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4 OS EMPREGADOS DOMÉSTICOS NA REALIDADE CONTEMPORÂNEA

4.1 Requisitos legais

Em relação à Lei, é importante destacar que a definição legal de empregado doméstico
no ordenamento brasileiro sempre teve como referencia a Lei nº. 5.859/72. O art. 1º conceitua
como empregado doméstico “aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade
não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial desta”.
Entretanto,   a   Lei   Complementar   nº.   150/2015   trouxe   uma   nova   definição
acrescentando o número de dias que o trabalhador deve exercer a atividade na semana para
caracterizar o emprego doméstico, além de se proibir tal serviço para os menores de 18 anos:

Art. 1º. Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que
presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal
e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito
residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se
o disposto nesta lei.
Parágrafo único. É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito)
anos para desempenho de trabalho doméstico, de acordo com a
Convenção nº. 182, de 1999, da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) e com o Decreto nº. 6.481 de 12 de junho de 2008.

 
Vólia Bomfim Cassar (2014, p. 337) ensina que o vocábulo
“doméstico” deriva da palavra em latim “domus”, que quer dizer “casa”. É
por isso que se chama de doméstico aquele trabalhador que executa as
suas atividades na casa do patrão.
Nesse sentido convém indicar:

Na   realidade,   pode­se   entender   que   o   empregado   doméstico   presta   serviços,   de
natureza  não  econômica,  à  pessoa  física  ou  à  família,  para  o  âmbito residencial
destas.   Desse   modo,   é   doméstico   não   só   o   empregado   que   exerce   funções

internamente,   na   residência   do   empregador,   como   de   limpeza,   de   faxina,   de
cozinhar, cuidando de crianças ou idosos, mas também o jardineiro, o vigia da casa,
o motorista etc (GARCIA, 2014, p. 35).

Em artigo eletrônico atualizado, Rossés e Montoito (2014) ensinam que “o caseiro e o
marinheiro particular também são considerados empregados domésticos quando o local onde
exercem a sua atividade não possui finalidade lucrativa”. 
Vale a pena destacar neste trabalho que os empregados de condomínios descritos na
Lei   nº   2.757/56,   como   os   porteiros,   serventes   e   zeladores,   se   estiverem   a   serviço   da
administração   do   edifício,   e   não   de   cada   condômino   em   particular,   são   considerados
empregados regidos pela CLT e não empregados domésticos.
A explicação que os autores fazem ajuda muito a compreender a lei. Por exemplo,
Vólia Bomfim Cassar (2014, p. 339) ensina que o médico que trabalha todos os dias durante
meses na casa de um paciente para acompanhá­lo é doméstico, também o piloto do avião
particular do executivo é doméstico, além da enfermeira da idosa que executava seu serviço
em sistema de trabalho de 12 horas por 24 horas de descanso, durante anos, em sua residência,
ou em forma particular em hospital, acompanhando a patroa. 
Segundo   a   lei   é   possível   entender   também   que   o   empregador   doméstico   deve   ser
pessoa   física   que   não   tenha   finalidade   lucrativa,   não   se   permitindo   a   contratação   de
empregados domésticos por qualquer pessoa jurídica.
Cumpre destacar que segundo o art. 1º da Lei Complementar nº. 150/2015 a antiga
discussão sobre a diferença entre empregado doméstico e diarista não existe mais, porque se a
pessoa trabalhar até dois dias por semana será considerada diarista segundo a lei.
É preciso destacar também que a diferença marcante entre o emprego doméstico e o
emprego celetista é o caráter não econômico da atividade exercida no âmbito residencial do
empregador:
O empregador doméstico não tem por intuito atividade econômica, não visando a
atividade   lucrativa,   pois   é   uma   pessoa   que   recebe   a   prestação   de   serviços   do
trabalhador. Exercendo a pessoa ou família atividade lucrativa, a empregada que lhe
presta   serviços   passa   a   ser   regida   pela   CLT,   não   sendo   doméstica.   Em   caso   de
empregado que presta serviços para chácara, há necessidade de se verificar se a
chácara tem finalidade lucrativa ou não. Destinando­se apenas a lazer, o empregado

será doméstico; se a chácara tem produção agropastoril que será comercializada, o
empregado será rural (MARTINS, 2014, p. 160).

Deve­se lembrar que se o patrão utilizar­se do empregado  doméstico para  alguma
atividade lucrativa, como cozinhar para venda, ele será considerado empregado da celetista. É
importante   dizer   também   que   se   o   patrão   tiver   mais   de   uma   casa,   todas   elas   serão
consideradas seu domicílio para fins de enquadramento do empregado doméstico.
Sobre o conceito de família, destaca­se:

Se o casal, com dois filhos menores, contrata um doméstica, é certo afirmar que
ambos são empregadores e, por isso, solidariamente responsáveis por este contrato,
mesmo que apenas um deles trabalhe para sustentar o grupo, arcando, por isso, com
os salários da doméstica. Da mesma forma, quando três amigas coabitam, uma paga
a doméstica, a outra as despesas da casa e a terceira contas extras, apesar de apenas
uma   arcar   diretamente   com   os   salários   da   doméstica,   todas   são   igualmente
empregadoras, já que todas tomam os serviços domésticos e pela equivalência com a
família (CASSAR, 2014, p. 347).

Dessa maneira, para fins trabalhistas, o conceito de família deve ser compreendido de
forma   mais   ampla,   “entendido   como   reunião   espontânea   de   pessoas   para   habitação   em
conjunto, mesmo que não haja vínculo de parentesco entre elas” (CASSAR, 2014, p. 346). 
Por   fim,   cumpre   dizer,   então,   que   para   os   fins   de   caracterização   do   empregador
doméstico, é possível a comparar o conceito de família aos amigos que dividem uma casa e
aos companheiros que mantém união estável. Convém lembrar que aos colégios, instituições
religiosas e caritativas, e conventos não cabem esta comparação.  

4.2 Direitos garantidos na Constituição da República com as alterações da EC nº.
72/2013

Recentemente os empregados domésticos passaram a contar com muitos benefícios
que antes não possuíam. No ano de 2013 foi aprovada a Emenda Constitucional nº. 72 que
ampliou o rol de direitos assegurados aos empregados domésticos na Carta Magna. 
Sobre a referida Emenda Constitucional, destaca­se:

Trata­se, portanto de 16 garantias ou direitos novos que foram estendidos à categoria
doméstica,   observadas   as   parcelas   de   efeito   imediato   e   as   dependentes   de
regulamentação   legal.   Considerado   o   conjunto   de   verbas   e   garantias   hoje
distinguidas,   atinge­se   o   montante   de   32   proteções   e   direitos   trabalhistas   ou   de
seguridade   social   incidentes   em   favor   dos   empregados   domésticos   (DELGADO,
2014, pp. 396-397).

Primeiramente,   sobre   dos   direitos   concedidos   aos   empregados   domésticos,   a
Constituição Federal de 1988, no artigo 7º, parágrafo único, na sua redação original, já trazia
a previsão de aos domésticos era assegurada a sua integração à previdência social, bem como
lhes   eram   garantidos   os   seguintes   direitos:  salário   mínimo,   fixado   em   lei,   nacionalmente
unificado,   capaz   de   atender   a   suas   necessidades   vitais   básicas   e   às   de   sua   família   com
moradia,   alimentação,   educação,   saúde,   lazer,   vestuário,   higiene,   transporte   e   previdência
social,   com  reajustes   periódicos   que  lhe   preservem  o  poder   aquisitivo,   sendo  vedada   sua
vinculação   para   qualquer   fim; irredutibilidade   do   salário;  repouso   semanal   remunerado
preferencialmente aos domingos; gozo de férias anuais, com pelo menos 1/3 (um terço) a mais
do que o salário normal após cada período de 12 (doze) meses de serviço prestado à mesma
pessoa ou família; licença à gestante, de 120 (cento e vinte) dias; licença­paternidade de 05
(cinco) dias corridos, para o empregado, a contar da data do nascimento do filho; aviso prévio
proporcional e aposentadoria.
Até a referida Emenda Constitucional não eram assegurados o auxílio­acidente e o
salário­família   aos   domésticos,   e   a   inscrição   no   FGTS   era   apenas   facultativa.   A   Lei
Complementar  regulou  a  questão  previdenciária  dos  domésticos, bem  como  a questão  do
FGTS.

Além dos direitos constitucionalmente garantidos, Rossés e Montoio (2014) lembram
que é devido, ainda, ao empregado doméstico vale­transporte, instituído pela Lei nº 7.418, de
16.12.1985, e regulamentado pelo  Decreto nº  95.247, de 17.11.1987. O vale transporte  é
devido quando se utiliza meios de transporte coletivo urbano, intermunicipal ou interestadual
com   características   semelhantes   ao   urbano,   para   deslocamento   residência/trabalho   e   vice­
versa. Para ganhá­lo o empregado deverá declarar a quantidade de vales necessária para o seu
efetivo deslocamento.
Assim, deve­se indicar que com a Emenda Constitucional nº. 72/2013, somados aos
direitos   já   tratados   anteriormente,   assegurou­se   aos   empregados   domésticos,
independentemente de regulamentação: garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os
que percebem remuneração variável; proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
sua retenção dolosa; duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro   semanais,   facultada   a   compensação   de   horários   e   a   redução   da   jornada,   mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho; remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em 50% à do normal; redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas
de   saúde,   higiene   e   segurança; reconhecimento   das   convenções   e   acordos   coletivos   de
trabalho; proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão
por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; proibição de qualquer discriminação no tocante
a   salário   e   critérios   de   admissão   do   trabalhador   portador   de   deficiência   e   a proibição   de
trabalho   noturno,   perigoso   ou   insalubre   a   menores   de   dezoito   e   de   qualquer   trabalho   a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
Além   desses   direitos   indicados   no   parágrafo   anterior   que   não   precisam   de
regulamentação,   após   uma  regulamentação  infraconstitucional,   estabeleceu­se:   relação   de
emprego   protegida   contra   despedida   arbitrária   ou   sem   justa   causa,   nos   termos   de   lei
complementar,   que   preverá   indenização   compensatória; seguro­desemprego,   em   caso   de
desemprego involuntário e fundo de garantia do tempo de serviço; remuneração do trabalho
noturno superior à do diurno; salário­família pago em razão do dependente do trabalhador de
baixa   renda   nos   termos   da   lei;   assistência   gratuita   aos   filhos   e   dependentes   desde   o
nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré­escolas; seguro contra acidentes de
trabalho (SAT), a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado,
quando incorrer em dolo ou culpa. 

Grande   parte   desses   direitos   foram   regulamentados   pela   Lei   Complementar   nº.
150/2015.
Quanto   à   extensão   do   regime   do   FGTS   aos   empregados   domésticos   de   forma
obrigatória,   Gustavo   Filipe   Barbosa   Garcia   (2014,   p.   238)   afirma   que   foi   uma   grande
conquista. O autor ensina que foi um modo de concretizar o mandamento constitucional de
melhoria das condições sociais dos referidos empregados como indica o caput do art. 7º da
Carta Magna, de acordo a valorização do trabalho e a dignidade da pessoa humana.
Segundo   a   referida   Emenda   Constitucional,   passou­se   a   prever   que,   atendidas   as
condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações
tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades,
também   o   seguro­desemprego   em   caso   de   desemprego   involuntário   ao   lado   do   fundo   de
garantia por tempo de serviço, deve ser concedido ao doméstico.
Ainda no que diz respeito às mudanças trazidas pela Emenda nº. 72:

Tratou­se de importante e justa inovação, que estendeu à empregada doméstica a
garantia   de   emprego,   que   já   era   prevista   no   art.   10,   inciso   II,   “b”   do   Ato   das
Disposições   Constitucionais   Transitórias,   válido   até   a   promulgação   da   lei
complementar a que se refere o art. 7º, inciso I, da Constituição Federal de 1988.
Frise­se   que   o   parágrafo   único   do   art.   7º   da   CF/1988,   pertinente   ao   empregado
doméstico, em sua redação original não fazia remissão expressa ao inciso I do art. 7º
(nem à mencionada disposição do ADCT), o que, anteriormente tornava majoritário
o   entendimento   quanto   à   inaplicabilidade   da   referida   estabilidade   provisória   da
gestante   à   empregada   doméstica,   o   que   deixou   de   prevalecer   com   a   Lei   nº.
11.324/2006,  fundada   nos  princípios  da  proteção   e  da   norma  mais  benéfica.   Na
atualidade, o art. 7º, parágrafo único, da Constituição da República, com redação
dada pela Emenda Constitucional  nº. 72/2013, passou a prever que, atendidas as
condições estabelecidas em lei, e observada a simplificação do cumprimento das
obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e
suas   peculiaridades,   é   assegurado   à   categoria   dos   trabalhadores   domésticos
(referindo­se a empregados domésticos), entre outros, o direito previsto no art. 7º,
inciso I, no sentido da relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou
sem   justa   causa,   nos   termos   de   lei   complementar,   que   preverá   indenização
compensatória dentre outros direitos (GARCIA, 2014, p. 239).

Analisando os incisos do art. 7º da Constituição, verifica­se que apenas não foram
estendidos aos domésticos o direito ao piso salarial, o direito à jornada de seis horas para o
trabalho realizado em turnos interruptos de revezamento, o direito à proteção do mercado de
trabalho da mulher, mediantes incentivos específicos, o direito ao adicional de penosidade,
insalubridade e periculosidade.
Por fim, cumpre indicar que existem direitos inaplicáveis à categoria dos domésticos
no referido art. 7º,  como a participação nos lucros e resultados da empresa, proteção em face
da   automação,   proibição   de   distinção   entre   trabalho   manual,   técnico   e   intelectual,   e   a
igualdade   de   tratamento   entre   trabalhador   com   vínculo   empregatício   permanente   e   o
trabalhador avulso.

4.3 Repercussão social do novo regramento constitucional

É verdade que a Emenda Constitucional nº. 72/2013 trouxe muitas vantagens para os
empregados domésticos. No entanto, não se pode deixar de abordar a questão relativa aos
empregadores. A referida Emenda terminou com uma série de discriminações imerecidas aos
domésticos,   porém,   é   preciso   dizer   que   as   garantias   que   ela   trouxe   podem   prejudicar   a
realização de novas contratações. Pois, o empregador doméstico no Brasil é geralmente da
classe média e não tem meios de arcar com grandes encargos. 
Diante dos novos direitos garantidos aos domésticos, uma série de dúvidas e questões
podem   ser   levantadas,   pois   a   realidade   do   trabalhador   doméstico   não   é   a   mesma   de   um
trabalhador de uma empresa, de uma loja, de uma indústria.
Assim, cumpre apontar:

No tocante  à situação das  horas extras  e respectivo adicional, como poderá, por
exemplo, o empregador controlar a jornada de trabalho de um caseiro ou de uma
cuidadora de seus pais idosos? Como ficará a situação do doméstico que dorme na
residência do patrão? O patrão deverá fiscalizar a hora que o empregado se acorda,

que inicia e que finda o serviço, sob pena de, no futuro, ter que pagar horas extras?
Como fará esse controle quando o empregado está acostumado a trabalhar de forma
intermitente? E quanto às normas de saúde, especificamente, quanto aos intervalos
intra e interjornada, como poderá fiscalizar aquele empregador que fica o dia fora de
casa?   Agora   que   possuem   jornada   de   trabalho,   será   possível   que   o   doméstico
trabalhe   por  tempo   parcial,   recebendo   proporcionalmente   à   jornada   trabalhada?
Concedendo   o   direito   às  normas   coletivas,   também   se   multiplicarão   sindicatos
profissionais   de   domésticas   e   patronais   de   empregadores   domésticos.   Mas   estes
últimos têm amparo jurídico? Como referiu o Professor Renato Saraiva, seguindo a
CLT, não poderiam fazer parte de um sindicato de “categoria econômica”, pois o
diferencial   do   empregador   doméstico   é   justamente   o   de   não   exercer   atividade
econômica (Rossés e Montoio, 2014).

Pode­se   dizer,   criticamente,   que   as   particularidades   do   empregado   doméstico   não
foram muito consideradas para a redação da referida emenda constitucional. A redação dessa
nova norma parece que se deu apenas com fundamento na igualdade de direitos e não se
lembrou   da   realidade   social.   Pode   acontecer,   inclusive,   que   alguns   patrões   comecem   a
dispensar os atuais empregados e contratar simples diaristas. Assim, uma pessoa que tinha um
salário   estabilizado,   poderá   perdê­lo.   Ainda   que   as   novas   regras   para   os   empregadores
domésticos sejam mais facilitadas, não deixam de ser um obstáculo para a classe média cada
vez mais prejudicada com a crise da economia. 
Os mesmos autores citados acima, ainda destacam uma importante questão, que se
refere às demandas judiciais depois dessas novas regras constitucionais:

Em decorrência dessa emenda constitucional, outros patrões, como todo o brasileiro,
preferirão   manter   a   doméstica   de   forma   irregular,   na   informalidade.   Quando
dispensada, esta ajuizará uma reclamação, onde pleiteará todos os seus direitos. E,
como se sabe, na Justiça do Trabalho, vigora o princípio da proteção, sendo que o
empregado é a parte hipossuficiente na relação empregatícia. Logo, poderá o juiz
inverter o ônus da prova, e exigir do empregador que comprove que sua doméstica
não laborou horas extras, que era respeitado o intervalo intra e interjornada etc. Não
podendo fazer prova contrária, o empregador certamente deverá arcar com o custo
de sua irresponsabilidade. Não se pode olvidar aqui que, nos termos da Lei nº 8.009,
de 29.3.1990, é impenhorável o bem de família, isto é, o imóvel residencial próprio
do casal, ou da entidade familiar,  salvo  em razão dos créditos de trabalhadores da
própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias (art. 3º). Logo, o
empregador poderá, inclusive, ficar sem a sua própria casa (Rossés e Montoio,
2014).

Os   autores   prosseguem   em   sua   crítica,   dizendo   que,   na   verdade,   essa   emenda
constitucional   teve   o   objetivo   de   aumentar   a   arrecadação   do   Estado   com   as   novas
contribuições sociais estabelecidas. Então, o Governo se preocupou com sua arrecadação e
não com a realidade social.
Assim, esse lado não pode deixar de ser abordado, porque a dificuldade em contratar
poderá   prejudicar   os   trabalhadores   domésticos.   Os   patrões   buscarão   diaristas   em   vez   de
alguém efetivo, ou esconderão o seu empregado na informalidade. 
É verdade que ninguém pode prever o que acontecerá, mas com essa crise cada vez
mais crescente, o empregador doméstico da classe média terá receio em realizar a contratação
com os novos encargos criados.
O mais correto buscar uma promoção social que favoreça não apenas o empregado
doméstico, mas também os empregadores que impulsionam a economia nacional.

5 JURISPRUDÊNCIA
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 9. ed. rev. e atual. São Paulo: Editora
Método, 2014.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 13. ed. São Paulo: LTr,
2014.

GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. 8. ed. rev., atual. e amp.
Rio de Janeiro: Forense, 2014.
MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 30. ed. São Paulo: Atlas, 2014.

ROSSÉS, José Pedro Oliveira; MONTOITO, Beatriz Helena de Castro. O empregado 
doméstico: seus direitos e considerações acerca da Emenda Constitucional 72/2013. 
Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/24679/o­empregado­domestico­seus­direitos­e­
consideracoes­acerca­da­emenda­constitucional­72­2013#ixzz3L2Jm9xEI>. Acesso em: 05 
de out. 2015.