You are on page 1of 2

SINCRETISMO

Sincretizar significa reunir, ao tentar explicar as coisas, misturar realidade e
fantasia sem distinção. Os pequeninos embaralham todas as idéias em um
mesmo plano e veem o mundo de forma global e generalizada.
Essa situação de misturar a realidade com a fantasia é facilmente percebida
ao perguntarmos, por exemplo, aos pequeninos o porquê que a Lua aparece à
noite, eles respondem de forma natural algo fantasioso como: “a Lua queria estar
de dia, mas brigou com o Sol” ou, “as estrelas resolveram quem fica de noite e
quem fica de dia” e assim por diante.
Henri Wallon explica que o desenvolvimento infantil vai do sincretismo á
categorização, no início a percepção do bebê é nebulosa, mas aos poucos ela
vai se refinando. A maneira como a criança pensa é influenciada por dois fatores:
a capacidade cognitiva e as referências que recebe do meio, porém não
conseguem organizá-las. A criança tem dificuldade de explicar um objeto sem
relacioná-lo com outro, o que explica que ao ser questionada ela simplesmente
combina diferentes referências e da uma resposta que combina com a lógica
própria. Porém sem problemas algum, ela pode usar o mesmo elemento e
recombinar com outro totalmente diferente adquirindo até mesmo outro sentido.
Exemplo disso pode ser: dizer que a chuva é o vento e momento depois quando
questionada novamente a chuva e o vento não são mais iguais e só é chuva
quando tem trovão.
O motivo de toda essa confusão é porque a criança ainda não é capaz de
colocar os objetos em um sistema de categorias preestabelecidos no qual cada
coisa tem um único significado.
As principais estratégias usadas como resposta são: Tautologia, a criança
repete a idéia dada: “Como é o sal? Salgado”; Elisão: foge do tema e passa de
um assunto para outro completamente diferente: “O barco bóia porque tem água
e é de madeira. As vezes, a gente faz cestos de palha e sofás”; Fabulação:
preenche a lacuna com a imaginação: “De onde você veio? Do repolho.” E pior,
para dar veracidade a sua resposta diz que se lembra e até descreve como se
sentia.
As respostas dadas pelos pequeninos diante desta confusão muitas vezes
perdem o crédito perante os adultos, mas isso faz parte do pensamento infantil,

não deve ser reprimido. pois disciplinar inteiramente o pensamento pode fechar os caminhos que permitem recombinações suscetíveis de conduzir o pensamento por caminhos inéditos. possui uma lógica própria. não estuda os elementos do desenvolvimento. mas a criança como um todo. Sincretismo é a principal característica do pensamento da criança. CONSIDERAÇÕES FINAIS – SINCRETISMO. e cabe ao educador também contribuir para que estes caminhem rumo á categorização do pensamento sem inibir a imaginação. . abstrair e estabelecer relações complexas. ordenar. Wallon. tem ausência de diferenciação entre os elementos. totalmente diferente do pensamento adulto mais refinado e capaz de classificar. E é a combinação de tudo que recebem de informação seja do meio ou de experiências pessoais que de certa forma o tenha afetado que é levado para as falas dos pequeninos. Cabe o adulto compreender e diferenciar a realidade da ficção apresentada pela criança sem reprimir. usa as informações recebidas a sua volta e apresenta como resposta um conceito tudo misturado.