O discurso na sala de aula Perguntas

Apontamentos de Metodologia da Matemática 1994, FCUP

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Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
A forma como apresentamos a Matemática a uma turma determina a atmosfera de aprendizagem: se toda a informação é dada aos alunos então inevitavelmente eles sentir-se-ão aborrecidos e perderão o interesse.

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
A forma como apresentamos a Matemática a uma turma determina a atmosfera de aprendizagem: se toda a informação é dada aos alunos então inevitavelmente eles sentir-se-ão aborrecidos e perderão o interesse. Uma forma de promover um ambiente agradável de aprendizagem é manter uma estimulação mental constante durante a aula. Isto pode ser feito oferecendo desafios mentais moderados (zona de desenvolvimento proximal de Vigotsky), na forma de perguntas bem estruturadas e apresentadas de uma forma não ameaçadora.
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas

Desde Sócrates que ensinar é perguntar.

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas

Desde Sócrates que ensinar é perguntar. A arte de fazer perguntas é a arte de guiar a aprendizagem.

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Há várias razões para fazer perguntas:

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Há várias razões para fazer perguntas:
✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔

saber se o que foi dito foi compreendido diagnosticar dificuldades que inibem a aprendizagem estimular o interesse e curiosidade dos alunos focar a atenção num tópico particular encorajar uma atitude exploratória orientar uma tarefa (sequência de perguntas)

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Há várias razões para fazer perguntas:
✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔

saber se o que foi dito foi compreendido diagnosticar dificuldades que inibem a aprendizagem estimular o interesse e curiosidade dos alunos focar a atenção num tópico particular encorajar uma atitude exploratória orientar uma tarefa (sequência de perguntas) encorajar os alunos a falar manifestar interesse nas opiniões e sentimentos dos alunos ensinar a respeitar e a avaliar as contribuições dos outros
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Tipo de Pergunta Factual Descrição Relembrar informação, facto, conceito, procedimento, conhecimento Exemplos
Nível

O que é isto? Como é que se chama esta figura?

1

NÍvel Cognitivo
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Tipo de Pergunta Factual Descrição Relembrar informação, facto, conceito, procedimento, conhecimento Exemplos
Nível

O que é isto? Como é que se chama esta figura?

1 2 3 4 5

NÍvel Cognitivo

Raciocínio fechado Raciocínio Aberto Análise

Comparar, explicar de forma Fala-me desta figura. simples, dar exemplos (dedução Dá um exemplo de... simples baseada na informação) Um quadrado é um rectângulo? Fornecer razões, causas, motivos, hipóteses que a princípio não foram ensinados Explanar sequências de raciocínio na resolução de problemas e encorajar uma atitude exploratória Avaliar um capítulo, um conjunto de valores; o trabalho de um aluno

Porque é que pensas que isto aconteceu? Como é que achas que isto funciona? O que é que isto nos diz? Então qual será o vigésimo número par? Porque é que isto é sempre positivo? O que é que achas? Porque terá a Joana feito isto?

Síntese

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Tipo de Pergunta Descrição Estimular o interesse e curiosidade Manifestar interesse nas opiniões e sentimentos; encorajar a falar Gestão da aula Exemplos
Nível

NÍvel Social

Criativa/ Intuitiva Sentimentos/ Empatia Atenção/ Controle/Apelo

O que é que achas?

Imagina que...

A B C

Porque fizeste isto? ...

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

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Análise de 4 aulas de disciplinas diferentes num mesmo dia
Tipo /Nível 1 2 3 4 5 Social (A+B+C) Total Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática Matemática Ciências História L.E. Total

O discurso na sala de aula Perguntas
Análise de 4 aulas de disciplinas diferentes num mesmo dia
Tipo /Nível 1 2 3 4 5 Social (A+B+C) Total 40 13 25 19 Matemática Ciências História L.E. Total

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Análise de 4 aulas de disciplinas diferentes num mesmo dia
Tipo /Nível 1 2 3 4 5 Social (A+B+C) Total 40 13 25 19 Matemática Ciências História L.E. Total 47 24 11 3 5 8

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Análise de 4 aulas de disciplinas diferentes num mesmo dia
Tipo /Nível 1 2 3 4 5 Social (A+B+C) Total Matemática 22 7 4 1 1 5 40 Ciências 5 3 3 2 13 História 6 10 4 1 3 1 25 L.E. 13 4 1 1 19 Total 47 24 11 3 5 8

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

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Uma tese de Mestrado Rogeri,N. (2005). Um estudo das perguntas no discurso do professor de Matemática. PUC, São Paulo

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Uma tese de Mestrado Rogeri,N. (2005). Um estudo das perguntas no discurso do professor de Matemática. PUC, São Paulo

Constatamos que os professores consideram esse quesito (formular perguntas) fundamental no desenvolvimento das aulas de matemática, para garantir o envolvimento dos alunos e principalmente a possibilidade de “verificação” da aprendizagem. Ou seja, a pergunta corresponde a um acto do discurso muito utilizado pelos professores, que empregam com frequência as que têm por objectivo manter a atenção do aluno e as que possibilitam controlar os conhecimentos referentes a conteúdos tratados durante a aula e/ou avaliar a compreensão do aluno sobre o que explicou.

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Uma tese de Mestrado Rogeri,N. (2005). Um estudo das perguntas no discurso do professor de Matemática. PUC, São Paulo

Constatamos que os professores consideram esse quesito (formular perguntas) fundamental no desenvolvimento das aulas de matemática, para garantir o envolvimento dos alunos e principalmente a possibilidade de “verificação” da aprendizagem. Ou seja, a pergunta corresponde a um acto do discurso muito utilizado pelos professores, que empregam com frequência as que têm por objectivo manter a atenção do aluno e as que possibilitam controlar os conhecimentos referentes a conteúdos tratados durante a aula e/ou avaliar a compreensão do aluno sobre o que explicou. Verificamos também que embora os professores explicitem suas concepções de ensinoaprendizagem com foco no aluno, no papel activo deste na construção dos seus conhecimentos, e tendo o professor como mediador do processo, as práticas revelaram-se centradas no ensino, na figura do professor conduzindo o processo, com os alunos respondendo apenas às perguntas que exigem atenção e memória. As esperadas perguntas que suscitam posicionamento de ideias, defesa de argumentos e investigação foram praticamente inexistentes nos três casos analisados.
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
O professor comum faz 2 a 3 perguntas por minuto.

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
O professor comum faz 2 a 3 perguntas por minuto. (o aluno comum faz 1 pergunta por mês!)

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
O professor comum faz 2 a 3 perguntas por minuto. (o aluno comum faz 1 pergunta por mês!) No entanto:

a maior parte das perguntas são factuais há pouco tempo para os alunos pensarem nas respostas (cerca de 1 segundo, no máximo de 3 segundos) há pouco tempo para os alunos se exprimirem os alunos têm pouco desejo de se exprimir
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Em qualquer sequência de perguntas, algumas perguntas mais “fracas” podem ser feitas sem problemas, mas muitas dessas perguntas enfraquecem uma aula.

10 tipos de perguntas a evitar, pois podem ser contra-produtivas:

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

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10 tipos de perguntas a evitar 1 – Pergunta sobrecarregada

Que método devemos usar para resolver este problema, e qual será o mais elegante?

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O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 1 – Pergunta sobrecarregada

Que método devemos usar para resolver este problema, e qual será o mais elegante?
2 – Pergunta múltipla

Quais os pares de triângulos semelhantes e qual a razão de semelhança entre eles?

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 1 – Pergunta sobrecarregada

Que método devemos usar para resolver este problema, e qual será o mais elegante?
2 – Pergunta múltipla

Quais os pares de triângulos semelhantes e qual a razão de semelhança entre eles?
3 – Pergunta factual (quando não está numa sequência)

O que é o Teorema de Pitágoras?

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 1 – Pergunta sobrecarregada

Que método devemos usar para resolver este problema, e qual será o mais elegante?
2 – Pergunta múltipla

Quais os pares de triângulos semelhantes e qual a razão de semelhança entre eles?
3 – Pergunta factual (quando não está numa sequência)

O que é o Teorema de Pitágoras?
4 – Pergunta elíptica (quando o professor pensa em voz alta)

E estes dois ângulos?...
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 5 – Pergunta ambígua

Que relação existe entre a área de um círculo e o perímetro da circunferência?

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 5 – Pergunta ambígua

Que relação existe entre a área de um círculo e o perímetro da circunferência?
6 – Pergunta “resposta em coro” (o professor não sabe quem sabe)

Alunos, que quadrilátero é este?

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 5 – Pergunta ambígua

Que relação existe entre a área de um círculo e o perímetro da circunferência?
6 – Pergunta “resposta em coro” (o professor não sabe quem sabe)

Alunos, que quadrilátero é este?
7 – Pergunta surpresa (o aluno perde tempo a pensar)

O declive desta recta é... qual é?

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 5 – Pergunta ambígua

Que relação existe entre a área de um círculo e o perímetro da circunferência?
6 – Pergunta “resposta em coro” (o professor não sabe quem sabe)

Alunos, que quadrilátero é este?
7 – Pergunta surpresa (o aluno perde tempo a pensar)

O declive desta recta é... qual é?
8 – Pergunta “respondida”

Vocês não acham que este triângulo é equilátero?...
Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
10 tipos de perguntas a evitar 9 – Pergunta “sim ou não”

AB é perpendicular a CD?
10 – Pergunta centrada no professor

O que devo fazer agora para resolver esta equação?

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

O discurso na sala de aula Perguntas
Práticas a desenvolver na arte de fazer perguntas
✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔

Linguagem directa e simples Clareza no significado Seguir uma sequência lógica (não apressar a “pergunta pivot”) Ter em conta o nível da turma Estimular o esforço (zona de desenvolvimento proximal) Manter o interesse dos alunos Evitar a repetição ou reformulação apressada Evitar repetir as respostas dos alunos Dirigir a pergunta, após uma pausa Esperar pelas respostas Variar!

Luciana Brito, Dezembro de 2010 - Supervisão Pedagógica na Educação Matemática

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