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Rosa Amelita de S. M. da Motta
Themis Aline C. dos Santos
Ronaldo R. Goldschimidt
Márcio F. Campos (orgs.)
Andréia De Luca H. de Sá
Cládice N. Diniz
Fernando S. Mota
Márcia A. Marques da Silva
Márcio A. Vianna
Márcio Belo R. da Silva
Marcos da Fonseca Elia
Marcos P. Monteiro
Marianina Impagliazzo
Mônica Pereira dos Santos
Regina C. de Souza
Ricardo Marciano dos Santos
Vasco M. M. do Amaral

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© 2009
Direitos para essa edição reservados à
Os direitos desta obra poderão ser reproduzidos desde que citada a origem
Projeto gráfico e editoração eletrônica: Alexander Daltio Vialli
Capa: Rosa Amelita Sá Menezes da Motta e Alexander Daltio Vialli
Revisão Textual: Márcia A. Marques da Silva e Eduardo José Paz Ferreira Barreto
Normalização: Edirlane Carvalho de Souza

E74 Escola Mandala em Ação: conceitos, propostas e experiências do Instituto Superior
de Tecnologia do Rio de Janeiro
/ Rosa Amelita S. M. da Motta, Themis Aline Calcavecchia dos Santos, Ronaldo
Ribeiro Goldschmidt e Márcio Francisco Campos. (organizadores).
Rio de Janeiro: Imprinta, 2009.
ISBN 978-85-98931-05-0
1. Educação Tecnológica. 2. Pensamento Digital. 3. Gestão do Conhecimento.
4. Arquitetura Pedagógica. I. Título. II. Motta, Rosa Amelita de S. M. II. Santos,
Themis Aline C. dos. III. Goldschmidt, Ronaldo Ribeiro. IV. Campos, Márcio
Francisco.
CDD 370

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Sumário
Educação Tecnológica, Tecnologia e Resistência Cultural .............................. 11
A Espacialidade na Educação Tecnológica: A mandala heterotópica no
jogo da pedagogia das competências com a imprevisibilidade acadêmica ....... 24
A Criação do Pensamento Digital..................................................................... 59
Avaliação por múltiplos instrumentos .............................................................. 72
Gestão de Conhecimento em Instituição de Ensino Superior: Disciplinas e
Concepções....................................................................................................... 88
Proposta de Arquitetura Pedagógica para auxiliar formadores na Educação
de surdos......................................................................................................... 103
A Etnociência e as Salas de Aulas Híbridas: a Valorização do Saber do
Aluno no Encontro com as Tecnologias da Informação. ................................ 117
Desenvolvendo Atitudes e Posturas – Experiências da Disciplina de
Técnicas de Relacionamento Interpessoal. ..................................................... 130
Diálogos entre Disciplinas e Construção do Conhecimento – A
Interdisciplinaridade em um Curso de Tecnologia em Análise de
Sistemas.......................................................................................................... 142
Uma Experiência na Elaboração de Livros Didáticos Digitais ....................... 156
Incorporando os Portfólios no Processo de Avaliação da Aprendizagem:
Uma experiência. ............................................................................................ 165
Utilizando Ferramentas de Colaboração em Ensino de Algoritmos ............... 170
Nossa Escola e o Meio Ambiente ................................................................... 174
Influências Históricas e Culturais no Corpo e no Movimento........................ 195

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A Escola vai deixando de ser importante como centro de debate e provocação de novas idéias.Apresentação. Esta notícia revela que estamos nos tornando já nesta próxima década. vemos uma juventude que vive neste tempo. as possibilidades desta nova sociedade que emerge. afinal este é o seu mundo. A Escola ainda ignora. é inegável o processo de difusão destes em praticamente todas as camadas sociais. Metade de um Petabyte é equivalente à metade dos vídeos atualmente gravados no YouTube. O tema da pauta da revista Wired de 23 de junho de 2008 [1] é o mundo na era do processamento em PetaByte. O mundo está mudando e a Escola resiste a se transformar e. Para se ter idéia do isto significa um Petabyte é equivalente ao processamento dos servidores Google a cada 72 minutos. A integração das diversas mídias. TV. subnotebooks são acessórios comuns para esta geração. uma escola preocupada com competências que não existem mais. em uma civilização completamente diferente daquela que somos atualmente. Nesta perspectiva. rádio. assim como esta deixa de ter o monopólio do conhecimento. de autoridade e de obediência. Utilização de pendrive. de empregabilidade e das relações comerciais. A Escola insiste em reforçar seus fatores de coerção. descarta as insistências da juventude por um ensino voltado para o seu tempo e resiste à adoção de uma pedagogia relacionada às novas aspirações do mundo contemporâneo. Mesmo levando-se em consideração que a maioria destes dispositivos é inacessível para boa parcela da sociedade. computadores. com conhecimentos 5 . em grande parte. Pelo olhar da sociedade. mais interconectada e relacionada com esta tecnologia. a sociedade vai perdendo a "crença" da escola como lugar de aprendizado e de desenvolvimento social. computadores e a capacidade de telecomunicação mais rápida e confiável possibilitarão o surgimento de novos modelos de relacionamento da sociedade. telefone. aos poucos. esta vai se configurando como uma "Escola de Excluídos". O que isto quer dizer? Petabyte significa um indicativo de aproximadamente um milhão de vezes superior ao Gigabyte.

A Escola deve voltar a ser o motor desta transformação. formando alunos com empregabilidade baixa. viabilizando o ensino por competências. Diversas recomendações para aprimoramento do projeto encontram-se indicadas. Cládice Nóbile Diniz) apresenta um estudo sobre o impacto do uso da mandala como um símbolo de integração entre o mercado de trabalho e a academia. e diversas das ações em andamento no IST-Rio. e não apenas coadjuvante desta transformação em curso. de criar uma nova imagem de escola e de reconhecer a importância da escola com seus diferentes parceiros no mundo. portanto. iii) é relevante considerar o processo tecnológico. 6 . 2006). i) Não bastam ações isoladas. é importante tratar o todo de forma conjunta. com suas características básicas.fragmentados e estanques e. No I Seminário de Educação em Informática realizado em 2008 no Instituto Superior de Tecnologia em Ciências da Computação do Rio de Janeiro IST-Rio – unidade de ensino superior da Faetec. Marianina Impagliazzo) procura desenvolver o conteúdo do que seria uma educação tecnológica. Fornece. É necessário que a escola retome o seu papel de protagonista. iv) é preciso estar ciente das novas formas de gestão escolar e v) é necessária uma maior interação com a sociedade. No livro Escola Mandala [Mota et al. de valorizar a capacidade de agir coletivamente. Diversas das idéias discutidas no seminário encontramse descritas nos próximos capítulos deste livro e apresentam algumas das principais ações desenvolvidas e ampliadas no IST-Rio a partir do livro intitulado “Escola Mandala: Uma Nova Concepção para o Ensino Tecnológico na Rede Faetec” (Mota et al. ii) é fundamental mudar o comportamento das pessoas e suas crenças (em relação à escola?). 2006][2] são apontados alguns caminhos para que a escola se torne contemporânea. sua finalidade. na aplicação do projeto pedagógico Projeto-Mandala do IST-Rio. seus procedimentos. o que se desejou foi debater e apontar alguns caminhos para que gestores e professores pudessem restabelecer seu papel de transformadores da sociedade. além de uma possível estruturação a partir de sua concepção pedagógica. algumas idéias para a melhor compreensão dos demais capítulos. A sociedade tem reagido a este processo com a valorização das certificações e as escolas corporativas. O primeiro capítulo (Profª. ao final. O segundo capítulo (Profª.

em ambientes de sala de aula dotados de recursos multimídia. No sexto capítulo (Profºs. Marcio Vianna) enfatiza a necessidade da valorização dos saberes não-escolares nas instituições acadêmicas como uma forma de socialização das experiências de vida dos alunos em uma dimensão horizontal entre professores e alunos. o autor ilustra suas experiências no referido paradigma de interação docente-discente como professor das 7 . Ricardo Marciano dos Santos. o diretor do IST-Rio e da DESUP (Diretoria de Educação Superior da Faetec) respectivamente. Ricardo Marciano. Rosa Amelita Sá Menezes da Motta) descreve a importância da gestão do conhecimento em ambientes educacionais e relata sua experiência na concepção e implantação de um curso de pós-graduação dentro dessa mesma temática no IST-Rio. o Prof. apontar caminhos alternativos para a utilização de instrumentos de avaliação contemporâneos e que possam ser aplicados em sala de aula. No capítulo sete. Marcos Paulo Monteiro) descreve o impacto de mudanças generalizadas provocadas pelas tecnologias de informação e da comunicação e das dificuldades que a sociedade vem encontrando para absorvê-las em curto prazo. o autor (Profº. o autor discute a importância de que um novo modelo educacional incorpore a rede mundial de computadores como disseminadora de conhecimentos e fomentadora de uma sociedade portadora de um pensamento digital. em contraponto à utilização de provas individuais e testes e trabalhos em grupo.O terceiro capítulo (Profº. quando ambos experimentam e trocam mutuamente conhecimentos na busca por soluções matemáticas e computacionais. e que estimulem. procuram. Além disso. No quarto capítulo (Profº. desenvolvam e valorizem no corpo discente a cooperação e a autonomia. atua no instituto como orientador de projetos de iniciação científica voltados a portadores de necessidades especiais. Márcio Francisco Campos e Fernando da Silva Mota). Para que tais obstáculos sejam vencidos. Marcos da Fonseca Elia e Mônica Pereira dos Santos). O primeiro autor. transformando cada usuário dessa rede em um permanente aprendiz. além de docente do IST-Rio. os autores apresentam uma proposta de uma arquitetura pedagógica para um curso de formação inicial e continuada de professores que lidam com alunos surdos em sala de aula do ensino formal. O quinto capítulo (Profª.

versou sobre as tecnologias relacionadas à área da Inteligência Computacional. Em consonância com as idéias expostas no capítulo quatro. A oferta desta disciplina. Regina Célia de Souza e Themis Aline Calcavecchia dos Santos) apresenta a interdisciplinaridade como fator fundamental para a construção do conhecimento na formação profissional. o autor e diretor da DESUP. O texto mostra como o conteúdo das disciplinas é trabalhado de forma entrelaçada e. Tal experiência ocorreu ao longo do primeiro semestre letivo de 2008 com os alunos da disciplina Tópicos Avançados do quarto período do Curso de Análise de Sistemas Informatizados do instituto. Andréia De Luca Heredia de Sá e Regina Célia de Souza) procura descrever as ações pedagógicas da disciplina Técnicas de Relacionamento Interpessoal – TRI do curso Tecnólogo em Análise de Sistemas do IST-Rio. sem perder a sua especificidade. A metodologia utilizada e os resultados obtidos encontram-se detalhados e estimulam a realização de novas e análogas experiências. O oitavo capítulo (Profªs. Para tanto. oferecidas no ISTRio. esta também ocorre interdisciplinarmente. assim como o conteúdo do livro elaborado. Marques da Silva. Língua Portuguesa e Inglês Instrumental do curso de Análise de Sistemas Informatizados leva os alunos a compreenderem que a ciência se constrói através da reflexão e do diálogo entre diversas áreas do conhecimento. O capítulo apresenta o desenho elaborado para o desenvolvimento da disciplina. onde cada uma delas aproveita o conteúdo da outra. Márcia A. também no que tange à avaliação. através da utilização dos conceitos da Psicanálise e da Psicologia Social e de Grupo e do Filósofo francês Edgar Morin. no capítulo onze (Profº. Fernando da Silva Mota). O nono capítulo (Profas. descreve sua experiência na incorporação de portfólios no processo de avaliação de aprendizagem.disciplinas de Matemática Aplicada e Álgebra Linear. através de workshops. O capítulo dez (Profº. Diretoria de Educação Superior da Faetec. e seu impacto sobre os alunos. as autoras descrevem como o trabalho interdisciplinar desenvolvido entre as disciplinas de Metodologia de Pesquisa. Ronaldo Ribeiro Goldschmidt) relata a experiência do autor na elaboração em conjunto com um grupo de alunos de um livro para o programa de livros didáticos digitais gratuitos do IST-Rio. 8 .

O capítulo aborda um dos seus conteúdos: os fatos significativos da História da Humanidade comparandoas às atividades em nosso mundo contemporâneo. este livro representa a colheita de experiências e o plantio de novas idéias para que a escola se torne “contemporânea” de seu tempo e que seja um modelo para reflexão e de ação educativa da gestão escolar. para que o aluno obtenha uma parcela do conhecimento sobre as influências ambientais e evolutivas do corpo. uma maior conscientização dos discentes em relação à necessidade de se proteger e preservar o meio ambiente como um todo. Em resumo. O capítulo treze (Profa Themis Aline Calcavecchia dos Santos) apresenta uma atividade de Educação Ambiental dentro do Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação. atendendo ao determinado na Constituição Federal e na Lei de Educação Ambiental. foram realizadas ações de Educação Ambiental Informal. onde. O contexto de aplicação foi a própria disciplina de Algoritmos da estrutura curricular do curso de Análise de Sistemas Informatizados do IST-Rio. que trouxeram. ministrada no Instituto Superior em Ciências da Computação do Rio de Janeiro (IST-Rio). Vasco Manuel Martins do Amaral) relata a sua experiência na disciplina “Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida”. No décimo segundo capítulo (Profº Márcio Belo Rodrigues da Silva). a existência de ferramentas e metodologias que facilitem o processo de ensino aprendizagem neste tipo de disciplina mostra-se extremamente necessária e relevante.Uma das disciplinas reconhecidamente problemática do ponto de vista de aprendizado em cursos de computação é a que trata do ensino da construção de algoritmos e programas. o autor descreve uma prática realizada no ensino de algoritmos de programação utilizando ferramentas de colaboração. Boa leitura! 9 . Assim sendo. Encerrando o livro o capítulo quatorze (Prof. como conseqüência. de forma análoga ao primeiro volume. Em muitas instituições tal disciplina representa uma das maiores causas de evasão. da saúde e do bem estar.

PARTE I CONCEITOS. as teorias surgem. 10 . No jardim secreto dos nossos pensamentos. os conceitos afloram e as discussões passam a existir. TEORIAS E DISCUSSÕES.

educação e tecnologia . propomos uma discussão sobre a tecnologia assinalando os dados principais e suas repercussões em nossa vida. sua finalidade. com suas características básicas. uma vez que esta expressão ainda está por merecer novos questionamentos. o que propomos é uma discussão sobre a educação . não esgota a profundidade do tema. apresentamos alguns 11 . Num segundo momento.Capítulo 1 Educação Tecnológica. mas. todavia. e de uma concepção talvez mais estratégica numa fase de transição entre a modernidade e a pósmodernidade. e principalmente. Na realidade. A argumentação que apresentamos. pois sua interpretação passa pelas categorias que a compõem .seus conceitos.numa tentativa de integração e não de justaposição. como uma tentativa de estruturá-la a partir de sua concepção pedagógica. sua finalidade e os novos paradigmas que estão colocados no mundo de hoje advindos das inúmeras transformações que estamos presenciando no nosso cotidiano. Finalmente. seus procedimentos. Tecnologia e Resistência Cultural Marianina Impagliazzo Resumo Neste artigo procuraremos desenvolver o conteúdo de uma educação tecnológica.

o que podemos entender pela expressão Educação Tecnológica? Poderia. em 1998. à ciência e à tecnologia (art. 12 . a necessidade de se rever a educação superior. Esta relação . poderia ser uma dimensão mais específica de uma educação profissional ou educação técnica. Mello (1993) afirma que a educação passa a ocupar hoje.está muito presente nos estudos que têm se dedicado à análise do contexto educacional atual que vislumbram perspectivas para um novo tempo marcado por avanços acelerados. integrada às diferentes formas de educação.educação e tecnologia . por exemplo. uma vez que ela está sendo desafiada por novas oportunidades relacionadas às tecnologias que têm melhorado os modos pelos quais o conhecimento pode ser produzido. ao trabalho. vai exigir o entendimento e interpretação de tecnologias.pontos básicos para o início de um debate sobre a necessidade de uma educação tecnológica no contexto atual. o que por sua vez. o incentivo ao trabalho de pesquisa e investigação científica. transformadoras e mutáveis. um lugar central nas decisões macro-políticas do Estado em termos de qualificação dos recursos humanos exigidos pelo novo padrão de desenvolvimento. Na Declaração Mundial sobre Educação Superior da UNESCO. Como as tecnologias são ao mesmo tempo complexas e práticas. estar ligada às tecnologias educacionais. 43). encontramos. elas estão exigindo uma nova formação do homem que remeta à reflexão e compreensão do meio social em que ele se circunscreve. 9394/ 96 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional traz referências explícitas e implícitas sobre tecnologia. a determinação de uma educação profissional. sendo este um dos consensos do debate sobre políticas educacionais em nível internacional. A Lei nº. junto com as políticas de ciência e tecnologia. Educação Tecnológica? Num primeiro momento vem a nossas mentes . ou poderia ser uma forma nova de se colocar em prática uma área da Educação apoiada em teorias tecnológicas? Afirma Bastos (1997) que a educação no mundo de hoje tende a ser tecnológica. também. 1. 35). 39). visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia (art. como o domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna (art. 1.

propomos uma discussão sobre a tecnologia assinalando os dados principais e suas repercussões em nossa vida. Na realidade.2. observa-se que há a descoberta de algo novo que 13 .seus conceitos. que pode criar. nem desconhecer os perigos. Seja uma análise teórica. sua finalidade e os novos paradigmas que estão colocados no mundo de hoje advindos das inúmeras transformações que estamos presenciando no nosso cotidiano. 1. Em termos de uma educação para viver a era tecnológica. há que se pensar sobre valores subjacentes ao indivíduo. Essa atitude e esse pensamento críticos constituem o que se pode denominar de uma atitude filosófica em relação à sua própria identidade e às situações que o circundam. da afetividade e da criatividade. ao produto final oriundo das tecnologias.educação e tecnologia . Num segundo momento. todavia. seja uma proposta prática. não há como separar a tecnologia e suas estreitas relações com e na educação. usar e transformar as tecnologias. e de uma concepção talvez mais estratégica numa fase de transição entre a modernidade e a pós-modernidade. Neste artigo procuraremos desenvolver o conteúdo de uma educação tecnológica. Em relação ao objeto. pois sua interpretação passa pelas categorias que a compõem . como também se posiciona frente aos fatos e à realidade que existe dentro e fora dele. construí-los através de uma atitude reflexiva e questionadora sobre os mesmos.administrado. desafios e desconfortos que a própria tecnologia pode acarretar. Finalmente. mas. com suas características básicas. difundido. O indivíduo não só aprende com a educação. o que propomos. o processo educacional trabalha a dimensão dos sentimentos. Junto a essas questões relacionadas ao conhecimento. seus procedimentos. é uma discussão sobre a educação . mas não pode se ausentar. apresentamos alguns pontos básicos para o início de um debate sobre a necessidade de uma educação tecnológica no contexto atual. em um primeiro momento. como uma tentativa de estruturá-la a partir de sua concepção pedagógica. uma vez que esta expressão ainda está por merecer novos questionamentos. sua finalidade. e principalmente. o que se pretende alcançar é que o indivíduo seja capaz de obter conhecimentos.numa tentativa de integração e não de justaposição. não esgota a profundidade do tema. A argumentação que apresentamos. acessado e controlado. Educação para viver a era tecnológica No processo educacional.

tanto como processo quanto como produto. com os valores e práticas de uma civilização ou cultura determinada. Queremos ajudar na formação do cidadão para que este viva o seu tempo. Para isso precisamos lembrar que esta educação deve ser inserida . necessários ao indivíduo que já está a um passo do novo século. Estamos diante de três momentos significativos: um que diz respeito ao aparecimento da tecnologia.dentro e fora da educação -.pode até fascinar e seduzir. e. por tecnologia e como ela se desenvolve nos dias atuais. atitudes e valores. tais como a globalização. o que se entende por técnica. outro que diz respeito às transformações que ocorrem na sociedade por força da tecnologia. Nesse contexto . A tecnologia oferece recursos e avanços. suas implicações nas relações sociais. De um lado. e. podendo até ser esquecido para dar lugar a um novo produto. Estamos cientes da complexidade da questão. tenho uma proposta formal da educação que deve estar comprometida com o indivíduo enquanto um ser histórico. razões e emoções. mas comprometidos como educadores em trabalhar naquela formação em termos da aquisição e desenvolvimento de saberes e competências. concreto e real. a interpretação e a ação diante dos fatos em si. Uma sociedade tecnologizada é.em primeiro lugar . a compreensão. antes de tudo.por certo . portanto. que diz respeito à relação homem e tecnologia referindo até que ponto o homem é dependente da tecnologia ou a tecnologia é um serviço para este homem. Na dimensão educação tecnológica.tenhamos que refletir/analisar as questões do mundo atual. a 14 . Esta educação se baseia num processo que abrange a observação perante o fato. de outro. nasce uma nova ética nessas relações. temos a tecnologia . mas impõe determinadas normas e regras.numa visão de mundo específica. isto é. e que com o uso torna-se parte do cotidiano. e aqui incluímos toda a questão histórica do seu próprio desenvolvimento. compreenda as causas da exclusão social e lute para que ela diminua ou acabe pelo menos pela via da educação e da Escola. como desfrutar dela e refletir sobre a sua influência na sua própria formação e de toda a sociedade. e o terceiro. tentando mostrar tanto a sua irreversibilidade como as rápidas mudanças decorrentes de seu aprimoramento. uma sociedade com toda a sua trama de relações sociais. buscamos o significado desta expressão à luz de uma filosofia que oriente a educação do sujeito para que ele seja capaz tanto de criar a tecnologia.

a ter uma visão maior desse contexto. O que observamos nessa dimensão educacional é a perspectiva de uma proposta mais voltada para os aspectos humanísticos em contraposição a toda uma vertente racionalista. diz o autor. sua utilização desenfreada.em termos de educação . sendo proclamados. entre outras. que predominou na sociedade com o domínio do mundo científico. Há pontos significativos.à finalidade e aos princípios que regem esta educação. que precisa ser pensada na sociedade contemporânea em virtude dos avanços científico-tecnológicos que estamos vivendo. de um lado. devemos convergir esforços para a questão da responsabilidade da dimensão ética desse contexto.pós-modernidade. de modo a levar este homem. mas o resultado desses 15 . quando ele poderá questionar e posicionar-se. de outro. positivista. precisamos estabelecer que tipo de projeto em educação vamos desenvolver para a consecução dos objetivos propostos. O fato não é só o conhecimento. Esta observação pode ser comprovada por todos. Temos a impressão de que o avanço da tecnologia. quanto em termos do desenvolvimento social. como a ética. por exemplo. a revolução tecnológica. quanto à hegemonia das nações que detêm o poder do conhecimento científicotecnológico e. com toda a sua sofisticação. O que estamos querendo é chamar a atenção para o fato de que não são tão isoladas as áreas de educação. Os valores humanos estão hoje mais do que nunca. por exemplo. que vivencia e processa a tecnologia de seu tempo. seus compromissos éticos. por fim. Hans Jonas (1995) analisa em sua obra que o futuro da humanidade está comprometido pelos efeitos adversos de empreendimentos tecnológicos e. promoveu no homem uma instigação. uma provocação. o que se espera que a educação promova no indivíduo tanto em termos de desenvolvimento pessoal. e ele começa a se questionar sobre essa invasão. Esta complexidade nas relações da tecnologia com a educação transcende o conhecimento em si dos fatos específicos para ampliar-se no próprio contexto da humanidade. o progresso científico . necessários e desdobrados num sentido ético. De um lado. quando observamos os movimentos ecológicos em diferentes formas e situações. com relação às questões que envolvem os direitos humanos. do mundo objetivo. isto é. tecnologia ou das novas relações sociais.tecnológico. devemos buscar as questões relacionadas . Em segundo lugar. ou através da luta pelas grandes causas sociais. a educação questões estreitamente relacionadas ao modelo de sociedade do qual são parte.

permanentemente. Esta dá o suporte teórico e a tecnologia. na medida em que a tecnologia está buscando. Uma vez que a tecnologia é colocada à disposição da sociedade ou do mercado.em termos do que atualmente se concebe como tecnologia relacionada às questões das próprias descobertas e avanços científicos da humanidade. é um conhecimento e uma ação que não param jamais. da educação. Em outras palavras. temos tecnologia no campo das comunicações. mas a apreensão desses fatos por si só não vai caracterizar a tecnologia. dos serviços etc. A tecnologia caracteriza-se. informações e habilidades que provem de uma inovação ou invenção científica. Evolução da tecnologia A tecnologia que temos hoje. Observamos. Historicamente. que nesta sociedade existem formas mais ou menos avançadas de tecnologia nos seus mais diferentes setores e instituições. aperfeiçoar as mudanças trazidas pela ciência. poderia assim indagar como uma instigação pedagógica: para que serve. surgindo assim uma nova produção técnica que está sempre em busca de novos conhecimentos científicos. e que é utilizada por todos na sociedade contemporânea. da saúde. não apenas em termos do conhecimento estruturado e fundamentado. hoje. como um conjunto de conhecimentos. ela passa a ter um valor que é determinado pela forma como vai ser adquirida. ele é imposto pela própria sociedade. Ciência e tecnologia estão sempre juntas. as leis e as teorias. ou mesmo o valor como bem à sociedade. da produção. a tecnologia está relacionada à evolução e mudanças dos fatos e situações que ocorreram na nossa sociedade em termos reais e concretos. a infra-estrutura com seus instrumentos tecnológicos. teve o início de sua trajetória muitos séculos atrás. Nesse sentido. O valor de consumo. em constante reciprocidade. enquanto a tecnologia representa a transformação deste conhecimento científico em técnica que.3. uma educação tecnológica? 1. A ciência está comprometida com os princípios. sendo seu surgimento . poderá gerar novos conhecimentos científicos. então. que se operacionaliza através de diferentes métodos e técnicas e que é utilizado na produção e consumo de bens e de serviços. Ela interfere nesta realidade criando procedimentos e instrumentos para que sua ação ocorra além das próprias 16 . por sua vez.conhecimentos. de uma maneira geral. mais do que imposto pelos tecnólogos. mas também em termos da prática efetivada.

mas tem que ser capaz de. a tecnologia de processos produtivos. inventar fica também em suspenso como ele deverá ser educado para viver esse futuro. a da comunicação de massa. Atualmente caracteriza-se por uma acelerada transformação no campo tecnológico com conseqüências não só no mercado de bens de serviço e de consumo.4. a tecnologia de processos de decisão. a um grande desenvolvimento da humanidade. a tecnologia informática. a uma mudança vertiginosa na sociedade dos resultados da tecnologia. do trabalhador. Dentro de toda essa retrospectiva das revoluções em que a técnica se fez presente. também. por conseqüência. como as tecnologias biológicas.alerta Schaff . Esta fase é marcada. por uma tríade revolucionária: a microeletrônica. do desenvolvimento. a microbiologia e a energia nuclear. 1. hoje. também. por outro lado. adquirir conhecimentos que sejam capazes de compreendê-las. como. bem como as suas repercussões na esfera social. Gallino (1995) diz que temos. manejá-las e de saber como se relacionar com elas.mudanças sociais. tem de adaptar-se às novas tecnologias. sendo isto observado ao longo da história. no modo de organização dos trabalhadores. Se o futuro permanece como uma incógnita frente ao que o homem será capaz de criar. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos 17 . dependendo de como se utiliza esse conhecimento científico-tecnológico. de transportes. o que nos levará. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. sem esquecer o caráter humanístico que envolve as relações entre as instituições e entre os indivíduos. químicas e médicas. hoje. mas que tornará necessário também . segundo Schaff(1991). a questão crucial existe e diz respeito à dimensão social do trabalho e. segundo o autor. convivendo com essas tecnologias.que estejamos atentos aos perigos que este desenvolvimento poderá trazer. no modo de produção e na qualificação necessária dos novos trabalhadores e nas relações sociais. de modo que a sociedade faça uso da tecnologia como um bem a serviço do progresso. Educação Tecnológica A expressão Educação Tecnológica não possui um consenso no seu significado. Assistimos assim. como. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico. estamos convivendo com o homem que tem que aprender a lidar com essas tecnologias. com seus aperfeiçoamentos e novas invenções e.

Ele complementa seu pensamento dizendo que a concepção fundamental da educação “(. ou da filosofia da tecnologia.) não é adjetiva. Este campo. elas não são idênticas e que esse último tipo de educação seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para adequá-los à vida contemporânea (1996:1). É substantiva porque unifica o ser humano empregando técnicas que precisam de rumos e de políticas para ser ordenadamente humanas. 1998:34). É uma educação substantiva. De acordo com Rodrigues (1994). A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. não para dividir o Homem pelo trabalho e pelas aplicações técnicas. da necessidade de novas metodologias. da produção e da organização da sociedade. como ela estivesse incompleta e necessitando de técnicas para se tornar prática. quando a ela se refere há uma tendência ou em associá-la à educação técnica ou à educação profissional. em aspectos econômicos. A Educação Tecnológica. por certo. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer a tecnologia e a segunda.de vista: do mundo da educação. da produção de conhecimentos. no âmbito da educação e qualificação. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada.. do trabalho e produção. a educação tecnológica situa-se. ao mesmo tempo. geralmente. 18 . políticos ou sociais. A necessidade da busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. Rodrigues mostra que. depende do domínio de enfoques teóricos.ambas unidas e convencidas a construir o destino histórico do Homem sem dominação e sem escravidão aos meios técnicos" (Bastos. enquanto processos interdependentes na compreensão e construção do progresso social reproduzidos nos campos do trabalho. a educação tecnológica se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer a tecnologia. pura e simplesmente da tecnologia. De um modo geral. apesar das duas expressões terem significados complementares. É substantiva porque é um Todo: educação como parceira da tecnologia e esta como companheira da educação . conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos. da ciência e tecnologia.. do mundo do trabalho. sem apêndices e nem adendos. mas há que se ter um tratamento específico sobre a sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional. Para Bastos. Os estudos que vêm sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicas num enfoque teórico que se respalda. Existe por si só.

A educação tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si. mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade. numa interação dialética. a modernidade traz um saber funcional às vezes bem distante de um saber pessoal. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por Educação Tecnológica. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. tendo a complexidade do meio (tantos em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico. Neste sentido. conseqüentemente. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. das novas relações sociais. cada vez mais especializado. por sua vez. As forças produtivas esquecem este tipo de saber e a "máquina" dinamiza. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia. Na medida em que a educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades comportando diferentes formas de atuação e concepção. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. evidentemente. 1. movimenta e substitui o homem. capaz de fazê-los entender o mundo que os cerca. Em outras palavras.que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. não determinante dos resultados econômicos e sociais. de uma forma mais crítica e mais humana. portanto. a educação tecnológica seria a mediação para 19 . a educação tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. aos conceitos específicos de sua expressão. oriundos. O processo produtivo remete para a escola o papel de formar indivíduos que dominem um código científico. mas na sua interação e integração diz respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação Tecnológica prende-se.5. A ciência e a tecnologia modificam cada vez mais o cenário de nossas vidas. assim como às questões mais contextuais da tecnologia.

discutirmos os pontos principais entre esta educação (o que, para que e
como formar) e as tecnologias. No mundo atual, em que a microeletrônica, a
microbiologia e a energia nuclear assinalam novos caminhos de
desenvolvimento da humanidade, com todos os seus progressos e perigos,
temos que nos educar para aprender e usar novas tecnologias, desenvolver e
refletir sobre as necessidades dessas tecnologias e fazê-las aliadas e
cúmplices do próprio bem-estar do homem e da sociedade.
A educação convivendo com a nova revolução industrial, que vem
se caracterizando por grande velocidade nas mudanças dos processos
tecnológicos, na escala de produção, na organização do processo produtivo,
tem que capacitar os indivíduos para os novos tempos que já chegaram. Esta
nova aprendizagem não se limita ao conhecimento de conteúdos para criar
novas tecnologias, para se fazer ciência, mas, sim, as novas atitudes e
valores advindos deste momento que vivemos. Em suma, a Educação
Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformadora,
progressista, que vai além de uma proposta de ensino na escola para
aprofundar-se junto com o projeto político pedagógico dessa instituição que,
por certo, nos dias atuais deve integrar as diferentes categorias do saber,
fazer, ou do saber fazer para uma grande categoria do saber-ser. Para que
alcancemos estas etapas precisamos estar atentos e acreditar numa educação
crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos como à prática
social que ela caracteriza. Educação é esse misto de responsabilidade e de
muita esperança na possibilidade de transformações na sociedade. Como diz
Paulo Freire (1996), quanto mais penso sobre a prática educativa,
reconhecendo a responsabilidade que ela exige de nós, tanto mais me
convenço do dever nosso de lutar no sentido que ela seja realmente
respeitada (p. 107).

1.6 Características da Educação Tecnológica
A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores
pertinentes ao momento em que vive, sobressaindo à dimensão ética num
mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais exigindo uma
interação da teoria e prática, ressaltando a rede de conhecimentos advindos
das teorias existentes e da necessidade de se rever a prática pelo que a teoria
sinalizou. Acreditamos que a Educação Tecnológica busca integrar ensino e
pesquisa fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos
educandos procurando identificar a partir do trabalho as novas exigências

20

impostas pelas relações sociais e de que maneira poderemos superar as
dificuldades existentes. Salientamos que a Educação Tecnológica não é
tecnicismo, determinismo ou conformismo a um status quo da sociedade, e
sim um posicionamento, um conhecimento e envolvimento com saberes que
não acabam na escola, não se iniciam com um trabalho, mas está
permanentemente solicitada a pensar-refletir-agir num mundo marcado por
progressivas transformações.

1.7. Para não concluir
Apresentamos alguns pontos não conclusivos, mas que servem para uma
reflexão mais presente e necessária: A Educação Tecnológica merece
estudos e pesquisas que reflitam o seu desenvolvimento da realidade
brasileira, aliada a ciência e a tecnologia, carece de definições no plano das
gestões macro políticas para que seus objetivos e finalidade tenham o apoio
dos órgãos governamentais. Acreditamos que o importante na Educação
Tecnológica é a sua dimensão ampla que a torna complexa e abrangente
trazendo a marca de uma era ceifada pela revolução, pela transformação e,
por isso, da própria superação, realizada no presente, respeitando o passado
de sua evolução, estando com os olhos voltados para o futuro, para, como
diz Mello, a "produtividade, qualidade dos bens e produtos (que) são
decisivos para a competitividade internacional" (1993:44), em termos dos
bens voltados principalmente para o melhor desenvolvimento do homem.
Apontamos os pontos centrais da Educação Tecnológica que são a
interdisciplinaridade
e
a
multidimensionalidade,
tendo
um
comprometimento com a tecnologia, mas muito mais com o homem que é
capaz de produzi-la e transformá-la. A nova Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional - a Lei n° 9394/96 - em vários momentos faz alusão à
Educação Tecnológica, desta forma acreditamos que a simples exigência
legal não garante o seu efetivo desenvolvimento. De nada adiantará termos
valores proclamados se a prática não corresponder a essas determinações.
Há que se refletir sobre o seu papel no mundo atual, marcado pelas
transformações e pelas mudanças em vários setores. Não adianta conhecêlas e internalizar os seus resultados/produtos. Devemos ser capazes - como
educadores - de criar condições para interferir nessas transformações, na
medida em que, como protagonistas da história, somos responsáveis - e
muito - pela própria história que ajudamos a construir. Três valores, no
nosso entender, estão subjacentes à Educação Tecnológica:

21

responsabilidade, liberdade e autonomia. Saber desenvolvê-los e cultivá-los
é uma tarefa da educação, mas por certo será uma tarefa bem maior de todos
que, produzindo, inventando, inovando a tecnologia, sejam capazes de
formar um cidadão crítico e consciente para fazer a história de seu país...
bem mais desenvolvido e humano.
Referências
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segunda revolução industrial. São Paulo, Brasiliense/ UNESP, 1991.

23

No lugar. estamos condenados a conhecer o mundo pelo que ele já é. é também seu inimigo.Capítulo 2 A Espacialidade na Educação Tecnológica: a mandala heterotópica no jogo da pedagogia das competências com a imprevisibilidade acadêmica Cládice Nóbile Diniz O espaço. habitação do homem. também. mas. a partir do momento em que a unidade desumana da coisa inerte é um instrumento de sua alienação. e não o passado. pelo que ainda não é. torna-se a nossa âncora. Milton Santos 24 . O futuro.

na aplicação do projeto pedagógico Escola-Mandala. Entretanto. de Bourdieu. ao campo e habitus. guiando-se o estudo pelos ensinamentos referentes à espacialidade. que visa à educação tecnológica. em dois anos de ação. viabilizando o ensino por competências. de Milton Santos. como o do mercado de trabalho e o educacional. comum a todos. de que a estrutura e a infraestrutura tecnológica da nova instalação da instituição pesquisada seriam os fatores que mais pesavam positivamente nos resultados do proposto. de Marise Ramos. 25 . de Foucault e à “pedagogia das competências”. eles foram os causadores de muitos problemas enfrentados no espaço social. Notou-se também que o signo mandala funciona como uma heterotopia. à heterotopia. e que a sirva como um seu elemento unificador.Resumo Procurou-se estudar o impacto do uso da mandala como um símbolo para pensar-se o espaço da natureza e o espaço social. permitindo superar o espaço da natureza e foram vivenciados diferentes espaços sociais simultaneamente. A motivação foi a busca de entendimento e solução para a crença observada na comunidade acadêmica. como a de se considerar a mudança em um projeto pedagógico devido a inovações tecnológicas um projeto com grande imprevisibilidade nos resultados e a de se buscar o desenvolvimento do espaço social da comunidade acadêmica por meio de um espaço de tempo semanal. Apresenta-se recomendações.

com o espaço social não se limitando mais ao espaço da natureza. Essas qualidades. o efeito ambiental resultante na organização é significativo.2. qualquer que seja a ocorrência. rápida. devido aos impactos da “instantaneidade da informação” na mais valia. seja de transformação extensa e profunda. tornam-nas ultrapassadas. porque permite diversas conceituações. As mudanças. devido à inovação tecnológica e ao novo padrão de regulação da economia. daquela em que era considerado o saber exercer habilidades. saber aplicar um conjunto de conhecimentos e estar treinado para ter determinadas atitudes de forma excelente. Entretanto. habilidades e atitudes que um indivíduo articula para criar algo de valor para que a organização em que trabalha possa se destacar (Diniz. geográfico e local. A entrega nesse espaço pode permitir à organização. A “instantaneidade da informação” ocorre na informatização do trabalho. com contínuas mudanças. despontam outras. cujo domínio é deixado como desafio ao trabalhador dominar. leva embora competências laborativas até então muito prestigiadas.1. por meio das redes eletrônicas. levando-se em conta o conjunto de mudanças e os eventos desencadeados a partir da mudança. quase todas considerando-a um conjunto de conhecimentos. pois. com oportunidade de levar a uma criação de valor e a de multiplicar-se de tal forma que 26 . O conceito de competência surgiu no atual contexto de trabalho. tornando global a distribuição dos locais possíveis de receberem a mais valia entrega pelo trabalhador ao seu empregador. 146). O primeiro problema que ocorre para a aquisição da competência é a determinação do que o termo referencia. p. novas. Do bojo da correnteza. estendendo-se ao espaço virtual. qualidades propiciadas pela qualificação na escola. 2008 e 2005). conforme identificou Santos (2005. no entanto. Na passagem. pela frequência e impactos. seja de localizada e superficial. uma multiplicação desenfreada do valor que ela recebeu no trabalho. A Questão da Espacialidade na Educação Tecnológica O ambiente de trabalho nos locais economicamente significativos vem passando por mudanças ocasionadas por uma ampla gama de fatores e com as motivações que lhes dão partida sendo igualmente muito diversificadas. vêm assemelhando-se aos efeitos de uma chuva intensa que nada poupa e que. são as que ainda hoje são consideradas na formação profissional tecnológica. A conceituação atual de competência difere.

No espaço físico. 34). de que seja um lapso de tempo. Esse componente não impacta as atividades didático-pedagógicas diretamente. 2005). obedecendo a preceitos legais. o espaço dos indivíduos aparece como fragmento de realidade e não permite reconstruir o funcionamento unitário do espaço”. pois não há aprendizagem instantânea. o éthos do ensino. apenas pode ser detectada uma falsa unidade. segundo Milton Santos. O outro componente. que explica o fenômeno afirmando: “Como as práxis de cada um são fragmentárias. quando não apresentadas em formato reduzido. é mais que o lugar geográfico. 27 . sendo essas denominações utilizadas indistintamente. p. que alimenta a separação. o tempo escolar sendo regido pelo calendário determinado pelas instituições escolares. encontrar-se-á apenas um vazio quanto à maneira com que as pessoas atuam (Santos. Essas competências em tecnologia da informação são também denominadas competências tecnocomputacionais. Lefèbvre alerta que. com a competência em um assunto exigindo competências quanto à aplicação da tecnologia da informação. de “competências tecnológicas”. caso se considere unicamente o espaço físico da natureza. ou “competências tecnológicas informacionais”. 2007b). uma vez que as novas competências exigidas pelo ambiente de trabalho renovado tem significativa parcela de aspectos tecnocomputacionais. Com essa origem conceitual determinada pelos dois componentes − o do espaço físico ampliado e o do espaço temporal abreviado pelo mesmo fator causal da informatização −. em estudo sobre a espacialidade H. O componente do espaço temporal em que o trabalho decorre é um tempo marcado pela pressão organizacional de que quase não exista. Esse espaço.inviabiliza o controle por quem a produziu e o seu cálculo. proposta por Gorz (1968) e citada por Santos (2007b. há a implicação de grande parte das questões didático-pedagógicas da busca da competência do trabalhador estarem eivadas de condicionantes tecnológicos computacionais. um “tempo” instantâneo. que somente tem importância devido ao que lhe é creditado pelos indivíduos que nele vivenciam suas atividades laborais. obrigando a ser criado um novo critério para avaliarem os trabalhadores (SANTOS. é significativo nas atividades educacionais escolares. o do espaço da natureza ampliado.

O espaço social é o que possibilita a união entre os homens nas
organizações para realização das funções produtivas. Ele não tem a forma
física do território ocupado, segundo o acima citado H. Lefèbvre apud
Santos (2007b, p. 32), para quem o espaço social “é o encontro, a reunião, a
simultaneidade”. Nesse éthos, espaço social de atuação criado
coletivamente, originam-se e ocorrem os fenômenos comportamentais, causa
e efeito entrelaçados, que, devido à instantaneidade da informação, são
ampliados no espaço virtual.
No ensino tecnológico, se a escola é ativa e criadora, ela se
identifica com o dinamismo social da classe trabalhadora, fazendo do
“trabalho” um princípio educativo unificador do éthos, logos e técnos na
pedagogia, em seus planos pedagógico e epistemológico, mostrando em seu
processo de formação discente o movimento permanente de inovação do
mundo material e social pelo entrelaçamento da ciência, economia e cultura,
segundo Ramos (2002).
Contudo, nas discussões docentes sobre questões da educação
tecnológica, percebe-se uma crença na importância preponderante do espaço
das instalações prediais onde ocorre o ensino presencial, em seu aspecto da
forma estrutural e da infraestrutura tecnológica, no sucesso das estratégias
didático-pedagógicas.
Esse fato observado, de se considerar as carências na educação
tecnológica determinadas pelo espaço da natureza − na estrutura e
infraestrutura da escola –, desvia a questão da parcela causada por
problemas pedagógicos e epistemológicos, que se originam no espaço
social, em dinâmica para a obtenção de competência diferente daquelas que
ocorrem nas organizações do mercado de trabalho, como se apresentará.

2.2. O Campo e o Habitus para o Sucesso das Inovações
Tecnológicas no Mercado
Um método de análise para tratar-se as questões do espaço social é
encontrado em Bourdieu (1996 e 2004), para o qual dois elementos a se
considerar na análise são o “campo” e o habitus. O “campo” trata-se do
microcosmo social autônomo, onde seus agentes mantêm relações de forças,
lutando por uma posição melhor, num jogo em que as suas regras são
também objeto da partida que está sendo jogada. Por sua vez, o habitus é a

28

disposição e os gostos produzidos pelos condicionamentos sociais entre as
pessoas de um campo.
Analisando a questão das organizações por este prisma − o espaço
da organização sendo o campo das mudanças −, pode-se afirmar que é o
habitus um dos determinantes do comportamento organizacional para a
realização dos seus objetivos e alcançar as metas que lhes foram
estabelecidas.
Quanto às organizações, Bourdieu (1996, p. 143-145) também
alerta, para auxiliar as análises comuns de experiências organizacionais, que
nelas há o caso do projeto, no qual o possível do planejado será constituído
no futuro, ou não. E há o caso da protensão, em que o que será constituído
no futuro já está antecipado no jogo do presente, tendo-se assim “o plano
como desígnio do futuro”.
Na implantação de uma inovação tecnológica, o caso aparenta ser o
de uma protensão, julgamento que se fortalece na informação obtida de
Ribault, Martinet e Lebidous (1991, p.79), para a gestão das tecnologias, de
que apenas 15% das inovações tecnológicas resultam em fracasso por
problemas técnicos, sendo os 85% devido ao mercado.
Um outro dado oferecido pelos mesmos autores acima citados
(1991) é o de ser falsa a proposição dicotômica colocada para as
organizações ao decidirem-se quanto às inovações, do dilema push-pull,
pois elas agem arrastadas pela procura, mas também alavancadas por
tecnologias. Esse dilema antagoniza o “investir-se na pesquisa tecnológica
para a criação de produtos inovadores para estimular a demanda (technology
push)” e o “investir-se na obtenção de aplicações da tecnologia como um
recurso para atender à demanda (demand pull)”. Essa constatação tem
levado as organizações a dominar globalmente o progresso tecnológico,
passando do “domínio das tecnologias” para o “domínio das aplicações das
tecnologias”.
Destaca-se quanto à difusão da inovação tecnológica entre as
empresas o levantamento das teorias sobre os mecanismos que a propiciam
apresentado por Milton Santos, cujo mecanismo que considera mais
plausível é o que foi pressuposto por Törnqvist (1967) e Brown (1968a e b;
1971), de que ocorrem dois tipos de fatores: os econômicos de informação,
sobre custo-benefício da adoção; e os fatores do mercado, que são relativos

29

aos aspectos não-monetários, sociais, da aquisição da inovação pelo
adotante (Santos, 2007a).
É nesse último tipo de fatores − os de mercado − que se encontra
uma citação que remete a difusão inovativa à escola, pois Santos (2007a, p.
60) comenta que, nesse caso, o empresário surge “armado com jargão
universitário”, para diminuir a resistência à inovação. A ponte empresaescola, no Terceiro Mundo, não é a do desenvolvimento da inovação, mas o
de articular o marketing da inovação (Santos, 2007a).
Essa certeza é necessária pelo grande esforço requerido da
organização toda ao investir em uma tecnologia e ou aplicação inovadora.
Deve-se procurar determinar por criteriosos estudos científicos e
mercadológicos se o produto se apresentará como uma “ruptura
tecnológica”, que lhe trará competitividade, segundo os já citados Ribault,
Martinet e Lebidous (1991). Para estes, o gatilho primeiro para a pesquisa
tecnológica não é sempre a busca da vantagem competitiva, porque a
competitividade não é obtida apenas pela tecnologia inovativa, mas sim do
conjunto de esforços de inovação propositalmente realizados na empresa, os
quais incluem desde a rede de vendas, os processos de estímulo à
produtividade nos investimentos e à qualidade de sua comunicação.
Confirmando a importância da certeza do sucesso para as
organizações se proporem a mudanças, temos a orientação de Fernandes
(1998, p. 53): “A seleção de projetos [tecnológicos] envolve escolhas quase
sempre difíceis. Seu propósito é concentrar recursos escassos num número
de projetos realmente viáveis.”
No entanto, há casos que não é a competitividade que faz uma
empresa partir para uma pesquisa tecnológica e ou implantação de uma
tecnologia que lhe trará a inovação. Há, por exemplo, inovações que surgem
da vontade de um indivíduo influente nas decisões da organização, como
ocorreu nos casos do avião Concorde, das fibras óticas e do tratamento de
água por filtragem de membrana, apresentados por Ribault, Martinet e
Lebidous (1995, p. 78) que observam a respeito: “No interior de uma
empresa, a vontade do patrão de procurar a ruptura tecnológica pode ser o
fator determinante”.
Esses autores comentam também que, decisões sobre pesquisa
tecnológica e sobre implantação da inovação resultante, caso tomadas sem

30

o respaldo de estudos mercadológicos, podem não levar ao sucesso imediato
do produto no mercado, mas obriga aos estudos que lhe sucederão a ter em
conta o produto inovador. Mesmo neste último caso, da organização em
busca de uma ruptura tecnológica pela intenção visionária de seus
administradores, a pesquisa é movida pela certeza da obtenção de um novo
produto a negociar. Portanto, a certeza de uma vantagem.
Assim, pode considerar-se que, ao decidir por uma inovação
tecnológica para uso próprio, uma organização tem o sucesso do
investimento como uma certeza, isto é, o plano para implantar a inovação
tecnológica é uma protensão.
Para conseguirem a certeza, não podem considerar apenas os dados
que remetem a fatos passados e consumados, conforme observa Likert apud
Chiavenato (2007), que é o que ocorre quando as medidas de desempenho
são focadas nas práticas de uma organização, como sua estrutura, seus
valores, seu estilo de gestão e suas declarações de missão e visão.
As organizações devem se assegurar da adequação de seus quadros
às competências que serão requeridas pela mudança, buscando suprir as
competências em falta por desenvolvimento de seu próprio pessoal, por
recrutamento de novos quadros, ou por consultorias. Para tal, precisam
padronizar os critérios de competência. Porém, a existência de diversas
conceituações para a competência leva à necessidade de elaboração de um
sistema de competência para a organização, a fim de garantir as
competências requeridas.
Esses sistemas, em geral, fundamentam-se em se levantar a lista das
funções e das competências requeridas, as políticas de pessoal, a lista dos
indivíduos agrupados segundo competências afins e que trabalham em
equipes com razoável sinergia e compartilhamento de vivências e
informações (Nonaka e Takeuchi,1997; Ribault, Martinet e Lebidous, 1995;
Schünzen Junior, 2003; Figueiredo, 2003; Dutra, 2004; Brígido e Steffen,
2002; Sarsur, 2007; e Zarifian, 2002).
Na organização do sistema de competência em uma organização,
deve-se considerar a existência, ou não, de um sistema nacional de
competência instituído, pois as competências são meios legais para a
avaliação e remuneração da força de trabalho.

31

A “competência em tecnologia” é uma delas. 2002). facilitam o entendimento e o julgamento. obtidos por meio de sistemas nacionais de certificação de competências. A Competência Tecnológica no Espaço dos Sistemas Nacionais de Competências Procurando-se extrair elementos para tecer considerações quanto às competências tecnocomputacionais nas organizações. o glossário sobre a certificação por competências elaborado pela OIT (Organização. britânico. as diretrizes da Comissão da Secretaria do Trabalho sobre a Obtenção das Habilidades Necessárias – SCANS consideram três categorias de “competências fundamentais”: a de capacidades básicas. não havendo para Ramos (2002). 32 . também. Destacam-se. como em leitura e redação. apresentam-se a seguir alguns pontos dos sistemas norte-americano.3. Vê-se que as organizações trabalham buscando a certeza do sucesso das mudanças que promovem.1999). francês e alemão. e a competência em sistemas. as orientações deste ministério sobre a certificação (Ministério. a referente a atitudes analíticas. habilidades e qualidades pessoais para utilizar recursos. Esse sistema considera. como adiante melhor se apresentarão algumas. quando surgem questões trabalhistas em suas aplicações. 1999). e a de qualidades pessoais. em seus sítios na internet. entre as inúmeras referências oferecidas aos interessados pela Organização Internacional do Trabalho − OIT e pelo Ministério do Trabalho brasileiro – MTE. conforme é informado em documento norteador do Ministério do Trabalho (Ministério. sendo as quatro outras as que seguem: as competências referentes a destrezas interpessoais. devido ao fato de que as culturas nacionais imprimem nítidas diferenças no entendimento do sentido de uma atitude (Ramos.Os critérios padronizados nacionais. que não foi conseguido ainda. 2002) e o referencial metodológico apresentado por Brígido e Steffen (2002). 2. cinco categorias de “competências práticas” para o saber-fazer no trabalho. a competência em informação. diferenças teóricas ou metodológicas significativas entre os modelos. até mesmo recorrendo a uma tentativa de padronização em nível mundial. No sistema norte-americano.

as competências são classificadas em três categorias: a das específicas. e c) as competências essenciais. no caso da tecnologia da informação. e a competência em sistemas. e o das competências de organização. a competência em informação. Nesse sistema. a das genéricas e a das essenciais. a considerar uma competência como composta de outras. destrezas e atitudes requeridas para o desempenho numa atividade profissional específica. a competência em tecnologia da informação é uma competência essencial. e 33 . b) as competências de gestão. b) as competências genéricas. Tratam-se de: a) as competências técnicas.Observa-se. portanto. no entanto. que dizem respeito ao domínio dos processos e dos equipamentos. exige a competência. para seu uso no universo do trabalho. O sistema francês é citado no documento do MTE pelo uso que dele fazem as empresas francesas que adotaram a gestão das competências. com uma forte tendência a associar competência de fabricação e competência na manutenção de equipamentos. que essa classificação obriga a organização. ao uso da informação tecnológica e ao uso da linguagem moderna. No sistema britânico. explicandose melhor cada uma delas abaixo: a) as competências específicas. Assim. que correspondem a conhecimentos. que são comuns ao conjunto de setores. em outras três: a de possuir habilidades e qualidades pessoais para utilizar recursos. à comunicação e às atitudes pessoais ou às competências aritméticas. que atualmente se focalizam sobre a gestão dos fluxos. a competência em tecnologia. que seria uma das competências práticas. o das competências de gestão. não sendo computadas características relacionadas à gestão de custos. quanto ao planejamento e encadeamento da produção. podendo referir-se a resoluções de problemas. mas correspondem a uma mesma ocupação. ao menos. Consideram três grandes domínios: o das competências técnicas. às quais também chamam de habilidades.

c) a competência social se refere à capacidade do indivíduo de se comunicar e cooperar com os demais. a competência em tecnologia da informação parece reduzir-se a uma delas: a técnica. Em outras palavras. A atitude e a questão da criação do valor são determinadas pelo 34 . e d) a competência participativa equivale à capacidade de organizar. No sistema alemão. metódica. em termos processuais. Neste caso. às diferentes situações da rotina do trabalho e à capacidade de transferir conhecimentos adquiridos em outras situações que facilitem a resolução de problemas. As quatro reunidas constituem para o modelo alemão. que se relaciona à capacidade de agir adequadamente. social. a competência tecnocomputacional passa a ser uma competência técnica. Como o que está sendo medido é a articulação delas em competência de ação. b) a competência metódica. tem grande parcela de competência técnica. A competência em tecnologia da informação. apesar de requerer razoáveis parcelas de competências sociais e participativa. a competência de ação. para a maioria dos casos de aplicação deixa de ter sentido o considerar isolado da competência tecnocomputacional para pesar-se a da ação em que se deve ter a competência. Assim. a competência é classificada como técnica. e participativas. que se concentram em dois domínios: o da comunicação e o da iniciativa/autonomia. Detalhando-se as quatro componentes da competência em ação tem-se: a) a competência técnica. de decidir e assumir responsabilidades. composta por habilidades e conhecimentos. neste modelo.c) as competências de organização. assim como os conhecimentos que o fundamentam. que corresponde ao domínio das tarefas e conteúdos da sua área de trabalho. neste último modelo. a questão da competência a ser medida é como está a competência tecnocomputacional do indivíduo para realizar algo que a organização valoriza.

informação.uso da tecnologia em questão.4. para assuntos tecnocomputacionais. Portanto. atividades e funções – o “saberfazer” −. apresentadas por esses autores como elaboradas com ponto de vista da área de recursos humanos. onde a habilidade é a capacidade das pessoas de exercer tarefas. Vicente (2005. responsabilidades coletivas. independentemente da atitude. Dedicado a mostrar como fazer para que os sistemas tecnológicos sirvam às necessidades das pessoas no cotidiano. pede um estudo para melhor entendimento do que o mercado espera de um competente em tecnologia da informação e o papel do ensino nessa formação. Esse entendimento organizacional da suficiência do critério de habilidades e conhecimento para a criação de valor. Fernandes (1998) define a tecnologia como sendo a aplicação dos conhecimentos científicos. segundo Dutra (2004). Tal definição deixa implícita uma ação a partir de um posicionamento. p. organização de funcionários de uma empresa e até mesmo regulamentações jurídicas” no escopo da TI. as organizações estão centrando-se em habilidades e conhecimentos. Ele inclui assuntos como “horários de trabalho. A Inadequação de Campo e Habitus entre o Espaço Empresarial e o Ensino Em compêndio sobre a gestão da tecnologia. Esse aparenta ser o entendimento de Leme e Vespa (2008) e de Rabaglio (2008). Esses componentes são elementos que surgem de disposições humanas. ao passo que a competência implica no fazer valorado. Verifica-se que. 31-32) utiliza o termo “tecnologia” com um sentido mais amplo do que o sentido físico dos equipamentos e suas programações. que é a competência no campo em que ela está sendo aplicada. Esse fato pode ser explicado considerando os próprios conceitos envolvidos. o que é difícil para uma organização ter como recurso planejado. de acordos e práticas 35 . 2. o que exige atitude. O uso da habilidade como referência em sistemas de competência proporcionou melhores resultados do que o uso da competência para essa finalidade. do que é prestigiado e manifesta-se em situações. a competência exige a percepção do ambiente. nas suas proposições prescritivas para a organização de sistemas de competência.

com seus procedimentos. anteriormente apresentado. para Stair e Reynolds (2002). é necessário também dominar formas de articulações entre as competências específicas para que a cadeia de valor seja bem sucedida no uso de uma tecnologia. está incluída a organização do trabalho. requer-se atitude para criar-se valor com o que se faz. a criação de valor é um requisito recorrente.apoiadas no bom senso. Aplicando ao sistema de competência o comportamento organizacional destacado por Porter. denominado de “cadeia de valor” por Porter na década de 80 (Porter. O correto é determinar a componente da TI de que se trata e em qual empresa e uso específico. ou no senso comum. pois dificilmente se terá cadeias de valor iguais. é o conjunto de suportes lógicos (software) e de equipamentos de informática (hardware) e de telecomunicações que permitam organizar os dados e se obter informações. de forma que a tecnologia somente tem sentido se for o objeto de produção da organização. Nesse olhar. 1985). para se ter competência tecnológica. a proposta por Turban é a única que deixa clara a necessidade da componente atitude na determinação da competência em TI. Nesse modo de pensar. alinhadas com a competência no campo de sua aplicação. Uma consequência é a de que não há precisão na sentença “ser competente em uma certa aplicação genérica”. inclui-lhe o gerenciamento dos serviços a ela relacionados. Esse raciocínio está em acordo com o sistema nacional alemão de competências. processo esse. E Turban (2003). ou se compuser uma aplicação tecnológica ao longo do seu processo de transformação dos insumos até a completa realização do produto da empresa. Um caminho para o detalhamento dos componentes dos quais se compõe a TI é considerar-se a sua definição. A tecnologia de informação (TI). ou mesmo em decisões impulsivas. tendo em vista a importância da atitude para a criação 36 . Verifica-se nesse caminho que quase não há competências genéricas que atendam aplicações semelhantes em diferentes empresas. desmembrada em cada elo da cadeia em competências específicas. para O´Brien (2002). No campo empresarial. Desse leque de definições. No software. a competência tecnológica é considerada conforme requerido na cadeia de valor.

de valor no gerenciamento. se a qualificação tradicional atendia bem essa exigência? A resposta aparenta estar na velocidade com que as qualificações devem ser substituídas a cada semestre para conseguir-se a instantaneidade da informação. de forma que. não percebe o impacto da mudança em relação ao que era ministrado anteriormente. O que ocorre? Na dinâmica entre o mercado e o ensino. Takahashi e Amorim (2008) observam que a educação profissional tecnológica de graduação e de pósgraduação assume um caráter específico e próprio. devido às mudanças no ambiente de trabalho. As outras definições remetem a componentes do conjunto do processo de criação de valor. mas os conteúdos da grade escolar e das disciplinas que a compõem − quanto aos conhecimentos e habilidades − devem seguir o mercado. Isto é. consequentemente também perdem importância no espaço do ensino. o método de ensino recebido pelo aluno pode ser o tradicional. como requer o MEC. Além disso. porque preocupar-se com um currículo voltado para competências. o ensino também passa a requer computadores e softwares atualizados. Entretanto o professor se ressente. surge um ponto melindroso no salto entre o que a empresa espera do egresso e o que ensino oferece a ele para ser competente no mercado de trabalho: se as empresas consideram na avaliação de uma específica competência tecnocomputacional apenas os conhecimentos e as habilidades. que não seria atendida pelos métodos tradicionais de ensino. Então. as competências desprestigiadas por deixarem de serem necessárias ao exercício profissional. os quais requerem para a competência em seu uso. Reforçando esse entendimento. retira-se o valor das suas correspondentes competências didático-pedagógicas e dos recursos instrucionais que apoiavam o seu ensino. nas inovações que são implantadas no mercado de trabalho. Como o estudante está tendo contato com esses conteúdos pela primeira vez. o que lhe impõe a necessidade de acompanhar a evolução da tecnologia. Essa situação evidencia-se com um pouco mais de clareza quando a escola objetiva o ensino superior tecnológico. que visa à qualificação e requalificação de acordo com novas necessidades do mercado de trabalho e 37 . de conhecimentos e habilidades.

marcado pela imprevisibilidade. o escolar. não só pelas diferenças evidentes dos dois campos e sim. No atual contexto tecnológico. o que sugere não haver um relacionamento estável e previsível entre os acontecimentos nos dois ambientes. Caso o professor perceba a possibilidade de adesões significativas à novidade no campo profissional em que os egressos atuarão. Considerando a situação com a perspectiva proposta por Bourdieu. seu motor porta no bojo a imprevisibilidade de resultados bem sucedidos. sobretudo. mas essa aquisição necessária aos docentes não é promovida de forma objetiva pelas empresas que desenvolveram as tecnologias. explica a inércia das escolas na adequação do 38 . A experiência da mudança implantada no ambiente de trabalho. Além disso. ao confirmar-se o seu sucesso. a tarefa de ensinar conteúdos atualizados tem levado os docentes a uma sobrecarga de trabalho. pela natureza das questões envolvidas em cada um deles e suas dinâmicas. o acompanhamento evolutivo não se reduz a um problema físico-financeiro. e proceder à adequação de sua lide aos novos conteúdos. só lhe resta buscar dominar a nova tecnologia. pela imperativa obrigação de acompanhamento das inovações. cria no ambiente escolar a necessidade do docente dominar o novo conjunto de informações e competências.é suportada pelo surgimento das novas tecnologias. de campo e habitus. Essa imprevisibilidade de resultados é uma característica que diferencia. Porém. ainda que por seu próprio esforço. exigidas pela globalização econômica. habilidades e atitudes requeridos nas empresas. impondo-lhes um decorrente esforço para compreendê-las logo no seu surgimento e avaliar como impactarão o ambiente de trabalho. Dessa forma. para conteúdos tecnológicos inovadores. observa-se um fosso entre o clima seguro e otimista empresarial e o exploratório da escola. determinando um habitus que se rege pela segurança no empresarial e outro. as dinâmicas de treinamento e capacitação empresariais daquelas de ensino-aprendizagem das IES. Nesse ponto. na dinâmica da adequação do ensino ao que é requerido no ambiente profissional por seu esforço próprio. conclui-se pela existência de um afastamento dos fatores que regem os dois casos considerados de capacitação − o empresarial e o escolar −.

ambiente de ensino às rápidas mudanças do ambiente profissional. com recomendações e diretrizes. Nessa situação. nessa situação. que permitiram não só desenvolver um corpo teórico sobre o ensino-aprendizagem. O problema se apresenta. possibilitando teorizações sobre a educação. conforme explica Vergara (1997).5. não raro. informatizada e globalizada. onera o seu esforço por não lhe permitir a generalização dos fatores de sucesso. fica fadado a ser realizado por meios ex post facto. por Vygotsky. O método empírico. se for o único apoio ao seu dispor (Vigotski. exaustivamente realizou-se no ambiente de ensino entre os melhores pensamentos expressos e as mais recomendadas práticas constatadas nas vivências. Estas tecnologias são distinguidas daquelas inovadoras de fato. o que. O ensino tecnológico. encontrou-se nas suas ações cotidianas. também ditos de “boa prática”. isto é. os docentes que se voltaram para inovar não contaram com o auxílio desse tempo milenar de observações. Práxis e Habitus Novo Os conteúdos e as práticas didático-pedagógicas adotadas na escola até a poucas décadas resultaram. por milênios. de criteriosa seleção que. como se solucionarem contradições e suavizarem arestas teóricas. devido ao pequeno número de ocorrências que consegue observar. obrigando-o a ter atenção a cada caso como se fosse uma aplicação pioneira para obter êxito. sem logos e sem práxis. que essa falta de domínio pleno no assunto. sem fundamentação teórica e sem práticas direcionadoras. Às primeiras renovações no ambiente de trabalho. verificando-se. 2. implica a 39 . até em tecnologias bem conhecidas no mercado. algumas vezes. devido à urgência de mudanças no ensino.1999). que são denominadas “tecnologias de ponta”. que os docentes se vêem em contingência de adotar no ensino de uma tecnologia cujo domínio lhe é novo. experiências e constatações. o ambiente escolar da sociedade em rede. O docente do ensino tecnológico não encontra atualmente a seu dispor significativas referências para orientá-lo no desenvolvimento de um projeto pedagógico. O Ensino Tecnológico em Busca de Logos. afetará o máximo desenvolvimento do aluno no assunto.

sejam estas tecnológicas ou não. mas permitindo que o processo de ensino-aprendizagem se realize com o objetivo sendo perseguido pelo docente. e f) promover estágios. p. tratando-se de estudos de casos. por falta de hábito do diálogo. A explicação de Ramos (2002. Estas visam à motivação do aluno por meio de empatia. com observação participante. d) realizar encontros com os discentes em reuniões de projeto. por espontaneísmo. dosando a complexidade para não expor o estudante a situações difíceis. O sucesso do enfoque e do caminho selecionados pelo docente para obter as competências requeridas em seu projeto de ensino tecnológico só será constatado tempos após o ensino. por abordagem exploratória. Essa 40 . e) evitar causar tensões aos alunos pela imposição de regras. expectativas. projetos. não oferecendo orientações e recomendações possíveis de serem generalizadas. e pelo aluno. Um alerta de Ramos (2002) quanto à experimentalidade na obtenção das competências é que a ação humana se assuma apenas no senso comum. reduzindo o sentido do conhecimento ao pragmatismo. Se não há teoria para a pedagogia das competências. para a adoção de regras.impossibilidade de se controlarem as variáveis do fenômeno estudado. O que se encontram não são propriamente fundamentos de uma pedagogia do ensino por competências. encontram-se recomendações de didática. Esse fato pode ser observado nos estudos didático-pedagógicos sobre competências tecnológicas. dificuldades e maneiras de raciocinar do aluno. que quase sempre focam experiências. 294) é de que “a pedagogia das competências é uma pedagogia experiencial”. c) simular eventos o mais próximo possível da realidade em suas práticas didático-pedagógicas. b) estudar para saber como os conhecimentos podem ser conseguidos. tais como: a) observar as necessidades. Essa afirmativa pode ser verificada nas recomendações prescritivas de Zarafian (2002) aos docentes para se lecionar objetivando a sua competência.

tem-se que os cursos superiores tecnológicos têm compromisso ético de elaborar as suas organizações curriculares centradas no desenvolvimento de competências profissionais. e na sua regulamentação. em função da estrutura sócio-ocupacional e tecnológica. que funcionariam em modelo que denominaram de “célula de competência”. No projeto Escola-Mandala. de 23 de julho de 2004 (Brasil.154. em salas de aulas. a organização curricular seja elaborada em sete passos.6. O Parecer CNE/CP nº 29/2002 determina que.redução pode transformar conceitos históricos em dogmas e pode limitar o entendimento dos fenômenos ao que é pregado pelo senso comum. p. Oliveira e R. 1o do Decreto nº 5. conforme o Parecer CNE/CP Nº 29/2002. As Mudanças sob a Ótica das Legislações Quanto às determinações legais. do Conselho Nacional de Educação − CNE (Conselho. quando as competências deveriam ser construções intelectuais elevadas que possibilitem aos alunos tornarem-se não somente trabalhadores. em sequência de atividades (Conselho. pelo seu Art. 2002) abaixo apresentadas: 41 . Porém. que se encontra no parágrafo 3º do Art. em que o modo tradicional de aula. é determinado que a educação profissional tenha por premissa a organização por áreas profissionais. As inovações requerem detalhada fundamentação e criterioso planejamento para sua aprovação. G. Ribeiro (2006). renunciando-se à formação das pessoas. seria substituído por atividades de equipe. 1996). as escolas não podem implantar o ensino de forma diferente daquela que a legislação determina. estas devem seguir o determinado no Art. uma proposta pedagógica apoiada na “pedagogia das competências” é apresentada por H. levando as competências desenvolvidas na escola a serem apenas mecanismos para a adaptação do aluno à realidade. 39o da Lei no 9. 2004).394. 49). de 20 de dezembro de 1996. 2002. 2002). para organizar um curso. que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil. passando-se a discorrer sobre pontos que a ótica das legislações determina. com articulação de esforços das áreas do trabalho e emprego. 2. Ribeiro. 2o. Neste decreto. Tratando-se de graduações e pós-graduações tecnológicas. mas também dirigentes (Ramos. da educação e da ciência e tecnologia.

como é o caso daquela do tecnólogo em análise de sistemas. visitando locais culturais ou de interesse da profissão. 5º) Organização curricular − incluindo o estágio profissional supervisionado e eventual trabalho de conclusão de curso. os passos relativos às competências. e o da definição dos critérios e procedimentos de avaliação de competências. adquirindo-as. feiras de temática tecnológica. devendo per si alcançar as faltantes. destaca-se que o CNE considera a avaliação das competências um quesito diferenciado da avaliação da aprendizagem. destacam-se três deles: o da definição das competências profissionais. quando requeridos. 6º) Definição dos critérios e procedimentos de avaliação de competências e de avaliação de aprendizagem. atitudes e valores – aos quais as escolas deverão trabalhar para o desenvolvimento das competências requeridas. nos caso de profissão legalmente regulamentada. por exemplo. uma vez que serão avaliadas. Deste último. o da identificação dos conhecimentos. as atribuições funcionais definidas em lei. Entretanto. habilidades.1º) Projeto Pedagógico da IES − Concepção e elaboração nos termos dos Artigos 12 o e 13 o da LDB. atitudes e valores que compõem as competências. 4º) Identificação dos conhecimentos. 3º) Definição das Competências Profissionais a serem desenvolvidas − considerando. 2º) Perfil Profissional do Curso − Definição a partir da caracterização dos itinerários de profissionalização na respectiva área profissional. Considerando-se desse rol de atividades. quais são as competências profissionais que uma IES tecnológica tem o compromisso de possibilitar aos seus alunos desenvolver? Quais competências são necessárias ao exercício profissional e não poderão ser adquiridas no ensino? 42 . por meio do estágio ou por outro recurso. como assistindo palestras de empresas que desenvolvem ou fornecem tecnologias. talvez porque nem todas as competências que o aluno adquirirá por meio do ensino contemplem as requeridas. Observa-se que muitas das profissões tecnológicas não são regulamentadas. e 7º) Planos e Projeto Pedagógico do Curso − a serem submetidos à apreciação dos órgãos superiores competentes. habilidades.

num amplo esforço conjunto de governo. esse critério dependerá das empresas que se dispuserem a colaborar na pesquisa. Atualmente. de pistas a seguir para a identificação das competências requeridas no exercício profissional. que destaca a importância de se considerem medidas de tempo de emprego e de renda para tecer considerações sobre o que é valorizado. como as de Cardoso (2000). b) seleção das competências mais necessárias e ou adequadas ao ensino. c) aprendizagem das operacionalizações da tecnologia envolvida e identificação do corpo teórico que as suportam. para serem levadas em conta na mudança pretendida: a) monitoramento do ambiente profissional para se identificarem as tecnologias em voga. para viabilizar a implantação da nota fiscal eletrônica e outros controles do Estado propiciados pelo governo eletrônico. Encontram-se algumas sugestões na literatura. No Brasil. uma vez que não há um banco de dados de acesso público que permita um estudo simples e objetivo. As iniciativas europeias nesse assunto podem ser encontradas em Johnson e Lundvall (2000). destacam-se os esforços governamentais de atualização de profissionais que atuam em áreas fiscais e tributárias das empresas. 2000). a fim de. apesar dos diversos programas promovidos pelo governo. empresas e sociedade buscarem o comprometimento de atuação nacional em prol dessas competências.Há inúmeros casos de identificação de competências tecnocomputacionais necessárias ao exercício profissional que foram realizados por diversos países. citando-se algumas etapas que se podem destacar do conjunto. não há ainda recomendações que tenham sido articuladas com ações efetivas em larga escala na sociedade. 2002). No entanto. 1992) e do Committee on Technological Literacy (Committee. visando à formação dos trabalhadores. Verificam-se as recomendações do estado norte-americano nos relatórios da Secretary's Commission on Achieving Necessary Skills (SCANS. 43 . como o da Sociedade da Informação (Takahashi. Considerando-se a atualização curricular de um curso tecnológico quanto às competências profissionais. as atividades necessárias são muitas.

sua infraestrutura e do habitus do campo. bibliográfico e de análise de discurso. links etc. recomendando-se a sua análise a determinados cortes temporais. o Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro.. exercícios e avaliações de aprendizagem e de competências adquiridas. e) planejamento das metodologias para o ensino visando à aquisição das competências selecionadas. ou sua elaboração. como já se comentou anteriormente. essas atividades referem-se à operacionalização da atualização curricular. Para estudar a questão da espacialidade em um desses casos. apresentações. situado na capital carioca.d) identificação de fatores que facilitem aos alunos o aprendizado e a aquisição das competências. sua estrutura. em geral. pois a razão de uma mudança didático-pedagógica em uma IES tecnológica nem sempre ocorre para atender às novas competências exigidas pelo mercado de trabalho. o processo da implantação de um projeto com essas características transforma-se em uma pesquisa-ação intervencionista e exploratória. mantendo-se o espaço da natureza e a sua estrutura predial. quando então o habitus é desafiado a mudar e a infraestrutura é mudada em parte. vídeos. Com essas etapas sob controle. Mais rara é a mudança por alteração do espaço da natureza. mas. g) elaboração dos planos de aula. cujo desenvolvimento encontra-se ainda em fase de intencionalidade. Entretanto. Sem muitas referências para antever os resultados. A pesquisa foi realizada por meio etnográfico. pode-se propor a atualização do plano e do projeto pedagógico do curso e submetê-los à apreciação dos órgãos competentes. f) seleção e obtenção do material instrucional. softwares. de fevereiro de 2007 a fevereiro de 2009. 44 . como textos. selecionou-se com fins descritivos o caso de um projeto pedagógico proposto pelo corpo docente de um curso superior de graduação tecnológica em análise de sistemas. nem da intencionalidade que as impulsionou. Nada falam da estratégia que as criou.

de forma que as salas de aula e demais espaços do novo edifício atendessem a uma nova maneira de funcionamento integrado. receberia com esse nome benefícios obtidos com os sentimentos e as ideias evocadas pelo signo. p. Uma instituição de ensino que tem como concepção a gestão participativa. reforçando a ousadia do ISTCC-RJ em pensar numa concepção pedagógica estruturada a partir de mudanças. propiciadas pela necessidade de se ajustar os objetivos dos diversos projetos pelos quais se obtiveram as verbas utilizadas e de se adequar as atividades docentes à planta das novas instalações.7. 45 . A Intencionalidade Mandálica na Espacialidade A intencionalidade de realizar-se a intervenção pedagógica no curso surgiu durante a construção do edifício próprio da instituição nas trocas de ideias entre docentes. que cada aprendizagem sentida nos transforma. desenhar e sonhar com mandalas nos conduz a um equilíbrio já transformado. onde os espaços não fossem ocupados com atribuição permanente.2.. com salas de aula híbridas. reuniões. de integração e utilização do cyber espaço atingido pela tecnologia da informação. Tudo isto..] e na relação professor-aluno. [. funcionários. na educação a distância [. sendo assim denominado. corpo docente e discente participam de sua gestão criando uma rede energizante e pensante de relações interpessoais e de ensino. podemos concluir que o círculo da Mandala se completa ao pensarmos na ação pedagógica. remetia à de uma mandala. quando descobriu que pintar. possibilitando o desenvolvimento de projetos. na qual direção. permite que essa rede cibernética deixe de ser virtual e se torne real. A forma espacial da instalação levou à decisão de alterar-se a rotina de ensino. pesquisa e AÇÃO.. na qual os alunos pensam. O “Projeto Escola-Mandala”. segundo Souza e Sá (2006. conforme explanam abaixo: Também Jung declarou. 18). discussões. cuja forma ao ver de Souza e Sá (2006). tem voz e participam da estrutura da construção da nova sede. mas sim adquirissem as funcionalidades conforme fossem requeridos em sua utilização nas práticas cotidianas. na sala de aula..] Portanto.

rede essa anteriormente criada por mecanismos de gestão participativa. no texto explicativo do Projeto EscolaMandala. que já existia e na qual participavam a direção. A rede internet surge nessa colocação como uma heterotopia. de fato era real. Verifica-se no trecho referenciado acima que a nova concepção pedagógica do curso em tela é proposta para mudar. remete à mandala da teia de aranha. o que remete ao fenômeno da “instantaneidade da informação” da rede internet. a rede de relações interpessoais e de ensino. p. que faziam os alunos participarem e opinarem no projeto das novas instalações da instituição. por meio da internet. conforme o projeto é apresentado por Souza e Sá (2006. se é excluído do espaço e tempo real. para integrar. que só poderá vir a ocorrer nessa forma mítica (Diniz. 2006). mas.Essa intenção de impermanência. inclusive jogam com os sentidos dos termos virtual e real. pois só existia no pensamento dos participantes. o jogo do símbolo mandálico da rede internet possibilita uma heterotopia que concretiza uma união de culturas tão diferentes que convivem nela. pois a rede existia. a fim de que essa rede “deixe de ser virtual e se torne real”. onde a rede de relações interpessoais. Desse modo. formada pelas pessoas da instituição. acima citado. sobretudo com o advento da tecnologia da informação . como se fundamentava em contatos em grande parte presenciais. assemelhavam-se a uma rede virtual. que observa essa função no símbolo mandala. E esta. de volatilidade. funcionários. não se tornando conhecidas as opiniões e considerações que 46 . no sentido proposto por Foucault (2001). Seria o caso da cultura empresarial de certeza na aquisição de novas competências para o ambiente de trabalho inovado e a do ensino. que é o do local ou objeto com o poder de justapor no mesmo lugar vários espaços incompatíveis entre si e que. a qual simboliza a união das partes do mundo. que só deixavam materializadas as decisões redigidas ou o resultado físico das ações empreendidas.TI”. corpo docente e discente. ao se nele entrar. por sua vez. a partir da instalação do curso em nova sede então em construção. se coadunaria com o atual contexto em que se vive. conforme observa Diniz (2006).13): “Essa sensação de mudança permanente sentimos na avalanche de informações que recebemos. exploratória e de resultados imprevisíveis? Souza e Sá (2006).

conseguir-se-á materializar as falas e gestos dos integrantes da rede. evidenciadas para terceiros que não participaram do caminhar. pesquisa e o desenvolvimento de ações. 142): “O que é vivido como evidência na illusio parece ilusório para quem não participa dessa evidência. devido a virem a se comunicar por meios automaticamente registrados por gravação do que for escrito em emails e outras formas de comunicação existentes no espaço virtual da internet. fica no olhar de Souza e Sá (2006).13). há a seguinte observação de Bourdieu (1996. de ser necessário documentar-se as rotas que levaram às decisões e ações para torná-las “reais”. A ação pedagógica dos docentes ao realizarem suas funções produtivas na sala de aula. Entretanto. já que não participa do jogo”. Para tornar o jogo claro a todos. Illusio. “Completar o círculo” é unificar os componentes entre si. Assim. como a biblioteca. discussões.levaram às decisões e ações. verifica-se o espaço da natureza alimentando a desunião entre as pessoas. os principais problemas observados entre os docentes e entre estes. Sob esse ponto. pelo projeto. é a pulsão por ganhar. União que se faz por meio do intangível espaço social. À nova sede. ou a não disponibilização do acesso a locais necessários. com a rede internet instalada na nova localização da instituição. os discentes e os funcionários foram devidos a ocupações de salas. p. a realização de reuniões. o ânimo de vencer que surge no envolvimento com um jogo. que é construído inclusive por outras atividades 47 . nesses dois anos do projeto em ação. ao acesso a locais não autorizados. por não estarem documentadas para os que não participavam da rede. pode ser o fator que mais pesará positivamente nos resultados do projeto pedagógico proposto. com sua rede de computadores e salas de aulas de funções flexíveis – denominadas “híbridas” no projeto em tela −. como observou Gorz apud Santos (2007b). p. é creditada a possibilidade de tornar real o desenvolvimento de projetos. com a parte de completar a parte do circulo mandálico determinada pelo espaço da natureza. isto é. a problemas técnicos com a rede elétrica ou a de computadores. Observa-se ainda como a crença de que o espaço da natureza com sua infraestrutura de tecnologia da informação. segundo se interpreta do texto citado acima de Souza e Sá (2006. na educação à distância e na relação professoraluno. entre outros. para este autor.

permitindo encaminhar soluções aos problemas. sugerindo que mecanismos de integração dos alunos. 2008). Lefèbvre apud Santos (2007b). Além disso. com foco na criação de valor para as instituições patrocinadoras da pesquisa. sobre fatores que favoreciam a aprendizagem tecnológica objetivando a aquisição de competências tecnocomputacionais (Diniz. contribuam para a suas aderências ao curso e à aprendizagem.produtivas. que permitiam a participação dos colegas em seus trabalhos e buscavam aprender com as contribuições. reuniões e outras atividades simultaneamente exercidas pelas pessoas. pois verificou-se que os estudantes solidários. de atividades de organização. c) a criação de um clima de solidariedade. E é a ação dos indivíduos o que faz manifestarem-se as competências que o projeto pedagógico almeja aos egressos. pois as atitudes às quais a competência referencia somente surgem ao realizar-se uma atividade. naquelas citadas por H. e) o desenvolvimento de um comportamento discente de pesquisa solidário. todos os fatores observados foram relativos ao espaço social: a) a organização da área. aparentaram avançar mais na aprendizagem. confirmando essas observações. parcela de construção que se entende subentendido na proposição do projeto. d) a circulação das informações sobre o escopo da pesquisa e os seus resultados parciais. Então. com o estabelecimento de diretrizes claras e possíveis de serem seguidas. com eixo em temas do conteúdo do curso. No projeto em sua ação. respeito e fraternidade. uma reflexão que se apresenta em prol do poder do signo mandala na construção de um projeto pedagógico é dar-se um destaque maior para o espaço social que se evidencia nos encontros. 48 . quando simultaneamente exercidas pelas pessoas. b) o disciplinamento da equipe. verificou-se que a presença dos indivíduos esclarecia os pontos em disputa. considerando-se os resultados levantados em uma pesquisa de iniciação científica que se orientou na instituição considerada no exemplo em análise. encontros e reuniões. tecendo exposições claras sobre o que estava em discussão.

enfocando-se os de um prisma da espacialidade. 2. dos docentes. Entretanto. entre outros. É o que se viu. de Marise Ramos. toda ela se encontre no espaço da natureza da instituição desenvolvendo atividades que perpassem toda a tessitura da comunidade acadêmica. considerar-se na carga horária de cada docente e dos funcionários. verificando-se que a presença dos indivíduos esclarecia os pontos em disputa.Uma forma de destaque é fazer com que. de espaço da natureza e de espaço social. de Foucault. foram devidos ao espaço da natureza. Isto é. a partir da observação de como se desenvolveu esse projeto pedagógico nos dois anos de sua implantação. um período de tempo semanal em horário coincidente para todos. à luz de conceitos referentes à espacialidade. no estudo dos resultados da utilização da mandala como símbolo do Projeto Escola-Mandala. O estudo foi motivado pela busca de entendimento e solução para a crença observada na comunidade acadêmica de que a estrutura da nova instalação da instituição pesquisada e a sua infraestrutura tecnológica seriam os fatores que mais influenciariam positivamente os resultados do projeto pedagógico proposto. em dois anos da ação do projeto. atividades que desenvolvam o espaço social para a completude do círculo mandálico. os principais problemas observados no espaço social. funcionários e administração. de Milton Santos. a campo e a habitus.8. discentes. permitindo encaminhar soluções aos problemas. a fim de que se possibilite. no mesmo período cíclico das atividades produtivas da escola. que no caso observado é semanal. buscou-se a apresentação de evidências que levassem à compreensão das questões que surgiram ao longo desse período e norteassem as soluções para providenciarem-se os ajustes necessários. Ao desenvolver-se os argumentos. com a presença de todos. e à “pedagogia das competências”. não ocupado com atividades específicas obrigatórias predeterminadas. visando o aprimoramento de uma instituição superior de educação tecnológica. à heterotopia. de Bourdieu. 49 . Conclusão e Recomendações Há um caminho para se pensar soluções para alguns problemas que surgem no espaço escolar. alinhando as visões individuais e fortalecendo a instituição.

que Milton Santos denomina por “instantaneidade da informação”. diminuindo os riscos que ambos. o 50 . diversos países buscam minimizar a subjetividade das avaliações e coaduná-las com a cultura nacional. sistemas e políticas que são desenvolvidos e adotados por organizações e nações para avaliar e remunerar a produtividade dos trabalhadores. que a utiliza para referenciar o conjunto de estudos. 2002). permitindo que se vivenciassem. de contínuas mudanças ocasionadas pelas inovações tecnológicas. obrigando-as a criarem um novo critério para avaliarem trabalhador. exercida a seu favor pelo trabalhador avaliado. para tal. Como o conceito de “competência” decorre da “instantaneidade da informação”. devido às redes eletrônicas criarem o fenômeno. estão sujeitos. trabalhador e organização. Por meio de sistemas nacionais de competências. Pela padronização da avaliação por competências. viabilizando a aplicação da “pedagogia das competências” do ambiente do trabalho ao ensino superior tecnológico. como o do campo empresarial e o do campo educacional. Este. diferentes espaços sociais. Essa expressão “pedagogia das competências” foi adotada de Marise Ramos (Ramos. de onde e com que o trabalho se realiza. também. habilidades e atitudes −. a competência de um trabalhador para um determinado trabalho é determinada cotejandose o valor-padrão unitário. O conceito de competência surgiu como decorrência do contexto de trabalho contemporâneo. práticas. que lhes são próprios. deve-se destacar-se dois componentes: o do espaço temporal da realização do trabalho e o do espaço da natureza. da multiplicação desenfreada da mais valia entregue pelo trabalhador às organizações. articulou um conjunto de recursos − conhecimentos. o agir do signo mandala como uma heterotopia.Verificou-se. reconhecido como unidade de medida com o valor que a organização percebe que obteve da atividade avaliada. as quais possibilitaram um novo padrão de regulação da economia globalizada. O fator do espaço de tempo é abreviado à desejada “instantaneidade da informação” pela informatização das organizações. simultaneamente.

o do espaço da natureza. mas o ampliado pela sua ocupação. centrando-se a avaliação da competência nas habilidades e conhecimentos requeridos.que traz a implicação de grande parte das questões didático-pedagógicas da busca da competência do trabalhador estarem eivadas de condicionantes tecnológicos computacionais. com o sucesso antecipado no jogo do presente. Contudo. Esse ânimo é captado na “pedagogia das competências”. No contexto do ensino tecnológico. mas especialmente por método empírico. Na dinâmica entre o mercado e o ensino. que é a disposição e os gostos produzidos pelos condicionamentos sociais entre as pessoas de um campo. levam-nas a trabalharem as mudanças organizacionais para a implantação de uma inovação tecnológica com a certeza de virem a ser bem sucedidas. Porém. já que os docentes se vêem em 51 . por deixarem de ser necessárias ao exercício profissional. proposto por Bourdieu. tem papel significativo nas atividades de ensino. no caso das empresas. bem como perdem as suas correspondentes competências didático-pedagógicas e dos recursos instrucionais que apoiavam o seu ensino. não sendo instantâneos. O outro componente da competência. uma vez que as atitudes desejadas já estão predeterminadas como padrão. não só o geográfico e físico das instalações e infraestrutura. verificando-se que a capacitação dos quadros nos assuntos tecnocomputacionais passa a ter posição destacada. tornado espaço social pelas pessoas em suas lides exercidas no grupo. não só por viabilidade econômica-financeira. bem como novos conteúdos programáticos e didática. as competências desprestigiadas. a imperativa obrigação de acompanhamento das inovações impõe aos docentes um esforço extra para compreendê-las assim que surgem nas empresas e para avaliar-se como impactarão o ambiente de trabalho. o ensino também passa a requer computadores e softwares atualizados. perdem importância no espaço escolar. isto é. tem-se que este componente não provoca significativas questões no processo de ensinoaprendizagem. o sucesso nessa empreitada é imprevisível. como os tempos das atividades didático-pedagógicas e do calendário escolar são regidos por determinações legais. verificou-se que o habitus. Analisando-se as implicações da diferença de composição da competência no ambiente empresarial e escolar pelo método de análise de “campo” e o habitus. a “pedagogia das competências” desenvolve-se com um pilar no pensamento tecnológico. Assim.

onde seus agentes mantêm relações de forças. respeito e fraternidade. pelo fortalecimento do um clima de solidariedade. pelas inter-relações pessoais. não literal ou metaforicamente. o que recomenda que se considerem metas exequíveis e desenvolvimento cercado de controles para viabilizar essas metas. como levantarem-se considerações sobre o que é valorizado no meio profissional empresarial. num jogo em que as suas regras são também objeto da partida que está sendo jogada. Sugere-se. funcionando como um objeto com função heterotópica. administrativos. cujo sucesso dos resultados só poderá ser aferido após a sua execução. Outras recomendações são: a) criarem-se mecanismos simples e objetivos para a identificação das competências requeridas no exercício profissional. conclui-se serem dois campos profissionais de atuação diferentes. a aplicação da “pedagogia das competências” empresarial ao ensino é possível.contingência de adotar no ensino de uma tecnologia que lhes é nova. lutando por uma posição melhor. por meio de atividades simultaneamente exercidas. para tal. culturais e de auxílio comunitário. Essa é a principal recomendação. com ampla circulação das informações. no arcabouço conceitual de Foucault. Isso implica que qualquer mudança no projeto pedagógico deve ser encarada como um projeto com grande imprevisibilidade nos resultados. É por essa diferença de “campo” que o símbolo do projeto pedagógico da mandala torna-se um elemento importante. Nessa diferença de habitus dos dois espaços sociais. atividades que. com a presença de todos. mas pensada como um projeto guiado pelo signo. 52 . não ocupado com atividades específicas obrigatórias predeterminadas. com o conceito “campo” caracterizado como um microcosmo social autônomo. juntamente com a do desenvolvimento do espaço social. Dessa forma. estímulos à integração e à participação da comunidade acadêmica em equipes de trabalhos científicos. a fim de que se possibilitem. seria possibilitar a existência simultânea dos dois campos por meio de um signo. o que. o que lhes traz insegurança quanto aos resultados de seus esforços. unam as pessoas. a criação de um período de tempo semanal em horário comum para todos.

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aquele que irá levar a educação às pessoas e não as pessoas à educação. onde a tecnologia se expande de forma exponencial. George Bernard Shaw Resumo A sociedade atual está sofrendo um forte impacto de mudanças generalizadas provocadas pelas tecnologias de informação e da comunicação. Fazer com que as pessoas passem do pensamento analógico para o digital será o grande desafio deste início de milênio e. o insensato persiste na tentativa de adaptar o mundo a si próprio. o de uma sociedade sem fronteiras. No entanto. enquanto a humanidade persiste na preservação de um status quo que já não existe. para que isto aconteça será necessário construir um novo modelo de educação . o conhecimento será o esteio de toda esta 59 . Está sendo desenhado um novo contexto. todo progresso humano deve-se aos homens insensatos”.Capítulo 3 A Criação do Pensamento Digital Marcos Paulo Monteiro O homem sensato adapta-se ao mundo. e não está conseguindo absorvê-las em curto prazo.

tornam evidente a necessidade de repensar o papel dos atores neste mundo. transformando cada usuário em um permanente aprendiz. Ao mesmo tempo. observa-se que um volume enorme de dados são obtidos através das mais diversas mídias. principalmente da rede mundial e estão se acumulando de maneira desordenada. em especial. Para que este paradigma se viabilize é de fundamental importância que o novo modelo educacional incorpore a NET para disseminar conhecimentos. Introdução. que a cada dia é consumido em escala crescente. aqueles que surgirão do desenvolvimento e constante aumento da base de conhecimento humano.transformação ou re-evolução da sociedade. fazendo-se necessário que o ensino como um todo e o ensino de engenharia em especial.” Realmente constata-se uma dependência cada vez maior do indivíduo em relação ao item informação. como. para posterior processamento a fim de transformá-los em informações utilizáveis. seja possível é necessário definir: O que é prioritário conhecer? Quanto investir para aprender? Do conhecimento prévio. John Naisbitt[1]. 60 .1. o que irá obrigar a saber decodificá-los. o que realmente se precisa preservar frente a estes novos dados? O que se pode descartar. que irá transformar o ato de aprender em um ato cotidiano. lance mão de tecnologias e metodologias no seu processo de ensino-aprendizagem que permitam ao futuro profissional atuar nos novos cenários que se apresentam com a segurança. pois já não tem mais serventia? Como agir pró-ativamente em relação às novas circunstâncias para quais estes apontam? As acentuadas e drásticas transformações pela qual a sociedade contemporânea está atravessando. em um ritmo nunca antes registrado. 3. afirma : “na rede econômica mundial que teremos no século XXI. as pessoas incorporarão conhecimentos em qualquer lugar e a qualquer momento que uma nova informação se faça necessária. Para que esse processo de decodificação e análise dos dados. eficácia e eficiência esperadas para solucionar não só os problemas conhecidos e facilmente identificáveis. cada vez mais rapidamente em face da sua curta vida útil. a tecnologia da informação será a responsável pelo processo de mudança da mesma forma que a manufatura tinha esta responsabilidade na era industrial.

as sociedades cada vez mais estão se estruturando em uma posição bipolar entre a Rede e o Ser. real. fazendo surgir uma nova espécie. estender sua capacidade auditiva através do rádio e do telefone.A velocidade das mudanças é tão avassaladora que três das mais importantes tecnologias do momento não existiam há 20 anos: o telefone celular. Outro forte indicador de que algo mudou na sociedade brasileira é a adesão em massa à entrega do Imposto de Renda online. não é tão importante quanto seu endereço eletrônico. no dia-a-dia. as pesquisas apontam que se assiste menos à tevê e muitos sacrificam horas de sono para trocar e-mails. na opinião de alguns pesquisadores. transformando para sempre as relações entre pessoas a tal ponto que o seu endereço físico. O horário de pico de audiência na Internet começa ao anoitecer e vai até o início da madrugada. Ao mesmo tempo em que é fascinante. navegar pela rede ou entrar nas salas de bate-papo online.2. 3. A Secretaria da Receita Federal incentivou a entrega de declarações via computador. no mundo do amanhã a combinação da cibernética com a genética irá tornar o ser humano obsoleto. pois a comunicação entre empresas e pessoas cada dia mais se baseia nas modernas tecnologias de comunicação e informação. se torna assustador o poder que a revolução tecnológica está dando aos homens. nas artes. quando as tarifas telefônicas são mais baratas. mas o volume de entrega de declarações eletrônicas foi tão grande que surpreendeu o próprio Leão. na economia. a internet que libertou os usuários das fronteiras geográficas e temporais. Segundo CASTELLS[2]. aumentar seu poder de visão iluminando a noite e tomando conhecimento do que se passa em terras distantes através da 61 . o e-mail. na qual os computadores e a internet se situam dentre os ícones mais representativos. Hoje os avanços estão em todos os lados: na medicina. Ela viu o homem criando extensões de suas pernas para andar mais rápido. Oferecia como recompensa um lugar privilegiado na fila para receber a restituição do imposto. No Brasil. em especial. Esta nova revolução espalhou rapidamente um novo espírito de liberdade. assim não será nada estranho considerar-se uma transformação na forma de se construir o pensamento tácito. a Internet e o CD. A sociedade humana começou a sentir a onda de impacto provocada pelas evoluções tecnológicas nos últimos cem anos. A nova sociedade – a sociedade digital. adquirindo asas e voando em objetos mais pesados que o ar.

televisão e. carbono sintético (1991). atualmente. diferente. onde o conhecimento adquirido era sempre útil. em vez da segurança da reflexão “ancorada” no conhecimento já consolidado. veloz. multimedia (1992). telefone celular (1985). onde a única certeza é que a mudança faz parte integrante do cotidiano e onde se viverá e aceitará uma nova realidade. relacionais darão lugar aos bancos de conhecimentos. gerenciado por sistemas especialistas desenvolvidos com conceitos 62 . sem a preocupação de estabelecer ligação com outros conhecimentos. Na verdade observa-se que o computador está aumentando em progressão geométrica sua capacidade de expansão. WEB (1993). O novo mundo que se descortina. como pequenas cápsulas que devem ser absorvidas. bisturi a laser (1981). supercomputador (1982). estender seu cérebro para muito além do imaginado. Internet de uso público (1992). Não haverá preocupação de estabelecimento de conectores com informações anteriormente armazenadas. telescópio espacial (1983). uso da cerâmica como supercondutor(1986). onde a informação se torna obsoleta quase no instante em que é gerada. com o computador. não existirão conexões entre as diversas idéias ou pensamentos circulantes e onde o saber será disponibilizado em doses pequenas de conhecimento. TV via satélite (1985). videotelefonia celular (1996). dentre ela destacam-se fibra ótica (1979). para uma aventura em um novo território sem orientação de qualquer natureza. o computador. Nesse mundo de idéias compactas. estruturados. fotografia digital (1988). Nestas últimas décadas surgiram invenções de importância relevante que deram um novo sentido e redesenhando um novo contexto para a sociedade. Uma análise destas invenções tecnológicas deixa evidente que a grande maioria delas é resultante de uma tecnologia básica que exerceu um poder sinergético e transformador nesta realidade. além de estar modificando substancialmente o relacionamento com o próprio processo evolutivo. os atuais bancos de dados. fragmentada. É uma viagem fantástica de um mundo restrito a um mundo aberto a todas as possibilidades. levando a humanidade a rever sua concepção de meio ambiente. sem garantias de chegar ao destino. que serão uma base de conhecimento enciclopédico que abrangerá todo senso comum. chips de alta velocidade (1984). fez com que se abandonasse uma posição confortável e estável.

e sim.de I. por terem se tornado obsoletas para o contexto. A forma de conhecer. o volume de informações disponibilizadas cresce de maneira exponencial.A.Inteligência Artificial 63 . a busca de informações se dará dentro de critérios flexíveis e não-lineares. Nesta nova “cultura digital”. nas possibilidades de combinação que se pode estabelecer com estas informações. as informações estarão disponíveis sob a forma de unidades digitais e as conexões. não pode ser quebrada em mesas menores. pois ela é abundante. Não haverá mais lugar para a prolixidade de informações longas para explicar fenômenos. neste novo mundo. É senso comum entre os autores que discutem o processo de mudanças provocado pelo 1 I. disponibilidade e informação. deve ser mantido? O que se pode esquecer ou descartar por não ter mais serventia neste novo pano de fundo da sociedade digital? Os elementos-chave para sobrevivência nesta nova sociedade são tempo. hoje? Em que se deve investir tempo para aprender? O que. que já começam a fazer repensar na transformação do modus operandi a ser utilizado e na maneira como as informações que chegam da interação com o meio devem ser decodificadas e interpretadas. aprender e atuar no meio ambiente sofre mudanças significativas. por exemplo. e aí surgem as perguntas: O que é preciso realmente aprender? O deve ser esquecido porque não pode mais ser considerado útil e aplicável? Como estabelecer a dosagem certa de informação que permita mobilidade e seja ao mesmo tempo o mínimo essencial? Nos dias de hoje. um dos maiores problemas não é a falta de informação. Segundo Lima[3]. mas uma mesa. mas sim a seleção adequada ou filtragem das que realmente podem ser úteis. Como diz o autor. a lei vigente será a “lei da economia das palavras”. do conhecimento prévio. não estarão implícitas nas mesmas. Por meio de um método de inferências permitirá ao sistema entender que um pedaço de madeira pode ser quebrado em pedaços menores de madeira. Não há mais tempo para se aprender tudo o que se deseja..A1. Surgem então as perguntas: O que é prioritário conhecer. a serem estabelecidas. buscar-se-á a menor unidade possível de conhecimento que possa sobreviver sem estar conectado com outros. e o descarte das que não são mais utilizadas. de madeira.

essa transformação radical passará por uma ruptura na maneira de ler. O tempo é um fator crítico na sociedade digital. A diferença entre estas duas abordagens é a seguinte : • O pensamento analógico é continuista ou concatenado. redesenha-se todo dia baseada em inputs recebidos de diversas fontes. por exemplo. não a informação. O novo contexto. a chave será o conhecimento. os custos envolvidos na perpetuação da educação tradicional. onde e quando).3. estará mais baseado em redes de conhecimento do que em redes de informação. necessariamente. Assim. ou seja. como. o pensamento analógico. as evoluções ocorrem através de saltos qualitativos resultantes de milhares de eventos simultâneos não necessariamente interligados entre si. a única necessidade será a da definição de uma lógica estrutural própria para aplicar àquela cápsula. 3. que era o modo anterior ao advento desta nova sociedade. Observando-se o contexto educacional atual. Com o pensamento digital. se a utilização de uma idéia necessitar de uma concatenação com alguma outra. para quê. O gerenciamento do capital intelectual. ela talvez esteja obsoleta quando o conceito que representa for entendido. antecipada. que se descortina. segundo Lima[2]. a 64 . por quê. Na sociedade digital. A sociedade digital e seu modelo educacional. impedindo a definição. reforçando o papel das relações entre as pessoas que pode ser facilitado pelas tecnologias de informação e de comunicação. analisar e expressar pensamentos. nenhum tipo de relação com outras idéias presentes no mesmo campo de ação. adquirir e utilizar conhecimento está passando por uma transformação radical. passando a uma abordagem digital. de tendências de evolução. • O pensamento digital se caracteriza por microidéias encapsuladas como unidades independentes de pensamento que não têm. Embora ainda não esteja muito clara. a necessidade de diminuir o tempo de resposta a fim de aproveitar a informação antes que se torne obsoleta. que a forma de pensar. A marca será a do pensamento digital.impacto da tecnologia da informação. baseado na lógica cartesiana(o que.

• Os serviços disponibilizados pela Net. dentre outros criam facilidades e permitem uma total conectividade entre instituições. a questão agora está muito mais no plano de mudanças dos modelos mentais do que na ausência de recursos e mesmo de conhecimentos específicos para que se processem as transformações.EAD. • Acessos de alta velocidade. virtualmente. “chat” 2. facilmente se compreende que a única porta de saída para que a educação ainda atinja seus objetivos e cumpra seu papel é através da educação a distância . Dentre as tecnologias hoje disponíveis. embora ainda possa ser melhorada substancialmente. estão : 2 3 • A transmissão de vídeo e áudio que já está padronizada. podendo funcionar. • Intranets que fazem uso de transmissão packed-based já estão operando e podem oferecer uma qualidade de serviços para a salas de bate papo “on-line” quadros de aviso virtuais 65 . caboestc). As tecnologias necessárias que possibilitarão esta mudança de paradigma estão disponíveis no mercado. segundo Lima[3]. em qualquer ambiente. grupos e indivíduos a distância. estão sendo disponibilizados para os usuários domésticos.”bulletin board”3.Com a tecnologia NET. atuando como facilitador dos processos de educação á distância. Internet de banda larga (XLDS. O advento da Web. impulsionou a EAD fazendo com que saísse de um metodologia baseada em manuais de autoinstrução sendo inserida em um novo paradigma de transformação do conhecimento.necessidade de personalização do acesso ao conhecimento dentre outros fatores. milhões de pessoas estão conectadas á Internet e estes números crescem a cada semana. • As organizações já estão todas em rede. para permitir uma rápida absorção de novas informações para que possam ser rapidamente transformadas em conhecimento útil. pode-se antever a mudança radical que ocorrerá na educação aplicada criando modelos que em nada se assemelham a prática educacional exercida historicamente.

escritórios. • Os custos de videoconferência estão caindo de forma acentuada o que viabilizará. cada vez mais computadores serão propriedade privada de indivíduos. o poder de determinar seus próprios padrões educacionais” Papert[4]. “Num futuro próximo. o que devolverá a cada um. • Existem diversos softwares e tecnologias de suporte para a criação de salas de aulas virtuais. É natural que as pessoas se apeguem ao conhecido rejeitando a princípio. A disponibilidade destes recursos e as tendências que se vislumbram demonstram que a EAD irá se consolidar como a alternativa mais viável de democratização do conhecimento dentro das instituições. Aprendendo a aprender e a esquecer. faz-se fundamental vencer a natural resistência à mudança que faz parte dos mecanismos biopsicológicos dos seres humanos.4. a sua utilização. texto e imagem 66 . que possibilitam a instrução à distância com absoluto controle do processo. nos lares. em pouco tempo. o desconhecido. • A Internet2 já está sendo utilizada e oferece um acesso de alta velocidade e com possibilidade de suportar o tráfico de multimedia. o novo. 4 som. gradualmente. Esta é uma das táticas mais usadas pelos seres humanos com o objetivo de manter o status quo evitando a contaminação com uma realidade que pode desestabilizar o modus operandi que tão laboriosamente construiu. enfim em qualquer lugar onde se possa dispor de um computador ligado à Internet. 3. Para se implantar um novo modelo de ensino-aprendizagem baseado na ênfase da assimilação de estratégias e construir uma sólida ponte entre os indivíduos e o conhecimento disponibilizado no novo paradigma.transmissão de informação em multimedia4 com uma qualidade melhor do que a oferecida pela Internet.

trás além do problema humano e social que acarreta é a constatação de que não houve nenhum tipo de esforço ou ação do indivíduo que permitisse um processo de aprendizagem e aquisição de conhecimento de forma continuada. “Aprender a aprender” é aprender a mudar sempre que for necessário para sobreviver. exemplo típico do conhecimento encapsulado e formado por microidéias que são unidas de maneira não sequencial visando a obtenção de um objetivo. de um lado as tecnologias e de outro as necessidade oriundas do meio. quer vivenciais. para isso se faz necessário identificar tudo que realmente ainda é importante em termos de conhecimento tácito. Com exemplo. na atual sociedade. num espaço de menos de 20 anos. quer escolares. ambas convergem na sociedade digital deixando claro que a necessidade do novo paradigma individual de busca de conhecimento é irreversível. 5 Atualizado 67 . e esquecer o que já está obsoleto. instituições e do mercado.Aprender a aprender talvez seja o mais difícil de conseguir. Este tipo de situação que se multiplica de forma cada vez mais rápida. Esta despreocupação com atualização e educação continuada é a constatação de que se convive em dois paradigmas diferentes. Este é um conhecimento encapsulado pois se referia a um equipamento específico dentro de uma realidade ampla e sem conectores com outros conhecimentos anteriormente adquiridos. das organizações. toda uma série de novos conhecimentos teve que ser absorvido sem que possuíssem qualquer ligação com conhecimentos prévios. em um programa de atualização que mantivesse o indivíduo sempre up to date5 com as necessidades das organizações e do mercado. pois a sociedade foi treinada de modo a que considerasse o processo educacional como um mal necessário que ao término do ciclo de estudo é esquecido. então. que a maioria das pessoas teve que aprender para poder utilizar um microcomputador. o micro doméstico começou a surgir. “Aprender a esquecer” é aprender a liberar espaço em nosso cérebro para os novos conhecimentos que serão necessários. Um bom exemplo disto são os conhecimentos sobre computação. Em meados dos anos 80. pode-se citar uma linguagem chamada MS-DOS®.

construir o seu conhecimento atingindo. Lima[3] denomina fragmentação cultural. neste ponto.. A este ciclo entre nascimento. porém não deve aprendê-lo demais. esotérica mesmo.5 O modelo para a criação do pensamento digital. segundo Neide Santos[12].. pois sabe que precisa aprender determinado assunto. expressas pelo surgimento de novas tecnologias. então.Windows® . de maneira própria ao novo processo. assim. Assim. re-evoluir para um formato que encapsule o conhecimento e uma lógica estrutural própria que permita ao aluno. um maior grau de absorção de métodos e técnicas específicas dentro do seu segmento de formação profissional. além de possibilitar a multiplicação de oportunidades de aprendizagem sem as limitações geográficas e de horário. apoia-se em diferentes pesquisas que podem ser reunidos. via internet. que só podem ser multimídia e voltadas para total interconectividade. Cápsulas de conhecimento formada por pequenas unidade de saber. O uso destas tecnologias. pois rapidamente aquele conhecimento se tornará obsoleto. vida e morte de um conhecimento. é o da conformação e implantação dos ambientes educacionais baseados em tecnologias de informação. ocorre uma mudança drástica onde os arautos anunciavam aos quatro cantos do mundo que todos os que houvessem aprendido de forma muito profunda o MS-DOS®. A utilização de computadores e tecnologias associadas no processo ensino-aprendizagem. na área educacional. utilizar recursos extra classe e o seu conhecimento prévio para. que são projetadas para uma demanda específica e que se tornam um conhecimento perecível pelas mudanças ambientas. Quando todos já haviam absorvido esta cápsula e estavam se glorificando pelo domínio de uma linguagem estranha. A sociedade vive ainda um conflito interior enorme. teriam grandes dificuldades (resistência á mudanças) de se adaptar a um novíssimo ambiente chamado. como consequência. 4. em seis modalidades : 68 .segundo Lima[3]. a fim de permitir a total utilização de todo potencial disponível nos modernos computadores. vincula-se então de maneira muito estreita a um repensar dos conteúdos que devem. solucionando problemas locais com adoção de orientações globalizadas. O aspecto mais importante a ser considerado. na maioria do casos. docentes e discentes dispersos geograficamente podem participar em um mesmo projeto conjunto.

6. • A grande maioria dos cursos oferecidos na internet pertence ao segundo grupo. proporciona acesso rápido a informações em grandes documentos. Sistemas de autoria para cursos a distância. adotando o formato “pressione o botão para a próxima página”. não seja a eletrônica. sendo então levado ao contato com variados conjuntos de informações interrelacionadas ao assunto em estudo – cursos na área de negócios. portanto. 7 69 . por meio da aplicação do conhecimento e. e. uma revolução do conhecimento. Sites educacionais. onde são apresentadas lições e atividades a serem realizadas pelos alunos com formas de avaliação definida e algum tipo de suporte tecnológico para a comunicação entre os participantes do projeto – cursos de inglês online. na realidade. mas sim a ciência 6 Estrutura tecnologia de software flexível usada para criar livros eletrônicos. 3. concentram : • Os cursos multimídia que possuem objetivos específicos. Conclusão Aquilo que está sendo chamado de Revolução da Informação é. especialmente. Salas de aula virtuais. • Outra forma de curso on-line está baseado em hipertextos7 e páginas web.• • • • • • Aplicação hipermídia para fornecer instrução distribuída. Frameworks6 para aprendizagem cooperativa. Nesta modalidade o aluno navega entre páginas através da utilização de links próprios do processo hipertexto. Ambiente distribuídos para aprendizagem cooperativa. Scank[4] denomina page-turning architecture. em geral sem recurso tutorial. As aplicações hipermídia utilizadas para instrução distribuída. O software e a reorganização do trabalho tradicional baseado em séculos de experiência. da analise lógica e sistemática faz com que a chave.

Hammons. Allyn & Bacon.1990. depois de ser utilizada. A sociedade digital : o impacto da tecnologia na sociedade. O desafio. Universidade de Algarve. Unidade de Ciências Humanas e Exactas. Global Paradox. MERRIL. As noas tecnologias de informação e comunicação no processo ensino-aprendizagem.1997. Referências NAISBIT.1997.J. *** NAISBIT. então.o pensamento digital.J. deverá ser descartada pois. 1996. Rio de Janeiro. CASTELLS..V. 2000.Paz e Terra. LIMA. Educação e Computadores. o novo aprendiz da sociedade digital terá que desbravar territórios desconhecidos. Editora Brasiliense S. A Sociedade Em Rede.São Paulo.J.1999. New York.MacGraw-Hill.. São Paulo.2000 PAPERT.A. para sociedade digital é aprender a aprender e aprender a esquecer.2000. Isto significa que o ponto central para manter a liderança na economia e tecnologia emergentes será o conhecimento.P. Assim como ocorreu com os tecnólogos na Revolução Industrial.M. TEODORO. com certeza. – Brasília Ministério da Ciência e Tecnologia. Sociedade da informação no Brasil : livro verde / organizado por Tadao Takahashi.GEP. Global Paradox. 70 . munidos de coragem para abandonar velhos conceitos e paradigmas e receber e trabalhar a informação de modo a transformá-la em conhecimento útil antes que se torne obsoleta e. que aumentará significativamente a velocidade da sociedade absorver os mega bytes de informação a que é bombardeada diariamente.1985.F. S.F.D.MacGraw-Hill. na cultura. na educação e nas organizações.Qualimark. Computers in Education. 3 ed. New York. Lisboa.Logo Computadores e Educação. MARTINIANO. Ed. não terá utilidade. e sua nova forma de ser absorvido .cognitiva.O. Ministério da Educação.

br/sbc- ie/revista/nr1/mariacandida.Qué puede aportar la inteligencia artificial al desarollo de la Informatica educativa?.São Paulo. e SUDARSHAN.A. 71 .ufsc. S.M. São Paulo. GALVIS-PANQUEVA. PUC/SP.inf.213-219.M.ufsc.Logo Computadores e Educação.KORTH.Qualimark.Mame.2000. Laboratório de Engenharia de softwarePUC-Rio.CANDIDA. F.Coleção Medium.ufsc. Ed.. no sitewww.6(3).S.html RUEDA. F. no site www.F.br/sbc-ie/revista/nr1/galvis-p. na educação e nas organizações. na cultura. SANTOS. 1993.. Informática Educativa no Brasil: Uma história vivida. N.br/sbcie/revista/nr4/070TU-santos.H. LIMA.1999. Estado da arte em espaços virtuais de ensino e aprendizagem. Universidade de Los Andes. no site www. Sistemas de Banco de Dados.1985. A sociedade digital : o impacto da tecnologia na sociedade. PAPERT.Makron Books.Mutation.inf.A. SILBERSCHATZ. Editora Brasiliense S. O.html.Paris. H. 2000.htm. Software educativo multimídia aspectos críticos no seu ciclo de vida.1970. COPPE/Sistemas/UFRJ. MCLUHAN. algumas lições aprendidas. Informatica educativa.inf. Rio de Janeiro..A.

as ideologias e as condutas avaliativas. testes e trabalhos em grupo. Sabe-se que os instrumentos atuais estão inadequados para a formação de profissionais nesta sociedade do conhecimento. Este artigo procura apontar caminhos para a utilização de instrumentos de avaliação contemporâneos e que possam ser aplicados em sala de aula e que valorize a cooperação e a autonomia.Capítulo 4 Avaliação por múltiplos instrumentos Márcio Francisco Campos e Fernando da Silva Mota Resumo Avaliar é sempre uma tarefa difícil para qualquer docente.1. Assim. pratica-se a prova individual e. Apesar de existir uma coleção de artigos e de livros que descrevem o processo de avaliação. Apresentação Quando avaliamos a prática didática em sala de aula. opcionalmente. pouco se escreve quanto aos seus mecanismos e instrumentos. Invariavelmente. vemos uma grande discrepância de ações. vejamos as seguintes situações exemplo: 72 . com o que é exigido dos profissionais nos dias de hoje. 4.

Em alguns momentos será necessário fazer apresentações em público para promover o software de sua comunidade.• Um recém formado é contratado em uma empresa que vende serviços de software para o exterior. a criticidade e a cooperação. • Um indivíduo deseja participar de uma comunidade de desenvolvimento de software livre em busca de reconhecimento e de estreitamento de laços com demais profissionais. Ao analisarmos o perfil destes profissionais o que encontramos? No caso i) temos duas habilidades específicas: a de trabalhar em grupo e de se relacionar à distância. Estas ações contribuem cada vez mais para aumentar a discrepância entra a formação exercitada na escola das práticas do mundo. • Um profissional de informática percebe que a linguagem de programação que aprendeu na faculdade não é mais um diferencial de mercado. baseada na colaboração e autonomia. Este capítulo sugere um conjunto de instrumentos de avaliação que possibilitam o desenvolvimento de competências adequadas para esta sociedade que vivemos. autonomia. Estes perfis de competências não são novos. as ações dos professores em sala de aula se resumem a realizar uma aula expositiva. Assim. Ele necessita aprender uma nova linguagem de programação. Um dos grandes desafios é trabalhar em equipe e à distância. No caso ii) da necessidade deste profissional desenvolver capacidade de estudos para o resto da vida. Estes exemplos. assim como novos conhecimentos em gerência de projetos.1999]: 73 . Dito de outra forma: autonomia. No caso iii) espera-se que este profissional saiba trabalhar em equipe e à distância. podem ser aplicados com algumas adaptações às outras áreas. fazer apresentações e ter capacidade de auto-organização. aplicar provas e testes e passar trabalhos. Moreira (1996) em Arrida e Ramos [2000] destaca como características fundamentais dos novos ambientes de aprendizagem: criatividade. Por outro lado. Sua capacidade de falar inglês e seu domínio em programação são importantes. parte-se dos seguintes princípios [Ramos. apesar de serem específicos da área de informática.

Há uma intensa crítica aos procedimentos e instrumentos de avaliação frequentemente usados em sala de aula. Entretanto. novas formas de viver. 2006]. Como ressalta Esteban [2003. avanços e retrocessos. Uma das formas de se trabalhar este problema é através de avaliações contínuas e diversificadas. e  que o papel da avaliação do discente deve ser acompanhado de práticas pedagógicas que tenham como características a aprendizagem autônoma e cooperativa. A verdade científica não é definitiva mas sim transitória. pag 10]. a verdade científica é um processo de construção baseados em incertezas. A construção do fato científico pressupõe a experimentação ou prova científica como princípio básico. em contraposição a este processo de construção da ciência. o maior problema na educação nos dias de hoje não é “o que” ou o “quanto” ensinar mas o “como” ensinar. de se comunicar e de se relacionar. A práticas da escola e a realidade do mundo A civilização atual talvez nunca viveu tamanha explosão de conhecimento. denominadas. O conhecimento científico aliado ao uso intensivo de tecnologia. apresentando modelos consolidados e valorizando a autoridade ao invés do debate de idéias. “Apesar de ser quase unânime a idéia de que avaliação é uma prática indispensável ao processo de escolarização. entendendo-se este último como ensino baseado na qualidade do pensamento. em seu conjunto de Portifólios Avaliativos [Campos e Mota. Nas escolas de hoje. 4. É um eterno processo de construção e de descoberta e de validação do conhecimento. a escola insiste em tratar o conhecimento como verdade absoluta. em particular das tecnologias da comunicação e de informação. que verdades transitórias são construídas e refutadas em determinadas circunstâncias ou em definitivo. levou a criação de novos negócios.2. parece ser mais importante o 74 . A ciência e a tecnologia possuem uma lógica própria. Assim. É. através desta experimentação. a ação avaliativa continua sendo um processo polêmico. que muitas vezes se fazem acompanhar de sinalização de novas diretrizes ou de novas propostas de ação”.

A didática da Escola Nova (renovada). O processo de avaliação e práticas didáticas Pode-se dizer que o processo avaliativo e de ensino-aprendizagem estão vinculados ao modelo didático subjacente.processo. Na didática tradicional o processo de ensino-aprendizagem está centrado em alguns pontos chaves. valorizando-se o 75 . a tecnicista e aquelas centradas em preocupações sociais e política. Sob esta ótica vive-se um descompasso entre o aquilo que é exigido pela prática profissional e do que é utilizado em sala de aula. os seguintes modelos de didática: a tradicional. conforme ilustrado na figura 1. A exposição dos conteúdos é feita de forma oral e enfatiza a memorização dos conteúdos. Mundo Atual Através da Avaliação Através da Gestão Através da Pesquisa e da Extensão Através da Formação Continuada Mundo da Escola Figura 1 – A interligação entre a escola e mundo contemporâneo 4. disciplina. então. O contexto do processo de avaliação 4. pauta e programas do que a própria realidade ao nosso redor.3. Neste tipo de didática o professor é a referência na exposição dos conhecimentos e tido como autoridade. O processo de avaliação se apresenta como um elo de interligação entre estes dois mundos desconectados.1. por sua vez. Para efeito desta análise. considera-se. a renovada. considera o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem. sendo o responsável pela condução do processo educativo.3. Estes modelos de didática são concebidas de acordo com as circunstâncias históricas e estão relacionadas em função dos problemas vividos em cada etapa de desenvolvimento da sociedade e dos ideais em vigor da época.

Os meios e os recursos se tornam o centro da prática educativa. das formas contemporâneas de linguagem.3. O professor é um facilitador do desenvolvimento do indivíduo. II . Este processo de avaliação pode ser visto sob várias dimensões.V.2. A primeira dimensão é a legal. 43]. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive”. no ensino médio “Os conteúdos. a)]. parágrafo 1]. Na didática crítica o método de ensino é realizado na forma de trabalho educativo. através do estímulo e da coordenação de situações de aprendizagem. eficiência e produtividade. da situação real vivida pelo aluno. A didática tecnicista está baseada nos princípios da racionalidade. O planejamento é realizado por especialistas e técnicos que são por fim executados pelos professores e alunos. “A educação superior tem por finalidade: I . e. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. 4. A Lei de Diretrizes e Bases é clara quanto à liberdade de se estabelecer o processo de avaliação e do perfil de cidadão que almeja formar.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. e colaborar na sua formação contínua. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. 76 . desse modo.” [ARt36. Aprender se dá através da realidade concreta. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais” [Art24. Para o ensino básico a “Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno.indivíduo. III .no ensino superior [Art. O contexto avaliativo O contexto avaliativo não se resume apenas a uma ação isolada.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. através dos grupos de discussão. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: conhecer princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. O que é aprendido é função de um processo crítico e não apenas de memorização.

representada pelo professor. A escola do Século XXI necessita se alinhar para a produção de conhecimento. valorizar a pró-atividade e o trabalho em equipe e suportar o manuseio de grande carga cognitiva. Estava baseada na autoridade. por parte do docente. colegiada ou autocrática. Um semestre pode ser considerado como apenas mais um experimento avaliativo. desenvolver a responsabilidade e autonomia total. Neste aspecto é necessário sair dos padrões convencionais e ousar. A quinta dimensão do processo avaliativo diz respeito ao docente. utilizada para a verificação e diagnóstico da evolução do conhecimento. A terceira dimensão da avaliação é a social. da responsabilidade social. comprometimento com a evolução dos alunos. despertar e esclarecer o que se pretende da avaliação em 77 . Outro aspecto da avaliação. acima de tudo. no estabelecimento da disciplina e no compartilhamento do conhecimento com disciplinas divididas como linhas de montagem e no predomínio da visão limitada. A avaliação é influenciada fortemente pelo processo de gestão escolar. O indivíduo que representa o discente é treinado ao longo dos anos a se comportar com avaliações baseadas em provas e testes. Neste aspecto a avaliação deve ser entendida como um instrumento de aprendizagem coletiva.A segunda dimensão é de gestão. é a do discente. e saber se reinventar. influi na forma de se proceder com a avaliação. É necessário. para testar e empreender e aperfeiçoar o próprio processo de avaliação. parcialmente controlado. a forma de participação dos diversos professores e funcionários. O apoio da alta direção da escola. e a estrutura escolar quanto a centralização ou delegação e de padronização ou customização de processos. seja participativa. O processo avaliativo não se encerra em um semestre. A quarta dimensão da avaliação é técnica. experimentar. testar. A avaliação deve ser empregada para o exercício da ética. a sexta dimensão. através da utilização de ferramentas abstratas. A escola do Século XVII tinha como propósito a formação para o trabalho voltado para a indústria. A quinta dimensão é a da realidade. arriscar e. de atitudes e para o comprometimento individual com a realidade. A avaliação não deve ser pensada apenas pelo seu caráter de conteúdo.

A aplicação deste processo consiste em tratar a avaliação como um processo de experimentação. O espaço escolar deve ser redefinido para considerar as novas possibilidades tecnológicas propiciando o trabalho em rede. Figura 2 – A avaliação e suas múltiplas dimensões 78 . aplicar os instrumentos adequados. A oitava dimensão corresponde pensar sobre o processo de avaliação. a multiplicidade de aplicação de instrumentos e da avaliação contínua. mas decorrente de outras ações da dinâmica escolar. O espaço de trabalho de aprendizado não deve ser resumido a “sala de aula”. os pontos de controle associados. A figura 2 ilustra que o processo de avaliação não é pontual mais multifacetado e multidimensional. Logo. A sétima dimensão é a da redefinição espacial do local de aprendizado. de identificação da “real” capacidade do aluno. avaliar e aferir os resultados. colaborativo e à distância. O discente deve se conscientizar de que a avaliação é algo que ele deve inferir sobre o seu desenvolvimento em um determinado conjunto de conhecimento. de testagem de novas formas de diagnóstico. as práticas discutidas a seguir devem ser acompanhadas por outras ações e dentro da gestão e percepção escolar.curso. todo o processo avaliativo não deve ser visto pontualmente. As “salas de aula” com cadeiras enfileiradas devem ser redefinidas para espaços colaborativos baseados em tecnologia da informação e comunicação. Assim. considerando: os objetivos que se pretende atingir.

Deve ser avaliado a evolução e o aprendizado qualitativo em termos de atitudes e conhecimento do aluno. não adianta falar de justiça e democracia se o professor em sala de aula é autoritário e injusto. Manter as regras e a coerência é importante para se estabelecer um processo avaliativo adequado e transparente. Conhecer o aluno pelo nome. Um das conseqüências desta postura é o desprendimento da nota. Saber o trabalho.3. Outro aspecto diz respeito ao cumprimento do programa. se algo sair errado. não cabe em qualquer curso superior. A primeira postura diz respeito a sensibilização para a complexidade do conhecimento.4. assim.3. atualmente. Esta prática enfatiza o aspecto da colaboração e desenvolvimento da autonomia. são mais importantes no aprendizado. o docente necessita pesquisar o programa ao invés de meramente cumpri-lo. Qualquer curso que se faça estará incompleto e que são necessários estudos permanentes. Um segundo aspecto a ser considerado é quanto à responsabilidade final do aprendizado. No era do conhecimento. Várias vezes escutamos docentes afirmando que devem acelerar na disciplina de forma a cumprir o programa de aula. mas a avaliação em que se estabelece compromisso entre os elementos discentes. o desenvolvimento de novas posturas. Para a aplicação de novas formas de avaliação é necessário. talvez mais do que as palavras. Novas posturas A dimensão docente merece maior destaque. Deve-se lembrar que este processo é contínuo. Assim. teste e prova que se está avaliando é importante para estabelecer uma avaliação diagnóstica. tanto por parte do aluno quanto do professor. que isto sirva de aprendizado para melhorá-lo posteriormente. por parte do professor. Outra postura é quanto às ações em sala de aula. Esta responsabilidade deve ser atribuída ao aluno. em um primeiro momento. 79 . Esta é uma das posturas que auxiliam no canal de comunicação entre o professor e o aluno. Outra postura avaliativa importante é a da avaliação pelos pares. Sob aspecto é importante o docente esclarecer ao aluno que o conhecimento. As ações. Não se propõe a avaliação descontrolada. Não adianta falar de ética e conduta se o professor não segue estes princípios.

Estes instrumentos procuram desenvolver atitudes.  Avaliação por trabalhos evolutivos.e sem professor) Este processo de avaliação utiliza-se do instrumento de prova tradicional.Por fim. é importante que o professor avise com antecedência do emprego desta avaliação. alterando um pouco a sua forma de aplicação outros resultados podem ser obtidos.4... do tipo o que é?. Deve-se encarar a avaliação como um processo de aprendizado que vai se aperfeiçoando ao longo dos anos. Deve-se colocar à prova e obter conselhos e idéias que permitam a melhoria do processo avaliativo. as perguntas deixam de ser meramente objetivas. escrita. A prova com consulta faz com que o aluno. 4. Entretanto. escolha da tarefa e duração da interação.  Avaliação por pesquisa.  Pesquisa-Apresentação-Resumo.  Avaliação por processos. 4. ética. desde a primeira aula. expressão oral.  Avaliação pelos pares.e sem professor). São considerados as seguintes práticas avaliativas:  Provas com consulta (. valores e conhecimento baseados nas seguintes características: trabalho em equipe. sendo refinado para o contexto local da escola. Provas com consulta (.  Seminários transversais. não de deve ter receio de dividir experiências com outros professores. preparação para a pesquisa.  Distribuição de notas. Neste estilo de prova. Processos e instrumento de avaliação A seguir é apresentado processos e instrumentos de avaliação. procure organizar o seu material de aula.4. Assim sendo.. A prova é elaborada para tratar de assuntos que considerem o relacionamento de conceitos. a saber: escolha dos integrantes do grupo.1.. soluções possíveis de 80 . Nas atividades coletivas devem-se ficar atento as características de um trabalho em grupo como destaca Labore (1996) em Arrida e Ramos [2000]. O primeiro aspecto é que esta é uma prova com consulta.

os grupos devem se separar formando novos grupos de modo que. Esta atividade exercita várias competências tais como a de pesquisa. Pesquisa-Apresentação-Resumo Este tipo de avaliação apóia o conceito do doente explorar e pesquisar o conteúdo programático e não apenas cumpri-lo. síntese. É importante que cada tema possua de imediato um conjunto de referências bem definida. Em geral é gasto 75% da aula com a pesquisa do tema e 25% com as apresentações do grupo. Esta segunda etapa faz com que cada integrante de cada grupo exponha seus conhecimentos. a pesquisa em si. Este resumo deve possuir no máximo 3 folhas. Neste caso é importante que o tempo de aula seja adequado. Neste último 81 . Na terceira etapa. Seminários Transversais O objetivo dos seminários transversais é o de tratar ao mesmo tempo vários tópicos correlatos. leitura. deve ser identificado (sites. apresentação. Após o indicativo do tema o professor deve apresentar o material necessário para a pesquisa do tema. Este material. os alunos retornam para seus grupos originais. Neste tipo de avaliação procura-se exercer e desenvolver as competências de pesquisa.problemas. possibilitando aos grupos se apresentarem antes de escreverem um resumo. expressão oral e síntese. cada novo grupo. Esta atividade possui quatro subatividades: dividir a sala em grupos.2. aplicação de estudos de casos. 4. sala de aula ou biblioteca). organização de conhecimento. Para executar o processo de seminários transversais é necessário separar em grupos a turma.3. Nesta caso exercita-se a ética. artigos ou livros). preparação da apresentação. Cada turma tratará de um tema específico. Após a divisão dos temas pelos grupos. O tempo de pesquisa deve ser gasto com os tempos alocados em uma semana de aula. Neste tipo de avaliação. A parte escrita deve ser cobrada a entrega para a aula seguinte. a preparação de uma apresentação pelo grupo e a escrita de um artigo sobre o tema. faça-os pesquisar. escrita.4. o professor deve iniciar sua aula com o tema do dia. Uma alternativa é o professor se ausentar da sala de aula. dependendo do local a ser desenvolvida a aula (laboratório. 4. Em um segundo momento. possua um dos integrantes do grupo original.4.

um 7. dois 8. um 10. O segundo melhor trabalho receberá a nota 9.momento. um 6 etc.Seminários Transversais 4. Neste caso não existe o conceito de gabarito. logo o melhor trabalho receberá a nota máxima.4. os grupos escrevem um trabalho consolidando os temas pesquisados e realizam uma apresentação. Distribuição de notas O processo avaliativo de distribuição de notas parte do princípio que um dos trabalhos entregues receberá a nota máxima. Grupos Originais Grupo Viagem Grupos Originais Figura I . Por exemplo.4. 82 . um 9. O docente pode estabelecer o conjunto de notas a serem distribuídas.

Assim cada avaliação resulta em um trabalho incompleto. Utilizado várias vezes ao longo do semestre promove a evolução contínua dos trabalhos. o professor avalia e registra uma nota para o grupo.5. que também é um aluno. Apesar de ser aplicado em larga escala nas disciplinas de Trabalho de Conclusão de Curso. comumente. Estes trabalhos são trabalhos evolutivos que vão sendo refinados à medida em que são entregues. Ao entregar o trabalho.5 (este valor pode ser mudado) ponto por integrante do grupo. Os pontos que sobrarem o gerente procede a distribuição pelos integrantes da equipe. 83 . Este tipo de avaliação é uma forma de se obter indicador de participação a partir dos próprios alunos. Este gerente é o responsável pelo andamento do trabalho e pela alocação e motivação de sua equipe ao alcance do objetivo do trabalho. Este tipo de avaliação transfere o desempenho e a participação dos alunos para o gerente da equipe.4. Esta avaliação parece ser razoável considerando que o professor não está sempre acompanhando o trabalho do grupo. Do ponto de vista do professor o que interessa é o produto final. evoluir dentro da disciplina. ou seu grupo. ficando a participação individual da equipe a cargo dos próprios alunos. este método é pouco empregado nas disciplinas regulares. a partir das orientações vai desenvolvendo o trabalho. Nas avaliações tradicionais não se permite.5 Avaliação pelos pares. considerando para isto a diferença de 0. Esta nota é multiplicada pelo número de integrantes do grupo.Este tipo de avaliação estabelece um grau de competição sadio entre os diversos grupos. que o aluno refaça ou aperfeiçoe seu trabalho. O grupo se reúne e determina a nota do gerente. 4. Avaliação por trabalhos evolutivos Este tipo de avaliação se assemelha com as avaliações desenvolvidas em Trabalho de Conclusão de Curso. 4. Esta regra faz com que cada integrante do grupo possua uma nota diferente. O objetivo desta avaliação evolutiva é permitir ao aluno.4. Esta avaliação se inicia com a definição do gerente da equipe. O professor orienta e o aluno.

o grupo apresenta o capítulo com os refinamentos solicitados. separam-se os grupos por temas e os assuntos são apresentados em linhas gerais. os temas são apresentados e detalhados e apresentados os materiais didáticos pertinentes.5. entendida em seu conceito mais amplo e multidimensional. A cada dia novas realidades tecnológicas se impõem modificando o espaço escolar e possibilitando novas formas de ação. de pesquisa. A escola necessita de novos instrumentos de avaliação que possibilitem o exercício da ética. A avaliação. Avaliação por pesquisa Este tipo de avaliação está descrito com maior detalhe no artigo “Uma Experiência na Elaboração de Livros Didáticos Digitais” de Ronaldo Ribeiro Goldschmidt.7. Neste aspecto. Avaliação por processos Este tipo de avaliação pressupõe a especificação de um processo contínuo de atividades previamente estabelecidas. Atitudes e posturas com relação aos colegas. Na quinta. aos 84 . Na segunda etapa.6. Este processo deve ser apresentado ao aluno para que ele saiba como será a condução da avaliação. a escola possui uma enorme responsabilidade neste processo. o grupo de alunos é solicitado a escrever sobre o tema a partir do material didático fornecido. descrito neste livro. Na quarta etapa. Na sétima. pode ser um viés de transformação do tempo e do espaço escolar. o grupo de alunos apresenta o trabalho elaborado. Na sexta etapa. 4. da avaliação por pares. cabendo ao professor uma avaliação final sobre o trabalho realizado. Conclusão O mundo atual necessita de uma escola cada vez mais integrada com a realidade.4. Estes materiais são selecionados previamente pelo professor. Primeiramente. os alunos fazem uma avaliação crítica do tema estudado.4. 4. Na terceira etapa são realizados exercícios de fixação ora em atividades de sala de aula ou extras. à instituição. de postura e de escrita. da colaboração. Ramos [1999] ressalta que “o processo avaliativo deve respeitar e promover o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas e cooperativas. Em resumo esta forma de avaliação foi aplicada nos seguintes passos.4.

a cada semestre. relatórios técnicos e descritivos. Outros instrumentos não apresentados são a realização de grupos por competência e os portfólios multimídias que serão descritos em trabalhos futuros. uso sempre de muitos deles (provas. Dessa forma. adequar a forma de avaliação ao tipo de habilidade ou competência que se queira avaliar.professores. Dimensões da Avaliação e o portfólio Avaliativo em base tecnológica. usar instrumentos de auto-avaliação que devem ser dirigidos e orientados por critérios determinados em conjunto. Esperase que os instrumentos apresentados contribuam aproximação da escola com seu tempo. diluindo e relativizando o peso das avaliações realizadas no final do bimestre (privilegiando o processo de aprendizado e não apenas o produto final). trabalhos aplicados em grupo e individuais. mas a interdependência destes fenômenos deve ser levada em conta. diários de bordo pessoais e grupais. de preferência fazendo. A escola mandala: uma nova concepção para o ensino tecnológico na rede Faetec / Fernando da Silva Mota. F. etc. dá-se transparência ao processo de avaliação.. não devendo a avaliação ser fonte de perda de energia ou fonte de stress destrutivo”. A autora também destaca algumas recomendações do processo de avaliação que se deve buscar: “diversificar os instrumentos de avaliação utilizados.). Isso implica que os alunos construam uma relação saudável com o conhecimento. portfólios. Referências CAMPOS. bem como atitudes com relação ao conhecimento devem também ser consideradas. Não quer se dizer com isso que atitudes venham a ser confundidas com o processo de aquisição de conhecimento. explicitar junto aos alunos os critérios de avaliação utilizados num processo de construção conjunta. pesquisas bibliográficas. frente a si mesmo e frente aos outros. realizar processos de avaliação e recuperação paralelos efetivos a partir de contratos de recuperação específicos para cada tarefa avaliativa”. F. O conjunto de instrumentos apresentados vem sendo aplicado sistematicamente. usar instrumentos de avaliação de caráter global analisando atitudes diante do conhecimento e da aprendizagem. e MOTA. descentralizar os momentos de avaliação. M. S. e refinado de acordo. 85 .

Edla Faust. Leis de Diretrizes e Bases. Ribeiro Goldschmidt.Márcio Francisco Campos e Ronaldo (organizadores).). Maria Teresa (2003) Avaliação no cotidiano escolar.. DP&A Editora LDB.br/arquivos/pdf/ldb.c5. Em Avalilação: uma prática em busca de novos sentidos. 5. 86 . Rio de Janeiro: Nov.. ARRIADA.S. RAMOS. M.gov.. RAMOS. Chile.M. 2006.mec.cl/ieinvestiga/actas/ribie2000/>. Maria teresa Esteban (org.(1999) O papel da avalição educacionalnos processos de aprendizados autonomos e cooperativos.P. Anais eletrônicos.In: Grinspun.pdf. 2008.F. 2000.(org.Desafios e perspectivas. Disponível em http://portal. Como promover condições favoráveis à aprendizagem cooperativa suportada por computador? In: Congresso Iberoamericano de Informática na Educação. São Paulo: Cortez. ESTEBAN. E.Educação Tecnológica . Disponível em <http://www. Mônica Carapeços.). Acessado em 17 de outubro de 2008. Acesso em: 15 out.

PARTE II PROPOSTAS EM PAUTA. idéias e cores. Um ser humano exposto a variedades de formas. cores e idéias pode reunir visões em várias dimensões e propor notáveis projetos que podem movimentar o girar de outras formas. 87 .

ampla e intensamente. No contexto da Educação. a tecnologia da informação tem contribuído. consideravelmente.Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação. 88 . sendo considerada como um dos componentes mais importantes do ambiente empresarial atual e utilizado.Capítulo 5 Gestão de Conhecimento em Instituição de Ensino Superior: Disciplinas e Concepções Rosa Amelita Sá Menezes da Motta Resumo Num mundo globalizado. aplicando-a a projetos educacionais. aproveitando a sua experiência com projetos de aplicação da tecnologia da informação na Educação. pelas empresas brasileiras. porém. um desafio ainda é o incremento do número de profissionais que tenham formação adequada para gerirem essa tecnologia de maneira satisfatória. Este trabalho apresenta uma proposta de Curso a ser implantada no IST-Rio . para o sucesso das organizações.

formalização. Nesse contexto empresarial. que possibilitem aos graduados.1. oriundos da área de Computação e da Educação. sabe-se que ainda existem muitas dificuldades e desafios a serem enfrentados. é evidenciada a importância da gestão dessa tecnologia e do conhecimento para a sobrevivência e o sucesso dessas organizações [Albertin 2005]. em meio à globalização. bibliotecas virtuais). A Tecnologia da Informação (TI) tem muito a contribuir para a qualidade da Educação no país. e-mail. simuladores. especializar-se de forma a aplicar os recursos dessa tecnologia no contexto da prática educacional. têm investido na captação. comunicadores instantâneos. jogos. aplicando-os e adaptando-os ao contexto educacional de forma adequada [Lima 2001]. a competitividade entre as empresas no mundo dos negócios vem aumentando intensamente nos últimos anos. O IST-Rio – Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Rio de Janeiro – oferece o curso de graduação em Tecnologia em Análise de Sistemas Informatizados e tem reunido condições 89 . Paralelamente. disseminação e aplicação de conhecimento corporativo como diferencial estratégico e competitivo na condução dos negócios. cresce a procura pelos cursos de pós-graduação stricto e lato sensu gratuitos na área de Computação. inclusive na região à que Quintino pertence. No entanto. Introdução. oferecendo recursos e ferramentas (chats. visto que o incremento do número de cursos de graduação nesta área permite o crescente aumento da quantidade de graduados em Computação. Diante desse cenário.5. Na sociedade da informação e do conhecimento. torna-se cada vez mais oportuna a implantação de um curso de pós-graduação em gestão da tecnologia da informação em ambientes educacionais. apesar da consciência dessa importância e do esforço que se tem feito para que os recursos dessa tecnologia sejam utilizados com sucesso na Educação. Por outro lado. cientes da necessidade de adaptação a este cenário. uma das dificuldades ainda é a precariedade na quantidade de profissionais que saibam gerir esses recursos satisfatoriamente. As empresas contemporâneas. inclusive no que consiste à chamada tecnologia assistiva. explorando cada vez mais os recursos da Tecnologia da Informação.

estão sendo afetadas pela infraestrutura de informações disponível [Brasil. a proposta em foco é detalhada e. fomentado com recursos FAPERJ. posteriormente. estando organizado da seguinte forma: primeiramente. inevitavelmente. finalmente. geridos pelo NUPE – Núcleo de Pesquisa e Extensão do Instituto. até mesmo. Este trabalho aborda a gestão do conhecimento em instituições de ensino superior e apresenta para discussão à comunidade do IST-Rio uma proposta correlata de criação do curso mencionado anteriormente. baseado em técnicas de Inteligência Computacional com aplicação em gestão de conhecimento e e-Ciência. o IST-Rio resolveu propor à sua comunidade/sociedade o Curso de Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia da Informação em Ambientes Educacionais. com enorme potencial transformador das atividades sociais e econômicas. relativos ao desenvolvimento de software. Inclusão Digital e Meio Ambiente. Além disso. Com base em tudo que foi relatado. Pode ser citado também o Projeto Mandala [MOTA 2006]. Essas experiências são vivenciadas por intermédio de trabalhos de conclusão do curso de graduação. um fenômeno global. 5. são expostas as considerações finais e as perspectivas futuras. Tecnologia Assistiva. em seguida. uma vez que a estrutura e a dinâmica dessas atividades. 2000] 90 . dentre outras [Goldschmidt et al 2007a 2007b 2007c].2. Há quem a considere um paradigma técnico-econômico novo ou. Um exemplo é o projeto de iniciação científica em Sistema de Gestão de Conhecimento em Ambientes Educacionais. apresenta-se uma seção sobre o conhecimento e a sociedade da informação. é abordada a gestão do conhecimento em instituições de ensino superior. Ela é o próprio paradigma de mudança profunda na organização social e econômica. que vem trabalhando em prol do estímulo à pesquisa aplicada e à integração entre ensino. pesquisa e extensão. de projetos de extensão e de pesquisa. há experiências em ações relativas aos eixos temáticos: Apoio à Educação.e esforços no sentido de desenvolver projetos de pesquisas. O Conhecimento e a Sociedade da Informação A Sociedade da Informação (SI) não deve ser considerada um modismo. iria justamente favorecer a articulação entre esses níveis. Vale acrescentar que a criação de um curso de pós-graduação com base nessa experiência.

Para estes autores. criando-se projetos de desenvolvimento social. Consiste na etapa do desenvolvimento da civilização moderna. modificando. a SI está sendo construída em meio a diferentes condições. em função das condições de acesso à informação. setores econômicos. a própria cadeia de geração de valores. incluindo a sua gestão propriamente dita [Brasil. é necessário investir no ensino de Tecnologia da Informação. Zabot e Silva (2002) defendem que deve ser entendida como um processo que amplia organizacionalmente o conhecimento criado pelos indivíduos. Do mesmo modo. 2000]. o envolvimento. essa sociedade é um estágio de desenvolvimento social. a ligação em rede. da base de conhecimentos e. Nesse contexto. Sobre a criação do conhecimento. comercialização e consumo e de cooperação e competição entre os agentes envolvidos. Em cada país. segundo estratégias modeladas em conformidade com cada contexto. para as 91 . Nessa sociedade. em vários sistemas. têm-se como objetivos principais da SI promover a aprendizagem. na cabeça das pessoas. o conhecimento.Segundo o Ministério de Ciência e Tecnologia [Brasil 2000]. cristalizando-o como parte da rede de conhecimento da organização. regiões. a cooperação e a igualdade dos cidadãos. de qualquer lugar e da maneira mais adequada. Essa dificuldade passa necessariamente pela forma como utilizar ferramentas que permitam um gerenciamento eficaz de todo este ambiente informacional [Davenport 2001]. da capacidade de aprender e inovar. que é caracterizada pelo papel social crescente da informação. empresas e administração pública) de obter e compartilhar qualquer informação. mas com grande dificuldade de utilização desses recursos. informações e. as tecnologias envolvidas vêm transformando as estruturas e as práticas de produção. organizações e indivíduos são afetados diferentemente pelo novo paradigma. assim. Então. caracterizado pela capacidade de seus participantes (cidadãos. sobretudo. principalmente. Esse processo ocorre dentro de uma comunidade de interação em expansão. segmentos sociais. por um aumento da partilha dos produtos e serviços de informação no PIB e pela formação de um espaço global de informação. Porém. instantaneamente. com alto grau de complexidade. para tanto. que atravessa níveis e fronteiras interorganizacionais. as organizações se encontram de posse de um grande volume de dados. conhecimentos espalhados por diversas áreas da organização.

a capacidade necessária para aproveitá-las. para Castro e Ferreira (1999) e Jamil (2001).3. armazenar e distribuir para as pessoas certas o conhecimento na organização.organizações. afirmando que as organizações podem se tornar incapazes de usufruir seus recursos informacionais e sua infra-estrutura de TI. quando não desenvolvem um entendimento claro de como os processos empresariais transformam a informação em conhecimento. Gestão do Conhecimento e as Instituições de Ensino Superior (IES) A Inteligência Competitiva (IC) é entendida como um processo organizacional. Nesse processo. bem como conhecer o ambiente interno e externo à organização. mas. Sob esse enfoque. o grande desafio tem sido proporcionar uma atuação integrada com seu negócio. visando o estabelecimento de estratégias de ação a curto. em ensino. pelo menos. Choo (1998). deve-se perceber essa tecnologia como um instrumento capaz de capturar. A seguir está sendo abordada a gestão do conhecimento em organizações cujo “negócio” pode consistir em ensino. e para quem elas deverão ser encaminhadas. em meio a muitas. usando o potencial máximo das informações para suporte à decisão nos níveis operacionais. juntamente com Terra e Gordon (2001). Para estes autores citados imediatamente acima. médio e longo prazo [Valentim et al. O termo Tecnologia da Informação (TI) serve para designar o conjunto de recursos tecnológicos e computacionais para a geração e uso da informação. sim. A TI está fundamentada nos seguintes componentes [Rezende e Abreu 2001]: hardware e seus dispositivos e periféricos. software e seus recursos. tácitos e estratégicos das organizações. concordam com este enfoque. selecionar. Nesse contexto. 5. 2003]. a Tecnologia da Informação e a Gestão do Conhecimento nas organizações desempenham um papel fundamental. sistemas de telecomunicações. o grande desafio é identificar e selecionar quais informações são realmente importantes. extensão e pesquisa ou. Sendo que Senge (1998) enfatiza que o importante não é a quantidade de informações que uma pessoa pode receber a partir da tecnologia. que tem o propósito de descobrir oportunidades e reduzir riscos. e o conhecimento em ação. e gestão de dados e informações. a gestão do conhecimento é responsável pelo gerenciamento do conhecimento produzido na 92 .

Sendo que uma das suas principais bases é a TI [Albertin 1999]. é o das IES. adquirir. contudo. capazes de lidar com textos estruturados. contudo. De acordo com Maccari e Rodrigues (2002). elas geram conhecimento e centram sua razão de existência no fato de serem as responsáveis por disponibilizá-lo. Para enfrentarem os desafios impostos pela competição acirrada. pesquisa e extensão de qualidade. De fato. Construir conhecimento é uma atividade inerente ao ser humano. as IES têm por objetivo principal satisfazer às necessidades de uma comunidade/sociedade cada vez mais exigente. imagens ou vídeo. a GC tornou-se muito mais eficiente. nas últimas décadas. Segundo esses autores. a fim de auxiliar na geração de idéias. que lhes dá crédito. Como qualquer organização. Avanços estão sendo feitos. tomando as decisões certas. Entende-se Gestão do Conhecimento (GC) como um conjunto de estratégias para criar. compartilhar e utilizar ativos de conhecimento. Mais do que isto. Ao mesmo tempo em que o conhecimento é seu principal produto. prestando serviços de ensino. as organizações vêm investindo cada vez mais nessa tecnologia. as IES devem estabelecer um caminho (estratégia) para aproveitar as oportunidades e evitar os riscos que o ambiente lhes oferece [Oliveira 1997]. têm diferentes necessidades de informação e conhecimento para desenvolverem suas atividades. Seu desempenho. discussões. O progresso conseguido na GC. Todos os indivíduos. é limitado. no âmbito organizacional. Para sobreviver no mercado diante dessa realidade. tanto sob o ponto de vista conceitual da GC. parece não corresponder à natureza de seu negócio. 2002]. quanto sob o ponto de vista processual. principalmente devido aos novos softwares. de uma forma geral. como organizações gestoras do conhecimento. um caso singular. estão se defrontando com a necessidade de melhorarem a qualidade do processo de aprendizagem e se manterem atendendo às expectativas da população [Rodrigues. com o auxílio da TI. 93 . solução de problemas e tomada de decisão [Valentim 2003]. As IES.organização. em GC. bem como estabelecer fluxos que garantam a informação necessária no tempo e formato adequados. seus processos funcionam em blocos estanques. interpretação e transferência do conhecimento. devido ainda às dificuldades na aplicação das técnicas no processamento. estas organizações lidam tipicamente com o conhecimento.

é possível. Segundo Motta (2007). Assim. a GC como uma ferramenta ainda é incipiente em instituições de ensino. junto com a GC. de que a educação deva ser vista puramente como um ato pedagógico. Para Maccari e Rodrigues (2002). sendo ambos importantes fatores de domínio do seu negócio. guardadas as devidas particularidades das IESs. os conceitos da área de Administração possam ser aplicados nessas organizações. Castro (2000). causando com isso o desequilíbrio. Silva Junior (2001) e Motta (2004). Ao estabelecer a ligação entre o ato pedagógico e o negócio educacional. comum. o aumento da importância econômica está associado a uma acentuada concorrência e requer dessas instituições redobrados esforços para a busca de eficiência organizacional. cujos recursos deveriam vir de algum lugar. Coutinho (1997). em seus estudos. Esse tema se torna cada vez mais importante. ainda existente nas IES. Inclusive Motta (2007). geralmente limitados pela sua estrutura adocrática. É possivelmente uma atitude puritana. que. comércio e serviço). com relação ao uso de conceitos e técnicas da área de Administração na gestão de IESs. evidenciaram que essas instituições negligenciam o uso da TI para a tomada de decisão e somente a usam. as quais ainda se veem muito mais como um sistema educacional. Uma é a abordagem por meio do ato pedagógico e a outra consiste no tratamento de um negócio propriamente dita.especializados de conhecimento. em concordância com Tachizawa e Andrade (1999). propõe um sistema computacional para apoiar a gestão estratégica em IES privadas. Filho (2000). mas a eficiência do sistema acadêmico certamente depende do equilíbrio que se deve estabelecer entre as duas visões. na maioria dos casos. do que organizações que precisam e buscam cumprirem seus 94 . A GC vem exatamente fazer a ponte entre as duas visões. tornou-se inevitável à utilização da TI como aliada para melhorar a eficácia operacional e de instrumentos de eficiência organizacional. existem duas abordagens de como o negócio deve ser gerido. por exemplo. existem críticas. Não que a visão negocial na gestão da instituição deva prevalecer sobre a primeira. para a implementação de processos operacionais. Mas. por parte de alguns autores da área de Educação como. ao invés de negócio. Mesomo (1999) e Neiva e Lapa (1996). Nas IES. Por outro lado. à medida que esse tipo de organização apresenta peculiaridades em comparação com outras empresas (indústria.

Uma Proposta de Curso O IST-Rio deseja implantar. Sendo assim. assim. por parte dos graduados dessas áreas.4. necessários para o processamento da informação e sua distribuição entre as pessoas interconectadas e que queiram colaborar. pesquisa e extensão. o grande desafio em instituições de ensino tem sido estruturar e disponibilizar as informações nela geradas. os recursos da TI presentes estão relacionados com instrumentos físicos. técnicas e recursos da Computação e aplicá-las adequadamente à gestão e prática educacional brasileira. o egresso desse Curso será um profissional capaz de aplicar os recursos da TI na gestão de instituições de ensino e da prática de 95 . para toda a organização. aliada à GC para o contexto de IES. 5. Os resultados de estudos realizados pelos autores também nos levam a afirmar que as IES não possuem políticas para formalmente estimular a GC nem políticas de estímulo direto. estruturando-o. O que não permite que as instituições tenham tempo para se dedicarem à pesquisa de padrões alternativos de excelência. um esforço obsessivo por parte dos gestores em observar os padrões de excelência que orientam os negócios educacionais. por cursos de pós-graduação gratuitos e ao fortalecimento do Instituto e da FAETEC na comunidade de pesquisa científica e da integração entre ensino. nem por intermédio de sua incorporação no plano estratégico da instituição e. redes e sistemas lógicos. determinados pelo governo federal. tais como computadores. sim. Segundo estudo realizado por esses autores. além disso. Existe. o Curso de Gestão da Tecnologia da Informação em Ambientes Educativos. A seguir é apresentada uma proposta de curso que pode contribuir com a formação de recursos humanos especializados na gestão da TI. utilizando-as como recurso estratégico. possibilitando com isto a transformação de tais informações em conhecimento. não existe procedimentos e atividades formais que suportem diretamente a GC nas IES e seus gestores demonstram não terem conhecimento dos processos de implementação de GC. contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e científico do estado do Rio de janeiro e no Brasil.objetivos de “negócio. com base em suas experiências em TI aplicada à Educação. Essa implantação vem atender a uma demanda.” Sendo assim. possibilitando aos profissionais das áreas de Computação e de Educação conhecerem as teorias e práticas relativas aos conhecimentos. na maioria dos casos. sem esquecer de respeitar as suas características.

sala de aula. A seleção dos candidatos será realizada em duas fases: primeiramente. que devem ser cursadas por todos os alunos com o objetivo de subsidiá-los numa espécie de nivelamento. métodos e técnicas a serem utilizadas durante o Curso. possibilitando o alcance de resultados eficazes para atingir os objetivos do Curso. é composto por cinco disciplinas do grupo Comuns/Obrigatórias. na segunda fase. objetivando colocar os alunos. Gestão 96 . Gestão e Pensamento Estratégico. havendo disciplinas tanto da Área de Educação quanto de Tecnologia da Informação. São elas: Tecnologia da Informação Aplicada à Educação. entrevista. técnicas e ferramentas da Computação em prol da gestão educacional. Produtos e Serviços. Sistemas de Informação e Software Educacional. inicialmente. Ele será oferecido com carga horária total de 360 (trezentos e sessenta) horas e duração de 18 (dezoito) meses. Os módulos I e II são destinados ao nivelamento. avaliar e implantar sistemas de informação aplicados à Educação. que consiste em fornecer conteúdos. O que permitirá a riqueza das soluções originadas de debates e discussões e estimulará a criatividade e o trabalho em conjunto dos profissionais de Computação e de Educação. Este grupo engloba as disciplinas obrigatórias. Sendo que o tempo máximo de integração é de 36 (trinta e seis) meses. respectivamente. O curso envolve as áreas de concentração Tecnologia da Informação e Educação e oferece as linhas de pesquisa em Sistemas de Informação. Banco de Dados Aplicados a Ambientes Educacionais. Desenvolvimento de Sistemas e Projetos Educacionais. desenvolver. professores e gestores educacionais ou da Informática. Sistemas Operacionais Aplicados a Projetos Educacionais. O Módulo I. A organização curricular está baseada em grupos de disciplinas e módulos. que tratem da aplicação de métodos. Serão disponibilizadas. no turno manhã e noite. análise do curriculum vitae (acompanhado de informações comprobatórias) e. 30 (trinta) e 60 (sessenta) vagas. num mesmo nível informativo ou formativo com relação aos conceitos. todos. O seu públicoalvo é constituído pelos egressos de cursos de Computação. Gestão Educacional e Tecnologias na Educação. usando abordagem que considere contextos de aplicação da TI em ambientes educacionais. estabelecer relações interpessoais e gerenciar projetos na área de Educação. que é de nivelamento. Algoritmos e Ambientes Educacionais.

Tecnologias Assistivas. cujo tema deve ser escolhido com base nas áreas de concentração Tecnologia da Informação e Educação e nas linhas de pesquisa Sistemas de Informação. requer os conhecimentos de um professor de língua portuguesa. Pesquisa e Extensão. Processos e Documentos Institucionais. Metodologia da Pesquisa. Metodologia Científica e Seminário de Monografia. todos. que tem como objetivo a geração do trabalho final de curso. são oferecidas duas disciplinas do grupo Comuns/Obrigatórias e o aluno pode compor mais três eletivas dos grupos Tecnologia da Informação e Educação. em uma mesma turma. O grupo Educação agrupa as disciplinas eletivas. No Módulo III. que lecionam na graduação em Tecnologia em Análise de Sistemas Informatizados e pelos colaboradores da rede FAETEC e externos. Integração Ensino. em seu aspecto voltado à escrita/redação. o aluno pode escolher dentre as disciplinas eletivas do grupo Tecnologia da Informação e/ou do grupo Educação. Gestão de Pessoas. Avaliação Institucional e Tópicos Especiais em Educação. Sistemas Distribuídos. possuindo a titulação mínima mestrado ou especialização na área de atuação. Sistemas de Apoio à Decisão e Rede de Computadores. é oferecida somente a disciplina Seminário de Monografia. para conduzir o aluno à prática correta da linguagem. técnicas e ferramentas dessa área. métodos e ferramentas específicas da área de Educação. II e III. Competência Tecnológicas. Para compor o total de carga horária desse módulo. A equipe de docentes deste projeto é composta pelos professores do próprio Instituto. metodologia. poderá ser ministrada por mais de um professor simultaneamente. Tópicos Especiais em TI. Gestão Educacional e Tecnologias na Educação. As disciplinas são: Educação a Distância.de Projetos. As disciplinas do grupo Comuns/Obrigatórias oferecidas no Módulo III são: Processos e Documentos Institucionais e Gestão de Pessoas. Auditoria e Direito Digital. As disciplinas deste grupo são: Segurança. necessária para a elaboração de trabalhos e textos técnicos e científicos. técnicas. Cada disciplina. O grupo Tecnologia da Informação reúne as disciplinas eletivas da área de Computação. Modelos de Gestão Educacional. Estas disciplinas são oferecidas nos módulos I. por exemplo. No Módulo IV. objetivando fornecer ao aluno o conhecimento de conceitos. objetivando fornecer ao aluno o conhecimento de conceitos. visto que uma disciplina como. 97 .

relacionados aos temas abordados no Curso e a definirem. no mínimo. workshops e outros). De acordo com o tema a ser ministrado. englobando: capacitação dos professores em software para Educação a 98 .As aulas serão teóricas e práticas com atividades em laboratórios. até o terceiro módulo. aquisição e acomodação de mobiliários. dinâmicas de grupos e outras técnicas e eventos pertinentes.38 m2. 2) organização da infraestrutura adequada para o Curso. O Curso funcionará nas instalações do IST-RIO. relativas à gestão de TI em ambientes educacionais. da melhor forma possível. respectivamente. Este prédio. na escolha das eletivas. que consiste na: melhoria das instalações (reforma do prédio do IST. inaugurado em 20 de dezembro de 2006 no campus Quintino da FAETEC. congressos. de materiais de consumo. cujos conteúdos servirão para a elaboração desse trabalho final. e de outros recursos materiais. o tema de monografia. uma prova escrita. sua infraestrutura e grande parte do acervo de sua biblioteca foram viabilizados recentemente por meio de verbas obtidas junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ). e. A média e a porcentagem de freqüência para obter aprovação em cada disciplina são. para atender ao curso de graduação já mencionado anteriormente neste projeto. Em cada disciplina. 3) aprimoramento do corpo docente do Curso. sendo necessário atingir as seguintes metas para a execução desse Curso: 1) institucionalização do Projeto Pedagógico do curso.Rio). individual ou em dupla. ele terá a chance de fazer uma prova escrita para substituir o menor grau obtido em avaliação deste tipo realizada na disciplina. com perspectivas a serem orientados. debates.0 (sete) e 75%. Na disciplina Seminário de Monografia. cada aluno deverá apresentar a evolução do trabalho de monografia a ser realizado. poderão ser aplicadas palestras. de livros e periódicos. o aluno deverá realizar um artigo científico. envolvendo a utilização e o desenvolvimento de sistemas e softwares aplicados ao contexto educacional. A elaboração e a apresentação de uma monografia diante de uma banca examinadora será um requisito para obtenção do grau de especialista. Caso o aluno não consiga alcançar esta média. 7. instalação e configuração de equipamentos. que possui um prédio próprio de 542. em Quintino. aquisição. Os alunos serão estimulados a participarem e a organizarem eventos (seminários. Parte dos recursos materiais e espaço físico deste prédio poderão ser utilizados pelo Curso de Pós-graduação em questão. A prática terá uma relação estreita com a teoria ministrada.

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Gestão do conhecimento.(2007c). Futura. Ronaldo R. (2007). Administração universitária: onde a profissionalização é uma carência.SE2P: um sistema especialista para enquadramento de projetos no IST-Rio. João Catarin. Rio de Janeiro. LIMA. FILHO.Aprimoramento do Núcleo de Pesquisa do ISTCC-RJ para produção científica e desenvolvimento de sistemas baseados em inteligência computacional.. Márcio F.Data warehouse e mineração de dados nos institutos superiores da FAETEC.IST/FAETEC. 4. São Paulo.DAVENPORT. e GOLDSCHMIDT. Belo Horizonte. Educação e qualidade total: a escola volta às aulas. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Florianópolis. (2006). (2001). ed. GOLDSCHMIDT et al. Fernando S.(2007a). Dissertação (Mestrado em Ciência da Computação)..Escola Mandala: uma nova concepção para o ensino tecnológico na Rede Faetec. Relatório Técnico.IST/FAETEC. MEZOMO. José Leão Marinho Falcão. Relatório Técnico.79-94. (1997). T.Escola: ambientes. Leonel Cezar. MOTA. 8. RJ. estruturas. Novas tecnologias da informação e comunicação na educação e a formação dos professores nos cursos de licenciatura do Estado de Santa Catarina. 100 .8.Sistema especialista de apoio à orientação vocacional. variáveis e competências. (2001).n. Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação. CAMPOS. n.28. Rio de Janeiro. H. Revista Negócios. p. Vozes.165-180.2. MACCARI. Patrícia Rosa Traple.Ecologia da Informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. jul.IST/FAETEC. Imprinta Express. Rio de Janeiro./set. Cadernos UFMG.Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós – Graduação em Ciência da Computação. ______. ______. v. Rio de Janeiro. (1999). dezembro. Blumenau. Emerson e RODRIGUES. Relatório Técnico. (2000). p.(2007b). v. Petrópolis. Projeto de Pesquisa IST/FAETEC. (2002). ______. Gledson Luiz. COUTINHO.

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Capítulo 6 Proposta de Arquitetura Pedagógica para auxiliar formadores na Educação de surdos Ricardo Marciano dos Santos. As suas dimensões são: (i) a pedagógica que é a principal e que se pauta no construtivismo social e no respeito . Marcos da Fonseca Elia.nos termos exigidos pela legislação vigente . Mônica Pereira dos Santos Resumo. Este artigo apresenta uma proposta de arquitetura pedagógica para um curso de formação inicial e continuada de professores que lidam com alunos surdos em sala de aula do ensino formal. desta forma. 103 . elegendo como primeira língua a LIBRAS e não o português.à identidade linguística dos aprendizes surdos. (ii) a tecnológica fortemente baseada na TIC em que o professor (e os seus alunos) são tratados como potenciais autores do material didático necessário e. e (iii) a dimensão política que está presente de forma subliminar e distribuída em todas as ações educadoras inclusivas em prol dos aprendizes surdos. recebem formação em linguagens de autoria. algumas desenvolvidas especialmente para o curso. para que sejam permanentes e multiplicadoras.

é pensado como um processo infindável em direção à minimização ou finalização. em qualquer momento de nossas trajetórias escolares e que. onde os formadores. limitando o discente no gozo de um direito que lhe é garantido por lei. Esta complexidade. respeitando as diferenças culturais. dinâmico e automático. particularmente aquelas. que configuram a base das necessidades educacionais especiais que todos podemos ter. a adaptação desses alunos ao sistema regular de ensino. p. das diferentes exclusões. por meio da inclusão escolar. se possível. pois estes. Introdução O mundo está cada vez mais rápido. sutis ou explícitas. são submetidos à classe comum como esta se apresenta.34): “A educação encontra-se perante um desafio: conseguir que todos os alunos tenham acesso à educação básica de qualidade. sociais. sem modificações no sistema escolar. portanto.” O processo da inclusão escolar é analisado como um movimento dinâmico que converge para a competência cidadã. que é sentida por todas as pessoas capazes em todas as suas funções psíquicas. Tal situação exige. que independentemente de suas possíveis causas. 104 . podem nos colocar em situações de desvantagem. conforme coloca Santos (2000. em sua maioria.1. assim. sociais e individuais. tornando complexo estabelecer-se não apenas no mercado de trabalho mas até mesmo socialmente. Há. quando não excluídos do convívio das outras pessoas e alocados em “escolas especiais”. têm grande dificuldade de convivência com esse público em sua sala de aula. dependendo de como sejam vistas pela instituição educacional e seu entorno.6. físicas e sensoriais. impedem a participação plena dos alunos em seu próprio processo de aprendizagem. um desafio tanto para alunos com Necessidades Educacionais Especiais como para os Professores. torna ainda mais crítica a situação de alunos com Necessidades Educacionais Especiais.

6. todos por um”. a presente proposta reconhece como um dos aspectos fundamentais ao processo de constituição da identidade dos aprendizes. ou seja: às vezes. as ferramentas computacionais e as estratégias). estruturas de ensino e aprendizagem articuladas a partir de suas dimensões pedagógica.2.2 Nossa proposta de Arquitetura pedagógica 6. dispomos dessa arquitetura (as informações. mas se não soubermos como aprender a fazer e por que fazemos. incluindo suas respectivas metodologias e meios didáticos. têm por base uma determinada pedagogia. entendemos que premissas pedagógicas formam um conjunto de princípios que orientam a construção de um modelo educacional com base em tecnologias da informação e da comunicação (TIC).1. Além disso. Neste sentido. Arquitetura pedagógica. A nossa proposta pedagógica apresentada a seguir foi construída com esse ideário. em que a realidade social é vista por significados que são construídos dinamicamente pelos sujeitos participantes do processo e que.2. 6. Dimensão Pedagógica Fundamenta-se no construtivismo social. tecnológica e política. mobilizar os recursos cognitivos dos próprios aprendizes por meio de atividades interativas no estilo “um por todos. tanto quanto possível. Dessa forma. a partir daí. se opõe a uma visão positivista de que tal realidade exista a priori e independentemente dos (autores) sociais.1. O conceito Todos os processos educativos. 2005).2. portanto. antes de tudo.2. a estratégia pedagógica adotada procura. o uso da língua de sinais – no caso.2.6. Sempre que a articulação entre tecnologia e recursos humanos for empregada apenas em uma perspectiva instrumental. (Carvalho et al. Se essa perspectiva não estiver também articulada com o papel político da educação. estaremos assim desperdiçando um potencial tecnológico e humano. modifiquem sua estrutura cognitiva e. isto é: uma concepção de como se consegue que as pessoas aprendam alguma coisa e. haverá a descaracterização de sua função estratégica e pedagógica. conseqüentemente seu comportamento. enquanto pessoas surdas. As arquiteturas pedagógicas são. ela perderá o seu sentido ético. o uso da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) – como sendo a sua primeira língua 105 .

em prol dos aprendizes surdos. 106 . de uso exclusivo do professor. Dimensão Tecnológica A principal característica da arquitetura.2. como será visto a seguir. mas também. 6. que seja formada uma comunidade de relacionamento cada vez maior em torno deste tema. conforme Elia e Ferrentine (2001). Pii. Portanto.no processo de comunicação.3.2. sejam permanentes e multiplicadoras. Representa assim uma postura a ser construída de forma quase silenciosa nos formadores para que as suas ações educadoras inclusivas. está se propondo não apenas os módulos didáticos considerados relevantes. contemplado no estudo de caso. O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) O ambiente virtual. mais apropriados ao ensino de alunos ouvintes. no sentido de que eles possam se apropriar criticamente destes recursos e se tornarem sujeitos e autores dos seus materiais didáticos informatizados. da seguinte forma: Plataforma de desenvolvimento. 6. Espera-se. a plataforma administrativa. A figura 1 mostra o ambiente. a estratégia pedagógica adotada procura substituir. 6. está se fornecendo a ferramenta de autoria que permite ao próprio professor construir esses e outros módulos similares. Dimensão Política Esta dimensão está presente de forma subliminar e distribuída em todas as ações planejadas. inclusive alunos. é a preocupação de usar os recursos tecnológicos de informação e comunicação de forma mais transparente e amigável possível para o usuário professor (e desses para seus alunos). porém independentes.3. foi a Plataforma Interativa para Internet. uso do professor ou outra pessoa autorizada e a plataforma multiusuário. que encontra-se subdividida em três sub-plataformas distintas. nesta dimensão.2.2. Assim. o uso de conteúdos (português por LIBRAS) e de formas de comunicação (oral por multimídias) tradicionalmente usados na relação ensino-aprendizagem. para multiusuários.2. por exemplo. também tanto quanto possível.

é a Plataforma Interativa para Internet – Pii [http://pii. A figura 2 ilustra a nossa proposta. pertencente ao eixo curricular “Instrumentação” e que aborda três (3) tópicos. no presente caso. dando assim uma continuidade multiplicadora e consequência à mesma. Pii. Inspecionando-a da esquerda para direita nota-se um currículo constituído por três (3) eixos: reflexão. fundamentação e instrumentação. 107 . Como a nossa proposta prevê o uso de um formato didático que permite a sincronização de vídeos em libras com slides.ufrj. Estes instrumentos serão discutidos a seguir. Sete (7) módulos didáticos estão distribuídos segundo estes eixos. (c) segue uma estratégia didática que pode ser do tipo instrucional ou tarefa. (b) contém tópicos que são em número de vinte e um (21) conforme mostrado na figura 1. Plataforma Interativa para Internet. Cada módulo tem uma estrutura padrão: (a) é estruturado em formato texto libras. A arquitetura pedagógica também possui componentes tecnológicos embarcados na própria plataforma AVA ou como plugin de serviços web externos voltados para acessibilidade de alunos surdos.nce.br]. havendo também um módulo extra referido aos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) que. (d) inclui uma avaliação formativa com questões de múltipla-escolha e de forma semi-aberta. A figura 3 ilustra o Módulo “Ferramentas/Tecnologias para auxiliar Formadoras”.Figura 1. foram desenvolvidos instrumentos de tecnologia educacional de base em TIC que permitem: (i) a criação de um sistema colaborativo de vídeos de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e (ii) a autoria por parte dos professores de materiais pedagógicos que facilitem a aprendizagem do aluno surdo dentro das premissas da arquitetura pedagógica utilizada na sua própria formação. (e) referências bibliográficas sugeridas para leitura.

108 .Figura 2. Estrutura de Conteúdo e forma aplicada ao curso.

uma pesquisa é feita e então será carregado o vídeo. A figura 4 mostra a tela inicial. um repositório de vídeos em formato libras para consulta e para inclusão de novos vídeos por parte de usuários interessados. letra por letra.Figura 3. Caso contrário. também. Implementações tecnológicas de acessibilidade O E-SINAIS é um Sistema que funciona como um dicionário de vídeos possibilitando a transcrição de palavras para LIBRAS no formato de vídeo caso este exista no banco de dados.4. Caso essa palavra esteja cadastrada no banco em forma de vídeo. onde o usuário poderá digitar uma palavra qualquer. 109 . Módulo “Ferramentas/Tecnologias para auxiliar Formadores” 6. é gerada uma combinação de letras do alfabeto. além da própria palavra. Espera-se que venha ser. (Datilologia) É exibido também um link com a palavra selecionada pelo usuário para uma pesquisa na Wikipédia.

0. Para melhor aproveitamento da tarefa de autoria. permitindo a construção de apresentações unindo vídeo no formato RM (Real Media) e slides desenvolvidos em PowerPoint ou textos. etc. O material contempla vídeos. que permite atividades como a construção de materiais didático para o surdo. Web syndication. programa usado para conversão de vídeos (AVI ou MPEGg). Tela Ambiente E-SINAIS. o programa utilizado é o Real Producer basic. foi desenvolvido tendo como incentivo o ambiente WEB 2.Figura 4. O programa é disponibilizado gratuitamente para as plataformas Windows e Linux. além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. Sua arquitetura é visualizada na figura 5. A Web 2. o Real Player que é um programa para executar o vídeo no formato RM. O sistema. Para que seja possível gerar o tipo de arquivo RM. linguagem Ajax. é recomendável que os usuários tenham instalados os seguintes programas: PowerPoint ou outro de mesma natureza (para criação dos slides).) Este ambiente é a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação. para RM. Outra ferramenta computacional desenvolvida como artefato integrante da arquitetura proposta é um sistema de autoria. conforme figura 6. slides e textos.0 refere-se a uma combinação de técnicas informáticas (serviços Web. sendo sincronizados de acordo com o tempo estabelecido pelo autor. compartilhamento e organização de informações. 110 .

está com seu módulo de autoria e treinamento implementado para qualquer ambiente operacional e. Todas as apresentações podem ser visualizadas sem a necessidade de autenticação.Utilizamos também um framework. no momento. escrito em Ruby. 8 É um framework escrito em PHP que tem como principais objetivos oferecer uma estrutura que possibilite aos programadores de PHP de todos os níveis desenvolverem aplicações robustas rapidamente. Association Data Mapping. o CakePHP8. conforme figura 7. 111 . Front Controller e MVC (Model-View-Controller). A funcionalidade do sistema é contemplada pela gerência de servidores. sem perder flexibilidade. O AOM (Autoria de Objetos Multimídia) “conversa” com os dois servidores e possibilita a criação de uma apresentação mediante autenticação do usuário. um de dados para executar a aplicação e outro que gerenciará os vídeos. com a arquitetura apresentada. que é baseado no framework Ruby on Rails 9 e utiliza padrões de projeto conhecidos. 9 Framework de código aberto para desenvolvimento de aplicações Web. tais como ActiveRecord. encontra-se em fase de validação e refinamento. O protótipo do sistema.

Tela inicial do Autoria de Objetos Multimídia. Funcionamento do Sistema de Autoria de Objetos Multimídia. 112 . Figura 6.Figura 5.

Figura 7. 6. corresponde ao conteúdo do presente artigo. 2. 2.5. Tarefa 01 (3 Sessões de 1 hora e 30 minutos). Exemplo de apresentação criada pelo usuário. Navegação nos três (3) módulos referentes. está sendo submetida a um processo de validação e de viabilidade de uso. por meio de um estudo de caso (EC) com cinco (5) especialistas do LAPEL/UFRJ3. realizassem as seguintes tarefas: 1. Foram dadas informações sobre a pesquisa em andamento que. Parte II (2-3 Semanas) Foi solicitado aos especialistas do LAPEL que. Foi realizado um treinamento na plataforma AVA escolhida para a realização do EC: Plataforma Interativa para Internet Pii. respectivamente. incluindo a ferramenta de autoria de material didático. O estudo foi organizado da seguinte maneira: Parte I (1 Semana) 1. Estudo de Caso A arquitetura pedagógica. navegabilidade etc. Tarefa 02 ( 1 Sessão de 2 horas). Construção de material didático para 113 . a cada um dos eixos curriculares propostos registrando livremente suas observações quanto ao valor pedagógico. individualmente e na presença do pesquisador (principal). qualidade do material didático. basicamente.

114 . a tecnológica e a política.alunos surdos usando a ferramenta de autoria. Os mesmos fizeram várias observações do ponto de vista computacional para melhoria da ferramenta. durante o estudo de caso. no que diz respeito a sua utilização para comunidade surda. Todas as observações estão registradas no AVA da referida pesquisa. aspecto de interfaces para usuário final etc. observações importantes foram contempladas pelo grupo. Apresentamos o sistema de autoria aos alunos da disciplina “Metodologia da Pesquisa”. os profissionais do LAPEL validaram a ferramenta no contexto pedagógico e. Parte III (1 Semana) Os quinze (15) protocolos de registro da tarefa 01 e os cinco (5) da tarefa 02 serão analisados com base nas premissas da arquitetura proposta. Conclusões O objetivo deste trabalho foi descrever o projeto e a implementação de uma arquitetura pedagógica que possibilite a construção de um ambiente educacional integrando princípios pedagógicos concebidos por três dimensões: a pedagógica. a partir de um banco de imagens e de um banco de vídeos. ministrada neste semestre. 6. No que concerne ao estudo de caso proposto. do curso de Mestrado em Informática na UFRJ.6. As apresentações desenvolvidas pelo grupo estão disponíveis no Sistema. foram registradas através do log do (AVA) e de instrumentos formulados para a pesquisa. Todas as observações e ações do grupo LAPEL. usando este protocolo como roteiro. Aqueles que suscitarem dúvidas gerais ou aspectos não previstos serão incorporados a um protocolo de entrevista previamente preparado. que teve seu encerramento em 08 de outubro do corrente ano. como: organização de objetos da ferramenta. na presença de todos os cinco (5) especialistas do LAPEL e os três (3) pesquisadores. A entrevista será então conduzida de forma semi-estruturadas. O arquivo de Log da plataforma Pii também está sendo usado como fonte de dados para a pesquisa. Todo o processo de observação das Partes II e III está sendo gravado em áudio. tendo sido concebida uma lista de observações para o aperfeiçoamento de implementação e funcionalidades.

M. Educação a Distância mediada por Computador.ufes. P. De Menezes. S.. (2005). Espanha. Salamanca.inf. C. Jomtiem. Unesco (1990) “Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Necessidades Básicas de Aprendizagem”. J. Julho.. Sampaio. In: Anais do XVI Simpósio Brasileiro de Informática na Educação.br/~sbie2001/figuras/artigos/a181/a181. Unesco (1994). Juiz de Fora-MG. R. F. S. M. “Declaração de Salamanca”.Referências Carvalho. A. Brasil. In: Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. Tailândia. 115 . Fabio Ferrentini (2001) “Plataforma Interativa para Internet: uma proposta de pesquisa-ação a distância para professores”. ( 2000) “Educação Inclusiva e a Declaração de Salamanca conseqüências ao sistema educacional brasileiro”.htm. Brasília: SEESP/MEC. Vitória. http://www. M. . De Nevado. "Arquiteturas Pedagógicas para Educação a Distância: Concepções e Suporte Telemático". Santos. Elia.

semelhante à forma com que as várias pinceladas agrupadas podem projetar um rosto geométrico numa tela. Guardadas as devidas proporções e especificidades. juntas.PARTE III EXPERIÊNCIAS VIVIDAS. 116 . podem contribuir para a projeção de muitos num futuro próximo e melhor. as experiências vividas.

quando ambos experimentam e trocam. mutuamente conhecimentos. 7. Márcio de Albuquerque Vianna Resumo O presente texto apresenta a necessidade da valorização dos saberes não-escolares nas instituições acadêmicas como uma forma de socialização das experiências de vida dos alunos em uma dimensão horizontal entre professores e alunos. Salas de aulas híbridas: um espaço de múltiplas representações A atual configuração das salas de aulas híbridas no Instituto Superior de Tecnologia do Rio de janeiro (IST-Rio) proporcionou o início de uma 117 .1. em ambientes de sala de aula dotados de recursos multimídia. na busca por soluções matemáticas e computacionais.Capítulo 7 A Etnociência e as Salas de Aulas Híbridas: a Valorização do Saber do Aluno no Encontro com as Tecnologias da Informação.

sobretudo. esses recursos tecnológicos foram levados para “dentro” das próprias salas de aula. pelo cruzamento de duas “espécies” de sala de aula – as convencionais e as equipadas com computadores e muiltimídias – têm no sentido etimológico da palavra labor. A esta configuração denominamos salas híbridas em VIANNA (2006) a partir de toda uma concepção de trabalho coletivo. salas-deaula-laboratório. dialeticamente. agora.) a inter-relação entre homem e máquina se faz necessária. antes prioritariamente expositivas. nesse movimento de (re)organização do pensamento. como também são denominadas. permitindo ao educador e ao educando a construção de um ambiente de experimentação e de análise dos saberes que permeiem as aulas. não visando a sobreposição de idéias.importante operacionalização na implantação do Projeto Mandala proposto no livro “Escola Mandala: Uma nova concepção para o ensino tecnológico na Rede FAETEC”. na análise e na integração entre as partes que compõem o todo. ou seja. um amplo naipe de possibilidades pedagógicas. mas que. agora integrados ao cotidiano dos alunos. que do latim significa trabalho. As salas híbridas ou.100-101): “(. utilizando as ferramentas tecnológicas disponíveis na atualidade. viabilizaram a permanência dos instrumentos antes disponíveis em laboratórios de informática. bem como o surgimento de novos espaços físicos e pedagógicos. p. dotadas de data-show – projetores – e microcomputadores em rede e conectados à Internet. pelos professores e gestores do Instituto. oferecem uma ação mais interativa na relação professor-alunocomputador.. Segundo Vianna (2006. dinâmico e consciente.. As salas de aula. “ A utilização de softwares e pesquisas na WEB possibilitaram uma maior “conectividade” entre professor e aluno em uma relação horizontal de troca de experiências que ambos adquirem na busca pelo conhecimento e no “labor” das tarefas. na busca por uma relação que contemple a produção de um conhecimento crítico. Nesse sentido. lançado em 2006. o professor já não é mais o detentor do 118 . mas.

O que a Etnociência tem a ver com isso? Como áreas de pesquisa. neste caso especifico. 2007). nas suas atividades sociais. passa a não ser mais uma relação vertical: o saber está em todos os lugares. A partir da necessidade de investigar esses fenômenos vemos (. no seu trabalho. é de fácil acesso a todos e. físicos e outros profissionais para resolver problemas da antropologia. até mesmo nos conhecimentos escolares anteriormente adquiridos. a Etnociência e a Etnomatemática investigam as diversas representações de “se fazer ciência” nas diversas atividades “encharcadas de vida” (MONTEIRO. sobretudo. A relação professor-aluno nesse ambiente. nesse conjunto de mídias que hoje temos disponíveis e que. passa a ser o de orientador da busca pelo conhecimento sistematizado e da legitimação dos saberes acadêmicos e/ou nãoacadêmicos. 7.2. Começa nos Estados Unidos e Europa. discutindo as relações sociopolíticas envolvidas no processo de aquisição desses conhecimentos fora e dentro da escola. nos seus afazeres domésticos. matemáticos. na relação dos poderes envolvidos nas estruturas socioeconômicas quando os saberes escolares são supervalorizados em detrimento dos saberes do cotidiano. nesta perspectiva... sobretudo. como um esforço na tentativa de melhorar o entendimento entre as culturas (VIANNA. A Etnomatemática e a Etnociência analisam e legitimam esses saberes no meio acadêmico. ao aluno do Curso Superior Tecnólogo em Análise de Sistemas do IST-Rio. 2004) do cotidiano não-escolar do aluno. que surge no âmbito da antropologia. O papel do professor. quando os antropólogos buscam biólogos. 119 . como concebido.) a etnociência como um campo interdisciplinar e não como uma disciplina estanque.conhecimento. a partir das décadas de 50 e 60 do século XX.

sobretudo. Não se trata somente de aumentar a sua autoestima.58) denomina como empowerment ou empoderamento. p. Esse processo de valorização e de legitimação do saber nãoacadêmico10 na escola estabelece o que Fasheh (1991. embora de forma inconsistente. sem subjulgá-las mutuamente. mas que é possível ser contestada por todos. a uma metodologia de educação em ciências e matemática. Apesar disso. mas. 120 . os mesmos são utilizados como uma “ponte” para se chegar ao conhecimento científico ou acadêmico em uma perspectiva construtivista. são muito freqüentes. mas sim legitimar a coexistência de ambas em seus diferentes contextos e intenções. que neste caso é o seu professor. contribuir para a formação de uma consciência crítica e uma visão política em uma estrutura de poder que já está consolidada. Nesse aspecto. também os saberes relativos às ciências da computação] presentes nas atividades socioculturais pode e deve estar presente no processo educacional formal das escolas que buscam a valorização do saber popular em diálogo com o conhecimento sistematizado. o aluno reconhece o poder de seus saberes do cotidiano por um honoris representante sociedade acadêmica. A intenção da Etnociência não é essa. Segundo Vianna (2007): A diversidade das matemáticas [neste caso. que os fará perceber o seu papel transformador na sociedade. as associações com a matemática. enquanto disciplina. 10 Embora a escola já tenha incorporado e se apropriado de muitos desses conhecimentos populares e/ou do cotidiano nos conteúdos escolares. a Etnomatemática tem sido referida.Segundo Campos (2008): Em geral. acadêmico.

faz com que os professores se tornem “etnógrafos” na análise dos saberes pertencentes a esse grupo específico de alunos e que não chegam a esses institutos técnicos superiores como uma 121 .): quando morre um ancião. Há. Reconhecer que os alunos do curso de Tecnólogo em Análise de Sistemas já trazem saberes. as especificidades e a pragmática envolvidos em cada uma das formas de se representar.. seja na sua casa. quando o professor dá voz aos seus alunos.. uma vez mais. não obstante. a significativa preocupação com a preservação do conhecimento. precisa aprender a valorizar os mais velhos e os nãoletrados como fontes de conhecimentos que podem ser levados à sala de aula. acrescenta Chassot (2008) que: Esta proposta da investigação de saberes populares – preferiria chamar de Ciência popular – pode levar ao resgate de práticas sob risco de extinção. descobrem e legitimam mutuamente os seus saberes: ora acadêmicos. Mais ainda. A escola. a valorização desses saberes desloca a relação vertical entre professor e aluno para uma dimensão horizontal.Ainda sobre a valorização do conhecimento popular como uma proposta de preservação dos saberes. aqui. em uma possível “via de mão dupla” (FANTINATO. conhecimentos e técnicas já experimentadas no seu saber-fazer-no-computador. Evoco. a metáfora (. é como se uma biblioteca se queimasse. inexoravelmente. a sua formação se amplia para um estágio de percepção da “vida real de todos à sua volta”. no seu trabalho ou em outras experiências educacionais. Sendo assim. tanto do professor quanto do aluno. no âmbito de perceber e (re)conhecer a posição do outro. Isso acontece. onde juntos investigam. definindo os limites. quer seja no desenvolvimento do saber científicoacadêmico. Quer seja na vida prática. ora cotidianos. 2007) na formação. essa relação pode ser percebida como a essência do conhecimento na sua formação contínua. quando o professor se apropria dos saberes cotidianos do aluno nessa troca e legitimação.

sem nenhum conhecimento. Um caso de legitimação de saberes no IST-Rio Enquanto professor das disciplinas de Matemática Aplicada. Eles modificam as estruturas e percebem a transformação nos resultados bem como nos gráficos que surgem. sobretudo. agora dotado de recursos multimídia. perceber que o 11 Alunos que cotidianamente têm experiências com computadores e contatos com conhecimentos diversos. em uma relação dialética com a manipulação de casos específicos (VIANNA. da sua formação de educador e de ser-humano. mas sim.? Esses saberes. no trabalho. televisores. (2) oportunizar a busca pela objetividade no cálculo. 122 . já sabendo consertar rádios. quando desveladas as experiências nas vozes dos educandos. Mais ainda: podem e devem ser incorporados aos saberes docentes para o enriquecimento da sua aula e. gráficos. ou seja.3. 7. mas são saberes que não devem ser silenciados no ato cognitivo da sala de aula. ou seja. computadores etc. A partir daí. A idéia é promover uma “etnociência da computação” envolvendo o professor-pesquisador dos fenômenos socioculturais desses grupos11 no ambiente de sala de aula. vem-se tentando incorporar às minhas aulas algumas atividades laborais – atualmente com maior viabilidade nas salas híbridas – onde os alunos experimentam a construção e a mutação de funções. por exemplo. 2006. p. em casa. com o uso de softwares de planilhas eletrônicas nos computadores. movidos pela simples curiosidade.99). Alguns dos objetivos traçados para essas atividades consistem em: (1) promover a experimentação a partir a construção de estruturas algébricas e/ou aritméticas nas planilhas em um processo onde o aluno não executa “fórmulas” e sim (re)elabora os conceitos matemáticos na busca por uma formalização ou generalização do conceito. (re)estruturam o pensamento abstrato. muitas vezes.“tábua rasa”. matrizes. Álgebra Linear e Cálculo Diferencial e Integral do IST-Rio. onde o professor irá “esculpi-la”. embora nem sempre organizados e sistematizados. não são adquiridos em ambiente escolar. determinantes e sistemas lineares. Quantos alunos sentam-se nos bancos escolares de escolas técnicas de eletrônica.

ela não copia integralmente a fórmula em todas as células do resultado. por exemplo. O caso a seguir. O sentido dado ao trabalho passa a ter mais significado quando os alunos criam alternativas aos recursos previamente orientados. apresentava um grande domínio dos recursos do aplicativo. de modo que não fosse necessária a (re)digitação da fórmula em cada célula resultante da operação soma e/ou subtração. 12 Softwares que existem na maioria dos computadores pessoais (PCs) como o CALC ou EXCEL. O mais intrigante nesse processo é que alguns alunos apresentam soluções mais eficientes e/ou mais engendradas para desenvolver certas tarefas com o uso dessas tecnologias. me percebendo como um mero usuário de computadores pessoais. mesmo fora do ambiente escolar. uma aluna. não-expositivas em sala de aula. que eventualmente eu desconheço. ao longo dessas tentativas de atividades não-convencionais. (3) instrumentar os alunos acerca da utilização de softwares de fácil acesso12 para a produção de conceitos e saberes matemáticos. os alunos criavam conjecturas ao experimentarem os conceitos que permeiam os conteúdos programáticos das disciplinas que leciono através da criação de cálculos com o uso de planilhas eletrônicas. por exemplo. Nesse processo de interação homem-computador (BORBA. 123 . mas cria uma sequência onde as coordenadas das mesmas sejam alteradas automaticamente.uso de planilhas eletrônicas permite a criação de modelos que executam cálculos para quaisquer valores posteriormente introjetados nas fórmulas já predefinidas. que já havia trabalhado com o software EXCEL em uma empresa. Essas alternativas são “encharcadas” de experiências anteriormente vividas por eles. 1999) percebi que. não domino plenamente todos os seus recursos. subtração e multiplicação. como soma. ocorreu em uma aula onde eu propunha a construção de matrizes e suas operações. pois não me considero um profissional de informática. Durante a aula apresentei o recurso de construção de fórmulas para somar matrizes “arrastando” a célula com o mouse (figura 1). Embora proponha essas atividades com o uso de planilhas eletrônicas. Como a planilha é “inteligente”.

pois as mesmas se ajustam automaticamente às células posteriores (figura 2 e 3).Figura 1 Sendo assim. Figura 2 124 . podemos copiar as fórmulas para as demais células da matriz. arrastando a “cruz” do cursor.

podemos usar o símbolo $ (dólar) para ‘fixar’ linhas ou colunas. uma aluna me chamou e disse: “professor. Assim podemos fazer com que o computador não saia copiando tudo no automático. devemos multiplicar linhas da primeira matriz pelas colunas da segunda matriz. Percebemos esse problema pela conclusão que todos nós – alunos e professor – que experimentávamos. Neste caso. Em seguida. juntos. todas as possibilidades e não vislumbrávamos uma solução. as fórmulas tinham que ser escritas uma a uma. Esse dispositivo de “arrastar” as células não funcionava. Na multiplicação entre matrizes. É só colocar o $ na frente da letra da célula quando queremos ‘prender’ a coluna e na frente do número quando ‘prendemos’ a linha” (figura 4) 125 .Figura 3 Quando iniciamos o trabalho com a operação de multiplicação de matrizes. percebemos que esse dispositivo de “arrastar” automaticamente as fórmulas de cada célula da matriz resultante. não funcionava.

Figura 4 Pedi que ela experimentasse esse dispositivo até.. volta e meia eu tinha que ‘descobrir’ ou aprender com os colegas esses ‘macetes’ para fazer planilhas de cálculos da empresa” No momento que a aluna testou. então. de forma coletiva. bem como divulguei entre todos a “nova” técnica de “prender” coordenadas em linhas e colunas nas planilhas eletrônicas. no desenvolvimento de saberes inerentes ao conteúdo escolar e na busca por alternativas mais engendradas para a resolução de problemas. eu. mas. professor. O empoderamento se fez presente na forma com que a sua descoberta ajudou o grupo. ela respondeu: “no trabalho a gente tem que descobrir tudo para resolver os problemas que aparecem. verificou a validade e a utilidade desse conhecimento adquirido no cotidiano do seu trabalho profissional.. Essa legitimação não teve somente o caráter de elevar a autoestima da aluna. Quando indaguei sobre a origem desse conhecimento. o de enfatizar o seu aspecto investigativo no processo de legitimação de um saber escolarizado. na resolução do problema operacional para a multiplicação de matrizes. legitimei sua descoberta perante a turma ao dar voz para essa aluna. sobretudo. 126 . desconhecido por mim.

estejam em “labor” através da troca e da experimentação. ainda. quando focamos não somente no sucesso individual. Bicudo. Ed. esse saber passou a fazer parte do meu repertório de experiências “trazidas pelos alunos” no processo que considero de autoformação profissional.A partir de então. Alfabetização Científica: questões e desafios para a educação. Maria (Org).4. “Estar aqui” e “estar lá”: tensões e interseções com o trabalho de campo.html> acessado em 27/10/2008.br/~etnomat/anais/MarcioDOlneCampo. gera poder de transformação aos que têm a oportunidade de socializar entre seus colegas e professores. <http://paje. In Pesquisa em Educação Matemática: concepções e perspectivas. Considerações finais Em um ambiente de sala de aula aparelhado com múltiplos recursos onde professores e alunos.usp. CHASSOT. cotidianamente. Attico. Tecnologias Informáticas na Educação Matemática e Reorganização do Pensamento. sobretudo. mas. percebi que. Torna-se muito mais importante. perceber que essas atitudes podem transformar a sociedade. “dar voz” àquele que traz saberes de uma ciência de “fora” da escola. UNESP. No contexto apresentado. na busca por uma sociedade mais crítica. 127 . no processo de valorização dos saberes não-acadêmicos na ação pedagógica. Referências BORBA. as diferenças e as necessidades de cada um.fe. os saberes que adquiriu ao longo de sua experiência de vida. 1999. 7. devidamente mediada e potencializada pelos recursos tecnológicos em um ambiente de experimentação coletiva. ao pensar no bem estar coletivo e no saber ao alcance de todos quando respeitamos e valorizamos as experiências de vida. 2000. Márcio D’Olne. Marcelo. CAMPOS. UNIJUÍ. mais igualitária. a legitimação e a (re)significação dos saberes acadêmicos ou dos não-acadêmicos se fará em uma relação dialética e dialógica no fazer educação.

. e GOLDSCHMIDT. M. A. London: The Falmer Press. Boletim GEPEM no 51. Anais do CBEm3 – III CONGRESSO BRASILEIRO DE ETNOMATEMÁTICA – Artigo em CD-ROM – Maria Cecília C. 1991. 1997 FANTINATO. (orgs.) Rio de Janeiro: UFF.C. 2004. Teaching Mathematics to Young and Adults: Ethnomathematics and Teachers Continuous Education In Rio de Janeiro. M. Etnomatemática e prática docente na educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro. André Gils e Sérgio Sampaio (Orgs..B.____________. 2006. São Paulo. VIANNA. In M. WANDERER.C. (Orgs.C. G. Complete paper . 2007. A Etnomatemática em cenários de escolarização: alguns elementos de reflexão. 2006. B.) Etnomatemática: currículo e formação de professores.). R. Belo Horizonte: Autêntica. U. F. Ed.. julho/dezembro de 2007. Saberes populares fazendo-se saberes escolares. CAMPOS. M. A era da consciência. In KNIJNIK. Nov. School. MONTEIRO. C. Harris (ed. Fantinato. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. FANTINATO.B. Salas de aulas híbridas: o movimento dialético no uso da matemática e da informática no cotidiano do ISTCC-RJ. A. M. 128 . 2001. __________. A. In MOTA. Aula inaugural do primeiro curso de pós-graduação m ciências e valores humanos no Brasil. XI ENEM. VIANNA. A etnomatemática na formação continuada de professores de matemática da educação de jovens e adultos do município do rio de janeiro. M. Fundação Peirópolis. C.B. FASHEH. Mathematics in a social context: Math within education as praxis versus math within education as hegemony. Santos. Mathematics and work. J. VIANNA. FANTINATO.C. & OLIVEIRA. C. M. São Paulo. Márcio de Albuquerque. 57-61..ICEM-3 – Trird International Congress on Etnomathematics – CD-ROM – The University of Auckland.) A escola mandala: uma nova concepção para o ensino tecnológico na rede FAETEC. New Zealand. D´AMBROSIO. F. M. Santa Cruz do Sul: EDUNISC.

B. 2007. Número 3.) Rio de Janeiro: UFF 2008. Coordenação: Ronaldo Ribeiro Goldschmidt. __________. Fantinato. Mídia eletrônica (CD-ROM). A Etnomatemática na Formação do Professor de Matemática para a Educação de Jovens e Adultos: perspectivas do processo e dos programas de EJA no Brasil. Anais do CBEm3 – III CONGRESSO BRASILEIRO DE ETNOMATEMÁTICA – Artigo em CD-ROM – Maria Cecília C. 129 . André Gils e Sérgio Sampaio (Orgs. Etnociência: Discussões Acerca das Tradições e da Modernidade. In RevISTa. ISSN: 1982-4610.__________. Rio de Janeiro.

Nossa intenção é apresentar o desenho elaborado para o desenvolvimento da disciplina. por intermédio da utilização dos conceitos da Psicanálise e da Psicologia Social e de Grupo e do Filósofo francês Edgar Morin. A disciplina foi introduzida na estrutura curricular do curso de Tecnólogo em Análise de Sistemas do IST-Rio com o objetivo de possibilitar ao educando o entendimento da importância das relações interpessoais para a vida profissional e pessoal. Andréia De Luca Heredia de Sá e Regina Célia de Souza Resumo Este trabalho descreve as ações pedagógicas da disciplina Técnicas de Relacionamento Interpessoal – TRI do curso Tecnólogo em Análise de Sistemas do IST-RIO. e seu impacto sobre os alunos. 130 .Capítulo 8 Desenvolvendo Atitudes e Posturas – Experiências da Disciplina de Técnicas de Relacionamento Interpessoal.

condenado à decadência e à dissolução. por julgar que só receberão formação tecnológica. e. Freud em seu trabalho “O Mal estar da civilização”(1974) já apontava que a convivência em grupo e o sofrimento dela decorrente.. é uma concepção humanista. pois acredita que a ciência e a tecnologia só têm valor se desenvolvidas em prol da humanidade.. finalmente. e seu impacto sobre os alunos. Freud . No entanto.)”. a concepção pedagógica do IST-Rio.1930 A disciplina de Técnicas de Relacionamento Interpessoal – TRI foi introduzida na estrutura curricular do curso de Tecnólogo em Análise de Sistemas Informatizados do Instituto Superior de Tecnologia – IST-Rio com o objetivo de possibilitar ao educando o entendimento da importância das relações interpessoais para a vida profissional e pessoal. Neste artigo. Os conceitos da Psicanálise e da Psicologia Social e de Grupo e do Filósofo francês Edgar Morin fundamentam nosso trabalho. Introdução “(. Portanto. pela opção da Humanidade pela civilização..1. também.. que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas.. Mas. 131 . tornar os alunos conscientes de sua condição humana é o objetivo maior da disciplina.8. de nossos relacionamentos com outros homens O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro(. o mais instigante desse “sofrimento” é o paradoxo que pode torná-lo não apenas suportável. seria o preço a pagar.) do mundo externo. desafiador: o homem só pode desenvolver habilidades interpessoais se tiver um bom nível de autoconhecimento.) O sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo. pretendemos mostrar o desenho elaborado para o desenvolvimento da disciplina. A maioria dos alunos surpreende-se com a disciplina no currículo do curso.. mas. (.

para estruturar sua identidade. Por isso.. dúvidas e mitos vão sendo desconstruídos: . começamos a disciplina através de um “passeio” histórico sobre as origens da Psicologia. os constitui. 2. o mundo são constituídos pelos seres humanos que. a cultura. dialógica. portanto. 5.. refletindo o que é. na história de Psiquê e Eros – alma e desejo .tem início a compreensão do Homem pela Psicologia – a compreensão de sua genética ambígua e complexa. 1. ao mesmo tempo. afinal. a sociedade. o Psicólogo não tem superpoderes. seu objeto de estudo. Ser humano – Navegar o impreciso “Por tanto amor Por tanta emoção A vida me fez assim Doce ou atroz Manso ou feroz Eu caçador de mim” Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão O SUJEITO humano traz características próprias ao nascer e alimenta-se do meio sócio-cultural para saber quem é. o que gosta. e a importância da mitologia grega. mas Psicólogo é muito complicado. nem bola de cristal. que funciona como um espelho. 6. 4. 3. O conhecimento científico produzido pelo Homem é um belo exemplo dessa relação bilateral. Qual a diferença entre Psicologia. o que não é. Psicanálise e Psiquiatria? O que é psicopata? Tem cura? Processo seletivo para emprego é confiável? E os testes psicológicos também? Não suporto dinâmica de grupo! Desculpe. 132 .2.8. o que não gosta. A personalidade humana é. intensa e porque não.Não. constituída através das inserções do SUJEITO em seu meio. Portanto. professora. Durante este passeio.

o que acaba trazendo à tona a Percepção Social. e com um diagnóstico sobre o que os alunos pensam ou sabem sobre o tema.Desfeita a curiosidade inicial sobre a Psicologia e suas áreas de atuação. como os alunos já podem pensar a partir de seus próprios pés. Por isso. Desta forma. de fora para dentro “Viver é afinar o instrumento De dentro prá fora De fora prá dentro A toda hora. a mídia. 133 . De dentro para fora. a partir de dois pontos de vista: o da Gestalt . muitas vezes. ao nascer. as políticas. partimos em rumo ao “desconhecido” enfatizando que TRI não é disciplina que possa ser aprendida virtualmente. como afirma Wallon(1995). neste caso.. baseados em estereótipos e preconceitos. como diz Vygostsky(2000) ou do Outro Social. e o interessante é que. não possui ainda atributos desenvolvidos que lhe permita essa leitura.“o todo é mais do que a soma das partes”. sinalizando como percebemos o mundo a partir de certa Conformidade Social e por isso. mostra-se totalmente dependente do Outro. ou seja. as ideologias. 8. iniciamos apresentando o conceito de Percepção.3. cabem todos os assuntos cotidianos – as religiões. Neste ponto. Este talvez seja um dos pontos mais importantes do trabalho – porque. todo momento De dentro prá fora De fora prá dentro” Walter Franco O Homem constrói sua identidade a partir das percepções que tem do mundo. a presença é fundamental. pensamento baseado em Pascal e nos estudos realizados sobre as sensações e o da Psicanálise – introduzindo o inconsciente..

nos preocupamos em discutir o processo motivacional como algo que se relaciona em cadeia: ambiente.1943... de frustração. no lazer. Quando esse objeto não é encontrado. Discutindo a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow(1943).“As pessoas têm uma idéia errada da gente. o outro é que é preconceituoso.parafraseando Boff. é geralmente descrita como um estado interior que induz uma pessoa a assumir determinado comportamento. comunicativos.. Prato cheio para entender o que o outro sente quando é percebido de forma estereotipada. “antisociais”. o outro é que é cabeça-dura.. em todas as esferas de nossa vida: no trabalho. interesse ou necessidade e objeto de satisfação. se colocando com mais facilidade: “introvertidos”. “De fora para dentro”. . a questão da linguagem e de como tocar o outro com tantas e diferentes formas de comunicação. em busca do “desejo de ser tudo o que se é capaz de ser”(Maslow. nossos alunos têm oportunidade de repensar e priorizar suas necessidades. mais alguns conceitos fundamentais – a motivação.. Continuando a navegação interior. Nas aulas de TRI. das crenças e ideologias que permeiam nossas atitudes cotidianas.. a comunicação. se clarifica. organismo. Presente como processo. falamos. As reflexões se aprofundam e as expressões faciais estampam o sentimento de quem foi pego pelo pé. “fechados”. na escola. p. só porque gostamos de computador”. então. A motivação continua sendo um importante objeto de estudo da Psicologia. “ de dentro para fora”. E qual o estereótipo do Analista de Sistemas? Aqui os alunos soltam a voz. tem início a navegação rumo ao desconhecido interior de si mesmo – que preconceitos temos? Não é tarefa fácil admitir que somos preconceituosos. 382). nos leva a questões como: Que cuidados devemos tomar quando queremos comunicar algo? E 134 . O interessante é que a maioria dos alunos não se vê assim – consideram-se sociáveis. A necessidade de se ter consciência das ações que tomamos. percepção que o indivíduo humano tende a ignorar – o outro é que é chato. “insensíveis”.

mesmo que supostamente já vivido.4. também.hoje esta questão se amplia: comunicar algo pessoalmente ou por e-mail? É verdade que emitimos mensagens independentemente do nosso desejo consciente? E que as que recebemos e interpretamos conforme nosso “estado de espírito” no momento? Essas questões surgem em sala de aula frequentemente. Procuramos reforçar o fato de que a comunicação não se dá apenas através da linguagem oral. mas.compromisso. os outros e eu. “Já cheguei a perder amigos!” – comentam.. “Grupo é: a cada encontro: imprevisível a cada interrupção da rotina: algo inusitado a cada elemento novo: surpresas a cada elemento já parecidamente conhecido: aspectos desconhecidos a cada encontro: novo desafio. Quase todos passaram por algum problema de comunicação nas mensagens trocadas por e-mail. Eu e os outros.. O corpo fala e o olhar comunica! E quanto mais aquele que fala ou escreve é desconhecido para o receptor. e com o mesmo grau de intensidade pelas linguagens gestual e visual. maior a necessidade dessas duas “dicas” significativas passadas pelas expressões não-verbais de interação que ajudam a clarificar a comunicação e favorecem um melhor conhecimento do outro. 135 . A comunicação é decisiva para que as interações sociais aconteçam e a fala constitui um recurso fundamental. sim. mas não mais importante neste processo. Percebemos então que os sentidos da comunicação não estão nas mensagens enviadas mas. a cada tempo: novo parto. fazendo história. 8. em cada um dos interlocutores.

Em todos eles encontramos um lugar. constitui nossa maneira de ser. a cada encontro: descobrimentos de terras ainda não desbravadas. mas. o indivíduo necessita se autoconhecer. como vejo? Por que os outros interpretam erroneamente meus atos e palavras e complicam tudo?” Fela Moscovici (2000) Desde sempre. Madalena Freire “Como trabalhar bem com os outros? Como entender os outros e fazer-se entender? Por que os outros não conseguem ver o que eu vejo. institucionais. nos diz Pichon-Riviére(2000). sendo.a cada conflito: rompimento do estabelecido para a construção da mudança. Pichon-Riviére(2000) descreve a família como o grupo primário e como secundário os grupos de trabalhos. universais”. cada indivíduo vai introjetando o outro dentro de si. A família é o primeiro grupo ao qual pertencemos (P. um papel.Riviére – 2000) . Através de dinâmicas. Mas como nos diz Wallon(1995): “o indivíduo é um ser geneticamente social e a identidade do sujeito é um produto das relações como o outro”. a convivência humana é desafiante. nesse ato de constituição de uma história grupal. Luiz Eduardo – 2º per. buscamos favorecer este crescimento pessoal.e sem escolher. “Um bom profissional também necessita de uma saúde mental e boa compreensão da natureza humana. As TRIs também têm influência nesse ponto.. nas aulas de TRI. Ao construir sua identidade. portanto. para ter uma vida mais feliz e realizada. estudo. a cada emoção:faceta insuspeitável. Por isso. 136 .. ter consciência de sua identidade pessoal. a que cada um de nós pertencemos em determinado momento da vida ou simultaneamente. amigos. fora do escritório também. uma forma de estar. que por sua vez.

que faz parte de várias teorias e que apresenta a liderança como uma função interrelacional do indivíduo. antes de qualquer coisa. sabendo compreender todos que estão a sua volta. É. Muitas perspectivas são consideradas ao se procurar compreender os estudos sobre liderança. é ter que gerenciar pessoas demonstrando que elas que elas têm uma contribuição fundamental para alcançar metas.. ter a humildade de aceitar que o líder ou gestor. 8. tem que conhecer. sobretudo. O analista. de seu comportamento. tem que conhecer a si mesmo para exercer seu papel em um determinado grupo. paixão e administração dos sentidos Outro ponto abordado e bastante instigante para os estudantes é a Gestão de Pessoas – a liderança.. é mais do que isso.” Paulo Vitor – 2º per. que possibilite o alcance de objetivos. é criar identificação dos outros diante daquilo que acreditam e mostrar-se humilde diante do fato de que não detêm todas as soluções. Não seria esse nosso foco no estudo sobre liderança nas aulas de TRI. Desta forma. não detém saber. ou sobre como encontrá-lo. Na verdade.” (Bitencourt – 2004) 137 . fica mais fácil visualizar o papel que cada um pode desempenhar e consequentemente obter o resultado esperado. numa estrutura de apoio e credibilidade no potencial humano. e da situação que se apresenta. Confiança. Liderar é acreditar no potencial do outro. “Liderar é conseguir fazer com que o outro se apaixone pelo que faz.“A disciplina de TRI enfatizou várias situações em que o analista de sistemas deve estar pronto para agir de acordo com o que lhe é cabível.5. Algumas abordagens preocupam-se em discutir as características de um bom líder. Procuramos nos pautar numa idéia comum.

Muito investimento é feito na formação tecnológica em detrimento à formação humana. certa resistência se apresenta principalmente por parte dos docentes e de instituições de ensino superior em relação à necessidade de se incluir disciplinas humanas em seus currículos. disponibilizando recursos para que os interesses da organização sejam atendidos da maneira mais cômoda por seus comandados. o Analista deve ser um mediador entre a organização e seus subordinados. ouvir as idéias propostas. 8.6. “Os gestores do futuro deverão ter habilidades diferentes do de hoje?” Comentários são feitos. criativas e coletivas ( HARVEY. buscamos responder às questões que surgem no cotidiano escolar e permeiam as aulas de TRI: “Sob determinada condição. Considerações finais Muitos estudiosos já relataram a importância das Relações Humanas em diferentes âmbitos de convivência. Antes da execução de qualquer tarefa. Apesar de todas as reflexões sobre concepções de educação e estruturas curriculares. carisma.1999). o líder deve identificar as habilidades apresentadas pelo seu pessoal.Numa visão mais humanista. 138 . ainda. quem será um bom líder/gestor e qual comportamento é mais eficaz?”. verifica-se a dissociação entre o conhecimento técnico e as relações humanas. um pensamento cartesiano. como as que aprendemos na disciplina de TRI. mantendo-se. grande parte das Instituições de Ensino Superior em nosso País. em algumas profissões. O mundo do trabalho contemporâneo vem invertendo as relações desenvolvidas nas administrações Tayloristas . Técnicas de liderança objetivas e claras.Fordistas e Keynnesiana assumindo relações mais horizontais. “Quando a questão é liderança. “Ser líder demanda conhecimento técnico. Entretanto. experiência. analisá-las e transformá-las em ação. Paulo Vítor – 2º per.” Henriette – 2 per. de modo que os interesses do grupo e da organização sejam atendidos”. partindo de colocações dos próprios alunos a cada encontro onde as gestões vão sendo por eles mesmos respondidas.

buscando combinar de forma efetiva e harmoniosa as dimensões supracitadas. Para viabilizar tais objetivos. IST-Rio. realizamos um Projeto de Iniciação Científica – PIC. Os depoimentos dos alunos sobre a disciplina de TRI mostram como foi importante navegar por essas terras-almas – pelo autoconhecimento.Neste sentido. o NÓS. O Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Rio de Janeiro. torna-se necessário traçar um planejamento. o que gostaríamos que nossos alunos compreendessem sobre o EU. as relações humanas tornam-se indispensáveis para o desenvolvimento desta horizontalidade e do trabalho coletivo. Encerramos este artigo com uma canção de Gonzaguinha que expressa. Este projeto envolve quatro alunos e nosso objetivo é levantar como se dá essa relação em diversos Cursos de Ciência da Computação no Estado do Estado do Rio de Janeiro e propõe um programa de ações a ser implementado junto ao Corpo Docente destas Instituições no intuito de reforçar a necessidade do desenvolvimento integral entre redes relacionais e redes informatizadas. 139 . Desta forma. especificamente de Ciências de Computação nas Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro. As experiências positivas vividas no IST-Rio. trouxeram à tona o questionamento desta integração técnica-humanística nos demais cursos. pretendendo. e estudos de textos acadêmicos. intitulado “Relações Humanas e Cursos de Ciências da Computação–a integração das redes”. ser uma contribuição para alunos e professores e uma ferramenta de integração entre os Cursos de Ciência da Computação do Estado do Rio de Janeiro. que integre a formação tecnológica e humana. Atualmente o projeto encontra-se em fase de análise de dados de dados. de forma brilhante.2000).a formação humana. os OUTROS e as HUMANIDADES( Morin. ainda. é uma Instituição Pública de Ensino Superior que busca uma formação profissional qualificada e comprometida com as relações interpessoais .

Nilda. Madalena. e assim eu sou feliz Principalmente por poder voltar A todos os lugares onde já cheguei Pois lá deixei um prato de comida Um abraço amigo. HARVEY. Condição Pós-Moderna – uma pesquisa sobre as origens da nudança cultural. diferente gente Toda pessoa sempre é as marcas Das lições diárias de outras tantas pessoas E é tão bonito quando a gente entende Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá E é tão bonito quando a gente sente Que nunca está sozinho por mais que pense estar É tão bonito quando a gente pisa firme Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos É tão bonito quando a gente vai à vida Nos caminhos onde bate. Ed. Paz e Terra. S. BITENCOURT. Imago. SP. bem mais forte o coração Referências ALVES.CaminhosdoCoração Gonzaguinha Há muito tempo que eu saí de casa Há muito tempo que eu caí na estrada Há muito tempo que eu estou na vida Foi assim que eu quis. Educador educa a dor. Ed. RJ. FREUD. D. muita. RJ. Ed. FREIRE. 2008.) O sentido da escola. (org. 2000. SP. 140 . Contemporânea de Pessoas. 1999. DP&A. 1974. Cláudia(org) Gestão Bookmann Cia Editora. um canto prá dormir e sonhar E aprendi que se depende sempre De tanta. 2004. Ed. O mal estar na civilização. Loyola.

1995. Enrique. 2000.L. RJ. __________________. As origens do caráter na criança. José Olympio. 2000. Ed. Bertrand do Brasil.H. Processo grupal. S. A cabeça bem feita – repensar a reforma. A formação social da mente. SP. 2000 PICHON-RIVIÈRE. MOSCOVICI.Edgar. Ed. 141 . SP. SP. Fela. Ed.MORIN. VIGOTSKY. Martins Fontes. Nova Alexandria. 1999. reformar o pensamento. SP. Desenvolvimento Interepessoal. WALLON. Teoria do Vínculo. 2000. RJ. Martins Fontes. Martins Fontes. Ed. Ed. Ed.

Regina Célia de Souza e Themis Aline Calcavecchia dos Santos. mas poucas vezes temos a oportunidade de ver o entrelaçamento 142 . Márcia A. Língua Portuguesa e Inglês Instrumental leva os alunos a compreenderem que a ciência se constrói através da reflexão e do diálogo entre diversas áreas do conhecimento. Marques da Silva. descobrem uma “outra língua portuguesa” na qual o objetivo maior é o desenvolvimento de artigos científicos.Capítulo 9 Diálogos entre Disciplinas e Construção do Conhecimento – A Interdisciplinaridade em um Curso de Tecnologia em Análise de Sistemas. Resumo O presente trabalho apresenta a interdisciplinaridade como fator fundamental para a construção do conhecimento na formação profissional. Atualmente. fala-se muito em interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. O trabalho interdisciplinar desenvolvido entre as disciplinas de Metodologia de Pesquisa. além disso.

estabelecendo a relação entre elas. recentemente.692/71 – sofreu uma influência da tendência surgida em final dos anos 60. A interdisciplinaridade das disciplinas de Metodologia e Línguas Portuguesa e Inglesa.das disciplinas. 9. Isto significa dizer que os alunos têm a oportunidade de aproveitar os conteúdos programáticos em mais de uma disciplina. onde os conteúdos e as avaliações são.394/96 – e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Hilton Japiassu foi o primeiro pesquisador brasileiro a tratar do tema em sua obra Interdisciplinaridade e a patologia do saber (1976). através de workshops. sem procurar estabelecer um elo entre elas (excetuando-se algumas cuja interdependência é óbvia. Mesmo com o desconhecimento por parte de muitos professores. 143 . compartilhados por mais de uma disciplina. No que tange à avaliação. onde cada uma delas aproveita o conteúdo da outra. a idéia da interdisciplinaridade propagou-se indiscriminadamente nesta década. dividido pelas disciplinas. Japiassu apresentou os conceitos existentes. Introdução A elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei n 5. Tal tendência veio intensificando-se e.1. a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei nº 9. sem perder a sua especificidade. reforçaram a perspectiva da interdisciplinaridade no ensino pátrio. Os anos oitenta do século passado caracterizaram-se pela procura dos princípios teóricos para as práticas vivenciadas por alguns professores. A tendência do aluno é manter o conhecimento compartimentado. proporciona ao aluno a oportunidade de entrar num universo humanista e estimula o interesse pelo estudo de outras áreas do conhecimento. esta também ocorre interdisciplinarmente. como a matemática para as áreas das Ciências Tecnológicas). além de fazer uma reflexão sobre a metodologia interdisciplinar. no caso dos cursos na área de tecnologia. baseado nas experiências realizadas e os principais problemas que envolvem a interdisciplinaridade. efetivamente. de se trabalhar os conteúdos disciplinares de forma interdisciplinar.

no qual procura construir um conceito para interdisciplinaridade. o objetivo da disciplina visa o desenvolvimento do aluno em seus aspectos reflexivos e críticos. um novo olhar. 144 . define. Essa perspectiva é. uma busca por restituir a unidade perdida do saber. também é bem mais profundo do que procurar interconexões entre as diversas disciplinas. carecendo de fundamentação (TRINDADE. em 1979. que vem se dedicando ao estudo da interdisciplinaridade no Brasil. denominados interdisciplinares. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida e praticada. conferindo-lhe uma atitude autônoma na construção do conhecimento. “tentar formar alguém a partir de tudo que você já estudou em sua vida”. Para Fazenda (1979). compartilhada pelas demais disciplinas e de forma específica pelas disciplinas de Língua Portuguesa e Inglês Instrumental. Ivani Fazenda (2001). Apesar disso. na sua opinião. na verdade. Ela serve para “dar visibilidade e movimento ao talento escondido que existe em cada um de nós”. matemática e português”. na esteira do modismo. 2003). há pelo menos trinta anos. entende que qualquer trabalho que se pretenda interdisciplinar “deve ir muito além de misturar intuitivamente geografia e química. sociais e éticas. que permite compreender e transformar o mundo. O trabalho interdisciplinar no Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro – IST-Rio teve início na tentativa de apresentar aos alunos a importância das diversas áreas de conhecimento no desenvolvimento da tecnologia e da pesquisa. O objetivo dessa metodologia. o livro Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. buscando problematizar a tecnologia com questões políticas. nos anos de 1990. Com um foco humanista na formação de tecnólogo em Análise de Sistemas. a disciplina de Metodologia de Pesquisa assumiu uma concepção libertadora de educação. surge um grande número de projetos. durante o curso de Análise de Sistemas Informatizados oferecido pelo Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro – ISTRio.Desta forma. Além disso. a interdisciplinaridade é uma atitude. Fazenda publicou.

a metodologia de trabalho adotada e os resultados obtidos. geralmente. no dia a dia das universidades. A interdisciplinaridade vem sendo estudada há algum tempo e. bem poderia ser aplicada às diversas ciências em seu conjunto. também. a avaliação é. Seus autores demandam o desmantelamento das fronteiras artificiais do conhecimento. (LEIS 2005). 9. realizada de modo interdisciplinar. por enquanto. Convém ressaltar que a metodologia das disciplinas envolve o aluno no passo a passo do trabalho de pesquisa baseado na integração das disciplinas: Metodologia de Pesquisa. algo que continua sendo pouco atendido.Pensando numa formação que englobasse o desenvolvimento de habilidades para apresentação de projetos e trabalhos. 1996) dá uma recomendação para as ciências sociais contemporâneas que.. mutatis mutandi. Nos três capítulos que se seguem serão apresentados uma discussão sobre os conceitos da interdisciplinaridade. mediante a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos em um Workshop que já faz parte do programa de atividades da Coordenação de Pesquisa e Extensão da Instituição. sua proposta de aplicação encerra-se no Ensino Básico. Os caminhos da interdisciplinariedade A interdisciplinaridade pode ser entendida como uma condição fundamental do ensino e da pesquisa (em níveis universitários e do segundo grau) na sociedade contemporânea (.) O conhecido relatório da Comissão Gulbenkian (Wallerstein et al. 145 .2. recomendando fortemente o trabalho interdisciplinar e transdisciplinar sobre os problemas prementes de nossa época.. Língua Portuguesa e Inglês Instrumental.

já se configurando uma ação reflexiva que se esquiva das prisões das metodologias reproduzíveis. vem se mostrando bastante conservador em lançar mão de ações pedagógicas mais inovadoras. mantém nos alunos a expectativa de uma matriz curricular igualmente fragmentada e uma metodologia instrucionista. Leandro Konder. já no primeiro e segundo períodos. há uma expectativa instrucionista por parte dos alunos quando chegam ao curso. percebem que a dicotomia dominante nos centros acadêmicos e científicos até o século XX não cabe mais no século XXI. Técnicas de Relacionamento Interpessoal o paradigma da fragmentação do conhecimento é posto em xeque. Se. Por exemplo. Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida. Língua Portuguesa. Inglês Instrumental. muitos graduandos. à medida que entram em contato com autores como: Humberto Maturana.Paradoxalmente. se discute e pesquisa sobre invenções no cotidiano (CERTAU . no Ensino Universitário. mas apenas funcional e subserviente ao mercado”.1994). 146 . ainda adotada pelas IES. a fragmentação do conhecimento impera mediante a clausura das disciplinas. ao ingressarem em um curso de Análise de Sistemas. o Ensino Universitário. Edgar Morin. na Educação Básica. oferecendo uma formação humanística integrada a uma formação tecnológica ao longo do curso. trazem a demanda de que “navegarão” todo o tempo do curso desenvolvendo sistemas eletrônicos. salvo raríssimas exceções. entre outros. Pedro Demo – 2004 No caso da formação tecnológica torna-se mais evidente essa metodologia instrucionista. A proposta da metodologia apresentada pelo IST-Rio (2006) visa romper essa expectativa. “O que se reproduz na universidade de modo instrucionista não é formativo. Administração. às disciplinas de Metodologia de Pesquisa. na verdade. A fragmentação do conhecimento. Ao serem expostos. Dessa forma.

da Autopoiese. Segundo Alves (2007). enquanto aspiração emergente de superação da racionalidade científica positivista. assim. evitando. o aluno pode compreender a existência de um interrelacionamento entre os conhecimentos adquiridos em diferentes disciplinas. para que tenha a possibilidade de contribuir para a sociedade não apenas através de seu conhecimento técnico adquirido. mas. na constituição das linguagens partilhadas. Trabalhar a interdisciplinaridade não significa negar as especialidades e objetividade de cada ciência. a idéia de que o que foi aprendido em uma disciplina não serve para outra. hoje. busca sair da dualidade mediante os conhecimentos recém construídos da Física Quântica. O seu sentido. onde há uma crise endêmica no mundo do trabalho. principalmente. Metodologia de Trabalho Para Siqueira e Pereira (1995). interligando as diferentes áreas do conhecimento. com a consciência de que é um cidadão e que sua participação não é restrita à mera aplicação de teorias aprendidas. a interdisciplinaridade. nas determinações do domínio das investigações. a formação do especialista. 9.3. Essa ciência integradora permite que o aluno atribua sentido ao conhecimento construído em cada sala de aula. aparece como entendimento de uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento nos espaços da pesquisa.A própria ciência. Considerando o mundo cada vez mais globalizado. cada vez mais. da Teoria da Complexidade e Multiculturalismo. nas possibilidades de trocas de experiências e nos modos de realização da parceria. neste contexto pós-moderno. na pluralidade dos saberes. Desta forma. Assim. a interdisciplinaridade permite o desenvolvimento de uma visão holística sobre o conhecimento e o mundo. Ao contrário. reside na oposição da concepção de que o conhecimento se processa 147 . a interdisciplinaridade introduz a cooperação e o diálogo entre disciplinas através de ações coordenadas. na articulação de novos paradigmas curriculares e na comunicação do processo perceber as várias disciplinas. o mundo do trabalho exige uma formação holística. mister se faz que a formação universitária privilegie o discente como um ser em formação completa (humana e técnica).

e isoladas dos processos e contextos histórico-culturais. permitindo que a experiência da ação pesquisadora não seja apenas vista como um instrumento para trabalhos monográficos de conclusão de curso. No IST-Rio a integração ensino. o que contribui para a implementação da interdisciplinaridade. Entretanto. Desta forma. Além disso. como se as teorias pudessem ser construídas em mundos particulares sem uma posição unificadora que sirva de base para todas as ciências. 148 . • trabalhos de conclusão de curso. Com esta integração. pesquisa e extensão faz parte da concepção de educação da instituição. tomando consciência de seus próprios limites para colher às contribuições das outra disciplinas". • projetos de iniciação científica. "a exigência interdisciplinar impõe a cada especialista que transcenda sua própria especialidade. este artigo destaca apenas as ações interdisciplinares desenvolvidas em sala de aula para a produção de trabalhos de disciplinas. esta experiência permite que o aluno sinta-se cada vez mais à vontade com a produção acadêmico-científica e a exposição oral da mesma. (SIQUEIRA e PEREIRA. A interdisciplinaridade tem que respeitar o território de cada campo do conhecimento. 1995). Essa é a condição necessária para detectar as áreas onde se possa estabelecer as conexões possíveis. bem como distinguir os pontos que os unem e que os diferenciam.em campos fechados em si mesmo. Como observa Gusdorf (1976:26). o aluno tem a oportunidade de se envolver na elaboração de trabalhos acadêmicos e pesquisas de iniciação científica desde o início de seu curso. a pesquisa é desenvolvida com três finalidades distintas: • trabalhos de disciplinas.

O planejamento dessas ações é coordenado de acordo com o interesse dos alunos sobre temas para o desenvolvimento da pesquisa. analisar e chegar a uma conclusão em grupo. incentivando a reflexão. considerando-se os conhecimentos por eles já adquiridos. 2006). da coletividade. por fim. 149 . sociais e políticos da evolução científica. a construção de um novo conhecimento. digitação e formatação dos mesmos. os alunos entram em contato também com as questões morais e éticas que permeiam a pesquisa e a tecnologia. Portanto. Estes trabalhos interdisciplinares são construídos. Durante as aulas destas disciplinas. ao contrário. as disciplinas de Língua Portuguesa e Língua Inglesa surgem como aportes norteadores para todas as ações acima descritas. Essas ações também envolvem as questões teóricas dialogadas com os aspectos históricos. do bem-comum. visto que suas observações durante o passo a passo dos trabalhos são realizadas com a intenção de estimular a reflexão sobre os conteúdos das disciplinas e questionar a relevância dos trabalhos em seus aspectos sociais. o desenvolvimento da argumentação e. gradativamente. mediado pelos professores. a importância de uma língua para a elaboração e apresentação de qualquer trabalho acadêmico. Tendo em vista. no sentido de compreender que toda pesquisa deve ser desenvolvida em prol da humanidade. Partindo do princípio da formação humana. busca ampliar seu horizonte apresentando contextos ainda não conhecidos. Entretanto. por cada grupo em salas de aula híbridas (MOTA. levantar dados. Este processo. possibilita o diálogo entre diferentes pontos de vista. a discussão e elaboração de um trabalho interdisciplinar. as disciplinas de Metodologia de Pesquisa. Língua Portuguesa e Língua Inglesa se inter-relacionam a partir desta mesma perspectiva. O processo de elaboração desses trabalhos atribui aos professores um papel relevante. Portanto. essas ações não se limitam ao que aluno já sabe. o professor perde a função exclusiva de transmissor de conhecimento e o aluno participa efetivamente do processo de ensino-aprendizagem. salas que permitem a leitura e discussão dos trabalhos em progresso e também a utilização de computadores para pesquisas via Internet. ou seja. os alunos têm a oportunidade de elaborar uma pesquisa bibliográfica sobre o tema escolhido. políticos e acadêmicos.

Resultados obtidos O trabalho baseado em ações interdisciplinares remete em diversos resultados positivos para a sala de aula. já que os alunos podem aproveitar tudo o que fazem em uma matéria e aplicá-la em outras partes do curso por causa da interdisciplinaridade. quanto o de apresentação da pesquisa são avaliados por todos os professores envolvidos. mas é de tão importância também saber onde e como aplicála. a disciplina de Língua Portuguesa também os auxilia com orientações fundamentais para uma boa comunicação oral. políticas. fragmentada e sim integrados às questões sociais. pois de outra forma os alunos não teriam a mesma disponibilidade de tempo para se dedicar a mais de um trabalho. Tanto o processo de elaboração. para o corpo docente e discente. 9.4. Seguem alguns depoimentos: Achei uma ótima iniciativa. já que o interesse aumenta. A constatação de que os resultados obtidos nessas ações interdisciplinares são positivos ganha mais valor quando é possível ouvir a voz dos próprios alunos. o que melhora a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. A sala de aula torna-se viva. culturais e históricas. Neste momento. O importante saber de determinada coisa. vídeos e aparelhos sonoros. A avaliação final se realiza por meio de um Workshop no final de cada período letivo. interessante e instigante. E sim. onde cada grupo apresenta sua pesquisa lançando mão de aparatos técnicos como datashow. o domínio sobre o assunto também e assim é provável que o aluno queira ir mais à frente. 150 . estimulando nos alunos a autoconfiança e auto-estima. Essas ações trazem movimento para a sala de aula que motiva a participação dos alunos e dos professores. isso ajuda o aluno a querer fazer e chegar ao mestrado.A avaliação desses trabalhos acadêmicos faz parte das ações interdisciplinares. pois os conteúdos estudados não se apresentam de forma isolada.

Achei muito interessante a experiência de fazer um trabalho que abrangeu os conceitos que nos foram passados nas aulas de duas disciplinas. não só pelo fato de ter diminuído a carga de trabalhos. o que tornou o resultado final mais rico e consistente. avaliou o desempenho e o entendimento obtido na construção de um artigo e na apresentação de um Workshop. visto que desde o início da mesma nunca havia visto nenhum tipo de integração entre disciplinas. A matéria de metodologia de pesquisa avaliou não só conteúdo do artigo. e também por ter proporcionado a possibilidade de ter este trabalho construído de forma gradativa. Andréa Castanheira – 5º período A integração dessas matérias possibilitou uma nova experiência em minha vida acadêmica. visto que. por exemplo.Lívia Ribeiro – 5º período e mestranda do IME-RJ. mas pela possibilidade de integrar duas áreas distintas na construção deste. A avaliação final das mesmas foi o resultado de todo o esforço feito ao longo do semestre (o que geralmente não ocorre em outras disciplinas). o que me fez olhar o fato com certa desconfiança. A matéria de Língua Portuguesa. mas também o resultado obtido a cada etapa da pesquisa. O resultado dessa experiência utilizo até hoje na minha vida acadêmica. sempre que participo de algum tipo de apresentação de 151 .

a busca a novas integrações entre disciplinas se torna um novo 152 . Cientes das vantagens do ensino de forma interdisciplinar. Louise Rocha – 5º. as informações obtidas. assim como a melhor forma de interpretá-las. No IST (Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro) existem hoje iniciativas interdisciplinares que ajudam a elevar a qualidade do conhecimento gerado na instituição. e ainda consigo lembrar das aulas ministradas pelas professoras. lembro do Workshop ocorrido e de como devo me portar e agir nessa situação. lembro também que na realização de qualquer trabalho acadêmico é muito mais interessante trabalhar em grupo. o que freqüentemente não ocorre com outras disciplinas. Outra atividade interdisciplinar muito importante é a integração das cadeiras Metodologia de Pesquisa e Língua Portuguesa. delegando e reagrupando tarefas. dividindo. tornando o aluno apto para expressar de forma correta e concisa. período Tenho notado que instituições de ensino de diversos níveis têm utilizado como ferramenta de desenvolvimento de seus discentes a integração de disciplinas. A integração entre disciplinas que exigem a produção de textos em língua estrangeira como o Trabalho de Conclusão de Curso e a disciplina de inglês atende a necessidade dos alunos ao escreverem artigos e relatórios em língua inglesa.trabalho.

que vem colocando a pesquisa e o ensino como processo reprodutor de um saber parcelado que conseqüentemente muito tem refletido na profissionalização. já foram 153 . per. O trabalho na perspectiva interdisciplinar vem sendo desenvolvido no IST-RIO desde o segundo período letivo de 2005. 9.mestrando COPPE/UFRJ Algumas vezes. Essa compreensão crítica colabora para a superação da divisão do pensamento e do conhecimento. Considerações finais A necessidade de romper com a tendência fragmentadora e desarticulada do processo do conhecimento. dando um sentido mais prático ao todo. quando nos deparamos com uma determinada disciplina desenvolvemos algum tipo de resistência por antecipação porque achamos que virá com ela todo o tecnicismo que lhe é próprio. per.caminho para busca de um ensino cada vez melhor conceituado. Pareceme que esse é o foco: essa "maneira interdisciplinar de trabalho" funciona como um facilitador para o aluno que deixa de ser um mero observador para se tornar um participante do processo de aprendizado. Mas quando ela é entrelaçada com outras disciplinas o processo de aprendizado se torna mais dinâmico permitindo que o aluno interaja mais porque lhe é dada a visão de como e onde essa disciplina pode se encaixar no seu dia-a-dia. Portanto. . no fortalecimento da predominância reprodutivista e na desvinculação do conhecimento do projeto global de sociedade. justifica-se pela compreensão da importância da interação e transformação recíprocas entre as diferentes áreas do saber. nas relações de trabalho. Thiago Rodrigues Alves – 5º. Neivaldo Rodrigues – 5º.5.

Como destacado anteriormente. Héctor Ricardo. 23/10/2007. Texto para leitura. Diante desta realidade. pesquisa e extensão. LEIS. Amit. acadêmica e profissional e da continuidade dos estudos em cursos de especialização e pós-graduação. nem informação que não seja relevante. n 73.realizados cinco Workshops. agosto 2005. com a apresentação de sessenta trabalhos. Estes trabalhos trazem inúmeros benefícios para os alunos que começam a entender a Instituição de Ensino Superior como um todo. há uma integração entre os diferentes conteúdos. Não existe conhecimento absoluto. O conhecimento não fica mais compartimentado às divisórias dos cadernos. GOSWAMI. Petrópolis: Vozes. Humberto. MATURANA.2005. 154 . São Paulo: Aleph. a interdisciplinaridade pressupõe quatro princípios: a humildade. em grupo. Contemporaneidade: o alvorecer do novo paradigma inter e transdisciplinar re-significando os valores humanos. Florianópolis. DEMO. Belo Horizonte: UFMG. Cognição. muitos alunos começam a perceber a importância da pesquisa para sua formação pessoal. M. para além do fato de conseguir associar o conteúdo apreendido nas diferentes disciplinas. no total. a coerência. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas. A Física da Alma. pois os professores também são instigados a dar continuidade a sua formação acadêmica e profissional. Conferência – PUC-RS – 2002. ou seja. Referências ALVES. CERTEAU. GEPI – PUC-SP. Maria Dolores Fortes. A Invenção do cotidiano – artes de fazer. Pedro. Ciência e Vida Cotidiana. D. ensino. a expectativa e a audácia. Cabe ressaltar que esses benefícios não são privilégios apenas dos alunos. 1994. Ensino Superior no Século XXI – aprender a aprender. Sobre o Conceito de Interdisciplinaridade. 2001.

Laís dos Santos Pinto. publicado pelo programa de pós-graduação em Educação da UFSM.asp acessado em 27/12/2007.MORIN. MOTA. 2000. Caderno de Pesquisa n .educacional. 155 . São Paulo: Cortez. M. Setembro de 1995. http://www. Rio de Janeiro: Imprinta. 2006. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil. CAMPOS. TRINDADE.br/reportagens/educar2001/texto04. reformar o pensamento. F. Os sete saberes necessários à educação do futuro. SIQUEIRA. Uma nova perspectiva sob a ótica da interdisciplinaridade. São Paulo: vol. Revista Sinergia. 68. ____________. Edgar. 4. Maria Arleth. n 1. R.) Escola mandala: uma nova concepção para o ensino tecnológico na rede FAETEC. Origem e Destino. E GOLDSCHMIDT. 2003..com. Interdisciplinaridade: Necessidade. (Org. 2000. A cabeça bem feita – repensar a reforma. Holgonsi Soares Gonçalves e PEREIRA.

além de uma produção efetiva de pesquisa aplicada e de tecnologia na área de software [2. O IST-Rio oferece um curso de graduação em Análise de Sistemas Informatizados e possui a Educação e a Inclusão Digital como eixos temáticos de interesse. Tal iniciativa tem como objetivo compartilhar com a sociedade muitos dos conteúdos trabalhados no 156 . no Brasil. o instituto está desenvolvendo um programa voltado à produção de livros didáticos digitais gratuitos nas áreas da Tecnologia da Informação e da Educação. 3. Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro. Entre as ações nos referidos eixos temáticos. muitas instituições de ensino superior tratam as dimensões de ensino. 4].1. Algumas delas sequer atuam em pesquisa e extensão. Introdução Atualmente. Como tal. acarretando vários desvios na formação do aluno. nas práticas institucionais e nas ações junto à Sociedade.Capítulo 10 Uma Experiência na Elaboração de Livros Didáticos Digitais Ronaldo Ribeiro Goldschmidt 10. pesquisa e extensão de forma dissociada. O Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Rio de Janeiro. IST-Rio. restringindo suas atividades à prática em sala de aula [1]. busca uma formação profissional qualificada de seus alunos. é uma instituição pública de ensino superior pertencente à rede FAETEC.

2. textos isolados. Em particular. mas. auxiliando. em detalhe. assim como perspectivas de trabalhos futuros são resumidas na seção 5. Convém destacar que. A seção 2 apresenta. o cenário em que a experiência de elaboração do livro foi realizada. a seção 3 descreve. artigos. Cabe ressaltar que o programa de produção de livros didáticos . de forma mais detalhada. Em seguida. também. 10. é sempre organizada de forma a apresentar tecnologias inovadoras na área da computação. no processo de inclusão digital de possíveis futuros leitores que desejem ampliar seus conhecimentos em direção à área da Tecnologia da Informação. também. a disciplina Tópicos Avançados (sigla TAV). este capítulo encontra-se organizado em mais quatro seções. Na seção 4 são relatados os resultados obtidos.tem também como objetivo incrementar a produção acadêmica do instituto. este capítulo tem como objetivo principal descrever uma experiência de elaboração de um livro para o programa de livros didáticos digitais gratuitos. várias ofertas de Tópicos Avançados. Considerando a atual situação de consolidação do IST-Rio.contexto do instituto. a partir da formalização de materiais de aula de diversas disciplinas tais como apostilas. sendo cada oferta focada em uma temática específica. a metodologia utilizada na construção do texto. Os horários das ofertas. Tal experiência ocorreu ao longo do primeiro semestre letivo de 2008 na disciplina Tópicos Avançados do quarto período do Curso de Análise de Sistemas Informatizados do IST-Rio. permitindo que qualquer pessoa possa ter aproveitamento do conteúdo apresentado pela disciplina. O Cenário Oferecida no quarto período da estrutura curricular do curso de Análise de Sistemas Informatizados do IST-Rio. Assim sendo. conforme o próprio nome sugere. Normalmente. esta disciplina é sempre oferecida aos alunos do curso. no primeiro semestre de 2008. É uma ação que integra ensino e extensão. apresentações. Uma reflexão sobre a experiência. dentre outros. são diversificados de forma a procurar atender os interesses da comunidade. também. a membros da comunidade em geral. listas de exercícios. várias ofertas da disciplina Tópicos Avançados foram disponibilizadas para escolha dos 157 . aliada à expectativa de sua atuação junto às comunidades acadêmica e científica e à Sociedade. o instituto disponibiliza para escolha do aluno.

A metodologia de ensino normalmente adotada pelo professor no ensino destas disciplinas compreende. são detalhados os fundamentos teóricos e conceituais necessários à compreensão do tema em estudo. Exemplos de aplicações práticas são mencionados de forma a ilustrar a relevância comentada. os alunos fazem uma avaliação crítica do tema estudado. para cada assunto abordado. o assunto é apresentado em linhas gerais. seis pertenciam ao Programa de Iniciação Científica (PIC) oferecido pelo IST-Rio. Neste momento. desenvolver um raciocínio crítico quanto à aderência das diversas tecnologias da Inteligência Computacional aos diversos tipos de problemas. comparando-o com outros temas já conhecidos. Na oferta de TAV prevista para as segundas-feiras das 14:00 as 17:30. tal conteúdo é oferecido pelo professor em disciplinas de mesma carga horária em Cursos de Bacharelado em Ciência da Computação e de Bacharelado em Sistemas de Informação. sendo enfatizada a sua relevância no contexto da disciplina. desta forma. Exercícios práticos envolvendo a teoria estudada são desenvolvidos como atividades em sala de aula e atividades extras. Na segunda etapa. livros. indicando características. artigos. Cabe ressaltar que. Diversos instrumentos são utilizados na apresentação de tais fundamentos: quadro. o conteúdo planejado foi “Inteligência Computacional – Uma Introdução”. Possibilitase. Os seis alunos se matricularam na disciplina como um curso de extensão. assim como possibilidades de aplicação prática. do curso de Ciência da Computação. Na quarta e última etapa do processo. entre outros. fundamentalmente. A primeira etapa consiste da motivação do aluno para o estudo do assunto em questão. o objetivo geral da disciplina era apresentar aos alunos as principais tecnologias da Inteligência Computacional. quatro pertenciam a projetos de 158 .alunos regulares e de membros da sociedade em geral. mas. Destes seis alunos. apostilas. vantagens e desvantagens de cada uma delas. software específico. na terceira etapa. que apresentaram interesse na temática desta nova edição. No primeiro semestre de 2008 foram realizadas dez matrículas na oferta de TAV em Inteligência Computacional. Estes instrumentos são selecionados em função do tema em questão. projetores. são realizados exercícios de fixação do conteúdo apresentado anteriormente. da comunidade científica e do mercado de trabalho. um conjunto ordenado de quatro etapas complementares. Em seguida. Dos dez alunos matriculados. sendo quatro alunos regulares e seis alunos que já haviam cursado TAV em outro assunto. Neste contexto.

Esta série tem como objetivo principal a divulgação de conteúdos didático sobre temas atuais e relevantes no contexto das áreas de informática e de educação. independentemente de sua formação acadêmica. o livro intitulado “Inteligência Computacional – Uma Introdução”. procurando atender à expectativa do programa. todos os temas devem ser apresentados de maneira didática. descrita na seção anterior. procura apresentar uma introdução aos conceitos básicos sobre o tema. tentando desmistificá-lo. familiarizando seus leitores com a terminologia básica da área.3. Nesta coleção. todos os números são gratuitos.1. A tabela mostra a distribuição dos alunos matriculados na referida edição de TAV em 2008. Modalidades Alunos Regulares Alunos de Extensão Evasão Alunos engajados em PIC 4 2 0 Alunos não engajados em PIC 4 0 4 Conforme previamente acertado. 159 . restando apenas os seis alunos do PIC.PIC orientados pelo próprio professor da disciplina. Em consonância com o comprometimento do IST-Rio na promoção de atividades voltadas à inclusão social e digital. 10. podendo ser utilizados sem qualquer ônus financeiro. foi adaptada para ter como subproduto um livro contendo uma introdução sobre o tema. conforme seu próprio nome sugere. junto à Coordenação do Curso e à Direção Geral do IST-Rio. Metodologia Adotada A metodologia normalmente adotada pelo professor em edições prévias da disciplina Inteligência Computacional. Quatro alunos abandonaram a disciplina ao longo do semestre. assim como com a identificação e o reconhecimento das principais técnicas da área e o seu potencial de aplicação. do instituto. a disciplina de TAV em Inteligência Computacional deveria ser planejada de forma a produzir um livro para o Programa da Série de Livros Didáticos Digitais Gratuitos. de forma a facilitar a compreensão por todos os leitores. Assim sendo.

Inicialmente. Exercícios práticos envolvendo a teoria estudada foram desenvolvidos como atividades em sala de aula e atividades extras. Em seguida. Na segunda etapa. na terceira etapa. o assunto era apresentado em linhas gerais. foi realizado um conjunto ordenado de sete etapas complementares. um raciocínio crítico quanto à aderência das diversas tecnologias da Inteligência Computacional aos diversos tipos de problemas. do curso. Exemplos de aplicações práticas foram mencionados de forma a ilustrar a relevância comentada. apostilas. comparando-o com outros temas já conhecidos. Assim sendo. os alunos faziam uma avaliação crítica do tema estudado. a turma foi divida em grupos e os temas sorteados. foram detalhados os fundamentos teóricos e conceituais necessários à compreensão do tema em estudo. sugestões e eventuais possibilidades de melhorias. Na sexta etapa. cabendo ao professor uma avaliação final sobre o trabalho realizado. desta forma. e manuais. Estes instrumentos foram previamente selecionados pelo professor em função do tema em questão e encontram-se comentados mais à frente. Diversos materiais didáticos foram utilizados na apresentação de tais fundamentos: apresentações em formato de slides. Na quarta etapa do processo. softwares específicos. foram realizados exercícios de fixação do conteúdo apresentado anteriormente. o grupo de alunos apresentava o trabalho elaborado e recebia uma avaliação do professor contendo críticas. de forma que cada grupo ficasse responsável por um ou mais temas. Nesse momento. o grupo de alunos responsável pelo tema. o grupo devolvia o capítulo com os refinamentos solicitados. Na sétima e última etapa. artigos. Na quinta. livros. sendo enfatizada a sua relevância no contexto da disciplina. 160 . A intenção era desenvolver. agrupados pelo professor em função de sua complexidade. para cada assunto abordado. A primeira etapa consistiu em motivar os alunos para o estudo do assunto em questão. era solicitado a escrever sobre o tema a partir do material didático fornecido. da comunidade científica e do mercado de trabalho.

foram utilizados como base os seguintes materiais pré-existentes: • Aulas elaboradas pelo professor no formato de slides com conteúdos e exemplos a serem abordados em sala. • Livros recomendados pelo professor e disponíveis na biblioteca do instituto. Cabe ressaltar uma dificuldade inicial dos alunos em tomar emprestados alguns destes livros em função da fase de organização que a própria biblioteca se encontrava no princípio do período letivo. As ferramentas utilizadas possuem caráter didático.Conforme comentado. • Ferramentas de software para fixação dos conteúdos. Algumas delas já dispunham de gabaritos. sem custo de aquisição para seus usuários. como exercícios de fixação. Os exercícios. Tal dificuldade inicial foi contornada com o empréstimo dos livros do próprio professor. que já estavam organizados na seqüência dos conteúdos da disciplina. De forma a facilitar o processo de construção do texto. • Listas de exercícios elaboradas pelo professor. Nos casos de exceção. Alguns destes artigos foram utilizados na escrita de alguns dos capítulos do livro. • Textos introdutórios sobre os temas da disciplina escritos pelo professor. Os alunos foram solicitados a elaborar tais manuais que passaram a compor alguns dos apêndices do livro. os alunos foram solicitados a elaborar gabaritos. 161 . o livro foi estruturado em capítulos na mesma ordem de tópicos planejados para serem trabalhados na disciplina. A maioria das ferramentas utilizadas não dispunha de manuais específicos que orientassem sobre sua operação. Tais textos foram utilizados como embriões para os capítulos do livro. • Artigos elaborados sob a supervisão do professor em projetos de iniciação científica do próprio instituto. para a construção do texto. foram incorporados ao final de cada capítulo.

Cabe ressaltar que tal coletânea foi constituída a partir dos aplicativos fornecidos pelo professor e de ferramentas identificadas pelos alunos em pesquisas na internet. encaminhado ao professor. ampliada a partir dos materiais didáticos utilizados como base. Portanto. os alunos assumiram o trabalho de encadear todo o texto em um único arquivo. oferecidas nos primeiros períodos do curso.4. 10. pelos alunos. Resultados Obtidos A partir da metodologia descrita na seção anterior foi possível gerar os seguintes produtos: • Uma versão bem desenvolvida do texto. caso a opção fosse instituir as referências ao final de cada capítulo. enriquecendo bastante o conteúdo do livro a ser disponibilizado para a Sociedade. • Foram elaborados manuais explicando a utilização das ferramentas de software utilizadas na disciplina. Estes manuais foram incorporados ao texto como apêndices. • Uma coletânea com todas as ferramentas de software utilizadas na disciplina. foram detectados desníveis em alguns pontos. O texto como um todo não apresentou um padrão único de redação. cabe ressaltar que a versão final do texto produzida pelos alunos ainda carece de ajustes finais. O processo de avaliação foi realizado considerando os seguintes aspectos do trabalho produzido pelos alunos: 162 . Outro ponto importante e digno de registro foi a utilização. a serem realizados pelo professor da disciplina. As referências foram construídas em conjunto por todos os grupos e disponibilizadas ao final do texto completo.Cabe ressaltar que foi adotado o formato padrão para capítulos de livro recomendado pela Sociedade Brasileira de Computação. Como os capítulos foram desenvolvidos por grupos distintos. Tal decisão foi tomada de forma evitar a repetição de referências em mais de um capítulo. Ao final do período letivo. do conhecimento técnico adquirido nas disciplinas de Metodologia Científica I e II. situação típica de um texto escrito por pessoas diferentes.

mas que ainda requer um processo de refinamento e acabamento. Tal experiência exemplifica as ações do Instituto Superior de Tecnologia da rede FAETEC na integração das dimensões de ensino. a disciplina deveria gerar um livro sobre o tema abordado. indicando características. • Cumprimento das recomendações solicitadas pelo professor durante a apresentação da primeira versão de cada capítulo.• Adequação do conteúdo pesquisado e do texto incluído pelos alunos no material fornecido pelo professor. TAV possui ementa variável e é sempre organizada de forma a apresentar tecnologias inovadoras na área da computação. o trabalho em equipe realizado por alunos e professor da disciplina produziu um texto de qualidade. 10. vantagens e desvantagens de cada uma delas. assim como dos exemplos apresentados. De fato. • Adequação da metodologia de pesquisa adotada pelos alunos e da correta indicação das referências utilizadas no texto. Considerações Finais e Perspectivas Futuras Este capítulo teve por objetivo descrever uma experiência do IST-Rio na elaboração de um livro para o programa do instituto voltado à edição de livros didáticos digitais gratuitos. Conforme o próprio nome sugere. Como um de seus produtos. O conteúdo planejado foi “Inteligência Computacional – Uma Introdução”. Os aspectos de avaliação considerados. as principais tecnologias da Inteligência Computacional. Detalhes sobre a metodologia adotada na disciplina e sobre características da turma encontram-se fornecidos. pesquisa e extensão. Ocorreu ao longo do primeiro semestre letivo de 2008 na disciplina Tópicos Avançados (TAV) do quarto período do Curso de Análise de Sistemas Informatizados do IST-Rio. aos alunos. • Coerência lógica e didática do texto produzido. foram comentados. • Qualidade das ferramentas de software pesquisadas a fim de ilustrar e enriquecer o conteúdo dos capítulos. Como principais contribuições dos alunos de TAV podem ser destacadas as seguintes ações: 163 . O objetivo geral desta edição de TAV era apresentar.5. assim como possibilidades de aplicação prática. também.

Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Estado do Rio de Janeiro. assim.• Melhorias dos textos fornecidos pelo professor como material de base. Referências [1] Projeto para Implementação da Flexibilização Curricular nas Universidades Públicas Brasileiras.br/reitoria/procom/pagina/flexibilizacao. A Pesquisa no Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Rio de Janeiro: Perspectivas e Ações. 2002. • Elaboração de manuais didáticos para a operação de diversas das ferramentas de software utilizadas na disciplina. • Pesquisa por novas ferramentas de software para compor uma coletânea de aplicativos em Inteligência Computacional. Coordenação de Extensão e Pesquisa. julho/2005. 2005. F. 164 .udesc.. Obtido no site www. Rio de Janeiro. [4] Regulamento do Programa de Iniciação Científica.doc em 23/03/2006. procurando. • Solução dos exercícios propostos pelo professor. Um trabalho que já se encontra em andamento envolve o refinamento do texto pelo professor a fim de tornar o livro publicável. incrementar a produção docente do IST-Rio e. 2006. Campos. R. Como alternativa de trabalho futuro encontra-se a possibilidade de exercitar esta mesma prática em outros conteúdos da disciplina TAV. R. [3] Goldschmidt. Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Estado do Rio de Janeiro. Fórum de Pró-Reitores de extensão das universidades públicas brasileiras. In RevISTa – Publicação Técnico-Científica do Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação. compondo um conjunto de gabaritos a ser incorporado ao próprio livro. M. [2] Regimento Interno. de seu programa de edição de livros didáticos digitais gratuitos. consequentemente.

Inicialmente gostaria de destacar o processo motivacional que resultou na incorporação dos portfólios em meu dia-a-dia acadêmico. 11.1 Introdução O que relato aqui se encontra incorporado a minha própria história de vida profissional e. registra um processo de aprendizagem que venho ampliando a cada novo ano letivo. Mota Resumo Trata-se de um relato a respeito do processo que motivou a minha mudança na prática avaliativa e as conseqüências evidentes desta mudança. pelo menos no que se refere ao processo de avaliar meus alunos. possuía em minha residência um computador dotado das 165 .Capítulo 11 Incorporando os Portfólios no Processo de Avaliação da Aprendizagem: Uma experiência. Fernando S. Já naquela época. consequentemente. Ainda em 2000 podia considerar-me um professor absolutamente tradicional.

exploração das potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino. no mesmo instante. comandava a impressão das mesmas. vídeos apresentados. Meu filho. utilização de ferramentas multimídia no ensino. É a aplicação das teorias de Howard Gardner.mais variadas tecnologias.ensinofernandomota. Logo a seguir assistia à palestra de Phillippe Perrenoud em São Paulo e. li Perrenoud. criei o site www. algumas ampliadas e elaboradas com diferentes níveis de complexidade. 1. 2. mais especificamente “As dez novas competências para ensinar” – Cap. seguindo religiosamente. na maioria das vezes solicitando que produzissem textos sobre questões tratadas em aulas através de debates. além da prova. linguagem digital. desenho.hpg. procurando ampliar as possibilidades de expressão de meus alunos através de suas múltiplas formas de expressão – prosa. artes plásticas.08 – Utilizar Novas Tecnologias: Fazendo pensar sobre as possibilidades de utilização de editores de textos.Resolvi incorporar os “Portfólios Avaliativos” ao meu cotidiano de avaliação. Naquele mesmo período. as teorias referentes. dança. música.ig. Após a digitação.ensinofernandomota. no ar desde aquele mês e hoje novo provedor o abriga agora. textos analisados. a cada mês. Evidente que. possibilidades de comunicar-me à distância por meio da telemática. artes cênicas.br em Agosto de 2001. lia Gardner “Inteligências Múltiplas”. Todos esses elementos somados me fizeram tomar uma decisão e mudar. radicalmente.Decidi incorporar as mídias ao meu dia-a-dia pedagógico e com a ajuda de meu filho. me provocava sistematicamente procurando me fazer refletir sobre a insignificância da utilização feita por mim dos recursos à minha disposição. Meu filho – Cláudio Mota – já experiente no uso das mídias e cursando a UFRJ – Programação Visual – Designer Gráfico – observava a minha interação com a máquina. fotografia.com e vem sendo mantido regularmente. encontrava-me conectado à Internet e não utilizava absolutamente nada do que me era oferecido. verso. Normalmente.com. www. eu utilizava o computador para digitar uma prova com dez questões. que a seguir eram levadas para aplicação nas turmas do Curso de Pedagogia da Faculdade São Judas Tadeu – RJ. 166 . a minha postura em relação ao processo avaliativo de meus alunos. eu incorporava outras dinâmicas e ações junto às turmas.

Nessa trajetória.3. Hoje. O custo da queima de etapas em educação.com. 11. Ela inclusive faz menção em seu texto de nossa experiência de aplicação dos Portfólios Avaliativos na Faculdade São Judas Tadeu – 2002. O que busquei e.br é o uso da telemática referida por Perrenoud. pude ter contato com educadores/pesquisadores do mais alto nível e que vinham desenvolvendo ações no sentido de difundir a proposta de incorporar os portfólios aos processos de avaliação da aprendizagem – um destaque especial é o da Msc Leonir Pessate Alves que elaborou um texto sobre “Portfólios como instrumentos de avaliação dos processos de ensinagem” incorporando referências valiosas de grandes experiências nesta área. As Competências para Ensinar. mesmo considerando os desgastes naturais. do 7º Período do Curso de Pedagogia da Faculdade São Judas Tadeu no Rio de Janeiro. graças a Deus encontrei.2. Logo após iniciar este texto. Os novos paradigmas da educação. Conclusão Hoje.Busquei uma interação cada vez mais ampliada com meus alunos colocando-me à disposição deles através de meu endereço eletrônico – fmotaedu@terra. Meu registro de pesar a esta incentivadora e pesquisadora de novos procedimentos avaliativos. pude socializar o fruto desta realidade que foi a apresentação do Portfólio construído pela aluna Patrícia Alves Figueiredo. posso afirmar que a experiência foi altamente positiva. Foi uma experiência enriquecedora para mim e muito mais para a jovem Patrícia Alves que brilhou para uma platéia ávida por inovações na área das tecnologias educacionais. procurei contato com a Professora Leonir Pessate Alves e infelizmente tomei conhecimento de seu falecimento. foi uma maior dinâmica no processo de avaliar meus alunos. A aceitação aumentou. vejo em suas produções algo motivador e enriquecedor. Os pilares da educação e outros. a qualidade dos 167 . do qual sou professor adjunto. que incorporou a linguagem computacional para tratar conteúdos da disciplina Gestão em Administração – PMAE: O tempo e o Espaço Educativo. No Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional o 37º realizado no Rio de Janeiro no dia 14 de Julho de 2006 na Academia Brasileira de Letras.

Continuamos a investir nesta temática. amplitude da natureza de pesquisa. H (1993) Nova York: Livros Básicos.hpg. Leonir – Texto “Portfólios como instrumentos de avaliação dos processos de ensinagem”. Os portfólios se consolidam graças a sua praticidade. ampliando a base teórica de estudo dos Portfólios e suas aplicações em diversas áreas de formação e em particular na área de educação com destaque para o ensino superior. Pessate Alves. Perrenoud. Philippe – Dez novas competências para ensinar. o comprometimento da maioria dos alunos é evidente a cada novo período letivo. levando a idéia dos Portfólios Avaliativos para diversos encontros de educadores e neste momento incentivando a equipe do Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro.ig.ensinofernandomota. trad. Gostaria de fazer um convite a todos para que busquem refletir a respeito de sua aplicação. Desejo que o processo possa representar um avanço na ação pedagógica de toda a equipe.com 168 . 2001. liberdade de expressão. Site: www. Referências Gardner. Estou disponibilizando algumas referências bibliográficas e sites para possibilitar esse tipo de reflexão. múltiplas possibilidades de incorporação de linguagens que atendam as diferentes características dos alunos. Unidade de Educação Superior pertencente à Rede FAETEC. Patrícia Chittoni Ramos – Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 2000.com. a adotar plenamente os Portfólios Avaliativos em base tecnológica que estarão plenamente identificados com a nova arquitetura dos espaços escolares implantados nas Salas Híbridas e Múltipla do Espaço de Identidade e Pesquisa do IST-RIO.br e www. amplitude. Instituto que tive o orgulho de dirigir de 2003 até Agosto de 2007.ensinofernandomota.trabalhos aumentou o nível de aprofundamento das pesquisas.

SHORES.fc. Porto Alegre: Artmed. HERNÁNDEZ. No site www. R. Teacher Education.pt CHAVES. and CULHAN. & GRACE. Trad. 3. Portfolios in Teacher Education. ERIC Digest. 2000. Trad. Greensboro: Eric Clearenghouse on counseling and Student Service. 1993. 2000. Carlos Ceia. BARTON E COLLINS A. 200-210. Fernando. Ronaldo Cataldo Costa. Cathy. mudança educativa e projeto de trabalho. Aveiro: Universidade. 169 .ARTER.educ. Manual de Portfólio: Um guia passo a passo para professores.ul. J. Journal of. V. 1995. SPANDEL. Professor da Universidade Nova de Lisboa.A. Idália de Sá. Portfólios Reflexivos: Estratégias de formação e de supervisão. Cultura visual. 2001. como instrumento orientador do Estágio e do Seminário Pedagógico. Jussara Haubert Rodrigues. 44. University of North Carolina. Elizabeth F. construiu um roteiro para adopção do porta-fólio da prática pedagógica. Porto Alegre: Artmed. Portfolios for assessment and Instruction.

Capítulo 12 Utilizando Ferramentas de Colaboração em Ensino de Algoritmos Marcio Belo Rodrigues da Silva Resumo Este artigo descreve uma prática realizada no ensino de algoritmos de programação utilizando ferramentas de colaboração. Sendo algoritmos uma disciplina reconhecidamente problemática do ponto de vista de aprendizado em cursos de computação. e explorar meios alternativos na transmissão do conhecimento que resulte em maior estímulo na superação das dificuldades no aprendizado. cujo propósito intrínseco consiste em produzir um egresso capacitado no uso de tecnologia. em um período menor de tempo.1. buscou-se experimentar novas práticas pedagógicas para apresentar o conteúdo. requer uma melhor adequação dos recursos pedagógicos para dar a celeridade necessária ao ensino. sem comprometer a qualidade do mesmo. Introdução O ensino tecnológico. 12. 170 .

na sua essência. embora limitada. na modesta visão deste autor. que merecem ser apreciadas e quiçá replicados com melhoramentos. Daí. e que gera. na produção do ensino de tecnologia. onde ele pode demonstrar a simulação de um algoritmo e. limitou-se a elaborar a string de pesquisa para que o mecanismo de busca pudesse retornar resultados corretos.3. O principal motivo dessa dificuldade. é a quebra de paradigma. para o foco em decorar instruções que são. Uma delas. O ensino de algoritmos exige. 12. Ferramentas A experiência deste autor na área pedagógica. em média. A inteligência cognitiva do aluno. 12. Tradicionalmente. especialmente os de programação de computadores. neste caso.dizia um ex-professor de algoritmos do autor. experimentar novas e alternativas situações para a execução do algoritmo através da 171 . de forma quase mecanizada. alto índice de reprovação – pelo menos 50%. a obrigatoriamente imposta ao aluno a pensar.O uso de tecnologia. via rede de dados. por consequência. urge a implementação de práticas que acelerem e facilitem o aprendizado.2. E “pensar dói” . A simulação metódica e quase robotizada que necessita a avaliação de um algoritmo favorece a desatenção do aluno do aspecto criativo do autor. tornase. é reconhecidamente uma disciplina com alta dificuldade de assimilação pelos alunos. meramente. uma necessidade inerente ao propósito do próprio curso. ao mesmo tempo. que permite ao docente a criação de um ambiente virtual colaborativo. O Desafio de Algoritmos O ensino de Algoritmos. trata-se do uso da ferramenta NetMeeting. A era da Internet é um exemplo disso: professores recebem trabalhos que são cópia e colagem de textos pesquisados na Web. por consequência. motivando os alunos na extensão e aplicação imediata nesses conhecimentos em experimentos práticos que fixem aquele conteúdo ensinado. mostrou resultados interessantes no uso de ferramentas de colaboração. o ensino médio e fundamental o estimulou na prática de decorar e reproduzir conhecimento. um utensílio no contexto do algoritmo.

e a instalação do aplicativo de colaboração. que é apenas um exemplo entre similares que existem. que no caso prático deste artigo é o NetMeeting. Precisamos. no ensino do algoritmo. 12. ao mesmo tempo que estimula o aluno ao perceber dezenas de alternativas lógicas que ocorrem durante o passo-a-passo para atingir o objetivo esperado pelo algoritmo. 172 . deve-se dispor de computadores ligados em rede local. A experiência no uso dos recursos dessa ferramenta.participação dos alunos. permite ao docente dar proficiência ao aluno no uso da ferramenta fim voltada à execução e depuração de algoritmos. Unindo esse recurso às técnicas pedagógicas em desafiar o aluno para conquistar – nesse sentido a vitória da aquisição do conhecimento – resulta em estímulo para o rápido entendimento da lógica algorítmica. pelo menos é assim na experiência do autor. obviamente. Uso da prática Para uso dessa ferramenta. com perguntas e sugestões. de “porquês”. preferencialmente com acesso à internet.4.

mas por necessidade em melhor preparar o aluno no objetivo do curso. não por mera facilitação do trabalho do docente. Seria o ensino com a máxima: “Casa de Ferreiro. Considerações Finais É paradoxal pensar em ensino de tecnologia sem o uso da tecnologia. 173 . uma condição básica no ensino tecnológico o uso de métodos pedagógicos diferentes dos tradicionais quadros-negros. A tecnologia se retro-alimenta de tecnologia. Torna-se. A própria falta de capacidade do docente no uso da tecnologia mostra um inevitável indicador de falta de qualificação para o ensino em questão. http://en.Durante a demonstração de execução de um algoritmo. Isso é facilitado pelos recursos oferecidos pela ferramenta. que é capacitá-lo em tecnologia.org/wiki/Microsoft_NetMeeting. é fundamental o docente estimular a participação do aluno. Referências Microsoft NetMeeting. portanto. 12. que permite qualquer um dentro do ambiente virtual “tomar” conta da demonstração e realizar sua própria apresentação da solução ou dúvida surgida.5. espeto de pau”. Consultado em maio de 2009.wikipedia.

como consequência. principalmente o chamado lixo eletrônico. que trouxeram. temos o envolvimento de alunos em um PIC sobre Reciclagem do Lixo. Como resultados práticos.Capítulo 13 Nossa Escola e o Meio Ambiente Themis Aline Calcavecchia dos Santos Resumo O presente trabalho mostra uma atividade de Educação Ambiental dentro do Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação. onde. foram realizadas ações de Educação Ambiental Informal. alunos matriculados na disciplina Tópicos Avançados (TAV) cujo conteúdo programático abordou o meio ambiente com enfoque no lixo. alunos de Metodologia II elaborando Projetos na área ambiental e. atendendo ao determinado na Constituição Federal e na Lei de Educação Ambiental. alunos que escolheram esta temática para a elaboração de seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). 174 . uma maior conscientização dos discentes em relação à necessidade de se proteger e preservar o meio ambiente como um todo. por fim.

nos legam uma perspectiva um sombria para um futuro próximo. e de linho fino. a chorarão.1. porque é forte o Senhor que julga. E os reis da Terra. vez que seus habitantes não possuem uma infraestrutura adequada às suas necessidades. realizadas em desarmonia com a preservação do meio ambiente. a morte. E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra. de bronze e de ferro e de mármore. A realidade contemporânea parece ter encarnado as profecias do Apocalipse. porque ninguém mais compra as suas mercadorias: mercadorias de ouro e de prata. aquela forte cidade! Pois numa hora veio o seu juízo. e de pedras preciosas. aproximadamente. e o do meio ambiente ecologicamente equilibrado à sadia qualidade de vida para as presentes e futuras gerações pois. O crescimento desordenado e abusivo das favelas. num dia virão as suas pragas.13. e todo vaso de marfim. 18. dos quais. além de 175 . e todo vaso de madeira preciosíssima. e a fome. e de escarlata. e de pérolas. Os milhões de famintos espalhados pelo mundo. 812). e de seda. quando virem o fumo do seu incêndio. e o pranto. e viveram em delícias. revelam que o Apocalipse é agora (parafraseando o filme Apocalipse Now). viola vários direitos fundamentais. (Apocalipse. e será queimada no fogo. Introdução Portanto. entre eles o da dignidade da pessoa humana. estando de longe pelo temor do seu tormento dizendo: Ai! Ai daquela grande Babilônia. 70 milhões estão no Brasil. As atividades humanas. e toda a madeira odorífera. que se prostituíram com ela. e de púrpura.

para a representação de Deus através do clero e dos monarcas absolutistas. que colocava o homem como detentor de uma razão pura. no Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação – IST-Rio.. as mudanças climáticas. Modernidade. tendo sido alcançado. O homem não mais estava voltado para a contemplação da natureza. em vários dias. para a obediência à vontade divina. uma atividade de Educação Ambiental Informal e Formal. e criando a era da modernidade. a recente primavera. estabelecendo uma ruptura com o modelo existente. criando a figura do cidadão. ratificaram a construção do pensamento iluminista. foi uma estação estremamente chuvosa. Educação e Meio Ambiente Os séculos XVII e XVIII foram marcados pela crescente discussão acerca do racionalismo.2. que é uma estação. alimentam vetores que causam doenças (ratos. O que se observa é que há uma séria e irrecuperável degradação do meio ambiente que causa o aquecimento global. até então. fenômenos que se tem a oportunidade de observar no dia a dia. considerando que cada discente é um agente multiplicador e que podem e devem contribuir para mudar essa realidade.poluírem os cursos d’água. Do ponto de vista político. da racionalidade. a racionalidade delineava a divisão entre espaço público e privado. marcada pela presença do sol. para além do fato de lidarem com uma atividade que produz um resíduo sólido perigoso e tóxico. Por exemplo. na cidade do Rio de Janeiro. A insatisfação com o status quo aliada à filosofia kantiana. 13. colocando em risco a saúde de todos etc. Havia uma inquietação para a busca de si mesmo. agente 176 . que fincaram as bases do pensamento iluminista. o índice pluviométrico para todo o período. a desertificação etc. insetos etc. O homem entendia ser ele próprio o norteador de seu destino. A gravidade da situação ambiental levou-nos a iniciar.). desmatam áreas ambientais protegidas. Não mais eram satisfatórias as colocações da vontade divina como determinante dos destinos.

é um projeto iluminista como o é a livre expressão de idéias. consagrada na imprensa livre e independente. As relações de vassalagem deram lugar ao debate político. Surgiu a figura do Estado como o "ente" representativo do espaço público. a educação desempenhava um papel social de grande importância. precisavam ser cultivadas e difundidas para atingir a todos através da educação e da comunicação. o projeto da 177 . a conquistar: a emancipação política e a autonomia moral.transformador do status quo através da representação de seus interesses na esfera pública. sem dúvida. agora transformados em trabalhadores livres e cidadãos autônomos. estabelecendo-se um "equilíbrio" entre o que Rousseau chamava de "vontade geral" e a "vontade do soberano absolutista". Este era um ideal a construir. a sociedade moderna é um "projeto de saber". divididas as relações de poder. O direito à educação deveria ser universalizado atingindo a todas as crianças que deveriam ser alfabetizadas para ler os textos (sagrados e profanos) e ser treinadas para conhecer os saberes e as técnicas desenvolvidas pela humanidade. inédito na história da humanidade: coerente com a crença no progresso baseado no saber. Estavam. a igualdade civil entre todos os indivíduos dotados de razão. Na utopia iluminista. Um dos mais importantes ideais da modernidade é. assim. A universalização da educação. realizada pela escola pública e laica. que fazem de qualquer homem um indivíduo livre e um cidadão. defendida por Hobbes. Do mesmo modo.

porém cada grupo em sua função. todos contribuindo para o progresso da sociedade. Daí o equívoco em se referir a culturas desenvolvidas ou não. pública. a satisfação e até o caráter das necessidades humanas. A relação do homem com a natureza. o homem inicia o domínio da natureza. [BELLONI. sempre foram precondicionados. iguais na cidadania. Por exemplo. acima do nível ideológico. que aconteceu sob o ideário da modernidade. estabeleceu um novo conceito de necessidade. ao mesmo tempo que é a fonte de vida do ser humano. Na tentativa de satisfazer às suas necessidades. inicialmente pautada no medo. a vestimenta traduz-se muito mais em necessidade de se proteger do frio para os homens que habitam o hemisfério norte e extremo sul do que para os que habitam a linha do equador e trópicos. A Revolução Industrial.. tendo em vista o clima quente destas regiões. Na Antropologia. sempre foi a responsável pela relação do homem com a natureza. Malinowski define cultura como sendo a resposta que o homem dá às suas necessidades. tendo como principais características sua independência religiosa (laica e científica) e seu caráter universal (igual para todos). através do uso da tecnologia. constitui-se no seu maior desafio. mantida pelo Estado. A intensidade.2] A necessidade sempre foi o motor do desenvolvimento.) Podemos distinguir tanto as necessidades verídicas como as falsas necessidades..modernidade atribui à escola a função de socializar as novas gerações. 1998. aos poucos foi-se transformando em sinônimo de poder. p. A escola ganha status de instituição oficial. É a escola da cidadania. formando os futuros cidadãos respeitadores das instituições sociais e do Estado. A natureza. "Falsas" são aquelas superimpostas ao indivíduo por interesses sociais particulares ao reprimi-lo: as 178 . (. A educação moral e cívica deve formar igualmente o trabalhador e a elite.

. comportar-se e consumir de acordo com os anúncios. pertence a essa categoria de falsas necessidades. do meio ambiente. Entendemos que a universalidade e a individualidade não estão dissociadas. São os indivíduos que poluem um meio que é universal. Ela é o divisor de águas entre os que são considerados desenvolvidos. 1967..necessidades que perpetuam a labuta. graças aos fenômenos das correntes marinhas e das massas de ar. onde as falsas necessidades transformam-se. Já em fins dos anos 60 e durante toda a década de 70. [MARCUSE. temos o desenvolvimento desenfreado.26]. Ao contrário. Dentro disso.A. poluição do ar e poluição das águas.U. trouxe consigo uma crescente degradação do meio ambiente. velozmente. do culto ao Eu em detrimento do sujeito coletivo. (. O século XX está sendo marcado pela tecnologia. p. O boom desenvolvimentista iniciado nos anos 50 nos E. subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Além das armas nucleares. A tecnologia custa caro em todos os sentidos. em sucatas e o preço pago é a constante deterioração da qualidade de vida. Acidentes ecológicos de grandes proporções podem atingir a todos. Sabe-se que os fenômenos da natureza interligam o planeta. Do pensamento da modernidade foi confundida a idéia de individualidade com individualismo.) A maioria das necessidades comuns de descansar. andam juntas em matéria ambiental. Falava-se em poluição sonora. amar e odiar o que os outros amam e odeiam. a miséria e a injustiça. a agressividade. a poluição ambiental estava em pauta. principalmente quando o preço que se paga é a vida humana. distrair-se. da organicidade. e Europa e nos anos 70 no Brasil. preponderando o segundo. é a tecnologia a maior arma que os países encontram para defender-se da "colonização" intentada pelos países "ditos desenvolvidos". A reivindicação da internacionalização da 179 . que significa a exacerbação do narcisismo.

não vai sujar a rua. é promulgada a Lei de Educação Ambiental. surgiu na Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano (The United Nations Conference on the Human Environment) realizada de 5 180 . em 1970. conhecimentos.Amazônia em decorrência da crença de que ela é o "pulmão do mundo" é prova disto. Educação Ambiental A Constituição Federal. surgindo a necessidade de se educar no sentido de preservar o meio ambiente. 1992). por ocasião da Conferência em Educação. Mas. parágrafo 1º. É o individualismo a toda a prova. O lixo jogado na rua é formado por pequenos pedaços de papel. atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. A expressão environmental education foi ouvida pela primeira vez em 1965. em âmbito mundial. em seu artigo 225. que institui a Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº. cabendo ao Poder Público tal iniciativa.795. O resultado são ruas imundas. Entretanto. por exemplo. por ser tão pequeno. inciso VI. realizando atividades em suas salas de aula e escolas. jogados por cada indivíduo separadamente. Educação Ambiental é “o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais. onde chegou-se a conclusão de que a EA deveria se tornar parte essencial da educação de todos os cidadãos e que posteriormente. de 27/4/99 – e obriga a sua implantação em todas as escolas.1º). determina que seja promovida a Educação Ambiental em todas as escolas do país. Todavia. 9. na Grã-Bretanha. A ecologia como ciência global trouxe a preocupação com os problemas ambientais. realizada em Keele. essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (art. 13. bem de uso comum do povo. O surgimento e desenvolvimento da Educação Ambiental como método de ensino está diretamente relacionado ao movimento ambientalista. habilidades. pois é fruto da conscientização da problemática ambiental. De acordo com a lei. em 1999. não passando de ações individuais de professores conscientes e dispostos a abraçar a causa. os Estados Unidos aprovaram a primeira lei sobre Educação Ambiental (DIAS. a preocupação com os problemas ambientais. pouco foi feito.3. acreditando que.

4. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa tendente a determinada ruptura. 93). 1983. p. ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola (VEIGA. também. É uma ação intencional. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível. com um sentido explícito. recomendando-se o estabelecimento de programas neste sentido. p. surgiu a EA como uma nova ciência preocupada. todo projeto pedagógico da escola é. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de plano de ensino e de atividades diversas. 181 . Dessa forma. Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade”. O projeto não é algo que é construído. articulado ao compromisso sócio-político com os interesses reais e coletivos da população majoritária. p. um projeto político por estar. principalmente. 579). em seguida arquivado. Suécia. 13. “A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica” (SAVIANI. 2000). comprometendo seus atores e autores. em Estolcomo. atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém um estado melhor do que o presente. Projeto Político-Pedagógico da Escola De acordo com Gadotti (1994. quando se reconheceu a necessidade do desenvolvimento de uma educação ambiental. Nesta perspectiva. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se.a 16 de junho de 1972. em apresentar soluções aos problemas ambientais mundiais. uma direção. Para Veiga (2000. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. com um compromisso definido coletivamente. intimamente.13) “o projeto busca um rumo. Por isso.

via essencial que integra as três precedentes O ensino formal “.“Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. 3. de seu país e a do planeta. a de sua comunidade.orienta-se. isto é. Político e pedagógico possuem uma significação indissociável.. para poder agir sobre o meio envolvente. em menor escala. para cada indivíduo. 4.5. 13). que é a formação do cidadão participativo. (. serão de algum modo. ao longo de toda a vida. para o aprender a fazer. Nesse sentido é que se deve “considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. 2001]. a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas e. crítico e criativo. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. essencialmente. [Delors. adquirir os instrumentos da compreensão. 13).” (VEIGA. p. responsável.. se não exclusivamente. 13.. aprender a viver juntos. para o aprender a conhecer e. propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. finalmente. os pilares do conhecimento: 1. 2000. 2000. compromissado. aprender a conhecer. econômicas e sociais são permeadas por elementos diretamente ligados à questão ambiental. 2. p. as situações de ensino devem se organizar de forma a proporcionar 182 . Pedagógico no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade” (VEIGA. Muitas das questões políticas. A Escola e o Meio Ambiente A perspectiva ambiental oferece instrumentos para que o aluno possa compreender problemas que afetam a sua vida.) Por outro lado. Nesse sentido. A educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que. aprender a ser.. aprender a fazer.

in loco seu desenvolvimento [GUERRA et alii. local e global. A possibilidade de o aluno poder agir no seu ambiente escolar ou no entorno da escola é a melhor resposta ao nosso trabalho e permite que possamos observar ali.oportunidades para que o aluno possa utilizar o conhecimento sobre o Ambiente para compreender a sua realidade e atuar sobre ela. O exercício da participação em diferentes instâncias (desde atividades dentro da própria escola. também. hábitos de higiene pessoal e dos diversos ambientes. cabe à escola. 1998). também. 1998). com o bem-estar de cada um e da sociedade. 1998). com formação de valores. para que possa. participação em pequenas negociações são exemplos de aprendizagem que podem ocorrer na escola. E esse é um grande desafio para a educação. com o ensino e aprendizagem de procedimentos. O fornecimento das informações. garantir situações em que os alunos possam pôr em prática sua capacidade de atuação (BRASIL. (BRASIL. Assim. a explicitação e discussão das regras e normas da escola. aptos a decidir e atuar na realidade sócio-ambiental de um modo comprometido com a vida. a escola se proponha a trabalhar com atitudes. fundamental para que os alunos possam integrar o que foi apreendido à sua realidade. A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes. a promoção de atividades que possibilitem uma 183 . Gestos de solidariedade. Por outro lado. 2007]. mais do que informações e conceitos. a grande tarefa da escola é proporcionar um ambiente escolar saudável e coerente com aquilo que ela pretende que seus alunos aprendam. até movimentos mais amplos referentes a problemas da comunidade) é. Para isso é necessário que. de fato. contribuir para a formação da identidade como cidadãos conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente e capazes de atitudes de proteção e melhoria em relação a ele (BRASIL.

por exemplo. Para que esses trabalhos possam atingir essa amplitude. em que houve. definir corretamente o lixo. ou ainda. sem estabelecer relação com a situação real de limpeza da escola. a 184 . do bairro. pois eles se concretizarão em diversas ações que envolverão todos. 1998). não servindo mais como referência para solução de problemas ambientais. 2001. Uma sala de aula suja. dos caminhos a seguir para atingi-los. grifos nossos). limpo e funcionando. um movimento contrário: as questões ambientais foram tratadas de maneira asséptica. Ninguém gosta de estar em um ambiente feio e mal cuidado. eventualmente servindo para embasar outros saberes desse tipo. dentro das possibilidades da escola.participação concreta dos alunos. É restringir a limites muito estreitos. da opção pelos materiais didáticos a serem usados. 1998).3). mas. são condições para a construção de um ambiente democrático e para o desenvolvimento da capacidade de intervenção na realidade (BRASIL. apenas. alunos e pais) assuma esses objetivos. fragmentada. e o desprazer repercute na aprendizagem (DAVIS e GROSBAUM. A hostilidade do ambiente causa desprazer. Quando uma instituição — seja ela pública ou privada — oferece àqueles que a frequentam um banheiro organizado. Esse é um ponto muito importante e delicado. 1998). como todo o saber tratado dessa maneira. cada um na sua função (BRASIL. com cadeiras quebradas. de aspecto desleixado. A sala de aula precisa ser um lugar bonito e organizado. Já se observaram trabalhos tidos como ambientais na escola. O convívio escolar é decisivo na aprendizagem de valores sociais e o ambiente escolar é o espaço de atuação mais imediato para os alunos (BRASIL. 1998. se cristaliza. com o contexto concreto das relações sociais que engendraram a problemática do lixo (BRASIL. de estado. é necessário que toda a comunidade escolar (professores. que. funcionários. de fato. ela está indicando a esse público que ele é bem-vindo e que. p. desde a definição do objetivo. naquele local. é o primeiro indício de que algo vai mal com a classe e com o professor. como um conceito a mais.

1998). preservando todas as manifestações de vida no planeta. E não precisa ser um banheiro sofisticado. Por isso mesmo. a escola deverá oferecer meios efetivos para cada aluno compreender os fatos naturais e humanos referentes a essa temática. Os alunos se sentirão valorizados e terão a oportunidade de aprender — através da própria organização do espaço e de suas condições materiais — que ser respeitado e respeitar o outro é fundamental. colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa. expressão e interação. que se destaque o ambiente como parte do contexto geral das relações ser humano/ser humano e ser humano/natureza. Na escola. é uma questão pedagógica. dentro da sua especificidade. Mas. na abordagem dos diferentes conteúdos: seja no estudo das variadas formas de organização social e cultural. seja no estudo dos fenômenos e características da natureza ou na discussão das tecnologias que mediam as várias dimensões da vida atual. as demais áreas ganham importância fundamental. também. abundância e diversidade (BRASIL. em todas as áreas de ensino. além de ser uma questão de saúde coletiva. só para citar um exemplo (BRASIL. desenvolver suas potencialidades e adotar posturas pessoais e comportamentos sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com seu meio. 185 . As áreas de Ciências Naturais. ainda. 1998). O espaço comunica e educa.higiene e a saúde são valores. É interessante. e garantindo as condições para que ela prospere em toda a sua força... as posições valorativas e as possíveis ideologias sobre meio ambiente embutidas nos textos. pela própria natureza dos seus objetos de estudo. a organização do banheiro. História e Geografia são as tradicionais parceiras para o desenvolvimento do conteúdo aqui relacionado. explicitando os vínculos culturais. pois cada uma. com seus mais diversos conflitos. as intencionalidades. trabalhando as inúmeras “leituras” possíveis de textos orais e escritos. ou no trabalho com as várias formas de comunicação. Considerando a importância da temática ambiental. um banheiro limpo e bem cuidado tem uma importância ainda maior. pode contribuir para que o aluno tenha uma visão mais integrada do ambiente: Língua Portuguesa. protegendo. novo.

apreciar e valorizar a diversidade natural e sociocultural. 1998]. 186 . as formas de manutenção da limpeza do ambiente escolar (jogar lixo nos cestos. perceber. de modo crítico. O homem. em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas. 2. reconhecendo a necessidade e as oportunidades de atuar de modo propositivo. 1. plástico.6. étnico e cultural. cuidar das plantas da escola. responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente. tais como: vidro. porque configuram situações reais que podem ser experimentadas pelos alunos. justas e ambientalmente sustentáveis. 13. Assim. por exemplo. tanto local quanto globalmente [Brasil. Ele é o único ser vivo que produz coisas artificiais e que podem levar uma eternidade para se decompor. os animais e plantas que morrem tornam a terra mais fértil para alimentar novos seres que virão. adotar posturas na escola. identificar-se como parte integrante da natureza e sentir-se afetivamente ligados a ela. 2. compreender que os problemas ambientais interferem na qualidade de vida das pessoas. observar e analisar fatos e situações do ponto de vista ambiental. fazem parte dos conteúdos. percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa. para garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida.Todos na escola devem: 1. se decompõe muito rápido no meio ambiente e ainda serve para gerar mais energia! No ciclo da vida. latinhas de refrigerante etc. 3. A aprendizagem de procedimentos adequados e acessíveis é indispensável para o desenvolvimento das capacidades ligadas à participação. isopor. adotando posturas de respeito aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural. Lixo A natureza é perfeita: toda a matéria orgânica (viva). é diferente. à co-responsabilidade e à solidariedade. manter o banheiro limpo) etc. por ela criada. no entanto.

contaminar o solo e as águas causam males aos homens. a maioria é jogada em aterros sanitários ou lixões a céu aberto. reduz a poluição e gera empregos. separando o lixo doméstico dos materiais recicláveis. dentre outras. como o papel. o material orgânico é separado do lixo feito de plástico. o plástico pode levar até quinhentos anos. pulmonares e até a morte. que são materiais reaproveitáveis. o lixo é tratado como matéria-prima que será reaproveitada para fazer novos produtos. 5. o metal e o vidro. simplesmente. não se decompõem. E cada um deles tem um processo diferente de reciclagem. níquel. 70% da poluição do meio ambiente iria se transformar em algo útil e limpo para todo mundo! Na reciclagem. Baterias e pilhas têm em suas composições metais pesados. 4. chumbo e mercúrio. Cerca de 35% do lixo coletado poderia ser reciclado ou reutilizado e outros 35% poderiam virar adubo. Vejamos quantas vantagens ela tem: diminui a quantidade de lixo que vai para os lixões. Mas. os recursos naturais são poupados. altamente tóxicos. ganham outro nome: lixo. alguns. podem ficar poluindo o planeta: 1. 187 . mentais. Depois de utilizadas. Nesse sistema. Além de poluir o meio ambiente. ou tecnicamente falando. Aqui seguem algumas informações sobre o tempo que alguns materiais levam para se decompor. A reciclagem começa em casa! O processo de reciclagem começa em casa. as latinhas de refrigerante levam de oitenta a cem anos. um simples chicletinho pode levar cinco anos. 2. o papel e o papelão podem levar de três a seis meses para serem absorvidos. papel e vidro. Ou seja. resíduos sólidos. o plástico. 3. e agora o vilão: o vidro fica um milhão de anos na natureza. como cádmio. como problemas renais.Depois que elas não têm mais uso. portanto.

5. tendo em vista que: 1. reduz o lixo não biodegradável. 4. As pilhas têm um tempo de degradação de 100 a 500 anos. para fabricar um cartucho de Inkjet/Toner é necessário. Cartuchos e disquetes são cada vez mais utilizados e cada vez mais descartados. Já para os metais pesados. traz uma redução de custos que pode chegar a 60% do valor de um cartucho novo. Sugere-se a recarga dos cartuchos. [UFRGS. 2001] Cada vez mais se faz necessária a idéia do consumo consciente.000 toneladas de plásticos e metal a cada ano. há economia de energia nos processos produtivos etc. mas com nossa própria saúde. recursos naturais. 2. Os benefícios da reciclagem dos metais e plásticos dos disquetes são inúmeros como: economia de energia. eles se transformam. este tempo é infinito. reciclagem. ou seja. estaremos contribuindo não só com o meio ambiente. tratamento e disposição final estão sendo pesquisados e colocados em prática pelas indústrias fabricantes. o plástico usado em cada cartucho de impressora leva mais de dez séculos para se decompor. 6. mas. a sociedade e o meio ambiente toda vez que usa água ou energia elétrica. que é definido como um processo de escolha que equilibra o consumo e a sustentabilidade do planeta. a reciclagem reduz resíduos sólidos: são economizados mais de 38. já que são de difícil absorção pela natureza. 3. joga fora o lixo ou vai às compras. continuam existindo. 188 . em média de 2 a 5 litros de petróleo.Mecanismos de reutilização. aumento da vida útil dos aterros sanitários e incentivo as indústrias recicladoras. Se dermos o destino correto a elas. O consumidor consciente leva em conta o impacto de suas ações sobre a economia.

Imaginando que elas vivam até os 70 anos.7. além das apresentações formais da Escola para os alunos ingressantes. pois o consumo de um grande número de pessoas. pois mesmo o consumo de poucas pessoas. foram desenvolvidas deferentes ações. em Goiás. somente essa família terá jogado fora 31 toneladas de comida durante esse tempo. 13 Semana Um é a primeira semana de aula onde são realizadas palestras sobre diversos temas. uma cidade como Goiânia. Se 4 milhões de cidadãos que fazem a mesma coisa resolvessem escovar os dentes com a torneira fechada. no sentido de implementar a determinação da Lei de Educação Ambiental. 13. inserindo-o dentro da perspectiva da Escola. A partir deste GT. que possui a missão de formar cidadãos conscientes e críticos. tendo um impacto muito importante sobre a sociedade e o meio ambiente. Digamos que um cidadão escove os dentes com a torneira aberta. foi feita uma palestra abordando o tema do lixo. a água economizada em um dia seria suficiente para abastecer. 189 . nesse dia. faz diferença. vai usar 14 litros. na tradicional Semana Um13. Peguese o exemplo de uma família de quatro pessoas desperdiçando 100 gramas de alimentos a cada refeição. Assim. discente e funcionários do IST-Rio. ao longo de suas vidas. foram feitas palestras para os funcionários abordando os temas lixo e água.Ser um consumidor consciente envolve ação cotidiana. em vez de gastar apenas 2 litros de água. Foram criados Grupos de Trabalho (GT) em diferentes áreas e uma delas era a formação dos funcionários. enquanto 12 litros de água limpa e tratada entram literalmente pelo cano. Consumir com consciência é uma questão de cidadania. mesmo por um período curto de tempo. com a participação do corpo docente. igualmente faz enorme diferença. Inicialmente. Essa quantidade seria suficiente para alimentar 17 crianças por dez anos. Ações desenvolvidas Considerando tudo o que foi apresentado até o momento. com 1 milhão de habitantes.

vários grupos apresentaram projetos sobre a temática ambiental. Tal tema é tão importante que destacamos uma notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo sobre o assunto. um café da manhã. impedindo a contaminação do solo e dos lençóis freáticos). dentro da perspectiva da associação entre ensino. indo desde aquecimento global até a fabricação de disquetes de papel. pois. Foi organizado. considerando que sempre que possível o meio ambiente era trazido à baila. por fim. assim. A partir deste PIC. foi oferecida a disciplina Tópicos Avançados (TAV) com uma abordagem ambiental. Destacamos um deles que é a criação de um sítio de consulta que possui um sistema que calcula a fonte necessária para o computador de acordo com as necessidade de quem vai utiliza-lo. onde os alunos teriam que criar um banco de dados com determinadas especificações relativas ao escopo do projeto. dentro da disciplina Metodologia da Pesquisa II. Os alunos tiveram a oportunidade de aprender como se pode reaproveitar os alimentos e reduzir a quantidade de lixo produzida. para a confecção dos alimentos. como avaliação final. E. normalmente. apesar de não ser exigido. os alunos tinham que apresentar. que é um aterro sanitário e foi a primeira empresa brasileira a ser certificada pela ONU para comercializar créditos de carbono. um Projeto de Pesquisa elaborado em grupo. Os projetos tinham como principal característica. foi organizada uma visita dos alunos à Central de Tratamento de Resíduos de Nova Iguaçu (CTR). alguns discentes escolheram temas do meio ambiente para a elaboração de seus trabalhos de conclusão de curso. Os alunos criaram um sítio e um banco de dados para o Projeto Reciclagem. Foi criado um PIC sobre Reciclagem do Lixo. elaborado por uma empresa de buffet que utiliza como matéria-prima. pesquisa e extensão. viram quão grave é a disposição final dos resíduos que necessitam de grande espaço para ser armazenado e transformam-se em montanhas (mesmo que sejam adequadamente organizadas. mas. resultando. A escolha dos temas era livre. jogamos no lixo – cascas etc. Um dos alunos foi contemplado com uma Bolsa de Iniciação Científica da FAPERJ. Ainda. aquilo que. em uma grande economia de energia.Paralelamente. a criatividade e a busca pela inovação tecnológica. por nós. 190 .

Os grupos Intel e Google se juntarão à Dell. ou seja. devendo estar presente. a Educação Ambiental Formal e Informal. 1992]. têm por objetivo poupar 5. 2º. [Fonte: Folha Online 13. em todos os níveis e 191 . um dos vicepresidentes da Google. batizada nesta semana de "Climate Savers Computing Initiative". no IST-Rio. como determina a Lei nº. O que fizemos foi introduzir. IBM. HP. que dispõe: Art.5 bilhões de dólares em gastos energéticos por ano e reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 54 milhões de toneladas anuais. envolvendo atitudes e comportamentos que. De fato.795. Os participantes desta operação. A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional. citado no comunicado. repetindo-se e transformando-se no dia a dia. Lenovo e Microsoft para trabalharem com o organismo de defesa do meio ambiente WWF. Querem assim impor normas mais severas para os computadores e seus componentes e promover a adoção de PCs menos consumidores de energia. a escola é responsável não apenas pela difusão de conhecimentos. A idéia é formularem PCs "verdes". "Hoje um PC médio desperdiça quase a metade de sua energia e um servidor gasta um terço". mas pela transmissão dos valores de uma cultura entre gerações [Martin-Baró. de 27/4/99. mais do que em palavras.06. mais ecológicos.2007] 13. de forma articulada. poderão vir a consolidar-se como prática socialmente aceita. 9. comentou Urs Holzle. Considerações Finais Como um dos principais agentes socializadores. a educação tem na ação concreta uma de suas principais bases.8.

encontrou-nos e disse: ”Professora. O que deve ser assimilado desta experiência é que a Educação Ambiental pode e deve ser realizada no seio das instituições. mas. simplesmente para cumprir a lei. que a iniciativa de uma professora foi contagiando e se irradiando. os quais são de suma importância na tentativa de se reverter ou minimizar os danos ambientais. pode ser connsiderado significativo. com certeza. um funcionário do IST-Rio. da direção e da coordenação acadêmica. muitas vezes. que é a manutenção da qualidade de vida de todos os seres do planeta. a legislação brasileira impõe ao Poder Público a implantação da disciplina da EA nos seus cursos públicos. solitário. facilmente. Na verdade. observar que o número de discentes que se interessaram pelo tema Meio Ambiente. Por fim. sejam elas de ensino ou não. gerando interesse por parte dos alunos. em caráter formal e não-formal. de maneira que a União. Se considerarmos o quantitativo de nossos alunos poderemos. os Estados. que tem uma visão global das necessidades do homem e da natureza entrelaçadas em um objetivo comum. nesta experiência do IST-Rio. TAV. Já. o Distrito Federal e os Municípios devem cumprir sua obrigação legal colaborando assim com o importante processo de conscientização ambiental. Vimos. que vale a pena.modalidades do processo educativo. torna-se importantíssimo o desenvolvimento e implantação de programas educacionais ambientais. de maneira informal. toda a vez que abro a torneira lembro da senhora”. alguns dias depois de assistir à palestra sobre a água. A Educação Ambiental é um processo educacional criado ao longo de muitos anos através de estudos de milhares de especialistas. nas diversas formas em que foi apresentado no ISTRio (Metodologia II. é fundamental que as ações sejam cotidianas. colocar a disciplina na grade curricular. importante destacar que. Em vista da existência de problemas ambientais em quase todas as regiões do país. Não basta. PIC e TCC). é um trabalho de formiga e. A semente foi lançada! 192 . bem como o obriga a incentivar e propiciar o desenvolvimento de projetos e programas educacionais ambientais tanto formais quanto informais.

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de acordo com os períodos da história da humanidade. com nossa época. Porém.Capítulo 14 Influências Históricas e Culturais no Corpo e no Movimento Vasco Manuel Martins do Amaral Resumo Este estudo faz parte de um dos conteúdos formativos da disciplina Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida. Durante a evolução da raça humana. como prevenção aos transtornos causados pela vida sedentária ou utensílios e ambientes. a utilização do corpo como instrumento. características idêntica. o corpo humano apresentou na sua forma estrutural e funcional. seus movimentos foram exigidos ou modificados. suas possibilidades e influências em cada uma das etapas da evolução. para formar opinião nos aspectos da saúde e bem estar. e também as possibilidades da extensão do corpo proporcionadas pelos utensílios e vestuário. Podemos comparar o comportamento do corpo. A filogênese e a ontogênese são processos importantes a serem observados. 195 . visto que o homem descobriu juntamente com a sua criatividade.. do Instituto Superior em Ciências da Computação. e imaginar como será nosso comportamento no futuro.

Para melhor entendimento. A disciplina “Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida”. Introdução Os contextos históricos evolutivos e culturais são influenciadores no comportamento e nos movimentos do corpo humano. para que o aluno obtenha uma parcela do conhecimento sobre as influências ambientais e evolutivas do corpo. adaptação. 196 . ministrada no Instituto Superior em Ciências da Computação do Rio de Janeiro (IST-Rio). nas etapas filogenéticas e ontogenéticas juntamente com a influência cultural. O presente artigo fará durante a exposição. seguiremos com uma abordagem nos processos da filogênese e ontogênese. Tudo isto pretende atingir maior mobilidade e eficácia. precedidos também. Certamente. da saúde e do bem estar. em todas foi e será necessária uma mudança ou uma adaptação. os fatos significativos da História da Humanidade comparando-as às atividades em nosso mundo contemporâneo. como por exemplo. ontogênese 14. o Homem utilizou seu corpo de formas diversas. parâmetros evolutivos tecnológicos e culturais moduladores do nosso comportamento e ações. aborda em um dos seus conteúdos. pode trazer transtornos físicos e psíquicos que requerem cuidados na prevenção ou na recuperação. Atualmente vivemos em um ambiente totalmente influenciado pela tecnologia computacional. movimento. fazendo algumas comparações nas formas comportamentais dos indivíduos da raça Humana. das fases do desenvolvimento e maturação do corpo. possibilitadas ou impostas por recursos tecnológicos em inúmeras culturas. Palavras chave: corpo. filogênese.assim como a evolução tecnológica.1. a digitação e uso de botões para acionar diversos sistemas automatizados. Nas diversas fases históricas do desenvolvimento da Humanidade. envolvendo o indivíduo em um ambiente virtual e posturas influenciadas pela forma de utilização. porém.

afirma que os homens nem sempre tiveram a mesma constituição e capacidades. contribuíram para gerar a espécie que hoje somos. de forma interrelacionada. A explicação mais consensual é que a evolução da nossa constituição morfológica e funcional foi feita simultaneamente com o desenvolvimento das nossas capacidades cognitivas. que estão articuladas com o desenvolvimento das nossas realizações e capacidades técnicas. o desenvolvimento da humanidade é como que repetido no desenvolvimento de cada ser. linguagem e pensamento. principalmente a constituição dos seres humanos como sujeitos cognitivos. que esta faculdade não está pré-constituída quando do nascimento de uma criança. 2. 197 . Jean Piaget foi o criador da abordagem científica do conhecimento. na origem do conhecimento. Estágio da inteligência sensório-motora (do nascimento aos 2 anos). deste modo. Entre as teorias científicas do conhecimento. estaria um processo dinâmico onde há permanente interação entre o sujeito e o objeto. Todos estes fatores. Estágio da inteligência pré-operatória (dos 2 aos 7 anos). as ontogenéticas. A paleontologia humana. Filogênese e Ontogênese As teorias sobre o desenvolvimento das espécies foram sempre temas relacionais na história e da cultura humana. estudando a Psicologia Genética. A ontogênese se refere ao conhecimento advindo do processo de modificações e adaptações ao meio que desde a fecundação e nascimento ao crescimento e envelhecimento. a ontogênese repete a filogênese. 1.2. Concluiu que. observando o modo como cada indivíduo desenvolve a faculdade de raciocinar considerando. podemos destacar as filogenéticas. a sociologia do conhecimento e a psicologia da percepção. isto é. baseada em diversas investigações. As capacidades cognitivas consistem em memória. assim com na ciência. O estudo deste processo constitutivo das nossas capacidades cognitivas conduziu Piaget à descoberta de quatro grandes períodos ou estádios que são caracterizados em função das capacidades de que um indivíduo dispõe para a apreensão e organização da realidade. Segundo diversos autores. A filogênese estuda a história da evolução humana.14.

Estágio das operações formais ou abstratas. a ontogênese não recapitula a filogenia. ontogênese e retrogênese.3. mas não como era proposto. Em três textos dedicados ao estudo do homem através do desenvolvimento da civilização. cabe à civilização dominar as forças da natureza assim como regular as tensões internas entre seus membros. É como se o desenvolvimento desde a embriogênese já fosse determinado pelas adaptações necessárias à manutenção da espécie. O Malestar na Cultura (1929) e Porque a Guerra? (1933) – Freud defende que a gênese do "eu" composto na ontogênese. determinada pelas funções fisiológicas da hereditariedade das gerações e adaptações. derivado da filogênese. tal conceito era defendido no passado.O Futuro de uma ilusão (1927). propondo que. A ontogênese deve ser completada pela história da raça. Esta perspectiva do conhecimento é hoje denominada por construtivismo. Inata é apenas a necessidade de adaptação ao meio. Eles defendem que algumas coisas podem ser inferidas pela ontogenia. Nesta perspectiva não existem estruturas inatas. 4. repete os processos presentes no desenvolvimento da civilização. Estágio das operações concretas dos 7 anos 12 anos). Ambos os segmentos da evolução estão interconectados. Para eles. a abordagem se refere à filogênese. em pouco tempo. A ontogênese é uma breve e rápida recapitulação da filogenia. Na obra de Vitor da Fonseca. . pois a criança deverá. doutor em Educação Especial e Reabilitação. Para alguns autores. Então. a filogenia. Ao longo de sua extensa atividade profissional. o desenvolvimento humano é um exemplo onde à ontogênese recapitula a filogenia. Cada estádio representa uma forma de equilíbrio mais estável. "assimilar os resultados de uma evolução cultural que se estende por milhares de anos" para adaptar suas pulsões (processo dinâmico que faz o organismo tender para uma meta. Resgatar a filogênese na ontogênese não é tarefa fácil. ao "eu" cabe dominar as excitações externas e internas próprias à sua organização. ele tem se dedicado a 198 . a qual suprime o estado de tensão ou excitação corporal que é a fonte do processo) à cultura.

crescimento e morte. devemos observar que. Ela nos permite compreender a razão de ser da evolução decorrente do gesto à palavra. Nesse período. de acordo com a época e o ambiente. em períodos chamados. cultura e arte. 14. Com tantas influências exigindo expressões e comportamentos diferentes. quer num plano biológico. origem da agricultura e arte rupestre. Veremos então algumas épocas históricas e práticas culturais para entendermos melhor a percepção e utilização do corpo. o seu estudo da importância que a motricidade assume na estruturação. nômades e sedentários. 199 . Neolítico (Idade da Pedra Polida). Ela apresenta fases que envolvem instrumentos. quer num plano social. as culturas influenciaram e influenciam os seres e suas manifestações. do ato ao pensamento e do ato reflexo à atividade de reflexão. Pré-História A pré-história tem algumas divisões nomeadas de acordo com o desenvolvimento.3. organização e regulação da linguagem humana. O desenvolvimento humano compreende todas as mudanças contínuas que ocorrem desde a concepção ao nascimento. surgem processos evolutivos maturacionais e hierarquizados. Paleolítico (Idade da Pedra Lascada). Mesolítico (idade do fogo). a vida dos homens das cavernas.escrever e divulgar os resultados de pesquisas e estudos realizados nesta área. Por isso.

Ao mesmo tempo. Esse período pode ser dividido em três fases: Paleolítico. Mesolítico e Neolítico. com influências diretas no seu comportamento. 200 . Inventou objetos e soluções a partir das necessidades e práticas mais lógicas. desenvolveu uma cultura muito importante.Foram importantes fases. pois o homem conseguiu vencer barreiras impostas pela natureza e prosseguir com o desenvolvimento da humanidade na Terra. soluções práticas para os problemas da vida. aos poucos. O ser humano desenvolveu.

Usavam instrumentos e ferramentas feitos a partir de pedaços de ossos e pedras. Nessa fase. Os bens de produção eram de uso e propriedades coletivas.14. os seres humanos se comunicavam com uma linguagem pouco desenvolvida. baseada em pouca quantidade de sons.4. Desta forma. médio e grande porte. registros do tempo. o ser humano habitava cavernas. Com a falta de alimento na região em que habitavam. Paleolítico Nessa época. e práticas da caça e da criação. as famílias migravam para outra região. sem a elaboração de palavras onde provavelmente o processo de comunicação gestual deveria ser rico na expressão e na interpretação complementar dos sons. 201 . pescava e coletava frutos e raízes. rituais. Com deste tipo de arte. Uma das formas de comunicação também eram as pinturas rupestres. o homem trocava idéias e demonstrava sentimentos e preocupações cotidianas. Caçava animais de pequeno. Nelas eram deixadas mensagens. muitas vezes disputadas com animais selvagens. o ser humano tinha uma vida nômade.

14.5. Mesolítico
Nesse período intermediário, o homem dominou o uso do fogo e deu
grandes passos rumo ao desenvolvimento e à sobrevivência. Com o fogo,
podia espantar animais, cozinhar a carne e outros alimentos, iluminar a
habitação além de se aquecer períodos de frio intenso.
Outros dois grandes avanços foram; o desenvolvimento da
agricultura e a domesticação dos animais. Cultivando a terra e criando
animais, o homem conseguiu diminuir sua dependência com relação à
natureza. Com isso, surgiu a sedentarização, pois a habitação fixa tornou-se
uma necessidade. Ocorreu também, nesse período, a divisão do trabalho por
sexo dentro das comunidades. Enquanto o homem ficou responsável pela
proteção e sustento das famílias, a mulher ficou encarregada de criar os
filhos e cuidar da habitação.

14.6. Neolítico
Nesse período, o homem atingiu um importante grau de desenvolvimento e
estabilidade. Com a sedentarização, a criação de animais e a agricultura em
pleno desenvolvimento, as comunidades puderam trilhar novos caminhos.
Um avanço importante foi o desenvolvimento da metalurgia.
Criando objetos de metais, tais como, lanças, ferramentas e machados, os
homens puderam caçar melhor e produzir com mais qualidade e rapidez. A
produção de excedentes agrícolas e sua armazenagem garantiam o alimento
necessário para os momentos de seca ou inundações.

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Com mais alimentos, as comunidades foram crescendo e logo
surgiu a necessidade de trocas com outras comunidades. Foi nesta época que
ocorreu um intenso intercâmbio entre vilas e pequenas cidades. A divisão de
trabalho, dentro destas comunidades, aumentou ainda mais, dando origem
ao trabalhador especializado.

A pré-história pode ser definida como um período anterior ao
aparecimento da escrita. Portanto, esse período é anterior há 4000 a.C, pois
foi por volta deste ano que os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme.
Certamente, com o aparecimento da
escrita, o comportamento humano mudou. O
Homem já podia ampliar a forma de armazenar o
conhecimento que anteriormente era passado
verbalmente e por desenhos.
Observando essas fases, podemos
presumir que o corpo e suas expressões
apresentavam formas diferentes de outras épocas
posteriores, devido ao contexto sócio-cultural em cada época.

203

Compare um sujeito desse período com o de uma fase anterior ou
época seguinte. Ele teria que entender e se adaptar para conseguir
sobreviver.
Ele provavelmente julgaria aos outros como estranhos e vice versa.
Suas crenças, rituais, vestuário, postura, andar e valores seriam bem
diferentes. A comunicação e o registro dos fatos importantes com a escrita
trouxeram possibilidades de ampliação da consciência e conduta.
A seguir, faremos uma abordagem e, conseqüentemente, uma
comparação sobre a transição da pré-história para a idade média e a idade
média. Será que elas apresentavam o mesmo comportamento?
14.7. Transição da Pré-História para a Idade Média
Dario foi o primeiro imperador a dirigir um império com mais de 20 nações
na Pérsia. Nos séculos VI e V a.C., os persas dominavam a Anatólia, a Síria,
a Palestina, o Egito, a Armênia e a Mesopotâmia, além do próprio planalto
do Irã. Dario I, senhor desse grande império, deu ênfase à defesa para
consolidar suas fronteiras e para isso incrementou os efetivos de arqueiros.
A utilização do arco e outras armas como espadas e lanças mais elaboradas,
influenciaram no comportamento e movimentação do corpo.

Por causa da distância entre as nações e a impossibilidade de estar
em todos os lugares constantemente, utilizava a arte das imagens e dos
metais nas esculturas para remeter sua imagem para quem as visse.
A ornamentação do corpo também era uma forma de se sobrepor
aos seres comuns. O arqueiro era uma posição de sabedoria e poder militar.

204

O arqueiro ou o arco foi um símbolo muito utilizado por Dario para
sugestionar seu poder.
Dario criou os símbolos para ajudar a governar, onde depois,
lideres de toda a história se beneficiariam com sua genialidade. Até 150
anos após a sua morte, os seus descendentes continuaram a utilizar os
símbolos por ele criados até aparecer Alexandre o grande que queria
conquistar outros lugares. Para ser admirado por todos, utilizou as
estratégias de Dario.
Alexandre o Grande não só queria conquistar o mundo, como
também tinha a intenção de governar pela paz. O ornamento do corpo como
forma de hierarquizar a posição do homem na sociedade, sempre foi uma
forma de criar admiração nos que eram súditos ou comandados. Mesmo os
que eram temidos pela força e violência, se ornamentavam para marcar sua
posição.
Quando comparamos diversas épocas na história da humanidade,
percebemos que quanto mais complexa era a sociedade e mais detalhados
eram seus ornamentos. Além dos detalhes dos símbolos, os tamanhos das
esculturas denotavam imponência.
Se observarmos as forças armadas, veremos que, do soldado ao
general, as patentes são diferenciadas por ornamentos cada vez mais
sofisticados que induzem à compreensão da importância do cargo.
Provavelmente, os ornamentos e suas necessidades nas variações
qualidade, quantidade e tamanho, estão ligados à personalidade e a autoafirmação de quem as utiliza.
No que diz respeito aos agentes que influenciaram no
comportamento e no corpo durante o período Medieval, seriam a economia,
a sociedade, a religião, a arquitetura, as guerras, as doenças, o sistema
feudal a arte medieval, entre outros.
14.8. A Idade Média
A Idade Média da Europa Ocidental é datada desde o final do Império
Romano do Ocidente no Século V até ao nascimento das monarquias
nacionais, o início da exploração marítima, o renascimento do humanismo e
a reforma Protestante, em 1517. Essas várias mudanças marcaram o inicio
da Idade Moderna que precedeu a Revolução Industrial.

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enfraquecimento comercial. supremacia da Igreja Católica. reduzem-se também na Europa Ocidental os seus territórios. conquistados por tribos bárbaras.C. admiravam-na e consideravam-se eles próprios os herdeiros de Roma.. onde algumas rejeitavam a cultura clássica de Roma.A Idade Média é referida também como Período Medieval ou simplesmente Medieval. e por pompa e movimentos considerados refinados pela corte e pelo clero. sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada. As ações do indivíduo nessa época eram caracterizadas por atitudes rústicas pelos camponeses e soldados. Esse período era caracterizado pela economia rural. como os Godos. 206 . Com a diminuição política do Império Romano durante no século III d. enquanto outras.

ou suserano. duques. cavaleiros. senhores feudais. tinha grande poder. que prestaria fidelidade e ajuda ao seu suserano. O clero. fidelidade e trabalho. construindo também a sua versão de Cristandade com mais legitimidade do que os católicos do ocidente. 207 . O vassalo oferecia ao senhor. em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. O suserano dava um lote de terra ao vassalo. a possuir o legado do Império em todos os sentidos. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. condes. Na Idade Média prevaleceram as relações da vassalagem e suserania. A nobreza feudal era composta por. pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. formado por membros da Igreja Católica. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões. Constantinopla foi uma das duas capitais do final do império.Os romanos do oriente começaram por eles próprios. e estava na mira de ser capturada pelas tribos bárbaras. viscondes detentores de terras que arrecadavam impostos dos camponeses. sendo o rei o suserano mais poderoso. A sociedade era estática com pouca mobilidade social e hierarquizada.

O corpo era ignorado, tendo como principal incentivadora dessa
concepção a igreja católica. A arte era quase que exclusivamente sacra,
dando ênfase aos anjos e santos.

A terceira camada da sociedade era formada pelos servos,
camponeses e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e
tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas
terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas
pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).
A divisão comum em Inicio da Idade
Média, Alta Idade Média e Final da Idade
Média entrou em uso após a Primeira Guerra
Mundial, com os trabalhos de Henri Pirenne
(Os Períodos da História do Capitalismo).
A Era Medieval pode também ser
aplicada a outras partes do Mundo, onde
historiadores encontram características idênticas às da Europa nesse
período.
A pré-ocidentalização na história do Japão é algumas vezes
referida como medieval. O Período Pré-Colonial em desenvolvimento em
partes da África sub-sariana é também referida também como sendo
medieval.
É difícil decidir quando a Idade Média acabou e, de fato, os
estudiosos apontam diferentes datas em diferentes partes da Europa. Alguns
historiadores consideram-se eles próprios historiadores da Renascença ou do

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Inicio da Idade Moderna, enquanto que trabalhos sobre a Inglaterra no
inicio do século XV são considerados medievais.
Outros escolheram acontecimentos específicos, tais como a captura
pelos turcos de Constantinopla ou o fim a Guerra dos Cem anos (ambos em
1453), a invenção da prensa por Johann Gutenberg a queda dos mulçumanos
em Espanha ou a viagem de Colombo á América (todos em 1492), ou ainda
a Reforma Protestante em 1517 para marcar o final do período.
Durante esse período, o comportamento e o gestual do Homem
obedeciam aos parâmetros da época, com tendências derivadas das práticas
religiosas, rituais de colheita, rituais de passagens e utensílios e mobiliários.
Se compararmos o comportamento do Homem medieval com o
Homem pré-histórico, podemos deduzir que, por causa das influências
culturais, as ações e gestos derivaram do comportamento social em cada
período ou época. O simples uso da cadeira e da mesa, assim como a roda,
já impõe formas distintas na expressão no corpo. Com estas comparações,
podemos fazer também uma relação com essas duas épocas e nosso mundo
atual.
Como seria a percepção e expressão de um sujeito dessa época nos
dias atuais? Certamente teria dificuldades para se adaptar cultural e
ambientalmente.
Depois da idade média tivemos a era moderna e atualmente a
contemporânea onde, depois da revolução industrial, o homem progrediu e
progride na área tecnológica em ritmo acelerado, exigindo em períodos de
tempo cada vez menores, adaptações e expressões corporais oriundos dos
padrões e aparelhos tecnológicos.
Imagine um indivíduo na idade média onde, para se enviar uma
correspondência levava-se dias ou semanas, se comunicando pelo celular ou
internet?
Como seria o comportamento do homem contemporâneo se fosse
levado para a pré-história, tendo que caçar ou colher em alguma árvore o
alimento de cada dia, ao invés de passar no supermercado pegar uma
bandeja de carne e uma de fruta e seguir para casa onde seria preparado?
O comportamento, os gestos e as expressões são distintos em cada
época, por influência da cultura, utensílios e aspectos morais ou religiosos.

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14.9. Idade Moderna e Contemporânea
Atualmente, boa parte da humanidade vive em grandes cidades com
construções verticais, restrita ao deslocamento horizontal e a pequenos
percursos. Isso contribui para uma vida sedentária, levando o indivíduo a
buscar atividades físicas em academias e tratamentos em clínicas estéticas.
Tal comportamento deriva da exigência, na maioria das vezes, da aparência
corporal padronizada por certas culturas ocidentais. Com as viagens
espaciais, tivemos que aprender a nos movimentar sem a atração da
gravidade.

O marketing também influencia no consumo e no comportamento.
Quanto mais compararmos com épocas anteriores, mais verificaremos que
costumes como: tipo de alimentação, vestuário, meios e motivos de
deslocamento (trabalho, lazer, etc.), mobiliário, tecnologia, comunicação,
entre outros, exigem formas diferentes de uso do corpo e dos movimentos.
Podemos também nos referir as teorias de
Charles Robert Darwin, naturalista britânico que
convenceu a comunidade científica sobre a evolução
e propôs uma teoria para explicar como ela se dá por
meio da seleção natural e sexual, explicando diversos
fenômenos na Biologia. Suas observações da
natureza levaram-no ao estudo da diversificação das
espécies e, em 1838. Em seu livro de 1859, "A
Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the
Origin of Species by Means of Natural Selection, or
The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu
a idéia de evolução a partir de um ancestral comum. Esta se tornou a
explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza.

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14.10. Conclusão
As influências ambientais e as circunstâncias que exigiam soluções
motivaram o comportamento e ações do ser humano, assim como a criação e
aprimoramento das ferramentas e da tecnologia.
Paralelamente ao desenvolvimento tecnológico, o corpo recebeu
influências e adornos que remetiam à hierarquização social, assim como,
reflexo da identidade do indivíduo.
Nas diversas épocas da história da humanidade, os adornos e os
símbolos influenciaram o comportamento e a leitura corporal da população.
Chefes de tribos, sacerdotes, reis, imperadores, generais, governantes e
integrantes da classe social abastada, mantinham e ainda mantêm suas
expressões apoiadas nos símbolos reconhecidos pela sociedade e sua
cultura.
Por outro lado, grandes líderes como Maomé, Jesus Cristo, Buda,
Gandhi, Madre Tereza de Calcutá e Martin Luther King não utilizavam
ornamentos. Os efeitos de liderança despertados nos seus seguidores,
surgiam da relação e confiança, pela percepção e segurança interna advindos
das ações e ideais por eles exercidos.
Da idade da pedra à nossa época, o homem teve influências
significativas no comportamento e ações. O corpo humano foi exigido na
pré-história para a caça e o manuseio de ferramentas rudimentares até a
utilização dos modernos aparelhos eletrônicos e máquinas complexas. O
corpo passou da vivência em cavernas e ao relento, ao complexo conforto e
comodidade do mobiliário e sistemas de lazer e consumo.

211

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fruto dos estudos e das experiências dos professores do IST-Rio apresentadas no I Seminário de Educação em Informática. atendendo completamente aos requisitos determinados pela legislação educacional. Das propostas abordadas. em suas práticas pedagógicas. vale lembrar que: • a educação tecnológica merece mais atenção. conceitos e discussões sobre a educação tecnológica. das áreas de Tecnologia da Informação (TI) e da Educação. contém vários trabalhos que abordaram teorias. uma outra proposta apresentada consiste em uma solução viável para o processo de inclusão escolar. buscou-se: 215 . dentre diversos aspectos. a criação do pensamento digital. • o conjunto de instrumentos de avaliação vem sendo utilizado sistematicamente. Com relação aos estudos realizados. as diversas formas de avaliação da aprendizagem que podem ser usadas no ensino tecnológico. pode-se afirmar que. na aplicação de recursos de TI em gestão educacional e práticas de ensino. Além disso. e refinado de acordo com as necessidades. • o desafio da sociedade digital é aprender a aprender e aprender a esquecer.Considerações Finais Este livro. a cada semestre no IST-Rio. Das experiências vivenciadas pelos professores do IST-Rio. o Curso de Pósgraduação em Gestão da Tecnologia da Informação em Ambientes Educacionais será implantado no IST-Rio. em se tratando da aprendizagem de surdos. carecendo de definições no plano das gestões macropolíticas para que os seus objetivos e finalidade tenham apoio dos órgãos governamentais. tornado possível a formação de profissionais. além de propostas e da descrição de experiências vividas por alunos e professores do IST-Rio. no cenário da Sociedade da Informação e do Conhecimento.

1. elaborar livros didáticos digitais. conhecimentos na procura de soluções matemáticas e computacionais em ambientes de sala de aula dotados de recursos multimídia. mutuamente. utilizar ferramentas de colaboração em ensino de algoritmos. resta-nos aguardar o próximo seminário da Educação em Informática. tornar possível “diálogos” entre disciplinas e a construção do conhecimento em um curso de tecnologia em análise de sistemas. 216 . tendo em vista a combinação de forma efetiva e harmoniosa das dimensões supracitadas. incorporar portifólios aprendizagem. 2. além das novidades que surgirão. 4. experimentar e trocar. para visualizarmos a evolução desses estudos e trabalhos. 3. traçar um planejamento. que integrasse a formação tecnológica e humana. no processo de avaliação da Tendo em vista a continuidade dos trabalhos do IST-Rio. e 6. 5.