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População e Espaço
Intra-urbano em Campinas

José Marcos Pinto da Cunha
Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira

A Região nucleada pelo município de Campinas é, sem dúvida, uma das
mais dinâmicas do Estado de São Paulo e do país. Como toda grande aglomeração
urbana, essa região, desde os anos 70, vem se configurando e se consolidando
como uma área metropolitana, seja do ponto de vista da integração funcional
entre os municípios – e da sua conurbação em vários casos, seja do ponto de
vista do poder concentrador em termos demográficos e econômicos.
Assim como grande pólo regional, o município de Campinas chega ao
limiar do século 21 com uma população próxima a um milhão de habitantes,
sendo que seu crescimento só não foi maior em função da expansão de áreas
periféricas representadas pelos municípios vizinhos. Nesse sentido, a cidade passa
pelos mesmos problemas urbanos e sociais de qualquer outra grande aglomeração
urbana, como a segregação sócio-espacial, os problemas de moradia, desemprego,
etc.
Dessa forma, estudar esse município é, de alguma maneira, recuperar
questões muito comuns nos grandes centros e, portanto, encarar desafios de
soluções e políticas que somente serão bem sucedidas na medida em que se
tenham diagnósticos apurados da forma como a cidade se expande e se modifica
no seu plano interno e até mesmo no externo, ou seja, nas “novas” periferias
representadas pelas cidades vizinhas que, de algum modo, acabam “assimilando”
parte dos problemas decorrentes do ímpeto concentrador de áreas do porte de
Campinas.
Tendo em vista tais preocupações, este trabalho representa uma a fase inicial
de uma análise mais ampla do processo de configuração e expansão do município
de Campinas e seus rebatimentos nas questões sócio-demográficas, sobretudo
aquelas referentes à transformação das características dos sub-espaços em termos
do crescimento demográfico, mudanças na composição populacional,
socioeconômica etc.
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População e Espaço Intra-urbano em Campinas

Desta forma, o presente trabalho começa a explorar algumas das
possibilidades derivadas da união entre os dados dos Censos Demográficos, em
especial os referentes aos setores censitários, e a tecnologia do Sistema de
Informação Geográfica na análise e diagnóstico da dinâmica intra-urbana do
município de Campinas. Para esse estudo serão utilizados dados referentes à
década de 80 sendo que, em alguns momentos, dados sobre a década de 70 e 90
serão também aproveitados. Nesse sentido, é importante destacar o esforço que
vem sendo realizado no sentido da reconstituição de uma série histórica a partir
dos setores censitários1 que, por suas mudanças constantes em cada Censo, requer
um trabalho árduo de compatibilização2.
Trata-se, pois, dos primeiros resultados obtidos e que, portanto, carecem
de um melhor tratamento em termos de categorias analíticas utilizadas, da
problematização das questões e, assim, uma mais acurada interpretação.
De qualquer forma, acredita-se que o caminho metodológico trilhado é promissor
para o entendimento das dinâmicas socioeconômicas e demográficas e, portanto,
para uma melhor articulação das propostas e execução de políticas públicas no
nível municipal.

Campinas: uma breve contextualização
A região de Campinas3 liderou o crescimento econômico do interior paulista
nas últimas décadas, com desenvolvimento diferenciado principalmente nos
municípios da sua região de governo. Seu crescimento industrial foi elevada na
década de 70 e, com um intenso processo de modernização agrícola, a região se
tornou importante pólo regional.
Na década de 80, apesar da crise econômica, o comportamento da região
ainda se impôs ao de São Paulo e outras regiões brasileiras. No início da década
de 90, notam-se algumas mudanças neste cenário de desenvolvimento econômico
com reflexos visíveis no desemprego, no encerramento das atividades de indústrias
ou suas mudanças para Estados mais convenientes em termos tributários, na

1
Setor censitário corresponde à menor unidade territorial para a qual são disponibilizados os dados dos
Censos Demográficos. Utilizados também como a menor unidade espacial para efeitos da amostragem
do levantamento censitário, costumam compreender uma área com mais ou menos 300 domicílios. Isso
implica que suas dimensões territoriais variam segundo o grau de adensamento da cidade.
2
Sobre essas dificuldades, ver nota metodológica em anexo.
3
Maiores detalhes sobre a região de Campinas poderão ser encontrados em Baeninger, R. “Região
Metropolitana de Campinas: Expansão e Consolidação do Urbano Paulista”, publicado nesse mesmo
livro.

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redução da produção agrícola devido principalmente à política de exportação e
crise no setor alcooleiro e, finalmente, com a questão social atingindo níveis
alarmantes gerando reflexos principalmente na violência urbana e nas ocupações
da terra.
Contudo, com o concomitante agravamento da crise em outras regiões
mais carentes, a região de Campinas continuou a receber um contigente de
migrantes muito superior aos das outras regiões, levando as administrações
municipais a uma maior responsabilidade devido à transferência de deveres do
Estado para o município.
Situado em ponto privilegiado do território paulista, o município de
Campinas é sem dúvida, ainda hoje, um dos maiores centros de atração
populacional do interior do Estado, não só em termos da migração interestadual
mas também e, sobretudo, no que se refere à migração intra-estadual. No decorrer
destes anos, embora a instalação de indústrias, serviços e população tivesse se
concentrado na capital e nos municípios de seu entorno, Campinas atraiu em
escala considerável novas indústrias. Nos anos 70, os movimentos migratórios
aparecem como necessários para o grande impulso industrial no município
(Baeninger, 1996).
A região desenvolve-se e expande seu dinamismo em função da
desconcentração das atividades produtivas em direção ao interior paulista.
Na década de 70, a região apresenta um intenso crescimento populacional,
marcado principalmente por grande fluxos migratórios. Pode ser observado
também que vários municípios da região apresentaram taxas de crescimento mais
elevadas que a do município de Campinas. A década de 80, a exemplo do que
ocorreu nas demais regiões metropolitanas do país, é marcada claramente pela
desconcentração populacional, com o município-sede perdendo população para
os municípios do entorno.
Mesmo com o crescimento e o dinamismo da economia,
o modelo econômico capitalista praticado na região de
Campinas é extremamente concentrador tanto na renda quanto
de população, e principalmente excludente, gerando um
contingente de trabalhadores subempregados, mal
remunerados, inseridos em formas de organização de
produção intensiva e em trabalhos de baixa capacidade de
acumulação e produtividade. Assim a expansão urbana se
apoia numa sociedade com uma distribuição de renda bastante
desigual, tendo como resultado a concentração de renda e
população nas grandes cidades, surgindo uma estrutura social

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354 . Sumaré. Nova Odessa. C. com a caracterização das SARs (Secretarias de Ação Regional) Norte. e à existência de uma rede urbana bem estruturada. Paulínia. os municípios de Valinhos. principalmente. que liga a Grande São Paulo ao interior do Estado. que um dos elementos centrais dessa “compartimentação” da cidade é o reconhecimento da existência de uma certa homogeneidade das características dos seus vários sub-espaços. Assim. onde os investimentos governamentais realizados através da oferta de incentivos e de infra-estrutura. somaram-se à existência de uma base agrícola moderna fortemente articulada ao setor industrial. 1998). DAVANZO. A. Demografia e Urbanização”. Hortolândia. principalmente nos grandes centros urbanos” (Caiado. A heterogeneidade interna do município de Campinas O Plano Diretor de Campinas4 de 1995 configurou a mancha urbana de Campinas durante o seu processo de expansão.. a região se transforma no terceiro parque industrial. A lógica da localização industrial ao longo das rodovias gerou na região uma conurbação que inclui. Indaiatuba. Leste e Oeste e as Macrozonas (MZ’s 1 a 7). Sta. situados ao longo da Rodovia Anhangüera. durante o período de dinamismo econômico experimentado pelo país. as Áreas de Planejamento (Mapa 3) AP’s 1 a 37.. U. além de Campinas. Q. PACHECO C. ficando atrás somente da Grande São Paulo e do Estado do Rio de Janeiro. independentemente da motivação e critérios de enfoque utilizados para a criação de cada uma das divisões apresentadas. Vinhedo. Sul. CANO W. SEMEGHINI. Campinas teve o seu processo de urbanização inserido no contexto do processo de interiorização do desenvolvimento experimentado pelo Estado de São Paulo. A. Como se nota nos três mapas. Bárbara D’Oeste e Americana. com a generalização das periferias urbanas.. o que fica claro é que existe uma visível tendência a que as regiões contemplem as mesmas áreas (mais ou menos desagregadas) e. contendo sub-divisões. 4 Baseado no “Plano Diretor de Campinas – parte II – Economia. O crescimento e a configuração da mancha urbana do município não foi homogêneo e diferentes partes do território municipal assumiram diferentes funções na inserção da dinâmica econômica municipal. 1991. M. e adotou a divisão da cidade segundo os seus principais vetores de expansão urbana (ver Mapas 1 e 2). Monte Mor.População e Espaço Intra-urbano em Campinas urbana fragmentada e segregada espacialmente.

Pedro I e Anhanguera. Essas características são encontradas praticamente em toda a área já consolidada. muito embora seja nessa direção que se 355 . encontram-se ainda áreas desocupadas. que apresenta uma urbanização consolidada. e o uso residencial de médio e alto padrão. e por grandes áreas institucionais. Na porção leste. delimitada pelas rodovias D. Macrozona e Bairros Fonte: Prefeitura Municipal de Campinas (Digitalização dos Setores: NEPO/UNICAMP). com áreas bastante adensadas. de serviços e institucionais. onde se concentram as atividades comerciais.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Mapa 1 Secretaria de Administração Regional (SAR) Mapa 2 Macrozonas Mapa 3 Áreas de Planejamento (AP) Número das AP’s. A mancha urbana de Campinas possui uma região mais central. na direção dos distritos de Sousas e Joaquim Egídio.

portanto. muito em função da elevada migração atraída pelo desenvolvimento do município. através da implantação de condomínios fechados que acabam também direcionando outros grandes empreendimentos particulares e públicos. Apesar de. em geral. criouse uma área de expansão urbana para o crescimento ordenado. quão tênue. a porção sudoeste do município. como Sumaré. de grande potencial de crescimento. na verdade. fez surgir entre as regiões oeste e sul uma nova cidade. ou melhor ainda. Nos anos 80. cujos limites ainda não se vislumbravam. muito embora apresentando ainda grandes áreas de baixa ocupação e populares e. Ao norte encontra-se o distrito de Barão Geraldo. com o aumento do perímetro urbano de 141 para 228 Km2. A construção do Aeroporto de Viracopos também contribuiu para este crescimento desordenado com a formação de loteamentos clandestinos e a instalação de conjuntos populares pela COHAB. ultrapassa os limites do município e se expande para os municípios vizinhos praticamente conurbados. portanto. a redistribuição da população já delinear o surgimento de cidades com algumas características de dormitórios. quão artificiais são os recortes normalmente usados nos estudos sobre a expansão urbana da cidade que. Tal processo mostra. uma das que mais se expande em função de seu padrão de ocupação baseado em loteamentos e invasões de população de baixa renda. constituindo um fluxo de expansão urbana para esta área que. também criou restrições para o crescimento desordenado da cidade. Por fim. este processo se consolida com um maior volume de migração partindo do município-sede de Campinas para os municípios de entorno (Baeninger. são condicionados pelo tipo da informação disponível. 356 . Ao longo da Via Anhangüera formaram-se novos loteamentos e surgiu grande número de favelas. O zoneamento urbano criado pela Secretaria de Planejamento. Urbanização e crescimento demográfico em Campinas e região O grande crescimento demográfico ocorrido em Campinas na década de 70. e apresenta uma importante concentração de alta e média renda e áreas em grande processo de valorização imobiliária. Este crescimento urbano da zona oeste da cidade (Mapa 4) acompanhou os vetores dos deslocamentos populacionais intrametropolitano e intra-regional. uma vez que estas áreas já possuíam infraestrutura urbana. ainda na década de 70.População e Espaço Intra-urbano em Campinas tem dado a ocupação residencial de padrão médio e alto. 2001). Há dez anos. por sua vez. que abriga a Universidade Estadual de Campinas. já se configurava a formação de sub-centros regionais como Americana.

pelo crescimento urbano vertical5 . Apesar da conurbação de Campinas e Indaiatuba ser ainda incipiente. como são os casos do Cambuí. com grande volume populacional e uma área reduzida. embora tanto o crescimento da população quanto de sua densidade tenha se dado nas áreas periféricas. 357 . Guanabara. 5 Na verdade o chamado processo de “renovação urbana” pode modificar esse panorama na medida em que transforme o uso e ocupação de partes da “cidade antiga”. etc. Este movimento de periferização da região sudoeste foi reforçado pela abertura do Aeroporto de Viracopos. deu-se em direção à zona oeste. Assim sendo. 7 e 8. Também são estes setores que sofreram menores mudanças geográficas nos últimos recenseamentos. AP28 (Ouro Verde). tendo em vista sua delimitação geográfica mais consolidada e caracterizada. Assim. De fato. mostrando as direções para onde se dá a expansão da cidade. em geral. sendo que os sub-espaços específicos onde isso ocorre podem ser mais bem percebidos a partir da observação do comportamento das Áreas de Planejamento (AP’s).José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira O crescimento de algumas regiões do município chama atenção pelas características demográficas e socioeconômicas na formação de seu espaço urbano. Assim. Contudo. portanto. mas também pela migração proveniente de fora e até mesmo de dentro do próprio município. condicionada não apenas pelo maior crescimento vegetativo. justamente aqueles mais adensados (e. 5. em Campinas. através da atuação das COHABs Campinas e Bandeirantes. além de ter um aumento considerável na densidade demográfica. também respondem por parte significativa do volume populacional de Campinas. pela implantação do Distrito Industrial de Campinas e pela implantação de vários conjuntos habitacionais nesta região do município. a exemplo do que aconteceu ao longo da Anhangüera. os dados da Tabela 1 e os Mapas 4. em menor medida. 6. sua densidade demográfica alcança índices elevados se comparados com outras regiões (Tabela 1). mostram o aumento da densidade populacional nas regiões sul e oeste do município e o crescimento populacional vigoroso nestas regiões da cidade. particularmente aquelas da zona oeste. pode-se constatar que boa parte do crescimento demográfico da periferia. noroeste do município. Como mostram as análises dos setores censitários. sudoeste e. deve-se considerar a possibilidade de adensamento e da provável compactação da mancha urbana nesta direção. nota-se pelos Mapas 4 e 4a que as AP27 (Campo Grande). esse fenômeno não é tão acentuado. AP26 (Aparecidinha). menores em área) localizam-se nas regiões mais antigas e centrais. AP18 (Campos Elíseos) e AP6 (Barão Geraldo) são as que.

358 . Tabulações especiais NEPO/ UNICAMP. segundo suas Áreas de Planejamentos (AP’s) 1980/96 Fonte: FIBGE.População e Espaço Intra-urbano em Campinas Tabela 1 Campinas: Densidade Demográfica e Taxas de Crescimento Geométrico Anual da População nos intervalos censitários. Assim. Censos Demográficos de 1980. o intenso processo de periferização experimentado pela região marcou profundamente o perfil da aglomeração. 1991 e Contagem de 1996. provocando graves conseqüências urbanas e sociais como a deterioração do sítio natural e da qualidade do meio ambiente.

1991 e Contagem de 1996.Digitalização dos Setores: NEPO/UNICAMP. Dados Cartográficos . constituição de espaços segregados destinados exclusivamente à população de baixa renda. Mapa 4 Campinas: taxa média geométrica de crescimento anual da população por Área de Planejamento para o intervalo censitário 1980/1991 Mapa 5 Campinas: taxa média geométrica de crescimento anual da população por Área de Planejamento para o intervalo censitário 1991/1996 Fonte: FIBGE.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira desajustes das redes de infra-estrutura urbana. entre outros. 359 . Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. Censos Demográficos 1980. comprometimento das finanças públicas pelos custos crescentes da urbanização. agravamento dos problemas sociais da periferia.

Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. Censos Demográficos de 1980. 1991 e Contagem de 1996.Digitalização dos Setores: NEPO/UNICAMP Mapas 6. 7 e 8 Campinas: Densidade Demográfica segundo Áreas de Planejamento 1980. Dados Cartográficos . 1991 e 1996 População e Espaço Intra-urbano em Campinas .360 Fonte: FIBGE.

em parte em função do espraiamento da população para outros municípios da recente região metropolitana. É com esse objetivo que se apresenta a análise a seguir. Informações relativas à origem. mobilidade espacial. a presença de migrantes é ainda hoje percebida em cada canto da cidade. tendo em conta que. 2001. várias questões permanecerão em aberto. ao longo de muito tempo. atrelado às importantes levas de migrantes que para aí se dirigiram.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Características demográficas e socioeconômicas Um melhor entendimento do crescimento urbano do município e de seus condicionantes pode ser alcançado a partir da análise das características da população que ocupa cada um dos sub-espaços do município.95% e. etc. quando aprofundadas. Tabela 2 Evolução dos Saldos Migratórios e Participação Relativa no Crescimento Absoluto (%) Região Metropolitana de Campinas 1970 a 1996 Fonte: Baeninger.86%. por se tratar ainda de um primeiro estudo. formação familiar.. estrutura etária. infraestrutura urbana. permitiriam não apenas uma visão mais aprofundada das características e conseqüências do processo de expansão urbana na cidade. 361 . para um crescimento de 5. a participação relativa da migração no crescimento absoluto da população foi de 65%. na década de 80 de 16. Mesmo com a migração tendo perdido sua intensidade. conforme Tabela 2. mas também um diagnóstico mais eloqüente para a formulação de políticas e ações visando à atenuação deste quadro que exclui a maioria da população para as áreas periféricas menos favorecidas. na década de 90. Os espaços da migração em Campinas A importância da migração na constituição social.13%. sendo que na década de70. Como se percebe pelos dados censitários. o significativo crescimento populacional do município de Campinas esteve. econômica e demográfica de uma região como Campinas é um fato inconteste. renda. de 16.

contudo. no mínimo. Também vale a pena mencionar a significativa proporção de estrangeiros que chegaram à cidade. de forma a identificar áreas que sejam. deste total. Além disso. tecnológicas. optando por realizarem um movimento pendular para São Paulo ou municípios da região. dado o seu impacto no crescimento demográfico e. representando pouco menos de 3% de todos os migrantes. não apenas para o conhecimento do processo de expansão urbana. educacionais. entre 1991 e 1996. mais de 22. mais da metade declararam residir. Assim. 6 362 . a Contagem Populacional de 1996 possibilita trabalhar sem maiores problemas. é sempre interessante observar a localização dos migrantes por procedência. em grande medida. 1987. resolver seus problemas habitacionais. particularmente visando uma ocupação mais ordenada e. viabilizam ou. Na verdade. 1990. 9 Por se tratar de um levantamento universal baseado em um único questionário. de certa forma. para citar os mais significativos. com informações sobre migração no nível dos setores censitários. potencializam os deslocamentos populacionais: as redes sociais de parentesco ou amizade8 . Embora se possa dizer que a migração para a cidade é predominantemente de pessoas de baixa renda. Nesse sentido. das políticas (ou falta delas) adotadas com relação ao uso e ocupação do solo. portanto. pode-se dizer que várias das contribuições (Massey. basta lembrar que uma de suas maiores concentrações urbanas – o Parque Oziel.População e Espaço Intra-urbano em Campinas Assim sendo. dependem. 8 Atualmente. ao contrário dos Censos Demográficos. entre outros) também podem ser adaptadas para o caso da migração interna. no próprio Estado de São Paulo (51%). seu caráter seletivo em termos de idade. outros 9% o Paraná e 6% a Bahia. etc. a localização espacial dos migrantes também responde a processos sociais que. não se pode negar que Campinas também tem atraído significativos contigentes de pessoas e famílias de mais alto poder aquisitivo atraídos pelas oportunidades desta área em termos de atividades industriais. Outros até mesmo a escolhem como lugar de moradia. operam como elementos que encorajam. sobretudo. percebe-se que a porção sul do município. sabe-se que as estratégias de localização espacial da população e dos migrantes. mereçam maior atenção por parte do poder público. Os dados analisados da Contagem de 19969 dão conta de que. em 1991.6 mil pessoas fixaram residência em Campinas e que. O Mapa 9 permite que se tenha uma idéia dos principais espaços da migração recente no município de Campinas. cerca de 10% tinham como procedência Minas Gerais. esta questão tem sido mais desenvolvida teoricamente nos estudos sobre migração internacional. em particular. como também para a concepção de políticas públicas.6. ou potencialmente venham a ser. com mais de 45 mil habitantes – foi justamente formada a partir de uma ocupação7 por parte de pessoas que buscavam. zonas de intenso crescimento demográfico e que. mais que isso. legitimamente. No caso de Campinas. socialmente mais justa e adequada. Tilly. o diagnóstico do fenômeno em nível intra-municipal constitui-se uma questão relevante. características socioeconômicas. a sudoeste da cidade. etc. 7 Tem-se conhecimento de que as ocupações em Campinas superam uma centena de áreas.

Mapa 9 Campinas: Distribuição espacial dos migrantes segundo os setores censitários 1996 Fonte: FIBGE. Este é o caso dos paranaenses. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . contudo. é onde se localizam as maiores levas de migrantes. sabe-se que aí se concentra boa parte da população de mais baixa renda e com piores condições de vida. Claro que somente um estudo mais aprofundado desse tipo de informação poderia mostrar as diferenças existentes entre estes sub-espaços em termos das características da migração registrada. incluindo grandes favelas. isso foge do escopo desse estudo e. principalmente. este último ainda com vastas áreas rurais. As informações dos Mapas 10 e 11 e do Gráfico 1 apontam no sentido da existência de certo “padrão locacional” entre os migrantes de uma mesma procedência. 363 . Especulações a respeito destes padrões de localização podem ser feitas ligando este fenômeno às redes sociais. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. No entanto. Contagem Populacional de 1996. No caso dos mineiros também se nota uma maior prevalência em outros setores do sul da cidade. nos dois primeiros casos (sudeste e noroeste). na porção noroeste e nas regiões mais centrais percebe-se concentrações significativas de migrantes. Uma análise interessante da mesma informação pode ser obtida especificando a migração segundo a procedência.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira em particular a sudoeste. como é o caso de São Marcos e Santa Mônica na área noroeste. fato que se mostra coerente com o maior crescimento destas zonas mostrado anteriormente. que visivelmente se apresentam em maiores volumes em alguns setores censitário da zona sul e nordeste do município. como se mostrará mais adiante. Do mesmo modo.NEPO/UNICAMP. do alcance dos dados aqui utilizados.

NEPO/UNICAMP. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . 364 . Tabulações especiais NEPO/UNICAMP.População e Espaço Intra-urbano em Campinas Mapa 10 Campinas: distribuição espacial dos migrantes de Minas Gerais segundo setores censitários 1996 Mapa 11 Campinas: distribuição espacial dos migrantes do Paraná segundo setores censitários 1996 Fonte: FIBGE. Contagem Populacional de 1996.

Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. Gráfico 1 Campinas: Distribuição dos Imigrantes Estrangeiros segundo Distritos 1996 Fonte: FIBGE. portanto. Souzas. Da mesma forma. mostrando que estes buscam residir nos locais mais valorizados da cidade. para a tomada de decisões sobre o como enfrentar os problemas derivados do processo de urbanização. sobretudo em se tratando de uma cidade com o perfil de Campinas: a localização dos imigrantes estrangeiros. torna-se elemento central para o conhecimento das diferenciações sócio-espaciais e. Além do fato já comentado do percentual relativamente elevado de estrangeiros na cidade. assim como para a definição do perfil das demandas em quase todas as dimensões das políticas públicas. de recente ocupação e muito procurado pela população de mais alta renda. fato que sugere uma estreita ligação dessa emigração com dois dos principais elementos atrativos do município: as empresas de tecnologia e as universidades. um distrito próximo a Barão Geraldo. é ainda interessante observar que a maioria deles teve como destino o distrito de Barão Geraldo. 365 . Contagem da População de 1996. Estrutura Etária A análise da estrutura estária da população constitui ferramenta essencial para estudos das tendências demográficas e seus componentes. particularmente em nível desagregado.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Finalmente o Gráfico 1 apresenta uma questão muito interessante. aparece como segundo lugar mais procurado pelos estrangeiros. Nesse sentido. conhecer a composição da população municipal segundo essa variável.

em termos de valores absolutos. A faixa etária de 16 a 60 anos. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. não obstante. De fato. sendo que a importância da migração se reflete na participação mais significativa dos grupos de adultos jovens entre 15 e 29 anos. teve uma pequena diminuição na participação da população total.População e Espaço Intra-urbano em Campinas Nos Gráficos 2 e 3 são apresentadas as pirâmides etárias da população do município de Campinas para 1980 e 1991. respectivamente.02% a uma taxa de crescimento de 2. Pela própria conformação das pirâmides.17%. especialmente do Estado de São Paulo. o que. um processo visível no município. principalmente pela redução do peso relativo das crianças com menos de 10 anos de idade. Para 1991. 366 . reflete o impacto das grandes levas de migrantes nesta faixa etária que chegam à região. a cidade apresenta crescimento maior da população na faixa acima de 60 anos (4. de 63. apesar de representar a maior parcela.34 % do total de residentes em Campinas para 80 e 91. essa sub-população ainda representasse 6. nota-se que. observando a taxa de crescimento geométrico anual da população de Campinas por grandes grupos etários. a distribuição etária já mostra uma configuração que reflete a transição demográfica do país caracterizada por uma significativa redução da fecundidade e aumento da expectativa de vida. perdendo sua forma piramidal e passando à forma quase retangular.58% para 62. O envelhecimento da população é.04 % e 7. certamente.47%). Gráficos 2 e 3 Campinas: Estrutura Etária da população residente 1980 e 1991 Fonte: FIBGE. seguindo a tendência do país e. portanto. podemos ver a concentração de pessoas nas idades entre 20 e 24 anos para 1980. Censos Demográficos de 1980 e 1991.

para o Censo de 1980 e com uma maior intensidade em 1991. correspondendo aos bairros de Campo Grande. 11 Infelizmente. Esse resultado é importante na medida em que se mostra coerente com a ocupação dessas áreas por famílias de estratos socioeconômicos mais baixos que. tendo em vista as sensíveis diferenças das taxas de crescimento da população em cada uma destas áreas (Mapa 4)10. se reflete na composição etária. Jardim Garcia.1991 Fonte: FIBGE. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . e tendo em vista a pretenção de apontar as diferenças espaciais existentes. Nos Mapas 12 e 13 pode-se notar como as áreas de planejamento do município se diferenciam significativamente em termos de suas estruturas etárias11.1980 Mapa 13 População até 15 anos (% ) Campinas . essa distribuição etária do município como um todo sofre variações quando se transfere a análise para o seu plano interno. Censos Demográficos de 1980 e 1991. Tabulações especiais: NEPO/UNICAMP. optou-se por utilizar um indicador resumo.NEPO/UNICAMP. em termos demográficos. está muito influenciado pelo nível de fecundidade que. o percentual de população menor de 15 anos que permite apontar o quão rejuvenescidas são as estruturas das regiões em questão. ainda. por sua vez. Mapa 12 População até 15 anos (%) Campinas . 367 . já poder-se-ia prever. Campos Elíseos e Distritos Industriais I e II. Por essa razão. acompanhar o crescimento e a concentração da população de até 15 anos entre 1980 e 1991 na direção oeste do 10 Não é demais lembrar que um dos componentes do crescimento demográfico. situação que. Quanto maior o número médio de filhos. o vegetativo. tendem a apresentar maior fecundidade. no caso. não é possível mostrar em um mapa todas as pirâmides etárias. mais rejuvenescida será a população.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Na verdade. como se sabe. Florença. Nos Mapas 12 e 13 pode-se. Desses dados constata-se uma maior concentração da população mais jovem na região periférica emergente mais ao sul.

que naturalmente implica na maior ocupação das áreas mais antigas da cidade por parte das famílias ou pessoas em um ciclo vital mais avançado. o baixo nível de informação sobre métodos contraceptivos. às vezes.População e Espaço Intra-urbano em Campinas município. Há que se reconhecer também que essa “vantagem” locacional por parte dos idosos muitas vezes acaba sendo ao poucos minada pelo chamado processo de renovação urbana. mesmo tendo resistido bravamente para manterem-se em seus bairros originais. condomínios fechados. um número médio de filhos maior. as novas tendências urbanas distanciam-se cada vez mais do velho padrão no qual o bairro praticamente oferecia tudo o que se necessitava para as necessidades rotineiras. Como será mostrado. Outra forma de se visualizar as diferenças entre as estruturas etárias dos vários sub-espaços de Campinas é partir do mapeamento do Índice de Rejuvenescimento13 . o que se reflete em sua estrutura etária mais jovem. observa-se uma maior concentração dessas pessoas nas zonas mais consolidadas e centrais da cidade. que estabelece a relação entre o volume de pessoas menores de 15 anos e o volume de maiores de 60 anos. que busca ocupar com atividades mais rentáveis as áreas mais centrais da cidades. em termos demográficos). sobretudo. 12 368 . não há diferença na interpretação dos resultados. com sua vizinhança. em um grande número de AP’s. Como se nota pelo Mapa 14 e pela tabela do Anexo 5. etc. 13 Este índice pode também ser construído a partir do quociente entre a população maior de 60 anos e a de menores de 15 anos. em particular a classe média –. Como já se adiantou. a uma De fato. hipermercados. Já nos caso dos idosos (60 anos e mais). várias questões – entre elas o acesso inadequado (ou. Nesse caso. de maneira geral. são apenas algumas características que acabam mudando as forma como o indivíduo circula e se relaciona com a cidade e. Zonas exclusivamente residenciais – defendidas ardentemente pela própria população. não acesso) aos serviços de saúde. – fazem com que a população apresente. Em todo caso. shoppings centers. é conhecido como Índice de Envelhecimento. questões relativas às relações de gênero. esta distribuição também possui um estreita relação com as características socioeconômicas da população que ocupa cada sub-espaço. Além do fator temporal (ou de coorte. Muito provavelmente muitos de nós conhecemos casos de antigos moradores que. pode-se pensar que também esse padrão locacional – até porque estas pessoas poderiam mudar-se para novas áreas – reflita certa preferência por parte dos idosos por morarem mais perto das facilidades de comércio e infra-estrutura urbana que são oferecidas nos bairros de mais antiga ocupação12. zonas da cidade especializadas em certos serviços. a maior parte das vezes levado à cabo pela forte e insistente intervenção do setor imobiliário. caracteristicamente uma zona de expansão urbana das populações de mais baixa renda. fica clara a maior participação das crianças na população das áreas mais periféricas – chegando. sucumbiram a esse processo. etc.

prospectiva do avanço da população por idade no espaço é questão decisiva para efeitos de racionalidade de investimentos. Censo Demográfico de 1991. após alguns anos. escolar. a preocupação não apenas imediata. 369 .NEPO/UNICAMP. mas sobretudo. obviamente. 1999. em áreas que. Carmo e Bittencout. existem certas regiões da cidade onde as necessidades e características sócio-demográficas da população vão se sobrepondo e se retroalimentando de maneira a torná-las muito mais vulneráveis em termos socais e até mesmo ambientais14. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. mostrando a importância da população idosa nessas áreas. implica em atenções diferenciadas no que se refere ao fornecimento de serviços públicos como habitação.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira relação superior a 6 ou mais crianças para cada idoso – quando comparadas com as mais centrais que. Particularmente no que se refere à educação e saúde. fica muito evidente a diferenciação interna existente entre os vários sub-espaços do município de Campinas. apresentam valores bem reduzidos do referido índice. Mapa 14 Campinas: Índice de Rejuvenescimento segundo AP’s 1991 Fonte: FIBGE. tipos distintos de atenção médica). via de regra. Cunha. posto de saúde (e nesse caso. Não devem ter sido muito raras as situações de construção de escolas. fato que. deixaram de ter a demanda para a qual aquele equipamento foi projetado. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . Como continuar-se-á mostrando. por exemplo. Desta forma. 14 Sobre este ponto específico ver Hogan. etc.

que aboliu a expressão “chefia”. sendo um pouco mais baixo. sem que isso pudesse ser necessariamente associado a algum tipo de vulnerabilidade social. a cidade apresenta fortes diferenciais espaciais em termos etários. de maneira geral. hoje há argumentos cada vez mais fortes no sentido de contradizer essa visão de que a pobreza seria mais incidente em domicílios com chefia feminina16. y posiblemente reduzcan su vulnerabilidad y pobreza” (Safa.. Em segundo lugar. esta situação também poderia ser considerada. houve um crescimento significativo da incidência de chefia feminina. Em primeiro lugar. o aumento na década de 80 foi superior a 9%.que sugieren que la capacidad de las unidades domésticas encabezadas por mujeres para incorporar parientes de la familia extensa las convierte en unidades sociales más idôneas para los grupos de menores recursos en situaciones bajo tensión. mas progressivamente. Por sorte. só é configurada nos Censos nos casos de mulheres que vivem sozinhas ou sem os seus respectivos cônjuges. Se isso é certo. é muito comum que em populações mais envelhecidas o índice de chefia feminina seja bem mais elevado. como elemento que poderia afetar a qualidade de vida das famílias. sabe-se. este fenômeno não pode ser analisado separadamente do ciclo vital familiar.. Sabe-se que. 1999:17). percebe-se que. 15 370 . por exemplo.População e Espaço Intra-urbano em Campinas Mulheres Chefes de Família Este é o caso. particularmente no Brasil. De fato. Aqui se agradecem as sugestões da professora Elisabete Dória Bilac do NEPO. está muito viesado pela estrutura familiar predominante no país. com uma estrutura familiar ainda marcadamente patriarcal. mas não menos significativa nas Que fique bem claro que aqui não há qualquer juízo de valor sobre o significado da chefia feminina. Em consonância com o ocorrido no país. isto não necessariamente é uma verdade absoluta. a relação de gênero está ganhando novos contornos. como se mostrou. em Campinas. embora haja dúvidas de que com isso também tenha sido abolida a tendência a considerar o responsável da casa (ou a pessoa de referência nos termos do IBGE) o homem. Portanto. tendo em vista a maior longevidade da mulher. os dados mostram que entre as idades 15 a 30 anos. das famílias com chefia feminina. 16 Aqui vale uma argumentação em contrário à tese de chefia feminina reproduzir a pobreza. No entanto. e tendo em vista que a participação feminina no mercado de trabalho – apesar de ter crescido significativamente nas últimas décadas – é ainda menor que a dos homens. lenta. a chefia feminina. De fato. Sobre análises desenvolvidas para o México. Helen Safa diz que “una perspectiva más pluralista de la organización familiar nos permitiría aquilatar los datos. seria natural que também fosse heterogênea em termos dos índices de chefia feminina. uma vez que. além de requerer políticas sociais específicas15. particularmente quando se pretende observá-lo no nível intra-municipal. Trata-se apenas de uma tentativa de interpretação de um indicador derivado do Censo que. inclusive no próprio Censo Demográfico de 2000. via de regra.

como se verá.5%).NEPO/UNICAMP. por exemplo. Recolocando a preocupação sobre o significado deste indicador. Contudo. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . particularmente nos bairros São Marcos e Amarais (noroeste). por exemplo. como se percebe pelo Mapa 15. o percentual de chefia feminina varia significativamente entre as várias Áreas de Planejamento (ver também tabela do Anexo 2). Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. sabidamente áreas onde residem pessoas de baixa renda e que abrigam. No entanto. chama a atenção. os valores alcançados por algumas AP’s. Mapa 15 Campinas: Proporção de domicílios chefiados por mulheres segundo Áreas de Planejamento 1991 Fonte: FIBGE. pois se percebe que a maior prevalência desse 371 . Censo Demográfico de 1991. Na verdade. cerca de 18% dos domicílios particulares eram chefiados por mulheres. Em 1991. onde este valor é o mais alto de Campinas – 33%. fica muito claro que não apenas nestas áreas a importância relativa da chefia feminina se destaca. como já se havia previsto. Cambuí e Guanabara. Assim. os resultados anteriores colocam sobre a mesa uma questão importante. uma grande população favelada. o que se percebe é uma alta porcentagem de chefia nas áreas mais centrais da cidade que coincidem com bairros mais antigos como.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira idades mais avançadas (cerca de 7. Jardim Eulina (oeste). Costa e Silva (norte) e Jardim Garcia (sudoeste). mesmo abandonando a idéia ultrapassada dos efeitos negativos da chefia feminina sobre a pobreza.

saúde. tal informação é relevante. deve apresentar peculiaridades em termos da composição familiar. em sua maioria. Essa ocupação deu-se em áreas distantes e urbanizadas (Mapa 16). etc. em parte.População e Espaço Intra-urbano em Campinas fenômeno não ocorre apenas nas áreas mais “envelhecidas” e tradicionais da cidade. é nesta região que se encontra o maior volume populacional do município. principalmente na população de baixa renda. sendo. composição e nível de rendimento etc. mais vulneráveis em termos das condições gerais de vida. Na verdade. Esta região apresenta grandes problemas no sistema viário local e estrutural. na medida em que a situação de chefia feminina. conjuntos horizontais e verticais). 1999. Tabela 3 Campinas: número de favelas em Campinas segundo SAR 1995 Fonte: Prefeitura Municipal de Campinas. sua maior concentração está na zona oeste. situação que se explica. sejam as de caráter compensatórias ou mais geral como habitação. creches. O transporte coletivo é deficiente com congestionamento nas vias estruturais e insuficiente nas vias locais e nos bairros isolados. 372 . o que gerou uma mancha descontínua permeada por grandes áreas não parceladas. nome técnico dado pelo IBGE às conhecidas favelas. por ter sido nessa região onde se concentrou grande parte dos empreendimentos da COHAB (lotes horizontais. Favelas Uma das maiores preocupações do poder público atualmente em Campinas é com relação aos aglomerados sub-normais.. Embora estejam presentes em proporções significativas em todas as regiões administrativas. pertencente às faixas mais baixas de renda. sobretudo. mas também em algumas de recente ocupação e. educação. tanto em números absolutos quanto em números relativos (Tabela 3). De fato. implicando talvez na necessidade de políticas específicas. do ponto de vista do poder público. principalmente no que se refere à descontinuidade das vias e falta de ligações entre os bairros. bem como loteamentos e conjuntos habitacionais populares de iniciativa privada.

José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Sabe-se ademais que as favelas ocupam. Assim. são elementos de extrema significância e que podem ser abordados segundo a metodologia que vem sendo adotada dentro desse trabalho. enfim. locais pouco ou nada valorizados dentro da cidade e que. uma vez que aumentam em muito a vulnerabilidade da população que aí se aloja. via de regra. na verdade. tendo em vista as áreas ainda disponíveis. um diagnóstico mais detalhado dessas áreas quanto à composição de sua população.. não poderiam ser ocupados. além de estudos prospectivos sobre o avanço desse tipo de ocupação. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. encostas e áreas íngremes que não apenas aumentam as possibilidades de deslizamentos como também das enxurradas. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . etc. que proporcionam problemas de inundação. localização. como fundos de vales. áreas de grande risco. 373 .NEPO/UNICAMP. Mapa 16 Campinas: Setores Censitários classificados como aglomerado sub-normal 1991 Fonte: FIBGE. Censo Demográfico de 1991.

População e Espaço Intra-urbano em Campinas Renda Como se afirmou anteriormente. 17 374 . o fenômeno da favelização acabe sendo uma alternativa – altamente indesejável. obviamente – para a ocupação por parte da população de baixa renda. pelo menos de regiões mais centrais e valorizadas da cidade. reflete-se claramente na distribuição da população e da “pobreza” no seu interior. o modelo de distribuição da riqueza no município também é extremamente concentrador. Mapa 17 Porcentagens de Chefes de Família com rendimento médio mensal inferior a 1 salário-mínimo 1991 Tem-se consciência da debilidade de tal indicador para aferir a pobreza da população. No entanto. como já mostrado. portanto. não apenas por que a renda não é necessariamente o único ou melhor indicador para tal. claro. apesar do crescimento econômico e do dinamismo industrial em Campinas. percebe-se claramente os locais “reservados” para ricos e pobres no município. mal remunerados e inseridos de maneira precária no mercado de trabalho. observando os dados espacializados sobre renda dos chefes de família17. Esta distribuição desigual da renda e dualização do espaço que. mas sobretudo. com um grande contingente de trabalhadores subempregados. mesmo que não dos espaços específicos. não é prerrogativa somente de Campinas. muito embora. esta é a única possibilidade existente nos dados censitários para setor censitário. não permite medir o real poder de consumo da família. por não se tratar de um valor per capita e que. Assim.

Centro e Cidade Universitária (Barão Geraldo). portanto.NEPO/UNICAMP. 18 375 . No outro extremo. revelando Ao contrário da sua acepção geográfica. definitivamente não apenas não é capaz de atender a falta de moradias das grandes cidades. os dados apresentados nos Mapas 17 e 18 e na tabela no Anexo 3 mostram que a expansão urbana de Campinas acabou gerando um conjunto de espaços diferenciados em termos socioeconômicos e generalizando o surgimento de grandes “periferias”18 urbanas.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Mapa 18 Percentual de Chefes de Famílias com rendimento médio mensal superior a 10 salários-mínimos 1991 Fonte: FIBGE. na zona oeste é onde se percebe a incidência de rendas médias mais baixas da cidade. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. Assim sendo. Como se percebe. A política habitacional implementada não só em Campinas. é visível a concentração da renda nos bairros nobres da cidade como Cambuí. mas em praticamente todo país. o termo é aqui utilizado para caracterizar aquelas áreas menos valorizadas das cidades e. não passando de 4.16 salários mínimos. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . como também exclui da sua faixa de atendimento as classes com rendimento abaixo de 3 salários mínimos. valor que diminui ainda mais na região do Campo Grande. mais acessíveis à população de baixa renda. Censo Demográfico de 1991. ao sudoeste.

o mesmo não pode ser dito com relação à coleta de esgoto. em função da quase universalização dos serviços. Como já se observou. ora para atender a demanda legítima por habitação das classes mais pobres. não atendidas pelo sistema formal. a política habitacional se revela também fortemente segregadora da população pobre urbana. com a conivência do poder público. “assim como em outras metrópoles. pode-se dizer que esse indicador é bastante poderoso para apreender as carências da população. excluindo novamente as classes mais pobres. acarretando o crescimento das favelas e cortiços nas grandes cidades”. principalmente na década de 70. promove a valorização de grandes áreas mantidas como reservas de valor. contribuindo também para a segregação espacial. este instrumento acabou por contribuir para o mercado capitalista formal assegurando que o solo urbano disponível destine-se à produção capitalista formal. Ao implantar grandes conjuntos habitacionais nas grandes cidades. particularmente porque se sabe que há uma tendência nos levantamentos censitários a sobreestimar a cobertura em função da má interpretação da pergunta ou verdadeiro desconhecimento por parte do entrevistado sobre as condições reais de seu domicílio. quase sempre nas periferias urbanas. mais uma vez as áreas periféricas do sudoeste e oeste de Campinas aparecem entre aquelas com mais baixo percentual de domicílios com este tipo de serviços.População e Espaço Intra-urbano em Campinas assim o seu caráter de exclusão social. Nesse sentido. Como fica muito claro (Mapa 19). eliminando uma forma ainda que ilegal de acesso à moradia pelas classes mais pobres. Saneamento básico O quadro de visível diferenciação sócio-espacial do município de Campinas pode ser completado a partir da consideração da cobertura de serviço de esgoto nos domicílios. a ocupação típica da região sudoeste pela população de baixa renda foi fortemente induzida pela atuação da Cohab. a produção imobiliária ilegal cresceu. Assim. ora para promover o capital imobiliário na sua busca incessante pela majoração de lucros. que a elegeu como destinatária de um grande número de conjuntos residenciais populares. 376 . a questão da água e luz no Estado de São Paulo pouco discrimina os domicílios. Mesmo com a lei de regulamentação do uso e parcelamento do solo (nº 6766/79) cujo objetivo principal era punir os promotores de loteamentos irregulares e garantir o uso ambiental adequado do espaço urbano. Se por um lado. Utilizando as palavras de Caiado (1998). aumentando o preço da terra e permitindo o acesso a esta somente pelas classes de renda média. No entanto. não é só sob esse aspecto que a produção formal de habitação popular é excludente.

com características que. Censos Demográfico de 1991.NEPO/UNICAMP. associadas ao crescimento e perfil demográfico. Dados Cartográficos: Digitalização dos Setores . o presente artigo teve como principal objetivo mostrar as potencialidades que os métodos e materiais demográficos associados ao geoprocessamento possuem para se conhecer e entender o contexto intra-urbano.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Mapa 19 Campinas: Porcentagem de domicílios com rede de esgoto segundo AP’s 1991 Fonte: FIBGE. acabam por dar a dimensão e intensidade dos problemas existentes na cidade. 377 . Assim. Tabulações especiais NEPO/UNICAMP. Considerações Finais Muito mais que uma análise acadêmica/científica coerente sobre o processo de expansão urbana e diferenciação sócio-demográfica do município de Campinas. esta última informação completa um quadro analítico que aponta as regiões mais críticas da cidade em termos socioeconômicos.

embora pelas limitações dos autores nesse campo específico. tornava o território campineiro um mosaico complexo e heterogêneo de problemas e necessidades que. Neste sentido. Na medida em que estudos desse tipo se enriquecem sobremaneira a partir de uma visão de processo. requereriam ações específicas e diferenciadas. tendo em vista tratar-se de uma cidade de características metropolitanas e cujo processo de expansão encontrava-se (e ainda se encontra) em pleno desenvolvimento. até muito pouco tempo praticamente ignorados pelas dificuldades de acesso e/ou manipulação. este estudo tratou de indicar em seu Anexo algumas estratégias para contornar os problemas operacionais decorrentes do uso de bases cartográficas que. como se tratou de enfatizar. tratou-se de mostrar formas simples e objetivas de apreensão da realidade intra-urbana com vistas a orientar políticas e ações concretas no sentido de melhorar as condições de vida da população. pôde-se identificar os distintos vetores de crescimento do município. uma das dívidas da política urbana e habitacional do município. assim como o decorrente processo de diferenciação sócio-espacial que. cortiços e ocupações campeiam por toda a cidade. Os dados analisados deram conta de que a exclusão de boa parcela da população de Campinas do acesso à renda e infra-estrutura básica era. não são comparáveis no tempo. representam uma importante fonte de informação para o diagnóstico das características não apenas do processo de espraiamento da cidade. mas também das mudanças em seu perfil sócio-demográfico e espacial. As informações e indicadores utilizados foram reunidos com vistas a indicar formas para explorar os dados coletados pelo Censo Demográfico no nível de setor censitário. até o começo dos anos 90. delineando algumas das problemáticas que poderiam ser enfrentadas a partir deles. No entanto. A escolha de uma cidade como Campinas tornou esse exercício analítico ainda mais interessante. Favelas. Nesse sentido. mostrando quão desigual pode ser a distribuição da riqueza em uma região tão rica como Campinas.Anexos Os resultados obtidos mostraram que os dados censitários no nível de setores. não tenham sido feitas propostas específicas de ação. teve-se a preocupação constante de mostrar a importância do tipo de análise feito para o processo de tomadas de decisões na esfera das políticas públicas. via de regra. A preocupação com o planejamento e ação sempre esteve presente nas análises. Por último e não menos importante. Acredita-se que a investigação do espaço intra-urbano através de enfoque sócio-demográfico pode contribuir enormemente para tornar as políticas públicas 378 . fica claro que a compatibilização dos distintos “mapas” de setores censitários torna-se tarefa imprescindível. certamente.

E.. M. Subsídios para a Discussão do Plano Diretor de Campinas. CANO.. n. 1992. C. São Carlos. certamente. São Paulo no limiar do século XXI.. Campinas. suficiente para gerar novas demandas. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. CAIADO. 272f. 1998. Migração e Ambiente nas Aglomerações Urbanas. 1977. S. O padrão de urbanização brasileiro e a segregação espacial da população na Região de Campinas: o papel dos instrumentos de gestão urbana. ______. In: Fundação SEADE. Caxambu. 204f. Espaço e tempo em Campinas: migrantes e a expansão do pólo industrial paulista. Migração pendular. Geographic information system: a guide to the technology. AREVALO. S. J. Santiago de Chile. In: Hogan. v. uma contrapartida dos movimentos populacionais intrametropolitano: o caso do Município de São Paulo. BAENINGER. CUNHA. Universidade Federal de São Carlos. J. M. Universidade Estadual de Campinas.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira mais eficazes e. 1991.J. A. São Paulo: Fundação SEADE. sobretudo. CAMPINAS. 2001. Prefeitura Municipal de Campinas. C. NEPO/UNICAMP. W. acredita-se ser um bom começo. 1992. CELADE. Anais . Aplicación del índice de concentración de Gini en el análisis de la distribución de ciudades. C. Problemas de la medición de la migración interna. socialmente justas. seria enriquecido a partir do uso de outras fontes de informação. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos. ARRIAGA. 1986. A trajetória econômica e demográfica da metrópole nas décadas 70-80. P. R. Belo Horizonte.. 11. São Paulo. Campinas. Buenos Aires: TAECP. D. New York: Van Nostrand Reinhold. PACHECO. questões e debates. n. 1993.14. São Paulo: Fundação SEADE. 1988. Contudo. 1991. et al. BADARÓ. muitas delas disponíveis na própria prefeitura. O plano de melhoramentos urbanos de Campinas (1934-1962). Tem-se consciência que este estudo não esgota sequer as possibilidades analíticas dos dados censitários e que. R.22. 1998. Bibliografia ANTENUCCI. 1985. M. Região Metropolitana de Campinas: expansão e consolidação do urbano paulista. D. 379 . C. ARAÚJO. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS.1-3. J. O processo de interiorização da indústria paulista. Campinas. Conjuntura Demográfica. Notas de Población.

Campinas. UNICAMP. Fundação SEADE. A redistribuição da população brasileira na década de 80. 1981. 1987. 256f. MARTINE.População e Espaço Intra-urbano em Campinas CUNHA. V. IPEA. Berkeley: University of California Press. M. 1992.2.1. In: DE LA ROCHA. sociology and politics./dez. Tendências recentes e perspectivas futuras na migração no Estado de São Paulo. Uma cidade e seu tempo: desenvolvimento econômico do Município de Campinas 1980-1990. G. Campinas. C. Campinas. 1992. Desigualdade ambiental em São Paulo. Divergencias del modelo tradicional: hogares de chefatura feminina en America Latina. PATARRA. R.Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. (ed. SAAD. 1997. Brasília. G. SEMEGHINI. C. São Paulo: FUNDAP. A migração nas Regiões Administrativas do Estado de São Paulo segundo o Censo de 1980. GOOTDIENER. In: YANS-MACLAUGHLIN.. São Paulo no limiar do século XXI. Campinas. M. P. ______. São Paulo: Fundação SEADE. BAENINGER. SEMEGHINI. Prólogo. ABEP. Documento de Trabalho 1. MASSEY. H. 380 . J. 1992. U. n. C. Informe Demográfico.4. L. U. M. Migrações. Transplanted networks. Revista Brasileira de Estudos de População. A região administrativa de Campinas. A produção social do espaço. 1999. emprego e projeções demográficas para o Estado de São Paulo: pesquisa regional por amostra domiciliar. n. P. SAFA. et al.). TORRES. Universidade Estadual de Campinas. L. TILLY. In: Fundação SEADE. Dissertação (Doutorado) . ORTIZ. São Paulo: EDUSP. N.8. UNICAMP. D. v. São Paulo. v. Return to Aztlan. G. (org. 1990. M. 1994. Oxford: Oxford University Press. Evolução da população urbana e rural nas 11 Regiões Administrativas do Estado de São Paulo. P. jul. Mexico: Ciesas.1987.). Immigration reconsidered: history. Textos para Discussão. H. 1993. 1990.

Contudo. no caso dos últimos Censos. são bem limitados em número e conteúdo. no Censo de 1991. depois de exportados O projeto “Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal” do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR). migração. No caso do questionário da amostra. conforme Anexo 5. como já se mostrou. estão disponíveis informações das mais diversas. as possibilidades dos microdados20 disponíveis para o setor censitário são mais amplas do que se pode imaginar. como se mostra neste estudo. este é muito mais rico e complexo e envolveu. etc. trabalho. o que o IBGE tem divulgado ao público e pesquisadores em geral são apenas os dados coletados pelo boletim da não-amostra que. que permitiu a leitura e constituição de um banco de dados que possibilitava conhecer características dos indivíduos. domicílio. educação. grande quantidade de quesitos relativos às características demográficas básicas. Muito embora se tenha conhecimento de pelo menos um projeto que já vêm trabalhando com dados derivados do boletim da amostra19. Desta base derivaram todas as informações e tabulações utilizadas neste estudo. 20 Denominação dada ao banco de dados que traz informação para cada indivíduo e domicílio recenseado. o IBGE divide o território nacional em unidades espaciais menores com uma média de 300 domicílios. e outro muito mais complexo respondido apenas por uma amostra que. Para tanto. não são todos os dados que se encontram disponíveis para o setor censitário. era de 10% para municípios com mais de 20 mil habitantes e 20% para os demais. estes dados foram recuperados a partir da utilização do programa estatístico SAS.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Anexos Anexo Metodológico i) sobre a base de dados sócio-demográficas Nos Censos Demográficos o IBGE utiliza dois tipos de questionários: um simplificado que é aplicado a todo o universo da população brasileira. famílias e domicílios em cada setor censitário de Campinas. Em termos do tipo de informação levantada pelo Censo no questionário aplicado ao universo. assim como os dados agregados por setor que. renda. Estas áreas recebem o nome de setor censitário e se constituem na menor unidade territorial para as quais se possui informação censitária. 19 381 . Não obstante tal riqueza. No caso do processo de trabalho aqui adotado.

Anexos para formato DBASE. No caso das Secretarias de Ação Regional (SAR). Tendo em vista o caráter dinâmico da criação destes setores – que dependem do grau de adensamento das áreas – percebe-se a dificuldade dessa tarefa. e o banco de dados demográficos dos setores censitários formados pelas poucas variáveis levantadas para este nível referentes às pessoas. Macrozonas (MZ) e Áreas de Planejamento (AP) (Prefeitura Municipal de Campinas. Como se nota. mas da junção de parte de mais de um setor censitário daquele Censo. Outras formas de divisão do município como bairros ou regiões médico-sanitárias também foram consideradas. 80 e 91. não foram raras as vezes em que se deparou. famílias e domicílios. compuseram as tabelas vinculadas às bases cartográficas trabalhadas em Arcview. como seria de esperar. optou-se por reconstruir. A maneira encontrada para contornar esse problema foi agregar os setores censitários em áreas maiores para se obter “unidades mínimas de comparação”. No caso da cartografia foi necessário fazer uma compatibilização dos mapas digitalizados no nível dos setores censitários de maneira a torná-los comparáveis no tempo para que análises diacrônicas fossem possíveis. também fizessem algum sentido para efeitos de planejamento municipal. ao sobrepor as cartografias de dois Censos consecutivos. fato que tornou muito complexa qualquer tipo de tentativa de compatibilização. não existia – pelo menos até o Censo de 1991 – por parte do IBGE uma preocupação de manter a comparabilidade entre os setores censitários utilizados para cada Censo. com setores censitários do último Censo derivados não da subdivisão de um único do primeiro Censo. a partir dos setores censitários. e Macrozonas (sete). no total de quatro. mas descartadas. que ao mesmo tempo em que permitissem análises longitudinais. 1995). software utilizado para todo o mapeamento temático realizado. o de 1980 e o de 1991. Assim sendo. regiões administrativas utilizadas pela administração municipal: Secretarias de Ação Regional (SAR). no caso de Campinas. por exemplo. Assim sendo. ponderou-se que estas seriam insuficientes para espelhar a grande diversidade espacial da cidade. após a experiência de manipular tais cartografias. ou por serem de delimitação muito pouco precisa (no caso dos 382 . ii) Sobre a base cartográfica A base de dados utilizada no estudo dos setores censitários era composta de dois bancos com características bem específicas: o banco de dados cartográficos contendo os mapas dos setores censitários digitalizados do município de Campinas para os anos em que foram realizados os Censos Demográficos de 70.

apenas do tamanho dos setores censitários com relação à nova área de abrangência. haja vista que já em 1970 a cidade estava dividida em quase 400 setores censitários. sendo o cuidado exigido apenas no caso dos setores rurais. utilizou-se recursos de geoprocessamento: no caso de setores completamente inseridos na AP. ajustes também foram necessários. Evidentemente este procedimento poderá ser utilizado para qualquer outra variável como domicílios. Assim. maior a probabilidade de obtermos estimativas mais acuradas de tamanho populacional. crianças. Assim sendo. em áreas de transição entre o urbano e o rural. que em operações desse tipo sempre há que se ter muito cuidado. na medida em que para setores muito grandes e heterogêneos em termos da dispersão da população. então. em se tratando de Censos anteriores. Deve-se lembrar. No caso de Campinas. permitem uma boa diferenciação do espaço municipal. já que nem sempre todos eles poderiam ser incluídos completamente no traçado das AP’s. utilizou-se a operação de interseção e distribuição proporcional dos casos (registros) para as respectivas AP’s. segundo Torres (1997). 21 Vale lembrar que para 1996 não houve mudança nos limites dos setores censitários de 1991. Esta preocupação depende. uma distribuição proporcional à área pode levar a grandes distorções. ou de utilidade muito específica (no caso da saúde). utilizou-se a “adição” de polígonos (e dos dados respectivos). contudo. cuja base territorial seja compatível com a divisão adotada”. no entanto. etc. Estas AP’s encontravam perfeita correspondência com os setores censitários de 199121 .José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira bairros). sendo que para os casos de setores “cortados” pelas AP’s. estes casos não foram muitos. 383 . em número de 37. espaços típicos de espraiamento da cidade). “quanto menor o tamanho das áreas que são fonte do dado populacional em relação ao tamanho da área a ser sobreposta. em geral. dependendo da quantidade de áreas do setor abrangidas por cada uma delas.. analfabetismo. Para tanto. Esse é o caso de setores onde a maior parte da população está concentrada em uma pequena parcela de sua área (o que pode acontecer. ligações de energia elétrica. no entanto. por exemplo. optou-se por adotar uma divisão de planejamento há algum tempo considerada pela prefeitura: as Áreas de Planejamento (AP) que.

Anexos Anexo Estatístico Anexo 1 Campinas: Índice de Rejuvenescimento segundo AP’s e Bairros. 1980 e 1991 384 .

José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira 385 .

1991 386 .Anexos Anexo 2 Campinas: Percentual de Chefia Feminina segundo AP’s. MZ’s e Bairros.

José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira 387 .

1991 388 .Anexos Anexo 3 Campinas: Renda Média dos Chefes de Família em Salários Mínimos segundo AP’s e Bairros.

José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira 389 .

Anexos Anexo 4 Campinas: Número de Domicílios com Rede Geral de Esgoto com Canalização (REDGERCC). 1991 390 .

PART-PERMANENTE 2 .ASILOS 7003 AREA-METROPOLITANA 0 . 1062 TIPO DO SETOR 0 .CASA-AGLOMERADO 4 .RURAL POVOADO 6 ..URBANIZADA ISOLADA 4 .QUARTEIS 3 .RURAL NUCLEO 7 .PIAUI 23 .RIO DE JANEIRO 7 .EMBARCACOES 5 .ALDEIA 6 .ALAGOAS 28 .CURITIBA 9 .SAO PAULO 41 .BELO HORIZONTE 6 . AGLOM.José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira Anexo 5 Censo Demográfico .BAHIA 31 .RORAIMA 15 .SERGIPE 29 .COLETIVO 0202 LOCALIZACAO 1 .AREA URBANIZADA 2 .AGLOM.MATO GROSSO 52 .BELEM 2 .RURAL EXCL.ALOJAMENTOS 4 .CASA-CONJUNTO 3 .SANTA CATARINA 43 .TOCANTINS 21 .CADEIAS 7 .NAO ESPECIAL 1 .AMAPA 17 .RURAL EXT.MARANHAO 22 .FORTALEZA 3 .NAO METROPOLITANA 1 .CEARA 24 .MATO GROSSO DO SUL 51 .AMAZONAS 14 .PARAIBA 26 .1991 .AREA NAO URBANIZADA 3 .RIO DE JANEIRO 35 .ACRE 13 .SAO PAULO 8 . .DISTRITO FEDERAL 7100 TOTAL-PESSOAS 0111 PESS-RESID-MASC 0112 PESS-RESID-FEM 0201 ESPECIE DOMICILIO 1 .Questionário básico (Universo) . URBANA 5 . SUB.PARANA 42 .RURAL OUTROS 8 .RONDONIA 12 .B.G.I.RIO GRANDE DO SUL 50 .PART-IMPROVISADO 3 .Número de variáveis: 47 .SALVADOR 5 .MINAS GERAIS 32 .PARA 16 .E.Categorias: 470 VARI NOME 0001 UF 7001 MESO-REGIAO 7002 MICRO-REGIAO 0101 MUNICIPIO 0104 DISTRITO 0105 SUB-DISTRITO 0106 SETOR 1061 SITUACAO DO SETOR 1 .PERNAMBUCO 27 .RIO GRANDE DO NORTE 25 .APART-ISOLADO 391 .GOIAS 53 .RECIFE 4 .PORTO ALEGRE 11 .CASA-ISOLADA 2 .ESPIRITO SANTO 33 . NORMAL 2 .

CHEFE 02 .CEDIDO-EMPREGADOR 5 .TRES 4 .BRANCO 0206 COND-OCUPACAO 1 .ENTEADO(A) 05 .QUEIMADO 4 .BRANCO 392 0210 LIXO 1 .MASCULINO 2 .DECLARADA 3033 IDADE EM MESES 3032 IDADE EM ANOS 0305 SABE LER-ESCREVER 1 .Anexos 5 .NAO-SABE .PARENTE DO EMPREGAD 20 .CONJUGE 03 .LER E ESCREVER 2 .OUTRO .JOGA-TERRENO 6 .PROPRIO-TUDO 2 .POCO-COM-CANAL 3 .IRMAO OU IRMA 11 .OUTRO 7 .CINCO-OU-MAIS .OUTRO-COM-CANAL 4 .UM 2 .COMODOS .APART-AGLOMERADO 7 .PRORIO-SO-CONSTRUCAO 3 .OUTRO 0207 TOTAL-COMODOS 0208 COMODOS-DORMITORIO 0209 BANHEIROS 0 .PRESUMIDA 2 .BRANCO 0204 INSTAL-SANITARIA 0 .PAI OU MAE 06 .NAO SABE 3 .REDE-GERAL-SEM-CANAL 5 .ENTERRADO 5 .MENOS-5-ANOS .NAO-TEM 1 .EMPREGADO(A) DOMEST 16 .BRANCO VARIAVEIS DOS REGISTROS DE CHEFE DO DOMICILIO E DE PESSOA 0301 SEXO 1 .SO-DOMICILIO 2 .AGREGADO(A) 14 .FOSSA-SEM-ESCOADOURO 4 .CEDIDO-PARTICULAR 6 .CUNHADO(A) 12 .PENSIONISTA 15 .BRANCO 0203 ABASTEC.OUTRO-SEM-CANAL.COMUM-MAIS-DE-UM.NAO-TEM 1 .NETO(A) OU BISNETO(A) 09 .APART-CONJUNTO 6 .NAO-TEM 1 .COLETADO-INDIRETO 3 .AVO OU BISAVO 08 . OU RELAC.QUATRO 5 .BRANCO 0205 USO-SANITARIO 0 .REDE-GERAL-COM-CANAL 2 .COLETADO-DIRETO 2 . C/CHEF 01 .FILHO(A) 04 .ALUGADO 4 .OUTROS PARENTES 13 .FOSSA-RUDIMENTAR 5 .SOGRO(A) 07 .FEMININO 0302 PARENT.DOIS 3 .JOGA-RIO 7 .VALA-NEGRA 6 .POCO-SEM-CANAL 6 .INDIVIDUAL 3031 TIPO-IDADE 1 .REDE-GERAL 2 .FOSSA-LIGADA 3 . ÁGUA 1 .GENRO OU NORA 10 .

ATE 1/4 S.SEM RENDIMENTO 1 A 9999997 .M.M. 02 . 05 .MAIS DE 3/4 A 1 S. 07 .IGNORADO IMPUTADO 9 .MAIS DE 20 S.SEM RENDIMENTO 15 . 08 .DECLARADO 8 . IGNORADO .M.M.M.SEM DECLARACAO .MAIS DE 1/2 A 3/4 S. IGNORADO 3081 FAIXA-DE-RENDIMENTO 01 . 11 . 14 .MAIS DE 5 A 10 S.MAIS DE 1 1/4 A 1 1/2 S.PESS DIF 1/MENOR 5 393 .José Marcos Pinto da Cunha e Antonio Augusto Bitencourt de Oliveira 3050 ANOS-DE-ESTUDO 0306 SERIE-CONCLUIDA 0307 GRAU ULTIMA SERIE 3080 TIPO-RENDIMENTO 0 .M.SEM RENDIMENTO 1 . 04 .REND.REND.MAIS DE 1 A 1 1/4 S.MAIS DE 1 1/2 A 2 S.VALOR DA RENDA 9999999 . 10 . 06 .MAIS DE 15 A 20 S.M. 13 .MAIS DE 2 A 3 S. 03 .M.M.M.REND.M.PESS DIF 1/MENOR 5 3083 RENDIMENTO-FIXO-MENSAL POSSIVEIS VALORES DA VARIAVEL 0 . 12 .MAIS DE 1/4 A 1/2 S.M.M.MAIS DE 10 A 15 S.MAIS DE 3 A 5 S. 09 .