Sessão Tutorial nº6 – Ensino da Escrita: Dimensão Gráfica e Ortográfica

A escrita não é uma habilidade motora mas antes uma forma nova e complexa de linguagem que começa muito antes da chegada ao 1º Ciclo do Ensino Básico. Como disse Vieira “o acesso às funções desempenhadas pela escrita, quer por meio da participação em actos de leitura, quer por meio da participação em actos de escrita, constitui um contributo fundamental da educação pré-escolar para alicerçar a aprendizagem da escrita”. Mais tarde no 1º Ciclo o aprendizado da escrita recorre à sistematização ortográfica através do “conhecimento das convenções ortográficas”, sendo o baixo desempenho dos alunos, nesse contexto, um inconveniente para o sucesso do relacionamento com o mundo da escrita.

Descrição da sessão

Primavera Ah, que perfumada brisa! Abram-se ao sol as portas e as janelas. Cheire-se o café com leite, o sabonete, Os goivos, o sol, a vida nova! Se a rua cantasse… Sinos e pregões, apitos e buzinas, vozes claras…

Confundem-se as árvores ao sol, Cada pássaro desenha-se no céu azul, Cada borboleta alegra um jardim!

Se chovesse cheirava a terra… Graciosos caminhos levemente enlameados, Conduziam-nos a lagos transparentes… Como se falassem de lembranças, De belas manhãs de Primavera! (Glória Pinto)

Depois de sensibilizar os alunos para a necessidade de escrevermos as palavras correctamente, valorizando a dimensão gráfica e ortográfica da escrita segundo o pressuposto de um código normativo convencional que faz parte da compreensão da mesma escrita, li-lhes o poema apresentado anteriormente, que eles ouviram atentamente.

Dividimos a turma em dois grandes grupos, propondo-lhes um ditado a pares do mesmo poema, mas com lacunas. Um grupo iria fazer desaparecer as lacunas ao escrever os versos ditados pelos colegas do lado. O aluno da direita ditava e o da esquerda escrevia, invertendo depois os papéis, completando assim o poema inicialmente com lacunas.

Seguidamente fizemos a auto e hetero correcção do ditado, visando sobretudo as formas verbais do poema (abram-se, cheire-se, confundem-se, desenha-se, chovesse, falassem…) para sabermos qual a forma verbal correcta, explicitando a regra e o procedimento de escrita
destas palavras.
Para sabermos qual a forma verbal correcta (levasse ou leva-se; cheirasse ou cheira-se, …) colocamos a frase na negativa. Se a palavra se, te ou mos aparecer antes do verbo na forma afirmativa, tem de se escrever

Com vista a uma consolidação mais eficaz os alunos aplicaram em exercícios a regra experienciada, formalizando a regra a partir dos referidos exercícios e escrevendo-a no quadro e no papel.

Caso contrário escreve-se junto, sem hífen.
com hífen.

Reflexão

Como afirma Baptista, Vieira e Barbeiro a “descoberta do princípio alfabético, ou seja, a descoberta de que as letras representam os sons da fala, e a capacidade de representar cada um desses sons pelas letras não esgotam o percurso de aprendizagem da forma escrita das palavras”. Para escrevermos as palavras de forma correcta, temos que distinguir os seus sons e saber como podemos escrever esses mesmos sons, escolhendo a forma de representação que concorda com a norma. Apreender as regras ortográficas não é tarefa simples ou rápida, sendo a reflexão do aluno sobre a forma como se escreve uma palavra de sublinhada importância. Inicialmente o aluno pode não saber minimamente qual é a forma correcta de escrever uma determinada palavra, tendo o professor de indicar o erro, depois induzido a reflectir sobre formas de escrever a mesma palavra reconhece que escreveu errado e mais tarde duvida antes de escrever. Quando nos confrontamos com “os problemas de ortografia apresentados por um aluno”, temos de identificar a que tipo de erro correspondem - dificuldades a nível fonológico, adições, substituições, omissões ou trocas de posição… preocupando-nos com o produto escrito, mas muito mais com o processo pelo qual o aluno se orientou para escolher escrever uma palavra de determinada forma. Para percepcionar esse processo, devemos conhecer as várias tipologias de erros ortográficos, conhecer cada aluno, a sua linguagem, as suas dificuldades e após a análise do erro promover estratégias e actividades que permitam ao aluno escrever de forma coincidente com a norma ortográfica convencional.

A formanda: Glória Pinto