Por: Fernando Kubitza, Ph. D. Acqua & Imagem Serviços Ltda. fernando@acquaimagem.com.

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A versatilidade do sal na piscicultura

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sal marinho é amplamente disponível, de baixo custo, seguro para os peixes e para quem o manipula. Composto basicamente por cloreto de sódio (NaCl), o sal pode ser usado em diversas situações nas pisciculturas: na prevenção e controle de doenças; como alívio do estresse relacionado às despescas, biometrias, classificações por tamanho, transferências dos peixes e confinamento durante a depuração; no alívio do estresse do transporte de curta e longa duração; e como amenizador de condições ambientais adversas (toxidez por nitrito, inflamação das brânquias, entre outros). Neste artigo serão apresentadas as diferentes situações e forma de uso do sal na piscicultura, visando manter o bem estar dos peixes.

Osmorregulação nos peixes de água doce

O sangue dos peixes de água doce contém cerca de 9g de sal/litro ou 0,9% de sal, o equivalente à concentração de um soro fisiológico vendido nas farmácias. Esta concentração é semelhante ao registrado em outros animais, inclusive no homem. O íon sódio (Na+) representa cerca de 75 a 80% dos sais presentes no sangue dos peixes. Por viverem em um ambiente com muita água e poucos sais, e pelo fato de manterem um íntimo contato do sangue com a água através dos finos vasos sangüíneos (capilares) nas brânquias, os peixes de água doce estão freqüentemente envolvidos numa batalha para conservar os sais no sangue e se livrar do excesso de água absorvida, num mecanismo fisiológico conhecido como osmorregulação (Figura 1).

Para a finalidade deste artigo, podemos descrever a osmorregulação nos peixes de água doce como um processo que envolve a participação de células especiais presentes nas brânquias (células de cloreto), e que têm como função minimizar as perdas de sais do sangue para a água, bem como absorver ativamente os sais presentes na água, mesmo em baixa concentração. Também participam da osmorregulação o rim e a bexiga urinária, que são os responsáveis por maximizar a reabsorção dos sais na urina em formação e pela produção de um grande volume de urina que permite o peixe se livrar do excesso de água que entra continuamente por osmose no corpo.

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Outro colaborador na osmorregulação é o trato digestivo No quadro 1 são apresentadas algumas finalidados peixes, onde ocorre a absorção de sais (minerais) ingeridos des do uso do sal na piscicultura. O sal pode ser aplinos alimentos e a reabsorção dos sais biliares usados na digestão cado na forma de banhos rápidos sob alta concentração das gorduras, conservando sais e repondo parte das perdas de sais (2 a 3%) para tratamentos de infecções por parasitos, do corpo para a água. Também o muco e a pele dos peixes servem fungos e bactérias. Para fins de alívio do estresse do como uma barreira entre a água do ambiente e os fluídos celu- manuseio e transporte, são utilizadas concentrações de lares e plasma dos peixes, contribuindo com a osmorregulação. sal entre 0,5 a 0,8%, valores próximos à concentração Assim o leitor pode perceber na figura 1 a grande complexidade de sais no sangue dos peixes. da osmorregulação nos peixes de água doce, o que demandaria Quadro 1 - Diversos usos do sal na piscicultura algumas boas páginas aqui para ser explicada em seus detalhes. Aqueles dispostos a se aprofundar no assunto e em outras questões sobre a fisiologia dos peixes, um bom começo é o livro de Bernardo Baldisserotto (Fisiologia de peixes aplicada à piscicultura - Editora da Universidade Federal de Santa Maria - RS) . Importante neste momento é o produtor saber que a manutenção deste equilíbrio osmorregulatório (ou seja, da concentração normal de sais no sangue) demanda um grande gasto de energia e pode ser grandemente comprometido sob condições adversas de produção. Dentre estas condições adversas podemos relacionar o estresse e as injúrias físicas decorrentes do manejo de rotina (despesca, manipulações, classificações, Na depuração dos peixes para o transporte manejo da reprodução, transferência, adensamentos na depuração e manejo, entre outras); as injúrias e inflamação causadas Durante a depuração dos peixes para o transporte ao epitélio branquial, em virtude da infestação por parasitos, do (pós-larvas, alevinos e reprodutores), o uso do sal, onde for uso de produtos químicos irritantes, da presença de argila em possível, previne o aparecimento de lesões (manchas brancas) suspensão na água e do excesso de material orgânico particulado; e a infecção por fungos e bactérias externas (como a Flavoe a freqüente exposição dos peixes a baixos níveis de oxigênio e bacterium columnare - que causa podridão das nadadeiras nos a condições inadequadas de qualidade de água. peixes). Além disso, por facilitar a manutenção do equilíbrio Para lidar com estas condições adversas, que acentuam osmorregulatório, o uso do sal reduz a mortalidade dos peixes as perdas de sais do sangue para a água e causam uma exces- durante a depuração. Uma concentração de sal entre 0,3 e 0,6% siva hidratação do corpo, os peixes precisam gastar energia (3 a 6g/litro ou 3 a 6kg/1.000litros) deve ser mantida durante extra para manter ou restabelecer o equilíbrio osmorregula- toda a depuração. Tanques sem renovação de água e providos tório. Além disso, este esforço e gasto de energia adicional de aeração, ou mesmo sistemas de recirculação de água, são para manter a osmorregulação sob tais condições adversas facilmente salinizados para uso na depuração. deprimem a resistência e o sistema imunológico dos peixes, No transporte de peixes vivos tornando-os mais susceptíveis às doenças.
Diversos usos do sal na piscicultura

O sal na piscicultura

Apesar do grande benefício do sal no dia a dia das pisciculturas, grande parte dos produtores desconhecem todas as possibilidades de uso deste produto. Muitos também usam o produto em doses totalmente inadequadas para a finalidade em questão.

Durante as operações que precedem o transporte (a despesca, o manuseio, a classificação por tamanho, a depuração e o carregamento), os peixes invariavelmente sofrem alguma injúria física (perda de escamas, esfolões, batidas, etc.) e perdem parte da proteção provida pelo muco e escamas. Estes ferimentos facilitam as perdas de sais e a hidratação excessiva dos peixes, dificultando a manutenção do equilíbrio
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osmorregulatório. Além do estresse físico, o manuseio e o confinamento dos peixes (nas redes e durante a depuração) desencadeiam uma seqüência de reações fisiológicas que culminam com a elevação nos níveis de cortisol no sangue dos peixes. O cortisol aumenta a permeabilidade das membranas celulares, acentuando as perdas de sais do sangue para a água e a entrada de água (hidratação) no corpo dos peixes. Isso pode resultar em significativa mortalidade dos peixes durante e, mais comumente, uma a duas semanas após o transporte. Mesmo que não morram em conseqüência direta do desequilíbrio osmorregulatório, os peixes sobreviventes podem sucumbir a doenças com a supressão do seu sistema imunológico causada pelo estresse a que foram submetidos. Portanto, é fundamental adicionar sal à água de transporte, em concentrações entre 0,5 e 0,8% (5 a 8g/litro ou 5 a 8kg/1.000litros). Esse procedimento age de duas maneiras facilitando a manutenção do equilíbrio osmorregulatório. Mantém a água com uma concentração de sais próxima da concentração do sangue dos peixes (0,9% ou 9g/ litro), diminuindo o gradiente da concentração de sais entre o sangue e a água e, portanto, as perdas de sais dos peixes. O sal também estimula os peixes a secretarem mais muco, que recobre as brânquias e o corpo. O muco funciona como barreira contra as perdas de sais e contra a excessiva hidratação do corpo dos peixes, facilitando a osmorregulação. A produção de muco estimulada pelo sal também ajuda a recobrir áreas lesionadas, diminuindo as chances de ocorrência de infecções secundárias por fungos e bactérias nos peixes transportados. Outra contribuição do sal no transporte é o fato da presença de íons sódio (Na+) na água favorecer o mecanismo de transporte ativo do íon amônio do sangue dos peixes para a água. No transporte ativo ocorre a entrada de um íon sódio e a saída de um íon amônio, favorecendo a eliminação da amônia mesmo sob um gradiente negativo de concentração de amônia entre o sangue e a água. Isso é particularmente importante nos transportes de alevinos em sacos plásticos onde, sob cargas

O sal na piscicultura
Banho de sal em alevinos de truta arco-íris após a classificação, como medida preventiva contra Columnariose e parasitos branquiais

otimizadas, a concentração de amônia total na água ao final do transporte atinge valores elevados, geralmente acima de 40mg/l.
Na prevenção e controle de parasitos

"Alguns peixes toleram banhos concentrados de sal por mais tempo do que outros. Antes de aplicar o tratamento faça um teste com alguns animais para ver a reação dos mesmos e o tempo em que metade deles perde o equilíbrio durante o banho."

Protozoários (Íctio, trichodina, epistylis, costia ou ichthyobodo, entre outros), dinoflagelados (como o Piscinoodinium) e os monogenóides (Dactylogyrus, Gyrodactylus, Cleidodiscus e outros) podem ser combatidos com banhos rápidos e concentrados em água salgada (acima de 20 a 30g de sal por litro). A maior parte destes parasitos causa severas infestações e injúrias nas brânquias, o que favorece ainda mais a entrada de água no corpo e a perda de sais do sangue para a água, prejudicando a osmorregulação. Dessa forma, os banhos em água salgada não apenas desidratam os parasitos (levando-os à morte), mas também possibilitam a reposição de sais (sódio e cloreto) no sangue dos peixes, facilitando o restabelecimento do equilíbrio osmorregulatório. Nestes banhos concentrados, a água salgada desidrata tanto os parasitos como os peixes. No entanto, por serem organismos muito pequenos em relação aos peixes, os parasitos desidratam mais rapidamente. Assim, nos banhos com sal o mais resistente sobrevive e o mais sensível padece, sendo tudo uma questão de tempo de exposição. Algumas espécies de peixes toleram banhos concentrados de sal por mais tempo do que outras. Antes de aplicar o tratamento em todos os peixes do lote, faça um teste com alguns animais (50 a 100 peixes) para ver a reação dos mesmos e o tempo em que metade deles perde o equilíbrio durante o banho. Assim, você terá uma idéia do momento em que precisará intervir (do tempo de exposição ao banho), retornando os peixes para uma água de menor salinidade. Em geral, a maioria dos piscicultores não conta com equipamentos (microscópio, material de dissecação, etc.), recursos (laboratórios e técnicos especializados em sua região) e, tampouco, conhecimento para realizar um diagnóstico preciso dos parasitos ou patógenos que acometem seus estoques. Assim, o sal, por ser seguro, de baixo custo e facilmente disponível, deve ser sempre a primeira opção de produto a ser usado quando se identifica que algo não está bem com os peixes.
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Em geral, banhos de sal na concentração de ser repetidos a intervalos de 1 a 2 dias, sendo necessários de 5% (50g/litro ou 50kg/1.000 litros) são aplicados por 3 a 4 banhos para solucionar definitivamente o problema. 30 segundos a 2 minutos. Nesta concentração, cerca de 60% superior à da água do mar, os peixes de água No controle de fungos (Saprolegniose) doce rapidamente perdem o equilíbrio. Geralmente os Banhos com sal nas concentrações recomendadas para o conpeixes são mergulhados nesta água com auxílio de um puçá ou mesmo dentro de um hapa (ou tanque-rede), trole de parasitos também podem ser usados na prevenção e controle facilitando a rápida remoção e transferência dos de infecções por fungos em alevinos, juvenis e em reprodutores. Como já mencionado, a adição de sal na água da depumesmos para uma água de salinidade mais baixa. Banhos em água com 2 a 3% de sal (20 a 30g/ ração e na água de transporte também previne a infecção por litro = 20 a 30kg/1.000 litros) podem ser aplicados fungos, sendo um recurso útil no preparo de alevinos, juvenis por 2 a 20 minutos, dependendo da tolerância da e matrizes para o transporte. No recebimento de alevinos, espécie de peixe a ser tratada. Mesmo que os peixes juvenis e matrizes, quando o fornecedor não utiliza o sal na depuração e no transporte, é recomennão apresentem perda de dável submeter os peixes a um banho equilíbrio, o banho nesta "Para se ter um efeito com sal (2% ou 20kg/1.000 litros por concentração não precisa 5 a 20 minutos) para prevenir eventuexceder o tempo de 20 micurativo do sal contra os ais infecções por fungos e controlar nutos, pois pode causar uma eventuais parasitos que possam ter fungos é necessário expor os desnecessária desidratação vindo com os peixes. Este banho pode dos animais e uma elevação peixes a concentrações de ser feito na própria caixa de transporte excessiva na concentração ou em um tanque (ou caixa d’água) de íons sódio e cloreto no sal entre 20 e 30kg por/m3 colocado ao lado dos tanques onde sangue dos peixes. Estes os peixes serão estocados. Aeração banhos concentrados gepor alguns minutos, e ainda ou oxigenação pode ser necessária, ralmente são aplicados em dependendo da quantidade de peixes repetir este tratamento. Isso tanques de pequeno volume a ser tratada. ou mesmo em caixas de é impraticável em tanques de O controle de fungos em ovos transporte, onde há aeração de peixes pode ser realizado através de disponível e de onde os peigrandes dimensões, seja pelo banhos diários ou em dias alternados, xes podem ser rapidamente transferidos para uma água custo dos tratamentos, ou pela na concentração de 2 a 3% de sal (20 a 30g/litro) por 10-15 minutos, sendo este doce. Durante o banho os impossibilidade de aliviar esta um procedimento comum na incubação peixes podem ser mantidos de ovos do catfish americano e da truta. em um hapa ou em um puçá, concentração rapidamente Em sistemas fechados (recirculação facilitando a remoção dos de água) usados para a incubação de mesmos do tanque. devido às limitações no ovos de tilápia, pode ser mantida uma Em tanques de grande concentração de sal constante entre 0,3 tamanho estes banhos conabastecimento de água" e 0,5% (3 a 5g/litro ou 3 a 5kg/1.000 centrados geralmente não litros), prevenindo as infecções por são viáveis, seja pelo custo (devido à grande quantidade de sal necessária), seja fungos nos ovos e nas pós-larvas recém nascidas. O controle de infecções fúngicas em peixes estocados em pela impossibilidade de prover um rápido alívio ao tanques de terra demanda o uso de grandes quantidades de sal. peixe após o tratamento. Banhos prolongados, entre 4 a 12 horas, Doses ao redor de 0,3%, ou 3kg de sal/m 3, podem ser usadas podem ser aplicados em água com 1,0 a 1,2% de preventivamente. Isso equivale a 3 toneladas de sal para um sal (10 a 12g/litro ou 10 a 12kg/1.000 litros). Estas tanque com 1.000m2. Doses de até 9 kg de sal/m3 podem ser concentrações são bastante seguras para a maioria usadas por tempo indefinido. No entanto, estas doses, além dos peixes de água doce, podendo estes permanecer de economicamente inviáveis para tratamento em tanques de expostos até mais do que 24 horas a estas salinidades. grandes dimensões, nem sempre são eficazes para o tratamento No entanto, sob períodos de exposição mais prolon- de infecções já avançadas, servindo mais para o controle de gados, os peixes podem apresentar desidratação e infecções fúngicas em seu início. Para se ter um efeito curativo desconforto, pois tal salinidade supera em 10 a 30% do sal contra os fungos é necessário expor os peixes a concentrações de sal entre 20 e 30kg por/m 3 por alguns minutos, e a concentração de sal no sangue dos peixes. No controle de infestações severas por para- ainda repetir este tratamento. Isso é impraticável em tanques sitos, os banhos em água salgada geralmente precisam de grandes dimensões, seja pelo custo dos tratamentos, ou pela

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impossibilidade de aliviar esta concentração rapidamente fertilização orgânica, podem ser registradas concentrações de devido às limitações no abastecimento de água. nitrito prejudiciais ao desempenho dos peixes (concentrações Uma alternativa que pode ser usada em casos ex- acima de 0,3mg/litro). tremos (e em lotes de peixes de alto valor) é fazer uma Concentrações tóxicas de nitrito também podem despesca com o maior cuidado possível e proceder ao ocorrer em sistemas de cultivo onde é feita a recirculação de tratamento concentrado em caixas de transporte ou em água e o tratamento da mesma através de filtros mecânicos caixas d’água posicionadas na beira do tanque, retornan- e biológicos. A aplicação de sal na água ameniza o potencial do os peixes ao tanque após o banho. tóxico do nitrito aos peixes. Os íons cloreto, quando preOutra possibilidade, menos traumatizante, é con- sentes em quantidades adequadas na água, se associam aos centrar os peixes com a rede em um canto do tanque (sem receptores de nitrito nas células das brânquias dos peixes, apertá-los demais), e aplicar uma dose localizada de sal impedindo a absorção deste composto tóxico. ao redor de 20 a 30kg por m 2 de área de concentração dos A dose de sal necessária para amenizar o potencial peixes e manter assim durante 20 a 30 minutos, monito- tóxico do nitrito é muito pequena e pode ser calculada rando o oxigênio no local e a reação dos peixes, liberando usando a seguinte equação: a rede após este tempo. Neste caso deve se usar um sal bem fino para que sua dissolução na água seja a mais Dose de sal: eficiente possível. Após estes tratamentos concentrados, assegure-se de que a água do tanque permaneça com pelo (g/m3) = [6 x (NO2- mg/L) - (Cl- na água mg/L)] / 0,6 3 menos 3kg de sal/m (já considerando o que foi aplicado localmente), e que esta salinidade seja mantida por alguns dias, de forma a aliviar a sobrecarga osmorregulatória Por exemplo, se a concentração de nitrito na água dos peixes. for de 0,5mg/l e a concentração Em peixes estocados em de cloreto for 0,1mg/l, a dose tanques-rede é possível realizar de sal que deve ser aplicada "A Columnariose ocorre banhos de sal preventivos e no tanque ou no sistema de curativos contra fungos com o recirculação deve ser de (6 x com grande freqüência em uso de bolsões que “encapam” os 0,5 – 0,1)/0,6 = 4,8g de sal/m 3. tanques-rede, como será discutiAssim, em um tanque de engorda alevinos e juvenis após do mais adiante neste artigo. de 1 hectare (10.000m2) e profundidade média de 1,0m, seria o manejo e transporte. No controle da Columnariose necessário aplicar 48kg de sal. No caso de um sistema Banhos preventivos de Banhos de sal, nas doses e de recirculação com volume tempo de exposição recomendatotal de água de 500m3, seriam sal no recebimento dos dos para o controle de parasitos necessários 25kg de sal. Note e fungos, também podem ser que a aplicação de sal para fins peixes ajudam a diminuir a usados no controle da Columde redução do potencial tóxico nariose, doença causada pela do nitrito em geral é muito peseveridade desta doença." bactéria Flavobacterium columquena e de baixo custo, mesmo naris, e que resulta em podridão considerando grandes áreas das nadadeiras, necrose na boca de tanques. Se o produtor não (boca de algodão) e necrose das brânquias (que prejudica dispõe de um teste para análise do teor de cloreto na a respiração e a osmorregulação dos peixes). água, a dose de sal pode ser calculada considerando a A Columnariose ocorre com relativa freqüência em concentração de cloreto como zero, ou seja, a dose de sal alevinos após o manejo ou transporte, particularmente nos equivale a 10 vezes a concentração de nitrito na água. meses de verão, com temperaturas mais elevadas na água. No entanto, se a água no local contiver níveis elevados Banhos preventivos com sal podem ser aplicados no rece- de cloreto (por exemplo, em áreas estuarinas) e isso não bimento dos alevinos e após as operações de manejo. for verificado através da análise de cloretos, a aplicação de sal poderá ser feita sem necessidade. Na prevenção da intoxicação por nitrito Após as despescas e o manejo O nitrito (NO2-) é um composto nitrogenado tóxico aos Durante as despescas com rede de arrasto, além peixes, oriundo da decomposição da matéria orgânica presente nos tanques de cultivo. Em tanques de terra com baixa das eventuais injúrias mecânicas sobre o muco, as escamas renovação de água e altas taxas de alimentação, ou intensa e a pele, ocorre a suspensão dos sedimentos orgânicos ou

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minerais (argila, silte e mesmo pequenas partículas de areia). Estes sedimentos se depositam sobre as brânquias dificultando a respiração dos peixes e causando lesões no epitélio branquial. A adição de 1% (10g/litro ou 10kg/1.000 litros) à água das caixas onde os peixes serão colocados (durante a transferência entre os tanques de cultivo ou para os tanques de depuração) estimula a produção de muco pelos peixes, o que auxilia na remoção dos resíduos depositados sobre as brânquias e no recobrimento e proteção das lesões nas brânquias e corpos dos peixes.
Em sistemas de recirculação

Os peixes criados em sistemas de recirculação estão freqüentemente expostos há uma água com grande quantidade de sólidos em suspensão (material orgânico particulado). Nestes sistemas de cultivo pode ocorrer uma grande proliferação de parasitos, bactérias e fungos. Além disso, com as altas densidades de estocagem e a contínua exposição a fatores de estresse (por exemplo, oscilações nos parâmetros de qualidade de água), os peixes tendem a perder mais sais para a água. Assim, manter continuamente uma salinidade ao redor de 0,2 a 0,3% (2 a 3kg de sal por 1.000 litros) ajuda a reduzir problemas com parasitos e fungos, bem como ameniza a irritação do epitélio branquial e a excessiva perda de sais dos peixes. Esta salinidade não interfere com o funcionamento do filtro biológico e ajuda a prevenir problemas de intoxicação por nitrito.
Na prevenção de doença ambiental das brânquias

a osmorregulação. Problemas de integridade do epitélio branquial ocorrem com freqüência durante a larvicultura intensiva de diversas espécies de peixes (por exemplo, a tilápia, o catfish americano, a truta arco-íris, entre outros), onde se mantém alta densidade de pós-larvas e se faz uso de ração finamente moída. Partículas de ração e material fecal geralmente se depositam sobre as brânquias, levando à uma irritação e inflamação do epitélio branquial. Isso prejudica a respiração, a osmorregulação e a excreção de amônia do sangue para a água. Todos estes fatores comprometem o bem estar dos peixes, tornando os animais mais susceptíveis às doenças e resultando em alta mortalidade no cultivo. Banhos semanais com sal a 1% (10kg/m3) por 2 a 4 horas podem ajudar a prevenir este problema. O sal aumenta a produção de muco nas brânquias, o que favorece a eliminação do excesso de muco branquial, juntamente com os resíduos orgânicos nele aderidos.

O sal na piscicultura

A doença ambiental é uma condição de lesão, inflamação e irritação do epitélio branquial que pode ser causada por diversos fatores. Alguns dos mais comuns em piscicultura são: a infestação por parasitos; o uso de produtos químicos; e a presença de partículas sólidas em suspensão na água (argila ou mesmo partículas orgânicas, como fezes e ração fina dissolvida na água). As lesões e inflamações provocadas por parasitos e a deposição de material orgânico no epitélio branquial favorecem a ocorrência de infecções bacterianas nas brânquias. Tratamentos freqüentes com formalina podem resultar em irritação e inflamação das brânquias dos peixes, prejudicando

Tanque-rede sendo "envelopado" com bolsão de vinil para aplicação de banho com sal (Foto: Fábio Mori)

"Os peixes criados em sistemas de recirculação estão freqüentemente expostos há uma água com grande quantidade de sólidos em suspensão (material orgânico particulado). Nestes sistemas de cultivo pode ocorrer uma grande proliferação de parasitos, bactérias e fungos."

O uso do sal na criação de peixes em tanques-rede

Tanques-rede geralmente estão instalados em grandes reservatórios, o que exige que o produtor disponha de equipamentos e estruturas especiais que possibilitem a realização de banhos preventivos ou curativos. Os banhos podem ser dados com o uso de um bolsão de plástico (lona plástica ou vinil), que possibilita ensacar completamente o tanque-rede. Isso evita que o sal se dilua muito rapidamente

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na água dos reservatórios. Nestes casos, o tempo do banho é limitado pela disponibilidade de oxigênio dentro do tanquerede, geralmente ao redor de 20 a 40 minutos, dependendo da biomassa estocada, da temperatura da água, do tamanho dos peixes e de quão alimentados eles estão. Assim, os banhos com sal (ou com outros produtos), geralmente são rápidos e feitos a uma alta concentração (por exemplo, ao redor de 2 a 3% ou 20 a 30kg de sal/m3). Os banhos devem ser realizados pela manhã, quando o peixe ainda não foi alimentado e a temperatura da água ainda não está tão elevada. Com isso, o consumo de oxigênio é menor e o banho pode ser mais prolongado. Um recurso para reduzir o uso de sal nestes tratamentos é injetar oxigênio dentro do bolsão, o que permite prolongar o banho e usar uma dose menor do produto. Para isso é preciso um bom difusor de oxigênio, cilindro e regulador. Quando se dispõe de um oxímetro é possível monitorar o oxigênio no interior do tanque-rede e determinar o momento de retirar o bolsão (em geral, quando o oxigênio chega a 2mg/litro). O produtor deve dispor de equipamentos para isso (um bom difusor de oxigênio, cilindro e regulador). Quando se dispõe de um oxímetro é possível monitorar os níveis de oxigênio no interior do tanque-rede e determinar o momento em que o bolsão deve ser retirado (em geral quando o oxigênio chega a 2mg/litro no interior do bolsão). Banhos com sal podem ser empregados no recebimento dos alevinos (particularmente se o fornecedor não costuma colocar uma adequada quantidade de sal na água de transporte). Se o transporte for a granel, o banho pode ser dado nas próprias caixas de transporte, facilitando a operação. Se os alevinos foram transportados em sacos plásticos, o banho pode ser dado em algum tanque especialmente preparado para isso, ou mesmo após a soltura dos alevinos nos tanques-rede, usando os bolsões.

Banhos com sal também podem ser aplicados após os manejos de classificação e transferência dos peixes. Alguns produtores de tilápia colocam sal (cerca de 4 a 6kg) em um saco de ração e penduram este saco dentro da água no interior dos tanques-rede onde estão os peixes que foram submetidos ao manuseio. Conheci tal prática em um empreendimento de tanques-rede no reservatório de Xingó, em Alagoas, se não me falha a memória em 2001. Na ocasião, um produtor local me explicou que, após adotar este procedimento, a mortalidade dos peixes após o manejo e seleção (classificação) reduziu significativamente. Na ocasião, olhando aquele mundo de água no reservatório, pensei: “de que maneira um saco com alguns quilos de sal poderia prover uma significativa melhora na condição e sobrevivência dos peixes? Pela presença de uma significativa concentração de sal na água da gaiola? Impossível com a intensa renovação de água, com o grande volume do reservatório e com a pequena quantidade de sal confinada dentro de um saco de ração. Muito provavelmente, os peixes estressados no manejo (que envolve confinamento por algumas horas na rede, captura com puçás, classificação manual, contagem, pesagem, etc. e etc.), descobrem que ali, no interior do saco de ração, há algo (o sal) que pode ajudar na rápida restauração do seu equilíbrio osmorregulatório. E, seguramente, os peixes ingerem pequenas partículas de sal que passam através da ráfia ou de pequenos furos no saco, recompondo os níveis de sódio e cloreto no sangue.” Embora o produtor não soubesse me explicar a razão da melhora dos peixes, acredito ser este o fundamento de tal prática.
Considerações finais

O sal na piscicultura

"Conheci tal prática em um empreendimento de tanquesrede no reservatório de Xingó, em Alagoas, e na ocasião, olhando aquele mundo de água no reservatório, pensei: “de que maneira um saco com alguns quilos de sal poderia prover uma significativa melhora na condição e sobrevivência dos peixes?"

O sal é considerado um produto de uso seguro pelas agências norte-americanas e européias que regulamentam o uso de produtos químicos na aqüicultura. Diversas são as possibilidades de uso deste produto na piscicultura, sendo o mesmo muito eficaz em ações preventivas quando aplicado com conhecimento. C W. Johnson relacionou 12 finalidades de uso do sal na rotina das truticulturas. Algumas delas já foram aqui discutidas. Outras são muito interessantes ou, no mínimo, curiosas, como o alívio dos efeitos das chuvas ácidas, o controle de algas filamentosas, o alívio de situações momentâneas de baixo oxigênio dissolvido, o derretimento do gelo que se concentram nas telas da entrada dos raceways (o que é pouco provável ocorrer nas truticulturas aqui no Brasil). Quem se interessar em ler este artigo do uso do sal na truticultura, poderá baixar o PDF na internet (www. wvu.edu/~agexten/aquaculture/12salttrout.pdf) e terá mais uma confirmação da versatilidade do uso do sal no cultivo de peixes.
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