A primeira lição do 2º trimestre de 2010, que tem por título “Jeremias, o profeta da esperança”, precisa ser trabalhada pelo

professor no sentido de projetar o aluno para a época do profeta, levando-o a conhecer a sua vida, o seu tempo, o seu espaço, o seu mundo, a sua vocação, a sua missão e mensagem. PLANO DE AULA 1. OBJETIVOS DA LIÇÃO (extraído da Lição Bíblica) -Conhecer a origem sacerdotal do profeta Jeremias. -Explicar como se deu o chamamento do profeta Jeremias. -Conscientizar-se de que somos um povo sacerdotal e profético. 2. CONTEÚDO Texto Bíblico: Jeremias 1.1-10 JEREMIAS, SUA VIDA Os estudiosos datam o nascimento de Jeremias entre 640-647 a.C. Considerando o início de seu ministério profético por volta de 626, ele teria aproximadamente 20 na época em que foi comissionado. Nasceu em Ananote, cidade sacerdotal, cerca de 5 a 6 km a nordeste de Jerusalém. Era filho de Hilquias, que foi provavelmente o sumo sacerdote na ocasião da reforma de Josias. Hilquias foi também o bisavô de Esdras (Esdras 7.1). De linhagem sacerdotal “estava cônscio das responsabilidades tradicionais dos sacerdotes em relação à Lei, e de modo flagrante com que as desprezavam (veja 8.8)” (HARRISON, 1973, p. 28). Ellisen (1991, p. 230) nos apresenta a seguinte cronologia da vida do profeta: JEREMIAS E O SEU MUNDO Conforme Elissen (1991, p. 230-231), o contexto histórico, político e religioso de Jeremias pode ser compreendido da seguinte forma: a) Contexto Político Da perspectiva internacional havia um grande interesse das nações pela primazia do mundo. Assíria, Babilônia e Egito eram as mais envolvidas nesta questão. O poderio babilônico estava em plena ascensão. No cenário nacional encontramos uma nação enfraquecida em todos os aspectos, tanto pelos pecados cometidos no passado, como pelos cometidos por aquela geração. O julgamento divino era iminente. b) Contexto Religioso

Jeremias nasceu nos últimos anos do reinado de Manassés, quando esse rei procurou sem sucesso reformar a nação que levara à idolatria, derramamento de sangue e corrupção moral. Como se pode observar nos comentários de Elissen, o cenário religioso da época do profeta se parece em muitos com o que contemplamos em nossa nação e no seio da igreja. Vejamos: - Vivemos numa nação claramente idólatra. O culto aos ídolos está presente nas grandes religiões que se estabeleceram no Brasil. Apesar de dispensar as imagens de esculturas, a idolatria está presente na igreja das mais diversas formas: culto ao templo, culto aos pastores, cultos aos pregadores, culto à prosperidade e etc.; - A violência impera nos grandes centros urbanos, com milhares de mortes diariamente, motivadas por toda sorte de futilidades. A violência na igreja manifesta-se de maneira específica no que chamo de violência passiva, ou seja, na falta de amor ao próximo, ou nas várias manifestações de atitudes egoístas e covardes; - Em termos de corrupção moral, os grandes e constantes escândalos nacionais poupam as minha palavras. O grave é a participação de líderes cristãos em alguns destes escândalos, as alianças políticas feitas para benefício próprio, chegando inclusive a negociar o voto da igreja em troca de favores que quando não são ilegais, são no mínimo imorais. Tal corrupção já encontrou guarida na chamada “política eclesiástica”, que em muitos lugares em nada difere da suja e imunda política secular praticada descaradamente em nosso país. Estamos em tempos de crise. JEREMIAS E A SUA VOCAÇÃO O termo “vocação” pode ser definido da perspectiva teológica por “o chamado que Deus dirige ao homem a quem Ele escolheu para si e que destina a uma obra especial no seu plano de salvação e no destino do seu povo. Na origem da vocação há, portanto uma eleição divina; no seu termo, uma vontade divina a cumprir […]” (DUFOUR apud CÉSAR, 2002, p. 21): “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.” (Jr 1.5) Vocação, nos termos aqui tratado não é para quem quer, é para quem Deus chama. Deus te vocacionou para ser professor, dirigente, obreiro, diácono, presbítero, evangelista, pastor, missionário, profeta ou para outra obra específica? Glorifica e exalta o nome dele, pois a vocação é dele, o preparo é dele, o poder é dele, a capacidade é dele, a graça é dele, a misericórdia é dele, a vontade é dele, tudo é dele e para Ele, amém! JEREMIAS E A SUA MISSÃO

Chamado para ser profeta. Um profeta é um porta voz de Deus. Não fabrica mensagens. Seu compromisso é o de entregar a mensagem que Deus lhe deu, custe o que custar. Geralmente o preço é alto. Tempos de crise são tempos de profetas. O profeta é o último aviso e oportunidade de Deus para um povo rebelde e pecado, antes de julgar esse povo. A missão de Jeremias era espinhosas. Ele seria, o que alguém chamaria hoje de alguém do “contra”. Você já foi chamado de alguém do “contra”? Há dois tipos de pessoas do “contra”. O primeiro tipo são aquelas revoltadas, maldizentes, murmuradoras, facciosas, semeadoras de contendas, instrumentos do diabo para tirar o sossego da igreja, do ministério e do pastor. Esse grupo não tem nada de Deus e Deus não tem nada com eles. O segundo tipo de pessoas do “contra” são os verdadeiros e corajosos profetas de Deus, aqueles que não recuam diante da ordem divina de denunciar o pecado e chamar o povo ao arrempedimento. Se você for do “contra”, mas pertencer a esse segundo grupo, vá em frente. Deus irá com você e lutará por você. Não tenha medo, pois ninguém impedirá que você conquiste o que Deus estabeleceu para a sua vida: “Pronunciarei contra os moradores destas as minhas sentenças, por causa de toda a malícia deles; pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, e adoraram as obras das suas próprias mãos. Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença. Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.” (Jr 1.16-19) JEREMIAS E A SUA MENSAGEM A mensagem do profeta Jeremias seria uma mensagem para arrancar, derribar, destruir e arruinar a idolatria, a violência, a arrogância, a soberba, a maldade, a indolência, o relativismo moral, o pluralismo religioso, a corrupção, o sistema falido e todo o tipo de pecado. Seria também uma mensagem que edificaria e plantaria os valores da aliança feita entre Deus e a nação, seu pacto, suas promessas, sua fidelidade. Seria uma mensagem de advertência, de juízo, de restauração e de esperança: “Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares.” (Jr 1.9-10) Eu tenho uma mensagem para os milhares de profetas de Deus, preparados e levantados contra esta geração, espalhados por este Brasil afora: - Saiba esperar o seu tempo. Apesar de você perceber a injustiça e a maldade no meio do povo de Deus e da nação é preciso saber perceber o momento de Deus para a sua vida; - Enquanto Deus não te concede grandes espaços e oportunidades para levantar a tua voz, aproveite os espaços e oportunidades agora oportunizados;

- Mesmo que você não venha a alcançar uma projeção nacional ou mundial, entenda como campo de trabalho o lugar que Deus te colocou, onde ele te usa e usará; - Nunca fale além daquilo que tiver convicção de que foi mensagem de Deus para os seus ouvintes; - Nunca omita nenhuma palavra ou sentença que o Senhor te mandou proclamar, por qualquer razão que seja; - Profetas de Deus são inteiramente cuidados, protegidos e direcionados por ele. Qualquer aparente perda que você vier a ter, desde que estejas na vontade de Deus, fará parte de um plano maravilhoso cuja mente humana não consegue alcançar; - Profetas de Deus não são triunfalistas arrogantes. Você pode ser objeto de perseguição ferrenha, experienciar sofrimentos e privações nesta vida, ser “queimado” vivo na fogueira da exclusão, ser lançado na cisterna do esquecimento, ser esbofeteado por mãos ou palavras, pode inclusive ter a morte encomendada, mas saiba que na eternidade celebraremos a vitória e pelo Senhor seremos honrados com o devido galardão. Temos em mãos uma lição bíblica que poderá sacudir as estruturas do atual sistema, desde que primeiro sacuda a nossa alma e estrutura, conduzindo-nos para uma vida de santidade e acendendo a chama profética em nossos corações.

IV - A realidade vivida pelo profeta. O ministério de Jeremias durou aproximadamente quarenta anos (626-586 a.C.). Neste período ocorreram os reinados de Josias, seus três filhos e seu neto. A mensagem de Jeremias foi sempre carregada de acusações contra os governantes do povo, a hipocrisia e a impiedade eram combatidas profeta. A palavra do SENHOR era contra os que impiamente governavam, conta o povo e também sobre os que sacrificavam; “Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra” (Jr 1.18). O ministério de Jeremias foi longo, desde 625 a.C até poucos anos que Judá deixou de existir como estado, em 586 a.C. A apostasia religiosa existente no tempo de Josias (621607 a.C), a qual Jeremias combateu com todas as suas forças tentando uma reforma religiosa no interior do coração e não apenas no exterior. Mas ele percebeu desde cedo que tanto esforço não estava surtindo efeito. Segundo a tradição histórica após a batalha de Carquemis, (605 a.C) e isto após dois anos a morte de Josias, o poderoso império Babilônico estabeleceu o controle em toda Ásia Ocidental. Desde então Jeremias advogava submissão à Babilônia. Os últimos quatros reis de Judá, levaram o povo a uma apostasia religiosa de vinte e um anos. O ministério do

profeta encontrou grande resistência dentro dos muros de Jerusalém, devido ao fracasso do povo em ouvir a palavra do SENHOR. O povo pagou caro pela sua desobediência; “E eu pronunciarei contra eles os meus juízos, por causa de toda a sua malícia; pois me deixaram, e queimaram incenso a deuses estranhos, e se encurvaram diante das obras das suas mãos” (Jr 1.16). Jeremias foi chamado a exercer o cargo profético cerca de 70 anos depois da morte de Isaias. E interessante lembrar que Sofonias e Zedequias eram contemporâneos de Jeremias na primeira parte do seu ministério e Daniel na última parte. Jeremias profetizou antes e durante o período do exílio, e por estar tão próximo ao povo, podemos observar que no decorrer de seu livro percebe-se a angustia do profeta, que via povo sendo consumido pela ira divina. (Jr 20.4) Conclusão O maior desafio de um mensageiro do SENHOR é observar que todo o seu trabalho pode não ter um resultado satisfatório. Para a população de Judá só havia uma saída, se converter de seus maus caminhos, mas o profeta sabendo de todas as maldades daquele povo tentou de todas as maneiras possíveis (Jr. 7.13) conduzir-los ao arrependimento. Diante de todas as suas dificuldades ele nunca desistiu de falar abertamente a palavra verdadeira do SENHOR. t
"Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir". (Jeremias 1:11,12) Amendoeira é uma palavra hebraica, "shoked", e significa "vigilante". Esta árvore é da família das rosáceas, de semente oleaginosa, e é a primeira planta a florescer na primavera. É como se ela ficasse vigiando o fim do inverno e o início da primavera, e quando ocorre o equinócio da primavera, a amendoeira é a primeira a brotar! Daí seu nome de vigilante. Deus estava dizendo a Jeremias: Eu sou como a amendoeira que vigia a primavera. Eu estou vigiando para que as minhas palavras se cumpram. E você Jeremias deve aprender a ser vigilante como é a amendoeira. Na simbologia bíblica "vara" significa "pessoa". Em João 15:5 Jesus afirmou: "Vós sois as varas..." Portanto "vara de amendoeira" significa: pessoa vigilante. As profecias do Antigo testamento são expressas das seguintes maneiras: Verbal, Factual e simbólica. 1. Verbal - Quando ela é falada. "Assim diz o Senhor..." Assim se faz um enunciado do que vai suceder ou uma observação de Deus. 2. Factual - É quando um fato, algo que sucede, que é histórico, real, concreto, é apontado como um evento também a suceder no futuro. A páscoa é um fato histórico, real, mas já era um anúncio profético da obra do Senhor Jesus Cristo. 3. Simbólica - Quando um símbolo é tomado como sendo uma mensagem. Muitas vezes a simbólica vem através de atos ou palavras. Como Jeremias e a vara de amendoeira. Quando Deus deu a Jeremias a visão da vara de amendoeira, ele alertava para a vigilância, pois a Palavra de Deus iria se cumprir, quer Jeremias quisesse ou não. Não que Deus fosse ruim, mal, mas porque Ele já sabia do pecado de Judá. Jeremias jamais poderia se intimidar por se achar uma criança, ou incapaz, e deixar de anunciar o que Deus iria mandar. O cristão deve ser vigilante, não somente porque "Jesus vai voltar" mas também em anunciar as Boas Novas do Reino, pois sabemos que a Palavra de Deus irá se cumprir, quer o mundo queira ou não. E já tem se cumprido! Não podemos nos intimidar diante de pessoas da alta sociedade, ou de pessoas que tem "pensamento positivo" sobre o mundo e a vida, mas anunciar que Jesus está voltando, e que este mundo (kosmos=sistema de coisas) tem um prazo estabelecido por Deus.

"Prega a palavra". Esta foi a ordem dada a Timóteo. "...instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes..." (2 Timóteo 4:2) Esta Palavra não nos ensina a sermos incovenientes, em que em qualquer lugar devamos ficar 24 horas pregando sem parar, se tornando um crente chato. Mas de ter o compromisso de dever anunciar nas horas certas, que é chegado o Reino dos Céus. Que o Senhor Jesus derramou na cruz do calvário sangue puro para nos salvar. Nunca deixar de falar! Devemos vigiar também sobre a volta do Senhor Jesus Cristo. Mas não apenas esperar com medo, ou porque "o mundo vai se acabar", etc, como se seguir ao Senhor fosse por medo ou pressão. Mas obedecer ao "ide", pois bem aventurado o servo que o Senhor assim o encontrar fazendo. Muitos pensam que falaram de Jesus em vão, que foram alvos de piadas, zombarias, e arrependem-se até de terem falado sobre Deus. Se o amado leitor não sabe a semente da amendoeira é chamada de "um despertar". Ela permanece nas ondas do mar por meses, e quando a maré enche, é lançada pelas ondas na praia, e se torna uma árvore enorme. A palavra de Deus nunca volta vazia. O nosso trabalho nunca é vão no Senhor Jesus Cristo. A semente da Palavra de Deus que você lançou em algum coração, um dia a maré enche. Um dia essa semente germina. Um dia desses ela se torna uma linda árvore. Saiba que o tempo de Deus não é nosso tempo. Seja vigilante como é a amendoeira. Seja o primeiro a falar. Seja o primeiro a dizer: Jesus é bom. E esses frutos, mesmo que demorem, eles irão se transformar em lindas árvores para a Glória do Senhor Jesus! Que Deus te abençoe rica e poderosamente em nome de Jesus. Denis de Oliveira é Pastor da Assembléia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ, www.portaldosevangelicos.cjb.net