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ANDREY BORGES DE MENDONÇA

Análise crítica da prisão preventiva na Lei
12.403/2011: proposta à luz de modelos estrangeiros
e da Convenção Americana de Direitos Humanos

Dissertação de Mestrado apresentada à
Banca examinadora do Programa de PósGraduação em Direito, da Faculdade de
Direito da Universidade de São Paulo, como
exigência parcial para obtenção de título de
Mestre em Direito, na área de concentração
de Direito Processual Penal, sob orientação
do Professor Titular Dr. Antonio Scarance
Fernandes

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE DIREITO
São Paulo - SP
2014

Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio
convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.

Serviço de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
M 494a

Mendonça, Andrey Borges de
Análise crítica da prisão preventiva na Lei 12.403/2011:
proposta à luz de modelos estrangeiros e da Convenção
Americana de Direitos Humanos / Andrey Borges de
Mendonça. -- São Paulo: USP / Faculdade de Direito, 2014.
370 f.
Orientador: Prof. Dr. Antonio Scarance Fernandes
Dissertação (Mestrado), Universidade de São Paulo,
USP, Programa de Pós-Graduação em Direito, Direito
Processual, 2014.
1. Prisão preventiva 2. Direitos humanos.
3. Direito comparado. 4. Prisão – Modelos.
I. Fernandes, Antonio Scarance. II. Título.
CDU

buscou-se apresentar algumas propostas para interpretação da prisão preventiva. para tanto. buscando verificar os standards internacionais relativos ao tema da prisão preventiva. sobretudo no tema da prisão preventiva. especialmente tendo em vista a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Com suporte na doutrina e jurisprudência destes países. Modelos de prisão preventiva . de força vinculante e autoaplicáveis no direito interno. sendo que. que possuía.RESUMO Este trabalho analisa os principais pontos controvertidos introduzidos pela Lei 12. Em seguida. sempre pautado pela busca de equilíbrio entre o garantismo e a eficiência. esclarecedora. sancionatória e protetiva). Direito Comparado. contexto marcadamente autoritário.403. Para se chegar ao contexto de edição da referida lei e melhor compreendê-la. pautando-se nos modelos e standards internacionais.403. é analisada a Convenção Americana de Direitos Humanos. são analisadas as diversas alterações pelas quais o Código sofreu em relação ao tema. Direitos Humanos. derivada. à luz dos modelos estrangeiros e do sistema interamericano de Direitos Humanos. analisam-se as influências que deram origem ao atual Código de Processo Penal e a sua fisionomia originária. foram propostos e analisados cinco modelos de prisão preventiva atualmente existentes no ordenamento nacional (prisão preventiva originária. Lei 12. Palavras-chave: Prisão Preventiva. no tocante à prisão preventiva. Pontos Controvertidos. clareiam-se diversos pontos controvertidos da nova Lei.403. sob o influxo de movimentos internacionais existentes no século XX. seja porque inspiraram diretamente a Lei 12.403/2011. O principal objetivo do trabalho foi buscar subsídios para a interpretação das disposições internas controvertidas. Após. Portugal e Chile). com o intuito de se aprofundar o estudo do tema. Ao final. Convenção Americana de Direitos Humanos. que culminaram com a edição da Lei 12. de 4 de maio de 2011. Também é analisado o direito comparado. buscando-se apoio em três países (Itália.403. seja porque passaram por reformas semelhantes às introduzidas pela Lei 12.

After.403 or because they went through similar reforms as those introduced by the Law 12. always guided by the search for the balance between efficiency and the system of guarantees. culminating in the enactment of the Law 12. we present some proposals for the interpretation of the provisional detention.403/2011. especially in the view of the jurisprudence of the InterAmerican Court of Human Rights. and. Then. either because they directly inspired the Law 12. always focusing on models and international standards.403 and understand it better. many controversial aspects of the new law are lightened up. punitive and protective detention). “clarifying”. this work analyses the American Convention on Human Rights. Detention Models. are analysed. . Supported in the doctrine reforms and case law of these countries. the text analyses the different changes the Code suffered. 2011. enacted on May 4th. At the end.403. regarding preventive detention in the light of foreign models and the InterAmerican Human Rights System.403. we analyse the influences that gave rise to the current Criminal Procedure Code and its original physiognomy. Preventive detention. Portugal and Chile). which is binding and self-applicable internally. seeking to verify the international standards related to the subject of preventive detention. The main objective was to seek grants for the interpretation of the controversial internal rules. which had. especially. Controversial issues. It is also analysed the comparative law. the five detention models currently existing in the national law (original. a markedly authoritarian context. derived. seeking support in three countries (Italy. Law 12. Keywords. Human Rights. Comparative law.ABSTRACT This work analyses the main controversial issues introduced by the Law 12. on the issue of custody. in order to deepen the study of the subject. To understand the context of the Law 12.403. under the influence of international movements in the twentieth century. American Convention on Human Rights.

o critério que deve nortear o estudioso moderno deve ser a busca de resultados concretos.1 No tocante à prisão preventiva. conforme leciona Antonio Scarance Fernandes. essencial delimitar o foco do presente estudo. É claro que tais resultados não podem ser considerados de maneira matemática. Superada a fase de afirmação do direito processual. . Para a análise do objeto proposto. Esse equilíbrio que permitirá realizar a justiça e assegurar a paz social. In: MIRANDA. diga-se desde logo. processo penal e dignidade humana. Marco Antonio Marques da (Coord.INTRODUÇÃO Muito já se escreveu sobre a prisão preventiva e diversas questões relativas ao tema poderiam ser objetivo específico de uma tese própria.). ao mesmo tempo. os dois valores do moderno processo penal. procurar-se-á o equilíbrio entre eficiência e garantismo. Nesta busca permanente e incessante de equilíbrio. Antonio Scarance. De início. Tratado luso-brasileiro da dignidade humana. Mas ainda são necessárias algumas precisões sobre o objeto. 532. Por isto. mas sim complementares. mas. Eficiência e garantismo. à luz da Convenção Americana e dos modelos estrangeiros. asséptica ou em desconsideração aos direitos fundamentais. não como ideias antagônicas. certamente será importante a 1 FERNANDES. trata-se do instrumento mais agressivo que pode atingir o imputado ao longo da persecução penal. O objeto do presente trabalho será analisar as questões controvertidas introduzidas pela Lei 12.403/2011 no tocante à prisão preventiva. Efetividade. SILVA. Parte-se da premissa de que a efetividade do processo penal resulta do equilíbrio entre o interesse do Estado na segurança social e o de liberdade do indivíduo (também um interesse social). São Paulo: Quartier Latin. a mais eficiente (e gravosa) ferramenta para preservar os interesses do processo e da sociedade. o estudo tentará fugir de questões teóricas sem consequências práticas. conforme linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida há alguns anos por Antonio Scarance Fernandes no Departamento de Processo Penal da Faculdade de Direito da USP. Jorge. 2009. enquanto não se chega ao final do processo. p. 2ª ed.

da relativamente recente aprovação da Lei 12.403. Ademais. de início. por exemplo. assim como fatores de garantia. Praticamente todos os dispositivos relativos ao tema foram alterados. assim como a recíproca influência entre os países na comunidade internacional.2 deve-se destacar que o Brasil possui grande número de pessoas presas preventivamente. a Itália se recusou a extraditar uma pessoa foragida. fatores que permitam à prisão preventiva melhor contribuir para os resultados do processo. p. não se limita mais ao âmbito restrito do território de apenas um Estado. ou seja. iluminar e melhor interpretar as alterações envolvendo a prisão preventiva. Este será o “pano de fundo” da presente análise. O tema dos direitos fundamentais. levantando novas questões controvertidas sobre a sua aplicação. introduzidas pela Lei 12. portanto. com requisitos. política e econômica subjacente. em caso de repercussão nacional. em razão da alegação. dentre outros. Com a utilização destes parâmetros (direito comparado e a Convenção Americana de 2 GRINOVER.às pessoas presas preventivas. vol. Ada Pellegrini. que surgiram ou se potencializaram a partir da referida Lei. Diante deste panorama. a escolha do tema se justifica porque o socorro no direito comparado e na Convenção Americana de Direitos Humanos poderá subsidiar. de sorte a potencializar os direitos do imputado privado de sua liberdade. cada vez mais cresce a importância das Cortes Internacionais de Direitos Humanos. p. em 4 de maio de 2011. que alterou todo o panorama legal relativo à prisão preventiva. 9. A relevância do tema deflui. 12. sem se perder de vista o grave problema carcerário brasileiro. O crime organizado no sistema italiano. de que as condições carcerárias no Brasil não satisfaziam. condições de admissibilidade e procedimentos diversos. Por outro lado. Assim. defende-se a existência de diversas espécies de prisões preventivas. que não foi diminuído ou sequer freado com a aprovação da Lei 12. Revista Brasileira de Ciências Criminais. com um crescimento exponencial nos últimos anos.403. dentro de uma linha de “processo de resultados” aderente à realidade social. . o que fez com que diversos estudos surgissem.análise de alguns fatores de eficiência e de garantia. ao mesmo tempo em que surgem questionamentos sobre a forma de aplicar e assegurar diversos direitos e garantias aplicáveis – ou que deveriam ser aplicáveis . 76. sendo atualmente o quarto maior contingente de presos do mundo. RT Online. Out/1995.403. Recentemente.

Por sua vez.que são vinculantes ao Brasil – e verificar a compatibilidade da nova legislação. Os países que serão analisados passaram por reformas relativamente recentes no tocante à prisão preventiva e. Tais países. mas também verificar outros pontos ainda não controversos no Brasil e. partindo-se. em caso negativo. foram inspiração direta para a Lei 12. propondo-se mudanças. O objetivo será não apenas analisar a Convenção em si. para. com isso. Ademais.403 serão analisadas as garantias no tocante à prisão e liberdade na Convenção Americana e. se voltará para o estudo de como o Código de Processo Penal (CPP) tratava a prisão preventiva originariamente. no capítulo III. serão fontes seguras para a interpretação dos dispositivos controvertidos. Com a pesquisa destes modelos estrangeiros e a Convenção Americana espera-se não apenas estimular os debates sobre os pontos já controvertidos. assim como tendências sobre o tema da prisão preventiva. assim como as influências e concepções que o influenciaram. sob o enfoque da jurisprudência de sua intérprete originária. Já possuem. Assim. especialmente da Convenção Americana. a Lei 12. realmente descobrir qual é a original interpretação dada às garantias previstas na Convenção e que são vinculantes ao Estado brasileiro. sua intérprete autêntica. De início. Neste sentido. em seguida.403. mais especificamente.403/2011. no capítulo II. inclusive. necessariamente se verificará se a nova legislação está ou não de acordo com as tendências internacionais sobre o tema. ainda. sobretudo. portanto. a Convenção Americana ainda é uma “ilustre desconhecida” na realidade nacional dos operadores do direito. a análise das garantias permitirá verificar se o Brasil se encontra ou não de acordo com estas. . analisar-se-ão os pontos da Lei 12. ao se fazer este estudo. portanto.403 que a doutrina nacional já aponta como sendo os mais candentes e divergentes sobre o tema da prisão preventiva. para análise das muitas alterações e mutações que o tema sofreu até se chegar à edição da Lei 12. Objetivar-se-á identificar padrões e standards internacionais na interpretação da prisão preventiva . no capítulo I. Em seguida. jurisprudência e doutrina mais consolidada e refletida sobre os diversos dos pontos discutidos no Brasil. mas.Direitos Humanos) buscar-se-á catalisar e aprofundar os debates e as reflexões sobre o tema. soluções exitosas que foram encontradas no direito estrangeiro. a jurisprudência da Corte Interamericana.

403. Portugal e Chile – e enfrentaram questões que atualmente se mostram controvertidos na análise da Lei 12. nos capítulos V e VI o foco será a análise das alterações da Lei 12. . seja facilitando a aplicação prática e o aprofundamento do estudo do tema. aos requisitos da prisão preventiva e as garantias envolvendo a prisão preventiva. ainda.403 e as particularidades de cada um deles. identificar pontos em que a legislação nacional necessita avançar e outras discussões que se mostrem potencialmente relevantes. Ao longo destes dois capítulos as questões controvertidas serão enfrentadas. No capítulo V serão tratadas questões ligadas à principiologia.No capítulo IV serão analisados os países que passaram por alterações semelhantes às ocorridas no Brasil – Itália. Por fim. Ao dissecar o estudo da prisão preventiva em espécies distintas. seja na busca de maior sistematicidade e harmonia ao sistema como um todo.403. Especial enfoque será dado ao procedimento incidental de liberdade. No último capítulo será apresentada uma divisão dos cinco modelos de prisão preventiva que foram introduzidos no ordenamento nacional pela Lei 12. à luz dos parâmetros estabelecidos nos capítulos anteriores. Buscar-se-á. haverá diversos ganhos.

O CPP não se preocupou em disciplinar um procedimento incidental de liberdade e muito menos as garantias do imputado. sem interferência pessoal do juiz. A análise histórica a partir do contexto de edição do atual CPP comprova que. para qualificar-se de legal.403. Estes movimentos trouxeram ganhos para o imputado. Por sua vez. seja por meio de alterações legais ou por mutações. que devem ser as mais explícitas possíveis. O controle judicial da detenção. Os requisitos e as condições de admissibilidade da prisão preventiva eram tratados conjuntamente e sem critério pelo legislador. a proteção internacional dos direitos humanos. a regra era a prisão ao longo do processo e a liberdade a exceção. Segundo a Convenção Americana. restringindo a utilização da prisão preventiva. Deve haver a maior concretude possível na . Estas decorreram basicamente de quatro movimentos: o desenvolvimento das ideias de processo penal constitucional. assim como o procedimento objetivamente definido na legislação interna. o tema da prisão foi o que mais sofreu alterações e mutações no regime do CPP. que eram consideradas perigosas (como os vadios. Certamente outros surgirão. os reincidentes e as pessoas não identificadas). que existiu no Império. toda privação de liberdade. casos e circunstâncias explicitamente previstas na lei interna do país.CONCLUSÃO Ao final da pesquisa podem ser sumariadas algumas conclusões parciais do estudo. O estudo da Convenção Interamericana de Direitos. de observância vinculante no Brasil. À luz destas ideias. deve observar as causas. continuou a ser feito pela autoridade policial. O legislador presumia o perigo em relação a determinadas categorias de pessoas. apontando para a existência de diversos standards internacionais. não está plenamente de acordo com estas tendências. Foi editado em um contexto autoritário e de presunção de culpa. foi sumamente rico. com a adoção sem critérios das ideias das Escolas Positivista e Técnico Jurídica e sob influência do Código Rocco.403. não se protegia a liberdade de maneira adequada. A Lei 12. embora tenha avançado em alguns pontos. sobretudo a partir das decisões da Corte Interamericana. em sua redação originária. as noções de cautelaridade e as ideias de prisão-pena como ultima ratio (despenalização). É possível vislumbrar diversos pontos controvertidos já surgidos sobre a Lei 12. no tocante à prisão preventiva. sua intérprete originária.

Toda pessoa detida.403. direito ao intérprete. logo no momento da detenção. deve ser um controle feito por um juiz ou autoridade com poderes jurisdicionais. e à nomeação de um advogado para o detido. com o direito de acesso ao advogado desde o início . sobretudo no tocante à já mencionada audiência de controle da prisão. direito à assistência por defensor técnico. assegurando. sem demora (em curto lapso de tempo. Qualquer forma de privação da liberdade que não observe as garantias e os princípios da Convenção será considerada arbitrária. e o direito a ser julgado. De início. A Convenção Americana assegura outros direitos. Os países conferem grande importância ao procedimento de aplicação da prisão preventiva. Ademais. rápido e efetivo contra a prisão. seja por ordem judicial ou em flagrante. Para o preenchimento desta garantia. em que deverá ser feito o controle da legalidade da prisão perante o juiz. com garantias de independência. com a realização de uma audiência de controle da prisão. como o direito de ser informado das razões de sua detenção. Busca-se. a Corte estabeleceu diversos requisitos. uma incidência em maior potência dos princípios da ampla defesa (inclusive defesa técnica) e do contraditório.definição das hipóteses legais de prisão e no procedimento. se for o caso). que deve durar apenas alguns poucos dias). deflui da Convenção Interamericana a necessidade de uma audiência de custódia. mesmo após a edição da Lei 12. esta intervenção do juiz deve ser efetiva (controlando realmente a legalidade da prisão e liberando imediatamente o detido. à cientificação ao imputado de seus direitos. com tal garantia. assegurando-se que tal apresentação seja pessoal (mesmo sem pedido e inclusive contra a sua vontade). dentro de um prazo razoável. imparcialidade e que tenha poderes para liberar imediatamente o detido. A disciplina da prisão preventiva. desde o momento da prisão. o direito a um recurso simples. no momento da detenção. tem o direito de ser levada pessoalmente e sem demora perante um juiz. Decorre desta garantia a oportunidade para ser ouvido pessoalmente pelo magistrado. quando preso.403 e buscar soluções para seus pontos controvertidos. Portanto. ainda se mostra insuficiente para a plena satisfação das garantias da Convenção. não apenas assegurar o controle da legalidade da prisão. ao menos neste incidente procedimental. mas também fiscalizar os direitos do preso e evitar abusos e torturas. O estudo do direito comparado demonstrou importantes tendências para guiar a interpretação da Lei 12. Mas não basta a garantia de legalidade e proteção convencional vai além.

que. A privação de liberdade é uma situação fática . um modelo de prisão preventiva. embora isto se excepcione no caso de prisão preventiva sancionatória. mostrou-se imprescindível delimitar-se o conceito de privação de liberdade. classificar as espécies de prisão existentes no ordenamento. Foram sumariamente analisados os pressupostos (legalidade e a justificação teleológica). para preservar a subsidiariedade da prisão preventiva. uso da coação. . mas que não pode ser feita de maneira asséptica ou matemática. sem necessidade de ordem judicial. também. de maneira analítica. da menos para a mais gravosa. para tentar apartar-se a prisão cautelar de outras espécies de prisão (como. Também o procedimento em caso de revogação e substituição da medida é largamente disciplinado.). importa.da detenção. seja de direito comparado ou convencional. que depende para sua caracterização das circunstâncias concretas do caso (tempo. lugar de execução. em razão da importância no estabelecimento de todo plexo de garantias e. sobretudo. etc. Ademais. que o juiz aponte os motivos pelos quais as medidas menos gravosas não são suficientes. e segundo a perspectiva de um observador imparcial. a partir dos paradigmas internacionais. sobretudo no tocante à prisão preventiva. Verificou-se que a proporcionalidade em sentido estrito exige uma ponderação entre os valores envolvidos. com diversos requisitos. também as condições de admissibilidade são mais maleáveis. Neste caso. Identificou-se uma tendência em se restringir a atuação do juiz na fase da investigação. por exemplo. Em todos os países. Mostrou-se importante. a prisão para fins de extradição) e verificar as particularidades. necessidade e proporcionalidade sem sentido estrito) do princípio da proporcionalidade. houve tentativas de endurecimento no uso da prisão preventiva. com grande preocupação com as garantias do imputado. ainda. Verificou-se. tendo em vista sua finalidade. Buscou-se estabelecer.e não jurídica -. nada obstante tenha havido diversas medidas liberalizantes. para se evitar a chamada “troca de rótulos” ou de “etiquetas”. mais ou menos intensas. nos três países analisados. De início. e sua eventual conversão em preventiva. Tendo em vista a importância política e processual da motivação. a detenção para fins de identificação está largamente disciplinada. buscou-se desenvolver um modelo de motivação analítico. assim como requisitos extrínsecos (da judicialidade e motivação) e intrínsecos (adequação.

Esta análise dos diversos modelos da prisão preventiva facilita o seu estudo teórico. contaminar sua imparcialidade e. aos vínculos empregatícios e residência e. com defesa técnica. durante as investigações. trazendo equilíbrio entre eficiência e garantismo. o juiz. Como o detido já é considerado imputado em sentido material. sob pena de interferir na estratégia de investigação acusatória. sob pena de se perpetuar a antiga categoria de réus perigosos (no caso. ainda. Necessário melhor disciplinar e interpretar o chamado procedimento incidental de liberdade. mesmo assim. Deve haver a observância de alguns elementos procedimentais essenciais. em que se assegure o direito de o imputado ser interrogado. Esse contraditório é primordialmente argumentativo. afastando-se a ideia de que a prisão preventiva é decretada em mero incidente do processo de conhecimento. Por sua vez. O contraditório deve ser exercitado na audiência de controle da detenção.403. solicitando a decretação da prisão preventiva. a autoridade policial e o ofendido não podem provocar o juiz diretamente. Suas condições de admissibilidade são iguais à prisão preventiva originária. Não é possível decretar a prisão preventiva apenas pela ausência de comprovação de endereço fixo ou ausência de trabalho. logo após a detenção ou prisão. A defesa somente deve contribuir para esclarecer aspectos ligados à identidade. Em princípio. Após a Lei 12. do réu vadio). mesmo no caso da prisão em flagrante. A prisão preventiva originária é o modelo paradigmático. que assegurem a participação dos envolvidos e os direitos constitucionais. Durante o inquérito. a prisão preventiva derivada pressupõe um estado coercitivo anterior (flagrante). deve lhe ser assegurado o direito de defesa. pode-se falar em cinco modelos de prisão preventiva. como forma de garantir e potencializar o respeito aos direitos fundamentais envolvidos. Em razão da natureza de subcautela . Somente em caso de descumprimento das medidas anteriormente aplicadas é que o juiz pode atuar de ofício no inquérito.O ônus da prova no tocante à legalidade da prisão e sua proporcionalidade é da acusação. com consequências distintas. não deve atuar de ofício. causar restrições indevidas à liberdade do investigado. não havendo qualquer justificativa para tratamento díspar. sem a intervenção do MP. bem como permite sua melhor aplicação prática.

d) as condições de admissibilidade são mitigadas. nos argumentos apresentados pelo imputado e seu defensor e na necessidade da prisão preventiva).da prisão em flagrante. sobretudo para a garantia da aplicação da lei penal e assegurar a instrução criminal. Impossível a condução coercitiva do investigado à Delegacia de polícia para identificação sem ordem judicial. A prisão preventiva sancionatória foi criada para dar efetividade a todo o sistema de medidas cautelares e garantir a própria imperatividade das decisões do Poder Judiciário. no prazo de 72 horas. sendo possível se afastar o art. e) a estrutura da motivação é diversa. para assegurar o contato do detido com o juiz e o contraditório. especialmente argumentativo. mesmo na fase policial. com caráter eminentemente sancionatório. deve haver a audiência de custódia. vocacionada para auxiliar na identificação do agente.de liberar imediatamente o detido. c) é possível a repristinação da prisão preventiva sancionatória. A prisão preventiva protetiva visa assegurar a execução das medidas de proteção . Possui natureza de contempt of Court. Há particularidades no procedimento. sobretudo em relação à possibilidade de ser decretada de ofício. Somente deve ser decretada se não for suficiente a substituição ou sua cumulação com outra. Na prisão em flagrante o MP possui prerrogativa – exercitável apenas pro libertatis . Para que se aplique a prisão preventiva sancionatória. b) o juiz pode atuar de ofício mesmo na fase policial. o descumprimento deve ser voluntário e consciente. assim como passível de cumprimento. Somente pode ser decretada se houver provas de materialidade e indícios de autoria. a não ser na hipótese de flagrante delito. Caso não ocorra. a adequação deve ocorrer tendo em vista a conduta violadora. mas não há limite mínimo de pena. Ao final se verifica a legalidade da prisão e se decide sobre a necessidade ou não de conversão da prisão preventiva. Disto decorrem consequências práticas: a) em caso de descumprimento. a não ser que haja previsão de pena privativa de liberdade. mesmo em caso de relaxamento por excesso de prazo. enquanto a ordem deve ser clara quanto às consequências. A prisão preventiva esclarecedora é também uma espécie autônoma. deve ser ratificada pelo magistrado. O MP e o defensor devem participar também. mas sim a apurar a identidade de uma pessoa já delimitada e apontada como responsável por uma infração penal. Não se destina esta espécie de prisão à investigação da autoria. pela importância do contraditório neste caso (para verificar se havia justificativa para o descumprimento) e a especificidade da motivação (pois focada no descumprimento. 313.

outros passos precisam ser dados. especialmente na incorporação urgente dos standards já fixados pela Corte Interamericana. não apenas a mulher. Exige-se maior sensibilidade do magistrado na análise de eventual descumprimento e da medida cabível em substituição. tendo em vista sua função. As medidas de proteção da Lei Maria da Penha foram ampliadas para outras pessoas especialmente protegidas. Também em razão de sua função. em razão da grande quantidade de situações em que as ameaças se concretizam nesta área. que se refletem.estabelecidas em favor de pessoas especialmente vulneráveis. também. mas sua finalidade protetiva se destaca. sem que se possa falar em inconstitucionalidade. . nas tendências dos países analisados. o juiz pode atuar de ofício na fase do inquérito. a Lei 12. É certo também que a análise dos modelos estrangeiros e da Convenção Americana enriquece a sua interpretação e aplicação. As condições de admissibilidade foram mitigadas. na constante e difícil busca de equilíbrio entre a eficiência e o garantismo.403 evolui no tema da prisão preventiva em relação à normativa anterior. Em síntese. Porém. Sua natureza é semelhante à sancionatória. no âmbito da violência doméstica. Foi disciplinada em atenção aos compromissos internacionais de proteção assumidos pelo Brasil. sobretudo na busca de soluções aos pontos controvertidos. A justificativa de sua criação é o contexto generalizado de violências e agressões neste cenário de violência doméstica.

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96. 92.6 Convención Americana . Fundo. Exceções Preliminares. Série C No. Fundo. Serie A n. Serie C No. Reparações e Custas. 14. Fundo. Mérito. Sentença de 31 de agosto de 2010. 25. Sentença de 29 de julho de 1988. Equador. Série C No.1 y 7. Sentença de 7 de junho de 2003. Série C No. Fundo.2. Haiti.1 y 2 Convención Americana sobre Derechos Humanos). Reparações e Custas. 241 Caso Palamara Iribarne vs. Sentença de 22 de novembro de 2005 Caso Radilla Pacheco versus México. Série C No. Série C Nº216 Caso Servellón García y otros vs. 218 Caso Yatama vs. Guatemala. Série A No. Sentença de 6 de mayo de 2008. Sentença de 07 de setembro de 2004 Caso Trujillo Oroza vs. Reparações e Custas. Série C No. Exceções Preliminares. 7. Exceção Preliminar. 6 El Derecho a la Información sobre la Asistencia Consular en el Marco de las Garantías del Debido Proceso Legal. 90 Caso Las Palmeras vs. 14. Sentença de 25 de novembro de 2003. Nicarágua. Fundo. La Expresión "Leyes" en el Artículo 30 de la Convención Americana sobre Derechos Humanos. Série C Nº 4 Caso Vélez Loor vs. Fundo Reparações e Custa. Reparações e Custas. Honduras. Panamá. Reparações e Custas. Reparações e Custas. Honduras. Fundo.1.Custas. Sentença de 21 de Setembro de 2006 Caso Suárez Rosero vs. Série A No. Honduras. Série C No. Reparações e Custas. Sentença de 26 de novembro de 2002. Exceções Preliminares. Reparações e Custas. 1. Fundo. Mérito. 35 Caso Tibi vs. Reparações e Custas. Fundo. Fundo. 1. Chile. Exceções Preliminares. Série C No. 99 Caso Las Palmeras vs.1. 103 Caso Myrna Mack Chang vs. Sentença de 7 de junho de 2003. Fundo. 99 Caso Juan Humberto Sánchez vs.1 y 2 Convención Americana sobre Derechos Humanos). 180 Exigibilidad del Derecho de Rectificación o Respuesta (arts. Sentença de 6 de dezembro de 2001. Colômbia. Fundo. Reparações e Custas. 16. Equador. Sentença de 27 de novembro de 2003. 101 Caso Pacheco Teruel y otros Vs. Opinião Consultiva OC-6/86 de 9 de maio de 1986. Guatemala. Sentença de 27 de fevereiro de 2002. Opinión Consultiva OC-16/99 del 1 de octubre de 1999. Bolívia. Reparações e Custas. Série C No. 141 Caso Maritza Urrutia vs. Serie C No. Caso López Álvarez vs. 7. Sentença de 23 de junho de 2005. 27. Opiniões Consultivas Exigibilidad del Derecho de Rectificación o Respuesta (arts. Série C Nº 209 Caso Rosendo Cantú e outra versus México. Série C No. Série C No. Sentença de 1 de fevereiro de 2006. Série A No. Opinión Consultiva OC-7/86 de 29 de agosto de 1986. Caso Velásquez Rodríguez versus Honduras. Mérito. Honduras. El hábeas corpus bajo suspensión de garantías (arts. Reparações e Custas. Colômbia. Sentença de 23 de novembro de 2009. Reparações e Custas. 127 Caso Yvon Neptune vs. Sentença de 23 de novembro de 2010. Serie C No. Opinión Consultiva OC-7/86 de 29 de agosto de 1986. Sentença de 27 de abril de 2012. Exceção Preliminar. Sentença de 12 de novembro de 1997.

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