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INÁCIO VACCHIANO

RAZOABILIDADE: O PRINCÍPIO
ASPECTOS ESTRUTURAIS

Monografia

apresentada

à

banca

examinadora da UFMS - Universidade
Federal do Estado de Mato Grosso do Sul
como pré-requisito para obtenção do grau
de bacharel em em direito, sob a orientação
do Profº. Fernando Filho Albuquerque
Marques.

Campo Grande – MS
2004

2

Inácio Vacchiano

RAZOABILIDADE: O PRINCÍPIO
ASPECTOS ESTRUTURAIS

Objetivo: Desvelar os elementos estruturais do princípio da razoabilidade.

Universidade Federal do Estado do Mato Grosso do Sul
Campus de Campo Grande
Curso de Direito.

Data de aprovação: 09 de dezembro de 2004

Nota 8,8

Prof. Fernando Filho Albuquerque Marques:... _______________________

Prof. Sílvio Lobo Filho:........................................

_______________________

Prof. Hiran Sebastião Meneghelli Filho:..............._______________________

3

RESUMO
A presente obra tem por objeto encontrar alguns dos subprincípio componentes do Princípio
da Razoabilidade, demonstrando concomitantemente que a razoabilidade é o princípio mestre,
fundamento dos demais. Para tanto incluímos entre seus elementos os subprincípios 1) do
bom senso que trata da natureza intrínseca do sujeito promotor do ato, sejam pelos aspectos
do respeito, do equilibro e da humildade; 2) do interesse, que visa analizar os aspectos
relacionais do sujeito com o objeto; 3) da logicidade, que busca auxiliar o sujeito na
elaboração dos juízo através de métodos práticos; 4) da proporcionalidade tratando da
ponderação dos interesses mais pelo aspecto teleológico que outro qualquer, sendo que neste
tópico inserimos uma inovação a fórmula Maquiavélica, de forma, que possa tornar-se
legítima ante os diversos interesses existentes; 5) do juízo onde foram feitas várias
considerações acerca da clareza, da evidência e de seus vícios; 6) inovamos o princípio da
translatividade ao analisamo-lo sob o prisma filosófico, de formas que possa alcançar a devida
legitimidade com o tempo, e por fim, tratamos 7) do princípio da finalidade em que se preza
ao encontro da causa e do fim sendo que para tanto, foi tratado em um tópico a parte o
subprincípio da coerência por estar relacionado ao nexo de causalidade e ao próprio princípio
da finalidade enquanto que vinculado a um liame harmônico.
O principal método utilizado nesta obra foi o comparativo, eis que se procurou mesclar a
ciência do direito e a filosofia, no intuito de que deste casamento o instituto dos princípios
possa realmente ser a base para formação de todo o ordenamento jurídico, resultando disto
que, mesmo que uma regra não esteja positivada, pela análise estrutural e objetiva dos
princípios, possa se extrair daí, uma regra derivada sem insurgir-se contra o órgão legislador
(legislar negativamente).
Palavras chaves: RAZOABILIDADE – PROPORCIONALIDADE – FINALIDADE

4) of proportionality treating of the interests ponderation more by the teleological aspects than any other one. here it was mixed the law science and the philosophy. showing concomitantly that reasonability is the master principle. of evidence and their faults. from the structural and objective analyze it is possible to extract from there a secondary rule without resist against the Legislative Assembly (legislate negatively). and at last is was studied 7) the finality principle of the conjuncture between cause and aim. balance and modesty.FINALITY . even when a rule is not definite.4 ABSTRACT The present researches goal is to find out some of the Reasonability Principle’s sub principles. 3) of rationality. and for that it was treated apart the sub principle of congruence since it is related to the nexus of causality and the very finality principle as linked to an harmonic bond. 2) of interests. so in this topic it was insert an innovation to the Machiavellian formula so it is possible to become lawfully before the several interests. of respect. support for the other ones. Therefore it was included among its elements the sub principles: 1) of good sense that studies the acting citizen internal nature. Key-words: REASONABILITY – PROPORTIONALITY . 6) we innovate the postponed principle when we analyze it by the philosophy view. that aim at analyzes the related aspects between the citizen and the object. with the propose that. The principal method used in this research was the relative one. so it is possible to reach the due legitimacy. the fundamental rules of principles could really become the basis to the whole juridical ordering constitution. from this combination. that aim at help the citizen in the improvement of judgement towards practical methods. proceeding that. 5) of judgement where were made many consideration about the explicitness.

.............................................................................................................................................................1 Subjetivo ........................................................................................................... 30 5....2 Objeto ....................................4 Elementos teleológicos .....1................................................................... 33 5.....2...................... 14 Conceitos finais relativos a boa fé ..........................................................................................................................2 Efeito formal temporal .................................. 29 Subprincípio do interesse ............................................................................................................... 36 5................................ 32 5.............1............................................................. 31 5.......................... 13 3 Bom senso.......................................... 14 3......................................... 32 5.........2 Boa fé subjetiva ....................1. 17 3.......1..... 18 4............................2 Equilíbrio (proporcionalidade) ..................................... 26 4........... 32 5. 21 4......1 Conceitos iniciais ............................................5 SUMÁRIO Introdução……………………………………………………………………………………………9 1 Razoabilidade no Direito e na Filosofia ......................... 16 3............................3..............3.............3 Elementos funcionais ..............................................................5 Conhecimento prévio ...............................................................................1 Boa fé subjetiva .............................................. 17 Princípio da Boa fé objetiva ...................... 31 5........................3 Relação....1..................................... 19 4........3 Pessoa normal ..........................................................2 Objetivo ...................................................................2...............................................................2 Boa fé objetiva ..... 13 3............................4 Humildade ............................................ 32 Elementos constitutivos ....... 23 4..........................1 Respeito .1..................................................2 Busca do interesse ..........................................3..........................1................................ 29 4...................................1....................4 Natureza jurídica..............................................................................................................................................................2 4 Nosso conceito ...........................1...4..............................................1 5........... 24 4.. 15 3........................................................1...........................2 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS ....3 Natureza do interesse ........................................... 40 .....................................................................................................................................................................................4.............................1 Aspectos de abordagem ....... 29 4.......................................2.....................3 Boa fé objetiva ........................................................1 Sujeito ........... 20 4.............................................................................................................3 5 Elementos....1 Materiais .......................... 19 4...................................................................................... 16 3.....................................................................4............................................. 32 5.............................................1 3. 21 4................................................2..........1 Boa fé ............................................ 21 4................................... 11 2 PRINCIPIO........

........................................................ 59 8............................................................................................................3 Elementos constitutivos ............. 69 8................................................. 48 7....................................................................... 50 7............... ............ 73 9....................4 A Legitimidade ............................................................................................................ 43 6................................................ 68 8.........................5 Razoabilidade x proporcionalidade ...7............7 9 Teleológicos ................... 41 Subprincípio da legitimidade dos atos .......6......................... 46 7..4................................................................... 40 Métodos ............................................................................................ 42 6............. 65 8..2 Raciocínio e juízo ...........................1 Princípio da utilidade......................................... 45 7............6 Subprincípios .................2 Proporcionalidade pelo processo analítico .............................................................2 Dos métodos .................4........................................................................... compreensão e extensão.................. 73 9................................................2 Princípio da necessidade ......... 46 7.................................................................... 42 6.4 Proporcionalidade entre duas grandezas .....................................................3......................................6 5.............4 Classificação ........................................................3............ 66 8....6...............1 Proporcionalidade pelo processo sintético..........................................................3 Elementos lógicos ......................................................................................3 Definição ou delimitação ..7........... 43 6.............. 57 Princípio da proporcionalidade ..........................3.....................................4 Raciocínio lógico ......... 66 8..............................4 Elementos teleológicos ........2 Objeto Jurídico .........................................................2 Elementos formais ou de validade............................................................................................................ 68 8......................... 67 8.....................................3 Procedimentais .............. 68 8...................2 Apreensão.....................................................................................................................................................................................................................................................................................3 Princípio da adequação ............................................... 68 8.................................. 71 9..4 CONCEITO ......................3 Proporcionalidade pela redução ao absurdo ......... 48 7....................................3 Elementos do juízo................................................ 65 8.................... 69 Juízo ...........................4............................ 60 8................1 Elementos materiais .........1 Histórico ..........................................................................................1 Definindo os elementos lógicos da razoabilidade .......... 60 8.....................................................1 Objetivo ...2 Legalidade x legitimidade x ilicitude.................................................................................... 60 8............7.................... .............................. 73 9................................................... 43 Elementos Lógicos da Razoabilidade ..........4 5............ 45 7..... 67 8.. 67 8..........5 6 7 8 Nosso conceito ..............................................................................1 Natureza do juízo ...................................................................4...................................................................6..........................................................3 Vícios do raciocínio ..7...... 73 ................................................... 62 8......................................1 Contrário senso ............................................................................ 58 8......3.......................

..........................3 Concordância da fundamentação com o dispositivo................................................................... 84 10..................2 12 CONCEITO ................................................................................ 90 10...............................9........4 A translatividade e a razoabilidade prática ........................................................................................1...........................................9............................................ ........ 74 9................................................... 75 9................................................................................6 Requisitos do Juízo ...............................103 12. 81 9.......... 97 11........................................................ 85 10........3 Natureza jurídica ........................................6............9 Espécies de juízo............................................................5...........2 Efeitos de aspecto temporal .....................................6.................................................................. 74 9.......................................5 Elementos constitutivos ................................................................................................... summa injuria” .................................................................................8 Definição do Juízo ................5...........................................................................3 Finalidade ......................103 12..............................................6 11 Características ........................................................5 Proposição .......... 82 9....................... 86 10.1 Quanto ao tempo ...............................................................103 ................................................... 81 9..............................................3 Funcionais ..........6..............................................................................................................................................................................................100 Princípio da finalidade ........7 Métodos .......................................................................................................2 Motivo ...........1......................... 85 10..............4 O fim último da translatividade .......................................................... 73 9................5...........1.............................................................. 75 9..... 93 Supbrincípio da coerência ............1 Materiais .............................................................. 82 9......................... 92 10................. 82 9........................3 Lógicos .......1 Elementos materiais........................................................................1 Clareza ou lucidez ..........7 9.....1 ”Summun jus..........5....... 95 11..................................2 Natureza da translatividade ...........7.........................................................................3 Lógico ..........4 Certeza ............................. 83 10 Subprincípio da translatividade ..... 96 11.. 86 10...................................................... 82 9...............................1 Elementos constitutivos ........................................................2 Formais ...... 86 10........................... 94 11..........................7....2 Sociológicos ........................................................................................103 12................................7.........................................1 Materiais .... 99 11.........................................1 Histórico ............6.......103 12......... 90 10....................................................1.......................................................... 86 10.............................................2 Juízo de tipicidade ...................................................................................................... 95 11.....4 Diferença entre finalidade e motivo ................. 81 9....................5 Elementos constitutivos ..................1 O fim último ........101 12............................................................................ 75 9.....5...................................................................................4 Liame harmônico finalístico ...............................................................................2 Plenitude ......................102 12.................................................

........................................112 13 Conclusão..........................................................................123 ....8 12......5......105 12............3 Teleológicos ..............................................................117 14 ANEXO 1 – Pérola do meio ambiente... ......................................5.............................................................................................................................................................................119 15 BIBLIOGRAFIA .........2 Elementos formais ..........................

caso não tenham por base este Princípio Supremo do Direito. Seu objeto terá sucumbido ainda em estado embrionário. Como a razoabilidade é um atributo humano. a origem. assim. muitos de seus aspectos são de caráter subjetivos e que por isto mesmo deve-se levar muito em consideração os aspectos objetivos para que se chegue a bom termo. estará fadada a ineficácia objetiva. Contraio senso.9 INTRODUÇÃO Esta obra tem por objeto demonstrar que o "Princípio da Razoabilidade" é o princípio formador de todos os demais princípio. Dessarte. ao mesmo tempo em que é incriado (conforme será mais bem esclarecido adiante) é estruturada por subprincípios. denunciar seus autores. a metodologia para obtenção do juízo. O mesmo se dará com todas as interpretações doutrinárias e jurisprudenciais que procuram restringir ou aditar entendimentos com vistas a finalidades próprias. Trata-se. mesmo que sancionada. os princípios são inclusive o suporte dos próprios fundamentos. sucumbirão a medida que se distanciarem do referido princípio. O próprio tempo e as situações se encarregarão de mostrar as incongruências e. Cabe ainda relatar que a razoabilidade deve ser buscada em seus aspectos funcionais (que acaba por ser uma espécie de teleologia) podendo ser encontrado pelas vias de seus elementos lógicos. . visto que. Tamanha é a importância deste postulado que é possível afirmar. momentâneas ou espaciais. publicada e promulgada (mesmo seguindo-se a todas as formalidades exigidas). a coerência e aspectos teleológicos como a translatividade e a finalidade. a proporcionalidade. abordamos em seus elementos estruturais subjetivos subprincípios como a boa fé – subjetiva e objetiva -. Sua aplicabilidade não só é imprescindível. quanto uma espécie de fundamento. dos quais são estes compostos. as legislações que um dia tiveram sua eficácia e vigência em ponto alto. vale dizer que. tornando-se letra morta. Como a própria palavra diz. Neste sentido. princípio refere-se ao início. muito embora permeada de validade. o interesse e em seus aspectos objetivos: a legitimidade dos atos. é possível ainda afirmar que a razoabilidade é tanto um princípio. mas que no escopo de suas regras não atendam ao princípio da razoabilidade. dessarte. pois do princípio raiz onde todos os demais dele se abeberam. que se a moral. como nos deixa a impressão de que resta um vazio onde sua aplicação ou criação de qualquer modo deixa de ser aplicada. formadora de todos os textos do direito (em regra).

a proporcionalidade é tomada como uma ferramenta do princípio ora citado. cabe prolatar que. constituindo-se assim em um mesmo princípio. equivocada que pode ser demonstrada na composição da própria estrutura da razoabilidade. um tanto. adentraremos ainda em alguns aspectos formais que se levados aos extremos (formalismo exacerbado) inviabilizam o princípio objeto desta obra. é possível a superação.10 Não raro encontram-se doutrinas afirmando que a razoabilidade e a proporcionalidade são sinônimos. . quando então. associado a boa vontade de quem profere um juízo. mas que com o uso do bom sendo e da finalidade. Tese. Por fim.

Princípio é uma coisa e. "algo que é. como base para todos os sustentáculos ontológicos. sob o título de Gênesis cuja. epistemológicos etc. foi atribuído ao Judeu Moisés. mas. podem causar ojeriza a um Filósofo. dando-nos a impressão. que se trata da própria divindade. tanto históricos. é outra. algo que não tenha começo e não tenha fim. ultrapassou seus próprios limites. de forma que. . em nosso humilde entendimento. escolas como a escolástica.. portanto. não foram raras as propostas do entendimento acerca das causas primeiras e dos fins últimos. em Direito. os princípios são tratados diferentemente. que sendo considerado historicamente como o primeiro livro Hebraico. não estamos discutindo aqui se Deus existe ou não. Pois existe algo muito surpreendente por trás disto. ou seja "Princípio". no campo do Direito. pelas vias racionais. visto que. pois atentar que. O Direito tem uma maneira toda peculiar de estruturar e utilizar os princípios. psicologia etc). Quando tratamos dos princípios sob o aspecto da Filosofia. ou o quê ou quem criou Deus. Então. “Beraeshith bará AElohím aeth-hashamaím w'aeth-ha-aretz. Confesso que a forma filosófica de ver os princípios custou-me. em Filosofia. considerado como o grande precursor de Arístóteles. aglutinavam na Filosofia todas as demais ciências (matemática.” Tradução mais conhecida: “No princípio (Beraeshith) criou Deus (AElohím) o céu a terra”.. adotara justamente a posição Kantiana. uma palavra qualquer tomada ao sabor dos caprichos de um intérprete no Direito. vamos ver como está e como ficaria a tradução do primeiro versículos da bíblia (no caso estou me referindo a Bíblia de Jerusalém. Basta mencionarmos obras como a Súma Teológica de Tomas de Aquino. não foi fácil. perdeu suas bases diante das teorias Kantianas (grande precursor de Sócrates e Platão) que dando uma contribuição máxima à razoabilidade. primeira palavra é “Beraeshith”. por ser ecumênica) observando-se algumas regras lingüísticas hebraicas. quanto das próprias teorias desta excelsa ciência 1. segundo a tradição.11 1 Razoabilidade no Direito e na Filosofia Ao cursar a graduação de Filosofia. É sabido que as palavras Hebraicas são de certa forma destituídas de vogais e que as adaptações destas visam mais aos ocidentais do que os outros povos. que foi e será". dentre tantas correntes.” Embora desnecessário. Tradução de acordo com as regras da língua hebraica: "O Princípio criou Deus o céu. principalmente se o analisarmos mais sob o aspecto mais Filosófico e semântico do que Teológico. mas estamos tratando dos primórdios principiológicos e mostrar que em Direito e em Filosofia. no campo do Direito podem constituir-se um patamar capaz de recrutar muitos seguidores e até mesmo. que procurou provar a existência de Deus pelas chamadas cinco vias. não custa lembrar que estamos tratando do princípio e não de teologia. Surpreende-nos deverasmente a leitura das primeiras linhas do livro. teoria esta que. nos vários estudos. a terra. medicina. falamos praticamente de algo "incriado". até. demonstrar conhecimentos em profundidade. quase dois anos de entendimento. em oposição às teses 1 Digo “excelsa” porque até há uns poucos séculos.

. ao menos hipoteticamente alcançar. capaz de fornecer informações ao nosso cérebro. não pode conhecer o infinito (não pode um recipiente finito conter algo que extrapole os seus limites). aqueles que não manifestam sua produção de uma forma tão aberta. que procurou entre tantas coisas provar. cuja aplicação destes pressupostos. ao referir-se a sua chamada "norma hipotética fundamental do direito". E por que não dizer ainda que suplanta o “inconsciente coletivo” de onde Jung encontrou a raiz de nossos medos e nossos males mais profundos. que podem se manifestar pelas vias dos costumes e posteriores normalizações. Trata-se de um Princípio imutável. assim como fizeram seus precursores. Tomas de Aquino. provavelmente Kelsen tenha se mirado neste ponto. uma energia composta de várias formas. além do tempo e do espaço de onde provêm todas as nossas regras. e que atuando em determinadas áreas estimulam determinados comportamentos. que abstraiu completamente. como aquela determinação subconsciente. Para ilustrar esta dicotomia. vinculado aos cinco sentidos. Expomos duas pontas de icebergs. que Deus existe. fica a certeza de que. fundar-se. cuja finalidade é atender ao condicionamento imposto pelo “inconsciente coletivo”. mas está incrustada em nossa psique. para que tudo siga por estes caminhos. de que toda mulher nasceu para casar. e ao mesmo tempo acessível a todos. Hoje. em suma. é como se estivéssemos à beira de um oceano infindável. aprisionam-nos. em todas as ciências. na máxima concretude em que a "mente humana" pode se recalcar. ter filhos etc. por via de progressões abstratas infinitas. como o da mente coletiva. Aristóteles mira-se no plano abaixo de seus pés. deste Princípio emanam todas as mudanças. cuidando-se. em todos os campos do conhecimento. e Don Emanuel Kant. enfim. retratores ou expansivos. e que. o “inconsciente coletivo” pode ser entendido como uma força. nossos costumes. muitas vezes. Está também acima da “mente coletiva”. por onde entram todas as formas de conhecimento dentro do plano comum e corrente. seja através da educação. é que podemos ter o conhecimento de sua existência. limitações criadas ou por ser criada. estendendo-se como a formadora de todos os conceitos. das formas de convivência isolada ao do sexo oposto. ser dona de casa. preconceitos e normas que nos cercam e. vislumbram possibilidades infinitas. pois se trata da soma de todas as morais que existiram e que estão por existir. Metaforicamente. acima do Princípio da Razoabilidade.12 Tomistas. via pulsos bio-eletro-magnéticos. desde a infância. das brincadeiras. em lugares de acesso muito restrito. deleitando-se no mais profundo abstrato que o "ser humano" pode. que esta acima da razão. há um Princípio ainda maior. conhecido por nós. cito uma obra (pintura) em que se encontram Aristóteles e Platão: enquanto Platão se mira no alto (hiperurânio). dos condicionamentos. ainda assim. Diante do ocorrido supra. acondicionamentos. em escopos completamente opostos. através dos cinco sentidos. deixando o legado de que a mente sendo finita. ou seja. Os dois sondam o mesmo conhecimento. capazes de alterar inclusive o próprio entendimento do Princípio da Razoabilidade.

que se acredite na recuperação do infrator. Não fosse isto. a vingança não se constitui em função estatal. enfim. isto é. em que o fim último seja a continuidade do ser humano. educada em valores objetivos. uma autoridade pronunciou-se sobre a função vingativa do Estado. de forma desproporcional. dessarte. deve ser devidamente mensurada. nem de procuradores e nem de juízes. Seria o "bom senso" idêntico a todos. absurdamente. Que da convivência mútua haja ganhos recíprocos e não uma relação de parasita e parasitado. que o indivíduo não tome a justiça com suas próprias mãos. bastaria que as comoções populares se encarregassem de fazer sua própria justiça. Contrapondo-se ao exposto. agindo. não haveria necessidade nem de leis. que haja redirecionamento com vistas à equidade. nem de advogados. conforme defende René Descartes? É possível mensurá-lo? Para que a razão não seja serva da loucura.13 2 PRINCIPIO Aspectos funcionais no direito: Informa a criação de normas Ajuda a interpretação das normas Supre lacunas da lei 3 Bom senso Comumente a doutrina afirma que o produtor do ato deve atender ao senso comum em suas obras. afinal. Mas o que é o senso comum? Quais seus elementos constitutivos? Quais seus pressupostos básicos? Seu alicerce. tomando providências que visem mais à ressocialização e menos à punição (que é um meio e não um fim). em um tribunal do júri. que não aja mediante julgamentos baseados em sua própria ignorância. num dia destes. Ocorre que o "jus puniendi" não é sinônimo de vingança. uma função social que visa justamente ao contrário. em paz com seus semelhantes. . mas sim.

governadas por outras doentias gerou-se um dos maiores horrores da história. a violência contra a mulher e os filhos. para que haja a criação de riquezas e que estas devem ser difundidas para evitar a fome. mas que não são os únicos. enuncia: ". o assédio sexual.1 Respeito Uma mente que não recebeu durante sua fase de aprendizado. 2 Celso Antônio Bandeira de Mello. enfim). capaz de chocar. ou não foi capaz de compreender os valores mais incontroversos relativos à liberdade. Curso de Direito Administrativo. ao respeito ao próximo e o mundo que o cerca. sobre a superioridade econômica (ganhar e ganhar a qualquer custo). Malheiros Editores. religião (impondo aos seus um Deus de morte. alguém que na infância teve todos os seus caprichos realizados.. a falta de consciência de que é preciso haver uma reciprocidade entre o receber e o dar. de tortura. P 66. de sangue.99% contra aqueles que estão em baixo). capazes de matar milhares de pessoas de uma só vez como nos casos de Hiroshima e Nagasaki (quantos livros.1 Elementos Celso Antônio Bandeira de Mello. sobre a superioridade masculina em relação à mulher. a violência etc. De onde se originou o nazismo? Que valores estavam arquitetados em sua base? Da conjunção oriunda de mentes passivas. desde a tenra idade. dos quais o insigne autor. 1999. 11ª edição.. à vida. que a guerra já estava ganha pelos aliados. ao atuar no exercício de discrição. jornais e revistas relataram que este evento não era mais necessário. ideologias distorcidas (inclusive intencionalmente). a falta de escrúpulos nas negociações. do ponto de vista racional. a mente mediana deve atender a certos requisitos. senão vejamos: 3.a administração. independentemente deste abominável ato). A história nos remete a barbaridades tremendas e a mais conhecida (embora não seja a maior) é a do nazismo. será incapaz de produzir um juízo saudável (desejado. Assim.14 3. aos homossexuais.1. terá de obedecer critérios aceitáveis. aos judeus. em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida" 2. da opção sexual. que sempre teve tudo muito fácil. de antemão oferece-nos dois. quantos carniceiros ocuparam o poder cometendo genocídios a vistas de poder. a falta de consciência da necessidade do trabalho. em suma. Valores equivocados geraram mentes doentias na segunda grande guerra. de crueldade. a pobreza. qual será respectivamente seu comportamento em relação a cada item senão: a perseguição aos negros. até quem não viveu naqueles momentos. o pisoteio e a falta de respeito constante contra o próximo (em 99. de consenso). Vejamos o caso de alguém que na infância foi orientado com os valores discriminatórios a respeito do racismo. é capaz de causar grandes prejuízos à humanidade (conforme a posição que ocupe no contexto social-político-econômico). ao tratar do bom senso. dinheiro. . Uma personalidade mal formada.

algumas vezes obsoletos. não é capaz de gerar atos razoáveis. sem o menor constrangimento (como argumentar com quem não tem consciência?). Muitos são os gênios intelectuais que chegam ao poder e agem conforme o acima citado. se o fizesse.15 Estes acontecimentos espantam pela intensidade. maltratar ou explorar excessivamente seus empregados. na escola etc. que poluem o meio-ambiente. uma autoridade judicial pode decretar uma prisão ilegalmente. pessoas que são boas com os estranhos. podem ser a mesma pessoa. mas. em estado potencial. até àquele que emana o ato). Assim. fazer negociatas capazes de acarretar a falência de outras empresas. mas o estrago. o rol continuaria essencialmente exemplificativo. Valores mal formados. contratar parentes (há técnica que consiste em fazer uma troca de funções entre autoridades da mesma posição para que um contrate o parente do outro no intuito de driblar a lei “i. que ditará o tamanho e a proporcionalidade do estrago. Quem ocupa o poder possui. portanto. utilizar um bem público e servidores públicos para fins particulares. Se doentia. é preciso ter uma mente sã (em sentido amplo). um veículo de manifestação. no trabalho.1. o corporativismo nepótico). em nosso caminho. cruéis com os seus. Estando drogada (seja por drogas psicoativamente proibidas legalmente ou mesmo aquelas que não o sejam. seja no sentido orgânico ou psicológico. de ver o mundo. encontramos estes protótipos de ditadores. da razão. agir ou incentivar os chefes imediatos a atuarem de forma desrespeitosa e/ou cruéis. que são manifestações de mentes doentias ("lato sensu"). por serem capazes de alterar o modo de avaliação. a má formação de valores. com vistas a satisfazer sua lasciva. destruindo famílias. bastando. impor valores próprios. em uma batida. com sua criatividade. chefes que tratam com soberba e desrespeito seus subordinados. para algo indesejável (por vezes. Muito mais poderia ser relacionado mas. dependerá do veículo que utilizam. Este será. da não utilização das faculdades mnemônicas. dominar o mercado. outras produto do fanatismo etc. do processamento de informações (raciocínio) etc). O estrago que um agente pode cometer está direta e proporcionalmente relacionado à quantidade de poder que possui: um empresário. de nada adianta tachar todas as possibilidades. por exemplo. desatualiza os códigos dia a dia. e muitas vezes. para se chegar a um equilíbrio. 3. todo dia. sem trabalhar o ser humano que. parecem-nos distantes no tempo e no espaço. o seu veículo de manifestação. e. contudo. são capazes de criar autoridades despóticas.2 Equilíbrio (proporcionalidade) A falta de equilíbrio consubstancia-se nos excessos (desproporcionalidade). . a tal ponto que sufoque seus concorrentes. é muito provável que altere o resultado das decisões. sejam por mazelas cerebrais patológicas ou a mais comum. poderia utilizar este poder para assediar suas funcionárias. assediar seus subordinados. A expressão e a proporção desta manifestação dependerá daquele que assenta a cadeira e dos atributos do seu cargo. para tanto que tenham um bom veículo de manifestação. a falta de respeito ao próximo e ao meio em que vivemos. mas que.”. pois. exigir tarefas além da capacidade ou ainda exigir que se cometam ilegalidades. de modo a inviabilizar sua sobrevivência. muitas vezes. para que seus atos se materializem: Tanto o motorista de um caminhão quanto o de uma fusca sedam. de sorte que.

” . pois abrange ainda o aspecto subjetivo e. de sorte que venha a estabelecer um relacionamento com o mínimo de conflitos. em regra. Deve-se fazer presente. Dessarte o homem normal deve estar dentro dos padrões sociais de uma dada sociedade.4 Humildade "O bom senso é a cousa mais bem repartida deste mundo. ou daquelas que extinguem a vida de recém nascidos de determinado sexo e. em um tempo e espaço. o da destruição do óvulo fecundado (controle da natalidade. Observa Descartes. já que todos ("cada um de nós") acreditam ter bom senso em quantidade suficiente. 3. Em sentido amplo. faz-se necessário o esclarecimento do que vem a ser uma "pessoa normal". isto é. diante do conhecimento (sem fim). Cabe esclarecer que. são meramente culturais ou próprios. o comum. da própria evolução humana). mesmo assim. Com a frase supra. e em nenhum momento. com os que o cercam. objetivamente. em seu ambiente. que imponha valores contrários à própria natureza (que via de regra deve ser tomada como parâmetro). quando não é capaz de demonstrar humildade suficiente para admitir-se como um ser limitado." Rene Descartes 3. a manifestação destes conflitos (abrangendo aqui a aceitação).3 Pessoa normal O princípio da razoabilidade reza uma atitude que qualquer "pessoa normal" seguiria diante do caso concreto. não costumam desejar mais do que o têm. nos casos expostos. o Renascentista começa sua obra nos dando. aquela pessoa que contém uma quantidade de conflitos internos e externos. em um primeiro momento (ao analisarmos somente a primeira parte. Como um dos exemplos mais significativos. em regra. aos subjetivos). basta olharmos certos povos que impõem a ruptura clitoriana às crianças recém nascidas. podemos qualificar.16 3. não necessitando de qualquer tipo de ajuda neste sentido. portando. uma impressão de ironia. mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra coisa. como "normal". tanto os aspectos objetivos quanto. O que é normal para um indivíduo pode não o ser para outro. decorre da carência de crescimento interno. o "senso do homem médio". Contudo. que. porque cada um de nós pensa ser dele tão bem providos. como exemplo menos significativo (atualmente). é daí que irá sair o chamado "senso comum". cit. basta espreitar ao fim último de tudo que nos rodeia. a tomada de um norte que assegure o sentido comum às normas e condutas. Uma certa arrogância e prepotência invadem o ser humano. ao invés do controle da concepção).1. em face deste mesmo grupo social. subjetivamente. é ser anormal. Contudo. em algum ponto nos supera.1. já que as experiências vividas por cada um são únicas (se considerarmos. os motivos propulsores do ato. "in casu". adentrou-se aos fins últimos. Tal conceito é mais abrangente do que a própria moral. que se enquadram dentro de uma média considerada para determinada sociedade e. da perfeição (neste sentido esta arrogância corrobora-se apenas por si mesma) ou mesmo frente ao conhecimento alheio que. para perceber que a própria razão nos coloca em nosso devido lugar). um problema surge quando esta sociedade é anormal (esta anormalidade. isolada do restante). que cada opinião é o resultado dos diferentes caminhos 3 “op. Estas assertivas nos levam a admitir que o melhor caminho a seguir contrapõe-se à posição de dono da verdade ou do conhecimento (mesmo para quem que não aceite a existência da Divindade.

é daí que vem o discernimento. que pode ser matéria de direito." Por mais conhecimento que possa ter o indivíduo.17 pelos quais a razão segue. ainda é a melhor salvaguarda para não se submeter ao ridículo. 3. Daí vem a importância das provas. fato é. resta-nos conceituar o bom senso como a predisposição necessária e intrínseca que move o agente. O conhecimento prévio objetivo sobre o tema que será tratado. quanto mais. ém um dos elementos essenciais para a aplicação do bom senso e. para chegar ao seu destino. neste ponto. mesmo quando aparente correto. aceita como coerente pelo homem mediano. por atender ao pressuposto de cognicidade prévia.1. pode valer mais admitir a própria ignorância do que o saber. Basta lembrarmos que a própria vida não é tida como um bem absoluto (mesmo no Brasil. neste caso. conseqüentemente. é necessário também que o julgador tenha condições de avaliar as informações que lhe estão sendo repassadas. decorre da própria vaidade e ou da política cotidiana. finda por ignorar duas vezes. mas também de fato. 4 Fazemos referência aqui ao ignorante ilustrado que.. não admitir um ponto de vista em contrário.. uma atitude como esta. com vistas a uma decisão ou atitude. na maioria das vezes. de uma ciência específica etc.5 Conhecimento prévio "Pior do que ser ignorante é ignorar que se ignora e por fim. Trata-se.2 Nosso conceito Diante do exposto. mas. que será ou não eqüitativo conforme a disposição admitida. dos laudos técnicos. do conhecimento subjetivo necessário para apreender um conhecimento maior (o conhecimento que ainda não possui). no direito. pode ser fatal. do princípio da razoabilidade. a posição Socrática: "só sei que nada sei". respeito. constitucionalmente admitida nos casos de guerra). além de ignorar. isto nos relega à infinitude das possibilidades. das perícias. fazemos parte de uma corrente minoritária. achar-se 4. dos costumes locais. Contudo. visto que. Tomar atitudes com base na própria ignorância. existe a pena de morte. 3. . na pior das hipóteses. que. O conhecimento prévio necessário para avaliação deve ser considerado em razão da matéria. “In ultima rattio”. onde certos agentes especializados esclarecem determinados tópicos. equilíbrio e humildade. se levarmos em conta o compromisso com o resultado final. ignora que ignora.

pois os desequilíbrios aparecem e desaparecem na linha do tempo e do espaço. saciadas ou não. constantemente. é sempre útil e conveniente a sua observação. destaca-se a manutenção da paz social. em particular.não só jurídico -. . capaz de estancar até o progresso de um Estado é o medo. “i. ainda assim. A boa fé surge então como uma espécie de pacto social. e. é essencial a própria operabilidade das relações. Em seu aspecto mais objetivo. Ocorre que esta paz social deve ser buscada incessantemente. que por este princípio. como fruto das necessidades humanas que são dinâmicas. cuja substância enseja-se no equilíbrio. na ausência de conflitos. em face da segurança jurídica oferecida.18 4 Princípio da Boa fé objetiva Dentre as principais funções jurisdicionais. decorre da própria lei. que embora nem sempre esteja formalizado. de modo incisivo. pois uma das manifestações mais desastrosas dos desequilíbrios . o caráter do agente. vê-se mitigado.”. eis que atua em razão direta a própria segurança jurídica denotando sempre.

conforme os postulados extraídos do texto legal.19 4. as partes obrigam-se (veja que não se trata de uma mera recomendação ética) a proceder com lealdade. probidade e dignidade. é claro. da boa fé subjetiva e. 4.1. 18.1 Boa fé Pelo Princípio da boa fé. 125 e 600 do . durante o processo.1 Conceitos iniciais Trataremos. de alguns conceitos básicos a respeito da boa fé. a seguir. a exemplo dos artigos 17. da boa fé objetiva.

3 .Monitora de Direito Civil – Supervisor. No caso do julgador. que deixou de ser exercitado em determinada circunstância e não mais possa sêlo. de 4.4.Monitora de Direito Civil 5. Um bom exemplo disto é aquele relacionado ao instituto da posse: Enquanto o possuidor de boa fé não tem ciência do risco da posse. exemplo: . visando evitar atos ilícitos.Desleal constituição de direitos: A regra – “tu quoque” . abrir mão de certos norteamentos.20 CPC. contudo. 13. estabilizando-se tal situação para o futuro. 2 . em sua Teoria Tridimensional do Direito. em contradição com o comportamento assumido anteriormente pelo titular do direito . por. ligado diretamente a sua intenção.1. Eis que sua intenção primeira foi vencer as mudanças acarretadas no tempo. Estatuto do Advogado (L.2 Boa fé subjetiva A boa fé subjetiva envolve sempre uma apreciação do estado psicológico do agente.com.1994) etc. pois ao seu direito se contrapõe uma outra obrigação. tais como as construções que envolvem confrontações da boa-fé objetiva com as identificações do abuso de direito. 5 ROSENVALD. A “surrectio” . O próprio Código Civil.br/clients/praetorium/especial_20.locaweb.quem viola determinada norma jurídica não poderá exercer a situação jurídica que essa mesma norma lhe atribui". consubstanciada na boa fé subjetiva do Juiz. tendentes a uma aplicabilidade. contrariar a boa fé. sem. formas: .o exercício de uma posição jurídica. 4.weblife.“Supressio” e “Surrectio” . o possuidor de má fé tem consciência do seu risco. pelas vias da flexibilidade normativa. o que entra em voga é a sensibilidade hermenêutica.htm> Acesso em às 9h17min.7. seguindo as linhas de Miguel Reale. 8.906. Disponível em: <http://www.Desleal exercício de direitos.age com dolo quem pede aquilo que será obrigado a restituir. ao tratar das cláusulas de limite ao exercício dos direitos subjetivos. procurou facultar um amplo espectro de normas abertas.Desleal não-exercício de direitos. de outra forma.“Dolo agit qui petit quod redditurus est” . a qual passamos a citar: "1 .04 .o exercício continuado de uma situação jurídica ao arrepio do convencionado ou do ordenamento implica nova fonte de direito subjetivo. Nelson e Marina Alló .“Venire contra factum proprium” . Alguns tópicos interessantes da boa fé subjetiva foram abordados pela Professora Marina Alló . Dr.a “supressio” é a situação do direito.

21

4.1.3

Boa fé objetiva
Pelo princípio da boa fé objetiva, o que se observa é um "standard", um padrão

comportamental, uma regra de comportamento leal, um mínimo ético que garanta a
operabilidade, a sociabilidade e a legitimidade das condutas, de forma que seja dado mais
valor à intenção do que ao sentido literal da letra, devido ao fato que traz, em si, o próprio
conceito, que está relacionado com a conduta das partes. Para todos os efeitos, finda por
comparar objetivamente a conduta do agente com o padrão ideal de comportamento leal que,
em boa parte, já está positivado, conforme ilustramos por meio do art. 112 do NCC: "Os
negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração", inclusive já declarava Carnelut "A lei protege aquele que age de boa fé".
4.2

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Os elementos constitutivos da boa fé dividem-se em materiais ou aqueles relativos a sua
essência, formais, entendendo aqui aqueles relativos a sua própria formação em razão do
tempo, lógicos ou funcionais, por indicarem o aspecto de exeqüibilidade e teleológicos que
indicará os aspectos finalísticos deste princípio.
4.2.1

Materiais

Os elementos materiais estão diretamente relacionados ao "mínimo ético exigido" nas
relações jurídicas em geral, sem o que as conseqüências desta relação, pelas vias da
manifestação do ato, estarão eivadas de vícios.
4.2.1.1 Subjetivos
Os elementos materiais subjetivos dizem respeito às qualidade do sujeito, tais como a
dignidade, honestidade, lealdade e probidade.
4.2.1.1.1 Dignidade
A dignidade relaciona-se as qualidades morais do indivíduo humano sob o qual
circunscreve-se o seu conceito público.
4.2.1.1.2 Honestidade
Trata-se de um atributo, de “uma qualidade virtuada de ação” sob a qual se apresenta a
probidade e a honra que deve adequar-se a certos preceitos morais, considerados socialmente
como válidos.
4.2.1.1.3 Lealdade

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Segundo o professor José Fernando Simão 6, "o dever de lealdade é aquele segundo o
qual uma das partes não pode agir de maneira a causar prejuízo imotivado à outra parte. Tratase, em geral, de uma abstenção que evita causar danos desnecessários ao outro contratante",
devemos lembrar que o termo "parte", para os fins de razoabilidade, deve ser entendido, "lato
senso", abrangendo ainda o Magistrado, o Ministério Público, a assistência, enfim; o termo
imotivado deve ser entendido também em sentido amplo, no sentido de "evitável", lembrando
que, também pela omissão macula-se o subprincípio da lealdade. É possível afirmar, com base
no próprio art. 125, III c/c 129 do CPC que o dever de lealdade é uma questão de ordem
pública, devendo as questões desta monta ser intervindas pelo Juiz. Nesse sentido dispõe
Ernani Vidélis dos Santos 7:
"O Juiz tem o dever de impedir qualquer ato de deslealdade para com a Justiça, neste
conceito, incluindo-se, evidentemente, a deslealdade para com a parte adversa (art. 125, III 8) e
chega a ter até o poder absoluto de evitar o conluio das partes na simulação de processo (art.
129 9)."
4.2.1.1.4 Probidade
Em geral, a palavra probidade, a vinculamos a uma de suas espécies contrapostas: a
chamada improbidade administrativa que está relacionada ao tratamento dado à coisa pública
por parte dos administradores e funcionários públicos (art 37 § 4º da CF), assim, seu
significado pode ser deduzido justamente a “contrario sensu” da própria improbidade, ou seja,
do seu antônimo, que se refere à ausência de propósitos maldosos, integridade de caráter e
procedimentos justos, que no novo código de processo civil, encontram-se positivados no art.
422 do novo código civil: "Os contratantes são obrigados a guardar, assim, na conclusão do
6

SIMÃO, José Fernando. A Boa Fé e o Novo Código Civil - Parte II. Disponível em

<http://www.professorsimao.com.br/artigos_simao_a_boa_fe_02.htm> Acesso em 13.4.04 às
9h13min.
7

Ernani Vidélis dos Santos, Manual de Direito Processual Civil, Processo de Conhecimento, 7º

Edição, Editora Saraiva. p 40
8

Art. 125 - O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, competindo-lhe:

III - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da Justiça;
9

Art. 129 - Convencendo-se, pelas circunstâncias da causa, de que autor e réu se serviram

do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim proibido por lei, o juiz proferirá
sentença que obste aos objetivos das partes.

23

contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e da boa-fé".
4.2.1.2 Objetivos
Quanto aos aspectos materiais objetivos, são aqueles relativos ao intercâmbio relacional
entre os sujeitos, tais como a cooperação, a solidariedade, o dever de informação e o dever de
segurança, os quais passamos a explanar.
4.2.1.2.1 Cooperação e solidariedade
Existe um brocardo negocial que exprime bem o que vem a ser o dever de cooperação:
"um negócio só é bom, quando for bom para os dois lados...". Isto implica uma exigência, às
partes, a tenderem a certas condutas, de modo que a conseqüência das relações atinja um fim
tão justo quanto seja útil e de forma mais abrangente possível.
O subprincípio da solidariedade, sob a ótica de uma boa fé objetiva extensiva pela
finalidade, vislumbra-se implicitamente em nosso ordenamento na Lei de Introdução ao
Código que em seu artigo 5° dispõe: "Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a
que ela se dirige e às exigências do bem comum."
4.2.1.2.2 Dever de informação
O dever de informação tem seus pressupostos básicos positivados no Código de Defesa
do Consumidor, que inclusive exordia sanções ao fornecedor, tendente a insuflar informações
enganosas. Mas, para os presentes fins, abrangerá também a questão da instrução processual,
das provas etc constando, inclusive, seus limites verdadeiramente éticos e profissionais, que
visem sempre ao bem comum nas relações.
4.2.1.2.3 Dever de segurança
Por fim, o dever de segurança trata da garantia à integridade dos bens e direitos
pertencentes ao outro contratante, em situações contratuais que possam oferecer perigo. Neste
caso, podemos citar o dever de fornecer aos funcionários os Equipamentos de Proteção
Individual para a prevenção de acidentes, o dever que tem o "Shopping Center" de colocar um
aviso "Cuidado, Perigo de Escorregar", após lavar o assoalho etc.
4.2.2

Efeito formal temporal
Quanto aos aspectos temporais, esclarece-nos Sílvio de Salvo Venosa

10

VENOSA, Sílvio de Salvo. A boa-fé contratual no novo Código Civil.

10

:

Disponível em

mesmo após o cumprimento de um contrato. 113 do NCC: Os negócios jurídicos devem ser interpretados. no Mato Grosso do Sul 11 .com. em uma palestra feita pelo professor Cláudio Luiz Bueno de Godoy. <http://www. Juiz de Direito do Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. realizado no dia 27 de março de 2004. Cláudio Luiz Bueno de. podem sobrar-lhes efeitos residuais".3. Isso porque.24 ". durante e depois do contrato.br/demarest/svboafe.coloquialmente.3 Elementos funcionais A doutrina tem apontado três funções principais aplicáveis ao conceito de boa-fé objetiva: 1) função interpretativa (artigo 112 do NCC). Deste modo.. neste sentido.Princípio da Boa fé no novo Código Civil. Basta dizer que os efeitos contratuais protraem-se no tempo. Terceiro Congresso de Processo Civil e Direito Civil de Mato Grosso do Sul. podemos resumi-las. contudo. Mestre em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.04 às 9h. "Nas declarações de vontade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem". 2) função de controle dos limites do exercício de um direito (artigo 186 do NCC) e 3) função de integração do negócio jurídico (artigo 421 do NCC). a vontade é sopesada. uma quarta função foi abordada: a chamada Função Supletiva que abrange a temporariedade contratual. concomitantemente com a confiança que tem sua mensuração definida pelos usos e costumes. pelo professor José Fernando Simão. podemos afirmar que esse princípio se estampa pelo dever das partes de agir de forma correta antes.html> Acesso em 13.. também denominada como Função reativa. nos seguintes tópicos: 4. pelo tempo e lugar da celebração do contrato.1 Função Interpretativa Vincula-se a uma interpretação que atenda mais a intenção comum das partes. Função esta.societario. em seu artigo 85. conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração). em face de determinado caso concreto e menos ao sentido literal da palavra.4. às 9h . .2. o código civil antigo versava especificamente sobre este tema.2. do ato ou do juízo (art. 4. 11 GODOY.

dentro de certos limites. ao exercê-lo. Outro tema pertinente refere-se à teoria dos atos próprios. principalmente no art. e não deixa de ser uma regra CARNELUTTI. 187." As vedações “ultra petita”. que visa à reprimenda aos comportamentos contraditórios.Teoria Geral do Direito . um julgador de boa fé deve estar de posse de todos os meios necessários para a atuação corretiva. Destarte. mas sim. Está estampado. que é o homem. no sentido de que. Algumas vezes. neste caso.25 4. e não o oposto.Tradução: Antônio Carlos Ferreira .3. Disto decorre o seu caráter controlador (controle dos limites). a boa-fé é também por ele premiada. É neste interregno legal que a função translativa (derivada do subprincípio da translatividade) pode ser vista como uma poderosa ferramenta a favor da boa fé. . como no caso daquele sujeito que não cumpre sua obrigação. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. em razão de algum direito exercido de forma desproporcional ou abusivo. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. pois.3. mas exige o cumprimento da outra parte. seja pelas regras da hipossufissiência seja pelo controle das clausulas abusivas. Ledus 1999. mas que ainda está dando seus primeiros passos.2. pode suprir as deficiências de forma do ato. Francesco . ou mesmo no caso de uma sentença. pela boa-fé ou pelos bons costumes. 13 Art. 187 do NCC 12 13 . pois cria ou estabelece um espaço de atuação. que não siga uma seqüência lógica entre os fundamentos e o dispositivo. As relações trabalhistas e consumeristas são bons exemplo da atuação da função corretiva. que representam uma disparidade de forças. Nesse sentido já recomendava Carnelutti 12: "Recomendada pelo direito.São paulos.2. 4. limitando-o.3 Função controladora A função controladora tem o condão de se evitar os excessos impostos. o homem seria escravo da própria lei que criou. como ocorre no caso da lesão ou do abuso de direito.2 Função Corretiva Uma relação desequilibrada não pode ser solidarizada. “citra petita” ou “infra petita” e “extra petita” não podem ser utilizadas como instrumentos da injustiça. no novo código civil. corrigida. haveria uma inversão do fim último da lei. esta função é definida e executada supervenientemente.

em si. Estão ligados a esta função: o dever de sigilo. ao impor os limites. pagando 23 das 24 prestações. ainda que supervenientemente. 422 do novo Código Civil). de informação. que possibilitam o negócio se desenvolver harmoniosamente. daí. inclusive das decisões no que concerne à responsabilidade objetiva do Estado. pois atua sobre a responsabilidade dos contratantes. pois surge. onde prescreve que. portanto. de cobertura dos danos decorrente do produto (mesmo após a sua entrega).3. e.1 Princípio da eticidade A boa fé objetiva sob o prisma da razoabilidade em seu contexto teleológico. Assim. a operabilidade e o princípio da sociabilidade. decorrente da culpa “post pactum finitum”. eis que esta função atua antes. indenizações. sendo. a responsabilidade. .4 Elementos teleológicos A teleologia da boa fé baseia-se em três princípios básicos: A eticidade. no caso do indivíduo que comprou um carro à prestação.2. durante e depois da feitura do contrato. É matéria amplamente utilizada no direito das obrigações. Seria abusiva e desleal a conduta que obrigasse a devolução do veículo ao invés de proceder-se a outros meios executórios. por ser medida de direito proporcional à situação fática. em relação aos seus agentes que atuam de má fé etc. 4. a função controladora vincula-se ao subprincípio da proporcionalidade. 4. essa responsabilidade se prorroga.2. supletiva ao vínculo obrigacional. Neste ponto. temos que uma parte razoável do contrato foi cumprida. 4.4 Função supletiva ou reativa Vincula-se aos deveres de conduta extrapatrimoniais. a outra.”. deve-se utilizar a cobrança. ao passo que.4. pois esta atua sobre um ato já ocorrido. visa.26 comportamental que. antes de tomar uma medida resolutiva. em sua execução e mesmo após o seu término (art. no que se refere à teoria do adimplemento substancial. não se importa com o que vai acontecer ao agente. mesmo após o fim do contrato. antes da celebração do contrato (até a sua conclusão). Não há que se confundir função controladora com a função corretiva. dos custos anteriores (no caso de desistência). uma função reativa. se uma parte razoável do contrato foi comprida. “i. Um exemplo da atuação desta função reporta-se ao exercício desleal do direito.2. Pode-se dizer que contém. atua antecedentemente.

ou seja: o indivíduo. Assim. 4. à valorização da ética.4. “i. a dispensa de forma especial nos contratos 14. solidariedade.”.2. do outro.2 Princípio da Operabilidade São inúmeros os institutos jurídicos facilitadores da operabilidade. tão óbvios que são. senão quando a lei expressamente a exigir. de fato. fazemo-la em relação ao seu pressuposto numericamente oposto. vem-nos logo à mente a idéia de uma igualdade coletiva. são meras conjecturas. honestidade. cuja defesa será efetuada às expensas do Estado por um bacharel recém formado? Existem alguns casos em que a própria Lei fornece as ferramentas para equilibrar estas igualdades.4. A prescrição e a decadência operam-se como solucionadores dos conflitos enquanto impedem a eternização das demandas e da vontade de demandar. é na materialidade das condutas que se consubstanciam os seus efeitos morais. o princípio da economia dos atos processuais que visam à objetividade dos atos. Outros exemplos do instituto da operabilidade dizem respeito à conceituação. constantes no sistema. unem-se os pré-requisitos da boa fé. como no caso do código do consumidor -conforme já fora abordado . muito embora nem sempre nos apercebamos deles. enquanto potência transita pelos subprincípios éticos e enquanto ato. 4. e. sob a forma induzida da boa fé “lato sensu” (boa fé objetiva e subjetiva). o indivíduo. basta dizer que. Para concluir.mas 14 NCC art. de um lado. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. onde se tem. informação e segurança (boa fé objetiva).27 sobretudo. . Contudo. enfim. o princípio da fungibilidade dos ritos. à tipificação de todos os institutos que se empenham em traçar os limites para cada caso. que inclusive é um subprincípio. No contexto axiológico. o que existe. enquanto o subprincípio da eticidade não ultrapasse as raias da moral. 107. produz efetivamente os resultados concretos no campo da moral. que impedem que o autor tenha de entrar com uma nova ação. lealdade e probidade (boa fé subjetiva) para dar o nascimento ao subprincípio da eticidade.3 Princípio da sociabilidade Quando tratamos da questão da sociabilidade. com a intenção imbuída de dignidade.2. enquanto normas de conduta de cooperação. uma multinacional e. a conexão e a continência que impedem a duplicidade das demandas e os julgamentos contraditórios. Como é possível falar em princípio da igualdade processual. a cada vez que a lei não é clara sobre a procedibilidade ou quando o entendimento dos julgadores são divergentes neste ponto. o que nem sempre ocorre nas inter-relações individuais.

15 Art. Neste sentido afirma Miguel Reale que.045. 3º. ou não o faz. cuja totalidade pode-se chegar. por imposição legal. que visem à constituição. com isto. para que todo contrato fosse considerado perfeito e. Não dispondo a lei em contrário. 16 NCC art. justa e solidária. É neste ponto que entra o princípio da sociabilidade. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis. Se não fosse deste modo. O princípio da sociabilidade pode ser averiguado ainda nas liberalidades legais de certos atos. bastaria que houvesse um agente capaz. pela simpatia da parte com o todo. um objeto lícito e uma forma prescrita e não defesa em lei. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . para assegurar a função social da propriedade e dos contratos.construir uma sociedade livre. . cujas conseqüências estão mais amplamente abordadas.28 são muitos outros os casos em que não é possível a interferência: ou o Juiz não pode interferir. 2. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos. 17 NCC Art. de forma que. o que vale para as partes. 108. deve valer também para o todo. em seu parágrafo único 17 que assegurou a função social do contrato e da propriedade. a corroboração constitucional a este princípio encontra-se no art. deu-se pela vias do art 2. Mas o maior progresso relativo ao princípio da sociabilidade no âmbito do novo código civil. 108 do NCC 15. mas como um componente que agrega as massas. em alguns institutos menores. possibilita a isenção de certas formalidades. transferência.045. ensejando ao mister judicial. 3º. inc I da CF 18 que reza em seus objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre. Parágrafo único. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. um elo da soma dos indivíduos. 421. de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. na busca da função social 16 . A própria função social do contrato circunscreve-se a estas vias. tais como os estabelecidos por este Código. a exemplo do art. resultante do código anterior. Por fim. podendo-se chegar a tanto. 18 CF art. inclusive pelas vias da translatividade. justa e solidária. pelo acúmulo de serviços. a prerrogativa de tratamento como preceito de ordem pública. A função social pode ser ainda encontrada junto à teoria da imprevisão que regula a eficácia dos contratos aos fatos supervenientes. que faz com que o indivíduo não seja visto como um ente único. o instituto da lesão estaria fadado ao fracasso. ao buscar o rompimento do individualismo. junto ao subprincípio da translatividade.

4. durante e supervenientemente a uma relação. atendendo. controladora e supletiva. buscando sempre o exato entendimento para proceder às correções e controles dos atos. assim. consubstanciado na solidariedade. interpretativa. antes.29 4. atue com dignidade. pretende que todo o agente seja munido de dignidade. aos ditames dos subprincípios da eticidade.3 Conceitos finais relativos a boa fé Após este breve estudo. .1 Boa fé subjetiva Boa fé subjetiva é o estado de espírito em que o agente. durante e supervenientemente ao ato. honestidade. transparência e segurança. conferindo-lhe prerrogativas corretiva. com vistas à mantença ética-social e à operacionalidade do direito. lealdade e probidade.3. honestidade. sempre que necessários.3. munido da boa intenção e desprovido de reserva mental.2 Boa fé objetiva É um padrão comportamental exigido nas relações jurídicas que. operabilidade e sociabilidade. passaremos a expor os conceitos finais acerca do tema. lealdade e probidade. 4. antes.

em seu sentido original. Editora Revista dos Tribunais. pela via metonímica. . a palavra interesse sofreu algumas alterações. passou esse termo a ter o sentido específico de empenho (em relação a). Assim. 1. Rodrigo da Cunha Lima. Referimo-nos a transmutação de sentido por metonímia. cabe esclarecer que. Estar entre gerou empenho em relação a. comenta Arruda Alvim 19: "O que ocorreu com a palavra interesse foi modificação de sentido. que prende a atenção. que foi a causa. 2000. Coleção de estudos de direito de processo Enrico Tullio Liebman. já que os termos "estar entre" ou "obstáculo". no decorrer dos anos. 19 Tratado de direito processual civil. p 384. v. Do significado de estar entre ou de obstáculo. mas sinônimo deste último. O que houve foi uma definitiva mudança de sentido por metonímia. Enfoque sobre o intereresse de agir no processo civil brasileiro. Condições da ação. importância. nota 5 apud LIMA. empenho.30 5 Subprincípio do interesse Antes de adentrar ao assunto propriamente dito. entre outros significados. pois a primitiva significação desapareceu". O interesse. passaram a significar "algo em torno de". veio a significar o efeito. São Paulo.

uma utilidade pessoal. exclusiva. trata-se de um caráter mais intrínseco. quando se tratar de algo que proporcione um proveito. particular.31 5.1. . um aprisionamento do agente que vise ao próprio benefício.1 Subjetivo Subjetivo.1 Aspectos de abordagem O interesse pode ser abordado por dois aspectos: 5.

32

5.1.2

Objetivo
O interesse objetivo é externo ao sujeito. O beneficiário pode ser um grupo de pessoas,

uma coletividade que, de algum modo, esteja vinculada pelo objeto, conforme está muito bem
delimitado, no caso do CDC, em seu art. 81 assim descritos:
"I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste
Código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares
pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos
deste Código, os transindividuais de natureza indivisível de que seja titular
grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte
contrária por uma relação jurídica-base;
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos
os decorrentes de origem comum."

5.2

Busca do interesse

O interesse é algo que deve ser buscado mediante a análise da relação existente entre o sujeito
e o objeto. Sua definição, enquanto delimitação, encontra-se consubstanciada neste último e
sua intensidade vincula-se ao primeiro. Neste sentido, podemos dizer que há uma relação de
ação e reação entre o sujeito e o objeto que determinará a intensidade da lide, na medida
proporcional ao vínculo existente entre os dois primeiros e a oposição à manutenção desta
relação, majorada pela extensão dos sujeitos. Podemos afirmar, ainda, que o produto desta
ação e reação nada mais é do que o resultado da condição que dá a liga aos três (sujeito,
objeto e lide ou relação), "i.e.", a "intensidade" que “a priori”, só pode ser intuível e "a
posteriori", após vários levantamentos, definida.
Assim, temos um sujeito com uma necessidade em relação a um objeto; objeto este que, em
tese, está apto à satisfação de uma necessidade relacionada com o primeiro. Como de plano,
este interesse só pode ser intuído, uma vez que a satisfação da necessidade pela via do objeto
não se consubstanciou, mas encontra-se, apenas hipoteticamente configurado. Destarte, o que
este sujeito faz, é simplesmente antever um juízo afirmativo que determinado objeto satisfaz
as suas necessidades e somente "a posteriori", saberá se atende ou não as mesmas.
5.3

Natureza do interesse

O que determina a natureza do interesse é o objeto, assim, essencialmente, podemos afirmar
que é uma relação que vincula os dois.
5.3.1

Natureza jurídica

Para o direito é o ponto de formação da lide, pois antecede a própria petição inicial.
5.4

Elementos constitutivos
Dentre os elementos constitutivos do subprincípio do interesse, destacamos: o sujeito, o
objeto e a relação deste com aquele.

33

5.4.1

Sujeito

As idéias iniciais relativas aos sujeitos que fazem parte desta relação provêm do CPC, bem
como da moderna idéia dos sujeitos, derivados dos direitos de terceira geração, conforme
extraídos do CDC, especificamente em seu art. 81. Assim, no conjunto, quanto à extensão dos
sujeitos, encontramos os sujeitos individuais; b) os essencialmente coletivos - tais como os
difusos e os coletivos propriamente ditos – e, por fim c) os acidentalmente coletivos, ou seja,
os individuais homogêneos. Quanto à sua origem legal, distinguimos os sujeitos de direito
público e os de direito privado.
5.4.1.1 Extensão dos sujeitos
Os sujeitos podem ser qualificados, quanto sua a extensão, em individuais e coletivos.
5.4.1.1.1 Individuais
Os sujeitos individuais são aqueles constantes de uma necessidade relacionada com um
objeto indivisível, eis que, não existem outros litisconsortes interessados.
5.4.1.1.2 Essencialmente coletivos
Ao tratar dos sujeitos essencialmente coletivos e mesmo quanto aos acidentalmente
coletivos, adentramos a esfera das relações supra-individuais.
Isto significa dizer que, quando trabalhamos com os direitos meta-individual,
ultrapassamos a esfera particular. Não se trata, pois, de um interesse exclusivo, fato é, que a
ninguém é dado excluir ninguém; neste plano, todos os titulares têm o mesmo direito, e caso
ocorra que um dos sujeitos exerça seu direito ou abra mão de exercê-lo, este fato não gerará a
excludente do outro, basta dizer que existe uma relação de igualdade entre todos os titulares
de direito plurindividual.
Uma das principais características do direito transindividual é que seu objeto é
indivisível, ou seja, há um objeto único, que é capaz de satisfazer as necessidades de todos,
justamente, devido a esta indivisibilidade; simultaneamente, esta relação pode prejudicar ou
beneficiar a todos, destarte, ao mesmo tempo em que este interesse é individual, no que se
refere a cada indivíduo, relativo ao objeto, também o é coletivo, eis que todos possuem uma
relação em comum. O que qualifica o interesse como coletivo é o objeto, ao contrário do que
possa parecer (a multiplicidade de sujeitos), pois todo interesse, que resulte de um único
objeto indivisível, que satisfaça a uma necessidade, que abranja a todos, configura-se em
interesse coletivo.

34

5.4.1.1.2.1 Difusos
Os interesses difusos são espécies de interesses coletivos, caracterizados pela
difusibilidade dos sujeitos; fato é, que são indetermináveis quanto à identificação das pessoas,
e seus direitos ultrapassam a esfera do indivíduo sendo, destarte, trasinsdividuais. As decisões
podem ser "erga omnes", mas não o são necessariamente, pois embora não atinjam a todos,
atinge aqueles que sejam titulares do direito. Outra característica é que o objeto é indivisível e
sua relação com os sujeitos decorre de circunstâncias de fato, sendo vinculadas a este, ou seja,
cessando-se as causas factíveis, cessam-se as relações conseqüentes.
5.4.1.1.2.2 Coletivos propriamente ditos
Outra categoria de interesses plurindividuais são os coletivos propriamente ditos (ou
essencialmente coletivos), onde os titulares dos interesses são grupos, categorias ou classes
determináveis. Diferem dos interesses difusos, devido à determinação do sujeito. O objeto
desta relação também é indivisível e possui ainda a característica do interesse privatista.
5.4.1.1.2.3 Individuais homogêneos
Constante da doutrina como interesses acidentalmente coletivos, é tratada como uma
ficção jurídica, com a finalidade de abarcar algumas relações que não estavam dispostas no
CPC, fato é, que visa à uma tutela molecular de alguns interesses individuais divisíveis e
determináveis, com origem comum, mas nem sempre estão unidas pelo mesmo fato. Os
procedimentos para tutela destes interesses não visam saber quem é o titular, mas apenas
apurar quem foi responsável e qual foi o dano.
Nosso ordenamento permite que duas ou mais pessoas litiguem no mesmo processo, em
conjunto, ativa ou passivamente, quando entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela
causa de pedir, impondo a condição de que os sujeitos sejam determináveis aprioristicamente.
Ocorre que, para os efeitos da tutela jurisdicional de caráter individual homogêneo, os sujeitos
ativos podem ser determinados "a posteriori", liberando-se, assim, das amarras do art. 46, inc.
II do CPC 20, eis que, em um primeiro momento, apuram-se tão somente os fatos e a autoria,

20

Art. 46 - Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou

passivamente, quando:
II - os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito;

referem-se. bastando que se comprove a existência do dano e do nexo causal que o vincule ao dispositivo declaratório. dispomo-los em face das esferas públicas e privadas.4.35 deixando-se aberta a via. há um progresso nesse sentido: basta assinalar a possibilidade de declaração de nulidade de ofício em alguns casos.1. mas apenas se apura quem foi o responsável pelo dano.3.1. os interesses individuais homogêneos são materiais apenas "a posteriori". 5. entre seus atributos. bem como sua natureza. portanto. permite a nulidade dos atos de ofício. Não se sabe quem é o titular. quando permite o exercício à Liberdade em sentido amplo.1.4. senão quando à parte ou o interessado a requerer.4. tem de intervir. 2º do CPC infere que nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional. lazer. Atualmente. aos sujeitos individuais homogêneos. 5.4. "justiça ('lato sensu')" etc.1. trabalho.1. Sob este prisma. os interesses devem ser analisados pelo seu aspecto extensivo (leia-se bem comum). sendo. não intervém.1 Origem Quanto à origem dos interesses. Este papel inerte do Estado é flagrantemente ilegítimo.4. 5. se considerarmos o grande desequilíbrio existente.4. o Estado só pode agir. atuando somente para manutenção da liberdade.1. uma mera ficção. para que todos os prejudicados usufruam os efeitos do dispositivo declaratório. para fins de direito.1. desporto. "a priori".1 Estado liberal Segundo Adam Smite (Estado Liberal) o Estado só cumpre seu papel quando atua de modo passivo (quase que não participa). se for provocado.3 Acidentalmente coletivos Os sujeitos acidentalmente coletivos são aqueles provenientes de uma construção do legislador. deve manter-se na obrigação de não fazer. nos casos e forma legais. Juridicamente. destinadas a tutela jurisdicional molecular de interesses individuais.1. pois. 5.4 Interesse público Sob o prisma publicista.1. O art. Para que isto ocorra. sempre que convier ao interesse .1.2 Boa fé objetiva A boa fé objetiva tem um íntimo relacionamento com o princípio da translatividade que. O Estado cumpre seu papel somente quando dá o que o sujeito tem direito: meio ambiente. 5.4.

1. motivação.1. restrições e sanções em medida superior.adequação entre meios e fins 21 . ampla defesa. as políticas públicas (em concreto).1. é mais fácil. àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público”. 5.1. 5.4.2 Objeto O segundo elemento constitutivo do princípio do interesse é o próprio objeto destinatário do interesse vinculado. contraditório.4. Uma "garantia" decorrente da boa fé objetiva é a tutela inibitória. 5. o meio ambiente e.3 Políticas públicas Em alguns casos. dentre outros.4.784. citado em uma de suas palestras em Campo Grande (MS): Refere-se ao caso de uma área ambiental litorânea natural. 5. Devemos nos lembrar que. moralidade. praticamente ditarão as regras a serem seguidas. Neste caso. finalidade.1.4. razoabilidade. Dois interesses estão em jogo: de um lado. em outros.4. 2º que diz: “A Administração Pública obedecerá.1. em uma sociedade pluralista. segurança jurídica.36 público. VI .4.4. torna-se difícil saber qual o interesse publico que esta em jogo. em seu art. vedada a imposição de obrigações. de outro as necessidades da população local. aos princípios da legalidade. com vistas à transformação em uma área ambiental artificial. há muitos interesses difusos em jogo. mas nem todo interesse público é interesse difuso”. Um bom exemplo é aquele fornecido pelo jurista e ambientalista Marcelo Abelha. de 29 de janeiro de 1999. interesse público e eficiência. proporcionalidade. 21 Princípio da finalidade .5 Interesse difuso x interesse público Há um adágio que diz: “O interesse difuso é uma espécie de interesse público.4 Interesse público (legislação) Pode-se encontrar um exemplo de interesse público na Lei nº 9.

força maior. Rio de Janeiro. isto é. tempo. embargo para suspensão de uma obra etc". tais como: valores objetivos. greve. O termo força maior nos remete a idéia de algo que está além das potencialidades dos atos humanos. tais como: valores subjetivos. quantidade. rapidamente.Rompendo-se a viagem por causa de força maior. promovida pelo acréscimo de uma porção de terra a outra .4. que gera efeitos jurídicos como: erupções vulcânicas. 548 . bem como a aluvião . limites. estiagem. Assim. desapropriação. Orlando de Almeida (1981:125).1 Força maior São aqueles fatos de ordem natural.como forma originária de aquisição da propriedade imóvel. além das próprias forças que o indivíduo possua para se contrapor. 5. Introdução ao Estudo do Direito. dessarte. queda de raio. Compartilhamos o velho entendimento de Silvio Rodrigues. o seu caos ordenado é que movimenta os fatos. dos acontecimentos de ordem natural. avalancha. eis que. invasão de território. 23 CCom Art. .4.2. 22 DJI apud Secco. A definição supracitada refere-se. sentença judicial específica que impeça o cumprimento da obrigação assumida. ainda que existam textos legais e jurisprudenciais dispondo o presente termo em sentido contrário. ou seja. o ato humano.2. sendo exemplos: guerra. que trata da força maior como: "um acontecimento resultante do ato alheio (fato de outrem) que supere os meios de que se dispõe para evitá-lo.37 5. A impropriedade do termo já atingiu textos legais 23 e até julgados 24. está vinculada a uma força menor. 1981. revolução. só tem direito a exigir as soldadas vencidas. a força da natureza é quem dita as regras. 125. Devido à brevidade exigida.1. caso fortuito.1 Extensão A extensão do objeto refere-se a todos as situações de fato ou circunstanciais que atuam em concausa para a formação ou alteração do interesse que podem ser: a) essenciais. A força maior trata. pois. p.por fatores naturais em geral etc. Freitas Bastos. se a embarcação se achar no porto do ajuste. nexo de causalidade ou b) acidentais. vamos tratar. discordamos de Orlando de Almeida Secco 22(3). a equipagem. ao caso fortuito. apenas do caso fortuito e da força maior. espaço etc.

5 .declaração de bloqueio do porto. N. ou peste declarada nele existente. 4 . 3 . considerando o aspecto interno ou externo ao sujeito. raio.3 Síntese doutrinária No intuito de encontrar um meio termo para sanar mais esta impropriedade dos termos dados pela legislação. capaz de gerar efeitos jurídicos.2.4. de fortuito externo. TC TJMS. 24 Acidente de trânsito . etc 5.2. de administratione rerum. § 7.4. sendo chamado. um acontecimento imprevisível. enchente. invasão de território. revolução. 124-81. 16. ou interdito de comércio entre o porto da saída e o porto do destino da viagem. revelia.detenção ou embargo da embarcação (no caso de se não admitir fiança ou não ser possível dá-la). p.2.11. totalmente estranho à coisa. 50.inavegabilidade da embarcação acontecida por sinistro. Des. tais como guerra. pessoa ou empresa do agente.. 2 .1 Força maior = Fortuito externo A força maior vem sendo considerada como um fator externo. 3. 8.Ficando provado que o veículo desgovernado em estrada de pista dupla avança sobre o canteiro divisor da estrada e atinge outro veículo que trafegava na pista paralela. qui nullo humano consilio praevideri potest" 25.1. etc. 25 DJI apud Ulpiano: 1.81. pela jurisprudência e pela doutrina. Rel. Caso fortuito é aquele que não pode ser previsto por nenhum meio humano. Aqui sim se refere a um fato imprevisível.2 Caso fortuito "Fortuitus casus est.1.proibição de admissão no mesmo porto dos gêneros carregados na embarcação. D.2. RUI GARCIA DIAS.: Guerra. inadmissível a defesa fundada em alegação de caso fortuito para isentar da responsabilidade de indenizar.1.3.Caso fortuito . São causas de força maior: 1 . Ex. pois indemonstrado qualquer evento natural ou causado por terceiro que tomasse impossível a prevenibilidade do agente. independentemente da vontade das partes. 5.). resultante da ação humana. ausência de advogado dos réus. para designar o que vem a ser caso fortuito e força maior.38 5.declaração de guerra. que exceda ao tempo de 90 (noventa) dias. greve. in DOMS 703. por isto. (Ap.4. . uma nova teoria tem surgido.

Uma outra linha doutrinária trata ainda dos fatos naturais. ou seja. contamos com um fator externo ao indivíduo (lato senso). está sendo tratado como um fator interno. Para estes fins conceituais. contrariando. rompimento da barra de direção do carro. ou seja. contudo. Entendemos ainda que mais lógica seria a utilização correta dos termos mantendo-se aquela utilização inadequada apenas onde a lei expressamente determine que assim se faça. infarto do motorista. assim. é remediada na metonímia. dentro da concepção dos fatos jurídicos. mas não resolve o problema. distinguindo o fato humano do fato natural. A falta de técnica na elaboração das leis. enquanto.39 5. como já o fez em muitos casos. um dos elementos constitutivos negativos do fato natural. ao passo que. ressalte-se a existência da vontade humana. mas inevitáveis. mas inevitável. eis que a evolução do direito se encarregará de sanar estas impropriedades.3. para o fato humano. por sua vez. coincidentemente tratavam do tema. força definições ou conceitos incabíveis. podem decorrer. não serão tratados por ora. por vezes. com base em conceitos volitivos. de uma vontade humana. considerando. ligado à empresa. finda por estrangular o idioma. previsível. para os fatos naturais.2 Caso fortuito = Fortuito interno O caso fortuito. assim. como na exclusão de vários artigos do Código Comercial que. quanto aqueles previsíveis. e o segundo. aprioristicamente.2. totalmente imprevisível. no exemplo do estouro de pneu. mesmo porque estão sendo tratados de maneira imprópria. já que não pode ser transposto ao fortuito externo. concomitantemente.1. porque aqueles são fenômenos naturais. o problema decorre quando resolvem colocar o caso fortuito e a força maior dentro da categoria de fatos naturais extraordinários. Estouro de pneu. Entendemos que a eliminação de um dos termos remedia. tanto os fatos imprevisíveis. Ex. devido à exigência da brevidade. ainda que considerado (forçosamente) interno a empresa. um caso imprevisível. o primeiro. o fortuito interno é tido como subsistente à própria responsabilidade civil. quando considerarmos que. e como conseqüência. fica a observação de que. Até ai. Quanto às demais contradições e elementos da extensão. se o direito for tratado . Uma das contradições ocorre. há a concepção de uma vontade pré-estabelecida.4. tudo bem. coisa ou a pessoa do agente. não.

em oposição à tradição. quando aplicada aos delitos do estado puerperal. Neste ultimo caso.instinto materno) ou mesmo no caso de um magnetismo consciente e dirigido como naquele da vontade. conceituação e definição correta dos termos. Esta questão é muito interessante. 5. a causa ou a razão.4 Teleológicos O aspecto teleológico do interesse refere-se. pois sem um elo entre os dois. colocamo-la no plano vertical. A sua mensuração refere-se. não há que se falar em interesse. Compõe-se de: 1) sujeito. aquilo a que o sujeito se relaciona e o seu 3) fundamento. no sentido de uma seqüência de aceitações viciadas . Os fundamentos podem ainda ser intrínsecos ou extrínsecos. 5.3.2.3. um dos termos e relativo ou parcial em relação ao outro. em função e proporção do objeto. selecionado e direcionado pela razão. aquilo que está em relação ao objeto.1 Intensidade A intensidade.4.3. que o dispõe a buscar a medida certa na aplicação da lei.4.2. dizemos que é correlata. e o outro é absoluto. neste caso. 5. quanto maior seja a satisfação almejada. por referir-se ao grau de ligação entre o sujeito e o objeto. que pode ser positiva ou negativa.4. como os pressupostos legais que autorizam ou exigem a prática do ato ou outro pressuposto qualquer não positivado. em relação àquele (existe aqui uma certa extensividade entre os termos. Pode ainda não ser correlato.1. o que pode não ocorrer no primeiro.3 Relação A relação vem a ser justamente a cola que une o sujeito e o objeto. externas ao agente. tanto ao apego instintivo (como no caso da mãe em relação ao filho . há um determinado controle dos impulsos.40 como uma ciência . 5.1 Fundamentos intrínsecos Os fundamentos intrínsecos estão diretamente relacionados ao maior interesse subjetivo referente à correta aplicação da norma ao caso concreto e são: 1) a motivação da honra subjetiva e 2) a índole do julgador e seu estado de espírito. de modo que um abarque o outro).4. pois. 2) objeto.4. que tanto mais ampla será. onde há a persecução de um bem da vida.serão imprescindíveis à utilização. Quando a relação entre o sujeito e o objeto é mútua. à própria utilidade.2 Fundamentos extrínsecos Os fundamentos extrínsecos são aquelas realidades objetivas. ou seja. em virtude do qual o sujeito se relaciona ao objeto. . 5.

individuais homogêneos e acidentalmente coletivos. objeto e relação. coletivos propriamente ditos. que se compõem de: sujeito.5 Nosso conceito Princípio do interesse é um dos princípios secundários ligados aos elementos constitutivos materiais do princípio da razoabilidade. a relação com seus fundamentos. e por fim. difusos. segundo sua extensão e intensidade. cuja natureza é essencialmente determinada em função do objeto que é considerado. Seus sujeitos podem ser individuais. . Trata-se ainda de um pressuposto à formação da lide.41 5. que podem ser intrínsecos e extrínsecos.

Esta ilegitimidade é extensiva a todo o direito e está intimamente relacionado ao principio da legalidade. que é matéria eminentemente Constitucional. que o defina). b) Constitucional: No artigo 5º. conforme seja o tipo do provimento. mas especialmente: a) no direito penal: “nulla crimen sine lege” nenhum crime sem lei (anterior. Os dispositivos referentes vinculam também às formalidades exigidas. 6. tudo que não é proibido é permitido. No direito privado ocorre o inverso. mas também a todo o arcabouço hierárquico. inc II "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. “nulla poena sine lege” sem lei não pode haver pena. diferentemente do direito público. em que o administrador encontra um limite em sua discricionariedade. .42 6 Subprincípio da legitimidade dos atos Os atos ilegítimos também não podem atender ao princípio da razoabilidade. sem qualquer suporte jurídico garantidor.1 Objetivo O objetivo deste princípio é evitar a ingerência na utilização do poder. Obviamente. este dispositivo não é limitado apenas à emissão do juízo. contrários ao direito ou por carecem de um dispositivo que lhe dê o amparo legal para serem realizados. que tem sua expressão em todo o ordenamento jurídico. seja para evitar atos por parte de agentes incompetentes (isto quando não o são também desqualificados) ou ainda por prepostos que se autoqualificam. c) Administrativo: No que se refere principalmente ao Princípio da estrita legalidade. senão em virtude de lei". Não há que se confundir o princípio da estrita legalidade com o da legalidade. onde só é permitido fazer o que está normalizado. por serem jurisdicionalmente inválidos.

6. a fim de se manter o devido distanciamento.3 Procedimentais Os requisitos procedimentais são aqueles previstos para a formação do juízo e sua aplicação ao caso concreto. com força de lei. discussão. que pessoas desimbuídas do poder estatal. os componentes das massas vêm de famílias desestruturadas. mas não devem ser consideradas pelo âmbito jurídico. que almejam mais a vingança que a justiça. se quem o produz está apto a produzir o resultado. senão vejamos: A legalidade é a adequação do fato concreto à norma formalmente constituída. revisão. por vezes. votação. caput da CF. A ilicitude.2 Legalidade x legitimidade x ilicitude Embora os termos pareçam semelhantes. no princípio do juiz natural etc. de forma indireta pelas vias do legislativo. e. Tal assertiva 26 Art. substancialmente diferem entre si. necessitadas. (Emenda 032-2001). que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. pois quando alavancadas pelo calor grupal e sentimentos imensurados. tomem a decisão no lugar de quem deve tomá-las. Já a legitimidade relaciona-se à legalidade e ao sujeito propulsor do ato simultaneamente. refere-se ao ato não autorizado. 68 . promulgação. que dispõe que o Magistrado deve estar agregado ao órgão do Poder Judiciário de onde emanam os dispositivos. para cristalizar sentimentos de represária. isto ainda não basta. conforme as assinaladas no Art.Em caso de relevância e urgência. nos termos do Art.As Leis Delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República. o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias. devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. não possuem qualquer preparo para emitir um juízo. portanto. 27 Art. mas que não contraria a ordem jurídica expressamente. publicação pelos órgãos competentes (legítimos). os fluxos das massas não legitimados para emitir um julgamento. Tribunais de exceção não são admitidos. 6. até alteraram a legislação ou influenciam alguns julgadores. As paixões e comoções populares. Também é exigido que se esteja munido das garantias devidas. A devida formalidade da norma. produzem somente excessos.4 A Legitimidade Um ato só pode ser legítimo. as meras opiniões populares. isto. que atuarão no judiciário. Contudo. Remetamonos aqui ao Princípio do Juiz Natural. “ex post facto”. sem contar o fato de que as massas. deve-se também estar imbuído da competência jurisdicional necessária para tratar do assunto em pauta e o órgão competente deve ser posterior ao fato. os processos de elaboração. “i. Na maioria dos casos. . Não são aceitos. estão ligados à legitimidade. Sua legitimação somente deve ser considerada em razão dos despotismos e suas variantes no âmbito político. 62 . em geral.”. a imparcialidade necessária para que seja efetuado um justo julgamento. sanção. 6. deve-se ter muito cuidado. 95 da CF. contudo.43 Um exemplo relativo à legitimidade legal e delegada encontra-se nos artigos 62 26 e 6827 da Carta Primaveril. 92. por sua vez.

29 XXXVII . 28 LIII .não haverá juízo ou tribunal de exceção. 5º.44 tem seu amparo no art. . inciso LIII da Magna Carta 28 e pelo inciso XXXVII 29.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.

para tanto. cuidando sempre para imiscuir-se dos vícios do raciocínio. . consubstanciando-se pela compreensão e culmina-se com a extensão do domínio do conhecimento necessário.45 7 7. o racional. o cartesiano lógico ou moral (ou ambos). o sistemático. o dedutivo. Passam inicialmente pelo procedimento da apreensão. dos mais variados métodos disponíveis. tais como o indutivo. em função do objeto do juízo. utilizando-se.1 Elementos Lógicos da Razoabilidade Definindo os elementos lógicos da razoabilidade Os elementos lógicos da razoabilidade são os diversos procedimentos racionais que auxiliam na concepção do juízo (pode-se dizer que são verdadeiras ferramentas da razão).

do objeto etc. promotor ou juiz. modo. . segundo Rejis Jolivet 30 é "O ato pelo qual o espírito concebe uma idéia. da forma mais e acurada possível. A forma como o conhecimento foi apreendido será determinante para sua compreensão e sua extensão. não seja confundido por outro. sem nada afirmar ou negar".46 7. fato ou objeto. ultrapassar. lugar enfim. compreensão e extensão. A compreensão vem dos detalhes. Em lógica formal. podemos afirmar que um advogado. mas compreende mais profundamente determinado tema. No direito penal. referir-se-á à circunscrição do tema. mesmo em sentido amplo. dos elementos componentes daquele fato. isto porque a extensão segue uma linha imaginária horizontal. tais como circunstâncias de tempo. fatos ou objetos. a relação entre compreensão e extensão do objeto apreendido é inversamente proporcional. conhece em extensão todo o direito. não há que se falar em juízo. como o alcance deste domínio junto a estas mesmas idéias. ultrapassar os conceitos fundamentais temporais e espaciais. 7. agarrar. através dos cinco sentidos “nihil est in intellect quod prious mon fuerit insensu” 31. Tratando-se das idéias ou mesmo dos objetos. De uma forma mais simples. É a amplitude o que importa. Entendemos por compreensão o perfeito e claro domínio do conjunto de elementos que compõe uma determinada idéia. Sob o ponto de vista etimológico. as circunstâncias são fatores elementares que aumentam a compreensão acerca do delito. Para esta apreensão. ao passo que a compreensão segue uma linha vertical. tomar. seu alcance pode ultrapassar os limites de um determinado tempo e o espaço quando se referir a um fato. o que temos é tão somente uma percepção dos fatos. cit. seus limites espaciais sensíveis ao senso comum.” 31 Nada existe no entendimento que não tenha passado previamente pelos sentidos. Assim.3 Definição ou delimitação A palavra definir deriva do latim “definitio”. mas do ponto de vista lógico. prender. ou seja. ação de estabelecer limite. A clareza reflete-se no “tantum” suficiente para que um determinado ponto seja destacado suficientemente em relação aos demais. segurar. importa. de forma que um termo. imediatamente uma apreensão é efetuada. Para os fins lógicos da razoabilidade. Quanto à extensão. Até este ponto. aprender.2 Apreensão. e por extensão. aprender vem do latim: “appreendo”. ao presenciar-se um determinado fato. traçar seus 30 “Op.

diz-se que "fulano é criminoso. de acordo com tais regras". de forma que um elemento esteja compreendido em outro. espécies do gênero etc. porque cometeu tal crime. Ao mesmo tempo não se podem ensejar reduções. os termos roubo e latrocínio devem ser utilizados independentemente. como no caso em que. subjetividades. não basta que ocorra uma "petição de princípios". completa ou adequada. Dessarte. Muito embora a lógica filosófica não aprecie uma definição negativa. sua delimitação equivocada poderá alterar o resultado final do juízo. quanto for a valoração do bem da vida em voga. na ciência do direito. É lógica quando bastar à própria razão humana para seu delineamento. é inadmissível em um procedimento de razoabilidade. crime este que está positivado em tal lugar. à nação ao bem comum. não é rara a utilização deste termo para se fazer alusão a um contraponto diametralmente oposto ao que se está sendo tratado. Destarte. parte-se para seu oposto. Tratando ainda da autonomia. A mais proveitosa delimitação é aquela que divide o fato. que forme alguma coisa. dizendo o que não é. como no caso das objetividades. inevitavelmente. Assim. e moral. que se diga: "fulano é criminoso porque é criminoso". Assim. características. este contraponto é admitido e um dos recursos muito utilizado para este fim é o chamado "contrario sensu" em que a definição consiste no fato de que uma coisa é o contrário do seu oposto. A delimitação. pois o termo latrocínio absorve o roubo e o roubo não alcança o latrocínio. elementos constitutivos. podem levar-nos a equívocos. A delimitação deve ser tanto mais rigorosa. não se contenha o definido. que consiste em dizer que "uma coisa é uma coisa". será parte dependente do definido.47 limites o mais precisamente possível. pois é regra lógica que. cumpre-se que sejam mantidas a sua unidade e solidez. quando suas partes constitutivas são unidas por um elo coletivo. como no caso dos conceitos relativos à família. ao não ser possível exprimir com clareza o que é uma coisa. Deve-se ter o cuidado com os termos que indevidamente definidos. a idéia e o objeto em partes que sejam ao mesmo tempo autônomas e consistentes. Não devemos confundir o termo "contrário senso" com o "contra senso" (que se refere ao que é contrário à razão ao que é irracional) que nos levará. a um final indesejado. e sim. Traçar limites precisos não é tarefa puramente conceitual. pode ser ainda lógica ou moral. qualquer divisão que se faça ao objeto referente. na definição. Termos estes vinculados . em virtude de que quando uma decisão está em voga. caso contrário. no direito. Isto se faz necessário também.

conclui uma outra relação. ao passo que o puro raciocínio lógico circunscreve-se. que por hora não é objeto desta obra. de duas ou mais relações conhecidas. que será estudada mais adiante. nada mais é do que a chamada conversão filosófica. É nesse sentido que surge a idéia dos silogismos. Segundo Régis Jolivet 32 trata-se de uma "operação. que resultarão em um juízo. discordamos de Regis Jolivet que. para tanto. uma assertiva em relação à outra pode ser excludente.4. Outra confusão que se costuma fazer. 7. 7. ao tomar as operações do espírito pelas operações do intelecto 33. O fato de se extrair uma conclusão lógica. pode não o ser amanhã. quando se trata de uma oposição. confunde as operações relativas ao “ente” com as do “Ser”. qualquer raciocínio deve passar por duas fases: a primeira refere-se à compreensão da idéia.4 Raciocínio lógico Ao tratarmos da razoabilidade. o mais próximo possível da verdade. de forma a oferecer uma boa margem de segurança com capacidade de evitar o erro. com a idéia de um encadeamento lógico entre as diversas proposições. Neste caso. com o mínimo de erro. que desta decorre logicamente". Neste ponto. cuja finalidade vem a ser a transposição dos termos em seus caracteres opostos. pela qual o espírito. cit. . quando se trata de uma negativa ou mesmo contrária.1 Contrário senso Conforme já observamos anteriormente. ao seu alcance. levando-se em conta que o conhecimento é dinâmico e. é aquela relativa à diferença entre o raciocínio e a inferência. deparamo-nos inicialmente. uma certeza que “é” hoje. sendo assim. O objetivo é a segurança de se chegar.” 33 Tema este que será melhor abordado na metafísica da racionalidade. à sua extensão.48 essencialmente ao fator tempo e espaço. que cada um conserve suas contraposições originárias e respeitem os seus limites essenciais. desvela o caráter essencial. em que duas proposições nos induzem à conseqüência dos argumentos. tão somente ao processo de dedução. que possui um sentido muito mais amplo. ao abarcar a indução e a dedução. e a segunda. inviabilizando a ocorrência de um 32 “Op. Segundo as regras da lógica. sem alteração de suas qualidades ou substâncias. bastando. de forma ordenada. oriunda de dois outros pontos. o termo contrário senso (aqui destacado como elemento funcional para fins didáticos) cuja definição consiste no fato de uma coisa ser o contrário do seu oposto (não confundir com contra-senso).

quanto para as contrárias. é a outra. padecem pela falta de ética e de técnica. e que. nos tribunais do júri. que o termo "contrário senso". Em ambos os modos se chegaria a uma conclusão lógica. em não sendo uma. poderia ser trabalhada. conseqüentemente. 2) Contrário senso dos termos universais positivos. que passam a configurar espécies em que "contrário senso" é gênero. equivale a dizer que serve. de forma que. os termos opostos foram à natureza indivisível dos direitos coletivos e à relação jurídica entre os sujeitos. II . Poderíamos ainda confirmar a existência da universalidade. em não condenando o réu. expressa por intermédio de um silogismo de caráter sofístico. no sentido da exclusão do singular ou do particular. Isto porque. por uma relação jurídica-base. contudo. que se convertem em termos singular negativos CDC. o que nem sempre conduz a um juízo verdadeiro. ao passo que a coletividade.São interesses ou direitos coletivos. tanto para as assertivas contraditórias. fato é que os termos particulares ou singulares são tomados por universais. de qualquer natureza de que seja titular grupo. É bastante comum. in casu. Contrário senso não são interesses ou direitos coletivos. A divisibilidade e a indivisibilidade são tratadas como termos contraditórios de uma qualidade da natureza do direito. Aplicação prática desta funcionalidade: 1) Contrário senso dos termos universais positivos.49 intermediário entre ambas. os transindividuais de natureza indivisível de que seja titular grupo. mantida. Nesta assertiva. que a conversão filosófica é um tipo de silogismo. para fins de direito. basta a contradita do termo "transindividuais" para a comprovação da conversão. os transindividuais de natureza divisível de que seja titular grupo. Cumpre esclarecer aqui (nosso entendimento). a premissa maior é suficiente para resolver toda a questão. os jurados (contrário senso) estarão condenando a vítima à morte. que se convertem em termos singular negativos Aqui a razoabilidade utiliza-se de critérios lógicos para a comprovação de uma afirmação universal. pois aquele que assim o faz. alterando o contraponto destes termos. Foram alterados os mesmos termos que no primeiro caso. os transindividuais de natureza indivisível de que seja titular grupo. caso não sejam observadas algumas regras. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica-base. Contrário senso: não são interesses ou direitos coletivos. . 81. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica-base. 81. por exemplo.São interesses ou direitos coletivos. portanto pode estar culminado de vícios estruturais. categoria ou classe de pessoas ligadas ou não entre si ou com a parte contrária. categoria ou classe de pessoas sem relação entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica-base. Atos como este. de forma que. Cabe esclarecer. Em síntese. os promotores de justiça afirmarem que. deve ser entendido em sentido amplo. pela exclusão de sua existência dicotômica singular: CDC. em boa parte das vezes. em muitos casos. pois se trata de uma ferramenta. via contraposição dos termos particulares. chegamos aos termos iniciais. ainda. II . inalterada. os individuais.

Só para ilustrar. que atendendo a um conjunto de regras e técnicas. 7. 81. os transindividuais. 3) Contrário senso dos termos particulares positivos que se convertem em termos singulares negativos: “CDC.Os interesses ou direitos individuais homogêneos. de que sejam titulares pessoas determinadas ou sem ligação entre si. assim entendidos os decorrentes de origem comum.4. III . de natureza indivisível. para trabalharmos este assunto um pouco mais adiante. acaso etc.4.interesses ou direitos difusos. de caprichos. sim. Caso não fosse assim. aqui praticamente será transcrito. os transindividuais.2. mas dentro de certos limites. quando tratarmos do método racional. assim entendidos os decorrentes de origem comum”. não são interesses ou direitos individuais homogêneos. Entendemos que o método. que se convertem em termos singulares negativos. a ponto de declarar que as inteligências variam. quando não for suficiente à do termo mais genérico. vaidades.2 Dos métodos O método na acepção da palavra é o caminho. I .1 Método lógico . por circunstâncias de fato.4.” Contrário senso não são interesses ou direitos difusos. Trata-se de um procedimento lógico muito utilizado. de natureza indivisível. pois sua valoração somente é essencial. na forma de utilização da inteligência. em razão do método que se dispõe a utilizar. 4) Contrário senso dos termos singulares positivos. O método oferece uma margem de segurança em todas as investigações. tal assertiva pode ser muita bem considerada. mais a título de citação. incorporados às metodologias gerais do raciocínio.1 Método Cartesiano Nesta parte da obra.1. utilizando um método adequado. Contudo. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. Destacamos que estes métodos estão. 7. se entendida na justa medida.2. a saber: “CDC. mostramos que a divisão das dificuldades refere-se ao processo de nossa conhecida “análise”. dispõem-se mais precisamente as regras do método Cartesiano. Cartésio considerava o método de tal importância. hoje. Apesar da proposta Cartesiana inferir-se aos métodos analíticos e sistemáticos. influenciam. Contrário senso. um dos fatores que interferem no resultado final do trabalho. pela isenção de espírito. e com a finalidade de isolamento de sua teoria. 81.50 sendo os demais termos apenas incidentais. 7. pelas premissas Cartesianas. possui a finalidade de auxiliar a investigação de um conhecimento. um deficiente mental poderia escrever uma tese somente.

Em síntese. Prossegue com a utilização da lógica silogística.1 Dúvida metódica Nunca receber coisa alguma como verdadeira. Isto é. dividindo as dificuldades. segue seu curso. 7.4.2. que consiste em não aceitar nada como verdadeiro. distinta daquele que seja estipulado como brilho (é aqui que se abrem as portas para a dúvida metódica). mas apenas a alguma forma de inflexão de onda no globo ocular.1. todos nós temos. em um processo analítico. onde as premissas partem. a terceira regra será demonstrada mais adiante.2.51 Pelo método lógico. amanhã.4. por si mesmas. sem antes passar por um tratamento empírico. evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção e não aceitar senão aqueles juízos que se apresentassem clara e distintamente ao seu espírito. as quais são evidentes. algum cientista poderá afirmar que a zona de freqüência de radiação solar não se refere ao que entendemos como brilho. na quase certeza de nada esquecer. pois.Análise Dividir as dificuldades que teria de examinar em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. admitir esta premissa é abrir as portas ao conhecimento mais puro. tem-se a chamada dúvida Cartesiana. São aquelas "verdades" plenas de evidências. Algumas dúvidas. do particular. é necessário bem duvidar. não são passíveis de existência. Assim.2 Dividir as dificuldades . . podemos enquadrar a assertiva: "o sol brilha durante o dia" se formos nos referir à diferença entre o dia e a noite. fato é que um ponto de vista inflexível é um abismo ao recebimento do conhecimento.1. porém. Um dos maiores benefícios da dúvida metódica vem justamente a ser a suspensão dos preconceitos (ainda que temporária . desde que não se evidenciasse como tal. Vale ressaltar que preconceitos.1. Eis seus quatro postulados: 7. para saber bem. Esta corrente metodológica afirma que. Mas talvez não passamos afirmar que "o sol brilha" para os fins da física.para os mais fracos). de modo a não ser possível a dúvida a respeito deles.1. em maio ou menor graus. por fim efetuam-se enumerações exaustivas sobre o tema abordado. para o geral e. basta dizer que a análise deve ser completa e precisa.

7. até o conhecimento dos mais compostos.1. a antítese. como por degraus. 7. Isto nos lembra a forma como a Teoria Darwinista foi estruturada em uma seqüência lógica.2. hierarquizado. ordem. classe. Descarte procura infundir uma graduação sintética.1.1. que irá coordenar as nossas ações. formando assim um elo de interdependência entre um nível e outro. basta mencionar que este demorou nove anos antes que viesse a tomar uma posição acerca das discussões de sua época.4.2. está uma tese e.4.1 Bases tradicionais e moderadas Obedecer às leis e aos costumes de nossos pais.3 Conduzir os pensamentos do particular para o geral -> Síntese gradual Conduzir por ordem os seus pensamentos. guardando a religião em que nos instruíram durante a infância. Visa a que o indivíduo não permaneça irresoluto. de onde surge então uma síntese. Os pensamentos devem ser estabelecidos em um processo ordenado. Quando se assume uma posição intermediária entre dois opostos. que passa a ser . e governar-nos segundo as opiniões mais moderadas dos homens mais sensatos entre os quais vivemos.2. Aqui. que envolvia reino.1. de um lado. demonstrar a disciplina do autor acerca de seus métodos. na inércia. do outro.4 Fazer enumerações completas .1. para subir.2.2. pela falta de um senso moral. De uma maneira geral.1.análise Fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que pudesse estar seguro de nada haver omitido. e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. família. 7. Cabe ressaltar que para.2 Moral provisória A moral provisória Cartesiana consiste em um conjunto de regras pragmáticas e necessárias à manutenção de um juízo intermediário. gênero e espécie. pouco a pouco. até que se formem os próprios alicerces. Seria praticamente uma repetição da segunda regra se não fosse a parte concernente às revisões. filo.52 7.4. o "caminho do meio" é sempre mais saudável. entre o batalhar das antíteses (em que. começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos.4.

na prática. Coleção universidade de Bolso. mas caminhar direto. Não são raros os pedidos de reconsideração.. Numa floresta não devemos parar nem vaguear de um lado para o outro. No julgamento da lide. repudiado pela sociedade. ." Evangelho. obrigando sua remessa a uma instância superior. de acordo com a analogia. O juiz não se exime de sentenciar ou despachar. 4º da LICC 35 que incute ao magistrado a obrigatoriedade do provimento jurisdicional. pois os excessos são sempre nebulosos. vendo a eqüidade do pedido. as opiniões pelas quais nos decidirmos. com a fraqueza moral.. não se deve confundir o "caminho do meio" com a falta de uma posição ou com o "ficar em cima do muro". judicial lato sensu em que o magistrado. os costumes e os princípios gerais de direito. aos costumes e aos princípios gerais de direito. No entanto. Encontram-se muito destes pressupostos..)... de que o príncipe não poderia mudar de opinião.’". vos vomitarei. sempre no mesmo rumo” 36. Art. “É sempre muito penoso admitir um equivoco”.. Depois de tomada uma decisão. Ediouro. Nos séculos passados. e seguirmos. Rene. Este entendimento está inclusive posicionado em nosso ordenamento jurídico.. inda hoje. se fores morno. em geral. Discurso do Método.2 Ser constante nas resoluções Já dizia Descartes: “Sermos o mais firme que pudermos em nossas ações. 36 DESCARTES. indefere-o. caber-lhe-á aplicar as normas legais. Quando a lei for omissa. 7.1. havia uma idéia dominante na Europa.4. 35 Art. não as havendo. estivesse certa ou errada. para se admitir um equivoco judicial é necessária uma grande virtude da alma: ‘a humildade. art. alegando lacuna ou obscuridade da lei. 126.sedes quentes ou sedes frio.2.. o ato deveria ser executado até as últimas conseqüências. 34 CPC. recorrerá à analogia. abarrotando ainda mais os tribunais. 126 34 c\c Art. no CPC. com a falta de personalidade. fator este. ".2. do bem da vida. é preferível (é muitas vezes até perdoado) que se tome uma decisão equivocada a não assumir posição alguma diante dos fatos. Em geral. Comenta o penalista Luis Flávio Gomes.. tende-se a errar menos. desnecessariamente. o juiz decidirá o caso. com constância. em suas aulas ". e assim sucessivamente.53 uma antítese de outro contraponto. 4º da LICC.

Neste sentido. 7. em muitos casos. No direito. Descarte acreditava que a única coisa que possuímos realmente são os nossos pensamentos. para discorrer sobre um tema.” . em que as proposições inserem-se. observando-se.2.4. É o processo da análise. na comprovação.4 Método racional Trata-se do método.4. é muito provável que. eis que possui três premissas básicas.1. . de forma mais direta. Assim.3 Imparcialidade ante a ordem mundial “Procurar sempre vencer-nos antes a nós do que a fortuna.3 Método científico É o método que se baseia na experiência. resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir entre os dois". de uma premissa singular. o pensamento flui. na repetição dos experimentos.54 7.2. a máxima popular supracitada apresenta-se como uma boa opção. 7. no que tange à jurisprudência. ao invés de uma. ao se chegar um litígio a uma instância Suprema. Cabe lembrar. que as altas cortes (“ao menos em tese”) são constituídas.4. em 37 Descartes.4. de forma indireta.2. com a finalidade de comprovação ou negação das hipóteses. 7. tendo o Magistrado observado este método. matemáticas e pelas vias da indução e da dedução. que faz fluir o conhecimento da parte. será mantido “o seu entendimento”. este método é muito utilizado. é até exigido ou se está em vias de sê-lo (caso das súmulas e das súmulas vinculantes). por meio das especulações filosóficas.2 Método da autoridade confiável Este método baseia-se na confiança de uma suposta autoridade. que detenha os requisitos intelectuais e morais.2.cit. do que mudar a ordem do mundo.4.2. Existe um aforismo popular que expressa bem o ponto final desta máxima nos seguintes termos: "Senhor dai-me forças para mudar o que deve ser mudada. de forma que é mais fácil mudar os nossos desejos.2.1 Indução ou análise ou composição Pelo raciocínio indutivo ou analítico. alto saber jurídico. “Op. 7. e modificar antes os nossos desejos do que a ordem do mundo” 37. nossas aspirações.4. entre os seus requisitos. no que concerne à doutrina e. sendo que. para uma premissa universal.

inicia-se o processo de criação das normas pertinentes. fruto do processo indutivo). Eis que o caminho percorre a trilha dos efeitos às causas.2. sintetisando-se em uma norma (conseqüência. tais como no caso da liberdade. por exemplo. aquilo que se agregou à essência. mas. a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale analisando-se o surgimento do fato social (causa). um todo tão compreensível e completo. eis que. aqui os projetos são ideais. de forma a constituir uma disposição geral. de associação. de forma originária.4. capaz de se tornar uno. para fins de direito. para fins filosóficos. entre os fatos e as leis (que seguem a estes fatos). esta especialização não encontra qualquer utilidade prática. Sicrano é liberal. podendo ser considerada como sinônimo. em tantas partes quanto sejam suficientes. devido ao fato de estar disposta como um dos instrumentos desta. Assim. particular (lato sensu). Neste procedimento. de ação. seguem. que pode ser desmembrado em liberdade de locomoção. Dessarte. às mais complexas. podemos estudar. de reunião. Estamos então tratando dos princípios aos quais decorrerão as normas. que é filosoficamente valorado (processo indutivo dedutivo) dando origem (no sentido de efeito).2 Dedução ou síntese ou divisão ou fragmentação Na dedução. ocorre o oposto da indução. 7. para formarmos leis gerais. naturalmente indivisível. Logo o Dr. que atendam a estes princípios. pela qual de uma premissa geral. ao menos para o momento (eis que o conhecimento é dinâmico). Exemplo: Os Magistrados do Sul são mais liberais. será necessário desmembrar cada um deles. A diferença entre indução e análise refere-se somente ao campo da extensão. trata-se de uma operação do intelecto. modificando a forma como ela se evidencia. pela fragmentação do objeto. só então e a partir daí. Sicrano é do Sul. Oras o Dr.55 direção ao todo. das idéias gerais às mais simples. de profissão. o investigador se introduz no conhecimento. até adentrar a sua essência. consagrados pelo sangue Francês: Liberdade. ocorre o caminho inverso ao da análise. a indução é tratada como uma espécie de análise. por estes dispositivos. se adotarmos os princípios gerais das três primeiras gerações dos direitos humanos. Pelo processo da síntese. de pensamento. extrai-se outra. Igualdade e Fraternidade. de forma a tornarem-se independentes. procura-se agregar as partes. do curso das aspirações. das idéias simples. . Estes processos coordenam os movimentos entre as causas e os efeitos. etc. considerada.4. Separa o que é essencial do acidental. as concretudes. sua menor partícula. compondo.

haverá necessidade de uma antítese. Como é passível de observação. neste estágio. na construção do juízo. e assim. quadros. A utilização dual destas ferramentas atua como um sistema de freios e contrapesos. tais estruturas são muito parecidas com a forma dos .4. de forma que uma idéia possa ser relacionada com a outra. continuamente. 7. como em uma árvore. utilizando-se somente da análise o conhecimento. O encadeamento de idéias pode ser representado por “mapas mentais”. ora se faz uma análise e ora se faz uma síntese. é possível afirmar-se a composição do conhecimento.4. Caso utilize-se somente a síntese. esquemas. basta averiguarmos o resultado de um trabalho isolado com qualquer um deste método racional. cedendo-se a juízos temerários. em um processo infindável. para fins filosóficos. O interessante disto tudo é que a síntese. Somente depois de verificado o resultado zero entre as dualidades.2.2. representa o resultado oriundo do batalhar das antíteses. expandir-se-ia a recôncavos distantes de seu objetivo. A conclusão deste processo somente poderá ser compreendida. tanto a análise quanto a síntese devem ser trabalhadas conjuntamente. Criar-se-iam teses prolixas e impertinentes. podendo ser consideradas como sinônimo. estando mais para a qualificação instrumental. encontra-se em movimento o projeto experimental. chamado de “ponto zero” e este resultado final dará ensejo a um outro processo . em si mesma. necessariamente.3 Junção indutiva dedutiva Durante o processo de formação do juízo. ocorre um batalhar entre os processos indutivos e dedutivos.56 A diferença entre a dedução e a síntese refere-se somente ao campo da extensão. a fim de que se comprove a materialidade. eis que.4. que possui raízes que se dividem.5 Método sistemático Refere-se aos métodos que visam à construção de sistemas organizados. como no jogo do “contrário senso”.vez que originou um novo ente . carecer-se-ia do processo do aprofundamento. a dedução é tratada como uma espécie de síntese. onde a síntese atestará a plenitude da análise e a análise atestará a objetividade da síntese. por isto. Logo. do esgotamento das possibilidades. com o oposto de seu contrário. através da metafísica da razoabilidade. pela verificação da adequação da assertiva. 7. Contrário senso. que constitui a mais fiel representação da evolução humana. Segundo seus defensores.com todas as estruturas atinentes ao “ser e ao não ser”. É o ponto de equilíbrio. Mesmo que inconscientemente. como no caso da diferença entre a indução e a análise. não possuem qualquer utilidade prática.para fins de direito. Em regra como no caso anterior .

Daí as exigências da interpretação lógicas gramaticais.4. podem existir cerca de 64 tipos de estruturas de silogismos. sendo considerados apenas 19 os legítimos. a ter uma aparência de verdadeiro. aplicáveis ao instituto jurídico. a grande maioria das estruturas pecam contra alguma das regras.57 neurônios cerebrais e. palavras. em lógica. Quando devidamente estruturados. imbuído da virtude da boa fé subjetiva. No campo do direito. É comum dizer que. o mais conhecido é o das palavras e das idéias. convertendo o bom em mau e o mau em bom. vários artigos e conceitos próprios. mas que está em nível superior ao do raciocínio. deste modo. Existem silogismos sofistas de indução. são chamamos de paralogismos. assim. idéias. seria mais fácil ao intelecto formar um conhecimento. No campo das idéias cabe a interpretação sistemática por parte do interprete. a boa fé subjetiva (intenção + probidade (lealdade)) é essencial. qualquer forma moral e é capaz de enganar ao mais sagaz dos intelectos. sem que se fosse levado ao erro. Os silogismos equivocados. Conseqüentemente. busca o sentido do texto legal. Os vícios do raciocínio nada mais são do que os sofismas. que incutem um raciocínio equivocado. que consiste (a primeira) em utilizar uma palavra em sentido diverso do que se deveria fazê-lo. 7. de modo que possam ser utilizados. quando feitos de boa fé. . como não é o objeto deste estudo não adentrarei ao tema. Em todos os casos. etc. sem a intenção de enganar.3 Vícios do raciocínio A conseqüência do incorreto encadeamento lógico entre as diversas proposições que resultarão em um juízo. a partir de uma organização que lhe é familiar. mediante a qual o hermeneuta. ele busca vários princípios. Estes vícios do raciocínio podem ainda ser utilizados para defender qualquer tipo de idéia. estes vícios podem ser previstos e até elaborados. contudo. nada mais são do que os vícios do raciocínio. dedução. Existe outra forma de se converter o bom em mau e o mal em bem. podem também ser evitados.

do outro. De um lado. almejando alcançar a validade dos atos pela correta mensuração. que em muitos casos também se encontram positivados. encontram-se os atos humanos e. principalmente na esfera penal (tal como ocorre com o dolo). Sob o ícone do coração. o peso do ordenamento jurídico positivado. levando-se em conta que o fim último da lei é o homem e não a lei “em si mesma”. . concebemos a idéia de que não são somente os atos humanos que estão em voga. O ícone que representa mais fielmente este princípio é a balança da lei. mas também os seus aspectos subjetivos. este signo remete-nos a uma ponderação que atenda aos demais aspectos subjetivos. Desta forma. que geralmente se encontra no prato esquerdo (lado sede do órgão).58 8 Princípio da proporcionalidade Utilizar o princípio da proporcionalidade é interagir com a ponderação de interesses. a medida.

cit. na parte relativa a Proporção entre os Crimes e as Penas declara enfaticamente: 38 “Op. E mais uma vez. a translatividade. em sua obra Dos Delito e das Penas 38 . a razoabilidade. a finalidade. todos estes princípios já foram tratados por Cesare Beccaria. de forma mais aberta.59 8.1 Histórico Sob o ponto de vista histórico. ainda que alguns não o foram.” . a proporcionalidade.

. . 8.3. lógicos e teleológicos.1 Elementos materiais Os elementos materiais referem-se aos aspectos existenciais concernentes ao sujeito e ao objeto.. a ação é reação. 8. deparamo-nos com o sujeito. dos quais o maior será aquele que tende à destruição da própria sociedade. ou pelo âmbito interno deste.1 Subjetivas No que tange aos aspectos materiais subjetivos. não aplique os menores castigos aos maiores delitos. contudo. de certa forma. cuja ênfase refere-se ao plano penal.3.achar-se-á uma progressão de crime. visto que consideramos o princípio da finalidade como um dos sustentáculos do grande princípio. sempre que necessário. para o Grande Mestre do Direito Penal. pré-existentes ao espírito. e pela via da experiência. em sua forma “a posteriori”. Bastará.1. formais.60 ".". a medida do ato devidamente pesada e equacionada em razão direta. 8. podendo a razão avocá-las.1. Vê-se. ponto ao qual convalidamonos e fazemos nossas as suas palavras. que podem ser divididos em materiais. seja pelo seu aspecto existencial antecedente. Os menores delitos serão as pequenas ofensas feitas aos particulares.3. em sua forma “a priori”. a razoabilidade da utilização do princípio da proporcionalidade encontra seu centro de gravidade na manutenção da própria sociedade.1 Sujeito É de se supor que as noções de proporcionalidade são. dois dos pontos teleológicos da razoabilidade encontram-se justamente na sociedade e no dano. pois. 8. afinal.1.2 Objeto Jurídico O objeto jurídico do Princípio da proporcionalidade é a ponderação dos interesses. 8. que.3 Elementos constitutivos É viável o estabelecimento dos elementos constitutivos do princípio da proporcionalidade. que o legislador sábio estabeleça divisões principais na distribuição das penas aplicadas aos delitos e que.

Internamente. aliás. para cumprimento da finalidade de interesse público a ela atrelado". A exemplo. bem como os elementos extrínsecos relativos ao sujeito. destacamos o objeto quanto a sua extensão e intensidade. freqüentemente desconsiderada .61 Chegamos a esta conclusão. o orçamento familiar. Inicialmente.1. 8. a natureza intima impõe esta obrigação. Uma consciência atordoada pode afetar um juízo futuro. Diariamente. 8. daí a necessidade subjetiva de se utilizar corretamente a espada e a balança.3. pela premissa de que: a mensuração é uma constante da vida diária de cada um.1 Objeto Celso Antônio Bandeira de Melo utiliza os critérios de extensão e intensidade como mensuradores deste princípio: "Este princípio enuncia a idéia .de que as competências administrativas só podem ser validamente exercidas. para melhor compreendermos o que dá a legitimidade a um ato no entendimento do citado autor.2 Objetivos No que tange aos aspectos objetivos. em cada ser humano. sejam os limite precisos dos . estão sendo efetuados cálculos matemáticos sobre nossas atitudes. Resta-nos esmiuçar o que pode ser entendido como extensão e intensidade. a índole do julgador e seu estado de espírito que o dispõe a buscar a medida certa na aplicação da lei. a simples medida de água no arroz.1.2.1. Senão vejamos: 8.3.1. em um nível subconsciente.2 Motivo intrínseco O maior interesse subjetivo referente à correta aplicação da norma ao caso concreto são: a motivação da honra subjetiva.3.1. Se tomarmos o termo extensão e o colocarmos em uma linha horizontal e o termo intensidade em uma linha vertical. é cabível a observação de que estes dois termos não são sinônimos.1. na extensão e intensidade proporcionais ao que seja realmente demandado.singela.3. constantemente. as contas do supermercado. efetuamos cálculos em todos os pontos de nossa existência.2. podemos sugerir o tempo gasto para se ir ao trabalho. É importante que este saldo seja positivo. encontraremos todas as situações fáticas que podem relacionar-se com o princípio em voga. ainda que não se tenha consciência disto. conquanto. etc 8.1 Extensão Colocando a extensão em uma linha horizontal. para que o homem viva em paz consigo mesmo. tudo pode ficar mais claro.

o destorço produzido e suas conseqüências. ocasionará a inadequação ao escopo legal. bem como o da razoabilidade.2 Elementos formais ou de validade Tem-se exigido dos princípios que. conjuntamente com os arts. como os pressupostos legais. 8. 5º. Neste sentido. para simbolizar o peso da atitude. estejam amparados em pressupostos legais. "Art. ou outro pressuposto qualquer. as circunstâncias -inclusive os casos fortuitos e a força maior.1 No direito Um princípio não atinge sua maturidade plena. de certa forma.2.3. estudados no subprincípio do interesse.3. todos os elementos constantes. sua relação direta com a competência daquele que profere o ato. que autorizam ou exigem a prática do ato.1. 37 . Seu anteparo jurídico está expresso no art. O princípio da proporcionalidade. como infralegais. a ponto de estarem positivados em nosso ordenamento jurídico. já atingiu este patamar. No presente caso. enquanto não esteja implementado juridicamente em um comando normativo. direta ou indiretamente. por absoluta conexão à proporcionalidade. tanto constitucionais. declara o autor: ". II e 84. em seu âmbito extensivo. que não sendo devidamente observado.1.ninguém deve estar obrigado a suportar constrições em sua liberdade ou propriedade que não sejam indispensáveis a satisfação do interesse público. encontramo-lo em diversos dispositivos. IV. por ser um princípio de larga aplicabilidade. e sua aplicabilidade pode ser questionada ou até mesmo vedada." 8. Até então se refere apenas como “um ideal”. que garantam a sua efetividade e aplicabilidade.3.2 Intensidade Colocamos a intensidade no plano vertical. Aplicam-se aqui as disposições referentes ao caso fortuito e à força maior.2.3.. 8.1. 8.e por conseguinte. Estes suportes podem ser encontrados.2. 37 da Lei Magna.2 Motivo extrínseco São aquelas realidades objetivas externas ao agente. não positivado.. como por vias oblíquas. mas de forma clara. tanto de forma direta.A administração pública direta e indireta de qualquer dos .62 acontecimentos.

Existe uma espécie de simpatia em relação à parte com o todo e do todo com a parte.555. 84 . Por outro lado. “i. atenuantes. dos Estados. logo podemos concluir que este princípio deve ser aplicado a todas as demais garantias e. na medida em que o legislador afirma que existe um peso e uma medida para cada caso em particular.sancionar. e mesmo neste interstício. em muitos outros dispositivos. publicidade e eficiência e. por conseguinte. por exemplo. como as agravantes. por meio deles). também. A titilo exemplificativo. refere-se apenas à proporcionalidade admitida dentro do ordenamento jurídico. pode o menos (poderíamos prosseguir analisando a questão do estado democrático de direito. para aquisição de bens e serviços comuns: .2. não pode um magistrado imputar uma pena de cinqüenta anos por um delito que está previsto em uma faixa considerada entre seis e vinte anos.2. ao seguinte: Art. de 08 de agosto de 2000 Regulamento para a modalidade de licitação denominada pregão.Compete privativamente ao Presidente da República: IV . o devido processo legal.3." In prima facie. deparamo-nos com o princípio da legalidade (e suas demais derivações) e é justamente aí que se encontra a proporcionalidade. É claro que. Evidencia-se uma dedução implícita deste princípio. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.2 Exemplos de proporcionalidade no direito Brasileiro. a lei induz o julgador à aplicabilidade destes critérios.2. encontramos o devido suporte para a aplicação do princípio em voga. impessoalidade. Assim. moralidade. 8. em um primeiro momento.1 Decreto nº 3. mas bastaria aplicar o mesmo princípio lógico. Além da Carta Magna. II . a imputabilidade penal deve atender a uma série de critérios pré-estabelecidos. O que pode o mais. 5º. quanto à omissão deste princípio. passamos a citar alguns: 8. Ele deve ser aplicado. não cabe discricionariedade alguma.63 Poderes da União. Art. se um ordenamento maior imprime uma determinação sobre um procedimento e este procedimento aufere-se diretamente a um princípio com “estatus” de garantia fundamental. privilégios etc. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade.3.”. e. para se chegar até a proporcionalidade.ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. entre outros. promulgar e fazer publicar as leis. O que vale para o todo deve também valer para a parte por derivação. aos seus nexos incidentais normativos.

64 Decreto nº 3. observados os princípios da razoabilidade.472-1997. da probidade administrativa. aos princípios da legalidade. do julgamento objetivo. 4º A licitação na modalidade de pregão é juridicamente condicionada aos princípios básicos da legalidade.adequação entre meios e fins. 2º A Administração Pública obedecerá.2. da vinculação ao instrumento convocatório. Art.2. pela Agência. A Agência poderá. LEI Nº 9. devido processo legal. INTERPRETAÇÃO QUASE AUTÊNTICA.2. razoabilidade. dentre outros. contraditório. pelo interessado. celeridade. 135. vedada a imposição de obrigações. igualdade. VI . DE 29 DE JANEIRO DE 1999. . bem assim aos princípios correlatos da celeridade. criação e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais . da publicidade. publicidade e moralidade. proporcionalidade 39 .555. de compromissos de interesse da coletividade. finalidade. impessoalidade. segurança jurídica. 8. razoabilidade.784. DE 29 DE JANEIRO DE 1999.2 Organização dos serviços de telecomunicações.L-009. Art. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. finalidade. 38. proporcionalidade. proporcionalidade e igualdade.3. Art. motivação. razoabilidade. Os compromissos a que se refere o caput serão objeto de regulamentação. excepcionalmente. 8.3. da igualdade.3 LEI Nº 9. condicionar a expedição de autorização à aceitação. 39 A própria legislação encarrega-se em distinguir a razoabilidade da proporcionalidade. de 08 de agosto de 2000. ampla defesa. proporcionalidade. justo preço. moralidade. da moralidade. Anexo I Regulamento da licitação na modalidade de pregão “Art. competitividade. da impessoalidade. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Parágrafo único. finalidade.2. A atividade da Agência será juridicamente condicionada pelos princípios da legalidade. seletividade e comparação objetiva das propostas”. interesse público e eficiência.784. em face de relevantes razões de caráter coletivo.

: é razoável que a pena para os crimes de homicídio varie de 6 a 20 anos) 8. que são.3 Elementos lógicos Os elementos lógicos da proporcionalidade visam à busca de um suporte. mas que a evidência os qualifica para uma aplicação prática final. que ditam as regras de como a proporcionalidade poderá ser aplicada. de aplicabilidade prática. 8. em muitos casos.3 Postulados Os postulados são equações hierarquicamente posteriores aos axiomas da proporcionalidade. vez que não estão determinados.3. 8.3.3. sem que haja qualquer causa excludente de ilicitude) ou extensivos ou genéricos.: o crime de homicídio configura-se pela extinção da vida de outro ser humano. objeto da mensuração. cabe à eleição de seus limites. de terceiro grau.3.3. ora são essenciais.4.65 8.3. Trata-se assim de uma posição provisória. quando a mensuração é efetuada em seus aspectos substancias (ex. quando formulam os limites mais remotos que podem ser alcançados (ex.3.3.2 Axiomas Os axiomas são os princípios imediatamente ligados ao juízo.1 Limites Os limites da proporcionalidade. como no caso da Fórmula Maquiavélica Mitigada. Enquanto os axiomas estão mais ou menos positivados. um recurso final para o caso de um empate. coligações e equações que lhe sejam pertinentes. .3. os postulados são aplicados como uma espécie de arremate. cabe elencar os elementos teleológicos. via de regra. o cabedal que balanceará dois princípios ou duas grandezas. dos princípios em questão. 8. 8.4 Elementos teleológicos Findando a escala dos elementos constitutivos da proporcionalidade. para tanto.1 Natureza da proporcionalidade Consiste no ato de estabelecer as relações entre os diversos pontos preponderantes tendentes à realização de um juízo. utilizada até que se constituam os limites e axiomas aplicados ao caso concreto.

sem razoabilidade (existem muitos julgados neste sentido. então. a sua causa eficiente (que tem a sua própria virtude). o princípio da proporcionalidade não é faceta . 8. uma causalidade instrumental. pode haver ainda a mensuração entre princípios menores. destinada à obtenção do justo juízo.. Destarte. quase que matemático. em oposição a um maior (liberdade + vida x segurança social).3. os ditames da razão. estabelece relações tendentes à obtenção de um juízo adequado. é possível que haja proporcionalidade. Além disso.. Para compreender mais facilmente e de forma mais extrínseca. de forma intrínseca e extrínseca..5 Razoabilidade x proporcionalidade A proporcionalidade procede da razoabilidade. neste sentido. Utiliza-se de elementos lógicos. sim. Segue-se que o efeito da proporcionalidade vincula-se às determinações de sua procedentibilidade. existe.66 Pode ser uma relação entre dois princípios. como. efetua uma operação de mensuração de objetos. a liberdade do indivíduo e a segurança da sociedade. 8. que é de onde se extrai a sua consciência. danoso). a proporcionalidade vem a ser a operação do intelecto. Assim. 8. axiomas e postulados pertinentes. a proporcionalidade constitui um processo racional. eis que “a razão.. a razoabilidade não é causa da proporcionalidade e muito menos a proporcionalidade é causa da razoabilidade. com base em regras estipuladas. basta dizer que a proporcionalidade é um instrumento (está a serviço) da razoabilidade.) e razoabilidade. Celso Antônio Bandeira de Melo também entende tratar-se de uma da facetas do princípio da razoabilidade: "Em rigor. diante de uma necessidade determinada. devidamente motivado para o ato do juízo. em si mesmo. abrangendo sua extensão e intensidade. pois uma não depende da outra para existir.4. a proporção deve seguir.4 CONCEITO Em sentido lato sensu. existe um nexo causal de procedentibilidade entre a proporcionalidade e a razoabilidade. Destarte.1. ligados aos limites objetivos. Não há vínculo de causa e efeito direto entre os dois princípios. pela qual o sujeito.1 Natureza jurídica Constitui uma poderosa ferramenta do princípio da razoabilidade. por exemplo. um nexo de causalidade. sem proporção (muito embora isto possa tornar um juízo inútil quando não. que seria. tendente a uma utilidade prática. que efetue a ponderação dos interesses resistidos. Muito embora este nexo seja meramente instrumental. é incriada”. contudo.

ainda mais.67 senão do princípio da razoabilidade. se não for merecedora de utilidade prática. a balança pende mais para um lado do que para o outro. de um lado. faz-se necessária a mensuração do custo-benefício. sobressaltando-lhe. Ex. É no âmbito da necessidade que fica mais claro o critério de ponderação dos interesses. 8. . Não é demais repetir o brocardo "justiça tardia é injustiça". ou ainda por estar inteiramente configurado dentro do ordenamento jurídico. determinará qual resultado mais útil.6 Subprincípios Passemos agora a analisar alguns subprincípios. que versa uma utilidade excepcional ao provimento. o pedido. em sentido amplo (formalmente e materialmente manifestado). de outro. como ocorre nos casos daquela sentença com julgamento ad perpetum em que o beneficiário do direito adquirido jaz em outro departamento da natureza 40? Caso muito freqüentes nas ações previdenciárias (de caráter ordinário) em que. Outro exemplo é o caso da astreinte. o caminho está traçado. duas necessidades. pelo meio adequado. ou seja. o fato concreto imputa um ato imprescindível. ainda em vida. sob pena de acarretar um dano atual ou iminente. à medida que carece ou não da liberdade discricionária. a justiça. O interesse (lato sensu) nasce da invocação da tutela jurisdicional do Estado que.6. a persecução criminal. 40 Justiça tardia é injustiça. e. existe o "animus enrroland". assim.: No caso do programa Linha Direta. sob ponto de vista de quem está acima da relação dos interesses resistidos. independe da procedência. para recebê-lo parcialmente. o interesse público superior. para adentrar com a ação e receber o benefício. a honra. Neste caso. conforme demonstrado nas indicações legais acima. onde se opta pela exclusão do valor superior ao teto.2 Princípio da necessidade O juízo é necessário." Vale ressaltar ainda que a própria legislação distingue a razoabilidade da proporcionalide. pela necessidade. incontestavelmente. da rede globo (que conta a estória de casos reais) deparamo-nos com dois interesses. seja pelos ditames da norma. como no caso dos juizados previdenciários. seu aspecto funcional. que fazem parte integrante do princípio da proporcionalide. Por vezes. 8. seja pelo caso concreto. Mas do que adiantaria uma apreciação justa. 8. o direito de família. obrigatória e necessariamente. tornando evidente o caminho a seguir. sob o aspecto da proporcionalidade. Assim. Não são raros os casos em que o detentor do direito opta por abrir mãos de um direito. o direito de imprensa. de forma justa e equânime.6. mas visa à apreciação do mérito. não existe liberdade sobre o que decidir.1 Princípio da utilidade A utilidade do resultado aufere-se diante do tipo da providência requerida.

o faltoso seja advertido e. dispensa-se. aí. seja transformada a culpa em dolo. na medida em que represente todos os elementos envolvidos no fato e no direito. Para ilustrar. a utilidade da proporcionalidade está ligada ao juízo e. 8. de forma que venha a converter-se em um real benefício para aquele. de onde se deduz uma conseqüência necessária. via processo sintético. .68 Este princípio tráz a idéia de que os atos jurídicos somente alcançam a sua validade. sem que haja um curador ou um agente capaz de administrar estes bens. Matematicamente. quando baseia sua mensuração de um principio geral em direção a um princípio mais particular. Enquanto a utilidade dos procedimentos está relacionada à ação. 8. Trata-se da aplicação disciplinar relativa às faltas comportamentais. o princípio da adequação imputa a idéia de que o juízo será. subdividindo-se. Outro exemplo da adequação pode ser auferido no âmbito administrativo. limites etc. de forma tal. cada vez mais. por seus aspectos práticos. podemos afirmar que c = a + b. a base. via processo analítico.6.2 Proporcionalidade pelo processo analítico O julgador utiliza-se da proporcionalidade. quando houver uma ponderação de interesses. Passemos a analisar alguns destes métodos: 8. contudo.1 Proporcionalidade pelo processo sintético. é mais que isto. em que a doutrina e a jurisprudência exigem que. antes da dispensa. possui algumas maneiras próprias de aplicabilidade. sendo reiterada a atitude.7 Métodos A proporcionalidade. Oras. pensa-se logo em procedimentos processuais e fungibilidade de ritos. suspenso. que represente o caso concreto. O objetivo é que. de onde se induz a uma conseqüência necessária. é que se pode chegar ao provimento adequado. a base.3 Princípio da adequação Quando se fala em princípio da adequação. o que demonstra uma certa independência em relação aos demais princípios. para estes efeitos. Não surtindo resultados a suspensão. para a solução de um determinado caso concreto.7. pela advertência. em si. posteriormente. 8. conferido mais pela doutrina do que pela Lei. que aquela atenda aos fins desta. que será o elo. de que adiantaria dar a um incapaz direitos sobre uma propriedade qualquer. pois estamos tratando da proporcionalidade e não do processo. até chegar ao subprincípio geral. tais como evidência. Somente então. sim. Matematicamente. estamos falando na extensão dos elementos e dos requisitos do juízo. aglomerando-se. tanto mais adequado. o ponto de partida de onde partira a mensuração. Somente de posse de todos os elementos necessários. quando baseia sua mensuração de um principio particular. que será o elo. em direção a um princípio mais geral. suspende-se. poderíamos dizer que a + b = c. certeza.7. o que é correto. consubstancia-se o dolo. Note-se que a adequação dos meios foi alterada progressivamente. o ponto de partida de onde partira sua mensuração. O julgador utiliza-se da proporcionalidade. até se extrair o subprincípio que represente o caso concreto. cada vez mais. Percebe-se que a adequação e a utilidade estão relacionadas. que será tratado posteriormente.

Porém pode ocorrer que duas grandezas de mesma intensidade venham a se contrapor.69 8. a própria norma tem oferecido as soluções (geralmente protegendo aos menos favorecidos) como no caso do direito trabalhista com a premissa "in dúbio pró operário". consiste. no direito penal. o princípio da hipossuficiência do consumidor. maus governantes. e que pode fazer a diferença àquele que tenha o mínimo de bom senso. seus valores. ocorra um impasse. ou que duas ou mais grandezas somadas. o menor". pois. que se tornando iguais entre si. 8. Nos últimos séculos. é mais subjetiva do que objetiva. esta fórmula foi aplicada indistintamente. Pois bem. mesmos com 41 Trata-se de um postulado. para justificar a perfilia de ditadores.4. fica então comprovado a idoneidade do Juízo. após todos estes procedimentos serem aplicados. suas origens ainda serão seu maior norteador. que será fornecida agora. que nada mais é do que o exaurimento do princípio da proporcionalidade. extraída da obra "O príncipe" a qual destacamos: "O fim justifica os meios?". Mas se. conforme adiante se vê: 8. a formula completa é esta: "O fim justifica os meios. . que coloca a responsabilidade da avaliação nos últimos termos. da caneta. equiparam-se a uma outra. devidamente mitigada.7. Averiguando-se um resultado absurdo. Em muitos casos. beleza de significado.3 Proporcionalidade pela redução ao absurdo Aqui o princípio da proporcionalidade é utilizado de forma transversal. no direito consumerista. Mas também foi alvo de aplicação por pessoas bem intencionadas.7. o detentor da "pena". sugerimos a fórmula de Maquiavel. muitas vezes até de forma criminosa. que a princípio pareceria insolúvel.1 Fórmula Maquiavélica mitigada 41 Quem não conhece a famosa fórmula de Nicolas Maquiavel. genocidas. por desconhecerem a outra parte da formula.4 Proporcionalidade entre duas grandezas Quando dois institutos possuem pesos diferentes. destarte o resultado zero. "in dubio pro reo". desde que. Frase de ampla aplicação. não for possível chegar a um denominador. ocorrendo dessarte. então. verdadeira. a capacidade de se aplicar o princípio da razoabilidade. mesmo assim. em multiplicar o resultado da mensuração ao valor -1 (menos um) de modo que se suponha.7. Seu “animus”. obtém-se. Embora esta segunda parte do enunciado seja capaz de corrigir inúmeros erros a que a fórmula original possa levar. atendendo a um critério finalístico. sua contradição. enfim. a proporcionalidade constitui-se em um processo fácil e evidente. dos males. momentaneamente. falando em termos claros. Ainda assim. que cometeram inúmeros erros. é quem dirá com será feito.

. em momento oportuno. ainda que no uso da boa fé. é possível cair em erro. Cremos que a razoabilidade maior decorre de sua parte metafísica. enganar-se.70 grandes quantidades de elementos. da qual pretende-se traças as primeiras linhas.

Ao se afirmar uma coisa de outra. . quando da utilização de seu instrumento “o intelecto”). estabelece-se o contraditório (batalhar das antíteses) com vistas à produção de uma conformidade do que se afirma em razão do objeto.71 9 Juízo A filosofia tem se firmado no entendimento de que o ato de julgar é uma das operações do espírito (leia-se atributo do espírito.

72 .

estruturadas. o raciocínio é o modo mediato de se chegar a esse juízo e. quando os termos essenciais não estão desmembrados. refere-se àquele que emite o juízo. podem alterar o sentido final de uma sentença. a origem do conflito de interesses.2 Raciocínio e juízo Enquanto o juízo é uma das ferramentas de que se vale a razoabilidade. os elementos constitutivos do juízo são: o sujeito.73 9. quando expressada verbalmente. Na classificação formal. Quanto ao sujeito. apresentados de forma concisa. quando os termos essenciais são desmembrados e expandidos. em virtude do fato que. em poucas palavras ou dispositivos analíticos. o predicado ou atributo e a própria afirmação que recebe o nome de proposição. Cabe ainda ressaltar que o juízo compõe-se de um quarto elemento. de forma que trate muito pouco ou quase nada do que é essencial. 9.4 Classificação Os juízos classificam-se sob os pontos de vista formal e material. Oras. o peixe era um animal. que pode ser positivo ou negativo. visando a uma posterior manifestação naturalística deste conhecimento. denomina-se . em que é mostrado como a disposição dos termos pode levar ao erro: "Noé colocou um casal de todos os animais em sua arca. classifica-se quanto ao provimento. a uma apreensão.5 Proposição A proposição foi incluída entre os elementos constitutivos do juízo. Indicaremos um exemplo clássico de silogismo falso. quando o juízo adquire a forma verbal. Noé colocou um casal de cada espécie de peixe em sua arca". 9. elemento este que não é tão exigido nas outras ciências. o objeto.3 Elementos do juízo De um modo sucinto. o que se afirma acerca do sujeito. Logo. podem ser dispositivos sintéticos. Conforme já foi mencionado. 9. que é exigida. a fim de que o ato tenha validade e também eficácia. conforme sejam as disposições do termo. pela via do intelecto. trata-se da legitimidade dos sujeitos. à razoabilidade. No que se refere ao campo material. 9. O objeto no campo do direito é o bem da vida. O predicado é o que se diz. compreensão e expansão do conhecimento.1 Natureza do juízo Consiste na da aplicação do espírito. mas sim. por conseguinte.

e. faz-se necessário avaliar o destinatário do juízo. "não sabem mesmo". constitui uma virtude da alma. particular (alguma arma é perigosa) ou singular (a arma que esta sobre a mesa é perigosa). que possui elementos idênticos aos do juízo. Contudo. tendo em vista que o papel. quanto a sua ignorância. pois. diferindo apenas à forma de manifestação. a exemplo daquela que dá origem aos embargos de declaração. geralmente universal e outra menor (geralmente particular). quando ligada à extensão do sujeito ou objeto. Para fins de direito. além de ser o principal. De outro lado. como a manifestação do resultado das considerações.”. dividem-se em geral ou universal. da palavra técnica. Defende Moacyr Amaral Santos. o abuso vem do excesso intelectualista. No que se refere à qualidade. o respeito à ignorância alheira. também encontramos aqueles sujeitos que complicam. Não é raro encontrar aquele que. quando for o caso. os termos. acabar. 9. no campo filosófico. Classificam-se as proposições. dolosamente.1 Clareza ou lucidez A inteligibilidade é um fator fundamental. também é o meio considerado legítimo. entendemos melhor considerar os termos juízo e proposição. “i. para as expressões de sua manifestação. Cumpre-nos abrir um parêntese para esclarecer que. Mais do que a adequação ao sujeito culto. que pode ser universal (toda arma é perigosa). com aproveitamento. particular e singular. Trata-se da quantidade. substituindo-se estes termos por termos correspondentes ao da questão referente. o inteligível em ininteligível. 9. em relação ao sujeito ou objeto. não cabe qualquer responsabilidade ao sujeito objeto do juízo. é a afirmação ou negação de um atributo (“lato sensu”) conferido ao sujeito ou objeto. respeitando. por tornar. Para não se cair em erro e atendendo-se ao subprincípio da boa fé da clareza. a clareza está direcionada ao bacharel referente. e assim. do vocabulário recomenda a linguagem simples.6. que "a clareza.6 Requisitos do Juízo Algumas regras são necessárias ao juízo. pois não há como cumprir um ato que não se sabe o que é. Algumas destas regras já são bastante conhecidas no direito. para se chegar a um suposto juízo perfeito) são estruturados.74 "proposição". a fim de que atenda ao princípio da razoabilidade. tanto sua alta cultura. para que qualquer juízo seja eficaz. quanto à quantidade e qualidade. que os silogismos (formas estruturadamente lógicas em que se utilizam duas premissas uma maior. sempre que possível. em bom vernáculo. com a finalidade de dissimular a própria ignorância. Na prática. do vocabulário jurídico". Da ineficácia por obscuridade. fato é. desejando demonstrar mais sua sapiência e menos a passagem do conteúdo. aquele ente estranho à área em questão sentirá dificuldades em interpretar. um grande gesto . por obscuridade. adequar os termos ao “sujeito-destinatário”. por mais simples que se faça uma redação.

7º Edição. não está adstrito somente ao julgador. é o clássico caso Socrático do "ignorante que ignora que ignora". para se alcançar o sujeito.6.099/95. 48 da Lei 9. na sentença ou no acórdão. A precisão consiste inclusive em estabelecer os limites não convencionais.6. Editora Saraiva. cabendo ao defensor o bom senso de adequar-se ao postulado de seu cliente. inclusive a correção de erros materiais de ofício. 44 Lei 9. 1999. Isto é feito durante o acercamento da matéria. está positivado no art. 535. . 43 Art. uma conclusão decorra da fundamentação lógica entre os fatos e o direito. A precisão dá-nos a real dimensão de sua eficácia e liquidez. houver obscuridade.4 Certeza O juízo deve cercear-se ainda da virtude da precisão. inc I 43.houver. 535 . quando a sentença ou acórdão contiver obscuridade ou contradição e o outro. contradição. sua menção é o art.Caberão embargos de declaração quando. art.3 Concordância da fundamentação com o dispositivo. Outro pressuposto do princípio da razoabilidade. Esta não conformidade incidirá em erro. Parágrafo único . 17 do CPC.2 Plenitude A plenitude ocorre quando todos os pressupostos necessários para a adequação do intelecto ao objeto estiverem presentes. Vale lembrar que o magistrado é apenas um dos elementos integrantes do sistema jurídico.Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício. quando não houver qualquer omissão. Deve haver um nexo de causalidade decorrente entre a fundamentação e o dispositivo. literalmente. Este pressuposto do princípio da razoabilidade também está positivado em nosso ordenamento jurídico. 9. destarte. As excrescências limitiformes “lato sensu” tais como: “ultra petita” (além do pedido). aceitando. Alias. “extra petita” (fora do pedido) e “citra petita” (aquém do pedido). 48 . A incorreta delimitação dos termos pode acarretar a litigância de má fé. um juízo equivocado culminado de certeza. mais abrangente. 9. não estão restritas somente aos juízos. na sentença ou acórdão. onde se traçam os limites da vontade. a oposição. esquecidos. que trata dos embargos de declaração.099/95 44 que permite. aos termos do pedido. omissão ou dúvida. da lei e do caso concreto. Ernani Vidélis dos.6. 42 SANTOS. Manual de Direito Processual Civil.Cabem embargos de declaração quando: I . Dois casos bastante conhecidos encontram-se no CPC. decorre do fato que. circunscrevendo-a. Vol 1.75 de humildade e caridade. Para Ernane Fidélis dos Santos 42 "A contradição pode dar-se entre a fundamentação e a parte conclusiva da sentença ou dentro do próprio dispositivo". inclusive a decisões interlocutórias. tudo o que se diz sobre a razoabilidade. ocasionando. obscuridade ou contradição. pois é necessário descer um ou vários níveis. Processo de Conhecimento. aplicada ao direito. 9. mas também ao pedido. conforme já prescreve os incisos do art.

assim.2 Irredutibilidade É irredutível. 9. Ex. vele para todas as pessoas que a presenciaram.4. Contudo.1. 9. Os elementos constitutivos da evidência são a necessidade (é necessário que seja de tal modo.1 Características As principais características do juízo são a universalidade.6.1 Evidência O grau de clareza de um juízo é mensurado pela via da evidência. todos os que observarem em um acidente.: Para que haja uma fratura exposta.4. um pedaço de osso saltando de dentro para fora do indivíduo.3 Verdadeira A evidência é verdadeira.4. é necessário e suficiente que o osso esteja a vista. saberão que se trata de uma fratura exposta.1. Aquilo que a razão.2 Vícios da certeza Os vícios da vontade podem originar-se. 9.4.6.4. não há certeza que resista. pela qual se torna impossível àquele que vê a verdade julgar que não a vê".4.1.6. vamos analisá-la sob o prisma da ignorância.76 9.6.1. mas nem toda verdade é evidente.6. 9.4. Não há como provar a evidência.1 Dúvida Para aprofundarmos a compreensão da certeza. empiricamente faz saltar aos olhos. Assim.6. fundamenta a certeza. 9.1 Universalidade Sua validade é universal. a opinião e o erro.1. através da perícia. da dúvida.6.2. Nas palavras de Régis Jolivet "A evidência exerce sobre o espírito uma espécie de coação. em um estado de ausência de conhecimento relativo ao objeto em apreço. no sentido de que basta por si só. 9. cabe enumerar alguns elementos que podem influenciar ou estão relacionados com estes vícios. irredutibilidade e verdade. não importa o meio que a produziu. é possível resolver o problema da ignorância.1. tais como a dúvida.1. Ninguém é obrigado a deter todo o conhecimento do mundo em sua . em razão dos vícios da certeza. para que o intelecto assinta sem temor de erro) e a suficiência (basta o que está posto). De fato.

mas o julgador está obrigado. A probabilidade pode ser lógica ou axiológica. ao passo que.4. Na dúvida. quando da suspensão temporária de uma certeza. quando tomada por certeza. de erro. parcial. onde é efetuada de forma estatística. faz-se necessária 45 Juízo de probabilidade. quando se considera toda a afirmação duvidosa. na dúvida. esta está ausente. Difere da dúvida no ponto exato da emissão do juízo. se na opinião existe a assertiva. 9. de cunho moral. quanto lhe seja possível. quando provier do resultado de duas antíteses. Isto ocorre porque inexiste uma probabilidade de negação acerca do que foi afirmado. Atende principalmente a critérios subjetivos da formação do emissor. pois. como no exemplo clássico do nazismo.2. há algum conhecimento. A dúvida pode ocorrer. principalmente nas ciências exatas. a axiológica. um dos vícios da certeza. Pode-se dizer que é um vício que leva a certeza à sua extinção. quando não há interesse em seu saneamento. refletida.3 Erro Já destacamos que o erro ocorre. por estar na maioria das vezes. portanto. por meio de medições objetivas. A probabilidade lógica é encontrada.77 cabeça. . 9.2. Constitui. condicionada ao processo de evolução do homem. Tanto mais o é no campo penal. eis que. por não se fixar em nenhum ponto concretamente. tem o dever (no mínimo moral) de valer-se de todos os meios disponíveis para chegar a um termo mais justo. o seu fundamento. no mínimo.6. devida a ignorância de algum elemento essencial à formação do juízo.6. este se assenta em um elemento movediço que varia entre “o ser” e “o não ser”. para obstacular a descoberta da verdade real. para melhor análise dos fatos. pode levar a danos irreparáveis. mas existe também um vácuo entre o que se precisa saber e o que se deveria saber. de forma a impedir o pronunciamento do juízo devido à carência de certeza. embora haja a emissão do juízo. quando a dúvida discorrer sobre uma parte da assertiva ou universal. “Contrario sensu” prescinde. de legitimidade. moralmente. Para se evitar o erro.2 Opinião A opinião é o resultado da emissão de um juízo acrescido do temor de engano. podendo ser voluntária. efetua-se nas ciências humanas.4. sendo. metódica ou Cartesiana (já tratada anteriormente). Quando à extensão. quando não existe a necessária adequação do intelecto ao objeto. Cabe ressaltar que este último. O principal elemento formador da opinião é a probabilidade 45.

no intuito de se chegar à certeza implica uma abstinência em nossa zona de conforto.1.4. A vaidade é o meu pecado predileto.2 Parcialidade A parcialidade ocorre.78 a análise de suas causas que. pois são intrínsecas ao agente. 9.6.3.4.. Para se evitar o erro deliberado. Trata-se de um instrumento para a manutenção do “pequeno mundo” do indivíduo. o nosso código de processo civil instituiu institutos de impedimentos e da suspeição em seu livro I. a preguiça ou a negligência.1 Vaidade A vaidade. que ocorre quando confiamos em demasia em nossas próprias aptidões. quando os interesses particulares ditam como juízo àquilo que seja mais favorável. mesmo estando ciente deste.6. título IV.2. 9. preguiça ou negligência A tendência inercial. alguma das partes for credora ou devedora do juiz. por motivo íntimo. a exemplo dos casos em que o juiz é amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes.3 Tendência inercial. 9. de seu cônjuge ou de parentes destes. ou subministrar meios para atender às despesas do litígio. 9. que ocorrem quando da apreciação do caminho necessário a percorrer.6.1 Quanto ao sujeito As causas materiais relativas ao sujeito são também chamadas de causas morais. em nossa consistência. devido ao número de . via decisões automáticas. aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa.6.. ou quando nos negamos a admitir um erro.2.4.3. capítulo IV.2. seção II.2.3. podendo também ser ensejada. quando houver herdeiro presuntivo.1. como a maioria dos termos que se referem ao juízo. relaciona-se com o sujeito e com o objeto.4. não havendo necessidade de justificar o porquê da declaração. quando houver interesse no julgamento da causa em favor de uma das partes e facultou ainda ao próprio julgador declarar-se suspeito.1. quando o magistrado receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo. até o terceiro grau. Ocorrerem em nossos país.3. donatário ou empregador de alguma das partes." Advogado do diabo. que são muito comuns. em linha reta ou na colateral.

6. 9. extingui-ló-ia. conforme seja a imediaticidade do exame. um fato testemunhado.2 Formas de evitar É possível prevenir os erros ou mesmos diminuir sua incidência. cit.4. pois. Régis Jolivet 46. os mais importantes.1 Sujeito No que tange ao sujeito. Trata-se. a agir com paciência. um valor.6.3.4. naturalmente. 9. pelas vias lógicas. com capacidade laborativa dos magistrados e servidores.79 processos que.2 Objeto (quanto à inerência) A certeza inerente é aquela que constitui a própria razão de ser do objeto. uma intuição. quando provém de um dado externo ao sujeito.3 Alcance O alcance do juízo poderá ser mediato ou imediato.4. estão em grande desproporcionalidade.2. a julgar com uma perfeita imparcialidade. de forma que uma asserção a “contrario sensu”.3.” .1.4 Informação plantada A Informação plantada vem a ser justamente aquela que vem embutida na formação do indivíduo ou mesmo na adequação axiológica do indivíduo a um grupo social.3. Resumem-se no amor a verdade que nos inclina a desconfiar de nós mesmos. como um documento. 9.4. como uma crença. 9.3. quando resulte de um ditame interno do sujeito. será intrínseca. 9. ao alcance e seu fundamento. ao objeto.6.4. tais como os preconceitos (grifo nosso). 46 “Op. 9.4. ou extrínseca.6. circunspeção e perseverança na procura da verdade".6. da própria essência do objeto.3 Classificação do Juízo Podemos classificar o Juízo quanto ao sujeito. ou ainda utilizar os chamados remédios morais: "São. em geral.3. como no caso da utilização dos métodos científicos da área específica.6.2.

pela via mediata. Não se trata de uma dúvida metódica nos confins do método cartesiano. quando são de cunho axiológicos ou metafísicos. quando exista uma certeza intrínseca acerca da essência do objeto de forma que uma asserção a “contrario sensu”. 9.3. embora se prime pela evidência. datiloscopistas. extingui-la-ia. tendo em vista que o objeto não é a obtenção de conhecimento. com vistas a evitar um dano irreparável.80 9. enfim.4. onde é emitida uma espécie de juizo provisório. Incluem-se nesta categoria os laudos periciais. 9.4. 9.6. etc.4. Esta certeza é muito utilizada nas ações em que é possível uma antecipação de tutela ou institutos afins. o que se busca é a verossimilhança.1 Mediato O alcance da certeza.4.4. Mas no caso. mas sim. esta certeza é obtida pela perícia. com a finalidade de adequar a norma ao caso concreto. trata-se de uma certeza que pode estar cerceada de vício. do empirismo (da comprovação pela observação.3.6. em um primeiro momento.3. uma propositura. hipóteses e conclusão). por isto. medico legais. conforme estejam relacionado a fatores intrínsecos ou extrínsecos ao sujeito. que avalia por critérios científicos já comprovados e.6.1 Objetivo (pelas vias exatas) Quando a certeza é buscada pelas vias exatas.3. nisto muito se assemelha à opinião. após todo o delineamento. eis que. considerados evidentemente idôneos. batalhar de antíteses. o mundo subjetivo é totalmente ignorado e o conhecimento é obtido "a posteriori".3. No direito.3. métodos cartesianos. contábeis. entramos no reino dos números.3.2 Imediato Quando a certeza é alcançada em um primeiro exame (“prima facie”).4 Fundamento Os fundamentos do juízo podem ser objetivos ou subjetivos.5 Subjetivo Os fundamentos subjetivos podem ser de cunho moral. Eis que.4. Pode passar pelos métodos indutivos.6. dedutivos.6. das ciências. . eis que visa delimitar e testar todos os pontos conflitantes. 9. o cerceamento da questão. é mais metódica. a clareza somente será obtida. Obedece às mesmas leis da classificação inerentes ao objeto. na busca da clareza.

relacionado ao seu meio. não sendo observados estes aspectos. Distingue-se da moral. 9. Já foi dito que "o homem é um ser social" (Hobbbes. mas não iguais. considerada exterior e superior às consciências individuais. dos acontecimentos em si. sem qualquer valoração.7. Locke. Neste contexto. da coação oriunda das consciências que o rodeiam. é diferente daquele indivíduo de classe média alta. b) Passa pela crítica metódica quanto à autenticidade. de alguma forma.7. que se estende além do indivíduo. sejam elas individuais ou coletivas.”. os fatos se repetem exatamente. o indivíduo não é propriamente livre. São instrumentos desta ciência: a psicologia. É. levando-se em consideração a inteligência. necessita do contato com . Os procedimentos consistem: a) No levantamento e classificação documental e testemunhal. a valoração será verificada junto à moral. 9. Uma pessoa de classe alta pode não ter as mesmas reações que uma pessoa de classe baixa em uma determinada situação. e a sociologia. integridade e boa fé (que não é necessariamente exatidão) e finalmente o c) Encadeamento substancial dos fatos. com instrução.81 9. proveniência. etc. entre as causas e os efeitos. É um objeto da moral individual e coletiva (vive um conflito entre os dois). Montesquieu.1 Histórico Por este método são analisadas as proposições. naquele contexto social. Podem ser até semelhantes. e. As circunstâncias de determinado tempo e espaço são preponderantes na emissão do juízo. e. será carecedor de idoneidade por falta de pressupostos. Durkheim afirmava que o fato social é produzido pela consciência coletiva. rendimentos que atendam às suas necessidades. pois. aquele que processa as diferentes manifestações humanas no seio da sociedade. aliás. porque este mexeu com sua consorte. “i. Compara e explica as realidades sociais. porquanto esta trata do dever.2 Sociológicos O método sociológico direciona-se aos atos humanos e sua conseqüente rota a caminho dos fatos.”. “i.7 Métodos O método adequado para a obtenção do juízo é o das ciências morais. em nenhum caso. Os pressupostos existenciais da consciência coletiva foram delineadas pela teoria Jungniana. pela via da imparcialidade. Eis que os fatos são analisados em relação a um contexto maior. em um determinado tempo e espaço. perspicácia e logicidade. pois é suscetível de um comportamento comum. a sociologia. a evolução e a liberdade. A valoração da honra. Condorcet teceram importantes teoria de como se comportam os homens como seres sociais). Os juízos proferidos com base neste método são únicos e originais. Teremos assim um dos vícios do juízo. interfiram na maneira como o agente vê o mundo hoje e como procederá. em conformidade com o estudo dos fatos do passado que. pois o método indutivo o que se utiliza. a história e a mãe de todas as ciências: a filosofia. para este indivíduo sem instrução. Citemos o caso real de um indivíduo que mora em um assentamento e que matou outro semelhante.

82

outros seres de sua espécie. Existe um impulso que o leva a coabitar. Portanto, deseja a
aprovação dos que o rodeiam, precisa sentir-se presente, existente, parte de alguma coisa, e
isto não ocorrendo, instala-se um vazio, que precisa ser preenchido de algum modo. Este
vácuo pode ser preenchido pela cultura, pelo trabalho, pela religião, pela educação (alterandose os seus juízos de valor) ou mesmo pela violência, pelas drogas...
9.7.3

Lógico

Por fim, os métodos lógicos para aferição do juízo, referem-se aos já abordados na parte
referente ao raciocínio indutivo, dedutivo, teses e antíteses, sistemático, “contrario sensu” etc.
9.8

Definição do Juízo
Juízo é o ato finalístico da razoabilidade de onde emanam os pressupostos necessários à
concretude da razão, no plano naturalístico. Compõe-se de sujeito (o que emite o juízo),
objeto, predicado ou atributo do sujeito. Divide-se, quanto ao provimento, em positivo e
negativo, conforme seja o seu resultado. Recebe o nome de proposição, quando é
verbalizado. Para que seja considerado idôneo, deve atender aos critérios da clareza ou
lucidez, plenitude, concordância lógica, entre as fundamentações e o dispositivo,
evidência, certeza. Os métodos utilizados estão relacionados aos das ciências humanas,
tais como histórico, sociológico e lógicos.

9.9

Espécies de juízo
As espécies de juízo podem definir-se, quanto ao tempo de sua emissão, bem como as

várias especificidades, que podem ser relacionadas dentro, da matéria específica.
9.9.1

Quanto ao tempo
O sistema Kantiano tem-se demonstrado como o mais salutar para a constatação

temporal, que evidencia o juízo, que o dividimos em sintéticos, “a priori”, e analíticos, “a
posteriori”.
9.9.1.1 Sintéticos "a priori"
Para efeitos práticos, em direito, consideramos os juízos sintéticos "a priori", como
sendo aqueles emitidos "in prima facie", seja porque os dados sensoriais estão plenos ou
satisfeitos, seja porque há uma urgência, uma finalidade específica, imediata, que exige um
juízo prévio, como no caso de se evitar um dano atual e iminente. Assim, há que se haver um
caso concreto, como aquele que se exige uma tutela antecipada ou um provimento
emergencial qualquer.

83

9.9.1.2 Analíticos "a posteriori"
Os juízos analíticos "a posteriori", “contrario sensu” aos juízos sintéticos "a priori", são
aqueles que imprescindem de um aprofundamento da razão. Possuem a característica de ser
extensivo, pois necessita da ampliação do objeto para sua formulação. É o caso das sentenças
de mérito, em que o juiz analisa os fatos narrados e posteriormente aplica o direito ao caso
concreto.
Ressaltamos que, enquanto os juízos sintéticos, "a priori", são pertinentes ao sujeito, eis
que carregadas da subjetividade que o fato exige para a postura de um provimento, os juízos
analíticos, "a posteriores", são objetivos, visto que primam por uma análise, por um
desdobramento sistematizado, para, só então chegar-se ao dispositivo.
A primeira vista, pode parecer que os juízos analíticos, "a priori", não são os mais
idôneos. Contudo, se em algum tempo o são, não o são sistematicamente, absolutamente, haja
vista que os juízos sintéticos, "a priori", para serem emitidos, procuram acobertar-se da
certeza dada pela evidência, e há casos em que é melhor um juízo imediato, ainda que
equivocado, do que um juízo prolixo acertado, mas sem utilidade.
9.9.2

Juízo de tipicidade

Para terminar este tópico, esclarecemos que, quando adentramos as matérias de direito, muitas
espécies de juízo específicas podem ser encontradas. Só a título exemplificativo, citaremos o
juízo de tipicidade, que é aquele juízo de verificação, que se faz para se saber se o fato é ou
não típico, como quando colhemos um fato e tentamos enquadrá-lo nas leis penais.

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10 Subprincípio da translatividade
Abstratamente, podemos afirmar que a transcendência da razoabilidade nos induz a uma
razão que nos faz conhecer uma lei, que pode não estar necessariamente criada, havendo,
portanto, ai, uma prerrogativa de criação, pelo fato de que a razão reconhece que a lei
promulgada contrapõe-se a consciência objetiva, e de forma intrínseca, constata-se que
não possui verdadeira autoridade - a não ser pelas vias do paradoxo Kelsiano, que reza
que a norma, apesar de carecer de perfeição, deve ser cumprida, custe o que custar - e,
concomitantemente, induz a uma atitude corretiva ao ato considerado insano, em sua
essência e em seus efeitos. No mundo natural, tal ato pode mostra-se de forma tão
imperfeita, que é capaz de, por si só, negar a própria existência.
O princípio da translatividade em seu sentido mais material, está relacionado ao
movimento, ao levar de um lugar para outro, a transferência ou transmissão da função de
uma categoria à outra, daquilo que expressa a mudança, a passagem de um lugar (ou de
um estado) a outro, ou que indique uma qualidade, condição ou efeito resultante desse
processo. Para fins de direito, a translatividade deverá atender as determinações,
"mutatis mutandis", resultantes das questões de ordem pública. Trata-se, portanto, de
uma função corretiva, capaz de alterar um ato que, até então, era tido como inatacável,
imodificável, cerceado por todos os pressupostos da segurança jurídica. É um princípio,
tanto necessário, quanto perigoso, pois se não estiver devidamente delimitado, poderá
comprometer todo o ordenamento jurídico e, ao mesmo tempo, os limites impostos de
forma mordaciva, podem comprometer sua eficácia, sua aplicabilidade e por que não
dizer, até mesmo, sua existência, no campo naturalístico.

Embora esta necessidade moral nada tenha a ver com a necessidade física ou com a força bruta. que é também o reflexo de uma força externa. com capacidade de impedir 47 Dos deveres. em uma necessidade moral. pois. 10. Se esta força pudesse ser transportada ao campo das ciências físicas. sem perturbar a ordem das coisas ou violar o direito de outrem. encontraríamos uma força centrífuga e uma força centrípeta atuando simultaneamente. seu impulso é de tal ordem. Livro I. capaz de impelir uma ação. sob pena de negligência. de tal ordem que a vontade pública não possa fugir a ela. a um dever. 10.2 Natureza da translatividade A essência da translatividade consiste. seu ímpeto induz. . que incute a impressão de que assim o é.1 ”Summun jus. summa injuria” "O maior direito (é) a maior injustiça" -> Provérbio latino citado por Cícero 47 ao desaconselhar uma aplicação excessivamente rígida das Leis.85 10. referese a uma realidade interior. praticamente.

quanto ao objeto. basta que se conheça sua origem). enquanto desprovida do aspecto finalistico "stricto sensu". capazes de. insurge-se na ordem direta da razão. apesar de todas as transgressões legais. atendendo as exigências objetivas da moralidade (ao regramento supremo. inclusive o direito adquirido. se necessário. fato é que praticamente se ignora o que transpasse aos cinco sentidos. pela culpa ou pela força. imutavelmente. subsista.5 Elementos constitutivos Tratam-se daqueles elementos que demonstrarão sua existencialidade. eis que atuando sobre a vontade. para se determinar qual a regra hipotética fundamental. de forma que é capaz de atingir. pois. o princípio da translatividade é uma ferramenta capaz de legitimar a correção dos erros jurídicos mais escorchantes. a moralidade objetiva difere do objeto da Teoria Pura do Direito. 10. 10. instituída por Hans Kelsen. atuando corretivamente. 10. impõe-se como a exigência expressa de uma ordem. pela metafísica da razoabilidade ou materialmente como "in casu" pelas vias de seu aspecto dinâmico. que em nosso meio dáse pelos ditames da razão. bem como nortearão sua efetividade. por sua vez.5. ao mesmo tempo em que mantém sua intangibilidade. e ainda assim. locais ou temporais. de forma que uma sentença corresponda ao caso concreto. cuja exigência absoluta e incondicionada. sem violentá-la. Neste ponto. o que importa são princípios muito gerais (em regra moralísticos) que possibilitem a sua aplicação ao caso concreto.3 Natureza jurídica Para o direito. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. pois. que somente poderá ser sabido finalisticamente. eis que atua diretamente sobre o fim último do bem comum. A translatividade. inibirem ou motivarem a vontade. 10. se a considerarmos em seu fim último. . tanto ao sujeito.86 qualquer inércia.1 Materiais Os elementos materiais referem-se.4 A translatividade e a razoabilidade prática Ao direito naturalístico.

convém .5. b) o moral.1. bem como seus impulsionadores. incapazes de sufragar maiores náuseas. dúvida. 10. em relação ao processo translativo. adentrar alguns aspectos psicológicos.5. divido ao fato de que o agente desconhece completamente o objeto. havendo um temor interno do agente em se enganar.1.87 10. conforme esteja ou não em poder do agente o suprimento do equilíbrio existente entre seu estado de afirmação ou negação. "lato sensu". culpável ou inescusável.1.2.1 Intensidade A intensidade para os fins elementais materiais subjetivos da translatividade vem a ser o grau de excitação da atenção. de tal sorte que o "não ato" "mutandis". como no caso da certeza.1. em determinado tempo e espaço. podendo basear seu fundamento: a) na própria essência do caráter translativamente necessário. e tanto menor. opinião. neste caso.5. quanto maior a antipatia (como os horrores do nazismo). quanto resultar de fatos sem conseqüências. em que há uma adesão firme do agente.2 Psicológicos O sujeito. pode encontrar-se em quatro estados diferentes: o da ignorância. A inteligência conduz a mudança com propriedade. Cabe assinalar que a dúvida pode ser vencível ou invencível. ou multilateral.1 Subjetivas No que tange ao sujeito. quando se apresentar como mera plausibilidade. pode ocorrer por ato unilateral. cabe analisar os aspectos relativos à manifestação da vontade. que varia de indivíduo para indivíduo. sendo tão mais durável. em decorrência de seus valores. 10. quando depender de acordo entre as partes e. capaz de fixar e conservar na lembrança o ato imperfeito. a translatividade consubstancia seu devir (vir a ser) na transação. provocado pelo sentimento (quase que instintivo. que abre mão de um direito.1. No intuito de ilustrar a intensidade da repulsa pelo aspecto superlativo. quando for verdadeira em um grande número de casos. o estado da evidência. quando uma das partes. reflexivo) de repulsa efetiva.1. quando a translatividade apresentar-se como possível. A conservação da lembrança pode ser um indicador do grau de repugnância do ato.1 Manifestação da vontade A translatividade. seja tido como absurdo. o grau de incômodo que o fato exerce sobre o sujeito.1. e enfim.5. 10. quando o devir translativo mostra-se como inexistente.

1.". acaba sempre por ocorrer uma perturbação fisiológica. teleológicos ou ainda transcedentais. Um bom exemplo deste é o caso em que o juiz de primeira instância condena o réu por um ato formalmente típico e o tribunal. atinge a . depende de um vínculo pré-determinado. se foi ou não. que está sendo ou deveria ser. pois. simultaneamente. ou extrínseca. É capaz de realizar-se quase que por si mesmo. é claro que a superlatividade aqui apresentada é apenas ilustrativa. Ambos os impulsos (exatamente por serem impulsos). que não ocorrendo. quando há uma cobrança da própria sociedade. que demonstram aceleração do ritmo do coração e do ritmo respiratório. sendo material segue outra ordem. ocorre. e. modificado. gera uma necessidade intrínseca. legais ou não. absolve este. pela emoção atual ou iminente e intensa. uma comoção nesse sentido. "i. quando partir da própria consciência do indivíduo.5. sejam em seus aspectos materiais. estão consubstanciados por alavancas materiais. que requisitará constantemente o seu preenchimento "ad aeternum" (isto nos remete à chamada sede de justiça). sem se dar conta. finda-se por constituir-se em um vácuo. não impede que haja um impulso. quanto são produzidos no corpo.1.1. quando conhecido pela razão. em sujeitos ligados diretamente a um fato altamente reprovável. Quanto àqueles ligados ao ato. O ato. capaz de transpor a ordem instituída.1 Extensão A extensão refere-se à pluralidade de sujeitos e ao modo como os efeitos da translatividade e do ato. perturbações intestinais. em regra. quase que inconscientemente. em segunda instância. formais. e extrínseca que induz à mudança do ato. uma vez que. palidez. na maioria das vezes.5. em si. 10. e o sujeito acaba por atuar de forma repulsiva. por entender que o ato é materialmente atípico.5. de certa forma. pois se vislumbra quando há uma desconformidade do ato aos ditames da inteligência.2.2 Objeto O objeto da translatividade é moral e lógico. configurada pela soma de seus valores. Sensação de não ter passagem na garganta.1.88 relacioná-lo aos fatos. 10. em outros. Conhecem-se bem os efeitos deste fenômeno. funcionais. 10. em muitos casos.3 Impulsionadores ou motivadores O impulso motor capaz de mover o agente a um ato translativo pode ser de ordem intrínseca. reflexos incoerentes de adaptação ou de proteção etc. boca seca. que seja de tal intensidade. pois se.

em alguns casos. à anulação. apenas quando contar com o auxílio da introspecção. relativo às questões vinculadas à ordem pública. às rescisórias. seja "lato sensu" ou "stricto sensu". basta dizer. suficiente. Como estamos tratando do aspecto objetivo. à inexistência de certos atos. relativos ao sujeito. enfim. resultante das condutas . são proficuamente os de caráter decisório). enquanto. estes podem ser considerados em seu aspecto "lato sensu". 471 do NCC. Deduz-se. senão.1 Translatividade "lato sensu" e "stricto sensu" No que tange à extensão do princípio da translatividade.2.2 Alcance O alcance da translatividade refere-se ao ponto limite de sua extensão. se não fosse observado em nós mesmos. às correções jurisdicionais de ofício. a segunda aos atos inexistentes (inclusive os atos nulos com características inexistências) ou extremamente escorchantes. ou seja. sobretudo. o próprio instituto da lesão social. por si só. em seu aspecto mais objetivo. 51 do CDC. aquele relativo à funcionalidade "mutatis mutandis stricta" que será tratado mais adiante. ao objeto e à própria sociedade.5. inclusive aos atos abusivos entre as partes. Aqui o procedimento é mais complexo. Neste sentido. esclarecemos que ela não é. negar-se-á também de seus atos derivados (cabe esclarecer que os atos em questão e para estes fins. como os estipulados no art. Estamos tratando da mudança do "status quo" dos atos para o estado "quo ante" da forma mais ampla possível. mais técnico. de uma forma muito genérica.2. as mudanças do "status quo" para o estado "quo ante" infere-se.1. que impõem um dever de mudança.5. conforme abordado mais adiante. No que se refere ao aspecto "stricto sensu". que se está trabalhando. que tudo o que se afirmar do ato principal. 10. os fenômenos interiores.89 sociedade. tudo o que se negar acerca daquele ato. àquele relativo ao subprincípio da relatividade das convenções. que a primeira refere-se basicamente às nulidades. do qual faz parte também o art. Estamos falando do princípio da translatividade. "Contrario sensu". podendo abranger. Refere-se ainda ao aspecto da translatividade.1. desta regra ainda. chega a ser quase que apenas uma funcionalide recursal "lato sensu". afirmar-se-á também de tudo o que estiver contido neste ato (nisto assemelha-se a teoria dos frutos da árvore contaminada). bem como o grau de repulsa com qual culmina o ato objeto. relativo ao trato das sentenças e atos. a alguns aspectos especiais. uma vez que lhe faltaria um dos pressupostos. quando se tratar daqueles referentes aos recursos.1. 10. Para compreendermos mais claramente a questão da translatividade "lato sensu" e "stricto sensu". mais dificultoso.

dentre estes. Em muitos casos. 2. no presente subprincípio. 10. ao passo que. que está devidamente protegida. conforme consta do art 3º parágrafo 4º da Carta Magna.3 Lógicos Ressaltamos aqui alguns elemento capazes de insuflarem a movimentação da translatividade. de matéria ou questão de ordem pública. ato jurídico perfeito ou coisa julgada relativa a ato inexistente (ou “lato sensu” imperfeições superlativas). bem como alguns impedimentos: 10. Contudo. não se vinculam a qualquer procedimento de prescrição ou decadência. cujo ato causador pretendemos modificar. independe muito mais de qualquer manifestação das partes (“mutatis mutandis stricta”). em regra. 301 § 4º do CPC e 2.035 do NCC. como no caso do direito adquirido. no presente caso.5. pois. e os atos atinentes a este âmbito podem ser declarados de ofício.90 externas (a indignação). porquanto. a correção refere-se sempre a uma alteração "a posteriori".5. é a passagem da observação à experimentação. 10. o que é próprio da moral. dentro dos limites de sua especificidade. que é uma espécie de princípio da translatividade.3. Ultrapassa também os fins do subprincípio da retroatividade motivada. o aspecto temporal de efetividade do NCC. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. de forma que a Magna carta autoriza que se passem por cima até de preceitos fundamentais. Aqui estão sendo sanados os vícios mais indesejáveis (repugnantes). ligada ao seu aspecto “lato sensu”.5. estando. estampado no art. pois. não existe limite de prazo para a aplicação deste princípio. pois o bem da vida que se está sendo protegido é de ordem pública.2 Efeitos de aspecto temporal Como estamos tratando. na translatividade. conforme exemplificamos pelo disposto nos artigos 267 § 3º do CPC. onde se encontra o principal fundamento deste princípio. é a própria ordem pública. que dá origem ao "animus mutandis". a teoria da imprevisão . ou seja. Eis que. embora não sendo completo. “citra petita” ou “infra petita” e “extra petita” são deixadas de lado. Os atributos deste podem ser aplicados àquele. “Contrario senso”.035 parágrafo único do NCC. Cabe ainda esclarecer que o subprincípio da retroatividade motivada é uma subespécie deste.1 Função corretiva ou “mutatis mutandis” ( “stricta” ) A função corretiva concernente ao subprincípio da translatividade difere daquela constante no subprincípio da boa fé naquilo que tange ao tempo da execução. os casos de revisão criminal etc. As vedações “ultra petita”. isto decorre de não haver direito adquirido. é indispensável.

estes processos têm se demonstrado como os mais confiáveis. pode o menos. no entanto. o espírito apenas concebe uma idéia. é uma contradição em si mesmo. "A posteriori". As causas morais e o interesse podem ser sanados pela boa fé. desídia (seja ela fortuita ou habitual). que reza que algo "deve ser aquilo" e não outra coisa. enquanto o ato ainda está sendo efetuado.91 pode ser aplicada ao subprincípio da translatividade. ainda assim. Ocorre. Pode advir: a) De uma causa lógica. como no caso dos silogismos sofísticos. 10. quando tal ato atraia algum benefício ao agente. não provem da apreensão. Erro este que necessita ser sanado (“mutatis mutandis”). . neste caso. pois quem pode o mais. Outrossim. na evidência entre outros. a aplicação do remédio indicado refere-se à ação do tempo presente. que pode originar um “animus immobilis”. enquanto. como no caso da prevaricação. devido ao fato de que os processos lógicos. por entender que irá ferir sua auto imagem -> excessivo sentimento de auto importância). como a vaidade do agente que confia em demasia em suas próprias luzes ou é incapaz de admitir o erro (em boa parte. aceitação de opinião de imperitos (por vezes "aquele de confiança") etc. negligência. percebe os fatos. obedecendo-se a um padrão ontológico. ou seja "a lógica". Nos três casos. se evidente. são passíveis de certos desvios. c) O interesse (menos comum).1. porquanto. passará a ser duvidoso. b) De causas morais (em geral). esteja medeada de vícios.3. de certo modo. 10. que a forma como estes fatos são percebidos. pois que estamos tratando de um princípio que exige extrema cautela. com os devidos cuidados. Firma-se com base na certeza. pois. o que.3. que agora será utilizada de forma mais metódica. podem alterar os processos lógicos da translatividade em seu procedimento de “devir”. o modo de sanar nem sempre está a disposição de quem efetuou o ato. emite qualquer juízo de valor. Pode ser sanada pelo seu próprio ente causador. inicialmente. embora metodológicos. quando não consubstanciada na evidência ou. mas sempre como meio e não como fim. d) A preguiça. Logo. naquele.1 Causa causal A origem existencial da translatividade respalda-se em um efeito da qual a causa é o erro.5. o que era evidente. Baseia-se no resultado de uma operação da razão.2 Translatividade lógica A translatividade lógica exprime uma conformidade entre a coisa e o “devir” (vir a ser).5.

A primeira torna o ato indiretamente válido e existente.3 Causas que atuam sobre a translatividade As causas que atuam sobre a translatividade para diminuir ou suprimir os fatores que macularam a ordem pública derivam dos diversos tipos de ignorância ou erros ocorridos no transcorrer dos atos. que passam a ser a causa primeira e o fim último dos atos humanos. A translatividade tem seus objetos próprios. 10. temos de conhecer a atividade moral que a rege. passando-a à condição de ato. A ignorância invencível é atualmente involuntária. a verdade e o bem maior.92 10. regrada pela inteligência que direciona seus atos ao seu fim. mas.”. subordinando todo o resto como meio. que se constitui dessarte. no instrumento que possibilita o exaurimento do processo evolutivo humano. Para tanto.3. como instrumento idôneo para retirar a verdade de seu embrião de potencialidade. em uma oposição eficaz ao erro. ao seu fim último. questionando-se qual é a natureza deste dever. para isto. . Finalidade esta que foi conferida pela inteligência humana. com propriedade. não pode ser ordenada ao bem total do homem. que é seu fim particular. sendo voluntária e culpável. faz-se necessário definir qual a natureza desta perfeição. Não pode. supõe a aceitação das conseqüências da ignorância. Esta ignorância pode ser vencível ou invencível. evitando sistematicamente esclarecer-se sobre os seus deveres.5. portanto. sejam eles de boa ou de má fé. qual será o valor absoluto desejado. A translatividade (“mutatis mutandis”).5. e. cujo objeto último é a própria perfeição. por conseguinte.4 O fim último da translatividade Atingir o fim último da translatividade equivale a realizar a perfeição da natureza deste ato. que a fundamenta. qual o ponto em que a translatividade atinge seu ponto culminantemente. não necessitando que haja qualquer alteração superveniente. institui-se. porque a negligência de tomar informações. pela via de sucessivas manifestações. Isto ocorre concomitantemente. enganar-se pensando escapar às responsabilidades de seus atos. No campo filosófico afirma-se que o fim da inteligência é a verdade. almejado. Pode-se chegar ao lume também. em seu processo evolutivo. ela não é culpável. Disto extrai-se o caráter transcendental. na medida em que evitamos o mal que nos desvia desta perfeição. Oras. sendo o erro oposto à verdade. isto se deve ao fato de que a finalidade derradeira é perseguida conscientemente. “i. no sentido próprio do termo.

6 Características As principais características da translatividade.93 10. . cabe não ressaltar. ainda que. bem como à inobservância horizontal ou vertical (não importa o grau) no que tange à jurisdição. foram abordadas em seus próprios elementos e referem-se à imprescritibilidade. à atuação de ofício. não tendo forma. não preclui.

É a relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado naturalístico.94 11 Supbrincípio da coerência A terceira Lei de Newton expressa a seguinte expressão: "a toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade. neste último exige-se uma compatibilidade entre o motivo declarado e o resultado do ato administrativo (veja-se. Exemplo clássico: Na Arca de noé entrou um casal de cada espécie de animal. em sentido contrário". tem sua representatividade no mundo do direito e a encontramos. quando da junção do fato com o fundamento jurídico. Contudo. Tratam-se dos silogismos. para concatenação da causa e efeito. que não basta o nexo de causalidade. sempre que nos deparamos com o nexo de causalidade. conhecida como a "lei de ação e reação". sob pena de atingir as raias do absurdo. portanto. . Logo. ocorre. nem sempre uma conclusão lógica é coerente. principalmente no campo penal e que deverá sofrer algumas mitigações. No campo lógico das idéias utiliza-se uma poderosa ferramenta. mas. sendo que. Esta regra da física. Oras. o peixe é um animal. mas deve haver ainda um liame razoável). entrou na Arca de noé um casal de cada espécie de peixe. encontradas. Na área cível e no administrativo.

o que.quanto à dúvida metódica do afastamento temporário de um e de outro (fatos. Se considerarmos secamente a objetividade da Lei. quanto para a prorrogação do alcance da lei. considerando-se os aspectos subjetivos de quem emite o juízo de valor. A letra da lei. c) Ação tomada .1.1. elementos acidentais etc). b) dificuldades e esforço despedido ao cumprimento da(s) obrigaçõe(s) (vencer a inércia. a aplicação da Lei violará a consciência do Julgador. a maior ou menor probabilidade de utilização das razões que fundamentam o juízo. tanto para mitigação. como a função social dos contratos e a própria Carta Magna promulga por uma sociedade justa. resultados já vêm sendo alcançados. funcionais e finalísticos. Assim. Impõe uma retração à natural tendência subjetiva . O subprincípio da axiologia.95 11.1 Elementos constitutivos Dividimos os elementos constitutivos relativos ao princípio da coerência em matérias. perceberemos que a sua não aplicação violará a consciência social. de forma que não haja uma desproporcionalidade de juízo. quando visar às questões relacionadas aos méritos dos atos. as paixões. Um meio termo consiste em uma unificação do direito positivo e racional à abertura de novos dinamismos. que cuidou de vários aspectos teleológicos. por outro lado. caso não haja uma relação harmoniosa entre a lei e o fato.1 Subjetivos axiológicos A valoração do encadeamento dos fatos e condutas com a letra da lei visam desentranhar a inata questão da natureza profunda das coisas. formais. condutas e a norma) antes da emissão do juízo. controladora da valoração.1 Materiais Os elementos materiais são de ordem subjetivos axiológicos e objetivos.1. de início parece complicado.daquele que se utiliza da dialética . dentre seus objetivos. como parte da consciência coletiva. 11. implica análise: a) do seu grau de importância. indefinidamente. decorre de sua valoração. quando tratar das condutas e dos fatos. Neste sentido. conforme passamos a explicar: 11. a exemplo do que ocorre com o Novo Código Civil. enquanto relacionadas ao seu fim. pois acarretaria na criação de espaços. que será auferido em uma escala de valores em determinado gênero e espécie. em si atua com funcionalidade condicionadora.

ou pelo que efetivamente pode ser (passível de existência).é. Quando se expede um mandado de prisão preventiva.2. haja vista. utiliza-se de razões mais universais. constituir-se-á uma axiologia aos liames logicamente encadeados entre si. far-se-á pelo seu "devir". de maneira que forme um sistema harmônico. Assim. 11. Assim.2 Fato Qualquer acontecimento do mundo em que vivemos. a valoração do liame. pois é do fato que se extrairá o nexo de causalidade (a relação existente entre a conduta e o resultado). objeto de valoração em razão de uma norma. sua manifestação não atingiu o grau de tangibilidade . 11.1 Fato como ato e potência Um fato pode ser tomado pelo que é. eis que (em uma análise objetiva) abrangem-se inclusive as concausas relevantes.1.2 Formais Os aspectos matérias referem-se àqueles que possuem relevância e fundamentos no direito. mas imperfeito quanto ao ato em si.2. pode ser um dos elementos objetivos. pelo subprincípio da coerência.1 Condutas O que nos interesse aqui é a conduta humana. porquanto que haja relevância jurídica. pois é daqui que se extrairá o liame causal. enquanto produtora de um ato ou fato juridicamente relevante.1. enquanto existência . utilizar-se das razões mais universais.1. embora essencialmente o fato exista. 11.1. portanto perfeito potencialmente. basta que cerceemos a possibilidade de ação (conduta) do sujeito. neste contexto. porquanto. de maneira que forme um sistema harmônico.1.2.1.1. é o que se entende tecnicamente por contingência. 11. . objetivamente.1. conseqüentemente o fato também não. o que se diz em verdade é que "não podendo a potência passar ao ato a não ser sob a ação de um ser em ato".2 Objeto Objetivamente. a coerência constitui-se em uma aplicação axiológica aos liames logicamente encadeados entre si.96 efetivamente e d) Intenção do agente.deixando uma incerteza quanto ao seu "vir a ser". 11.2. que o resultado do ato não ocorrerá e. neste contexto.1.

um bem da vida. objetivos fundamentais. sem a qual o resultado não teria ocorrido. Dessarte. a lei também deve obedecer à lei. mas. pois. Assim. somente é imputável a quem lhe deu causa. não podem violar os fundamentos Estatais. pétreas. direitos fundamentais ou quaisquer outras cláusulas consideradas. que determina que não pode haver interpretação a Lei que mitigue fundamentos. seja por ação ou por omissão (pois aqui o agente deixou de atuar.2. surge um dano. sob pena de atuar sob as esferas da ilegalidade. para que sejam tidos por harmônicos. 11. de que depende a existência do crime.2 Fundamento jurídico É sabido que o administrador público ("lato sensu") pode atuar apenas dentro dos limites legais.97 11. apenas uma formalidade aparente é que estará sendo observada.O resultado. Deste modo. A chuva. 11. e então comece a chover. quando do estudo do nexo de causalidade. os fundamentos jurídicos. 3º de nossa magna carta. assim o fazendo. para evitar o resultado. sim. Considera-se causa a ação ou omissão. . É certo também que estas leis devem subsumir-se aos objetivos fundamentais do Estado.1. donde surge a relevância jurídica. Sabemos que o art. 13 .3 Funcionais Referimo-nos aqui àqueles aspectos que possibilitam ou auxiliam a executoriedade relativas à coerência. por si só.1. para que haja harmonia. pois. o fundamento jurídico deve estar na Lei. com responsabilidade no mínimo potencial.1 Relevância jurídica Digamos que um sujeito qualquer esteja caminhando na rua. não possui qualquer relevância.1. 13 do CP 48 reza que o resultado do crime é imputável a quem lhe deu causa. é necessário que se observe o princípio finalístico da vedação ao retrocesso.1 Nexo de causalidade Uma aplicação prática do subprincípio da coerência verifica-se. quando "deveria" fazê-lo. neste caso. juridicamente protegido. está sob a perspectiva de uma ameaça. quanto ao sujeito que caminha na chuva e cai em um bueiro quebrando a perna ou é atropelado. pela Teoria da equivalência dos antecedentes causais ou das condições ou teoria da condição negativa. conforme dispõe o art.1.3.2. Trata-se portanto de uma contribuição 48 Art. 11. Portanto. se não estiver acompanhada de uma imputação normativa qualquer.

Referimo-nos em especial à Prova da Causalidade. a exemplo do que ocorre no crime de homicídio. há uma "causa absolutamente primeira" e independente. Luiz Flavio Gomes no IELF.1. art. tudo o que contribui para o resultado é causa deste. utiliza-se de mitigadores aos antecedentes causais por via de projeções paralelas. os fatos anteriores. 13 § 1º . o que a fabricou. a teoria "coditio sine qua non". e. 50 Conforme resumo teórico ministrado pelo prof. onde se observa o movimento. São elas: 1ª ) As "concausas": a) concausa superveniente relativamente independente 49. Neste 49 Art.". a segunda. "do não fazer". como no caso da aplicação do "regressus ad infinitum". "I"). c) Nexo de causalidde e d) Relação de adequação típica. Isto nos lembra a teoria das cinco vias elaboradas pelo Filósofo e Teólogo Tomás de Aquino.". 2a) A imputação objetiva da conduta. se tudo que é produzido não tem uma causa em si mesmo.3. "i. nos crimes dolosos (CP. resposabilisar-se-á também.1. o que vendeu o minério para o fabrico etc. para que seja considerada razoável. imputam-se a quem os praticou. b) Concausas absolutamente independentes (préexistentes. concomitantes ou supervenientes). por exclusão da regressão ao infinito. por processos racionais. que procurou provar a existência de Deus.98 de ordem negativa. consiste na eliminação dos elementos causais.A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando. mas. concomitantes ou supervenientes). 3a) A imputação objetiva do resultado em que o agente só responde se o resultado jurídico constitui "realização" do risco proibido criado e por fim 4º) Imputação subjetiva. por si só. conclui-se que. para se evitar o "regressus ad infinitum".1 Diferença entre nexo de causalidade e subprincípio da coerência Sabemos que a tipicidade formal ou legal é composta de quatro elementos: a) Conduta. A semelhança entre a teoria da Prova da Causalidade de Tomas de Aquino e a teoria "conditio sine qua non" adotada pelo CP. produziu o resultado. que visam valorar o liame de forma harmoniosa (eis o subprincípio da coerência). 50 11. "i. assim. c) Concausas relativamente independentes (preexistentes. em que. 18. Enquanto a primeira utiliza-se de um elemento transcendental. onde o agente só responde quando "criar" riscos proibidos relevantes). Contudo. deve sofrer algumas mitigações. . que é a fonte de toda a causalidade. sob pena de alcançar "as raias do absurdo". pela perspectiva do "vir-aser" fenomenal. o resultado naturalístico vem de sua inércia material. além do agente causador direto do dano. b) Resultado naturalístico. e. entretanto. é produzido em razão de uma outra coisa. como fonte de todas as séries causais. aquele que vendeu a arma.

o resultado e a pena imposta. a relação de adequação. 11. consubstanciando-se. quando este é socorrido. Este dimensionamento exige que. 84 . o fato deve adequar-se à letra da lei (dimensão fática legal). de 1 (um) a 4 (quatro) anos. refere-se ao fato é a Lei.1. para si ou para outrem.2 Liame harmônico lógico Vejamos o clássico exemplo da ambulância (do direito penal). a aplicação do supbrincípio da coerência. pois a vítima não estaria em uma ambulância. temos o nexo de causalidade. ou seja. coisa alheia móvel: Pena . Dessarte. que culmina na morte da vítima. deste modo.4 Liame harmônico finalístico Reza o art. 52 Art. seria lógico e harmônico se a vítima falecesse em virtude do ferimento provocado. 11.3. como nos homicídios dolosos). onde um sujeito fere mortalmente o outro indivíduo e. relativamente independente” o liame não é harmônico. mecânicas. 155 . posteriormente. 84 do CPP 52 que a competência pela prerrogativa de função é do STF e dos 51 Art. quem furta uma laranja enquadra-se no tipo do art.A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação. e multa.reclusão. Existe um nexo de causalidade entre a morte da vítima e o ferimento provocado. Desproporcionalidade esta que decorre de uma valoração efetuada entre a conduta. causando um traumatismo craniano.Subtrair. o agente (cuja subjetividade também é valorada em alguns casos. podendo a pena variar de 1 (um) a 4 (anos) mais multa. a caminho do hospital. Percebe-se que mesmo se aplicando uma pena mínima. "i.99 último item. com sua conduta. 155 do CPP 51. proporcional). caso não houvesse sido ferida. .1. No primeiro caso. o tipo subtrai os dimensionamentos axiológicos. Até aqui o nexo de causalidade é aplicado de formas secas. Enquanto o nexo causalidade trata especificamente de uma relação de causa e efeito. tenha produzido um resultado jurídico "penal e objetivamente relevante". em um liame harmônico. e. no segundo. está-se evidenciando desproporcional. Outrossim.". relativamente às pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns ou de responsabilidade. mas como se trata de uma “concausa paralela. o veículo sofre um acidente. impõe a existência de um liame harmônico (razoável. capazes de resultar uma pena adequada. o subrprincípio da coerência garante. por este método. Há um elo de ligação lógico.

54 CPP. Deparamo-nos aqui com o "liame harmônico finalistico". prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública.429.2 CONCEITO Subprincípio da coerência é o elo de ligação harmônico do nexo causal. muito embora nos transpareça a impressão de que. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. prevalece a competência especial por prerrogativa de função. com o cancelamento da dita súmula. eis que. art.100 Tribunais de apelação. em uma unidade lógica. a Lei LEI Nº 10. de 2 de junho de 1992. através da Súmula 394 53. que tal artigo referia-se somente a crimes cometidos durante o exercício funcional. relativa a atos administrativos do agente. mesmo forçosamente. em um primeiro momento. observado o disposto no § 1º. de caráter finalístico. Contudo. § 2º A ação de improbidade. não cabia mais aos tribunais. incluiu dois novos parágrafos ao art. não poderia afirmar que tal prerrogativa ultrapassasse o interstício temporal relativo ao uso das atribuições. será proposta perante o tribunal competente para processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese de prerrogativa de foro. o STF entendeu que. DE 24 DE DEZEMBRO DE 2002 (Lei pré-natalícia). não importando que a respectiva ação se iniciasse posteriormente ao mandato. como a competência era da função e não da pessoa.628. dentro de um espaço temporal. 84 § 1º A competência especial por prerrogativa de função.Cometido o crime durante o exercício funcional. em razão do exercício de função pública. . Tal entendimento veio a ser confirmado posteriormente com o advento da Lei supracitada. constituindo-se. Posteriormente. A fim de que o nexo de causalidade entre o ato e o agente tivessem um liame harmônico. destarte. de que trata a Lei nº 8. entendeu o STF. 84 do CPP 54 fazendo ressurgir a antiga súmula no parágrafo primeiro. ao qual se granjeia pela valoração das condutas e dos fatos que possuam relevância para o direito. 53 STF Súmula nº 394 . prevaleceu o entendimento de que o ajuizamento da ação referente ao lapso temporal posterior ao mandato. enquanto mandatário. não faltarão aqueles que defenderão tratar-se de uma prerrogativa vitalícia. 11. atendendo-se aos pré-requisitos dispostos junto aos fundamentos jurídicos.

Em nossos propósitos. 18ª ed. A própria definição de bem é mal não são definitivas. o bem e o mal. 354. Agir. enquanto na procura do bem maior. p. que existem independentemente do querer e que se impõem a este. existem independentemente da volição humana "Há um bem e um mal objetivos. como coisas a perseguir ou evitar". . e para ser mais específicos. Regis. analisaremos a finalidade direcionada ao atos humanos. há um dinamismo próprio da evolução volitiva que pode ser encontrada no curso que leva à perfeição de nossa natureza. aqueles subordinados à inteligência. 1990. haja vista que. Curso de Filosofia. objetivamente.101 12 Princípio da finalidade Para Regis Jolivet 55. ou seja. aos pressupostos capazes de embrenhar estes atos do que poderia estar o mais próximo da perfeição dinâmica da vontade. seja esta volição objetiva ou subjetiva. 55 Jolivet.

permanece do mesmo modo. todos os atos são. o fim último.102 12. meios que não possuem um fim em si mesmos (salvo quando analisados obtusamente). em um fim remoto que é único.”. estático. é como se inexistisse. e. São partes independentes mais correlatas. que irá se somar. é um "não ato". É neste ponto que se encerra a teoria do vácuo. Se fosse estática. enquanto tendentes a um fim próximo que é a realização do ato objeto. em síntese. imperfeito (A perfeição não se estagna.1 O fim último Já esboçamos a idéia de que o fim último é aquele que nos leva à perfeição. . imóvel. pois possui valor zero e tudo o que se soma a zero. se não for capaz de dar sua contribuição. pelo simples fato de estar limitada. logo. até chegar ao desígnio final “i. Cada parte deve conter a sua parcela de perfeição.). não seria perfeição. não tem limites.

meia verdade. onde só é possível fazer o que estiver previsto. os fatos originários. a não ser por mero incidente translativo (ressalte-se que estamos tratando aqui apenas do âmbito material).103 considerando-se que um ato inexistente nos dá a idéia de algo que precisa ser preenchido. No campo administrativo. pois a perfeição. Afinal.5 Elementos constitutivos Enumeramos os elementos finalísticos em materiais. a finalidade refere-se ao que se busca com o ato. em razão da causa primeira ao fim último. capazes de vincular o interesse público. a saber: 12. os autorizadores do ato. meio uno. Mais uma vez. conseqüência de uma má fé inicial.2 Motivo As manifestações naturalísticas podem dar ensejo a certas atitudes. enquanto meio. seu destino. e esta utilidade. pelos seus fins.1 Elementos materiais Os elementos materiais referem-se aos estados relativos ao sujeito. Isto se torna mais claro no âmbito administrativo. 12. Os motivos são. e pudermos dizer ainda que este interesse público. assim.4 Diferença entre finalidade e motivo Enquanto o motivo refere-se ao pressuposto fático. à conveniência ou mesmo à obrigatoriedade fático-legal em si mesma. decorrentes da correta exposição dos elementos. no direito a finalidade vem. Diversamente em parte. de forma que não há que se falar em boa fé finalística.5. não há que se falar em meio perfeito. mantêm relação direta (proporcional) com o fato originário referente. associada à utilidade do ato. pelas vias do "ser". para fins de direito são. nos damos conta da relação de causa e efeito. em todos os seus atos. ao passo que os aspectos materiais objetivos vinculam-se ao bem absoluto. relativos à relação existente entre a manifestação naturalística e os efeitos desta manifestação que. onde o que se busca é a sua origem e o seu devir. ao mesmo tempo em que é uma exigência do fim último é "o próprio" e não admite espaços em branco.5. sem o qual estes não poderiam ser realizados por vício de mérito. busca a felicidade. está relacionada ao interesse público. 12. 12. pois os ânimos materializados que estiverem por trás dos atos em sua origem. afirmaremos então que esta finalidade que é então.1. está sempre ligado ao interesse público no direito como um todo. assim .1 Subjetivos Conforme já foi explanado.3 Finalidade Comumente. são constituintes da substância em seu fim. de sorte que o "alfa" e o "omega" possam constituir-se até em algo "uno". Assim. vincula-se ao bem comum. se dissermos que o ato busca sua utilidade. Atitudes estas que. 12. Dizemos diversamente em parte. mais que uma mera utilidade. qual seu fim. ligado à oportunidade. do que se trata na filosofia. expressamente em razão do princípio da estrita legalidade. em regra. 12. formais e teleológicos. de certa forma. é uma espécie de "bem comum". o homem. concomitantemente. é um supedâneo temporal e funcional para se chegar ao fim último.

na natureza. a manifestação microssísmica deste aspecto limitado pode. e. de uma espécie de desvio da linha do destino. ser definida como "o bem comum". "i. tornando. "i. todos os planetas e sistemas e inclusive no microcosmo. o desejo como. em movimento ao seu fim último. ou seja. Falamos aparentemente. e. em singular. Isto decorre do fato de que o nexo causal vincula todos os atos.104 sendo.". está relacionada à vontade. a não ser que houvesse uma unidade suprema de desígnios. daí. meios. Estabilidade esta que nunca será alcançado. 12. a perfeição. pois.5.". que todo "ente" pretende um dia alcançar. não são capazes de outros. Quando relacionado com o sujeito. e. o elemento material subjetivo finalístico vem a ser justamente a perfeição dos atos que levem o sujeito à paz e à harmonia. capaz de tornar. Esta relação. todos os movimentos com o um. enquanto essência .pois tratam-se de partes . é seu o ponto de partida "primeiro". atos que não sejam aqueles subordinados aos "desejos" (cabe esclarecer que entendemos a vontade como elemento ativo.1. Todo o nosso universo. os atos intermediários são. a substância do ato . logo.". seu "animus originalis".1 ”Causa casorum” Toda causa possui o seu "primus mobile". esta causa primeira. em conseqüência de seu fim. daquilo que vem a ser o fim. 12. estando um ato desvinculado de seu nexo primeiro. que antecede a ordem de execução. em si mesmo. a "causa casorum". desprovidas de liberdade. que necessita e será sanado.1. o que é plural. Trata-se. tudo se direciona ao ponto zero "i. porque tornaria. uma conta com resultado imperfeito. Sua pluralidade advém da falta de vínculos com a causa primeira. passivo) que tornam os atos nada da mais que meras conseqüências das circunstâncias. deduzir então que os "desejos" carecem tanto de consciência quanto de liberdade. com o princípio da finalidade. em síntese. eis que somente deste modo estará direcionando-se ao seu fim último. advém do fato de que. ainda que (conforme já afirmamos) não tenha consciência disto.2 Fim último Temos esboçado o fim último na idéia daquilo que nos leva à perfeição. imperfeita. pois as ânsias intrínsecas. Somente uma consciência livre é capaz de atos vinculados à causa causadora.1. Podemos.1. Quando imbuída da vontade. ao equilíbrio. muito bem. pois. porque a "vontade" pressupõe a consciência com todas as prerrogativas da liberdade. "a perfeição". tal ato constitui-se numa frustração ao fim último. todos os átomos e subpartículas querem alcançar a sua estabilidade. como se um só o fossem.e não o fim do ato.5. a princípio. aparentemente. Assim.

pois a perfeição. e. se fosse estática não seria perfeição pelo simples fato de estar limitada). A razão de ser da eficiência será encontrada na causa que originou o ato. sua unidade e indivisibilidade estaria sendo colocada em evidência. faz também parte destes elementos formais. mas correlatas. como uma espécie do gênero ser". estático. é o fim último. se não for capaz de dar sua contribuição. bem como aos que garantam sua eficácia evolutiva. Assim.5. enquanto tendentes ao um fim próximo. imóvel. que não estamos considermos o ente. permanece do mesmo modo. tratamo-lo como um sub-harmônico que. que é a realização do ato objeto e de um fim remoto. Cabe aqui esclarecer ainda.". "i. Neste ponto. relembramos a teoria do vácuo. o subprincípio da coerência. percebe-se que há uma relação intrínseca com os demais princípios existentes que "in ultima rattio" convergem ao mesmo fim. Note-se que não estamos tratando da causa primeira. mas do ser enquanto ente. se assim o fizéssemos. cuja manifestação dá-se a cada chamamento de um outro princípio ou subprincípio. "in ultima rattio" constitui-se numa multiplicidade transcendental. é como se inexistisse.". traçada quando do subprincípio da translatividade que. "i. e. 12. ao considerar que um ato é inexistente. Somente a partir daí que será possível levantar todos os elementos necessários à verificação . transmite-nos a idéia de algo que precisa ser preenchido. para fins didáticos. portanto. que já fora tratado anteriormente. substância e finalidade própria. que estando corretamente direcionado. 12. mesmo porque. a razão de ser deste princípio.2. sendo.2 Elementos formais Os elementos formais referem-se a alguns aspectos de sua própria formação. Cada ato deve conter a sua parcela de perfeição que irá se somar até chegar ao desígnio final. ainda que não aparente. imperfeito (lembremos que a perfeição não se estagna. ao mesmo tempo em que é uma exigência do fim último é o próprio. Extraímos daqui a razão suficiente.1 A razão suficiente da finalidade Considerando-se a relação existencial do princípio da finalidade decorrente de seu vínculo com o primeiro sopro volitivo em direção ao fim último. meio uno. visto que possui valor zero. não tem limites. que se torna possível.5. por derivação. um "não ato". e não admite espaços em branco. meia verdade. em relação ao seu fim e (repetindo) tudo o que se soma a zero. meio perfeito.105 independentes. Esta manifestação consubstancia-se em três aspectos: Eficiência.

serão elementos de sua causa eficiente. como no caso da primeira. a partir daquele. a finalidade é determinada sob o ponto de vista de seu próprio fim. que é meramente instrumental. . É bem verdade que a efemeridade dos bens produzidos pelo homem não podem ser tido como bens absolutos. Basta considerarmos que todo agente age visando a um fim e que este fim esta determinado pela natureza deste agente. por espelhamento. o ato é material. isto. Esta percepção torna-se ainda mais sensível.3 A justiça geométrica Como a fonte verdadeira da felicidade. 12. que é por onde serão analisados todos os acidentes e fenômenos. só o é na aparência. da finalidade. Um bom exemplo disto é aquele que nasce da natureza ("contrario sensu". “a priori”. de causalidade e de finalidade. um serviço ágil o é. consistindo-se. de participação universal. mesmo quando o tomado artificialmente. podemos dizer que é possível a percepção. é natural que seja considerada como um bem absoluto. que é aquela que por sua ação própria produz o efeito não derivando de uma causa. e. "i. conseqüentemente a fazemo-la assim. como no caso daqueles consignados por ascensão intelectual. em sua própria categoria.5. a finalidade deve ser analisada pelo aspecto substancial que será encontrado no sujeito.2 Finalismo “a priori” e “a posteriori” Partindo-se de um ponto de vista Kantiano. De início parece ser uma petição de princípio.2. elevando-se. quando analisamos seu contexto local e espacial. todos os adjetivos positivos relativos àquela atividade.2. pois seu resultado manifesta-se por intermédio do sujeito. Dessarte. Supondo que se trate de uma atividade administrativa. eis que sacia a todos quanto participem de sua própria essência. pois. “a priori”. considerando-se apenas a percepção sensualista. conforme a materializamos "ad retro" pelas vias do sujeito.".5. do ato e pela natureza do agente enquanto exercente de uma função. constituem-se em uma espécie de sub harmônico. Importa não confundir a eficiência com a causa eficiente. Por fim. que suponha um absurdo em sua contraposição. assim. tocam nossa percepção e. 12. mas que. considerando que dispõe de substância. o que não significa que sejam verdades em si mesmas. pelo qual se manifesta a existência.106 de qual ou quais sejam os critérios de eficiente. mas. em sua própria funcionalidade. sua destruição deve ser considerada um mal absoluto). No que tange à subsistência. mas quando possuam os pré-requisitos de acessibilidade. na medida em que se contrapõe aos meios morosos indesejados. deve estar ao alcance de todos.

somente em relação ao seu círculo existencial . em conjunto ou separadamente. pelo módulo aritmético. de uma virtude ou característica relativa ao modo de Art. não é mais que exigir o cumprimento cego de uma obrigação sinalagmática. § 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade.raramente imbuída de proporcionalidade.5.228 do NCC 56 que trata da função social e ambiental da propriedade é um bom exemplo do que vem a ser a "justiça geométrica".". § 3º O proprietário pode ser privado da coisa. na posse ininterrupta e de boa-fé. 12.2. por ser de aspecto amplo. § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados. de conformidade com o estabelecido em lei especial. ratificando uma igualdade simples e absoluta. 56 Trata-se. ou utilidade. bem como no de requisição. as belezas naturais. O artigo 1. desde que tratada objetivamente. por mais de cinco anos. e estas nela houverem realizado. bem como evitada a poluição do ar e das águas. e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante.futuras gerações) e para cima (aspectos gerais – “nível do ser”). O proprietário tem a faculdade de usar. em caso de perigo público iminente. a flora. o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário.4 Eficácia O princípio da eficiência encontra sua razão de ser em face ao princípio da causalidade que professa que tudo que inicia sua manifestação tem uma causa . por necessidade ou utilidade pública ou interesse social. gozar e dispor da coisa. Dar a cada um o que é seu. 1. pois.qualitativo e pessoal). a fauna. Por outro lado. estende-se para os lados (aspectos particulares . a Justiça pode ser tomada como um bem supremo. para frente (aspectos singulares . nos casos de desapropriação. com efeito. "i. pago o preço. de considerável número de pessoas. § 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área. e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. § 5º No caso do parágrafo antecedente.228. e.e em relação ao princípio da finalidade que denota que toda ação tem uma finalidade em vista.107 Neste sentido. valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. se considerarmos o prisma geométrico do que é devido nos depararemos de frente com o bem comum que. o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico. que decorre da natureza da própria ação. .

juizados etc . o enfoque de dar atenção. pode eleger a perfeição. das formalidades (essenciais ou não). em função daquilo que lhe deu origem. É comum na administração pública que se utilize eficiência. com o mínimo de perdas. portanto. do dispêndio de energia. Um exemplo prático é aquele em que o superior deixa de assinar um ofício.108 execução que. ou que não se exige tanto rigor. 57 Ex. gaste-se tempo. "o fazer as coisas da maneira certa 57". mas. parece corroborar para isto. na grande maioria das vezes. com certeza. há de eleger a eficácia sobrepondo-se à eficiência. direcionar-se às coisas certas 58". àquilo que precisa ser feito para alcançar o objetivo. por conseguinte. sem ou com muito pouca eficácia. busca um resultado. porque faltou um acento em uma determinada palavra. inclusive a própria CF . por conseguinte.: Procedimentos ordinários. gastos e esforços. "lato sensu".: Súmula vinculante. fazendo de modo excessivamente correto. Cabe. entre outros. 12. 58 Busca resultados. Contudo. buscando a certeza de atuar ou produzir efetivamente. qualidade final do produto é a utilidade do que foi produzido em função do almejado. sempre ligada ao bem comum. o princípio da impessoalidade.em seu art. Basta lembrar que o perfeccionismo exagerado pode ser considerado como pura vaidade e ambição pessoal e. determina ao seu subordinado que faça outro expediente. A eficiência e a eficácia devem ser aliadas. utilizar-se do caráter elástico do princípio da razoabilidade. volta-se. para adequar a eficiência à eficácia. portando. enfocando. 37. acentuando corretamente. Não é raro que. dos custos. muitas vezes. A administração pública. portanto. uma correção poderia ter sido efetuada com a própria caneta. esforços e materiais. a um resultado desejado. Entretanto.2. "caput". Enquanto a eficiência relaciona-se ao modo de produção. para não cair em erro. cuja valoração dáse pelo rendimento. posto que. coisas não precisariam ser feitas. Ex. Tem.4. viola.1 Diferença entre eficácia e eficiência Comumente os dois termos têm sido utilizados como sinônimos.5. do tempo consumido. pois não levam ao resultado desejado. faz-se necessário distinguir os termos para melhor aplicação. a eficácia almeja produzir. em razão do grau dos erros tolerados.. lembrandose sempre da opção do usuário final que.

.5. pois. Considerando-se o atributo da unidade. ou seja. bom e verdadeiro". expurga uma parte de si mesmo. A expressão do bem dá-se pela via da tendência enquanto termo "i. pois são imanentes a todo ser sensível.que ocorre para os operadores do direito . capacita as operações translativas por transcendência. e.2. o fim e o bem devem coincidir e esta interação deve abranger o indivíduo e a sociedade em uma unidade. com capacidade de reação. 12. como carências. abrangendo inclusive os seus. ao expurgar uma gota. A unidade (materializada no direito. este expurgo não pode ser. sentimentos variados. consituir-se-ia numa desnaturalização inconcebível (a gota não é o oceano e não há oceano sem a soma das gotas)..5 Evolução da finalidade -> espécies Cabe aqui considerar o caráter imanente da finalidade. São inseparáveis.1 Finalidade como causa Há um impulso interior que faz com que a maioria dos entes execute inconscientemente atos tendentes à satisfação das suas necessidades de sobrevivência.109 12. . paixões. que é formado de gotas. que consubstanciam em tudo que seja "uno. eis que. Estamos nos referindo ao "instinto". O oceano. Há ainda impulsos que decorrem de apetites psíquicos. São atos que não passam por qualquer crivo de juízo "a posteriori". pelo simples fatos de compor a própria natureza destes.quando a finalidade põe-se em conformidade com a inteligência (eis a razoabilidade substancial). O indivíduo e a coletividade são como uma gota no oceano.5. A bondade encontra sua razão de ser no nexo relacional da transcedência individual.".2. os desejos.5. bem como os demais termos) está na relação existente entre a coletividade e o indivíduo (é o nexo relacional do todo com a parte e da parte com o todo). de seu próprio ser. A verdade (estamos aqui nos referindo a verdade lógica e não a transcedental) é a própria justiça em sua mensuração correta. relativa ao bom e ao uno . e em alguns casos. atuando como causa (por derivação à "causa primeira") e como fim (por derivação ao "fim último").

que o seu conhecimento faz-se manifesto. Trata-se. não há que se falar em finalidade como meio. O formalismo deve ser tomado. os meios de atingi-lo e as conseqüências que dele resultarão" 59.". que visam à composição da lide no âmbito jurisdicional. portanto. que se constituem. apenas como um meio. Este entendimento já vem sendo reconhecido em muitos casos. A vontade é então o motor propulsor da finalidade. e "in ultima rattio" esta faculdade lhe proporciona a virtude de perseguir o bem conhecido pela razão e/ou intuído em seu "ser". 12. Um grande equívoco ocorre. pois. p. Aqui o conceito processual anterior e tido como meio. passa a utiliza-se de certas ferramentas. "i. com vistas à solução do litígio.2 Do meio como fim Quando a intenção originária inicia seu movimento. podemos afirmar que quando a finalidade objetiva e a subjetiva são divergentes. como causa e é por seu intermédio. Dessarte. a finalidade como causa refere-se ao querer à solução de um litígio pela entrega de um determinado bem da vida (a quem de direito nem sempre faz parte da finalidade como causa). 59 Op.5. . um método organizacional. da vontade. cit. Dentro de um contexto geral e amplo. ou mero instrumento para a composição da lide e obtenção do resultado objeto da intenção originária.110 Em oposição a estas modalidades inconscientes e fatais. 206. posto que. quando a forma sobrepõe-se à finalidade. enquanto conhece o fim a que tende. em meios necessários para atingir o objeto de sua vontade.2. quando direcionada com vistas ao bem comum. não positivado extensivamente. ainda que na aparência o seja. Cabe esclarecer que o subprincípio da instrumentalidade das formas é um reconhecimento à supremacia da finalidade em razão do meio. ao considerarmos a seguinte definição: "Processo é o conjunto de atos coordenados. é definida como "Um princípio de atividade inteligente. e. pela via do provimento". De outro modo. que nas palavras de Regis Jolivet. o ser humano é possuidor de uma prerrogativa própria. que o torna senhor de seus próprios atos. o resultado desta operação é a conseqüente tomada do meio como fim. pois é daí que surge "o porquê" da produção do ato em relação à sua ordem originária.5. então. então. para se atingir o resultado almejado e não o contrário.

O fim derradeiro (leia-se "fim último") é absoluto e objetivo. 12. concomitantemente.2. que lhe deu origem.111 12. simultaneamente. converte-se em qualquer coisa que. o estado de repouso retilíneo. também são formas de ação.1 A Forma substancial O fim.torna-se. em sua essência.5. portanto. como fim principal. dá. um ato administrativo que vise à construção de uma ponte tem (ou deveria ter). conforme o sejam tomados pela ordem de subordinação a que se encontram. o meio não é tomado por fim.5. 12. seja útil em seu percurso. tendente a um fim. a decadência. que quando a forma insere-se da substância. Percebe-se. Durante este percurso.5. é pura potência. em alguns casos.2.2. consubstancia-se da causa. o atendimento às necessidades da população e.2. todo o conjunto de atos destinados ao almejado. a substância do ato-causal-finalístico. então.2. ensejo à forma substancial. Adquire. estarão. a prescrição. ou particulares (intenção de proveito próprio ou alheiro) como é o caso do agente que utiliza um processo para receber uma dívida. assim. o processo. Ao partir em sua caminhada. pois carrega.5.5.2. terá chegado ao seu final e o bem da vida será entregue. quando o fim adere-se ao meio. eis que se fundamenta no bem comum ou na própria perfeição. enquanto causa que não iniciou seu movimento.5.5. isto é. finalizados. a preclusão são. 12. em si. então. O fim .3 Finalidade como fim Ao se realizar o fim.6 Inércia como forma de alcançar o fim último O não agir. Deste modo. 12. Assim. que era meio.2. que é oriunda do próprio ato que lhe deu vazão.5.5. a inércia. utilizadas . inclusive.2 Fim mediato e derradeiro Os fins mediatos são aqueles meramente instrumentais (como no caso do processo). como fato secundário. as homenagens atinentes ao dever cumprido pelo administrador (os problemas ocorrem quando da desnaturalização da ordem das finalidades). como meio. podendo ser considerada inclusive como uma opção à busca da perfeição (ato jurídico perfeito e acabado). o início e o fim da ação.que inicialmente era a obtenção do bem da vida . em razão de seu fim. uma identidade finalística.4 Fim principal e secundário Os resultados que se almejam podem ser primários ou secundários.

12.".132/1962 ou ainda relativo a bens móveis. o interesse público abrange.3 Teleológicos No que tange aos elementos teleológicos enumeramos aqui. um dos elementos constituintes do princípio da razoabilidade.5. com um mínimo de bom senso. 1º § 6º da Lei de Ação Popular. importância dada a alguma coisa. Direito Administrativo. em seu art. considerando-se que tais institutos podem. por sua vez. qualquer agente público. a palavra interesse deriva do verbo importar.2 Interesse público Para Maria Sylvia Zanella di Pietro 60. ser do interesse de. 17. De uma forma ampla. Maria Sylvia Zanella. a Lei de licitações. o entendimento legal de interesse social vem sendo direcionado em razão da função social da propriedade. atos como estes estão verdadeiramente direcionados ao bem total e absoluto. 12. 184 da CF e o art. como o relacionamento: consigo mesmo. Editora Atlas. condizentes com a paz social e o bem comum. o interesse passa a ser considerado um importante elemento constitutivo do princípio em estudo . 16º Ed. com o meio e com os demais.1º da Lei 4. desde a intimidade de relações entre a pessoa e a coisa. 2º da Lei 4. "i. requisito este.1 Interesse social Levando-se em conta que o vínculo volitivo é parte preponderante na determinação do fim.112 como técnica de defesa ou possuem finalidades específicas. como no caso do art. Hoje. 665. No direito administrativo. Cabe ao julgador analisar se. tanto atuar em favor de quem detenha o justo e harmônico mérito. ainda no art. conforme nos remete o art. deve obedecer a uma causa finalística. aplicará .. que agrega aspectos intrínsecos e extrínsecos do sujeito. Termo este de ampla abrangência.eis que está diretamente ligado à intenção – sendo.666/93. corroborado pelo art. prescreve que o interesse público deve estar devidamente justificado. deparamo-nos com o desinteresse público diante dos chamados crimes de bagatela. um outro fator é acrescido: "o bem estar social". p. alguns itens que expressam mais objetivamente aquilo que possa ter uma relação mais íntima com o fim último: 12. . II. Mas não é só isto.132/1962. este termo se expande. até a vantagem ou utilidade que se pode extrair do seu objeto. como os interesses difusos e os coletivos.3. ou não. e.5. "a" da Lei 8.3. tanto as modalidades de interesse geral. No direito penal. Conforme já vimos.5. Na acepção jurídica. em proveito próprio.de 60 Di Pietro. útil ou vantajoso. 17.

". chegando. "i.entendendo-se por plena a relação da parte com o todo e do todo com a parte .". a razoabilidade é direcionada na busca do(s) interesse(s) que envolvem uma dada questão. o homem fora originalmente bom e pacífico. a disponibilidade dos meios. o mais próximo possível. por tratar-se de questões de ínfima importância (princípio da proporcionalidade). . Quem está certo? Na evolução do conhecimento. O subprincípio da impessoalidade é uma decorrência do interesse público e sob este prisma é que deve ser analisado. considerando-se como o "fim último". Cabe esclarecer.4 Razoabilidade. pois. assim. Cabe esclarecer que. adentramos a todos os fatores necessários. Já vimos que existem uma finalidade (necessidade) principal e uma secundária. incorrer-se-á em um erro de lógica formal. chegou-se a um entendimento de que o homem sente necessidade de viver em sociedade.113 pronto o subprincípio da insignificância. só então se pode iniciar de fato a se falar em dignidade humana. a partir do momento em que o indivíduo passa a ser visto e respeitado como possuidor de pensamentos. espelho do que seria o estado natural do ser humano. peça de uma engrenagem ou um sistema etc).a finalidade secundária estaria vinculada ao aspecto subjetivo de cada membro. ou seja. que a participação "no bem comum" é sempre feita de modo consciente. afirma o contrário. para que este indivíduo atinja seu "fim". Resta então saber qual a finalidade social.5. deve ser sopesado (subprincípio da proporcionalidade) em confluência aos interesses das partes contrapostas. "i. aquela que conduz a todos a uma felicidade plena (perfeição) . 12. é. O bem da vida que está em voga. sem a qual a primeira não se haveria como se consubstanciar. Procedimento este que poderá levar a erro. sua parcela "do" e "no" "bem comum". a humanidade. enquanto. o segundo. é. a sua forma individual de perfeição. sentimentos e vontade (em oposição à visão do indivíduo como "coisa". fazendo-se pelo inverso. ao tratarmos do aspecto secundário da finalidade.5. finalidade e interesse Pelo subprincípio da finalidade. 12.3. Por outro lado. em sua obra o Leviatan. O primeiro entendeu que a sociedade transformou o ser humano em algo melhor.3. ao denominador comum. antes de organizar-se. ainda. Rousseau (Contrato Social). onde o todo será tomado pela parte.3 Finalidade social (bem comum) Segundo Hobbes. encontrava-se em um estado de contendas e constante desorganização.

razoabilidade. 1º do Decreto nº 4. o ato. parágrafo único inciso "e" da Lei 4. enquanto potência. Mesmo a sua eminência. 2º. de qualquer dos Poderes do Estado. explícita ou implicitamente. Tomamos como exemplo o que consta no art. Para a conceituação dos casos de nulidade observar. art 4º do Decreto nº 3. publicidade. onde a finalidade induz a que os recursos públicos sigam ao caminho estipulado pelo interesse público. O art. para fins legais. da igualdade. Lei da Ação Popular. finalidade. da razoabilidade e da justiça fiscal". da impessoalidade. de 08 de agosto de 2000. competitividade. Lei da Ação Popular 64. de 18 de dezembro de 2001.058. . 62 (Decreto nº 3.058 61.) 63 Constituição do Estado de São Paulo. da impessoalidade.717/ 65. na regra de competência. na regra de competência. de 08 de agosto de 2000 . parágrafo único inciso "e" da Lei 4. a razoabilidade vista pelo ponto de vista da finalidade. 64 Art. 1º O planejamento das atividades da fiscalização dos tributos federais previdenciários a serem executadas no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano será elaborado pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social. 61 DECRETO Nº 4. justo preço. seletividade e comparação objetiva das propostas. indireta ou fundacional. 111 63.se-ão as seguintes normas: e) o desvio da finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto. da finalidade. moralidade. razoabilidade. Parágrafo único. se ainda não atingiu ao menos parte de seus objetivos na esfera sensível. observados.717/ 65. da probidade administrativa. obedecerá aos princípios de legalidade. da moralidade. a Constituição do Estado de São Paulo em seu art. 2º. da publicidade. da imparcialidade. A administração pública direta. da moralidade. do interesse público. Contrário senso.555 62. considerando as propostas das respectivas unidades descentralizadas. 111. da vinculação ao instrumento convocatório. segue o mesmo curso ao tratar que o desvio da finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto. os princípios da legalidade. este princípio vem positivado em vários documentos legais. proporcionalidade.555. impessoalidade. deve seguir o curso do ato para alcançar o seu mérito. art. deverá estar acobertado por algum ato. somente pode ser analisado como plausível. dentre outros.114 Na administração pública. DE 18 DE DEZEMBRO DE 2001. motivação e interesse público". "Art. da motivação. explícita ou implicitamente. bem assim aos princípios correlatos da celeridade. do julgamento objetivo. 4º A licitação na modalidade de pregão é juridicamente condicionada aos princípios básicos da legalidade. Neste sentido. finalidade.Art.

estamos todos interligados em uma cadeia sem fim . a finalidade foi deduzida do ato culminado do agente. que conhecia o risco. como tal. veremos que se trata de uma presunção originada do ato executado. da Lei nº 8. necessita de um ato que a corrobore. como. atua-se em favor de todos e de si mesmo. como é a sociedade constituída para assegurar o crescimento. De outro modo. 12. por exemplo. as passíveis conseqüências de sua ação (dolo eventual. ou seja. senão quando da utilização dos atributos conferidos provisoriamente em razão do benefício dos cidadãos ("lato sensu")? Tudo o que for necessário para a manutenção destes é uma decorrência lógica e harmônica.3. . da igualdade. 1º. Dessarte. ainda que o art. esta se beneficiara. § 3º não fale especificamente do dolo. acerca desta intenção do autor do crime. da fraternidade.quando atua-se na defesa da liberdade. para ser detectada no mundo sensível de modo que seja exposta. sempre. A dignidade não é do indivíduo. No direito penal. se mesmo a um tirano (considerado um ente desprezível.072/90 dos Crimes hediondos nos impõem a sua certeza. de algum modo. mas da coletividade. posto que. esta presunção possa nos dar a entender que seja somente legal. a sua extríncidade. inc II. em principio. sua presunção é "juris et de jure" pois tanto a pena imposta quanto o seu caráter hediondo dado no art. que via de regra pressupõe dolo na subtração acrescido de dolo de morte. seguiu em frente ocasionando um mal maior ao pretendido. finda-se por estender-se aos demais.5 O bem comum Onde repousa a legitimidade da autoridade. Assim. Embora. o pó imundo da terra) é dado o direito á participação no bem comum. no caso do latrocínio.5. existem vários tipos que pressupõe esta intenção. a fim de que venha à tona. pois o direito que é dado ou tirado de um. 157. quando se resguarda seu "habitat" (inclusive para as gerações futuras). quando a analisarmos mais profundamente. a perfeição da pessoa humana. quando se respeitam os outros seres que habitam a terra (um “ente” que se extingue de algum modo sempre compromete todo um ciclo) . o que esta sendo avaliado é apenas o elemento subjetivo. ainda quando seja necessário sacrificar (corretamente) interesses individuais imediatos. Mesmo a intenção. mas o bem da sociedade. como é o caso dos vários julgamentos ocorridos após a 2º grande guerra o que dirá ao cidadão comum. transversal ao fim possivelmente cominado. Cumpre frisar que o bem comum não é a soma dos interesses particulares.115 ainda que paralelo. a intenção intrínseca do agente. sem admitir prova em contrário. muito embora haja espaço para se perquirir uma culpa consciente no campo especulativo). Todavia.

6 Finalidade da Lei Considerando que o fim último está direcionado a felicidade e a participação. podemos concluir que o fim último da lei é o bem comum. ao cortarmos um dedo. no que às tange suas formas filosóficas. assim. Vê-se. este será tão legítimo quanto aquele. se cometêssemos o erro técnico de tomar um termo particular em sentido obtuso. que nesta definição esta presente o pressupostos do fim último da lei. provavelmente a grande maioria estará correta. . qualquer lei que não esteja embasada nestes requisitos. Tomás de Aquino. e sendo assim. Ao atingirmos fatalmente o coração. pela lei da simpatia do todo com a parte e da parte com o todo. pois. tudo fica mais claro. se atirarmos o corpo à fogueira. afirmava que "A lei é a ordenação da razão. cada célula for à parte. ou seja "o bem comum". Contrário senso. ao atingir a parte. pois a massa nada mais é do que a soma dos indivíduos. em princípio o bem particular estaria eliminado. cada órgão. todo o sistema sanguíneo se empenhará em depositar glóbulos brancos no local lesado. os órgãos morrerão. pode-se também atingir o geral. carece inevitavelmente de legitimidade finalística.3. promulgada para o bem comum por aquele que dirige a comunidade". muitas outras analogias podem ser feitas entre o corpo humano. Explico: Se levarmos em conta que nosso corpo é o todo e cada membro.116 12.5. considerado historicamente o principal precursor de Aristóteles. o corpo morre. se o bem particular não contrariar o bem comum. Resta-nos dizer que. a sociedade e a natureza e.

que impedem que a razoabilidade seja aplicada (as paixões. Neste sentido. inclusive. capaz de dar legitimidade à utilização deste princípio. como mero coadjuvante. Elencamos ainda os obstáculos da personalidade humana. pudemos constatar que aquilo que se tem de melhor e mais puro do que está no direito pertence à filosofia. Do princípio que esta acima de todos os demais. até mesmo onde não esteja positivado. de fato (sociologia). Durante as pesquisas realizadas nesta ciência. sempre optando por seguir um caminho próprio. de certa forma já afirmava Miguel Reale. eis que os seus estudos visam “às causas primeiras e ao fim último de todas as coisas”. consubstanciando-se posteriormente com o que já fora formulado pelos mestres existenes. cuja utilização faz-se indispensável. de sorte que nos pareceu incorreto. desejos. Deste modo. Durante mais de um ano. Mas não foi somente este o objeto da presente obra. medos. no campo filosófico. ao tratar de sua teoria tridimensional do direito. juntamos todo material que nos veio à mão. possui sua relação com a “causa primeira” e com o “fim último” que são os principais objetos da filosofia. valor (filosofia) e norma (direito). para se chegar o mais próximo possível da essência deste do direito. Muito se restou a falar e as poucas páginas produzidas foram repensadas e reescritas inúmeras vezes. sem a fumaça dos preconceitos (leia-se ”pré conceitos” – o erro ortográfico é proposital) existentes. podemos afirmar que aquilo que existe de essencial no direito. egoísmos etc). enquanto outras peças foram descartadas. como em um labirinto em que tínhamos de . que se constitui. de modo que ousamos a afirmar que a filosofia é uma fonte indireta do direito. Somos obrigados a admitir que. em todos os ramos do Direito e mais “da própria vida”. esta é uma obra inacabada. O contraste filosófico nos pareceu o meio mais adequado para que se pudesse chegar à profundidade que este “Princípio” merece. entendemos que tratamos “do princípio”. Esforçamo-nos por evitar a princípio de ler e deixarmos-nos influenciar pelo que já existia de pronto no campo do direito acerca do tema.117 13 Conclusão Nossa proposta inicial de trabalho insurgiu-se por encontrar alguns dos elementos constitutivos do Princípio da Razoabilidade. ânsias. considerar algo tão grandioso. procuramos demonstrar que os liames existentes entre os seus elementos constitutivos haveriam de formar um todo harmônico. Mais que isto. embora original. sempre no intuito de se chegar ao âmago da questão. como.

embora seja este um princípio supremo. sem o que. indicamos vários métodos que podem ser utilizados. ou seja. o ponto de partida e. Muitos outros aspectos não foram abordados. opta por um mal menor. de forma proporcional. . seja pela complexidade da obra. ou seja. A forma Maquiavélica mitigada. uma vez que. basta ver que não há razoabilidade se não houver coerência. chegamos a conclusão que.118 voltar e prosseguir. perde a legitimidade. encontrar os elementos estruturais (ou elementos constitutivo) do princípio da razoabilidade. sempre com vistas a um fim (finalidade). Fato é. mas com a certeza de onde se pretende chegar. se não houvesse a boa fé dos envolvidos e a legitimidade daquele que emite o juízo. que se consegue com o bom senso. torna-se assim uma poderosa ferramenta da razoabilidade. visando a um fim que justifique os meios. No que se refere ao juízo. o que não poderia ocorrer. ele tem seus elementos formadores em outros subprincípios que se inter-relacionam conjuntamente. que este é apenas o início. seja porque adentraríamos em temas que não nos propomos a fazê-lo nesta monografia. um liame harmônico entre as premissas objeto do juízo. para que os erros (muitas vezes inevitáveis) sejam mínimos. a encontrar os elementos constitutivos do princípio da razoabilidade. mesmo assim. e assim. confiamos e esperamos que tenha atingido o seu objetivo. deve atender aos interesses dos envolvidos na questão.

As flores perfumadas são nossas irmãs. Cada ramo brilhante de um pinheiro. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra. a concessão de uma outra "reserva". Portanto. vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. .todos pertencem à mesma família. os sulcos úmidos nas campinas. e o homem .119 14 ANEXO 1 – Pérola do meio ambiente. quando este propôs comprar grande parte das terras de sua tribo. o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água. o calor do corpo do potro. pede muito de nós. a grande águia são nossos irmãos. mas o sangue de nossos antepassados. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho. o cavalo. quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra. em 1854. Tradução de Irina O. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água. cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. pelo chefe Seatle ao presidente dos EUA. Mas isso não será fácil. a penumbra na floresta densa. É uma carta escrita. Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Franklin Pierce. Portanto. cada punhado de areia das praias. oferecendo. Bunning "Como é que se pode comprar ou vender o céu. como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. pois ela é a mãe do homem vermelho. Esta terra é sagrada para nós. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. Os picos rochosos.dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente . Este documento . em contrapartida. Se lhes vendermos a terra. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.vem sendo intensamente divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas). o cervo.

Seu apetite devorará a terra. a terra. todos compartilham o mesmo sopro. e seu irmão. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho.120 Os rios são nossos irmãos. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Se lhes vendermos nossa terra. e o próprio vento. vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco.o animal. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão. limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. Trata sua mãe. pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. O ar é precioso para o homem vermelho. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. mas sua inimiga. para ele. Eu não sei. A terra não é sua irmã. O ruído parece somente insultar os ouvidos. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Como um homem agonizante há vários dias. é insensível ao mau cheiro. nossos costumes são diferentes dos seus. e quando ele a conquista. e seus também. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco. E. tem o mesmo significado que qualquer outra. ele deve lembrar que o ar é precioso para nós. portanto. vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. deixando somente um deserto. prossegue seu caminho. Uma porção da terra. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Se lhe . o homem. saqueadas. o céu. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. como coisas que possam ser compradas. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago. a árvore. pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro . saciam nossa sede.

Para que respeitem a terra. que a terra é nossa mãe. não pode estar isento do destino comum. e feri-la é desprezar seu criador. Há uma ligação em tudo. breve acontece com o homem. o homem pertence à terra. o homem morreria de uma grande solidão de espírito. vocês devem mantê-la intacta e sagrada. talvez mais cedo que todas as outras tribos. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem. Há uma ligação em tudo. abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Veremos. Se os homens cospem no solo. como desejam possuir nossa terra. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem. A terra lhe é preciosa. Contaminem suas camas. e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. como um lugar onde até mesmo o homem branco posa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.121 vendermos nossa terra. É possível que sejamos irmãos. Tudo o que fizer ao tecido. Se decidirmos aceitar. digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Mesmo o homem branco. vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. apesar de tudo.e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. acontecerá aos filhos da terra. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. . que sacrificamos somente para permanecermos vivos. imporei uma condição: o homem branco deverá tratar os animais desta terra como seus irmãos. Pois o que ocorre com os animais. Portanto. Vocês podem pensar que O possuem. e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. De uma coisa estamos certos . fará a si mesmo. cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Os brancos também passarão. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície. ele é simplesmente um de seus fios. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas. Tudo o que acontecer à terra. Ele é o Deus do homem. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. estão cuspindo em si mesmos. O homem não tramou o tecido da vida. mas não é possível. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós.

122 Mas quando de sua desaparição. É o final da vida e o início da sobrevivência. Esse destino é um mistério para nós. pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados. Onde está o arvoredo? Desapareceu. os cavalos bravios sejam todos domados. e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está a águia? Desapareceu. os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens. . vocês brilharão intensamente. iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho.

São Paulo. (Série clássicos). 1999. 5º Edição. Rodrigo da Cunha Lima.4. Ledus 1999. vol 43. oferecendo.weblife..A. Direito Administrativo. Editora Tecprint S. Dicionário Jurídico. Diogenes. Editora Saraiva. a concessão de uma outra "reserva". São Paulo. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. Cláudio Luiz Bueno de. Malheiros Editores LTDA. Carta escrita. 2004. DINIZ. Mestre em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Dicionário Jurídico. e atual. Cesare Bonasena Marquesi di (1738 . 1987. Rene. P.. GODOY.SP.São paulos.Teoria Geral do Direito . 1999.Princípio da Boa fé no novo Código Civil. São Paulo . em 1854. pelo chefe Seatle ao presidente dos EUA. Bunning.04 às 9h17min. Edições Trabalhistas. São Paulo. Curso de Direito Administrativo. Dos delitos e das penas. Ernane Fidélis dos. Tradução de Flório de Angelis. Dr. CARNELUTTI. 2001. em contrapartida. Eduardo Gabriel. 11º ed.com. LTR Editora LTDA. Maria Helena. Agir ROSENVALD.br/clients/praetorium/especial_20. . Editora Saraiva.SP.1794). Editora Revista dos Tribunais. BECCARIA.Monitora de Direito Civil – Supervisor.. Ediouro. rev e atual. 5º Edição. Celso Antonio. Curso de Filosofia. rev. às 9h . Manual de Direito Processual Civil volume 1. Coleção de Estudos de Direito de Processo. realizado no dia 27 de março de 2004. Rio de Janeiro.htm> Acesso em 13. Discurso do Método.Tradução: Antônio Carlos Ferreira . DESCARTES. JOLIVET. Terceiro Congresso de Processo Civil e Direito Civil de Mato Grosso do Sul. quando este propôs comprar grande parte das terras de sua tribo.123 15 BIBLIOGRAFIA BANDEIRA DE MELO. Rejus. Bauru-SP: EDIPRO. 6º reimpressão. São Paulo . SAAD. Nelson e Marina Alló . Enfoque sobre o interesse de agir no processo civil brasileiro. 1998. Francesco . Enrico Tullio Liebman.-SP. Franklin Pierce. Tradução de Irina O. 2002 SANTOS. Coleção Universidade de Bolso. Disponível em: <http://www. 202. 9º ed. Juiz de Direito do Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. FREIRE. volume 2. Condições da ação.locaweb. 18º Edição. Tradução de Eduardo Prado de Mendonça. GASPARINI.

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