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Inimigos naturais das pragas da vinha:

insectos e aracnídeos.

Quem são e onde estão?

1 Inimigos naturais das pragas da vinha: insectos e aracnídeos. Quem são e onde estão?
Prefácio
Prefácio
Prefácio FICHA TÉCNICA Título: Inimigos naturais das pragas da vinha: insectos e aracnídeos. Quem são e

FICHA TÉCNICA

Título: Inimigos naturais das pragas da vinha: insectos e aracnídeos. Quem são e onde estão? Edição: ADVID - Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense Autores: Fátima Gonçalves, Cristina Carlos, Laura Torres. Fotografias: Cristina Carlos, Fátima Gonçalves, Susana Sousa

Ano: 2013 Tiragem: 500 exemplares Distribuição: ADVID – Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense ISBN: 978-989-98368-2-2 Depósito Legal: 374497/14

Design: www.hldesign.pt

O manual é uma excelente ferramenta para técnicos, viticultores e interessados

na matéria, providenciando de uma forma simples e sistematizada a informação sobre artrópodes auxiliares da cultura da vinha. As fotografias complementam

exemplarmente o texto, permitindo dissipar eventuais dúvidas e ajudam a identificar

no campo aqueles antagonistas, pelo que recomendo vivamente a sua leitura e divulgação.

Rui Soares, Real Companhia Velha

O manual sobre "Inimigos Naturais das pragas da vinha: insectos e aracnídeos" é uma prova do resultado frutuoso do trabalho de cooperação na investigação e disseminação de conhecimento entre diferentes tipos de instituições, fórmula que quando correctamente balanceada entre o saber fazer, o saber científico e a capacidade de divulgação, permite a apresentação de uma obra para que todos os que trabalham em viticultura ou interessados nestas matérias possam utilizar e usufruir.

José Manso, Presidente da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense

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Agradecimentos As autoras agradecem a Luís Crespo, Roberto Canovai, Marta Goula, Lara Pinheiro e Claire Villemant o apoio dado na identificação de, respectivamente, aranhas, coccínelídeos, heterópteros, sírfídeos e himenópteros.

Prefácio FICHA TÉCNICA Título: Inimigos naturais das pragas da vinha: insectos e aracnídeos. Quem são e

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ÍNDICE Fátima Gonçalves Cristina Carlos 1 | Introdução Laura Torres 2 | Ácaros Dezembro de 2013
ÍNDICE
Fátima Gonçalves
Cristina Carlos
1
| Introdução
Laura Torres
2
| Ácaros
Dezembro de 2013
3
| Aranhas e opiliões
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| Coleópteros
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| Neurópteros
6
| Heterópteros
| Dípteros

Nota das autoras As pressões socioeconómicas que se fazem sentir sobre a vitivinicultura, em espe- cial as resultantes da globalização dos mercados e da necessidade de ter em atenção o conceito de desenvolvimento sustentável, afectam de modo particular a protecção da vinha, no sentido da redução do uso de pesticidas. Este objectivo foi a força dina- mizadora do projecto EcoVitis − desenvolvido na forma de uma parceria entre a Real Companhia Velha (na qualidade de promotor), a Sogevinus Quintas S.A., a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro −, que esteve na base da elaboração do presente documento. Nele se dão a conhecer os principais grupos de insectos e aracnídeos, identificados no âmbito do projecto, que exercem limitação natural sobre as pragas da vinha, e indicam-se também práticas consideradas relevantes na maximização do valioso serviço por eles prestado. É nosso desejo que o mesmo possa servir para encorajar o uso destas prá- ticas, de modo a contribuir para a sustentabilidade, quer económica, quer ambiental, da indústria do vinho.

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  • 8 | Himenópteros

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  • 9 | Medidas de valorização

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10 | Referências bibliográficas

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11 | Glossário 12 | Anexos

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65

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Introdução

1 Introdução 7 Inimigos naturais das pragas das vinhas, também designados “antagonistas” ou “auxiliares”, são organismos

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Inimigos naturais das pragas das vinhas, também designados “antagonistas” ou “auxiliares”, são organismos que actuam como factores reguladores das populações de pragas, frequentemente impedindo que estas causem prejuízos. Nestes auxiliares, destacam-se os artrópodes (insectos, ácaros e aranhas) que, ha- bitualmente, se agrupam em predadores, parasitóides e parasitas.

Os predadores são organismos com vida livre em todos os estados de desenvol- vimento, cujos estados imaturos necessitam de mais de um indivíduo (presa) para completarem o desenvolvimento. Têm, em geral, tamanho maior do que as presas. Estas são normalmente procuradas, capturadas e ingeridas ou sugadas de imediato. Os adultos podem ter o mesmo regime alimentar que os imaturos ou consumir outros alimentos, tais como pólen, néctar e meladas. Alguns predadores como os coccinelí- deos, crisopídeos e certos grupos de ácaros são extremamente ágeis, caçando activa- mente as suas presas. Os parasitóides são indivíduos de vida livre apenas no estado adulto, cujos estados

imaturos se desenvolvem total ou parcialmente à custa de um organismo de outra

espécie (hospedeiro) ao qual acabam por provocar a morte. Os parasitóides podem ser endoparasitóides, quando se desenvolvem no interior do corpo do hospedeiro e ectoparasitóides, quando se desenvolvem no seu exterior. A maior parte dos adultos alimenta-se de néctar, meladas ou pólen; contudo em algumas espécies, as fêmeas necessitam de incluir uma fonte proteica na sua alimentação, obtendo-a através da perfuração do corpo do hospedeiro, para consumo da sua hemolinfa. Os parasitas são organismos que vivem e se alimentam de um hospedeiro maior, podendo enfraquecê-lo, mas raramente lhe provocando a morte.

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Figura 1.1 | Larva de crisopa a predar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto

Figura 1.1 | Larva de crisopa a predar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto de mírideo a predar um afídeo (à direita).

Figura 1.2 | Larva de ectoparasitóide a parasitar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto
Figura 1.2 | Larva de ectoparasitóide a parasitar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto

Figura 1.2 | Larva de ectoparasitóide a parasitar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto de endoparasitóide a emergir de uma pupa de traça-de-uva (à direita).

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Ácaros

Figura 1.3 | Ninfa de cigarrinha-verde atacada por parasita, neste caso um eritraeídeo.

Figura 1.3 | Ninfa de cigarrinha-verde atacada por parasita, neste caso um eritraeídeo.

8 Figura 1.1 | Larva de crisopa a predar uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e

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2 | ÁCAROS

Os ácaros são aracnídeos caracterizados por:

no estado adulto, possuírem quatro pares de patas; não possuírem antenas nem asas; terem corpo ovóide ou piriforme e aspecto em geral brilhante e não segmen- tado. Apesar dos ácaros mais conhecidos pelos viticultores serem os tetraniquídeos (p. ex.: aranhiço-amarelo e aranhiço-vermelho), em virtude dos prejuízos que fre- quentemente causam à vinha, existem ácaros (predadores e parasitas) que limi- tam a acção das espécies nocivas, quer de outros ácaros, quer mesmo de alguns insectos. Na vinha referem-se em particular as famílias dos fitoseídeos, anistídeos e eritraeídeos.

2.1 | Fitoseídeos

2.1.1 | Morfologia

Ácaros de pequenas dimensões (em geral menos de 0,5 mm de comprimento), patas compridas e corpo ovóide ou piriforme, brilhante, de cor esbranquiçada, embora devido à transparência do tegumento, possa, consoante o alimento inge- rido, apresentar coloração ou manchas avermelhadas, alaranjadas ou amareladas.

Figura 2.1 | Fitoseídeos: os ácaros predadores com maior importância na vinha.
Figura 2.1 | Fitoseídeos: os ácaros predadores com maior importância na vinha.

Figura 2.1 | Fitoseídeos: os ácaros predadores com maior importância na vinha.

2.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

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Os fitoseídeos são, sem dúvida, os principais agentes de limitação natural das populações de ácaros fitófagos, nomeadamente ácaros tetraniquídeos, embora também exerçam acção importante sobre outros ácaros. Trata-se de predadores dotados de grande mobilidade, podendo ser encontrados na folhagem durante o período vegetativo e ao nível do solo ou no ritidoma, durante o Inverno. Num estudo efectuado na Região Demarcada do Douro (R.D.D.), Kampimo- dromus aberrans foi a espécie de fitoseídeo mais abundante nas vinhas situadas a Norte do Douro e com baixa pressão de pesticidas, enquanto a Sul e em locais mais húmidos dominou Typhlodromus pyri. No Quadro 1 indicam-se as espécies apontadas por Rodrigues (2012) como tendo maior importância na limitação na- tural das populações dos principais ácaros que atacam a vinha.

Quadro 2.1 | Espécies de fitoseídeos com importância na limitação de ácaros fitófagos da vinha (Rodrigues, 2012)

   

Praga

Espécie de fitoseídeo

acariose-do

aranhiço-

aranhiço-

erinose

-nó-curto

-amarelo

-vermelho

Amblyseius andersoni

x

 

x

x

Euseius stipulatus

   

x

 

Kampimodromus aberrans

x

x

x

x

Phytoseius plumifer

   

x

x

Typhlodromus phialatus

 

x

x

 

Typhlodromus pyri

x

x

x

x

Typhlodromus rhenanoides

 

x

x

 

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  • 2.2 | Anistídeos

    • 2.2.1 | Morfologia

Ácaros de dimensões relativamente grandes (até 3 mm de comprimento), cor- po oblongo fazendo lembrar o de um caranguejo, de cor vermelha ou laranja e patas compridas.

  • 2.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os anistídeos são frequentemente observados nas inflorescências da videira, caracterizando-se pelo facto de, quando incomodados, se movimentarem de forma descoordenada e muito rápida. Alimentam-se de ácaros tetraniquídeos, tripes, cigarrinhas e afídeos.

Figura 2.2 | Os anistídeos são importantes predadores de cigarrinha-verde.
Figura 2.2 | Os anistídeos são importantes predadores de cigarrinha-verde.

Figura 2.2 | Os anistídeos são importantes predadores de cigarrinha-verde.

  • 2.3 | Eritraeídeos

    • 2.3.1 | Morfologia

Ácaros de corpo oval, densamente peludo e cor avermelhada; patas longas adaptadas para correr.

2.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

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Os eritraeídeos são parasitas na fase de larva (assemelhando-se a pequenas “car- raças”) e predadores livres, quando adultos; observam-se frequentemente a parasi- tar ninfas de cigarrinha-verde.

Figura 2.3 | Na vinha, observam-se com frequência ninfas de cigarrinha-verde parasitadas por eritraeídeos. Figura 2.4

Figura 2.3 | Na vinha, observam-se com frequência ninfas de cigarrinha-verde parasitadas por eritraeídeos.

Figura 2.3 | Na vinha, observam-se com frequência ninfas de cigarrinha-verde parasitadas por eritraeídeos. Figura 2.4

Figura 2.4 | Os opiliões também são frequentemente parasitados por eritraeídeos.

12 2.2 | Anistídeos 2.2.1 | Morfologia Ácaros de dimensões relativamente grandes (até 3 mm de
12 2.2 | Anistídeos 2.2.1 | Morfologia Ácaros de dimensões relativamente grandes (até 3 mm de
12 2.2 | Anistídeos 2.2.1 | Morfologia Ácaros de dimensões relativamente grandes (até 3 mm de

3

Aranhas e opiliões

3 Aranhas e opiliões

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3 | ARANHAS E OPILIÕES

 
As aranhas e opiliões são aracnídeos e como tal caracterizam-se por: • possuírem quatro pares de

As aranhas e opiliões são aracnídeos e como tal caracterizam-se por:

possuírem quatro pares de patas; terem o corpo dividido em duas partes (cefalotórax e abdómen); serem desprovidos de asas e antenas.

3.1 | Aranhas

 
As aranhas e opiliões são aracnídeos e como tal caracterizam-se por: • possuírem quatro pares de

3.1.1 | Morfologia

As aranhas caracterizam-se por terem o corpo nitidamente dividido em cefalo- tórax e abdómen; a forma e coloração são muito variadas; possuem entre seis e oito olhos, diferindo o número e padrão de distribuição entre famílias.

3.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

As aranhas são os predadores mais frequentemente observados na vinha. Na sua maior parte exercem predação sobre insectos, podendo utilizar várias técnicas para capturar as suas presas: algumas constroem teias, outras saltam, correm ou dissimulam-se no meio em que estão inseridas, usando o factor surpresa para caçar. Muitas espécies vivem na vegetação, enquanto outras vivem na superfície do solo, tendo preferência por solos com resíduos vegetais. A forma do corpo, pa- drão de distribuição dos olhos, tipo de teia que elaboram e comportamento, são características que contribuem para a identificação da família a que pertencem.

As aranhas são os predadores mais frequentemente observados na vinha. Na sua maior parte exercem predação

Na R.D.D., é frequente observarem-se indivíduos das famílias dos salticídeos e tomisídeos a alimentarem-se de insectos nas videiras, embora também se pos- sam ver dictinídeos e araneídeos; no solo são frequentes os clubionídeos e lico- sídeos.

Figura 3.1 | Aranhas frequentemente observadas na vinha: salticídeo (A); tomisídeos (B, C), araneí- deo (D),
Figura 3.1 | Aranhas frequentemente observadas na vinha: salticídeo (A); tomisídeos (B, C), araneí- deo (D),
Figura 3.1 | Aranhas frequentemente observadas na vinha: salticídeo (A); tomisídeos (B, C), araneí- deo (D),
Figura 3.1 | Aranhas frequentemente observadas na vinha: salticídeo (A); tomisídeos (B, C), araneí- deo (D),

Figura 3.1 | Aranhas frequentemente observadas na vinha: salticídeo (A); tomisídeos (B, C), araneí- deo (D), licosídeo (E) e dictinídeo (F).

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Quadro 3.1 | - Aranhas identificadas na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observadas (Carlos et al., dados não publicados; Gonçalves et al., dados não publicados)

 

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Quintas

       

Quintas

 

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

Luíz

Arnozelo

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

Luíz

Arnozelo

S.

S.

Agelenidae

           

Nomisia sp.

x

   

x

x

x

Agelena sp.

x

         

Setaphis carmeli

         

x

Malthonica lusitanica

x

     

x

x

Synaphosus sauvage

         

x

Malthonica sp.

x

     

x

 

Trachyzelotes sp.

   

x

     

Tegenaria bucculenta

x

       

x

Zelotes egregioides

     

x

 

x

Tegenaria montigena

         

x

Zelotes fulvopilosus

         

x

Tegenaria ramblae

x

         

Zelotes fuzeta

 

x

x

   

x

Tegenaria sp.

x

x

x

x

x

x

Zelotes semirufus

x

x

x

x

x

x

Araneidae

           

Hahniidae

           

Mangora acalypha

x

         

Hahnia nava

x

     

x

 

Mangora sp.

x

     

x

 

Linyphiidae

           

Clubionidae

           

Frontinellina frutetorum

x

     

x

 

Clubiona sp.

       

x

 

Meioneta fuscipalpa

x

 

x

 

x

 

Corinnidae

           

Pelecopsis bucephala

   

x

   

x

Castianeira badia

x

         

Prinerigone vagans

       

x

 

Dictynidae

           

Typhochrestus bogarti

       

x

 

Dictyna cf. civica

x

 

x

     

Lycosidae

           

Marilynia bicolor

   

x

 

x

x

Alopecosa albofasciata

x

 

x

     

Nigma sp.

x

x

   

x

x

Arctosa personata

   

x

x

   

Gnaphosidae

           

Arctosa sp.

     

x

   

Callilepis concolor

x

 

x

x

   

Pardosa hortensis

   

x

     

Callilepis sp.

x

     

x

 

Pardosa proxima

x

   

x

   

Gnaphosa alacris

       

x

 

Pardosa sp.

 

x

x

x

 

x

Haplodrassus dalmatensis

   

x

     

Pirata sp.

   

x

     

Leptodrassus albidus

x

     

x

x

Miturgidae

           

Leptodrassex sp.

       

x

 

Cheiracanthium sp.

       

x

 

Micaria albovittata

x

     

x

 

Nemesiidae

           

Micaria sp.

x

x

   

x

x

Nemesia athiasi

 

x

       

Nomisia exornata

     

x

   

Oecobiidae

           
 

Oecobius machadoi

x

         

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Quadro 3.1 (cont.) | - Aranhas identificadas na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observadas (Carlos et al., dados não publicados; Gonçalves et al., dados não publicados)

   

Quintas

 

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

Luíz

Arnozelo

S.

Oonopidae

           

Oonops sp.

   

x

     

Oxyopidae

           

Oxyopes lineatus

   

x

     

Oxyopes sp.

x

 
  • x x

     

Philodromidae

           

Philodromus sp.

x

     

x

 

Thanatus vulgaris

   

x

   

x

Thanatus sp.

x

         

Pisauridae

           

Pisaura sp.

x

     

x

 

Salticidae

           

Ballus sp.

x

     

x

 

Chalcoscirtus infimus

x

       

x

Cyrba algerina

x

         

Euophrys sulfurea

   
  • x x

     

Euophrys sp.

x

         

Evarcha sp.

x

         

Heliophanus sp.

x

     

x

 

Icius subinermis

x

         

Icius sp.

x

     

x

 

Myrmarachne sp.

x

     

x

 

Neaetha sp.

     

x

x

 

Pellenes sp.

         

x

Phlegra sp.

         

x

Salticus scenicus

       

x

 

Scytodidae

           

Scytodes thoracica

         

x

Scytodes velutina

x

 
  • x x

x

   

Scytodes sp.

         

x

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Quintas

 

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

Luíz

Arnozelo

S.

Sicariidae

           

Loxosceles rufescens

         

x

Theridiidae

           

Dipoena sp.

x

     

x

 

Episinus sp.

x

     

x

 

Euryopis episinoides

   

x

 

x

 

Steatoda incomposita

       

x

 

Thomisidae

           

Ozyptila pauxilla

x

x

x

x

   

Ozyptila sp.

x

x

x

x

   

Runcinia grammica

       

x

 

Synema globosum

     

x

   

Synema sp.

x

     

x

 

Tmarus sp.

x

     

x

 

Thomisus sp.

x

     

x

 

Xysticus bufo

x

x

 

x

 

x

Xysticus kochi

   

x

     

Xysticus sp.

x

x

   

x

x

Titanoecidae

           

Titanoeca monticola

     

x

 

x

Uloboridae

           

Hyptiotes sp.

x

         

Uloborus sp.

       

x

 

Zodariidae

           

Zodarion alacre

x

 

x

x

 

x

Zodarion duriense

 

x

x

x

   

Zodarion styliferum

x

x

x

x

x

x

Zodarion sp.

   

x

x

 

x

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3.2 | OPILIÕES

3.2.1 | Morfologia e comportamento

Nos opiliões o corpo, quando visto pelo lado dorsal, parece constituído por uma única região; o abdómen é geralmente segmentado e possuem um par de olhos situados a meio do cefalotórax. Frequentemente perdem uma ou mais patas, num fenómeno denominado autotomia (libertam-se das patas, que se mantêm em movimento, por forma a confundir os predadores).

3.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os opiliões alimentam-se de pequenos insectos, embora algumas espécies também possam consumir material em decomposição (animal ou vegetal) e fun- gos.

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Coleópteros

Figura 3.2 | Os opiliões distinguem-se das aranhas porque o seu corpo parece ser constituído por
Figura 3.2 | Os opiliões distinguem-se das aranhas porque o seu corpo parece ser constituído por

Figura 3.2 | Os opiliões distinguem-se das aranhas porque o seu corpo parece ser constituído por uma única região e por possuírem apenas um par de olhos.

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4 | COLEÓPTEROS

 
Os coleópteros são insectos que se caracterizam por possuírem: • asas anteriores espessadas e endurecidas (designadas

Os coleópteros são insectos que se caracterizam por possuírem:

asas anteriores espessadas e endurecidas (designadas élitros), sob as quais se protegem as asas posteriores que são membranosas; armadura bucal do tipo trituradora. Pela importância que desempenham na limitação natural das populações de inimigos da vinha, destacam-se, na ordem dos coleópteros, as famílias dos coccinelídeos, clerídeos, cantarídeos, malaquídeos, carabídeos e estafilinídeos. De entre estas famílias, a melhor conhecida é sem dúvida a dos coccinelídeos, à qual pertencem os insectos vulgarmente designados “joaninhas”, amplamente utilizadas em programas de luta biológica a nível mundial.

• asas anteriores espessadas e endurecidas (designadas élitros), sob as quais se protegem as asas posteriores

4.1 | COCCINELÍDEOS

4.1.1 | Morfologia

Os adultos possuem corpo arredondado e tamanho pequeno a médio (0,8 a 16 mm de comprimento); as asas são de cores normalmente vistosas, apresentan- do manchas ou desenhos de forma variada. Os ovos têm forma de barrilete, e cor amarelada, que escurece à medida que decorre o desenvolvimento embrionário. As larvas são alongadas, de cores variadas, embora frequentemente escuras, por vezes com manchas amareladas ou alaranjadas; possuem patas bem desenvolvidas; al- gumas espécies apresentam o corpo revestido por secreções cerosas de cor branca. As pupas têm forma hemisférica e cor amarela-acastanhada.

4.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os coccinelídeos são, quer no estado adulto, quer imaturo, maioritariamente preda- dores de insectos de corpo mole como afídeos (espécies afidífagas), cochonilhas (espé- cies coccidífagas) e ácaros (espécies acarífagas). Os ovos são normalmente colocados em grupo junto às colónias de potenciais presas. Quando estas escasseiam, os adultos podem sobreviver à custa de néctar, polén e meladas produzidas por outros insectos; contudo, nestas condições, geralmente não se reproduzem. Na vinha, é particularmente conhecida a limitação natural que exercem sobre co- chonilhas e ácaros, embora também existam espécies que se alimentam de traça- -da-uva.

Figura 4.1 | J oaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata : adulto em postura (A), larva (B), pupa (C)
Figura 4.1 | J oaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata : adulto em postura (A), larva (B), pupa (C)
Figura 4.1 | J oaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata : adulto em postura (A), larva (B), pupa (C)

Figura 4.1 | Joaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata: adulto em postura (A), larva (B), pupa (C) e adulto (D).

Figura 4.1 | J oaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata : adulto em postura (A), larva (B), pupa (C)
Figura 4.1 | J oaninha-de-sete-pintas, Coccinella septempunctata : adulto em postura (A), larva (B), pupa (C)

Figura 4.2 | Adulto de Scymnus interruptus, frequentemente observado em vinhas e, possivelmente, predador de cochonilha-algodão.

Figura 4.3 | As larvas de alguns coccinelídeos têm o corpo coberto de filamentos semelhantes aos da cochonilha-algodão, o que lhes permite exercerem predação sobre este insecto sem serem importunadas por formigas.

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Quadro 4.1 | Coccinelídeos identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observados (Carlos et al., dados não publicados; Gonçalves et al., dados não publicados)

   

Quintas

 

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

S. Luíz

Arnozelo

Adalia (Adalia) bipunctata

x

     

x

x

Adalia (Adalia) decempunctata

x

     

x

x

Clitostethus arcuatus

x

         

Coccinella (Coccinella) septempunctata

x

  • x x

 

x

x

x

Coccinula quatuordecimpustulata

x

       

x

Henosepilachna argus

x

         

Platynaspis luteorubra

x

 

x

 

x

x

Propylea quatuordecimpunctata

x

     

x

x

Rhyzobius chrysomeloides

x

     

x

x

Rhyzobius forestieri

x

     

x

x

Rodolia cardinalis

x

   

x

 

x

Scymnus (Scymnus) bivulnerus

   
  • x x

   

x

Scymnus (Scymnus) interruptus

x

  • x x

 

x

x

x

Scymnus (Mimopullus) marinus

x

     

x

x

Scymnus (Pullus) subvillosus

x

     

x

x

4.2 | CANTARÍDEOS

4.2.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a grande (2 – 30 mm de comprimento), corpo esguio, com coloração que vai desde o amarelado ao vermelho e preto, ge- ralmente pubescente; possuem olhos proeminentes.

4.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os cantarídeos são predadores, quer no estado adulto quer larvar, alimentando-se de outros insectos. Os adultos de algumas espécies também se podem alimentar de pólen e por isso se observam, com frequência, sobre flores.

27

Figura 4.4 | Adultos de cantarídeos.

Figura 4.4 | Adultos de cantarídeos.

Figura 4.4 | Adultos de cantarídeos.

4.3 | CLERÍDEOS

4.3.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho médio (5-12 mm de comprimento), corpo esguio

com coloração variável, apresentando frequentemente manchas ou faixas de co-

res vivas; o protórax é mais estreito do que a cabeça e a base dos élitros; os olhos

são proeminentes.

4.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

São predadores, quer no estado adulto quer larvar, alimentando-se preferen- cialmente de insectos que escavam galerias em casca e troncos (nomeadamente coleópteros); os adultos de algumas espécies também se podem alimentar de pólen, observando-se, com frequência, sobre flores.

Figura 4.5 | Adulto cantarídeo. de Figura 4.5 | Adultos de Trichodes sp., frequentemente observados durante
Figura 4.5 | Adulto cantarídeo. de
Figura 4.5 | Adulto
cantarídeo.
de

Figura 4.5 | Adultos de Trichodes sp., frequentemente observados durante a Primavera, em flores.

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  • 4.4 | MALAQUÍDEOS

    • 4.4.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a médio (3-10 mm de comprimento), e têm o corpo com aspecto mole, alongado, achatado e geralmente mais largo na zona oposta à cabeça; a extremidade do abdómen é geralmente exposta; apre- sentam cores brilhantes.

  • 4.4.2 | Papel no ecossistema vitícola

Enquanto as larvas são exclusivamente predadoras, os adultos alimentam-se sobretudo de pólen e néctar de flores, embora nalgumas espécies também se alimentem de insectos.

Figura 4.6 | Adultos de malaquídeos.

Figura 4.6 | Adultos de malaquídeos.

Figura 4.6 | Adultos de malaquídeos.
  • 4.5 | CARABÍDEOS

    • 4.5.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a grande (1-80 mm de comprimento), com formas e cores variadas, embora a maior parte tenha cores escuras com reflexos metalizados; algumas espécies apresentam os élitros soldados, outras têm o tórax proeminente, frequentemente mais estreito do que o abdómen; as patas são longas, o que lhes permite uma rápida locomoção (raramente voam). As larvas têm corpo alongado, cabeça grande e mandíbulas evidentes.

4.5.2 | Papel no ecossistema vitícola

29

Os carabídeos são predadores tanto no estado adulto como larvar. Vivem essen- cialmente no solo, onde se alimentam de insectos e outros invertebrados. Contudo, também podem subir à vegetação para procurar as suas presas. Os adultos têm hábitos nocturnos escondendo-se, durante o dia, sob pedras, folhas, cascas de ár- vores e outros detritos. Durante uma noite, um carabídeo adulto pode consumir o equivalente ao seu peso.

Figura 4.7 | Adultos de carabídeos. Na vinha, são frequentemente encontrados debaixo do ritidoma das videiras.
Figura 4.7 | Adultos de carabídeos. Na vinha, são frequentemente encontrados debaixo do ritidoma das videiras.

Figura 4.7 | Adultos de carabídeos. Na vinha, são frequentemente encontrados debaixo do ritidoma das videiras.

4.6 | ESTAFILINÍDEOS

4.6.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a grande (1-40 mm de comprimento), e têm o corpo delgado e mole, forma cilíndrica a espalmada; a coloração é normal- mente escura; os élitros são muito curtos e truncados, deixando visível a maior parte do abdómen; frequentemente erguem a extremidade do abdómen, fazendo lembrar pequenos escorpiões.

30

4.6.2 | Papel no ecossistema vitícola

À semelhança dos carabídeos, os estafilinídeos são predadores tanto no estado adulto como larvar; vivem essencialmente no solo, podendo subir à vegetação para caçar.

Figura 4.8 | Adultos de estafilinídeos.

Figura 4.8 | Adultos de estafilinídeos.

Figura 4.8 | Adultos de estafilinídeos.

5

Neurópteros

30 4.6.2 | Papel no ecossistema vitícola À semelhança dos carabídeos, os estafilinídeos são predadores tanto

32

33

5 | NEURÓPTEROS

5 | NEURÓPTEROS

Os neurópteros são insectos que se caracterizam por possuir:

corpo mole; antenas compridas; armadura bucal trituradora; dois pares de asas membranosas e muito nervuradas que, quando em repouso, se dispõem ao longo do corpo, em forma de telhado. As famílias com maior importância, do ponto de vista da limitação natural dos inimigos da vinha, são as dos crisopídeos, hemerobídeos e coniopterigídeos.

• corpo mole; • antenas compridas; • armadura bucal trituradora; • dois pares de asas membranosas

5.1 | CRISOPÍDEOS

5.1.1 | Morfologia

Os adultos são de dimensão pequena a média (cerca de 12 mm de compri- mento) e cor frequentemente verde, por vezes acastanhada ou avermelhada; têm olhos grandes, brilhantes e irisados, de forma semi-esférica. Os ovos, em geral fi-

xos na extremidade de um pedúnculo (colocados isoladamente ou em grupo), são

5.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

de cor branca-esverdeada, que passa a acinzentada no final do desenvolvimento embrionário. As larvas, de dimensão média (cerca de 8 mm de comprimento no máximo desenvolvimento), têm aspecto afunilado, fazendo lembrar vagamente

5.2 | HEMEROBÍDEOS

minúsculos crocodilos; são esbranquiçadas a esverdeadas, com estrias averme- lhadas, castanhas ou negras; apresentam, lateralmente, pequenas verrugas com

5.2.1 | Morfologia

pêlos longos; têm armadura bucal constituída por duas mandíbulas robustas. Os casulos, onde pupam, têm forma esférica, aspecto sedoso e cor esbranquiçada.

Os adultos são de dimensão pequena a média (6-15 mm de comprimento), têm cores sombrias, em geral pardacentas e as asas revestidas por finos pêlos. As larvas têm corpo fusiforme, delgado e alongado.

Os crisopídeos são predadores generalistas, muito abundantes no ecossiste- ma vitícola, onde se alimentam de inimigos da cultura como a traça-da-uva, a cigarrinha-verde, ácaros e cochonilhas. Algumas espécies desta família, como a crisopa-comum, Chrysoperla carnea, são predadoras apenas no estado larvar, alimentando-se, enquanto adultos, de substâncias açucaradas de origem natu- ral (como pólen, néctar e meladas), enquanto outras também são predadoras no estado adulto ou têm comportamento alimentar misto.

5.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os hemerobídeos são predadores tanto no estado larvar como adulto, alimen- tando-se preferencialmente de ácaros e insectos de corpo mole.

34

Figura 5.2 | Adultos de hemerobídeo.

Figura 5.2 | Adultos de hemerobídeo.

Figura 5.2 | Adultos de hemerobídeo.

5.3 | CONIOPTERIGÍDEOS

5.3.1 | Morfologia

Os adultos são de dimensão pequena (2,5-5 mm de comprimento) e aspecto frágil, com o corpo coberto por uma substância pulverulenta esbranquiçada; têm antenas compridas. As larvas, de aspecto piriforme, são afiladas na parte posterior do corpo e têm patas finas e compridas.

5.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os coniopterigídeos são predadores, tanto no estado larvar como adulto, ali- mentando-se de artrópodes de corpo mole como ácaros, cochonilhas e afídeos; os adultos também se podem alimentar de substâncias açucaradas de origem natural, como meladas.

Figura 5.3 | Adulto (à esquerda) e larva (à direita) de coniopterigídeo.
Figura 5.3 | Adulto (à esquerda) e larva (à direita) de coniopterigídeo.

Figura 5.3 | Adulto (à esquerda) e larva (à direita) de coniopterigídeo.

6

Heterópteros

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6 | HETERÓPTEROS

Os heterópteros são insectos que passam por metamorfoses simples, isto é, os estados imaturos, que neste caso se designam ninfas, assemelham-se aos adultos, embora as asas e o aparelho reprodutor não estejam ainda totalmente desenvolvidos. Caracterizam-se por possuírem:

dois pares de asas bem desenvolvidas, sendo que as anteriores têm a parte basal espessada e coriácea (hemiélitros) e as posteriores são totalmente mem- branosas; em repouso a zona apical das asas anteriores fica sobreposta; a parte basal das asas delimita, no tórax, uma zona triangular; armadura bucal do tipo picador-sugador. As principais espécies de heterópteros predadores incluem-se nas famílias dos nabídeos, mirídeos, antocorídeos e reduvídeos. Na vinha observam-se frequente- mente indivíduos pertencentes a duas outras famílias, isto é ligaeídeos e pentato- mídeos, cujo papel se desconhece, mas que, no caso de algumas espécies, poderão também ser predadoras.

36 6 | HETERÓPTEROS Os heterópteros são insectos que passam por metamorfoses simples, isto é, os
36 6 | HETERÓPTEROS Os heterópteros são insectos que passam por metamorfoses simples, isto é, os

6.1 | NABÍDEOS

6.1.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a médio (3-12 mm de comprimento), e

37

têm o corpo delgado, de cor amarelada, acinzentada ou acastanhada; possuem cabeça e rostro alongados, antenas compridas e patas anteriores raptórias, que lhes permitem agarrar as presas; a zona membranosa dos hemiélitros têm di- versas nervuras. As ninfas têm coloração escura, lembrando vagamente formigas.

  • 6.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os nabídeos são predadores generalistas, tanto no estado de ninfa como de adul- to. Alimentam-se de ácaros, cigarrinhas e larvas de lepidópteros; o género Nabis sp. é apontado como sendo importante predador da traça-da-uva.

Figura 6.2 | Os nabídeos são predadores de outras espécies de artrópodos. Nas imagens, adultos de
Figura 6.2 | Os nabídeos são predadores de outras espécies de artrópodos. Nas imagens, adultos de

Figura 6.2 | Os nabídeos são predadores de outras espécies de artrópodos. Nas imagens, adultos de Himacerus sp.

6.2 | MIRÍDEOS

  • 6.2.1 | Morfologia

Os adultos têm dimensões pequenas a médias (até 10 mm de comprimento) e coloração variada (verde, castanha, preta ou vermelha); a nervação da zona mem- branosa do hemiélitro apresenta uma ou duas células fechadas. As ninfas têm aspecto semelhante ao dos adultos, tendo apenas as asas menos desenvolvidas.

  • 6.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Embora a maioria dos mirídeos sejam fitófagos, esta família inclui espécies que são predadoras, tanto no estado adulto como no imaturo, de ácaros, afídeos

38

e outros insectos de corpo mole. Na vinha, destaca-se Malacocoris chlorizans, um importante predador da cigarrinha-verde, cujas ninfas se podem confundir com as da praga. Distinguem-se delas porque, quando incomodadas, movimentam- -se de forma rápida e para a frente, ao contrário das de cigarrinha-verde, que se deslocam de lado e de forma mais lenta.

Figura 6.3 | Ninfa e adulto de Malacocoris chlorizans , predador da cigarrinha-verde.
Figura 6.3 | Ninfa e adulto de Malacocoris chlorizans , predador da cigarrinha-verde.

Figura 6.3 | Ninfa e adulto de Malacocoris chlorizans, predador da cigarrinha-verde.

6.3 | ANTOCORÍDEOS

6.3.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a médio (1,5-5 mm de comprimento), e têm corpo oval alongado e achatado dorso-ventralmente, de cor castanha-escura ou negra brilhante; a nervação da zona membranosa do hemiélitro não possui células fechadas. As ninfas têm forma de pêra e cor amarelada ou castanha - -avermelhada.

6.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os antocorídeos são predadores tanto no estado de ninfa como de adulto. Ali- mentam-se de pequenos artrópodos como tripes, afídeos, cicadelídeos, ácaros, e ovos e lagartas de lepidópteros. Na vinha refere-se o género Orius sp., apontado como predador de ovos e lagartas de traça-da-uva, para além de aranhiço-ver- melho, acariose-do-nó-curto e erinose.

39

Figura 6.4 | Ninfa (à esquerda) e adulto (à direita) de antocorídeo.
Figura 6.4 | Ninfa (à esquerda) e adulto (à direita) de antocorídeo.

Figura 6.4 | Ninfa (à esquerda) e adulto (à direita) de antocorídeo.

6.4 | REDUVÍDEOS

6.4.1 | Morfologia

Os adultos têm tamanho médio a grande (4-40 mm de comprimento), colora- ção escura matizada de castanho, branco, vermelho ou laranja; a cabeça é estreita, dando a impressão de ter um pequeno pescoço; as patas do tipo raptórias são longas e com pêlos finos que ajudam a prender as presas.

6.4.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os reduvídeos são predadores tanto no estado de ninfa como de adulto, ali- mentando-se essencialmente de insectos, nomeadamente afídeos, cigarrinhas e lagartas.

Figura 6.5 | Adulto de Rhynocoris sp.

Figura 6.5 | Adulto de Rhynocoris sp.

40

Quadro 6.1 - Heterópteros predadores identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram obser- vados (Carlos et al., dados não publicados; Gonçalves et al., dados não publicados)

   

Quintas

 

Família/ Espécie

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

S. Luíz

Arnozelo

Anthocoridae

           

Orius (Orius) niger

x

 

x

 
  • x x

x

 

Anthocoris nemoralis

x

     

x

x

Lygaeidae

           

Geocoris (Geocoris) megacephalus

x

     

x

 

Miridae

           

Deraeocoris (Knightocapsus) lutescens

x

     
  • x x

x

 

Heterotoma cf. planicornis

x

     

x

x

Deraeocoris (Deraeocoris) ruber

x

     

x

 

Deraeocoris (Camptobrochis) serenus

x

 

x

x

  • x x

x

 

Nabidae

           

Nabis (Nabis) mediterraneus

x

   

x

x

 

Himacerus (Aptus) mirmicoides

x

     

x

 

Prostemma bicolor

   

x

     

7

Dípteros

40 Quadro 6.1 - Heterópteros predadores identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram

42

43

7 | DÍPTEROS

7 | DÍPTEROS

Os dípteros, ordem a que pertencem insectos como as moscas e os mosquitos, são caracterizados por possuírem:

um único par de asas (as asas posteriores transformaram-se em estruturas com forma de clava, denominadas halteres ou balanceiros); armadura bucal do tipo sugador, adaptada para picar ou lamber; olhos grandes, que ocupam grande parte da cabeça. Nesta ordem destacam-se, pela importância que desempenham na limitação populacional de inimigos da vinha, as famílias dos sirfídeos e dos cecidomídeos, onde se incluem espécies predadoras, e a dos taquinídeos e pipunculídeos, de que fazem parte espécies parasitóides.

• um único par de asas (as asas posteriores transformaram-se em estruturas com forma de clava,

7.1 | SIRFÍDEOS

7.1.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho médio a grande, e têm cores vistosas brilhantes, apresentando listas ou manchas amarelas num fundo escuro por vezes metalizado. Muitas espécies lembram abelhas ou vespas, semelhança que é, por vezes, notável.

Contudo nenhum destes sirfídeos pica. Observam-se frequentemente a pairar so-

bre as flores, batendo as asas com rapidez, lembrando minúsculos helicópteros. Os ovos têm forma oval e cor branca-acinzentada. As larvas têm aspecto vermiforme e coloração muito variada (branca, verde, acastanhada). As pupas têm forma de gota e coloração semelhante à das larvas.

7.2 | CECIDOMÍDEOS

7.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os sirfídeos são predadores apenas no estado larvar, alimentando-se de afí- deos, cochonilhas e outros insectos de corpo mole; os adultos alimentam-se de polén, néctar e outras substâncias açucaradas de origem natural (p. ex.: meladas secretadas por outros insectos). São predadores interessantes do ponto de vista da limitação natural dos inimigos das culturas particularmente porque os adultos possuem grande mobilidade, assegurando uma rápida recolonização das culturas, tanto na Primavera como após a ralização de tratamentos fitossanitários. Nesta família, a espécie Xanthandrus comtus está referida como sendo um importante predador de lagartas de traça-da-uva.

7.2.1 | Morfologia

Os adultos são muito pequenos, de cor acastanhada e com patas relativamente longas comparativamente ao corpo. As larvas têm coloração amarela, laranja ou vermelha.

7.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os cecidomídeos são predadores no estado larvar, enquanto os adultos se ali- mentam de meladas produzidas por outros insectos e de néctar. Na vinha, estes insectos estão referenciados como sendo importantes preda- dores de cochonilha-algodão e de ácaros eriofídeos, responsáveis pela acariose- -do-nó-curto e pela erinose.

44

Figura 7.2 | Na vinha observam-se com frequência larvas de cecidomídeos do género Dicrodiplosis a alimentarem-se
Figura 7.2 | Na vinha observam-se com frequência larvas de cecidomídeos do género Dicrodiplosis a alimentarem-se

Figura 7.2 | Na vinha observam-se com frequência larvas de cecidomídeos do género Dicrodiplosis a alimentarem-se em colónias de cochonilha-algodão (à esquerda). À direita mostra-se um adulto.

7.3 | TAQUINÍDEOS

7.3.1 | Morfologia

Os adultos são de tamanho pequeno a grande (2-20 mm de comprimento), de cor cinzenta-acastanhada e corpo revestido de sedas espessas (muito semelhantes a moscas domésticas). As larvas têm forma cilíndrica e cor esbranquiçada e as pupas têm forma de barrilete e cor castanha.

7.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

Os taquinídeos são importantes parasitóides de lagartas, embora também parasitem insectos de outras ordens como hemípteros, coleópteros e ortópteros. Os ovos são colo- cados na vegetação por forma a serem consumidos pelos hospedeiros, ou na superfície ou interior do corpo deste; o desenvolvimento larvar decorre no interior do hospedeiro; os adultos possuem vida livre e alimentam-se de meladas produzidas por outros insectos e de néctar. Na vinha, são referidos como parasitóides de traça-da-uva.

45

Figura 7.3 | Ovo de taquinídeo sobre o corpo de uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda)
Figura 7.3 | Ovo de taquinídeo sobre o corpo de uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda)

Figura 7.3 | Ovo de taquinídeo sobre o corpo de uma lagarta de traça-da-uva (à esquerda) e adulto correspondente (à direita).

7.4 | PIPUNCULÍDEOS

7.4.1 | Morfologia

Adultos de tamanho pequeno (2-11,5 mm) e coloração escura; olhos compostos muito grandes que ocupam a quase totalidade da cabeça; asas longas e estreitas.

7.4.2 | Papel no ecossistema vitícola

Trata-se de uma família bem conhecida, em parte devido ao facto de as larvas serem, até onde se sabe, parasitóides de auque- norrincos (p. ex.: cicadelídeos e cercopídeos), com excepção dos indivíduos do género Nephrocerus, que parasitam adultos de tipulí- deos. Os adultos alimentam-se de meladas excretadas por auque-

Figura 7.4 | Adulto de pipunculídeo.

Figura 7.4 | Adulto de pipunculídeo.

norrincos. As fêmeas depositam os ovos em ninfas jovens ou, mais raramente, em adultos dos seus hospedeiros. Na vinha, admite-se que possam desempenhar um importante papel na limitação natural de cigarrinha-verde e da cigarrinha-da-flavescência-dourada.

8

Himenópteros

8 Himenópteros

48

8 | HIMENÓPTEROS

Os himenópteros são insectos que se caracterizam por possuírem:

dois pares de asas membranosas e translúcidas, pouco nervuradas, sendo as anteriores maiores do que as posteriores; armadura bucal do tipo triturador ou lambedor-sugador; ovipositor geralmente bem desenvolvido; antenas relativamente longas. Nesta ordem incluem-se insectos como as abelhas, abelhões, vespas e formi- gas, sendo uma ordem associada a importantes serviços do ecossistema, como a polinização e a limitação natural de pragas das culturas. Neste contexto, desta- ca-se o papel desempenhado por “vespinhas” parasitóides, de aparência, biologia e hospedeiros muito diversos, de entre as quais, se referem em particular as es- pécies incluídas nas superfamílias dos calcidóideos, icneumonóideos e crisidóideos.

8.1 | CALCIDÓIDEOS

8.1.1 | Morfologia

Os adultos têm dimensões muito pequenas (0,5-3 mm de comprimento), co- loração escura metalizada (com reflexos azuis, verdes bronzeados ou purpúreos), asas com poucas nervuras e antenas com menos de 14 artículos.

8.1.2 | Papel no ecossistema vitícola

Sendo parasitóides, os estados imaturos dos calcidóideos vivem na dependên- cia de um hospedeiro, enquanto os adultos possuem vida livre e alimentam-se de substâncias açucaradas como pólen, néctar ou meladas. Normalmente parasitam ovos e estados imaturos jovens de insectos. Destaca-se, pela sua importância na limitação natural dos inimigos da vinha, a famílias dos eulofídeos, que inclui o pa- rasitóide Elachertus affinis, considerado o principal inimigo natural da traça-da- -uva na R.D.D.; salientam-se ainda as famílias dos calcidídeos e pteromalídeos, que incorporam parasitóides da traça-da-uva, dos encirtídeos, que compreende parasitóides da cochonilha-algodão, nomeadamente Anagyrus sp. próx. pseudo- cocci, e dos mimarídeos, de que fazem parte parasitóides de cigarrinhas, designa- damente Anagrus atomus, referido como o principal agente de limitação natural da cigarrinha-verde.

49

Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto
Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto

Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto (à direita), considerado o principal parasitóide da traça-da-uva.

Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto
Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto

Figura 8.2 | Adulto de Brachymeria sp., calcidídeo parasitóide de traça-da-uva.

Figura 8.1 | Lagarta de traça-da-uva parasitada pelo eulofídeo Elachertus affinis (à esquerda) e respectivo adulto

Figura 8.3 | Adulto de Anagyrus sp. próx. pseu- dococci, encirtídeo parasitóide da cochonilha-al- godão, comum na R.D.D.

Figura 8.4 | Na família dos mimarídeos incluem- se importantes parasitóides de cigarrinhas-da- -vinha.

50

  • 8.2 | ICNEUMONÓIDEOS

    • 8.2.1 | Morfologia

Adultos de dimensão pequena a grande (1-27 mm de comprimento), de cor negra, castanha ou alaranjada, asas geralmente bem desenvolvidas, com nervação mais desenvolvida do que a dos calcidóideos, e antenas com 13 ou mais artículos.

  • 8.2.2 | Papel no ecossistema vitícola

O comportamento dos icneumonóideos é muito semelhante ao dos calcidói- deos. Pelo papel desempenhado na limitação natural de inimigos da vinha, desta- cam-se nesta superfamília, os icneumonídeos e os braconídeos, onde se conhecem importantes espécies de parasitóides de traça-da-uva.

Figura 8.5 | Adulto de Campoplex capitator , icneumonídeo parasitóide de lagartas de traça- da-uva. Figura

Figura 8.5 | Adulto de Campoplex capitator, icneumonídeo parasitóide de lagartas de traça- da-uva.

Figura 8.5 | Adulto de Campoplex capitator , icneumonídeo parasitóide de lagartas de traça- da-uva. Figura

Figura 8.6 | Adulto de Ascogester quadriden- tata, braconídeo parasitóide de lagartas de traça-da-uva, muito frequente na R.D.D.

  • 8.3 | CRISIDÓIDEOS

    • 8.3.1 | Morfologia

Adultos de dimensão pequena (quase sempre inferior a 7 mm), brilhantemen- te coloridos e com o corpo fortemente esculpido; alguma espécies apresentam dimorfismo sexual acentuado, em que as fêmeas não têm asas e apresentam adaptações morfológicas muito características (p. ex.: terem aparência de formi- gas), enquanto os machos são alados.

8.3.2 | Papel no ecossistema vitícola

51

Pelo papel que podem ter na limitação natural de pragas da vinha, destacam- -se na superfamília dos crisidóideos, as famílias dos driinídeos e betilídeos. Os driinídeos são parasitóides de auquenorrincos e em particular de cigarrinhas, po- dendo desempenhar um importante papel na limitação natural de cigarrinha-ver- de e cigarrinha-da-flavescência-dourada. São das poucas famílias de parasitói- des em que a larva inicia o desenvolvimento no interior do corpo do hospedeiro, desenvolvendo posteriormente uma estrutura em forma de saco, que projecta para fora do abdómen do hospedeiro, onde termina o desenvolvimento. Os be- tilídeos são maioritariamente parasitóides externos (ectoparasitóides) de larvas de coleópteros e microlepidópteros.

Figura 8.7 | Os driinídeos são importantes parasitóides de cigarrinhas da vinha. Nas imagens, observa-se uma
Figura 8.7 | Os driinídeos são importantes parasitóides de cigarrinhas da vinha. Nas imagens, observa-se uma

Figura 8.7 | Os driinídeos são importantes parasitóides de cigarrinhas da vinha. Nas imagens, observa-se uma cigarrinha parasitada (à esquerda) e um adulto de driinídeo (à direita).

Figura 8.7 | Os driinídeos são importantes parasitóides de cigarrinhas da vinha. Nas imagens, observa-se uma

Figura 8.8 | Adulto de betílideo.

52

Quadro 8.1 - Himenópteros identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observados (Carlos et al., 2013; Gonçalves et al., dados não publicados)

     

Quintas

 

Família/ Espécie

Hospedeiro

Carvalhas

Cidrô

Granja

Aciprestes

S. Luíz

Arnozelo

Braconidae

             

Ascogaster quadridentada

traça-da-uva

   

x

 

x

 

Chalcididae

             

Brachymeria sp.

traça-da-uva

x

     

x

 

Encyrtidae

             

Anagyrus próx pseudococci

cochonilha-algodão

     

x

 

x

Ericydnus sp.

cochonilha-algodão

         

x

Leptomastidea sp.

cochonilha-algodão

     

x

 

x

Eulophidae

           

x

Elachertus affinis

traça-da-uva

x

x

x

x

x

x

Ichnemonidae

             

Campoplex capitator

traça-da-uva

x

 

x

 

x

x

9

Medidas de valorização

52 Quadro 8.1 - Himenópteros identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observados
52 Quadro 8.1 - Himenópteros identificados na Região Demarcada do Douro e quintas onde foram observados

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9 | MEDIDAS DE VALORIZAÇÃO

A presença e actuação de inimigos naturais das pragas depende, em grande parte, da criação de condições que assegurem a sua sobrevivência, reprodução e actividade neste ecossistema intervencionado pelo homem.

Deste ponto de vista, deve evitar-se a sua destruição pelos pesticidas, não usando os mais tóxicos para estes auxiliares e, sempre que possível, reduzindo as doses e o número de aplicações dos que for indispensável usar (Anexos 1.1, 1.2, 1.3).

As mobilizações do solo devem ser reduzidas ao estritamente necessário, por afectarem negativamente as populações de artrópodos que aí habitam, como as aranhas, os carabídeos e os estafilinídeos; pela mesma razão, devem evitar-se solos demasiado limpos, aconselhando-se a manutenção dos resíduos resultan- tes dos cortes da vegetação e da trituração da lenha de poda, de forma a criar uma espécie de “mulching” onde esses auxiliares se possam abrigar.

A instalação/manutenção de infra-estruturas ecológicas na parcela ou na sua vizinhança (num raio de cerca de 150 m) é fortemente recomendada por pro- porcionar aos auxiliares locais de abrigo e refúgio, quando as condições lhe são adversas, designadamente em termos climáticos ou em resultado da realização de tratamentos fitossanitários. Incluem-se nestas infra-estruturas os muros de pedra, fendas rochosas, amontoados de lenha e comunidades vegetais como o enrelvamento do solo, pequenos bosques e sebes.

Figura 9.1 | Os muros de pedra e árvores antigas desempenham uma importante função ecológica, ao
Figura 9.1 | Os muros de pedra e árvores antigas desempenham uma importante função ecológica, ao

Figura 9.1 | Os muros de pedra e árvores antigas desempenham uma importante função ecológica, ao providenciar refúgio para a fauna auxiliar da vinha.

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Figura 9.2 | As comunidades vegetais que constituem as matas (A), o revestimento dos taludes (B),

Figura 9.2 | As comunidades vegetais que constituem as matas (A), o revestimento dos taludes (B), as sebes (C) e o coberto da entrelinha (D) são importantes infra-estruturas que providenciam alimento alternativo e abrigo das condições desfavoráveis, à fauna auxiliar.

Para além de servir como local de refúgio, a vegetação herbácea e arbustiva envolvente das parcelas (bordaduras de caminhos, entrelinhas e taludes) dispo- nibiliza aos auxiliares alimento alternativo e/ou suplementar, para quando este é escasso no interior da cultura. As plantas que compõem estas infra-estrutu- ras ecológicas (Anexo 2), podem facultar-lhes néctar e polén (importante para a alimentação de alguns adultos), assim como presas/hospedeiros alternativos, na forma de insectos/ácaros que não atacam a vinha). Os afídeos, por exemplo, frequentemente observados em ervilhacas, leitugas e funcho-bravo, excretam meladas que são extremamente ricas em açúcares e muito importantes para a sobrevivência e reprodução de auxiliares como crisopídeos e sirfídeos. No caso dos ácaros fitoseídeos, a existência nas vinhas, de um coberto vegetal que inclua plantas produtoras de pólen, é particularmente importante para o desenvolvi- mento das suas populações no início do Verão. Os cortes a efectuar a esta ve- getação deverão ser sempre realizados por forma a evitar a sua total destruição e permitir que aqueles organismos se possam refugiar para outros locais (cortes alternados, se possível a partir do centro das parcelas para a bordadura).

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As sebes asseguram a sobrevivência de inúmeras espécies da fauna, tendo importante função na valorização de mimarídeos do género Anagrus, que são dos principais parasitóides de ovos da cigarrinha-verde. Como demonstrado por vários autores, a actuação destes indivíduos na vinha é incrementadas pela pre- sença, na vizinhança das parcelas, de sebes de roseiras-bravas, ameixeiras-bravas, aveleiras e silvas. Por sua vez os ácaros fitoseídeos (K. aberrans e T. pyri) benefi- ciam da presença de sebes que incluam a madressilva, a aveleira, o sabugueiro e o lódão. De notar que K. aberrans, sendo muito sensível aos pesticidas, é frequente nas plantas que constituem as sebes e tem grande facilidade de dispersão pelo vento, o que lhe confere a capacidade de recolonizar rapidamente as parcelas de vinha.

Figura 9.3 | As plantas da família das fabáceas, como a ervilhaca, frequentes no coberto vegetal
Figura 9.3 | As plantas da família das fabáceas, como a ervilhaca, frequentes no coberto vegetal

Figura 9.3 | As plantas da família das fabáceas, como a ervilhaca, frequentes no coberto vegetal herbáceo da vinha, facultam presas às larvas de sirfídeos (à esquerda) e coccinelídeos (à direita), na forma de afídeos que não atacam a cultura, permitindo o seu desenvolvimento atempado.

Figura 9.3 | As plantas da família das fabáceas, como a ervilhaca, frequentes no coberto vegetal
Figura 9.3 | As plantas da família das fabáceas, como a ervilhaca, frequentes no coberto vegetal

Figura 9.4 | Os adultos de sirfídeos alimentam- -se de pólen de plantas da família das asterá- ceas. Na imagem, uma fêmea de Sphaerophoria scripta, um dos sirfídeos mais frequentemente observados na vinha.

Figura 9.5 | As flores de apiáceas, por possuírem nectários expostos, são procuradas por muitos insectos que se alimentam do seu néctar. Na imagem um adulto de crisopa-comum a alimen- tar-se numa inflorescência de cenoura-brava.

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Figura 9.6 | O funcho-bravo é hospedeiro de afídeos, que não atacando a vinha, constituem impor-

Figura 9.6 | O funcho-bravo é hospedeiro de afídeos, que não atacando a vinha, constituem impor- tantes fontes alimentares para os inimigos naturais das pragas. Nas imagens, observam-se ovos de crisopídeos (A) e sirfídeo (B) colocados junto a uma colónia de afídeos, assim como uma larva (C) e um adulto (D) de coccinelídeo Scymnus aptezi a alimentar-se de afídeos.

Figura 9.6 | O funcho-bravo é hospedeiro de afídeos, que não atacando a vinha, constituem impor-

Figura 9.7 | As sebes de madressilvas são par- ticularmente interessantes na valorização dos ácaros predadores, que nelas encontram abun- dância de presas, tal como eriofídeos e tetrani- quídeos, estados imaturos de outros pequenos artrópodos e também pólen.

Figura 9.6 | O funcho-bravo é hospedeiro de afídeos, que não atacando a vinha, constituem impor-

Figura 9.8 | As roseiras-bravas são hospedeiras de cigarrinhas que, não atacando a vinha, permitem a sobrevivência, no Inverno, de parasitóides do género Anagrus. Durante o período de actividade vegetativa, parte da população destes auxiliares desloca-se para a vinha, para parasitar os ovos de cigarrinhas nocivas à cultura, como é o caso da cigarrinha- -verde.

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Referências bibliográficas

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10 | Referências bibliográficas

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Glossário

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11 | Glossário

Abdómen – região do corpo dos artrópodos situada após o tórax ou o cefalotórax consoante se trate de insectos ou de aracnídeos Balanceiros – pequenas estruturas situadas de cada lado do mesotórax, repre- sentando as asas posteriores (dípteros) (ver halteres) Cefalotórax – região do corpo dos aracnídeos constituída por segmentos cefálicos e torácicos Coriáceo – duro como o couro Élitros – asa anterior espessa, coriácea ou córnea (coleópteros) Hemiélitro – asa anterior dos heterópteros Halteres – ver balanceiros Ninfa - estado imaturo dos insectos que passam por metamorfoses simples; estado imaturo de ácaros, possuindo quatro pares de patas Protórax – segmento do tórax dos insectos mais próximo da cabeça, onde se localiza o primeiro par de patas (patas anteriores) Raptórias – modificadas como garras Rostro – estruturas protraídas das peças bucais dos insectos sugadores Tórax – região do corpo situada atrás da cabeça, que apresenta as patas e as asas

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ANEXOS

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Anexo 1.1. | Toxidade de substâncias activas insecticidas e acaricidas homologadas em protecção integrada da vinha em 2013, para os principais inimigos naturais das

Abelhas

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Legenda: Toxidade fauna: Neutro a pouco tóxico; ʘ Medianamente tóxico; Tóxico ou muito tóxico; ? Informação contraditória; -- Informação inexistente; (1) e-phy, 2014; (2) Oliveira et al.,

Aranhas

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Ácaros fitoseídeos

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parasitóides

(1;2)

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Himenópteros

ʘ (2)

Nabídeos

? (1)

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Antocorídeos

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Crisopídeos

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Sirfídeos

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Coleópteros do solo

ʘ (1)

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Coccinelídeos

(1)

pragas das vinhas e polinizadores

Finalidade

       

cigarrinha-da-flavescên- cia dourada; áltica; curculionídeos

   

cigarrinha-da-flavescência

dourada; cigarrinha-verde;

ácaros tetraniquídeos

 

ácaros tetraniquídeos

 

cigarrinha-da-flavescência

cigarrinha-verde

cigarrinha-da-flavescên- cia dourada; áltica; mosca-da-fruta

mosca-da-fruta

 

pirale; formas hibernantes de insectos e ácaros; cochonilhas; ácaros

   

traça-da-uva; pirale

cigarrinha-da-flavescência

cigarrinha-verde

áltica

traça-da-uva

traça-da-uva

cochonilhas

traça-da-uva

ácaros

traça-da-uva

cochonilhas

dourada;

traça-da-uva

traça-da-uva

ácaros

dourada;

SUBSTÂNCIA

ACTIVA

α-cipermetrina

Bacillus thurigiensis

clorantranilipol

clorpirifos

deltametrina

emamectina

(benzoato)

enxofre

fenepiroximato

fenoxicarbe

hexitiazox

imidaclopride

indoxacarbe

lambda-cialotrina

lufenurão

metoxifenozida

óleo de Verão

spinosad

spirodiclofena

tebufenozida

tiametoxame

2014

Legenda: Toxidade fauna: Neutro a pouco tóxico; ʘ Medianamente tóxico; Tóxico ou muito tóxico; ? Informação contraditória; - - Informação inexistente; (1) e-phy, 2014; (2) Oliveira et al., 2014

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Anexo 1.2 | Toxidade de substâncias activas fungicidas homologadas em protecção integrada da vinha em 2013, para os principais inimigos naturais das pragas das vinhas

Abelhas

(1)

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(1)

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Aranhas

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Ácaros fitoseídeos

(1;2)

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