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Problemática de História e Teoria das Ideias

:
História das Ideias Políticas e Sociais em
Portugal no Pré e Pós 1974

No âmbito da Cadeira:
Problemática de História e Teoria das Ideias

3º Ano – Licenciatura de Filosofia
Docente:
Professor Doutor Júlio Silva

Data e Local:
Lisboa, 09 de Novembro de 2015

Realizado por:
Cláudio Miguel Silva nº42228

1

ao longo deste trabalho. Além disso. neste trabalho tenta-se compreender a estrutura política e social compreendida no período Salazarista e pós Salazarista. Teremos ainda em conta a compreensão relativa à instrução das pessoas como a educação bem como a saúde. compreenderemos que. isto é. Palavras Chave  Política  Sociedade  Cultura  Estrutura  Educação  Saúde  Indivíduos  Massa de indivíduos  Nacionalismo  Pré e Pós 1974  Sistema Político 2 .Resumo Este trabalho. um grupo constituído por várias pessoas. tem por base compreender a política e a sociedade no Pré e Pós 25 de Abril de 1974. no âmbito da cadeira de Problemática de História e Teoria das Ideias. Sendo assim. o desenvolvimento cultural das pessoas como indivíduos e não somente como uma massa. É com base central nesta ideia que se vai compreender o contexto sociocultural bem como económico e político da sociedade Portuguesa. É com base nesta estrutura que iremos compreender as grandes marcas e diferenças de uma época não tão distante dos nossos dias.

Essas pessoas são os alunos Tiago Silva do 2ºAno de Licenciatura em Arqueologia bem como ao Luís Freitas do 2ºAno de Licenciatura em História da Arte.1. assim sendo. Como tal. Essas problemáticas baseiam-se na compreenção geral da época em questão bem como as mudanças positivas e negativas face à mesma. 3 . o sistema político. ou seja. Posto isto. Introdução Este trabalho. pretende-se ainda perceber as grandes marcas dessa vida imposta e não escolhida por essas mesmas pessoas bem como as grandes marcas e diferenças para os dias de hoje. Duas épocas distintas que tiveram por base sistemas políticos bastante diferentes e uma sociedade. diferente. neste trabalho foram utilizadas três fontes bibliográficas para se ter um maior conhecimento da perspectiva Política e Social acerca das épocas em causa. No final desta introdução pretende-se ainda agradecer a duas pessoas que disponiblizaram bibliografia para o desenvolvimento deste trabalho. os objectivos prospostos para este trabalho prendem-se com a compreensão dos antecedentes socioculturais na época Salazarista. foca-se no estudo das grandes marcas e diferenças de uma sociedade Salazarista em face de uma época de Pós Salazarismo. organizada. existem algumas problemáticas que deverão ser abordadas ao longo deste trabalho. económico em que as pessoas estavam sujeitas a viverem. que surge no âmbito da cadeira de Problemática de História e Teoria das Ideias. Além disso. Por sua vez. também ela. de forma.

proibição da liberdade sindical). isto é. Assim sendo. o Défice Orçamental. O Estado novo foi caracterizado por um sistema político envolvente com a opressão – a opressão mais conhecida era a PIDE. É com esta tarefa alcançada que Salazar ganha o prestígio de grande político para congregar em tornou de si e do seu projecto nacionalista e autoritário todas as directivas. Todos os mecanismos que poderiam servir para anunciar à 4 . Salazar. Os principios fundamentais baseavam-se na ideia de Nação. O projecto desta Constituição parece ter sido da autoria de Salazar – ainda Ministro das finanças-. poderemos considerar a censura como uma defesa do Estado bem como do sistema político. colaboravam com ele homens da sua confiança pessoal como Marcello Caetano. com inúmeras pessoas com poder. mas. Salazar. É como Ministro das Finanças que. tornou-se peça central de uma sociedade que estava em decadência. numa restrição dos direitos fundamentais dos trabalhadores (direito à greve. no primeiro Conselho de Ministros. cativando em parte toda uma sociedade precária de valores. as pessoas denominadas num grupo de elite que tinham por base sustentar. a afirmação do Império bem como o Corporativismo e a regulamentação da vida económica. Discursava no dia da posse como Ministro das Finanças a 27 de Abril de 1928 a seguinte frase: “Sei muito bem o que quero e para onde vou. o sistema político criado por Salazar. A constituição de 1933 nasceu da necessidade de estabelizar e legitimar o regime nascido do golpe militar de 28 de maio de 1926 – pondo fim à democracia parlamentar. Assim sendo.”. na sociedade Portuguesa. Todo o sistema político se baseava na opressão e na detenção de indivíduos que por uma ou outra razão discurdavam de algum ou outro ponto de vista do governo em causa. A censura era uma das armas que Salazar encontrara para defender os seus ideais.2. mas não se me exija que chegue ao fim em poucos anos. Salazar criara o seu mote de intervenção à sociedade tendo êxito numa tarefa que ao longo dos tempos assombrou os governos. Para que se possa compreender de forma natural a sociedade estabelecida na época de Salazar há que compreender a Constituição Portuguesa de 1933 e toda a sua importância. a Constituição de 1933 estabelecia assim um regime com um forte predomínio do governo e um parlamento sem representação partidária plural. O sistema político era fortalecido. isto porque. sobretudo para não deixar criar e sustentar um sistema de intervenções que poderiam surgir da sociedade Portuguesa. tem como objectivo obter um saldo positivo já no orçamento para 1928-1929. isto é. Ascensão de Salazar e o Mote para uma Sociedade Precária Após ter posse como Ministro das Finanças.

“(. A instrução das pessoas traduz-se na cultura que uma sociedade pode ter e. 12-05-1935. Ter o pretendente cencimentos ou rendimentos documentalmente comprovados. trabalhar para o meio rural. sendo assim. ao terminar a emissão. cultural e até mesmo político de uma sociedade e como tal. Esse nacionalismo exarcebado era traduzido por uma única proposição: Fado. Compreende-se que o regime quer educar para pôr “ordem nos espiritos” de crianças que possam ter uma intervenção mais profunda no sistema político que vigorava na sociedade Portuguesa e não propriamente para um autodomínio do próprio indivíduo. 1932). o casamento das professoras que tinham de pedir uma expressa autorização ao Ministro para puderem casar. A instrução e o ensino qualificado eram fundamentais para a “educação civica dum povo” (Salazar. Fátima como religião de uma sociedade e o Futebol como a principal distração de uma sociedade que Salazar criara o seu ideal de nacionalismo. na época Salazarista. para poderem tirar melhor rendimento da enxada” Oliveira Salazar.em que sempre.. Fátima. a RTP – Rádio Televisão Portuguesa . É com base nesta proposição que o Fado como cultura de uma sociedade. se ouvira o Hino Nacional. exemplo disso é. bem como o controlo dos tempos livres – criação da FNAT: Federação Nacional para a Alegria no Trabalho. 5 .) Gostaria que os pequenos soubessem ler. Com o Estado Novo tudo ficou claro. existia uma grande dispersão de valores – no sentido de diferença profunda de muitos indivíduos em face de um grupo restrito de pessoas que entravam na elite. por exemplo. através de organizações de actividades recreativas e educacionais. por exemplo. percebemos de forma clara que. exemplo disso é. Salazar incentivava o trabalho rural sendo que uma das chaves da sua política foi a grande campanha pelo trigo. em harmonia com os da professora. artigo 9º: “O casamento das professoras não poderá realizar-se sem autorização do ministro da Educação. muitas delas.sociedade determinado assunto eram manipulados pelo Estado Novo. todas as pessoas iam ao liceu.. Contudo porquê passar o hino nacional? Sabemos e compreendemos que os ideais de Salazar se baseavam num nacionalismo exarcebado sustentado por uma elite. que passo a citar: Decreto-lei de 24 de Novembro de 1936. 2. económico. que só deverá concedê-la nos termos seguintes: 1. indo. A vida privada era controlada pelo governo. entre outras. Futebol – a conhecida proposição dos três f’s. Ter o pretendente bom comportamento moral e civico. mas poucas continuavam os seus estudos – somente as pessoas com mais rendimentos poderiam suportar os custos educacionais e as pessoas com menos estudos “contentavam-se” com o terminar do liceu. Salazar percebia de forma clara que a instrução era um passo importante para o desenvolvimento social.”.

com a mundialização das disputas pelos mercados. Percebemos assim. isto é. apesar das dificuldades. a pobreza e a promiscuidade existia. Olha-se para os anos de escassez e racionamento e compreendemos que Portugal viva tempos difíceis durante. 6 . “em cheio pelo turbilhão da guerra económica e cumpre nela um papel significativo” como sublinha António José Telo no Diciónario de História de Portugal (Última reedição). Somente elites podiam ir a teatros e exposições com alguma visibilidade. pela hegemonia entre as grandes potências. demonstrar uma visão forte de Portugal como um espaço que pela junção das suas colónias. contudo. citando Fernando Rosas: “A emergência do fenómeno político e económico do imperialismo. de uma forma clara e sucinta que. ((1939-1945) Editorial Estampa) se traduz. mas Lisboa bem como Portugal. devido à auto-suficiência alimentar. Em 1934. em principios da década de quarenta a Europa estava em guerra.”. pelas fontes de matérias-primas. em certo sentido de alívio. ria (devido às peças teatrais apresentadas e referentes à sua neutralização face à guerra). numa palavra. era idêntica à Europa. É notória esta ideia que na obra Portugal entre a Paz e a Guerra. Compreendemos que Portugal olhava para a guerra como um espectador tendo por base materiais e matérias importantes no tempo da guerra como afirma Fernando Rosas: “Portugal era interessante para as duas partes em conflito porque tinha matérias-primas essenciais e bens de consumo importantes em tempo de guerra”. sobretudo após o bloqueio britânico aos países ibéricos.Na época Salazarista a cultura não era esquecida tendo por base várias exposições e peças teatrais por todo o país. Portugal “é apanhado” assim sendo. pelos destinos de exportação dos capitais. isto é. uma visão de força para o consumo interno (cada vez mais algumas pessoas reagiam de forma positiva ao regime Salazarista) bem como força para consumo externo. sobrevivia-se melhor no campo do que na cidade. por exemplo. isto porque. a segunda guerra mundial. devido à escassa instrução e alfabetização (embora melhorada – analisaremos mais adiante) bem como a precariedade salarial. A cultura era um dos alicerces do governo tendo o Parque Mayer ter sido considerada como a Broadway Portuguesa. poderemos hoje em dia compreender que. trouxe consigo igualmente a mundialização das guerras de redivisão de esferas de dominio. mais de metade da população sobrevivia. correspondendo a uma estratégia de afirmação em dois dominios políticos – o nacional e o internacional. No tempo de Salazar vivia-se com pouco e era com esse pouco que. Com esta exposição quer-se mostrar e demonstrar à sociedade Portuguesa duas formas de pensar que se conjugam entre si. o Porto acolheu uma grande exposição colonial que tinha como âmbito uma propaganda política nas exposições económicas fascista.

é bom salientar. pois.Além de questões políticas que afectavam a maioria da população. existia. incluíndo como está. a sociedade vivia – perdoem-me a repetição . apesar de tudo “controlado” pelo Estado Novo. relativamente à educação e à instrução. as escolas estavam em degradação e precariedade. a nivel educacional) bem como fazer da escola uma “máquina” de imposições do Estado novo – “Lição de Salazar” – isto é. era pouco desenvolvida com grandes repulsões dentro e envolvido num quadro de sistema político – tendo por vezes. o que demonstrava uma pouca aposta na estrutura educativa de uma sociedade. isto é. a separação dos sexos nas escolas foi imposta – o que nada contribuiu para o melhor funcionamento educacional. precárias de iluminação bem como ventilações insuficientes e ausência de sanitários bem como recreios. com base em documentos que hoje conhecemos. uma imposição nas virtudes impulsionadas pelo regime. a partir de 1942 o desemprego em indústrias com falta de matéria-prima bem como o congelamento dos salários. percebemos e compreendemos que a sociedade. mas tambem pela falta de aposta do sistema político no sistema educacional. quase metade da população infantil não estava nos quadros educativos. O alfabetismo tambem era uma chave de propaganda do regime Salazarista que tentava combatê-la precisamente com cartazes de propaganda. isto é. a melhoria de condições de vida. estava preocupado com as despesas (a grande intenção do Estado Novo era reduzir as despesas de funcionamento. em parte. 7 . os cartazes de propaganda do Estado Novo. isto é. A verdade é que nem todos os protestos sobre a educação era o ponto central. mas sim. em condições muito deficientes. que as crianças entre os 7 e os 11 anos não estavam inscritas na escola o que demonstrava uma “manipulação” de dados pelo Estado Novo.na miséria e ignorância de um sistema político que obstruía. percebemos que as informações dadas são de que o alfabetismo teria tido uma diminuição considerável de 63% em 1926 para 49% em 1940. a sociedade Portuguesa via. Assim sendo. protestos contra todo o sistema político que se acreditara falido pelas suas próprias armas e pelos seus próprios governantes e políticos. contribuíam para o agravamento das condições de vida da sociedade. Assim sendo. Em 1928. Contudo. mesmo a população que iria ao liceu era ignorante. não só por culpa própria. Apesar da instrução da população (a maior parte da população instruída não continuava os seus estudos. Este alfabetismo. o que demonstrava a miséria e a ignorância vivida). uma grande repulsão ao nível de protestos “silenciosos” bem como em protestos – dentro dos possíveis – ouvidos pelo regime. O Estado Novo não alterou a situação vivida pois. compreendemos que a sociedade era pouco instruída e que. O número de analfabetos desde 1926 a 1940.

Foi ele. no tempo Salazarista.Em tom conclusivo. deixando a sociedade em dois opostos. Era uma sociedade que tinha como cultura a sobrevivência e a obediência perante aquele que é o seu chefe – Salazar. a guerra colonial -. nas suas próprias mentalidades – ainda hoje. percebemos e compreendemos que dentro do território nacional. Percebemos e compreendemos que a sociedade era pouco desenvolvida – somente as pessoas de elites. Por um lado. Foi ele. percebemos de forma clara duas acções que contribuem para perceber de que forma o sistema político. como país. a cara de um Portugal destemido fora dos seus limites territoriais – veja-se. precária. bem como aos seus entes queridos se. Em tom conclusivo podemos afirmar que a estrutura política. A obediência era feita conforme as normas impostas pelo Estado Novo não tendo por isso. a sociedade e a cultura era traduzida. alguém fosse contra as propostas e imposições de Salazar e do Estado Novo. uma sociedade com medo. entre muitas coisas. em Portugal. como chefe portugues. nesta primeira abordagem para fazermos uma comparação com os dias de hoje. bem como a sociedade e as actividades de uma vida privada era chefiada não pelos próprios intervenientes dessas mesmas actividades. poderiam ter uma vida melhor -. ao mesmo tempo de uma sociedade com medo. mas por outro lado. Assim sendo. apavorada sem saber o que poderia acontecer a si. mas sim. De facto. percebemos de forma clara que nem todo o processo Salazarista foi mau – teve. por exemplo. “palavra”. Era assim Portugal. Era ele. Salazar teve uma grande influência na sociedade e na cultura portuguesa durante inúmeros anos. uma sociedade “segura” que Portugal. num tempo de um sistema político com falhas e com grandes ambições – bem mais do que poderiam querer. entre muitas coisas. Com isto. o sistema político era num certo sentido “fraco” não tendo o apoio de uma sociedade que era. há pessoas que afirmam que tinham uma fotografia ou quadro de Salazar na parede das suas casas. nenhuma. independente continuaria. um papel fundamental na recuperação financeira e conómica portuguesa. porventura. o grande impulsionador de uma sociedade “segura” mas tambem. Ainda assim é de salientar que nem tudo foi mau – ainda hoje se diz que o maior mal que Salazar proporcionara aos portugueses foi a PIDE bem como uma guerra Colonial que enviabilizou muitos portugueses – hoje fala-se que apenas era a huerra Colonial apenas serviu para um enorme derrame de sangue. Salazar era o chefe e destinatário de tudo. que estava dentro da mentalidade de inúmeras pessoas e mais do que isso. por uma elite bem como chefiação máxima de um homem que teve Portugal nas mãos durante inúmeros anos. termino em parte esta 8 . a sociedade. mas tambem de um Portugal com insegurança dentro dos seus limites territoriais – veja-se o caso da PIDE e todas as formas e actos de manipulação de um Estado face à sociedade.

” 9 . que passo a citar: “Aqueles que concordam com uma opinião chamam-lhe opinião. quem voltar os meus bolsos do avesso só encontrará pó.” Por último deixo uma frase bastante celebre de Thomas Hobbes que relata uma sociedade em que por um lado é apoiante de um sistema político.análise. . com duas frases de Salazar que passo a citar: ” A ordem não é produto espontâneo das sociedades mas filha da inteligência e da autoridade” e “No dia em que eu abandonar o poder.não necessariamente ditaturial – e por outro lado demonstra uma sociedade em que quer se soltar das amarras de um sistema político como o caso da sociedade Portuguesa no tempo Salazarista. mas os que discordam chamam-lhe heresia.

de forma clara. que. percebemos de forma clara. zangas. as fronteiras Portuguesas bem como a mentalidade ficaram mais libertas. dito. em parte. em certa medida podemos afirmar que quem mandava era o povo – tendo sido celebre ainda nos dias de hoje a seguinte frase: “O povo é quem mais ordena”. isto é. Existem mais opiniões. não se vive à base de um único partido. mais desconfiança. a sociedade ficou sem as amarras do sistema político. ou melhor. Desde cedo. mas sim. Em termos filosóficos pensando. a porta de saída de uma massa cultural e social presente dentro da própria sociedade que era calada e silenciada por um sistema governamental ditaturial. o povo – um grupo abstracto de pessoas – comandam um sistema político e não o contrário. há espaço para falar abertamente sobre tudo. Com a repulsa desse mesmo sistema político. de uma maioria (o que hoje chamamos de maioria Parlamentar). a eliminação de grupos de elites e a liberdade de opinião entre a sociedade. danificar a sociedade e todas as pessoas que nela entram. entre a sociedade. A liberdade foi tão bem conseguida que este sistema político é caracterizado por um pluripartidarismo. onde todos querem introduzir algo novo o que pode gerar discordância e muitas das vezes. Em teoria. visto. em termos filosóficos. várias discussões de “café” sobre o que era entendido em vários assuntos – em certa medida. que a liberdade a mais condiciona o modo de vida de uma sociedade. sem fundamento. Cultural e Humano Novo Com o 25 de abril de 1974. A ascenção de um sistema político iniciou-se pela. assim sendo. Podemos objectar. O pós 1974 foi. ainda nesta questão da sociedade e do sistema político que a sociedade. Contudo. em termos prácticos. isto é. não poderíamos afirmar que uma sociedade é que comanda o sistema político. este novo sistema político nem sempre é bom. a liberdade pode em certo sentido. muitas delas. mas também as mulheres têm direito de o fazer. que a sociedade portuguesa mudou. Social. Com a queda de um governo ditaturial.3. do que um sistema político envolto de duas ou três personagens políticas. por exemplo. que a liberdade de escolha e de opinião foi expressa com o poder de voto – nem só os homens têm direito de votar. Ascensão de um Sistema Político. Houve. sem dúvida alguma. de um único chefe de governo. em certo sentido. um governo é que pode ter medo de uma sociedade e não o contrário? Uma massa consistente de pessoas criam. compreendemos um sistema político como a grande capacidade dos políticos comandarem a sociedade. sem dúvida alguma. A liberdade de existirem greves para lutar por condições de vida melhores bem 10 . não é preciso ser um especialista na matéria para perceber. Contudo.

em parte. o apoio a um sistema político por parte de uma sociedade é evidenciada por um autodominio consciente de uma sociedade que. Ou seja. não é somente a liberdade que evidência o apoio a este novo sistema político criado pós 1974. para a sociedade Portuguesa era visto como um conjunto de regras que cada um podia dar-se ao “luxo” de contribuir. Neste momento. somos máscaras. nem realizar as actividades que pretendidam sem. As pessoas não podiam estar à vontade. Contudo. Com este sistema político a cultura ganhou uma nova vida. a liberdade bem como a vida privada existe. a sociedade Portuguesa desejara liberdade. mas. Olhemos para a Constituição e percebemos que. com este sistema político. mas de bens materiais. sem sombras de dúvidas. a sociedade ganhou uma nova essência: a ideia de que nem tudo o que faço vai ser visto. podemos caracterizar a sociedade como um alento para o Estado e vice-versa. em certo sentido. embora com medo por não saber. mas sim. Em certo sentido.como o povo diz – “no que isto vai dar”. não só de gêneros. . como é visto este sistema político pela sociedade Portuguesa no pós 1974? O sistema político.como para conseguir triunfar na vida profissional é concedida tendo por base manifestações operárias com o âmbito e o objectivo de dignificar a sociedade. A sociedade Portuguesa. na igualdade. após o triunfo face a um governo ditaturial. admitimos nem que seja um artigo do que está exposto na Constituição o que demonstra claramente o nosso apoio a este sistema político. não em determinados partidos ou governos – tem o apoio incondicional da sociedade. refeita. O apoio de uma sociedade num sistema político revela-se não pela obdiência a esse mesmo sistema. pela Constituição que depois se apresentou. o Estado – e quando falo em Estado falo de um sistema político. darem explicações da sua vida. Contudo. personagens uns para os outros. sobretudo por vozes sonantes de manifestações e greves de proletariado. Era vista como uma sociedade mobilizadora com capacidade de interagir como uma massa e não como um indivíduo isolado. isto é. era vista no exterior das fronteiras como uma sociedade impulsionadora capaz de fazer frente aos propositos mais inconscientes. houve uma maior produção de peças teatrais bem como de exposições sobre a política. Hoje em dia. em certo sentido. Saído de um governo ditaturial. todos nós. mas sobretudo pela nova injecção de novas actividades antes proibidas. à vida privada. A sociedade mudou. mas mais do que isso. Esta ideia repulsou a sociedade e com esta um sistema político envolto. Há uma nova estrutura de dialogos que passa pela a afirmação deste 11 . isto é. com opressão e manipulação de dados. Essa liberdade foi conseguida. Durante muitos anos a vida privada foi alicerçada e condicionada por um sistema político. mas sim pela reorganização e investimento que essa mesma sociedade dá a um sistema político.

por exemplo. por um lado. introduziu Portugal nos mercados internacionais afirmando que Portugal não é somente território nacional. sobretudo novas formas de intereção entre Portugal e o Mundo. disposto a ajudar e a ser ajudado. hoje em dia. muitas das vezes. nos últimos anos. a cultura – têm-se desinvestido na cultura para assegurar. A sociedade Portuguesa não era mais um país isolado. podemos afirmar que Portugal olhou para a Europa como um Portugal pequeno para uma Europa grande isto é. abstracto – foi “proclamado” como peça fundamental de um sistema político. sobretudo por dois objectivos: A aposta forte no sector industrial e nos capitais económicos e financeiros. uma marca de forte de uma ligação PortugalEuropa. em certo sentido. 12 . Assim sendo. mas sim um país. o sistema político tem. A mentalidade de uma sociedade mudou. O Humano. Portugal tinha pouco desenvolvimento e com uma ajuda externa o desenvolvimento não só económico e financeiro. das amarras das políticas nacionais – isto é. sem sombras de dúvidas que a sociedade Portuguesa ficou presa em termos internacionais. Portugal. A aposta para lá das fronteiras do território portugues foi conseguida pela entrada na União Europeia e. as pessoas começaram a pensar por si e para si – podemos afirmar. mas. em certo sentido. hoje. Os retornados deram uma nova mentalidade à sociedade Portuguesa embora tenha sido dificil essa aceitação. Houve um novo sistema de subsídios para pessoas que dentro de uma sociedade estariam em dificuldades – a vida precária continua sabendo que não era tão grave como no tempo ditaturial. A “internacionalização” de Portugal levou a uma condição de vida melhor. compreendemos de forma clara que existe mais informações sobre Portugal em termos internos – nacionais – bem como em termos externos – internacionais. Se. as pessoas estão mais libertas das amarras políticas nacionais o que prefaz uma maior afirmação dos pensamentos de uma sociedade. isto é. Em certo sentido. por de parte. a sociedade libertou-se. enquanto tal teve grandes dificuldades no pós 1974. melhores condições de vida. Existiu maior financiamento e investimento em arte – incluíndo peças de teatro e exposições bem como existe novas soluções criadas para o desenvolvimento na cultura e na educação. com este novo sistema político. Ela mesma criou novas formas de saber. novas formas de projectar a sua economia. Contudo. este novo sistema político. É notório de salientar que com este sistema político a sociedade viu melhoras na cultura bem como na educação. Com este novo sistema político. O Homem – como indivíduo e não como um grupo ou massa – o chamado povo. sobretudo a uma nova forma de ver o mundo. mas.sistema político. na questão dos retornados. Para realçar esta dificuldade. Ou seja. esquecido – ou melhor. mais informações chegavam à sociedade. mas tambem cultural e social foi sem dúvida alguma. virou-se para a internacionalização.

uma educação e instrução prolongada. que levasse os estudantes a um percurso escolar o mais longo possível. realizar tudo o que os homens podiam antes. mas sim. o que nos primeiros tempos. mas. tambem. em certa medida. a sociedade tem um papel civico activo acompanhado e apoiado pelo Estado. a questão das enfermeiras não poderem casar. Houve um período de grandes dúvidas. para um melhor desenvolvimento da capacidade de progressão tanto a nível profissional como a nível cultural. comissária da exposição. A sociedade desde 1974 não parou. isto porque. ainda hoje. em certo sentido continua a ser desenvolvido. em locais públicos. A liberdade da mulher de fumar. com o investimento na educação e na instrução. usavam vestidos curtos. que a sociedade não ficasse de olhos vendados para o mundo. Não foi uma aposta na educação e na instrução como “boa”. isto é. o programa de descolonização bem como o desenvolvimento introduzido pelo MFA – Movimento Forças Armas – processo denominado pelos três d’s. Para isso mesmo. sobretudo como forma de estar no mesmo estatuto do que os Homens foi conseguida. por várias leis retificadas e eliminadas como. mas. de medos e receios. deixou a sociedade Portuguesa alarmada. existem hoje. por exemplo. por exemplo. Mais do que isso. A educação – mencionada anteriormente – foi uma aposta deste novo sistema político. deixou a sociedade Portuguesa um pouco alarmada. inúmeras manifestações e greves apoiadas e realizadas por sindicatos. A emancipação das mulheres como forma de protesto. as mulheres ganharam o mesmo estatuto do que os homens podendo. foram criadas e restruturadas novas escolas que estavam em degradação para um melhor contributo do Estado na vida social e cultural das pessoas. Em tom conclusivo percebemos de forma clara que o sistema político mudou após o 25 de Abril de 1974. uma instrução era necessária. pois a mentalidade desta mesma sociedade não estava “preparada” para essa mesma “modernização”. Tem hoje uma acção civica muitas vezes acompanhadas por um sistema político envolvente. que pudesse introduzir novas ideias e formas de viver em termos nacionais. isto é. A sociedade voltou-se para o Estado e o Estado voltouse para a sociedade. Entendia-se que. A instrução e a educação de uma sociedade foi uma das chaves deste sistema político que queria combater o mais possível a mentalidade fechada que a sociedade tinha. Assim. grupos políticos e partidos. As mulheres. sobretudo uma nova confiança para enfrentar o que tudo podia acontecer. este sistema político queria.conhecemos uma exposição presente em Lisboa denominada por: “Retornar – Traços de Memória” realizada pela Doutora Elsa Peralta. Estes dois “grupos” que se ajudaram em boa parte um ao 13 . por exemplo. A democratização. ou até mesmo as professoras terem que pedir ao Ministro para casarem.

A democracia nasceu nas mãos de um povo que hoje tem a obrigação de defender esse mesmo sistema político e. sobretudo contra a sociedade e a cultura dos portugueses. 14 . sobretudo com mais informações sobre o país e sobre o mundo. sobretudo não voltar aos tempos onde a opressão era uma arma contra a vida humana e. tentam agora fazer com que o sistema político seja aceite. com uma mentalidade mais aberta e.outro.

compreender e perceber de forma positiva a estrutura nacionalista e internacionalista que Portugal teve e tem em face de outros países. É de realçar que este trabalho foi produzido pela proposta do professor Júlio Silva “O Estado Novo e o Congresso do Mundo Português de 1940” bem como pela adaptação de novas ideias próprias com o intuíto de compreender a História e a Teoria das Ideias do Estado Novo. com este trabalho. 15 . Permitiu compreender a forma de estrutura política. em último lugar. evoluiu consideravelmente tendo feito várias iniciativas para unir dois “grupos” distintos: o povo e o governo. deve ainda mencionar-se que foram compreendidas as consequências nefastas com que Salazar teve o país nas mãos. Além disso. É de realçar. Foi possivel. não nos devemos esquecer a compreensão possivel entre Portugal e a Europa e toda a sua estrutura. da mesma forma com que deixou Portugal. que Portugal. desde o tempo Salazarista. Por fim. Além disso. Conclui-se que foram e são tempos de dificuldades e que a sociedade Portuguesa tem e teve uma dinamização impulsionadora face à política criando sempre novas formas de intereção. novas formas de cultura e principalmente uma nova vida da sociedade Portuguesa. este trabalho permitiu concluir de que forma é que a sociedade Portuguesa viveu dois sistemas políticos de tal ordem diferentes e sui generis.Conclusão Este trabalho permitiu perceber como foi o decorrer da sociedade Portuguesa no pré e pós 1974. da Sociedade Portuguesa bem como da Cultura em face de um Estado Democratico.4.

.................................................... Cultural e Humano Novo.....10 a 14  Conlusão …………………………………............Índice  Resumo e Palavras-chave ……………………………………………2  Introdução ………………………………………………………………......................... Social.......................................4 a 9  Ascensão de um Sistema Político....................3  Ascensão de Salazar e o Mote para uma Sociedade Precária.15 16 ........................................................................

Editorial Estampa 17 .Direcção de José Mattoso e Coordenação de Irene Vaquinhas  ROSAS.Editor-Coordenador António Simões do Paço  História da Vida Privada em Portugal – A Época Comtemporânea. Fernando Portugal entre a Paz e a Guerra 1939-1945. Planeta DeAgostini .Bibliografia  Colecção Os anos de Salazar – o que se contava e o que se ocultava durante o Estado Novo. Colecção Hist´roias de Portugal. Circulo de Leitores .