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PRF

Direitos Humanos e Cidadania
Emilly Albuquerque

2013 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor.

DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
1 Teoria geral dos direitos humanos.
A teoria geral dos direitos humanos trata dos direitos fundamentais da
pessoa humana, considerando que toda pessoa deve ter a sua dignidade
respeitada e a sua integridade protegida, independentemente da origem, raça,
etnia, gênero, idade, condição econômica e social, orientação ou identidade
sexual, credo religioso ou convicção política.
Toda pessoa deve ter garantidos seus direitos civis (como o direito à vida,
segurança, justiça, liberdade e igualdade), políticos (como o direito à
participação nas decisões políticas), econômicos (como o direito ao trabalho),
sociais (como o direito à educação, saúde e bem-estar), culturais (como o
direito à participação na vida cultural) e ambientais (como o direito a um meio
ambiente saudável).
A classificação dos Direitos Humanos em Gerações e Dimensões se deu
em 1979, em uma conferência do Instituto Internacional de Direitos Humanos,
Karel Vasak propôs uma classificação dos direitos humanos em gerações,
inspirado no lema da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade).
1a Dimensão ou Geração → Liberdade
2a Dimensão ou Geração → Igualdade
3a Dimensão ou Geração → Fraternidade ou Solidariedade:
metaindividuais e supraindividuais
4a Dimensão ou Geração → Evolução da Ciência/Genética
5a Dimensão ou Geração → Realidade Virtual
Visando relacionar a disciplina dos direitos humanos com a cidadania,
analisaremos alguns pontos relevantes acerca do assunto.
1.1 Conceito, terminologia, estrutura normativa, fundamentação.
a) Conceito
O conceito de Direitos Humanos é muito amplo. Para o Prof. Fernando
Sorondo, ele pode ser considerado sob dois aspectos:
- "constituindo um ideal comum para todos os povos e para todas as
nações, seria então um sistema de valores"; e
- "este sistema de valores, enquanto produto de ação da coletividade
humana, acompanha e reflete sua constante evolução e acolhe o clamor de
justiça dos povos. Por conseguinte, os Direitos Humanos possuem uma
dimensão histórica".

Os Direitos Humanos são princípios internacionais que servem para
proteger, garantir e respeitar o ser humano. Devem assegurar às pessoas o
direito de ter uma VIDA DIGNA com acesso à liberdade, ao trabalho, à
propriedade, à saúde, à moradia, a educação, lazer, alimentação etc.
Os Direitos Humanos são fruto do percurso histórico de costumes e
tradições das antigas civilizações da produção jusfilosófica e de valorização de
direitos naturais.
A finalidade básica dos direitos humanos é coibir o abuso do Poder do
Estado.
b) Terminologia
A nomenclatura DIREITOS HUMANOS e DIREITOS DO HOMEM é
frequentemente usada entre estudiosos latinos e angloamericanos, enquanto
DIREITOS FUNDAMENTAIS é mais apreciada pelos alemães.
Direitos Humanos x Direitos do Homem? X Direitos Fundamentais?
Todas essas denominações, em regra, querem dizer a mesma coisa, ou
seja, é um conjunto de direitos políticos, civis, sociais, econômicos e culturais
garantidos pelo Estado a todos os seres humanos.
c) Estrutura normativa
Para entender a estrutura normativa dos direitos humanos, precisamos
analisar os sistemas que o fundamenta.
O sistema global de proteção dos direitos humanos, da ONU, contém
normas de alcance geral e de alcance especial. As normas de alcance geral e
destinadas a todos os indivíduos, genérica e abstratamente, são os Pactos
Internacionais de Direitos Civis e Políticos e o de Direitos Econômicos, Sociais
e Culturais.
As normas de alcance especial são destinadas a indivíduos ou grupos
específicos, tais como: mulheres, refugiados, crianças entre outros. Dentre as
normas especiais do sistema global da ONU, destacam-se a Convenção contra
a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes, a
Convenção para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, a Convenção
para a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial e a Convenção
sobre os Direitos da Criança.
Nos sistema global da ONU, o Brasil ratificou a maior parte dos
instrumentos internacionais de proteção aos direitos humanos, tais como o
Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em 24/01/92; o Pacto de
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, 24/01/92; a Convenção para a
Eliminação de toda a Discriminação contra a Mulher, em 01/02/84; a
Convenção para a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, em
27/03/68; e a Convenção sobre os Direitos da Criança, em 24/09/90. Porém, o
Brasil ainda não reconhece a competência dos seus órgãos de supervisão e
monitoramento, os respectivos Comitê de Direitos Humanos, o Comitê contra a
Discriminação Racial, o Comitê contra a Tortura, no que tange à apreciação de
denúncias de casos individuais de violação dos direitos humanos.

como a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos ou “Pacto de San José”(1969). O procedimento convencional requer a sua previsão expressa em tratados. ratificada pelo Brasil em 25/09/92. a sistematicidade. Além dos instrumentos de alcance geral. Uma forma de participação e de intervenção das organizações de direitos humanos no sistema da ONU é o encaminhamento de relatórios próprios aos respectivos Comitês. e é supervisionado pelos órgãos internacionais de supervisão. além do sistema de denúncias individuais. porém.Assim. pactos e convenções internacionais. Os procedimentos não convencionais são mecanismos não previstos em tratados que contribuem para a maior eficácia do sistema internacional de proteção. a ONU analisará as violações com base em requisitos como a persistência. há outros instrumentos de alcance geral que fazem parte do sistema interamericano. integra o sistema regional de proteção juntamente com os sistema europeu e a sistema africano. tendo como fundamento os atributos da pessoa humana. o Brasil aderiu aos mencionados tratados internacionais. tomando providências concretas. a gravidade e a prevenção. O sistema interamericano de proteção aos direitos humanos. há também o sistema de investigações e o de relatórios. o sistema de ações urgentes. ainda não reconhece a competências de seus órgãos de supervisão. Ao ratificar os tratados internacionais mencionados. estabelecendo os direitos essenciais da pessoa independente de ser nacional de determinado Estado. como por exemplo. o Brasil aceitou . para que sejam analisados juntamente com os relatórios enviados pelos Estados. Nestes casos. através do sistema de petições ou denúncias individuais. Ao ratificar a Convenção Americana. tal fato representa a impossibilidade de tais órgãos receberem denúncias individuais de casos de violações de direitos humanos ocorridos no país. para decidir se intervirá através de um dos seus órgãos. além da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. A possibilidade de acionar outros órgãos internacionais de supervisão. destinada a indivíduos genéricos e abstratos. o Brasil assumiu a obrigação de enviar relatórios periódicos para os Comitês e de sujeitar-se a uma eventual investigação sobre a situação dos direitos humanos no seu território. os sistema interamericano também é integrado por instrumentos de alcance especial. Na prática. A Declaração Americana é um instrumento de alcance geral que integra o sistema interamericano. no sistema global. impede a fiscalização de suas obrigações internacionais por parte daqueles órgãos. Além da Declaração Americana. Assim. relatórios e investigações). Os mecanismos não convencionais são bastante específicos e são acionados em caso de não assinatura dos tratados internacionais pelos países violadores de direitos humanos num caso específico. seria uma garantia a mais da proteção dos direitos humanos no Brasil. O sistema da ONU possui dois tipos de procedimento: os convencionais e os não convencionais. os Comitês (através do sistema de denúncias. tais como: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. do qual participam os estados membros da OEA. O sistema interamericano de promoção dos direitos humanos teve início formal com a aprovação da Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem em 1948 na Colômbia.

A publicação de um relatório final no Relatório Anual da Comissão divulgado para os Estados membros da Assembléia Geral da OEA é a sanção mais forte a que pode estar submetido um Estado. o único órgão internacional que têm competência para aceitar denúncias de casos individuais . nos quais já houve uma decisão sobre a responsabilidade internacional dos países denunciados.compulsoriamente a competência da Comissão para receber denúncias de casos individuais de violações de direitos humanos. A sua função consultiva refere-se a sua capacidade para interpretar a Convenção e outros instrumentos internacionais de direitos humanos.” Além do recebimento de denúncias. e a função consultiva. que foi criado pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos com o objetivo de supervisionar o seu cumprimento. A Corte Interamericana. que ainda não tenha reconhecido a competência da jurisdição da corte Interamericana. a Comissão tem duas funções: promover e estimular em termos gerais os direitos humanos através da elaboração de relatórios gerais. Somente os Estados-parte e a Comissão têm direito de submeter um caso à decisão da Corte”. esgotando o seu procedimento: “Art. até o presente. 61-1. seus representantes. proveniente do sistema interamericano. a legitimidade processual para o envio de casos para a Corte é somente concedida para a Comissão os Estado-parte. declarar que reconhece como obrigatória. ou em qualquer momento posterior. 62-1. apresentar um Relatório Anual na qual são reproduzidos relatórios finais dos casos concretos. como função complementar a função conferida pela mesma a Comissão. “Art. no momento do depósito de seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela. de pleno direito e sem convenção especial. é um órgão de caráter jurisdicional.e a Comissão Interamericana conforme estabelece a Convenção Americana no seu artigo 44: “Qualquer pessoa ou grupo de pessoas. diferentemente da Comissão. pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte. realizar visitas in loco aos países membros e. Todo Estado-parte pode. elaborar estudos e relatórios sobre a situação dos direitos humanos nos países membros da OEA. que é a análise dos casos individuais de violações de direitos humanos encaminhados pela Comissão ou pelos Estados-parte. a competência da Corte em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção. familiares ou pelas organizações não-governamentais. no caso do Brasil. ou entidade não-governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização.” A Corte possui duas funções principais: a função contenciosa. Para que os casos não sejam encaminhados à Corte primeiramente terão que passar pelo exame da Comissão. não sendo permitido o envio de casos pelas próprias vítimas de violações. Assim. Qualquer dos Estados partes da OEA podem solicitar à Corte uma opinião consultiva. mesmo os que não são partes na Convenção Americana ou outros órgãos enumerados no . Assim.

o problema fundamental dos direitos do homem. não é tanto o de justificálos. os limites das ações dos Estados. e. Mas hodiernamente existe uma crise dos fundamentos dos Direitos Humanos. econômicos e culturais. Assim será aplicada ao caso concreto a norma que melhor proteger a vítima seja ela de direito internacional ou de direito interno. pena de morte. textos legais e práticas políticojurídicas fez com que os direitos humanos passassem a ser considerados como promessa utópica. sociais. pois preocupam-se mesmo em declarar a sua fidelidade a esses direitos. d) Fundamentação A fundamentação dos Direitos Humanos teve sua solução com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem. constituem verdadeiros direitos morais. o critério adotado para evitar conflitos entre os vários instrumentos internacionais é da prevalência da norma mais benéfica para a vítima de violações de direitos humanos. intrinsecamente relacionados com a própria . antes de serem positivados nas Declarações de Direitos e nas Constituições.Capítulo X da Carta da Organização. entre outros temas cruciais para a efetiva proteção dos direitos humanos. de outro lado. defendam interpretações particulares sobre a abrangência. cuidadosamente. A função consultiva da Corte foi usada com mais freqüência nos seus primeiros anos de funcionamento. discriminação. Pela fundamentação jusnaturalista temos que tais direitos. esclarecemos que não existe hierarquia entre o sistema global e o sistema regional (interamericano) de proteção dos direitos humanos. transformam-se em ideais utópicos. que constituem. A tendência e o propósito da coexistência de distintos instrumentos jurídicos que garantem os mesmos direitos é no sentido de ampliar e fortalecer a proteção dos direitos humanos. Trata-se de um problema não filosófico. fadada a desaparecer no mundo etéreo dos ideais não cumpridos. aprovada em 10 de dezembro de 1848 pela Assembléia-Geral das Nações Unidas. na história do direito. conforme o artigo 64 da Convenção Americana. igualmente não existe hierarquia entre o sistema internacional. e as Opiniões Consultivas versaram sobre temas como: os limites de sua autoridade. políticos. responsabilidade do Estado. garantias judiciais. Os próprios governos autoritários contribuem para a idealização dos direitos humanos. A verdade é que os direitos humanos encontram-se em uma situação paradoxal: de um lado. na medida em que são sistematicamente desrespeitados por grupos sociais e governos. a afirmação mais acabada da crença do homem na sua própria dignidade. mas político. o sistema de proteção e a própria fundamentação dos direitos humanos. esses mesmos direitos. Esse conflito entre valores universais. ainda que. Tal critério contribui para minimizar os conflitos e possibilitar uma maior coordenação entre os instrumentos de proteção. proclamam-se em diversos textos legais um número crescente de direitos civis. Além disso. importando em última análise o grau de eficácia da proteção. hoje. A lógica do sistema internacional é de somar e proteger de forma mais integral possível os direitos da pessoas humana. e o sistema jurídico dos países. mas o de protegê-los. habeas corpus. Por fim. Neste sentido. seja global ou interamericano.

São direitos universais. consistem em que: (i) no lugar de direitos naturais. econômico e social. ou seja. As diferenças da fundamentação jusnaturalista para a fundamentação histórica dos direitos humanos. se fala em direitos de origem social provenientes do resultado da evolução da sociedade”. tanto a ordem jurídica natural como os direitos naturais deduzidos são expressão e participação de uma natureza humana comum e universal para todos os homens. em um sistema normativo que se caracteriza pelo fato de que o critério segundo a qual certas normas pertencem ao sistema não está baseado em atos contigentes ou ditados ou no reconhecimento por parte de certos indivíduos. (ii) no lugar de direitos anteriores e superiores a sociedade. que garantem a dignidade do homem perante os demais e também sua autonomia. senão um tipo de ordem jurídica distinta do Direito Positivo. Quanto à fundamentação histórica dos direitos humanos. tem por base a assertiva que os direitos humanos manifestam-se e são variáveis e relativos a cada contexto histórico e de desenvolvimento da sociedade. emancipação e liberdade frente ao poder do Estado. e. de forma conclusiva. os direitos humanos existem e o sujeito os possui independentemente do seu reconhecimento ou não por determinada ordem jurídica. político. e. . Muitos teóricos tem defendido a tese de que os direitos humanos tiveram origem não na ordem jurídica positiva. o Direito Natural. foram conquistados ao longo dos tempos. e. segundo fins que essa mesma comunidade pretende realizar. imprescritíveis. daí o estudo e a teorização dos direitos humanos em direitos de primeira. segunda e terceira geração. mas em um direito natural. inalienáveis. As três características mais relevantes da fundamentação jusnaturalista dos direitos humanos seriam as seguintes: (i) (ii) (iii) a origem dos direitos naturais não é de Direito Positivo. Segundo o pensamento de Norberto Bobbio. na defesa do jusnaturalismo como teoria que explica e dá a fundamentação da existência do direito natural. afirma e tem como consideração que os direitos humanos são direitos naturais. fala-se de direitos históricos. ou seja. senão em sua justificação intrínseca. variáveis e relativos. no que se refere a existência desses direitos. válidos universalmente. A fundamentação jusnaturalista. os direitos humanos são direitos históricos. a medida da evolução e necessidade da própria sociedade. Os direitos assegurados e positivados seriam resultados de reivindicações e lutas pela afirmação dos mesmos e refletem o grau de desenvolvimento alcançado em determinada sociedade na afirmação de seus direitos enquanto cidadãos. Para os defensores da fundamentação histórica dos direitos humanos a temática específica dos mesmos estará fundada nos valores constituídos em uma comunidade histórica concreta. e.existência da humanidade e de seu desenvolvimento histórico. universais e absolutos.

Convenção Relativa ao Tratamento dos Prisioneiros de Guerra (1929) 2. Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (1979) 9. Convenção Interamericana para Prevenir. Protocolo de Prevenção. especificamente. pois não existe uma única fundamentação ética. Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará – 1994) 12. pode-se chegar a uma análise ética de fundamentação dos diferentes direitos. Declaração sobre os Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho (1998) 13. 2 Afirmação histórica dos direitos humanos. é importante salientar que não serão abordados. portanto. Desumanos ou Degradantes (1984) 10. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965) 4. Direitos esses iguais. Partindo deste prisma. Declaração Universal dos Direitos dos Povos (1976) 8. e tendo por base como um dos valores fundantes. Nesta fundamentação. poder político ou classe social. e. Especialmente Mulheres e Crianças (1999) . Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. Sociais e Culturais (1966) 6.Quanto à fundamentação ética tem-se como ponto de partida que a fundamentação dos mesmos não pode ser apenas jurídica. característica física ou intelectual. Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica – 1969) 7. ou seja. tendo em vista que seus pressupostos e princípios têm como finalidade a observância e proteção da dignidade da pessoa humana de maneira universal. serão explicitados os principais marcos históricos relevantes para a compreensão do tema: 1. tendo em vista as limitações do presente trabalho. ou seja. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966) 5. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) 3. abrangendo todos os seres humanos. Supressão e Punição do Tráfico de Pessoas. proteção e garantia por parte do poder político e jurídico. entendidos estes como o resultado de uma dupla vertente. o da dignidade da pessoa humana. os direitos humanos aparecem como direitos morais como exigências éticas e direitos que os homens tem pelo fato de serem homens. Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis. obviamente embasados na propriedade comum de todos eles enquanto seres humanos e iguais independentemente de qualquer contingência histórica ou cultural. em uma fundamentação ética ou axiológica. com um direito igual a seu reconhecimento. ética e jurídica. A ideia de direitos humanos ganhou muita importância ao longo da história. Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (1985) 11. A fundamentação ética dos direitos humanos fundamentais consiste na consideração destes direitos como direitos morais. Preliminarmente. Portanto. todos os fatores que influenciaram na construção da visão contemporânea de direitos humanos. mas baseada em valores. senão diversas fundamentações para os direitos humanos.

eram iguais. a igualdade e a fraternidade. Lançavam-se. quando então substituiu-se. o saber mitológico da tradição pelo saber lógico da razão". Em resumo. Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo (2007) Apesar da falta de historicidade inerente a esses direitos. sem se comunicarem entre si. Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de pensar ocidental. o espírito crítico e a fé na ciência. posteriormente.. alguns dos maiores doutrinadores de todos os tempos (entre eles. Por fim. como ser dotado de liberdade e razão. especialmente entre 600 e 480 a. Com o primeiro foi ressaltada a razão. na Índia. até hoje considerados em vigor. "pela primeira vez na História. Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos de ordem econômica. a liberdade. admitir desigualdades em contradição com a mensagem evangélica (admitiu a legitimidade da escravidão. raça.14. no plano divino. na prática. Esse movimento procurou chegar às origens da humanidade. é com a história e seus grandes pensadores que se observa a "evolução" da humanidade. sem dúvida. Inclusive. Confúcio. apesar de. Na seqüência. na China. pela primeira vez na História. pregava a igualdade de todos os seres humanos. em sua igualdade essencial. e deveriam ser fraternos. na Grécia e o profeta Isaías. que em muito contribuiu para o estabelecimento da igualdade entre os homens. Buda. auxiliando uns aos outros. em Israel) e. tanto na Ásia como na Grécia. os fundamentos intelectuais para a compreensão da pessoa humana e para a afirmação de direitos universais. o curso da História passou a constituir o desdobramento das idéias e princípios estabelecidos nesse período. porque a ela inerentes". religião ou costumes sociais. fazendo uma análise histórica dessa evolução. no sentido de ampliar o conhecimento da essência humana. Informa que nesse período. a partir daí. A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos dos direitos humanos. observar o homem natural. a fim de assegurar a cada pessoa seus direitos fundamentais. Essa concepção foi fundamental para o reconhecimento dos direitos necessários à formulação de políticas públicas de conteúdo econômico e social. a inferioridade da mulher em relação ao homem). assim. foi nesse período que surgiu a filosofia. Pitágoras. Fábio Konder Comparato. coexistiram. destacados. Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra as Pessoas Portadoras de Deficiência (1999) 15. Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: o Iluminismo. ao menos em relação à lei. a Revolução Francesa e o término da Segunda Guerra Mundial. O Cristianismo. pelo Socialismo). não obstante as múltiplas diferenças de sexo. O Prof. os enunciados e as diretrizes fundamentais da vida. considerando-os filhos de Deus. assinala que foi nesse período que nasceu a idéia de igualdade entre os seres humanos: "é a partir do período axial que o ser humano passa a ser considerado. podemos destacar o Cristianismo. compreender a essência das coisas e das pessoas. com a barbárie da . aponta que foi no período axial que os grandes princípios. Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi cunhada ao longo dos últimos três milênios da civilização.C. foram estabelecidos.

A execução de uma multa ou um aprisionamento ficavam submetidos à imperiosa necessidade de um julgamento justo. A Bill of Rights veio para assegurar a supremacia do Parlamento sobre a vontade do rei. alguns direitos fundamentais. a elaboração do conceito de pessoa abarcou a descoberta do mundo dos valores. que garante os direitos referentes à liberdade. A primeira Carta Magna. constantemente. Aqui. de se prevenir os arbítrios dos Estados. consolidam barreiras contra o Estado. também. a regulação dos direitos econômicos e sociais passaram a incorporar as Constituições Nacionais. propriedade. privar ou despojar de sua posteridade. Destaca os princípios da legalidade e da igualdade de todos perante a lei. por meio da necessidade de consentimento do Parlamento para a realização de inúmeros atos. daí porque os direitos humanos hão de ser identificados como os valores mais importantes eleitos pelos homens. segurança e resistência à opressão.Segunda Grande Guerra. O Habeas Corpus Act instituiu um dos mais importantes instrumentos de garantia de direitos criados. A partir do século XX. assim como a Constituição Federal de 1787. como "A Declaração Universal dos Direitos do Homem". a liberdade. asseguram. foi aprovada a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão". Com a Revolução Francesa. e da soberania popular. a propriedade. ainda. todo poder ao povo e o devido processo legal (julgamento justo para todos). que submetia o governante a um corpo escrito de normas. o pressuposto é o valor absoluto da dignidade humana. inclusive. como tripartição do poder e a alegação que todo poder vem do povo. com os meios de adquirir e possuir propriedade e procurar e obter felicidade e segurança". que versava. Bastante utilizado até os nossos dias. quando entram no estado de sociedade. destaca o direito à liberdade de locomoção a todos os indivíduos. a revolucionar a positivação de tais direitos. que ressaltava a inexistência de arbitrariedades na cobrança de impostos. a vida. foi a Constituição Mexicana de 1917. não podem. A Petition of Rights tentou incorporar novamente os direitos estabelecidos pela Magna Carta. que passam a ser fundamentais. como ideal comum de todos os povos. Os documentos de proteção aos direitos humanos foram surgindo progressivamente. a valores que elege. Assegura. por nenhuma forma. demonstrando o caráter atemporal desses direitos fundamentais. nomeadamente o gozo da vida e da liberdade. A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. As dez Emendas Constitucionais americanas permanecem em vigor até hoje. Isto culminou na criação da Organização das Nações Unidas e na declaração de inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos. . já que. sobre a função social da propriedade. sob o prisma de que a pessoa dá preferência. os homens se conscientizaram da necessidade de não se permitir que aquelas monstruosidades ocorressem novamente. novos direitos fundamentais podem ser declarados e incorporados à Lei Fundamental Americana. em sua vida. como a igualdade entre os homens. Essas Emendas têm caráter apenas exemplificativo. A Declaração de Direitos do estado da Virgínia declara que "todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes e têm certos direitos inatos de que. O antecedente mais remoto pode ser a Magna Carta.

. civis. pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Se o direito é uma criação humana. além de amplamente consagrados pela doutrina. não podem negar a rápida evolução. que alegam a falta de eficácia dos direitos fundamentais. políticos. considerado em sua dignidade substancial de pessoa. em todos os lugares.. nem tampouco numa abstração metafísica – a natureza como essência imutável de todos os entes do mundo.".°. foi o grande modelo seguido pelas novas Constituições Ocidentais. a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 6. que cresceram em importância e em número. em seu art. em 1948. com isto. sem os quais a dignidade da pessoa humana não se realiza por completo. estão presentes também na lei fundamental brasileira: A Constituição Federal. justo e pacífico. já que.A Constituição de Weimar de 1919. tanto no sentido normativo. O pensamento formulado nesse período acentua o caráter único e singular da personalidade de cada indivíduo. São normas que obrigam os Estados nacionais no plano interno e externo. A partir da segunda metade do século XX. voltadas para a proteção e promoção dos interesses mais fundamentais da pessoa humana. A Declaração Universal de Direitos Humanos contém um conjunto indissociável e interdependente de direitos individuais e coletivos. devido. todavia. pelo seu capítulo sobre os direitos econômicos e sociais. reconhecido como pessoa perante a lei". apesar de apenas serem realmente reconhecidos por meio da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. afirma: "Todo homem tem direito de ser. . justamente. desses direitos. como no sentido executivo. principalmente. por estes apontamentos. o seu valor deriva. senão o próprio homem. constitui o principal marco no desenvolvimento do direito internacional dos direitos humanos. Os direitos ali inscritos constituem hoje um dos mais importantes instrumentos de nossa civilização visando assegurar um convívio social digno. daquele que o criou. sociais e culturais. Pode-se constatar. iniciou-se a real positivação dos direitos humanos. São normas jurídicas claras e precisas. Mesmo os mais pessimistas. O que significa que esse fundamento não é outro. derivando daí que todo homem tem dignidade individual e. Atualmente não se pode discutir a existência desses direitos. Esta Declaração tornou-se uma fonte de inspiração para a elaboração de cartas constitucionais e tratados internacionais voltados à proteção dos direitos humanos e um autêntico paradigma ético a partir do qual se pode medir e contestar ou afirmar a legitimidade de regimes e governos. da Declaração Universal de Direitos Humanos. aos inúmeros acordos internacionais. os direitos contidos na Declaração Universal estabelecem obrigações jurídicas concretas aos estados nacionais. que a evolução dos direitos humanos foi gradual. A adoção. o pensamento moderno "é a convicção generalizada de que o verdadeiro fundamento da validade – do Direito em geral e dos direitos humanos em particular – já não deve ser procurado na esfera sobrenatural da revelação religiosa. Inscritos em diversos tratados internacionais e constituições. que já adquiriram um papel essencial na doutrina jurídica. econômicos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não é apenas um conjunto de preceitos morais que devem informar a organização da sociedade e a criação do direito.

o Brasil presidiu o comitê de redação e desempenhou papel decisivo na elaboração e aprovação da Declaração e do programa da Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena. como a Corte Interamericana e a Corte Européia de Direitos Humanos ou quase-judiciais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. no início dos anos noventa. que inclui uma vasta identificação de direitos civis. O fundamento da proteção diplomática está no suposto dever internacional de todos os estados de fornecer um tratamento considerado internacionalmente adequado aos estrangeiros em seu território. que se encontram entre os mais relevantes instrumentos internacionais de proteção aos direitos humanos. ratificar a adesão aos Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos. Mas a obrigação primária de assegurar os Direitos Humanos continua a ser responsabilidade interna dos Estados Nacional. o governo federal tem se empenhado na proteção de promoção dos direitos humanos no país. deixam clara esta mudança na antiga formulação do conceito de soberania. ao conceder a proteção diplomática a seu nacional. a Constituição Federal de 1988 estabeleceu a mais precisa e detalhada carta de direitos de nossa história. Resultado desta nova diretriz constitucional foi o Brasil. A Constituição impôs ao Estado brasileiro a obrigação de reger-se. além de um conjunto preciso de garantias constitucionais. 3 Direitos humanos e responsabilidade do Estado. A proteção internacional aos direitos humanos teve início com a chamada proteção diplomática. A criação de mecanismos judiciais internacionais de proteção dos direitos humanos. inciso II).Com a criação da Organização das Nações Unidas em 1945 e a adoção de declarações. econômicos. mas está consciente de que a proteção efetiva destes direitos depende da atuação constante do Estado e da sociedade. políticos. passando a ser matéria de interesse de toda a comunidade internacional. em suas relações internacionais. que recomendou aos Estados Nacionais a elaboração de planos nacionais para a proteção e promoção dos direitos humanos. A Corte Permanente de Justiça Internacional decidiu que o Estado. O governo brasileiro considera as normas constitucionais e a adesão a tratados internacionais passos essenciais para a promoção dos direitos humanos. afirmando ser o direito de ver respeitadas as regras de Direito Internacional. . convenções e tratados internacionais para a proteção da pessoa humana. No Brasil. cuja origem se deu no sistema das cartas de represálias. o dano ao estrangeiro é um dano indireto ao Estado de sua nacionalidade. os direitos humanos deixaram de ser uma questão exclusiva dos Estados nacionais. a começar pela elaboração da Agenda de Direitos Humanos. Desumanos ou Degradantes e Americana de Direitos Humanos. sociais e culturais. Com este objetivo. Então. Em 1993. na verdade. que resultou em um elenco de propostas e projetos de lei contra a violência. está. sistema em que aquele que sofreu algum dano em território estrangeiro apela para o Estado de sua nacionalidade para que este exija a reparação do Estado responsável pelo dano. Sociais e Culturais e às Convenções contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. pelo princípio da "prevalência dos direitos humanos" (artigo 4°.

sem sucesso. Na quarta parte. agora. A natureza das obrigações de proteção aos direitos humanos consagra o indivíduo como principal preocupação da responsabilidade internacional por violação dos direitos humanos. e o tema da responsabilidade internacional do Estado foi estudado na sua comissão de número 3. A segunda parte refere-se às formas e graus de responsabilidade internacional do Estado. foi convocado a Conferência Internacional para codificação do direito internacional. Esta foi realizada em Haia. na qual requereu à Comissão de Direito Internacional o início de estudos visando à codificação dos princípios de Direito Internacional que regem a responsabilidade do Estado. mas sim. que fornece ao indivíduo um rol de direitos internacionalmente consagrados e.Embora a responsabilidade internacional do Estado por violação de direitos humanos tenha como origem a responsabilidade internacional do Estado por danos causados a estrangeiros alterou o enfoque. com o nascimento da ONU que a responsabilidade internacional foi discutida. além da responsabilização individual do agente público paralelamente a responsabilização do Estado. A lesão ao homem. ao fato ilícito de acordo com Direito Internacional. Na primeira parte. ao mesmo tempo acesso a instâncias internacionais para que seja averiguada a lesão a esses direitos. pode-se afirmar que seu conceito. A assembléia geral da ONU. com 27 artigos. fundamento e consequências dependem do grau de coesão social e da visão do justo em cada comunidade humana. . Após várias tentativas de codificar esta responsabilidade internacional foi somente em 2001 que se fez uma Convenção sobre o assunto que possui 58 artigos divididos em quatro partes. A responsabilidade jurídica pode ser conceituada como sendo a imputabilidade a um sujeito de direito de efeito do ordenamento jurídico. determinando as conseqüências e as espécies de reparação admitidas pelo direito internacional. adotou em 7 de dezembro de 1953 a resolução 799. Assim. Foi somente após a segunda guerra mundial. estabelecendo o uso subsidiário do Direito Consuetudinário sobre o tema. existem disposições gerais em cinco artigos. Antes dela. não havendo porque encontrar motivos para explicar a intervenção do Estado na defesa destes direitos visto a natureza objetiva das obrigações de proteção de direitos humanos. assim. no indivíduo. à imputação a um Estado de fato de terceiro e finalmente às circunstâncias de exclusão da ilicitude da conduta estatal. à existência de uma violação de norma ou descumprimento de obrigação internacional. em seus direitos naturais não é uma lesão direta ao estado. o desenvolvimento da responsabilidade internacional do Estado por violação dos direitos humanos não é feito através da proteção diplomática. É difícil conceituar responsabilidade. antes direcionado ao Estado. mas. através do Direito Internacional dos Direitos Humanos. em 1927. A terceira parte com 13 artigos estabelece um procedimento de implementação da responsabilidade internacional do Estado e a aplicação das sanções além de suas condições de licitude. refere-se aos princípios gerais da responsabilidade internacional. contendo 14 artigos.

Desta seqüência de elementos surge uma conseqüência. As normas primárias são aquelas que contém obrigações de Direito Internacional cujo . a responsabilidade é essencial ao sistema jurídico. No âmbito internacional. Além da pretensão reparatória ou indenizatória. e o dano. A imputação do dever de indenizar.quando sucede determinado acontecimento. A responsabilidade como direito objetivo aparece como a feição essencialmente garantidora da ordem jurídica. não lesar ao próximo. É por este motivo que quando alguém reconhece ter feito injustiça a terceiro. ou seja. Isto ocorre porque um Estado não pode reivindicar para si uma condição jurídica que não reconhece para outro Estado. A responsabilidade é de regra apresentada como obrigação internacional de reparação em face da violação prévia de norma internacional. deve reconhecer também a necessidade de reparar devidamente o dano causado. Para ocorrer a responsabilidade se torna necessária uma seqüência de elementos. Os fundamentos da responsabilidade são: alterum nom laedere. viver honestamente e dar a cada um o que é seu. ou ato. A jurisprudência internacional considerou a responsabilidade dos Estados como sendo um princípio geral do Direito Internacional. é a titularidade passiva da pretensão reparatória ou indenizatória que. eventualmente. significando a vulneração da esfera jurídica de outrem. como conteúdo de uma relação jurídica é diretamente decorrente de uma norma. quando houver causado dano a outrem importa atribuir consequências desfavoráveis àquele que desatendeu a um breve dever de não-vulneração da esfera jurídica alheia. Ao mesmo tempo aquele que sofreu o dano exige a reparação como direito seu e faz o outro responsável porque este é pessoa. Para que se possa entender como funciona a responsabilidade internacional deve-se conceituar obrigação primária e secundária. além da culpa na conduta lesiva. nexo causal entre o fato. Ocorrência de um suporte fático (violação de uma esfera política de uma pessoa). o dever de reparação imputado a alguém. a responsabilidade internacional por violação dos direitos humanos tem ainda a pretensão punitiva para a responsabilidade criminal. Deve ser entendido que o conceito de responsabilidade é justificado pelo fato do ser humano ter o direito de ser respeitado enquanto pessoa e não prejudicado em sua existência. não importando a fonte da imputação de conseqüências jurídicas e quais as conseqüências no momento. O artigo número 1 do projeto de Convenção sobre responsabilidade internacional da Comissão de Direito Internacional da ONU afirma que todo fato internacionalmente ilícito do Estado acarreta responsabilidade internacional do mesmo. não necessariamente ao causador do dano. respectivamente. honest vivere e suum cuique tribuere. O princípio pelo qual qualquer conduta do Estado que caracteriza um fato internacionalmente lícito acarreta a responsabilidade internacional do Estado é um dos princípios enfatizados pelas decisões judiciais. sendo seu fundamento de direito internacional um princípio da igualdade soberana entre os Estados. pelo contrário. Não é somente o dever jurídico de abstenção da conduta causadora de danos a outrem que consubstancia a responsabilidade.

Devem por esta razão.descumprimento enseja a responsabilidade internacional do Estado. a penal e a civil. Este entendimento prestigia o Estado enquanto sujeito privilegiado do direito internacional e dotado da igualdade soberana em face dos outros Estados. a Corte Internacional de Justiça que. ou seja. As secundárias são regras abstratas que têm o objetivo de determinar se houve violação à norma primária e quais são as consequências resultantes da violação. Não se verifica a existência ou ausência do elemento volitivo ou psíquico do agente. as obrigações secundárias têm conteúdo reparatório de cunho patrimonial em geral. Há quem diga que o Conselho de Segurança da ONU poderia ser o órgão julgador desde que fosse abolido o direito de veto que determinados países tem e sua competência fosse ampliada a estes casos. sujeitando-as a faculdade dos Estados. sem necessariamente acordarem sobre o conteúdo da norma primária transgredida. As normas primárias são regras de conduta que quando violadas fazem nascer às obrigações secundárias. portanto difere-se do termo direitos humanos com o qual é bastante confundido na medida em que este se . serem punidos os indivíduos que agindo em nome do Estado lesam os direitos de outrem. Cita-se também. a sanção penal só pode ser aplicada a indivíduos e nunca a entes morais como os Estados. quanto as de cunho sancionatório. tanto as de cunho meramente reparatório. internacionalmente falando e a falta de órgão competente para julgar os Estados nessas infrações. falece do caráter obrigatório de suas penas. 4 Direitos humanos na Constituição Federal. A responsabilidade pode ser dividida em duas grandes espécies. A responsabilidade independe do conteúdo da norma violada. no momento. não se comprova dolo ou culpa deste. Na violação de direitos humanos consagra-se a responsabilidade objetiva do Estado violador. Um problema encontrado nesta dicotomia advém da máxima societas delinquere non potest. ou seja. uma vez que o dever de reparação nasce sempre que houver a violação de uma norma primária internacional. por seu turno. os Estados podem chegar a um consenso sobre as regras de responsabilização por fatos ilícitos. assim. O artigo 1º do projeto de convenção sobre a responsabilidade internacional do Estado é elástico o suficiente para abarcar todas as conseqüências possíveis advindas da constatação do fato internacionalmente ilícito. Basta à comprovação do nexo causal entre a conduta e o dano em si. A responsabilização do Estado visa superar o conflito existente entre condutas contraditórias de um Estado (a aceitação de determinada obrigação e depois seu descumprimento). Direitos Fundamentais são os direitos do ser humanos reconhecidos e positivados na esfera do direito constitucional. Outros gravames são: falta de consenso na definição dos ilícitos penais. de novas relações jurídicas. engendrando o nascimento. Na civil. Na penal as obrigações secundárias almejam impor sanções punitivas ao indivíduo como retribuição ao mal causado e prevenção à ocorrência de condutas semelhantes no futuro.

por isso tendem a exigir do Estado intervenções na ordem social.17 da CRFB/88. Dos direitos sociais.aplica aos direitos reconhecidos e positivados na esfera do Direito Internacional. ter participação e influência nas atividades do governo. a dignidade. por meio de tratados. . tais como a vida. não podem ser utilizados como um verdadeiro escudo protetivo da prática de atividades ilícitas. a honra. do exercício dos cargos públicos ou da utilização de outros instrumentos constitucionais e legais. que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta constituição”. Da nacionalidade. advém da própria natureza humana. daí seu caráter inviolável. Dos partidos políticos. através do voto. ou seja.Direitos Individuais e Coletivos: esses são os direitos ligados ao conceito da pessoa humana e a sua personalidade. O Princípio da Igualdade produz efeitos sobre todas as pessoas do país.Dos direitos políticos é o direito atribuído ao cidadão que lhe permite. A Constituição Federal Brasileira de 1988 trouxe em seu Título II. 5º da Constituição Federal. . Os Direitos Humanos Fundamentais. os Direitos e Garantias Fundamentais subdivididos em cinco capítulos: Dos direitos e deveres individuais e coletivos. . 5º da Constituição Federal brasileira proclama que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. deixando claro inda no inciso I. este direito é também garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Alguns dos mais importantes direitos visados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 são: direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos.Dos partidos políticos: garante a autonomia e a liberdade plena dos partidos políticos. . como instrumentos necessários e importantes na preservação do Estado democrático de Direito no qual dispõe o art. O Estado é responsável pelo direito à vida em sua dupla acepção. a propriedade e a liberdade. a segurança. . o direito de continuar vivo e o direito de ter uma vida digna quanto a subsistência. tampouco como argumentos para o afastamento ou diminuição da responsabilidade civil ou penal por atos criminosos. dentre eles os direitos e garantias individuais e coletivos consagrados no art. intemporal e universal. pois é o pré-requisito da existência e exercício de todos os demais direitos. como se relacionam e assim por diante. Essa presente pesquisa vai tratar sobre aspectos das diferentes culturas com relação aos direitos fundamentais. a igualdade. .Direitos Sociais são aqueles que têm por objetivo garantir aos indivíduos as condições materiais tidas como imprescindíveis para o pleno gozo dos seus direitos. sob pena de total consagração ao desrespeito a um verdadeiro Estado de Direito. convenções que aspiram a atividade universal a todos os tempos e povos. podendo ser nacional ou estrangeiro. O art.Da nacionalidade compreende-se a situação do indivíduo em face do Estado. Esses direitos. Dos direitos políticos.

Desumanos ou Degradantes e a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura. 7. ou para o desenvolvimento da civilização. a criação de vínculos com os sistemas . o Brasil ratificou a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis.Governo Fernando Collor de Mello: Foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA. pela qual o Estado brasileiro reconhece a responsabilidade da União por essas mortes. transformado posteriormente em Secretaria da Cidadania. quando tais pessoas estavam sob custódia das forças de segurança durante o regime autoritário.244/90). Dessas reuniões resultou um Programa Nacional de Cidadania e Combate à Violência.º 9.140/ 95). que são os princípios que guardam os valores fundamentais da ordem jurídica. São aqueles cujo reconhecimento é condição necessária para o aperfeiçoamento da pessoa humana. Sociais e Culturais e a Convenção Interamericana de Direitos Humanos em 1992. a todos os homens. pois sem eles a Constituição nada mais seria que um aglomerado de normas que somente teriam em comum o fato de estarem inseridas em mesmo texto legal. 99. Reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política (Lei n.353/85). Se a Constituição de 1988 foi a base para uma perspectiva sobre os direitos humanos no Brasil. 6 Institucionalização dos direitos e garantias fundamentais. o Ministério da Justiça convocou organizações da sociedade civil para elaborar uma Agenda Nacional de Direitos Humanos e propor medidas de incentivo à cidadania e de combate à violência e à criminalidade. Além disso. criado pela Lei n. cria uma comissão para investigar a responsabilidade da União pela morte de outras pessoas nas mesmas condições. o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança. . Vejamos o histórico governamental: .242/91. em 1990. Lei n. onde não existir Constituição não haverá Direitos Fundamentais.Noberto Bobbio conceitua os direitos do homem como “aqueles que pertencem. Também ratificou o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. Na área internacional. 8. Na área internacional. ou deveria pertencer. criado pelo Decreto n. Os Direitos Fundamentais são inseridos dentro daquilo que o Constitucionalismo denomina de Princípios Constitucionais. O Ministério da Justiça criou o Departamento de Assuntos da Cidadania (DEASC. . ou dos quais nenhum homem pode ser despojado. de modo que. o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. instalado em 16/12/92). A institucionalização dos direitos e garantias fundamentais se deu com a formulação e implementação de políticas e programas para proteção dos direitos humanos.Marcos para a garantia dos direitos humanos no Brasil: Após a Conferência de Viena. com uma Divisão de Direitos Humanos.Governo José Sarney: Foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM. e concede indenização a seus familiares. em 1989.

que não precisariam mais se esconder sob o argumento da soberania nacional. particularmente na adesão a tratados internacionais. No Congresso Nacional foi criada em 1995 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. foi a proposição do Programa Nacional de Direitos Humanos. denominada Caravanas dos Direitos Humanos. para dar maior visibilidade a pessoas e instituições que atuavam na defesa e promoção de direitos. 2001. 1999. A lei sofreu modificações. Algumas medidas foram tomadas por iniciativa governamental. 2003. Procurando cumprir as diretrizes propostas pela . Neste mesmo ano começa a ser enfrentado um dos temas do passado ditatorial ainda sem solução. das propostas de emenda constitucional que buscavam reduzir a idade mínima de imputabilidade penal. Aprofundando algumas ações realizadas nos governos anteriores. bem como aos sobreviventes que foram vítimas de tortura. Uma das atividades realizadas pela Comissão. como o bloqueio. durante os mandatos do Presidente Fernando Henrique Cardoso começa a se desenhar uma política para os direitos humanos no Brasil. Com a aprovação da Lei 9. A ação mais concreta. 1997. mobilizando organizações de defesa dos direitos humanos de todo o país.internacionais de proteção demonstraria uma política de transparência das ações governamentais. iniciativa seguida por diversas Assembléias Legislativas. sendo a última a XI Conferência. 2005 e 2006.140/95 o governo reconheceu uma lista de pessoas como tendo sido mortas por ação do Estado. em 1996. 2000. A atuação da Comissão da Câmara tem sido relevante em ações como a articulação de Comissões Parlamentares de Inquérito e avaliação de projetos em tramitação. no entanto. quando foi criado o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. realizouse no espaço do Congresso Nacional a I Conferência Nacional de Direitos Humanos. realizada em 2008. A comissão que analisa os casos continua em funcionamento até a atualidade. A construção de uma política articulada neste sentido começa a ser construída no governo do Fernando Henrique Cardoso. 2002. levou à formulação de relatórios sobre a situação em todo o país de áreas sensíveis na violação de direitos humanos. no período. Contando com o apoio da Comissão da Câmara dos Deputados. porém outras são resultado da mobilização da sociedade. garantindo indenizações a seus familiares. ampliando o período previsto para os atos de violação de 1979 para 5 de outubro de 1988. com uma progressiva participação do Poder Executivo. Fora do espaço do Poder Executivo cabem dois destaques: a criação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e a realização das Conferências Nacionais de Direitos Humanos. A lei de anistia de 1979 serviu de pretexto para bloquear investigações sobre mortos e desaparecidos durante a ditadura. hospitais psiquiátricos e estabelecimentos de internação de adolescentes. As conferências têm servido de espaço de avaliação das políticas realizadas e de pressão às autoridades públicas. A preocupação do Governo Federal como o tema começa a se desenhar em 1995. Foram realizadas Conferências Nacionais de Direitos Humanos em 1996. por anos. A partir de então ocorreram conferências periódicas. como prisões. para conformar uma política destinada aos direitos humanos. 1998.

Conferência de Viena. contempla um largo elenco de medidas na área de direitos civis que terão conseqüências decisivas para a efetiva proteção dos direitos sociais. eleger prioridades e apresentar propostas concretas de caráter administrativo. a construção do projeto do plano foi organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV). A ênfase principal nos dois mandatos do Presidente Lula. de 1993. 1999). apesar de inserir-se dentro dos princípios definidos pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. ao dar atenção a questões como o meio ambiente e à defesa de direito à identidade de grupos sociais específicos. O objetivo do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). por motivos étnicos. O PNDH é resultante de um longo e muitas vezes penoso processo de democratização da Sociedade e do Estado brasileiro (Decreto 1. com . O I PNDH foi dividido em sete títulos gerais e vinte subtítulos. como os afrodescendentes. indígenas e ciganos. O entendimento de que é prioritário dar atenção aos direitos civis. foi lançado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso em 13 de maio de 1996 o Programa Nacional de Direitos Humanos . em que se iniciou o Governo Lula. Segundo o texto: O Programa.PNDH. abre espaço para as concepções de direitos humanos baseadas na defesa do multiculturalismo e na crítica do antropocentrismo da visão liberal clássica. o Presidente Fernando Henrique Cardoso criou uma comissão para elaborar um plano nacional de direitos humanos. Tendo sido aprovado no final do mandato de Fernando Henrique Cardoso. definidos segundo o prazo de implantação. Após a realização de uma série de seminários de discussão. como parte dos compromissos assumidos. Cada um deles apresenta um conjunto de objetivos. em tese. em relação aos direitos humanos. Conforme reconheceu a própria introdução do texto do programa. o II PNDH deveria ter sido o principal balizador das políticas de direitos humanos no período seguinte. legislativo e político-cultural que busquem equacionar os mais graves problemas que hoje impossibilitam ou dificultam a sua plena realização. ou por motivos culturais. sem descartar a importância dos direitos sociais. os objetivos concentram-se no atendimento a direitos individuais que podem ser enquadrados nas categorias de direitos civis. é. identificando os principais obstáculos à promoção e proteção dos direitos humanos no Brasil. parte de uma avaliação de que este é o fundamento necessário para outras mudanças. elaborado pelo Ministério da Justiça em conjunto com diversas organizações da sociedade civil. totalizando 228 objetivos propostos. São 9 objetivos permanentes. como as diferenças de orientação sexual. O II PNDH. a implementação das convenções internacionais dos direitos das crianças. 150 de curto prazo. com a participação de representantes de diferentes segmentos sociais. à época coordenado por Paulo Sérgio Pinheiro (MESQUITA NETO. da Universidade de São Paulo (USP). Sob a coordenação de José Gregori. por exemplo. parece ter se dado no combate à pobreza extrema. 55 de médio prazo e 14 de longo prazo.904/96 – I PNDH). das mulheres e dos trabalhadores (I PNDH). econômicos e culturais como.

539. ao longo do Governo Lula foram criadas e extintas secretarias especiais junto à Presidência. Sua composição foi mudada em 2005. cujas funções passaram para o Ministério do Desenvolvimento Social com a extinção do cargo. Com o início do novo governo foram criados novos órgãos com status ministerial. concediam ao ocupante o status de ministro. Porém. vinculado à Secretaria de Estados dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça. A Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher do Ministério da Justiça. como a de Aqüicultura e Pesca e a de Portos e a do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e Gabinete do Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Nutricional. É interessante observar que as Secretarias Especiais de Políticas para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial não sofreram alterações com a reforma ministerial de 2005. também junto à Presidência da República e com status de ministro para seu ocupante. pela MP 111/03. quando foi extinta. com ocupantes com status de Ministro (MP 103/03). Posteriormente. convertida na lei 10. Ao longo dos dois mandatos alguns deles se mantiveram. Estas secretarias foram em geral utilizadas para acomodar os interesses partidários nas reformas ministeriais. como os negros e as mulheres. estas ações geralmente não foram executadas com um discurso articulado em nome dos direitos humanos. ou alterada a estrutura dos pré-existentes. A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial conta como parte de sua estrutura básica com o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR. a possibilidade de atuação política. no entanto. contando com poucos funcionários. Com estruturas leves. convertida na lei 10. por quatro meses. A seguir é analisada a evolução da estrutura institucional dos órgãos destinados a algumas das políticas específicas de promoção aos direitos humanos desde 2003. mas sem o ônus político e econômico da criação de um novo ministério. No entanto. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos.678/03. também foi direcionada atenção a grupos sociais específicos. Pouco após foi criada a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. sem. bem como do Programa Nacional de Direitos Humanos neste período. denominação que ficou em geral restrita às atividades vinculadas à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e ao Ministério da Justiça. todos vinculados à Presidência da República. Seus símbolos são os Programas Fome Zero e Bolsa Família. foi criada pela Medida Provisória 37. terem sido .políticas sociais de combate à fome e distribuição de renda. Tratando de temas semelhantes o Conselho Nacional de Combate à Discriminação – CNCD foi criado em 2001. em 2003 foi transformada em Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. criado junto com a secretaria em 2003. Por outro lado. ainda pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. de 8 de maio de 2002. passando posteriormente a compor a Secretaria Especial de Direitos Humanos. outros foram extintos ou incorporados a outros ministérios. para a promoção de diversos campos dos direitos humanos. na mesma medida provisória que criou a Secretaria Especial de Direitos Humanos e o Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. de 23 de setembro de 2002. Um dos exemplos de superposição entre as competências das Secretarias está nos conselhos ligados a elas.

é preciso analisar como ficou no período o órgão que traz o nome da política em sua própria denominação. tanto em termos de exploração política da visibilidade dos cargos como dos grupos sociais cuja mobilização justificou a criação do organismo. surgiu da unificação das ações de transferência de renda do Governo Federal. Posteriormente. existente nos governos anteriores. minha vida.alterados seus objetivos. Do ponto de vista institucional estava vinculado ao recém-criado Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. com a incorporação da Secretaria Executiva do Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família e do Gabinete do Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Nutricional ao Ministério da Assistência Social. programas sociais com execução vinculada a financiamento de obras. o Bolsa-Família. Enquanto o Fome Zero parece ter se tornado mais importante nos discursos do Presidente da República no exterior. por meio da MP 132. foi criada no Governo Fernando Henrique Cardoso pelo Decreto nº 2. o órgão transformou-se . ficando vinculado a um conselho gestor ligado também à Presidência da República. como são os casos do saneamento básico e da habitação passaram a ter na Casa Civil o ministério responsável pela articulação das ações. um ministro sem ministério vinculado diretamente à Presidência da República. Com a posse do Governo Lula. A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. As finalidades destes conselhos são bastante semelhantes. O Programa Fome Zero foi criado no inicio do primeiro governo Lula (MP 103. de 20 de outubro de 2003. Ela substituiu a Secretaria de Direitos da Cidadania.193. que possuía um departamento de direitos humanos. A Secretaria Especial de Direitos Humanos Um dos elementos que permite verificar as idas e vindas da trajetória da política de direitos humanos no Brasil são as mudanças ocorridas no órgão do Governo Federal encarregado em tese do gerenciamento do Programa Nacional de Direitos Humanos. já existentes. conforme pode se ver nos decretos 4. vinculada ao Ministério da Justiça. Outro programa importante no Governo Lula. de 23 de janeiro de 2004. como as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – Bolsa Escola. de 01 de janeiro de 2003). do Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à Saúde – Bolsa Alimentação e do Programa Auxílio-Gás. foi criado um novo ministério com a denominação de Ministério do Desenvolvimento Social. pela MP 163.885/03 e 5.397/05. Diante desta diversidade de órgãos responsáveis por políticas que atendem diferentes aspectos dos direitos humanos. A fragmentação pode ser explicada por uma concepção de direitos humanos que valoriza o direito à diferença e à identidade. do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA. ao Bolsa Família é atribuída por muitos sua reeleição e grande parte da popularidade que se manteve no segundo mandato. de 7 de abril de 1997. Com a criação do Programa de Aceleração do Crescimento. mas também pode ser devida ao particularismo dos interesses envolvidos. como no caso do Minha casa. o PAC. O interesse do Presidente da República parece também ser fundamental na definição da estrutura institucional a qual forma determinadas políticas.

Enquanto os títulos do II PNDH se parecem com a estrutura dos direitos previstos na Constituição Federal. de 21 de Dezembro de 2009. educação não-formal. como combate à violência. até a reformulação deste em 2008/2009. . O modelo adotado para a Conferência segue o padrão de outras conferências de avaliação e proposição de políticas públicas realizadas nas últimas duas décadas. sendo divido em seis eixos orientadores.na Secretaria Especial dos Direitos Humanos. não foi feita sua revisão anual. O documento passou a ser debatido em todo o país. 82 objetivos estratégicos e 521 ações programáticas. No entanto no texto do PNEDH há apenas três referências marginais ao PNDH. ao menos a aparência. os temas dos eixos orientadores e as diretrizes do III PNDH parecem refletir a diversidade e a linguagem dos diversos movimentos sociais e organizações não governamentais que articulam a defesa de diferentes segmentos da sociedade. Embora o II PNDH estivesse vigente. Por outro lado. citado como antecedente da política de direitos humanos no Brasil. O plano prevê um conjunto de ações direcionadas a diversos segmentos: educação básica. O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos – PNEDH começou a ser elaborado em 2003.683/03). dando pouca ênfase e divulgação ao PNDH. Os eixos orientadores e as diretrizes do III PNDH são mais abstratos e amplos do que eram os títulos e subtítulos do II PNDH. do Ministério da Justiça e do Ministério da Educação. que avaliava a inexistência de uma cultura de direitos humanos no Brasil. embora o número de ações propostas (521) seja semelhante ao número de objetivos do plano anterior (518). Em 2008. passando por questões tradicionais do campo de direitos humanos. como meio ambiente e sexualidade. Este comitê produziu uma primeira versão do PNEDH em dezembro de 2003. transformada na lei 10. de um caráter deliberativo do documento que constituiria o novo PNDH. de 01 de janeiro de 2003. em áreas como saúde. O documento do novo plano é mais longo e tem uma estrutura ligeiramente diferente dos anteriores. educação superior. vinculada à Presidência da República (Medida Provisória 103/03. As motivações da criação do PNEDH podem ser consideradas compatíveis com a formulação inicial do I PNDH. liberdade e direitos sociais. dando à conferência. De 15 a 18 de dezembro de 2008 realizou-se conferência onde foi aprovado o III PNDH. tendo sido reconhecido como tal pelo Decreto nº 7. nos aspectos mais diversos. a temáticas de desenvolvimento mais recente. educação dos profissionais dos sistemas de justiça e segurança e educação e mídia. constando ainda que o novo plano deve aprofundar as propostas da educação em direitos humanos existentes no PNDH. recebendo sugestões de alteração. da Secretaria Especial de Direitos Humanos. com a formação de um comitê com representação da sociedade civil. 25 diretrizes. assistência social e infância e juventude.037. a SEDH nos primeiros anos dedicou grande esforço de articulação na criação do novo plano. O documento definitivo foi apresentado em dezembro de 2006. conforme era previsto. sob a coordenação da SEDH foi realizado o processo de discussão que culminou com a realização da 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos e a proposição do III PNDH. com a escolha de delegados e realização de conferências preparatórias estaduais.

Em alguns casos. houve recuo do governo. e transitam pelo. com baixo interesse da mídia. o PNDH tornou-se documento de referência obrigatória para o governo e a sociedade na luta pela consolidação da democracia e do estado de direito e pela construção de uma sociedade mais justa. No dia 13 de maio de 1996. Num estado federal como é o Brasil. como a substituição de referências à ditadura militar e à perseguição política pela citação de violações de direitos ocorrida no período previsto no artigo 8° do Ato das Disposições Transitórias da Constituição de 1988. Posteriormente. através do Núcleo de Estudos da Violência. a atender a recomendação da Conferência Mundial de Direitos Humanos de Viena de preparar um plano de ação para proteção e promoção dos direitos humanos. Com a colaboração da Universidade de São Paulo. diferentemente dos programas anteriores. depois da Austrália e das Filipinas. o Presidente Fernando Henrique Cardoso lançou oficialmente o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Em outros. com ampla cobertura nacional. por meio do Decreto 7. com ataques dentro e fora do governo. No segundo.177/10 em 7 ações programáticas e a eliminação de duas. o sentido original foi totalmente retirado. 2010). território brasileiro. os protestos foram oriundos principalmente de autoridades da Igreja Católica (CNBB. 7 Política nacional de direitos humanos. os Estados da Federação têm um papel fundamental na implementação do programa Nacional de Direitos Humanos e na luta contra a violência. para atender os brios feridos. com a aprovação de alterações. o lançamento do novo programa rapidamente gerou polêmica. A laicização dos órgãos públicos e o ranking de empresas de comunicação foram simplesmente suprimidos. contra a proposição de descriminalização do aborto. previsto na Constituição. a mudança foi mais cosmética. tornando o Brasil o terceiro país. cuja aprovação e lançamento passou despercebido pela maior parte da sociedade. e contra a proibição de ostentar símbolos religiosos em órgãos públicos federais.Por outro lado. instituições ligadas ao agro-negócio. bem como o Ministro da Agricultura protestaram contra a criação de exigência de mediação com os ocupantes como medida prévia para concessão de liminar para reintegração de posse de áreas invadidas. Os ataques foram direcionados a quatro temas: religião. Em relação ao primeiro. discriminação impunidade e pela efetiva . responsabilidade dos meios de comunicação. No terceiro caso. com a substituição da defesa da legalização do aborto por considerá-lo tema de saúde pública. as empresas do ramo da comunicação protestaram contra a possibilidade da criação de penas de perda da concessão de rádio ou televisão para casos de programação atentatória aos direitos humanos e a criação de um ranking de emissoras em relação a seu comprometimento com os direitos humanos. como a CNA (Confederação Nacional da Agricultura). O PNDH é uma declaração inequívoca do compromisso do Brasil com a proteção e promoção dos direitos humanos de todas as pessoas que residem no. conflitos no campo e ditadura militar. considerando que atacaria o direito à vida. por exemplo.

pelo princípio da "prevalência dos Direitos Humanos". É certo. e a adoção de diversos tratados internacionais voltados à proteção da pessoa humana. ou quase judiciais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. culturais. ou PNDH III.proteção dos direitos humanos no país. governos municipais e sociedade civil. O PNDH é um programa do Governo Federal do Brasil. pelo Decreto nº 1904. legislativo e político-cultural que busquem equacionar os mais graves problemas que hoje impossibilitam ou dificultam a sua plena realização. a fim de que se transformem em lei. de 13 de maio de 1996. O PNDH é resultante de um longo e muitas vezes penoso processo de democratização da Sociedade e do Estado brasileiro. Atualmente já existem 3 versões do PNDH. passando a ser matéria de interesse de toda a comunidade internacional. econômicos. da Constituição Federal de 1988. políticos. em suas relações internacionais. deixam claro esta mudança na antiga formulação do conceito de soberania. 8 Programas nacionais de direitos humanos. e a última. porém. sociais. que inclui uma vasta identificação de direitos civis. O PNDH propõe ações governamentais que devem ser implementadas nos Estados da Federação. Vejamos os principais pontos de cada um dos programas: a) PNDH-1 Tem por objetivo identificar os principais obstáculos à promoção e proteção dos direitos humanos no Brasil. os direitos humanos deixaram de ser uma questão afeta exclusivamente aos Estados nacionais. As versões I e II forma publicadas durante o governo FHC. Este programa compõem-se de uma série de normas jurídicas claras e precisas. Com o estabelecimento das Nações Unidas. inciso IV. que a obrigação primária de assegurar os direitos humanos continua a ser responsabilidade interna dos Estados. As propostas deverão ser discutidas pelo Congresso Nacional. A Constituição de 1988 estabelece a mais precisa e pormenorizada carta de direitos de nossa história. foi publicada no final de 2009. 84. criado com base no art. pelos governos estaduais ou através de parcerias entre o governo federal. voltadas a proteger os interesses mais fundamentais da pessoa humana. PROPOSTAS DE AÇÕES GOVERNAMENTAIS . A Constituição também impõe ao Estado brasileiro reger-se. São normas cogentes ou programáticas que obrigam os Estados no plano interno e externo. como a Corte Interamericana e a Corte Européia de Direitos Humanos. em 1945. além de um conjunto preciso de garantias constitucionais. no governo Lula. A criação de mecanismos judiciais internacionais de proteção dos direitos humanos. “contendo diagnóstico da situação desses direitos no País e medidas para a sua defesa e promoção”. elegendo prioridades e apresentando propostas concretas de caráter administrativo. governos estaduais.

Estimular a criação e o fortalecimento das corregedorias de polícia. trabalhadores sem terra e homossexuais. visando a plena realização do direito ao desenvolvimento. condicionando-os a rigorosa comprovação de necessidade. 6. Proteção do direito à vida Segurança das pessoas Curto prazo 3. Criar um Cadastro Federal de Inadimplentes Sociais. Implementar programas de desarmamento. Estimular o aperfeiçoamento dos critérios para seleção. indígenas. Implementar a formação de grupo de consultoria para educação em direitos humanos. 11. 14. 2. Incluir nos cursos das academias de polícia matéria específica sobre direitos humanos. Promover a elaboração do mapa da violência urbana. em parceria com o Governo federal. com ações coordenadas para apreender armas e munições de uso proibido ou possuídas ilegalmente. uso e porte de armas e munições pelos cidadãos. 10. Estruturar a Divisão de Direitos Humanos. com vistas a evitar o repasse de recursos. 9. capacitação. com imediata instauração de sindicância. migrantes. com base em dados e indicadores de desenvolvimento urbano e qualidade de vida. . 15. Apoiar a formulação e implementação de políticas públicas e privadas e de ações sociais para redução das grandes desigualdades econômicas. posse. sem prejuízo do devido processo criminal. subsídios ou favorecimento a esses inadimplentes. com vistas a limitar abusos e erros em operações policiais e emitir diretrizes claras a todos os integrantes das forças policiais com relação à proteção dos direitos humanos. caso de crianças e adolescentes. 4. mulheres. negros. Apoiar a criação de sistemas integrados de controle de armamentos e munições pelos Governos estaduais. conforme o Protocolo de Intenções firmado entre o Ministério da Justiça e a Anistia Internacional para ministrar cursos de direitos humanos para as polícias estaduais. 8. aptidão e capacidade de manuseio. 13. visando a identificar áreas de conflitos e possibilitar análise mais aprofundada da atuação do Estado. Propor o afastamento nas atividades de policiamento de policiais acusados de violência contra os cidadãos. sociais e culturais ainda existentes no país. 5. a partir de quatro grandes cidades. criada recentemente no organograma da Polícia Federal. Apoiar programas para prevenir a violência contra grupos em situação mais vulnerável. 7. Aperfeiçoar a legislação sobre venda. admissão.Políticas públicas para proteção e promoção dos direitos humanos no Brasil: 1. que relacione os estados e municípios que não cumpram obrigações mínimas de proteção e promoção dos direitos humanos. Propor projeto de lei regulando o uso de armas e munições por policiais nos horários de folga e aumentando o controle nos horários de serviço. 12. idosos. treinamento e reciclagem de policiais. Elaborar um mapa da violência rural a partir de uma região do país.

com apoio aos atuais Conselhos de Segurança Pública do Nordeste. à ocasião do cumprimento de mandado de manutenção ou reintegração de posse de terras. . 20. ouvido também o órgão administrativo da reforma agrária. Incentivar a criação de Ouvidorias de Polícia. Incentivar programas de capacitação material das polícias. com a necessária e urgente renovação e modernização dos equipamentos de prestação da segurança pública. proporcionar seleção rigorosa de seus integrantes e aumentar a supervisão do poder público. e a outros que venham a ser criados. Apoiar programas de bolsas de estudo para aperfeiçoamento técnico dos policiais. para prevenir violências. do Sudeste e do Entorno. 19. mais cautela na concessão de liminares. Propor projeto de lei para tornar obrigatória a presença no local. apoiando projeto específico já aprovado na Câmara dos Deputados. Luta contra a impunidade Curto prazo 28. Apoiar. 26. 23. 25. 29. para que estes se façam presentes em todas as regiões do País. Promover programas de caráter preventivo que contribuam para diminuir a incidência de acidentes de trânsito. 73 que estabelece o novo Código de Trânsito. para prevenir conflitos violentos no campo. 30. com envio de pedido de urgência o projeto de lei n&ordm. Médio prazo 22. Estimular a implementação de programas de seguro de vida e de saúde para policiais 18.16. com representantes da sociedade civil e autonomia de investigação e fiscalização. Rever a legislação regulamentadora dos serviços privados de segurança. 21. 31. 27. 24. entrosadas com conselhos comunitários. Apoiar a criação de um sistema de proteção especial à família dos policiais ameaçados em razão de suas atividades. quando houver pluralidade de réus. Atribuir à Justiça Comum a competência para processar e julgar os crimes cometidos por policiais militares no policiamento civil ou com arma da corporação. assegurando-se. Estimular programas de cooperação e entrosamento entre policiais civis e militares e entre estes e o Ministério Público. Atribuir à Justiça Federal a competência para julgar (a) os crimes praticados em detrimento de bens ou interesses sob a tutela de órgão federal de proteção a direitos humanos (b) as causas civis ou criminais nas quais o referido órgão ou o Procurador-Geral da República manifeste interesse. Apoiar as experiências de polícias comunitárias ou interativas. com o objetivo de limitar seu campo de atuação. Apoiar proposições legislativas que objetivem dinamizar os processos de expropriação para fins de reforma agrária. do juiz ou do representante do Ministério Público. Estimular a regionalização do intercâmbio de informações e cooperação de atividades de segurança pública. que encarem o policial como agente de proteção dos direitos humanos. 17. Apoiar a expansão dos serviços de segurança pública.

44. adotando medidas que assegurem a sua excelência técnica e progressiva autonomia.para a investigação de crimes contra os direitos humanos. 43. para que estes se façam presentes em todas as regiões do País. coordenada pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado. para ampliar o acesso à justiça. Apoiar a criação de comissões de direitos humanos no Senado Federal e nas assembléias legislativas e câmaras municipais onde estas comissões não tenham ainda sido criadas. Apoiar a multiplicação e manutenção. 34. Fortalecer e ampliar a esfera de atuação da Ouvidoria Geral da República. Defensoria Pública e Delegacias de Polícia. pelos Estados. ampliando a participação de representantes da sociedade civil e a sua competência. 38. 37. a fim de ampliar a participação da população no monitoramento e fiscalização das atividades dos órgãos e agentes do poder público. 33. Estimular a criação do serviço "Disque Denúncia" em todo País e Instituir esse serviço nas repartições públicas federais que integram o sistema federal de segurança pública. com vista a aumentar a absorção de tecnologias. Estudar a viabilidade de um sistema de juízes. 45.tanto no Congresso Nacional como nas Assembléias Legislativas . 40. Regulamentar o artigo 129. para aumentar a fiscalização e monitoramento das atividades dos promotores e juízes. 46. propostas para modernizar o Judiciário e para fortalecer o sistema de proteção e promoção dos direitos humanos. 41. Propugnar pela aprovação do projeto de lei Nº 4. 35.32. Apoiar. da Constituição Federal. 36. Incentivar a criação e fortalecimento de conselhos de defesa dos direitos humanos nos Estados e Municípios. 42. Fortalecer os Institutos Médico-Legais ou de Criminalística. Apoiar a expansão dos serviços de prestação da justiça. Apoiar a atuação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e de comissões de direitos humanos nos Estados e Municípios. de juizados especiais civis e criminais. 39. especialmente nas regiões distantes dos centros urbanos. 48. expostas a grave e atual perigo em virtude de colaboração ou declarações prestadas em investigação ou processo penal. VII. .716-A/94 que tipifica o crime de tortura. articulando-os com universidades. Propor a revisão da legislação sobre abuso e desacato à autoridade. que trata do controle externo da atividade policial pelo Ministério Público. de forma a agilizar os processos. promotores e defensores públicos itinerantes. Apoiar a criação nos Estados de programas de proteção de vítimas e testemunhas de crimes. simplificar as regras e procedimentos e aumentar as garantias do tratamento igualitário de todos perante a lei. Médio prazo 47. no contexto da reforma do Estado. Apoiar medidas de fortalecer as corregedorias internas do Ministério Público e do Poder Judiciário. Ministério Público. Incentivar a prática de plantões permanentes no Judiciário. e às comissões parlamentares de inquérito . Reformular o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH).

Incentivar a ampliação dos Serviços de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho com vistas à coibição do trabalho forçado. 60. Rever a legislação para coibir o trabalho forçado.GERTRAF. com vistas a identificar responsáveis e adotar as medidas legais pertinentes. 59.49. 53. Promover o debate. Fortalecer os mecanismos para fiscalizar e coibir o trabalho forçado. Propor alteração na legislação existente sobre faixa etária com vistas a adequá-las aos dias e necessidades atuais. Trabalho forçado Curto prazo 58. criado pelo Decreto de 03 de setembro de 1992. Proteção do direito à liberdade Liberdade de Expressão e Classificação Indicativa Curto Prazo 52. Médio Prazo 56. Dar continuidade à estruturação da Defensoria Pública da União. Criar um sistema de avaliação permanente sobre os critérios de classificação indicativa e faixa etária. convidando-os a uma participação efetiva neste processo. 55. bem como incentivar a criação de Defensorias Públicas junto a todas as comarcas do país. do racismo. Longo prazo 51. vinculado ao Ministério do Trabalho. da violência. da tortura. via de regra. com todos os setores vinculados ao tema da liberdade de expressão e da classificação indicativa de espetáculos e diversões públicas. com a função de fiscalizar as atividades do Poder Judiciário. das discriminações. com vista a eficácia do Programa de Erradicação do Trabalho Forçado e do aliciamento de trabalhadores . buscando. de grupos paramilitares e da pena de morte. de modo dotá-lo de capacidade operativa compatível com sua missão institucional. Apoiar o Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado . uma ação integrada e voltada para o interesse público nesse assunto. cordial e aberto visando a cooperação e sensibilização desses setores para o cumprimento da legislação em vigor. Médio prazo . Apoiar a criação do Conselho Nacional de Justiça. seminários. mediante encontros. Estruturar o Departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça. 54. Estabelecer com os produtores e distribuidores de programação um diálogo. 61. 57. franco.PERFOR. da ação de grupos de extermínio. Implantar o Programa de Integração das Informações Criminais. visando à criação de uma cadastro nacional de identificação criminal. Promover o mapeamento dos programas radiofônicos e televisivos que estimulem a apologia do crime. 50.

conforme determina a Lei de Execuções Penais. 76. Desenvolver programas de assistência integral à saúde do preso e de sua família. Incrementar a descentralização dos estabelecimentos penais. Criar. em âmbito nacional. treinamento profissional e trabalho para facilitar a reeducação e recuperação do preso. Estimular a criação de cursos de formação de agentes penitenciários. incentivando o Poder Judiciário a utilizar as penas alternativas contidas nas leis vigentes com vistas a minimizar a crise do sistema penitenciário. em parceria com os Estados. Direitos de Todos: . 69. creditícios e outros às empresas que empreguem egressos do sistema penitenciário. 75. Realizar levantamento epidemológico da população carcerária brasileira. em todas as regiões.62. nas organizações policiais. Proteção do direito a tratamento igualitário perante a lei Direitos Humanos. Proporcionar incentivos fiscais. 68. 65. estrangeiros e migrantes brasileiros. Longo Prazo 77. divisões especializadas de coibição ao trabalho forçado. 72. 70. 74. Estimular a aplicação dos dispositivos da Lei de Execuções Penais referentes a regimes de prisão semiaberto e aberto. adolescentes. 67. Propor normatização dos procedimentos de revista aos visitantes de estabelecimentos prisionais. Apoiar programas de emergência para corrigir as condições inadequadas das prisões. Levar à discussão. sobre a necessidade de se repensar as formas de punição ao cidadão infrator. monitorar e fiscalizar os procedimentos ditados pela Justiça criminal. Incentivar a agilização dos procedimentos judiciais. Penas privativas de liberdade Curto prazo 63. 64. Propor legislação para introduzir penas alternativas à prisão para os crimes não violentos. com atenção especial para as crianças.FUNPEN. Promover programas de educação. Incentivar a implementação de Conselhos Comunitários. utilizando-se recursos do Fundo Penitenciário Nacional . 66. e de outros estabelecimentos penitenciários que contrariem as normas mínimas penitenciárias internacionais. a fim de reduzir o número de detidos à espera de julgamento. para auxiliar. 73. Incrementar a desativação da Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru). Reativar e difundir nos Estados o sistema de informática penitenciária INFORPEN. de forma a agilizar processos e julgamentos e evitar excessos no cumprimento de pena. com a construção de presídios de pequeno porte que facilitem a execução da pena próximo aos familiares dos presos. Médio prazo 71. com o objetivo de coibir quaisquer ações que atentem contra dignidade e os direitos humanos dessas pessoas. criar novos estabelecimentos e aumentar o número de vagas no país.

sexo. Incentivar estudos. pesquisas e programas para limitar a incidência e o impacto do consumo de drogas ilícitas. a criação de secretarias. idade. Curto Prazo 92. Apoiar a melhoria da qualidade do tratamento das pessoas com HIV/AIDS. convicção política ou orientação sexual. Apoiar o funcionamento do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente . Melhorar a qualidade do tratamento das pessoas dependentes do consumo de drogas ilícitas. dos documentos fundamentais de cidadania. 80. carteira de identidade. de forma a reforçar e consolidar a proibição de práticas discriminatórias existente na legislação constitucional. centrais de trabalhadores. num prazo de um ano.Curto Prazo 78. título de eleitor e certificado de alistamento militar (ou certificado de reservista ou certificado de dispensa de incorporação). etnia. Lançar uma campanha nacional. raça. Propor legislação proibindo todo tipo de discriminação. 89. 79. Apoiar a participação das pessoas portadoras de HIV/AIDS e suas organizações na formulação e implementação de políticas e programas de combate e prevenção do HIV/AIDS. com o objetivo de dotar todos os cidadãos. . como. 88. Instituir a concessão gratuita das certidões de nascimento e de óbito para todos os cidadãos.CONANDA . Legislativo e Judiciário mais transparente. o que deve incluir a ampliação da acessibilidade e a diminuição do seu custo. tais como certidão de nascimento. o acompanhamento da tramitação de investigações e processos legais relativos a casos de violação de direitos humanos. Incentivar campanhas de informação sobre HIV/AIDS. a criação de um banco de dados que possibilite. 82. inclusive. 86. 83. Médio Prazo 91. por exemplo. pesquisas e programas para limitar a incidência e o impacto do HIV/AIDS. com base em origem. 87. 81. Estimular a criação de PROCONs municipais. Estimular. a exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Federação Nacional de Jornalistas. carteira de trabalho. credo religioso. Incentivar estudos. Instituir a carteira nacional de identidade. 85. visando esclarecer a população sobre os comportamentos que facilitem ou dificultem a sua transmissão. Apoiar ações para implementação do PANAD . Crianças e Adolescentes. federações e entidades populares e estudantis. Estimular a criação de canais de acesso direto e regular da população a informações e documentos governamentais para tornar o funcionamento do Executivo. 90. o que deve incluir a ampliação da acessibilidade e a diminuição do seu custo. e revogando normas discriminatórias na legislação infraconstitucional. envolvendo Estados e Municípios.Programa de Ação Nacional Antidrogas. departamentos ou comissões de direitos humanos e cidadania nos sindicatos. 84.

com a designação de uma autoridade central em matéria de adoções internacionais no Brasil. 94. 106. e a cumprir suas responsabilidades de cuidar e proteger as crianças. desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social do MPAS. 95. coordenado pelo Ministério do Trabalho. Incentivar a criação de estruturas para o desenvolvimento de programas sócio-educativos para o atendimento de adolescentes infratores. 110. Propor alterações na legislação penal com o objetivo de limitar a incidência da violência doméstica contra as crianças e adolescentes.Apoiar a regulamentação do decreto legislativo que promulgou a Convenção sobre Cooperação Internacional e Proteção de Crianças e Adolescentes em Matéria de Adoção Internacional. em parceria com Governos estaduais e municipais e com a sociedade civil. Incentivar a criação. Médio Prazo 111. Propor alterações na legislação penal e incentivar ações com o objetivo de eliminar o trabalho infantil. de crianças e adolescentes efetivamente abandonadas.Investir na formação e capacitação de profissionais e encarregados da implementação da política de direitos da criança e do adolescente nos Governos estaduais e municipais e nas organizações não governamentais. com penalização para o explorador e usuário. punindo a prática de sua exploração. dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente. 98.Promover a discussão do papel dos meios de comunicação no combate à exploração sexual infantojuvenil.93. 102. de comissões de adoção.Incentivar a criação de estruturas para o desenvolvimento de programas sócio-educativos para o atendimento de adolescentes infratores. 101. 99.Estender o Programa de Merenda Escolar às creches. 109. como violência doméstica e sexual. pelos tribunais de justiça dos Estados.Implantar sistema nacional e sistemas estaduais de informação e monitoramento da situação da criança e do adolescente. realizada em Haia (1993). 97.Apoiar a criação. exploração no trabalho e uso de drogas. 103.Incentivar os programas de capacitação de conselheiros à distância. 108. campanhas educativas relacionadas às situações de risco vivenciadas pela criança e pelo adolescente. Propor a alteração da legislação no tocante à tipificação de crime de exploração sexual infanto-juvenil. 112. a fim de lhes possibilitar a convivência familiar. 104. visando a criar e manter um padrão cultural favorável aos direitos da criança e do adolescente. principalmente por famílias brasileiras.Apoiar o Programa Brasil Criança Cidadã. Conselhos Tutelares e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 100.Apoiar o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. 107. prostituição.Promover.Instituir uma política nacional de estímulo à adoção. nos Estados e Municípios do País. 96. 105.Apoiar a produção e publicação de documentos que contribuam para a divulgação e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente. focalizando . Incentivar programas de orientação familiar com o objetivo de capacitar as famílias a resolver conflitos familiares de forma não violenta. Dar continuidade à Campanha Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-juvenil.

Apoiar a criação.Incentivar a pesquisa e divulgação de informações sobre a violência e discriminação contra a mulher e sobre formas de proteção e promoção dos direitos da mulher.Incentivar a criação de centros integrados de assistência a mulheres sob risco de violência doméstica e sexual.Apoiar o Programa Nacional de Combate à Violência Contra a Mulher. civis e militares e nas diretrizes curriculares para o . (d) prostituição Infanto-juvenil.Apoiar as políticas dos Governos estaduais e municipais para prevenção da violência doméstica e sexual contra as mulheres. incluindo particularmente as normas do Código Civil Brasileiro que tratam do patrio poder. que contemple o número de denúncias. com prioridade na implementação das demais medidas sócio-educativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.029/95.Incentivar a inclusão da perspectiva de gênero na educação e treinamento de funcionários públicos. do Governo federal. Médio prazo 122. número de processos. em particular. que dá proteção às mulheres contra discriminação em razão de gravidez. 114. privilégio do homem na fixação do domicílio familiar.Reformular as normas de combate à violência e discriminação contra as mulheres.principalmente: (a) criação e funcionamento de Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e Conselhos Tutelares. inciso XX. que prevê a proteção do mercado de trabalho da mulher através de incentivos específicos. direito da anulação do casamento pelo homem quando a mulher não é virgem. faixa etária e cor das crianças e adolescentes envolvidos.Incentivar o reordenamento das instituições privativas de liberdade para menores infratores. reduzindo o número de adolescentes autores de ato infracional por unidade de atendimento. 120. de varas.Revogar as normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional. 121.Assegurar o cumprimento dos dispositivos existentes na Lei nº 9. apoio ao projeto do Governo que trata o estupro como crime contra a pessoa e não mais como crime contra os costumes. local da ocorrência. 119. 125. pelo Poder Judiciário. (c) violação de direitos de crianças e adolescentes. Longo Prazo 113.Apoiar o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher na formulação e implementação de políticas públicas para a defesa dos direitos da mulher. 124. chefia da sociedade conjugal. como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.Regulamentar o artigo 7. da Constituição Federal. 118. Mulheres. 123. (e) mortes violentas de crianças e adolescentes. número de casos.Apoiar o projeto de lei que altera o Código Penal nos crimes de estupro e atentado violento à mulher. 117. promotorias e delegacias especializadas em infrações penais envolvendo menores. Ministério Público e pelos Governos estaduais. Curto prazo 115. 116. (b) localização e identificação de crianças e adolescentes desaparecidos.

132. deverá definir um programa de ações e propor estratégias de combate à discriminação no emprego e na ocupação. a níveis estadual e municipal.Revogar normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional.Apoiar o Grupo de Trabalho para a Eliminação da Discriminação no Emprego e na Ocupação – GTEDEO. segurança social. incluindo saúde. 135. política e justiça. 138. sociais e culturais.ensino fundamental e médio. 130. econômicos e culturais da população negra na sociedade brasileira que oriente políticas afirmativas visando a promoção dessa comunidade. 131. de Conselhos da Comunidade Negra. População Negra.Estimular as Secretarias de Segurança Pública dos Estados a realizarem cursos de reciclagem e seminários sobre discriminação racial. Curto prazo 128. da Organização Internacional do Trabalho . doenças profissionais e direitos trabalhistas da mulher.Aperfeiçoar as normas de combate à discriminação contra a população negra.Estimular a presença dos grupos étnicos que compõem a nossa população em propagandas institucionais contratadas pelos órgãos da administração direta e indireta e por empresas estatais do Governo Federal. 129. sociais. 133. O GTEDEO de constituição tripartite. para implementação das leis que asseguram a igualdade de direitos das mulheres e dos homens em todos os níveis.Promover o mapeamento e tombamento dos sítios e documentos detentores de reminiscências históricas. bem como a proteção das manifestações culturais afro-brasileiras.Criar banco de dados sobre a situação dos direitos civis. com o objetivo de promover mudanças na mentalidade e atitude e o reconhecimento da igualdade de direitos das mulheres. . ambientes de trabalho. jornadas de trabalho. Longo prazo 127. nas esferas federal. não apenas na esfera dos direitos civis e políticos. pelo decreto de 20 de março de 1996.Apoiar a definição de ações de valorização para a população negra e com políticas públicas. propriedade e crédito rural. Médio prazo 136. mas também na esfera dos direitos econômicos. 126. estadual e municipal. trabalho. 137. 139.Incentivar a geração de estatísticas que evidenciem salários.Apoiar as ações da iniciativa privada que realizem discriminação positiva. educação e treinamento profissional.Inclusão do quesito "cor" em todos e quaisquer sistemas de informação e registro sobre a população e bancos de dados públicos. conforme os princípios da Convenção 111.Definir políticas e programas governamentais. instituído no âmbito do Ministério do Trabalho.OIT.Apoiar o grupo de trabalho interministerial criado por Decreto Presidencial de 20 de novembro de 1995 com o objetivo de sugerir ações e políticas de valorização da população negra. 134.Incentivar e apoiar a criação e instalação. cultura. políticos.

144. 151. 147. nos Códigos Penal e de Processo Penal.Apoiar a produção e publicação de documentos que contribuam para a divulgação da legislação antidiscriminatória. Sociedades Indígenas Curto prazo 150. eliminando esteriótipos e discriminações. 145.Dotar a FUNAI de recursos suficientes para a realização de sua missão de defesa dos direitos das sociedades indígenas. 146.001/73). os pardos e os pretos como integrantes do contingente da população negra. 154.Adotar o princípio da criminalização da prática do racismo. 149.No contexto do processo de demarcação das terras indígenas. Longo prazo 148. 152. 216 e 242 da Constituição Federal.Incentivar ações que contribuam para a preservação da memória e fomento à produção cultural da comunidade negra no Brasil. apoiar ações que contribuam para o aumento do grau de confiança e de estabilidade das relações entre as organizações governamentais e não governamentais. 141. o medo e outros fatores que contribuam para o acirramento dos conflitos e para violência contra os índios. visando a regulamentação dos art.Divulgar as Convenções Internacionais. 215. à universidade e ás áreas de tecnologia de ponta. oficinas e projetos que contribuam para diminuir a desinformação. particularmente no processo de demarcação das terras indígenas.Demarcar e regularizar as terras tradicionalmente ocupadas por sociedades indígenas que ainda não foram demarcadas e regularizadas. 156.Desenvolver ações afirmativas para o acesso dos negros aos cursos profissionalizantes. 155. no sentido apontado pelo projeto de lei do Estatuto das Sociedades Indígenas.Propor projeto de lei. para desenvolver planos de ação e estratégias na valorização da comunidade negra.140.Formular e implementar políticas de proteção e promoção dos direitos das sociedades indígenas.Formular políticas compensatórias que promovam social e economicamente a comunidade negra.Assegurar o direito das sociedades indígenas às terras que eles tradicionalmente ocupam.Estimular que os livros didáticos enfatizem a história e as lutas do povo negro na construção do nosso país. 153.Apoiar a revisão do Estatuto do Índio (Lei 6. em substituição a políticas assimilacionistas e assistencialistas. já aprovado na Câmara dos Deputados. 143. através de seminários.Determinar ao IBGE a adoção do critério de se considerar os mulatos. 142. os dispositivos da Constituição Federal e a legislação infraconstitucional que tratam do racismo. .Facilitar a discussão e a articulação entre as entidades da comunidade negra e os diferentes setores do Governo.Assegurar a participação das sociedades indígenas e de suas organizações na formulação e implementação de políticas de proteção e promoção de seus direitos.

Reformular a Lei dos Estrangeiros.assegurar à sociedades indígenas uma educação escolar diferenciada.promover a divulgação de informação sobre os indígenas e os seus direitos. 171.garantir às sociedades indígenas assistência na área da saúde. como forma de eliminar a desinformação (uma das causas da discriminação e da violência contra os indígenas e suas culturas). 163.Estabelecer prioridade obrigatória de atendimento às pessoas idosas em todas as repartições públicas e estabelecimentos bancários do país.157. 161. 158.Apoiar junto às comunidades indígenas o desenvolvimento de projetos auto-sustentáveis do ponto de vista econômico.Adotar medidas para impedir e punir a violência e discriminação contra estrangeiros no Brasil e migrantes brasileiros no exterior. com a implementação de programas de saúde diferenciados. Terceira Idade Curto prazo 170. Longo prazo 162. 159. respeitando o seu universo sóciocultural. com capacitação de servidores e membros da própria comunidade indígena. Médio prazo 160. teatros. 166. considerando as especificidades dessas populações.Estabelecer política de proteção aos direitos humanos das comunidades brasileiras no exterior Longo prazo 169. que regula a situação jurídica do estrangeiro no Brasil. com unidades móveis de fiscalização. shows de música e outras formas de lazer público.Facilitar o acesso das pessoas idosas a cinemas.Desenvolver programa e campanha visando à regularização da situação dos estrangeiros atualmente no país. Estrangeiros.Levantar informações sobre conflitos fundiários e violência em terras indígenas. principalmente nos meios de comunicação e nas escolas. . ambiental e cultural.Estabelecer política de proteção aos direitos humanos das comunidades estrangeiras no Brasil 168. Médio prazo 167. através da apreciação pelo Congresso do projeto de lei 1813/91.Implantar sistema de vigilância permanente em terras indígenas. Refugiados e Migrantes Brasileiros Curto prazo 164.Propor projeto de lei estabelecendo o estatuto dos refugiados. a ser integrado ao mapa dos conflitos fundiários e violência rural no Brasil.Reorganizar a FUNAI para compatibilizar a sua organização com a função de defender os direitos das sociedades indígenas. 165.

Formular programa de educação para pessoas portadoras de deficiência. segundo e terceiro grau. para o desenvolvimento da Política Nacional do Idoso.Implementar o programa de remoção de barreiras físicas que impedem ou dificultam a locomoção das pessoas portadoras de deficiência. Bases para uma cultura de Direitos Humanos Produção e Distribuição de Informações e Conhecimento Curto prazo 183. Longo prazo 182.Incentivar o equipamento de estabelecimentos públicos e meios de transporte de forma a facilitar a locomoção dos idosos.172. ampliando o acesso às cidades históricas. 176. fortalecer e descentralizar programas de assistência aos idosos.Formular políticas de atenção às pessoas portadoras de deficiência. Educação e Cidadania. estâncias hidrominerais e grande centros urbanos. Médio prazo 180. incentivando sua participação nos programas e projetos governamentais de seu interesse. turísticas. 37. VIII da Constituição Federal.Criar e fortalecer programas de educação para o respeito aos direitos humanos nas escolas de primeiro. à legislação. para a implementação de uma estratégia nacional de integração das ações governamentais e não-governamentais. atualmente adotado pelo Ministério da Educação e do Desporto. 179. como vistos no projeto "Cidade para todos". 174.Criar e fortalecer conselhos e organizações de representação dos idosos. nos termos do art. bibliografia e capacitação na área de reabilitação e atendimento. . Pessoas portadoras de deficiência Curto prazo 177. de forma a contribuir para sua integração à família e à sociedade e incentivar o seu atendimento no seu próprio ambiente. 178.Adotar medidas que possibilitem o acesso das pessoas portadores de deficiências às informações veiculadas pelos meios de comunicação.Apoiar as formas regionais denominadas ações governamentais integradas. Longo prazo 175. e através da criação de uma disciplina sobre direitos humanos.Criar.Generalizar a concessão de passe livre e precedência de acesso aos idosos em todos os sistemas de transporte público urbano. Médio Prazo 173. através do sistema de "temas transversais" nas disciplinas curriculares.conceber sistemas de informações com a definição de bases de dados relativamente a pessoas portadores de deficiência. 181. com vistas ao efetivo cumprimento do Decreto nº 914. ajudas técnicas. de 06 de setembro de 1993.Propor normas relativas ao acesso do portador de deficiência ao mercado de trabalho e no serviço público.

bolsas e outras distinções regionais para entidades e personalidades que tenham se destacado periodicamente na luta pelos direitos humanos. aprovada pela OIT em 1989. Médio prazo 189.Atribuir.Apoiar a representação proporcional de grupos e comunidades minoritárias do ponto de vista étnico. associativas e comunitárias. igrejas.Apoiar programas de informação.Orientar tais programas na valorização da moderna concepção dos direitos humanos segundo a qual o respeito à igualdade supõe também a tolerância com as diferenças e peculiaridades de cada indivíduo.Apoiar a realização de fóruns.Ratificar a Convenção 138 e implementar a Recomendação 146 da OIT. racial e de gênero nas campanhas de publicidade e de comunicação de agências governamentais. . 187. empresas. Conscientização e Mobilização pelos Direitos Humanos Curto prazo 190. representantes políticos. 192. educação e treinamento de direitos humanos para profissionais de direito.184. 197. para aumentar a capacidade de proteção e promoção dos direitos humanos na sociedade brasileira. que tratam da idade mínima para admissão no emprego. seminários e "workshops" na área de direitos humanos. 185. agentes penitenciários e lideranças sindicais. o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. Longo prazo 195.Apoiar a criação e desenvolvimento de programas de ensino e de pesquisa que tenham como tema central a educação em direitos humanos. 191.Incentivar a criação de bancos de dados sobre entidades.Incentivar campanha nacional permanente que amplie a compreensão da sociedade brasileira sobre o valor da vida humana e a importância do respeito aos direitos humanos. a criação de prêmios. 194.Ratificar a Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes. Médio prazo 193. sindicatos. escolas e associações comprometidos com a proteção e promoção dos direitos humanos.Incentivar. 188.Incentivar a criação de canais de acesso direto da população a informações e meios de proteção aos direitos humanos. anualmente. como linhas telefônicas especiais.Incentivar campanhas de esclarecimento da opinião pública sobre os candidatos a cargos públicos e lideranças da sociedade civil comprometidos com a proteção e promoção dos direitos humanos Ações internacionais para proteção e promoção dos Direitos Humanos: Ratificação de atos internacionais Curto Prazo 196. em parceria com a sociedade civil. policiais. 186.Estimular os partidos políticos e os tribunais eleitorais a reservarem parte do seu espaço específico à promoção dos direitos humanos.

Adotar legislação interna que permita o cumprimento pelo Brasil dos compromissos assumidos internacionalmente. 211. B) Declaração sobre Eliminação da Violência Contra a Mulher.1993. 210. 209.Implementar as Convenções 29. que tratam do trabalho forçado e da discriminação nos locais de trabalho.198. através de veículos de comunicação. em Viena. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher ("Convenção de Belém do Pará").Ratificar a Convenção Internacional para Proteção dos Direitos dos Migrantes e de suas Famílias.Implementar a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. setembro de 1995). realizada em Viena em 1993. 200.Implementar a IV Conferência Mundial da Mulher (Beijing. 208.No contexto da implementação da Declaração de Princípios e do Plano de Ação da Cúpula das Américas. no contexto da implementação da Declaração de Princípios e do Plano de Ação. do tráfico de drogas e do HIV/AIDS. como Estado parte. das principais declarações e convenções internacionais para proteção e promoção dos direitos humanos assinadas pelo Brasil. em convenções e tratados de direitos humanos. 105 e 111 da OIT. aprovada pela ONU em 1993. em particular cumprindo prazos na entrega de planos de ação e relatórios.Apoiar. aprovada pela OEA em 1994. 204.Implementar propostas de proteção dos direitos da mulher contidas nos seguintes documentos: A) Declaração e Proposta de Ação da Conferência Mundial de Direitos Humanos. a elaboração do Plano Hemisférico de Direitos Humanos. punir e erradicar a violência contra a mulher (junho de 1994). através da sua ratificação e implementação.Desenvolver campanhas de divulgação. 203. 201. como as que tratam dos direitos da criança e do adolescente. que define a violência contra as mulheres como violência contra os direitos humanos. C) Convenção Interamericana para Prevenir. Implementação e divulgação de atos internacionais Curto prazo 202.Implementar a Convenção Interamericana para prevenir. assinada em Belém/PA em 9/06/94. a fim de deixar claro quais são os compromissos assumidos pelo Brasil na área da proteção e promoção dos direitos humanos. apoiar programas internacionais para limitar a incidência e impacto do terrorismo.Implementar as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. criar um sistema hemisférico de divulgação dos princípios e ações de proteção à cidadania e aos direitos humanos. junto com o Ministério das Relações Exteriores. 205. 207.Implementar a Conferência Mundial dos Direitos Humanos . aprovados pela Cúpula de Américas realizada em Miami em 1994. . 199.Dar continuidade à política de adesão a tratados internacionais para proteção e promoção dos direitos humanos.Ratificar a Convenção Interamericana de Desaparecimento Forçado de Pessoas. 206. aprovada pela ONU em 1990.

Implementação e Monitoramento do Programa Nacional de Direitos Humanos Implementação 222. 220. Apoio a organizações e operações de defesa dos direitos humanos. 217. 221. 219. em particular da reforma e melhoria dos sistemas judiciários e policiais.Elaborar um Manual dos Direitos Humanos. em particular a Comissão de Direitos Humanos da ONU. aprovado pela Organização das Nações Unidas em 1994 para o período 1995-2004.Promover o intercâmbio internacional de experiências na área da educação e treinamento de forças policiais visando melhor prepará-las para limitar a incidência e o impacto de violações dos direitos humanos no combate à criminalidade e à violência. 224. 215.Criar um serviço civil constituído por jovens formados como agentes da cidadania.212. com o objetivo de esclarecer e sensibilizar o . 216. Médio prazo 213. 223. a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. para informar.Fortalecer a cooperação com organismos internacionais de proteção aos direitos humanos. educar e treinar os integrantes de organizações governamentais e não governamentais responsáveis pela implementação do Programa Nacional de Direitos Humanos. Médio prazo 218.Apoiar a elaboração da Declaração sobre os Direitos das sociedades Indígenas. a Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Instituto Interamericano de Direitos Humanos.Apoiar a elaboração do protocolo facultativo adicional à Convenção contra tortura e outros tratamentos.Desenvolver no País o Plano de Ação da Década para a Educação em Direitos Humanos. ou penas cruéis. e para deixar claro os compromissos assumidos pelo Brasil na área de direitos humanos tanto no Programa Nacional quanto no plano internacional. através dos vários meios de comunicação social.Dar cumprimento à obrigação de submeter relatórios periódicos sobre a implementação de convenções e tratados de direitos humanos. que possam atuar na proteção dos direitos humanos em todos os estados do país. da ONU.Incentivar a ratificação dos instrumentos internacionais de proteção e promoção dos direitos humanos pelos países com os quais o Brasil possui relações diplomáticas.Criar e fortalecer programas internacionais de apoio a projetos nacionais que visem a proteção e promoção dos direitos humanos.Desenvolver campanha publicitária no âmbito nacional. desumanas ou degradantes. a ser distribuído nos Estados e Municípios. Curto prazo 214.Promover o intercâmbio internacional de experiências em matéria de proteção e promoção dos direitos humanos. dos quais o Brasil seja parte.Dar publicidade e divulgação aos textos dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos de que o Brasil seja parte.

sociais e culturais existentes no país. Apoiar a formulação de programas estaduais e municipais de direitos humanos e a realização de conferências e seminários voltados para a proteção e promoção de direitos humanos. na esfera estadual e municipal. . através de órgão a ser designado. Monitoramento 227. Apoiar a atuação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. b) PNDH-2 Ainda no Governo FHC foi implementada a 2ª parte do Programa Nacional de Desenvolvimento Humano. inclusive sugestões e queixas sobre o seu cumprimento. 228.Atribuir ao Ministério da Justiça a responsabilidade de apresentar ao Presidente da República relatórios quadrimestrais sobre a implementação do Programa Nacional de Direitos Humanos.Promover estudos visando à criação de um sistema de concessão de incentivos por parte do Governo federal aos Governos estaduais que implementarem medidas favoráveis aos direitos humanos previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos. a implementação e a avaliação de políticas e ações sociais para a redução das desigualdades econômicas. Apoiar a formulação. o PNDH 2. visando à plena realização do direito ao desenvolvimento e conferindo prioridade às necessidades dos grupos socialmente vulneráveis. a criação de comissões de direitos humanos nas assembléias legislativas estaduais e câmaras municipais e o trabalho das comissões parlamentares de inquérito constituídas para a investigação de crimes contra os direitos humanos. 225. Vejamos as propostas: PROPOSTAS DE AÇÕES GOVERNAMENTAIS Propostas Gerais 1. Estimular a criação de bancos de dados com indicadores sociais e econômicos sobre a situação dos direitos humanos nos estados brasileiros. a criação de conselhos de direitos dotados de autonomia e com composição paritária de representantes do governo e da sociedade civil.Destinar aos Governos estaduais a responsabilidade de elaborar e apresentar ao Ministério da Justiça relatórios quadrimestrais e anuais sobre a implementação do Programa Nacional de Direitos Humanos e a situação dos direitos humanos no respectivo Estado. 4. a responsabilidade pela coordenação da implementação e atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos. Atribuir a entidades equivalentes a responsabilidade pela coordenação da implementação do Programa nos estados e municípios. Apoiar. face à situação dos direitos humanos no Brasil.País para a importância dos direitos humanos e do Programa Nacional de Direitos Humanos. 5. 2. 3. 226.Atribuir ao Ministério da Justiça. a fim de orientar a definição de políticas públicas destinadas à redução da violência e à inclusão social.

6. Apoiar, em todas as unidades federativas, a adoção de mecanismos que
estimulem a participação dos cidadãos na elaboração dos orçamentos
públicos.
7. Estimular a criação de mecanismos que confiram maior transparência à
destinação e ao uso dos recursos públicos, aprimorando os
mecanismos de controle social das ações governamentais e de
combate à corrupção.
8. Ampliar, em todas as unidades federativas, as iniciativas voltadas para
programas de transferência direta de renda, a exemplo dos programas
de renda mínima, e fomentar o envolvimento de organizações locais
em seu processo de implementação.
9. Realizar estudos para que o instrumento de ação direta de
inconstitucionalidade possa ser invocado no caso de adoção, por
autoridades municipais, estaduais e federais, de políticas públicas
contrárias aos direitos humanos.
10. Garantir o acesso gratuito e universal ao registro civil de nascimento e
ao assento de óbito.
11. Apoiar a aprovação do Projeto de Lei nº 4715/1994, que transforma o
Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – CDDPH em
Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH, ampliando sua
competência e a participação de representantes da sociedade civil.
Garantia do Direito à Vida
12. Apoiar a execução do Plano Nacional de Segurança Pública – PNSP.
13. Apoiar programas e ações que tenham como objetivo prevenir a
violência contra grupos vulneráveis e em situação de risco.
14. Apoiar a implementação de ações voltadas para o controle de armas,
tais como a coordenação centralizada do controle de armas, o Sistema
Nacional de Armas – SINARM e o Cadastro Nacional de Armas
Apreendidas – CNAA, bem como campanhas de desarmamento e
ações de recolhimento/apreensão de armas ilegais.
15. Propor a edição de norma federal regulamentando a aquisição de armas
de fogo e munição por policiais, guardas municipais e agentes de
segurança privada.
16. Apoiar a edição de norma federal que regule o uso de armas de fogo e
munição por policiais, guardas municipais e agentes de segurança
privada, especialmente em grandes eventos, manifestações públicas e
conflitos, assim como a proibição da exportação de armas de fogo
para países limítrofes.
17. Promover, em parceria com entidades não-governamentais, a
elaboração de mapas de violência urbana e rural, identificando as
regiões que apresentem maior incidência de violência e criminalidade
e incorporando dados e indicadores de desenvolvimento, qualidade de
vida e risco de violência contra grupos vulneráveis.
18. Ampliar programas voltados para a redução da violência nas escolas, a
exemplo do programa „Paz nas Escolas‟, especialmente em áreas
urbanas que apresentem aguda situação de carência e exclusão,
buscando o envolvimento de estudantes, pais, educadores, policiais e
membros da comunidade.

19. Estimular o aperfeiçoamento dos critérios para seleção e capacitação de
policiais e implantar, nas Academias de polícia, programas de
educação e formação em direitos humanos, em parceria com
entidades não-governamentais.
20. Incluir no currículo dos cursos de formação de policiais módulos
específicos sobre direitos humanos, gênero e raça, gerenciamento de
crises, técnicas de investigação, técnicas não-letais de intervenção
policial e mediação de conflitos.
21. Propor a criação de programas de atendimento psicossocial para o
policial e sua família, a obrigatoriedade de avaliações periódicas da
saúde física e mental dos profissionais de polícia e a implementação
de programas de seguro de vida e de saúde, de aquisição da casa
própria e de estímulo à educação formal e à profissionalização.
22. Apoiar estudos e programas para a redução da letalidade em ações
envolvendo policiais.
23. Apoiar o funcionamento e a modernização de corregedorias estaduais
independentes e desvinculadas dos comandos policiais, com vistas a
limitar abusos e erros em operações policiais e a emitir diretrizes claras
aos integrantes das forças policiais com relação à proteção dos
direitos humanos.
24. Fortalecer o Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia – FNOP, órgão de
caráter consultivo vinculado à Secretaria de Estado dos Direitos
Humanos, e incentivar a criação e o fortalecimento de ouvidorias de
polícia dotadas de autonomia e poderes para receber, acompanhar e
investigar denúncias.
25. Apoiar medidas destinadas a garantir o afastamento das atividades de
policiamento de policiais envolvidos em ocorrências letais e na prática
de tortura, submetendo-os à avaliação e tratamento psicológico e
assegurando a imediata instauração de processo administrativo, sem
prejuízo do devido processo criminal.
26. Fortalecer a Divisão de Direitos Humanos do Departamento de Polícia
Federal.
27. Criar a Ouvidoria da Polícia Federal – OPF.
28. Apoiar programas estaduais voltados para a integração entre as polícias
civil e militar, em especial aqueles com ênfase na unificação dos
comandos policiais.
29. Reforçar a fiscalização e a regulamentação das atividades das
empresas de segurança privada, com participação da Polícia Civil no
controle funcional e da Polícia Militar no controle operacional das
ações previstas, bem como determinar o imediato recadastramento de
todas as empresas de segurança em funcionamento no País, proibindo
o funcionamento daquelas em situação irregular.
30. Apoiar ações destinadas a reduzir a contratação ilegal de profissionais
de polícia e guardas municipais por empresas de segurança privada.
31. Incentivar ações educativas e preventivas destinadas a reduzir o
número de acidentes e mortes no trânsito.
32. Incentivar a implantação da polícia ou segurança comunitária e de
ações de articulação e cooperação entre a comunidade e autoridades
públicas com vistas ao desenvolvimento de estratégias locais de

segurança pública, visando a garantir a proteção da integridade física
das pessoas e dos bens da comunidade e o combate à impunidade.
33. Apoiar a criação e o funcionamento de centros de apoio a vítimas de
crime nas áreas com maiores índices de violência, com vistas a
disponibilizar assistência social, jurídica e psicológica às vítimas de
violência e a seus familiares e dependentes.
34. Apoiar a realização de estudos e pesquisas de vitimização, com
referência específica a indicadores de gênero e raça, visando a
subsidiar a formulação, implementação e avaliação de programas de
proteção dos direitos humanos.
35. Estimular a avaliação de programas e ações na área de segurança
pública e a identificação de experiências inovadoras e bem sucedidas
que possam ser reproduzidas nos estados e municípios.
36. Implantar e fortalecer sistemas de informação nas áreas de segurança e
justiça, como o INFOSEG, de forma a permitir o acesso à informação e
a integração de dados sobre identidade criminal, mandados de prisão
e situação da população carcerária em todas as unidades da
Federação.
37. Criar bancos de dados sobre a organização e o funcionamento das
polícias e sobre o fluxo das ocorrências no sistema de justiça criminal.
38. Apoiar a implementação de programas de prevenção da violência
doméstica.
Garantia do Direito à Justiça
39. Adotar, no âmbito da União e dos estados, medidas legislativas,
administrativas e judiciais para a resolução de casos de violação de
direitos humanos, particularmente aqueles em exame pelos órgãos
internacionais de supervisão, garantindo a apuração dos fatos, o
julgamento dos responsáveis e a reparação dos danos causados às
vítimas.
40. Apoiar iniciativas voltadas para a capacitação de operadores do direito
em temas relacionados ao direito internacional dos direitos humanos.
41. Apoiar a Proposta de Emenda à Constituição nº 29/2000, sobre a
reforma do Poder Judiciário, com vistas a: a) assegurar a todos, no
âmbito judicial e administrativo, a razoável duração dos processos e os
meios que garantam a celeridade de sua tramitação; b) conferir o
status de emenda constitucional aos tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos aprovados pelo Congresso
Nacional; c) garantir o incidente de deslocamento, da Justiça Estadual
para a Justiça Federal, da competência processual nas hipóteses de
graves crimes contra os direitos humanos, suscitadas pelo Procurador
Geral da República perante o Superior Tribunal de Justiça; d) adotar a
súmula vinculante, dispondo sobre a validade, a interpretação e a
eficácia das normas legais e seu efeito vinculante em relação aos
demais órgãos do Poder Judiciário; e) estabelecer o controle externo
do Poder Judiciário, com a criação do Conselho Nacional de Justiça,
encarregado do controle da atuação administrativa e financeira do
Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes;
f) criar o Conselho Nacional do Ministério Público e do Conselho
Superior da Justiça do Trabalho.

pelos estados. 50. 56. 53. Apoiar a criação de serviços de orientação jurídica gratuita. Apoiar a instalação e manutenção. Propor medidas destinadas a incentivar a agilização dos procedimentos judiciais. delegacias de polícias e . 46.42. especialmente nas regiões mais distantes dos centros urbanos. 43. 57. 48. Fortalecer as corregedorias do Ministério Público e do Poder Judiciário. Apoiar a expansão dos serviços de prestação da justiça. 54. para que estes se façam presentes em todas as regiões do país. Defensoria Pública e Delegacias de Polícia. que trata do controle externo da atividade policial pelo Ministério Público. Apoiar medidas legislativas destinadas a transferir. Apoiar a criação de promotorias de direitos humanos no âmbito do Ministério Público. Criar e fortalecer a atuação de ouvidorias gerais nos Estados. a competência para processar e julgar todos os crimes cometidos por policiais militares no exercício de suas funções. Incentivar projetos voltados para a criação de serviços de juizados itinerantes. Fortalecer a Ouvidoria Geral da República. como forma de aumentar a fiscalização e o monitoramento das atividades dos promotores e juízes. 45. que contenham os órgãos administrativos para atendimento ao cidadão. 49. da Justiça Militar para a Comum. Apoiar a atuação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão no âmbito da União e dos estados. Criar e fortalecer ouvidorias nos órgãos públicos da União e dos estados para o atendimento de denúncias de violação de direitos fundamentais. em nível estadual e municipal. Apoiar o fortalecimento da Defensoria Pública da União e das Defensorias Públicas Estaduais. Estimular a criação e o fortalecimento de órgãos de defesa do consumidor. Estimular a criação de centros integrados de cidadania próximos às comunidades carentes e periferias. Incentivar a prática de plantões permanentes no Judiciário. a fim de ampliar a participação da população no monitoramento e fiscalização das atividades dos órgãos e agentes do poder público. de juizados especiais civis e criminais. Ministério Público. 59. promotores e defensores públicos. assim como o desenvolvimento de programas de formação de agentes comunitários de justiça e mediação de conflitos. da Constituição Federal. 47. 51. assim como apoiar as atividades das organizações da sociedade civil atuantes na defesa do consumidor. com a participação de juízes. inciso VII. para ampliar o acesso à justiça. a exemplo dos balcões de direitos e dos serviços de disque-denúncia. assim como a criação de Defensorias Públicas junto a todas as comarcas do país. adotando medidas que assegurem a sua excelência técnica e progressiva autonomia. a fim de reduzir o número de detidos à espera de julgamento. Fortalecer os Institutos Médico-Legais ou de Criminalística. 58. 55. 44. com ampla divulgação de sua finalidade nos meios de comunicação. Regulamentar o artigo 129. Propor legislação visando a fortalecer a atuação do Ministério Público no combate ao crime organizado. 60. 52.

da sensibilização da opinião pública e da capacitação dos operadores do direito. elaboradas com base em visita realizada ao Brasil em agosto/setembro de 2000. Elaborar e implementar o Plano Nacional de Combate à Tortura. 68. de 7 de abril de 1997. para prevenir conflitos violentos no campo. de 5 de junho de 2001. 65. expostas a grave e real ameaça em virtude de colaboração ou declarações prestadas em investigação ou processo penal. incentivando o Poder Judiciário a utilizar as penas alternativas previstas nas leis vigentes com a finalidade de minimizar a crise do sistema penitenciário.varas de juizado especial com representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública.000 do Ministério da Justiça. Assegurar o cumprimento da Lei nº 9. em âmbito nacional. e as recomendações do Relator Especial das Nações Unidas para a Tortura. levando em conta as diretrizes fixadas na Portaria nº 1. Fomentar um pacto nacional com as entidades responsáveis pela aplicação da Lei nº 9. 69. de 30 de outubro de 2001.807/99 e regulamentado pelo Decreto 3. 66. e manter sistema de recepção.455. 64.416. criada por meio da Resolução nº 2. que torna obrigatória a presença do juiz ou de representante do Ministério Público no local. 61. por ocasião do cumprimento de mandado de manutenção ou reintegração de posse de terras. de programas de proteção de vítimas e testemunhas de crimes. 62. Implementar a Campanha Nacional de Combate à Tortura por meio da veiculação de filmes publicitários. assegurando-se. quando houver pluralidade de réus. assim como fomentar e apoiar a estruturação desses serviços nos estados. que tipifica o crime de tortura. 70. assim como sua função de órgão formulador da política nacional de proteção a testemunhas. tratamento e encaminhamento de denúncias para prevenção e apuração de casos – SOS Tortura. Ampliar a composição do Conselho Deliberativo do Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas. Apoiar a aplicação da Lei Complementar nº 88/96. no âmbito do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – CDDPH. assim como outras proposições legislativas que objetivem dinamizar os processos de expropriação para fins de reforma agrária. 63. estimulando a disseminação de . 72. Estudar a possibilidade de revisão da legislação sobre abuso e desacato à autoridade. 73. Fortalecer a Comissão Especial de Combate à Tortura. nos estados. maior cautela na concessão de liminares. Apoiar a criação e o funcionamento. Promover a discussão. sobre a necessidade de se repensar as formas de punição ao cidadão infrator. Estimular a aplicação de penas alternativas à prisão para os crimes não violentos. para prevenir atos de violência. relativa ao rito sumário. ouvido também o órgão administrativo da reforma agrária. Estruturar o serviço de proteção ao depoente especial instituído pela Lei nº 9. 71. Apoiar o funcionamento da Central Nacional – CENAPA e das centrais estaduais de penas alternativas. 67.518/00.

82. desde a detenção provisória até o relaxamento da prisão – seja pelo cumprimento da pena. de 11 de novembro de 1994. federais e estaduais. Defensoria Pública e Assistência Social na região de inserção dos estabelecimentos prisionais. Adotar medidas para assegurar a obrigatoriedade de apresentação da pessoa presa ao juiz no momento da homologação da prisão em flagrante e do pedido de prisão preventiva. seja pela progressão de regime – e de possibilitar um planejamento adequado da oferta de vagas. bem como promover a participação de organizações da sociedade civil em programas de assistência aos presos e na fiscalização das condições e do tratamento a que são submetidos nos estabelecimentos prisionais. com a construção de presídios de pequeno porte que facilitem a execução da pena nas proximidades do domicílio dos familiares dos presos. sociais e culturais das pessoas submetidas à detenção. Integrar Juizado. 76. da Resolução nº 14. Incentivar a implantação e o funcionamento. do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP. 85. 78. de forma a acompanhar a passagem do detento por todas as etapas do sistema de justiça penal. 84. Realizar levantamento epidemiológico da população carcerária brasileira. como forma de garantir a sua integridade física. promovendo a sua interiorização. 75. Dar continuidade ao processo de articulação do INFOSEG com o INFOPEN. dos conselhos comunitários previstos na Lei de Execuções Penais – LEP. das ações gerenciais e de outras medidas destinadas a assegurar a melhoria do sistema. 79. Incrementar a descentralização dos estabelecimentos penais. 83. em todos os entes federativos. assim como para a construção de novos estabelecimentos. 86. Desenvolver programas de atenção integral à saúde da população carcerária. 81. Apoiar programas de emergência para corrigir as condições inadequadas dos estabelecimentos prisionais existentes.informações e a reprodução dessas iniciativas. 80. Ampliar a representação da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP. 87. 77. Ministério Público. para monitorar e fiscalizar as condições carcerárias e o cumprimento de penas privativas de liberdade e penas alternativas. Estimular a aplicação dos dispositivos da Lei de Execuções Penais referentes a regimes semi-abertos de prisão. Apoiar a implementação do Sistema de Informática Penitenciária – INFOPEN. assim como a criação do Conselho Nacional de Penas e Medidas Alternativas. 74. Apoiar a implementação. em todas as regiões. Apoiar programas que tenham como objetivo a transferência de pessoas submetidas à detenção provisória de carceragens de delegacias de . que trata das Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil. Implementar políticas visando a garantir os direitos econômicos. com a utilização de recursos do Fundo Penitenciário Nacional – FUNPEN.

93. Garantia do Direito à Liberdade Opinião e Expressão 96. Criar um sistema de avaliação permanente sobre os critérios de classificação indicativa e faixa etária. Apoiar o funcionamento da Coordenação Geral de Justiça. Propor a normatização dos procedimentos de revista aos visitantes de estabelecimentos prisionais. no caso de proferida sentença condenatória. Proporcionar incentivos fiscais. Apoiar a instalação. com o objetivo de evitar constrangimentos desnecessários aos familiares dos presos. Promover o mapeamento dos programas radiofônicos e televisivos que estimulem a apologia do crime. 89. 91. 101. 98. 92.Polícia para centros de detenção provisória. núcleos de custódia e/ou cadeias públicas. com vistas a identificar responsáveis e a adotar as medidas legais pertinentes. Estabelecer níveis hierárquicos de segurança para estabelecimentos prisionais de modo a abrigar criminosos reincidentes. a violência. perigosos e organizados em estabelecimentos mais seguros. a tortura. de treinamento profissional e de apoio ao trabalho do preso. buscando uma ação integrada e voltada para o interesse público. Títulos e Qualificação. 97. 90. Apoiar a desativação de estabelecimentos penitenciários que contrariem as normas mínimas penitenciárias internacionais. com vistas a contribuir para sua recuperação e reinserção na sociedade. 95. 99. da direção e dos agentes penitenciários. com o objetivo de garantir o controle democrático . de modo a dotá-la de capacidade operativa compatível com sua missão institucional. do Conselho de Comunicação Social. a exemplo da Casa de Detenção de São Paulo – Carandiru. 100. creditícios e outros às empresas que empreguem egressos do sistema penitenciário. Apoiar programas que tenham como objetivo a reintegração social do egresso do sistema penitenciário e a redução das taxas de reincidência penitenciária. no âmbito do Poder Legislativo. Fortalecer o programa nacional de capacitação do servidor prisional. Promover programas educativos. culturais. 88. a ação de grupos de extermínio e a pena de morte. diretamente para estabelecimentos prisionais. da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça. Apoiar a realização de Mutirões da Execução Penal com vistas à concessão de progressão de regime e soltura dos presos que já cumpriram integralmente suas penas. ou. com vistas a assegurar a formação profissional do corpo técnico. 94. Classificação. Promover debate com todos os setores vinculados ao tema da liberdade de expressão e da classificação indicativa de espetáculos e diversões públicas. o racismo e outras formas de discriminação. Estabelecer diálogo com os produtores e distribuidores de programação visando à cooperação e sensibilização desses segmentos para o cumprimento da legislação em vigor e construção de uma cultura de direitos humanos.

Apoiar formas de democratização da produção de informações. fundações. povos indígenas e outros grupos historicamente vitimizados pelo racismo e outras formas de discriminação. Coibir a utilização de recursos públicos. Implementar os dispositivos da Declaração Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação Fundadas em Religião ou Crença. 115. Apoiar. de modo a assegurar a todos os cidadãos o direito de informar e ser informado. 113. o contraditório e o direito de resposta na veiculação de informações. Crença e Culto 109. 104. inclusive de bancos oficiais. a exemplo das rádios e televisões comunitárias. 111. com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar. Prevenir e combater a intolerância religiosa. regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos. 110. na forma da lei. Coibir a propaganda de idéias neonazistas e outras ideologias que pregam a violência. Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais. 103.das concessões de rádio e televisão. 107. Garantir a imparcialidade. adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 25 de novembro de 1981. inclusive no que diz respeito a religiões minoritárias e a cultos afro-brasileiros. iniciativas destinadas a elevar a auto-estima dos afrodescendentes. as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos. 108. Garantir o direito à liberdade de crença e culto a todos os cidadãos brasileiros. particularmente contra grupos minoritários. Propor legislação visando a coibir o uso da Internet para incentivar práticas de violação dos direitos humanos. com base no reconhecimento e no respeito às diferenças de crença e culto. 106. Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão. Proibir a veiculação de propaganda e mensagens racistas e/ou xenofóbicas que difamem as religiões e incitem ao ódio contra valores espirituais e/ou culturais. 105. Orientação Sexual 114. . empresas públicas e de economia mista. 102. assegurando a participação dos grupos raciais e/ou vulneráveis que compõem a sociedade brasileira. 112. Incentivar o diálogo entre movimentos religiosos sob o prisma da construção de uma sociedade pluralista. para patrocinar eventos e programas que estimulem a prática de violência. Propor emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual. junto aos meios de comunicação.

123. por parte dos licitantes. o critério de desempate – hoje definido por sorteio – seja substituído pelo critério de adoção. Apoiar a adoção. nos estados e municípios. Conselhos Tutelares e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. Garantia do Direito à Igualdade 119. 127. 124. informando sobre as vantagens de aplicação para pessoas físicas e jurídicas. assim como criar mecanismos de incentivo à captação de recursos. Apoiar o funcionamento e a implementação das resoluções do Conselho Nacional de Combate à Discriminação – CNCD. uma vez esgotados todos os procedimentos licitatórios. dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente. no âmbito do Ministério da Justiça. Incluir nos censos demográficos e pesquisas oficiais dados relativos à orientação sexual. Apoiar a inclusão nos currículos escolares de informações sobre o problema da discriminação na sociedade brasileira e sobre o direito de todos os grupos e indivíduos a um tratamento igualitário perante a lei. especialmente a dados sobre a tramitação de investigações e processos legais relativos a casos de violação de direitos humanos. Estimular a criação de canais de acesso direto e regular da população a informações e documentos governamentais. 121.116. 126. de políticas de ação afirmativa em favor de grupos discriminados. de Delegacias de Investigação de Crimes . Assegurar a implantação e o funcionamento adequado dos órgãos que compõem o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes. Excluir o termo „pederastia‟ do Código Penal Militar. Apoiar a produção e publicação de estudos e pesquisas que contribuam para a divulgação e aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. assim como a revogação de normas discriminatórias na legislação infraconstitucional. 117. Estimular a divulgação e a aplicação da legislação antidiscriminatória. garantindo formas de controle social de sua aplicação. estimulando a criação de Núcleos de Defensorias Públicas Especializadas no Atendimento a Crianças e Adolescentes (com os direitos violados). configurando-se empate. 122. pelo poder público e pela iniciativa privada. 128. de políticas de ação afirmativa como forma de combater a desigualdade. Promover campanhas de esclarecimento sobre os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. Promover estudos para alteração da Lei de Licitações Públicas de modo a possibilitar que. 120. Fortalecer o papel do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA na formulação e no acompanhamento de políticas públicas para a infância e adolescência. Crianças e Adolescentes 125. Incentivar a criação e o funcionamento. 129. 118. Propor o aperfeiçoamento da legislação penal no que se refere à discriminação e à violência motivadas por orientação sexual.

da Defensoria Pública e do Poder Legislativo. do Ministério Público. Promover a discussão do papel do Poder Judiciário. 135. bem como para o cumprimento de suas responsabilidades para com as crianças e adolescentes. a exploração sexual. 132. Capacitar os professores do ensino fundamental e médio para promover a discussão dos temas transversais incluídos nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs. a exploração no trabalho e o uso de drogas. estimulando o lançamento de campanhas estaduais e municipais que visem a modificar concepções. Dar continuidade à Campanha Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. inclusive através da internet. 141. Apoiar campanhas voltadas para a paternidade responsável. visando à criação de padrões culturais favoráveis aos direitos da criança e do adolescente. com penalização para o explorador e o usuário. bem como da integração de suas ações.Praticados Contra Crianças e Adolescentes e de Varas Privativas de Crimes Contra Crianças e Adolescentes. 140. 139. Propor a alteração da legislação no tocante à tipificação de crime de exploração sexual infanto-juvenil. 134. 130. Fortalecer os programas que ofereçam benefícios a adolescentes em situação de vulnerabilidade. e que possibilitem o seu envolvimento em atividades comunitárias voltadas para a promoção da cidadania. Combater a pedofilia em todas as suas formas. práticas e atitudes que estigmatizam a criança e o adolescente em situação de violência sexual. 137. tais como: a violência doméstica. 131. 138. saúde e meio ambiente. Viabilizar programas e serviços de atendimento e de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência. utilizando como marco conceitual o ECA e as normas internacionais pertinentes. Garantir a expansão de programas de prevenção da violência voltados para as necessidades específicas de crianças e adolescentes. Propor alterações na legislação penal com o objetivo de limitar a incidência da violência doméstica contra crianças e adolescentes. assim como de assistência e orientação para seus familiares. Apoiar a implantação e implementação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil nos estados e municípios. . em parceria com governos estaduais e municipais e com entidades da sociedade civil. Incentivar programas de orientação familiar com vistas a capacitar as famílias para a resolução de conflitos de forma não violenta. 143. na implementação do ECA. Investir na formação e capacitação de profissionais encarregados da promoção e proteção dos direitos de crianças e adolescentes no âmbito de instituições públicas e de organizações nãogovernamentais. 136. 133. Promover. ao lado do Poder Executivo. 142. campanhas educativas relacionadas às situações de violação de direitos vivenciadas pela criança e o adolescente.

sociais e judiciais. Ampliar programas de aprendizagem profissional para adolescentes em organizações públicas e privadas. Dar continuidade à implantação e implementação. Promover iniciativas e campanhas de esclarecimento que tenham como objetivo assegurar a inimputabilidade penal até os 18 anos de idade. localização.144. e IV – acompanhamento da implantação dos Conselhos de Direitos. reduzindo o número de internos por unidade de atendimento e conferindo prioridade à implementação das demais medidas sócio-educativas previstas no ECA. destinado a turistas estrangeiros. com a participação de seus familiares. Incentivar o reordenamento das instituições privativas de liberdade para adolescentes em conflito com a lei. Apoiar iniciativas de geração de renda para as famílias de crianças atendidas pelo PETI. 148. 150. 156. Implantar e implementar as diretrizes da Política Nacional de Combate ao Trabalho Infantil e de Proteção do Adolescente Trabalhador. 155. Priorizar as medidas sócio-educativas em meio aberto para o atendimento dos adolescentes em conflito com a lei. 158. 149. Conselhos Tutelares e Fundos para a Infância e a Adolescência. Promover e divulgar experiências de ações sócio-educativas junto às famílias de crianças atendidas pelo PETI. 145. Apoiar a criação de serviços de identificação. Apoiar e fortalecer o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. no âmbito federal e de forma articulada com estados e municípios. especialmente aquelas utilizadas em atividades ilegais como a exploração sexual infanto-juvenil e o tráfico de drogas. Criar informativo. em consonância com as resoluções do CONANDA. resgate e proteção de crianças e adolescentes desaparecidos. no que se refere aos Módulos: I – monitoramento da situação de proteção da criança e do adolescente. II – monitoramento do fluxo de atendimento ao adolescente em conflito com a lei. sob a ótica da violação e ressarcimento de direitos. 146. 152. Fortalecer a atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público na fiscalização e aplicação das medidas sócio-educativas a adolescentes em conflito com a lei. 154. 147. 151. cobrindo aspectos relacionados aos crimes sexuais e suas implicações pessoais. Defensorias Públicas e Secretarias de Segurança . Ampliar o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI de modo a focalizar as crianças de áreas urbanas em situação de risco. 153. Promover a integração operacional de órgãos do Poder Judiciário. monitoramento e avaliação de programas sócio-educativos para o atendimento de adolescentes autores de ato infracional. 159. Incentivar o desenvolvimento. Ministério Público. Promover a discussão do papel dos meios de comunicação em situações de violação de direitos de crianças e adolescentes. 157. do Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência – SIPIA. III – monitoramento da colocação familiar e das adoções nacionais e internacionais. respeitando as regras estabelecidas pelo ECA.

Estender a assistência jurídica às crianças que se encontram em abrigos públicos ou privados. no âmbito federal. garantindo o regresso a seu local de origem. no que se refere à estruturação da Autoridade Central designada pelo Decreto nº 3951/01. Apoiar as atividades do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher – CNDM. de programas governamentais destinados a assegurar a igualdade de direitos em todos os níveis. independentemente de sua orientação sexual. por meio do fortalecimento da Autoridade Central Brasileira. quando possível. Promover ações e iniciativas com vistas a reforçar o caráter excepcional das adoções internacionais. propriedade e crédito rural. Promover a uniformização dos procedimentos para a adoção internacional no Brasil. ou a sua colocação em família substituta. incluindo saúde. Mulheres 170. Assegurar atendimento sistemático e proteção integral à criança e ao adolescente testemunha. assim como dos conselhos estaduais e municipais dos direitos da mulher. sobretudo quando se tratar de denúncia envolvendo o narcotráfico e grupos de extermínio. 160. órgãos responsáveis pela cooperação em matéria de adoção internacional. 166. trabalho. estadual e municipal. bem como ações de sensibilização dos profissionais indicados para esses órgãos quanto à aplicação do ECA. com vistas ao restabelecimento de seus vínculos familiares. educação e treinamento profissional. Estimular a formulação. 163. raça e orientação sexual.Pública com as delegacias especializadas em investigação de atos infracionais praticados por adolescentes e às entidades de atendimento. instituída pelo Decreto n. sempre no melhor interesse da criança ou do adolescente. Incentivar a capacitação dos professores do ensino fundamental e médio para a aplicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais – . 171.º 3. 161. política e justiça. Apoiar medidas destinadas a assegurar a localização de crianças e adolescentes deslocados e retidos ilicitamente. 165. 168. 162. 172. Instituir uma política nacional de estímulo à adoção de crianças e adolescentes privados da convivência familiar. assegurando tratamento não-discriminatório aos postulantes no que se refere a gênero. Promover a implementação da Convenção da Haia sobre a Proteção das Crianças e a Cooperação em Matéria de Adoção Internacional. Apoiar medidas destinadas a assegurar a possibilidade de concessão da guarda de criança ou adolescente ao requerente. segurança social. como medida subsidiária. 164. Promover a implementação da Convenção da Haia sobre os Aspectos Civis do Seqüestro Internacional de Crianças. 167. 169. cultura.174/99 e dos órgãos que a integram. Apoiar proposta legislativa destinada a regulamentar o funcionamento da Autoridade Central Brasileira e do Conselho das Autoridades Centrais.

Apoiar a regulamentação do Artigo 7º. Apoiar a implantação. que prevê a proteção do mercado de trabalho da mulher. em conformidade com os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro no marco da Plataforma de Ação de Pequim. estadual e municipal. conforme entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal. 183. assim como a ampliação e o fortalecimento da rede de casas-abrigo em todo o país. Incentivar a geração de estatísticas sobre salários. Estimular a articulação entre os diferentes serviços de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica e sexual no âmbito federal. Apoiar a criação e o funcionamento de delegacias especializadas no atendimento à mulher – DEAMs. 181. 182. 187. 180. 175. Apoiar programas de proteção e assistência a vítimas e testemunhas da violência de gênero.PCNs no que se refere às questões de promoção da igualdade de gênero e de combate à discriminação contra a mulher. posse sexual mediante fraude. Adotar medidas com vistas a impedir a utilização da tese da “legítima defesa da honra” como fator atenuante em casos de homicídio de mulheres. de serviços de disque-denúncia para casos de violência contra a mulher. 174. 186. . dos operadores do direito e dos policiais civis e militares. Apoiar programas voltados para a sensibilização em questões de gênero e violência doméstica e sexual praticada contra mulheres na formação dos futuros profissionais da área de saúde. 176. Incentivar a criação de cursos voltados para a capacitação política de lideranças locais de mulheres. social. 184. médico e de capacitação profissional. enfatizando a ampliação dos equipamentos sociais de atendimento à mulher vitimizada pela violência. Apoiar programas voltados para a defesa dos direitos de profissionais do sexo. atentado ao pudor mediante fraude e o alargamento dos permissivos para a prática do aborto legal. inciso XX da Constituição Federal. atentado violento ao pudor. Apoiar a implementação e o fortalecimento do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher – PAISM. 177. com vistas ao preenchimento da quota estabelecida para a candidatura de mulheres a cargos eletivos. 179. que garante proteção às mulheres contra a discriminação em razão de gravidez. psicológico. Incentivar a pesquisa e divulgação de informações sobre a violência e discriminação contra a mulher e sobre formas de proteção e promoção dos direitos da mulher. 185. ambientes de trabalho. Fortalecer o Programa Nacional de Combate à Violência Contra a Mulher. jornadas de trabalho.029/95. doenças profissionais e direitos trabalhistas da mulher. com ênfase na proteção dos direitos de mulheres afrodescendentes e indígenas. 173. 178. contemplando serviços de atendimento jurídico. Apoiar a alteração dos dispositivos do Código Penal referentes ao estupro. nos estados e municípios. Assegurar o cumprimento dos dispositivos existentes na Lei nº 9.

Promover o cadastramento e a identificação das comunidades remanescentes de quilombos. com a finalidade de orientar a adoção de políticas públicas afirmativas. 197. assim como estimular a adoção de penas alternativas e o fortalecimento de serviços de atendimento profissional ao homem agressor. 195. aos cargos e empregos públicos. a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho – OIT. 196. às áreas de tecnologia de ponta. Estudar a viabilidade da criação de fundos de reparação social destinados a financiar políticas de ação afirmativa e de promoção da igualdade de oportunidades.188. econômicos e culturais dos afrodescendentes na sociedade brasileira. Apoiar a regulamentação do artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. social e política a que foram submetidos os afrodescendentes em decorrência da escravidão. aos cursos profissionalizantes. 193. no âmbito da União. Apoiar as ações da iniciativa privada no campo da discriminação positiva e da promoção da diversidade no ambiente de trabalho. 194. da marginalização econômica. de medidas de caráter compensatório que visem à eliminação da discriminação racial e à promoção da igualdade de oportunidades. Estimular a criação e o funcionamento de programas de assistência e orientação jurídica para ampliar o acesso dos afrodescendentes à justiça. Apoiar medidas destinadas à remoção de grileiros e intrusos das terras já tituladas das comunidades de quilombos. Apoiar as políticas dos governos estaduais e municipais para a prevenção da violência doméstica e sexual contra as mulheres. Implementar a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. sociais. em todo o território nacional. tais como: ampliação do acesso dos afrodescendentes às universidades públicas. por parte do Estado brasileiro. 191. 199. inclusive cargos em comissão. 198. e a Convenção Contra a Discriminação no Ensino. 192. Apoiar o reconhecimento. . que dispõe sobre o reconhecimento da propriedade definitiva das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos. de forma proporcional a sua representação no conjunto da sociedade brasileira. Adotar. 190. relativa à discriminação em matéria de emprego e ocupação. Afrodescendentes 189. e estimular a adoção. Apoiar o reconhecimento. por parte do Estado brasileiro. políticos. que hoje seriam consideradas crimes contra a humanidade. com vistas a possibilitar a emissão dos títulos de propriedade definitiva de suas terras. de que a escravidão e o tráfico transatlântico de escravos constituíram violações graves e sistemáticas dos direitos humanos. Criar bancos de dados sobre a situação dos direitos civis. pelos estados e municípios.

discriminação racial e formas correlatas de intolerância. 210. que dizem respeito ao exercício dos direitos culturais e à constituição do patrimônio cultural brasileiro. 212. 213. 211. bem como a proteção das manifestações culturais afro-brasileiras. instituído no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. 208. Propor ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE a adoção de critério estatístico abrangente a fim de considerar pretos e pardos como integrantes do contingente da população afrodescendente. Apoiar as atividades do Grupo de Trabalho para a Eliminação da Discriminação no Emprego e na Ocupação – GTEDEO. estaduais e municipais de defesa de direitos e apoiar a criação de conselhos estaduais e municipais de defesa dos direitos dos afrodescendentes. 214. a discriminação racial. Propor medidas destinadas a fortalecer o papel do Ministério Público na promoção e proteção dos direitos e interesses das vítimas de racismo. como forma de evitar o êxodo rural e promover o desenvolvimento social e econômico dessas comunidades. a xenofobia e formas correlatas de intolerância. Examinar a viabilidade de alterar o artigo 61 do Código Penal brasileiro. . Promover o mapeamento e tombamento dos sítios e documentos detentores de reminiscências históricas. 203. Apoiar a inclusão do quesito raça/cor nos sistemas de informação e registro sobre população e em bancos de dados públicos. 207. 216 e 242 da Constituição Federal. 204. 201. Incentivar ações que contribuam para a preservação da memória e fomento à produção cultural da comunidade afrodescendente no Brasil. Criar unidade administrativa no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA para prestar apoio a associações de pequenos(as) agricultores(as) afrodescendentes em projetos de desenvolvimento das comunidades quilombolas. Incentivar o diálogo com entidades de classe e agentes de publicidade visando ao convencimento desses setores quanto à necessidade de que as peças publicitárias reflitam adequadamente a composição racial da sociedade brasileira e evitem o uso de estereótipos depreciativos. Apoiar projetos de infraestrutura para as comunidades remanescentes de quilombos. 209. Propor projeto de lei regulamentando os artigos 215. 205. Incentivar a participação de representantes afrodescendentes nos conselhos federais. 202. Estimular a presença proporcional dos grupos raciais que compõem a população brasileira em propagandas institucionais contratadas pelos órgãos da administração direta e indireta e por empresas estatais. Estimular as secretarias de segurança pública dos estados a realizarem cursos de capacitação e seminários sobre racismo e discriminação racial.200. de modo a incluir entre as circunstâncias agravantes na aplicação das penas o racismo. Apoiar o processo de revisão dos livros didáticos de modo a resgatar a história e a contribuição dos afrodescendentes para a construção da identidade nacional. 206.

222.215. 220. 226. às reservadas e às de domínio. o . 223. Assegurar a efetiva participação dos povos indígenas. 227. Apoiar o processo de reestruturação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI. de segundo grau e de nível universitário. 219. de suas organizações e do órgão indigenista federal no processo de formulação e implementação de políticas públicas de proteção e promoção dos direitos indígenas. incluindo o ensino sobre cultura e história dos afrodescendentes. considerando as especificidades dessa população e priorizando ações na área de medicina preventiva e segurança alimentar. 228.001/73). em substituição a políticas integracionistas e assistencialistas. Apoiar o fortalecimento da Fundação Cultural Palmares – FCP. com a implementação de programas de saúde diferenciados. Implementar políticas de comunicação e divulgação de informações sobre os povos indígenas. 225. 221. Dotar a FUNAI de recursos humanos e financeiros suficientes para o cumprimento de sua missão institucional de defesa dos direitos dos povos indígenas. Assegurar o direito dos povos indígenas às terras que tradicionalmente ocupam. Assegurar aos povos indígenas uma educação escolar diferenciada. que contemple a diversidade cultural do país. 216. Garantir aos povos indígenas assistência na área da saúde. Demarcar e regularizar as terras indígenas tradicionalmente ocupadas. Apoiar a revisão do Estatuto do Índio (Lei 6. bem como a promover a ratificação da Convenção nº 169 da OIT. e viabilizar apoio aos estudantes indígenas do ensino fundamental. 218. Povos Indígenas 217. de forma que a instituição possa garantir os direitos constitucionais dos povos indígenas. sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes. 229. com vistas à rápida aprovação do projeto de lei do Estatuto das Sociedades Indígenas. com a implantação de sistemas de vigilância permanente dessas terras e de seu entorno. Divulgar medidas sobre a regularização de terras indígenas. as reservadas e as de domínio que ainda não foram demarcadas e regularizadas. na paz e no respeito à diferença. Formular e implementar políticas de proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas. Implementar políticas de proteção e gestão das terras indígenas. 224. Promover um ensino fundado na tolerância. especialmente para os municípios brasileiros localizados nessas regiões. de modo a aumentar o grau de confiança e estabilidade nas relações entre os povos indígenas e a sociedade envolvente. com vistas à promoção da igualdade e ao combate à discriminação. Promover a criação de linhas de crédito e a concessão de bolsas de estudo específicas para estudantes indígenas universitários. especialmente nas escolas públicas e privadas do ensino médio e fundamental. respeitando o seu universo sócio-cultural. assegurando os meios para o desempenho de suas atividades. a promoção de parcerias com a Polícia Federal.

em especial as ações que tenham como objetivo a catalogação. Apoiar a edição de publicações com dados relativos à discriminação e à violência contra os povos indígenas. 232. Implementar programas de prevenção e combate à violência contra os GLTTB. Gays. 236. Promover a coleta e a divulgação de informações estatísticas sobre a situação sócio-demográfica dos GLTTB. 239. 235. tais como áreas desocupadas por invasores e/ou áreas de ingresso de madeireiros e garimpeiros. nos programas de formação de agentes de segurança pública e operadores do direito. Travestis. Transexuais e Bissexuais – GLTTB 240. 241. 238. 242. Apoiar a criação de serviços específicos de assistência jurídica para indivíduos e comunidades indígenas. Promover um ensino fundado na tolerância. na paz e no respeito à diferença. incluindo o ensino sobre cultura e história dos povos indígenas. a ser integrado aos mapas de conflitos fundiários e de violência. e a capacitação de servidores e membros das comunidades indígenas. 243. juízes e operadores do direto em geral para promover a compreensão e a consciência ética sobre as diferenças individuais e a eliminação dos estereótipos depreciativos com relação aos GLTTB. 234. policiais. Apoiar programas de capacitação de profissionais de educação. Inserir. implementando ações que venham a coibir a biopirataria dos recursos e conhecimentos tradicionais dos indígenas. Implantar banco de dados que permita colher e sistematizar informações sobre conflitos fundiários e violência em terras indígenas. Apoiar a criação e o desenvolvimento dos mecanismos de gestão dos programas multissetoriais gerenciados pela FUNAI. 231. . o tema da livre orientação sexual. assim como pesquisas que tenham como objeto as situações de violência e discriminação praticadas em razão de orientação sexual. Viabilizar programas e ações na área de etno-desenvolvimento voltados para a ocupação sustentável de espaços estratégicos no interior das terras indígenas. 233. Lésbicas. 237. no âmbito dos Planos Plurianuais e dos orçamentos federais. Desenvolver políticas de proteção do patrimônio cultural e biológico e dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. Apoiar e assessorar as comunidades indígenas na elaboração de projetos e na execução de ações de etno-desenvolvimento de caráter sustentável. que contemple a diversidade cultural do país. 230. Garantir o direito constitucional dos povos indígenas ao uso exclusivo da biodiversidade existente em suas terras. incluindo campanhas de esclarecimento e divulgação de informações relativas à legislação que garante seus direitos.IBAMA e as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. o registro de patentes e a divulgação desse patrimônio. Apoiar o processo de revisão dos livros didáticos de modo a resgatar a história e a contribuição dos povos indígenas para a construção da identidade nacional.

com o objetivo de prevenir atitudes hostis e violentas. bem como estimular a revisão de documentos. 249. Propor a elaboração de uma nova lei de imigração e naturalização. 252. Refugiados e Migrantes 250. em programas de direitos humanos estaduais e municipais. 245. Promover a sensibilização dos profissionais de comunicação para a questão dos direitos dos GLTTB. Promover campanha junto aos profissionais da saúde e do direito para o esclarecimento de conceitos científicos e éticos relacionados à comunidade GLTTB. no Ministério Público e no sistema de segurança pública. Promover e proteger os direitos humanos e liberdades fundamentais dos ciganos. 253. 258. dicionários e livros escolares que contenham estereótipos depreciativos com respeito aos ciganos. incluindo as soluções duráveis (reassentamento. Estabelecer políticas de promoção e proteção dos direitos das comunidades brasileiras no exterior e das comunidades estrangeiras no Brasil. Apoiar a criação de instâncias especializadas de atendimento a casos de discriminação e violência contra GLTTB no Poder Judiciário. 247. Apoiar. 251. regulando a situação jurídica dos estrangeiros no Brasil. no âmbito do Ministério da Justiça. assim como campanhas de esclarecimento sobre a situação jurídica do refugiado no Brasil. e o Protocolo Adicional de 1966. Apoiar projetos públicos e privados de educação e de capacitação profissional de refugiados. Estimular a inclusão. promoção e difusão dos direitos dos refugiados. Estimular a formulação. 255. Adotar medidas para impedir e punir a violência e discriminação contra estrangeiros no Brasil e brasileiros no exterior. Apoiar a realização de estudos e pesquisas sobre a história.244. 261. Promover a capacitação das autoridades nacionais diretamente envolvidas na execução da política nacional para refugiados. 260. o funcionamento do Comitê Nacional para Refugiados – CONARE. Implementar a Convenção da ONU relativa ao Estatuto dos Refugiados. Promover e apoiar estudos e pesquisas relativos à proteção. Incentivar programas de orientação familiar e escolar para a resolução de conflitos relacionados à livre orientação sexual. com especial atenção para a situação das mulheres e crianças refugiadas. Estrangeiros. 246. Apoiar projetos educativos que levem em consideração as necessidades especiais das crianças e adolescentes ciganos. 257. implementação e avaliação de políticas públicas para a promoção social e econômica da comunidade GLTTB. atendendo a critérios de reciprocidade de tratamento. 254. integração local e repatriação). cultura e tradições da comunidade cigana. 256. 248. da defesa da livre orientação sexual e da cidadania dos GLTTB. de 1951. Desenvolver programa e campanha visando à regularização da situação dos estrangeiros atualmente no país. . Ciganos 259.

Estimular e apoiar as municipalidades nas quais se identifica a presença de comunidades ciganas com vistas ao estabelecimento de áreas de acampamento dotadas de infraestrutura e condições necessárias. 264. nos projetos de moradia financiados por programas habitacionais. . Instituir medidas que propiciem a remoção de barreiras arquitetônicas. 263. 276. 269.autismo. Observar os requisitos de acessibilidade nas concessões. objetivando a definição de estratégias de integração das ações governamentais e não-governamentais. Pessoas Portadoras de Deficiência 265. 267. Adotar medidas que possibilitem o acesso das pessoas portadoras de deficiência às informações veiculadas em todos os meios de comunicação. Desenvolver ações que assegurem a inclusão do quesito acessibilidade. 274.262. auditiva e condutas típicas . 270. 272. Apoiar o treinamento de policiais para lidar com portadores de deficiência mental. 268. Apoiar a realização de estudos para a criação de cooperativas de trabalho para ciganos. bem como dos conselhos estaduais e municipais. Formular plano nacional de ações integradas na área da deficiência. 266. Sensibilizar as comunidades ciganas para a necessidade de realizar o registro de nascimento dos filhos. ambientais. Estender a estados e municípios o Sistema Nacional de Informações sobre Deficiência – SICORDE. 275. Apoiar programas de educação profissional para pessoas portadoras de deficiência. de transporte e de comunicação para garantir o acesso da pessoa portadora de deficiência aos serviços e áreas públicas e aos edifícios comerciais. Ampliar a participação de representantes dos portadores de deficiência na discussão de planos diretores das cidades. Apoiar as atividades do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência – CONADE. de acordo com as especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. 273. 271.048/2000 de modo a assegurar a adoção de critérios de acessibilidade na produção de veículos destinados ao transporte coletivo. Regulamentar a Lei nº 10. Adotar medidas legais e práticas para garantir o direito dos portadores de deficiência ao reingresso no mercado de trabalho. mediante adequada reabilitação profissional. 277. Apoiar programas de tratamentos alternativos à internação de pessoas portadoras de deficiência mental e portadores de condutas típicas autismo. assim como apoiar medidas destinadas a garantir o direito ao registro de nascimento gratuito para as crianças ciganas. delegações e permissões de serviços públicos. com vistas ao cumprimento do Decreto nº 3298/99.

Incentivar a criação. Apoiar a instalação do Conselho Nacional do Idoso.órteses e próteses. 279.842/94. Desenvolver programas de habitação adequados às necessidades das pessoas idosas. Apoiar programas destinados à capacitação de cuidadores de idosos e de outros profissionais dedicados ao atendimento ao idoso. estudos e levantamentos estatísticos que contribuam para prevenir a violação de seus direitos. Promover a remoção de barreiras arquitetônicas. lideranças comunitárias e membros de conselhos sobre questões relativas às pessoas portadoras de deficiência. Adotar medidas para estimular o atendimento prioritário às pessoas idosas nas instituições públicas e privadas. Apoiar a inclusão de referências à acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência nas campanhas promovidas pelo Governo Federal e pelos governos estaduais e municipais. Estimular a adoção de medidas para que o documento de identidade seja aceito como comprovante de idade para a concessão do passe livre nos sistemas de transporte público. 288. Adotar políticas e programas para garantir o acesso e a locomoção das pessoas portadoras de deficiência. fortalecer e descentralizar programas de assistência aos idosos. Adotar medidas para assegurar a responsabilização de familiares pelo abandono de pessoas idosas. 286. profissionais de saúde. de transporte e de comunicação para facilitar o acesso e a locomoção da pessoa idosa aos serviços e áreas públicas e aos edifícios comerciais. Apoiar programas de estímulo ao trabalho do idoso. Criar. 285. ambientais. Estimular a fiscalização e o controle social dos centros de atendimento a idosos. inclusive por meio de cooperativas de produção e de serviços.278. com a participação de organizações não-governamentais. 289. orientação e recepção de denúncias (disque-idoso). Promover a capacitação de agentes públicos. nos estados e municípios. 280. 294. Estimular a educação continuada e permanente de idosos e apoiar a implantação de programas „voluntário idoso‟. como forma de valorizar e reconhecer sua contribuição para o desenvolvimento e bem-estar da comunidade. 283. Garantir a qualidade dos produtos para portadores de deficiência adquiridos e distribuídos pelo Poder Público . 293. de acordo com a Lei nº 8. principalmente em áreas carentes. inclusive por meio de ações de sensibilização e capacitação. Garantia do Direito à Educação . 291. de forma a contribuir para sua integração à família e à sociedade e a incentivar o atendimento no seu próprio ambiente. 284. 290. segundo as normas da ABNT. 281. 287. de serviços telefônicos de informação. Estimular o combate à violência e à discriminação contra a pessoa idosa. Idosos 282. 292. a constituição de conselhos estaduais e municipais de defesa dos direitos dos idosos e a implementação de programas de proteção.

Contribuir para o planejamento. 306. que contemple a diversidade cultural do país. através da massificação dessa tecnologia e da realização de cursos de treinamento em comunidades carentes e em espaços públicos. 301. estimulando a adoção da jornada escolar ampliada. 299. 300. com a participação das comunidades escolares e locais. entidades. . organizações não-governamentais e associações. permanência e êxito escolar do aluno no ensino fundamental. 307. avaliação e elaboração de programas e currículos escolares. por meio da ampliação de programas de transferência direta de renda vinculada à educação (bolsa-escola) e de aceleração da aprendizagem. bibliotecas e espaços comunitários. Realizar periodicamente censos educacionais em parceria com as secretarias de educação dos estados e do Distrito Federal. Promover a eqüidade nas condições de acesso. 309. 298. Garantir a universalização. Promover a expansão do acesso ao ensino médio com eqüidade e adequar a oferta atual. e garantindo apoio ao transporte escolar. 303. Contribuir para a formulação de diretrizes e normas para a educação infantil de modo a garantir padrões básicos de atendimento em creches e pré-escolas. Incrementar a qualidade do ensino. com intervenções em segmentos determinantes do sucesso escolar. 304. Incentivar a associação estudantil em todos os níveis e a criação de conselhos escolares compostos por familiares. Suprir parcialmente as necessidades nutricionais dos alunos das escolas públicas e das escolas mantidas por entidades filantrópicas por meio do oferecimento de. Garantir o suprimento de livros gratuitos e de qualidade às escolas públicas do ensino fundamental. Promover um ensino fundado na tolerância. no mínimo. Assegurar o financiamento e a otimização do uso dos recursos públicos destinados à educação. na paz e no respeito às diferenças. para a fiscalização. 296. 308. com o objetivo de produzir dados estatístico-educacionais para subsidiar o planejamento e a gestão da educação nas esferas governamentais. Apoiar a popularização do uso do microcomputador e da internet. Consolidar um sistema de avaliação dos resultados do ensino público e privado em todo o país. uma refeição diária adequada. 302. especialmente nas escolas.295. desenvolvimento e avaliação de práticas educativas. estaduais e municipais. estimulando bons hábitos alimentares e procurando diminuir a evasão e a repetência. Propor medidas destinadas a democratizar o processo de escolha dos dirigentes de escolas públicas. a obrigatoriedade e a qualidade do ensino fundamental. 305. 297. além da construção de propostas educativas que respondam às necessidades das crianças e de seus familiares nas diferentes regiões do país. de forma ordenada e atendendo a padrões básicos mínimos. a valorização do magistério e a participação da comunidade na gestão das escolas.

Estimular a melhoria dos processos de gestão dos sistemas educacionais nos estados e municípios. Apoiar a criação de mecanismos permanentes para fomentar a articulação entre escolas.310. Equipar progressivamente as escolas de ensino médio com bibliotecas. à Previdência e à Assistência Social . que facilitem seu acesso ao mercado e que atendam também aos profissionais já inseridos no mercado de trabalho. de forma a garantir a sua integração escolar e social. 317. 318. Estabelecer políticas e mecanismos que possibilitem a oferta de cursos de graduação por meio de metodologias alternativas tais como a educação à distancia e a capacitação em serviço. Implantar a educação nos presídios seguindo as diretrizes da LDB. nas universidades. Garantir a ampliação da oferta do ensino superior de modo a atender a demanda gerada pela expansão do ensino médio no país. 316. assim como à demanda e às necessidades do país. Estimular a educação continuada e permanente como forma de atualizar os conhecimentos de jovens e adultos. 324. 314. Implementar a reforma curricular e assegurar a formação continuada de docentes e gestores de escolas de ensino médio. Identificar oportunidades. 327. 319. 326. com base em competências requeridas para o exercício profissional. Reduzir o índice de analfabetismo da população brasileira. 325. Propor medidas destinadas à garantia e promoção da autonomia universitária. Assegurar aos quilombolas e povos indígenas uma educação escolar diferenciada. respeitando o seu universo sócio-cultural e lingüístico. com vistas à definição e revisão das competências necessárias às diferentes áreas profissionais. levando em consideração a necessidade de que o contingente de alunos universitários reflita a diversidade racial e cultural da sociedade brasileira. estimular iniciativas. Apoiar a criação. 315. 311. gerar alternativas e apoiar negociações que encaminhem o melhor atendimento educacional às pessoas com necessidades educativas especiais. Criar cursos que garantam perspectiva de trabalho para os jovens. elevando a média do tempo de estudos e ampliando programas de alfabetização para jovens e adultos. Promover a articulação e a complementaridade entre a educação profissional e o ensino médio. Garantia do Direito à Saúde. laboratórios de informática e ciências e kit tecnológico para recepção da TV Escola. 323. Estabelecer mecanismos de promoção da eqüidade de acesso ao ensino superior. 321. 322. Propor a criação de ouvidorias nas universidades. de cursos de extensão e especialização voltados para a proteção e promoção de direitos humanos. Adotar uma concepção para o ensino médio que corresponda às determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. 312. 313. trabalhadores e empresários. 320.

Desenvolver programas educativos sobre planejamento familiar. desenvolvendo campanhas de pré-natal e parto humanizado. Considerar o aborto como tema de saúde pública. . 337. que visa a assegurar a realização de. 332. Estimular e fortalecer a participação social no SUS. 343. valendo-se. pelo menos. esclarecendo seus riscos para a saúde e as implicações judiciais da mesma. Garantir a vigilância sanitária de medicamentos. 329.328. 334. 336. Criar o sistema de vigilância epidemiológica de acidentes e violência e implementar programas de prevenção à violência pública e doméstica. 331. Divulgar o conceito de direitos reprodutivos. para tanto. fortalecendo o Sistema Único de Saúde – SUS. Apoiar programas de atenção integral à saúde da criança e de incentivo ao aleitamento materno que visem à redução da morbimortalidade materna e de crianças de zero a cinco anos de idade. Apoiar programas voltados para a proteção da saúde de profissionais do sexo. assegurando sua autonomia e democratização. Ampliar e fortalecer programas voltados para a assistência domiciliar terapêutica. com base nas plataformas do Cairo e de Pequim. Assegurar a assistência adequada e oportuna às vítimas de acidentes e violência. 333. 338. em todos os municípios brasileiros. Garantir a assistência farmacêutica básica no âmbito do SUS. 344. bem como a integralidade e a eqüidade de atenção à saúde da população. da expansão e consolidação do Programa de Saúde da Família – PSF. Promover o treinamento e a capacitação sistemática de agentes comunitários de saúde. 342. Ampliar o acesso da população aos serviços básicos de saúde a partir do fortalecimento da atenção básica. 339. acidentes e doenças relacionadas ao ambiente e ao processo de trabalho. 340. 341. Promover a humanização e a qualidade do atendimento do SUS. promovendo o acesso aos métodos anticoncepcionais no âmbito do SUS. o Programa de Humanização do Parto e Nascimento. bem como a sua consolidação em todos os estados e municípios brasileiros. Implementar. Assegurar o princípio da universalização do acesso à saúde. Apoiar programas que tenham como objetivo prevenir e reduzir os riscos. 345. com a garantia do acesso aos serviços de saúde para os casos previstos em lei. seis consultas de pré-natal e de todos os exames. 335. bem como implementando comitês de prevenção da mortalidade materna e da gravidez na adolescência. inclusive na identificação de prioridades na área da saúde. Apoiar o fortalecimento de programas voltados para a assistência integral à saúde da mulher. bem como a definição do serviço de saúde onde será realizado o parto. alimentos e outros produtos. 330.

Implementar política nacional de saúde para o sistema penitenciário em conformidade com os princípios do SUS. Promover a produção de medicamentos genéricos e divulgar. Criar o sistema de vigilância epidemiológica da saúde do trabalhador. 360. Estudar a possibilidade de introdução de recorte racial na concessão dos benefícios continuados de assistência social. 357. 356. assistência integral à saúde. divulgando amplamente os direitos dos pacientes e seus mecanismos de efetivação. promovendo o acesso aos medicamentos específicos no âmbito do SUS. o seu significado e custo. bem como a promover medidas destinadas a combater o preconceito contra a doença. Estimular a adesão do trabalhador urbano e rural ao regime geral de previdência social. 354. 348. 352.346. 351. visando a garantir o diagnóstico precoce e o tratamento dos portadores. 350. assim como o direito a permanecer com seus filhos no período durante o prazo estabelecido em lei. bem como a promover medidas destinadas a combater o preconceito contra a doença. Implementar programa de remuneração para mães não amparadas pela seguridade. bem como organizações da sociedade civil. Garantir o acesso aos exames diagnósticos e à terapêutica de anormalidades no metabolismo. Garantir a atenção integral à saúde dos povos indígenas. 358. Promover o controle dos fundos de pensão e dos planos privados de saúde. levando em consideração as suas necessidades específicas. visando a garantir o diagnóstico precoce e o tratamento dos portadores. 353. Garantir a atenção integral à saúde dos idosos. Saúde Mental . 349. no serviço público de saúde. 362. 355. o Ministério da Saúde. 359. Fortalecer a integração de ações entre o Ministério Público. Assegurar o cumprimento da obrigatoriedade. 364. junto à sociedade brasileira. Garantir a atenção integral à saúde dos adolescentes. 363. Implementar mecanismos de controle social da previdência social. Acelerar a implementação de medidas destinadas a desburocratizar os serviços do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS para a concessão de aposentadorias e benefícios. a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Apoiar ações destinadas a garantir à mulher presidiária assistência pré-natal. Ampliar e fortalecer os programas de assistência aos portadores de anemia falciforme. da realização do teste de traços falcêmicos e da anemia falciforme em recém-nascidos. levando em conta as necessidades específicas desse segmento populacional. Intensificar as ações destinadas a eliminar a hanseníase como problema de saúde pública no país. 361. Intensificar as ações destinadas a controlar a tuberculose no país. 347.

visando a esclarecer a população sobre os comportamentos que facilitem ou dificultem a sua transmissão. Dependência Química 371. apoiando tratamentos alternativos à internação. 378. nas campanhas de informação e nas ações de tratamento e assistência. Promover esforço intersetorial em favor da substituição do modelo de atenção dos hospitais de custódia e tratamento por tratamento referenciado na rede SUS. Apoiar a participação dos portadores de doenças sexualmente transmissíveis – DST e de pessoas com HIV/AIDS e suas organizações na formulação e implementação de políticas e programas de combate e prevenção das DST e do HIV/AIDS. 377. 369. Apoiar a melhoria da qualidade do tratamento e assistência das pessoas com HIV/AIDS. 373. com vistas à desconstrução do aparato manicomial sob a perspectiva da reorientação do modelo de atenção em saúde mental. Assegurar atenção às especificidades e diversidade cultural das populações. incluindo a ampliação da acessibilidade e a redução de custos. 367. assegurando o cumprimento da carta de direitos dos usuários de saúde mental e o monitoramento dos hospitais psiquiátricos. raça e orientação sexual nas políticas e programas de combate e prevenção das DST e HIV/AIDS. Apoiar a divulgação e a aplicação da Lei nº 10. Apoiar ações para implementação do Programa de Ação Nacional Antidrogas – PANAD. Apoiar programas de assistência e orientação para usuários de drogas. Propor o tratamento dos dependentes de drogas sob o enfoque de saúde pública. Promover debates sobre a inimputabilidade penal das pessoas acometidas por transtornos psíquicos. 366. Incentivar campanhas de informação sobre DST e HIV/AIDS. 368.365. de forma a conferir prioridade a modelos de atendimento psicossocial. HIV/AIDS 375. 374. de 6 de abril de 2001. 372. 370. as questões de gênero. .216. com a eliminação progressiva dos manicômios. Criar programas de atendimento às pessoas portadoras de doenças mentais. 376. Criar uma política de atenção integral às vítimas de sofrimento psíquico na área da saúde mental. Estabelecer mecanismos de normatização e acompanhamento das ações das secretarias de justiça e cidadania nos estados. Promover campanhas nacionais de prevenção do alcoolismo e do uso de drogas que geram dependência química. no que diz respeito ao funcionamento dos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico. pesquisas e programas para limitar a incidência e o impacto do consumo de drogas ilícitas. incentivando estudos. em substituição ao indiciamento em inquérito policial e processo judicial.

e fortalecer a rede de Núcleos de Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Combate à Discriminação no Emprego e na Profissão. subemprego e desemprego. orientação sexual. 391. voltado para o público juvenil que busca o primeiro emprego. Estimular a adoção de políticas de ação afirmativa no serviço público e no setor privado. que trata da discriminação nos locais de trabalho. 384. sem discriminação de idade. tipificando tal discriminação e definindo as penas aplicáveis. incorporando questões de gênero e raça. e criar um banco de dados. que traduzam as condições de emprego. Apoiar. convicções filosóficas. Diagnosticar e monitorar o processo de implementação das cooperativas de trabalho. Dar continuidade á implementação da Convenção nº 111 da OIT. 382. Estimular programas de voluntariado em instituições públicas e privadas como forma de promoção dos direitos humanos.379. Promover políticas destinadas ao primeiro emprego. a exemplo das políticas de microcrédito. assim como rever regulamentos discriminatórios a exemplo da proibição do uso de entradas e elevadores sociais. Fortalecer a política de concessão do seguro-desemprego. credo. 385. condição social e estado sorológico. Organizar banco de dados com indicadores sociais. sexo. Assegurar o desenvolvimento de programas de qualificação e requalificação profissional compatíveis com as demandas do mercado de trabalho. 390. com vistas a estimular maior participação dos grupos vulneráveis no mercado de trabalho. 394. levando em consideração as pessoas com necessidades especiais. Apurar denúncias de desrespeito aos direitos dos trabalhadores. com ampla divulgação. 381. instalados nas Delegacias e Subdelegacias Regionais do Trabalho. atentando para princípios éticos de pesquisa. sob a perspectiva de gênero e raça. com ênfase na observância dos direitos trabalhistas. Ampliar programas de erradicação do trabalho infantil. promover e fortalecer programas de economia solidária. ampliando o acesso ao crédito para pequenos empreendedores e para a população de baixa renda. 386. 383. em especial aos assalariados rurais. Zelar pela implementação da legislação que promove a igualdade no mercado de trabalho. Incentivar a realização de estudos e pesquisas sobre DST e HIV/AIDS nas diversas áreas do conhecimento. Reforçar e ampliar os mecanismos de fiscalização das condições de trabalho e de tratamento dos(as) trabalhadores(as) e empregados(as) domésticos(as). raça. 388. Garantia do Direito ao Trabalho 380. 387. 393. 392. Assegurar e preservar os direitos do trabalhador previstos na legislação nacional e internacional. 389. Criar um programa de atenção especial aos direitos do trabalhador rural. com vistas a uma ação particularmente voltada para crianças de área urbana em .

. no âmbito do Departamento da Polícia Federal. que tratam do trabalho forçado. 395. compreendendo a urbanização de áreas informalmente ocupadas e a regularização de loteamentos populares. Promover a segurança da posse.situação de risco. Fortalecer a atuação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego com vistas à erradicação do trabalho forçado. 403. Criar e capacitar. Acesso a Terra 407. 401. 397. assegurando a maior participação de entidades da sociedade civil em sua composição. por meio do desenvolvimento de uma política fundiária urbana que considere a função social da terra como base de apoio para a implementação de políticas habitacionais. Promover campanhas de sensibilização sobre o trabalho forçado e degradante e as formas contemporâneas de escravidão nos estados onde ocorre trabalho forçado e nos pólos de aliciamento de trabalhadores. Apoiar a reestruturação do Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado – GERTRAF. de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga a de escravo. como a lei que regula os registros públicos (Lei 6. tais como a exploração sexual e prostituição infantis e o tráfico de drogas. 406. Promover a igualdade de acesso a terra. priorizando a repressão a atividades ilegais que utilizam crianças e adolescentes. 399. 400. Dar continuidade à implementação das Convenções nº 29 e 105 da OIT. Estudar a possibilidade de aumentar os valores das multas impostas aos responsáveis pela exploração de trabalho forçado. Sensibilizar juízes federais para a necessidade de manter no âmbito federal a competência para julgar crimes de trabalho forçado. 396. adolescentes.015/73) e a lei federal de parcelamento do solo urbano (Lei 6. 408. 398. vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. 405. Propor nova redação para o artigo 149 do Código Penal. 402. divisões especializadas na repressão ao trabalho forçado. assim como a revisão dos instrumentos legais que disciplinam a posse da terra. Apoiar a aprovação da proposta de emenda constitucional que altera o Artigo nº 243 da Constituição Federal. com atenção especial para as crianças. 404. com vistas a proporcionar oportunidades de trabalho aos presos. estrangeiros e migrantes brasileiros. Criar. Fortalecer as ações do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. nas organizações policiais. Apoiar programas voltados para o reaparelhamento dos estabelecimentos penais. além do cultivo de plantas psicotrópicas. a ocorrência de trabalho forçado.766/79). grupo especializado na repressão do trabalho forçado para apoio consistente às ações da fiscalização móvel do MTE. incluindo entre as hipóteses de expropriação de terras.

410. os Ministérios Públicos e o Poder Judiciário. para evitar a realização de despejos forçados de trabalhadores rurais. Promover a moradia adequada. 414. de equipamentos e serviços públicos nos empreendimentos habitacionais e na regularização de áreas ocupadas. Garantia do Direito à Moradia 417. transformando-os em base provedora de segurança alimentar local e sustentável. por meio da criação. segurança. tornando obrigatória a intervenção do Ministério Público em todas as fases processuais de litígios envolvendo a posse da terra urbana e rural. espaço. 412. potencializando o alcance social . saneamento básico e infraestrutura urbana. respeitando os direitos à moradia adequada e acessível. Priorizar a regularização fundiária de áreas ocupadas. Implementar a regularização fundiária. incluindo aspectos de habitabilidade. Assegurar ampla difusão e compreensão do Estatuto da Cidade (Lei nº 10. Promover ações integradas entre o INCRA. Promover a agricultura familiar e modelos de agricultura sustentável. Adotar medidas destinadas a coibir práticas de violência contra movimentos sociais que lutam pelo acesso a terra. na perspectiva da distribuição da riqueza e do combate à fome. agroindústria e incentivo a outras atividades econômicas compatíveis com a defesa do meio ambiente. implantando um padrão mínimo de urbanização.257/01) que regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal. esgoto sanitário. condições ambientais. manutenção e integração de programas e ações voltadas para a habitação. salubridade. em particular nos assentamentos de reforma agrária. 420. garantindo o prévio reassentamento das famílias desalojadas. as secretarias de segurança pública. 416. Garantir o respeito aos direitos humanos e a disponibilidade de alternativas apropriadas para a realocação de pessoas removidas de habitações ou áreas cujas características impeçam a permanência de seus ocupantes. Promover a igualdade de acesso ao crédito. 418. privacidade. 419. conforme a Resolução n. por meio da estruturação de uma política de subsídios de origem fiscal que possa mesclar recursos onerosos e não onerosos.º 1993/77 da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Criar e apoiar políticas e programas de ação integrados para o assentamento de trabalhadores sem terra. à demarcação de áreas indígenas e à titulação das terras de remanescentes de quilombos. 415.409. Fortalecer políticas de incentivo à agricultura familiar. Apoiar a aprovação de projeto de lei que propõe que a concessão de medida liminar de reintegração de posse seja condicionada à comprovação da função social da propriedade. 411. disposição de resíduos sólidos e acessibilidade em relação a emprego e aos equipamentos urbanos. abastecimento de água. as secretarias de justiça. durabilidade. com infraestrutura adequada para a produção agrícola. 413. o reassentamento e a reforma agrária.

em todos os níveis de ensino. aliados a uma política de combate à biopirataria e de proteção ao patrimônio genético. bem como os serviços de tratamento da água. Propor a revisão dos valores das multas relativas a danos ambientais. Garantia do Direto a um Meio Ambiente Saudável 429. Divulgar e promover a concepção de que o direito a um meio ambiente saudável constitui um direito humano. loteamentos e assentamentos. públicos e privados. ações de reintegração de posse e demais ações relativas ao direito à moradia.dos programas e ações de governo. Apoiar políticas destinadas à urbanização das áreas de moradia ocupadas por populações de baixa renda. 436. 425. combinando um trabalho preventivo e punitivo. buscando identificar novos modelos de gestão. Promover a educação ambiental. coleta/destinação/tratamento de resíduos sólidos – lixo – e energia elétrica. Incentivar a participação da sociedade na elaboração. capacitando agentes de cidadania para a questão ambiental. mediante articulação e coordenação entre as três esferas de governo. Manter cadastro atualizado de terras e imóveis ociosos. 423. particularmente aquelas servidas por infraestrutura. 437. 430. 431. manter e apoiar programas de proteção e assistência a moradores de rua. Fortalecer os órgãos de fiscalização ambiental. 426. Apoiar o estabelecimento de marcos regulatórios para os setores responsáveis pela universalização do acesso aos serviços básicos. 428. tais como favelas. esgotamento sanitário. 424. Vincular toda e qualquer política de desenvolvimento à sustentabilidade ecológica. integrando-a no sistema educacional. 432. Apoiar a criação e o funcionamento dos conselhos municipais e estaduais de proteção ambiental. assim entendidos como abastecimento de água. 421. especialmente para populações de baixa renda. a proteção de espécies ameaçadas e da biodiversidade e a promoção do desenvolvimento sustentável. . Apoiar o reconhecimento da mulher como chefe de família nos programas habitacionais. Apoiar a criação de juizados especiais para o julgamento de ações que envolvam despejos. 433. Apoiar programas destinados a ampliar o acesso e a utilização de recursos hídricos. onerando imóveis vazios. 422. garantindo acesso democrático às informações e progressividade fiscal. latifúndios urbanos e áreas sub-utilizadas. orientação educacional e qualificação profissional. execução e acompanhamento de programas de habitação popular. Desenvolver programas de formação e qualificação de profissionais com interesse na proteção ambiental. Criar. Assegurar a preservação do patrimônio natural. 435. incluindo abrigo. 427. Apoiar a regulamentação do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH. 434.

Promover a ampliação de programas de transferência direta de renda vinculada à alimentação destinados a crianças de seis meses a seis anos de idade. quantitativa e qualitativamente. com maior autonomia e fortalecimento da economia local. Apoiar a instalação do Conselho Nacional do Direito à Alimentação – CNDAL no âmbito da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. 447.438. 451. Criar e implementar programas de segurança alimentar permanentes para as famílias carentes. 445. Fortalecer o controle público das águas e desenvolver programas de revitalização de rios. Promover formas de evitar o desperdício dos recursos naturais. implementando comitês ou conselhos de bacias e sub-bacias. incluindo programas voltados especificamente para minorias e grupos sociais em áreas de risco ou submetidos a impactos ambientais. mangues e praias. Apoiar programas que tenham como objetivo o estímulo ao aleitamento materno. 446. Garantia do Direito à Alimentação 442. 452. reduzindo desperdícios e melhorando a qualidade alimentar. 441. Erradicar a desnutrição infantil por meio de medidas de alimentação associadas a ações básicas de saúde. Propor medidas destinadas a reduzir a carga tributária sobre produtos alimentares essenciais. incentivando sua reutilização e reciclagem e promover a educação para o uso seletivo do lixo. 443. Criar e difundir programas de educação alimentar que visem a um melhor aproveitamento dos recursos alimentares. incluindo programa de educação sanitária. 444. Ampliar o abastecimento alimentar. fiscalizados e coordenados por associações de bairros em todos os estados. 453. 449. com ampla disseminação de informações sobre práticas alimentares e estilos de vida saudáveis. 450. geração de ocupações produtivas e aumento da renda familiar. com previsão de destinação dos estoques não utilizados para alimentação de famílias carentes. associada a programas de capacitação. com a participação de representantes da sociedade civil. 439. . bem como a gestantes e nutrizes em risco nutricional. 448. Melhorar o acesso da população urbana e rural a uma alimentação de qualidade. Desenvolver políticas públicas para a proteção das populações vitimadas por desastres ecológicos. Ampliar o sistema de vigilância alimentar e nutricional e promover ações educativas voltadas à adoção de hábitos de alimentação saudáveis. com foco na prevenção de doenças e no uso racional dos recursos naturais. Apoiar programas de saneamento básico. Divulgar e promover a concepção de que o direito à alimentação constitui um direito humano. 440. visando à qualidade de vida dos cidadãos e à redução dos impactos ambientais. Propor medidas proibindo a incineração de alimentos estocados para fins de manutenção de preços.

a exemplo dos Programas "Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano" e "Serviço Civil Voluntário". 466. com vistas a criar estoques reguladores que assegurem alimentos a todos os cidadãos. Fortalecer as leis de incentivo à cultura. 455. Garantir a proteção. com a constituição de um banco de dados sobre o assunto. Concentrar em áreas com altas taxas de violência os programas de incentivo a atividades esportivas. 463. que possibilitem o acesso à complementação educacional. através de políticas públicas de apoio e estímulo à sua preservação. Apoiar a implementação do programa „Rota dos Escravos‟. 467. compra e efeitos dos alimentos transgênicos e seu impacto sobre a saúde humana. voltados preferencialmente ao público jovem e à população em situação de risco. Apoiar a criação de espaços públicos adaptados para a prática de esportes. considerando a diversidade étnica e cultural do país. monumentos culturais e naturais. 457. na perspectiva da distribuição da riqueza e do combate à fome. buscando o envolvimento das respectivas comunidades e das confederações. que prevê a recuperação. com especial atenção ao folclore. qualificação profissional. compilação e tratamento de arquivos históricos (fontes primárias) relativos ao tráfico de escravos. atletas e artistas na gestão e divulgação desses programas. 456. Garantia do Direito à Cultura e ao Lazer 458. culturais e de lazer. Garantir a expressão das identidades locais e regionais. recuperação e acesso aos bens tombados. 462.454. 459. garantindo o acesso da população aos bens e serviços culturais. Apoiar a ampliação de programas voltados para jovens de 15 a 18 anos. particularmente aos mais pobres. Divulgar e promover a concepção de que o direito à cultura e ao lazer constitui um direito humano. clubes. Fomentar pesquisas que promovam ganhos de produtividade nas várias culturas. bibliotecas e arquivos em todo o país. Desenvolver estudos científicos sobre plantio. restauração. lazer e manifestações culturais. bibliotecas e arquivos públicos. Educação. Conscientização e Mobilização 468. 460. Fomentar as manifestações populares. sítios arqueológicos. 465. a música. mediante a preservação de grupos tradicionais. Incentivar o desenvolvimento de programas de horta comunitária. capacitação em direitos humanos e participação comunitária. Apoiar programas de revalorização e criação de casas de cultura. conjuntos urbanísticos. edificações. peças de museus. a dança. . preservação. Estimular a abertura de escolas nos finais de semana para atividades de lazer comunitário. Promover a agricultura familiar e um modelo de agricultura sustentável. 461. e o tratamento informatizado deste material. a literatura e o teatro. 464. as artes plásticas.

anualmente. bem como os programas governamentais destinados a sua promoção. empresas. com base na utilização dos „temas transversais‟ estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs. o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e incentivar a criação de bolsas e outras distinções periódicas para entidades e personalidades que se tenham destacado na defesa dos direitos humanos. 474. Fortalecer iniciativas de capacitação de lideranças comunitárias em meios adequados de gestão. policiais. os órgãos e instituições responsáveis pela sua garantia. bem como estimular a formação de novas lideranças. 481.gov. educação e treinamento em direitos humanos para profissionais de direito. por meio da realização de campanhas publicitárias em todos os meios de comunicação. representantes políticos.469. 477. Incentivar campanhas nacionais sobre a importância do respeito aos direitos humanos. 472. associativas e comunitárias. Divulgar. Apoiar programas de formação. Apoiar a criação de cursos de direitos humanos nas escolas da Magistratura e do Ministério Público. 482. Promover programas de formação e qualificação de agentes comunitários de justiça e de direitos humanos. igrejas. as leis federais. estaduais e municipais de proteção dos direitos humanos. 475. Apoiar a criação de núcleos descentralizados de divulgação. Apoiar programas de ensino e de pesquisa que tenham como tema central a educação em direitos humanos. Elaborar cartilha ou manual que contenha informações básicas sobre os direitos humanos em linguagem popular e uma relação de organizações governamentais e não governamentais que desenvolvam atividades de proteção e promoção destes direitos. Atribuir. 480. Apoiar a estruturação da Rede Nacional de Direitos Humanos http://www. em nível nacional. 479. escolas e associações comprometidos com a proteção e promoção dos direitos humanos. assim como programas de qualificação dos membros de conselhos municipais. sindicatos. como linhas telefônicas especiais. 471. 470. estaduais e federais de direitos humanos. Promover a articulação dos cursos regulares e dos cursos de extensão das universidades públicas e privadas. 483. 476. Fortalecer programas de educação em direitos humanos nas escolas de ensino fundamental e médio. a criação de bancos de dados com informações relativas a entidades. promoção e proteção dos direitos humanos nos órgãos públicos responsáveis pela aplicação da lei. agentes penitenciários e lideranças sindicais. faculdades e outras instituições . e a divulgação de informações sobre direitos humanos por meio da internet. Incentivar a criação de canais de acesso direto da população a informações e meios de proteção aos direitos humanos. Apoiar a realização de fóruns.br. 473. 478. seminários e workshops na área de direitos humanos.rndh.

Fortalecer a cooperação com os órgãos de supervisão dos pactos e convenções internacionais de direitos humanos.de ensino superior. Implementar as Convenções da Organização Internacional do trabalho – OIT ratificadas pelo Brasil. Elaborar um calendário nacional de direitos humanos. assim como a Declaração sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. 489. adotada pela OIT em 1989. Apoiar a implementação do Protocolo das Nações Unidas contra a Fabricação e o Tráfico Ilícitos de Armas de Fogo. Inserção nos Sistemas Internacionais de Proteção 487. especialmente no que diz respeito à liberdade de associação. assentamentos humanos (Istambul. através da ratificação e implementação desses instrumentos. 488. Ratificar a Convenção nº 169. Constituir um banco de dados com informações sobre cursos. negociados sob a égide da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. população e desenvolvimento (Cairo. 1993). Dar publicidade e divulgação aos textos dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é parte. faculdades e outras instituições de ensino superior. no âmbito da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Transnacional Organizado. mulher (Pequim. sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes. . 494. 2001). por ação ou omissão de agentes públicos. Corte e Instituto Interamericanos de Direitos Humanos). bem como das sentenças e decisões dos órgãos dos sistemas universal (ONU) e regional (OEA) de promoção e proteção dos direitos humanos. Adotar medidas legislativas e administrativas que permitam o cumprimento pelo Brasil dos compromissos assumidos em pactos e convenções internacionais de direitos humanos. 1994). teses. assim como das declarações. 1994). eliminação de todas as formas de trabalho forçado. desenvolvimento social (Copenhague. 492. 491. 486. 1995). Ampliar o número de cursos superiores de direitos humanos e de temas conexos. 1992). para reparar violações graves de direitos humanos que envolvam responsabilidade da União ou das unidades da Federação. Dar continuidade à política de adesão a tratados internacionais para proteção e promoção dos direitos humanos. suas Peças e Componentes e Munições. 485. 490. com a identificação de datas e eventos relevantes. em torno da promoção e proteção dos direitos humanos. os mecanismos da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas e o sistema regional de proteção (Comissão. 1996) e combate ao racismo (Durban. plataformas e programas de ação das conferências mundiais sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio de Janeiro. profissionais e atividades acadêmicas voltadas para a promoção e proteção dos direitos humanos no âmbito das universidades públicas e privadas. Promover acordos de solução amistosa. erradicação do trabalho infantil e eliminação de todas as formas de discriminação no trabalho e ocupação. 484. 493. direitos humanos (Viena.

503. 506. Implementação e Monitoramento 512. em 9 de junho de 1994. Realizar levantamento e estudo da situação dos presos brasileiros no exterior. 501. Ratificar a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos dos Migrantes e de seus Familiares. 500. Instaurar e apoiar o funcionamento da comissão de peritos encarregada de propor mudanças na legislação interna que permitam a ratificação. 511. Promover a capacitação dos agentes públicos para atuação nos foros internacionais de direitos humanos. Apoiar a capacitação em direitos humanos de integrantes das forças armadas que participem de operações de paz da Organização das Nações Unidas. na pauta dos processos de integração econômica regional. ou Penas Cruéis. Estimular a cooperação internacional na área da educação e treinamento de forças policiais e capacitação de operadores do direito. adotada pela Assembléia Geral da OEA em Belém do Pará. 498. Atribuir à Secretaria de Estado dos Direitos Humanos – SEDH a responsabilidade pela coordenação da implementação. 502. Ratificar a Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas. assim como promover cursos de capacitação para os servidores públicos encarregados da elaboração desses relatórios. aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1990. 497. Apoiar o processo de elaboração do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. a temática dos direitos humanos. 508. dos quais o Brasil é parte. Instalar a comissão interministerial encarregada de coordenar a elaboração dos relatórios periódicos sobre a implementação de convenções e tratados de direitos humanos. 504. pelo Brasil. 507. 496. Apoiar o processo de elaboração das Declarações sobre os Direitos dos Povos Indígenas no âmbito da ONU e da OEA. Desumanas ou Degradantes. Apoiar a elaboração de protocolo facultativo à Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos. Apoiar a criação de um sistema hemisférico de divulgação dos princípios e ações de proteção à cidadania e aos direitos humanos. 505. 499. 510. Propugnar pela criação de um Fórum de Direitos Humanos no Mercosul. . adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1984. monitoramento e atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos. 509. Ratificar o Protocolo Facultativo à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. do Estatuto do Tribunal Penal Internacional – Estatuto de Roma. Sociais e Culturais da ONU. Incentivar a ratificação dos instrumentos internacionais de proteção e promoção dos direitos humanos pelos países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. Incorporar.495. Promover o intercâmbio internacional de experiências em matéria de proteção e promoção dos direitos humanos.

O objetivo do programa desenvolvido pelo governo federal é dar continuidade à integração e ao aprimoramento dos mecanismos de participação existentes e criar novos meios de construção e monitoramento das políticas públicas sobre Direitos Humanos no Brasil. que incorporou os direitos econômicos. Desenvolvimento e Direitos Humanos. 516. com a definição de prazos. 3. que enfatizou os direitos civis e políticos.513. Segurança Pública. 517. Educação e Cultura em Direitos Humanos e Direito à Memória e à Verdade O programa prevê ainda Planos de Ação a serem construídos a cada dois anos. . Acesso à Justiça e Combate à Violência. realizadas em todos os estados do Brasil durante o ano de 2008. objetivos e ações para os anos seguintes. 518. Atribuir à SEDH a responsabilidade de coletar. A ação que propõe a criação de mecanismos que impeçam a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União visa atender a esta diretriz. Elaborar indicadores para o monitoramento da implementação do Programa Nacional de Direitos Humanos. e que elaborem relatórios periódicos sobre a situação dos direitos humanos. Promover ampla divulgação do PNDH em todo o território nacional. 6. sistematizar e disponibilizar informações sobre a situação dos direitos humanos no país e apresentar relatórios anuais sobre a implementação do PNDH. liberdade de culto e garantia da laicidade do Estado brasileiro. prevista na Constituição Federal. O programa é ainda estruturado nos seguintes eixos orientadores: 1. Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades. Acompanhar a execução de programas governamentais e fundos públicos que tenham relação direta com a implementação do PNDH. O PNDH-3 foi precedido pelo PNDH-I. lançada em 2010. as medidas concretas e os órgãos responsáveis por sua execução. envolvendo diretamente mais de 14 mil cidadãos. de 1996. 4. A participação social na elaboração do programa se deu por meio de conferências. 515. em 2002. apresenta a Política de Estado para os temas relativos a esta área. ao estabelecer diretrizes. além de consulta pública. Interação Democrática entre Estado e Sociedade Civil. Criar um sistema de concessão de incentivos por parte do Governo Federal aos governos estaduais e municipais que implementem medidas que contribuam para a consecução das ações previstas no PNDH. culturais e ambientais. 514. Atribuir à SEDH a responsabilidade pela elaboração de planos de ação anuais para a implementação e monitoramento do PNDH. 5. e pelo PNDH-II. c) PNDH-3 A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). sendo fixados os recursos orçamentários. sociais. responsáveis e orçamento para as ações. O PNDH-3 tem como diretriz a garantia da igualdade na diversidade. metas. com respeito às diferentes crenças. 2.

reduzir a discriminação e a violência sexual. rotineiras em todas as ditaduras. contribuindo de maneira decisiva para a erradicação da fome e da miséria. A estratégia relativa ao tema Desenvolvimento e Direitos Humanos é centrada na inclusão social e em garantir o exercício amplo da cidadania. capaz de assegurar os direitos fundamentais das gerações presentes e futuras. na tolerância. saúde. bem como a criação de novos espaços e mecanismos institucionais de interação e acompanhamento. sobre tema como igualdade racial. por exemplo. cooperativismo e economia solidária. opressão e violência. direitos da mulher. dentre outros. O capítulo que trata do Direito à Memória e à Verdade encerra o temas abordados no PNDH-3. meio ambiente. O direito humano ao meio ambiente e às cidades sustentáveis. pequenos empreendimentos. refletir com maturidade sobre as violações de Direitos Humanos e promover as necessárias reparações ocorridas durante aquele período são imperativos de . O conteúdo central da proposta é afirmar a importância da memória e da verdade como princípios históricos dos Direitos Humanos”. na solidariedade e no compromisso contra todas as formas de discriminação. garantindo espaços consistentes às estratégias de desenvolvimento local e territorial. Acesso à Justiça e Combate à Violência aborda metas para diminuir a violência. “Jogar luz sobre a repressão política do ciclo ditatorial. segurança alimentar. bem como o fomento a pesquisas de tecnologias socialmente inclusivas constituem pilares para um modelo de crescimento sustentável. além de garantir os direitos das vítimas de crimes e de proteção das pessoas ameaçadas. erradicar o tráfico de pessoas e a tortura. como o fortalecimento da democracia participativa. Já o tema Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades dialoga com as intervenções desenvolvidas no Brasil para reduzir a pobreza e garantir geração de renda aos segmentos sociais mais pobres. O tema da Interação Democrática entre Estado e Sociedade Civil abre o Programa. reduzir a letalidade policial e carcerária. Para isso. de qualquer lugar do planeta. aberto a críticas e sugestões. O eixo Segurança Pública. cidades. O texto incorporou também propostas aprovadas em cerca de 50 conferências nacionais. realizadas desde 2003. de acordo com a idéia de que os agentes públicos e todos os cidadãos são responsáveis pela consolidação dos Direitos Humanos no País.A versão preliminar do Programa ficou disponível no site da SEDH durante o ano de 2009. Propõe ainda reformular o sistema de Justiça e Segurança Pública ao estimular o acesso a informações e fortalecer modelos alternativos de solução de conflitos. o PNDH-3 propõe a integração e o aprimoramento dos fóruns de participação existentes. “A memória histórica é componente fundamental na construção da identidade social e cultural de um povo e na formulação de pactos que assegurem a não-repetição de violações de Direitos Humanos. juventude e cultura etc. agricultura familiar. O eixo prioritário e estratégico da Educação e Cultura em Direitos Humanos se traduz em uma experiência individual e coletiva que atua na formação de uma consciência centrada no respeito ao outro. diz o texto do Programa. educação.

) mas é visto na especificidade ou na concreticidade de suas diversas maneiras de ser em sociedade. contextualização de época. Sancionada em 18 de novembro de 2011. efetivação e sistematização. que vai apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. o desenvolvimento e a mudança social estão diretamente vinculados com o nascimento.um país que vem comprovando sua opção definitiva pela democracia”. a comissão tem prazo de dois anos para colher depoimentos. 10 As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana. abstrato. c) o homem não é mais concebido como ser genérico. „(. velho. titularidade. como criança. Tendo em vista a compreensão atual do fenômeno dos “novos” direitos. Vejamos cada uma delas: . “eras” ou “fases” por “dimensões”. complementa o texto. far-se-á uma digressão histórica dos direitos humanos (também cunhados de direitos do homem ou fundamentais) no que se refere ao seu conteúdo. substituem-se os termos “gerações”.. b) estendeu-se „a titularidade de alguns direitos típicos a sujeitos diversos do homem‟. Isso claro e levando em conta as tipologias de Marshall. Assim. requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as violações de direitos humanos ocorridas no período que inclui a ditadura militar. porquanto esses direitos não são substituídos ou alterados de tempo em tempo. os doutrinadores têm consagrado uma evolução linear e acumulativa de “gerações” sucessivas de direitos. O processo de reconhecimento e afirmação dos chamados direitos humanos constituiu uma verdadeira conquista da sociedade moderna ocidental. nomeados pela Presidência da República. O órgão será composto por sete membros. importância e fontes legais institucionalizadas. 9 Globalização e direitos humanos. objetivando precisar seu conteúdo. doente etc.. Bobbio. nos marcos de um cenário globalizado. a ampliação e universalização dos „novos‟ direitos. Em face da mundialização e da ampliação dos chamados “novos” direitos de natureza humana. mas resultam num processo de fazer-se e de complementaridade permanente. Sarlet e principalmente a de Oliveira Jr. Por certo que. Compartilhando as interpretações de Bonavides e de Sarlet. os direitos humanos em emergência materializam exigências reais da própria sociedade diante das condições emergentes da vida e das crescentes prioridades determinadas socialmente. No ano seguinte à publicação do PNDH 3 é aprovada a lei que institui a Comissão Nacional da Verdade. As três vertentes consistem na base de discussão acerca da proteção humanista. Essa multiplicação histórica dos „novos‟ direitos processou-se por três razões: a) aumentou a „quantidade de bens considerados merecedores de tutela‟.

violação ou negligência de direitos fundamentais. Estão protegidos pelo direito humanitário todos aqueles que se encontram dentro de um conflito armado: Estados. A partir das tragédias humanitárias experimentadas pelas duas guerras mundiais. a disposição no artigo 14 da Declaração Universal . embora a partir de ângulos diferentes. protegem o indivíduo em todas as situações. civis e o pessoal de companhias de segurança e militares privadas (que são considerados civis. a saúde e a dignidade dos seres humanos. xenofobia. e outras entidades responsáveis a cumprirem determinados parâmetros e evita que desrespeitem outros. logo não podem ser atacados ou tomar parte diretamente em hostilidades). O Direito Humanitário é aplicado em situações de conflito armado. principalmente. a superpopulação de alguns países ou regiões. b) Direito Humanitário Consiste em regras aplicáveis em tempo de conflitos armados e protege as pessoas que já não se encontram diretamente envolvidas nas hostilidades. nomeadamente o inchaço das áreas periféricas dos grandes centros urbanos. a desorganização de economias tradicionais. Todos estes fatores. c) Direito dos Refugiados Na atualidade ainda é constante os movimentos migratórios pelo mundo. que hoje. Ambos procuram proteger vidas. O Direito Internacional Humanitário (DIH) e os Direitos Humanos (DH) são complementares. a desigualdade econômica entre países e mesmo as desigualdades entre hemisfério norte e hemisfério sul. prisioneiros de guerra.10. corresponde a cerca de 17 milhões e meio de indivíduos. O direito internacional dos direitos humanos obrigam os governos. discriminações. tendo como seu primeiro efeito prático. uma maior consideração começou a surgir no plano internacional acerca de um sistema de apoio obrigatório dedicado ao refugiado. Como fatores desse movimento temos as causas da globalização. como os civis e regula os métodos e meios permitidos numa guerra. grupos de conflitos armados. combinados ou não. perseguição. enquanto os direitos humanos. segundo organizações dedicadas ao problema.1 Direitos humanos. pelo menos alguns deles. como a liberdade. em tempo de guerra e paz. ou a dignidade humana. bem como aqueles que não são englobados nos conflitos. direito humanitário e direito dos refugiados. o desemprego. O DIH é implementado pelo Estado à luz das Convenções de Genebra. forças multinacionais. sejam soldados feridos ou doentes. contribuirão para criar o personagem conhecido como refugiado. da mesma maneira. É da responsabilidade do Estado tomar medidas e assegurar a execução do DIH no seu território e pelos seus intervenientes em qualquer conflito. a) Direitos Humanos São garantias legais de cariz universal que visam proteger indivíduos e grupos contra ações ou omissões que interfiram com direitos adquiridos internacionalmente.

que sob qualquer aspecto não pode se dar forçosamente. DE 28 DE JANEIRO DE 1961. Complementando o sistema basilar de amparo ao refugiado é importante mencionar ainda a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados adotada a 28 de julho de 1951. bem como o respeito aos Direitos Humanos. Outro marco no assunto será a Declaração de Cartagena. JUSCELINO KUBITSCHEK . desrespeito aos preceitos básicos de Direitos Humanos e outras condições similares. e tendo sido depositado. DECRETO Nº 50. o ato fundamental de todo o Direito do Refugiado seria implementado em dezembro de 1950. que estabelecia que “em caso de perseguição. incisos II e X da Constituição Federal. concluída em Genebra. a 15 de novembro de 1960. de 1984. que definia a condição de refugiado e as devidas ações para lidar com sua situação juridicamente. em qualquer país”. que se ocuparia da proteção jurídica internacional aos refugiados. que amplia o conceito de refugiado. convocada pela Resolução 429 (V) da Assembléia Geral da ONU. no âmbito da Conferência sobre o Estatuto dos Refugiados e Apátridas promovida pelas Nações Unidas.1 (a). para os efeitos da mesma. em 28 de janeiro de 1961. tão inteiramente como nela se contém. Brasília. de 14 de dezembro de 1950. com exclusão do seus Artigos 15 e 17. em especial no disposto no artigo 4o. dedicada a definir os mecanismos de implementação do Estatuto dos Refugiados de 1951 em meio ao ordenamento jurídico nacional. agência ligada à mesma organização. Seu objetivo é buscar soluções duradouras para a condição destes indivíduos. criando a possibilidade de uma repatriação voluntária. do seu Artigo 1º. seja com exclusão dos seus Artigos 15 e 17. onde a preocupação com o asilo do refugiado é externada. com exclusão dos Artigos já citados.215. Mas. o Instrumento brasileiro de ratificação da referida Convenção. a 28 de julho de 1951. e a desfrutar dele. de 7 de julho de 1960. concluída em Genebra. a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados. e assinada pelo Brasil a 15 de julho de 1952. e que. toda pessoa tem direito de procurar asilo. incluindo aqueles que fogem da violência generalizada em suas regiões. em 28 de julho de 1951 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Havendo o Congresso Nacional aprovado. Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados Adotada pela Conferência da ONU de Plenipotenciários sobre o Estatuto dos Refugiados e Apátridas. conflitos. pelo Decreto-Legislativo nº 11. Promulga a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados. O Brasil está em consonância com tais disposições. Em complemento à Constituição. Assinada pelo Brasil em 15 de julho de 1952 e ratificada em 16 de novembro de 1960. que criava o Alto Comissionado das Nações Unidas para o Refugiado – ACNUR. executada e cumprida. se aplique o disposto na Seção B. 140º a Independência e 73º da República. merece destaque a Lei 9474/97. DECRETA que a mencionada Convenção apenas por cópia ao presente decreto. com relação ao Brasil.de Direitos Humanos. em 28 de julho de 1951. junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. com a resolução da Assembleia Geral da ONU de número 428.

Considerando que da concessão do direito de asilo podem resultar encargos indevidamente pesados para certos países e que a solução satisfatória para os problemas cujo alcance e natureza internacionais a Organização das Nações Unidas reconheceu. ser obtida sem cooperação internacional. As Altas Partes Contratantes. aprovada em 10 de dezembro de 1948 pela Assembléia Geral. não pode. Convieram nas seguintes disposições: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS ARTIGO 1º DEFINIÇÃO DO TERMO "REFUGIADO" A. As decisões de inabilitação tomadas pela Organização Internacional dos Refugiados durante o período do seu mandato não constituem obstáculo a que . reconhecendo o caráter social e humanitário do problema dos refugiados. de 14 de dezembro de 1950. façam tudo o que esteja ao seu alcance para evitar que esse problema se torne causa de tensão entre os Estados. Direitos Humanos: Documentos Internacionais Exprimindo o desejo de que todos os Estados. ou ainda da Constituição da Organização Internacional dos Refugiados. Considerando que a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. ou das Convenções de 28 de outubro de 1933 e de 10 de fevereiro de 1938 e do Protocolo de 14 de setembro de 1939.Horácio Lafer CONVENÇÃO RELATIVA AO ESTATUTO DOS REFUGIADOS Adotada em 28 de julho de 1951 pela Conferência das Nações Unidas de plenipotenciários sobre o Estatuto dos Refugiados e Apátridas. convocada pela Resolução 429 (V) da Assembléia Geral das Nações Unidas. Considerando que é desejável rever e codificar os acordos internacionais anteriores relativos ao estatuto dos refugiados e estender a aplicação desses instrumentos e a proteção que eles oferecem por meio de um novo acordo. Para fins da presente Convenção. portanto. o termo "refugiado" se aplicará a qualquer pessoa: 1) Que foi considerada refugiada nos termos dos Ajustes de 12 de maio de 1926 e de 30 de junho de 1928. Considerando que a Organização das Nações Unidas tem repetidamente manifestado sua profunda preocupação pelos refugiados e que tem se esforçado por assegurar-lhes o exercício mais amplo possível dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. Notando que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tem a incumbência de zelar para a aplicação das convenções internacionais que assegurem a proteção dos refugiados. afirmaram o princípio de que os seres humanos. e reconhecendo que a coordenação efetiva das medidas tomadas para resolver este problema dependerá da cooperação dos Estados com o Alto Comissário. devem gozar dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. sem distinção.

de ser aplicável a qualquer pessoa compreendida nos termos da seção A. encontra-se fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou. grupo social ou opiniões políticas. ou 3) se adquiriu nova nacionalidade e goza da proteção do país cuja nacionalidade adquiriu. ela a recuperou voluntariamente. do art. nacionalidade. a expressão "do país de sua nacionalidade" refere-se a cada um dos países dos quais ela é nacional. se por terem deixado de existir as circunstâncias em conseqüência das quais foi reconhecida como refugiada. Contanto. e cada Estado Contratante fará. Direitos Humanos: Documentos Internacionais C. se não tem nacionalidade encontra-se fora do país no qual tinha sua residência habitual em conseqüência de tais acontecimentos. uma declaração precisando o alcance que pretende dar a essa expressão do ponto de vista das obrigações assumidas por ele em virtude da presente Convenção. nos casos infra. retro: 1) se ela voltou a valer-se da proteção do país de que é nacional. Contanto. 6) tratando-se de pessoa que não tem nacionalidade. que pode invocar. voluntariamente. razões imperiosas resultantes de perseguições anteriores. as palavras "acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951". em virtude desse temor. que as disposições do presente parágrafo não se apliquem a um refugiado incluído nos termos do parágrafo 1 da seção A do presente artigo. devido ao referido temor. porém. Uma pessoa que. ou 2) se havendo perdido a nacionalidade. não pode ou. ela está em condições de voltar ao país no qual tinha sua residência habitual. religião. 1º.a qualidade de refugiado seja reconhecida a pessoas que preencham as condições previstas no parágrafo 2º da presente seção. No caso de uma pessoa que tem mais de uma nacionalidade. Esta Convenção cessará. da ratificação ou da adesão. não quer voltar a ele. para recusar a proteção do país de que é nacional. não quer valer-se da proteção desse país. ou que. porém. 2) Que. 2) Qualquer Estado Contratante que adotou a fórmula a) poderá em qualquer momento estender as suas obrigações adotando a fórmula b) por meio de uma notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. no país que abandonou ou fora do qual permaneceu com medo de ser perseguido. B. ela não pode mais continuar recusando a proteção do país de que é nacional. ou b) "acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 na Europa ou alhures". não será considerada privada da proteção do país de sua nacionalidade. (1) Para os fins da presente Convenção. seção A. ou 5) se por terem deixado de existir as circunstâncias em conseqüência das quais foi reconhecida como refugiada. não se houver valido da proteção de um dos países de que é nacional. em conseqüência dos acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e temendo ser perseguida por motivos de raça. poderão ser compreendidos no sentido de a) "acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 na Europa". que as disposições do presente parágrafo não se apliquem a um refugiado incluído nos termos do parágrafo 1 da seção A do presente . no momento da assinatura. sem razão válida fundada sobre um temor justificado. ou 4) se voltou a estabelecer-se.

que não o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Esta Convenção não será aplicável às pessoas que atualmente se beneficiam de uma proteção ou assistência de parte de um organismo ou de uma instituição das Nações Unidas. no sentido dado pelos instrumentos internacionais elaborados para prever tais crimes. um crime de guerra ou um crime contra a humanidade. por qualquer razão. Quando esta proteção ou assistência houver cessado. ARTIGO 4º RELIGIÃO Os Estados Contratantes proporcionarão aos refugiados. D. para recusar voltar ao país no qual tinha sua residência habitual. em seu território.artigo. b) cometeram um crime grave de direito comum fora do país de refúgio antes de serem nele admitidas como refugiados. adotadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas. F. que pode invocar. . ARTIGO 5 º Direitos conferidos independentemente desta Convenção nenhuma disposição desta Convenção prejudicará os outros direitos e vantagens concedidos aos outros refugiados. os quais compreendem notadamente a obrigação de respeitar as leis e regulamentos. um tratamento pelo menos tão favorável como o que é proporcionado aos nacionais no que concerne à liberdade de praticar sua religião e no que concerne à liberdade de instrução religiosa dos seus filhos. independentemente desta Convenção. assim como as medidas que visam a manutenção da ordem pública. à religião ou ao país de origem. ARTIGO 3º NÃO-DISCRIMINAÇÃO Os Estados Contratantes aplicarão as disposições desta Convenção aos refugiados sem discriminação quanto à raça. As disposições desta Convenção não serão aplicáveis às pessoas a respeito das quais houver razões sérias para se pensar que: a) cometeram um crime contra a paz. essas pessoas se beneficiarão de pleno direito do regime desta Convenção. E. Esta Convenção não será aplicável a uma pessoa considerada pelas autoridades competentes do país no qual ela instalou sua residência como tendo os direitos e as obrigações relacionadas com a posse da nacionalidade desse país. razões imperiosas resultantes de perseguições anteriores. c) tornaram-se culpadas de atos contrários aos fins e princípios das Nações Unidas. sem que a sorte dessas pessoas tenha sido definitivamente resolvida de acordo com as resoluções a ela relativas. Direitos Humanos: Documentos Internacionais ARTIGO 2º OBRIGAÇÕES GERAIS Todo refugiado tem deveres para com o país em que se encontra.

assim como a possibilidade de conceder o benefício da dispensa de reciprocidade a refugiados que não preencham as condições previstas nos parágrafos 2 e 3. não podem aplicar o dispositivo geral consagrado neste artigo concederão. no território dos Estados Contratantes. 3. . Ressalvadas as disposições mais favoráveis previstas por esta Convenção. 21 e 22 desta Convenção. ARTIGO 9º MEDIDAS PROVISÓRIAS Nenhuma das disposições da presente Convenção tem por efeito impedir um Estado Contratante. na ausência de reciprocidade. ARTIGO 7º DISPENSA DE RECIPROCIDADE 1. 18. os Estados Contratantes não aplicarão tais medidas a um refugiado que seja formalmente nacional do referido Estado unicamente em razão da sua nacionalidade. em tempo de guerra ou em outras circunstâncias graves e excepcionais. 19. a expressão "nas mesmas circunstâncias" significa que todas as condições .ARTIGO 6º A EXPRESSÃO "NAS MESMAS CIRCUNSTÂNCIAS" Para os fins desta Convenção. devem ser preenchidas por ele. Cada Estado Contratante continuará a conceder aos refugiados os direitos e vantagens de que já gozavam. na data da entrada em vigor desta Convenção para o referido Estado. da dispensa de reciprocidade legislativa. 4. na ausência de reciprocidade. aplicam-se assim às vantagens mencionadas nos artigos 13. um Estado Contratante concederá aos refugiados o regime que concede aos estrangeiros em geral. a propósito de uma determinada pessoa. até que o referido Estado determine que essa pessoa seja efetivamente um refugiado e que a continuação de tais medidas é necessária a seu propósito no interesse da segurança nacional.que o interessado teria de preencher para poder exercer o direito em causa. todos os refugiados se beneficiarão. dispensas em favor de tais refugiados. com exceção das condições que. nos casos apropriados. supra. não podem ser preenchidas por um refugiado. Os Estados Contratantes que. pela sua legislação.em especial as que se referem à duração e às condições de permanência ou de residência . como aos direitos e vantagens que não são previstos pela mesma. em razão da sua natureza. Após um prazo de residência de três anos. direitos e vantagens outros além dos que eles gozam em virtude dos parágrafos 2 e 3. 2. de tomar provisoriamente. ARTIGO 8º DISPENSA DE MEDIDAS EXCEPCIONAIS No que concerne às medidas excepcionais que podem ser tomadas contra a pessoa. bens ou interesses dos nacionais de um Estado. Direitos Humanos: Documentos Internacionais 5. as medidas que este Estado julgar indispensáveis à segurança nacional. se ele não fosse refugiado. As disposições dos parágrafos 2 e 3. Os Estados Contratantes considerarão com benevolência a possibilidade de conceder aos refugiados.

No caso de um refugiado que foi deportado no curso da Segunda Guerra Mundial. nome comercial. todavia. entendendo-se. sendo o caso. pela lei do país de sua residência. no que concerne à aquisição de propriedade móvel ou imóvel e a outros direitos a ela referentes. e de qualquer maneira um tratamento que não seja menos favorável do que o que é concedido. CAPÍTULO II SITUAÇÃO JURÍDICA ARTIGO 12 ESTATUTO PESSOAL 1. notadamente. a fim. o cumprimento das formalidades previstas pela legislação do referido Estado. ARTIGO 13 PROPRIEDADE MÓVEL E IMÓVEL Os Estados Contratantes concederão a um refugiado um tratamento tão favorável quanto possível. nas mesmas circunstâncias. ressalvado. especialmente de invenções. desenhos. como constituindo apenas um período ininterrupto. O estatuto pessoal de um refugiado será regido pela lei do país de seu domicílio. Direitos Humanos: Documentos Internacionais 2. a duração dessa permanência forçada será considerada residência regular nesse território. este Estado examinará com benevolência a possibilidade de autorizar os referidos refugiados a se estabelecerem no seu território e entregar-lhes documentos de viagem ou de admiti-los a título temporário no seu território. marcas de fábrica. para todos os fins para os quais é necessária uma residência ininterrupta. No caso de um refugiado que foi deportado do território de um Estado Contratante no curso da Segunda Guerra Mundial e para ele voltou antes da entrada em vigor desta Convenção para aí estabelecer sua residência. 2. ARTIGO 11 MARINHEIROS REFUGIADOS No caso de refugiados regularmente empregados como membros da tripulação a bordo de um navio que hasteie pavilhão de um Estado Contratante. ao aluguel e aos outros contratos relativos à propriedade móvel ou imóvel. de facilitar sua fixação em outro país. que o direito em causa deve ser dos que seriam reconhecidos pela legislação do referido Estado se o interessado não houvesse se tornado refugiado. e em matéria de . transportado para o território de um dos Estados Contratantes e aí resida. Os direitos adquiridos anteriormente pelo refugiado e decorrentes do estatuto pessoal.ARTIGO 10 CONTINUIDADE DE RESIDÊNCIA 1. aos estrangeiros em geral. ARTIGO 14 PROPRIEDADE INTELECTUAL E INDUSTRIAL Em matéria de proteção da propriedade industrial. ou. o período que precedeu e o que se seguiu a essa deportação serão considerados. modelos. serão respeitados por um Estado Contratante. e principalmente os que resultam do casamento. na falta de domicílio.

proteção da propriedade literária. 2. qualquer refugiado gozará do mesmo tratamento que um nacional. livre e fácil acesso aos tribunais. c) ter um ou vários filhos que possuam a nacionalidade do país de residência. Em qualquer caso. 2. no que concerne ao acesso aos tribunais. ou que preencham uma das seguintes condições: a) contar três anos de residência no país. no que concerne às associações sem fins políticos nem lucrativos e aos sindicatos profissionais. da proteção que é conferida aos nacionais do referido país. No Estado Contratante em que tem sua residência habitual. 3. Nos Estados Contratantes outros que não aquele em que tem sua residência habitual. um refugiado se beneficiará. Qualquer refugiado terá. nas mesmas circunstâncias. as medidas restritivas impostas aos estrangeiros ou ao emprego de estrangeiros para a proteção do mercado nacional do trabalho não serão aplicáveis aos refugiados que já estavam dispensados na data da entrada em vigor desta Convenção pelo Estado Contratante interessado. o tratamento mais favorável concedido aos nacionais de um país estrangeiro. e no que concerne às questões mencionadas no parágrafo 2. ARTIGO 15 DIREITOS DE ASSOCIAÇÃO Os Estados Contratantes concederão aos refugiados que residem regularmente em seu território. ARTIGO 16 DIREITO DE PROPUGNAR EM JUÍZO 1. Os Estados Contratantes considerarão com benevolência a adoção de medidas tendentes a assimilar os direitos de todos os refugiados no que concerne ao exercício das profissões assalariadas aos dos seus nacionais. aos nacionais de um país estrangeiro no que concerne ao exercício de uma atividade profissional assalariada. Os Estados Contratantes darão a todo refugiado que resida regularmente no seu território o tratamento mais favorável dado. no país em que tem sua residência habitual. e . ele se beneficiará da proteção dada no referido território aos nacionais do país no qual tem sua residência habitual. no território dos Estados Contratantes. nas mesmas circunstâncias. b) ter por cônjuge uma pessoa que possua a nacionalidade do país de residência. Direitos Humanos: Documentos Internacionais CAPÍTULO III EMPREGOS REMUNERADOS ARTIGO 17 PROFISSÕES ASSALARIADAS 1. artística e científica. Um refugiado não poderá invocar o benefício desta disposição no caso de haver abandonado o cônjuge. inclusive a assistência judiciária e a isenção de cautio judicatum solvi. No território de qualquer um dos outros Estados Contratantes. qualquer refugiado gozará do mesmo tratamento que um nacional do país no qual tem sua residência habitual. 3.

2. em particular no que diz respeito . no artesanato e no comércio. tratamento tão favorável quanto possível. aos estrangeiros em geral. nas mesmas circunstâncias. os Estados Contratantes darão. ARTIGO 18 PROFISSÕES NÃO ASSALARIADAS Os Estados Contratantes darão aos refugiados que se encontrem regularmente no seu território tratamento tão favorável quanto possível e. aos refugiados que residam regularmente no seu território. tratamento não menos favorável do que aquele que é dado. na indústria. tratamento não menos favorável do que aquele que é dado. conforme as suas leis e constituições. no que concerne aos graus de ensino superiores ao primário. os refugiados serão tratados como os nacionais. em todo caso. CAPÍTULO IV BEM-ESTAR ARTIGO 20 RACIONAMENTO No caso de existir um sistema de racionamento ao qual esteja submetido o conjunto da população. nas mesmas circunstâncias. bem como à instalação de firmas comerciais e industriais. aos estrangeiros em geral. que regule a repartição geral dos produtos de que há escassez. ARTIGO 22 EDUCAÇÃO PÚBLICA 1. Os Estados Contratantes farão tudo o que estiver ao seu alcance. tratamento não menos favorável do que aquele que é dado. Os Estados Contratantes darão aos refugiados o mesmo tratamento que é dado aos nacionais no que concerne ao ensino primário. para assegurar a instalação de tais refugiados em territórios outros que não o território metropolitano. e em todo caso não menos favorável do que aquele que é dado aos estrangeiros em geral. Cada Estado Contratante dará aos refugiados que residam regularmente no seu território e sejam titulares de diplomas reconhecidos pelas autoridades competentes do referido Estado e que desejam exercer uma profissão liberal. aos estrangeiros em geral. Os Estados Contratantes darão aos refugiados um tratamento tão favorável quanto possível. na medida em que esta questão seja regulada por leis ou regulamentos ou seja submetida ao controle das autoridades públicas. ARTIGO 19 PROFISSÕES LIBERAIS 1. ARTIGO 21 ALOJAMENTO No que concerne ao alojamento. em todo caso. 2. no que concerne ao exercício de uma profissão não assalariada na agricultura. em todo caso.em particular para os refugiados que entraram no seu território em virtude de um programa de recrutamento de mão-de-obra ou de um plano de imigração. de cujas relações internacionais sejam responsáveis. nas mesmas circunstâncias. e. tratamento tão favorável quanto possível e. nas mesmas circunstâncias.

e gozo das vantagens proporcionadas pelas convenções coletivas. à velhice. à maternidade. contanto que os refugiados preencham as condições previstas para os nacionais dos países signatários dos acordos em questão. Os Estados Contratantes darão aos refugiados que residam regularmente no seu território o mesmo tratamento dado aos nacionais quanto aos seguintes pontos: a) Na medida em que estas questões são regulamentadas pela legislação ou dependem das autoridades administrativas: remuneração. relativamente à manutenção dos direitos adquiridos ou em curso de aquisição em matéria de previdência social. aprendizado e formação profissional. trabalho das mulheres e dos adolescentes. à morte.ao acesso aos estudos. na medida do possível. idade mínima para o emprego. inclusive abonos familiares quando os mesmos integrarem a remuneração. bem como a Direitos Humanos: Documentos Internacionais qualquer outro risco que. esteja previsto no sistema de previdência social). de diplomas e títulos universitários estrangeiros. CAPÍTULO V MEDIDAS ADMINISTRATIVAS . duração do trabalho. à invalidez. 4. conforme a legislação nacional. ao desemprego. o benefício de acordos semelhantes que estão ou estarão em vigor entre esses Estados Contratantes e Estados não-contratantes. horas suplementares. 3. ARTIGO 24 LEGISLAÇÃO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL 1. 2. aos encargos de família. ARTIGO 23 ASSISTÊNCIA PÚBLICA Os Estados Contratantes darão aos refugiados que residam regularmente no seu território o mesmo tratamento em matéria de assistência e de socorros públicos que é dado aos seus nacionais. férias pagas. b) Previdência social (as disposições legais relativas aos acidentes do trabalho. restrições ao trabalho doméstico. Os direitos a um benefício decorrentes da morte de um refugiado em virtude de acidente de trabalho ou de doença profissional não serão afetados pelo fato do beneficiário residir fora do território do Estado Contratante. observadas as seguintes limitações: I) existência de medidas apropriadas visando a manutenção dos direitos adquiridos e dos direitos em curso de aquisição. II) disposições particulares prescritas pela legislação nacional do país de residência concernentes a benefícios ou a frações de benefícios pagáveis exclusivamente por fundos públicos. à doença. ao reconhecimento de certificados de estudos. Os Estados Contratantes estenderão aos refugiados o benefício dos acordos que concluíram ou vierem a concluir entre si. Os Estados Contratantes examinarão com benevolência a possibilidade de estender. à isenção de emolumentos alfandegários e taxas e à concessão de bolsas de estudos. às moléstias profissionais. aos refugiados. bem como a pensões pagas a pessoas que não preenchem as condições de contribuição exigidas para a concessão de uma pensão normal.

5. mas estas cobranças serão moderadas e de acordo com o valor que se cobrar dos nacionais por serviços análogos. A ou as autoridades mencionadas no parágrafo 1 entregarão ou farão entregar. os Estados Contratantes em cujo território reside providenciarão para que essa assistência lhe seja dada. e terão fé pública até prova em contrário. As disposições deste artigo em nada afetarão os artigos 27 e 28. 2. com as reservas instituídas pela regulamentação aplicável aos estrangeiros em geral nas mesmas circunstâncias. ARTIGO 29 .ARTIGO 25 ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA 1. Os documentos de viagem entregues nos termos de acordos internacionais anteriores serão reconhecidos pelos Estados Contratantes e tratados como se houvessem sido entregues aos refugiados em virtude do presente artigo. Quando o exercício de um direito por parte de um refugiado normalmente exigir a assistência de autoridades estrangeiras às quais ele não pode recorrer. Ressalvadas as exceções que possam ser admitidas em favor dos indigentes. ARTIGO 26 LIBERDADE DE MOVIMENTO Cada Estado Contratante dará aos refugiados que se encontrem no seu território o direito de nele escolher o local de sua residência e de nele circular livremente. aos refugiados. quer por uma autoridade internacional. ARTIGO 28 DOCUMENTOS DE VIAGEM 1. os documentos ou certificados que normalmente seriam entregues a um estrangeiro pelas suas autoridades nacionais ou por seu intermédio. a menos que a isto se oponham razões imperiosas de segurança nacional ou de ordem pública. quer pelas suas próprias autoridades. darão atenção especial aos casos de refugiados que se encontrem no seu território e que não estejam em condições de obter um documento de viagem do país onde residem regularmente. sob seu controle. as disposições do Anexo a esta Convenção se aplicarão a esses documentos. 2. ARTIGO 27 PAPÉIS DE IDENTIDADE Os Estados Contratantes entregarão documentos de identidade a qualquer refugiado que se encontre no seu território e que não possua documento de viagem válido. Os documentos ou certificados assim entregues substituirão os documentos oficiais entregues a estrangeiros pelas suas autoridades nacionais ou por seu intermédio. Os Estados Contratantes entregarão aos refugiados que residam regularmente no seu território documentos de viagem destinados a permitirlhes viajar fora desse território. 3. os serviços mencionados no presente artigo poderão ser cobrados. 4. Os Estados Contratantes poderão entregar tal documento de viagem a qualquer outro refugiado que se encontre no seu território.

2. Os Estados Contratantes não submeterão os refugiados a emolumentos alfandegários. Os Estados Contratantes não aplicarão aos deslocamentos de tais refugiados outras restrições que não as necessárias. senão por motivos de segurança nacional ou de ordem pública. Cada Estado Contratante permitirá aos refugiados. ARTIGO 30 TRANSFERÊNCIA DE BENS 1. 1º. chegando diretamente de território no qual sua vida ou sua liberdade estava ameaçada. Os Estados Contratantes concederão a tal refugiado um prazo razoável para ele obter admissão legal em um outro país. no sentido previsto pelo art. no qual foram admitidos. 2. essas restrições serão aplicadas somente enquanto o estatuto desses refugiados no país de refúgio não houver sido regularizado ou eles não houverem obtido admissão em outro país. conforme as leis e regulamentos do seu país. o refugiado deverá ter permissão de apresentar provas em seu favor. ARTIGO 32 EXPULSÃO 1. taxas e impostos de qualquer espécie. de interpor recurso e de se fazer representar para esse fim perante uma autoridade competente ou perante uma ou várias pessoas especialmente designadas pela autoridade competente. a medida de ordem interna que julgarem oportuna. encontrem-se no seu território sem autorização. Os Estados Contratantes podem aplicar.DESPESAS FISCAIS 1. durante esse prazo. 2. 3. As disposições do parágrafo anterior não impedem a aplicação aos refugiados das disposições de leis e regulamentos concernentes às taxas relativas à expedição de documentos administrativos para os estrangeiros. além ou mais elevados do que aqueles que são ou serão cobrados dos seus nacionais em situações análogas. 2. Os Estados Contratantes não expulsarão um refugiado que esteja regularmente no seu território. onde foram admitidos. A expulsão desse refugiado somente ocorrerá em conseqüência de decisão judicial proferida em processo legal. assim como todas as facilidades necessárias. a fim de nele se reinstalarem. Os Estados Contratantes não aplicarão sanções penais aos refugiados que. os Estados Contratantes concederão a esses refugiados um prazo razoável. inclusive papéis de identidade. À vista desta última admissão. ARTIGO 31 REFUGIADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS DE REFÚGIO 1. transferir os bens que trouxeram para o seu território para o território de um outro país. a fim de nele se reinstalarem. . A não ser que a isso se oponham razões imperiosas de segurança nacional. contanto que se apresentem sem demora às autoridades e exponham-lhes razões aceitáveis para a sua entrada ou presença irregulares. Cada Estado Contratante considerará com benevolência os pedidos apresentados pelos refugiados que desejarem obter autorização para transferir todos os outros bens necessários a sua reinstalação em um outro país.

regulamentos e decretos que estão ou entrarão em vigor no que concerne aos refugiados. e c) às leis. os Estados Contratantes se comprometem a fornecer-lhes. no exercício das suas funções e em particular para facilitar a sua tarefa de supervisionar a aplicação das disposições desta Convenção. b) à execução desta Convenção. de forma alguma. todavia. esta Convenção substitui. ou qualquer outra instituição das Nações Unidas que lhe suceda. ARTIGO 36 INFORMAÇÕES SOBRE AS LEIS E REGULAMENTOS NACIONAIS Os Estados Contratantes comunicarão ao Secretário-Geral das Nações Unidas o texto das leis e dos regulamentos que promulguem para assegurar a aplicação desta Convenção. A fim de permitir ao Alto Comissariado ou a qualquer outra instituição das Nações Unidas que lhe suceda apresentar relatório aos órgãos competentes das Nações Unidas. 30 de julho de 1928 e 30 de . Nenhum dos Estados Contratantes expulsará ou rechaçará. pela forma apropriada. 12 de maio de 1926. 31 de maio de 1924. grupo social a que pertença ou opiniões políticas. ARTIGO 37 RELAÇÕES COM AS CONVENÇÕES ANTERIORES Sem prejuízo das disposições constantes no parágrafo 2 do artigo 28. Esforçar-se-ão. também na medida do possível. 2. um refugiado para as fronteiras dos territórios em que sua vida ou liberdade seja ameaçada em decorrência da sua raça. para acelerar o processo de naturalização e reduzir. em especial. nacionalidade. as informações e os dados estatísticos solicitados relativos: a) ao estatuto dos refugiados. constitua ameaça para a comunidade do referido país. na medida do possível.NATURALIZAÇÃO Os Estados Contratantes facilitarão. CAPÍTULO VI DISPOSIÇÕES EXECUTÓRIAS E TRANSITÓRIAS ARTIGO 35 COOPERAÇÃO DAS AUTORIDADES NACIONAIS COM AS NAÇÕES UNIDAS 1. ARTIGO 34 .ARTIGO 33 PROIBIÇÃO DE EXPULSÃO OU DE RECHAÇO 1. 2. os acordos de 5 de julho de 1922. a assimilação e a naturalização dos refugiados. Os Estados Contratantes comprometem-se a cooperar com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. O benefício da presente disposição não poderá. religião. as taxas e despesas desse processo. ser invocado por um refugiado que por motivos sérios seja considerado um perigo à segurança do país no qual ele se encontre ou que. entre as Partes na Convenção. tendo sido condenado definitivamente por um crime ou delito particularmente grave.

após esta data. no momento da assinatura. e produzirá efeitos a partir do nonagésimo dia seguinte à data na qual o Secretário-Geral das Nações Unidas houver recebido a notificação ou na data de entrada em vigor da Convenção para o referido Estado. A qualquer momento posterior a extensão poderá ser feita através de notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. cada Estado interessado examinará a possibilidade de tomar. se esta última data for posterior. 10 de fevereiro de 1938. que não possa ser resolvida por outros meios. declarar que esta Convenção se estenderá ao conjunto dos territórios que representa no plano internacional. será submetida à Corte Internacional de Justiça. Esta Convenção ficará aberta à assinatura em Genebra a 28 de julho de 1951 e. ou de qualquer Estado ao qual a Assembléia Geral haja dirigido convite para assinar. Ficará aberta à assinatura no Escritório Europeu das Nações Unidas de 28 de julho a 31 de agosto de 1951. o Protocolo de 14 de setembro de 1939 e o Acordo de 15 de outubro de 1946. Esta Convenção ficará aberta à assinatura de todos os Estados membros da Organização das Nações Unidas. bem como de qualquer outro Estado nãomembro convidado para a Conferência de Plenipotenciários sobre o Estatuto dos Refugiados e dos Apátridas. ou a um ou vários dentre eles. bem como as Convenções de 28 de outubro de 1933. e depois será reaberta à assinatura na sede da Organização das Nações Unidas. ratificação ou adesão. Tal declaração produzirá efeitos no momento da entrada em vigor da Convenção para o referido Estado. Deverá ser ratificada e os instrumentos de ratificação ficarão depositados em poder do Secretário-Geral das Nações Unidas.julho de 1935. 2. de 17 de setembro de 1951 a 31 de dezembro de 1952. A adesão será feita mediante instrumento próprio que ficará depositado em poder do Secretário-Geral das Nações Unidas. Qualquer Estado poderá. RATIFICAÇÃO E ADESÃO 1. todas as medidas necessárias a fim de estender a aplicação desta Convenção aos referidos territórios. 3. depositada em poder do Secretário-Geral das Nações Unidas. ARTIGO 39 ASSINATURA. logo que possível. 2. No que concerne aos territórios aos quais esta Convenção não se aplique na data da assinatura. ARTIGO 40 CLÁUSULA DE APLICAÇÃO TERRITORIAL 1. CAPÍTULO VII CLÁUSULAS FINAIS ARTIGO 38 SOLUÇÃO DOS DISSÍDIOS Qualquer controvérsia entre as Partes nesta Convenção relativa à sua interpretação ou a sua aplicação. a pedido de uma das Partes na controvérsia. 3. . ratificação ou adesão. Os Estados mencionados no parágrafo 2 do presente artigo poderão aderir a esta Convenção a partir de 28 de julho de 1951.

indicando em que medida. 3. Para cada um dos Estados que ratificarem a Convenção ou a ela aderirem depois do depósito do sexto instrumento de ratificação ou de adesão. e com o seu parecer favorável. 33 e 36 a 46 inclusive. mediante solicitação de qualquer outro Estado Contratante que lhe haja sido transmitida pelo Secretário-Geral das Nações Unidas. da ratificação ou da adesão. no que concerne a qualquer Direitos Humanos: Documentos Internacionais disposição da Convenção. que não são. ARTIGO 43 ENTRADA EM VIGOR 1. b) No que concerne aos artigos desta Convenção cuja aplicação depende da ação legislativa de cada um dos Estados. tornou-se efetiva a referida disposição. ela entrará em vigor no nonagésimo dia seguinte à data do depósito feito por esse Estado do seu instrumento de ratificação ou de adesão. o mais cedo possível. 2. . ARTIGO 42 RESERVAS 1. 2. 4. c) Um Estado federal Parte nesta Convenção fornecerá. os referidos artigos ao conhecimento das autoridades competentes dos Estados. as mesmas que as das partes que não são Estados federais. ARTIGO 41 CLÁUSULA FEDERAL No caso de um Estado federal ou não-unitário. que não os artigos 1.ressalvado. uma exposição sobre a legislação e as práticas em vigor na federação e em suas unidades constitutivas. o governo federal clevará. 16 (1). A denúncia entrará em vigor para o Estado interessado um ano depois da data em que tiver sido recebida pelo Secretário-Geral das Nações Unidas. aplicar-se-ão as seguintes disposições: a) No que concerne aos artigos desta Convenção cuja execução dependa da ação legislativa do poder legislativo federal. as obrigações do governo federal serão. qualquer Estado poderá formular reservas aos artigos da Convenção. sendo necessário por motivos constitucionais. províncias ou municípios constitutivos. em virtude do sistema constitucional da federação. Qualquer Estado Contratante poderá denunciar a Convenção a qualquer momento por notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. No momento da assinatura. Esta Convenção entrará em vigor no nonagésimo dia seguinte à data do depósito do sexto instrumento de ratificação ou de adesão. o consentimento do governo de tais territórios. nesta medida. 2. obrigados a tomar medidas legislativas. poderá retirá-la a qualquer momento mediante comunicação com esse fim dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. províncias ou municípios. ARTIGO 44 DENÚNCIA 1. por uma ação legislativa ou de outra natureza. Qualquer Estado Contratante que haja formulado uma reserva conforme o parágrafo 1 desse artigo.

3. 151º da Independência e 84º da República. de se aplicar ao território em questão. entrado em vigor. 7 de Agosto de 1972. pedir a revisão desta Convenção. a presente Convenção. um ano depois da data na qual o Secretário-Geral houver recebido essa notificação. MéDICI Mário Gibson Barboza PROTOCOLO RELATIVO AO ESTATUTO DOS REFUGIADOS . Brasil aderiu em 07 de abril de 1972. então. Promulga o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados. havendo sido aprovado. um Instrumento de Adesão Junto ao Secretariado das Nações Unidas em 7 de abril de 1972. c) as declarações e as notificações mencionadas no artigo 40. e) a data na qual esta Convenção entrará em vigor. a qualquer tempo. pelo Brasil. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA . Havendo sido depositado.946. A Convenção cessará. os abaixo-assinados. devidamente autorizados. a propósito de tal pedido. para o Brasil. seja executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém. se for o caso. ARTIGO 45 REVISÃO 1. A Assembléia Geral das Nações Unidas recomendará as medidas a serem tomadas. apenso por cópia ao presente Decreto. EMíLIO G. Qualquer Estado Contratante poderá. 2. Decreta que o Protocolo. Em fé do que. de 30 de Novembro de 1971. concluídos em Nova York. Direitos Humanos: Documentos Internacionais Protocolo Relativo ao Estatuto dos Refugiados Aprovado pela Assembléia Geral da ONU em 31 de janeiro de 1967. a 31 de Janeiro de 1967. por uma notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. Brasília. d) as reservas formuladas ou retiradas mencionadas no artigo 42. em conformidade com o seu artigo VIII. g) os pedidos de revisão mencionados no artigo 45. ratificações e adesões mencionadas no artigo 39. poderá notificar ulteriormente ao Secretário-Geral das Nações Unidas que a Convenção cessará de se aplicar a todo o território designado na notificação. DECRETO Nº 70. b) as assinaturas. E havendo o referido Protocolo. o Protocolo sobre Estatuto dos Refugiados. pelo Decreto Legislativo nº 93. assinaram. Qualquer Estado que houver feito uma declaração ou notificação conforme o artigo 40. f) as denúncias e as notificações mencionadas no artigo 44. de acordo com o artigo 43. ARTIGO 46 NOTIFICAÇÕES PELO SECRETÁRIO-GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS O Secretário-Geral das Nações Unidas comunicará a todos os Estados membros das Nações Unidas e aos Estados não-membros mencionados no artigo 39: Direitos Humanos: Documentos Internacionais a) as declarações e as notificações mencionadas na seção B do artigo 1. parágrafo 2. DE 7 DE AGOSTO DE 1972. a 7 de abril de 1972. em nome de seus respectivos Governos.

excepto em relação à aplicação do parágrafo 3 deste artigo. 3. a fazer relatórios para os órgãos competentes das Nações Unidas. c) Às leis. da Convenção aos refugiados tal como a seguir definidos. Considerando que é desejável que todos os refugiados abrangidos na definição da Convenção. inclusive. em especial. independentemente do prazo de 1 de Janeiro de 1951. 2. b) À aplicação do presente Protocolo. Para os efeitos do presente Protocolo.. salvo se alargadas nos termos do artigo 1-B (2) da mesma. Os Estados Partes no presente Protocolo obrigam-se a cooperar com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Os Estados Partes no presente Protocolo obrigam-se a aplicar os artigos 2 a 34. possam gozar de igual estatuto. Considerando que a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados. ou qualquer outra agência das Nações Unidas que lhe possa vir a suceder. só cobre aquelas pessoas que se tornaram refugiados em resultado de acontecimentos ocorridos antes de 1 de Janeiro de 1951.Os Estados Partes no presente Protocolo. ARTIGO II COOPERAÇÃO DAS AUTORIDADES NACIONAIS COM AS NAÇÕES 1. surgiram novas situações de refugiados e que os refugiados em causa poderão não cair no âmbito da Convenção. os Estados Partes no presente Protocolo obrigam-se a fornecer-lhes as informações e dados estatísticos requeridos. ARTIGO III INFORMAÇÃO SOBRE LEGISLAÇÃO NACIONAL . no artigo 1-A (2).. Considerando que. facilitar o desempenho do seu dever de vigilância da aplicação das disposições do presente Protocolo. desde que a Convenção foi adoptada. com a excepção de que as declarações existentes feitas por Estados já partes da Convenção de acordo com o artigo 1-B (1) (a) da Convenção deverão. o termo refugiado deverá. ou com qualquer outra agência das Nações Unidas que lhe possa vir a suceder no exercício das suas funções. e as palavras . como resultado de tais acontecimentos. Concordaram no seguinte: ARTIGO I DISPOSIÇÕES GERAIS 1. significar qualquer pessoa que caiba na definição do artigo 1. regulamentos e decretos que são ou possam vir a ser aplicáveis em relação aos refugiados. concluída em Genebra em 28 de Julho de 1951 (daqui em diante referida como a Convenção). na forma apropriada e relativos: a) À condição de refugiados. e deverão. ser aplicadas também sob o presente Protocolo. 2.. Com vista a habilitar o Alto Comissário. como se fossem Direitos Humanos: Documentos Internacionais omitidas as palavras como resultado de acontecimentos ocorridos antes de l de Janeiro de 1951 e. O presente Protocolo será aplicado pelos Estados Partes sem qualquer limitação geográfica..

obrigados a tomar medidas legislativas. ARTIGO V ADESÃO O presente Protocolo ficará aberto à adesão de todos os Estados Partes na Convenção ou de qualquer outro Estado Membro das Nações Unidas ou Membro de qualquer das agências especializadas ou de qualquer Estado ao qual tenha sido enviado pela Assembleia Geral das Nações Unidas um convite para aderir ao Protocolo. por medidas legislativas ou outras. ARTIGO VII RESERVAS E DECLARAÇÕES 1. a pedido de qualquer outro Estado Parte. qualquer Estado poderá formular reservas ao artigo 4 do presente Protocolo e à aplicação de acordo com o artigo I do presente Protocolo de quaisquer disposições da Convenção além das contidas nos . parágrafo 1. com a maior brevidade possível. c) Um Estado Federal parte no presente Protocolo deverá. com uma recomendação favorável. os referidos artigos. A adesão será efectuada pelo depósito de um instrumento de adesão junto do Secretário Geral das Nações Unidas. indicando a medida em que foi dado efeito. transmitido através do Secretário Geral das Nações Unidas. a aplicar de acordo com o artigo I. províncias ou cantões que não são. do presente Protocolo. b) No respeitante aos artigos da Convenção a aplicar de acordo com o artigo I. aplicar-se-ão as seguintes disposições: a) No respeitante aos artigos da Convenção a aplicar de acordo com o artigo I. parágrafo 1. segundo o sistema constitucional da Federação. do Presente Protocolo que caibam dentro da competência legislativa de Estados constituintes. ao conhecimento das autoridades competentes dos Estados. à dita disposição. o Governo Federal levará. No momento de adesão. parágrafo 1. Direitos Humanos: Documentos Internacionais ARTIGO VI CLÁUSULA FEDERAL No caso de um Estado federal ou não unitário.Os Estados Partes no presente Protocolo deverão comunicar ao Secretário Geral das Nações Unidas as leis e regulamentos que possam vir a adoptar para assegurar a aplicação do presente Protocolo. fornecer uma informação da lei e da prática da Federação e das suas unidades constituintes no tocante a qualquer disposição em particular da Convenção. as obrigações do Governo Federal serão nesta medida as mesmas que as dos Estados Partes que não forem Estados federais. províncias ou cantões. ARTIGO IV RESOLUÇÃO DE DIFERENDOS Qualquer diferendo entre Estados Partes no presente Protocolo que esteja relacionado com a sua interpretação ou aplicação e que não possa ser resolvido por outros meios deverá ser submetido ao Tribunal Internacional de Justiça a pedido de qualquer das partes no diferendo. do presente Protocolo que caibam dentro da competência legislativa da autoridade legislativa federal.

artigos 1, 3, 4, 16 (1) e 33, desde que, no caso de um Estado Parte na
Convenção, as reservas feitas ao abrigo deste artigo não abranjam os
refugiados aos quais se aplica a Convenção.
2. As reservas formuladas por Estados Partes na Convenção de acordo com o
seu artigo 42 aplicar-se-ão, a menos que sejam retiradas, em relação às suas
obrigações decorrentes do presente Protocolo.
3. Qualquer Estado que faça uma reserva de acordo com o parágrafo l deste
artigo poderá, a qualquer tempo, retirar tal reserva por meio de uma
comunicação para esse efeito dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas.
4. As declarações feitas segundo o artigo 40, parágrafos l e 2, da Convenção
por um Estado Parte nela que adira ao presente Protocolo considerar-se-ão
aplicáveis sob o regime do presente Protocolo, salvo se, no momento de
adesão, for enviada uma notificação em contrário pelo Estado Parte
interessado ao Secretário Geral das Nações Unidas. As disposições do artigo
40, parágrafos 2 e 3, e do artigo 44, parágrafo 3, da Convenção considerar-seão aplicáveis, mutatis mutandis, ao presente Protocolo.
ARTIGO VIII
ENTRADA EM VIGOR
1. O presente Protocolo entrará em vigor no dia do depósito do sexto
instrumento de adesão.
2. Para cada Estado que adira ao Protocolo depois do depósito do sexto
instrumento de adesão, o Protocolo entrará em vigor na data do depósito pelo
mesmo Estado do seu instrumento de adesão.
Direitos Humanos: Documentos Internacionais
ARTIGO IX
DENÚNCIA
1. Qualquer Estado Parte poderá, a qualquer tempo, denunciar este Protocolo
por meio de uma notificação dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas.
2. Tal denúncia terá efeito para o Estado Parte interessado um ano depois da
data em que for recebida pelo Secretário Geral das Nações Unidas.
ARTIGO X
NOTIFICAÇÕES PELO SECRETÁRIO GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS
O Secretário Geral das Nações Unidas informará os Estados referidos no artigo
V, acima, da data de entrada em vigor, adesões, reservas, retiradas de
reservas e denúncias do presente Protocolo, e das declarações e notificações
com ele relacionadas.
ARTIGO XI
DEPÓSITO NOS ARQUIVOS DO SECRETARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS
Um exemplar do presente Protocolo, cujos textos chinês, inglês, francês, russo
e espanhol são igualmente autênticos, assinado pelo presidente da Assembleia
Geral e pelo Secretário Geral das Nações Unidas, será depositado nos
arquivos do Secretariado das Nações Unidas. O Secretário Geral transmitirá
cópias certificadas do mesmo a todos os Estados Membros das Nações Unidas
e aos outros Estados referidos no artigo V, acima.

11 A Constituição brasileira e os tratados internacionais de direitos
humanos.
Começa-se por afirmar que os tratados internacionais, enquanto acordos
internacionais juridicamente obrigatórios e vinculantes (pacta sunt servanda)
constituem a principal fonte de obrigação do direito internacional.
Na definição de Louis Henkin: “O termo „tratado‟ é geralmente usado para
se referir aos acordos obrigatórios celebrados entre sujeitos de Direito
Internacional, que são regulados pelo Direito Internacional. (...).”.
A necessidade de disciplinar e regular o processo de formação dos
tratados internacionais resultou na elaboração da Convenção de Viena,
concluída em 1969, que teve por finalidade servir como a Lei dos Tratados.
Contudo, limitou-se aos tratados celebrados entre os Estados, não envolvendo
aqueles dos quais participam organizações internacionais.
A primeira regra a ser fixada é a de que os tratados internacionais só se
aplicam aos Estados-partes, ou seja, aos Estados que expressamente
consentiram em sua adoção. Como dispõe a Convenção de Viena: “Todo
tratado em vigor é obrigatório em relação às partes e deve ser cumprido por
elas de boa-fé”. Acrescenta o art. 27 da Convenção: “Uma parte não pode
invocar disposições de seu direito interno como justificativa para o nãocumprimento do tratado”. Consagra-se, assim, o princípio da boa-fé, pelo qual
cabe ao Estado conferir plena observância ao tratado de que é parte, na
medida em que, no livre exercício de sua soberania, o Estado contraiu
obrigações jurídicas no plano internacional.
Enfatize-se que os tratados são, por excelência, expressão de consenso.
Apenas pela via do consenso podem os tratados criar obrigações legais, uma
vez que Estados soberanos, ao aceitá-los, comprometem-se a respeitá-los.
Em geral, os tratados permitem sejam formulados reservas, o que pode
contribuir para a adesão de maior número de Estados. Nos termos da
Convenção de Viena, as reservas constituem “uma declaração unilateral feita
pelo Estado, quando da assinatura, ratificação, acessão, adesão ou aprovação
de um tratado, com o propósito de excluir ou modificar o efeito jurídico de
certas previsões do tratado, quando de sua aplicação naquele Estado”.
a) O processo de formação dos tratados internacionais
Em geral, o processo de formação dos tratados tem início com os atos de
negociação, conclusão e assinatura do tratado, que são da competência do
órgão do Poder Executivo. A assinatura do tratado, por si só, traduz o aceite
precário e provisório, não irradiando efeitos jurídicos vinculantes.
Após a assinatura do tratado pelo Poder Executivo, o segundo passo é a
sua apreciação e aprovação pelo Poder Legislativo (Congresso Nacional). Em
seqüência, aprovado o tratado pelo Legislativo, há o seu ato de ratificação pelo
Poder Executivo. A ratificação significa a subseqüente confirmação formal por
um Estado de que está obrigado ao tratado. Significa, pois, o aceite definitivo,

pelo qual o Estado se obriga pelo tratado no plano internacional. A ratificação é
ato jurídico que irradia necessariamente efeitos no plano internacional.
No Direito Internacional, a ratificação se refere à subseqüente
confirmação formal (após a assinatura) por um Estado, de que está obrigado a
cumprir o tratado. Entre a assinatura e a ratificação, o Estado está sob a
obrigação de obstar atos que violem os objetivos ou os propósitos do tratado.
No caso brasileiro, a Constituição de 1988, em seu art. 84, VIII, determina
que é da competência privativa do Presidente da República celebrar tratados,
convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional.
Por sua vez, o art. 49, I, da mesma Carta prevê ser da competência exclusiva
do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou
atos internacionais. Consagra-se, assim, a colaboração entre Executivo e
Legislativo na conclusão de tratados internacionais, que não se aperfeiçoa
enquanto a vontade do Poder Executivo, manifestada pelo Presidente da
República, não se somar à vontade do Congresso Nacional. Assim, celebrado
por representante do Poder Executivo, aprovado pelo Congresso Nacional e,
por fim, ratificado pelo Presidente da República, passa o tratado a produzir
efeitos jurídicos.
Com efeito, o poder de celebrar tratados – como é concebido e como de
fato se opera – é uma autêntica expressão do constitucionalismo; claramente
ele estabelece a sistemática de „checks and balances‟. Ao atribuir o poder de
celebrar tratados ao Presidente, mas apenas mediante o referendo do
Legislativo, busca-se limitar e descentralizar o poder de celebrar tratados,
prevenindo o abuso desse poder.
Contudo, cabe observar que a Constituição brasileira de 1988, ao
estabelecer apenas esses dois dispositivos supracitados (os arts. 49, I, e 84,
VIII), traz uma sistemática lacunosa, falha e imperfeita: não prevê, por exemplo,
prazo para que o Presidente da República encaminhe ao Congresso Nacional o
tratado por ele assinado. Não há ainda previsão de prazo para que o
Congresso Nacional aprecie o tratado assinado, tampouco previsão de prazo
para que o Presidente da República ratifique o tratado, se aprovado pelo
Congresso.
Essa
sistemática
constitucional,
ao
manter
ampla
discricionariedade aos Poderes Executivo e Legislativo no processo de
formação dos tratados, acaba por contribuir para a afronta ao princípio da boafé vigente no direito internacional.
De todo modo, considerando o processo de formação dos tratados e
reiterando a concepção de que apresentam força jurídica obrigatória e
vinculante, resta frisar que a violação de um tratado implica a violação de
obrigações assumidas no âmbito internacional. O descumprimento de tais
deveres implica, portanto, responsabilização internacional do Estado violador.
b) A hierarquia dos tratados internacionais de direitos humanos
A Carta de 1988 consagra, de forma inédita, ao fim da extensa
Declaração de Direitos por ela prevista, que os direitos e garantias expressos
na Constituição “não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República
Federativa do Brasil seja parte” (art. 5º, § 2º).
Ao prescrever que “os direitos e garantias expressos na Constituição não
excluem outros direitos decorrentes dos tratados internacionais”, a contrário

mas sob a forma de tratados internacionais. Quanto ao caráter aberto da cláusula constitucional constante do art. Os direitos internacionais integrariam. subentendidos nas regras de garantias.)”. é ele evidenciado por José Afonso da Silva ao afirmar que os direitos individuais podem ser classificados em três grupos: o dos direitos individuais expressos. como o direito à identidade pessoal. que “não são nem explícita nem implicitamente enumerados. Ocorre que classificar os direitos individuais. Ainda que esses direitos não sejam enunciados sob a forma de normas constitucionais. (. É como se o Direito Internacional fosse transformado em parâmetro de validade das próprias Constituições nacionais (cujas normas passam a ser consideradas nulas se violadoras das normas do jus cogens internacional). afirma Canotilho: “O programa normativoconstitucional não pode se reduzir. Esse processo de inclusão implica a incorporação pelo Texto Constitucional de tais direitos. Há que densificar. especialmente em face da força expansiva dos valores da dignidade humana e dos direitos fundamentais. a Carta lhes confere o valor jurídico de norma constitucional. . 5º. ao „texto‟ da Constituição. está hoje cada vez mais vinculado a princípios e regras de direito internacional. a natureza de norma constitucional. de forma positivística. como o direito de resistência. assim. 5º. como o são os decorrentes do regime e dos princípios constitucionais. Ao efetuar a incorporação. § 2º. certos desdobramentos do direito à vida. no catálogo de direitos constitucionalmente protegidos. Por isso. mas provêm ou podem vir a prover do regime adotado. o dos direitos individuais implícitos. pois os direitos internacionais são expressos. Nesse sentido. o grupo dos direitos individuais decorrentes do regime e de tratados internacionais subscritos pelo Brasil. e. as normas e princípios da constituição. entre outros de difícil caracterização a priori”. das respectivas Constituições nacionais. mais ainda reconduzíveis ao programa normativo-constitucional. já que preenchem e complementam o catálogo de direitos fundamentais previsto pelo Texto Constitucional. 5º. A Constituição assume expressamente o conteúdo constitucional dos direitos constantes dos tratados internacionais dos quais o Brasil é parte... qual seja. a Carta de 1988 está a incluir. a Carta atribui aos direitos internacionais uma natureza especial e diferenciada. como formas de densificação ou revelação específicas de princípios ou regras constitucionais positivamente plasmadas”. como parâmetros axiológicos a orientar a compreensão do fenômeno constitucional. portanto. o Poder Constituinte dos Estados e. densificando a regra constitucional positivada no § 2º do art. Essa conclusão advém ainda de interpretação sistemática e teleológica do Texto. o elenco dos direitos constitucionalmente consagrados. em profundidade. caracterizada como cláusula constitucional aberta. enumerados e claramente elencados. os direitos enunciados nos tratados internacionais em que o Brasil seja parte. conseqüentemente. alargando o „bloco da constitucionalidade‟ a princípios não escritos. não podendo ser considerados de difícil caracterização a priori. explicitamente enunciados nos incisos do art. o chamado “bloco de constitucionalidade”. por fim.sensu. Os direitos enunciados nos tratados de direitos humanos de que o Brasil é parte integram. colocando numa mesma categoria os direitos decorrentes dos tratados internacionais e os decorrentes do regime e dos princípios adotados pela Constituição não é correto.

pois só assim não se desrespeita o princípio da boa-fé vigente no direito internacional (o pacta sunt servanda). 5º. sendo. e que tem como reflexo o art. Está-se assim a conferir máxima efetividade aos princípios constitucionais. b) o dos direitos expressos em tratados internacionais de que o Brasil seja parte. segundo o qual não cabe ao Estado invocar disposições de seu direito interno como justificativa para o não-cumprimento de tratado. §2º. o STF. A nenhuma norma constitucional se pode dar interpretação que lhe retire ou diminua a razão de ser. um inexistente grau hierárquico das convenções internacionais sobre o direito positivo interno vigente no Brasil. especialmente quando se trata de norma instituidora de direitos e garantias fundamentais. À luz do art. aplicável o princípio “lei posterior revoga lei anterior que seja com ela incompatível”. sob pena de essa interpretação inviabilizar. mas constitui afronta à Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. portanto. Essa concepção não apenas compromete o princípio da boa-fé. uma tendência da doutrina brasileira. por efeito do que prescreve o art. Todas as normas constitucionais são verdadeiras normas jurídicas e desempenham uma função útil no ordenamento.131-RJ (22. que não cabe atribuir. com manifesta ofensa à supremacia da Constituição – que expressamente . Sustenta-se que os tratados tradicionais têm hierarquia infraconstitucional. os direitos enunciados em tratados internacionais de proteção dos direitos humanos apresentam valor de norma constitucional. 102. da Constituição Federal de 1988 . parágrafo 2º. 27 da Convenção de Viena. os direitos constantes de tratados internacionais integram e complementam o catálogo de direitos constitucionalmente previstos. da Carta Política. 5º. o princípio da máxima efetividade das normas constitucionais “é hoje sobretudo invocado no âmbito dos direitos fundamentais – no caso de dúvidas deve preferir-se a interpretação que reconheça mais eficácia aos direitos fundamentais”. Consoante o princípio da máxima efetividade das normas constitucionais. III.Assim. bem como os decorrentes do regime e dos princípios adotados pela Constituição). no exame da questão concernente à primazia das normas de direito internacional público sobre a legislação interna ou doméstica do Estado brasileiro. contudo. Considerando os princípios da força normativa da Constituição e da ótima concretização da norma. especialmente sobre as prescrições fundadas em texto constitucional. passou a acolher a concepção de que os tratados internacionais e as leis federais apresentavam a mesma hierarquia jurídica. Segundo Canotilho. b. uma nova classificação dos direitos previstos pela Constituição sugere o seguinte: a) o dos direitos expressos na Constituição. ao enfrentar a questão concernente ao impacto do Pacto de São José Costa Rica no direito brasileiro.1995). a partir da Constituição de 1988. Com efeito. Há que enfatizar ainda que. o que justifica estender a esses direitos o regime constitucional conferido aos demais direitos e garantias fundamentais. em especial ao princípio do art. no julgamento do HC 72. em votação não unânime afirmou: “Parece-me irrecusável. c) o dos direitos implícitos (subentendidos nas regras de garantias. enquanto os demais tratados internacionais têm força hierárquica infraconstitucional.11. à norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. ao entender que os direitos constantes dos tratados internacionais passam a integrar o catálogo dos direitos constitucionalmente previstos. porém. supralegal.

e nas das prerrogativas dos Estados. a Emenda Constitucional n. art.autoriza a instituição da prisão civil por dívida em duas hipóteses extraordinárias (CF. conferido pelo art. distinguindo-se dos tratados internacionais comuns – os tratados de direitos humanos objetivam a salvaguarda dos direitos do ser humano. 102. introduziu um §3º no art. III. b). tem prevalecido no plano do direito comparado”. como uma „supra-legalidade internacional‟”. c) a hierarquia infraconstitucional. dispondo: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. reflete o sistema que. Tendo em vista que os direitos humanos mais essenciais são considerados parte do jus cogens. Ao lado da corrente que defende a natureza constitucional e outra que defende status paritário à lei federal dos tratados internacionais de direitos humanos. além de traduzir um imperativo que decorre de nossa própria Constituição (art. a consagração definitiva do jus cogens no topo da hierarquia das fontes do Direito internacional. pelo Congresso Nacional. Esse tratamento jurídico diferenciado. há outra no sentido de lhes conferir hierarquia supraconstitucional. Trata-se de interpretação que está em harmonia com os valores prestigiados pelo sistema jurídico de 1988. mas supralegal e d) a paridade hierárquica entre tratado e lei federal. serão equivalentes às emendas à Constituição”. justifica-se na medida em que os tratados internacionais de direitos humanos apresentam um caráter especial. bem como com sua racionalidade e principiologia. (. Seguem dizendo que “um dos traços mais marcantes da evolução do Direito Internacional contemporâneo foi. LXVII) – o próprio exercício. Pactos Internacionais aprovados pelas Nações Unidas) e todos esses princípios fazem hoje parte do jus cogens internacional. b) a hierarquia constitucional.. todas essas normas (Carta das Nações Unidas. Vejamos: Em síntese. por três quintos dos votos dos respectivos membros. que sustentam: a) a hierarquia supraconstitucional de tais tratados. é interpretação que se situa em absoluta consonância com a ordem constitucional de 1988. Lecionam André Gonçalves Pereira e Fausto de Quadros que “Para doutrina dominante.) A indiscutível supremacia da ordem constitucional brasileira sobre os tratado internacionais. em especial com o valor da dignidade humana – que é valor fundamente do sistema constitucional. da Carta de 1988. há quatro correntes acerca da hierarquia dos tratados de proteção dos direitos humanos. sem dúvida. de 8 de dezembro de 2004. em cada Casa do Congresso Nacional. Entretanto. 45. entendemos que conferir hierarquia constitucional aos tratados de direitos humanos. que constitui Direito imperativo para os Estados”. Declaração Universal dos Direitos do Homem. §2º. No sentido de responder à polêmica doutrinária e jurisprudencial concernente à hierarquia dos tratados internacionais de proteção dos direitos humanos. 5º. 5º. é razoável admitir a hierarquia especial e privilegiada dos tratados internacionais de direitos humanos em relação aos demais tratados internacionais. em dois turnos. de sua típica atividade político-jurídica consistente no desempenho da função de legislar. e outra defendendo a natureza supralegal. com a observância do princípio da prevalência da norma mais favorável. com algumas poucas exceções. 5º. ..

além de materialmente constitucionais. equiparando-se às emendas à Constituição. por força do art. por força dos §§ 2º e 3º do art. ao clarificar a lei existente”. compondo o bloco de constitucionalidade. todos os tratados de direitos humanos. uma lei interpretativa nada mais faz do que declarar o que pré-existe. 5º. para serem recepcionados formalmente como normas constitucionais. situando-se como normas material e formalmente constitucionais. 5º. 5º. ao revés. para converterem-se em normas também formalmente constitucionais deverão percorrer o procedimento demandado pelo § 3º. O quorum qualificado está tão-somente a reforçar tal natureza. No mesmo sentido. acrescer a qualidade de formalmente constitucionais. Reitere-se que. Contudo. 5º surgem duas categorias de tratados internacionais de proteção de direitos humanos: a) os materialmente constitucionais. também são formalmente constitucionais. mas deve. devem obedecer ao iter previsto no novo parágrafo 3º do art.Desde logo há que se afastar o entendimento segundo o qual. 45/2004. Vale dizer. Para além de serem materialmente constitucionais. c) a necessidade de evitar interpretações que apontem a agudos anacronismos da ordem jurídica. ser interpretado à luz do sistema constitucional. com relação aos novos tratados de direitos humanos a serem ratificados. os tratados internacionais a que o Brasil venha a aderir. 5º”. de 08 de dezembro de 2004. de forma a dialogar os §§ 2º e 3º do art. com o advento do § 3º do art. como realça Celso Lafer. Ademais. já que o último não revogou o primeiro. ao adicionar um lastro formalmente constitucional aos tratados ratificados. Esse entendimento decorre de quatro argumentos: a) a interpretação sistemática da Constituição. 45. 5º. pois não teriam obtido o quorum qualificado de três quintos. serão normas materialmente constitucionais. De acordo com a opinião doutrinária tradicional. independentemente de seu quorum de aprovação. demandado pelo aludido parágrafo. “o novo parágrafo 3º do art. são materialmente constitucionais. ou seja. a partir do §3º do mesmo dispositivo. são normas material e formalmente constitucionais. Uma vez mais. anteriormente à Emenda Constitucional n. poderão. em face do § 3º do art. 5º. b) a lógica e racionalidade material que devem orientar a hermenêutica dos direitos humanos. propiciando a “constitucionalização formal” dos tratados de direitos humanos no âmbito jurídico interno. afirma Celso Lafer: “Com a vigência da Emenda Constitucional n. todos os tratados de direitos humanos já ratificados seriam recepcionados como norma constitucional. no âmbito formal. 5º da Constituição. e b) os material e formalmente constitucionais. Se os tratados de direitos humanos ratificados anteriormente à Emenda n. §2º. 5º pode ser considerado como uma lei interpretativa destinada a encerrar as controvérsias jurisprudenciais e doutrinárias suscitadas pelo parágrafo 2º do art. da CF. A . e d) a teoria geral da recepção do direito brasileiro. por força do §2º do art. têm hierarquia constitucional. 45/2004. corrobora-se o entendimento de que os tratados internacionais de direitos humanos ratificados anteriormente ao mencionado parágrafo. por força do §2º do mesmo art. É importante realçar a diversidade de regimes jurídicos que se aplica aos tratados apenas materialmente constitucionais e aos tratados que. Frise-se: todos os tratados internacionais de direitos humanos são materialmente constitucionais. independentemente do quorum de sua aprovação. 5º.

diversa do ato de ratificação. para a referida autora. Os direitos internacionais apresentam. constituem cláusula pétrea e não podem ser abolidos por emenda à Constituição. uma natureza constitucional diferenciada. Com efeito. Esse sistema misto é chamado de cláusula geral de recepção semiplena. Se admitindo a natureza constitucional de todos os Tratados de Direitos Humanos. na incorporação dos tratados internacionais o Brasil adota um sistema misto: 1) Nos tratados internacionais de Direitos Humanos – há a incorporação automática (Art. não podem ser denunciados. por sua vez. sob pena de invalidação. dependem de legislação que os implementem. sustentando. por isso os direitos constantes nestes tratados.diferença entre esses tratados materialmente e formalmente constitucionais está na denúncia. por exigir um ato normativo para tornar o ato obrigatório na ordem interna. ao contrário. A incorporação automática do direito internacional dos direitos humanos permite ao particular a invocação direta dos direitos e liberdades internacionalmente assegurados e proíbe condutas e atos violadores a esses mesmos direitos. portanto. sem necessidade de edição de ato com força de lei. Portanto. c) A incorporação dos tratados internacionais de Direitos Humanos. os tratados internacionais de Direitos Humanos têm por objeto justamente a definição de direitos e garantias. Entretanto. nos termos do art. O princípio da aplicabilidade imediata dos direitos e garantias fundamentais é assegurado no §1º do artigo 5º. nos termos da Carta Constitucional. Este é o entendimento de Flávia Piovesan. os Tratados Internacionais de Direitos Humanos estabelecem regras específicas concernentes à possibilidade de denúncia. se as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais demandam aplicação imediata e se. possível a invocação imediata de tratados e convenções de Direitos Humanos. Dessa forma os tratados que não versem sobre Direitos Humanos não são incorporados de plano pelo direito nacional. Com efeito. 60. dos quais o Brasil seja signatário. §1º. como os direitos e garantias individuais consagrados na CF. assim. Enquanto os tratados materialmente constitucionais podem ser suscetíveis de denúncia. CF). 2) Aos demais tratados internacionais se aplica a sistemática da incorporação legislativa. não sendo eliminados via emenda constitucional. . 5º. embora sejam alcançados pela cláusula pétrea. conclui-se que tais normas merecem aplicação imediata. § 4º. A denúncia é ato unilateral pelo qual o Estado se retira de um tratado. voltado à outorga de vigência interna aos acordos internacionais. Ora. Estes tratados incorporam-se de imediato ao direito nacional em virtude do ato de ratificação. os tratados internacionais de Direitos Humanos materialmente constitucionais são suscetíveis de denúncia por parte do Estado signatário. por sua vez. os tratados material e formalmente constitucionais. a aplicabilidade imediata dos tratados internacionais de Direitos Humanos.

” 2ª Fase: Referendo do Congresso Nacional (Decreto Legislativo) “CF. Art. inclusive em relação aos tratados de direitos humanos. 3) troca (entre dois países) ou depósito (pacto multilateral) dos instrumentos de ratificação. os tratados internacionais apresentam status infraconstitucional (mas supralegal) e aplicação não imediata (teoria dualista). uma única ordem jurídica. 4) promulgação do tratado por decreto regulamentar do Presidente da República.resolver definitivamente sobre tratados. por meio de decreto legislativo (quorum de aprovação da maioria simples). Entretanto. garantir o princípio da publicidade e conferir executoriedade ao texto do tratado ratificado.O princípio da aplicabilidade imediata identifica-se com a teoria monista. através da qual o direito interno e o internacional compõe uma mesma unidade. convenções e atos internacionais.. para o Supremo e grande parte da doutrina.) VIII . 49. que é a assinatura do tratado pelo Presidente da República. por assegurar a promulgação do tratado internamente. Caráter Supralegal c. 84. que é a aprovação do tratado pelo Congresso Nacional. sujeitos a referendo do Congresso Nacional. a internacional e a interna. a Constituição Federal assegura a incorporação instantânea dos tratados internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil. Lei Ordinária Recepção de Tratado Internacional 1ª Fase: Assinatura do Presidente (Chefe de Estado) “CF. segundo a doutrina majoritária o Brasil adota a teoria dualista (com duas ordens jurídicas diversas – a interna e a internacional). Para esse posicionamento existem duas ordens jurídicas distintas. então. que passa. nesse sentido Celso Bastos e Ives Gandra Martins. 2) ratificação. Portanto. Até o momento esse é o entendimento da jurisprudência do STF. Emenda Constitucional b.Status dos Tratados Internacionais: a. pela qual aquela só vigorará na ordem interna se e na medida em que cada norma internacional for transformada em direito interno. . Compete privativamente ao Presidente da República: (.celebrar tratados. Essa incorporação é feita em 04 etapas: 1) celebração. Não obstante exista esse entendimento. a qual tem exigido a expedição de um decreto como ato culminante no processo de incorporação dos tratados. Aqui há a incorporação ao direito interno. a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno.. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I . Art. acordos ou atos . irradiando efeitos e assegurando direitos direta e imediatamente exigíveis no ordenamento interno.

V d.). 5º. cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública. onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo). A idéia de cidadania surgiu na Idade Antiga. após a Roma conquistar a Grécia (séc. Na Idade Média (2a era . 12 Aplicações da perspectiva sociológica a temas e problemas contemporâneos da sociedade brasileira: a questão da igualdade jurídica e dos direitos de cidadania. surgiram na Europa. Art. que em latim significa cidade. eram cidadãos. Dentro desta concepção surge a democracia grega. LXVII . V até XV d. 3ª Fase: Promulgação do Tratado Decreto Presidencial STF: Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos anteriores à EC 45/04 NORMA SUPRALEGAL Costa Rica) EXEMPLO: DEPOSITÁRIO INFIEL CF. Diminuindo assim a idéia de cidadania. cidadão deriva da palavra civita. e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele que habita na cidade.não haverá prisão civil por dívida. acesso à justiça.” Dualismo Mitigado ou Abrandado: A CF não obriga que Tratado Internacional seja recepcionado somente através de lei.C. onde somente 10% da população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos. os feudos (ou fortalezas particulares). de ingressar com uma ação popular etc. O Direito de Cidadania é a prerrogativa que tem o indivíduo de participar da tomada de decisão política do Estado (exemplos: direito de votar. Apenas homens (de maior) e proprietários de terras (desde que não fossem estrangeiros).C. A idéia de cidadania se acaba. se expandindo para o resto da Europa. mulheres e artesãos). SÚMULA VINCULANTE 25: É ilícita a PRISÃO CIVIL DE DEPOSITÁRIO INFIEL. já que mulheres. pois os . salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos.).internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. No sentido etimológico da palavra. de participar de plebiscito.).séc. qualquer que seja a modalidade do depósito. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. o pluralismo jurídico. crianças. No sentido ateniense do termo.

A Burguesia ficava cada vez mais rica e independente. graças aos impostos que recebia. o Estado de Direito. entrando assim. Acontece a grande contradição: cidadania X capitalismo. o capitalismo acabaria. Entra a 3a era (Idade Moderna . Começaram a ocorrer greves (pressão) contra os capitalistas por parte dos trabalhadores. vendo o Rei como um perigo e um obstáculo ao seu progresso. surgindo assim. formando cidades e depois países (Os Estados Nacionais). que visavam uma vida melhor e sem exploração no trabalho.C). além de dar apoio político à Burguesia. a Burguesia ficava cada vez mais rica e era ela quem dava apoio econômico aos Reis (através dos impostos). Para mudar essas idéias. que é uma grande característica do modelo atual.proprietários dos feudos passaram a mandar em tudo. Após a Idade Média. por outro lado. Todas essas cinco revoluções tinham o mesmo objetivo: tirar o Rei do poder. Com o fim do Absolutismo. � Independência dos Estados Unidos. as pessoas devem criar seus próprios conceitos e a escola aparece como um fator fundamental. Isso se mantém até os dias de hoje (idéia de consumo). terminaram-se as invasões Bárbaras. � Iluminismo (Revolução Filosófica). Mas a sociedade capitalista se alimenta da pobreza. pois ele usava o poder para "sacaneála". A principal característica do Estado de Direito é: "Todos tem direitos iguais perante a constituição". o homem passa para a função de consumidor. o que é alimentado de forma acentuada pela mídia. No Brasil. Com todo esse dinheiro nas mãos. o Rei começou a atrapalhar a Burguesia. No capitalismo. trata-se do mais avançado processo que a humanidade já conheceu. Com o tempo. Os feudos se decompõem. terminando-se também os feudos. e os servos que habitavam os feudos não podiam participar de nada. afinal. as primeiras constituições (Estado feito a serviço da Burguesia). pois não existiriam mais operários (por exemplo). entra a Idade Contemporânea (séc. a grande maioria não pode ter muito dinheiro. O homem que consome satisfaz as necessidades que outros impõem como necessárias para sua sobrevivência. � Revolução Inglesa. A burguesia precisava do povo e o convencia de que todos estavam contra o Rei e lutando pela igualdade. surgindo um novo tipo de Estado. porém. Se todos fossem capitalistas. Para acabar com o Absolutismo (poder total do Rei). surge o processo de exploração e dominação do capital. � Revolução Francesa (A maior de todas). Em conseqüência dessa união. ser capitalista é ser um grande empresário (por exemplo). uma grande mudança no conceito de cidadania. O Rei mandava em tudo e tinha um grande poder. Os países formados após o desaparecimento dos feudos foram em conseqüência da união de dois grupos: o Rei e a Burguesia. XVIII até os dias de hoje). percebendo assim. Cidadania é a participação de todos em busca de benefícios sociais e igualdade. em uma grande crise. Da função de político. ninguém mais ia trabalhar. Por um lado. foram realizadas cinco grandes revoluções burguesas: � Revolução Industrial. o rei construía exércitos cada vez mais fortes.séc XV ao XVIII d. estamos gestando a .

ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização. Com relação à ética e à postura profissional do servidor público. A cidadania é algo que não se aprende com os livros. a cidadania não nos é dada. descobrindo. automaticamente deixarão de existir os desrespeitos aos direitos do consumidor ou então estes direitos se tornarão efetivos? Não! Se o cidadão não se apropriar desses direitos fazendo-os valer. por essa razão. Os direitos que temos não nos foram conferidos. participação e intervenção social. portanto. E no convívio do dia-a-dia que exercitamos a nossa cidadania. muito temos que andar. 01 A moralidade. na vida social e pública. Mas. a democracia. esses serão letra morta. A cidadania é tarefa que não termina. através das relações que estabelecemos com os outros. onde faço a minha parte. sempre estaremos buscando. demandando novas conquistas e. A cidadania não surge do nada como um toque de mágica. a ecologia. é um elemento essencial na produção da realidade social. julgue os itens seguintes. 03 O servidor representa o Estado e. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta. E necessário que o cidadão participe. acabou. apresento e pronto. nem tão pouco a simples conquista legal de alguns direitos significa a realização destes direitos. os direitos humanos. Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão. mas conquistados. ficarão só no papel. 02 A sensibilidade moral é requisito essencial para o exercício das funções do servidor público. QUESTÕES DE CONCURSO CESPE – PRF – 2009 A ética é uma característica inerente a toda ação humana e. por tal motivo. Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. faça valer os seus direitos. criando e tomando consciência mais ampla dos direitos. Simplesmente porque existe o Código do Consumidor. deve agir de forma a limitar o direito público em benefício do interesse particular. um favor de quem está em cima para os que estão em baixo. seja ativo. . está relacionada à obediência incondicional do servidor aos superiores hierárquicos. Enquanto seres inacabados que somos. mais cidadania. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade. Contudo. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988.nossa cidadania. a ética. A cidadania não é como um dever de casa. 04 A impessoalidade está relacionada ao fato de o cargo ocupado pelo servidor pertencer ao Estado para o cumprimento de sua missão de servir. no serviço público. pois novos desafios na vida social surgirão. com a coisa pública e o próprio meio ambiente. mas com a convivência.

05 A prestação de serviço público deve ser compreendida como as ações do servidor desprendidas de recompensa unicamente pecuniária. 11 Serão consideradas discriminação racial as medidas especiais tomadas com o único objetivo de assegurar o progresso adequado de certos grupos raciais ou étnicos. mesmo em caso de perseguição legitimamente motivada por crime de direito comum ou por ato contrário aos propósitos e princípios das Nações Unidas. Julgue os próximos itens. A respeito da Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH). . distinções. 06 A dignidade da pessoa humana é um fundamento da República Federativa do Brasil. pode ser conceituado como uma construção consciente vocacionada a assegurar a dignidade humana. fenômeno que antecedeu à Primeira Guerra Mundial. social. restrições e preferências feitas por um Estado entre cidadãos e não cidadãos. relativos à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. julgue os itens a seguir. Inspetor da Polícia Civil – 2012 Acerca da teoria geral dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana. 09 Segundo a DUDH. no momento da sua prática. cultural ou em qualquer outro campo da vida pública. ainda que tais medidas não conduzam. 12 Essa convenção aplica-se em âmbito universal à proteção aos direitos à igualdade. gozo ou exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político. econômico. exclusões. em consequência. cor. 13 Discriminação racial é toda distinção. à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais. descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento. restrição ou preferência baseada em raça. Esse direito inclui a liberdade de. ninguém poderá ser culpado por ação ou omissão que. não constituía delito perante o direito nacional ou internacional. proibindo. sem interferência. motivadas por uma visão complexa da instituição e de sua participação nela. 10 Toda pessoa vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. julgue os itens que se seguem. 07 O direito internacional dos direitos humanos. ter opiniões e de procurar. 08 Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão. exclusão. entre outras. receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

CESPE – TJ RR – 2012 A Declaração Universal de Direitos Humanos 16 reconhece o princípio da unicidade sindical. direito internacional do mar. 14 Nenhum país procederá à expulsão. segurança internacional coletiva e manutenção da paz. a Convenção Americana de Direitos Humanos permite o acesso direto do indivíduo à Corte Interamericana de Direitos Humanos.A respeito da Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis. a uma distância do continente que não exceda a largura do mar territorial podem ser utilizados como parâmetro para medir a largura do mar territorial. parcialmente. julgue os itens seguintes. mas assegura-o indiretamente ao proteger a família. estabelecem obrigações erga omnes. as disposições da Declaração Universal dos Direitos Humanos. CESPE – AGU – 2012 No que concerne aos direitos humanos no âmbito do direito internacional. 23 Em casos que envolvam a prática de tortura sistemática. 22 Na sentença do caso Gomes Lund versus Brasil. a Corte Interamericana de Direitos Humanos estabeleceu que o dever de investigar e punir os responsáveis pela prática de desaparecimentos forçados possui caráter de jus cogens. . 19 garante expressamente a gratuidade da educação fundamental.ª Guerra Mundial pela Assembleia Geral das Nações Unidas. 21 De acordo com a Corte Internacional de Justiça. ainda que tais dores ou sofrimentos sejam consequências unicamente de sanções legítimas. 20 reconhece expressamente que todos têm deveres para com a comunidade de que participam. 24 De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar. 15 Tortura é qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos são infligidos à pessoa a fim de se obterem informações ou confissões. Desumanos ou Degradantes. Julgue os itens referentes a solução pacífica de controvérsias. devolução ou extradição de pessoa para outro Estado quando houver razões substanciais para crer que essa pessoa corre perigo de ali ser submetida a tortura. julgue os itens que se seguem. baixios a descoberto que se encontrem. 17 foi adotada após a 2. 18 não dispõe expressamente sobre o direito ao casamento. de caráter costumeiro.

25 Em 2011. órgão das Nações Unidas cuja competência alcança não só os Estados. 31 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas. políticos. não apresenta instrumentos ou órgãos próprios destinados a tornar compulsória sua aplicação. . 32 Embora sem competência contenciosa. relativa à interpretação das disposições da Convenção Americana e das disposições de tratados concernentes à proteção dos direitos humanos. No que concerne ao sistema interamericano de direitos humanos. 30 Os direitos humanos são indivisíveis. julgue os itens que se seguem. a Corte Interamericana de Direitos Humanos tem competência consultiva. as quais podem encaminhar suas demandas diretamente à Corte. de 1948. 28 A Declaração Universal dos Direitos Humanos. de modo que a Corte Internacional de Justiça pudesse decidir sobre a competência do órgão para julgamento de questões de direitos humanos relacionadas ao comércio internacional. apesar de ter natureza de resolução. 26 O Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares estabelece a prevalência de seus dispositivos sobre quaisquer tratados regionais. a Corte Interamericana de Direitos Humanos tem competência consultiva. 27 Embora sem competência contenciosa. 29 Entre os diversos órgãos especializados que tratam da proteção dos direitos humanos. mas também quaisquer pessoas físicas e jurídicas. julgue os itens a seguir. sociais e culturais. como expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. a qual englobou os direitos civis. CESPE – DPU – 2010 No que concerne ao sistema interamericano de direitos humanos. econômicos. de caráter jurisdicional. julgue os itens que se seguem. o órgão de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio estabeleceu a ação de reenvio prejudicial. inclui-se a Corte Internacional de Justiça. Com relação à proteção internacional dos direitos humanos. relativa à interpretação das disposições da Convenção Americana e das disposições de tratados concernentes à proteção dos direitos humanos. ou entidade não governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) podem apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos petições que contenham denúncias ou queixas de violação à Convenção Americana de Direitos Humanos por um Estado-parte. de forma a assegurar a ausência total de armas nucleares nos territórios dos Estados signatários. de caráter jurisdicional.

38 A Declaração Universal dos Direitos Humanos é considerada um tratado já que tratados são atos bilaterais ou multilaterais aos quais se deseja atribuir especial relevância política. 35 A Constituição Federal. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. geralmente. Acordos podem ser firmados entre países ou entre um país e uma organização internacional. científica e técnica. oriundos de conferências internacionais e que abordem assunto de interesse geral. 40 A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um protocolo e se designa a acordos menos formais que os tratados. 37 A Declaração Universal dos Direitos Humanos é considerada um acordo. em seu título II. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. ainda. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. comercial. 41 A Assembléia Geral proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. para designar a ata final de uma conferência internacional.33 A nomenclatura Direitos Humanos é frequentemente usada entre os latinos e angloamericanos. Assim. cultural. 39 A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma convenção. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva. através do ensino e da educação. Nela. econômica. em cooperação com as Nações Unidas. são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel. tendo sempre em mente esta Declaração. e. pois essa palavra costuma ser empregada para designar atos multilaterais. enquanto Direitos Fundamentais é mais apreciada pelos alemães. desumano ou degradante. são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. conforme proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. todo ser humano tem capacidade para gozar . capítulo I. 36 Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover. O termo é utilizado. para caracterizar negociações bilaterais de natureza política. o respeito universal aos direitos e liberdades humanas fundamentais e a observância desses direitos e liberdades. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. pois este termo é usado. e que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso. se esforcem. pode-se afirmar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 1948. 34 Tecnicamente a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) constitui uma recomendação. prevê os Direitos e Garantias Fundamentais e os direitos e deveres individuais e coletivos e.

. sem distinção de qualquer espécie. 48 Uma vez assinado o tratado pelo chefe do Poder Executivo. quer se trate de um território independente. 49 A ratificação do tratado internacional consiste no ato jurídico que irradia necessariamente efeitos no plano internacional. o direito humanitário e o direito dos escravos. que são da competência do órgão do Poder Executivo. sem governo próprio. todos reconhecidos pelos organismos internacionais. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. cabe ao Congresso Nacional aprova-lo. de 1996 enfatizou os direitos civis e políticos. razão pela qual está proibida a prisão civil do depositário infiel. sendo o processo de confirmação formal por um Estado de que está obrigado ao tratado. sociais. A assinatura do tratado.os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. religião. analise as assertivas abaixo. idioma. sem a necessidade de qualquer ratificação por parte do Presidente da República. embora o preceito mantenha-se presente na CF/88. Quanto ao processo de formação dos tratados internacionais. enquanto o PNDHII incorporou os direitos econômicos. raça. conclusão e assinatura do tratado. 46 Entre as vertentes da proteção internacional da pessoa humana temos os direitos humanos. em 2002. origem nacional ou social. traduz o aceite definitivo de suas cláusulas. sem preconceitos de origem. 43 A Declaração Universal dos Direitos Humanos preconiza em seu art. por si só. Quanto ao asilo político previsto nesta declaração é correto afirmar que deverá promover o bem de todos. 50 Os tratados internacionais de direitos humanos que foram aprovados antes do advento da EC nº 45/04 possuem status de norma supralegal. cor. XIII que todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado e que todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país. seja de raça. cor. com algumas restrições. culturais e ambientais. por se tratar de competência exclusiva do Legislativo. idade e quaisquer outras formas de discriminação. riqueza. sexo. sexo. 47 O processo de formação dos tratados tem início com os atos de negociação. e a este regressar. como componente fundamental na construção da identidade social e cultural de um povo e na formulação de pactos que assegurem a não-repetição de violações de Direitos Humanos. sob tutela. 42 A lei poderá fazer distinção fundada na condição política. opinião política ou de outra natureza. 45 Entre os temas abordados pelo PNDH-3 temos o direito à Memória e à Verdade. inclusive o próprio. nascimento. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. 44 O PNDH-I.

GABARITO: 01 E 11 E 21 E 31 C 41 C 02 C 12 E 22 C 32 E 42 C 03 E 13 C 23 E 33 C 43 C 04 C 14 C 24 C 34 C 44 C 05 C 15 E 25 E 35 C 45 C 06 C 16 E 26 E 36 C 46 E 07 E 17 E 27 E 37 E 47 E 08 C 18 C 28 C 38 E 48 E 09 C 19 E 29 E 39 E 49 C 10 E 20 C 30 C 40 E 50 C .