You are on page 1of 8

TERRA LIVRE

PARA A CRIAÇÃO DE UM COLECTIVO AÇORIANO DE ECOLOGIA SOCIAL

BOLETIM Nº19 ABRIL DE 2010

- Por que não Limpo Portugal?


- O que fracassou em Copenhaga?
- Anticapitalismo e Justiça climática
- A propósito da Hora do Planeta
- Declaração Universal do Direitos da Água
Por que não Limpo Portugal?

Tenho recebido, pelos mais diversos meios, 2- O não envolvimento das populações
convites para participar no próximo sábado, 20 de responsáveis pelos despejos de resíduos,
Março, na iniciativa Limpar Portugal. nomeadamente as residentes no litoral, não
Para quem há cerca de 30 anos tem dedicado parte as responsabilizará pelas suas más práticas.
substancial da sua vida ao trabalho voluntário, Assim, verificar-se-á o que tem acontecido
nomeadamente na área da protecção do ambiente, até aqui: “uns limpam e os outros
pode parecer estranho a sua não participação continuarão a sujar”;
numa iniciativa que parece bem-intencionada e 3- Sentir-me-ia mal com a minha consciência
que vai contar com a dedicação de muitos ao participar num projecto de puro
voluntários, em todo o país. activismo, em que a reflexão sobre as
causas da má (ou não) gestão dos resíduos
está ausente;

Não queria terminar este texto (diria, quase


desabafo) reafirmando a minha concordância com
o que outros já disseram, isto é, os problemas
ambientais são problemas sociais e que para a sua
resolução são necessárias alterações no
comportamento tanto em grande escala como
individual.
Por último, em relação ao problema dos resíduos,
Vejo-me na obrigação de tentar expor algumas concordo que este nunca será bem resolvido
razões para a não participação já que, perante a enquanto não se considerar que o melhor resíduo é
minha resposta negativa, tenho recebido alguns o que não se produz e subscrevo as afirmações de
comentários um pouco desagradáveis, sobretudo Manuel Castells quando afirma que a maioria dos
de pessoas que conheço há mais de duas ou três problemas ambientais mais elementares ainda não
décadas e que nunca na sua vida deram um pouco foi resolvida porque o “seu tratamento requer uma
do seu tempo para ajudar os outros, seja em mudança nos meios de produção e de consumo
questões do foro ambiental ou social. bem como da nossa organização social e das
Aqui vão, entre outras, três das razões: nossas vidas pessoais”
1- Considero a iniciativa meramente T. Braga
simbólica já que num dia não conseguirá
alcançar os objectivos pretendidos; 17 de Março de 2010
O que fracassou em Copenhaga?

Escrito por Grupo de São Paulo


Analistas e ativistas foram unânimes em afirmar firmada, na Cúpula da Terra realizada no Rio de
o fracasso da 15ª Conferência sobre Mudanças Janeiro, em 1992.
Climáticas das Nações Unidas (COP-15),
realizada na capital da Dinamarca em Dezembro No ritmo atual de crescimento, estas emissões
de 2009. A COP-15 reuniu nada menos que 119 poderiam mais do que triplicar até o fim deste
chefes de governo de 192 países, um feito inédito. século, o que significa 50% de risco de que a
temperatura global subisse 5°C. A esse nível, o
O evento foi acompanhado com grande aquecimento global impacta de forma catastrófica
expectativa pelos povos do mundo todo que já os biomas, comprometendo as formas de vida das
sofrem as trágicas consequências do aquecimento populações que os habitam. No Brasil, espaço da
global – tsunamis na Ásia, furacões nos EUA, maior biodiversidade da Terra e que abriga um
ondas de calor na Austrália, tempestades no quinto das espécies do planeta, a Amazônia teria
Brasil, degelo das calotas polares no Ártico e na 40% de sua cobertura florestal transformada em
Antártida. savana e o rio São Francisco teria sua vazão
reduzida em 70%.
A conferência culminava dois anos de
negociações no âmbito da ONU e visava elaborar
um programa de cooperação internacional para
combater as mudanças ambientais que ameaçam a Ocorre que os países centrais do capitalismo, que
vida na Terra. O seu objetivo central era garantir a emitem as maiores quantidades de dióxido de
fixação de metas para emissão de gases que carbono – como EUA, Inglaterra, Alemanha e
provocam efeito estufa e evitar o aquecimento Japão – e as maiores economias da periferia, com
global acima de 2ºC até 2050 – após esse limite as suas indústrias poluidoras – China, Brasil, Rússia
consequências das mudanças climáticas seriam – pactuaram e garantiram que não se abordassem
irreversíveis. Para que isso aconteça o mundo na conferência as causas das emissões. Ou seja,
precisaria reduzir suas emissões em 80% nas esses países preservaram o modelo de produção e
próximas quatro décadas. consumo hoje hegemônico em seus territórios e na
maioria do planeta onde imperam os seus próprios
O que, de fato, fracassou em Copenhague? interesses. O resultado evidente será o sacrifício
da natureza, a ampliação das desigualdades sociais
A abordagem adotada para o problema das e a inviabilidade futura da vida no planeta.
mudanças climáticas restringiu a questão aos seus
efeitos, qual seja, o aquecimento da temperatura Mesmo diante do tão limitado enfoque adotado,
do planeta causado pelas emissões de dióxido de o documento final da conferência registra o
carbono. Além disso, circunscreveu as fracasso das negociações. O texto prevê apenas
possibilidades de ação àquelas que significassem redução de 50% das emissões de dióxido de
novos negócios para as grandes corporações carbono em 2050 e não determina metas
transnacionais, expandindo o "capitalismo verde" obrigatórias para redução até 2020. Antes do
movido a agrocombustíveis, alimentado por início da cúpula, os países estipulavam como
transgênicos resistentes a um clima mais adverso e objetivo mínimo definir em Copenhague metas de
pelas negociações de créditos de carbono em bolsa redução para os próximos dez anos. Nem isso se
de valores. conseguiu e este fracasso ameaça a eficácia do já
superado Protocolo de Kyoto, de 1997, cujas
Sem dúvida que as emissões destes gases metas de redução para 2012 eram próximas de
representam um grave problema ambiental e de 6%.
saúde. Hoje são 30% mais altas do que na época
em que a Convenção sobre Mudança do Clima foi Em relação aos outros pontos da agenda
defendida pelos países que comandaram a cúpula,
o documento também é vago. Não detalha o
funcionamento do fundo a ser criado pelos países A eficácia no enfrentamento das mudanças
ricos para financiar os países mais afetados pelo climáticas dependerá da abordagem que for
aquecimento global, deixando brechas para que dominante nas ações dos países e das Nações
seja disputado também por grandes corporações Unidas até o próximo encontro de cúpula, que
interessadas em negócios vinculados aos deve acontecer no final de 2010, na Cidade do
agrocombustíveis e comércio de carbono. México. A depender da agenda hoje hegemônica,
Obviamente, o texto nem menciona possibilidade não há esperança de avanços que signifiquem
de controle social sobre os recursos deste fundo, superar as causas efetivas dos problemas
deixando aberta a possibilidade de corrupção. ambientais que ameaçam a vida na Terra.

O governo do Brasil seguiu a estratégia adotada Thomaz Ferreira Jensen, Elisa Helena Rocha
desde Kyoto e manteve-se alinhado aos interesses de Carvalho e José Juliano de Carvalho Filho,
dos países europeus e suas poderosas corporações do Grupo de São Paulo - um grupo de pessoas
transnacionais. Coube a Lula, com ampla que se revezam na redação e revisão coletiva
cobertura da mídia internacional, o papel de dos artigos de análise de Contexto
reforçar a necessidade de EUA e China Internacional do Boletim Rede, editado pelo
cumprirem a agenda de redução de emissões, ao Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade,
mesmo tempo em que tentava fazer com que os de Petrópolis, RJ.
países periféricos se comportassem dentro da
agenda limitada que orientou a conferência. Esta Contato: gruposp@correiocidadania.com.br
postura foi contraponto às manifestações
contundentes de alguns países africanos e latino- Artigo publicado na edição de janeiro de 2010
americanos – notadamente as intervenções do do Boletim Rede.
presidente da Bolívia, Evo Morales, que rechaçou
não apenas a abordagem reducionista assumida na 16-Mar-2010
conferência sobre o problema climático, como Fonte:
também a forma pouco democrática com que a http://www.correiocidadania.com.br/content/view/
cúpula foi conduzida. 4433/9/

Copenhague, entretanto, também evidenciou


sinais de esperança. As manifestações populares,
fortemente reprimidas pela polícia local, chegaram
a reunir 100 mil pessoas em marcha pela capital
dinamarquesa e um fórum não-governamental – o
Klima Fórum – promoveu dezenas de debates com
cientistas, militantes e representantes de alguns
governos da América Latina e África e propiciou
alianças fundamentais em torno de programas de
ação que ampliaram a agenda de luta
anticapitalista com as necessárias preocupações
ecológicas.

Entre os principais consensos do Klima Fórum,


resumidos em documento intitulado "Mudemos o
sistema, não o clima", consta abandonar
completamente os combustíveis fósseis nos
próximos 30 anos e reconhecer e compensar a
dívida climática e os efeitos negativos das
mudanças climáticas sobre as populações afetadas.
Anticapitalismo e Justiça climática

A mudança climática é, hoje em dia, uma realidade inegável. O eco político, social e midiático da Conferência de Copenhague,
em dezembro de 2009, foi uma boa prova disso. Uma Cumbre que mostrou a incapacidade do próprio sistema capitalista de dar
uma resposta crível a uma crise que ele mesmo criou. O capitalismo verde se coloca na questão da mudança climática, aportando
uma série de soluções tecnológicas (energia nuclear, captação do carbono da atmosfera para seu armazenamento,
agrocombustíveis, etc…) que gerariam maiores impactos sociais e meio-ambientais. Se trata de soluções falsas à mudança
climática que tentam esconder as causas estruturais que nos conduzem a situação atual de crise e que buscam fazer negócio com a
mesma, uma vez que propõe a contradição entre cálculo de curto prazo do capital e os ritmos longos do equilíbrio ecológico.

Por Esther Vivas

Neste contexto, é urgente um movimento capaz de centralidade da crise ecológica está fadada ao
desafiar o discurso dominante do capitalismo fracasso e qualquer perspectiva ecologista sem
verde, assinalar o impacto e a responsabilidade do uma orientação anticapitalista, de ruptura com o
atual modelo de produção, distribuição e consumo sistema atual, ficará na superfície do problema e
capitalista e vincular a ameaça climática global ao final pode acabar sendo um instrumento à
com os problemas sociais cotidianos. Copenhague serviço das políticas de marketing verde.
têm sido até agora a maior expressão do
movimento pela justiça climática, coincidindo Frear a mudança climática implica modificar o
justamente com o décimo aniversário das atual modelo de produção, distribuição e
mobilizações contra a OMC em Seattle. Um consumo. Os retoques superficiais e cosméticos
protesto que, sob o lema” Mudamos o sistema, não valem. As soluções a crise ecológica passam
não o clima”, expressa esta relação difusa entre por tocar os cimentos do atual sistema capitalista.
justiça social e climática, entre crise social e crise Se queremos que o clima mude, é necessário
ecológica. Mas o êxito dos protestos em mudar o sistema. Daí a necessidade de ter uma
Copenhague contrasta com a debilidade das verdadeira perspectiva eco-socialista, ou eco-
manifestações a nível mundial, com algumas comunista como assinalava Daniel Bensaid em um
exceções como Londres. de seus últimos artigos.

Assim mesmo, se deve combater as teses do neo-


malthusianismo verde que culpabilizam os países
do sul por suas altas taxas de população e que
buscam controlar o corpo das mulheres,
impedindo o direito a decidir sobre nosso corpo.
Lutar contra a mudança climática implica
enfrentar a pobreza: a maior desigualdade social,
mais vulnerabilidade climática. É necessário
reconverter setores produtivos com graves
impactos sociais e ambientais (indústria militar,
automobilística, extrativistas, etc…), criando
emprego em setores sociais e ecologicamente
justos como a agricultura ecológica, serviços
públicos (sanitários, educativos, transporte), entre
A crise atual apresenta a necessidade urgente de outros.
mudar o mundo de base e fazê-lo desde uma
perspectiva anticapitalista e eco-socialista radical. Acabar com a mudança climática implica apostar
Anticapitalismo e justiça climática são dois pelo direito dos povos a soberania alimentar. O
combates que tem que estar estritamente unidos. modelo agroindustrial atual(deslocalizado,
Qualquer perspectiva de ruptura com o atual intensivo, quilométrico. Petro-dependente) é um
modelo econômico que não leve em conta a dos máximos geradores de gases de efeito estufa.
Apostar por uma agricultura ecológica, local e
camponesa e por circuitos curtos de
comercialização permitem, como diz a Via
Campesina, esfriar o planeta. Assim mesmo, há
que integrar as demandas dos povos originários, o
controle de suas terras e bens naturais, e sua
cosmovisão e respeito a “Pachamama”, a “mãe
terra”, e a defesa do “bem viver”. Valorizar estas
contribuições que propõe um novo tipo de relação
entre humanidade e natureza é chave para
enfrentar a mudança climática e a mercantilização
da vida e do planeta.

Desde uma perspectiva Norte-Sul, justiça


climática implica a anulação incondicional da
dívida externa dos países do Sul, uma dívida ilegal
e ilegítima, y reivindicar o reconhecimento de
uma dívida social, histórica e ecológica do Norte
em relação ao sul resultado de séculos de espólio e
exploração. Em casos de catástrofe, é necessário
promover mecanismos de “ auxílio popular”.
Temos visto como a mudança climática aumenta a
vulnerabilidade dos setores populares É falso pensar que podemos combater as
especialmente nos países do Sul. Os terremotos no mudanças climáticas só a partir da mudança de
Haiti e Chile são dois dos casos mais recentes. atitudes individuais, e ainda mais quando a metade
Frente a estas ameaças são necessárias redes de da população mundial vive no “subconsumo
solidariedade internacional de movimentos sociais crônico”, e também é falso pensar que podemos
de base que permitam uma canalização da ajuda lutar contra a mudança climática somente com
imediata e efetiva das populações locais. A respostas tecnológicas e científicas. São
iniciativa não pode ficar nas mãos de um “ necessárias mudanças estruturais nos modelos de
humanitarismo” internacional vazio de conteúdo produção de bens, de energia, etc… Nesta direção,
político. as iniciativas que desde o local propõe alternativas
práticas ao modelo dominante de consumo,
A luta contra a mudança climática passa por produção, energético… têm um efeito
combater o atual modelo de produção industrial, demonstração e de conscientização que é
deslocalizado, “just on time”, massivo, fundamental apoiar.
dependente de recursos fósseis, etc… As
burocracias sindicais seguem e legitimam as Por sua natureza, falar de como enfrentar a
políticas do “capitalismo verde” com a farsa de mudança climática implica discutir estratégia,
que as “tecnologias verdes” criam emprego e auto-organização, planificação e as tarefas que,
geram maior prosperidade. É necessário aqueles e aquelas que como nós se consideram
desmontar este mito. A esquerda sindical deve anticapitalistas, temos pela frente.
colocar em xeque o atual modelo de crescimento
sem limites, apostando em outro modelo de Síntese da intervenção de Esther Vivas no 16º
“desenvolvimento” que esteja em consonância Congresso Mundial da 4ª Internacional em
com os recursos finitos do planeta. As Newport, Bélgica, março 2010.
reivindicações ecologistas e contra as mudanças
climáticas tem que ser um eixo central do Tradução de Paulo Marques para
sindicalismo combativo. Os sindicalistas não www.brasilautogestionario.org
podem ver os ecologistas como seus inimigos e
vice-versa. Todas e todos sofremos as Fonte:
consequências das mudanças climáticas e é http://centrodeestudosambientais.wordpress.com/2
necessário que atuamos coletivamente. 010/03/25/anticapitalismo-e-justica-climatica/
A propósito da Hora do Planeta

Não sabemos se houve qualquer adesão por parte


dos cidadãos dos Açores, mas se alguém acha que
apagar as luzes uma hora por ano contribui para
alertar o quer que seja ou que mostra a sua
preocupação com os problemas ambientais do
mundo está no caminho errado. O melhor que faz
é continuar com as luzes acesas pois aquele
simples acto a nada leva, a não ser à lavagem da
sua imagem.

Não adiantam as autarquias apagarem as luzes por


uma hora se a lógica da produção e do consumo
continuar a mesma, se não procederem a
auditorias com o objectivo de detectar e reduzir os
consumos supérfluos de energia e de água, se não
PARA QUE SERVE APAGAR AS LUZES UMA apostarem num claro incentivo à redução da
HORA POR ANO? produção de resíduos a nível zero, numa lógica de
No passado dia 27 de Março, ocorreu mais uma tudo pode ser reciclado, reutilizado e reduzido.
Hora do Planeta, iniciativa que se traduz no
apagar as luzes por uma hora, que tem, segundo os Quanto aos cidadãos, se não são capazes de alterar
organizadores, a finalidade de “não só contribuir os seus hábitos de consumo, de contribuir com o
para a preservação do nosso Planeta, como fazer seu trabalho voluntário, a nível individual ou
parte da maior plataforma voluntária de cidadãos integrados em associações, para o bem comum,
contra as alterações climáticas”. então o melhor que fazem é ficar em casa sentados
em frente à televisão, pois apagar as luzes uma
A este acto simbólico a que Portugal aderiu pela hora por ano pode fazer muito bem às suas
segunda vez, aderiram algumas localidades consciências pesadas, mas em nada contribui para
(autarquias) açorianas que no seu dia-a-dia nada a construção de um mundo mais justo, limpo e
fazem para que nas suas instalações haja uma pacífico.
utilização racional da energia. TB
Declaração Universal do Direitos da Água

A ONU redigiu um documento em 22 de Março aos nossos sucessores. Sua protecção constitui
de 1992 - intitulado "Declaração Universal dos uma necessidade vital, assim como a obrigação
Direitos da Água". moral do homem para com as gerações presentes e
O texto merece profunda reflexão e divulgação futuras.
por todos os amigos e defensores do Planeta
Terra, todos os dias. 6 - A água não é uma doação gratuita da natureza;
ela tem um valor económico: precisa-se saber que
1 - A água faz parte do património do planeta. ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que
Cada continente, cada povo, cada nação, cada pode muito bem escassear em qualquer região do
região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente mundo.
responsável aos olhos de todos.
7 - A água não deve ser desperdiçada, nem
2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua
condição essencial de vida de todo vegetal, animal utilização deve ser feita com consciência e
ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber discernimento para que não se chegue a uma
como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a situação de esgotamento ou de deterioração da
cultura ou a agricultura. qualidade das reservas actualmente disponíveis.

3 - Os recursos naturais de transformação da água 8 - A utilização da água implica em respeito à lei.


em água potável são lentos, frágeis e muito Sua protecção constitui uma obrigação jurídica
limitados. Assim sendo, a água deve ser para todo homem ou grupo social que a utiliza.
manipulada com racionalidade, precaução e Esta questão não deve ser ignorada nem pelo
parcimónia. homem nem pelo Estado.

4 - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta 9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os


dependem da preservação da água e de seus imperativos de sua protecção e as necessidades de
ciclos. Estes devem permanecer intactos e ordem económica, sanitária e social.
funcionando normalmente para garantir a
continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio 10 - O planeamento da gestão da água deve levar
depende em particular, da preservação dos mares e em conta a solidariedade e o consenso em razão
oceanos, por onde os ciclos começam. de sua distribuição desigual sobre a Terra.

5 - A água não é somente herança de nossos Fonte: ONU (Organização das Nações Unidas)
predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo