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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA – PPGEL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DELREI

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

UM AMBIENTE
COMPUTACIONAL PARA
CÁLCULOS DE SOBRETENSÕES
ATMOSFÉRICAS E DESEMPENHO
DE LINHAS DE TRANSMISSÃO
SEGUNDO UMA ABORDAGEM
ESTOCÁSTICA
Aluno: José Antônio de Souza Mariano
Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio de Oliveira Schroeder
Co-Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos do Nascimento

São João del Rei, dezembro de 2012

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA – PPGEL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DELREI

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

UM AMBIENTE
COMPUTACIONAL PARA
CÁLCULOS DE SOBRETENSÕES
ATMOSFÉRICAS E DESEMPENHO
DE LINHAS DE TRANSMISSÃO
SEGUNDO UMA ABORDAGEM
ESTOCÁSTICA
por

José Antônio de Souza Mariano
Texto da Dissertação de Mestrado submetido à Banca
Examinadora designada pelo Colegiado do Programa de PósGraduação em Engenharia Elétrica, associação ampla entre a
Universidade Federal de São João del-Rei e o Centro Federal de
Educação Tecnológica de Minas Gerais, como requisito parcial
para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Elétrica.
Área de Concentração: Sistemas Elétricos
Linha de Pesquisa: Eletromagnetismo Aplicado
Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio de Oliveira Schroeder
Co-Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos do Nascimento
São João del Rei, Novembro de 2012

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA – PPGEL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DELREI

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

José Antônio de Souza Mariano
Um Ambiente Computacional para Cálculos de Sobretensões Atmosféricas e
Desempenho de Linhas de Transmissão Segundo uma Abordagem Estocástica.

São João del Rei, Novembro de 2012

Patrícia Romeiro da Silva Jota – Doutora CEFET-MG – membro interno _______________________________________ Prof. Por: ______________________________________________ Prof. Luiz Carlos do Nascimento – Doutor UFSJ – Co-Orientador ________________________________________ Profa. como requisito parcial para obtenção de título de Mestre em Engenharia Elétrica. Avaliada em 18 de novembro de 2012. Associação Ampla entre a Universidade Federal de São João del-Rei e o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Alexandre Piantini – Doutor USP – membro externo . Warlley de Sousa Sales – Doutor UFSJ – membro interno ________________________________________ Prof.“Um Ambiente Computacional para Cálculos de Sobretensões Atmosféricas e Desempenho de Linhas de Transmissão Segundo uma Abordagem Estocástica” José Antônio de Souza Mariano Texto da Dissertação de Mestrado submetido à Banca Examinadora designada pelo Colegiado do Programa de Pós-Graduação Engenharia Elétrica. Marco Aurélio de Oliveira Schroeder – Doutor UFSJ – Orientador ________________________________________ Prof.

não apenas pelas inúmeras e valiosas contribuições técnicas. pelas sugestões. Dr. . multiplicar conhecimentos e observar o tempo. pelas contínuas demonstrações discretas de afeição. Por fim. Luiz Carlos do Nascimento (co-orientador). Dr. Inicialmente. Agradeço também ao Prof. dividir espaços. pelo incentivo e por acreditarem. mas também por valorizar meu perfil profissional. gostaria de agradecer aos meus pais e irmãos.AGRADECIMENTOS Mais uma etapa singular e inestimável partilha do destino inevitável de todas as coisas e não poderia encontrar momento mais oportuno para demonstrar meus sinceros agradecimentos às pessoas com as quais tive o privilégio de somar valores. Marco Aurélio de Oliveira Schroeder. compreender minhas limitações e me permitir pensar sobre um problema de engenharia complexo. revisitei velhos conceitos e estabeleci outros tantos e progredi sensivelmente no âmbito científico. mesmo em face às evidências contrárias. pelo apoio financeiro sem o qual o desenvolvimento desta pesquisa não seria possível. agradeço à CAPES. Sinto-me seguro e orgulhoso ao dizer que neste período tão importante amadureci intelectualmente. críticas e contribuições técnicas gentilmente apresentadas no decorrer deste trabalho. no desenvolvimento deste estudo. elegante e multidisciplinar. Gostaria de agradecer ao orientador deste trabalho Prof.

” George W.“Você vai longe na vida. paciente com os idosos. Carver . a medida em que é afetuoso com os jovens. tolerante com os fracos e com os fortes. por que em algum momento de sua vida você terá sido todos eles.

2.3  Impulso Triangular  2.1  Considerações Preliminares  2.1  Descarga Atmosférica e Sua Interação com os Sistemas de Transmissão  2.2  Modelagem do Canal de Descarga  2.2.2.2.3  Objetivos Gerais e Específicos  1.3  Torres de Transmissão  2.2.7  Publicações Decorrentes desta Dissertação  6  2  7  – ESTUDO DO ESTADO DA ARTE 2.2  Principais Modelos Encontrados na Literatura  2.1  Relevância do Tema Sob Investigação  1  1.2.1.4  Sistemas de Aterramento  7  8  8  10  14  15  16  17  18  20  24  27  31  .1.2.3.4  Metodologia  3  1.1.1  Objetivos Gerais  1.2  Objetivos Específicos  3  3  3  1.4  Fonte CIGRE  2.6  Organização do Texto  5  1.2.2  Linhas de Transmissão  2.2.2  Contextualização da Dissertação  2  1.5  Principal Contribuição da Dissertação  4  1.2.1.2.1  Efeito Corona  2.1.1.1  Modelo Eletrogeométrico  2.5  Função Dupla Exponencial  2. SIGLAS E SÍMBOLOS 1  – INTRODUÇÃO IX  1  1.6  Modelo de Heidler  2.3.SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT IV  V  LISTA DE FIGURAS VI  LISTA DE TABELAS VIII  LISTA DE ABREVIATURAS.2.

2.3  Conclusão  3  – AMBIENTE COMPUTACIONAL 3.2  Descrição do ACAE‐DLT  53  3.5.2.2.6.3.3  Torres de Transmissão e Eletrodos de Aterramento  59  3.6.2.3.3  Conclusão  4  – RESULTADOS 68  72  4.2  Parâmetros de Incidência Geográfica  4.3.1  ACAE‐DLT versus Flash  4.3.11  Cadeias de Isoladores  75  75  77  78  80  81  83  84  85  86  87  89  89  4.2  Curva de Suportabilidade Tensão‐Tempo  2.3.2.2.4  Cadeias de Isoladores: Models no ATP  59  3.5  Tempo de Frente  4.1  Geração de sequências aleatórias e pseudoaleatórias  2.1  Interface Gráfica de Usuário  63  3.1  Método de Integração  2.3.6  Método de Monte Carlo em Estudos de Coordenação de Isolamento  2.1  Introdução  72  4.5.3  Interface ATP – MATLAB  60  3.1  Probabilidade de Incidência no topo das torres  4.3.3  Análises Paramétricas: Sensibilidade da Taxa de Backflashover  4.3.2.2.6  Tempo de Cauda  4.10  Modelo Eletrogeométrico  4.2.2.3.1  Introdução    34  36  38  39  41  48  50  51  52  52  3.2.2.7  Impedância do canal  4.2.2  Linhas de Transmissão  58  3.2.3  Impedância Impulsiva de Aterramento  4.3  Modelo de Progressão do Leader  2.1.8  Ângulo de Referência  4.5  Cadeias de Isoladores  2.2.2  Definição do Caso Base  72  4.2.2.3.1  Modelagem do Sistema de Transmissão para Cálculo de Sobretensões Atmosféricas 55  3.2.2  Método de Box – Muller  2.4  Pico de Corrente  4.9  Comprimento da Cadeia de Isoladores  4.4  Conclusão  94  .1  Fontes de Sinal de Corrente  57  3.2.2  Recursos para a Representação de Parâmetros e Modelos no ATP  57  3.2.3.2.3.2  Geração de Parâmetros Aleatórios  64  3.3.3.5.

2  Propostas de Continuidade  97  97  100  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 101  ANEXO A – ARQUIVOS DE CONFIGURAÇÃO 111  A.5  – CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE CONTINUIDADE 5.LIB  111  ANEXO B – ARQUIVO PRINCIPAL B.PCH  111  A.2 – Arquivo *.1 – Arquivo *.3 – Arquivo *.1 – Arquivo Principal *.1  Síntese da Dissertação e Principais Resultados  5.DAT  111  A.ATP  112  112  .

Após uma minuciosa revisão do estado da arte na temática sob estudo. é desenvolvido o Ambiente Computacional segundo uma Abordagem Estocástica para cálculo de Desempenho de Linhas de Transmissão. cabos para-raios. parâmetros de incidência geográfica. pico de corrente. denominado ACAE-DLT. Abordagem Estocástica. O ACAE-DLT possui as seguintes características principais: i) interface amigável permitindo avaliações paramétricas dos principais elementos (descargas atmosféricas e sistemas de transmissão) que influenciam no desempenho das linhas de transmissão.. de forma integrada. que combina as vantagens do ambiente de computação científica Matlab® com as potencialidades do Alternative Transients Program (ATP). ii) cálculo completo do transitório eletromagnético estabelecido pelas descargas atmosféricas em sistemas de transmissão. com destaque para o mecanismo físico de disrupção nas cadeias de isoladores. ângulo de referência. Sobretensões Atmosféricas. tais como. iii) inclusão da natureza estocástica das descargas atmosféricas. e modelo eletrogeométrico.RESUMO Esta dissertação tem como foco principal os processos físicos e matemáticos envolvidos nos cálculos de sobretensões e desempenho de linhas de transmissão frente às descargas atmosféricas. sistema de aterramento etc. percebe-se uma carência de ferramentas computacionais que possibilitem a realização sistemática dos referidos cálculos. fez-se a opção de desenvolver e implantar um ambiente computacional que proporcione.). impedância impulsiva de aterramento e do canal de descarga. Palavras-chave: Descargas Atmosféricas. v) inclusão de modelagens fisicamente consistentes dos diversos elementos presentes no processo (cabos fase. torres de transmissão. com o auxílio do ATP. densidades de descargas e suas relações via regressão linear simples). comprimento da cadeia de isoladores e seu processo de disrupção. As análises paramétricas citadas levantam a sensibilidade das taxas de desempenho das linhas de transmissão em relação aos seguintes elementos: probabilidade de incidência no topo das torres. índices de incidência geográfica (nível ceráunico. Desta forma. IV . avaliações de transitórios eletromagnéticos em sistemas de transmissão. formas de onda de corrente e seus parâmetros característicos. incidência nas linhas de transmissão (por meio do modelo eletrogeométrico) etc. com a inclusão de comportamentos estocásticos de alguns elementos presentes nos processos citados via Método de Monte Carlo. Desempenho de Linhas de Transmissão. iv) inclusão da natureza estocástica do ângulo de referência das tensões de regime permanente senoidal no instante da incidência da descarga atmosférica. Motivado por esta carência. tempos de frente e de cauda.

Thus. Performance of Transmission Lines. The ACAE-DLT has the following main features: i) user-friendly interface allowing parametric evaluations of major elements (lightning and transmission systems) that influence the performance of transmission lines. iv) inclusion of the stochastic nature of the angle of reference voltages sinusoidal steady at the instant of impact of the lightning discharge. peak current. with the inclusion of stochastic behavior of some elements present in the cases cited via Monte Carlo method. v) including modeling of several physically consistent elements present in the process (phase cables. which combines the advantages of scientific computing environment Matlab® with the potential of Alternative Transients Program (ATP). geographical index of incidence (keraunic level. impedances impulsive ground and the discharge channel. V .. reference angle. incidence geographical parameters.ABSTRACT This thesis focuses primarily on the physical and mathematical calculations involved in surge and performance of transmission lines in the face of lightning. and electrogeometric model. it was the option to develop and deploy a computing environment that provides. on an integrated basis. called ACAE-DLT. The parametric analyzes cited raise the sensitivity of the performance rates of transmission lines in relation to the following elements: probability of incidence at the top of the towers. with the aid of ATP. such as current waveforms and their characteristic parameters. reviews of electromagnetic transients on transmission systems. effect on transmission lines (through the electrogeometric model) etc. length of string insulators and their process of disruption. Keywords: Lightning. transmission towers. cable-rays. ii) calculation of the full transient electromagnetic established by lightning systems transmitting. it is developed according to the Environment Computational Stochastic Approach for calculating Performance of Transmission Lines. Stochastic Approach. discharges densities and their relationships via simple linear regression ). Atmospheric Overvoltages. with emphasis on the physical mechanism of disruption in the insulator strings. earthing system etc. Motivated by this shortcoming. After a thorough review of the state of the art in the subject under study. iii) inclusion of the stochastic nature of lightning. times front and tail. one notices a lack of computational tools to enable the systematic realization of these calculations.).

...................................67 Figura 3-10: Distribuição do pico de corrente............ 2003)........................................... .......... .................63 Figura 3-6: Fluxograma do sistema implementado...........17 Figura 2-6: Exemplo de aplicação da dupla exponencial................................................ ..18 Figura 2-8: Exemplo de forma de onda obtida pela soma de funções Heidler... ............ ................. Adaptado de (MartinezVelasco..........................13 Figura 2-3: Determinação das zonas de incidência..75 Figura 4-5: Modelo padrão para disrupção das cadeias de isoladores................................9 Figura 2-2: Aplicação do modelo eletrogeométrico.......................63 Figura 3-5: Ajustes para a simulação Monte Carlo e para o modelo Eletrogeométrico............................... Adaptada de (Cemig.......................69 Figura 3-11: Distribuição dos tempos de frente de onda................................... 2010)....................................................................18 Figura 2-7: Circuito gerador de corrente do tipo dupla exponencial.............26 Figura 2-11: Influência do efeito corona................. .19 Figura 2-9: Comprimento diferencial de uma linha de transmissão... .70 Figura 3-14: Distribuição da posição do canal perpendicularmente à linha............... B e C......................15 Figura 2-5: Função Cigré............................................................ .............. ......................................................... 2002)........ Fonte: (Cigré............................... Adaptada de (Cemig....... .......69 Figura 3-12: Distribuição para a taxa de crescimento.............. .......................................... .... FA..........................................65 Figura 3-8: Distribuição de probabilidades de ocorrência do valor de pico de corrente.....................71 Figura 4-1: Silhueta da torre analisada.....................................................................................70 Figura 3-16: Distribuição de impedâncias de aterramento...58 Figura 3-3: Fluxo de dados da interface desenvolvida........ ................. fases A............ 2011).....73 Figura 4-3: Sistema simulado.. respectivamente............ Adaptado de (Zanetta Júnior.............................. ................................................................................ .................. 2006)................................ATP)................................. Adaptado de (Alvarez..................... .................. . ... Parâmetros extraídos de (Salari Filho............. ....... ....70 Figura 3-15: Distribuição do ângulo de referência da tensão na frequência de operação........... FB e FC são........................................ ....21 Figura 2-10: Simulação do efeito corona por circuitos análogos.........................................27 Figura 2-12: Implementação do método de Monte Carlo............................. ....67 Figura 3-9: Distribuição de probabilidades de ocorrência do valor de tempo de frente............ .................... onde: PR é para-raios.... ..................... Adaptado de (Rosado. 2008)...............................64 Figura 3-7: Aplicação do MEG na determinação dos pontos de impacto....47 Figura 3-1: Fluxograma do processamento de dados do ATP e estrutura geral do arquivo de entrada (*..73 Figura 4-2: Configuração do sistema de aterramento................................... ............................. ..................... ..........62 Figura 3-4: Configuração básica do sistema e seleção de modelos....................... ............ .76 VI ..........................69 Figura 3-13: Distribuição do tempo de cauda.......................................................45 Figura 2-13: Parâmetros estatísticos para definição dos critérios de parada............................. ....... 2010)...................... Adaptado de (Martinez-Velasco & Aranda... 1991)......LISTA DE FIGURAS Figura 2-1: Formas de interação de descargas atmosféricas com linhas de transmissão.......... 2010)....... ................................................. .......54 Figura 3-2: Diagrama para avaliação dinâmica do sistema frente a descargas atmosféricas conforme descrito na literatura.....74 Figura 4-4: Sobretensões nas cadeias de isoladores – Caso Base................................13 Figura 2-4: Rampa triangular ou dupla rampa...................................................46 Figura 2-14: Funções de densidade de probabilidade e distribuição acumulada para impedância de aterramento.......................... .............

.83 Figura 4-14: Influência da variação do tempo de frente da corrente de descarga na sobretensão na cadeia de isoladores da fase C.. ............................94 Figura 4-26: Distribuição da probabilidade de falha do isolamento.................. ... (b) Solicitação do tipo impulso padronizado 1................76 Figura 4-7: Sensibilidade à probabilidade de incidência no topo das torres.................................................. ................86 Figura 4-19: Avaliação da influência do ângulo de referência da tensão na frequência de operação...... no desempenho do sistema..................................................................... (a) Característica tensãotempo.................90 Figura 4-23: Avaliação do instante de ocorrência da disrupção..93 Figura 4-25: Distribuição estatística da corrente crítica de disrupção........... .......................................82 Figura 4-13: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação sistemática do valor de pico de corrente....82 Figura 4-12: Comportamento da distribuição cumulativa do pico de corrente............................................... ....................... ....... .....................................................................84 Figura 4-16: Sensibilidade da taxa de desligamentos à variação incremental do tempo de cauda................................83 Figura 4-15: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação incremental do tempo de frente da corrente de descarga.....80 Figura 4-10: Efeito da variação da impedância de aterramento na taxa de desligamentos........................................95 Figura 4-28: Sensibilidade do instante de ruptura e da tensão registrada no instante de disrupção à variação incremental do tempo de frente (Método de Integração)................................ (a) Solicitação empregada no Flash........................................................................... ....... . ..............78 Figura 4-8: Influência do nível ceráunico na taxa de backflashover. .......................... (c) Progressão do leader............................................................................................85 Figura 4-17: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação da impedância do canal de descarga............... ...........79 Figura 4-9: Efeito da variação da impedância de aterramento na máxima sobretensão através das cadeias de isoladores......85 Figura 4-18: Sensibilidade da máxima sobretensão nas cadeias de isoladores à variação do ângulo de referência....................................................................................Figura 4-6: Mudança de Estado para a curva de suportabilidade adotada....... (b) Método de Integração......................... ..............96 VII .........95 Figura 4-27: Sensibilidade do instante de ruptura e da tensão registrada no instante de disrupção à variação incremental do tempo de frente (Método de Progressão do leader)........ ..........87 Figura 4-20: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação incremental do comprimento das cadeias de isoladores............................................................................................................ ................... ................................92 Figura 4-24: Distribuição acumulada dos instantes de ocorrência de ruptura.........................................90 Figura 4-22: Modelo de disrupção baseado no método de progressão do leader............................................... .........2 50 ............................. ......... conforme proposto por Kind.........................81 Figura 4-11: Sensibilidade da sobretensão na cadeia de isoladores ao aumento do valor de pico de corrente da onda incidente............................................... .......... ......88 Figura 4-21: Modelo de disrupção do isolamento baseado no método de integração................................................................................. ...........

. 68  Tabela 4-1: Resultado obtido pela aplicação do Método de Monte Carlo...........................................................9 do programa Flash.... 20  Tabela 2-4: Níveis de suportabilidade para isoladores de vidro e porcelana........ .................................................... considerando as premissas simplificadoras adotadas no Flash e atribuindo dispersão estatística às variáveis da simulação............................... 2002)...................................... . considerando as premissas simplificadoras adotadas na versão 1.......................................... 42  Tabela 2-7: Comparação das funções de erro associadas às diferentes técnicas de solução de problemas de integração numérica........... ..........LISTA DE TABELAS Tabela 2-1: Parâmetros derivados de análises empíricas para aplicação da equação do raio de atração............................... 75  Tabela 4-2: Resultados obtidos pela aplicação do Método de Monte Carlo............................................................................................ 89  Tabela 4-8: Comparação entre os diferentes modelos de cadeias de isoladores. 20  Tabela 2-3: Parâmetros Estatísticos de Ondas de Descarga.................... 2011......................................... 67  Tabela 3-2: Caracterização estatística dos parâmetros considerados na simulação Monte Carlo........... Fonte: (Salari Filho...................................... 44  Tabela 3-1: Parâmetros de ondas de corrente obtidos a partir de medições em torres instrumentadas................................. 2006).................................. Martinez-Velasco & Aranda..... 2006)..... 12  Tabela 2-2: Parâmetros referentes à forma de onda ilustrada na Figura 2-8..................... .... 2006)..... 1980)............ considerando a dispersão estatística das variáveis do modelo...... ............. 2005)...................... ... 91  Tabela 4-9: Resultados obtidos... 88  Tabela 4-7: Comparação entre as diferentes calibrações do MEG......................................... .............................................................. ........................ 86  Tabela 4-6: Sensibilidade da taxa de backflashover ao aumento sistemático do comprimento das cadeias de isoladores................. Adaptado de (Salari Filho........................ Adaptado de (James........................... na avaliação do caso base............................... ............................ 77  Tabela 4-3: Sensibilidade da taxa de desligamentos à variação da probabilidade de incidência das descargas nas torres.................................. 79  Tabela 4-5: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação da impedância do canal..................................................... ........................................... ... ................ 78  Tabela 4-4: Ajustes típicos para os parâmetros da relação entre o nível ceráunico e a densidade de descargas........... Adaptado de (Visacro................ ... 41  Tabela 2-6: Qualidade do serviço de linhas de transmissão em função da taxa de desligamentos................................................................................. 91  VIII ..... Adaptado de (Alvarez........... Adaptado de (Salari Filho.... ................ ..................... 36  Tabela 2-5: Qualidade do serviço de linha de distribuição em função da taxa de desligamentos...... ..............................................................

Figura 2-1 Descargas que terminam nos cabos para-raios .Figura 2-1 Taxa total de falha de blindagem Raio de atração Constante do Modelo Eletrogeométrico Constante do Modelo Eletrogeométrico Altura da Torre Altura média do ponto onde o MEG é aplicado Altura da reta paralela ao solo obtida de acordo com o MEG Altura dos cabos no ponto de aplicação do MEG Ângulo obtido por meio do MEG – Figura 2-3 IX .LISTA DE ABREVIATURAS.Figura 2-1 Descargas que terminam na estrutura das torres . SIGLAS E SÍMBOLOS ACAE-DLT ATP Depel Cemig CIGRE EMTP EPRI Fapemig FB GEAP IEC IEEE LEC Matlab MEG P&D TACS TSIA UAT UFSJ % DS DF DPR DTR NFBT A B α Ambiente Computacional segundo uma Abordagem Estocástica para Cálculo de Desempenho de Linhas de Transmissão Alternative transients program Departamento de Engenharia Elétrica Companhia Energética de Minas Gerais Conselho internacional de grandes sistemas elétricos Electromagnetic transients program Electric Power Research Institute Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais Falha de Blindagem Grupo de Eletromagnetismo Aplicado Comissão Eletrotécnica Internacional Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos Leuven EMTP Center Matrix Laboratory Modelo Eletrogeométrico Pesquisa e Desenvolvimento Transients Analysis Control System Tensão de Suportabilidade ao Impulso Atmosférico Ultra Alta Tensão Universidade Federal de São João del Rei Símbolo de porcentagem Descargas que terminam no solo .Figura 2-1 Descargas que terminam nos cabos de fase .

Ângulo obtido por meio do MEG – Figura 2-3 Ângulo obtido por meio do MEG – Figura 2-3 Cosseno Arco cosseno Arco seno Arco tangente Cotangente Distância horizontal do cabo à origem – Figura 2-2 Distância vertical entre dois cabos Distância horizontal entre dois cabos Projeção no solo – Figura 2-3 Projeção no solo – Figura 2-3 Unidade de Comprimento (metro) Unidade de Comprimento (quilômetro) Unidade de superfície (metro quadrado) Medida elétrica – ohm (resistência e impedância) Medida elétrica – quiloampère (corrente) Medida elétrica – quilovolt (tensão) Medida elétrica – quilovolt por metro (campo elétrico) Campo elétrico Campo elétrico para início de corona Constante da função rampa triangular Constante da função rampa triangular Constante da função dupla exponencial Constante da função dupla exponencial (frente de onda) Constante da função dupla exponencial (cauda) Constante da função CIGRÈ Constante da função CIGRÈ Pico da corrente de descarga atmosférica Máxima taxa de variação instantânea da corrente Tempo equivalente de frente de onda cos cos sen tan cot a b L M N m Km Ω kA kV kV/m E α1 α2 j. m V I Z Tempo de cauda do sinal de corrente Distribuição de probabilidade cumulativa para pico de corrente Contadores Variância estatística Tensão no domínio da frequência Corrente no domínio da frequência Impedância complexa Admitância complexa X . k.

XI . 1 Matriz de transformação modal para as correntes Matriz de transformação modal para as tensões Frequência angular Logaritmo natural Logaritmo na base dez Número de Euler Tempo Espaço Modo de propagação Convolução Velocidade de propagação Velocidade de propagação da luz no espaço livre Rigidez dielétrica do ar em um campo uniforme Fator de rugosidade da superfície de um condutor Umidade relativa do ar Fator de polaridade Raio dos condutores Raio efetivo dos condutores Λ Γ A C Z Altura média Seno da metade de um ângulo que define a abertura de um cone Raio médio ponderado Distância vertical entre a base e meio da torre Distância vertical entre o meio e o topo da torre Comprimento de um segmento da torre Raio de um segmento da torre Permissividade elétrica do vácuo Resistividade elétrica do meio material Relação entre a máxima altura e a máxima largura Área da secção transversal Capacitância total Impedância total da torre Tempo de trânsito Impedância das três secções superiores da torre.. 0. . . 2 . 1. . Tensão no domínio do tempo Corrente no domínio do tempo Componentes no domínio das fases Componentes no domínio modal Denota a transformação para o domínio de Laplace: Número aleatório com distribuição uniforme no intervalo 0. μ ∗ . .

Z Impedância da secção inferior. Coeficiente de atenuação Coeficiente de amortecimento Função de densidade de probabilidade Função de probabilidade acumulada Média Desvio padrão Desvio padrão logarítmico Taxa de desligamentos Densidade de descargas ξ U ̅. Θ Risco de falha Valor pertencente a uma sequência de números pseudoaleatórios Variável aleatória com distribuição uniforme no intervalo 0.1 Parâmetros do gerador multiplicativo congruente Coordenadas geradas pelo método de Box-Muller Altura média de um condutor em um plano equivalente Flecha de um condutor Probabilidade de falha Corrente crítica para disrupção Probabilidade de ocorrência da corrente Resistência não linear de aterramento Corrente crítica de ionização do solo Transformada direta de Fourier Transformada inversa de Fourier XII . Η ̅ . . ′. . ′. ̅ ′.

durante grande parte do tempo. 2005. comprometem o funcionamento dos componentes e equipamentos do sistema de duas maneiras. Embora os sistemas elétricos de potência operem em regime permanente senoidal. Visacro. 2005). duração e intensidades (Teixeira. mas também em implicações de ordem social. o isolamento. por exemplo) e externa (descargas atmosféricas). deve ser projetado para suportar as pronunciadas sobretensões. As descargas atmosféricas podem incidir nos cabos de fase. considerando a alocação de componentes que proporcionem 1 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . são desligamentos permanentes (Schroeder. de maneira a minimizar a quantidade de paradas não programadas que se traduzem. 2003).1 Relevância do Tema Sob Investigação Os sistemas de transmissão de energia devem ser projetados assegurando altos índices de confiabilidade operacional. Tem sido extensamente reportado na literatura especializada que a maior parte das saídas de linhas de transmissão. b) A energia transferida pela corrente de descarga excede os limites de suportabilidade dos componentes implicando em danos estruturais permanentes.Capítulo 1 – Introdução 1 – INTRODUÇÃO 1. atuar na adequação dos elementos do sistema. (Shwehdi. em sistemas com tensões nominais iguais ou inferiores a 230 . a saber. por exemplo. Ao atingir uma rede aérea de transmissão de energia. de maneira que um projeto factível sempre admite uma probabilidade de falha não nula. de origem interna (reconfigurações topológicas. as correspondentes sobretensões associadas à injeção da onda de corrente nas impedâncias da estrutura. Neste sentido. 2005. Desta forma. a engenharia de proteção. polaridades. 2008): a) A elevação de potencial nos terminais dos dispositivos inicia processos disruptivos causando curto circuito. associados à interrupção dos serviços. causando curto-circuitos que podem resultar no desligamento da linha. Zanetta Júnior. cabos para-raios ou na estrutura das torres de transmissão. tem por objetivo. desenvolvendo sobretensões cujos níveis de campo elétrico associados são capazes de promover a ruptura da rigidez dielétrica das cadeias de isoladores. o isolamento é dimensionado para resistir a solicitações com diferentes formas. Araújo & Neves. A confiabilidade do sistema é condicionada a limites estruturais e de viabilidade econômica. sendo que cerca de 20% destes. revelam que aproximadamente 70% dos desligamentos de sua rede de transmissão se devem as descargas atmosféricas. 2001. dados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). No Brasil. resulta da interação danosa entre as descargas atmosféricas e os sistemas de energia. não apenas em elevados custos. entre os condutores ativos e as partes metálicas aterradas.

Diante da complexidade do problema. têm sido objeto de contínua investigação. da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). são completamente justificados. estudos relacionados ao desenvolvimento de modelos e técnicas de simulação. 2012). com posterior aprovação. um projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D). ou probabilidade de falha do isolamento. a avaliação do desempenho frente a descargas atmosféricas constitui uma etapa fundamental no projeto das linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica. considerando que tais interações figuram nos elementos mais expressivos de solicitação destes sistemas. Entretanto. que justifiquem o investimento na maior confiabilidade operacional. e consequentemente na avaliação do desempenho. 2 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a natureza estocástica do fenômeno físico em causa. Com o objetivo de estimar índices representativos e. É oportuno destacar que tal dissertação refere-se ao segundo produto gerado no P&D-D514. diversas metodologias de estimação. frente a tais solicitações. O processo de adequação do sistema de transmissão aos padrões de continuidade do fornecimento é pautado no conhecimento de índices de confiabilidade. submeteu. bem como na relevância do tema sob investigação (seção 1. do Departamento de Engenharia Elétrica (Depel). Consequentemente. juntamente com a Cemig e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). que subsidiem práticas mais eficientes de proteção.1). inúmeras metodologias de estimação. auxiliar a implementação de alternativas factíveis. Esta dissertação está inserida no contexto do referido projeto. têm sido propostas. visando mitigar os efeitos nocivos destas interações indesejadas. fundamentadas tanto em simplificações de natureza determinística quanto estatística.Capítulo 1 – Introdução medidas corretivas. O primeiro corresponde a uma dissertação defendida e aprovada em maio de 2012 (Lúcio. a equipe de pesquisadores do Grupo de Eletromagnetismo Aplicado (GEAP). 1. Diante do exposto no parágrafo acima. intitulado P&D-D514: Desenvolvimento e Implantação de um Sistema Computacional para Cálculo de Desempenho de Linhas de Distribuição/Transmissão Frente às Descargas Atmosféricas com Enfoque em uma Abordagem Probabilística. introduz diversas complicações na caracterização da resposta destes sistemas. fundamentadas na adoção de premissas simplificadoras particulares e na aplicação de modelos com diferentes graus de detalhamento.2 Contextualização da Dissertação Conforme destacado. consequentemente.

1 Objetivos Gerais Dada a natureza estocástica das descargas atmosféricas e considerando que os parâmetros do sistema de interesse. selecionado para compor a metodologia de estimação proposta. o objetivo central deste texto é descrever o desenvolvimento de um ambiente computacional.3. são realizadas diversas análises de sensibilidade de parâmetros físico-práticos. e) Estudos de sensibilidade em uma configuração típica de linha de transmissão. d) Desenvolvimento de uma interface entre os programas Matlab® e ATP. figure em uma técnica simples em sua concepção. Embora o método de Monte Carlo. em uma configuração 3 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . apresentam-se com incertezas. o cálculo mais preciso do desempenho frente às referidas solicitações deve ser baseado em uma abordagem probabilística.3. empregando o método de Monte Carlo e realizando simulações completas do fenômeno transitório no ATP. estruturado com base em uma compilação das principais modelagens encontradas na literatura.3 Objetivos Gerais e Específicos 1.2 Objetivos Específicos Para que o objetivo principal deste trabalho seja alcançado. para o cálculo probabilístico do desempenho. 1. com relação aos parâmetros que afetam o desempenho de maneira mais expressiva. alguns objetivos específicos devem ser atingidos: a) Estudo das diversas metodologias. Diante do exposto. c) Estudo dos recursos do ATP e das possibilidades de implementação de simulações sistemáticas. para os componentes do sistema de potência em estudos de sobretensões atmosféricas. que possibilite uma avaliação prática do desempenho de sistemas diversos frente a descargas atmosféricas.Capítulo 1 – Introdução 1.4 Metodologia Conforme já destacado. 1. em parte devidas a grande variedade de modelos existentes e ao cálculo do correspondente transitório eletromagnético. Utilizando-se dos benefícios associados à interface desenvolvida. b) Estudo dos principais modelos. disponíveis na literatura. o presente trabalho é pautado no desenvolvimento de um ambiente computacional. segundo uma abordagem estatística. inúmeras dificuldades podem ser encontradas no processo de implementação. Tem-se a expectativa de que a ferramenta proposta possa auxiliar práticas de proteção mais eficientes e servir como base para o desenvolvimento de inúmeras atividades de pesquisa.

ponto de incidência. por meio de uma interface entre os programas Matlab® e ATP. percebe-se uma carência de ferramentas computacionais que possibilitem a realização sistemática dos cálculos das taxas de desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas. os seguintes itens específicos devem ser explorados: a) Estudo do estado da arte com relação aos modelos considerados no cálculo estocástico do desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas. o programa Flash desenvolvido pelo IEEE. b) Investigação das aproximações adotadas em programas tradicionais de cálculo de desempenho. d) Validação da ferramenta desenvolvida. modelos do raio de atração. etc. durante a ocorrência do surto. conforme descrito na literatura. de forma integrada. Com o objetivo de desenvolver tais análises. Funções de distribuição cumulativa do valor de pico de corrente e parâmetros que definem a forma de onda da corrente injetada no sistema. avaliações de transitórios eletromagnéticos em sistemas de transmissão. por meio de comparações com os resultados obtidos com a utilização da versão 1. impedância do canal de descarga. comprimento das cadeias de isoladores. fez-se a opção de desenvolver e implantar um ambiente computacional que proporcione. g) Análise comparativa de três modelagens do mecanismo de disrupção. da consideração da natureza estatística das variáveis do modelo. ângulo de referência da tensão de operação na frequência industrial. por ano.Capítulo 1 – Introdução de linha representativa do sistema de transmissão nacional. como por exemplo. Desta forma.5 Principal Contribuição da Dissertação Após uma revisão do estado da arte no tema sob investigação. Motivado por esta carência. c) Implementação do método de Monte Carlo. 1.). é desenvolvido o Ambiente Computacional segundo uma 4 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Dentre os parâmetros analisados destacam-se: a) Descargas Atmosféricas: Avaliação das funções que relacionam o nível ceráunico às densidades de descargas por quilometro quadrado.9 do programa Flash. b) Sistema de Transmissão: Impedâncias impulsivas de aterramento. e) Análise comparativa. etc. f) Avaliações de sensibilidade objetivando quantificar a influência de diversos parâmetros (impedância de aterramento. com a inclusão de comportamentos estocásticos de alguns elementos presentes nos processos citados via Método de Monte Carlo.

enfatizando aspectos de metodologia e implementação. para a representação do mecanismo de incidência. iii) inclusão de modelagens fisicamente consistentes dos diversos elementos presentes no processo. Torres. Cadeias de Isoladores).Capítulo 1 – Introdução Abordagem Estocástica para cálculo de Desempenho de Linhas de Transmissão. do canal de descarga e dos componentes e equipamentos do sistema (Linhas de Transmissão. Aterramento Elétrico. que possibilita análises de sobretensões atmosféricas e desempenho de linhas de transmissão em um ambiente computacional com as seguintes características: i) interface amigável. o fenômeno físico é apresentado e caracterizado de forma objetiva.6 Organização do Texto O presente texto está organizado em cinco capítulos. No Capítulo 2 são apresentados os principais aspectos envolvidos no cálculo probabilístico do desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas. Em seguida. 5 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . de acordo com a modelagem proposta. com destaque para a disrupção nas cadeias de isoladores. priorizando aspectos físico-práticos e paralelamente delineando o problema em causa. incluindo este capítulo introdutório. denominado ACAE-DLT. 1. Considera-se que a maior contribuição desta dissertação refere-se ao desenvolvimento e implantação do ACAE-DLT. que combina as vantagens do ambiente de computação científica Matlab® com as potencialidades do Alternative Transients Program (ATP). O Capítulo 3 é dedicado à apresentação da ferramenta computacional desenvolvida. Com os modelos definidos. visando facilitar o processo de configuração e simulação de diferentes perfis. procede-se à estruturação do método de Monte Carlo aplicado ao cálculo do desempenho. neste Capítulo são descritos os procedimentos realizados na obtenção das observações estocásticas dos parâmetros da onda de descarga e dos diversos modelos considerados. são apresentados os principais modelos encontrados na literatura especializada. Além de particularidades envolvidas no desenvolvimento da interface. com ênfase no método de Monte Carlo. Primeiramente. ii) cálculo completo do transitório eletromagnético estabelecido pelas descargas atmosféricas em sistemas de transmissão. iv) avaliações paramétricas dos principais elementos que influenciam no desempenho.

C. Schroeder.. Schroeder.. O Anexo A contém os arquivos de configuração (extensões DAT. J.O. Campina Grande. 1.... A. L. C. S.Capítulo 1 – Introdução No Capítulo 4 são descritos os principais resultados obtidos neste trabalho. Bonito. Sales. No Capítulo 5. International Conference on Grounding and Earthing & International Conference on Lightning Physics and Effects (Ground & 5th LPE). W. 2012. provenientes de avaliações de paramétricas.O. M. S. S. dois Anexos (A e B). Por fim são incluídos.. A Software Application for Lightning Performance Assessment of Overhead Transmission Lines Using the Monte Carlo Method. realizadas com o auxílio do ambiente computacional apresentado no Capítulo 3. Desenvolvimento de um Aplicativo para Estudos de Sensibilidade Paramétrica em Linhas de Transmissão frente a Descargas Atmosféricas Utilizando uma Interface MATLAB-ATP. S. XIX Congresso Brasileiro de Automática (CBA). S.A. Nascimento. J. A.. PCH e LIB). Nascimento. W.  Mariano. após as Referências Bibliográficas. 6 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .A. Assis. C. S. Assis. L. enquanto o B descreve o arquivo principal (extensão ATP). apresentam-se algumas conclusões gerais suscitadas a partir dos desenvolvimentos alcançados e as respectivas propostas de continuidade em trabalhos futuros.. Sales. M. C. 2012.7 Publicações Decorrentes desta Dissertação As seguintes publicações têm origem neste trabalho de dissertação durante os 13 (treze) meses de sua realização:  Mariano.

com o objetivo de alcançar resultados representativos é imperativo compreender. é dado enfoque ao fenômeno físico de descargas atmosféricas priorizando aspectos de interesse físico-práticos. Cadeias de isoladores. é apresentado o método de Monte Carlo aplicado à solução do problema do cálculo do desempenho. Esta seção tem por objetivo central evidenciar a necessidade da utilização de modelos que traduzam o comportamento dependente da frequência e introduzir considerações sobre a influência da modelagem do efeito corona em análises sistemáticas. são apresentados. pois os referidos componentes têm como objetivo determinar o estado do sistema frente a solicitações impostas pela injeção de ondas típicas de descargas. são apresentadas as principais representações de linhas de transmissão. Primeiramente. No item subsequente. O penúltimo item é pautado na caracterização dos métodos de representação das cadeias de isoladores. 7 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . priorizando aspectos de modelagem e implementação computacional. O presente capítulo tem por finalidade apresentar.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2 – ESTUDO DO ESTADO DA ARTE 2. caracterizados e ponderados aspectos relativos aos modelos de impedância impulsiva de aterramento. Posteriormente. cada um dos itens descritos acima. caracterizar de maneira fisicamente consistente e modelar os seguintes aspectos pertinentes ao cálculo de transitórios eletromagnéticos: a) b) c) d) e) Descargas atmosféricas e sua interação com os sistemas de energia. empregadas em guias padronizadas para cálculos de sobretensões transitórias. de forma objetiva. Linhas de transmissão.1 Considerações Preliminares Os estudos de desempenho de linhas aéreas de transmissão frente a descargas atmosféricas têm por objetivo estimar taxas de desligamentos de redes elétricas com relação à determinada dimensão do circuito e intervalo de tempo. Esta seção é de particular interesse. são apresentadas técnicas de modelagem de torres de transmissão. Torres de transmissão. frequentemente mencionados na literatura especializada. são introduzidas expressões adequadas ao cálculo das impedâncias de surto de perfis típicos. bem como os modelos que caracterizam a interação entre estes eventos e os sistemas de transmissão de energia. Desta forma. A obtenção de tais índices requer a avaliação do sistema de interesse mediante solicitações características. Em seguida. Por fim. Sistemas de aterramento. Paralelamente.

contaminação dos sinais medidos etc. um desafio no estudo de descargas atmosféricas refere-se a uma padronização dos termos técnicos utilizados. Portanto. 2005). tanto em relação à tradução quanto no significado físico. como por exemplo. como por exemplo. Descargas atmosféricas diretas nos cabos fase (DF na Figura 2-1)  correspondem às descargas que atingem diretamente os cabos fase e. as descargas atmosféricas podem interagir com os sistemas de transmissão de três formas.2 Principais Modelos Encontrados na Literatura 2. Do ponto de vista de engenharia aplicada em cálculos de sobretensões atmosféricas e desempenho de linhas de transmissão. 2001). a saber. promovem a falha de blindagem (FB) dos cabos para-raios. é revestido de incontestável complexidade. que. Existem diversos trabalhos que fazem tal detalhamento. também. progressão e interação com sistemas elétricos. 2003). 2001. análises estatísticas das medições. Seu efeito corresponde às tensões induzidas que são estabelecidas na linha de transmissão por meio do acoplamento eletromagnético entre o canal de descarga atmosférica e a linha. descrição dos instrumentos existentes na Estação do Morro do Cachimbo. (Schroeder. 2011. Descargas atmosféricas indiretas (DS na Figura 2-1)  correspondem àquelas descargas que atingem o solo nas proximidades das linhas de transmissão. Caso a 8 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2003).2. Visacro. estas descargas não são consideradas nas avaliações de desempenho (Alvarez. podem ser encontrados em (Schroeder. assim. 2. que possui como fonte a base carregada negativamente de nuvens cumulunimbus e cujo canal precursor de descarga é predominantemente descendente (Schroeder. Detalhes adicionais do processo de medição das ondas de corrente associadas a estas descargas atmosféricas. É oportuno somente comentar que o principal interesse desta dissertação concentra-se nas descargas atmosféricas descendentes negativas. cuja análise de caracterização estatística das medições realizadas na Estação de Pesquisas de Descargas Atmosféricas do Morro do Cachimbo encontra-se apresentada em (Schroeder. 2001. 2005. Está fora do escopo desta dissertação de mestrado descrever todos os detalhes do fenômeno em causa. É importante salientar. adota-se a proposta de tradução versus significado divulgada em (Schroeder. (vide Figura 2-1): 1. Neste sentido. Zanetta Júnior. em função do grande volume de publicação ser de origem inglesa. Rakov & Uman. Normalmente.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2. Visacro. Tal interesse é motivado pela maior ocorrência deste tipo de descarga atmosférica em regiões tropicais e semitropicais. compreendendo sua formação. os níveis de tensão induzida são menores que a tensão suportável a impulso atmosférico (TSIA) das cadeias de isoladores.1 Descarga Atmosférica e Sua Interação com os Sistemas de Transmissão O fenômeno físico integral associado à descarga atmosférica. 2001). 2001).

Caso a sobretensão estabelecida na cadeia de isoladores supere a TSIA. um curto-circuito fase terra. Neste caso. Este fenômeno é denominado backflashover (Alvarez. 2011. NBFT é muito maior que NFBT (Alvarez. corresponde à soma das taxas de flashover (NFBT) e de backflashover (NBFT). 2011. Portanto. em sistemas compactos.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte sobretensão estabelecida na cadeia de isoladores supere a TSIA. ocorrerá a formação de um arco elétrico na mesma e. frente a descargas atmosféricas. 3. Zanetta Júnior. Este fenômeno é conhecido como flashover (Alvarez. ocorrerá a formação de um arco elétrico na mesma e. 2011). qual seja: blindar os cabos fase contra descargas atmosféricas diretas. em seguida. 9 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . em seguida. 2003). os cabos para-raios cumprem um de seus objetivos. 2003). promovendo o desligamento da linha. promovendo o desligamento da linha. Descargas atmosféricas diretas nos cabos para-raios ou no topo da torre (DPR e DTR na Figura 2-1)  correspondem às descargas que atingem diretamente os cabos para-raios ou o topo da torre. A taxa de desligamento total da linha de transmissão. Figura 2-1: Formas de interação de descargas atmosféricas com linhas de transmissão. nesta dissertação somente é considerado o fenômeno de backflashover nos cálculos de sobretensões atmosféricas e de desempenho de linhas de transmissão. Em termos práticos. Zanetta Júnior. um curto-circuito fase terra.

2. et al. Subsequentemente. C. . Rizk. Cada amostra é composta por informações que determinam a forma. valores de corrente. Wagner (Wagner. Dando sequência aos trabalhos de investigação.. na aplicação de conceitos básicos de geometria e na proposição de uma trajetória para o canal de descarga.1 Modelo Eletrogeométrico No cálculo estocástico/probabilístico do desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas. De posse destas informações. 1990.2. Em seguida. intensidade e duração da onda de corrente. Inicialmente. Neste trabalho diversos parâmetros foram analisados. 1961) apresentam. Wagner e Hileman (Wagner & Hileman. no fenômeno físico de propagação da descarga piloto de conexão têm sido tema de investigação cientifica em diversos trabalhos (Chouwdhuri & Kotapalli. O modelo eletrogeométrico (MEG). 1961 e 1963. por exemplo. nomeadamente: potencial. torna-se necessária a aplicação de um modelo de incidência para deduzir o ponto final de conexão do canal precursor descendente. As primeiras tentativas de quantificação do processo de incidência em estruturas. fundamentadas. obtidos em um estudo comportamental dos parâmetros geométricos de determinada configuração e considerando a injeção de ondas de corrente com diferentes polaridades. o potencial e a distância de salto final em função da velocidade de propagação da corrente 10 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 1941) são apresentados resultados de avaliações de natureza estatística em modelos de escala reduzida. 1990).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Nas subseções seguintes procura-se descrever a modelagem eletromagnética adotada na literatura para os cálculos em questão. são apresentadas as principais funções matemáticas para representação do sinal associado à onda de corrente de descargas atmosféricas típicas. na forma como empregado em estudos de coordenação de isolamento em linhas de transmissão é uma aproximação bidimensional para um modelo de incidência baseado na formulação empírica do raio de atração de um objeto. Em Wagner e outros (Wagner. Os autores também definem um valor crítico do gradiente de potencial entre as extremidades dos canais para a ocorrência de ruptura. McCann e MacLane em 1941. uma metodologia de análise essencialmente física e considerando a formação de canais descendentes e ascendentes. estabelecidas a partir de realizações teóricas e experimentais.1. sintetizou expressões matemáticas para a corrente. estabelecendo meios para o cálculo da distância de salto final. é necessário avaliar o comportamento transitório do sistema mediante a um número representativo de amostras. por meio do método de Monte Carlo. Dellera & Garbagnati. Outras metodologias. além das coordenadas da descarga piloto de conexão no interior da zona de estudo. 1989. em uma abordagem detalhada. e que constituem as bases do MEG foram apresentadas por Wagner. descreve-se o principal modelo utilizado para determinação da incidência de descargas atmosféricas em sistemas elétricos. F. 1963) baseando-se em experimentações laboratoriais. no que concerne à interação entre as descargas atmosféricas e os sistemas de energia. velocidade de propagação e condições de ocorrência para o salto final entre os precursores descendente e ascendente. carga.

As zonas de proteção. falha e de descarga indireta são. 1964) aos cabos de fase e de blindagem (ou cabos para-raios) considerando que o canal de descarga incide com um ângulo de noventa graus em relação à superfície do solo.. é importante destacar a possibilidade de consideração de ângulos de incidência não verticais. além de uma reta paralela ao solo. 1968. O principal resultado destes trabalhos é a compilação das complexas considerações físicas adotadas nos trabalhos anteriores em uma expressão para o cálculo do raio de atração mostrada na Equação (2-1). 1964) exploram o conceito de raio de atração mais objetivamente. Young e outros (Young.. 1987 A) também proporcionou contribuições valiosas ao desenvolvimento do MEG.84 . . Brown. A Figura 2-2 ilustra a aplicação do MEG bidimensional (Young. quando sua extremidade penetra na zona de incidência delimitada pelo raio de atração do objeto. tais como: considera-se que o canal de descarga progride em direção ao solo sem sofrer a influência de estruturas terrestres. caracterizando uma conexão efetiva. e o raio de atração é definido omitindo a existência de um canal precursor ascendente. Alguns dos principais resultados. Apesar da complexidade do equacionamento apresentado e da formulação básica em termos não usuais. Brown e Whitehead (Armstrong & Whitehead. Armstrong. et al. cujas bases empíricas foram obtidas por meio de análises de dados reais de desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas. (2-2) Diversos trabalhos têm apresentado desenvolvimentos relevantes com relação à calibração dos parâmetros da Equação (2-1). J. 1969) apresentam contribuições particularmente relevantes para o desenvolvimento do MEG. introduzindo um . então. este trabalho corresponde à primeira tentativa de quantificar o termo de maneira mais aplicada. et al. estabelecendo relações simplificadas e inovadoras. Neste 11 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Posteriormente. Eriksson. ao apresentar uma relação capaz de aprimoramento na expressão do cálculo de quantificar a influência da altura da estrutura no raio de atração. encontrados na literatura são mostrados na Tabela 2-1. desenvolvendo pela primeira vez de forma explícita a aplicação do MEG. Dentre outras contribuições apresentadas nestas publicações. 1987.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte de retorno. Eriksson (Eriksson. a trajetória do canal é modificada. 0. conforme Equação (22). Eriksson. Neste trabalho são adotadas algumas hipóteses e premissas simplificadoras. (2-1) A. O procedimento apresentado consiste em determinar os raios de atração para as estruturas passíveis de incidência e traçar as correspondentes circunferências centradas nos condutores. determinadas encontrando as intersecções entre as envoltórias. Esta expressão relaciona o raio de atração com o valor de pico da corrente por meio das constantes e calibradas experimentalmente. 1978.

Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte exemplo.8 Darveniza 9. a configuração geométrica da linha proporcionará uma blindagem efetiva.0 7. De acordo com esta metodologia.7 0.67 0.8 0.75 0.7 9. do arco determinado pelo raio de atração do cabo para-raios.0γ ---- B 0.65 Em aplicações sistemáticas do MEG o primeiro passo deve ser verificar se para um módulo específico de corrente. Solo A 14.32 Young 27 0. Martinez-Velasco & Aranda. for maior que a do condutor de fase que estiver sendo testado. se a amostra estiver posicionada em . : Altura média do ponto onde o MEG é aplicado.65 Grant 8.67 Anderson (1975) 10 0.0 ---- 10β 0. 5. 0. Rizk 0. para H 40 m.65 0. 0.00 Linhas de alta tensão.32 Armstrong 6. 1.65 0.8 0. o ponto final de conexão será o solo.65 .2 0.80: Linhas de extra-alta tensão.36 0.67 . ⇒ (2-3) (2-4) (2-5) 12 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . que acontecerá se o canal descendente interceptar o arco confinado na região .4 10 γ 8.2 27 6. Tabela 2-1: Parâmetros derivados de análises empíricas para aplicação da equação do raio de atração. se a amostra estiver localizada na zona de proteção definida por . 0. para H 40 .8 Brown 7. Além das situações mencionadas.75 Gilman e Whitehead 6.69 1.57 Anderson 10 0. Aproximação γ γ γ β β H Condutores A B Wagner 14. 2011.1 0.7 0.4 6.67 0. 2002).64: Linhas de ultra-alta tensão.74 Eriksson 0.32 β 0.0 0.1/6. este cenário resultará em uma incidência direta no cabo para-raios. o sistema estará efetivamente blindado se a projeção no solo (Equações (2-3) à (2-5)).5.168ln 43 H .4 0. Adaptado de (Alvarez. Outra possibilidade é a ocorrência de falha de blindagem.

Adaptado de (Zanetta Júnior. Com base na Figura 2-2 e na Figura 2-3 e definindo-se as variáveis e . os ângulos . se a projeção da zona de incidência do cabo de fase for maior que a do condutor de proteção. (2-7) e (2-8). (2-6) (2-7) (2-8) Figura 2-3: Determinação das zonas de incidência. 13 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2003). Por outro lado. e podem ser determinados conforme as Equações (2-6). 2002). Adaptado de (MartinezVelasco & Aranda.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Figura 2-2: Aplicação do modelo eletrogeométrico. então é necessário quantificar a largura da falha de blindagem.

2009). conforme mostrado nas Equações (2-9) e (2-10). 2009): a) b) c) d) Modelos físicos baseados na dinâmica dos gases. Modelos de engenharia. dos campos elétricos e magnéticos em pontos remotos (Saran. Entretanto. com níveis específicos de detalhamento. esta abordagem apresenta algumas desvantagens. quais sejam: a não consideração da propagação do campo eletromagnético. Esta representação é fundamentada na solução direta das Equações de Maxwell para a obtenção da distribuição de corrente ao longo do canal e. 2009). do efeito corona e do aquecimento da massa de ar circundante (Saran. capazes de descrever detalhadamente variáveis características. consequentemente. Esta classe de representação é baseada na síntese de modelos fisicamente consistentes. avaliando sua aplicação na solução de problemas de engenharia. cos (2-9) cos θ cos α β (2-10) 2. cujas respectivas premissas e simplificações se adequam às aproximações determinadas pelo objetivo estabelecido (Saran. assegurando uma estimativa razoável da progressão da corrente em função do tempo e da altura. para aplicações de resultado prático imediato.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Com estas informações é possível determinar as zonas protegidas e de falhas de blindagem. Os modelos físicos baseados na dinâmica dos gases são pautados na caracterização de parâmetros termodinâmicos. Modelos a parâmetros distribuídos. os modelos a parâmetros distribuídos podem ser utilizados como uma aproximação dos modelos eletromagnéticos. Modelos eletromagnéticos. constituída por um condutor filamentar com impedância longitudinal não nula. o canal de descarga é aproximado por uma antena vertical reta. Evidentemente. Nos modelos eletromagnéticos.1. de maneira mais simples e com menor quantidade de parâmetros (Saran. temperatura e densidade de massa do canal. 2009). como por exemplo: pressão.2. leis de conservação e equações de estado. Alternativamente. Estes modelos são 14 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . os modelos de engenharia destacam-se por sua eficiência e simplicidade. Com relação à modelagem do canal de descarga podem ser identificadas quatro principais classes.2 Modelagem do Canal de Descarga A definição de modelos que caracterizem adequadamente as solicitações impostas por descargas atmosféricas é de particular importância para a obtenção de resultados representativos na avaliação do desempenho de sistemas elétricos.

pois conforme pode ser visto na Equação (2-11) (Martinez & Aranda. (Saran. 2002). descrita pela Equação (2-11) e mostrada na Figura 2-4. (2-11) Onde: . a frente de onda côncava (Visacro.1. a função rampa triangular é completamente especificada pelo tempo de frente. embora não seja capaz de reproduzir certas características de curvas obtidas por medições como. 2002). (Martinez-Velasco & Aranda. 2009). 15 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2. Figura 2-4: Rampa triangular ou dupla rampa. nomeadamente: a corrente injetada na base do canal. a velocidade de propagação. é amplamente empregada na representação da primeira corrente de retorno. máxima intensidade de corrente e tempo de cauda.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte desenvolvidos com base em observações experimentais que caracterizem o fenômeno físico. 2011). A função rampa triangular ou dupla rampa. a taxa de crescimento da frente de onda. Outra vantagem desta simplificação em análises sistemáticas é a não necessidade de ajuste preliminar dos parâmetros. Esta forma de onda possibilita uma solicitação suficientemente severa. o canal de descarga pode ser modelado por uma fonte ideal de corrente injetada no ponto de conexão (topo da torre ou meio do vão). por exemplo.2. o padrão de luminosidade etc. 2005). Diversos modelos têm sido considerados com o objetivo de aproximar aspectos de correntes de descarga obtidos experimentalmente.3 Impulso Triangular Para fins de simplificação e integração a simuladores digitais. Adaptado de (Alvarez.

9 1 1 1 0. assegurando uma transição suave entre as duas funções descritivas.1. Esta adequação é caracterizada quando o tempo de frente equivalente for superior à relação entre o valor de pico da função e a máxima taxa de crescimento.2. 1991) sugere a adoção de uma função composta para representar separadamente a frente e a cauda da corrente de surto. torna-se possível reproduzir a concavidade observada experimentalmente. A Equação (2-12) mostra a relação sugerida para descrever a frente de onda. As constantes A e B podem ser calculadas por meio de ajustes iterativos ou de acordo com a sequência mostrada nas Equações (2-13) a (2-16).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2. t : Tempo de frente equivalente. Α 1 Β 2 1 Β 2 1 3 0. I : Valor de pico de corrente. Na referida formulação. A Equação (2-17) apresenta a correspondente função matemática. A formulação da função que determina o comportamento na cauda é fundamentada nas suposições de que o valor inicial ocorre no máximo gradiente. Para a obtenção de uma expressão que represente adequadamente a frente de onda supõe-se que o máximo gradiente ocorre quando o valor instantâneo da corrente corresponde a 90 % do valor de pico. tem-se que: I: Valor instantâneo da corrente. 1991). mediante solicitações do tipo descarga atmosférica. (Cigré. cujos parâmetros são mostrados sequencialmente nas Equações (2-18) a (2-21).9 (2-16) Nas expressões acima. O resultado para um caso específico pode ser visualizado na Figura 2-5. S . e considerando que o valor de pico seja estimado corretamente. (2-17) 16 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .4 Fonte CIGRE Dentre as diversas funções matemáticas que podem ser empregadas para descrever a onda de corrente injetada no sistema. S : Gradiente Máximo.6 Α (2-12) (2-13) (2-14) 1 1 (2-15) 0. a Cigré (Cigré.

9 (2-20) (2-21) Figura 2-5: Função Cigré.2/50 µs) é mostrado na Figura 2-6. podem ser recursivamente ajustadas para obter formas de onda características. 2.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte (2-18) 2 (2-19) 0. Fonte: (Cigré. de certa forma. limitam sua aplicabilidade. 1991).1. por exemplo. algumas particularidades. o termo corresponde ao valor máximo e as constantes . é interessante.9 I 0. 17 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a estes requisitos.2. Apesar das inúmeras vantagens associadas a esta representação.5 Função Dupla Exponencial Além da capacidade de simular aspectos de ondas reais de descargas atmosféricas. como por exemplo. além de fornecer uma aproximação de tratamento matemático mais simples que a função proposta pela Cigré. Um exemplo de utilização desta função para um impulso padronizado (1. a ocorrência da máxima derivada próxima ao valor inicial e a impossibilidade de reproduzir a concavidade na frente de onda. A forma de onda dupla exponencial (Equação (2-22)) atende. em termos práticos.1 I 0. sintetizar funções representativas que possam ser mais facilmente reproduzidas em laboratórios de alta tensão para ensaios em dispositivos e equipamentos. (2-22) Nesta expressão.

2. Heidler (Heidler & Cvetic.6 Modelo de Heidler O modelo analítico sintetizado por F.1. 1999) apresenta-se como uma alternativa interessante. A Figura 2-7 mostra um circuito gerador de onda impulsiva de corrente do tipo dupla exponencial. providenciando uma correta estimativa do valor máximo. Figura 2-7: Circuito gerador de corrente do tipo dupla exponencial. possibilitando representar de forma satisfatória as curvas médias de descargas obtidas por medições diretas em torres instrumentadas.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Figura 2-6: Exemplo de aplicação da dupla exponencial. De maneira generalizada.2. a forma de onda da corrente de 18 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . quando centelhador é disparado. Esta formulação é capaz de representar a frente de onda côncava e a máxima derivada próxima ao pico. sob a perspectiva de análises computacionais. Adaptado de (Rosado. além do decaimento da amplitude a partir deste ponto. Parâmetros extraídos de (Salari Filho. 2006). Esta configuração tem por finalidade aplicar um perfil de sobrecorrente do tipo dupla exponencial em um corpo de prova. 2008).

É interessante verificar que esta representação permite a modelagem do duplo pico registrado em ondas de corrente obtidas experimentalmente. embora não haja parâmetro estatístico que caracterize a ocorrência do segundo pico. 19 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Objetivando uma aproximação realística. 2007. η : Fator de correção da amplitude. este resultado foi ajustado por meio da soma de sete funções de Heidler (de acordo com os parâmetros apresentados na Tabela 2-2). Figura 2-8: Exemplo de forma de onda obtida pela soma de funções Heidler. n: Fator adimensional de ajuste da curva. τ : Constante relacionada ao tempo de frente da onda de corrente. ∙ ∙ (2-23) 1 (2-24) Nas expressões acima. m: Número de funções Heidler a serem somadas para compor a onda de descarga. conforme descrito pelas Equações (2-23) e (2-24). tem-se que: I : Corrente injetada na base do canal. De Conti & Visacro. (Schroeder.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte descarga pode ser aproximada por um somatório de funções Heidler. Cemig. 2001). 2001. 2010). Na Figura 2-8 é mostrada a curva obtida para representar os dados mensurados na Estação de Pesquisas de Descargas Atmosféricas do Morro do Cachimbo (Schroeder. τ : Corrente relacionada ao decaimento da onda de corrente.

0 12. 1 2 3 4 5 6 7 6. Dados Medianos obtidos na Estação do Morro do Cachimbo 40.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Para evidenciar a eficácia na adoção de tal abordagem.0 3. cadeias de isoladores etc. Os modelos a serem utilizados neste trabalho para cada componente do sistema de transmissão.0 Dados Medianos Extraídos da Curva Sintetizada 5.0 Tabela 2-3: Parâmetros Estatísticos de Ondas de Descarga. bem como suas formas de onda para representação de suas correntes típicas.0 16.0 2.0 2.0 8. 2.0 14.5 17.0 10.6 2.0 9. aterramentos.0 5. interessa.0 3. Tabela 2-2: Parâmetros referentes à forma de onda ilustrada na Figura 2-8. apresentar os principais modelos utilizados para inclusão do sistema de transmissão (linhas de transmissão.4 / 20.0 12.0 3.0 5. é descrito o Método de Monte Carlo aplicado em estudos de coordenação de isolamento.0 30.1 40.2 Linhas de Transmissão A adequação de modelos de linhas de transmissão constitui uma etapa muito importante no processo de simulação computacional do comportamento de sistemas 20 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .5 4.2 Os valores numéricos dos parâmetros da função descritiva podem ser determinados recorrendo a tabelas ou por aplicação de algoritmos iterativos para a solução do sistema de equações não lineares.8 6. As subseções seguintes são reservadas para tal apresentação. Pode adiantar a grande variedade de modelos existentes na literatura. no contexto de desempenho de linhas de transmissão.4 5.0 5. bem como as respectivas justificativas técnicas.0 23.2 5.8 6. Com a caracterização completa da incidência de descargas atmosféricas.2.3 200.8 8. em seguida. são definidos no Capítulo 4.0 53.5 5. uma comparação entre os dados de medições e um ajuste estatístico dos parâmetros mais representativos da forma de onda sintetizada é apresentada na Tabela 2-3. torres.).0 26.0 7. Para finalizar.0 26.2 8.0 70.0 30.2 3.9 53.0 76.4 / / 5.3 19.

evidenciando os parâmetros longitudinais. o sistema de cabos aéreos pode ser representado por uma sequência de elementos a parâmetros concentrados (aproximação aceitável para linhas eletricamente curtas). (Dommel. Se a dependência da frequência for desprezada pode haver majoração dos harmônicos de ordem elevada. Figura 2-9: Comprimento diferencial de uma linha de transmissão. A Figura 2-9 mostra um comprimento diferencial de uma linha trifásica. Os modelos integrados às ferramentas do tipo EMTP podem ser classificados quanto à natureza de seus parâmetros. resultando em distorções nas sobretensões e erros apreciáveis nos valores máximos calculados. por exemplo. Consequentemente. Adaptado de (Martinez-Velasco. por meio da avaliação da propagação de ondas eletromagnéticas. Neste sistema. Esta metodologia tem sido adotada nas diversas versões do EMTP e uma descrição objetiva é apresentada a seguir. Se a representação adotada for fundamentada na teoria de circuitos. a caracterização dos sistemas de transmissão pode ser pautada na teoria de campo. Estes modelos podem ainda ser classificados quanto à dependência dos parâmetros da linha com relação à frequência. por meio de transformações que objetivam desacoplar um sistema de n fases em n sistemas monofásicos. é introduzida a necessidade de desenvolver uma modelagem a parâmetros distribuídos. as equações que caracterizam a propagação de ondas devem quantificar os efeitos longitudinais. 1992). Alternativamente. os componentes de mesmo índice correspondem 21 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2010). diversas metodologias que buscam representar o fenômeno físico com maior precisão têm sido desenvolvidas. Neste contexto. As Equações (2-25) e (2-26) mostram as relações entre tensões e correntes para um sistema polifásico. De acordo com uma metodologia de análise estruturada com base na teoria de propagação de campos eletromagnéticos. proeminentemente resistivos e indutivos. transversais e os acoplamentos mútuos.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte elétricos em regime transitório. O sistema de equações diferenciais parciais que descreve uma linha polifásica pode ser resolvido no domínio modal. bem como as correntes de fuga compostas por uma parcela condutiva (efeito condutivo) e uma parcela de deslocamento (efeito capacitivo).

(2-27) (2-28) Adotando as coordenadas a. (2-34) 22 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . b. (2-33) . . . . .Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte aos valores próprios e os elementos de índices diferentes representam as quantidades mútuas. . . . . . Definindo-se as matrizes de transformação por meio da solução do problema de autovalores e estabelecendo os índices 0. . . . . . . . Das Equações (2-31) e (2-32) resultam as Equações (2-33) e (2-34). . . . conforme as Equações (2-27) e (2-28). obtém-se o sistema equivalente descrito pelas Equações (2-29) e (2-30). . (2-29) (2-30) A transformação para o domínio modal é realizada com objetivo de diagonalizar o sistema de equações diferenciais. . . . . . . (2-25) (2-26) Estas equações generalizadas podem ser transformadas para o domínio de Laplace e reescritas na forma matricial. (2-31) . . . . . c para designar o domínio das fases e realizando algumas manipulações para simplificar o processo de solução. as impedâncias e admitâncias no domínio dos modos podem ser estabelecidas nas Equações (2-31) e (2-32). . . . 1. . (2-32) . . 2 para denotar grandezas modais. . . . . . .

Realizando a transformação modal nas equações básicas de propagação da linha. 0. . . 0. (2-37) e (2-38). para cada modo de propagação µ é mostrada nas Equações (2-39) e (2-40). . 0. . . . . a solução geral do correspondente sistema em um ponto x da linha. 0. . . é possível obter as Equações (2-41) e (2-42). (2-36) . . Assim. . . . . . . (2-39) (2-40) Considerando uma linha com dois terminais acessíveis (k e m) com o transmissor localizado em 0 e o receptor em e objetivando sintetizar um circuito equivalente que possa ser mais facilmente acoplado ao EMTP. . . conforme Equações (235) e (2-36). . . . tem-se as Equações (2-37) e (2-38). (2-41) (2-42) Nas Equações (2-41) e (2-42). . (2-38) Desta forma. . (2-34). o sistema a ser resolvido no domínio dos modos pode ser obtido com base nas Equações (2-33). .Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte A interface entre coordenadas de fase e de modo é obtida por meio da aplicação das matrizes de transformação aos vetores de tensão e corrente. . . (2-37) . . . . . tem-se que: (2-43) (2-44) Γ (2-45) 23 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . . . . (2-35) .

sintetizadas a partir do algoritmo de ajuste assintótico de Bode.. 2. ∗ ∗ .2. podendo apresentar erros locais significativos em determinadas regiões do espectro de frequências. Soluções não convencionais baseadas em simulação por diferenças finitas (Naredo. . (2-46) (2-47) No modelo proposto por J. adquirindo energia suficiente para colidir com átomos neutros e liberar elétrons nos orbitais mais externos. Algumas restrições associadas à técnica de solução no domínio dos modos podem ser superadas evitando as decomposições modais e determinando o comportamento dinâmico da linha diretamente no domínio das fases (Martinez Velazco & Gustavsen. Ao superar este limiar. quais sejam: a) Usualmente. De acordo com Araújo (Araújo & Neves. os elétrons ejetados da superfície são acelerados pelo campo no interior do envelope de ar que envolve o condutor. et al. a interface entre os domínios modais e de fases também é feita pelo uso de convoluções (Equações (2-46) e (2-47)). .Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Finalmente. O efeito corona é efetivamente estabelecido quando o mecanismo de formação de íons 24 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . o método de ajuste assintótico produz aproximações racionais de alta ordem. . a solução destas equações no domínio do tempo pode ser obtida por meio de convoluções. As partículas resultantes do processo de ionização por impacto são impelidas. Martí apresenta algumas limitações. na forma como implementado no EMTP. Com os vetores dos modos independentes de propagação e considerando a dependência das matrizes de transformação com a frequência. têm sido desenvolvidas mostrando vantagens sobre as abordagens clássicas em determinadas aplicações. 2005). b) A aproximação das matrizes de transformação modal por matrizes reais constantes e independentes da frequência limita a precisão do modelo não contemplando adequadamente sistemas desbalanceados. 2001).1 Efeito Corona O efeito corona é um fenômeno não linear que se inicia quando o campo elétrico nas imediações de um condutor excede determinado valor crítico. as matrizes de transformação são consideradas reais e constantes. calculadas em uma frequência média representativa do fenômeno transitório associado. com o objetivo de evitar as diversas convoluções no tempo e reduzir o esforço computacional. 1982). 1995) ou emprego da transformada rápida de Fourier no domínio da frequência (Moreno & Ramirez. Os elementos da matriz de impedâncias características no domínio modal são aproximados por funções racionais no plano de Laplace.2. 1997). iniciando uma reação em cadeia. assimétricos ou de cabos subterrâneos. o método de J. Martí (Martí.

geralmente adotado como ¾. m: Fator de rugosidade da superfície do condutor. 1 para descargas negativas e ½ para descargas positivas. 2010). a segmentação dos vãos com a alocação de ramos de elementos não lineares ou métodos de solução baseados em diferenças finitas. . pode ser evidenciado pela Equação (2-48). que estabelece a relação entre a velocidade de propagação do surto e os parâmetros de uma linha sem perdas. 1 0. 1999). 25 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . como por exemplo. A aplicação do modelo consiste em obter um ajuste para o raio equivalente do condutor antes que a simulação seja iniciada. 1982. apresentada por McCann (MaCcan. . a capacitância passa a ser uma função da tensão e/ou das derivadas da tensão. O efeito de distorção. Conforme mostrado na Equação (2-50) (Martinez-Velasco. Neste caso.… .Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte positivos se torna autossustentável (EPRI. A representação do efeito corona pelo aumento do raio do condutor. correspondente ao retardo na frente de onda. r: Raio do condutor em cm. . . 2010). p: Fator de polaridade. Rocha. o envelope de corona é considerado cilíndrico e simétrico e o raio máximo de corona é calculado conforme a Equação (2-51). δ: Umidade relativa do ar. 2009).308 (2-49) √ Na Equação (2-49) tem-se que: g : Rigidez dielétrica do ar em um campo uniforme (30 kV/cm). 1947) é uma das primeiras propostas de modelagem que objetiva quantificar a influência do efeito corona na propagação de correntes de surtos em sistemas de energia. (Almeida. 1 √ / (2-48) Peek apresenta uma fórmula para o cálculo do valor crítico de campo para início de corona. : Máxima tensão aplicada. 2010) quando o efeito corona aparece na linha. 2 (2-51) Na Equação (2-51) tem-se que: : Altura média ponderada do cabo. O resultado macroscópico da dissipação de energia em função da injeção de cargas espaciais no entorno do condutor se traduz na atenuação e distorção das ondas eletromagnéticas. Equação (2-49) (Martinez-Velasco. (2-50) Para resolver esta equação não linear diversas metodologias têm sido propostas (Cunha.

Equação (2-52). 1955) ao ser integrado a um programa de cálculos de transitórios. (2-52) Na Equação (2-52) tem-se que: R : Raio efetivo considerado. que representa o campo crítico de início de corona. este método de simulação. na forma como originalmente apresentada. O modelo proposto por Wagner em 1955 (Wagner & Lloyd. proporcionam um aumento discreto da capacitância. não é a mais adequada (embora figure em uma aproximação razoável). Evidentemente. r: Raio do condutor. esta abordagem. Além disto.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte : Campo crítico de origem de corona. aumentando gradativamente a contribuição dos ramos paralelos. pois não leva em conta a variação dinâmica dos parâmetros transversais do sistema em causa implicando em resultados conservadores. Segundo Carneiro e Martí (Carneiro & Martí. ou raio equivalente do feixe de subcondutores sem efeito corona. os diodos entram em condução. Quando o valor instantâneo da onda de sobretensão. O resultado da simulação é visto na Figura 2-11. e suas variantes. constituem um efeito indesejado desta modelagem. 1991) as oscilações que aparecem na cauda. limitando sua aplicação em análises realísticas. o valor a ser utilizado na simulação pode ser obtido por meio da média geométrica dos efeitos de acoplamento com e sem envelope de corona. embora a distorção na forma de onda e o valor máximo da sobretensão não sejam alterados. as perdas de energia pela deposição de cargas são caracterizadas pela alocação de elementos lineares com parâmetros concentrados nos intervalos dos vãos segmentados. consegue de certa forma reproduzir o efeito observável da evolução do envelope de corona. que se propaga no condutor. considerando a variação dinâmica da capacitância. 26 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . A Figura 2-10 mostra um trecho do circuito utilizado para simular o efeito corona. Por fim. devido ao chaveamento dos diodos e às reflexões nas junções dos segmentos. Neste modelo. V I V V Figura 2-10: Simulação do efeito corona por circuitos análogos. é maior que a tensão da fonte contínua.

adotando uma margem de segurança. 1987. Esta postura conservadora é justificada mediante as estilizações e incertezas envolvidas no cálculo probabilístico do desempenho. 1989). Desta forma. a dificuldade em obter medidas de tensões e correntes que possam servir para comparação com resultados derivados da aplicação de modelos (Soares. (Suliciu & Suliciu. por exemplo. assume-se que o modo de propagação nestes elementos. 27 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a geometria complexa destas estruturas introduz como principal limitação. é dominado pelo modo transversoeletromagnético. bem como a apresentação de metodologias mais apropriadas para a representação do efeito corona. Várias metodologias. modelos mais ou menos sofisticados podem ser levantados. representando a torre de transmissão. têm sido realizados com o objetivo de providenciar modelos que traduzam a influência real das torres de transmissão no desempenho de sistemas. A complexidade da estrutura metálica das torres faz com que uma análise realista da propagação tridimensional do correspondente campo eletromagnético seja uma tarefa extremamente laboriosa. Assim. estão disponíveis na literatura. Uma descrição mais detalhada do fenômeno. et al. foge ao escopo deste trabalho. 2001). Entretanto. negligenciando outros tipos de radiação (Cigré. Santiago. em geral. desconsidera a influência do efeito corona. 1981.3 Torres de Transmissão Diversos trabalhos. 1960) quanto experimental (Anderson & Hagenguth. que podem ser acopladas a programas de cálculos de transitórios e que modelam o aumento contínuo da capacitância (baseadas. a maioria das publicações técnicas. 1959).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Figura 2-11: Influência do efeito corona.2. tanto de natureza teórica (Wagner & Hileman. por uma linha de transmissão vertical com parâmetros distribuídos. Sob uma perspectiva experimental. 2. dedicadas ao estudo probabilístico do desempenho de sistemas de transmissão frente a descargas atmosféricas. Gary. 1991). na característica Q-V da linha). em termos práticos..

estruturas radiantes ou uma combinação destas abordagens.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte caracterizada por uma impedância de surto e uma constante de propagação. introduzindo componentes de circuitos. o máximo potencial no topo da torre ocorre quando . 1934). 60 ∙ √2 (2-54) Ω Na Equação (2-54). devido entre outros aspectos. impedância variável. Outras aproximações consideram a atenuação e distorção das ondas de tensão e corrente. apresentam variações na proposta de representação das estruturas das torres de transmissão e na expressão do cálculo da impedância de surto. Quando a modelagem por parâmetros distribuídos é adotada. 1960) utilizam as equações de campo e aproximam a silhueta da torre por um perfil geométrico simples sobre um plano condutor perfeito.2 90 60 Nesta expressão. a variável cilindro. apresentada por Jordan em 1934 (Jordan. elementos de circuitos (parâmetros concentrados). 2001). conforme mostrado na Equação (2-55). desprezando as perdas por efeito Joule e os efeitos não lineares quando conveniente. Neste trabalho. Wagner e Hileman (Wagner & Hileman. à necessidade de integração dos modelos equivalentes com programas de cálculos de transitórios. Para a referida solicitação. t é o tempo e r é o raio do cilindro equivalente. desenvolvida para o cálculo da impedância de surto em linhas com cabos para-raios. (2-53) Ω é a altura da torre e é o raio equivalente do Outros trabalhos baseados em premissas simplificadoras similares (Anderson & Hagenguth. levando em consideração a condutividade finita do solo. Neste caso. o perfil estudado é aproximado por um cilindro na posição vertical e a impedância é obtida por meio da aplicação direta das equações de campo. Esta simplificação é inserida em diversas aplicações práticas. 138. A relação encontrada é mostrada na Equação (2-54). Uma representação apenas por elementos de circuitos com parâmetros concentrados pode ser considerada se as frequências dominantes da onda incidente estiverem associadas a comprimentos de ondas muito maiores que as dimensões da estrutura. Wagner & Hileman. 28 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . o desafio está em derivar expressões generalizadas para o cálculo da impedância característica que varia com a altura e configuração das torres. Portanto. os autores avaliaram o resultado neste instante. A Equação (2-53) mostra uma fórmula. 1960). c é a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas (adotada como a velocidade de propagação da luz no espaço livre). 1959. Os principais modelos encontrados na literatura consideram a representação destes elementos por meio de uma impedância constante. objetivando equacionar a impedância frente a injeção de um degrau de corrente. a alocação de uma linha vertical equivalente torna o modelo complexo (Soares.

. Sargent e Darveniza (Sargent & Darveniza. Chow e Srivastava (Chisholm. Chow e Srivastava (Chisholm. Neste trabalho. 1983) mostraram que a impedância característica é um parâmetro dependente do modo de injeção da corrente. h : Distância vertical entre o meio e o topo (m). sendo Λ o seno da metade do ângulo que define a abertura do cone. entre valores calculados e os resultados obtidos experimentalmente. mediante a aplicação de ondas de corrente descritas por outras funções matemáticas. 1969). r : Raio da base (m). é a altura da estrutura e é o raio equivalente do cilindro. 29 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a capacitância própria do objeto é computada conforme a Equação (2-58). para a maioria das aplicações de interesse prático. h : Distância vertical entre a base e o meio (m).. A Equação (2-57) apresenta a expressão deduzida para a dada aproximação utilizando um valor médio ponderado para o raio. por meio de realizações de natureza teórica e experimental. 1985) dando sequência aos trabalhos originados por Chow e Yovanovich (Chow & Yovanovich. a representação da estrutura por um cone invertido pode assegurar melhor concordância (frente a incidências horizontais). Neste trabalho. em uma nova publicação Chisholm. De acordo com a aproximação adotada. apresentam uma metodologia para o cálculo da impedância de torres com secção transversal não circular. variando. evidenciaram a necessidade de reformular a expressão obtida por Wagner e Hileman. representando a estrutura por uma capacitância concentrada. Em 1985. 60 ∙ cot 2 60 ∙ cot 1 tan 2 Ω (2-57) Nas equações acima. Este resultado é mostrado na Equação (2-56). é proposta uma aproximação do perfil analisado por um cone e verifica-se que esta caracterização produz um resultado que independe da forma de onda da corrente solicitante. 1982). 60 ∙ (2-56) √2 Ω Λ Chisholm. et al. os autores apontam ainda que. portanto para incidência vertical e horizontal. r : Raio do meio (m). H h h Altura total da torre (m).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 60 ∙ √2 2 (2-55) Ω Na Equação (2-55). et al. tem-se que: r : Raio do topo (m).

Com o objetivo de superar esta limitação. 2∙ ∙ ξ∙ √ ∙ ∙ 2 1. igual a 8. 3 Ω Ω (2-60) (2-61) (2-62) Nas equações acima. 1994). consiste em quatro subdivisões constituídas por condutores filamentares sem perdas e intercaladas por circuitos RL paralelos.. esta abordagem apresenta. Hara e O. para o cálculo da impedância de um arranjo de condutores cilíndricos 30 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . baseadas em modelos segmentados que têm sido propostas. estabelecido para estruturas de circuito duplo. al. 2003). 1991). τ ∙ (2-59) Apesar da praticidade e eficácia intrínsecas à técnica de modelagem das estruturas metálicas das torres por linhas de transmissão verticais. Dentre as metodologias. 1996) e Gutiérrez (Gutiérrez. T. : Coeficiente de atenuação ξ: Coeficiente de amortecimento Ametani e outros (Ametani et. Z : Impedância da secção inferior.854 10 Γ: Relação entre a máxima altura e máxima largura. 1991). obtida empiricamente. destacam-se aquelas apresentadas nos trabalhos de Ishii e outros (Ishii. entre outras desvantagens. A : Área da secção em m . O modelo apresentado em Ishii e outros (Ishii.. 1994) apresentam uma relação. a impedância de surto e o tempo de trânsito da estrutura podem ser relacionados pela Equação (2-59). respectivamente. 2005). sugere-se a segmentação da estrutura em unidades de comprimento reduzido (Teixeira. F/m. (2-61) e (2-62). tem-se que: Z : Impedância das três secções superiores da torre. 2. et al. Uma vez encontrada a capacitância.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte C √2Γ ln 4Γ ε 4 (2-58) Na Equação (2-58) tem-se que: ε : Permissividade elétrica do vácuo. são calculados conforme as Equações (2-60). a impossibilidade de monitorar a distribuição temporal das sobretensões em pontos diferentes das extremidades. Os valores dos resistores e indutores. et al. Ametani e outros (Ametani et. al. Yamamoto (Hara & Yamamoto. em uma primeira aproximação.

2. Após a devida correção. classificam os modelos de representação dos eletrodos de aterramento quanto à natureza dos parâmetros (concentrados ou distribuídos) e quanto à linearidade (lineares ou não lineares). assegurando níveis aceitáveis de distribuição de potenciais e tensões induzidas. 60 ∙ 2 2√2 2 Ω ∙ 2 ∙ 3 ∙ (2-63) 4 Nas equações acima. é um componente de singular importância na determinação do desempenho. que a expressão de indutância apresentada por Jordan em 1943 (Jordan.. Teixeira e outros (Teixeira. 2. as correntes transitórias (descargas atmosféricas e faltas). A referida expressão é aplicada ao cálculo das impedâncias de surto dos segmentos.. 2011. tem-se que: : Números de condutores. apresentava um erro. Grcev.. 1943b). presente em toda a extensão do sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica. : Raio dos condutores (m). com base no conceito de potencial vetor magnético. et al. Desta forma. Em 2006. Alípio. os autores ainda apontam que há concordância entre os resultados derivados experimentalmente e a fórmula deduzida por Jordan. Visacro & Soares. et al. 2008).. et al. por meio de deduções eletromagnéticas. Conti e outros (Conti. Alípio. características das descargas atmosféricas. 2012 A. : Comprimento do segmento n. et al.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte (Equação (2-63)). et al. Alípio. a nova fórmula foi aplicada para traduzir o comportamento da torre de medição da Estação do Morro do Cachimbo. 2006) mostraram. tem sido extensamente discutida na literatura técnica: (Alípio. cada secção da estrutura é representada por uma linha de transmissão vertical com múltiplos condutores que poder ser substituída por uma representação simplificada com um único condutor equivalente. 2002). Sua principal função é providenciar um caminho controlado de baixa impedância para dispersar para a terra. No modelo proposto. 2009. identificam-se as seguintes abordagens: 31 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET ..4 Sistemas de Aterramento O aterramento elétrico. dentre outros. 2005. A adequação de modelos confiáveis que traduzam o comportamento da malha de terra frente às solicitações impulsivas. 2012. : A distância entre dois condutores adjacentes (m).

b) Modelos a parâmetros concentrados não lineares: Assim como os elementos descritos no item anterior. Neste modelo. Normalmente. não se adequando a representação de hastes verticais e configurações genéricas. são representados por uma linha de transmissão com parâmetros uniformemente distribuídos com um terminal não conectado.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte a) Modelos a parâmetros concentrados e lineares: Neste caso as dimensões geométricas do eletrodo são desconsideradas. (2-64) 1 2 (2-65) Nas Equações (2-64) e (2-65). Entretanto. de maneira a excitar todos os pontos do elemento simultaneamente. admitindo com base em desenvolvimentos fundamentados nas equações de Maxwell. apropriado para a representação de eletrodos curtos. cujo valor é determinado por relações matemáticas formuladas para diferentes configurações geométricas. o valor da resistência ( ) assume um comportamento não linear quando a corrente instantânea ( ) excede a corrente crítica de ionização do solo . 400 : Campo crítico de ionização do solo. Equação (2-65). Assim. c) Modelos a parâmetros distribuídos e lineares: Estes modelos buscam traduzir de forma mais realista o fenômeno físico de propagação das ondas eletromagnéticas. esta caracterização baseia-se na consideração de distâncias eletricamente curtas para os percursos em causa. que as distribuições dos correspondentes campos elétricos e magnéticos são funções das variáveis espaço e tempo. Um exemplo de modelo não linear a parâmetros concentrados é mostrado na Equação (2-64) (Cigré. os modelos empregados objetivam introduzir a quantificação do efeito não linear de ionização do solo. o comportamento do sistema de aterramento pode ser caracterizado por meio da inserção de um resistor linear (ou associação simples de elementos lineares de circuitos) a parâmetros concentrados. em sua formulação. tem-se que: R : Resistência em baixa frequência e baixa corrente. d) Modelos a parâmetros distribuídos não lineares: Caracterizam-se pela consideração das dimensões espaciais dos eletrodos por meio da síntese 32 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . ρ : Resistividade do solo. Esta modelagem é limitada a análises de condutores horizontais. assumindo que as ondas trafegam com velocidades infinitas (aproximação adequada em aplicações de baixas frequências). 1991).

Os seguintes parâmetros podem ser utilizados para caracterizar adequadamente um sistema de aterramento com configuração geométrica genérica e considerando a variação dos parâmetros do solo com a frequência (Visacro. (Alípio.. Neste domínio é possível incluir os efeitos da variação dos parâmetros do solo com a frequência. (Alípio. Apesar do nível de detalhamento do modelo. 2012. Alípio. 2009. em termos práticos. Neste trabalho. apresentam comportamentos impulsivos insensíveis. et al. considerando as diversas formulações disponíveis na literatura para avaliação da sensibilidade dos parâmetros do solo com relação a frequência. como o caso de cabos contrapeso dos sistemas de transmissão. Pedrosa. 2008. ainda. Pedrosa. pois é validada por meio de comparação com resultados experimentais. et al. 2010): 33 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . (Alípio. 2007. 2012.. 2010. ser classificados quanto ao domínio em que o transitório associado é solucionado.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte de modelos baseados na teoria de propagação de ondas eletromagnéticas e pela quantificação dos processos de ionização do solo. 2008).. Pedrosa. 1992) e modificada por Alípio (Alípio. Visacro & Alípio. Contudo. ao efeito de ionização do solo. quanto ao comportamento exato de tais parâmetros. (Alípio. os cálculos são realizados no domínio da frequência e a resposta no tempo é obtida pela aplicação da transformada inversa de Fourier. Pedrosa (Pedrosa. corresponde a um aspecto fundamental na caracterização de fórmulas empíricas. 2008). A variação dos parâmetros do solo (condutividade e permissividade elétricas). representados pela sensibilidade dos parâmetros transversais a estes fenômenos não lineares. 2008. Visacro & Soares. 2005). É merecedor de destaque que aterramentos que apresentam configuração geométrica distribuída. as dificuldades associadas à implementação da técnica na consideração dos efeitos não lineares e nos processos de transformação frequência-tempo.. Pedrosa.. 2012. Embora não haja consenso na literatura. a dependência da frequência e as tendências gerais destes parâmetros são amplamente corroboradas. 2010) apresenta um estudo comportamental de eletrodos de aterramento. como por exemplo.. experimentos e modelos numéricos que aproximem o real comportamento dos eletrodos de aterramento frente a fenômenos transitórios originados por descargas atmosféricas. 2012 A). por meio de simulações baseadas no Hybrid Electromagnetic Model (HEM). em relação à frequência. é a mais precisa. 2011). de acordo com a metodologia proposta por Visacro (Visacro. et al. que não pode ser negligenciada mediante ao extenso espectro harmônico das solicitações impulsivas. Os métodos disponíveis podem. esta metodologia apresenta algumas desvantagens. Os modelos derivados da aplicação direta da teoria do campo são usualmente desenvolvidos no domínio de Laplace. et al. Alípio. assim como o elevado esforço computacional demandado. et al. (Visacro. da precisão obtida e da generalidade na aplicação a diferentes configurações. 2005). et al.

(2-70) 6. os fasores de potencial elétrico (V()) no ponto de injeção de corrente (I()) têm como referencial o terra remoto. Traduz a eficiência do aterramento. Equação (2-67). o isolamento é efetuado pela associação de isoladores em cadeia. Nos sistemas de transmissão.5 Cadeias de Isoladores Os componentes do isolamento elétrico têm por finalidade assegurar a sustentação mecânica de elementos energizados por meio de estruturas que apresentem propriedades altamente dielétricas em condições normais de operação. Impedância harmônica – Impedância complexa no domínio da frequência. transformada inversa e direta de Fourier.2. A correspondente impedância é uma função da geometria. (2-66) 2. Comprimento efetivo – Corresponde ao ponto crítico a partir do qual o aumento do comprimento do eletrodo não implica em uma significativa diminuição do valor da impedância impulsiva. (2-69) 5. Equação (268). Equação (2-69). Impedância impulsiva (Zp) – Definida como a razão entre o pico de tensão transitória (Vp) e o máximo valor instantâneo da corrente (Ip) no ponto de injeção no domínio do tempo. Nesta definição. dimensionados para suportar as pronunciadas diferenças de potenciais resultantes da superposição das sobretensões transitórias com as tensões de operação em regime 34 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Resistência de Terra (R) – Valor da resistência do aterramento em baixa frequência.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 1. 2. definido como a relação entre a elevação de potencial no ponto de injeção de corrente (V) e a corrente injetada (I). (2-67) 3. Equação (2-70). determinado essencialmente por suas características geométricas e pela resistividade do solo. das propriedades eletromagnéticas do elemento e do solo. Coeficiente impulsivo (A) – É a relação entre a impedância impulsiva e a resistência de terra. onde e significam respectivamente. Tensão transitória (v(t)) – Tensão ao qual o sistema de aterramento é submetido quando solicitado por uma corrente impulsiva. (2-68) 4. Equação (2-66).

o processo de disrupção dos materiais dielétricos é função de vários fatores relacionados aos aspetos construtivos dos isoladores e à natureza da solicitação elétrica aplicada. 2010). Neste sentido. a saber: 1) Isolamentos auto recuperantes ou auto regenerativos: Caracterizam-se pela capacidade de recomposição das suas propriedades dielétricas após a disrupção. como no caso do isolamento em ar. descrita na Equação (2-72). 2003) o isolamento dos sistemas elétricos pode ser classificado em duas categorias. assume que existe a probabilidade de ocorrência de ruptura para uma tensão nula (Martinez-Velasco. duração. 2010). por se comportarem de maneira característica. Os isolamentos autorregenerativos. é conveniente destacar que esta distribuição probabilística não caracteriza a suportabilidade do isolamento de maneira fisicamente consistente. De acordo com L. admitem uma distribuição de probabilidade das tensões nominais suportáveis (Zanetta Júnior. De modo geral. Zanetta (Zanetta Júnior. Os ensaios realizados no isolamento elétrico de equipamentos são. 2003). que estressam estas cadeias continuamente. 2) Isolamentos não auto recuperantes: São aqueles em que a disrupção elétrica danifica ou deteriora permanentemente suas propriedades dielétricas. pois ao considerar o limite inferior de integração como ∞. Desta forma. adotada na norma IEC 60071 (MartinezVelasco. 1 ∝ ∞ (2-72) 35 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Tais propriedades são recuperadas pela própria renovação do meio dielétrico. que geralmente é descrito por uma distribuição normal acumulada como mostrada na Equação (2-71). partes internas de equipamentos isolados com papel impregnado ou mesmo materiais plásticos. Portanto. como por exemplo. não se conhece a distribuição estatística de suportabilidade deste tipo de aparato aos impulsos padronizados. Particularmente. Para estes isoladores é necessário quantificar os parâmetros que definem o perfil de distribuição estatística da suportabilidade ao impulso atmosférico ou de manobra. polaridade e perfil da onda de corrente injetada. entretanto. tipo e estado físico do meio isolante (Zanetta Júnior. 2010) figura em uma aproximação mais sensata. a distribuição de Weibull. C. assim como a distribuição espacial do campo elétrico. 1 (2-71) 2 Apesar de tal representação adequar-se à maioria das aplicações práticas. destacam-se como fatores dominantes a magnitude. destrutivos. é imperativo especificar a tensão crítica de ruptura para a qual a probabilidade de disrupção é 50%. consegue modelar um limite inferior de suportabilidade não nulo com probabilidade de ocorrência igual a zero (Martinez-Velasco. em geral. 2003).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte permanente senoidal. No caso da distribuição Gaussiana este parâmetro corresponde ao valor médio. uma vez que.

Nível de tensão de operação da linha (kV) 69 138 230 345 500 Valor mínimo de tensão suportável ao Impulso atmosférico (TSIA) 380 650 975 1240 1612 Valor usual da TSIA 450 850 1200 1350 1750 Em estudos de modelagem aplicada. Os métodos de integração. visando quantificar os acoplamentos entre os condutores e as partes metálicas aterradas. cujo estado é modificado quando o valor instantâneo da tensão através do isolamento excede um determinado limiar. para impulsos não normalizados.2. 36 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2008). Adaptado de (Visacro. para níveis típicos de tensão. 2. 0 1 (2-73) Apesar da fácil implementação. superiores aos mínimos devido ao emprego de maior número de discos nas configurações consideradas (Cemig. introduzem o cálculo recursivo da suportabilidade dielétrica.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Na Tabela 2-4 são indicados os valores mínimos de suportabilidade das cadeias de isoladores. supondo que o isolamento por um determinado intervalo de tempo sem sofrer danos. esta abordagem não modela a influência do tempo na rigidez dielétrica durante o processo de ruptura. Esta relação foi estabelecida empiricamente para modelar o comportamento da tensão de ruptura em transformadores.1 Método de Integração A formulação mais simplificada para representação das cadeias de isoladores na avaliação de desempenho é baseada na utilização de uma chave controlada por tensão. 2010). 2005). Tabela 2-4: Níveis de suportabilidade para isoladores de vidro e porcelana. as cadeias de isoladores são usualmente representadas por chaves controladas por tensão ou por resistores não lineares com a possibilidade de alocação de capacitâncias em paralelo. pudesse suportar a tensão é utilizada para ponderar a importância relativa atribuída ao tempo e à A constante amplitude da tensão (Braz. objetivando representar a característica tensão-tempo adequadamente. mostrado na Equação (2-74). assim como os valores usuais. As subseções subsequentes apresentam de forma objetiva as principais técnicas aplicadas disponíveis na literatura e sugeridas em guias padronizados. Equação (2-73). (Cotton & Kadir.5. 2011). que encontram suas bases em trabalhos desenvolvidos na década de 1950.

: Constante que depende da geometria do centelhador e da polaridade da tensão aplicada. os métodos de integração apresentam algumas limitações: 37 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . P. tem-se que: : Instante no qual a tensão aplicada excede o limiar de suportabilidade dielétrica. a relação. Diversas propostas têm sido consideradas para o ajuste dos parâmetros da equação do efeito disruptivo (Caldwell & Darveniza. (2-75) . (2-78) No caso do modelo proposto por Kind uma seleção otimizada dos parâmetros pode ser conseguida fazendo 1 e aplicando a referida equação a todos os pontos amostrados. Segundo C.. A Equação (2-75) proposta por Kind foi estabelecida com base na função de propagação da extremidade do canal apresentada na Equação (2-76). descrita pela Equação (2-77).Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte (2-74) Uma relevante contribuição aos estudos de desempenho do isolamento elétrico foi apresentada por Kind (Kind. Ancajima. Nesta aproximação. o tempo de atraso no processo de disrupção de um centelhador a ar é a soma do tempo de atraso estatístico . de modo a possibilitar o ajuste de que resulte em um conjunto de valores de com o menor desvio padrão (Ancajima.. 2011). . considerando sua velocidade como uma função do degrau de sobretensão do centelhador. et al. : Constante especificada pela configuração geométrica dos eletrodos. Apesar da simplicidade de aplicação e da qualidade dos resultados obtidos mediante a uma aproximação adequada dos termos envolvidos na equação do efeito disruptivo. com o tempo de atraso devido à formação da coluna de descarga . apresentada na Equação (2-78). deve ser satisfeita. para a maioria dos modelos adotados. 1958). et al. como resultado de ensaios realizados em centelhadores a ar. 1973. 1997. 2004). Entretanto. 2007). corresponde ao máximo tempo de disrupção registrado. Kind assumiu que o processo de disrupção se iniciaria quando o valor em um instante . Chowdhuri. o qual instantâneo do impulso de teste excedesse o valor crítico terminaria em . Braz (Braz. (2-76) (2-77) Nas equações acima. Admitindo que pudesse ser desprezado.

Nesta equação. Um exemplo deste tipo de formulação pode ser visto na Equação (2-80) que apresenta uma relação. o sistema de equações não lineares passa a não convergir. devido à baixa precisão apresentada na avaliação de ocorrências com pequenas probabilidades de ruptura (quando o mecanismo de ruptura é iniciado em um ponto na cauda da onda injetada). como por exemplo. como por exemplo. para descrever a característica tensão-tempo de cadeias de isoladores de porcelana em sistemas de ultra alta tensão (UAT). a suportabilidade do dielétrico é recalculada a cada instante de tempo e comparada com o valor instantâneo da tensão através dos isoladores.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte a) A necessidade de ajuste prévio dos parâmetros da equação geral por meio da solução de um sistema de equações não lineares mostrado na Equação (2-79). uma vez que o distúrbio causado pela injeção de corrente em um ponto da estrutura seja percebido no ponto monitorado. 2011). 38 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . ou quando os tempos para disrupção são longos. et al.. c) É aplicável apenas a determinadas configurações solicitadas por formas de ondas particulares. 2. O método de cálculo simplificado utilizado pelo IEEE aproveita esta peculiaridade para analisar as sobretensões em instantes de tempo fixos. frente a impulsos não normalizados (Braz. corresponde ao instante de ruptura e é o comprimento da cadeia. (2-79) b) Tem sido reportado na literatura que para cadeias de comprimento superior a dois metros. 400 710 . nas metodologias baseadas em simulações no EMTP. 1975). Em termos de modelagem aplicada.2.2 Curva de Suportabilidade Tensão-Tempo O mecanismo de disrupção dos isoladores pode ser avaliado por meio de equações empiricamente estabelecidas como função do comprimento da cadeia ou espaçamento entre eletrodos. (2-80) Uma das características da utilização da curva tensão-tempo é a insensibilidade à forma de onda da tensão aplicada. Para a solução deste sistema é necessário conhecer no mínimo três pontos pertencentes à característica tensão-tempo.5. sugerida por Darveniza.0 (Cigré. a utilização destas curvas não pode ser generalizada. 2. tendo em vista que sua formulação não leva em consideração a geometria dos isoladores. Por outro lado. Popolansky e Whitehead (Darveniza. 1991).

Desta forma. em termos práticos. 1 (2-81) 39 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . O arco elétrico é estabelecido quando o canal progressivo de descarga atinge o eletrodo oposto. o parâmetro polaridade da tensão aplicada e com o espaçamento entre os eletrodos.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2. A despeito da complexidade do fenômeno físico. caso a tensão não seja suficiente para sustentar a evolução do mecanismo de descarga. o qual depende da geometria dos eletrodos. caracterizando a formação do leader. ou de ambos dependendo da configuração geométrica e da distribuição do campo elétrico. A propagação dos streamers é acompanhada por impulsos de corrente de amplitude apreciável e responde por aproximadamente 30 % do tempo total para a disrupção (Cigré. b) Fase dos streamers: É iniciada quando o campo elétrico crítico para início de corona é excedido e termina quando os streamers (canais precursores filamentares) atravessam o gap completamente. 1991).5. considerando que a tensão aplicada apresenta elevadas taxas de crescimento. esta fase pode ser negligenciada sem introduzir maiores erros (Cigré. observa-se a movimentação de cargas a partir de um dos eletrodos. ou pela interrupção do processo de ruptura.2. O deslocamento de cargas resulta na formação de um canal ionizado. 1996) estabelece uma relação para determinar o intervalo de tempo necessário para a formação do leader.3 Modelo de Progressão do Leader A ruptura dielétrica é um processo físico complexo e de múltiplos estágios. 2010). denominado leader. A Equação (2-81) (Montoyama. o processo de disrupção é usualmente divido em três etapas (Cigré. é ajustado de acordo com a Nesta expressão. A progressão do leader é um processo discreto. que se inicia quando o campo elétrico entre dois eletrodos excede um determinado valor crítico. a distribuição não uniforme do campo elétrico implica em uma tensão de início de corona muito abaixo da tensão de ruptura. Para a maioria das aplicações de interesse prático. pelo qual os elétrons são acelerados. cuja velocidade aumenta conforme a distância entre sua extremidade e o eletrodo oposto (ou extremidade de outro canal) diminui. A Equação (2-82) é aplicada para formas de ondas com polaridade positiva e a Equação (2-83) para sinais impulsivos de polaridade negativa. comprimento do gap e da taxa crescimento do impulso solicitante (Martinez-Velasco. a) Fase de corona: Inicia-se quando a tensão aplicada ultrapassa determinado limiar. Quando tal limiar é superado. 1991). 1991).

(2-86) Para fins de simplificação. Nesta relação o coeficiente . : O comprimento do gap. . Em geral as expressões encontradas na literatura. empiricamente estabelecida. é função da configuração geométrica dos eletrodos. a propagação do leader é determinada por sua velocidade instantânea que. a duração da fase dos streamers pode ser estimada pela Equação (2-84). 170 .25 E E (2-84) 0. No caso de cadeias de isoladores. da polaridade da onda aplicada e do tipo de isoladores utilizados. essencialmente. é uma função da tensão aplicada e do comprimento do canal. : Comprimento do canal. dado em / . a Equação (2-87) também pode ser utilizada como uma aproximação razoável. não necessariamente correspondendo a um valor teórico esperado. (2-87) 40 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . o campo de referência assume os valores 520 / para solicitações de polaridade positiva e 600 / para ondas de polaridade negativa e o parâmetro representa a quantidade de canais progressivos que irão se desenvolver a partir dos eletrodos. tem-se que: e : Funções empiricamente ajustadas.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 400d 50 460d 150 (2-82) (2-83) Alternativamente. assumem a forma da Equação (2-85) (Cigré. 1991). Tem sido demonstrado que a aproximação mostrada na Equação (2-86) pode ser empregada com precisão satisfatória. 1 t 1. considerando a relação entre a máxima tensão aplicada e a tensão para a qual a probabilidade de ruptura é de 50 %.95 μs c) Fase do leader: Nesta etapa. / (2-85) Na Equação (2-86). : A tensão absoluta através do gap.

2006). como indicado na Equação (2-90). Adaptado de (Salari Filho. A constante de proporcionalidade é aproximada pelo valor 410 / . submetidas a impulsos de formas diversificadas. com erro inferior a 10 %. (2-90) 2. 2001). os modelos baseados na física do mecanismo de ruptura são aplicáveis a uma grande variedade de configurações. onde DLT corresponde a desligamento da linha de transmissão).0 2. pelas Equações (2-88) e (2-89).0 3. Tensão de operação ( 11 e 22 33 66 110 e 132 ) Desligamentos/100 km/ano Aceitável Muito boa 10 5.0 7. cuja finalidade é obter a probabilidade de disrupção entre os condutores energizados e as partes metálicas aterradas.2. avaliando a condição de sustentação do arco pela tensão de operação da linha (Soares. é uma forma de auxiliar um processo de decisão otimizado.5 0. (2-88) (2-89) O tempo total para a disrupção pode ser estimado pela soma do tempo necessário para o início da fase de corona. Tabela 2-5: Qualidade do serviço de linha de distribuição em função da taxa de desligamentos.0 5. respectivamente.5 Interrupção Permanente % 25 20 20 20 41 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte A carga depositada ao longo do canal e a corrente resultante são dadas. Apesar das simplificações adotadas. O cálculo do desempenho.0 1.6 Método de Monte Carlo em Estudos de Coordenação de Isolamento O principal objetivo dos estudos de coordenação do isolamento elétrico frente a descargas atmosféricas é a adequação dos sistemas de transmissão de energia aos padrões estabelecidos de qualificação da continuidade do atendimento (Tabela 2-5 e Tabela 2-6. com os tempos de formação dos streamers e tempo de progressão do leader.

Salari Filho. f) Ponto de conexão ao longo do vão . durante a ocorrência da descarga . . . : Função de probabilidade conjunta. Em face às incertezas inerentes à avaliação da Equação (2-92) e considerando o grande esforço computacional exigido para uma solução completa da equação integral 42 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . b) Valores instantâneos da tensão na frequência de operação. D φ N φ φ . 2001). a variação de cada parâmetro entre seus limites superior e inferior e a densidade de probabilidade conjunta dos fatores envolvidos (Equação (292)).1 Boa 0. 2001. A Equação (2-91) estabelece uma quantificação conceitual para o desempenho total de uma linha de transmissão. Adaptado de (Salari Filho. : Número de desligamentos de um vão.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Tabela 2-6: Qualidade do serviço de linhas de transmissão em função da taxa de desligamentos. e) Ângulo de incidência do canal precursor descendente .1 1 Média 1 5 Má 5 A estimativa das taxas de desligamentos deve considerar a dispersão estatística dos diversos parâmetros dominantes que caracterizam tanto o fenômeno eletromagnético. . . (Soares. . quanto o sistema em causa. considerando o desempenho parcial para uma dada configuração geométrica. . . 2006): a) Resistividade do solo . Qualidade do serviço Desligamentos/100 km/ano Muito boa 0. Sendo o problema intrinsecamente estocástico. tem-se que: : Desempenho total da linha. . : Número de vãos. d) Tempo de frente da onda incidente . c) Amplitude da onda de corrente . (2-91) (2-92) Nas Equações (2-91) e (2-92). os seguintes parâmetros devem ser tratados segundo uma abordagem probabilística (Soares. para um dado conjunto de parâmetros de incidência. 2006). .

tais parâmetros são tratados de forma determinística por meio de seus valores médios ou medianos. mediante a adoção de diferentes metodologias de enfoque prático. O método de simulação Monte Carlo é um procedimento numérico iterativo. Martinez-Velasco & Aranda. não lineares e multidimensionais ou que não possam ser solucionados analiticamente (MartinezVelasco & Aranda. 1977. Sargent. O pacote computacional Flash. qualquer estimativa baseada no método de Monte Carlo corresponde à solução numérica de uma equação integral. ou com o auxílio de algoritmos de simulação numérica que implementem o método de Monte Carlo (Anderson. Este método permite resolver uma grande variedade de problemas. de modo a não proceder diretamente ao cálculo da formulação completa. resultando em um processo de solução mais complexo em comparação às avalições de carácter determinístico. Π 1 (2-93) √ Sendo. pode ser contextualizada pela comparação com diferentes metodologias determinísticas frequentemente empregadas. quer analítica ou numericamente. desenvolvido pelo IEEE.. O tratamento da Equação (2-92) pode ser baseado em procedimentos analíticos (Portela. a desconsideração do efeito de blindagem das torres em linhas não protegidas por cabos para-raios etc. Desta forma. (Borghetti. Em um sentido estritamente formal. admitindo a mesma função de erro (Equação (2-93)) para um número arbitrário de dimensões. 1972. conforme mostrado na Tabela 2-7. 2008). N: Número de iterações. na forma da Equação (2-94) (James. a adoção do fator de 60% para incidência nas torres. 2002). 1980). É conveniente destacar que este procedimento pode ser 43 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Martinez-Velasco & Aranda. 1983). 1961. Uma das potencialidades da aplicação deste método. 2005. 2011): a avaliação da sobretensão nas cadeias de isoladores por meio da característica tensão-tempo. um conjunto de simplificações é geralmente adotado. 2001). devem ser objetos de uma investigação mais cuidadosa (Alvarez. tanto de natureza estocástica quanto determinística. somente nos instantes 2 e 6 . é baseado nesta metodologia (Chisholm. 2001). Shelemy & Swatek. na solução de problemas de integração. Neste caso. et al. b) Abordagem probabilística: A natureza estocástica do problema é evidenciada por meio da aplicação de funções densidade de probabilidade estatística.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte apresentada. geralmente aplicado na resolução de problemas complexos. Fonseca. 2001. Dentre as diversas simplificações adotadas na estruturação deste programa. duas abordagens têm sido empregadas: a) Abordagem determinística: Caracteriza-se por uma postura simplificada tanto na consideração dos parâmetros envolvidos quanto na adoção dos modelos utilizados.

Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte
codificado em algoritmos computacionais relativamente simples, cuja estrutura não está
condicionada à complexidade do domínio de integração.
,

I

,

,

. . .

,

. . . ,

. . .

(2-94)

Tabela 2-7: Comparação das funções de erro associadas às diferentes técnicas de
solução de problemas de integração numérica. Adaptado de (James, 1980).
Método de integração
Monte Carlo

Em uma dimensão Em ‘d’ dimensões

Integração Trapezoidal
Regra de Simpson
Quadratura Gaussiana
Em termos práticos, a solução de problemas pelo método de Monte Carlo é
baseada nas seguintes premissas:
a) O modelo matemático do sistema de interesse é conhecido, podendo
apresentar um comportamento inteiramente aleatório e alguns de seus
parâmetros apresentarem-se com incertezas;
b) As variáveis de entrada são conhecidas e podem ser selecionadas
segundo funções de densidade de probabilidade caso apresentem
natureza aleatória;
c) Os recursos computacionais são disponíveis para geração de sequências
numéricas pseudoaleatórias;
d) O procedimento para analisar as variáveis de saída e obter suas
distribuições estatísticas é disponibilizado.
No cálculo de desempenho, a implementação da técnica consiste em proceder a
um grande número de simulações atribuindo valores diferentes aos parâmetros
, , , , , a cada nova execução. Estes valores, componentes dos
envolvidos ,
múltiplos cenários amostrados, são selecionados de acordo com suas respectivas
distribuições de densidade de probabilidade estatísticas, ajustadas a partir de avaliações
experimentais.
A Figura 2-12 mostra uma estrutura a ser implementada segundo uma visão
geral. Os passos a serem executados por programas computacionais fundamentados em
tal abordagem são (Soares, 2001):
1. Definição dos parâmetros de acordo com suas funções de densidade
probabilística;
2. Aplicação do modelo eletrogeométrico para a definição do ponto final de
conexão do canal de descarga;
44
PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte
3. Cálculo das sobretensões nos pontos de interesse para verificação da
ocorrência de disrupção nestes pontos;
4. Registro dos eventos de interesse;
5. Verificação dos critérios de parada;
6. Estimativa do desempenho do sistema.
Na definição do critério de parada do processo de simulação é interessante
verificar se o desvio da resposta em torno de uma estimativa é aceitável, assegurando a
convergência do método. O coeficiente de variação dado pela Equação (2-95), cujos
parâmetros são relacionados nas Equações (2-96), (2-97) e (2-98) é usualmente utilizado
como um dos critérios de interrupção do fluxo da simulação (Pereira & Balu, 1992).
Neste caso, o termo

corresponde à variância estatística do estimador

(esperança matemática da variável aleatória
amplitude ).

pertencente a uma amostra de

Figura 2-12: Implementação do método de Monte Carlo.
45
PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte

(2-95)

β

(2-96)

1

(2-97)

(2-98)


1

1

A Figura 2-13 evidencia a aplicação do critério de convergência por meio da
estabilização das variáveis que acumulam as informações das descargas sobre os cabos
para-raios e das ocorrências de saídas de linha. Além do cálculo dos coeficientes de
dispersão, para cada uma das variáveis de interesse, é necessário estabelecer um número
máximo de iterações, assim como um limite inferior de maneira a evitar falsa
convergência.

Figura 2-13: Parâmetros estatísticos para definição dos critérios de parada.
Uma vez definidos os critérios de interrupção, é necessário proceder à geração
das observações aleatórias que determinam a amostra a ser avaliada. Os parâmetros de
entrada, necessários ao cálculo do desempenho, são definidos de acordo com funções
descritivas de densidade de probabilidade contínuas
, ou por suas distribuições
estatísticas acumuladas
. Pode ser demonstrado que qualquer número aleatório
obtido pela aplicação da inversa da função acumulada

a um valor aleatório com
distribuição uniforme, é um número aleatório com função de densidade de
probabilidade
(Equação (2-99)). Desta forma, a amostragem das observações
empregadas no cálculo probabilístico, pode ser derivada dispondo de um gerador de
46
PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

Em uma análise realística.1. Por outro lado. o EMTP (Martinez-Velasco & 47 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . o ponto final de conexão do canal descendente pode ser deduzido.1. a correspondente variável de controle é atualizada e a convergência do método é imediatamente verificada. Salari Filho. para um dado cenário. O próximo passo consiste no cálculo do transitório eletromagnético e na consequente avaliação da suportabilidade do isolamento elétrico entre os condutores energizados e as partes metálicas aterradas. a aplicação do modelo de incidência pode determinar uma descarga indireta. 2001. Entretanto. é necessário determinar o ponto exato de conexão objetivando atualizar suas respectivas variáveis de controle. como por exemplo. cujos campos eletromagnéticos associados não são capazes de induzir sobretensões nos sistemas de transmissão que superem a TSIA das cadeias de isoladores (Soares.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte números aleatórios com distribuição uniforme no intervalo 0.2. mediante a aplicação de modelos de incidência. Figura 2-14: Funções de densidade de probabilidade e distribuição acumulada para impedância de aterramento. descrito no item 2. Se a amostra incidir na estrutura da linha de transmissão. no caso de trabalhos que adotam uma metodologia de solução auxiliada pela aplicação de programas de cálculos de transitórios eletromagnéticos. Neste caso. (2-99) Com as observações obtidas pela implementação da técnica da transformada inversa e com as coordenadas que determinam as distribuições espaciais dos condutores no perfil analisado. no topo da estrutura metálica das torres ou ao longo do vão. devido às desvantagens associadas à segmentação dos vãos representados. este ponto pode determinar a incidência direta nos cabos para-raios. o MEG. 1 e da descrição matemática da inversa da função acumulada. geralmente são considerados apenas dois pontos de incidência (topo da torre e meio do vão). 2006). como por exemplo. Um exemplo de função de densidade com sua respectiva distribuição cumulativa é mostrado na Figura 2-14. Esta tarefa pode ser realizada com o auxílio de ferramentas computacionais. nos condutores de fase.

o resultado é estimado com base na probabilidade de e o número falha representada pela razão entre o número de disrupções registradas total de ocorrências (Martinez-Velasco & Aranda. relacionado na Equação (2-101). dada pela probabilidade O risco incremental de falha (Equação (2-100)) é definido como o produto das probabilidades dos dois eventos independentes. probabilidade . 2005). inserido em uma região com densidade de descargas para terra . a taxa de desligamentos pode ser obtida conforme descrita na Equação (2-103). o número de desligamentos da linha pode ser estimado. tais parâmetros deveriam ser derivados de sequências numéricas verdadeiramente aleatórias. corresponde ao risco total de falha do isolamento auto regenerativo. Finalmente. cujo efeito integral. Uma sequência de números aleatórios. precisos e não tendenciosos. considerando um trecho de comprimento . dada pela . constitui uma etapa fundamental no processo de solução computacional.2. suficientemente rápidos. decaimento radioativo ou ruídos térmicos em componentes eletrônicos. sendo um deles a tensão . Para a condição determinada. Zanetta (Zanetta Júnior. o cálculo da taxa de desligamentos pode ser computado pela Equação (2-102). O processo é ciclicamente executado até que os coeficientes de dispersão estejam confinados aos limites previamente estabelecidos. De acordo com L.6. C.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte Aranda. como por exemplo. em termos 48 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . somente pode ser gerada por processos físicos. 2002). em uma definição formal. mediante o cálculo do risco de falha pelo método estatístico. a construção de geradores de séries verdadeiramente aleatórias. e o outro a falha no isolamento. Neste caso. 2003) a probabilidade de falha do isolamento. Em princípio. Entretanto. (2-100) (2-101) (2-102) Alternativamente. envolvidos no cálculo do desempenho via simulação Monte Carlo. (2-103) 2. é a probabilidade de ocorrerem dois eventos. em uma faixa definida . Por fim. os contadores de interrupção são reajustados e os critérios de convergência são avaliados. não é uma tarefa simples. inviabilizando.1 Geração de sequências aleatórias e pseudoaleatórias A obtenção dos parâmetros estocásticos. para um determinada tensão .

assegurando a qualidade das informações. e continua automaticamente. Nesta valor. torna-se particularmente relevante preservar as seguintes características (Billinton & Allan. estabelece um significado para o termo expressão. 1992): a) b) c) d) Aleatoriedade e distribuição uniforme. O processo é iniciado pela escolha do valor inicial. No desenvolvimento de geradores de sequências deste tipo.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte práticos. Com o auxílio destes algoritmos é possível obter sequências com características estatísticas semelhantes às observadas em processos físicos estocásticos. funções matemáticas mais elaboradas usualmente implicam em períodos mais curtos. Pode ser mostrado que a sequência se repetirá em um número de passos menor que . 1980). (2-107) De posse da sequência determinada é possível realizar testes estatísticos padronizados para avaliar parâmetros estocásticos. pois necessitam de maior quantidade de parâmetros na obtenção de um único . 1 . Os valores obtidos são normalizados com relação a este valor (Equação (2-106)). Reprodutibilidade. Eficiência computacional em sua concepção. a exemplo da Equação (2-104). confinando as soluções no intervalo 0. o desenvolvimento deste tipo de aparato (James. Período longo (ciclo do gerador). e ̅ . a utilização de expressões matemáticas mais complexas não necessariamente afetará a entropia dos resultados. o gerador é classificado como “multiplicativo”. Neste sentido. os geradores baseados em algoritmos determinísticos apresentam-se como uma alternativa interessante. Na implementação de tais geradores. Os geradores multiplicativos congruentes baseados em fórmulas matemáticas simples. convenientemente referenciadas como pseudoaleatórias. Se ̅ 0. Na realidade. 49 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . corresponde ao máximo inteiro positivo que satisfaça a relação: ̅ ̅ / . quando ̅ 0. A Equação (2-105). também chamado “semente”. o gerador denominado “gerador misto congruente”. ̅ ̅ ̅ ̅ (2-104) (2-105) A sequência obtida a partir da Equação (2-104) é determinada pela seleção adequada dos parâmetros inteiros e não negativos ̅. Por outro lado. porém não completamente aleatórias no contexto matemático. como independência e aleatoriedade. compõem os algoritmos mais ordinariamente empregados.

Assim como a representação matemática da distribuição normal acumulada. 1 (2-107) √2 O algoritmo de Box-Muller é mostrado nas Equações (2-108) à (2-111). O referido método é baseado em um procedimento matemático para a solução de equações integrais na forma da expressão mencionada. entretanto. ou analogamente .6. portanto. a transformação inversa é inviabilizada. Θ (2-108) ∈ 0. sendo.2. . a generalização dos dados obtidos pode ser conseguida de acordo com as relações mostradas nas Equações (2-112) e (2-113). Esta tarefa é usualmente realizada pela aplicação da técnica da transformada inversa. Entretanto. cuja correspondente distribuição acumulada não pode ser reduzida a uma forma fechada. A grande vantagem na aplicação deste método é a praticidade na obtenção de duas variáveis aleatórias independentes e com distribuição normal.2 (2-110) cos Θ . pode ser mais facilmente solucionado. Desta forma.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2. a partir de duas variáveis aleatórias com distribuição uniforme no intervalo 0.1 2π ′ ′ ′ . a Equação (2-107) não pode ser descrita por uma combinação de funções algébricas em uma curva definida.2 Método de Box – Muller Uma vez que a sequência de números pseudoaleatórios tenha sido gerada. O produto . ′ ′ (2-112) (2-113) 50 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .1 . Neste caso. 2 (2-109) Θ ∈ 0. o fundamento do artifício utilizado pelo método. o algoritmo de Box-Muller provê uma solução satisfatória e de fácil implementação. no caso da distribuição normal de probabilidades. ′ ′ Θ (2-111) As variáveis resultantes apresentam valor médio ( ) nulo e desvio padrão ( ) unitário. os valores resultantes podem ser utilizados para derivar sequências que podem ser ajustadas a diferentes funções de densidade de probabilidade.

na caracterização de modelos de incidência que quantifiquem a interação entre tais eventos e as linhas de transmissão de energia. porém. A implementação do método é estruturada com base no entendimento do fenômeno físico. no Capítulo 3. na representação dos sistemas de transmissão e na avaliação do estado determinado pelas referidas solicitações. procede-se à avaliação dos parâmetros que afetam a probabilidade de desligamento da linha.3 Conclusão Neste capítulo são apresentados os principais aspectos envolvidos no cálculo probabilístico do desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas por meio da técnica de simulação Monte Carlo. destacando a importância do desenvolvimento de técnicas mais precisas que auxiliem a engenharia de proteção (Capítulo 4). baseado nos programas ATP e Matlab. para cálculos de desempenho. é descrita a implementação de um ambiente computacional prático e flexível. 51 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Com as informações referentes à caracterização dos modelos envolvidos e à metodologia de simulação. Antes.Capítulo 2 – Estudo do Estado da Arte 2.

particularmente quanto à velocidade de processamento e capacidade de armazenamento de informação. simuladores analógicos. Evidentemente. compreender e mitigar os efeitos nocivos dos eventos que afetam o regime permanente de operação. a solução por simuladores digitais tem se consolidado como a alternativa mais interessante. evidenciam que praticamente não há limitações para a modelagem dos componentes do sistema elétrico de potência em programas digitais. desempenhar estudos de sensibilidade paramétrica ou avalições estocásticas no ATP nem sempre é uma tarefa simples e pode consumir muito tempo. e que figuram em características complementares em vez de conflitantes.Capítulo 3 – Ambiente Computacional 3 – AMBIENTE COMPUTACIONAL 3. disponível em domínio público. cada uma destas opções apresenta um conjunto de vantagens e de fatores limitantes que devem ser ponderados na adoção da metodologia mais apropriada. Nesta classe de algoritmos. O EMTP é uma ferramenta de simulação digital amplamente empregada na solução de transitórios eletromagnéticos e eletromecânicos no domínio do tempo. exibindo aproximação satisfatória para a maioria das aplicações de interesse prático.1 Introdução A adequação dos mecanismos e dispositivos de proteção em sistemas elétricos de potência pode constituir uma tarefa extremamente laboriosa em face à extensa variedade de fenômenos que solicitam estes sistemas. o comportamento dinâmico do sistema é determinado a partir da solução das equações algébricas discretas e simultâneas que representam o conjunto de equações diferenciais das variáveis contínuas que descrevem o sistema real. O ATP é um pacote computacional do tipo EMTP. O sucesso na utilização de cada uma destas ferramentas está condicionado ao conhecimento dos processos físicos. dos aspectos de engenharia envolvidos e das funcionalidades potenciais do simulador selecionado. a precisão da solução obtida é sensivelmente afetada pela eficiência dos modelos definidos. da representatividade dos dados experimentais e da experiência do especialista responsável pelo estudo. que apresenta as funcionalidades e a confiabilidade das ferramentas comerciais similares. simuladores digitais ou analisadores híbridos podem ser conduzidos. este programa apresenta algumas limitações internas. A flexibilidade oferecida na representação de equivalentes elétricos. em particular. que podem ser acoplados ao algoritmo principal. estudos com modelos em escala reduzida. modelos baseados em desenvolvimentos teóricos e na consideração de características elétricas determinadas por ensaios. Com o desenvolvimento dos recursos computacionais disponíveis. na obtenção de distribuições estatísticas para as múltiplas variáveis consideradas. Entretanto. No caso de análises estatísticas. Objetivando caracterizar. dos processos numéricos adotados. Qualitativamente. boa parte destas 52 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . como por exemplo. A despeito de suas potencialidades e grande utilização.

1992). (Dommel. que centralizou seu compartilhamento até 1992. A partir destes acontecimentos. julgase oportuno fornecer uma sigla apropriada para tal ferramenta. O programa inicial tinha por finalidade. baseada na versão M39. O programa é equipado com uma biblioteca de dispositivos com os principais recursos necessários à 53 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .E. decidiu investir no projeto. o Electric Power Research Institute (EPRI). instalado na Bélgica. a partir da matriz de admitância de barras. incorporou importantes realizações ao programa com a ajuda de diversos colaboradores. quando Scott Meyer e a BPA retomaram a coordenação do programa (Amon Filho. sua formulação matemática é baseada na regra de integração trapezoidal para elementos a parâmetros concentrados e no método das características para a representação de componentes com parâmetros distribuídos (L.Capítulo 3 – Ambiente Computacional restrições pode ser superada por meio de interfaces com programas externos e ou acoplamento de sub-rotinas. que o tornou uma poderosa ferramenta para a simulação de fenômenos transitórios (Amon Filho. Dommel. ou de método de Bergeron. científico e profissional. 1996). 1996). 3.2 Descrição do ACAE-DLT A primeira versão do EMTP foi desenvolvida por H. estabelecendo um processo articulado de desenvolvimento com os usuários do programa. para representar os elementos a parâmetros distribuídos. 1996). que combina as vantagens do ambiente de computação científica Matlab® com as potencialidades já destacadas do ATP. O ATP possibilita a simulação de distúrbios transitórios. O algoritmo principal fazia uso da regra de integração trapezoidal para modelar os elementos a parâmetros concentrados e do método das características. A seguinte sigla foi escolhida: ACAE-DLT. W. denominada ATP. Dommel na década de 1960 para a Bonneville Power Administration (BPA).C. incluindo uma chave e uma fonte de excitação. Este capítulo é dedicado à apresentação dos principais aspectos envolvidos no desenvolvimento de um pacote computacional para estudos de sobretensões e cálculo de desempenho de sistemas de transmissão de energia frente a descargas atmosféricas. a solução de sistemas monofásicos compostos por linhas sem perdas. baseando-se em uma pesquisa realizada entre os usuários do programa. com base nos trabalhos de Frey e Althammer (Brown Boveri. o ATP passou a ser distribuído pelo Leuven EMTP Center (LEC). em sistemas polifásicos de energia. indutâncias. Como um dos objetivos desta dissertação é dar ampla divulgação ao pacote computacional mencionado acima nos meios acadêmico. Divergências entre Scott Meyer e o EPRI levaram a criação de uma nova versão do EMTP. Em 1984. Suíça) (Amon Filho. que significa Ambiente Computacional segundo uma Abordagem Estocástica para cálculo de Desempenho de Linhas de Transmissão. 1987). Assim como a primeira versão do EMTP. capacitâncias e resistências. para aperfeiçoar a versão e a documentação correntes. Scott Meyer assumiu a coordenação do projeto do EMTP em 1973 na BPA. Entre 1964 e 1973.

E. O modelo de simulação de um caso genérico é passado ao ATP por meio de um arquivo padronizado.LIS e de resultados *.C. Além da listagem completa do estudo.PL4. A próxima seção apresenta uma síntese das considerações mais relevantes à modelagem de linhas de transmissão para o cálculo do desempenho. que gera os arquivos de listagem *. 1987). de alocação incorreta de dados e inconsistências lógicas na estrutura de sub-rotinas acopladas.ATP.LIS apresenta uma crítica do arquivo de entrada a partir da qual é possível verificar erros de sintaxe. que pode ser editado em qualquer processador de textos. Antes de apresentar os recursos disponíveis no ATP. cujo padrão estruturado é apresentado na Figura 3-1. et al. que possui extensão *.Capítulo 3 – Ambiente Computacional caracterização de uma configuração arbitrária. 1987.g. pode ser gerado pelo editor gráfico de circuitos (e.C. que suporte o formato ASCII. seguindo um formato de alocação de informações rigidamente preestabelecido (L. ATPDraw) ou diretamente no editor de textos. e prosseguir ao desenvolvimento da interface com o Matlab®. 2003). 54 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Estes dados são interpretados e processados pelo núcleo do programa. usualmente negligenciados em representações tradicionais (L. o arquivo *. geralmente nomeado . Os resultados são apresentados na forma de vetores em colunas para tratamento posterior ou exibição gráfica em ferramentas apropriadas. 1996. Amon Filho.ATP). é interessante caracterizar as principais representações disponíveis na literatura para a realização de cálculos de sobretensões transitórias no ATP/EMTP. Na Figura 3-1 é mostrada a estrutura geral do fluxo de dados entre os aplicativos que compõem o pacote computacional desenvolvido com a colaboração de diversos usuários do programa.. O arquivo principal de entrada. Figura 3-1: Fluxograma do processamento de dados do ATP e estrutura geral do arquivo de entrada (*. além de rotinas auxiliares que permitem a representação de fenômenos físicos complexos e não lineares. Tavares.E.

: Matriz de admitâncias obtida da matriz de impedâncias de surto por meio da relação: . Como uma regra prática para a seleção do número de vãos que devem ser modelados. O parágrafo seguinte resume os principais modelos. (Cigré. é necessário representar uma quantidade maior de vãos (dezoito em média).Capítulo 3 – Ambiente Computacional 3. em torres não blindadas. Por outro lado. capazes de caracterizar adequadamente a natureza distribuída de seus parâmetros e. (3-1) . aproximações e considerações que devem ser adotadas conforme sugerido nestes documentos: a) As linhas aéreas de transmissão devem ser representadas por sistemas polifásicos. Nesta representação. também pode apresentar desempenho satisfatório. . é maior que a metade do maior tempo de frente das ondas incidentes amostradas (IEEE. . O truncamento da sequência de vãos é conseguido com o casamento de impedâncias. Em geral. : É a matriz de impedâncias equivalentes. pode-se adotar uma quantidade para a qual o tempo de trânsito entre a torre atingida e a torre mais distante. Na Equação (3-1) tem-se que: . com custo computacional inferior. com parâmetros calculados na faixa de 400 a 500 kHz. IEEE. IEEE. em sistemas blindados. ou com a introdução de terminações de linha suficientemente longas para evitar reflexões indesejadas nos pontos monitorados. 1996). preferencialmente. b) A modelagem de torres mais usualmente empregada no EMTP é baseada em um feixe de múltiplos condutores ou em um equivalente monofásico que é representado por um condutor filamentar com parâmetros 55 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . . É necessário que os cabos aéreos sejam explicitamente modelados entre as torres. 1997).1 Modelagem do Sistema de Transmissão para Cálculo de Sobretensões Atmosféricas Diversos trabalhos têm sido publicados com o objetivo de estabelecer um padrão na representação dos componentes e equipamentos conectados ao sistema de potência. os elementos com correspondem às impedâncias entre o i-ésimo condutor e o solo.2. Estudos comparativos utilizando o EMTP têm mostrado que o emprego de modelos constantes com a frequência. . a dependência dos mesmos com a frequência. . A Equação (3-1) define a matriz de impedâncias necessária para a representação das terminações. sendo que apenas alguns vãos de linha são normalmente considerados. para estudos de coordenação do isolamento elétrico em linhas aéreas de transmissão e em subestações frente à incidência de descargas atmosféricas. a alocação de mais que três torres adjacentes não afeta o resultado de forma apreciável. 1996. 1991. e os elementos com correspondem às impedâncias entre o i-ésimo e j-ésimo condutores.

no caso de 56 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 2005). os resultados selecionados para compor a estrutura desta dissertação foram obtidos modelando os eletrodos de aterramento por resistores lineares a parâmetros concentrados. o que requer dos modelos a consideração da variação dos parâmetros (resistividade e permissividade elétricas) com a frequência. correntes de descarga apresentam uma parcela significativa de componentes de alta frequência. Todavia.0 10 / . de forma mais precisa. A impedância de surto é um parâmetro dependente do nível de detalhamento da estrutura com valores típicos entre 100 e 300 Ω. Com o objetivo de computar os atrasos gerados pela propagação da corrente de surto. Por outro lado. assume-se que as ondas eletromagnéticas percorrem a estrutura com uma velocidade igual a 80 % da velocidade de propagação da luz no espaço livre 0. et al. Esta consideração é aceitável. No caso de análises em sistemas de Ultra Alta Tensão (UAT) modelos mais sofisticados e detalhados podem ser necessários para quantificar. Alguns trabalhos modelam o aterramento por uma impedância resistiva concentrada. com ampla variação nos valores do parâmetro impedância impulsiva. Entretanto. considerando ou não os processos de ionização nos casos em que correntes de elevada amplitude estão envolvidas. principalmente nos primeiros microssegundos de ocorrência. Em uma primeira aproximação. a composição real da corrente no solo (correntes de deslocamento e correntes de condução) e os acoplamentos mútuos entre os eletrodos (Soares. Esta caracterização tem sido empregada como uma aproximação razoável para torres com alturas inferiores a trinta metros. não afetam a impedância impulsiva de maneira apreciável.8 0. ao se proceder a uma análise de sensibilidade. Evidências experimentais sugerem que em sistemas de cabos contrapesos os processos de ionização que ocorrem apenas nas extremidades. complexo e dependente da frequência ainda é objeto de investigação.8 3. considerando ou não a característica não linear. o ângulo de referência deve ser considerado como uma variável aleatória com distribuição uniforme entre 0° 360° . apesar de inapropriada em estudos mais elaborados. O modelo de resposta em baixa frequência é bastante utilizado. as atenuações e distorções das ondas de tensão e corrente. d) A representação das tensões de operação na frequência industrial pode ser considerada pela alocação de fontes de excitação senoidais ou fontes contínuas equivalentes.Capítulo 3 – Ambiente Computacional distribuídos e sem perdas. pois complementa os modelos empregados mediante as estilizações adotadas e às incertezas inerentes à técnica de simulação Monte Carlo. através dos caminhos paralelos do sistema de treliças. estas limitações podem ser contornadas. Em estudos probabilísticos.. c) A representação precisa do aterramento elétrico em programas de simulação digital é um aspecto crítico e uma caracterização realista capaz de traduzir o comportamento não linear.

um dos vãos adjacentes à torre que é investigada foi particionado de maneira a tornar o ponto médio acessível. destacam-se as funções: rampa triangular.2. em sua biblioteca de componentes. f) As cadeias de isoladores são. Cigré e função de Heidler. A Figura 3-2 mostra um esquema de representação construído no ATPDraw para estudos de descargas atmosféricas em um sistema de transmissão blindado. com a tensão de operação na frequência industrial. 57 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . e) No EMTP o canal de descarga é modelado por um gerador impulsivo de corrente conectado ao ponto de incidência. de acordo com os modelos de disrupção apresentados no Capítulo 2. pois possibilita estudos de sobretensões (nas cadeias de isoladores e no próprio local de impacto) considerando este ponto de conexão. descrevem-se como os principais elementos que compõem o sistema de transmissão são modelados no ATP.2 Recursos para a Representação de Parâmetros e Modelos no ATP Nesta subseção. usualmente. Dentre os modelos integrados. cujas características descritivas representem adequadamente as solicitações suficientemente severas experimentalmente observadas. conforme estabelecido no parágrafo anterior. com valor compreendido entre 100 e 3000 Ω. dispõe de inúmeras representações que podem ser empregadas para modelar as particularidades do canal de descarga com diferentes níveis de detalhamento. 3. aplicáveis ao referido estudo.2. O efeito da impedância do canal pode ser considerado inserindo um resistor linear em paralelo com o gerador de corrente. Como uma regra prática. O ATP. dupla exponencial. Esta segmentação é interessante. modeladas por chaves controladas por tensão ou por resistores não lineares considerando ou não os efeitos dos acoplamentos.2. A escolha do passo incremental de tempo depende da inclinação da frente de onda e do tamanho do menor segmento dos elementos modelados por parâmetros distribuídos. Estes modelos de disrupção não fazem parte das bibliotecas de componentes do EMTP e devem ser integrados com o auxílio de rotinas especiais.1 Fontes de Sinal de Corrente No modelo equivalente do sistema para a simulação de desempenho frente a surtos de origem atmosférica é necessário avaliar os efeitos da sobreposição de uma onda impulsiva de corrente injetada na linha (que origina uma correspondente sobretensão atmosférica). Neste exemplo. considerando uma margem de segurança. sugere-se que o passo de simulação escolhido esteja compreendido entre um e vinte nano-segundos e que o máximo tempo de simulação esteja contido no intervalo entre vinte e cinquenta microssegundos.Capítulo 3 – Ambiente Computacional simulações determinísticas. 3. é conveniente selecionar o pior caso. g) A precisão da simulação digital pode ser comprometida pela seleção inadequada do passo de integração.

b) Comprimento médio dos vãos. exigindo do usuário apenas a configuração de parâmetros como amplitude.2. que os torna inadequados para as múltiplas simulações requeridas pelo método de Monte Carlo. frequência de operação e ângulo de referência. como por exemplo. impedâncias de surto e de sequência. Nestas rotinas.2. Os modelos a parâmetros distribuídos e constantes com a frequência necessitam de ajustes de configuração. Semlyen setup. Tais recursos permitem representar sistemas polifásicos com parâmetros distribuídos e dependentes da frequência. como: a) Coordenadas de cada um dos condutores (fases e para-raios). 2008): modelos a parâmetros concentrados. J. adequadas à simulação de fenômenos transitórios com diferentes faixas de variação de frequência. Martí setup.. Figura 3-2: Diagrama para avaliação dinâmica do sistema frente a descargas atmosféricas conforme descrito na literatura. Os modelos gerados pelas rotinas auxiliares destacam-se como os mais interessantes para estudos estatísticos de desempenho. 58 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 3. Noda setup). os parâmetros da linha são obtidos a partir das características elétricas e estruturais fornecidas pelo usuário. quais sejam (Hailiang. et al. estes componentes integram as bibliotecas do ATP. modelos a parâmetros distribuídos constantes com a frequência.Capítulo 3 – Ambiente Computacional Conforme já mencionado. Assim como as fontes impulsivas. e rotinas auxiliares (Bergeron Setup.2 Linhas de Transmissão O ATP dispõe de três classes de modelos e rotinas auxiliares para a representação de linhas aéreas de transmissão. Os modelos a parâmetros concentrados não são apropriados para simular o mecanismo de propagação de ondas. a tensão na frequência industrial pode ser considerada incorporando fontes de excitação senoidais ou equivalentes contínuas.

Equação (3-2). Em uma primeira análise. no sistema de cabos contrapesos considerado no estudo desenvolvido. os elementos TACS (Transients Analysis Control Systems) e as Models (Dube. os eletrodos de aterramento considerados neste trabalho são modelados por resistores lineares e com parâmetros concentrados.4 Cadeias de Isoladores: Models no ATP Além de uma extensa biblioteca de componentes.2. caso ocorra. não afetando a impedância do arranjo de maneira considerável. 3. a influência das estruturas das torres nas sobretensões. monitoradas em pontos de interesse. Em diversos trabalhos.Capítulo 3 – Ambiente Computacional c) d) e) f) g) Alturas dos condutores no meio do vão. devido à ionização do solo. Na metodologia adotada. o comportamento não linear da impedância de aterramento. Na configuração do modelo é necessário especificar a impedância de surto. internamente ao programa de cálculos de transitórios. cuja resistência elétrica corresponde à impedância impulsiva de aterramento. o ATP possui recursos que permitem a construção de funções e modelos não previamente disponibilizados. desenvolvido por Bergeron. modelos de incidência etc. é caracterizado pela inserção de um elemento não linear com parâmetros concentrados. Neste sentido. 1996). conforme já frisado. e a flecha ̅ medida no ponderando a altura de amarração das cadeias de isoladores ponto médio do vão. pode ser considerada incluindo elementos simples cuja representação. Orientação e distâncias dos condutores em um feixe. Η 2 ̅ 3 (3-2) 3. Carson para quantificar os efeitos das características não ideais do solo na matriz de impedâncias longitudinais. o comprimento do segmento e a velocidade de propagação da onda incidente. a possibilidade de ionização do solo é remota e. aterramentos elétricos.2.2. Resistividade do solo. 2012). Dimensões físicas dos condutores.3 Torres de Transmissão e Eletrodos de Aterramento Dentre as diversas metodologias sugeridas na literatura. introduzem grande 59 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Entretanto. (Lúcio. cadeias de isoladores. como por exemplo. As rotinas para cálculo de parâmetros de linhas de transmissão disponíveis no ATP utilizam o método de J. R.2. é baseada no método das características. no EMTP a estrutura metálica das torres pode ser representada por uma linha de transmissão monofásica equivalente com parâmetros distribuídos e constantes com a frequência. válvulas conversoras. o solo é considerado como um plano perfeito horizontal e os condutores são posicionados paralelamente a este plano a uma altura média equivalente Η . se dará apenas nas extremidades. compensadores estáticos. Tipo de condutor (sólido ou tubular) para o cálculo do efeito pelicular. No ATP.

b) Providencie a possibilidade de interação com o programa principal sem a necessidade de alterar ou adicionar comandos ao código fonte. d) Disponibilize uma interface para o programa ATP que permita acessar as variáveis de simulação. c) Possibilite a descrição do funcionamento e do estado (valores iniciais. presente nas versões do ATP desde 1989. segundo topologias arbitrárias. A rotina TACS foi inicialmente desenvolvida para simular as interações dinâmicas entre os sistemas de controle de equipamentos e os sistemas de energia. a rotina Models do ATP é utilizada no desenvolvimento dos três modelos de disrupção das cadeias de isoladores. (Fernandes & Lima. somadores. Esta ferramenta faz uso de uma linguagem própria. 1996). apresentando uma série de vantagens na representação de algoritmos de sistemas de controle complexos. 2011). de forma a possibilitar a determinação do comportamento do modelo mediante solicitações que caracterizem adequadamente condições experimentalmente 60 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . para a implementação de modelos ou interação com equipamentos. etc. possibilitando o controle de grandezas não fornecidas diretamente e o pós-processamento de valores calculados. limitadores estáticos e dinâmicos. a rotina TACS é composta por funções de transferência. A rotina Models. Neste trabalho. funções definidas pelo usuário. correntes e sinais de controle. de formato livre e sintaxe bem definida. é uma ferramenta alternativa mais moderna e aprimorada que a TACS. Esta coleção de recursos simplifica a representação de sistemas de controle pela disposição de blocos descritivos no domínio da frequência. 3. dados históricos etc.2. 1996).3 Interface ATP – MATLAB Diversas metodologias adotadas na estimação do desempenho de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas baseiam-se em múltiplas simulações de cenários factíveis. por meio do acoplamento de sub-rotinas internas e ou externas ao ATP (Amon Filho. como em linguagens de programação de alto nível e pode ser documentada para facilitar a leitura e interpretação da descrição das funções desempenhadas. ou mesmo com o auxílio da rotina TACS. como por exemplo. conforme descrito no Capítulo 2. A codificação de algoritmos em Models é feita de maneira estruturada e legível. Ao incorporar tal ambiente de programação ao ATP. funções algébricas e lógicas. procurou-se estabelecer um padrão de codificação que (Dube. Com o objetivo de expandir as potencialidades do ATP. tensões. simplificando a interface entre módulos acoplados e sub-rotinas externas. chaves controladas. composta por funções diretrizes e declarações particulares (Fernandes & Lima. multiplicadores.Capítulo 3 – Ambiente Computacional flexibilidade na expansão das funcionalidades do programa.) dos componentes modelados. 2011): a) Disponibilize uma alternativa simples e eficiente para o desenvolvimento de elementos de circuitos e sistemas de controle que não possam ser representados por uma combinação dos componentes disponíveis nas bibliotecas do ATP. fontes de sinal.

de acordo com a metodologia apresentada na Figura 3-6. Tal escolha é pautada nas seguintes características e funcionalidades deste programa: a) Possui um amplo conjunto de funções matemáticas internas. dificultando a implementação de cada caso em particular e. por exemplo. Furst considerou a influência do ângulo de referência da tensão na frequência de operação.. a obtenção de resultados confiáveis. 2008). 1997). a grande variedade de recursos e modelos disponíveis e o propósito geral deste programa fazem com que o usuário seja responsável por um conjunto de decisões.2. de visualização gráfica e de programação. Um procedimento semelhante é empregado em (Hailiang. monitorar variáveis de controle e desempenhar os cálculos estatísticos necessários. b) É um programa direcionado para cálculos numéricos. consequentemente. a taxa de desligamentos de um sistema teste é obtida a partir da corrente crítica . Dentro desta perspectiva. 61 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a confiabilidade do sistema também é avaliada mediante a um processo numérico iterativo que exige a simulação de múltiplos cenários. funções para geração. no trabalho desenvolvido. (3-3) No caso do método de simulação Monte Carlo. obtendo a probabilidade de falha mostrada na Equação (3-3). Na abordagem adotada em (Furst.2. para uma e sua correspondente probabilidade de ocorrência estimativa de variação angular discreta com passos entre 0º e 360º. cujo tempo de execução. é selecionado o ambiente de computação científica Matlab. para disrupção nas cadeias de isoladores. é comparativamente menor com relação ao tempo combinado das operações em disco e simulação do transitório.2. Além da variação sistemática da corrente. De acordo com o método descrito.. compondo uma interface limpa e explicativa. No caso do ATP. e considerando as limitações associadas à realização de estudos de desempenho no próprio ATP. é desenvolvido um ambiente computacional integrado (ACAE-DLT) para o cálculo da probabilidade de falha do isolamento elétrico e análises de sobretensões transitórias. facilitando o trabalho de desenvolvimento. fundamentado nas premissas apresentadas nas subseções 3. d) É um sistema interativo que integra capacidade de cálculos. contextualizando a aplicação de uma ferramenta desenvolvida para estudos de desempenho baseados em simulações sistemáticas no ATP. et al. por exemplo. c) Possibilita a criação de interfaces gráficas para usuários. das funções para o problema estudado. avaliando cada .1 e 3. Para gerenciar o fluxo de dados. em um programa de cálculos de transitórios. este limite de corrente é determinado a partir de uma avaliação de sensibilidade da onda de surto injetada. particularmente. ajuste e tratamento de dados estatísticos.Capítulo 3 – Ambiente Computacional observadas.

o usuário do programa deve fornecer informações que determinem características físicas e geométricas das estruturas como. cadeias de isoladores etc. de acordo com distribuições de probabilidades definidas.ATP é estruturado e executado pelo núcleo do ATP.PCH. é necessário selecionar um modelo para a representação dos cabos aéreos e acoplamentos. A inserção destes valores é realizada editando o arquivo *. a cada nova execução. Este arquivo é executado pelo ATP que armazena os resultados em disco no arquivo *. Este processo é repetido até que os critérios de convergência sejam satisfeitos. estes resultados são inseridos em um arquivo de extensão *. aproveitando o recurso DBM (Data Base Modularization). Figura 3-3: Fluxo de dados da interface desenvolvida. dimensões envolvidas e parâmetros elétricos. que serve para atualizar as variáveis de controle da simulação no Matlab. das torres. Nesta etapa. Com todos estes parâmetros e especificações do caso base definidos. o programa cria o arquivo formatado com extensão *. atribuindo novos valores para as variáveis estocásticas consideradas. Além dos dados requeridos pelas rotinas auxiliares é necessário fornecer também algumas informações complementares.DAT. acessando as sub-rotinas auxiliares dedicadas ao cálculo de parâmetros de linhas de transmissão do ATP. resultando em uma saída formatada. que permite referenciar as matrizes obtidas de forma compacta no arquivo principal. 62 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . que caracterizam a metodologia adotada. Uma vez que o modelo para representação dos cabos aéreos é gerado. Antes de proceder às inúmeras simulações. De posse destas informações. quantificação do efeito pelicular. Por meio da instrução $INCLUDE.LIB. nomeadamente: configurações das fontes de excitação impulsivas e na frequência de operação. que serão utilizadas para caracterizar os parâmetros do caso a ser simulado. quantidade e distribuição espacial dos condutores. o arquivo principal *.Capítulo 3 – Ambiente Computacional A Figura 3-3 mostra a estrutura geral do fluxo de informações gerenciado pelo algoritmo principal. do aterramento elétrico.ATP quando a amostra gerada implica em uma interação descarga-linha. o próximo passo a ser executado é a especificação dos parâmetros da simulação Monte Carlo e do modelo de incidência.

mostrada na Figura 3-4.1 Interface Gráfica de Usuário Com o objetivo de facilitar o trabalho de configuração dos parâmetros descritos na seção anterior e. critérios de convergência etc. A interface implementada é composta por duas telas. que pode ser visualizada na Figura 3-5. A segunda. é empregada para configurar particularidades da simulação probabilística (distribuições estatísticas ajustadas para a região onde a linha está inserida. Figura 3-4: Configuração básica do sistema e seleção de modelos.2. é desenvolvida uma interface gráfica de usuário.3. com os recursos disponíveis no Matlab.Capítulo 3 – Ambiente Computacional 3. Figura 3-5: Ajustes para a simulação Monte Carlo e para o modelo Eletrogeométrico. permitir a obtenção de resultados minimizando o esforço necessário na configuração dos modelos. consequentemente. A primeira.) e do modelo eletrogeométrico. é utilizada para especificar o modelo de linha e dos componentes do sistema. 63 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .

a cada nova execução. cujo comprimento é 64 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .2. as coordenadas do canal de descarga são obtidas a partir de distribuições uniformes de probabilidades contendo os valores amostrados .2 Geração de Parâmetros Aleatórios As observações aleatórias dos parâmetros da corrente de retorno. 3. No método de Monte Carlo.3. da impedância de aterramento e do ângulo de referência da tensão de operação podem ser obtidas por meio da aplicação da técnica da transformada inversa da função acumulada. O modelo eletrogeométrico é utilizado para definir a largura lateral da zona de estudo .Capítulo 3 – Ambiente Computacional Figura 3-6: Fluxograma do sistema implementado. da posição do canal.

6 ã (3-5) Figura 3-7: Aplicação do MEG na determinação dos pontos de impacto. A variação estatística dos parâmetros que definem a onda de corrente de descarga pode ser aproximada pela função log-normal. (3-4) Sendo e constantes que definem a amplitude do intervalo de amostragem e o deslocamento com relação à referência do plano cartesiano. Para determinar a macrorregião onde de ocorrência. Se a observação gerada determinar uma interação descarga-linha. Dentro desta área.6 0.Capítulo 3 – Ambiente Computacional 100 . foi adotado o critério utilizado pelo programa Flash. de forma a resultar em taxas de backflashover com a dimensão de /100 . O resultado da aplicação de tal procedimento é exibido graficamente na Figura 3-7. mostrada na Equação (3-6). 1 (3-6) √2 65 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a dispersão estatística dos parâmetros da onda de descarga é caracterizada pela aplicação de funções de distribuição e de densidade de probabilidade. conforme descrito na Equação (3-5). 0. Tal aproximação. No cálculo probabilístico do desempenho. definida pela média e desvio padrão da amostra. o qual estabelece que aproximadamente 60 % das interações descargalinha acontecem no topo das estruturas metálicas das torres. O referido critério pode ser implementado. é necessário estabelecer o ponto exato de conexão do canal de descarga. é empregada para caracterizar a distribuição normal do logaritmo dos parâmetros em causa. a amostra relativa à posição (Equação (3-4)) pode definir uma incidência no solo ou na linha de transmissão.

a distribuição acumulada da variável aleatória . (3-9) 1 Finalmente. é uma constante que define o tipo da distribuição e corresponde ao valor médio da dispersão estatística. Nesta expressão. (3-10) 1 Similarmente. Nesta relação. 1 . que expressa a probabilidade de uma dada observação exceder um referencial . consequentemente. evidenciam a necessidade de desenvolver programas de cálculos de desempenho mais flexíveis. para a distribuição de valores de pico de corrente . a exemplo da Equação (3-11).Capítulo 3 – Ambiente Computacional Consequentemente. apresenta valores medidos de parâmetros de corrente de descarga. tem a forma da Equação (3-8). pode ser formalmente definida de acordo com a Equação (3-7). a amostra de pico de corrente pode ser obtida dispondo de um gerador de números pseudoaleatórios e da inversa da Equação (3-9). contextualizadas nas aproximações para pico de corrente e tempo de frente de onda (Figura 3-8 e Figura 3-9). Estas divergências. distribuição uniforme contida no intervalo 0. 66 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . as observações referentes à taxa de crescimento derivadas de relações empíricas. / 1 / podem ser 1 1 24 (3-11) A Tabela 3-1. com identidades meteorológicas particulares. 1 (3-8) 1 A partir da Equação (3-8) demonstra-se que a probabilidade de um valor aleatório de corrente ser menor que ou igual a um dado é estabelecida pela relação mostrada na Equação (3-9). (3-7) A solução da Equação (3-7). apresentada na é um número aleatório pertencente a uma Equação (3-10). obtidos em estações de medição localizadas em ambientes com diferentes características geográficas e. que possam ser adaptados para traduzir tais especificidades.

Capítulo 3 – Ambiente Computacional
Tabela 3-1: Parâmetros de ondas de corrente obtidos a partir de medições em torres
instrumentadas. Fonte: (Salari Filho, 2006).

(Berger, 1975)
30,0
(Anderson, 1980) 31,1
(Narita, 2000)
39,2
(Schroeder, 2001) 45,3

/

/

Referência

/

0,53
0,48
0,76
0,39

5,5
2,3
3,6
2,9

0,7
0,57
0,37
0,44

12,0
24,0
28,4
19,4

0,54
0,60
0,70
0,29

75,0
56,0
---

0,58
0,74
---

Figura 3-8: Distribuição de probabilidades de ocorrência do valor de pico de corrente.

Figura 3-9: Distribuição de probabilidades de ocorrência do valor de tempo de frente.
67
PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

Capítulo 3 – Ambiente Computacional
As variáveis consideradas no programa desenvolvido, assim como suas
respectivas distribuições de probabilidades são mostradas na Tabela 3-2 e apresentadas
graficamente da Figura 3-10 até a Figura 3-16.
Na obtenção destas observações foram utilizados valores extraídos de
(Schroeder, 2001), objetivando melhor adequação dos parâmetros da simulação às
condições verificadas para a região de Minas Gerais, na qual os circuitos da Cemig
estão instalados.

Tabela 3-2: Caracterização estatística dos parâmetros considerados na simulação Monte
Carlo.
Variável
Distribuição de Probabilidades
Pico de Corrente
Log-Normal
Taxa de crescimento
Log-Normal
Tempo de Frente
Log-Normal
Tempo de cauda
Log-Normal
Posição
Uniforme
Ângulo de referência
Uniforme
Impedância de Aterramento
Normal

3.3 Conclusão
A literatura especializada dispõe de diversas metodologias para a representação
do fenômeno físico em causa, dos modelos de incidência, dos componentes e
equipamentos do sistema e dos parâmetros geográficos que definem atividade
atmosférica em determinado local. Além das dificuldades relacionadas à seleção
adequada das diferentes caracterizações mencionadas, uma grande quantidade de
abordagens, consideradas no cálculo do desempenho com diferentes graus de
detalhamento e aproximações bastante peculiares, pode ser encontrada em publicações
técnicas. Neste sentido, é justificável o desenvolvimento de programas de cálculos de
desempenho mais completos, de fácil utilização, flexíveis e que possam admitir a
inserção de novas funcionalidades de forma prática e imediata. Neste capítulo, é
apresentado o desenvolvimento de um ambiente computacional, para estimar índices de
desligamentos de linhas de transmissão frente a descargas atmosféricas, baseado nas
potencialidades dos programas ATP e Matlab®. Inicialmente, é apresentado o programa
de cálculos de transitórios (ATP), de acordo com uma sequência histórica de
acontecimentos. Posteriormente, são sintetizadas as principais considerações relevantes
ao cálculo das taxas de backflashover. Em seguida, são apresentados os recursos
disponíveis no ATP para modelagem de componentes e expansão das funcionalidades
do programa. Com base nestas informações, procede-se à estruturação da interface com
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PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

Capítulo 3 – Ambiente Computacional
o Matlab®. Por fim, é mostrada aplicação do método de Monte Carlo na obtenção das
observações aleatórias das variáveis consideradas no problema. A contextualização do
sistema desenvolvido é evidenciada no Capítulo 4, por meio de uma série de avaliações
de sensibilidade paramétrica a um sistema de transmissão de 138 .

Figura 3-10: Distribuição do pico de corrente.

Figura 3-11: Distribuição dos tempos de frente de onda.

Figura 3-12: Distribuição para a taxa de crescimento.
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PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET

70 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Figura 3-14: Distribuição da posição do canal perpendicularmente à linha.Capítulo 3 – Ambiente Computacional Figura 3-13: Distribuição do tempo de cauda. Figura 3-15: Distribuição do ângulo de referência da tensão na frequência de operação.

71 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .Capítulo 3 – Ambiente Computacional Figura 3-16: Distribuição de impedâncias de aterramento.

o primeiro passo é definir o caso base: configuração geométrica da linha de transmissão. assegurando resultados fisicamente factíveis. Antes de proceder à exibição de resultados e contextualizar a aplicação do ambiente computacional estruturado. são empregados diversos níveis de tensões de operação. procede-se a avaliação do índice de desligamentos em relação às variáveis consideradas no problema. consequentemente. tensão de operação.1 Introdução Conforme enfaticamente mencionado ao longo deste texto. do critério de incidência e dos sistemas de transmissão. providenciando uma comparação entre os resultados obtidos por meio da aplicação da ferramenta desenvolvida (ACAE-DLT) e o programa de cálculos de desempenho Flash/IEEE. uma avaliação paramétrica comparativa. que representem as condições observadas na região de Minas Gerais. mas também avaliar a sensibilidade dos índices de confiabilidade com relação aos parâmetros que definem os modelos do impulso atmosférico.2 Definição do Caso Base No padrão adotado pela Cemig para sistemas de transmissão de energia elétrica.Capítulo 4 – Resultados 4 – Resultados 4. 4. É conveniente salientar que o processo de validação não é uma tarefa trivial e exige aquisição de dados reais por períodos prolongados de monitoramento. Entretanto. Com o sistema de interesse definido. Os perfis selecionados levam em conta os diferentes níveis de tensão. 345 kV e 500 kV os mais expressivos. sendo os valores: 138 kV. por exemplo). com o objetivo de quantificar de maneira mais precisa a influência de tais eventos nos sistemas em causa e. é interessante estabelecer uma referência a partir da qual seja possível mensurar desvios percentuais e desempenhar uma análise de sensibilidade paramétrica. As torres que compõem este sistema apresentam altura útil de 72 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . subsidiar práticas eficientes de proteção. parâmetros de incidência geográfica e corrente de descarga. Neste sentido. os aspectos geográficos e os parâmetros elétricos (resistividade do solo. não apenas realizar estudos de desempenho. 230 kV. Considera-se um sistema trifásico com nível de tensão entre fases de 138 kV e vãos típicos de 400 m. A Figura 4-2 mostra a silhueta das torres da linha de transmissão definida como base para os estudos realizados. da região na qual a linha é instalada. as descargas atmosféricas constituem os principais elementos de solicitação dos sistemas de transmissão de energia elétrica. Este capítulo tem por objetivo examinar a influência dos parâmetros de entrada dos modelos adotados. torna-se imprescindível. pode auxiliar na verificação de uma consistência lógica no comportamento observado. Desta forma.

2010). Figura 4-1: Silhueta da torre analisada. altura máxima de 24.47 m e base em forma de quadrado com 36 m2 de área. é composto por quatro cabos contrapesos cada um com comprimento total de 30 m. B e C. respectivamente. Adaptada de (Cemig. Para esta configuração. As cadeias de isoladores são compostas por nove isoladores padrão. 2010). Adaptada de (Cemig. fases A. Figura 4-2: Configuração do sistema de aterramento.314 m ( ). cuja configuração geométrica é mostrada na Figura 4-2. O aterramento elétrico. Esta estrutura suporta três cabos fase (CAA Linnet) e um cabo para-raios (aço 3/8’’ HS) que é diretamente ligado às partes metálicas aterradas das torres. onde: PR é para-raios. FB e FC são. FA. enterrados a meio metro de profundidade e ligados à base metálica das torres. o espaçamento entre as ferragens é de 1.Capítulo 4 – Resultados 16 m. 73 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .

74 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . similarmente. onde os sistemas da concessionária Cemig estão localizados. 2001). (4-1) Figura 4-3: Sistema simulado. é cenário de pronunciada incidência de surtos atmosféricos. pelo nível de densidade de descargas ( ). a atividade atmosférica na zona de estudo considerada é determinada pelo nível ceráunico ( ) ou. Uma representação reduzida do sistema simulado. é utilizada uma fonte de corrente do tipo rampa retangular. Com base na ferramenta computacional desenvolvida. Estes quantificadores devem ser especificados de maneira a traduzir as características do estado de Minas Gerais. o cálculo de desempenho leva em conta. com tempo de frente e valor máximo de corrente definido a partir da distribuição de probabilidade cumulativa mostrada na Equação (4-1) e polaridade negativa.Capítulo 4 – Resultados Além das características físicas do sistema. em sua definição. portanto. Para fins de comparação com o programa Flash. A referida localização está situada em uma região subtropical e. A característica tensão-tempo descrita no Capítulo 2 é utilizada como modelo padrão para representar as cadeias de isoladores de maneira a ajustar o caso base às simplificações similares àquelas adotadas no programa de referência (Flash). pode ser visualizada na Figura 4-3. os parâmetros de incidência geográfica. assim como os pontos de interação considerados na metodologia adotada. Objetivando caracterizar este panorama adotou-se o valor base (Schroeder.

considerando as premissas simplificadoras adotadas na versão 1. considerando o ângulo de referência da tensão 100°.59 81. É interessante observar que. caracterizada pela formação do arco elétrico quando a curva de suportabilidade exibida intercepta a sobretensão resultante na cadeia de isoladores. 4. para os parâmetros estabelecidos no caso base. Figura 4-4: Sobretensões nas cadeias de isoladores – Caso Base. A escala de cores adotada nesta figura é mantida. No segundo caso. Neste ajuste. apenas a posição do canal e o valor de pico de corrente assumem caráter estocástico e a taxa de backflashover é calculada após 2000 iterações. o caso base foi ajustado de modo a assemelhar-se às mesmas aproximações adotadas na metodologia empregada no programa Flash.1 ACAE-DLT versus Flash Visando estabelecer um padrão para comparação.30 A Figura 4-5 mostra a distribuição temporal da sobretensão na cadeia de isoladores da fase C para duas situações diferentes.3.3 Análises Paramétricas: Sensibilidade da Taxa de Backflashover 4.Capítulo 4 – Resultados A distribuição das tensões resultantes. sempre que a comparação entre as fases do sistema for necessária. Tabela 4-1: Resultado obtido pela aplicação do Método de Monte Carlo. O resultado para as condições estabelecidas para o caso base é mostrado na Tabela 4-1. é mostrada na Figura 4-4. não se verifica a ocorrência de disrupção. Backflashover (Desligamentos/100km/ano) ACAE-DLT Flash/IEEE /Flash /MG /Flash 37. mostrado 75 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . validação e correta interpretação dos dados obtidos.37 37.9 do programa Flash. que solicitam as cadeias de isoladores mediante a injeção da onda de corrente definida como referência.

Algumas simulações foram realizadas para avaliar. a ruptura ocorre em um instante de tempo muito próximo ao adotado na avaliação implementada no Flash (2 s). Verifica-se que. em geral. Estes resultados são apresentados na Tabela 4-2.Capítulo 4 – Resultados na mesma figura. Figura 4-6: Mudança de Estado para a curva de suportabilidade adotada. a consideração explícita da distribuição estatística dos parâmetros de descarga resulta na diminuição da estimativa da taxa de desligamentos da linha. a contribuição de cada uma das variáveis consideradas. Nesta aproximação os parâmetros do caso base implicam na ruptura do meio dielétrico representado. Figura 4-5: Modelo padrão para disrupção das cadeias de isoladores. Conforme mostrado na Figura 4-6. de forma objetiva. indicando que a taxa de desligamentos para este cenário deve ser significativamente maior. tais índices são obtidos em relação a 76 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . os parâmetros definidos como referência são sistematicamente modificados. atribuindo dispersão estatística à variável de interesse com valor médio ajustado para o padrão adotado nas simulações determinísticas. Nestas simulações. é utilizada a curva de distribuição cumulativa de pico de corrente obtida para a região de Minas Gerais. Este resultado é esperado. uma vez que neste caso.

72 Todas as Variáveis/LT2 35.67 37. Além da avaliação da sensibilidade da estimativa do desempenho com relação a alguns parâmetros relevantes do modelo. ACAE-DLT Desvio (%) Flash Tempo de Frente 35. o critério de probabilidade de incidência no topo das torres.56 5. em primeira aproximação.3.89 4. cinco por cento na taxa de desligamentos. para a situação avaliada. procedeu-se à avaliação da sensibilidade da taxa de backflashover à variação da probabilidade de incidência no topo das torres. de maneira a possibilitar melhor entendimento da sensibilidade da taxa de backflashover. procurou-se manter as mesmas premissas simplificadoras adotadas na versão 1. Este resultado é quantificado na Tabela 4-3 e exibido na Figura 4-7. Martí.57 LT1: Parâmetros independentes da frequência.46 Ângulo de Referência da Tensão 38. Desta forma. Evidentemente.9 do programa Flash.1.91 4. a Tabela 4-2 apresenta uma comparação entre dois modelos de representação dos cabos aéreos. considerando as premissas simplificadoras adotadas no Flash e atribuindo dispersão estatística às variáveis da simulação. Na referida abordagem. verifica-se que a consideração do caráter estatístico dos parâmetros de descarga resulta em uma redução de. Por outro lado.19 3.1 Probabilidade de Incidência no topo das torres Na metodologia implementada no programa Flash.Capítulo 4 – Resultados solicitações menos severas. a introdução da aleatoriedade do ângulo de referência no instante de incidência implica em um acréscimo de cerca de dois por cento deste índice. na obtenção destes resultados. aproximadamente.40 Tempo de Cauda 35. espera-se que o aumento sistemático deste índice seja acompanhado por um aumento da correspondente probabilidade de falha do isolamento. leva em consideração apenas dois pontos de incidência. É importante destacar que. é adotado. implicitamente. com relação a cada uma das variáveis consideradas. Com base nas simplificações adotadas no desenvolvimento da ferramenta computacional ACAE-DLT que. quando todas as variáveis analisadas apresentam incertezas.60 2. De acordo com o procedimento e estilizações adotadas. o resultado encontrado é ligeiramente inferior à estimativa do caso base. considera-se que cerca de sessenta por cento das interações descarga-linha ocorrem neste ponto.87 4. 4.30 1 Todas as Variáveis/LT 36. 77 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .52 Impedância de Aterramento 35. Tabela 4-2: Resultados obtidos pela aplicação do Método de Monte Carlo. LT2: Parâmetros variantes com a frequência – J.

2 Parâmetros de Incidência Geográfica Os parâmetros de incidência geográfica definem a atividade atmosférica no interior da zona de estudo. Adicionalmente. para os cenários considerados. T . resulta em uma taxa de desligamentos significativamente elevada. a probabilidade não nula de ocorrência do arco elétrico no ponto médio do vão. em uma abordagem mais detalhada.78 33.49 36. tem sido o parâmetro mais adotado no mapeamento das ocorrências de descargas atmosféricas em 78 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .22 Figura 4-7: Sensibilidade à probabilidade de incidência no topo das torres.79 43. o nível ceráunico. o desenvolvimento de pronunciadas sobretensões neste ponto.40 45. Desta forma.Capítulo 4 – Resultados Tabela 4-3: Sensibilidade da taxa de desligamentos à variação da probabilidade de incidência das descargas nas torres.32 35. pode ser suficiente para iniciar o processo de ruptura da camada dielétrica que envolve os condutores e os cabos para-raios.31 31.3. Tradicionalmente. É pertinente salientar que mesmo para baixas probabilidades de incidência direta nas estruturas das torres.34 41.52 39. a injeção da corrente de descarga no ponto médio do vão. é razoável considerar. Probabilidade de Incidência (%) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Backflashover (Desligamentos/100km/ano) 30.68 37. 4.

Local Minas Gerais Itália África do Sul (Flash) EUA Nova Guiné Vários países 0. que corresponde ao valor aproximado 62. embora apresentem a mesma tendência comportamental não linear. consequentemente. Neste sentido.0 1.0 1. no âmbito da engenharia de proteção. diversos estudos são realizados objetivando estabelecer ajustes empíricos que relacionem o nível ceráunico à densidade de descargas. Tabela 4-4: Ajustes típicos para os parâmetros da relação entre o nível ceráunico e a densidade de descargas.0 A Figura 4-8 mostra os resultados das simulações utilizando a abordagem clássica. divergem de maneira expressiva em suas estimativas.003 0. A Tabela 4-4. a aplicação da formulação de proposta para o estado de Minas Gerais resulta em uma redução de cerca de 60 % na taxa de desligamentos da linha. 79 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .3 dias de trovoadas por ano. com as duas curvas mencionadas. também. embora a correlação entre estes parâmetros não seja precisa. Entretanto. Figura 4-8: Influência do nível ceráunico na taxa de backflashover.Capítulo 4 – Resultados diversas regiões. incluindo o ajuste utilizado pelo Flash e os valores aproximados para a região de Minas Gerais.15 1.04 0. por exemplo. aumenta de acordo com a variação incremental no nível ceráunico. Conforme esperado. e a formulação ajustada para a região de Minas Gerais. adotada no Flash. é necessário conhecer a densidade de descargas.00625 0. Considerando o caso base. que a divergência entre os índices estimados.01 0. apresenta alguns valores típicos para os parâmetros A e B que compõem tal relação.1 0.12 1. as duas metodologias. estimar índices de desempenho. de maneira a caracterizar adequadamente o percurso no qual a linha está inserida e. Verifica-se.55 1.25 1.

é fundamentalmente afetada pelas caraterísticas do solo. como por exemplo. a onda de surto se divide em três parcelas. particularmente relevante na diminuição da probabilidade de falhas. contribuindo subsequentemente para a redução das sobretensões nas cadeias de isoladores da torre atingida. o valor da impedância equivalente da configuração base. A resposta do aterramento elétrico. Figura 4-9: Efeito da variação da impedância de aterramento na máxima sobretensão através das cadeias de isoladores. é possível quantificar a influência do aumento do coeficiente 80 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Parte da corrente injetada viaja pelos cabos para-raios e sofre reflexões nas torres adjacentes. a partir de uma distribuição normal de probabilidades com valor médio 45. a impedância do arranjo foi linearmente variada entre dez e cem ohms. Nas simulações realizadas. na torre. Nesta análise de sensibilidade. A outra subdivisão propaga-se pela estrutura da torre sendo parcialmente refletida no sistema de aterramento. A Figura 4-9 mostra o efeito da variação da impedância do aterramento na máxima sobretensão observada entre as fases e as mísulas do perfil avaliado. Ao incidir sobre a estrutura metálica das torres.3. indicando como a impedância impulsiva equivalente afeta o desempenho do sistema. composição química e umidade. omitindo a representação das cadeias de isoladores. em um instante de tempo determinado pela constante de propagação.3 Impedância Impulsiva de Aterramento O aterramento elétrico é um componente essencial para o desempenho adequado do sistema de transmissão frente às severas solicitações características das descargas atmosféricas.0 Ω. Desta forma. Evidentemente. tal valor traduz um cenário indesejado e resulta em índices de desempenho muito superiores aos considerados adequados segundo o padrão adotado pela Cemig.Capítulo 4 – Resultados 4. considerando duas aproximações na representação dos cabos aéreos. é derivado a cada iteração. O comportamento resultante de tal variação ilustra a necessidade da maior ênfase no projeto e adequação do arranjo de eletrodos. . Os resultados obtidos para a avaliação do índice de desempenho do sistema com relação à variação linear da impedância de aterramento. são mostrados na Figura 4-10. modelada por um elemento linear puramente resistivo.

pode-se avaliar o comportamento dos índices de desempenho do sistema. influenciando o 81 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . em função do aumento da impedância. Um exemplo da sensibilidade das sobretensões. entre os resultados obtidos considerando a aplicação do modelo de parâmetros constantes com a frequência e o modelo de J. na taxa estimada de backflashover. monitoradas no isolamento da fase C. no que concerne à adequação de dispositivos de proteção. ajustadas a partir de observações experimentais. apresentando uma relação de proporcionalidade direta com as máximas tensões que se estabelecem nestes pontos. cada valor específico de pico de corrente está relacionado a uma correspondente probabilidade de ocorrência.3. é mostrado na Figura 4-11. Por outro lado. A distribuição cumulativa do pico de corrente constitui um parâmetro de maior relevância. O valor de pico da corrente de descarga é um fator determinante na distribuição das sobretensões que solicitam as cadeias de isoladores. à variação incremental do valor de pico da corrente injetada. a avaliação direta deste parâmetro da onda de descarga não é interessante em termos práticos. O aumento sistemático deste parâmetro implicaria em um crescimento linear da taxa de desligamentos. Além das observações anteriormente mencionadas.Capítulo 4 – Resultados de reflexão na base das torres. Martí. Figura 4-10: Efeito da variação da impedância de aterramento na taxa de desligamentos. 4. Entretanto.4 Pico de Corrente O conhecimento das distribuições estatísticas dos parâmetros da corrente de descarga desempenha um papel fundamental na adequação de dispositivos de proteção e a avaliação sistemática de tais parâmetros é imprescindível para quantificar a resposta do sistema. verifica-se que a diferença percentual. considerando diferentes expressões que associam os valores de pico de corrente com probabilidades de ocorrência. Desta forma. para a faixa de frequências de interesse. não implica em diferenças expressivas.

prevalece a abordagem adotada no Flash. são mostradas respectivamente. é possível verificar que. Nas Equações (4-2) e (4-3). que estão associados a elevadas probabilidades de ocorrência. A partir deste limiar. a função empregada na versão 1.Capítulo 4 – Resultados desempenho computado de forma apreciável. para baixos valores amostrados de pico de corrente. 82 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .9 do programa Flash e a curva ajustada para o estado de Minas Gerais. Figura 4-11: Sensibilidade da sobretensão na cadeia de isoladores ao aumento do valor de pico de corrente da onda incidente. a curva levantada para a região de Minas Gerais. 1 1 1 . (4-2) . quando se observa uma inversão. conforme mostrado na Figura 4-12. exibe certa predominância. Esta tendência é mantida até o valor aproximado de 70 . (4-3) 31 1 45 Ao avaliar comparativamente o comportamento de ambas as funções. Figura 4-12: Comportamento da distribuição cumulativa do pico de corrente.

Capítulo 4 – Resultados
O comportamento evidenciado na Figura 4-12, influencia diretamente nas taxas
estimadas de desempenho. Tal influência é exibida na Figura 4-13. Evidentemente, a
faixa de valores que compreende os resultados obtidos é muito extensa e composta em
sua maior parte por indicadores de desempenho não realistas. Isto se deve ao fato de a
avaliação paramétrica ter sido realizada com relação à probabilidade de ocorrência.
Deste modo, cada conjunto de cenários possíveis foi simulado considerando o mesmo
valor amostrado de pico de corrente, para a probabilidade selecionada, com base nas
formulações adotadas pelo Flash e na curva ajustada para as observações realizadas no
estado de Minas Gerais.

Figura 4-13: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação sistemática do valor de
pico de corrente.

4.3.5

Tempo de Frente

A Figura 4-14, exibe o comportamento das sobretensões entre uma das mísulas
da estrutura avaliada e o condutor ativo da fase C mediante solicitações com frentes de
onda gradativamente mais lentas. Por meio da análise destes resultados, fica claro que,
as solicitações com taxas de crescimento mais baixas, estão associadas à sobretensões
de menor magnitude.

Figura 4-14: Influência da variação do tempo de frente da corrente de descarga na
sobretensão na cadeia de isoladores da fase C.
83
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Capítulo 4 – Resultados
Com o objetivo de quantificar os efeitos da distribuição dos tempos de frente de
onda, no cálculo do desempenho, este parâmetro foi linearmente variado entre 0,1 e
15,0 . Verifica-se pela observação dos resultados obtidos desta simulação, mostrados
na Figura 4-15, que o primeiro indicador de desempenho calculado, destoa
expressivamente dos demais valores. Esta diferença é esperada, pois neste cenário, o
tempo de frente da onda incidente é menor que o tempo de tráfego na estrutura,
determinado pela constante de propagação . É oportuno ressaltar que foi considerada
0,8
uma velocidade de propagação ligeiramente inferior
à velocidade de
propagação das ondas eletromagnéticas no espaço livre, com a intenção de computar os
atrasos devidos aos caminhos paralelos do sistema de treliças.

Figura 4-15: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação incremental do tempo de
frente da corrente de descarga.
4.3.6

Tempo de Cauda

Ao se considerar uma forma de onda do tipo rampa triangular, admite-se que tal
função é completamente descrita por um tempo de frente equivalente, um valor máximo
de intensidade e um tempo equivalente de meia onda. Desta forma, julga-se conveniente
avaliar, também, a influência do tempo equivalente de meia onda no cálculo das taxas
de backflashover. Os resultados obtidos para esta simulação são mostrados na Figura
4-16.
Na obtenção dos resultados apresentados na Figura 4-16, o tempo de cauda foi
sistematicamente modificado entre 30 e 150 . Para o intervalo considerado, verificase que este parâmetro exerce pouca influência no desempenho do sistema. Para valores
de tempo de cauda superiores a 60 , não foram observadas diferenças significativas
nos índices estimados.

84
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Capítulo 4 – Resultados

Figura 4-16: Sensibilidade da taxa de desligamentos à variação incremental do tempo de
cauda.

4.3.7

Impedância do canal

O efeito da variação da impedância interna do canal de descarga, representada
no modelo simulado por um resistor linear a parâmetros concentrados, alocado em
paralelo à fonte impulsiva de corrente, é mostrado na Tabela 4-5. O resultante perfil de
variação não linear da resposta é ilustrado graficamente na Figura 4-17. Verifica-se,
pela avaliação dos dados apresentados, que a taxa de desligamentos da linha, a partir de
determinado valor de impedância, torna-se menos sensível à variação incremental deste
parâmetro. Além disto, para valores reduzidos desta quantidade, o arranjo equivalente
constitui um divisor de corrente, implicando em uma dispersão considerável da taxa de
desligamentos obtida, com relação ao caso base.

Figura 4-17: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação da impedância do canal
de descarga.
85
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a máxima sobretensão que se desenvolve através das cadeias de isoladores.0 ⋮ ⋮ ⋮ 2000 39. o ângulo de referência das fontes de tensão foi sistematicamente variado entre 0° e 360°.36 400 31.33 5.29 900 36.01 4.71 35.89 3. Para gerar o resultado mostrado na Figura 4-18.50 10.65 200 24.Capítulo 4 – Resultados Tabela 4-5: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação da impedância do canal.58 300 28.28 ⋮ ⋮ ⋮ 1500 38.3.05 700 35. em resposta à injeção de uma onda de corrente do tipo rampa triangular.49 7.8 Ângulo de Referência Conforme evidenciado na Figura 4-18.63 25. 86 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .87 600 34. Impedância do Canal (Ω) Backflashover Desvio (%) 100 17. é função da sobreposição da tensão resultante da corrente injetada pelo canal de descarga com a tensão de operação na frequência de 60 .13 2.48 800 36.06 500 33. 45 e polaridade positiva. armazenando o valor de pico da distribuição temporal das múltiplas sobretensões observadas.83 1000 37. com valor de pico Figura 4-18: Sensibilidade da máxima sobretensão nas cadeias de isoladores à variação do ângulo de referência.78 53.04 13.36 0. durante uma interação descarga-linha.43 18.10 3.

(4-4) 2 cos 0° cos 120° cos 240° (4-5) (4-6) (4-7) Com relação aos parâmetros do caso base. verifica-se a dominância de cada uma das fases em intervalos bem definidos do ciclo operacional. o valor estimado do desempenho sofre uma redução de 13.5 %. que exibe o perfil da taxa de desligamentos da linha em função da variação do ângulo de referência.1 e uma observação do ângulo de referência obtido a partir Equação (4-4). Analogamente. o isolamento entre os condutores ativos e as partes metálicas aterradas das torres é assegurado por 87 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .9 Comprimento da Cadeia de Isoladores Nos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Neste caso. é interessante salientar que as diferenças nas probabilidades calculadas.Capítulo 4 – Resultados Sendo um número aleatório com distribuição uniforme no intervalo 0.3. são mostradas nas Equações (4-5) à (4-7). Observando a Figura 4-18. no desempenho do sistema. ressaltando a relevância que as fontes de excitação do sistema exercem no cálculo da taxa de backflashover. 4. Martí e o modelo de parâmetros constantes com a frequência são mais expressivas na avaliação da variação incremental dos parâmetros da componente de baixa frequência. com excitação senoidal em regime permanente de operação. considerando o modelo de J. tal característica é refletida nos índices de desempenho estimados. Figura 4-19: Avaliação da influência do ângulo de referência da tensão na frequência de operação. apresentados na Figura 4-19. quando as tensões de fase são negligenciadas. as funções que definem o sistema de transmissão de energia trifásico.

com o objetivo de garantir que o isolamento seja eficaz e que as distâncias elétricas entre as partes conectadas a potencias diferentes sejam seguras. mesmo para o maior comprimento simulado. os custos e esforços mecânicos envolvidos devem ser ponderados. Evidentemente.20 0. enfatizando a severidade dos cenários considerados. Na etapa de projeto. são realizados diversos estudos de coordenação.02 ⋮ ⋮ 5. 88 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .21 40.53 1.97 56. Além destes aspectos. Para avaliar a influência do comprimento das cadeias de isoladores.74 75. Verifica-se ainda que. Os resultados obtidos são mostrados na Tabela 4-6 e na Figura 4-20. Tabela 4-6: Sensibilidade da taxa de backflashover ao aumento sistemático do comprimento das cadeias de isoladores.03 Figura 4-20: Sensibilidade da taxa de backflashover à variação incremental do comprimento das cadeias de isoladores.22 0. os resultados obtidos estão em consonância com a tendência teoricamente esperada. frente à variação linear do comprimento das cadeias de isoladores. foi realizada uma análise de sensibilidade da taxa de desligamentos do sistema. Desta forma.50 90.Capítulo 4 – Resultados meio da associação de isoladores em cadeia. Comprimento (m) Backflashover 0. distâncias maiores necessitam solicitações mais severas para que os complexos processos envolvidos no mecanismo de ruptura do isolamento se iniciem. uma taxa de desligamentos residual é observada.00 1.

os parâmetros da equação do efeito disruptivo foram ajustados a partir da curva de suportabilidade tensão-tempo. estabelecido como um parâmetro inicial. Os resultados.11 Cadeias de Isoladores Além da característica tensão-tempo selecionada como modelo padrão para as simulações do caso base. na taxa de desligamentos do sistema de transmissão em causa. mostram as diferenças nas taxas de desligamento estimadas considerando os parâmetros do caso base. evidenciando a necessidade do desenvolvimento de metodologias mais elaboradas e que descrevam as interações descarga-linha de forma mais realista. apresentados na Tabela 4-7. Entretanto. 89 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . Eletrogeométrico Backflashover Wagner 21.3. em suas estimativas. Neste modelo. tal procedimento admite inúmeras simplificações e ajustes experimentais. Os resultados mostrados na Tabela 4-7.1975 25.1993 37. pois conforme anteriormente mencionado. Para este valor específico. Conforme descrito no Capítulo 2. Deste modo.36 Anderson . admitese um erro ao se utilizar a característica obtida mediante a aplicação de um impulso padronizado. verifica-se que as aproximações de Wagner e Anderson-1973 divergem de forma apreciável.3. Tabela 4-7: Comparação entre as diferentes calibrações do MEG. possibilitando verificar a influência destes modelos no cálculo da taxa de desligamentos da linha de transmissão de interesse. em sua concepção. a suportabilidade do isolamento é uma função do impulso aplicado. foi desempenhada uma análise comparativa da taxa de backflashover. apenas reiteram as diferenças observadas no cálculo do raio de atração por meio de cada uma das aproximações consideradas. das demais calibrações.78 Darveniza 40.Capítulo 4 – Resultados 4.08 Armstrong 45. a despeito do esforço computacional associado.10 Modelo Eletrogeométrico Visando avaliar a influência das diferentes calibrações dos parâmetros da formulação empírica do raio de atração. com o objetivo de calcular os parâmetros da equação do efeito disruptivo para solicitações diversas. o processo de disrupção é iniciado quando a tensão através dos isoladores excede determinado valor crítico. O MEG é um artifício bastante engenhoso e conduz a resultados de valor prático destacados.59 4. Na Figura 4-21 é mostrado o comportamento de uma das variáveis de controle do método de integração.08 Anderson . proposto por Kind. foram implementadas duas outras abordagens com o objetivo de modelar o efeito disruptivo no isolamento elétrico de forma mais precisa. ou critério das áreas iguais. Deve-se ressaltar que a consideração de tal característica figura em uma aproximação que merece reflexões adicionais.

Capítulo 4 – Resultados Similarmente. negligenciando o intervalo diferencial de formação do efeito corona. conforme proposto por Kind. apenas as fases dos streamers e do leader foram consideradas. que determina a evolução do canal de descarga no isolamento. é apresentada na Figura 4-22. Por outro lado. quando o leader progressivo de descarga se estabelece. o mecanismo de ruptura passa a ser determinado pela velocidade de propagação deste canal. Figura 4-22: Modelo de disrupção baseado no método de progressão do leader. 90 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . No modelo implementado. quando se considera o método de progressão do leader uma das variáveis de controle do processo. Figura 4-21: Modelo de disrupção do isolamento baseado no método de integração. sendo interrompido quando sua extremidade atravessa completamente o intervalo entre os eletrodos. O mecanismo de ruptura do isolamento pode ser interrompido na fase dos streamers se o campo elétrico resultante não for suficiente para sustentar a evolução do processo.

em média. percebe-se que a utilização do modelo de disrupção adotado como referência implica em um valor médio muito inferior ao considerado crítico na metodologia adotada no Flash. na análise da dispersão estatística das variáveis e parâmetros do sistema. implica em média em desvios percentuais mais pronunciados que aqueles causados pela atribuição sistemática da característica estocástica das variáveis do modelo. Estes instantes são considerados pontos críticos por estarem relacionados.59 0. Na metodologia empregada na versão 1.62 Progressão do leader 35. melhor concordância com este instante de ruptura.60 39.53 Método de Integração 34.64 A Tabela 4-9 mostra as estimativas obtidas.2 50 Backflashover Desvio (%) Backflashover Desvio (%) Curva Tensão Tempo 37. De acordo com as definições do caso base.14 Além do efeito destes modelos no desempenho do sistema. cujos parâmetros também se apresentam com alguma incerteza. Rampa retangular – Impulso de Teste Flash 1.9 do programa Flash. o instante de ocorrência da disrupção e a distribuição estatística da suportabilidade do isolamento.00 37. é interessante avaliar também outros resultados.15 40.02 9. os métodos de integração e de progressão do leader apresentaram.16 9. A avaliação destes índices sugere que o modelo adotado como referência.72 Método de Integração 34.Capítulo 4 – Resultados Os resultados para simulação utilizando os parâmetros do caso base são mostrados na Tabela 4-8. Tabela 4-8: Comparação entre os diferentes modelos de cadeias de isoladores.9 1.79 0. considerando a dispersão estatística das variáveis do modelo.15 9. ACAE-DLT Desvio (%) Característica Tensão Tempo 36. ajustados para uma distribuição normal de probabilidades.50 Progressão do leader 34.84 6. para cada um dos modelos implementados. por exemplo. à característica experimentalmente observada da frente de onda e ao tempo de reflexão das torres adjacentes. na avaliação do caso base. 91 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . respectivamente. Tabela 4-9: Resultados obtidos. observa-se que a aplicação destas modelagens. Comparativamente.47 5.09 6.19 3. Por outro lado. Tal aproximação resulta em uma diminuição da taxa de desligamentos da linha em consonância com o comportamento já delineado. resulta em uma aproximação bastante conservadora. como por exemplo. o teste de suportabilidade das cadeias de isoladores é realizado nos instantes de tempos de 2 e 6 . na representação das cadeias de isoladores. considerando os resultados obtidos. avaliando as características dos instantes de ruptura mostrados na Figura 4-23. aplicando o método de Monte Carlo às variáveis de interesse.

Capítulo 4 – Resultados Figura 4-23: Avaliação do instante de ocorrência da disrupção. exibidas na Figura 4-24. Quando as simulações são realizadas utilizando o impulso padronizado (Figura 4-26 92 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . com relação às outras duas abordagens. (c) Progressão do leader. o método de progressão do leader. são menos pronunciadas quando se utiliza a onda de impulso com as características do sinal empregado no ensaio padronizado. correspondentes às simulações do caso base e as curvas de densidade de probabilidade ajustadas para a distribuição log-normal. por exemplo. é superior a . (a) Característica tensãotempo. os níveis de suportabilidade mais baixos estão associados a taxas de desligamento mais elevadas. (b) Método de Integração. Tomando. que corresponde a um desvio percentual muito menor que o encontrado nas simulações do caso base. levando em consideração as diferenças na dispersão estatística dos valores médios encontrados. a utilização da curva de suportabilidade tensão-tempo apresenta maior desvio percentual no valor médio da tensão de ruptura. As diferenças entre o instante de disrupção e o tempo de frente de onda. serão percebidas após . o valor médio dos instantes de ruptura resultantes é . Desta forma. para a qual esta característica é obtida. verifica-se que a probabilidade de ocorrência de instantes de ruptura iguais ou inferiores a este. Neste caso. Para o comprimento médio de vão considerado. As curvas de probabilidade acumulada. mostram de forma mais clara. Evidentemente. com relação ao tempo de frente de onda fixado em . as divergências entre as metodologias implementadas. Na Figura 4-26 (a) são exibidos os parâmetros estatísticos da amostra. considerando a característica tensão-tempo. em concordância com os dados da Tabela 4-8. mostrado na Tabela 2-4. Assim como na distribuição estatística dos instantes de disrupção. as reflexões que chegam à torre monitorada. Um comportamento semelhante é verificado quando se avalia a distribuição estatística das sobretensões registradas no instante de ruptura. estando aproximadamente acima do valor usual da TSIA para isoladores de 138 kV. conclui-se que a maior parte das disrupções acontece antes que as primeiras reflexões nas torres adjacentes possam sensibilizar os pontos de interesse.

verifica-se que a taxa de crescimento da resposta decai consideravelmente. verifica-se que o desvio percentual. De acordo com esta figura. Verifica-se ainda. são mostrados na Figura 4-27. o valor médio encontrado foi ≅ 63 . reiterando a relação entre a taxa de desligamento e a suportabilidade evidenciada no caso anterior. a distribuição das correntes de descarga que causaram disrupção. melhor concordância entre os ajustes do método de integração e de progressão do leader para a distribuição log-normal. considerando as três metodologias. que de acordo com a distribuição cumulativa adotada é excedido em aproximadamente 13 % dos casos. mostrada na Figura 4-25. Figura 4-24: Distribuição acumulada dos instantes de ocorrência de ruptura. é avaliada a influência que o tempo equivalente de frente de onda exerce sobre a suportabilidade e sobre o instante de ocorrência de ruptura. não apresentou diferenças significativas. Por outro lado. entre os valores médios das distribuições das sobretensões de ruptura. Neste cenário. é bem menor que a diferença obtida nas simulações do caso base. considerando os parâmetros do caso base e utilizando o modelo de progressão do leader para representar o isolamento. observa-se maior proximidade entre os valores médios das tensões registradas no instante de ruptura para as três representações implementadas. Para os três casos simulados. a variância da amostra é expressivamente inferior. Os 93 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . A mesma tendência é observada quando se considera o modelo de ruptura baseado na equação do efeito disruptivo (Figura 4-27 e Figura 4-29). o instante de disrupção experimenta o comportamento inverso. apresentando um comportamento semelhante ao observado na característica tensão-tempo obtida do ensaio normalizado.Capítulo 4 – Resultados (b)). o aumento do tempo de frente da onda incidente implica em disrupções com tensões críticas menores. Para tempos de frente superiores ao tempo de reflexão nas torres mais distantes. Os resultados para a variação na frente de onda. Por fim. Assim. Por outro lado. embora para a característica tensão-tempo a média das tensões de ruptura seja ligeiramente inferior às obtidas pela aplicação dos outros dois métodos.

como por exemplo. Fixando parâmetros do caso base. 94 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . a fonte de surto.4 Conclusão Neste Capítulo são apresentados os principais resultados obtidos no desenvolvimento deste trabalho. considerando um perfil típico de distribuição de alta tensão. 4. objetivando reproduzir as mesmas premissas e hipóteses simplificadoras adotadas na metodologia empregada no programa Flash. pertencente aos sistemas da Cemig. Figura 4-25: Distribuição estatística da corrente crítica de disrupção. Finalmente. enfatizando as diferenças entre os modelos. Com as aproximações e os resultados obtidos na simulação do caso base. como na distribuição estatística dos instantes de disrupção e do valor da tensão de ruptura observado. impedância do aterramento.Capítulo 4 – Resultados resultados obtidos de acordo com as duas metodologias são muito próximos. na estimativa do desempenho. embora sejam pautados em modelos físicos diferentes com aproximações particulares em seus parâmetros de entrada. comprimento da cadeia de isolador etc. procedeu-se à verificação da influência da caracterização da natureza estocástica das variáveis envolvidas. foi realizada uma série de avaliações de sensibilidade paramétrica para determinar a influência das variáveis consideradas. tanto no cálculo do desempenho. o modelo de ruptura do isolamento e o aterramento elétrico. tempo de frente. Subsequentemente. tempo de cauda. definindo a estrutura de interesse. Primeiramente. valor de pico de corrente. uma comparação entre três metodologias de representação dos processos disruptivos de cadeias de isoladores é apresentada. os parâmetros de entrada do algoritmo implementado são ajustados. os parâmetros de incidência. a configuração base é estabelecida. no cálculo da taxa de backflashover.

Figura 4-27: Sensibilidade do instante de ruptura e da tensão registrada no instante de disrupção à variação incremental do tempo de frente (Método de Progressão do leader). (b) Solicitação do tipo impulso padronizado . (a) Solicitação empregada no Flash. 95 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .Capítulo 4 – Resultados Figura 4-26: Distribuição da probabilidade de falha do isolamento.

Capítulo 4 – Resultados Figura 4-28: Sensibilidade do instante de ruptura e da tensão registrada no instante de disrupção à variação incremental do tempo de frente (Método de Integração). 96 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET .

Na consideração do modelo de J. flexível e mais completa que a alternativa analisada. baseado em uma interface Matlab®-ATP. são introduzidos os detalhes do ACAE-DLT. é realizada uma avaliação sistemática da consideração de incertezas nestas variáveis. com objetivo de determinar a influência da dispersão estatística das variáveis envolvidas no problema. com relação aos parâmetros que afetam o cálculo do desempenho de maneira mais significativa.1 Síntese da Dissertação e Principais Resultados Neste trabalho. Contudo. a consideração da insensibilidade dos parâmetros da linha em relação ao amplo espectro de frequências da excitação transitória. As considerações mais relevantes para tal desenvolvimento são descritas no estudo do estado da arte apresentado no Capítulo 2. Portanto. O ajuste do ACAE-DLT às simplificações adotadas no programa Flash permite verificar que a metodologia proposta é consistente.9 do programa Flash. denominado ACAE-DLT. as diferenças encontradas na avaliação da variação incremental do ângulo de referência do componente de baixa frequência são mais significativas. com o auxílio do ACAE-DLT são realizadas diversas avaliações de sensibilidade. no Capítulo 3. No processo de validação. desenvolvido pelo IEEE. é apresentado o desenvolvimento e implantação do Ambiente Computacional segundo uma Abordagem Estocástica para cálculo de Desempenho de Linhas de Transmissão. evidenciando aspectos práticos da metodologia de simulação. Finalmente.Capítulo 5 – Conclusões e Propostas de Continuidade 5– CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE CONTINUIDADE 5. de forma objetiva. O cálculo do desempenho proposto neste trabalho é baseado na consideração de diversos modelos e parâmetros que exercem influência característica na confiabilidade do sistema. Martí (representação dos cabos aéreos). juntamente com a descrição do programa de cálculos de transitórios eletromagnéticos (ATP). resultou em uma aproximação satisfatória. Antes. verificou-se que devido ao esforço computacional associado às múltiplas simulações no domínio do tempo. figura na aproximação mais interessante com relação ao tempo de computação. Posteriormente. porém. em um perfil típico de 138 pertencente ao sistema de transmissão da Cemig. frente a descargas atmosféricas. o algoritmo proposto foi ajustado com o objetivo de assemelhar-se às mesmas aproximações adotadas na versão 1. Subsequentemente. Não há dúvidas de que dada a complexidade dos processos físicos 97 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . um estudo comparativo. por meio do método de Monte Carlo. com relação aos modelos de ruptura do isolamento é apresentado. descrito no Capítulo 4.

ressalta-se a necessidade do desenvolvimento de sistemas de aquisição de dados. Os tempos de frente e de meia onda também afetam. Para os referidos parâmetros. Empregando a formulação ajustada. evidentemente. verifica-se que. Dada a imprecisa correlação entre o nível ceráunico e a densidade de descargas atmosféricas. a partir do qual o aumento desta impedância não resulta em aumentos consideráveis da taxa de backflashover. assim como na impedância impulsiva de aterramento. observa-se que a taxa de backflashover calculada. os resultados obtidos apenas reiteram a necessidade da maior ênfase no projeto destes elementos. ou seja. não necessariamente ao mesmo perfil) estabelecidas na avaliação da máxima sobretensão monitorada entre as mísulas e as correspondentes fases.Capítulo 5 – Conclusões e Propostas de Continuidade envolvidos e a natureza aleatória das descargas atmosféricas. em termos práticos. constata-se a necessidade da adequação de ajustes experimentais. o perfil de variação do desempenho estimado. proporciona um aumento no número de desligamentos estimado. implica em um aumento da confiabilidade. as simulações do caso base. Com relação aos parâmetros de incidência geográfica. a inclusão de incertezas nos parâmetros da corrente de surto. Alguns parâmetros de interesse físico-práticos foram avaliados por meio de estudos de sensibilidade. em sistemas de localização de tempestades. em geral. que traduzam a identidade meteorológica da região na qual o sistema é instalado. No que concerne ao aterramento elétrico. o desempenho do sistema. o efeito da característica estocástica do ângulo de referência. O aumento do tempo de frente que. No caso da impedância finita do canal. Por outro lado. para região de Minas Gerais como referência. Apesar de exibirem comportamentos característicos. Embora tanto a impedância interna do canal de descarga quanto a impedância impulsiva do aterramento sejam representadas por elementos puramente resistivos lineares e com parâmetros concentrados. com importâncias relativas diferentes. por exemplo. é possível quantificar a influência de tal atribuição na estimativa do desempenho do sistema. Realizando uma avaliação sistemática da atribuição da consideração estocástica das variáveis envolvidas. é bastante diferente. Considerando os parâmetros da corrente de descarga. resulta na diminuição da confiabilidade. baseados. mostram que a distribuição cumulativa implementada no programa Flash resulta em uma subestimativa das taxas de desligamentos. a variação incremental de ambos os parâmetros mencionados tem por efeito o aumento da taxa de desligamentos do circuito. de acordo com a forma de 98 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . obedece às mesmas tendências (mas. o cálculo do desempenho deve ser fundamentado em uma abordagem probabilística. Estas divergências são devidas às diferentes faixas de variação dos valores envolvidos e à posição destes elementos no circuito. observado em cada uma das análises de sensibilidade realizadas. deve-se selecionar um valor que seja igual ou superior ao valor observado no ponto de saturação. É verificado que. a análise das diferentes funções de probabilidade cumulativa do valor de pico de corrente permite estimar desvios percentuais apreciáveis nos índices de confiabilidade.

Similarmente. solicitações com decaimentos mais lentos após o instante de ocorrência do pico. empiricamente ajustados. Por outro lado. solicitações com frentes de ondas mais lentas estão associadas às tensões de rupturas menores. conforme evidenciado na característica tensão-tempo. relacionadas às modelagens das cadeias de isoladores. verifica-se melhor concordância entre os resultados obtidos de acordo com o modelo do leader progressivo. conforme esperado. É perceptível que. Ao se avaliar o estado do sistema com base na caraterística tensão-tempo. o instante de ocorrência do arco elétrico segue o comportamento inverso. selecionado de acordo com a distribuição cumulativa de corrente implementada no Flash. De maneira similar. resultam em uma diminuição pouco expressiva da taxa de backflashover. considerado a mesma tensão de operação. O emprego das diferentes aproximações. O processo de formação e evolução do arco elétrico no isolamento constitui um mecanismo complexo e o desenvolvimento de modelos que se apliquem em qualquer situação (configurações genéricas de eletrodos e formas de ondas). apresentam maiores desvios percentuais com relação ao caso base. quando o modelo de disrupção é baseado na solução da equação do efeito disruptivo (método de integração). foi realizada de acordo com a variação da probabilidade de ocorrência do valor de pico de corrente. determina a taxa de crescimento da corrente injetada.Capítulo 5 – Conclusões e Propostas de Continuidade onda selecionada. mediante solicitações com diferentes formas de ondas. pode-se verificar a influência do tempo de frente da onda incidente na suportabilidade do isolamento e no instante de disrupção. Desta forma. Esta sensibilidade é justificada pelo próprio senso comum. é acompanhado da redução da taxa de desligamentos. neste caso. 99 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . As diferenças. enfatizando a importância de investigações futuras. reforçando a necessidade de uma avaliação mais criteriosa dos modelos de incidência. de que distâncias elétricas menores estão associadas a tensões de rupturas de menor magnitude. Com base nas metodologias implementadas. também se admite um erro. para as simulações realizadas. um erro conceitual é cometido e tal aproximação é refletida no cálculo virtualmente menos preciso do desempenho. no desempenho calculado. cadeias de isoladores com comprimentos pequenos apresentam maior probabilidade falha. A avaliação dos diferentes parâmetros da equação do raio de atração. obtida do ensaio normalizado. ainda é tema de diversas pesquisas que combinam investigações de natureza teórica e experimental. Entretanto. resultou em diferenças significativas das taxas calculadas. O comprimento das cadeias de isoladores influencia os índices de desligamentos de maneira destacada. em comparação com as outras avaliações de sensibilidade conduzidas.

Consideração de funções matemáticas mais representativas das formas de ondas observadas experimentalmente. 100 PPGEL – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – UFSJ/CEFET . 4. levando em conta a distribuição estatística do ângulo de conexão do canal de descarga e considerando explicitamente a formação de canais ascendentes. a saber: 1. Avaliação das diferentes modelagens da progressão do leader no isolamento. negligenciando a ocorrência de fenômenos físicos complexos. 7. Implementação dos métodos baseados em elementos finitos. Introdução de dados estatísticos de amostras com polaridade positiva. Consideração de um modelo de incidência mais elaborado. Investigação da influência das diferentes modelagens das torres no desempenho do sistema. 15. Diante do exposto. 14. Avaliação da probabilidade de ocorrência de ruptura no ponto médio do vão. Análise comparativa entre diferentes metodologias de cálculos de desempenho.2 Propostas de Continuidade No desenvolvimento deste trabalho foram adotadas inúmeras simplificações. 13. 2. Avaliação da influência do efeito corona no desempenho do sistema. 10. 12. com o objetivo de traduzir a natureza não linear e dependente da frequência destes elementos. 11. 8. na metodologia e nos modelos selecionados. como por exemplo. Desenvolvimento de procedimentos para alocação otimizada de pararaios de óxido metálico em paralelo com as cadeias de isoladores. Aperfeiçoamento das rotinas desenvolvidas e migração para uma linguagem de maior desempenho. Consideração das descargas incidentes ao longo do vão. 6. 5. 3. o efeito corona e a ionização do solo. Maior ênfase no modelo dos eletrodos de aterramento. Consideração de descargas incidentes nos cabos de fase. 9. os desenvolvimentos alcançados suscitam diversas discussões e servem de objeto para inúmeras investigações futuras. como por exemplo. o método de progressão do leader. Aplicação de técnicas de programação paralela/distribuída para melhorar o tempo de computação. para descrever a evolução do arco elétrico nas cadeias de isoladores.Capítulo 5 – Conclusões e Propostas de Continuidade 5.

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Anexo B – Arquivo Principal Anexo B – Arquivo Principal B.ATP .1 – Arquivo Principal *.

Anexo B – Arquivo Principal .

Anexo B – Arquivo Principal .