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SERIAL KILLER E OS CRIMES HEDIONDOS NO BRASIL

:
qual a sanção penal adequada?

Brunna Patrícia Moraes Peres*
Juliana Aparecida**
Orientador: Prof. Marcus Vinicius Ribeiro Cunha***

SUMÁRIO: Resumo. Introdução. 1 O Serial Killer. 1.1 Conceito. 1.2 Aspectos históricos. 1.3 O que faz uma
pessoa se tornar um Serial Killer. 1.4 Concepção médica e jurídica acerca dos Serial killers. 2 Dos crimes
hediondos no Brasil. 3 Da identificação e da individualização da execução penas aos Serial Killers (assassinos
em serie). Conclusão. Referencia.

RESUMO: Os crimes cometidos por serial killers intrigam há muito tempo a medicina, a psicologia, a justiça e
a própria sociedade. Primeiramente porque é difícil para o ser humano entender, e até mesmo aceitar, como uma
pessoa consegue praticar crimes tão bárbaros e em série contra o seu semelhante. Ademais, questiona-se a causa
dessa anomalia, ou seja, se é consequência de um transtorno mental ou simplesmente social. Nessa perspectiva, o
presente trabalho, com as limitações de um artigo cientifico, busca compreender melhor esses criminosos, bem
como avaliar qual a sanção penal adequada a eles.
Palavras-chave: Serial Killer. Psicopata. Sanção. Crimes Hediondos.

ABSTRACT: The crimes committed by serial killers intrigue long as medicine, psychology, justice and society.
Primarily because it is difficult for humans to understand, and even accept, as a person can practice as barbaric
and serial crimes against his fellow man. Moreover, questions the cause of this anomaly, ie, whether it is a result
of a mental disorder or simply social. In this perspective, the present work with the limitations of a scientific
paper, seeks to better understand these criminals, as well as assess what the appropriate penalty to them.
Key-words: Serial killer. Psychopath. Penalty. Heinous Crimes.

_______________________
* Acadêmica do Curso de Bacharelado em Direito da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – FACIHUS,
Fundação Carmelitana Mário Palmério (FUCAMP) em Monte Carmelo-MG.
** Acadêmica do Curso de Bacharelado em Direito da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – FACIHUS,
Fundação Carmelitana Mário Palmério (FUCAMP) em Monte Carmelo-MG.
*** Professor Orientador. Mestrando em Direito (Universidade Federal de Uberlândia-UFU). Especialista em
Ciências Criminais. Coordenador do Núcleo de Pesquisas Jurídicas da Fundação Carmelitana Mário Palmério –
FUCAMP. Editor e Revisor da Revista Direito e Realidade, bem como da Revista Práxis Interdisciplinar, ambas
da Fundação Carmelitana Mário Palmério – FUCAMP. Promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais.

por meio da análise textual. observando seu grau de periculosidade no convívio social. bem como aspectos gerais históricos. no terceiro e último capítulo será tratada a questão da identificação e individualização da execução penal quanto aos psicopatas. sendo que nem sempre as punições aplicadas a eles atingem seu fim esperado. bem como investigando quais as punições adequadas a esta espécie de criminoso. uma vez que são as infrações penais geralmente praticadas pelos serial killers. Utilizar-se-á como metodologia o tipo de pesquisa bibliográfico. de medicina e de psicologia sobre o tema. no primeiro capítulo será exposto o conceito de serial killer. caracterizados como psicopatas. resultando no fenômeno da reincidência. além de verificar qual a possibilidade de ressocialização.INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo estudar a figura dos serial killers. ainda que de forma breve. Ademais. 1 O SERIAL KILLER No intuito de melhor compreender o tema. enquanto psicopatas geralmente autores de crimes hediondos. além de verificar o meio social em que surgem. O presente ensaio se justifica na medida em que cresce a cada dia o número de casos envolvendo esta espécie de criminoso. enquanto método dedutivo. além da verificação do meio social em que “surge” esse tipo de criminoso. assim como aspectos gerais históricos. ainda que de forma sucinta. temática e interpretativa de obras jurídicas. faz-se importante conhecer o conceito de serial killer. Assim. explicitando sua finalidade e principais características. . a Lei dos Crimes Hediondos brasileira (Lei 8072/90). O estudo do aludido tema necessariamente perpassará pelo estudo dos crimes hediondos. apresentando qual a sanção penal adequada para tais criminosos. na busca de melhor compreender essa figura dos serial killers. No segundo capítulo será estudada.

3 HARE. Ilana.1 Conceito Inicialmente.14. Ilana.. Em geral.abril. sendo certo apenas que eles assombram a humanidade já há muito tempo..1 Ademais. Usa o termo amor.14.com. disponível em: http://veja. ensina o psicólogo canadense Robert Hare3: Ninguém nasce psicopata. 1º de Abril de 2009. CASOY. p. p. Revista Veja: paginas amarelas.2 Aspectos históricos É muito difícil identificar com certeza quando exatamente surgiu o primeiro serial killer no mundo. Psicopatas no divã.5 1 CASOY. p. Acrescenta que são verdadeiros sádicos. Nasce com tendências para a psicopatia. digamos amo meu carro. O termo Serial Killer foi usado pela primeira vez por um agente aposentado do FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos da América) nos anos 70.shtml. 5 CASOY. 6 ed. salienta Casoy2 que as vítimas do serial killer são escolhidas ao acaso e mortas sem nenhuma razão aparente. como ser homem ou mulher. R. com pelo menos alguns dias de intervalo entre eles.com. sendo o primeiro caracterizado pelo fato de cometer homicídios durante algum período de tempo. Outrossim. como altura ou peso.) Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu. D. Serial Killer: Louco ou Cruel?. Psicopatas no divã. 6 ed. Ilana. pois procuram prazeres perversos ao torturar suas vítimas. faz-se necessária a diferenciação entre a figura do serial killer (assassino em série) e do assassino em massa. e não da forma como eu amo minha mulher. mas não o sente da maneira como nós entendemos. 6 ed. 2004. É uma medida.br/010409/entrevista. é um sentimento de posse.15. Revista Veja: paginas amarelas. 1º de Abril de 2009. estar vivo ou morto. raramente tais indivíduos conhecem sua presa. dominar e possuir a pessoa escolhida. 4 HARE. em questão de horas. Acesso em: 02 de novembro de 2013. de propriedade 1. chegando até a “ressuscitá-las” para poder “brincar” um pouco mais e disso retirar prazer. tendo necessidade de controlar.1.br/010409/entrevista. A psicopatia não é uma categoria descritiva. Robert Ressler. no mesmo sentido. 2004. que varia para mais ou para menos. 2004. São Paulo: Madras. Serial Killer: Louco ou Cruel?. D. R. enquanto o segundo por assassinar várias vítimas em uma única oportunidade. 2 .shtml. Serial Killer: Louco ou Cruel?. Acesso em: 02 de novembro de 2013. representando um mero símbolo para eles. 4 (. São Paulo: Madras. São Paulo: Madras.abril. disponível em: http://veja.

Na fase adulta. ou seja. 6 ed. São Paulo: Madras. negros e homossexuais. que é quando os serial killers geralmente começam a matar de fato. Serial Killer: Louco ou Cruel?. 2004. Analisando o passado de um serial killer. demonstram isolamento familiar e social. o que se observa é que não se pode precisar um marco histórico ou momento exato para o surgimento da figura dos assassinos em série no mundo. podendo-se deduzir que sempre existiram. Outrossim. Ilana. Ilana. eles se tornam pessoas conceituadas como de dupla personalidade. A bibliografia especializada. Entretanto. 1.18.18. ser decorrente de um trauma vivenciado na infância. Serial Killer: Louco ou Cruel?. ameaças. no final do século XIX. afirma-se que a tríade. 2004. coações ou outros atos de intimidação física ou psicológica exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada fraca ou vulnerável. 9 CASOY. CASOY. em países como Estados Unidos da América e Canadá. Madras. Ilana. dentre as quais se destaca a obra de Casoy. em plena Inglaterra Vitoriana.11. pode-se perceber que não há um fato sozinho que transforme determinada pessoa em um assassino em série. aponta que um dos principais motivos para se tornar um assassino em série deriva do contexto social pelo qual viveu o indivíduo.3 O que faz uma pessoa se tornar um serial killer? Uma questão interessante no estudo desse tema é saber qual o contexto social e pessoal que leva uma pessoa a se tornar um assassino em série. c) destruição de propriedade e piromania (mania de atear fogo)7.Segundo Casoy6. 8 Conjunto de maus-tratos. em especial a partir dos anos 70. Serial Killer: Louco ou Cruel?. comportando-se 6 CASOY. que atuou na Segunda Guerra Mundial. podendo. “o Estripador”. dificuldade para interagir com outras pessoas. O estudo e preocupação com esse criminoso apenas veio a tona recentemente. São Paulo. matando inúmeras pessoas que ele considerava não ter sangue puro. um dos primeiros a ganhar destaque foi “Jack”. possuem uma boa carreira. são educados. em sociedade são pessoas tidas como exemplo social. entre elas judeus. o que acentua ainda mais o trauma dessa pessoa9. 7 . encontra-se no histórico da grande maioria deles a) enurese (inconsistência urinaria sem conhecimento). em alguns casos. 6 ed. b) abuso sádico de animais ou de outras crianças. São Paulo. 6 ed. quando adolescentes. p. Portanto. a seguir apresentada. resultando no fato de se tornarem vitimas de bullyng8. 2004. contudo eram simplesmente ignorados e/ou desconhecidos. Madras. p. Não se pode deixar de citar também o famoso Adolf Hitler. p.

Manole. Serial Killer.18. Embora esses assassinos possam não ter pleno domínio no controle dos impulsos. quando estão sozinhos com suas vitimas. São Paulo. 6 ed.75. Da emoção a Lesão. Serial Killer: Louco ou Cruel?. Geraldo José. Christopher J. eles distinguem muito bem o certo do errado. Entretanto. 2 ed. 6 ed. p165. um condenado a custodia perpetua. p. Melina Pelissari. Paul Bernhardt: “uma taxa alta de testosterona combinada com baixos níveis de serotonina pode causas resultados letais. BALLONE. para Dr. Porto Alegre.1. Serial Killer: Louco ou Cruel?. Jorge. diversas pessoas passam por esses mesmos conflitos ou até piores e nem por isso se tornam assassinas em série. 11 . um guia de medicina psicossomática. foram abusados e muitas vezes abandonados por seus genitores. Nesse sentido. percebe-se que eles passaram por algum trauma na infância. Na maioria dos casos. livraria do advogado editora. preleciona Ballone11: A maioria dos Assassinos Seriais é diagnosticada como portadora de Transtorno de Personalidade Anti-Social (sinônimo Dissocial. cabe destacar que a medicina diagnostica os assassinos em série como psicopata e nesse sentindo.4 Concepção médica e jurídica acerca dos serial killers De início. 12 TRINDADE. Ilana. Madras. 13 Dr. Christopher Patrick: “psicopatas tem menor taxa de mudanças cardíacas e de condução elétrica na pele como reação ao medo”. explicando Jorge Trindade que seu surgimento foi “para designar um enorme grupo de patologias de comportamento sugestivas de psicopatologia. 33. se comportam como verdadeiros monstros. Ilana. Patrick – Artigo „’Psycopaths: findings Point ro Brain Differences” – Department os Psychology Florida State University. Apud: SILVA.como cidadãos que jamais levantariam suspeitas. 6 ed. apud: CASOY. mas não classificáveis em qualquer outra categoria de desordem ou transtorno mental”. n. SP.13 Outrossim. 12 O motivo que leva um serial killer a cometer homicídios somente faz sentido para ele mesmo. 2004.10 1. conforme já referido. p. v.1. 2004. Sociopata). tiveram problemas familiares. 2012. a chamada personalidade psicopática foi introduzida no campo da medicina no final do século XVIII. Segundo Dr. Madras. muitos estudiosos acreditam que há uma conexão de fatores psicológicos com fatores biológicos. Manual de Psicologia Jurídica para operadores do direito. 2004. De outro lado. Psicopata. tanto que querem sempre satisfazer seus desejos sem correr riscos de serem apanhados. p. Quando o equilíbrio entre a 10 CASOY. Por esse fato. São Paulo. Presidente Prudente.

Michael. inteligência acima da média da população). uma pena e não uma 14 Dr. etimologicamente. São Paulo. 18. E de outro lado. psicopatia significa doença da mente. Leonard Lake. Hilda. existe uma divergência doutrinária em que há estudiosos que entendem a psicopatia como uma doença mental. Ilana. 19 SILVA. São Paulo. recebendo assim. 2012. Marcus Vinicius Ribeiro.19 No âmbito do Direito Penal brasileiro os assassinos em série são tratados. 2006.. Conforme ensina o estudioso Jorge Trindade. Ilana. C.36. H. . Madras. apud: CASOY..17 Sendo entendido como um psicopata. Manual de Psicologia Jurídica para operadores do direito. como totalmente imputáveis. 6 ed. Low Seretonine: Double Problem?‟‟ – Department of Educacional Psichology.14 Ademais. outro ponto importante é a incidência de acidentes na cabeça sofridos por alguns dos conhecidos serial killers. 17 MORANA. Madras. 2008. p 166. sendo que seu principal problema reside nos sentimentos (afetos) deficitários. em todas as facetas do indivíduo. p. p. preenchem os critérios para a psicopatia. p. julgamento e controle de impulsos. 34. University Utah. v. conforme lições do Dr. cabe agora investigar como a psicopatia é entendida para a medicina e as ciências sociais. Diego de Oliveira e CUNHA.28(Supl II):S74-9. 15 Dr.5. Paul C. parte expressiva dos profissionais da área da psiquiatria forense. resta claro que para a medicina os assassinos em série devem ser vistos como psicopatas. São Paulo.5% dos serial killers. 2012. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. 6 ed. Abdalla Elias . sendo uma característica interna da pessoa. Ana Beatriz B. STONE. p. Apud: PALHARES. n. pois segundo estudos realizados sobre o tema.1. 6 ed. mas que se manifesta globalmente. Kenneth Bianchi e John Gacy. Jorge. entre eles. psicopatia e Serial killers.10. Bernhart – Artigo „’High Testosterone.1. íntegra. inclusive. David Berkowitz. Madras. O psicopata e o Direito Penal Brasileiro. sendo que. Transtorno de personalidade. quando condenados. p. Porto Alegre. FILHO. 33. p. 2004. P. geralmente. Rev Bras Psiquiatr. é um modelo particular de personalidade. Ilana. 16 CASOY. consideram que a parte cognitiva dos indivíduos psicopatas se encontra preservada. livraria do advogado editora. Serial Killer: Louco ou Cruel?. Dominique LaPierre – Artigo ‘’The Psychopathic Brain: New Findings’’ – Psychologie UQAM – Montreal. a personalidade psicopática refere-se a uma individual característica de modelos de pensamento.15 Além dessas evidências científicas.testosterona e a serotonina não existe. Serial Killer: Louco ou Cruel?. qual a sanção adequada? Revista Jurídica Práxis Interdisciplinar. sentimento e comportamento. Dominique La Pierre: “o córtex pré-frontal. 6 ed. Serial Killer: Louco ou Cruel?. 18 TRINDADE. Enfim.. por exemplo. a frustração pode levar a agressividade e comportamentos sádicos”. 2004. área do planejamento em longo prazo. 2004. não funciona normalmente em psicopatas”. 86.18 Quanto a questão da classificação da psicopatia como doença ou transtorno social. apud: CASOY. tendo plena consciência dos atos que praticam (possuem. Canada.16 Assim.

São Paulo. volume 4. asqueroso.planalto. Fernando. porém ainda muito pouco usado no meio jurídico.1. Disponível em: <http://www. ou pela adoção de qualquer outro critério valido. Lei n° 8072. porém ainda muito pouco usado no meio jurídico. ou pela finalidade que presidiu ou iluminou a ação criminosa. Acesso em: 27 de novembro de 2013. psychopathy checklist. e 12. depravado. São Paulo: Revista dos Tribunais. psychopathy checklist.695. o exame mais indicado nesse caso é denominado PCL. 1990. foi rotulado como tal pelo legislador. Por ser extremamente difícil descobrir se certo individuo é ou não portador de psicopatia. onde será considerada hedionda a infração penal assim concebida pela Lei 8072/9021.gov. portanto. apud: CAPEZ.015. Brasília.gov. psychopathy checklist. abjeto.195 . Fernando.htm>.45. Crimes Hediondos.planalto. de 20 de agosto de 1998. Brasília. 8.198 23 BRASIL. 1994. 2012. Marcus Vinicius Ribeiro.medida de segurança. sendo que o exame mais indicado nesse caso é denominado PCL. P. qual a sanção adequada? Revista Jurídica Práxis Interdisciplinar. Aberto Silva.10. Curso de direito penal: legislação penal especial. 21 BRASIL. 1°. Saraiva. Lei n° 8072. Diário Oficial da União.1.htm>. ou por seu modo ou meio de sua execução. o exame mais indicado nesse caso é denominado PCL. v. por sua gravidade objetiva. Diego de Oliveira e CUNHA. sórdido. Diário Oficial da União. 9. todos os crimes hediondos no Brasil. Latrocínio. enumerou taxativamente. importante destacar que o legislador brasileiro não adotou o sistema conceitual para a definição do que seja crime hediondo. Desse modo. determinando assim que seja realizado teste de cunho científico para verificar se existem sinais de psicopatia no referido criminoso. 1° da Lei n. Curso de direito penal: legislação penal especial. em seu art. 1990. mas sim aquele crime que. de 25 de julho de 1990.930.072. como também o grau da possível psicopatia. Disponível em: <http://www. p. p. horroroso. 22 FRANCO. Extorsão qualificada pela morte. bem como sofreu acréscimos. com o objetivo de se definir o diagnóstico do infrator. determinados pela Lei n. de 6 de setembro de 1994.20 2 DOS CRIMES HEDIONDOS NO BRASIL Inicialmente. p. operadas pelo art. 2012. de 25 de julho de 1990. o magistrado deve. São Paulo. porém ainda muito pouco usado no meio jurídico. de 25 de julho de 199023. Saraiva. no entanto sofreu algumas modificações 24. Acesso em: 27 de novembro de 2013. veja-se: Não é hediondo o delito que se mostre repugnante. 7 ed. por um verdadeiro processo de colagem. PALHARES. 2012.br/ccivil_03/leis/l8072. horrível. Assim os crimes hediondos considerados são: 20 Homicídio. 7 ed. de 7 de agosto de 2009. volume 4. O psicopata e o Direito Penal Brasileiro. 24 CAPEZ. mas sim o sistema enumerativo. se valer de laudos psiquiátricos. 22 A lei 8.br/ccivil_03/leis/l8072. n.

corrupção. 25 BRASIL. atendendo ao clamor da população. considerados como equiparados aos hediondos. I) que veda a anistia. o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. se reincidente. Simone Moraes. 2° II) fiança. Jus Navegandi. Brasília. (§ 1o) A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado. Estupro. cuja permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem ou incolumidade pública. (art. Epidemia com resultado morte. de 25 de julho de 1990. dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena. Disponível em: <http://www. Acesso em: 27 de novembro de 2013. (§ 3o) Em caso de sentença condenatória.28 3 DA IDENTIFICAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO PENAL AOS SERIAL KILLERS (ASSASSINOS EM SÉRIE) Sabe-se que um dos mais relevantes princípios reitores do direito penal brasileiro é o da individualização das penas. Estupro de vulnerável. quando o legislador elenca os fatos puníveis em suas respectivas sanções.br/ccivil_03/leis/l8072. ARTIGO A coerção penal no âmbito da Lei dos Crimes Hediondos. Lei n° 8072.gov. Diário Oficial da União.27 Observando-se o rol dos crimes hediondos e a figura dos assassinos em série pode-se concluir que os homicídios por eles geralmente praticados. o qual se revela primeiramente. como exemplos de restrições existentes na Lei 8072/90. Acesso em: 27 de novembro de 2013.Extorsão mediante sequestro e na forma qualificada. fazendo assim com que o legislador criasse. 1990. estabelecendo seus limites e critérios de fixação da pena. Disponivel em: <http://jus. de 25 de julho de 1990. 2°. de segurança máxima. Crime de genocídio25. 26 BRASIL. 27 SANTOS.br/ccivil_03/leis/l8072.htm>. (§ 4o) A prisão temporária. Disponível em: <http://www. adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. 3) A União manterá estabelecimentos penais. seguida pela individualização judicial. se o apenado for primário.com. Lei n° 8072. (§ 2o) A progressão de regime. 1990. quase sempre capitulados como qualificados. (Art.planalto. Acesso em: 27 de outubro de 2013.htm>. elaborada pelo juiz na sentença condenatória. e de 3/5 (três quintos). que define os crimes classificados como desta natureza e determina outras medidas de natureza penal. no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo. do tráfico de entorpecentes e do terrorismo. A Lei dos crimes hediondos26 surgiu com a finalidade de conter a imensa onda de criminalidade que pairava sobre a sociedade brasileira à época. Brasília. terá o prazo de 30 (trinta) dias. . às pressas.gov.br/artigos/4690/a-coercao-penal-no-ambito-da-lei-doscrimes-hediondos>. destinados ao cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade. 12/2013. 28 Citam-se. prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. processual penal e de execução da pena. nos crimes previstos neste artigo. bem como da tortura. são infrações classificadas como hediondas para a legislação brasileira. Diário Oficial da União. Falsificação. graça e indulto.planalto. submetendo-os às suas disposições legais mais restritivas ao infrator. a referida lei. o (art.

pode-se entender que cada criminoso deve ser julgado de acordo com seu crime e receber a sanção especifica que atenda a gravidade do seu delito. Francisco de Assis Toledo30: As formas de execução da pena privativa da liberdade. Princípios Básicos de Direito Penal. Rogério Greco31 preleciona: Tendo o julgador chegado à conclusão de que o fato praticado é típico. quando esta tiver de ser aplicada. 30 TOLEDO. Revista Jus et Fides. 5. Curso de Direito Penal Parte Geral. 68 do Código Penal. em seguida. 1994. Nildo Nery dos.e por fim. a fase executória. Rogério. Assim. disponível em: <http://www.29 Segundo. Mateus. Acesso em: 5 de dezembro de 2013. Ed. P. 32. E assim terá que ser para cumpriremse as diretrizes da individualização. por ultimo.> Acesso em: 03 de novembro de 2013. portadora de psicopatia. 29 SANTOS. bem como maior ou menor velocidade na caminhada do condenado rumo a liberdade. 14.pdf. as causas de diminuição e de aumento de pena. para ensejar maior ou menor intensidade na sua aplicação. fixará a pena base de acordo com o critério trifásico determinado pelo art. Inicialmente. p. Porém. Aplicação da pena. agora. . atendendo as chamadas circunstâncias judiciais.70. Ed. 71 31 GRECO.br/portal/docs/artigos/Artigo%20Mateus%20Milhomem. 2012. dirá qual a infração penal praticada pelo agente e começará. a qual ocorre o cumprimento da pena Assis Toledo. mesmo que tenham praticado a mesma espécie de infração penal. uma pessoa inimputável não pode receber a mesma sanção de uma pessoa imputável. Julho 2003-2004. Rio de Janeiro: Impetus. São Paulo: Saraiva. “Um grau acima da maldade – Estado x Psicopatas Brasileiros.com. como é o caso dos assassinos em série. A questão se torna mais complicada quando se pretende concretizar a aplicação do princípio da individualização das penas quanto às sanções aplicadas em sentenças proferidas em face dos assassinos em série. Sobre o principio da individualização das penas. Isso porque é bastante difícil para a medicina averiguar se determinada pessoa é ou não. ainda mais se somando o fato de que no Brasil não existe um sistema eficaz para fazer essa distinção. Princípios Básicos de Direito Penal. 32 MILHOMEM. a individualizar a pena a ele correspondente. O problema existe e urge a criação de uma política criminal exclusivamente voltada para os indivíduos acometidos por esse transtorno de personalidade. deverá desdobrar-se em etapas progressivas e regressivas. ilícito e culpável. Francisco de Assis.amb. levará em consideração as circunstâncias atenuantes e agravantes.

possuem uma grande habilidade de mentir e se quer apresentam algum sentimento de culpa: São sádicos por natureza e procuram prazeres perversos ao torturar suas presas. 35 CASOY. Quando a vitima morre. portanto. Madras. Serial Killer: Louco ou Cruel?. como imputável. 6 ed. CASOY. 6 ed.19. 2004. controlar e possuir a pessoa. que era ao tempo da ação ou omissão. p. Serial Killer: Louco ou Cruel?. existe uma enorme dificuldade em se diagnosticar um infrator como psicopata ou não. Madras. p.21. 36 CASOY. Ilana. Ao contrario do que muitas pessoas acreditam. ou seja. boa aparência e mostra ser uma pessoa educada e um exemplo social. São Paulo. para poder justamente usar contra o próximo. chegando até ressuscitá-las para brincar um pouco mais. p. Serial Killer: Louco ou Cruel?.37 Existe. quando são descobertos.24. 2004. Ilana. Nesse sentido faz-se difícil o reconhecimento do assassino em série até mesmo pela sociedade. São Paulo. eles novamente são abandonados à sua misteriosa fúria e ódio por si mesmos 34 Fisicamente os assassinos em série não têm nenhuma característica física que possa nos permitir distingui-los das demais pessoas. usam seu charme e sua inteligência. Eles criam uma personalidade para viver em sociedade e outra pra cometer seus terríveis crimes.35 Outra parte importante da característica deles é o controle que necessitam ter sobre suas vitimas. 6 ed. porque esse tipo de assassino tem o que pode ser chamado de dissociação. São Paulo. se o assassino em série é ou não inimputável. Ilana. individuo não portador de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. quando mata. Madras. 33 Vide explicação à página 07 do presente artigo. Segundo Ilana Casoy: “um dos meios de o serial killer estabelecer o controle é degradar e desvalorizar a vitima por longos períodos de tempo” 36 . Ilana. 6 ed. mentem e juram com convicção que jamais fariam aquilo. 37 CASOY. conforme já referido linhas atrás. 2004. São Paulo. pois eles sabem muito bem como atrair suas vitimas. contudo. Tem necessidade de dominar. 2004. Ocorre que. Alguns deles inclusive.Resta averiguar. A maioria tem um emprego. Serial Killer: Louco ou Cruel?. até mesmo por não existirem testes hábeis sendo utilizados no Brasil33. portanto. 34 .16. uma tendência em considerar o psicopata e. p. também o assassino em série. Alguns veem esse momento como o auge de seu prazer e outros só encontram a verdadeira satisfação. Madras. o serial killer sabe sim ter empatia com outro ser humano e é através desse fator que ele determina o que realmente é considerado humilhante e degradante para si mesmo. Isso se da.

fundamentos e finalidades. do Código Penal diz ser isento de pena o agente que. Ed. de personalidade (pelo psicólogo). bem como prevenir futuras infrações penais. 2012. era. caput. 14. ao tempo da ação ou da omissão. L.385. Rogério. Portanto. II. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. p. 26 do Código Penal brasileiro. com todas as suas características. Ed. 2012. p. Porto Alegre. 14. a medida de segurança. Rio de Janeiro: Impetus. caracterizada por reprovar o mal causado pelo agente. 14. 2012. Manual de Psicologia Jurídica para operadores do direito. 42 GRECO. t. Rogério Greco42 explica: Assim sendo”. aquele que for reconhecidamente declarado inimputável. Instituições de direito penal. Curso de Direito Penal Parte Geral. Curso de Direito Penal Parte Geral. Jorge. v. 39 . c) multa. p179. 40 GRECO.664. Ed. pelo menos. TRINDADE. Portanto. do ponto de vista médico (psiquiátrico) ela não parece configurar uma doença no sentido clássico. 593-594.” 41 Nesse sentido. livraria do advogado editora. ensina Jorge Trindade39: Mesmo que a psicopatia seja considerada uma patologia social (pelo sociólogo).473. quais sejam: a) privativa de liberdade. Rogério. ética (pelo filósofo). Nesse sentido. 6 ed. a sanção penal adequada em caso de condenação é a pena. ao tratamento daquele que praticou um fato típico e ilícito. Nesse sentido. Rio de Janeiro: Impetus. sendo que atualmente há uma tendência universal de considerar os psicopatas como plenamente capazes de entender o caráter lícito ou ilícito dos atos que pratica e de dirigir suas ações. apud: GRECO. p. 38 Conforme art. Basileu.inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento38. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Rogério. ou. deverá ser absolvido. 26. Rio de Janeiro: Impetus. p. considerando o assassino em série (enquanto psicopata) como imputável. pois o art. b) restritivas de direitos. 40 Lado outro. educacional (pelo professor). 2012. pois se destina a cura. conforme destaca Basileu Garcia: “têm uma finalidade diversa da pena. 41 GARCIA. enquanto infrator imputável verifica-se que a sanção penal adequada aos assassinos em série é a pena. a pena se divide em três espécies. Curso de Direito Penal Parte Geral.

causando transtornos nos próprios presídios devido a sua personalidade. demore muito mais tempo e seja feita de uma forma bem mais trabalhada que com demais presos. mesmo que no caso. Nesse sentido. pois é certo que na prática do crime. Concluindo. pois o contato entre eles só seria prejudicial para ambas às partes. garantindo dessa forma que a sanção realize seu objetivo que é o da ressocialização.CONCLUSÃO Os serial killers. existem muito mais criminosos psicopatas do que a justiça consegue identificar e por isso. o criminoso psicopata irá receber uma punição por seus crimes com a pena. o certo seria que o psicopata receba uma pena. O presente trabalho defendeu que o psicopata não cabe na qualificação de conduta inimputável. sempre desafiaram a justiça. principalmente porque se faz difícil descobrir a psicopatia em determinada pessoa. devido o difícil trabalho de diagnosticar casos de psicopatia. ele receberá um tratamento sob constante acompanhamento para tentar pelo menos amenizar a psicopatia e assim há uma maior chance que ele não volte a delinquir. porém em uma cela diferenciada da dos criminosos comuns. . eles se misturam aos demais presos. fato que se comprova na tentativa de não ser descoberto que a maioria dos assassinos em série estudados demonstravam. Dessa forma. e após o cumprimento desta. o que dificulta na aplicação da sanção penal adequada. o assassino tinha conhecimento da sua conduta ilícita.

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