito numerosa,
podendo ser considerada pequena unidade política dentro do grupo, pois ela
possuía suas Leis, seus julgamentos e seu culto. O varão mais idoso era o chefe
do culto, juiz e proprietário dos bens da família.
Já a família moderna reduziu-se em seu volume, sendo formada por pessoas
ligadas pelo vínculo da consangüinidade, ou restritamente, o grupo constituído do
pai, mãe e dos filhos. No entanto, em seu sentido lato, ela é um grupo formado
pelos ascendentes, descendentes e colaterais mais próximos. Assim muitas das
funções da família antiga passaram para o Estado e para a Igreja. A autoridade
paterna suavizou-se.
Qual a finalidade da família? Qual a sua função?
Segundo Paulo Dourado Gusmão: “a família não exerce só a função de
defesa e proteção, pois exerce, também, a de educação e de moralização. Não é só
meio de defesa e de proteção dos indivíduos, pois é, principalmente, meio moral em
que são disciplinadas as tendências individuais e em que são formados os ideais” e
conclui “a família é um foco de moralidade, de energia e de doçura, uma escola de
dever, de amor, de trabalho, uma escola de vida. Assim, na família são transmitidos
os valores morais às novas gerações”.
A família constituísse pelo casamento, antigamente, na sociedade arcaica, o
matrimônio realizava-se mediante rapto e pela captura de mulheres de outros grupos
sociais. Mais tarde, o rapto foi substituído pela compra e venda, posteriormente, a
compra e venda passaram a ser simbólica, mantendo-se o dote como resíduo do
aspecto negocial.
A princípio, o marido era o tutor perpétuo da mulher, com o cristianismo,
melhora a posição social da mulher e o casamento, apesar de ser decidido pelos
pais dos nubentes, não dava ao marido poderes despóticos. Mais tarde o
casamento passou a depender livremente da vontade dos nubentes.
Hoje, a família se legitima, como antes pelo casamento, mas a Constituição
BrasiLeira de 1988, em seu art. 226, reconhece a união estável entre o homem e a
mulher como unidade familiar, sendo o concubinato, hoje, reconhecido por Lei,
devendo o Estado facilitar sua oficialização.
Finalmente, a família moderna é marcada pela humanização e o
enfraquecimento da autoridade marital. A mulher deixa de ser subordinada,
adquirindo, também, pela Constituição de 1988, direitos e deveres iguais aos dos
homens.
c. A propriedade: Na sociedade primitiva, a propriedade era coletiva, não
havia distinção entre a propriedade do grupo e a privada, pois não havia distinção do
direito público e privado (direito civil).
A comunhão de bens entre pessoas, unidas e confundidas com o grupo, foi a
primeira forma de propriedade, tudo pertencia a todos e todos desempenhavam em
comum as funções do grupo. A propriedade privada surge quando apareceu a figura
do chefe, de início, só a ele era concebida a propriedade privada.
Só o chefe administrava e dava destino às coisas do grupo, competia-lhe
dividi-las entre todos, porém, pouco a pouco, os bens de uso pessoal como armas,
roupas, utensílios foram considerados como passíveis de propriedade privada dos
membros do grupo, foi o início da forma de propriedade individual.
Lentamente, estendeu-se aos produtos do trabalho individual e só mais tarde,
aos terrenos cultivados. No entanto, tal individualização da propriedade não
atribuía as coisas ao indivíduo, pois, antes dele ter direito a elas, pertenciam
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primeiro à família. A propriedade familiar antecede, assim, a propriedade
individual. O “pater familias” era o seu titular.
Concluindo, primeiro surgiu a comunhão de bens, depois a propriedade do
chefe, para, finalmente, propriedade familiar e propriedade individual.
A propriedade que era absoluta a princípio (direito de gozar e de dispor das
coisas de maneira mais absoluta), sofre, hoje, restrições, limitações, pois está
submetida ao interesse social. É vedado o uso abusivo da propriedade.
d. Herança: de certa maneira, pode-se dizer que o direito das sucessões
só apareceu depois da individualização da propriedade. A princípio a sucessão
se processava entre os chefes da tribo, morto o chefe, o sucessor, após cerimonial
apropriado, entrava na posse dos bens do antecessor.
Posteriormente, a sucessão processou-se entre os chefes de família, pois a
propriedade pertencia à família e não aos membros, conforme vimos.
Com a individualização da propriedade, a sucessão passou a ser entre
indivíduos, inicialmente, antes da propriedade familiar, a sucessão era só dos bens
móveis que faziam parte da herança (utensílios, armas, instrumentos de trabalho
etc.), os quais eram transmitidos aos descendentes e parentes.
A princípio, falecido o varão mais velho, sucedia o chefe de família mais
velho, isto é, o pater familias. Só o homem podia herdar, a mulher não, estando
afastada da sucessão.
O primeiro a herdar era o filho mais velho, depois o direito de sucessão
estendeu-se aos demais, excluídas as mulheres, que não tinham direito à herança.
Não deixando o de cujus (falecido) um herdeiro varão, herdavam os
parentes de linha paterna, não havendo varões nessa linha, os bens, inicialmente,
revertiam para a comunidade; depois a sucessão foi deferida aos parentes varões
da linha materna, só bem mais tarde as mulheres começaram a herdar, somente
quando não houvessem varões. Mesmo assim, não tinham a propriedade, ma
apenas o usufruto.
A mulher adquiriu, no direito romano, o direito de suceder com o advento das
LEIS DAS XII TABUAS, em Roma. Finalmente deixou de haver distinção de sexo
em matéria de sucessão.
Completando-se a individualização da propriedade, foi permitida a partilha da
herança entre os herdeiros. Primeiro surge a sucessão legítima, só mais tarde, a
testamentária.
e. Responsabilidade: da mesma maneira que a propriedade, a
responsabilidade, na sociedade primitiva, é também coletiva. Pelo ato ilícito
respondia o grupo, a tribo ou a família e não, exclusivamente, quem lhe deu causa.
É a responsabilidade coletiva que dominava. Era o causador do dano o
responsável, independentemente de sua capacidade ou culpabilidade, pois bastava
ter causado o prejuízo para responder, mesmo que fosse um menor, um louco ou
um animal. Tanto o causador do dano, como a sua família e bens deveriam sofrer
o castigo, sob pena de sofrerem sanções sobrenaturais.
Portanto, a responsabilidade era, não só coletiva, como objetiva, predominava
o nexo de causalidade material, podendo ser responsável por uma ofensa, tanto um
animal, uma criança, um adulto, um objeto, como um louco e até mesmo um
cadáver. A sociedade primitiva exigia punição, procurava um “bode expiatório”.
Com a civilização, principalmente com o aparecimento da propriedade privada
e com a formação do princípio individualizador, a pena de Talião (olho por olho,
dente por dente) foi substituída pela composição, passando os danos a serem
reparados por compensações materiais, que levavam em conta o bem atingido, a
idade, o sexo e a situação do ofendido.
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A princípio a composição pecuniária tinha caráter coletivo, individualizando-se
depois, restringindo-se à obrigação de o ofensor dar a vítima, a título de
indenização, algo de valor. Essa obrigação estendia-se, a princípio, a toda a família
do ofensor. Inicialmente, era facultativa, podendo a vítima ou sua família optar
entre a “pena de talião” ou a composição pecuniária, mais tarde tornou-se
obrigatória.
Nessa fase da vida social, a responsabilidade era a situação jurídica em que
uma pessoa ou uma família era obrigada a compensar pecuniariamente a vítima, ou
sua família, pelas lesões sofridas - assim surge, pela primeira vez, a
responsabilidade como conseqüência de reparação de danos.
No entanto, ainda não se falava em culpa1, mas só em nexo de causalidade
material, o causador do dano, mesmo involuntariamente, era responsável, devendo
pagar pela ofensa.
Com o processo de civilização, nova fase surgiu e a responsabilidade se
individualizou. Só o homem, com certo desenvolvimento físico e mental, poder ser,
então, considerado responsável, não mais as crianças, os animais, o louco ou o
cadáver.
Depois veio a espiritualização da responsabilidade, subordinando-a não só ao
“nexo de causalidade material”, como também, à culpabilidade 2. Para que houvesse
responsabilidade exigia-se também culpabilidade. A culpa passa a ser, então, a
base da responsabilidade civil e penal.
Finalmente, diante do desenvolvimento da técnica e da indústria, criadora de
situações de perigo e de danos que devem ser reparados e que não seriam
indenizados se predominasse a responsabilidade fundada na culpa
(responsabilidade subjetiva), e em razão de tornar-se cada vez mais difícil a prova
da culpabilidade, passaram os tribunais a admitir a presunção de culpa, onde a
culpa no sentido técnico não existe.
Ao lado da presunção de culpa, depois, surgiu a TEORIA DO RISCO, que
impõe a obrigação de reparação de danos criados por uma atividade perigosa.
f. Contrato: nas sociedades primitivas eram estatutárias todas as
obrigações jurídicas, não dependiam, portanto, da vontade das partes, mas da
própria norma jurídica ou de uma situação. Não havia, pois, obrigação
voluntariamente constituída, não podendo, conseqüentemente, haver contrato, que
pressupões acordo de vontade.
Os primeiros contratos ocorreram entre grupos, depois entre chefes de grupo
com o aparecimento destes; posteriormente entre chefes de família e, mais tarde,
com a individualização da propriedade, entre indivíduos.
Outrora, não cumprir com uma obrigação assumida era crime, sujeitando o
devedor a pena grave, a escravidão ou a morte do devedor insolvente podia ser
exigida pelo credor.
No Direito Romano, pelo NEXUM, o devedor garantia a sua dívida com a
própria liberdade, ou seja, tornaria escravo de seu credor em caso de inadimplência.

1
Culpa - consiste na prática não intencional do delito, faltando ao agente um dever de atenção e cuidado,
modalidade de culpa são a negligência, a imprudência e a imperícia.

2
Culpabilidade - mesmo quando existe um crime, seja ele doloso ou culposo, para aplicação da pena deve-se
avaliar o agente, saber se ele tem condições de responder pelo ato que praticou, se é louco, menor,
independente do ato praticado, isto é a culpabilidade, diferente da culpa. Exemplificando: se um louco mata
alguém, houve a prática de um ilícito penal, mas para poder haver uma avaliação da culpabilidade tem-se que
avaliar o grau de insanidade deste indivíduo.

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21
Com a individualização da propriedade, ao devedor permitiu-se tratamento
mais humano, podendo ele oferecer seus bens em lugar de seu sacrifício (seu
corpo). Mas dispunha nessa fase, o credor a faculdade de escolher entre a vida, a
escravidão ou os bens do devedor.
Posteriormente, desapareceu essa faculdade, respondendo, exclusivamente
os bens do devedor pela inexecução da obrigação.
Os primeiros tipos de contrato a aparecer foram o Empréstimo e a Permuta.
A compra e venda só surgiu quando se convencionou a dar certos bens (gado ou
metais) o caráter simbólico de unidade de medida. Com o aparecimento da moeda
proliferou essa espécie de contrato.
No direito antigo, o contrato era composto por palavras sagradas que davam
ao texto força mágica, indestrutível, esses contratos primitivos eram verbais,
garantidos pelo juramento, pelo medo de castigos sobrenaturais, caso não fossem
executadas ou pela cruel vingança do credor.
Mais tarde vieram os compromissos assumidos sob a forma escrita, tais
documentos eram atos solenes (em que fórmulas e palavras sagradas deveriam ser
repetidas pelas partes), do conhecimento exclusivo dos sacerdotes ou dos
jurisconsultos.
Com o aparecimento do Direito Mercantil, na Idade Média, percebe-se a
especialização dos negócios comerciais bilaterais. A partir daí, temos contratos
comerciais e contratos regidos pelo direito civil.
A partir dos romanos, as partes são livres de contratar através do princípio da
autonomia da vontade que dominou o direito contratual até 1914. Atualmente, há
limitações, restrições, àquele princípio pela intervenção do legislador. Assim as
convenções coletivas, os contratos de adesão, contratos com cláusulas leoninas são
temas de altas discussões, e vão pondo fim à teoria individualista dos contratos.
Há indicações que estamos partindo para uma nova fase contratual, para uma
Teoria Social dos Contratos, compatível com o momento de crise em que os
interesses gerais pairam acima dos interesses privados, fundada numa visão
histórica de maior solidariedade entre os homens.
g. Sanção: Num primeiro sentido, a palavra sanção é empregada nas
Constituições com o significado de aprovação de projeto de Lei pelo Poder
Executivo. O projeto de Lei tramita pelo Poder Legislativo e, em seguida, é remetido
ao poder Executivo. Caso o Executivo esteja de acordo com o projeto apresentado
ele o sanciona. O ato de sancionar é ato de aprovar, praticado pelo Poder executivo,
sancionar é fazer o projeto de Lei norma jurídica, atributiva. O ato contrário é o veto,
repulsa ao projeto de Lei pelo Poder Executivo.
No sentido aqui estudado, como Instituto Jurídico, sanção é pena, punição. É
preciso distingui-la da coerção e da coação. Coerção é a força justa que o Estado
usa para garantir a Lei, a princípio, a coerção é moral e psicológica, a grande
maioria das pessoas cumpre a Lei naturalmente, enquanto outras a seguem sob
uma coerção psicológica (ou moral), consciente de que, se transgredirem a Lei,
disso advirá uma coerção social sob a forma de sanção ou pena, reservada para os
últimos casos a coação, que implica violência ou força física, de acordo com o
sentido que os Códigos Civil ou Penal empregam à palavra coação.
Portanto, coerção é a força que tem o Estado para fazer cumprir a regra
jurídica (Lei), a coerção não está na essência do Direito: é força do estado, pois este
garante o cumprimento da Lei mediante a coerção, O Direito tem coercibilidade e
não é coercível. Daí ser a coerção uma propriedade do direito, que não está na
essência dele.

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A conseqüência da coerção é o castigo ou pena - SANÇÃO - que, como
erroneamente se imagina, não existe apenas no âmbito do Direito Penal, mas em
todos os ramos do Direito.
Portanto, o Direito é a única ciência da sociedade que prevê uma sanção para
o caso de não cumprimento da Lei.
O que caracteriza a Sanção Jurídica é a sua organização e
predeterminação, tudo no Direito obedeceu a esse princípio de sanção organizada
de forma predeterminada. Uma pessoa lesada em seus
direitos sabe antemão que pode recorrer à justiça para que essa relação seja
objetivamente apreciada e o equilíbrio restabelecido.
As Leis todas têm uma sanção, motivo pelo qual o Código Civil, em seu artigo
75 reza que “a todo direito corresponde uma ação que o assegura”. Só podem ser
aplicadas sanções previstas em Lei, além delas o juiz não pode ir.
Para efetivar a sanção, quando descumprida a norma jurídica, o detentor do
direito poderá recorrer ao estado, através do Poder Judiciário e o faz através da
ação judicial.
A Constituição assegura o direito de ação nos seguintes termos “A Lei não
poderá excluir de apreciação do Poder judiciário qualquer lesão ao direito individual”.
Nas sociedades arcaicas as sanções iam muito além da gravidade do ilícito,
estando na dependência da vingança das famílias. A Lei das XII Tábuas previa
multa no dobro do prejuízo, sendo a reparação uma fonte de lucro, houve a época
do “olho por olho, dente por dente”, nas sociedades primitivas tudo se resolvia em
termos de vingança, prevalecendo a força do indivíduo, da família, do grupo.
Finalmente, o Estado coloca-se em lugar dos indivíduos, chamando a si a
distribuição da justiça, com técnica de cumprimento das normas.
São várias as espécies as sanções da Lei e podem ser classificadas com
critérios diferentes.
Quanto ao ramo do Direito, as sanções podem ser: civis (imposta pelo Direito
Civil); penais (impostas pelo Direito Penal); administrativas (impostas pelo Direito
Administrativo) ou processuais (impostas pelo Direito Processual).
h. Processo: entre os romanos, o processo revestia-se de formalismo
excessivo, era um conjunto de fórmulas e gestos sagrados ou rituais, que as partes
deveriam pronunciar e repetir corretamente sob pena de nulidade. Conheceram os
romanos o processo criminal e após o civil.
Na Idade Média, o processo inquisitório, sob a influência do Direito Canônico,
teve grande importância. A confissão tornou-se prova principal, a “RAINHA DAS
PROVAS”, passando a ser objeto do processo, podia ser obtida pela tortura.
Nessa época existiram dois tipos de processos penais:
Processo acusatório - dependia de uma acusação apresentada ao juiz por
um acusador, em sendo questão complexa, o juiz podia pedir o parecer de
jurisconsulto. Tal prática concorreu para o renascimento do Direito Romano.
Processo inquisitório - era secreto, sem acusador, destinado a limpar a
sociedade dos maus homens. Era escrito, sem publicidade, secreto, admitia a
denúncia anônima.
A tortura era usada para obter a confissão, bem como às testemunhas, pois o
processo dependia, exclusivamente, da livre convicção do juiz.
Nessa época, o processo tornou-se complicado, moroso e excessivamente
formalista, as questões eternizavam-se. Por este motivo, em 1306, foi criado o
processo sumário, sem formalidades, decidido de plano. Tal procedimento foi
introduzido por decreto do Papa Clemente V.

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Nova etapa surge com as Ordenações de Luiz XIV, dando publicidade ao
processo, servindo de base par o Código de Napoleão de 1807.
Entretanto, a publicidade do processo e o papel central nele atribuído ao juiz,
foram conquistas do Regulamento Processual Civil de 1877, alemão. Esse
regulamento deu ao juiz poder para orientar e dirigir o processo.
Atualmente, o processo está humanizado, despido gradualmente de
formalismo e racionalismo. A posição do juiz foi fortalecida, não sendo o processo
um duelo entre as partes.
A tortura foi condenada, enquanto as provas tornaram-se controláveis e
científicas. A simplificação do processo e do número de ações e recursos, bem
como maiores poderes ao juiz na direção e orientação do processo, são conquistas
do Direito Moderno.

4. TEORIA GERAL DO ESTADO

“O homem médio civilizado não tem consciência do seu interesse em que a
sociedade seja politicamente organizada, nem jamais talvez raciocine sobre as
necessidades do poder. Obedece por habito, que é mais forte que o interesse e a
razão”.

4.1. Origem Natural Do Estado

4.1.1. Contratualistas

Segundo os contratualistas, decorre de um pacto tácito e geral dos indivíduos.
a. Hobbes – o medo diante do individuo mais forte seria a origem primeira
do Poder Estatal (Leviatã).
b. Locke previa o direito de rebelião na medida em que o soberano
desviasse as funções do estado. O pacto social jamais ocorreu historicamente,
fundamenta sob o ponto de vista filosófico, a adesão à idéia do estado como
detentor da força.
c. A proposta de Locke era semelhante a de Rousseau, ambos
acreditavam em direitos humanos pré-estatais, a quem incumbia ao Estado a sua
proteção, eram opositores aos regimes absolutistas da idade média.
As idéias de Locke e Rousseau também se prestam a explicar a legitimidade
do poder.
a. Locke – desejo de todos por criar um órgão garantidor da paz e da
justiça.
b. Rousseau – o Estado surgia para viabilizar a igualdade entre os
homens.

4.1.2. Evolução Dos Grupos Primitivos

Ampliação da família e pequenas hordas, baseadas em uma sociedade
humana diferente de uma sociedade política, sendo marcado este momento com o
homem se emancipando da família.
As sociedades primitivas, compostas de inúmeras famílias, possuindo uma
autoridade própria que as dirigia, sobre um determinado território já eram estados.
Estando a gênese da Ciência do Estado na polis grega.
A evolução do poder não teria se processado de modo homogêneo em todas
a sociedades, não havendo a idéia de separação dos poderes, tampouco a
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24
separação das normas de controle social, estando o aparato normativo constituído
de um conjunto de normas religiosas, morais e jurídicas.

4.1.3. Origem violenta do Estado

Teorias contemporâneas ao contratualismo, explicam a origem do estado a
partir da imposição dos mais fortes sobre os mais fracos. Nesta linha estão Bodin,
Oppenheimer, Marx e outros.
a. Oppenheimer – “O Estado é, inteiramente quanto à sua origem e quase
inteiramente quanto à sua natureza durante os primeiros estágios de existência, uma
organização social imposta”.
Por um grupo vencedor ao grupo vencido, organização cujo único objetivo é
regular a dominação do primeiro sobre o segundo, defendendo sua autoridade
contra revoltas internas e ataques externos.
b. Marx e Engels – “Como o Estado surgiu da necessidade de por fim à
luta de classes, mas surgiu também no meio da luta de classes, normalmente o
Estado é a classe dominante economicamente mais poderosa, que por seu
intermédio se converte também em classe politicamente mais forte e adquire novos
meios para submeter e explorar a classe oprimida.”

4.1.4. Origem Histórica Dos Novos Estados

a. Modo originário – sem derivar de outro Estado preexistente;
b. Modo secundário – decorre da junção de vários Estados já existentes;
c. Modo derivado – o Estado surge por influencia exterior de outros
Estados.

4.2. Elementos Essenciais Do Estado

4.2.1. Elemento Humano

a. População: A população é o elemento humano, exprime um conceito
aritmético, de caráter quantitativo, demográfico, e serve para designar a massa de
indivíduos que vivem dentro do Estado, independentemente de qualquer relação
política ou jurídica que possa existir entre eles. A população é um dos elementos
mais importantes do Estado. Sua importância não ressalva só no aspecto
econômico, mas também, no político.
b. Povo: É uma parte da população, considerada sob o aspecto puramente
jurídico; é aquele grupo de indivíduos ligados ao Estado pelo vinculo de cidadania; é
aquele conjunto de indivíduos ligados ao Estado que têm direitos e deveres para
com o Estado; são os súditos ou cidadãos que podem viver tanto no Estado como
no exterior.
c. Nação: representa um conceito de ordem moral, cultural e psicológico,
em que se somam uma identidade de crenças, costumes, aspirações e ideais, para
Azambuja, “é uma comunidade de consciência”. Quando a população do Estado não
tem essa consciência comum de interesses e aspirações, pode ser um povo, não
uma nação.

4.2.2. Território

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O território é elemento essencial à existência do Estado, é uma base física, a
porção do globo ocupada pelo Estado nos limites que lhes são reconhecidos e onde
este exerce diretamente a jurisdição, a capacidade de declarar o Direito. Sem esse
elemento geográfico não pode haver Estado. GROPALLI define território: “é a parte
delimitada da superfície terrestre sobre a qual um Estado exerce exclusivamente o
próprio poder de Império’.
4.2.3. Soberania

É o elemento que prepondera na constituição do Estado, sendo considerada
como a institucionalização do poder. A Soberania tem por atributos:
a. Poder Originário;
b. Poder indivisível;
c. Poder Inalienável;
d. Poder Coercitivo.

4.3. Formação Jurídica Do Estado – Constituição

O momento em que o Estado passa a existir como instituição de direito
coincide com o momento em que é provido de Constituição, passando a ser dotado
de personalidade jurídica, caracterizando-se como organização real, uma pessoa
moral ou jurídica, absolutamente distinta do seu elemento humano.

4.4. FINALIDADES DO ESTADO

O Estado é o meio para o homem realizar a sua felicidade social, um sistema
para conseguir a paz e a prosperidade. Com este intuito, o Estado atende fins que
podem ser jurídicos (ou essenciais) e sociais (ou não-essenciais).

4.4.1. Fins Jurídicos

a. Garantir a ordem interna;
b. Assegurar a soberania na ordem internacional;
c. Dizer o Direito, ou seja, fazer as Leis;
d. Ministrar ou atribuir justiça.

4.4.2. Fins Sociais

a. Promover o bem público cabendo-lhe usar todos os meios para
favorecer ao indivíduo uma vida melhor;
b. Assistência à família, à educação e à cultura;
c. Amparar a infância, a velhice e os índios.

4.5. Formas De Estado

O Estado assume determinadas formas dentro do aspecto físico que lhe é
inerente e adota caracteres que os indivíduos visualizam. A mais conhecida
classificação das formas de Estado o considera sob dois aspectos: Estado Simples e
Estado Composto.

4.5.1. Estado Simples

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Classicamente denominado Estado Unitário representa, segundo Queiroz
Lima, um corpo homogêneo e exclusivo, no qual uma única autoridade de governo
se exerce.

4.5.2. Estado Composto

Diz-se que o Estado é composto quando a sua estrutura se apresenta com
duas esferas de poder, forças de expressão da autoridade estatal, cada uma dotada
de órgão próprio de representação, subordinadas a uma ordem jurídica mais ou
menos complexa que concede um equilíbrio harmônico a essas ordens
governamentais.

4.6. Concepções Modernas Do Estado

A revolução Francesa aboliu todas as associações intermediarias entre o
Estado e o Individuo. A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (1789) tinha
um cunho moral e universal, existindo o predomínio da doutrina liberal burguesa,
que tinha como características:
a. Exigência de constituição escrita;
b. Separação dos poderes (Montesquieu)
c. Domínio da força
d. Principio da legalidade
e. Soberania popular
f. Jurisdição uma
g. Definição e garantia dos direitos fundamentais

4.7. Formas De Governo

Aristóteles concebeu as três conhecidas formas básicas de poder, ou seja, a
Monarquia, a Aristocracia e a República. Essas três formas podem degenerar,
surgindo a Tirania, a Oligarquia e a Demagogia.
Atualmente, levando-se em conta a classificação de Maquiavel, são duas as
formas de governo: Monarquia e República.

RESUMO
Aristóteles

Monarquia
Puras Aristocracia
Democracia

Tirania
Impuras Oligarquia
Demagogia

Maquiavel

Puras Monarquia
República (Presidencialismo e Parlamentarismo)

Impuras Ditadura
Despotismo

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Movimentos coletivos lograram avanços nos primeiros anos do séc. XX, em
atenção aos seguintes princípios:
a. Todos os membros de uma comunidade política têm direito de serem
representados;
b. Todo grupo de pessoas, com interesses específicos, tem o direito de
constituir organizações estáveis para a promoção dos seus interesses.
c. O valor da federação deveria ser a adequada inclusão institucional das
coletividades.

4.8. O Estado Brasileiro – Análise A Partir Do Texto Constitucional
(Constituição Da República Federativa Do Brasil, De 1988)

O Estado brasileiro de hoje constitui-se em um Estado Federal, definido
constitucionalmente como a união indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito
Federal, tendo-se resgatado o principio federativo, na medida em que, ao estruturar
a repartição de competências, buscou-se um certo equilíbrio entre municípios.
O Estado brasileiro tem como formas de governo a República e o sistema de
governo é o Presidencialista, confirmado em plebiscito realizado em 21.04.93
quando, também, se consagrou a república, em oposição a monarquia. (Ver art. 1º
da Constituição de 1988).

5. NORMAS JURÍDICAS

5.1. Conceito

Norma jurídica é um mandamento (uma ordem, regra de conduta, preceito)
obrigatório, geral, bilateral, heterônoma, coercível, provido de sanção,
desempenhando várias funções sociais, dirigido aos seus destinatários.

5.2. Características

a. Imperatividade ou obrigatoriedade - ela estabelece um comando,
impondo um tipo de relação social que tem que ser observado. Ninguém pode
esquivar-se ao seu cumprimento. Tanto é imperativa quando impõe uma conduta,
como quando proíbe uma ação.
Também é imperativa quando impõe uma organização social, uma situação
jurídica e quando confere poderes, prerrogativas, competências etc.
Não fogem à regra de imperatividade as normas dispositivas (podem ser
modificadas pelas partes), porque em tais normas a imperatividade está, conforme a
vontade do legislador, na dependência de uma condição: a vontade das partes.
As partes, no caso dessas normas, podem estabelecer regra diversa daquela
estabelecida pela Lei, como ocorre no direito dos contratos. Nesse caso, a
imperatividade da Lei se transfere para a regra estabelecida pelas partes (contrato é
Lei entre as partes).
Conclusão: a norma jurídica é imperativa (obrigatória) Não só quando
comanda, impõe ou proíbe conduta, como também quando impõe ou estabelece
forma obrigatória de organização de uma situação jurídica.
b. Generalidade da norma - a norma jurídica é geral por não regular um
caso singular, mas por estabelecer um princípio aplicável a vários casos, que podem
ou não se realizar. Pode-se dizer que a norma é geral, pois tem por destinatário
várias pessoas.
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Assim, devido a sua generalidade, a norma jurídica estabelece um padrão de
conduta social, um tipo de relação jurídica que pode ocorrer, não se destinando a
ninguém em particular. Devido, ainda, à sua generalidade, a norma é aplicável a
todas as pessoas que estiverem em igual situação e a todas as relações jurídicas da
mesma espécie.
Portanto, devido a esse preceito, pode-se dizer que todos são iguais perante
a Lei.
c. Bilateralidade e função da norma - a norma jurídica, como norma de
conduta, caracteriza-se pela bilateralidade, ou seja, vincula o direito de uma parte
com o dever de outra, por disciplinar uma relação social entre duas ou mais
pessoas, na qual uma parte tem por faculdade de exigir a observância do dever
jurídico imposto pela norma à outra parte.
Além disso, a norma jurídica estabelece uma condição (fato ou ato jurídico)
que ocorrendo produzirá um efeito jurídico, por exemplo: maioridade (fato) para
obtenção da capacidade; ilícito (ato) para a reparação do dano ou aplicação da
pena.
Além das finalidades ideais da norma (justiça, segurança etc) e de seus fins
históricos, a norma desempenha várias funções:
d. Função distributiva - no Direito privado, a norma distribui direitos e
obrigações entre as partes da relação jurídica; cria situação jurídica, como a do pai,
marido, tutor, curador, proprietário, locador, locatário etc.
No Direito Público distribui poderes, obrigações e funções, por exemplo:
poder de cobrar impostos, obrigação do contribuinte de pagar impostos, função de
empregador, de governantes etc.
e. Função repressiva - ou de defesa social (norma penal)

6. FONTES DO DIREITO

6.1. Definição – Classificação

A palavra fonte tem o significado comum de lugar onde a água surge, nasce
ou jorra. É nesse sentido que se diz: a praça desta cidade tem uma bela fonte. Mas
podemos usar essa palavra num sentido amplo e figurado quando falamos, por
exemplo, em fontes do Direito ou fonte da norma jurídica. Neste caso, queremos
saber qual é a origem do Direito, de onde provêm as normas.
São quatro as fonte formais clássicas do Direito:
a. A Lei
A Lei é a mais importante fonte formal do direito. Entende-se por Lei a norma
jurídica escrita emana do poder competente. A Lei está presente na legislação, que
é o conjunto das Leis vigentes em um país.
Em sentido técnico estrito, a Lei é a norma jurídica ordinária elaborada pelo
Poder Legislativo. Distingue-se, nesse sentido, dos decretos, regulamentos e
portarias expedidos pela Administração Pública (Poder Executivo).
b. O costume jurídico
O costume não faz parte da legislação, é criado espontaneamente pela
sociedade, sendo o resultado de uma prática geral obrigatória, constante e
prolongada.
Nas comunidades primitivas, o costume era a principal fonte do Direito, não
existiam Leis escritas e as normas fixavam-se pelo uso reiterado e pela transmissão
oral de geração a geração.

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Nos dias atuais, com exceção de poucos países, o costume deixou de ser a
principal fonte do Direito. Entretanto ainda mantém seu valor como fonte alternativa
ou supletiva, nos casos em que a Lei for omissa, isto é na falta da Lei. O costume
também é utilizado quando a própria Lei o autoriza.
O costume jamais será usado contra a Lei, apenas como subsidiário ou na
falta dela.
A aplicação do costume varia conforme a ramo do Direito. No Direito
Comercial, por exemplo, o costume tem considerável importância, por outro lado no
Direito Penal, o costume é radicalmente proibido, pois segundo nosso Código Penal:
“não há crime sem Lei anterior que o defina” - dessa maneira ninguém pode ser
criminalmente condenado tendo por base um costume jurídico.
c. A jurisprudência
Chamamos jurisprudência o conjunto de decisões judiciais uniformes e
reiteradas sobre determinados assuntos. A jurisprudência vai-se formando a partir
das decisões adotadas pelos órgãos judiciais ao julgar casos ou questões
semelhantes.
d. A doutrina jurídica
A doutrina jurídica é o conjunto sistemático de teorias sobre o Direito
elaborado pelos grandes juristas. A doutrina é o produto da reflexão e do estudo
que os juristas desenvolvem sobre o Direito.
O parecer comum sobre determinados assuntos, de diversos especialistas de
notório saber jurídico, constitui verdadeiras normas que orientam legisladores, juízes
e advogados.

7. DIREITO CONSTITUCIONAL

7.1. Conceituação

A Constituição é a Lei máxima e fundamental do Estado. Ocupa o ponto mais
alto da hierarquia das normas jurídicas, por isso recebe nomes enaltecedores que
indicam essa posição de ápice na Pirâmide de Normas: Lei Suprema, Lei Maior,
Carta Magna, Leis das Leis ou Lei Fundamental.
Uma constituição pode ser conceituada em várias acepções, mas em síntese,
todos os conceitos indicarão igualmente a idéia de modo de ser de alguma coisa, e
por extensão, a de organização interna de seres e entidades. Daí dizer-se que todo
Estado tem constituição, que é o simples modo de ser do Estado.
José Afonso da Silva, in Curso de Direito Constitucional Positivo diz:
“A constituição do Estado, considerada sua Lei fundamental, seria, então,
a organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas
jurídicas escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma
do seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o
estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos
fundamentais do homem e as respectivas garantias. Em síntese, a
constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos
constitutivos do Estado”

Ferndinand Lassalle diz que a constituição definida como algo essencialmente
jurídico é falha, a constituição é, antes de tudo, definida no plano sociológico. Para
ele existem, em cada Estado, duas constituições - uma real, efetiva e a outra, escrita
(mera folha de papel).
“A Constituição é algo que tem, como forma, um complexo de normas
(escritas ou costumeiras); como conteúdo, a conduta humana motivada

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pelas relações sociais (econômicas, políticas, religiosas, etc.); como fim,
a realização de valores que apontam para o existir da ocmunidade; e,
finalmente, como causa criadora e recriadora, o poder que emana do
povo.”

Na Constituição encontram-se, geralmente, as normas básicas que compõem
a estrutura jurídica, política, social e econômica do Estado.
Qual o conteúdo específico de uma Constituição?
Não existe um conteúdo específico, previamente identificável, do que seja
próprio ou não de uma Constituição. O conteúdo jurídico de uma Constituição é
extremamente elástico, variando conforme a vontade política do povo. Tudo o que
determinada sociedade considera fundamental e relevante pode ser ou tornar-se
conteúdo de uma Constituição.
Apesar da variedade de conteúdos constitucionais, adotamos como adequada
a definição a seguir:
Constituição é a vontade política de um povo, manifestada por meio de seus
representantes.
Declaração solene expressa mediante um conjunto de normas jurídicas
superiores a todas as outras e que estabelece os direitos e deveres fundamentais
das pessoas (ser humano, entidades, governos).

7.2. Classificação Das Constituições

As Constituições dos diversos países do mundo não são iguais entre si.
Contudo, podem ser classificadas de acordo com três critérios básicos - a forma, a
origem e a consistência - que por sua vez subdividem-se em outros.
Assim, quanto à forma, as Constituições podem ser:
a. Escritas: quando são expressas em Leis escritas. Hoje em dia, quase
todas as Constituições são escritas. Ex: Constituição BrasiLeira.
b. Costumeiras ou consuetudinárias: quando provêm de práticas
constantes, consagradas pelo uso e pela tradição histórica. Ex: Constituição da
Inglaterra.
Quanto à origem, as Constituições podem ser:
a. Dogmáticas ou votadas: quando elaboradas por uma Assembléia
Constituinte, composta por representantes do povo. Ex.: Constituição Federal
BrasiLeira de 1988.
b. Outorgadas: quando imposta pelo Chefe de Estado, sem a devida
consulta prévia ao povo. Ex: Constituição BrasiLeira de 1824 (a do Império)
Quanto à consistência, as Constituições podem ser:
a. Rígidas: quando não podem ser alteradas com facilidade.
b. Flexíveis: quando podem ser alteradas com facilidade.

7.3. As Constituições Na História Do Brasil

Ao longo de sua história, o Brasil teve oito Constituições. Destas, quatro
nasceram de um processo ilegítimo de outorga (Constituições de 1824, 1937, 1967
e 1969). Elas foram impostas pelo chefe de Estado, sem a devida consulta prévia ao
povo ou a seus legítimos representantes. As outras quatro (Constituições de 1891,
1934, 1946 e 1988) resultaram de um processo democrático, sendo votadas e
promulgadas por Assembléias Constituintes.

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Abaixo, o resumo das principais características das Constituições
brasiLeiras:

1824
Outorgada pelo imperador D.Pedro I.
É a 1ª Constituição do Brasil e a que permaneceu mais tempo em vigor.
Forma de governo: monarquia constitucional
Estado Unitário: sem autonomia para as províncias.
Quatro poderes: Moderador, Executivo, Legislativo e Judiciário.
1891
Votada.
É a 1ª Constituição do Brasil Republicano.
Forma de governo: república federalista.
Três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
1934
Votada.
Mantém a federação, mas restringe um pouco a autonomia dos Estados-Membros.
Preocupa-se com o estabelecimento de Leis econômicas e sociais.
1937
Outorgada por Getúlio Vargas.
É a Constituição do Estado Novo.
Fortalece o Poder Executivo Federal.
Os Estados-membros são governados por interventores nomeados pelo Presidente da
República.
Cria a legislação trabalhista.
1946
Votada.
Fortalece o regime democrático, assegurando o pluripartidarismo.
Proclama respeito aos direitos humanos.
Restabelece o federalismo: autonomia dos Estados-Membros
1967
Outorgada pelo Marechal Castelo Branco (embora, formalmente, fosse votada pelo
Congresso Nacional).
Atende às exigências do Movimento Militar de 1964.
Promove a centralização dos poderes no Executivo Federal. Promove a centralização dos
poderes no Executivo Federal.
Criou as eLeições indiretas para Presidente da República (Colégio ELeitoral).
1969
Outorgada por três Ministros Militares (embora, formalmente, essa Constituição tenha
tomado o aspecto de emenda à Carta de 1967).
Promoveu uma maior centralização do poder político nas mãos do Executivo Federal.
Descaracterizou o federalismo, privilegiando a União em detrimento dos Estados
Membros e dos Municípios.
1988
Votada.
Institui o Estado Democrático de Direito, auto limitando o poder do Estado ao
cumprimento das Leis a que todos subordinam.
Assegura a livre participação dos cidadãos à vida política. Assegura o pluripartidarismo.
Fortalece o federalismo, conferindo maior autonomia aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios.
Procurou remover as instituições autoritárias legadas pelo regime militar.

7.4. A Constituição Federal E Os Princípios Fundamentais

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32
No seu título I, a constituição Federal de 1988 proclama os princípios
fundamentais da República Federativa do Brasil. Estes princípios referem-se aos
seguintes temas básicos:

7.4.1. Regime Político-Jurídico

O Brasil consagrou como regime político-jurídico o Estado Democrático de
Direito. Para melhor entendermos o significado desta expressão, vamos analisá-la
em duas etapas:
7.4.1.1. Estado Democrático

Refere-se ao regime político que permite ao povo (governados) uma efetiva
participação no processo de formação da vontade pública (governo). Por isso, diz a
Constituição: todo pode emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eLeitos direta ou indiretamente.

7.4.1.2. Estado De Direito

É o regime jurídico que autolimita o poder do governo ao cumprimento das
Leis que a todos subordinam.
Os fundamentos do Estado democrático de Direito são:
a. Soberania (poder máximo de que está dotado o Estado para fazer valer
suas decisões e sua autoridade dentro de seu território).
b. Cidadania (qualidade do cidadão caracterizada pelo livre exercício dos
direitos e deveres políticos e civis).
c. Dignidade da pessoa humana.
d. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
e. Pluralismo político (existência de mais de um partido ou associação
disputando o poder político).

7.4.2. Forma De Governo

Brasil é uma República, cujas características são:
a. Os agentes políticos são eLeitos pelo povo;
b. Os agentes políticos ocupam o poder, exercendo mandatos por tempo
limitado.

7.4.3. Forma De Estado

O Brasil é uma federação formada pelas seguintes entidades estatais
autônomas: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Brasília é a
capital federal. Em razão de sua autonomia político-administrativa, as entidades da
federação exibem auto-organização, autogoverno e autolegislação nas esferas de
suas respectivas competências.
A União, além da autonomia no plano interno, exerce soberania quando
representa o Estado Federal (o Brasil) perante a comunidade internacional.

7.4.4. Divisão Funcional Do Poder

São poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário, ou seja, o poder político do Estado apresenta-se dividido,
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33
respectivamente, nas seguintes funções típicas: a função legislativa, a função
administrativa e a função jurisdicional.
A divisão funcional do poder representa princípio básico que visa impedir, ou
pelo menos limitar, a prepotência do Estado. Cada Poder (Legislativo, Executivo e
Judiciário) deve limitar as expansões indevidas do outro. Forma-se, então, um
sistema integrado de freios e contrapesos, cujo objetivo é controlar o poder do
Estado.

7.4.5. Objetivos Nacionais No Campo Interno

Constituem objetivos fundamentais da república Federativa do Brasil:
a. Construir uma sociedade livre, justa e solidária;
b. Garantir o desenvolvimento nacional;
c. Erradicar a pobreza, a marginalização e reduzir as desigualdades
sociais e regionais;
d. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer outras formas de discriminação.

7.4.6. Princípios Das Relações Internacionais Do Brasil

O Brasil deve se relacionar com as demais nações do mundo orientando-se
pelos seguintes princípios:
a. Independência nacional;
b. Respeito pelos direitos humanos (O Brasil é um dos signatários da
Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 1948);
c. Autodeterminação dos povos (cada nação deve conduzir seu próprio
destino);
d. Não intervenção (nenhum Estado tem o direito de interferir nos assuntos
internos do outro);
e. Igualdade entre os Estados (todo Estado tem direito à igualdade jurídica
perante outros Estados, isto é, igualdade de tratamento perante as normas
internacionais);
f. Defesa da paz;
g. Solução pacífica dos conflitos;
h. Repúdio ao terrorismo e ao racismo;
i. Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
j. Concessão de asilo político (recolhimento de cidadãos que fogem de
perseguições políticas).

7.5. Os Direitos E Garantias Individuais

No Título II, a Constituição Federal assegura um conjunto de prerrogativas
que dizem respeito às principais dimensões que se referem ao ser humano:
a. Pessoa natural ou física;
b. Membro da sociedade civil;
c. Membro da sociedade política.
É importante salientarmos que, desde a proclamação da Constituição, as
normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação jurídica
imediata.
Destacaremos, a seguir, algumas dessas normas:

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a. Igualdade perante a Lei: todos são iguais perante a Lei, sem distinção
de qualquer natureza. São invioláveis os direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade.
b. Liberdade de crença e expressão: é livre a expressão da atividade
artística ou científica, independentemente de censura. Ninguém será privado de
direito por motivo de crença religiosa, política ou filosófica.
c. Defesa do consumidor: o Estado promoverá, na forma da Lei, a defesa
dos direitos do consumidor.
d. Inviolabilidade da casa: a casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém
pode nela penetrar sem o consentimento do morador, salvo em casos excepcionais
(crimes, prestação de socorro, cumprimento de ordem judicial).
e. Condições para se prender alguém: ninguém poderá ser preso, senão
em flagrante delito ou por ordem escrita de autoridade judiciária competente.
f. Habeas Corpus: é o instrumento jurídico destinado a resguardar o
indivíduo que esteja ameaçado de sofrer violência ou coação, em sua liberdade de
locomoção, causada por ilegalidade ou abuso de poder.
g. Habeas Data: é o instrumento jurídico que assegura ao indivíduo o
direito de conhecer informações relativas à sua pessoa, que constem nos arquivos
de entidade públicas. Assegura, também, o direito à retificação dos dados
informativos arquivados.
h. Mandado de Segurança: é o instrumento jurídico destinado a proteger
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade de caráter público.
i. Direitos sociais: são consideradas direitas sociais as educações, a
saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, o amparo à
maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.
j. Direitos políticos: a soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal (direito de voto a todos os cidadãos) e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos.

7.6. O Direito Constitucional E A Mulher

A Constituição diz que homens e mulheres são iguais em direitos e
obrigações, assegura que não pode haver diferença de salários, de exercício de
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

8. PROCESSO LEGISLATIVO

Conjunto de atos realizados pelos órgãos visando a formação das Leis
constitucionais, complementares e ordinárias, resoluções e decretos legislativos.

8.1. Objeto – Art. 59, CF/88:

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - Leis complementares;
III - Leis ordinárias;
IV - Leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação
das Leis.
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8.1.1. Emendas Constitucionais – art. 60, CF/88:

A dinâmica da ordem constitucional compreende a mudança das normas que
a compõem conforme os anseios manifestados pela sociedade em momentos
históricos diversos.
Todavia, num Estado Democrático de Direito nenhuma maioria pode mudar
toda a constituição ou deliberadamente deixar de cumprí-la.
Emendas constitucionais são supressões, adições ou modificações que
alteram o texto constitucional, adequando a Constituição às mudanças geradas na
sociedade.
Emana do poder constituinte derivado, razão por que sofre limitações
jurídicas.

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de
defesa ou de estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

8.1.2. Leis Complementares

Tem por função complementar a Constituição naquilo que for exigido. O texto
constitucional não pode ser prolixo, necessita das Leis para disciplinar as matérias
de forma integral. Embora a complementação das normas constitucionais possam
ser feitas por Lei ordinária, a Lei Complementar é utilizada para este fim, nos casos
de determinação constitucional expressa. O procedimento de elaboração é
semelhante ao da elaboração da Lei ordinária, difere quanto ao quorum3 para
aprovação.

8.1.3. Leis Ordinárias

Normas infraconstitucionais que nascem no Congresso Nacional e
correspondem a maior parte da produção legislativa. A denominação ordinária
decorre do procedimento de elaboração legislativo (procedimento ordinário). É de
aplicação residual porque todas as matérias que não lhes sejam vedadas, como as
reservadas às Emendas Constitucionais, Leis Complementares, Decretos e
resoluções, podem ser disciplinadas por meio delas.

3
Art. 69. As Leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

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36
Iniciativa - art.61, CF/88
a. Iniciativa pelo Cidadão (iniciativa popular) – art. 61, §2º, CF/88;
b. Iniciativa exclusiva do Presidente da República – art. 60, § 1º, II a ao f;
art. 84, VI, CF/88;
c. Iniciativa do Poder Legislativo (art. 51, IV e 52, XIII, CF/88);
d. Iniciativa exclusiva do Poder Judiciário (art. 96, II a e d, CF/88).
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara
dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e
nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:

I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da
administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84,
VI;
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade,
remuneração, reforma e transferência para a reserva.
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-018 de 05/02/1998
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 1 Inc. II Ali. c c) servidores públicos da União e Territórios,
c) servidores públicos da União e
seu regime jurídico, provimento de cargos,
Territórios, seu regime jurídico, provimento de
estabilidade e aposentadoria de civis, reforma e
cargos, estabilidade e aposentadoria de civis,
transferência de militares para a inatividade;
reforma e transferência de militares para a
inatividade;

Par. 1 Inc. II Ali. f
f) militares das Forças Armadas, seu
regime jurídico, provimento de cargos,
promoções, estabilidade, remuneração, reforma
e transferência para a reserva.

EMC-032 de 11/09/2001
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 1 Inc. II Ali. e e) criação, estruturação e atribuições dos
e) criação, estruturação e
Ministérios e órgãos da administração pública.
atribuiçõesextinção dosde Ministérios e órgãos
da administração pública., observado o disposto
no art. 84, VI;

8.1.4. Leis Delegadas

Elaboradas pelo presidente da república, vão a promulgação imediata, salvo
se a resolução do Congresso Nacional houver a votação do projeto pelo plenário –
art. 68 §3º, algumas matérias não podem ser objeto de delegação legislativa, art. 68,
§1º, I a III.

Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a
delegação ao Congresso Nacional.
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§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de
competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei
complementar, nem a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que
especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em
votação única, vedada qualquer emenda.

8.1.5. Medidas Provisórias

Ato de origem no Poder Executivo, com força de Lei a partir da sua
publicação, sendo um sucedâneo do antigo decreto Lei, sofreu alterações
decorrentes da EC nº 32 que restringiu a amplitude com que se podia emitir uma
MP.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias,
com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I - relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares,
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
III - reservada a lei complementar;
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República.
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts.
153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido
convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se
não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por
igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes.
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se
durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação,
entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional,
ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em
que estiver tramitando.
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de
sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do
Congresso Nacional.
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas
emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do
Congresso Nacional.
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou
que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda
de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados
durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-
á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-032 de 11/09/2001
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38

Dispositivo Texto Anterior Alteração
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente
República poderá adotar medidas provisórias, com força
da República poderá adotar medidas provisórias, com força
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional, que, estando em recesso, será convocado
Nacional, que, estando em recesso, será convocado
extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias.
extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias.

Par. 1 Parágrafo único. As medidas provisórias perderão eficácia,
§Parágrafo 1ºúnico. ÉAs vedada a edição de medidas
desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo
provisórias sobreperderão matéria:eficácia, desde a edição,
de trinta dias, a partir de sua publicação, devendo o
se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias, a
Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas delas
partir de sua publicação, devendo o Congresso Nacional
decorrentes.
disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes.

Par. 1 Inc. I
I - relativa a:

Par. 1 Inc. I Ali.
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos
a
políticos e direito eleitoral;

Par. 1 Inc. I Ali.
b) direito penal, processual penal e processual civil;
b

Par. 1 Inc. I Ali.
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério
c
Público, a carreira e a garantia de seus membros;

Par. 1 Inc. I Ali.
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias,
d
orçamento e créditos adicionais e suplementares,
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;

Par. 1 Inc. II
II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de
poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;

Par. 1 Inc. III
III - reservada a lei complementar;

Par. 1 Inc. IV
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo
Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República.

Par. 2
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou
majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I,
II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o
último dia daquele em que foi editada.

Par. 3
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos
§§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável,
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o
Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as
relações jurídicas delas decorrentes.

Par. 4
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da
publicação da medida provisória, suspendendo-se durante
os períodos de recesso do Congresso Nacional.

Par. 5
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do
Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus
pressupostos constitucionais.

Par. 6
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até
quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará
em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até
que se ultime a votação, todas as demais deliberações
legislativas da Casa em que estiver tramitando.

Par. 7
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a
vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.

Par. 8
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada
na Câmara dos Deputados.

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39
Par. 9
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e
Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas
emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão
separada, pelo plenário de cada uma das Casas do
Congresso Nacional.

Par. 10
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão
legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou
que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.

Par. 11
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o
§ 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia
de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e
decorrentes de atos praticados durante sua vigência
conservar-se-ão por ela regidas.

Par. 12
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o
texto original da medida provisória, esta manter-se-á
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o
projeto.

8.1.6. Decretos Legislativos

São atos destinados a regular matérias de competência exclusiva do
congresso Nacional (art. 49, CF/88) que tenham efeitos externos a ele; independem
da sanção e de veto.
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos
previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência
exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer
uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts.
37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado,
observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a
execução dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos
os da administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros
Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e
lavra de riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e
quinhentos hectares.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-019 de 04/06/1998
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Inc. VII VII - fixar idêntica remuneração para os
VII - fixar idênticaidêntico
Deputados Federais e os Senadores, em cada
remuneraçãosubsídio para os Deputados
legislatura, para a subseqüente, observado o
Federais e os Senadores, em cada legislatura,
que dispõem os arts. 150, II, 153, III, e 153, §

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40
2º, I; para a subseqüente, observado o que dispõem
os arts. 15037, IIXI, 15339, III, e 153, § 2º4º,
I;150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;

Inc. VIII VIII - fixar para cada exercício financeiro a
VIII - fixar para cada exercício financeiro a
remuneração do Presidente e do Vice-
remuneração do Presidente e do Vice-
Presidente da República e dos Ministros de
Presidente da República e dos Ministros de
Estado, observado o que dispõem os arts. 150,
Estado, observado o que dispõem os
II, 153, III, e 153, § 2º, I;
arts.subsídios 150,do II,Presidente 153, III, e
153,do §Vice-Presidente 2º,da I;República e
dos Ministros de Estado, observado o que
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III,
e 153, § 2º, I;

8.1.7. Resoluções Legislativas

“Atos destinados a regular matéria de competência do Congresso e de suas
Casas, mas com efeitos internos”. Ex; Regimento Interno. Art. 1º, XI; 30, §1º; 44, I;
67; 101; 110; 112, V; 115; 188, §2º; 232, parágrafo único; 258, § 2º e 3º; 261; 298, §
3º, III; 309, I, “c”; 309, II, “e”; 318, parágrafo único, II, IV, V. Algumas exceções são:
resoluções com efeito externo, “delegação legislativa e as do Senado sobre matéria
financeira e tributária” (art. 68, § 2º, 52, I a X, e 155, § 2º, V) regimento interno.

8.2. Procedimentos Legislativos

Modelo pelo qual os atos do processo legislativo se realizam (andamento da
matéria-tramitação do projeto).

8.2.1. Procedimento Legislativo Ordinário

Visa a elaboração das Leis ordinárias e perpassa por cinco fases:
a. Introdutória – apresentação do projeto;
b. Exame do projeto nas comissões permanentes;
c. Discussões – discussão em plenário;
d. Decisória – votação;
e. Revisória – feito por outra casa;
f. Arquivamento – art. 65, CF/88 ou;
g. Sanção ou veto – atos legislativos de competência exclusiva do Chefe do
Poder Executivo; ó recaem sobre projetos de Lei (art.48, CF/88);
h. Promulgação – não configuram atos de natureza legislativa. Promulgação é a
comunicação, aos destinatários da Lei, de que esta foi criada com determinado
conteúdo; presume a validade da Lei; é obrigatória, art. 66, § 5º e § 7º, CF/88.
i. Publicação – também não constitui ato de natureza legislativa, configura-se no
instrumento pelo qual se transmite a promulgação aos destinatários da Lei; condição
de sua vigência (existência jurídica); publicação em jornal oficial; cabe a quem
promulgou.

8.2.2. Procedimento Legislativo Sumário - Art. 64 § §, CF/88 - Urgência Para
Apreciação

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a
proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais
deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional
determinado, até que se ultime a votação.
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez
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dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos
projetos de código.

Histórico de Alterações do Artigo

EMC-032 de 11/09/2001
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 2 § 2º Se, no caso do parágrafo anterior, a
§ 2º Se, no caso do §parágrafo 1ºanterior, a
Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Câmara dos Deputados e o Senado Federal
não se manifestarem, cada qual,
não se manifestarem sobre a proposição, cada
sucessivamente, em até quarenta e cinco dias,
qual sucessivamente, em até quarenta e cinco
sobre a proposição, será esta incluída na ordem
diassucessivamente, sobrestar-se-ãoem todas
do dia, sobrestando-se a deliberação quanto
as demais deliberações legislativas da
aos demais assuntos, para que se ultime a
respectiva Casa, com exceção das que tenham
votação.
prazo constitucional determinado, até
quequarenta see ultimecinco adias, sobre a
proposição, será esta incluída na ordem do dia,
sobrestando-se a deliberação quanto aos
demais assuntos, para que se ultime a votação.

8.2.3. Procedimentos Legislativos Especiais

Emendas constitucionais, Leis financeiras (art. 166, CF/88); Leis delegadas
(não tem procedimento claro e nunca foi usada), medidas provisórias e Leis
complementares (quorum especial).

Seção VIII

Do Processo Legislativo

Subseção I

Disposição Geral

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.

Subseção II

Da Emenda à Constituição

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II – do Presidente da República;
III – de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de
defesa ou de estado de sítio.
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

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§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I – a forma federativa de Estado;
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos Poderes;
IV – os direitos e garantias individuais.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Subseção III

Das Leis

Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara
dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e
nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento
de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal
da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para
a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art.
84, VI;
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade,
remuneração, reforma e transferência para a reserva.
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-018 de 05/02/1998
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 1 Inc. II Ali. c c) servidores públicos da União e Territórios,
c) servidores públicos da União e
seu regime jurídico, provimento de cargos,
Territórios, seu regime jurídico, provimento de
estabilidade e aposentadoria de civis, reforma e
cargos, estabilidade e aposentadoria de civis,
transferência de militares para a inatividade;
reforma e transferência de militares para a
inatividade;

Par. 1 Inc. II Ali. f
f) militares das Forças Armadas, seu
regime jurídico, provimento de cargos,
promoções, estabilidade, remuneração, reforma
e transferência para a reserva.

EMC-032 de 11/09/2001
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 1 Inc. II Ali. e e) criação, estruturação e atribuições dos
e) criação, estruturação e
Ministérios e órgãos da administração pública.
atribuiçõesextinção dosde Ministérios e órgãos
da administração pública., observado o disposto
no art. 84, VI;

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias,
com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
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I - relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares,
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
III - reservada a lei complementar;
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto
do Presidente da República.
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts.
153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido
convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se
não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por
igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes.
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se
durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação,
entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional,
ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em
que estiver tramitando.
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de
sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do
Congresso Nacional.
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas
emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do
Congresso Nacional.
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou
que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda
de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados
durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-
á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-032 de 11/09/2001
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o
Art. 62. Em caso de relevância e urgência,
Presidente da República poderá adotar medidas
o Presidente da República poderá adotar
provisórias, com força de lei, devendo submetê-
medidas provisórias, com força de lei, devendo
las de imediato ao Congresso Nacional, que,
submetê-las de imediato ao Congresso
estando em recesso, será convocado
Nacional, que, estando em recesso, será
extraordinariamente para se reunir no prazo de
convocado extraordinariamente para se reunir
cinco dias.
no prazo de cinco dias.

Par. 1 Parágrafo único. As medidas provisórias
§Parágrafo 1ºúnico. ÉAs vedada a edição
perderão eficácia, desde a edição, se não forem
de medidas provisórias sobreperderão
convertidas em lei no prazo de trinta dias, a
matéria:eficácia, desde a edição, se não forem
partir de sua publicação, devendo o Congresso
convertidas em lei no prazo de trinta dias, a
Nacional disciplinar as relações jurídicas delas
partir de sua publicação, devendo o Congresso
decorrentes.
Nacional disciplinar as relações jurídicas delas
decorrentes.

Par. 1 Inc. I
I - relativa a:

Par. 1 Inc. I Ali. a
a) nacionalidade, cidadania, direitos
políticos, partidos políticos e direito eleitoral;

Par. 1 Inc. I Ali. b
b) direito penal, processual penal e
processual civil;

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Par. 1 Inc. I Ali. c
c) organização do Poder Judiciário e do
Ministério Público, a carreira e a garantia de
seus membros;

Par. 1 Inc. I Ali. d
d) planos plurianuais, diretrizes
orçamentárias, orçamento e créditos adicionais
e suplementares, ressalvado o previsto no art.
167, § 3º;

Par. 1 Inc. II
II - que vise a detenção ou seqüestro de
bens, de poupança popular ou qualquer outro
ativo financeiro;

Par. 1 Inc. III
III - reservada a lei complementar;

Par. 1 Inc. IV
IV - já disciplinada em projeto de lei
aprovado pelo Congresso Nacional e pendente
de sanção ou veto do Presidente da República.

Par. 2
§ 2º Medida provisória que implique
instituição ou majoração de impostos, exceto os
previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só
produzirá efeitos no exercício financeiro
seguinte se houver sido convertida em lei até o
último dia daquele em que foi editada.

Par. 3
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o
disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia,
desde a edição, se não forem convertidas em lei
no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos
termos do § 7º, uma vez por igual período,
devendo o Congresso Nacional disciplinar, por
decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes.

Par. 4
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-
se-á da publicação da medida provisória,
suspendendo-se durante os períodos de
recesso do Congresso Nacional.

Par. 5
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas
do Congresso Nacional sobre o mérito das
medidas provisórias dependerá de juízo prévio
sobre o atendimento de seus pressupostos
constitucionais.

Par. 6
§ 6º Se a medida provisória não for
apreciada em até quarenta e cinco dias
contados de sua publicação, entrará em regime
de urgência, subseqüentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando
sobrestadas, até que se ultime a votação, todas
as demais deliberações legislativas da Casa em
que estiver tramitando.

Par. 7
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual
período a vigência de medida provisória que, no
prazo de sessenta dias, contado de sua
publicação, não tiver a sua votação encerrada
nas duas Casas do Congresso Nacional.

Par. 8
§ 8º As medidas provisórias terão sua
votação iniciada na Câmara dos Deputados.

Par. 9
§ 9º Caberá à comissão mista de
Deputados e Senadores examinar as medidas
provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de
serem apreciadas, em sessão separada, pelo
plenário de cada uma das Casas do Congresso
Nacional.

Par. 10
§ 10. É vedada a reedição, na mesma
sessão legislativa, de medida provisória que
tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua
eficácia por decurso de prazo.

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Par. 11
§ 11. Não editado o decreto legislativo a
que se refere o § 3º até sessenta dias após a
rejeição ou perda de eficácia de medida
provisória, as relações jurídicas constituídas e
decorrentes de atos praticados durante sua
vigência conservar-se-ão por ela regidas.

Par. 12
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão
alterando o texto original da medida provisória,
esta manter-se-á integralmente em vigor até
que seja sancionado ou vetado o projeto.

Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, §§
3º e 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado
Federal, dos tribunais federais e do Ministério Público.

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a
proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais
deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado,
até que se ultime a votação.
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez
dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos
projetos de código.
Histórico de Alterações do Artigo

EMC-032 de 11/09/2001
Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 2 § 2º Se, no caso do parágrafo anterior, a
§ 2º Se, no caso do §parágrafo 1ºanterior, a
Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Câmara dos Deputados e o Senado Federal
não se manifestarem, cada qual,
não se manifestarem sobre a proposição, cada
sucessivamente, em até quarenta e cinco dias,
qual sucessivamente, em até quarenta e cinco
sobre a proposição, será esta incluída na ordem
diassucessivamente, sobrestar-se-ãoem todas
do dia, sobrestando-se a deliberação quanto
as demais deliberações legislativas da
aos demais assuntos, para que se ultime a
respectiva Casa, com exceção das que tenham
votação.
prazo constitucional determinado, até
quequarenta see ultimecinco adias, sobre a
proposição, será esta incluída na ordem do dia,
sobrestando-se a deliberação quanto aos
demais assuntos, para que se ultime a votação.

Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e
votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
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Dispositivo Texto Anterior Alteração
Par. 6 § 6º Esgotado sem deliberação o prazo
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo
estabelecido no § 4º, o veto será colocado na
estabelecido no § 4º, o veto será colocado na
ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas
ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas
as demais proposições, até sua votação final,
as demais proposições, até sua votação final,
ressalvadas as matérias de que trata o art. 62,
ressalvadas as matérias de que trata o art. 62,
parágrafo único.
parágrafo único.

Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional.
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46
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao
Congresso Nacional.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

9. DIREITO CIVIL

9.1. A Importância Do Direito Civil

Como ramo do direito privado, o direito civil tem por objetivo regular as
relações jurídicas entre pessoas.
É direito comum ou ordinário aplicável no dia-a-dia das pessoas, desde as
relações familiares até as questões alusivas à posse e a propriedade de bem, bem
como a celebração, execução e extinção de atos e negócios jurídicos.
De indiscutível importância, contém princípios e regras que acompanham a
pessoa desde a sua concepção até a sua morte. Por vezes, preserva direitos do
titular por toda a eternidade. Exemplo: os direitos morais de autor.
O direito civil estuda:
a. Os sujeitos do direito, considerando-se sujeito ativo aquele que possui
um crédito e sujeito passivo o que tem uma obrigação ou um dever a ser cumprido;
b. A coisa, que é o objeto do direito;
c. As relações jurídicas existentes entre os particulares.

9.2. Estrutura Do Direito Civil

A principal fonte das normas do nosso Direito Civil é o Código Civil Brasileiro,
Lei nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002, que possui 2046 Artigos. O Código é
dividido em Parte Geral e Parte Especial possuindo as seguintes subdivisões:
a. Parte Geral: pessoas naturais, pessoas jurídicas, domicílio, os bens, os
fatos jurídicos, os atos ilícitos, a prescrição, a decadência e a prova;
b. Parte Especial:
Livro I – Do direito das Obrigações
Livro II – Do direito de Empresa
Livro III – Do direito das coisas
Livro IV – Do direito de família
Livro V – Do direito das sucessões
Serão destacados a seguir, alguns pontos importantes previstos no Código
Civil Brasileiro.

9.3. As Pessoas

As pessoas podem ser titulares de direitos e passíveis de deveres, dividindo-
se em duas espécies básicas:
a. Pessoa Física - são pessoas individualmente consideradas. A pessoa
física também recebe o nome de pessoa natural. Como exemplo de pessoa física
podemos citar você, seu professor e todos aqueles que podem ser titulares de
direitos e sofrer imposição de deveres. Logo no artigo 1º do Código Civil aparece o
seguinte: toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
b. Pessoa Jurídica - São exemplos de pessoas jurídicas as associações,
as sociedades, as Fundações no direito privado e a União, os Estados e os
Municípios no direito público.

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9.4. Capacidade Da Pessoa Física

Todo ser humano tem personalidade jurídica pois está dotado de aptidão
básica para ser sujeito ativo ou passivo de direitos e deveres. Mas nem todos
possuem a mesma capacidade jurídica para exercer direitos. A capacidade para o
exercício pessoal de direitos depende de fatores como a idade e o estado de saúde
que condicionam o grau de consciência e a formação da vontade humana.
Vejamos o que diz a Lei 10.406/2002 (NCC) sobre a capacidade Jurídica das
pessoas:
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses
atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento
reduzido;
III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os
atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente
de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria

9.4.1. Extinção da Pessoa Física

Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos
casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.
Art. 7o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o
término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois
de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.

9.5. Pessoa Jurídica

9.5.1. Conceito

“É a unidade de pessoas naturais ou de patrimônio, que visa à consecução de
certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e obrigações”. A
pessoa jurídica tem personalidade e capacidade jurídica.

9.5.2. Divisão (CC., Art. 40)

Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.

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9.5.2.1. Quanto À Sua Amplitude

a. De direito público interno (CC., Art. 41):

Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005)
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado
estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código.

b. De direito público externo (CC., Art. 42):

Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas
que forem regidas pelo direito internacional público.

c. De direito privado (CC., Art. 44):
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações
religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos
constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que
são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.
(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)

9.5.2.2. Quanto à nacionalidade

a. Nacional;
b. Estrangeira.

9.5.2.3. Quanto à estrutura interna

a. Associações Civis;

Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.

b. Fundações;

Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de
bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de
assistência.

c. Sociedades Mercantis.

9.5.3. Distinção Entre Pessoa Jurídica E Seus Componentes

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49
Dotada de capacidade no mundo do direito a pessoa jurídica é representada
em seus atos segundo as disposições do artigo 47/49 do CC.

Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus
poderes definidos no ato constitutivo.
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de
votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo,
quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude.
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer
interessado, nomear-lhe-á administrador provisório.

A Responsabilidade Civil da Pessoa Jurídica é expressa no CC., Art. 43.

Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus
agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os
causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.

9.5.4. Início Da Personalidade Da Pessoa Jurídica

O início da personalidade da pessoa jurídica de Direito Público resulta de
fatos históricos, com amparo no Direito Internacional e nas constituições dos
Estados resultantes.
Começa a personalidade da pessoa jurídica de Direito Privado na forma
prevista no CC., Art. 45.

Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do
Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito
privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.

9.5.6. Domicílio: CC. Art. 75

Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
I – da União, o Distrito Federal;
II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e
administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
§ 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será
considerado domicílio para os atos nele praticados.
§ 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa
jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do
estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.

9.5.7. Término Da Existência Da Pessoa Jurídica (CC., Art. 1050-1051)

Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer:
I – o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a
sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado;
II – o consenso unânime dos sócios;
III – a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado;
IV – a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias;
V – a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.
Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas enumeradas no art.
1.033 e, se empresária, também pela declaração da falência.

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Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do contrato,
continuará com os seus sucessores, que designarão quem os represente.
Art. 1.051. Dissolve-se de pleno direito a sociedade:
I – por qualquer das causas previstas no art. 1.044;
II – quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das categorias de sócio.
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão administrador provisório
para praticar, durante o período referido no inciso II e sem assumir a condição de sócio, os atos de
administração.

9.5.8. Nacionalidade Da Pessoa Jurídica

No Direito brasileiro, dentre as diversas teorias que versam sobre o assunto
acolhe a teoria da constituição.

9.5.9. Responsabilidade Contratual

Tem responsabilidade no que se refere a realização de um negócio jurídico
dentro dos limites do poder autorizado pela Lei ou por estatuto devendo cumprir o
disposto no contrato respondendo com seus bens pelo inadimplemento do mesmo.

9.5.10. Despersonalização Da Pessoa Jurídica (CC., Art. 28 – Lei 8078/90)

Permite que o magistrado ou juiz, não mais considere os efeitos da
personificação ou da autonomia jurídica da sociedade para atingir e vincular a
responsabilidade dos sócios com o intuito de impedir a consumação de fraudes e
abusos de direitos cometidos por meio da personalidade jurídica que causem
prejuízos ou danos a terceiros.

9.5.11. Objeto Do Direito: Bens

A palavra "bem" apresenta significados diferentes para a Filosofia, a
Economia e o Direito. Agora vamos analisar a palavra "bem" na linguagem jurídica.
Toda relação jurídica entre dois sujeitos tem por objeto um "bem", sobre o
qual recaem direitos e obrigações. Esse bem pode assumir valor material, como
dinheiro, um imóvel etc. ou pode ter valor imaterial, como a honra, a vida privada, a
intimidade, a liberdade de consciência etc.
Os bens podem ser classificados de diversas maneiras. Vejamos alguns
adotados pelo Código Civil:
a. Móvel - é o bem que possui movimento próprio ou pode ser removido
por força alheia. Exemplo: o automóvel, a televisão, o cavalo etc.
b. Imóvel - não pode ser removido. Exemplo: um terreno, uma casa etc.
c. Fungível - é o bem que pode ser substituído por outro da mesma
espécie, qualidade ou quantidade. Exemplo: o dinheiro
d. Consumível - é o bem móvel cujo uso importa destruição imediata da
própria substância. Exemplo; produtos alimentícios.
e. Público - é bem que pertence à União, aos estados, aos Municípios etc.
f. Particular - bem que não pertence ao patrimônio público.

9.5.12. Relação Jurídica

Já estudamos o sujeito da relação jurídica que são as pessoas e o objeto da
relação jurídica que são os bens. Vamos agora estabelecer a ligação entre as
pessoas e os bens formando os elementos da relação jurídica.
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a. Sujeito ativo - titular ou beneficiário da relação.
b. Sujeito passivo - considerado o devedor , pessoa obrigada a respeitar o
direito do sujeito ativo.
c. Vínculo jurídico - une uma pessoa a outra e que confere a cada um dos
participantes da relação o poder de pretender ou exigir algo determinado ou
determinável.
d. Objeto - o elemento em razão do qual a relação se constitui, e sobre o
qual recai tanto a exigência do credor como a obrigação do devedor, podendo ser
uma coisa (uma casa, por exemplo) ou então a própria pessoa, como nos direitos
pessoais e da personalidade.

9.6. Direito Das Obrigações

9.6.1. Conceito De Direito Das Obrigações

O Direito das obrigações compreende o conjunto de normas que tratam das
relações jurídicas entre devedor e credor. Tais normas regulam a responsabilidade
que o devedor assume, perante o credor, de cumprir determinada prestação de
natureza econômica, garantindo o compromisso assumido mediante seu patrimônio.
Na hipótese da obrigação não ser cumprida, espontaneamente, pelo
devedor, este poderá responder por perdas e danos causado ao credor. As perdas
e danos devido ao credor abrangem, além do que se afetivamente perdeu (danos
emergentes), o que razoavelmente deixou de lucrar, isto é, os lucros cessantes
(artigos 402 a 405 do NCC).
Vejamos um exemplo do que pode ocorrer ao devedor que descumpre,
levianamente, uma obrigação pactuada:
O dono de uma fábrica comprou de um fornecedor importantes máquinas industriais. O
contrato de compra estabelecia, expressamente, que o vendedor do maquinário assumia, perante o
comprador, a obrigação de entregar todas as máquinas, objeto de contrato em perfeito estado de
funcionamento, no prazo máximo de dois meses.
Vencido a prazo, vendedor recusou se a entregar as máquinas compradas, desonrando a
obrigação assumida, sem motivos justos.
Ao credor desta obrigação, cabe exigir do devedor a responsabilidade por suas perdas e
danos. O prejuízo do credor abrange não somente os danos emergentes ( a quantia efetivamente já
paga pela compra das máquinas ), como também os lucros cessantes ( as perdas decorrentes da
inútil espera pelo maquinário).

9.6.2. Tipos De Obrigações Previstos No Código Civil
07
a. Obrigações de dar;
b. Obrigações de fazer e de não fazer;
c. Obrigações alternativas;
d. Obrigações divisíveis e indivisíveis;
e. Obrigações solidárias.

9.6.3. A Extinção Das Obrigações

As obrigações são de caráter transitório, por isso nascem, vivem, se
extinguem. Nascem de uma declaração de vontade ou em virtude da Lei. Vivem por
meio de suas várias modalidades: por exemplo, obrigações de dar, fazer ou não
fazer. Extinguem-se por diversos modos: o pagamento, a prescrição e a execução
judicial.
Vejamos algumas causas que extinguem a obrigação:
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a. Pagamento: é cumprimento voluntário da obrigação. Pode ser em
dinheiro ou por qualquer outra forma de prestação.
b. Prescrição: é o pagamento da dívida pelo decurso do prazo, durante
qual o credor tinha o direito de exigí-la, judicialmente, do devedor.
c. Execução Judicial: é o pagamento forçado em virtude de decisão judicial
(sentença do juiz ou acórdão do tribunal).

9.6.4. Os Contratos Em Geral

Contrato é trato com. Consiste no acordo de vontade de duas ou mais
pessoas sobre um mesmo objeto ou objetivo.
O contrato representa uma das principais fontes de obrigações, na medida em
que estabelece normas para serem cumpridas entre os contratantes.
A validade dos contratos depende de requisitos primários como:
a. Capacidade das partes: qualquer pessoa pode celebrar contratos,
desde que possua capacidade civil. Assim, o contrato eventualmente firmado por
pessoa absolutamente incapaz, será considerado nulo.
b. Objeto lícito: o bem jurídico sobre o qual recai a manifestação da
vontade dos contratantes deve ser lícito, isto é, autorizado pelas normas jurídicas
pela moral e os bons costumes.
Exemplos de contratos objetos lícitos: contrato de compra e venda de
imóveis, contrato de locação residencial, contrato de trabalho etc. Não seriam
juridicamente válidos contratos cujos objetos fossem fatos definidos como crimes ou
proibidos pela Lei Civil.
c. Forma prescrita ou não proibida pela Lei: ou o contrato deve obedecer a
forma estabelecida pela Lei (contrato solene), ou por esta não ser proibida (contratos
não - solenes).
É bom lembrar que o atual Código Civil, no seu Art. 421, expressa a idéia de que o
contrato tem também, uma função social. A função social do contrato, prevista no
artigo em referência, constitui cláusula geral, a impor a revisão do princípio da
relatividade dos efeitos do contrato e reforça o princípio de conservação do contrato,
assegurando trocas úteis e justas. Isso leva ao entendimento de que todo contrato
tem implícito uma cláusula de boa fé objetiva. Essa cláusula tem o condão ético de
impor as partes o respeito e a lealdade recíprocos.
Daí tem-se por conclusivo que em todos os contratos existem deveres, tais
como os de:
a. Informar: O dever de informar é aquele através do qual nenhuma
característica do produto pode ser negligenciada.
b. Assistência: O dever de assistência importa em comando normativo
entre as partes, ante o negócio jurídico realizado, visando a consecução e fins
previstos no contrato (fases pré, na execução e pós-contratual).
Outra previsão do Código Civil, nos Artigos 478 e seguintes, é a de que o
princípio da obrigatoriedade não é mais absoluto como antes, podendo se o contrato
ser revisado em busca do equilíbrio contratual entre as partes.
É importante anotar ainda que o contrato com vício de lesão, não sendo
revisado é passível de ser anulado.
Por vício de lesão entendemos, objetivamente o desequilíbrio contratual
resultante de situações sócio-econômicas imprevisíveis no momento da celebração
do contrato e subjetivamente o dolo de aproveitamento que se constitui em
manifesta vantagem excessiva de uma das partes em relação à outra.

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9.6.4.1. Espécies De Contrato

9.6.4.1.1. Compra E Venda

Contrato de compra e venda: é aquele no qual o vendedor, em troca do preço
ajustado, se obriga a transferir ao comprador o domínio de certa coisa. É o que diz,
em outras palavras, o art. 481 do Código Civil:

Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o
domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.

Pelo conceito acima apresentado, percebemos que os elementos
básicos da compra e venda são três:
a. O consentimento das partes: é a manifestação livre e consciente da
vontade dos contratantes.
b. A coisa negociada: é o bem objetivado pelo contrato.
c. O preço ajustado: é o valor monetário estabelecido para a venda da
coisa.

9.6.4.1.2. A Locação De Coisas

Locação de coisas é o contrato pelo qual o locador, em troca do aluguel, se
compromete alugar certa coisa ao locatário. Com precisão técnica, o Código Civil, no
art. 565, assim define esse contrato:
"Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por
tempo determinado, ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa
retribuição".
Esse contrato envolve a existência das pessoas e elementos seguintes:
a. O locador: é a pessoa que se obriga a certa coisa, em troca do aluguel.
b. O locatário: é a pessoa que recebe a coisa alugada, comprometendo-se
a pagar o aluguel.
c. O aluguel: é o preço estipulado no contrato de locação, cabendo ao
locatário pagar ao locador.
d. A coisa alugada: deverá ser não - fungível, isto é, não poderá ser
substituída por outra da mesma espécie. Mas a coisa pode ser móvel (ex. locação
de veículos) ou imóvel (locação de casas, por exemplo).
Vejamos o que diz o Código Civil sobre as obrigações do locador:

Art. 566. O locador é obrigado:
I - a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a
que se destina, e a mantê-la nesse estado, pelo tempo do contrato, salvo cláusula expressa em
contrário;
II - a garantir-lhe, durante o tempo do contrato, o uso pacífico da coisa.

Agora sobre o locatário:

Art. 569. O locatário é obrigado:
I - a servir-se da coisa alugada para os usos convencionados ou presumidos, conforme a
natureza dela e as circunstâncias, bem como tratá-la com o mesmo cuidado como se sua fosse;
II - a pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados, e, em falta de ajuste, segundo o
costume do lugar;
III - a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam
fundadas em direito;
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IV - a restituir a coisa, finda a locação, no estado em que a recebeu, salvas as deteriorações
naturais ao uso regular.

9.6.4.1.3. O Mandato E A Procuração

Mandato é o contrato pelo qual uma pessoa confere a outra poderes para agir
em seu nome e praticar atos jurídicos. Esse contrato encontra-se previsto no Artigo
653 do Código Civil, nos seguintes termos:

Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome,
praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

O contrato de mandato envolve dois sujeitos:
a. O mandante: pessoa que confere o mandato; é o sujeito que será
representado.
b. O mandatário: pessoa que age em nome do mandante; é o sujeito que
recebe poderes para ser representante.
Procuração é o instrumento pelo qual o mandante confere poderes ao
mandatário para que este possa representá-lo nos atos jurídicos ou administração
do seus intereses. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração
(Código Civil, Art. 654).
Vejamos o que diz o Código Civil sobre as obrigações do mandatário e do
mandante:

Das Obrigações do Mandatário:

Art. 667. O mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência habitual na execução do
mandato, e a indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem substabelecer,
sem autorização, poderes que devia exercer pessoalmente.

Das Obrigações do Mandante:

Art. 675. O mandante é obrigado a satisfazer todas as obrigações contraídas pelo
mandatário, na conformidade do mandato conferido, e adiantar a importância das despesas
necessárias à execução dele, quando o mandatário lho pedir.
Art. 676. É obrigado o mandante a pagar ao mandatário a remuneração ajustada e as
despesas da execução do mandato, ainda que o negócio não surta o esperado efeito, salvo tendo o
mandatário culpa.

A extinção do mandato com base no art. 682 do Código Civil, podemos
afirmar que :
Art. 682. Cessa o mandato:
I - pela revogação ou pela renúncia;
II - pela morte ou interdição de uma das partes;
III - pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário
para os exercer;
IV - pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio.
Art. 683. Quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o revogar,
pagará perdas e danos.

9.6.4.1.4. A Fiança

Fiança é o contrato pelo qual o fiador assume, perante o credor, a
responsabilidade de quitar uma obrigação, caso esta não seja cumprida pelo

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devedor. Esse contrato encontra-se devidamente previsto pelo art. 818 do Código
Civil.
Pelo contrato de fiança4, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma
obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.
O contrato de fiança envolve, portanto, três pessoas:
a. O devedor: é a pessoa que contraiu a dívida no contrato principal.
Exemplo: o inquilino, no contrato de locação.
b. O fiador: é a pessoa que,em contrato acessório, se responsabiliza pela
obrigação assumida no contrato principal, caso o devedor não a pague.Exemplo: o
fiador se compromete a pagar o aluguel, se o inquilino não o fizer.
c. O credor: é a pessoa que tem o direito a exigir o cumprimento da
obrigação, primeiro do devedor e depois do fiador. Exemplo: o credor que alugou o
imóvel pode exigir o pagamento do aluguel do inquilino ou do fiador.
 CONTROVÉRSIAS SOBRE O PAPEL DO FIADOR
Magnífica tem sido a discussão sobre os efeitos do Novo Código Civil (Lei nº
10.406), em vigor desde 11.01.2003. As inúmeras inovações têm causado grandes
discussões para interpretar as novas regras do cidadão comum. Esses estudos são
imensamente benéficos pois trazem a discussão temas que a muito eram restritos
aos círculos especializados dos profissionais de direito. O Novo Código, avivou o
brasileiro, assim como fez o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90),
amadurecendo-o para as regras da sociedade civil. Um dos muitos pontos de
discussão, trata da figura do fiador de locatários de imóveis residenciais,
principalmente.
Os contratos de locação prevêem a figura do fiador como forma de assegurar
o cumprimento das obrigações assumidas pelo inquilino/locatário, perante o locador,
pelas prestações e danos ocasionados quando do uso do imóvel locado.
Essa garantia era, na maioria das vezes limitada ao tempo de vigência do
contrato de locação. Como em muitos casos os contratos evoluem por prazos
superiores ao ajustado, vigendo por prazo indeterminado, fica excluída a garantia do
fiador daí em diante. Nesses casos, seguindo as regras da Lei do Inquilinato
(8.245/91, art. 40, I) o locador poderia exigir novo fiador.
Mas, assim como era difícil encontrar o primeiro, mais difícil ainda seria
localizar os subseqüentes fiadores daqueles locatários que não conseguiam renovar
sua fé perante aos fiadores iniciais. Passaram então, os contratos de locação, a
expressar, ainda que unilateralmente, em entrelinhas, que a garantia prestada pelo
fiador se estenderia além do prazo contratual, em perfeição com o art. 39 da Lei do
Inquilinato, pelo prazo indeterminado, amarrando- o fiador até o momento da entrega
das chaves.
Ocorre que a modalidade Fiança, é um instituto trazido do Código Civil de
1916, renovado pelo Novo Código Civil de 2002, que traz uma nova regra. Quando o
contrato, neste caso de locação, estiver vigendo por prazo indeterminado, poderá o
fiador se eximir dessa obrigação, notificando o locador do imóvel, ficando
responsável por apenas 60 dias a mais, após a notificação (art. 835).
Embora no art. 2.036, expressamente constar que as regras de locação de
imóveis urbanos continuarão sendo sujeita a Lei especial (Lei do Inquilinato) as
regras da garantia da Fiança são as do Código Civil.
Esse tipo de inovação fará com que contratos não mais sejam renovados
automaticamente por prazo indeterminado, ante a possibilidade da saída do fiador, o
que trará insegurança ao locador que para isso terá que redigir um novo contrato a

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Obs. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.
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cada vencimento, necessitando redigir sempre um novo contrato, ou, estipular
prazos maiores de vigência.

9.6.4.1.5. Outros Contratos Previstos No Código Civil

a. Da Comissão
b. Da doação
c. Da corretagem
d. Da agência e distribuição
e. Do transporte pessoas/coisas
f. Do Seguro.

9.6.5. Títulos De Crédito

O Código Civil em vigor traz um novo título sobre o tema, inserido no livro das
obrigações. Foi admitida a emissão de títulos de crédito usando caracteres criados
em computador ou meio técnico, desde que sigam os requisitos mínimos. Isso quer
dizer que as disposições do código devem ser analisadas em conjunto com as Leis
específicas aplicadas aos títulos de crédito.
Diz o artigo 887 do Código Civil:

Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo
nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.O título de crédito,
documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito
quando preencha os requisitos da Lei.

Vamos analisar os elementos desta sintética e precisa definição, de
onde podemos extrair os requisitos básicos do título de crédito:
a. Documento necessário: o título se exterioriza por meio de um
documento. A exibição deste documento é necessária para o exercício do direito de
crédito nele mencionado.
b. Literalidade: o título é literal, isto é, obedece ao que está rigorosamente
escrito no documento. Desta maneira, o conteúdo do direito que o título confere a
seu portador limita-se ao que nele estiver formalmente escrito.
c. Autonomia: o título é documento autônomo, isto é, independente de
outras obrigações. Cada título vale por si mesmo. O direito de seu beneficiário atual
não pode ser anulado em virtude das relações existente entre os seus antigos
titulares e o devedor da obrigação.

9.6.5.1. Classificação Dos Títulos De Crédito

Os títulos de crédito podem ser classificados segundo diversos critérios.
Vejamos dois importantes critérios que se referem à estrutura formal e ao modo de
circulação dos títulos.
Estrutura Formal
Analisando-se sua estrutura formal, os títulos de crédito podem assumir a
feição de ordem de pagamento ou promessa de pagamento.

9.6.5.1.1. Ordem De Pagamento

Nos títulos que contêm ordem de pagamento a obrigação deverá ser
cumprida por terceiros. Exemplo desses títulos: cheque e letra de câmbio.
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Na ordem de pagamento podemos identificar a presença de três personagens
cambiários. Vejamos quem são esses personagens no caso do cheque:
a. O emitente: é a pessoa que assina o cheque, dando, assim, a ordem de
pagamento. Observe que no cheque vem escrito: “pague por este cheque a quantia
de ...”. Temos, então, uma ordem ao Banco que poderia ser traduzida nos seguintes
termos: Bancos pague por este cheque a quantia de...
b. O sacado: é o Banco, ou seja, a pessoa jurídica que deve cumprir a
ordem de pagamento expressa no cheque. É do Banco que será retirado (sacado) o
valor escrito no título de crédito.
c. O Tomador ou Beneficiário: é a pessoa que se beneficia da ordem de
pagamento. É quem recebe o valor expresso no cheque.
Promessa de pagamento: nos títulos que contêm promessa de pagamento a
obrigação deverá ser cumprida pelo próprio emitente e não por terceiros. Exemplo
desse título: a nota promissória. Observe que na nota promissória não vem escrito
pague, mas pagarei: o verbo está na primeira pessoa do singular (eu pagarei).

9.6.5.1.2. Promessa De Pagamento

Podemos identificar a presença de, apenas, dois personagens cambiários:
a. Emitente: é a pessoa que emite a promessa de pagamento em nome
próprio, isto é, na primeira pessoa do singular (eu pagarei). O emitente é o devedor
da obrigação.
b. Beneficiário: é a pessoa que se beneficia da promessa de pagamento. É
o credor do título.

9.6.5.2. Modo de Circulação

Analisando-se o modo comum de como circulam os títulos de crédito
podemos dividi-los em: título ao portador e título nominativo.
a. Título ao portador: é aquele que circula com muita facilidade,
transferindo-se de pessoa para pessoa pela simples entrega do título. Não consta
deste título o nome da pessoa beneficiada. Por isso, o seu portador é,
presumivelmente, seu proprietário. Exemplo desse título: cheque ao portador.
b. Título nominativo: é aquele cujo nome do beneficiário consta no registro
do emitente. Trata-se, portanto, do título emitido em nome de pessoa determinada.
Exemplo desse título: cheque nominal.

9.6.5.3. Principais Atos Cambiários

Entre os principais atos cambiários podemos destacar os seguintes:
a. Saque: é o ato cambiário que tem por objetivo a criação de um título de
crédito. Saque é sinônimo de emissão.
b. Aceite ou vista: é ato cambiário pelo qual o sacado reconhece a
validade da ordem de pagamento. O aceite somente é utilizado no caso de ordem de
pagamento a prazo.
c. Endosso: é o ato cambiário que tem por objetivo transferir o direito
documentado pelo título de crédito de um credor para outro. O endosso pode ser em
branco ou em preto.
Endosso em branco é aquele em que o endossante (pessoa que dá o
endosso) não identifica a pessoa do endossatário (pessoa que dá o endosso). O
endosso em branco consiste na assinatura do endossante, fazendo com que o título
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nominal passe a circular como se fosse título ao portador. Esse endosso deve ser
conferido na parte de trás do título.
Endosso em preto é aquele em que o endossante identifica expressamente o
nome do endossatário. Esse endosso pode ser conferido na frente (face ou
anverso) ou atrás (dorso ou verso) do título.
d. Aval: é o ato cambiário pelo qual terceiro, denominado avalista, garante
o pagamento do título de crédito.
e. Avalista: é a pessoa que presta o aval. Para isso, basta a sua
assinatura, em geral, na frente do título. Devemos destacar que o avalista assume
responsabilidade solidária pelo pagamento da obrigação. Isto significa que, se o
título não for pago no dia do vencimento, o credor poderá cobrá-lo diretamente do
avalista, se assim o desejar.
f. Avalizado: é o devedor que se beneficia do aval, tendo sua dívida
garantida perante o credor. Se o avalizado não pagar o título, o avalista terá de fazê-
lo. A Lei assegura, entretanto, ao avalista o direito de cobrar, posteriormente, o
avalizado.

9.6.5.4. Os Principais Títulos De Crédito

Existem diversos títulos de crédito no Direito brasileiro. De todos os
existentes, iremos destacar quatro: a letra de câmbio, a nota promissória, o cheque
e a duplicata.

9.6.5.4.1. A Letra De Câmbio

 Conceito
A letra de câmbio é uma ordem de pagamento, à vista ou a prazo. Como toda
ordem de pagamento, nela encontramos três personagens cambiários:
a. O emitente ou sacador : pessoa que emite o título.
b. O sacado: pessoa que recebe a ordem e deve cumpri-la.
c. O tomador ou beneficiário: pessoa que se beneficia da ordem de
pagamento.
 Requisitos legais
A letra de câmbio é documento formal, devendo, por isso, obedecer a
diversos requisitos previstos em Lei. Esses requisitos são:
a. A denominação letra de câmbio escrita no texto do documento.
b. A quantia que deve ser paga.
c. O nome do sacado, isto é, a pessoa que deve pagar.
d. O nome do tomador, isto é, a pessoa a quem o título deve ser pago.
e. A data e o lugar onde a letra é sacada.
f. A assinatura do sacador, isto é, a pessoa que emite o título.

9.6.5.4.2. A Nota Promissória

 Conceito
A nota promissória é uma promessa de pagamento pela qual o emitente se
compromete diretamente com o beneficiário a pagar-lhe certa quantia em dinheiro.
A nota promissória é diferente da letra de câmbio, fundamentalmente, no
seguinte aspecto: a nota promissória é promessa de pagamento, enquanto a letra de
câmbio é ordem de pagamento.
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Sendo promessa de pagamento a nota promissória envolve apenas dois
personagens cambiários:
a. O emitente: é a pessoa que emite a nota promissória, na qualidade de
devedor do título.
b. O beneficiário: é a pessoa que se beneficia da nota promissória, na
qualidade de credor do título.
 Requisitos legais
A nota promissória é o documento formal, devendo, por esta razão, obedecer
a diversos requisitos estabelecidos pela Lei. Esses requisitos são:
a. A denominação nota promissória escrita no texto do documento.
b. A promessa pura e simples de pagar determinada quantia.
c. A data do vencimento (pagamento).
d. O nome do beneficiário ou à ordem de quem deve ser paga (não se
admite nota promissória ao portador).
e. O lugar onde o pagamento deve ser realizado.
f. A data em que a nota promissória foi emitida.
g. A assinatura do emitente ou subscritor.

9.6.5.4.3. Cheque

 Conceito
O cheque é uma ordem de pagamento, à vista, que pode ter como
beneficiário o próprio emitente ou terceiros. Como toda ordem de pagamento,
também encontramos no cheque três personagens cambiários:
a. O sacador: é a pessoa que emite, passa ou saca o cheque.
b. O sacado: é o banco que recebe o cheque tendo o dever de pagá-lo
com base nos fundos à disposição do sacador.
c. O tomador: é a pessoa em cujo beneficio o cheque é emitido. O tomador
pode ser terceiro ou o próprio sacador.
 Os tipos de cheque
Existem dois tipos de cheques quanto ao modo de circulação: cheque ao
portador e cheque nominal.
O cheque ao portador é aquele que não indica expressamente o nome do
beneficiário. Deve conter a expressão ao portador ou manter em branco o lugar que
seria destinado ao nome do beneficiário.
O cheque nominal é aquele que indica expressamente o nome do beneficiário
para que o banco, no momento da apresentação do cheque, possa conferi-lo.
 Os requisitos do cheque
O cheque também é um documento formal devendo ter requisitos essenciais
impostos pela Lei. São requisitos legais do cheque:
a. A denominação cheque escrita no texto do documento.
b. A ordem pura e simples de pagar determinada quantia.
c. O nome do sacado, isto é, o nome do Banco.
d. A assinatura do sacador, isto é, da pessoa que emite o cheque.
e. A data em que é emitido.
f. O lugar onde o cheque é emitido.
g. Atualmente, data da abertura conta , RG,CPF.
h. Os cheques pós-datados
É interessante lembrarmos que, segundo a Lei Uniforme sobre Cheques, este
título é ordem de pagamento à vista. Desta maneira, os cheques com data futura ao

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dia real da emissão não devem ser levados em conta. A data futura não é
considerada e o cheque sempre é pagável à vista.
De acordo com o art. 28 da Lei Uniforme, o cheque apresentado a pagamento
antes do dia indicado como data da emissão é pagável no dia da apresentação.
 Cheque cruzado
É aquele atravessado por duas linhas paralelas na face do título. Estas linhas
podem ser lançada pelo emitente ou pelo portador do cheque. O cruzamento do
cheque restringe a sua circulação, pois o titulo só poderá ser pago a um Banco.
Assim, quando uma pessoa recebe cheque cruzado deverá depositá-lo em sua
conta bancária, para que o título seja “compensado” pelo serviço bancário.
 Cheque visado
É aquele no qual o banco deve colocar seu “visto”, certificando que existem
fundos disponíveis na conta do emitente. Ao visar o cheque, o Banco imediatamente
debita na conta do emitente o valor mencionado do respectivo cheque.
O cheque visado pelo Banco representada uma garantia para o portador de
que o cheque tem fundos.
9.6.5.4.3. A Duplicata

 Conceito
A duplicata é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente
de compra e venda comercial ou prestação de certos serviços.
Vejamos um exemplo de como surge uma duplicata:

Na venda de uma mercadoria, com prazo não inferior a 30 dias, o vendedor deverá extrair a
respectiva fatura para apresentá-la ao comprador. No momento da emissão da futura, ou após a
venda, o comerciante poderá extrair uma duplicata que, sendo assinada pelo comprador, servirá
como documento de comprovação da dívida.

 Requisitos legais
A duplicata, sendo titulo formal, apresenta os seguintes requisitos previstos
em Lei:
a. A denominação duplicata, a data de sua emissão e o número de ordem.
b. O número da fatura.
c. A data do vencimento ou a declaração de ser duplicata à vista.
d. O nome e o domicílio do vendedor e do comprador.
e. A importância a pagar, em algarismos e por extenso.
f. A praça de pagamento.
g. A clausula à ordem.
h. A declaração do recebimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-
la, a ser assinada pelo comprador, como aceite cambial.
i. A assinatura do emitente.

9.6.5.4.3. A Duplicata Simulada

A duplicata é titulo cuja existência depende de um contrato de compra e
venda comercial ou de prestação de serviço. Em outras palavras, toda duplicata
deve corresponder a uma efetiva venda de bens ou prestação de serviços. A
emissão de duplicatas que não tenham como origem essas atividades é considerada
infração penal. Trata-se da chamada “ duplicata fria” ou duplicata simulada.
O Código Penal assim define essa infração:
Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponde à mercadoria
vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado.
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Pena: detenção de dois quatro anos, e multa (Código Penal, art. 172 ).

9.7. Do Direito De Empresa

O novo Código Civil, instituído pela Lei n° 10.406/02, entrou em vigor em 11
de janeiro de 2003, tendo revogado a Lei n° 3.017/1916 (Código Civil de 1916) e a
Parte Primeira da Lei n° 556/1850 (Código Comercial de 1850), trazendo diversas
inovações que regram a vida e os negócios desenvolvidos por pessoas e empresas.
Substituiu-se a expressão Direito Comercial por Direito Empresarial. E a de
comerciante por empresário. Unificou-se as Obrigações Civis e Mercantis,
acabando-se com a distinção entre sociedades civis e comerciais, criando-se em
substituição as sociedades empresariais, que tem natureza econômica.
Estabeleceram-se as normas gerais dos “Títulos de Crédito”, mantendo-se a
legislação especial das diversas figuras já existentes, como a lei das letras de
câmbio e notas promissórias, duplicata, cheque, etc.
Criou-se o Livro II intitulado “Do Direito de Empresa”.
Este novo livro trata-se da fusão sem artifícios do Direito Civil com o Direito
Comercial. É dividido em quatro títulos referentes aos arts. 966 a 1.195,
disciplinando-se tudo que diga respeito ao “empresário”, “empresa”, “o
estabelecimento”, e os “institutos complementares” que regulamentam e disciplinam
a atividade empresarial.

9.7.1. Do Empresário

O Código Civil considera empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços,
excluídos desse conceito quem exerce profissão intelectual, de natureza científica,
literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo
se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
O Código não conceitua o que seja “atividade econômica organizada” ou o
que seja
“empresa”. Doutrinariamente, entretanto, tem se firmado o entendimento de que
empresa é
sinônimo de atividade econômica organizada, em que o empresário reúne um
conjunto de
bens, corpóreos e incorpóreos, como sejam, capital, trabalho, marca, equipamento,
matéria
prima e tecnologia, para a produção ou circulação de bens ou de serviços, visando a
obtenção
de lucros.
É obrigatória a inscrição do empresário na Junta Comercial, mediante
requerimento que contenha :
a. O seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o
regime de bens;
b. A firma, com a respectiva assinatura autógrafa;
c. O capital;
d. O objeto e a sede da empresa.

9.7.3. Sociedades

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De acordo com o Código Civil as sociedades se classificam da seguinte
maneira:

9.7.3.1. Sociedade Não Personificada

Embora estabeleça o Novo Código Civil que a personalidade jurídica da
sociedade começa com o registro de seus atos constitutivos, possui dispositivos que
regem o que denomina de sociedade não personificada, denominação sob a qual
acolheu a sociedade em comum (antiga sociedade de fato) e sociedade por conta de
participação.
Portanto, considera-se sociedade não personificada aquela cujo ato
constitutivo ainda não foi registrado no órgão competente, ou seja, aquela que não
possui personalidade jurídica.
Excetuam-se deste conceito, as sociedades anônimas e as sociedades em
comandita por ações, uma vez que, de acordo com a legislação de regência, não
podem funcionar sem que sejam arquivados e publicados os seus atos constitutivos
(art. 982).
As sociedades não personificadas se subdividem em sociedade em comum e
sociedade em conta de participação.

9.7.3.1.1. Sociedade em Comum

A sociedade em comum, embora não tenha, ainda, seus atos constitutivos
registrados, é uma sociedade de fato, cuja existência é comprovada, independente
de ter ou não contrato escrito.Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros,
somente por escrito podem provar a existência da sociedade em comum, mas os
terceiros podem prová-la de qualquer forma.
O novo Código Civil, em seus artigos 986 a 990, regula a relação entre os
sócios da sociedade em comum e entre estes e terceiros, definindo que a
responsabilidade dos sócios é solidária e ilimitada.

9.7.3.1.2. Sociedade em Conta de Participação

A sociedade em conta de participação é um outro tipo de sociedade não
personificada, diferenciando-se da sociedade em comum, uma vez que está
dispensada do arquivamento de seus atos constitutivos no registro competente. Esta
sociedade não possui patrimônio próprio e nem personalidade jurídica, sendo
formada para realizar negócios de curta duração, extinguindo-se após sua
concretização.
A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer
formalidade e pode provar-se por todos os meios em direito admitidos. O contrato
social produz efeitos somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu
instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade
(artigos 991 a 996).

9.7.3.2. Sociedade Personificada

Considera-se sociedade personificada aquela que possui personalidade
jurídica, obtida mediante registro de seus atos constitutivos no órgão competente. As
sociedades personificadas se subdividem em sociedade simples e empresária.
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9.7.3.2.1. Sociedade Simples

É considerada sociedade simples aquela cujo objeto social seja decorrente de
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com concurso
de auxiliares ou colaboradores, ou seja, considera-se sociedade simples a antiga
sociedade civil.
Neste tipo de sociedade, os bens particulares dos sócios poderão ser
executados por dívidas da sociedade, mas apenas depois de executados os bens
sociais, se estes forem insuficientes para saldar as dívidas. Neste caso, os sócios
responderam com o seu patrimônio social na proporção que participem das perdas
sociais, salvo se houver no contrato social cláusula estipulando a responsabilidade
solidária.
As cooperativas são consideradas sociedades simples, independentemente
de seu objeto de funcionamento.

9.7.3.2.2. Sociedade Empresária

É definida como sociedade empresária àquela que tem por objeto o exercício
de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de
serviços, ou seja, considera-se sociedade empresária a antiga sociedade comercial.
Antes de iniciar a atividade econômica, o empresário individual ou a
sociedade empresária, que a ela for se dedicar, deverá inscrever-se no Registro
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais (artigos 967, 968 e
1.150 do Código Civil), tendo como elemento essencial o nome empresarial.

9.7.3.3. Tipos Jurídicos

9.7.3.3.1. Sociedade em Nome Coletivo

Exceto pelo fato de poder exercer atividade empresária, este tipo de
sociedade é praticamente idêntico ao da sociedade simples. Nesta sociedade
somente podem participar pessoas físicas, respondendo todos os sócios, solidária e
ilimitadamente, pelas obrigações sociais.
Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato
constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade
de cada um.

9.7.3.3.2. Sociedade em Comandita Simples

Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias,
a saber:
a. Os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e
ilimitadamente pelas obrigações sociais; e
b. Os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota.
As sociedades por comandita simples são regidas supletivamente pelas
normas da sociedade em nome coletivo, cabendo ao sócios comanditados os
mesmos direitos e obrigações dos sócios em nome coletivo. Sem prejuízo da
faculdade de participar das deliberações da sociedade e de fiscalizar suas
operações, não pode o comanditário praticar nenhum ato de gestão nem ter o nome
da firma social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidade de sócio comanditado.
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Neste caso, o contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários.

9.7.3.3.3. Sociedade Limitada

Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de
suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital
social.
Este tipo de sociedade passa a ter um regime consolidado em apenas um
diploma legal, pois, a sociedade antes denominada de sociedade por quotas de
responsabilidade limitada, tinha seu regime jurídico determinado pelo Decreto n°
3.708/19, revogado, e subsidiariamente pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei n°
6.404/76).
A aplicação subsidiária da lei da sociedades anônimas continua sendo
possível, desde que haja previsão expressa no contrato social.

9.7.3.3.4. Sociedade Anônima

Na sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em ações,
obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que
subscrever ou adquirir. A sociedade anônima rege-se por lei especial (Lei n°
6.404/76 e disposições posteriores), aplicando-se-lhe, nos casos omissos, as
disposições do Novo Código Civil (artigos 1.088 e 1.089).

9.7.3.3.5. Sociedade em Comandita por Ações

Esta sociedade tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas
relativas à sociedade anônima. Todavia, neste tipo societário, somente o acionista
tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde subsidiária e
ilimitadamente pelas obrigações da sociedade (artigos 1.090 a 1.092).

9.7.4. Falência E Concordata

Solvência é a qualidade de quem pode solver, isto é, pagar, liquidar, cumprir
uma obrigação. Insolvência é, justamente, o contrário. É o estado da pessoa que
deve, mas não pode pagar sua dívida.
A insolvência, que é a falta de condições para pagar, gera o estado de
falência, quando o devedor é comerciante.
Perante o Direito brasileiro, o critério básico para indicar o estado de falência
é a impontualidade. Desta maneira, o não - pagamento de uma obrigação no dia do
seu vencimento é considerado sinal de alarme para os credores. Um sinal que
manifesta pela impontualidade: um sinal que revela o devedor ao qual faltam
condições ou recursos para cumprir suas obrigações nos prazos devidos.
Atualmente, no Brasil, a falência é regulada pelo Decreto-lei nº 7.661/45, que
trata tanto da parte material quanto processual do instituto. Existe projeto de lei para
alterar a regulamentação da falência em curso no Congresso Nacional.
Em termos gerais, a caracterização da falência se dá devido a interrupção
juridicamente imotivada do pagamento das dívidas do comerciante. Quando ele não
paga uma dívida, é impontual, ou seja, deixou de cumprir a obrigação no
vencimento. Porém, se chamado, de modo inequívoco (protestado) a cumpri-la e
não o faz sem apontar relevante razão de direito, o legislador presume a sua
insolvência, a sua incapacidade de pagar, e por isso sua falência pode ser decretada

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judicialmente (art. 1º, Dec.-Lei 7.661/45). Ou quando o próprio devedor comerciante
confessa sua insolvência (autofalência).

9.7.4.1. A Concordata

Concordata é o procedimento judicial pelo qual se reajustam as formas de
pagamento entre o devedor comerciante e seus credores, a fim de prevenir ou
suspender a falência.
A Concordata é produto de um estado de insolvência que pode ser suportado;
uma insolvência, digamos, mais suave, que não chegou a comprometer totalmente a
vida econômica do devedor, podemos, portanto, ser corrigida.
Na concordata o devedor obtém dilatação no prazo para realizar o pagamento
das dívidas. Permanece, entretanto, na direção dos seus negócios, embora sob a
supervisão do juiz.

9.7.4.1.1.Espécies

Existem duas espécies de concordata: a preventiva e a suspensiva .
a. Concordata preventiva
A concordata é preventiva quando requerida, em juízo, antes da declaração
da falência. O que se pretende, neste caso, é evitar ou prevenir a declaração de
falência.
No pedido de concordata preventiva, o devedor deve oferecer aos credores
quirografários o pagamento mínimo de:
50%, se for à vista;
60%, 75%, 90% ou 100%, se o prazo, respectivamente, de 6, 12, 18, ou 24
meses, devendo ser pago, pelo menos, 2/5 no primeiro ano, nas duas últimas
hipóteses.
b. Concordata Suspensiva
A concordata é suspensiva quando requerida, em juízo, depois da declaração
de falência.
No pedido de concordata suspensiva, o devedor deve oferecer aos credores
quirografários o pagamento mínimo de:
35%, se for à vista;
50%, se for o prazo, o qual não poderá exceder de 2 anos, devendo ser
pagos pelo menos 2/5 no primeiro ano.

9.7.4.2. Classificação Dos Créditos

Os diversos credores que se apresentam para recebimento, durante a
falência, devem obedecer a uma hierarquia de preferência que decorre da categoria
do seu crédito. Isto significa que nem todos os créditos são iguais em categoria ou
natureza. Uns têm privilégio sobre outros. Por isso, a Lei de Falências, no art. 102,
estabeleceu uma classificação dos créditos, determinando uma ordem de
pagamento a ser obedecida.
A matéria sobre classificação dos créditos é complexa. Para obtermos a
ordem exata a ser obedecida no pagamento dos créditos, o art. 102 da lei de
Falências deve ser interpretados juntamente com outros textos legais.
Tendo por base os ensinamentos atuais de juristas renomados, podemos
concluir que hierarquia de preferência dos créditos na falência é a seguinte:
a. Créditos trabalhistas: os créditos dos empregados, relativos a salários e
indenizações, ocupam o primeiro lugar na ordem de preferência para pagamento.
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b. Créditos tributários e assemelhados: em segundo lugar, temos os
créditos junto à Fazenda Pública. Trata-se do pagamento dos tributos em geral.
c. Créditos por encargos e dívidas da massa falida: esta categoria de
créditos diz respeito ao pagamento dos credores da massa falida administrada pelo
síndico. Constituem, por exemplo, encargos da massa: as custas judiciais do
processo de falência: as despesas com a administração da massa, incluindo a
comissão do síndico. Por outro lado, constituem dívidas da massa, por exemplo: as
custas pagas ao credor que requereu a falência; as obrigações resultantes de atos
jurídicos praticados pelo síndico.
d. Créditos com direito reais de garantia: esta categoria de crédito refere-
se aos credores garantidos por meio de direitos reais como a hipoteca, o penhor e a
anticrese.
e. Créditos com privilégio especial: abrangem os créditos aos quais a Lei
confere certos privilégios que recaem sobre determinados bens do devedor. O
privilégio é especial quando, especificamente, é endereçado a determinado bem.
Exemplo de privilégio especial: o autor de livro tem privilégio, fixado em Lei, sobre os
exemplares de sua obra existentes na massa do editor falido.
f. Créditos com privilégio geral: abrangem todos os bens existentes na
massa falida não sujeitos a crédito real, nem a privilégio especial.
g. Créditos quirografários: são os créditos destituídos de quaisquer
privilégios ou preferências. Somente se pagam os credores quirografários em último
lugar, com os bens que sobrarem da massa falida. Exemplos de credores
quirografários: o credor por duplicata, nota promissória etc.

9.8. Direito Das Coisas

9.8.1. Conceito De Direito Das Coisas

O Direito das Coisas abrange o conjunto de normas sobre as relações
jurídicas que se referem, basicamente, aos bens materiais.
Entende-se por bens materiais todas as coisas que possuem valor
econômico, isto é, coisas úteis e raras, capazes de despertar o interesse de
apropriação pelo homem.
Assim, podemos dizer que uma jóia de ouro é um bem material porque possui
valor econômico, atraindo a cobiça humana. Por outro lado, certas coisas que
existem na natureza, como, por exemplo, a luz do sol e o ar que respiramos, embora
sejam extremamente úteis, não se classificam como bens materiais, porque existem
em grande abundância e são utilizadas por todos, não podendo ser apropriadas por
uma só pessoa.
O direito das Coisas, no atual Código Civil, está normatizado nos artigos
1.196 a 1.510, assim distribuído: “Da Posse”; “Dos Direitos Reais”; “Da Propriedade”;
“Da Superfície”; “Das Servidões”; “Do Usufruto”; “Do Uso”; “Da Habitação”; “Do
Direito do Promitente Comprador”; “Do Penhor, da Hipoteca e da Anticrese”.

9.8.2. Da Posse

De um modo geral, podemos dizer que posse é a detenção material de uma
coisa. Assim, considera-se possuidor toda pessoa que tem de fato o exercício, pleno
ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade (Código Civil, art. 1196).
A posse não deve ser confundida com a propriedade. O inquilino, por
exemplo, detém a posse do imóvel durante a vigência da locação, mas não a sua
propriedade.
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Embora a posse se origine de mera relação de fato, a lei procura protegê-la,
assegurando ao possuidor a possibilidade de se converter em proprietário, por
intermédio de usucapião. Ficou evidente que a posse é um fato com irradiação
jurídica.

9.8.2.1. Classificação Da Posse

A posse pode ser classificada segundo diversos critérios, dentre os quais
destacamos os seguintes:
a. Posse direta e indireta.
Posse direta é aquela exercida diretamente pelo possuidor com a autorização
do proprietário. Exemplos de possuidores diretos: o inquilino, o depositário etc.
Posse indireta é aquela que o proprietário exerce, após ter transferido a
coisa, por sua própria vontade, ao possuidor direto.
Exemplos: o locador do imóvel, o depositante etc.
b. Posse justa e injusta.
Posse justa é aquela que não for violenta, clandestina ou precária (Código 03
Civil, art. 1200). Violenta é a posse obtida mediante o uso da força. Clandestina é a
posse obtida às escondidas do proprietário. Precária é a posse obtida por meio do
abuso de confiança do possuidor direto que, tendo recebido a coisa do proprietário
com a obrigação de devolvê-la depois de certo tempo, deixa de cumprir seu dever.
Exemplo: o inquilino que não quer devolver o imóvel ao proprietário.
Posse injusta, portanto, é aquela que for violenta, clandestina ou precária.

9.8.2.2. Aquisição Da Posse

A posse de uma coisa adquire-se, de modo geral, pela obtenção do poder de
fato sobre essa coisa. Isso ocorre, basicamente, mediante a apreensão.
No que se refere aos bens imóveis, a apreensão se dá por intermédio da
ocupação. Neste caso, o possuidor se apropria do imóvel, passando a utilizá-lo.
Já em relação aos bens móveis, a apreensão se dá por meio da deslocação
desse bem para a esfera de utilização e influência do possuidor.

9.8.2.3. Os Efeitos Da Posse

A posse produz efeitos no campo jurídico. Dentre estes efeitos destaca-se,
por sua importância, a proteção possessória. Com base nesta proteção legal o
possuidor tem direito a ser mantido na posse, em caso de turbação e restituição, no
caso de esbulho.
Ocorre turbação quando alguém é perturbado na sua posse. Diante desse
problema, a lei assegura ao possuidor o direito de mover contra o turbador ação de 04
manutenção de posse.
Ocorre esbulho quando alguém é retirado de sua posse pelo uso de violência,
clandestinidade ou abuso de confiança. O possuidor esbulhado tem o direito de
mover ação de reintegração de posse para restituir judicialmente a coisa.
Como proteção preventiva da posse, a lei assegura ainda ao possuidor o
interdito proibitório. Esse interdito visa a tranqüilizar o possuidor que esta sendo
ameaçado de perturbação ou de esbulho em sua posse. Trata-se, portanto, de uma
medida judicial cujo objetivo é fazer cessar a violência que está prestes a ocorrer.

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9.8.2.4. Perda Da Posse

Perde-se posse de um bem desde o instante em que o possuidor deixa de
agir como o dono do que era seu.
A perda da posse coincide com a cessação de seu exercício, ou seja, do
poder sobre o bem, ainda que contra a vontade do possuidor. Se o possuidor não
tiver mais essa capacidade de ter o bem em seu poder e, destarte, controlá-lo, expô-
lo, ele perderá a posse segundo a disposição legal.

9.8.3. Dos Direitos Reais

Quanto à distinção entre os reais e pessoais podemos dizer que os primeiros
incidem diretamente sobre a coisa; e a segue em poder de quem quer que a
detenha (seqüela); é erga omnes; é perpétua enquanto que os segundos dependem
de uma prestação de um devedor.
Os Direitos Reais vêm enumerados no Código Civil:

Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade;
II - a superfície;
III - as servidões;
IV - o usufruto;
V - o uso;
VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII - o penhor;
IX - a hipoteca;
X - a anticrese.

9.8.3.1. A Propriedade

O primeiro dos direitos reais previstos no Código é o de propriedade. O
Código traz um perfil bastante diferenciado, uma visão menos absoluta, do que a
existente no antigo Código de 1.916 e que se afina com a Constituição de 1.988,
onde priorizado o caráter social do instituto, embora se presuma pleno e exclusivo
até prova em contrário.

9.8.3.1.1. Conceito E Função

A propriedade é caracterizada pelo domínio que o homem exerce sobre coisa
que lhe pertence. No Código Civil temos o seguinte:
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do
poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
Art. 1.231. A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário.

9.8.3.1.2. Função Social

A propriedade traz diversas responsabilidades sociais para seu dono. A
função social da propriedade é prevista na Constituição Federal de 1988: a
propriedade atenderá a sua função social (art. 5º, XXIII). Esta função Social pode ser
traduzida em "deveres para com o grupo social por parte do titular do direito de
propriedade". O proprietário que não respeita a função social pode ser notificado
para construir, seu imóvel penalizado e até sofrer desapropriação.
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O conceito de propriedade, previsto no Código Civil em vigor no caput do art.
1228, transcrito acima, já apresenta uma diferença em relação ao antigo Código
Civil. O proprietário ainda pode usar, gozar e dispor da coisa, bem como reavê-la de
quem quer que injustamente a possua ou detenha, mas, agora, estas opções do
proprietário são tratadas não mais como direito seu, e sim como faculdade (poder).
Acompanhando a tendência da Constituição federal, artigo (art. 5º, XXIII)
citado acima, o art. 1228 do atual Código Civil, apresenta cinco parágrafos onde se
percebe que o legislador preocupou-se com a questão social da propriedade. A
primeira novidade surge no parágrafo 1º, que determina que o direito de propriedade
deve ser exercido de acordo com suas finalidades econômicas e sociais, e chega a
minúcias ao escrever a preservação da flora, fauna, equilíbrio ecológico, patrimônio
histórico e artístico e até mesmo preocupar-se com a poluição do ar e das águas.

9.8.3.1.3. Aquisição Da Propriedade

O Código Civil, ao tratar das formas de aquisição da propriedade, impõe
condições diferentes para propriedade móvel e a imóvel, sendo que essa última é
tratada com maior rigor e solenidade.
a. Se o bem for móvel, a tradição da coisa, isto é, a entrega ou
transmissão do bem;
b. Se o bem for imóvel, o registro do título de translativo no Registro de
Imóveis.
 Formas de aquisição da propriedade imóvel
 Usucapião: é a aquisição de uma propriedade pela sua posse
prolongada, por um tempo fixado na lei.
 Registro do título de translativo no Registro do Imóvel: a escritura da
compra e venda imobiliária necessita, como já vimos, ser devidamente registrada.
Sem esse registro, o domínio do imóvel não se transfere.
 Acessão: é o acréscimo sofrido por uma propriedade, devido a
elementos externos. Exemplo de acessão: formação de ilhas em rios particulares.
 Direito Hereditário: é a transmissão da propriedade pela sucessão que
ocorre depois da morte do proprietário. Aberta a sucessão, a propriedade será
transmitida por herança aos herdeiros legítimos e testamentários.
 Formas de aquisição da propriedade móvel o Código Civil menciona as
seguintes:
 A Usucapião: para as coisas móveis ocorre a usucapião com a posse
continuada e sem oposição durante três anos, desde que baseada em justo título e
boa - fé. Por outro lado, se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos,
produzirá usucapião independentemente de título e boa - fé.
 A Ocupação: é a posse de coisa abandonada, que não tenha dono.
São coisas sem dono e sujeitas à apropriação, por exemplo, os animais bravios,
enquanto entregues à sua natural liberdade.
 A Tradição: é, de modo geral, a entrega material da coisa, das mãos
do proprietário para o comprador.
 A Especificação: é a transformação de matéria-prima em espécie
nova, obtida pelo trabalho humano. Quem assim proceder será proprietário da
espécie nova, se a matéria-prima era sua. Se a matéria-prima for alheia, caberá
indenização ao seu proprietário.

9.8.3.2. O Penhor

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O penhor é direito real que recai sobre coisa móvel, oferecida como garantia
do pagamento de uma dívida.
A finalidade do penhor é fazer aumentar a probabilidade do cumprimento da
obrigação por parte do devedor. Vejamos um exemplo: Manoel deve certa quantia
em dinheiro a Joaquim. Como garantia de sua dívida, decide penhorar seu violão,
entregando-o as mãos do credor. Se a dívida não for paga em seu vencimento,
poderá o credor proceder à sua execução judicial fazendo recair a penhora sobre o
instrumento musical.
Analisando o conceito do penhor podemos extrair as seguintes características
básicas:
a. É direito real: o penhor é direito real de garantia. Isso significa que o
penhor envolve uma relação entre a pessoa, o credor e a coisa entregue para
penhora. Nessa relação, o credor torna-se titular de uma prerrogativa sobre a coisa,
tem privilégio sobre ela.
b. Tem caráter acessório: o penhor só existe em função de uma obrigação
principal, a qual se deseja garantir. Daí seu caráter acessório, isto é, dependente da
obrigação principal.
c. Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa: o penhor é contrato que
somente se efetiva com a transferência real da coisa. Para a validade do penhor não
basta o mero acordo de vontades entre as partes, pois além disso, é necessária a
efetiva entrega da coisa em mãos do credor. Exceto o penhor rural, o industrial, o
mercantil e o de veículos, que mesmo empenhadas continuam em poder do
devedor, que as deve guardar e conservar.

9.8.3.3. A Hipoteca

A hipoteca é o direito real que recai sobre bem imóvel oferecido como
garantia do pagamento de uma dívida. Recai sobre a totalidade do imóvel,
abrangendo suas acessões, melhoramentos ou construções. 05
Entre suas características destacamos as seguintes:
a. É um direito real: a hipoteca é um direito real de garantia que vincula o
bem sobre o qual incide.
b. Tem caráter acessório: a hipoteca não pode existir isolada de uma
obrigação principal. Em conseqüência do seu caráter acessório, a hipoteca segue o
destino da obrigação principal. Se esta for extinta, aquela também se desfaz.
c. Deve ser registrada no Cartório: para sua validade, todas as hipotecas
serão registradas no cartório do lugar do imóvel. Esse registro é elemento
indispensável para que a hipoteca seja direito real de garantia.
 HIPOTECA E PENHOR: DISTINÇÃO BÁSICA
A hipoteca distingue-se do penhor pelos seguintes aspectos básicos:
a. A hipoteca é direito real que recai, basicamente, sobre bens imóveis. Já
o penhor recai sobre bens móveis.
b. Na hipoteca o devedor conserva em seu poder a coisa dada em
hipoteca.
“Mas o seu direito de propriedade é menos pleno, pois a coisa está vinculada à
solução da dívida”. Já no penhor a coisa penhorada deve ser efetivamente entregue
ao credor. É bom lembrar que o novo Código Civil estabelece que no penhor rural,
industrial, mercantil e de veículos, as coisas empenhadas continuam em poder do
devedor, que as deve guardar e conservar.

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9.9. Direito De Familia

Direito de família no Brasil, até bem pouco tempo, era o complexo das normas
que regulavam a celebração do casamento, sua validade e os efeitos dele
resultantes; as relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, assim como
a dissolução desta; as relações entre pais e filhos; o vínculo do parentesco; e os
institutos complementares da tutela e da curatela.
Entretanto, com o advento da promulgação da Constituição Federal de 1988,
houve uma profunda alteração nos conceitos de família e na própria realidade social.
A regulamentação do § 3º do art. 226 - que reconhece a união estável entre o
homem e a mulher como entidade familiar, determinando que seja facilitada a sua
conversão em casamento - feita por intermédio da Lei nº 8.971, de 29/12/94 e,
posteriormente, da Lei nº 9.278, de 10/05/96, ainda que com suas imperfeições,
estende o conceito de família à união estável, protegendo-a sob o manto legal. Com
essas leis, foram introduzidas algumas outras modificações no Direito de Família: a
equiparação dos cônjuges, a não-discriminação entre filhos e o regime da comunhão
parcial de bens.
Além dessas, pode-se verificar diversas outras transformações ocorridas não
apenas no campo do direito de família mas, também, em todos os demais ramos do
Direito Civil. Assim, com o Novo Código Civil, tivemos uma atualização na seara do
Direito de Família.

9.9.1. Das Novidades Objetivas

9.9.1.1. Para Empresários, Seus Familiares E Terceiros, Contratantes E
Nubentes/Pactuantes

Se casados na comunhão universal ou na separação legal de bens, os cônjuges não
podem contratar sociedades entre si ou com terceiros. (art. 977)
A maioridade começa aos 18 anos, quando a pessoa fica habilitada à prática de
todos os atos da vida civil, mas aos 16 ela pode ocorrer pela emancipação.
(art. 5º)
O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que
seja o regime de bens, alienar ou gravar os imóveis que integram o
patrimônio da empresa. (art. 978)
Além de no Cartório do Registro Civil, serão arquivados na Junta Comercial, os
pactos antenupciais do empresário, o título de doação, herança ou legado,
de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. Também a
sentença que decretar ou homologar a sua separação judicial e o ato de
reconciliação sob pena de não poderem ser opostos a terceiros. (arts. 979 e
980)
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos e
costumes do lugar de sua celebração. A probidade e a boa-fé são princípios
básicos do novo código. (art. 113)
São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou
aos bons costumes; entre as condições de defesa se incluem as que
privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio
de uma das partes. (art. 113)

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9.9.1.2. Para Os Cônjuges

a. A habilitação, a celebração e a primeira certidão do casamento civil são
absolutamente gratuitos para quem declarar, sob as penas da lei, a própria pobreza.
O religioso terá efeito civil desde que os nubentes procedam à habilitação civil e
levem, até 90 dias da sua celebração, a respectiva certidão ao Cartório do Registro.
(arts. 1.512, 1.515, 1.516).
b. Desde que autorizados pelos pais, o rapaz e a moça com 16 anos
podem casar. Excepcionalmente o juiz poderá autorizar casamento de quem não
tenha completado essa idade, em caso de gravidez ou para evitar pena criminal.
(art. 1.520)
c. Qualquer dos nubentes poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.
(art. 1.565, § 1º)
d. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo
marido e pela mulher. (art. 1.567)
e. Ambos são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos
rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos,
qualquer que seja o regime patrimonial. (art. 1.568)
f. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos
da comunhão. (art. 499)

9.9.1.3. Para Os Companheiros

a. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e
a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida
com o objetivo de constituição de família. A união estável poderá se constituir se a
pessoa for casada mas separada de fato ou judicialmente. (art. 1.723)
b. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao tempo do
contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se encontrava separado de
fato. (art. 793)
c. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-
se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens.
(art. 1.725)
d. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido
dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. (art. 1.726)
e. Antes de mover a ação de nulidade do casamento, a de anulação, a de
separação judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de união estável, poderá
requerer a parte, comprovando sua necessidade, a separação de corpos, que será
concedida pelo juiz com a possível brevidade. (art. 1.562)
f. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de
casar, constituem concubinato. E, para configurar a chamada sociedade de fato
entre os simples concubinos, mas que somam esforços na aquisição de patrimônio,
poderá ser aplicável o princípio constante do novo direito de empresa: o de que
celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a
contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a
partilha, entre si, dos resultados. A atividade pode restringir-se à realização de um
ou mais negócios determinados. (arts. 1.727, 981)

9.9.1.4. Quanto Ao Regime De Bens

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a. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular,
quanto aos seus bens, o que lhes aprouver. Esse princípio enseja a celebração de
pacto antenupcial que “mistura” normas de vários regimes de bens, ou convencione
a opção por determinado regime: os especificados são o da comunhão universal de
bens; o da comunhão parcial de bens; o da separação convencional de bens; o da
separação obrigatória de bens; e o novidadeiro regime de “participação final nos
aqüestos”, que certamente jamais será escolhido pelos noivos. (art. 1.639)
b. E, na ausência - ou nulidade - do pacto, prevalecerá o da comunhão
parcial. Será obrigatório o regime da separação legal de bens quando o casamento
for de nubente maior de 60 anos, independe do seu sexo, ou de menor que se case
por necessária autorização judicial. (arts. 1.640, 1641, II)
c. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e
ineficaz se não lhe seguir o casamento. (art. 1.653)
d. O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do
casamento, mas, agora passou a ser admissível a sua alteração mediante
autorização judicial em pedido motivado, formalizado por ambos os cônjuges,
apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.
(art. 1.639)
e. Os pactos antenupciais farão parte do processo de habilitação para o
casamento no Cartório do Registro Civil, mas somente terão efeito perante terceiros
depois de inscritos, em livro especial, pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio
dos cônjuges e, se empresário qualquer deles, na Junta Comercial. (art. 1.640, §
único)

9.9.1.5. Quanto Á Separação E Ao Divórcio

a. Antes de mover a ação de nulidade do casamento, a de anulação, a de
separação judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de união estável, poderá
requerer a parte, comprovando sua necessidade, a separação de corpos, que será
concedida pelo juiz com a possível brevidade. (art. 1.562)
b. A qualquer tempo após a celebração do casamento, um dos cônjuges
poderá ajuizar contra o outro ação de separação litigiosa desde que lhe impute - e
comprove - ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e torne
insuportável a vida em comum. Também pode pedir a separação litigiosa, mas sem
necessidade de acusar o outro de qualquer infração, o cônjuge que estiver a mais de
um ano com ruptura da vida em comum. (art. 1.572)
c. Agora será possível, depois de apenas um ano da celebração do
casamento, e não mais dos dois que eram exigidos, a separação judicial
consensual. (art. 1.572, § 1º)
d. O divórcio por conversão continua possível após decorrido um ano da
sentença da separação judicial ou da decisão concessiva da medida cautelar de
separação de corpos. O “divórcio direto” poderá ser decretado após comprovada
separação de fato há mais de dois anos. O novo casamento do divorciado não
modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos, nem importará em
restrições aos seus direitos e deveres. (arts. 1.580, 1.579)

9.9.1.6. Quanto À Guarda De Filhos

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a. A guarda de filhos será na conformidade do acordo entre os pais; no
caso de litígio, será atribuída pelo juiz a quem revelar melhores condições (não são
financeiras) para exercê-la. Considerando ambos sem condições, o juiz deferirá a
guarda à pessoa (de preferência parente próximo) que revele compatibilidade com a
natureza da medida. (art. 1.584)
b. O pai, ou a mãe, que não detenha a guarda, poderá visitar os filhos e tê-
los em sua companhia segundo o que acordar com o outro cônjuge ou for fixado
pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação. Essas disposições
quanto aos filhos menores se estendem aos maiores incapazes. (arts. 1.589, 1.590)

9.9.1.7. Quanto Ao Parentesco

a. Agora, somente são considerados, para os fins legais, parentes - além
daqueles em linha direta e que não tem limites (pais, avós, bisavós, trisavós, etc., e
filhos, netos, bisnetos, trinetos, etc.) - os parentes em linha colateral ou transversal,
até o quarto grau (tio avô, “primo irmão”, sobrinho neto) as pessoas provenientes de
um só tronco, sem descenderem uma da outra. O parentesco é natural ou civil,
conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. Cada cônjuge ou
companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. O
“parentesco” por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos
irmãos do cônjuge ou companheiro. Na linha reta, a afinidade não se extingue com a
dissolução do casamento ou da união estável. (arts. 1.591 a 1.595)

9.9.1.8. Quanto À Filiação

a. Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação. Ou seja, sobrevive “filho” como substantivo e
permanecem (desde a Constituição Federal/88) proibidos quaisquer adjetivos que
pudessem discriminá-los positiva, ou negativamente. Presumem-se concebidos na
constância do casamento os filhos nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois
de estabelecida a convivência conjugal; ou, nascidos nos trezentos dias
subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial,
nulidade e anulação do casamento; ou, os havidos por fecundação artificial
homóloga, mesmo que falecido o marido; ou, os havidos, a qualquer tempo, quando
se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga;
ou, finalmente, os havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha
prévia autorização do marido. (arts. 1.596 e 1.597)
b. Salvo prova em contrário, se, antes de decorrido o prazo de 10 meses
da viuvez ou casamento desfeito por nulidade, a mulher contrair novas núpcias e lhe
nascer algum filho, este se presume do primeiro marido, se nascido dentro dos
trezentos dias a contar da data do falecimento deste e, do segundo, se o nascimento
ocorrer após esse período. (art. 1.598)
c. Cabe ao marido o direito de contestar - a qualquer tempo - a
paternidade dos filhos nascidos de sua mulher, sendo tal ação imprescritível.
Contestada a filiação, os herdeiros do impugnante têm direito de prosseguir na ação.
(art. 1.601)
d. A ação de investigação e prova de filiação compete ao filho, enquanto
viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz. Se iniciada a ação
pelo filho, os herdeiros poderão continuá-la, salvo se julgado extinto o processo. (art.
1.606)
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9.9.1.9. Quanto À Adoção

a. O reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em
testamento. (art. 1.610)
b. Só a pessoa maior de dezoito anos pode adotar. A adoção por ambos
os cônjuges ou companheiros poderá ser formalizada, desde que um deles tenha
completado dezoito anos de idade, comprovada a estabilidade da família. O
adotante há de ser pelo menos dezesseis anos mais velho que o adotado. (arts.
1.618, 1.619)
c. Ninguém pode ser adotado por duas pessoas, salvo se forem marido e
mulher, ou se viverem em união estável. Os divorciados e os judicialmente
separados poderão adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o
regime de visitas, e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na
constância da sociedade conjugal. (art. 1.622)
d. A adoção obedecerá a processo judicial, observados os requisitos
estabelecidos neste Código. A adoção de maiores de dezoito anos dependerá,
igualmente, da assistência efetiva do Poder Público e de sentença constitutiva.
(1.623)

9.9.1.10. Quanto Ao Poder Familiar

a. Não se fala mais em “pátrio poder”; agora, os filhos estão sujeitos ao
poder familiar, enquanto menores. Durante o casamento e a união estável, compete
o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá
com exclusividade. Divergindo os pais quanto ao exercício do poder familiar, é
assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do desacordo. (art. 1.631)
b. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a
eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum
parente, ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe pareça reclamada pela
segurança do menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando
convenha. Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe
condenados por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois
anos de prisão. (art. 1.637)

9.9.1.11. Quanto Aos Alimentos

a. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros
os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição
social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. São devidos os
alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover,
pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode
fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (arts. 1.694, 1.695)
b. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e
extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em
grau, uns em falta de outros. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos
descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim
germanos como unilaterais. (art. 1.696, 1.697)
c. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em
condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de
grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem
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concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma
delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. (art. 1.698)
d. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de
quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz,
conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. (art.
1.699)
e. A obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do
devedor. (art. 1.700)
f. Na separação judicial litigiosa, sendo um dos cônjuges inocente e
desprovido de recursos, prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar.
(art. 1.702)
g. Se um dos cônjuges separados judicialmente (torna-se óbvia a urgência
- do cônjuge desobrigado de prestar alimentos ao outro - de se divorciar) vier a
necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser
fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação
judicial. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver
parentes em condições de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge
será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência.
(art. 1.704)
h. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados judicialmente
contribuirão na proporção de seus recursos. (art. 1.703)
i. Para obter alimentos, o filho havido fora do casamento pode acionar o
genitor, sendo facultado ao juiz determinar, a pedido de qualquer das partes, que a
ação se processe em segredo de justiça. (art. 1.705)
j. Os alimentos provisionais serão fixados pelo juiz, nos termos da lei
processual. (art. 1.706)
k. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a
alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou
penhora. (art. 1.707)
l. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o
dever de prestar alimentos. Com relação ao credor cessa, também, o direito a
alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor. O novo casamento
do cônjuge devedor não extingue a obrigação constante da sentença de divórcio.
(arts. 1.708, 1.709)
m. As prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão atualizadas
segundo índice oficial regularmente estabelecido. (art. 1.710)

9.10. Direito Das Sucessões

Direito das Sucessões é o conjunto de normas que regulam a transmissão do
patrimônio de
alguém que morreu.
Podemos dizer que:
a. A transmissão dos bens constitui a sucessão.
b. O patrimônio transmitido é a herança ou espólio
c. Quem recebe a herança é herdeiro ou legatário.
d. A pessoa que morre é o de cujus.
O Direito brasileiro prevê duas formas básicas de sucessão: a legítima e a
testamentária.

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9.10.1. Sucessão Legítima

Ocorre de acordo com as regras previstas na lei. Assim, se o de cujus não
deixou testamento, a lei manda que seu patrimônio seja transferido aos herdeiros
legítimos, indicados expressamente Código Civil.

9.10.2. Sucessão Testamentária

Ocorre em virtude de testamento. Considera-se testamento o contrato solene,
gratuito e revogável, no qual a pessoa dispõe sobre seus bens e outros atos de
última vontade, para depois de sua morte. O testador que tiver herdeiros
necessários (descendente, ascendente ou conjuge) não poderá dispor de mais da
metade de seus bens (Art. 1789 NCC).
Devemos observar que entre os brasileiros, a sucessão legítima é
enormemente preferida sobre a sucessão testamentária. As estatísticas sobre o
assunto demonstram que a esmagadora maioria dos brasileiros, ao falecer, não
deixa testamento. Seus bens, portanto, transmitem-se pela sucessão legítima.

9.10.2.1. Regras Do Código Civil Quanto À Sucessão Hereditária
a. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o
cônjuge. (art. 1.845)
b. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos
bens da herança, constituindo a legítima. (art. 1.846)
c. Salvo se houver justa causa, declarada no testamento, não pode o
testador estabelecer cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade, e de
incomunicabilidade, sobre os bens da legítima. (art. 1.848)
d. O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível,
ou algum legado, não perderá o direito à legítima. (art. 1.849)
e. Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, basta que o testador
disponha de seu patrimônio sem os contemplar. (art. 1.850)
f. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro,
quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas
condições seguintes: se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota
equivalente à que por lei for atribuída ao filho; se concorrer com descendentes só do
autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; se
concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; não
havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. (art. 1.790)
g. Até o compromisso do inventariante, a administração da herança
caberá, sucessivamente: ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao
tempo da abertura da sucessão. (art. 1.797)
h. Não pode ser nomeado herdeiro nem legatário o concubino do testador
casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais
de cinco anos. (art. 1.801, III)
i. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: que houverem
sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra
a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou
descendente; que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança
ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro. (art.
1.814, II e II)
j. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: aos descendentes,
em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido
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no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art.
1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança
não houver deixado bens particulares; aos ascendentes, em concorrência com o
cônjuge; ao cônjuge sobrevivente; aos colaterais. (art. 1.829)
k. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se,
ao tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem separados
de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa convivência se
tornara impossível sem culpa do sobrevivente. (art. 1.830)
l. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será
assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de
habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja
o único daquela natureza a inventariar. (art. 1.831)
m. Em concorrência com os descendentes caberá ao cônjuge quinhão igual
ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta
parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer. (art. 1.832)
n. Se não houver cônjuge sobrevivente serão chamados a suceder os
colaterais até o quarto grau. (art. 1.839)

9.10.3. Inventário E Partilha

Para que o patrimônio do de cujus seja transmitido a seus herdeiros, torna-se
necessário o inventário e a partilha dos bens da herança.
Inventário é o processo judicial pelo qual o cônjuge sobrevivente, ou qualquer
outro herdeiro legalmente habilitado, requer ao juiz a abertura da sucessão dos bens
deixados pelo falecido e a partilha dos mesmos entre os herdeiros. Simplificando, é
a relação detalhada e precisa de todos os bens que constituem a herança.
Partilha é divisão dos bens da herança, na proporção que compete a cada
herdeiro.
Auto de partilha - Formal de partilha - termo no qual se discriminam os bens
da herança e seus respectivos herdeiros, formalizando a partilha mediante
homologação judicial. Por isso, usa-se mais a expressão formal de partilha.
9.11. A Mulher E O Direito Civil

9.11.1. Ato Jurídico

É todo ato lícito, que tem por finalidade imediata adquirir, resguardar,
transferir, modificar ou extinguir direitos. Exemplos de um ato jurídico: casamento,
compra e venda de um imóvel, contrato de locação, de trabalho etc. Para que um
ato jurídico tenha validade é necessário que a pessoa que o pratica seja capaz e
manifeste a vontade de praticá-lo e que o ato seja lícito e não proibido por lei.
Os absoluta ou relativamente incapazes serão representadas pelos pais,
tutores ou curadores.
O ato jurídico pode ser anulado quando for praticado com:
a. erro: quando é alterada a substância, a natureza e objeto do ato,
qualidades essenciais do ato jurídico;
b. dolo: artifício, astúcia, esperteza para tirar vantagem de alguém;
c. coação: pressão psicológica: fazer medo a alguém com ameaças de
algum mal a si, a pessoa de sua família, ou a seus bens, obrigando-a à prática de
qualquer ato;

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d. simulação: disfarce, aparência de que o ato jurídico é verdadeiro
(assinar contrato de compra e venda sem ser verdadeiro o negócio, alterar datas de
documento, etc.);
e. fraude: modificação ou alteração de um documento ou de um produto,
com a intenção de prejudicar alguém e de obter lucro (o contrabando é uma fraude).
A pessoa analfabeta, maior e capaz para praticar atos jurídicos, poderá
praticá-los, tendo sua assinatura feita a rogo (mediante impressão digital feita com
tinta e o polegar direito, avalizada por pessoa de confiança do analfabeto).

9.11.2. Registro Civil De Pessoa Natural

É a inscrição do nascimento, do casamento, da morte (óbito), da
emancipação, da interdição, da adoção e de outros fatos relativos à pessoa. O
registro civil é feito no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais.

9.11.3. Certidão De Nascimento

É o documento que comprova o registro do nascimento de uma pessoa,
sendo o mais importante na sua vida. É com a Certidão de Nascimento que se
obtém a carteira de identidade, título de eleitor, carteira de trabalho, a habilitação
para o casamento e outros documentos.
As pessoas comprovadamente pobres (ou necessitadas) não precisam pagar
para tirar a Certidão de Nascimento ou Certidão de Óbito; o Cartório é obrigado a
fornecê-las, gratuitamente (CF, art. 5º, LXXVI)
O nascimento deve ser registrado pelo pai ou pela mãe logo que ocorra o
nascimento do(a) filho(a), no prazo máximo de 15 dias.
Se o nascimento ocorreu em lugar distante, mais de 30 quilômetros da sede
do Cartório, o prazo para o registro é de até 3 meses.
O registro de nascimento fora do prazo só poderá ser feito com a autorização
do juiz e o pagamento de uma multa (que poderá ser dispensada).
Quando uma mulher vai registrar seu filho sem o nome do pai, o oficial de
registro enviará ao juiz um documento contendo o nome e prenome, profissão,
identidade e residência do suposto pai para que seja verificada se a informação é
falsa ou verdadeira.
O juiz, sempre que possível, ouvirá a mãe sobre a paternidade indicada e
mandará notificação ao suposto pai, em qualquer caso, independente de seu estado
civil, para que se manifeste sobre a questão da paternidade
Quando o suposto pai confirma a paternidade, por escrito, o juiz autoriza o
oficial de registro a colocar na certidão do menor, o nome do pai. Se o suposto pai
não atende a notificação judicial no prazo de 35 dias, ou nega ser o pai, o juiz
enviará o processo ao representante do Ministério Público para que inicie a ação de
investigação de paternidade, se houver provas suficientes.

9.11.4. Nomes Ridículos

A pessoa registrada com nomes ridículos (que possa provocar zombaria), ao
completar a maioridade, pode requerer ao juiz a mudança de seu nome, de forma
gratuita.

9.11.5. Registro De Pessoa Maior De 18 Anos

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A pessoa maior de 18 e menor de 21 anos pode, pessoalmente, requerer o registro
de seu nascimento no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais, sem pagar
multa.

9.11.6. Registro Gêmeos

No caso de nascimento de gêmeos, deve constar da Certidão, o nascimento
das duas crianças e a ordem de seu nascimento.

9.11.6. Certidão De Óbito

Sem a Certidão de Óbito as pessoas não podem ser enterradas.
Imediatamente após a morte de uma pessoa, o médico deverá fornecer o Atestado
de Óbito, com o qual será obtida a Certidão de Óbito no Cartório da Circunscrição ou
Zona onde ocorreu a morte.
A Certidão de Óbito é necessária para requerer pensão junto ao INSS ou
qualquer outro órgão de Previdência; levantar FGTS, PIS/PASEP; abrir o inventário
de bens do(a) falecido(a); novo casamento da viúva ou do viúvo etc.
A Certidão de Óbito é gratuita para pessoas pobres e necessitadas.

9.11.7. Sucessão

É a transferência da herança, por morte de alguém, a seus herdeiros,
legítimos e testamentários, dando-se por ato de última vontade do proprietário dos
bens (testamento) ou em virtude de lei (sucessão hereditária).

9.11.8. Testamento

É um documento escrito, pelo qual uma pessoa capaz, deixa seus bens (no
todo ou em parte) para uma ou mais pessoas.
Se a pessoa possuir herdeiros necessários: descendentes (filhos) ou
ascendentes (pais), é obrigada a reservar a metade (50%) do patrimônio para eles.
A outra metade pode deixar para qualquer pessoa, independente de ser parente

9.11.9. Sucessão Hereditária

São herdeiros: descendentes (filhas, filhos, netos, bisnetos, ...); ascendentes
(mães, pais, avós, ...); cônjuge sobrevivente (marido ou mulher) ou companheiros;
colaterais (tios, primos, sobrinhos, ...); os Municípios, Distrito Federal ou a União.
Esta ordem deve ser seguida, sendo que só tem direito à herança os últimos
na falta dos primeiros. Por exemplo: se existirem filhos, os pais não têm direito à
herança; se existirem pais, o cônjuge sobrevivente não tem direito à herança e
assim por diante. O cônjuge é "meeiro" e fica com metade dos bens
Não se deve confundir herdeiro com meeiro. Os cônjuges são meeiros, se o
casamento não tiver adotado o regime da separação de bens. Podem também ser
herdeiros, na falta de descendentes ou ascendentes.

Exemplo: Quando um dos cônjuges casado pelos regimes da comunhão universal ou parcial
de bens morre, o patrimônio é dividido (metade é do homem, metade é da mulher). A metade que
pertencia ao cônjuge morto é dividido entre os herdeiros, pela ordem de sucessão. Se não houver
filhos comuns ou filhos apenas do cônjuge morto e se não houver testamento, todos os bens ficam
para o cônjuge sobrevivente.

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Os companheiros poderão participar da sucessão, enquanto não constituem
nova união, nas seguintes condições: usufruto de quarta parte dos bens do de cujus,
se houver filhos deste ou comuns; usufruto de metade dos bens do de cujus, se não
houver filhos, embora sobrevivam ascendentes; se não houver descendentes nem
ascendentes, terá direito à totalidade da herança.
Quando os bens deixados em herança resultarem de atividade em que haja
colaborado para sua aquisição, a companheira ou o companheiro sobrevivente terá
direito à metade desses bens.
Não havendo herdeiros, nenhum parente, nem testamento, os bens são
incorporados ao patrimônio do Estado.

9.11.10. Inventário

É uma Ação Judicial onde é feita a descrição dos bens deixados pelo morto.
Depois de pagas as taxas e o Imposto de Transmissão (Causa Mortis) e decididas
todas as questões do Inventário, o juiz decreta, por sentença, a partilha dos bens.
Se houver um só herdeiro sairá uma carta de adjudicação; do contrário, sairá
um formal de partilha. Em qualquer dos casos, havendo bem imóvel, esse
documento deverá ser registrado no Cartório de Registro Imobiliário onde se
encontra o registro do citado bem.
Quando uma pessoa morre, seus herdeiros devem, no prazo de até 30 dias,
procurar um advogado para abrir o inventário. Se este prazo não for obedecido, os
herdeiros estão sujeitos ao pagamento de multa.

9.11.11. Deserdação

É o ato pelo qual alguém exclui de sua sucessão algum herdeiro. A
deserdação só pode ser feita através de testamento e deste deverá constar,
detalhadamente, os motivos da deserdação. O herdeiro pode ser deserdado se
praticar, dentre outros, os seguintes atos contra o proprietário da herança: ter sido
autor ou cúmplice de homicídio voluntário, ou tentativa desse crime; tê-lo(a)
acusado(a) caluniosamente, em juízo, ou praticado crime contra sua honra; por ter
usado de violência ou fraude que o impediram de dispor, livremente, de seus bens,
em testamento ou o impediram de executar atos de última vontade.

9.11.12. Doação

É um contrato onde uma pessoa dá a outra, por livre e espontânea vontade,
bens de sua propriedade. Tanto o doador (quem dá), como o donatário (quem
recebe) devem estar de pleno acordo com a doação. A doação pode ser feita por
instrumento particular, com reconhecimento da firma em Cartório, ou por escritura
pública.
É nula a doação: de todos os bens, se o doador não reservou uma parte ou
renda suficiente para sua sobrevivência ou de parte de bens que pertençam também
ao cônjuge, doado sem o seu consentimento.

9.11.13. Alimentos – Pensão De Alimentos Ou Pensão Alimentícia

Alimentos, pensão de alimentos ou pensão alimentícia é um dever que as
pessoas têm para com alguém que está ligado pelos seguintes tipos de parentesco:

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a. ascendente;
b. descendentes;
c. irmãos bilaterais e unilaterais;
d. cônjuges ou companheiros.
O dever de alimentos pode ser cumprido através das seguintes prestações:
a. um percentual dos vencimentos ou salários do alimentante ou uma
quantia certa (exemplo: salários mínimos). O desconto pode ser feito pelo
empregador que depositará todo mês na conta do alimentado ou de seu
representante legal, ou pago diretamente pelo alimentante;
b. usufruto de determinados bens do alimentante (aluguéis de imóvel, ou
outro qualquer rendimento);
c. hospedagem na casa do alimentante, em vez de pagamento em
dinheiro ou bens.
Os alimentos são para suprir as necessidades de alimentação, educação,
moradia, saúde, lazer, etc. e seu valor depende da necessidade de quem está
pedindo e da possibilidade de quem é obrigado a fornecer.
Para pedir alimentos é necessário não possuir renda nem capacidade para o
trabalho e o parente ter condições de fornecê-los, sem prejudicar seu próprio
sustento. A incapacidade para o trabalho deve ser provada de forma incontestável.
A ação de alimentos é solicitada ao juiz, através de advogado ou de Defensor
Público, sendo que, quando existe um acordo entre as partes, pode ser feita
diretamente no Juizado de Pequenas Causas.
Em casos urgentes, a própria pessoa que necessita da pensão pode se dirigir
a um juiz cível ou juiz de família (se houver na localidade) e, mesmo sem advogado,
requerer a pensão alimentícia. A Lei de Alimentos é uma lei de rito especial (a
decisão do juiz sai rapidamente).
Provas necessárias para requerer a pensão (documentos ou testemunhas)
a. o parentesco;
b. nome completo;
c. residência;
d. local de trabalho;
e. profissão e lugar onde nasceu;
f. endereço certo do alimentante;
g. condições do alimentante para cumprir a obrigação;
h. que é cônjuge ou companheira e que necessita da pensão.

9.11.13.1. Alimentos Entre Cônjuges E Companheiros

Os cônjuges e companheiros prestarão, um ao outro, se um deles necessitar,
a pensão que o juiz fixar.
Em caso de companheira(o), também deve provar que viveram juntos mais de
5 (cinco) anos, ou que têm filhos comuns e necessita da pensão. Esse direito vale
apenas para companheiras(os) de pessoas solteiras, separadas judicialmente,
divorciadas ou viúvas, enquanto não constituírem nova união.
O direito a Alimentos pode ser exercido também durante o casamento,
quando um dos cônjuges, mesmo vivendo junto, não contribui para as despesas da
família.
Depois do divórcio não se pode pedir pensão alimentícia para o ex-cônjuge.
Se tiver sido estabelecida na separação continua a receber.

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9.11.13.2. Alimentos Para Os Filhos, Crianças E Adolescentes

Para manutenção dos filhos, os cônjuges separados contribuirão na
proporção de seus recursos. Este direito vale enquanto os filhos são menores ou
estiverem cursando uma universidade. Se for inválido, enquanto viver.
A pessoa responsável pela criança ou adolescente, que não tem condições
de sustentá-la, pode pedir pensão alimentícia aos parentes do menor, na seguinte
ordem:
a. pais;
b. avós;
c. irmãos.
Nesta mesma ordem, pode ser requerida a pensão, quando o pai, mesmo
tendo reconhecido a criança, não quer ou não pode pagar a pensão.
Se o pai não reconhece o filho, é necessária uma Ação de Investigação de
Paternidade.
Os ascendentes também podem pedir alimentos aos seus descendentes. São
necessárias as mesmas provas e os mesmos documentos já citados no item provas
necessárias.

9.11.13.3. Pagamento Da Pensão Alimentícia

O juiz decide a melhor forma de prestação da pensão, aceitando a indicada
no acordo das partes, ou determinando qualquer outra forma.
Antes de julgar o pedido de alimentos, o juiz pode decretar uma pensão
alimentícia provisória, quantia que deverá ser paga até a sentença final no processo.
A pensão alimentícia pode mudar de valor a qualquer tempo, dependendo da
mudança da situação financeira de quem fornece e de quem recebe.
Depois que a pensão alimentícia é decretada pelo juiz, a falta de pagamento
pode levar o responsável à prisão. O alimentante devedor é considerado criminoso
pelo Código Penal. É o crime de Abandono Material, podendo ser punido com pena
de detenção de 1 a 4 anos e multa de 1 a 10 salários mínimos.
A ação de cobrança de alimentos não pagos deve ser feita através de
advogado, ou Defensor Público e se chama Ação de Execução de Alimentos.
O alimentante será citado para pagar a dívida em 72 horas, sob pena de
prisão. A Constituição Federal prevê prisão civil do responsável pela falta de
pagamento da pensão alimentícia.

9.11.14. A Saúde Da Mulher

A discriminação contra quem está doente (principalmente AIDS) é muito
grande, por isso, pessoas que lutam pelos direitos humanos têm buscado, na
legislação, dispositivos que aliviem um pouco essa discriminação. Através de
direitos essenciais a toda cidadã e cidadão, são corrigidas injustiças praticadas por
empregadores, familiares ou terceiros.
Nossa Constituição Federal diz: "A saúde é direito de todos e dever do
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do
risco de doenças e outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação."(Art. 196).
Apesar disso, as dificuldades de ser atendida com rapidez e segurança, nos
serviços públicos de saúde, são grandes. É importante distinguir duas situações:

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a. quando há urgência e o hospital nega o atendimento médico (omissão
de socorro);
b. quando mesmo não sendo urgente, o atendimento é necessário e o
hospital nega o atendimento ou não dispõe dos serviços para atender o paciente
(garantia do atendimento à saúde).
No primeiro caso, a paciente (ou seus familiares) deve, imediatamente,
chamar a polícia. Não atender uma pessoa doente por negligência ou comodismo é
crime de omissão de socorro, previsto no Código Penal (Art. 135).
No segundo caso, quando o hospital não atende o paciente em serviço que
tem, ou, não tem o serviço que deveria ter (exemplo: um hospital-maternidade não
ter atendimento pré-natal), a paciente deve acionar a justiça através de um mandado
de segurança para garantir o seu direito. Esta ação será movida contra: diretor de
hospital, secretário de Saúde, até mesmo ministro da Saúde, se comprovado que
por ação ou omissão estas autoridades deixaram de tomar as providências
necessárias para garantir o direito à saúde dos cidadãos.

9.11.14.1. O Código De Ética Médica

O Código de Ética Médica apresenta, entre seus princípios diz que todos têm
o direito de receber explicações sobre sua doença;

O médico tem o dever de:

a. dizer o tipo de doença (diagnóstico), e o que pode acontecer com a doente
(prognóstico);
b. esclarecer riscos, possibilidades e contra-indicações do tratamento.

A paciente tem o direito de:

a. ler o seu prontuário (ficha que o médico escreve a doença e os remédios que está
receitando) e até mesmo pedir uma cópia dele, se assim o desejar;
b. levar um acompanhante para assistir a consulta e todos os exames que forem
necessários fazer. Não precisa ser parente para ser acompanhante;
c. em caso de internação, tem direito a acompanhante. Se for criança, a mãe ou o pai
devem ficar ao seu lado durante todo o tempo da internação.

Sigilo médico é o segredo que o médico deve guardar de toda doença de
seus pacientes. Ao médico é proibido revelar a doença de qualquer pessoa, mesmo
aos familiares do paciente. Só pode revelar com a autorização do próprio paciente.
Esta proibição continua mesmo depois da morte do paciente.
Existem casos em que é dever do médico revelar a doença:
a. quando é contagiosa e pode causar epidemia - deve comunicar à saúde
pública;
b. quando pode ser transmitida por sexo (DST/AIDS) - deve tentar fazer
com que a própria paciente revele ao seu(sua) parceiro(a) que está com a doença.
Caso não consiga convencê-la, deve comunicar ao seu(sua) parceiro(a) sexual, para
evitar a contaminação;
c. tem também o direito de quebrar o sigilo para comunicar a membros de
grupos de usuários de drogas injetáveis, quando um deles está contaminado por
alguma doença infecto-contagiosa.
Quando um médico não cumpre o que determina seu Código de Ética, pode
ser denunciado através de uma queixa feita ao Conselho Regional de Medicina -
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CRM. O CRM analisa as queixas que são feitas contra médicos e, caso seja provado
que o médico não cumpriu com seu dever, encaminha ao Conselho Federal de
Medicina - CFM que poderá puni-lo até com a perda de seu registro, proibido-o de
exercer a medicina.
É muito importante saber que não depende só da mulher a contaminação do
vírus da AIDS. O número de contaminadas pelo vírus HIV está aumentando entre
mulheres casadas, que não praticam o sexo fora do casamento. Portanto, a mulher
deve se preocupar com o comportamento sexual de seu marido ou companheiro,
pois está em jogo a sua vida e a de seus futuros filhos.
A exigência para o uso da camisinha deve ser uma constante na vida da
mulher.

10. DIREITO PENAL

De todos os ramos do Direito, é o Direito Penal aquele que protege
os valores mais preciosos e significativos para a convivência social, que são: a vida,
a saúde, a honra, a liberdade, a paz pública etc. Em razão da relevância desses
valores, a sua preservação não é de interesse apenas dos indivíduos, mas de toda a
sociedade. Por isso, quando um crime é cometido, não compete aos amigos da
vítima punir os autor do delito, mas sim, ao Estado, pois o crime tem caráter público
e não privado, isto é ofende a todos, cria o caos social.
Direito Penal : é o conjunto de normas jurídicas que regulam o
poder punitivo do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas
aplicáveis a quem os pratica.
Para manter a paz e a segurança das pessoas e dos bens, o Direito
penal contém as normas qualificadoras dos fatos como criminosos e, ao mesmo
tempo, regula a aplicação de penas criminais.
Sendo o crime um fato humano, ou seja, uma conduta ilícita, assim
considerada pela lei, “há de fazer o estudo jurídico do sujeito ativo e das situações
jurídicas por ele criadas”.
Além de qualificar os diversos crimes, regular as penas para cada
crime, analisar o sujeito ativo e situações jurídicas por ele criadas, o Direito Penal
também se vale das medidas de caráter preventivo, que são medidas de segurança.
Todas as medidas visam à prevenção da criminalidade.
Princípio da legalidade é o princípio originado de um provérbio latino -
“nullum crimen sine lege” (não há crime sem lei que o defina), ou seja, não pode o
juiz incriminar uma conduta, mesmo que imoral, se não estiver descrita no Código
Penal como sendo crime.

10.1.Código Penal

O Direito Penal, ramo do Direito Público, é representado por um livro,
denominado Código Penal, que Penal contém a maioria das leis penais e divide-se
em duas partes: a Parte Geral e a Parte Especial.
A Parte Geral disciplina os princípios gerais relativos aos crimes, à
pena e às medidas de segurança, é a parte teórica de todo Direito Penal.
Na Parte Especial estão tipificados todos os crimes e as respectivas
penas.

10.1.1. Os 10 Títulos Do Código Penal

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a. Crime contra a pessoa - crimes contra a vida (homicídio e tentativa);
lesões corporais; periclitação da vida e da saúde; rixa; crimes contra a honra e a
liberdade individual.
b. Crimes contra o patrimônio – furto; roubo e extorsão; usurpação; dano;
apropriação indébita; estelionato e outras fraudes; receptação.
c. Crimes contra a propriedade imaterial - crimes contra a propriedade
intelectual; contra o privilégio da invenção; contra as marcas de indústria e comércio;
concorrência desleal.
d. Crimes contra a organização do trabalho
e. Crimes contra o sentimento religioso e o respeito aos mortos
f. Crimes contra os costumes – crimes contra a liberdade sexual; sedução
e corrupção de menores; rapto; lenocínio e tráfico de mulheres; ultraje público ao
pudor.
g. Crimes contra a família - crimes contra o casamento; contra estado de
filiação; contra a assistência familiar; contra o pátrio poder; a tutela e a curatela.
h. Crimes contra a incolumidade pública - crimes de perigo comum; contra
a segurança dos meios de transporte e comunicação e outros serviços públicos;
contra a saúde pública.
i. Crimes contra a paz pública e contra a fé pública – moeda falsa;
falsificação de títulos e outros papéis públicos; falsidade de documentos; outras
falsidades.
j. Crimes contra a administração pública - crimes praticados por
funcionário público contra a administração em geral; crimes praticados por particular
contra a administração em geral; crimes contra a administração da justiça.

10.1.2. Causas Que Excluem A Criminalidade

O Código Penal relaciona as causas capazes de excluir o caráter
antijurídico de uma conduta prevista como crime. Declara a art. 23 que não há crime
quando o agente pratica o fato:
a. Em estado de necessidade
Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual ou iminente, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. Como exemplo de estado de necessidade podemos citar o caso
de dois náufragos, em pleno oceano, que disputam a posse de uma tábua que
apenas pode sustentar um deles. Nessa dramática disputa o vencedor, fatalmente,
condenará o outro à morte, porém não há crime, pois agiu para salvar sua própria
vida.
b. Em legítima defesa
Entende-se por legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
São requisitos da legítima defesa que a pessoa use moderamente dos recursos
necessários, que a agressão repelida seja atual e injusta, haja defendido direito
próprio ou de outra pessoa.
c. Em cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito
Estrito cumprimento do dever legal – ocorre quando o agente pratica um fato
típico cumprindo um dever que a própria Lei tenha lhe imposto. Ex.: o carrasco que
mata
o criminoso, cumprindo sua função.

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Exercício regular de um direito - ocorre quando o agente pratica o fato típico
no exercício regular de um direito. Ex.: um cidadão que prende um ladrão em plena
rua, um pai que castiga fisicamente o filho. Deve-se ressaltar que o exercício
regular de direito impõe limites à conduta do agente, desobedecidos esses limites,
teremos o abuso de direito ou de poder, que são igualmente punidos.

10.3.1. Crime

É o ato ou o fato definido por lei como crime, e praticado por pessoa física. Por
exemplo: matar alguém, roubar, ajudar no roubo etc.

10.3.2. Ação Penal

É o meio que tem o Estado, em nome da sociedade, de apurar os atos
criminosos e aplicar a pena correspondente à cada crime. De modo geral a ação
penal é pública e deve ser promovida pelo Estado, através do Ministério Público
(Promotores e Procuradores de Justiça).
Em alguns casos é a própria vítima, ou seu representante legal que deve propor a
ação, mediante queixa (ação penal privada).
Os crimes contra a liberdade sexual são crimes de ação privada, mas quando
praticados contra pessoas pobres na forma da lei, ou por pais, padrastos, tutores ou
curadores, são processados mediante ação pública.
É muito importante para a mulher saber quais são os crimes de ação pública
e os de ação privada, para saber se é ela quem deve apresentar o pedido de
apuração do crime (a queixa) ou se é o Ministério Público.
Caso o Ministério Público não tome a iniciativa de promover a ação penal
pública no prazo legal, a vítima ou seu representante legal pode fazê-lo, mediante
ação privada.

10.3.3. Processo Penal

O processo penal se inicia com a queixa-crime feita na Delegacia de Polícia -
DP ou na justiça, pela vítima ou seu representante legal, ou pela denúncia feita pelo
Ministério Público. Para que a Polícia ou a Justiça tenham condições de esclarecer o
crime, é importante que a vítima apresente o maior número possível de provas, que
podem ser, entre outras: testemunhas; documentos que comprovem o crime;
exames de "corpo de delito".

10.3.4 Exame De Corpo De Delito

É o exame que o perito faz, para ter as provas do crime. Pode ser feito em
objetos, locais ou em pessoas. O exame de corpo de delito em pessoas é realizado
geralmente no Instituto Médico Legal - IML, por médico legista oficial. Quando não
existe um IML na cidade, o exame é feito por médico credenciado pela Justiça.
Este exame é gratuito e para que seja feito é necessário a apresentação de
uma Guia fornecida por uma DP ou por autoridade judicial.

10.3.5. Pena

É a punição aplicada à pessoa que pratica um crime. Existem 4 tipos de pena:
a. privativa de liberdade: prisão (detenção ou reclusão);
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b. restritiva de direito: proíbe um direito de cidadania. Por exemplo:
cassação da carteira de motorista, proibição de se candidatar a qualquer cargo
eletivo etc.
c. prestação de serviços à comunidade;
d. multa.
O tipo e o tempo para cumprimento da pena são estabelecidos pelo Juiz, que
examinará o grau do crime praticado. Se o crime foi cometido com dolo (quando a
pessoa comete o crime de propósito, com vontade consciente do resultado
criminoso) a pena é maior. Se, ao contrário, o crime foi cometido por culpa (a pessoa
não tinha a intenção de praticá-lo, mas agiu com negligência, imprudência ou
imperícia) a pena será menor.

10.3.6. Violência Sexual

A violência contra a mulher ocorre de várias formas e em qualquer lugar e,
pela legislação atual, pode ser: sexual, física ou emocional.
A violência sexual pode ser considerada um dos piores crimes praticados pelo
ser humano. A prática da violência sexual é punida através do Direito Penal, que é o
ramo do direito onde está escrito o que é crime e quais as penas para cada tipo de
crime.
Nosso Código Penal diz que são crimes contra a liberdade sexual: estupro;
atentado violento ao pudor; posse sexual mediante fraude e atentado ao pudor
mediante fraude.
O estupro e atentado violento ao pudor são crimes muito comuns em nossa
sociedade e se constituem de atos de abuso do poder, onde um homem se vale do
sexo como arma para agredir e denegrir a mulher. São considerados crimes
hediondos, isto é, crimes que são praticados com perversidade e extrema
depravação moral:

10.3.6.1. Estupro

Crime que só pode ser praticado por um homem contra uma mulher: é um
homem obrigar uma mulher a ter relação sexual, contra sua vontade, usando de
violência ou grave ameaça. A conjunção carnal (relação sexual) tem que ser vaginal:
penetração do pênis (membro sexual do homem) na vagina (órgão sexual da
mulher). A penetração pode ser completa ou não, com ou sem ejaculação do
homem.
A violência pode ser:
a. física - quando o estuprador usa de força física para dominar e
submeter a mulher à relação sexual;
b. moral - quando o estuprador ameaça causar um mal grave à mulher ou
a outra pessoa de suas relações pessoais.

10.3.6.2. Atentado Violento Ao Pudor

É obrigar alguém, com violência ou grave ameaça, a praticar (ou praticar nela)
atos de natureza sexual, diferente da conjunção carnal, com o fim de sentir prazer
sexual. Exemplo: obrigar uma pessoa (homem ou mulher) a fazer sexo anal ou oral,
esfregar-se ou colocar objetos em qualquer parte íntima, contra a vontade dessa
pessoa. Este crime é muito comum dentro da família, contra crianças e
adolescentes. Fingindo estar fazendo carinho, muitos pais, padrastos, irmãos, tios
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ou amigos da família, buscam o prazer sexual desta forma, sem que outros adultos
da família desconfiem da intenção depravada.

Pena para os dois crimes: reclusão de 6 a 10 anos.
Se o crime é praticado contra menor de 14 anos, alienada ou débil mental ou não pode, por qualquer
outra causa, oferecer resistência a pena é aumentada de metade.
Se resultar lesão corporal de natureza grave a pena é reclusão de 5 a 15 anos.
Se resulta a morte da vítima passa para reclusão, de 20 a 30 anos.

Para quem sofre atentado violento ao pudor ou é estuprada
a. deve ir imediatamente à Delegacia (de preferência a DEAM), para
prestar queixa;
b. deve solicitar uma GUIA para ser examinada no Insti-tuto Médico Legal -
IML, mesmo se não existirem marcas visíveis de violência, faça o exame de corpo
de delito;
c. se houver testemunhas, leva-las à DEAM;
d. não se lavar até ser examinada no IML;
e. guardar a roupa que estava vestindo, sem lavá-la, e leva-las para serem
examinadas;
f. peça cópia do Boletim de Ocorrência (BO);
g. prestar bastante atenção no criminoso: aspecto físico, cor dos cabelos,
dos olhos, a roupa que está vestindo e qualquer outro detalhe existente, como
tatuagem, cicatrizes, sinal etc., para futuramente poder fazer seu reconhecimento.
h. Caso a mulher engravide e tenha prova documental de que foi
violentada, pode solicitar ao médico que lhe faça o aborto, caso não queira ter o filho
gerado da violência.
i. O exame médico no IML é de graça e feito a qualquer hora, podendo a
vítima ficar acompanhada de uma pessoa amiga durante todo os exames.
Uma profissional do sexo (prostituta) também pode ser sujeito passivo do
crime. A troca de sexo por dinheiro não tira o direito de escolha da mulher de fazer
sexo com quem queira e da forma que queira. Portanto, uma prostituta pode dar
queixa na Delegacia, se for vítima de atentado violento ao pudor ou estupro.
O silêncio é cúmplice da violência

11. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO DO TRABALHO

11.1. Origem E Evolução Histórica Do Direito Do Trabalho No Brasil

O Direito é o resultado da pressão de fatos sociais, que influenciados por
valores, resultam em normas jurídicas. É o que aconteceu também, de forma bem
clara, com o Direito do Trabalho.
Abolida a escravidão, em 1888, os trabalhadores nas indústrias emergentes,
muitos deles imigrantes, com tradição sindicalista européia, passaram a exigir
medidas de proteção legal; até cerca de 1920, a ação dos anarquistas repercutiu
fortemente no movimento trabalhista; as primeiras normas jurídicas sobre sindicato
são do início do século XX; o Código Civil de 1916 dispunha sobre locação de
serviços, e é considerado o antecedente histórico do contrato individual de trabalho
na legislação posterior; na década de 30, com a política trabalhista de Getúlio
Vargas, influenciada pelo modelo corporativista italiano, reestruturou-se a ordem
jurídica trabalhista no Brasil. Assim, os fatos, valores e suas implicações, produziram
um direito de proteção ao trabalhador, mediante normas jurídicas, a que se deu o
nome de DIREITO DO TRABALHO.
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11.2. Direito Do Trabalho

O Direito do Trabalho pode ser conceituado como o conjunto de normas
legais que regulam as relações de trabalho entre empregados e empregadores,
ocupando-se, ainda, em garantir condições sociais básicas ao trabalhador. A
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, editada pelo Decreto Lei n. 5452, de 1o.
de maio de 1943, que rege estas relações entre empregados e empregadores,
composta de quase 922 artigos, divididos em títulos da seguinte forma:
I. Introdução
II. Das Normas Gerais de Tutela do Trabalho
III. Das Normas Especiais do Trabalho
IV. Do Contrato Individual do Trabalho
V. Da Organização Sindical
VI. Das Convenções Coletivas do Trabalho
VII. Do Processo de Multas Administrativas
VIII. Da Justiça do Trabalho
IX. Do Ministério Publico do Trabalho
X. Do Processo Judiciário do Trabalho
XI. Disposições Finais e Transitórias
Após a CLT foram editados vários textos legais, destacando-se o trabalho
rural, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o Seguro Desemprego, o
Salário Maternidade, a Gratificação Natalina (13º. salário), o Vale Transporte, o
Programa de Integração Social (PIS), além de outros.
Além de incorporar os principais direitos trabalhistas em vigor antes de sua
promulgação (5-10-88), a Constituição Federal ampliou parte deles e acrescentou
novos, como pede ser observado no Art. 7º. A inovação mais importante consagrada
pela atual Constituição é o princípio da Liberdade Sindical. A Constituição Federal
de 1.988 abriu um espaço, para os direitos trabalhistas, maior do que aberto pelas
Constituições anteriores.

Capítulo II

Dos Direitos Sociais

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma
desta Constituição. (Redação dada pela EC nº 26/2000 – DOU 15.02.00)
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
I – relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III – fundo de garantia do tempo de serviço;
IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades
vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
V – piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI – irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII – garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;
VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X – proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

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XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII – salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;
(Redação dada pela EC nº 20/98 – DOU 16.12.98)
XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais,
facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho;
XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo
negociação coletiva;
XV – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI – remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do
normal;
XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII – licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte
dias;
XIX – licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI – aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da
lei;
XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da
lei;
XXIV – aposentadoria;
XXV – assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em
creches e pré-escolas;
XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a
que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX – ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de
cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho; (Redação dada pela EC nº 28/2000 – DOU 26 e 29.05.00)

XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do
trabalhador portador de deficiência;
XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais
respectivos;
XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer
trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
(Redação dada pela EC nº 20/98 – DOU 16.12.98)
XXXIV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o
trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos
incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.

11.2.1. Contrato De Trabalho E Relação De Trabalho

Haverá contrato de trabalho sempre que uma pessoa física se obrigar a
realizar atos, executar obras ou prestar serviços para outra e sob dependência
desta, durante um período determinado ou indeterminado de tempo, mediante o
pagamento de uma remuneração; quanto à relação de emprego, dar-se-á quando
uma pessoa realizar atos, executar obras ou prestar serviços para outra, sob
dependência desta, em forma voluntária e mediante o pagamento de uma
remuneração, qualquer que seja o ato que lhe dê origem .Portanto, o Contrato de
Trabalho é o acordo entre o empregado e a empresa quanto às condições em que o
trabalho deve ser prestado, estabelecendo os direitos e obrigações das partes. O
contrato de trabalho tem as seguintes características:
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a. Prestação de serviços continuados;
b. Recebimento de salário;
c. Subordinação profissional (submissão do trabalhador ás ordens de
serviço).
No Brasil existem basicamente três formas de tornar-se empregado:
a. Assinar um contrato escrito;
Normalmente, a relação de trabalho é estabelecida por meio de contrato
escrito. Esse contrato é apresentado pela empresa para a assinatura do empregado,
que na prática não tem poder para exigir modificações. Apesar disso, é importante
ler com atenção o contrato de trabalho e guardar cuidadosamente a cópia, porque
ela é uma de suas fontes de consulta em caso de dúvida ou litígio com a empresa.
b. Fazer um trato verbalmente;
Você é digitadora e comparece a uma empresa que precisa do seu trabalho.
Depois de ficar sabendo os salários e outras condições de trabalho, aceita o
emprego e começa a trabalhar. Passados alguns dias, a empresa não apresenta a
você contrato escrito para assinar. Não há problema, a sua relação de emprego é
normal. É que, perante o direito do trabalho, o contrato pode ser apenas verbal.
Mas é preciso deixar claro que, tanto no caso de contrato escrito quanto no de
contrato verbal, a empresa é obrigada a fazer o seu registro na carteira de trabalho,
no prazo de 48 horas. A empresa deve anotar na carteira de trabalho, entre outros
dados, a data de admissão, o salário, a sua função e os seus dependentes (cônjuge,
filhos menores e maiores inválidos e os seus pais, se não tiverem meios de
subsistência).
Caso a empresa não faça o seu registro em carteira, você deve guardar
cópias de trabalhos que executou e nomes e endereços de pessoas, da empresa ou
fora dela, que saibam detalhes de sua relação de trabalho. Isso porque, se você
continuar sem o registro, no futuro terá como provar a sua relação de trabalho e
requerer com êxito os seus direitos. Também poderá reclamar junto à Delegacia
Regional do trabalho, que deve obrigar a empresa a fazer o registro, além de puni-la
por desrespeito às leis trabalhistas. Porém, enquanto você estiver na empresa, é
bom avaliar os riscos de fazer isso, porque algumas empresas costumam demitir o
empregado nesses casos, ainda que se trate de uma demissão sem justa causa. É
válido, também, antes de agir, orientar-se com o seu sindicato.
c. Tácito
Não ajustar nada verbal ou escrito, simplesmente começar a trabalhar sem
oposição.
Duas ou três vezes por semana, um corretor de imóveis comparecia a uma empresa que
vende apartamentos para, a pedido dela, fazer plantões de venda. Ele recebia comissões sobre a
venda dos apartamentos. Depois que deixou de prestar serviços para essa empresa, percebeu que
seria justo Ter tido direito a férias, descanso semanal remunerado, 13º salário e depósitos no Fundo
de Garantia, e que isso teria ocorrido se tivesse sido considerado empregado pela empresa.
Sentindo-se lesado, o corretor entrou na justiça e pediu que sua relação com a empresa fosse
reconhecida como uma relação de emprego. Ao se defender no processo, a empresa alegou que o
corretor não era empregado e sim um trabalhador autônomo. Para reforçar seu argumento de que o
reclamante era um trabalhador autônomo, a empresa provou que ele era inscrito no CRECI (Conselho
Regional de Corretores de Imóveis) e que pagava ISS (Imposto sobre Serviços) e a contribuição
previdenciária de autônomo.
Porém, quando o processo foi julgado, a Justiça do Trabalho deu ganho de causa ao corretor,
declarando que ele havia trabalhado como empregado e não como autônomo. Por quê? Porque,
como o corretor era obrigado a comparecer aos plantões em dias e horários determinados pela
empresa e trabalhava sob orientação dela, a Justiça entendeu que havia uma subordinação do
corretor à empresa. E a subordinação é um dos requisitos para caracterizar uma relação de emprego.
Além disso, a Justiça declarou que, como o corretor trabalhava recebendo uma remuneração e

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executando um serviço que era próprio da atividade da empresa, ele preenchia as condições para ser
declarado empregado e não autônomo. A justiça disse ainda que o fato de uma pessoa ser inscrita
como autônoma não significa que não possa ser empregada. Tudo depende do caso concreto.

11.2.2. Trabalho Em Domicílio

11.2.2.1. Perspectiva Histórica

O trabalho em domicílio nada tem de novo. Historicamente, foi uma das
primeiras manifestações do labor humano.
As primeiras unidades de produção eram familiares e no domus se
concretizava boa parte do labor.
Saltando à Idade Média, veremos que as atividades artesanais, quando não
praticadas em pequenas oficinas, com aprendizes, eram circunscritas à casa.
A primeira revolução industrial, porém, fez com que houvesse grande
demanda pela concentração do trabalho. As novas máquinas precisavam de um
local determinado e seguro — garantindo-se, assim, a menor depreciação possível
do investimento — para que fossem colocadas em funcionamento.
Além disso, necessitava o empregador o pleno controle das atividades dos
trabalhadores, para que, dentro do melhor espírito do taylorismo, os ganhos de
produtividade fossem crescentes.
Às construções para abrigar as máquinas e os seres humanos que se reúnem
em torno delas convencionou-se chamar de fábricas. Bairros inteiros surgiram às
guisa de locais de labor.
Nossas cidades são fruto de tal concepção. Há bairros residenciais,
industriais e comerciais. Todos os dias, deslocamo-nos de nossas casas, cruzando
quilômetros, para chegar às partes da cidade destinadas ao trabalho, abandonando-
as ao final da jornada.
Essa situação permaneceu inalterada com a segunda revolução industrial. E o
trabalho em domicílio próprio cada vez ficava mais desimportante.
Com o advento da terceira onda, todavia, vê-se o ressurgimento daquela
forma secular de prestação de trabalho, em duas faces principais: uma
absolutamente inovadora e outra tristemente retrógrada.
11.2.2.2. A Tecnologia E O Trabalho Distante Das Unidades Produtivas

As novas tecnologias de armazenamento e de transmissão da informação, a
globalização dos fluxos econômicos e a decomposição internacional dos processos
produtivos ensejaram uma total reformulação no modo de produção dominante no
planeta: a terceira revolução industrial.
A mais valiosa mercadoria, hoje, é o conhecimento. É ele o grande fator
agregador de valor aos produtos.
A World Wide Web possibilitou o acesso a bases de dados em volumes
dantes inimagináveis, em qualquer local do globo. As próprias noções tradicionais de
tempo e espaço cedem à imediatidade de acesso e à desterritorialização.
A popularização da Internet possibilita, ainda, que um número cada vez maior
de trabalhadores intelectuais laborem nos locais em que bem quiserem — distantes
das sedes das organizações produtivas a que pertencem. Bastam um computador,
um modem e uma linha telefônica.
Isto conduzirá a uma nova era do trabalho em domicílio. Sem horários rígidos,
sem o desconforto de ir compulsoriamente aos ambientes de convívio forçado que
representam escritórios, sem precisar abdicar do convívio dos familiares, livres do

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trânsito congestionado, os trabalhadores do futuro século serão muito mais
produtivos.
Corporações americanas, notadamente as de tecnologia de ponta,
perceberam isto, e incentivam tais práticas entre seus funcionários mais criativos.
Obviamente, ao passo em que se tornar mais popular esta volta ao trabalho
domiciliar, serão necessários ajustes no Direito do Trabalho.
Entre nós, algumas normas de segurança de trabalho ficarão simplesmente
obsoletas. Veja-se, por exemplo, o art. 173 da CLT: "As aberturas nos pisos e
paredes serão protegidas de forma que impeçam a queda de pessoas ou objetos".
Na sede das empresas tecnológicas não haverá razão para isso, pois não haverá
pessoas ou objetos circulando.
O próprio Direito do Trabalho deve passar por reformulação. A história do
direito do trabalho se identifica com a história da subordinação, mas, agora, a idéia
desta como instituto monolítico é abalada pela expansão de outras formas de
trabalho. Aliás, "mesmo no trabalho subordinado típico, sua diversificação é cada
vez maior, com níveis distintos de dependência hierárquica, fustigando a tradicional
idéia do tratamento homogêneo e compacto da relação de emprego".
O impacto dessa nova modalidade de emprego, em que realmente existe a
subordinação, mas ela se apresenta bastante diluída, na estrutura do Direito Laboral
fará com que sejam elaboradas novas normas, em que o princípio protetivo também
se mostrará menos intenso.
Quanto ao Direito Previdenciário, também este sofrerá algum tipo de
reformulação. A existência dos trabalhadores virtuais, não necessariamente
vinculados ao mesmo território em que está a sede da empresa, fará imperiosa a
transição do sistema contributivo, contraprestacional, para um financiado por
impostos.

11.2.2.3. A Farsa De Algumas Cooperativas De Trabalho

Ao mesmo tempo, recrudesce o trabalho residencial, em modelo tristemente
característico da primeira revolução industrial. São algumas cooperativas de
trabalho, fortemente patrocinadas por indústrias intensivas em mão-de-obra que se
instalam em regiões pobres de nosso país, notadamente no interior do Nordeste.
A idéia é a fuga dos encargos trabalhistas. Não haveria, para os
empregadores, subordinação e, portanto, contratos de trabalho. Os "cooperados"
recebem pelas unidades produzidas em suas casas, que depois são revendidas pela
empresa. O maquinário é totalmente fornecido (ou financiado a juros módicos) pela
empresa pretensamente tomadora de serviços.
É especialmente deletéria tal modalidade, porque nada impede o trabalho em
condições subumanas, ou o trabalho infantil.
Qualquer pessoa que domine rudimentos de Direito do Trabalho percebe que
há fraude à legislação trabalhista, nos termos do art. 9° da CLT, mas, infelizmente,
até mesmo em face da novidade da questão, não há ainda atuação das Delegacias
Regionais do Trabalho ou do Ministério Público, na coibição de tais abusos.
Concluímos que ao mesmo tempo, ressurge o trabalho em domicílio em duas
formas. À primeira, devemos saudações, e certamente acarretará, no futuro,
reformulações na estrutura do Direito do Trabalho.
A outra, porém, não passa, em muitas vezes, de fraude à legislação
trabalhista. Ainda que sejam altos os encargos, eles o são para todos — ao menos
em tese — porquanto fixados em lei. Não deve, assim, tal modalidade de trabalho
apenas sofrer o controle a posteriori e "a conta-gotas" das reclamações individuais,
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mas principalmente ser alvo das ações preventivas das Delegacias Regionais e do
Ministério Público do Trabalho.

11.2.2.4. Trabalho A Domicilio - (Prática -Validade Jurídica)

Um hospital pagava a uma mulher para lavar as roupas usadas nele. A
mulher lavava as roupas em casa e recebia o pagamento de acordo com a
quantidade de roupa que lavasse. Um dia o hospital não quis mais que a mulher
lavasse as roupas e ela entrou na Justiça para ser reconhecida como empregada e
receber os seus direitos. O hospital se defendeu no processo dizendo que a mulher
trabalhava como autônoma porque trabalhava em casa, sem chefe, e era inscrita na
Previdência Social como trabalhador autônomo. A Justiça não aceitou os
argumentos do hospital e o condenou a reconhecer a mulher como empregada e a
pagar a ela todos os direitos de um trabalhador demitido do emprego sem culpa pela
demissão (sem justa causa). É que, no processo, a mulher provou que, embora não
tivesse um chefe no seu pé, já que trabalhava em casa, era obrigada a apresentar
um determinado número de peças de roupas lavadas, em um período que era
estabelecido pelo hospital. Logo, havia um controle contínuo sobre o seu trabalho, o
que significa dizer que havia uma subordinação dela à empresa. Ela também provou
no processo que seu trabalho era habitual (ela lavava as roupas toda semana) e que
era um trabalho pago e não um serviço feito por caridade ou simples ajuda (trabalho
humanitário não caracteriza emprego).
O que aconteceu com a mulher em relação ao hospital pode acontecer com
uma pessoa que atende telefonemas em casa em razão de um acordo feito com a
empresa. É o caso, por exemplo, de uma empresa que paga o aluguel de uma casa
para uma pessoa morar e, em troca do aluguel, a pessoa atende a clientela da
empresa por telefone, sendo a pessoa obrigada a anotar os telefonemas em um
formulário próprio da empresa e a prestar contas dos telefonemas recebidos, por
meio de relatórios entregues em período de tempo marcado pela empresa. Nesse
caso também existe uma relação de emprego (trabalho a domicílio), pois trata-se de
um trabalho pago relacionado com a atividade lucrativa da empresa, e pago por
meio do aluguel da casa. Além disso, há uma subordinação, já que a pessoa que
atende o telefone recebe ordens da empresa para anotar os chamados e fazer
relatórios periódicos, segundo critérios preestabelecidos.

11.2.3. Prazo Dos Contratos

Os contratos de trabalho, em geral, não têm um prazo certo para terminar, ou
seja, são contratos indeterminados. O mais comum é se pensar que o trabalhador
entra numa empresa com idéia de permanecer e não como um ser transitório.
Mas a lei também estabelece a existência de contrato com prazo certo para
terminar, ou seja, de contrato por prazo determinado. Isso acontece quando o
serviço é transitório por sua própria natureza. Por exemplo, uma empresa gráfica,
quando quer pintar a sua sede e ampliar suas instalações, terá de contratar
empregados por um período certo de tempo, já que os serviços citados, por não
serem próprios da finalidade da empresa, são, por isso, passageiros.
Os contratos por prazo determinado não podem ultrapassar o prazo de dois
anos. O contrato de prazo determinado pode ser elaborado por um prazo inferior a
dois anos e prorrogado uma única vez, desde que a prorrogação não faça com que
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os dois contratos ultrapassem o prazo de dois anos. Exemplo: um contrato de prazo
determinado de seis meses de duração pode ser renovado uma única vez pelo
prazo de um ano e meio, completando dois anos.
O contrato de prazo determinado mais comum é o contrato de experiência.

11.2.3.1. Flexibilização Do Direito Trabalhista - Contrato Por Prazo Determinado (Lei
9601/98)

O novo contrato de trabalho por prazo determinado incentiva a criação de
novos empregos (pelo menos teoricamente), traz redução nos encargos sociais e,
consequentemente, nos seus custos. Outro aspecto positivo foi a criação do banco
de horas; a empresa poderá negociar e utilizá-lo, em momento oportuno, quando
ocorrer incremento na produção. Este contrato, é diferenciado dos demais, uma
vez que possui regras próprias, dependendo inteiramente de negociação. Só pode
ser implantado com a anuência do Sindicato dos Empregados, devendo ser firmado
através de convenção ou acordo coletivo de trabalho e tem de haver acréscimo no
número de empregados (caput do Art. 1º da lei). Eis algumas características do
novo contrato: -possui regras próprias; -a lei não estipula duração mínima;
-benefícios, encargos sociais reduzidos (50% do percentual vigente); -FGTS, 2%,
sem direito a multa; -indenização: fica a cargo do que é convencionado entre as
partes. O contrato por prazo determinado não é trabalho temporário, muito embora
venha recebendo o "apelido" de contrato temporário, o contrato por prazo
determinado conforme a lei 9601/98 é diferente do contrato de trabalho temporário.
O contrato de trabalho temporário previsto na Lei n.º 6.019/74 é usado para atender
a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou
acréscimo extraordinário de serviço, sempre contratado por meio de uma outra
empresa especializada (a empresa de trabalho temporário).

11.2.3.1.1. Contrato De Experiência

Uma empresa quer conhecer melhor o empregado (analisar o seu
desempenho profissional, o seu relacionamento com os colegas e a sua agilidade ao
cumprir as ordens recebidas), para saber se vale a pena contratá-lo definitivamente.
Nesse caso, a lei permite que a empresa faça um contrato de experiência com o
empregado. Esse tipo de contrato não pode ultrapassar o prazo de 90 dias. Mas a
empresa pode fazê-lo pelo prazo de 30 dias, por exemplo, e prorrogá-lo por mais 30
ou 60 até completar 90 dias. Depois que se completa a prazo de experiência, o
contrato de trabalho passa automaticamente a ser um contrato por prazo
indeterminado.
Se um empregado que já trabalhou para uma empresa, tendo demonstrado
competência no seu trabalho, sair dela e depois voltar a ser contratado por ela,
dentro de seis meses, não precisa mais ser submetido a contrato de experiência,
porque já provou para essa empresa que é capaz de desempenhar as suas funções.
A empresa que não esteja gostando do trabalho do empregado pode demiti-lo
antes do último dia previsto para o término do contrato de experiência. Se a empresa
demitir o empregado sem justa causa antes do término do contrato de experiência
terá de pagar a metade daquilo a que ele teria direito até o final do contrato de
experiência. Assim, se o empregado está cumprindo um contrato de experiência de
três meses com salário de R$ 300,00 por mês e for demitido no final do primeiro
mês, terá direito de receber a metade do valor dos dois meses restantes, ou seja, R$
300,00, a título de indenização. Pode ser que o contrato de experiência tenha uma
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cláusula que permita a rescisão antecipada. Nesse caso, se a empresa demitir o
empregado antes do final da experiência, em lugar de pagar a metade do que o
empregado teria direito se ficasse trabalhando até o final da experiência, terá de
pagar aviso prévio, 13º salário, férias proporcionais, além do levantamento do FGTS,
acrescido de 40%, como ocorre com a demissão sem justa causa no caso do
contrato por prazo indeterminado.
Uma vez, uma empresa de construção fez um contrato de experiência com
um empregado para desempenhar as funções de servente de pedreiro, e esse
empregado era analfabeto. A empresa demitiu-o antes de terminar o contrato de
experiência, para que o contrato não virasse contrato por prazo indeterminado. O
empregado recorreu à justiça e o seu advogado argumentou que não era válido
fazer contrato de experiência com uma pessoa que foi contratada para fazer um
trabalho que não exige especialização técnica (servente de pedreiro). "Afinal, a
empresa quer experimentar o quê?", disse o advogado do servente de pedreiro.
Para o advogado, o que a empresa queria era se livrar do pagamento das verbas
rescisórias e ainda fazer rotatividade da mão-de-obra dos empregados. A justiça
aceitou o argumento do advogado do empregado e deixou claro que "não é
admissível que o Judiciário Trabalhista continue homologando essas contratações
que têm um único escopo: fraudar direitos trabalhistas". O empregado ganhou o
processo, pois a Justiça decretou a anulação do contrato de experiência e condenou
a empresa a pagar ao empregado um mês de aviso prévio e um doze avos (1/12) de
férias e de 13º salário, que são proporcionais ao período de um mês, que foi o tempo
que o empregado trabalhou (férias e 13º salário são pagos na proporção dos meses
trabalhados). Além disso, o empregado teve direito ao Fundo de Garantia que a
empresa é obrigada a depositar.
Uma vez, uma empresa mandou o empregado embora no dia em que
terminou o contrato de experiência. Mesmo assim, o empregado entrou com
processo na Justiça alegando que o contrato não deveria ser tido como um contrato
de experiência porque a empresa não estabeleceu com precisão quais as tarefas a
serem desempenhadas e durante a experiência não o avaliou segundo tarefas e
itens específicos que caberia a ele realizar (o empregado queria dizer que a
empresa não poderia falar em experimento se não definiu o que experimentar
durante o prazo de experiência). Ao apreciar o caso, a Justiça deu ganho de causa
ao empregado e condenou a empresa a pagar as verbas rescisórias referentes à
rescisão de um contrato normal de trabalho, vale dizer, de um contrato por prazo
indeterminado.
Um empregado que já passou pelo período de experiência pode ser
submetido a nova experiência desde que isso aconteça com a finalidade de
promoção dele a uma nova função dentro da empresa.

11.2.4. Aviso Prévio

Em um contrato de trabalho por prazo indeterminado, que é o contrato normal
de trabalho, se a empresa quiser mandar o empregado embora sem justa causa terá
de dar a ele um aviso prévio. Isso significa que a empresa tem de comunicar ao
empregado que ele está sendo demitido. Essa comunicação precisa ser feita com 30
dias de antecedência para os empregados que recebem por quinzena ou
mensalmente. É aconselhável que o comunicado seja feito por escrito para facilitar a
prova.

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Se a empresa demitir o empregado imediatamente e, portanto, sem o aviso
prévio, terá de pagar um mês de aviso prévio em dinheiro, como se fosse o salário
normal dele.
Muitas vezes a empresa dispensa o empregado de cumprir o aviso prévio,
mas deve pagar o período de aviso prévio como se tivesse sido trabalhado. Mesmo
que o aviso prévio não tenha sido trabalhado, porque foi pago em dinheiro, o período
de um mês é contado como tempo de casa (tempo de trabalho) em favor do
empregado. Exemplo: o empregado A foi demitido pela empresa B quando tinha 11
meses e 5 dias de trabalho e recebeu o aviso prévio em dinheiro. Para efeitos legais,
é como se tivesse trabalhado 12 meses e 5 dias na empresa, tendo, por exemplo,
direito a férias completas de um mês, que é um direito reconhecido a quem tem um
ano de casa.
Durante o aviso prévio a empresa é obrigada a conceder duas horas diárias
para o empregado procurar outro emprego. Se a empresa não conceder as duas
horas, o empregado tem o direito de cobrar essas horas como horas extras. Ao
invés de ter as duas horas reduzidas de seu horário normal de trabalho, o
empregado poderá optar pela ausência no emprego por sete dias corridos,
recebendo o salário integral. O empregado também é obrigado a dar aviso prévio à
empresa em caso de pedido de demissão. Se ele sair da empresa sem dar aviso
prévio, a empresa tem o direito de reter a importância equivalente a um mês do seu
salário, seja o dinheiro retido referente a saldo de salário, a férias ou ao 13º salário.
Às vezes, o empregado consegue um ótimo emprego em outra empresa, mas
na base do pegar ou largar. Tem de se decidir rápido. Ele pede à empresa para
dispensá-lo de cumprir o aviso prévio a fim de não perder o outro emprego, ou, por
exemplo, fazer uma viagem, etc. A empresa compreende a situação do empregado
e concorda com o pedido. Depois, o empregado (ingrato!) entra na Justiça para
cobrar o aviso prévio. Pode? Pode.
Mas, calma, não precisa, também, só por isso, radicalizar e nunca ser
compreensivo com o empregado. É bom lembrar que poucos empregados
descumprem nesses casos o trato feito com a empresa. Além disso, há uma forma
de a empresa se garantir nesses casos. Qual? Ela deve exigir do empregado que
está pedindo a dispensa do aviso prévio a apresentação de provas concretas (estou
falando de papéis como carta, declaração, etc.) de que ele pediu a dispensa do
aviso prévio porque tinha um motivo importante e favorável a ele. A empresa pode
não ser condenada a pagar o aviso prévio nesse caso, se o empregado reclamar na
Justiça.
Se, durante o aviso prévio, o empregado cometer falta grave, a demissão que
estava sendo feita sem justa causa se transforma em demissão por justa causa.
Depois que a empresa dá o aviso prévio ao empregado, pode se arrepender e
desfazer o aviso? Não. Isso só é possível se o empregado concordar. A mesma
regra vale quando o aviso prévio é dado pelo empregado

11.2.5. Rescisão/Extinção Do Contrato De Trabalho

11.2.5.1. Iniciativa Do Empregador

11.2.5.1.1. Demissão Por Culpa Do Empregado (Justa Causa - Dispensa Direta)

a. Improbidade. Um empregado que furta coisas da empresa, de colegas
ou clientes, mesmo que sejam coisas de pequeno valor, comete um ato de
improbidade, ou seja, um ato de desonestidade, e pode ser demitido por justa causa.
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O mesmo ocorre com o empregado que marca cartão de ponto com horas a mais
para obter horas extras para si, ou que apresenta certidões de filhos inexistentes
para receber salário-família. Ou ainda o bancário que passa constantes cheques
sem fundo contra o próprio banco em que trabalha, ou o empregado que se utiliza
de atestado médico falso para justificar ausência no trabalho. Essas condutas são
desonestas ou caracterizam quebra de confiança para com a empresa, e motivam a
demissão por justa causa.
b. Desídia. Um empregado que confere documentos de forma errada,
causando prejuízos à empresas, ou que comete três quatro, cinco ou mais faltas por
mês, prejudicando o andamento do trabalho, pode ser demitido por justa causa em
razão de desídia (o mesmo que desatenção, desleixo). É desidioso o empregado
irresponsável e não cuidadoso com o serviço que está realizando. Para caracterizar
a desídia, por causa de faltas ao trabalho, é preciso que o empregado, seja
previamente advertido. Quando o empregado se recusa a receber e a assinar a
advertência, ainda assim a advertência tem validade se a empresa provar, por
testemunhas, que houve a recusa. Quando o empregado comete um único erro, mas
esse for de muita gravidade, pode haver a dispensa dele por desídia sem a
advertência prévia.
c. Insubordinação e indisciplina. Ocorre a insubordinação quando o
empregado desobedece a uma ordem direta do chefe, desde que a ordem esteja
relacionada com algum serviço ligado às obrigações do empregado. A
insubordinação cria a bagunça e o caos dentro do trabalho e impede que a empresa
ou qualquer outra organização cumpra os seus objetivos.
Enquanto a insubordinação tem a ver com a desobediência a uma ordem
direta de um chefe dentro da empresa, a indisciplina se refere à desobediência a
uma norma geral da empresa Por exemplo, a desobediência a um aviso para não
fumar em determinados locais ou a uma ordem passada para todos os funcionários
usarem um determinado uniforme que serve de proteção durante o trabalho, etc.
Uma desobediência acidental a um regulamento da empresa, como, por exemplo,
um atraso em relação ao horário de chegada ou o uso incompleto de um uniforme,
não caracteriza a indisciplina, que está ligada principalmente à intencionalidade da
conduta do empregado.
Tanto a insubordinação quanto a indisciplina caracterizam justa causa.
d. Abandono de emprego. O empregado que não aparece na empresa há
mais de 30 dias, sem autorização e sem dar nenhuma justificativa, comete
abandono de emprego e pode ser demitido por justa causa. O fato de a empresa
fazer publicações em jornais convocando o empregado não justifica a demissão
antes de 30 dias; porém, se o empregado que não aparece na empresa há oito ou
10 dias for, de repente, visto trabalhando em outra empresa, fica caracterizada a
justa causa.
e. Embriaguez no trabalho. Um empregado que chega ao trabalho
embriagado pode ser demitido por justa causa, ainda que a embriaguez no local do
trabalho tenha acontecido uma única vez. Entretanto, é preciso que seja uma
embriaguez para valer (visivelmente embriagado). “Umas e outras” , só, já bastam
para justa causa.
Quando a embriaguez do empregado é habitual (quase sempre está de cara
cheia), pode dar justa causa mesmo que esse tipo de embriaguez seja fora do
ambiente de trabalho.
f. Ofensa física ou moral. O empregado que ofende o chefe com
palavrões ou expressões ofensivas à honra dele, mesmo fora do ambiente de
trabalho, comete falta grave e dá justa causa. Porém, se o xingamento ou palavrões
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forem pronunciados em momento de lazer, como durante uma partida de futebol,
não há falta grave, a não ser que fique claro o propósito de se aproveitar da
situação. Assim também quando, num local de trabalho, o próprio avacalha o
ambiente com palavras chulas, a conduta do empregado no mesmo tom não dá
justa causa. Vale lembrar, contudo, que ofensas físicas ao chefe ou empregador
podem não caracterizar justa causa se forem em legítima defesa do empregado.
g. Conduta sexual. Manter ou tentar manter relação sexual no ambiente de
trabalho dá justa causa, ainda que seja após o expediente, quando se pensa que
ninguém mais vai aparecer. Se alguém flagrar e testemunhar o fato, é o que basta. A
conduta sexual do empregado, mesmo que praticada fora da empresa, se resultar
em perturbação do ambiente de trabalho também poderá dar justa causa.
Empregado grosseiro, violento com pessoas ou objetos, ou que costuma usar
palavras ou gestos obscenos no ambiente de trabalho, pode sofrer uma justa causa.
A justa causa, nos casos citados, refere-se ao que se chama em linguagem jurídica
de “incontinência” ou “ mau procedimento”.
h. Violação de segredo. Um empregado que divulga dados como a função
e o salário de outro empregado, que passa informações sobre processos de
fabricação, sobre contratos da empresa que ainda estão em estudo, ou sobre
operações financeiras da empresa, dá motivo a justa causa pelo que chama violação
de segredo.
 CONSEQÜÊNCIAS DA DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA (tabela
anexa)
Nessa espécie de demissão, o empregado não tem o direito de receber 13º
salário, nem férias proporcionais, nem pode levantar o Fundo de Garantia. Apenas
tem o direito de receber o saldo de salário (incluindo horas extras, adicional noturno
ou qualquer outro adicional que acompanha o salário) e férias vencidas, se houver.
A empresa deve fazer o pagamento do saldo de salário e férias vencidas até
o prazo de 10 dias corridos a partir da data da demissão por justa causa. Se a
empresa não fizer o pagamento nesse prazo, terá de pagar o valor correspondente a
um salário para o empregado, mais uma multa para o governo de 160 UFIRs.

11.2.5.1.2. Demissão Sem Justa Causa

A empresa pode, segundo suas conveniências, demitir o empregado ainda
que este tenha dado justa causa para a sua demissão. Nesse caso ela deve pagar
um mês de aviso prévio (ver “Aviso prévio”), 13º salário proporcional aos meses
trabalhados férias vencidas e proporcionais, saldo de salário e, além disso, deve
liberar o Fundo de Garantia, acrescido de 40% sobre o valor depositado em nome
do empregado. O pagamento dessas verbas deve ser feito no primeiro dia útil depois
do fim do aviso prévio. E se o aviso prévio foi pago em dinheiro (o empregado não
cumpriu), o referido pagamento deve ocorrer o prazo máximo de 10 dias, sendo
esse prazo contado a partir do dia em que a empresa disse ao empregado que ele
não precisava cumprir o aviso prévio.

11.2.5.2. Iniciativa Do Empregado

11.2.5.2.1. “Demitindo” A Empresa Por Justa Causa (Dispensa Indireta)

Se o dono de um restaurante tente obrigar uma garçonete, que é sua
empregada, a ir além de suas funções e fazer insinuações ou propostas amorosas
aos clientes, a empregada pode “demitir” o patrão porque este está exigindo a
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prática de um ato contra os bons costumes, como diz a lei trabalhista. Essa
demissão do patrão é o que se chama em linguagem técnica de “despedida indireta”
ou rescisão indireta do contrato de trabalho. No caso da rescisão indireta do contrato
de trabalho, o empregado tem os mesmos direitos que o empregado que foi demitido
sem justa causa.
Também dá motivo a “despedida indireta”, que é a justa causa do
empregador, uma empresa que obriga o empregado a fazer horas extras contra a
vontade dele, que obriga o empregado a fazer trabalho perigoso sem o devido
equipamento de proteção, que ofende física ou moralmente o empregado. Está na
mesma situação a exigência de trabalho superior às condições do empregado.
Exemplo: o empregado que datilografa dando 80 toques por minuto é obrigado a
fazê-lo dando 150 toques.
Exigir que um digitador passe a varrer o estabelecimento ou a fazer entrega
de encomendas aos clientes da empresa, assim como exigir que o eletricista vire
encanador, dá justa causa do patrão por prática de serviços alheios ao contrato de
trabalho.
Uma vez, um chefe obrigou uma funcionária a usar uniforme de trabalho mais
desgastado do que o uniforme das demais funcionárias, expondo-a a vexame. A
empregada recorreu à Justiça pedindo a rescisão indireta do contrato de trabalho
por culpa do empregador e ganhou a causa. A justiça entendeu que, no caso, o
chefe agiu segundo impulsos caprichosos e emocionais, incompatíveis como
ambiente profissional que deve existir na empresa.
Quando o abuso cometido pela empresa está ligado ao descumprimento de
itens básicos do contrato de trabalho, como aqueles relacionados com os horários
de trabalho, com a forma e o dia de pagamento, cargo ou local de trabalho do
empregado, este pode entrar na Justiça pedindo a “demissão do empregador” e
continuar trabalhando até o resultado do processo. Porém, quando o mau
procedimento do empregador estiver relacionado com os outros motivos citados
acima, o empregado só pode entrar na Justiça para pedir o reconhecimento da culpa
da empresa pelo fim do contrato se, antes sair da empresa. Se depois a culpa da
empresa for reconhecida, o empregado receberá todos os seus direitos como se
tivesse sido demitido sem justa causa.

11.2.5.1.2. Figuras De Justa Causa Na Dispensa Indireta: Art 483 CLt.

a. Exigências de Serviços superiores as forças do empregado, proibidos
por lei, contrário aos bons costumes, ou alheios ao contrato.
Ex. - Auxiliar de Administração que é mandado descarregar caminhões.
- Imposição à mulher, de pesos excessivos para carregar.
b. Rigor excessivo contra o empregado.
Ex.: - Ordens seguidas a um e não atribuídas aos demais, com intuito de levar
a desistir do emprego.
c. Exposição a perigo manifesto de mal considerável.
Ex.: Ação pondo em risco a vida, saúde, sem que esses riscos pertençam as
suas funções.
d. Ofensas a honra do empregado ou sua família.
Ex.: Calúnia, injúria e difamação.
e. Agressão física praticada pelo empregador, salvo legítima defesa.
f. Redução de trabalho, sendo este por peça ou tarefa de modo a afetar
sensivelmente o salário do empregado

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No caso de dispensa indireta o empregado é Liberado do Aviso Prévio e
afasta-se imediatamente, senão é possível que descaracterize a justa causa. Porém,
a CLT art. 483 § 3º permite em dois casos que o empregado descida dar por
rescindido o contrato de trabalho permanecendo no emprego:
a. Descumprimento de obrigação contratual
b. Redução do trabalho; surgindo aí problemas jurídicos que a lei não
prevê soluções. Temos algumas alternativas:
 Dispensa indireta proposta pelo empregado, mas seguida de dispensa
direta pelo empregador:
 Dispensa indireta procedente + dispensa direta por justa causa:
Solução: reparação econômica excluída o tempo decorrido entre a justa causa do
empregado e a justa causa do empregador.
 Dispensa indireta procedente + dispensa direta sem justa causa:
Solução: plena reparação econômica de tempo integral, contado até o seu
afastamento provocado pela dispensa direta.
 Dispensa indireta julgada improcedente + dispensa direta por justa
causa: Solução: o empregador não terá que pagar reparações econômicas em razão
da dispensa indireta e nem em relação a dispensa direta.
 Dispensa indireta julgada improcedente + dispensa direta sem justa
causa: Solução: o empregador não terá que pagar reparações econômicas em razão
da dispensa indireta, mas pela sua decisão superveniente de despedir sem justa
causa, arcará com conseqüências do seu ato: reparará todo o tempo de serviço
terminado com o desligamento do empregado.
Verifica-se que a improcedência da dispensa indireta praticamente faz
desaparecer os seus efeitos sobre a extinção do Contrato e esta passará a ser
ordenada em função dos motivos circunstanciais da dispensa direta.

11.2.5.1.3. Demissão A Pedido Do Empregado

Uma das formas comuns de rescisão do contrato de trabalho ocorre por meio
do pedido de demissão feito pelo empregado, que, nesse caso, deve dar aviso
prévio à empresa. Quando o empregado pede demissão antes de completar um ano
de serviço não tem direito a férias (nem a férias proporcionais) e também não tem
direito a levantar o Fundo de Garantia. Mas tem direito ao 13º salário proporcional
aos meses trabalhados. A empresa não pode negar o pedido de demissão feito pelo
empregado.

11.2.6. Dia-A-Dia Na Empresa - Principais Direitos Trabalhistas

11.2.6.1. Trabalho Igual, Salário Desigual.

PODE?

A Rita era secretária e me contou que não estava nada contente na empresa
onde trabalhava, porque estava ganhando menos do que a sua colega que
desempenhava as mesmas funções dela.
- Tenho direito de entrar na Justiça para ganhar o mesmo salário que ela ganha?
- Por igual trabalho deve ser pago igual salário, ou seja, deve haver uma equiparação salarial
de dois empregados que têm as mesmas funções. Mas para que a Justiça reconheça o direito à
equiparação salarial é preciso que alguns pontos sejam esclarecidos.
- E quais são esses pontos?

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- Primeiro, preciso saber há quanto tempo você e sua colega trabalham na empresa.
Eu entrei lá faz um ano e ela já faz quase dois anos. Mas o que importa não é fazer o mesmo
serviço?
- Não é só fazer o mesmo serviço. Se o empregado A quer ganhar igual ao empregado B,
porque fazem o mesmo trabalho, mas se a empresa prova que o empregado B já está há mais de
dois anos desempenhando as suas funções dele, o empregado A não tem direito a equiparação.
Então eu posso pedir equiparação à minha colega porque ela está na mesma função que eu
há menos de dois anos. Ela é secretária há um ano e oito meses e eu sou secretária há um ano.
Certo?
- Certo. Mas você tem de entrar logo com o processo porque ela já está completando os dois
anos na mesma função e se isso ocorrer você não pode mais pedir a equiparação. Mas existem
outros requisitos que precisam ser atendidos.
Quais?
- Não basta você provar que a sua colega é secretária e que você também é secretária. É
preciso que você tenha o mesmo nível técnico de sua colega. Exemplo: se a sua colega tem boa
redação própria e fala inglês, você tem de saber o mesmo. Além disso, precisa ficar claro que você
produz a mesma quantidade de trabalho da sua colega.
- E se o trabalho de minha colega for superior ao meu?
- Se a empresa provar na Justiça que a sua colega tem mais qualidade técnica e produz mais
do que você, estará perdido o seu direito à equiparação salarial.
- Só que a minha colega trabalha em outra filial da empresa e não no mesmo prédio em que
eu trabalho. Mas a filial onde minha colega trabalha fica em Salto/SP, que é vizinho de Itu/SP.
- Isso não tem problema. Tem de ser na mesma empresa e na mesma localidade. Só que
uma cidade vizinha a outra é entendido como a mesma localidade para efeitos da equiparação
salarial.
- Se a colega sair da empresa, mesmo assim eu posso pedir a equiparação salarial?
- Sim. O importante é que, no passado, vocês tenham desempenhado a mesma função,
numa mesma época. Por exemplo, em março de 1999 vocês tinham no mesmo mês a mesma função,
não importando depois saber em que empresa a sua colega está trabalhando. Porém se você tivesse
entrado na empresa depois que a sua colega tivesse deixado o emprego, seja por demissão, por
aposentadoria ou por morte, aí você não teria direito à equiparação salarial. Por quê? Porque, nesse
caso, você estaria sucedendo a sua colega, não tendo, portanto, trabalhado lado a lado com ela, na
mesma função e na mesma época. Entendeu?
- Entendi, e acho que vou ganhar essa equiparação salarial.
- em tudo para ganhar. Vamos em frente.

Tecnicamente devemos entender a história da secretária acima da seguinte
forma: o princípio da igualdade salarial é enunciado como o direito assegurado aos
trabalhadores de receberem o mesmo salário desde que prestem serviços
considerados de igual valor e segundo os requisitos exigidos pelo direito interno de
cada país; é garantido pela CF (art. 7º, XXX) e disciplinado pela CLT (art. 461), que
exige os seguintes requisitos para a equiparação salarial:
a. trabalho para o mesmo empregador;
b. na mesma localidade;
c. entre empregados da mesma função;
d. com diferença de tempo de função não superior a 2 anos;
e. que exerçam o trabalho com a mesma produtividade;
f. que tenham a mesma perfeição técnica.

11.2.6.2. A Participação Nos Lucros

A participação nos lucros resulta do propósito de estimular entre os
trabalhadores, a uma produção maior e interessá-los financeiramente no êxito da
empresa.
Existem vários tipos de participação:
a. Participação nos produtos da empresa, consistindo em uma
percentagem sobre os resultados brutos da produção;
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b. Participação nos lucros globais ou parciais, quando o empregado
recebe uma parte dos lucros da empresa;
c. Participação direta, quando recebe uma parte dos produtos ou dos
lucros;
d. Participação indireta, quando uma parte dos lucros da empresa é
destinada a obras sociais, recreativas, assistenciais e benefícios revertidos em favor
de seus trabalhadores;
e. Participação imediata, quando o empregado aufere as vantagens da
participação imediatamente;
f. Participação diferida, quando os resultados da participação não são
entregues imediatamente ao trabalhador, mas sim no futuro;
g. participação nos resultados, ou metas fixadas pela empresa.
A Constituição Federal (art. 7º ,XI) considera direito dos empregados a
"participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,
excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". O
poder Executivo vem expedindo Medidas Provisórias regulamentadoras dessa
participação. Dispõe que a sua instituição será objeto de negociação entre a
empresa e uma comissão dos seus empregados, da qual fará parte um
representante indicado pelo sindicato. Não há encargos sobre os valores pagos. É
vedado o pagamento em períodos inferiores ao semestral.

11.2.6.3. Quadro De Carreira

Um empregado de uma empresa que tem quadro de carreira organizado não
tem direito a pedir equiparação salarial a outro empregado. Ter quadro de carreira
significa que a empresa estabelece um sistema de promoção dos seus empregados
em que é levado em conta o tempo de serviço do empregado e o merecimento dele
em ser promovido. Assim, uma empresa pode estabelecer que existem três tipos ou
categorias de auxiliar de escritório; por exemplo, auxiliar I, auxiliar II e auxiliar III.
Estabelece que para o auxiliar I ser promovido a auxiliar II é preciso ter completado
três anos de serviço na empresa, ou demonstrar um desempenho no serviço acima
do normal, podendo, nesse caso, ser promovido antes dos três anos, por
merecimento. A empresa, ao criar um sistema escrito de promoção dos seus
empregados – significa dizer, criar um quadro de carreira -, deve submeter esse
quadro de carreira à aprovação do Ministério do Trabalho. Se existir o quadro de
carreira mas ele não for aprovado pelo Ministério do Trabalho, é como se não
existisse para efeitos legais. E os empregados da empresa, nesse caso podem
entrar na Justiça para pedir equiparação salarial em relação a outros empregados
que ganhem maior salário desempenhando a mesma função.

11.2.6.4. Duração Normal Do Trabalho

O horário normal do trabalho é de oito horas por dia e 44 horas por semana.
Mas o empregado pode trabalhar 48 minutos por dia, além das oito horas, de
Segunda a Sexta-feira, a fim de não trabalhar aos sábados.
O contrato de trabalho pode estabelecer um horário de trabalho diferente
daquele previsto na lei, mas desde que seja para o empregado trabalhar um número
menor de horas por dia, a depender do interesse e concordância da empresa.
Algumas categorias profissionais têm um horário especial de trabalho, como
médicos e cirurgiões-dentistas (4h), jornalistas e fotógrafos (5h), cabineiros de
elevador e telefonistas (6h), etc.
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11.2.6.5. Horas Extras

O horário normal de trabalho do empregado é estabelecido pela lei ou pelo
contrato de trabalho. Quando o empregado trabalha um tempo maior que o horário
normal, diz-se que ele está fazendo horas extras. Por exemplo, um balconista que
fizer um contrato para trabalhar quatro horas por dia, se estiver trabalhando meia
hora a mais por dia, estará fazendo horas extras. Quem trabalha em dia útil em que
não devia trabalhar fazendo horas extras, como, por exemplo, o bancário que
trabalha no Sábado.

11.2.6.6. Valor Das Horas Extras - Indenização Pecuniária

As horas extras devem ser pagas com acréscimo de no mínimo 50% em
relação ao valor pago pela hora normal de trabalho. O valor pago pelas horas extras
deve ser levado em conta para calcular o valor do 13º salário, do FGTS, do aviso
prévio e do repouso remunerado.
Se o trabalhador estiver fazendo horas extras há pelo menos um ano e a
empresa acabar com as horas extras, terá de pagar para o trabalhador, para cada
ano ou período superior a seis meses de realização das horas extras, o valor que
ganha com as horas extras durante um mês. Logo, um trabalhador que fazia horas
extras durante um ano e sete meses e ganha com essas horas extras R$ 300,00 por
mês, se elas forem suprimidas, terá direito a receber R$ 600,00, além do seu salário
normal.
Não podem ser feitas mais de duas horas extras por dia.

11.2.6.7. Quem Usa Bipe

O trabalhador que usa bipe para atender ocorrência ou chamado da empresa,
mesmo estando em casa, está de sobreaviso e tem direito a horas extras. O
pagamento dessas horas extras tem sido estabelecido pela Justiça em um terço do
valor pago pela hora normal de trabalho.

11.2.6.8. No Cartão De Ponto

Quando há fila para marcar o cartão de ponto, o tempo que o empregado fica
na fila pode ser cobrado da empresa como horas extras, desde que esse tempo seja
superior a cinco minutos toda vez que o empregado for bater o cartão. Se a empresa
quiser se livrar de pagar horas extras nesses casos deverá instalar mais relógios de
ponto.
O tempo gasto pelo empregado antes ou depois do horário de trabalho para
troca de uniforme também deve ser computado como horas extras.

11.2.6.9. Quem Trabalha Na Hora Do Almoço Tem Direito A Hora Extra

Quem trabalha mais de seis horas contínuas tem direito a um intervalo para o
almoço que pode ser no mínimo de uma hora e no máximo de duas horas. Se o seu
intervalo de almoço passar de duas horas, o período de tempo excedente às duas
horas não pode ser acrescentado ao período de oito horas trabalhadas. Exemplo:
você trabalha das 8 às 18 horas com duas horas de almoço, depois passa a ter duas
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horas e meia de almoço, mas a trabalhar até as 18h30. Nesse caso, você tem direito
a meia hora por dia como hora extra porque a sua jornada de trabalho ultrapassou
as oito horas diárias.
Se você fica trabalhando na hora do almoço, tem direito à hora extra. Se o
tempo de almoço for de uma hora, você tem direito a uma hora por dia como hora
extra.
Quem trabalha mais de quatro horas e o período de trabalho não passa de
seis horas, tem direito a um intervalo de 15 minutos para descanso. Quando essa
regra é desobedecida pela empresa, significa que os 15 minutos podem ser
cobrados como horário extraordinário.
Se a empresa, por exemplo, deixa você sem fazer nada durante uma hora em
meio ao expediente normal de trabalho, não pode depois obrigar você a trabalhar
uma hora além do expediente para compensar aquela hora em que o deixou parado.
Se exigir essa compensação, deverá ser condenada a pagar horas extras.

11.2.6.10. Digitadores

Os digitadores têm direito a 10 minutos de descanso a cada 90 minutos
trabalhados, sem que isso implique aumento do horário normal de trabalho. Assim,
um datilógrafo ou digitador que trabalha seis horas por dia tem direito a 30 minutos
de descanso durante as seis horas trabalhadas. A empresa que não obedece essa
regra deve ser condenada a pagar os 30 minutos diários como horas extras.

11.2.6.11. Trabalho Noturno

Para efeitos da lei o trabalho noturno é o realizado das 22 horas de um dia às
5 horas do dia seguinte. Uma hora de trabalho para quem faz trabalho noturno é
igual a 52 minutos e 30 segundos, o que significa que o empregado trabalha sete
horas e recebe o salário correspondente a oito horas. Quem exerce trabalho noturno
tem direito a um adicional de pelo menos 20% sobre cada hora de trabalho.

11.2.6.12. Adicional De Insalubridade

Aquele que trabalha em local considerado insalubre tem direito a receber um
adicional de insalubridade. São insalubres os locais que expõem as pessoas a
agentes nocivos à saúde, tais como: produtos químicos, calor, ruído etc. O adicional
é de 10%, 20% ou 40%, de acordo com o grau de insalubridade, que pode ser
mínimo, médio ou máximo, respectivamente, e é calculado sobre o salário mínimo.
Mas, se o empregador fornecer aparelhos protetores que eliminem os riscos da
atividade insalubre, o adicional não é mais devido.

11.2.6.13. Adicional De Periculosidade

O adicional de periculosidade é devido àqueles que trabalham em locais
perigosos, sendo assim considerados o trabalho em contato permanente com
explosivos, inflamáveis (como, por exemplo empregados que operam em bomba de
gasolina), energia elétrica de alta tensão, radiação, etc.
O valor do adicional é de 30% sobre o salário contratual. Há casos em que
uma pessoa não está em contato permanente com explosivo, mas em determinados
momentos de seu trabalho fica em contato; nessa hipótese, tem direito a receber o

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adicional, que será proporcional ao tempo gasto na execução do trabalho
considerado perigoso.
No caso de horas extras, o adicional é devido sobre o valor da hora base. Por
exemplo, se você ganha R$ 4,00 por hora, o adicional será calculado sobre esse
valor e não sobre o valor de R$ 6,00, que seria o valor da hora extra. Portanto, 30%
de R$ 4,00 equivale a R$ 1,20, que seria o valor do adicional de periculosidade
devido a cada hora extra trabalhada, e você receberia por cada hora extra em local
perigoso o total de R$ 7,20 (R$ 6,00 da hora extra + R$ 1,20 do adicional).
Se o empregado trabalha em local considerado insalubre e perigoso ao
mesmo tempo, tem direito a receber os dois adicionais, de insalubridade e
periculosidade?
Esse caso, o empregado deverá optar por um ou por outro adicional. Mas vale
lembrar que, enquanto o adicional de insalubridade é calculado sobre o salário
mínimo, o de periculosidade é calculado sobre o salário do empregado, sendo mais
vantajosa a escolha deste último.

11.2.6.14. Férias

Depois que você completa 12 meses de trabalho numa empresa tem direito a
férias. Isso não significa dizer que você já tem o direito de sair de férias. Após 12
meses você apenas adquire o direito, mas o exercício do direito ( o sair de férias)
fica a critério da empresa, que tem o prazo de 12 meses, a partir da data em que o
empregado adquire o direito, para decidir quando ele deve tirar as férias. Porém, se
a empresa não conceder as férias dentro dos 12 meses citados, fica obrigada a
conceder as férias (empregado saí de férias e recebe em dobro).
O empregado tem direito a 30 dias corridos de férias (contam-se os 30 dias
incluindo Sábado, Domingo e feriado) quando não houver faltado ao serviço mais de
cinco vezes durante os 12 meses correspondentes ao período aquisitivo de férias.
Se faltar de seis a 14 dias, só terá direito a 24 dias de férias. Porém, trata-se de
faltas não justificadas.
Em relação às férias, o empregado tem direito a receber um terço a mais do
salário normal.
Vale lembrar que o empregado poderá receber antecipadamente a primeira
parcela do 13º salário antes de sair de férias. Mas para isso terá de efetuar o pedido
de adiantamento junto ao empregador no mês de janeiro do ano em que vai sair de
férias.

11.2.6.15. Pessoas Da Mesma Família

As pessoas de uma mesma família têm direito de tirar férias na empresa em
que trabalham, no mesmo período. Isso só não é possível se a empresa provar que
vai sofrer prejuízo com a saída de todos de uma só vez. Se houver discordância
entre as partes quanto à necessidade da empresa, o assunto terá de ser decidido
pela Justiça. E aí, se a empresa não provar o prejuízo alegado, será condenada a
conceder férias aos membros da família na mesma data.

11.2.6.16. Serviço Militar

Um empregado que trabalhou quatro meses antes de sair para prestar o
serviço militar obrigatório e retornou à empresa adquire após mais oito meses de
trabalho o direito às férias. È que, embora não se deva contar o prazo do serviço
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militar como serviço prestado à empresa em relação ao direito às férias, deve-se
contar o período anterior à saída para o serviço militar. Vale lembrar que, enquanto o
empregado estiver prestando o serviço militar, a empresa não é obrigada a pagar o
salário. Porém, o empregado que se apresentar à empresa no prazo de 30 dias
depois da baixa do serviço militar terá assegurado o direito de retorno ao
empregado. Além disso, durante o serviço militar, a empresa é obrigada a continuar
pagando a contribuição previdenciária e depositando o FGTS (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço) do empregado.

11.2.6.17. Quando Não Existe Direito Às Férias

O empregado que pede demissão e não é readmitido dentro do prazo de 60
dias perde o tempo de serviço anterior à saída da empresa para efeito de férias.
Significa dizer que, uma vez readmitido, ele começa a contar do zero os 12 meses
que dão direito às férias. O empregado que fica afastado da empresa pelo prazo de
seis meses por acidente do trabalho ou por doença, sendo pago pela Previdência
Social, também perde o direito às férias e o novo período de direito às férias só volta
a contar quando ele voltar ao trabalho. Mas é preciso lembrar que os primeiros 15
dias em que o empregado está sendo pago pela empresa não são computados
dentro dos seis meses acima referidos.
Um empregado que consegue licença da empresa para ir fazer um curso em
outra cidade e permanece ausente do trabalho por mais de 30 dias recebendo
salários perde o direito às férias, ainda que já tenha, por exemplo, nove ou 10 meses
de trabalho. Nesse caso, o prazo começa a contar de novo para o empregado Ter
direito às férias, isto é, ele deve trabalhar mais 12 meses para adquirir esse direito.
O mesmo acontece com um empregado que se licencia da empresa para fazer
campanha eleitoral e fica afastado da empresa por mais de 30 dias, recebendo
salários.
Porém, se a empresa não anotar na carteira de trabalho a interrupção da
prestação de serviço nos casos citados acima, o empregado não perderá o direito às
férias.

11.2.6.18. Férias Proporcionais

Um empregado que já tem mais de um ano de firma tem direito às férias
completas, mesmo que tenha pedido a demissão ou tenha sido mandado embora
sem justa causa. Além disso, esse empregado tem direito às férias proporcionais.
Exemplo: o empregado A tem um ano e quatro meses de firma. Saindo do emprego,
desde que não tenha sido mandado embora por justa causa, tem direito a um mês
de férias, correspondente a um ano de serviço, e tem direito a mais 10 dias
proporcionais aos citados quatro meses de trabalho. Se tivesse trabalhado seis
meses, teria direito a 15 dias de férias, e assim por diante. É a esse mecanismo de
contar os dias de férias em comparação com os meses de trabalho que se chama
férias proporcionais.
Mas é preciso deixar claro que um empregado que pede demissão do
emprego antes de completar um ano de trabalho não tem direito às férias
proporcionais. Exemplo: o empregado com 10 meses de trabalho na firma que
resolve pedir as contas porque arranjou outro emprego melhor não tem direito às
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férias proporcionais. Porém, se, nesse mesmo caso, o empregado tivesse sido
mandado embora pela empresa, sem justa causa, aí, sim, teria o direito às férias
proporcionais aos 10 meses de serviço.

11.2.6.19. Em Caso De Morte

Em caso de morte do empregado que tem direito às férias, nas hipóteses
citadas, os seus herdeiros têm o direito de cobrá-las da empresa.

11.2.6.20. Férias Coletivas

É recessão e a empresa não quer mandar ninguém embora, porque pensa
que em breve voltará aos mesmos níveis de produção. O que fazer? Férias
coletivas. Ou seja, a empresa fica parada pelo menos por 10 dias, pagando
normalmente os salários, e depois desconta o período das férias coletivas do futuro
período de férias a serem tiradas por cada empregado. Vale ressaltar que, se as
férias coletivas foram por exemplo de 10 dias, o valor das férias correspondente a
esse período deve ser acrescido de um terço.

11.3. A Mulher Brasileira E Seus Direitos

A mulher tem os mesmos direitos trabalhistas que o homem. A Constituição
de 1988, por exemplo, proíbe a diferença de salário entre o homem e a mulher que
exercem a mesma atividade em uma empresa. Portanto, “para igual trabalho, igual
salário” .
Entretanto, a lei dá uma proteção especial ao trabalho realizado pela mulher.
Vejamos quais são essas proteções.

11.3.1. Proteção Ao Ambiente De Trabalho

A mulher tem direito a trabalhar em local limpo seguro e com iluminação
adequada e, por isso, toda empresa é obrigada a providenciar em seus
estabelecimentos a instalação de equipamentos que visem assegurar a higiene local
e outros que se fizerem necessários à segurança e ao conforto das suas
empregadas. As empresas também são obrigadas a instalar bebedouros, lavatórios,
aparelhos sanitários e ainda cadeiras ou bancos, em número suficiente, que
permitam às mulheres trabalhar sem grande esgotamento físico.
Nas atividades em que há uso de uniforme, a empresa deverá instalar
vestiários com armários individuais privativos das mulheres, para que elas possam
realizar a troca de roupa. Nas atividades em que não é exigida a troca de roupa,
como em estabelecimentos comerciais, escritórios, bancos, etc., basta a existência
de gavetas ou escaninhos para que as empregadas possam guardar os seus
pertences e objetos de uso pessoal.

11.3.2. Proteção À Maternidade

Estabilidade no emprego da gestante. A empregada grávida não pode ser
demitida da empresa no período que compreende da confirmação da gravidez (por
meio de atestado ou exame médico) até cinco meses após o parto. A empregada
gestante só poderá ser demitida nesse período se for por justa causa. Caso a
empregada seja demitida sem justa causa, poderá recorrer à Justiça pedindo o
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pagamento dos salários relativos ao período de gravidez no emprego mais o período
até cinco meses depois do parto. Sobre os valores normais de salários a receber,
incidem o direito a férias e 13º salário e demais direitos, como se a empregada
continuasse trabalhando. Mesmo que a empregada não informe à empresa que está
grávida, se a empresa a demitir terá de arcar com o pagamento mencionado
referente à estabilidade da gestante.
Mas é bom ficar claro que, se a mulher ficar grávida durante o contrato de
experiência, não terá direito à estabilidade acima referida e pode ser demitida
normalmente com o término do contrato.

11.3.2.1. Mudança De Função

A gestante poderá exigir do empregador a mudança de função que realiza na
empresa, para resguardar a sua saúde e a de seu filho, desde que comprove essa
necessidade mediante atestado médico. Mas a mudança de função vale enquanto
durar a gravidez; depois do parto e do retorno ao trabalho, ela deve voltar a realizar
o serviço que exercia na empresa antes de engravidar.

11.3.2.2. Licença Maternidade E Licença Paternidade

A licença maternidade é o direito que tem a empregada gestante de se afastar
do emprego no prazo de 120 dias (28 dias antes e 92 depois do parto). Durante esse
período, a empregada receberá um “ salário-maternidade”. A empregada que adotar
uma criança também tem o direito à licença maternidade, mesmo que o adotado não
seja recém-nascido.
O empregado, por sua vez, terá direito à licença paternidade. É o direito que
tem de faltar ao trabalho durante cinco dias sem perda da remuneração, para
acompanhar a sua mulher (ou companheira) e o filho recém-nascido.

11.3.2.3. Aborto

Em caso de aborto não criminoso, comprovado por atestado médico oficial, a
mulher terá um repouso remunerado por duas semanas, estando assegurado o
direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento.

11.3.2.4. Creche

As empresas que empregarem pelo menos 30 mulheres com mais de 16 anos
de idade deverão ter um local apropriado em que seja permitido às empregadas
manter os seus filhos durante o período de amamentarão. Esse local deve ser
composto por um berçário, uma saleta de amamentação e uma cozinha para
preparo de mamadeiras e deve estar provido de instalações sanitárias para uso das
Mães e do pessoal que ali trabalhar; tudo isso para que as Mães possam dar
assistência aos seus filhos em adequadas condições de higiene e conforto. a
empresa que não tiver meios de instalar em seu estabelecimento um local com as
exigências acima terá de colocar uma creche à disposição da empregada para que
ela possa manter os seus filhos.
Para amamentar o seu filho até que ele complete seis meses de idade, a
mulher terá direito a dois intervalos diários, de 30 minutos cada um, durante a
jornada de trabalho. O prazo de seis meses pode ser aumentado em benefício do
filho desde que haja recomendação médica nesse sentido. Vale lembrar que os
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intervalos de 30 minutos cada um não podem ser descontados do salário da mulher
e deverão ser computados como tempo de serviço. Se a empresa não conceder
esses intervalos para a mulher amamentar o seu filho, a empregada terá o direito de
receber o período correspondente como hora extra.
A empresa que desobedecer qualquer das exigências acima, relativas à
proteção ao ambiente de trabalho e à proteção à maternidade, está sujeita a multa ,
a ser aplicada pela fiscalização do Ministério do Trabalho.

11.4. A Mulher E O Direito Do Trabalho

A relação de trabalho, no Brasil, está regulamentada pela Consolidação das
Leis do Trabalho - CLT. Vamos mostrar o início e o fim de um contrato de trabalho,
questões bastante importante para a mulher trabalhadora.

11.4.1. Contrato de Trabalho

É um acordo, escrito ou verbal entre empregador e empregada. Ao ser
contratada a empregada deve saber, de forma clara, quais os serviços que terá de
fazer, horário (a duração normal do trabalho não será superior a 8 horas diárias e 44
horas semanais), local de trabalho, salário (pelo menos, um salário mínimo) e
demais vantagens, se houver. O contrato não pode ser alterado, a não ser que a
empregada concorde.
Para contratar ou durante o contrato não podem ser exigidos testes, exame,
perícia, laudo, atestado, declaração ou qualquer outro procedimento relativo à
esterilização ou a estado de gravidez. Isto é crime de discriminação contra a mulher.

11.4.1. Demissão (Rescisão)

É o ato pelo qual a empregada deixa de trabalhar em determinado serviço. Tanto o
empregador como a empregada podem terminar com a relação de trabalho, sem
dizer o motivo. Para isso, quem teve a iniciativa deve dar o aviso prévio 30 dias
antes, se recebe por mês e oito dias antes, se receber por semana ou por dia.
Durante o aviso prévio, a trabalhadora pode faltar ao serviço, 2 horas por dia, sem
deixar de receber seu salário integral.
Se não houver o aviso prévio, quem rompe o contrato de trabalho é obrigado a
pagar o valor correspondente ao salário (que pode ser dispensado, de comum
acordo).
A empregada não pode ser demitida, se estiver de licença para tratamento de saúde
(seguro-doença ou auxílio-enfermidade); desde a confirmação da gravidez até cinco
meses após o parto; durante as férias; ou por ato de discriminação por sexo, origem,
raça, idade, estado civil ou familiar.

11.4.1.1. Formas De Demissão

A empregada pode ser demitida:
a. sem justa causa;
Quando é demitida sem justa causa, tem direito ao aviso prévio; salário
proporcional aos dias trabalhados durante o mês da demissão; 13º Salário
proporcional aos meses trabalhados, calculado sobre a última remuneração; férias
proporcionais aos meses de férias vencidas e não gozadas, calculada sobre a última
remuneração; recebe a AM (Autorização para Movimentação do FGTS) para sacar o
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FGTS; 40% a mais do saldo do FGTS e uma GUIA para o pedido do Seguro
Desemprego.
Quando pede demissão sem justa causa recebe apenas salário proporcional,
13º Salário e férias igual ao da empregada demitida sem justa causa.
b. com justa causa
Alguns motivos que levam a empregada a ser demitida por justa causa:
a. conduta desonesta (improbidade);
b. incontinência de conduta em serviço ou mau procedimento;
c. ter sido condenada por qualquer crime e presa por mais de 30 dias;
d. não se interessar pelo serviço (desídia...), embriaguez ou uso de
drogas;
e. ato de indisciplina ou insubordinação;
f. abandono de emprego - deixar de ir ao trabalho, sem avisar, por 30 dias
ou mais.
A empregada demitida por justa causa, não tem direito a receber 13º salário,
férias nem o FGTS.
A empregada pode pedir demissão por justa causa por culpa do empregador
se sofrer tratamento humilhante e ofensivo; trabalhar correndo perigo por falta de
medidas e normas de segurança e higiene do trabalho; se for exigidos serviços não
determinados no contrato, superiores às suas forças ou trabalhos proibidos por lei
ou contrários aos bons costumes.
Na demissão a empregada deve assinar um recibo de quitação contendo
todos os valores a que tem direito.
Quando a empregada trabalhou mais de um ano para um mesmo
empregador, esse recibo só será válido com a assistência do seu Sindicato ou
perante autoridade do Ministério do Trabalho.
O empregador deve pagar os direitos da empregada até o primeiro dia útil
depois de terminado o contrato de trabalho. Quando houver aviso prévio, até o
décimo dia, contado da data da notificação da demissão.
Se o empregador não pagar nesses prazos, sem culpa da empregada, será
multado, em favor dela, no valor equivalente ao seu salário, com correções.

11.4.2. Mulher Política

Em 1995, o Congresso Nacional, reconhecendo a pouca participação da
mulher na política, aprovou uma lei, exigindo cotas para as candidaturas de
mulheres.
Hoje, temos a Lei nº 9.504 estabelecendo que, "Do número de vagas
resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá
reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para
candidaturas de cada sexo" (Art. 10 § 3º).
Com as cotas deve aumentar o número de mulheres candidatas em todo o
Brasil e, em médio prazo, devemos ter nos poderes a metade de cada gênero da
população brasileira como representantes do nosso povo.

11.5. Recorrendo À Justiça Do Trabalho

11.5.1. Caminho Percorrido Pelo Processo Trabalhista/Procedimentos

I. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA: significa dissensão, divergência,
discordância, é o conflito posto perante a justiça.
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II. POSTULAÇÃO: dá-se através de petição inicial redigida por advogado,
observados os requisitos do art. 840, § 1º, da CLT e do art. 282 do CPC; a CLT, art.
791, permite o jus postulandi, que é a reclamação sem advogado, proposta
diretamente pelo trabalhador; a PETIÇÃO INICIAL será instruída com os
documentos indispensáveis à propositura da ação; segue-se a DISTRIBUIÇÃO; na
secretaria da Junta a petição é autuada; vem a seguir a CITAÇÃO; a CLT denomina
a citação de notificação por via postal (art. 841); fica assim designada a AUDIÊNCIA.
III. AUDIÊNCIA: os atos praticados nela são previstos em lei e são os
seguintes:
a. tentativa inicial de conciliação;
b. CONTESTAÇÃO, que é apresentada oralmente, em até 20 minutos ou,
de acordo com a praxe, escrita e apresentada na mesma oportunidade;
c. DEPOIMENTOS das partes e das testemunhas;
d. ALEGAÇÕES FINAIS, até 10 minutos para cada parte;
e. TENTATIVA FINAL DE CONCILIAÇÃO;
f. DECISÃO.
Nas Juntas de maior movimento, esse procedimento é dividido em três
audiências:
a. a primeira é a audiência inicial, com a contestação e tentativa inicial de
conciliação; as partes devem estar presentes;
b. audiência de instrução, destinada à inquirição das partes e das
testemunhas;
c. audiência de julgamento, com as alegações finais e votação; após o
julgamento o juiz redigirá a sentença e a Secretaria enviará notificação para os
advogados.

11.5.2. Exemplo Prático

Você trabalhou durante um ano em uma empresa. Foi mandado embora, sem justa causa, e
a empresa não pagou os seus direitos (aviso prévio, 13º salário, férias, etc.). Você pretende recorrer à
Justiça. Na Justiça do Trabalho você pode abrir o processo sem advogado. Nesse caso, deve
procurar a Justiça do Trabalho em sua cidade e se dirigir ao setor que atende reclamantes sem
advogados. Um funcionário desse setor de atendimento deve registrar a sua reclamação e o nome
das testemunhas que você indicar, para provar os fatos que você está alegando. O funcionário
também deve juntar à reclamação que foi registrada os documentos que você possuir a respeito do
assunto. Você será comunicado do dia e horário da audiência. Deve comparecer a essa audiência
trazendo as testemunhas que indicou quando foi registrada a reclamação. Se as testemunhas não
concordarem com o seu pedido de comparecimento à audiência, você deve comparecer mesmo sem
elas e pedir ao juiz que mande intimá-las para uma nova audiência. Nessa primeira audiência, o juiz
propõe que você e a empresa realizem um acordo para encerrar o processo, e você é livre para
aceitar ou não a proposta de acordo que a empresa apresentar. Quando não é possível o acordo, o
juiz passará a tomar o depoimento das partes e das testemunhas, ou marcará outra audiência para
tomar esses depoimentos e julgar o processo. A partir do momento em que não há acordo, você pode
continuar no processo sem advogado, porém, em termos práticos, o seu futuro sozinho no processo é
desaconselhável. É que, a partir da fase de conciliação que termina quando as partes não chegarem
a um acordo, o processo passa a envolver questões muito embaraçosas que podem prejudicar você.
É o momento, por exemplo, em que é preciso interrogar o representante da empresas, que em geral
está acompanhado de advogado e já foi muito bem instruído. É também o momento de interrogar as
suas testemunhas e as da empresa. Bem como de discutir os documentos e provas, e você, sozinho,
pode cair em armadilha. Por isso, se você recorrer à Justiça do trabalho sem advogado, a partir do
momento em que não for possível acordo em audiência você deve contratar um advogado para a sua
defesa.

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Algumas pessoas preferem ir até a primeira audiência sem advogado porque
é comum haver acordo na primeira audiência e, aí, não há despesas com advogado.
Mas vale lembrar que é aconselhável a presença de advogado desde o início do
processo.
Se você não tiver advogado e for contratar os serviços desse profissional para
recorrer à Justiça do Trabalho, é bom, primeiro, se dirigir ao sindicato ligado ao tipo
de trabalho que você exerce. O sindicato, quando não tem advogado à sua
disposição, pode pelo menos orientar você sobre o assunto.
Se em sua cidade não houver sindicato e você não tiver condições
econômicas para contratar um advogado, você pode procurar o promotor de Justiça.
Nas cidades em que não há Justiça do Trabalho, o promotor pode entrar com o seu
processo trabalhista perante a Justiça Civil. A lei não define com precisão quem tem
e quem não tem condições econômicas para poder recorrer ao promotor, nesses
casos. Por isso, mesmo que você seja possuidor de algum bem de maior valor,
como uma casa ou um carro, se não tiver dinheiro disponível (você, por exemplo,
está desempregado), deve procurar o promotor de Justiça. Falar com ele não ofende
e ele é pago para atender o cidadão contribuinte que é você.

11.5.3 Quando Empregado E Empresa Não Comparecem À Audiência

Quando o empregado é intimado e não comparece à audiência, o juiz manda
arquivar o processo. O empregado pode entrar com um novo processo. Mas, se ao
ser intimado para a audiência do segundo processo não comparecer, além de o
segundo processo também ser arquivado, o empregado só pode voltar a recorrer à
Justiça, em relação ao mesmo caso, seis meses depois.
Quando é a empresa que é intimada e falta à audiência, a penalidade é maior,
pois a sua ausência caracteriza a confissão das alegações feitas pelo empregado,
que, com isso, acaba ganhando a causa sem maior esforço. Alguns empregados até
colocam no processo mais reivindicações do que aquelas a que têm direito,
contando com a revelia, ou seja, com a ausência da empresa na audiência.

11.5.4. Quem Perde Pode Recorrer

Depois que o processo é julgado pela Junta de Conciliação e Julgamento,
quem perde, seja o empregado ou a empresa, tem o direito de recorrer à Segunda
instância da Justiça do trabalho, que é o Tribunal regional do Trabalho, onde o
processo é julgado por cinco juízes, sendo um deles representante dos
empregadores e outro dos empregados.
Quem perde em Segunda instância (Tribunal regional do Trabalho) pode
recorrer à terceira instância da Justiça do Trabalho, que é o Tribunal Superior do
Trabalho (TST), que fica em Brasília. E em alguns casos é possível até recorrer ao
Supremo Tribunal Federal, que é a instância máxima do Poder Judiciário. Nesse
caso o processo teria passado por quatro instâncias de julgamento.
Entretanto, a maior parte dos processos vai só até a Segunda instância
(TRT). É que, para caber recurso à terceira instância (TST), é preciso, entre outros
requisitos, que a decisão de segunda instância seja conflitante com outras decisões
dessa mesma instância. E para caber recurso à Quarta instância (STF) é preciso
que esteja claro que a decisão da terceira instância contrariou diretamente algum
dispositivo da Constituição Federal.
Mesmo que o processo trabalhista seja encerrado em primeira e Segunda
instância, ele penou pelos escaninhos da Justiça por três a quatro anos. Se for até a
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terceira instância pode levar de seis a sete anos e se for à quarta instância, de oito a
nove anos.
Uma vez defendi uma mulher que foi demitida estando grávida e não fizermos
acordo em nenhuma instância de julgamento, já que ela me disse que preferiria ir
até o fim para receber tudo a que tinha direito. O processo foi até a terceira instância
de julgamento. Quando convidei a mulher para vir ao meu escritório receber o
dinheiro pago pela empresa, ela fez questão de vir acompanhada de sua filha de
seis anos para me apresentar como nossa mais ilustre testemunha da morosidade
da Justiça.
Por causa dessa vergonha demora dos processos, muitos trabalhadores se
sujeitam a fazer acordo com a empresa em primeira instância, aceitando receber os
30% ou 40% dos seus direitos, ou até menos, o que faz com que muitas empresas
desobedeçam as leis trabalhistas e prefiram fazer o acerto de contas sob o manto da
Justiça do Trabalho. O que é pior é que os sindicatos de trabalhadores pensam só
em movimentos grevistas e nunca se envolveram nesse assunto, no sentido de
reivindicar uma Justiça do Trabalho mais ágil e desburocratizada para o trabalhador.
Apesar de tudo, o trabalhador lesado não pode deixar de recorrer à Justiça.
Primeiro, porque não há alternativa para recuperar pelo menos parte do prejuízo e,
segundo, porque a nossa omissão vai enferrujar mais ainda a máquina que
pagamos, com nossos impostos, para manter funcionando.
Em caso de ganho de causa, o empregado recebe o seu crédito com juros e
correção monetária, pelos índices oficiais de inflação.

11.5.5. Prazo Para Reclamar Direitos Trabalhistas

Enquanto o empregado continuar trabalhando na empresa, o prazo para
reclamar de uma violação aos seus direitos é de cinco anos. Depois que ele sai da
empresa, o prazo é de dois anos. Exemplo: o empregado Pedro foi demitido da
empresa, sem justa causa, no dia 6-1-98 e a empresa não lhe pagou um mês de
salários, férias, 13º salário e aviso prévio. Pedro tem dois anos para recorrer à
Justiça para reaver os seus direitos, ou seja, tem até o dia 31-5-00 para entrar com o
processo contra a empresa. Vamos indicar algumas situações em que a contagem
do prazo requer cuidado.
Os empregados Paulo, José e Henrique começaram a trabalhar na empresa
JL do Brasil Ltda. Em 06-01-86 e desde o primeiro dia de trabalho todos fizeram uma
hora extra por dia durante o primeiro mês de trabalho (janeiro de 86), sendo que a
empresa não lhes pagou as horas extras que deveriam Ter sido pagas em 6-2-86,
dia do pagamento de salário de janeiro/86 (5º dia útil). Paulo continuou trabalhando
na empresa, mas perdeu o direito de reclamar as horas em 6-2-91, quando
completou o prazo de cinco anos para entrar na Justiça. Logo, nessa data, o direito
de Paulo caducou, ou prescreveu, como se diz em linguagem técnica. José saiu da
empresa em 6-8-90. Ou seja, quatro anos e meio após o dia em que a empresa
cometeu a violação ao seu direito (6-2-86). Logo, José deve entrar com o processo
até o dia 6-2-91, o que significa quatro anos e meio até a data de saída da empresa
mais seis meses, que completam os cinco anos que ele tem para fazer o processo.
Porém, o Henrique saiu da JL do Brasil Ltda. Logo no ano seguinte, ou seja, em 6-2-
87, e o seu direito de reclamar na Justiça terminou em 6-2-89.
Por que o direito do Henrique não se estendeu até o dia 6-2-91, quando
estaria completando os cinco anos que ele tinha para reclamar (reunião de um ano
de trabalho mais quatro anos fora da empresa)?

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Porque em 6-2-89 fazia dois anos que Henrique estava fora da empresa e
quem já saiu da empresa não pode entrar com o processo em prazo superior a dois
anos. Pode entrar com menos de dois anos depois que saiu da empresa, como
aconteceu com o José, mas nunca depois de dois anos que deixou a empresa.
A perda do prazo para entrar com um processo chama-se prescrição.
Costuma-se dizer que o prazo prescreveu, ou que o prazo caducou, como se diz em
linguagem não-jurídica.
Quando o trabalhador é um menor de 18 anos não ocorre a perda do prazo
para reclamar, vale dizer, não existe prescrição contra ele. O mesmo acontece com
um trabalhador que fica louco ou que é internado e afastado do trabalho por motivo
de doença.

11.6. As Convenções Coletivas De Trabalho

Quando, por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de
Chapéus de São Paulo celebra um acordo com o Sindicato das Indústrias de
Confecções de Chapéus de São Paulo (sindicato patronal) para estipular novas
condições de trabalho para a categoria, esse acordo é denominado Convenção
Coletiva de Trabalho. Quando o mesmo sindicato dessa categoria de trabalhadores
celebra um acordo somente com as empresas L e P, ambas indústrias de confecção
de chapéus, esse acordo é denominado Acordo Coletivo de Trabalho.
A Convenção Coletiva, como o Acordo Coletivo de Trabalho, quando
celebrada, pode estipular a criação de novos direitos aos trabalhadores da categoria
envolvida nas negociações além daqueles previstos em lei. Exemplo: podem
estipular que, se a empresa demitir sem justa causa um empregado com mais de 45
anos de idade, ficará obrigada a conceder ao empregado demitido o prazo de 45
dias de aviso prévio – o prazo do aviso prévio é de 30 dias -, ou podem estipular que
a hora extra será remunerada em 100% da hora normal de trabalho – a lei
estabelece que a hora extra será paga, no mínimo, em 50% da hora normal.
Mas há uma diferença entre Convenção Coletiva e Acordo Coletivo de
Trabalho. Qual? É que os direitos criados por Convenção Coletiva deverão ser
respeitados por todas as empresas filiadas ao sindicato patronal, beneficiando,
assim, toda a categoria de trabalhadores do setor envolvido na negociação. Já os
direitos criados por Acordo Coletivo beneficiam somente os empregados das
empresas que assinaram o acordo, ou seja, CONVENÇÃO COLETIVA DE
TRABALHO é um "contrato", celebrado entre o Sindicato dos empregados e o dos
empregadores de determinada categoria. Nela são acordadas cláusulas diversas da
legislação que concedem direitos além dos que a lei já garante.
Tem validade para todos os empregados daquela categoria e para todas as
empresas que os empregam.
Categoria, é um grupo de trabalhadores que exerce atividades similares. P.
ex.: comerciários, bancários, trabalhadores em indústrias, etc. ACORDO COLETIVO
DE TRABALHO da mesma forma que a Convenção Coletiva, é um "contrato", onde
são acordadas cláusulas diversas da legislação que concedem direitos além dos que
a lei já garante. A diferença, é que é celebrado entre o Sindicato dos Empregados de
determinada categoria e uma Empresa específica
Sua validade, portanto, é limitada à quem participou do acordo, ou seja, os
trabalhadores apenas daquela empresa.
Portanto, vale conferir junto ao sindicato que representa a sua categoria
profissional se existe alguma Convenção Coletiva ou Acordo Coletivo que possa
beneficiá-lo.
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11.6.1. Organização Sindical Brasileira

São quatro tipos de órgão sindicais de que se compõe a organização sindical
brasileira: sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais.

11.6.1.1. Sindicato

É o órgão de representação dos interesses de pessoas ligadas por um vínculo
comum, e que são trabalhadores, caso em que haverá um sindicato de
trabalhadores, ou empregadores, daí resultando um sindicato da categoria
econômica. O sindicato é, na pirâmide sindical, a entidade de base.

11.6.1.2. Federações

Acima, podem existir federações, que são organizações sindicais de grau
superior, constituídas nos Estados membros da nação, reunindo um número não
inferior a 5 (cinco) sindicatos. Portanto, os sindicatos, quer de trabalhadores quer de
empresários, podem fundar uma entidade maior, as federações.

11.6.1.3. Confederação

É a organização sindical de âmbito e representação nacional, constituída de,
no mínimo, 3 (três) federações e com sede na Capital da República. Exemplo:
Confederação Nacional da Industria, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Industria,
Confederação Nacional do Comércio, Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio etc..

11.6.1.4. Centrais Sindicais

São associações acima dos sindicatos, das federações, das confederações e,
também, das categorias, agrupando, por livre filiação essas entidades de nível
menor. Não são reconhecidas pela Constituição Federal mas estão
institucionalizadas em nosso país. Fazem a articulação das entidades menores que
representam. Temos exemplos Centrais sindicais que são organizações situadas
acima das confederações por categorias, não previstas na Constituição, e que
exercem uma atividade de articulação dos sindicatos a ela filiados (Central Única
dos Trabalhadores e CGT - Central Geral dos Trabalhadores e FS - Força Sindical).

11.7. Previdência Social

Toda sociedade conhece riscos contra os quais procura munir-se. Um dos
principais é a inatividade forçada do homem que trabalha e as conseqüências
sociais decorrentes dessa paralisação, entre as quais a interrupção dos proventos
destinados à própria manutenção de sua família. Assim as sociedades organizam
planos através dos quais lutam contra os inconvenientes de situações dessa
natureza. Ao sistema que visa manter os meios de subsistência do trabalhador em
suas inatividades forçadas e a dar-lhe certa segurança em razão de riscos atinentes
ao trabalho dá-se o nome de Previdência Social. Porém, Previdência não se
confunde com assistência social que é financiada pelo Estado e não obrigatória.
Nem com beneficência ou caridade, manifestações espontâneas de particulares por
espírito de solidariedade humana. Aproxima-se muito de um sistema de seguros,

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dele distinguindo-se principalmente por não ter um escopo especulativo, como
ocorre com a atividade securitária particular.

11.7.1. Seguridade Social

É o instrumento estatal específico protetor de necessidades sociais,
individuais e coletivas, e cuja proteção preventiva, reparadora e recuperadora, têm
direito os indivíduos, nas extensões, limites e condições que as normas disponham,
segundo permite sua organização financeira.

11.7.2. Seguro

É um contrato pelo qual uma das partes obriga-se, perante a outra, mediante
pagamento de um prêmio, a indenizá-lo do prejuízo resultante de riscos futuros,
previstos no contrato (art. 1.432, do CC); divide-se em privado e social.

11.7.3. Seguro privado

É o contrato feito entre o interessado e uma organização de direito privado;
tem como característica a natureza privatística de que se reveste; é fruto da
autonomia da vontade e não de uma imposição estatal.

11.7.4. Seguro Social

Não tem natureza contratual, pois é imposto pelo Estado aos particulares,
como meio obrigatório de uma poupança coletiva; recai somente sobre as
necessidades pessoais e não cobre riscos pertinentes aos bens materiais.
No Brasil a Previdência Social assegura prestações:
a. Quanto aos segurados (aposentadorias, auxílio-doença, salário
maternidade, auxílio-acidente, salário família e seguro desemprego);
b. Quanto aos dependentes (pensão por morte e auxílio-reclusão);
c. Quanto aos beneficiários em geral (serviço social e reabilitação
profissional).

11.8. Fundo De Garantia Do Tempo De Serviço – FGTS

Felipe trabalha na empresa X e ganha R$ 1.200,00 mensais. No início de cada mês, a
empresa X deposita numa conta bancária aberta em nome de Felipe, na Caixa Econômica Federal -
CEF, o valor correspondente a 8% do seu salário. O total desses depósitos mensais realizados pela
empresa em nome de Felipe constitui o que se chama de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço -
FGTS, que funciona como uma garantia ao empregado demitido sem justa causa. Os valores do
FGTS pertencem exclusivamente aos empregados, que em algumas situações poderão levantar o
total depositado em seus nomes.

O percentual de 8% do FGTS não é recolhido somente sobre o valor do
salário recebido pelo empregado. Incide também sobre o valor das horas extras; dos
adicionais de periculosidade e insalubridade e do trabalho noturno; do 13º salário;
sobre o valor das férias e de um terço (1/3) constitucional das férias; sobre o valor
do aviso prévio, trabalhado ou indenizado.
Nos casos de interrupção do contrato de trabalho, quando o empregado deixa
a empresa para prestar o serviço militar obrigatório ou sai em licença maternidade
ou paternidade, em licença para tratamento de saúde ou em virtude de acidente de

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trabalho, a empresa é obrigada a continuar recolhendo o FGTS do empregado
afastado. No caso de licença para tratamento de saúde, a empresa só é obrigada a
recolher o FGTS relativo aos primeiros 15 dias de afastamento do empregado, e nos
demais casos o recolhimento é feito enquanto durar o período de afastamento.
A empresa que não depositar mensalmente o percentual de 8% referente ao
FGTS de seus empregados, além de ter de depositar os valores devidos com juros,
correção monetária e multa, fica sujeita a mais uma multa administrativa no valor de
10 a 100 UFIRs por cada trabalhador prejudicado pela falta do depósito do seu
FGTS, aplicada pela fiscalização do Ministério do Trabalho.
As empresas também estão obrigadas a comunicar mensalmente aos seus
funcionários os valores recolhidos ao FGTS, o que normalmente é feito no próprio
recibo de salário, e a repassar-lhes todas as informações recebidas da CEF sobre
as suas contas. A empresa que não cumprir essas obrigações fica sujeita à multa no
valor de 2 a 5 UFIRs por cada trabalhador prejudicado com a falta de informações.
Além das informações prestadas pela empresa, o empregado, se quiser
poderá solicitar em qualquer agência da CEF o envio bimestral de um extrato
informativo de sua conta do FGTS. E o empregado poderá ainda solicitar a qualquer
tempo informações sobre a sua conta do FGTS. Para isso, basta que também faça o
pedido de informações em qualquer agência da CEF.
Quando o empregado constatar que a empresa não está recolhendo
corretamente o valor do seu FGTS, ele próprio ou o sindicato a que esteja vinculado
poderá entrar com um processo na Justiça do Trabalho contra a empresa, a fim de
obrigá-la a efetuar o depósito dos valores corretos. Se o empregado ainda estiver
trabalhando na empresa, o prazo para entrar com esse processo é de 30 anos,
contados da data em que o recolhimento do FGTS deveria ser feito. Se o
empregado já tiver sido demitido, o prazo para entrar com o processo é de dois anos
a partir da data da rescisão do contrato de trabalho. Entretanto, alguns juízes
entendem que o prazo para reclamar o recolhimento dos valores do FGTS é de 30
anos, estando o empregado trabalhando na empresa ou não. Esse entendimento
acaba beneficiando as pessoas que foram demitidas e deixaram passar os dois anos
que teriam para entrar com o processo depois da rescisão.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

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CAIEIRO, Rubens. Manual do Departamento Pessoal. São Paulo, Ed STS, 1995
COTRIM, Gilberto Vieira. Direito e Legislação. São Paulo, Saraiva, 1998
FERREIRA, Wolgran Junqueira. Comentários à Constituição de 1988 - Vol 1
LEVENHAGEN. Código Civil - Comentários didáticos - Vol. 1
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NASCIMENTO, Amauri Mascaro, Iniciação ao Direito do Trabalho. São Paulo,
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RODRIGUES, Silvio. Direito Civil vol. 1 a7

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