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Quais são as imunidades dos

parlamentares? Podem ser presos?
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Publicado por Luiz Flávio Gomes - 1 dia atrás

A igualdade, no direito penal, é um mito. As pessoas, nessa área, não são tratadas
de forma isonômica. A desigualdade vem do tempo da sociedade aristocrática
(1500-1888). Os iguais (ou considerados tais) pelas elites governantes sempre
tiveram privilégios (de pena menor, de serem julgados pelos seus pares etc.), que
perduraram mesmo durante a república (1889 até os dias atuais). Um dos grupos
escandalosamente privilegiados é o dos parlamentares, que desfrutam (ainda hoje)
de várias imunidades e prerrogativas: (1) inviolabilidade ou imunidade penal (ou
material), (2) imunidade processual, (2) imunidade prisional, (4) foro especial por
prerrogativa de função, (5) imunidade probatória e (6) prerrogativa testemunhal.
Considerando-se que estamos na iminência de saber os nomes de todos os
parlamentares comprovadamente envolvidos no escândalo da Petrobra$ (dizem que
são de 40 a 100), é importe saber a extensão das suas imunidades, observando-se
que elas não impedem de forma alguma a cassação do mandato por falta de decoro
(que é o que deveria ocorrer prontamente – opine usando o “#cassação já”).
02. Imunidade penal e civil. Por força do art. 53, caput, da CF, “Os deputados e
senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos”. Essa imunidade alcança qualquer tipo de manifestação do
pensamento no exercício da função, in officio ou propter officium, dentro ou fora do
Congresso. É a clássica freedom of speech que é protegida. Não há aqui nenhuma
responsabilidade ou qualquer tipo de indenização (nem penal, nem civil). Essa
imunidade não abarca os crimes cometidos pelo parlamentar fora do mandato ou
das suas opiniões, palavras e votos (corrupção ou ofensas eleitorais durante a
campanha, por exemplo). Se a crítica do parlamentar for publicada em órgão da
imprensa, do mesmo modo o fato não gera nenhuma responsabilidade para o
parlamentar (que goza da liberdade de crítica, no exercício da função).
03. Imunidade processual. Está prevista no art. Art. 53, § 3.º, da CF, nestes termos:
“Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a
diplomação (grifei), o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que,
por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus
membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação”. Crime ocorrido
antes da diplomação não permite a suspensão do processo. Sustada a ação penal,
não corre a prescrição (até o final do mandato respectivo). A suspensão do processo
é ato deliberativo interna corporis, unilateral e vinculativo. Nenhum outro Poder
pode (formalmente) tentar interferir nessa decisão. Aqui o Judiciário está
subordinado à deliberação do Legislativo, que é soberano nesse ato.
04. Imunidade prisional. Está prevista no art. 53, § 2.º, da CF: “Desde
a expedição do diploma (grifei), os membros do Congresso Nacional não poderão
ser presos(grifei), salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos

sem nenhum caráter penal): STF. art. 55. resolva sobre a prisão”. Celso de Mello. DJU 19. rel. os membros do Parlamento são sempre julgados pelo STF. Inclusive em crimes eleitorais. sim. pelo voto da maioria de seus membros. Na prática isso significa que o parlamentar não pode sofrer nem prisão preventiva nem temporária. Depois da condenação criminal imposta em sentença transitada em julgado torna-se possível prender o parlamentar assim como decretar a perda do mandato (CF. Há modificação da competência. para que. Aliás. art. a partir da expedição do diploma (CF. 55).10. seu processamento se dará normalmente em primeira instância. 53. Cada uma dessas situações conta com uma disciplina jurídica própria. nas infrações comuns (penso que este tipo de privilégio deveria ser extinto porque incompatível com o Estado republicano). deve o processo ser remetido para o Tribunal de Justiça respectivo (não pode o processo penal continuar na comarca de origem). Note-se que quando o agente é diplomado (ou quando assume funções de parlamentar.). falta de decoro etc. § 1. (b) durante ou (c) depois do exercício da função parlamentar. Foro especial por prerrogativa de função. Saiba mais: O crime do parlamentar pode acontecer (a) antes. salvo em flagrante de crime inafiançável. depois do início da legislatura) altera-se o órgão jurisdicional competente.º).º) deve esse processo ser remetido para o STF (no caso de parlamentar federal). art. nas suas infrações funcionais. Pet. O foro especial por prerrogativa de função não alcança causas de natureza civil (protesto judicial. mesmo assim muda-se a competência (porque a prerrogativa de função prepondera sobre a competência do Júri. salvo em crime inafiançável (crimes mais sérios como racismo.serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva. Vejamos: A) crime cometido antes da diplomação do parlamentar: se havia processo em andamento. 53. 53. art. Quem delibera sobre a manutenção (ou não) da prisão em flagrante por crime inafiançável é a Casa respectiva (pelo voto da maioria de seus membros). p. o parlamentar é julgado pela respectiva Casa Legislativa (CF.2001. por exemplo. ou seja. sendo submetidos a julgamento perante o STF (CF.448-6. em se tratando de parlamentar estadual ou distrital. 05. do próprio Poder Legislativo. VI). 2. Muitas pessoas estão perguntando se os parlamentares envolvidos na corrupção da Petrobra$ podem ser presos (como os executivos foram). A cassação por falta de decoro não é ato do STF. Os parlamentares têm o vergonhosoforo especial por prerrogativa de função. hediondos etc. Cuidando-se de ação com natureza civil contra parlamentar. Ainda que o caso tramitasse antes pelo Tribunal do Júri. não sendo o caso de se invocar o foro especial por prerrogativa de função. salvo se já cassado anteriormente pela própria Cada legislativa (por falta de decoro parlamentar). Resposta: enquanto não condenados definitivamente não. É a freedom from arrest. nem tampouco cabe prisão em flagrante. Nos seus “crimes” de responsabilidade. § 1. salvo se o foro especial foi .

cabe ao Conselho de Ética já dar início ao processo de cassação por falta de decoro. Quando o parlamentar é acusado. 07. Respeitado o direito de defesa. Indigne-se e opine: #casssacaoja. O parlamentar também conta com certa imunidade probatória. C) crime cometido após o exercício das funções: não conta com foro especial (Súmula 451 do STF). 221). § 6. Havendo provas indiciárias (sérias). Tão relevante quanto votar é lutar concretamente pela destituição do eleito corrupto ou incompetente.php?v=409640179187478 Publicação by Fimdopoliticoprofissional. no entanto. Tal regra tem o propósito de preservar sua liberdade de atuação assim como a independência do Parlamento. o processo retorna para a origem. bem como durante o exercício das funções:para esses delitos vale o foro especial por prerrogativa de função. encerrada a função sem que tenha havido julgamento. Sem mobilização popular. Veja o vídeo que gravei sobre #CassacaoJa  https://www. hora e local de sua oitiva (CPP. É uma aberração deixar que o parlamentar envolvido na citada corrupção (de forma provada) continue exercendo seu mandato. . O ex-parlamentar é processado normalmente em primeira instância. Com isso nossa democracia seria menos corrupta e o povo não correria o risco de novos delitos praticados por eles. nada disso vai acontecer (porque essa cassação é do próprio Parlamento). contemplados em algumas Constituições estaduais – Súmula 721 do STF). Como testemunhas. será interrogado no dia designado pelo Tribunal. De qualquer modo. 53. 06. nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações (CF.com/video. B) crime cometido após a diplomação. não é obrigado a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato. art. art. Esse processo não depende do STF (nem do início do processo neste tribunal). todos esses parlamentares deveriam ser cassados prontamente.º). acaba o foro especial. A cassação (por falta de decoro) cumprirá o mesmo papel do “recall” (que ainda não existe no direito brasileiro). Cassação do parlamentar comprovadamente envolvido na corrupção da Petrobra$: as imunidades analisadas não impedem a cassação do parlamentar comprovadamente envolvido na corrupção da Petrobra$. 08. Essa prerrogativa só é deferida às testemunhas.estabelecido exclusivamente em Constituição estadual – como é o caso dos vereadores. Imunidade probatória.facebook. isto é. os parlamentares podem combinar com o juiz o dia. Prerrogativa testemunhal. Mas cessadas as funções.

Fundador da Rede de Ensino LFG. Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. [ assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 [agenda de palestras e entrevistas] ] . Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983).Luiz Flávio Gomes Professor Jurista e professor.