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Qual o papel da igreja no mundo atual?

Em tempos tão conturbados como estes em que estamos vivendo, os cristãos precisam ter em mente, com muita clareza, qual é o seu papel no mundo. Digo isto, a propósito, por perceber que, muitos são os crentes que estão confusos. É triste perceber que a esperança da maioria é puro escapismo, pois não esperam estar no mundo quando da manifestação do anticristo. E nem percebem a insensatez da idéia da aparição do anticristo após a remoção da Igreja e do Espírito Santo da Terra. Pois, se o anticristo se levantasse quando já não estivessem mais na Terra nem a Igreja (o Corpo de Cristo) e nem o Espírito de Deus, neste caso, ele seria anti o que? Observe que o próprio João, autor do Apocalipse, disse que, já no seu tempo, “muitos anticristos (haviam) têm surgido, pelo que sabemos que é a última hora” (1 Jo 2.18). Portanto, em vez de estarem aguardando um escape do anticristo, os cristãos deveriam reconhecer, confrontar e encarar as distintas manifestações do mal no tempo presente, que se opõem aos valores e a pessoa de Cristo. Em vez disso, boa parte se contenta com o papel de meros espectadores dos eventos escatológicos. São “crentes de arquibancada”, que vivem alienados e a margem do processo histórico. Outros, por sua vez, assumem o papel de agoureiros do fim, alguns chegam até a esboçar alguma espécie de alegria mórbida diante das catástrofes, o que não se justifica, nem mesmo com a alegação de que as Escrituras estão se cumprindo. Pois Deus não se alegra com o mal e nem com o sofrimento ou com a morte de quem quer que seja (Ez 33.11 e 1 Co 13.6). Os textos bíblicos que tratam de escatologia não existem para saciar nossa curiosidade, nem para nos tornar mais “sabidos”, nem nos tornar espectadores e nem muito menos para servir de escapismo e fuga da realidade. Jesus deixou claro qual deveria ser o papel dos cristãos: “vós sois a luz do mundo e o sal da terra” (Mt 5.13 e 14). Luz, sabemos, tem a ver com vida, verdade, justiça e paz; enquanto o sal possui duas propriedades muito relevantes para o tema em questão, a saber: preservação e tempero. Soma-se a isto, muitos outros textos que nos exortam a orarmos e buscarmos a paz, entre eles: (1 Tm 2 e 1 Pe 3.11; Rm 12.18, Hb 12.14 e Tg 3:18) e a sermos servos da justiça (Rm 6:18).

Portanto, a Igreja possui uma enorme responsabilidade social. Os cristãos, como embaixadores que são de Cristo (2Co 5.20) e como promotores do bem, da paz, do amor, da verdade e da justiça, devem assumir uma postura ativa, como protagonistas da história, na construção de uma sociedade melhor e na promoção da paz, da justiça e da alegria, que são características marcantes do Evangelho do Reino que pregamos e vivemos. Neste sentido, a Igreja deve ser testemunha viva da eficácia e do valor de seu próprio ensino. Portanto, por exemplo, não podemos propor a paz ao mundo, quando nós mesmos vivemos em guerra e não conseguimos resolver conflitos pessoais e corriqueiros, que em sua maioria, são bem menos complicados, se comparados aos grandes conflitos mundiais. A nossa luz deve brilhar não apenas em palavras, mas, principalmente, em boas obras (Mateus 5:16) e em atitudes que revelem o nosso compromisso com a mensagem do Evangelho. Aguardamos e apressamos a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, não de braços cruzados, mas cumprindo a missão que Ele nos deu (1 Pe 3), pois o Seu retorno está atrelado ao cumprimento da missão da Igreja (Mc 13.10). Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br