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Estabeleça a diferença de produto perigoso, produto defeituoso e produto com

vício, bem como aponte o tipo de responsabilidade que cabe ao comerciante em
cada uma delas.
Segundo dispõe o art.6, I do CDC, é direito fundamental dos
consumidores a proteção da vida, da saúde e da segurança contra riscos provocados por
produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos, oferecidos e colocados no
mercado de consumo. Sabe-se que o produto ou serviço são os principais objetos em
uma relação de consumo e, uma vez que sejam colocados em circulação e apresentem
um defeito (potencial ou real), certamente gerarão a responsabilidade civil do
fornecedor pelos danos causados ao consumidor. Observa-se que as questões relativas a
defeitos dos produtos e serviços estão previstos nos arts. 12 a 14 e os vícios nos arts. 18
a 20, todos do CDC.
A Seção II do CDC trata “Da responsabilidade do fornecedor por danos
decorrentes da nocividade ou periculosidade dos produtos ou serviços”. Estabelece-se,
então, que um produto é considerado defeituoso apresentar risco potencial ou real à
segurança do consumidor ao ser colocado no mercado. Esse defeito pode ser perigoso
ou nocivo, e deve ser a causa do dano, conforme o art. 12, § 1º, do CDC.
Quanto à prestação de serviços, o § 1º, art. 14, do CDC dispõe que: “ O
serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode
esperar, (...)”. A partir deste artigo, entende-se que o defeito do produto/ serviço
geralmente é causado pela falta de segurança que o consumidor do produto ou usuário
do serviço espera receber do fornecedor. Como exemplo, uma falha na segurança dos
bancos pode gerar aos clientes certo dano no caso de assalto ou clonagem de cartão.
Neste caso, o CDC utiliza a responsabilidade objetiva, não havendo
necessidade da demonstração de culpa do fornecedor, visto que este assume todo o
risco pelos danos que os produtos ou serviços possam causar aos consumidores.
Contudo, no caso dos profissionais liberais (engenheiros, advogados, médicos, etc), o §
4º , do art. 14 do CDC, segue a teoria da responsabilidade subjetiva, de forma que o
consumidor deverá provar a culpa do profissional liberal ao deduzir a sua pretensão em
juízo.
Conforme informa o art. 8º do CDC, os produtos ou serviços não poderão
acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. Isto posto, produtos
normalmente perigosos ou potencialmente nocivos (art. 9º do CDC) devem conter
informações a respeito do procedimento para o seu uso, conservação e dos riscos

agrotóxicos. do CDC. 12. A seção III do CDC trata “Da responsabilidade por vício do produto ou serviço” . de seu uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam nos termos do art. etc. armas de fogo. demonstrações práticas.não é lícito ao fornecedor introduzir no mercado produtos e serviços que possam apresentar indevido grau de periculosidade.são relativos à forma de colocação do produto no mercado. I. dedetização. produtor. falha do funcionário. II e III. informações errôneas ou insuficientes sobre o uso do produto. como por exemplo: a escolha de um material inadequado. tendo em vista que o produto ou serviço é defeituoso quando sua utilização colocar em risco a segurança do consumidor ou de terceiro. Informações insuficientes sobre a nocividade do produto ou a forma de evitá-la. produtos fumígenos (produtos nocivos à saúde). 1 Produtos e serviços de alto grau de nocividade ou periculosidade (art. etc. É de se ressaltar que o produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade estar no mercado. Nas hipóteses elencadas . pulverização com herbicidas (serviços nocivo à saúde). A culpa é presumida diante da Teoria da Responsabilidade Objetiva. falha de máquina. incluindo a publicidade. que causou danos. sendo que “a responsabilidade pelo vício do produto ou do serviço é aquela . b) Defeitos de produção – falhas no processo produtivo da linha de produção. 2 O defeito do produto é definido pelo fato de não oferecer a segurança esperada nas circunstâncias previstas quando de sua apresentação. etc. o fornecedor deverá informar de maneira ostensiva e adequada a respeito da respectiva nocividade ou periculosidade . informações técnicas.inerentes ao consumo. fogos de artifício (produtos perigosos). importador. O produto. ameaça a integridade física do consumidor e coloca em risco o patrimônio. Ex. do CDC) . caput. 10. Ex. falha no controle de qualidade. etc. devido ao defeito. Os produtos colocados no mercado se apresentarem defeitos e causarem danos. erro no projeto tecnológico. escolha de um componente químico nocivo ou não suficientemente testado. caracteriza o dever de reparação por parte do fabricante. c) Defeitos de informação . embalagens. tais como: bebidas alcoólicas. Os defeitos podem ser: a) Defeitos de criação .o fornecedor responde pela concepção ou idealização de seu produto.

da embalagem. enfim. participaram da cadeia de fornecimento do produto .II e III. como por exemplo: a embalagem do produto indica peso líquido de 1 (um) quilo. Vícios de qualidade dos produtos são aqueles impróprios ao consumo ou lhes diminuem o valor. tendo o direito de exigir de todos os fornecedores. entretanto é de apenas 900 gramas. do CDC).” 3 Os vícios podem ser de qualidade (art. Vícios de quantidade dos serviços são aqueles decorrentes da discrepância entre a oferta ou mensagem publicitária e os serviços efetivamente prestados. sem prejuízo de eventuais perdas e danos. bem como aqueles decorrentes da divergência do conteúdo com as indicações constantes do recipiente. em perfeitas condições de uso. Garantia do produto e reparação do defeito . monetariamente atualizada. do CDC) ou de quantidade (art.atribuída ao fornecedor por anormalidade que sem causar riscos à saúde e à segurança do consumidor. 19. tornando-os impróprios ou inadequados ao consumo. o fornecedor deverá atender o consumidor em 30 dias para saneamento do vício. Vícios de quantidade dos produtos são aqueles que apresentam disparidade entre o conteúdo e as medidas indicadas pelo fornecedor. rotulagem ou mensagem publicitária. A responsabilidade dos fornecedores quanto aos vícios de qualidade ou quantidade do produto é objetiva e solidária. ou somente de um dos que. de alguns. deteriorados. em desacordo com as normas regulamentares. afeta a funcionalidade do produto ou do serviço nos aspectos de qualidade e quantidade. b) a restituição imediata da quantia paga. c) o abatimento proporcional do preço. efetivamente. do CDC: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. 18. Caso não seja sanado o vício neste prazo.Ocorrendo vício de qualidade. falsificados. não correspondendo as normas regulamentares de prestabilidade. Vícios de qualidade dos serviços são aqueles que tornam os serviços impróprios à fruição ou lhes diminuem o valor. 4 . como por exemplo: data de validade vencida. 18. conforme art. poderá o consumidor exigir alternativamente. ou lhes diminuam o valor. I.

Segundo os incisos I. Vícios ignorados pelo fornecedor: É vedada toda e qualquer fuga da responsabilidade do fornecedor. Por exemplo.078/90) não elencou como causas excludentes de responsabilidade do fornecedor o caso fortuito ou a força maior prevendo algumas excludentes no art. 12. consoante as previsões legais. Vícios ocultos são aqueles que não estão suscetíveis ao consumidor no uso ordinário. Vícios aparentes são aqueles de fácil constatação. num serviço de instalação de carpete. § 3º . do art. § 3º. O caso fortuito e a força maior como causas de exclusão da responsabilidade no Código do Consumidor. quando se tratar de prestação de serviços. O CDC (Lei 8. é afastada a responsabilização do fornecedor. e Cláudia Lima Marques exemplifica: . não seria suficiente para justificar que o defeito seria originado em caso fortuito e na força maior. 12. c) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. b) que. como por exemplo. Vícios ocultos ou redibitórios no Código Civil. a pintura de um veículo cujo capô ficou manchado. o defeito inexiste. perceptíveis de verificação desde logo pelo consumidor. II e III. Apesar da responsabilidade ser objetiva. Excludentes de responsabilidade do fornecedor. o CDC ressalvou algumas causas de "exclusão da responsabilidade” enfatizando a teoria do risco mitigada. ou seja.Para os vícios de quantidade poderá o consumidor requerer o ressarcimento das seguintes formas: a) Substituição da peça viciada b) Substituição do produto por outro c) Restituição da quantia paga d) Abatimento no preço Os vícios podem ser aparentes ou ocultos. ou que só aprecem depois de algum ou muito tempo. quando se tratar de produtos e também no art. embora haja colocado o produto no mercado. A responsabilidade objetiva que norteia as ações dos agentes fornecedores quando da efetiva existência de defeitos. e a ignorância sobre possíveis vícios dos serviços. permitem rejeitar a coisa ou pedir abatimento do preço. segundo os termos do artigo 441. não o exime de responsabilidade. a cola que é de má qualidade e faz com que o carpete se solte depois de certo tempo de uso. quando este provar: a) que não colocou o produto no mercado. § 3o. 14. comporta algumas excludentes a favor de quem deve indenizar.

§ 6º. a responsabilidade está afastada. as pessoas jurídicas responsáveis serão compelidas a cumprir tais obrigações e a reparar os danos causados. a responsabilidade do prestador do . dispõem que: As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniência do Estado”. um registro equivocado em banco de dados. II. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. como as de energia elétrica. água. verificar as condições de seu produto e certificar-se da existência do defeito. 12. Assim. se causado antes do produto ter sido colocado em circulação. havendo vícios de qualidade ou quantidade do serviço. o corte ilícito de energia elétrica" 5 A força maior e o caso fortuito não são causas de exclusão da responsabilidade objetiva prevista no CDC. eficientes e seguros. 7 No caso de descumprimento total ou parcial da prestação de serviços públicos. o nexo de causalidade entre o produto defeituoso e o dano. do Código de Defesa do Consumidor. gás.a devolução indevida de cheque com a anotação ‘sem fundos’.’ 6 Órgãos públicos como fornecedores. § 3º. A Constituição Federal no art. causarem a terceiros. 37. também ficam obrigados ao fornecimento de serviços adequados. quando muito. não pelo caso fortuito ou força maior. portanto. Se causado depois do produto ter sido colocado em circulação. o defeito inexistia no momento da colocação do produto no mercado e. etc. por mínima que fosse. de antes de introduzir o produto no mercado. nessa qualidade. na forma do CDC. expondo: Ora. mas pelo disposto no art. É adotada a responsabilidade objetiva em decorrência da teoria do risco. E mais adiante conclui: “O caso fortuito ou força maior podem elidir. sob normas e controles estatais.. transportes. Segundo Toshio Mukai o “serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados. Os órgãos públicos ou suas empresas concessionárias de serviços. restaria ao fornecedor sempre uma oportunidade. e Ferreira da Rocha apresenta a seguinte argumentação para justificar a não aplicabilidade da força maior e do caso fortuito na esfera das relações de consumo.

João Batista de. Conclui-se. atualizada e ampliada.ambito-juridico. ed. 2ª ed. 1999. construtor. Cláudia Lima. 92 4. MARQUES. do CDC. que com o advento do Código de Defesa do Consumidor. Referências Bibliográficas: 1. 2001. Aspectos da responsabilidade civil por defeitos e vícios dos produtos e serviços em face do Código de Defesa do Consumidor. produtor. p. São Paulo: Atlas. seja proibida sua produção e comercialização. ROCHA. 1999. Concessões. São Paulo : RT. 2001. p. p. 113 7. Toshio. Portal Âmbito Jurídico. Rio de Janeiro: Forense.). p. portanto. et all. São Paulo: Saraiva. Sílvio Luiz Ferreira da.com.. 7 ed. 2ª ed.. 2000. A proteção jurídica do consumidor. Código de Defesa do Consumidor. ALMEIDA.. 3. revista. GRINOVER. 3ª ed. é objetiva. p. permissões e privatizações de serviços públicos. a responsabilidade do fornecedor (fabricante. MUKAI. 627 6. 2000. Disponível em: <http://www. 22. São Paulo: Saraiva. etc. 46-47 3. 1998. Mário de. Gianpaolo Poggio. 2ª ed. 2 CAMARGO SOBRINHO. Acesso em: . São Paulo:Saraiva. p. Ada Pellegrini.serviço público está delineada na Constituição Federal e também no art. 69 5. sendo fundamental que quando um produto ou serviço apresente iminente e injustificável perigo à saúde e à segurança do consumidor. 149 2. parágrafo único. Responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. p. São Paulo : RT. SMANIO. Interesses difusos e coletivos. Jorge Alberto Quadros de. CARVALHO SILVA.br/site/? n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2224>. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Contratos no Código de Defesa do Consumidor : o novo regime da relações contratuais.

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