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SER PROFESSOR NO SÉCULO XXI –

OPORTUNIDADES E DESAFIOS

Unidade Curricular: Educação, Sociedade e Sistema Educativos
Docente: Prof. Dr. António Guedes

Aluno: Paulo José do Cruzeiro Borges
N.º 313710

Ano letivo 2015/16

Sociedade e Sistema Educativos”. o tema escolhido para desenvolvimento do artigo é “Ser professor no século XXI – oportunidades e desafios”. “Educação." Albert Einstein Introdução No âmbito da unidade curricular. no sentido de refletir -1- . porque me apelou à necessidade de iluminar os problemas e desafios com os quais os professores se deparam. e à possibilidade de abrir as mentes às novas oportunidades."A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer.

pois o papel da escola e em particular do professor. capaz de abranger um crescente número de alunos na escola. criando assim as alicerces essências para a construção do novo paradigma do professor para o futuro. Como diz. que o presente e o futuro são radicalmente diferentes em todas as vertentes da escola e dos professores de ontem. numa colaboração estreita da educação para a cidadania. é de enorme importância para a construção participativa da identidade da pessoa/aluno. faz hoje grande sentido a afirmação de Teodoro. 2005) a atividade de professor tem-se construído historicamente. A escola e os professores No início do novo século foi e continua a ser necessário. é aquele que constrói o seu ser. no respeito à opinião. mas essa é somente tarefa do topo da pirâmide na qual se constrói esta profissão. Professor em construção Numa visão comum social o professor é visto na relação direta com a função de ensinar. 2005). Ter competências para ensinar. no respeito pelas diferenças. (Teodoro. com o aumento da escolaridade obrigatória e o surgimento dos megas agrupamentos. Ensinar é a tarefa mais visível que o professor tem. mais que nunca. o professor é um eterno aprendiz que busca resoluções de forma metódica e autónoma. que a escola e os professores se interroguem numa perspetiva construtivista do seu papel. Ser um professor em construção. de forma a reconfigurar e adequar os nossos pensamentos e ações. 2006) a expansão da escola a todas as camadas e grupos sociais conduziu à consolidação de modelos de organização escolar e pedagógica. para a melhoria da educação.e converter todos os dilemas que nós professores nos deparamos. como refere (Alonso. postura reflexiva. com forte capacidade de análise crítica. numa significativa melhoria da educação e formação para o amanhã. não é mais suficiente para ser professor. atitude investigativa e uma entrega total e colaborativa no seu todo. Em Portugal. -2- . no respeito e entendimento do ser humano. Para (Alonso. “o professor mais”. no confronto de leituras e pressões sociais diversas e por vezes contraditórias. sabendo a escola e os professores.

observador crítico e participativo. 2001) Apesar de todas as interrogações. pois como diz (Carneiro. transformando a escola no elemento central da homogeneização linguística e cultural. 2001). animador cultural. as nossas crianças podem aprender tudo. tem de acumular com a função principal de ensino-aprendizagem. 2001). que combina divertimento com aprendizagem e que os professores e a escola não podem ignorar. 2001) Esta interrogação é pertinente no tempo. ator. de forma inteiramente personalizada”. No entanto a velocidade a que se produzem as novas mudanças na ciência e na tecnologia afetam os fundamentos do conhecimento (Carneiro. psicólogo. que os alunos têm hoje. o professor do século XXI. em qualquer parte. e acrescento. Assim. mas também incomodativa para os professores que continuam arreigados a função simplista de ensinoaprendizagem. experimentações. Como referi anteriormente. mais que nunca. não pode ter a única função de ensinar. “hoje.Refere ainda. que procura responder ao desafio de “ensinar a muitos como se fosse a um só”. mas tem de ser um investigador permanente. os pais. (Teodoro. Os -3- . constroem a sua aprendizagem fazendo as suas escolhas conforme o que mais lhe agrada e lhe demonstra mais interesse. (Carneiro. psicoterapeuta. Este é o ponto de partida para nos tornarmos verdadeiros professores do século XXI. outras como: orientador. Transformar estes desafios em oportunidades. o professor. os professores e os alunos reconhecem as escolas e as universidades como agentes nucleares para a resposta a uma sociedade do conhecimento. “Podemos conceber uma educação não apoiada nas escolas e nas universidades?” (Carneiro. a todo o momento. 2006). criou um binómio educação/entretenimento. vigilante. não se pode cingir a ser um simples elemento transmissor de conhecimento. demonstrações em “multimédia” e entretenimento educativo. A facilidade de acesso e a enorme quantidade de informação. assistente social.…funções que de alguma forma criam uma maior proximidade dos alunos e alguma ordem no ambiente turbulento em que vivemos. no sentido de se manter atualizado numa linha paralela com a sociedade de informação. que se desenvolveu desde o século XIX um modelo educativo.

que todas estas tecnologias acabaram por ser absorvidas pelos poderosos interesses políticos e comerciais que moldaram a forma e uso destas tecnologias. Educação para o século XXI Certamente já todos nos demos conta que a educação escolar ou a forma de educar hoje.alunos. para os quais os pais e professores se sentem impotentes para contrariar. orientando-as para o lucro de tal forma que. como a próxima grande tecnologia educativa na sala de aula e fora dela. não é nem sequer próxima da nossa educação e muito menos da educação dos nossos pais. 2002). como auxiliares para a educação?” A minha vida como professor na área das novas tecnologias. traz com isso algumas questões que me parecem importantes como cidadão e professor. 2002). As tecnologias vieram alterar o modo de ensinar e o formato de aprendizagem. disponíveis e participantes da sua aprendizagem que os ajudam a crescer e que se sentem orgulhosos com as suas vitórias. e que tem levado a um declínio civilizacional. o telefone e a televisão. “Estão as novas tecnologias a levar também ao declínio civilizacional?” “Como direciona-las para uma educação-entretenimento?” “Estará a escola. (Grilo. todas elas foram imaginadas. hoje. os professores e os pais. A rádio. A educação adapta-se consoante os aprendizes e transforma-se pelas mãos dos seus mestres. a televisão é reconhecida como meio de enorme influência nas mentes humanas. permitiu-me observar que ainda muitos dos professores não estão preparados para este desafio da educação/entretenimento principalmente porque se sentem “ultrapassados” no conhecimento tecnológico e não se atualizam ficando -4- . Diz ainda. As novas tecnologias. preparados para pensar as novas tecnologias. colaborativos. O surgimento da internet e a sua disseminação a larga escala. Como diz (Grilo. a educação e os professores. a seu tempo foram utilizados como transportadores de conhecimento. valorizam e acompanham os professores ativos. refere o filósofo Karl Popper. em virtude das novas formas de pensar o presente e o futuro.

Segundo a (UNESCO. Para isso. que que elas permitem a criação de uma sociedade futura de maior igualdade. os recursos educacionais digitais. Não é possível atribuir as novas tecnologias a “magia”. são alguns dos recursos disponíveis que permitem aos professores oportunidades antes inimagináveis para o entendimento conceitual. os conteúdos e as aprendizagens no ambiente da escola hoje. As simulações interativas em computação. os professores precisam estar preparados para oferecer autonomia aos seus alunos com as vantagens que as tecnologias podem trazer. de partilha. será necessário que a escola crie tempos e espaços de discussão. mas é ainda um “caminho com muitos obstáculos”. é preciso ser um professor mais. diz-nos que o professor tem de ser “fascinante”. integrando a educação. porque. 2006). que a internet está a mover-se na mesma direção que as tecnologias precedentes. (Cury. segundo (Grilo. não chega ser professor. por isso considera que os professores fascinantes transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiência. Sabem que apenas as -5- . Marçal Grilo. 2009) no documento “Padrões de competência em TIC para professores”. para a criação de conteúdos apelativos e fundamentados no saber. vai mais longe e apelida esta ideia de “pura fantasia”. As escolas e as salas de aula devem ter professores equipados e preparados com recursos e habilidades em tecnologia que permitam transmitir o conhecimento ao mesmo tempo que se incorporam conceitos e competências em TIC. e estão desenquadradas do ambiente dos alunos. a meu ver. carece de uma análise cuidada. penso que nós. professores e alunos temos um papel importante na criação de novas formas de ensinar e aprender. que permitam contrariar esta tendência.pregados ao seu dilema: “E agora? Que faço com as novas tecnologias? Que verdade existe? Onde está a minha consciência da verdade?” A internet e a democratização do acesso ao conhecimento. As práticas educacionais tradicionais já não oferecem aos professores as habilidades necessárias para capacitar os alunos a sobreviverem no atual mercado de trabalho. as plataformas de partilha e construção de conhecimento. evidenciando a ideia. Sendo professor da área das novas tecnologias a minha posição é discordante. Como já referi anteriormente. 2002).

O animal satisfeito dorme. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. é aquele que tem a humildade de aprender. inclusive o educacional. Como diz (Cortella. A relação professores alunos. O perigo maior para a escola e em particular para o professor é criar na sua mente um “ponto de satisfação”. não se contentar em saber o que já sabe e não limitar a ensinar da forma como já ensina. 2013). caminhar com passos firmes. de saber e compreender a diferença. 1996). mas para oferecer autonomia”. “a educação não é para domesticar. “A satisfação. Ensinar não é suficiente. entre o seu próprio desenvolvimento tecnológico. tudo aprendo”. era também convicção de Paulo Freire. de partilhar os saberes. constrói-se numa forte tolerância recíproca sem reservas. educar com compreensão. de refletir e pensar “nada sei. A satisfação conduz-nos a um estado perigoso de tranquilidade”. não é para alienar. mas para libertar. ensinar não é transferir conhecimento. onde cada elemento da sociedade educativa assume e constrói as suas responsabilidades. todos estes desafios não são mais que oportunidades para o professor deste século. ficar satisfeito com a forma como ensina e com o que ensina. prepara-los para o exercício da cidadania. Como tal o professor tem de aprimorar o educando como pessoa humana.experiências são registradas de maneira privilegiada nos solos da memória. ou seja. adormece e entropece.” Hoje o mundo enfrenta novos desafios ditados pelas mudanças que afetam todos os setores. O professor mais. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. e somente elas criam avenidas na memória capazes de transformar a personalidade. de encontrar liberdade na educação de dar e criar autonomia nos educandos. Essas mudanças e a velocidade a que tudo acontece cria um certo anacronismo na escola e nos professores que se sentem fora do tempo ou contra o tempo. E acrescenta ainda Mário Cortella. (Freire. paralisa. como diz (Freire. e das suas práticas pedagógicas acompanhando eficazmente as rápidas mudanças da sociedade. o professor fascinante. construir um ambiente democrático. 1996) Assim. que o professor deve ter em si uma grande virtude a que ele chama de “insatisfação positiva”. no respeito pelas diferenças e na -6- .

nós e me particular os nossos educandos têm acesso a imensa informação (livros. são a oportunidade para o professor criar educandos motivados. A informação está em toda a parte. que os incentiva a pesquisar. os meus e os deles.colaboração articulada dos professores com os alunos e com as famílias. responsáveis. mas que vão para além da escola. a partilhar as suas vitórias e as suas frustrações. autónomos. na sua maioria nada fáceis e. por isso permito-me a aprender a ensinar e ensinar a aprender. poderá potenciar a criação de comunidades de partilha que não se limitam à sala de aula. Os professores confiantes e preparados para educar no binómio educação/entretenimento. encontram por certo possibilidades de trocarem entre -7- . mas nunca utilizei as expressões: “Estamos aqui para aprender! Estou aqui para ensinar. mas também da escola com a sociedade. não ensino.” Não! O professor não é dono da verdade. na busca da resolução dos desafios que hoje é ensinar nas incertezas e inquietações. 2013) “Só é um bom ensinante quem for um bom aprendente”. Em jeito conclusivo. se não soubermos ouvir e aprender. mas partilho com os meus educandos os diferentes saberes. permitindo-lhe lidar melhor e de modo mais aberto com a enorme diversidade de conhecimentos e interesses dos seus alunos. a encontrar e a descobrir os seus caminhos e a construir os seus conhecimentos. pois criam atividades desafiadoras que motivam nos alunos a vontade de querer mais. deve estar mais preparado académica e pedagogicamente.…) por isso não faz qualquer sentido ensinar. confiantes. Agredido que a motivação criada por este ambiente de colaboração. com desejo de aprender e capacita-los para se autoavaliarem. Sou professor/formador já há vários anos. Hoje a educação está repleta de complexidades e o professor enfrenta grandes desafios. televisão. As diversidades de saberes e interesses. a serem aprendentes autónomos e confiantes. deve ser mais exigente. tem de entregar-se à profissão de coração e alma. nem representante de todos os saberes. internet. e hoje. é minha convicção que os professores que se sentem preparados e que enfrentam estes desafios de “coração aberto”. Como diz (Cortella. por causa disso. por isso. convertemnos em oportunidades para criar ambientes de aprendizagens colaborativos e consequentemente mais eficazes. jogos. filmes.

trabalhos. experiências. O professor fascinante tem de ser empreendedor. emoções. de serem líderes de si mesmo. como disse Augusto Cury. “sejam todos professores fascinantes. frustrações e conflitos”. dúvidas e problemas que os ajudaram a criar educandos como verdadeiros construtores ativos das suas aprendizagens e consequentemente ambientes educativos “fascinantes”.si reflexões. -8- . 2006). (Cury. capazes de desenvolver nos alunos a habilidade de gerir seus pensamentos. lidar não só com os ganhos mas também com as perdas. saberes.

Paz e Terra SA. Grilo. (2002). R. SA.youtube. Como formar jovens felizes e inteligentes. PADRÕES DE COMPETÊNCIA EM TIC PARA PROFESSORES. http://unesdoc. Oficina do Livro. Lda. (2006). Freire. Construindo a Profissão. Pedagogia da autonomia. PROFEDIÇÕES.com/watch?v=seiw4gwsfYA Cury.pdf.unesco. A. Em Novo conhecimento. Pergaminho. Ser professor do 1º Ciclo. (2009). A. M. Professores Fascinantes. Desafios da educação . Carneiro. Cortella. Saberes necessários à prática educativa. L. Teodoro. para quê? Mudanças e Desafios na Profissão Docente. Qual a postura ideal do professor? . Professores. -9- . (1996). (2013). UNESCO. P. (2001). Pais Brilhantes. S.org/images/0015/001562/156210por. (2006). (2005). Obtido de https://www.Ideias para uma política educativa no século XXI. Nova aprendizagem. Nota introdutória. M.Bibliografia Alonso. Fundação Calouste Gulbenkian. Edições Almedina.