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“A Competitividade Responsável é um ingrediente essencial para mercados
globais eficazes. Ela une estratégias corporativas avançadas, políticas públicas
inovadoras e uma sociedade civil vibrante e engajada. Trata-se da criação de uma
nova geração de produtos e processos comerciais lucrativos calcados em regras
que apóiam de forma abrangente os objetivos sociais, ambientais e econômicos
da sociedade. O Estado da Competitividade Responsável demonstra o potencial
prático das estratégias de competitividade responsável para disseminar negócios
e investimentos, e ao mesmo tempo alcançar um equilíbrio entre os interesses
nacionais e globais, entre o benefício público e o privado”.
Pascal Lamy, Diretor Geral,
Organização Mundial do Comércio

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Presidente. University of California em Berkeley 77 A Sociedade Civil e a Competitividade Responsável. Fundação Dom Cabral. Especialista de Desenvolvimento do Setor Privado. Professor. Diretor de Programas. Edna do Nascimento. Consultor Econômico. AccountAbility e Cláudio Boechat. Administradora Sênior do Programa. International Finance Corporation 74 Igualdade de Gênero para Vantagem Competitiva. Presidente do Conselho Consultivo Transparency International e Jonas Moberg. Dimitri Zenghelis. Professora de Administração Empresarial e Economia. SecretárioGeral e Lorenzo Fioramonti. Paul Begley. Estatística. HM Treasury (Ministério Britânico da Fazenda). World Resources Institute 54 Reformulando Mercados por meio de um Fundo Internacional do Carbono. IG Patel Chair da London School of Economics and Political Science 50 Preparativos para um futuro com baixa emissão de gás carbônico. Environmental and Social Development Department e Annemarie Meisling. Nick Butler. Houria Sammari. Guy Ryder. Administradora Global do Better Work Programme. Laura Tyson. Diretor de Programas. Pesquisador Sênior. Haas School of Business. Simon Zadek. AccountAbility 32 O Índice da Competitividade Responsável.Sumário 5 Prefácio por Al Gore 7 Prefácio à Edição Brasileira por Alex MacGillivray e Cláudio Boechat O Índice da Competitividade Responsável 11 O Estado da Competitividade Responsável 2007. Pesquisador. Diretor do Cambridge center of Energy Studies. Peter Eigen. Jonathan Lash. Ros Harvey. Judge Business School Questões-Chave da Competitividade Responsável 61 Reconstruindo o Comércio Mundial e as Regras Econômicas. Reino Unido e Nicholas Stern. Diretor Executivo e Alex MacGillivray. Fundação Dom Cabral Construindo mercados com baixa emissão de gás carbônico 43 O Relatório Stern Review. Dirigente do Secretariado da Extractive Industries Transparency Initiative 69 Better Work: Promovendo Padrões de Trabalho através da Competitividade Responsável. AccountAbility. Organização Internacional do Trabalho. Alex MacGillivray. International Trade Union Confederation 64 Transparência e Responsabilização como Incentivos para o Crescimento. Kumi Naidoo. CIVICUS: World Alliance for Citizen Participation AccountAbility 3 . Secretário-Geral.

Microsoft International Perfil de Países e Regiões 97 Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e Competitividade: Considerações da Comissão Européia. Assistente de Pesquisa. Diretor. Pesquisador. Vice-presidente da European Commission encarregado do setor de Enterprise and Industry 101 Sudeste Asiático: Fomentando a Competitividade através de Responsabilidade Mútua. Edna do Nascimento. Günter Verheugen.Philippe Courtois. AccountAbility 108 BRICS (Brasil. Índia e China) e a Competitividade Responsável. Presidente Honorário. Fundação Dom Cabral 113 RSC com Características Chinesas: Desbravando um Caminho. Cláudio Boechat. Aron Cramer. AccountAbility 125 Anexo 4 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Diretor Executivo e Faiz Shah. Anwar Ibrahim. Co-fundador. Urban Strategy Associates e Paul Begley. Professor. Presidente e CEO. Estatística. Rússia. Jean. e Luana de Albuquerque Dapieve.84 A Fé pode Incentivar a Competitividade? Ambreen Waheed. Presidente. Business for Social Responsibility 117 Competitividade Responsável em Nível Regional. Responsible Business Initiative 88 Construindo Vantagens Competitivas por meio de Práticas de Negócios Responsáveis. Jeremy Nicholls.

O Estado da Competitividade Responsável 2007. Um futuro sustentável implica em mercados que recompensem o desempenho a longo prazo. Em suma. cobrindo mais de 95 por cento da economia global. e o comprometimento é possível em todos os estágios do desenvolvimento. empresários e investidores precisam administrar. Ao ajudar a organizar o Live Earth em nove cidades espalhadas pelo mundo. como também riscos que políticos. Na Generation Investment Management nós unimos pesquisas de ponta voltadas para a sustentabilidade com análises de classe mundial do mercado financeiro. Vejo hoje a competitividade responsável no topo da agenda para um número cada vez maior de CEOs que encontro. mas é fundamentalmente animador: mais e mais companhias estão gerando valor para os investidores de forma duradoura. fiquei emocionado com o crescente comprometimento de líderes políticos e empresariais.Prefácio Por Al Gore Dou minhas calorosas boas vindas ao novo relatório referencial da AccountAbility. bem como de cidadãos participantes. Implica políticas públicas e ações de cidadania que ajudem as empresas a fazerem o que é certo. O relatório é ambicioso em sua abrangência – fornecendo informações sobre a competitividade responsável em 108 países. melhorias de padrões trabalhistas. Seu escopo é vasto. Isso significa encarar a prática empresarial responsável como a linha mestra para a qualidade dos negócios e da sua administração. sobre a questão da sustentabilidade. Al Gore AccountAbility 5 . O Estado da Competitividade Responsável 2007 é desafiador em suas conclusões. O relatório aponta oportunidades de mercado animadoras. eliminação das diferenças entre os sexos e redução da corrupção. Isso torna o novo relatório da AccountAbility especialmente útil – para investidores. abrangendo desenvolvimentos chave no combate às mudanças climáticas. O Estado da Competitividade Responsável 2007 é um guia indispensável para entender como os mercados estão se reformulando para recompensar a competitividade no século XXI. formadores de opinião. líderes empresariais e pesquisadores.

6 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

apoiadores (Construtora Andrade Gutierrez e Serasa) e equipes técnicas a viabilização desta iniciativa. como pode ser verificado no artigo introdutório deste Relatório. encontraram-se novos canais de difusão do conhecimento gerado. hoje.Prefácio à Edição Brasileira Em dezembro de 2003.org. trabalhadores. como Al Gore). o trabalho vem se firmando em nível internacional. Esperamos que a maior transparência dos fatores chave da Competitividade Responsável aumente o grau de consciência de empresários. Sempre com a parceria das duas entidades.net) Cláudio Boechat – Fundação Dom Cabral (www.fdc. vários passos foram dados. pelo menos. AccountAbility e FDC. um conceito introduzido pela organização internacional sem fins lucrativos AccountAbility e seu Presidente Simon Zadek. Agradecemos a nossos patrocinadores (Petrobras e Banco Real). Produzir a versão brasileira do Relatório O Estado da Competitividade Responsável 2007 tem. Alex MacGillivray – AccountAbility (www. De lá para cá. depurou-se a busca de dados. diversidade e qualidade das contribuições dos diversos autores do Relatório 2007 (alguns de renome internacional. aprofundou-se a consistência conceitual. atendendo à visão de seus criadores: contribuir para a eficácia da ação empresarial na construção de um mundo sustentável. O Pacto Global dava ainda seus primeiros passos para se firmar como o. uma grande razão: popularizar o conhecimento sobre a Competitividade Responsável. forte instrumento de inspiração do mundo empresarial. AccountAbility e FDC se juntaram pela primeira vez para trazer a público os estudos sobre Competitividade Responsável. realizado no campus da FDC em Nova Lima. aprimorou-se a metodologia de cálculo. de autoria dos profissionais da AccountAbility. e o primeiro relatório foi lançado e distribuído para os cerca de 250 representantes de mais de 30 países. Como pode atestar-se pela quantidade.br) Fevereiro 2008 AccountAbility 7 .accountability21. governantes e líderes sociais a respeito de como construir uma sociedade cada vez mais responsável. Foi por ocasião do III Fórum de Aprendizagem do Pacto Global.

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O Índice da Competitividade Responsável .

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Ao longo da última década. e implicam sucesso econômico para nações que encorajam essas práticas comerciais através de políticas públicas. No nível macro. afinal de contas. México. A força motriz do comércio global atual. O Estado da Competitividade Responsável 2007 é um relatório de progressos que tem uma abrangência global. continua a pesar sobre muitas nações mais pobres e enfraquecidas. São os mercados que recompensam práticas de negócios que geram melhores resultados sociais. Nigéria. e tem um papel crucial no impulso dos resultados positivos do sucesso econômico. No nível micro de empreendimentos individuais. que traduz os desafios sociais e ambientais da nossa época em oportunidades para a criação de valor econômico. E destaca quais países têm condições sociais e estão colocando em prática políticas públicas que encorajam a competitividade responsável. que são responsáveis por mais de um trilhão de dólares em mercadorias exportadas. África do Sul. a “responsabilidade corporativa” evoluiu do foco no que deveria ser evitado para uma agenda de inovação empresarial. ambiental e econômico sobre comunidades mais fracas. Indonésia. a Federação Russa. Tailândia. para países em todos os níveis de desenvolvimento. As posições privilegiadas das nações mais ricas da atualidade nas cadeias globais de valor foram. Índia. Sociedades economicamente mais abastadas têm capacidade de serem mais responsáveis em relação aos cidadãos e ao meio ambiente. normas sociais e ações de cidadania. Forças competitivas desenfreadas encorajam visões de curto prazo na obtenção de lucros e estratégias nacionais de competitividade enraizadas no mercantilismo paroquial e no nacionalismo econômico. Malásia. Os mercados globais fomentam o comércio internacional. convencidas de que aceitar a “inevitabilidade” de condições de trabalho AccountAbility 11 . ambientais e econômicos. embora extraordinária. estratégias que incorporam os princípios e as práticas da competitividade responsável são cada vez mais reconhecidas como tendo enorme potencial na criação de valor econômico e resultados lucrativos. conquistadas através da imposição de um fardo social. A conclusão deste relatório é que a responsabilidade pode e deve reforçar a competitividade. Investidores voltados para lucros de curto prazo e consumidores absortos em conseguir preços mais baixos frequentemente impedem que estratégias empresariais de longo prazo consigam tração no mercado. Ele avalia práticas de negócios responsáveis em 108 países. instituições maduras. Turquia. A competitividade responsável é parcialmente incentivada pelas forças do mercado.O Estado da Competitividade Responsável Por Simon Zadek e Alex MacGillivray Reformulando a competitividade A competitividade responsável trata de fazer valer o desenvolvimento sustentável nos mercados globais. os assim chamados EE12. Há muito que se esperar da nova geração de exportadores emergentes (China. Brasil e Venezuela). tecnologia. cidadãos engajados e o cumprimento das leis são estímulos cruciais para a competitividade. Vantagens competitivas nos impacientes mercados da atualidade não irão por si só cumprir a promessa do desenvolvimento sustentável. e são mais bem sucedidas em mercados onde educação. que representa agora mais de 20% do Produto Econômico Global. o dramático crescimento econômico global das últimas décadas tirou centenas de milhões de pessoas da miséria.

muitas instituições multilaterais enfrentam dificuldades na implementação de acordos globais que correspondam às nossas necessidades mais prementes. Os primeiros impactos da mudança climática já estão nos afetando. Competitividade responsável requer regras globais para reformular os mercados às necessidades do futuro. chama de “um distanciamento da visão incremental de como se construir mercados”. Mas as repetidas decepções frente a desafios tão tenebrosos levantam dúvidas quanto a se a atual estrutura global de governança. em grande parte. Falhas podem facilmente ser atribuídas a uma ou outra das partes. Como argumenta Günter Verheugen. Um exemplo são os princípios do Parto Global da ONU (Tabela 1). Os mercados e a política econômica mais abrangente da atualidade são cada vez mais encarados como cúmplices no crescimento das desigualdades entre e dentro das nações. herdada do passado. é adequada às necessidades do amanhã. escassez crônica de água potável. nos propósitos. migrações e direitos civis. fundamentalmente. repetindo e reforçando esse padrão. Presidente do World Resources Institute. Jean-Philippe Courtois. exemplificados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Sem a reversão desses fatores a legitimidade dos negócios e dos próprios mercados será enfraquecida. produtos mais saudáveis. Vice-presidente da Comissão Européia. As instituições intergovernamentais criadas ao longo do século XX se provaram eficientes no estabelecimento de nítidos fundamentos normativos para orientar tais regras. Modelos empresariais existentes oferecem ganhos modestos quando as oportunidades são facilitadas como. Entretanto. pre12 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . e o seu impacto no trato com a força de trabalho e com as comunidades. Mas práticas que lucrem cuidando e renovando nossos recursos. como também o seu potencial para contribuir na geração de soluções imprescindíveis para estes mesmos desafios. processos de produção mais seguros e justos. a segurança energética. uma mudança significativa da cultura das estratégias de negócios e talvez. E as novas gerações de potências econômicas e políticas nacionais estão. O seu direito à prosperidade econômica coincide com nossa incapacidade coletiva de apoiar esse direito sem exacerbar os maiores desafios sociais e ambientais da atualidade das mudanças climáticas escassez de água potável.e controles ambientais inadequados são o preço a ser pago para se ter acesso aos benefícios da especialização internacional. na corrupção sem fim e no aumento do nacionalismo econômico. Mercados que não valorizam o que realmente conta na sustentação de sociedades irão continuar gerando resultados negativos para as pessoas e para o meio ambiente. A competitividade que leva em conta o que é importante na sustentação de sociedades deve ser guiada por regras efetivas que rejam o negócio dos negócios. a imposição dos direitos humanos conquistados a duras penas e a administração eficiente de nosso patrimônio ambiental. das mudanças climáticas e fontes de energia seguras ao livre comércio e os padrões trabalhistas. e construindocomunidades sustentáveis requerirão o que Jonathan Lash. tanto em estratégias e práticas empresariais quanto em uma abordagem mais ampla nos meios de governo. derretendo não apenas os pólos. mas também o sustento arduamente conquistado de milhões de pessoas. Trazer a competitividade responsável para o centro das tendências atuais requer inovações profundas. nas migrações caóticas. “empresas de todos os portes devem considerar os papéis que irão desempenhar na sociedade contemporânea ao tomarem decisões estratégicas e operacionais”. por exemplo. Competitividade irresponsável tem conseqüências catastróficas.

Estamos presenciando também os primeiros estágios de uma revolução nas formas de governança e de como lidar com os negócios globais. ou simplesmente evitando-os por completo e estabelecendo estas diretrizes regionalmente. Da mesma forma. Programas de regulamentação cujo objetivo é a redução da emissão de gás carbônico serão implementados por causa de coalizões entre empresas e organizações ambientais. AccountAbility 13 . O Better Work Programme (da organização Internacional do Trabalho e Finance Corporation é um ótimo exemplo de tal colaboração. o de bananas e o de componentes eletrônicos tornar-se-á uma realidade pois as empresas estão se unindo a organizações trabalhistas e civis com o intuito de reformular as regras sob as quais esses produtos são comercializados e. Peter Eigen e Jonas Moberg descrevem outra iniciativa semelhante focada na transparência financeira dos setores de óleo. Assegurar padrões trabalhistas adequados como uma vantagem competitiva em mercados globais tão distintos como o têxtil. produzidos.sidente da Microsoft International. gás e mineração: a Extractive Industries Transparency Initiative (EITI) – Iniciativa de Transparência das Indústrias de Extração. Um exemplo dramático é a Climate Action Partnership (Parceria Ativa para o Clima) nos EUA. recursos florestais e marítimos estão sendo preservados através de iniciativas colaborativas encorajando o manejo sustentável como fundamento da vantagem competitiva. portanto. ilustra esse tipo de prática e de pensamento lateral em sua descrição sobre como o uso inovador de software por cidades pode ajudar a lidar com as mudanças climáticas. que juntos irão advogar as suas opções perante governos resistentes.

pode. assegurando às mulheres as mesmas oportunidades de acesso a saúde. ™™ Eliminar as diferenças entre os sexos. educação e trabalho pode gerar. aumentar os rendimentos nacionais em aproximadamente quatro vezes.O Estado da Competitividade Responsável 2007 Estratégias e práticas bem sucedidas de competitividade responsável oferecem enorme potencial para empresas e sociedades: ™™ De acordo com Sir Nicholas Stern e seus associados. de acordo com pesquisas do Banco Mundial. os mercados para tecnologias de baixas emissões de gás carbônico valerão cerca de US$500 bilhões. ™™ Desenvolver a governança e a prestação de contas reduziria os 10% do PIB que o Banco Interamericano de Desenvolvimento estima serem perdidos anualmente por causa da corrupção. O combate à corrupção. argumenta a professora da Haas. em 2050. a longo prazo. mais de US$40 bilhões. Laura Tyson. apenas na Ásia e no Pacífico.1 14 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

Competitividade Responsável requer inovação constante e colaboração no abandono de modelos empresariais e abordagens de governança ultrapassadas.Competitividade Responsável Pontuação 2007 70+ 69-60 59-50 49-40 39-30 Dados indisponíveis ™™ Lidar com os padrões trabalhistas e com a produtividade simultaneamente pode levar a incrementos de produtividade de até 50% nas fábricas mais dinâmicas. AccountAbility 15 . considerando-se experiências na indústria de vestuário do Camboja. os ensaístas de O Estado da Competitividade Responsável 2007 concordam em um ponto: a necessidade da competitividade responsável é urgente e irrefutável. atualmente um negócio de US$1 bilhão. e pior ainda de reverter. O fracasso pode ocorrer. O debate político é sobre como torná-la uma realidade. além da criação de uma nova geração de mercados e economias sustentáveis. Embora escrevendo sob pontos de vistas diferentes e sobre desafios diversificados. e desencadearia forças políticas e ambientais que podem se tornar impossíveis de conter.

o Pacto Global vem promovendo a cidadania corporativa responsável enfatizando dez princípios universais: 1. As empresas devem combater a corrupção em todas as suas formas. As empresas devem apoiar e respeitar a proteção dos direitos humanos proclamados internacionalmente. 3. As empresas devem erradicar efetivamente o trabalho infantil. 4. 6. inclusive extorsão e propina. As empresas devem defender a liberdade de associação e o reconhimento efetivo do direito da negociação coletiva. 7. empresas. As empresas devem encorajar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmente saudáveis. As empresas devem assumir iniciativas para promover umamaior responsabilidade ambiental. 5. organizações trabalhistas e sociedades civis ao redor do mundo no apoio a princípios ambientais e sociais universais. As empresas devem eliminar todas as formas de trabalho forçado ou compulsório. As empresas devem eliminar a discriminação no que emprego e na ocupação. 8. As empresas devem apoiar uma abordagem precaucionária para as desafios ambientais. 2. As empresas devem evitar a cumplicidade nos abusos dos direitos humanos. 10. Desde o seu surgimento em julho de 2000. 9. 16 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .Tabela 1: Os Princípios do Pacto Global da ONU O Pacto Global da ONU arregimenta agências da ONU.

dilemas e tensões envolvendo o debate sobre RSC. investimentos maciços permitiram que melhorássemos a qualidade do ICR. um índice abrangendo todo o país.responsabilidade corporativa social. o ICR tornou-se uma ferramenta poderosa para aumentar a conscientização e conduzir os debates para além dos casos-modelo. o Copenhagen Center. “Até agora. explorando através de análise quantitativa a relação entre competitividade nacional e a situação nacional de responsabilidade corporativa. em dezembro de 2003 AccountAbility 17 . Foi desafiador quantificar essa relação de forma apropriada devido a deficiências nas informações e ao complexo problema da causalidade. através do fluxo de informações embasadas de terceiros. e. Brasil. Pascal Lamy. individualmente. foi lançado no final de 2003 em Nova Lima. A inovação metodológica consistiu no desenvolvimento de uma medida para a situação da competitividade responsável do país como um todo. o debate deu grande ênfase naquilo que as empresas. Esse relatório inicial demonstrou o desafio de como melhor aumentar o escopo e o impacto das ações responsáveis nos negócios. e o uso dessa medida na avaliação de resultados contra medidas de competitividade nacional fornecidas pelo Fórum Econômico Mundial. foi lançado em uma reunião entre a Comissão Européia e o nosso parceiro de pesquisas. principalmente. uma escola de negócios brasileira. pela primeira vez. Este folheto explora alguns desafios. Contudo. O relatório apresentava um piloto do Índice da Competitividade Responsável. podem fazer para incrementar seus objetivos de desenvolvimento sustentável. no UN Global Compact Learning Forum organizado pela ONU. O primeiro relatório. na direção de uma exploração mais sistêmica de como melhor implantar práticas de negócios responsáveis no mercado global. o Índice da Competitividade Responsável (ICR). Assim. a relação entre a RSC e o patrimônio competitivo das nações. para tornarem-se a alavanca principal no aumento de produtividade. o papel das parcerias entre as empresas. criação de riqueza e sucesso econômico. Nota do tradutor * Os autores se referem ao III Internacional Global Compact Learning Forum Meeting. fornecendo. Corporate Responsibility and the competitiveness of nations. desde então. e também através de nossa parceria com a Fundação Dom Cabral. então Comissário para o comércio da Comissão Européia. e a contribuição que as políticas públicas poderiam fazer para reforçar as ligações entre responsabilidade corporativa e a competitividade. órgão do governo dinamarquês. esquematizou as prioridades da Competitividade Responsável no prefácio do relatório.Compreendendo a competitividade responsável O Relatório sobre a Competitividade Responsável 2007 da AccountAbility é o nosso quarto relatório bianual sobre competitividade responsável no mundo desde 2001.” O segundo relatório bianual. realizado no Campus da Fundação Dom Cabral. a sociedade civil e o setor público.

de Santiago a Londres. ™™ Construindo valores. Jeremy Nicholls e Paul Begley descrevem em seu artigo um esforço pioneiro para medir e implementar competitividade responsável regional e localmente. durante dois anos. grupo RSC de El Salvador. foi incluído um conjunto de estudos setoriais de casos sobre a Competitividade Responsável na prática. a INCAE. tecnologia da informação e comunicação. Baseados nisso. Competitividade Responsável é o DNA das estratégias eficazes para que a globalização crescente tenha uma face humana. Pela primeira vez. Nosso recente relatório. envolvendo dezenas de assembléias de diferentes stakeholders em que participavam centenas de organizações e profissionais interessados. em Washington. poderia ser melhorada através de ações e iniciativas colaborativas para impulsionar todos os setores a praticarem ações responsáveis. A iniciativa da Competitividade Responsável promovida pela AccountAbility explorou a prática e o potencial de setores. Pesquisas práticas de meia década revelam padrões contemporâneos importantes e oportunidades associadas para o melhoramento de práticas regionais.O terceiro relatório bianual. duas escolas de negócios européias de renome. foi lançado em dezembro de 2005. incluindo o Banco Mundial. e de Nova Déli a Joanesburgo. Genebra e Salvador com diferentes parceiros. a UNCTAD e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. e farmacêuticos.EABIS. ao invés de se dar ênfase exclusivamente em normas de conformidade. 18 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . A integração dos impactos sociais. pesquisou como a competitividade internacional de três setores europeus. finanças. Além disso. fatores e aspectos geográficos específicos. ambientais e econômicos aos mercados pode ser intensificada e acelerada com o incentivo de oportunidades associadas á geração de valor econômico e ao sucesso nos negócios. Um estudo concluído em 2006 para a UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial) enfatizou como o desempenho de pequenas e médias empresas de países em desenvolvimento poderia ser melhorado através da integração das mesmas a “clusters de responsabilidades” mantidos por instituições públicas com participação de organizações da sociedade civil. Responsible Competitiveness in Europe. Responsible Competitiveness 2005. No cerne dessa aprendizagem está o potencial para reformular os mercados através de inovações na criação de valor econômico e responsabilização.com dois outros parceiros. dando ênfase ao papel chave das iniciativas colaborativas em mercados menos favorecidos e com impedimentos políticos para promover práticas de negócios responsáveis nos mercados globais. Isso incorporou uma nova série de metodologias inovadoras. baseado em extensos diálogos entre vários stakeholders conduzidos pelos nossos quatro parceiros. posteriormente. em Xangai no UN Global Compact Summit e.Competitividad Responsable . a ESADE e a INSEAD. Fundamentalmente baseou-se no “Diálogo Global sobre Competitividade Responsável”. o European Policy Center e a European Academy of Business in Society . escola de negócios da América Central e a Fundemas. foi preparada uma versão regional do relatório para América Latina .

Crucialmente. O Estado da Competitividade Responsável 2007. Cada um desses três domínios conjuga dados quantitativoscom descobertas baseadas em opiniões (ver Figura 1). A lista agora inclui países que. gênero. O ICR 2007 aprofunda a nossa compreensão das forças motrizes da competitividade responsável através de uma adoção aprimorada de mais e melhores fontes de dados. sete medidas do ambiente social e político que permitem às empresas. ™™ Ação Empresarial: sete medidas para as empresas sobre a aplicação de boas práticas. que vão desde a Transparency International ao World Bank Institute e ao Fórum Econômico Mundial. políticas públicas. Apesar dessa restrição. bem como análises por países e por regiões. através de: ™™ Melhorias significativas no Índice da Competitividade Responsável (ICR). o ICR 2007 valoriza a medidas que refletem o papel da combinação de forças impulsoras que englobam estratégias e práticas empresariais. políticas públicas inteligentes e uma sociedade civil atuante. ampliando este grupo para 108 países. Atualmente as economias emergentes representam metade da economia mundial e a maioria dos habitantes do planeta. juntos. o Chief Executive Officer da BSR. somam 96% do Produto Interno Bruto global e inclui 17 países menos desenvolvidos. todos os grupos de dados são obtidos de fontes externas oficiais. Uma forma vigorosa para vencer as barreiras do mercado ao avanço das práticas de negócios responsáveis é desenvolver e promover uma nova geração de padrões voluntários e transformações institucionais através de iniciativas colaborativas de diferentes stakeholders. sociedade civil. trabalho e crenças. inclusive mudanças climáticas. variar entre os países e ao longo do tempo. sociedade civil e ativismo e engajamento trabalhista. A importância relativa desses elementos irá. o social e o meio ambiente. códigos e sistemas de gestão voltados para a governança. obviamente. aumentamos para 21 o número de bases de dados quantitativos e qualitativos utilizadas. Assegurar práticas empresariais responsáveis e de sucesso só é possível através dos esforços combinados de empresas engajadas. que agrupamos em três domínios primários: ™™ Impulsionadores de políticas: sete medidas da força das políticas públicas e do “soft power” que estimulam as práticas empresariais responsáveis. Essa maior abrangência inevitavelmente restringiu o uso de informações às séries de dados que cobrem a lista completa dos países.™™ Governança colaborativa. que agora traz mais e melhores informações. ™™ Uma coleção única de ensaios de experts de destaque mundial sobre as conexões entre questões específicas. aos governos e às organizações da sociedade civil construírem colaborações efetivas na reformulação dos mercados. corrupção. como esclarece Aron Cramer. aproveita o impulso dos últimos anos no avanço da compreensão das práticas e do potencial da competitividade responsável. Nós cumprimos com o nosso compromisso de aumentar a cobertura de países pelo ICR. impactos empresariais e competitividade internacional. e ™™ Habilitadores Sociais. Assim. oferece uma cobertura mais abrangente de países e utiliza métodos estatísticos e analíticos mais sólidos. em sua análise das características da responsabilidade corporativa na China. AccountAbility 19 . O Estado da Competitividade Responsável O quarto relatório bianual da AccountAbility. comparados aos 83 da segunda edição e aos 51 do ICR piloto de 2003.

habilidades e níveis de desenvolvimento do país. O que vem a seguir é uma análise dos principais resultados do índice de 2007. e faremos observações sobre a qualidade dos dados. No capítulo a seguir.Isto requer um índice dinâmico que leve em conta as necessidades. 20 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . sensibilidade dos índices e cautelas estatísticas. explicaremos mais detalhadamente a metodologia do Índice da Competitividade Responsável.

Impulsionadores de políticas: yy Assinatura e ratificação de tratados ambientais yy Ratificação de direitos trabalhistas básicos yy Índice da inflexibilidade no emprego yy Seriedade da Regulamentação Ambiental yy Emissão de CO2 por bilhão de dólares yy Emprego de mulheres no setor privado yy Ambiente fiscal responsável Ação Empresarial: yy Eficácia dos conselhos Corpotativos ou diretorias yy Comportamento ético das companhias O Índice da Competitividade yy Igualdade salarial para cargos similares Responsável 2007 yy Solidez dos padrões de auditoria e contabilidade 108 países yy Extensão de treinamento do contingente de trabalho yy Quociente de certificação ISO yy Fatalidades ocupacionais Habilitadores Sociais: yy Índice de percepção da corrupção yy Orientação dos consumidores yy Liberdade de imprensa yy Transparência das transações yy Afiliação a Organizações não Governamentais (ONGs) yy Liberdades civis yy Impacto da salubridade do ar e da água nas operações empresariais Figura 1: Impulsionando a Competitividade Responsável AccountAbility 21 .

são os mais avançados na assimilação de práticas empresariais responsáveis no cerne de suas economias. Marrocos e em Bangladesh as iniciativas de competitividade responsável no nível setoriais ainda estão por produzir resultados tangíveis no nível nacional.Principais resultados Os resultados mais marcantes do ICR 2007 indicam que nações maduras ou desenvolvidas. ™™ A correlação entre o ICR e o Growth Competitiveness Index R2 = 0. ™™ A África do Sul lidera os assim chamados BRICS. ao lado do Reino Unido. particularmente países europeus. ™™ Países nórdicos encabeçam a lista. aponta para uma forte correlação entre responsabilidade e a principal medida da competitividade dos países. A comparação do ICR 2007 com medidas relevantes de competitividade e de desenvolvimento empresarial demonstra uma forte correlação entre a competitividade responsável dos países e o seu vigor econômico. Algo especialmente interessante. Malásia e a República da Coréia estão entre o primeiro quartil e. enquanto no Camboja. ™™ Entre os países de baixa renda. A eles se unem Hong Kong.85 do Fórum Econômico Mundial. nesta ordem (o artigo da Fundação Dom Cabral analisa o desempenho desses países detalhadamente). Canadá e Estados Unidos. um grupo que aparenta ter atingido um patamar natural e ainda outro que retrocedeu. 22 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . considerando-se a diversidade dos dados utilizados para os respectivos índices. ™™ Treze dos “top 20” da lista são países europeus. havendo um significativo número de países que alcançaram grandes progressos. de certa forma. Islândia e Noruega ocupando as primeiras seis posições. Análise Comparativa Os resultados do ICR 2007 podem ser comparados com os de 2005. de uma pontuação média de 56 para 59. ™™ Economias emergentes como o Chile. na 28ª posição. mas perceptível avanço na competitividade responsável. e Austrália e Nova Zelândia. Finlândia. Entretanto. com o Brasil. na Ásia. com a Suécia em primeiro lugar e Dinamarca. com desempenhos melhores que vários países que recentemente se juntaram à União Européia. este progresso não foi universal. Zâmbia e Uganda têm melhor desempenho que outros países com níveis de desenvolvimento comparáveis. Japão e Singapura. a Rússia e a China a seguir. a Índia. Nos países analisados tanto em 2005 quanto em 2007 podemos observar um pequeno.

Uma crítica aos esforços globais para medir a responsabilidade empresarial referese ao fato de que países abastados podem alcançar pontuações elevadas exteriorizando os impactos sociais e ambientais negativos que geram para suas cadeias de suprimentos globais o que. consequentemente. nesse estágio. estão relacionados às exportações para importadores com pontuações elevadas da Europa e América do Norte. ou então. Analisamos essa questão fazendo a correlação entre um subgrupo de países do ICR com dados obtidos da UNCTAD sobre importações de bens e serviços poluentes. Fonte: Growth Competitiveness Index Fórum Econômico Mundial – 06/07 ™™ A correlação entre o fator da ação empresarial do ICR e o índice “Facilidade para Fazer Negócios” (Ease of doing Business) do Banco Mundial (R2=0.Índice de competitividade de crescimento Índice de competitividade responsável 2007 Figura 2: O índice de 2007 de competitividade responsável e de competitividade do crescimento. para testar essa hipótese com segurança. Por exemplo. que tem baixa pontuação. Comprometemos-nos a realizar mais pesquisas sobre essa questão em edições futuras.53) indica que países que têm bom desempenho na implementação de práticas de responsabilidade empresarial tendem a ser lugares mais fáceis de se fazer negócios.2 Infelizmente. desfavorece países que sediam etapas importantes dessas cadeias de fornecimento (a assim chamada Pollution Haven Hypothesis . nesse estágio. Não encontramos correlação. Ou a hipótese de que uma melhor contabilização aproximaria os resultados das pontuações mais baixas e mais elevadas no ICR é enganosa. e talvez mais provavelmente. um estudo recente mostrou que até 40% dos poluentes do ar no delta do Rio Pérola. não há dados sistemáticos adequados de nossa ampla amostra de países para testar esta hipótese dentro do ICR principal. os dados ainda são insuficientes. AccountAbility 23 . na China.Hipótese dos Portos de Poluição).

www. 2007 Análise de clusters A comparação entre países com alta pontuação como a Bélgica. algumas generalizações são possíveis na análise desses quatro abrangentes grupos de países.org. Os países precisam desenvolver as suas próprias estratégias. Fonte: Ease of Doing Business.Facilidade para Fazer Negócios Ação empresarial Figura 3: O índice de 2007 de competitividade responsável e de facilidade para fazer negócios. como países de baixa pontuação com Paraguai. de “linha de produção” na consolidação da competitividade responsável. unindo ação empresarial. Nossa análise revelou um conjunto estatisticamente robusto de quatro clusters de países. amplamente distintos em seus estágios de desenvolvimento. como em outros índices internacionais abrangentes tais como o Índice de Desenvolvimento Humano e os Índices de Competitividade do Fórum Econômico Mundial. Não obstante.doingbusiness. O que esses grupos mostram é que não pode haver uma abordagem padronizada. forças políticas e habilitadores sociais nas combinações mais efetivas e apropriadas aos seus estágios de desenvolvimento. 24 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Paquistão e Mali tem implicações políticas limitadas. O exame de subgrupos de países é mais proveitoso. Malásia e Costa Rica.

Fórum Econômico Mundial 06/07 AccountAbility 25 .Inovadores Assertivos Cumpridores Índice de competitividade do crescimento Iniciantes Índice de competitividade responsável 2007 Figura 4: Identificando clusters de países pelo desempenho da competitividade responsável Fonte: Growth Competitiveness Index.

Bangladesh e a Federação Russa. e estão longe de se elevarem na cadeia de valor ou de desenvolverem marcas globais. A necessidade dos Iniciantes de darem ênfase a esses direitos básicos é fortemente destacada por Guy Ryder. portanto. estão aumentando a capacidade de participação de mercado nas cadeias de suprimentos globais de marcas e consumidores mais atentos à qualidade. ambientais e de qualidade internacionais e. secretário geral da International Trade Union Confederation. 26 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Os Cumpridores são responsáveis por cerca de US$1 trilhão do comércio mundial. como saúde e segurança no trabalho e liberdade de organização entre empresas. não raro. ™™ Cumpridores (grupo três): A Índia é um caso a parte por ser uma economia de baixa renda. mas ainda lutam para implementar o básico. ou 29% da lista total. Os maiores países inclusos neste grupo são a China.Performance em cada sub-índice (%) Iniciantes Impulsionadores de Políticas Cumpridores Ação empresarial Assertivos Inovadores Habilitadores sociais Figura 5: O desempenho dos clusters em cada sub-índice ™™ Iniciantes (grupo quatro): este cluster. têm um escopo limitado a exportações de baixo valor e. Estes países procuram evidenciar os progressos em alcançar padrões trabalhistas. Esses países. de baixa qualidade. a Turquia e o México. Outros grandes países nesse grupo são o Brasil. A sociedade civil nacional não é uma força motriz significativa no grupo dos Cumpridores. além de outros impulsionadores políticos. o de pontuação mais baixa. em sua maioria. Muitos desses países já assinalaram o seu comprometimento com a responsabilidade através da assinatura e de tratados internacionais. é composto de 31 países. enquanto os outros 32 cumpridores são classificados como países de renda média.

Coréia República Tcheca Tailândia Taiwan.Tabela 1: Os países em cada grupo Iniciantes Angola Bangladesh Benin Bolívia Burquina Faso Camarões Camboja Chade China Equador Etiópia Gâmbia Madagascar Malawi Mali Marrocos Mauritânia Moçambique Mongólia Nepal Nigéria Paquistão Paraguai Quênia Quirguistão Rússia Tanzânia Ucrânia Uganda Zâmbia Zimbábue Cumpridores Assertivos Inovadores Albânia Argentina Brasil Bulgária Cazaquistão Colômbia Croácia Egito El Salvador Filipinas Geórgia Guatemala Honduras Índia Indonésia Jordânia Lesoto Macedônia México Moldávia Namíbia Nicarágua Panamá Peru Polônia República Dominicana Romênia Sri Lanka Trinidad e Tobago Tunísia Turquia Uruguai Venezuela Botsuana África do Sul Chile Costa Rica Emirados Árabes Unidos Eslovaquia Eslovênia Espanha Estônia Grécia Hungria Israel Itália Jamaica Kuwait Letônia Lituânia Malásia Maurício Portugal Rep. China Irlanda Islândia Japão Noruega Nova Zelândia Países Baixos Reino Unido Singapura Suécia Suíça AccountAbility 27 . China Austrália Alemanha Áustria Bélgica Canadá Dinamarca Estados Unidos Finlândia França Hong Kong.

a Itália e os Emirados Árabes Unidos. É como uma lente que identifica as prioridades para cada país. mas que está pronta a colaborar na busca de soluções – é um elemento crítico no avanço do projeto nacionail mais abrangente. Ao contrário. Alguns. além de empresas domésticas de grande porte. A inovação sustentada no contexto de talentos parcos e altamente volúveis requer condições de trabalho flexíveis e instituições públicas e privadas dinãmicas e confiáveis. mas o coração do modelo econômico. uma sociedade civil vibrante – que desafia as empresas. direcionada por regulamentações relativamente bem aplicadas. e a lista é encabeçada pela Europa. o ICR não é apenas uma tabela de ganhadores e perdedores. como o Chile e a África do Sul. Fomentando a competitividade responsável A competitividade responsável personifica o potencial do empresariado e da economia de atender às nossas necessidades mais prementes através da combinação de inovação em produtos e processos e novas formas de colaboração e regulamentação civil. região. A iniciativa da AccountAbility de competitividade responsável. Os países que estão provando as suas credenciais assertivas de responsabilidade englobam a Espanha. Os Assertivos são países que deram um passo à frente. estratégias de responsabilidade corporativa bem formuladas.™™ . a inovação baseada em conhecimento acarreta no fator de liderança de todas essas economias. A competitividade responsável. com a maior pontuação. Mas o ICR demonstra que ter uma pontuação baixa não é um fenômeno “natural” que deve ser tolerado até que a prosperidade os alce escala acima. mais elevado na cadeia de valor. é composto de 20 países. Dentro desses quatro grupos.Inovadores (grupo um): esse grupo. Os Inovadores trabalham para imbuir responsabilidade no cerne dos seus mercados domésticos. estão ativamente engajados no desenvolvimento e na promoção de padrões internacionais que lhes proporcionarão uma vantagem competitiva. regiões e nações. Além disso. Para esse grupo. delegando responsabilidades às empresas de pequeno ou médio porte e a investimentos no exterior. vindo a seguir outros países da OECD Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). um pouco menos de um quarto da lista total. Alguns Assertivos estão criando marcas nacionais associadas a práticas empresariais e de governo responsáveis que atraiam investimentos estrangeiros diretos e promovam uma primeira geração de produtos globais e marcas corporativas. Para muitos dos países Assertivos. tanto no nível de uma empresa quanto para as comunidades. Portanto. mas sim uma ferramenta para o diagnóstico do progresso e do potencial de países no desenvolvimento de suas economias e no incentivo dado às suas instituições para que se beneficiem dessas novas fontes de oportunidades econômicas em patamares mais elevados da cadeia de valor. a competitividade responsável não é mais um adendo. ™™ . aproveitando as oportunidades da competitividade responsável. na maioria das vezes enfatizada por ONGs atuantes. o ICR é uma medida da eficiência das forças combinadas das estratégias e práticas empresariais com as políticas públicas no aprimoramento da posição econômica e no papel de um país no mercado global. fundamenta-se em estratégia e inovação. países podem melhorar os seus desempenhos juntamente com o processo orgânico de desenvolvimento.Assertivos (grupo dois): esse grupo consiste de 24 países. baseada 28 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . cidade ou comunidade para que se alinhe de forma a avançar de um grupo a outro. observadores da mídia e consumidores que exigem novos produtos responsáveis. Também exige atenção aos detalhes.

Não se trata de coincidência. a expansão e o potencial competitivo da governança colaborativa é exemplificado pelo apoio da empresa a um marco regulatório de captura e comércio das emissões de carbono para os EUA. Outro exemplo é o engajamento do Reino de Lesoto com o Fórum MFA. de modo a continuar obtendo ganhos provenientes de práticas que desnecessariamente prejudicam as pessoas e o meio ambiente. ™™ Muitos governos ainda não se convenceram de que a competitividade pode ser fundamentada em inovações que criem valor associadas a novas formas de responsabilidade.em pesquisa e prática envolvendo uma crescente rede de parcerias. descreve o nascimento de mais uma empresa inovadora. efetivamente atravancam mudanças impulsionadas por políticas ou pelos negócios. A GE atualmente possui um portfólio de 45 produtos e serviços que consomem menos energia e não prejudicam o meio ambiente. de acordo com o índice de responsabilidade anual (AccountAbility Rating). Esses governos estão contaminados por práticas empresariais atrasados e pelo foco de seus assessores de competitividade no cumpimento legal ao trat de questões sociais e ambientais. Esse potencial é cada vez mais reconhecido por líderes de empresas e governantes de todo o mundo.000 trabalhadores têxteis de Lesoto temiam um eclipse completo da indústria quando as concessões do Multi-Fibre Arrangement (MFA) chegaram ao fim em 2005. Na África do Sul. Estratégias de competitividade responsável exigem fortes condutores de políticas. Nick Butler. a Jordânia e o Marrocos também estão adotando e implementando programas de competitividade responsável no setor de vestuário. como parte de uma iniciativa conjunta de proteção envolvendo organizações comerciais e ambientais. e que têm como objetivo gerar pelo menos US$20 bilhões até 2010. estatísticas mediócres e falta de competência: ™™ Empresas retardatárias. na Rússia e na Hungria há uma “cauda longa” de companhias cujo desempenho está muito atrás dos líderes. por exemplo. em novas fontes de criação de valor. organizações trabalhistas e instituições públicas internacionais. Kumi Naidoo. A iniciativa “ecomagination” da GE exemplifica uma estratégia que efetivamente transforma desafios prementes. Países como a Nicarágua vêm perdendo prestígio por suas pontuações sempre baixas nos principais índices de competitividade. A realidade é que o potencial prático da competitividade responsável ainda não é suficientemente apreciado por líderes empresariais e políticos. a Hydrogen Energy. conselhos ultrapassados. freqüentemente com aversão a riscos e provenientes de setores decadentes ou de associações empresariais cautelosas demais. e na abordagem da ação voluntária a partir de um marco exclusivamente empresarial. secretário geral da CIVICUS. AccountAbility 29 . Em 2007 as exportações têxteis já estavam na casa dos US$500 mihões e as condições de trabalho haviam melhorado.4 Como descreve Annemarie Meisling e seus colegas no ensaio sobre “Betler work”. uma iniciativa conjunta que trabalha para o avanço de padrões trabalhistas nacionais nos setores têxteis e de vestuário como uma vantagem competitiva que envolve empresas. destaca o potencial que a junção dessas duas formas de inovação oferece. descreve a sensação de imunidade que algumas grandes companhias acreditam desfrutar nos países em desenvolvimento. Os 45. que os países que estão progredindo no EIII (Extractive Industries Transparency Initiative) são também aqueles que têm desempenhos sólidos no nosso sub-índice referente aos Habilitadores Sociais. Essa deficiência nociva é em grande parte enraizada em convenções retrógradas. o Vietnã. uma parceria da Rio Tinto e da BP. a sociedade civil. O diretor do Cambridge Center for Energy Studies.3 Da mesma forma. no caso mudanças climáticas.

e não compreendem a necessidade de alavancar oportunidades de criação de valor para as empresas. levando em conta as questões das economias emergentes. tomando as seguintes medidas: ™™ Fortalecer e esclarecer o seu potencial de impacto nos regimes de comércio e de investimento. ™™ Ter abordagens mais comparáveis a estudos abragendo vários países. E também não sabem como fazê-lo. que podem germinar as iniciativas colaborativas cujo alvo é a superação da inércia institucional no avanço da competitividade responsável em cadeias de suprimentos globais. diálogos e coalizões. Recomendações Para liberar o potencial das estratégias de competitividade responsável é necessário que esses impedimentos sejam superados. produtivos. e em estratégias e práticas nacionais e regionais.™™ A sociedade civil e as organizações trabalhistas dão importância demais a campanhas que visam à conformidade. ™™ Aumentar sua credibilidade através do fortalecimento da governança e da responsabilidade. Estabelecer um “Fundo de Competitividade Responsável” como um elemento central da próxima geração de ações de “auxilio para o comércio”. para os consumidores e para as comunidades locais. ™™ Ser ilegitimados na governança e capacitados para agrupar e alavancar fundos existentes e outras fontes de investimento para financiar implementações em longo prazo. como o Fórum MFA. portanto. e capazes de apoiar monitorações e avaliações independentes. empresas em muitos países da Europa enfrentam dificuldades no engajamento de ONGs em prol da inovação responsável. ™™ Ser interinstitucional. e que abrangem desde instituições criadoras de mercado de grande destaque como a International Carbon Fund. e consequentemente. até iniciativas de padrões voluntários em setor exportadores chave. e mantendo em evidência as pequenas e médias empresas. com acordos de boas práticas entre os gerdores de dados sobre a inclusão de variáveis chave e uma lista mínima de países. B. propostas neste relatório. ™™ Estar associado a conselhos de competitividade nacionais e entidades similares que precisam se engajar no avanço das estratégias da competitividade responsável. Felizmente estudos aplicados e a prática esclarecer em como esses objetivos podem ser alcançados por meio de um programa com três tópicos: A. que são pré-requisitos para as iniciativas de competitividade responsável. Essa deficiência não se restringe a mercados emergentes. ™™ Expandir sua influência ao engajar os BRICS e outros governos de economias 30 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . ou temáticas como as da EITI. Aprimorar a eficácia das iniciativas colaborativas que comprovadamente se tornam elementos críticos no avanço da competitividade responsável. políticas que superem a inércia institucional e impulsionem perspectivas e comportamentos mais criativos e. acessível através de instituições chave de desenvolvimento internacional ou regional. como a Bolívia e o Egito. sejam elas específicas de um setor. Tal fundo deveria: ™™ Estar focado em Financiar a construção de conhecimento. juntamente com uma abordagem setorial consistente. São necessárias.

4 http://www. C.org/speeches/speech. (Policy Analysis – Análise política) DOI: 10. outro foco seria o impacto de padrões da diminuição voluntários das emissões de carbono sobre os exportadores de baixa renda.org/WBSITE/EXTERNAL/NEWS/ontentMDK:20190187~menuPK:34457~page PK:34370~piPK:34424~theSitePK:4607. ™™ Estudos aplicados sobre os impactos prováveis de intervenções políticas definidas. http://www. Sobre os autores: Simon Zadek é o Diretor Executivo da AccountAbility e Senior Fellow da Kennedy School of Government da Harvard University.ls/documents/Budget_Speech_2007. Press Release.asp?sCodigo=06-0197. um terceiro enfoque seria uma abordagem sistemática na alocação dos impactos das exportações de produtos altamente poluentes. Michael H. Carolyne Yu. A AccountAbility tem o compromisso de trabalhar junto a empresas. ou um relatório de benchmarking das abordagens regionais em relação à competitividade responsável no nível Nórdico ou da Europa em geral. Alex MacGillivray é o Diretor de Programas da AccountAbility Notas finais 1 Huguette Labelle. gerentes de marcas nacionais e até a comunidade diplomática. investimento e concorrência. ™™ Constituir um Observatório para o avanço de boas práticas de governança colaborativa. sociedades civis e parceiros de pesquisas ao redor do mundo nessas e em outras oportunidades para fazer valer a responsabilidade nos mercados globais. Bergin.html 2 ‘Modeling Study of Air Pollution Due to the Manufacture of Export Goods in China’s Pearl River Delta’ (Modelo de estudo da poluição do ar causada pela manufatura dos bens de exportação fabricados no delta do Rio das Pérolas na China) David G.worldbank.finance.2107. Xuemei Wang. 24 de maio de 2007.. Streets. ™™ Expansão de horizontes para compreender melhor como o ICR pode ser mais bem adaptado para atender às necessidades de informações dos gerenciadores de riscos. The cost of corruption (O custo da corrupção): http://web. Sci. empresas e habilitadores sociais em prol do desenvolvimento de colaborações eficazes. 40(7) pp 2099 .1021/es051275n.00. de investidores estrangeiros e gerentes da cadeia de suprimentos a anuciantes. principalmente mudanças nas políticas de comércio. 3 ‘GE Unveils Breakthrough ecomagination Products. Uma ênfase especial deveria ser em como facilitar os estimuladores e capacitadores fora da infra-estrutura do comércio internacional. Fomentar a consciência da relação entre a competitividade e as práticas empresariais responsáveis através de: ™™ Análises melhores na avaliação dos desempenhos atuais da competitividade responsável.pdf AccountAbility 31 . governos. 2006. cidades e em setores chave (como por exemplo. ™™ Análise e compreensão de como as estratégias de negócios podem se alinhar para oferecer produtos e serviços que aprimorem as condições para os5 bilhões de habitantes de baixa renda do mundo todo. acessado em junho de 2007. dos cenários e trajetórias potenciais em grupos específicos de países. Technologies and Services’. e Gregory R. sub-regiões.oas.gov.emergentes. nos estados da América do Norte ou em cidades-estado da Ásia). Environ. Technol. Carmichael. uma força tarefa de análise sobre como as Tecnologias de Informação e Comunicação podem fornecer soluções para a diminuição de emissão de carbono em grandes cidades.

a implementação de regulamentos ambientais severos e medidas para reduzir as desigualdades entre os sexos. Edna do Nascimento.O Índice de Competitividade Responsável Por Paul Begley. a igualdade sexual como deveriam tendo em vista os sólidos benefícios econômicos de se sanar a desigualdade entre os sexos detalhados no artigo de Laura Tyson. cada um com sete indicadores: Os Impulsionadores de políticas incluem indicadores que demonstram os compromissos do governo. Fazer com que o desenvolvimento sustentável conte no mercado futuro requer a implementação de políticas públicas efetivas por parte dos líderes políticos. Este artigo explica a arquitetura do índice. Cada indicador explora quais países estão implementando estratégias de competitividade queconsiderem de forma explícita seus impactos sociais e ambientais.net. e identifica nossos planos para continuar aprimorando o índice no futuro. com o seu índice piloto publicado em 2003. mecanismos mais eficientes para combinar políticas centrais. Elaborando o ICR O ICR utiliza 21 indicadores de 13 fontes independentes. A Figura 1 demonstra a correlação positiva entre direcionadores de política e o Growth Competitiveness Index (GCI) do Forum Econômico Mundial (R2=0. Esses indicadores estão organizados em três sub-índices. parece que a correlação seria mais forte se os índices de competitividade levassem em consideração. a composição de um sistema responsável de impostos. os impulsionadores de políticas eficazes requerem a coordenação de vários departamentos e agências do governo. 32 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . cobrindo mais de 96% do PIB global. O ICR pretende ser uma análise sólida do desempenho dos países em seus esforços para promover práticas de negócios responsáveis. como esta tão idéia abrangente pode ser analisada de forma sólida e imanejável? O Índice de Competitividade Responsável (ICR) foi formulado pela AccountAbility em associação com a escola de negócios brasileira Fundação Dom Cabral. O índice 2007 mostra o desempenho de 108 países.accountability21. Os leitores interessados em um relatório técnico mais detalhado podem baixá-lo da internet através do www. econômicos e ambientais. e que reforcem as condições sociais e apóiem mercados responsáveis. Então. A AccountAbility construiu com solidez sua competência na avaliação da a competitividade responsável. detalha os indicadores usados. fornece uma metodologia resumida e não técnica.34). Claramente. Alex MacGillivray e Cláudio Boechat A Competitividade Responsável significa mercados que sistematicamente e de forma abrangente recompensem as empresas por estratégias e práticas que se preocupem explicitamente com os impactos sociais. regionais e locais. tais como a assinatura e ratificação de tratados internacionais. com representação geográfica nos 5 continentes. e (particularmente em grandes países). de empresas e da sociedade civil.

Alguns elementos da prática de negócios responsável são agora formalmente reconhecidos como componentes de índices de competitividade como o GCI. os sistemas de gestão responsáveis incluirão ações eficazes em questões como treinamento de funcionários. conforme evidenciado do padrão ISO e na participação no Pacto Global da ONU. incluindo as de pequeno e médio porte (PME) minúsculo comprometeram-se com iniciativas voluntárias de responsabilidade corporativa. segurança e saúde ocupacional. Milhares de empresas. e redução dos impactos ambientais. A Figura 2 mostra que a relação entre nosso conjunto de ações empresariais e o índice GCI do Fórum Econômico Mundial é bastante sólida (R2=0.77).Índice de Competitividade do Crescimento Impulsionadores de Políticas Figura 1: Impulsionadores de Políticas e o Índice de Competitividade do Crescimento Fontes: Growth Competitiveness Index do World Economic Forum Fórum Econômico Mundial 06/07 Ação Empresarial: no nível das companhias. AccountAbility 33 . Em muitos países as empresas também têm critérios sobre se e como implementar regulamentos.

elas adentram um território em que a vantagem do primeiro a agir desaparece. A Figura 3 mostra a importância desse conjunto de impulsionadores sociais para a competitividade como um todo. (R2=0. intolerância à corrupção e uma rede densa de organizações não governamentais. Um forte tecido social torna-se necessário para apoiar outros progressos a favor da competitividade responsável: incluindo uma cultura da transparência. 34 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . uma imprensa livre e inquiridora.Índice de Competitividade do Crescimento Ação Empresarial Figura 2: Ações Empresariais e Índice de Crescimento da Competitividade 06/07 Fonte: Erowth competitiveness Index. e conforme os governos coordenam suas políticas de apoio ao setor privado.73). Fórum Econômico Mundial 06/07 Impulsionadores Sociais: À medida que os negócios avançam além da implementação de sistemas de gestão de responsabilidade básicos. As organizações da sociedade civil estimulam o cumprimento das leis e regulamentações existentes e fornecem uma fonte e um “grupo teste” para inovação e colaboração com empresas.

demonstrar ou refutar o argumento de que práticas de negócios responsáveis têm benefícios econômicos estratégicos. tal como o Transparency International´s Corruption Perception Index (Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional).Índice de Competitividade do Crescimento Figura 3: Habilitadores sociais e índice de competitividade do Crescimento Fonte: Growth Competitiveness Index. embora muitos incluam – em um nível ou outro – um trabalho de referência. Usamos seis critérios de seleção no ICR. mas com freqüência a metodologia utilizada para apresentar a informação não é clara. Centenas de estudos procuram testar. Os Indicadores devem ser: ™™ Relevantes para modelos comumente aceitos da prática de negócios responsável. ™™ Explicáveis através de teoria estabelecida ou evidência empírica. Fórum Econômico Mundial Disponibilidade de Informação Há hoje mais de 600 conjuntos de dados internacionais relevantes para a competitividade responsável. ™™ Indicadores devem ser amplos quanto ao escopo geográfico e produzidos regularmente. Vários conjuntos de dados promissores têm uma cobertura pequena de países ou são realizados excepcionalmente. usando metodologias sólidas e transparentes. ™™ Independentes. países capazes de maximizar os recursos do capital humano capital humano através da oferta de melhores oportunidades para mulheres são provavelmente mais competitivos. AccountAbility 35 . variando de impactos dos negócios na qualidade do ar e força da regulamentação anti-monopólio ao uso de e-mail na cadeia de suprimentos e a “opacidade” de diferentes sociedades. Há inúmeros meta-estudos relevantes. contudo. Por exemplo. complementares. ™™ Disponível ao público através de fontes seguras.

105). ™™ Rigor da Proteção Ambiental.182). Tabela 1: Detalhamento dos indicadores do Índice 2007 de Competitividade Responsável 2007 Impulsionadores de Políticas ™™ A Assinatura e Ratificação de Tratados Ambientais refere-se a quatro tratados internacionais importantes: o United Nations Framework Convention on Climate Change (Convenção Marco da ONU sobre Mudança de Clima) em Nova York em 1992. que engloba três sub-índices: índice de dificuldade de contratação. Abolition of child labour (Abolição de trabalho infantil) (convenções 138. ™™ A Ratificação das Convenções Básicas dos Trabalhadores abrange oito tratados: Freedom of association and collective bargaining (Liberdade de associação e negociação coletiva) (convenções em 87 e 98). Elimination of forced and compulsory labour (Eliminação de trabalhos forçados e compulsórios) (convenções 29. Os indicadores provêm de fontes de uma ampla variedade e combinam estatísticas concretas de desempenhos reais com pesquisas de opinião pública ou de profissionais experientes. ™™ Ambiente Fiscal Responsável que combine o número de pagamentos de impostos a cada ano e o tempo necessário para que uma empresa cumpra. em bilhões de dólares. ™™ Contratação de Mulheres pela iniciativa privada. 111). a Convention on Biological Diversity (Convenção sobre Diversidade Biológica) no Rio de Janeiro em 1992. índice de rigidez de horas e índice de dificuldade de demissão. o Kyoto Protocol to the United Nations Framework Convention on Climate Change (Protocolo de Kyoto para a Convenção Marco da ONU sobre Mudança de Clima) em Kioto em 1997. identificamos 21 indicadores que atendiam a esses critérios. Elimination of discrimintion in respect of employment and occupation (Eliminação da discriminação relativo a emprego e ocupação) (convenções 100. ™™ Índice de Rigidez Empregatícia. Nos últimos anos as áreas como as de emissões de carbono das indústrias tornaram-se tópicos de políticas e ações empresarias. e a Cartagena Protocol in Biosafety (Protocolo de Cartagena para Biosegurança) em 2000. ™™ Emissões de Dióxido de Carbono pelo Produto Interno Bruto. Após cuidadosa consideração. Esses indicadores são mostrados na Tabela 1.Os indicadores devem ser receptivos e captar o desempenho real do país. enfatizando a importância de se identificarem as mais recentes informações disponíveis. 36 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Ações Empresariais ™™ Eficácia dos Conselhos Empresariais. ™™ Comportamento Ético das Empresas.

Após a identificação de cada indicador. Calculando o ICR Os 21 indicadores estão agrupados em três sub-índices. ações empresariais e habilitadores sociais. procuramos examinar a adequação dos dados disponíveis frente a outras variáveis. Esses três fatores formam um modelo conceitual simples para a construção da competitividade responsável. AccountAbility 37 . como por exemplo.™™ Igualdade de Salários para Trabalhos Similares. se comparado a análises como o banco de dados do Doing Business do Banco Mundial. esses indicadores fornecem informação sobre 108 países. Essas comparações se encaixam bem. ™™ Liberdade de imprensa. baseados em análises de regressão e ajuste teórico. ™™ Transparência das transações. impulsionadores de políticas. Sempre que possível. ™™ Afiliação a ONGs ™™ Liberdades civis: a existência de direitos políticos e liberdades civis básicas. Pode-se dizer que um índice com apenas 21 indicadores oferece um enfoque minimalista sobre a competitividade responsável. O ICR usa uma metodologia sistemática compatível com outros estudos de competitividade complexos e suas técnicas estatísticas. muitas vezes disponíveis apenas em estudos exclusivos ou em amostras pequenas de países. ™™ Extensão do Treinamento de Funcionários ™™ Razão de certificações ISO 14001 por ISO 9001: a aplicação de sistemas de gerenciamento ambiental comparado a outros padrões ISO. Os sete indicadores de cada sub-índice são igualmente considerados e rateados para fornecer a pontuação percentual para cada sub-índice. ™™ Fatalidades no trabalho. Existem algumas áreas sobre as quais atualmente não há dados confiáveis – tais como a prevalência de infrações dos padrões de trabalho. ou a concentração da economia em setores de exportação que intensificam a poluição. ™™ Rigidez dos padrões de Auditoria e Modelos Contábeis. Em conjunto. nós calculamos o desempenho de cada país com uma porcentagem baseada na melhor pontuação possível para cada indicador. Habilitadores Sociais ™™ Índice de Percepção da Corrupção. Entretanto. ™™ Impacto de ar e água limpos nas operações empresariais. medidas em comparação a partes relevantes da Declaração Universal dos Direitos Humanos. os 21 indicadores do ICR oferecem uma abrangência considerável sobre várias questões. entre o subíndice de ações empresariais e um índice piloto sobre trabalho infantil. ™™ Grau de orientação dos clientes.

ao olharmos o le38 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . muitos enfatizam temas. Contudo. é atribuído a cada país incluído no ICR um nível de desenvolvimento baseado em dados do Banco Mundial utilizando o método Atlas.46* Ação Empresarial) + (0. Dos estudos nacionais existentes. através da Accountability Rating (Classificação de Responsabilidade) e do Carbon Disclosure Project (Projeto de Informações sobre Carbono). como. No nível das empresas. como direitos humanos. Menos recursos são direcionados para a medição do impacto cumulativo de práticas empresariais responsáveis em nível nacional. aplicamos análise de clusters para criar quatro grupos. e essas organizações são a exceção e não a regra.725 PIB per capita) ou alta renda ($10. apresentam dados com atrasos de três ou quatro anos. Por fim. ™™ Alguns indicadores podem prejudicar países com um grande setor de pequenas e médias empresas ou setor informal. e esses resultados são apresentados no capítulo anterior.23* contexto habilitador) Os pressupostos e validade deste modelo foram conferidos usando-se uma variedade de técnicas estatísticas e o modelo parece ser confiável e sólido. por exemplo. renda média ($876-$10. uma metodologia de acordo com o Índice de Competitividade do crescimento e outros índices de grandes amostras de países.6 ou 9. são. corrupção e trabalho infantil. ainda há muito espaço para aperfeiçoamento no futuro. A pontuação e o ranking do ICR são calculados através de um modelo de regressão multilinear. Um exemplo evidente são as emissões de dióxido de carbono. Maiores detalhes desses testes podem ser encontrados no nosso relatório técnico. Essa classificação pode ser encontrada no Anexo. são necessárias algumas observações: ™™ Há defasagem de tempo em alguns dados. Observações detalhadas de versões anteriores do ICR indicam que o nível de desenvolvimento é uma variável importante para se compreenderem as diferentes prioridades na elaboração de uma estratégia para a competitividade responsável na Bélgica ou em Benin. estão sendo disponibilizados cada vez mais dados. pobres. já que eles levam em conta mais provavelmente ações de empresas maiores. Algumas métricas apresentadas em publicações respeitadas. Enquanto instituições como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial disponibilizam uma vasta gama de indicadores de alta qualidade. Por exemplo.726 ou mais PIB per capita). em que os países são classificados como: baixa renda ($875 ou menos o PIB per capita). incorporando o nível de desenvolvimento (como 0.16* Impulsionadores de Políticas) + (0. 5.2 quando apropriado) usando-se a seguinte equação: Índice de 2007 da Competitividade Responsável = nível de desenvolvimento + (0. Aprimorando o Índice de Competitividade Responsável O ICR analisa os melhores dados disponíveis usando metodologias confiáveis e testadas. ou quando disponíveis. Cada estágio do desenvolvimento sugere uma ponderação diferente para cada sub-índice.Então. Mesmo com os melhores dados disponíveis. em que a escala de dados mais abrangente geograficamentedata de 2004. e são exercícios piloto ou têm recursos limitados e pequena amostragem de países. Há falta de dados em muitas áreas essenciais. sua abrangência das questões sobre responsabilidade permanece limitada.

falhar em fornecer informações exatas. Precisamos. e nosso grupo de pesquisadores está comprometido para que tal fato se materialize. Um ponto em questão são os dados sobre acidentes de trabalho. expandir a abrangência geográfica da coleta de dados. Em assuntos importantes como violações trabalhistas ou intensidade de poluição. é importante discriminar essa informação para considerar a capacidade dos países para implementar certificações ISO em geral. e até mesmo um índice que demonstra quão dispostos estão os governos em abrir suas transações aos cidadãos. A proporção de acidentes relatados à Organização Internacional do Trabalho é de apenas 3.1 ™™ Mesmo a mais confiável e legítima fonte pode. de uma questão de comprometimento institucional. Também desconhecemos os aspectos principais relativos ao esforço contra as desigualdades sexuais e raciais nos locais de trabalho. primeiramente. não resolve a questão da causalidade em exercícios como este. Por fim. facilmente. Sequer existe um mecanismo. no momento. para reunir os resultados de milhares de inspeções a fábricas feitas por dezenas de organismos de inspeção no mundo todo.9% do número de acidentes estimados no mundo todo.vantamento da ISO 14001 (Environmental Management Systems – Sistema de Gestão Ambiental). simplesmente. ser gerados. pois espera-se que possam fornecer respostas mais confiáveis a algumas questões do que o público em geral. às empresas e à sociedade civil. de 2003 até a presente data. Em cada caso. Segundo. há necessidade de direcionar mais recursos para algumas das questões chave da competitividade responsável. Em parte. isso é uma questão de capacidade: bancos de dados como o CIRI Human Rights (CIRI Direitos Humanos) poderiam reduzir o atraso com mais recursos. necessitamos de uma grande melhora na atualização desses conjuntos de dados chave para aumentar a compreensão e permitir a elaboração de um benchmarking anual de competitividade responsável. O quanto isso depende de um mercado inovador e de liderança política? quanto depende de uma abordagem colaboratiAccountAbility 39 . mas ações combinadas ajudariam a melhorar a qualidade de dados disponíveis para aprimorar nosso entendimento acerca da competitividade responsável. ™™ Muitos dos mais recentes e maiores conjunto de dados são baseados em pesquisas de opinião entre especialistas. Esses e outros conjuntos de dados com relação ao progresso da competitividade responsável poderiam. enquanto em outras áreas sua imparcialidade pode ser questionada. quanto à força de iniciativas colaborativas. sobre o grau de participação nacional nos padrões de sustentabilidade voluntários. também. e com baixo custo. o número de países é muito limitado para ser assimilado ao nosso índice ou mesmo para permitir uma comparação tranversal proveitosa com nossa amostra de 108 países. nosso trabalho de três ciclos. encontramos conjuntos de dados fascinantes como “empresas que devem dar presentes em reuniões com o inspetor do trabalho” ou “a porcentagem de empresas que fazem parte de redes de negócios”. Em todo este projeto. Os críticos questionam a confiabilidade e a comparabilidade de questionários completados por amostragem de empresários. por exemplo. Mas trata-se. A meta perseguida é compreender melhor os mecanismos através dos quais as estratégias de responsabilidade e o desempenho econômico trabalham juntos. Terceiro.2 Esses são problemas intrínsecos e inerentes à coleta de dados. os órgãos internacionais responsáveis estão investindo pouco na aquisição de informação. Estamos mal informados.

dando exemplos práticos de esforços estratégicos para que o desenvolvimento sustentável seja levado em conta em mercados futuros. 2006. regiões. Safety Science 44. setores e países que estão adquirindo vantagem competitiva e melhorando sua responsabilidade. Tem experiência em Comércio Internacional e Estatística e é Professora de Estatística na Faculdade Milton Campos. Breaking Down the Wall of Codes. 40 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . especialistas de ponta examinam exatamente essas questões. Sobre os autores: Paul Begley é Pesquisador da AccountAbility. California Management Review. Jukka Takala and Kaija Leena Saarela. Ele ensina e pesquisa gestão responsável de negócios. Sua experiência anterior era como executivo de negócios. Alex MacGillivray é Diretor de Programas na AccountAbility. o exercício do ICR precisa ser suplementado por estudos detalhados de cidades. liderança responsável e questões correlatas.va para reformular os mercados? Para responder a essas perguntas. Na seção seguinte. (2006) Global Estimates of Occupational Accidents. pág. 2 Päivi Hämäläinen. 137 – 156. Cláudio Boechat é Professor da Fundação Dom Cabral. Notas Finais 1 Aaron Chatterji and David Levine. Edna do Nascimento é Estatística Associada e Conferencista na FDC.

Construindo mercados com baixa emissão de gás carbônico AccountAbility 41 .

42 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

promovendo segurança energética e independência. os aplicados às construções. o desafio será o gerenciamento da transição para atividades de baixas emissões de gases de efeito estufa.O Relatório Stern Review Por Dimitri Zenghelis e Nicholas Stern O relatório Stern Review comissionado pelo Tesouro do Reino Unido estabeleceu os custos econômicos da mudança climática contra os custos econômicos de se tomar medidas para impedir o aquecimento global. mas acrescentará pouco na solução de emissões globais. se deslocam para outro lugar. está claro que os custos não serão distribuídos. Contudo. simplesmente. uniformemente. Isto não só poderá exacerbar o custo econômico para os países que tomam as medidas cabíveis. Um objetivo importante da política definida para mitigar emissões é mudança de comportamento. e puderem transferir recursos rapidamente e com flexibilidade para incrementar novos mercados. em muitos casos. O relatório considerou que o custo esperado de cortar emissões para chegar a esse objetivo seria uma média de 1% do PIB (GDP) mundial por ano. regiões ou empresas mudam mais rapidamente que outros na solução das emissões. Muitos julgam que isso constitui um salto em qualquer escala de estabilização. regulamentações diretas e estabelecimento de padrões. Em seguida. Uma preocupação especial surge quando alguns países. Três questões são levantadas: qual é o preço “certo” para o carbono alcançar estabilização? O quanto a economia é suscetível a essa mudança de preços relativos causados por esse custo do carbono? E qual a probabilidade das empresas de realocarem suas atividades. como por exemplo. Além do mais. Temos uma estiAccountAbility 43 . É possível que isto signifique que as atividades poluentes tornem-se mais caras. poderão ser evitados os impactos mais catastróficos da mudança climática. Se essa meta for atingida. já que os poluidores. A longo prazo. elevando acima de 550 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono (C02) e gases equivalentes. com riscos significativos. emissões de veículos e a eficiência de energia dos utensílios domésticos. incluindo. evitando argumentações especiais e ultrapassando interesses particulares. Ele enfatizou os custos e benefícios na redução das emissões a um nível que pararia a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. um caminho de desenvolvimento de baixas emissões de carbono do que o contrário. Contudo. e com custo eficaz. O medo é que esses países se defrontarão com uma carga desproporcional de transição de custos à medida que as atividades carbono-intensivas encerrem suas atividades e se desloquem para jurisdições menos restritivas internacionalmente. mas ainda há a probabilidade de 50% de o planeta aumentar o aquecimento em 3ºC. para que os mercados possam realocar recursos para atividades não poluentes. para a maioria dos países. Isto pode ser feito através de vários mecanismos. promovendo eficiência de energia e ao mesmo tempo induzindo à inovação. se as jurisdições se movem em velocidades diferentes? Impacto na redução de custos Uma análise objetiva pode fornecer a resposta para essas questões. por todos os países e regiões. reduzindo poluição e. expôs a larga abrangência dos instrumentos políticos e estruturas que seriam mais adequadas para motivar medidas coletivas internacionais razoáveis. Isto não será possível sem que os preços relativos dos bens produzidos com emissões de gás de efeito estufa mudem. empresas e economias de êxito serão aquelas que se ajustarem às mudanças globais preferenciais. é provável ser mais atraente. tecnológicas e de mercado.

Impacto no comércio e na localização Os preços relativos mudam constantemente com a mudança no custo de suprimentos e produção e com a mudança internacional de gostos e preferências. por exemplo. os riscos da mudança climática. Com este preço. pesca. No Reino Unido. provavelmente. logo. Mas mesmo essa estimativa da mudança nos preços relativos. e somente seis sofreriam um aumento de 5% ou mais. Contextualizando. que na maioria dos setores. várias indústrias de manufaturados (como alumínio) e as empresas de serviços de gás e água. a custos variáveis de mão-de-obra. resultante da adoção do custo social do carbono nas atividades de produção. significativamente. a percepção pública sobre a importância do custo de energia permanece crítica. limitará o aumento do custo a níveis ainda mais baixos a longo prazo. temos ainda uma evidência-base ampla para examinar a resposta comportamental das empresas. Contudo. O custo total de energia fóssil representa apenas. o custo de produção de toda a economia poderá sofrer um aumento único de apenas 1%. aproximadamente. que o relatório Stern Review coloca em aproximadamente trinta dólares por tonelada do equivalente de dióxido de carbono. veriam os custos variáveis aumentarem em mais de 2%. média anual) em 2003 para cerca de $70 em fins de 2005. no curto prazo. sendo que o choque do petróleo representou uma pequena parte. Os principais usuários de eletricidade incluem o próprio setor de eletricidade. o custo total de energia fóssil representa 3% dos custos variáveis da produção do país. Os custos na maioria dos setores subiriam menos de 1%. Mas a energia é ainda um insumo significante para a produção. silvicultura. Entre os maiores usuários dos produtos de petróleo estão os setores de agricultura. Contudo. Isto se compara. conhecemos a estrutura de produção da maioria das economias.mativa do preço do carbono necessário para reduzir. Flutuações normais em custos de insumos devido à taxa de câmbio e o preço mundial do petróleo impedem. em parte é por causa das lembranças do desempenho econômico fraco que coincidiu com o choque do preço do petróleo e racionamento no abastecimento nos anos 70. O relatório Stern Review ressaltou uma forte mitigação. Em economias desenvolvidas. Na realidade. Os principais usuários de carvão são eletricidade e cimento. Comparativamente. hoje é amplamente aceito que as recessões dos anos 70 foram causadas por muitos fatores. representam entre um quarto e meio dos custos variáveis. química e transporte. a oportunidade para substituir tecnologias alternativas baratas por combustíveis fósseis. somente 19 entre 123 setores de produção. representando menos de 5% da produção total do Reino Unido. está bem dentro dos limites da escala “normal” de variação de preços sofrida em uma economia aberta. o preço do carbono somaria apenas $10 a um barril de petróleo. compatível com a estabilização a 550ppm (equivalente a CO2) na atmosfera. o preço do petróleo subiu de $27 por barril (Brent spot price. o aumento do custo de energia primária resultante do preço do carbono. 5% dos custos variáveis da produção da maioria dos países. Ao nível mais desagregado. Medidas para mudar nosso uso de energia e nossa gestão do 44 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . é vital entendermos o provável impacto do preço do carbono. sendo totalmente consistente com as aspirações para o crescimento econômico continuado e desenvolvimento em países pobres e ricos.

a teoria que está por trás da susceptibilidade das decisões por parte das empresas com relação à legislação ambiental. o Reino Unido talvez não seja um exemplo para todos os países. costumam ser menos comerciáveis além das suas fronteiras. Comércio e localização Valeria examinar. A questão surge: seriam as empresas de setores que possuem custos de insumos de energia acima da média as mais prováveis de se realocarem cada vez mais? Um aspecto notável é que muitos produtos carbono-intensivos que são comercializados do outro lado da fronteira costumam não o ser a longas distâncias. Contudo. a intensidade do comércio é mantida fora do nível da União Européia. Esta lista contém alguns dos maiores setores de combustíveis fósseis intensivos. podem sofrer uma ameaça significativa à sua competitividade de forma mais evidente que no Reino Unido. a intensidade do comércio de transporte aéreo e produtos de refinaria está parcialmente em concordância com a média de todos os setores. papel e celulose. assim como pesca e fertilizantes cai dois terços. Utilizando-se estatísticas do Reino Unido como ilustração. o nível de agregação usado nesta análise mascara a probabilidade de que certos processos e as instalações dentro de setores serão extremamente enérgicos e expostos à competição global. O comércio de produtos agrícolas frescos produz quedas de um fator 5 quando restrito somente a países fora da União Européia. poucos setores são vulneráveis. ferro e aço. A intensidade do comércio de plástico. recomendando que restrições aplicadas no nível da União Européia diminuiriam muito qualquer impacto de competitividade nas restrições de carbono. fertilizantes. quando somente o comércio entre países fora da União Européia é considerado. todos carbono-intensivos. praticamente. Contudo. nesta fase. com a maior parte dos produtores se defrontando com aumentos de custos abaixo de 1%. Além do mais. carvão. Mesmo assim. esses incluem pesca. Por fim. plástico e fibras. fibras e metais não-ferrosos. como ficam os setores carbono-intensivos particularmente expostos à competição do exterior? É notável que esses setores que são. ferro e aço e transporte rodoviário. Em todos os outros casos. mesmo esses setores são responsáveis por uma fração muito pequena e de crescimento lento da produção do Reino Unido. Aqui. ao contrário. os aumentos de preço estão limitados para baixo – em geral bem abaixo – 10%. e considerem que medidas melhor atenderiam às dificuldades que poderiam surgir. químicos. Independentemente da gasolina refinada. podemos esperar que o preço ao consumidor da eletricidade e do gás aumente em mais de 15%. A intensidade do comércio cai sete vezes mais na indústria do cimento. plásticos. Isso nos AccountAbility 45 . transporte aéreo e marítimo. É importante que esses países executem suas avaliações dos riscos de seus setores produtivos. Outra queda maior no comércio ocorre com celulose e papel. mas o produto é destinado quase que exclusivamente para o mercado doméstico. dos quais o alumínio é responsável por aproximadamente metade do valor agregado. E.solo não ameaçarão o crescimento. já que cimento é volumoso e difícil de ser transportado em longas distâncias. corresponderão a um único aumento de 1% no índice de custo. Países que gastam muita energia e que fazem fronteira com jurisdições com políticas fracas contra os gases do efeito estufa. mas. e aplicando-se os $30 do preço do carbono.

que podem ser dez vezes maiores ou mais. e mesmo onde os países se movem em diferentes velocidades ao aplicarem políticas de abatimentos. proximidade dos mercados consumidores. comportamental. regulamentais e fiscais. onde o comércio através da fronteira é menos intenso que o comércio doméstico com distâncias similares. esses riscos são considerados limitados. é provável que o aumento único nos custos de produção do preço do carbono faça uma diferença muito pequena nos padrões de produção e oportunidades. Isto requer comunicação e um entendimento comum da natureza do 46 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . mas com pouca evidência de realocações expressivas. mesmo nos setores com altos gastos de energia. em última instância. no fundo. como o tamanho e a qualidade do capital e da força de trabalho. como a Espanha. Mas a questão da propensão das empresas realocarem suas fábricas em resposta ao preço do carbono é. há evidência sugerindo que alguns estados dos Estados Unidos. é importante observarmos a evidência empírica. como a Califórnia. como também ganharam oportunidades substanciais provenientes do estabelecimento de padrões de mercados e desenvolvimento de tecnologias. que fica perto do Norte da África. Isto explica a diferença substancial no custo médio de salários entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos. apesar das diferenças nos custos da mão-de-obra. mas. determinam o crescimento da produtividade. além de estruturas políticas. geralmente. logo. Este chamado “viés doméstico” limita o grau de liberdade que as empresas possuem para se realocar quando defrontadas com o preço do carbono. Mesmo em países que possuem fronteiras abertas e jurisdições similares (como as dos Estados Unidos e Canadá) as empresas costumam apresentar o que é chamado “viés doméstico”. É provável que isto seja verdadeiro mesmo em países com fronteiras com grandes parceiros comerciais. É o bem-vindo aumento dos padrões de vida dos países desenvolvidos que está colocando pressão nas emissões globais. ou com países do leste da União Européia que fazem fronteiras com a Ucrânia e a Rússia.revela que pequenas mudanças em qualquer fator de custo. provavelmente não causariam uma realocação importante de produção. não só não sofreram custos econômicos significativos com os rigorosos regulamentos ambientais. legais. O exame do impacto das regulamentações ambientais nos estados dos Estados Unidos e em países de todo mundo sugere que as políticas ambientais afetam o comércio e a produção marginalmente. a competitividade de toda a economia está associada a uma gama de fatores que. A grande diferença no custo de mão-de-obra reflete as diferenças de vantagens comparativas para que a produção e o comércio em países desenvolvidos aconteçam de forma tão rentável quanto em países com salários baixos. com regimes mais abertos. acesso a tecnologias e infra-estrutura. acesso aos parceiros do comércio. Por comparação. Outros fatores de investimentos são mais determinantes para a localização e comércio. A evidência empírica por trás das decisões de realocação é revisada no Capítulo 11 do relatório Stern Review. Isto se dá porque as políticas ambientais são apenas uma determinante nas decisões para a localização de uma fábrica. e não o risco dos gases de efeito estufa provocado por atividades carbono-intensivas realocadas para esses países. Por exemplo. Promovendo medidas coletivas Os impactos de competitividade são pequenos e podem ser reduzidos com medidas conjuntas. Em prazos mais longos.

é possível que os benefícios tenham curta duração ao mudar os investimentos e equipamentos para uma nova localização. A adoção antecipada de políticas dentro de um modelo de confiança e de longo prazo ajuda a baixar os custos do planejamento. A mitigação também fornece benefícios auxiliares.problema. a mensagem está sendo passada. para promover confiança e cooperação e melhorar as chances de AccountAbility 47 . Empresas contemporâneas como a BP e a Toyota estão vendo oportunidades no futuro com baixas emissões de carbono. A Islândia usou energia limpa para atrair clientes com altos gastos energéticos. As economias e empresas com grande capacitação. e são difíceis de serem identificadas (ao contrário dos custos). Mas medidas em nível regional ou multilateral são o passo principal para que as instituições se coloquem em posição de consolidar um consenso global sobre ação climática. como por exemplo. assim como uma distribuição equilibrada de esforços para a redução de emissões nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O Protocolo de Montreal de 1989 apresenta um exemplo de medida coletiva global rápida na redução de emissões de hidrocarbonetos halogenados para impedir a diminuição da camada de ozônio. assim como através de uma série de combinações regionais e multilaterais. Estas podem ser difundidas e distribuídas através da economia. Com relação à mudança climática. mas o seu efeito líquido pode ser amplo. a indústria enfrentou o desafio de forma realista sem exagerar os custos e foram tomadas providências. e dirigir a vantagem comparativa de um país a aumentar os setores “limpos” incentivando outras melhorias na produtividade em grupos de negócios correlatos. Novos mercados serão criados. Serve também para induzir a inovação necessária para desenvolver tecnologias que baixarão custos de energia de longo prazo. empresas e governos já estão tomando providências de forma independente. a diminuição do carbono pode promover inovação na tecnologia limpa. Agindo preemptivamente no gerenciamento da transição para um mundo com baixas emissões de gases de efeito estufa. Havia uma compreensão mundial do problema. Como mostra o exemplo californiano. o Goldman Sachs calculou que investimentos em fontes de eletricidade de baixas emissões de carbono poderiam valer acima de U$500 bilhões por ano até 2050. mercados flexíveis e governos que prevêem tendências gerenciarão melhor a transição. na forma de segurança energética e níveis mais baixos de poluição convencional. Como vimos. Fundos de investimentos estão também se animando ante essas possibilidades. as empresas se arriscam a perder sua participação no mercado. ao fracassar em investimentos de técnicas e produtos de baixas emissões de carbono. evitando a necessidade posterior de descarte e substituição de capital intensivo de gases de efeito estufa. Reações antecipadas implicam em trabalhar com o ciclo de investimento na substituição de capital obsoleto de fábricas e maquinarias e de altas emissões de carbono. é também possível reduzir-se custos nos países ou nas empresas. capacidade tecnológica. Recentemente. Além do mais. Há também ganhos significativos em termos de eficiência e inovação de energia. Todos os países da OECD (Organization for Economic Co-operation and Development – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) possuem estratégias para mitigação e ajuda para energia de fontes renováveis. como as empresas de alumínio. A China começou a taxar a exportação de produtos que gastam muita energia na sua produção. Se as empresas acreditam ser provável que o mundo todo vá ter restrições ao carbono.

é necessária a mudança de comportamento. teórica e ética adotada na análise da economia das mudanças climáticas. A cobertura global de setores específicos que estão internacionalmente expostos à competição e fabricam produtos relativamente homogêneos pode reduzir o impacto da política de mitigação na competitividade. e uma distribuição equilibrada do peso da medida. portanto a ênfase na transferência e distribuição de tecnologia através de abordagens setoriais poderia reduzir as intensidades de forma relativamente rápida. Desde que ingressou no Tesouro da Sua Majestade. flexibilidade e capacidade tecnológica para se adaptar. Dimitri forneceu análises econômicas e conselhos para o governo do Reino Unido sobre as políticas econômicas da Europa e internacionais. Sobre os autores: Dimitri Zenghelis é consultor econômico para o governo do Reino Unido. O custo total de energia de combustível fóssil é responsável por uma pequena parte dos custos de toda a economia. Ele foi conselheiro do Reino Unido do Economics of Climate Change and Development. é o IG Patel Chair da London School of Economics and Political Science. possuem técnica. Sir 48 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Alguns setores de produção sofrerão custos transitórios. Entre 2000 -2003. e a lógica e a experiência nos dizem que as indústrias carbono-intensivas comerciais dificilmente se desviarão do comércio significativamente. refletindo um entendimento comum da natureza do problema. Sir Nicholas Stern. reportando-se ao Primeiro Ministro. em 1999. FBA. foi o Diretor de Política e Pesquisa para a comissão da África do Primeiro Ministro. como o diretor do MEU Analysis Branch e diretor do Economic Forecasting. Medidas antecipadas podem elevar o crescimento no longo prazo de economias que prevêem mudanças. e limitar os custos de ajuste. é importante a liderança da União Européia. Conclusão Para concluir – o objetivo principal da mitigação é redistribuir recursos de atividades carbono-intensivas. entre 2004 e 2005. os custos de mitigação são mais baixos e os lucros mais altos se medidas antecipadas forem tomadas de forma coordenada através do mundo. promovendo medidas e reprimindo impactos negativos na competitividade de cada país. Neste momento. Uma abordagem setorial pode também facilitar o financiamento da defasagem entre tecnologias entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. De 2003 a 2005 ele foi o Second Permanent Secretary do Tesouro da Sua Majestade e. Acordos setoriais internacionais também poderiam desempenhar um papel central. modelos de análise e comparações sobre os impactos da competitividade do Relatório Stern. e contribuiu de forma significativa para a estrutura conceitual. Índia e China. embora reconhecendo e respondendo às iniciativas dos Estados Unidos. mas é importante não se exagerar na ameaça ou ignorar as possíveis oportunidades de gerenciamento de uma transição inicial para um mundo de restrições ao carbono.trazer novos aliados. ou realocar-se-ão – em resposta a uma medida de nível nacional ou regional. As intensidades de emissões setorizadas variam enormemente no mundo. Para que a política funcione. Ele foi o autor líder nos custos da mitigação. Contudo. O desafio será o gerenciamento da transição para um mundo com baixas emissões de gases do efeito estufa.

por exemplo. Os principais fatores incluem uma redução autônoma no crescimento de produtividade tecnológica e políticas macroeconômicas de desestabilização. 2. 4. A contribuição do petróleo para esse aumento seria responsável por menos da metade e o restante dividido entre gás e carvão. usando-se tabelas de insumo-produção de 2003 do Reino Unido. bem como as representações da Associação Canadense da Indústria de Plástico. Notas finais 1. apesar de mercados abertos e distâncias curtas. em que ambos acharam evidências significativas de “viés doméstico”. Essa foi a conclusão. 6. reforçada por discussões subseqüentes. Estes números são obtidos mediante a elaboração dos aumentos de custo através de produção econômica. Para uma discussão interessante. sobre a importância dos “efeitos da fronteira” e “viés doméstico”. Ver. O documento seminal de 1995 de McCallum e o modelo gravitacional de comércio intra-União Européia de Berger e Nitsch (2005). 3. Anweiler. Para o Reino Unido os custos totais de energia de combustível fóssil representam 3% dos custos variáveis de produção. vários estudos canadenses são excelentes e de interesse até hoje. como a avaliação feita por Helliwell das relações econômicas entre o Canadá e os Estados Unidos.Nicholas serviu como o Economista Chefe e Vice-presidente Sênior do Banco Mundial. à medida que a atratividade de outros fatores pesa nos custos extras da limitação de poluição. AccountAbility 49 . onde as fronteiras inibem o comércio. Greg Mankiw (vários) e David Walton (2006). Copeland e Taylor (2001) apresentam uma avaliação detalhada disso e propõem um quadro de estimativas para mostrar como a suscetibilidade do comércio leva à realocação de empresas que gastam muita energia para países com padrões ambientais firmes. o preço do carbono teria um impacto econômico similar a um aumento de 6% nos preços de petróleo e gás. para cada £10/tC. 5. ver também o relatório do Governo Canadense sobre a Indústria (2002).

o escopo geográfico e os limites jurisdicionais dessas políticas. infra-estrutura. A mensagem é simples: Não basta fazer algo. ou oferecendo produtos e serviços que reduzem os gases do efeito estufa para ganhar vantagens competitivas. prosperar nesse enorme e mutante mercado implicará em entender os riscos e oportunidades apresentados pelos mecanismos das políticas públicas que serão empregados para reduzir emissões. elas variam tanto dentro quanto entre os setores. regras específicas para fabricantes de automóveis. políticas climáticas não são a única fonte de riscos e oportunidades. Aqui está um guia para identificar as maneiras que as mudanças climáticas podem afetar os seus negócios. enquanto buscam novas oportunidades para lucrarem. o emprego da tecnologia e o desenvolvimento humano ao redor do mundo. e nenhum setor será mais profundamente afetado que o energético. sendo um dos mais importantes. Elas irão moldar investimentos. e o rendimento das populações e da agricultura. 50 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Dado as mudanças que os impactos climáticos trazem. Políticas climáticas internacionais provavelmente incluirão cortes de emissões e redução progressiva das grandes fontes de emissão de CO2 com cláusulas para o comércio. e para criar uma estratégia que irá ajudá-lo a administrar os riscos inerentes e buscar as oportunidades. Deve-se ressaltar que essas políticas também criarão espaço para companhias que estão ativamente gerenciando suas emissões e a sua exposição aos riscos das mudanças climáticas. As mudanças climáticas irão impactar diferentes setores da economia global. Compreender o potencial das repercussões econômicas das mudanças climáticas é compreender que. irão se sobressair perante os seus rivais.Preparativos para um futuro com baixa emissão de gás carbônico Por Jonathan Lash As mudanças climáticas não são apenas uma questão ambiental. afetando o custo de energia. Estão rapidamente se tornando um dos fatores que irão definir o desenvolvimento econômico do século XXI. e a severidade e urgência necessárias na redução de emissões. Se este impacto será positivo. O impacto sobre o valor corporativo irá depender das habilidades da companhia em se salvaguardar contra os riscos climáticos físicos. negativo ou neutro irá depender de uma gama de fatores. Diferentes companhias terão diferentes perfis de risco climático – o que irá acarretar em desafios analíticos diferenciados para o entendimento dos impacto. Em um futuro com altas emissões de carbono. algumas companhias se sairão melhor do que outras. Intervenções políticas nessa escala irão transformar as estruturas de custos de indústrias pesadas e criarão novos mercados para produtos e serviços que gerem menos emissões. e das infra-estruturas necessárias para implementar essas escolhas. Entretanto. em investir capital em bens pouco poluentes e em medidas inovadoras ao lidar com novos produtos e novas oportunidades de mercado. a ênfase relativa entre mitigação e adaptação. a habilidade no desenvolvimento de vantagens “climáticas competitivas”. combustíveis mais limpos e desincentivos para produtos carbono-intensivos. é necessário fazer melhor – e mais rápido – que os seus competidores. em mitigar custos regulamentários. provavelmente. Essa dinâmica pode incluir a mistura de quais as opções políticas empregadas. O impacto econômico das políticas climáticas globais é claramente dependente das circunstâncias políticas subjacentes e em como elas influenciam o processo de elaboração política. as companhias que administrarem e mitigarem a sua exposição aos riscos da mudança climática. em administrar riscos climáticos dentro da cadeia de fornecimento. saúde. investimentos tecnológicos em grande escala. Como outras mudanças de paradigmas.

que foi organizada pela International Standards Organisation (Organização dos Padrões Internacionais). As companhias que irão prosperar nessa economia de baixas emissões serão as que tiverem uma estratégia clara para inventar soluções que diminuam riscos e aumentem as oportunidades. concluímos que as tentativas de maior sucesso levam em conta quatro etapas. como a manufatura química é. O World Resources Institute (Instituto dos Recursos Mundiais) vem trabalhando com várias companhias na criação de estratégias para lidar com as mudanças climáticas. entender as fontes e os níveis das suas emissões de gases do efeito estufa e manter um registro dessas emissões ao longo do tempo. As mudanças climáticas apresentam riscos de natureza diferente: é uma questão global. Só é possível administrar aquilo que você mede. muito mais abrangente. inundações ou tempestades A estratégia climática de uma companhia começa com o reconhecimento pela sua cúpula administrativa de que as mudanças climáticas são um grande problema que o mundo terá que enfrentar. e cada uma delas requer lideranças fortes e um aprendizado significativo por parte de toda a organização. os danos são essencialmente irreversíveis e as respostas federais correntes não oferecem direcionamento algum sobre exigências futuras. das suas operações aos seus clientes. As companhias precisam. Ignorar as conseqüências financeiras e competitivas da mudança climática pode acarretar em uma avaliação imprecisa sobre os riscos totais no perfil de uma companhia. que a nossa organização desenvolveu juntamente com o World Business Council for Sustainable Development (Conselho Mundial de Comércio para o Desenvolvimento Sustentável). na verdade. mas dentro de setores onde a diminuição de riscos e estratégias de produção podem criar vantagens competitivas.Administração de riscos climáticos As práticas atuais sobre administração de riscos normalmente tratam os riscos ambientais como um problema de conformidade regulamentária. Ela requer um comprometimento na administração das emissões de carbono tanto em processos quanto em produtos. As distinções mais importantes não são entre os setores. Empresas como a Wall-Mart e o Bank of America vêm adotando políticas institucionais focadas nos efeitos das mudanças climáticas sobre tudo. de longo prazo. Embora isso pareça óbvio para indústrias que gastam muitos recursos e energia. Esse compromisso certamente irá trazer um rápido aprendizado institucional. Através dessas experiências. Esses riscos tomam várias formas: ™™ Riscos regulamentários – legislações obrigatórias de redução de emissões ™™ Cadeias de fornecimento – fornecedores repassando seus custos relativos a emissões de carbono mais elevadas ™™ Tecnologia de produtos – rivais desenvolvendo ofertas mais benéficas ao meio ambiente ™™ Litígio – ações judiciais por causa de negligência. Etapa 1: Quantificar a sua emissão de carbono. já foi usada por centenas de companhias AccountAbility 51 . antes de tudo. Essa ferramenta. ações jurídicas potenciais devido a acidentes industriais e descargas poluentes. transtornos públicos ou transgressões ™™ Reputação – reações negativas dos consumidores ou dos acionistas ™™ Físico – danos aos bens causados por secas. Um dos métodos para se fazer isso é através do Greenhouse Gas Protocol (Protocolo de Gases Efeito Estufa).

reinventar completamente setores da sua empresa. regulamentações diretas. Uma delas é a análise da “intensidade das emissões” dos diferentes centros de lucros – ou seja. específicas para as indústrias. despesas de capital (como por exemplo.para medir e acompanhar as suas emissões de gases do efeito estufa. diretos e indiretos. Muitas abordagens vêm sendo desenvolvidas que podem auxiliar a quantificar esses impactos. Ela oferece uma moldura para avaliar não apenas as emissões diretas e as relacionadas ao suprimento de energia. você está preparado para desenvolver estratégias e tomar medidas baseadas nesse conhecimento. A quantificação das emissões é apenas uma parte da história. Além disso. reduzir a exposição a esses riscos e criar novas oportunidades de lucro são importantes etapas na construção da competitividade climática. ágios de seguradoras pelos bens localizados em áreas de risco (como a Costa do Golfo) e. Após determinar os impactos específicos. e por grupos industriais. a construção de instalações com níveis mais baixos de emissões). Ou pode-se examinar as maneiras como as mudanças climáticas poderiam afetar os rendimentos e os custos. Companhias com custos relacionados ao clima acima da média podem enfrentar mais dificuldades em relação aos seus iguais em uma economia de baixas emissões de carbono. conforme os consumidores aumentam as suas exigências por produtos e serviços de baixas emissões de carbono. A Goldman Sachs implementou uma política ambiental coordenada que. Essa tarefa quantitativa e relativamente direta pode armar o palco para um olhar mais abrangente sobre os riscos e oportunidades. mas também as emissões indiretas relacionadas a cadeias de fornecimento. Essas medidas vão da óbvia redução de consumo de energia e emissões de carbono até. entre outras coisas. Administrar riscos climáticos. a relação entre emissão de gases efeito estufa e os lucros gerados pelos diferentes produtos. as mudanças climáticas podem aumentar os preços de materiais brutos. Companhias que pensam estrategicamente sobre como as mudanças climáticas podem afetar os seus negócios e os dos seus clientes também precisam avaliar a sua posição em relação à competição. Pela perspectiva dos custos. possivelmente. que a sua companhia está tendo sobre o clima. Etapa 3: Adapte os seus negócios em relação aos riscos e oportunidades. até novas responsabilidades fiscais. incluindo o International Council of Forest and Paper Associations (Conselho Internacional de Associações Florestais e Celulose). Mas se os seus competidores fazem isso de forma melhor. as companhias que estiverem à frente dos seus competido52 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Medidas criativas não se restringem a manufaturas pesadas e outras indústrias tradicionalmente nocivas ao meio ambiente. a sua companhia está do lado errado da equação. Etapa 2: Avalie os seus riscos e oportunidades relacionados a emissão de carbono. exige que a firma meça e relate sobre emissões de gases efeito estufa atribuídos às suas operações internas. por vezes. Forças relacionadas ao clima terão um impacto financeiro direto e indireto nas companhias. Os rendimentos serão afetados pela sua habilidade de repassar esses custos aos seus clientes através de novas estruturas de cobranças e ao mesmo tempo explorar novas oportunidades de mercado e mantendo a participação no mercado. Após avaliar como as mudanças climáticas afetarão a sua companhia. é preciso ampliar as análises e pensar estrategicamente sobre como os seis fatores de risco podem prejudicar ou beneficiar os seus negócios. transporte e utilização de produtos. para desenvolver ferramentas complementares de cálculo. Etapa 4: faça melhor que os seus competidores.

Conclusão As mudanças climáticas serão uma força dominante na economia global do futuro próximo. As mudanças climáticas estão influenciando as dinâmicas da competitividade em mercados do mundo todo. As soluções para as mudanças climáticas exigirão inovações nos negócios e maior coordenação e engajamento por toda a cadeia de valores de produtos. o maior problema que a economia global enfrenta atualmente. Companhias que desenvolverem estratégias climáticas irão prosperar conforme a sociedade se debate com. o que pode aumentar o valor das suas ações em um mercado cada vez mais competitivo. Essa não é uma história do futuro. para que níveis suficientes de capital se formem ao redor de tecnologias de baixas emissões de carbono. talvez. Sobre o autor: Jonathan Lash vem liderando o World Resources Institute como seu presidente desde 1993 e foi co-presidente do Conselho para o Desenvolvimento Sustentável e do Grupo de consultor de Alto Nível Sobre o Meio Ambiente) da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. como também do uso em larga escala de tecnologias já existentes. as empresas terão que aprender e apoiar as políticas necessárias para estimular a demanda por produtos e processos de baixas emissões de carbono. AccountAbility 53 . Entender o desafio climático e aprender o projeto político necessário implica em um distanciamento da visão incremental sobre a construção de mercados. Sim.res provavelmente irão desfrutar das vantagens do pioneirismo. As soluções tecnológicas cruciais para lidar com esses problemas não surgirão sem estratégias econômicas que diminuam os riscos e mobilizem níveis suficientes de capital de investimento em prol do desenvolvimento de novas e promissoras tecnologias. precisamos confrontar diretamente as implicações das mudanças climáticas sobre os negócios e desenvolver estratégias melhores para manter a competitividade em um mundo que exige baixas emissões de carbono. Preferivelmente.

velocidade média dos ventos e variações nos ciclos de crescimento da 54 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Eles foram escritos sob a perspectiva empresarial. comumente funcionando como uma coisa só. incluindo qualquer senso de responsabilidade por coisas além da folha de balanço. ocorreram desde 1980. É agora crucial iniciarmos o debate e reconhecer que as empresas são parte da sociedade e tem um papel crucial a desempenhar no seu futuro. Antes de 1900. De formas diferentes e em épocas diferentes as linhas divisórias entre esses dois fatores se transformaram em fronteiras de conflitos políticos. as esferas públicas e privadas eram bem menos definidas. Vinte e três dos 24 anos mais quentes. a incidência de grandes enchentes. em 1850. Outros fatores. talento e inovações – precisamente o que a sociedade como um todo necessita para avançar e enfrentar os desafios do momento. As empresas fazem parte da sociedade – e podem existir e prosperar somente dentro de uma estrutura social próspera. Não tenho dúvidas que no meio empresarial – nos setores de energia e além. se começaram a registrar as temperaturas. Os lucros. A nacionalização e o uso do poder público para regular ou controlar os mercados visando os interesses das massas moveram essas linhas em uma direção. se retraiu para uma posição em que os seus propósitos são definidos unicamente em termos de aumento dos lucros. Mas apenas as empresas podem responder aos incentivos apresentados. As mudanças climáticas são um grande exemplo da necessidade do intercâmbio entre o público e o privado. Nosso planeta em aquecimento Há fortes evidências de que as mudanças climáticas já começaram. que existem mais e melhores idéias. Apenas os governos podem colocar um preço sobre o carbono e incentivar mudanças que transformem comportamentos e levem o mundo na direção de uma economia baseada em menos emissões de carbono. A responsabilidade pela saúde da sociedade. desde que. Eles foram formulados para provocar respostas e estimular o debate. são a raison d’être de qualquer companhia. e outras atividades. Essa divisão foi um produto do que Eric Hobsbawn denominou de o século ideológico. após quase 30 anos de trabalho dentro da BP. se tornaram itens de luxo para os egos administrativos.Reformulando Mercados por meio de um Fundo Internacional do Carbono Por Nick Butler Um dos legados nocivos do século XX é a divisão rígida da sociedade entre o estado e o setor público de um lado e o mundo corporativo privado do outro. As conseqüências dessa ruptura drástica entre o público e o privado foram uma perda de potencial. Os comentários a seguir são uma modesta contribuição para o debate. A privatização e a asserção da primazia dos direitos de propriedade as levaram para outra. Elas também são fontes de criatividade. O nível dos oceanos está se elevando com rapidez sem precedentes: quase que duas vezes mais que a média histórica entre 1993 e 2003. Acredito que esta visão é ultrapassada e deve ser substituída. O setor privado. supostamente. Apenas as empresas podem desenvolver mercados e redes de comércio que disseminem conhecimento e idéias que levem a um mundo mais sustentável. e somente do estado. pelo seu futuro e pela sua sustentabilidade fica a cargo do estado. como a intensidade dos ciclones. em geral.

Existem incertezas científicas sobre os detalhes de como o aquecimento atmosférico irá se manifestar no nosso sistema meteorológico. tudo isso indica que o clima está mudando e nenhum país está imune. Concentrações agregadas de dióxido de carbono – o gás do efeito estufa mais abundante – se elevaram em 1. combinadas chegam a pouco mais de 17% do suprimento global de energia. Os piores efeitos da mudança climática podem ser limitados. o Brasil está investindo em combustíveis com baixas emissões de carbono. Sir Nicolas Stern delineou. deve-se a emissões antropogênicas e que temperaturas extremas. e as previsões da International Energy Agency (Agência Internacional de Energia) são de que. O acordo do Conselho Europeu para uma redução de 20% nas emissões até 2020 é uma grata surpresa. Atualmente os mercados não levam em conta o custo real do carbono e investimentos em suprimentos de energia com baixas emissões de carbono ainda são limitados. entretanto. as energias renováveis continuarão a atender somente 3 por cento da demanda energética global até 2030. portanto uma reação internacional que inclua as principais economias. mas o consenso entre especialistas sugere algo em torno de 400 e 550 ppm.agricultura. como a solar e a eólica (1%). é que nada está realmente acontecendo. AccountAbility 55 . Um relatório recente do Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas) demonstra o aumento da certeza que a comunidade científica tem sobre os impactos da atividade humana sobre o clima. com precisão. agora se encontra em 380 ppm. as emissões continuam a aumentar. algo tão dispendioso financeiramente. Antes da revolução industrial o nível estava em 280 ppm. o governo chinês prometeu diminuir o uso de energia por unidade de GDP em 20% até 2010. medido desde meados do século XX.9 partes por milhão (ppm) ao longo dos últimos 10 anos. Alguns países começam a reagir. Tomar medidas contra as mudanças climáticas não é. ondas de calor e eventos de precipitações cada vez mais fortes se tornarão mais freqüentes. biomassa e resíduos (10%) e outros tipos de energias renováveis. mas um fato é certo: as emissões dos gases de efeito estufa continuam aumentando. que os custos na redução das emissões dos gases do efeito estufa para evitar os efeitos mais catastróficos da mudança climática podem se limitar a mais ou menos 1% do produto interno bruto global a cada ano: uma fração dos 5 a 20% que pode se perder dessa mesma medida por causa dos impactos das mudanças climáticas. mas os impactos são limitados diante das demandas crescentes. hidroelétrica (2%). na verdade. sem mudanças drásticas ou uma inovação tecnológica. Não há certeza sobre qual é o nível máximo “seguro”. a Índia e a China se faz necessária. Acesso a fontes de energia baratas. A energia nuclear (6%). como os Estados Unidos. A Europa está incentivando mudanças através dos créditos de troca de carbono. Eles são responsáveis por cerca de 80% do fornecimento atual e devem permanecer uma fonte de energia importante ainda por um bom tempo. confiáveis e acessíveis é uma necessidade para o desenvolvimento: a cada ano surgem 200 milhões de novos clientes da energia comercial. A realidade. Hidrocarbonetos têm um papel chave no sistema energético. As mudanças climáticas não são limitadas por continentes ou fronteiras internacionais. Concluíram – com 90% de confiança – que o aumento da temperatura global.

Não seria o objetivo do FIC oferecer soluções pré-fabricadas para resolver as necessidades dos participantes individuais. mas fórmulas podem ser desenvolvidas para refletir variações nas rendas per capita. níveis correntes de emissões e potencial no aprimoramento de eficiência ecológica. será capaz de tornar projetos descarbonizados algo comum em todo o mundo e promover segurança energética. mesmo com empresas progressistas explorando novos produtos e serviços com baixas emissões de carbono. mas também por setores. propôs uma nova ordem econômica para o mundo pós-guerra – um plano para um mundo regido pela Alemanha baseado na primazia do Reichsmark. 56 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . presidente do Reichsbank. Ao invés disso. o Dr. Em relação às mudanças climáticas isso. baseada nas melhores evidências disponíveis sobre o quanto se devem reduzir as emissões para manter a concentração de carbono abaixo de um limite estipulado por um acordo. o que levou à criação do conjunto de instituições pós-guerra que permitiram um período de crescimento sem igual ao longo do último meio século. com uma visão prática. Uma moeda de valor internacional para o carbono é necessária. e está ao nosso alcance. Uma nova transformação institucional se faz necessária. O custo real do uso de hidrocarbonetos simplesmente não se reflete no que se paga. No ministério da fazenda britânico. não se aplica: o mercado livre não possui mecanismos para avaliar o custo externo das emissões de carbono. Walter Funk. O FIC estabeleceria estruturas dentro das quais as forças do mercado pudessem encontrar as soluções mais eficientes. aumentando a eficiência de cadeias de abastecimento e desenvolvendo novos processos para aumentar a produtividade e reduzir os custos.Um programa para mudanças O dilema atual sobre o clima reflete a situação econômica no final do verão de 1940. Mudanças não estão acontecendo em todos os setores. dar ao carbono um preço iria melhorar o desempenho de países e empresas em todo o mundo. para reagir às mudanças climáticas: um Fundo Internacional do Carbono (FIC). As metas podem ser distribuídas por país. a estrutura de ampla cobertura encorajaria respostas lideradas pelo mercado para capacitar países e setores a manterem os seus compromissos com o fundo. refletindo culturas e escolhas pessoais e ao mesmo tempo promovendo inovações verdadeiras. o limite “seguro”. Conforme as tropas alemãs completavam a sua ocupação da França. E Keynes o fez. Mas há retardatários. uma companhia formada em conjunto pela Rio Tinto e pela BP. patentemente. O FIC seria também uma instituição que poderia afixar uma meta. Cotas podem ser alocadas pelo fundo e cada participante será responsável por alcançar a sua meta. para incentivar esse processo de transição. Ao longo do último quarto de século nos acostumamos a acreditar que as forças do mercado podem resolver a maioria dos problemas. John Maynard Keynes. Quatro anos mais tarde suas idéias foram formalmente adotadas em Bretton Woods. Essa alocação é uma questão para negociações políticas. Metas e cotas agregadas seriam revisadas para melhor se adaptar aos progressos e avanços no conhecimento científico. mas caracteristicamente transformou o desafio em uma oportunidade e propôs uma união internacional das moedas. foi solicitado a preparar uma declaração “expondo o caráter falacioso das propostas alemãs”. Empresas novas e inovadoras como a Hydrogen Energy.

Atualmente não existe um acordo internacional amplo relacionado às mudanças climáticas. Como no final de 1940. Houve várias declarações retumbantes. Precisamos de um Fundo Internacional do Carbono capaz de transformar mercados em todos os seus setores e em todos os continentes de forma a promover crescimento sustentável e progresso econômico. De 1977 a 2006 trabalhou em uma série de cargos econômicos e políticos na BP. mas a cada dia que passa. O Fundo Internacional do Carbono oferece uma visão prática para direcionar os produtores e consumidores de energia para uma economia global com baixas emissões de carbono. pior ainda. AccountAbility 57 . e. nos deparamos com um grande desafio que deve ser transformado em uma oportunidade. e a capacidade para financiar o desenvolvimento de tecnologias limpas e de baixas emissões através de empréstimos ou concessões para os países mais pobres. mas fazê-lo de forma a promover o crescimento sustentável e o progresso econômico. Com as mudanças climáticas nos deparamos com um desafio de proporções similares. e durante os últimos quatro anos serviu como Vice-presidente de grupo do Strategy and Policy Department. O elemento chave final para um Fundo Internacional do Carbono seria desenvolver um sistema global de trocas de emissões para assegurar que as reduções necessárias sejam alcançadas com o menor preço possível. nossas perspectivas pioram e o custo da mitigação das mudanças climáticas aumenta. O enfoque principal do fundo seria mitigar as emissões de carbono. Sobre o autor: Nick Butler é Diretor do Cambridge Center for Energy Studies na Judge Business School. Quando Keynes propôs as suas idéias ambiciosas ao Banco da Inglaterra isso acarretou no desenvolvimento do International Monetary Fund (Fundo Monetário Internacional) e outras instituições que vêm supervisionando mais de meio século de crescimento sustentável. também não foi elaborado. Necessitamos de uma resposta global para uma questão importante: uma instituição que afira ao carbono um preço verdadeiro e que forneça uma estrutura prática para que as forças do mercado inovem. o consenso político para ações mais severas ou mesmo uma base por onde se começar.Para que um fundo seja eficiente há que ter ferramentas apropriadas para monitorar e verificar se os compromissos na redução de emissões estão sendo cumpridos.

58 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

Questões-Chave da Competitividade
Responsável

AccountAbility

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O Estado da Competitividade Responsável 2007

Reconstruindo o comércio mundial e as
regras econômicas
Por Guy Ryder
Completar a rodada de Doha, um processo que foi reduzido a uma mera troca de
acessos de mercado, não será necessariamente uma grande conquista. O sucesso ou o fracasso das negociações comerciais de Doha será inconseqüente se os
trabalhadores do mundo não partilharem dos benefícios trazidos pelos acessos melhorados aos mercados. Pior, seguindo as tendências atuais, os trabalhadores de
muitos países provavelmente ficarão em maus lençóis. Estabelecer um processo
de globalização que acarrete em empregos mais decentes, um sistema que corrija
os desequilíbrios econômicos e permita que os países em desenvolvimento tenham
espaço para crescer requerem um redirecionamento para regras comerciais mais
justas.
Fomentar a solidariedade global é essencial no avanço conjunto de objetivos globais e para apoiar prioridades de desenvolvimento nacionais. Um ambiente de políticas globais precisa nutrir um comércio justo, mais e melhores formas de amparo,
cancelamento e abatimento de dívidas, respeito aos direitos trabalhistas e a incorporação de dimensões sociais relevantes às políticas financeiras internacionais.
Esses fatores precisam ser aplicados através de estratégias de nível nacional, que
promovam a inclusão social, políticas a favor dos pobres, a participação da sociedade civil na tomada de decisões e o reconhecimento dos direitos humanos.
É preciso haver um fortalecimento global de instituições, como as Nações Unidas e
a Organização Internacional do Trabalho, que construam os pilares sociais de um
sistema multilateral e que gerem políticas coerentes. Esses pilares sociais, tanto
globais quanto nacionais, devem se guiar pela Decent Work Agenda (Agenda do
Trabalho Decente). Empregos decentes, que respeitem os direitos fundamentais
dos trabalhadores, dão a homens e mulheres o poder de melhorar as suas condições de vida, participar de decisões que afetam suas vidas e seu sustento, melhoram as condições sociais e os distanciam da pobreza.
Seguir o rumo do desenvolvimento sustentável e unir o desenvolvimento social,
ambiental e econômico é de importância vital. Conquistar isso requer políticas internacionais coerentes, o fortalecimento da cooperação interinstitucional e instituir
sinergias entre a implementação de políticas e a boa governança. Na configuração
atual há impedimentos para esse ideal e mudanças significativas se fazem necessárias: por exemplo, não é passado o momento para que a OIT tenha autoridade
para interceder nas maiores instituições de desenvolvimento, como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial, quando constata que as intervenções
dessas instituições estão causando efeitos negativos sobre empregos decentes e
sobre os direitos dos trabalhadores em geral? Muitos dos problemas sociais e ambientais mais prementes precisam ser enfrentados globalmente, com a noção de
que provavelmente haverá custos em curto prazo, mas que esses custos apenas
aumentarão com a postergação de ações cabíveis. Enfrentar interesses e hábitos
arraigados, romper radicalmente com práticas e ortodoxias do passado requer uma
mudança fundamental das nossas estruturas governamentais.
O sistema internacional desempenhou mal, por vezes muito mal, a sua tarefa de
exercer a governança globalizada. Essas falhas recorrentes refletem um constrangimento subjacente: os governos caíram na ladainha da crença generalizada de
que a melhor coisa que podem fazer é permanecerem insignificantes – desenfrear
as forças do mercado e sair do caminho.
A China, o “milagre econômico”, é um exemplo de como o sistema está desempenhando mal. É um mito que todo mundo é um vencedor enquanto o país ruma
AccountAbility

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Os modelos atuais de globalização permitem que os empregos se mudem de um país para o outro. grupos tecnológicos de alto desempenho podem sofrer tantos problemas quanto os trabalhadores em uma pequena fábrica têxtil. mas para que essa integração seja bem sucedida. Não se trata de vantagem comparativa. Coordenar essa mudança de rumo para um sistema de comércio eqüitativo. de instituições com poderes legais e de estruturas que incluam negociações coletivas com organizações trabalhistas independentes. da Guatemala ao Zimbábue. trata-se apenas de abuso. e para construir um futuro onde a reestruturação de empreendimentos e de setores preserve os empregos e o meio ambiente. e os milhões que trabalham 60 – 70 horas por semana por menos que um salário mínimo do país. Um redirecionamento para a produção sustentável requer interação entre uniões empresariais e sindicais. baseando a sua vantagem competitiva em baixos salários e na exploração da força de trabalho. os direitos fundamentais dos trabalhadores e dos sindicatos trabalhistas são violados a cada dia. O engodo não leva em conta os 700 milhões de pessoas sobrevivendo com menos de 2 dólares por dia. Provavelmente uma das maiores questões seja a mudança no clima. que não tem sequer um meio representativo eficaz. Como podem os nossos líderes convencer 62 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Pelo menos para alguns. intoleravelmente. O fato de que nem tudo no mundo é “ganhaganha” ilustra a necessidade de governança. as companhias mudam as suas centrais de produção e as suas cadeias de abastecimento de forma a evitar sindicatos trabalhistas e lograr os direitos dos trabalhadores. mas dois fatores complicam essas mudanças necessárias. dos Estados Unidos ao Camboja. O impacto das mudanças climáticas sobre os trabalhadores ao redor do mundo é frequentemente negligenciado.000 trabalhadores chineses que morrem todo ano por causa de envenenamento com asbestos em seus locais de trabalho. Essas violações não são exclusivas de tarefas mal remuneradas. A China pode estar cada vez mais integrada à economia global. mesmo que continuem a oferecer vantagens em curto prazo significativas. Os sistemas atuais têm sido falhos. Ao redor do mundo. Infelizmente. requer um novo ambiente regulamentar. A mudança climática já foi descrita como o maior fiasco do mercado da história e requer um esforço concentrado e coordenado da comunidade internacional. onde os direitos trabalhistas sejam preservados e a mudança climática seja encarada de forma adequada. Uma reação bem sucedida irá envolver projetar e implementar as transformações mais fundamentais nos processos de produção e consumo da história moderna. mas. fazendo com que a maior parcela da população fique mais pobre e seja ainda mais explorada. 2007 está acomodado em uma era de governos pífios e economias de livre mercado. uma transformação maciça que irá requerer a renúncia de tecnologias e hábitos existentes. sociais e políticos. os 10. mas questões sociais prementes necessitam de novas regulamentações internacionais e delimitações para transformar os mercados e todos que neles participam.cambaleante de uma economia rural para uma casa de força manufatureira. Na verdade a disparidade entre os melhores e os piores de vida na China está apenas aumentando. ela deve enfatizar os direitos básicos humanos. a China não é a exceção. A China está praticamente alcançando o sucesso através da escravidão. para que as empresas absorvam o considerável conhecimento e a experiência dos líderes sindicais.

segurança ambiental e desenvolvimento econômico. Sobre o autor: Guy Ryder é o secretário geral da International Trade Union Confederation. Ao longo dos próximos anos haverá amplo espaço para melhorias para que se alcance o respeito pelos direitos dos trabalhadores ao redor do mundo e para implementar iniciativas eficazes em todas as instituições internacionais. por fim.a opinião pública e conquistar o seu apoio ao arcar com os custos imediatamente. Sem a solidariedade. Nascido em Liverpool. precisam ser abordadas através de ações internacionais coordenadas e respostas eficazes. uma que junte coesão social. É preciso que ocorra o desenvolvimento da “transição justa” para promover um ajuste responsável rumo a processos ambientais sólidos e a criação de novas oportunidades para empregos decentes. Após trabalhar como diretor dessa organização de 1993 até 1998. empregos decentes. até se juntar ao quadro da ICFTU (organização predecessora da ITUC) em 1988. em 2006. Além disso. Questões sociais prementes. Em 2002 ele se tornou Secretário Geral da ICFTU e foi eleito secretário geral da ITUC e do seu congresso inaugural em Viena. com os custos e os benefícios partilhados por todos. Uma solução eficaz requer eqüidade e solidariedade. Completar a rodada de negociações de Doha não pode ser mensurado através de maior acesso ao mercado ou correntes de livre comércio. Esses desafios fazem dos nossos dias uma época de importância fundamental para o movimento internacional dos sindicatos. haverá compensações consideráveis. que estão fazendo da solidariedade algo real e eficaz. Logo após se tornou secretário da Industry Trade Section da FIET (atual Union Network International) em Genebra. até ser indicado como diretor do OIT Director General’s Office em 1999. O desafio que enfrentamos é o de colocar o desenvolvimento econômico global em uma nova trajetória. mas que provavelmente seus mandatos já terão terminado? Isso só será possível se a comunidade internacional mostrar claras evidências de que isso é parte de uma ação global. Não se trata apenas de uma questão ética. sabendo que. AccountAbility 63 . O sucesso da rodada de Doha só pode ser medido através do impacto sobre os trabalhadores do mundo todo. a massa crítica necessária para o consenso internacional sobre questões como a degradação do meio ambiente e o acesso a programas de saúde jamais será alcançada. como as mudanças climáticas e o crescimento da desigualdade. ele se tornou diretor do Bureau of Workers’ Activities da Organização Internacional do Trabalho. ele trabalhou no Departamento Internacional do British Trades Union Congress de 1981 a 1985. os trabalhadores estão sujeitos a se tornarem vítimas dos desenvolvimentos econômicos globais. altos orçamentos para proteção social e alta qualidade de treinamento para a mão de obra. A comunidade internacional precisa se espelhar em países. padrões elevados de saúde e segurança. Outro fator é: as mudanças são atravancadas por custos e benefícios distribuídos de forma desequilibrada. frequentemente esses são os países citados entre os mais competitivos do mundo. no Reino Unido. Um ambiente renovado de regulamentações pode se beneficiar com a experiência e com o sucesso desses países. como as nações nórdicas. Em países e setores onde os sindicatos são fracos. Esses países têm um currículo excelente com trabalhadores representados em conselhos corporativos.

o que sabemos é que não se trata de um problema apenas 64 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . gás e mineração. A corrupção continua a ser um dos maiores desafios para o desenvolvimento internacional. ao fato de que a idéia por trás de qualquer transação corrupta é que ela permaneça em segredo. O impacto exato da corrupção é difícil de ser medido. a corrupção está sempre presente. promovendo os direitos humanos. ™™ danos ambientais. A TI se tornou um movimento global no combate à corrupção – com mais de 100 países associados – e a EITI se tornou uma iniciativa de governança com inúmeros investidores que lida com as necessidades especiais para a transparência nos lucros nos setores do óleo. A transparência – abertura – é um fator crítico para se alcançar a boa governança e continua sendo uma das melhores formas de diminuir o risco da corrupção. Estuda também como a TI e a EITI. porque a corrupção frequentemente contribui para o descaso com as considerações ambientais. infelizmente. e cinco anos desde o lançamento da Extractive Industries Transparency Initiative (EITI) [Iniciativa para a Transparência das Indústrias de Extrativismo]. vemos. ™™ abusos dos direitos humanos. A competitividade responsável – entendida como o estado em que as forças do mercado dominam de forma livre e justa – é dependente da ausência da corrupção. Quer estejamos lutando contra a pobreza. combatendo doenças como o HIV/AIDS. já que nem sempre são comprados os melhores produtos e serviços. ™™ ineficácia. são uma parte dos esforços globais para promover a transparência. pois frequentemente significa que os direitos e interesses da população local são violados. muito poucas evidências de que é um fenômeno em declínio. atravancando nossos esforços. A corrupção não implica somente em pequenos valores para a elite que obtém as suas vantagens ilegalmente. No entanto. ou simplesmente tentando criar mercados de bom funcionamento para incentivar o crescimento. é claro. A transparência é uma base protetora da competitividade responsável não apenas como um meio de combate a corrupção.Transparência e Responsabilidade como Incentivos para o Crescimento Por Peter Eigen e Jonas Moberg É bastante óbvio que a corrupção é a antítese das práticas empresariais responsáveis e do crescimento econômico. Já se passaram mais de dez anos desde que a Transparency International (Transparência Internacional – TI) foi fundada. Um dos muitos males da corrupção é que ela distorce a competição. Apesar de uma crescente ênfase internacional na boa governança e a luta contra a praga da corrupção em todo o mundo. Também leva a: ™™ oportunidades perdidas de negócio. o livre fluxo de informação também é um pré-requisito para o bom funcionamento dos mercados. ™™ gastos. O problema da corrupção Primeiro cabe lembrar alguns dos inúmeros impactos negativos da corrupção. Este artigo analisa brevemente a busca da transparência como um incentivo para o crescimento. já que a competição justa é frequentemente distorcida. em parte. cada uma a seu modo. já que os pobres são os que mais sofrem com a corrupção. lidando com as mudanças climáticas. Isto se deve.

Uma rápida analise do Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional revela um número de países com altos rendimentos per capita aglomerados próximo ao topo da lista. a comunidade internacional admitiu que o acesso a serviços de energia é essencial para o desenvolvimento. o equivalente a mais de 3% da economia mundial da época. As soluções específicas “No World Summit (Fórum Mundial) sobre o Desenvolvimento Sustentável. É uma batalha que requer comprometimento por uma gama de diferentes instituições: governos precisam. em Joanesburgo. Agora existe a Convenção da ONU contra a corrupção. de importância vital na conscientização sobre a corrupção. e fornecer as ferramentas e o treinamento. contribuiu para que o setor privado tomasse consciência do seu papel no combate à corrupção. junto com a conscientização sobre as mudanças climáticas. Não há uma solução única para acabar com a corrupção. Assim como o Índice de Percepção da Corrupção da TI foi. o preço cada vez mais alto do petróleo e o temor de escassez no futuro. sabemos que normalmente não é um problema tão grave para as economias mais ricas. Desde então. em 2002. A introdução do décimo princípio do Global Compact contra a corrupção. os indivíduos precisam seguir essas leis.000 bilhão com a corrupção. Países ricos também sofrem e.dos países em desenvolvimento. levaram a energia ao topo da nossa agenda”. que a torna uma atividade ilegal no mundo todo. enquanto um bom número de países pobres se encontra no fim da lista. instituições de desenvolvimento precisam promover a boa governança. Presidência Alemã da UE – Commission Joint Background Paper sobre cooperação energética entre a África e a Europa. e continua sendo. juntamente com alguns escândalos corporativos. Atualmente há uma percepção bastante diferente sobre os males da corrupção e sobre a importância da boa governança. Março de 20071 Foi também em Joanesburgo que a idéia da Extractive Industries Transparency Initiative (Iniciativa de Transparência das Indústrias Extrativistas) foi primeiro aborAccountAbility 65 . mais importante. continuamos a ver como companhias e personagens baseados em países ricos estão envolvidos na corrupção dos lugares mais pobres do mundo. Percorremos um longo caminho desde que a TI foi fundada. Daniel Kaufman – do Instituto do Banco Mundial e uma das maiores autoridades sobre a natureza da corrupção – sugeriu que em 2001 o mundo gastou US$1.. Algo sobre o qual não sabemos muito é o quanto os países ricos devem a sua fartura a relativa ausência da corrupção ou se a corrupção não consegue se estabelecer em países ricos. é gratificante ver como o Índice de Competitividade Responsável também está incentivando a conscientização e a compreensão de soluções responsáveis do mercado. assegurar o cumprimento das leis. Embora esses índices não sejam ciências exatas e seja preciso o uso de cautela ao interpretar os seus achados. Soluções gerais A lição aprendida depois de mais de uma década trabalhando no combate à corrupção é que é uma batalha que pode ser vencida. Embora seja difícil quantificar a extensão da corrupção. e a mídia e a sociedade civil precisam conscientizar. Embora também seja um problema nos países mais abastados. eles são úteis para chamar a atenção para alguns dos maiores desafios da nossa sociedade. acima de tudo..

o que leva a maior responsabilidade dos mesmos governos em relação aos seus cidadãos. Países como o Botswana e a Noruega. em investimentos em escolas e hospitais. gás e minerais são extraídos. gás e mineração apóiam a iniciativa. Países que estão compromissados concordam em ter os seus processos de implementação validados independentemente a cada dois anos. ™™ Há uma extensiva organização de apoio técnico. Trata-se apenas de tornar públicos os impostos. quando os benefícios da extração de recursos naturais não provam ser tão proveitosos quanto poderiam ser. Alguns dos objetivos alcançados pela EITI até agora: ™™ Tornou-se verdadeiramente uma coalizão global. 22 países se comprometeram em implementar a EITI e a maioria dos grandes exploradores de petróleo. Foi criada a diretoria da EITI. mais as companhias e a sociedade civil. ou mesmo trazem uma diminuição de prosperidade e de práticas democráticas. É um esforço em conjunto cujo objetivo é incentivar a transparência entre companhias privadas e os governos anfitriões. essa riqueza não se transforma em desenvolvimento. e levem ao fortalecimento da boa governança. infelizmente são as exceções e não a regra. O conceito subjacente da EITI também é bastante simples: a EITI é um processo em que as companhias divulgam os seus gastos e os governos divulgam os seus ganhos. chamado validação. royalties e os investimentos da exploração de uma forma significativa. A EITI pode ser parte da solução para o desafio de assegurar que os lucros se tornem. que conseguiram lidar com esses ganhos extraordinários de forma eficaz. Aqui está um problema bastante comum: quando petróleo. Entretanto. ™™ Há uma estrutura de governança própria. ™™ Desenvolveu-se um processo para assegurar a qualidade. de mineração e de extração de gás. os governos anfitriões são inundados por grandes rendimentos. prosperidade. foi uma grande transformação. ™™ Houve um consenso de princípios e critérios universais sobre o que a EITI representa. Nada mais natural e justo que os cidadãos de um país saibam como e quanto o seu governo arrecada com os seus recursos naturais. na realidade. frequentemente. Em termos de desenvolvimento de um novo modelo de governança. E em setembro de 2007 a EITI irá inaugurar o seu próprio secretariado em Oslo. Com a liderança do Banco Mundial existem agora recursos consideráveis disponíveis para apoiar a implementação internacional da EITI. Muitos outros países sofrem com o que alguns chamam de “a maldição dos recursos”. países simpáticos. a iniciativa ganhou uma estrutura de governança própria. boa governança e estabilidade política. de investimento internacional e de um novo padrão mundial. Em uma conferência internacional em outubro de 2006. em Oslo. É um exemplo de como parceiros aparentemente improváveis – grandes companhias de petróleo. gás e mineração. ONGs e governos – se uniram em um processo voluntário para lidar especificamente com a necessidade de transparência sobre os rendimentos dos setores petrolíferos. 66 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . com representantes dos países compromissados.dada pelo então Primeiro Ministro Tony Blair.

vivem na miséria. Estamos. continuaremos a apoiar a boa governança e as iniciativas contra a corrupção. como a Global Witness. como a Extractive Industries Transparency Initiave (EITI). o desafio é enorme. e organizações da sociedade civil. princípios e critérios da EITI. ™™ A transparência aumenta a responsabilidade do governo. possibilita o acesso a capital e a investimentos. Enquanto debatemos sobre AccountAbility 67 . Os fundamentos foram estabelecidos e estamos no processo de aumentar a nossa capacidade de trabalho junto aos nossos parceiros para assegurar a implementação. Após cinco anos testando. convencidos que a EITI é um elemento crítico para enfrentar alguns dos maiores desafios que teremos que encarar juntos. mesmo em países ricos em recursos naturais. no entanto. chegou-se a um consenso sobre a sua estrutura. para que alguns grupos – mercenários além do alcance das atuais ONGs ou de outros grupos de pressão – não consigam mais simplesmente servir-se inescrupulosamente dos recursos naturais. fazendo pressão sobre as companhias para que ajam de forma responsável. elas querem assegurar que os campos de exploração sejam justos e equilibrados. Com uma massa de 3. referindo-se à natureza múltipla dos seus investidores. investidores e banqueiros e. Se alguém aprendeu essas lições do modo mais difícil foi a Nigéria. empreendimentos privados ou estatais. Mas o compromisso com os princípios que sustentam a EITI é uma condição quase certa para assegurar a boa governança e a responsabilidade governamental. O Economist chamou a EITI de uma coalizão no mínimo curiosa. uma das nações compromissadas mais progressivas. A razão para essa coalizão incomum é simples: as ONGs querem construir um mundo melhor. portanto. com governos. De acordo com a EITI da Nigéria.” Declaração de Heiligendamm no G8 Summit em junho de 2007 A EITI não é uma panacéia que por si só garantirá o desenvolvimento e a estabilidade democrática. a transparência nos rendimentos tem muitos benefícios. Eles citam os seguintes benefícios da implementação: ™™ A transparência é necessária para permitir o debate democrático.“Enfatizamos a nossa determinação de combater a corrupção e a má administração de recursos públicos tanto na arrecadação de lucros quanto nos gastos. todos à mesma mesa. Podemos discutir sobre os poderes relativos de nações estados. Junto com essas companhias. Conclusão Nesse novo mundo globalizado vemos novos padrões de governança emergindo. Como parte dos nossos contínuos esforços para fomentar a transparência em relação ao fluxo de pagamentos provenientes de recursos naturais. ™™ A transparência também é exigida por instituições financeiras internacionais.5 bilhões de pessoas que. desenvolvendo e negociando os termos. companhias petrolíferas como a ExxonMobil e ONGs engajadas.

que a curto prazo. uma organização não governamental que promove a transparência e a responsabilidade no desenvolvimento internacional. as soluções pragmáticas – com grupos de interesse variados se unindo em abordagens inovadoras de múltiplos investidores – não devem ser deixadas de lado. pode ser proveitosa individualmente. Jonas Moberg foi indicado como o diretor do Secretariado da Extractive Industries Transparency Initiative (EITI) em abril de 2007. Notas finais 1http://www. Sobre os autores: O Prof. Antes disso foi o diretor do Corporate Policy and Practice no Prince of Wales International Business Leaders Forum (IBLF).energypartnership. como a diminuição da corrupção. Ambos demonstram as necessidade e as soluções para assegurar a competitividade responsável. Em 2005. dilema do prisioneiro – nunca está distante do debate e da compreensão da corrupção. ela apóia associados em mais de 100 países. O dilema da reação coletiva – ou o assim chamado.eu/download/EU_PRES-COM_Background_Paper_ AFRICA-ENERGY-COOPERATION. Durante o período de 1996-2002 Jonas trabalhou para o Ministério do Exterior da Suécia. Durante o seu mandato trabalhou no Ministério do Exterior em Estocolmo e exerceu o cargo em Moçambique e no Reino Unido. Eigen foi o diretor do International Advisory Group da Extractive Industries Transparency Initiative (EITI) e assumiu o cargo de diretor da EITI em 2006. em Londres. Precisamos oferecer bens públicos globais. É uma coisa. Dr.legislação e normas e convenções internacionais. Ele foi consultor sênior do Global Compact da ONU entre 2005 e 2006. A EITI é um exemplo de uma solução coletiva para um problema que exige reação coletiva. Peter Eigen é o fundador e diretor do Advisory Council da Transparência Internacional (TI). Obviamente uma companhia ou um indivíduo irá reconhecer que a corrupção é nociva para si mesmo e para todo o resto a longo prazo.pdf 68 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . A TI é uma solução coletiva mais abrangente para um problema coletivo também mais abrangente. mas ainda assim se sentirão tentados. algo que só pode ser alcançado através de uma abordagem em conjunto. Com a sede em Berlin.

com o número de empregos subindo para 340. Aprimorar os padrões de trabalho em cadeias de abastecimento globais é um fator importante nas estratégias de desenvolvimento de países menos favorecidos.000. e por meio disso revigoram o apoio dos fornecedores em prol dessas melhorias. Ela oferece soluções sustentáveis que fomentam a cooperação entre governos. Beneficiando-se com essa iniciativa a indústria do Camboja cresceu substancialmente. Os desempenhos aprimorados dos padrões trabalhistas também ajudam os empreendedores a se tornarem mais competitivos através da produtividade maior e da melhor qualidade. Os Produtos da Better Work Projetos direcionados para países Projetos para países geralmente combinam análises independentes de empreendimentos com assessoria e serviços de treinamento para apoiar melhoramentos atraAccountAbility 69 . Ambas trazem a credibilidade e os seus talentos para o programa. Houria Sammari e Annemarie Meisling Pode um país em desenvolvimento competir no comércio oferecendo boas condições de trabalho ao invés de incentivar negócios que não respeitam os direitos dos trabalhadores? Uma tentativa de dar uma guinada radical está sendo lançada através da parceria entre a International Labour Organisation (ILO)[Organização Internacional do Trabalho] e a IFC (International Finace Corporation – Corporação Internacional de Finanças). Quando os direitos e a capacitação dos trabalhadores são protegidos. organizações trabalhistas e compradores internacionais. A parceria envolve o desenvolvimento tanto de ferramentas globais quanto de projetos focados em países. com o objetivo de melhorar o desempenho dos padrões nos locais de trabalho e a competitividade em cadeias de abastecimento globais. que monitora e reporta sobre as condições de trabalho na indústria exportadora de vestuário do Camboja. A Better Work combina a experiência da ILO em relação aos padrões trabalhistas e as suas aplicações dentro da estrutura do desenvolvimento do setor privado apoiado pela IFC. os benefícios do comércio são distribuídos igualmente. A IFC é o braço do setor privado que financia o World Bank Group e recentemente criou o Performance Standards on Labour (Padrões de Desempenho no Trabalho) para as suas operações de investimento. A Better Work (Melhores Empregos) se fundamenta em lições adquiridas do Better Factories Cambodia Project (Projeto para Melhores Fábricas do Camboja) da ILO. onde muitos compradores exigem que os seus fornecedores estejam de acordo com os padrões trabalhistas internacionais e nacionais.1 Background A ILO e a IFC fundaram a Better Work em agosto de 2006. empregadores. um aumento de 28% desde janeiro de 2005. Isso aprimora a habilidade desses empreendimentos de competir em mercados globais.Better Work: Promovendo Padrões de Trabalho através da Competitividade Responsável Por Ros Harvey. A Better Work se baseia em experiências tanto da IFC quanto da ILO. A ILO é a agência das Nações Unidas especializada no trabalho. A Better Work apóia investimentos na implementação de padrões trabalhistas internacionais básicos e leis trabalhistas nacionais.

Informações sobre as fábricas podem ser compartilhadas com os compradores através do Better Work Information Management System (IMS) [Sistema de Informação sobre Gerenciamento do Better Work]. dentro de cinco anos espera-se que os projetos se tornem auto-suficientes. ™™ um portal global que disponibiliza informações em várias línguas. Isso permite que os compradores reduzam os seus próprios sistemas de auditorias e redirecionem os seus recursos para a solução de problemas e para o desenvolvimento de soluções sustentáveis. kits de treinamento introdutórios. incluindo um programa modular de 12 meses. Um dos objetivos do programa é estabelecer organizações independentes que continuarão funcionando depois que o financiamento do projeto seja concluído. o que inclui o pagamento de taxas por serviços de empreendimentos que participem do programa e a criação de capacitação de fornecedores de serviços locais – o programa global será. funcionando também como um suporte para comunidades virtuais práticas que arregimentam investidores para o desenvolvimento do programa. Ferramentas Globais A Better Work é estruturada em torno de uma variedade de ferramentas práticas para auxiliarem os empreendimentos a melhorarem o desempenho dos seus padrões de trabalho e a sua competitividade. a Better Work criou programas de treinamento certificados para orientadores e assessores empresariais. e na adaptação de novas gerações de produtos relevantes ao programa de cada país. Os projetos para países são formulados para serem sustentáveis e com uma escala significativa. que também permite que os empreendimentos tracem um perfil do impacto dos padrões trabalhistas melhorados sobre os indicadores de qualidade e produtividade. 70 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .vés da cooperação nos locais de trabalho. uma comunidade de apoio prático interativa na internet para os participantes e um programa de desenvolvimento profissional para esses grupos alvo. A chave do sucesso do projeto é o apoio das organizações empregatícias e dos sindicatos relevantes. para vários países e diferentes setores. O programa foi desenvolvido para aumentar o impacto do treinamento através do apoio para a implementação no nível de cada empreendimento. Isso inclui: ™™ o Information Management System (IMS) [Sistema de Gerenciamento de Informações] para captar informações sobre esforços de conformidade e prevenção. projetos nacionais e para a administração trabalhista de setores públicos. bem como do governo nacional e dos compradores internacionais. e que também pode ser adaptado para fornecer auto-análises. e treinamento de primeiro nível para supervisores. Normalmente. Isso é feito com esquemas apoiados por empresas que enfatizam o desenvolvimento de programas empresariais. Os projetos da Better Work para países fornecem treinamento que consiste de instruções em salas de aula e também serviços de assessoria para empreendimentos. responsável pela continuidade do controle de qualidade a partir do momento que os projetos para países se tornem independentes. ™™ recursos de treinamento. uma rede de suporte. seminários. então. ™™ uma análise da conformidade em relação aos padrões trabalhistas internacionais básicos e às leis trabalhistas nacionais. Já que as habilidades dos treinadores e dos gerentes são fundamentais para o sucesso dessa iniciativa. Uma estratégia de sustentabilidade e um plano de financiamento estão incluídos no projeto desde o seu começo.

condições de trabalho aprimoradas e oportunidades contínuas de emprego. gerenciamento estratégico e assessoria política. como seriados e histórias em quadrinhos. para lidar com problemas costumeiros nesse tipo de investimento. Essa equipe é também responsável pelo gerenciamento dos relatórios de análises de impacto. através de informações com credibilidade sobre o comprometimento com os padrões trabalhistas das fábricas fornecedoras. e mais fornecedores competitivos com produtividade e qualidade melhor. Esperase que esses estudos fortaleçam o argumento empresarial para o aprimoramento dos padrões trabalhistas. AccountAbility 71 . Elas estarão disponíveis globalmente e adaptadas para o uso por diferentes setores como parte de projetos para países. ™™ desenvolvimento humano e social. apoio para que esses fornecedores possam remediar possíveis falhas nessa área. em países e no mundo. na indústria. através de meios bem fundamentados para demonstrar a compradores internacionais o comprometimento com os padrões trabalhistas. através da melhor proteção dos seus direitos. mobilização de recursos. A avaliação irá analisar: ™™ comprometimento com os padrões trabalhistas. Medindo o impacto A IFC e a ILO estão desenvolvendo uma estrutura abrangente de monitoração e avaliação para medir os impactos nas fábricas. ™™ produtividade e desempenho. aprimorar a competitividade. risco reduzido de violações trabalhistas na cadeia de fornecimento que possam afetar o valor da marca. O monitoramento contínuo também permitirá que os participantes transformem as ferramentas e as técnicas no decorrer do tempo. engajamento dos investidores. e reduzir o número de auditorias sociais. e para demonstrar os benefícios da cooperação entre empregadores e trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho. Uma pequena equipe global apóia o contínuo desenvolvimento de ferramentas globais e o desempenho da Better Work em cada país. coordenação. investimentos estrangeiros diretos e exportações. administração de conhecimento. As ferramentas da Better Work são desenvolvidas para serem práticas e fáceis de usar. focados em empreendimentos de pequeno e médio porte. Mais ferramentas serão desenvolvidas conforme o programa se aprimore. como emprego. ™™ compradores internacionais. ™™ work books para mini projetos. aumentar a credibilidade. ™™ modelos de políticas e procedimentos trabalhistas e guias de boas práticas. ™™ componentes econômicos. ™™ indústria. o que é uma parte importante da estratégia abrangente do programa. Cada projeto em cada país incluirá estudos sobre análises de impacto. A Better Work tem como objetivo trazer benefícios para uma gama de pessoas e organizações das seguintes maneiras: ™™ trabalhadores.™™ ferramentas para aumentar a consciência dos trabalhadores sobre os seus direitos e responsabilidades que utilizam técnicas inovadoras. custos de auditoria reduzidos. controle de qualidade contínuo. reduzir a rotatividade de trabalhadores e melhorar a produtividade.

sendo os últimos 15 anos em nível internacional. Para mais informações. transporte. O programa pretende desenvolver projetos em setores como agronegócio. a Better Work irá expandir para outros países. bem como o setor privado em geral. uma indústria mais competitiva. têxtil e de vestuário. direitos humanos e comerciais. na Jordânia e no Lesoto. Próximos passos No primeiro estágio do programa. ™™ consumidores de todo o mundo que acreditam que o que consomem deve ser produzido em locais com boas condições de trabalho. Ela vem trabalhando durante 25 anos com questões envolvendo trabalhismo. Dessa forma essas ferramentas serão adaptadas e desenvolvidas para diferentes setores e regiões.org.™™ países. A IFC e a ILO já foram abordadas por vários países interessados em participar da Better Work e irão desenvolver estratégias regionais para assegurar a implementação eficaz. A escolha dos países e dos setores para projetos nacionais é muito importante. Sobre os autores: Ros Harvey é a Global Programme Manager do programa global da Better Work. aumento do número de pessoas empregadas. desenvolvimento e justiça social. com ênfase no trabalhismo. Além disso. por favor. serão disponibilizadas para a comunidade global da Better Work.betterwork. visite o site www. manufaturas de pequeno porte. Após o lançamento de um ou mais desses projetos. Suas áreas de atividade incluem desenvolvimento comunitário local e engajamento de investidores. 72 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Um exemplo é a planejada expansão do agronegócio na África em 2008. ela trabalha para o Foreign Investment Advisory Services (FIAS) – um serviço em conjunto do Banco Mundial e da IFC – lidando com a responsabilidade social corporativa no setor de informação e telecomunicação da China. Annemarie Meisling é uma Private Sector Development Specialist na IFC e IFC Program Coordinator do Better Work Program. por conseguinte. Ela assume esse cargo após três anos como administradora do projeto Factories Cambodia da ILO. três projetos piloto para países estão sendo explorados no Vietnã. e benefícios provenientes de acordos comerciais que recompensem o bom desempenho dos padrões trabalhistas. Sob a sua liderança o projeto desenvolveu uma gama de ferramentas e abordagens inovadoras para monitorar e remediar dentro da indústria de exportação de vestuário. Projetos para países adaptam as ferramentas globais e desenvolvem outras que. A área desenvolve produtos e abordagens inovadoras na área de Responsabilidade Social Corporativa para beneficiar clientes da IFC. através do crescimento potencial de exportações e tarifas. Houria Sammari é a atual encarregada da área de Social Responsibility do Environmental and Social Development Department da IFC. construção e eletrônicos. estratégias e relatórios de sustentabilidade.

http://www.7%20(en).org/content/documents/1/Better%20Factories%20Newsletter%20 No.Notas finais 1 Better Factories Cambodia Quarterly Newsletter 7.pdf. fevereiro de 2007. AccountAbility 73 . betterfactories. acessado em junho de 2007.

alta taxa de participação da força de trabalho feminina e licença maternidade longa. A mulher é responsável por metade do potencial da base de talento no mundo. a Grécia. poucas posições no alto escalão político dos Estados Unidos. significativamente. uma longa história das mulheres nas urnas. Através de um espectro de capacitação política. o Bangladesh e o Irã estão entre os mais baixos da lista. O que estão fazendo os diferentes países para atingir essas metas? O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) foi o precursor do estudo sobre competitividade nacional. em parte devido ao igual número de homens e mulheres ocupando posições no parlamento e nos ministérios. mas a atuação da maioria dos outros países da região é fraca. a competitividade de uma nação depende. teve êxito na eliminação completa dessa diferença. A Suécia é o país mais progressista no mundo. mas com baixos níveis de participação feminina em posições políticas de alto nível. a expectativa de vida saudável das mulheres em Botswana. individualmente. apenas pouco mais de 50% da disparidade entre os gêneros com relação à participação econômica e oportunidade foi superada no mundo. é o fato de que das mulheres dos 115 países pesquisados. os países nórdicos têm boa pontuação e diminuíram a disparidade entre os gêneros em 80%. O Relatório examina a disparidade entre homens e mulheres em 4 categorias: participação econômica e oportunidade. Reino Unido e Irlanda possuem boa pontuação. o Benin e a Mauritânia estão entre os países com posições mais baixas. cada país deveria lutar pela igualdade de gêneros – ou seja. e para responder a esta pergunta lançou o Global Gender Gap Report (Relatório Global Sobre a Disparidade Entre os Gêneros). como Alemanha. indicadores legais e sociais. Os países diferem. 74 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . à relação desproporcional de gênero na natalidade. responsabilidades e oportunidades que os homens. e a rápida disseminação do HIV/ AIDS afetou. Mais dramático ainda. Logo.Igualdade de gênero para vantagem competitiva Por Laura Tyson A determinante mais importante da competitividade de um país é o talento humano – as habilidades. O Chade. desfavoravelmente. educação e produtividade de sua força de trabalho. em grande parte porque as mulheres possuem. Na Ásia. oportunidades educacionais e mulheres em posição de liderança. mas os grandes e altamente populosos países como a Índia. a Itália e o Chipre a pontuarem entre 69 e 83. nível educacional. apenas 15% possuem poder político como os homens. Os resultados mostram que apesar da maioria dos países ter conseguido um progresso considerável quanto à eliminação da disparidade entre os gêneros no tocante à educação e saúde. A África do Sul é o país subsaariano com o melhor desempenho. e desempenho relativamente fraco na igualdade de gênero no tocante à participação econômica e oportunidades levam a França. e capacitação política em 115 países onde as informações de comparação estão disponíveis. relativamente. abaixo de muitos países europeus e do Canadá. significativamente de. E nenhum país. medidos pela média de mulheres que ocupam posições elevadas na presidência. devido principalmente. as Filipinas têm boa pontuação. se e como ela educa e utiliza o seu talento feminino. Os Estados Unidos ocupam o 22º lugar. Outros países europeus. dar às mulheres os mesmos direitos. A China tem um desempenho médio. com o passar do tempo. entre si no tocante a disparidade entre os gêneros. ministério ou parlamento. Para aumentar sua competitividade e o potencial de desenvolvimento. saúde e sobrevivência.

No geral. que continuam sendo as mais altas do mundo. as posições mais baixas do mundo estão ocupadas pelos países árabes. onde décadas de investimentos substanciais reduziram extraordinariamente a disparidade entre gêneros na educação e saúde. a classificação da disparidade entre os gêneros demonstra uma forte correlação entre igualdade de gênero e o nível de desenvolvimento econômico medido pelo PIB per capita. O Brasil e o México. a comunidade mundial adotou AccountAbility 75 . mas esses benefícios não diminuem a disparidade entre gêneros nas oportunidades econômicas. O Kuwait é o país Árabe que tem a pontuação mais alta no índice como um todo. mas está situado no quartil mais baixo. Todos esses resultados. Juntos. adotaram um novo projeto de Igualdade Entre os Sexos Como Plano Econômico Inteligente (Gender Equality as Smart Economics Plan) para reduzir as barreiras à participação feminina que marginalizam as mulheres em empregos de baixos salários ou barrando-as totalmente da força de trabalho em vários países em desenvolvimento. Uma pesquisa feita pelo Banco Mundial demonstra que os custos de restrições similares também acarretaram custos altíssimos em todo o Oriente Médio. um relatório recente da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas (United Nations Economic and Social Commissions) para os países da Ásia e do Pacífico verificou que as restrições a oportunidades de emprego para mulheres custam à região entre $42 e $46 bilhões por ano. a Índia e o Irã. A correlação não prova causalidade. diminui as taxas de mortalidade infantil e reduz as taxas de mortalidade materna. o Banco acredita não haver investimento mais efetivo para acelerar o desenvolvimento econômico. Os benefícios econômicos ao reverter-se essa escala de barreiras podem ser substanciais. mas também promovem um crescimento econômico mais rápido. aumenta os ganhos e as taxas de participação da mulher no campo de trabalho.A América Latina. Inúmeros estudos do Banco Mundial durante a década passada confirmaram que a redução das diferenças de gênero intensifica a produtividade e o crescimento econômico. Uma pesquisa do Banco Mundial demonstra que investimento na educação de meninas reduz as taxas de fertilidade feminina. De fato. devido ao pobre resultado no desempenho educacional e capacitação política. como um todo. e entre a igualdade de gênero e a competitividade nacional medida pelo Índice de Competitividade do Fórum Econômico Global (World Economic Forum´s Global Competitiveness Index) por país. têm bom desempenho no indicador da saúde. Apesar do seu nível de desenvolvimento. a Argentina também tem um fraco desempenho em relação a essas medidas. enquanto o México está significativamente atrasado em participação econômica e medidas de oportunidade. curso primário e secundário. mas o Brasil ocupa apenas a 67ª posição. com apenas um terço das mulheres participando da força de trabalho. Baseados nas fortes evidências das ligações entre o desenvolvimento econômico sustentável e a educação da mulher e oportunidades de emprego. com as maiores populações na região. e por alguns dos mais populosos países em desenvolvimento. não só melhoram a qualidade de vida. Os executivos do Banco. que a redução das diferenças de gênero em alfabetização. recentemente. mas esses resultados são consistentes em teoria e elevam a evidência de que dar poder à mulher significa usar o talento humano de uma nação de forma mais eficiente e implica em crescimento econômico mais rápido. como a Nigéria. Por exemplo. tem a menor disparidade do mundo entre os gêneros em relação à saúde e sobrevivência. e promove o investimento em educação para crianças. O Iêmen e a Arábia Saudita ocupam as duas últimas posições.

As mulheres percorreram um longo caminho. Publicou livros e artigos sobre competitividade industrial e comércio. mas ainda há um percurso considerável pela frente. mesmo nos países desenvolvidos. Universidade da Califórnia. da Goldman Sachs. e ex-Reitora da London Business School. A Dra. O custo de não capacitar e não usar essas profissionais é imenso. Mas os benefícios de oportunidades econômicas maiores para mulheres. Contudo. o resultado da pesquisa de Daly confirma que nos países em que as mulheres têm relativa facilidade de trabalhar e de ter filhos.a igualdade de gêneros como um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (Millennium Development Goals). Universidade da Califórnia. comparado ao dos homens. certamente. Por exemplo. de acordo com pesquisa recente do economista Kevin Daly. tanto o emprego quanto a fertilidade da mulher tendem a ser mais altos. ainda há disparidades significativas quanto às oportunidades de trabalho para mulheres e quanto ao salário a elas pago. e o japonês para aproximadamente 16%. Berkley. líderes políticos e sociais ao redor do mundo estão adotando a igualdade entre os sexos como prioridade política. As mulheres são responsáveis pela metade da população do mundo e metade de seus profissionais. cuja dependência do conhecimento especializado na indústria e da capacitação do trabalhador é grande e crescente. Tyson trabalhou para o Governo Clinton como Presidente do Conselho do The Council of Economic Advisers entre 1993 e 1995 e Presidente do National Economic Advisers entre 1995 e 1996. Além do mais. Em muitos países desenvolvidos. A redução das diferenças de gênero nesses países pode ter um papel principal na solução de problemas futuros causados pelo envelhecimento das populações e o peso dos aumentos de pensões. e Reitora da Haas School of Business em Berkley. não estão limitados aos países em desenvolvimento. Brookings Institution. Institute of International Economics. Sobre o autor: Laura Tyson é professora de Administração de Empresas e Economia na Haas School of Business. o PIB da zona européia para em torno de 13%. Eastman Kodak Company. e essas diferenças são ainda maiores nos países em desenvolvimento. tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento fizeram progressos substanciais na educação da mulher e na melhoria dos resultados da saúde. A redução dessas disparidades teria implicações imensas para as economias desenvolvidas. e sobre economias da Europa Central e sua transição para o sistema de mercado. Nas últimas décadas. a redução da disparidade de emprego entre homens e mulheres foi um importante condutor do crescimento econômico europeu na última década. Morgan Stanley Company e AT&T. aumentando o PIB dos Estados Unidos para quase 9%. enormemente. Ela também é membro dos seguintes Conselhos: Council on Foreign Relations. A boa notícia é que um crescente número de empresas. 76 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . o abismo entre gêneros na alfabetização e na educação primária e secundária. Bruegel. as mulheres são agora responsáveis por mais da metade dos graduados nas universidades e muitos países desenvolvidos reduziram.

AccountAbility 77 . o Índex de Competitividade Responsável 2007 e a avaliação do ISC sobre o impacto da sociedade civil no setor privado (ajustado a porcentagens). Rockefeller enfatizou que esse papel central das empresas na sociedade representava um forte vínculo com a sociedade civil. Através dessa colaboração. processos. Nosso objetivo é compreender se um “terceiro setor” forte e comprometido dentro de um país é o fator principal para desenvolver um ambiente de competitividade responsável empresarial. e possuem visão clara de como essa relação pode ser fortalecida. Ao mesmo tempo. à África subsaariana. através de esquemas de filantropia corporativa e projetos corporativos de responsabilidade social. Nos últimos anos. as doações do setor privado contribuíram significativamente para aumentar e diversificar os recursos disponíveis para as organizações da sociedade civil. Muitos técnicos na sociedade civil. ao Oriente Médio e à Ásia Pacífica. campanhas. analisamos os resultados do Índice da Sociedade Civil da CIVICUS (ISC)1 sob o foco da pesquisa conduzida para o Relatório de Competitividade Responsável. Algumas organizações da sociedade civil estão buscando mais ativamente fazer com que as empresas se responsabilizem pelos impactos sociais e ambientais por elas causados. nós discutimos a relação entre o impacto da sociedade civil e o estado de competitividade responsável e responsabilidade corporativa em vários países. essas relações não são de mão única. particularmente. sejam eles cidadãos ou investidores. como também nas empresas e no governo. da Europa Oriental à América Latina. reconhecem o papel vital que atores do setor privado desempenham ao promover o desenvolvimento sustentável. David Rockefeller falou do papel vital que as empresas desempenham como a força motriz da sociedade na criação de novas riquezas. Contudo. Nas seções seguintes. através de lobbies. A sociedade civil e as empresas interagem em níveis diferentes. A Sociedade Civil e a Competitividade Responsável A Figura 1 mostra a distribuição de diversos países seguindo dois parâmetros. o não-comprometimento tem sido também uma estratégia para certos grupos da sociedade civil e das empresas que estão convencidos de que uma relação muito próxima seria prejudicial aos seus próprios objetivos. boicotes e às vezes. e poderia afetar suas prestações de contas junto aos acionistas. Iniciativas de responsabilidade social proporcionaram uma oportunidade adicional para os dois setores colaborarem e identificarem objetivos comuns.A Sociedade Civil e a Competitividade Responsável Por Kumi Naidoo e Lorenzo Fiaromonti Em 1995 na primeira Assembléia Mundial da CIVICUS na cidade do México.

há alguns com distâncias significativas (como a curva também indica). compreender o tipo de relação existente entre a empresa e a sociedade civil é fundamental. o ISC apresenta uma perspectiva adicional porque coleta informação a respeito da forma como os investidores avaliam o compromisso entre a empresa e a sociedade civil nos seus próprios países (Figura 2). Logo. Ao mesmo tempo. a maioria dos países está perto da linha de regressão (R=0.30). Há importantes casos (como o Chile e Hong Kong) onde a competitividade responsável é comparativamente mais alta que o impacto da sociedade civil no setor privado. (particularmente o Nepal. a maior parte dos países na parte inferior do gráfico. mas também a China e a Mongólia) mostram que a média dos níveis do impacto da sociedade civil no setor privado pode co-existir com pontuações comparativamente mais baixas no índice de competitividade responsável. Neste aspecto.Índice de Competitividade Responsável Alemanha Hong Kong Chile Coréia do Sul Grécia Itália Indonésia Turquia Argentina Guatemala Vietnam Rússia Uganda China Nepal Índice da Sociedade Civil Figura 1: O impacto da sociedade civil no setor privado e competitividade responsável (%) Países selecionados classificados Como indica a Figura 1. Isto indica uma relação importante entre a responsabilidade competitiva e o impacto da sociedade civil nas políticas do setor privado. Apesar da maioria dos países se agruparem em torno da linha central. 78 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

AccountAbility 79 .Figura 2: Relação Empresa-Sociedade Civil (percepções dos stakeholders da sociedade civil) Como aparece claramente nos dados. que são baseados nas percepções dos ativistas da sociedade civil e na informação disponível às suas organizações (Figura 3). Apenas a Europa Ocidental parece ter transformado suas relações entre as empresas e a sociedade civil de fria para morna.15. Isso é parcialmente confirmado pelos estudos do ISC sobre responsabilidade social corporativa. indicando uma “indiferença” total entre ambos atores. os ativistas da sociedade civil e os investidores percebem a qualidade do comprometimento empresa-sociedade civil como sendo consistentemente baixa. Em uma escala de 0 (geralmente uma relação contrária) a 3 (geralmente uma relação conducente). a média global para o comprometimento empresa-sociedade civil é 1.

isso ainda não criou condições para um total comprometimento mútuo. multinacionais e empresas estrangeiras) estão mais habituadas à responsabilidade social corporativa. que parece atravessar regiões. que é um dos países com a maior estrutura regulamentária para a filantropia e o comprometimento total empresa-sociedade civil. a maioria das empresas ainda opera de acordo com o velho ditado “o que é bom para uma empresa é bom para a sociedade”. Na Grécia. que apesar das regulamentações terem mudado e de haver um interesse crescente das empresas pela sociedade civil. apesar de alguns ocasionais “bons exemplos de empresas privadas. O relatório ISC italiano também observa. de acordo com os estudos do ISC. isso nem sempre significa que seu comprometimento com a RSC seja tão forte. o National Advisory Group (Grupo de Assessoria Nacional) do ISC reconheceu que. na Escócia. é que grandes empresas (particularmente. e afirmam que as empresas privadas apóiam a sociedade civil apenas para melhorar sua imagem pública. e também onde as práticas de responsabilidade social corporativa são vistas como as mais desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil. pesquisas de opinião revelam que oito de cada dez cidadãos contestam a sinceridade do interesse das empresas pela sociedade civil. Como relatado no estudo da 80 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Por exemplo. e são geralmente mais perspicazes ao envolver as organizações da sociedade civil nessas áreas. Contudo.Figura 3: Responsabilidade Social Corporativa na visão da sociedade civil A pontuação varia de 0 (as grandes empresas não demonstram preocupação com seus impactos sociais e ambientais) a 3 (as grandes empresas tomam medidas efetivas em relação a seus impactos sociais e ambientais) A Europa Ocidental é a região onde a relação empresa-sociedade civil é classificada como a mais alta pela sociedade civil. geralmente parece que o setor privado não está interessado no que a sociedade civil faz”. ironicamente. Entretanto. Um traço comum.

por trás da relação empresa-sociedade civil que os investidores da sociedade civil percebem como uma relação marcada pela “indiferença”. Deste modo. as elites políticas têm um número significativo de ações de grandes empresas. uma espécie de “imunidade”). vale a pena analisar o desempenho da sociedade civil com relação à exigência da responsabilidade corporativa e competitividade responsável.ISC da Mongólia. para que prestem contas à sociedade como um todo. o que torna bastante difícil para as organizações da sociedade civil AccountAbility 81 . Esta conexão próxima entre política e empresas permite um tratamento privilegiado a muitas grandes empresas (por vezes. Figura 4: A promoção da responsabilidade corporativa pela sociedade civil A pontuação varia de 0 (nenhuma atividade relevante da sociedade civil na responsabilidade corporativa) a 3 (a sociedade civil desempenha um papel importante na responsabilidade corporativa) De acordo com a experiência da CIVICUS. “grandes empresas são hipócritas em relação à ética empresarial e não assumem responsabilidade pelos grandes males sociais e ambientais causados pelos efeitos de seus trabalhos”. os regulamentos legais em termos de conflito de interesses não são significativamente avançados. Consequentemente. a Europa Ocidental é a região em que a sociedade civil é mais forte em manter as empresas privadas responsáveis (ver Figura 4). e que também sentem que as políticas de responsabilidade social são pouco desenvolvidas na maioria dos países. em muitos países em desenvolvimento. mas também. Mais uma vez. Média América Latina África Subsaariana Europa Oriental Oriente Médio Ásia e Pacífico Europa Ocidental A sociedade civil não se compromete com as empresas apenas procurando que estas reforcem sua responsabilidade social e promovam a competitividade responsável. Por exemplo. esses resultados mostram a importância de fatores contextuais na competência da sociedade civil de cobrar resultados das empresas.

cobrar uma prestação de contas. Além do mais, em países em que a sociedade civil
é reprimida ou que as condições sócio-econômicas são duras, a responsabilidade
corporativa e a competitividade responsável não são prioridades para as organizações da sociedade civil.
Como se constata na maioria dos relatórios ISC, quando as campanhas de responsabilidade corporativa não se direcionam diretamente às empresas, elas têm
dois outros alvos em potencial: o governo ou os cidadãos. Em situações em que as
condições políticas e legais levem as necessidades de responsabilidade a serem
apresentadas diante do judiciário (por exemplo, através de ações de classe), várias organizações da sociedade civil, como associações de consumidores, grupos
ambientais e sindicatos, na maioria das vezes recorrem a instrumentos legais para
impactar as políticas corporativas. Contudo, onde as estruturas legais não oferecem possibilidades para a sociedade civil manter as empresas responsáveis, as
organizações da sociedade civil precisam contar com iniciativas da população, tais
como boicotes e greves, se elas almejam exercer algum impacto nas empresas.
Contudo, quando a participação do cidadão é limitada e as condições sócio-econômicas não permitem que a maioria das pessoas participe das campanhas, então, a
responsabilidade corporativa pela mobilização de massa só é possível quando as
questões em jogo são diretamente relevantes à vida das pessoas (por exemplo, os
protestos anti-privatização na Bolívia, as campanhas contra os abusos nas empresas de mineração em Gana).
Conclusão
Essa análise desafia o princípio de uma relação inversa entre o financiamento de
organizações da sociedade civil pelo setor privado e a capacidade das organizações da sociedade civil em promover responsabilidade corporativa e competitividade responsável. Na realidade, os dados do ISC mostram que nos países em
que o diálogo empresa-sociedade civil e responsabilidade social corporativa são as
mais baixas, são também aqueles na qual a sociedade civil é a menos interessada
ou apta a manter as empresas responsáveis. Contudo, países que desfrutam ambientes legais favoráveis, participação significativa dos cidadãos e melhores contextos sócio-econômicos, são aqueles que têm melhores resultados em termos de
comprometimento empresa-sociedade civil e responsabilidade corporativa. Tanto
os dados como a experiência prática parecem indicar que onde a sociedade civil é
mais desenvolvida e as organizações da sociedade civil desempenham papéis que
vão dos serviços diretos à advocacia, elas podem ser mais eficazes em tornar as
empresas responsáveis. Tal resultado, provavelmente, é devido ao fato de que nos
países em que o ativismo da sociedade civil é mantido por um ambiente legal e social favorável, são também aqueles em que as empresas se tornaram mais abertas
aos comprometimentos de grupos setoriais e às necessidades da responsabilidade
social. Isto confirma que os “impulsionadores políticos” e os “impulsionadores sociais”, conforme indicado no Índex de Competitividade Responsável, são também
os principais fatores que afetam a capacidade e a vontade da sociedade civil e das
empresas de promover comprometimentos mútuos e responsabilidade.
Por fim, deve ser observado que o sucesso da responsabilidade corporativa depende não só da capacidade da sociedade civil de interagir com as empresas e
desenvolver alguma forma de conexão com atores do setor privado que pensem da
mesma forma, mas também com os recursos e habilidades da sociedade civil. Nem
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O Estado da Competitividade Responsável 2007

todas as organizações da sociedade civil têm recursos (não só financeiros, mas
também tecnológicos) e especialistas para conduzir investigações sobre o comportamento das corporações. Em nossa opinião, uma recomendação importante
seria institucionalizar fóruns para comprometimentos verdadeiros e considerações
conjuntas de interesses comuns das empresas e da sociedade civil. Infelizmente,
a maioria dos modelos que vemos serem desenvolvidos em vários países é ainda
muito dependente das habilidades de liderança e do comprometimento das pessoas envolvidas.
Sobre os autores:
Kumi Naidoo é Secretário Geral da CIVICUS desde 1998. Foi nomeado pelo Secretário Geral da ONU para o Panel of Eminent Persons
on UN Civil Society Relations e é membro do conselho consultivo do
Fundo para a Democracia das Nações Unidas (UNDEF), do Fundo
de Desenvolvimento para a Mulher das Nações Unidas (UNIFEM) e
para a Clinton Global Initiative. Ele é membro do conselho da Global
Reporting Initiative e presidente do Partnership for Transparency Fund, que apóia
ações anticorrupção da sociedade civil.
Lorenzo Fioramonti é Pesquisador Sênior da CIVICUS: World Alliance
for Citizen Participation e editor científico da CIVICUS Global Survey
do State of Civil Society. Comparative Perspectives (Kumarian Press).
É membro do conselho consultivo para o Business Guide para associações com ONGs e com a ONU, que é uma iniciativa promovida pela
Dalberg Global Development Advisors e pela UN Global Compact.
Notas Finais
1 O ISC é um projeto de pesquisa participativa que avalia o estado da sociedade civil baseado em informações existentes, pesquisas de opinião, revistas e percepções de ativistas da sociedade civil. Durante 2003-2006, o ISC foi implementado
em 54 países. Para mais informações, favor acessar www.civicus.org
2 Isso é uma média global, que esconde o fato de que em alguns países a relação
pode ser mais desenvolvida, enquanto que em outros pode ser de total hostilidade e desconfiança.

AccountAbility

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A Fé pode Incentivar a Competitividade?
Por Ambreen Waheed e Faiz Shah
“Muitos dos fatores resultantes da lei islâmica são, na verdade, boas estratégias de
investimento de longo prazo”
Davis Kathman, Analista, Morningstar

A competitividade responsável é algo realmente novo?
O termo “Competitividade Responsável” eleva o discurso sobre a responsabilidade
social corporativa (RSC) para além dos casos empresariais individuais para melhor tratamento, tanto de pessoas quanto do meio ambiente, em direção a uma
compreensão de como modelos empresariais e mercados podem capacitar e recompensar a prática empresarial responsável. Na verdade, uma razão possível do
por que o mundo não tenha se alinhado com os pregadores dos modelos de RSC,
mesmo após as promessas iniciais, é porque, dentro dos paradigmas econômicos
predominantes, as empresas simplesmente não encontram justificativa econômica
suficiente para investir nos padrões de RSC.
Entretanto, a responsabilidade nos negócios não é algo novo. Confiança, eqüidade
e integridade sempre foram peças fundamentais no sucesso de empresas individuais. Da mesma forma, as sociedades sempre buscaram meios de imbuir valores
como eqüidade, segurança, proteção aos mais fracos e guiar indivíduos e negócios
para papéis, regras e relacionamentos sancionados pela sociedade.
Ao tentarmos desenvolver novos modelos para promover a competitividade responsável dentro de sociedades e economias, e através de divisas globais, torna-se
útil examinar algumas das estruturas de valores mais antigas, aquelas incluídas
e transmitidas por meio da religião. Esse artigo analisa especificamente a forma
como o Islã procurou conservar o bem social dentro do paradigma da atividade
econômica.
Uma das injunções fundamentais do Corão que sublinha os princípios islâmicos
nos negócios é a completa proibição da riba, comumente traduzido como “usura”, mas provavelmente melhor definido como sendo um relacionamento financeiro
de exploração em que uma das partes é compelida a assumir todos os riscos do
empreendimento, enquanto a outra simplesmente usufrui dos lucros. Essa postura
firme contra riscos desiguais emana do conceito de Justiça, ou Adl, que é a raiz da
eqüidade social no Islã.
Uma análise das tendências emergentes de investimentos socialmente responsáveis mostra que, dentro do segmento de investimentos baseados em valores os produtos desenvolvidos em conformidade com os preceitos islâmicos estão ganhando
popularidade. Além disso, no mercado financeiro varejista de moradias e produtos
de consumo, aqueles que exercem princípios islâmicos de eqüidade de risco estão
tendo desempenho competitivo. Provavelmente ainda é muito cedo para dizer se
o mundo das finanças e dos negócios está trilhando um novo caminho. Entretanto,
com eqüidade e abertura se tornando questões centrais referentes à ética nos negócios, é bem provável que o mundo comece a perceber cada vez mais alternativas
baseadas na fé e em valores.

84

O Estado da Competitividade Responsável 2007

Princípios suplementares incluem os investimentos em causas sociais (Infaaq). A responsabilidade social é fundamental para os princípios empresariais islâmicos. na maioria dos códigos morais. em questões da fé (Tawakkal) e na moderação (Iqtisaad). as regras econômicas islâmicas se posicionam claramente sobre a necessidade da sociedade de reconhecer o bem social e encorajar a competitividade responsável. ou o desperdício (Israaf) apresentam a ameaça de tornar os lucros “proibidos” (Haraam). a atividade econômica em uma sociedade islâmica ideal é imbuída de valores sociais. e uma fonte de responsabilidade extra que parece ser impossível em sistemas seAccountAbility 85 . talvez de forma única. mas definem limites morais e sociais muito claros para prevenir a exploração. o entesouramento (Ihtikaar). cada parte envolvida. a exploração (Iktinaaz). com responsabilidades bem definidas para contratos. que garantem qualidade. vão além dos lucros e partilham com os menos afortunados. mas exige-se uma conduta honesta (Amaanah). enquanto a ganância (Hirs). para o Islã. Através da obrigação de compartilhar riquezas (Zakaat). Entretanto. A conformidade com princípios sociais justos torna os lucros “preferíveis”. A troca justa entre os mercados é encorajada e a produtividade é considerada uma virtude. onde um empreendimento é encorajado a buscar lucros. com ênfases variadas. e opera com o principio do compartilhamento de risco em cada nível da corrente de negócios. do produtor ao negociante ao consumidor. assegura outros negócios. Obviamente sistemas baseados na fé ainda têm uma gratificação a mais. Portanto. Na verdade. O resultado é um ambiente de negócios menos explorador. mais eqüidade e prudência nas transações e o desencorajamento do oportunismo especulativo. Os ensinamentos islâmicos procuram encorajar o espírito empreendedor. Regras que governam os princípios nos negócios enfatizam o conceito da Adl. ou “favoráveis” (Hallal). O Corão é inequívoco em sua condenação às transações comerciais injustas. onde os negócios devem permanecer firmemente dentro do que é Halaal e evitar o que é Haraam. O caminho para as realizações econômicas é através do trabalho árduo e da assunção de riscos”. esses valores também são discerníveis. Maomé Essa visão holística e social dos negócios é diferente de outros modelos econômicos ao estabelecer a Adl e a eqüidade na sociedade tanto como um incentivo para os negócios quanto para lucrar de forma Halaal. asseguram transações éticas e trazem responsabilidade segura. seja a forma como o risco é encarado através do prisma das normas sociais. Um negócio conduzido pelas normas islâmicas não permite um contrato de risco injusto.Uma perspectiva islâmica sobre a Competitividade Responsável? “O comércio é considerado uma das vocações mais indicadas para um muçulmano. os empreendimentos. para o bem da sociedade (Ihsaan) e em prol do interesse público (Istislaah). a injustiça (Zulm). “Uma mão improdutiva é como uma mão suja. Assim. via de regra. A razão disso é que ao reconhecer os riscos como algo inerente a todas as transações de negócios e tomando as devidas providências. por que é visto como a atividade com mais capacidade para o bem social e para causar impactos econômicos abrangentes”.

e 40% dos materiais brutos necessários para a indústria global. a Malásia e o Paquistão têm em comum que os coloca como os favoritos mundiais para oportunidades de negócios enquanto os seus iguais na OIC ficam para trás? A resposta provavelmente está no fato de que esses países escolheram permitir que meios de negócios paralelos baseados em religião assumissem papéis no mercado 86 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . A realidade: será que funciona? Índice de Competitividade do Crescimento Os 57 países membros da Organisation of Islamic Conference (OIC) (Organização da Conferência Islâmica) são o lar de 20% da população mundial. O que a Indonésia. o Produto Interno Bruto coletivo de todos os membros da OIC é menos de 5% do PIB mundial. Para os que crêem a “obrigação econômica” perante lucros socialmente responsáveis ou Halaal é aumentada pela promessa do julgamento e da recompensa na vida após a morte. Fórum Econômico Mundial. 06/07 Entretanto. que 31 dos 57 (54%) são classificados como países com o “menor desenvolvimento e de baixa renda”. Índice de Competitividade Responsável Figura 1: O Desempenho de Estados Islâmicos em Competitividade Responsável e Competitividade de Crescimento Fonte: Índice de Competitividade de Crescimento. é um paradoxo interessante notar que. Entretanto. e o seu comércio mútuo é de apenas 7% do volume internacional de negócios. dos quatro países identificados em um relatório Grant Thornton de 2007 como tendo o potencial para o maior impacto na economia global. portanto. O que aparenta ser comum entre esses países. Não é surpresa. E a distância tende a aumentar entre os estados capazes de competir em uma economia global e os que não o são. três deles são membros da OIC. Entre si eles fornecem 70% das fontes de energia da terra. além da falha generalizada no equilíbrio dos recursos naturais e humanos significativos na obtenção de vantagem competitiva em um ambiente econômico globalizado.culares de lucros e regulamentação de negócios.

se inseridas em um novo paradigma. Sobre os autores: Ambreen Waheed é fundadora e Diretora Executiva da Responsible Business Initiative. Faiz Shah lidera uma organização de desenvolvimento institucional no Paquistão. parece que essas abordagens. podem ser aliados úteis no desenvolvimento de um modelo viável de responsabilidade econômica relevante para os paradigmas atuais. Ela faz parte do Board Nominating Committee da Global Reporting Initiative. Em nível geral isso pode sugerir que valores baseados na fé. e assessora governos. Paquistão e no Siri Lanka. esse crescimento é. criaram oportunidades de negócios em larga escala em nichos de rápida expansão. “As finanças islâmicas. como banking e seguros livres de juros estão crescendo mais rápido do que competidores convencionais. do Steering Board do Global Compact das Nações Unidas e da South Asia Alliance for Responsible Business. Nepal. entre e para além dos países muçulmanos. Ele é o líder da maior companhia de bolas esportivas do Paquistão e é o co-fundador da Responsible Business Initiative. AccountAbility 87 . o Islamic Banking na Malásia ou uma combinação de ambos no Paquistão. a única organização setorial de cidadãos dedicada à responsabilidade corporativa no Paquistão. o que alguns deles conseguiram demonstrar é que os seus valores e a sua busca por lucros são compatíveis. em grande parte. oportunidades econômicas dentro. assim. mercados de ações estão em franca expansão e novos produtos. podem se tornar uma alternativa viável para a crise sócio-econômica vivida pelo paradigma do ocidente”. estima-se. e supervisiona mais de 300 projetos de serviços em comunidades. Na vanguarda desse modelo alternativo está a indústria de serviços financeiros livres de riba que. Ela foi um membro fundador do primeiro relatório Corporate Social Responsibility Status do Paquistão. E há evidências de que fornecedores de serviços financeiros consagrados no ocidente estão desenvolvendo produtos livres de riba por causa do potencial de expansão mesmo entre clientes não muçulmanos. nesse caso injunções islâmicas. Atualmente ele atua como membro convidado da Punjab University. dada a crescente demanda. O que é digno de nota nesse exemplo é que. 1996 No caso do Paquistão. deu palestras na AIT Bangkok. apesar da fraca competitividade da indústria têxtil do país. aumentando. devido à crescente demanda por lucros livres de riba pela classe média em expansão. Sejam as micro-finanças na Indonésia. Al Harran. Investimentos Estrangeiros Diretos em outros setores estão aumentando. ONGs e programas da ONU sobre administração de mudanças e reorganização institucional. E quem sabe. construir sobre esses sucessos pode nos levar a uma nova era de competitividade responsável entre países que seguem os credos islâmicos. está crescendo 15-20% ao ano de um total de recursos de $166 bilhões em 1995. treinou governos e líderes comunitários locais no Camboja. exceto as privatizações de monopólios do estado. companhias.atual. Enquanto o Paquistão e outras sociedades islâmicas estão longe de verdadeiramente estabelecer a Adl. até agora experimentais. na Michigan Business School e na Wharton School.

construímos uma rede de parcerias e investimentos que já forneceram treinamento certificado em habilidades de TI para mais de meio milhão de professores europeus através do programa Microsoft IT Academy. jovens com níveis de educação baixos e trabalhadores de indústrias tradicionais que estão sob a pressão da competição global. fomentam a inovação e o desenvolvimento econômico local. manufaturas. e mais meio milhão de pessoas se graduam anualmente em nossas academias de ICT. os imigrantes. A Microsoft está adotando estratégias de competitividade responsável em suas estratégias e processos empresariais. especialmente os que se encontram longe do mercado de trabalho – os desempregados. gostaria de apresentar três exemplos. entre as muitas atividades que estamos desenvolvendo. mas também grandes oportunidades. Alcançamos mais de 3 milhões de aprendizes em centros tecnológicos comunitários e apoiamos mais de 3 milhões 88 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . De forma global estamos fornecendo produtos e serviços que ajudam a criar inclusão social. A Information and Communication Technology (ICT) (Tecnologia de Informação e Comunicação) está se tornando fundamental em áreas tão abrangentes quanto saúde. Ao redor do mundo governos e companhias privadas precisam trabalhar em conjunto. Na prática isso quer dizer que estamos fomentando excessos positivos em várias áreas de atuação. educação. no setor de serviços e também para o desenvolvimento internacional. incrementar a competitividade da Europa. A ICT é uma chave para a empregabilidade e para a criação de empregos na Europa e estamos capacitando pessoas para que consigam trabalho e se mantenham empregadas. por fim. Imbuir práticas comerciais responsáveis no cerne das nossas estratégias empresariais é fundamental para o sucesso sustentável da Microsoft. Cada um desses três pilares de desenvolvimento sustentável apresenta desafios para soluções inovadoras. Estamos trabalhando para treinar a força de trabalho européia. Ao longo desses últimos anos. fundamentando-se em suas habilidades específicas. para melhorias na produtividade nos locais de trabalho e. como parte da nossa iniciativa global Unlimited Potential (Potencial Ilimitado): ™™ na Europa estamos trabalhando com parcerias para fomentar o capital humano e as habilidades para que sejam absorvidos no mercado de trabalho ™™ por toda a África estamos fornecendo oportunidades para que regiões e países se beneficiem com tecnologia ™™ de forma global estamos trazendo soluções de software inovadoras para a compreensão do maior desafio de todos: a mudança climática Fomentando a empregabilidade na Europa Cerca de 18 milhões de pessoas na Europa estão desempregadas atualmente e não têm as habilidades básicas necessárias de ICT para participarem efetivamente na economia de conhecimento do século XXI. e promovem a proteção ambiental ao redor do mundo. para criar sinergias na provisão de produtos e serviços de qualidade em diversas áreas. Para ilustrar essa prática.Construindo Vantagens Competitivas por meio de Práticas de Negócios Responsáveis Por Jean-Philippe Courtois A competitividade no século XXI está cada vez mais atuante no papel que a tecnologia e a inovação desempenham na economia e na sociedade atual. turismo.

É por isso que somos membros fundadores da European Alliance on Skills for Employability (Aliança Européia sobre Habilidades para a Empregabilidade). conteúdo. frequentemente. a Randstad. O setor emprega cerca de 20. Conhecimentos nessa área são cada vez mais o passe de entrada para o mercado de trabalho e para melhores empregos. muitos dos quais são mais velhos. dando-lhes acesso a softwares e currículos para equipá-los com as habilidades necessárias para o mercado de trabalho. Esse conselho trabalhará em cooperação com instituições européias para implementar a estratégia de longo prazo da União Européia sobre a competitividade . Recentemente nos associamos com outros líderes da indústria para lançar o Industry Leadership Board (Conselho de Liderança da indústria). Ao nos associarmos com o Technological Centre for the Textile Clothing Industries of Portugal (Centro Tecnológico para a Indústria Vestuária Têxtil de Portugal). estendam o seu tempo de serviço e que os mantenham incluídos na comunidade digital quando se aposentarem. almejamos fornecer a 20 milhões de europeus tecnologia.de estudantes. Até a presente data a Aliança vem alcançando resultados muito positivos e está oferecendo de forma eficaz novas oportunidades e empregos na Bélgica. A European Alliance on Skills for Employability é crucial para permitir que cidadãos europeus alcancem o seu potencial e adquiram as habilidades de ICT básicas para que possam participar efetivamente da economia de conhecimento do século XXI. a CompTIA e outros. Pesquisas de mercado mostram que a habilidade tecnológica é um elemento chave para a empregabilidade e a inclusão na Europa. o desenvolvimento e a empregabilidade relacionadas às habilidades tecnológicas. a ECDL Foundation. aqueles que abandonaram a educação formal. na Alemanha e na Escócia. e regiões correm o risco de serem ainda mais marginalizadas já que o acesso à AccountAbility 89 . Mas mesmo para uma companhia do tamanho da Microsoft precisamos de alianças e sólidas parcerias na cadeia de valores empregatícios para lidar com o desafio de “mais e melhores empregos”. temos um papel fundamental em ajudar a Europa a alcançar maior empregabilidade da sua força de trabalho. ou CITEVE. sem treinamento e que seriam forçados a se aposentarem com pouca segurança financeira.000 trabalhadores. Para nós é muito claro que. Criando vantagens competitivas na África O acesso à ICT é. Um bom exemplo de como estamos comprometidos com esse objetivo vem de Portugal. Através dessa parceria com a Cisco Systems Inc. certificação e treinamento em tecnologia informática e outras habilidades até 2010. a State Street Corp. mas também trabalhadores com mais de 50 anos em indústrias em declínio – que podem se beneficiar de novas habilidades que aumentem a sua autoconfiança. estamos trabalhando com uma associação do comércio têxtil para ajudá-los a manter os seus trabalhadores e outros grupos da mesma indústria que foram demitidos devido à realocação dos seus empregos para países com mão de obra mais barata. Nosso foco tem sido para os desempregados. a Exin. como companhia. em Luxemburgo. menor em países em desenvolvimento. estamos trabalhando para aumentar os prospectos de empregabilidade de longo prazo através do fomento de novas habilidades e da capacitação para a obtenção de qualificações internacionalmente reconhecidas. Através do nosso programa Community Technology Skills (Habilidades Tecnológicas Comunitárias).

procurando assim aumentar a sua competitividade no mercado global. Mauritius. esse projeto irá conectar profissionais da saúde e agentes governamentais. eParliament e eTourism. Como foi dito pela NEPAD. Médicos e profissionais da saúde serão conectados através de telefones celulares com bancos de dados centralizados que possibilitarão que eles mandem os seus dados através de SMS.000 escolas por todo o continente. e fornecerá um sistema de aviso prévio para pandemias e outros problemas de saúde pública. dos quais o eSchools é o que está mais avançado. Lesoto. Camarões. em junho de 2007. Essa abordagem do desenvolvimento econômico através da parceria é uma forma eficaz de capacitar países em desenvolvimento para que possam tirar proveito das oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias. em junho de 2007. estamos trabalhando no desenvolvimento de uma solução móvel para a saúde pública. permitindo o planejamento e a administração eficaz de incidentes potenciais. Acreditamos que a ICT oferece oportunidades especiais para estimular o crescimento e para aumentar a inovação em qualquer lugar. que indivíduos e instituições interajam com maior produtividade com a economia global e com o mundo em geral. Isso permitirá uma visualização ampla e atualizada das necessidades de saúde correntes em qualquer país. junto com a Nokia. O conceito da iniciativa das eSchools é para que cinco consórcios diferentes desenvolvam um modelo que irá posteriormente ser implementado na conexão de 600. educadores e empresários para alcançar as metas de desenvolvimento locais e globais. a NEPAD e o setor privado estão cooperando em um projeto de ICT desse tamanho e com essa abrangência”. comunicamos que. possibilitando. ligando clínicas regionais e hospitais com administrações centrais do governo. assim. treinamento de servidores públicos na prática da utilização da tecnologia e difundir a ICT nas comunidades educativas e comerciais. Essa solução irá facilitar a coleta local de informações de saúde pública.informação e ao conhecimento é cada vez mais a fonte principal de vantagens competitivas. Através de parcerias estratégicas com governos nós procuramos fortalecer a economia do conhecimento. ™™ Transformar a educação: continuaremos nosso trabalho com o NEPAD e com o nosso consórcio de parcerias nas iniciativas de eSchools para desenvolver programas extensivos e sustentáveis para integrar o acesso e o treinamento de ICT na educação na África. A Microsoft está trabalhando para capacitar governos e organizações na África na aplicação da tecnologia para problemas práticos. demonstramos três programas colaborativos que lidam com esses objetivos cruciais: ™™ Fomentar inovações locais em relação à saúde: temos por objetivo usar a nossa informação e o nosso conhecimento sobre tecnologia de comunicação para enfrentar pandemias e necessidades ainda mais abrangentes de monitoração de saúde pública por todo o continente. Senegal. No EU Africa Business Forum. que faz parte da New Partnership for Africa’s Development (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África). Embora não estejamos sugerindo que a tecnologia por si só fomente o desenvolvimento. Utilizando o nosso conhecimento combinado sobre ICT. Atualmente o consórcio Microsoft está trabalhando em 25 escolas no Quênia. especialmente em se tratando de doenças infecciosas. ela com certeza deve fazer parte de uma mistura de mudanças produtivas e maior capacidade de sustento. “essa é a primeira vez que os governos africanos. Moçambique e Ruanda. No EU Africa Business Forum. 90 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Isso irá implicar no aumento da utilização da ICT na administração pública. Recursos devem ser igualados pela desenvoltura – e combinados a outras iniciativas de líderes locais. Estamos trabalhando em três projetos chave: eSchools. Um dos principais compromissos da Microsoft é a sua participação na Information Society Partnership for Africa’s Development (Sociedade de Parcerias de Informação para o Desenvolvimento da África).

formular relatórios. bem como incentivar a transferência de conhecimento e novas oportunidades para empresas locais. a UNIDO desenvolveu uma ferramenta para a internet que conecta os impulsionadores políticos e as instituições intermediárias desses países com o setor privado e a sociedade civil através de uma interface interativa. com o objetivo de criar um modelo para uma iniciativa Pan-africana.™™ Estimular o crescimento e os empregos: estamos trabalhando com a UNIDO no apoio a empreendimentos. É o nosso compromisso de servir a aproximadamente 5 bilhões de pessoas que ainda não têm acesso aos benefícios da tecnologia. exigências empregatícias e de habilidades. software e treinamento de pequenos empreendimentos. especialmente para empresas africanas de pequeno e médio porte (SMEs). ™™ O projeto terá o seu programa piloto baseado em Uganda. A Microsoft juntou forças com a Clinton Foundation para desenvolver um conjunto de ferramentas que irá permitir que cidades monitorem de forma exata. comparem e reduzam as suas emissões de gases efeito estufa. Juntamente com a UNIDO apresentamos recentemente uma iniciativa para centros de renovação na África para lidar com as necessidades de hardware. Ela é projetada para levar proteção baseada em evidências de forma a assegurar um maior apoio político para um processo de reforma de governança com investimentos contínuos para fomentar o desenvolvimento do setor privado. para trazer benefícios através de uma parceria público-privada mais aberta e transparente.000 empreendimentos operando em 30 países africanos irá permitir uma compilação de indicadores regionais. para efetuar análises comparativas de diferentes locações de investimentos e comparações do real desempenho de empreendimentos em diferentes países. Através da Plataforma autoridades nacionais poderão assinalar os atrativos dos seus mercados para diferentes categorias de investidores e destacar áreas que necessitam de melhorias urgentes. ™™ A iniciativa é baseada em conceitos de empresas sustentáveis que irá fomentar a reciclagem de refugos de equipamentos e programas. O banco de dados para mais de 20. testar estratégias e opções. e irá facilitar o monitoramento do impacto de diferentes grupos de investidores na economia doméstica. Ela auxilia as empresas a avaliarem tendências e identificar áreas de crescimento através da coleta de dados nessa plataforma. tais como índices de previsões (correntes de investimento. etc. para promover investimentos e ajudar a criar oportunidades de negócios. e fazer uso de evidências empíricas para demonstrar os benefícios dos investimentos estrangeiros diretos e dos investimentos privados domésticos. AccountAbility 91 .). Soluções para entender as mudanças climáticas através de softwares A tecnologia tem o poder de fazer contribuições positivas e de longo prazo para reagir às mudanças ambientais no mundo. Esses empreendimentos fazem parte da nossa iniciativa global Unlimited Potential. Junto com a Microsoft. Estruturar parcerias com organizações públicas e privadas é uma forma eficaz de promover uma abordagem abrangente e coordenada para lidar com muitos dos problemas nos países em desenvolvimento e nas economias emergentes. Através desse compromisso de longo prazo acreditamos firmemente que será possível construir e sustentar um ciclo contínuo de crescimento social e econômico. que traga equilíbrio para processos de reforma e para o mercado. A “Investment Monitoring Platform for Africa” (Plataforma de Monitoração de Investimentos para a África) é um empreendimento de levantamento de larga escala institucionalizado pela UNIDO e projetado para dar apoio ao desenvolvimento do setor privado.

A Microsoft está comprometida em 92 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . O alvo desse esforço ambiental novo e abrangente é conservar energia e reduzir emissões de efeito estufa com a instauração de novos e agressivos objetivos para computadores e componentes de baixo consumo de energia. a Clinton Climate Initiative (Iniciativa Climática Clinton). irá reduzir emissões de gases efeito estufa em 54 milhões de toneladas por ano – e poupar mais de $5.Essa parceria irá incrementar a consciência ambiental e irá fomentar mudanças sustentáveis que irão ajudar a reduzir as emissões globais de carbono. e promover a utilização de computadores de baixo consumo e ferramentas de gerenciamento de energia no mundo todo. se alcançado. A Climate Savers Computing Initiave estabeleceu um novo alvo de 90% de eficiência para suprimentos de energia que. Embora esse software seja inovador. para aumentar ainda mais a melhoria do monitoramento. Desde agosto de 2006 a Clinton Foundation vem exercendo uma parceria com um consórcio de 40 das maiores cidades do mundo que estão comprometidas na luta contra o aquecimento global. recentemente apresentamos a formação da Climate Savers Computing Initiave (www.5 bilhões em gastos com energia. ele é um complemento de ferramentas já existentes.climatesaverscomputing. Dell. as cidades poderão aprimorar a sua eficiência energética. Essas ferramentas de software irão possibilitar a colaboração e o trabalho em conjunto de cidades para monitorarem suas emissões e construir uma cultura de compartilhamento das melhores práticas. e nos seus esforços de mitigação e comunicação. a Google. Construir e manter a infra-estrutura para o crescimento de uma economia de conhecimento. Trabalhando com o World Wildlife Fund. a HP. permitindo assim. a Intel Corporation. a exportação e importação de dados de outros sistemas. EDS. Estamos orgulhosos por trabalhar com parceiros no desenvolvimento de uma solução única na internet que irá possibilitar que cidades possam lidar com questões ambientais globalizadas. Lenovo e outras organizações. Com essas informações. As ferramentas on-line desenvolvidas por essa iniciativa e pela Microsoft irão prover essas cidades e servirão como um padrão global na sua prestação de contas climática. Utilizando o banco de dados criado pelo Local Governments for Sustainability (Governos Locais Pela Sustentabilidade) e o Centre for Neighbourhood Technology (Centro de Tecnologia Para a Vizinhança) criamos novas ferramentas de software para desenvolver a Harmonised Emission Analysis Tool (HEAT) (Ferramenta de Análise Harmonizada de Emissões). a Environmental Protection Agency. Desenvolvendo uma estratégia sustentável A Tecnologia de Informação e Comunicação tem um potencial imenso para conectar comunidades e gerar crescimento social e econômico sustentável. IBM. encorajar empreendimentos em todos os setores de negócios e incentivar a ICT na educação são fatores criadores de uma força motriz poderosa para o aumento da produção econômica e o desenvolvimento. reduzir emissões de carbono e fazer escolhas baseadas em informações. Existe uma oportunidade para empresas e indivíduos em todo o mundo para trabalharem em prol do melhor gerenciamento de energia dos seus equipamentos de informática e para a compra de computadores e softwares que consumam menos energia.org) (Iniciativa Computacional dos Salvadores do Clima).

ele é o líder de serviços. Ele é formado pela École Supérieure de Commerce em Nice. companhias e a sociedade civil para construir soluções sustentáveis para a resolução de problemas locais e para trazer os benefícios advindos da tecnologia. desenvolver e inovar. do Advisory Council do European Policy Centre e é co-diretor do Global Digital Divide Initiative Task Force do Fórum Econômico Mundial. que nos propiciou o aprendizado e a integração de idéias no desenvolvimento da nossa estratégia. já trabalhou em vários setores no papel de executivo sênior. e também partilha da responsabilidade da equipe mundial do setor público da Microsoft Corp. Sobre o Autor: Jean-Philippe Cortois. Nós aclamamos o trabalho da AccountAbility e seus parceiros no desenvolvimento de pesquisas e aplicação de conhecimentos sobre a Competitividade Responsável. ambientais e econômicos prementes. em seus 22 anos de Microsoft. A Microsoft precisa ser um parceiro forte e decidido para criar alianças que gerem frutos positivos na resolução de problemas sociais. juntamente com a iniciativa de inovar e aplicar de forma concreta as nossas estratégias de negócios e as nossas práticas sociais. parcerias locais. Ele é membro da CSR Europe. O Estado da Competitividade Responsável está em constante evolução. Como Presidente da Microsoft International. e acreditamos que é a única forma da Microsoft gerar valores sustentáveis em todas as nossas operações.trabalhar com governos. Fomentar o diálogo e o intercâmbio através desse relatório é um marco importante. O envolvimento nessas iniciativas nos dá a oportunidade para aprender. Estamos orgulhosos por participar desse trabalho. AccountAbility 93 . vendas e marketing para todas as regiões fora dos EUA e do Canadá. Colocar a responsabilidade no cerne das operações de negócios é a única forma de garantir o sucesso no século XXI.

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Perfil de Países e Regiões AccountAbility 95 .

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grandes ou pequenas. ou participar de alguma outra forma no sistema econômico deve ser justamente reconhecida. as empresas devem ter possibilidades de se concentrar no desenvolvimento de estratégias corretas e abordagens inovadoras. mas sim. desempenha um papel essencial na implantação de um ambiente que permita que empresas utilizem seu potencial em benefício de todos. investir dinheiro e técnica em um negócio especulativo. empresas de qualquer magnitude devem avaliar seu papel na sociedade de hoje ao tomarem decisões estratégicas e operacionais. Essa é a forma principal para que todos contribuam para a conquista do objetivo comum de prosperidade compartilhada. De uma forma mais visionária. mais do que nunca. A conquista do crescimento e do emprego é essencial para uma melhor qualidade de vida dos nossos cidadãos. Minha percepção de responsabilidade social corporativa (RSC) reflete esta visão estratégica e um pouco mais. E foi por isso que a Comissão Européia solicitou às empresas da comunidade européia para aumentar seu comprometimento com a RSC indo além de um mero cumprimento das exigências legais. Estamos bem conscientes de que para serem competitivas no mundo atual. Qualquer pessoa que decidir se arriscar. O crescimento e os empregos não serão criados apenas pela administração pública ou por quaisquer políticas ingênuas – eles só podem ser criados de forma sustentável pela disposição do povo em explorar oportunidades de negócios.Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e Competitividade: Considerações da Comissão Européia Por Günter Verheugen A criação de melhores condições para o crescimento econômico e a criação de empregos são prioridades políticas da maior relevância para a União Européia. corretamente coordenada com outros grupos de acionistas. menos ainda. Estou convencido que no futuro o mercado recompensará a habilidade das empresas de compreender e corresponder às expectativas da sociedade além de simplesmente cumprir com as regulamentações e satisfazer a demanda básica do consumidor. ao invés de gastar dinheiro e esforços AccountAbility 97 . Empresas bem sucedidas. e necessária para preservar e desenvolver valores que nos são importantes. nosso sistema econômico e social está baseado na iniciativa privada. como um de seus impulsionadores. Sejamos claros. desenvolvimento sustentável e inclusão social. Por esse motivo. à medida que nos deparamos com os desafios do século XXI. a RSC pode ser vista como um fator crítico para a preservação do nosso sistema econômico. aprimorar técnicas para encontrar emprego mais facilmente. então. Se os negócios forem vistos como parte do problema ao invés de parte da solução. ficar preocupado com pesquisas que sugerem que as empresas não inspiram confiança suficiente nas nossas sociedades. perderemos as chances que a globalização oferece. tais como. RSC confiável e transparente. A responsabilidade social das empresas européias não deve ser vista apenas como um subproduto de seu sucesso econômico e. Qualquer um que concorde que a liberdade e a empresa privada são essenciais para a nossa busca pela prosperidade e uma melhor qualidade de vida deve. como um obstáculo imposto pela legislação. e se os cidadãos acreditarem que as empresas não estão cumprindo sua parte para defender nossos valores comuns. serão aquelas que tiverem alcançado o desafio de integrar a RSC à sua estratégia de negócio e ao seu objetivo. e deu grande suporte ao lançamento da Aliança Européia na RSC em março de 2006.

Elas devem estar aptas a vender seus produtos e serviços o mais facilmente possível. Em terceiro lugar. como a mudança tornou-se uma característica diária do nosso sistema econômico. em criar novos valores através de inovações que resultam da consideração maior que é dada aos problemas sociais e em cultivar relações mais profundas com uma variedade mais ampla de investidores. e cooperação mais estreita com outros investidores são catalisadores para que as empresas desenvolvam novos produtos e serviços. em vez de simplesmente reagir contra. empresas com políticas diversas que as ajudam a recrutar mais pessoas de grupos com necessidades especiais. Maior atenção a questões sociais e ambientais. vejo pelo menos cinco áreas onde a competitividade e a RSC se reforçam mutuamente. inovação é a palavra chave para competitividade na economia atual baseada em conhecimento. do interesse do próprio negócio. o treinamento interno assumirá uma importância estratégica para a economia e para a sociedade como um todo que não teve no passado. investimentos feitos por empresas no desenvolvimento técnico e treinamento de seus funcionários são. a competitividade das empresas. empresas socialmente responsáveis necessitam de administradores capacitados para prever o desenvolvimento do ambiente externo e a adaptar-se a tempo. a capacidade para gerenciá-la com sucesso afeta. e as melhores empresas chegaram à conclusão de que a RSC e a inovação estão intimamente ligadas. Em bases gerais. 98 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Mas eles também atendem a propósitos maiores. nos ajudando a continuar sendo competitivos na economia do conhecimento global e a enfrentar o envelhecimento da população ativa na Europa. A Comissão Européia está satisfeita em ter podido patrocinar o estudo recente que fizeram sobre como o conceito pode ser aplicado em três setores industriais europeus: farmacêutico. e novos modelos de negócios. fechando suas operações. Em segundo lugar. Em primeiro lugar. cada vez mais. também. graças à AccountAbility e às suas organizações parceiras. Da mesma forma. A Comissão Européia está empenhada em fazer o máximo para contribuir com a criação de um ambiente que permitirá que os negócios floresçam. A RSC não consiste apenas em proteger o valor de uma empresa evitando ações que possam prejudicar a reputação e a lealdade do cliente. e que esta foi endossada pelo Parlamento Europeu em recente resolução sobre a RSC. também ajudam a criar níveis mais altos de inclusão social. sociais e econômicos. evidentemente. TI e serviços financeiros. Estou feliz com o fato de que o conceito de unir competitividade e responsabilidade esteja ganhando terreno nos círculos de tomadores de decisões europeus. Conforme a média de idade da população ativa aumenta e o passo da mudança tecnológica acelera. por sua vez. mas também o bem estar dos funcionários e cidadãos. enquanto abrem o potencial de uma força de trabalho até agora subutilizada. Isto. O comprometimento da comunidade empresarial para com a RSC é a resultante necessária dessa estratégia. mas também ajudará a proteger os empregos e a tranqüilizar os funcionários. e a empregar trabalhadores que possuam as técnicas necessárias. Consiste. não só permitirá que seus negócios prosperem.enrentando encargos reguladores desnecessários. Logo. não só. Uma pesquisa sobre ligações significativas entre competitividade e responsabilidade avançou recentemente.

há um reconhecimento crescente do papel da sociedade civil. Muitas empresas compreenderam que. Ao mesmo tempo. dimensão dos negócios e áreas de operação.Quarto. os investimentos de empresas em inovações ecológicas e em sistemas de gerenciamento ambiental podem nos ajudar a trabalhar a favor do uso mais racional dos recursos naturais e da redução dos níveis de poluição. criam valores para essas comunidades. Essas áreas demonstram claramente como a RSC pode contribuir para a competitividade de cada empresa enquanto nos ajuda a alcançar objetivos políticos mais amplos. bons exemplos poderiam ser multiplicados de acordo com setores. como a mudança de clima tornou-se uma das maiores preocupações de tomadores de decisões em todo o continente. Aliás. apesar das empresas que operam de forma responsável serem importantes. quer ou não elas saibam. para promover respeito por padrões centrais de trabalho e para progredir em direção ao UN Millennium Development Goals (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Em uma escala macro ou regional. Não deve ser surpresa. mas algumas das empresas líderes mundiais em RSC são PMEs. O relatório do Grupo Técnico Europeu em RSC e PMEs demonstra que os tomadores de decisões e outros fariam bem em dar maior reconhecimento ao que as PMEs já fazem neste campo. ao agir a favor de um desenvolvimento harmonioso dos países e regiões onde elas operam. Por fim. podem contribuir para com a sociedade e ao mesmo tempo se beneficiar através do comportamento responsável. É por isso que nossa estratégia sobre a RSC é uma estratégia com bases amplas. De fato. e cada vez mais. AccountAbility 99 . a lógica da competitividade responsável necessita que não nos concentremos apenas em um pequeno grupo de grandes multinacionais que conhecem e usam o termo RSC. grandes ou pequenas. o que é também benéfico para seus negócios. somente a cooperação com investidores relevantes pode assegurar que as empresas e a sociedade como um todo obtenham os benefícios totais da RSC. governos e organizações nãogovernamentais estão trabalhando construtivamente em conjunto. Empresas de todos os tamanhos. que deverão tornar-se a chave para a competitividade à medida que a consciência ambiental se espalhe pelo globo. claro. A relativa flexibilidade e a estreita identificação com a região ou comunidade na qual operam dão uma posição específica às empresas pequenas. enquanto a União Européia e seus Estados Membros gastam grandes somas de dinheiro com a redução da pobreza e na promoção de boa governança e dos direitos humanos em países em desenvolvimento. incluindo as pequenas e médias (PMEs). ou usem o termo. E. Empresas. muitas PMEs fazem muitas coisas que podemos chamar de RSC. por exemplo. Olhando para o futuro.ONU). investimentos em produtos e processos ambientais amigáveis permitirão às empresas competir com inteligência com as tecnologias disponíveis. em todo o mundo. significa reconhecer e maximizar as abordagens “RSC” de todas as empresas.

Sociologia e Política em Colônia e Bonn.Sobre o autor: Günter Verheugen é atualmente Vice-Presidente da Comissão Européia. com um papel importante. 100 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . ele juntou-se ao Social Democratic Party-SPD (Partido Social Democrático). também. estudou História. Durante muitos anos foi Membro do German Bundestag (Parlamento alemão). de 1993 a 1995 como Diretor Federal do Partido do SPD (Partido Social Democrático) e entre 1998 e 1999 foi Ministro de Estado no Ministry of Foreign Affairs (Ministério de Relações Exteriores). Verheugen nasceu em 1944. em duas áreas horizontais de trabalho da Comissão. a Better Regulation e a Competitiveness Agenda. especificamente. encarregado das Empresas e Indústrias. Após ter começado sua carreira política no Free Democratic Party-FDP (Partido Democrático Livre) onde foi Secretário Geral de 1977 a 1982. O Sr.

certamente. O sucesso conquistado sem esforço está destinado ao fracasso e. A globalização apresenta ao sudeste asiático um novo conjunto de desafios. e rapidamente esquecidas. A região é o lar do maior país muçulmano do mundo. porque desde a crise a China e a Índia se elevaram para novos patamares e passaram a desempenhar um papel central na economia mundial. Em geral esses grupos se relacionam em relativa paz e harmonia. O impacto foi inacreditável. Vale a pena revisar as lições aprendidas. mas também para abrir um caminho para o futuro que assegure a competitividade sustentável em uma economia globalizada e ao mesmo tempo criando proteções contra choques sistêmicos recorrentes. manufatureiro e tecnológico. muitas das mudanças sistêmicas que são tão necessárias ainda não foram alcançadas. Isso acarretou reformas políticas e o fortalecimento de princípios através de ajustes macro-políticos. O sudeste asiático ainda é uma das regiões do planeta com a economia mais vibrante e com uma diversidade cultural imensa. mitigar a especulação desenfreada e o crescimento econômico sem bases sólidas. e formam a base para a criatividade e a inovação que caracterizam a economia da região há muitos anos. um episódio que desequilibrou décadas de confiança conquistada pelo desempenho econômico da região. As economias da região que foram mais afetadas encolheram em média mais de 7%. algumas vêm demonstrando o potencial para competir pelo investimento estrangeiro com os maiorais através de políticas sólidas que promovem vantagens domésticas comparativas e oferecem um ambiente favorável de investimentos para os mercados estrangeiros. em alguns casos através da criação de estruturas colaborativas que resolvem questões trabalhistas e de manufatura complexas e contenciosas. No período pós-recuperatório a questão da competitividade responsável é. bem como de culturas ricas e vibrantes que provêm de tradições hinduístas. Em alguns países a corrupção persistente combinada a estruturas legais obsoletas atoladas na filosofia do protecionismo distancia os investidores e canaliza o seu tão necessário capital para localidades mais favoráveis. há já várias décadas. AccountAbility 101 . a arrogância proveniente de tal sucesso é uma metáfora branda para os males que acompanharam esse período de aparente prosperidade. A sua ascensão tornou impossível para outras nações do sudeste asiático competir exclusivamente com base nos custos da mão de obra. Após a crise os setores implementadores de políticas se deram conta de que estratégias de crescimento sustentável e uma sociedade civil mais vibrante são necessários para assegurar maior prestação de contas. Onze países juntos exportam para os Estados Unidos $650. dada a mais ou menos rápida recuperação. bem como regras mais severas para governar a prestação de contas corporativa e maiores informações sobre as práticas empresariais.000 milhões em mercadorias e. reduzir a corrupção e o nepotismo. Entretanto. portanto. Sabiamente. confucionistas e cristãs. não meramente como um exercício histórico sobre as razões que levaram ao colapso. de importância fundamental para os países do sudeste asiático. grandes e pequenas. Em outros lugares as reações têm sido menos inovadoras.Sudeste Asiático: Fomentando a Competitividade através de Responsabilidade Mútua Por Anwar Ibrahim 2007 marcou o aniversário de 10 anos da crise financeira asiática. Milhões ficaram desempregados quando as companhias. viram seus recursos financeiros evaporarem da noite para o dia. Isso foi um alerta para aqueles que haviam se deleitado na euforia de tantos anos de acúmulo de riqueza e que haviam se tornado arrogantes com o sucesso fácil. são solo fértil para investimentos estrangeiros nos setores têxtil. budistas.

2 37 Tailândia 60.7 82.0 51. Seis países do sudeste asiático estão relacionados no índice de 2007. especialmente quando. os políticos e os seus cupinchas. isso acarreta na diminuição dos seus lucros vis-à-vis com os competidores do mercado.9 38.3 53.4 63.3 75.5 25 Malásia 63. O direito de posse do estado.4 59.0 76.7 74.1 72.5 60. ainda representa um obstáculo formidável. fazem questão de não implementar mudanças que diminuam o seu poder e que redistribuam a riqueza do estado.5 48 Indonésia 56. O que impede tal cenário são políticas profundamente enraizadas da patronagem pública que tornaram o solo fértil para atividades exploradoras que sugam o potencial criativo e inovador da economia. uma característica das economias do sudeste asiático.3 65.3 83. Esses riscos morais florescem com um sistema que é mais reagente às demandas dos interesses de capital investido do que aos sinais do mercado. mas no geral a região está decaindo. ao tomar tais atitudes. O banco de dados Voice and Accountability do Banco Mundial.5 59. inibindo o setor privado de experimentar novas estratégias de tradução de objetivos de desenvolvimento sustentável em práticas de negócios competitivas que respondam às mudanças dinâmicas que ocorrem em mercados globalizados. A evolução de políticas públicas na região tem sido lenta já que os acionistas primários. que mede o quanto os cidadãos são capazes de participar na seleção de seus governantes.3 99 Camboja 44.4 50.0 74.3 68. A aceitação ampla pelo setor corporativo de uma estrutura de competitividade responsável requer o acúmulo de uma “massa crítica” de companhias. Singapura se encontra em 15º.A competitividade responsável no sudeste asiático O índice da Competitividade Responsável da AccountAbility esclarece e destaca bastante a relação entre responsabilidade e uma economia competitiva.9 37.6 Relação ICR 2007 País Tabela 1: O desempenho dos países do sudeste asiático no índice da Competitividade Responsável de 2007 Esses resultados não devem causar grande surpresa. e desestimulam o setor privado de tomar a direção correta.3 61 Filipinas 54. e entre eles podemos observar desempenhos variados. ilustra bem a paisagem 102 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Índice da Competitividade Responsável 2007 Impulsionadores de Políticas Ações Empresariais Habilidades Sociais 15 Singapura 71. Os primeiros passos em direção a um clima mais propício para a competição mais sustentável devem ocorrer no nível de políticas públicas com o desmantelamento do monopólio do estado na alocação de recursos.

por todo o sudeste asiático as tendências. Enquanto algumas economias tomaram medidas para resolver questões de governança e capacitar os cidadãos com as habilidades para influir nos desfechos políticos. o Camboja se renovou em resposta aos desafios da globalização do século XXI. Esses casos demonstram que os déficits de informação são barreiras para a compreensão de muitos países sobre como operar de forma a atender códigos AccountAbility 103 . visto que eles também estão começando a colher os benefícios de melhores padrões de transparência e responsabilidade dentro dos seus programas de acionistas múltiplos (e. têm sido em geral desfavoráveis e o desempenho abaixo dos padrões (ver Figura 1).2 Notório por sua indústria têxtil claudicante e pelas condições deploráveis que os trabalhadores quase escravos tinham que suportar. Rep. Um exemplo promissor é o programa “Better Factories” no Camboja. O Vietnã e o Laos estão seguindo o exemplo do Camboja. a iniciativa Vietnam Business Linkages). Banco Mundial. 2006 Apesar dos obstáculos que persistem no nível da governança nacional. há nichos de atividade que demonstram o potencial do setor privado de quebrar os moldes da intervenção estatal e alavancar mecanismos direcionados ao mercado na alocação de recursos. Isso foi conseguido através de um processo garantindo a prestação de contas mútua entre investidores chave da indústria têxtil.1 Taiwan Coréia. bem como as áreas que necessitam de maiores atenções. Hong Kong Tailândia Indonésia Singapura Malásia Vietnã Figura 1: Mudanças no Voice and AccountAbility nas principais economias do sudeste asiático Fonte: Voice and AccountAbility rating.Avaliação Voice and AccountAbility da governança no leste asiático. nos últimos nove anos. Seus progressos vêm identificando caminhos bem demarcados para o sucesso. e também por causa da intensa competição por investimentos estrangeiros e mercados de exportação que atualmente valorizam as práticas trabalhistas responsáveis.g.

O Better Factories Camboja trabalha junto com outros acionistas. privados e da sociedade civil em fóruns internacionais e nacionais estão demonstrando potencial na criação de relacionamentos positivos. empregadores e as suas organizações. O aumento do acesso ao mercado nos países em desenvolvimento é uma faca de dois gumes. Também beneficia os consumidores nos países ocidentais e ajuda a reduzir a pobreza em uma das nações mais pobres do mundo. mas que praticamente não tem voz ativa nessas negociações. irá motivá-las a seguir estratégias semelhantes. clamar ao estado para que crie novas regulamentações e estatutos para remediar a situação. Sem o acesso a redes que já compreenderam os benefícios econômicos que práticas mais sustentáveis produzem. e que estejam conscientes do potencial para que governos e corporações criem relacionamentos que tragam benefícios para grupos que dependem do desfecho desses acordos. no fim das contas. da Garment Manufacturers’ Association do Camboja (GMAC) e dos sindicatos. a tendência dessas companhias é não procurar informação que.e padrões internacionais que. incluindo compradores internacionais. onde milhões ainda têm que encarar a dura realidade da vida na mais profunda miséria. Os países precisam encontrar formas de atrair investimentos estrangeiros através de meios que assegurem o crescimento. que congregam os atores dos setores públicos. Governando o desenvolvimento O investimento estrangeiro ainda é a chave para os objetivos de desenvolvimento no sudeste asiático. capazes de alcançar objetivos como a sustentabilidade ambiental e a proteção dos direitos humanos. regulamentações inapropriadas aplicadas em momentos inoportunos podem ser tão ineficazes na resolução do problema quanto soltar as rédeas do mercado para determinar todo e qualquer desfecho. e a experiência nos mostra que isso pode acarretar em diversas conseqüências negativas. e sem os incentivos financeiros adequados. Novas formas de governança voltadas para o mercado. 104 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . frequentemente. Entretanto. O Better Factories Camboja é administrado pela International Labour Organisation e tem o apoio do Royal Government do Camboja. Ele beneficia trabalhadores. são pré-requisitos na participação dessas parcerias. A reação a tais desenvolvimentos é. frequentemente. O Better Factories Camboja O Better Factories Camboja é um programa exemplar da International Labour Organisation (Organização Internacional do Trabalho).

esses fóruns criam um sistema de prestação de contas mútuo. que transformam a sustentabilidade e um bom nível de lucro em coisas possíveis. que envolve muitos dos participantes do programa Better Factories no Camboja. Com a participação significativa dos acionistas relevantes desses mercados e com uma intenção coletiva para a tomada de decisões financeiras reais. ao invés de parasitários. especialmente nas economias do sudeste asiático. A aplicação dessas parcerias nos setores público. UNCTAD 2005 Iniciativas como o Vietnam Business Link.3 pode se refletir em vários mercados do sudeste asiático. algumas das quais irão passar por liberalizações de mercado cada vez maiores nos próximos anos. o MFA Forum. entre os diversos atores de uma economia podem incrementar o potencial e a capacidade de inovação de um povo. Ao unir as peças chave do jogo em um mercado e permitir que eles negociem sobre as questões cruciais. AccountAbility 105 . e frequentemente auto-governável.Índice do Desempenho do Investimento Estrangeiro Direto Singapura China Turquia Nigéria Malásia México Brasil Rússia Tailândia Filipinas África do Sul Indonésia Índia Bolívia Índice da Competitividade Responsável 2007 Figura 2: Competitividade Responsável e o Desempenho dos Investimentos Estrangeiros Diretos para o EE12 e o Sudeste Asiático Fonte: Foreign Direct Investment Performance. esses fóruns estão reformulando a maneira como as políticas voltadas para o mercado podem ser mais sustentáveis sem sacrificar o fundamental. privado e sem fins lucrativos é variada e potencialmente de amplo alcance. que foi criado como resposta às profundas preocupações sobre os padrões trabalhistas na indústria dos calçados. padrões e práticas comerciais aceitáveis. bem como o programa Better Factories do Camboja. de guiar e sustentar economias mais responsivas e mais responsáveis. são exemplos práticos de como criar as condições certas e fomentar relacionamentos simbióticos. O envolvimento da AccountAbility em uma dessas iniciativas.

O MFA Forum
O MFA Forum é uma coalizão internacional de agências públicas, empresas e organizações civis e trabalhistas, que surgiu após o fim do Multi-Fibre
Arrangement, com o objetivo de criar redes de fornecimento responsável
nas áreas têxteis e de vestuário. As agências públicas não têm o papel de
impor a lei, mas sim de alinhavar políticas e recursos com as deliberações
das resoluções reais do mercado. As ONGs e as organizações trabalhistas
não cumprem a tarefa de supervisionar, mas estão profundamente envolvidas no desenvolvimento de redes de fornecimento que atendam condições
sociais e ambientais chave, como parte de um processo que irá acarretar
na competitividade responsável crucial para as empresas, setores inteiros
e comunidades que vão do Lesoto até Bangladesh.
O MFA Forum funciona bem porque os seus membros reconhecem as suas
interdependências e a sua necessidade de cooperação dentro de uma estrutura de
confiança, mesmo que, em muitos casos, os seus interesses sejam contraditórios e
potencialmente hostis na ausência de uma instituição que garanta uma representação
justa e uma prestação de contas mútua.
O caminho a seguir
A globalização amplificou o chamado por práticas comerciais mais responsáveis nos
países em desenvolvimento. Esses esforços vêm enfrentando a feroz resistência
dos críticos que argumentam contra a imposição de regras e regulamentações que
beneficiam corporações multinacionais e os mercados do ocidente à custa dos
lucros e da sustentabilidade dos negócios locais. Ao expandir a estrutura dentro da
qual as práticas responsáveis podem ser promovidas e capacitando atores antes
marginalizados, as nações do sudeste asiático poderão apaziguar os receios que
acompanham a meta de alcançar maior responsabilidade. Entretanto, qualquer
estratégia para alcançar a competitividade responsável provavelmente não irá
demonstrar sustentabilidade de longo prazo a não ser que a região continue a
sua marcha em direção à democracia. Em alguns países a falta dos pré-requisitos
básicos para um ambiente comercial sustentável e atraente, como liberdade de
imprensa, um judiciário independente e garantias do cumprimento da lei, ainda são
deficiências severas. Nesses lugares os excessos da globalização são usados como
bode expiatório para justificar o papel universal do estado e da contínua proteção de
mercado contra os negócios e os investimentos estrangeiros. Mas sem a abertura
pública a cumplicidade desses estados em minar o desempenho econômico dos
seus países permanece oculta da visão pública.
Por outro lado, a transição histórica da Indonésia de três décadas de ditadura
autoritária para a democracia merece um crédito imenso, especialmente sob a luz do
fato de que a transição se deu vários anos depois da destruição causada pela crise
financeira. Embora a nação ainda enfrente a corrupção desmedida e ainda tenha
que lidar com o fato de que milhões de seus cidadãos permanecem soterrados pela
mais absoluta miséria, existem mecanismos para enfrentar esses problemas por
meio de um processo social transparente. O melhor desempenho da Indonésia visà-vis os seus vizinhos em atrair investimentos estrangeiros demonstra que, embora
problemas como a miséria não sejam resolvidos de uma noite para outra, políticas
consistentes baseadas em uma estrutura de prestação de contas provavelmente
renderão resultados demonstráveis.
106

O Estado da Competitividade Responsável 2007

Sobre o autor:
Datuk Seri Anwar Ibrahim, atual e estimado Presidente Honorário da
AccountAbility, foi Deputy Prime Minister da Malásia de 1993 até 1998
e
Minister of Finance de 1991 até 1998. Altamente respeitado pela sua
postura contra a corrupção e pela sua hábil administração da economia da Malásia durante o período turbulento da sua crise financeira,
Anwar também é considerado um dos pais da Renascença Asiática e
um dos líderes na cooperação entre as civilizações. Ele é um defensor ardente da
democracia e uma voz atuante na aproximação do Oriente com o Ocidente.
Notas finais
1 Kaufmann, D., Kraay, A., & Mastruzzi, M (2006) Governance Matters V: Governance
Indicators for 1996–2005, World Bank Institute, Washington DC.
2 http://www.betterfactories.org
3 http://www.mfa-forum.net

AccountAbility

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BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China) e a
Competitividade Responsável
Por Cláudio Boechat, Edna do Nascimento e Luana de Albuquerque Dapieve
Megatendências
Em 40 anos o mundo será multipolar, liderado por cinco economias emergentes que
irão suplantar as potências econômicas atuais. Essa é a previsão do Goldman Sachs
Group para 2050.1 O grupo considerou que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China,
juntos, serão mais potentes que as antigas economias do G6 – França, Alemanha,
Itália, Japão, Reino Unido e EUA. Chegou-se a essa conclusão através do exame
de cinco tendências principais: tamanho econômico; crescimento econômico;
renda e demografia; padrões de demandas globais e circulação de moeda corrente.
Com aproximadamente 30% da superfície terrestre mundial, os BRICS, como é
chamado esse bloco, com a inclusão do “S” para a África do Sul, têm uma porção
considerável dos recursos minerais, hídricos e energéticos. E de igual importância,
43% da população mundial vive nesses cinco países.
Entretanto, no seu caminho para a prosperidade, esses países irão enfrentar
desafios ambientais e sociais enormes.
A temperatura e os níveis dos oceanos provavelmente continuarão a se elevar,
mesmo que os gases do efeito estufa se estabilizem, embora o verdadeiro grau
do aquecimento irá depender da atividade humana durante o próximo século. O
Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) (Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas) estima, com muita segurança, que irão ocorrer cada
vez mais períodos de aquecimento, ondas de calor e chuvas torrenciais nos anos
vindouros, e com confiança de média a alta, que áreas tropicais irão sofrer com o
aumento de secas, ciclones e eventos extremos de marés.2 Devido às mudanças
climáticas os grandes investimentos terão que reduzir as emissões de gases do
efeito estufa, adaptar infra-estruturas e enfrentar prováveis catástrofes. As previsões
das conseqüências das mudanças climáticas são pessimistas para os países em
desenvolvimento, sendo que os maiores impactos serão sentidos pelos países mais
pobres.
Além do meio ambiente, outras áreas irão mudar, seguindo novas tendências. Um
dos desafios mundiais é diminuir as disparidades de rendimento e riqueza entre os
países e entre as pessoas. Teremos que encontrar meios de produzir economias
mais ricas, porém mais inclusivas. A inclusão de novos grupos de pessoas nas
economias de consumo irá pressionar os recursos naturais e, ao mesmo tempo,
criará novas oportunidades de negócios. Tecnologias inovadoras terão que fornecer
energia, alimentos, transporte e moradia.
Qual a relação disso tudo com os BRICS?
Como devem os BRICS lidar com esses desafios de forma a realizar suas
aspirações de crescimento? Quais as medidas diferentes que eles devem tomar
para aproveitar as oportunidades e resolver os problemas do nosso mundo em
mudança? Evidentemente, países que desenvolverem um modelo de crescimento
capaz de lidar com esse mundo diferente estarão nas posições de liderança. Os
BRICS têm esse potencial em suas mãos, mas ainda há um longo caminho a
percorrer.
O pensamento tradicional sobre desenvolvimento considera o papel do setor privado
como o produtor de grandes lucros sem se preocupar com as conseqüências sociais
ou ambientais. Nesse modelo, o governo dá prioridade ao crescimento econômico,
medido pelo PIB e pela renda per capita. Isso costumava ser o suficiente para o
desenvolvimento da prosperidade, mas durante as próximas décadas esse enfoque
terá que mudar.
108

O Estado da Competitividade Responsável 2007

em 28º lugar. os BRICS ainda não estão liderando os outros países em direção à exportação responsável.5 75. 06/07: Exports World Trade Organization AccountAbility 109 . World Economic Forum.4 35. Impulsionadores de Políticas Ações Empresariais Habilitadores Sociais África do Sul ZAF 62.0 61.3 70 Índia IND 52. mostrando o sucesso em exportações Fonte: Growth Competitiveness Index.0 52.A Competitividade Responsável dos BRICS No índice de Competitividade Responsável 2007 a África do Sul é o país mais bem situado no ranking dos países do BRICS.4 64.8 66.0 87 China CHN 47. O Brasil situa-se sete pontos abaixo e está na posição 56 entre os 108 países. A China. é o país dos BRICS com o desempenho mais fraco. 2007.5 83 Federação Russa RUS 48.9 País 28 Ranking ICR 2007 Índice da Competitividade Responsável 2007 Tabela 1: Desempenho dos BRICS no ICR de 2007 Índice de competitividade do crescimento Tamanho da bolha = exportações de 2005 em $m África do Sul Índia China Russia Brasil Índice da Competitividade Responsável 2007 Figura 1: Desempenho dos BRICS em Competitividade Responsável e Competitividade de Crescimento. O que fica claro na Figura 1 é que o sucesso de exportação para as economias emergentes que estão na liderança é compatível e muito correlacionado com a competitividade responsável. Essa situação é analisada mais detalhadamente nos ensaios encontrados neste volume por Aron Cramer e Guy Ryder.9 61. por muitos alardeada como o líder econômico global em 2050.7 51. à frente da Índia (70º).9 38.2 50.3 56. Por outro lado.2 64.0 72.3 56 Brasil BRA 55.2 67.4 52. Rússia (83º) e China (87º).

a responsabilidade variável de muitas das suas companhias de energia vem sendo questionadas. Por exemplo. cada vez mais as questões da segurança energética ameaçam exercer pressão sobre as tendências atuais da produção e uso de energia hidrocarbonada. Portanto. a produção de etanol está sendo desenvolvida como uma solução para a demanda de energia limpa e renovável. o Brasil tem um grande desafio pela frente: desenvolver um modelo de crescimento onde o etanol possa ser produzido sem impactos negativos sobre as florestas ou a produção de alimentos. e da relação entre o bem-estar humano e ambiental. atrás apenas dos Estados Unidos. A produção de biocombustíveis pode trazer conseqüências negativas para a seguridade da produção de alimentos e para o meio ambiente. Quais são então os maiores desafios de sustentabilidade que os países do BRICS têm que enfrentar? Perspectivas futuras sobre os desafios da sustentabilidade A busca da sustentabilidade impõe desafios para países e sociedades. sendo o maior consumidor de energia na África e o segundo maior produtor de carvão. se os recursos naturais forem mal administrados devido à burocracia. enquanto a África do Sul e o Brasil têm melhor desempenho em relação aos impulsionadores de políticas. novas minas de extração estão degradando áreas ambientais. a sustentabilidade depende não apenas da saúde dos ecossistemas. mercados negros e corrupção.Quando esmiuçamos essa análise nos três sub-componentes do índice (detalhes de todos os 108 países estão incluídos no anexo técnico). da qual poderá se valer quando regiões densamente povoadas se tornarem mais secas. como a desertificação na China. enchentes na Índia e o degelo do permafrost no norte da Sibéria. com a maior reserva de gás natural do mundo. devido às suas grandes reservas de água potável. Quais serão as conseqüências dos padrões atuais de uso de energia para as próximas gerações? No Brasil. saúde pública e direitos humanos devem ser considerados como questões relativas à sustentabilidade.3 A África do Sul se encontra em uma situação tão difícil quanto. inclusive áreas sensíveis. Em outros lugares dentro das economias dos BRICS. Embora seja uma grande oportunidade. Com a demanda contínua por carvão. e a produção simultânea de bio-combustíveis e alimentos. inclusão financeira. A análise das questões da sustentabilidade nos mostra que cada país do BRICS irá enfrentar desafios de naturezas e intensidades diferentes. A China e a Rússia são notavelmente mais fracos quanto ao componente dos habilitadores sociais. A Rússia tem uma vantagem. Entretanto. portanto. cada país irá sofrer diferentes conseqüências em relação às mudanças climáticas. predominantemente o carvão. é evidente que a Índia e a China continuam a liderar no consumo de combustíveis hidro-carbonados. Isso sugere que cada país do BRICS tem diferentes forças e fraquezas e. mas também da saúde dos indivíduos e das sociedades. Educação. eles não poderão contribuir para os fundamentos da competitividade responsável de longo prazo no país. há também riscos. e a África do Sul tem o desempenho mais significativo nesse quesito. Entretanto. sendo que a China continua como o segundo maior consumidor de energia no mundo. diferentes prioridades na sua busca por melhorar o seu desempenho na competitividade responsável. 110 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . As empresas no Brasil devem desenvolver tecnologias e modelos de negócios que permitam o desenvolvimento rural. A Rússia. a África do Sul e a Índia lideram os BRICS nas ações empresariais. Para que essas ameaças sejam superadas. novas parcerias energéticas precisam ser formadas. mas após a controvérsia em Sakhalin. Além disso. A energia é uma questão chave. Não é correto falar sobre os BRICS como se todos eles enfrentassem o mesmo conjunto de desafios de responsabilidade empresarial. também tem um enorme potencial para investir e aprimorar o seu setor de energia. Assegurar suprimentos de água sustentáveis diante da expansão populacional e industrial também será um grande desafio para os países do BRICS.

os criadores de políticas e os negócios. Porém. conforme divulgado pelo World Development Report (Relatório do Desenvolvimento Mundial). Como a avaliação do ICR se encaixa com outras medidas para a competitividade? Desempenhos medianos ou baixos no banco de dados do Doing Business e no Opacity Index nos alertam que os BRICS ainda não são os países mais propícios para se fazer negócios ou investimentos quando se leva em conta todos os riscos – corrupção. eles terão que aderir às limitações ambientais. atrás dos EUA.A exclusão econômica. em termos de paridade de poder de compra (purchasing power parity – PPP). Para que essas barreiras possam ser superadas. a educação feminina deve ser encarada como um investimento inteligente. A China é a economia emergente com o maior potencial para alcançar o topo da economia global. A falta de artérias fluviais importantes ou de lagos requer medidas rigorosas de conservação e controle de água. com apenas 48% das mulheres alfabetizadas em comparação com 73% dos homens. Por outro lado. Tem também abundância de recursos naturais. A pobreza e a falta de poder econômico entre os menos afortunados são problemas que persistem desde a época do apartheid. legais. A rápida transformação da economia trouxe mudanças substanciais para o contexto social e ambiental. mas predominantemente nos índices de analfabetismo. a pobreza e os altos índices de analfabetismo continuam sendo um problema. mas não somente. práticas de prestação de contas e de governança inadequadas e estruturas de regulamentação danosas. Os resultados também mostram desafios nos relacionamentos entre os grupos da sociedade civil. e a China em último. o que não é apenas uma tragédia. mas também um grande desafio para o desenvolvimento econômico do país. castas e gêneros. A corrupção e condições de trabalho ruins são desafios que o governo tem dificuldade para resolver. e a geografia do país o torna suscetível à desertificação induzida pelas mudanças climáticas. Há cerca 5. com mais de quatro vezes mais habitantes do que os EUA. os rendimentos per capita são muito mais baixos. Aproximadamente 10% da população chinesa situa-se abaixo dos níveis internacionais de pobreza. o crescimento não foi forte o suficiente para diminuir os altos índices de desemprego do país. Apesar dos seus desempenhos similares no Global Competitiveness Index (Índice de Competitividade Global) a Rússia oferece menos riscos do que o Brasil em relação a investimentos. Entretanto. É impossível para populações tão grandes se incorporarem nos mercados consumidores atuais sem inovações radicais dos produtos e dos processos de produção. especialmente na Índia. Isso reduz o potencial para a colaboração ao lidar com as questões sociais. Os países do BRICS estão melhorando as suas políticas anti-monopólio. Pode até ser um aviso prévio sobre os grandes obstáculos no caminho do fortalecimento da democracia nesses países. AccountAbility 111 . que continua com grandes desequilíbrios de classes. A África do Sul tem setores financeiros. como argumenta Laura Tyson no seu ensaio neste relatório. sendo a África do Sul a melhor colocada nesse ranking. especialmente. dando a ambos os países grandes reservas de mão de obra e grandes mercados em potencial. ineficácia do sistema judiciário.3 milhões de pessoas na África do Sul vivendo com o HIV/AIDS. de comunicação. Em 2006 ela se tornou a segunda maior economia do mundo. políticas econômicas deletérias. A Índia e a China têm em comum grandes populações. As mulheres continuam abaixo dos homens em todas as áreas. energéticos e de transportes bem desenvolvidos. na Índia e na África do Sul.

Development as Accountability. Sua formação é em Comércio Internacional e Estatística e ela é professora de estatística na Faculdade Milton Campos. O que se faz necessário agora é uma avaliação mais detalhada dos riscos e oportunidades perante os países BRICS dentro de um escopo de desenvolvimento sustentável. 3 Litovsky. Paper nº99. liderança responsável e questões relacionadas. (2007) Living with the Climate Change. Approved at 9th Session of Working Group III of the IPCC. Encontrar estratégias eficazes para fornecer trabalho decente. April 16. 112 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . desenvolver uma produção de baixos níveis de carbono e enfrentar a corrupção serão componentes chave para o desenvolvimento da competitividade responsável. Ele ensina e faz pesquisas na área de gestão responsável de negócios. Edna Nascimento é Estatística Associada e conferencista da Fundação Dom Cabral.Considerações Os riscos aqui discutidos são apenas algumas das questões sociais e ambientais que os países do BRICS terão que enfrentar na sua busca para alcançar posições mais elevadas dentro da economia global.. & MacGillivray. Sua formação anterior é como executivo empresarial. Notas Finais 1 Goldman Sachs. A. especialmente o clima. os habilitadores sociais e as ações empresariais? A Fundação Dom Cabral está comprometida em trabalhar com a AccountAbility. (2007) Climate Change 2007: Mitigation of Climate Change. O que irá acontecer quando os recursos naturais se esgotarem? Como as mudanças ambientais. Bangkok.. J. Os cinco países do BRICS irão cada vez mais competir entre si e com outros exportadores dinâmicos para construírem marcas competitivas. Newsweek. Sobre os autores: Cláudio Boechat é Professor da Fundação Dom Cabral. diminuir as diferenças entre os sexos. 2 Intergovernmental Panel on Climate Change. K. AccountAbility. irão afetar o desenvolvimento social e econômico? Qual o equilíbrio ideal entre os impulsionadores de políticas. (2003) Dreaming with BRICs: The Path to 2050. Adams. e com institutos de pesquisa em outros países do BRICS para usar a estrutura do ICR para responder justamente essas questões. Burchell. Luana de Albuquerque Dapieve é Assistente de Pesquisa na Fundação Dom Cabral. April 2007. A. Global Economics.

em última análise. As implicações dessa transição são de enorme significância. Mais recentemente os consumidores nos EUA e na América Latina ficaram chocados com a chegada de comida e produtos para o lar estragados importados da China. em consonância com a mudança do país sobre os debates globais de todos os tipos. vale a pena avaliar algumas das maiores influências sobre como a RSC na China tem sido compreendida ao longo dos últimos 15 anos. Houve primeiro um grande destaque sobre os padrões trabalhistas da imensa estrutura de manufatura chinesa. As visões ocidentais da RSC na China foram moldadas por uma combinação de ansiedades sobre o declínio ligado ao desenvolvimento chinês. e da habilidade de outros países de competir face a capacidade de manufatura chinesa de baixo custo. conforme o desenvolvimento do movimento da responsabilidade social corporativa (RSC). pelo menos em parte. A abordagem da China sobre o comércio responsável está se desenvolvendo de uma forma que conjuga perspectivas locais e debates globais. e companhias chinesas operando no resto do mundo. mas sim sobre as experiências distintas de companhias ocidentais na China. bem como a conscientização crescente dos consumidores e oficiais governamentais chineses. Antes de analisarmos o presente e o futuro. Para muitos no ocidente o fio que liga todos esses episódios é a falta de fiscalização da economia de exportação mais poderosa do mundo. deixando para trás a sua “Era de Teste Rorschach” e rumando para uma “Era de Recriação da China”. para a China e para o mundo. e preocupações de que a economia do país não é controlada por regras justas e eficazes. moldar como a economia do país cresce. companhias crescendo na própria China. A perspectiva chinesa sobre a sustentabilidade irá. As experiências da BSR (Business for Social Responsibility – Negócios em Prol AccountAbility 113 . O papel da China na formulação de um mundo sustentável está. finalmente. Embora essa perspectiva seja baseada em evidências consideráveis. em sua maior parte.RSC com Características Chinesas: Desbravando um Caminho Por Aron Cramer Nos últimos 15 anos. as visões sobre a China tendem a expressar mais sobre o observador do que sobre a própria China. e essas perspectivas estão em rápida transformação. desenvolvimentos recentes nos dão razões para o otimismo. Some-se a isso a preocupação sobre a falta de direitos civis e políticos. a RSC na China está amadurecendo sem se basear tanto nos interesses ocidentais. Vejam as questões que ocuparam os pensamentos ocidentais ao longo desse período. ela também demonstra uma falta de compreensão das mudanças sociais e econômicas extremamente dinâmicas que estão ocorrendo na China. Embora a visão dos consumidores ocidentais ainda seja importante. Tudo isso resulta em preocupações sobre competição desleal e condições sociais e ambientais em declínio. demonstrada ao longo dos últimos dois anos em debates sobre a privacidade na internet e a liberdade de expressão. E embora qualquer generalização que se faça sobre a China esteja destinada a não ser correta.

Se tudo correr bem. Iniciativas atuais sobre os padrões trabalhistas demonstram bem essas duas tendências. com o Foreign Investment Advisory Service (FIAS – Serviço de Assessoria sobre Investimentos Estrangeiros) do Banco Mundial. o Chinese National Textile and Apparel Council (Conselho Nacional Chinês Têxtil e de Vestuário) desenvolveu os seus próprios padrões administrativos para práticas trabalhistas nas fábricas chinesas: CSC9000T. A criação do CSC9000T também provou ser uma plataforma para diálogo com importadores dos EUA. tanto chinesas quanto ocidentais. onde atuamos por mais de uma década. Embora esse padrão obedeça às leis chinesas e. Agora que a cidade não pode mais depender tanto quanto antes da mão-de-obra barata. Essas mudanças se refletem em alguns dos casos a seguir: ™™ A BSR já trabalhou de perto com várias companhias de eletrônicos. como também uma crescente convergência de perspectivas chinesas e internacionais. Essas reformas. o que irá permitir que elas continuem a incrementar os seus sistemas de valores. Tão importante quanto. da Europa e do Japão. é um esforço significativo que aceite e encoraja o conceito de uma abordagem baseada em princípios para o gerenciamento de grandes fábricas. ela procura novas – e mais sustentáveis – formas de continuar competitiva. que vêm acelerando ao longo dos últimos dois anos. revelam a emergência tanto de uma visão chinesa de RSC única. Esses desenvolvimentos demonstram que mesmo a economia mais vibrante do mundo está reconhecendo a necessidade de acatar práticas de comércio responsável como uma parte central da sua estratégia de competitividade. não aceite representantes sindicais eleitos democraticamente. E é também uma ferramenta de posicionamento da indústria para fazer uma transição bem sucedida para um modelo mais tecnológico que pode surgir ao longo da próxima década.da Responsabilidade Social) na China. com a International Finance Corporation (Corporação Internacional de Finanças) e com o Environment Programme (Programa Ambiental) da ONU (UNEP) para construir capacitação de fornecimento que atenda às expectativas internacionais de práticas sociais e ambientais. sugerem alguns temas muito importantes: ™™ Maior ênfase na capacidade de construção: Instituições. Esse tipo de abordagem tão ampla era completamente desconhecido – e provavelmente impossível – há poucos anos atrás. Muitos acreditam que Shenzehn – o arquétipo chinês da máquina de exportação – acatou esse programa por causa do aumento do rendimento dos trabalhadores que procuram melhores condições trabalhistas e ambientais. ™™ Ao longo dos últimos três anos a China Training Initiative (Iniciativa de Treinamento Chinesa) da BSR vem fornecendo educação e treinamento para mais de 1. Hoje há indícios numerosos que essas idéias foram bem mais aceitas.000 gerentes de mais de 500 fábricas que contratam mais de um milhão de trabalhadores. essa iniciativa irá fomentar a capacidade administrativa de empresas chinesas. tendo chegado à conclusão das limitações de imposição de RSC através de 114 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . como o Shenzhen Municipal Government (Governo Municipal de Shenzhen). a CTI vem enfatizando a construção de capacitação de treinamento local para que instituições locais possam se desenvolver e oferecer continuidade e reforço na geração de capacitação para conseguir resultados. estão cada vez mais focadas na criação de capacidades. Quando a BSR começou a trabalhar com companhias ocidentais e os seus fornecedores chineses em meados da década de 1990. portanto. nos deparamos com reiteradas afirmações de que tais esforços eram um produto de importação que não era bem vindo. ™™ Por fim. com benefícios diretos e indiretos.

as colaborações entre as sociedades públicas. O respeito por padrões trabalhistas. Isso acarretou diretamente em progressos quanto aos importantes objetivos de engajar os fornecedores chineses como parceiros com os seus consumidores na aceitação de desempenho social e ambiental. O projeto supracitado do Banco Mundial une os atores dos setores público e privado. mais visivelmente na África. a sua aceitação em participar de iniciativas RSC é um bom augúrio para estabelecer um movimento verdadeiramente global. Terceiro. Segundo. Isso legitimou o conceito da RSC crucial. como também crescem os esforços de grupos industriais e colaborações com instituições acadêmicas. está claro que o comércio é um forte impulsionador para o aumento de normas de RSC. Isso é atribuído em grande parte à adoção do Partido Comunista de uma meta para a construção de uma “sociedade harmoniosa”. ™™ A confiança crescente em modelos colaborativos: A colaboração está crescendo. no ano passado. usando padrões como fundamento da sua colaboração. Embora ainda não se compare ao volume ou aos modelos ocidentais. Empresas necessitam de leis bem estabelecidas. AccountAbility 115 . Essa iniciativa. Significativamente. para aumentar a capacitação. iniciativas baseadas em normas amplamente aceitas estão se solidificando. e significativamente. pode ser que os esforços voluntários para estabelecer normas sobre as condutas comerciais contribuam para um maior respeito pela lei na China. Até os conceitos fundamentais da RSC serem publicamente aceitos. é impossível alcançá-lo sem isso. ™™ Maior envolvimento e liderança das instituições públicas chinesas: As instituições públicas chinesas têm se envolvido bem mais na promoção da RSC.modelos fortemente calcados na complacência. e uma atenção maior à natureza do crescimento econômico em vez da atenção exclusiva sobre quanto se cresceu. deixam em seu rastro não apenas um desempenho social e ambiental melhor. Espelhando a integração da China e na sua crescente liderança no comércio internacional. e outras similares. as interrupções freqüentes no progresso dentro da China eram a norma. mas também padrões e normas internalizados para guiar as práticas comerciais. Primeiro. embora o envolvimento do governo chinês não seja garantia de sucesso. maior transparência e preocupação ambiental são todos impulsionados pelo crescente interesse das cinco bilhões de pessoas fora da China que estão agora diretamente integradas à economia chinesa. dada a estrutura política chinesa. vemos agora um engajamento do governo chinês nas grandes iniciativas globais. de 20 relatórios sobre RSC por companhias chinesas. esforços para implantar padrões ISO 26000 de responsabilidade social. privadas e civis estão crescendo. mas também na América Latina. irá levar a harmonização de normas e práticas que provavelmente resultarão no aumento da integração de RSC. e participantes dentro e fora da China. com informação transparente para criar mercados eficientes. aplicadas com equilíbrio. propriedades locais e colaboração entre setores. e a entrega. Conforme a RSC na China se distancia de modelos dominados por códigos de conduta impostos por multinacionais. incluindo o Global Compact da ONU. a maioria dos quais fazendo referências ao Global Reporting Initiative Guidelines (Guia da Iniciativa de Relatório Global). O crescente debate sobre o impacto dos investimentos externos da China. Isso é significativo por diversas razões.

e que se forem aplicadas de forma justa elas são uma parte essencial de um sistema econômico moderno que queira ter um bom desempenho social e ambiental. e mecanismos mais fortes para implantá-las através da mídia e de oficiais públicos. Conforme a China continua a se afastar de códigos estrangeiros impostos e adotando cada vez mais práticas comerciais responsáveis. os códigos de conduta têm tanto “hard power” quanto “soft power”. Citando uma análise geopolítica. Sobre o autor: Aron Cramer é Presidente e CEO do Business for Social Responsibility (BSR – www. incluindo a sua rede de companhias membro Global 1000. e os esforços voluntários do segundo estão espalhando o princípio de que as regras são importantes. E embora os participantes dessas parcerias possam ser bem diferentes dos encontrados em outros lugares. e muitas das parcerias são “GONGOs”. ou seja. 116 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . Ainda é necessário muito trabalho. Ainda existem muitas falhas no sistema. O primeiro se equivale com os impactos diretos desejados do fortalecimento à adesão de regras estabelecidas. Mas os códigos e padrões.bsr. Se parcerias público-privadas estão aumentando em um ambiente que retém numerosas características de uma política econômica de comando e controle. Mas apesar disso tudo. o que para muitos pode parecer uma contradição. e isso é de importância vital. é possível ver as sementes da mudança começando a dar frutos. vemos. exemplos cada vez maiores de esforços conjuntos para transformar a promessa dessas iniciativas em realidade. milhões de trabalhadores expostos a regras explícitas nos seus locais de trabalho.O fato de estarmos presenciando “milhares de colaborações florescerem” na China demonstra a força desse modelo. entretanto. é significativo que a vontade de colaborar é agora um fator comum dentro e fora da China. um erro presumir que irão se desenvolver do mesmo modo que o fizeram no ocidente.org) uma associação comercial sem fins lucrativos que se dedica a fomentar uma justa e sustentável economia através do trabalho com outras empresas. idéias criativas e persuasão. isso traz uma validação única. A própria natureza e atitude dos grupos civis na China continuam diferentes daquelas encontradas em ambientes mais abertos. Seria. ONGs orientadas pelo governo. pela primeira vez.

do estágio de desenvolvimento comercial e da capacidade das empresas na implementação de mudanças. Os primeiros passos para o desenvolvimento de um ambiente macroeconômico que seja conducente às práticas comerciais responsáveis precisam ser flexíveis o suficiente para levar todos esses fatores em conta. e cidades construídas pela indústria viraram centros turísticos para compras e eventos culturais. Mas outras transformações estão ocorrendo: projetos animadores estão em andamento para integrar e imbuir a responsabilidade corporativa no desenvolvimento regional. A Responsibility Northwest é o carro-chefe de um projeto de parceria financiado pela Northwest Regional Development Agency do governo do Reino Unido. regiões e cidades que alcancem o objetivo da competitividade responsável. cujo objetivo é aumentar as práticas locais de comércio responsável. Outros projetos enfatizam a criação de compreensão e capacitação em redes empresariais e organizações de apoio para negócios. e liderada pelo fundo de caridade Sustainability Northwest. Para entender quais os tipos de práticas comerciais responsáveis que podem aumentar o desempenho. A prática da responsabilidade empresarial depende das condições do mercado. Outra estratégia é responder às preocupações em áreas como decisões sobre infra-estruturas. É um dos maiores programas em prol do comportamento responsável entre as pequenas e médias empresas (PMEs) da Europa. políticas sobre recursos e práticas empregatícias. Vantagens competitivas estão disponíveis para países. Mas como podem os governos e as agências de desenvolvimento regional assegurar que as suas decisões estão promovendo a competitividade responsável? Quais as ferramentas e as estruturas necessárias para mapear as mudanças no comportamento empresarial? Uma região que está se posicionando para tirar vantagem dos mercados em mudança é o noroeste da Inglaterra. Uma ferramenta chave nessa abordagem é a iniciativa Responsibility Northwest que irá fomentar o desenvolvimento das estratégias econômicas regionais.Competitividade Responsável em Nível Regional Por Jeremy Nicholls e Paul Begley Remodelar os mercados e lidar com as necessidades sociais e ambientais de forma que os negócios se desenvolvam é essencial para assegurar a prosperidade sustentável. Embora existam situações onde os “ganhos” são praticamente certos quando as práticas comerciais responsáveis são aplicadas para aumentar o desempenho. Nem todos os comportamentos responsáveis irão contribuir para a competitividade. Outra forma é através da mensuração de como a responsabilidade está imbuída nas estratégias comerciais e usar isso para criar um Índice Regional de Competitividade Responsável. Uma das estratégias é trabalhar diretamente com as empresas para ajudar a identificar e lidar com os riscos e oportunidades mais importantes relacionados ao cerne dos seus negócios nos setores sociais. O noroeste da Inglaterra tem agora um dos setores de alta tecnologia que mais se desenvolve na Europa e a maior concentração de trabalhadores nos setores de biotecnologia e química do Reino Unido. AccountAbility 117 . nem sempre isso ocorrerá. ambientais e econômicos. para incentivar os seus acionistas a adotarem práticas comerciais mais responsáveis. a Responsibility Northwest desenvolveu um índice bastante robusto. do Livre Comércio e dos Beatles – trocou as colunas de fumaça provenientes das chaminés por manufaturas limpas. A Responsibility Northwest está adotando uma abordagem multifacetada na promoção do crescimento dos negócios sustentáveis que encoraja a inclusão social e previne a degradação ambiental. A região – berço da Revolução Industrial. fábricas de algodão se tornaram apartamentos chiques e galerias de arte.

fornecedores e vizinhos. que se fundamenta em projetos de outras regiões do Reino Unido e avalia 26 indicadores (como treinamento de pessoal e sistemas de administração ambiental) que refletem o desempenho social. Elas devem abordar a percepção das empresas sobre os riscos e oportunidades que estão nos horizontes correntes de planejamento. Isso requer que as empresas compreendam o quanto elas impactam as áreas sociais. como antecipado. econômicas e ambientais. o Índice Regional de Competitividade Responsável fundamenta-se em uma teoria prática para mudanças. Desempenho entre cada sub-índice Em complementação a essa abordagem sub-regional. ambiental e econômico em relação aos empregados. A Figura 1 destaca o desempenho da região em relação a regiões similares no Reino Unido.Como o Índice de Competitividade Responsável nacional supracitado. Mas como pode uma região avaliar precisamente esses ajustes? O primeiro passo é a inclusão de um pequeno número de perguntas em uma pesquisa trimestral que acontece por toda a região promovida pelo Chambers of Commerce (Câmara do Comércio). e também com a média nacional. aos consumidores. a Responsibility Northwest se aliou à AccountAbility em meados de 2006 para criar o índice regional. as mudanças na compreensão dos riscos e oportunidades nos negócios levam a mudanças na competitividade regional. como Yorkshire e Humber. econômicos e ambientais dos negócios nas cinco sub-regiões do noroeste da Inglaterra. e que elas administrem os impactos que apresentem riscos ou oportunidades de forma a se tornarem mais competitivas e para aumentar a sua produtividade. Empregados Noroeste Clientes Fornecedores Yorkshire Vizinhos Nacional Figura 1: Desempenho regional para cada tipo de stakeholder 118 O Estado da Competitividade Responsável 2007 Total (Proporção de 25%) . avaliando os impactos sociais. O segundo passo é um conjunto de dados disponível para o público. o índice regional precisa avaliar os desfechos do programa da Responsibility Northwest e demonstrar se. Para influenciar as políticas.

com exceção dos impactos sobre os empregados. Ambiental Noroeste Social Econômico Yorkshire Total (Proporção igual) Nacional Figura 2: Desempenho regional para cada tipo de impacto A Figura 2 avalia o Índice Regional de Competitividade Responsável em relação ao índice de competitividade regional. aplicação de patentes. mas abaixo do desempenho nacional. fornece uma avaliação independente do desempenho econômico regional. cujo primeiro estágio é uma comparação entre a responsabilidade e a competitividade. A região tem pontuações mais baixas em todos os indicadores relacionados a fornecedores e um desempenho fraco na reciclagem de resíduos comerciais e industriais.1 A edição mais recente mostra que o noroeste da Inglaterra caiu sete posições (para 53º) na competitividade desde 2004/05. níveis de desemprego e densidade de emprego baseada em dados para avaliar a competitividade das 118 regiões dos 27 países europeus. passageiros de aviões e densidades de ferrovias. A questão chave será então o relacionamento com a competitividade. O índice de 2006/07 usa uma gama de indicadores. Um índice regional robusto permite aos implementadores de políticas identificar em quais as áreas eles podem melhorar as práticas de responsabilidade comercial. o European Competitiveness Index (Índice Europeu de Competitividade). O noroeste da Inglaterra tem uma pontuação mais elevada do que os vizinhos Yorkshire e Humber.Em todos os 26 indicadores parece que o noroeste da Inglaterra tem uma pontuação abaixo da média nacional. Desempenho entre cada sub-índice A publicação anual do Robert Huggins Associates. tanto em competitividade quanto em responsabilidade. incluindo níveis de atividade econômica. AccountAbility 119 . Talvez não seja uma surpresa que a região tenha uma pontuação especialmente boa em relação aos empregados – os índices de redundância caíram recentemente e a região tem mais de um quarto de todos os representantes de treinamento dos sindicatos de toda a Inglaterra. produtividade no trabalho.

O apoio de indicadores regionais por indicadores que são relevantes para setores e grupos chave permite a comparação com outras regiões. e como identificar quais as áreas da responsabilidade corporativa que podem guiar o desempenho regional. 120 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . No nível sub-regional. reconstruir vantagens competitivas e tirar proveito dos mercados que premiam as práticas comerciais responsáveis. a Northwest Development Agency e a Responsibility Northwest estão trabalhando para preparar a região para mercados que premiam as práticas comerciais responsáveis. a região encontra-se bem posicionada para melhorar o desempenho. Nacional Noroeste Yorkshire Competitividade Figura 3: Desempenho regional de competitividade responsável Fonte: Competitividade do Robert Huggins Associates. os indicadores precisam ser desenvolvidos para assegurar que comparações possam ser feitas entre anos e entre regiões.Índice do Desempenho regional de competitividade responsável Essa simples conclusão destaca que o noroeste da Inglaterra está enfrentando um desafio em uma sociedade cada vez mais integrada. e podem ser eventualmente programados para lidar com as diferenças entre os tipos de negócios operando dentro daquela região. o que permitirá ainda mais análises sobre o relacionamento entre a competitividade e as práticas comerciais responsáveis. e o índice de dois patamares. O índice descrito aqui irá criar uma base para compreender como as empresas podem obter vantagens das condições mercadológicas em mudança. Ao longo do próximo ano o índice será testado em Chipre2. uma abordagem coordenada para aumentar a responsabilidade e desfechos tangíveis como o aumento da capacidade das redes comerciais de apoiar as práticas comerciais responsáveis. Através da liderança política forte. O índice foi desenvolvido para assegurar a sua reprodução e a sua comparação com outras regiões. através da implementação de iniciativas como a Responsibility Northwest. Mas de fato.

tem a visão de se tornar uma região responsável que promove o crescimento. Estratégias regionais geralmente são a inclusão social e a proteção ambiental. do BETA Model. a Câmara do Comércio de Liverpool. Paul Begley é pesquisador da AccountAbility Notas finais: 1 O índice 2006/07 pontuou regiões pela média européia. focando em empresas. um programa para divulgar a responsabilidade corporativa entre as PMEs do noroeste da Inglaterra. esse índice vai além. a administração empresarial das questões sociais e ambientais. mas bem abaixo da região mais competitiva.3) têm pontuação acima da média européia. que envolve a Sustainability Northwest. uma região que foi crucial na primeira grande onda do desenvolvimento industrial. AccountAbility 121 . O noroeste (103) e Yorkshire e Humber (102. 2 Como parte de um projeto paralelo apoiado pela European Commission e chamado Mainstreaming. o Cat’s Pyjamas e o Institute for Social Innovation (Instituto para inovações Sociais). e explora o relacionamento com a competitividade. O noroeste da Inglaterra.As abordagens atuais para medir a competitividade não levam em conta a extensão da compreensão e da administração dos impactos causados pelas empresas. O desenvolvimento de ferramentas práticas para apoiar a tomada de decisões comerciais e avaliar o relacionamento entre a responsabilidade e a competitividade em níveis regionais e sub-regionais oferece uma abordagem útil para outras regiões que buscam objetivos semelhantes. e cobrem questões similares para aqueles listados no Índice Regional de Competitividade Responsável.5. Sobre os autores: Jeremy Nicholls é Senior Associate da AccountAbility e o Diretor do Urban Strategy Associates. a inclusão e a sustentabilidade. que tem pontuação 100. Jeremy é membro do conselho da Câmara do Comércio de Liverpool e um parceiro no desenvolvimento e na implementação do Responsibility Northwest. Bruxelas é apontada como a região mais competitiva da Europa e têm uma pontuação de 193. e da companhia de treinamento ético Cat’s Pyjamas. Entretanto.

122 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

Anexo AccountAbility 123 .

124 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .

3 5 Reino Unido GBR 75.0 23 Eslovênia SVN 64.0 80.1 71.8 74.1 76.6 18 Estados Unidos USA 69.4 73.8 83.7 68.0 61.6 52.0 73.7 82.3 68.6 19 Japão JPN 68.9 60.3 84.0 73.9 79.3 27 Coréia KOR 63.2 26 Espanha ESP 63.0 63.9 76.9 86.9 84.9 61.1 78.4 75.3 61.3 29 Emirados Árabes Unidos UAE 62.3 75.5 86.3 63.9 86.1 30 Lituânia LTU 62.9 84.0 82.8 Abreviação dos países Suécia País 1 Ranking ICR 2007 Índice da Competitividade Responsável 2007 Tabela 1: Ranking do Índice da Competitividade Responsável 2007 11 Alemanha DEU 72.5 74.7 22 Estônia EST 65.7 24 Chile CHL 64.5 68.7 73.1 65.6 75.7 4 Islândia ISL 76.9 7 Nova Zelândia NZL 74.8 78.1 76.7 81.6 21 Portugal PRT 65.6 85.0 90.7 28 África do Sul ZAF 62.5 87.6 72.1 9 Austrália AUS 73.5 75.5 67.7 72.1 12 Países Baixos NLD 72.7 20 Hong Kong.9 65.1 68.0 69.6 3 Finlândia FIN 78.3 62.6 81.7 73.7 83.5 65.9 69.Impulsionadores de Políticas Ações Empresariais Habilitadores Sociais SWE 81.5 83.7 2 Dinamarca DNK 81.3 10 Canadá CAN 73.2 80.7 14 Bélgica BEL 71.4 67.8 74.6 72.0 8 Irlanda IRL 74.3 83.2 17 França FRA 70.2 73.6 73.5 13 Suíça CHE 72.1 70.8 88.4 59.4 63.1 73.0 83.8 70.9 86.8 75.9 88.2 74.6 AccountAbility 125 .6 67.8 77.8 80.3 65.8 60.7 74.5 16 Áustria AUT 70.7 64. China HKG 68.9 25 Malásia MYS 63.1 63.5 74.9 76.0 15 Singapura SIN 71.2 63.0 69.0 89.8 66.6 72.4 63.1 76.6 6 Noruega NOR 75.

6 35.9 56 Brasil BRA 55.0 44 Hungria HUN 57.9 59.8 70.5 73.6 68.6 50.6 55.1 72.0 61.0 55.4 56.8 70.1 52.2 77.3 56.4 56.1 64.9 45 Peru PER 56.3 77.5 57.2 32 Itália ITA 61.1 40 Maurício MUS 59.3 60.5 59.8 55 Colômbia COL 55.7 76.8 42 Kuwait KWT 58.9 60 Tunísia TUN 54.1 58 România ROM 54.5 43 República Eslovaca SVK 58.0 57.4 47 Namíbia NAM 56.1 77.7 53.2 54.3 65.9 63.0 72.5 38 Jamaica JAM 59.9 52.0 76.7 68.5 52.3 60. China TAI 60.4 51.3 51 Turquia TUR 55.6 33 Grécia GRC 61.0 51.7 41 Botswana BWA 59.7 59.9 57.4 54.4 60.6 56.0 49.Abreviação dos países Índice da Competitividade Responsável 2007 Impulsionadores de Políticas Ações Empresariais Habilitadores Sociais ISR 61.6 52 Uruguai URY 55.8 46 Trinidad e Tobago TTO 56.1 61.6 34 Taiwan.3 53.8 126 País Israel Ranking ICR 2007 31 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .4 74.3 79.9 61.1 54.8 77.8 39 República Tcheca CZE 59.7 78.5 35 Letônia LVA 60.5 67.7 79.7 74.8 62.1 58.1 48 Indonésia IDN 56.4 70.8 61.8 53 Croácia HRV 55.0 64.1 59.8 55.5 56.5 50 Jordânia JOR 55.0 57.8 37 Tailândia THA 60.3 82.3 49 El Salvador SLV 55.9 77.6 76.4 52.3 57 México MEX 54.6 57.6 75.6 54 Polônia POL 55.0 72.0 62.3 79.7 53.1 36 Costa Rica CRI 60.4 58.2 78.6 72.2 76.9 56.8 64.7 74.9 50.9 57.9 53.6 61.4 59 Bulgária BGR 54.0 50.6 57.4 77.8 55.5 61.7 52.0 62.

1 80.2 53.0 75.9 MKD 53.0 61.9 68 Sri Lanka LKA 52.2 51.2 52.2 72 Guatemala GTM 52.1 78 Zâmbia ZMB 49.2 64.3 56.1 60.2 45.5 86 Paraguai PRY 47.1 48.9 40.9 72.4 45.4 58.9 51.4 70.5 80 Uganda UGA 48.1 85.2 54.2 50.1 78.3 39.0 Egito EGY 52.6 85 Camarões CMR 47.8 64.1 47.8 55.8 44.1 53.4 73.7 74 Albânia ALB 50.0 42.6 81 Nigéria NGA 48.5 58.8 País 60.4 35.5 63.9 90 Tanzânia TZA 47.5 43.3 70.5 47.7 55.1 43.2 74.2 52.9 42.4 50.4 76.0 44.8 75 Honduras HND 49.5 89 Mali MLI 47.1 37.0 76.5 55.8 64.3 73 Kazaquistão KAZ 50.1 40.5 55.8 52.0 78.1 51.0 41.8 53.0 Argentina ARG 53.3 83 Federação Russa RUS 48.0 52.3 43.1 39.2 66.9 88 Zimbábue ZWE 47.9 54.3 49.4 52.0 53.4 87 China CHN 47.6 69 República Dominicana DOM 52.4 45.0 84 Bolívia BOL 47.1 72.4 64 Moldávia MDA 65 Macedônia.6 69.9 63 Geórgia GEO 53.5 62 Panamá PAN 53.6 49.0 80.6 82 Quênia KEN 48.1 70.0 72.4 64.3 46.2 67.4 40. RB VEN 49.7 51.6 51.0 74. FYR 66 67 37.5 71 Lesoto LSO 52.0 41.1 54.2 48.4 76 Venezuela.5 79 Equador ECU 49.9 38.0 70 Índia IND 52.Impulsionadores de Políticas PHL 54.1 77 Nicarágua NIC 49.3 69.1 69.1 53.3 70.5 41.5 73.1 55.4 69.0 40.9 Ranking ICR 2007 Habilitadores Sociais Índice da Competitividade Responsável 2007 Filipinas Ações Empresariais Abreviação dos países 61 AccountAbility 127 .

6 71.3 52.4 50.1 44.6 65.6 105 Etiópia ETH 40.5 51.4 42.3 97 Ucrânia UKR 45.0 35.2 102 Mauritânia MRT 41.1 41.4 46.1 101 Angola AGO 43.1 73.1 64.8 Marrocos MAR 46.6 10 Mongólia MNG 43.1 49.9 63.5 65.9 51.7 45.7 BFA 46.1 79.4 42.3 99 Camboja KHM 44.4 35.3 37.9 38.9 51.8 104 Quirguistão KGZ 41.4 68.4 47.4 50.6 40.9 47.6 40.1 Ranking ICR 2007 Habilitadores Sociais Índice da Competitividade Responsável 2007 MWI Ações Empresariais Abreviação dos países Maláui Impulsionadores de Políticas País 91 128 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .3 27.8 108 Chade TCD 35.1 103 Paquistão PAK 41.1 53.3 40.8 74.9 93 Madagascar MDG 94 Burquina Faso 95 77.8 76.6 49.9 46.9 74.5 41.2 29.5 38.2 46.3 75.2 47.1 96 Moçambique MOZ 46.8 73.4 40.0 92 Benin BEN 46.9 106 Bangladesh BGD 39.4 59.7 48.4 67.1 107 Nepal NPL 37.8 49.1 66.47.8 98 Gâmbia GMB 45.5 48.1 52.5 36.2 50.

Tabela 2: Classificando os países pelos rendimentos (baseado nos dados do Banco Mundial. México. Moldávia. Japão. Ucrânia. Kazaquistão. Singapura. Estados Unidos. República Eslovaca. Nova Zelândia. Nigéria. Quirguistão. Israel. Uruguai. Países Baixos. Bolívia. China. RB. FYR. Bélgica. Eslovênia. Colômbia. Zimbábue. Jordão. Croácia. República Tcheca. Guatemala. Namíbia. Mongólia. Índia. Zâmbia. Trinidad e Tobago. Camarões. Paraguai. Turquia. Taiwan. Gâmbia. Grécia. Maláui. Sri Lanka. Espanha. Alemanha. Marrocos. Polônia. Peru.726 ou mais GNI per capita) Austrália. usando o método Atlas) Baixa Renda ($875 ou menos GNI per capita) Bangladesh. Equador. Venezuela. Reino Unido. Macedônia. Indonésia. Paquistão. Tailândia. Burquina Faso. Chile. Maurício. África do Sul. Canadá. Rep. Honduras. Benin. Moçambique. Chade. China. Tanzânia.725 GNI per capita) Albânia. Costa Rica. Lituânia. Bulgária. Camboja. Nicarágua. Islândia. Jamaica. Angola. Brasil. Áustria. Finlândia. Uganda. Hungria. Coréia. Renda Alta ($10. Itália. Kuwait. Emirados Árabes Unidos. Irlanda. Estônia. França. Mali. Tunísia. Renda Média ($876 . Madagascar. China. Geórgia. Federação Russa. Etiópia. Letônia. Suécia. Botswana. Noruega. Hong Kong. Romênia. Suíça. Lesoto. Dinamarca. República Dominicana. Mauritânia. Egito. Filipinas. El Salvador.$10. Panamá. Argentina. AccountAbility 129 . Quênia. Nepal. Malásia. Portugal.

promovendo aprendizagem conjunta e desenvolvimento de ferramentas analíticas e de comparação. N. Reino Unido Telefone: +44 (0)20 7549 0400 Fax: +44 (0) 20 7253 7440 Email: rc@accountability21. prestadores de serviços. Suite 300 Washington. A AccountAbility trabalha com seus membros para ajudá-los a fazer o alinhamento entre responsabilidade corporativa e estratégia de negócios. grupos de pesquisas.accountability21. EC1V 7EB.net Website: www. como também liderou uma importante pesquisa de governança e responsabilidade das parcerias e ligações entre práticas responsáveis de negócios e a competitividade das nações. Londres. organizações não-governamentais. sem fins lucrativos. criada em 1995 para estimular inovações de responsabilidade que promovam práticas responsáveis nos negócios. A AccountAbility desenvolveu a Série AA1000 de Garantia de Sustentabilidade (Series Sustainability Assurance) e os Padrões de Engajamento do Investidor (Stakeholder Engagement Standards).W. 250 – 252 Goswell Road. Nossos 200 associados incluem empresas. e elegem nosso Conselho internacional composto de representantes de todos os cinco continentes.Sobre as Organizações AccountAbility A Accountability é uma organização internacional. DC 20037 130 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . na sociedade civil e em outras instituições. no governo.net Escritório 3501 1250 24th Street.

br AccountAbility 131 . Nesse esforço contínuo para gerar e disseminar conhecimento através do gerenciamento de metodologias e conceitos aplicados às organizações. Princesa Diana. a FDC influencia e guia o processo de desenvolvimento de soluções educacionais combinando conhecimento teórico e prático. Ao estabelecer grupos que trabalharão crítica e estrategicamente na assistência a empresas no desenvolvimento sustentável. a FDC seguiu a premissa de que é importante trabalhar com o cliente e não somente para o cliente. ao mesmo tempo em que estabelece contratos de cooperação com instituições renomadas nacionais e estrangeiras para promover troca de experiências e para fazer pesquisas conjuntas.Fundação Dom Cabral A Fundação Dom Cabral (FDC) procura contribuir para o desenvolvimento da sociedade mediante educação e desenvolvimento dos executivos. 760 Alphaville 34000 000 Nova Lima MG Brasil Telefone: +55 (31) 3589 7200 Website: www. assim. a FDC pratica os conceitos de responsabilidade corporativa no seu gerenciamento e nos programas. procurando compartilhar esse conhecimento com as empresas e seus executivos. Campus Aloysio Faria Av.org. contribuindo. nas pesquisas e nos estudos que desenvolve. Deste modo. para torná-los agentes do desenvolvimento sustentável da sociedade. Desde o inicio. a FDC investe significativamente no desenvolvimento de pesquisa em áreas de interesse estratégico do mundo dos negócios. pessoas de negócios e empresas. numa constante busca para renovar o conhecimento.fdc. Fiel aos seus valores. mantém alianças com algumas das melhores escolas de negócios no mundo e faz parcerias com elas em programas.

A bem-sucedida experiência em iniciativas como essas. Entre outras iniciativas.com. antes de negar o crédito. Paulista. é um novo jeito de fazer negócios de maneira lucrativa e inovadora. governo e empresas. 1374 . criamos o Programa de Sustentabilidade na Construção Civil. demos mais um passo nessa jornada: decidimos disseminar de maneira estruturada o conhecimento que acumulamos na integração da sustentabilidade à atuação empresarial. há quase dez anos. Por isso.br/sustentabilidade 132 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . O Banco Real acredita que não é possível ir bem em um país que vai mal. sua busca pelo resgate do papel dos Bancos como agentes de desenvolvimento econômico e social. Problemas globais e nacionais exigem a articulação inteligente da sociedade civil. nos ajudou a ver com mais clareza o potencial de um banco para influenciar a mudança da realidade. a atuação pautada pela ética e transparência podia ser vista como uma vantagem competitiva. Passamos a analisar os pedidos de empréstimos de clientes corporativos sob a ótica do risco socioambiental e.bancoreal.7º andar São Paulo – SP CEP 01310-916 www. Assimilamos este desafio em nossa própria linha de negócios. Faremos isso porque acreditamos que todas as empresas têm um importante papel a desempenhar na construção de um mundo mais sustentável: o de reinventar o jeito de fazer negócios. além de uma cobrança da sociedade. Av. a emergência das demandas sociais e ambientais tornou a governança corporativa e as boas práticas de gestão uma condição para estar no jogo. Por meio do Espaço Real de Práticas em Sustentabilidade vamos compartilhar com clientes. Queremos dar certo junto com o Brasil e mostrar que a sustentabilidade. que incentiva a adoção de práticas responsáveis no setor imobiliário. consumidores e investidores aprenderam a se organizar contra a ineficiência e a falta de transparência.Banco Real Nossa Visão de Competitividade Responsável Quando o Banco Real iniciou. Hoje. criamos um fundo de investimentos socioambientalmente responsável e promovemos o empreendedorismo em comunidade de baixa renda por meio do microcrédito. fornecedores e sociedade o que aprendemos com a inserção da sustentabilidade no negócio. A sociedade pressiona cada vez mais por regulamentação para as atividades empresariais e se apropria das questões sociais e ambientais como temas prioritários da agenda política. citadas como exemplo. Em 2007. estimulamos a adequação das práticas das empresas. Favorecidos pelo fluxo global de informação.

R$ 27 milhões ao patrocínio de iniciativas de Responsabilidade Social via seleção pública.RJ CEP 20031-912 www. no período. digna e produtiva. de pessoas e grupos que vivem em risco ou em desvantagem social no país. e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). 65 . R$ 1. São iniciativas como o Mova-Brasil. Também a inclusão – o projeto Cidadão Capaz adaptou 10 postos da Petrobras para empregar pessoas com deficiência – e a educação para a capacitação profissional – como acontece nos telecentros de inclusão digital – são tratados em vários projetos. e em 2008. o Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. o registro. Além de facilitar a identificação. Foi a primeira empresa da América Latina a integrar o comitê do Pacto Global das Nações Unidas (ONU). O apoio a ações de redução da pobreza e desigualdade é uma prática constante da Petrobras. a estratégia de investimentos crescentes na área de Responsabilidade Social e Ambiental. O objetivo do Programa é contribuir para o desenvolvimento local.Centro Rio de Janeiro . que em três anos alfabetizou 46 mil jovens e adultos. a sistematização e a multiplicação das ações bem-sucedidas. Resultados expressivos têm sido alcançados em várias ações desse tipo. regional e nacional. A geração de renda é outro objetivo. Há muitas outras ações. que inaugura uma nova fase na gestão do investimento social da companhia. o mais importante índice internacional de sustentabilidade. contemplado em projetos como Agricultura Familiar em Faixa de Dutos. A empresa vem mantendo. gerando a inserção social. ambientais e culturais no Brasil. o novo Programa vai estimular a adoção de boas práticas de gestão pelas organizações sociais brasileiras.com AccountAbility 133 . a Petrobras definiu um conjunto de indicadores e metas de desempenho que irão integrar o monitoramento das ações e a avaliação dos resultados do programa em todo o território nacional .Petrobras As ações e projetos relacionados à Responsabilidade Social e Ambiental são parte da gestão de negócios da Petrobras e estão presentes no relacionamento da companhia com todas as partes interessadas. além de integrar o Dow Jones Sustainability Index (DJSI). da Bovespa. a companhia vai destinar. o programa vai investir. Educação para a Qualificação Profissional e Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.2 bilhão em projetos com foco em Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho.petrobras. ano a ano. reduzindo a pobreza e a desigualdade. No final de 2007 foi lançado seu novo programa social. A Petrobras é a empresa brasileira que mais investe em projetos sociais. Av. República do Chile. Visando alcançar uma transformação consistente no cenário social das comunidades. Com vigência até 2012.

há quase duas décadas. a Serasa mantém. o que é fundamental para o desenvolvimento do Brasil. gerar empregos. Os reconhecimentos e as certificações internacionais atribuídos à Serasa tornam-na referência em diversos parâmetros globais.Brasil CEP 04068-900 Telefone : 55 (11) 3373 7272 www.com. a Serasa vem. quanto ao contribuir para que as empresas possam tomar e conceder crédito com qualidade. a Serasa reafirma o seu compromisso com o apoio à competitividade das empresas. para mais de 400 mil clientes diretos ou indiretos. Participa ativamente no respaldo às decisões de crédito e de negócios tomadas em todo o Brasil. a fim de produzir melhorias. 187 – Planalto Paulista São Paulo – SP . o crédito tem importante função social: a de financiar o consumo. Ao patrocinar a versão brasileira do livro “O ESTADO DA COMPETITIVIDADE RESPONSÁVEL 2007”. Alameda dos Quinimuras. informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência mundial no segmento. desde 2004.Serasa Criada em 1968. O negócio da Serasa está visceralmente relacionado à sustentabilidade.serasa. Constantemente orientada para soluções inovadoras em informações para negócios. com o objetivo de auxiliá-los a gerenciar riscos e benefícios de decisões comerciais e financeiras. o Núcleo Serasa de Inovação em Serviços da Fundação Dom Cabral (FDC). a Serasa é a maior empresa do Brasil em pesquisas. o que é fruto da busca pela excelência como filosofia e de sua prática no cotidiano da empresa. com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia. Para a Serasa. resultado de um trabalho conjunto da Fundação Dom Cabral e da AccountAbility. facilitando aproximadamente 4 milhões de negócios por dia. Consciente da necessidade do avanço da pesquisa científica para o desenvolvimento sustentável do País. entre outras ações corporativas nessa área. tanto ao prover informações para tornar os negócios mais seguros. É uma empresa do grupo Experian. disseminar novos conhecimentos e otimizar os resultados das organizações.br 134 O Estado da Competitividade Responsável 2007 . análises de crédito e marketing a organizações e consumidores. contribuindo para a transformação da cultura de crédito no Brasil. elevar a produção. líder mundial no fornecimento de serviços de informações. A parceria com a Fundação Dom Cabral tem como objetivo desenvolver pesquisa sobre práticas e processos inovadores entre as empresas do setor de serviços. aumentar o bem-estar dos cidadãos e contribuir para o crescimento do País.

World Wildlife Fund International. Guillermo Monroy e Nikki Bahr Leonowens. Extractive Industries Transparency Initiative. Hugo Vergara e Pablo Frederick. Carole Antiochus e Fabienne Money. Chris Coulton. Soledad Teixidó. Kim Jurgensen. e dos nossos patrocinadores mantenedores. Paige Lee. Anna Turrell e Aris Vrettos da AccountAbility. Helene Løken. Matthias Stausberg e Ursula Wynhoven. Fred Wellington e Georgia Moyka. University of California. Institute of Policy Studies. Berkeley Roundtable on the International Economy. MFA Forum. Cristiano Oliveira. as seguintes pessoas merecem agradecimentos especiais: Maya Forstater. Nick Robins. Forum Empresa. Anthony Miller. Carsten Ingerslev e Jakob Faarvang. International Labour Organisation. Johann Graf Lambsdorff. International Trade Union Confederation. International Finance Corporation. Natalia Khonyakova. revisores e debatedores de dezenas de países. Rebecca Parsons. Stephen Heintz e Hope Lyons. Sasha Radovich. Steve Rochlin. Vincent Motau e Hannelore Wallner. Giulia Cosulich. Grace Prado. ProHumana. Unirse. Cynthia Okita. European Commission. Matthias Dietrich. CSCC. ISO Central Secretariat. envolvendo centenas de ensaístas. Microsoft. Agrisal. Globalt Ansvar. Gloria de Olmedo. Mandag Morgen. Louise Schmitz. Danish Commerce and Companies Agency. Georgina Nunez. Lehman Brothers. Georg Kell. Henderson Global Investors. Peter Knight. Arturo Condo. e Jackie Janosi. Peter Lacy na EABIS. Hong Kong People’s Council for Sustainable Development (PCSD). Globescan. Roger Conant no EStandards Forum. UNCTAD. Lara Blecher e Rachelle Jackson. Irene Liang. Lawrence Yau do TDC Hong Kong. Robin Carrington. CEPAL. World Resources Institute. Singapore Ministry of Trade & Industry. Fortune China. Aasil Ahmad. CentraRSE. Generation Investment Management. SCS. Peter Raynard. CIVICUS. Elisabeth Dahlin. Além de todos os nomes que aparecem no índice. Naren Prasad. INCAE. pesquisadores. Brugger Consulting. AccountAbility 135 . London School of Economics. Roberto Murray Meza da Fundemas de El Salvador. Maggie Burns. Pedro Ortun. UN Research Institute for Social Development (UNRISD). UN Industrial Development Organisation. Kai Bethke. International Projects Bureau Delovaya Kultura. Albert Lai e Trini Leung. Peris Homberger. BSR. UN Statistics Division. Anita Househam. Anwar Ibrahim Consulting Associates. Estamos profundamente agradecidos a todos por terem disponibilizado o tempo de suas agendas ocupadas para contribuir com este relatório. Jiri Plecity e Thomas Dodd. Rockefeller Brothers Fund e Elena Bonfiglioli. Julianne Lee. Tim Kitchin. Finnish Trade Ministry. Nigel Twose. Passau University. Ernst Brugger. Fernanda Polacow. James Thellusson e Michael Hoevel do Glasshouse Partnership. Gisela Helberling. O relatório tornou-se possível mediante o apoio generoso do nosso patrocinador central.Agradecimentos A realização de O Estado da Responsabilidade Competitiva é uma verdadeira colaboração global. Singapore. UN Global Compact. Thomas Krick. Futures Group. Signe Jensen. James Howard e Tim Noonan. Jorma Immonen. Chang Li Lin.

Notas 136 O Estado da Competitividade Responsável 2007 .