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FERNANDO MENDES DE QUEIRÓS MAGALHÃES

OS SEDIMENTOS DA PLATAFORMA
CONTINENTAL PORTUGUESA:
CONTRASTES ESPACIAIS,
PERSPECTIVA TEMPORAL,
POTENCIALIDADES ECONÓMICAS

Dissertação apresentada à Universidade de Lisboa para
obtenção do grau de Doutor em Geologia, na especialidade
de Sedimentologia

LISBOA
1999

i

ÍNDICE GERAL

ÍNDICE GERAL ................................................................................................................................ i
ÍNDICE DE FIGURAS ...................................................................................................................... vi
ÍNDICE DE QUADROS .................................................................................................................... xii
RESUMO ........................................................................................................................................... xiv
ABSTRACT ....................................................................................................................................... xx
AGRADECIMENTOS ....................................................................................................................... xxv
I. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 1
1.Objectivos ........................................................................................................................... 1
2. Métodos utilizados ............................................................................................................ 2
2.1. Trabalhos de mar ............................................................................................... 2
2.2. Procedimento laboratorial ................................................................................. 2
2.3. Tratamento dos dados sedimentológicos ........................................................... 4
II. TRABALHOS ANTERIORES ...................................................................................................... 10
1. A evolução no conhecimento da plataforma ..................................................................... 10
2. A assimetria no conhecimento da plataforma ................................................................... 15
3. As características da cobertura sedimentar ....................................................................... 17
3.1. A globalidade da plataforma.............................................................................. 17
3.2. A plataforma norte ............................................................................................. 19
3.3. A plataforma sudoeste ....................................................................................... 20
3.4. A plataforma algarvia ........................................................................................ 22
III. ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO REGIONAIS ................................................... 23
1. Introdução ......................................................................................................................... 23
2. Batimetria e morfologia ..................................................................................................... 25
2.1. Generalidades .................................................................................................... 25
2.2. Plataforma norte ................................................................................................ 25
2.3. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 29
2.4. Plataforma algarvia ............................................................................................ 30
3. Estrutura e litologia ........................................................................................................... 31
3.1. Generalidades .................................................................................................... 31
3.2. Plataforma norte ................................................................................................ 32
3.3. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 32
3.4. Plataforma algarvia ............................................................................................ 34
4. Características hidrográfico-climáticas da zona drenada .................................................. 35
4.1. Generalidades .................................................................................................... 35
4.2. Plataforma norte ................................................................................................ 38

ii
4.3. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 39
4.4. Plataforma algarvia ............................................................................................ 40
5. Litoral ................................................................................................................................ 41
5.1. Generalidades .................................................................................................... 41
5.2. Plataforma norte ................................................................................................ 41
5.3. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 44
5.4. Plataforma algarvia ............................................................................................ 44
6. Neotectónica ...................................................................................................................... 47
7. Súmula ............................................................................................................................... 49
IV. PROCESSOS DE FORNECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO......................................................... 51
1. Introdução .......................................................................................................................... 51
2. Processos de fornecimento ................................................................................................ 51
2.1. Contribuição fluvial ........................................................................................... 51
2.1.1. Correntes de cheia.............................................................................. 54
2.1.2. Influências antrópicas no fornecimento por via fluvial ..................... 55
2.2. Erosão do litoral ................................................................................................ 57
2.3. Movimentos de massa........................................................................................ 58
2.4. Outros processos de fornecimento..................................................................... 58
3. Processos de distribuição................................................................................................... 59
3.1. Estratificação de massas de água ....................................................................... 59
3.2. "Upwelling" costeiro ......................................................................................... 61
3.3. Ondas internas ................................................................................................... 62
3.4. Agitação marítima ............................................................................................. 63
3.4.1. Agitação modal .................................................................................. 63
3.4.2. Temporais .......................................................................................... 64
3.4.3. Potencial de remobilização ................................................................ 64
3.5. Tsunamis ............................................................................................................ 68
3.6. Marés ................................................................................................................. 69
3.7. Sobrelevação do mar de origem meteorológica ................................................ 71
3.8. Deriva litoral ...................................................................................................... 72
3.9. Correntes ............................................................................................................ 75
3.9.1. Correntes na plataforma ..................................................................... 75
3.9.2. Correntes na vertente ......................................................................... 76
3.9.3. Correntes induzidas por diferenciais de pressão................................ 77
3.10. A Oscilação do Atlântico Norte ...................................................................... 77
3.11. Variações seculares do nível do mar ............................................................... 78
4. Resultado da actuação dos paleo-processos ...................................................................... 79
4.1. No máximo glaciário ......................................................................................... 79

iii
4.2. No final do Glaciário e início da deglaciação ................................................... 82
4.3. Durante a deglaciação........................................................................................ 83
4.4. Durante o Dryas recente .................................................................................... 84
4.5. Durante o Holocénico ........................................................................................ 86
4.6. Durante o período histórico a partir do século XI ............................................. 87
4.7. O século XX ...................................................................................................... 89
5. Súmula ............................................................................................................................... 90
V. CARACTERÍSTICAS DA COBERTURA SEDIMENTAR ........................................................ 92
1. Introdução .......................................................................................................................... 92
2. Comparação entre as características médias dos sedimentos ............................................ 92
3. Padrão genérico de distribuição dos sedimentos ............................................................... 95
3.1. Método utilizado ................................................................................................ 95
3.2. Resultados .......................................................................................................... 95
3.3. Distribuição espacial ......................................................................................... 99
4. Características texturais.................................................................................................... 101
4.1. Tipos de sedimentos .......................................................................................... 101
4.2. Distribuição do cascalho.................................................................................... 103
4.3. Distribuição da areia .......................................................................................... 106
4.4. Distribuição da fracção fina (silte+argila) ........................................................ 106
5. Características granulométricas ......................................................................................... 110
5.1. Média granulométrica dos sedimentos .............................................................. 110
5.2. Granulometria do cascalho ................................................................................ 112
5.3. Granulometria da areia ...................................................................................... 112
5.3.1. Média ................................................................................................. 112
5.3.2. Calibragem ......................................................................................... 113
5.3.3. Calibragem relativa ............................................................................ 116
5.3.4. Assimetria .......................................................................................... 118
5.3.5. Variações com a profundidade .......................................................... 120
6. Características composicionais.......................................................................................... 121
6.1. Composição do cascalho ................................................................................... 121
6.2. Composição da areia .......................................................................................... 124
6.2.1. Características principais ................................................................... 124
6.2.2. Componente terrígena ........................................................................ 127
6.2.2.1. Quartzo................................................................................ 129
6.2.2.2. Micas ................................................................................... 137
6.2.2.3. Grãos poliminerálicos.......................................................... 140
6.2.2.4. Outros terrígenos ................................................................. 141
6.2.3. Componente biogénica ...................................................................... 142

iv
6.2.3.1. Moluscos.............................................................................. 143
6.2.3.2. Foraminíferos ...................................................................... 143
6.2.3.3. Equinodermes ...................................................................... 147
6.2.3.4. Outros biogénicos ................................................................ 147
6.2.4. Glaucónia ........................................................................................... 148
6.2.5. Outras partículas ................................................................................ 151
7. Características dos sedimentos e processos associados .................................................... 151
8. Súmula ............................................................................................................................... 153
VI. TIPOS DE PARTÍCULAS SEDIMENTARES............................................................................ 157
1. Introdução ......................................................................................................................... 157
2. Grãos de quartzo ................................................................................................................ 159
2.1. Observações à lupa binocular ............................................................................ 159
2.2. Análise exoscópica ............................................................................................ 161
2.3. Análise química ................................................................................................. 166
3. Clastos de moluscos .......................................................................................................... 169
4. Carapaças de foraminíferos ............................................................................................... 171
5. Glaucónia ........................................................................................................................... 173
5.1. Observações à lupa binocular ............................................................................ 173
5.2. Análise química ................................................................................................. 174
6. Tipos de partículas e implicações deposicionais ............................................................... 176
6.1. Grãos de quartzo ................................................................................................ 176
6.2. Bioclastos de moluscos ...................................................................................... 177
6.3. Carapaças de foraminíferos ............................................................................... 177
6.4. Glaucónia ........................................................................................................... 177
7. Súmula ............................................................................................................................... 178
VII. DEPÓSITOS SEDIMENTARES ................................................................................................ 179
1. Introdução ......................................................................................................................... 179
2. Depósitos sedimentares da plataforma .............................................................................. 179
2.1. Plataforma norte ................................................................................................ 180
2.2. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 190
2.3 Plataforma algarvia ............................................................................................ 195
3. Comparação entre os depósitos sedimentares ................................................................... 200
4. Súmula ............................................................................................................................... 202
VIII. VARIAÇÕES DO NÍVEL DO MAR ........................................................................................ 203
1. Introdução .......................................................................................................................... 203
2. Variações do nível do mar ................................................................................................. 203
3. Transgressões e regressões ................................................................................................ 206
4. Curvas de variação do nível do mar em Portugal .............................................................. 208

v
5. Indícios sedimentológicos ................................................................................................. 210
6. Traços morfológicos .......................................................................................................... 215
7. Mapa de pendores .............................................................................................................. 218
8. Comportamento face à transgressão flandriana................................................................. 221
9. Datações por

14

C ............................................................................................................... 225

10. Súmula ............................................................................................................................. 228
IX. BALANÇO SEDIMENTAR ........................................................................................................ 229
1. Introdução .......................................................................................................................... 229
2. A complexidade dos mecanismos envolvidos .................................................................. 230
3. Ensaios de balanço sedimentar .......................................................................................... 235
3.1. Plataforma norte ................................................................................................ 237
3.2. Plataforma sudoeste ........................................................................................... 240
3.3. Plataforma algarvia ............................................................................................ 242
4. Importância relativa de alguns processos e contribuições................................................. 244
5. As modificações actuais nos balanços sedimentares ......................................................... 245
6. Súmula ............................................................................................................................... 246
X. RECURSOS MINERAIS .............................................................................................................. 247
1. Interesse da exploração...................................................................................................... 247
2. Hidrocarbonetos ................................................................................................................ 249
3. Depósitos de areias e cascalhos ......................................................................................... 249
4. Outros recursos .................................................................................................................. 255
5. Súmula ............................................................................................................................... 256
CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 257
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 263
GLOSSÁRIO ...................................................................................................................................... I

................. N – outros depósitos .... 3 Figura I................4 – Depósitos sedimentares da plataforma algarvia (Moita................ 7 Figura I.......................3 – Batimetria da plataforma norte.... 6 – prodeltas dos rios Arade e Guadiana .............. K – depósitos arenosos da plataforma externa.. 27 Figura III......... G – depósito silto-argiloso do Minho.. B – depósito siltoso do Lima........................ de 20 m entre os 120 e os 200 m e de 100 m abaixo do referido valor ........................... I – depósito silto-argiloso das cabeceiras do canhão submarino do Porto....... L – depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior.... C – depósitos areno-cascalhentos do Cávado................ 24 Figura III.........vi ÍNDICE DE FIGURAS Figura I........... 21 Fig II..........6 – Geologia dos sectores estudados ................................................................... 2 – lodos da plataforma média.. H – depósitos cascalhentos do Beiral de Viana...... Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 100 m de profundidade.............................1 – Evolução da margem continental portuguesa (Pereira..........................................4 – Variogramas experimentais e teóricos da média granulométrica da areia das amostras dos sectores estudados.. 33 . 1991) .....1 – Sectores estudados .5 – Batimetria da plataforma algarvia........... A – depósitos arenosos litorais. E – depósitos areno-siltosos da plataforma média.......................................... 1987) .............................................. M – depósitos lodosos da vertente continental superior......................... 30 Figura III.......................3 – Depósitos sedimentares da plataforma continental portuguesa a norte de Espinho (Magalhães & Dias............................3 – Mapas de isolinhas da superfície dos variogramas experimentais da média granulométrica da areia das plataformas estudadas............. 18 Figura II...... segundo as direcções de máxima continuidade .............. Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 200 m de profundidade e de 200 m abaixo do referido valor ...............................................................2 – Fracção textural dominante nos sedimentos da plataforma continental portuguesa (Dias......................... D – depósitos arenocascalhentos do Ave-Douro......... Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 140 m de profundidade.....................2 – Perfis batimétricos da plataforma continental................................................... 5 – areias costeiras. 1 – lodos da vertente superior.......................... 1992)................................................ F – depósitos arenosos da plataforma média............ 11 Figura II......1 – A margem continental portuguesa (Pereira................ 1986)... segundo Vanney & Mougenot (1981)................ segundo Vanney & Mougenot (1981)..... 22 Figura III.. 31 Figura III....4 – Batimetria da plataforma sudoeste....... J – depósito cascalhento do Beiral de Caminha..... 4 – areias da plataforma média...................................................................... 3 – areias e formações arenosas da plataforma exterior e do bordo.......... de 20 m entre os 160 e os 200 m de profundidade e de 100 m abaixo do referido valor ........... 1991) ........ 28 Figura III.... segundo Vanney & Mougenot (1981).2 – Mapa de amostragem ........................ 1 Figura I. 8 Figura II..

....................................................................................................... b) agitação de tempestade ................Área afectada por barragens para aproveitamentos hidroelécticos ou hidroagrícolas....Guadiana ..................... 48 Figura III................10 – Sistema de ilhas-barreira de Faro-Olhão (Dias.....................2 – Isolinhas do diâmetro máximo remobilizado por temporais não excepcionais .....7 – Área abrangida pelas bacias hidrográficas que desaguam no litoral português (Dias..............5 ka na costa atlântica francesa (Ters........................... 1981) .................... 1984) ........1 – Textura dos grupos de amostras afins .................................... 36 Figura III.........................................................................................................4 – Índice NAO de Inverno................ A dimensão do símbolo é proporcional à magnitude (Cabral................... induzida por: a) agitação normal.... 1990) ................................................................................................................ M-Minho............. 1995) ................................................................ L-Lima..................................................................6 – Curva de variação do nível do mar na plataforma continental portuguesa setentrional (adaptado de Dias..................................... 1976) .............2 – Composição da areia dos grupos de amostras afins ..............................9 – Frequência e velocidade média do vento em diversos locais do litoral (segundo Instituto Hidrográfico. 102 Figura V.................... 80 Figura IV.......................................... 98 Figura V.........................vii Figura III........... 46 Figura III.............7 ................. em m³/ano. 1987) ...8 – Caudais integrais das principais bacias hidrográficas portuguesas (Fiúza.............6 – Distribuição da fracção areia ......Área cuja drenagem não é interrompida por barragens.................. 8 – Variação do nível do mar nos últimos 2........................ 67 Figura IV....... S-Sado................. 37 Figura III...... G... segundo a classificação de Shepard (1954) ......... 1 ........ 96 Figura V....Distribuição da fracção silto-argilosa ... 1998) .... 78 Figura IV. 81 Figura IV........................................... 1988) ..........................11 – Enquadramento geodinâmico da margem continental (Ribeiro.................... 1990)......................... V-Vouga.5 – Variação da posição da frente polar nos últimos 18 ka (Ruddiman & McIntyre........................................................... 107 Figura V..................................................... de 1864 a 1997................................... e tendência linear (Pires et al..... 109 .......... 66 Figura IV.......... C-Cávado........3 – Distribuição dos grupos de amostras afins ................................. 49 Figura IV......................5 – Distribuição da fracção cascalho ..................................................... 2 ...................................7 – Cronologia dos principais períodos da evolução desde o último máximo g1glaciário e das fases de Ruddiman & McIntyre (1981) ......................................................... A-Ave........................12 – Distribuição de epicentros de sismos históricos e instrumentais... 80 Figura IV.............................. 105 Figura V............1 – Isolinhas do diâmetro máximo remobilizado pela agitação mais frequente em cada sector ....... 1994) ................................ 87 Figura V....................................... D-Douro.......................... 73 Figura IV..................... 36 Figura III........................................................................................... 100 Figura V.......................3 – Isolinhas de deriva litoral potencial................................ T-Tejo.....................................................................................................4 – Distribuição dos tipos texturais dos sedimentos......................... MoMondego..............................................

.............................. 128 Figura V.. 134 Figura V..............................20 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção -1 a 0 Ø .. 124 Figura V. 123 Figura V......... 130 Figura V..... 111 Figura V........15 – Distribuição das percentagens de cascalho terrígeno ........................... 121 Figura V........................24 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 3 a 4 Ø......... 162 Figura VI................... 162 Figura VI...........................................................................................................30 – Diagramas representativos da composição da fracção areia das “amostras médias” dos sectores estudados....................... 153 Figura VI.........................25 – Distribuição da percentagem de micas na componente terrígena da areia .8 – Distribuição da média granulométrica dos sedimentos ..........................................................viii Figura V.......................9 – Distribuição da média da areia..............28 – Distribuição da percentagem de glaucónia na areia.......13 – Distribuição percentual média das classes texturais dos sedimentos por classes de profundidade ..............................19 – Distribuição da percentagem de quartzo na areia ....................22 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 1 a 2 Ø...........................................................5 – Grão de quartzo com depósitos em toda a superfície ............................................... 164 Figura VI.....4 – Grão marinho de quartzo que apresenta ainda polimento fluvial ...................................... 115 Figura V.............................................................................................................................29 – Diagramas representativos da textura das “amostras médias” dos sectores estudados . 132 Figura V...........1 – Grão de quartzo com polimento tipicamente marinho.............................. 149 Figura V...... 163 Figura VI.........................................................................10 – Distribuição da calibragem da areia................................................17 – Distribuição da relação entre as percentagens de partículas terrígenas e biogénicas da areia ....... 126 Figura V..................... 144 Figura V...........16 – Distribuição percentual média das classes composicionais da areia por classes de profundidade .................................................................26 – Distribuição da percentagem de clastos de moluscos na areia .............................3 – Grão de quartzo que apresenta marcas de choque com gradiente de polimento ...... 114 Figura V..............27 – Distribuição da percentagem de carapaças de foraminíferos na areia ......................................................................................................23 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 2 a 3 Ø........................ 135 Figura V....... 145 Figura V................................... 120 Figura V........................ 119 Figura V.. 133 Figura V............21 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 0 a 1 Ø........................................................................... 139 Figura V.................................................................................................................................. 164 Figura VI................................................................................................. 136 Figura V................................................6 – Grão de quartzo com depósitos nas depressões e figuras de dissolução nas partes mas salientes ....11 – Distribuição calibragem relativa da areia ..............14 – Distribuição da variação de alguns parâmetros granulométricos da areia por classes de profundidade ............................................................... 165 ..................................................................2 – Rede de dissolução anastomosada num grão de quartzo ................................. 152 Figura V.............................. 117 Figura V..................................................................................................................................12 – Distribuição da assimetria da areia ................................................................................18 – Distribuição da percentagem da componente terrígena da areia ..............

DACPE ...................... 187 Figura VII.....................................11 – Estádios de glauconitização de um substrato granular........ DABPVCS ..................Depósitos litorais............6 – Características médias de depósitos identificados na plataforma sudoeste...........................................4 – Características médias de depósitos identificados na plataforma norte............ 175 Figura VII.. DLPME ... segundo Odin & Matter (1981) .. 188 Figura VII............. 198 ..Depósitos areno-cascalhentos do bordo da plataforma............................ DACPM .........................Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média.....Depósitos lodosos da plataforma média e externa................................... 196 Figura VII........................................ DAPE ...............................................................................ix Figura VI............. DALPME .Depósitos arenosos da plataforma média ......................Depósitos areno-lodosos da plataforma média e externa....Depósitos arenosos da plataforma média .....................................Depósitos litorais........9 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia..................7 – Depressão de grão de quartzo com numerosos cocolitoforídeos ...... 167 Figura VI....... DAPE ............ DACPM ............Depósitos areno-cascalhentos da plataforma externa............... 184 Figura VII... 192 Figura VII...................................... DL .......... DAPM ...... algumas das quais apresentam contornos bastante angulosos ...... DLVCS ..10 – Inclusões de aluminossilicatos....... titânio e ferro num grão de quartzo ....8 – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma algarvia .......... DACPM ..........................Depósitos arenosos da plataforma externa ................................Depósitos lodosos da vertente continental superior .............Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média.....7 – Características médias de depósitos identificados na plataforma sudoeste..........5 – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma sudoeste ...................................................Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior..................................... DL .... 165 Figura VI............ 169 Figura VI. DLVCS ....................................1 – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma norte ..10 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia............Depósitos arenosos da plataforma média e externa .................................... DASPM - Depósitos areno-siltosos da plataforma média.......................... 181 Figura VII.............Depósitos arenosos da plataforma externa .................Depósitos lodosos da vertente continental superior...... 194 Figura VII............3 – Características médias de depósitos identificados na plataforma norte.... 166 Figura VI. 191 Figura VII.... DABPVCS Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior......................................... DAPME ............................................. DAPM .......... 197 Figura VII.................. DL .....Depósitos litorais...................... DLPME - Depósitos lodosos da plataforma média e externa.............................. DACBP ........................9 – Localização dos grãos de quartzo submetidos a análise química ............Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média..................................2 – Características médias de depósitos identificados na plataforma norte.8 – Grão de quartzo baço e com numerosas marcas de choque.....

....a norte de Espinho....5 – Variação da média granulométrica da areia com a profundidade em diferentes sectores da plataforma: a ................ Nos casos em que existem duas estimativas para o mesmo processo. 209 Figura VIII... respectivamente.......... Nos casos em que existem duas estimativas ....4 – Variação da média granulométrica da areia com a profundidade ........... BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena.......Algarve ocidental................................. Estimativas em m³/ano.............. 206 Figura VIII.......... Os lonsângulos...............3 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma sudoeste.....8 – Esboço de mapa de pendores dos sectores estudados ........................ 207 Figura VIII....................... f .........12 – Datações (média e erro padrão) de material carbonatado proveniente da plataforma algarvia ..........................................................2 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma norte.. 212 Figura VIII..... curvas teóricas previstas por modelação numérica para estas regiões e curva eustática ... 236 Figura IX.......................9 – Possível configuração dos paleolitorais na plataforma norte ........3 – Curva de variação do nível do mar no sotavento algarvio (Bettencourt.. biogénica e autigénica da areia..........................7 – Distribuição dos traços morfológicos por classes de profundidade . às “saídas” e à acumulação de material..................Algarve oriental ................. Os lonsângulos.. às “entradas”......... (1978) ...................................... 216 Figura VIII...........x Figura VII.....Depósitos arenosos do bordo da plataforma.11 – Possível configuração dos paleolitorais na plataforma algarvia .............. DABP .............. 213 Figura VIII......... 218 Figura VIII................. 226 Figura VIII.......11 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia............. os quadrados e os círculos referem-se...............1 – Provável percurso seguido pelas partículas sedimentares “modernas” nos sectores estudados............ respectivamente..10 – Possível configuração dos paleolitorais na plataforma sudoeste ............. 199 Figura VIII....... TER..................... 219 Figura VIII.................. no estuário do Sado e em sistemas lagunares portugueses ....... respectivamente........ DLVCS .... d ........... Vicente........... a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas.........entre Sines e o cabo de S..... 222 Figura VIII................. às “saídas” e à acumulação de material.............. 224 Figura VIII....................................................................................14 – Relação entre a profundidade e as datações obtidas em diferentes áreas do litoral português..... 227 Figura VIII......................Depósitos lodosos da vertente continental superior . deconhecidos e diminutos. 238 Figura IX................................................ 228 Figura IX......................... c ......1 – Distribuição espacial das zonas do modelo de Clark et al.... b ..........entre Espinho e o cabo Mondego......................... os quadrados e os círculos referem-se........................... 223 Figura VIII...............13 – Relação entre a profundidade e as datações (média e erro padrão) de material carbonatado proveniente da plataforma algarvia............... Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos................entre o canhão de Setúbal e Sines..6 – Áreas nas quais foi detectada a presença de possível "beach rock". 1994) ................2 – Curvas de variação do nível do mar propostas para o Golfo do México e para a costa atlântica francesa. às “entradas”........ e ...............................

.. 254 .. Os lonsângulos. Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos...... às “entradas”....... deconhecidos e diminutos..... Nos casos em que existem duas estimativas para o mesmo processo........................ biogénica e autigénica da areia............................... 243 Figura X...............6 – Distribuição dos depósitos cascalhentos (a) e arenosos (b) na plataforma norte .....................................xi para o mesmo processo............ os quadrados e os círculos referem-se.4 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma algarvia...................... Estimativas em m³/ano... deconhecidos e diminutos...... BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena................................................ 253 Figura X. Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos. respectivamente...5 – Áreas ocupadas pelos depósitos de inertes nos sectores estudados ............ a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas..........................................................3 – Distribuição dos grupos texturais de Nickless (1973) ... respectivamente..........................2 – Diagrama ilustrativo das categorias usadas na classificação de Nickless ........................................................................................................... 252 Figura X................... TER.. TER.. 250 Figura X..... 254 Figura X.............1 – Classificação das reservas e recursos minerais do fundo do mar (segundo McKelvey........... às “saídas” e à acumulação de material..... Estimativas em m³/ano........................................... biogénica e autigénica da areia............. 241 Figura IX................................. 1968) ....... 247 Figura X.......... a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas................... respectivamente.........4 – Distribuição dos depósitos de inertes .............. BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena..............................

........................................)...III – Caudais (m³/s) de cheias importantes ocorridas no Douro nos séculos XVIII a XX.......VI – Valores médios dos azimutes..........II – Algumas características dos principais rios que afluem ao litoral português (Dias......... 1987) ..................F..... após a construção de barragens .. 72 Quadro IV...II – Estimativa do material presumivelmente transportado na totalidade (Sed......... Os valores positivos representam componentes dirigidas para este (componente u) e para norte (componente v)...........................)................................................................ 1990) .......................................................................................................... 9 Quadro III.... junto ao fundo (T......) pelos principais rios que drenam para os sectores estudados............... 35 Quadro III.......................................xii ÍNDICE DE QUADROS Quadro I.............) pelos principais rios que drenam para os sectores estudados......................................VII – Volumes sedimentares (VS) associados à subida do nível relativo do mar (NM) nos sectores estudados...................... 65 Quadro IV............... segundo as direcções de máxima continuidade............................................. 76 Quadro IV.......... a extensão das praias (EP) e a distância à costa (DC) correspondente à profundidade de fecho do perfil de praia (PF) ................................ segundo Feio et al.................................... para cada região.......... o primeiro valor refere-se à situação de Verão e o segundo diz respeito à situação de Inverno ............................................ 59 Quadro IV...... T........ 41 Quadro IV.......IV – Caudais (m³/s) de cheias importantes ocorridas no Guadiana nos séculos XIX e XX..........) e em suspensão (T........F....... das celeridades e das componentes este-oeste (u) e norte-sul (v) de correntes obtidas nos sectores estudados...............) e em suspensão (T........ ........................................... segundo Ministério do Ambiente (1996) .......III – Frequência (%) e velocidade média anual (km/h) das direcções do vento que atingiu a costa ocidental no período 1951-1980 (segundo Instituto Hidrográfico.. 52 Quadro IV. (1986) ... 79 .................. em regime natural ...... Figuram ainda.S....... (1950) e Loureiro et al.I – Características dos sectores da plataforma continental portuguesa considerados por Dias (1987) ............................................................................. Para cada parâmetro...................I – Parâmetros dos variogramas teóricos da média granulométrica da areia das amostras dos sectores estudados....I – Estimativas do material presumivelmente transportado na totalidade (Sed.. 1986) e de tempestade (Costa..........V – Estimativas de diversos autores para a resultante anual da deriva litoral ............... junto ao fundo (T.. 1992/3/4) ..................IV – Alturas e períodos utilizados na estimação do potencial de remobilização induzidas pela agitação modal (Pires & Pessanha............................. 26 Quadro III. T.....S.. 39 Quadro III......................................... 57 Quadro IV...................................................................

.............................................................................. o desvio padrão e o domínio de variação . 245 Quadro X................ Para cada variável indica-se a média.......................... 211 Quadro VIII..............................I – Composição de grãos de quartzo ......................................................... com base na variação da média da areia ....................... A itálico encontram-se representadas os grupos de amostras que parecem apresentar maiores semelhanças ............................... 217 Quadro IX. 1991c) .................................................II – Profundidades aproximadas a que se detectam indícios granulométricos de paleolitorais em diferentes sectores da plataforma. Os valores fora de parêntesis indicam a média e os valores dentro de parêntesis referem-se ao domínio de variação ...........................................II – Volume dos depósitos de inertes identificados nos sectores estudados ........... 97 Quadro VI............ 255 ....................................................... 214 Quadro VIII........................................................................ sudoeste (B) e algarvia (C) ................................................................................................................................I – Características dos depósitos de inertes.I – Percentagens relativas mínimas e máximas de partículas "modernas" da fracção areia dos sedimentos superficiais ............................ 168 Quadro VI............................................................. 176 Quadro VII...................II – Resultados da aplicação do teste de Mann-Whitney aos sedimentos dos sectores estudados..............................................III – Características médias das variáveis consideradas para a partição da amostragem em grupos................II – Comparação entre algumas caracteristicas dos depósitos das plataformas norte (A)..........................................II – Análise química de grãos de glaucónia da plataforma continental (Magalhães et al.............................xiii Quadro V..............................................................................................III – Comparação entre algumas caracteristicas dos depósitos das plataformas norte (A)................................................. 237 Quadro IX..........................................I – Profundidades aproximadas a que se detectam indícios granulométricos de paleolitorais com base na variação da média da areia .. 254 Quadro X..........I – Taxas de acumulação determinadas nos depósitos lodosos ao largo do Minho (DM) e nas proximidades das cabeceiras do canhão submarino do Porto (DCP) ........................................................II – Caudais sedimentares (em m³/ano/km²) correspondentes a diferentes processos e contribuições .......... 251 Quadro X.... 200 Quadro VII...........................................................III – Características dos depósitos cascalhentos e arenosos da plataforma norte............................................. 201 Quadro VIII.......................................... 94 Quadro V.. Os valores fora de parêntesis indicam a média e os valores dentro de parêntesis referem-se ao domínio de variação ...........................I – Resultados da aplicação do teste de Mann-Whitney aos sedimentos dos sectores estudados...................................................................... A itálico encontram-se representadas os grupos de amostras que parecem apresentar maiores semelhanças ...... sudoeste (B) e algarvia (C) ............ 93 Quadro V................................ 185 Quadro VII..III – Elementos morfológicos identificados nos sectores estudados ..........

Estas características contrastam fortemente com as do sector sudoeste. e as litologias dominantes são essencialmente constituídas por rochas carbonatadas e xisto-grauváquicas. existe marcado contraste entre os sectores da costa ocidental (norte e sudoeste) e sul. A ondulação mais frequente que atinge a coste norte caracteriza-se por período de 8 s e altura de 2 m. a magnitude dos 1 O conceito segundo o qual este e outros termos são empregues no presente trabalho encontra-se no glossário final. e em que as litologias dominantes são essencialmente constituídas por rochas xisto-grauváquicas. Estas características localizam o sector sul numa posição intermédia entre os outros no que se refere aos factores mencionados. Pretende-se também quantificar. à grande área das bacias para aí drenantes (superior a 120 000 km²). cuja área drenante é de apenas 2 600 km². o pendor médio dos pequenos rios aí existentes é pequeno. na medida do possível. No que respeita à agitação marítima. em que o pendor médio dos pequenos rios existentes é muito moderado. em que a pluviosidade média é bastante inferior a 1 000 mm/ano. A selecção dos três sectores considerados teve por base as características contrastantes dos processos de fornecimento 1 e de distribuição de partículas na plataforma continental. Vicente) e o sector sul (plataforma algarvia).6 m no sector sudoeste e para 4. entre os quais se incluem o abastecimento fluvial e a agitação marítima. entre outros factores. o sector sudoeste (entre o canhão de Setúbal e o cabo de S. O presente trabalho foca em particular o sector norte (a norte do cabo Mondego). ao perfil relativamente jovem da maior parte dos rios que aí afluem e às litologias dominantes nessas bacias (em que avultam rochas granitóides e formações xistograuváquicas). O estudo realizado no presente trabalho pretende averiguar em que medida os sedimentos superficiais não consolidados de cada um desses sectores reflectem essa diferenciação nos mecanismos forçadores dos processos de fornecimento e distribuição de partículas sedimentares. a pluviosidade média é bastante inferior a 1 000 mm/ano. visto que a área drenante é de 70 600 km². O sector sul contrasta também fortemente com o sector norte.8 s e 0. à elevada pluviosidade média (superior a 1 000 mm/ano e ultrapassando 2 000 mm/ano nalgumas bacias hidrográficas). devido. . O sector norte é caracterizado por forte abastecimento fluvial.93 m no sector sul. hidrográfico-climáticas e oceanográficas se reflectem nas respectivas coberturas sedimentares. As características da agitação marítima associada a situações de tempestade apresentam também forte contraste.xiv RESUMO A plataforma continental portuguesa pode ser dividida em diversos sectores cujas características morfológicas. Estes valores diminuem para 7 s e 1.

As distribuições da fracção silto-argilosa e de alguns parâmmetros granulométricos e composicionais da areia parecem relacionar-se com as características dos materiais actualmente fornecidos pelos rios e/ou pelas arribas. tendo sido utilizados os resultados provenientes das análises textural e da fracção grosseiras de cerca de 900 amostras de sedimentos. Com o objectivo de identificar e interpretar o padrão geral de distribuição sedimentar recorreu-se à aplicação de técnicas de análise multivariada de dados. São em seguida sucessivamente analisadas: as características texturais dos sedimentos. Verifica-se tendência geral para esta fracção ocorrer em duas faixas grosseiramente paralelas à costa. os padrões de distribuição do cascalho terrígeno e das fracções mais grosseiras de quartzo parecem concordar com os esquemas de evolução pós-glaciária que têm sido propostos para os sectores estudados. bem como a sua granolumetria e composição (com especial incidência na fracção areia). por vezes. as características gerais dos depósitos sedimentares e a aplicação de um esquema classificativo genético a estes depósitos. encontram-se representadas todas as restantes classes consideradas no diagrama classificativo de Shepard (à excepção das classes argila e argila arenosa). bastante mal definidas. Esta análise preliminar permitiu detectar algumas características comuns aos três sectores analisados. os diferentes tipos de partículas presentes nos sedimentos. O sector norte apresenta sedimentos fortemente cascalhentos em que a componente terrígena apresenta valores significativamente elevados. o que está de acordo com o bom abastecimento de materiais provenientes do continente que para aí foram e são drenados pelos numerosos rios que afluem ao litoral. as quais são. com os respectivos deltas de vazante e com paleolitorais.xv volumes envolvidos nos principais processos de transferência de materiais. Todavia. à semelhança do que sucede geralmente a nível mundial. mais bioclástica e menos cascalhenta que a interna. que aparentemente revela controlo batimétrico. O tipo textural mais abundante é a areia. foi interpretada em termos de dinâmica sedimentar. bem como outras específicas de cada um. enquanto que a componente carbonatada é predominantemente constituída por clastos de moluscos e carapaças de foraminíferos e a componente autigénica é constituída por glaucónia. Este abastecimento de origem fluvial que. o que indicia a presença de elevados níveis energéticos junto ao fundo. A plataforma externa é mais lodosa. A componente terrígena da areia é dominada por quartzo. e identificar os pricipais recursos não vivos existentes na plataforma continental. cuja distribuição. A distribuição do cascalho parece relcionar-se com as paleo-desembocaduras dos rios mais importantes. De uma forma geral. . Os sedimentos da cobertura não consolidada da plataforma e vertente são geralmente grosseiros. A técnica utilizada para a partição da amostragem conduziu ao estabelecimento de 8 grupos de amostras afins.

A hipótese de diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo e resultantes da interação dos factores oceanográficos com a batimetria permite justificar tal facto. do Cávado. orientação geral da costa. Constata-se ainda a existência de contraste latitudinal evidente. bem como no bordo da plataforma. e na plataforma externa.xvi presumivelmente. A escassa diversidade textural destes sedimentos encontra-se provavelmente relacionada com a inexistência actual de rios importantes e com a regularidade de pendor e exposição à ondulação da plataforma. em menor extensão. O padrão de distribuição dos sedimentos é significativamente diferente a norte e a sul de Sines. O cascalho ocorre principalmente na plataforma média. A Veia de Água Mediterrânea e as correntes eventualmente associadas ao canhão de S. da batimetria e do bordo da plataforma. Nalguns dos mapas analisados. podendo clarificar vários dos problemas relacionados com a proveniência dos sedimentos. O desenvolvimento de trabalhos conjuntos com investigadores que estudem a plataforma galega permitirá o estudo global da plataforma galaico-minhota. A areia é dominada pela componente biogénica. é certamente responsável pela existência de um depósito silto-argiloso de grande importância (pelo menos ao nível regional) junto das cabeceiras do canhão submarino do Porto. presença de afloramentos de rochas consolidadas. ondulação dominante. a componente biogénica. em ligação aparente com as paleo-desembocaduras do Ave. em ligação aparente com os afloramentos rochosos aí existentes. A inexistência de bordo nítido a sul de Sines contribui possivelmente para uma maior mistura de partículas. esta região apresenta características de sedimentação predominantemente terrígena até cerca dos 100 m de profundidade. na qual é menos terrígeno e menos grosseiro. existe acentuado contraste entre a plataforma externa localizada a norte e a sul do canhão submarino do Porto. e estado de abarrancamento do bordo da plataforma. a qual é dominada por clastos de moluscos e carapaças de foraminíferos. cujo ponto de inflexão se situa à latitude aproximada de 41ºN. intensidade da deriva litoral. em possível relação com a intensidade do "upwelling" que aqui se verifica e a fraca “diluição” por partículas terrígenas. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores frequentemente interdependentes. O facto de o bordo da plataforma apenas ser evidente na região setentrional permite explicar esta diferença de comportamento. A distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos sugere importação de materiais da região localizada imediatamente a norte. É neste sector que ocorrem as mais elevadas percentagens de glaucónia. em geral. Abaixo desta profundidade predomina. No que se refere à areia. . Vicente parecem desempenhar papel significativo na distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos. como sejam: tipo de desembocadura dos rios principais. se atenuou recentemente. do Douro e. O sector sudoeste é dominado pela classe textural areia.

diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo. exibem carácter relíquia.xvii Por último. A observação à lupa binocular das partículas mais abundantes (grãos de quartzo. da batimetria e do bordo da plataforma. Os conteúdos em materiais silto-argilosos são geralmente elevados. além do Guadiana. sugerindo níveis energéticos substancialmente inferiores e forte deficiência. de entre os quais se podem citar: presença de sistema de ilhas-barreira. Por exemplo. No sector norte detectou-se a existência de depósitos areno-siltosos. são ainda apresentados dados de composição química e de observações efectuadas com o microscópio electrónico de varrimento. clastos de moluscos. No caso específico dos grãos de quartzo. a sedimentos . orientação geral da costa. em fase activa de formação. a sedimentos neotéricos (partículas modernas). os depósitos areno-cascalhentos correspondem a sedimentos que se terão constituído durante períodos de abaixamento do nível relativo do mar que interromperam a transgressão generalizada ocorrida durante o último período pós-glaciário. Na plataforma média e externa e na vertente continental superior dos três sectores foram cartografados depósitos lodosos. de acordo as partículas que os constituem. que afluam a esta região e com o tipo e constituição do relevo. O cascalho e a areia são predominantemente bioclásticos. Estas características indicam um contraste marcado com os sectores virados a oeste. o sector que passa a ser referido por plataforma algarvia é o que apresenta maior diversidade de classes texturais. Os depósitos arenosos distribuem-se desde a zona litoral até à vertente continental superior. carapaças de foraminíferos e grãos de glaucónia) permitiu identificar partículas presumivelmelmente integradas no actual ciclo deposicional (modernas) e partículas retomadas de anteriores ciclos (relíquia). correspondem. Foram identificados depósitos areno-cascalhentos na plataforma média (nos três sectores). ondulação dominante. no abastecimento de elementos terrígenos das fracções areia e cascalho. A integração das características granulométricas e composicionais das amostras colhidas nas sectores estudados permitiu identificar diversos depósitos sedimentares. Existe contraste longitudinal na distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos. Os depósitos modernos. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores. na plataforma externa (no sector norte) e no bordo da plataforma (no sector sudoeste). As observações efectuadas à lupa binocular e a análise dos processos de fornecimento e de distribuição de partículas operantes nos sectores estudados permitiram aplicar um esquema de classificação genética dos sedimentos utiliza as inter-relações existentes entre estes processos. pelo contrário. principalmente na parte ocidental. É neste sector que os fragmentos de "beach-rock" são mais abundantes. Tal deficiência encontra-se relacionada com a inexistência de rios importantes. intensidade da deriva litoral. Os depósitos identificados encontram-se relacionados com o ciclo de deposição actual ou. estado de abarrancamento do bordo da plataforma.

Os dados obtidos permitiram elaborar balanços sedimentares simplificados para as regiões analisadas. As fracções granulométricas mais grosseiras têm características palimpsésticas. são apresentados esquemas de síntese que pretendem representar o percurso seguido pelas partículas sedimentares. Os depósitos areno-cascalhentos são sedimentos anfotéricos a palimpsestos. são classificados como sedimentos palimpsestos (se contiverem partículas modernas e relíquia) ou como sedimentos relíquia (se não se encontarem contaminados por partículas recentes). chegando a ser relíquias ou protéricas. embora com tendência anfotérica variável. Contudo. consideram a plataforma como um sistema “fechado”. Os depósitos relíquia. constituídos no passado. Além destes esquemas de balanço que. A viabilidade . A utilização de tal pressuposto permitiu apresentar presumíveis configurações de paleo-litorais em divesos estádios da evolução pós-glaciária. neotéricas. Os depósitos lodosos. provavelmente. sugerem que. A sua análise permite comparar a importância de alguns processos e mecanismos operantes ao nível da dinâmica sedimentar. contrariamente ao que tem sido defendido por diversos autores. as fracções silte e argila são. bem como os traços morfologicos detectados e a cartografia de pendores. a plataforma continental sensu strictu e profundidades superiores à mesma. a fracção intermédia é anfotérica. correspondentes a tentativas preliminares de quantificar a magnitude dos processos responsáveis pela transferência de materiais. o nível do mar se aproximou da presente cota há cerca de 6 000 anos. Os recursos minerais da plataforma continental portuguesa que apresentam maior viabilidade de exploração são as areias e os cascalhos. em especial na plataforma norte. Apenas foram explicitamente considerados o continente emerso. A extensa área que estes depósitos ocupam. a curva de variação do nível relativo do mar anteriormente proposta para a plataforma continental setentrional é igualmente aplicável à região a sul do canhão submarino de Setúbal. as suas características e as profundidades médias a que ocorrem impõem-nos como alternativa válida às explorações tradicionais. a zona litoral. até cero ponto. os quais se podem relacionar com os condicionalismos específicos de cada região. as datações disponíveis na bibliografia a que se teve acesso indicam que. Os depósitos arenosos correspondem a sedimentos que variam desde neotéricos (na plataforma interna e em parte da média) a palimpsestos (em parte do bordo da plataforma e da vertente continental superior). areno-lodosos e areno-siltosos correspondem a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. A elevação do nível do mar que constitui a transgressão flandriana é um dos principais mecanismos que condicionam o padrão de distribuição dos sedimentos não consolidados. as fracções mais finas da areia são geralmente neotéricas. A granulometria e a composição dos sedimentos superficiais dos sectores estudados.xviii protéricos (partículas antigas) ou a sedimentos anfotéricos (constituídos por ambos os tipos de partículas). embora apenas parcialmente.

bem como a sua adjacência a diversos pólos consumidores importantes (cidades e zonas industriais). Não foram ainda encontradas evidências conclusivas da existência de petróleo na margem continental portuguesa.xix económica da sua exploração é ainda aumentada pela existência de diversas instalações portuárias e de vários rios importantes nas proximidades destes depósitos. a análise de perfis sísmicos obtidos na região entre os cabos Raso e Espichel permitiu identificar outros hidrocarbonetos (provavelmente metano) nos sedimentos da plataforma continental. . É ainda de assinalar a ocorrência de glaucónia. No entanto. fosforite e sal-gema.

which are dominated by granites and schist-graywacke formations. The predominant waves that arrive to the northern sector are characterised by 8 s periods and 2 m heights. climatologic and oceanographic characteristics can be individualised in the portuguese continental shelf. Textural and coarse fraction analysis of around 900 samples were integrated and submitted to a clustering technique in order to derive clusters of «close» samples. hydrographic.8 s and 0. The distribution of such clusters. The northern sector is characterised by strong river input. The three sectors are also characterised by very distinct wave climates. wave climates associated with storms are also very different. whose average rainfall is much lower than 1 000 mm/year.93 m in the southern sector.xx ABSTRACT Several sectors with distinctive geological. The present work aims at determining to what extent does the unconsolidated sediment cover of the continental shelf reflect the differences in the supplier and distributor processes. 7s and 1. namely river input and wave climate. there is a strong rainfall (its mean value being higher than 1 000 mm/year and reaching 2 000 mm/year in some basins) and rivers have relatively young profiles. River gradients and average rainfall are similar to the ones of the southwestern sector.6 m in the southwestern sector and to 4. As expected. The drainage basins of the major rivers. These sectors were selected on the basis of the contrasting characteristics of the processes that supply and distribute particles over the continental shelf. and in which the existing small rivers have low gradients. the draining area being 70 600 km². The southern sector also shows a strong contrast with the northern one. morphological. cover a large area of more than 120 000 km². of the southwestern sector (between the Setúbal Canyon and the Cabo de S. which appears to be depth controlled. the southern sector occupies an intermediate position as far as river input is concerned. These values decrease to. On the basis of these characteristics. was interpreted on the basis of their characteristics and related to the major sedimentary dynamics' mechanisms . Two other objectives of this study are the quantification of the volumes involved in the major sediment transfer processes and the identification and characterisation of the most important minerals resources of the continental shelf will be identified. respectively. The present work rests on a comparative study of the northern sector (north of Cabo Mondego). These characteristics show a strong contrast with those of the south-western sector. In addition. Vicente) and of the southern one (Algarve shelf). whose draining area (which is dominated by carbonate rocks and schist-graywacke formations) is only 2 600 km².

With the exception of clay and sandy clay. whereas the carbonate component of this fraction is included in the "foramol" association and authigenic materials correspond mainly to glaucony. grain-size and composition. Some material is probably coming from the north.g. being related with high energy levels close to the bottom. The terrigenous sand component is generally dominated by quartz. as suggested by the distribution of some sedimentological characteristics. outer shelf sediments are generally muddier than those found in the inner shelf. Gravel is seemingly related with ancient major river mouths and connected ebb deltas. The distributions of the muddy fraction and of sand grain-size and composition are apparently related to the characteristics of materials that are currently being supplied by rivers and/or by cliffs. b) the different types of modern and relict sedimentary particles. the Cávado. Some distribution patterns (e. which could also be responsible for a large muddy deposit which occurs near the heads of the Porto submarine canyon. of terrigenous gravel and of the quartz coarser fractions) appear to generally agree with the post-glacial schemes that have been proposed for the studied regions. Surface sediments from the shelf and upper slope are predominantly coarse-sized (sandy). The strong contrast found in the outer shelf north and south of the Porto submarine canyon is possibly related to differences in energy levels which occur close to the bottom. Gravel occurs mainly in the mid shelf (in apparent relation with the Ave. allowing for the global study of the northiberian shelf. however. which are sometimes very poorly defined. High gravel contents are detected in some sediments from the highly drained northern sector. Material of this grain-size tends to occur along two broadly shore-parallel bands. . this supply has probably been drastically reduced. all the textural types included in Shepard's classification diagram were detected. This analysis allowed the detection of some characteristics that are common to all three sectors and of others which are only related to a particular sector. The following aspects are subsequently discussed: a) the sediment texture. c) the characterisation and genetic classification of the sedimentary deposits mapped in all sectors.xxi which operate on the shelf. as a consequence of the interaction of bathimetry and oceanographic factors. in agreement with an intense ancient and present river supply. as well as with ancient shorelines. with a special emphasis on the sand fraction.. These are characterised by higher contents of river-borne particles and gravel. Recently. river mouths) and in the outer shelf (poorer in the terrigenous component and probably related with rocky outcrops). As detected elsewhere in the world. This hypothesis must be confirmed by future joint research studies carried out in the Galician shelf. to a lesser extent. the Douro and.

bathimetry and shelfbreak general direction. and shelfbreak morphological differences. as well as near the shelfbreak. . which seems to be more acute in the western Algarve. differences in coastal. and shelfbreak morphological differences. probably accounting for a higher degree of particle mixture. different wave climates. biogenic particles (namely. Sand is dominantly terrigenous until -100m. Sandy deposits occur in a wide depth range. The scarcity in textural diversity is probably related to the absence of presently important rivers and to the regularity in the shelf's slope and exposure to wave action. The greatest diversity in textural classes occurs in the southern sector. suggesting lower energy levels in the Algarve and pointing towards a strong deficiency of terrigenous sand and gravel elements. In between. presence or absence of rocky outcrops.xxii The sedimentological pattern reveals an evident contrast north and south of 41º N. Sand is dominantly made of river-borne particles. Silty sand deposits were mapped north of Cabo Mondego. longshore drift currents with different magnitudes. in relation with upwelling intensity. bathimetry and shelfbreak general direction. Among the frequently inter-dependent factors which could be helpful in explaining this latitudinal dissimilarity. The shelfbreak is not clearly marked south of Sines. from the littoral to the upper slope. different wave climates. differences in coastal. and with the prevailing morphologies and lithologies. The overall characteristics of sediments from this sector and from the other two are quite different. Sediment distribution patterns are significantly different north and south of Sines. Several deposits were identified on the basis of sediment texture and composition. Mud contents are generally high. longshore drift currents with different magnitudes. in the outer shelf (in the southwestern sector) and in the shelf (in the northern sector). The following can be considered: presence of a barrier-island system. Muddy deposits were identified in the mid and outer shelf and in the upper slope of all deposits. This deficiency is probably related with the absence of important rivers draining to this shelf. The Mediterranean outflow and the currents that are possibly connected with the S. Gravely sand deposits occur in the mid shelf (in all sectors). molluscs and foraminifers) are predominant in this fraction. Vicente canyon seem to play an important role in the distribution of some sedimentological parameters. Several factors are probably responsible for the evident longitudinal contrast detected in the distribution of some sediment characteristics. The highest beach-rock contents are detected in this area. the following can be included: type of river mouths. The sand textural type dominates the southwestern sector. The highest glaucony contents in sand are found in this sector. Gravel and sand are dominated by bioclastic particles. with the exception of the Guadiana.

mollusc. therefore. slightly amphoteric sediments. According to this classification. Their analysis allows the comparison of the major processes and mechanisms related with the sedimentary dynamics of each sector. medium sand is amphoteric. The observations under the binocular microscope were combined with the analysis of the processes that supply and distribute particles over the shelf and slope in order to apply a genetic classification scheme that uses the existing relations between those processes. to some extent. Sediment grain-size and . which are inherited. on the contrary. data concerning composition and observations under a scanning electron microscope are also presented. gravely sand deposits were probably formed during periods of relative sea level low stands that have probably interrupted the generalised transgression induced by the last deglaciation. as preliminary attempts to quantify the magnitude of processes which influence material transfer. with a variable amphoteric tendency. Gravely sand deposits have an amphoteric to palimpsest character. Sandy deposits correspond to sediments which range from neoteric (in the inner shelf and in some areas of the mid shelf) to palimpsest (in some areas of the shelfbreak and upper slope).xxiii Quartz. In the mid shelf. muddy sand and silty sand deposits are neoteric. ancient (proteric sediments) or a combination of both (amphoteric sediments). Sea-level rise corresponding to the flandrian transgression is a very important forcing mechanism of the sedimentary cover distribution pattern. In the case of quartz grains. For instance. This led to the identification of particles that are presently being deposited and of those. foraminifers and glaucony particles were examined under a binocular microscope. The possible paths undergone by sediment particles are also schematically presented. the nearshore zone. from previous deposition cycles. viewed as a “closed” system. the finer sand fractions are generally neoteric. The identified deposits are related with the present deposition cycle or. clay and silt are probably neoteric. muddy. allowing for the assessment of the importance of some processes and mechanisms related with sedimentary dynamics. in which the continental shelf is. Deposits formed in the past are similarity classified on the basis of whether they contain entirely ancient particles (relict sediments) or an admixture of modern and ancient particles (palimpsest sediments). undergone more changes since they were first deposited. The coarsest fractions exhibit palimpsest or even relict or proteric characteristics. Only the continent. the continental shelf (sensu strictu) and greater depths were explicitly considered in these budgets. reveal a relict character. The latter are presumably older and have. Actively forming deposits are classified on the basis of whether the constituent particles are modern (neoteric sediments). Simplified sedimentary budgets were elaborated using all the obtained data. they seem to be more defined and continuous than those occurring at greater depths.

as well as their characteristics and depths of occurrence. as well as geomorphologic evidence. Some areas that are enriched in glaucony. This has allowed the mapping of possible ancient shorelines in different stages if the postglacial evolution. No conclusive evidences of oil in the portuguese continental margins were yet found. However. the analysis of seismic reflection profiles obtained in the area between the Raso and Espichel capes has revealed the possible presence of other hydrocarbons (probably methane) in sediments. and of their closeness to several consumption areas (namely. the available 14 C dates indicate that present sea level was attained around 6. to some extent. cities and industrial areas). be applied for the region south of Setúbal canyon. particularly in the northern sector. The large area occupied by these deposits.xxiv composition. The mineral resources that are more likely to be exploited in the near future are sands and gravels. makes them a valid alternative to traditional exploitations. phosphorite and salt have also been detected. . as suggested in some previous studies. suggest that the sea-level curve which has been proposed can also. However.000 years BP and not earlier. The economical feasibility of their exploitation is increased by the existence of several harbours and important rivers in the vicinity of these deposits.

Luís Saldanha. Monge Soares. Amélia Paiva. co–responsável pela orientação da presente dissertação. pela orientação. de Anabela Oliveira no processamento laboratorial de parte da amostragem. ao Prof. Manuela Matos e a Júlio Cunha. a Helder Borges. à Prof. Guto Roberts. a António Chaveiro. pelas fotografias ao SEM. que me incutiu o gosto pela Geologia Marinha. ao Dr. pela identificação de algumas partículas de foraminíferos. ao Eng. Alveirinho Dias. Teresa Azevedo. Magalhães Ramalho. ao saudoso Prof. na pessoa do seu Director. a todos os colegas do grupo DISEPLA pelo apoio manifestado desde o início dos trabalhos que conduziram à realização da presente dissertação e pelas frutuosas discussões durante a elaboração da mesma. críticas e sugestões no decurso do trabalho. Carlos Sá. Helena Bacelar Nicolau. ao Prof. pela identificação de algumas partículas de briozoários e de coraliários.xxv AGRADECIMENTOS A execução do presente trabalho não teria sido possível sem a contribuição de diversas pessoas e entidades. pelos difractogramas realizados. Fernanda Leal e Aida Seabra pela colaboração prestada no processamento laboratorial da amostragem. é da mais elementar justiça salientar a prestimosa colaboração de Rui Taborda nas componentes informática e gráfica da mesma. Agradeço ainda a colaboração de Teresa Drago na digitalização de diversas cartas. pela determinação da composição de grãos de quartzo com o auxílio do SEM. ao Prof. de Aurora Rodrigues na disponibilização de algumas interpretação realizadas no âmbito das suas actividades e de Hélder Pereira na cedência de resultados inéditos de datações por 14C. Fernando Barriga. à Dra. pelas análises químicas e fotografias ao SEM. pelo apoio estatístico e informático. ao Museu Nacional de História Natural (Mineralogia e Geologia). pelo auxílio na interpretação das fotografias dos grãos de quartzo ao microscópio electrónico de varrimento (SEM). pelas datações por 14C. traduzidas . ao Eng. pelas facilidades concedidas para a realização do presente estudo. nomeadamente: ao Prof. a quem desejo expressar os mais sinceros agradecimentos. à Prof. pela determinação da composição de grãos de glaucónia com a microssonda electrónica. De entre estes. Galopim de Carvalho. bem assim como na discussão sobre os processos de fornecimento e distribuição de partículas e sobre as variações do nível do mar.

. à Fundação para a Ciência e a Tecnologia. pela cedência de dados e amostras colhidos no âmbito do programa SEPLAT. um agradecimento especial.xxvi nomeadamente na disponibilização de instalações e da lupa binocular e na colaboração de diversos técnicos que aí trabalham. bem como pela disponibilização de dados de correntometria e pelas facilidades concedidas para a realização do presente estudo. ex–Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica. na pessoa do seu Director-Geral. por me incutirem o gosto do saber e o culto da verdade. traduzido no subsídio de diversos projectos no âmbito dos quais este trabalho foi desenvolvido e na atribuição de diversas bolsas de investigação. A meus pais. ao Instituto Hidrográfico. pelo imprescindível apoio financeiro.

oceanográficas e de dinâmica costeira se reflectem nos sedimentos aí presentes. Pretende-se ainda inventariar os principais recursos não vivos da plataforma continental e. As características morfológicas e de abastecimento sedimentar de cada sector. e entre o cabo de S. correntes. Vicente e o rio Guadiana (fig. A análise dos elementos disponíveis nos estudos até agora efectuados sobre a cobertura sedimentar da plataforma continental portuguesa permite concluir que. A de facto. na medida do possível. Objectivos A plataforma continental portuguesa pode ser dividida em diversos sectores cujas diferentes características fisiográficas.00 100000.00 C Figura I. bem como os factores oceanográficos mais relevantes (ondas. . O estudo das respectivas coberturas sedimentares permite avaliar a influência das especificidades próprias de cada sector. I.1). Vicente. entre o canhão submarino de Setúbal e o cabo de S. O presente trabalho versa sobre a cobertura sedimentar de três desses sectores. respectivamente. que não é abordado devido à inexistência de amostragem ou à morosidade inerente ao tratamento laboratorial da mesma.00 Fica um troço vazio entre os dois primeiros. INTRODUÇÃO 1. correspondente à área entre o cabo Mondego e o canhão 0.1 I. localizados a norte do cabo Mondego. existem diferenças significativas e bem marcadas nos sedimentos presentes nos diversos sectores passíveis de individualização. marés e "upwelling") permitem esboçar algumas hipóteses de relações sobre o tipo de sedimentação ocorrente em cada um deles e as configurações actuais e passadas dos principais processos de fornecimento e de distribuição de partículas nos respectivos depositários. proceder à sua caracterização e quantificação volumétrica.1 – Sectores estudados. que se deverão repercutir na magnitude dos volumes sedimentares envolvidos nos principais processos de transferência de materiais. A selecção dos sectores estudados teve por base as características contrastantes dos mecanismos de fornecimento e de distribuição de partículas. os quais serão designados por plataformas norte. B -100000. sudoeste e algarvia. submarino de Setúbal.

I. Procedimento laboratorial O tratamento laboratorial das amostras foi realizado no Laboratório de Sedimentologia do Instituto Hidrográfico. o sector sudoeste entre 1979 e 1985. "Smith-McIntyre" e "Shipeck" (fig. para obtenção das fracções cascalho.5 cm. Trisponder e Magnavox.1. Em cada fracção determinou-se a frequência de cada uma das seguintes classes composicionais consideradas em Dias (1987): quartzo. mica. 2. lavagem com água destilada para eliminar os sais dissolvidos e peneiração por via húmida utilizando crivos de 2 mm e 63 µm. 2. utilizando colhedores tipo "Van Veen". agregados (fragmentos líticos. principalmente. No decurso destes cruzeiros foi ainda obtida informação batimétrica em contínuo. tendo a sua localização sido efectuada através dos sistemas de posicionamento Raydist. durante um período de cerca de 20 anos. A fracção areia (e a fracção cascalho. A análise granulométrica da fracção silto-argilosa foi efectuada pelo método da pipetagem.2. «Andrómeda». utilizando a metodologia aí em uso. areia e silto-argilosa. argilosos).2). As fracções resultantes da peneiração da areia foram examinadas à lupa binocular no Museu Nacional de História Natural e no Instituto Hidrográfico. As operações de colheita foram realizadas no decurso de diversos cruzeiros promovidos pelo Instituto Hidrográfico a bordo. dos Navios Oceanográficos «Almeida Carvalho». A granulometria da fracção areia das amostras colhidas entre os paralelos dos rios Minho e Cávado foi também efectuada com uma balança de sedimentação tipo Gibbs (1974) construída no Instituto Hidrográfico. «Auriga» e «D. sudoeste (250) e algarvia (236).2 2. A plataforma algarvia foi amostrada entre 1974 e 1982. Trabalhos de mar As amostras foram colhidas entre a zona litoral e a vertente continental superior. bem como perfis de reflexão sísmica (utilizando um sistema tipo Sparker 72 J e 1000 J) e de sonar de pesquisa lateral. arenitos com cimento carbonatado e agregados silto- . quando presente em quantidade superior a 5% da amostra) foi posteriormente peneirada a seco de 1 Ø em 1 Ø com vista à obtenção de alíquotas para observação à lupa binocular. e a região a norte do cabo Mondego entre 1986 e 1991. A peneiração das areias serviu ainda para determinar a sua granulometria. utilizando método análogo ao descrito por Shepard & Moore (1954). Jeremias». na qual a altura da queda das partículas é de 162. Métodos utilizados Para os objectivos do presente trabalho foram estudadas 903 amostras de sedimentos superficiais das plataformas norte (417). isto é: ataque com peróxido de hidrogénio para destruição da matéria orgânica.

outros terrígenos (nomeadamente feldspatos e minerais pesados). foraminíferos bentónicos.00 40000.00 8º 48' C.00 60000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 Sa gre s 37º 10' Faro 100 150 36º 45' 120000. glaucónia e outros (não identificados. determinou-se a composição total da areia. N. equinodermes (espículas. Porto V.00 20000.00 Amostra de sedimento Figura I. S. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 60000. carvão e escória). Com base na composição de cada fracção.00 020000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 000.bal C. Foram também registadas as características .00 105000.00 010000. outros biogénicos (classe na qual se incluíram partículas derivadas de outros organismos.00 8º 50' 140000. entre os quais ostracodos.00 80000. placas e fragmentos de carapaças). foraminíferos planctónicos.00 20km 9º 15' 155000.00 100000.00 20km ão rtim Po 7º 40' 160000.2 – Mapa de amostragem. V icen te 40º 30' 0.00 0 40000.00 40000. moluscos.00 0. 0.00 80000.00 Rocha 240000.00 30000.00 200000. briozoários e espículas de espongiários). Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C. Setú 150 100 50 50 150 100 3 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 20000.

1949. 2. Emery & Stevenson. equinodermes. Walger (1962). que são parâmetros tradicionalmente usados em sedimentologia e que constituem descritores de uma curva de Gauss. calcários. tendo Inman (1952) concluído que. Griffiths. 1978). Foram também calculadas a média. O carbono total foi determinado com o auxílio do "LECO carbon determinator" e o carbono orgânico pela diferença entre o carbono total e o carbono dos carbonatos. carvão e escória. 1937. a calibragem e a assimetria da areia. que determina a classificação textural do sedimento.4 morfoscópicas mais evidentes dos principais tipos de grãos presentes em cada fracção observada. as melhores calibragens. foraminíferos. o estado de rolamento dos grãos de quartzo). moluscos. outros terrígenos poliminerálicos. Em consequência. que parece apresentar maior significado sedimentológico (Magalhães et al. Tratamento dos dados sedimentológicos Os parâmetros granulométricos utilizados neste trabalho foram calculados através da formulação de Folk & Ward (1957). à qual se assimila a curva de distribuição em estudo. A percentagem de carbonato de cálcio foi calculada a partir da medição gasométrica do dióxido de carbono libertado após a digestão de uma toma das amostras com ácido clorídrico. Os dados utilizados para a determinação da média granulométrica da totalidade do sedimento foram os pesos das fracções de peneiração da areia e do cascalho e as quantidades de silte e de argila determinadas por pipetagem. a média é o parâmetro. Inman. O significado sedimentológico destes parâmetros parece diminuir com o grau ou ordem dos momentos com base nos quais são determinados. como acontece na maior parte dos casos estudados. em geral. outros terrígenos monominerálicos. quais os constituintes de cada uma e quais as características dos tipos de grãos presentes em cada fracção (por exemplo. eficácia (Dias. mica. granitos. dos atrás referidos. xistos. as modas e os parâmetros granulométricos e imprime ainda as curvas de distribuição e acumulativa.2 mm exibem. utilizando . Neste trabalho são utilizados dois parâmetros que se referem à calibragem da areia. 3. utilizando um programa adaptado e modificado a partir do programa SEDIME 3 (Dias. segundo o método descrito por Hulseman (1966). obviamente.. 1951. Os dados provenientes da análise com o sedimentómetro de areias foram tratados em computador. quartzitos. outros biogénicos. Desde há muito tempo se verificou que o coeficiente de calibragem é dependente da média granulométrica (p. As classes consideradas foram as seguintes: quartzo. 1957). Quando esta apresenta mais do que uma moda e se afasta da curva de Gauss. ex: Krumbein & Aberdeen. esses descritores perdem.1 a 0. assumindo que a percentagem de argila nas classes superiores a 12 Ø é nula. Também o cascalho foi examinado à lupa binocular para determinar se a componente mais importante era a terrígena ou a biogénica. normalmente. 1987). os sedimentos com médias de 0. 1988).

5 numerosos exemplos de várias áreas do mundo. os dados correspondentes ao cascalho e os relativos à areia. permite a determinação do coeficiente de calibragem relativa. construíram-se diagramas integrando a informação sedimentológica obtida (como os preconizados por Shepard. tornando-se as areias mais finas e mais grosseiras progressivamente menos bem calibradas. Com os dados obtidos efectuou-se um tratamento estatístico sumário. respectivamente. assim como a composição total das referidas fracções texturais. Todos estes dados se encontram reunidos numa única base de dados. Por outro lado. 1973) e desenharam-se mapas de distribuição regional das diferentes variáveis. Fundamentalmente. A primeira coluna de todos os ficheiros sequenciais corresponde ao número de acesso das amostras estudadas. Na sua construção. a areia fina (2 a 3 Ø) tende a apresentar os valores mais baixos de calibragem. . areia. a utilização de ficheiros de acesso aleatório possibilita maior rapidez na inclusão de novos registos e na obtenção dos seus valores. que é a mais pormenorizadamente descrita e analisada no decurso do presente trabalho. e ao número de grãos contados em cada uma das referidas fracções. demonstrou a existência de uma dependência sistemática entre estes parâmetros granulométricos. relacionada com o valor de calibragem desse material. silte e argila). Os registos incluídos nestes ficheiros correspondem ao peso das fracções resultantes da peneiração da areia e do cascalho. pois que os valores numéricos são convertidos em «strings» de 2 "bytes" e os valores de precisão simples em «strings» de 4 "bytes". No presente trabalho. os ficheiros de acesso sequencial incluem dados que. que é independente da média. e do seu conteúdo nas diferentes fracções texturais (cascalho. A utilização destes programas permite obter a frequência e a composição de cada uma das fracções do cascalho e da areia. Segundo os diagramas apresentados por este autor. É o caso da localização das amostras (coordenadas X e Y e profundidade). a qual. permitindo ainda condensação maior da informação contida em cada registo. após o seu armazenamento. Estes dados de base são posteriormente tratados por dois programas desenvolvidos em BASIC (versão Quick-BASIC). feita através da combinação de diferentes ficheiros sequenciais por intermédio de um programa escrito em BASIC. A maioria destes dados diz respeito a variáveis relacionadas com a fracção grosseira dos sedimentos (areia e cascalho). que trabalham. não são objecto de tratamento posterior. foram utilizados mecanismos de aviso e/ou salvaguarda para minimizar as possibilidades de erro e/ou de inconsistência da base de dados. a determinação do coeficiente de calibragem relativa foi efectuado utilizando as tabelas apresentadas por Flemming (1977) Os dados utilizados no presente trabalho encontram-se armazenados em diversos ficheiros de acesso sequencial e/ou aleatório. do seu teor em carbonatos e em carbono. A dependência entre a média e a calibragem conduziu Walger (1962) ao estabelecimento do conceito de calibragem elementar (calibragem óptima atingível pelo material com dada dimensão granulométrica).

6
Os mapas de distribuição regional das variáveis sedimentológicas cujos valores possuem
uma distribuição contínua foram traçados automaticamente, tendo, com esse objectivo, sido
aplicado conceitos relativos à análise espacial das mesmas.
As caracterísicas exibidas pelos sedimentos e cujos padrões de distibuição serão
discutidos em capítulo posterior correspondem a variáveis regionalizadas, cujos valores
dependem fortemente da localização das amostras (latitude, longitude e profundidade). No
entanto, esta dependência

não é determinista. Na realidade, o comportamento destas

variáveis caracteriza-se pela coexistencia de uma componente aleatória, relacionada com a
irregularidade do fenómeno que se pretende analisar, e de uma componente estruturada, que
traduz a correlação existente entre os diversos locais onde a variável foi amostrada. Estas
variáveis encontram-se intimamente ligadas ao seu suporte, entendido como o volume e
orientação espacial de uma determinada amostra.
As variáveis regionalizadas podem exibir comportamento anisótropo, o que evidencia
continuidade espacial diferente segundo direcções distintas.
A anisotropia é normalmente visualizada através da construção de variogramas
experimentais, que representam os valores da variância em função da distância entre os
pontos amostrados. O ajuste destes variogramas a um modelo teórico permite obter um
adequado modelo conceptual necessário para a construção de mapas de distribuição de
parâmetros sedimentológicos através do traçado automático de isolinhas por computador.
Foi utilizada a krigagem como estimador da distribuição espacial das variáveis
analisadas. A comparação entre

diversos métodos de estimação permite concluir ser a

krigagem o que geralmente produz melhores estimativas (Isaaks & Shrivastava, 1989). Este
método apresenta ainda as vantagens de considerar a anisotropia espacial dos dados e
quantificar os erros associados às estimativas obtidas (Davis, 1986).
Segundo Magalhães & Taborda (1995), a utilização da geostatística apresenta diversas
vantagens em relação aos métodos tradicionais de cartografia sedimentar. Efectivamente, os
métodos baseados na aplicação destes conceitos são rápidos, eficientes e menos sujeitos a
factores subjectivos. A correcta aplicação do método proposto por estes autores permite
ainda obter indicações relevantes para o melhor conhecimento dos mecanismos relacionados
com a dinâmica sedimentar da plataforma continental, contribuindo de forma decisiva para o
aperfeiçoamento de um modelo conceptual que integre e interrelacione os diversos
mecanismos e factores envolvidos na mesma.
Não obstante as referidas vantagens, é reduzido o número de trabalhos publicados sobre
os sedimentos das plataformas continentais que aplicam este método de análise,
contrariamente ao que sucede, por exemplo, em hidrogeologia (p. ex.: Chambel & Almeida,
1990) ou em biologia (p. ex: Freire et al., 1992)

7
Não é objectivo do presente trabalho efectuar uma análise geostatística aprofundada. Por
essa razão, apenas se referem os aspectos directamente relacionados com a aplicação da
variografia e da krigagem à elaboração de mapas de distribuição.
As variáveis analisadas exibem geralmente elevada anisotropia espacial. Na plataforma
continental virada ao Atlântico, as direcções de máxima e mínima continuidade espacial são,
respectivamente, N-S e E-W. Estas direcções invertem-se na plataforma algarvia (fig. I.3).

5000
0
-5000
-10000
-5000 0
5000
Separação segundo E-W (m)

ALGARVE

10000
5000
0
-5000
-10000

Separação segundo N-S (m)

10000

SUDOESTE
Separação segundo N-S (m)

Separação segundo N-S (m)

NORTE

-5000
0
5000
Separação segundo E-W (m)

4000
2000
0
-2000
-4000
-6000
-2000
2000
6000
Separação segundo E-W (m)

Figura I.3 – Mapas de isolinhas da superfície dos variogramas experimentais da média
granulométrica da areia dos sectores estudados.
Esta anisotropia encontra-se certamente relacionada com a acção dos processos
responsáveis pela distribuição de partículas na plataforma.
As principais direcções de anisotropia foram utilizadas no cálculo dos variogramas
direccionais. Na fig. I.4 apresentam-se, a título exemplificativo, variogramas direccionais da
média granulométrica da areia, calculados segundo a direcção de máxima continuidade
espacial para cada sector.
Os variogramas experimentais obtidos através da utilização do programa VARIOWIN
(Pannatier, 1993) foram, na maioria dos casos, ajustados a modelos exponenciais definidos
pelo patamar w , pelo alcance a e pelo efeito pepita C. O quadro I.I indica os valores de w,
de a e de C para os variogramas da fig. I.4.
Os diferentes alcances segundo as principais direcções de anisotropia (dita geométrica,
visto o valor do patamar se manter inalterável) permitiram definir a respectiva elipse.
Os parâmetros resultantes do ajuste dos variogramas experimentais foram utilizados na
estimação por krigagem, através do programa SURFER for Windows (Golden Software,
1994), da distribuição espacial das variáveis analisadas, segundo uma malha regular. Este
método de estimação foi posteriormente utilizado na construção de mapas de distribuição
de parâmetros sedimentológicos através do traçado automático de isolinhas por computador.

8
NORTE
1.6

1.28
G
a

.96

m
a

.64

.32

0
0

18000

--- VALORES TEORICOS

36000

54000

72000

90000

76000

95000

72000

90000

Distancia (m)

VALORESEXPERIMENTAIS

SUDOESTE
1.2

.96
G
a

.72

m
a

.48

.24

0
0

19000

--- VALORES TEORICOS

38000

57000

Distancia (m)

VALORESEXPERIMENTAIS

ALGARVE
.85

.68
G
a

.51

m
a

.34

.17

0
0

18000

--- VALORES TEORICOS

36000

54000

Distancia (m)

VALORESEXPERIMENTAIS

Figura I.4 – Variogramas experimentais e teóricos da média granulométrica da areia das
amostras dos sectores estudados, segundo as direcções de máxima continuidade.
Quadro I.I – Parâmetros dos variogramas teóricos da média granulométrica da areia das
amostras dos sectores estudados, segundo as direcções de máxima continuidade.

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Sectores
w
a
C

Norte Sudoeste Algarve
0.9083 0.5794 0.7479
37500 52500 13500
0.4
0.35
0.02

Nestes mapas foi incluída também a delimitação dos afloramentos de rocha consolidada.
Recorreu-se, para tal, a informação expressa em diversos trabalhos, de entre os quais se
referem os de Instituto Hidrográfico (1986a, 1986b) e de Rodrigues & Ribeiro (1992/3/4).

10

II. TRABALHOS ANTERIORES

1. A evolução no conhecimento da plataforma
A primeira referência aos sedimentos da margem continental portuguesa (fig. II.1)
encontra-se em Murray & Renard (1891). Estes autores descrevem as amostras colhidas na
viagem do «H.M.S. Challenger» de Inglaterra para Gibraltar, dando notícia da presença de
areias e lodos verdes ao largo da costa de Portugal. Contudo, o estudo sistemático da
plataforma continental portuguesa apenas se iniciou no começo deste século. Este assunto
encontra-se contemplado com algum detalhe nas sínteses efectuadas por Dias (1987, 1997) e
Pereira (1992).
Os primeiros trabalhos sobre a cobertura sedimentar da plataforma continental portuguesa
foram publicados entre 1913 e 1941 pela "Missão Hidrográfica da Costa de Portugal" do
Ministério da Marinha, cuja constituição é descrita em Lacerda (1911), e correspondem a 8
folhas da Carta Litológica Submarina, que visava fundamentalmente o inventário de fundos
para as pescas. Em consequência da publicação da referida Carta, Portugal tornou-se um dos
primeiros países do mundo a dispôr de um reconhecimento sedimentológico preliminar da sua
plataforma continental.
Não obstante o carácter inovador para a altura e o valor intrínseco das referidas folhas,
principalmente se se tiver em conta que o trabalho foi realizado há mais de 50 anos, as
informações que delas se podem extrair são vagas e bastante limitadas. A amostragem foi
classificada de forma expedita, não tendo sido publicados, à excepção dos trabalhos de Sousa
(1913), Gomes (1915-16) e Nobre (1926), quaisquer outros elementos baseados em estudo
mais pormenorizado das amostras.
Contudo, os dados adquiridos no decurso dos trabalhos conducentes à elaboração das
folhas da Carta Litológica Submarina permitiram reconhecer as principais diferenças no perfil
da plataforma continental e identificar os acidentes morfológicos maiores, como os canhões
da Nazaré, de Lisboa e de Setúbal, tendo-lhes sido atribuída génese relacionada com a
tectónica (Ramalho, 1921, 1932; Machado, 1933, 1934; Andrade, 1933, 1934, 1937, 1942).
A II Guerra Mundial induziu um desenvolvimento tecnológico acelerado, principalmente
no que respeita ao domínio marinho. Com efeito, constituindo o mar um campo de batalha
priveligiado, o desenvolvimento verificado nas técnicas de detecção e de reconhecimento foi
espectacular. Terminada a guerra, as novas tecnologias então desenvolvidas, bem como os
conhecimentos adquiridos, foram progressivamente postos à disposição da sociedade civil. A
aplicação destas novas e dispendiosas técnicas (entre outras, magnetometria e gravimetria
marinhas, reflexão e refracção sísmicas e sonar de pesquisa lateral) conduziu à publicação, nas

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1 – plataforma continental
2 – vertente continental
3 – limite superior da planície abissal
4 – planaltos e bancos marginais
5 – relevos na planície abissal
6 – dorsal activa
7 – dorsal fóssil
8 – ponto triplo
BG – banco de Gorringe
C.A. – canhão de Aveiro
C.C. – canhão de Cascais
C.N. – canhão da Nazaré
C.L. – canhão de Lisboa
C.P. – canhão do Porto
C.Po. – canhão de Portimão
C.S. – canhão de Setúbal
C.S.V. – canhão de S. Vicente
EE – Esporão da Estremadura
FAC – Fossa de Álvares Cabral
MD – Montanha dos Descobridores
MP – Montanha do Porto
MPA – Montanha dos Príncipes de Avis
MV – Montanha de Vigo
MVG – Montanha de Vasco da Gama
PP – Planalto de Portimão
PS – Planalto de Sagres
RL – Rincão do Lebre
T – Tore

Figura II.1 – A margem continental portuguesa (Pereira, 1991).

a falta de infra-estruturas existente em Portugal reflecte-se no facto de. razoavelmente conhecida no início da década de 70. que detectou o prolongamento submarino do maciço eruptivo de Sines. a realização dos cruzeiros científicos LUSITANIE na plataforma portuguesa e a transferência para a Armada do navio oceanográfico «Almeida Carvalho» (anteriormente o «U. Stride et al.. 1969). nos seus aspectos gerais. dos programas institucionais “Sedimentos Superficiais da Plataforma” (que pretende actualizar as folhas da Carta Litológica Submarina. 1965). que foi mais tarde incluída num artigo de síntese (Monteiro. 1970) e a utilização do sonar de pesquisa lateral no reconhecimento da morfologia das cabeceiras dos canhões submarinos (Belderson & Stride. a realização de furos do projecto internacional “Deep Sea Drilling Project” (DSDP) no Banco de Gorringe e na montanha Submarina de Vigo. 1967. a estrutura e a cobertura sedimentar não consolidada da plataforma continental. Keller»). praticamente não existirem trabalhos publicados por investigadores portugueses. Os perfis de reflexão sísmica começaram a ser divulgados em estudos regionais sobre a plataforma e vertente continentais (Curray et al. entre outros. Berthois et al.. Devido a toda esta informação. Os anos 70 e 80 constituíram um período fecundo no estudo da margem oeste-ibérica. 1969. Os factores que determinaram a redinamização das geociências marinhas propiciaram o início. De entre os referidos factores. a morfologia da plataforma e vertente oeste-ibéricas (Berthois & Brenot. Nutter. os artigos que versam sobre a existência de correntes ascendentes no canhão submarino de Setúbal e de rochas expostas nas suas vertentes (Pères et al. A redinamização dos estudos no âmbito das geociências marinhas ficou a dever-se. em Portugal.. à convergência de diversos factores de índole nacional e/ou internacional. 1968. a outorga de licenças a diversas empresas petrolíferas para a realização de reflexão sísmica na plataforma continental. 1965). Roberts & Stride. a importância das correntes marinhas na morfologia do fundo (Mèlieres et al.S. Kudrass & Thiede. 1969). 1970).12 décadas de 50 e 60. 1959).. transcendem a margem portuguesa. normalmente. Giesel & Seibold. 1964.. a realização da 3ª Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar..S. de diversos trabalhos. o reconhecimento generalizado das potencialidades económicas do leito do mar. enquadrados em projectos que. 1968. 1957). através de um levantamento sistemático e da caracterização da natureza dos fundos da plataforma continental e da vertente . com algum pormenor. 1971). podemos citar os seguintes: a imposição plena da teoria da tectónica de placas. A colaboração de investigadores nacionais e estrangeiros permitiu melhorar o levantamento batimétrico da margem continental e estudar. o reconhecimento magnético ao largo da costa portuguesa (Allan. a geologia da magem continental portuguesa era. São de referir. 1965). os sedimentos da plataforma e vertente continentais (Lamboy. 1968. e de Galhano (1963). Porém. 1966. o enquadramento da margem continental ibérica no contexto do Atlântico Norte (Heezen et al. à excepção dos de Pacheco (1962). sobre a fauna de foraminíferos ao largo da costa algarvia. a proveniência dos sedimentos da planície abissal ibérica (Duplaix et al. em 1974. em todo este período.

mais laboriosa e morosa.13 superior portuguesas). É o caso dos trabalhos que envolveram realização de furos do DSDP. (1978) e que constitui a Carta geológica da plataforma continental portuguesa. Baldy. No início da década de 70 foram publicados artigos que foram incluídos no 1º Congresso Luso-Hispano-Americano de geologia económica (Lima. Estes trabalhos conduziram à apresentação de diversas teses (p.ex. foram realizados predominantemente por estrangeiros embora com participação frequente de portugueses. menor impacto internacional a curto prazo) foram maioritariamente elaborados por investigadores portugueses. 1985). 1982). Mougenot. Os trabalhos realizados com a primeira linha de investigação. b) a memória de Vanney & Mougenot (1981) sobre a análise geomorfológica da plataforma. sobre os recursos da margem continental (p. reflexão sísmica ligeira e pesada. Monteiro & Moita. e dos dados obtidos pela prospecção petrolífera. 1980/81.ex. sobre o significado . e cujos resultados obtêm. 1971). chave da evolução quaternária. em geral. Os trabalhos que visaram a cobertura sedimentar da plataforma e a sua morfologia superficial. 1980. O trabalho desenvolvido no âmbito destes programas permitiu a produção de numerosos artigos e de importante documentação cartográfica.. 1986. Matos. O grande volume de informação obtida conduziu à elaboração de dois importantes documentos de síntese: a) o mapa expresso em Boillot et al. 1977).. batimetria e sonar de pesquisa lateral com equipamento altamente sofisticado e observação do fundo a partir de submersíveis. bem como à publicação de numerosos artigos. 1984. Moita. frequentemente. obtenção de testemunhos de sedimentos profundos. Em consequência da investigação desenvolvida essencialmente pela equipa de Boillot e por investigadores britânicos. 1986. Gaspar. Este período fecundo caracteriza-se por uma tendência dicotómica no tipo de trabalhos realizados. do Instituto Hidrográfico (Moita. ex.. 1977. 1971. 1983/85. Dias. 1976. A estes se seguiram muitos outros sobre os padrões de distribuição da cobertura sedimentar e a dinâmica correlativa (p. 1981.: Monteiro et al.: Dias et al. que envolvia meios técnicos mais dispendiosos e sofisticados e cujos resultados eram susceptíveis de maior impacte ao nível da comunidade científica internacional.. e “Reconhecimento Geológico e Inventariação dos Recursos Minerais da Margem Continental Portuguesa” (visando o estudo geológico da margem e a avaliação integral e sistemática dos recursos da mesma). 1981.: Musellec. que envolvem meios técnicos menos sofisticados e menos dispendiosos (cuja realização é. da Direcção-Geral de Geologia e Minas (Monteiro et al.. 1977). correspondente às duas linhas de investigação anteriormente delineadas: a da génese e evolução da margem e a do estudo dos seus sedimentos. 1982. embora com alguma participação portuguesa. verificaram-se grandes avanços na cartografia geológica da plataforma portuguesa e no conhecimento da sua estrutura e geomorfologia. Monteiro et al. 1974. Bevis & Dias. magnetometria. Moita & Galopim de Carvalho. Dias & Nittrouer. 1986). Dias et al. 1985. 1971.

Entre os trabalhos produzidos desde 1987 (muitos dos quais realizados por investigadores que desenvolvem as suas actividades no âmbito dos referidos projectos). de financiamento específico para as Ciências Marinhas. são de referir os que se relacionam com a caracterização do padrão de distribuição dos sedimentos não . A execução destes projectos traduziu-se num significativo avanço do conhecimento da plataforma continental portuguesa. propiciando o desenvolvimento de diversas linhas de investigação interrelacionadas. Quevauviller. e pela Carta Neotectónica de Portugal (Cabral & Ribeiro. Bevis & Dias. 1978.: Ubaldo & Otero. Quevauviller & Moita. assim como a notícia explicativa que acompanha esta última (Moita. São as teses de Dias (1987) sobre os sedimentos e a evolução pós-glaciária da plataforma. bem como pelas notícias explicativas correspondentes (Oliveira. ex. ao nível sedimentológico. ex. 1973/74). 1992. sobre novas técnicas sedimentológicas (p. de Regnauld (1987) sobre a geomorfologia da vertente continental e de Sibuet (1987) sobre a geodinâmica do Atlântico NE. 1982-83) e 8 (1987-88) da Carta Geológica de Portugal na escala 1/200 000. 1992) No final da década de 80 foram publicadas 5 teses em que. 1988). Vicente (Instituto Hidrográfico. 1989a. ressaltam dois..: Matos. Levy et al. sobre os foraminíferos presentes nos sedimentos (p. 1986a) e entre o cabo S. 1986a. Dias. 1986. 1986) e sobre o registo do “upwelling” nas diatomáceas (p.. 1986b). 1983.: Monteiro et al.: Gaspar & Monteiro. Foram também publicadas as cartas correspondentes às plataformas entre os cabos de Sines e de S. ambos sediados no Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa: "Dinâmica sedimentar da plataforma continental a norte de Peniche (DISEPLA)" e "Sismotectónica da margem continental oeste-ibérica (SMCOI)". periódicas e aperiódicas do nível do mar. nomeadamente no que se refere às relações de interdependência entre a plataforma continental e as áreas emersas adjacentes. 1985). Entre os projectos de investigação então aprovados. são efectuadas sínteses dos conhecimentos existentes na altura. sobre a evolução pós-glaciária (p. 7 (Oliveira. ex: Dias. e às consequências. É ainda relevante referir a importante documentação constituída pelas folhas 1 (Pereira. pela primeira vez em Portugal.14 ambiental da presença de mica nos sedimentos (Dias et al. Pereira. Em 1987 foi lançado o Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia que permitiu a atribuição. ex. com especial incidência no seu sector setentrional. Vicente e o rio Guadiana (Instituto Hidrográfico. 1978. Abrantes & Sancetta. de Mougenot (1987. 1986). 1984). das variações seculares. 1986). sobre a matéria orgânica nos sedimentos da plataforma (p. ex. 1977). ex: Dias & Monteiro. à influência determinante da tectónica na diferenciação morfológica e no tipo e padrão de distribuição dos sedimentos.. 1985. de Quevauviller (1987) sobre o litoral da costa da Galé e do estuário do Sado. publicada em 1989) sobre a geologia e geomorfologia da margem continental portuguesa. Cabral & Ribeiro. 1986b. 1985) e nos foraminíferos (p. 1984. para além dos resultados inerentes à investigação desenvolvida para o efeito. 1989).

1992. entre outos aspectos. 1990. 1994. 1988). 1990. Duplessy et al. 1992). 1989.. 1993a. 1990). 1995). 1993). Magalhães & Dias.. quer a nível espacial.. 1991a. 1994. 1994. Taborda. Rodrigues & Ribeiro. 1995). 1991). Rodrigues. a determinação de taxas de acumulação actuais (Carvalho & Ramos. 1992. 1993).: Vergnaud-Grazini et al. 1992). 1989.. Abrantes et al. Araújo et al.. 1994. e de Dias (1987) sobre a cobertura sedimentar. 1990). 1992) e a geomorfologia do canhão da Nazaré (Vanney & Mougenot. as variações na intensidade do “upwelling” costeiro no Quaternário (Abrantes.: Prates.: Levy et al. 1993a. 1995). 1988. Gouveia et al. Rodrigues & Drago. 1995. Soares. 1993.ex. Lebreiro et al.. a paleooceanografia e paleo-climatologia da vertente continental oeste ibérica (Fatela et al. Oliveira et al... o seu conhecimento é regionalmente desigual.. 1993. 1995. 1991b. 1997).. Silva & Nascimento.ex. 1998). a mineralogia das argilas (Coimbra & Matos. Cascalho et al. 1989. o registo do “upwelling” nas associações de foraminíferos (p. 1992/3/4.: Pereira. 1992a. 1990). 1994. Ribeiro & Magalhães. 1988. 1995b). Erlides. 1991b. No entanto. Abrantes. 1992. 1990) e da vertente continental (Regnauld & Rojouan. 1991). a evolução pós-glaciária da plataforma (Rodrigues & Dias... Buxo & Magalhães. 1994. a paleo-oceanografia do Atlântico NE (p. 1988. 1992b. 1991).. 1993b. Efectivamente. Drago. no seu conjunto (Pereira. 1991a. Cascalho. 1988. 1993.. 1994. 1990. ex. o padrão de sedimentos transportados pelo gelo (p. É o caso das sínteses de Vanney & Nougenot (1981) e de Mougenot (1989) sobre a geomorfologia e a geologia. 1991. Araújo & Gouveia. constata-se que existe um conhecimento bastante maior da plataforma . Rodrigues et al. a análise morfostrutural da plataforma (Drago. Drago et al. 1991. 1996). Pereira & Regnaud.. as plumas túrbidas associadas aos rios que desaguam no litoral português (Almeida et al. 1993. Abreu. 1995. 1989. 1992/3/4. 1998). Magalhães et al. 2. 1992. Fatela. a palinologia (Diniz. Rodrigues et al. 1994).. 1993.. 1993. 1989. 1995b. Rodrigues & Drago. 1989.. Regnauld & Thomas. 1988. Fatela.. 1989. o registo sedimentar na margem profunda (p. 1995. 1989. Garcia et al.. 1994. 1995. a distribuição do nanoplâncton calcário nos sedimentos (Cachão. ex. a modelação dos processos de dinâmica sedimentar (Taborda & Dias.ex. Oliveira.. 1995a. 1993b).. as variações seculares do nível do mar (Dias & Taborda. 1995). na informação existente sobre a evolução da linha de costa desde o último máximo glaciário (Dias et al. Tal assimetria reflecte-se. 1998. 1993. os depósitos lodosos presentes na plataforma (Dias et al.. A assimetria no conhecimento da plataforma Os numerosos trabalhos sobre a plataforma continental portuguesa fazem com que esta possa ser considerada bem estudada. quer temporal (p. a geologia e a estrutura da plataforma (Ribeiro et al. 1989.: Grousset et al. 1994. as biocenoses e paleotanatocenoses de microfauna (Silva. 1992b. a avaliação das potencialidades da plataforma em inertes (Magalhães et al.15 consolidados (Magalhães et al. Fatela & Silva. o estudo dos cortejos de minerais pesados (Cascalho & Galopim de Carvalho. 1998). 1992. Garcia et al. 1990). Magalhães. Geomar.

adequado a um primeiro reconhecimento regional. Magalhães et al. É o caso. como se referiu. De entre os três sectores estudados no presente trabalho. baseados num número restrito de amostras. Carvalho & Ramos (1990). Vicente a Sines. (1995b). nomeadamente da do Esporão da Estremadura. estes trabalhos. a qual ocupa. 1995). Dias (1983/85. Araújo et al. (1994). 1995. 1984). As folhas 7 (entre os cabos de S. 1991). no essencial. 1928) e 6 (cabo de S. Instituto Hidrográfico (1986b). (1993). 1940) são os primeiros trabalhos que incidem especificamente sobre os sedimentos da plataforma algarvia. Abrantes et al. editadas pelo Ministério da Marinha. 1991b. 1989. Instituto Hidrográfico. 1987). O conhecimento de que se dispõe sobre a cobertura sedimentar deste sector resulta. Cascalho (1993. Maria ao Guadiana. 1986. Maria. Abrantes (1994). Cascalho et al. 1995a). no âmbito dos projectos DISEPLA. Oliveira et al. Almeida et al. (1988. Rodrigues et al. 1986. dos artigos de Dias et al. Oliveira (1994). No entanto. 1927). uma posição intermédia no que repeita ao conhecimento da cobertura sedimentar dos sectores estudados. o mesmo se podendo afirmar do trabalho de Nutter (1968). 1991). ambas de limitada utilidade no que se refere aos objectivos do presente estudo. as informações que delas se podem extrair são vagas e bastante limitadas. por exemplo. 1984a. SMCOI e subsequentes incidiu sobre a cobertura sedimentar e a evolução pósglaciária deste sector. 1998). Araújo & Gouveia (1994). (1994. não possibilitaram o conhecimento fiável de particularidades de âmbito local ou sub-regional. Drago et al. 1914) da Carta Litológica Submarina. (1994). 1993. produzidos em consequência da execução do programa “Reconhecimento Geológico e Inventariação dos Recursos Minerais da Margem Continental Portuguesa”. 1986. 1998). (1980/81. Dias & Nittrouer (1984) e Bevis & Dias (1986). Cascalho & Galopim de Carvalho. 1986a. Parte substancial da actividade desenvolvida. (1994. desde 1987. Magalhães (1993). 1987). 1991a. 1985. Matos. Quevauviller (1986b. 1981. Vicente e de Sta. Entre outros. Gouveia et al. Entre 1980 e 1987 são publicados diversos trabalhos incidindo sobre os sedimentos da plataforma norte. Rodrigues & Dias (1989).. a cobertura sedimentar deste sector encontra-se razoavelmente conhecida a nível regional (Monteiro et al. Existem também assimetrias espaciais no que se refere ao conhecimento da actual zona . Cascalho & Galopim de Carvalho (1993a. Muitos destes trabalhos beneficiaram da amostragem colhida para o programa SEPLAT. 1913) e 2 (Leixões ao cabo Mondego.16 setentrional do que da restante. Porém. são de referir os trabalhos de Coimbra & Matos (1988). (1993). Silva & Nascimento (1989). Moita & Galopim de Carvalho. De facto. 1993b). Os primeiros trabalhos que incidem especificamente sobre os sedimentos da plataforma norte são as folhas 1 (Rio Minho a Espinho. Quevauviller & Moita (1986). A documentação mais antiga sobre os sedimentos da plataforma sudoeste é constituída pelas folhas 5 (Sines ao cabo da Roca. Fatela (1989). (1990. o sudoeste é o pior conhecido. como se referiu. Silva (1988). dos resultados e interpretações expressos em Moita (1971). Buxo & Magalhães (1995) e Drago (1995). Magalhães & Dias (1992). (1994) e Magalhães et al. Moita. em execução no Instituto Hidrográfico. 1924) e 8 (cabo de S.

Verificam-se. Pelo contrário. como as que se referem ao momento em que o nível médio do mar atingiu a cota actual. têm vindo a ser estudados com bastante pormenor (Ferreira et al. para além da abundância em cascalho terrígeno. principalmente nos períodos anteriores ao século XVI. Todavia. silte e argila) constituem-se. existe um desconhecimento quase completo sobre a evolução durante o Holocénico inferior. existindo apenas hipóteses de trabalho. 3. que se encontram protegidos da ondulação dominante nesta parte do Atlântico. e indicam que as características dos sedimentos superficiais são influenciadas por uma multiplicidade de factores. provavelmente. Ferreira. de modo geral. A globalidade da plataforma As informações disponíveis nos trabalhos referidos permitem caracterizar genericamente a cobertura sedimentar da globalidade da plataforma portuguesa ou de sectores específicos da mesma. como predominantes nos sedimentos. coadunam-se com níveis energéticos inferiores aos da restante plataforma. As características da cobertura sedimentar 3. como o de Espinho – Cabo Mondego. 1994. 1993.1. na qual. 1991.2). 1995. 1998). O troço da plataforma mais energético é. pouco conhecida. Localmente. ainda. 1990b. também. como o do Alentejo e costa vicentina. de entre os quais se podem referir o abastecimento sedimentar proveniente do continente e os níveis energéticos ocorrentes junto ao fundo. grosseiros. o que evidencia elevados níveis energéticos junto ao fundo. 1990a. Ferreira & Dias. existe uma acentuada deficiência em materiais silto-argilosos. por vezes. II. já. A evolução da linha de costa ao longo deste século é bastante bem conhecida. as características dos sedimentos do sector entre o cabo Raso e o canhão de Setúbal e da plataforma algarvia. enquanto noutros sectores. quase não existem trabalhos específicos. bastante significativos. A fracção textural normalmente maioritária é a areia (fig. Existem bastantes elementos sobre a evolução da linha de costa no último máximo glaciário e o início da deglaciação subsequente. Alguns troços desta zona. as outras fracções (cascalho.17 costeira. particularmente nas zonas com maiores densidades demográficas.. Os sedimentos da cobertura não consolidada da plataforma são. grandes assimetrias ao nível temporal. A escassez de dados tem conduzido a interpretações e conclusões aparentemente contraditórias. os conhecimentos referentes aos séculos mais recentes (em que a documentação escrita e cartográfica vai sendo progressivamente mais abundante) são. Também a evolução da linha de costa durante os tempos históricos é. . Pelo contrário. As consequências das pequenas oscilações climáticas históricas são quase completamente desconhecidas. 1992. a região entre a Nazaré e o cabo Raso.

18 Figura II.2 – Fracção textural dominante nos sedimentos da plataforma continental portuguesa (Dias. . 1987).

a profundidades ligeiramente superiores aos 100 m. pelo menos a nível regional. as quais apresentam indícios de ter sido submetidas a mais de um ciclo sedimentar). A fracção silto-argilosa encontra-se relacionada com a exportação pelos cursos de água e com a erosão de arribas mal consolidadas com elevados conteúdos neste tipo de materiais. A banda interna encontra-se geralmente mais bem definida. As classes maioritárias na componente bioclástica são as dos moluscos e dos foraminíferos. frequentemente utilizada para referir estes depósitos siltoargilosos. com os respectivos deltas de vazante e com paleolitorais. sendo o cascalho mais grosseiro e terrígeno que o da banda mais profunda. embora de bastante menor importância. A classe composicional mais abundante é o quartzo. em relação com os menores níveis energéticos e o menor abastecimento em partículas terrígenas que se verifica a maiores profundidades. . As partículas individuais de quartzo. que apresenta sempre maiores percentagens na plataforma interna que na externa. de carapaças de foraminíferos e de glaucónia revelam diversos graus de maturidade sedimentar. O cascalho apenas pode ser considerado como abundante (>25 %) a norte do cabo Raso. mais bioclástica e menos cascalhenta que a plataforma interna. A componente autigénica é vestigial na plataforma interna e mais abundante na plataforma externa. Foi detectada a existência de outro depósito lodoso. Tais características apontam para níveis energéticos elevados e importante abastecimento fluvial de materiais provenientes do continente. A sul do cabo Raso. as quais não revelam indícios de ter sido submetidas a mais de um ciclo sedimentar) e partículas «relíquia» (pertencentes à classe "R". o que revela a forte influência da parte emersa na plataforma continental adjacente. a plataforma externa é mais lodosa. tende a ocorrer em duas bandas grosseiramente paralelas à costa. que se econtra relacionada com as paleo-desembocaduras dos rios mais importantes. maioritaria a profundidades superiores a 80 m.19 À semelhança do que geralmente sucede a nível mundial. Junto às cabeceiras do canhão submarino do Porto ocorrem sedimentos lodosos que se encontram inseridos num depósito 1 de grande importância. frente ao rio Minho. não é empregue no presente trabalho. A componente detrítica é mais abundante na plataforma interna e a componente biogénica é.2. A fracção areia é mais detrítica que biogénica. Esta fracção. 1 A designação "complexo". A plataforma norte A distribuição das características texturais e composicionais dos sedimentos deste sector evidencia claro controlo batimétrico. de bioclastos de moluscos. em relação com elevada produtividade orgânica. as partículas que constituem o cascalho são maioritariamente de origem biogénica. apresentando a componente autigénica (representada por glaucónia) uma expressão diminuta. Foram identificadas partículas «modernas» (pertencentes à classe designada por "M". em geral. 3. devido ao seu significado preciso em geologia.

Parece ainda poder deduzir-se a existência de uma dinâmica específica associada à zona transacional do bordo da plataforma. a fracção grosseira dos sedimentos é dominada pela componente biogénica. cujo ponto de inflexão se localiza por volta do paralelo 41ºN (aproximadamente a latitude de Espinho). Tendência inversa verifica-se. Os depósitos arenosos correspondem. Os depósitos relíquia. Pelo contrário. protéricos (partículas antigas) ou anfotéricos (constituídos por ambos os tipos de partículas). a sedimentos neotéricos (partículas modernas).m. . a sedimentos que variam desde neotéricos com ligeira tendência tendência anfotérica a palimpsestos. 1975). por vezes quase relíquia. Na generalidade. com o feldspato potássico. pouco abundantes na fracção <20 Error! Reference source not found. Em relação com a deficiência actual de materiais provenientes do continente. aos quais foi aplicado um esquema de classificação genética (McManus. apresentam maior abundância relativa na fracção <2 Error! Reference source not found. correspondem. A ilite. o tipo de partículas que os constituem e a sua localização geográfica. Segundo este esquema classificativo. A escassa diversidade textural destes sedimentos encontra-se provavelmente relacionada com a inexistência actual de rios importantes e com a regularidade de pendor e exposição à ondulação da plataforma. e protéricos. Os depósitos existentes junto ao litoral e os depósitos areno-lodosos e lodosos são explicáveis pelos processos de fornecimento e distribuição actuais. a plagioclase e o quartzo. Estes depósitos modernos podem ser classificados como sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. em geral. II. que são os minerais não argilosos mais abundantes na referida fracção. de acordo com as partículas que os constituem.m. foram classificados como sedimentos palimpsestos (constituídos por partículas modernas e relíquia) ou relíquia (não contaminados por partículas recentes). a montmorilonite e os interstratificados. em fase activa de formação. 3. os depósitos modernos. cuja abundância diminui com o afastamento à costa. constituídos no passado. os processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas são inadequados para explicar a génese dos depósitos areno-cascalhentos da plataforma. sendo a clorite abundante. A caulinite. que parece induzir fenómenos de barreira ou de filtro selectivo nas partículas que aí afluem.3.20 O padrão de distribuição da cobertura sedimentar caracteriza-se por contraste latitudinal evidente. de acordo com as suas características texturais. é o mineral argiloso predominante na fracção lutosa dos sedimentos.3 para o sctor a norte de Espinho). A plataforma sudoeste Este sector é dominado pela classe textural areia. Foram identificados diversos depósitos com base nas características dos sedimentos (fig. estes depósitos correspondem a sedimentos palimpsestos.

I – depósito silto-argiloso das cabeceiras do canhão submarino do Porto. E – depósitos areno-siltosos da plataforma média. A Veia de Água Mediterrânea e as correntes eventualmente associadas ao canhão de S. F – depósitos arenosos da plataforma média.21 Figura II. L – depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior. os mais elevados conteúdos em glaucónia na areia dos sedimentos de toda a plataforma. As partículas de quartzo constituem a classe dominante na areia. 1992). M – depósitos lodosos da vertente continental superior. N – outros depósitos. ao largo de Sines. K – depósitos arenosos da plataforma externa. G – depósito silto-argiloso do Minho. C – depósitos areno-cascalhentos do Cávado. enquanto que os da zona meridional parece estarem relacionados com o Mira. B – depósito siltoso do Lima. J – depósito cascalhento do Beiral de Caminha. . A – depósitos arenosos litorais. D – depósitos areno-cascalhentos do Ave-Douro. Os terígenos existentes na zona setentrional (entre o canhão de Setúbal e Sines) estão aparentemente relacionados com o Sado e devem ter sido para aí debitados no decurso do glaciário e transgressão que se lhe seguiu. Neste sector foram encontrados. H – depósitos cascalhentos do Beiral de Viana.3 – Depósitos sedimentares da plataforma continental portuguesa a norte de Espinho (Magalhães & Dias.

Estas características apontam para níveis energéticos substancialmente inferiores aos dos outros sectores. e para forte deficiência. desempenhar papel significativo no padrão de distribuição da cobertura sedimentar. o padrão de distribuição da cobertura sedimentar (fig. comportamento oposto ao da montmorilonite e dos interstratificados. A clorite e a caulinite são pouco abundantes. Os minerais não argilosos mais importantes são o quartzo e a calcite. Fig II. Apresenta contraste marcado com os sectores virados a oeste. A plataforma algarvia A plataforma algarvia é a que apresenta maior diversidade de classes texturais. 1 – lodos da vertente superior. 6 – prodeltas dos rios Arade e Guadiana. II.4 – Depósitos sedimentares da plataforma algarvia (Moita. . A ilite é mais abundante a menores profundidades e na parte ocidental da plataforma. principalmente no sector ocidental. 5 – areias costeiras. 4 – areias da plataforma média.22 Vicente parecem. sendo o cascalho e a areia predominantemente bioclásticos.4.4) é fortemente marcado pelo canhão de Portimão. na vertente continental superior. Os conteúdos em materiais silto-argilosos são geralmente elevados. Segundo Moita (1986). 3 – areias e formações arenosas da plataforma exterior e do bordo. no abastecimento de elementos terrígenos das fracções areia e cascalho. a montmorilonite e os interstratificados. 1986). 2 – lodos da plataforma média. 3. Os minerais argilosos mais abundantes na fracção fina dos sedimentos são a ilite.

variando a sua largura entre menos de 5 km (frente ao cabo Espichel) e mais de 60 km (no paralelo 39º N). nas imediações do cabo Raso) e mais de 400 m (no paralelo 39º N) ou mesmo 1000 m (a sul de Sines. A figura III. Príncipes de Avis. a ocidente. relacionada com a aproximação da miniplaca ibérica ora da africana. no entanto. no Triásico. Ormonde e Gettysburg. Essa fracturação conduziu. Josefina. Com esta abertura relaciona-se o fecho da Mesogeia e a abertura do Golfo de Cádis. e. quer com ela directamente relacionadas (Descobridores. a abertura do Golfo da Gasconha. Vasco da Gama. desde o Cretácico terminal. o soco da Pangea foi sujeito a intensa fracturação. Comunica através de barrancos. ENQUADRAMENTO E CARACTERIZAÇÃO REGIONAIS 1. Entre o Triásico e o Cretácico superior. quer mais afastadas da plataforma (Galiza. a sul. Camões). No final do Carbónico e no Pérmico inferior. onde os conceitos clássicos de plataforma continental e bordo da plataforma perdem significado). a plataforma continental portuguesa apresenta pendores que variam entre 0. São várias as montanhas submarinas presentes nesta área. chegando mesmo a atingir cerca de 80 km (frente a Vila Nova de Milfontes onde. Introdução A génese e evolução morfostrutural da margem portuguesa derivam da individualização da miniplaca ibérica e da génese de duas bacias sedimentares. 1971). incluídas no alinhamento Tore-Madeira. com a formação da bacia sedimentar algarvia. quer mais próximas (Vigo. vales e canhões submarinos com as planícies abissais Ibérica. à prefiguração dos continentes maiores. correspondente a cerca de um terço da superfície de Portugal continental. o limite externo da plataforma é mal definido). para posteriormente.23 III. A profundidade a que se situa o bordo da plataforma é também muito variável. na intersecção dos dois alinhamentos).. a lusitânica. . O jogo posterior de diversos acidentes individualizou a miniplaca ibérica. Porto). a sul. com a génese da bacia sedimentar lusitânica.1 esquematiza a alternância de períodos compressivos e distensivos a que esta margem foi sujeita.1‰ (Monteiro. É uma plataforma longa (cerca de 550 km de comprimento) e estreita. a par do alargamento do Atlântico. Tore e Ashton. A plataforma continental que se encontra inserida nesta margem estende-se entre os paralelos 36º49' e 41º52' N e entre os meridianos 7º24' e 10º11' W. e a algarvia. ora da europeia (apesar de alguns períodos de distensão). ex. oscilando entre cerca de 120 m (p. formando o banco de Gorringe e incluídas no alinhamento setentrional do conjunto da Ferradura. do Tejo e da Ferradura. ser sujeita a regime geral de compressão. Com uma área de 28 000 km². que se processou de sul para norte. pela abertura do Atlântico. a margem continental evolui em distensão.3 e 1.

1 – Evolução da margem continental portuguesa (Pereira.24 Figura III. 1991). .

atingindo 60 km frente ao cabo Mondego. de Lisboa. De maneira geral. relevo regular e suave.2. Os sectores considerados por Dias (1987) foram: A – do paralelo da foz do rio Minho até ao canhão submarino da Nazaré B – do canhão submarino da Nazaré até ao cabo Raso C – do cabo Raso ao canhão submarino de Setúbal D – do canhão submarino de Setúbal ao cabo de S. 2. como é o caso dos do Porto. na generalidade. Vicente até ao meridiano da foz do rio Guadiana Antes de caracterizarmos. A diversidade de perfis batimétricos na plataforma encontra-se ilustrada na fig. A plataforma continental portuguesa apresenta. a profundidade maior que a média mundial (que é de 130 m). de Setúbal e de São Vicente. procedendo a uma caracterização sumária da globalidade da plataforma continental (quadro III. formam formas complexas (por exemplo.2. 2. grosso modo uniformemente espaçadas e paralelamente à costa (fig. as batimétricas são grosseiramente paralelas à costa. climáticas e hidrográficas. Vicente E – do cabo de S. dispondo-se as batimétricas. de um modo geral. 1973) verifica-se que a plataforma estudada é estreita (a largura média mundial é de 75 km) e que o seu bordo se situa. Generalidades Comparando a largura da plataforma continental portuguesa e a profundidade a que se situa o bordo da mesma com os valores determinados para o conjunto das plataformas continentais do Mundo (Shepard.25 Esta plataforma pode ser dividida em sectores com diferentes características fisiográficas. III. a margem continental na qual esta plataforma se encontra inserida: os canhões submarinos da Nazaré. embora bastante menos espectaculares.3). definem-se ainda outros canhões submarinos. no sector entre o canhão da Nazaré e o cabo Raso). 1974). valor que aumenta progressivamente para sul. de Aveiro e de Portimão. O seu bordo é definido por uma ruptura de pendor bem marcada à profundidade aproximada de 160 m (Musellec. Quatro grandes acidentes marcam. em geral. oceanográficas. com algum detalhe. correspondendo presumivelmente a outras tantas províncias sedimentológicas. Todavia. geológicas. Plataforma norte Apresenta pendor regular e suave. de forma profunda. III. os sectores coniderados no presente trabalho é conveniente enquadrá-los na unidade fisiográfica a que pertencem. . Apresenta largura média de 35 km até à Póvoa de Varzim. Por vezes.I).1. Batimetria e morfologia 2. podendo o seu traçado ser profundamente condicionado pelos deltas submarinos dos rios e por canhões sumarinos (caso do sector entre o cabo Raso e o canhão de Setúbal).

Ave. Vicente 140 km 20 km . Mondego e Liz granitos.I – Características dos sectores da plataforma continental portuguesa considerados por Dias (1987). com batimétricas paralelas à costa batimétricas Canhões submarinos (e profundidade a que se definem) canhão do Porto (130 m) canhão de Aveiro (130 m) canhão da Nazaré (50m) Planícies abissais Planície abissal Ibérica Montanhas submarinas na plataforma – Sector B do canhão da Nazaré ao cabo Raso 95 km 15 km – 70 km 170 m – 400 m Sector C do cabo Raso ao canhão de Setúbal 50 km 5 km – 30 km 120 m – 170m profundamente condicionada batimétricas formando figuras pelos deltas submarinos dos rios complexas e pelos canhões submarinos canhão de Cascais (150 m) canhão da Nazaré (50 m) canhão de Lisboa (40 m) canhão de Setúbal (50 m) Planície abissal Ibérica Planície abissal do Tejo Planície abissal do Tejo Montanha de Camões – Sector D entre o canhão de Setúbal e o cabo de S. dos Descobridores Planaltos marginais - Quadro III.>1200mm) (e valores extemos) Minho. Santo André "Ria" Formosa e Alvor Lagunas principais 70% 10% 50% 30% 55% % praias 770 km² 75 km² 90 km² 70 km² 30 km² Área coberta por dunas Precipitação anual na <700 mm – >1 400 mm < 500 mm – >700 mm < 500 mm – > 700 mm) <500 mm . Vouga.1 000 m Sector E plataforma algarvia 150 km 8 km .SW da costa Aveiro e Mira Óbidos Albufeira Melides. gnaisses. Cávado.W) SSE – NNW NNE – SSW W – E) NE .Quadro III. Vicente (300 m) canhão de Lagos (800 m) canhão de Portimão (100 m) canhão de Faro (120 m) Planície abissal do Tejo Planície abissal da Ferradura Mont.>600 mm <400 mm . rochas carbonatadas do maciço de Sintre e quartzitos rochas carbonatadas sieníticas) rochas eruptivas 275 km 120 km 100 km 165 km 180 km Comprimento do litoral NNE – SSW NE – SW Variada (grosseiramente N – S e NNE . formações xisto-grauváquicas e rochas carbonatadas.>500m faixa litoral . 26 Montanha de Vigo Montanhas submarinas – Montanha de Tore Montanha do Gorringe (a SW) próximas da plataforma Montanha de Vasco da Gama Montanha do Porto 131 100 km² 2 000 km² 89 500 km² 2 650 km² 69 800 km² Área emersa drenda 1 295 mm 870 mm 866 mm 726 mm 730 mm Precipitação anual média (<500 mm – >3 000 mm) (<500 mm – > 800 mm) (<500 mm – >2 400 mm) (<500 mm . xistos. dos Príncipes de Avis Mont. Rios importantes – Tejo e Sado Mira Guadiana Douro.I – Características dos sectores da plataforma continental portuguesa considerados por Dias (1987).SSW Orientação predominante variada (grosseiramente E . formações arcoses. rochas eruptivas e rochas eruptivas (principalmente xisto-grauváquicas. arenitos e Litologias principais grauvaques.90 km 180 m .>800 mm) (<500 mm . Sector Sector A Localização a norte do canhão da Nazaré Comprimento meridiano Largura da plataforma Profundidade do bordo 250 km 35 km – 60 km 130 m – 190 m Principais características batimetria simples e suave. rochas carbonatadas e eruptivas formações xisto – grauváquicas. Lima.30 km 110 m – 150 m batiméticas de um modo geral paralelas à costa as batimétricas revelam grande simplicidade do relevo canhão de S.

2 – Perfis batimétricos da plataforma continental.00 G 0.27 B A 0 Profundidade (m) Profundidade (m) 0 50 100 150 50 100 150 200 200 0 10 20 30 0 40 20 40 D C 0 Profundidade (m) Profundidade (m) 0 50 100 150 50 100 150 200 200 0 10 20 30 40 50 0 60 20 Distância à costa (km) E F 50 100 150 50 100 150 200 200 0 10 20 0 30 10 Distância à costa (km) Distância à costa (km) G H 0 Profundidade (m) 0 Profundidade (m) 30 0 Profundidade (m) Profundidade (m) 10 Distância à costa (km) 0 50 100 150 200 50 100 150 200 0 10 20 30 0 10 Distância à costa (km) Distância à costa (km) I A 0 B Profundidade (m) 60 Distância à costa (km) Distância à costa (km) 50 C 100 150 D 200 0 10 20 E 30 Distância à costa (km) Figura III. F -100000.00 100000.00 I H .

Na plataforma média e externa o relevo é em geral simples e suave. atingindo a largura máxima de 10 km frente ao rio Lima. Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 200 m de profundidade e de 200 m abaixo do referido valor.00 105000. a largura desta zona submersa de afloramentos diminui de norte para sul.3 – Batimetria da plataforma norte. a Pedra de S.00 Figura III. ao longo de 50 km. pelos 110 m de profundidade. o Beiral de Viana. Lumedio.00 80000.00 0 40000.00 20km Cabo Mondego F. segundo Vanney & Mougenot (1981). De uma forma geral. cujo ponto menos profundo. e mínima na parte sul deste troço da plataforma. .00 155000. com excepção da parte central deste mesmo troço onde. se define uma elevação que se desenvolve para sudeste. os quais dão origem a um traçado conturbado e rendilhado das batimétricas. Porto Porto Pon t Car al da tola Espinho Esmoriz Pontal da Galega Ria de Aveiro C.e al d Beir inha Cam 28 41º 30' ta l Pon Viana o so d Fos Beir al iana de V da G a aleg Caminha Pedra de S. Aveiro Aveiro Mor race iros 40º 30' 0. O relevo da plataforma interna é profundamente condicionado por afloramentos rochosos do soco precâmbrico e paleozóico. se localiza ao largo de Apúlia. Foz 8º 40' 9º 50' 55000.00 20000. Lumedio Apúlia Póvoa de Varzim C. donde ressaltam as correspondentes a pequenas elevações pontiagudas nas imediações de Viana do Castelo. a 88 m de profundidade.00 60000. onde praticamente não existem afloramentos submersos contínuos de rochas ante-mesozóicas.

aparece deslocada de 40 km para oriente em relação à região a norte deste canhão. que drenam para a Planície Abissal Ibérica através da depressão atrás referida e do vale submarino de D. que drena para a Planície Abissal da Ferradura. localizado entre os 160 e os 180 m de profundidade. De um modo geral. de contorno pouco sinuoso e com fraca diferenciação de formas.4). que constitui um vale aberto ao longo de um «graben» e parcialmente coberto de sedimentos na sua parte oriental (Oliveira. o canhão de S. a margem continental decompõe-se numa série de superfícies de inclinação suave e tão pouco desniveladas entre si que formam um plano suavemente inclinado até fundos de mais de 1000 m (Vanney & Mougenot. pouco acidentados. A vertente continental. a 300 m de profundidade. Carlos. É o caso das Montanhas dos Descobridores e dos Príncipes de Avis. A drenagem de toda esta região efectua-se para a Planície Abissal do Tejo. Plataforma sudoeste Forma superfície de inclinação suave. Vicente. Mais para sul. por vezes. De acordo com Vanney & Mougenot (1981). apenas se individualizam a mais de 30 km da costa e a cerca de 130 m de profundidade. 300 m de espessura e fossiliza uma morfologia acidentada condicionada por uma série de blocos basculados. onde se define a depressão de Valle-Inclan que a separa das elevações das montanhas submarinas de Vigo e de Vasco da Gama. rodando depois para NE-SW. respectivamente. encontrando-se o bordo reduzido a simples ressalto. por afloramentos rochosos do substrato e por estruturas de acumulação sedimentar. Com efeito. a plataforma. A sul do canhão de Setúbal. Os acidentes tectónicos são constituídos por falhas de direcção geral NE-SW a NNE-SSW. prolonga-se com inclinações fortes até fundos da ordem dos 3 000 m. dispondo-se as batimétricas grosseiramente subparalelas à costa. III.. a morfologia deste sector é controlada por acidentes tectónicos. 1984). Os canhões do Porto e de Aveiro.29 O bordo da plataforma e a vertente continental superior apresentam-se ravinados. . especialmente abarrancada a norte do canhão submarino do Porto. 2. Os pontos salientes da plataforma correspondem a zonas de afloramento de rochas mesozóicas e cenozóicas. com menos de 25 km de largura. 1979) e do Eocénico superior (Oliveira. a grande extensão dos terrenos neogénicos e quaternários coincide com os grandes planaltos e superfícies de progradação. uma vez que não se detecta uma ruptura de pendor bem marcada. 1977) que atinge. constituídas por formações datadas. Esta morfologia peculiar deve-se a um vasto manto sedimentar neogénico (Baldy. à excepção da que é efectuada pelo canhão de S. 1981). do Mesozóico (Mougenot et al. ao largo da costa alentejana. Vicente. A sua orientação geral é NNE-SSW até cerca dos 1500 m de profundidade.3. exceptuando o sector a sul da Bordeira (fig. torna-se difícil delimitar a plataforma continental. 1984). No limite meridional desta plataforma define-se.

1981).5) caracteriza-se pela sua pouca largura (7 a 28 km).00 20000.00 10000.00 L. Vic ent e M. N.30 bal C.00 Cabo Sardão Zambujeira 37º 30' 60000. A suavidade da sua fisiografia encontra-se relacionada com a continuidade lateral existente entre a superfície de abrasão que caracteriza a plataforma interna e a superfície não deposicional (ou .00 Odeceixe bri res do C. atingindo pendores de cerca de 5‰ frente ao rio Guadiana e a Albufeira. Setú 140000.00 Figura III. segundo Vanney & Mougenot (1981).4 – Batimetria da plataforma sudoeste.00 V. a plataforma alarga-se progressivamente para este e oeste. Milfontes 80000.00 30000.00 8º 50' 140000.4. nitidez do bordo que se encontra a profundidades relativamente pequenas (110 a 150 m) e simplicidade de formas (Vanney & Mougenot.00 38º 00' Sines 100000. 40000.00 Ponta da Arrifana 0. 2.00 40000. III. de 20 m entre os 160 e os 200 m de profundidade e de 100 m abaixo do referido valor. sco De 9º 15' 100000.00 20km de te bo Ca Vicen S. Plataforma algarvia Este sector (fig. de Sto. Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 140 m de profundidade. S. Com um pendor médio aproximado de 20‰ na parte mais estreita (frente ao cabo de Santa Maria). André 120000.00 0 20000.

segundo Vanney & Mougenot (1981). 1985c. da Piedade Quarteira Quinta do Lago 37º 10' Olhos de Água Po r timã o Portimão (Faugères et al. O seu traçado é ligeiramente ziguezagueante. existe uma série de planaltos marginais (planaltos submarinos de Sagres. com orientação geral NE-SW. 1985a. Guadiana 15000. que constituem uma série de degraus a cerca de 700 m-800 m de profundidade e que se encontram separados entre si pelas cabeceiras dos canhões submarinos de Lagos. individualizando-se abaixo dos 100m de profundidade. Provoca ligeira reentrância na plataforma com menos de 3 km de comprimento. O planalto de Faro prolonga-se para sul pelo planalto de Bartolomeu Dias. com cerca de 8 km de comprimento.00 Faro Cb. Moita. O canhão submarino de Lagos. Estrutura e litologia 3. 1989). consoante se situam. no geral. . Maria C.00 80000. O canhão de Portimão provoca pequena incisão na plataforma. 3. de Portimão e de Faro). Portimão e Faro.5 – Batimetria da plataforma algarvia. a oeste ou a este do canhão de Armação de Pera Lagos P. O canhão submarino de Faro é bastante mal definido.00 20000.. P or ti m ão -5000. Generalidades A plataforma continental portuguesa apresenta. Os planaltos submarinos de Portimão e de Faro (os mais orientais) encontram-se separados da vertente continental pela fossa de Álvares Cabral. se liga ao banco de Guadalquivir (Vanney & Mougenot. Sta. Espaçamento das batimétricas de 10 m até aos 100 m de profundidade. orientando-se alternadamente para NNE-SSW e para NNW-SSE. respectivamente. de 20 m entre os 120 e os 200 m e de 100 m abaixo do referido valor. 1986). que. 1981).00 20km 36º 45' 120000 8º 40' 140000 160000 -25000.1.00 0. estrutrura relativamente simples que corresponde a um monoclinal.31 de agradação) que limita superiormente a série progradante da plataforma externa (Mougenot. Estes planaltos são de natureza estrutural e/ou formados por contornitos. Em profundidade e adjacente à plataforma continental. apenas se define pelos 800 m de profundidade. de Lagos.00 0 40000.00 7º 40' 180000 200000 220000 240000 260000 Figura III. por sua vez. As litologias aflorantes são bastante diversificadas. com 10 a 40 km de largura.00 60000.

Plataforma sudoeste Esta plataforma apresenta estrutura relativamente simples. Cabral & Ribeiro. e a formações sedimentares de idade variada (Boillot et al. 1978). 3.6). neogénicas e plistocénicas. que definem um monoclinal pouco . que definem um monoclinal pouco inclinado (cerca de 3º) para SW (Musellec. Na plataforma média afloram formações sedimentares atribuídas em bloco ao intervalo temporal Eocénico superior-Plistocénico.. III. essencialmente constituída por formações inclinado mesozóicas e cenozóicas (fig. De acordo com dados obtidos com recurso a observações com o ROV (Remote Operated Vehicle). 1988). cortadas por numerosa falhas de direcção NW-SE (a mais frequente) e NE-SW. cortadas por falhas de direcções predominantes NE-SW e NW-SE. ocorrendo formações cretácicas na plataforma externa. varia entre SSE-NNW e N-S (Lefort et al. em terra. No que respeita às formações sedimentares. Vicente 3.. 1989a. 1974). grande parte da plataforma a norte do canhão da Nazaré é ocupada por formações pós-cretácicas. A plataforma a sul do cabo Raso é dominada por formações miocénicas. 1981. ao prolongamento sumerso dos maciços eruptivos de Sintra e Sines. 1992/3/4) e que constitui o prolongamento provável em domínio marinho da fractura Porto-Tomar. esta estrutura poderá corresponder a um graben compressivo.3..6). 1992). essencialmente constituída por formações cretácicas e cenozóicas (fig. com largura que não excede 10 km ao largo de Viana do Castelo (Vanney & Mougenot.2. O soco ante-mesozóico apenas aflora com caracter contínuo na plataforma interna a norte do paralelo de Espinho e entre Sines e a Bordeira. 1990). Plataforma norte Este sector apresenta estrutura relativamente simples. III. O contacto das formações do conjunto Eocénico-Plistocénico com o Cretácico parece também fazer-se por falha. O soco precâmbrico e paleozóico aflora junto a terra. Rodrigues et al. pois que as falhas que a definem apresentam comportamento com componente inversa (Rodrigues et al. Entre o canhão da Nazaré e o cabo Raso predominam formações do Jurássico e do Mesozóico indiferenciado.. cortadas por falhas de direcções predominantes NNW-SSE a NNE-SSW e localmente afectada por fenómenos diapíricos.. ocorrendo ainda formações jurássicas e do mesozóico indiferenciado nas imediações da serra da Arrábida e do canhão de S.. Estas fracturas constituem um fosso estrutural que se prolonga até à latitude de Mira. No bordo da plataforma e na vertente continental superior existem afloramentos de rochas datadas como miocénicas e plistocénicas (Boillot et al. cuja direcção. 1981).32 correspondendo ao soco ante-mesozóico. designado por Fosso do Pontal da Galega (Ribeiro et al. O contacto entre o soco e as formações sedimentares mais recentes faz-se por falha que apresenta evidências de movimentação inversa (Rodrigues & Ribeiro. 1978).

Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. N. 1978).00 Plio-plistocénico Eocénico superiorPlistocénico Neogénico e Plistocénico Cretácico Soco hercínico precâmbrico e paleozóico 240000.00 20km ão t im or 7º 40' 160000.00 20000.00 Eocénico e Oligocénico Jurássico superior Miocénico Complexo hipovulcânico do Cretácico superior Mesozóico indiferenciado Manifestação diapírica Paleozóico superior da zona sul portuguesa Falha Figura III. Porto V.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 8º 50' Guadiana Portimão Lagos 37º 10' Sa gr es 50 Faro 100 150 36º 45' P C.00 80000.00 20km C. 0.00 010000. Vic 0.00 60000.00 80000.00 60000.00 40000. 8º 48' 120000.00 20000.6 – Geologia dos sectores estudados (segundo Boillot et al. Setú 100 50 33 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.150 50 150 100 bal C.00 30000. Aveiro Ponta da Arrifana Aveiro ent e 40º 30' S. .00 0 40000.00 200000.00 Afloramento rochoso 0..00 40000.00 020000.

Discordantemente sobre as formações rochosas.. foi identificado na plataforma interna. foi detectado localmente ao largo de Vila Nova de Milfontes. Para leste. constituindo pequenos afloramentos rochosos associados ao movimento de valhas. Uma falha tardi-hercínica bastante importante é a falha de S.Vicente. principalmente.Vicente. As formações neogénicas mais antigas (que datam do Miocénico inferior) afloram essencialmente a NW do cabo de S. Vicente. existe uma grande superfície de aplanação. Para leste do meridiano de Quarteira o prisma de progradação ocupa toda a plataforma. 1984). 1975).. separadas por falhas de direcção NNE-SSW.34 (cerca de 4º) para oeste (Baldy. Estas falhas originaram-se durante o Estefaniano (Boillot et al. aflora em grande parte da plataforma média e externa e da vertente continental. abaixo dos 200 m de profundidade. ausente a sul da Ponta da Arrifana. a plataforma é constituída por elevações tabulares.6). . provocadas pelo abatimento dos blocos basculados. é essencialmente constituída por formações progradantes neogénicas e quaternárias (fig. A sul do cabo de S. 1977). até ao meridiano da Quarteira. As depressões então formadas foram posteriormente preenchidas por formações detríticas. que constitui o prolongamento na plataforma da falha de Odemira e que controla a localização do canhão submarino de S. com direccão geral NE-SW. que é afectado por numerosas falhas de direcção geral NE-SW a NNE-SSW. orlada por uma superfície de progradação. 1979) originado uma sucessão de blocos basculados para oeste. onde afloram rochas mesozóicas. O Mesozóico aflora. III. a sul da Ponta da Arrifana e a oeste do canhão de S.4. que trunca a série neogénica. no entanto. com uma largura que não excede os 15 km e que é extremamente reduzida a sul de Pontal (Baldy. As formações sedimentares encontram-se separadas por discordâncias importantes. quer do Mesozóico e preenchendo pequenas bacias. O Neogénico. O limite interno da superfície de progradação inflecte para terra a leste do canhão de Portimão e esta vai ocupar grande parte da plataforma. geralmente. representado por rochas detríticas pertencentes aos flyschs do Culm. sendo responsável por falhas de direcção geral NE-SW a NNE-SSW. Plataforma algarvia Esta plataforma. A tectónica tardi-hercínica imprimiu as principais características estruturais a esta plataforma. quer do soco hercínico. O soco hercínico. As formações magmáticas incluem-se na área imersa do maciço de Sines e correspondem a tufos brechóides amostrados na plataforma continental (Oliveira. encontrando-se. localmente afectada por falhas e por diapiros. tendo a sua posterior reactivação durante o segundo episódio de "rifting" associado com a abertura do Atlântico Norte (Mougenot et al. 1977). Vicente. encontram-se instaladas as formações detríticas do Neogénico e do Quaternário. Vicente e encontram-se localmente deformadas por dobras de grande raio de curvatura. 3. com movimento essencialmente do tipo desligamento sinistrógiro.

Características hidrográfico-climáticas da zona drenada 4. Quadro III. os depósito pós-mesozóicos tornam-se mais espessos e a influências das falhas parece diminuir.35 À medida que nos afastamos do cabo de S. No entanto. Algunas características dos principais rios que afluem ao litoral português constam do quadro III. sendo muito baixos no Verão e mais caudalosos no Inverno e mesmo na Primavera. situados a sul de Portimão e a este de Faro. Sector CompriMento ( km) Área da bacia hidrográfica ( km²) Precipitação anual na bacia (mm) Minho A 300 17 081 1 623 Lima A 110 2 480 2 100 Cávado A 135 1 589 2 212 Ave A 90 1 390 1 800 Douro A 937 97 682 1 098 Vouga A 140 3 635 1 350 Mondego A 227 6 644 1 233 Liz A 50 915 996 Tejo C 1 010 81 600 931 Sado C 175 7 696 679 Mira D 150 1 566 667 Litologias predominantes na bacia hidrográfica rochas granitóides e formações xistograuváquicas rochas granitóides e formações xistograuváquicas rochas granitóides e formações xistograuváquicas rochas granitóides e formações xistograuváquicas rochas granitóides e formações xistograuváquicas rochas granitóides e carbonatadas e formações xisto-grauváquicas granitos. formaçõe xistograuváquicas. mas apresentando uma grande irregularidade intra-anual e inter-anual. e os meridionais. granitos e quartzitos Rochas eruptivas.II e das fig. formações xisto-grauváquicas. III.8. dotados de algumas queda e instalados em vales profundos.1. rochas carbonatadas e arenitos rochas carbonatadas e arenitos Formações xisto – grauváquicas. Generalidades A distribuição de altitudes no território português evidencia um nítido contraste entre o norte mais montanhoso e o sul mais aplanado. que têm perfis mais regularizados. pelo menos à superfície. e é responsável pela existência de um acentuado contaste entre os rios setentrionais.II – Algumas características dos principais rios que afluem ao litoral português (Dias.7 e III. estas falhas condicionam alguns vales submarinos (por vezes preenchidos por sedimentos) e diapiros que rejogaram recentemente. arcoses e arenitos Formações xisto-grauváquicas Guadiana E 870 66 960 598 Formações xisto-grauváquicas e rochas eruptivas e carbonatadas . rochas carbonatadas. As barragens construídas nas bacias hidrográficas de diversos rios contibuem para a regularização dos caudais dos mesmos. O caudal dos rios encontra-se em estreita relação com o regime pluviométrico. arcoses. Vicente para leste. 4. sobretudo acentuada no sul. 1987).

DDouro. M-Minho. Vouga Aveiro R. Douro (16.Área cuja drenagem não é interrompida por barragens. Sado Sines R. L-Lima. R. Cávado R. 2 . 1 . Guadiana Lisboa R.Vicente 0 50km 5x10 9 10 10 R. Tejo (15. A-Ave. Lima Viana R. 1984). Lis Nazaré 0 R.Guadiana. . T-Tejo. Guadiana R.36 Figura III.8) R. Mo-Mondego. Mira S. Mondego R. V-Vouga. G. S-Sado.Área afectada por barragens para aproveitamentos hidroelécticos ou hidroagrícolas. C-Cávado. Minho R.7 – Área abrangida pelas bacias hidrográficas que desaguam no litoral português.8 – Caudais integrais das principais bacias hidrográficas portuguesas (Fiúza.4) Figura III. Ave Porto R.

é significativamente diferente na costa ocidental e na costa sul (fig. e chuvoso e instável no Inverno. as precipitações variam muito. as temperaturas médias anuais não ultrapassam. pelo núcleo de baixas pressões da Islândia (Fiúza el al. e de SW a oriente desta localidade. e a mediterrânea. os ventos mais fortes são geralmente de SW associados a depressões muito cavadas. VIANA DO CASTELO FIGUEIRA DA FOZ 20 30 NW NE 30 NW NE NW NE 10 15 15 0 0 0 SW SE SW SE SAGRES NW SW SE FARO 40 SW SINES 20 NE NW NE 20 10 0 0 SE SW Frequência (%) Velocidade média (km/h) SE Figura III. em menor escala. Excluindo as áreas montanhosas. Pelo contrário.9). as temperaturas médias aumentam de norte para sul. enquanto que as precipitações diminuem no mesmo sentido. . Em ambos os casos. Este condicionamento produz tempo seco e estável no Verão. 1982). 17-18ºC na parte meridional. aproximando-se de 1 500 mm no noroeste e de 300 mm no sul.. No conjunto. o vento dominante é oriundo de N a ocidente de Lagos. A distribuição da intensidade do vento ao longo do ano apresenta marcada sazonalidade. O regime de ventos. que caracteriza a parte sul. nem descem aquém de 13-14ºC na parte setentrional. 1990).9 – Frequência e velocidade média do vento em diversos locais do litoral (segundo Instituto Hidrográfico. detalhadamente analisado em Instituto Hidrográfico (1990). que se faz sentir mais a norte. Na costa sul. III. São duas as tonalidades fundamentais do clima português: a atlântica.37 As condições meteorológicas são dominadas pelo sistema de altas pressões dos Açores e. em geral. Na costa ocidental o rumo mais frequente é N ou NW.

Cabreira (1 261 m). definindo um estilo tectónico a que Machado (1935) deu o nome de "teclas de piano". A este propósito. Ave. O relevo é particularmente acidentado. Mesmo assim. descendo por vezes a menos de 100 m³/s no Verão (Loureiro et al. em Fevereiro tem um caudal médio 10 vezes superior ao de Agosto. Barroso (1 078 m). Gerez (1 507 m). O Douro é o menos irregular dos grandes rios portugueses. Porém.38 4. Cávado. na maioria hercínicos. Peneda (1 415 m). Plataforma norte A área drenada para este troço da plataforma é constituída principalmente por granitos. Ocorrem com irregularidade. Entre as serras mais importantes. Mogadouro (993 m). O rio mais importante que aflui a esta plataforma é o Douro. apresenta caudais muito irregulares que. no troço terminal. A maior conhecida data de Dezembro de 1739 com um caudal de ponta avaliado em 19 000 m³/s no Porto (Quadro III. dissecando o relevo com os seus vales encaixados. encontramse em fase activa de assoreamento. Buçaco (549 m) e Estrela (1 991 m). chegam a atingir 17 000 m³/s no Inverno. Leomil (1 008 m). 26 dos 38 anos não se afastaram muito da média. A regularização dos caudais dos rios que drenam para a plataforma estudada é efectuada pelas barragens existentes na região.2. Padrela (1 146 m). Lima. O traçado dos rios principais (Minho. e a relação entre os anos extremos foi de 9. no período de 38 anos em que se fizeram na Régua medições regulares (1 500 m³/s em 1969/70 e 165 m³/s em 1932/33). primeiro em área de bacia hidrográfica (97 300 km²) e terceiro em comprimento (927 km) da Península Ibérica.III). e metamorfitos precâmbricos e paleozóicos. Marão (1 415 m). Arada (1 116 m). Ave e Douro) teria sido condicionado por fracturas que jogaram até muito recentemente ao longo de antigas descontinuidades do soco. São as enormes cheias que fazem do Douro um rio temível. . com valores de escoamento compreendidos entre 300 e 800 m³/s. Os principais rios que afluem a este sector são o Minho e o Douro.. 1986). que se encontram profundamente recortadas pelos vales da rede hidrográfica que as definiu. Caramulo (1 071 m). na foz. ocupando em território português mais de 36 000 km². Rio sujeito a cheias. respectivamente. 1986). As áreas das bacias hidrográficas dos rios Lima.. incluem-se as de Arga (520 m). Âncora. Esta área é muito extensa (cerca de 130 000 km²). Bornes (1 200 m). cujas bacias hidrográficas correspondem. A proximidade do nível de base explica que os rios que afluem a este sector apresentem perfis jovens. podendo passar mais de 10 anos sem nenhuma se manifestar. Cávado. Montemuro (1 382 m). antes de se sucederem diversas cheias desatrosas. Vouga e Mondego são bastante menos extensas. é de referir a existência de um edifício na zona da Ribeira do Porto no qual se encontram assinalados os níveis atingidos por algumas cheias. a cerca de 13% e de 75 % da área referida (Loureiro et al. Todavia.

Estas planuras. 1986). O que as torna temíveis é a altura que as águas atingem nos troços mais estrangulados do curso (20 a 25 m na Régua e 10 a 12 m no Porto). 1977). As precipitações. A faixa litoral apresenta ainda humidade relativamente elevada durante o período do estio. segundo Feio et al. 3 000 mm na bacia do Cávado (Daveau et al. terminam no sul pelas serras algarvias de Monchique e do Caldeirão. as temperaturas são frequentemente elevadas. terrenos suavemente ondulados que descem gradualmente de 300 m em Nisa para 200 m na área de Beja. (1986). O clima da região caracteriza-se pela passagem de sucessivas depressões a que se associam superfícies frontais responsáveis por variações térmicas (ocultas nas médias) e mudança no rumo dos ventos. o arranjo regional do clima apresenta forte gradiente W-E. Actualmente. com valores máximos por vezes superiores a 40 ºC. pontualmente. mesmo no Inverno. As temperaturas anuais médias são inferiores a 15 oC (Loureiro et al. A pluviosidade média anual ultrapassa 1 300 mm. não sendo raras grandes amplitudes térmicas diárias.III – Caudais (m³/s) de cheias importantes ocorridas no Douro nos séculos XVIII a XX. em especial nos meses de Julho e Agosto. O clima é quente e seco.). com chuvas sobretudo no Inverno.. 1977. algumas serras que raramente ultrapassam 700 m de altitude. .39 Quadro III.. talhadas indiferentemente em formações geológicas muito diferentes (granitóides. Os ventos predominantes são os dos quadrantes W no Inverno e N e NW no Verão. As amplitudes térmicas anuais crescem do litoral para o interior. 4.3. Neste período. etc. não deixam arrefecer excessivamente o tempo (Daveau et al. 1985). O Verão é bastante prolongado e seco. Ano Caudal Ano Caudal 1727 14 000 1888 11 800 1739 19 000 1909 16 700 1788 15 500 1910 13 700 1823 15 600 1948 9 620 1843 13 000 1962 15 700 1850 13 900 1966 12 500 1855 12 500 1969 8 450 1860 15 100 1978 11 600 1887 13 500 1979 11 000 A rapidez de propagação das cheias do Douro é muito grande: menos de 20 horas entre a fronteira e o mar. xistos. são em geral provocadas pelas massas de ar tropical húmido que. nomeadamente após a construção da barragem de Crestuma – Lever. no entanto. Plataforma sudoeste O relevo da área drenada para este sector caracteriza-se pela grande uniformidade de planuras extensas (peneplanície). atingindo. abundantes e prolongadas. (1950) e Loureiro et al. quando se faz sentir com mais intensidade a acção do anticiclone dos Açores. já não ocorrem grandes cheias.. dispersas e afastadas. Deste relevo monótono emergem.

Distinguem-se três grandes unidades: a serra (constituída pelas serras de Monchique e do Caldeirão. sendo as amplitudes térmicas anuais fracas. por um lado. é o único rio importante existente na região. A bacia hidrográfica deste rio é dominada por formações xisto-grauváquicas. Se. cuja altitude decresce gradualmente do interior para o mar. O clima é do tipo quente e seco. Alcoforado et al. Plataforma algarvia O relevo do Algarve é caracterizado por elevações alinhadas grosseiramente W-E. 1986). apresenta feição mais atlântica (Daveau et al. Estes valores são. de 902 m e 598 m). largamente ultrapassados nos períodos de cheias (quadro III. com um comprimento de 870 km e uma área da bacia hidrográfica de 66 500 km² (Loureiro et al. respectivamente. Odelouca. a drenagem é efectuada por algumas ribeiras (Odeceixe. Os anos mais recentes registam escoamentos menos abundantes.. Arade. a serra isola-o. Para além deste rio. o clima. A oriente de Quarteira. A bacia hidrográfica deste rio. Bensafrim. o clima é tipicamente mediterrâneo.IV) . que forma fronteira a oriente. 1982). rochas eruptivas e rochas carbonatadas. como seria de esperar. o escoamento médio do Guadiana foi 5 200x106 m³/ano. etc. Os alinhamentos seguidos pela maioria das ribeiras estão orientados por fracturas. impedindo a entrada dos ventos frios de norte e a progressão dos ciclones subpolares que invadem o país durante o Inverno e são portadores de chuvas.. A pluviosidade é pequena. sendo condicionado pelo desenvolvimento longitudinal da região e pela presença das massas montanhosas a norte. embora de características mediterrâneas.) cuja expressão a nível regional é diminuta. 1986).4. sendo a pluviosidade média anual da ordem dos 670 mm (Loureiro et al. que determinam. variando os valores entre 395x106 m³/ano (1948/49) e 13 900x106 m³/ano (1963/64). com altitudes máximas. 1985.40 O único rio importante que drena para este sector é o Mira. frequentemente... o que é exemplificado pelos valores correspondentes a 1980/81 (252x106 m³) e a 1981/82 (203x106 m³). e o litoral (de forma mais ou menos aplanada). As temperaturas médias em Janeiro rondam os 12 oC. Para ocidente. possui uma área aproximada de 1 570 km². o Algarve se encontra amplamente aberto às influências moderadoras do oceano. é a que apresenta feição mediterrânea mais marcada. Algibre. o barrocal (conjunto de formações calcárias dispostas a altitudes escalonadas entre 250 m e 480 m). O rio Guadiana. 4. 1977. exibindo uma acentuada irregularidade intra e interanual nos seus caudais. dominada por formações xisto-grauváquicas do Culm. Alte. que possui cerca de 150 km de comprimento. Nos 38 anos em que se efectuaram medições do caudal no Pulo do Lobo. que sobe para o interior até ao contacto com o barrocal. mudanças bruscas na direcção dessas ribeiras. De toda a faixa litoral portuguesa. registando-se valores de altura média de chuva anual (721 mm) bastante inferiores à média no País (1 010 mm).

Óbidos e de Sto. Maria). Espichel e de S. Os grandes troços rectilíneos. Aos cabos que avançam para o mar correspondem quer arribas altas (cabos da Roca. à primeira vista. 5. e as lagoas de Albufeira. Podem distinguir-se 3 grandes tipos: as arribas altas. estende-se ao longo de cerca de 850 km. geralmente arenosos.2. revelando-se particularmente crítica em relação às designações haff delta e half delta. porventura. Neste litoral é de destacar a Barrinha de Esmoriz e a laguna de Aveiro. Generalidades O litoral português. A existência desta proeminência rochosa determinou a linearidade e direcção da costa entre Espinho e Figueira da Foz. as costas com arribas médias ou baixas.IV . onde surgem arribas vivas e escolhos talhados no Jurássico. se formou devido à refracção da ondulação em torno da pequena Ínsua de Caminha. a entidade geológica do litoral que maior número de designações conheceu. Vicente) quer baixas (cabos Carvoeiro. A costa a sul do paralelo 41ºN. André. que predominam. geralmente pouco recortado. segundo Ministério do Ambiente (1996). até. de Alvor e Formosa. em fase de recuo. com orientação geral NNE-SSW. Raso e de Sines) quer. é essencialmente arenosa. com orientação geral NNW-SSE é.Caudais (m³/s) de cheias importantes ocorridas no Guadiana nos séculos XIX e XX. Ano Caudal 1876 1947 11 000 9 650 1979 3 836 1996 3 273 5. existem diversos sistemas lagunares. As praias. Para além das arribas e das praias. baixa e rochosa. podem ser tanto arribas como costas baixas. com mais de 50 m de comando. Daveau (1988) revê a evolução da nomenculatura desde o início do século até à actualidade. e os litorais baixos. segundo Carvalho (1988). de modo geral. Litoral 5. 1 A laguna de Aveiro é. são pouco extensas e interrompidas por afloramentos rochosos. ao acaso. por vezes cascalhentas.41 Quadro III.1. correspondente ao Pinhal do Camarido. uma restinga arenosa (cabo de Sta. A irregularidade maior desta costa monótona é constituída pelo cabo Mondego. Próximo de Caminha define-se uma zona de acumulação bem desenvolvida. Plataforma norte A costa a norte do paralelo 41ºN (mais ou menos a latitude de Espinho). em geral. . a qual. encontrando-se. Estes tipos de costa alternam de maneira bastante irregular e. dos quais os mais desenvolvidos são as lagunas costeiras impropria e habitualmente designadas por Rias de Aveiro 1.

Dias et al. o estuário do Mondego constitui vasta zona deposicional que se encontra dividido em dois braços principais. ao contrário da localizada a norte do Porto. e outra. encontrando-se associada à existência de restingas que atingiam. comunicando com o oceano através de barra artificial. Embora de origem recente. A sua profundidade é pequena e. perpendicular ao litoral. sendo a lagoa de Mira disso um bom exemplo. .42 A Barrinha de Esmoriz. Efectivamente. Na laguna de Aveiro desaguam vários ribeiros e rios. ao fornecimento eólico de areias do cordão litoral e das dunas. Jacinto. Esta laguna desenvolve-se segundo duas direcções perpendiculares: uma. dos quais o principal é o Vouga. como se disse atrás. Martins. A barra atingiu as alturas de Mira em meados do século XVIII (Cunha. 1947). localizando-se a barra a norte da Torreira. na primeira metade do século XIX. paralela à linha de costa. representa o que resta da antiga lagoa de Ovil (Alves et al. numa extensão de 55 km. Três séculos mais tarde essa barra atingiu a posição de S. A laguna de Aveiro tem sofrido um assoreamento progressivo. apenas existia uma restinga a sul de Espinho. a laguna de Aveiro estava já constituída no século XII. (1994) referem que a posição da embocadura do Mondego era. Esta laguna possui contornos muito irregulares. esta costa encontra-se presentemente em fase de recuo generalizado. Segundo Abecasis (1955). 1988/89). As relíquias desta evolução são visíveis ainda nalguns pontos. com um comprimento de cerca de 15 km. por vezes. 1941. à ineficiência das correntes de maré no transporte de sedimentos para o exterior e à entrada de materiais provenientes do litoral e da plataforma. verificou-se isolamento e assoreamento progressivo da foz dos rios que desaguam nesta costa (Girão. segundo Oliveira (1977). Neves.. é de formação recente. completando-se assim a formação deste cordão arenoso e da laguna como estádio final de uma evolução que se teria iniciado sete séculos antes. Está separada do mar por um cordão arenoso de largura variável. divagante. referenciada na documentação histórica desde 1897. 1930. Na extremidade meridional deste sector. com elevado número de canais e esteiros de pequena profundidade. situando-se a foz do rio Vouga 20 km para o interior do litoral actual. No século XVI localizava-se aproximadamente onde actualmente se situa a barra artificial. comprimentos superiores a 1 100 m e taxas de crescimento de várias centenas de metros por ano. apresenta-se excessivamente povoada por vegetação aquática. Com a progressão rápida desta restinga para sul. o que é confirmado pelas frequentes destruições que aqui têm sido observadas. no século X. devido fundamentalmente à perda de competência das águas fluviais. separados pela ilha da Murraceira. Toda esta costa. 1935).

no período 1958-70. 2 Na análise dos valores das taxas médias de variação da linha de costa deve-se ter em atenção que os mesmos dependem de multiplos factores. registado valores da ordem de 8 m/ano (Ferreira. pontualmente.1 m/ano no período 1980-1990. a linha de costa recuou a uma taxa média de 2. provocaram abarrancamentos que chegaram a atingir as fundações do mesmo. a linha de costa terá recuado cerca de 300 a 400 m entre o final do séc. pelo menos. Os efeitos erosivos em Espinho não são recentes. Para proteger este hotel e as torres de apartamentos próximas foram construídos um enrocamento e um conjunto de esporões. a que correspondem taxas médias de recuo de 8 m/ano 2(Ferreira et al.7 m/ano (sector praia de S. Posteriormente aos períodos indicados. que era praticamente inexistente no período 1947-58.7 m/ano (sector Lavos-Leirosa) e 3. acentuada acção erosiva pelas águas pluviais conduzidas pelas caleiras do Hotel de Ofir que. Ferreira (1993) analisou o recuo actual da linha de costa entre Aveiro e o Canto do Marco entre 1947 e 1990. Junto a Costa Nova do Prado. registaram-se recuos pontuais máximos da ordem de 16 m/ano no período 1947-1954 (Ângelo. Durante o período 1980-90. pontualmente. entre os quais se incluem o período analisado. o século passado. a escala utilizada e a extensão e variabilidade do troço costeiro a que respeitam (Dias et al. Ferreira (1993) refere também recuos máximos da mesma ordem de grandeza para o sector Costa Nova do Prado-Vagueira. As taxas médias de recuo dos referidos sectores no período 1958.. Bettencourt & Ângelo (1992) analisaram a evolução recente de diferentes sectores da faixa costeira Espinho-Nazaré. 1986.. o método de análise.. detectados recuos de 6. a partir de 1982. havendo registos de estragos causados pelo mar desde. No Furadoro. Granja. recuos de 200 m entre 1949 e 1974. Jacintopraia da Vagueira). 1993). o recuo da linha de costa no sector a sul da Vagueira. um pouco a sul de Aveiro. correspondendo a uma taxa média de recuo da linha de costa de 8 m/ano (Oliveira et al.2 m/ano (sector EspinhoCortegaça). 1990). 1991) e de 10 m/ano no período 1958-73 (Oliveira et al. Entre 1947 e 1958 registou-se erosão severa a sul de Espinho. A evolução das taxas médias de recuo da linha de costa tem sido bastante irregular e extremamente afectada pelas intervenções antópicas.. os registos de erosão são já bastante antigos. tendo-se.43 Na área da Mata do Camarido registaram-se. talhada em areias de dunas fósseis. Segundo Oliveira et al. A arriba de Ofir. que induziram um processo de erosão acelerada a sul (Carvalho et al. referindo recuos médios da ordem de 2. (1982).3 m/ano. rebentadas. Foram. sofreu. Pelo contrário.. 1982).1985 variam entre 0. Entre 1885 e 1910 a linha de costa recuou 225 m (9 m/ano). 1982). nalguns pontos. 1994) . 1989). as taxas de recuo diminuiram fortemente. XVIII e 1930. tem aumentado de forma gradual. tendo o centro da vila sido destruído e submerso pelas águas do mar.

Vicente até perto da Ponta da Piedade são talhadas predominantemente em formações carbonatadas mesozóicas. pela existência de extensos cordões arenosos. O litoral a sul de Sines é. ou à presença de rochas eruptivas a oriente desta praia. Não existem estudos pormenorizados que permitam avaliar o impacte desta obra nos sedimentos da plataforma continental adjacente. Ao penetrar no mar. Devido à ondulação dominante de NW. É constituído por arribas vivas talhadas no soco e nas formações mesozóicas bem consolidadas e.44 5. e a oriente.3. O molhe de protecção.. 1947). Apresenta direcção N-S até à foz da ribeira de Odeceixe. nomeadamente . nas dunas consolidadas. 1962. as lagoas de Melides e de Santo André. cuja actividade se encontra dependente das condições de agitação do mar e das características das praias adjacentes. Plataforma algarvia O litoral algarvio é caracterizado. Zambujeira e Odeceixe).: Vila Nova de Milfontes. Na foz do Mira e nas dos poucos rios e ribeiras que afluem a esta região da plataforma desenvolvem-se areais que constituem as únicas praias deste troço do litoral (p. Neste litoral. 1971. pela predominância de arribas constituídas maioritariamente em rochas carbonatadas. dispondo-se com orientação geral NNE-SSW a sul deste curso de água. escarpado. Para oriente da Ponta da Piedade e até às proximidades dos Olhos de Água. na maior parte. pelo menos. 1979). as arribas desenvolvem-se em rochas carbonatadas e detríticas de idade miocénica. 1943. 1978). O cabo de Sines é consequência da presença de rochas mais resistentes do maciço anelar sub-vulcânico existente nesta área. Martins. ex. 1978). As arribas que se estendem desde o cabo de S. a ocidente da praia da Figueira. na enseada de Setúbal (Costa da Galé-Sines). fraco caudal dos cursos de água que aí afluem. possui cerca de 200 m de largura na base (Daveau et al. O fecho destas lagoas é relativamente recente (Boléo. admite-se que. o litoral é constituído por arribas com praia contínua subjacente talhadas na cobertura cenozóica pouco consolidada. existe uma deriva litoral para sul. O porto de Sines constitui um obstáculo à deriva longilitoral. 1971). a refracção da ondulação dominante origine uma corrente que determine transporte para norte ou. Boillot et al. o maciço prolonga-se pela plataforma por alguns quilómetros (Pacheco. 5.. No entanto. Estas lagoas comunicavam ainda directamente com o mar no século XVI (Wienecke. Moreira-Lopes. A interrupção da comunicação destas lagoas com o mar deve-se certamente à conjugação de quatro factores: transporte litoral intenso. que assenta em fundos de 35 a 48 m. Plataforma sudoeste A norte de Sines. encontram-se dois sistemas lagunares. imediatamente a sul do cabo de Sines. a ocidente.4. As irregularidades deste sector da costa são atribuíveis a fracturação e a variações litológicas. grande carga sólida transportada pelos cursos de água nos períodos mais pluviosos. frequentemente. e elevação do nível médio do mar. mantenha os sedimentos em equilíbrio nesta zona (Moita.

estando sujeitas a importante condicionamento pelo paleo-relevo cársico. a oriente. de Tavira e de Cabanas. Andrade et al. estes depósitos de areias localizam-se preferecialmente a oriente da foz.. como em Armação de Pera e Albufeira. a ocidente. desenvolveram-se areais relacionados com a foz das ribeiras principais. Teixeira et al. muito superior à erosão sub-aérea. Podemos considerar dois sectores distintos: o sistema de ilhas barreira de FaroOlhão (Ria Formosa) e o litoral arenoso que se lhe situa a oriente. 1984). 1989a. perpendicularmente à direcção da agitação marítima dominante (Dias. e da zona da Ponta João de Arens. Andrade.. calcarenitos. 1994. As praias existentes no litoral talhado nas formações mesozóicas são pequenas.: Dias. O sistema de ilhas barreira de Faro-Olhão . 1988.. devido principalmente à litologia em que estão talhadas (Godard.. provocam intenso abarrancamento. 1989. siltitos e arenitos. actuando sobre eles. 1997b. 1984. Parte importante da areia de praia existente no sopé das arribas provém da erosão destas formações (Dias. As taxas de recuo das arribas são bastante maiores a oriente que a ocidente. Dias. os quais são mais abundantes quando a costa está protegida da agitação marítima predominante (Dias. 1984. os processos de erosão continental. 1967. 1991). Como o transporte litoral predominante é de oeste para este. 1984. 1984.ex. (1989). 1988. que tem vindo a ser intensivamente estudado desde os anos 80 (p. formando ambiente barreira medianamente desenvolvido e muito assoreado. 1995. A progressão de restingas arenosas a partir da Meia Praia. 1988). por vezes com camadas cascalhentas. é essencialmente constituído pelas penínsulas do Ancão e de Cacela e pelas ilhas da Barreta. . Granja et al. 1988). (1984) e Pilkey et al. Ciavola et al. beneficiando da dissipação da energia das vagas incidentes. Como estes tipos litológicos são facilmente desagregáveis. Na baía de Lagos estendem-se longos areais relacionados com a foz do Bensafrim e do sistema Alvor-Odiáxere. De acordo com Monteiro et al. da Armona. 1986. na base. encontrando-se geralmente relacionadas com a foz de pequenas linhas de água. 1996. 1997a. anastomosou as fozes do Alvor e do Odiáxere. 1990. Mais para oriente. De um modo geral. III. Localizam-se preferencialmente entre saliências da costa. Entre os Olhos de Água e a Quinta do Lago dessenvolve-se sistemas de arribas talhadas em arenitos argilosos vermelhos atribuídos ao Miocénico e/ou pós-Miocénico. desenvolvendo-se em forma de triângulo escaleno cujo vértice exterior constitui o cabo de Santa Maria (fig. sendo a erosão marinha. da Culatra. 1989. Marques. estendendo-se até à foz do Guadiana. Bettencourt. Este tipo de relevo é responsável pela existência frequente de escolhos e leixões. 1998). A litologia dominante é constituída por arenitos e siltitos mal consolidados. A oriente da Quinta do Lago o litoral é do tipo arenoso. 1985. com direcção NW-SE. Granja. O litoral das formações miocénicas apresenta pequenas praias encastradas frequentemente condicionadas pelo modelado cársico actualmente em fase de exumação marinha. 1988.45 calcários. as arribas do litoral algarvio são activas.10).

Figura II. 1997). com o tempo. 1995. De um modo geral. chegando a atingir valores da ordem de 70m/ano ou até superiores a 100 m/ano (Bettencourt. 1989b. até uma posição limite. posições essas que parecem ser específicas de cada barra. Correia et al. 1964. 1991. não só na parte das arribas. Para oriente do sistema de ilhas barreira a praia é contínua. a oriente.. 1988). Concomitantemente com esta migração. geralmente. Andrade. 1985. Trafal e Vale do Lobo) tem sido analisada por diversos autores (p. verificam-se processos de destruição da parte oriental e reconstrução da parte ocidental das ilhas entre as quais se definem as barras (Weinholtz. Marques. Granja. Andrade et al. As barras são. e com ela directamente relacionados. na foz do rio Guadiana. Pereira et al. 1988). 1984. O sistema de ilhas barreira é extraordinariamente dinâmico. 1994. 1974. A maior parte das barras migra. 1990. 1985. Dias & Neal. (Forte Novo. 1992.. extremada a oriente pelo banco de O'Bril. Granja. fez com que os bancos de poente formados pela acumulação de areia a oeste da embocadura deste rio (Weinholtz. do nível do mar. como também na zona das ilhas barreira. 1978b) se unissem a terra formando o banco de O'Bril e engrossando cada vez mais a praia. pós-Würm. Dias. Esaguy. A acção conjugada do vento e da ondulação de SW. ex: Guillemot. Bettencourt. desde a Ponta da Areia até para além de Monte Gordo. As taxas de migração destas barras e as de crescimento da parte oriental e de destruição da parte ocidental das ilhas são frequentemente espectaculares. muito instáveis. o litoral algarvio encontra-se em fase de recuo. Dias. 1988. 1985. 1984). a ocidente. 1978a. 1984. desde uma posição preferencial. A evolução das arribas talhadas nas areias plio-plistocénicas da região de Quarteira.46 a origem e evolução deste sistema está possivelmente relacionada com a subida. formando larga enseada assimétrica.10 – Sistema de ilhas barreira de Faro-Olhão (Dias. As . dominantes..

Todavia. 1987. a amplificar-se na parte oriental. encontrando-se a zona de subducção incipiente localizada na base da vertente continental e em nucleação de sul para norte (Ribeiro & Cabral. Em Trafal e Forte Novo registaram-se recuos médios superiores a 1. cuja ruptura terá produzido o sismo de Lisboa de 1755 (Ribeiro. 1995). Neste contexto. tal como a constituição geológica e estrutura antigas. 1989a. 1987). registando-se valores médios de 0.5 m (em Forte Novo). no troço terminal do estuário o Guadiana. Na praia de Faro. localmente. É o que se passa no caso da ilha da Barreta.11). é de referir a importância do segmento meridional da margem oeste ibérica. com tendência para aumento da actividade tectónica com o tempo. a linha de baixa mar recuou cerca de 1m/ano entre 1945 e 1964 (Weinholtz. segundo os mesmos autores. Outro exemplo de acreção induzida antropicamente é constituído pela intensa acumulação de areias junto ao dique poente de canalização da corrente. extremamente importante para o estudo da evolução recente da plataforma. na zona do sistema de ilhas barreira. Em Vale do Lobo.47 taxas de recuo médias determinadas para este sector durante o período 1958-69 são da ordem de 0. (1997). mais de 300m para o mar em consequência da construção e prolongamento do esporão de protecção à barra de Faro (Dias. 1994). verifica-se acreção nalguns depósitos arenosos. Cabral & Ribeiro. Neotectónica A existência de estruturas tectónicas actualmente activas é. 1978a). desde 1942. em que a face oceânica se deslocou.5 m/ano no período 1976-83 e a 3 m/ano no período 1983-91.1 m/ano emtre 1983 e 1991. Cabral. geralmente relacionada com intervenções de origem humana.7 m/ano no período 1976-83 e de 1. a variação da intensidade e da trajectória do campo de tensões quaternário e a idade da crosta oceânica no contacto com o continente) favorecem um modelo segundo esta margem se encontra num estádio transitório entre passiva e activa. Algumas evidências (nomeadamente. A construção do campo de esporões de Quarteira e do molhe de Vilamoura no início da década de 70 foi responsável por um acréscimo deste valores. . II. De acordo com Pereira et al. na proximidade da fronteira de placas Açores-Gibraltar. o acréscimo das taxas de recuo foi substancialmente menor. o recuo médio registado neste sector entre Outubro de 1995 e Janeiro de 1997 variou entre 3. A actividade neotectónica da margem continental portuguesa é consequência da sua localização no contexto da tectónica de placas (fig.5 m/ano. 6. Estes valores confirmam que a erosão continua muito activa em todo este sector. uma vez que a acção da tectónica activa se repercutiu certamente no padrão sedimentológico e nas características geomorfológicas da platafoma continental. estando possívelmente.7 m (em Vale do Lobo) e 8.

. Este enquadramento é responsável por uma actividade tectónica importante. a grandes acidentes tardi-hercínicos onde se instalaram canhões submarinos. cujo prolongamento para a plataforma foi estabelecido através de gravimetria. A análise da carta de epicentros de sismos históricos (fig. 1979).11 – Enquadramento geodinâmico da margem continental (Ribeiro.. Com efeito. (1990.12) revela também a existência de sismicidade intra-placas. a qual se traduz em desiquilíbrios isostáticos e consequentes movimentos compensatórios. 1991). por exemplo. na margem continental. ao provocar modificações de grande amplitude nas características granulométricas e no padrão sedimentar da cobertura não consolidada da plataforma. que na plataforma continental apresenta evidências de movimentação inversa (Cabral & Ribeiro. no decurso de período transgressivo de grande amplitude. em Rodrigues & Dias (1989) e Rodrigues et al. As vibrações induzidas pelos sismos e pelas ondas oceânicas por eles eventualmente geradas influenciam os sedimentos de fundo. 1989b). As falhas com actividade sísmica correspondem.. foram certamente importantes. a aumento de carga considerável. Os movimentos verticais. 1991). No que respeita à plataforma continental potuguesa setentrional. 1979). de magnetometria e de reflexão sísmica.48 1 – Fronteira de placas transformante e fallhas de desligamento 2 – rotura do sismo de 1/11/1775 3 – trajectórias de tensão compressiva máxima horizontal 4 – Fronteira de placas convergente e falhas inversas Eu – placa euroasiática Af – placa africana Go – banco de Gorringe Figura III. cujos epicentros se localizam na zona de subducção intraoceânica situada imediatamente a sul do Banco de Gorringe (Ribeiro et al. que se manifesta pela presença de deformações recentes (neotectónicas) e por uma sismicidade significativa ao longo da fronteira das placas eurasiática e africana. embora com menor relevância. fornecendo um cenário de importante potencial sismogénico. É o caso. as plataformas continentais são submetidas.. nomeadamente os devidos a fenómenos de compensação isostática induzida pela transgressão flandriana. III. 1994). da zona de fractura Porto-Tomar (Lefort et al. que se prolongam em domínio oceânico pelas direcções transformantes ligadas à abertura do Atlântico (Ribeiro et al. e da margem ocidental. São vários os acidentes reconhecidos em terra. este assunto encontra-se referido com algum pormenor em Dias (1987) e.

Súmula 1. o silte e a argila passem sobre o canhão. A plataforma ocidental a sul do canhão de Setúbal é limitada a norte por este acidente morfológico. a existência de diversos rios. que se define a cerca dos 50 m de profundidade. 7. A sul do paralelo 41º N. a alta pluviosidade na região emersa adjacente e o acidentado do relevo permitem pressupor uma plataforma continental bem abastecida em partículas terrígenas provenientes do continente. complexo. 3. Contudo. o estado actual de assoreamento dos estuários permite deduzir qur este abastecimento se atenuou recentemente. morfológicas. sofrendo ainda (principalmente os depositados na sua margem esquerda) eventual ressuspensão periódica. A . o padrão de distribuição sedimentar não é. 2.49 Figura III. transportados em suspensão. A inexistência de rios importantes. provenientes da região localizada imediatamente a norte. hidrográfico-climáticas e oceanográficas. Nestas circunstâncias. Os sectores da plataforma continental portuguesa estudados apresentam diferentes características geológicas. devido a fenómenos de "upwelling" costeiro.12 – Distribuição de epicentros de sismos históricos e instrumentais. 1995). em relação com a regularidade e suavidade do relevo da plataforma. o acidentado e a constituição litológica da parte emersa permite supor região deficitária no abastecimento de terrígenos. é possível que se verifique passagem de sedimentos grosseiros entre as cabeceiras do canhão e a costa. A dimensão do símbolo é proporcional à magnitude (Cabral. A norte do cabo Mondego. É possível que. possivelmente.

além do Guadiana. grandes quantidades de sedimentos transportados em suspensão continuam a ser para aí carreados.50 erosão das arribas e do fundo apenas poderá fornecer quantidade diminuta de material essencialmente fino. de modo geral. A inexistência de rios importantes. O conjunto dos elementos anteriormente referidos permite deduzir que o abastecimento de terrígenos para a plataforma é. No entanto. 5. pequeno relativamente à areia e ao cascalho. que afluam à plataforma algarvia e o tipo e constituição do relevo emerso permitem supor que esta plataforma é bastante deficitária em terrígenos grosseiros (areia ecascalho). . 4. A ocorrência de "upwelling" permite ainda deduzir que o conteúdo em partículas biogénicas é importante.

A maior parte deste material é debitado para a plataforma quando o jacto de maré ou de cheia rompe a barreira energética litoral (Allen. 2. No entanto. outros são possivelmente importantes. até porque o período de cheias coincide com a estação invernal. mal conhecidos. em simultâneo. prolongar-se por períodos de diversos anos. Além dos processos de distribuição a seguir mencionados. como se comprova pela turbidez das águas na adjacência das desembocaduras dos rios.1. de medições experimentais que possibilitem o conhecimento das relações existentes entre volumetria sólida e escoamento fluvial. a transferência de materiais é elevada mesmo em condições menos propícias. A avaliação mais rigorosa do débito sedimentar dos rios e ribeiras resulta. As condições mais propícias para transferência do material para a plataforma ocorrem quando se verifica coincidência entre a ponta de cheia e marés vivas em condições de pressão atmosférica elevada e ausência de ventos (ou com ventos de terra para o mar). dada a grande variabilidade do regime hidráulico dos rios. frequentemente. É o caso.51 IV. Processos de fornecimento 2. particularmente no que concerne aos de distribuição. Todavia. Os processos modernos que operam na plataforma e vertente continentais estudadas são variados e. Contribuição fluvial O principal processo de fornecimento de partículas para o depositário encontra-se associado aos rios e ribeiras que afluem à plataforma continental e respectivos estuários. 1970). transportando grandes quantidades de partículas em suspensão. por exemplo. obviamente. as campanhas experimentais devem. . desde o último máximo glaciário. Este conjunto de condições é bastante raro. estes se comportem. Os dados que possibilitam a avaliação da importância dos processos responsáveis pela remobilização e redistribuição de partículas são escassos ou mesmo inexistentes. No presente capítulo é apresentada uma resenha dos conhecimentos disponíveis sobre as referidas modificações. da circulação termohalina e das ondas infra-gravíticas. Introdução O padrão de distribuição da cobertura sedimentar não consolidada das plataformas continentais é condicionado pela natureza e magnitude dos processos responsáveis pelo fornecimento e distribuição de partículas. PROCESSOS DE FORNECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO 1. como agentes fornecedores e distribuidores de partículas. A configuração destes processos sofreu modificações importantes. É de salientar que o modo de actuação de tais processos conduz a que. que são razoavelmente conhecidas.

Com o objectivo de quantificar. Os presumíveis valores. Não obstante as suas limitações. em regime natural. este método tem sido intensivamente utilizado. Entre os parâmetros não explicitamente contemplados podem referir-se. Os factores correctivos respectivos são difíceis de determinar.4 126.9 153.2 (x103 .4 926. Quadro IV. visto que permite avaliar a ordem de grandeza da quantidade de sedimentos debitados pelos rios.8 374. As dificuldades de financiamento de estudos experimentais que permitam obter estimativas de débito sólido fluvial conduzem freqentemente à aplicação de métodos desenvolvidos em climas não mediterrânicos. esse processo de fornecimento. O único estudo sistemático conhecido em Portugal desenvolveu-se em três secções do rio Tejo (Henriques & Cunha.2 9 597. de algum modo. a carga sedimentar transportada pelos rios. a não homogeneidade da bacia.5 1 396. Não existem dados que permitam. junto ao fundo (T. Rios Minho Lima Cávado Ave Douro Vouga Mondego Mira Guadiana Ribeiras do Algarve Sed. expressos em 10³ m³/ano.7 110. T.8 30. m3/ano) 185.) e em suspensão (T. portanto.7 169. os tipos litológicos dominantes.4 284.1 1 036.2 42.3 1 165.).2 T.0 16. em menor ou maior grau. da totalidade do material transportado (Sed.6 332. aplicou-se o método de Langbein & Schumm (1958).Estimativas do material presumivelmente transportado na totalidade (Sed. 1982). m3/ano) 1 549. T.52 implicando investimento avultado. com fiabilidade suficiente. junto ao fundo (T. (x103 m3/ano) 1 734. é um modelo simplista. apesar de se ter prolongado por 8 anos.2 13. a construção de barragens e a desflorestação acidental ou intencional.). são interdependentes.S.6 254.5 7 196. T.I . questionável.2 763.I.0 (x103 T. este estudo não conseguiu contemplar a totalidade do espectro de débitos característicos daquele rio.2 230. constam do quadro IV. raramente disponível.S.2 113.S.8 146.6 1 646. não comtemplando uma longa lista de parâmetros que influenciam.F.3 6 432. Este método tem base empírica e foi desenvolvido com dados colhidos nos Estados Unidos da América. que permite calcular o presumível volume anual de sedimentos debitados por cada rio.8 163. a percentagem de área agricultada. por exemplo.8 16.) e em suspensão (T.) pelos principais rios que drenam para os sectores estudados. com frequência.).8 11 243. saber qual a quantidade de sedimentos que são fornecidos actualmente às regiões analisadas.F. o tipo de relevo. Contudo. até porque. Por outro lado. A sua aplicação a outras regiões pode ser.F.

com valores geralmente inferiores a 1 mg/l na plataforma interna e média.. como seria de esperar. tal como é sugerido por Swift (1976a) para as condições presentes. Lima. principalmente. 1995). cujas dimensões e características são directamente relacionáveis com a importância dos sistemas fluviais associados. Cávado. areias finas e muito finas. De maneira geral. As partículas debitadas por estes rios são principalmente transportadas em suspensão para o seio da plataforma. reflectindo a influência directa do escoamento dos cursos de água que afluem ao litoral. No Inverno. A exportação dos materiais finos dos estuários para a plataforma processa-se geralmente através do desenvolvimento de plumas túrbidas superficiais e de fundo. concluiu que as partículas actualmente exportadas pelo rios que afluem ao litoral português a norte de Espinho apresentam dimensões correspondentes às do silte e da argila. descendo para valores inferiores a 2 mg/l na plataforma média. O material mais grosseiro que consegue libertar-se do sistema estuarino por transporte junto ao fundo fica na dependência do regime litoral.53 A análise destes valores indica que os rios Douro e Guadiana são potencialmente os principais fornecedores de partículas para os sectores estudados. Garcia et al. a concentração à superfície é mais baixa. quer do sistema fluvial localizado a montante. o que se encontra também relacionado com os maiores valores de turbidez que se verificam nesta altura do ano. a concentração à superfície atinge valores superiores a 5 mg/l perto da desembocadura dos rios. mais frias e menos salinas do que no Verão. Ave e Douro permite concluir que os estuários destes rios parecem funcionar como "armadilhas" das palhetas de mica (Magalhães. 1993). a pluma superficial apresenta uma área mais extensa do que a de fundo. No Inverno. detecta-se por vezes a existência de uma camada única com valores praticamente homogéneos de turbidez ao longo de toda a coluna de água. A análise de amostragem colhida nas bacias hidrográficas dos rios Minho. No Verão. A distribuição da concentração da matéria em suspensão faz ressaltar a existência duma nítida variabilidade sazonal e espacial. 1994. É provável que os estuários dos rios que afluem à plataforma funcionem simultaneamente como fornecedores de partículas finas e receptores de partículas mais grosseiras provenientes. sendo esta a que apresenta os valores mais significativos de turbidez. com base na aplicação de um método desenvolvido por Bevis & Dias (1986) e que permite decompor um curva granulométrica nas diversas populações gaussianas que a constituem. A concentração no fundo varia entre 2 a 15 mg/l na plataforma interna e entre 2 a 4 mg/l na plataforma média. siltes e argilas. No entanto. Os materiais provenientes destas zonas estuarinas são certamente constituídos essencialmente por areias médias e. quer do sistema litoral localizado a juzante. Oliveira (1994). as águas da plataforma interna são. e valores compreendidos . e que apresentam uma variabilidade espacial e temporal cujo conhecimento se encontra ainda numa fase embrionária (Oliveira.

. em que o pendor médio dos pequenos rios existentes é muito moderado. O cortejo dos minerais argilosos detectados nas plumas túrbidas associadas com os rios Minho e Douro é bastante semelhante no Verão e no Inverno.1. interestratificados e gibsite (Vasquez & Anta. 1993).93 e 2. Os numerosos jazigos de caulino existentes na região são uma fonte importante de caulinite e quartzo. Estes cortejos estão relacionados com um acarreio continental formado por uma mistura de materiais procedentes dos solos e perfis de alteração com origem na meteorização de rochas graníticas e xisto-grauváquicas. uma fonte importante de materiais para estas plumas túrbidas. a maioria das partículas terrígenas que alimentam o depositário liberta-se do meio estuarino no decurso de grandes cheias. 2. clorite. e as litologias dominantes são essencialmente constituídas por rochas carbonatadas e xistograuváquicas.I indica que o sector norte é caracterizado por forte abastecimento fluvial. montmorilonite e interstratificados. Este forte abastecimento encontra-se relacionado. cujas correntes contribuem. O quartzo. gibsite e caulinite. a moscovite. os minerais argilosos nelas predominantes nas rias da Galiza são os minerais cauliníticos. que constituem a litologia dominante das bacias hidrográficas drenadas. para a sua dispersão pelo depositário. As rias galegas são. a concentração na desembocadura dos rios atinge valores superiores a 4 mg/l. A análise do quadro IV. a pluviosidade média é bastante inferior a 1 000 mm/ano. caulinite. além de vestígios de feldspatos e quartzo (Alves & Alves. com a grande área das bacias para aí drenantes (superior a 120 000 km²). 1969). cuja área drenante é de apenas 2 600 km². sendo dominado por ilite. além de ilite. 1988). os feldspatos e a gibsite são os pricipais minerais não argilosos identificados. entre outros factores. Estas características contrastam fortemente com as do sector sudoeste. Efectamente. e em que as litologias dominantes são essencialmente constituídas por rochas xisto-grauváquicas. acompanhados por micas. interestratificados ilitevermiculite.54 entre 0. o pendor médio dos pequenos rios aí existentes é pequeno. com o perfil relativamente jovem da maior parte dos rios que aí afluem e com as litologias dominantes nessas bacias (em que avultam rochas granitóides e formações xisto-grauváquicas). Nos sedimentos do estuário do Lima foram identificados ilite. Efectivamente. gibsite e montmorilonite (Lapa. visto que a área drenante é de 70 600 km². O sector sul contrasta também fortemente com o sector norte.4 mg/l perto da desembocadura dos rios. em que a pluviosidade média é bastante inferior a 1 000 mm/ano. Perto do fundo. com a elevada pluviosidade média (superior a 1 000 mm/ano e ultrapassando 2 000 mm/ano nalgumas bacias hidrográficas). aparentemente.1. também. Correntes de cheia Estas correntes encontram-se simultaneamente associadas aos processos de fornecimento e de distribuição das partículas pelo depositário. Estas características localizam o sector sul numa posição intermédia entre os outros no que se refere aos factores mencionados.

o fornecimento destes materiais tem sofrido uma apreciável diminuição (Dias. No entanto. A construção de barragens induz diminuição drástica da área das bacias hidrográficas que efectuam a drenagem directamente para a plataforma.2. o que. frequentemente. que se pode considerar endorreica. via de regra. 1990). a bacia hidrográfica fica dividida em duas: uma.1. certamente. enquanto que noutros quase não ocorrem cheias. Estas correntes são provavelmente as grandes responsáveis pelo fornecimento dos materiais finos que ocorrem nos sectores estudados. Como estes aproveitamentos são. a acção destas correntes repercute-se. a jusante. O depositário encontra-se sujeito a um período invernal em que se verifica grande fornecimento e intensa redistribuição e a um período estival. No entanto. se encontra provavelmente relacionado com as prolongadas cheias do Inverno anterior (Sobral. devido à existência de numerosas barragens. detectado em Março de 1996 em bancos localizados entre a foz do Douro e Mira. a montante. tem repercussões profundas ao nível do transporte sedimentar. uma vez que a concomitante alteração do regime hidráulico tende a remobilizar os sedimentos fluviais acumulados a jusante da obra. Nos anos caracterizados por períodos invernais rigorosos. esta ciclicidade anual não é homogénea. o caudal destes rios encontra-se mais regularizado. Contudo. no qual é mínimo o fornecimento de partículas terrígenas e a redistribuição é pequena.55 As ocasiões de maiores cheias verificam-se. De facto.). . o efeito de retenção dos sedimentos pelas barragens repercute-se ainda nos quantitativos sedimentares debitados pelos rios para a plataforma. 1996). em geral. retardando o deficit sedimentar na foz. nalguns anos as cheias atingem de forma catastrófica os rios (sendo muito importantes as consequências na plataforma). Porém. de modo significativo na produtividade de certas espécies biológicas. construídos no sector superior dos rios. refira-se que o decréscimo da abundância da ameijoa branca (Spisula solida L. Quando se constrói uma barragem. actualmente. sendo menos frequentes as grandes cheias. o que induz grande transporte de carga sedimentar. Desempenham ainda um papel importante na constituição dos depósitos litorais e dos depósitos finos detectados na plataforma média. associadas a temporais que induzem ventos fortes e grande agitação marítima. provavelmente. outra. da sua construção não resulta a imediata redução da carga sólida que aflui ao litoral. Neste contexto. 2. menores os caudais médios de Inverno e maiores os de Verão. Por outro lado. Influências antrópicas no fornecimento por via fluvial A precipitação que ocorre na área cuja drenagem se efectua para a plataforma provoca aumento dos caudais dos rios e da sua competência transportadora. em que o respectivo perfil se encontra ainda muito afastado do de equilíbrio. que continua a ser exorreica. nos períodos invernais e encontram-se. as suas albufeiras acabam por se converter em áreas de deposição correspondentes aos troços dos rios com maior capacidade erosiva e transportadora.

de facto. é nos períodos das grandes cheias que a maior parte dos materiais é transferida das zonas estuarinas para a plataforma continental e para o litoral. . não conseguem remobilizar de forma significativa as partículas arenosas (depositadas preferencialmente na parte montante das albufeiras). A redução da probabilidade da ocorrência de cheias provoca a diminuição da probabilidade do litoral ser suficientemente abastecido. que interrompem quase por completo o trânsito fluvial de areias e regularizam os caudais hídricos deste rio. Por outro lado. A título meramente exemplificativo. efectuada principalmente pelas barragens.5x106 m³/ano no início da década de 80. tendo algumas delas (p.. Considerando que as descargas das barragens. 1989). cuja bacia hidrográfica está afectada por mais de 70 barragens (com uma capacidade de armazenamento superior a 9 000x106 m³). As estimativas da quantidade de material transportado por via fluvial após a construção das barragens construídas nas bacias hidrográficas que drenam para os sectores estudados constam do Quadro IV. 1982). o rio Douro. Com efeito. as extracções de inertes e as dragagens portuárias têm sido. ex.II. 1990). bastante intensivas. as medições do assoreamento em albufeiras portuguesas permitiram verificar que os limites da erosão específica nas áreas para elas drenadas estão compreendidos entre 23 e 760 m³/km²/ano (Rocha & Ferreira. permite deduzir que a diminuição dos volumes sedimentares transportados por via fluvial é extremamente significativa. valores que constituem um indicador da deficiência do abastecimento do litoral e da plataforma que se tem registado nos últimos anos. a qual é superior a 85% (Ferreira et al. pode concluir-se que estes aproveitamentos hidroeléctricos e hidroagrícolas são responsáveis pela retenção de mais de 80% dos volumes de areias que eram transportados antes da sua construção (Dias. a alimentação do litoral. Efectivamente. no troço inferior deste rio. de forma profunda. Em consequência destas e de outras intervenções.. influencia também. nomeadamente no decurso das cheias.8x106 m³/ano de carga sólida transportada junto ao fundo. refira-se o caso do rio Douro. as barragens são responsáveis por uma drástica diminuição no abastecimento de partículas ao litoral e que o sector no qual se verificou maior decréscimo nos quantitativos sedimentares debitados para o litoral foi certamente a plataforma norte.: Crestuma-Lever) sido construídas já no estuário e bastante perto da foz. A análise deste quadro sugere que. incluindo o estuário. a simples análise da redução da área que é directamente drenada para o mar devido à construção de barragens. Cumulativamente. principal abastecedor sedimentar da costa norte portuguesa.25x106 m³/ano (Oliveira et al.56 O decréscimo da quantidade dos materiais que chegam ao litoral deve ter sido enorme após a construção das barragens. 1980). atingindo valores da ordem de 1. teve esse valor reduzido para cerca de 0. que em regime natural debitaria cerca de 1. A regularização dos caudais dos rios.

4 138.F.4 352.6 119. Erosão do litoral Na transição do séc XIX para o séc.6 329. A importância da erosão das arribas como processo de fornecimento de partículas para o depositário encontra-se relacionada com a maior ou menor extensão relativa que apresentam e .2. T.8 403.F. a construção de grandes barragens e de portos com grandes molhes de protecção.2 39. as explorações de inertes fluviais e nas zonas vestibulares dos rios. embora em menor escala. cite-se.5 81.9 16.9 (x103 T. m3/ano) 30. as dragagens intensivas nas zonas portuárias e respectivos canais de acesso.5 220.5 311. quando o nível tecnológico humano se revelou capaz de intervir em grande escala.6 1 854. 1992).8 T.5 128.: Andrade.) pelos principais rios que drenam para os sectores estudados. ex.) e em suspensão (T. compensada pela erosão do litoral.57 A regularização dos cursos de água constitui também. entre outras acções. m3/ano) 254. T. Algumas das estruturas implantadas no litoral desde os anos 50 favorecem um desvio dos trânsitos sedimentares do litoral para o largo. O incremento do efeito de estufa (e consequente subida do nível relativo do mar. o caso da ribeira de Quarteira (Andrade.4 483.2 41. A este respeito. induzem presentemente no litoral um comportamento transgressivo.3 155.).1 2 074.9 (x103 2. modificando as características ambientais.4 12. que apresenta actualmente tendência para acelerar). importante factor na abastecimento de partículas ao litoral. junto ao fundo (T.Estimativa do material presumivelmente transportado na totalidade (Sed.6 394. 1990).9 140. Indícios vários apontam para o facto dos estuários actuais funcionarem mais como zonas colectoras de sedimentos do que como exportadoras de materiais arenosos para a plataforma. A deficiência sedimentar assim criada é.6 79. XX o comportamento regressivo do litoral foi subitamente interrompido.4 12. entre muitos outros exemplos. Rios Minho Lima Cávado Ave Douro Vouga Mondego Mira Guadiana Ribeiras do Algarve Sed.3 1 919. Quadro IV.3 8.7 351.9 2 248.II . Parte dos sedimentos provenientes deste processo depositam-se na praia submarina e na plataforma continental (p. (x103 m3/ano) 284.S. após a construção de barragens.S. 1990.2 107. o que terá provocado um aumento muito significativo dos sedimentos depositados na plataforma. Bettencourt & Ângelo.2 73. em parte.

indicando a grande intensidade e/ou continuidade temporal destes fenómenos progradativos. como os reproduzidos em Vanney & Mougenot (1981) e Mougenot (1985.C. SW e NW. As sequências progradantes evidenciadas em tais perfis apresentam. Como seria lógico pressupôr.. 2. significativa à escala global do depositário. Este último caso corresponde ao sismo de 63 a. 1990) e cujo epicentro se localizou 100 km a oeste das cabeceiras do referido canhão. constituindo sequências progradantes bem evidentes nalguns perfis de reflexão sísmica. tornando-se a área envolvente instável no caso da ocorrência de sismos de magnitude 3. 1994). É suficiente uma aceleração correspondente a 2% do valor da aceleração da gravidade para desencadear movimentos de massa no eixo do canhão submarino do Porto. 2. (1994) podem ser estendidos à totalidade da plataforma continental portuguesa. de igual modo. Outros processos de fornecimento O fornecimento por transporte eólico e a erosão de afloramentos de rochas submersas fornecem. por vezes. Efectivamente. 1989).4. Na costa ocidental. a sua contribuição não é. seguramente.5 a cerca de 20 km de distância ou de magnitude 6. Porém. Os ventos . em consequência das quais ocorrem deslizamentos e correntes turbidíticas. Tais acumulações são ocasionalmente sujeitas a movimentações gravíticas.3.58 com o estado de consolidação e/ou fracturação das rochas em que normalmente se encontram talhadas. os ventos predominantes são os de noroeste e norte. apresentando reduzida importância no caso contrário. partículas para o depositário. O regime de vento na costa é determinado pela sobreposição à circulação atmosférica de larga escala do efeito de brisas locais geradas pelo desigual aquecimento e arrefecimento da terra e do oceano. as acelerações horizontais do substrato rochoso associadas são responsáveis por um aumento das condições de instabilidade. Os ventos a que correspondem geralmente velocidades médias mais elevadas são os de S. A ocorrência frequente de áreas de progradação e o enquadramento sismo-tectónico permitem supor que os resultados obtidos por Rodrigues et al.5 (de acordo com Martins & Mendes Victor. Movimentos de massa A maior parte do material debitado actualmente para a plataforma acaba possivelmente por se acumular na proximidade do bordo da plataforma. cuja magnitude histórica foi superior a 6. responsáveis pela transferência para maiores profundidades A actividade sísmica favorece a ocorrência de movimentos de massa..5 a uma distância de 100 km (Rodrigues et al. este processo é bastante importante no caso de arribas talhadas em formação fracamente consolidadas. espessura e comprimento elevados.

O sector ocidental do litoral algarvio encontra-se sujeito a ventos predominantemente de norte. 1990).1.8 14. resumidamente descritas em Fatela (1995).7 6. 3. predominam os ventos de sudoeste. Processos de distribuição 3. que são os minerais predominantes na fracção fina dos sedimentos superficiais destes corpos lagunares.. .59 de terra são mais fracos (Quadro IV. Estas condições. Estas condições são adversas à transferência de materiais para a plataforma. No entanto.7 Os sistemas lagunares costeiros constituem. principalmente de partículas da dimensão dos siltes e das argilas. Pelo contrário. Ventos N NE E SE S SW W NW Frequência 26.8 13. combinadas com a geologia da região costeira. No sotavento. nalgumas zonas. A distribuição e abundância relativa da glaucónia e de partículas com estados de glauconitização variável permite supor que os processos autigénicos podem. à semelhança do que parece suceder no caso da Ria de Aveiro (Dias et al.0 9. As características termohalinas e de oxigenação permitem considerar a existência de diversos tipos de massas de água.7 16.8 15.8 9. 1988).0 11. desaparecendo praticamente a este de Faro. ainda não completamente conhecidas.III). comprovam que os processos biogénicos são importantes. O material exportado é dominada por ilite e quartzo. uma fonte supletiva de material para a plataforma continental adjacente. ser importantes. os processos biogénicos e autigénicos constituem fornecedores significativos de partículas à escala global do depositário.8 Velocidade 15. Teixeira. da zona oceânica sob sua dependência. sobretudo.3 10. Tal é o caso da Ria de Aveiro (Gomes.. A importância destes ventos diminui para nascente. mas também em certas regiões da plataforma média e do bordo da plataforma. esta contribuição deve também ser pouco significativa.III – Frequência (%) e velocidade média anual (km/h) das direcções do vento que atingiu a costa ocidental no período 1951-1980 (segundo Instituto Hidrográfico. 1990).2 17.7 9. na plataforma externa.1 7. 1989) e da Ria Formosa (Andrade. Quadro IV. também não são favoráveis à exportação de materiais para a plataforma. As quantidades de bioclastos pertencentes à classe "M" de partículas. sector no qual o Levante é importante. 1984.2 16. da Ria de Alvor (Cabral et al. 1994). Estratificação de massas de água A localização de Portugal na adjacência do giro anticiclónico subtropical e na costa oriental de um grande oceano determina a climatologia e a hidrologia.8 12. presentes. certamente.

Entre os 1500 e os 4000 m de profundidade detecta-se a presença da Água Profunda do Atlântico Norte. 1970. 1982. esta corrente é desviada para oeste pelo obstáculo constituído pela vertente continental do Algarve. tendo Lacombe (1970) registado velocidades da ordem dos 2 cm/s na depressão de Valle-Inclan. Progredindo para norte desde o estreito de Gibraltar. fluindo a restante parte para oeste e sudoeste como resultado da combinação de processos advectivos e difusivos. 1979a. contornando a vertente continental. a Água Central Oriental do Atlântico Norte (Fiúza. Entre os 500 e os 1500 m de profundidade.4 µmol/kg). velocidades essas que chegam a atingir 50 cm/s na fossa de Diogo Cão (Madelain. Sob esta camada superficial e de forte variabilidade sazonal (Fiúza. que podem atingir 13. a costa portuguesa é banhada por correntes superficiais dirigidas para sul (Corrente de Portugal) que correspondem ao fluxo lento e difuso para sul da Corrente do Atlântico Norte. que se desloca para sul. Âmbar & Howe. Âmbar & Howe. responsável pela formação de contornitos no Algarve (Mougenot & Vanney. 1984). Vicente. faz-se sentir a influência da Veia de Água Mediterrânea. 1979). o que conduz à diminuição de salinidade até atingir o nível de equilíbrio.4‰. 1990). A circulação é afectada pelos acidentes da batimetria (canhões e montes submarinos) gerando-se vórtices e meandros associados à dinâmica da vorticidade do escoamento (Âmbar et al.8 a 35º C). No seu início sofre intensa mistura vertical e lateral com a Água Atlântica. 1982). Na região do cabo de S. respectivamente (Madelain.. 1970. Seguno Caralp . Âmbar. caracteriza-se por valores de temperatura entre 8 e 18º C e de salinidade entre 35. esta massa de água inflecte parcialmente para norte.60 Como consequência da referida localização. que se desloca para sul. Faugères et al. A profundidades superiores a 4000 m desenvolve-se a Água Antártida de Fundo. que provém principalmente de níveis profundos do mar de Alboran (Reid. A influência da veia de água mediterrânea foi detectada a norte da margem continental portuguesa. Esta massa de água caracteriza-se por baixas temperaturas (entre 1. 1984. Esta corrente. realizado em sondagens feitas entre 31º e 55º N e entre 2º e 35º W. 1982). 1984b).7 ºC e 37. Haynes & Barton. Âmbar. 1979b. é caracterizado por temperatura e salinidade relativamente elevadas. passando entre o banco de Gorringe e o cabo de S. sob forma de nível intermédio constituído por duas veias principais escalonadas entre 500 e 1 300 m de profundidade. Esta masa de água caracteriza-se por elevados teores em sílica (cerca de 44 µmol/kg) e em fosfatos (1. flui para oeste.2 e 36. 1967. Lacombe. Esta estratificação é bem evidenciada pelo estudo de foraminíferos bentónicos do Atlântico oriental. que se desloca lentamente para norte. A camada superior é influenciada pelo fluxo mais profundo da Veia de Água Mediterrânea. Esta massa de água. Vicente. É então sujeita a frequentes efeitos de canalização.7 ‰. tendo sido aí detectadas velocidades superiores a 10 cm/s. O fluxo subsequente. localiza-se. entre as profundidades aproximadas de 100 m e 500 m. 1976.5 ml/l) e de salinidade (34. 1982).5 e 4º C) e por elevados teores em oxigénio dissolvido (5 a 6.

1993b) e do registo da ocorrência de espécies polares de foraminíferos (Thiede. Esta situação complica-se frequentemente. Este fenómeno é responsável pelo aparecimento. raros no Verão. deslizando para leste ao longo do bordo da plataforma. Vicente e derivando para norte. 1991a. 1993a. Dias. "Upwelling" costeiro A migração do anticiclone dos Açores para a região central do Atlântico e o enfraquecimento do núcleo da Islândia proporcionam o estabelecimento de um regime de ventos predominantemente do norte.61 (1987). 1991b. embora com menor intensidade do que no Verão (Fiúza et al. O impacto deste fenómeno no registo sedimentar tem sido avaliado através do recurso a ténicas de análise multivariada (Monteiro et al. reconhecido desde os trabalhos de Ramalho & Dentinho (1928) e de Bôto (1945). cujo núcleo se situa aos 280 m de profundidade (Vitorino. evidenciada pela associação do cortejo de Uvigerina ao de Cibicides. ao largo do litoral a norte do cabo de S. típico das águas bem oxigenadas da Água Profunda do Atlântico Norte. 1977. Monteiro et al. normalmente. 1982.. Contudo. 1987). ex. as águas que ascendem à superfície possuem características termohalinas correspondentes à Água Central Oriental do Atlântico Norte (Fiúza. Maria (Fiúza. 1983/85. 1989. em glaucónia. através da progressão para oeste de uma língua de água quente entre o litoral e as águas frias. 1989).2. Ubaldo & Otero. 3. Na plataforma continental portuguesa. 1983). à superfície. 1982). atingindo o cabo de S. Na plataforma média. em carbono orgânico e em foraminíferos (p. que são. O "upwelling" costeiro. A costa sul algarvia apenas é directamente afectada pelo "upwelling" quando se encontra sob influência de ventos provenientes de oeste e noroeste. 1982). A 4000 m de profundidade. A circulação média mensal durante a ocorrência do "upwelling" caracteriza-se por uma estrutura que engloba uma corrente superficial para sul e uma corrente sub-superficial para norte. de águas frias e carregadas de nutrientes. dos conteúdos em diatomáceas. Vicente. 1978). a influência da Água Mediterrânea manifesta-se até ao largo da Galiza. do conteúdo em 14 C das conchas de molucos (Soares. provenientes de profundidades entre 60 e 120 m (Fiúza. 1984). aproximando-se ocasionalmente da costa e atingindo o cabo de Sta. 1988. 1983). as águas subsuperficiais que emergem à superfície contornam o cabo de S. 1984). . ao longo da costa sul alentejana (Ferreira. quando a costa ocidental se encontra sob a acção de ventos de norte.: Abrantes. Vicente. afecta as centenas de metros superiores da coluna de água da margem continental e a sua máxima intensidade verifica-se nos meses de Verão. poderá dar-se um aparecimento esporádico de "upwelling" em Dezembro e Janeiro ao longo da costa ocidental. cuja intensidade e persistência são favoráveis à ocorrência do "upwelling" costeiro. a presença de Nutallides umbonifera marca o topo da Água Antártida de Fundo.. a corrente é dirigida para sul a todos os níveis de observação (Vitorino. Contudo.. em nanoplâcton. 1989).

3. as quais migram igualmente nesse sentido. Contudo. Início abrupto de movimentação sedimentar no local de rebentação e gradual decréscimo de intensidade a maiores profundidades. . Cacchione & Southard (1974) desenvolveram um critério de movimentação sedimentar induzida pelas ondas internas. sob certas condições. 5. provocando assim um acréscimo das referidas velocidades.62 3. Resuspensão de sedimentos finos. reduzida. a não ser que haja aumento das velocidades junto ao fundo ou “rebentação” das ondas induzidas pela interacção com a batimetria. cuja aplicação prevê pelo menos a movimentação incipiente das partículas sedimentares presentes na plataforma continental portuguesa. Geração de marcas de ondulação ou dunas de areia na banda larga de transporte sedimentar para maiores profundidades. A rebentação das ondas internas é responsável pela existência de uma banda de movimentação sedimentar cuja largura é pelo menos uma ordem de magnitude superior à amplitude da onda: 2. provavelmente. em resposta a variações climáticas e sazonais e à existência de correntes que tendam a promover a mistura vertical. É improvável que as velocidades junto ao fundo produzidas apenas por amplificação sejam suficientes para desencadear transporte sedimentar substancial. as ondas internas podem rebentar. Movimento de sedimento predominantemente descendente. entre os quais se referem os seguintes: 1. 4. A referida estratificação pode desencadear o desenvolvimento de ondas internas na interface entre massas de água de densidades diferentes ou na zona de contínua variação vertical de densidade. pelo contrário. contudo. A rebentação das ondas internas foi estudada experimentalmente por Cacchione & Wunsch (1974) e por Southard & Cacchione (1972). As referidas experiências sugerem que o processo de movimentação de partículas activado pelas ondas internas é complexo e envolve diversos mecanismos. Existem diversos indícios de que as ondas internas podem induzir transporte sedimentar na plataforma e na vertente. 3. Contudo. excepto nas proximidades do ponto de rebentação. apresentar uma forte estratificação por densidades. permitindo deposição numa banda estreita imediatamente a montante do ponto de rebentação e erosão numa banda larga a menores profundidades. os mecanismos de geração destas ondas não são ainda completamente conhecidos. As ondas internas podem ocorrer na plataforma continental e na vertente com um largo espectro de amplitudes e períodos. a sua capacidade como agentes de transporte é. Ondas internas As massas de água presentes na plataforma continental e na vertente continental superior podem encontrar-se completamente misturadas ou.

a vaga gerada localmente por tais ventos será determinada pelas características (intensidade e direcção) destes.1. A obtenção. verificando-se ondas com direcções entre W e S apenas cerca de 75 dias/ano. e ventos relativamente fortes de norte e noroeste no Verão. com raras excepções. o anticiclone dos Açores move-se ao longo do meridiano 38ºW desde 27ºN até 33ºN. sendo a dos quadrantes de S e SW de 16% em Fevereiro e de 6% em Agosto.63 3.8 s) e alturas significativas entre 0. devido ao início. Agitação modal Segundo Carvalho & Barceló (1966). como consequência do aumento relativo das altas pressões de Inverno localizadas na Europa e em África. proveniente do quadrante NW. que se basearam em observações visuais com teololito efectuadas na Figueira da Foz durante 6 anos. se caracteriza por período de 8 s e altura de 2 m.93 m). enquanto que a agitação proveniente de outras direcções ocorre com maior frequência nos meses de Inverno. Consequentemente. Tal situação provoca ventos fracos de Oeste no Inverno. de forma sistemática. a direcção dominante da agitação junto à costa é de SW. Por outro lado. O escalão de alturas significativas mais frequentes é o de 1 a 2 m (45% das ocorrências totais). a agitação maritima apresenta anualmente períodos médios entre 4 e 6 s (média de 4. As maiores percentagens de períodos observados são da ordem dos 12 s. 3. O regime de agitação marítima foi ainda analisado por Pires & Pessanha (1986). a costa fica sujeita a ondas cujo período pode ultrapassar os 15 s (Gomes et al. de direcção W20ºN.. A agitação ao largo tem as direcções mais frequentes compreendidas entre W10ºN e W20ºN (cerca de 100 dias/ano). No Algarve. cuja resultante anual é. segundo os quais a agitação mais frequente que atinge a costa a norte do cabo Mondego.5 e 1. resultante da cooperação entre o Instituto Hidrográfico e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil.6 m. A frequência da agitação dos quadrantes N e NW aumenta de 32% em Fevereiro até 53% em Agosto. De Novembro a Fevereiro. da execução formal do projecto PO-WAVES.4. Agitação marítima De Março a Agosto.5 m (média de 0. para sul. de registos com ondógrafo iniciou-se em 1973 em Sines e foi grandemente incrementada a partir de 1987. ao quais estão associadas alturas significativas que não ultrapassam os 2 m. caracteriza-se por período de 7 s e altura de 1. sendo praticamente inexistente entre Junho e Setembro. . Estas condições geram correntes longilitorais. Em qualquer época do ano podem aparecer ondas ao largo com direcções entre N e NW.4. neste ano. a agitação marítima que atinge a costa ocidental tem período predominantemente compreendido entre 6 e 18 segundos. 1971). sendo os períodos mais frequentes os que oscilam entre 9 e 11 segundos. desloca-se em direcção a este e atinge 23ºN em Janeiro. a agitação que mais frequentemente atinge a costa alentejana. No Inverno. Segundo Pires & Pessanha (1986).

Na costa oeste. no norte de Portugal. sucintamente. 3. Os primeiros resultados fidedignos são os de Carvalho & Barceló (1966). pode ultapassar os 6 m. que assinalaram ondas com alturas significativas máximas da ordem dos 11 m.5 m (Feio & Almeida. por exemplo. valor que. alguns autores apresentam estimativas de 14 m a 15. dispõe-se actualmente de um extenso conjunto de dados observacionais de qualidade sobre temporais na costa portuguesa.6 m a 22 m.64 3. são provenientes de NW e de WNW e apresentam alturas significativas inferiores a 6 m. Em consequência das actividades desenvolvidas no âmbito do projecto PO-WAVES. Na sua maior parte. os que se referem a seguir. em casos extremos. causado pela passagem de ondas superficiais. o factor mais importante na remobilização de partículas. principalmente quando se fazem sentir em períodos de marés vivas cheias.. para a altura significativa com 50 anos de período de retorno. valor que. Na costa sul. Potencial de remobilização Tal como se verifica em muitas outras plataformas continentais. com particular incidência nos últimos 10 anos. ao mesmo tempo que a resultante roda de WNW. Temporais As tempestades que assolam a costa portuguesa (nomeadamente as de SW) podem ter efeitos catastróficos. permanecem incertezas consideráveis na caracterização estatística dos temporais. é. provavelmente.4. oriundos de SW e SE. com os temporais de Janeiro de 1937 (Pereira. os temporais são. 1978) que provocaram estragos importantes em vários pontos da costa. para o largo de Sines. Apesar do volumoso conjunto de dados existente. como sucedeu. 1978). sendo as alturas significativas mais frequentes inferiores a 5 m. a violência dos temporais dimuinui à medida que se progride para sul ao longo da costa oeste. O estudo dos temporais e a sua caracterização estatística têm sido objecto de diversos trabalhos nas últimas décadas. Os resultados obtidos encontram-se sumarizados em Costa (1992/3/4) e são. 1937) e de Fevereiro/Março de 1978 (Daveau et al. Os temporais de SE apenas se fazem sentir na costa sul. Em diversas plataformas. pontualmente. no troço a sul de Sines. No decurso dos temporais de 1937 o quebra-mar do porto de Sines cedeu em diversos locais (num comprimento total de 650 m) sob o ataque de ondas com altura significativa que chegou a atingir 8.2. pode ser superior a 8 m.3. os temporais são mais frequentes e mais severos à medida que se caminha para norte. constatou-se que este processo pode induzir a remobilização e o transporte de .8 m ou mesmo de 18. Por exemplo. o movimento oscilatório horizontal da água adjacente ao fundo. Segundo estes autores. na sua maioria. Alguns temporais de WNW ou NW que ocorrem na costa oeste fazem-se sentir na costa sul como provenientes de SW.4. a NW. enquanto que para outros essa altura seria apenas de 10 a 14 m.

IV. Na determinação do potencial de remobilização utilizou-se um modelo (Taborda et al. Para o mesmo diâmetro granulométrico. 1992/3/4). O resultado da aplicação do referido modelo encontra-se representado nas figs. para cada sector.2 são idênticos aos obtidos por Dias (1987) através da utilização do programa LEMP (Limiar de Entrada em Movimento das Partículas). e a existência de fundo planar e horizontal homogéneo constituído por partículas não coesivas). forçosamente. IV.. esta formulação tem sido aplicado com sucesso na estimativa de condições sob as quais o sedimento de fundo é remobilizado (p. Taborda. Sector plataforma norte plataforma sudoeste plataforma algarvia Agitação modal H (m) T (s) 2 8 1. a grande maioria das partículas da totalidade da plataforma e vertente continental é remobilizada.IV – Alturas e períodos utilizados na estimação do potencial de remobilização induzidas pela agitação modal (Pires & Pessanha. 1987.8 7 0.65 partículas até profundidades próximas do bordo da plataforma. 1986) e de tempestade (Costa. Sob condições que se podem considerar de temporal. As partículas dos depósitos litorais e dos depósitos finos existentes na plataforma média são postas em movimento generalizado sob a accção da agitação marítima mais frequente. desprezando a presença de correntes sobrepostas. Apesar das suas limitações (considerar apenas a acção das ondas. sendo nula a resultante do transporte. ex. o potencial de remobilização é máximo na plataforma norte.: Dias.2 (respeitante a condições de agitação que. Magalhães. 1992/3/4).93 4. podem ser consideradas de temporal). Quadro IV.1 (correspondente à agitação modal registada em cada sector) e IV. 1975). 1986) e de tempestade (Costa.8 Agitação de tempestade H (m) T (s) 8 12 6 10 2 6 Nas referidas figuras encontram-se representadas.1 e IV. É de salientar que a remobilização de partículas não implica. 1993. As partículas podem ser remobilizadas pela passagem de ondas superficiais. O quadro IV. sendo eventualmente sujeitas apenas a um movimento de vai-e-vem em torno de uma posição intermédia.IV expressa as alturas e os períodos utilizados para definir as condições de agitação normal (Pires & Pessanha. em relação com as condições mais energéticas aí prevalecentes e para a qual os resultados expressos nas figs. 1991) baseado na formulação de Komar & Miller (1973. 1993) Este modelo foi aplicado aos troços da plataforma estudados usando vários regimes de agitação marítima. . uma resultante de transporte efectivo não nulo. as isolinhas do diâmetro máximo remobilizado. para além das médias granulométricas dos sedimentos. na escala Ø.

Aveiro Aveiro 40º 30' Ponta da Arrifana 0 C.00 60000. Milfontes Porto 0 4 Cabo Sardão 2 37º 30' 4 4 2 C.00 0 40000. .00 Isolinha de remobilização (φ) Figura IV. Setú 150 100 50 H=2 m T=8 s 50 150 100 66 2 Viana H=1.00 0 20000.00 10000.00 240000.00 80000.bal C.00 20000.00 105000. S. Porto 2 4 V.8 s 0 Portimão Lagos 4 0 37º 10' Guadiana 2 50 Faro 100 4 150 0.8 m T=7 s 38º 00' 41º 30' Sines 0 C.00 8º 40' 160000.00 20km Cabo Mondego 000.00 30000.00 80000.00 60000. N.00 H=0.00 0 40000. V icen te 2 4 0.93 m T=4.00 Rocha 7º 40' 200000.00 20000.00 40000.00 20km 9º 15' 8º 40' 9º 50' 0 8º 50' 100000 120000 140000 155000.00 20km 36º 45' 120000.1 – Isolinhas do diâmetro máximo remobilizado pela agitação marítima mais frequente em cada sector.00 0.

V icen te C.00 140000.2 – Isolinhas do diâmetro máximo remobilizado por temporais não excepcionais .00 20km H=2 m T=6 s 37º 10' Guadiana Portimão Lagos -2 -2 4 2 0 100 2 4 150 0.00 80000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 240000. Setú 100 50 H=8 m T=12 s 50 150 100 67 150 3 3 Viana 4 -2 H=6 m T=10 s -2 38º 00' 1 41º 30' Sines -1 -2 C.00 60000.00 Isolinha de remobilização (φ) Figura IV.00 40000.00 10000. Aveiro 1 -1 0.00 0 40000.00 Rocha 50 Faro -2 7º 40' 200000.00 20000.00 30000.00 0.00 100000. Porto 0 V.00 20000.00 9º 50' 000. N.bal C.00 0 20000.00 60000.00 105000. S.00 0 40000.00 80000. Milfontes Porto -2 4 3 4 Cabo Sardão 2 37º 30' 0 0 2 1 Aveiro -2 40º 30' Ponta da Arrifana C.00 8º 40' 160000.00 20km 36º 45' 120000.

e 382 d.C. Porém. No entanto. como seria de esperar.5. ao analisarem o registo sedimentar na área costeira de Boca do Rio (perto de Lagos). Vários outros eventos são conhecidos atavés de relatos históricos. Os referidos autores identificaram um total de quatro unidades sedimentares. As fracções mais finas do cascalho da plataforma média apenas são remobilizados em condições excepcionais.69 e de 26. (1996). no mar a sudoeste do cabo de S. A magnitude da sua acção depende. a unidade B corresponde a um depósito arenoso (areia grosseira com blocos de grandes dimensões.C. é de presumir que estes eventos apresentem um importante potencial na formação de tsunamitos e no desenvolvimento e manutenção de canhões submarinos. o qual deriva essencialmente da elevada quantidade de energia libertada bruscamente num único evento de curta duração. do potencial sismogénico da plataforma. mesmo no bordo da plataforma. É conhecido o efeito potencialmente devastador dos tsunamis sobre as zonas costeiras. Tsunamis Devido ao seu enquadramento neotectónico.5 m (Cabral. nomeadamente as que correspondem a condições de agitação marítima ocorrentes durante tempestades de grande intensidade.2. Neste século é de registar a ocorrência de pequenos tsunamis relacionados com os sismos de 28. presumivelmente. 1995). Este último sismo teve uma magnitude estimada de 8. Todavia. Foram também ensaiadas outras situações. (1995) e Silva et al. As fracções mais grosseiras da areia são remobilizadas com certa frequência nos depósitos existentes na plataforma interna e média. Nas referidas situações ocorre remobilização da grande maioria ou mesmo da totalidade das partículas. Os relatos históricos mais antigos referem tsunamis ocorridos nos anos 60 a. detectaram um depósito presumivelmente associada ao tsunami de 1755. Vicente. na região do banco de Gorringe. da largura da mesma e da quantidade de sedimentos que para aí são debitados. As unidades A e C correspondem a argila siltosa. são bem conhecidos). especialmente a sul de Lisboa e na costa algarvia. entre outros factores. o litoral português tem sido afectado por sismos geradores de tsunamis que causaram grandes destruições ao longo da costa portuguesa.75. com uma frequência que é menor a maiores profundidades. não existem estudos que permitam avaliar o seu impacto na sedimentação da plataforma continental portuguesa. designadas por A (a superior) a D. estes materiais são remobilizados esporadicamente ao longo do ano. sendo de ressaltar o de 1531 (gerado por um sismo associado a actividade da falha do vale do Tejo e que causou grandes inundações em Lisboa) e o de 1 de Novembro de 1755 (cujos efeitos devastadores. na base.5. gerados por sismos cujos epicentros se situam. 3.68 A análise das figuras indica ainda que o silte e a areia fina e muito fina são frequentemente remobilizados. Dawson et al. . enquanto que a maiores profundidades apenas excepcionalmente o são.

As marés constituem factor amplificador ou moderador da capacidade de fornecimento e distribuição de partículas pelas cheias. máxima junto ao bordo da plataforma (Fleming.69 que transita para areia fina siltosa. A amplitude das marés na costa portuguesa varia desde pouco mais de 1 m nas marés mortas até mais de 4 m nas marés vivas (Instituto Hidrográfico. como processos importantes de fornecimento e distribuição de partículas. e cuja base assenta em descontormidade sobre a unidade C. Esta razão é. De acordo com Dawson et al. 1939). A situação mais favorável ocorre quando se verifica coincidência do pico de cheia com maré viva vazia. Para a mesma região. em consequência. geralmente. Por esta razão. os dados refentes à medição de transporte de sedimentos (Pattiaratchi & Collins. sendo. 1938. Efectivamente. o factor 2 π a / T pode ser considerado constante. os resultados obtidos com os modelos preditivos existentes subestimam. responsável pelo transporte de material a partir da plataforma interna. (1995) e Silva et al. 1984. das características da batimetria e da configuração da costa. propagando-se de sul para norte na costa ocidental e de oeste para este na costa sul. O estudo das marés e correntes de maré no Golfo do Panamá conduziu Fleming (1938) ao estabelecimento da seguinte relação: um = 2 π a d / (T h) em que um é a velocidade máxima da corrente de maré à distância d da costa e à profundidade h. as características da unidade B (cuja idade foi datada por termoluminescência em 260±60 anos) correspondem a uma alteração drástica no padrão de deposição costeiro. a unidade D corresponde a areia fina a média com abundantes fragmentos de conchas. um directamente proporcional à razão d / h. Fleming & Revelle. 3. entre outros factores. no topo).6. (1996). que contém numerosos bivalves e gastrópodes. dos efeitos da rotação da Terra. . sendo assim de esperar que aí ocorram as maiores velocidades. frequentemente. sendo a a amplitude da maré e T o período. A sua modelação é ainda complicada pelo facto de a elas se sobreporem. 1990). As correntes induzidas pelas marés não estão ainda suficientemente estudadas de modo a que se possam construir modelos preditivos do tipo e quantidade de sedimentos por elas remobilizados. Kuenen. outras correntes. das características das ondas de maré que atinge a plataforma. oscilatórias ou unidireccionais. elas sugerem a existência de correntes erosivas de elevada intensidade e de um episódio de inundação marinha altamente energético e de grande amplitude. em geral. 1939. As correntes de maré possuem importância mais evidente junto à costa e nos estuários e lagunas e constituem-se. As marés são do tipo semi-diurno regular. Estas correntes dependem. 1985). principalmente no período de marés vivas. Marés A plataforma continental portuguesa integra-se no sistema anfidrómico do Atlântico Norte e localiza-se em zona de transição de meso-marés para macro-marés.

pois estas incidiriam quase perpendicularmente no sector setentrional e seriam difractadas no troço meridional. Efectivamente. a análise dos valores obtidos faz supor que mesmo na plataforma externa. Na plataforma norte. Por este facto. se verifique o efeito cumulativo das marés e da agitação de longo período oriunda do quadrante SW. correntes com velocidades análogas às calculadas são. Como a cobertura sedimentar da plataforma a sul do canhão de Setúbal é significativamente mais bioclástica que a do sector anterior. a sul do paralelo 41ºN. A velocidade a partir da qual as partículas de quartzo daquelas dimensões são postas em movimento generalizado situa-se. ao comportamento das correntes de maré na plataforma continental portuguesa (Dias. Os valores mais elevados observam-se na plataforma norte. entre 20 e 40 cm/s (Southard et al.. Os sedimentos da plataforma sudoeste são essecialmente arenosos. As velocidades determinadas seriam amplamente suficientes para remobilizar o silte. superiores às acima referidas. As marés. em Portugal. neste caso. é provável que. Porém. embora pouco rigorosa. no bordo da plataforma. com pequeno conteúdo silto-argilloso. é de esperar que estes sedimentos sejam remobilizados por correntes de maré que apresentem velocidades inferiores a 20 cm/s. são susceptíveis de transportar as partículas sedimentares previamente postas em movimento por acção de outras correntes. integram-se no sistema anfidrómico do Atlântico Norte. A fracção areia apresenta um significativo teor em carapaças de . Young & Mann. É ainda de referir que. propagando-se de sul para norte. capazes de remobilizar carapaças de foraminíferos com as dimensões das existentes na plataforma externa. Por outro lado. Segundo o mesmo autor. com diminuto conteúdo em material silto-argiloso. De acordo com os resultados obtidos. geralmente. de acordo com Dias (1987). pode ser utilizada como primeira aproximação. Com base na relação estabelecida por Fleming (1938). as correntes de maré. 1985). 1987). No entanto. o depósito silto-argiloso das cabeceiras do canhão submarino do Porto e o contraste granulométrico entre os sedimentos da parte norte e da parte sul das zonas adjacentes às cabeceiras dos canhões do Porto e de Aveiro se coadunam bem com ondas de maré provenientes de SW. 1971. na qual se encontram compreendidos entre 10 e 20 cm/s. segundo Young & Mann (1985). A influência das marés nos sedimentos junto à costa é óbvia. foram estimadas as velocidades máximas das correntes de maré em diferentes perfis da plataforma. as velocidades máximas registam-se. estendendo-se possivelmente até à plataforma externa. provavelmente. a análise dos valores obtidos faz supor que a sua zona de influência seja muito mais dilatada. geralmente constituídos por areias (cuja média granulométrica varia entre 1 Ø e 3 Ø). embora possam também ocorrer na plataforma externa. os sedimentos da plataforma externa são. ela não é rigorosamente aplicável a Portugal.70 A relação referida é válida quando a propagação da maré é normal à costa. embora não tenham competência para as remobilizar.

Aveiro. Lisboa. Tróia.7. no qual os autores relatam a ocorrência de uma sobrelevação com 53 cm. desenvolvendo-se ainda correntes de fuga e correntes residuais junto ao fundo tendentes a compensar o excesso de água acumulada (Halliwell. 3. Na plataforma externa algarvia. Friedman & Sanders. 1984). as condições oceanográficas não constituem condicionantes importantes deste fenómeno. pontualmente. os valores de sobrelevação nas estações maregráficas de Viana do Castelo.71 foraminíferos. este fenómeno pode induzir mudança de composição nos sedimentos litorais (Winkelmolen & Veenstra. 28 cm e 41 cm acima do nível máximo atingido pela maré prevista.. Estas correntes promovem a remobilização de partículas e transporte para maiores profundidades (Middleton & Southard. O conteúdo em materiais silto-argilosos e a média granulométrica e a composição da fracção areia dos sedimentos da plataforma externa permite supor que os mesmos são significativamente remobilizados por correntes de maré existentes a tais profundidades. na plataforma externa. Os trabalhos efectuados permitiram detectar níveis de "storm surge" superiores a 40 cm nas estações maregráficas de Viana do Castelo.. a 54 cm. registando-se. Foi apenas na presente década que se iniciou a caracterização deste fenómeno em Portugal. Cascais e Lagos correspondem respectivamente. durante um temporal que afectou o porto de Leixões. Cascais. Sobrelevação do mar de origem meteorológica A sobrelevação do nível do mar de origem meteorológica ("storm surge") constitui um fenómeno ainda mal conhecido em Portugal. Sob condições de tempestade. As estimativas das velocidades máximas de correntes de maré registas em diversos perfis efectuados neste sector são. 1994b). a sobrelevação encontra-se fortemente correlacionada com a pressão atmosférica e com a intensidade do vento. velocidades superiores a este último valor. atingir 110 cm (Gama et al. as estimativas obtidas encontram-se geralmente compreendidas entre 5 e 10 cm/s. Para períodos de retorno de 10 anos. (1995). 1994a) ou mesmo 117 cm (Taborda & Dias. 1992a). . os quais podem. Foram ainda determinados os períodos de retorno de níveis extremos em Portugal continental (Gama et al.. 1978). os diâmetros predominantes nesta fracção encontram-se compreendidos entre 2 Ø e 4 Ø. frequentemente superiores ao menor dos referidos valores. Tal sugere que estas correntes apresentam competência para remobilizar as carapaças de foraminíferos presentes na areia dos sedimentos ocorrentes na plataforma externa. 1974. De acordo com os autores anteriormente citados. correntes com velocidades compreendidas entre 5 e 10 cm/s são capazes de remobilizar carapaças de foraminíferos com aquelas dimensões. Segundo Taborda & Dias (1992a) e Gama et al. O primeiro trabalho que quantifica o "storm surge" que atinge o litoral português é o de Morais & Abecasis (1978). A sul de Sines. por vezes. 1994a). 1980). Sines e Lagos (Gama et al. Ainda de acordo com os referidos autores.

1990.5 1. para sul na costa ocidental (Oliveira et al..G.9 1. 1994 Bettencourt..3 matemática matemática matemática matemática matemática matemática 0. Andrade.P.7 0.0 23.3 – 0.. 1990 Andrade.P.0 35. Maria Culatra Tavira Quarteira – Vale do Lobo Quarteira – Vale do Lobo Quarteira – Vale do Lobo Quarteira – Vale do Lobo ilha da Barreta (sector W) península do Ancão ilha da Barreta (sector E) ilha da Culatra (sector W) ilha da Culatra (sector E) ilha da Armona ilha de Tavira península de Cacela Quarteira – Vale do Lobo . 1987). 1994 Bettencourt. Deriva litoral Junto à costa. por vezes.5 0. 1994 Bettencourt...4 2. 1994 Bettencourt.T.2 0. de um modo geral. Quadro IV. 1997 D.2 0. (1982) Ferreira (1993) Taborda (1993) Teixeira (1994) Quevauviller (1987) Granja et al. 1994) e aproximações matemáticas (p.N.V – Estimativas de diversos autores para a resultante anual da deriva litoral.5 0. 1989 in Correia et al. 1997 cartográfica matemática matemática matemática matemática cartográfica matemática cartográfica matemática matemática matemática 2. Taborda..4 0. (1968) Carvalho (1971) Castanho et al. 1994 Bettencourt.5 10. 1990 Andrade. 1984. A estimação da resultante anual da deriva litoral tem sido efectuada através da utilização de comparações cartográficas (p.2 1.0 18. ex. 1987. 1997 Andrade. 1994 Bettencourt.5 Quarteira – Vale do Lobo Quarteira – Vale do Lobo Praia de Faro cabo Sta. 1994).M.G. Andrade.6 0.72 3. Dias.P.V resume várias estimativas obtidas por diversos autores. 1987.3 1.. O quadro IV. 1984.G.7 1. 1997 Correia et al. faz-se sentir a acção de correntes longitorais que induzem transporte sedimentar com resultante..2 – 0.M. 1990 Andrade. 1988 in Correia et al. Registam-se. 1993.N. (1974) Oliveira et al.: Granja et al. Teixeira.: Ferreira. 1993) e para oriente na costa meridional (Granja et al...0 15.8 1. Taborda.P. 1994 Bettencourt.3 1.8. 1994 D. Quevauviller.3 matemática 1. 1997 Bettencourt. 1990. 1990 Vale do Lobo... 1995 in Correia et al.G.0 15.4 matemática 1. algumas inversões na resultante da deriva. 1982.1 – 0. 1997 D. 1990 Andrade.0 20.T.0 4. principalmente nas zonas que se encontram na dependência das desembocaduras dos principais rios (Dias. 1994 Bettencourt. (1984) D.4 0.8 1. 1993). 5 3 Sector costeiro Autor Aproximação Deriva (×10 m /ano) Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Espinho – cabo Mondego Sines – Comporta Quarteira – Vale do Lobo Quarteira – Vale do Lobo Abecasis (1955) Abecasis et al. 1993 in Correia et al.2 cartográfica matemática matemática matemática matemática matemática matemática matemática matemática matemática matemática >0. Bettencourt.. ex. 1990 in Correia et al.

3). Nos cálculos efectuados foram apenas considerados estes dois parâmetros. a utilização de traçadores. 1997a). 4 A ALTURA DA ONDA (m) 3 2 A B B C E D 1 0 0 a) 10 20 30 40 50 ÂNGULO DE ATAQUE 60 70 80 10 B ALTURA DA ONDA (m) 8 A C C 6 D 4 D E -100000. 1993.3 – Isolinhas de deriva litoral potencial.. Ciavola et al..00 0.. Dias et al. através de gráficos em que a mesma é expressa em função da altura da onda e do ângulo de ataque ao largo (fig. uma vez que a deriva litoral não é significativamente influenciada pelo período da onda (Taborda. IV. o que dificulta a comparação directa de magnitudes da deriva. para a batimetria. para a orientação da linha da costa e para a forma de efectuar a refracção da onda (Correia et al.73 A este respeito. A maioria dos estudos cujos resultados constam do quadro IV. 1996. resultando esta falta de convergência da utilização de valores diferentes para a agitação marítima ao largo..00 2 b) 0 10 20 30 40 50 ÂNGULO DE ATAQUE 60 70 80 Figura IV. Por outro lado. induzida por: a) agitação . 1997).V tem um carácter pontual e utiliza formulações matemáticas distintas e intervalos temporais diferentes. 1994.00 E 100000. no presente trabalho ensaiou-se uma aproximação que pretende evidenciar a magnitude relativa da deriva litoral nos sectores estudados. de entre os quais se destacam os luminóferos. Taborda. Assim. 1993).. 1962.: Abecasis et al. tem-se revelado de extrema utilidade na obtenção de medições que permitam calibrar as aproximações matemáticas utilizadas (p. 1992b. em m³/ano. Taborda et al. é de salientar que as estimativas obtidas por diferentes autores através da mesma formulação matemática nem sempre são concordantes. ex.

3 correspondem a condições de agitação marítima que podem ser consideradas normais e de tempestade. Teixeira.3 sugere que a deriva litoral é mais intensa a ocidente do cabo de Sta. a deriva litoral é mínima na plataforma algarvia. 1987). uma vez que a agitação marítima aqui prevalecente é bastante menos energética que nas plataformas norte e sudoeste. a costa apresenta desenho côncavo relativamente ao continente e pode ser caracterizada por intermédio de uma espiral logarítmica. a oriente da Quinta do Lago. a deriva litoral efectiva apenas se faz sentir. 1955. 1968. aos quais corresponde a mesma altura da onda e diferentes ângulos de ataque.: Abecasis. a praias encastradas.2 e 3. na qual as estimativas publicadas por diversos autores (p. de modo sistemático. aparentemente.74 normal. sendo a derviva litoral efectiva apenas significativa a norte de Sines. Os resultados expressos neste gráfico estão de acordo com os obtidos por Dias (1987). pela presença de extensos cordões arenosos. 1 É de salientar que os valores expressos nos gráficos não são directamente comparáveis com os referidos na bibliografia. correspondentes a outros tantos locais dos sectores litorais estudados. que entra em consideração com os efeitos induzidos pela refracção da onda (lei de Snell) 1. A norte de Sines. Maria do que a oriente do mesmo. Abecasis et al. Na plataforma sudoeste. optou-se por representar a totalidade dos pontos num único gráfico.. 1987. b) agitação marítima de tempestade. de acordo com os valores expressos em Costa (1992/3/4). O litoral algarvio é caracterizado. em pequenas enseadas. O cálculo dos valores da deriva foi efectuado atavés da utilização de um programa desenvolvido pelo autor. Os gráficos da fig. enquanto que as pouco numerosas praias existentes no sector meridional correspondem. 1994) oscilam entre 0. ex. No caso das plataformas norte e algarvia. a oriente. segundo o qual a deriva é mais intensa no sector setentrional do que no meridional.0 e 2. Para facilitar a comparação entre os diferentes sectores. IV. Dias. este transporte é significativamente mais reduzido. e. se encontra relacionado com a estabilidade deste litoral (Quevauviller. geralmente. 1993. Nestes gráficos foram implantados cinco pontos. A análise destes gráficos indica que a deriva litoral é máxima na plataforma norte. De facto.5x106 m³/ano . o sector mais setentrional encontra-se protegido da agitação marítima dominante. a ocidente. De entre os sectores estudados. pela predominância de arribas talhadas maioritariamente em rochas carbonatadas.0x106 m³/ano. . A análise da fig. o que. frequentemente associadas a ribeiras. Por esta razão. seleccionaramse dois locais por sector. uma vez que se referem apenas a uma única condição de agitação. Taborda. encontrandose os valores mais frequentemente referidos compreendidos entre 1. IV.

1987). Os dados foram obtidos em 1983/84 (no caso de Leixões e Sines) e 1989/90 (no caso de Vila Real de Sto. Quando se verificam condições de vento forte dos quadrantes S e SW.9. Junto ao fundo. num ou noutro sentido durante dias seguidos. compreendendo as condições de Verão e de Inverno marítimos (segundo a caracterização de Pita & Santos. correndo paralelamente a esta. Correntes 3. estas componentes dirigiam-se para o largo e para sul. A componente longitudinal da corrente dirigia-se. foram analisados registos obtidos pelo Instituto Hidrográfico ao largo de Leixões (a 30 m de profundidade). encontrando-se dirigido para o largo e para a costa. junto à superfície e perto do fundo. . respectivamente. A um nível intermédio. pelo menos cerca da batimétrica dos 30 m.VI 2. o padrão de circulação transversal foi idêntico no nível mais superficial e junto ao fundo. António). Perto da superfície. para sul no Verão e para norte no Inverno.75 3. que apenas conseguem impôr as suas características perante uma quase total ausência de vento. A sua intensidade apenas atinge valores da ordem dos 50 cm/s em casos extremos. António (a 4 m de profundidade). respectivamente.9. respectivamente. predominando as correntes de deriva sobre as de maré. as condições de Verão e de Inverno marítimos encontravam-se associadas a padrões de circulação transversal e longitudinal idênticos nos níveis mais superficial e intermédio. dirigindo-se para norte e podendo atingir velocidade da ordem dos 40 cm/s (Instituto Hidrográfico. As estações seleccionadas foram aquelas para as quais a duração temporal mínima dos registos de que se dispunha era um ano. Esta corrente de deriva tende a adaptar-se ao perfil da costa. segundo o qual os mesmos se encontram contaminados pela velocidade orbital. dirigiam-se para a costa e para sul. de nítida componente de deriva para sul com intensidades que não ultrapassam normalmente os 30 cm/s. 1990). esta corrente responde quase imediatamente. a componente transversal dirigia-se para o largo no Verão e 2 A qualidade destes registos é discutida em Taborda (1999). Para tentar caracterizar e comparar os regimes correntométricos dos três sectores estudados. apresentando-se normalmente inferior a 25 cm/s. As correntes sobre a plataforma algarvia são em geral fracas. de Sines (a 98 m de profundidade) e de Vila Real de Sto. Na plataforma interna ao largo de Leixões. Correntes na plataforma Observações efectuadas com o recurso a correntómetros de registo magnético contínuo têm revelado que a corrente na plataforma continental ocidental é. Na plataforma externa ao largo de Sines.1. A análise dos registos correntométricos estudados permitiu obter os resultados que constam do quadro IV. em grande parte do tempo. cuja importância varia inversamente com a profundidade.

9 122º / 148º 8. Os valores positivos representam componentes dirigidas para este (componente u) e para norte (componente v).1 138º / 33º 46 / 51. Correntes na vertente Na costa NW de Portugal.9. que se encontra associada à intrusão quente e salgada da Água Central Oriental do Atlântico Norte. Segundo este autor. Haynes & Barton (1990) detectaram a existência.4 / -9.8 -0. Para cada parâmetro.2 / 0.6 / 2.4 -2.6 95º / 149º 10.4 / 1. enquanto que a circulação transversal se processava para a costa no Verão e para o largo no Inverno. no Outono e no Inverno.4 -3.4 319º / 98º 7.1 1.4 / 19. no período de Julho a Janeiro (Âmbar.5m 6m 53m 96.0 -2. o escoamento longitudinal realizava-se para este no Verão e no Inverno. Vicente. Real de Sto.1 0.1 / 2.76 para a costa no Inverno.3 / 1.1 3.9 / 11.7 / 14. 1982) No seu estudo do padrão de circulação associado ao regime de “upwelling”.4 / -1.5 -0.8 2.0 3. Ao largo de Vila Real de Sto. com velocidades de cerca de 3 cm/s. Na situação de ventos predominantes de sul.VI – Valores médios dos azimutes. Quadro IV.6 -3.4 / -1. .2.9 / 8. a componente longitudinal encontrou-se dirigida para norte a todos os níveis. Estações Leixões (30m) Sines (98m) V.5m 4m Azimute Médio Celeridade Component Component (cm/s) e este-oeste e norte-sul (cm/s) (cm/s) 187º / 336º 14.7 / -0. o padrão de circulação transversal caracterizou-se por escoamento dirigido para a costa aos níveis intermédios e escoamento fraco aos restantes níveis.9 / 8.7 / 2. das celeridades e das componentes este-oeste (u) e norte-sul (v) de correntes obtidas nos sectores estudados.0 -7.1 204º / 186º 16. quando o vento era predominantemente de norte.5m 28. Vitorino (1987) analisou registos de correntes obtidas na vertente superior ao largo do Porto.1 /-1. A circulação transversal caracterizava-se por um escoamento para norte no Verão e para sul no Inverno. observações obtidas sobre a vertente continental indicam escoamento para o pólo entre os 200 e os 750 m de profundidade.1 / -3.9 -0. duma corrente dirigida para norte na vertente continental a norte do cabo de S. o primeiro valor refere-se à situação de Verão e o segundo diz respeito à situação de Inverno. António. O padrão de circulação longitudinal caracterizou-se por uma corrente superficial para o equador e uma corrente subsuperficial dirigida para o pólo. António (4m) Nível de observação 6.

e vice-versa. aumento de advecção de ar polar frio na Gronelândia e advecção de ar mais quente que o usual no Norte da Europa. este tipo de correntes constitui certamente um importante factor adicional. as correntes geradas pelo vento podem propagar-se até ao fundo. a circulação atmosférica média no Atlântico Norte caracteriza-se pela existência de um centro de altas pressões. geralmente referida pela sigla NAO (do inglês "North Atlantic Oscilation").77 3. As velocidas experimentais atingidas foram da ordem de 10 cm/s. diminuindo simultaneamente para a plataforma e para a vertente.4) obtidos a partir da diferença entre a pressão atmosférica em Ponta Delgada (Açores) e Stykkisholmur (Islândia) ou entre Lisboa e Stykkisholmur (Hurrel. na dispersão e resuspensão de sedimentos finos e no aumento da magnitude do transporte de sedimentos grosseiros sob a forma de carga de fundo. Embora não existam observações que apoiem o referido modelo.1995). A NAO pode ser quantificada através de índices simples (fig. que se sobrepõe às movimentações provocadas pela maré e pelas ondas. Tem sido constatado que a um anticiclone dos Açores forte (pressão atmosférica acima da média) corresponde geralmente uma depressão da Islândia cavada (pressão abaixo da média). e de um centro de baixas pressões. IV. Estas correntes são originadas pelo efeito da onda induzida pela pressão atmosférica na extensão e contracção da coluna de água. O índice da NAO está correlacionado com uma fracção significativa da variabilidade climática no Atlântico Norte o que se reflecte. entre outros factores.3. certamente. A intensidade das correntes de fundo assim geradas deveria ser semelhante na plataforma externa e nas proximidades do bordo da plataforma. 3.10. Galt (1971) constatou que a migração das ondas devidas a variações na pressão atmosféricas sob condições de tempestade pode ser responsável pela geração de correntes de fundo que se concentram no bordo da plataforma. Contudo. Os resultados obtidos por este autor através da integração numérica de equações simplificadas para um oceano a duas camadas indicam a existência de uma corrente ao longo da coluna de água paralelamente à topografia. a depressão da Islândia. A oscilação entre estas duas foi designada por Oscilação do Atlântico Norte. A valores positivos da NAO estão associados ventos de Oeste superiores à média nas latitudes de 40o a 60o de latitude Norte. o anticiclone dos Açores. marcada sazonalidade. Correntes induzidas por diferenciais de pressão As correntes geradas pelo vento ou por diferenças na pressão atmosférica durante episódios de tempestade apresentam. cujo sentido se inverte à medida que a tempestade se dissipa. na temperatura do ar . Se as massas de água existentes na plataforma continental se encontrarem misturadas.9. A Oscilação do Atlântico Norte Como se referiu anteriormente.

1996). este índice repercute-se nos ecossistemas marinhos. 1995). como as sardinhas (Pires et al. 1998). como se verifica em períodos de abaixamento do nível do mar.. Os resultados da aplicação do referido modelo aos sectores estudados e os parâmetros em que a mesma se baseia (variação do nível relativo do mar. Com efeito. em vez de fornecedores. O modelo de Bruun (1962) permite quantificar o volume de areia e cascalho retido na zona litoral em virtude da subida do nível do mar. Convertem-se assim. preferencialmente. deduzida da análise de séries maregráficas suficientemente extensas. em locais de recepção e deposição de sedimentos. respectivamente (Dias & Taborda. que permite avaliar o decréscimo do volume de sedimento debitado para o litoral em virtude da subida do nível médio do mar. designadamente no que se refere à produção de zooplancton e à abundância de determinadas espécies de peixe. na temperatura da água do mar e na quantidade de precipitação (Hurrel. e tendência linear (Pires et al.: Dias & Taborda. os estuários respondem à subida do nível do mar reduzindo as exportações de materiais para a plataforma. 3. isto é. 1998). ex. 1988). Assim sendo.4 – Índice NAO de Inverno. com um sinal muito forte atribuído à expansão térmica dos oceanos. Variações seculares do nível do mar As elevações do nível do mar afectam o fornecimento sedimentar para a plataforma.VII. Estes estudos permitiram concluir que a subida do nível do mar é predominantemente eustática. 6 4 2 0 -2 -4 -6 1864 1885 1906 1927 1948 1969 1990 Figura IV. Os estudos realizados sobre a variação do nível médio do mar em relação ao continente. indicam taxas de elevação. de 1864 a 1997. tem sido constatada por inúmeros estudos.2mm/ano.1 mm/ano e 1. de modo a adaptarem-se ao novo nível de base (Swift. 1988.3±0. Em geral. Taborda & Dias.5±0.11. ao longo do presente século.78 (Hurrel. maioritariamente influenciada pelas variações do nível global. essa elevação tem sido essencialmente atribuída à expansão térmica dos oceanos (p. 1976b). A elevação secular do nível médio do mar. 1988). extensão do litoral arenoso e distância à costa correspondente à profundidade de fecho do perfil de praia) encontram-se expressos no Quadro IV.. de 1. tendo por base os dados das estações maregráficas de Cascais e Lagos. . e descontando os efeitos isostáticos.

que ocorreu há cerca de 18 ka 3 (Caralp et al.. Monteiro et al.6×104 1.4x105 4. 4 (Olausson.: Moita. desde o último máximo glaciário.79 Quadro IV. 1987) para a região norte de Portugal à totalidade da plataforma continental (Dias et al. 4.5) e do padrão de circulação oceânica repercutem-se nas características dos processos que determinam o fornecimento e distribuição de partículas. as modificações do nível relativo do mar. Before Present. Cascalho et al. Figuram ainda.VII – Volumes sedimentares (VS) associados à subida do nível relativo do mar (NM) nos sectores estudados.1. No decorrer da referida evolução. Tais modificações foram discutidas por Dias (1987) a partir do estabelecimento de uma curva de variação do nível do mar na plataforma continental portuguesa a norte do canhão submarino da Nazaré. Como é evidente. a extensão das praias (EP) e a distância à costa (DC) correspondente à profundidade de fecho do perfil de praia (PF). que são razoavelmente conhecidas. Magalhães & Dias. 1994) sugerem a aplicabilidade da curva de variação do nível do mar proposta por Dias (1985. 1992. da localização da frente polar (fig. A configuração destes paleo-processos sofreu modificações importantes. o período durante o qual a maior parte da água foi introduzida nos oceanos em resultado da deglaciação parece ter ocorrido entre 13 e 9 ka B. 1987. ex. Monteiro & Moita... Os resultados publicados em diversos trabalhos (p. Abrantes et al. Quevauviller. interessa conhecer os traços mais marcantes da evolução desde o último máximo glaciário. IV. 1994. o litoral situar-se-ia provavelmente a cerca de 140 m (fig. No máximo glaciário No máximo glaciário. para cada região. 1985). 1982. . 1997).1x105 -3 4. 1984) e desde o qual se verificou um aquecimento climático gradual que atingiu o máximo há cerca de 16 ka no hemisfério setentrional (Olausson.. IV. 1985).5x10 120x103 49x103 3x103 6x102 17 13 100x103 7x102 6 5.6) 3 4 ka designa milhares de anos. Resultado da actuação dos paleo-processos O padrão de distribuição dos sedimentos nas plataformas continentais é fundamentalmente condicionado pela dinâmica sedimentar actual e pela existência de depósitos sedimentares constituídos em períodos em que a configuração dos processos de fornecimento e distribuição de partículas era substancialmente diferente da actual. Nestas circunstâncias. 1986.P. VS (m³/ano) Plataforma norte Plataforma sudoeste Plataforma algarvia NM (m/ano) EP (m) DC (m) PF (m) 1. 1971.

IV. apenas a 200 km ao largo as temperaturas seriam da ordem dos 14º C (Thiede. 1977. Na plataforma norte portuguesa a temperatura das águas junto ao litoral era inferior a 4º C no Inverno. 1981. 1976. que então se restringia ao seu ramo meridional (Mörner.7. 1994). 1978. 1995). A cronologia dos principais períodos da evolução desde o último máximo glaciário.80 abaixo do nível actual do mar (Dias. localizarse-ia à latitude aproximada da plataforma portuguesa (McIntyre et al. Figura IV. Ruddiman & McIntyre. . 1981.. 1987). 1981). 1991). Quevauviller & Moita. Duplessy et al. bem como das fases de Ruddiman & McIntyre (1981) encontra-se esquemativamente representada na fig. Figura IV. 1985. Fatela.5 – Variação da posição da frente polar nos últimos 18 ka (Ruddiman & McIntyre. 1978). 1986. 1976.. De facto. Mais para sul. correspondente à fronteira entre as águas polares e as águas sub-polares. 1996). Molina-Cruz & Thiede.6 – Curva de variação do nível do mar na plataforma continental portuguesa setentrional (adaptado de Dias... 1987. devido ao acentuado gradiente térmico induzido pela presença da corrente do Golfo. A frente polar. a temperatura das águas superficiais ao largo de Sines era bastante superior (Fatela et al. registando-se gradiente térmico E-W de intensidade bastante superior à do gradiente latitudinal. Pereira.. Alvinerie et al. Bard et al.

ex. Os principais relevos do norte português ostentavam. 1996. 1995. áreas bastante maiores do que as actuais. 1987). Mörner. de uma corrente costeira de águas polares frias. de que existem múltiplas evidências sedimentológicas e geomorfológicas na plataforma continental (p.: Carvalho. A distribuição das paleotanatocenoses de foraminíferos planctónicos "polares" sugere a existência. a maior parte dos rios actuais eram então afluentes de um único . A velocidade de rotação da Terra era provavelmente superior à actual (Mörner. 1983.81 Figura IV. a fusão primaveril dos gelos e a forte pluviosidade conferiam aos rios fortes caudais hídricos.. 1994). 1991. devido ao baixo nível marinho que expunha quase por completo a plataforma continental.: Dias & Nittrouer. 1996). ocorrendo as maiores precipitações no Outono e Inverno (Daveau. em consequência do baixo nível marinho. 1978). Devido a este intenso afluxo de água doce. Na plataforma norte. as águas costeiras eram frequentemente pouco salinas.7 – Cronologia dos principais períodos da evolução desde o último máximo glaciário e das fases de Ruddiman & McIntyre (1981). nesta altura. Mörner.. Coudé et al. A erosão fluvio-glaciária. 1994. Fatela. 1986.. de elementos com indícios de terem sido aprisionados pelo gelo e libertados à medida que este fundia (p. Coudé-Gaussen. A grande intensidade destes caudais proporcionaria um forte abastecimento ao litoral (Dias. 1970. Este acréscimo conduzia certamente a um “upwelling” mais intenso que o actual (Rognon..ex. com congelação relativamente frequente (p. 1992. 1962). indícios sedimentológicos e geomorfológicos vários permitem deduzir manifestações de frio. o que parece ser comprovado pela presença. ex. dirigida de norte para sul. em testemunhos verticais de sedimentos profundos. Abrantes. espessas acumulações de gelo (p. ao longo da margem portuguesa (Molina-Cruz & Thiede. 1980). 1985). 1996). 1986. com grandes cheias frequentes. 1993). 1973. 1984. 1980. Também junto ao litoral. Abrantes et al. É provável que icebergs passassem frente a Portugal em estado de fusão acelerada (Guillien. 1983. Daveau.: Daveau. Cascalho et al. 1980. As bacias drenantes tinham. Raynal. Magalhães & Dias. 1978). Lebreiro et al. A estação chuvosa seria mais longa do que a actual. ex. nas partes mais elevadas.: Kudrass & Thiede. então.

1995. regime de escoamento e características das áreas drenadas. o que tem vindo a ser atestado por análises microfaunísticas. Atendendo ao número de rios. pormenor suficiente para detectar. 1981). onde é possível que se tenham constituído cordões arenosos. 1995b). A consequente transferência de pressões implica movimentos de reajustamento isostático. As temperaturas mais baixas verificadas ao largo da península Ibérica ter-se-iam registado . ocorrendo o inverso a oriente dos mesmos. forçando a migração da frente polar para norte (Mörner. 1992. Os ventos e a agitação marítima dominantes provinham. as correntes longilitorais dirigir-se-iam para este nas regiões a ocidente dos canhões. de oeste no litoral ocidental (Pujol. É de esperar que os diferentes sectores da plataforma tenham reagido de forma diferencial à progressiva elevação do nível médio do mar. estes comportamentos diferenciais.82 rio principal que fluia para norte (Dias. Nas regiões ocidentais. inexistente). cujo traçado era provavelmente condicionado por uma falha actualmente identificada na plataforma (Rodrigues et al. 1980) e de sudoeste no litoral meridional. de tipo e intensidade variáveis segundo as regiões. tornando fácil a transferência de partículas para maiores profundidades (Dias. com segurança. Na plataforma algarvia. 1996). 1987). a plataforma norte (tal como sucede actualmente) bastante melhor abastecida que os restantes sectores estudados. e grande parte dos rios debitavam a maior parte dos seus caudais sólidos para o bordo da plataforma ou quase directamente para a vertente continental. a deriva teria resultante N-S nos sectores imediatamente a norte dos canhões submarinos. 1987).. Nascimento & Silva (1989) noticiaram a presença. Assim. entre os 160 e os 230 m de profundidade.2. Devido à cota a que se localizava o nível médio do mar (-140 m). o actual nível de conhecimentos sobre a evolução da plataforma não tem ainda. Todavia. e que desaguava num golfo pronunciado. que foi redistribuída pelos oceanos. Ao mesmo tempo desenvolveu-se o ramo setentrional da corrente do Golfo. O forte pendor do fundo marinho e a refracção muito limitada a que a onda de maior comprimento de onda era sujeita conjugavam-se para tornar o litoral muito energético. No final do Glaciário e início da deglaciação A fusão dos gelos das calotes glaciárias iniciou-se provavelmente há cerca de 18 ka (Ruddiman & McIntyre. quase não existia plataforma continental (em certos casos. 1991. principalmente nas épocas de cheia. provavelmente. sendo várias das espécies encontradas típicas da zona infralitoral costeira e de águas hipossalinas. verificando-se o inverso a sul dos mesmos. as zonas dos canhões submarinos constituiriam regiões de divergência da ondulação. do tipo barreira. Das zonas glaciadas foi libertada grande quantidade de água. As águas eram aí marcadamente hipossalinas. 4. A subida do nível do mar associada a esta fusão provocou uma desaceleração da velocidade angular da Terra. de paleotanatocenoses de ostracodos que actualmente vivem a latitudes superiores a 60º.

1987. Sob estas condições. S. No entanto. reconhecendo-se. 1984a) revelam. quer por interpretação de perfis de reflexão sísmica ligeira e de sonar de pesquisa lateral (p. 1992) ou no bordo da plataforma (p. veículos privilegiados para a transferência de materiais sedimentares para maiores profundidades.: Dias.P. provavelmente devido à força de Coriolis (Dias. presumivelmente. Rodrigues et al. Este estacionamento do nível do mar permitiu o desenvolvimento de plataformas de abrasão marinha. 1974. As taxas de acumulação registadas em cores obtidos no decurso deste cruzeiro sugerem ainda acentuado desvio das correntes de turbidez. nesta fase. identificados por diversos autores na plataforma externa (p. ex. Magalhães & Dias.1 cm/ka. quer por observação directa com veículos de operação remota (p. Segundo estes autores. com características relíquia.: Musellec. taxas de acumulação nulas ou muito pequenas na vertente continental superior situada entre canhões submarinos. 1989. Dias. verificaram-se profundas alterações no clima e na circulação atlânticos. 1981) o nível do mar tenha começado a subir a ritmo moderado até atingir profundidades (em referência ao zero actual) da ordem dos 100 m há cerca de 16 ka. ex. 1992a). Com efeito. 1996). 1986) teriam sido fundamentalmente constituídos neste período. Rodrigues & Dias. 1991. Embora fora dos sectores estudados.: Musellec.. Os cores colhidos ao longo da margem portuguesa durante o cruzeiro Faegas IV (Faugères et al.P.: Dias et al. Aveiro. Os canhões submarinos que se definem na margem continental (Porto. Portimão e Faro) eram. ex. 1991). ex. 1974.83 neste período e não no máximo glaciário (Mörner. muito diferentes dos existentes no decurso do máximo glaciário (Dias. Durante a deglaciação Entre 13 e 11 ka B. 1987). de cordões litorais e de arribas. Os depósitos grosseiros.3. provavelmente pequena. ex. Os cores são constituídos por vasas silto-argilosas. que têm vindo a ser reconhecidas quer através de análises geomorfológicas (p. A maiores profundidades. Lebreiro et al. o que parece confirmar a existência de frequentes episódios turbidíticos e de movimentações gravíticas desencadeados provavelmente por temporais (Dias. datados de aproximadamente 12 a 15 ka B. 1987). Os condicionalismos climáticos e oceanográficos não eram. tais taxas são significativas. Vicente. ainda. também.. 4. É provável que neste período (fase II de Ruddiman & McIntyre. 1987).: Quevauviller & Moita. . tendo então estabilizado ou descido lentamente. (1994) identificaram depósitos grosseiros presumivelmente transportados pelo gelo na região da montanha submarina de Tore. níveis turbidíticos e de debris-flow com elementos de argila compacta. 1985. a deriva litoral efectiva era. os fenómenos de refracção e difracção ganhavam maior amplitude.. certamente. a presença de tais depósitos encontra-se relacionada com o transporte de material proveniente da região do estreito de Hudson por acção do ramo meridional da corrente do Golfo. a corrente do Golfo penetrou até ao mar de Barrents (Polyak & . atingindo valores superiores a 1.1987).

1973. 1980) e recuo da frente polar para o NW do Atlantico (Ruddiman & McIntyre. dados polínicos referentes ao noroeste alentejano sugerem a existência de extensas áreas ocupadas por pinhal bravo (Mateus & Queiroz. Duplessy et al. 1981). o que provocou o desaparecimento rápido dos gelos no mar ao largo da Europa ocidental (Ruddiman & McIntyre. 1995. A flora acompanhou esta melhoria climática gradual. 1981). O tipo de vegetação dominante é sujeito a grandes modificações. Dados referentes ao golfo da Biscaia mas que provavelmente se podem extrapolar para o território português. 1973). 1993. Este período de aquecimento climático corresponde à fase IIIa de Ruddiman & McIntyre (1981) e aos estádios de BöllingAlleröd na terminologia clássica do norte da Europa. Mörner. As características de interglacial quente foram rapidamente substituidas por condições glaciais bem marcadas (Duplessy et al. transportados pelas redes de drenagem continental e pela deriva litoral. se seguiu uma crise climática seca e fria. correspondente à fase anterior.. 1993). A temperatura das águas na região norte da plataforma portuguesa dificilmente atingiria os 10º C (Dias. Os estuários dos rios tornaram-se local de deposição de grande quantidade de sedimentos. atravessadas por canais que transportavam preferencialmente as fracções mais finas dos sedimentos (Dias. 4.84 Mikhailov. Efectivamente. o que motivou um aquecimento na região do estreito de Hudson (Mörner. 1987).. O nível do mar terá subido muito rapidamente até aos -40 m. 1981). e a frente polar desce rapidamente. 1993). Por exemplo. instalando-se à latitude da Galiza (Ruddiman et al. Ruddiman & McIntyre. 1976. A plataforma continental constituiria um meio de sedimentação autóctone desenvolvendo-se extensas áreas pantanosas e lagunares. 1981). tendo-se também verificado o desaparecimento do ramo setentrional da corrente do Golfo. nomeadamente pela penetração meridional de água polar e pela intensificação da corrente de Humboldt (Mörner. indicam que a vegetação predominantemente herbácea foi substituida por vegetação de porte arbóreo (Menendez-Amor & Florschutz. os traços morfológicos e sedimentológicos deixados na plataforma continental são pouco evidentes. 1977. A corrente fria do Labrador registou também um enfraquecimento. 1996).. 1987).4. 1996). Tal modificação provocou rápida subida latitudinal da circulação ciclónica (Rognon. 1996). provocada pela alteração do padrão de circulação oceânica. no litoral da Galiza há indicações de que a um clima litoral moderado. 1963. com desaparição brusca da maior parte da vegetação . 1981. A temperatura das águas seria semelhante à actual ou mesmo ligeiramente mais quente (Duplessy et al. Durante o Dryas recente A seguir ao período de melhoria climática atrás referido verificou-se há cerca de 11 ka grande deterioração do clima. Devido à rápida migração da linha de costa em direcção ao continente e ao tipo de sedimentação. Verifica-se um arrefecimento generalizado das águas do Atlântico Norte..

quer por extensos depósitos sedimentares de materiais bastante grosseiros e essencialmente terrígenos. a julgar pelos depósitos de vertente que testemunham um clima frio até ao nível actual do mar (Daveau. Parte dos fragmentos de arenito com cimento carbonatado que frequentemente se encontram em amostras colhidas na plataforma continental a profundidades compatíveis teria aqui a sua origem. Sob as condições climáticas dominantes desde o máximo glaciário ter-se-ia desenvolvido um deserto litoral. desenvolvidos no decurso de exposição subaérea. Esta fase (correspondente à fase IIIb de Ruddiman & McIntyre.. quer através de multiplos elementos morfológicos. Estas formas ter-se-iam mantido sem degradação apreciável devido á elevação muito rápida do nível do mar que se verificou após o Dryas recente. Grande parte dos carbonatos teria então sido dissolvida (o que se coaduna com a escassez de clastos de moluscos nestes depósitos). 1982) e por acumulações eólicas consolidadas principalmente no litoral do Alentejo e Algarve ocidental (Pereira.. 1991. os depósitos que se haviam formado nos sistemas estuarinos quando o nível do mar se encontrava nos -40 m foram erodidos e o material transportado para a plataforma. ex. O desenvolvimento apresentado pelas plataformas de abrasão e pelas arribas só é explicável através de reocupações sucessivas pelo mar.85 arbórea (Nonn. 1966). 1987. A sedimentação torna-se alóctone (Dias. por vestígios de solifluxão heterométrica e outros indícios sedimentológicos no litoral minhoto (Carvalho. Na plataforma setentrional. 1992a). . 1990). Efectivamente. o nível médio do mar terá descido para cotas da ordem dos -60 m.: Dias et al. 1986). Devido ao aumento da competência dos rios. em grande parte. transferidos para a plataforma continental durante esta fase devido à maior competencia dos rios e ao abaixamento rápido do nivel do mar. arribas e cordões litorais. onde se manteve cerca de 1 ka. Em consequência desta alteração climática. 1964. os materiais depositados nas zonas estuarinas no decurso da fase anterior foram. submersas a profundidades entre 40 e 60 m) são muito abundantes e estão bastante bem conservados. Os terraços situados à cota -40 m na morfologia actual da plataforma continental correspondem possivelmente ao nível marinho mais elevado e os situados aos -60 m ao nível mais baixo (Rodrigues & Dias. Parte substancial das partículas grosseiras destes depósitos exibe rolamento elevado e pátinas avermelhadas. 1980. 1983. sendo provável que ocorressem fenómenos de consolidação de areias utilizando esse carbonato como cimento. 1987). 1989). têm vindo recentemente a ser estudados visualmente com o auxílio de veículos de operação remota (p. Os traços morfológicos (designadamente plataformas de abrasão marinha. Carvalho et al. Teria sido neste ambiente de deserto litoral que as partículas sedimentares atrás referidas adquiriram as pátinas avermelhadas que ainda hoje exibem. 1981) encontra-se bem marcada na plataforma portuguesa.

Durante o Holocénico Embora o Holocénico represente somente. 1987. na Idade Média (Baixo Nível Medievo) e ainda mais recentemente (Pequena Idade do Gelo). Entre 6 e 5 ka B.86 4. indícios vários apontam para a possibilidade do nível do mar ter estado ligeiramente abaixo do actual (fig. não foram ainda encontradas evidências seguras de tal facto. designado por Óptimo Climático. De facto. caracterizou-se por clima relativamente húmido. cuja importância viria a diminuir posteriormente. este período é.: Granja. a ser investigados por inspecção visual através de mergulho com escafandro autónomo (Erlides. Moreira & Psuty. Sob este regime fortemente transgressivo é compreensível que os vestígios deixados na plataforma sejam mínimos. 1987). por vezes. do ponto de vista temporal.P. ocorreram durante este período de tempo importantes modificações ambientais. Os traços deixados pela migração da linha de costa têm vindo. O nível do mar teria atingido a cota actual entre 2.8) há cerca de 2 ka (Baixo Nível Romano). No decurso da fase de estabilização do nível médio do mar. Na plataforma continental portuguesa o nível do mar terá. Há cerca de 10 ka ocorreu uma drástica modificação climática. o litoral entrou progressivamente em equilíbrio. 1987).5 e 5 ka B. 1994). Embora certos autores (p. tendo-se constituído os depósitos litorais detectados nas . nomeadamente nas zonas vestibulares dos rios. 1990) sugiram que o nível do mar teria estado a cota superior à actual. acompanhada pelo progressivo incremento da evolução tecnológica. registando-se aquecimento generalizado e marcada transgressão.5. ocorreu uma importante evolução na sociedade humana. responsáveis por significativas alterações na paisagem. A elevação do nível do mar parece não ter sido constante. Por tal facto. possivelmente. a temperatura média do ar nas regiões de latitudes médias e elevadas teria sido cerca de 5º C acima da actual (Peixoto. Na fase IIIc a frente polar teria migrado para NW. É o caso dos depósitos da foz do Leça. 1994). Simultaneamente.P. sendo a vegetação predominante o pinheiro. Segundo Mateus & Queiroz (1993). 1/60 do Quaternário. Pereira & Regnauld. 1993. recentemente. evidenciam por vezes oscilações ocorridas no decurso da referida elevação geral. Este período corresponde às fases IIIc e IV de Ruddiman & McIntyre (1981). (Dias. marcada pela transição entre o Paleolítico superior e o Mesolítico. 1992. No final da fase IV o regime de circulação oceânica era já essencialmente o mesmo que conhecemos actualmente. descritos por Galopim de Carvalho & Ribeiro (1962). IV. algumas sondagens efectuadas próximo do litoral actual. Pelo contrário.P. o período entre 10 e 8 ka B. subido rapidamente a uma velocidade superior a 2 cm/ano (Dias. Pereira & Soares. Por outro lado. os processos costeiros associados a esta rápida migração da linha de costa não teriam conseguido destruir por completo as formas sedimentares litorais da fase anterior. ex.

provavelmente. 1987). No período compreendido entre 650 e 850 registaram-se alterações nalguns parâmetros climáticos (Soares. Ladurie. caracteriza-se por relativa aridez (Chaline. dependendo da histérese da sedimentação estuarina de cada um. se iniciou há cerca de 2. denominado frequentemente sub-atlântico. por estuários amplos e por uma linha de costa muito recortada. 1986). 8 – Variação do nível do mar nos últimos 2.6. O período entre 1 200 a. tendo provavelmente sido mais seco e quente desde essa altura e até ao ano 400 (Chaline. 1989. 1993b) em relação com variações na intensidade do “upwelling”. 1991).C. caracterizando-se pela predominância de costa rochosa. com um máximo nos séculos IX e X (Jones. 1993a. 4. A exportação significativa de materiais a partir dos estuários apenas começou mais tarde. há evidências de um clima seco e frio (Chaline. Iniciou-se então um período de activa rectificação da linha de costa com erosão das partes salientes e intensa acumulação nas partes reentrantes. 1976). 1990). Este período. 1985). A temperatura média no Verão era. 1967) e por um aquecimento geral. É geralmente aceite que o actual período climático. Quando o mar atingiu a cota actual a configuração do litoral era bastante diferente da que hoje conhecemos. com Primaveras quentes e Invernos amenos. . A evolução climática no decurso deste período não se encontra ainda bem estabelecida.C. Pelo contrário. 1985).5 ka. Durante o período histórico a partir do século XI Na Europa transpirenaica iniciou-se cerca do ano mil um episódio climático quente cujo máximo se verificou no século XII e que se prolongou até ao século XIV (Tullot. e o início da nossa era parece ter sido do tipo sub-húmido (Mateus & Queiroz. 2º C acima da actual (Peixoto.5 ka na costa atlântica francesa (Ters. Entre os anos 400 e 1 000. Figura IV. são relativamente bem conhecidas as tendências climáticas gerais verificadas a partir de 1 200 a.87 regiões estudadas. 1985. conhecido por "Pequeno Óptimo Climático".

etc. A evolução histórica do litoral português tem vindo a ser estudada por exploração de mapas históricos. que já não figuram nos portulanos de Abraão Ortelius. este período teria terminado no final do século XIX. Junto à foz do Minho a acumulação arenosa de Camarido-Moledo parece ser muito pequena ou quase inexistente. Os séculos XVI e XVII foram caracterizados por congelação frequente dos rios e por grandes cheias em quase todas as bacias hidrográficas (Tullot. que o assoreamento dos estuários era reduzido e que as restingas arenosas que se desenvolveram na foz dos rios pareciam encontrarse em fase de constituição. entre muitos outros. 1986). Neste contexto. Alguns exemplos ilustram de forma bastante eloquente o que se afirmou. No entanto. nomeadamente os de Petrus Visconti (de 1318). sucedendo-se os períodos de transgressão deposicional e regressão erosiva. O estuário do rio Guadiana apresenta uma grande extensão nos portulanos de Petrus Visconti e de Lucas Jan Waghenaur. de documentação escrita. Segundo alguns autores. As lagoas de Melides e de Sto. Na península Ibérica esta transição climática parece ter sido mais brusca do que no resto da Europa e mais drástica na parte atlântica que na mediterrânica (Tullot. 1988) conhecido por "Pequena Idade do Gelo" (Tullot. A configuração do sistema de ilhas barreira da Ria Formosa sofreu profundas transformações desde o século XVI. Boléo (1943). é relevante referir os trabalhos de Girão (1941). de Lucas Jan Waghenaur (de 1583). sendo geralmente reconhecido que os séculos XVI e XVII foram os mais inclementes. Castelo-Branco (1957) e Weinholtz (1978b). da toponímia.88 No século XIV deu-se a rotura deste episódio medieval mais quente. 1986). de João Teixeira (de 1648) e de Teixeira Albernaz (de 1662). André encontram-se representadas como estuários abertos para o mar até 1811. De facto. 1986). . os episódios frios foram interrompidos por algumas fases de franca recuperação térmica. de dados arqueológicos. Até ao século XVI passa-se por uma fase de transição para um período caracterizado por um arrefecimento generalizado (Machado. alternando períodos quentes e húmidos com outros frios e secos (Gomes et al. É possível verificar que a maioria das lagoas se encontrava ainda aberta para o mar. de Álvares Seco (de 1560 e 1561). 1994). Os mapas de Álvares Seco representam ainda sete ilhas no interior da laguna de Aveiro. É também possível que o nível marinho tenha descido ligeiramente nos períodos de maior abastecimento sedimentar. o estudo de minerais de argila amostrados em sondagens efectuadas na laguna de Aveiro permitiu reconhecer 4 ciclos climáticos nos últimos 500 anos. A análise dos mapas antigos. É provável que as variações no abastecimento sedimentar tenham sido determinantes. permite constatar que a configuração do litoral português era significativamente diferente da actual. A referida evolução foi provavelmente condicionada pelas pequenas oscilações climáticas históricas. de Abraão Ortelius (de 1570). Martins (1947)..

nas zonas estuarinas e no próprio litoral (Dias. 4. Teixeira. As dragagens e a extracção de inertes são responsáveis pela subtracção de enormes quantidades de sedimentos ao litoral. Ferreira. 1990). 1990. É o caso das dragagens. 1995). devido a forte deficiência de abastecimento sedimentar em consequência das actividades humanas nas bacias hidrográficas drenantes.. da extracção de inertes e dos molhes dos portos. na sua maior parte derivadas das técnicas cartográficas ao tempo disponíveis) indica que. Entre eles. e da elevação secular do nível do mar (Taborda & Dias. 1990. 1995. No período 1973-76 os quantitativos. 1992a). no século X. 1941. É possível que o abastecimento sedimentar se tenha intensificado na parte final deste período. existia já a sul de Espinho uma restinga arenosa (Girão. presumivelmente devido à significativa expansão da agricultura. Martins. O seculo XX Actualmente decorre uma fase de características marcadamente transgressivas. por si só. As estimativas apresentadas por diversos autores (Andrade. Drago et al. Ferreira et al. 1993) sugerem que. durante o qual os impactes das actividades antrópicas na sedimentogénese começaram a ser evidentes. O último grande período construtivo do litoral português parece ter-se verificado entre os séculos XVI e XIX. O período entre os séculos XI e XV parece ter correspondido a um enfraquecimento do abastecimento sedimentar ao litoral. sendo a situação aí descrita agravada pelas intervenções efectuadas no litoral. Vários indícios sugerem que um dos primeiros períodos de grande abastecimento tenha ocorrido por volta de século X. 1947). cuja extracção no . referem-se: a) As taxas de acumulação registadas no depósito lodoso existente na plataforma continental média e externa ao largo do Porto parecem ter sido muito elevadas neste período (Drago. 1990. 1990). É possível que o presumível abaixamento relativo do nível do mar tenha desempenhado um papel importante neste forte abastecimento sedimentar. cuja evolução posterior viria a fechar um grande golfo. as actividades antrópicas são responsáveis por cerca de 90% do recuo da linha de costa no litoral português. 1988/89). 1988.7. As consequências destas actividades foram já parcialmente referidas a propósito das restrições ao fornecimento por via fluvial.89 Desconhece-se quando se iniciou o intenso abastecimento sedimentar ao litoral responsável pelas grandes acumulações arenosas actualmente existentes. c) A análise de mapas históricos (a qual deve ser efectuada com precaução devido às incorreções que frequentemente apresentam. com arroteamento de terras de mato e destruição do coberto vegetal... Alguns exemplos são bastante reveladores dos enormes volumes sedimentares envolvidos. b) O assoreamento da lagoa de Ovil parece ter-se verificado nesta altura (Alves et al. sendo possivel que se tenha verificado simultaneamente ligeira elevação do nível marinho (Dias. dando origem à laguna de Aveiro.

tendo passado de 0. nos anos de 1949/50. Súmula 1. 1992. em média. o recuo amplificado da linha de costa a sotamar dos molhes de entrada dos portos é uma constante.. 1997). designadamente na Figueira da Foz (p. Pelo contrário. Na zona montante do estuário do Tejo.5×105 m³/ano (Abecasis et al. Foi o que sucedeu após a construção dos molhes do porto de Aveiro. as taxas de assoreamento dos corpos lagunares e estuarinos têm vindo a aumentar ao longo deste século (Dias et al. 1962). a espessura de 2 mm/ano na década de 80 (Moreira. (1962) estimado em 8x105 m³/ano o volume de areias acumuladas a norte do molhe norte. Embora com menor amplitude.. só em 1980. 1970. provalmente. 1992) e em Quarteira (p. Duarte & Reis. Os principais processos de fornecimento de partículas para as plataformas analisadas encontram-se associados à contribuição fluvial e.. rondaram os 6×105 m³/ano (Paixão.7 cm/ano no período 1964/86 (Freire & Andrade. ao provocar a diminuição das pontas máximas de cheia e simultaneamente a do efeito de transporte associado a tais eventos. 1982). 3 A construção de albufeiras de armazenamento nos principais rios portugueses é certamente responsável pelo decréscimo da contribuição fluvial actual para os sedimentos da plataforma. tendo-se obviado o problema com a construção de um enrocamento longilitoral contínuo associado a um campo de esporões. 1980/81). 1996). O factor mais importante na remobilização de partículas é.. é possível deduzir os traços gerais dos processos mais marcantes.. Os molhes dos portos induzem acumulação de enormes quantidades de areias a barlamar e. 1985. Na parte externa do porto de Leixões o volume de sedimentos dragados atingia já. Todavia. . cerca de 1. há mais de duas décadas.: Abecasis et al. por exemplo. Jacinto) extraíram-se. grandes recuos da linha de costa a sotamar. ex. a acumulação de materiais pelíticos na plataforma de preiamar do estuário atingiu. 4. 5. Na costa a norte de Aveiro (S. 1993). as taxas de sedimentação duplicaram da primeira para a segunda metade deste século.: Bettencourt. a intensificação da erosão costeira é extraordinariamente preocupante. Embora não se conheça com rigor a configuração moderna dos processos de fornecimento e de distribuição de partículas no depositário estudado. Mesmo no estuário do Sado. à erosão litoral. Simultaneamente. bastante mais modesto do que o do Tejo (em termos de bacia hidrográfica e de caudais). em menor grau. com valores locais superiores a 10 m/ano. tendo Abecassis et al. Dias & Neal. 1992).90 litoral foi autorizada pela Direcção-Geral de Portos. 2. 1982). a sul destas estruturas.ex. a sul destes molhes registaram-se recuos médios anuais de 8 m (Oliveira et al. 4×105 m³ de areias (Oliveira et al. por interromperem a deriva litoral. Correia.8 cm/ano no período 1928/64 para 1. a agitação marítima.

. em fase relativamente incipiente. por exemplo. existe uma grande deficiência na compreensão das respostas induzidas pelas referidas variações na sedimentação ocorrente na plataforma continental portuguesa. 7. O estudo dos fenómenos físicos que induzem variações do nível do mar encontrase ainda. das correntes de maré (cuja velocidade se encontra fortemente dependente da batimetria) e das correntes de "upwelling". 8. afectam o fornecimento sedimentar para a plataforma. prevalecentes nos sectores analisados induzem distintos potenciais de remobilização e diferentes intensidades de deriva litoral. Em consequência. É o caso. É também possível deduzir a configuração. As variações do nível do mar possuem óbvias consequências na zona costeira e.91 Os climas de agitação (quer a modal. são de considerar os efeitos associados à variação secular do nível médio do mar. de alguns dos processos que determinam o fornecimento e a distribuição de partículas. 5. simultaneamente. A este respeito. das correntes de cheia. Alguns dos mecanismos operantes na plataforma actuam simultaneamente como processos de fornecimento e de distribuição de partículas. 6. em Portugal. Os movimentos de massa podem ser importantes na transferência de partículas do bordo da plataforma para maiores profundidades. quer a de tempestade). desde o último máximo glaciário. ao "storm surge" e aos tsunamis.

1986).e. realçar as especificidades próprias de cada sector e deduzir os mecanismos de dinâmica sedimentar mais importantes.II nos quais. sabe-se que não existem inconvenientes se este pressuposto não se verificar (Chao.. nas respectivas coberturas sedimentares. o que permite contrastar os principais processos de fornecimento e distribuição de partículas. tanto da parte submersa como da faixa litoral. para cada variável. válidos os pressupostos necessários para a utilização de testes paramétricos (i. podemos dizer que as diferenças são insignificantes para P>0. embora os dados utilizados sejam insuficientes para ter qualquer garantia de tal facto. Na análise dos resultados obtidos deve ter-se em consideração que "estes testes podem demonstrar o que as coisas não são. se apresenta a probabilidade P de os grupos de amostras consideradas não apresentarem diferenças significativas. certamente. Neste teste. 2. A probabilidade de haver diferenças significativas aumenta com o decréscimo do valor de P. os quais são mais frequentemente empregues. Comparação entre as características médias dos sedimentos Para averiguar em que medida os sedimentos dos sectores da plataforma abrangidos pelo presente trabalho apresentam ou não diferenças significativas foram realizados testes de MannWhitney envolvendo características texturais. Os testes estatísticos não paramétricos realizados devem ser usados nos casos em que não sejam. a hipótese Hº de que as médias dos dois grupos de valores são iguais é testada contra a hipótese H¹ de que essas médias são significativamente diferentes.92 V.2 e 0. 1974). O único pressuposto necessário para a realização do teste de Mann-Whitney é que os valores da variável a comparar sejam continuamente distribuídos. as diferenças poderão ser reais. Com base nas indicações de Folk (1968). populações com distribuição normal e homogeneidade das variâncias). CARACTERÍSTICAS DA COBERTURA SEDIMENTAR 1.05 as diferenças podem ser consideradas reais. mas não podem estipular o que são" (Davis. Na prática. Os resultados obtidos com os testes efectuados constam dos quadros V. A título meramente exemplificativo.2. presumivelmente.05. composicionais e granulométricas das amostras estudadas dispostas em fiadas perpendiculares ao litoral.II permite verificar quais as variáveis que não apresentam diferenças significativas nos sedimentos dos sectores estudados e quais as que apresentam valores significativamente diferentes. bem como as características oceanográficas e climatológicas dos sectores estudados reflectemse.I e V.I e V. A análise dos quadros V. Se P se encontra compreendido entre 0. No presente capítulo pretende-se avaliar as repercussões das referidas características ao nível sedimentológico. Se P<0. consideremos os . Introdução As características fisiográficas e geológicas.

33 0.00 0. 0 a 1 Ø Moluscos 0 a 1 Ø For.00 0.15 0.09 0.I – Resultados da aplicação do teste de Mann-Whitney aos sedimentos dos sectores estudados.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.05 0.00 0. -1 a 0 Ø For.00 0.00 0.03 0.02 0.00 0. planc.42 0.23 0.01 0.00 0.00 0.04 0.01 0.00 0.00 0. 0 a 1 Ø Glaucónia 0 a 1 Ø Não identif.44 0.00 0.81 0.00 0.00 0.00 0.16 0.00 0.23 0.00 0.74 0.00 0.00 0.07 0.00 0. -1 a 0 Ø Equinodermes -1 a 0 Ø Outros biog.00 0.00 0.33 0.00 0.23 0.68 0. -1 a 0 Ø Quartzo 0 a 1 Ø Micas 0 a 1 Ø Agreg.00 0.00 0. 0 a 1 Ø Equinodermes 0 a 1 Ø Outros biog.27 0.01 0. planc.07 0. bent.23 0.16 0.00 0.73 0.00 0.75 0.00 0.29 0.33 0.00 0.06 0.00 0.48 0.00 0.00 0.00 0.00 0.03 0.14 0. -1 a 0 Ø Glaucónia -1 a 0 Ø Não identif.53 0. 0 a 1 Ø Quartzo 1 a 2 Ø Micas 1 a 2 Ø Agregados 1 a 2 Ø Outros terr.00 0.05 0.00 0.60 0.00 0.00 0.01 0.00 0.35 0.07 0.84 0. 1 a 2 Ø Moluscos 1 a 2 Ø For.00 0.08 0.11 0.28 0.00 0.00 0.99 0.00 0. Plataforma Variável Cascalho Areia Silte Argila Frequência -1 a 0 Ø Frequência 0 a 1 Ø Frequência 1 a 2 Ø Frequência 2 a 3 Ø Frequência 3 a 4 Ø Média areia Calibragem areia Assimetria areia Angulosidade areia Cascalho terrígeno Quartzo -1 a 0 Ø Micas -1 a 0 Ø Agregados -1 a 0 Ø Outros terrígenos -1 a 0 Ø Moluscos -1 a 0 Ø For.78 0.00 0.71 0.00 0. bent.76 0.00 0.00 0.00 0.00 0.26 0.Sudoeste Algarvia Algarvia P P 0.00 0. 0 a 1 Ø For.00 0.00 0.60 0.00 0.17 .23 0.59 Norte .02 0.00 0.93 Quadro V. 1 a 2 Ø For.96 0.53 0.38 0.05 0.00 0. 0 a 1 Ø Outros terr.00 0.08 0.00 0.00 0.00 0.01 0.00 0.00 0. planc.16 0. bent. 1 a 2 Ø Equinodermes 1 a 2 Ø Norte Sudoeste P 0.00 0.00 0.34 0.00 0.00 0. A itálico encontram-se representadas os grupos de amostras que parecem apresentar maiores semelhanças.00 0.

00 0.00 0.00 0.58 0. areia Equinodermes areia Outros biog. entre outros.02 0.00 0. bent.06 0.00 0.Sudoeste Algarvia Algarvia P P 0.00 0.00 0.25 0.II – Resultados da aplicação do teste de Mann-Whitney aos sedimentos dos sectores estudados.01 0. ao conteúdo de argila.00 0.00 0.63 0.00 0.00 0.00 0.00 0. 3 a 4 Ø Equinodermes 3 a 4 Ø Outros biogénicos 3 a 4 Ø Glaucónia 3 a 4 Ø Outras partículas 3 a 4 Ø Quartzo areia Micas areia Agregados areia Outros terrígenos areia Moluscos areia For.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.03 0.00 0.00 0.00 0. 1 a 2 Ø Glaucónia 1 a 2 Ø Outras partículas 1 a 2 Ø Quartzo 2 a 3 Ø Micas 2 a 3 Ø Agregados 2 a 3 Ø Outros terrígenos 2 a 3 Ø Moluscos 2 a 3 Ø For.01) no que se refere.85 0. planc. a probabilidade de que não haja diferenças .00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.66 0. planc.94 Quadro V.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0. 2 a 3 Ø For.00 0.14 0.00 0.00 0.00 0.00 0. A probabilidade destes depósitos não apresentarem diferenças significativas é extremamente reduzida (P<0.03 0.00 0.00 0.96 0.00 0.01 0.49 0.05 0.23 0.00 0.87 0.00 0.00 0.00 0. A itálico encontram-se representadas os grupos de amostras que parecem apresentar maiores semelhanças.02 0.00 0.16 0. Plataforma Variável Outros biog.00 0.10 0.00 0.00 0.00 0.15 0. à frequência das fracções 1 a 2 Ø e 2 a 3 Ø e às percentagens de micas e de moluscos nas diferentes fracções da areia.00 Norte .12 0. bent.98 0.20 resultados dos testes entre o grupo de amostras representativas das plataformas norte e sudoeste.07 0. 2 a 3 Ø Equinodermes 2 a 3 Ø Outros biog. planc.00 0.70 0.00 0.00 0. 2 a 3 Ø Glaucónia 2 a 3 Ø Outras partículas 2 a 3 Ø Quartzo 3 a 4 Ø Micas 3 a 4 Ø Agregados 3 a 4 Ø Outros terrígenos 3 a 4 Ø Moluscos 3 a 4 Ø For.10 0.98 0.20 0.77 0.00 0. Por outro lado.00 0.05 0.00 0.01 0. areia Glaucónia areia Outras partículas areia Norte Sudoeste P 0. 3 a 4 Ø For.00 0.00 0.66 0.00 0. areia For.00 0.00 0.01 0.00 0.00 0.00 0.00 0.07 0.71 0.00 0. bent.

1. Resultados Este método conduziu ao estabelecimento de 8 grupos de amostras (K=8). a fracção -1 a 0 Ø parece ser a que regista maior probabilidade de não apresentar diferenças significativas nos dois grupos de amostras considerados. 3. Aliás. Na prossecução dos objectivos expressos foi utilizado o método das K-médias (McQueen. de acordo com a qual se verifica um acentuado contraste entre o sector norte e os restantes. a probabilidade de não existirem diferenças significativas é superior a 0. aceita-se a partição quando o erro e[P(N. Com base nos resultados desta análise. anteriormente efectuada. representaram-se graficamente (figs. Por outro lado. A discordância entre os dados das N amostras envolvidas na análise e a partição realizada P(N.95 significativas é muito elevada (P>0. tentou-se ainda detectar diferenças significativas entre os sectores estudados. Apesar de não ser totalmente correcto comparar o .III. 1975). Método utilizado Para identificar e interpretar o padrão genérico de distribuição dos sedimentos recorreu-se à aplicação de técnicas de análise multivariada utilizando como dados os obtidos para diferentes variáveis relativas às análises textural e da fracção grosseira.5 em 14 das variáveis consideradas.K)] não se reduz substancialmente com nova partição. dos processos de fornecimento e de distribuição. Padrão genérico de distribuição dos sedimentos 3. cujas características médias se encontram expressas no quadro V. a probabilidade de não existirem diferenças significativas é inferior a 0. 3. 1967. acrescidas da profundidade. De facto.2) as médias obtidas para algumas variáveis. Aparentemente.1 e V. Estes resultados concordam com a análise. ao conteúdo em quartzo nas fracções areia muito grosseira (-1 a 0 Ø) e grosseira (0 a 1 Ø).K) em K grupos é medida pelo erro e[P(N. V. Com efeito. Para obstar a este inconveniente. A análise foi efectuada sobre dados correspondentes a 21 variáveis não locacionais. Para melhor percepção das características específicas de cada grupo.01 em 57 das variáveis consideradas. Hartigan.2. o objectivo desta técnica é realizar uma partição da amostragem em grupos de modo a que amostras incluídas no mesmo grupo sejam semelhantes entre si e que amostras incluídas em grupos diferentes sejam mais dissemelhantes entre si que as pertencentes ao mesmo grupo.5) no que respeita. por exemplo. Não é prático utilizar o elevado número de partições possíveis para reduzir este erro. À semelhança dos restantes métodos de análise classificatória não hierárquica. os sedimentos que parecem apresentar maiores semelhanças são os das plataformas sudoeste e algarvia.K)]. os sedimentos que parecem apresentar maiores diferenças são os das plataformas norte e algarvia.

a utilização de somatórios deste tipo reveste-se de uma grande utilidade para ilustrar os contrastes existentes entre os diferentes grupos. Os sedimentos do grupo 4 são areias mal calibradas. % Argila % Silte Areia 3 a 4 ø % Areia 2 a 3 ø % Areia 1 a 2 ø Areia 0 a 1 ø % Areia -1 a 0 ø % 1 2 3 4 5 6 7 8 Cascalho GRUPOS Figura V. com significativos conteúdos médios em materiais lodosos e em cascalho. O cascalho e a areia são essencialmente constituídos por partículas de origem biogénica. a qual é fundamentalmente constituída por carapaças de foraminíferos. é fundamentalmente constituído por bioclastos. . As partículas de quartzo e as carapaças de foraminíferos constituem as classes composicionais predominantes na areia (correspondendo. 75% do sedimento. em média. A glaucónia ocorre na areia em quantidades significativas. Pontualmente. cada uma. O grupo 1 representa areias finas e muito finas com teores médios de materiais lodosos aproximadamente iguais a 13%.1 – Textura dos grupos de amostras afins.96 somatório de valores médios. a glaucónia representa cerca de 45% das partículas existentes na areia. Os sedimentos incluídos no grupo 2 são areias finas e muito finas. a cerca de 30% do total de partículas). A areia é dominada pela componente carbonatada. É neste grupo que a percentagem média de glaucónia na areia atinge os valores mais elevados. O cascalho. O cascalho e a areia são dominados pela componente biogénica. quando existe. O grupo 3 corresponde a sedimentos arenosos com importante componente silto-argilosa. com um significativo conteúdo em materiais silto-argilosos. Os diâmetros superiores a 2 Ø constituem. A fauna de onde derivaram os bioclastos da areia parece ser a mais diversificada de todos os grupos.

17 0-87 1. 13 0-53 9. Variável Cascalho Areia Silte Argila Terrígenos no cascalho Fracção -1 a 0 Ø Fracção 0 a 1 Ø Fracção 1 a 2 Ø Fracção 2 a 3 Ø Fracção 3 a 4 Ø Quartzo na areia Micas na areia Agregados na areia Outros terrígenos na areia Moluscos na areia Foraminíferos planctónicos na areia Foraminíferos bentónicos na areia Equinodermes na areia Outros biogénicos na areia Glaucónia na areia Outras partículas na areia Número de amostras Gr. 24 1-83 4. 3 0-22 2. 7 0-31 2. cerca de 40% do sedimento. 4 0-17 1. 3 0-21 26. 34 0-92 1. 1 4. 8 38. 20 0-87 65. 9 0-44 0. 13 0-55 20. 13 0-50 6. As partículas de quartzo são as mais abundantes na areia. 20 4-95 5. 26 2-99 30. 13 0-52 31. 11 0-58 5. 1 0-8 7. 4 0-30 3. 18 0-86 21. 17 0-66 48. 24 0-90 27. 14 1-74 27. 9 0-34 18. 11 0-52 1. 23 0-94 53. 23 0-86 47. 25 0-93 1. 5 0-39 0. 9 0-46 0. As percentagens média e máxima de micas na areia apresentam os valores mais elevados neste grupo. 7 0-29 10. 0 0-1 85 O grupo 5 representa areias bastante lodosas. 4 0-28 1. Os conteúdos médios das partículas terrígenas e biogénicas existentes na areia são idênticos.III – Características médias das variáveis consideradas para a partição da amostragem em grupos. o desvio padrão e o domínio de variação. 29 0-93 0. 1 0-5 132 Gr. 8 0-33 19. 1 0-4 4. 1 0-4 2. 19 12-100 11. 26 0-95 27. 5 0-50 5. 12 0-56 7.1 0-9 9. 6 0-53 4. 19 0-83 16. 1 0-9 4. 8 0-45 3. 20 0-76 28. 28 0-97 1. 12 0-57 3. 4 8. 16 0-64 21. 1 0-14 195 Gr. 1 0-10 7. 1 0-3 1. 30 0-93 32. 10 0-55 1. 33 0-99 25. 1 0-7 5. 13 0-57 0. 17 0-69 13. 1 0-4 3. 7 0-42 14. 14 0-50 13. 6 0-41 89. 1 0-8 4. 6 0-35 1. 1 0-9 105 Gr. 18 0-93 28. 15 0-55 12. 5 0-34 12. 16 1-78 13. 8 0-24) 0. 19 0-80 1. 22 0-89 55. 3 5. 15 0-70 23. 2 0-16 2. 23 4-100 12. 10 0-52 6. 3 0-21 23. 2 0-14 3. 1 0-6 4. 20 0-79 45. 23 16-100 8. 24 0-86 8. 0 0-2 101 Gr. 21 0-83 30. 26 0-87 32. 3 0-21 20. 1 0-7 49 Gr. 17 7-100 9. 17 0-75 17. 3 0-18 1. 8 0-36 11. 4 0-30 8. 7 0-48 0. 1 0-8 5. 12 0-56 1. 21 0-77 15. 5 4. 3 0-25 1. 9 0-44 0. 9 0-34 24. . 18 0-77 1. 13 0-65 13. 29 0-93 1. 7 0-39 78. 9 0-49 58. 12 0-43 6. 4 0-22 14. 21 0-78 42. 19 0-76 22. 12 0-65 29. 9 0-32 0. 13 0-52 10. 10 0-53 79. 4 0-17 78. 6 0-31 5. 12 0-62 11. 20 1-86 10. 21 1-81 7. 13 0-49 1. 10 0-40 2. 7 0-36 26. 12 0-48 12.97 Quadro V. 21 1-94 2. 4 0-16 13. 7 0-36 12. Para cada variável indica-se a média. 11 0-47 2. 12 0-49 6. 20 0-79 19. 9 0-45 2. A fracção silto-argilosa constitui. O grupo 6 corresponde a areias finas e muito finas. 8 0-45 1. 10 0-56 0. 6 0-28 7. 15 0-71 19. 24 0-85 6. em média. 22 0-86 27. 9 0-36 21. 18 31-99 13. 14 0-78 3. 13 0-65 49. 2 2. 7 0-40 5. 4 0-22 7. 1 0-6 2. 7 6. 8 0-40 6. 25 0-93 8. O cascalho é dominado pela componente biogénica. 9 0-39 7. 10 0-48 71. 2 0-10 1. 1 0-4 153 Gr. 14 0-62 1. 4 0-32 31. 5 0-23 2. 15 15-100 6. 5 0-42 2. 7 0-39 83. cuja componente bioclástica é dominada por clastos de moluscos e que apresenta ainda um elevado conteúdo de outros terrígenos (além do quartzo e das micas). 8 0-45 6. 16 1-77 24. 19 0-74 3. 4 0-26 3. 20 0-80 28. 7 0-49 3. 17 0-70 2. 21 0-81 16. 7 0-42 34. 12 0-55 3. 4 0-17 18. 1 0-4 83 Gr. 15 0-70 13. 6 2. 1 0-7 2.

Os diâmetros inferiores a 1 Ø correspondem. É neste grupo que se registam as mais elevadas percentagens de glaucónia. Os conteúdos em cascalho e em materiais silto-argilos são. chegando a representar mais de 50% do sedimento. % TERRÍGENOS % BIOGÉNICOS 75 80 60 50 40 25 20 0 0 1 2 3 4 5 6 7 1 8 2 3 % QUARTZO 4 5 6 7 8 6 7 8 7 8 % MOLUSCOS 75 45 50 30 25 15 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 % MICAS 3 4 5 % FORAMINÍFEROS 16 40 12 30 8 20 4 10 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 3 4 6 7 8 5 6 % GLAUCÓNIA 8 6 4 2 0 1 2 3 4 5 GRUPOS Figura V. . por vezes.98 Os sedimentos incluídos no grupo 7 corresponden a areias mal calibradas. elevados. em média. tal como a areia. O grupo 8 representa areias cascalhentas e cascalhos arenosos. As partículas de quartzo constituem a classe composicional mais abundante na areia. O cascalho é dominado por partículas de origem biogénica. O cascalho é predominantemente terrígeno.2 – Composição da areia dos grupos de amostras afins. a cerca de 80% do sedimento.

o grupo 1 ocorre na plataforma externa e bordo da plaforma. As suas características indicam deficiência no abastecimento de materiais de dimensão inferior a 1 Ø. embora os conteúdos em micas e em materiais silto-argilosos sejam significativamente mais elevados. a distribuição deste grupo parece encontrar-se relacionada com afloramentos rochosos presentes na plataforma externa. Actualmente. O grupo 4 representa sedimentos granulometricamente mistos. que parece ser de cerca de 2 Ø (Bagnold.99 3. este grupo encontra-se bem representado em toda a plataforma algarvia. Pelo contrário. nos deltas de vazante dos rios depositam-se partículas grosseiras. os estuários e os deltas de vazante do rios funcionam como filtros à passagem de materiais. O grupo 6. o material existente nestes sedimentos corresponde provavelmente apenas a fracção depositada transitoriamente. Na plataforma continental aberta ao Atlântico. Os sedimentos incluídos nos grupos 1. Embora estejam possivelmente relacionados com um bom abastecimento silto-argiloso proveniente das desembocaduras dos rios. a glaucónia presente nestes sedimentos pode encontrar-se em acumulação actual. o que permite pressupôr taxas de acumulação pequenas ou mesmo negativas (Müller. que representa areia fina (2 Ø a 3 Ø) denuncia importante abastecimento em partículas terrígenas. o grupo 5 na plataforma média e na externa. sendo proveniente de outros depósitos. em especial no sector ocidental.3) sugere controlo batimétrico na plataforma e aponta para algumas diferenças significativas nos sectores considerados. 1967) e que a maioria destes sedimentos são do tipo relíquia. Efectivamente. . 1966). 2 e 3 são os mais glauconíticos de todos. Efectivamente. os grupos 2 e 3 na vertente continental superior. O facto deste grupo apresentar elevados conteúdos em micas e em "outros terrígenos" (além do quartzo e micas) tende a confirmar a hipótese anterior e a modernidade destes sedimentos. Provavelmente encontram-se em equilíbrio dinâmico. Este grupo encontra-se quase exclusivamente representado a norte de Espinho e no Algarve. os grupos 6 e 7 na plataforma interna e na média e o grupo 8 na plataforma média. acabando a parte que é remobilizada e transportada para maiores profundidades por ser depositada em meio cuja energia seja consentânea com as características hidrodinâmicas das partículas destes sedimentos. A pequena quantidade de materiais finos (<63 µm) pode ser explicada pela energia do meio onde os sedimentos deste grupo se encontram. V. Distribuição espacial A aparente simplicidade do padrão de distribuição destes grupos de amostras (fig.3. possivelmente maiores que a dimensão correspondente ao limiar efectivo de entrada em suspensäo. o que está provavelmente de acordo com o tipo de materiais detríticos presentemente debitados pelos rios. com quantidades apreciáveis de cascalho e de finos e em que nenhuma das fracções texturais da areia predomina de modo evidente sobre as outras. Os sedimentos do grupo 5 apresentam algumas analogias com os anteriores. Todavia.

Vic ent e 40º 30' 0.00 40000.00 30000.00 020000.00 80000.00 7º 40' 200000.00 40000. 2 . N.00 20000.00 6 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 60000. Setú 100 50 150 100 100 1 Viana 1 38º 00' 41º 30' Sines C.00 140000.00 20km ão t im or 160000.00 0 40000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.150 50 bal C. Milfontes Porto 8 Cabo Sardão 37º 30' C.00 240000.00 20km 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000. 0.00 4 0.00 010000.00 Rocha Grupo 3 Grupo 6 Grupo 1 Grupo 4 Grupo 7 Grupo 2 Grupo 5 Grupo 8 Figura V. Porto 1 V.00 9º 50' 000.00 60000. S.00 80000.00 8º 48' P C.3 – Distribuição dos grupos de amostras afins.00 20000.00 100000.00 20km Cabo Mondego 105000.

tendo expressão nuito reduzida na plataforma algarvia. Todavia. as classes texturais presentes na plataforma norte são areia siltosa (sobretudo na plataforma média setentrional e na vertente continental superior). silte arenoso (em zonas restritas da plataforma interna e média). Este facto atesta o caractér energético dos sectores abertos ao Atlântico e a menor energia da plataforma virada para o golfo de Cádis. possivelmente temporária. ao contrário do que sucede na plataforma sudoeste. Os sedimentos do grupo 8 presentes na plataforma algarvia poderão estar associados com a erosão passada e actual de formações mio-pliocénicas pouco consolidadas que. A vertente continental superior dos sectores norte e sudoeste é igualmente dominada pelo tipo textural areia. entre outros aspectos. A distribuição dos sedimentos do grupo 5 na plataforma continental algarvia encontra-se possivelmente relacionada com a acção conjugada de diversos processos que serão referidos quando se analisar a distribuição da fracção silto-argilosa. com o abastecimento fluvial e os nível energéticos de cada um. revela que a classe textural dominante é a areia (fig. silte (na região setentrional da plataforma . denunciando menores níveis energéticos e dinâmica sedimentar bastante diferente. relacionados com a descarga dos rios que afluem a esta plataforma. Tipos de sedimentos A distribuição dos tipos de sedimentos. Constata-se a existência de um acentuado contraste com as outras regiões. de quantidades apreciáveis de micas e de material silto-argiloso proveniente das desembocaduras dos rios. Para além da areia. em que predominam os sedimentos lodosos (Bouma. que é deficitária neste tipo de materiais. e que formam arribas activas a oriente dos Olhos de Água. os sedimentos do grupo 5 encontram-se provavelmente. e eventualmente sazonal. apesar de serem muito silto-argilosas. apresentam frequentemente elevados conteúdos em materiais grosseiros (areia e cascalho). Características texturais 4. 4. Os sedimentos terrígenos do grupo 8 ocupam uma área significativa no sector norte e apresentam pequena expressão na plataforma sudoeste. Este grupo encontra-se quase exclusivamente representado nos sectores virados a oeste. V. de acordo com o esquema classificativo proposto por Shepard (1954). Este tipo de distribuição confirma o bom abastecimento em terrígenos do sector norte.1. Tal facto parece indicar que estas regiões são mais energéticas do que a generalidade das vertentes mundiais. A maior ou menor diversidade textural dos sectores estudados encontra-se relacionada. 1979). ao contrário do que sucede geralmente a nível mundial. A sua adjacência aos sedimentos do grupo 6 indica que a energia do meio onde se encontram é já compatível com a deposição.4).101 A norte do paralelo de Espinho. todas as restantes classes (com excepção da argila e da argila arenosa) se encontram representadas.

00 40000.00 Rocha Silte Areia+ Cascalho Figura V.00 20km S. Porto V.00 40000. 0. Setú 50 150 100 102 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.00 80000.00 60000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 8º 48' C 0. 4 – Distribuição dos tipos texturais dos sedimentos.00 105000.00 20000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 Sa gr es 37º 10' Faro 100 150 36º 45' 120000. .00 7º 40' 200000. segundo a classificação de Shepard (1954). Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 0 40000. N.150 50 100 bal C.00 Argila 240000.00 60000.00 80000.00 010000.00 020000.00 9º 50' 000. Vic ent e 40º 30' C.00 140000.00 20km ão m rti o .P 160000.00 30000.00 20000. Aveiro Ponta da Arrifana Aveiro 0.00 100000.

A distribuição dos tipos texturais neste sector denuncia menores níveis energéticos e dinâmica sedimentar bastante diferente dos restantes. A sul de 41ºN. assim como níveis energéticos compatíveis com a sua deposição. as quais são.2. sendo. é a plataforma algarvia que apresenta maior diversidade textural. dominada por areia. à profundidade aproximada de 100 m. e na vertente continental superior). silte arenoso (na plataforma média). No entanto. esta classe ocorre com bastante frequência a norte do paralelo 41ºN. Ocorrem ainda areia siltosa (principalmente na plataforma média e externa). A plataforma sudoeste é o sector que apresenta menor diversidade de tipos texturais.5) parece relcionar-se com as paleo-desembocaduras dos rios mais importantes. areia-silte-argila (pontualmente na vertente continental superior) e silte argiloso (em áreas restritas nas imediações de afloramentos rochosos. praticamente inexistente a sul do mesmo. silte argiloso (que se distribui essencialmente desde a plataforma média à vertente continental superior). com os respectivos deltas de vazante e com paleolitorais. e na vertente continental superior). Distribuição do cascalho A distribuição do cascalho (fig. Os outros tipos detectados são areia siltosa (na plataforma média. . Em relação com as desembocaduras dos rios Arade e Guadiana ocorrem manchas de silte argiloso que correspondem.103 média). 4. em relação aparente com afloramentos rochosos. provavelmente. silte (numa área restrita da plataforma média). É bastante evidente a existência de um contraste latitudinal na distribuição da areia siltosa. silte arenoso (na região central da vertente continental superior). aos prodeltas destes rios. sobretudo na plataforma interna e na plataforma média e externa ocidentais. por vezes. Dos sectores estudados. areia-silte-argila e silte argiloso (os dois últimos nas proximidades do canhão de S. Vicente). tal como a anterior. Efectivamente. areia-silte-argila (frequente desde a plataforma média à vertente superior) e argila siltosa (na plataforma média oriental). sendo. a ausência desta classe textural na plataforma adjacente ao Vouga parece reflectir a menor densidade da rede hidrográfica e o funcionamento da laguna como retentor de partículas finas. V. os quais foram identificados por Moita (1986). Verifica-se tendência geral para esta fracção ocorrer em duas faixas grosseiramente paralelas à costa. pelo contrário. é mais uma vez o tipo textural areia que se encontra mais bem representado. O desenvolvimento apresentado pelos depósitos silto-argilosos que ocorrem nas imediações das cabeceiras do canhão submarino do Porto e na plaforma média ao largo do rio Minho sugere fornecimento abundante em materiais deste tipo. A desigual distribuição latitudinal da areia siltosa na plataforma média encontra-se certamente relacionada com as desembocaduras dos rios que drenam para este sector. bastante mal definidas.

104
Na plataforma norte, esta fracção distribui-se segundo o padrão já detectado por Dias et
al. (1980/81), verificando-se tendência geral para a mesma se dispôr em duas bandas
grosseiramente paralelas à costa: uma, mais larga e mais bem definida, onde o cascalho é
frequentemente abundante ou mesmo dominante (correspondendo, por vezes, a mais de 80%
da totalidade da amostra), ocorre, no geral, entre os 30 e os 90 m de profundidade; outra, mais
mal definida, onde o cascalho raramente atinge atinge percentagens superiores a 25% da
amostra, localiza-se na plataforma externa. Na vertente continental superior aparece,
ocasionalmente, em quantidades significativas.
Na plataforma externa a norte do paralelo 41º N, esta fracção ocorre em ligação aparente
com os afloramentos rochosos aí existentes. A área enriquecida em cascalho que ocorre na
vizinhança do Beiral de Viana poderá corresponder a um delta de vazante de um importante
curso de água, que constituía, segundo Rodrigues & Dias (1989), local de confluência dos
paleo-rios Minho, Ave, Lima, Cávado e Âncora até há cerca de 16 ka.
A desigual abundância de cascalho na plataforma externa adjacente aos canhões
submarinos do Porto e de Aveiro reflecte provavelmente as diferentes litologias existentes
nestas regiões.
Na plataforma sudoeste, esta fracção encontra-se sobretudo representada a norte de Sines
e nas proximidades das cabeceiras do canhão submarino de S. Vicente, onde corresponde
frequentemente a 5 a 20% do sedimento. A norte de Sines, o cascalho dispõe-se em duas
bandas grosseiramente paralelas à costa: uma, mais larga e que se estende desde a plataforma
interna até à profundidade aproximada de 100 m; outra, que se distribui por uma área mais
restrita, localiza-se na proximidade do bordo da plataforma. É, por vezes, abundante nas
proximidades dos afloramentos rochosos, chegando a representar cerca de 25% da totalidade do
sedimento. Na vertente continental superior meridional aparece, ocasionalmente, em
quantidades significativas.
Na região setentrional da plataforma sudoeste, a sua distribuição parece relacionar-se
com paleolitorais, já anteriormente detectados por Quevauviller & Moita (1986). Ao largo do
Mira, a distribuição do cascalho permite deduzir a existência, já sugerida por Dias (1987) e
Pereira (1991), de possíveis deltas de vazante deste rio. O enriquecimento em cascalho nas
proximidades do canhão de S. Vicente encontra-se possivelmente relacionado com os
afloramentos rochosos aí existentes.
O padrão de distribuição do cascalho na plataforma algarvia é substancialmente diferente
do detectado nos outros sectores. Efectivamente, esta fracção encontra-se sistematicamente
representada na generalidade da plataforma, embora seja mais abundante a profundidades
inferiores a 50 m e ocorra, por vezes, em quantidades vestigiais. O cascalho existente na
plataforma interna encontra-se provavelmente relacionado com depósitos grosseiros
acastanhados ou avermelhados que ocorrem de forma generalizada em toda a orla algarvia.
Estes depósitos, que têm sido considerados plio-plistocénicos, apresentam

50

150

100

bal
C. Setú

50

150

100

105

Viana

38º 00'

Sines

41º 30'

C. Porto

V. N.
Milfontes

Porto

Cabo Sardão

37º 30'

C. Aveiro

Aveiro

Ponta da
Arrifana

ent
e

40º 30'

Vic

0.00
20000.00
30000.00
40000.00
010000.00
20km

C.
S.

0.00
20000.00
60000.00
80000.00
0 40000.00
20km
Cabo Mondego
8º 40'

9º 15'

8º 50'

155000.00

100000.00

140000.00

9º 50'

000.00

105000.00

Guadiana
Portimão

Lagos

50

re
s

37º 10'

Sa
g

Faro
100
150

36º 45'

120000.00

8º 48'

C.

0.00
40000.00
60000.00
80000.00
020000.00
20km

ão
m
rti
o
P

160000.00
Rocha

5 % a 25 %

Figura V.5 – Distribuição da fracção cascalho.

7º 40'

200000.00

240000.00

<1%

1%a5%

25 % a 50 %

> 50 %

106
significativa fracção argilosa, evoluindo para crostas ferruginosas carregadas de pisólitos
arredondados (Oliveira, 1984).

4.3. Distribuição da areia
A cobertura sedimentar dos sectores estudados é predominantemente constituída por areia
(fig. V.6). A área onde esta fracção corresponde a mais de 80% da totalidade do sedimento
ocupa uma grande extensão.
As áreas em que esta fracção é deficitária nos sedimentos da plataforma norte coincidem,
como seria de esperar, com os depósitos lodosos da plataforma média e externa e com
sedimentos ricos em cascalho existentes na plataforma média e na plataforma externa.
A distribuição desta fracção na plataforma sudoeste é mais homogénea que nas restantes,
em relação com a menor diversidade textural dos sedimentos deste sector. As áreas nas quais a
fracção areia é menos abundante localizam-se, essencialmente, na vertente continental superior.
A plataforma algarvia é o sector no qual é maior a área em que predominam as outras
fracções dos sedimentos. Tal facto deve-se, essencialmente, ao conteúdo destes sedimentos em
siltes e argilas.

4.4. Distribuição da fracção fina (silte+argila)
É evidente a ligação entre algumas zonas silto-argilosas e as desembocaduras dos rios, com
especial acuidade para os rios que afluem à região a norte de Espinho e à plataforma algarvia
(fig. V.7). A presença de sedimentos silto-argilosos na plataforma adjacente a rios importantes
é vulgar quando o fornecimento e concentração de partículas finas supera a tendência natural
para a sua remoção e dispersão (Friedman & Sanders, 1978).
A cobertura sedimentar dos sectores estudados caracteriza-se, de modo geral, pela
ocorrência de sedimentos que se vão tornando progressivamente mais ricos em silte e argila a
maiores profundidades.
O aumento percentual da fracção silto-argilosa que, de maneira geral, se verifica abaixo
dos 80-100 m de profundidade encontra-se certamente relacionado com a diminuição dos níveis
energéticos actuantes junto ao fundo. O bordo da plataforma e a vertente continental superior
de muitas regiões são zonas de sedimentação activa (Southard & Stanley, 1976). Contudo, a
estabilidade de tais depósitos poderá ser apenas temporária. De facto, as condições específicas
do bordo da plataforma (entre outras, ondas de Kelvin, ondas internas, correntes de "upwelling"
e vórtices oceânicos), cujas consequências podem ser amplificadas pela intensidade das
correntes de maré, podem provocar a ressuspensão destes materiais, facilitando o seu transporte
para a vertente continental e para a planície abissal ou deslocando-os novamente para a
plataforma externa. As diminutas percentagens registadas em determinados locais da vertente
continental superior encontram-se possivelmente relacionadas com a eventual existência de
zonas de turbulência, que geram correntes susceptíveis de manter os sedimentos

150

50

100

bal
C. Setú

50

150

100

107

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160000.00
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50 % a 80 %

Figura V.6 – Distribuição da fracção areia.

0.00
40000.00
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80000.00
020000.00
20km
7º 40'

200000.00
< 20 %

> 80 %

240000.00
20 % a 50 %

108
em suspensão e/ou promover a sua frequente ressuspensão.
A “mud line” (para além da qual não ocorre um aumento significativo no conteúdo na
fracção lodosa) definida por Stanley & Wear (1978) deverá localizar-se a cerca de 500 m de
profundidade nos sectores norte (Magalhães, 1993) e sudoeste, e a menores profundidades na
plataforma algarvia. Este contraste batimétrico na localização da “mud line” relaciona-se com
diferentes níveis energéticos e de fornecimento sedimentar (Stanley et al., 1983).
A distribuição da fracção fina reflecte, em larga medida, a do silte, pois que os valores do
silte são, por via de regra, bastante mais elevados que os da argila. A carência em partículas das
dimensões granulométricas da argila permite concluir que o abastecimento da plataforma em
argila é inferior ao fornecimento de silte e/ou que os níveis energéticos junto ao fundo
possibilitam a deposição de silte mas inibem a deposição generalizada da fracção argilosa.
De uma maneira geral, a fracção silto-argilosa não é abundante na plataforma norte. A
percentagem média de silte nos sedimentos é 10%, enquanto que a de argila é de 3%. A
plataforma média a norte do paralelo 41º N e a vertente continental superior são as zonas mais
ricas em materiais finos.
O padrão de distribuição desta fracção caracteriza-se pela existência de contraste
latitudinal evidente. A norte do paralelo 41º N, esta fraccão encontra-se presente na plataforma
interna e média, não existindo indícios evidentes de controlo batimétrico. Para sul desta
latitude, esta fracção apresenta tendência para se encontrar ausente ou ocorrer em quantidades
vestigiais acima dos 80 m de profundidade. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado
com a densidade e importância dos principais rios a norte (Minho, Lima, Douro, Cávado, Ave e
Douro) e a sul do referido paralelo (Vouga e Mondego).
A norte do paralelo de Espinho, as percentagens de silte e de argila na plataforma interna
são superiores às indicadas por Dias (1987) para a totalidade da plataforma portuguesa a norte
do canhão da Nazaré, invertendo-se esta situação na plataforma externa, o que traduz a elevada
energia dos processos oceanográficos nesta região e o bom abastecimento fluvial.
A sul do paralelo 41ºN, a ausência ou escassez de finos na plataforma interna adjacente a
Aveiro reflecte a eficiência da laguna como retentora de sedimentos, e a acção dos processos de
distribuição.
É de ressaltar a existência de duas zonas particularmente ricas em sedimentos finos
(silte+argila), anteriormente detectadas na distribuição dos tipos texturais: frente à foz do rio
Minho, a profundidades ligeiramente superiores a 100 m, e nas proximidades das cabeceiras
do canhão submarino do Porto. Em ambas as zonas as percentagens de silte e argila excedem
frequentemente o valor de 90%, com especial incidência no depósito meridional.
Na plataforma sudoeste, esta fracção corresponde, geralmente, a menos de 25% dos
sedimentos. O conteúdo em finos apenas é superior a este valor na vertente continental superior
setentrional, ao largo de Odeceixe e nas imediações do canhão de S. Vicente.
Embora o impacte das correntes ligadas à Veia de Água Mediterrânea seja especialmente

150

50

bal
C. Setú

100

50

150

100

109

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Milfontes

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Arrifana

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20km

Cabo Mondego
9º 15'

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5 % a 10 %

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10 % a 25 %

25 % a 50 %

> 50 %

Figura V.7 – Distribuição da fracção silto-argilosa.

continuidade espacial tão bem definida como nas zonas anteriores. os quais foram anteriormente detectados por Moita (1986).1. erosão de arribas mal consolidadas com elevados conteúdos silto-argilosos. A presença de elevadas percentagens deste tipo de materiais encontra-se possivelmente relacionada com a acção conjugada de diversos processos. que poderão promover a erosão de material silto-argiloso. respectivamente. em geral. 17% e 13%. remobilização de siltes e argilas depositados no último período glaciário. contudo. Média granulométrica dos sedimentos A fracção 2-3 Ø constitui o "fundo" do qual sobressaem manchas mais grosseiras (mais frequentes) e mais finas. as variações no conteúdos em finos que se detectam na vertente continental superior reflectem possivelmente. Características granulométricas 5. encontrandose a argila presente em quantidades diminutas. 5.. A maiores profundidades existem outras áreas em que os sedimentos apresentam também médias grosseiras. entre outros factores. A plataforma algarvia é o sector que apresenta conteúdos em silte e argila mais elevados. até cerca dos 80-100 m de profundidade. 1985b). parecendo evidente a associação entre depósitos siltoargilosos e o canhão de Portimão. esta fracção é dominada por silte. 7% e 2%. coincidentes com áreas ricas em cascalho. É possível detectar manchas enriquecidas em materiais silto-argilosos em relação com os prodeltas dos rios Arade e Guadiana. embora ocasional. provavelmente. Na vertente continental superior. ressuspensão e transporte devido a fenómenos de "upwelling" (que.110 importante a profundidades compreendidas entre os 500 m e os 1 200 m (Âmbar. V. importação de materiais lodosos da margem oeste que aqui se podem depositar devido a perda de energia tranportadora. Também neste troço da plataforma. em parte. entre os quais se destacam: exportação de materiais pelo Guadiana e rios localizados mais a oriente. . Na região meridional. As zonas caracterizadas por médias inferiores a 2 Ø localizam-se. Faugères et al. se manifesta pela penetração de uma cunha de água fria proveniente do sector sudoeste). detectadas anteriormente nos mapas de distribuição das fracções texturais (fig. Vicente. Estas elevadas percentagens reflectem ainda. a acção destas correntes. 1982. as variações no conteúdo em finos poderão reflectir a acção da Veia de Água Mediterrânea. respectivamente. a acção destas correntes é certamente amplificada pela de correntes ascencionais e descensionais no canhão de S.8) As manchas mais grosseiras são. não evidenciando. a constituição geológica das bacias hidrográficas dos cursos de água que afluem ao litoral. Os teores médios de silte e de argila são. Os teores médios destas fracções texturais são.

00 010000. .00 80000.00 30000.00 7º 40' 200000.00 0 40000.00 40000.00 020000.00 Rocha < -1  -1  a 0  0 a 1 1 a 2 2 a 3 3 a 4 > 4 Figura V. Porto V. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 60000.00 80000.150 50 bal C. N.00 8º 48' C. S.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 20000.00 240000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C. Vic ent e 40º 30' 0. 0.00 60000.00 140000.8 – Distribuição da média granulométrica dos sedimentos.00 20km ão m rti o P 160000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 20000.00 100000. Setú 100 50 150 100 111 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 9º 50' 000.00 20km 0.00 105000.00 40000.

a única presente. em grande parte. que representa a distribuição da média granulométrica da areia. devido a diferentes condições de agitação marítima e de fornecimento fluvial. 5. quase exclusivamente.3. Provavelmente. a áreas enriquecidas em siltes e argilas. correspondem. Na mancha externa. certamente. grosseiras (0 a 1 Ø) e muito grosseiras (-1 a 0 Ø) coincidem com zonas ricas em cascalho. Granulometria da areia 5. a fracção 1 a -2 Ø é. estando provavelmente relacionadas com paleolitorais e/ou com os deltas de vazante dos principais rios que afluem ao litoral. As manchas de areia fina (2 a 3 Ø) e muito fina (3 a 4 Ø) são geralmente coincidentes com áreas enriquecidas em finos. bem como com a influência da deriva litoral. frequentemente. mais profunda e mal definida. As manchas localizadas no bordo da plataforma encontram-se possivelmente relacionadas.2. como se constata analisando a fig. ao prisma litoral . que correspondem.112 As manchas mais finas. parece existir tendência para que o cascalho seja tanto mais grosseiro quanto mais abundante ele é na amostra. V. possivelmente relacionadas com os deltas de vazante associados aos rios principais. os diâmetros granulométricos correspondentes estão provavelmente de acordo com os produtos debitados pelos rios e/ou com a maior parte da contribuição bioclástica da plataforma (exoesqueletos de microfauna) Este parâmetro corrobora. as manchas de areias médias (1 a 2 Ø).3. na dependência da desembocadura dos rios. com condições específicas da dinâmica sedimentar prevalecentes nesta área. pelo contrário. pelo menos em grande parte. Próximo do litoral ocorrem areias finas e.9. A média granulométrica do cascalho reflecte geralmente a abundância desta fracção textural no sedimento. Encontram-se geralmente expressas por médias que contrastam com os valores das que as circundam e apresentam disposição grosseiramente paralela à costa. Na região média e na externa da plataforma norte ocorrem manchas de areias médias a muito grosseiras. a forma destes deltas de vazante é possivelmente diferente consoante as estações do ano. areias médias e grosseiras. 5. A mancha menos profunda é caracterizado por diâmetros compreendidos entre -1 e 1 Ø. Em parte. A plataforma interna adjacente a Aveiro é dominada por areias finas. De um modo geral. Granulometria do cascalho Quando o cascalho é pouco abundante (inferior a 10%) nas amostras estudadas. as ilações anteriormente expendidas. Efectivamente. Média O tipo de areia dominante nos sectores estudados é a areia fina. os valores da média variam entre 0 e 2 Ø.1.

1998). Os depósitos grosseiros da zona setentrional correspondem aos que foram identificados por Quevauviller & Moita (1986) a norte de Sines. Ao largo do Mira. ao delta de vazante da barra de Aveiro. Calibragem No seu conjunto. 1994). Encontram-se ainda possivelmente relacionadas com os principais cursos de água existentes na região. sugerindo que os diâmetros entre 3 e 4 Ø se encontram provavelmente relacionados com o acarreio de materiais destas dimensões actualmente provenientes dos rios. e também com a remobilização provocada pela ondulação mais frequente. V. Nestas circunstâncias. A acção conjugada da Veia de Água Mediterrânea e de correntes ascencionais e descensionais no canhão pode inibir a deposição de material fino. pela obliteração da referida faixa. Vicente detectam-se areias médias e grosseiras. em parte.2.5 e 1) e mal calibradas (valores superiores a 1) são predominantes na cobertura sedimentar dos sectores estudados (fig. Esta faixa de areia grosseira existente na plataforma média é interrompida por areias médias frente ao cabo de Sta. nesta zona. Os sedimentos da plataforma norte são de modo geral. Detectam-se ainda algumas manchas de areias médias e grosseiras. que se podem atribuir à presença de sedimentos que testemunham um antigo ambiente de sedimentação e que não teriam sido cobertos por sedimentos posteriores. o que. bem como com a sua importação a partir da plataforma galega (o que é corroborado pela informação cartográfica expressa em Garcia et al. no geral. A menor largura da plataforma nesta zona provoca provavelmente uma mais facil remobilização e uma consequente maior mistura de partículas. mais recente. Nas proximidades das cabeceiras do canhão de S. Maria. e possivelmente promover a erosão de material silto-argiloso (Cascalho et al. 5.. 1986).3. também. os depósitos grosseiros poderão estar relacionados com dois possíveis paleolitorais.10). se encontra relacionado com o clima de agitação marítima aqui prevalecente. as areias moderadamente calibradas (valores de desvio padrão entre 0. Foram detectadas areias grosseiras a oriente de Lagos. . não ultrapassam os 50 m. Na plataforma sudoeste predomina a areia fina. melhor calibrados do que os dos restantes sectores. a profundidades que.. A plataforma agarvia é dominada por areias médias e finas.113 constituído por areias da deriva litoral e da erosão das dunas e. o afluxo de areias médias provenientes do do sistema de ilhas-barreira seria responsável. As areias médias e grosseiras presentes na região central da plataforma média indicam provavelmente um paleolitoral existente a profundidades semelhantes às do que foi detectado a 50-60 m na área Tróia-Sines (Quevauviller & Moita. cuja existência foi sugerida por Dias (1987) e Pereira (1991). Existe um nítido contraste latitudinal na distribuição das areias muito finas na plataforma média e externa.

150 50 bal C.00 140000.00 020000.00 60000.00 80000.00 9º 50' 000. .00 100000.9 – Distribuição da média da areia. Setú 100 50 150 100 114 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. S.00 20000.00 20km 0. Porto V.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 20000.00 240000.00 Rocha -1  a 0  0 a 1 1 a 2 2 a 3 3 a 4 Figura V.00 8º 48' P C.00 20km ão t im or 160000. 0.00 40000.00 60000.00 0 40000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 40000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 105000.00 010000.00 7º 40' 200000. Vic en te 40º 30' 0.00 30000.00 80000. N.

00 105000. Porto V. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 40000.00 < 0.00 020000.00 20000.00 20km ão m rti o P 160000. S.00 0.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 30000.00 9º 50' 000.00 60000.00 8º 48' C.00 20000.00 0 40000. 240000.00 40000.5 >1 Figura V.00 Rocha 7º 40' 200000.00 80000.00 140000. Setú 100 50 150 100 115 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. 0.00 100000.00 010000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000. Vic en te 40º 30' 0.150 50 bal C. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. N.10 – Distribuição da calibragem da areia.5 a 1 .00 20km 0.00 80000.00 60000.

e a 50 m na plataforma algarvia. De acordo com Seibold (1963) e Dias (1987). Detectam-se também sedimentos com valores de calibragem relativa muito baixos (inferiores à unidade). preferencialmente. de acordo com este parâmetro.3. É o caso.3. da distribuição das areias mal calibradas (calibragem relativa superior a 4). a distribuição dos valores de calibragem da areia parece reflectir a descarga dos rios que afluem a esta região. 5. algumas explanações efectuadas na discussão da distribuição regional da calibragem são aqui aplicáveis. De facto. em relação com a apetência calibradora induzida pelo elevado nível energético do meio. A sul deste paralelo. verifica-se tendência para este tipo de areias se encontrar ausente da plataforma interna e para que a zona litoral apresente sedimentos bem calibrados. Esta deficiente calibragem aponta para com níveis energéticos baixos. Na plataforma sudoeste predominam as areias medianamente a mal calibradas. preferencialmente. e/ou com sedimentação activa do tipo misto (terrígena e biogénica) e/ou proveniências distintas do material sedimentar em deposição 1. V. A área central deste sector apresenta uma maior homogeneidade na distribuição deste parâmetro do que as restantes. o que se pode relacionar com níveis energéticos inferiores aos dos outros sectores estudados. bordo da plataforma e vertente continental superior adjacentes ao canhão de Aveiro. A norte do paralelo 41ºN. insuficientes para calibrar o tipo de areias que aí se encontram. este parâmetro é fortemente influenciado pelos elevados conteúdos de forminíferos existentes na fracção arenosa (ver fig. se podem classificar como bem calibradas (valores inferiores a 2). na plataforma externa. que se localizam. na plataforma externa. por exemplo.11. a profundidades superiores a 100 m nas plataformas norte e sudoeste. Existe um contraste latitudinal evidente na distribuição deste parâmetro granulométrico. V. apresentando a distribuição das areias mal calibradas um carácter ubíquo. Calibragem relativa A distribuição regional dos valores da calibragem relativa encontra-se expressa no mapa da fig. O aspecto geral é substancialmente diferente do mapa respeitante à calibragem calculada com base no desvio padrão. A inexistência de um bordo da plataforma nítido nesta área contribui possivelmente para uma maior eficácia na actuação dos processos de distribuição como agentes responsáveis pela mistura dos materiais sedimentados. Todavia. é significativamente superior a área coberta por areias que.116 As areias mal calibradas localizam-se.27) . bordo da plataforma e vertente continental superior. um dos casos em que este 1 É de salientar que. A areia da cobertura sedimentar da plataforma algarvia apresenta calibragem moderada e má.

00 0 40000.00 20km ão t im or 160000. 0.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 <1 >4 Figura V.00 80000.00 40000.00 20000.00 020000.150 50 100 bal C.00 40000. S.00 20000.00 105000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 80000.11 – Distribuição da calibragem relativa da areia.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 100000.00 140000. Vic en te 40º 30' 0.00 9º 50' 000. N.00 30000.00 8º 48' P C. Porto V.00 20km 0. 240000. Setú 50 150 100 117 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 60000.00 010000.00 Rocha 2a4 7º 40' 200000.00 60000.00 1a2 .

entre outros factores. A deposição. tal facto poderá traduzir: introdução de materiais deste tipo. provocado pelas condições oceanográficas. provenientes dos rios e da erosão litoral. mais profundos e mais grosseiros. Este parâmetro revela enriquecimento em partículas mais finas (>0) principalmente na plataforma média. conjuntamente com os processos atrás referidos. neste local. O contraste entre a assimetria positiva junto ao bordo meridional e a assimetria negativa junto ao bordo setentrional pode encontrar-se relacionado. V. possivelmente. transporte de partículas a partir de depósitos adjacentes. derivando tal facto da remobilização do sedimento e remoção das fracções mais finas. junto ao litoral. explica satisfatoriamente os valores positivos de assimetria. Assimetria O padrão de distribuição da assimetria da areia encontra-se representado na fig. nestas zonas. cuja fracção arenosa é constuída por areias médias e grosseiras. mais grosseiras. A dinâmica sedimentar actuante no bordo da plataforma e na vertente continental induz. O enriquecimento em partículas finas que se detecta na adjacência ao canhão de Aveiro apresenta um maior desenvolvimento junto ao bordo meridional desta entidade morfológica. originará a ocorrência. Na plataforma externa esta assimetria poderá ser explicada pela integração de partículas de origem biogénica. 5. responsável por esta assimetria. provenientes dos rios ou dos depósitos litorais.12. com a disposição geral da batimetria. Este parâmetro revela enriquecimento em partículas mais finas a sul do paralelo de Espinho. parecendo a assimetria positiva da areia resultar da redeposição de partículas mais finas provenientes da região setentrional. na plataforma externa e no bordo da plataforma as areias são enriquecidas em partículas mais grosseiras (<0).3. Junto ao litoral. o que. A maior quantidade de partículas mais finas. Na plataforma sudoeste. pela ondulação.118 coeficiente apresenta valores inferiores a um é o dos sedimentos residuais.4. extracção preferencial. Existe um contraste latitudinal na distribuição da assimetria da areia. com a maior largura da plataforma e/ou com a litologia dos afloramentos rochosos existentes nesta região. poderá derivar da deposição de materiais transportados de maiores profundidades devido a correntes ascensionais e/ou a deposição dos materiais remobilizados no bordo da plataforma. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com a maior eficácia dos mecanismos anteriormente referidos. a assimetria revela enriquecimento em partículas mais finas principalmente na plataforma média e externa a norte do paralelo da foz do Mira e a sul da . de valores negativos de assimetria. Junto ao bordo meridional da parte superior do canhão submarino do Porto a fracção areia é positivamente assimétrica. em especial na plataforma média e externa. das partículas finas. Na plataforma norte verifica-se que. de partículas mais finas. a ressuspensão de partículas finas.

00 80000.00 7º 40' 200000.00 0 40000.00 020000.00 140000. N.00 >0 . <0 240000.00 100000. Porto V.00 20000.00 40000.00 20km ão t im or 160000.00 60000.00 60000. Setú 100 50 150 100 119 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 105000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.12 – Distribuição da assimetria da areia.00 010000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 40000.00 20000. Vic en te 40º 30' 0.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.150 50 bal C.00 Rocha Figura V. S.00 9º 50' 000.00 8º 48' P C. 0.00 80000.00 0.00 30000.00 20km Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.

a área central dese sector apresenta uma maior homogeneidade na distribuição deste parâmetro do que as restantes. o que se encontra possivelmente relacionado com a inexistência de bordo da plataforma. Efectivamente. . Vicente este parâmetro exibe comportamento similar ao detectado para a região adjacente ao canhão do Porto.14.5. O padrão de distribuição deste parâmetro na plataforma algarvia é substancialmente diferente.13 e V. A ausência de bordo bem marcado na plataforma a sul de Sines contribui possivelmente para uma maior eficácia na actuação dos processos de distribuição como agentes responsáveis pela mistura dos materiais sedimentados.3.120 Bordeira. a tendência dominante é para valores positivos junto à costa e negativos a maior profundidade. V. Nas imediações do canhão submarino de S. nesta zona. de fontes sedimentares. que representam a variação com a profundidade da abundância média das classes texturais e de alguns parâmetros granulométricos da areia. PLATAFORMA NORTE PLATAFORMA SUDOESTE 100% 100% 75% 75% 50% 50% 25% 25% 0% 0% 20 80 140 200 260 Profundidade (m) 20 80 140 200 260 Profundidade (m) PLATAFORMA ALGARVIA Argila 100% 75% Silte 50% Areia 25% Cascalho 0% 20 80 140 200 260 Profundidade (m) Figura V. A zona entre Sagres e Lagos constitui importante excepção a este padrão genérico. À semelhança do anteriormente observado na distribuição dos valores da calibragem da areia. Variações com a profundidade Muitas das características dos sedimentos encontram-se bem evidenciadas nos diagramas das figs.13 – Distribuição percentual média das classes texturais dos sedimentos por classes de profundidade. É de presumir que tal comportamento possa ser explicado de maneira análoga. o que aponta para a inexistência. 5.

a distribuição da média granulométrica da areia por classes de profundidade apresenta comportamento análogo ao do cascalho. as manchas de cascalho existentes na plataforma média e/ou interna continuam bem marcadas no mapa da distribuição do cascalho terrígeno na amostra total (fig.3 -0.2 1 0.75 0. em especial no que se refere à média e à assimetria da areia. 6.2 0 -0. Também aqui são visíveis diferenças no padrão de distribuição destes parâmetros nos sedimentos das plataformas ocidentais e da algarvia.5 0.14 referem-se a parâmetros granulométricos da areia.5 -1 -1. os sedimentos litorais da plataforma algarvia são enriquecidos em partículas finas.5 Calibragem Calibragem Calibragem 1.14 – Distribuição da variação de alguns parâmetros granulométricos da areia por classes de profundidade. É também evidente. Na plataforma externa. Plataforma norte Plataforma sudoeste Assimetria Plataforma algarvia Assimetria 0.8 0.121 Os diagramas da fig. É também visível o enriquecimento em silte e em argila na plataforma externa.6 -0. Características composicionais 6. o enriquecimento em partículas grosseiras dos sedimentos litorais dos sectores ocidentais.1.75 1 0.5 0. no diagrama referente à variação da assimetria com a profundidade. Composição do cascalho De um modo geral.8 -1. V.15).6 0.25 0 0. Pelo contrário.4 0. Contudo.13 evidenciam a maior abundância de cascalho na plataforma norte e a frequência com que esta classe textural ocorre na plataforma algarvia. V. embora a generalidade dos sedimentos da plataforma algarvia exibam apreciável conteúdo em material destas dimensões granulométricas.25 0 0 Média Média 3 Média 3 2 3 2  2   1 1 0 0 20 80 140 200 260 1 0 20 Profundidade (m) 80 140 200 Profundidade (m) 260 20 80 140 200 260 Profundidade (m) Figura V. V. Os diagramas da fig.2 -1. as percentagens de cascalho terrígeno são muito reduzidas (quase . em qualquer dos sectores.3 0 -0.5 Assimetria 0.

inteiras ou exibindo pequena fracturação. a mancha enriquecida em cascalho terrígeno que se detecta na plataforma externa ao largo de Sines poderá encontrar-se relacionada com antigas redes de drenagem. a norte de Sines detectam-se duas bandas enriquecidas em cascalho terrígeno grosseiramente paralelas à costa. Advém tal facto. frequentemente patinado de óxidos de ferro. A fracção cascalhenta de origem biogénica é muito escassa na plataforma média e na vizinhança do Beiral de Viana. apresentam-se geralmente bastante corroídas e perfuradas. Pela sua orientação. A componente terrígena. A tonalidade geral é amareloalaranjada. é praticamente inexistente na plataforma a sul de Sines. detecta-se uma área enriquecida em cascalho terrígeno na vizinhança do Beiral de Viana. são quase exclusivamente de quartzo e quartzito. Pelo contrário. estas bandas poderão corresponder a paleolitorais (Quevauviller & Moita. Rodrigues e Dias (1989) e de Rodrigues et al. quer as conchas inteiras. Contrariando a tendência geral para a ausência ou reduzida representatividade do cascalho terrígeno na plataforma externa. predominando os de gnaisse e os de granito. tais como quartzito. Esta área poderá corresponder. bastante fracturados e de cor acastanhada ou acinzentada. arenito. de acordo com as reconstituições paleogeográficos de Dias (1987). É fundamentalmente constituída por fragmentos de conchas de moluscos. de composição predominantemente terrígena. Esporadicamente aparecem também conchas com aspecto recente. exibindo superfícies.122 sempre inferiores a 5%). Os clastos terrígenos. constituída por quartzo. com superfícies normalmente despolidas e tonalidade geral amarelada. como é óbvio. das manchas menos profundas de cascalho terem composição essencialmente terrígena. quer os fragmentos. e por fragmentos de rochas várias. O cascalho existente na plataforma sudoeste é dominado pela componente biogénica. A abundância de cascalho terrígeno na plataforma norte confirma o bom abastecimento deste sector em materiais terrígenos provenientes do continente e os elevados níveis energéticos aqui existentes. a um paleo-delta de vazante do rio Beiralis. Os elementos biogénicos do cascalho da plataforma externa são essencialmente derivados de conchas de moluscos. as quais não evidenciam normalmente índicios de modernidade. À semelhança do sector anterior. baças e pulvurentas. Pelo contrário. (1990. mesmo nos casos em que a fracção cascalho corresponde a mais de 30% do total da amostra. são essencialmente constituídos por quartzo e quartzito. 1991). Os elementos do cascalho da plataforma média e na vizinhança dos Beirais de Viana e de Caminha. enquanto que as mais externas são predominantemente biogénicas. 1986). Poucas são as conchas inteiras. Ocorrem ainda outros elementos líticos. por vezes muito bem rolados ou sub-rolados. . xisto e "beach-rock". por vezes. Nas proximidades dos Beirais de Viana e de Caminha encontram-se ainda fragmentos de calcário. pouco frequentes. geralmente perfurados e corroídos.

00 105000.00 40000. S.00 20km ão t im or 160000. N.00 20000.00 0 40000. V 0.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 010000.00 60000. Porto V.00 8º 48' P C.00 9º 50' 000. . Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 30000.15 0 50 100 bal C.00 <1% 1%a5% 10 % a 50 % > 50 % Figura V.00 20000. Aveiro Ponta da Arrifana Aveiro ice n te 40º 30' 0. Setú 50 150 100 123 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.00 Rocha 5 % a 10 % 7º 40' 200000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.15 – Distribuição das percentagens de cascalho terrígeno.00 40000.00 60000.00 020000.00 100000.00 20km C. 0.00 80000.00 240000.00 80000.00 140000.

A análise desta figura permite evidenciar as principais semelhanças e diferenças entre a composição da fracção arenosa dos sedimentos dos sectores estudados. 6. Para além destes factores.124 Na plataforma agarvia. V.2. Alvor. PLATAFORMA NORTE PLATAFORMA SUDOESTE 100% 100% 75% 75% 50% 50% 25% 25% 0% 0% 20 80 140 200 260 20 80 profundidade (m) 140 200 260 profundidade (m) 1 PLATAFORMA ALGARVIA Outras partículas 100% Glaucónia Outros biogénicos 75% Foraminíferos 50% Moluscos Outros terrígenos 25% Mica 0% 20 80 140 200 260 Quartzo profundidade (m) Figura V. A componente terrígena desta fracção é em geral constituída por fragmentos de quartzo rolado e despolido. encontrando-se o cascalho terrígeno praticamente restringido a manchas existentes na plataforma interna e média. Composição da areia 6.2.16 – Distribuição percentual média das classes composicionais da areia por classes de profundidade. entre outras) e com os escassos afloramentos rochosos existentes na plataforma.1.16 representam a distribuição percentual média das classes composicionais da areia. tais como quartzito. da "formação vermelha" plio-quaternária. Odiáxere e Alfanzina. não raras vezes patinado com óxidos de ferro. na sua migração através da plataforma continental. Encontra-se possivelmente relacionada com a ocorrência generalizada. e fragmentos de rocha. a fracção cascalho é dominada pela componente biogénica. a mancha menos profunda refecte provavelmente um paleolitoral existente na plataforma média e a erosão de formas relíquia deixadas pelo sistema de ilhasbarreira. das amostras dispostas segundo alinhamentos perpendiculares à costa. arenito e calcário. . a intervalos de 20 m de profundidade. Arade. Características principais Os diagramas incluídos na fig. com os principais cursos de água que afluem à região (Guadiana e ribeiras de Bensafrim. na orla algarvia.

São aqui evidentes algumas tendências gerais já detectadas a partir da análise dos diagramas referentes à distribuição percentual média das classes composicionais da areia. com a componente autigénica. elaboraram-se os mapas da fig. e biogénicas a sul de Sines. As razões entre os valores percentuais das diferentes componentes da areia conduzem. Assim. frequentemente. De um modo geral. aumentando de novo nas proximidades do bordo da plataforma e na vertente continental superior. O padrão de distribuição é grosso modo paralelo à linha de costa. De facto. É neste sector que se verificam as mais elevada percentagens de glaucónia. a abundância relativa de determinada classe de partículas é fortemente afectada pela intodução e mistura (diluição) de partículas de outras classes. Não se entrou em linha de conta. as componentes terrígena e biogénica são largamente predominantes na composição da fracção arenosa dos sedimentos. a resultados mais significativos que os expressos pelas próprias percentagens. baseados na relação entre as frequências de partículas de origem terrígena e as de origem biogénica. para melhor averiguar qual a importância e regiões de influência do material terrígeno e do biogénico.125 É bem nítida a importância dos materiais provenientes do continente na plataforma norte até cerca dos 100 m de profundidade. independentes da influência numérica conferida pelas restantes partículas. A componente terrígena é bastante mais subsidiária do que nos outros sectores. entre outros aspectos. embora a componente autigénica ocorra. A análise do mapa referente à plataforma norte sugere a hipótese da existência de factores em resultado dos quais se verifica um enriquecimento em materiais terrígenos nas . É aqui bem nítido que a areia exibe características acentuadamente terrígenas na plataforma norte e entre o canhão de Setúbal e Sines. Os foraminíferos e a glaucónia apenas se encontram presentes em quantidades significativas a profundidades superiores a 80-100 m. consequentemente. A areia dos sedimentos da plataforma sudoeste é dominada pela componente biogénica. A composição da fracção areia dos sedimentos da plataforma algarvia é significativamente diferente. encontrando-se a mica restringida à plataforma interna. embora tal comportamento nem sempre seja evidente. A análise compararativa destes diagramas faz ressaltar a importância da litologia do continente. V. do abastecimento fluvial. de um modo geral. Esta análise indica que. A determinação de razões entre os valores percentuais (abundância relativa) dos tipos de partículas que se pretendem investigar permite obter valores "absolutos".17. valor a partir do qual predomina a componente biogénica da areia. na composição da fracção arenosa dos sedimentos. A componente terrígena é constituída quase exclusivamente por quartzo. sendo de realçar as diminutas percentagens de quartzo e a inexistência de mica. por vezes. as percentagem de quartzo e de mica decrescem sistematicamente até cerca dos 100-120 m. da produtividade biológica e da energia hidrodinâmica. A abundância dos bioclastos de moluscos é máxima neste sector. em quantidades significativas.

00 < 0.00 8º 48' C. S.00 40000.17 – Distribuição da relação entre as percentagens de partículas terrígenas e biogénicas da areia.00 80000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana ice n te 40º 30' 0.150 50 bal C.00 0.00 105000.00 20km C.00 20000.00 100000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. .00 Rocha 1 a 10 7º 40' 200000.00 30000.00 20000. Setú 100 50 150 100 126 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.1 a 1 > 10 Figura V.00 60000.00 80000. 0. V 0.00 0 40000.00 60000. Porto V.00 20km ão m rti Po 160000. N.00 010000.00 9º 50' 000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 140000.00 020000.00 40000.1 240000.

passada. sendo a abundância média deste tipo de partículas 36%. 1987). aparentemente. A deficiência no abastecimento sedimentar foi sugerida já há bastante tempo e é certamente responsavel pela dificuldade de restabelecer os perfis de praia após as tempestades. A areia dos sedimentos da plataforma sudoeste é deficitária na componente terrígena. possivelmente em relação com características específicas da dinâmica sedimentar desta zona de transição entre a plataforma e a vertente continental. A plataforma algarvia é bastante deficitária em terrígenos. Nas zonas dos afloramentos rochosos existentes na plataforma externa ocorrem manchas de areias deficitárias em terrígenos. Visto que o fornecimento actual de areias terrígenas para esta plataforma é diminuto. Os terrígenos da zona a norte de Sines. o que poderá estar relacionado com a litologia destas entidades morfostruturais. A delimitação ocidental da zona em que os terrígenos representam mais de 90% da totalidade da fracção arenosa sugere claramente. os terrígenos apenas predominam claramente sobre os biogénicos a norte de Sines. a qual se traduz pela presença de uma grande mancha em que a percentagem de terrígenos é superior a 75%. embora se verifique. V. Junto ao bordo da plataforma. esta relação só atinge valores superiores a um na plataforma interna e em zonas restritas da plataforma média.2. 1992). O mapa de distribuição confirma o bom abastecimento desta plataforma em materiais terrígenos. Componente terrígena A abundância da componente terrígena da areia dos sedimentos decresce. devido ao transporte dos produtos arenosos por eles debitados para sul. algum aumento dessa contribuição no rio Minho (Magalhães & Dias. 6.. às quais se faz alusão no capítulo IX. sendo remobilizadas determinadas partículas com origem biogénica. de uma maneira geral. com percentagens médias inferiores a 25%. a abundância em terrígenos volta a aumentar.127 zonas onde o bordo da plataforma se apresenta mais abarrancado (como na parte setentrional. em especial no sector ocidental. provavelmente no decurso do . por exemplo). que a importância dos rios como fornecedores de materiais terrígenos para a plataforma diminui para norte. Existe um contraste latitudinal na distribuição desta relação na plataforma sudoeste. enquanto partículas terrígenas de volume análogo permaneceriam depositadas devido ao seu maior diâmetro de sedimentação (Dias.2. A sul de Sines. que predominam na areia até cerca dos 200 m de profundidade. fazendo ressaltar a importância da contribuição fluvial actual e. Efectivamente. em período anterior. pelo menos. elas foram possivelmente debitadas.18). desde a zona litoral até à vertente continental superior (fig. em grande parte. A areia dos sedimentos da plataforma norte é dominada por esta componente (62% em média). de um modo geral. encontram-se certamente relacionados com o rio Sado. principalmente.

00 20000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 60000.00 60000.00 80000.18 – Distribuição da percentagem da componente terrígena da areia. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana Vic ent e 40º 30' S.50 150 100 bal C.00 010000.00 9º 50' 000. 0. 0.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 100000.00 30000.00 8º 48' P C.00 0 40000.00 40000.00 40000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000. 0.00 < 25 % 25 % a 50 % 75 % a 90 % > 90 % Figura V.00 80000.00 20000.00 105000.00 240000. Porto V. N. Setú 50 150 100 128 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.00 20km C.00 140000. .00 Rocha 50 % a 75 % 7º 40' 200000.00 20km ão t im or 160000.00 020000.

O mapa de distribuição do quartzo na plataforma norte mostra uma nítida relação com o fornecimento fluvial. encontrando-se provavelmente relacionadas com o transporte litoral nas imediações do cabo de S. V. Neste mapa é evidente a existência dum contraste latitudinal entre os sectores setentrional e meridional da plataforma externa e vertente.129 glaciário e transgressão que se lhe seguiu. pelo menos na sua maior parte. com a diferença de orientação geral relativamente à direcção de propagação da agitação marítima. A interrupção desta banda ao largo da região das ilhas-barreira encontra-se provavelmente relacionada com fenómenos de menor "diluição" por outras partículas. da erosão e recuo das arribas pouco consolidadas existentes a oriente dos Olhos de Água. nomeadamente pelo sistema das ilhas-barreira. Quartzo O quartzo apresenta comportamento análogo ao da totalidade dos elementos terrígenos presentes na areia. na sua migração através da plataforma continental. A mancha que se localiza a sul do paralelo de Vila Nova de Milfontes e em que a percentagem de terrígenos é superior a 25% encontra-se. A profundidades superiores a 100 m.2. relacionada com o rio Mira. detecta-se a existência de uma banda. cuja resultante é para sul na costa ocidental e para oriente na costa sul. É possível que. como sugere frequentemente Dias (1987). na plataforma externa. provavelmente em relação com a zona ligeiramente deprimida entre os Beirais de Viana e de Caminha. o Sado desaguasse no canhão de Setúbal. junto ao bordo setentrional da plataforma encontra-se provavelmente relacionada com especificidades da dinâmica sedimentar prevalecentes nesta região. no bordo da plataforma e na vertente continental estão certamente relacionadas com o acréscimo da componente bioclástica. Vicente. a distribuição desta classe composicional (fig. as areias com mais de 50% de partículas deste tipo localizam-se junto à costa. em que este componente apresenta percentagens superiores a 50%. A plataforma algarvia é deficitária em partículas terrígenas. quer interna e com uma maior mistura de partículas.1. quer superficial. certamente. e da erosão de formas relíquia deixadas por antigos litorais. A mancha enriquecida em quartzo. em que a percentagem de terrígenos atinge valores mínimos. nessa altura. No sector ocidental. sendo a abundância média desta componente 32%. As manchas deficitárias em quartzo. dos produtos debitados pelo Guadiana e outros rios da zona. 6.19) reflecte.2. com a menor largura da plataforma. Esta hipótese permite compreender a existência de areias terrígenas a sul deste acidente morfológico. que provêm. correspondentes a percentagens inferiores a 25%. Este contraste encontra-se provavelmente relacionado com a maior largura e o menor pendor do sector meridional e a diferente orientação . Assim. em larga medida a da componente terrígena da areia. O sector oriental desta plataforma é bastante mais rico em terrígenos.

00 80000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana ent e 40º 30' Vic 0.00 25 % a 50 % . N.00 < 25 % > 75 % Figura V.00 020000.00 20km 7º 40' 200000.00 010000.00 140000. 0.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 20000. S.00 105000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. Porto V.00 9º 50' 000. 240000.00 Rocha 50 % a 75 % 0. Setú 50 150 100 130 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.00 40000.00 8º 48' ão m rti o P C.19 – Distribuição da percentagem de quartzo na areia.00 40000.00 30000. 160000.50 150 100 bal C.00 0 40000.00 100000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 Sa gr es 37º 10' Faro 100 150 36º 45' 120000.00 20km C.00 20000.00 60000.00 80000.00 60000.

131 geral dos dois sectores relativamente à direcção de propagação da agitação marítima. em grande parte. Os padrões de distribuição do quartzo de dimensão superior a 1 Ø apresentam certas analogias com o do cascalho terrígeno. as distribuições do quartzo muito grosseiro (-1 a 0 Ø) e grosseiro (0 a 1 Ø) parecem concordar com o esquema de evolução pós-glaciária proposto por Rodrigues et al. quer superficial. A sul do cabo de Sines.20 a V. tendo sido possivelmente debitado. quer interna. as áreas nas quais esta classe atinge valores superiores a 50% localizam-se na região a norte de Sines. O sector ocidental é deficitário em quartzo relativamente ao oriental. com o banco externo da laguna de Aveiro e com a aceleração das referidas correntes nas imediações de Mira. A distribuição de quartzo reflecte o deficiente abastecimento em particulas deste tipo e a "diluição" por partículas de origem biogénica e autigénica. Existe um evidente contraste latitudinal na distribuição desta classe composicional. do Cávado e do Douro no Dryas recente (11 ka a 10 ka B. Efectivamente. Na plataforma norte. as zonas de maior abundância do quartzo incluído nestas fracções granulométricas encontram-se provavelmente relacionadas com os paleo-deltas do Ave. se revestiu certamente de importância bastante superior à actual. pelo menos. As variações na abundância de quartzo na plataforma interna a sul de Espinho encontramse possivelmente relacionadas com a desaceleração das correntes longilitorais induzida pela inflexão da linha de costa nas imediações desta localidade.P. uma actuação mais eficiente da componente gravítica e das forças tangenciais que se fazem sentir nas partículas. (1990. 1991). As distribuições percentuais do quartzo nas fracções granulométricas (intervaladas de 1Ø) da areia encontram-se representadas nas figs. O quartzo existente na área setentrional encontra-se certamente relacionado com o rio Sado. por acção de correntes longilitorais N-S. . A distribuição do quartzo fino (2 a 3 Ø) revela um padrão que se pode considerar de transição entre os referidos e o do quartzo muito fino (3 a 4 Ø).) e com o transporte para sul.24. A expressão das zonas em que o quartzo é muito abundante (>75%) é progressivamente maior à medida que a dimensão do quartzo diminui até 2Ø. Efectivamente. o que provoca uma mais fácil remobilização e uma consequente maior mistura de partículas. cuja abundância média é 33%. se exceptuarmos a zona litoral. no decurso do último glaciário e da transgressão que se lhe seguiu. Os pendores mais acentuados do sector setentrional provocam ainda. A plataforma algarvia é a região na qual a abundância desta classe composicional é menor (30% em média). o quartzo encontra-se aparentemente relacionado com o rio Mira. V. de materiais provenientes do desmonte de arribas que então dominariam o litoral. A dilatância dinâmica dos sedimentos é provavelmente maior neste sector. A plataforma sudoeste é deficitária em partículas de quartzo. no mesmo período. o qual. segundo Dias (1987).

00 80000.00 9º 30' 000.00 020000.00 80000.00 20km C.20 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção -1 a 0 Ø.00 240000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 0 40000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 15' 8º 50' 155000.00 60000.00 20000.00 20000.00 20km ão t im or 160000.00 Rocha 25 % a 50 % 7º 40' 200000.00 140000. .00 < 10 % 10 % a 25 % 50 % a 75 % > 75 % Figura V. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana ent e 40º 30' Vic 0.00 8º 48' P C.00 105000. Porto V. S. Setú 100 50 150 100 132 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. 0.00 010000. N.bal 150 50 C.00 30000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 40000.00 40000.00 100000.00 60000. 0.

00 30000.00 40000. .00 140000. Porto V.00 20km 0.00 240000.00 020000.00 105000. Setú 100 50 150 100 133 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 60000.21 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 0 a 1 Ø.00 80000.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.00 60000.00 010000.00 80000. 160000.00 8º 48' ão m rt i o P C.00 8º 50' 155000.150 50 bal C.00 20km 7º 40' 200000.00 Rocha 25 % a 50 % 0.00 20000.00 20000. S. Vic ent e 40º 30' 0.00 0 40000.00 40000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000. N.00 < 10 % 10 % a 25 % 50 % a 75 % > 75 % Figura V.00 100000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.

0.00 < 10 % 10 % a 25 % 50 % a 75 % > 75 % Figura V.00 60000.00 Rocha 25 % a 50 % 7º 40' 200000.00 60000. Vic ent e 40º 30' 0.00 100000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 20km 0.22 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 1 a 2 Ø.00 020000.00 240000.00 010000.00 30000.00 40000.00 0 40000. Setú 100 50 150 100 134 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 105000.00 80000.150 50 bal C. S. N.00 8º 48' r Po C.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.00 20km ão tim 160000.00 20000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 40000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000.00 8º 50' 155000.00 20000. Porto V.00 80000.00 140000. .

00 010000.00 < 10 % 10 % a 25 % 50 % a 75 % > 75 % Figura V.00 40000.00100000.00 60000. Porto V.00 105000.00 240000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.23 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 2 a 3 Ø.150 50 bal C.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.00 140000. S.00 8º 50' 155000.00 20000.00 0 40000. Setú 100 50 150 100 135 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 8º 48' P C.00 80000.00 30000.00 Rocha 25 % a 50 % 7º 40' 200000.00 020000. .00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 20km ão t im or 160000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 80000.00 20000.00 20km 0.00 60000. Vic ent e 40º 30' 0.00 40000. 0. N.

0.15 0 50 bal C. S. Setú 100 50 150 100 136 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 40000.00 140000.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.00 Rocha 25 % a 50 % 7º 40' 200000.00 105000.00 100000.00 0 40000. N.00 8º 50' 155000. Porto V.24 – Distribuição da percentagem de quartzo na fracção 3 a 4 Ø.00 80000.00 40000.00 010000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 60000.00 240000.00 20km ão m rti o P 160000.00 8º 48' C.00 60000.00 30000.00 020000. 0. . Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 20000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana Vic ent e 40º 30' 0.00 80000.00 20km C.00 < 10 % 10 % a 25 % 50 % a 75 % > 75 % Figura V.00 20000.

6. o quartzo raramente atinge percentagens superiores a 75%. as áreas do bordo da plataforma nas quais estas partículas são mais abundantes encontra-se possivelmente relacionadas com correntes longilitorais divergentes que. Estas últimas características são também evidentes nos mapas de distribuição do quartzo médio (1 a 2 Ø). A maior parte das considerações expendidas sobre a distribuição de quartzo nas diferentes fracções da areia dos sedimentos da plataforma norte são aplicáveis aos restantes sectores estudados. bem como do comportamento diferencial do quartzo e das outras partículas aí presentes perante os níveis energéticos que sobre elas actuam (Dias. Maria. O sector setentrional apresenta deficiencia nestes tipos de quartzo. Tal pode resultar da actuação dos processos hidrodinâmicos desta zona transicional. É de realçar a existência de algumas áreas mais enriquecidas em quartzo destas dimensões junto do bordo da plataforma e vertente. de agregados. Todavia. de feldspatos e de minerais pesados. a plataforma sudoeste é claramente deficitária em quartzo destas dimensões. V. Na plataforma algarvia. sendo possível. o que se encontra relacionado com a existência de elevadas percentagens de micas. sendo possível que as áreas enriquecidas nestes materiais se encontrem relacionadas com a acção de correntes longilitorais divergentes. muitas vezes. a sua abundância decresce. Nas imediações do cabo de Sta. revela expressão significativa praticamente em todo este sector. que transportariam materiais grosseiros para norte e para sul. contudo. Na ausência de estudos detalhados sobre o assunto. os fenómenos de "diluição" não se devem à presença de outras partículas terrígenas em quantidades significativas. Também a plataforma externa é deficitária nestes tipos de quartzo quando comparada com a plataforma média e interna. num período da evolução pósglaciária desta plataforma. As distribuições do quartzo muito grosseiro e grosseiro na parte setentrional da plataforma sudoeste parecem concordar com o esquema de evolução pós-glaciária proposto por Quevauviller & Moita (1986). as partículas de quartzo muito grosseiro e grosseiro são particularmente frequentes na área adjacente ao sistema de ilhas-barreira da ria Formosa. deduzir relações de origem com rios importantes.137 Os valores mais elevados registam-se entre os 40 e os 80 m de profundidade. em possível relação com o esquema proposto por Pilkey et al. em especial a norte do paralelo de Espinho (fig. mas sim à de partículas biogénicas e de glaucónia. A sul do paralelo do Mira. Nestes. A sua percentagem média na fracção arenosa dos . o que aponta para uma menor maturidade das areias desta dimensão. (1989).2.2. é possível admitir que as zonas de maior abundância destes tipos de quartzo se possam explicar por mecanismo análogo ao referido para o sector anterior. 1987).2.25). Micas As micas (moscovite e biotite) são anormalmente abundantes no sector norte. Na fracção 3 a 4 Ø. À semelhança das regiões anteriores. transportariam material grosseiro para ocidente e para oriente.

1968. à zona litoral. restringindo-se. valor este que. 1979. por um lado. para remobilizar a maior parte das partículas que aí chegam provenientes. Todavia. por outro. a sua presença indica deposição. Adegoke & Stanley. Estes minerais são hidraulicamente equivalentes de partículas de dimensões bastante menores (p. ex: Neihesel. isto é. ex: Doyle et al. 1966. Pelo contrário. a estas profundidades. que se localizam em ligação evidente com desembocaduras de rios.. não sendo os níveis energéticos suficientemente elevados para provocar a erosão ou passagem sem deposição destas partículas. Estes valores são da mesma ordem de grandeza dos observados em plataformas adjacentes a grandes rios sujeitos a cheias (Pomeranbclum. as quais alternam com áreas pobres nestes . 1981). que têm maiores caudais. Tal facto tem sido explorado por diversos autores para deduzirem a dinâmica dos sedimentos finos em várias plataformas (p. directa ou indirectamente. as zonas mais ricas em micas tendem a situar-se a profundidades superiores a 70 m. Park & Pilkey. O mapa de distribuição percentual do conteúdo de micas na fracção terrígena da areia na plataforma norte revela um padrão que não é fundamentalmente diferente do apresentado por Dias (1987). Adegoke & Stanley.. tendo diversos autores tentado correlacionar o conteúdo dos sedimentos em micas e os níveis energéticos que condicionam a formação destes sedimentos (p. na região setentrional). como se referiu. Park & Pilkey. o que poderá significar que a magnitude dos processos de distribuição não é suficiente. ex: Doyle et al. 1968. constituir indicadores preferenciais dos ambientes de deposição. Pomerancblum. Pelo contrário.138 sedimentos atinge os 8%. dos rios. 1965. principalmente devido ao hábito em palhetas com que geralmente ocorrem nos sedimentos. o que corresponde a cerca de 12% da componente terrígena da areia (12% e 18%.. nem sempre essa conexão é muito evidente se não se raciocinar em termos de actuação "concorrencial" entre processos de fornecimento e processos de distribuição. Dias et al. 1981. drenam regiões com litologias ricas nestes minerais e. mais próximo da costa. se eleva a 90%. 1972). Komar et al. Os dados apresentados nestes trabalhos tendem a confirmar plenamente a utilidade das palhetas de mica da areia na dedução dos processos de dinâmica sedimentar das partículas de menores dimensões (silte e argila). Estas partículas podem. 1983. A menores profundidades. Burroughs. geralmente. No sector setentrional. Doyle et al. 1979. A abundância média das partículas de moscovite e biotite nas plataformas sudoeste e algarvia é inferior a 1%. 1966. 1984). esta classe composicional encontra-se praticamente ausente. pontualmente. 1985). A ausência de mica em sedimentos recentes indica que não houve transporte deste mineral para a área de deposição ou que as condições energéticas provocam a erosão e/ou passagem sem deposição das palhetas de mica. verifica-se a existência de áreas de reduzidas dimensões em que os sedimentos são bastante ricos em micas. respectivamente. a sul do canhão de Setúbal. 1984.. permitindo constatar a existência de uma ligação directa entre as manchas com maiores percentagens de micas e as desembocaduras dos rios que. 1972.

00 <1% 1%a5% 20 % a 50 % > 50 % Figura V.00 20000.00 40000.00 8º 50' 155000. Setú 100 50 150 100 139 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 020000.00 40000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. Porto V. .00 60000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000.150 50 bal C.00 60000.00 0 40000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 20km ão tim 160000. S.00 8º 48' r Po C.00 80000.00 105000.00 240000.00 80000. Vic ent e 40º 30' 0.00 20km 0.00 30000. 0.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.00 010000.00 140000.00 Rocha 5 % a 20 % 7º 40' 200000.00 100000. N.25 – Distribuição da percentagem de micas na componente terrígena da areia.00 20000.

1994). é suficiente para inibir a deposição significativa destas palhetas. por vezes. mais duradoura. Encontra-se ainda. é relevante referir a possibilidade de alguns grãos incluídos na classe "não . 1994). conjugado com a actuação da maré e com a agitação marítima. valor que. os de xisto. O caso do rio Douro é. pelo menos. em zonas mais próximas das desembocaduras dos rios. percentagem nula). O comportamento. as micas são muito menos abundantes. Os fragmentos líticos derivam da erosão de rochas bem consolidadas. O acréscimo percentual de micas na vertente continental superior. possivelmente relacionada com a drenagem de áreas graníticas efectuada pelo rio Mondego e por parte da sua rede hidrográfica. os quais propiciam deposição definitiva ou. a maiores profundidades. aparentemente. integrando fragmentos líticos. que se situam entre as fozes dos rios. tal facto revela ainda que a deposição de outras partículas terrígenas da classe dimensional das areias não é grande. anómalo na região adjacente ao canhão de Aveiro encontra-se possivelmente relacionado com a interacção da batimetria e dos factores oceanográficos (nomeadamente. por via de regra. a percentagem de mica diminuiria bastante. os de gneisse.2. 6. os de arenito e os de calcário. Este padrão de distribuição evidencia o intenso fornecimento fluvial destas partículas. em relação com as litologias que constituem o maciço eruptivo (Cascalho et al. se tal se verificasse.. à excepção da plataforma interna adjacente a Sines. De um modo geral. os de fornecimento. pois nas imediações da sua foz as percentagens de micas são. Grãos poliminerálicos Esta classe inclui os grãos poliminerálicos identificados aquando das contagens. por vezes. "diluída" pelas de quartzo e de outros minerais. óbvias. Junto à costa. contraditório. até certo ponto. a sua presença sugere fornecimento por deriva litoral e por transporte advectivo e contribuição de materiais provenientes do Douro e da erosão de praias e dunas (Abrantes. se eleva a mais de 90%) são.2. neste contexto. agregados silto-argilosos e fragmentos do que aparenta ser "beach-rock". No sector meridional. baixas. à imagem do que se verifica com a fracção silto-argilosa. transportando as palhetas destes filossilicatos para outros locais de deposição. As elevadas percentagens de micas registadas nos depósitos silto-argiloso situados nas proximidades do canhão submarino do Porto e frente ao rio Minho (onde estas partículas correspondem normalmente a mais de 60% das partículas terrígenas da areia. pois que. Na plataforma sudoeste estas palhetas são praticamente inexistentes. estes depósitos são constituídos por partículas hidraulicamente equivalente às palhetas de mica. a agitação marítima de longo período e as ondas internas) e com a largura da plataforma. Por outro lado. em parte. Provavelmente. revela que os processos de distribuição superam. o caudal do rio. Os mais frequentes nas amostras são os de granito.140 minerais (apresentando. traduz os menores níveis energéticos junto ao fundo aí ocorrentes. Com efeito. A este respeito.3.

Os agregados silto-argilosos. os grãos provenientes das rochas calcárias.2.4. segundo Friedman & Sanders (1978). aparentemente. embora não seja de excluir a hipótese de terem proveniência em dunas consolidadas. Os fragmentos de "beach-rock" encontrados nas amostras analisadas são maioritariamente constituídos por quartzo aglutinado por cimento carbonatado. Outros terrígenos Esta classe composicional inclui os feldspatos e os minerais pesados presentes na fracção arenosa dos sedimentos. aparentemente. fragmentos de outros tipos litológicos. pode referir-se que os feldspatos ocorrem em maior número e em grãos de maiores dimensões na parte NE deste sector e que os minerais pesados . formando rochas cujo estado de consolidação varia entre o friável e o bem consolidado. Apesar de não se ter procedido à sua identificação e contagem sistemática. 6.2. são muito menos frequentes. Nas plataformas norte e sudoeste. ter origem fecal ou resultar da desidratação devido à exposição sub-aérea de lodos carbonatados. embora se possam também desenvolver em praias com areias quártzicas e com outras composições. das partículas roladas provenientes de conchas fragmentadas. o padrão de ocorrência das partículas de "beach-rock" é. fazem efervescência com o HCl. De acordo com este autor. nem sempre é fácil distinguir. Embora a sua frequência seja sempre reduzida. o que. Segundo Komar (1976). O aspecto geral de outra importante sub-classe de grãos poliminerálicos detectados nas amostras faz lembrar o de algumas "rochas de praia" (beach-rocks) descritas na bibliografia. as partículas de "beach-rock" distribuem-se segundo um padrão substancialmente diferente. como por exemplo dolomitos. as "rochas de praia" constituem-se geralmente em praias de areias carbonatadas. Estas partículas podem.141 identificados" serem efectivamente fragmentos de calcário. as "rochas de praia" são constituídas por areias de praia cimentadas por calcário. à lupa binocular. Verifica-se tendência para enriquecimento progressivo das areias em partículas deste tipo à medida que se caminha para sul. perante o qual se desagregam. se encontra relacionado com paleolitorais detectados a estas profundidades. O tipo de partículas detríticas presentes e o estado de cimentação são compatíveis com formação a partir de areias de praia. exibindo em geral bom estado de consolidação. aleatório. Ocorrem ainda. De facto. com incidência máxima na plataforma algarvia. embora com menor frequência. que por vezes incluem fragmentos biogénicos. A plataforma norte é a mais rica nestas partículas. distribuem-se desde a zona litoral até profundidades da ordem dos 70 m. embora se verifique alguma tendência para aparecerem preferencialmente em amostras colhidas entre os 40 m-60 m de profundidade e na plataforma externa. Na plataforma algarvia. A maiores profundidades.

turmalina e andaluzite. por turmalina e por clinopiroxenas. sendo os desvios devidos à presença de glaucónia. (1994). nesta região. e com o soco hercínico polimetamórfico da plataforma interna. enquanto que no bordo da plataforma e na vertente continental superior é essencialmente formada por foraminíferos. granadas. de magnetite. a de briozoários e de equinodermes é importante e a de outros organismos é esporádica. Segundo Cascalho & Galopim de Carvalho (1993). de ilmenite. 6. A ocorrência de ortopiroxena. a profundidades superiores a 100 m (Rodrigues et al. o que tinha já sido sugerido por Moita (1971) Na plataforma algarvia. Segundo Cascalho et al. encontrando-se presentes. 1995a) faz supor a existência. a distribuição das clinopiroxenas e da horneblenda castanha sugere a existência de uma célula de circulação na plataforma interna. onde o cortejo mineralógico é dominado por ilmenite. nas fracções 2 a 3 Ø e 3 a 4 Ø. de zircão. No conjunto. geralmente a menos de 4% da totalidade das partículas presentes nesta fracção. os minerais pesados existentes na fracção arenosa dos sedimentos da plataforma sudoeste correspondem. e as carapaças de foraminíferos. embora a sua percentagem seja sempre escassa. Ainda de acordo com os citados autores. de horneblenda castanha e de olivina a sul do canhão submarino do Porto. por granadas. definida por Lees & Buller (1972). Na plataforma externa predominam os clastos de moluscos. os minerais pesados são pouco abundantes. por zircão e por granadas. segundo Moita (1986) em percentagens quase sempre inferiores a 1%. sendo o cortejo mineralógico dominado por estaurolite. na qual a ocorrência de foraminíferos e de molusos é ubíqua. Componente biogénica A componente biogénica integra-se na associação "foramol".142 apresentam tendência para se concentrar. . Esta componente é dominada por moluscos na plataforma interna e na plataforma média. a maior frequência de minerais pesados encontra-se principalmente relacionada com os afloramentos cretácicos de fácies detrítica da plataforma externa. umas vezes. tendo relacionado o grau de maturidade dos cortejos mineralógicos encontrados com as caractrísticas dos depósitos sedimentares identificados por Moita (1986).3.2. de augite e de horneblenda castanha. de andaluzite. de clinopiroxena. Cascalho & Galopim de Carvalho (1991) detectaram a presença de turmalina.. por horneblenda. de um corpo vulcânico máfico. de estaurolite. onde predominam zircão. estas duas classes composicionais representam cerca de 90% da componente biogénica. outras vezes. nas proximidades do cabo de Sines. A distribuição da componente biogénica é praticamente complementar em relação à da componente terrígena.

Na plataforma norte.143 6. Na plataforma sudoeste. noutras plataforma. o que. Verifica-se tendência para as áreas enriquecidas nestes clastos se localizarem. constituem áreas deficitárias nestas partículas. Este facto deriva provavelmente de circunstancialismos de ordem ambiental. Foraminíferos O aspecto dos mapas de distribuição das carapaças de foraminíferos é condicionado. A percentagem média desta classe constitui cerca de 59% da referida componente. este clastos constituem. Com efeito. O padrão de distribuição regional dos clastos de moluscos revela que as áreas de maior abundância desta classe composicional se situam na plataforma externa e no bordo da plataforma. de modo geral.27). As amostras em que esta classe revela as maiores percentagens localizam-se na zona ocidental da plataforma. a percentagem média dos clastos de moluscos representa cerca de 35% da componente biogénica. pela existência de "diluição" por outras partículas e pela ocorrência de fenómenos de "upwelling". em muitas plataformas. em especial carapaças de foraminíferos e glaucónia. De um modo geral. 1973). V. em média. anómalo. entre outros factores.1.2. . exceptuando a sua parte meridional.3. a classe mais abundante da componente biogénica. O bordo da plataforma e a vertente continental superior.2.3. pelas características físico-químicas das águas.2. abaixo dos 100 m de profundidade. nas imediações de afloramentos rochosos (fig. à semelhança do sector anterior.26). verifica-se comportamento inverso. o que tem sido interpretado como resultado da variabilidade natural da existência de moluscos em função dos diferentes ambientes e da "diluição" dos clastos destes organismos por outras partículas (Muller & Milliman. a fenómenos de "diluição" e a modificações de produtividade. os clastos de moluscos são mais abundantes na plataforma interna que na externa. 1972). a abundância relativa das carapaças de foraminíferos aumenta com a profundidade até à vertente continental (fig. O decréscimo relativo desta classe junto do bordo da plataforma e na vertente pode ser explicado por "diluição" pela componente terrígena. 6. o que está de acordo com a maior parte destes organismos viverem na zona eufótica (Siesser. Estas variações devem-se. por outros bioclastos e por glaucónia. Moluscos O padrão de distribuição dos clastos de moluscos na plataforma continental portuguesa parece ser. Todavia. o que parece relacionar-se com o tipo de sedimentos aí ocorrentes. em geral. esta classe composicional corresponde a 42% da totalidade das partículas de origem biogénica. pode ser devido a fenómenos de "diluição" por outras partículas. Na plataforma algarvia. A maior abundância destes clastos verificase. provavelmente. V. até certo ponto. pelas características hidráulicas destes restos orgânicos que funcionam como partículas.

00 20km 9º 15' 4 2 8º 50' 155000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 105000.00 40000.00 20000.00 C.26 – Distribuição da percentagem de clastos de moluscos na areia.00 Rocha 25 % a 50 % 7º 40' 200000.00100000.00 60000. S.00 8º 48' C.00 140000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana 0.150 50 bal C.00 6 0.00 0 40000.00 010000. Porto 1 V. Milfontes Porto 8 Cabo Sardão 37º 30' C.00 020000.00 10 % a 25 % > 50 % Figura V.00 80000. N. .00 < 10 % 240000.00 80000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000. Vic en te 40º 30' 000. 0.00 20km ão m rti o P 160000. Setú 100 50 150 100 144 1 Viana 1 38º 00' 41º 30' Sines C.00 60000.00 20000.00 30000.00 40000.

Setú 100 50 150 100 145 1 Viana 1 38º 00' 41º 30' Sines C.00100000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000.00 60000.00 10 % a 30 % > 50 % Figura V.00 010000.00 140000.00 40000. 0. 2 .00 Rocha 30 % a 50 % 7º 40' 200000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 105000. N.00 8º 48' P C.150 50 bal C.00 20000.00 80000.00 020000.00 20km 9º 15' 8º 50' 155000.00 6 4 0.00 C.00 80000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana 0.27 – Distribuição da percentagem de carapaças de foraminíferos na areia.00 20000.00 0 40000. Milfontes Porto 8 Cabo Sardão 37º 30' C.00 60000. Porto 1 V.00 < 10 % 240000. Vic en te 40º 30' 000. S.00 30000.00 40000.00 20km ão t im or 160000.

em relação com a intensidade do "upwelling" que. a relação entre a disposição geral da batimetria e a direcção da agitação marítima dominante seja factor determinante. Esta classe composicional encontra-se praticamente ausente da plataforma interna e média. Serão. bastante menores na zona localizada a norte do canhão do Porto que na zona situada a sul deste canhão submarino. Este contraste parece também existir a norte e a sul do canhão de Aveiro Dos sectores estudados. conjuntamente com outras partículas granulometricamente finas. 1986). o que talvez se possa explicar por ressuspensão seguida de deposição nestas zonas. A abundância média de carapaças de foraminíferos é cerca de 27%. Verifica-se a existência de desigual distribuição latitudinal da abundância destes clastos. É provável que. A regularidade na referida distribuição encontra-se possivelmente relacionada com uma menor "diluição" por outras partículas. é máxima ao largo de Sines. A percentagem média de carapaças de foraminíferos na plataforma norte é de 20%. bordo da plataforma e vertente continental superior são ainda certamente devidas a fenómenos de "upwelling" (Mathieu.146 Junto ao bordo da plataforma e na vertente continental superior a percentagem de foraminíferos aumenta. devido ao tipo de sedimentos que aí ocorrem. O padrão genérico de distribuição desta classe composicional não é substancialmente diferente do detectado no sector norte. esta zona é relativamente rica em foraminíferos. em geral. neste caso. Em virtude de a plataforma externa constituir ambiente energeticamente mais calmo que os anteriores. verificandose. As maiores percentagens de foraminíferos bentónicos na plataforma externa. segundo Dias (1987). a plataforma sudoeste é a mais rica em carapaças de foraminíferos. . Na faixa de maior abundância destas partículas na plataforma externa. embora seja bastante mais regular. o que pode advir de circunstancialismos ambientais e/ou de fenómenos de menor "diluição" por outras partículas. segundo Fiúza (1983). ressuspensas e exportadas para fora desta zona. principal alimento dos foraminíferos. e a diminuta "diluição" por terrígenos. responsáveis pelo transporte a partir de zonas mais profundas de águas mais frias. A velocidade de sedimentação das carapaças de foraminíferos (porosas e ocas) confere-lhes comportamento hidráulico análogo ao das partículas de quartzo de dimensões volumetricamente muito menores. consequentemente. as percentagens observadas são. A energia disponível para ressuspensão de partículas finas e muito finas será maior na parte setentrional que na meridional. As amostras em que esta classe composicional apresenta as maiores percentagens situam-se também na zona meridional. a que se junta a diminuição do acarreio de terrígenos. "lavagem" dos sedimentos a norte. nomeadamente de origem terrígena. ricas em nutrientes e onde prospera o fitoplancton. principalmente. certamente devido ao bom abastecimento destas em materiais terrígenos e à energia da agitação marítima que as atinge e.

A ocorrência preferencial na plataforma externa encontra-se possivelmente relacionada com diversos factores. a serem removidas de zonas com dinâmica mais activa para zonas mais calmas. a menor "diluição" provocada por outras partículas. tendendo consequentemente. A abundância média desta classe varia entre 2. Alguns dos organismos integrados nesta classe composicional podem eventualmente fornecer indicações relevantes sobre a dinâmica sedimentar.4. e. áreas enriquecidas nestas parículas. briozoários. As características da distribuição espacial das partículas incluídas nesta classe composicional reflectem. em possível relação com uma dinâmica mais intensa (eventualmente turbilhonar). provavelmente.7% (plataforma norte) e 4. O relativo empobrecimento nesta classe composicional poderá encontrar-se relacionado com o efeito combinado da presença do cabo de Sta. geralmente. Maria e da diminuição da largura da plataforma. ocorrendo em grande número em áreas localizadas. a plataforma externa. factores relacionados com o comportamento hidráulico destas partículas (muitas vezes ocas e porosas. que favorece a sua remoção para ambientes com dinâmica mais calma.2.3. os ostracodos são praticamente inexistentes na imediata vizinhança dos afloramentos rochosos. Contudo.6% (plataforma sudoeste). a ser gregários. espongiários e coraliários. onde as condições lhes são favoráveis.2. A maior incidência na plataforma externa pode ainda ser explicada pelo pequeno diâmetro de sedimentação que estas partículas normalmente possuem. Estas partículas ocorrem predominantemente na plataforma externa. no geral. e com formas muito afastadas da esférica). À semelhança do comportamento detectado nas restantes regiões da plataforma continental portuguesa. 6. Por via de regra.3. e mais abundantes nas áreas onde os referidos afloramentos podem conferir uma . o aumento de produtividade biológica induzida por fenómenos de “upwelling”. Equinodermes A percentagem média das partículas que foram atribuídas a equinodermes encontra-se compreendida entre 1% (plataforma norte) e 2% (plataforma algarvia). É o caso dos ostracodos e dos briozoários.3. 6. quando isoladas do organismo.147 A percentagem média de carapaças de foraminíferos na plataforma agarvia é de 21%. de entre os quais se destacam: as características do substrato aí existente. a que se adicionam fenómenos de "diluição" por outros tipos de partículas. o bordo da plataforma e a vertente continental superior constituem. Outros biogénicos Na classe composicional “outros biogénicos” foram incluídas as partículas de organismos não contemplados nas classes anteriormente referidas. possivelmente. Entre o material mais frequente foram identificados ostracodos. este facto. a área adjacente ao sistema ao sistema de ilhas-barreira constitui uma excepcão em relação a este padrão genérico. Os equinodermes tendem.

. Ocorre sobretudo nas fracções mais finas da areia. peletos fecais. As maiores frequências de briozoários foram detectadas a profundidades superiores a 100 m. 1980). Embora se verfiquem excepções. e litoclastos) é bastante complexo e pressupõe a existência de diversas condições favoráveis – taxas de sedimentação baixas.. 1980/81). o processo de glauconitização de um substrato granular (constituído normalmente por carapaças de foraminíferos. 1954. V. 1989. existindo diversos modelos para a génese destes grãos (McRae. Monteiro & Moita. 1984. No entanto. Foram observados todos os tipos morfológicos descritos por Triplehorn (1966). De acordo com estes autores.. Abrantes et al. 1981. (1993) e Freitas (1995). ex: Williams et al. 1971. como já tinha sido detectado por outros autores que estudaram a plataforma portuguesa (p. 1971. na generalidade dos moldes de foraminíferos a cor da glaucónia é verde azeitona. Magalhães & Dias. verde claro e por vezes acastanhada. 1992. Mero. 1965. 1972. Odin & Matter. McRae. ex. enquanto que nos grãos ovalóides e lobados a cor é mais escura. As fracções com maior percentagem de glaucónia são as de 1 a 2 Ø e de 2 a 3 Ø. 1989).148 certa protecção a estes organismos relativamente à agitação marítima prevalecente. 1988). Lagaaij & Gauthier (1965) e Siesser (1972) sobre a relação existente entre a abundância de partículas provenientes de briozoários e o afluxo de material sedimentar permitem pressupor a existência de taxas de acumulação baixas na plataforma externa e ligeiramente mais elevadas no bordo da plataforma. Dias & Nittrouer. 1987. as interpretações mais recentes convergem para a teoria da precipitação – dissolução – recristalização proposta por Odin & Matter (1981). As observações de Stach (1936). ex: Dias et al.2. variando a cor de verde claro a negro. Dias. . 6.. 1972. existência de material orgânico em quantidade suficiente para garantir condições redutoras e concentração elevada nos componentes químicos pertinentes.4. Este comportamento tinha sido já detectado na plataforma continental minhota (Silva. como é o caso de amostras provenientes da vertente continental superior. microambiente semi-confinado com pH levemente alcalino. sendo estas partículas praticamente inexistentes junto ao bordo da plataforma.28). Os mecanismos que conduzem à formação dos grãos de glaucónia não são ainda completamente conhecidos. Weaver. No entanto. as percentagens máximas foram dectadas na fracção 0 a 1 Ø. A descrição detalhada dos estádios deste processo encontra-se em Freitas et al. Glaucónia A glaucónia ocorre de forma significativa na areia abaixo dos 100 m de profundidadade (fig. facto já anteriormente observado (p. se bem que a sua presença tenha sido ocasionalmente detectada em todas as fracções granulométricas. Lirong et al. sendo mais frequentes os moldes internos de foraminíferos e os grãos ovalóides e lobados. Chamley.: Moita. 1994). bioclastos calcários e siliciosos. à semelhança do que tem sido observado noutras plataformas (p.

00 80000.150 50 bal C.00 20km ão m rti o P 160000.00 60000. 0.00 100000. Vic ent e 40º 30' 0. .00 <5% 5 % a 10 % 20 % a 40 % > 40 % Figura V.00 20km 0.00 Guadiana Portimão Lagos 50 re s 37º 10' Sa g Faro 100 150 36º 45' 120000.00 105000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 Rocha 10 % a 20 % 7º 40' 200000.00 30000.00 20000.00 20000.00 40000.00 80000.00 8º 48' C.00 60000.00 0 40000.00 40000.00 010000.28 – Distribuição da percentagem de glaucónia na areia.00 8º 50' 155000. S. N.00 240000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.00 020000.00 140000. Setú 100 50 150 100 149 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. Porto V.00 20km Cabo Mondego 9º 15' 8º 40' 9º 50' 000.

(1963) e Odin & Létolle (1978). visto se terem observado todos os estádios de transição entre carapaças de foraminíferos com glauconitização incipiente até moldes internos perfeitos. mais sujeitas à actuação da água do mar e consequente oxidação do ião ferroso. a plataforma externa. as perfurações das conchas de moluscos constituiriam micro-ambientes menos confinados que os das carapaças de foraminíferos. sendo proveniente de locais de glauconitização anterior. Neste contexto. As partículas de glaucónia são mais abundantes na plataforma externa.150 A glaucónia da plataforma continental deve. Embora as maiores percentagens se encontrem abaixo dos 100 m de . não é de estranhar que a glaucónia seja especialmente abundante na plataforma sudoeste. estando. o modelo de distibuição da glaucónia nos sedimentos reflecte o modelo de "upweling" costeiro definido por Fiúza et al. à ocorrência de fenómenos de ”upwelling”) responsável pela existência de grande número de carapaças de foraminíferos. 1964). O conteúdo médio de glaucónia na fracção areia dos sedimentos da plataforma norte é de 2%. como por exemplo fragmentos perfurados e corroídos de conchas de moluscos. Segundo Monteiro et al. os quais constituem micro-ambientes geradores da condições propícias à transformação mineralógica que culmina na glauconite (McRae. (1982) e Fiúza (1983). ser considerada autigénica. possivelmente correspondentes a desgaste de moldes de foraminíferos. 1972). deficitária nesta classe composicional em relação às restantes. A tonalidade verde escura correspondente a esta ocorrência é diferente da que se encontra geralmente na glaucónia que se formou nas carapaças de foraminíferos. A plataforma sudoeste apresenta os mais elevados conteúdos médios e máximos em glaucónia. e atendendo também à "diluição" entre as diversas classes composicionais. portanto. A distribuição da glaucónia na plataforma algarvia revela um padrão menos homogéneo que os anteriores. no bordo da plataforma e na vertente continental superior. A taxa de acumulação nas áreas em que a glaucónia se encontra presente em quantidades significativas é provavelmente pequena ou negativa. Esta diferença parece estar de acordo com as hipóteses de Ehlman et al. o bordo da plataforma e a vertente continental superior são locais propícios à formação de glaucónia. Estariam neste caso em associação com meios agitados (Wermund. a glaucónia pode ser considerada alogénica. o que acontece. (1983). possivelmente em relação com alta produtividade (devida. onde chegam pontualmente a constituir cerca de 80% da fracção da areia. as quais chegam a representar 90% do total dos constituintes da fracção da areia. Pelo contrário. noutros suportes bioclásticos além das carapaças de foraminíferos. A plataforma externa. possivelmente. Neste caso. Esta região é. na sua maioria. por vezes. Com efeito. A glaucónia aparece. o bordo da plataforma e a vertente continental superior são áreas enriquecidas nestas partículas. nomeadamente. assim. Nalguns locais da plataforma encontram-se grãos esferoidais e ovalados. Esta classe composicional é praticamente inexistente na zona meridional deste sector.

chegando a representar 67% da fracção 0 a 1 Ø. Na plataforma algarvia estes fragmentos tendem a encontrar-se a profundidades superiores a 100 m.151 profundidade. nomeadamente em fogos florestais. Em média. . bordo da plataforma e vertente continental superior. em especial na plataforma interna. Outras partículas É de assinalar a ocorrência. Na plataforma norte tendem a ocorrer próximo da costa a norte de 41º N. Na plataforma sudoeste foram detectados preferencialmente na plataforma interna e média frente a Sines. esta classe composicional encontra-se paticamente ausente de grande parte da plataforma externa.30 permitem contrastar rapidamente as características texturais e composicionais dos sedimentos superficiais dos sectores estudados e resumir parte das considerações anteriormente explanadas. V. tendo origem. de certo modo frequente. A análise destes diagramas indica que as coberturas sedimentares são predominantemente arenosas. Embora geralmente assumam carácter vestigial. Parte destes fragmentos tem proveniência. em especial na plataforma interna. na zona emersa. e de micas.5. O conteúdo em biogénicos é diminuto. devido a " diluição" pelas partículas terrígenas. de carvão e de escória. onde os níveis energéticos são menores. porém. Outra parte. o que revela a forte influência que a parte emersa exerce na plataforma continental adjacente. em relação com os rios que aí desaguam. A componente biogénica da areia (constituída por glaucónia) encontra-se geralmente presente em quantidades pouco significativas. O cascalho é mais abundante na plataforma interna e a expressão da fracção siltoargilosa é maior na sub-unidade de profundidade superior a 80m. encontra-se geralmente relacionada com a navegação a vapor. 7. em relação com o fornecimento de partículas pelos rios que drenam regiões graníticas. Este é o sector no qual se verifica a maior abundância de quartzo.29 e V. certamente. é grande o número de amostras em que estes fragmentos foram detectados. e a profundidades superiores a 150 m. nomeadamente. A abundância de cascalho terrígeno e a reduzida percentagem de finos nos sedimentos da plataforma norte confirma o bom abastecimento em materiais grosseiros provenientes do continente e os elevados níveis energéticos existentes neste sector. A abundância média destas partículas é cerca de 3%.2. na limpeza das caldeiras dos navios. 6. os sedimentos são mais detríticos que bioclásticos. e na plataforma externa e bordo da plataforma em frente à Figueira da Foz. Características dos sedimentos e processos associados Os diagramas circulares das figs.

A cobertura sedimentar da plataforma sudoeste é fundamentalmente arenosa.29 – Diagramas representativos da textura das “amostras médias” dos sectores estudados. devido ao reduzido fornecimento de origem fluvial e às litologias drenadas. em relação aparente com diminutas taxas de acumulação (inferidas da reduzida percentagem de finos aí existentes) e com a abundância de biogénicos (em especial carapaças de foraminíferos). Na plataforma externa deste sector verificam-se as maiores percentagens de glaucónia na areia. . em relação com a remobilização dos finos pela agitação marítima. principalmente na plataforma interna.152 TOTALIDADE DA PLATAFORMA PLATAFORMA <80 m PLATAFORMA >80 m N O R T E S U D O E S T E S U L Cascalho terrígeno Cascalho biogénico Areia terrígena Areia biogénica Silte Argila Figura V. A areia é dominada por partículas de origem biogénica.

7. Súmula 1. A comparação das características médias da cobertura sedimentar dos sectores da plataforma analisados indica que os sedimentos que parecem apresentar maiores diferenças são os das plataformas norte e algarvia. .153 TOTALIDADE DA PLATAFORMA PLATAFORMA <80 m PLATAFORMA >80 m N O R T E S U D O E S T E S U L Quartzo Agregados Outros terrígenos Micas Moluscos Foraminíferos Outros biogénicos Glaucónia Não identificados Figura V.30 – Diagramas representativos da composição da fracção areia das “amostras médias” dos sectores estudados.

provavelmente. 4. estes sedimentos poderão encontrar-se relacionados com: exportação de materiais pelo Guadiana e rios localizados mais a oriente. sendo proveniente de outros depósitos. A distribuição do cascalho parece relcionar-se com as paleo-desembocaduras dos rios mais importantes. 8. remobilização de siltes e argilas depositados no último período glaciário. os padrões de distribuição do cascalho terrígeno e das fracções mais grosseiras de quartzo parecem concordar com os esquemas de evolução pós-glaciária que têm sido propostos. Na plataforma norte. As distribuições da fracção silto-argilosa. 3. com os respectivos deltas de vazante e com paleolitorais. entre outros factores. 7. ressuspensão e transporte devido a fenómenos de "upwelling". cuja distribuição espacial sugere controlo batimétrico. importação de materiais lodosos da margem oeste. 7 e 8 denunciam importante abastecimento em partículas terrígenas. mais bioclástica e menos cascalhenta que a interna. O teor em cascalho dos sedimentos do grupo 8 aponta. encontram-se representadas todas as restantes classes consideradas no diagrama classificativo de Shepard (à excepção das classes argila e argila arenosa). À semelhança do que sucede geralmente a nível mundial. Na plataforma algarvia. bastante mal definidas. 5. A aplcação de uma técnica de partição da amostragem em grupos de amostras afins onduziu ao estabelecimento de 8 grupos com características distintas. por vezes. O teor em glaucónia dos sedimentos dos grupos 1. De uma forma geral. O tipo textural mais abundante é a areia. 2 e 3 permite pressupôr taxas de acumulação pequenas ou mesmo negativas e que a maioria destes sedimentos são do tipo relíquia. dos parâmetros granulométricos. as quais são. e de algumas classes composicionais da areia parecem relacionar-se com as características dos materiais actualmente fornecidos pelos rios e/ou pelas arribas. o que indicia a presença de elevados níveis energéticos junto ao fundo.154 2. todavia. . a diferenças no abastecimento fluvial e no clima de agitação marítima. a glaucónia pode encontrar-se em acumulação actual. para uma origem relíquia dos sedimentos incluídos neste grupo e para elevados níveis energéticos existentes aquando da deposição dos mesmos. Os sedimentos da cobertura não consolidada são geralmente grosseiros. os sedimentos do grupo 5 encontram-se provavelmente relacionados com a descarga dos rios que afluem a esta região. O contraste entre as características da cobertura sedimentar devem-se. Todavia. Verifica-se tendência geral para esta fracção ocorrer em duas faixas grosseiramente paralelas à costa. 6. Os grupos 6. 9. erosão de arribas mal consolidadas com elevados conteúdos silto-argilosos. a plataforma externa é mais lodosa.

O cascalho ocorre principalmente na plataforma média. podendo clarificar vários dos problemas relacionados com a proveniência dos materiais sedimentares. na qual é menos terrígeno e menos grosseiro. a componente biogénica. . acentuado contraste entre a plataforma externa localizada a norte e a sul do canhão submarino do Porto. Abaixo desta profundidade predomina. A escassa diversidade textural destes sedimentos encontra-se provavelmente relacionada com a inexistência actual de rios importantes e com a regularidade de pendor e exposição à ondulação da plataforma. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores frequentemente inter-dependentes. A plataforma sudoeste é dominada pela classe textural areia. intensidade da deriva litoral. A inexistência de bordo nítido a sul de Sines contribui possivelmente para uma maior mistura de partículas. ondulação dominante. enquanto que a componente carbonatada se integra na associação "foramol" e a componente autigénica é constituída por glaucónia. em menor extensão. em geral. em ligação aparente com os afloramentos rochosos aí existentes. a qual é dominada por clastos de moluscos e carapaças de foraminíferos. cujo ponto de inflexão se situa à latitude aproximada de 41ºN. presença de afloramentos de rochas consolidadas. 12. como sejam: tipo de desembocadura dos rios principais. da batimetria e do bordo da plataforma. bem como no bordo da plataforma. do Cávado. Existe.155 10. esta região apresenta características de sedimentação predominantemente terrígena até cerca dos 100 m de profundidade. A componente terrígena da areia é dominada por quartzo. O padrão de distribuição dos sedimentos é significativamente diferente a norte e a sul de Sines. Junto das cabeceiras do canhão submarino do Porto é detectável a ocorrência de um depósito silto-argiloso de grande importância. A hipótese de diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo e resultantes da interação dos factores oceanográficos com a batimetria permite justificar tal facto. em ligação aparente com as paleo-desembocaduras do Ave. pelo menos ao nível regional. e na plataforma externa. O desenvolvimento de trabalhos conjuntos com investigadores que estudem a plataforma galega permitirá o estudo global da plataforma galaico-minhota. e estado de abarrancamento do bordo da plataforma. Constata-se ainda a existência de contraste latitudinal evidente. o que está de acordo com o bom abastecimento de materiais provenientes do continente que para aí foram e são drenados pelos numerosos rios que afluem a esta região. No que se refere à areia. O facto de o bordo da plataforma apenas ser evidente na região setentrional permite explicar esta diferença de comportamento. A distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos sugere importação de materiais da região localizada imediatamente a norte. 11. orientação geral da costa. do Douro e. A plataforma norte apresenta sedimentos fortemente cascalhentos em que a componente terrígena apresenta valores significativamente elevados. nalguns dos mapas analisados.

. A areia é dominada pela componente biogénica. da batimetria e do bordo da plataforma. É neste sector que ocorrem as mais elevadas percentagens de glaucónia. estado de abarrancamento do bordo da plataforma. Existe contraste longitudinal na distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos. A fracção areia é dominada pela componente biogénica.156 A Veia de Água Mediterrânea e as correntes eventualmente associadas ao canhão de S. e para forte deficiência. 13. orientação geral da costa. Estas características apontam para níveis energéticos substancialmente inferiores aos das outras regiões. no abastecimento de elementos terrígenos das fracções areia e cascalho. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores. Vicente parecem desempenhar papel significativo na distribuição de alguns parâmetros sedimentológicos. de entre os quais se podem citar: presença de sistema de ilhas-barreira. A plataforma algarvia é a que apresenta maior diversidade de classes texturais. sendo o cascalho e a areia predominantemente bioclásticos. Apresenta contraste marcado com as regiões viradas a oeste. É nesta região que os fragmentos de "beach-rock" são mais abundantes. Os conteúdos em materiais silto-argilosos são geralmente elevados. intensidade da deriva litoral. ondulação dominante. principalmente no sector ocidental. diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo.

obviamente na classe "M" de partículas.. Aliás. Magalhães. 1989. 1987. assim. Magalhães et al. 1993). podendo ser consideradas partículas residuais. No depositário analisado encontram-se. No entanto. residual. 1980/81. de bioclastos de moluscos. poucos continuadores.ou endosqueletos de organismos vivos e partículas autigénicas em formação e crescimento. com a mineralogia e a origem das partículas. as quais se incluem. acabando as partículas incluídas no depositário por se comportar como detritos. teve. no essencial. fundamentalmente.157 VI. As partículas individuais de quartzo. de carapaças de foraminíferos e de glaucónia revelam diversos graus de maturidade sedimentar. quatro origens (Emery. 1987) reconhecia já a importância da distinção entre partículas sedimentares e depósito sedimentar. biogénica e autigénica. 1968). TIPOS DE PARTÍCULAS SEDIMENTARES 1. tais como exo. . Introdução Nos finais do século passado. Dias. Sorby (1880 in Dias. fundamentalmente. já Pettijohn (1957) reconhecia a necessidade de distinção entre materiais do primeiro ciclo e "multicíclicos". A tipologia das partículas sedimentares de cada classe composicional é. 1993.ex. as quais não revelam indícios de ter sido submetidas a mais de um ciclo sedimentar) e partículas «relíquia» (pertencentes à classe "R". O trabalho então desenvolvido. 1983/85. apresentando indícios de ter sido submetidas a mais de um ciclo sedimentar). tentaremos identificar partículas «modernas» (pertencentes à classe designada por "M". três tipos de partículas. entre outros factores. com a sua história sedimentar e com as características físicas e químicas dos ambientes envolvidos. Magalhães (1993) e Abrantes (1994). As partículas constituintes de um depósito sedimentar podem ter. ser considerados essencialmente conjuntos de partículas detríticas. Os sedimentos analisados podem. As partículas residuais tendem a ser sobrepostas por outras partículas ou a entrar em equilíbrio com o ambiente hidrodinâmico. independentemente da sua composição: 1) partículas detríticas (sendo a palavra "detrito" aqui empregue na verdadeira acepção do termo) em equilíbrio com o ambiente hidrodinâmico em que se encontram. realizado numa altura em que a sedimentologia se encontrava na infância e era praticamente nulo o conhecimento das plataformas continentais. após um período mais ou menos longo. As partículas não detríticas do tipo 3).. Os critérios identificativos de multiciclicidade variam. estas classificações são de difícil aplicação devido às histórias complexas e aos diversos ciclos de deposição a que as partículas sedimentares são sujeitas (Emery. por passar para o domínio das partículas detríticas. e 3) partículas não detríticas. À semelhança de anteriores autores (p. a considerada em Dias (1987).: Dias et al. acabam. porém. 2) partículas detríticas que não se encontram em equilíbrio com o meio. 1952): detrítica.

grãos com aspecto "sujo" e cor alaranjada a avermelhada. 4. e na vertente continental. geralmente. frequentemente. grãos com superfícies baças. As fracções granulométricas preferenciais deste tipo de grãos são as mais grosseiras (<1 Ø). De entre os sectores estudados. por vezes brilhantes. embora muitas vezes possam ser considerados sub-rolados. . como por exemplo limonite e hematite (Walker. geralmente angulosos a sub-angulosos. consequência de fracturação mais ou menos recente. grãos de superfícies geralmente bastante límpidas e brilhantes. embora se encontrem.1. Este tipo de grãos ocorre em todas as fracções granulométricas observadas. 2. arestas e vértices que exibem angulosidade e sub-angulosidade. quer inclusivamente no mesmo grão. vestígios de picotados pouco intenso ou outros tipos de cicatrizes. Grãos de quartzo 2. A coloração observada apresenta alta variabilidade. no bordo da plataforma. Tal facto é. geralmente esbranquiçadas e aspecto rolado. comportamento análogo ao já detectado por James & Stanley (1968) e por Dias (1987). embora seja especialmente abundante nas fracções mais finas (>2 Ø). alaranjada ou avermelhada é geralmente atribuída à presença de óxidos e/ou hidróxidos de ferro. As menores frequências registam-se na plataforma média e. sendo os outros acessórios ou mesmo vestigiais. Observações à lupa binocular A observação à lupa binocular permitiu agrupar estes grãos nos seguintes tipos principais: 1. entre outros. Estes grãos apresntam características de modernidade (classe "M" de partículas). por vezes. 5. mas de cor esverdeada. Dias & Nittrouer. frequentemente com contornos pontiagudos. areno-siltosos e lodosos. Verifica-se tendência para que as percentagens relativas de quartzo deste tipo decresçam na proporção inversa da dimensão granulométrica das fracções. A sua maior frequência verifica-se na plataforma interna. grãos com aspecto semelhante aos anteriores. por vezes. 1984). Friedman & Sanders. grãos avermelhados. estes grãos são mais abundantes na plataforma norte e no sector setentrional da plataforma sudoeste. em certas zonas do bordo da plataforma e da plataforma externa. Os grãos de quartzo do tipo 2 são especialmente abundantes nos depósitos arenocascalhentos da plataforma média e do bordo da plataforma. de superfícies não brilhantes geralmente rolados e sub-rolados. geralmente sub-rolados a sub-angulosos. 3. quer de grão para grão. Os grãos do tipo 1 exibem forma irregular. Os tipos 1 e 2 são claramente dominantes. provavelmente. na maioria das amostras estudadas. Os grãos sub-rolados apresentam. Observam-se. em especial nas áreas nas quais foram identificados depósitos arenolodosos. com frequências muito variáveis. 1967. Estes grãos não exibem. A pigmentação amarelada. pátinas.158 2. 1978.

As condições de formação das pátinas de ferro oxidado podem verificar-se em vários ambientes. Houten (1968) refere a possibilidade de rehidratação para limonite. nunca são brilhantes e apenas esporadicamente são nitidamente baços. em meio sub-aquoso. . Tal poderá suceder. este papel (Bentor & Kastner. A conjugação das várias características morfoscópias observadas permite concluir que estes grãos foram sujeitos a mais de um ciclo de deposição (Dias. mais raramente. estes sedimentos teriam sido submersos. indicador de exposição sub-aérea. (1970) indicam que o transporte não é. ausência de posteriores condições redutoras. embora as carapaças de foraminíferos constituam o suporte mais comum para a ocorrência de glaucónia. durante o qual adquiriu a pátina amarelo-alaranjada. 1980/81). possivelmente. Observase normalmente a existência de "picotado" e de muitas "cicatrizes". na plataforma externa do sector sudoeste. as praias e os campos dunares litorais. 1965. na plataforma média. condições pós-deposicionais que favoreçam a alteração destes minerais. Nesse período. posteriormente continentalizados e submetidos a exposição sub-aérea. Todavia. processo eficaz na remoção destas pátinas. De facto. os grãos de quatzo desempenham. As observações de Judd et al. no decurso de período de abaixamento do nível relativo do mar. como os desertos e. condições de Eh e pH do ambiente intersticial que favoreçam a formação de óxidos ferrosos. temperaturas superiores a 35o C. sendo a maior parte encontrada na plataforma externa e no bordo da plataforma. excepto na coloração. tempo suficiente para a alteração dos minerais com ferro. e na sua raridade. que é esverdeada. os seguintes: presença de minerais com ferro. A coloração esverdeada é provavelmente devida à deposição de uma fina película de glaucónia. estes grãos têm provavelmente diferentes origens. os grãos já patinados teriam sido sujeitos a intensificação dessa pátina. Os grãos de quartzo do tipo 3 apresentam muitas analogias com o tipo anterior. Segundo Dias (1987). estes grãos são mais abundantes na plataforma norte e no sector setentrional da plataforma sudoeste. Outra parte pode corresponder a quartzo não patinado ocorrente em antigos depósitos litorais. segundo Nordstrom & Margolis (1972). visto que pátinas análogas se podem desenvolver. por vezes. Ocorrem principalmente nas fracções 0 a 1 Ø e 1 a 2 Ø. possivelmente. Odin & Matter. posteriormente sujeitos a erosão. possivelmente. a presença de grãos com estas características não é necessariamente. esporadicamente. 1981). segundo Dias (1987). presumivelmente. Com a posterior subida do nível do mar até ao nível actual. por exemplo. Parte pode ter adquirido a pátina em antigos depósitos sedimentares continentais. segundo Walker (1967). À semelhança do comportamente detectado no tipo anteriormente descrito. que se apresentam rolados a sub-rolados e.159 Os principais factores na constituição da pigmentação por hematite são. formação de limonite e subsequente conversão em hematite. tendo o quartzo sido transportado e depositado em zonas litorais actualmente submersas. sendo portanto incluídos na classe "R" de partículas. embora se detectem também. As superfícies destes grãos. subangulosos. encontrando-se actualmente em fase de dispersão mais ou menos intensa pelas condições actuais.

Pereira & Alves. 1943). Os grãos de quartzo do tipo 4 são detectáveis na plataforma média e na plataforma externa. O exame simultâneo das marcas de acções mecânicas e químicas. ter-se aí “depositado” pelo facto de estar em contacto com grãos de glaucónia. visto ser constituída por sílica bem cristalizada. 1980. Pelo contrário. As fotografias apresentadas no presente trabalho foram obtidas no Centro de Microscopia Electrónica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (com um aparelho JEOL–T220) e no Centro de Metalurgia e Ciência dos Materiais da Universidade do Porto (com um aparelho JEOL JSM–35 C) 1.2. encontram-se presentemente a ser fornecidos à plataforma. 2. formando-se à sua superfície uma zona muito desorganizada de sílica amorfa.. a glaucónia poderá não se ter formado no grão. conduzindo a um arredondamento progressivo dos grãos. mas. Bettencourt et al. pelo contrário. O aspecto baço e esbranquiçado destes grãos é devido a picotado intenso. São extremamente raros na plataforma norte. visto destruírem a rede cristalina do quartzo. 1993) na identificação das condições dinâmicas e químicas a que os sedimentos estiveram sujeitos no decurso da sua evolução. desencadeados por acções químicas. Carlos Sá. . permitindo assim reconstituir a sua história. Por essa razão. 1989). Análise exoscópica Esta metodologia consiste na observação ao microscópio electrónico de varrimento (SEM) do estado da superfície dos grãos de quartzo. Os elevados estados de rolamento e esfericidade e o picotado destes grãos sugerem evolução eólica (Cailleux.: Georgiev & Stoffers. faces planas e depressões) tem sido utilizado por diversos autores (p. Na bibliografia consultada não se encontraram referências a este tipo de grãos de quartzo. Azevedo. A parte interna dos grãos não é afectada por este fenómeno.160 Porém. 1 Fotografias obtidas por Octávio Chaveiro e pelo Eng. Os grãos de quartzo do tipo 5 ocorrem sobretudo em amostras colhidas a profundidades inferiores a 50 m. No que se refere a grãos provenientes da plataforma continental portuguesa. por vezes em percentagens que se podem considerar elevadas. São frequentemente visíveis marcas de choque e o que aparentam ser marcas de corrosão. Apesar destes grãos serem certamente policíclicos. A presença deste tipo de grãos pode ser explicada por transporte eólico a partir de dunas existentes no litoral. 1982. ex. em especial nas partes mais salientes do grão. nas plataformas sudoeste e algarvia aparecem com alguma frequência. este tipo de análise apenas foi utilizada no estudos dos sedimentos da plataforma interna adjacente à Ria Formosa (Bettencourt. 1994. englobam-se na classe "M" de partículas. bem como das relações existentes entre estas marcas e o micro-relevo dos grãos (arestas. As acções mecânicas exercem uma influência fundamental na evolução do grão. Esta desorganização da parte superficial do grão vai facilitar os fenómenos de dissolução. 1989.

nunca se observando nas depressões dos mesmos. VI. películas siliciosa e flores de sílica) ou com fenómenos de dissolução (decapagem. redes de dissolução anastomosadas e figuras de dissolução geométrica). VI. as redes de dissolução anastomosada são características de profundidades superiores a 30 m. Estas marcas encontram-se sempre localizadas nas arestas e faces planas dos grãos. Muitas das características observáveis nos grãos dependem.1). Para além das características comuns à totalidade dos grãos. que reflecte a progressiva decapagem da zona superficial amorfisada.2) que se acentua com o progressivo ataque do grão e resulta da dissolução da parte melhor cristalizada ou da menos desorganizada da zona de transição. muitas vezes polidas. Existem dois tipos de marcas de acções químicas. De facto. escamas convexas. sendo visível a maior ou menor modificação das características herdadas das evoluções anteriores. As películas siliciosas podem ser unicamente constituídas por Si ou incluir uma proporção importante de elementos variados (nomeadamente Fe e Al no caso dos quartzos pedogenéticos. VI. Por vezes. cúpulas de choque. o que testemunha. é já visível uma rede de dissolução anastomosada (fig. As características dos grãos analisados permitem supôr que estes sofreram evoluções complexas.161 As narcas de choque (que correspondem a fracturas conchoidais. bem como deduzir o nível energético do mesmo. enquanto as marcas de choque com gradiente de polimento (fig. Mg e K no caso dos grãos que evoluíram na parte superior das praias). No entanto. encontrar-se em qualquer parte da superfície do grão. pelo contrário. relacionadas com o episódio evolutivo mais recente. As marcas observadas são típicas dos ambientes sedimentares em que os grãos evoluíram.3) surgem a menor profundidade (Le Ribault. em que os grãos se encontram. crescentes de choque. . Vs de choque. marcas de fricção ou marcas de esmagamento) permitem identificar o ambiente no qual se exerceram as acções mecânicas que lhes deram origem. são facilmente identificaveis as que são devidas ao ambiente marinho. que vão sendo substituídas por novas. da profundidade a que os mesmos se encontram. e Cl. Por exemplo. permitindo precisar o tipo de evolução aquática e detectar eventuais episódios de imobilização dos grãos. em certa medida. Os grãos exibem frequentes marcas de choque. na maior parte dos casos. a superfície do quartzo apresenta sempre um polimento frequentemente elevado (fig. As marcas de acções químicas podem. consoante se encontrem relacionadas com depósitos resultantes da precipitação de sílica (glóbulos. subsaturado em relação à sílica amorfa e às suas formas cristalinas. 1977). descamação. episódios de eolização mais ou menos energética anteriores ao seu transporte para a plataforma continental. relacionados com a retoma dos grãos em ambientes subsaturados em sílica amorfa. existem outras mais especificamente relacionadas com os tipos anteriormente considerados.

Figura VI. .1 – Grão de quartzo com polimento tipicamente marinho.2 – Rede de dissolução anastomosada num grão de quartzo.162 Figura VI.

7). . VI. pela presença de Vs de choque com gradiente de polimento e pela presença de depósitos em toda a superfície dos grãos (fig. sendo tal polimento claramente anterior a uma geração mais recente de marcas de choque. evidenciada pelo tipo de polimento (fig.5). frequentemente brilhantes) conservam ainda uma influência bem marcada do ambiente fluvial em que evoluíram antes de serem transportados para a plataforma.4). A menor ou maior densidade de crescentes e cúpulas de choque permite avaliar a energia relativa dos episódios eólicos que os produziram. são observáveis numerosos cocolitoforídeos nestas depressões (fig. muitas vezes polidas.6). Os grãos dos tipos 1 (hialinos. brilhantes e com angulosidade elevada) e 4 (vermelho vivo.163 Figura VI. com pátina acastanhada ou esverdeada. De facto. VI. As características dos grãos do tipo 5 (rolamento elevado. Os grãos dos tipos 2 e 3 (não brilhantes.3 – Grão de quartzo que apresenta marcas de choque com gradiente de polimento. VI. VI. existem numerosas marcas de choque. rolamento elevado e aspecto geral de “sujo”) apresentam como característica marcante a presença de depósitos siliciosos nas depressões. superfícies baças e aspecto esbranquiçado) indiciam frequentes trocas sedimentares entre dunas e a plataforma continental. o que reflecte a herança bem marcada de um episódio evolutivo em ambiente intertidal. visto que estas apresentam frequentemente contornos bastante angulosos (fig. enquanto que as partes mais salientes são dominados por figuras de dissolução que começam a atacar as marcas de choque (fig. VI. Por vezes.8).

5 – Grão de quartzo com depósitos em toda a superfície.4 – Grão marinho de quartzo que apresenta ainda polimento fluvial. .164 Figura VI. Figura VI.

6 – Grão de quartzo com depósitos nas depressões e figuras de dissolução nas partes mas salientes.165 Figura VI. Figura VI. .7 – Depressão de grão de quartzo com numerosos cocolitoforídeos.

os grãos foram envolvidos em resina epóxica. Procedeu-se em seguida à análise química elementar dos grãos com o auxílio do microscópio electrónico de varrimento (SEM) na sua parte mais externa. caso correspondessem a uma deposição de uma película de ferro sobre a superfície do grão. Neste contexto. algumas das quais apresentam contornos bastante angulosos. Guto Roberts.3.9. VI. as pátinas. . Como se sabe. a estrutura cristalina do quartzo e a inexistência de fenómenos de substituição não permitem a existência de quantidades apreciáveis de outros elementos para além do silício na composição deste mineral.166 2. no seu centro e aproximadamente a meia 2 Análises efectuadas pelo Dr. as primeiras efectuadas sobre grãos provenientes da plataforma continental) previamente seleccionados por observação à lupa binocular foram efectuadas na Universidade de Glamorgan (País de Gales). seriam facilmente identificáveis. As análises químicas de grãos de quartzo 2 (que se saiba. Com tal objectivo. após o que se obtiveram as correspondentes superfícies polidas. Figura VI. sendo a sua localização fornecida na fig.8 – Grão de quartzo baço e com numerosas marcas de choque. Análise química Tentou-se averiguar a existência de eventuais relações entre os referidos tipos de grãos de quartzo e a variação da composição química dos mesmos.

obtida com electrões retro-difundidos. o tipo de extinção do quartzo e a eventual existência de intercrescimentos mirmequíticos entre este mineral e os feldspatos) e de catodoluminescência. ex. Teixeira & Gonçalves.I. no qual os elementos presentes em quantidades vestigiais se encontram assinalados com um asterisco (*).167 distância entre o centro e a periferia. 22 1 25 10 5 11 8 12 9 3 2 4 15 6 7 16 28 29 14 19 13 23 17 20 26 24 21 18 27 30 Figura VI. titânio e ferro. . Os resultados obtidos constam do quadro VI. Nesta perspectiva. Por exemplo. 1992. A análise deste quadro sugere que a maioria dos grãos analisados possuem inclusões que não tinham sido identificadas por observação à lupa binocular. 1994) que são drenadas para os sectores da plataforma estudados. Estes resultados podem constituir um indicador da proveniência de determinados grãos. Contudo. relacionada com a existência de feldspato potássico e/ou moscovite. a existência de quantidades apreciáveis de potássio encontra-se. por exemplo. Na fotografia da fig. O estanho e o titânio. 9 – Localização dos grãos de quartzo submetidos a análise química. As análises efectuadas possibilitaram a detecção dos elementos de número atómico superior ao do néon (10). Pereira. entre outros aspectos.10. os resultados obtidos confirmam a ocorrência frequente de inclusões nas rochas eruptivas e metamórficas (p. VI. 1969. o que reflecte a drenagem de rochas da zona centro-ibérica. apenas foram detectados em grãos provenientes da plataforma norte. estudos aprofundados sobre esta problemática deverão também incluir métodos petrográficos tradicionais (que permitem identificar. 1980. aparentemente. Moreira. são observáveis inclusões de aluminossilicatos.: Oliveira.

Sector Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Norte Sudoeste Sudoeste Tipo de grão 1 1 2 1 1 1 1 1 2 1 1 3 3 4 Norte 1 Norte Sudoeste Sul Sudoeste Sudoeste Sul Norte Sudoeste Sul Norte Sudoeste Sul Norte Sudoeste Sul 3 1 1 4 2 2 3 3 3 4 4 4 5 5 5 Nº do Centro Meio grão 1 Si. Sn*. Fe* 22 Si. Fe* Si. Sn*. Fe. Os grãos deste último grupo apresentam uma composição mais diversificada que os do primeiro. Al. Al Si. Sn*.I sugere ainda a existência de dois grupos de grãos de quartzo. K*. Ti* Si. Al.I – Composição dos grãos de quartzo analisados. Fe Si. K Si. Fe* Si. Al* 21 Si Si. Fe. Ca*. Fe* Si Ca. 4 e 5 sugere que os episódios mais marcantes da sua evolução se processaram em ambientes subsaturados em sílica e que não permitiram a incorporação de elementos adicionais durante a . Fe. K*. Fe* Si Si. Fe* Si. Fe. Sn* – 2 Si. K Si. Sn* Si. Al. Fe* Si. Al 14 Si – – Ca. Al. S* Si. Sn* Si. K*. Ca*. correspondentes a composições químicas idênticas na totalidade dos mesmos (grupo 1) ou significativamente diferentes do centro para a periferia (grupo 2). Si. Sn* Si. Sn*. K. Sn*. Ti* Si. A semelhança de composição entre a periferia e a parte central dos grãos dos tipos 1. 15 Ti* 16 Si Si 17 Si – 18 Si – 19 Si – 20 Si. Fe* Si Si. S. Cu* Si Si Si. Sn* Si. Sn*.Ti* Si Si A análise do quadro VI. VI. Sn* 8 Si. Si. K. Fe. Sn*. Sn* 26 Si Si 27 Si Si 28 Si. Sn* – 6 Si. Sn*. Fe. Sn* 23 Si Si. Fe. Fe* Si. Ca* Si. Al. Fe. Sn*. K*.9. Fe. Mg*. Fe. Sn*. K* 25 Si. Sn* Si. Fe* 5 Si. Sn*. Ti* Si. Al. K. K. Fe. Al*. Fe* 9 Si. Al* Si. Ti* 29 Si Si 30 Si Si Superfície Si. Al. Al* Si. sugerindo que os dois grupos de grãos evoluíram em condições ambientais diferentes e/ou que a evolução dos grãos do segundo grupo terá sido mais prolongada. Sn*. Sn* Si. S. Ca* Si. Ca* – 13 Si. Al* 24 Si Si. K. Fe*. Fe* Si. Sn* – 7 Si. K. identificados com a numeração da fig. Al – 3 Si. Ti* Si.168 Quadro VI. Sn* Si Si Si. 4 Si. Al. K. Fe* 10 Si – 11 Si Si 12 Si.

em todos os sedimentos das plataformas. As análises químicas dos grãos dos tipos 2 e 3 confirmam o que se referiu a propósito das observações efectuadas à lupa binocular.10 – Inclusões de aluminossilicatos. tal como . em maior ou menor abundância. segundo os quais os elementos mais abundantes são o silício. Figura VI. estes resultados apresentam algumas semelhanças com os referidos por Cekhomskij (1960 in Le Ribault. 1977). a composição dos grãos dos tipos 2 e 3 apresenta alguma concordância com os resultados referidos por Le Ribault (1977) quanto aos grãos que evoluem em ambientes intertidais. e como estas partículas se encontram presentes. as pátinas alaranjadas e avermelhadas dos grãos do tipo 2 são. 3. de abrasão física e de dissolução actuam rapidamente nos clastos de moluscos. estes materiais. Clastos de moluscos Atendendo a que os processos biodegradativos.169 sua permanência na plataforma. que na maioria dos casos se restringe à porção mais superficial dos grãos. De facto. titânio e ferro num grão de quartzo. Por outro lado. o alumínio e o ferro férrico. autor que publicou os resultados de diversas análises químicas de películas de grãos de quartzo provenientes de diversos ambientes. devidas à deposição de uma película de ferro. à semelhança do que é referido na bibliografia a que se teve acesso. No que se refere à zona mais superficial dos grãos.

As menores frequências registam-se na plataforma média e. Por consequência. na vertente continental e em certas zonas da plataforma externa e do bordo da plataforma. devido a este tipo de material apresentar dureza bastante inferior à do quartzo. As conchas e fragmentos do tipo 1 apresentam características de "modernidade". a fragmentação generalizada estaria provavelmente restrita às praias. podendo-se distinguir os pormenores de ornamentação das conchas. predominantes na plataforma média e. geralmente sub-rolados a subangulosos.170 foi reconhecido. não é de excluir que a fracturação que se observa na maior parte das amostras analisadas possa também ser.. conchas. geralmente esbranquiçados ou acinzentados. de tonalidade acastanhada. muitas vezes muito perfurados por organismos e mesmo com vestígios de tubos ou exo-esqueletos de outros animais. A observação destes clastos à lupa binocuar permite considerar os seguintes tipos principais: 1. em parte. entre outros. que foi factor importante no estabelecimento da tipologia dos mesmos. 2. (1969) e Dias (1987). Sendo assim. o rolamento do material carbonatado tem. quer inteiras quer fragmentadas. Os fragmentos de clastos de moluscos do tipo 2. a energia associada às ondas. maior capacidade de reflectir a história recente da abrasão a que a partícula foi sujeita. pontualmente. fragmentos com pontuações de glaucónia. 5. de cor acastanhada ou esverdeada. No entanto. O processo de tratamento laboratorial das amostras pode ainda afectar a cor dos clastos de moluscos (Pilkey et al. por vezes. que apresentam geralmente aspecto "polido". são frequentemente referidos na bibliografia científica . o estudo de cada um destes constituintes permite obter resultados complementares. no bordo da plataforma. fragmentos de conchas de cor escura. em maior ou menor grau. no bordo da plataforma. por vezes quase negra. à semelhança do que tinha sido já constatado por Dias (1987). por Magalhães (1993) e por Abrantes (1994). segundo Pilkey et al. frequentemente com a camada nacarada interior nitidamente visivel. na quase totalidade do material examinado. consequência da agitação provocada pela peneiração das amostras. Porém. fragmentos de conchas sub-rolados a subangulosos. O principal agente físico responsável pela fragmentação das conchas é. por Pilkey et al. 4. observou-se a existência de fracturação. (1969). fragmentos de conchas corroídos. com estado de rolamento variável. 1979). A frequência máxima deste tipo de grãos observa-se na plataforma interna. de aspecto frequentemente pulvurento. o que as permite englobar na classe "M" de partículas. A título de exemplo. constituem meio de análise privilegiado para reconstituir a história sedimentológica recente destas zonas. 3. Os carbonatos das conchas e o quartzo apresentam características físico-químicas até certo ponto contrastantes. constituindo provavelmente partículas presentemente a serem integradas no sedimento.

incluindo-se consequentemente na classe "M" de partículas. As partículas do tipo 1 encontram-se presentes na plataforma externa. segundo Maiklem (1968). com sedimentos finos. carapaças com o interior preenchido por material silto-argiloso de cor acastanhada. A análise à lupa binocular permitiu identificar os seguintes tipos: 1. por consequência. Pilkey et al. em zonas onde a glaucónia se encontra presente em quantidades consideráveis. Os fragmentos do tipo 3 encontra-se predominanantemente na plataforma externa. 1967). ocorrem especialmente na plataforma externa e junto ao bordo da plataforma. em presença de bactérias sulfato-redutoras (anaeróbias). Estas carapaças estão presentemente a ser integradas nos sedimentos. carapaças inteiras ou fragmentadas. .171 (p.. carapaças com pontuações de glaucónia. esses minúsculos centros de concentração de matéria orgânica actuam. ricos em matéria orgânica e com ambiente redutor (p. relíquia.: Maiklem. com pontuações de glaucónia. 3. 1969) e considerados como partículas retomadas de ciclo deposicional anterior. sendo assim possível integrá-las na classe "R" de partículas. como núcleos favoráveis à precipitação de sulfureto de ferro. Carapaças de foraminíferos As câmaras internas das carapaças de foraminíferos constituem microambientes capazes de preservar matéria orgânica mesmo na zona superficial oxidante (Maiklem. estes fragmentos foram integrados na classe "R" de partículas. com os pormenores de ornamentação bastante visíveis. carapaças preenchidas por material carbonatado. carapaças preenchidas por compostos férricos. ex. O tipo 4 de clastos escuros é frequentemente descrito na bibliografia em associação. composição e estrutura. 1968. Pilkey et al. Os fragmentos do tipo 5.: Maiklem. moldes internos de foraminíferos. Devido às suas características de forma.. A cor castanha é. 4. A cor negra resulta provavelmente da integração das conchas em sedimentos finos com condições redutoras (Pilkey et al. 1979). reflectindo este tipo de conchas a possível existência de um ambiente oxidante do tipo praia (Pilkey et al. e. ex. 1969). as carapaças de foraminíferos apresentam velocidades de sedimentação menores que as partículas de quartzo volumetricamente idênticas. em certas regiões do bordo da plataforma e na vertente. em amostras que exibem altas percentagens de clastos de moluscos. 7. carapaças cobertas por pátinas de coloração acastanhada. sujeitas a longa evolução em meios de pequena ou nula turbulência. 4. tal como nos sectores estudados. O aspecto das suas superfícies permite admitir que se trata de conchas antigas. Quando as referidas carapaças são soterradas abaixo da superfície. 1968. 6. 1969). 5. provavelmente devida a uma pátina de ferro oxidado.. Devido às características genéticas da glaucónia.. 2.

. 1987). eram certamente responsáveis por uma elevada produtividade orgânica. segundo modelo análogo ao de Lynn & Bonatti (1965). Por outro lado. nestas condições. trocas iónicas com os carbonatos que constituem as carapaças e com o meio externo (água do mar). entre outros processos. Magalhães Ramalho. sendo as 3 Identificação efectuada pelo Prof.172 sendo portanto remobilizadas e transportadas por correntes menos energéticas que as necessárias para movimentar partículas de quartzo de dimensões análogas. M. têm lugar no interior das carapaças de foraminíferos é muito complexo. o ferro (proveniente eventualmente de pátinas anteriormente existentes e/ou de minerais ferromagnesianos) seria. nas carapaças de foraminíferos que apresentam preenchimentos. No interior dessas carapaças precipitariam assim. Nestas circunstâncias. Por um lado. A existência de condições oxidantes à superfície explica possivelmente o facto de frequentemente ocorrerem pátinas. a largura da plataforma era inferior à actual e o fluxo de cheia dos rios transportava grandes quantidades de material. geralmente pouco desenvolvidas. o interior das carapaças de foraminíferos constitui um meio semi-confinado. Não é possível incluí-las na classe "M" ou "R" de partículas. 1991c). ao longo do gradiente geoquímico. segundo esquema análogo ao proposto por Walker (1967). Contudo. Os depósitos em que os grãos do tipo 5 se encontram presentes formaram-se em condições substancialmente diferentes das actuais (Dias. provavelmente como resultado da alteração de minerais com elevadas quantidades de ferro. A conjugação destes dois factores (elevada produtividade orgânica e elevada taxa de sedimentação) seria responsável pelo rápido soterramento das partículas sedimentares. As partículas acastanhadas do tipo 3 foram consideradas "não actuais" por Dias (1987). sulfuretos de ferro. O ferro responsável pelas pátinas seria fornecido a partir dos continentes. os fenómenos de "upwelling" que atingiam a plataforma. mesmo neste ambiente oxidante da interface sedimentoágua. Foram identificadas na plataforma externa e no bordo da plataforma setentrionais em relação com os afloramentos rochosos aí presentes. As partículas do tipo 4 são claramente antigas. Este autor considera que não existem indícios seguros que permitam decidir se se trata de partículas retomadas de anterior ciclo de deposição ou de partículas presentes há mais tempo no actual ciclo de deposição. mobilizado em profundidade e migraria.. (1991c). A identificação de alguns destes foraminíferos 3 revelou que correspondem a fósseis de espécies características do Paleogénico. As pátinas existentes nos grãos do tipo 2 podem ser explicadas por um modelo que considere a existência de baixas taxas de sedimentação e de um ambiente oxidante contínuo (Magalhães et al. provavelmente mais intensos que os actuais. É relevante referir que o conjunto das reacções químicas que. o qual se traduz pela ocorrência de um microambiente redutor. conjuntamente com eventual deposição de argila. envolvendo eventualmente. sob estas condições. e consequente envolvimento em ambientes redutores. até ao ambiente oxidante da superfície. visto derivarem da erosão dos afloramentos aludidos. de acordo com Magalhães et al.

a glaucónia é fundamentalmente detrítica. Alguns destes preenchimentos foram sujeitos a análise por difractometria de raios X. Bornhold & Giresse. 3. de cor escura. 5. 1985) consideram ser a glaucónia essencialmente autigénica. Observações à lupa binocular Foram identificados os seguintes tipos: 1. na sua maioria carapaças de foraminíferos. utilizando um difractómetro Philips PM8000. 1981. No 4 Difractogramas efectuados por Hélder Borges. com aspecto rolado e. com pontuações de glaucónia. geralmente. A referida análise permitiu identificar glauconite e apatite. presumivelmente. contituídos por partículas de glaucónia e minerais terrígenos (integrando também. a maior parte da glaucónia encontrada nos sedimentos dos sectores estudados é. Glaucónia 5.5542 Å. as diferenças no estado de glauconitização podem estar relacionadas com a idade das partículas ou com diferenças nas condições de glauconitização. As partículas glauconitizadas do tipo 6 foram incluídas na classe "R" de partículas. . com radiação k de 1. 4.173 reacções que se dão provavelmente influenciadas por intensa actividade bacteriana verificada no interior das carapaças. pontualmente. o que parece indicar a existência de relações entre a ocorrência de ferro nas referidas carapaças e fenómenos de glauconitização e de fosfatização (Magalhães et al. 1991c). em que a glaucónia ocupa a maior parte da partícula..1. moldes internos de foraminíferos.vezes quase negra. Os moldes do tipo 7 constituem transição emtre as carapaças de foraminíferos e os grãos de glaucónia. De acordo com Odin & Létolle (1978). bioclastos. grãos compósitos. grãos esferoidais ou ovalóides. Como se afirmou em capítulo antrior. 5. possivelmente. ser integrada na classe "R" de partículas. autigénica. a quase totalidade das partículas de glaucónia deveria. Segundo Dias (1987). grãos lobados ou mamilados. agregados por matriz glauconítica. podendo mesmo encontrar-se actualmente em fase activa de formação. Nestas circunstâncias. de cor escura. carapaças de foraminíferos glauconitizadas. enquanto para se constituir a glauconite é necessário período de tempo muito mais dilatado. bioclastos). proveniente de uma ampola de cobre e gerada a 30 mA e 40 KV 4. 6. são necessários mil a dois mil anos para se desenvolverem minerais do tipo esmectite. 1982). Outros autores (Odin & Matter. 2. Não existe consenso sobre a origem da glaucónia presente actualmente nos sedimentos das plataformas continentais. Segundo alguns autores (Logvinenko.

alternativamente. o conteúdo em K2O constitui um excelente indicador do grau de evolução da glaucónia. é integrável na classe "M" de partículas. O facto de o meio físico-químico envolvente poder eventualmente acelerar ou moderar este processo evolutivo implica que os dados referentes à glaucónia devam ser interpretados de forma disjuntiva. Ainda de acordo com este autor. Segundo Dias (1987). 1985).174 entanto. A glaucónia do tipo 1. 1966. considerando a possibilidade de uma dada partícula estar há mais ou menos tempo presente no depositário ou de se encontrar sujeita a processos mais ou menos marcantes. o modelo evolutivo mais frequentemente aceite para tentar explicar a génese dos grãos de glaucónia é o que corresponde à teoria da precipitaçãodissolução-recristalização. proposta por Odin & Matter (1981) e esquematicamente representada na fig. a classificação que considera partículas modernas e relíquia deve neste caso ser encarada de forma diferente. Estas partículas seriam assim mais antigas no depositário ou. 5. os grãos lobados ou mamilados do tipo 4 podem corresponder a estado de rolamento menor que os grãos esferoidais e ovalóides. podendo ainda ser provenientes de meio mais favorável à ocorrência da glauconitização. De acordo com este modelo. Os grãos compósitos do tipo 6 podem.2. Não é de excluir que este tipo de grãos esteja relacionado simultaneamente com mais de uma das hipóteses expendidas por Dias (1987). Análise química Como foi anteriormente referido. à medida que o processo de glauconitização . partindo do pressuposto que existe uma evolução desde o microambiente de formação até à partícula rolada de glaucónia. VI. teriam estado sujeitas a processos mais energéticos. segundo Dias (1987). corresponder a um estádio final da evolução dos tipos anteriores ou podem estar associados a ambientes energéticos e fisico-químicos específicos. a observação à lupa binocular de grãos deste tipo não permite privilegiar qualquer destas hipóteses. ou que processos diferentes tenham conduzido a morfologias idênticas. de igual modo. Odin & Matter. passando por partícula glauconitizada e por molde interno. Os grãos esferoidais e ovalóides do tipo 5 podem resultar da remobilização e abrasão de partículas pré-existentes (Triplehorn. Os moldes do tipo 3 constituem provavelmente estádio mais evoluído e mais antigo que o precedente. Bornhold & Giresse. 1981. a morfologias originais. que ocorre sob a forma de pontuações de bioclastos. As carapaças glauconitizadas do tipo 2 são presumivelmente mais antigas que as precedentes. 11. a agregação de partículas roladas de glaucónia e/ou a fracturação incipiente no decurso do transporte e dissolução ou desgaste nessas zonas do grão.

o que pode estar relacionado com: 1) a existência de grande disponibilidade deste elemento na plataforma. do Centro de Geologia da Universidade de Lisboa) 5.6 % e 34. O MgO está presente em percentagens que variam entre 2.1%. exibe baixos teores de K2O (entre 2. 1981). segundo Odin & Matter (1981). a sílica ocorre em teores relativamente baixos. 1985).g. tal como foi referido por outros autores (e. incorporação inicial rápida do ferro.6% e 3. 1981. Observa-se uma nítida variação dos teores de K2O entre 2.2% e 4. Weaver.9%. 3) condicionantes hidrodinâmicas (nomeadamente energia do meio e tempo de residência da água no local). De acordo com estes resultados parecem existir dois grupos distintos de grãos quanto à composição química: – o primeiro. entre 15. 1989). Independentemente das causas. até quase preto (McRae.5% e 33. a presença destas percentagens de ferro confirma. acompanhada de uma presença ainda pouco significativa do potássio. correspondente a glaucónia menos evolucionada (estádios 1 e 2 de Odin & Matter.6%. indicando diferentes graus de evolução. Fernando Barriga. Os resultados encontram-se no quadro VI. Estes últimos são muito elevados quando comparados com os referidos na bibliografia.8%). Figura VI. a variação das quantidades relativas de ferro e alumínio e potássio são responsáveis pela modificação de cor dos grãos desde o verde claro ao escuro. Bornhold & Giresse.6 %) e elevados teores de ferro total (entre 54.11 – Estádios de glauconitização de um substrato granular. as quais parecem aumentar com o incremento do teor em K2O. 2) condições redox específicas.II.: Odin & Matter. 1972. Alguns grãos de glaucónia foram sujeitos a análise química por microssonda electrónica (equipamento JEOL Superprobe 733. 5 Análises efectuadas pelo Prof.2% e 8. ou 4) tipo de sedimento envolvente. .175 progride.

1991c).3 0..1 2.0 2.3 0.1 0. no geral inferiores a 0.1 2.4 0.8 0.1.5 5 9. as fracções mais grosseiras da areia são dominantes e constituídas essencialmente por quartzo "R".II – Análise química de grãos de glaucónia da plataforma continental (Magalhães et al. Grãos de quartzo Amostras em que o quartzo "R" se encontra ausente. sendo as partículas presentes classificáveis como modernas.2 0.176 – o segundo grupo de grãos.7 3 34.9 0.8 0. O MgO encontra-se presente em percentagens que oscilam entre 4.3 89.0 4.3 0.9 0.1 0.0 4.6 0.4 89. pode inferir-se que as condições energéticas inibem a deposição de partículas modernas de diâmetro equivalente inferior ao das partículas que constituem o depósito e/ou que as condições de circulação não permitem o transporte de partículas de quartzo de diâmetro equivalente susceptível de deposição. 6.6 0.1 27.4 4 27. enquanto que as fracções mais finas da areia são muito . Porém.0 6.9 0. Por vezes.3 8 43.2 0.5 0.3 0.0 7.3 0.5%).6 0.1 3.0 2.3% a 8.0 0.7% a 49. cujas percentagens de Al2O3 variam entre 2. tal não se verifica nas amostras analisadas. tem teores elevados de K2O (7.0 54.5 0.1 7.0 22.1 3. ocorrem em percentagens muito pequenas.1 4.9 80.2 2 25.0 8.8%. denunciam prováveis zonas de deposição actual activa.6 Diversos autores encontraram uma relação de proporcionalidade inversa entre os teores de Fe total e de Al2O3. Nas zonas em que o quartzo presente pertence maioritariamente à classe "R".1 4.9% e 27. Quadro VI.9 0.0 4.1 21.0 4.8 0.7 2.2 0.9 0. valores mais elevados que os do grupo anterior.2 0.9% e 9%.1 0.6%) e teores de ferro total mais baixos e relativamente homogéneos (entre 21.4 0.5 0.0 3.1 0.0 8.6 0.0 0.4 9.6 89. % SiO2 TiO2 Al2O3 Cr2O3 FeO + Fe2O3 MnO MgO CaO Na2O K2O TOTAL 1 15. Todos os outros óxidos presentes. Tipos de partículas e implicações deposicionais 6.5 0.5 7 49. correspondente a glaucónia evolucionada (estádios 3 e 4 de Odin & Matter.9 0.1 41.0 4.5%.6 86.1 4.2 79. 1981).4 87.9 0.0 24.7 0.1 42.9 6 46.8 0. os teores em sílica deste grupo são mais elevados e mais homogéneos que os do grupo anterior (43.2 33.0 4. de igual modo.0 0.9%).0% e 4.4 82.0 6.0 2.7 0.

Carapaças de foraminíferos Segundo Cloud (1955). Bioclastos de moluscos A existência.4. insuficientes para cobrir os sedimentos mais antigos e/ou níveis energéticos suficientemente fortes para transportar estas patículas maturas. ser analisados com precaução. A ausência de deposição pode ainda ser favorecida pela actuação de processos específicos do bordo da plataforma e da vertente continental superior. estes processos operam caracterizam-se por níveis energéticos baixos. Tal facto indica provavelmente ausência de transporte actual. Este assunto será abordado com mais pormenor quando se discutirem os mecanismos actuantes no bordo da plataforma. presumivelmente. com indícios de ter sido submetidas a mais de um ciclo sedimentar. 6. de quantidade apreciável de bioclastos da classe "R" poderá indicar taxas de sedimentação muito pequenas. num depósito. Glaucónia A existência de processos actuais de glauconitização parece ser confirmada. consequentemente.3.2. a glauconitização das carapaças de foraminíferos verifica-se geralmente do interior para o exterior e preenche progressivamente as cavidades da concha.177 reduzidas e constituídas por quartzo "M". associados a inexistente ou diminuta deposição de partículas. como vimos em capítulo anterior. Os bioclastos "R" podem ser encarados como partículas detríticas e. O consequente aumento do diâmetro equivalente dessas partículas permite compreender a existência de locais caracterizados por elevada percentagem de carapaças glauconitizadas e pela quase ausência de carapaças imaturas de iguais dimensões. 6. a ausência de deposição é possivelmente devida sobretudo à existência de pequena quantidade de partículas susceptíveis de deposição. Os bioclastos "M" devem. para estas zonas. de partículas de diâmetro equivalente inferior a 2 Ø. visto a diferença dos diâmetros equivalentes favorecer ressuspensão e transporte selectivos. Sendo assim. A glaucónia que ocorre sob a forma de grãos esferoidais e ovalóides pode também ser considerada alogénica. os critérios interpretativos utilizáveis são análogos aos referidos para o quarto. . tendo origem em locais de glauconitização anterior. 6. visto ser difícil afirmar quando é que uma determinada concha ou fragmento imaturo de concha foi transportada e depositada com o restante sedimento. porém. pela ocorrência de diversos estádios de transição entre carapaças de foraminíferos com pequenas pontuações de glaucónia e moldes internos constituídos por glaucónia. Os locais onde.

de bioclastos de moluscos. de carapaças de foraminíferos e de grãos de glaucónia permitiu considerar duas grandes classes: "M" (partículas recentemente chegadas ao depositário) e "R" (relíquia").178 7. à localização de paleolitorais e à existência de áreas deposicionais e não deposicionais. relativas. Súmula 1) A observação à lupa binocular de partículas de quartzo. 2) As informações obtidas possibilitam a dedução de características relevantes da dinâmica sedimentar actual e passada da plataforma continental e da vertente superior. entre outros. .

mas apenas identificar o padrão geral de distribuição da cobertura sedimentar não consolidada da plataforma e da vertente continental superior. As alterações nas características dos depósitos não implicam necessariamente o desaparecimento dos mesmos. depositados durante períodos em que o nível do mar se encontrava mais baixo que o actual e que não se encontram em equilíbrio com as condições ambientais actuais. A caracterização de cada um dos depósitos identificados foi. A este respeito. pela introdução de partículas mais finas. ex. responsáveis. à variabilidade de características que os mesmos apresentam e à transição gradual de uns depósitos para outros. efectuada no capítulo anterior. É de salientar que o objectivo deste trabalho não é proceder à delimitação exacta dos depósitos nem efectuar uma cartografia sedimentológica de precisão. visto ser este o tipo de aproximação que permite comparar mais facilmente os diferentes tipos de depósitos identificados. os depósitos sedimentares presentes numa determinada área. feita com base na análise das principais características da cobertura sedimentar. com elevado grau de pormenorização. Acresce ainda a eventual obliteração parcial ou total das características relíquia devida à actuação dos factores da dinâmica sedimentar actual. Tal obliteração é obviamente responsável pela transformação dos depósitos.. Abrantes et al. por exemplo. permitiu constatar a existência de depósitos com características sedimentológicas distintas.: Dias et al. No presente capítulo efectuar-se-á a delimitação e caracterização gerais destes depósitos..179 VII. Magalhães & Dias. McManus (1975) e Dias (1987) para identificar sedimentos "relíquia". (1994) apenas se justifica quando se pretende caracterizar. 2. o que apenas se verificaria com a sua erosão. Os esquemas classificativos agora propostos são inspirados em trabalhos anteriores (p. DEPÓSITOS SEDIMENTARES 1. de que são exemplo as que se referem à granulometria da areia. 1992. 1994). como se referiu. é de salientar as diferenças existentes . 1968). Pelo contrário. 1980/81. a abordagem "local" utilizada por Magalhães & Dias (1992) e por Abrantes et al. A delimitação dos depósitos sedimentares é difícil devido ao facto de se basear em observações descontínuas. Serão ainda utilizados os critérios definidos por Emery (1952. A referida delimitação é efectuada através de uma abordagem "regional". Depósitos sedimentares da plataforma A caracterização sumária e delimitação geral dos depósitos sedimentares foi efectuada com base nas características sedimentológicas referidas no capítulo anterior. Introdução A análise das principais características da cobertura sedimentar.

5. é essencialmente constituída por conchas de moluscos. sendo a classe composicional mais abundante a do quartzo. Os depósitos setentrionais parecem ser. tais como transporte eólico e erosão de afloramentos rochosos. intervaladas de 1 Ø. quando existentes. 7 e 8. à composição média destas fracções e à composição total média das amostras incluídas nos depósitos. Os diagramas incluídos nestas figuras baseiam-se nos publicados por Shepard (1973) e referem-se à percentagem média das fracções granulométricas da areia. É possível distinguir depósitos litorais setentrionais (um pouco mais lodosos. A maior parte das partículas da classe "M" é fornecida pelos rios que afluem à plataforma e pela erosão de arribas. junto ao litoral. A areia apresenta composição predominantemente terrígena (geralmente mais de 90%). por vezes integrados em grãos líticos. São constituídos essencialmente por areia.1. 1978. 3. com base nas suas características. É de assinalar a presença esporádica de feldspatos. com areia mais fina. embora existam pequenas contribuições de outros processos. quer fragmentadas. As areias destes depósitos são geralmente finas a muito finas. a resultados significativamente diferentes (Dias. especialmente nas áreas em que os granitos e as rochas metamórficas (gnaisses e micaxistos) caracterizam a geologia da região costeira e a da plataforma. A – Depósitos litorais (DL) Situam-se. mais micáceos e feldspáticos) e meridionais (cujas características contrastam com as daqueles). VII.1. 2. 1993). 1987. muito reduzida. Plataforma norte A distribuição dos depósitos identificados na cobertura sedimentar deste sector encontra-se representada na fig. VII.2. prolongando-se até cerca dos 50 m de profundidade. presentes em quantidades muito reduzidas. As partículas que constituem estes depósitos arenosos são essencialmente da classe "M". As partículas da classe "R" são . bem a medianamente calibradas. A sua análise permite visualizar rapidamente os pontos de afinidade e de convergência entre os depósitos. embora a mica possa ocorrer em quantidades significativas. Magalhães. Estes métodos conduzem.180 quando se comparam os dados reportados em trabalhos anteriores mencionados em capítulo introdutório (nos quais a granulometria desta fracção foi efectuada pelo método da sedimentação) com os divulgados no presente trabalho (no qual se utilizou a peneiração). A componente biogénica da areia. mais imaturos que os meridionais. por vezes. quer inteiras. As características médias dos depósitos identificados encontram-se representadas nas figs. embora sejam detectáveis pequenas quantidades de partículas "R". encontrando-se as outras classes texturais. como o nome indica. apresentando assimetria negativa.

.00 020000.50 100 150 181 Viana 41º 30' C. Porto Porto C.00 30km Cabo Mondego 9º 50' 000 00 8º 40' 105000 00 155000 00 Rocha Depósitos arenosos da plataforma externa Depósitos litorais Depósitos lodosos da plataforma média e externa Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média Depósitos areno-cascalhentos da plataforma externa Depósitos arenosos da plataforma média Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior Depósitos areno-siltosos da plataforma média Depósitos lodosos da vertente continental superior Figura VII.00 40000. – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma norte. Aveiro Aveiro 40º 30' 0.00 60000.

granito e gnaisse. As partículas de dimensão granulométrica inferior são essencialmente da classe "M". consoante a situação. ausente. não sendo raras as amstras em que este valor excede os 50%. assim. No sector meridional. e neotéricos com ligeira tendência anfotérica. que seriam transportadas para menores profundidades sob condições de bom tempo. O cascalho terrígeno corresponde frequentemente a mais de 25% da amostra. A resultante dos processos condicionantes destes depósitos pode ser traduzida. As areias mais finas e os siltes debitados continuamente pelos rios que afluem à plataforma asseguram. avultando na sua composição fragmentos rolados e sub-rolados de quartzo. com a consequente exportação de areias para maiores profundidades. A areia destes depósitos. Estes depósitos são. rica em quartzo. As marés. como elemento moderador ou amplificador. A maior largura e o consequente menor pendor deste sector induz uma maior capacidade de remobilização das partículas menos grosseiras dos depósitos areno-cascalhentos da plataforma média. reduzidas. As partículas de dimensão superior a 1 Ø são essencialmente da classe "R". apresentando assimetria geralmente positiva. A areia média é claramente anfotérica. silte e argila) são. Os processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas são inadequados para explicar . principalmente em períodos de bom tempo. B – Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média (DACPM) Apresentam o seu maior desenvolvimento a sul do paralelo 41ºN. no sector setentrional. a incidência da ondulação mais frequente é quase perpendicular à costa. No entanto. As partículas integradas nestes depósitos são essencialmente da classe "R". sendo as areias rapidamente transportadas para o sector meridional. pelo modelo de Bruun. no sector meridional. comportando-se o litoral como transgressivo. em certa medida. A sua característica mais marcante é o elevado teor em cascalho. sendo ainda detectável a presença de pequenas quantidades de partículas "M". O maior ângulo de ataque da ondulação dominante induz deriva litoral mais intensa no sector setentrional. o que tem como consequência uma menor velocidade no transporte litoral das partículas.182 transportadas a partir dos depósitos areno-cascalhentos existentes na plataforma média. explicáveis pelos processos de fornecimento e distribuição actuais. Em período de calmaria a situação é análoga à de abaixamento do nível relativo do mar. de origem essencialmente terrígena. actuam. moderadamente bem calibrada. provavelmente. O domínio de actuação dos diversos processos referidos define a extensão dos depósitos litorais. A fracção fina encontra-se. quartzito. A abundância relativa das partículas "R" permite classificar estes depósitos modernos como neotéricos quase puros. por via de regra. estas fracções (areia fina e muito fina. a manutenção destes depósitos. No período de tempestades verifica-se aumento temporário do nível relativo do mar. geralmente. com a consequente importação de materiais da zona mais próxima. comportando-se o litoral como regressivo. entre outros factores. é grosseira ou muito grosseira.

É possível que parte destes depósitos (quando estes são constituídos essencialmente por areias grosseiras e muito grosseiras.183 a génese destes depósitos. essencialmente terrígena. anfotéricos. que terão ocorrido há cerca de 10 a 11 ka. Parte substancial das partículas "M" dos depósitos areno-cascalhentos da plataforma média é. A areia destes depósitos é geralmente fina. embora exibam quantidades variáveis de partículas "R". D – Depósitos areno-siltosos da plataforma média (DASPM) Localizados entre os 50 e os 100 m de profundidade. A génese destes depositos pode ser explicada pela actuação dos processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas. C – Depósitos arenosos da plataforma média (DAPM) São fundamentalmente constituídos por areia. muito provavelmente. Os depósitos areno-cascalhentos correspondem a sedimentos palimpsestos. As fracções mais grosseiras destes depósitos são essencialmente relíquia. na ajacência aos depósitos areno-cascalhentos da plataforma média. em média). moderadamente calibrada e negativamente assimétrica. Outra parte tem origem directamente nos estuários. O cascalho encontra-se geralmente ausente. pois que estas. moderada a mal calibradas e negativamente assimétricas. A fracção arenosa. é dominada por quartzo e mica. A fracção entre 1 e 2 Ø é anfotérica. As suas características e enquadramento indicam que a energia do meio onde se encontram é já compatível com a deposição. sendo frequentemente remobilizadas. possivelmente temporária. apresentam apreciável conteúdo em silte (30%. com pouco cascalho fino) possam ser classificados como sedimentos protéricos. a qual é rica em quartzo e contém. por vezes. por vezes quase relíquia. Estes depósitos encontram-se. As partículas que os integram são essencialmente da classe "M". A ocorrência e abundância das partículas "R" presentes nestes depósitos permite clssificá-los como sedimentos neotéricos e. Esta fracção é dominada pela componente terrígena. encontrando-se o cascalho geralmente presente em quantidades vestigiais. As areias destes depósitos são predominantemente finas e muito finas. passando a anfotéricos na zona de adjacência com os depósitos litorais. As características por eles exibidas estão mais de acordo com processos e depósitos litorais imputáveis a períodos de rápido abaixamento do nível relativo do mar. provavelmente. A observação dos resultados da actuação da agitação marítima permite também explicar a deficiência destes depósitos em partículas finas. são sujeitas apenas a deposição temporária nestas zonas. A contribuição dos processos biogénicos e dos processos eólicos é certamente pequena. As fracções mais finas são neotéricas. quantidades significativas de micas. transportada a partir dos depósitos arenosos litorais. e . relacionados com a descarga dos rios que afluem à zona litoral.

apresentando assimetria geralmente positiva. A areia. A areia destes depósitos é predominantemente fina e muito fina e bem a moderadamente bem calibrada. DL DACPM DAPM                                                          Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII. São sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. quando existe. A fracção silto-argilosa corresponde. DACPM . A fracção cascalho. a cerca de 70% da globalidade do sedimento. as . caracteriza-se por elevada percentagem de micas. a profundidades ligeiramente superiores a 100 m. e nas proximidades das cabeceiras do canhão submarino do Porto.2 . Tal como os depósitos arenosos litorais. de composição predominantemente terrígena. em média. DAPM Depósitos arenosos da plataforma média. é dominada por elementos biogénicos. de quantidades apreciáveis de micas e de material silto-argiloso proveniente das desembocaduras dos rios. E – Depósitos lodosos da plataforma média e externa (DLPME) Ocorrem frente à foz do Minho. são explicáveis pelos processos de fornecimento e distribuição actuais.184 eventualmente sazonal. DL Depósitos litorais.Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média.Características médias de depósitos identificados na plataforma norte.

de excluir a hipótese de existir alguma contribuição proveniente do canhão submarino do Porto através de eventuais correntes ascensionais.13 e 0. actualmente. 15 cm/ano 0. possivelmente.7 mm·ano ¹). O depósito meridional é o que apresenta maior desenvolvimento e importância a nível regional. (1995). (1999) variam entre 0.55 cm/ano 0. Drago (1995) e Drago et al.16 cm/ano 0.I – Taxas de acumulação determinadas nos depósitos lodosos ao largo do Minho (DM) e nas proximidades das cabeceiras do canhão submarino do Porto (DCP).57 cm/ano 0. taxas de acumulação significativas. (1999) Carvalho & Ramos (1990) Carvalho & Ramos (1990) Drago (1995) Drago et al. Não é. tende a confirmar que se encontram presentemente a ser alimentados com materiais provenientes principalmente dos rios Douro e Minho.8 mm·ano ¹. (1999) Drago et al. em média.17 cm/ano 0. (1999) determinaram taxas de acumulação em diversos testemunhos verticais de sedimentos ("cores") colhidos no depósito das proximidades das cabeceiras do canhão do Porto. Drago et al. Magalhães & Dias (1992). cujos valores se encontram compreendidos entre 0. Depósito DM DM DM DCP DCP DCP DCP DCP DCP DCP Autor Carvalho & Ramos (1990) Drago et al. como é comprovado pelas taxas de acumulação actuais. respectivamente. por Dias (1987). (1994). Carvalho & Ramos (1990). No que respeita ao depósito frente ao rio Minho.2 e 0. todavia.I). a cerca de 30% do total de partículas presentes nesta fracção.21 g·cm ²·ano ¹ (correspondentes à acumulação de. Drago (1995) e Magalhães et al. Estes depósitos são actualmente activos (em parte. os valores obtidos por Carvalho e Ramos (1990) e Drago et al.58 cm/ano 0. entre outros autores. conjugado com o diminuto grau de alteração das micas presentes nas amostras aí recolhidas. (1999) Taxa de acumulação média 0. 1 e 1. Quadro VII. (1999) Drago et al.1 cm/ano 0.35 cm/ano 0.17 cm/ano O facto destes depósitos apresentarem. que são significativamente positivas (Quadro VII. (1999) Drago et al.73 g·cm ²·ano ¹(cerca de 1. A hipótese de o rio Douro constituir a principal fonte de alimentação deste depósito é apoiada pela composição do .185 quais correspondem.17 cm/ano 0. (1999) Drago et al. respectivamente). tendo sido caracterizado. devido à "indução de acumulação" exercida pelas forças coesivas dos sedimentos aí existentes).7 e 5.

de modo a possibilitarem a acumulação actual de materiais silto-argilosos. facilitando a deposição destes materiais neste depósito.. Existem diferenças assinaláveis entre os depósitos situados a norte e a sul do canhão do Porto. menos carapaças de foraminíferos e menos glaucónia do que os depósitos situados no sector meridional. 1995). 1992). A areia contém mais quartzo. quando presente. na qual se encontra em relação directa com as rias de Vigo.. O depósito de menores dimensões tem..186 mesmo. aparentemente. No sector norte. Dias (1987) refere resultados (homogeneidade textural e pouca bioturbação observada. apreciáveis. é maioritariamente de origem biogénica. apresentando um maior desenvolvimento na plataforma galega (Garcia et al. 1987). quer nos teores de diversos elementos metálicos (Araújo et al. 1998). quer no que respeita à presença de clorite na fracção silto-argiloso (Drago. Magalhães et al. quando presente. com a abundância de materiais finos susceptíveis de deposição.. F – Depósitos arenosos da plataforma externa (DAPE) Trata-se de areias finas. . A glaucónia encontra-se sistematicamente presente nas amostras. 1994. Os valores das taxas de acumulação anteriormente referidos e a datação pelo radiocarbono (1400±70 BP) da parte terminal de um "core" obtido nesta área (Dias et al.. os níveis energéticos que aí se fazem sentir deverão ser baixos. com a existência de condições hidrodinâmicas favoráveis e com um ambiente morfo-estrutural peculiar existente na plataforma externa (Drago. Por outro lado. com a existência do canhão submarino do Porto. com as características fisiográficas da plataforma e do bordo e com o estado de abarrancamento da vertente continental. 1993) indicam uma origem recente para este depósito. As fracções lodosas (essencialmente o silte) encontram-se presentes em quantidades. 1995). atingindo localmente mais de 20% da amostra. Parece também relacionar-se com a morfologia das vertentes da parte superior do canhão e com o ângulo que o bordo da plataforma apresenta à ondulação dominante de longo período (Dias. a eventual existência de correntes ascencionais ao longo do canhão pode também constituir factor inibidor e/ou moderador do transporte das partículas finas para maiores profundidades. Segundo Dias (1987). e perfis sísmicos que revelam espessura apreciável deste nível superficial) que sugerem taxas de acumulação positivas. até aos 3 m de espessura. Em consequência. mais clastos de moluscos. 1995). pelo menos. corresponde a percentagens diminutas. A mica encontra-se normalmente ausente ou. moderadamente calibradas e assimetria negativa. embora em percentagens geralmente inferiores a 5% do total de partículas arenosas. Este depósito encontra-se possivelmente relacionado com abundante forrnecimento fluvial. por vezes. em sedimentos colhidos com colhedor Kastenlot. tal como a areia. Arosa e Pontevedra (López-Jamar et al. estas diferenças podem estar relacionadas com a disposição geral da batimetria. as características destes depósitos apresentam maior variabilidade. uma forte dependência dos produtos directamente exportados pelo rio Minho e prolonga-se para norte. A fracção cascalho.

enquanto que a areia média é anfotérica e as fracções mais finas são anfotéricas com tendência neotérica mais ou menos acentuada. DASPM DLPME DAPE                                                          Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII. Quanto mais finas são as fracções granulométricas.187 As fracções mais grosseiras destes depósitos são constituídas quase exclusivamente por partículas "R". DAPE .Depósitos lodosos da plataforma média e externa. A areia muito fina é composta quase exclusivamente por partículas "M". G – Depósitos areno-cascalhentos da plataforma externa (DACPE) Apresentam maior desenvolvimento a norte do paralelo da foz do Cávado e a sul do Pontal da Cartola.Depósitos arenosos da plataforma externa. Estes depósitos apresentam algumas afinidades com os existentes na plataforma média.3 – Características médias de depósitos identificados na plataforma norte. As fracções mais grosseiras são essencialmente relíquia. A fracção silto-argilosa é geralmente pouco abundante. Caracterizam-se pelo elevado conteúdo médio em cascalho. é grosseira . embora as partículas biogénicas se encontram presentes em quantidades significativas. A fracção areia. o qual é de origem essencialmente terrígena. DASPM Depósitos areno-siltosos da plataforma média. na qual prediminam os bioclastos de moluscos e as carapaças de foraminíferos. maior a abundância de partículas "M". DLPME . As considerações explanadas por Dias (1987) sobre a origem destes depósitos permitem concluir que eles correspondem a sedimentos protéricos a anfotéricos.

As partículas de dimensão granulométrica inferior são essencialmente da classe "M". A areia média é claramente anfotérica. que terão ocorrido há cerca de 15 a 14 ka.Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior. estas fracções (areia fina e muito fina. DLVCS . As características por eles exibidas estão mais de acordo com processos e depósitos litorais imputáveis a períodos de rápido abaixamento do nível relativo do mar. As partículas de dimensão superior a 1 Ø são essencialmente da classe "R". Os processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas são inadequados para explicar a génese destes depósitos. sendo ainda detectável a presença de pequenas quantidades de partículas "M". por via de regra. silte e argila) são. DABPVCS .188 ou muito grosseira.Depósitos lodosos da vertente continental superior.4 – Características médias de depósitos identificados na plataforma norte. DACPE Depósitos areno-cascalhentos da plataforma externa. As partículas integradas nestes depósitos são essencialmente da classe "R". DACPE DABPVCS DLVCS                                                          Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII. os processos modernos de distribuição de partículas permitem pressupôr que estes depósitos estão actualmente a ser retrabalhados. reduzidas. A . moderadamente a mal calibrada e apresenta assimetria positiva. No entanto. Se bem que não permitam explicar a sua génese.

indicando a grande intensidade e/ou continuidade temporal destes fenómenos progradativos. a qual é essencialmente constituída por bioclastos de moluscos e carapaças de foraminíferos. Os depósitos areno-cascalhentos correspondem a sedimentos palimpsestos. distinguir dois tipos de depósitos. 1967. É possível. As fracções mais grosseiras destes depósitos são essencialmente relíquia. As fracções mais finas são neotéricas. A ocorrência de glaucónia e de carapaças de foraminíferos que apresentam diferentes estádios de glauconitização apoiam tal dedução (Muller. que constituem parte substancial dos bioclastos da areia. H – Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior (DABPVCS) Exibem reduzidos conteúdos em cascalho e em finos. existindo quantidades importantes de quartzo brilhante e anguloso. presumivelmente. as taxas de acumulação variam entre 0. aliás. É possível que parte destes depósitos (quando são constituídos essencialmente por areias grosseiras e muito grosseiras. A fracção entre 1 e 2 Ø é anfotérica. de acordo com os dados fornecidos por Carvalho e Ramos (1990). A areia é dominada pela componente biogénica. 1981. Estes depósitos possuem aparentemente duas origens distintas.13 g·cm ²·ano ¹ (correspondentes à acumulação de. Outros depósitos aparentam ser progradantes. Para estes depósitos. 0. 1989). a maioria das partículas pertence à classe "M". depósitos relíquia sujeitos a erosão ou. Nuns. O cascalho é. apresenta calibragem e assimetria variáveis.0 mm·ano ¹). em geral. ser comprovada. a maioria das partículas é da classe "R". maioritariamente . Mougenot. A presença de quartzo fino brilhante e anguloso pode ser explicada através de modelo análogo ao estabelecido por Castaing et al. verifica-se que ondas menos energéticas poderão remobilizar as carapaças de foraminíferos. No entanto. McRae. Noutros. de carapaças de foraminíferos glauconitizadas e moldes internos de foraminíferos.05 e 0. com pouco cascalho fino) possam ser classificados como sedimentos protéricos. pela análise de perfis de relexão sísmica (Vanney & Mougenot. a taxas de acumulação muito pequenas ou nulas. por vezes.189 remobilização das partículas verifica-se fundamentalmente sob a influência de ondulação de longo período. à semelhança de Dias (1987). por vezes quase relíquia. o que sugere acumulação activa de partículas. A existência de áreas progradantes parece. Segundo este modelo.4 e 1. respectivamente. A areia. pontualmente. As sequências progradantes evidenciadas em tais perfis apresentam. pelo menos. sendo de assinalar a presença de glaucónia. A glaucónia encontra-se presente na areia em quantidades. geralmente fina e muito fina. 1985. espessura e comprimento elevados. significativas. (1981) para a plataforma da Aquitânia. de natureza biogénica. 1972). as partículas de areia fina que se libertam do sistema litoral. Os depósitos glauconitizados são.

durante condições de temporal. A areia média é anfotérica. a cerca de 20% da fracção arenosa. Por outro lado. na sua maioria. As características observadas indicam que os depósitos relíquia constituem sedimentos palimpsestos e que os depósitos modernos são sedimentos neotéricos com maior ou menor tendência anfotérica. são. As considerações explanadas sobre os depósitos arenosos do bordo da plataforma e da vertente continental superior que foram considerados modernos são possivelmente extensíveis aos depósitos lodosos da vertente continental superior. Carvalho & Ramos (1990) referem valores da ordem de 0. As fracções mais finas são quase exclusivamente neotéricas. Estes depósitos correspondem. A glaucónia corresponde. As fracções mais grosseiras que constituem estes depósitos são palimpsésticas. Plataforma sudoeste A distribuição dos depósitos identificados na cobertura sedimentar deste sector encontra-se representada na fig. nas fracções mais grosseiras.8 mm·ano ¹). O cascalho apresenta composição predominantemente biogénica. um papel importante na constituição destes depósitos. a que acresce o facto de as condições energéticas existentes serem propícias a uma deposição estável e duradoura. VII. sendo aqui retidas em suspensão ou com frequentes episódios de resuspensão. A areia. por vezes. a neotéricos com maior ou menor tendência anfotérica. I – Depósitos lodosos da vertente continental superior (DLVCS) Estes depósitos localizam-se a profundidades superiores a 300 m. O conteúdo em finos é elevado.2. A mica ocorre na areia em quantidades significativas. As taxas de acumulação determinadas para estes depósitos são significativamente positivas. O carácter das fracções varia de palimpsesto. geralmente fina e muito fina. a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. De facto. assim. . exibe assimetria negativa e calibragem variável. as acumulações de materiais que constituem aqueles depósitos são ocasionalmente sujeitas a movimentações gravíticas que desempenharão. nas fracções mais finas da areia.5. 2.22 g·cm ²·ano ¹ (correspondentes à acumulação de 1.190 constituídas por quartzo. "rapidamente" transportadas até ao bordo da plataforma. quase relíquia. quas relíquia.

00 140000. Milfontes Cabo Sardão 37º 30' 0.00 0 10000.00 20000. .150 50 bal C.5 – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma sudoeste.00 30000. Vic ent e Ponta da Arrifana 9º 15' 8º 50' 100000. N. Setú 100 191 38º 00' Sines V. S.00 Rocha Depósitos areno-cascalhentos do bordo da plataforma Depósitos litorais Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média Depósitos lodosos da vertente continental superior Depósitos arenosos da plataforma média e externa Figura VII.00 20km C.

quer fragmentadas. junto ao litoral. DL Depósitos litorais. A componente biogénica da areia é essencialmente constituída por conchas de moluscos. As areias destes depósitos são geralmente médias a muito finas e medianamente calibradas. É possível distinguir depósitos litorais setentrionais (nos quais as fracções areia e cascalho são mais ricas em partículas terrígenas) e meridionais (cujas características contrastam com as daqueles). presentes em quantidades muito reduzidas. dos cursos de água que desaguam no litoral e de trocas . podem ser explicados pelos processos de fornecimento e distribuição actuais. A – Depósitos litorais (DL) Situam-se. sendo os materiais que os constituem provenientes da erosão das arribas. São constituídos essencialmente por areia. quer inteiras. À semelhança dos seus equivalentes na plataforma norte. encontrando-se as outras fracções texturais. apresentando assimetria negativa. DAPME Depósitos arenosos da plataforma média e externa. como o nome indica.Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média. A areia apresenta composição predominantemente terrígena (geralmente mais de 70%). sendo a classe composicional mais abundante a do quartzo. DACPM . quando existentes.6 – Características médias de depósitos identificados na plataforma sudoeste. prolongando-se até cerca dos 50 m de profundidade.192 DL DACPM DAPME                                                          Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII.

é grosseira ou muito grosseira. correspondem a sedimentos palimpsestos. A sua característica mais marcante é o elevado teor em cascalho. por vezes quase relíquia. À semelhança dos seus equivalentes na plataforma norte. C – Depósitos arenosos da plataforma média e externa (DAPME) São fundamentalmente constituídos por areia. encontrando-se mais de acordo com processos e depósitos litorais imputáveis a períodos de rápido abaixamento do nível relativo do mar. apresentando calibragem e assimetria variáveis. por vezes quase relíquia. D – Depósitos areno-cascalhentos do bordo da plataforma (DACBP) À semelhança dos existentes na plataforma média. A areia destes depósitos é geralmente fina e muito fina. B – Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média (DACPM) Apresentam o seu maior desenvolvimento a norte de Sines. À semelhança dos seus equivalentes que. rica em quartzo e moluscos. na qual a classe composicional "outros biogénicos" se encontra. no sector norte. geralmente. ausente. correspondem a sedimentos palimpsestos. A abundância relativa das partículas "R" permite classificar estes depósitos modernos como neotéricos com ligeira tendência anfotérica. É possível que parte destes depósitos (quando são constituídos essencialmente por areias grosseiras e muito grosseiras.193 sedimentares entre a praia e a plataforma interna. A fracção fina encontra-se. Esta fracção é dominada pela componente biogénica. A areia destes depósitos. Estes sedimentos apresentam diminuto conteúdo em finos. A abundância de partículas biogénicas e terrígenas no cascalho é sensivelmente idêntica. encontrando-se as restantes classes texturais presentes em quantidades reduzidas. A areia. com pouco cascalho fino) possam ser classificados como . A fracção arenosa é dominada pela componente biogénica. se bem que o quartzo se encontre presente em quantidades significativas. se detectam na plataforma externa. no qual a abundância de partículas de origem biogénica e de origem terrígena é idêntica. apresentam maior desenvolvimento a norte de Sines. presente em quantidades significativas. geralmente grosseira e muito grosseira. apesentando calibragem variável e assimetria positiva. É possível distinguir depósitos setentrionais (enriquecidos em quartzo e menos ricos em carapaças de foraminíferos) e meridionais (cujas características contrastam com as daqueles). Estes depósitos correspondem a sedimentos anfotéricos a protéricos. é mal calibrada e positivamente assimétrica. que terão ocorrido há cerca de 15 a 14 ka. por vezes. passando a anfotéricos na zona de adjacência com os depósitos litorais. As características destes depósitos não podem ser explicadas pelos processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas. passando a neotéricos na zona de adjacência aos depósitos litorais.

É possível distinguir depósitos setentrionais (enriquecidos em quartzo e menos ricos em . DACBP . A classe composicional dominante na areia é constituída pelas carapaças de foraminíferos.Depósitos areno-cascalhentos do bordo da plataforma.Depósitos lodosos da vertente continental superior. Trata-se de areias finas e muito finas. O cascalho é praticamente inexistente e a fracção siltoargilosa é poco abundante. DABPVCS .Depósitos arenosos do bordo da plataforma e vertente continental superior.7 – Características médias de depósitos identificados na plataforma sudoeste. Localmente. DLVCS . no entanto. a glaucónia pode representar mais de metade das partículas incluídas na fracção arenosa dos sedimentos. E – Depósitos arenosos do bordo da plataforma e da vertente continental superior (DABPVCS) Constituem uma extensa faixa localizada a profundidades geralmente superiores a 150 m. As fracções mais finas são neotéricas. DACBP DABPVCS DLVCS                                                          Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII. As fracções mais grosseiras destes depósitos são essencialmente relíquia.194 sedimentos protéricos. A fracção entre 1 e 2 Ø é anfotérica.

a cerca de 40% do total de partículas presentes nesta fracção. As características observadas indicam que os depósitos relíquia (aparentemente sujeitos a erosão e formados maioritariamente por partículas “R”) constituem sedimentos palimpsestos e que os depósitos modernos (aparentemente progradantes e em que a maioria das partículas pertence à classe “M”) são sedimentos neotéricos com maior ou menor tendência anfotérica. O carácter das fracções varia de palimpsesto. O cascalho. sendo a classe composicional mais abundante a do quartzo. encontrando-se as outras classes texturais. estes depósitos modernos correspondem a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. quer fragmentadas. a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica.3 Plataforma algarvia A fig.195 carapaças de foraminíferos) e meridionais (cujas características contrastam com as daqueles). As fracções mais grosseiras que constituem estes depósitos são palimpsésticas. O conteúdo em finos é elevado. O cascalho e a areia apresentam composição predominantemente biogénica. nas fracções mais finas da areia. presentes em quantidades muito reduzidas. exibe assimetria negativa e calibragem variável. é predominantemente de origem biogénica. estes depósitos correspondem. A – Depósitos litorais (DL) Prolongam-se até cerca dos 20 m de profundidade. As fracções mais finas são quase exclusivamente neotéricas. A componente biogénica da areia é essencialmente constituída por conchas de moluscos. A glaucónia ocorre na areia em quantidades significativas. a neotéricos com maior ou menor tendência anfotérica. As considerações expendidas sobre os depósitos análogos identificados na plataforma norte podem ser aplicadas neste sector.8 esquematiza a distribuição dos depósitos identificados neste sector. A areia. na sua maioria. A areia média é anfotérica. quas relíquia. quase relíquia. VII. correspondendo. Tal como os seus equivalentes nos outros sectores estudados. quando existentes. As areias destes depósitos são geralmente médias e finas. quer inteiras. por vezes. quando existe. A areia apresenta composição predominantemente terrígena (geralmente mais de 70%). apresentando calibragem e assimetria variáveis.Depósitos lodosos da vertente continental superior (DLVCS) Localizam-se a profundidades superiores a 300 m. Tal como os seus equivalentes na plataforma norte. geralmente fina e muito fina. nas fracções mais grosseiras. . F . São constituídos essencialmente por areia. 2.

B – Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média (DACPM) Distribuem-se por uma faixa praticamente contínua existente na plataforma média.00 80000. A areia destes depósitos é geralmente média e fina. é grosseira ou muito grosseira. A areia. A fracção fina encontra-se. geralmente. na ajacência aos depósitos areno-cascalhentos da plataforma média. ti or 0. As partículas que integram estes depósitos modernos são essencialmente da classe "M". Caracterizam-se por elevado teor em cascalho. correspondem a sedimentos palimpsestos. quase relíquia.00 40000. mal calibrada e exibe assimetria variável.196 Guadiana Portimão Lagos 50 es 37º 10' Sa gr Faro 100 150 36º 45' 8º 48' P C.8 – Depósitos identificados na cobertura sedimentar da plataforma algarvia. tal como a areia. Estes depósitos. que passam a anfotéricos na zona de adjacência aos depósitos litorais. .00 20km ão m 7º 40' Rocha Depósitos lodosos da plataforma média e externa Depósitos litorais Depósitos arenosos da plataforma externa Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média Depósitos arenosos do bordo da plataforma Depósitos arenosos da plataforma média Depósitos lodosos da vertente continental superior Depósitos areno-lodosos da plataforma média e externa Figura VII.00 020000. O cascalho é predominantemente de origem biogénica. encontrando-se o cascalho geralmente representado em quantidades vestigiais. São fundamentalmente constituídos por areia. A ocorrência e abundância das partículas "R" presentes nestes depósitos permite clssificá-los como sedimentos neotéricos e.00 60000. C – Depósitos arenosos da plataforma média (DAPM) Ocorrem apenas a oeste de Faro. apesentando calibragem variável e assimetria positiva. cujas características não podem ser explicadas pelos processos modernos de fornecimento e distribuição de partículas. embora exibam quantidades variáveis de partículas "R". anfotéricos. ausente. rica em quartzo e moluscos. o qual é predominantemente de origem terrígena.

Depósitos areno-cascalhentos da plataforma média. quando existe. Estes depósitos modernos são explicáveis pelos processos de fornecimento e distribuição actuais. fina e muito fina. apresenta . DACPM .197 DL DACPM DAPM                                                         Quartzo na areia Mica na areia Outros terrígenos na areia Moluscos na areia Foraminíferos na areia Outros biogénicos na areia Glaucónia na areia Outras partículas na areia Cascalho biogénico Cascalho terrígeno Silte Argila Figura VII. quando existente. mal calibrada e negativamente assimétrica. é predominantemente de origem biogénica. E – Depósitos lodosos da plataforma média e externa (DLPME) Encontram-se representados a oriente do canhão de Portimão. A areia. A fracção cascalho. A areia destes sedimentos é geralmente fina e muito fina. exibe composição fundamentalmente biogénica. D – Depósitos areno-lodosos da plataforma média e externa (DALPME) Correspondem a areias bastante lodosas que ocorrem a oriente do canhão de Portimão. A fracção cascalho. correspondendo a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. DAPM Depósitos arenosos da plataforma média.9 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia. DL Depósitos litorais. sendo predominantemente constituída por bioclastos de moluscos e carapaças de foraminíferos.

DALPME . maior a abundância de partículas "M". pontualmente. A fracção cascalho é maioritariamente de origem biogénica. Quanto mais finas são as fracções granulométricas. correspondendo. DLPME . a cerca de 20% do sedimento. Por vezes. São sedimentos neotéricos quase puros.198 calibragem moderada e assimetria negativa. se bem que o quartzo se encontre presente em quantidades significativas. As fracções mais grosseiras destes depósitos são constituídas quase exclusivamente por partículas "R". F – Depósitos arenosos da plataforma externa (DAPE) Encontram-se representados a ocidente do canhão de Portimão. A fracção arenosa é dominada pela componente biogénica.Depósitos areno-lodosos da plataforma média e externa. A fracção areia é média e fina. tal como a areia. As fracções mais grosseiras são essencialmente relíquia. A areia muito fina é composta quase exclusivamente por partículas "M". exibindo calibragem e assimetria variáveis.Depósitos lodosos da plataforma média e externa. enquanto que a areia média é anfotérica e as fracções mais finas são . Correspondem a sedimentos protéricos a anfotéricos.Depósitos arenosos da plataforma externa. DAPE .10 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia. DALPME DLPME DAPE                                                          Q u a r t z o n a a r e ia M ic a n a a re ia O u tro s te rríg e n o s n a a r e ia M o lu s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u tro s b io g é n ic o s n a a r e ia G l a u c ó n ia n a a r e i a O u t r a s p a r t í c u la s n a a r e ia C a s c a lh o b io g é n i c o C a s c a lh o te rríg e n o S il t e A r g i la Figura VII. a fracção siltoargilosa encontra-se presente em quantidades significativas.

sendo predominantemente constituída por bioclastos de moluscos. e neotéricos com maior ou menor tendência neotérica. quando a maioria das partículas pertence à classe “M”. a neotéricos com maior ou menor tendência anfotérica. quando são formados maioritariamente por partículas “R”. O cascalho é dominado pela componente biogénica.Depósitos lodosos da vertente continental superior.199 anfotéricas com tendência neotérica mais ou menos acentuada. nas fracções mais finas da areia. DLVCS . encontrando-se as restantes fracções texturais presentes em quantidades significativas. DABP . O carácter das fracções varia de palimpsesto. A fracção arenosa é mal calibrada e apresenta assimetria variável. . G – Depósitos arenosos do bordo da plataforma (DABP) Trata-se de materiais constituídos essencialmente por areia.11 – Características médias de depósitos identificados na plataforma algarvia. nas fracções mais grosseiras. As características destes depósitos indicam que constituem sedimentos palimpsestos. quase relíquia. DABP DLVCS                                       Q u a rtz o n a a re ia M i c a n a a r e ia O u tro s te rríg e n o s n a a re ia M o l u s c o s n a a r e ia F o ra m in íf e ro s n a a r e ia O u t r o s b io g é n ic o s n a a r e ia G la u c ó n ia n a a re ia O u tra s p a rtíc u la s n a a re ia C a s c a lh o b io g é n ic o C a s c a lh o t e r r í g e n o S i lt e A rg ila Figura VII.Depósitos arenosos do bordo da plataforma.

II – Comparação entre algumas caracteristicas dos depósitos das plataformas norte (A). . quando existente. A areia média é anfotérica.III. geralmente fina e muito fina. rica em quartzo areia terrígena. rica em quartzo mica por vezes significativa mica praticamente inexistente mica praticamente inexistente moluscos dominam biogénicos moluscos dominam biogénicos moluscos dominam biogénicos elevada % de cascalho terrígeno elevada % de cascalho terrígeno elevada % de cascalho terrígeno finos inexistentes finos inexistentes finos inexistentes areno-cascalhentos areia grosseira e muito grosseira areia grosseira e muito grosseira areia grosseia e muito grosseira da plataforma média calibragem moderada calibragem variável calibragem variável assimetria positiva assimetria positiva assimetria positiva areia rica em quartzo areia rica em quatzo e moluscos areia rica em quartzo e moluscos reduzido teor de cascalho reduzido teor de cascalho reduzido teor de cascalho reduzido teor de finos reduzido teor de finos finos por vezes significativos arenosos areia fina areia fina e muito fina areia média e fina da plataforma média calibragem moderada calibragem variavél calibragem má assimetria variável (e externa. a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica.II e VII. A areia. rica em quartzo areia terrígena. quase relíquia. O cascalho. na sua maioria. A areia é também dominada pelas partículas bioclásticas. exibe composição predominantemente biogénica. em B) assimetria negativa assimetria variável areia rica em quartzo areia biogénica areia biogénica micas por vezes importantes micas inexistentes micas inexistentes Quadro VII. Depósitos litorais Sector A B C diminuta % de cascalho e finos diminuta % de cascalho e finos diminuta % de cascalho e finos areia fina e muito fina areia fina e muito fina areia média e fina calibragem moderada calibragem moderada calibragem variável assimetria negativa assimetria negativa assimetria variavél areia terrígena.200 H – Depósitos lodosos da vertente continental superior (DLVCS) Localizam-se a profundidades superiores a 150 m. correspondem. sudoeste (B) e algarvia (C). Quadro VII. Tal como os seus equivalentes nos outros sectores estudados. O conteúdo em finos é elevado. em especial carapaças de foraminíferos. As fracções mais finas são quase exclusivamente neotéricas. sudoeste (B) e algarvia (C).II – Comparação entre algumas caracteristicas dos depósitos das plataformas norte (A). Comparação entre os depósitos sedimentares As principais características dos diferentes tipos de depósitos identificados encontram-se sintetizadas nos quadros VII. As fracções mais grosseiras que constituem estes depósitos são palimpsésticas. 3. exibe assimetria negativa e calibragem variável.

201 Depósitos Sector A B C areno-siltosos da elevado conteúdo em silte - elevado conteúdo em silte e argila plataforma média cascalho geralmente ausente - cascalho geralmente ausente areias finas e muito finas (A) ou areno- areias finas e muito finas - lodosos da plataforma calbragem variável - calibragem má média e externa assimetria negativa - assimetria negativa (C) areia rica em quartzo e micas - areia biogénica cascalho biogénico reduzido teor em cascalho cascalho biogénico finos por vezes significativos arenosos finos por vezes significativos reduzido teor de finos da plataforma areias finas areia fina e muito fina areia média e fina externa (e média. não obstante actuarem com intensidades diferentes. rica em micas - areia biogénica elevado teor em cascalho elevado teor em cascalho - areno-cascalhentos cascalho terrígeno e biogénico cascalho terrígeno e biogénico - da plataforma finos pouco abundantes finos pouco abundantes - externa (A) ou areia grosseira e muito grosseira areia grosseira e muito grosseira - do bordo da calibragem moderada a má calibragem moderada a má - plataforma (B) assimetria positiva assimetria positiva - areia biogénica areia biogénica - reduzido teor em cascalho cascalho inexistente Cascalho significativo reduzido teor em finos finos pouco abundantes finos significativos areia grosseira a fina arenosos do areia fina e muito fina areia fina e muito fina bordo da calibragem variável calibragem moderada e má Calibragem má plataforma assimetria variável assimetria variável Assimetria variável areia biogénica areia biogénica Areia biogénica glaucónia por vezes significativa glaucónia por vezes significativa glaucónia por vezes significativa elevado teor em finos elevado teor em finos Elevado teor em finos cascalho biogénico cascalho biogénico Cascalho biogénico lodosos areia muito e muito fina areia muito e muito fina areia muito e muito fina da vertente calibragem variável calibragem variável Calibragem variável continental assimetria negativa assimetria negativa Assimetria negativa superior areia biogénica areia biogénica Areia biogénica mica significativa mica inexistente Mica inexistente glaucónia por vezes significativa glaucónia por vezes significativa glaucónia não significativa A análise dos referidos quadros e a comparação dos diagramas ilustrativos das características médias dos depósitos cartografados permite confirmar que os processos de distribuição responsáveis pela constituição de cada um dos diferentes tipos são idênticos nos três sectores estudados. calbragem moderada calibragem variavél calibragem variável em B) assimetria negativa assimetria variável assimetria variável areia biogénica areia biogénica areia biogénica cascalho biogénico - cascalho biogénico lodosos elevado teor em finos - elevado teor em finos da plataforma areias fina e muito fina - areia fina e muito fina média e calibragem boa e moderada - calibragem moderada externa assimetria positiva - Assimetria negativa areia terrígena. Como exemplo do que se afirmou. as diferenças no teor em materiais de dimensão inferior a 63 µm entre os .

a fracção intermédia é anfotérica. as fracções mais finas da areia são geralmente neotéricas. Súmula 1. as fracções silte e argila são.202 depósitos cartografados nos dois troços da plataforma ocidental e os seus equivalentes identificados no Algarve deverão encontrar-se relacionadas com a diferença de níveis energéticos actuantes junto ao fundo. chegando a ser relíquias ou protéricas. Os depósitos arenocascalhentos são sedimentos anfotéricos a palimpsestos. por exemplo) deverão. . A integração das características granulométricas e composicionais das amostras permitiu identificar diversos depósitos sedimentares. Os depósitos lodosos. As fracções granulométricas mais grosseiras têm características palimpsésticas. areno-lodosos e areno-siltosos correspondem a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. Por outro lado. as diferenças entre depósitos análogos identificados nos referidos sectores (no teor em micas. ser imputáveis à actuação dos processos responsáveis pelo fornecimento de partículas ao depositário. embora com tendência anfotérica variável. na plataforma externa (na plataforma norte) e no bordo da plataforma (na plataforma sudoeste). Foram identificados depósitos areno-cascalhentos na plataforma média (nos três sectores estudados). provavelmente. Os depósitos arenosos distribuem-se desde a zona litoral até à vertente continental superior. Os depósitos arenosos correspondem a sedimentos que variam desde neotéricos (na plataforma interna e em parte da média) a palimpsestos (em parte do bordo da plataforma e da vertente continental superior). 2. Na plataforma média e externa e na vertente continental superior dos três sectores estudados foram cartografados depósitos lodosos. no essencial. neotéricas. Na plataforma norte detectou-se a existência de depósitos areno-siltosos. 3. 4.

b) das temperaturas da água a diferentes profundidades. toda a plataforma continental emersa aquando do último glaciário esteve. Os processos responsáveis pela modificação dos factores que influenciam o nível médio do mar têm sido amplamente discutidos na bibliografia (p.. 1991. Sahagian. 1983. e c) da forma das bacias oceânicas. Gornitz & Lebedeff. os tectono-eustáticos (variações associadas a movimentos verticais e horizontais da litosfera). associada a litorais. das litologias. 1980. Mörner. os glacio-isostáticos (ajustamentos litosféricos causados por variações das massas glaciárias). 1987. 1961.: Fairbridge. pois tal depende. Variações do nível do mar A uma escala global. Abreu. vestígios evidentes na plataforma continental. relevante para o mesmo objectivo analisar brevemente o significado das diferentes curvas de variação do nível do mar que têm sido propostas. Introdução O padrão de distribuição dos sedimentos na plataforma continental portuguesa é fundamentalmente condicionado pela dinâmica sedimentar actual e pela existência de depósitos sedimentares constituídos em períodos em que a configuração dos processos de fornecimento e distribuição de partículas era substancialmente diferente da actual. Barnett. Qualquer variação de um destes factores é responsável por uma correspondente modificação do referido nível. 1982. VARIAÇÕES DO NÍVEL DO MAR 1. num momento ou noutro. Clark et al. Importa. o nível médio do mar depende essencialmente de três factores (Titus. Wagner & Cheney. Chappel et al. de igual modo. das taxas de variação do nível médio do mar. 1988. Entre os processos mais importantes podem referir-se os glacio-eustáticos (variações do volume de água no oceano determinadas por mudanças climáticas e. conjugar elementos de diversa natureza que constituam indícios com elevada probabilidade de se encontrarem associados a paleolitorais. 1976. Contudo. nem todos os paleolitorais deixaram. Torna-se. Douglas. ex. No decurso da elevação do nível do mar que constituiu a transgressão flandriana.. assim. 1992). entre outros factores. 2. consequentemente. do volume das calotes glaciárias e dos glaciares de montanha). aparentemente. 1978. os hidro-isostáticos (ajustamentos litosféricos devidos a variações da espessura da coluna de água).203 VIII. os sedimentoeustáticos (variações do nível do mar causadas por modificações da capacidade das bacias oceânicas devidas à acumulação de sedimentos) e os geoido-eustáticos (variações do nível do . 1986): a) do volume total de água presente nas bacias oceânicas. das razões de elevação ou subsidência dos continentes. 1980. 1980. Peltier. do fornecimento sedimentar e da pré-existência de formas litorais.

verificam-se. o glacio-eustatismo provoca respostas glacio-isostáticas a nível mega-regional. Tais flutuações são regidas por variações na órbita e inclinação do eixo da Terra. um aquecimento climático generalizado induz fusão de gelos nas áreas glaciadas. as quais podem infuenciar os processos sedimento-eustáticos e tectono-eustáticos. por seu turno. ao longo do tempo. variando a inclinação do eixo da Terra entre 21. que varia com um período de 19 000 – 21 000 anos. 2 – Ciclos de precessão de 20 000 anos. Geralmente considera-se que estas modificações ocorrem segundo um padrão de ciclicidade de 100 000. sendo possível estimar as seguintes ciclicidades. em períodos menores de 53 600 e 39 700 anos. O aquecimento global da atmosfera terreste pode. Wigley & Raper. 128 200. conduzir à expansão térmica das camadas superiores dos oceanos e à fusão dos glaciares (Hansen et al. do nível do mar numa plataforma continental é ainda ampliada pelo facto dos processos envolvidos se interinfluenciarem.5º com uma periodicidade de 41 000 anos. 3 – Precessão dos equinócios.204 mar geodésico provocadas por deformações no relevo do geoide devidas a variações gravitacionais e rotacionais). o que torna mais complicada a análise do problema na sua totalidade. Por exemplo. Por exemplo. A origem das modificações climático-eustáticas profundas que ocorreram no Quaternário encontra-se relacionada com a periodicidade de determinados fenómenos astronómicos. e respostas hidro-isostáticas e geoido-eustáticas a nível global. que conduz a maior absorção da radiação solar e ao correspondente aquecimento climático. o que provoca diminuição do albedo da Terra. 43 000 e 19 000 anos.5º e 24. Aproximadamente a cada 10 500 anos a posição inverte-se. efeitos de ressonância. afectando os momentos de periélio (posição da Terra mais próxima do Sol numa órbita elíptica). em consequência da rotação da órbita terrestre com um período maior de 23 700 anos. 412 800. 99 500. Estas incluem presentemente os seguintes ciclos principais (Miall. frequentemente. de acordo com as quais a forma da órbita da Terra passa de circular a elíptica alternadamente em períodos de 2 035 400. A complexidade da problemática referente às variações. Além disso. regressando à posição inicial ao completar o ciclo maior A acção conjugada destes fenómenos pode afectar a quantidade de radiação recebida pela superfície terrestre e provocar flutuações climáticas significativas que desencadeiam importantes oscilações glacio-eustáticas. 1987) e à elevação do nível médio do mar. Estes ciclos modelam-se entre si durante o Quaternário. 1981. 94 900 e 54 000 anos. . 2 – Modificações de cerca de 3º na obliquidade da elíptica. 1996): 1 – Variações na excentricidade orbital.. Os períodos mais importantes situam-se entre 413 000 e 100 000 anos. recorrendo a estudos isotópicos: 1 – Ciclos de excentricidade de 100 000 anos.

e. que exista um comportamento análogo na resposta à deglaciação flandriana. VIII. aparentemente. 4 – Eventos de Heinrich de 10 000 a 15 000 anos. revela melhor concordância com as curvas de variação do nível do mar referentes a diferentes áreas é a correspondente ao modelo reológico de Clark (Clark et al.. se localizam na zona III do modelo de Clark. 1980. Como é sabido.1). a que. Como não existem áreas litorais verdadeiramente estáveis. Porém. Os resultados obtidos com a aplicação deste modelo indicam que existe uma zonação (fig. devido à zonação geográfica do Globo. que representa curvas de variação do nível do mar propostas para diversas regiões que. (1994). é necessário dispor-se de um ponto de referência fixo.. por consequência.205 3 – Ciclos de obliquidade de aproximadamente 40 000 anos. Lingle & Clark. não é possível encontrar pontos de referência absolutos. apesar destas curvas serem específicas das áreas para as quais foram determinadas. O estudo de sequências deposicionais dos últimos 24 000 anos (Hernández-Molina et al. 3 – Ciclos c de 700 a 500 anos. Clark. para quantificar variações absolutas do nível do mar. 2 – Ciclos h de 2 200 a 960 anos.. Esta semelhança de comportamento encontra-se claramente evidenciada na fig. a interacção deste ciclos é responsável pela evolução altimétrica do nível do mar. 1978. 1985. não podendo ser aplicadas directamente a outros locais. em que cada zona apresenta curvas de variação do nível do mar comparáveis. cuja intensidade varia no tempo e de local para local. 1994) permitiu ainda deteminar a existência de outros ciclos de periodicidade inferior ao ciclo de precessão de 20 000 anos definido por Milankovich: 1 – Ciclos P de 4 500 anos. é extraordinariamente difícil determinar com rigor tais variações. As curvas de variação do nível do mar pretendem expressar. os continentes estão sujeitos a movimentos isostáticos e a outros movimentos tectónicos. a evolução altimétrica dos paleolitorais.2. Com efeito. é impossível estabelecer curvas que traduzam verdadeiramente as variações eustáticas. Para o seu estabelecimento é necessário dispor de materiais de génese litoral e que não tenham sido deslocados após a sua . 5 – Oscilações de Dansgaar-Oesgher de 1 000 anos. De entre as diversas tentativas de modelação das variações do nível do mar provocadas pela deglaciação. VIII. Segundo Hernández-Molina et al. Assim. 1994). Embora existam diversas tentativas para estabelecimento de curvas de variação eustática abrangendo as últimas duas dezenas de milhar de anos. controlando assim a ocorrência de transgressões e regressões. as curvas de variação do nível do mar apenas reflectem as variações relativas do mar em relação ao continente na região para a qual foram determinadas. em termos de tempo e de profundidade actual. é de esperar. à semelhança da plataforma continental portuguesa. Colman et al.

de métodos de datação suficientemente precisos. b) a validade do método de datação por 14 C (o mais divulgado para materiais do Quaternário recente) depende dos pressupostos básicos em que se baseia a sua utilização. Contudo. (1978). tendo como base a variação destes parâmetros. Transgressões e regressões O comportamento transgressivo ou regressivo é função directa de dois parâmetros fundamentais: a variação do nível do mar e a quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral. Na análise de tais curvas deve ainda ter-se em atenção o número e distribuição dos pontos (bem como as respectivas medidas de indeterminação) a partir dos quais são traçadas. e de número suficientemente elevado de datações. mas apenas que a sua análise deva ser feita com alguma precaução. . Alguns aspectos relacionados com a idade e a profundidade dos materiais que servem de base ao estabelecimento de curvas de variação do nível relativo do mar são analisados com algum pormenor em Dias (1987). concluir-se o seguinte: a) embora a datação de conchas seja um dos métodos mais utilizados. tal não significa que tais curvas não sejam válidas e úteis.1 – Distribuição espacial das zonas do modelo de Clark et al. e da existência de deseqilíbrios entre a relação 14 12 C/ C do ambiente em que o material datado se constituiu e da atmosfera. visto obrigar à escolha de espécies cujo habitat corresponda apenas à zona entre-marés e por ser frequentemente difícil averiguar se uma concha sofreu transporte para profundidades diferentes daquelas em que se desenvolveu. 3. É ainda de referir a possível ocorrência de contaminação laboratorial ou in situ.206 formação. Desta análise pode. uma vez que tanto as profundidades como as idades utilizadas no seu estabelecimento estão muitas vezes afectadas por indeterminações fortes. dado o seu carácter interpretativo e não factual. Figura VIII. resumidamente. é bastante falível. c) os problemas relacionados com o material sobre o qual incidem as datações e com o método de datação conduzem que as curvas de variação do nível do mar sejam bastante questionáveis. A modelação conceptual da evolução do litoral. de absorção preferencial de um tipo específico de isótopo de carbono.

a plataforma continental apresenta um regime de sedimentação predominantemente autóctone. curvas teóricas previstas por modelação numérica para estas regiões e curva eustática. os estuários reduzem as exportações de materiais para a plataforma. em locais de recepção e deposição de sedimentos (nomeadamente de materiais provenientes da deriva litoral e dos rios).207 tem sido objecto de numerosos trabalhos (p. Convertem-se assim. de modo a adaptarem-se ao novo nível de base. . tempo para entrar em equilíbrio com as condições ambientais. Em resposta à subida do nível do mar. 1976a. se a taxa de acumulação litoral for superior à de subida do nível marinho. De um modo geral.: Curray. preferencialmente. 1991). Swift. ex. normalmente. a rápida elevação do nível do mar provoca migração rápida da linha de costa em direcção ao continente (transgressão). Em consequência. Figura VIII. Swift & Thorne.2 – Curvas de variação do nível do mar propostas para o Golfo do México e para a costa atlântica francesa. 1969. Contudo. a linha de costa tende a migrar em sentido inverso. não tendo o litoral. 1964.

por consequência. No entanto. superior a 9 m (Pires & . bem como as suas relações genéticas e de idade relativa.. Curvas de variações do nível do mar em Portugal A primeira (e única. A plataforma é. 1997). a aplicabilidade desta curva à totalidade da plataforma (Dias et al. permanecendo na plataforma como relíquia desses paleolitorais. a diminuição rápida do nível do mar traduz-se. Se tal acontecer. abrangendo os últimos 18 ka. Moreira & Psuty (1993). Neste último caso. No entanto. oportunidade de entrar em equilíbrio. após constituição destas formas. Quevauviller. Alves (1996) e Granja & De Groot (1996). Se. no Cabo da Roca. 1971. 1986. À semelhança do caso anterior. os dados referentes às variações holocénicas do nível do mar publicados por Granja (1990). A análise destas últimas variações deve ser efectuada com precaução. 1971. A estabilização ou variação lenta do nivel do mar pode traduzir-se em comportamento regressivo ou transgressivo. quando. lugar de sedimentação predominantemente alóctone. Monteiro & Moita. em que a onda significativa dos temporais com período de retorno de 5 anos é. dão indicações contraditórias sobre a estabilização do nível do mar a cotas próximas da actual. 1982. tendo o 14 modelo assim concebido sido parcialmente confirmado por algumas datações de C. trabalhos incindindo sobre outros sectores da plataforma portuguesa (p. Foram essencialmente utilizados dados referentes aos corpos sedimentares e aos elementos morfológicos reconhecidos na plataforma. Monteiro et al. Efectivamente. ocorrer elevação rápida do nível do mar. Bettencourt (1994). até ao momento) proposta de variação do nível do mar em Portugal.. existe elevada probabilidade da morfologia litoral não ser completamente obliterada. Nestes períodos rapidamente regressivos verifica-se débito importante de carga sólida para a plataforma e deposição de materiais grosseiros nas zonas litorais. Esta curva foi estabelecida para a plataforma norte de Portugal (fig. 4. estes depósitos vão-se localizando progessiva mas rapidamente em meios energéticos mais baixos. o litoral não tem.: Moita. foi publicada por Dias (1985. ex. a possibilidade da costa entrar em equilíbrio é maior e as formas de acumulação litoral têm condições para apresentar maior desenvolvimento. 1987) permitiram confirmar. entre outros autores. por exemplo. em migração da linha de costa no sentido do oceano (regressão). 1987). 1986. normalmente. Estes depósitos mais grosseiros tendem a constituir acidentes morfológicos que têm probabilidade de subsistir se a este período regressivo se suceder transgressão rápida. IV. É de notar que pode existir transgressão em períodos de abaixmento do nível do mar. num ambiente em que a amplitude da maré se aproxima dos 4 m. Quevauviller & Moita. geralmente. em princípio.6). dependendo da quantidade de sedimentos debitados para o litoral. a erosão litoral se processa a ritmo superior ao do referido abaixamento. verificando-se apenas pequenas modificações nos sedimentos.208 Pelo contrário.

e que a parte superior dos sapais no interior dos estuários e das lagumas pode estar localizada alguns metros acima da cota média do nível da água.209 Pessanha. a 1 m (Taborda & Dias.3). Se. . e quando se não tem em atenção os aspectos relacionados com regressões do tipo deposicional e transgressões do tipo erosivo (em que o nível do mar se mantém estacionário ou em subida lenta). Bettencourt (1994) utilizou exclusivamente datações por 14 C para propor uma curva para o sotavento algarvio (fig. Abra alba e Loripes lacteus) e de gastrópodes (p. e em que a sobreelevação de índole meteorológica pode atingir. 2 a 4 m (principalmente quando há contrastes litológicos ou outras superfícies nítidas de fraqueza estrutural). valores próximos. supletivamente. os indicadores do nível médio do mar se encontram dispersos por um espectro de cotas cuja variação é. Como não há razões objectivas para considerar que estas características ambientais sofreram. pelo menos. mesmo actualmente. a cada vestígio de nível marinho detectado.3 – Curva de variação do nível do mar no sotavento algarvio (Bettencourt. 1986).: Bittium reticulatum. Cerastoderma edule. de 4m. modificações radicais. por exemplo. ex. pelo menos. ou mesmo superiores. Turritela communis e Nassarius reticulatus) provenientes de sondagens efectuadas no interior da ria Formosa. VIII. uma margem de imprecisão de. há que atribuir. que as cotas das plataformas de abrasão marinha podem localizar-se mais de 3 m em torno do nível médio do mar. em princípio. Gama. 1996). verifica-se que. As datações foram realizadas sobre clastos de lamelibrânquios (p. 1994). anualmente. no decurso do Holocénico. Figura VIII. 1992a. A este propósito refere-se. 1987) para a plataforma setentrional. Ao contrário da metodologia utilizada por Dias (1985. principalmente quando essas discussões têm por base uma hipotética precisão métrica ou inferior.: Spisula salida. ex. verifica-se que muitas das discussões em torno dos níveis marinhos holocénicos perdem consistência. se tiver em atenção a influência inegável da neotectónica.

já anteriormente referida. Este critério de identificação baseia-se nos seguintes pressupostos: a) uma elevação posterior ao período durante o qual o nível marinho se manteve estacionário apenas provoca a erosão parcial do depósito anteriormente formado. o qual é claramente identificável nos perfis de reflexão sísmica e que se sobrepõe a areias relíquia. embora algumas das espécies utilizadas sejam comuns ou frequentes na Ria Formosa. Parece. nomeadamente por aqueles que exibem uma quantidade significativa de partículas "relíquia". Existem. nomeadamente. a profundidades que podem atingir os 40 m (Marques. consequentemente. 5. correspondente a um depósito progradante. tendo sido datadas 4 amostras. outras evidências sedimentológicas da existência de paleolitorais. Granja & de Groot (1996) publicaram resultados de datações radiocronológicas de materiais colhidos no litoral de Cortegaça (a sul de Espinho). de extremo cuidado na análise destas curvas. Não é conhecida a taxa de deposição destas areias mais finas. 1987). Assim. o qual não foi totalmente obliterado pela sedimentação associada a tal elevação. b) a tendência atrás referida e que se verifica . à diversidade de habitats dos organismos que foram utilizados nas datações. O grau de incerteza inerente a curvas de variação do nível do mar baseadas em datações por 14 C salienta a necessidade de se dispor de um número significativamente elevado de amostras de modo a aumentar a confiança nos resultados obtidos. porém. associados a paleolitorais. porém lícito. De facto. Este facto realça a necessidade.210 A variabilidade vertical das datações e. estes resultados apenas foram utilizados para salientar a importância da neotectónica. da curva deve-se. a presença de tais depósitos deverá constituir um critério a considerar na identifição de períodos de estabilização do nível marinho. Esta metodologia foi também utilizada por Moreira & Psuty (1993) no estudo sobre a sedimentação holocénica no estuário do Sado. As datações foram efectuadas a partir do carbono da fracção orgânica e/ou dos carbonatos orgânicos provenientes de conchas e seus fragmentos. à granulometria dos sedimentos e à sua composição. Contudo. presumivelmente. Junto à costa verifica-se actualmente tendência para a deposição preferencial de areias médias. mais grosseiras. segundo o próprio autor. supôr que este depósito progradante apenas se forma em períodos durante os quais o nível do mar se manteve estacionário. as quais se referem. foram também identificadas em biocenoses no substrato móvel da plataforma continental algarvia. Indícios sedimentológicos Foram anteriormente analisados alguns indícios sedimentológicos que se encontram. A maior distância da costa (e a maior profundidade). regista-se a ocorrência de uma transição para uma faixa de material mais fino. e que são constituídos por depósitos arenocascalhentos. Estes autores concluíram que a transgressão holocénica estacionou há cerca de 2 300 anos.

. A análise da fig. IV. é aplicável a outras regiões da plataforma continental ou mesmo à totalidade da mesma. um "ruído de fundo" que deve ser eliminado. Sector da plataforma Profundidades Globalidade dos sectores estudados 60 90 120 140 Plataforma norte 60 90 120 140 Plataforma sudoeste 70 100 120 140 70 90 120 150 Plataforma algarvia 30 Os gráficos incluídos nesta figura são compatíveis com uma elevação do nível do mar mais lenta até profundidades actuais da ordem dos 90 m e mais rápida em período subsequente. como se disse atrás. A análise destes diagramas deve ser feita com precaução. VIII.I – Profundidades aproximadas a que se detectam indícios granulométricos de paleolitorais com base na variação da média da areia. pelo contrário. devemos ter em atenção a densidade de amostragem. VIII. a deposição actual de sedimentos mais finos provoca. nos diagramas das figs.I). permite. Quadro VIII. para diferentes sectores da plataforma. certamente.211 actualmente ocorreu durante a totalidade do período de evolução pós-glaciária da plataforma. A comparação de diagramas que representem a variação da média granulométrica da areia com a profundidade.6). bastante útil na detecção de profundidades aproximadas da ocorrência de vestígios de paleolitorais. a sua utilização revela-se. Não obstante. mas apenas as mais grosseiras. A evolução pós-glaciária da plataforma foi expressa.5 permitem averiguar se o comportamento atrás referido se mantém quando se consideram estes sub-sectores. Por esta razão. por Dias (1985) através de uma curva de variação do nível do mar (fig. verificar se a curva proposta por aquele autor para a plataforma norte de Portugal é exclusiva desta região ou. Efectivamente. em princípio.4 e 5 não foram incluídas a totalidade das médias existentes em cada intervalo de profundidade. mas apenas os 10% mais grosseiros. Os diagramas da fig. e c) não se registou variação significativa do tipo de abastecimento do litoral ao longo do tempo. a representatividade dos pontos utilizados na construção dos mesmos e a amplitude das classes de amostragem. No entanto. Nesse sentido.4 indica uma relativa uniformidade de comportamento nos diferentes sectores estudados no que respeita às profundidades a que se encontram associadas as médias granulométricas mais grosseiras (quadro VIII. como se referiu. VIII. optou-se por não utilizar a totalidade das médias granulométricas das areias. A existência de diferenças significativas nos sectores estudados permite considerar a divisão dos mesmos em sub-sectores.

5 0.GLOBALIDADE DOS SECTORES PLATAFORMA NORTE   1.5 0.5 30 60 90 120 150 prof (m) 0 Figura VIII.5 30 60 90 120 150 prof (m) -0.5 30  60 90 120 150 prof (m) 150 prof (m) PLATAFORMA ALGARVIA 212 PLATAFORMA SUDOESTE  2 2 1.5 1 1 0.5 0 0 -0.5 2 1.5 0 -0. 30 60 90 120 .5 1.5 1 1 0.5 – Variação da média granulométrica da areia com a profundidade.

e .Algarve ocidental.entre Sines e o cabo de S.5 0.entre Espinho e o cabo Mondego.Algarve oriental.5 1.5 30 60 d 90 120 150 prof(m) -0.5 2 1. . b . f .5 30 60 90 120 150 prof (m) 0 30 60 90 120 150 prof (m) 0 30 60 150 prof (m) Figura VIII.5 1 0.5 2 1 0.5 c  2.5 213 1.5 0.entre o canhão de Setúbal e Sines.6 – Variação da média granulométrica da areia com a profundidade em diferentes sectores da plataforma: a .5 1 0.5 0 -0.a b   2.5 30 60 90 120 150 prof (m) -0.5 1.5 90 120 90 120 150 prof (m) f  3 2 1. c . Vicente.5 30 60 e   2. d .a norte de Espinho.5 -0.

aquele em que a aplicação da metodologia descrita conduz a melhores resultados. Tal facto sugere que a curva estabelecida por Dias (1985. com base na variação da média da areia. A subdivisão da plataforma sudoeste foi efectuada atendendo ao grau de definição do bordo da plataforma.II – Profundidades aproximadas a que se detectam indícios granulométricos de paleolitorais em diferentes sectores da plataforma. o esquema de evolução pós-glaciária proposto pelo mesmo autor em 1987) é aplicável. 1987) para a variação do nível do mar na plataforma setentional portuguesa (e.4 e VIII. consequentemente. A análise conjunta das figs. aparentemente. Refira-se que o aspecto geral dos diagramas incluídos na fig. VIII. A análise desta figura evidencia um comportamento análogo ao anteriormente referido (quadro VIII. Vicente 30 60 80 130 140 Plataforma algarvia ocidental 30 60 90 120 150 Plataforma algarvia oriental 30 70 100 120 150 O critério utilizado na identifição de períodos de estabilização do nível marinho encontrase bem marcado no sector entre Espinho e o cabo Mondego. na largura e orientação da plataforma e no estado de abarrancamento do bordo da mesma. . Este sector (caracterizado. correspondendo a diferenças na densidade de drenagem. VIII. em função da largura da mesma e do tipo de litoral (arenoso ou em arriba). Sector da plataforma Profundidades A norte de Espinho 20 60 90 130 Entre Espinho e o cabo Mondego 30 60 90 120 140 50 100 130 150 Entre o canhão de Setúbal e Sines Entre Sines e o cabo de S.5 pode também encontrar-se relacionado com diferenças nos processos de fornecimento e com a existência de "patamares" energéticos. nos seus traços gerais. pela ausência de afloramentos rochosos na plataforma interna.5 sugere que os indícios granulométricos da existência de paleolitorais na plataforma continental portuguesa são detectados a profundidades semelhantes nos sectores estudados. as taxas relativas de erosão e acumulação prevalecentes numa determinada área. os quais determinam.II) Quadro VIII. entre outros aspectos. às plataformas alentejana e algarvia. independentemente das características específicas de cada um.214 Para a construção destes diagramas. em última análise. separados pelo paralelo de Espinho. pelo fornecimento apreciável de sedimentos não consolidados e por significativos níveis energéticos actuantes junto ao fundo) é. Foram ainda considerados dois sectores na plataforma algarvia. a plataforma norte foi dividida em dois sectores.

1970.. de igual modo. tiveram maior probabilidade de não serem destruídas. susceptível de fornecer indicações relevantes sobre a localização de paleolitorais. a fauna existente a profundidades que não ultrapassariam os 30 m. as quais. não destrutivos dessas formas originadas em ambientes de alta energia. Neste último caso. 1991. sendo a tendência de descida ou de estabilidade substituída pela de elevação rápida.215 A composição da areia é também. arribas e cordões litorais. possibilitando a geração de formas mais bem definidas. aquela em que as modificações morfológicas são. Com efeito. Rodrigues et al.: Gierloff-Emden et al. os referidos organismos testemunhariam paleolitorais existentes na plataforma média e na externa. de igual modo. Como foi referido em capítulo anterior. Dias. traços dessas formas que se devem pesquisar na plataforma no sentido de poder deduzir a localização de paleolitorais. a maior probabilidade de conservação das formas costeiras ocorre quando se verificou inflexão do comportamento do nível do mar.. 1974. Alguns destes fragmentos encontram-se. assim. São. provavelmente. consequentemente. . A não emersão posterior garante que os níveis energéticos se mantiveram provavelmente baixos. Foram identificados alguns bioclastos de coraliários e de briozoários 1 da classe "R" (relíquia) presentes em sedimentos ocorrentes na plataforma média e na plataforma externa a sul de Sines. que se teria constituído quando o nível do mar se encontrava a cotas compreendidas entre os actuais –40 m e -60 m. Em princípio. portanto. Nestas circunstâncias. ex. neste caso. embora não seja de excluir a hipótese de terem proveniência em dunas consolidadas. aparentemente. É. o tipo de partículas e o seu estado de cimentação são compatíveis com formação a partir de areias de praia. Os fragmentos do que aparenta ser "beach-rock" (fig. terraços. Luís Saldanha. constituir indícios da presença de antigos litorais. em relação espacial com acumulações arenosas eólicas identificadas por Pereira (1987) no litoral do Alentejo e do Algarve. 1977. provavelmente. 1 Identificação efectuada pelo saudoso Prof. 6. Os organismos identificados (Sertella e Myriapora. Musellec. Traços morfológicos A zona litoral é a mais energética da plataforma continental. Baldy. devido à submersão rápida e consequente diminuição dos níveis energéticos aí ocorrentes. Os traços morfológicos detectáveis na plataforma continental correspondem genericamente a rupturas de pendor. entre outros) correspondem. 1987. o nível relativo do mar manteve-se mais tempo à mesma cota. A morfologia litoral é caracterizada pela existência de formas de erosão e de acumulação. corresponderiam a antigos sistemas praia-duna consolidados. É possível que parte destes fragmentos testemunhem um antigo litoral. sem emersão posterior. e. VIII. maiores. Os autores que os analisaram (p.6) podem.

00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana 0.00 20km 9º 15' 2 8º 50' 155000.00 6 4 0.00 8º 48' C. S.00 C. Vic en te 40º 30' 000. N.00 140000. 0.00 240000.00 020000.00 40000.00 30000.00 20km ão m rti o P 7º 40' 160000. Porto 1 V. . Milfontes Porto 8 Cabo Sardão 37º 30' C.00 40000.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 105000.00 Rocha 200000. Setú 100 50 150 100 216 1 Viana 1 38º 00' 41º 30' Sines C.al 150 50 b C.00 20000.00 80000.00 20000.00 "Beach rock" detectada Figura VIII.00100000.00 80000.00 60000.6 – Áreas na quais foi detectada a presença de possível "beach rock".00 0 40000.00 010000.00 60000.

140-150 Cordões litorais Dias (1987) 45. em metros.100 Rupturas de pendor Quevauviller (1986a) 50-70. aplanados.67.60-70. têm origem provavelmente relacionada com a interpenetração de perfis de praia correspondentes a diferentes níveis relativos do mar (Froidefond.82.20. das praias submarinas. É de assinalar que os elementos cartografados por Rodrigues & Dias (1989) são os únicos que foram detectados na base da cobertura sedimentar.100.100-105.35-40.125. esta distribuição concorda com a curva de variação do nível do mar proposta para a plataforma continental portuguesa setentrional e com as profundidades a que foram detectados indícios granulométicos de paleolitorais.130 Arribas Rodrigues & Dias (1989) 60-70.170 Arribas Dias (1987) 100 Estes acidentes morfológicos distribuem-se preferencialmente entre os 60 e os 70 m e entre os 90 e os 110 m de profundidade (fig.217 Roque. 50-90.145 Terraços Musellec (1974) 40.120 Terraços Rodrigues & Dias (1989) 90. 1998) atribuíram à maioria destes traços uma génese relacionada com a migração da linha de costa nos últimos 18 ka. . 1987). relacionados com dois ou mais destes factores.60-65.111-125 Terraços Dias (1987) 30.65.125-145 Rupturas de pendor Rodrigues & Dias (1989) 90. b) abrasão marinha.III. 1982. As rupturas de pendor. Quadro VIII. os terraços e os cordões litorais formaram-se em períodos em que o nível relativo do mar permaneceu estacionário durante tempo suficiente para permitir a modelação por erosão (nos dois primeiros casos) ou por acumulação (no caso dos cordões litorais).90-100.110. provavelmente.7). intersecções de dois planos que correspondem a superfícies de declive diferente. (1970) 7.III – Elementos morfológicos identificados nos sectores estudados.100. Outros encontram-se. Traço morfológico Autor Profundidade Terraços Gierloff-Emden et al.100.75. Os terraços podem ter géneses diversas e encontrar-se relacionados com: a) superfícies estruturais.90-97.140 Terraços Baldy (1977) 45.65.110.140.80. As profundidades a que os diferentes autores identificaram os referidos acidentes morfológicos são. As arribas.90-120. De uma maneira geral. Dias.140 Rupturas de pendor Roque (1998) 10 Cordões litorais Vanney & Mougenot (1981) 15-20.160 Rupturas de pendor Dias (1987) 30-40. as que constam do quadro VIII.80-85.16.90-115.127. VIII.130.111-118.97-101.40-45. c) troços inferiores.

1997). muito fracos (0. 1995b).5%). Com efeito. permitem. considerando-se que determinado acidente apresenta continuidade quando é identificável. . os traços morfológicos mencionados foram identificados através do estudo de perfis batimétricos e da análise expedita dos correspondentes registos de reflexão sísmica. Nos mapas incluídos na fig. Nas áreas nas quais a plataforma é definida por bordo bem marcado. fracos (0. médios (1 a 3%). em posição análoga.: Rodrigues et al.5 a 1%). ex. Os mapas de pendores apresentados no presente trabalho foram construídos com base nas cartas batimétricas cuja reprodução reduzida se encontra em Vanney & Mougenot (1981) e que se baseiam numa equidistância de 10 m. em perfis sucessivos. efectuar uma análise espacial. Mapa de pendores A cartografia dos pendores da plataforma continental fornece informações complementares das que foram anteriormente referidas.218 Número de traços morfológicos 10 8 6 4 2 0 15 35 55 75 95 115 135 155 175 Profundidade (m) Figura VIII.3 a 0. os maiores pendores verificam-se. 7. dispõe-se ao longo de linhas. têm vindo a ser observados através do recurso a veículos de operação remota (p. contrariamente ao que se verifica com os perfis ecográficos. VIII.3%). Contudo. no bordo da plataforma e na vertente continental superior.8 consideraram-se zonas caracterizadas por pendores extremamente fracos (<0. A informação obtida a partir da análise dos registos ecográficos é bastante precisa. como seria de esperar.. Estas formas ter-se-iam mantido sem degradação apreciável devido à elevação muito rápida do nível do mar que se verificou após o Dryas recente (Dias et al..7 – Distribuição dos traços morfológicos por classes de profundidade. fortes (3 a 5%) e muito fortes (>5%). Nos últimos anos. Os traços morfológicos submersos a profundidades entre 40 e 60 m são muito abundantes e encontram-se bastante bem conservados.

00 9º 15' 8º 40' 9º 50' 105000. S. N.00 Rio Guadiana 37º 10' Portimão Lagos 50 Faro 100 150 0.00 20000.00 30000.00 240000.0020000.00 7º 40' 200000.3 % a 0.00 40000. Setú 100 50 150 100 219 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C.00 0 10000.00 8º 50' 155000.5 % a 1 % 1%a3% 3%a5% >5% Figura VIII. V 0.00 100000. Porto V.00 0 25km 36º 45' 120000.00 80000.00 20000.00 60000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana ice nte 40º 30' 0.3 % 0.150 50 bal C.00 8º 40' 160000.5 % 0.00 60000.00 140000.00 20km C.8 – Esboço de mapa de pendores dos sectores estudados.00 0 40000.00 < 0.00 20km Cabo Mondego 000. .

5%. Na região meridional. frequentemente. enquanto que no alinhamento mais profundo os pendores mais elevados se encontram concentrados na região dos afloramentos rochosos do Beiral de Viana e sua continuação para sul. os declives mais fracos localizam-se na plataforma média. os declives são mais heterogéneos.3 %). 1995). As profundidades às quais se detectam rupturas de declive são análogas às indicadas nos quadros VIII. algumas das quais têm sido interpretadas como representando evidências de paleolitorais (p.8 parece indicar a existência de dois domínios diferentes no que respeita à distribuição de declives na plataforma norte.5 e 1%. subparalela aos mesmos. detectando-se valores inferiores a 0.: Quevauviller. a generalidade dos pendores dispõe-se em alinhamentos grosseiramente paralelos à costa. 1986. Drago. 1987. a plataforma interna e a área a oriente dos afloramentos rochosos existentes na plataforma externa caracterizam-se por pendores elevados. 1994.220 É visível a existência de zonas diversas rupturas de pendor. com valores muito heterogéneos. Grande parte da plataforma interna e média é dominada por pendores fracos. a sul do canhão de Setúbal predominam os valores superiores a 0. Abrantes. Pelo contrário. principalmente entre os 60 e os 90 m de profundidade. Quevauviller & Moita.3%. Na região setentrional. contudo. Neste domínio. na plataforma norte. 1986a. à semelhança do que sucede geralmente a nível mundial (Shepard. 1986b.3 % a profundidades inferiores a 115 m. A distribuição de declives na plataforma algarvia é bastante irregular. A menores profundidades. Tal não se verifica na plataforma algarvia. Efectivamente.3% corresondem a retalhos detectados às profundidades aproximadas de 50 e 100 m. Em ambas as regiões. os declives distribuem-se de maneira razoavelmente uniforme. A distribuição de declives na plataforma sudoeste apresenta marcado contraste a norte e a sul de Sines. ex.III. Dias. em que. a plataforma interna é caracterizada por declives médios a fortes. Entre estes alinhamentos existe uma zona alongada. 1987. .I a VIII. Pelo contrário. A maior parte desta região meridional é dominada por declives compreendidos entre 0. Nas plataformas norte e sudoeste. O domínio norte caracteriza-se pela ocorrência de dois alinhamentos paralelos à costa. Os pendores mais fracos localizam-se na plataforma média e na vizinhança dos afloramentos rochosos da plataforma externa. de modo geral. VIII. Os declives inferiores a 0. sendo praticamente inexistentes os pendores inferiores a 0. os declives são mais homogéneos. Os pendores mais fracos verificam-se. A análise da fig.3%. que exibe declives extremamente fracos (< 0. este sector caracteriza-se por valores maioritariamente inferiores a 0. O donmínio sul apresenta uma maior homogeneidade de declives. o bordo da plataforma não se apresenta bem definido. 1973).

Pelo contrário.11 a possível configuração dos paleolitorais nos sectores estudados em diferentes etapas da transgressão flandriana.10 e VIII. Assim. 1994a. aparentemente. a morfologia e a relativa homogeneidade sedimentológica da plataforma sudoeste (pelo menos quando comparada com as restantes) permitem supôr ser esta a que reagiu de maneira mais uniforme ao aumento da pressão hidrostática gerada pela transgressão e aos desequilíbrios isostáticos daí resultantes. a estrutura caracterizada por sistemas de falhas transversais à plataforma. A plataforma algarvia apresenta. a um único bloco. que. presumivelmente. a este respeito. não existem indícios inequívocos que permitam supôr uma evolução altimétrica dos paleolitorais substancialmente diferente nos sectores estudados. O comportamento deste sector não pode ser . Entre outros aspectos. presumivelmente. um comportamento intermédio no que se refere a esta problemática. Lima e Cávado. em relação com a sua localização e a tectónica aí ocorrente. de depósitos sedimentares e de acidentes morfológicos podem ser explicadas por este facto. e a sul deste último) e de dois sectores na plataforma algarvia (a ocidente e a oriente do canhão de Portimão). Os canhões submarinos que se definem na margem continental permitem considerar a existência de 3 sectores na plataforma norte (a norte do canhão do Porto.9. Granja & Carvalho (1992) e Granja & de Groot (1996) permitam chamar a atenção para a importância da neotectónica na costa norte portuguesa. 1996). contrariamente à diferenciação detectada entre as costas atlântica e mediterrânica espanholas (Hernandez-Molina. a plataforma norte é. pelo menos parcialmente e nos seus traços gerais. aplicável à totalidade da mesma. no entanto. terá reagido de forma relativamente homogénea às solicitações a que foi submetido. a que mais rapidamente reagiu aos reajustamentos isostáticos compensatórios das variações eustáticas relativamente bruscas. Zazo et al. É de admitir que a plataforma localizada a ocidente da Porto-Tomar tenha respondido de forma mais rápida que a que se situa a oriente e que os restantes sectores. o sector localizado a norte do canhão do Porto encontra-se profundamente afectado pela falha do Beiral de Viana e pela continuação da fractura Porto-Tomar e das falhas que. em terra. Comportamento face à transgressão flandriana Os dados sedimentológicos e morfológicos apresentados no presente trabalho sugerem que a curva de variação do nível relativo do mar proposta por Dias (1985. 1987) para a plataforma continental portuguesa a norte do canhão da Nazaré é. entre os canhões do Porto e de Aveiro. VIII. Algumas anomalias de profundidade. a plataforma sudoeste corresponde. permitiu que cada um dos blocos por eles delimitado respondesse de forma diferencial às solicitações de origem hidroisostática.221 8. Pelo contrário. que os sectores estudados tenham tido um comportamento diferencial face à transgressão holocénica. De igual modo. embora os dados publicados por Granja (1990). No que respeita à plataforma norte. representou-se nas figuras VIII.. Os mesmos dados sugerem. condicionam o curso dos rios Minho. Acresce que.

paleo-litoral e rede hidrográfica associada .18 ka 16 ka 11 ka 10 ka 8 ka 222 bordo da plataforma litoral e rede hidrográfica actuais Figura VIII.9 – Possível configuração de paleo-litorais na plataforma norte.

223 18 ka bordo da plataforma 16 ka 11 ka litoral e rede hidrográfica actuais Figura VIII. 10 ka 8 ka paleo-litoral e rede hidrográfica associada .10 – Possível configuração de paleo-litorais na plataforma sudoeste.

.224 18 ka 16 ka 11 ka 10 ka 8 ka bordo da plataforma litoral e rede hidrográfica actuais paleo-litoral e rede hidrográfica associada Figura VIII.11 – Possível configuração de paleo-litorais na plataforma algarvia.

reagindo. O sector localizado entre os canhões submarinos do Porto e de Aveiro praticamente não é afectado por acidentes transversais. respondendo de forma diferencial às solicitações a que estavam sujeitas e induzindo maior complexidade no padrão de distribuição dos sedimentos. O sector oriental parece encontrar-se bastante menos compartimento. as quais passam na plataforma com orientação N-S e NE-SW. respectivamente. pelo que as respostas às consequências da transgressão holocénica seriam menos rápidas. Todavia. Monge Soares. e) trimerização do acetileno para benzina. c) produção de carboneto de lítio a partir do CO2 obtido. este sector reagiu. Em consequência. A plataforma norte a sul do canhão de Aveiro encontra-se sujeita a tectónica do tipo diapírico. resumidamente. . ao responder de forma diferencial às solicitações a que estavam sujeitas. das actividades da amostra. f) detecção. a que acresce ser caracterizada por numerosos sistemas de falhas que praticamente a cortam transversalmente. destinado a eliminar qualquer contaminação. de 2 Datações efectuadas pelo Eng. em: a) pré-tratamento das amostras.225 desligado do posicionamento geográfico face às variações na localização da frente polar e do afundamento das rias galegas. d) obtenção do acetileno por reacção do carboneto de lítio com a água. À semelhança da hipótese anteriormente formulada para a plataforma norte a sul do canhão de Aveiro. Datações por 14C As datações por 14 C foram efectuadas no laboratório de datação pelo radiocarbono instalado no Departamento de Química do Instituto Tecnológico e Nuclear 2. É. lícito supôr que este sector tenha respondido de forma mais rápida que o que se lhe situa a oriente. por cintilação líquida. No que se refere à plataforma algarvia. 9. encontrando-se detalhadamente descrito em Soares (1989) e consistindo. levando a um mais lento e progressivo estabelecimento estabelecimento do equilíbrio isostático. terão induzindo maior complexidade no padrão de distribuição dos sedimentos. aparentemente. O método utilizado pode considerar-se clássico. É possível que as fracturas relacionadas com o diapirismo tenham sido reactivadas face ao aumento de carga provocado pela elevação do nível do mar. como um único bloco. a baixa pressão em ambiente oxigenado. aparentemente. é possível que o aumento de carga aassociado à elevação do nível do mar tenha reactivado as fracturas relacionadas com o diapirismo. pelo que o equilíbrio isostático se teria estabelecido de uma forma mais lenta e progressiva. através da qual o carbono é libertado sob a forma de óxido e dióxido de carbono. através da utilização de um catalizador de crómio. b) "queima" da amostra. este sector encontra-se sujeito a tectónica do tipo diapírico. como um único bloco. assim. as quais. o sector ocidental encontra-se profundamente afectado pela continuação para sul das falhas de Portimão e Albufeira.

e eventuais acções antrópicas. entre outros factores. o qual foi extraído das amostras por escolha à lupa binocular. Os resultados obtidos. sem 14 C. como forma de quantificar o "fundo") e de uma amostra de referência (amostra padrão). As incertezas que podem afectar os resultados apresentados foram discutidas anteriormente.00 Figura VIII. VIII. g) cálculo da actividade da amostra por comparação das actividades determinadas.00 40000.00 100 3620 ±150 b c 6370 ±250 150 0. o que se deve. a remobilização dos bioclastos para maiores profundidades.226 um "branco" (benzina "morta". a mistura. um grau de incerteza que é difícil de quantificar. tal como as anteriores.Datação não considerada válida com base no valor do  C b . .00 240000.00 80000. A datação de níveis de turfa e de conchas presentes em testemunhos de sondagem realizadas em regiões costeiras constitui auxiliar precioso para a prossecução de tal objectivo.Datação de algas e corais Faro 7º 40' 200000. referentes a datações de material proveniente da plataforma continental algarvia.00 20km ão t im or 13 a .00 8º 48' P C. Não obstante a sua coerência. estas datações não permitem reconstituir a evolução do nível do mar desde o último máximo glaciário.Datação de bioclastos de moluscos c .13.12 e VIII. numa mesma amostra. encontram-se representados na figs. de organismos de diferentes idades. as datações incluídas no presente trabalho apresentam. à utilização de conchas amostradas em sedimentos superficiais e ao desconhecimento da profundidade a que as espécies utilizadas viveram. Como foi anteriormente referido. 160000. Guadiana Lagos Sa gr es 37º 10' Portimão a5590 ±110 a 4590 ±100 7050 ±60 50 1590 ±90 2110 ±100 2520 ±80 2400 ±70 7320 ±100 36º 45' 120000. Como não se dispunha de material em que se tivesse garantias de que a génese foi litoral. encontrando-se certamente relacionadas com: a utilização de espécies não litorais.00 020000. isto é. optou-se por datar material constituído por bioclastos da classe "R" (relíquia") das fracções granulométricas entre –2 Ø e 0 Ø.12 – Datações (média e erro padrão) de material carbonatado proveniente da plataforma algarvia.00 60000.

1987. Queiroz. que representa a possível variação do nível do mar no sotavento algarvio proposta por Bettencourt com base em datações de bioclastos provenientes de . 1989). 1994).3. é possível supor que as datações de materiais que constituem indicadores do nível do mar permitam esclarecer esta problemática. As datações a que se teve acesso encontram-se representadas no gráfico da fig. bem assim como as de materiais de que se desconhece a cota de colheita. Espinho (Alves et al. 1995). estuário do Sado (Moreira & Psuty.14.13 – Relação entre a profundidade e as datações (média e erro padrão) de material carbonatado proveniente da plataforma algarvia. Contudo. g) sondagens realizadas no interior da ria Formosa (Bettencourt. A análise deste gráfico permite extrair as seguintes conclusões principais: 1ª) a curva da fig. 1994). 1993). desconhece-se. Tal como é referido por Dias et al. c) arenitos dunares e de praia provenientes do litoral de Armação de Pera (Pereira & Soares. com precisão. foram utilizados dados incluídos em trabalhos referentes a: a) uma micro-arriba existente na praia de Alvor-Torralta (Pereira et al. b) uma armadilha de pesca descoberta na praia de Silvade. para cuja elaboração se excluíram as de materiais provenientes de estações arqueológicas ou de organismos vivos.. quando é que o nível do mar chegou à cota actual.. 1988/89). Entre outros. VIII.. h) sapais existentes no litoral algarvio (Dias. e) sondagens realizadas na plataforma de preia-mar da Gâmbia.227 IDADE (anos BP) 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 0 -10 COTA (m) -20 -30 -40 -50 -60 -70 -80 Figura VIII. 1992). d) sondagens realizadas na laguna de Albufeira (Freitas. 1994). 1995. (1997). Dias & Neal. f) um depósito proveniente de Boca do Rio e associado ao tsunami de 1755 (Dawson et al. VIII.

não considera a colmatação e a compactação sedimentares. a curva de variação do nível relativo do mar proposta para a plataforma continental setentrional é igualmente aplicável à região a sul do canhão submarino de Setúbal.14 – Relação entre a profundidade e as datações obtidas em diferentes áreas do litoral português. 1994). IDADE (anos BP) 0 2000 4000 6000 8000 10 5 COTA (m) 0 -5 -10 Litoral norte Estuário Sado Laguna Albufeira Litoral algarvio Ria Formosa -15 -20 -25 Figura VIII. ex. sugerem que. 3ª) não existem indícios evidentes de níveis do mar superiores ao actual. bem como os traços morfologicos e a cartografia de pendores aí ocorrentes. no estuário do Sado e em sistemas lagunares portugueses. 10. O modelo reológico proposto por Clark para simular as variações do nível do mar associadas à deglaciação revela uma concordância bastante elevada com diversas curvas experimentais que pretendem traduzir as referidas variações em diferentes áreas. cuja existência é defendida. as datações disponíveis na bibliografia. A granulometria e a composição dos sedimentos superficiais dos sectores estudados. não se tendo registado variações significativas posteriores. para profundidades superiores aos actuais 30 m. Súmula 1. Moreira & Psuty. 2. 1993. contrariamente ao defendido por diversos autores (p.: Dias. sugerem que o nível do mar se aproximou da presente cota há cerca de 6 ka. Bettencourt. Alves (1996) e Granja & De Groot (1996). . Contudo. bem como algumas outras inéditas.228 sondagens efectuadas na Ria Formosa. entre outros autores. 2ª) o nível do mar parece ter-se aproximado da cota actual há cerca de 6 ka. por Granja (1990). 1987.

que foram já analisadas com algum detalhe a propósito dos processos de fornecimento e de distribuição de partículas. dependendo de factores intrínsecos e factores extrínsecos. as variações do nível do mar no Quaternário condicionam de modo determinante o padrão sedimentológico. nos últimos anos. obviamente. de algum modo. a qual conduziu à publicação. Neste contexto. torna-se necessário proceder à simplificação dos referidos modelos devido à complexidade que os mesmos apresentam. BALANÇO SEDIMENTAR 1. Tal deve-se a que as condições que determinam a dinâmica sedimentar desta zona. A referida quantificação é dificultada. a zona litoral. quantificar a magnitude dos processos responsáveis pela transferência de materiais sedimentares. Por outro lado. os quais foram anteriormente discutidos e integrados em modelos conceptuais de dinâmica sedimentar da plataforma propostos por Dias (1987). a plataforma continental sensu strictu e profundidades superiores à mesma. Embora os estudos . Acresce que as partículas envolvidas neste processo apresentam géneses e origens muito variadas. são extraordinariamente complexas e apresentam variabilidade muito elevada. Introdução A realização de um balanço sedimentar consiste na aplicação da equação da continuidade dos fluxos sólidos movimentados na plataforma continental. Com as presentes estimativas pretende-se.229 IX. Embora de forma tentativa. Magalhães (1993) e Abrantes (1994). e idades muito diferentes. A referida simplificação reflecte-se. entre outros factores. permitindo avaliar a magnitude das transferências sedimentares que aí se verificam. na elaboração dos mesmos apenas são explicitamente considerados o continente emerso. As modificações induzidas pela subida actual do nível relativo do mar e pela actividade antrópica. De facto. que condicionam a quantidade e tipo de partículas que afluem ou saem da plataforma). pela diminuição do grau de conhecimento e compreensão dos processos e mecanismos envolvidos à medida que nos afastamos da zona litoral em direcção a profundidades crescentes. os quais são detalhadamente discutidos em Taborda & Dias (1992b). são brevemente discutidas na parte final do presente capítulo. Para a estimativa do balanço sedimentar é necessário proceder à avaliação das contribuições (créditos) e perdas (débitos) sedimentares que caracterizam a plataforma estudada e à identificação de fronteiras através das quais se processam tais transferências. que é limitada por duas "barreiras energéticas" (uma situada junto ao litoral e outra junto ao bordo da plataforma. nos balanços sedimentares apresentados. em especial do sector setentrional da mesma. esta quantificação surge na sequência lógica da intensificação do estudo da plataforma continental portuguesa. de numerosos trabalhos.

a sua síntese e integração permite já esboçar algumas conclusões e interpretações relevantes. que. o conjunto de condições mais propícias para a referida transferência. e a sua ciclicidade e actuação constante ao longo do ano. A maior parte do material debitado por via fluvial para a plataforma é transferido durante os períodos de cheia. permitem supor que são responsáveis pela transferência de quantidades importantes de materiais finos. correspondentes à coincidência entre a ponta de cheia e marés vivas vazias em condições de pressão atmosférica elevada. principalmente nos períodos de marés vivas. em função da extensão que ocupam e do estado de consolidação dos materiais em que estão talhadas. a erosão das arribas constitui. No entanto. No entanto. Embora menos eficazes. na plataforma continental portuguesa. como é comprovado. que consideram a plataforma como um sistema fechado. A eficiência deste sistema de fornecimento de partículas é condicionada pelas mudanças de sentido e da velocidade de variação do nível relativo do mar. A região emersa As caractererísticas do continente emerso adjacente à plataforma e vertente continentais proporcionam sedimentação predominantemente terrígena na região norte. e cíclicas (ex. uma importante fonte de sedimentos para o sistema litoral. Tais variações. Em virtude de tal facto. Para além destas estimativas. agitação marítima calma. Por vezes. no sentido de elevação do nível do mar. é relevante analisar brevemente as principais características da dinâmica sedimentar actual. Este proceso de fornecimento encontra-se relacionado com o nível atingido pelo mar na base das arribas e com os mecanismos de erosão subaérea. a resultante actual de tais variações é. por via de regra. . mesmo em condições menos propícias. um dos factores que inibe o fornecimento actual de partículas grosseiras para a plataforma. ou de longa duração. a transferência de materiais finos é elevada. e ausência de ventos (ou com ventos de terra para o mar) é bastante raro. A longo prazo. coincidem com a estação invernal. Este é. associada a forte contribuição fluvial. resultantes de um conjunto complexo de fenómenos. tal como em grande parte do globo. provavelmente. pela turbidez das águas na adjacência das embocaduras dos rios mais importantes. os ciclos de maré constituem. por exemplo. é ainda apresentado de forma esquemática o provável trajecto das partículas sedimentares “modernas” na plataforma. A sua importância intrínseca é difícil de avaliar porque a sua acção é amplificada pelo caudal hídrico dos rios. podem ser de curta duração. processos de transferência importantes. a amplitude que apresentam. ex. 2. também.: marés) ou acíclicas (p.: variações devidas a tempestades).230 quantitativos sejam ainda em número relativamente escasso. A complexidade dos mecanismos envolvidos Apesar das simplificações referidas anteriormente.

após tempo de permanência mais ou menos prolongado nos deltas de vazante dos rios e nas células de circulação a eles associados. transportadas em suspensão. Este mecanismo de transferência de areias é esquematicamente descrito pelo modelo de Bruun para as variações do nível do mar. ao qual dificilmente se conseguem subtrair. parte da areias pode entrar e ficar retida nos estuários. em consequência das quais as partículas grosseiras que a atingem são tendencialmente transportadas para sul. sendo. 1976a). em especial sob condições de agitação marítima de bom tempo. Esta carga sólida litoral é frequentemente alimentada por partículas provenientes da plataforma interna adjacente.231 A zona litoral As areias que se libertam dos estuários acabam. devido às condições atmosféricas. parte da qual é depositada temporariamente a maiores profundidades. As areias que não foram transferidas para o interior da plataforma nem subtraídas à circulação litoral continuam a ser transportadas para sul no litoral ocidental e para oriente no litoral meridional. A zona litoral da plataforma continental portuguesa encontra-se sujeita à acção de correntes longilitorais. o sistema litoral transforma-se em sistema de perda de areia (Swift. possivelmente. com as maiores energias concentradas junto à faixa de rebentação. mal definidas. ocorrem inversões no sentido geral da deriva. Em tais períodos verifica-se frequentemente erosão dos sistemas dunares. Contudo. Dado que na zona litoral existe um gradiente energético. as partículas mais grosseiras tendem a concentrar-se aqui. através dos . no litoral ocidental. O percurso seguido por estas partículas é tortuoso. existe uma certa mistura dimensional nos depósitos. Localmente. transferidas para maiores profundidades. à circulação na plataforma. enquanto que as partículas mais finas. Porém. Em períodos de mau tempo no mar. batimétricas e de agitação marítima. pelo menos temporariamente. assim como pelas ondas de SW na costa ocidental e pelo levante na costa sul. frequentemente. são debitadas para o largo. e para oriente. entre outros factores. no decurso desta movimentação generalizada e descontínua. visto que existe uma migração do perfil de equilíbrio da praia em direcção a terra. subtraindo-se assim. no litoral meridional. uma vez que as referidas condições energéticas apresentam grandes variações espaciais e temporais. As areias incluídas no ambiente litoral encontram-se num sistema fechado limitado pela praia emersa e pela barreira energética litoral. causadas. com avanços e recuos na direcção geral de transporte. por entrar no sistema geral da deriva litoral. com fronteiras. Outra parte é remobilizada eolicamente aquando dos períodos de deposição na praia emersa. acabando por se integrar nos campos dunares litorais. As partículas menores. que conseguem ser mantidas em suspensão em condições de menor energia. 1999). afastamentos e aproximações da parte emersa e deposições e remobilizações. se deslocam preferencialmente mais para o largo (Taborda. pela refracção das ondas nas irregularidades do fundo.

a quantidade de materiais chegados à plataforma média. A este respeito. em grande parte. os materiais que constituem estes bancos acabam por se dispersar por uma área maior. a geometria geral das formas dos deltas de vazante (devida à acção conjugada do fluxo de descarga fluvial. Como o período de maior débito dos estuários coincide. enquanto que as partículas mais finas são transportadas para maiores profundidades. Sob condições de temporal. depósitos relíquia cascalhentos. A plataforma interna Os estuários asociados aos rios condicionam fortemente o tipo de sedimentação ocorrente na plataforma interna. Nestas circunstâncias. enquanto que as partículas finas se deslocam para maiores profundidades A plataforma média Nesta região da plataforma ocorrem. granulometricamente finas. as quais são removidas aquando dos temporais. embora tenha vindo a ser amplificada em virtude do impacto das actividades humanas nas bacias hidrográficas. deslocandose as partículas grosseiras em direcção ao litoral. sugerindo que a quantidade relativa de areia grosseira e cascalho que actualmente sai desses estuários é bastante diminuta. nas condições presentes. as partículas que se subtraem à influência estuarina são. Efectivamente. Como é óbvio. é de referir que a tendência de assoreamento dos corpos estuarinos se verificava já no século X.232 canhões submarinos. com a época de agitação marítima mais energética. de facto. A topografia destes bancos provoca convergência das correntes de fundo dirigidas do mar para terra nos períodos de máximo transporte sedimentar e o desvio das correntes longilitorais para maiores profundidades. de que resulta deposição de areias nos referidos bancos. das marés. tal se verifica (Dias. frequentemente. da agitação marítima e da deriva litoral. as partículas mais grosseiras movimentam-se em direcção ao litoral. verifica-se apenas deposição temporária de areias finas. Localmente. ocorre remobilização generalizada dos depósitos. acabando eventualmente por ser integradas no sistema de deriva litoral. de topografia mais suave. dos quais o mais importante é a expansão do fluxo de descarga fluvial. Na foz dos rios desenvolvem-se bancos arenosos com a convexidade virada para a plataforma em resultado da actuação de diversos processos. eventuais irregularidades da topografia podem amplificar ou . bem como das suas magnitudes relativas ao longo do tempo e do espaço) tenderia teoricamente a apresentar assimetria para sul (no litoral ocidental) ou oriente (no litoral meridional) das desembocaduras. determina a maior ou menor presença de areia fina nestes depósitos. A análise das cartas batimétricas revela que. Nas presentes condições. Sob condições de bom tempo e agitação de longo período. bem como a regularidade da ocorrência de temporais. 1987). que correspondem a sedimentação predominantemente autóctone.

descontinuidade quase tão importante como a linha de costa (Southard & Stanley. características das correntes junto ao fundo que aí actuam. com fiabilidade. revelando-se. Na generalidade. gradientes térmicos e haloclínicos. O bordo da plataforma O bordo da plataforma constitui fronteira entre a plataforma e a vertente continentais. entre outros. e a actuação possível de outros factores oceanográficos. determinando. a actividade biológica tem aqui maior intensidade relativa do que nas zonas anteriormente referidas. Todavia. exibem dimensões tais que dificilmente seriam transportadas para outros locais. áreas de não deposição e áreas de concentração de certos tipos de partículas. o que justificaria a geralmente reduzida expressão da fracção siltosa nas plataformas norte e sudoeste As areias finas que constituem os depósitos desta zona apresentam uma importante componente biogénica. podendo ter tido proveniência noutros locais da plataforma.233 moderar as percentagens de partículas finas. em termos de transporte sedimentar. Outra parte tem origem em organismos planctónicos e depositou-se de acordo com as suas características hidrodinâmicas. na generalidade. tais como ondas internas. Parte destas partículas derivou de organismos bentónicos e. o clima hidráulico aqui prevalecente é ainda suficientemente intenso para inibir a deposição de grande quantidade de partículas. A plataforma externa A plataforma externa constitui. o que é comprovado pela não completa obliteração das características relíquia dos depósitos e pela presença constante da glaucónia. Contudo. A contribuição biogénica para estes depósitos grosseiros é pouco significativa. o que é comprovado pelas percentagens relativas diminutas de bioclastos “M”. o silte e a areia mais fina podem ser remobilizados sob influência de ondas de longo período. As condições mais frequentes da agitação marítima que atinge a plataforma continental portuguesa não são suficientes para induzir movimentação regular e generalizada de silte e areia junto ao fundo. estes processos possuem competência para actuar em maior ou menor grau sobre os referidos depósitos. por exemplo. modificando-os no sentido de equilíbrio progressivo com as condições actuais. ambiente energeticamente mais calmo que a plataforma média. os seguintes: a topografia de fundo. Os depósitos grosseiros existentes nesta região não se encontram em equilíbrio com os actuais processos de fornecimento e de distribuição de partículas. a orientação desta relativamente à agitação marítima incidente. Não se conhecem. . São de referir. 1976). As características dos depósitos presentes na plataforma externa são ainda influenciadas por um conjunto de factores. e vórtices oceânicos. a morfologia do bordo da plataforma. Estes factores provocam fortes heterogeneidades nesta zona. frequentemente inter-dependentes. com frequência. Aparentemente.

As profundidades moderadas a que a plataforma continental se desenvolve. Os depósitos do bordo da plataforma possuem aparentemente duas origens distintas. Outros depósitos aparentam ser progradantes. ainda. responsável pela criação de zonas de turbulência onde ocorrem correntes que mantêm os sedimentos finos em suspensão ou provocam a sua ressuspensão frequente. 1989). Gawarkiewicz et al. e a sua consequente reduzida capacidade térmica em relação ao oceano. sendo sujeitas a sucessivas deposições e remobilizações. 1999). principalmente nas estações mais pluviosas. Heathershaw et al. de algum modo. Biscaye et al. a região a norte de 41º N é a que reúne condições para apresentar contrastes maiores. ex.: Csanady. Yanagi et al. As partículas finas que chegam ao bordo da plataforma são capturadas pelos processos hidrodinâmicos referidos. acabando por se acumular em áreas cujos parâmetros energéticos sejam consentâneos com a deposição "permanente" de tais partículas.. 1997. McClimans et al. constituem. contribui para ampliar o contraste de temperatura. sugerindo acumulação activa de partículas. Acresce. Pérenne & Pichon. Mougenot. as correntes de maré. negativo nos depósitos relíquia e positivo nos depósitos modernos.234 Apesar de os processos operantes junto ao bordo da plataforma serem mal conhecidos‚ é possível ter uma ideia da sua magnitude e forma de actuação (p. verifica-se selecção preferencial de partículas de acordo com os respectivos diâmetros equivalentes. Xing & Davis. provavelmente. à semelhança das "válvulas" referidas por Swift (1976b). 1986. É possível que estes saldos estejam.: Vanney & Mougenot. Small et al.. Alguns dos processos que determinam a dinâmica específica desta zona são seguramente as ondas internas.. relacionados com a orientação geral das batimétricas relativamente à direcção de incidência das vagas de longo período. 1998. As características e intensidade desses processos regulam. 1998. o que tende a ser confirmado pelos perfis de reflexão sísmica (p. salinidade e densidade entre as massas hídricas da plataforma e da bacia oceânica. que o caudal dos rios. 1996.. New & Pingree. É possível que a resultante dos processos actuantes nesta zona funcione como "válvula". Smith. A presença de glaucónia e de carapaças de foraminíferos que apresentam diferentes estádios de glauconitização apoiam tal dedução (Müller. 1999. algumas são transferidas para a vertente continental. o saldo entre as partículas que aqui chegam e as que saem. também. Como resultado da actuação destes processos. 1981.. Entre as partículas que aqui se formam e chegam. 1998. Os depósitos glauconitizados são.. presumivelmente. Brunner & Biscaye. 1978. depósitos relíquia sujeitos a erosão ou pelo menos a taxas de acumulação muito pequenas ou nulas. provavelmente. à direcção de propagação da maré e ao estado de abarrancamento do bordo da plataforma e da vertente continental superior. 1967. A actuação conjunta destes processos é. 1994. o qual é. as correntes de upwelling. provavelmnente. McRae. factor importante no desenvolvimento de processos específicos desta zona. 1972). 1990. os vórtices oceânicos e as ondas de Kelvin. o que . ex. No que se refere a estes aspectos. as correntes induzidas por diferenças de pressão atmosférica. 1999. Smith & Sandstrom. 1973.

e mesmo na planície abissal. em consequência das quais ocorrem deslizamentos e correntes turbidíticas. (1981) para a plataforma da Aquitânia. e por entrar em regime de sedimentação. sendo aqui retidas em suspensão ou com frequentes episódios de ressuspensão. 3. Eventualmente acabam por progredir na direcção da bacia oceânica. "rapidamente" transportadas até ao bordo da plataforma.235 determina tendência para concentração de partículas afins (glaucónia. as partículas de areia fina que se libertam do sistema litoral são. responsáveis pela transferência para maiores profundidades de materiais acumulados junto ao bordo da plataforma. IX. bem assim como os barrancos que cortam o bordo da plataforma. constituem vias da drenagem de materiais da plataforma para a vertente e rampa continentais. Segundo este modelo. Os materiais mais finos que chegam ao bordo da plataforma integram-se nos depósitos que aí se vão constituindo ou são postos em suspensão (ou permanecem neste estado) pelos factores oceanográficos que aí actuam com maior intensidade. ilustram graficamente o modelo descrito e complementam-no. IX.1). durante condições de temporal. que consideram explicitamente o percurso das partículas grosseiras e mais finas. O trajecto das partículas sedimentares As características anteriormente resumidas permitem representar o provável percurso seguido pelas partículas sedimentares “modernas” (fig. A vertente continental A maior parte do material debitado actualmente para o interior da plataforma acaba possivelmente por se acumular próximo do bordo.2 a IX. originando "lentes" extensas definidas pela localização da haloclina ou da termoclina. constituindo sequências progradantes. quartzo fino brilhante e anguloso e carapaças de foraminíferos com ou sem glaucónia). constituindo a deposição ubíqua que se verifica na vertente e rampa continentais. Tais acumulações são ocasionalmente sujeitas a movimentações gravíticas (translaccionais e/ou rotacionais). Ensaios de balanço sedimentar As figs. da distância do litoral a que se definem as suas cabeceiras e da área da plataforma que directamente influenciam. A sua eficácia depende. Os correspondentes esquemas. entre outros factores. .4 representam esquematicamente ensaios de balanço sedimentar para cada um dos três sectores estudados. Os canhões submarinos embutidos na margem continental. A presença de quartzo fino (ou de partículas hidraulicamente equivalentes) brilhante e anguloso pode ser explicada através de modelo análogo ao estabelecido por Castaing et al.

00 30000.00 20km Cabo Mondego 9º 50' 55000 80000 105000 130000 8º 40' 9º 15' 155000 100000 8º 50' 120000 140000 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa g re Faro 100 150 36º 45' 120000 00 8º 48' P C.00 20000.00 020000.00 0 40000.00 20000. N.00 60000.00 40000. 0.50 150 100 bal C. . Porto V.00 40000.1 – Provável percurso seguido pelas partículas sedimentares “modernas” nos sectores estudados. 0. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana ent e 40º 30' S.00 60000.00 80000.00 80000. Vic 0.00 010000.00 20km C. Setú 50 150 100 236 Viana 38º 00' Sines 41º 30' C.00 20km ão t im r o 160000 00 grosseiros 7º 40' 200000 00 240000 00 finos Figura IX.

De acordo com as estimativas obtidas. as fronteiras norte e sul consideradas correspondem aos paralelos. Quadro IX. ou seja. em m /ano. Não são conhecidas . O presumível volume anual de sedimentos transportados por via fluvial foi estimado pelo método de Langbein & Schumm (1958).2×106 m³/ano de sedimentos grosseiros e de 13x106 m³/ano de sedimentos finos. Foram. litoral. Nas condições para as quais o esquema simplificado de balanço sedimentar foi elaborado. antes do presente século. biogénicas e autigénicas da fracção arenosa dos sedimentos (TER. para tal.2).I – Percentagens relativas mínimas e máximas de partículas "modernas" da fracção areia dos sedimentos superficiais. de caudais que respeitam a sedimentos grosseiros e a sedimentos finos. Estas estimativas correspondem a volumes presumivelmente debitados na ausência de barragens (ver cap. os rios transportam cerca de 2.I). Estes esquemas referem-se à situação presumivelmente existente antes do séc. XX. plataforma. Contribuição Terrígena Biogénica Autigénica Plataforma norte Mínima Máxima 62 65 30 36 3 4 Plataforma sudoeste Mínima Máxima 38 41 51 57 5 8 Plataforma algarvia Mínima Máxima 31 35 59 65 4 6 3. respectivamente. IX. IV). BIO e AUT. e vertente e bordo. quadrados e losângulos indicam-se estimativas. Os prováveis sentidos de transporte encontra-se assinalados por meio de setas. Plataforma norte Para o sector norte (fig. correspondendo ao principal processo de fornecimento de partículas oriundas do continente emerso para a zona litoral. o fornecimento por transporte eólico não pode ser considerado como fornecedor significativo de partículas à escala global do depositário.1. utilizados os valores percentuais de ocorrência de partículas “modernas” (quadro IX. Os balanços sedimentares apresentados incluem ainda estimativas dos quantitativos de partículas terrígenas. No interior 3 dos círculos. a plataforma continental e profundidades superiores à mesma. a contribuição fluvial era francamente dominante e excedentária. período em que a influência antrópica na retenção sedimentar era negligenciável e a carga sólida debitada pelos rios era significativamente superior à actual. respectivamente. a zona litoral. que nos respectivos esquemas são designados por continente. Pelo contrário. respectivamente).237 Em cada balanço foram considerados o continente emerso. da foz de Minho e do cabo Mondego.

deconhecidos e diminutos. TER. às “entradas”. o que.8x10 ? ?- 2x10 ?- VENTO 6 DERIVA LITORAL Plataforma a sul Figura IX. os ventos dominante sopram do mar para terra. a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas. BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena. Não se conhecem estimativas da magnitude da contribuição da região a norte do rio Minho para o litoral em estudo. de igual modo. Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos. respectivamente. Os lonsângulos. os quadrados e os círculos referem-se. BORDO E VERTENTE PLATAFORMA CONTINENTAL LITORAL CONTINENTE Plataforma a norte ? ?- BIO AUT 1X10 6 2. Nos casos em que existem duas estimativas para o mesmo processo. aliás. O material movimentado no litoral corresponde ao oriundo de norte (plataforma galega). ao que é transportado para sul por deriva litoral e ainda ao exportado para a plataforma.2 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma norte.238 estimativas do volume de material transportado pelo vento. lícito supôr que o volume de material resultante da erosão do litoral seja . O referido contributo é. condições adversas à transferência de materiais para a plataforma. Estimativas em m³/ano. induzindo. É. Efectivamente. pouco significativo em relação ao material envolvido na deriva litoral. às “saídas” e à acumulação de material. o referido volume é. respectivamente. em especial no respeitante a sedimentos grosseiros. assim. No entanto. biogénica e autigénica da areia.2x10 13x106 5 1x10 4 RIOS >0 - ? 6 11x10 FINOS TER 5 2x10 6 1. diminuto. presumivelmente. presumivelmente. àquele resultante da erosão da zona costeira. é confirmado pelo comportamento das dunas litorais activas.

A análise do quadro IX..I.239 pouco significativo em condições naturais. 1992) e podem. A quantidade de siltes e argilas "definitivamente" acumulados na plataforma é igualmente difícil de estimar. (1999) e que constam do quadro VII. os sedimentos silto-argilosos são possivelmente sujeitos a frequentes episódios de ressuspensão. 63. Os processos que conduziram à deposição do material silto-argiloso presente nestes depósitos encontram-se fortemente dependentes de uma multiplicidade de factores. 33% e 3. com base nos dados anteriores. Os quantitativos envolvidos são. consequentemente. a energia hidrodinâmica do meio.5%. importantes (Bettencourt & Ângelo. 1992) e de 504 km² no caso do depósito das proximidades das cabeceiras do canhão submarino do Porto (Drago. Drago (1995) e Drago et al. Por acção das correntes longilitorais. Na restante plataforma. a título exemplificativo. devido às incertezas associadas à complexidade envolvida no respectivo processo de transferência. biogénica e autigénica.I indica que as respectivas percentagens médias são. a 1×105 m³/ano e 1×104 m³/ano. as partículas grosseiras que atingem esta zona litoral são tendencialmente transportadas para sul e. Assim. nas condições para as quais os esquemas de balanço foram elaborados. os materiais de origem biogénica e autigénica deverão corresponder. que correspondem a cerca de 30 km² para o depósito ao largo do rio Minho (Magalhães et al. O volume de materiais exportados da zona litoral para a plataforma continental é de difícil quantificação. os quais serão responsáveis por sucessivas deposições temporáriais de materiais destas granulometrias. 1995). podemos estimar o volume correspondente a cada uma das componentes.5%. Se admitirmos. A referida estimativa envolve a utilização dos valores de taxas de acumulação determinados por Carvalho & Ramos (1990). seguramente. O material grosseiro depositado na plataforma é constituído pelas componentes terrígena. Esta tentativa de quantificação parte do pressuposto de que os sedimentos finos apenas se depositam na plataforma com carácter definitivo nos depósitos lodosos existentes ao largo do rio Minho e nas cabeceiras do canhão submarino do Porto. Não se conhece a quantidade de material que transita na plataforma continental através das suas fronteiras norte e sul. que na vertente continental superior adjacente ao canhão submarino do Porto . respectivamente. a largura e a topografia da plataforma e a existência de locais propícios à sedimentação. entre os quais se incluem a ocorrência de tempestades. Refira-se. ser estimados em cerca de 2×105 m³/ano de sedimentos grosseiros e de 13×106 m³/ano de sedimentos finos. são subtraídos a este sistema. Entrou-se ainda em consideração com as áreas ocupadas pelos depósitos lodosos. por esta ordem. Os quantitativos envolvidos neste processo são da ordem de 2×106 m³/ano. que o volume de sedimentos actualmente exportados para a plataforma é de 2×105 m³/ano e é constituído na sua quase totalidade por partículas de origem terrígena.

Os mecanismos prevalecentes são. Parte importante do material em trânsito na zona litoral provém certamente do recuo das arribas talhadas em formações plio-quaternárias que ocupam uma extensão significativa deste troço costeiro. o recuo médio destas arribas. sienitos e gnaisses) permite supôr que apenas 20% da totalidade do material sedimentar potencialmente transportado sob a forma de carga de fundo é exportado para a plataforma.36 cm/ano (Quadro VII. Plataforma sudoeste As fronteiras norte e sul consideradas para este sector (fig. Tal estimativa parece indicar que apenas 14% dos sedimentos finos que afluem à plataforma se depositam nesta área. uma vez que as dunas consolidadas repousam sobre formações xisto-grauváquicas. (1999) em amostras colhidas no depósito localizado ao largo do rio Minho é de 0. O volume de material silto-argiloso depositado neste depósito é. presumivelmente. a litologia predominante na bacia hidrográfica deste rio (formações xisto-grauváquicas. os conhecimentos actualmente disponíveis acerca do litoral sugerem que a erosão das arribas que aqui se desenvolvem e a acção das correntes de deriva litoral são os principais mecanismos responsáveis pela transferência do material sedimentar para a plataforma. IX. 3. A utilização do método de Langbein & Schumm (1958) permite estimar que este rio transporta anualmente cerca de 3×104 m³ de sedimentos grosseiros e 2.2.13 cm/ano (Quadro VII. Vicente.23 m/ano. (1999) em amostras colhidas no depósito das cabeceiras do canhão do Porto é aproximadamente 0. o que permite estimar um volume de sedimentos finos de 1. que a norte de Sines ocupam uma extensão aproximada de 13 km e possuem uma altura média de 18 m. cifra-se em cerca de 0. as contribuições em materiais grosseiros e finos . 1990).8×106 m³/ano. aproximadamente 4×104 m³/ano. a quantificação do material proveniente do recuo das arribas é significativamente mais difícil.I).3) são. sendo os restantes 86% transferidos para maiores profundidades. Segundo Boléo-Tomé (1994). Porém. Drago (1995) e Drago et al.240 não se detecta acumulação apreciável de finos. o canhão de Setúbal e o paralelo do cabo de S. a média das taxas de acumulação determinadas por Carvalho & Ramos (1990). respectivamente. distintos a norte e a sul de Sines. A sul do mesmo paralelo. o rio Mira parece ser o principal agente de exportação de partículas sedimentares para o seio da plataforma. O material fino anualmente acumulado nestes depósitos é cerca de 1. IV). Admitindo uma porosidade média de 35% (Therzaghi & Peck. em particular a norte de Sines. assim.8×106 m³.I). Por outro lado. provavelmente devido à batimetria da região ou a correntes que se desenvolvem no canhão (Carvalho & Ramos. A norte do paralelo de Sines. 1967) e uma percentagem média de material de dimensão superior a 63 µm de 75%.5×105 m³ de sedimentos finos (ver cap. A média das taxas de acumulação determinadas por Carvalho & Ramos (1990) e Drago et al. A sul de Sines.

para norte desta região é reduzido. BORDO E VERTENTE PLATAFORMA CONTINENTAL LITORAL CONTINENTE Plataforma a norte ? ?- BIO AUT 3 5 2. Os lonsângulos. por deriva litoral. BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena. A orientação da costa face à ondulação que mais frequentemente a atinge permite aceitar que o volume de materiais que transitam. respectivamente.3 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma sudoeste. Nas condições para as quais os balanços sedimentares foram elaborados. na sua totalidade. Os materiais grosseiros actualmente exportados da zona litoral para a plataforma continental adjacente são.9x10 4 4. Nos casos em que existem duas estimativas para o mesmo processo. As . os materiais grosseiros exportados da zona litoral para a plataforma correspondem a cerca de 3.3x10 FINOS TER 4 3. De igual modo.9x10 3 RIOS 4 3x10 4 1x10 ? 5 2. é provavelmente reduzido.241 associadas a este recuo podem ser estimadas em cerca de 3×104 m³/ano e 1×104 m³/ano. a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas. biogénica e autigénica da areia. Estimativas em m³/ano. respectivamente. o volume de sedimentos que transitam pela fronteira sul do sistema. os quadrados e os círculos referem-se. deconhecidos e diminutos.6x10 4 3. às “saídas” e à acumulação de material.7x10 ? ?- VENTO - DERIVA LITORAL Plataforma a sul Figura IX.5x10 6x10 5. constituídos por partículas terrígenas. às “entradas”.6×104 m³/ano. aproximadamente. TER. Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos. junto ao litoral.

o material de origem biogénica e autigénica deverá corresponder.242 componentes terrígena.5%. em média. 54% e 6. É ainda relevante referir a acção retentora dos sistemas lagunares impropria mas habitualmente designados por ria de Alvôr e da ria Formosa. respectivamente. . que se dirigem para oriente (Mèlieres. que constituem armadilhas sedimentares que dificultam a ejecção da carga arenosa transportada e pela intensa deflexão da orientação do canal de escoamento quando este intersecta a faixa costeira. foram consideradas como fronteiras ocidental e oriental os meridianos do cabo de S. As litologias predominantes na bacia hidrográfica do Guadiana (formações xistograuváquicas e. IX.7×104 m³/ano. com importante capacidade de infiltração e de escoamento subterrâneo. a litologia das bacias higrográficas e as correntes longilitorais que se fazem sentir neste troço costeiro inibem a exportação da totalidade deste material para a plataforma continental adjacente.9×104 m³/ano e 5. sendo os restantes 2. Tal como sucede no sector norte.9×10³ m³/ano. a 4. 3.4×106 m³ de sedimentos finos (ver cap. 1974). os siltes e argilas que se acumulam nesta plataforma deverão corresponder. 39. Parte importante das bacias hidrográficas da maioria das ribeiras algarvias encontra-se instaladas em terrenos francamente carsificados. rochas eruptivas) apenas permitem uma diminuta contribuição arenosa proveniente deste rio. a cerca de 14% do total de sedimentos lodosos que afluem à mesma.3. Os cursos de água que afluem a este litoral são responsaveis pelo transporte anual de cerca de 8. biogénica e autigénica representam. IV). só muito acessoriamente.5%.3×105 m³/ano transferidos para maiores profundidades. Plataforma algarvia No caso da plataforma algarvia (fig. Vicente e da foz do Guadiana. respectivamente. Estas areias depositam-se na plataforma interna adjacente.7×105 m³ de sedimentos grosseiros e de 7. respectivamente. Acresce que a porção terminal destas ribeiras se caracteriza pela elevada extensão ocupada por planícies costeiras. onde são sujeitas à acção das correntes de deriva litoral. Assim. em consequência da actividade da deriva litoral. A erosão das arribas e a descarga do Guadiana e das ribeiras algarvias constituem os principais processos de fornecimento de partículas para a plataforma continental. Este valor equivale a 3. das partículas "modernas" dos sedimentos grosseiros existentes na plataforma (quadro IX.4). Contudo. presumivelmente.I).

1x10 ?- DERIVA LITORAL Plataforma a este Figura IX. às “saídas” e à acumulação de material. TER.1×105 m³ de areias e cascalhos são anualmente subtraídos ao trânsito litoral. Os símbolos ? e – correspondem a quantitativos. de acordo com Andrade et al. Andrade (1990) e Marques (1991). Os lonsângulos. a superior refere-se a partículas grosseiras e a inferior a partículas finas. a erosão das arribas e a descarga fluvial deverão fornecer cerca de 7. Nessas circunstâncias.7×104 m³/ano.243 BORDO E VERTENTE PLATAFORMA CONTINENTAL LITORAL CONTINENTE Plataforma a oeste ? ?- BIO AUT 3.4x10 4 4. No conjunto.4 – Ensaio de balanço sedimentar para a plataforma algarvia. 1990). por acção das correntes longilitorais que se fazem sentir na região costeira (Andrade. respectivamente.7x10 3 RIOS 5 1. Cerca de 1. deconhecidos e diminutos. biogénica e autigénica da areia. de acordo com os dados disponíveis em Marques (1997) e Correia et al.2x10 4 3x10 ? 6 6. .7x10 6 7. BIO e AUT dizem respeito às componentes terrígena. é lícito supôr que o volume de sedimentos grosseiros exportados para a plataforma continental pelos cursos de água que drenam esta região não seja superior a 20% da estimativa correspondente ao material trasnsportado pelas ribeiras algarvias. Estimativas em m³/ano. (1997). respectivamente. não ultrapassando 1. A erosão das arribas é reponsável pelo fornecimento anual de cerca de 1.2×105 m³ de areias e cascalhos. Nos casos em que existem duas estimativas para o mesmo processo. (1989b).5×106 m³/ano de materiais silto-argilosos para plataforma continental.4x10 FINOS TER 4 2. às “entradas”. e cerca de 3×104 m³/ano de material silto-argiloso.8x10 4 1.7x10 1x10 ? 6 ?- VENTO 5 1. os quadrados e os círculos referem-se.

a tentativa de quantificação do material silto-argiloso que se acumula na plataforma parte do pressuposto de que os sedimentos finos apenas se depositam na plataforma com carácter definitivo nos depósitos lodosos cartografados na plataforma média e na plataforma externa. as plataformas norte e algarvia. sendo os restantes 86% transferidos para maiores profundidades. a realização de perfis batimétricos nesta região permite constatar a existência de uma ruptura de pendor a estas profundidades. Tal estimativa parece indicar que apenas 14% dos sedimentos finos que afluem à plataforma se depositam nesta área. Para a elaboração deste quadro. biogénica e autigénica presentes na fracção grosseira dos sedimentos acumulados na plataforma socorrem-se de reciocínio análogo ao expendido para as regiões anteriores. os materiais grosseiros exportados da zona litoral para a plataforma correspondem a cerca de 2. respectivamente.7×104 m³/ano. Os referidos valores. repectivamente. 62% e 5%. a 4. As estimativas do volume de partículas de origem terrígena. .5×104 m³/ano e é constituído na sua quase totalidade por partículas de origem terrígena. foram definidas por bordo situado às profundidades de 160 m e 120 m. Nestas circunstâncias. A análise do quadro X. em m³/ano/km².7×104 m³/ano e 3. é lícito supor que as taxas de acumulações médias sejam semelhanças às obtidas por diversos autores para os depósitos lodosos da plataforma norte. da deriva litoral e das componentes terrígena. com base nos dados anteriores. A plataforma sudoeste foi definida por bordo situado à profundidade média de 180 m. embora por vezes bastante suave. 33%. os quais possuem uma área aproximada de 400 km². podemos estimar o volume correspondente a cada uma das componentes. A análise deste quadro permite avaliar a importância relativa de diferentes processos e contribuições nos sectores estudados.II. Assim. Apesar de ter sido anteriormente referida a inexistência de bordo evidente e nítido a sul de Sines. por esta ordem. permaneceriam assim acumulados cerca de 1x106 m³/ano de sedimentos lodosos.244 Não entrando em consideração com os efeitos associados à elevação do nível do mar.4×106 m³/ano transferidos para maiores profundidades. Importância relativa de alguns processos e contribuições A importância relativa dos rios como fornecedores de partículas para a plataforma. nas quais o limite oriental corresponde a uma ruptura de pendor bem marcada. figuram no quadro IX. Se admitirmos. Na ausência de medições deste parâmetro. o material de origem biogénica e autigénica corresponde. À semelhança do raciocínio expendido no caso da plataforma norte. biogénica e autigénica da fracção grosseira dos sedimentos presentes na plataforma pode ser facilmente avaliada se as estimativas correspondentes forem apresentadas como caudais por unidade de área.8×103 m³/ano.I indica que as percentagens médias de ocorrência das mesmas são. sendo 6. 4. que o volume de sedimentos exportados para a plataforma é de 2.

1 Algarve 5. em que as características oceanográficas dominantes são semelhantes. . de modo profundo nas estimativas apresentadas.9 1.5 17. cujo litoral se encontra submetido à ondulação mais energética que atinge a costa portuguesa. pelo menos em parte. quaisquer alterações na magnitude de tais processos repercutir-se-ão. em partículas biogénicas e autigénicas verificam-se na região norte e na plataforma alentejana. certamente. a actividade antrópica e a elevação do nível do mar têm sido responsáveis por importante decréscimo na alimentação do litoral.3 A importância da deriva litoral é também máxima na plataforma norte. este decréscimo encontra-se associado à construção de barragens. No que se refere às partículas biogénicas.2 2. com a existência frequente de afloramentos rochosos nestes sectores. enquadradas no âmbito mais geral dos processos de fornecimento e de distribuição de partículas. 5.8 2. entre outros factores.9 8. Plataforma Norte Sudoeste Rios 349. é relevante referir aqui. Quadro IX.7 8 Error! Bookmark not defined. as quais determinam diminuição drástica da área das bacias hidrográficas que efectuam a drenagem directa para a plataforma e reduzem a probabilidade da ocorrência de cheias. tal facto encontra-se possivelmente relacionado.245 A importância dos rios como fornecedores de partículas terrígenas para a plataforma é máxima no sector a norte de Espinho. o que se encontra relacionado. Desde o início do século. As mais elevadas contribuições. algumas das consequências da sua actuação. Neste contexto. Por outro lado. Em parte. embora de maneira sucinta. as informações disponíveis sobre o “upwelling” sugerem que a intensidade deste fenómeno é semelhante nas duas regiões e superior em ambas à que se verifica no Algarve.2 Autigénicos 1. As modificações actuais nos balanços sedimentares Os balanços anteriores permitem ressaltar a importância dos processos de fornecimento de partículas ao litoral.25 Deriva Terrígenos 317.5 31. frequentemente. com a densidade da rede de drenagem e com as litologias predominantes nas bacias hidrográficas.II – Caudais sedimentares (em m³/ano/km²) correspondentes a diferentes processos e contribuições. por unidade de área. No entanto.0 34.1 14. Estes factores inibidores do fornecimento actual de partículas grosseiras foram pomenorizadamente analisados em capítulo anterior. Também as dragagens efectuadas no litoral com o objectivo de criar ou manter canais de acesso aos portos e a construção de obras de engenharia costeira são.7 Biogénicos 16.

1988. Em consequência. 1993). 3. Taborda & Dias. 1988). Ferreira et al. As acividades antrópicas são geramente consideradas responsáveis por cerca de 90% do recuo da linha de costa do litoral português (p. . 1990. a plataforma continental sensu strictu e profundidades superiores à mesma. IV da presente dissertação). 1975. Ferreira. A análise dos referidos balanços permite comparar a importância de alguns processos e mecanismos operantes ao nível da dinâmica sedimentar. anteriormente discutidas em detalhe. os quais se podem relacionar com os condicionalismos específicos de cada sector. verificam-se profundas alterações dos balanços sedimentares apresentados anteriormente. actualmente. Nestes balanços apenas se consideraram explicitamente o continente emerso.246 prejudiciais para a manutenção do equilíbrio costeiro. encontrando-se a principal contribuição associada à erosão de corpos dunares. 2. sendo o restante atribuível à elevação secular do nível médio do mar em relação ao continente. pouco significativa (ver cap. Súmula 1.: Andrade. Os conhecimentos existentes sobre a dinâmica sedimentar prevalecente nos sectores estudados permitem a elaboração de balanços sedimentares simplificados. Dias & Taborda. a qual é da ordem de 1. Foram ainda brevemente analisadas as modificações induzidas pela subida actual do nível relativo do mar e pela actividade antrópica. a contribuição fluvial é. 1990b. Na plataforma norte. por exemplo.5 mm/ano (King. ex. 6. a zona litoral.

O reconhecimento geral das potencialidades económicas do leito do mar (tais como hidrocarbonetos. depósitos de minerais metálicos do tipo “placer”.1 – Classificação das reservas e recursos minerais do fundo do mar (segundo McKelvey. registou-se um aumento de interesse pela plataforma continental portuguesa. cascalhos. diamantes.1. do progresso da tecnologia e da conjuntura económica (fig. as reservas exploráveis correpondem a depósitos que podem ser extraídos e vendidos com lucro tendo em conta as condições económicas e . A identificação dos recursos minerais do fundo do mar encontra-se intimamente relacionada com as necessidades dos consumidores. carvão. acrescidos de muitos dos que são inerentes ao meio marinho. X. Interesse da exploração Como as plataformas continentais constituem o prolongamento. Neste contexto.247 X. tendo-se verificado a outorga de licenças para a realização de reflexão sísmica na mesma por companhias petrolíferas (1969) e a concessão de áreas para pesquisa de petróleo em Portugal (1973). nódulos poliminerálicos e salmouras metalíferas) data do final da década de 60. Em consequência de tal reconhecimento. 1968) depende do avanço da prospecção. X. RECURSOS MINERAIS 1. sob o oceano. Segundo a classificação da fig. 1968). areias. pelo que é fundamental avaliar o grau de certeza dos conhecimentos disponíveis sobre a sua natureza e existência e sobre a viabilidade económica da sua extracção e venda. a classificação de um determinado depósito como recurso ou reserva (McKelvey. têm potencialmente todos os recursos destes. dos continentes emersos.1) CONHECIDO EXPLORÁVEL PROVADO NÃO DESCOBERTO PROVÁVEL POSSÍVEL SUBPARAMARGINAL MARGINAL RESERVAS RECURSOS Figura X.

os materiais mais intensamente explorados a partir de jazigos submarinos. com uma utilização previsível de valor prospectivo. do sal e do enxofre. quer em volumes extraídos. da monazite. Muitos materiais são já correntemente explorados a partir de depósitos submarinos. das conchas calcárias. Reino Unido. Estados Unidos. num cômputo global. a possibilidade de exploração das potencialidades da plataforma continental encontra-se já consagrada legalmente. quer em número. a progressiva diminuição das reservas no continente. . essencialmente.5 vezes os actuais ou com avanço equivalente da tecnologia.: Japão. à medida que os jazigos tradicionais se vão esgotando e que a legislação de protecção do ambiente se vá tornando mais rigorosa. Contudo. Têm sido também exploradas fontes de água doce submersas. ex. da cassiterite. os conflitos de utilização dos terrenos susceptíveis de instalação rentável de areeiros. o peso que estas produções apresentam na totalidade do consumo é. da glaucónia. Bélgica e Noruega). dos diamantes. pequeno (Augris & Cressard. Todavia. É natural que. É o caso do petróleo. os impactes ambientais negativos frequentemente associados a estas explorações. da columbite. 1984). ainda constituam uma percentagem ínfima dos extraídos em terra. Embora as explorações de inertes submarinos constituam actualmente prática corrente em quase todos os países industrializados (p. além do petróleo. França. de 16 de Março de 1990. provocado pelo forte crescimento industrial e urbano. Isto é particularmente válido para os recursos do solo e subsolo marinhos. as reservas presentemente exploráveis de muitos materiais são relativamente pequenas comparadas com os recursos que podem ser encontrados pela prospecção ou que se tornarão exploráveis em resultado do progresso da tecnologia ou alteração das condições económicas. do carvão.248 tecnológicas locais. os depósitos sub e paramarginais sejam objecto de exploração crescente. da ilmenite. estas explorações têm forte tendência a aumentar. além do que a maior parte não é ainda economica ou tecnicamente explorável. A exploração de inertes provenientes de jazigos submarinos deverá ser precedida de cuidadosos estudos de impacte ambiental. Recursos submarginais são os que poderão ser explorados a preços maiores que 1. do ouro. O aumento de procura nos países mais desenvolvidos. através do decreto-lei 90/90. o qual se relaciona. embora. Em Portugal. com: a) a eventual interrupção de ciclos sedimentares actualmente activos. o aumento dos conhecimentos sobre a cobertura sedimentar das plataformas continentais e o acréscimo de eficácia das técnicas de dragagem tem levado a que a exploração de cascalhos e areias das plataformas continentais se tenha vindo progressivamente a generalizar a um número crescente de países. da fosforite. ainda. As areias e os cascalhos constituem. da magnetite.5 vezes os actuais. Recursos paramarginais são aqueles que poderiam ser economicamente explorados a preços 1. Vistas neste enquadramento. dos inertes. são praticamente inexistentes os trabalhos publicados por investigadores portugueses sobre a exploração de materiais a partir de depósitos submarinos. Holanda. dos quais apenas uma pequena parte foi prospectada. do zircão. Dinamarca.

onde a exploração de cascalhos no Báltico conduziu a um melhoramento e a um acréscimo substancial das populações piscícolas (Hill. entre outros. c) a destruição das comunidades bentónicas e ictiológicas (Ottman. 1991). A análise de alguns perfis sísmicos obtidos na região entre os cabos Raso e Espichel permitiu identificar gás (provavelmente metano) nos sedimentos da plataforma continental (Rodrigues et al. para o qual foi utilizada uma amostragem que apenas viabilizou um reconhecimento muito genérico dos principais depósitos de areias e cascalho existentes na globalidade da plataforma . 2. Cressard. possivelmente. f) a destruição dos ambientes nos quais as larvas vivem e realizam as suas metamorfoses (Messieh et al. 1985. d) perturbações nas correntes de fundo.. o eventual aumento da produtividade biológica (Shelton. o que pode desencadear efeitos secundários na fauna. nomeadamente na que se encontra associada a algas cujo crescimento fica. O conhecimento dos tipos de impacte ambiental provocado pela exploração de inertes. (1980). o caso de explorações submarinos na Noruega. origina o gás detectado nos perfis analisados. No entanto. Cressard. e) a criação de zonas «acidentadas». induzir impactes positivos. em virtude da sua complexidade. 1989). 3. aumentando a turbidez das águas. 1977). As sondagens efectuadas na margem continental portuguesa têm-se revelado infrutíferas. 1993). que podem constituir um obstáculo à pesca por arrasto. 1973). No entanto.249 b) o conteúdo dos depósitos em materiais finos. g) nalguns casos. as explorações de jazigos submarinos podem também. 1973. assim. que são ressuspensos no decurso da exploração.. pelo que não é de excluir a possibilidade da existência de recursos petrolíferos ainda desconhecidos nesta margem. Depósitos de areias e cascalhos O primeiro trabalho sobre inertes submarinos em Portugal é o de Dias et al. implica uma análise cuidada que exige a utilização de estudos de carácter multidisciplinar. Hidrocarbonetos Os hidrocarbonetos são os recursos economicamente mais importantes das margens continentais. afectado (Shelton. Essa turbidez provoca. Nesta área foi detectado um depósito enriquecido em matéria orgânica (Gaspar & Monteiro. a redução na penetração da luz. cuja decomposição. eventualmente. 1974). Aponta-se a título meramente exemplificativo. 1989). a prospecção efectuada não foi exaustiva.

Se o referido teor for superior a 40%. X.areia muito lodosa XIII . baseados numa malha de amostragem de sedimentos superficiais bastante densa (1 milha quadrada) e em vários milhares de quilómetros de reflexão sísmica ligeira e de sonar de pesquisa lateral.cascalho muito lodoso IV . Neste sistema classificativo (fig. VII e X de Nickless.areia cascalhenta VIII . tendo Magalhães et al. Foi apenas uma década após estes trabalhos precursores que o tema voltou a ser objecto de publicação. localizado a SW de Peniche. IV.areia XI .2)..lodos 10% CASCALHO Figura X. . adoptou-se no presente estudo a classificação textural proposta por Nickless (1973). que compreende 13 classes e se baseia em diagrama triangular cujos polos são cascalho. 1981). Todavia. Para percentagens inferiores a 40%.cascalho arenoso lodoso VI . o primeiro índice que se toma em consideração é o teor em finos. o sedimento é classificado segundo a razão areia:cascalho.cascalho arenoso muito lodoso VII . Os sedimentos com melhores características para eventual exploração de inertes são aqueles cujo conteúdo em finos é inferior a 10%. por sua vez.250 continental.cascalho arenoso V . três termos diferenciados pelas designações muito lodoso (entre 20 e 40% de finos). lodoso (entre 10 e 20% de finos) ou sem designação especial. FINOS NÃO EXPLORAVEL (XII) 40% XI AREIA X XII IX VI III VIII V II IV I VII 20% I . À semelhança dos anteriores trabalhos que visaram a delimitação superficial de depósitos de inertes submarinos. o que corresponde às classes I.cascalho II .areia cascalhenta lodosa IX . o sedimento é considerado como não potencialmente exoplorável. areia cascalhenta (19:1 a 3:1). se o conteúdo em finos for inferior a 10%. O potencial de remobilização pela agitação marítima das partículas que constituem estes depósitos foi averiguado por Magalhães et al.2 – Diagrama ilustrativo das categorias usadas na classificação de Nickless. Cada um destes grupos compreende. cascalho arenoso (3:1 a 1:1) e cascalho (<1:1).areia cascalhenta muito lodosa X . O valor desta razão permite definir quatro grupos de classes: areia (>19:1). O reconhecimento mais pormenorizado de um desses depósitos. areia e finos. estes estudos tiveram como base uma malha de amostragem inadequada para estudos de pormenor.cascalho lodoso III . aparece um ano mais tarde (Dias et al.areia lodosa XII . (1991a). (1991b) procedido à delimitação de depósitos de inertes susceptíveis de eventual exploração económica e efectuado uma primeira estimativa de reservas.

Nº de pontos Cascalho amostrados Norte 59 26 (0-74) Sudoeste 11 14 (3-9) Sul 6 10 (0-25) Sector Areia Silte Argila Finos Biogénicos 74 (25-100) 86 (71-97) 88 (67-100) 0 (0-1) 0 (0-0) 2 (0-6) 0 (0-0) 0 (0-0) 1 (0-3) 0 (0-2) 0 (0-0) 3 (0-9) 4 (1-9) 5 (1-8) 15 (6-19) Os estudos existentes sobre a distribuição das isopacas em áreas que abrangem os sectores estudados indicam que a espessura dos depósitos de inertes existentes nos três sectores é aproximadamente igual a 3 m. X. média granulométrica superior a 2 Ø (para aumentar a probalilidade do material explorado não ser significativamente remobilizado). 3. profundidade superior a 15 m (para evitar impactes negativos no litoral). calibragem inferior a 1 (para grantir uma relativa homogeneidade granulométrica dos sedimentos).II). profundidade inferior a 75 m (limite de exploração previsível no futuro próximo). 6.251 O mapa da fig. sendo de ressaltar os baixos conteúdos em partículas silto-argilosas e em biogénicos. Os valores fora de parêntesis indicam a média e os valores dentro de parêntesis referem-se ao domínio de variação. assumindo que os mesmos são verticalmente homogéneos (quadro X. A área correspondente é sigificativamente diferente nos sectores estudados. Os depósitos de inertes assim delimitados encontram-se representados na fig. . X.4. Na delimitação de depósitos de areias e cascalhos foram utilizados diversos factores restritivos: 1.I. As características médias dos depósitos identificados encontram-se expressas no quadro X. Devido às características da cobertura de cada um dos sectores estudados. conteúdo em biogénicos pequeno (para garantir boa qualidade do material explorado). 7. sendo de aproximadamente 1 500 km² na plataforma norte. restringiu-se esse conteúdo a 10% nas plataformas norte e sudoeste.I – Características dos depósitos de inertes. X.5). e a 20% na algarvia. Podemos assim estimar o volume correspondente a estes depósitos. conteúdo em quartzo superior a 75% (para garantir boa qualidade do material explorado). A análise deste mapa indica que nos sectores estudados existem bons depósitos potencialmente exploráveis. conteúdo em finos inferior a 10% (para evitar fortes impactes ambientais).3 representa a distribuição dos depósitos enquadráveis nas diferentes classes de Nickless. especialmente no sector norte. 5. Quadro X. 2. 4. 75 km² na sudoeste e 40 km² na algarvia (fig.

00 30000.00 20000.00 020000.00 140000.00100000. 0.00 20km 7º 40' Finos 200000 00 240000 00 Rocha Areia Cascalho Figura X.00 20km C.00 20000.00 80000. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C. 160000 00 0.00 60000.00 40000.bal C.00 20km 9º 15' 8º 50' 155000. Porto V. N. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana S.00 Guadiana Portimão Lagos 50 es 37º 10' Sa gr Faro 100 150 36º 45' 120000 00 8º 48' ão m rt i o P C.00 0 40000.00 60000.00 010000.00 40000.00 0.00 80000. .00 105000.3 – Distribuição dos grupos texturais de Nickless (1973). Setú 100 50 50 150 100 252 150 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. V ice n te 40º 30' Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 000.

Setú 100 50 150 100 253 Viana 38º 00' 41º 30' Sines C. Porto V.00 40000.00 105000.00 010000.00 8º 48' C. N.00 80000. S.00 40000.00 20km 9º 15' 8º 50' 155000.00 Rocha Figura X.00 30000.00 Guadiana Portimão Lagos 50 s 37º 10' Sa gr e Faro 100 150 36º 45' 120000. Aveiro Aveiro Ponta da Arrifana C.150 50 bal C.00 20km Cabo Mondego 8º 40' 9º 50' 000.00 0 40000.00 100000.00 020000.00 20000.00 20km ão tim 7º 40' 160000.00 0.00 20000.00 200000. r Po 0. Milfontes Porto Cabo Sardão 37º 30' C.00 80000.00 60000.00 60000. V ice nt e 40º 30' 0.00 Inertes .00 140000.4 – Distribuição dos depósitos de inertes. 240000.

254 1600 Área (km²) 800 NORTE SUDOESTE SUL Figura X.1 A área ocupada pelos depósitos de inertes na plataforma norte e as características dos mesmos justificam que.00 155000. .5 – Áreas ocupadas pelos depósitos de inertes nos sectores estudados.6 – Distribuição dos depósitos cascalhentos (a) e arenosos (b) na plataforma norte. para este sector. Porto C.6).00 155000.00 105000.00 60000.00 20km 8º 40' Aveiro 0.00 80000. Quadro X. se considerem em separado depósitos cascalhentos e Viana 41º 30' C. Porto Porto C. Aveiro 40º 30' 0.00 0 40000.00 60000. X.00 80000.3 0.00 0 40000.II – Volume dos depósitos de inertes identificados nos sectores estudados.00 000.00 20000.00 20km Cabo Mondego 9º 50' 50 Viana 41º 30' 40º 30' 100 150 b 50 150 a 100 depósitos arenosos (fig.6 0. Sector Norte Sudoeste Sul Volume (km³) 4.00 105000.00 20000. Cabo Mondego 9º 50' 8º 40' 000.00 Figura X. Aveiro Aveiro Porto C.

pelo que se revestem de especial importâncias as reconstituições paleogeográficas em diversos períodos desde o último máximo glaciário. Vila do Conde.III. Outros recursos Ocorrências de fosforite e glauconite foram descritas em Gaspar (1982) e Monteiro et al.III – Características dos depósitos cascalhentos e arenosos da plataforma norte. em especial no que se refere à plataforma norte. a dificuldade de exploração e o seu baixo valor económico. Nº de pontos Cascalho Areia amostrados Cascalhentos 32 42 (26-74) 58 (25-74) Arenosos 27 8 (0-24) 92 (74-100) Depósitos Silte Argila Finos Biogénicos 0 (0-1) 0 (0-1) 0 (0-0) 0 (0-0) 0 (0-7) 0 (0-1) 5 (1-9) 4 (1-7) Os depósitos de inertes identificados são constituídos por materiais cujas características granulométricas e composicionais deixam antever a possibilidade de uma ampla gama de utilizações. de vários rios importantes nas proximidades destes depósitos. o seu aproveitamento a partir de jazigos submarinos é uma possibilidade longíqua. Os valores fora de parêntesis indicam a média e os valores dentro de parêntesis referem-se ao domínio de variação. A existência de diversas instalações portuárias (Porto. associados às pequenas percentagens de materiais silto-argilosos e de partículas de origem biogénica. mas dada a existência de jazigos em terra. . no âmbito do já referido Grupo DISEPLA. aumentam a viabilidade económica da sua exploração e impõem-nos como alternativa válida às explorações tradicionais. A linha de investigação relacionada com o estudo dos minerais pesados encontra-se actualmente a ser desenvolvida por João Cascalho. A ocorrência de sal gema foi reconhecida na plataforma continental portuguesa. bem como a sua adjacência a diversos pólos consumidores importantes (cidades e zonas industriais). Viana do Castelo. 4. etc) e.255 Os depósitos cascalhentos ocupam uma área de 900 km² e os arenosos de 500 km². A extensa área ocupada por estes depósitos e os elevados conteúdos em cascalhos e/ou areias. Setúbal. As respectivas características constam do quadro X. e às profundidades médias a que ocorrem. (1983). Quadro X. ampliam as possibilidades da sua futura exploração. As concentrações de minerais pesados que se conhecem no continente emerso sugerem a possibilidade da ocorrência de «placers» na plataforma adjacente. Leixões.

De entre os restantes recursos. bem como a sua adjacência a diversos pólos consumidores importantes (cidades e zonas industriais). as suas características e as profundidades médias a que se encontram impõem-nos como alternativa válida às explorações tradicionais. karsts e olhos de água. 2. . Os recursos minerais da plataforma continental portuguesa que apresentam maior viabilidade de exploração são as areias e os cascalhos. A extensa área que estes depósitos ocupam. fosforite e sal gema. é de assinalar a ocorrência de glauconite. Dado que existem aquíferos abertos. A viabilidade económica da sua exploração é ainda aumentada pela existência de diversas instalações portuárias e de vários rios importantes nas proximidades destes depósitos. é possível a existência de nascentes de água doce no mar. No entanto. As sondagens de prospecção petrolífera até agora efectuadas na margem continental portuguesa não indicaram a presença de petróleo. em especial no sector norte. Súmula 1. a análise de perfis sísmicos obtidos na região entre os cabos Raso e Espichel permitiu identificar outros hidrocarbonetos (provavelmente metano) nos sedimentos da plataforma continental.256 Um aspecto ainda não investigado é a ocorrência de fontes de água doce submersas. 3. 5.

A distribuição do cascalho parece relcionar-se com as paleo-desembocaduras dos rios mais importantes. Vicente. teve por base as características contrastantes dos mecanismos de fornecimento e de distribuição de partículas. Verifica-se tendência geral para esta fracção ocorrer em duas faixas grosseiramente paralelas à costa. que apresentam diferentes características geológicas. A plataforma externa é mais lodosa. hidrográfico-climáticas e oceanográficas. entre outros factores. O estudo da granulometria e da composição dos sedimentos e das características morfoscópicas das partículas que os constituem permitiu detectar algumas características comuns aos sedimentos provenientes dos três sectores. predominantemente constituída por bioclastos de moluscos e carapaças de foraminíferos. As distribuições da fracção silto-argilosa e das características granulométricas e composicionais da areia parecem relacionar-se. bastante mal definidas. Os sedimentos da cobertura não consolidada da plataforma e vertente são geralmente grosseiros.257 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho efectuado versou sobre a cobertura sedimentar de três sectores da margem continental portuguesa. morfológicas. e entre o Cabo de S. se integra na associação "foramol" e a componente autigénica é constituída por glaucónia. Vicente e a foz do rio Guadiana. os padrões de distribuição do cascalho terrígeno e das fracções mais grosseiras de quartzo parecem concordar com os esquemas de evolução pós-glaciária que têm sido propostos. De uma forma geral. Todavia. encontram-se representadas todas as restantes classes consideradas no diagrama classificativo de Shepard (à excepção das classes argila e argila arenosa). por vezes. bem como algumas específicas de cada um. à semelhança do que sucede geralmente a nível mundial. com os materiais actualmente fornecidos pelos rios e/ou pelas arribas. sudoeste e algarvia. A selecção destes sectores. o que indicia a presença de elevados níveis energéticos junto ao fundo. A componente terrígena da areia é dominada por quartzo. abreviadamente designados por plataformas norte. O tipo textural mais abundante é a areia. localizados a norte do Cabo Mondego. com os respectivos deltas de vazante e com paleo-litorais. entre o canhão submarino de Setúbal e o Cabo de S. enquanto que a componente carbonatada. mais bioclástica e menos cascalhenta que a interna. A plataforma norte apresenta sedimentos fortemente cascalhentos em que a componente terrígena apresenta valores significativamente elevados. respectivamente. o que está de acordo com o bom abastecimento de materiais provenientes do continente que para aí foram e são drenados pelos .

A areia é dominada pela componente biogénica. bem como no bordo da plataforma. e estado de abarrancamento do bordo da plataforma. Existe acentuado contraste entre a plataforma externa localizada a norte e a sul do canhão submarino do Porto. em menor extensão. em geral. presença de afloramentos de rochas consolidadas. A plataforma sudoeste é dominada pela classe textural areia. do Cávado. a componente biogénica. O padrão de distribuição dos sedimentos é significativamente diferente a norte e a sul de Sines. O intenso abastecimento fluvial. orientação geral da costa. intensidade da deriva litoral. na qual é menos terrígeno e menos grosseiro. é certamente responsável pela existência de um depósito silto-argiloso de grande importância (pelo menos ao nível regional) junto das cabeceiras do canhão submarino do Porto. O facto de o bordo da plataforma apenas ser evidente na região setentrional permite explicar esta diferença de comportamento. da batimetria e do bordo da plataforma. do Douro e. A Veia de Água Mediterrânea e as correntes eventualmente associadas ao canhão de S. A escassa diversidade textural destes sedimentos encontra-se provavelmente relacionada com a inexistência actual de rios importantes e com a regularidade de pendor e exposição à ondulação da plataforma. em ligação aparente com as paleo-desembocaduras do Ave. cujo ponto de inflexão se situa à latitude aproximada de 41ºN. Abaixo desta profundidade predomina. Constata-se ainda a existência de contraste latitudinal evidente. este sector apresenta características de sedimentação predominantemente terrígena até cerca dos 100 m de profundidade.258 numerosos rios que afluem a este litoral. O desenvolvimento de trabalhos conjuntos com investigadores que estudem a plataforma galega permitirá o estudo global da plataforma galaico-minhota. podendo clarificar vários dos problemas relacionados com a proveniência dos materiais sedimentares. O cascalho ocorre principalmente na plataforma média. em possível relação com a intensidade do "upwelling" . e na plataforma externa. A hipótese de diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo e resultantes da interação dos factores oceanográficos com a batimetria permite justificar tal facto. que se atenuou recentemente. No que se refere à fracção areia. Vicente parecem desempenhar papel significativo na distribuição das características dos sedimentos. Os mapas apresentados sugerem importação de materiais da região localizada imediatamente a norte. como sejam: tipo de desembocadura dos rios principais. É neste sector que ocorrem as mais elevadas percentagens de glaucónia. a qual é dominada por clastos de moluscos e carapaças de foraminíferos. em ligação aparente com os afloramentos rochosos aí existentes. Este comportamento encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores frequentemente interdependentes. A inexistência de bordo nítido a sul de Sines contribui possivelmente para uma maior mistura de partículas. ondulação dominante.

além do Guadiana. entre outros. e para forte deficiência. de bioclastos de moluscos. Os depósitos arenosos distribuem-se desde a zona litoral até à vertente continental superior. Tal facto encontra-se possivelmente relacionado com diversos factores. A identificação das principais carcterísticas morfoscópicas das partículas de quartzo. Tal análise possibilitou a aplicação de um esquema classificativo dos sedimentos relíquia e modernos aos depósitos identificados na cobertura sedimentar. que afluam a este sector e com o tipo e constituição do relevo. à localização de paleo-litorais e à existência de áreas deposicionais e não deposicionais. no abastecimento de elementos terrígenos das fracções areia e cascalho. Na plataforma média e externa e na vertente continental superior dos três sectores foram cartografados depósitos lodosos. de carapaças de foraminíferos e de grãos de glaucónia permitiu estender aos restantes sectores estudados as duas grandes classes consideradas por Dias (1987) na plataforma setentrional: "M" (partículas recentemente chegadas ao depositário) e "R" ("relíquia").259 que aqui se verifica e com a diminuta “diluição” por partículas de origem terrígena. Os conteúdos em materiais silto-argilosos são geralmente elevados. sendo o cascalho e a areia predominantemente bioclásticos. ondulação dominante. Apresenta contraste marcado com os sectores a oeste. Tal deficiência encontra-se relacionada com a inexistência de rios importantes. da batimetria e do bordo da plataforma. As informações assim obtidas possibilitam a dedução de características relevantes da dinâmica sedimentar actual e passada da plataforma continental e da vertente superior. Foram identificados depósitos areno-cascalhentos na plataforma média (nos três sectores estudados). de entre os quais se podem citar: presença de sistema de ilhas-barreira. Além da análise à lupa binocular. diferenças de níveis energéticos actuantes junto ao fundo. Estas características apontam para níveis energéticos substancialmente inferiores aos dos outros sectores. relativas. bem como às fracções granulométricas que os constituem. orientação geral da costa. Existe contraste longitudinal na distribuição das carcterísticas sedimentológicas. principalmente no sector ocidental. A norte do cabo Mondego detectou-se a existência de depósitos areno-siltosos. É neste sector que os fragmentos de "beach-rock" são mais abundantes. intensidade da deriva litoral. A integração das características granulométricas e composicionais das amostras estudadas identificar diversos depósitos sedimentares. A plataforma algarvia é a que apresenta maior diversidade de classes texturais. foram também efectuadas análises químicas e exoscópicas dos grãos de quartzo. estado de abarrancamento do bordo da plataforma. na plataforma externa (no sector norte) e no bordo da plataforma (no sector sudoeste). Os depósitos areno-cascalhentos correspondem a sedimentos que se terão constituído durante períodos de abaixamento do nível relativo do mar que interromperam a transgressão .

Os depósitos areno-cascalhentos são sedimentos anfotéricos a palimpsestos. chegando a ser relíquias ou protéricas. a zona litoral. as fracções mais finas da areia são geralmente neotéricas. as fracções silte e argila são. embora com tendência anfotérica variável. Os depósitos relíquia. igualmente aplicável à região a sul do canhão submarino de Setúbal. Os depósitos lodosos. A utilização de tal pressuposto permitiu apresentar presumíveis configurações de paleo-litorais em diversos estádios da evolução pós-glaciária. não tendo sido contempladas as modificações induzidas pela subida actual do nível relativo do mar e pela actividade antrópica. bem como os traços morfologicos detectados e a cartografia de pendores. a fracção intermédia é anfotérica. presumivelmente. De uma maneira geral. a sedimentos protéricos (partículas antigas) ou a sedimentos anfotéricos (constituídos por ambos os tipos de partículas). de acordo as partículas que os constituem. neotéricas. os depósitos identificados podem ser modernos ou relíquia. provavelmente. as datações a que se teve acesso parece indicarem que o nível do mar atingiu a sua cota actual há aproximadamente 6 ka. em fase activa de formação. A análise destes balanços permite comparar a importância de alguns processos e mecanismos operantes ao nível da dinâmica sedimentar. Os estudos efectuados permitiram ainda elaborar balanços sedimentares simplificados . Estes últimos são. em que apenas foram explicitamente considerados o continente emerso. correspondem. nos seus traços gerais. Este esquema classificativo pode ser igualmente aplicado às fracções granulométricas que constituem os sedimentos. a plataforma continental sensu strictu e profundidades superiores à mesma. parecendo encontrar-se mais bem definidos na plataforma média do que a maiores profundidades. A elevação do nível do mar que constitui a transgressão flandriana é um dos principais mecanismos que condicionam o padrão de distribuição dos sedimentos não consolidados. sugerem que a curva de variação do nível relativo do mar anteriormente proposta para a plataforma continental setentrional é. constituídos no passado. os quais se podem . Contudo. A granulometria e a composição dos sedimentos superficiais dos sectores estudados. sendo lógico supor que tenham sofrido maiores modificações. areno-lodosos e areno-siltosos correspondem a sedimentos neotéricos com ligeira tendência anfotérica. são classificados como sedimentos palimpsestos (se contiverem partículas modernas e relíquia) ou como sedimentos relíquia (se não se encontarem contaminados por partículas recentes). Os depósitos arenosos correspondem a sedimentos que variam desde neotéricos (na plataforma interna e em parte da média) a palimpsestos (em parte do bordo da plataforma e da vertente continental superior). mais antigos. a sedimentos neotéricos (partículas modernas). Os depósitos modernos. As mais grosseiras têm características palimpsésticas.260 generalizada ocorrida durante a última deglaciação.

Este enriquecimento provocará essencialmente impactes ambientais a nível biológico e ecológico. as suas características e as profundidades médias a que se encontram impõem-nos como alternativa válida às explorações tradicionais. É também necessário que os dados de base colhidos na plataforma continental estudada sejam amplamente divulgados pela comunidade científica. que podem constituir um obstáculo à pesca por arrasto. b) o aumento de turbidez das águas. nomeadamente metais pesados. entre outros. afectado. . Essa turbidez provoca. geoquímica. Os recursos minerais da plataforma continental portuguesa que apresentam maior viabilidade de exploração são as areias e os cascalhos. h) a maior facilidade de actuação de determinados agentes poluidores. relacionados com avaliação de recursos minerais metálicos e não metálicos. são responsáveis por um progressivo enriquecimento em partículas silto-argilosas da cobertura da plataforma continental. a subida do nível médio do mar e a retenção de partículas grosseiras. c) a destruição das comunidades bentónicas e ictiológicas. em especial no sector norte. nomeadamente nos estuários e nas albufeiras das barragens. entre outros aspectos. Entre outros. infelizmente. assim. variações do nível do mar. e) a criação de zonas «acidentadas». nomeadamente na que se encontra associada a algas cujo crescimento fica. o eventual aumento da produtividade biológica. A viabilidade económica da sua exploração é ainda aumentada pela existência de diversas instalações portuárias e de vários rios importantes nas proximidades destes depósitos. f) a destruição dos ambientes em que as larvas vivem e realizam as suas metamorfoses. bem como a sua adjacência a diversos pólos consumidores importantes (cidades e zonas industriais). o que pode desencadear efeitos secundários na fauna. são de referir: a) a eventual interrupção de ciclos sedimentares actualmente activos. Foram também apresentados esquemas que pretendem representar o presumível trajecto das partículas sedimentares. a redução na penetração da luz. processos costeiros e reflexão sísmica. Para o acréscimo da compreensão dos mecanismos envolvidos num processo altamente complexo como é a dinâmica sedimentar torna-se imprescindível efectuar o "cruzamento" de informações e a calibração das conclusões provenientes de estudos análogos ao apresentado e de outros de índole diversa. g) nalguns casos. nem sempre acontece. micro-fauna. d) perturbações nas correntes de fundo. argilas. A extensa área que estes depósitos ocupam. De entre os diversos factores que condicionam a dinâmica sedimentar. o que.261 relacionar com os condicionalismos específicos de cada sector.

montanhas submarinas. as perspectivas futuras não se revelam muito promissoras. No entanto. pontos triplos e chaminés hidrotermais). que o número de investigadores dedicados às geociências marinhas quadruplicou no decurso do quinquénio 1988-1992. apesar da dinâmica de investigação associada a estes projectos ter propiciado a criação de um grupo de investigação jovem e dinâmico e. simultaneamente. já que não existe neles qualquer geólogo marinho. é. suscitado uma cooperação internacional que é de assinalar. Os restantes organismos estatais encontram-se numa situação ainda mais problemática. de cooperação interinstitucional e de colaboração internacional. A Divisão similar até há algum tempo existente no Instituto Hidrográfico foi recentemente extinta. pode afirmar-se. a comunidade portuguesa de geociências marinhas apresenta ainda uma reduzida expressão numérica. existem actualmente alguns indícios de que este panorama sombrio seja. as recentes restrições ao financiamento de projectos em geociências marinhas constituem um importante factor inibitório. ao induzirem o decréscimo de actividades de investigação. da execução dos mesmos.5 vezes superior à área emersa do País. A expressão das geociências marinhas nos laboratórios estatais é extremamente reduzida. sem grande margem para erro. As informações obtidas contribuirão certamente para uma correcta gestão da ZEE portuguesa. Estes projectos apresentam importantes componentes de formação. no mínimo. A importância de que se revestem as geociências marinhas em Portugal e as necessidades extremas que se verificam neste campo torna imprescindível e urgente a integração de investigadores qualificados nos quadros destas instituições. surpreendente. Por um lado. Não existe qualquer geólogo marinho nos restantes laboratórios do Estado. tendo os geólogos marinhos a ela adstritos sido distribuídos pelas de Oceanografia e de Química e Poluição. pelo que se torna imprescindível a continuação do apoio e estínulo à formação de jovens investigadores. principalmente. substancialmente modificado. . encontrando-se distante de atingir a necessária dimensão crítica. Por outro lado. num futuro próximo. O reduzido número de investigadores portugueses de geociências marnhas nas instituições estatais num país com a vocação marítima que tradicionalmente se associa a Portugal.262 Nos últimos anos têm vindo a ser implementados diversos projectos de investigação que versam sobre diversos aspectos relacionados com o estudo da margem continental portuguesa. Em consequência. Esperemos que tais indícios se concretizem. a qual teve uma das expressões máximas na epopeia dos Descobrimentos. com elevado potencial em recursos minerais e com uma das maiores ZEE's europeias. cuja área é cerca de 3. encontrando-se a única Divisão de Geologia Marinha existente em tais instituições sediada no Instituto Geológico e Mineiro. com acidentes geológicos submarinos extremamente interessantes (entre os quais se podem citar planícies abissais. No entanto.

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CALIBRAGEM ELEMENTAR – Conceito introduzido por Walger (1962) para se referir à calibragem óptima atingível pelo material com dada dimensão granulométrica. que mede a dispersão dos diâmetros granulométricos em torno da média. ÁREA DE SEDIMENTAÇÃO – Área na qual ocorrem diversos processos sedimentológicos. O parâmetro granulométrico que a exprime é o desvio padrão. AMPLITUDE DA MARÉ – Distância vertical entre o nível das marés altas e o das marés baixas imediatamente seguintes ou precedentes. densidades e formas. . ASSIMETRIA – Medida que traduz o desvio de uma curva de distribuição em relação à simetria de uma curva normal. delimitada fisiograficamente por condições de fronteira dinâmico-ambientais. ALTURA SIGNIFICATIVA DA ONDA – Altura média do terço das ondas com maior altura registadas no período de observação. ARGILA – Termo que. designa as partículas (ou a fracção textural correspondente) cujas dimensões se encontram compreendidas entre –1 Ø e 4 Ø.I GLOSSÁRIO ACUMULAÇÃO – Conjunto de processos que provocam o crescimento de um depósito. AREIA – No presente trabalho. desde a erosão à acumulação. em função dos seus diâmetros. CALIBRAGEM – Selecção das partículas durante o transporte. no presente trabalho. é normalmente utilizado para referir a fracção textural cujas partículas possuem diâmetros inferiores a 9 Ø. BORDO DA PLATAFORMA – Linha ao longo da qual se verifica um nítido aumento de declive no limite exterior da plataforma continental. ALTURA DA ONDA – Distância vertical entre o ponto mais alto da crista da onda e o ponto mais baixo da cava da mesma.

II CALIBRAGEM RELATIVA – Coeficiente de calibragem que é independente da média granulométrica. DEPÓSITO RELÍQUIA – Depósito sedimentar constituído quando a configuração dos processos de distribuição era substancialmente diferente da actual. etc. cujo talvegue apresenta geralmente um declive contínuo. CORRENTE DE CONTORNO – Corrente de águas geralmente densas e frias que flui na adjacência de vertente submarina (frequentemente da vertente continental). independentemente da origem. Corresponde à parte superficial. DEPÓSITO MODERNO – Depósito sedimentar em fase activa de formação. profunda e de flancos escarpados. DEPOSITÁRIO – Termo que designa "o lugar onde algo se deposita". sedimentologicamente activa. CIRCULAÇÃO TERMOHALINA – Circulação induzida por variações de temperatura e de concentração salina das águas. DERIVA LITORAL – Esta designação aplica-se às movimentações de materiais sedimentares paralelas ao litoral e próximas deste. designa todo o material (ou a respectiva fracção granulométrica) de dimensões superiores a 2 mm. e cujas vertentes possuem um declive superior a 45º. DEPOSIÇÃO – Processo ou conjunto de processos conducente à integração de uma partícula num depósito. Normalmente tem forma de vale fluvial. CICLO DE DEPOSIÇÃO – Termo que engloba a erosão. CONFIGURAÇÃO DE PROCESSOS – Conjunto das características (tipo. cortando em geral transversalmente a plataforma e a vertente continentais. de uma área de deposição. o transporte e a acumulação das partículas sedimentares sob determinadas condições ambientais. no presente trabalho. CASCALHO – Termo que. CONTORNITO – Sedimento depositado sob a influência de correntes de contorno. CANHÃO SUBMARINO – Depressão relativamente estreita. intensidade de actuação.) de um conjunto de processos cujos resultados finais são convergentes. .

9 µm 13 Ø – 0.125 8 Ø – 3. GLAUCÓNIA - À semelhança de Freitas et al. em que d é o diâmetro da partícula em mm e d0 tem o valor de 1 mm. 0625 mm 9 Ø – 2 µm 14 Ø –0. de cor verde. Apresentam-se alguns exemplos de correspondências entre as escalas Ø e milimétrica: Cascalho Areia Silte Argila -5 Ø – 32 mm 0 Ø – 1 mm 5 Ø – 31 µm 10 Ø – 0.12 µm -1 Ø – 2 mm 4 Ø – 0. utiliza-se este termo preferencialmente à designação "glauconite" para evitar eventuais conotações mineralógicas. caracterizadas pela associação monoespecífica de Neogloboquadrina pachyderma sinistrógira. a mesma velocidade de queda no seio de um fluido quando as forças de impulsão e de atrito a que se encontam sujeitas igualam a força de gravidade. através da relação Ø = –log 2 d/d0 .. EROSÃO – Processo ou conjunto de processos que provoca a "diminuição" de um depósito. provocado pela movimentação e afastamento das partículas entre si.06 µm FRACÇÃO FINA – Termo genérico que se aplica às partículas de dimensão inferior a 4 Ø. Quando a dilatância dinâmica excede um valor crítico. (1993). constituído por partículas não consolidadas.III DILATÂNCIA DINÂMICA – Aumento de volume de um corpo. . EQUIVALÊNCIA HIDRÁULICA – Segundo Rubey (1933). as partículas iniciam movimento generalizado. devido à componente tangencial da força de gravidade exceder as forças de fricção. ESCALA Ø – Escala logarítmica frequentemente utilizada no estabelecimento das classes granulométricas dos sedimentos.49 µm -3 Ø – 8 mm 2 Ø – 0.24 µm -2 Ø – 4 mm 3 Ø – 0. corresponde à deposição de partículas com a mesma velocidade de sedimentação. quase negra.8 µm 12 Ø – 0.e. cuja tonalidade pode variar de clara a escura. em geral mais ou menos arredondada. FRENTE POLAR – Fronteira entre as águas polares.98 µm -4 Ø – 16 mm 1 Ø – 0.25 mm 7 Ø – 7. i.5 mm 6 Ø – 15. e as águas subpolares em que se desenvolve maior diversidade de foraminíferos planctónicos. FRACÇÃO GROSSEIRA – Termo genérico que se aplica às partículas de dimensão superior a 4 Ø.6 µm 11 Ø – 0. Refere qualquer partícula terrosa.

num corpo de água estratificado. PICNOCLINA – Zona. Este método apresenta ainda as vantagens de considerar a anisotropia espacial dos dados e quantificar os erros associados às estimativas obtidas. um engenheiro de minas sul-africano e daí a sua designação. fornecendo um adequado modelo conceptual para o traçado automático de isolinhas por computador. "MUD LINE" – Designação proposta por Stanley & Wear (1978) para se referir à linha imaginária a partir da qual não ocorre um aumento significativo no conteúdo em silte e argila. A comparação entre diversos métodos de estimação permite concluir ser este o que geralmente produz melhores estimativas. correspondente ao ponto que divide a área sob uma curva de distribuição em duas partes iguais. MÉDIA – Medida do diâmetro médio de um distribuição. área ou volume). Kridge. MARGEM CONTINENTAL – Zona que separa o continente emerso de uma planície abissal ou dos grandes fundos oceânicos e geralmente constituída pela plataforma. ONDAS GRAVÍTICAS – Ondas cujo período se encontra compreendido ente 30 s e 5 min.G. ONDAS INTERNAS – Ondas que se propagam ao longo da interface entre duas massas de água com densidades diferentes. a partir da informação disponível. referente aos valores assumidos pela variável cuja distribuição espacial se pretende estimar e aos parâmetros do variograma correspondente.IV KRIGAGEM – Procedimento geostatístico que consiste na procura do melhor estimador linear do valor de uma variável regionalizada num dado espaço (ponto. em que a densidade varia rapidamente com a profundidade. pela vertente e pela rampa continentais. de forma geralmente cónica. . ONDAS DE KELVIN – Ondas aprisionadas por uma parede vertical e em que a componente transversal da velocidade de propagação das partículas é nula. MONTANHA SUBMARINA – Relevo isolado de grandes dimensões. Este método de estimação foi proposto por D.

RAMPA CONTINENTAL – Superfície de fraco pendor que se eleva desde as profundidades oceânicas até ao sopé da vertente continental. em contraste marcado com as das regiões vizinhas. Se a sua configuração é análoga à actual. se a sua configuração. PROCESSOS DE FORNECIMENTO – Conjunto de processos que são responsáveis pelo abastecimento de partículas ao depositário. de modo a formar depósitos sedimentares. designando.V PLATAFORMA CONTINENTAL – Zona adjacente a um continente que se estende desde o nível das marés baixas até uma profundidade à qual existe habitualmente um nítido aumento de declive em relação às grandes profundidades oceânicas. PROCESSOS DE DISTRIBUIÇÃO – Conjunto de processos que são responsáveis pela distribuição e acumulação de partículas no inerior do depositário. no momento em que a partícula chegou ao depositário. era análoga à actual. os depósitos resultantes da actuação destes processos são considerados relíquia. quer o conjunto de partículas sedimentares. correspondendo a um aumento da área emersa na zona sujeita a regressão. no caso contrário. plana e horizontal ou pouco inclinada. SEDIMENTO – Termo utilizado no presente trabalho na acepção de McManus (1975). REMOBILIZAÇÃO – Processo que conduz à entrada em movimento (e eventual remoção) de uma partícula integrada num depósito. REGRESSÃO – Translacção do litoral em direcção ao mar. São considerados modernos. Caso contrário. PROVÍNCIA FISIOGRÁFICA – Região identificável por um conjunto de características fisiográficas semelhantes. conduzem à formação de depósitos modernos. . RECIFE – Rochas que emergem à superfície do mar ou se situam a pequena profundidade e que podem representar um perigo para a navegação de superfície. PLANÍCIE ABISSAL – Extensa região dos grandes fundos oceânicos. e relíquia. quer o depósito sedimentar que as inclui.

SILTE – No presente trabalho. designa as partículas (ou a fracção textural correspondente) cujas dimensões se encontram compreendidas entre 4 Ø e 9 Ø. (1971) para designar um sedimento relíquia posteriormente retrabalhado e que apresenta características de dois ambientes sedimentares. 1968) é um vestígio de ambiente anterior. argumentando que a mesma não põe em evidência o aspecto dinâmico da sedimentação recente nas plataformas continentais. . corresponde a um depósito relíquia que contêm partículas modernas e relíquia. SEDIMENTO EM EQUILÍBRIO – Na acepção de Curray (1965) é o que está presentemente a ser fornecido e transportado para a área de sedimentação. SEDIMENTO MODERNO – Designação empregue por Curray (1965) como sinónimo de sedimento em equilíbrio. (1971) propõem o abandono desta designação. corresponde a um depósito relíquia não contaminado por partículas recentes. Belderson et al. Todavia. SEDIMENTO RELÍQUIA – É um sedimento que não se encontra em equilíbrio com as condições ambientais actuais. Na acepção de Emery (1952. Na terminologia de McManus (1975). SEDIMENTO PALIMPSESTO – Conceito proposto por Swift et al. Na terminologia de McManus (1975). SEDIMENTO PROTÉRICO – Termo proposto por McManus (1975) para designar um depósito moderno constituído por partículas fornecidas ao depositário no passado. SEDIMENTO NEOTÉRICO – Conceito introduzido por McManus (1975) para se referir a um depósito moderno constituído por partículas que estão presentemente a ser fornecidas ao depositário. correspondendo a um sedimento relíquia de tal modo transformado e modificado pelos processos ambientais actuais que ficou em equilíbrio com estes processos.VI SEDIMENTO ANFOTÉRICO – Termo proposto por McManus (1975) para designar um depósito moderno constituído por partículas que estão actualmente a ser fornecidas ao depositário e por outras que o foram antes dos processos adquirirem configuração análoga à actual. um mais antigo e um mais moderno. o significado desta designação varia segundo os diferentes autores que a empregam. 1975). SEDIMENTO EM PSEUDO-EQUILÍBRIO – Designação introduzida por Curray (1973. diferente do actual. embora os depósitos possam não ser constituídos por material depositado actualmente.

É uma medida do grau de continuidade espacial da variável a que respeita. limitada de ambos os lados por declives maiores. porque as palvras "afloramento" e "ressurgência" têm significado preciso em geologia. quando diz respeito à amostragem de que se dispôe. relacionada com a irregularidade do fenómeno que se pretende analisar. TRANSGRESSÃO – Translacção do litoral em direcção a terra. e de uma componente estruturada. TERRAÇO – Superfície relativamente plana e horizontal ou fracamente inclinada. que traduz a correlação existente entre os diversos locais onde a variável foi amostrada. sendo substituída por águas mais profundas. mais frias e ricas em nutrientes. À semelhança de Dias (1987). Pode ser experimental.VII SISTEMA ANFIDRÓMICO – Sistema que abrange uma região centrada no ponto anfidrómico (onde a amplitude de maré é igual a zero) e em que a amplitude de maré vai sendo progressivamente maior à medida que se afasta desse ponto. diferente do associado a "upwelling". devido a mecanismos atmosféricos e oceânicos. Como exemplos deste tipo de variáveis. O seu comportamento caracteriza-se pela coexistência de uma componente aleatória. longitude e profundidade). utiliza-se este termo preferencialmente às designações "afloramento costeiro" e "ressurgência costeira". "UPWELLING" – Processo pelo qual as águas oceânicas superficiais são dirigidas para o largo. VERTENTE CONTINENTAL – Declive limitado pelo bordo da plataforma e o início da rampa continental. ou pelo ponto que marca uma diminuição geral do declive. VARIÁVEL REGIONALIZADA – Variável cujos valores dependem fortemente da localização das amostras (latitude. por vezes longa e estreita. são de referir as relativas às caracteísticas texturais e composicionais dos sedimentos. VARIOGRAMA – Gráfico que representa os valores da variância de uma variável regionalizada em função da distância entre os pontos amostrados. . ou pode ser ajustado a um modelo teórico.