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Resenha do livro Para uma nova gramática do português

Por
Jonatas Ferreira de Lima Souza
(DRE 115044769)

Trabalho apresentado à Prof. Ana
Paula Belchor, como avaliação final da
disciplina Leitura e produção de textos
em língua portuguesa (LEWX02)

Faculdade de Letras – UFRJ
1º semestre de 2015

2004. na década de 1990. Mário Perini possui Doutorado em Linguística (1974) pela Universidade do Texas e cinco Pós-Doutorados pela Universidade de Illinois (1980-2000). É com o aprofundamento teórico que o autor pretende aproximar essas ideias dos profissionais da língua portuguesa. procurando entender o motivo de sua . Gramática do português brasileiro (2010). raciocínio e crescimento intelectual. Dentre suas obras. além desta que resenhamos. O livro claramente não se destina aos estudantes do ensino básico. entre os linguistas e os pesquisadores da língua. e. Sintaxe Portuguesa: Metodologia e Funções (1989). o ensino da gramática nas escolas. Para tal. porém importante para o crescimento acadêmico. Gramática do Infinitivo Português (1977) e A Gramática Gerativa: Introdução ao Estudo da Sintaxe Portuguesa (1976). Atualmente. de apresentar brevemente a obra Para uma nova gramática do português. mas muito tímida. o que leva os estudantes a uma defasagem no âmbito do desenvolvimento da argumentação. Mário Perini é professor voluntário da UFMG. A principal proposta do trabalho de Mário Perini já está explicitada em seu título: uma nova gramática do português. O autor convida professores e acadêmicos ao questionamento da tradição gramatical. Para uma nova gramática do português. destacamos. O autor desta resenha é graduando em Letras Português-Hebraico pela UFRJ e possui a difícil atividade. Ensaios de Linguística 1 (1978). no Brasil. Gramática Descritiva do Português (1995). nos Estados Unidos. nas décadas de 1980 e 1970.A. aos professores em formação nas universidades brasileiras. com enfoque na gramática e seus usos. a colocar em discussão crítica. UNICAMP e nas Universidades de Illinois e Mississipi. 10ª ed. A preocupação do autor está relacionada à recorrente falta de espírito crítico quanto ao ensino da gramática no Brasil. Ainda temos. Estudos de gramática descritiva: as valências verbais (2008). apresentando uma proposta que não é nova. Princípios de linguística descritiva (2006). bem como atua na PUCMinas. no geral.1 PERINI. Seu trabalho Para uma Nova Gramática do Português (1985) é um dos primeiros. Sofrendo a Gramática: Ensaios sobre a Linguagem (1997). além de publicações pela Universidade de Yale (EUA). não necessariamente apenas linguistas. sim. A língua do Brasil amanhã (2004). São Paulo: Ática. o autor pretende priorizar as fundamentações teóricas que pouco são levadas em consideração no quesito “ensino gramatical”. tais como Talking Brazilian: a Brazilian Portuguese Pronunciation Workbook (2003) e Modern Portuguese: a Reference Grammar (2002). mas. O professor e autor Mário Alberto Perini já escreveu mais de dez livros sobre língua portuguesa. M.

para. 85). buscando. então. Em seu Prefácio. Essa semântica. destacando os problemas no ensino da gramática e a importância de romper com “um conjunto de princípios fixos e universalmente aceitos” (p. discutindo três pontos que entende serem de suma importância para se compreender a necessidade de uma nova gramática: (1) o formal e o semântico (seus aspectos). Mário Perini evidencia a necessidade de uma boa gramática sempre relacionar claramente o aspecto. Essa questão receberá destaque no tópico Incoerência e autoritarismo. sem desvincular ambas as doutrinas. instiga à leitura de seu trabalho. Destaca a necessidade de os profissionais da língua desenvolverem questionamentos críticos para com a GT. da gramática do português brasileiro no século XXI. sendo essa sua preocupação. Deixa claro sua crítica à gramatica e não aos gramáticos. por meio do exercício da crítica. com a semântica. que pode modificar o conceito tradicional contido na DGEx. 15). o autor irá justificar a necessidade de sua proposta. expressa sua intenção de romper. que chama de “vítimas de uma tradição” (p. Os dados da análise (p. O autor delimita sua teoria. ou seja. Perini propõe novas abordagens e questionamentos aos conceitos “universalmente aceitos” da GT. no entanto. Introdução (p. como uma doutrina que não é usual para ninguém (sendo esta aquela que impera no ensino básico). destaca o autor. é . A obra Para uma nova gramática do português está dividida em: Prefácio (p. Vocabulário crítico (p. seu método e aqueles responsáveis por aplicá-los. 42). Em (1). ensinada exaustivamente nas escolas. o autor irá desenvolver seus argumentos. defendendo ser um dos encargos do professor nas escolas esclarecer sempre o porquê das suas desarmonias. Ainda como um trabalho inicial. escrito pelo próprio. Para isso. Três problemas básicos (p. Bibliografia comentada (p. como o título indica. As bases da nova gramática (p. principalmente. a DGEx é questionada pelo autor. 21). 10). além de destacar a dificuldade em lidar com semântica muito mais que com a sintaxe (tratando esta de forma mais abrangente na obra). bem como estabelece as divisões DGEx (para o entendimento proposto pela GT) e DGImp (para o real uso e abstração do falante da língua). as barreiras da Gramática que chama de “tradicional” (abreviada por GT). em detrimento da DGEx. Em Doutrina explícita e doutrina implícita. 5). 11). argumentar acerca da importância da DGImp. 89). 91). (2) a noção de “paradigma gramatical” e (3) classes e funções. Doutrina explícita e doutrina implícita (p. a forma. Em sua Introdução. o sentido atribuído. Em Três problemas básicos. 9).2 permanência nos estudos da língua e. O autor deixa claro que existe uma rejeição do reconhecimento da existência real da DGImp. dessa forma. no ensino nas escolas. torná-la realmente útil aos estudantes. A DGImp é aquela usual (bem menos contraditória).

reconhecendo que “a tarefa de lançar as bases da nova gramática é necessariamente longa” (p. enquadramento em uma estrutura típica da língua. acreditando ser necessário maior destaque ao estudo do significado na gramática. é de suma importância para estruturar uma teoria sistematizada voltada ao âmbito semântico da língua. e o autor compreende os limites de sua obra. devido à instabilidade dos conceitos. Perini concentra-se no que chama de “problemas das classes de palavras”. Por fim. fato esse que. localizar a problemática. O leitor encontrará as seguintes discussões com relação aos verbos e substantivos “lexicalmente vazios”: interpretação semântica. coordenação a estruturas paralelas. o autor procura esclarecer os conceitos incompletos e/ou um tanto confusos da GT com relação às classes e funções das palavras. Em As bases da nova gramática. Em outro momento. como a teoria da “análise abstrata” (sobre os “nódulos vazios”). definido e indefinido. Esse problema. em (3). A próxima discussão do autor destaca a elipse (subentendidos) e os constituintes vazios (provocados pelo subentendido). presença de sujeitos e objetos. a semântica é menos compreendida do que o fenômeno sintático na GT. o autor trata de uma questão ao mesmo tempo sensível e complexa. dado e novo. selecionar uma das propostas para uma nova gramática. o leitor encontrará definições acerca do que o autor chama de status: tópico e comentário. segundo ele. o autor examinará os traços discursivos na descrição (aspectos funcionais da linguagem). propondo soluções com possibilidades já conhecidas pelos linguistas. necessariamente. criteriosamente. uma vez que esta é pouco elaborada na GT.3 plural (contextual). Em sua última discussão acerca das bases da nova gramática. Mário Perini busca. Nele. segundo ele. Mas. Mário Perini passa a desenvolver estruturalmente sua proposta para uma nova gramática. Para ele. reposição de itens elípticos. foco de contraste. Dá- . e. Em (2). Também temos tópicos relacionados à descrição do significado. não é levado tão em conta pela GT. retomando semântica. já tratados em forma de críticas à GT. gira entorno do “grau de correspondência entre o aspecto formal e o semântico das expressões linguísticas” (p. ele traz ao leitor a noção de “paradigma gramatical”. ambos entendidos de forma separada. Nela. o autor segue seus esclarecimentos quanto às definições da DGImp em comparação com os conceitos tradicionais (DGEx) da GT. apontando caminhos. destaca o autor. funções temáticas. 85). Alguns desses caminhos. força ilocucionária. Nesse ponto. dêixis. contexto e pragmatismos dos elementos gramaticais e outras seis categorias que considera fundamental para a compreensão deles: denotação. para elaborar sua solução. tratamento e status funcional. encontramos teorias acerca das análises sintáticas frasais possíveis. 74). Nesse ponto. são apresentados segundo os temas relacionados à semântica (contexto literal) e à pragmática (contexto extralinguístico).

como uma ciência e não como um manual que dita as verdades universais da língua. focam apenas a preparação para concursos após o término do Ensino Médio. de 1985. Em Vocabulário crítico. Dessa forma. pontualmente. Aqui. Mário Perini continua (mesmo aposentado e como professor voluntário) defendendo essas e outras ideias acerca da inserção das pesquisas atuais no estudo da gramática. pois existe a necessidade de tratar o estudo da língua portuguesa. a gramática não é vista como ciência nas escolas. com exemplos abundantes pertinentes à defesa de suas propostas. no ensino básico. o autor tece pequenos comentários para cada referência bibliográfica utilizada em sua obra. em Bibliografia comentada. com as classes. pois quase nada mudou no ensino básico. as críticas do autor em sua obra são válidas com relação à atualização (que ainda. uma vez que as escolas brasileiras. são esclarecidos pelo autor em seu capítulo Vocabulário crítico. é possível observar o comportamento gramatical/sintático das palavras. para a concatenação de seus argumentos. pois. mesmo em 2015. . Diante de suas análises. o autor conceitua os principais termos técnicos presentes na obra. Os principais termos técnicos.4 se importância a esse elemento da gramática. mas não cansativo. Os dados da análise trata. o autor discutirá se. está clara a sua atualidade em pleno século XXI. como já vimos. além do trabalho exaustivo. o modo de como o português-padrão brasileiro está sendo descrito (sua variedade). referência ainda atual e essencial para a compreensão dessas problemáticas em nossos dias. em sua maioria. por fim. No geral. o termo “classe” ainda deverá ser utilizado. Apesar de a obra ser de 1985. o autor utiliza uma escrita culta de fácil leitura. e algumas denominações elaboradas por ele próprio e. o autor defende o uso de textos técnicos e jornalísticos como relevantes para obtenção de dados acerca desse português-padrão. mas sim como um manual de normas do português escrito. o que torna a sua obra. nessa nova gramática. As críticas elencadas por Mário Perini à GT ainda são pertinentes. é muito tímida) da GT. Além disso.