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WILLIAN LANE CRAIG RESPONDE SOBRE

RESSURREIÇÃO
Esse é a transcrição de uma entrevista com Willian Lane Craig sobre a ressurreição de Jesus, realizado por The Veritas Forum, o qual foi traduzido, legendado e postado no Blog Deus em Debate.

QUAL É O SIGNIFICADO DA RESSURREIÇÃO DE JESUS? A ressurreição de Jesus tem um significado decisivo porque não é apenas alguém ou qualquer um que foi ressurreto dentre os mortos, mas porque é Jesus de Nazaré, que foi publicamente executado e crucificado por causa das declarações pessoais blasfemas que ele teria feito. A ressurreição de Cristo é significativa por causa do contexto religioso-histórico em que ocorreu, a própria vida, ministério, ensinamentos e declarações pessoais sem paralelo que Jesus fez de ser o Filho de Deus, a absoluta revelação de Deus à humanidade; de poder perdoar pecados, levantar-se e falar no lugar de Deus, ser um arauto do Reino vindouro de Deus. E eu acho que a ressurreição de Jesus, acontecendo no clímax dessa vida e morte, é uma confirmação de Deus a essas declarações pelas quais ele foi executado como blasfemo. É como se fosse um selo divino de que essas declarações não eram blasfemas, mas que eram justificadas, eram corretas e confirmadas pelo Deus de Israel que foi, como disseram, blasfemado por Jesus. EM QUÊ OS JUDEUS ACREDITAVAM NAQUELA ÉPOCA SOBRE UMA RESSURREIÇÃO FÍSICA? A fé na ressurreição dos mortos é uma fé que é atestada cerca de três vezes no Velho Testamento: em Ezequiel 37, em Isaías 26 e em Daniel 12, eu acredito. E, durante o período intertestamentário, essa fé na ressurreição dos mortos floresceu e tornou-se uma fé muito comum no Judaísmo. Nos próprios dias de Jesus, a doutrina da ressurreição dos mortos era defendida pelo partido dos Fariseus, embora fosse rejeitada pelo partido dos Saduceus. E Jesus concordou com os Fariseus nesse ponto, em oposição aos Saduceus. Ele acreditava na ressurreição e argumentou que os Fariseus estavam corretos nesse assunto. A fé Judaica na ressurreição sempre foi uma fé em uma ressurreição física: o corpo material que era ressurreto. De fato, às vezes isso podia ser extremamente materialista, em termos de realmente reunir as partículas originais para que o corpo fosse ressurreto dos mortos. Em outras ocasiões, como por exemplo, no livro pseudo epigráfico de Baruque, a ressurreição envolve a ressurreição física do corpo no sepulcro, mas então o corpo é transformado em um corpo glorificado tomando uma espécie de glória celestial. Então nem todas as concepções da ressurreição eram extremamente materialistas. Às vezes elas teriam essa noção de uma transformação que ocorreria na ressurreição para tornar o corpo adequado para as habitações eternas. Então, na concepção típica da ressurreição, quando o corpo morre, a carne é decomposta. Os ossos são então preservados para o dia da ressurreição. Eram primariamente os ossos o objeto da ressurreição. Por isso, os judeus eram bastante cuidadosos em preservar os ossos dos mortos em ossuários ou vasos até o dia da ressurreição final. A alma da pessoa falecida partia para estar com Deus e seria de alguma forma guardada por Deus em segurança até a ressurreição final no término da história. Então, no fim do mundo, no final da era humana, o corpo (ou os ossos, mais precisamente) seria ressuscitado para uma nova vida e revestido de nova carne. Um corpo ressurreto
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apareceria, a alma seria infundida novamente no corpo ressurreto e a pessoa estaria pronta para viver eternamente. E é interessante notar que a visão Cristã da ressurreição ensinada por Paulo é quase 100% similar a essa concepção judaica da ressurreição. Envolvia a ida da alma para Deus, o corpo voltando ao solo, sendo deitado na terra, e então o corpo na cova sendo ressurreto no último dia na volta Cristo sendo reunido à alma e então sendo transformado, ou já ressuscitando dos mortos transformados para entrar no novo céu e na nova terra. A principal diferença entre a concepção de Paulo e a Judaica é Cristo! Quando uma pessoa morre, um cristão, Paulo diz que ele vai estar em uma maravilhosa e consciente comunhão com Cristo. Estará ausente do corpo para estar presente com o Senhor. Ele diz que é melhor partir deste corpo e estar com o Senhor neste estado de maravilhosa comunhão. Então, as almas dos justos mortos que estão com Jesus acompanharão Cristo durante a Sua segunda vinda, e os que estiverem vivos na terra então serão imediatamente transformados no estado de ressurreição. Mas a adição desse elemento cristológico sobre a ressurreição não muda a noção de ressurreição de Paulo como sendo a ressurreição física de uma pessoa que permanece num sepulcro, e o corpo dessa pessoa sendo reunido com seu espírito e sua alma. PORQUE O MOVIMENTO CRISTÃO COMEÇOU A EXISTIR? Todos os estudiosos concordam que a fé cristã ou o "movimento cristão", como foi inicialmente chamado, veio a existir porque os primeiros discípulos firme e sinceramente acreditavam que Deus havia ressuscitado Jesus dentre os mortos. E eles proclamaram essa mensagem em todos os lugares aonde foram. De fato, o cristianismo não poderia ter começado a existir sem essa crença prévia. É difícil exagerar o desastre que foi a crucificação para esses primeiros discípulos. Ela não apenas significou que seu amado mestre havia morrido e partido, era muito mais que isso. Na Lei do Velho Testamento, quem fosse executado pendurado estava literalmente sob a maldição de Deus, era um homem amaldiçoado por Deus. E os judeus aplicaram essa passagem de Deuteronômio à crucificação também. Então, o que a crucificação de Jesus revelou era que, no final, os Fariseus estavam certos: que por esses três anos os discípulos estiveram seguindo um homem sob a maldição de Deus, um homem que era herege, um judeu separatista, um amaldiçoado! Então, a crucificação pôs um tremendo ponto de interrogação em tudo aquilo em que eles acreditaram, e pelo que eles entregaram suas vidas. Então, a crucificação para esses discípulos foi literalmente uma catástrofe. E a ressurreição de Jesus é o que os capacitou a crer que Jesus era de fato o Messias, que Deus havia confirmado Jesus ressuscitando-o dos mortos, apesar de a liderança Judaica tê-lo crucificado por blasfêmia. Isso mostra que suas declarações eram mesmo verdadeiras. Então, sem essa crença inicial na ressurreição de Jesus, o movimento cristão nunca poderia ter surgido, nunca poderia ter começado a existir. Então, a pergunta se torna: de onde no mundo os cristãos vieram com essa extraordinária crença de que Deus havia ressuscitado Jesus dos mortos? Se você negar que Jesus realmente ressuscitou dentre os mortos, então você precisa explicar as crenças dos discípulos em termos de influências cristãs, pagãs ou judaicas sobre eles. Agora, obviamente, isso não poderia ter sido resultado de influências cristãs pelo simples motivo de que nem existia cristianismo ainda. Já que a crença na ressurreição de Jesus foi fundamental para o cristianismo, ela não pode ser explicada como uma projeção tardia feita pela igreja nos registros antigos, porque não haveria nenhuma igreja cristã se eles não começassem crendo na ressurreição. Mas também não pode ser plausivelmente explicado pelo lado das influências pagãs. Por volta do início do século, no auge das chamadas Escolas de História da Religião, muitos estudiosos de Religião Comparada lançaram mão da literatura, do paganismo e da Religião
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Comparada para tentar mostrar paralelos entre certas crenças cristãs e outras religiões do mundo, incluindo crenças como a ressurreição. E alguns pensaram ter explicado a origem das crenças dos discípulos como sendo um resultado das crenças pagãs. Porém, mais tarde o movimento ruiu, principalmente por duas razões. Primeira: os paralelos eram falsos. Os mitos de deuses que morrer e ressuscitam, como Adonis e Osiris nas mitologias pagãs não estão ligados a pessoas históricas. Em vez disso, esses deuses são meramente símbolos da passagem das estações, como: no inverno, o deus morre e na primavera volta à vida, quando os novos brotos surgem na primavera, trazendo nova vida. Esses eram só meros símbolos para a passagem das estações. E seria simplesmente impensável que os discípulos cressem que seu compatriota Jesus de Nazaré tivesse ressuscitado dos mortos com base nesses mitos dos deuses das estações que morrer em ressuscitam. Mas, de qualquer forma, simplesmente não existe nenhuma ligação causal entre esses supostos paralelos e a crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. De fato, não há nenhum traço histórico desses mitos de deuses que morrem e ressuscitam na palestina do primeiro século. Os discípulos não tiveram nenhum contato com esse tipo de coisas, então a ligação causal simplesmente está faltando. Terceiro: o que dizer das crenças judaicas sobre a ressurreição? Novamente, eu descrevi há alguns momentos o quão radicalmente diferentes da ressurreição de Jesus eram as crenças judaicas sobre ressurreição. De fato, Joachim Jeremias, um famoso estudioso alemão do Velho Testamento, disse que não há nada no judaísmo antigo que se compare à ressurreição de Jesus. Com suas crenças judaicas sobre vida após a morte confrontadas com a crucificação de Jesus, no máximo os discípulos poderiam simplesmente ter mantido a tumba de seu mestre como um santuário e preservado seus ossos até o dia da ressurreição no fim do mundo, quando eles esperariam serem reunidos a Ele e aos justos de Israel no Reino de Deus. Mas, com suas crenças judaicas, eles nunca poderiam vir com a idéia absurda de que Deus já havia ressuscitado Ele dos mortos. Então, nenhum desses fatores serve para explicar a origem da crença dos discípulos de que Deus havia ressuscitado Jesus dentre os mortos. Nós temos aqui uma crença com nada, em termos de influências históricas prévias, que possa explicar. Então, me parece que a melhor explicação para a origem dessa crença e para a origem do movimento cristão é que essa crença é verdadeira: Jesus ressuscitou sim dos mortos, e isso explica a origem da fé cristã. QUAIS AS EVIDÊNCIAS PARA O SEPULCRO VAZIO DE JESUS? Em meu livro eu apresento dez linhas de evidências para o sepulcro vazio, então eu não poderia esperar resumi-las todas aqui. Deixe-me mencionar alguns pontos. Acho que um dos mais importantes fatos sustentando o sepulcro vazio é surpreendentemente a história do sepultamento de Jesus. Se a história do sepultamento de Jesus é precisa, então isso significa que o local do sepulcro de Jesus era conhecido tanto por judeus quanto cristãos em Jerusalém. Mas, se esse é o caso, então me parece que a inferência de que a tumba foi encontrada vazia é bem acessível. Porque, se o local do sepultamento de Jesus era conhecido, então teria sido impossível para os discípulos acreditar na ressurreição de Jesus e proclamá-la em Jerusalém quando o corpo de Jesus ainda estava no sepulcro. Se o cristianismo ou a ressurreição foram pregados na própria Jerusalém daquela forma, a mesma cidade onde Jesus foi publicamente executado, onde a localização de seu sepulcro era publicamente conhecida, os discípulos não poderiam acreditar que ele havia ressuscitado dos mortos encarando um sepulcro fechado. E, mesmo que acreditassem, dificilmente alguém mais acreditaria neles se proclamassem algo tão tolo. Para um judeu do primeiro século, a idéia de que você poderia ter uma ressurreição espiritual enquanto o corpo ainda está na tumba era simplesmente desconhecida. Essa é uma invenção da teologia do século 20, não do judaísmo do primeiro século. E, de qualquer forma, as autoridades judaicas certamente poderiam ter
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terminado todo o caso simplesmente apontando para o sepulcro fechado de Jesus e dizendo: “Vejam, o sepulcro está ocupado, ele não ressuscitou dos mortos.” E isso teria sido o fim da questão. E, portanto, acho que a exatidão da história do sepultamento fornece uma base poderosa para firmar a historicidade do relato do sepulcro vazio. E, infelizmente para aqueles que desejam negar o sepulcro vazio, o sepultamento de Jesus é amplamente reconhecido como um dos fatos históricos mais dignos de crédito que temos sobre a pessoa histórica Jesus de Nazaré. Então, aqueles que negam o sepulcro vazio são também forçados a negar a história do sepultamento, o que é um recurso desesperado já que isso é tão bem atestado historicamente. Então, isso seria um aspecto. Outro aspecto da narrativa do sepulcro vazio como encontrada no evangelho de Marcos, é que essa porção da narrativa foi provavelmente parte do material-fonte antigo de Marcos, o qual ele usou para descrever a paixão e morte de Jesus, a última semana da vida de Jesus e sua crucificação. A história do sepultamento marcou o encerramento da paixão de Jesus, quando ele é deitado no sepulcro e a pedra é rolada sobre sua entrada. E a história do sepulcro vazio provavelmente era parte da história da paixão porque aquela história não teria nem circulado sem vitória no seu final. Sem o sepulcro vazio, a história da paixão é incompleta. Além disso, a história do sepulcro vazio é conectada ao relato do sepultamento por junções sintáticas e linguísticas, por exemplo, os pronomes utilizados na história do sepulcro vazio têm seus antecedentes na história do sepultamento, de forma que esse é um relato contínuo. Ora, nós lembramos que Marcos é o primeiro dos quatro evangelhos, o que significa que seu material-fonte era ainda mais antigo, e essa narrativa da paixão que inclui a história do sepulcro vazio, poderia remontar entre os anos 30 dC. Lembre que Jesus foi crucificado em cerca de 30 dC. Então, eles estavam falando de uma fonte que é extremamente antiga sendo, portanto, uma fonte preciosa de confirmação histórica. Além disso, a própria história do sepulcro vazio, em terceiro lugar, é extremamente simples e carece de quaisquer sinais de desenvolvimento lendário. Eu acho que a melhor maneira de avaliar isso seria comparar aos relatos do sepulcro vazio encontrados nos evangelhos apócrifos, ou seja, falsificações que datam do segundo século, como o chamado Evangelho de Pedro. No Evangelho de Pedro, a narrativa descreve a ressurreição do próprio Jesus saindo do sepulcro. A narrativa prossegue dizendo que, durante a noite, uma alta voz soou dos Céus e a pedra na entrada do sepulcro rola de volta sozinha. Então dois homens são vistos saindo do Céu e entrando no sepulcro. Então três homens saem do sepulcro, dois deles carregando o terceiro homem. As cabeças dos dois homens alcançam as nuvens, mas a cabeça do terceiro ultrapassa as nuvens. Então uma cruz sai do sepulcro e uma voz do Céu pergunta: “Pregaste tu aos que dormem?” E a cruz responde: “Sim.” Ora, é assim que lendas aparentam. Vejam, elas são coloridas com todo tipo de motivos teológicos e apologéticos. E isso é notadamente inexistente no relato de Marcos sobre o sepulcro vazio, que parece ser basicamente um relato direto do que realmente aconteceu. Se me permitir mencionar alguns outros pontos que considero significativos; o sepulcro vazio foi provavelmente descoberto por mulheres. E eu acho que isso é evidente quando você contempla dois aspectos do papel delas na sociedade judaica do primeiro século. Antes de tudo, as mulheres ocupavam uma posição francamente baixa na escada social judaica. Elas eram cidadãs de segunda classe na Palestina do primeiro século. Isso é evidente em um ditado rabínico, que diz: “Antes sejam as palavras da Lei queimadas do que entregues a mulheres.” Ou, novamente: “Ai daquele cujos filhos são fêmeas, mas bendito seja aquele cujos filhos são machos.” Mulheres não eram tão grandemente consideradas como os homens naquela sociedade. Em segundo lugar, o testemunho das mulheres era considerado tão inútil que nem lhes era permitido servir como testemunhas em um tribunal legal. Se um homem fosse visto por um grupo de mulheres cometendo um crime, ele não poderia ser condenado com base no
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testemunho delas porque seu testemunho era de tão pouca confiança que não seria nem admitido num tribunal. Ora, à luz desses fatos, quão extraordinário é o fato de que a história do sepulcro vazio descreve a descoberta do sepulcro vazio por mulheres! O fato de que são mulheres em vez de homens que descobriram o sepulcro de Jesus vazio, sugere que este é um relato historicamente verossímil. Qualquer lenda posterior teria certamente colocado os discípulos homens como descobridores do sepulcro vazio, Pedro e João por exemplo. O fato de que são mulheres a descobrir a tumba vazia, mulheres cujo testemunho era inútil e considerado como nada, é mais bem explicado pelo fato de que, goste ou não, foram elas que encontraram a tumba vazia e os evangelhos fielmente registram esse fato. Uma evidência final que deve ser mencionada seria o fato de que a mais antiga controvérsia judaica, ou propaganda anticristã, pressupõe o sepulcro vazio. A controvérsia judaica mais antiga lançada contra a proclamação cristã de que “Ele ressurgiu dos mortos”, foi declarar que os discípulos vieram à noite e roubaram seu corpo. Então, os cristãos responderam que havia uma guarda na tumba que teria impedido o roubo, e assim por diante. Ora, o mais interessante nessa disputa não é a historicidade da presença dos guardas, o interessante é aquilo que a controvérsia judaica estava dizendo em resposta à proclamação cristã “Ele ressurgiu dos mortos.” Estavam eles dizendo “esses homens estão bêbados com vinho novo”? Ou, “seu sepulcro ainda está lá naquela colina”? Não, eles estavam dizendo “os discípulos vieram de noite e roubaram seu corpo!” Agora, pense nisso por um minuto. Isso implica em que o corpo não estava lá. A própria controvérsia judaica inicial era uma tentativa de explicar o sepulcro vazio. E, assim, nós temos uma evidência para o sepulcro vazio que não vem dos cristãos, mas dos próprios inimigos dos primeiros cristãos, sendo uma evidência histórica de primeira qualidade porque não vem das fontes que criam na ressurreição, mas das que discordavam dela. Então, com base em razões como essa e muitas outras, a maior parte dos críticos atuais do Novo Testamento afirmam a historicidade da história do sepulcro vazio. QUAL É A EVIDÊNCIA DE QUE JESUS APARECEU VIVO APÓS SUA MORTE? A evidência primária que temos para as aparições pós-morte de Jesus vêm, em primeiro lugar, da lista de Paulo das testemunhas, em 1 Coríntios. Nela, ele diz que, quando Cristo ressuscitou dos mortos, ele apareceu a Cefas ou Pedro. Depois, para os doze discípulos, depois para mais de quinhentos irmãos de uma vez só, a maioria dos quais ainda estavam vivos na época em que escreveu, embora alguns tenham morrido. Depois, ele apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos e finalmente Paulo diz “ele apareceu também a mim.” Então, temos aqui uma lista de testemunhas que Paulo dá, as quais viram Jesus vivo após Sua morte. E algumas dessas podem ser relacionadas às aparições nos evangelhos. Por exemplo, a aparição a Pedro é também mencionada no evangelho de Lucas, capítulo 24. Quando os discípulos de Emaús voltaram a Jerusalém, eles encontraram os doze discípulos, ou os onze reunidos, e disseram: “O Senhor de fato ressuscitou, e apareceu a Simão.” Então, nós temos dois testemunhos independentes do fato de uma aparição a Pedro. Também, talvez como uma referência a isso, em Marcos, onde nas palavras do anjo Ele diz: “Vão para a Galiléia e digam a Pedro e a Seus discípulos que Ele vai adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão.” Então, virtualmente todo estudioso do Novo Testamento que eu conheça, concorda que Pedro experimentou uma aparição de Jesus ressurreto pouco depois da Sua morte. A aparição aos doze mencionada depois por Paulo é a aparição melhor confirmada nos evangelhos. Ela é confirmada independentemente no evangelho de Lucas e no evangelho de João e se refere à aparição de Jesus aos discípulos no cenáculo. Nós também temos uma aparição aos discípulos mencionada em Mateus no topo de uma montanha na Galiléia. Se isso deve ou não ser identificado com a aparição aos doze depende de
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você pensar ou não que as circunstâncias dessa localização são lendárias ou factuais, parte da narrativa factual. Se a localização em Jerusalém é factual, como é confirmado tanto em Lucas como em João, então eu acredito que a aparição naquela montanha na Galiléia pode bem ser outra aparição. Na verdade, essa poderia ser a próxima aparição mencionada por Paulo, a aparição aos quinhentos irmãos. Nós não temos nenhuma narrativa explícita disso nos evangelhos. Mas uma aparição a quinhentas pessoas deveria acontecer ao ar livre, devido ao número de pessoas envolvidas. Talvez em uma colina na Galiléia onde as centenas haviam se reunido para ouvir Jesus pregar antes de Sua morte. E é interessante notar que a aparição na montanha em Mateus é diferente de todas outras aparições porque, enquanto todas as outras eram inesperadas e de surpresa, a aparição na montanha em Mateus foi marcada. Ele diz que os discípulos foram à montanha onde Jesus havia determinado que fossem encontrá-lo. Então, pode ser que os doze não estivessem sozinhos quando encontraram Jesus na montanha. De fato, a mensagem dada ao anjo é dada às mulheres: “Digam a Pedro e a Seus discípulos que Ele está indo diante de vocês para a Galiléia. Lá, vocês o encontrarão, como Ele lhes disse.” Pode ser, eu acredito, que as mulheres tenham acompanhado os discípulos à Galiléia e também testemunhado Sua aparição. E, na verdade, na história de Mateus, lembramos que ele tem uma frase misteriosa dizendo que, quando Jesus apareceu a eles na montanha, ele diz: “Eles O adoraram, mas alguns duvidaram.” Agora, isso poderia ser uma referência a um grupo maior de pessoas que se reuniu aos doze na montanha para encontrar Jesus na hora do encontro? Eu acho que isso não é nem um pouco implausível. Então, poderia ser que a aparição de Mateus é, na verdade, a aparição aos quinhentos irmãos. Em todo caso, eu acredito que temos boas bases para aceitar a historicidade da aparição aos quinhentos por causa do contato de Paulo com eles em primeira mão. Isso não é apenas uma estória lendária, que Paulo recebeu ou que ouviu, porque ele sabia que algumas dessas pessoas haviam morrido no ínterim. E ele sabia que a maior parte deles ainda estava viva e, na verdade, está dizendo: “Eles ainda estão aqui para serem questionados, vocês podem falar com as testemunhas.” Ele nunca poderia ter feito esse tipo de desafio se esse evento não tivesse ocorrido. Então, acredito que temos um bom fundamento para afirmar a aparição de Jesus aos quinhentos com base no que Paulo diz. Depois, ele diz que Jesus apareceu a Tiago, o irmão de Jesus. E é interessante que Tiago e Pedro, os dois mencionados na lista de 1 Coríntios 15, sejam as duas pessoas que Paulo encontrou quando veio pela primeira vez a Jerusalém depois de sua conversão, depois de estar em Damasco por três anos. Ele passou duas semanas em Jerusalém em uma viagem em busca dos fatos, durante a qual ele diz que encontrou Tiago e Pedro. E esses são os dois homens a quem ele se refere na lista. Agora, nós não temos uma narrativa independente da aparição de Jesus ao seu irmão mais novo Tiago, mas eu acredito que temos bons motivos para afirmar sua historicidade. Por quê? Bem, simplesmente porque nem Tiago nem quaisquer dos irmãos de Jesus eram aparentemente crentes em Jesus durante sua vida. Nós temos boas evidências nos evangelhos que mostram que nenhum dos irmãos de Jesus achava que ele era o Messias, ou o Senhor, ou ninguém em particular! Especialmente, na verdade, nós temos uma história realmente cruel onde os irmãos de Jesus tentam levá-lo a uma armadilha mortal mostrando-se publicamente na festa, quando eles sabiam que os líderes judeus estavam tentando persegui-lo e matá-lo. Mesmo assim, nós sabemos que, mais tarde na Igreja Primitiva, Tiago o irmão de Jesus, surge como um dos pilares da igreja do Novo Testamento e finalmente como um dos líderes da Igreja. R.H. Fuller, que é um justo crítico liberal do Novo Testamento, disse que: “Mesmo que não houvesse uma menção de Paulo à aparição para Tiago, nós teríamos que inventar uma para explicar a transformação que ocorreu em Tiago entre a época de seus dias descrentes, antes da
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morte de Jesus, e da sua liderança na Igreja Primitiva.” Quero dizer, a maioria de nós tem irmãos; o que seria necessário para fazer você crer que seu irmão é o Senhor? A ponto de estar disposto a morrer por essa fé, como Tiago morreu, pois ele foi martirizado em 67 dC pelo sinédrio judeu por crer que Jesus era de fato o Senhor, Filho de Deus e Messias. Pode haver alguma dúvida de que a razão para essa mudança em Tiago é o que Paulo disse “então ele apareceu a Tiago”? Depois, Paulo menciona a aparição a todos os apóstolos. Não sabemos exatamente que grupo foi esse, provavelmente um grupo maior que o dos doze. Lucas diz que Jesus apareceu durante um período de quarenta dias aos seus discípulos e essa aparição provavelmente foi nessa época. E finalmente Paulo diz: “Ele apareceu também a mim.” E isso é novamente uma conversão tão marcante quanto a de Tiago. Saulo era um fariseu judeu, ele era um perseguidor da igreja. Ele odiava a heresia cristã e estava determinado a fazer tudo que pudesse para sufocá-la. Ele foi, na verdade, o responsável pelas mortes de homens e mulheres cristãos simplesmente por causa de sua fé em Jesus Cristo. E então tudo mudou para esse homem, porque na estrada para Damasco ele viu essa aparição de Jesus e disso “e vi Jesus, nosso Senhor.” E é isso que levou “Saulo, o Fariseu” a ser transformado em “Paulo, o apóstolo” e missionário do cristianismo primitivo. E isso é inegavelmente comprovado por suas próprias cartas em primeira mão. De tal forma que temos nas informações de Paulo fundamentos muito bons para crer que vários indivíduos ou grupos de pessoas sob várias circunstâncias viram aparições de Jesus ressurreto dos mortos. E o relato dos evangelhos fornece uma confirmação, uma corroboração que confirma e preenche os detalhes das histórias das aparições. AS APARIÇÕES DE JESUS APÓS SUA CRUCIFICAÇÃO NÃO PODERIAM TER SIDO ALUCINAÇÕES? Isso tem sido sugerido por vários críticos, mas eu acredito que há alguns problemas insuperáveis com a hipótese da alucinação. Número um: A ampla variedade de localizações, de circunstâncias e de testemunhas a essas aparições desmente a hipótese da alucinação. Jesus não foi apenas visto em uma ocasião, mas em muitas ocasiões, não apenas por um indivíduo, mas por muitas pessoas, não apenas por pessoas isoladas, mas por grupos de pessoas, não em um só local e circunstância, mas em diferentes lugares e circunstâncias. E essa ampla variedade de circunstâncias, pessoas, locais e assim por diante, acredito eu que simplesmente torna a hipótese da alucinação muito improvável. Um segundo problema com a hipótese da alucinação é que acredito que temos bons motivos para afirmar a credibilidade histórica dos relatos dos evangelhos dessas aparições e essas aparições foram claramente físicas e corporais. Eu não acho que você possa dispensar esse elemento da narrativa como meramente lendário porque ele é unânime ao longo das narrativas, é consistente, e também a data dos evangelhos é muito próxima da época dos eventos registrados para que fosse permitida uma total corrupção de aparições não físicas para essa consistente e unânime tradição de aparições físicas. Então creio que a própria fisicalidade das aparições da ressurreição elimina a hipótese da alucinação. Um terceiro problema com a teoria da alucinação é que eu não acho que ela explique o motivo pelo qual os discípulos passaram a proclamar a ressurreição de Jesus. Veja, o conceito judaico de ressurreição era diferente da ressurreição de Jesus em que o conceito judaico sempre foi o de uma ressurreição posterior ao fim do mundo, no final da História. E foi sempre de uma ressurreição geral, de todas as pessoas, nunca de um indivíduo isolado. Mas no caso de Jesus, você tem a ressurreição de um indivíduo isolado durante a História, algo que era simplesmente desconhecido no judaísmo. A estrutura judaica de pensamento tinha outra categoria, que poderia muito bem ter explicado alucinações, caso os discípulos as tivessem tido, a saber, a noção de uma assunção ou translado aos Céus. Algumas figuras do Velho Testamento como Enoque e Elias não morreram fisicamente, mas foram assuntas
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diretamente ao céu, e essa categoria poderia ser aplicada a pessoas recentemente falecidas assim como a pessoas vivas. Então, se os discípulos tivessem visto alucinações de Jesus, eles teriam visto alucinações de Jesus glorificado, no seio de Abraão ou no Paraíso. É para lá que as almas dos justos que morreram iriam estar com Deus quando morreram. E, ver alucinações de Jesus glorificado como essas teriam levado os discípulos a declarar a assunção ou o translado de Jesus aos Céus, não sua ressurreição dos mortos, o que foi decisivamente contrário ao pensamento judaico em pelo menos dois aspectos fundamentais. E finalmente, número quatro: a hipótese da alucinação não diz nada para explicar o fato da tumba vazia. Você precisa encontrar uma hipótese independente da teoria da alucinação para explicar a tumba vazia. Mas a hipótese única da ressurreição de Jesus dos mortos explica tanto as aparições quanto a tumba vazia e, assim, tem maior escopo explanatório e simplicidade, sendo, portanto, a explicação preferida. Então, por razões como essa, acredito que a hipótese da alucinação não é a melhor explicação das evidências. OS OUTROS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO CORROBORAM OS EVANGELISTAS? Eu acho que os escritos dos evangelistas são confirmados por aquilo que muitas vezes chamamos de Quinto Evangelho, ou seja, os escritos do apóstolo Paulo. Paulo era um fariseu, Saulo de Tarso, que estava envolvido na perseguição da igreja primitiva e, em uma incrível reviravolta, se tornou cristão porque declarou ter visto uma aparição do Jesus ressurreto. E isso virou a vida desse homem de ponta-cabeça: de um fariseu e perseguidor da igreja primitiva ele se tornou um ardente missionário cristão que entrou numa vida de incrível dificuldade, sofrimento e trabalho. E, por último, fez o sacrifício final quando foi assassinado por sua fé em Roma. E Paulo nos entrega certas informações cruciais, tradições muito antigas sobre a ressurreição de Jesus. Na verdade, o material mais antigo sobre a ressurreição de Cristo é entregue por Paulo na primeira carta que ele escreveu à igreja em Corinto, no 15° capítulo da sua carta aos coríntios. Lá, ele cita uma tradição que ele diz ter recebido pessoalmente e entregue à igreja de Corinto. As palavras aqui são termos técnicos rabínicos para a transmissão de uma tradição judaica. E os dizeres que seguem a introdução são de uma tradição bastante estilizada e nãopaulina onde Paulo diz: “Cristo morreu por nossos pecados de acordo com as escrituras, foi sepultado, foi ressurreto no terceiro dia, de acordo com as escrituras, então apareceu a Cefas e então aos doze...” E depois disso, Paulo continua empilhando testemunhas oculares da ressurreição de Jesus, incluindo uma aparição a quinhentas pessoas, a maioria das quais Paulo diz que estavam vivas na época em que ele escreveu, cerca de 55 d.C., embora tenha dito que algumas haviam morrido. Paulo está dizendo, na verdade: “As testemunhas ainda vivem, ainda estão aqui para serem questionadas”, embora Paulo soubesse que algumas haviam falecido naquela época. Então, essa informação que Paulo nos dá sobre as aparições da ressurreição eu acho muito importante porque se refere a algumas das aparições mencionadas nos evangelhos, particularmente a aparição aos doze discípulos relatada em Lucas e João. Isso nos dá um antigo e indiscutível atestado da historicidade dessas aparições de forma que isso não poderia ter sido escrito como lendas mais tardias que os evangelistas eventualmente se comprometeram a escrever. Eu também acho que a informação de Paulo fornece bons motivos para também crer no sepulcro vazio. As cartas de Paulo eram o que podemos chamar de cartas acidentais, no sentido de que ele não está escrevendo tratados de teologia sistemática nem está escrevendo uma história da vida de Jesus, elas não são evangelhos. As cartas são acidentais no sentido de que elas respondem a várias situações particulares e problemas nas igrejas que ele pastoreava. Então, ele não tem a oportunidade de especificamente mencionar o sepulcro vazio. Mas eu acho que Paulo deixa implícito o sepulcro vazio em algumas coisas que ele diz. Nessa tradição que
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ele cita em 1Coríntios 15, a frase “ele foi sepultado” seguida pela frase “e ele ressuscitou” implica em um túmulo vazio. Nenhum judeu do primeiro século, e particularmente um fariseu, pensaria de outra maneira. A idéia de que um homem foi sepultado e depois ressurreto dos mortos por Deus, mas que seu corpo ainda está na tumba teria sido uma contradição impossível para um judeu do primeiro século. Para um judeu do primeiro século, simplesmente não havia diferença entre uma “ressurreição” e uma “ressurreição física que deixa o túmulo vazio.” De forma que, citando cronologicamente estes eventos (ele foi executado, foi crucificado, foi sepultado, depois apareceu), Paulo na verdade deixa implícito um sepulcro vazio. Isso é confirmado, eu acredito, quando você compara as quatro linhas dessa tradição à pregação no livro de Atos, os primeiros sermões apostólicos, e quando você os compara às narrativas nos evangelhos. O que você descobre é que essa tradição de quatro linhas entregue por Paulo é na verdade um resumo da pregação apostólica inicial. E quando você compara isso à pregação do livro de Atos, a esses primeiros sermões apostólicos, a primeira linha corresponde ao evento da crucificação. A segunda linha, “ele foi sepultado,” corresponde a Jesus sendo deitado no sepulcro. A terceira linha, “e ele foi ressurreto,” corresponde à narrativa do sepulcro vazio. Então, eu acho que isso é um sumário da história do sepulcro vazio. E Paulo conhecia as tradições envolvendo o material que ele entregou. Nós sabemos isso, por exemplo, pela informação que ele dá sobre a ceia do Senhor onde ele fala de como ele passou aos Coríntios o que ele recebeu sobre o Senhor: na noite em que ele foi traído, tomou o pão, etc. E, nessa história, Paulo menciona que essa foi a noite em que Jesus foi traído. Bem, a história da traição não é parte da história da última ceia, mas é parte de seu contexto. Ao mencionar a traição, Paulo mostra que ele conhece não apenas o evento isolado, mas também o contexto das tradições que ele entregou. Assim, ao relacionar essa tradição sobre o sepultamento e ressurreição de Jesus, eu acho que é bem certo que Paulo conhecia o contexto dela e conhecia a história do sepulcro vazio. Agora, uma segunda indicação que Paulo dá sobre o sepulcro vazio é a datação da ressurreição no terceiro dia, quando ele diz que “Cristo ressuscitou no terceiro dia, de acordo com as Escrituras.” De onde vem essa frase “no terceiro dia”? Bem, eu acredito que a explicação mais provável é que esse é um indicador de tempo para a descoberta do sepulcro vazio pelas mulheres que vieram no domingo de manhã, que pela contagem judaica era no terceiro dia depois da crucificação. Assim, a ressurreição realmente veio a ser datada no terceiro dia porque esse é o dia em que o sepulcro vazio foi descoberto pelas mulheres seguidoras de Jesus. Então, eu acho que, implícito na informação dada por Paulo, está o fato do sepulcro vazio assim como está explícita a menção das aparições da ressurreição. E a informação de Paulo, eu acho, seria o mais importante material no Novo Testamento fora dos evangelhos que confirma o que os evangelhos dizem. JESUS RESUSSITOU DOS MORTOS FISICAMENTE OU ESPIRITAUALMENTE? Eu acredito, na verdade, que a idéia de uma ressurreição espiritual é um oxímoro, uma verdadeira contradição em termos. Eu desafiaria qualquer estudioso crítico a me explicar clara e cuidadosamente qual é a diferença entre a ressurreição de um corpo imaterial, inextensível, intangível e invisível e a imortalidade da alma de Jesus. Todos concordam que o Novo Testamento, especialmente Paulo, não ensinou a imortalidade da alma de Jesus. Mas juro que eu não consigo entender, a diferença entre esse suposto corpo espiritual de ressurreição e a simples idéia da imortalidade da alma. E a imortalidade da alma é uma noção grega, não é uma noção do Novo Testamento sobre o estado final da imortalidade. Então, eu acho que o fato de tantas pessoas terem aversão a essa fisicalidade da ressurreição é uma espécie de vestígio de filosofia grega. É um vestígio da
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depreciação do corpo material, do corpo físico, e uma espécie de desejo por uma existência espiritual celestial: a alma escapando da prisão do corpo. Isso é simplesmente, acho eu, não-bíblico. Então, eu diria, em primeiro lugar, que a idéia de uma ressurreição espiritual realmente não pode ser sustentada porque não é distinta da imortalidade da alma de Jesus. Além disso, eu argumentaria que o Novo Testamento bem claramente ensina a ressurreição do corpo. Paulo é bastante claro que o corpo que é enterrado, o corpo que é "semeado", é o mesmo corpo que será ressurreto. É numericamente idêntico. Não há uma substituição do corpo terreno com um corpo novo, um corpo substituto. Há uma identidade numérica, uma transformação que ocorre entre o corpo terreno e o corpo de ressurreição. Uma transformação que envolve uma transição da mortalidade para a imortalidade, da desonra para a glória, da corruptibilidade para a incorruptibilidade e assim por diante. Mas não há sugestão de que o corpo terreno seja resgatado da materialidade. Paulo falar de um "corpo" inextendido, invisível, intangível e imaterial seria simplesmente uma contradição em termos. Então a própria noção de que Paulo está falando de um "corpo" de ressurreição, eu acho, indica a fisicalidade do estado ressurreto. O QUE DIZER SOBRE AS PRESSUPOSIÇÕES DE UMA PESSOA SOBRE A RESSURREIÇÃO DE JESUS? Eu acredito que as pressuposições filosóficas de uma pessoa serão um importante guia ao fazer um trabalho histórico a respeito das narrativas do Novo Testamento. Porque essas narrativas apresentam abertamente um Jesus sobrenatural, um Jesus que faz milagres, um Jesus que ressuscita dos mortos. E se você vem a essas narrativas com uma pressuposição de naturalismo científico ou mesmo naturalismo metodológico que seja, dizer que como um historiador você não pode permitir que causas sobrenaturais entrem no relato, então esses eventos serão excluídos da corte, apressadamente, a despeito das evidências. E eu acredito que esse é fundamentalmente o problema com a metodologia empregada pelo infame ‘Seminário Jesus’ do Instituto Westar na Califórnia. Na introdução da sua adição aos cinco evangelhos, eles deixam bem claro que, para eles, o primeiro pilar da sabedoria acadêmica é, como eles dizem, o naturalismo científico. Eles apontam que Strauss, no século passado, distinguiu o ‘Cristo da Fé’ do ‘Jesus da história’ precisamente no critério do sobrenaturalismo, e que tudo que tivesse algum aspecto sobrenatural era por definição relegado a mito em vez de história. Agora, isso não é uma questão de argumento, não é uma questão de evidência, é simplesmente uma questão de definição. O sobrenatural é definido como sendo da categoria mítica e não histórica. E se você começa com esse tipo de pressuposição, é claro que a ressurreição vai ser avaliada como não histórica, porque você a definiu como não histórica. Então, quando o Seminário aborda, por exemplo, as palavras faladas pelo Jesus ressurreto, eles declaram que “por definição, as palavras creditadas ao Cristo ressurreto não podem ser historicamente verificadas.” Mas, eles adicionam, “às vezes, palavras faladas durante a vida de Jesus são colocadas na boca do Jesus ressurreto.” Então, dizem eles, “nós avaliaremos essas declarações como se fossem ditas por uma pessoa histórica.” Bem, não poderia ser mais claro que eles pensam no Cristo ressurreto como sendo um indivíduo não histórico, e que isso é feito não com base em evidências mas com base em pressuposições. Então, essas pressuposições são críticas. R.T. France, um estudioso britânico do Novo Testamento, observou que, no nível da sua qualidade literária e acadêmica, os evangelhos merecem ser levados a sério como fontes sobre a vida de Jesus. Ele diz que em comparação às fontes da História Antiga e dos tempos greco-romanos, os evangelhos se comparam bem favoravelmente. Mas ele aponta que o grau até onde alguém estaria pronto para confiar nesses documentos, depende mais da sua abertura para uma visão de mundo sobrenatural do que da qualidade literária e histórica deles. Então, eu acho que isso é absolutamente crucial.
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E eu acho que é necessário adicionar aqui que, filosoficamente, eu não vejo razão para adotar tal naturalismo filosófico. Parece-me que apenas um ateu seria justificado em dizer que milagres são impossíveis. Porque a menos que você tenha alguma prova para o ateísmo, você precisa estar aberto para a possibilidade de que Deus existe. E se isso é ao menos possível, então é possível que Ele tenha agido na história. Então, na ausência de qualquer prova para o ateísmo, que eu não acredito que alguém tenha, nós temos que estar abertos para a possibilidade do sobrenatural e deixar a evidência falar por si mesma. QUAL O SIGNIFICADO PESSOAL DA RESSUREIÇÃO DE JESUS? Eu acredito que o significado pessoal da ressurreição de Jesus está no fato de que Jesus tem a chave que abre a porta para a vida eterna. Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá." (Jo 11.25). E eu creio que a ressurreição de Jesus mostra que Ele tem a solução para a mais difícil das angústias humanas: a própria morte. Ela mostra que, através de Jesus Cristo, nós também podemos esperar por uma vida além da cova e, portanto, esperar por uma vida significativa e por eterno significado através dele. Então, eu acredito que a ressurreição de Jesus tem seu significado pessoal ao resolver esse problema existencial da morte e do sentido da vida.

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