You are on page 1of 72

www.cruzeirodosulvirtual.com.

br

CURRICULOS E PROGRAMAS

Pedagogia
► Avaliação Educacional
► Currículos e Programas
► Didática da Educação Infantil
► Direito Educacional
► Metodologia da Educação Escolar
► Organização e Gestão de Sistema e
Instituição de Ensino Médio
► Políticas Públicas Educacionais
► Princípios e Métodos para a Educação
do Deficiente Mental
► Prática de Ensino IV

Educação a Distância

© ACEF S/A • Trabalho realizado pela Universidade de Franca (SP)
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução ou transmissão total ou parcial por qualquer forma
ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivamento em qualquer
sistema de banco de dados sem permissão do Núcleo de Educação a Distância – Unifran.

UNIVERSIDADE DE FRANCA
Chancelaria: Dr. Clovis Eduardo Pinto Ludovice
Reitoria: Prof.a Dr.a Ester Regina Vitale
Pró-Reitoria de Ensino: Prof. M.e Arnaldo Nicolella Filho
Pró-Reitoria de Pequisa: Prof.a Dr.a Katia Jorge Ciuffi
Pró-Reitoria de Extensão: Prof.a M.a Elisabete Ferro de Sousa Touso

COORDENAÇÃO EAD
Coordenação Geral de EAD: Prof.a Dr.a Ana Paula do Carmo Marcheti Ferraz
Coordenação Acadêmica: Prof.a Dr.a Alessandra Aparecida Campos
Coordenação Pedagógica: Prof.a M.a Carmen Lucia Tozzi Mendonça Conti

EDITORA UNIFRAN – EDIFRAN
Direção de Publicações: Prof. M.e Everton de Paula
Assistência Administrativa Sênior: Paula Andrea Zúñiga Muñoz
Assistência Administrativa II: Munira Rochèlle Nambu
Revisão de Textos: Isabella Araujo Oliveira

Karina Barbosa

Thaíla de Sousa Orlando
Diagramação: Ana Lívia de Matos
Renan Oliveira Laudares Morais
Projeto Gráfico: Sérgio Ribeiro

Universidade de Franca – Av. Dr. Armando Salles Oliveira, 201 – Parque Universitário – 14.404-600
Franca – SP – PABX: (16) 3711-8888 – FAX (16) 3711-8886 – 0800 34 12 12 – www.unifran.edu.br
Editora Unifran – (16) 3711-8736/8842 – editora@unifran.br

.................. DIRED 27 7........................................ DIRED 09 3................................... EDUCAÇÃO E SOCIEDADE ... DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO MÉDIO ...................... DO ENSINO E DO CURRÍCULO .... DIRED 61 15...................... O CURRÍCULO: UMA REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA .......... DIRED 53 13..... DIRED 55 14............. SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO . DIRED 29 8............ DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL . DIRED 33 9.... DIRED 15 4...........SUMÁRIO CURRÍCULOS E PROGRAMAS 1.......................... A INFLUÊNCIA DOS PARADIGMAS MODERNO E PÓS-MODERNO PARA A LEITURA DA ESCOLA........................... DIRED 17 5.................................................................. CONHECIMENTO............. SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ...................... CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO ESCOLAR NO ÂMBITO DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA (N.................. SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ...... DIRED 47 12....................... DIRED 67 ................ CIÊNCIA E MODERNIDADE ......................................... DIRED 41 11................ DIRED 39 10.. DIRED 05 2...... EDUCAÇÃO BÁSICA E CURRÍCULO .................... CURRÍCULO... DIRED 21 6.... 9................... PLANEJANDO UM CURRÍCULO .. SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO .....394/96) ..................................... SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ............. CONHECIMENTO E CIÊNCIA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA .....................................

EDUCAÇÃO E SOCIEDADE CONHECIMENTO.REFERÊNCIA CRUZADA Currículos e programas APOSTILA ATIVIDADE 1 2 ASSUNTO CURRÍCULO. CIÊNCIA E MODERNIDADE SÍNTESE PARA 3 AUTO-AVALIAÇÃO 4 SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA CONHECIMENTO E CIÊNCIA NA INTERNET ATIVIDADE ASSUNTO 1 Vídeoaula 1 2 Vídeoaula 2 3 Auto-avaliação 4 Vídeoaula 3 5 Vídeoaula 4 6 Auto-avaliação 7 Vídeoaula 5 8 Vídeoaula 6 A INFLUÊNCIA DOS PARADIGMAS MODERNO E 5 PÓS-MODERNO PARA A LEITURA DA ESCOLA. DO ENSINO E DO CURRÍCULO 6 7 8 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO O CURRÍCULO: UMA REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO ESCOLAR NO ÂMBITO DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA (N.394/96) SÍNTESE PARA 9 AUTO-AVALIAÇÃO 9 Auto-avaliação 10 EDUCAÇÃO BÁSICA E CURRÍCULO 10 Vídeoaula 7 11 Vídeoaula 8 12 Auto-avaliação 13 Vídeoaula 9 14 Vídeoaula 10 15 Auto-avaliação DIRETRIZES CURRICULARES 11 NACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL 12 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO DIRETRIZES CURRICULARES 13 NACIONAIS PARA O ENSINO MÉDIO 14 PLANEJANDO UM CURRÍCULO 15 AUTO-AVALIAÇÃO SÍNTESE PARA . 9.

.

conhecimentos científicos e artísticos historicamente constituídos.” Nas sociedades que não possuem o mesmo grau de desenvolvimento científico e tecnológico que a nossa. Assim. podemos afirmar que é a educação quem proporciona esse processo de humanização do homem e. “a educação designa o conjunto de atividades mediante as quais um grupo assegura que seus membros adquiram a experiência social historicamente acumulada e culturalmente organizada. o desenvolvimento cultural de nossa espécie. Na nossa sociedade. Em sociedades como a nossa. portanto. TEXTO Desenvolvimento do homem e currículo Em uma perspectiva antropológica. atividades e movimentos importantes para a preservação da saúde entre outras coisas. p. podemos concluir que as crianças se desenvolvem em qualquer circunstância. Os diversos grupos ajudam seus membros mais novos a apreenderem as experiências por eles vivenciadas e partilhadas para que eles.41-42). enfim. humanizar é o processo através do qual ocorre o desenvolvimento cultural da espécie. comportamentos e práticas necessárias para as coisas comuns da vida cotidiana. venham a ser membros ativos e participantes dessas experiências. Com isso em mente. Isso significa que todos os seres humanos aprendem formas de se comunicar. as crianças possuem esse conhecimento adquirido CURPRO – 5 . sociais e tecnológicos do contexto do qual faz parte. do grupo social e do gênero a que pertence.CURRÍCULOS E PROGRAMAS CURRÍCULO. habilidades etc. imitação e mesmo participação na medida do possível. EDUCAÇÃO E SOCIEDADE ATIVIDADE 1 OBJETIVO Entender o conceito de currículo e o papel que ele exerce na educação e na sociedade. não se diferenciam das atividades habituais dos adultos. as atividades das crianças e dos adultos são muito distintas. o conhecimento adquirido por uma pessoa vai depender de uma gama de fatores históricos. perpetuando-as e mesmo enriquecendo-as. Elas acompanham as pessoas mais velhas em suas tarefas e aprendem por meio de observação. indo ou não à escola. aprendem a utilizar instrumentos. por sua vez. O fato é que todos esses conhecimentos passados de geração a geração dependem do momento histórico no qual o sujeito aprendiz está inserido. e as crianças são encaminhadas para lugares específicos com a finalidade de adquirirem esses conhecimentos. do grau de desenvolvimento tecnológico do lugar onde está situado. costumes. as atividades educativas por meio das quais as crianças aprendem esses valores. Segundo Coll (2006. todavia.

42).planetaeducacao. é no contexto dessa subcategoria que a questão do currículo no ensino adquire plena significação.jpg>. Disponível em: <http://www.com. Ela vem do verbo grego prophero. percurso. Para Coll (2006). é interessante pensar também no sentido da palavra professor. formar conceitos de história. CURPRO – 6 . 2008. ministrado em lugares destinados especificamente para esta finalidade constitui. curriculum. Conceito de currículo A palavra currículo vem do latim. conduzir adiante. Tendo em vista a acepção de percurso que a palavra currículo tem em latim. ou seja. o professor é aquele que ajuda o aluno a seguir em frente em sua trajetória. Assim. seu sentido cobre o conjunto de disciplinas que compõem um curso.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 1 pela vivência na própria comunidade. geografia. e significa caminho percorrido ou a percorrer. Esse conhecimento formalizado. segundo Schooling (apud COLL. biologia etc. da educação formal através de uma instituição. No contexto da escolarização. que significa carregar. Dessa maneira. fazer contas. br/novo/imagens/artigos/historia/antiguidade_classica_02. Acesso em: 8 out. a criança precisa ser ensinada. para aprender a ler e escrever. uma subcategoria de atividades educativas: a escolarização. todas as experiências pelas quais o aluno passa no ambiente escolar. nossa sociedade acredita que existem alguns aspectos importantes para o crescimento pessoal e para a vida em nossa comunidade que não ocorrerão ou não acontecerão de forma satisfatória a menos que ocorra uma ajuda. isto é. bem como todas as estratégias utilizadas pela escola para que o estudante consiga percorrer o trajeto desse percurso. através do exercício de atividades objetivando precisamente esse fim. p.. mas também há uma demanda educacional específica relacionada à necessidade do conhecimento formal. Ela também abrange a ação de percorrer e tudo o que ocorre durante essa ação. 2006.

Por conta disso. Tendo em vista a presença milenar do currículo na história do homem. a matemática e as artes. Posto isso. A informação de que os currículos remontam à antiguidade nos faz perceber que ele é algo que tem persistido por todos esses séculos. currículo pode ser entendido como o conjunto de intenções e dos conteúdos que definem o projeto educativo escolar e que guiam as ações que serão efetivadas para sua realização. há que se ter em mente um fator complicador: seu significado. poderíamos dizer que. estabelece uma previsão CURPRO – 7 . por exemplo. pois dependendo da linha que se opte por seguir em sua organização.discoverybrasil. Disponível em: <http://www.Acesso em: 8 out. nos leva a pensar que ele deve exercer um importante papel nas comunidades humanas. função e principais componentes ainda variam muito conforme os diversos autores que pesquisaram e escreveram sobre ele e também de acordo com as diversas orientações teóricas. o que. não poderia ser diferente com o significado que ele possui. tinham como principais atividades de seu currículo a leitura e a escrita. o que quer dizer. os sumérios e os gregos. Ele propõe os objetivos que se pretende alcançar com aquele trabalho. esse conceito pode mudar. aponta sugestões dos saberes que serão ensinados. basicamente. Além disto. em outras palavras.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 1 Os primeiros currículos remontam à antigüidade. Contudo. que o significado de qualquer coisa necessariamente varia de tempo para tempo e de lugar para lugar. alguns questionamentos importantes começam a aparecer: Mas o que é um currículo afinal? Para que ele serve? Por que ele é importante? Definir de maneira precisa e objetiva o que é um currículo é uma tarefa muito difícil.jpg >. apresentaremos uma conceituação que se define mais pela serventia do currículo do que por uma definição propriamente dita. quais os recursos que se tem para atingir esses objetivos. com/guia_grecia/grecia_educacao/asset/8 88f23a22c687e7e91acbbda9d200de46da7 f509. 2008. por conseguinte. Os egípcios. O significado de qualquer coisa é socialmente construído e historicamente situado. A partir desta constatação. eram apenas os membros da camada dominante que tinham acesso a esses conhecimentos e raramente os grupos desfavorecidos economicamente conseguiam usufruir dele.

O movimento de elaboração curricular participativo: um novo olhar sobre o currículo no cotidiano escolar da escola pública. MENEGOLLA.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 1 de período para a realização das atividades. Por que planejar? Como planejar? Currículo – área – aula. 2007. o estabelecimento da seqüência em que eles serão aprendidos. Indagações sobre o currículo. J.. Psicologia e currículo. PAGEL. 1996. Brasília: Ministério da Educação. NASCIMENTO.). REFERÊNCIAS COLL. isto é. LIMA. 2006. C. São Paulo. (Orgs. Todos os aspectos que envolvem a produção de um currículo.. 2006. do. ele tenta estabelecer uma série de medidas e organizar uma série atividades que promovam o melhor andamento possível das atividades escolares.60) terão uma organização e dimensão diferentes. E. Uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. enfim. R. Secretaria de Educação Básica. S. É isto o que veremos nas próximas unidades. FERNANDES. M.. D. (COLL. I. In: BEAUCHAMP. E. J. 2000. São Paulo: Ática. dependendo da perspectiva filosófica e/ou epistemológica que se escolha por seguir. Currículo e desenvolvimento humano. os conteúdos. M. Petrópolis: Vozes. os objetivos. S. p. a metodologia de ensino etc. SANT’ANNA. 143p. ANOTAÇÕES CURPRO – 8 . Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo. A.

o conhecimento se transforma não só em instrumento para explicar e compreender a realidade. bem como no campo da educação. nós vamos estudar o que o momento sócio-histórico do qual fazemos parte entende por conhecimento. bem como a convivência com os outros seres humanos. todavia. não se restringe à atribuição de sentido que o ser humano dá ao mundo. “Desta forma. trataremos da concepção de conhecimento na modernidade. atribui sentido e transforma a realidade ao seu redor. Ele torna possível também intervir na natureza no intuito de resolver problemas que garantam ou venham a melhorar a sobrevivência humana. Para tanto. Nesse momento. Compreender tal conceito é deveras importante porque ele lança as bases da forma como concebemos a educação e a elaboração dos currículos escolares hoje. apontando suas implicações na sociedade. 2005. p. Vimos que o conceito de currículo está estreitamente ligado ao conceito de escolarização. nós começaremos a perceber como isso acontece. Esta necessidade deu origem ao que chamamos de conhecimento.CURRÍCULOS E PROGRAMAS CONHECIMENTO. O conhecimento. mas também em motor de desenvolvimento e fator dinamizador das mudanças sociais. em outras palavras.” (SUAIDEN. Nesse sentido. a produção do conhecimento é resultante de toda e qualquer relação que os homens estabelecem entre si e com o ambiente natural do qual fazem parte. Mencionamos ainda que a elaboração do currículo terá uma organização e dimensão diferentes dependendo da perspectiva filosófica e/ou epistemológica que se escolha por seguir. CURPRO – 9 . o conceito de currículo adquire sentido por causa do conceito de escolarização. TEXTO Na unidade anterior aprendemos qual o papel exercido pela educação em uma comunidade e aprendemos também a diferença entre educação e escolarização. Conceito de conhecimento O homem sempre teve a necessidade de compreender e explicar o meio em que vive. é resultante de todos os tipos de atividade em que o homem aprende. Aqui.1). CIÊNCIA E MODERNIDADE ATIVIDADE 2 OBJETIVO Entender a concepção de conhecimento na sociedade moderna e sua repercussão no campo da educação. mais precisamente. ao mesmo tempo em que é transformado por ela.

o homem passou a ser a principal referência nas reflexões filosóficas e artísticas. sempre haverá mudança quando um modelo explicativo não der conta dos questionamentos que o homem coloca para si. com a crise do sistema e a busca de novos valores no final da Idade Média.23). esse edifício de exclusiva sustentação religiosa começava a sofrer abalos. Abriam-se as portas para o cosmocentrismo e para o antropocentrismo: os elementos centrais da realidade e. eficiente e cooperativa (ALVES-MAZZOTTI. 2000. Nesse sentido. a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza. da reflexão filosófica.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 2 Sendo assim. (CAPRA). há uma espécie de normalidade na qual as teorias não são questionadas em sua essência. A concepção moderna de ciência e sua relação com a escola Segundo Thomas Kuhn (apud CARVALHO. ou ruptura epistemológica – há uma insatisfação com o modelo científico vigente que leva a mudanças conceituais e metodológicas mais profundas. Capra propõe que o paradigma científico também é um paradigma social: Para analisar esta transformação cultural. p. KANISKI. Já no momento em que ocorre a revolução científica – ou crise de paradigmas. 2000. generalizei a definição de Kuhn de um paradigma cientifico até obter um paradigma social que defino como uma constelação de concepções. permitindo uma prática de pesquisa detalhada. de valores. nós veremos agora qual a forma que o processo de produção do conhecimento adquire na sociedade moderna e qual a relação que ele estabelece com a educação e com a escola. conseqüentemente. CURPRO – 10 . (SEVERINO apud PEREIRA. PEREIRA. GEWANDSZNAJDER apud CARVALHO. 2002. No entanto. Essas mudanças acontecem devido ao esgotamento teórico e metodológico do paradigma. houve um alargamento das fronteiras do mundo. de percepções e de práticas compartilhadas por uma comunidade. é possível pensar que a história da ciência possui momentos de estabilidade teórica e momentos de revolução científica. No momento em que há estabilidade teórica. p.1). Assim. KANISKI. que dá forma a uma visão particular da realidade. mas também por causa das mudanças socioculturais. 2002). em outras palavras. e teve início o processo que levaria a uma revolução científica sem precedentes na história: A teologia era o edifício em que foi erigido e construído o pensamento medieval. elas apenas são reforçadas por hipóteses auxiliares nas quais as regras básicas do paradigma permanecem sem mudanças fundamentais. nos séculos XV e XVI. [passaram a ser] o mundo natural e o homem e não mais Deus.

81).39). nós temos de entender o conceito de razão instrumental. Dessa forma.. a Revolução Industrial (século XVII) e a ascensão da burguesia fizeram com que o homem moderno depositasse uma “excessiva confiança na razão. homem e natureza estão separados. O rigor científico afere-se pelo rigor das medições. como mencionamos no início. as regularidades e as experimentações da matemática e da física eram o referencial perfeito para promover a produção de conhecimentos verdadeiros e universais: Em primeiro lugar. imutável e regulada por leis fixas. o conhecimento considerado como verdadeiro e legítimo saiu do âmbito da metafísica. A ciência tinha como pretensão conhecer o mundo. o Iluminismo (século XVIII). p. Todavia. Conhecer significa dividir e classificar para depois poder determinar relações sistemáticas entre o que se separou. Acreditava-se que apenas a razão libertaria o homem do atraso e obscurantismo em que vivia. 2002. tendo como base principal o conceito de razão. (.. (SANTOS apud PEREIRA. a modernidade surge como um projeto social.) O que não é quantificável é cientificamente irrelevante. 2002. a realidade era entendida como estática. político e cultural de emancipação humana. mas para transformá-lo e dominá-lo. conhecer significa quantificar.. o método científico assenta na redução da complexidade. promovendo seu pleno desenvolvimento espiritual e material. pois o homem é possuidor da razão e a natureza é vista como sua serva. Na ciência moderna. O conhecimento pode ser usado para intervir na natureza no intuito de resolver problemas e facilitar a vida do homem. o que fez com que a ciência nesse período tivesse como principal objetivo a busca dos conhecimentos das leis que regem a realidade.” (PEREIRA. não para contemplá-lo. A razão instrumental tem CURPRO – 11 . O mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. isto constituiu o que chamamos de razão instrumental.) Em segundo lugar.. as leis. Neste sentido. estando à sua disposição para ser explorada e subjugada. como propulsora do progresso e principal instrumento e recurso para o homem enfrentar os desafios da existência e equacionar os problemas e males encontrados no mundo. Na modernidade. como os gregos faziam. da religião e das experiências imediatas com a realidade e passou para a autoridade da ciência. segurança e precisão trazidos pela fé na ciência e na razão passou a ser questionado no século XX.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 2 Nesse momento de questionamento e insatisfação com a ordem social vigente. o ideal de estabilidade. Dessa forma. Por conta dessa dicotomia homem-natureza. p. Para entender esse processo que foi do auge à crise do paradigma moderno de ciência. (.

da quantidade e da medida sobre a qualidade. Disponível em: < http://images. do homem branco etc. o predomínio do masculino sobre o feminino. como não poderia deixar de ser. do etnocentrismo.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 2 como principais características o desenvolvimento da técnica e o imediatismo. p. do consumismo e sua conseqüente destruição do meio ambiente. 2002. sistematização e controle da escola e do currículo” (MOREIRA SILVA apud PEREIRA. os valores trazidos pela modernidade. Isto teve sérios impactos não só no meio ambiente. Em segundo lugar. do individualismo. Acesso em: 12 out. essas características se exarcebaram e houve uma aproximação cada vez maior com a economia. a valorização da competição. 2008.greencine. Como conseqüência. Em primeiro lugar.) o currículo escolar tal como a escola tornaram-se uma questão de organização científica.. fazendo com que passasse a existir uma relação de dependência entre elas. Sem dúvida isso trouxe muitos benefícios e progresso para a sociedade. mas à medida que a razão instrumental fortaleceu sua presença de forma contínua no século XIX. pela eficiência CURPRO – 12 . mas em todos os âmbitos da sociedade e. pela razão instrumental. pela cultura industrial e pela sociedade burguesa fizeram com que houvesse uma ênfase excessiva em relações auto-afirmativas em detrimento das relações integrativas. (. Buscavase desenvolver uma série de práticas e tecnologias que promovessem a resolução de problemas da maneira mais rápida e simples possível.jpg >. também influiu na educação e na elaboração dos currículos escolares. planejamento (atividade do especialista). caracterizados pelo mecanicismo (máquina cartesiana).146). visando os resultados que se queria obter. acreditava-se que as escolas deveriam funcionar nos moldes de uma fábrica ou empresa comercial. Assim.com/images/article/ chaplin-modern-times. de maneira que havia uma “preocupação com os processos de racionalização. houve a separação homem-natureza.. ciência-vida e o reforço e a afirmação de valores imperialistas como a relação entre dominador/colonizador.

REFERÊNCIAS CAPRA. I. L. p. n.ibict. pela precisão. Diante disso. E. Diálogo Científico. L. prescrição. A ciência moderna. 2005.blogspot..CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 2 e padronização (moldagem da fábrica). A dimensão social do conhecimento. a concepção moderna de conhecimento gerou uma escola na qual ocorre uma fragmentação do conhecimento em disciplinas por conta da especialização exagerada dos saberes. 2008.html>. uma separação entre quem ensina e quem aprende. F. KANISKI. CARVALHO. todo o trabalho da escola. Dissertação de Mestrado. PEREIRA. SUAIDEN.146). as limitações desse modelo se tornaram gritantes e.com/2008/02/teia-da-vidafritjof-capra. Nesse sentido. Acesso em: 14 out. Belo Horizonte: PUC/MG. J. 2000. técnico e ligado a um tipo de educação em que se concebia a formação como preparação para a vida adulta. Brasília. na década de 1970. uma valorização dos aspectos quantitativos sobre os qualitativos no processo de ensino-aprendizagem e a adoção de um currículo prescritivo e linear entre outras coisas. tornou-se um trabalho burocrático. A sociedade do conhecimento e o acesso à informação: para que e para quem? Ciência da Informação. C.pdf>. Acesso em: 10 out. A. 2002. A. A teia da vida. seja o do professor ou do aluno e demais funcionários. (PEREIRA. R. p. 3. ANOTAÇÕES CURPRO – 13 .br/archive/00001286/01/suaiden4.33-39.1-15. 2008. medida. 29. p. a crise dos paradigmas e sua relação com a escola e com o currículo. nós assistimos a uma outra virada epistemológica. e pelos resultados definidos antecipadamente. v. Disponível em: <http://susiesun. <http:// dici. 2002. Em um mundo em constante transformação. Os princípios do novo paradigma de conhecimento e sua repercussão na sociedade e na educação serão o nosso próximo tópico de estudo.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 2 ANOTAÇÕES CURPRO – 14 .

O currículo pode ter vários sentidos. Isto ocorre de duas maneiras: naturalmente. estabelecendo determinadas medidas que venham a promover o melhor andamento possível das atividades. Esses objetivos têm em vista um projeto de homem e de sociedade. através da qual são partilhadas as experiências e são transmitidos os conhecimentos e valores dos membros mais velhos da comunidade para seus membros mais jovens. de sociedade. CURPRO – 15 . Esse processo ocorre por meio da educação. Por conta disto. Esta separação fez com que a realidade fosse entendida como estática e imutável. pois acreditava que apenas a razão traria o pleno desenvolvimento espiritual e material do homem. por meio de observação. ele é um instrumento que orienta a prática pedagógica da escola. dependendo da postura teórica que se escolha por seguir. TEXTO O desenvolvimento cultural da espécie ocorre através do aprendizado da linguagem. momento em que surge um novo projeto de homem.CURRÍCULOS E PROGRAMAS SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADE 3 OBJETIVO Revisar os principais pontos dos conteúdos estudados. de educação e. imitação e participação nas atividades da vida cotidiana e através da escolarização. O projeto de homem e de sociedade da modernidade tinha como fundamento o conceito de razão. com a finalidade de atingir os objetivos a que a escola se propõe. estável e sob o domínio do homem – sofreu um abalo no século XX. dos comportamentos e práticas necessárias para a vida em comunidade. de maneira que se entendia que a natureza estava à disposição do homem para ser explorada. mas que não são aprendidos nas experiências do dia a dia. da utilização de objetos etc. o que faz o momento da sua elaboração algo que terá implicações importantes para todos os grupos humanos. onde são ensinados conhecimentos importantes para a vida de determinado grupo. Tal maneira de pensar criou uma separação entre o homem e a natureza. os princípios da matemática e da física eram os referenciais mais apropriados para se entender tudo o que acontecia no mundo. Mas essa concepção do mundo como uma máquina – organizado. como não poderia deixar de ser. O conceito de currículo se insere no contexto desse segundo tipo de aprendizagem. mas em termos gerais. também de um novo currículo. de maneira que as ciências se dedicavam apenas à investigação das leis que regiam essa normalidade.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 3 ANOTAÇÕES CURPRO – 16 .

de sociedade. isto é. Ao mesmo passo. em particular. o modelo alternativo de sociedade (socialismo/comunismo) também apresentava falhas difíceis de não serem notadas. pelo contrário. o conhecimento. Dessa maneira. passaram a ser vistos como mais abertos. de estudar o paradigma científico moderno – objeto do capítulo anterior –. há uma valorização da relação entre os saberes provenientes das práticas cotidianas e os conhecimentos científicos. De acordo com essa visão atual de mundo. Essa mudança de perspectiva passou a predominar no pós-guerra. pois foi partir de sua crise que as bases do novo modelo de ciência. de educação e dos novos currículos foram lançadas. a escola. em especial a partir da década de 1970. há uma ênfase na relação que existe entre o que se ensina e aprende na escola e sua utilidade no dia a dia das pessoas. primeiramente. Dentro dessa perspectiva. a educação. O novo paradigma social e científico e sua repercussão na educação e nos currículos escolares A sociedade contemporânea passa por transformações rápidas e profundas a todo o momento. dava-se conta de que a Revolução Industrial não traria a emancipação do homem como prometido e que. ela poderia aumentar a exploração do homem pelo próprio homem. o fim das CURPRO – 17 . nós estudaremos agora no que consiste esse novo paradigma. Para entender os princípios que regem a educação hoje nós tivemos. a idéia de que o mundo e a vida poderiam ser compreendidos e controlados pela ciência e pelo uso da razão. o mundo enfrentava as trágicas conseqüências das guerras mundiais e ainda sofria a tensão de uma possível guerra nuclear que dizimaria a humanidade (Guerra Fria). Tal estado de coisas fez com que muitas crenças modernas fossem contestadas. paradigma científico e sociedade. os currículos e sua matéria-prima. TEXTO Nós aprendemos na unidade anterior a relação entre conhecimento. A consciência do perigo dos imperialismos e da intolerância entre os diversos grupos sociais – uma das principais causas que levaram às guerras mundiais –. sistêmicos e transformativos.CURRÍCULOS E PROGRAMAS CONHECIMENTO E CIÊNCIA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA ATIVIDADE 4 OBJETIVO Entender a concepção de conhecimento na sociedade contemporânea e sua repercussão no campo da educação. Nesse momento.

fazendo com que a probabilidade e a incerteza passassem a ser fatores importantes na compreensão do mundo.html>. memorizadora. as explicações generalizadoras e universais foram superadas devido ao seu determinismo. Uma vez que a realidade é entendida como heterogênea. da vida em sociedade como uma constante competição pela existência. diferenças antes do que semelhanças. como a concepção do universo como um sistema mecânico e do corpo humano como máquina. mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. e por contingências antes do que estabilidade e certezas. de uma forma geral. vigente por séculos. constituído por espaços e temporalidades heterogêneas. o processo de globalização e a consolidação da sociedade de consumo. Essa mudança de foco das ciências físicas e matemáticas para as ciências da vida fez com que a educação transmissiva.com/2008/06/o-paradigmaemergente-da-complexidade. simplificação e pretensão de verdade única e absoluta. ao conceber a realidade como um todo interligado e não como a coleção de suas partes separadas. ou a crítica pós-moderna. permitindo explicações e interpretações múltiplas dos fenômenos que nele ocorre. o paradigma moderno com suas idéias e valores estanques. Acesso em:14 out. 2008. O paradigma que se sobrepôs ao modelo científico moderno. técnica e distante das CURPRO – 18 . variável e instável. Disponível em: <http://antoniosales. que nega o mundo mecanicista de Descartes e Newton. Assim. Vale observar que o pensamento pós-moderno.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 4 utopias. o paradigma ou movimento pós-moderno promoveu a idéia de que o mundo é algo plural.” (CAPRA). cedeu espaço para uma visão de mundo holística. blogspot. e a busca incessante pelo crescimento material através do crescimento econômico e tecnológico. abrange uma discussão muito ampla que adquire nuanças dependendo do lugar e do momento onde se deu (ou se dá) o debate. fizeram a sociedade se repensar. constituiu o que muitos autores chamam de pós-modernidade. Aqui. portanto. o mundo não é entendido como “uma coleção de objetos isolados. Todavia.

Já na década de 1970. Nesse sentido. quem deveria ensinar física deveria ser um físico e assim por diante. quem deveria ensinar geografia deveria ser um geógrafo. vem a propósito citar um exemplo. intensificaram essa estrutura de ensino disciplinar. devido à apropriação do sistema de produção industrial pelos sistemas econômico e político. sobretudo por causa dos desafios tecnológicos e científicos apresentados pela Guerra Fria. principalmente na área científica e tecnológica. em outras palavras. os países europeus e. Assim sendo. Isso promoveu separação e especialização das disciplinas. na década de 1950. a concepção de ensino multidisciplinar começa a ser revista. p. de um ensino técnico.). de um lado. com a forte tendência à especialização (resultante dos fatores que mencionamos acima). de maneira que o conhecimento passou a ser considerado algo em constante reconstrução..CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 4 práticas do cotidiano cedessem lugar a uma educação onde o saber deixa de ser algo absoluto para se tornar incerto e provisório. por outro. Isso colocou a reflexão como ponto central de todo o processo educacional. as exigências para o exercício do ensino se restringiram a um quadro de especialistas.) tudo que diz respeito à educação e à escola. construção e desconstrução (. 2002. entre outros. era comum o mesmo professor ensinar disciplinas diferentes em níveis diferentes.112). os materiais didáticos. de uma elite de pesquisadores. complexidade e simplicidade. processos avaliativos. equilíbrio e desequilíbrio. particularmente.. a distribuição dos tempos e espaços escolares. Em muitos países europeus.. ou seja. organização das disciplinas nos planos curriculares.. como conteúdos. vão passar por mudanças consideráveis. CURPRO – 19 . os Estados Unidos. e. Todavia. saberes. (PEREIRA. No intuito de tornar mais evidente essa relação entre as questões postas pelo mundo pós-moderno e a discussão sobre a educação e os planos curriculares. por causa do desenvolvimento e expansão da sociedade urbana e industrial que necessitava. A interdisciplinaridade Batista e Salvi (2006) observam que o ensino disciplinar vem sendo praticado desde o século XIX. antes de 1950. Os valores trazidos pelo movimento de crítica à modernidade fizeram com que se 1 Essa parte de nossa exposição segue de perto o texto desses autores. a relação professor-aluno. Segundo os autores1. a adoção do ensino por disciplinas tinha como objetivo a formação de mão-de-obra especializada. (. aliando ordem e desordem. pois os requisitos para se trabalhar como professor eram pouco precisos. para que isto ocorresse.

Perspectiva pós-moderna e interdisciplinaridade educativa: pensamento complexo e reconciliação integrativa. Tendo aprendido a relação entre conhecimento. Além disso. NASCIMENTO. v. podemos afirmar com Veríssimo que. Brasília. F. ciência. 2. n.147-159.). pautado pela disciplinarização. educação e sociedade na modernidade e na época contemporânea. A ciência moderna.. relacional e integradora. Dissertação de Mestrado. S.). . CAPRA. o que causava resistência de sua parte em relação à questão da interdisciplinaridade. Disponível em: <http://susiesun. Neste sentido. p. A.blogspot. pois os professores afirmavam sua identidade profissional no ensino.. SALVI. p. R. (BATISTA.). PAGEL. 3. na qual o entrelaçamento das partes produz novo significado ao todo (. Então. Indagações sobre o currículo. 2007. L. J. para o modelo interdisciplinar pós-moderno.157). M.. html>. houve um anacronismo entre as práticas educacionais e universitárias perante as mudanças sociais e culturais (BATISTA. pela soma de múltiplas especialidades. As análises interdisciplinares se encaminhariam para esse movimento de ir-e-vir de uma análise interfacetada. R. Secretaria de Educação Básica. no caso. CANDAU. R. Belo Horizonte: PUC/MG. 2006. de maneira que foi só na década de 1980. nós estudaremos agora as escolas que esses paradigmas formaram e quais os projetos políticos que estavam (ou estão) por trás delas. conhecimento e cultura. A... Brasília: Ministério da Educação. V.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 4 percebesse que o ensino multidisciplinar também era um todo constituído pela soma de partes desconectadas. 2002. In: BEAUCHAMP. 8. 2006. I.. 2006. A. do. 2008. A sociedade do conhecimento e o acesso à informação: para que e para quem? . SALVI.com/2008/02/teia-da-vida-fritjof-capra. L.153). n. F. (Orgs. não havia uma base teórica para orientar as práticas interdisciplinares. 2000. L. S. B. SALVI. que o ensino incorporou propriamente o tema da interdisciplinaridade.. Acesso em: 14 out.. 29. a crise dos paradigmas e sua relação com a escola e com o currículo. A. Mas essa nova visão educacional não foi aceita de forma imediata e sem oposição. na mudança do modelo moderno de ensino. PEREIRA. p. REFERÊNCIAS BATISTA. CURPRO – 20 . CARVALHO. Currículo. KANISKI.33-39. foi apenas com a crítica da modernidade que surgiu a consciência da necessidade premente de reagrupar os conhecimentos especializados e reconstruí-los em um processo interdisciplinar que possua como eixo condutor uma reconciliação integrativa entre os conhecimentos disciplinares (. MOREIRA. v. C.. com o desenvolvimento de pesquisas teóricas e empíricas variadas. I. p. D.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS
A INFLUÊNCIA DOS PARADIGMAS MODERNO E PÓS-MODERNO
PARA A LEITURA DA ESCOLA, DO ENSINO E DO CURRÍCULO

ATIVIDADE 5

OBJETIVOS

Aprender as características da escola gerada pelos paradigmas moderno e
pós-moderno e as relações de poder a eles subjacentes. Compreender as bases da forma
como concebemos a educação, o ensino e a elaboração dos currículos escolares hoje.

TEXTO
Nas unidades anteriores, nós estudamos os conceitos de paradigma
moderno e pós-moderno e sua relação com a sociedade e com a educação. Nesta
unidade, nós veremos, com um pouco mais de detalhes, qual o tipo de escola a que
esses paradigmas deram origem, estudando suas características, a forma como elas se
relacionam e suas repercussões políticas e sociais, pois através deste percurso ficará mais
evidente a maneira como é concebida a educação, o ensino e a discussão sobre os planos
curriculares hoje.
Currículo e poder
Segundo Silva, os debates sobre currículos
escolares abrangem, com maior ou menor ênfase, as
discussões sobre os conhecimentos escolares, sobre as
relações sociais da realidade na qual se ensina e aprende,
e também as discussões sobre que tipo de transformações
e valores se deseja que os estudantes apreendam. Dessa
maneira, “Discussões sobre conhecimento, verdade, poder
e identidade marcam, invariavelmente, as discussões sobre
questões curriculares.” (SILVA apud MOREIRA; CANDAU,
2007, p.18).
Nessa discussão sobre as questões curriculares, alguns autores usam a
palavra currículo em uma segunda acepção, que aponta os resultados alcançados pela
escola que não estão explícitos nos planos e propostas curriculares, o que faz com que não
sejam percebidos pela comunidade escolar de forma clara. Isto constitui o que chamamos
de currículo oculto, que envolve as
(...) atitudes e valores transmitidos, subliminarmente, pelas relações
sociais e pelas rotinas do cotidiano escolar. Fazem parte do currículo oculto, assim, rituais e práticas, relações hierárquicas, regras e
procedimentos, modos de organizar o espaço e o tempo na escola,
modos de distribuir os alunos por grupamentos e turmas, mensagens
CURPRO – 21

CURRÍCULOS E PROGRAMAS
ATIVIDADE 5

implícitas nas falas dos(as) professores(as) e nos livros didáticos. São
exemplos de currículo oculto: a forma como a escola incentiva a criança
a chamar a professora (tia, Fulana, Professora etc); a maneira como
arrumamos as carteiras na sala de aula (em círculo ou alinhadas); as
visões de família que ainda se encontram em certos livros didáticos
(restritas ou não à família tradicional de classe média). (MOREIRA;
CANDAU, 2007, p.18-19).
Devido ao fato de não ser algo explícito, nós muitas vezes não pensamos nas
conseqüências que o currículo oculto pode causar nos alunos, tais como a opressão por
causa de origem social, religiosa, racial, dentre outras coisas. Assim, nesse momento, nós
iremos verificar as implicações do currículo oculto das escolas propostas pelo paradigma
moderno e pós-moderno de educação.
A escola tradicional e a escola da contemporaneidade
Por muito tempo, o currículo consistiu simplesmente em uma delimitação
de matérias, cargas horárias e na listagem dos conteúdos que seriam ministrados nas
disciplinas ou no estabelecimento de normas referentes às atividades que os alunos
deveriam realizar na escola. Dentro desta perspectiva, o currículo é concebido apenas
como uma relação de conteúdos isolados que não estabelecem nenhuma relação com
outras dimensões do conhecimento. Ele é apenas um plano padronizado com princípios e
normas para o funcionamento da escola, “como se fosse um manual de instruções para se
poder acionar uma máquina”, conforme Menegolla e Sant’Anna (1996, p. 50-51).
As características que acabamos de apontar refletem uma concepção
considerada conservadora e tradicional de currículo que foi predominante até o século
XX. Essa forma de pensar se baseia nos princípios das ciências naturais e entende
que só se deve considerar conhecimento aquilo que pode ser medido e quantificado.
Aqui, conhecimento se confunde com informação, o professor é um mero transmissor
de conhecimento, outros tipos de experiência e aprendizagens que não aquelas do
conteúdo da aula são desconsideradas e as especificidades dos alunos no processo de
aprendizagem não são assunto de discussão e preocupação.
A tendência atual de educação vai no sentido oposto dessa visão tradicional.
Ela não só instrumentaliza o aluno com os conhecimentos necessários para a vida adulta,
mas tem como objetivo principal formar cidadãos críticos e conscientes, além de se
preocupar com uma formação humana plena para todas as pessoas. Isto implica ensino
de conceitos contextualizados que levem ao estabelecimento de relações com outros
conceitos, em uma relação de aprendizagem que valoriza os conhecimentos adquiridos
fora do ambiente escolar e que respeita a identidade cultural e a personalidade dos
estudantes, dentre outras coisas.
Essa visão do processo educacional entende que a relação ensinoCURPRO – 22

CURRÍCULOS E PROGRAMAS
ATIVIDADE 5
aprendizagem é fruto de um trabalho sistemático que integra aspectos biológicos,
psicológicos, culturais, afetivos e cognitivos, visando suprir as dificuldades que possam
intervir na aprendizagem e buscando estratégias que a desenvolvam da melhor maneira
possível.
Ao se perguntar sobre os elementos que influem no processo de
aprendizagem, sobre seus desdobramentos na vida dos estudantes e ao tentar promover
intervenções no sentido de sanar as dificuldades e ter o maior aproveitamento do ensino,
essa tendência promoveu, em grande medida, uma democratização da educação.
Essa mudança de perspectiva em relação ao ensino ocorreu porque se
percebeu que a visão tradicional do currículo produzia desigualdades, competitividade,
etnocentrismo e tinha como visão moral subjacente “encorajar os estudantes a serem bem
sucedidos no mundo árduo e competitivo das formas sociais existentes.” (FERNANDES,
2000, p.18), reproduzindo os valores da sociedade liberal burguesa e perpetuando-os.
Neste sentido, a escola da contemporaneidade
(...) Reflete as contradições da estrutura social. Colabora na divulgação
de uma nova concepção de mundo, trabalha em prol das camadas
mais pobres da população. Visa à preparação do indivíduo para a vida
sociopolítica e cultural. Seu ideal político-pedagógico está voltado para
a emancipação do homem. (VEIGA, 1991, p.78).
Dessa forma, podemos notar que a elaboração de um currículo não é uma
atividade neutra. Ela sempre é parte de uma tradição seletiva, resultante da seleção de
alguém e da visão de um grupo e do que esse grupo considera como conhecimento legítimo
(APPLE apud FERNANDES, 2000, p.30). Logo, os aspectos culturais, históricos e sociais
envolvidos nessa empreitada repercutem não só no trabalho do professor, dos gestores ou
da escola, mas possui também uma dimensão política que abrange toda a sociedade.

Disponível em: <http://www.mytho.com.pt/blog/wp-content/
uploads/2008/05/leitura.jpg>. Acesso em: 10 out. 2008.

CURPRO – 23

Um desses conceitos é a idéia de que cultura é um conjunto de práticas que produzem significados. homogêneo e imutável e que. Neste sentido. intensamente. Tendo em vista esta acepção. Tendo isto em vista. 2007. Acredita-se que ao conceber a educação. pois. No entanto.) O currículo representa. São muitos os conceitos de cultura. 2007.)”. os alunos serão capazes de perceber que nada é natural. mudança esta que acompanha as diversas transformações pelas quais passou e vem passando a sociedade contemporânea.28). a escola e o currículo dessa maneira.. um conjunto de práticas que propiciam a produção. 2006. Os esforços para a realização deste objetivo serão o assunto das próximas unidades. CANDAU. como já mencionamos. CANDAU. assim. portanto. Psicologia e currículo... o currículo é um espaço que promove constante recriação desses significados. para a construção de identidades sociais e culturais. a circulação e o consumo de significados no espaço social e que contribuem. “(. (MOREIRA. nós podemos pensar no currículo como um espaço de produção de significados.. Tende a silenciá-las e neutralizá-las. podemos dizer que a educação hoje se pauta pela idéia de que o ensino deve promover o desenvolvimento individual e social. p. C. plural e inclusiva. abrir espaços para a diversidade. ao mesmo passo em que também pode promover questionamento deles. REFERÊNCIAS COLL. p.. São Paulo: Ática.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 5 Currículo e cultura: uma escola para todos As pesquisas recentes sobre currículos apontam uma tendência na qual as discussões estão saindo do foco da relação entre currículo e conhecimento escolar para se voltarem para a relação entre currículo e cultura. (. pode ser questionado e modificado: (. Sendo um lugar no qual se produz e reproduz cultura de forma ativa e em meio a tensões. Tal desafio reside na concretização de uma escola democrática.. bem como um destaque para o processo de construção das diferenças e desigualdades.35). é através dele que determinados grupos expressam sua visão de mundo e valores. CURPRO – 24 . (MOREIRA. a diferença e para o cruzamento de culturas constitui o grande desafio que está chamada a enfrentar. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização. Isto exige que haja formas de organização e de distribuição dos conhecimentos escolares de maneira que exista um diálogo entre os saberes disciplinares e os saberes do senso comum.) a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. Uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar.

p. P. currículo e ensino. Indagações sobre o currículo. Currículo. O movimento de elaboração curricular participativo: um novo olhar sobre o currículo no cotidiano escolar da escola pública. J. R.. A. 2007. (Orgs. ANOTAÇÕES CURPRO – 25 .77-95. NASCIMENTO. F. CANDAU. A. PAGEL. Escola..). VEIGA. A.). conhecimento e cultura. E. 2000. (Orgs. São Paulo. F. M.. In: BEAUCHAMP. V.. I. VEIGA. I. Secretaria de Educação Básica. In: CARDOSO. M. P. 143 p. H. Campinas: Papirus. J. MOREIRA. A. B. Escola fundamental: currículo e ensino. 1991.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 5 FERNANDES. S. do. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo. D. Brasília: Ministério da Educação.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 5 ANOTAÇÕES CURPRO – 26 .

9. inclusiva e democrática. habilidades. TEXTO Uma vez que a escola hoje se propõe a uma educação democrática e inclusiva. pois trouxe um novo significado para o papel do conhecimento. o contributo da psicologia a respeito do processo de ensino-aprendizagem foi muito importante. levem este estigma consigo por toda a vida. são características marcantes da LDB.CURRÍCULOS E PROGRAMAS SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADE 6 OBJETIVO Revisar os principais pontos dos conteúdos estudados. Nesse sentido. técnicas. Ele parte da idéia de que o aluno já possui um saber e que este saber se apropria de novos conhecimentos e é ampliado através da relação que é estabelecida entre um e outro. o que bateu de frente com a idéia de que todos aprendem da mesma maneira no mesmo tempo. se faz necessário que os currículos sejam elaborados tendo em vista seu público real. saberes. culturas etc. O fracasso de não terem correspondido ao que estava estabelecido nos currículos faz com que os educandos considerados “repetentes”. No intuito de concretizar esse desejo. e passou a ser respeitado o tempo e as particulares de cada um no processo de aprendizagem. a de promover uma aprendizagem significativa. tanto no mercado de trabalho quanto em sua vida social. Ao saber como a mente humana funciona e qual o seu ritmo de aprendizagem os alunos passaram a ser entendidos como sujeitos ativos em um complexo processo de assimilação de valores. Estas características somadas à valorização da interação. Tal forma de pensar. os grupos desfavorecidos. da escola e da organização dos currículos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. “defasados” etc. da cooperação e do respeito à diversidade. crítico e ativo em relação aos saberes escolares e à vida cotidiana. LDB n. do professor. levam a uma contradição entre aquilo que é proposto e o que ocorre na prática. promovendo uma continuação no seu processo de aprendizagem e fazendo com que o educando atinja patamares maiores de conhecimento. a contribuição de Piaget com o conceito de aprendizagem significativa foi muito útil. Desta forma. acaba por negar a muitos estudantes direitos humanos básicos. os currículos lineares e rígidos que são elaborados tendo em vista os alunos sem dificuldades de aprendizagem e que são capazes de realizar as atividades estabelecidas dentro da forma e do tempo previsto. todavia. qual seja. Tal perspectiva proporciona maior autonomia ao aluno e o torna mais consciente. Isso acontece porque esses currículos partem do pressuposto de que os educandos possuem uma vida sem problemas econômicos e afetivos. para atingir o objetivo a que a educação se propõe. ou seja.394 de 20 de CURPRO – 27 .

exigida pelas características regionais e locais da sociedade. de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 6 novembro de 1996. nacionais e regionais”. da economia e da clientela. da cultura. inclusiva. Tal disposição busca garantir certa liberdade e flexibilidade de ação às unidades escolares. a qual determina que é um dever do Estado estabelecer “conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental. parte desses princípios e é um esforço do governo brasileiro no sentido de concretizar essa escola que promova uma educação significativa. por uma parte diversificada. democrática e de qualidade que venha a promover as habilidades e saberes que permitam a autorealização do aluno tanto para a vida adulta quanto para o desenvolvimento humano em sua plenitude. de acordo com o que estabelece o art. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. Neste sentido. a ser complementada. a LDB prevê que: Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. ANOTAÇÕES CURPRO – 28 . 210 da Constituição Federal de 1988. ao mesmo passo em que fornece certas diretrizes para manutenção de uma base nacional para o currículo.

defasados. Aprendemos que o modelo de escola atual surge a partir das limitações da escola tradicional e que a consciência dessa necessidade de mudança fez com que houve um interesse crescente na discussão sobre os planos curriculares. Os alunos que fogem a este padrão são classificados como anormais. até as deficiências físicas são vistas como um empecilho intelectual. a relação entre professor e aluno etc. da ordem em que serão aprendidos. o estabelecimento de turmas de aceleração ou “especiais” entre outras coisas. Isto porque ele é o núcleo que estrutura o seu funcionamento. TEXTO Vimos na unidade anterior a dimensão política que o currículo possui. Neste sentido. isto é. pois se percebeu que a organização curricular condiciona e afeta de forma decisiva o cotidiano escolar. os alunos que não possuem dificuldade de aprendizagem e que são considerados os mais capazes por conseguirem aprender o conteúdo estabelecido no tempo que foi estabelecido pelo currículo. a hierarquia do que vai ser ensinado. Tendo em vista a idéia de uma escola democrática e da formação plena do ser humano defendida pela concepção de educação vigente hoje. incapazes. CURPRO – 29 . nós faremos agora uma reflexão sobre o currículo na sua prática. no processo de ensino-aprendizagem e na avaliação que se faz dos conteúdos ministrados. bem como as características das escolas geradas pela sociedade moderna e pela contemporânea. e qualquer argumento contra esta concepção é entendido como uma forma de diminuir a qualidade do ensino e da escola. Currículo como condicionante da vida do educando Os ritmos de aprendizagem e os resultados que se deseja alcançar com o que é ensinado sempre têm como parâmetro os alunos bem-sucedidos. repetentes etc. Tal concepção está arraigada na administração escolar. A solução para esses alunos “problema” é o reforço e/ou a recuperação em outro período ou nas férias. através do estabelecimento dos conteúdos a serem ensinados. no sentido de entender como tal objetivo pode ser realizado.CURRÍCULOS E PROGRAMAS O CURRÍCULO: UMA REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA ATIVIDADE 7 OBJETIVO Refletir sobre a relação entre currículo e o processo de ensinoaprendizagem.

a ser ético. e os estudos sobre as relações sociais nas quais o homem aprende a produzir cultura. nós vamos agora discutir a relação entre o currículo e o processo de ensino-aprendizagem. Mas por conta de todas as mudanças sociais e epistemológicas que já estudamos anteriormente. Isso porque o currículo linear. possuem afeto familiar e tempo integral para estudo.) Construímos um currículo para poucos e essa mesma construção vem servindo de justificativa para classificações excludentes. a criar. Psicologia e currículo A psicologia foi a principal área que exerceu e exerce influência no pensamento educacional desde o século XX. a docência e o trabalho. p. através da interação entre princípios da pedagogia e da psicologia. 2007. têm provado que essas lógicas temporais em que organizamos os processos de ensinar e aprender não coincidem com os processos temporais de socializarnos e formar-nos. p. (ARROYO. as escolas. tomar suas decisões. Neste momento. a sentir. do professor. Esse parâmetro de currículo para supostas mentes mais capazes legitima exclusões e desigualdades. Posto isso. Produz desiguais. Isto também redefiniu o papel do conhecimento.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 7 Arroyo chama a atenção para se pensar as conseqüências humanas desses tratos classificatórios: (. justamente as camadas desfavorecidas.33). pois os estudos sobre a mente humana e sua forma de aprendizagem. É um critério ético? Muitos coletivos escolares repensam esse parâmetro curricular à luz dos efeitos injustos que produz. previsível e que pressupõe que os educandos possuem uma vida sem problemas financeiros. se difundiu a idéia de que a criança constrói o CURPRO – 30 . (ARROYO. fazendo ainda com que eles levem o fracasso de não terem correspondido ao que esperava o currículo por toda a vida. 2007. nós vemos que o aluno passou a ser o foco do processo de aprendizagem. 47). entre outras coisas. da escola e da organização dos currículos. Não resiste aos avanços das ciências e dos valores. faz-se necessário que a escola pública e os currículos estabeleçam uma organização que tenha como base o seu público real. Como profissionais destes processos.. somos obrigados a confrontar-nos com os avanços das ciências em nosso campo profissional e a rever as lógicas em que organizamos o currículo. Não resiste a uma ética democrática. Sendo assim. rígido. pública. nega aos que não possuem alternativas um dos direitos humanos básicos..

culturas etc. porém. técnicas. ela não o faz sozinha.35). Nesse sentido. aproximadamente. cultural. o ensino e os currículos ganham novas dimensões: A questão nuclear não deixa de ser o que ensinar.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 7 próprio conhecimento. chamada de sensóriomotor. Segundo ele. (ARROYO. que é o préoperatória. 2007. denominada intuitiva. como organizar os conhecimentos. questões a respeito de como a mente humana funciona e qual seu ritmo de aprendizagem. hierarquizada e segmentada dos conhecimentos e somos obrigados a perguntar-nos pela lógica em que toda mente humana aprende. saberes. de 7 ou 8 anos a 11 ou 14 anos. aproximadamente. apesar da criança realizar sim um papel importante no processo de aprendizagem. de 4 ou 5 anos a 7 ou 8 anos. Uma das atribuições do papel exercido pelos adultos nesse processo reside na elaboração do currículo. de 0 a 2 anos. p. são quatro as fases cognitivas: a) a que vai. tempo mental. aproximadamente. b) a que vai. de 2 a 4 ou 5 anos. Somos obrigados a repensar e superar as tradicionais lógicas centradas em uma suposta ordem precedente. como ensinar. aproximadamente. p. Jean Piaget deu uma contribuição significativa para o desenvolvimento dos projetos curriculares. pois tal processo se dá por meio da intervenção dos adultos. d) a que vai. habilidades. mas é importante saber também as múltiplas dimensões e fatores que intervêm na formação de um ser humano. Todavia. c) a que vai. conforme observa Lima (2007. Para se obter êxito na tarefa de formação do ser humano pleno. As lógicas do aprender humano passam a ser as determinantes do ordenamento dos conteúdos do ensinar. chamada operatória formal ou operações concretas. não é suficiente saber o que ensinar e como ensinar. faz com que os alunos sejam entendidos como sujeitos ativos em um complexo processo de assimilação de valores. CURPRO – 31 . Um olhar mais profissional da docência e do ordenamento curricular. através de um ensino democrático e de qualidade. Assim. tendo como parâmetro os processos de aprendizagem dos educandos em cada tempo humano. 20). A respeito dos estágios de desenvolvimento cognitivo. o processo de aprendizagem.

.). PAGEL. In: BEAUCHAMP.41). de forma a torná-lo mais consciente. (Orgs. CURPRO – 32 . sabe interpretálas. PAGEL. LIMA.php?script=sci_arttext&pid=S0102-25551998000200004>. M. 2007. São Paulo: Ática. A. jovem ou adulto tem direito à formação plena como ser humano.. Indagações sobre o currículo. Acesso em: 21 out. Disponível em: <http://www. Indagações sobre o currículo. crítico e ativo em relação não apenas aos saberes escolares. Educandos e educadores: seus direitos e o currículo. COLL.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 7 Sendo essas as fases do desenvolvimento cognitivo. Na aprendizagem significativa.. todavia. 2007. CUNHA. NASCIMENTO. Secretaria de Educação Básica. através da relação que estabelece entre um e outro.). S. Psicologia e currículo. In: BEAUCHAMP. 24. R. C. Revista da Faculdade de Educação. adolescente. mas também em relação à aprendizagem a partir de experiências da vida cotidiana. D. Secretaria de Educação Básica. v. A psicologia na educação: dos paradigmas científicos às finalidades educacionais. a “nova LDB se afasta da visão dos educandos como mão-de-obra a ser preparada para o mercado e reconhece que cada criança. memorística e mecânica. 2. é um esforço no intuito de efetivar essa perspectiva de educação que se pauta pela idéia de que o homem tem direito à sua formação e desenvolvimento pleno. Currículo e desenvolvimento humano. Assim. Brasília: Ministério da Educação. da. M. do. 2008. S. (Orgs. reforçando que esta é uma missão dos gestores da escola. o que já sabia. classificá-las e relacioná-las com o repertório de conhecimento que já possui.scielo. Uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. 2007. A. G. Nesse sentido. as concepções de currículo escolar no âmbito da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (n. V. Isto fará com que haja uma continuação no seu processo de aprendizagem. J. ampliando. R. 2006. o aluno apenas memoriza os conteúdos e não sabe qual a serventia do que está a aprender. São Paulo. dos educadores e dos currículos escolares.” (ARROYO. 1998.br/scielo. p. n. J.. S. E. REFERÊNCIAS ARROYO. são duas as formas de aprendizagem nela baseadas. e a aprendizagem significativa. D. 9394/96). do. uma vez que adquire a habilidade de perceber quais as informações relevantes. o aluno parte de um saber que ele já possui e se apropria de novos conhecimentos. No primeiro tipo de aprendizagem. Tal enfoque imprime autonomia no sujeito aprendiz. garantindo que o educando atinja patamares maiores de conhecimento. Brasília: Ministério da Educação. NASCIMENTO. proposta por Piaget: a aprendizagem que é repetitiva.

2008. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira Disponível em: <http://www.gif>. com a nova concepção de ser humano. Assim. 9. na economia etc. diversificada e democrática.gigamar. de sociedade. de educação CURPRO – 33 . TEXTO Até agora nós vimos que a concepção de ensino predominante hoje tem como princípios mais importantes a defesa de uma aprendizagem significativa. interagem e entram em contradição.com/portal/arquivos/pu/ldb1.394/96) ATIVIDADE 8 OBJETIVO Aprender a concepção de currículo escolar proposta pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Neste sentido. interdisciplinar. Acesso em: 26 out.CURRÍCULOS E PROGRAMAS CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO ESCOLAR NO ÂMBITO DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA (N. e percebemos que a própria escola também foi e é um espaço de tensão no qual essas alterações na política. influenciando o desenvolvimento e a formação das identidades dos alunos. na cultura. nós iremos estudar agora quais as medidas oficiais implementadas pelo governo brasileiro no intuito de efetivar esses princípios na educação de nosso país. Nos capítulos anteriores nós vimos como as diversas mudanças ocorridas no mundo influenciaram o universo escolar.

No Brasil. 5.692.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 8 e de currículo. “conteúdos mínimos para o ensino fundamental. bem como há um grande empenho na promoção das habilidades e saberes que permitam a auto-realização do aluno tanto para a vida adulta quanto para o desenvolvimento humano em sua plenitude.” (PARÂMETROS. p.5). O surgimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (n. nas décadas de 1970 e 1980. não dá conta do estabelecimento de relações entre os conhecimentos que são importantes e necessários à sociedade em que vivemos hoje. tais como os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI). materiais no intuito de assegurar esse direito. Além disso.17).394/96) O ensino fundamental do Brasil até dezembro de 1996 se estruturava pelas disposições da Lei Federal n. os altos índices de repetência e evasão alertaram para a necessidade de uma reflexão sobre o trabalho realizado pela escola. houve uma tentativa de expansão das oportunidades de escolarização por parte da política educacional brasileira. de 20 de novembro de 1996. em relação à educação. reafirmam a necessidade de revisão do projeto educacional do país. 2007. por exemplo. de maneira que os “Indicadores fornecidos pela Secretaria de Desenvolvimento e Avaliação Educacional (Sediae). o artigo 210 da Constituição Federal de 1988 determina que é um dever do Estado estabelecer. de modo a concentrar a atenção na qualidade do ensino e da aprendizagem. 9. LDB n. há uma grande valorização da interação e da cooperação. Tendo em vista esse descompasso existente entre teoria e prática. de maneira a assegurar a formação básica comum e o respeito aos valores culturais e artísticos. Posteriormente. 9. desde 1995. Esta lei estabeleceu diretrizes e bases para educação nacional que tinham como principal objetivo “proporcionar aos educandos a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades CURPRO – 34 . os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) entre outros documentos. em outras palavras. o Ministério da Educação (MEC) tem elaborado e distribuído. do Ministério da Educação e do Desporto. nós passamos agora para um breve histórico do seu surgimento. 1997. Apresentadas as principais características da lei. nós temos uma forte preocupação com a diversidade e com a autonomia. surgiu uma consciência de que o modelo de escola disciplinar e seriado não dá conta da demanda do estabelecimento de relações entre os diversos saberes que fazem parte do universo escolar. p.394. Dentre as características mais marcantes dessa lei. E em meio a todo o esforço de concretizar esse compromisso com uma educação significativa e para todos. nós temos o surgimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. de 11 de agosto de 1971. haverá ainda o estabelecimento de Diretrizes Curriculares para a Educação Básica pelo Conselho Nacional de Educação (LIMA. Contudo. nacionais e regionais”.

14. com uma base nacional de ensino e aprimoramento dos estabelecimentos escolares. Devido à consciência das deficiências do ensino nacional e a esse compromisso assumido internacionalmente.13). e resultou em um consenso no qual deveria haver um empenho no sentido de universalizar a educação básica e de aumentar a oportunidade de aprendizagem para todas as pessoas.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 8 como elemento de auto-realização. fez-se necessária a elaboração de princípios norteadores CURPRO – 35 . O Plano Decenal de Educação. independe de idade. bem como do público ao qual ele servia. disciplinando a participação de Estados e Municípios no tocante ao financiamento desse nível de ensino. priorizou o ensino fundamental. a Ciência e a Cultura (UNESCO). Assim. afirma a necessidade e a obrigação de o Estado elaborar parâmetros claros no campo curricular capazes de orientar as ações educativas do ensino obrigatório. compromisso com a igualdade. na Tailândia. Este plano tinha como objetivos o aumento da qualidade do ensino.14). pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). 1997. em consonância com o que estabelece a Constituição de 1988. constituído por oito anos de estudos) quanto para o segundo grau (atual ensino médio. Nesse sentido. grupo social etc. (PARÂMETROS. A mesma lei previa que deveria haver uma base nacional comum para todos os currículos do ensino fundamental e médio e que esses currículos deveriam contemplar também particularidades locais do estabelecimento do ensino. 1997. a leitura atenta do texto constitucional vigente mostra a ampliação das responsabilidades do poder público para com a educação de todos. p. Essa condição era válida tanto para o primeiro grau (ensino fundamental obrigatório. Esta conferência foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação. o Ministério da Educação e do Desporto elaborou o Plano Decenal de Educação Para Todos (1993-2003). ao mesmo tempo em que a Emenda Constitucional n.” (PARÂMETROS. Em 1990. p. preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania. não obrigatório). pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Banco Mundial. de 12 de setembro de 1996. de forma a adequá-lo aos ideais democráticos e à busca da melhoria da qualidade do ensino nas escolas brasileiras. sexo. Para tanto. o Brasil participou da Conferência Mundial de Educação para Todos em Jomtien.

inciso IV. Assim. 9. III . o ensino proposto pela LDB tem como objetivo uma educação que promova: I . segundo a lei: a) Conciliam a cultura local com os objetivos da educação nacional. História. p. ao mesmo passo em que fornecia certas diretrizes para manutenção de uma base nacional para o currículo. seria possível CURPRO – 36 . A partir dessas disposições. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. a LDB n. 32 apud PARÂMETROS. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. o trabalho coletivo entre professores e em uma apreensão significativa do conhecimento por parte dos alunos.15). a ser complementada. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. Educação Artística. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. os currículos. os Parâmetros Curriculares Nacionais são um documento muito útil. Dessa maneira. como Matemática. Educação Física etc. 9º. Tal medida tinha em vista garantir certa liberdade e flexibilidade de ação às unidades escolares. do sistema político. Esperava-se que a sugestão da organização das disciplinas por temas oriundos do cotidiano poderia promover discussão e integração entre as disciplinas. os temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais nos anos 90 podem ser entendidos como uma resposta à necessidade de resolver o descompasso entre a fragmentação das disciplinas nos planejamentos escolares e a vida cotidiana dos educandos. da economia e da clientela”. Segundo Gontijo e Gontijo. ele deve ser composto pelas disciplinas tradicionais. Neste sentido.394 de 20 de novembro de 1996..a compreensão do ambiente natural e social. da escrita e do cálculo. por uma parte diversificada.o desenvolvimento da capacidade de aprender. Neste sentido.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 8 para a organização dos currículos que nos termos do art. em outras palavras. mas que são relevantes e que devem ser incluídos o ensino de temas importantes para a realidade local da comunidade escolar. II . Português. O artigo 26 da LDB estabelece que os currículos devem ser compostos por uma base nacional comum. IV . dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (art. Geografia. da cultura. da tecnologia. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. passou para a responsabilidade União. 1997.o fortalecimento dos vínculos de família. estabelece que “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum.

9. O que é “flexibilidade curricular”?. O artigo 26 da LDB ainda estabelece como obrigatório o ensino de ao menos uma língua estrangeira moderna. nós temos as disposições específicas para os currículos do ensino médio.394/96. 2004). 2007.. S. mas elas seriam perpassadas pelos temas transversais (GONTIJO.br/seed/ arquivos/pdf/tvescola/leis/lein9394. a forma como eles serão ministrados e em relação ao calendário letivo para a realização das atividades. E. nas quais são garantidas uma educação bilíngüe e a preservação de sua cultura. CURPRO – 37 . GONTIJO. 9.pdf>. Brasília: Ministério da Educação. GONTIJO. (Orgs.tv. A. da cidadania e da preparação para o trabalho. S. em que é possível perceber uma valorização da iniciativa. Secretaria de Educação Básica. J. também é permitida a flexibilização do currículo para os alunos que possuem necessidades especiais. 2008. Disponível em: <http://www.gov. a LDB aponta as disposições para a educação dos povos indígenas. D.br/salto/boletins2004/cp/tetxt4. Indagações sobre o currículo.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 8 manter as disciplinas tradicionais do ensino. 2004. nos artigos 78 e 79. ao mesmo passo em que também é garantido o direito aos conhecimentos das sociedades não-indígenas.mec.. Acesso em: 24 out. de acordo com as necessidades e características da comunidade escolar. PAGEL. 2008.htm>. R. nós veremos como está organizado e como funciona o sistema da educação básica no Brasil. Disponível em: <http://portal. da comunicação. LIMA. REFERÊNCIAS GONTIJO. Acesso em 26 set. O artigo 33 da LDB manteve a posição da política educacional brasileira de permitir o ensino religioso nos horários normais da escola pública. O artigo 28 da LDB prevê que nas áreas rurais pode haver uma flexibilização em relação aos conteúdos que devem ser aprendidos. c) São marcados pela diversidade.. se iniciando este estudo a partir da quinta série do ensino fundamental. No que diz respeito à educação de jovens e adultos.394. o artigo 37 aponta que o currículo deve ser correspondente à base nacional comum. de 20 de dezembro de 1996. F.). No artigo 59. Já no artigo 36.redebrasil. NASCIMENTO. S. C. LEI n. In: BEAUCHAMP. Currículo e desenvolvimento humano. Na próxima unidade. H. mas prevê que a matrícula pode ser facultativa e que as preferências de pais e alunos devem ser respeitadas. B. Em termos gerais. PARÂMETROS Curriculares Nacionais: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. do. essa é a concepção de currículo que carrega a LDB n. b) Valorizam as particularidades de cada tipo de ensino. Ainda.

1997. ANOTAÇÕES CURPRO – 38 . VALENTE. Acesso em: 26 set. N.artigos.com/artigos/humanas/educacao/relacao-entre-diretrizescurriculares-nacionais-e-pcns-para-o-ensino-fundamental. Relação entre Diretrizes Curriculares Nacionais e PCNs para o ensino fundamental. Disponível em: <http://www.-3842/artigo/>.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 8 Brasília: MEC/Secretaria de Educação Fundamental. 2008.

assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Elas se diferem dos PCNs porque estabelecem metas a serem cumpridas e objetivos a serem alcançados em cada curso. A educação básica é composta por três etapas: ensino infantil. as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) foram instituídas pela Resolução CNE/CEB n.394/96 e o Plano Nacional de Educação (PNE). O Conselho Nacional de Educação (CNE). criado pela Lei n. 9. é responsável atividades normativas e deliberativas relativas às questões educacionais.172/2001. ensino fundamental e ensino médio. 10. da criatividade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais. seguindo o princípio federativo e colaborativo da República Federativa do Brasil. TEXTO O art. Eles também são auxiliados por órgãos estaduais e municipais. e tem por objetivo “desenvolver o educando. da responsabilidade. c) os princípios estéticos da sensibilidade. do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática. b) os princípios dos direitos e deveres da cidadania. 9. É o CNE o responsável pela criação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). 9. enquanto os PCNs são apenas referências curriculares. Lei n. Lei n. CURPRO – 39 . Os principais documentos que orientam a educação básica são a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). 2.” (art. 21 da LDB n. Elas prevêem que as escolas devem ter como princípios norteadores de suas ações pedagógicas: a) os princípios éticos da autonomia. As DCNs se originaram da LDB e servem para orientar o planejamento curricular dos estabelecimentos de ensino. Essas três fases formam um todo orgânico e seqüencial que reconhece a necessidade de saberes diferentes dependendo da fase da vida na qual se encontra o educando. realizando este trabalho junto com a Câmara de Educação Básica e com a de Educação Superior. de 7 de abril de 1998. da solidariedade e do respeito ao bem comum.CURRÍCULOS E PROGRAMAS SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADE 9 OBJETIVO Revisar os principais pontos dos conteúdos estudados.131/95.394/96 estabelece que a educação escolar é composta pela educação básica e pela educação superior. sendo ambos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Para o ensino fundamental. não leis. 2º).

pois segundo inciso II do art. política e econômica. 8º. São considerados alunos com necessidades especiais aqueles que apresentarem: grandes dificuldades ou limitações de aprendizagem que impeçam o acompanhamento das atividades curriculares. a relação entre eles tem como principal objetivo o desejo de que os educandos “se beneficiem das diferenças e ampliem positivamente as experiências de todos os alunos. Apenas em casos extremos prevê a separação dos educandos com necessidades especiais dos educandos do ensino regular. seu desenvolvimento para o exercício da cidadania. as diretrizes prevêem intervenções nos espaços físicos da escola. políticos e estéticos que assegurem a dignidade humana. o auxílio de profissionais especializados de acordo com as necessidades especiais do educando. bem como suas faixas etárias. em outras palavras. Essa mesma educação deve ser estendida à educação especial. facilidade exacerbada de aprendizagem. dentro do princípio de educar para a diversidade”. No intuito de efetivar esse objetivo. mas respeitando-se suas características biopsicossociais dos educandos. recursos financeiros. ANOTAÇÕES CURPRO – 40 .CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 9 Tudo isso tendo em vista a questão dos conhecimentos contextualizados e significativos. ela deve se pautar por princípios éticos. e o seu desenvolvimento para a capacidade de participação social. Neste sentido. flexibilização do currículo etc. a identidade própria do educando através do reconhecimento e valorização de suas diferenças e potencialidades. dificuldades de comunicação e/ou comunicação diferenciada dos demais alunos.

psicológico. A oferta dessa educação será feita por creches ou estabelecimentos similares para crianças com idade até três anos e em préescolas.394/96). o ensino fundamental. II – educação superior. 9. essas três etapas nas quais ocorre o desenvolvimento dos educandos formam um conjunto orgânico e seqüencial que reconhece a necessidade de saberes diferentes dependendo da fase da vida na qual se encontra a pessoa. nós estudaremos. em seus aspectos físico. como ela é organizada e como ela funciona. o qual afirma que CURPRO – 41 . complementando a ação da família e da comunidade”. encontram-se no art. Assim. 21 da LDB n. em termos gerais. TEXTO Na unidade anterior. O autor observa ainda que tal forma de pensar já está posta no art. que abriu campo para o surgimento da LDB no que se refere às suas disposições sobre a educação. p. Nesse momento. ensino fundamental e ensino médio. 9. 205 da Constituição Federal de 1988. a educação infantil constitui a primeira fase da educação básica.” Em seguida.CURRÍCULOS E PROGRAMAS EDUCAÇÃO BÁSICA E CURRÍCULO ATIVIDADE 10 OBJETIVO Aprender o que é educação básica.” Para Cury (2002. intelectual e social. Educação básica O art. o objetivo desta etapa é “o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. nós estudamos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (n. Conforme os art. que é de suma importância na reforma educacional que vem ocorrendo em nosso país desde o começo dos anos 90. As considerações referentes à segunda fase da educação básica. para crianças de quatro a seis anos. formada pela educação infantil. 29 e 30 da LDB.170). 22 aponta qual o objetivo da educação básica: “A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. 32.394/96 estabelece que a educação escolar é composta de: “I – educação básica. como está organizada e como funciona a educação básica no Brasil. o art.

cuja tramitação vinha desde 1988. com duração de 9 (nove) anos. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. assim entendido. tal organização de currículo visa ampliar a qualidade da educação no Brasil. é o documento que regula a base comum do currículo em âmbito nacional. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. a igualdade de oportunidades e a inclusão de todos. 11. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. “progressivamente obrigatório” (. 9. 9. uma vez que tem como objetivo uma educação democrática. o ensino médio. Lei n. Principais documentos e órgãos que regem a educação básica Os principais documentos que orientam a educação básica são a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).a compreensão do ambiente natural e social.400 horas de 60 minutos. a cooperação.181-182).o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. antes independente da educação básica.o desenvolvimento da capacidade de aprender. Com a LDB.274. por lei ordinária. de 2006). Lei n. da escrita e do cálculo. gratuito na escola pública. O ensino médio. e o Plano Nacional de Educação (PNE). tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. do sistema político. III .394/96.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 10 o ensino fundamental obrigatório. mediante: I . tornou-se constitucionalmente gratuito e também. A lei assegura o ensino médio como a etapa conclusiva da educação básica. com três anos de duração e com um mínimo de 2. tornou-se explicita e vinculadamente uma atribuição prioritária destes com a Lei n. legalmente uma competência dos estados pela LDB.” (Redação dada pela Lei n. nós estudaremos a seguir quais os principais documentos e órgãos que regem seu funcionamento. terá por objetivo a formação básica do cidadão. 10.424/96. a integração. A LDB. sendo ambos regidos pela Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Tendo visto como está estruturado o ensino básico no Brasil e quais são seus objetivos em cada fase da educação. Segundo o MEC.. IV . A lei estabeleceu que é um dever do Estado a extensão progressiva do ensino médio como parte do ensino obrigatório: O ensino médio. a lei do FUNDEF. que valoriza a autonomia. passou a integrá-la. estabelecendo a carga horária de aulas e a presença mínima CURPRO – 42 .172/2001. da tecnologia. como nós vimos.o fortalecimento dos vínculos de família. II .. 2002.) (CURY. a participação. p.

8. 2002). artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente. Lei n. a expedição de documentos escolares. 57: O Poder Público estimulará pesquisas. currículo. A discussão que levou à elaboração desses e de outros documentos não contou apenas com a presença do governo federal e do Conselho Nacional de Educação.069 de 13 de julho de 1990. destaca dois artigos: Art. deliberativas e assessora o Ministro da Educação. Essas metas estabelecidas de dez em dez anos visam aumentar o nível de escolarização da população. médio e superior (CURY. Ele realiza este trabalho junto com as Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior. didática e avaliação. 2002. O Plano Decenal de Educação Para Todos e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). além das disposições da Constituição Federal de 1988. dentre outros.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 10 que os educandos devem ter nelas. Art. Cury (2002). A Secretaria de Educação Básica (SEB) possui o Programa de Avaliação e Acompanhamento do PNE e dos Planos Decenais que lhes são correspondentes. tais como os governos estaduais. O Conselho Nacional de Educação (CNE) foi criado pela Lei nº 9. aumentar e melhorar a qualidade do ensino nos diversos níveis. as orientações para a promoção de série. no que diz respeito à importância do Estatuto para as crianças e adolescentes na educação. CURPRO – 43 . com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental. os quais avaliam o PNE. 58: No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais.131/95 e é responsável pelas atribuições do poder público federal no que diz respeito às questões educacionais. Ele prevê uma reavaliação das metas estabelecidas de cinco em cinco anos. Já o Plano Nacional de Educação estabelece metas que devem ser cumpridas em um período de dez anos por todos os níveis e fases da educação. Ele estabelece essas orientações para que os Estados e Municípios elaborem planos semelhantes compatíveis com as metas nacionais. os Conselhos Estaduais de Educação e seus fóruns. fundamental.189). também buscam reduzir as desigualdades sociais e regionais e também ampliar o acesso ao ensino infantil. fundamental. seriação. Todas as atividades e programas da SEB têm como objetivo alcançar as metas do PNE. experiências e novas propostas relativas a calendário. os conteúdos que devem ser ensinados etc. isto é. metodologia. sendo que A Câmara de Educação Básica tem como atribuições analisar e emitir pareceres sobre procedimentos e resultados de processos de avaliação da educação infantil. (CURY. mas de outros lugares também responsáveis pela política educacional do país. p. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura. ele exerce atividades normativas. também exerceram forte influência no foco de ação adotado por esses importantes documentos. profissional e especial. média.

não estabelecia conteúdos mínimos e obrigatórios. Assim. 2002). Elas servem para orientar o planejamento curricular dos estabelecimentos de ensino. (MENEZES. elas estabelecem metas a serem cumpridas e objetivos a serem alcançados em cada curso.131/95 aponta CURPRO – 44 . e também não era uma proposta de diretrizes para o Ensino Fundamental. que nortearão os currículos e os seus conteúdos mínimos. visando promover no estudante a capacidade de desenvolvimento intelectual e profissional autônomo e permanente.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 10 deliberar sobre diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação. Para entender melhor o papel do Conselho Nacional de Educação nessa estrutura. 210 da Constituição: “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental. buscou cumprir com os PCNs o que pede o art.” Todavia. por meio da Secretaria de Educação Fundamental (SEF/MEC). de modo a assegurar a formação básica comum (MENEZES. de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos. o ensino fundamental e o ensino médio. isto é. Diretrizes Curriculares Nacionais As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são normas obrigatórias para a Educação Básica estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. 2002). bem como também buscava cumprir as diretrizes do Plano Decenal. O MEC. e uma vez que a Lei n. tendo em vista que havia a necessidade de obrigatoriedade para a formação básica comum estabelecida pelo art. SANTOS. apesar da grande contribuição para a elaboração dos currículos e para o ensino. Diz o art. em colaboração com os Estados. 9. o texto enviado ao Conselho Nacional de Educação. não leis. competências e diretrizes para a educação infantil. e acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação (MEC). campo do saber ou profissão. enquanto os PCNs são apenas referências curriculares. O CNE estabelece que as diretrizes curriculares contemplam elementos de fundamentação essencial em cada área do conhecimento. 210 da CF/88. vem a propósito explicar o que são as Diretrizes Curriculares Nacionais. SANTOS. Distrito Federal e os Municípios. nacionais e regionais. 210 de Constituição Federal (CF/88). que aponta como incumbência da União estabelecer. Elas se originaram da LDB. As DCNs são diferentes dos PCNs porque são leis.

CURPRO – 45 . Disponível em: <http://portal.394. 2008. p.br/seb/index.23. Campinas.mec. REFERÊNCIAS CURY. dos. v. Acesso em: 27 out. respeitando suas particularidades locais. de 20 de dezembro de 1996. 2002. p. Disponível em: <http://portal. sempre tendo em vista a democratização da educação. contudo. A educação básica no Brasil. 2008. mas permitem com que eles o façam da maneira mais apropriada. MEC.pdf>.gov. Neste sentido. a Câmara de Educação Básica (. In: <http://portal. já que os textos enviados não continham expressamente uma proposição de diretrizes tal como determina a Lei n.asp?id=96>. Disponível em: <http://portal. 2002.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 10 que é tarefa das Câmaras de Educação Superior e de Educação Básica deliberar sobre as diretrizes propostas pelo MEC.mec.educabrasil.gov. Acesso em: 27 out. Disponível em: <http://www. MENEZES. R. MEC. bem como de sua proposta pedagógica. São Paulo: Midiamix Editora.gov. As DCNs. 9.br/seb/index. C. os Parâmetros Curriculares Nacionais são utilizados para enriquecer o que propõem as diretrizes.168-200. Educação & Sociedade. T. Sob esses princípios.. Acesso em: 27 out. n. 2008.mec. A educação básica no Brasil. Acesso em: 27 out.php?option=co ntent&task=view&id=182&Itemid=570>. Acesso em 27 out.php?o ption=content&task=view&id=715&Itemid=864>. E.br/seb/index. Ensino médio. H.com. LEI n.) buscou exercer sua função deliberativa em obediência aos princípios constitucionais e à legislação pertinente. (CURY.php?option=content& task=view&id=391&Itemid=375>.gov. 2008.. J. respeitam a questão da autonomia da escola.br/seed/arquivos/pdf/ tvescola/leis/lein9394.mec. Elas incentivam os estabelecimentos escolares a elaborar seus currículos de acordo com o que elas propõem. SANTOS.php?option=conte nt&task=view&id=180&Itemid=218>. a Câmara buscou também depreender diretrizes implícitas ou explícitas nos PCNs e na exposição de motivos quando do envio dos Parâmetros ao Conselho.mec. Educação infantil. DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais). Disponível em: <http://portal. Dicionário ida educação brasileira – EducaBrasil.191). MEC. 2002.T.. Ensino fundamental.gov.br/eb/dic/dicionario. MEC. de.br/seb/index.80. 2008. 2008. Acesso em: 24 out. 9.131/95.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 10 ANOTAÇÕES CURPRO – 46 .

2 da CNE/CEB nº 2. com mais detalhes. ou seja. os Estados e os Municípios (através dos Conselhos e Secretarias de Educação). TEXTO Tendo estudado nas unidades anteriores como está organizado e como funciona o ensino básico no Brasil.) o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. nós estudaremos agora. cabe à Câmara de Educação Básica do CNE. defende o trabalho conjunto e a partilha de responsabilidades de todos aqueles envolvidos no processo para se atingir essas metas. de acordo com dispõe a CURPRO – 47 . 2. Essa organização. a discussão e o princípio de colaboração da República Federativa do Brasil impedem que o caminho para se alcançar as metas estabelecidas para a educação nacional seja fechado e pronto. expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental As Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental foram instituídas pela Resolução CNE/CEB n. O Estado brasileiro. O art. que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino na organização. exige um diálogo articulado entre a União. as formas mais apropriadas para cumprir os objetivos da educação nacional. por meio do consenso e respeito aos campos de atuação de cada parceiro. federativo e baseado na noção de colaboração.. quais são as diretrizes curriculares para o ensino fundamental. 2º conceitua as Diretrizes Curriculares Nacionais como: (. portanto. de 7 de abril de 1998). Neste sentido.CURRÍCULOS E PROGRAMAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL ATIVIDADE 11 OBJETIVO Aprender os principais aspectos das diretrizes curriculares nacionais para o ensino fundamental e para a educação especial. articulação. fundamentos e procedimento da educação básica. além de prepará-la para um exercício consciente de sua cidadania e de qualificá-la para o trabalho. desenvolvimento e avaliação de suas propostas pedagógicas (Art. no sentido de definir prazos e ações para a realização das políticas educacionais vigentes. buscam garantir uma educação que promova o desenvolvimento da pessoa no seu sentido pleno.. Tais objetivos. o Distrito Federal. como já vimos. Todavia. de 7 de abril de 1998. parte do pressuposto de que os entes federados buscam.

Segundo o Parecer CNE/CBE n. b) os princípios dos direitos e deveres da cidadania.) Ao trabalhar a relação inseparável entre conhecimento.As escolas deverão estabelecer como norteadores de suas ações pedagógicas: a) os princípios éticos da autonomia. a propósito do item c. de 29 de janeiro de 1998. através da relação entre a base nacional comum e a parte diversificada do currículo. (. as equipes docentes deverão ter a sensibilidade de integrar estes asCURPRO – 48 . 4. p. enquanto o “exercício da criticidade estimulará a dúvida construtiva. na formulação de julgamentos. pois eles despertam nos educandos a busca por justiça. uma valorização das riquezas da cultura brasileira nos seus diversos modos de ser. o que pressupõe o exercício de suas “funções normativas e de supervisão” (Lei 9. sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. da responsabilidade. esses princípios deverão fundamentar as práticas pedagógicas escolares porque é através da prática da autonomia. da solidariedade e do respeito ao bem comum. da responsabilidade. O mesmo ocorre em relação ao item b. c) os princípios estéticos da sensibilidade. do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática.4). igualdade e felicidade. da solidariedade e do respeito ao bem comum que a ética passa a fazer parte da vida cidadã dos alunos. tanto no sentido individual quanto coletivo. o mesmo parecer aponta.. Os incisos II e III das DCNs para o ensino fundamental estabelecem como diretrizes o respeito às identidades pessoais de todos os membros da escola (alunos. 4.. Ele estabelece como diretriz. agir e expressar-se (PARECER CNE/CBE n. linguagem e afetos.131/95). da criatividade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais. de 29 de janeiro de 1998. a análise de padrões em que direitos e deveres devam ser considerados. cumprir com suas atribuições. 3º das DCNs.” Além disto. A questão dos conhecimentos contextualizados e significativos ainda são reforçados pelo inciso IV do art. Assim.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 11 Constituição Federal e a LDB. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação prevêem no seu art. 3º que: I . professores e funcionários) e a relação entre essas diversas identidades na produção de conhecimentos contextualizados e significativos. correlações entre os conteúdos das áreas de conhecimento e o universo de valores e modos de vida de seus alunos.

por fim. 3º da Resolução CNE/CBE n. de 29 de janeiro de 1998. a ciência e a tecnologia. Língua Materna (para populações indígenas e migrantes). de 11 de setembro de 2001). O inciso VII do art. Nesse sentido. como já estudamos). 33 da Lei 9.6). Os incisos V e VI do mesmo artigo reforçam essa relação entre base nacional comum e parte diversificada e entre aspectos da vida cidadã com os conteúdos mínimos das diversas áreas do conhecimento. 2. o trabalho. suplementar e. 4. 3 da Resolução CNE/CBE n. (PARECER CNE/CBE n. pois os alunos. em alguns casos. educação especial é um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais. de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais. 2. 3º aponta. que professores e direção devem trabalhar de forma cooperativa nas escolas para garantir a execução. o meio ambiente. Inciso V da Resolução CNE/CBE n. Educação Artística. Língua Estrangeira. 3º. 3º. Matemática. dentro da perspectiva e da riqueza da diversidade da grande nação brasileira. como previsto no art. essa diretriz estabelece que as propostas pedagógicas devem articular aspectos da vida cidadã. Educação Física e Educação Religiosa (na forma do art.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 11 pectos do comportamento humano. capazes de serem protagonistas de ações responsáveis. estarão também constituindo sua identidade como cidadãos. às suas famílias e às comunidades (art. discutindo-os e comparando-os numa atitude crítica. a vida familiar e social. de 11 de setembro de 2001. p. tais como: a saúde. de 11 de setembro de 2001). Ciências. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica Segundo o art. 2. construtiva e solidária. de 20 de dezembro de 1996. organizados institucionalmente para apoiar. a sexualidade. ao aprenderem os conhecimentos e valores da base nacional comum e da parte diversificada. solidárias e autônomas em relação a si próprios. História. em todas as etapas e modalidades da educação básica (ART. inciso I. a cultura e as linguagens.394. complementar. que instituiu as diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. CURPRO – 49 . substituir os serviços educacionais comuns. avaliação e melhoria e aperfeiçoamento dos planos educacionais. com as áreas do conhecimento: Língua Portuguesa. Geografia. da LDB.

que esses alunos serão atendidos em escolas especiais. 8º. Segundo inciso II do art. bem como suas faixas etárias. Essas escolas. em outras palavras. 9º. o art. conforme dispõe o art. 10º ainda prevê que se essas dificuldades forem demasiado acentuadas de maneira que a escola comum não consiga provê-las. permite a criação de classes especiais em caráter extraordinário e transitório. O art. Todos os alunos com necessidades educacionais especiais devem ser atendidos em classes comuns do ensino regular.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 11 Nesse sentido. dentro do princípio de educar para a diversidade”. política e econômica. tal como qualquer outro estabelecimento de ensino. sejam elas públicas ou privadas. O art. políticos e estéticos que assegurem a dignidade humana. ajustar os currículos às condições dos educandos e ao que está disposto no capítulo II da LDB. e o seu desenvolvimento para a capacidade de participação social. em consonância com o Capítulo II da LDB. todavia. o uso de equipamentos e materiais específicos e serviço de apoio pedagógico com profissionais especializados. facilidade exacerbada de aprendizagem. dificuldades de comunicação e/ou comunicação diferenciada dos demais alunos. 8º ainda prevê flexibilização curricular. As diretrizes nacionais para a educação especial ainda recomendam uma parceria entre escolas e instituições de ensino superior para a realização de pesquisas CURPRO – 50 . A partir do desenvolvimento do aluno e da avaliação da equipe pedagógica da escola. O art. e que ela deve se pautar por princípios éticos. devem cumprir todas as exigências legais para seu funcionamento. seu desenvolvimento para o exercício da cidadania. e que esse atendimento deve ser complementado por serviços das áreas de saúde e assistência social. 7º. para os educandos que apresentarem “dificuldades acentuadas de aprendizagem ou condições de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos e [que] demandem ajudas e apoios intensos e contínuos. a distribuição desses alunos pelas várias classes e séries tem como objetivo fazer com que as classes comuns “se beneficiem das diferenças e ampliem positivamente as experiências de todos os alunos. o aluno poderá ser transferido para o ensino regular. juntamente com a família. 5º considera como educandos com necessidades especiais aqueles que apresentarem durante o processo educacional: grandes dificuldades ou limitações de aprendizagem que impeçam o acompanhamento das atividades curriculares. a identidade própria do educando através do reconhecimento e valorização de suas diferenças e potencialidades.” O art. 4º prevê que a educação especial deve considerar as características biopsicossociais dos educandos. mas devem. seja qual for a etapa ou modalidade da educação básica.

e. no intuito de aperfeiçoar o processo educativo desses alunos (art. 16 da Resolução CNE/CBE n. através do estabelecimento de parcerias com escolas de educação profissional. dos Estados. de 11 de setembro de 2001). 17 prevê uma colaboração dos estabelecimentos de ensino no sentido de encaminhar os alunos da educação especial para o trabalho. CURPRO – 51 .mec. bem como o encaminhamento devido para a educação de jovens e adultos e para a educação profissional (art. das normas complementares e das políticas educacionais (arts. viabilizar ao aluno com grave deficiência mental ou múltipla que não apresentar resultados de escolarização previstos no inciso I do artigo 32 da mesma lei. 2008. e que nesse processo de implantação das diretrizes por parte dos estabelecimentos de ensino. esgotadas as possibilidades pontuadas nos artigos 24 e 26 da LDBEN. 2. 11). fica a cargo das instâncias educacionais da União. 16 aponta que É facultado às instituições de ensino. do Distrito Federal e dos Municípios. Em relação aos alunos impossibilitados de ir às aulas por conta de tratamento de saúde que exija internação hospitalar. todas as diretrizes da educação especial também se estendem para todas as etapas e modalidades da educação básica.br/cne/index. de forma descritiva. no que diz respeito à impossibilidade das instituições de ensino cumprirem seu papel. o art. Acesso em: 29 out. REFERÊNCIAS PARECER CNE/CEB n. Disponível em: http://portal. 4. atendimento ambulatorial ou permanência em domicílio. visando facilitar a mobilidade interna e a melhoria das barreiras comunicativas. de 29 de janeiro de 1998 (Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental). por meio do regime de colaboração. com histórico escolar que apresente. terminalidade específica do ensino fundamental. igualmente. 2. em consonância com a defesa de uma educação inclusiva.gov. de 11 de setembro de 2001). o estabelecimento de referenciais.php?option=com_c ontent&task=view&id=499&Itemid=522. o que também abarca a questão do transporte desses alunos (art. por meio da certificação de conclusão de escolaridade. 19 e 20 da Resolução CNE/CBE n. o art. Nas suas considerações finais. as competências desenvolvidas pelo educando. 12). recomenda intervenções nas instalações físicas da escola. 13 prevê que deve haver uma ação integrada entre sistema de ensino e saúde para garantir o direito de ensino ao educando. Ainda.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 11 sobre o processo de ensino e aprendizagem dos alunos com necessidades especiais. as diretrizes determinam que todas as etapas e modalidades da educação básica devem se estender para a educação especial e que. o art.

Disponível em: http://portal. de 7 de abril de 1998 (Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental).gov. php?option=com_content&task=view&id=499&Itemid=522.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 11 PARECER CNE/CEB n. 6. RESOLUÇÃO CNE/CEB n. Acesso em: 29 out 2008.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.gov. ANOTAÇÕES CURPRO – 52 .mec. 2. aprovado em 8 de junho de 2005 (Reexame do Parecer CNE/ CEB 24/2004.br/cne/index.2008. pdf>. In: <http://portal.mec. de 11 de setembro de 2001 (Institui diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica).br/cne/index. RESOLUÇÃO CNE/CBE n. que visa o estabelecimento de normas nacionais para a ampliação do ensino fundamental para nove anos de duração). 2. Acesso em: 29 out. Disponível em : http://portal. Acesso em: 29 out 2008. php?option=com_content&task=view&id=499&Itemid=522.mec.

das letras e das artes na transformação da sociedade e da cultura. dos direitos e deveres dos cidadãos e do respeito ao bem comum e à ordem democrática. 4º). respeitadas suas formas de representação. o financiamento da educação e do suporte necessário para sua realização serão garantidos pelo governo. TEXTO As diretrizes curriculares para o ensino médio foram instituídas pela Resolução CEB n. religiosas etc. permite a elaboração de material pedagógico diferenciado. instituídas pela Resolução n. 2º. 3. 3. ter domínio dos princípios e fundamentos científico-tecnológicos que presidem a produção moderna de bens. 1. 12 e 13 da Resolução n. desenvolvendo sua capacidade de aprender e continuar aprendendo. serviços e conhecimentos. adquirir competência no uso do língua portuguesa e estrangeira. e têm como finalidades: promover a autonomia intelectual e o pensamento crítico do aluno. a formação de professores oriundos da própria comunidade. de 3 de fevereiro de 2005 alterou os arts. Vale lembrar que a Resolução n. dos grupos. o qual determina que: “A escola indígena será criada em atendimento à reivindicação ou por iniciativa de comunidade interessada. Tudo isso através da valorização do social. (art. sociais. 1. bem como através da valorização de princípios que fortaleçam os vínculos familiares. de 10 de novembro de 1999.CURRÍCULOS E PROGRAMAS SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADE 12 OBJETIVO Revisar os principais pontos dos conteúdos estudados. compreender o significado das ciências. ou com a anuência da mesma. No que diz respeito às diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas. de 17 de junho de 2004 e visam promover uma educação que forme cidadãos atuantes e conscientes no interior da sociedade multicultural e plural e étnica que é a sociedade brasileira. de 26 de junho de 1998. 3. saber os significados socialmente construídos sobre o mundo físico e natural e sobre a realidade social e política. no que diz respeito à educação profissional e à educação técnica de nível médio. os laços de solidariedade e tolerância recíproca (art. Tudo isso respeitando o parágrafo único do art.” Já as diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnicoraciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana foram instituídas pela Resolução n. bem como a participação do povo indígena na elaboração dos planos curriculares e na gestão do estabelecimento escolar entre outras coisas. o calendário de atividades pode ser flexibilizado de acordo com as particularidades culturais. 2º). de 26 de junho de 1998. CURPRO – 53 . em particular a brasileira. constituindo relações étnico-sociais positivas que promovam a construção de uma nação democrática. é previsto que: serão ministrados saberes da base nacional comum mas que o ensino será ministrado nas línguas maternas das comunidades.

Todos esses elementos poderão ser organizados de duas maneiras: através do currículo fechado que é mais centralizador. É a elas que se deve recorrer depois de estabelecido: o que ensinar. ANOTAÇÕES CURPRO – 54 . quando ensinar. consultadas todas as fontes necessárias e tomadas as decisões em torno do que ensinar. como ensinar e como avaliar – estes são. nas escolas. estamos munidos de todos os elementos necessários para a sistematização das informações que formam o currículo e que vão reger as atividades da escola. quando ensinar e como avaliar. como ensinar. Tendo sido estabelecido o objetivo ou objetivos que se pretende alcançar.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 12 Esses aspectos legais somados às informações da sociologia. ou através do currículo aberto. Elas servem como base para ajudar a concretizar. da epistemologia e da psicologia constituem as fontes da elaboração de um currículo. que é mais flexível. aquilo que se pretende com a educação. os quatro componentes do currículo. portanto.

As diretrizes dispõem que todos os aspectos e procedimentos envolvidos na implementação da política educacional e dos currículos deverão ser coerentes com princípios estéticos. o art.constituição de significados socialmente construídos e reconhecidos CURPRO – 55 . social. a afetividade e a boa convivência com o imprevisível e com a diversidade. 3º). para a educação indígena.3.desenvolvimento da capacidade de aprender e continuar aprendendo. os currículos escolares deverão ser orientados pelos valores apresentados na Lei n. para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana A Resolução CEB n. 9. bem como os valores que fortaleçam os vínculos familiares. Assim. de 26 de junho de 1998 instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). a ética da identidade. a política da igualdade. para a educação indígena. de modo a ser capaz de prosseguir os estudos e de adaptar-se com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento. políticos e éticos que venham a abranger: a estética da sensibilidade. que deverá estimular a criatividade. da autonomia intelectual e do pensamento crítico. através da valorização da solidariedade. bem como deve valorizar as formas lúdicas e alegóricas de conhecer o mundo. os direitos e deveres dos cidadãos e o respeito ao bem comum e à ordem democrática. 2º). II . Segundo esta resolução. os laços de solidariedade e tolerância recíproca (art. TEXTO Diretrizes curriculares para o ensino médio. do respeito e da reciprocidade na vida profissional. que deve estimular o respeito e acolhimento de outras identidades.394: os princípios que valorizem o interesse social. para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. civil e pessoal (art. que deve estimular o reconhecimento dos direitos humanos e dos direitos e deveres cidadania. 4º aponta as finalidades do ensino médio estabelecidas por lei: I .CURRÍCULOS E PROGRAMAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO MÉDIO ATIVIDADE 13 OBJETIVO Aprender os principais aspectos das diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio.

que devem promover conhecimentos que permitam aos educandos refletir sobre a origem e transformações dos diversos aspectos da sociedade e grupos humanos. IV . sobre a realidade social e política. III . Ciências humanas e suas tecnologias.domínio dos princípios e fundamentos científico-tecnológicos que presidem a produção moderna de bens.competência no uso da língua portuguesa. 7º). de modo a possuir as competências e habilidades necessárias ao exercício da cidadania e do trabalho. CURPRO – 56 . confrontar. das línguas estrangeiras e outras linguagens contemporâneas como instrumentos de comunicação e como processos de constituição de conhecimento e de exercício de cidadania. expressão. 10º). A base nacional comum dos currículos deverão ser organizadas em áreas do conhecimento: Linguagens. o da diversidade e autonomia (art. códigos e suas tecnologias.”. que devem promover o conhecimento da relação entre ciência e tecnologia com o cotidiano das pessoas e com as transformações das sociedades. que devem promover competências e habilidades que permitam compreender. matemática e suas tecnologias. bem como deve promover competências e habilidades que levem à compreensão dos aspectos afetivos.compreensão do significado das ciências. Ciências da natureza. art. e culturais que constituem as identidades dessas sociedades e grupos (art. 8º) e o da contextualização (art. 6º das diretrizes. comunicação e informação. o da interdisciplinaridade (art. relações e abrangência dos diversos sistemas simbólicos e das diferentes linguagens “como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados. de modo a ser capaz de relacionar a teoria com a prática e o desenvolvimento da flexibilidade para novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. entender os impactos. serviços e conhecimentos. tanto em seus produtos como em seus processos. os princípios da identidade (Inciso III. V . Nesse sentido.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 13 como verdadeiros sobre o mundo físico e natural. das letras e das artes e do processo de transformação da sociedade e da cultura. 3º). conforme aponta o art. em especial as do Brasil. sociais. deverão ser adotados como estruturadores de todos os currículos do ensino médio. 9º).

nas modalidades regular ou de educação de jovens e adultos e praticar a carga horária mínima exigida pela respectiva habilitação profissional. diversificação. as cargas horárias mínimas serão ampliadas da seguinte maneira: “3. O art.200 horas.” (art. desdobramento. 11).100 horas para aquelas que exigem mínimo de 1.400 horas estabelecidas por lei como carga horária para o ensino médio (art. de 26 de junho de 1998. de 10 de novembro de 1999. conforme disposto no art.” (art. de 3 de fevereiro de 2005 alterou os arts. e que a base nacional comum deve compreender 75% das 2. segundo a correspondente área profissional. é estabelecido que quando o curso for integrado. de “Educação profissional de nível tecnológico” para “Educação profissional tecnológica. 5. A Resolução n. 1.200 horas. Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação indígena A Resolução n.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 13 As diretrizes ainda estabelecem que a base nacional e a parte diversificada dos currículos devem ser organicamente integradas por contextualização e por complementação. 4º). em instituições distintas. dispõe que serão elementos básicos para sua organização e funcionamento: a localização em terras habitadas por CURPRO – 57 . no que diz respeito aos cursos concomitantes e subseqüentes é previsto que deverá se considerar a carga horária total do ensino médio. 3º. de graduação e de pós-graduação”.000 ou 1. 5º). Nesse sentido. que estabelece as diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas. e que eles devem ser “submetidos à devida aprovação dos órgãos próprios do respectivo sistema de ensino. (art. Dessa forma. As nomenclaturas dos cursos também foram alteradas: de “Educação profissional de nível básico” para “Formação inicial e continuada de trabalhadores”. na qual ambas ocorrem na mesma escola.000 horas para as habilitações profissionais que exigem mínimo de 800 horas.154/2004. concomitante. de acordo com as disposições do Decreto n. da ordem de 800. entre outras formas de integração. atualizando as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação para o ensino médio e para a educação profissional e técnica de nível médio.000 horas e 3. 12 e 13 da Resolução n. enriquecimento. de “Educação profissional de nível técnico” para “Educação profissional técnica de nível médio”. 3. subseqüente.200 horas para aquelas que exigem mínimo de 1. 6º). 12 que a articulação entre educação profissional técnica de nível médio e o ensino médio deverá ter três formas: integrada. foi incluído no art. 1. 3. para aquele que já tenham concluído o ensino médio. 4º da nova Resolução ainda prevê que na situação em que o ensino médio e o técnico sejam integrados ou concomitantes os planos de curso técnico de nível médio deverão ter “projetos pedagógicos específicos contemplando essa situação”. de 3. Todavia.

Elas se constituem de orientações. V – a participação da respectiva comunidade ou povo indígena. sociais. 5º). o art. financeiro e pedagógico em colaboração com os Estados e os Conselhos Estaduais de educação. o art. em cada situação. 9º garante o apoio técnico. o § 2º do art. 5º prevê que ele deverá ter por base: I – as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) referentes a cada etapa da educação básica. respeitadas suas formas de representação. ressaltando que ela será específica e que ela “será exercida prioritariamente por professores indígenas oriundos da respectiva etnia. O parágrafo único do art. enquanto o art. Assim. 7º e 8º tratam da questão da formação de professores para as escolas indígenas. respeitando as particularidades econômicas. (art. 2º ainda determina que “A escola indígena será criada em atendimento à reivindicação ou por iniciativa de comunidade interessada. 1. II – as características próprias das escolas indígenas. III . No que diz respeito à elaboração do projeto pedagógico. 2º determina que O ensino de história e cultura afro-brasileira e africana tem por objetivo CURPRO – 58 .CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 13 comunidades indígenas. 6º. o ensino na língua materna da comunidade atendida e uma organização escolar própria. Sendo que o art. em respeito à especificidade étnico-cultural de cada povo ou comunidade. IV – os conteúdos curriculares especificamente indígenas e os modos próprios de constituição do saber e da cultura indígena. princípios e fundamentos que têm por objetivo promover uma educação que forme cidadãos atuantes e conscientes no interior da sociedade multicultural e pluriétnica que é a sociedade brasileira. Os arts. 3º aponta que deverá ser considerada a participação da comunidade na organização e gestão da mesma. de 17 de junho de 2004.as realidades sociolingüísticas. 4º aponta certas prerrogativas que permitem a possibilidade de atividades escolares independentes do calendário civil e também uma duração diversificada dos períodos escolares.” (art.” No que diz respeito à organização própria das escolas indígenas. ou com a anuência da mesma. Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações étnicoraciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana As Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações étnicoraciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana foram instituídas pela Resolução n. culturais e religiosas das comunidades. visando estabelecer relações étnico-sociais positivas que promovam a construção de nação democrática. a exclusividade do atendimento a povos indígenas. 8º).

2º.gov. 1. RESOLUÇÃO CNE n.gov. asiáticas.gov. Disponível em: <http://portal. de 26 de junho de 1998 (Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino médio). atitudes e valores que serão estabelecidos pelas diversas instituições de ensino e seus professores. Disponível em: <http://portal. 4º prevê a possibilidade de canais de comunicação entre as escolas e os grupos do movimento negro. das entidades mantenedoras e das coordenações pedagógicas. Disponível em: <http://portal. 5º.br/cne/arquivos/pdf/ rceb03_98. bem como a garantia de reconhecimento e igualdade de valorização das raízes africanas da nação brasileira. 5º e 7º ainda garantem o apoio financeiro. Acesso em: 31 out.gov. de 3 de fevereiro de 2005 (Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação para o ensino médio e para a educação profissional técnica de nível médio às disposições do Decreto n.). escolas e núcleos de estudos e pesquisas etc.).pdf>. e contarão com o apoio e supervisão dos sistemas de ensino.pdf>. ao lado das indígenas..pdf>. mec. Acesso em: 31 out. Neste sentido. RESOLUÇÃO CNE/CEB n.br/cne/arquivos/pdf/CEB0399. 3. história e cultura dos afro-brasileiros. de 17 de junho de 2004 (Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. o art. 2008. Disponível em: <http://portal. valorize e respeite a diversidade.mec. 2008. No que diz respeito ao objetivo de promover relações étnico-sociais positivas para a construção de uma nação democrática. Dessa forma. Acesso em: 31 out. Tal ensino. os arts.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 13 o reconhecimento e valorização da identidade. conforme prevê o art. REFERÊNCIAS RESOLUÇÃO CNE/CEB n. 5. 6º é bastante claro ao estabelecer que os estabelecimentos de ensino serão responsáveis por verificar e encaminhar soluções para casos de discriminação.e o art. material e pedagógico. 1. no intuito de buscar embasamento e traçar experiências para a melhoria desse ensino. Acesso em: 31 out. CURPRO – 59 . 3º. § 2º). no seu parágrafo único. européias.mec. 2008. de 10 de novembro de 1999 (Fixa as diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas e dá outras providências.pdf>.br/cne/arquivos/pdf/rceb001_05. (art.).154/2004.mec. é determinado que “Os casos que caracterizem racismo serão tratados como crimes imprescritíveis e inafiançáveis. 3. segundo o art. (art. RESOLUÇÃO CNE/CEB n. 2008. visando garantir uma educação que reconheça. competências. XLII da Constituição Federal de 1988. 6º. § único).br/cne/arquivos/pdf/res012004. deverá ser desenvolvido através de conteúdos.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 13 ANOTAÇÕES CURPRO – 60 .

Este item é muito importante porque. normas. a serem aprendidos e 2) os objetivos. O segundo elemento são as informações sobre quando ensinar. habilidades.” (MENEGOLLA.21). à medida que existem objetivos a serem cumpridos vai constatar se ações pedagógicas estão respondendo de forma adequada a eles e. bem como deve partir também de uma análise das particularidades locais da comunidade escolar. p. estando todos eles relacionados entre si e também se condicionando. SANT’ANNA. TEXTO Os componentes do currículo O currículo possui quatro componentes. como e quando avaliar: “O planejamento deve ser constantemente avaliado e reavaliado. portanto.CURRÍCULOS E PROGRAMAS PLANEJANDO UM CURRÍCULO ATIVIDADE 14 OBJETIVO Aprender como elaborar um currículo.44-45). versa sobre o que será feito para se atingir os objetivos propostos para os conteúdos que foram escolhidos. optar por uma determinada seqüência de ação. Esse primeiro componente deriva daquilo que a sociedade acredita que seja o conhecimento legítimo e necessário a ser aprendido pelo estudante. visando promover um conhecimento mais próximo da realidade da qual faz parte e de suas necessidades. O terceiro componente abrange as orientações sobre como ensinar. os conceitos. para se poder observar a concordância ou discordância entre os seus elementos constitutivos. “A educação formal abrange. CURPRO – 61 . que constituem aquilo que se deseja promover ou facilitar através do ensino.” (COLL. O primeiro desses elementos é o que ensinar. Em síntese. o primeiro deles diz respeito às intenções e os outros três cobrem o plano a ser seguido para se alcançar essas intenções. Ele se desdobra em dois outros aspectos: 1) os conteúdos. p. 1996. isto é. sendo necessário. é ele quem vai apontar as correções necessárias para que essas ações ocorram da forma como se deseja. valores etc. Aqui se encontram as orientações sobre quais as maneiras de ordenar e dar seqüência aos conteúdos e seus respectivos objetivos. isto é. conteúdos complexos e inter-relacionados e pretende incidir sobre diversos aspectos do crescimento pessoal do aluno. Já o quarto elemento trata do que. 2006. com efeito. caso isto não esteja acontecendo.

A análise epistemológica. normas etc. estadual. administrativas e institucionais. valores. isto é. existem outras fontes de informações também imprescindíveis nessa atividade: a sociologia. comunitário. isto é. Para a elaboração do currículo é preciso. habilidades. Legislações etc. Esse projeto abarca duas dimensões: a das intenções. p. Por conta disso. Este aspecto também tem grande importância porque é ele que ajuda a levantar as particularidades das comunidades escolares no sentido de promover um ensino mais próximo de suas necessidades. culturais e administrativas. além de apontar os fatores que exercem influência sobre eles. organizada por um conjunto de normas que ordenam e orientam as experiências que todos os envolvidos nesse projeto têm ou possam ter (FERNANDES. em primeiro lugar. bem como um agente de criação de novas formas culturais. sociais. Propostas Curriculares Estaduais e Municipais. ter um conhecimento bastante preciso e amplo de todas as diretrizes legais e teóricas da realidade na qual a escola está inserida: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. aquilo que a escola “deseja ser”. Mas onde encontramos as informações necessárias para definir essas intenções e os caminhos que elas precisam percorrer para se concretizar? O projeto curricular só se realiza dentro de determinadas condições políticas. em nível da própria escola e mesmo um planejamento específico de ensino. que o aluno deve aprender para se tornar um membro ativo na sociedade. Além disso. há planejamento em diversos níveis: nacional. uma vez que a escola ela própria é uma instituição. Assim. Ela vai ter ou deixar de ter determinadas características dependendo das condições nas quais esteja constituída. Diretrizes Curriculares Nacionais.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 14 Fontes do currículo A escola é condicionada por questões políticas. ou seja. a análise das áreas do conhecimento e da estruturação dos seus conteúdos de ensino ajuda na distribuição de saberes essenciais e secundários visando estabelecer uma coerência e relação entre eles. a psicologia e a epistemologia. CURPRO – 62 . 2000. contribuindo assim para o planejamento de ações pedagógicas mais eficazes. esse desejo do “querer ser” no seu processo de realização. e a da prática. A análise sociológica permite determinar os conhecimentos. Já a análise psicológica ajuda a entender como funcionam os processos de aprendizagem e de crescimento pessoal do estudante. o currículo é um projeto para a instituição escolar. regional.22).

à medida que há certos conhecimentos mínimos que precisam ser aprendidos e certo ritmo para sua aprendizagem.61-62). os conteúdos e as maneiras como eles serão ministrados pelo professor. estamos munidos de todos os elementos necessários para a sistematização das informações que formam o currículo. Uma vez que um projeto curricular não surge do nada. em geral. Já o currículo aberto valoriza mais as particularidades sociais e culturais do local onde será desenvolvido. p. Esse tipo de currículo preza pelo processo de aprendizagem antes do que pelo resultado da aprendizagem e aqueles que elaboram o programa e aqueles que o executam. enquanto o aberto garante o respeito às especificidades individuais dos estudantes e da comunidade escolar. pois não há espaço para suas particularidades. É possível acrescentar ainda uma quarta análise: a própria experiência pedagógica.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 14 além de estabelecer a seqüência em que devem ser aprendidos para que possam ter maior aproveitamento (COLL. pois apenas eles saberão qual a solução mais adequada às suas necessidades. 2006. estabelecendo com detalhes os objetivos. quem elabora o programa e quem o realiza são pessoas diferentes. e a produção de conhecimento se dá por meio de um processo linear e cumulativo. há uma valorização do resultado da aprendizagem e. Elaborando um currículo Tendo sido estabelecido o objetivo ou objetivos que se pretende alcançar. estando sempre aberto para influências externas e em um contínuo processo de revisão e reorganização. pois permitem o enriquecimento do projeto curricular. consultadas todas as fontes necessárias e tomadas as decisões em torno do que ensinar. Aqui. CURPRO – 63 . Tudo é previamente estabelecido. A decisão. Ele aponta que o currículo fechado expressa uma visão centralizadora do ensino. quando ensinar e como avaliar. a avaliação e revisão contínua do currículo são deveras importantes.48). depende da participação de todos os envolvidos nesse processo. como ensinar. no entanto. bem como estimula uma postura mais ativa dos professores e dos alunos. se confundem. Tipos de currículo Segundo Wickens (apud COLL. existem basicamente dois tipos de currículo: o fechado e o aberto. a opção mais viável talvez seja uma mistura de um com o outro. em geral. Isto porque o primeiro garante certa homogeneização. Tendo em vista os caminhos extremos que cada um deles segue. todos os alunos devem aprender da mesma maneira. 2006. p.

Através do desempenho da escola.. recursos físicos. de seus resultados e do rendimento escolar dos alunos são realizadas a 1 Nessa parte da exposição seguimos. tempo de duração das aulas etc.). endereço. poderão ser atendidas. se haverá utilização dos sábados. Descrição de todas as características da escola: número de alunos. por quem. e-mail etc. 2. teorias.. abordagens. os meios que serão utilizados.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 14 O plano curricular.123-126). distribuição das classes por turnos. 8. Nome do colégio. caracterização da escola. Descrição da forma como essas duas esferas interagem e da maneira como elas se influenciam. é organizado da seguinte maneira1: Dados de identificação da escola. p. se os cursos são organizados como sendo anuais ou semestrais. bem como as atribuições das pessoas que trabalham nesses setores. filosofia etc. como elas serão desenvolvidas. o texto de Menegolla e Sant’Anna (1996. 11. b) disposições sobre o regime escolar: duração do ano letivo em dias e carga horária. seus objetivos. técnicas etc. valores. 4. caracterização da comunidade. além de: 1. horários de funcionamento dos turnos. critérios de avaliação. Descrição da comunidade a qual pertence à escola. caracterização da relação escola-comunidade. número de turnos e duração. tempo previsto para a execução e cronogramas (ex: métodos. 10. discriminação das necessidades/Identificação de problemas. 7. conceitos. 6. calendário escolar. em grande medida. c) aponta as atividades que serão desenvolvidas para a realização dos objetivos da escola. estrutura do funcionamento da escola. Constam todas as funções dos setores que compõem a escola. de fato. 5. programação: a) quadros de organização curricular (disciplinas com seus respectivos conteúdos). Apontamento de todas as necessidades e problemas visando mostrar quais são as prioridades e as que. organograma da escola. sob que condições. Exposição das maneiras por meio das quais essas demandas serão atendidas: o que será feito. atendimento dessas necessidades/problemas. 9. cronograma geral. CURPRO – 64 . eventos. implementação e avaliação. o resultado da proposta pedagógica do ano anterior. telefone. 3. de forma geral.

p. que a educação ajude o homem a ser criador de sua história. I.html>. FERNANDES. porque a educação não é um processo.01-143. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. M. SANT’ANNA. ou “uma camisa de força”.25). Psicologia e currículo. 2006. com isso.com. cujos resultados podem ser totalmente prédefinidos. planejar a ação educativa para o homem. 1996. que o currículo não é o manual de instrução de uma máquina ou aparelho. determinados ou pré-escolhidos. Acesso em: 15 out. Planejar o processo educativo é planejar o indefinido. vem a propósito ressaltar.. Permitindo. MENEGOLLA. (MENEGOLLA.br/por_um_processo_de_design_dialetico. Uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. Petrópolis: Vozes. pois. Tese de doutorado. não lhe impondo diretrizes que o alheiem. p. São Paulo: Ática. Por fim. J. REFERÊNCIAS COLL. CURPRO – 65 . 2000. M. Conforme Menegolla e Sant’Anna. Disponível em: <http://usabilidoido. como se fossem produtos decorrentes de uma ação puramente mecânica e impensável. Devemos.CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 14 seleção e organização das interferências que são necessárias para o desenvolvimento do projeto. E. novamente. SANT’ANNA. Por que planejar? Como planejar? Currículo – área – aula. O movimento de elaboração curricular participativo: Um novo olhar sobre o currículo no cotidiano escolar da escola pública. 2008. ou uma fórmula prescritiva de como deve ser o ensino. 1996. C.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 14 ANOTAÇÕES CURPRO – 66 .

o conhecimento é confundido com informação. a idéia de que o mundo e a vida poderiam ser compreendidos e controlados pela ciência e pelo uso da razão. o determinismo.CURRÍCULOS E PROGRAMAS SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADE 15 OBJETIVO Revisar os principais pontos dos conteúdos estudados. Tais características constituem a chamada escola tradicional. passou a predominar uma visão holística do mundo na qual tudo está interligado. basicamente. a educação. Já na atual concepção de currículo e educação acontece o contrário. a simplificação e a pretensão de verdade única e absoluta presentes na visão de mundo predominante anteriormente. À medida que se percebeu que a realidade é heterogênea. passaram então a ser vistos como mais abertos. TEXTO A dinâmica das transformações na sociedade contemporânea tão rápidas e profundas fizeram com que os ideais da modernidade fossem contestados. além da preocupação de formar cidadãos críticos e conscientes para o exercício da cidadania. Aqui. pois há uma preocupação no desenvolvimento do educando em toda sua plenitude. de conteúdos e de cargas horárias que seriam ministrados nas disciplinas ou o estabelecimento de normas referentes às atividades que os alunos deveriam realizar na escola. é possível perceber que há uma série de intenções que estão presentes nos planejamentos pedagógicos que não aparecem de forma explícita. e o professor é um mero transmissor de conhecimento. Estas intenções que ficam subjacentes aos planos curriculares são chamadas de currículo oculto e carregam um projeto político e social. de maneira que a sociedade. uma delimitação de matérias. Neste sentido. Dentro da concepção moderna de mundo. os currículos e sua matéria-prima. individualismo. em particular. não há uma relação entre as disciplinas nem uma relação do que é aprendido na escola com a vida cotidiana. CURPRO – 67 . variável e instável. os currículos eram. a educação e os currículos hoje buscam a efetivação de uma escola plural. inclusiva e democrática. Dessa forma. exclusão etc. cederam espaço para as explicações e interpretações múltiplas dos fenômenos que ocorrem na realidade.). o conhecimento. Enquanto a escola tradicional reproduz os princípios da sociedade liberal burguesa (competição. a escola. sistêmicos e transformativos.

CURRÍCULOS E PROGRAMAS ATIVIDADE 15 ANOTAÇÕES CURPRO – 68 .

.

cruzeirodosulvirtual.com.São Paulo/SP Brasil Tel: (55 11) 3385-3000 .cruzeirodosulvirtual.br www.br Campus Liberdade Rua Galvão Bueno.www.com. 868 CEP 01506-000 .